Clipping Diário

04 | Agosto | 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   04/08/2026

A CSN (CSNA3) apresentou uma prévia operacional do segundo trimestre de 2026 que veio ligeiramente acima das expectativas para o resultado operacional, mas acendeu um alerta entre os analistas por conta da deterioração do caixa. Com isso, as ações da siderúrgica tiveram queda de 6,82%, a R$ 4,51, na sessão desta segunda-feira (3).

Segundo o Goldman Sachs, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) implícito da companhia ficou 3% acima do consenso de mercado, mas a geração de caixa foi pior que o esperado. A dívida líquida aumentou R$ 3,5 bilhões no trimestre, contra uma estimativa do banco de alta de R$ 1,2 bilhão.

A equipe do Goldman destacou que a CSN segue enfrentando uma combinação desafiadora de endividamento elevado, necessidade de investimentos e resultados operacionais pressionados. Com os preços atuais das commodities, o Goldman estima que a companhia poderá consumir R$ 9,3 bilhões em caixa nos próximos 12 meses.

Para os analistas, a estratégia anunciada pela empresa de venda de ativos, com objetivo de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, pode não ser suficiente para resolver as necessidades financeiras da companhia.
Troca de dívida aumenta custo financeiro

A prévia foi divulgada junto com uma operação de gestão de passivos. A subsidiária CSN Inova aprovou uma oferta para trocar US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida com vencimento em 2028 por novos papéis com prazo até 2030.

Embora a operação ajude a alongar o prazo dos vencimentos, o Goldman avalia que ela eleva a pressão financeira da companhia.

O banco mantém recomendação de venda para as ações da CSN, com preço-alvo de R$ 4,30 por ação em 12 meses.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2026

Novos sinais de inflação em baixa, no final de julho, reforçam a esperança de juros mais contidos até o final deste ano, propiciando melhores condições de consumo, de crescimento econômico e de emprego no início do novo mandato presidencial, em 2027. Com recuo de 1,16% em julho, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acumulou aumento de 2,08% no ano e de 2,76% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Se a tendência se mantiver, empresas, famílias e governo terão motivos para comemorar.

Houve recuo mensal nos preços por atacado (-1,74%) e estabilidade nos preços ao consumidor (-0,01%). Especialmente importante para as famílias foi o arrefecimento dos preços da alimentação, com baixa mensal de 0,74% depois de elevação de 1,06%. Os custos da habitação, também com muito peso no orçamento familiar, subiram 0,35%, depois de terem aumentado 0,64% no mês anterior.

Apesar dessas mudanças, o desafio permanece. Os preços ao consumidor aumentaram 4,03% em 12 meses, ficando pouco abaixo do teto (4,5%) e bem acima do centro da meta oficial (3%). Para alcançar esse alvo o governo ainda tem de batalhar– bem mais do que até agora – pela estabilização de preços.

No começo do mês, a mediana das projeções do mercado ainda apontou uma alta de 5,03% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o principal indicador oficial de inflação. Para o final do próximo ano a estimativa é de 4,22%, segundo o boletim Focus do início de agosto, editado pelo Banco Central (BC). Para 2028 a indicação é de 3,80%.

Esse boletim continua mostrando, para este e para os próximos dois anos, a combinação de aumento de preços ainda acima da meta e crescimento econômico medíocre. De acordo com os cálculos do mercado, o Produto Interno Bruto (PIB) – agregação de valor dos bens e serviços gerados em cada período – deve aumentar 1,99% em 2026, 1,57% em 2027 e 2,00% em 2028. São números medíocres para um grande emergente como o Brasil.

Com a inflação persistente e em grande parte alimentada pelo gasto federal, os juros básicos devem manter-se elevados e cair lentamente – para 13,75% no final deste ano, para 12% em 2027 e 10,50% em 2028, segundo a projeção do mercado. Mas a redução provavelmente só ocorrerá se os dirigentes do BC julgarem possível apostar em contas públicas mais controladas e, portanto, mais favoráveis à contenção dos preços.

CNN Brasil - SP   04/08/2026

O setor industrial da China cresceu em julho no ritmo mais lento dos últimos quatro meses, com a produção e os novos pedidos apresentando um aumento mais lento, enquanto os pedidos de exportação voltaram a crescer após contração, segundo uma pesquisa do setor privado nesta segunda-feira.

O PMI (Índice de Gerentes de Compras) do RatingDog para a indústria da China, compilado pela S&P Global, caiu de 51,7 em junho para 50,9 em julho, ficando abaixo da previsão dos analistas de 51,5. A marca de 50 separa crescimento de contração.

Uma pesquisa oficial divulgada na sexta-feira (31) mostrou que a atividade industrial da China entrou inesperadamente em contração em julho, reforçando as preocupações com a desaceleração do crescimento, a fraqueza da demanda interna e os elevados custos de produção.

Os líderes chineses se comprometeram, em uma reunião no final de julho, a apoiar a economia acelerando os gastos fiscais em projetos de infraestrutura já orçados para o restante do ano, em vez de planejar novas medidas de estímulo de grande porte.

A pesquisa privada mostrou que o crescimento dos novos pedidos desacelerou para o ritmo mais fraco desde janeiro. Os novos pedidos de exportação voltaram a crescer após contração em maio e junho, embora o aumento tenha sido apenas marginal.

As empresas industriais contrataram pessoal pelo segundo mês consecutivo, com o ritmo de criação de empregos sendo o mais rápido desde agosto de 2023.

Os estoques de compras aumentaram pelo oitavo mês consecutivo, a sequência mais longa desde 2006-2007, levando as empresas a reduzir as atividades de compra pela primeira vez desde novembro de 2025.

A carteira de pedidos aumentou pelo sexto mês consecutivo, embora no ritmo mais lento desse período.

As pressões sobre os preços diminuíram ainda mais. A inflação dos preços dos insumos desacelerou para o menor nível em seis meses, enquanto os preços de venda permaneceram praticamente estáveis.

As empresas continuavam otimistas em relação à produção nos próximos 12 meses, segundo a pesquisa.

Money Times - SP   04/08/2026

O Bank of America (BofA) revisou sua projeção para a trajetória da taxa Selic e passou a esperar dois cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), levando os juros dos atuais 14,25% para 14% em agosto e 13,75% em setembro. Até então, o banco projetava que o ciclo de flexibilização terminaria já na próxima reunião, com a Selic em 14%.

A mudança ocorre após uma sequência de dados mais favoráveis para a inflação e sinais de desaceleração da atividade econômica. Segundo o BofA, esse cenário passou a oferecer espaço para uma flexibilização adicional da política monetária.

Ainda assim, o banco espera que o Copom adote uma postura cautelosa e mantenha aberta a possibilidade de um corte em setembro, sem necessariamente sinalizar antecipadamente que ele ocorrerá.
Inflação melhora, mas riscos permanecem

Um dos principais motivos para a revisão foi a melhora do quadro inflacionário. O BofA destacou a sequência de surpresas baixistas na inflação cheia e a leitura mais benigna do IPCA-15 de julho, além de sinais iniciais de moderação da demanda doméstica.

Com isso, o banco reduziu sua projeção para o IPCA de 2026 de 5,5% para 5%. Apesar da revisão, a instituição ressaltou que o processo de desinflação ainda não está completo.

As expectativas de inflação continuam acima da meta nos horizontes relevantes, enquanto riscos relacionados ao El Niño, às tarifas de eletricidade e aos preços de energia podem dificultar a convergência da inflação. Para o BofA, esses fatores justificam uma comunicação mais cautelosa por parte do Banco Central.
Atividade econômica também abre espaço

O outro elemento que pesou na revisão foi a atividade econômica. Para o BofA, os dados recentes passaram a ser mais compatíveis com uma perda gradual de ritmo, embora o mercado de trabalho ainda permaneça apertado.

A instituição avalia que a demanda doméstica deixou de acelerar, o que ajuda a criar espaço para uma redução adicional do grau de restrição monetária. Ao mesmo tempo, a força do mercado de trabalho exige que o Copom continue dependente dos próximos dados antes de definir os passos seguintes.

Nesse cenário, o BofA passou a esperar que o ciclo de cortes avance até setembro e, depois disso, entre em uma pausa prolongada, com a Selic estacionada em 13,75%.

Globo Online - RJ   04/08/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) — formado por diretores do Banco Central (BC) e liderado pelo presidente da instituição, Gabriel Galípolo — inicia hoje a reunião de dois dias que vai definir a taxa básica de juros (Selic) do Brasil.

Atualmente, a taxa está em 14,25% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira.

Os agentes financeiros aguardam um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic no Copom desta semana diante da melhora na inflação, o que levaria a Selic para 14%, em linha com a precificação do mercado.

O BC também deve manter as opções em aberto para as próximas reuniões, sem sinalizações concretas, dada a elevação das expectativas de inflação e a incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio, segundo analistas.

Também existe a expectativa de que o comunicado seja ajustado para retirar trechos considerados confusos da reunião anterior.

Economistas e gestores avaliam que o alívio na inflação favorece a extensão do processo chamado pelo Banco Central de “calibração” da taxa básica. A leitura do IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado e apresentou desaceleração dos núcleos — medidas que excluem itens voláteis como alimentos e energia.

O indicador também apontou a dissipação do choque do petróleo, provocado pelo conflito no Irã, e a perda do vigor do impulso fiscal, com bom comportamento dos preços de serviços e bens industriais.

Do lado da atividade, os números têm surpreendido para baixo. Os dados de vendas no varejo, volume de serviços e produção industrial de maio ficaram todos aquém das expectativas do mercado.

A tendência na comunicação é de que o Copom reconheça a melhora na inflação e a moderação na atividade no curto prazo. No entanto, deve seguir sem sinalizar próximos passos mantendo a cautela com as expectativas de inflação, que seguem acima da meta na Focus, e manter o balanço de riscos assimétrico dado o nível de incerteza.

Preocupação adicional

Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, disse em evento na semana retrasada que há “uma preocupação adicional” sobre as expectativas, o que recomenda permanecer com juros restritivos por um período mais longo.

Casas como JPMorgan, Banco Inter e Meraki Capital avaliam extensão do ciclo pelo menos até setembro — aposta que passou a ser majoritária na curva de juros futuros.

Sobre projeções, o Itaú Unibanco espera que o BC siga prevendo inflação em torno de 3,2% no horizonte relevante, que passa a ser o primeiro trimestre de 2028.

Mudança na comunicação

Na reunião passada, o comunicado do BC foi criticado por apresentar trechos considerados confusos pelo mercado — como a referência de maneira antecipada à rolagem do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028, período em que as projeções de inflação estariam mais baixas, aspecto lido como dovish (menos contracionista). Além disso, incluiu uma referência a trajetórias alternativas de juros — parte que o comitê pode descartar da comunicação.

— É bastante provável que o Banco Central retire o trecho, que ficou o mais confuso no comunicado anterior — disse Daniela Lima, economista para Brasil da Kinea.

Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazi, segue a mesma linha:

— Acredito que aquele trecho que gerou bastante confusão deve cair, imagino que eles vão ser mais objetivos. Questões mais complexas e que demandam uma explicação maior, eles devem deixar para ata.

Relatório assinado pelo economista-chefe do Itaú Unibanco, Diogo Guillen, avalia que o Copom deve manter a porta aberta, sinalizando dependência de dados e ausência de forward guidance explícito.

“Acreditamos que o Banco Central deve preservar a opcionalidade, sem se comprometer com próximos passos, com a comunicação do comitê buscando simplificação em relação aos comunicados recentes”, diz o relatório.

O Itaú Unibanco avalia que a comunicação do BC deve enfatizar serenidade e cautela diante do cenário de incerteza, desancoragem e riscos elevados, indicando manutenção de restrição monetária adequada para convergência da inflação à meta.

Daniela Lima, economista para o Brasil da Kinea Investimentos, avalia que BC irá seguir na estratégia de deixar as comunicações mais em aberto, “sem se amarrar à próxima reunião”:

— Vimos surpresas baixistas na inflação de curto prazo, e o comunicado deve reconhecer isso ao tratar das incertezas. A questão principal é que o Copom deve manter o tom de calibração, e o mercado deve seguir na dúvida sobre se haverá ou não um próximo corte.

MINERAÇÃO

Exame - SP   04/08/2026

A Cedro Mineração vai investir R$ 3,5 bilhões na expansão de sua operação em Mariana (MG) para ampliar a produção de minério de ferro de alta qualidade e atender à crescente demanda global por matérias-primas voltadas à descarbonização da siderurgia.

O projeto prevê ampliar a capacidade produtiva da unidade, fortalecer a infraestrutura logística e acelerar a transição para a produção de pellet feed — um minério fino com elevado teor de ferro e baixos níveis de impurezas, utilizado na fabricação de pelotas para siderúrgicas de menor emissão de carbono.

Hoje, a unidade produz cerca de 3 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Com a expansão, a expectativa é alcançar 11 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos e superar a marca de 20 milhões de toneladas em até cinco anos.

“O Brasil se encontra em uma posição estratégica de destaque na produção de minério de alta pureza, o que pode compensar desafios logísticos em relação a mercados asiáticos, como a China. A qualidade do produto brasileiro é um diferencial frente a concorrentes internacionais”, disse o vice-presidente Comercial, de Estratégia e Projetos da empresa, Fabiano Carvalho.

A estratégia acompanha uma transformação em curso na indústria global do aço. Pressionadas por metas cada vez mais rígidas de redução de emissões, siderúrgicas da Europa, da Ásia e do Oriente Médio buscam fornecedores capazes de entregar matérias-primas adequadas a rotas produtivas de menor carbono.

Nesse cenário, o Brasil reúne vantagens competitivas importantes. Além de contar com grandes reservas de minério de ferro de alta qualidade, o país possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a América Latina concentra cerca de um quinto das reservas mundiais de minério de ferro, incluindo jazidas adequadas às novas rotas de produção de aço de menor emissão. O Brasil responde por 90% do comércio regional do produto.

É justamente nesse contexto que a Cedro busca ampliar sua presença no mercado internacional. A companhia pretende migrar gradualmente da produção de sinter feed — minério utilizado nos altos-fornos convencionais — para pellet feed. Até o fim da década, a meta é concentrar toda a operação em pellet feed para redução direta, matéria-prima destinada a processos siderúrgicos menos intensivos em carbono.

Conhecido no setor como “minério verde”, o pellet feed de alta qualidade vem ganhando espaço à medida que fabricantes de aço buscam reduzir emissões e aumentar a eficiência produtiva. Segundo a Cedro, seu uso pode contribuir para reduções de até 50% nas emissões em determinadas rotas siderúrgicas de menor carbono. A maior concentração de ferro e a menor presença de impurezas também ajudam a reduzir o consumo de energia e a geração de resíduos durante a produção do aço.

Logística de baixo impacto reforça competitividade

A estratégia da companhia vai além do aumento da produção. Parte relevante dos investimentos será destinada à infraestrutura logística, considerada fundamental para reduzir custos operacionais, aumentar a eficiência do escoamento e diminuir as emissões associadas ao transporte do minério.

O projeto inclui a implantação de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD) e a construção de um terminal próprio no Porto de Itaguaí (RJ), criando uma estrutura integrada entre mina, ferrovia e porto.

Com aproximadamente 20 quilômetros de extensão, o transportador substituirá carretas no deslocamento do minério entre a mina e a conexão ferroviária. A estrutura terá capacidade para movimentar entre 1.800 e 2.000 toneladas por hora e poderá operar de forma contínua.

A Cedro estima que a retirada dos caminhões das estradas evitará a emissão de aproximadamente 54 mil toneladas de dióxido de carbono. O sistema será abastecido pela rede elétrica de Minas Gerais e contará com motores regenerativos, capazes de produzir energia nos trechos de descida.

Além de reduzir o consumo de diesel, a iniciativa deve diminuir o tráfego de veículos pesados, a emissão de poeira e o ruído nas comunidades localizadas ao longo do trajeto.

“O modelo curvo elimina a necessidade de construir prédios estruturais a cada mudança de direção, o que gera economia de capital, reduz as intervenções civis no terreno e diminui a geração de poeira durante o transporte do minério”, afirma Ricardo Jeunon, diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração.

Conhecido como overland curvo, o sistema permite que a correia faça desvios horizontais para contornar montanhas e vales. A inspeção será realizada por um robô equipado com inteligência artificial e sensores de vibração, temperatura e velocidade. Toda a operação também será monitorada remotamente por uma sala de controle.

O terminal próprio no Porto de Itaguaí deve ampliar o controle da companhia sobre o escoamento da produção e facilitar o atendimento aos compradores internacionais. Ao integrar mina, correia transportadora, ferrovia e porto, a empresa busca reduzir custos logísticos e a pegada de carbono associada ao transporte do minério até o embarque.

Produção sem barragens atende novas exigências do mercado

A competitividade no mercado de minério de ferro para descarbonização não depende apenas da qualidade do produto. Cada vez mais, compradores internacionais avaliam também a forma como o minério é extraído, beneficiado e transportado.

A cobrança acompanha o tamanho do desafio enfrentado pela siderurgia, responsável por cerca de 7% a 8% das emissões globais de gases de efeito estufa. Em 2024, cada tonelada de aço produzida gerou, em média, 2,18 toneladas de CO2 equivalente, considerando as emissões diretas e indiretas dos escopos 1, 2 e 3.

Na prática, isso significa que as metas de descarbonização das siderúrgicas não se limitam às usinas. Elas se estendem a toda a cadeia de fornecimento, aumentando a procura por empresas capazes de reduzir e monitorar impactos ambientais desde a mineração até a entrega da matéria-prima.

Na operação de Mariana, a Cedro utiliza filtragem e empilhamento a seco. O processo retira parte da água presente nos rejeitos e permite seu armazenamento sem a necessidade de barragens. Segundo a companhia, a tecnologia possibilita reaproveitar cerca de 85% da água utilizada no beneficiamento.

A expansão prevê que toda a produção adicional da unidade seja destinada ao pellet feed de alta qualidade. Mais do que elevar a capacidade produtiva, o projeto busca preparar a operação para atender siderúrgicas de mercados com exigências ambientais cada vez mais rigorosas e fortalecer a posição da Cedro entre potenciais parceiros internacionais.

Para o Brasil, o avanço desse mercado representa a oportunidade de transformar uma vantagem geológica em uma vantagem comercial.

Infomoney - SP   04/08/2026

Os contratos futuros de minério de ferro caíram pela sétima sessão consecutiva na bolsa de Dalian nesta segunda-feira, pressionados pela demanda persistentemente fraca das siderúrgicas chinesas e pelo aumento dos estoques portuários.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China registrou queda de 2,85%, para 698 iuanes (US$103,37) por tonelada.

A referência de minério de ferro para setembro na Bolsa de Cingapura recuava 2,33%, para US$93,65 por tonelada.
A taxa de operação dos altos-fornos da China caiu 0,24 ponto percentual, para 81,85%, na semana passada, enquanto a lucratividade das usinas retraiu 0,86 ponto percentual, para 33,77%, de acordo com a consultoria Mysteel.

Os preços do aço acabado estavam sob pressão, com as principais usinas chinesas Zhongtian Steel e Jiangsu Yonggang reduzindo os preços do vergalhão e do fio-máquina em 100 iuanes por tonelada para o início de agosto, segundo dados da Mysteel.

A recuperação dos preços do minério de ferro no início de julho, impulsionada por greves nas minas e outras interrupções no abastecimento, reverteu-se com o recuo da demanda por aço, e os fundamentos passaram a apresentar uma tendência amplamente negativa para o terceiro trimestre, afirmaram analistas da corretora chinesa Galaxy Futures em nota.

Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses aumentaram 0,37% em relação à semana anterior, para 156,46 milhões de toneladas, segundo dados da consultoria Steelhome.

Os embarques globais entraram em um período sazonalmente mais fraco, mas permanecem elevados, mantendo intacto o excesso de oferta, afirmaram os analistas da Galaxy Futures.

O ânimo do mercado também foi afetado depois que a reunião do Politburo da China, no final de julho, ficou aquém das expectativas do mercado quanto a novos estímulos, afirmaram analistas da Shanghai Metals Market em uma nota.

Infomoney - SP   04/08/2026

O Ibovespa fechou julho aos 177.999 pontos, alta de 3,47% no mês. Foi a primeira valorização mensal depois de quatro meses seguidos de perdas, ainda que o índice siga longe do recorde de 198.657 pontos marcado em 14 de abril. Olhando para frente, agosto começa carregado: o Copom decide o rumo da Selic nesta quarta-feira e o mercado conhece os balanços de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Petrobras (PETR4) até a quinta-feira.

Nesse intervalo, o investidor decide onde colocar o dinheiro destinado a ações em agosto. Todo mês, o InfoMoney reúne as carteiras recomendadas das principais casas do País para mostrar quais ações concentram mais indicações.

Em agosto, a liderança ficou com a Vale (VALE3), presente em seis das oito carteiras. Na outra ponta da lista está a Gerdau (GGBR4), com quatro indicações, depois de acumular a quinta maior alta do Ibovespa no mês. Confira as ações mais indicadas para agosto, seus retornos em julho e o que as corretoras enxergam nelas agora:
A Vale é a principal escolha do Santander em siderurgia e mineração. Em relatório, o banco escreve que a escolha nasce da “preferência por minério de ferro vs. aço”. A casa elevou a projeção de preço do minério para 2026 de US$ 100 para US$ 105 a tonelada. O banco vê a ação da Vale a um “valuation ainda razoável”, com EV/Ebitda de 4,3 vezes para 2026, 34% abaixo da média dos pares, e dividend yield (retorno com dividendos) de 6,5%.
Itaú (ITUB4)

O Itaú entrega os números do 2T26 nesta terça-feira, e o Andbank não espera movimentos bruscos. No 1T26, o banco registrou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões e ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de 24,8%, sustentados por menor carga tributária, com receitas de serviços mais fracas e maiores provisões. Para o Andbank, foi um trimestre “sem surpresas relevantes e sem mudanças significativas na perspectiva para 2026”, e a expectativa é de um ROE “praticamente no mesmo patamar” no segundo trimestre.
Bradesco (BBDC4)

Além do balanço do 2T26, previsto para a quarta-feira, o banco anunciou um aumento de capital para agosto por meio de uma oferta de ações. O Andbank descreve o 1T26 como um resultado “sólido”, com crescimento de lucro e melhora de rentabilidade sustentados pela expansão da margem financeira e do crédito, apesar da leve deterioração da inadimplência e do aumento das provisões. A leitura é de “trajetória operacional positiva”, ainda que “sem grande potencial de surpresa para o mercado diante das expectativas já elevadas”.

Embraer (EMBJ3)

A tese da Terra Investimentos está na carteira de pedidos, que “reforça a previsibilidade de resultados para os próximos anos”. A corretora aponta o crescimento da demanda por aeronaves regionais e executivas e diz que o avanço em eficiência produtiva e o controle de custos vêm sustentando “recuperação consistente de margens e geração de caixa”, com redução gradual da alavancagem financeira. A companhia informou no fim de julho que a carteira de pedidos (backlog) fechou o segundo trimestre em US$ 34,5 bilhões, alta de 16% em um ano. O preço-alvo da Terra em 12 meses é de R$ 95; a ação encerrou julho a R$ 86,89.
Gerdau (GGBR4)

A Gerdau chega a agosto depois de subir 19,58% em julho, o quinto maior ganho do Ibovespa no mês. Para a Terra, a operação repartida entre Brasil e Estados Unidos dá à companhia exposição equilibrada a “diferentes ciclos econômicos”, com expectativa de recuperação gradual da demanda industrial e de infraestrutura, sobretudo no mercado norte-americano. A corretora destaca disciplina operacional, controle de custos e geração de caixa sustentando “margens resilientes” em um cenário ainda desafiador para commodities, além de baixa alavancagem e capacidade consistente de pagar dividendos. O preço-alvo é de R$ 28, ante os R$ 24,98 do fechamento de julho.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   04/08/2026

A Dongfeng Motor inicia hoje sua escalada no mercado brasileiro, apresentando dois carros iniciais e, a partir deles, o DFM BOX e o Vigo, o complemento da estratégia comercial para os concessionários. Tudo isso antes mesmo do primeiro contato com a imprensa.

A novata chinesa desembarca inicialmente com os carros 100% elétricos, que dão os primeiros passos para a fabricante em um dos segmentos que mais crescem no país, o dos automóveis 100% da tomada.

O DFM Box, com 4,03 metros de comprimento, combina dimensões compactas com bom aproveitamento interno e porta-malas de 326 litros. Retrato do novo que vimos de perto no Salão de Pequim deste ano.

O modelo utiliza um motor elétrico de 95 cv e 16,3 kgfm de torque, alimentado por uma bateria de 42,3 kWh com promessa de mais de 310 quilômetros de autonomia no ciclo WLTP.

O carro tem tudo que um chinês bem comportado apresenta: bom acabamento, central multimídia de 12,8 polegadas, câmera 360 graus, carregador de celular por indução e pacote de assistências à condução no modelo mais completo.

O SUV DFM Vigo posiciona a Dongfeng alguns degraus acima do Box, mirando consumidores que querem um veículo mais alto com espaço a bordo, característica natural de um utilitário da cidade.

Suas medidas são 4,30 metros de comprimento, com entre-eixos de 2,71 metros e porta-malas de 500 litros. A máquina elétrica desenvolve 163 cv e aproximadamente 24 kgfm de torque, com velocidade máxima de 150 km/h.

Dependendo da versão, utiliza baterias LFP de 51,5 kWh ou 54 kWh, oferecendo autonomia entre 340 e 350 quilômetros pelo ciclo WLTP e até 470 quilômetros no padrão chinês CLTC. Vamos esperar para ver.

Outro diferencial do Vigo é a tampa traseira bipartida, cuja parte inferior suporta até 150 kg e pode ser utilizada como banco ou plataforma de apoio.
Portfólio

Nesta segunda-feira (3), a partir das 9h, em São Paulo, os lojistas vão ter contato com a expansão do portfólio e submarcas. A rota de crescimento mira o que vem fazendo a BYD e Omoda & Jaecoo, por exemplo.

Os revendedores já nomeados e os candidatos aos próximos pontos vão entender mais dos SUVs Mage e Huge, os modelos premium da divisão Voyah — Dreamer, Courage e Passion —, além da linha M-Hero, voltada para utilitários de luxo com proposta off-road. A DFM ainda poderá falar da segunda fase pós anúncio da produção que serão os caminhões compactos e comerciais.
O tamanho da DFM

O planejamento que inclui uma fábrica no Brasil já está estruturado e segue o ritmo dentro da companhia, que foi fundada em 1969. A Dongfeng possui polos industriais em Wuhan, Shiyan, Xiangyang e Guangzhou e já produziu perto de 60 milhões de veículos.

Na China, no primeiro semestre de 2026, a DFM ocupou a 7ª posição entre os maiores grupos automotivos, com 1,021 milhão de veículos vendidos. O fabricante ficou atrás da SAIC, BYD, Geely, FAW, Chery e Changan.

Em 2025, vendeu aproximadamente 2,4 milhões de unidades. Desse total, mais de 1,5 milhão foram das marcas próprias, que já representam cerca de 63% das vendas do grupo.
Receita bilionária

Com receita anual de 416 bilhões de yauns (cerca de R$ 313 bilhões) e 120 mil colaboradores, o "império" chinês inclui as marcas Aeolus/Fengshen, eÏ€, Nammi/Nano, Voyah e M-Hero, além das operações e joint ventures com Honda, Nissan e Stellantis. As duas últimas em conversas com os chineses no Brasil.

A Dongfeng é controlada pelo governo central, com carros de passeio, elétricos, caminhões, ônibus, componentes, tecnologia própria e tem presença em mais de cem países.

No país de Xi Jinping, já foi uma das três maiores montadoras e atualmente perdeu mercado para BYD, Geely, por exemplo. Por essa e outras razões comerciais é que ela vai para cima dos concorrentes no mercado brasileiro começando com 60 lojas e finalizando 2027 perto dos 200 revendedores.

Jornal de Brasília - DF   04/08/2026

As vendas das montadoras chinesas de veículos elétricos avançaram em julho. A BYD, rival da Tesla, cresceu mais de 20%, enquanto a maioria das demais registrou ganhos moderados.

A BYD foi a maior vendedora, com 419.211 unidades comercializadas no mês passado, alta de 22% ante o mesmo período de 2025, informou a empresa no domingo. As exportações da montadora mais do que dobraram em julho, para 180.538 veículos de nova energia – categoria que inclui elétricos e híbridos.

A NIO também teve um desempenho forte: as entregas em julho dispararam 71%, para 35.934 veículos.

Na Geely Automobile, as vendas mensais subiram 5,0%, para 250 161 veículos.

A XPeng entregou 38.027 veículos em julho, alta de 4,0% na comparação anual.

A Great Wall Motor, por sua vez, vendeu 34.651 veículos de nova energia no mês, leve avanço ante 34.593 um ano antes.

A Li Auto esteve entre as exceções com desempenho mais fraco: somou 30.468 vendas em julho, queda de 0,9% em relação a um ano antes.

CNN Brasil - SP   04/08/2026

Impulsionado pela expansão das montadoras orientais e pelo avanço da eletrificação, o pódio de vendas do varejo no mês de julho foi totalmente dominado por automóveis 100% elétricos de origem chinesa. No centro desse movimento, a BYD alcançou o melhor resultado mensal de sua história no país, emplacando 23.465 unidades no mercado total e consolidando-se na quarta colocação do ranking geral de montadoras, com 9,1% de participação.

Pela primeira vez no país, os três veículos mais vendidos no varejo (compra efetuada diretamente pelo consumidor nas concessionárias) foram modelos elétricos e chineses. A liderança ficou com o BYD Dolphin (5.861 unidades), seguido pelo Geely EX2 (5.707 unidades) e pelo BYD Dolphin Mini (5.537 unidades), superando modelos tradicionais a combustão fabricados no país.

No recorte de vendas por marca no varejo, a BYD liderou o mercado nacional com 17.139 licenciamentos (12,6% de participação), superando fabricantes como Volkswagen, Fiat e General Motors.

Ao somar as vendas diretas às de varejo no ranking geral de emplacamentos de automóveis e comerciais leves, quatro modelos de origem chinesa figuraram entre os dez mais vendidos do país:

6ª posição: BYD Dolphin Mini (7.265 unidades)

8ª posição: BYD Song (6.834 unidades)

9ª posição: BYD Dolphin (6.492 unidades)

10ª posição: Geely EX2 (5.707 unidades)
O avanço da GWM e a disputa dos SUVs

O segmento de SUVs também refletiu o avanço das fabricantes chinesas. A família BYD Song isolou-se na liderança geral da categoria, com 6.834 unidades licenciadas em julho. A segunda posição ficou com o GWM Haval H6 (5.671 unidades), enquanto o Omoda Jaecoo 7 garantiu a quinta colocação do segmento.

A GWM registrou outro marco expressivo ao alcançar o melhor desempenho mensal de sua história no país, com 9.297 emplacamentos. O volume colocou a empresa na 8ª posição do ranking nacional de montadoras, à frente de grandes montadoras tradicionais como Jeep e Renault.

Destaque também para o Haval H6, que liderou a categoria de SUVs dos segmentos C e D ao superar o Jeep Compass, e para o SUV de grande porte Haval H9, que registrou 1.183 unidades emplacadas, assumindo a liderança de um segmento historicamente dominado pelo Toyota SW4.
O peso estratégico do Brasil no mapa global

Os números nacionais ganham relevância quando observados sob a ótica internacional. Segundo informações da Reuters, a BYD comercializou 419 mil veículos globalmente em julho, dos quais cerca de 180 mil foram destinados a mercados fora da China.

Com 23.465 unidades emplacadas no mercado brasileiro durante o período, o Brasil responde por mais de 13% das vendas globais da fabricante fora de seu mercado doméstico. O dado reforça o papel estratégico do mercado brasileiro no plano de expansão internacional da marca, que inclui investimentos na estrutura fabril em Camaçari, na Bahia, e na ampliação de sua rede de distribuição local.

Globo Online - RJ   04/08/2026

A venda de carros eletrificados, categoria que inclui elétricos puros e veículos híbridos, atingiu novo patamar em julho, com 61.781 unidades comercializadas, o equivalente a 23,3% do mercado de carros zero. O levantamento foi feito pela consultoria automotiva Bright Consulting e revela que se trata de um novo patamar recorde, com crescimento de 123% no acumulado no ano.

De acordo com a consultoria, em junho, haviam sido vendidos 53.863 automóveis eletrificados e, em julho de 2025, haviam sido 24.569 unidades. No acumulado do ano, o segmento já totaliza 303.831 unidades vendidas, frente aos 136.008 em 2025 — o que configura um avanço de 123%.

A fatia das marcas chinesas equivale a 23% do mercado de carros em julho, considerando também os veículos que não são elétricos. É um avanço expressivo frente aos 19,8% de junho.

Os números mostram que, em julho, foram vendidos 25.764 carros elétricos puros (BEV, da sigla em inglês Battery Electric Vehicle - BEV). Nessa categoria, a chinesa BYD lidera, com 14.760 unidades comercializadas (57,3% do total), sendo o modelo Dolphin Mini o mais vendido, com 7.265 unidades.

Já entre os veículos híbridos plug in, (Plug-in Hybrid Electric Vehicle, PHEV, na sigla em inglês) foram vendidas 19.842 unidades (32,10% do total). Também a BYD é líder nesse segmento, com 8.703 unidades vendidas (43,9% do total), sendo o Song Pro o mais procurado com 4.156 unidades.

Na categoria dos veículos Hybrid Electric Vehicle (HEV, ou Veículo Elétrico Híbrido), que combina um motor a combustão e um motor elétrico foram vendidos 9.824 unidades, o equivalente a 15,90% do total.

Entre os Mild Hybrid Electric Vehicle (MHEV), ou híbrido leve (também chamado de semi-híbrido), que junta um motor a gasolina ou diesel com um motor elétrico bem pequeno, foram comercializadas 5.797 unidades (9,40% do total).

Já entre os Range Extended Electric Vehicle (REEV, ou Veículo Elétrico com Extensor de Autonomia), em que as rodas são movidas exclusivamente por um motor elétrico, enquanto um motor a combustão serve apenas como gerador para recarregar a bateria, foram vendidas 554 unidades ou 9,40% do total.

Segundo a Bright Consulting, a eletrificação segue como o principal vetor estrutural do mercado, com elevada concentração da BYD nos powertrains puramente elétricos e plug-in — "o que representa risco de dependência da cadeia, mas também confirma a força competitiva da marca no segmento", diz a análise da consultoria.

A BYD informou que o mês de julho foi o melhor de sua história no Brasil em vendas, consolidando a marca na quarta posição do ranking geral de montadoras no país, com sua participação de mercado mais do que dobrando em um intervalo de um ano – salto de 4,3% para 9,1%.

Foram 23.465 veículos da BYD emplacados no mercado total em julho, um crescimento de 142,4% em relação a igual período no ano passado, quando a empresa comercializou 9.680 unidades.

Já a GWM Brasil também informou que alcançou em julho o melhor desempenho mensal de sua história no país. Foram 9.297 veículos emplacados, um novo recorde desde o início das operações da marca. O resultado garantiu à empresa a 8ª posição no ranking nacional de vendas.

Mercado total também cresceu

Considerando todo o mercado mercado brasileiro de veículos leves, julho encerrou com 264.775 emplacamentos, alta de 1,6% sobre junho (que teve vendas de 260.498) e avanço de 15% sobre julho de 2025 (230.227).

No acumulado do ano, o setor chega a 1,6 milhão de unidades emplacadas, 18,9% acima do mesmo período de 2025 (1,3 milhão).

"Os números seguem positivos e claramente acima das projeções iniciais para 2026, sustentados pela combinação de recuperação do índice de confiança do consumidor, avanço acelerado dos eletrificados (que já representam 23,3% do mercado e cresceram 123% no acumulado do ano) e forte entrada de novos modelos chineses, cuja participação atingiu 23,0% em julho", explica a consultoria.

Julho teve 23 dias úteis, contra 21 em junho e 23 em julho de 2025. Mesmo com dois dias úteis a mais que junho, o volume avançou apenas 1,6% — o que significa que a média diária de vendas caiu de 12.405 unidades em junho para 11.512 em julho, recuo de 7,2%.

  MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2026

O mercado de retroescavadeiras vem registrando números expressivos no Brasil, segmento puxado principalmente por fatores como investimento na construção civil, atuação do agronegócio e demanda das locadoras. Segundo a Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema), no ano passado foram vendidas 10.673 retroescavadeiras no País.

Trata-se de um setor essencial da indústria de equipamentos de construção, porque as retroescavadeiras conseguem combinar capacidades de escavação e carregamento em aplicações na construção, no campo e nos serviços públicos.

Nesse contexto, a JCB, líder mundial em retroescavadeiras e manipuladores telescópicos, lançou o modelo 3CX PLUS para atender toda a América Latina. Ela substitui a consagrada 3CX – produzida no Brasil desde 2016 –, trazendo mais tecnologia embarcada e melhorias como robustez, ergonomia, versatilidade e produtividade. Tudo dentro do conceito da empresa “PLUS força, PLUS inteligência e PLUS resultado”.

Fabricada na unidade da JCB em Sorocaba (SP) com tecnologia britânica, a 3CX PLUS tem um projeto que levou 24 meses para ser desenvolvido com a colaboração de profissionais de engenharia de Brasil, Índia e Inglaterra. O modelo tem como público-alvo principal o segmento de construção, locadoras de equipamentos e agronegócio.

A estratégia da companhia é clara: aumentar ainda mais a liderança no segmento. Afinal, de cada dez retroescavadeiras vendidas no País, três são JCB. Com a 3CX PLUS, a meta é elevar essa proporção para quatro.

As mudanças em comparação à antecessora são nítidas em cada detalhe. A cabine, com certificação de segurança ROPS/FOPS, foi totalmente redesenhada para oferecer praticidade de sobra ao operador, que passa a desfrutar de maior conforto térmico graças aos 21 difusores do novo sistema de climatização.

O assento ficou mais ergonômico, contando com encosto de cabeça removível e ajustável, apoios de braço e suporte lombar anatômico para reduzir a fadiga do operador. O modelo é equipado com caçamba frontal GP de 1,1 m³ e traseira Heavy Duty de 32 polegadas, com braço extensível opcional.

Outras soluções foram desenvolvidas para aumentar a comodidade do operador, como a coluna de direção escamoteável e ajustável e a transmissão EasyShift de acionamento eletromecânico para ciclos mais rápidos, que é dotada de alavanca giratória seletora de marchas localizada ao lado do volante. A alavanca única da carregadeira também possui um interruptor integrado FNR (frente/neutro/ré), que permite ao operador mudar o sentido de movimento da máquina sem tirar a mão dos comandos. Não é só: o display LCD fornece informações em tempo real sobre os parâmetros da máquina, velocidade e marcha.

Na parte mecânica, a 3CX PLUS se destaca pela força do motor JCB Dieselmax 444 de 92 hp de potência e torque máximo de 408 Nm a 1.200 rpm. Para otimizar a produtividade, os três modos de operação (ECO, Standard e Power) do motor atuam em conjunto com o novo sistema hidráulico de bomba de pistão com deslocamento variável de série, capaz de atingir uma vazão de 150 l/min. O conjunto assegura redução no consumo de combustível de até 20% em relação à geração anterior.

Além da segurança operacional, o controle tecnológico é prioridade na 3CX PLUS. O modelo incorpora freios Power Brakes com acionamento via linha hidráulica secundária (tecnologia similar à do modelo 4CX), o que eleva a eficiência e a estabilidade mesmo em frenagens bruscas. Complementando a segurança com inteligência de gestão, a máquina de 8.320 kg de peso operacional traz de série o JCB LiveLink. Esse sistema de telemetria, com uso gratuito por cinco anos, monitora as atividades em tempo real e fornece relatórios completos, permitindo ao proprietário analisar minuciosamente o desempenho e a eficiência da retroescavadeira.

Por trás do funcionamento impecável do equipamento, existe um pós-venda que não deixa o cliente na mão. A JCB mantém a maior rede autorizada de distribuidores do segmento de construção, com 67 pontos estrategicamente instalados no País.

Com mais de 40 mil itens disponíveis, o Centro de Distribuição da marca está na região de Jundiaí (SP), importante polo logístico do País com acesso fácil a rodovias e aeroportos. A partir de agosto, a capacidade crescerá 50%, com o intuito de estocar maior número de peças e suprir o mercado de maneira ainda mais adequada.

Além disso, o cliente conta com os Planos de Manutenção Assegurada JCB White Shield e Black Shield, que fazem a cobertura de óleos, filtros e mão de obra especializada oferecidos em toda a rede autorizada de distribuidores. Com o lançamento da 3CX PLUS, a JCB dá mais um passo para consolidar o planejamento que visa dobrar sua operação até 2030. Em 2024, a empresa anunciou investimentos de R$ 500 milhões no País, sendo R$ 360 milhões destinados à modernização da fábrica de Sorocaba (SP).

CIMM - SP   04/08/2026

A fabricante chinesa Sany concluiu a montagem e entregou as primeiras escavadeiras e veículos comerciais produzidos em sua fábrica de Campinas (SP). O complexo industrial ocupa uma área de 350 mil metros quadrados e conta, nesta primeira fase, com duas linhas de montagem: uma dedicada à produção de escavadeiras e outra voltada para veículos comerciais. A capacidade instalada é de 3,5 mil unidades por ano, sendo 1,5 mil escavadeiras e 2 mil veículos comerciais.

Segundo a Sany, a fabricação local permitirá reduzir custos com logística e tarifas de importação, além de diminuir os prazos de entrega e ampliar a competitividade da empresa na região. A unidade de Campinas também reúne operações de produção, vendas e serviços.

Atualmente, cerca de 80% dos funcionários da Sany Brasil são contratados no mercado local, e a companhia mantém uma rede de dezenas de distribuidores em diferentes regiões do país. A fábrica já gerou aproximadamente 200 empregos diretos.

De acordo com Cao Te, presidente da Sany para a América Latina, e Chen Wei, gerente-geral do projeto, as linhas de produção da primeira fase já estão plenamente operacionais, enquanto o planejamento da segunda etapa da fábrica já foi iniciado. A empresa pretende incorporar novas categorias de produtos nos próximos anos para ampliar seu portfólio no mercado brasileiro.

A expectativa da fabricante é transformar a unidade de Campinas em um polo regional de produção, atendendo não apenas o mercado brasileiro, mas também outros países da América Latina com equipamentos produzidos localmente.
Sany Banco

Outro reforço à estratégia da empresa é o início das operações do Sany Banco, autorizado pelo Banco Central em 2025 e em funcionamento desde o início de 2026. A instituição oferece soluções de financiamento voltadas aos clientes da fabricante, integrando crédito, equipamentos e serviços.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   04/08/2026

Três projetos metroferroviários em desenvolvimento em estados da região Nordeste do país deram passos para a sua implantação ou modernização nas últimas semanas.

Um deles, na Bahia, iniciou operação assistida de trens, enquanto outro, no Piauí, recebeu um dos três novos trens previstos. Um terceiro, em Sergipe, assinou acordo para a implantação de um sistema de transporte sobre trilhos.

O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Salvador iniciou a operação assistida no final de junho e, em meados de julho, ampliou o funcionamento com viagens também aos sábados.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF desde 1940.

O primeiro trecho tem cerca de quatro quilômetros entre Calçada e Lobato, passando por seis pontos de embarque e desembarque de passageiros.

A previsão é que o sistema, que atenderá Salvador e municípios da região metropolitana, esteja em plena operação em 2028.

O governo prevê três trechos de VLT: da Ilha de São João à Calçada, de Paripe a Águas Claras e de Águas Claras à orla de Piatã, numa rota total de 36,4 quilômetros, com 34 paradas. O investimento total previsto é de R$ 5 bilhões.

Os trens utilizados pertenciam ao VLT de Cuiabá, que nunca foi concluído, mesmo depois de ter consumido R$ 1 bilhão em recursos. Era a principal obra de mobilidade na capital mato-grossense para a Copa do Mundo de 2014.

Também em julho, o Ministério dos Transportes assinou acordo de cooperação técnica para os estudos da implantação de um VLT na região metropolitana de Aracaju, obra que deve ter custo superior a R$ 700 milhões.

De acordo com o governo federal, o objetivo da iniciativa é projetar o futuro transporte de passageiros na capital do estado em trechos cedidos a partir da transferência da área da concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) para o Governo de Sergipe.

A previsão é que, além da capital, sejam contemplados os municípios de São Cristóvão, Laranjeiras e Nossa Senhora do Socorro.

Em São Cristóvão, a prefeitura assinou uma ordem de serviço no dia 30 de junho para as obras de restauração da estação ferroviária, local em que o VLT passará.

O projeto prevê participações do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O primeiro fará o levantamento patrimonial e a transferência da área ao governo sergipano, enquanto a ANTT deverá conduzir os procedimentos ligados à concessão da ferrovia.

O Brasil chegou no ano passado a 1.144,7 quilômetros de extensão nos trilhos urbanos, ante os 1.137,5 quilômetros registrados no ano anterior, e tem atualmente 20 projetos em execução ligados à rede metroferroviária, distribuídos em nove regiões metropolitanas e previstos para os próximos dois anos.

Os dados constam do balanço anual feito pela ANPTrilhos (Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos), que congrega as empresas ligadas às operações de trens urbanos, metrôs, monotrilho e VLTs no país.

Os 20 projetos totalizam 138,7 quilômetros de extensão, deverão ter 123 pontos para embarque e desembarque de passageiros entre estações e pontos de parada e têm previsão de entrega entre este ano e 2028.

Se concretizados, contribuirão para acelerar o transporte de passageiros sobre trilhos, que no ano passado cresceu somente 7,2 quilômetros, ritmo abaixo do necessário.

Além dos dois VLTs, no fim de junho a Marcopolo Rail enviou a primeira das três composições do modelo Prosper City para a CFLP (Companhia Ferroviária e de Logística do Piauí).

Dois dos trens serão formados por dois carros de passageiros (360 pessoas), enquanto um terá três carros (540 lugares). Todos vão operar na linha 1, que conecta a região sudeste de Teresina ao centro da capital, num percurso de cerca de 17 quilômetros.

As principais características do carro de passageiros é ser leve, ter embarque em plataforma elevada de 1,10 m, portas amplas e áreas envidraçadas.

Por dia, o sistema ferroviário piauiense transporta cerca de 8.000 passageiros atualmente.

NAVAL

Veja - SP   04/08/2026

Criado durante o primeiro governo Lula para ser um dos motores da retomada da indústria naval no país, o Estaleiro Atlântico Sul — formado pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, em sua origem — operou durante anos nas proximidades do Porto de Suape, em Pernambuco, até ser tragado pelas investigações de corrupção descobertas na Petrobras.

A Operação Lava-Jato revelou, a partir de delações premiadas e provas obtidas com ex-operadores do PT, que a gigantesca estrutura de construção de sondas para a Petrobras escondia um bilionário propinoduto destinado a enriquecer políticos e a abastecer o caixa dois das campanhas petistas e de seus aliados. Várias empreiteiras — inclusive as do estaleiro — estavam no esquema que ficou conhecido como “Clube do Bilhão”.

Quando o esquema ruiu e os contratos sumiram, o estaleiro entrou em recuperação judicial, tendo de lidar com uma dívida de mais de 1,3 bilhão de reais. A volta de Lula e do PT ao Planalto, no entanto, vem, aos poucos, mudando as coisas para o estaleiro — que voltou a fechar contratos.

Recentemente, o Atlântico Sul decidiu avançar num projeto bilionário de construção de um terminal portuário privado na área concedida pela União para operação de construção e manutenção de navios. No atual negócio, o estaleiro atua na reforma e manutenção de embarcações. Com um porto, no entanto, seus ganhos se multiplicariam.

Precisando fazer caixa, o estaleiro decidiu monetizar o espaço que recebeu da União colocado em negociação uma área de 40 hectares para estruturação do novo empreendimento, formado por um terminal de movimentação de granéis líquidos, como combustíveis, e outro para cargas em geral.

O avanço do projeto na burocracia estatal chama a atenção das autoridades e também da empresa que administra o Porto de Suape. Num recurso, a operadora denunciou o desvio de finalidade do terreno, que deixou de ser usado para construção de navios para ser explorado como terminal privado de cargas.

Argumentou que os donos do novo empreendimento teriam generosas vantagens comerciais com o negócio em concorrência com o terminal de contêineres de Suape. Afinal, o tradicional porto público organizado paga tarifas portuárias e valores de arrendamento, enquanto o novo porto privado teria custos de operação muito menores.

Concessionária do Porto de Suape, a empresa International Container Terminal Services (ICTSI) alertou o governo Lula, no fim do ano passado, sobre as irregularidades e o “insanável desvio de finalidade na ocupação irregular de terreno da União localizado no Terminal de Suape (PE), com grave e urgente dano ao interesse público e ao Erário”.

A partir da denúncia, a Secretaria Nacional de Portos, vinculada o Ministério dos Portos e Aeroportos, oficiou a Secretaria de Patrimônio da União para obter dados sobre o desvio de finalidade do terminal do estaleiro. Nada, no entanto, foi feito.

O projeto vem avançando em Suape, já com a solicitação de operação do terminal privado enviada à Antaq, sem que as autoridades e o governo Lula atuem no caso.

PETROLÍFERO

Valor - SP   04/08/2026

Queda da commodity ajudou a impulsionar tomada de risco em Nova York, mas limitou ganhos do Ibovespa, que fechou estável com perdas da Petrobras

A percepção de que os Estados Unidos e o Irã possam estar mais perto de uma saída diplomática para o conflito no Oriente Médio fez o preço do Brent voltar a negociar abaixo de US$ 84 ontem, marcando um recuo de quase 5% após a commodity disparar 20% em julho. O alívio no risco geopolítico ocorreu depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou ataques previstos ao Irã e afirmou que havia um esboço de acordo, embora Teerã tenha negado a informação.

No fim do dia, o petróleo tipo Brent com vencimento em outubro teve queda de 4,73%, cotado a US$ 83,77 por barril, enquanto o WTI para setembro recuou 5,11%, a US$ 80,34 por barril.

O otimismo de investidores de que Washington e Teerã consigam encontrar uma solução diplomática garantiu fôlego adicional às bolsas de Nova York, em um pregão em que a valorização de “big techs” ajudou a embalar a maior parte dos ganhos em Wall Street. O Nasdaq disparou 2,13%, aos 25.913,896 pontos; o índice Dow Jones marcou nova máxima histórica de fechamento, com alta de 1,32%, aos 53.178,41 pontos; e o S&P 500 fechou perto de seu recorde, ao subir 1,48%, aos 7.600,50 pontos.

O movimento mais positivo, porém, não foi seguido pelo Ibovespa, que encerrou no zero a zero, sob o peso das perdas nas ações da Vale e da Petrobras. O dólar continuou a ganhar força contra o real, em linha com o desempenho visto em outros mercados mais líquidos. Já os juros cederam lá fora e aqui, com o alívio nos preços do petróleo.

Na renda fixa doméstica, a queima de prêmios de risco provocou um achatamento da curva a termo, quando as taxas oferecidas para prazos mais curtos e mais longos ficam muito próximas. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 teve baixa de 13,86% a 13,81%; e a do DI de janeiro de 2031 exibiu forte queda de 14,38% a 14,19%.

Juros não necessariamente vão ficar parados, mas ajuste será próximo do mínimo que o BC está sinalizando”

— Felipe Salles

Para participantes do mercado, a dinâmica refletiu uma retirada de posições de investidores estrangeiros que apostavam na inclinação da curva local. Na visão deles, a diminuição do risco geopolítico já no começo de uma semana que deve ser de corte da Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central foi o gatilho para esse movimento.

A queda dos juros futuros no pregão, no entanto, não foi capaz de impulsionar a bolsa local, em um pregão em que a queda de Vale e de Petrobras jogou contra o índice. Assim, a bolsa encerrou no zero a zero, aos 178 mil pontos.

Já o dólar à vista subiu 0,34%, a R$ 5,0870. Lá fora, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, oscilava +0,05%, aos 99,960 pontos, perto do fim do pregão.

O rendimento da T-note de dois anos, por sua vez, cedia para 4,248%, de 4,304% no fechamento anterior, e o da T-note de dez anos recuava para 4,690%, de 4,740%.

TN Petróleo - RJ   04/08/2026

Em junho de 2026, o Brasil produziu 5,842 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) de petróleo e gás natural. Os dados foram divulgados hoje (3/8) pela ANP no Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural.

Com relação ao petróleo, foram extraídos 4,475 milhões de barris por dia (bbl/d), um aumento de 4% na comparação com o mês anterior e 19,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

A produção de gás natural em junho foi de 217,35 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Houve crescimento de 5,5% frente a maio e de 19,7% na comparação com junho de 2025.

Pré-sal

A produção total (petróleo + gás natural) no pré-sal, em junho, foi de 4,788 milhões de boe/d e correspondeu a 82% da produção brasileira. A produção teve variação positiva de 4,2% em relação ao mês anterior e de 24% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Foram produzidos 3,699 milhões de bbl/d de petróleo e 173,19 milhões de m³/d de gás natural por meio de 198 poços.

Aproveitamento do gás natural

Em junho, o aproveitamento de gás natural foi de 97%. Foram disponibilizados ao mercado 64,36 milhões de m³/d e a queima foi de 6,63 milhões de m³/d. Houve aumento de 12,9% na queima, em relação ao mês anterior, e de 10,1% na comparação com junho de 2025.

O aumento da queima se deve, principalmente, ao comissionamento da plataforma P-79, no campo de Búzios.

Origem da produção

No mês, os campos marítimos produziram 98,1% do petróleo e 87,6% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 87,08% do total produzido. A produção teve origem em 6.579 poços, sendo 608 marítimos e 5.971 terrestres.

Campos e instalações

No mês de junho, o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo, registrando 1,02 milhão de bbl/d. Já campo de Mero, também na Bacia de Santos, foi o maior produtor de gás natural, com 48,73 milhões de m³/d.

As instalações com as maiores produções foram o FPSO Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, para o petróleo (253.801 bbl/d); e o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, para o gás (13,36 milhões de m³/d).

Sobre o Boletim da Produção de Petróleo e Gás

Além da publicação tradicional em .pdf, é possível consultar os dados do boletim de forma interativa utilizando a tecnologia de Business Intelligence (BI). A ferramenta permite que o usuário altere o mês de referência para o qual deseja a informação, além de diferentes seleções de períodos para consulta e filtros específicos para campos, estados e bacias.

Variações na produção são esperadas e podem ocorrer devido a fatores como paradas programadas de unidades de produção em função de manutenção, entrada em operação de poços, parada de poços para manutenção ou limpeza, início de comissionamento de novas unidades de produção, dentre outros. Tais ações são típicas da produção de petróleo e gás natural e buscam a operação estável e contínua, bem como o aumento da produção ao longo do tempo.

Acesse o Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural: https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins-anp/boletim-mensal-da-producao-de-petroleo-e-gas-natural

Agência Brasil - DF   04/08/2026

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (3) a descoberta de um poço de gás em uma área de grande potencial em águas profundas na Colômbia. A concentração de gás fica no poço exploratório Sandia-1, no bloco GUA-OFF-0, na Bacia de Guajira.

Sandia-1 fica a 42 quilômetros (km) da costa, a uma lâmina d’água (distância entre a superfície do mar e o leito marinho) de 1.251 metros. O poço fica a 70,7 km da cidade de Santa Marta.

A companhia já tinha descoberto reservatórios de grande potencial próximos à nova localização. Sandia-1 fica a 18 km do poço Sirius-1 e 9 km do poço Copoazu-1.

A perfuração do poço foi iniciada em 12 de junho e alcançou a profundidade final na última quarta-feira (29).
Atuação em consórcio

A Petrobras atua na exploração e produção de petróleo e gás na Colômbia por meio da subsidiária Petrobras International Braspetro B.V – Sucursal Colômbia (PIB-COL).

A exploração na Bacia de Guajira é feita em consórcio com a estatal colombiana Ecopetrol. Os colombianos detêm 55,56% do consórcio, e os brasileiros, 44,44%. Apesar de minoritária, a Petrobras é a operadora da exploração no bloco.

De acordo com a companhia, a descoberta “reforça o potencial de gás no offshore [no mar] colombiano, agregando volumes que irão contribuir para a segurança energética da região”.

A Petrobras explicou que o gás encontrado está sendo avaliado detalhadamente “por meio de perfis de poço e serão caracterizados por análises laboratoriais”.

Ainda segundo a estatal brasileira, a atuação no litoral colombiano está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, buscando a recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria com outras empresas, “contribuindo para o atendimento à demanda global de energia durante a transição energética”.
Campo gigante

A Bacia de Guajira pode ser entendida como parte da margem equatorial, como afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em 5 de dezembro de 2024.

Na ocasião, a estatal informou ter descoberto na região o maior reservatório de gás natural da história do país vizinho.

Apesar do grande volume de gás, a estatal brasileira afirmou, também na ocasião, que o destino da produção seria para o mercado de gás colombiano, devido à grande demanda do país.
Margem equatorial brasileira

Aqui no Brasil, a Petrobras obteve licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, para exploração de petróleo na margem equatorial, em outubro do ano passado.

A região é considerada de grande potencial, sendo apelidada de “novo pré-sal”. No entanto, ambientalistas lançam preocupação sobre impactos da exploração no meio ambiente.
Petrobras no mundo

Além de na Colômbia e no Brasil, a Petrobras atua na produção de petróleo em outros países.

Na África, a estatal opera na Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul. Nas Américas, a empresa está presente na Bolívia, Argentina e Estados Unidos.

Valor - SP   04/08/2026

Estatal começará a estudar a viabilidade de investir em unidades de liquefação de gás em alto-mar caso seja obrigada a vender parte da produção a concorrentes

A Petrobras vai começar a estudar a viabilidade de investir em unidades de liquefação de gás em alto-mar (“offshore”, no termo em inglês) para exportar parte da produção brasileira de gás, segundo fontes a par do assunto.

Essa possibilidade surge em meio às discussões do programa “Gas Release”, previsto na Nova Lei do Gás, que busca ampliar o acesso de empresas privadas ao mercado de gás. A iniciativa, que precisaria ser regulada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), obriga que um agente dominante venda parte da produção de gás natural a concorrentes para desconcentrar o mercado. A discussão está na pauta da próxima reunião da agência, na sexta-feira (7).

Caso essa restrição à atuação da Petrobras se confirme, a estatal avalia levar investimentos ao exterior. “Na forma como o ‘Gas Release’ está proposto agora, ele não gera nenhuma molécula de gás adicional. O programa tira o mercado estatal para dar ao privado”, disse ao Valor uma fonte próxima à Petrobras.

A petroleira anunciou ontem a terceira descoberta de gás na Colômbia. Caso as três áreas do país vizinho produzam os volumes esperados, a estatal brasileira vai extrair na Colômbia uma quantidade de gás compatível com a produção do principal braço do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), na Bacia Sergipe-Alagoas.

O projeto no Nordeste é considerado importante para ampliar a produção de gás da Petrobras, com previsão de duas plataformas e um gasoduto de escoamento com 134 quilômetros de extensão. O projeto SEAP I tem capacidade de processar 10 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, enquanto SEAP II poderá processar 12 milhões de metros cúbicos de gás.

A atividade da Petrobras na Colômbia não prevê ainda a exportação do gás, mas pode ser uma opção futura. Para trazer o gás colombiano ao Brasil, a regulação brasileira terá que se manter como está, disse a fonte. A soma das três descobertas pode atender o mercado colombiano por 10 anos, garantindo a autossuficiência daquele país. A Petrobras atua na Colômbia há 39 anos e é operadora do consórcio do Bloco GUA-OFF-0, com 44,44%, em parceria com a estatal colombiana Ecopetrol, que tem 55,56%.

A produção nesse bloco tem investimento estimado de US$ 1,2 bilhão na fase exploratória e de US$ 2,9 bilhões no desenvolvimento da produção. O projeto tem previsão de produzir 13 milhões de metros cúbicos de gás por dia durante 10 anos. A expectativa é de que os primeiros volumes de gás natural comecem a ser extraídos em 2030, depois da concessão de todas as licenças e permissões.

A descoberta anunciada nesta segunda (3) foi no poço exploratório Sandia-1, no mesmo bloco onde já havia os outros dois poços. A perfuração começou em 12 de junho deste ano e alcançou a profundidade final no dia 29 do mesmo mês, com a comprovação da presença de hidrocarbonetos. O poço está a 42 quilômetros da costa colombiana, em uma lâmina d’água de 1,251 mil metros, em águas ultraprofundas.

A atuação da Petrobras no mercado de gás colombiano foi impulsionada pelas mudanças regulatórias naquele país, com medidas que buscaram garantir o abastecimento nacional e mitigar riscos de déficit. Entre as mudanças estava a possibilidade de contrato firme de venda de gás de longo prazo, o que viabilizou economicamente o projeto.

Segundo a fonte, a nova descoberta na Colômbia fortalece a integração regional da América Latina, que pode ganhar uma nova fase caso o gás colombiano possa ser exportado. A companhia também compra gás da Bolívia, por meio do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol), e da Argentina.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   04/08/2026

Não bastasse o baixo investimento dos produtores nas últimas safras, a indústria de máquinas agrícolas brasileiras enfrenta um novo desafio: a entrada de equipamentos chineses em volume significativo.  Um levantamento inédito da COGO Inteligência em Agronegócio mostrou que entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores — 14.985 unidades, das quais 67% vieram da China.

A consultoria cruzou dados oficiais de comércio exterior, registros da Receita Federal e informações corporativas das próprias fabricantes chinesas. O estudo detectou que fabricantes chinesas podem produzir com custo até 27% menor do que o das indústrias instaladas no Brasil, graças a escala industrial, preço do aço e mão de obra mais barata.

Na prática, isso já significa tratores chineses chegando ao produtor brasileiro com preços de 30% a 40% abaixo dos praticados pelos líderes históricos do setor.

"Não estamos mais falando de um movimento tímido de importação. Estamos falando de fábrica anunciada, banco próprio operando e rede de distribuição em expansão acelerada. É uma ofensiva industrial completa, e o setor nacional precisa reagir com a mesma velocidade", afirma em nota, Carlos Cogo, sócio-diretor da COGO Inteligência em Agronegócio.

Marcas em crescimento

O levantamento identifica que a chinesa YTO — líder de seu mercado doméstico, com cerca de 40% de participação e receita anual próxima de US$ 3 bilhões — já tem fábrica anunciada em Caruaru, Pernambuco, com investimento estimado entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, geração de até 3 mil empregos e capacidade para 100 a 120 tratores por mês a partir do fim de 2026.

Outro projeto mapeado pela COGO prevê investimento de R$ 200 milhões e capacidade de 5 mil tratores por ano — volume equivalente a cerca de 10% de todo o mercado brasileiro de tratores vendido em 2025.

A gigante XCMG, quarta maior fabricante de máquinas do mundo, já opera no Brasil um banco próprio — o Banco XCMG —, com carteira de crédito de R$ 697 milhões, hoje concentrada em outros setores, mas pronta para ser redirecionada ao financiamento de máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion, com receita global de US$ 10 bilhões, declara publicamente a meta de conquistar 10% do mercado brasileiro e de integrar "máquinas agrícolas e serviços financeiros" em uma única estratégia comercial.

A entidade que representa a indústria nacional de máquinas, a Abimaq, já reconheceu publicamente que o avanço chinês é hoje "um desafio maior do que o próprio tarifaço imposto pelos Estados Unidos", segundo declaração de sua presidência à imprensa em julho de 2026 .

O estudo da Cogo também identifica que a ofensiva chinesa não se limita aos tratores:
fabricantes como Boshiran, CRCHI e Swan já testam e comercializam colhedoras de algodão em Mato Grosso, maior polo produtor do país, enquanto Lovol, YTO e Zoomlion avançam sobre colheitadeiras de grãos usando a mesma rede comercial já estruturada para os tratores.

Segundo a consultoria, o padrão de entrada dessas empresas segue um roteiro já visto em outros setores da economia brasileira — da simples importação por distribuidores até a nacionalização de componentes e o acesso a linhas públicas de crédito como Finame e Moderfrota.

"A pequena participação de mercado que a China ainda tem hoje não deve ser motivo de conforto para ninguém. Ela reflete o início de um roteiro, não um teto", completa Carlos Cogo.

Para ele, a resposta da indústria já instalada no Brasil não poderá se limitar à defesa comercial ou à pressão por barreiras tarifárias. "Proteger mercado sem investir em eficiência, tecnologia e qualidade de pós-venda é uma estratégia com prazo de validade curto. Quem vai vencer essa disputa não é necessariamente quem cobra menos, mas quem constrói rede, crédito e confiança mais rápido", avalia.

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