Clipping Diário

04 | Maio | 2026

SIDERURGIA

Diário do Comércio - MG   04/05/2026

A ArcelorMittal Brasil registrou resultados financeiros negativos em 2025. Conforme balanço anual divulgado nesta quinta-feira (30), houve prejuízo de R$ 2,2 bilhões, além de reduções em comparação a 2024 de 12% no Ebitda consolidado, que atingiu R$ 8,1 bilhões, e de 7,2% na receita líquida consolidada, que somou R$ 61,8 bilhões.

A empresa também apresentou resultados operacionais negativos. A produção de aço caiu 1,3%, totalizando 15,1 milhões de toneladas (t), e as vendas do produto retraíram 1,9%, para 14,9 milhões de t: 8,4 milhões de t destinadas ao mercado interno e 6,4 milhões de t ao exterior. Já a produção de minério de ferro recuou 18,3%, chegando a 2,3 milhões de t.

O CEO da ArcelorMittal Aços Longos Latam e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, ressalta que no balanço foi contabilizado um pagamento de R$ 2,9 bilhões relativo à aquisição da Votorantim Siderurgia. O processo estava em arbitragem há alguns anos e as empresas chegaram a um acordo no ano passado.

Segundo ele, se não tivesse esse item extemporâneo, a companhia teria registrado um lucro líquido de R$ 700 milhões em 2025. O executivo ressalta que, mesmo assim, o resultado seria bem inferior ao de 2024 (de R$ 2,3 bilhões) em função, sobretudo, de compressão de margens. Esse problema afetou toda a indústria siderúrgica nacional, de acordo com o executivo, e está relacionado tanto a fatores internos quanto externos.

Importações em alta e tarifa dos Estados Unidos

Sobre o mercado doméstico, Negresiolo afirma que a compressão de margens veio, principalmente, do aumento das importações. As medidas que haviam sido adotadas pelo governo federal para conter a invasão de aço do exterior, principalmente da China, não foram suficientes. O volume de aço laminado importado subiu 20,5% em 2025 ante 2024, e a taxa de penetração alcançou 21%, patamar considerado insustentável para a siderurgia.

“Somado a isso, o PIB [Produto Interno Bruto] cresceu em torno de 2% [no ano]. Como não teve um crescimento tão vigoroso da economia, o consumo de aço praticamente andou de lado”, complementa o CEO em entrevista ao Diário do Comércio.

No que se refere ao mercado externo, a compressão de margens teve relação com a tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano sobre a importação de aço brasileiro em junho de 2025. O executivo esclarece que a companhia exporta placas para serem laminadas por uma subsidiária do grupo ArcelorMittal nos Estados Unidos (EUA), em uma operação vinculada.

“Conseguimos sustentar o volume de exportação, mas esse aumento do imposto foi diluído ao longo da cadeia. Uma parte importante foi absorvido pelo fornecedor das placas, no caso a ArcelorMittal Brasil”, pontua, acrescentando que houve queda nos preços internacionais do aço, o que também ajudou a comprimir margens das exportações.

Entrada em operação de nova planta na mina de Serra Azul impacta mineração

Embora seja um evento positivo, a entrada em operação da planta de beneficiamento de pellet feed na mina de Serra Azul, em Itatuiaçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), também trouxe impactos para os resultados da ArcelorMittal Brasil em 2025, segundo Negresiolo. A produção de minério de ferro diminuiu em razão disso.

O executivo explica que a empresa descomissionou a planta antiga para colocar a nova em funcionamento. Em processo de ramp-up, a unidade tem previsão de alcançar a capacidade nominal nos próximos meses, de acordo com ele.

CNN Brasil - SP   04/05/2026

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, voltou a subir o tom contra o avanço das importações de aço no Brasil e reforçou a cobrança por maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica, em meio a um cenário ainda desafiador para a indústria siderúrgica nacional.

Em entrevista antes do CNN Talks Tendências e Cenários do Agro para o Brasil, o executivo tem reiterado que a entrada de aço estrangeiro, especialmente de origem chinesa, segue como o principal fator de pressão sobre preços, margens e utilização de capacidade no país.

Segundo Werneck, ainda que o governo tenha avançado em investigações antidumping e medidas de defesa comercial, o setor precisa de um ambiente mais estável e previsível para destravar investimentos de longo prazo. A avaliação é que decisões pontuais não substituem uma política industrial consistente.

“O principal problema no país é a penetração de aço importado desleal”, afirmou o executivo, durante à Agrishow, destacando que o fenômeno já atinge níveis recordes recentemente.

"Hoje, o aço importado representa mais de 20% do consumo nacional, chegando a quase 27% em alguns segmentos, o que tem impacto direto nas vendas da companhia no Brasil", afirmou.
Pressão externa e cobrança por ação estrutural

A leitura do CEO da Gerdau é que houve avanços recentes, com o governo federal implementando sobretaxas e conduzindo investigações sobre dumping em diferentes produtos siderúrgicos. Ainda assim, a expectativa da Gerdau é de que essas medidas ganhem escala e previsibilidade.

Para Werneck, a agenda não se resume a tarifas: passa também por segurança jurídica e clareza regulatória, elementos considerados essenciais para sustentar novos ciclos de investimento industrial no Brasil.

Na visão do executivo, há sinais positivos — como a expectativa de redução gradual das importações ao longo de 2026 —, mas o ritmo e a consistência dessas ações ainda são determinantes para a competitividade do setor.
Estratégia: custo, eficiência e exposição global

Diante desse cenário, a Gerdau tem reforçado uma estratégia baseada em ganho de eficiência e diversificação geográfica. A operação na América do Norte segue como principal motor de resultados, beneficiada por barreiras comerciais mais rígidas, enquanto o Brasil enfrenta maior competição externa.

Internamente, a companhia intensificou iniciativas de redução de custos e revisão de investimentos. A própria empresa reconhece que o nível atual de rentabilidade no Brasil ainda está abaixo do necessário para remunerar adequadamente o capital.

Valor - SP   04/05/2026

O movimento, contudo, não reflete uma fuga de capital estrangeiro do país, mas uma reavaliação de negócios mais distantes da matriz, sendo alguns deles menos rentáveis

Um ajuste de portfólios de empresas globais tem gerado venda de ativos no Brasil, com o cenário de incertezas ao redor do mundo acelerando processos que antes estavam na gaveta. O movimento, contudo, não reflete uma fuga de capital estrangeiro do país, mas uma reavaliação de negócios mais distantes da matriz, sendo alguns deles menos rentáveis.

Foi nesse contexto de reorganização que a americana General Mills vendeu sua operação no Brasil para o grupo Três Corações, negócio que incluiu marcas tradicionais no país como Yoki e Kitano. O mesmo explica a decisão da Sanofi de vender a Medley, de medicamentos genéricos, uma transação que foi bastante competitiva no passado, para a nacional EMS. A venda da Suvinil pela Basf seguiu a mesma lógica, de ajuste global.

No ano passado, a japonesa Nippon Steel se despediu da Usiminas, após décadas de investimento na siderúrgica mineira, que passou a se concentrar em suas operações internacionais. A venda teve ainda por trás a briga societária com a Ternium. Antes, o grupo americano AES vendeu sua operação brasileira, tendo um dos motivos a baixa contribuição da subsidiária para os números globais da companhia.

No fim de 2023, a americana UnitedHealth Group (UHG) vendeu a Amil para o empresário José Seripieri Filho, conhecido como Junior no mercado, uma vez que a divisão brasileira de operadora de planos de saúde representava fatia pouco relevante da receita da companhia.

“Existe um ajuste de portfólios alinhado a um foco maior ao negócio global”, afirma o responsável pela área de fusões e aquisições do Santander Brasil, Thiago Rocha. Segundo ele, o ambiente de incertezas e de juros mais altos ajudam a acelerar esses processos. Ele aponta que, em ambiente de juros baixos, na contramão, empresas conseguem “segurar por mais tempo algumas apostas”. “O juros é um elemento importante, mas não o causador, mas sim o catalisador desse processo”, afirma.

Rocha frisa, contudo, que esse movimento não significa saída de estrangeiros do Brasil e reforça que o apetite segue forte em ativos brasileiros. Nas operações de M&As de ativos locais, os “gringos” seguem participando dos processos e estavam na ponta compradora de boa parte das transações já concluídas neste ano.

Assim, a explicação para a venda de ativos no Brasil por esses grupos é outra. Fontes de mercado afirmam que para algumas multinacionais a operação no Brasil acabou ficando pequena e que, por isso, faz sentido o desinvestimento. No geral, trata-se de bons ativos que geram processos competitivos, com muitos grupos locais participando dos processos.

Leonardo Cabral, chefe do banco de investimento do Santander no Brasil, afirma que grupos brasileiros buscam, nesses momentos, remodelar o portfólio, muitas vezes para voltarem o negócio para áreas de maior rentabilidade.

Por isso, algumas operações estão sendo vistas em empresas não alavancadas - Votorantim vendeu a fabricante de alumínio CBA para a chinesa Chinalco e a anglo-australiana Rio Tinto. A holding da família Ermírio de Moraes elevou as apostas em saúde, com o aumento de participação da farmacêutica Hypera.

O sócio da Aucta Capital, Marcos Ayres, afirma que empresas também podem identificar ativos que foram comprados em um momento de expansão do negócio. “Foi desprezada a complexidade de se fazer integração”, diz. Em alguns casos, aponta, a companhia percebe que as sinergias que foram antes mapeadas não foram capturadas.

Pedro Muzzi, responsável por fusões e aquisições do Goldman Sachs no Brasil, afirma que dentre as companhias locais, o período prolongado de juros altos tem pressionado empresas mais alavancadas, com parte buscando fôlego por meio da venda de ativos.

Essa tese tem movimentado diversos processos de fusões e aquisições, como a venda de ativos pela CSN, de Benjamin Steinbruch e a operação no Sul do país da operadora de saúde Hapvida.

Infomoney - SP   04/05/2026

A Gerdau (GGBR4) voltou ao foco dos investidores após aparecer entre os papéis mais “esticados” do Ibovespa, segundo a leitura do Índice de Força Relativa (IFR). Na medição mais recente, o indicador marcou 73,34 pontos, em patamar de sobrecompra — nível que, normalmente, sinaliza que, após uma valorização mais intensa, o ativo pode entrar em um movimento de correção técnica no curto prazo. Em 2026, a ação acumula alta de 11,48%, enquanto, no intervalo de 12 meses, o ganho chega a 52,43%.

Na direção contrária, a Suzano (SUZB3) figura entre os ativos mais “descontados” do índice, com IFR em 25,14 pontos, dentro da zona de sobrevenda. Esse quadro pode indicar uma assimetria potencialmente favorável ao investidor, embora ainda demande cautela diante do comportamento recente dos preços e da falta de gatilhos mais consistentes que sustentem uma recuperação mais firme. Em 2026, o papel registra queda de 14,78%, enquanto, no acumulado de 12 meses, ainda apresenta recuo de 11,05%.

IFR: ações da bolsa

O Índice de Força Relativa (IFR), ferramenta amplamente utilizada na análise técnica, mede a intensidade dos movimentos de preço em uma escala que varia de 0 a 100. Leituras acima de 70 costumam sinalizar sobrecompra, enquanto níveis abaixo de 30 indicam sobrevenda.

Na prática, esse quadro sugere que a Gerdau (GGBR4) pode atravessar um período de forte otimismo, enquanto a Suzano (SUZB3) enfrenta maior pressão vendedora — condição que, em determinados momentos, pode abrir espaço para movimentos de recuperação no curto prazo.

Também figuram na lista das ações em região de sobrecompra: Usiminas (USIM5), Gerdau (GOAU4), Eneva (ENEV3) e Petrobras (PETR3).

Na outra ponta, entre os papéis mais pressionados no momento, aparecem Klabin (KLBN11), Yduqs (YDUQ3), Cyrela (CYRE3) e Minerva (BEEF3), negociando em faixas técnicas consideradas mais frágeis.

Análise técnica Gerdau (GGBR4)

A Gerdau (GGBR4) segue com trajetória de valorização no curto prazo, sustentada por um movimento recente consistente desde o teste do suporte em R$ 16,79. No gráfico diário, observo o ativo negociando acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, o que mantém o viés positivo e reforça a predominância do fluxo comprador neste horizonte. Na última sessão, o papel avançou 0,67%, encerrando a R$ 22,61, após oscilar entre a mínima de R$ 22,43 e a máxima de R$ 22,95.

Apesar do cenário mais favorável, já identifico sinais de maior esticamento, com o preço mais distante das médias móveis, enquanto o IFR (14) atinge 73,34, em zona de sobrecompra. Esse contexto eleva a chance de ajustes pontuais ou até de um período de consolidação no curto prazo, embora, até o momento, não haja evidências técnicas claras de reversão da tendência predominante.

Para a continuidade da alta, entendo que será importante monitorar um possível rompimento da faixa de resistência em R$ 23,10/R$ 23,95, região que pode destravar novas projeções altistas. Em contrapartida, uma correção mais relevante tende a ganhar força caso o ativo perca a região das médias móveis, mantendo no radar os suportes mais próximos.

Resistências: R$ 23,10; R$ 23,95 (máxima histórica); R$ 24,55; R$ 25,35; 27,25.
Suportes: R$ 21,08; R$ 20,24; R$ 19,99; R$ 18,99; R$ 17,68; R$ 16,79.
Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo PazAnálise técnica Suzano (SUZB3)

A Suzano (SUZB3) segue inserida em uma tendência de baixa no curto prazo. No gráfico diário, observo o ativo negociando abaixo das médias móveis, configuração que reforça a predominância do fluxo vendedor. Na última sessão, o papel recuou 2,18%, encerrando o pregão cotado a R$ 43,84.

A leitura técnica permanece negativa, enquanto o IFR (14) marca 25,14, em região de sobrevenda — condição que pode abrir espaço para um repique técnico ou até períodos de consolidação no curto prazo. Ainda assim, o gráfico, por ora, não apresenta sinais consistentes que indiquem reversão da tendência principal.

Para que o ativo volte a ganhar tração compradora, entendo que será necessário superar, inicialmente, a resistência em R$ 44,68 e, sobretudo, a faixa de R$ 48,74. Por outro lado, a pressão vendedora tende a se intensificar caso haja o rompimento do suporte em R$ 43,06/R$ 41,86.

Resistências: R$ 44,68; R$ 48,74 R$ 50,24; R$ 52,32; R$ 53,98.
Suportes: R$ 43,06; R$ 41,86; R$ 40,43; R$ 38,16; R$ 36,92; 34,70.

Fonte: Nelogica. Gráfico diário. Elaboração: Rodrigo Paz

(Rodrigo Paz é analista técnico)
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ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   04/05/2026

O brasileiro ficou para trás nos últimos 45 anos. Preso na chamada armadilha da renda média, o País viu o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita global superar, de forma consistente, seu ritmo. Pior: o desempenho econômico recente tem sido insuficiente para reduzir essa diferença.

Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu de US$ 3.380,47 para US$ 26.188,94, um aumento de 675%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). No mesmo período, o Brasil saiu de US$ 4.427,94 para US$ 23.380,98, alta de 428%.

Os números estão calculados em Paridade do Poder de Compra (PPP, na sigla em inglês), o que torna mais justa a comparação entre países e grupos econômicos. Na prática, o indicador mostra que o poder de compra do brasileiro cresceu menos do que o da média mundial nas últimas décadas.

O PIB per capita mostra a média da riqueza disponível por habitantes de um país. No Brasil, o ritmo mais lento em relação a outras nações é reflexo da baixa produtividade, investimentos insuficientes e ambiente de negócios ainda complexo. Junta-se a isso avanços aquém do necessário na área de educação e inovação.

O PIB per capita do mundo é superior ao do Brasil desde 2015, quando o País começou a enfrentar uma dura recessão econômica, que se arrastou até 2016. Naquele biênio, a economia brasileira recuou mais de 3% em cada um dos anos.

“Esse cenário tem a ver com os nossos solavancos, com essa instabilidade econômica que se traduz em períodos de crescimento mais rápido e, depois, períodos de desaceleração e até de recessão”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. “Não há uma sustentação do crescimento de maneira contínua.”

De 1980 a 2025, o PIB per capita brasileiro também cresceu menos do que o das economias avançadas — que subiu de US$ 10.327,44 para US$ 74.516,33, um crescimento de 621% — e do que o das economias emergentes, que passou de US$ 1.499,81 para US$ 18.413,23, aumento de 1.128%.
A quebra brasileira

Outro estudo elaborado pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, com outra base de dados, da Penn World Table (PWT), também ajuda a evidenciar o atraso brasileiro em relação ao mundo. Ele identificou uma “quebra” no ritmo de crescimento do Brasil a partir de 1981. “Não conseguimos resgatar aquele ímpeto de crescimento que tínhamos até os anos 1970", afirma Vale.

O estudo do economista lança luz sobre o crescimento brasileiro em comparação com economias que tinham um desempenho similar até os anos 1980 — e as que apresentavam características mais próximas eram Coreia do Sul, Romênia e Botswana.

Em 2023, o PWT apurou que o PIB per capita do Brasil foi de US$ 18.492. O número é 42% menor do que seria caso o País tivesse acompanhado o ritmo de crescimento dessas nações — a renda média do brasileiro seria US$ 13,4 mil maior e teria alcançado US$ 31,9 mil.

“Não seria uma renda alta — que é de US$ 50 mil, US$ 60 mil para cima —, mas seria uma renda que colocaria o País no limite entre sair da armadilha da renda média e ter uma condição de poder ser considerado um país de renda mais elevada”, afirma o economista-chefe da MB Associados.

A década de 1980 é conhecida como a década perdida para o Brasil. O País lidou com problemas no setor externo — incluindo o calote da dívida — e com um quadro de hiperinflação, que foi debelado apenas com o Plano Real, em 1994.

O que chama a atenção é que a diferença entre o PIB per capita atual e o que seria observado sem a ruptura tem crescido ao longo dos anos. Em 1981, quando houve a quebra no ritmo de crescimento do Brasil, essa diferença em relação aos três países similares identificados pelo estudo era de 7,3%. Em pouco tempo, em 1985, subiu para 19,2%.

“Dos anos 1980 até o Plano Real, foram quase 15 anos de crise profunda. De partida, já perdemos todos esses anos”, diz Vale. “Do Plano Real para frente, foi correr atrás do prejuízo. Nós fizemos várias reformas, mas não avançamos em diversas outras.”
As causas do atraso brasileiro

De fato, são vários os fatores que explicam a baixa produtividade brasileira. Eles envolvem desde uma economia pouco integrada ao resto do mundo até um ambiente de negócios pouco amigável e caro, além de incentivos econômicos inadequados e baixa qualificação da mão de obra.

Entre 1950 e 1980, o Brasil se beneficiou de um modelo de substituição de importações e da migração de recursos do campo para a indústria, o que ajudou a elevar a produtividade do País à época e, consequentemente, permitiu que a economia brasileira crescesse a taxas mais robustas.

“O problema é que, quando os anos 1980 chegaram, esse modelo tinha se esgotado. O Brasil já não era um País de renda baixa, mas de renda média. Dos anos 1980 para cá, o desafio passou a ser outro: não era mais transferência de recursos nos setores, mas aumentar a produtividade dentro de cada setor”, afirma Fernando Veloso, diretor de Pesquisa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds).

“A partir dali, o Brasil precisava aumentar principalmente a produtividade no setor de serviços, porque é o mais importante. Hoje, 70% do PIB e do emprego estão concentrados no setor de serviços. Mas os dados setoriais mostram que a produtividade da indústria e do setor de serviços não cresce desde 1995”, acrescenta Veloso.

As economias que conseguiram ultrapassar a faixa de renda média e alcançar níveis mais elevados investiram em capital humano, construíram instituições sólidas, fizeram uma alocação eficiente de recursos e se integraram às cadeias globais.

“O Brasil perdeu o período áureo da globalização. O País fez a abertura comercial na primeira metade dos anos 1990 e ficou mais ou menos em linha com outras economias emergentes. Mas, depois, não fez mais nada. Eu acho até que houve retrocessos, porque houve muitas políticas de proteção de conteúdo local para o setor de petróleo, para a indústria naval”, diz Veloso.

“Só agora veio o acordo entre Mercosul e União Europeia, o que é positivo, sem dúvida, mas ainda é muito pouco. O País perdeu o bonde da globalização e corre o risco de perder o bonde da inteligência artificial”, afirma.

Diário do Comércio - MG   04/05/2026

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), foi considerada insuficiente por entidades do setor produtivo e por representantes sindicais, que apontam efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,50% ao ano, mas, na avaliação dessas instituições, o nível ainda elevado dos juros continua pressionando a economia.
Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que o corte foi tímido e mantém o custo do crédito em patamar elevado. Para a entidade, isso compromete investimentos e a competitividade do setor produtivo.

“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A entidade também aponta deterioração financeira de empresas e famílias. “O endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, completou.
Comércio

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) também considera que o Banco Central poderia ter adotado uma redução mais significativa da taxa de juros.

“O Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”, afirmou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz.

Segundo Queiroz, o atual patamar da Selic penaliza a atividade econômica. “Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo do serviço da dívida também”, disse.

A entidade também destaca o efeito dos juros sobre os investimentos. “Há um estímulo muito grande ao capital especulativo, em detrimento do setor produtivo”, avaliou.
Centrais sindicais

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) critica o ritmo de queda da Selic e afirma que a política monetária tem impacto direto sobre a renda da população.

“A redução de 0,25% é muito pouco. O nível de endividamento das famílias está enorme”, afirmou a presidenta da entidade, Juvandia Moreira.

Ela ressalta que a taxa básica influencia todo o sistema financeiro. “Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente”, disse.

A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou impactos negativos sobre a economia.

“A redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado”, afirmou a entidade em nota.

Segundo a central, a política de juros altos afeta diretamente o crescimento do país. “Os juros restringem investimentos, freiam a produção e comprometem a geração de empregos e renda”, destacou.

A entidade também relaciona o cenário ao endividamento das famílias. “O alto nível de endividamento está diretamente ligado ao custo elevado do crédito”, concluiu.

Pressão por novos cortes

Apesar de representarem setores diferentes, as entidades convergem na avaliação de que há espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros.

O ponto em comum entre indústria, comércio e representantes dos trabalhadores é o diagnóstico de que o atual nível da Selic ainda impõe restrições relevantes ao crescimento econômico, ao crédito e ao consumo no país.

Veja - SP   04/05/2026

A inflação voltou a atormentar a vida de milhões de brasileiros — e com mais força do que se imaginava. Depois de um 2025 marcado pela acomodação de preços, amparada sobretudo pela valorização do real em relação ao dólar, o cenário agora é bem diferente. Os estragos provocados pela guerra no Irã se espalham pela economia brasileira e estão tornando a inflação de 2026 mais alta e persistente. Para o governo Lula, trata-se de um revés indigesto: a alta de preços corrói a renda das famílias, contamina o humor do eleitorado e pressiona índices de popularidade no ano eleitoral. Como se não bastasse, ainda complica os planos do Banco Central de acelerar o corte de juros, o que tende a manter o crédito caro por mais tempo. Para o consumidor, a alta de preços representa um duro golpe no poder de compra após uma sequência de sustos desde a pandemia de covid-19. “Mesmo que a guerra terminasse agora, os impactos já seriam relevantes por causa dos preços do petróleo”, afirma Danilo Igliori, economista-chefe do banco digital Nomad. “E não há sinais de que o conflito vá terminar tão cedo.”

Boa parte dos reajustes de preços está, por enquanto, concentrada em combustíveis e fretes — o que faz sentido, dado que são os itens mais diretamente ligados ao petróleo —, mas já começam a se espalhar por outros segmentos da economia. “A tendência é de alta generalizada”, afirma Guilherme Moreira, coordenador do IPC-Fipe, índice de preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. “As empresas já enfrentam insumos mais caros e vão repassar esses custos gradualmente ao consumidor.” O gatilho para esse movimento foi a escalada do conflito no Irã, atacado por Estados Unidos e Israel no final de fevereiro, fato que comprometeu o fluxo de exportações do Oriente Médio, região responsável por porção relevante da produção petrolífera global. Como resultado, o preço do barril de petróleo saltou de 70 dólares para mais de 100 dólares no período de poucos dias, reacendendo a pressão inflacionária no mundo e no Brasil.

Os indicadores divulgados nos últimos dias apontam, de fato, para um ambiente de pressão inflacionária disseminada. Divulgado na terça-feira 28, o IPCA-15 — a prévia do índice oficial calculado pelo IBGE — dá a medida do problema. Em abril, o diesel disparou 16% nas bombas, enquanto a gasolina, ainda sem reajuste nas refinarias da Petrobras, subiu 6%. “Com a guerra em curso, o dono do posto antecipa aumentos e ajusta o preço do estoque atual para não ter prejuízo na reposição”, acrescenta Moreira. Nos supermercados, a inflação dos alimentos acelerou de 0,9% em março para 1,7% em abril, a maior variação mensal em dois anos.

O preço da comida sobe porque a produção agrícola está entre os setores mais atingidos. Além do encarecimento dos fretes, o campo depende do diesel, para abastecer máquinas e tratores, e de fertilizantes, outro insumo fortemente afetado pela alta internacional de preços, já que o Oriente Médio é um dos principais fornecedores globais. Na indústria, os números também assustam. O IPA, índice da Fundação Getulio Vargas que mede a inflação dos insumos e no atacado, avançou 3,5% apenas em abril, a maior alta em cinco anos. “Não vai ter um choque no preço do refrigerante porque a embalagem e o transporte ficaram mais caros, mas ele vai subindo aos poucos, de centavos em centavos”, afirma André Braz, coordenador do indicador da FGV.

Em outras palavras: a inflação ainda tem muito espaço para subir, e a perspectiva de convergência ao centro da meta, que começava a ganhar corpo pela primeira vez desde 2020, praticamente se desfez. “Os números pioraram de forma significativa, e o IPCA dificilmente encerrará 2026 dentro do teto”, afirma Luciana Rabelo, economista do Itaú. A meta atual para a inflação brasileira é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Nos doze meses até abril, o IPCA-15, que vinha em trajetória de queda até atingir 3,9% em março, saltou para 4,4%. As projeções de mercado coletadas pelo Banco Central já apontam para uma inflação de 4,9% ao fim do ano. Se confirmada, será a quarta vez, nos últimos seis anos, que o índice estoura o teto da meta, o que só reforça a dificuldade persistente dos governos de diferentes matizes de controlar o aumento de preços no país.

A consequência mais imediata aparece na política monetária. Na quarta-feira 29, a diretoria do Banco Central, presidido por Gabriel Galípolo, reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. O movimento mantém o ciclo de queda, mas em ritmo cada vez mais cauteloso. Até o início do conflito no Irã, o mercado apostava em cortes mais rápidos e profundos. O novo cenário, porém, impõe limites à atuação da autoridade monetária e tende a prolongar o período de crédito caro para empresas e cidadãos. “Os eventos no Oriente Médio, de fato, dificultam a condução da política monetária em todo o mundo, dado que representam um choque inflacionário para a economia global”, afirma Francisco Campos, economista-chefe para a América Latina do Deutsche Bank.

Nem mesmo a economia mais pujante do mundo fica imune ao ambiente de incertezas. Também na última quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, optou por manter os juros inalterados, na faixa de 3,5% a 3,75%. A avaliação predominante entre analistas é que há pouco espaço para cortes no curto prazo, possivelmente até 2027. Esse horizonte poderia mudar com a chegada, em maio, de Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comandar o Fed, sobre quem recai a expectativa de ceder às pressões por juros mais baixos. Por ora, contudo, nada indica que o aperto monetário será relaxado.

No Brasil, a dinâmica doméstica também pesa — e não pouco — sobre a condução da política monetária. Enquanto pressiona por juros mais baixos, o presidente Lula busca manter a economia aquecida com o aumento de benefícios, novos programas sociais e expansão do crédito, em uma tentativa desesperada de recuperar a sua popularidade. Numa perspectiva mais ampla, porém, esse movimento acaba alimentando a alta de preços e afetando negativamente a própria reputação do presidente. “Uma taxa de juros de 8%, e não 15%, seria suficiente para esfriar a demanda em uma economia como a brasileira”, afirma o ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo. “Só que esse processo fica absurdamente mais custoso porque o governo não para de expandir o Orçamento, o que tira o efeito da política monetária.” Ou seja, a leitura de que o Brasil seria apenas vítima de choques externos não é suficiente para justificar a recente disparada inflacionária. No fim das contas, entre choques externos e decisões internas equivocadas, a inflação volta a se impor — e, mais uma vez, quem paga a conta é o consumidor.

O Estado de S.Paulo - SP   04/05/2026

Inflação e política de juros são afetadas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos pelos conflitos no Oriente Médio, segundo indicaram os bancos centrais brasileiro e americano, na quarta-feira, 29, em comunicados sobre suas políticas de crédito.

A insegurança quanto aos preços permanece mais elevada que a usual, indicou o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC), o Copom, mencionando os possíveis efeitos daqueles conflitos no mercado de petróleo e nos preços de outros produtos básicos.

Diante desse quadro, da “resiliência” do mercado de trabalho e da perspectiva de inflação ainda acima da meta de 3% ao ano, o Comitê decidiu, mantendo cautela no afrouxamento de sua política, reduzir os juros básicos de 14,75% para 14,50% , repetindo o corte de 0,25 ponto porcentual adotado em março.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o banco central, levando em conta o ritmo vigoroso da expansão econômica, as boas condições de emprego, a inflação “elevada” e a incerteza agravada pela guerra no Oriente Médio, manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, renunciando a uma nova redução do custo do dinheiro. O presidente do Fed, Jerome Powell, encerra sua experiência na chefia da instituição — continuando, porém, como membro da diretoria — sem ter conseguido entregar ao mercado uma política de juros mais suave.

A maior economia do mundo, a americana, e a maior da América Latina, a brasileira, permanecem, portanto, atreladas a condições monetárias muito restritivas. Uma delas, no entanto, tem um papel importante na sustentação e no agravamento da insegurança financeira internacional, enquanto a outra sofre suas consequências, embora obtendo algum ganho como supridora global de matérias-primas essenciais.

A insegurança econômica internacional pode explicar — e talvez justificar — apenas parcialmente os juros elevados e as dificuldades de crescimento do Brasil. O outro grande fator — a incerteza quanto às contas públicas e às condições financeiras no médio e no longo prazos — tem raízes na política econômica e na memória das más experiências acumuladas na história nacional. Não é difícil, quando se consideram esses dados, entender por que os juros têm sido tão altos no Brasil.

O Estado de S.Paulo - SP   04/05/2026

A queda da Selic para 14,5% não surpreendeu ninguém. Mas bem que poderia. Um economista marciano interessado na política monetária brasileira poderia ter dificuldade em entender essa redução. Até a guerra contra o Irã, o cenário da inflação era manso, quase aborrecido. Mas tudo mudou de repente. A expectativa do mercado para a inflação de 2026, que vinha caindo desde julho de 2025, saltou de 3,9% para 4,9%. A previsão para 2027 também subiu, ainda que menos, com a hipótese implícita de que o conflito será curto – algo que ninguém pode garantir porque estamos falando de Trump.

Poderíamos explicar ao marciano que no Brasil os juros caem quando a expectativa de inflação sobe porque há uma defasagem temporal no efeito dos juros altos. E que os juros já eram excessivamente estratosféricos. Mas também valeria a pena falar sobre a proverbial ineficiência da política monetária. O Decreto n.º 3.088, de 21 de junho de 1999, que instituiu o regime de metas de inflação, estabelecia que “ao Banco Central do Brasil compete executar as políticas necessárias para o cumprimento das metas”. Políticas, no plural. Na prática desses anos, a autoridade monetária se contenta em tabelar a taxa Selic, após intensa reflexão solitária.

Há vários fatores que solapam a capacidade dos juros domarem a inflação, a começar, claro, pela política fiscal complacente. Mas não é só isso. A expansão do crédito, por exemplo, também pesa. O total de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional superou R$ 7 trilhões em março, com crescimento de 9,6% em 12 meses. O crédito para as famílias (R$ 4,5 trilhões) cresceu 10,9%, levando o comprometimento da renda para 29,7%, recorde da série histórica. As concessões de empréstimos subiram 8,9% nos 12 meses até março de 2026, acima do crescimento nominal do PIB, estimado em 7,4%.

Tangidos pelo governo, os bancos federais vêm liderando a expansão das carteiras de crédito, na direção contrária da contenção pretendida pelos juros altos. Nos últimos dois anos, até dezembro de 2025, as carteiras de crédito da Caixa Econômica e do Banco do Brasil cresceram, respectivamente, 23% e 26% (ante, por exemplo, 8,3% de crescimento das operações de crédito do Bradesco). O objetivo, claramente, é contrarrestar o efeito da política monetária, com o que se joga gasolina na fogueira dos juros.

O mais difícil, no entanto, será fazer o marciano compreender que o próprio Banco Central estimulou a expansão do crédito ao reduzir o depósito compulsório das cadernetas de poupança, como fez em outubro de 2025, ou quando, mais recentemente, deixou de tirar proveito de uma possível contração da capacidade dos bancos emprestarem ao permitir o uso do compulsório para recapitalizar o FGC. Esquisitices. Definitivamente, o Brasil não é para marcianos.

CNN Brasil - SP   04/05/2026

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central chamou a atenção do mercado financeiro ao incluir a palavra "extensão" no comunicado da decisão de cortar em 0,25 pontos percentuais a taxa básica de juros.

Segundo analistas consultados pelo CNN Money, o colegiado abriu caminho para uma revisão do ciclo de corte de juros nessa quarta-feira (29). Na prática, isso significa a possibilidade de um encerramento antecipado da sequência de quedas e de uma taxa Selic terminal mais elevada do que o esperado anteriormente.

A leitura mais cautelosa rapidamente se traduziu em revisões de cenário, com parte relevante do mercado já abandonando a expectativa de juros em 13% no fim dos cortes.

A SulAmérica Investimentos passou a projetar a Selic em 14%, em um ambiente de maior dificuldade para a convergência da inflação à meta.

A avaliação da economista-chefe da casa, Natalie Victal, é de que a atividade resiliente, a pressão sobre preços livres e os efeitos da guerra no Oriente Médio, ainda não totalmente incorporados, tornam o cenário mais desafiador, com risco inclusive de interrupção do ciclo de cortes já no curto prazo.

Na mesma direção, o Itaú elevou sua projeção para a taxa básica de juros em 2026 para 13,25%, ao citar a piora do quadro inflacionário, a deterioração das expectativas e um balanço de riscos mais pressionado.

O banco também revisou para cima a estimativa de inflação, com destaque para a alta de combustíveis e alimentos, influenciada por fatores climáticos e restrições de oferta.
O risco dos efeitos secundários

Parte relevante desse debate gira em torno de riscos dos resultados naturais do conflito no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentação, os chamados efeitos de segunda ordem. Embora o BC tenha destacado essa preocupação, os indicadores mais recentes ainda não apontam para uma disseminação generalizada da inflação.

A desaceleração dos serviços e a estabilidade dos núcleos sugerem, até o momento, que o choque permanece concentrado em itens mais voláteis, como combustíveis e alimentos.

Ao CNN Money, Marcela Kawauti afirmou que esses efeitos ainda não aparecem de forma clara nos dados, mas seguem no radar do BC.

Segundo a economista, o cenário atual combina choques concentrados em itens como combustíveis e alimentos com uma incerteza elevada sobre a capacidade de esses aumentos se espalharem pela economia.

“Os efeitos potenciais sobre commodities também podem ter impactos mais amplos, dependendo do grau de repasse”, afirma.

Para Kawauti, esse é um fator que exige cautela na condução da política monetária, já que uma eventual disseminação para serviços e núcleos de inflação pode tornar o processo inflacionário mais persistente e limitar ainda mais o espaço para cortes na Selic.

Ainda assim, o simples fato de esse risco estar no radar já altera a condução da política monetária, segundo a economista, que menciona ainda que o documento “deve detalhar o balanço de riscos considerado na decisão recente e oferecer pistas sobre o ritmo futuro de cortes da Selic”.

Outras instituições também reforçaram a leitura de um tom mais duro por parte da autoridade monetária. O Santander classificou o comunicado como "hawkish", ao destacar a piora das expectativas, a acceleration da inflação subjacente e a menção explícita a possíveis efeitos secundários dos choques de oferta.

Para o banco, a inclusão de "extensão" desloca o foco do próximo movimento para o nível final da taxa de juros.

Apesar disso, casas como Daycoval e ASA ainda veem espaço para continuidade dos cortes, embora em ritmo mais moderado, de 0,25 ponto percentual por reunião. O ponto comum entre as análises é que a trajetória da Selic se tornou mais dependente da evolução dos dados, especialmente diante das incertezas no cenário externo.

IstoÉ Dinheiro - SP   04/05/2026

A economia dos Estados Unidos cresceu menos que o esperado no primeiro trimestre devido a uma desaceleração dos gastos dos consumidores, enquanto a inflação voltou a subir com força devido aos efeitos da guerra no Oriente Médio, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (30).

O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2% em taxa anualizada no período de janeiro a março, segundo uma estimativa do Departamento do Comércio.

O resultado foi significativamente superior ao 0,5% do último trimestre de 2025, mas ficou abaixo do crescimento de 2,2% previsto pelos analistas.

Uma alta dos gastos públicos e dos investimentos impulsionou o PIB, mas isso foi “parcialmente compensado por uma desaceleração dos gastos dos consumidores”, acrescentou o departamento.

Também nesta quinta-feira, outro relatório do Departamento do Comércio mostrou que a inflação disparou em março pelo aumento dos combustíveis em consequência da guerra.

O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), subiu 3,5% na comparação anual, um aumento expressivo frente aos 2,8% do mês anterior.

Excluídos alimentos e energia, o índice de preços PCE subiu 3,2%.

Os custos da energia dispararam desde que os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, fizeram Teerã bloquear o estratégico Estreito de Ormuz.

Esta via marítima é uma rota-chave para o transporte de petróleo, gás e fertilizantes, o que elevou os preços em nível mundial.

– Ano eleitoral –

Nos postos americanos, o preço médio do galão (3,78 litros) da gasolina regular chegou a 4,30 dólares (R$ 21,37), segundo dados do clube automobilístico AAA.

A expectativa é que isso sobrecarregue as famílias americanas em um ano eleitoral, no qual o governo de Donald Trump enfrenta eleições de meio de mandato.

“Em termos gerais, o crescimento já era fraco antes do choque energético, com um impulso subjacente da economia muito frágil, salvo pelo contínuo auge dos investimentos de capital relacionados à IA”, destacou Oliver Allen, economista sênior da Pantheon Macroeconomics.

Embora tenha havido um salto nos gastos públicos que impulsionou o crescimento do PIB, isso ocorreu “inteiramente por uma forte recuperação dos gastos do governo federal após o ‘shutdown’ do quarto trimestre”, observou.

Allen acrescentou que os gastos dos consumidores nos três primeiros meses deste ano também foram mais fracos que seu ritmo médio dos últimos quatro trimestres.

“O mercado de trabalho apagado, a confiança deprimida, o baixo crescimento da renda real e o esgotamento do excesso de poupança acumulado durante a pandemia estão começando a pesar sobre as famílias”, advertiu.

Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, espera que a economia americana consiga suportar os choques econômicos globais de curto prazo.

“Mas estamos cada vez mais preocupados com a possibilidade de que a economia mundial tenha muito mais dificuldade para enfrentar a tempestade que se aproxima”, acrescentou Zaccarelli.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   04/05/2026

O Itaú BBA avalia que a queda de 6% das ações da Vale (VALE3) após os resultados do primeiro trimestre de 2026 foi exagerada e abriu uma oportunidade de entrada. Em relatório desta quinta-feira (30), o banco afirma que atualizou seu modelo diante de preocupações de investidores com a execução de custos, mas manteve a recomendação de outperform (desempenho acima da média).

Segundo o Itaú BBA, a pressão de custos – que ficou evidente com o último balanço -, impulsionada por um real mais forte e preços mais altos do petróleo (Brent), deve impactar negativamente despesas como C1 e frete. Ainda assim, esses efeitos tendem a ser praticamente compensados pela alta nas projeções para o preço do minério de ferro.

O banco destaca que elevou sua estimativa de custo C1 para 2026 para US$ 22,7 por tonelada, acima do guidance da Vale, de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada. A revisão considera a valorização do real e o impacto do diesel, que segue como um dos principais vetores de custo. Para o frete, a projeção subiu para US$ 20,5 por tonelada, refletindo a sensibilidade aos preços do Brent.

Por outro lado, o Itaú BBA aponta que a própria pressão de custos global tem sustentado preços mais elevados do minério de ferro. Com isso, o banco revisou para cima sua estimativa de preço médio da commodity em 2026, para US$ 102,5 por tonelada, e em 2027, para US$ 97,5 por tonelada.
Potencial de alta de 20% para VALE3

O BBA reiterou a recomendação de outperform para a companhia e estabeleceu preço-alvo de US$ 19 por ação para o fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de cerca de 20%. Apesar do leve corte em relação à projeção anterior, de US$ 19,5, o Itaú BBA vê a ação negociando a múltiplos atrativos, com EV/Ebitda de 4,7 vezes para 2026.

Além disso, o banco projeta que a Vale deve encerrar 2026 com dívida líquida expandida de US$ 15 bilhões. Considerando a política de alavancagem da companhia, o Itaú BBA avalia que eventuais excedentes de geração de caixa devem ser distribuídos aos acionistas por meio de dividendos extraordinários ou recompra de ações, resultando em um dividend yield médio próximo de 8% entre 2026 e 2030.

Mesmo com o cenário mais favorável para o minério de ferro, o Itaú BBA reduziu em 3% sua projeção de Ebitda da Vale para 2026, agora em US$ 17,6 bilhões. O ajuste reflete, principalmente, a marcação a mercado de preços mais baixos para cobre e ouro. Já a estimativa para 2027 foi mantida em US$ 18,3 bilhões.

Valor - SP   04/05/2026

A China é o motor dominante do mercado siderúrgico e joga, hoje, para aumentar a propriedade de minas no exterior, já que a produção local atende apenas 10% do seu consumo

A China é, de longe, o maior consumidor global de minério de ferro, respondendo por cerca de 60% do consumo e 80% das importações globais, que em 2025 atingiram 1,2 bilhão de toneladas, representando 75% do volume total transacionado em todo o mundo.

Entre 2015 e 2025, as importações globais de minério cresceram 290 milhões de toneladas, consolidando a China como o motor dominante do mercado siderúrgico. Brasil e Austrália são os maiores fornecedores da commodity para o país asiático, que responde por 67,6% das exportações brasileiras.

A partir dessa posição de peso no mercado internacional, a China joga hoje para aumentar a propriedade de minas de minério de ferro no exterior, uma vez que a produção local atende apenas 10% do seu consumo. A ponta de lança dessa estratégia é o Projeto Simandou, na Guiné Bissau, África, a maior reserva de minério de ferro do mundo, na qual empresas e entidades chinesas detêm 75% de participação em sociedade com o conglomerado anglo-australiano Rio Tinto.

Com capacidade anual de produção estimada em 120 milhões de toneladas, o Projeto Simandou iniciou operação no ano passado com a promessa de suprir o equivalente a quase 5% da oferta global quando chegar a plena carga, desbancando a maior mina do mundo, Pilbara, na Austrália. Para a China, significará garantir cerca de 10% de sua demanda de importação.

Enquanto isso, a estratégia chinesa tem sido pressionar os fornecedores por meio da estatal China Minerals Resource Group (CMRG). Criada em 2022, a CMRG centraliza as compras de minério de ferro, supervisionando os termos de aquisição, preços, descontos e estoques em nome de mais da metade das siderúrgicas chinesas.

Segundo as agências de notícias internacionais, em outubro do ano passado a CMRG surpreendeu o mercado ao suspender temporariamente todas as compras de minério de ferro da BHP — dona de 20% do mercado mundial —, em uma queda de braço para forçar uma redução nos preços. Na visão de analistas da Goldman Sachs, a disputa tem potencial para derrubar os preços a curto prazo, embora a médio e longo prazos a tendência seja de recuperação, informou a instituição em um boletim divulgado em janeiro.

A Vale, a maior mineradora brasileira e uma das quatro maiores do mundo ao lado da BHP, Rio Tinto e Fortescue Metals, disse em nota que “possui relações comerciais com o país asiático desde 1973 e vem trabalhando de perto com parceiros logísticos chineses para garantir um fornecimento estável e confiável de minério de ferro de alta qualidade”.

A empresa informou que já forneceu à China aproximadamente 3,5 bilhões de toneladas da commodity, além de produtos de metais básicos como cobre e níquel. “A China tem sido o maior mercado da Vale desde 2006 e destino de mais de 50% dos produtos de minério de ferro da empresa desde 2014. No ano passado, a China respondeu por 63% das vendas totais de minério de ferro e pelotas e por 51% da receita operacional líquida”, explicou no comunicado.

A CSN Mineração destinou cerca de 80% do seu volume ao mercado chinês em 2025, gerando um faturamento de US$ 2,7 bilhões apenas nas vendas de minério de ferro para a China, informa Pedro Oliva, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia.

Oliva acredita que em 2026 o mercado de minério de ferro deve seguir com alta demanda, sustentado pela China. Ele vê, porém, um movimento de crescimento na importação para a Índia e também para o Sudeste Asiático. “A Europa também deve ter crescimento na demanda por minério em função da entrada do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira [CBAM]. Essas regiões devem somar, em 2026, um aumento de demanda de 10 milhões a 12 milhões de toneladas”, analisa o executivo da CSN.

A indústria global de mineração deve ser afetada — assim como toda a economia mundial — pelos eventos geopolíticos recentes, em especial a imposição de tarifas de importação nos Estados Unidos e, mais recentemente, a guerra deste país e de Israel contra o Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz e lançou sombras sobre o preço da energia em geral e dos combustíveis em particular.

O impacto das tarifas americanas sobre o minério de ferro é indireto, pela penalização da importação de aço e de produtos fabricados com aço, que freia a atividade siderúrgica em países que importam minério e, por consequência, a demanda por minério é impactada, explica Oliva.

Já os efeitos da guerra para as empresas brasileiras ainda não podem ser totalmente quantificados. “Ainda é difícil prever impactos diretos relacionados à exportação de minério de ferro do Brasil para a China”, comenta o analista Lucas Laghi, head de mineração e siderurgia da XP Investimentos.

Ele acredita que um potencial impacto direto para o setor poderia estar relacionado a um aumento de custos devido à alta nos preços do petróleo, que afeta uma parcela importante de custos de mineradoras (que eventualmente poderiam ser repassados no preço das commodities). “Indiretamente, tal escalada geopolítica aumenta a percepção de risco de uma forma geral, o que poderia reduzir o apetite de investidores na alocação em ativos de maior risco, como ações”, afirmou Laghi por meio de sua assessoria.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   04/05/2026

O governo Lula lançou nesta quinta-feira, 30, a ampliação do programa Move Brasil, que dá crédito subsidiado para a compra de caminhões e ônibus. Ao todo, serão destinados ao programa R$ 21,2 bilhões, entre recursos do Tesouro e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Desse montante, R$ 14,5 bilhões serão recursos do Tesouro, e R$ 6,7 bilhões serão do BNDES.

O governo editou uma medida provisória que autoriza a União a aumentar sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) em até R$ 2 bilhões para oferecer garantias em operações de crédito, em especial a micro, pequenas e médias empresas.

No anúncio, que teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi anunciada outra medida provisória que cria R$ 17 bilhões em crédito extraordinário para dar cobertura ao aporte no FGI e à ampliação do Move Brasil. A norma prevê ainda aporte de R$ 500 milhões ao Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) para garantias públicas a exportações.

Taxas de juros

O governo também reduziu os juros e o valor das primeiras parcelas na modalidade voltada a caminhoneiros autônomos e frotistas, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O prazo máximo de financiamento será de 120 meses (10 anos).

A gestão Lula tem buscado se aproximar desse público, considerado mais simpático à direita, em especial a bolsonarista.

"Quando a gente olha para os (caminhoneiros) autônomos, a gente está melhorando em muito as condições (em relação à primeira versão do Move Brasil), seja na questão da taxa de juros, que está indo a 11,3% e 12,4%, já melhorando muito (na comparação) com os 14,9% e 14,2% que tínhamos. O prazo foi estendido para 10 anos e teremos parcelas iniciais a partir de R$ 3 mil e dando condição para que o caminhoneiro autônomo possa fazer uso dessa linha de financiamento", disse Durigan.

Pela formatação do programa, o valor máximo de financiamento, por beneficiário, pode chegar a R$ 50 milhões.

O crédito é viabilizado por meio de bancos e instituições financeiras cadastradas no programa. Ao todo, são cerca de 80.

A gestão de Lula tem buscado acenar à categoria dos caminhoneiros. O Ministério dos Transportes e a Secretaria-Geral da Presidência já têm mantido interlocução com lideranças dos caminhoneiros nos últimos meses, com o objetivo de ouvir demandas.

Além disso, o governo formulou em março a Medida Provisória que aumentou os poderes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para a fiscalização do cumprimento da lei do frete mínimo, por exemplo. A medida ajudou a distencionar a relação com lideranças dos caminhoneiros e a afastar, por ora, ameaças de greves e paralisações.

Globo Online - RJ   04/05/2026

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira um aumento nas tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia para 25%, alegando que o bloco não havia cumprido integralmente um acordo comercial negociado com os Estados Unidos.

“Tenho o prazer de anunciar que, com base no fato de que a União Europeia não está cumprindo nosso acordo comercial totalmente firmado, na próxima semana aumentarei as tarifas cobradas da União Europeia para carros e caminhões que entram nos Estados Unidos”, disse Trump em uma postagem nas redes sociais. “A tarifa será elevada para 25%.”

Trump disse que as taxas não se aplicariam a automóveis fabricados em instalações nos EUA. “Está plenamente entendido e acordado que, se produzirem carros e caminhões em fábricas nos EUA, NÃO haverá tarifa”, afirmou o presidente.

A medida pode ter um impacto particular sobre a Stellantis, que importa modelos da Alfa Romeo, Fiat e Maserati da Europa para os EUA. As ações da empresa nos EUA caíram até 3,6% por volta do meio-dia em Nova York.

Algumas montadoras europeias de destaque, no entanto, incluindo Volkswagen, Mercedes-Benz Group e BMW, possuem fábricas de montagem nos Estados Unidos.

A decisão de Trump reacende uma disputa comercial contenciosa com um importante bloco econômico, mesmo enquanto a guerra no Irã e o consequente aumento nos preços da energia impõem novas pressões à economia global.

EUA mantêm investigação contra o Brasil mesmo após Suprema Corte declarar ilegalidade das tarifas

Segundo o acordo comercial entre as partes, a UE havia concordado em eliminar tarifas sobre produtos industriais dos EUA em troca de um teto de 15% para a maioria dos produtos da UE. O bloco aceitou o acordo desigual na esperança de manter Trump engajado na Ucrânia e evitar uma ruptura total nas relações comerciais.

Trump não especificou como acreditava que a UE havia descumprido o acordo comercial na sexta-feira, mas o pacto enfrentava desafios, complicando as negociações sobre sua implementação. Embora os dois lados tenham chegado a um acordo em julho, os legisladores da UE ainda não ratificaram totalmente o pacto, enquanto buscam novas emendas.

Um dos principais pontos de discórdia tem sido as tarifas sobre metais. Em agosto, os EUA ampliaram uma tarifa de 50% sobre aço e alumínio para centenas de novos produtos. A medida levou a alegações de que os EUA estavam violando compromissos recentes. As empresas enfrentaram dificuldades para calcular as tarifas, que eram baseadas na porcentagem desses metais em seus produtos.

Os legisladores da UE então pausaram duas vezes a ratificação do acordo — uma após Trump ameaçar tomar a Groenlândia, território dinamarquês, e outra depois que a Suprema Corte dos EUA invalidou o regime global de tarifas do presidente.

Mais recentemente, no entanto, os dois lados haviam expressado o desejo de finalmente adotar o acordo comercial, com os EUA concordando em mudar a forma de calcular a tarifa ampliada sobre metais.

CNN Brasil - SP   04/05/2026

Um SUV elegante oferece massagens mecânicas para os pés, uma minivan de luxo tem assentos giratórios para ajudar os passageiros a entrar na terceira fila – e uma proporção surpreendente de modelos oferece karaokê no carro com alto-falantes de nível profissional.

Outros têm faróis que podem projetar filmes em uma parede, transformando qualquer lugar em um cinema ao ar livre. Aqui, os recursos de direção inteligente são onipresentes, mesmo em modelos acessíveis.

Para muitos consumidores que observam de fora, as opções na China – em exibição em Pequim esta semana no maior salão do automóvel do mundo – parecem um sonho. Mas para algumas montadoras e políticos ao redor do mundo, elas representam uma ameaça existencial.

As montadoras chinesas estão produzindo seus veículos em larga escala e a preços relativamente baixos. E há outro grande atrativo: enquanto os custos do petróleo e do gás disparam devido à guerra com o Irã, a grande maioria desses carros é elétrica ou híbrida.

O contraste com os EUA nunca foi tão gritante: no ano passado, Washington retirou o apoio aos veículos elétricos em favor dos veículos a gasolina, e efetivamente proibiu a entrada de carros chineses no mercado, alegando a necessidade de proteger a segurança nacional e a indústria local.

Com a expectativa de que o presidente dos EUA, Donald Trump, visite a China em meados de maio para conversas com o líder Xi Jinping, as montadoras chinesas de veículos elétricos também estão de olho em outra fronteira, observando se a crescente demanda global por veículos elétricos as ajudará a abrir caminho para o mercado americano.

Independentemente disso, a mensagem pretendida com a demonstração em um espaço equivalente a 70 campos de futebol é clara: a China está avançando implacavelmente com a tecnologia que acredita que irá dominar o século XXI.

E as principais montadoras chinesas – e Pequim – estão apostando alto que o resto do mundo escolherá sua visão de um futuro elétrico, em vez de um ainda atrelado aos postos de gasolina.

O aumento dos preços da gasolina é “um alerta para quem nunca experimentou um veículo elétrico”, disse Stella Li, executiva da BYD, à CNN, à margem do programa, onde discutiu a ambiciosa estratégia de expansão da maior fabricante de veículos elétricos do mundo. “Quando você opta por um carro elétrico, nunca mais volta para um veículo a gasolina.”
Empurrão para fora

Conquistar clientes no exterior tornou-se imprescindível para as principais empresas chinesas.

De longe, o país possui o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Mais da metade dos carros novos vendidos na China são elétricos ou híbridos. Em suas megacidades e em outros lugares, o trânsito está cada vez mais silencioso, com o zumbido abafado do motor elétrico substituindo o ronco de um motor de combustão interna.

Mas os gigantes do setor também estão travando uma luta acirrada pela participação de mercado , com guerras de preços brutais e a concorrência em um mercado interno saturado, o que reduz os lucros e impede o crescimento.

A expansão internacional já está ganhando força, com as principais marcas investindo na construção de infraestrutura de recarga e na conquista de clientes e parceiros no exterior. As exportações chinesas de veículos elétricos no primeiro trimestre registraram um aumento de 78% em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais.

Mas as montadoras chinesas também estão navegando em um cenário global que se mostra cauteloso com a concorrência.

Uma carta aberta assinada por mais de 70 legisladores americanos na semana passada alertou Trump contra "qualquer esforço para reduzir as barreiras à entrada de automóveis chineses no mercado americano ou facilitar sua entrada no mercado dos EUA", afirmando que as consequências para os trabalhadores americanos, as cadeias de suprimentos e a segurança nacional "seriam profundas".

As elevadas tarifas sobre carros importados da China para os EUA configuram um embargo de facto, e a proibição de software com ligação à China em carros novos complica qualquer plano de produção de veículos nos EUA ou em países vizinhos para esse mercado.

A Europa optou por tarifas que considera nivelar o campo de jogo, e não bloquear a concorrência. E as montadoras chinesas estão ganhando participação de mercado rapidamente por lá. Os registros de carros novos da BYD aumentaram quase 170% no primeiro trimestre deste ano nos países da União Europeia, segundo dados da indústria.

O que causa medo nos corações dos rivais estrangeiros é a enorme escala de produção na China, onde as montadoras podem contar com cadeias de suprimentos domésticas robustas e automatizaram suas fábricas.

Por trás dessa preocupação está o fato de que o apoio de longa data do governo ao setor, por meio de subsídios, isenções fiscais e outras vantagens, tornou os carros chineses concorrentes desleais que eliminarão a concorrência global.

Mas as empresas chinesas têm uma visão diferente.

Li, da BYD, descreveu à CNN sua visão de que a força dos Estados Unidos reside em sua capacidade de atrair as empresas mais inteligentes e as pessoas mais talentosas do mundo para competir. "Uma vez que você se torna um mercado protegido, você perde essa vantagem, você enfraquece o país", disse ela.

Mas a BYD e outras montadoras chinesas, incluindo sua principal rival doméstica, a gigante automotiva Geely, não estão muito otimistas em relação aos Estados Unidos.

“Estamos abertos a discussões, mas não temos planos de entrar no mercado americano para vender nossos carros a consumidores finais a curto ou médio prazo”, disse Victor Yang, vice-presidente sênior da Geely, à CNN no salão do automóvel.

Fora dos EUA? Yang, cuja empresa possui joint ventures em diversos países, incluindo Brasil, Coreia do Sul e Reino Unido, vê essa iniciativa como vantajosa para todos. "O melhor das práticas de eletrificação e inteligência artificial da China pode ser compartilhado com parceiros em outras partes do mundo, para que os clientes finalmente possam se beneficiar do crescimento da tecnologia como um todo", afirmou.
Lute pelo futuro

A transferência de tecnologia de montadoras chinesas para concorrentes estrangeiras representa uma inversão abrupta em relação à situação de algumas décadas atrás, quando as montadoras chinesas dependiam de joint ventures com marcas estrangeiras em seus respectivos mercados para obter conhecimento técnico.

Assim como a Ford e a linha de montagem simbolizaram o engenho americano do século XX, o setor de veículos elétricos da China e sua produção altamente automatizada tornaram-se emblemáticos da ascensão da China como potência tecnológica no século XXI.

O sucesso global dos fabricantes chineses de veículos elétricos pode oferecer a Pequim uma nova alavanca de influência – num momento em que o país tenta se posicionar como um líder global alternativo aos EUA.

E o choque global do petróleo, que já dura mais de dois meses, também reforça o que Pequim considera um mérito no caminho escolhido.

Os veículos elétricos chineses se encaixam em um esforço governamental mais amplo, que já dura anos, para reduzir a dependência de petróleo e gás e eletrificar sua economia , inclusive com energia renovável. É uma estratégia que parece ter servido bem à segunda maior economia do mundo na crise atual.

Segundo um estudo do Rhodium Group, previsto para 2025, a frota de veículos elétricos e híbridos da China reduziu a demanda nacional de petróleo em mais de 1 milhão de barris por dia.

Mas uma volta pelos corredores do Salão do Automóvel de Pequim deixa claro que as marcas chinesas não encaram sua competição simplesmente como uma questão de eficiência de combustível. Em vez disso, trata-se de uma competição tecnológica.

Assim como empresas americanas como a Tesla e a Waymo estão construindo um futuro onde frotas de carros autônomos transportam pessoas em seus deslocamentos diários e em suas vidas, suas rivais chinesas – montadoras como XPeng, Geely, BYD e empresas de tecnologia como Baidu, Huawei e Pony.Ai – estão construindo seus próprios ecossistemas tecnológicos para fazer o mesmo.

E também nesse aspecto, as empresas chinesas estão confiantes de que podem competir.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Forbes Brasil - SP   04/05/2026

O setor de máquinas e equipamentos apurou queda na receita líquida de março sobre o mesmo mês do ano passado, encerrando o primeiro trimestre com recuo de dois dígitos frente aos três primeiros meses de 2025, segundo dados divulgados na quarta-feira (29) pela associação de fabricantes Abimaq.

O faturamento do setor em março somou R$ 23,8 bilhões, caindo 3,4% na comparação anual. No trimestre, recuou 11%, para R$ 61,7 bilhões.

Com o resultado do trimestre, a entidade estima alta de 0,3% na receita este ano, “mas com viés de baixa”, disse Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, em entrevista a jornalistas.

O desempenho do setor ocorreu com queda nas vendas no Brasil, onde a receita líquida recuou 0,9% no mês e 12,6% no trimestre, em meio a um crescimento de 21,4% nas importações do mês passado, que subiram 4,2% no acumulado do trimestre.

A indústria brasileira de máquinas encerrou março com ocupação de capacidade instalada de 79,9% ante 77,6% no mesmo mês de 2025. A carteira de pedidos do mês subiu ante fevereiro para 9 semanas, mas caiu 1,5% sobre o nível do ano passado. No trimestre, o setor amargou uma queda de 5,2% na carteira de pedidos ante o registrado em 2025. Segundo a Abimaq, isso significa que “as receitas líquidas de vendas tendem a permanecer enfraquecidas ao longo de 2026”.

Já as exportações de máquinas e equipamentos brasileiros ficaram praticamente estáveis em março sobre um ano antes, a US$ 1,03 bilhão, mas subiram 7,5% no trimestre, a US$ 2,9 bilhões.

Segundo a entidade, as vendas aos Estados Unidos no primeiro trimestre somaram US$ 709 milhões, avançando sobre os US$ 631 milhões dos três primeiros meses do ano passado, apesar da elevação da tarifa de importação dos EUA em 50 pontos.

Mas na comparação com o quarto trimestre de 2025, as exportações de máquinas e equipamentos do Brasil aos EUA nos três primeiros meses de 2026 caíram 10,5%, pressionadas por recuos de 32% em máquinas para agricultura, 16% em componentes e de 13,5% para logística e construção civil.

Com isso, a participação das vendas aos EUA, principal destino das exportações do setor, no trimestre passado foi de 24,3% ante 23,3% no consolidado do ano passado e pico de 29,3% em 2023, segundo os dados da Abimaq.

Segundo Zanella, o crescimento da fatia dos EUA se deu sobre uma base bastante reduzida, uma vez que o desempenho da economia norte-americana no ano passado foi fraco, pesando sobre as compras de máquinas e equipamentos.

“O desempenho (no geral das exportações aos EUA) mantém a desaceleração”, desde a imposição das tarifas contra o Brasil, afirmou, citando que o percentual de março “foi bastante baixo”, a 21%.

Atualmente, as tarifas de importação dos EUA que incidem sobre a maioria do setor de máquinas e equipamentos do Brasil são de 10%, após decisão da Suprema Corte do país, no final de fevereiro, que derrubou as sobretaxas abrangentes aplicadas pelo presidente Donald Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais.

Mas a preocupação do setor agora é sobre a posição de Trump de lançar uma investigação para analisar práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, algo que, segundo a Abimaq, deve ser concluído em julho com possível imposição de novas penalidades aos exportadores brasileiros.

CIMM - SP   04/05/2026

A New Holland, marca da CNH, vai nacionalizar a produção de sua linha de plataformas de corte Draper FD2 by MacDon. O anúncio foi feito durante a Agrishow 2026. Para viabilizar a iniciativa, foram investidos mais de R$ 100 milhões na unidade da marca em Curitiba (PR), que passará a fabricar plataformas de 25, 50 e 61 pés para toda a América Latina.

“As plataformas Draper FD2 New Holland by MacDon desempenham um papel fundamental na eficiência da colheita. Com a produção no Brasil, conseguiremos ampliar a capacidade de atendimento e oferecer um suporte ainda mais próximo e ágil aos nossos clientes. Com mais esta novidade, seguimos trazendo soluções inovadoras e sustentáveis que atendam na medida certa as necessidades dos agricultores, independentemente do perfil da operação”, afirma Eduardo Kerbauy, vice-presidente de Marketing da CNH para a América Latina.

Além do investimento na infraestrutura da fábrica, também foram realizados investimentos na capacitação do time responsável pela produção, garantindo a adoção de processos e padrões globais de qualidade.

De acordo com Kerbauy, a produção nacional gera ganhos diretos para o produtor. Entre os principais benefícios estão a maior disponibilidade dos equipamentos, redução de prazos de entrega e acesso facilitado a peças de reposição e assistência técnica, por meio da ampla rede de concessionários New Holland em todo o país. Esses fatores contribuem para maior eficiência operacional e disponibilidade das máquinas no campo, especialmente em períodos críticos da safra.
Alta tecnologia e eficiência

As plataformas Draper FD2 New Holland by MacDon se destacam pela alta tecnologia e facilidade operacional. Entre os diferenciais estão o chassi articulado com sistema de flexão em três seções, ângulo de ataque ajustável e velocidade de esteira regulável. O novo modelo também apresenta uma área de corte até 25% maior em relação à geração anterior, além de contar com caixa de transmissão de alta velocidade e até 43 centímetros de flutuação nas extremidades, favorecendo a adaptação ao terreno.

Indicadas para as principais culturas de grãos, entre elas soja, trigo, feijão e sorgo, as plataformas são compatíveis com colheitadeiras de classes 5 a 11 e foram desenvolvidas para maximizar a produtividade, reduzir perdas e garantir maior qualidade na colheita.

Outro destaque é a ampliação do portfólio da marca, que passa a oferecer uma das mais completas linhas de plataformas Draper do mercado, incluindo a versão de 61 pés, anteriormente importada e agora produzida localmente.

A produção das plataformas terá início no segundo semestre de 2026, com disponibilidade para os clientes a partir do mesmo período.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Jornal de Brasília - DF   04/05/2026

A escalada da guerra no Irã pressiona os custos da construção civil no Brasil, com impacto disseminado sobre materiais, fretes e planejamento das obras, mas sem sinais, por ora, de desabastecimento.

Dados recentes mostram que a alta já aparece nos indicadores. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) acelerou 1,04% em abril, após registrar alta de 0,36% em março, refletindo o encarecimento de insumos para as obras, em movimento associado à disparada do petróleo e seus efeitos sobre combustíveis e logística global.

A inflação preocupa construtores que vão da incorporação imobiliária às obras de infraestrutura. Para o mercado imobiliário, os preços mais altos chegam em um ano em quem especialistas projetavam um cenário de recuperação, impulsionado por um pacote de medidas governamentais e uma expectativa de queda gradual da taxa dos financiamentos.

Esses aumentos também colidem com o esforço do governo Lula de ampliar o acesso ao financiamento imobiliário. Em março, o conselho curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) aprovou a ampliação da renda máxima das famílias elegíveis ao Minha Casa, Minha Vida e do teto dos imóveis que podem ser financiados pelo programa, que é uma vitrine eleitoral de gestões petistas.

“O INCC de abril mostrou que [a guerra] já está impactando no preço dos produtos. A tendência parece ser um fato e o [INCC] de maio ser impactado também”, diz Dionysio Klavdianos, vice-presidente de inovação da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). “Temos ouvido relatos de aumentos de até 30%. Se isso persistir, haverá impacto no custo das obras e, posteriormente, no preço dos imóveis.”

O barril de petróleo do tipo Brent, referência internacional, se aproxima de US$ 115 (cerca de R$ 572) em meio à deterioração das relações entre Estados Unidos e Irã e às ameaças envolvendo o estreito de Hormuz —por onde passam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Os dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) apontam que os principais aumentos em abril ocorreram em itens como massa de concreto, cimento, tubos e conexões de PVC —derivados de petróleo—, além de vergalhões e arames de aço ao carbono.

Em abril, o preço do alumínio atingiu o maior valor em quatro anos em meio à guerra no Irã. O Oriente Médio é responsável por cerca de 9% da oferta global do metal.

Pelo menos três casas de análise de ações —BTG Pactual, Itaú BBA e Santander— disseram em relatórios divulgados recentemente que os custos pós-guerra podem mexer com as perspectivas do setor. Analistas do BTG Pactual afirmaram que os preços mais alto de materiais como concreto, PVC e alumínio ainda não foram integralmente incorporados aos índices de inflação do setor. O principal risco, de acordo com os analistas, é que as incorporadoras precisem elevar o preço dos imóveis, o que afetaria a demanda dos consumidores.

“Estamos ficando mais cautelosos em relação a incorporadoras, particularmente com as de baixa renda”, afirmaram os analistas do BBA.
No início de abril, dez entidades da construção civil enviaram ofícios à Casa Civil e aos ministérios da Fazenda, do Planejamento e das Relações Institucionais pedindo medidas emergenciais diante da disparada dos preços de insumos.

A proposta inclui a criação de um normativo temporário que estabeleça uma referência para a variação dos índices contratuais —em patamar considerado “justo e suportável”— e permita reajustes mensais enquanto durar o cenário de exceção.

Além de derivados do petróleo, o preço dos combustíveis também está em alta, impactando diretamente no valor do frete e pressionando toda a cadeia da construção. “O impacto mais imediato é no frete, devido ao diesel. E o frete tem peso relevante, porque é assim que os materiais chegam às obras”, diz Klavdianos.

Para tentar conter a alta do diesel, o governo federal criou uma série de medidas, incluindo isenção de impostos federais e incentivo à importação.
Apesar da alta dos custos, a construção civil descarta, neste momento, uma crise de oferta semelhante à observada durante a pandemia. “Não há falta de materiais e não tem nada paralelo com o que houve na pandemia. Agora, as fábricas estão funcionando. Conseguimos trabalhar”, diz Klavdianos.

O mercado global está bagunçado, mas não está paralisado.
vice-presidente de inovação da Cbic

O presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, afirma que o impacto atual é predominantemente de custo, não de oferta, ao longo da cadeia produtiva. Materiais como resinas, polímeros e tintas também já registram alta.

O principal problema, segundo o setor, é a imprevisibilidade. A volatilidade internacional dificulta o planejamento financeiro das empresas, a formação de preços e a negociação com fornecedores. O setor, que opera com ciclos longos, depende de maior estabilidade para precificar lançamentos e contratos.

Há ainda limitações estruturais que agravam a exposição ao cenário externo. Diferentemente de outros setores, a construção civil tem baixa capacidade de estocagem. Insumos como concreto e aço são adquiridos conforme o avanço das obras, o que reduz a possibilidade de antecipar compras e proteger margens.

Mesmo assim, empresas com maior capacidade financeira vêm tentando se antecipar. “Quem tem caixa e consegue armazenar está antecipando compras para formar estoque”, afirma Klavdianos.

Os custos mais recentes da construção ainda não aparecem nos imóveis que estão sendo entregues, porque esses empreendimentos foram orçados e vendidos há dois ou três anos, quando insumos, mão de obra e crédito estavam em patamares menores.

A alta atual, porém, já altera a conta dos novos projetos. Com materiais mais caros, fretes pressionados e maior incerteza no planejamento, incorporadores tendem a rever lançamentos, enxugar margens ou repassar preços, o que pode encarecer as próximas entregas e reduzir o ritmo de obras se o cenário se mantiver por tempo prolongado.

Segundo os analistas do Santander, os balanços das incorporadoras do primeiro trimestre, que começam a ser divulgados nesta semana, devem mostrar que as empresas começam a incluir o preço mais alto do petróleo em seus custos, até mesmo com revisão de orçamentos.

Muitas empresas têm buscado se defender da escalada de preços. “As construtoras têm resistido a pedidos de reajuste sem comprovação clara de aumento nos custos de produção, solicitado esclarecimentos aos fornecedores e buscado trazer os reajustes para patamares mais equilibrados, além de redobrar a atenção ao planejamento diante da volatilidade”, diz Estefan, do SindusCon-SP.

O Estado de S.Paulo - SP   04/05/2026

O governo de São Paulo lançou o edital para contratação de 3,8 mil moradias populares, com investimentos previstos de R$ 1,2 bilhão. O local do projeto é um terreno com 2 milhões de m² na divisa entre as cidades de Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba, mais conhecido como Fazenda Albor.

Esta não é a primeira vez que o governo estadual tenta tirar do papel um empreendimento imobiliário nessa região. Há dez anos, foi estruturada uma parceria público-privada para destravar os investimentos, e construtoras como MRV, Tenda e Cury chegaram a olhar o projeto, mas o interesse no negócio não se confirmou.

O terreno sofreu invasões e passou por processos de reintegração de posse ao longo dos anos, numa disputa que ainda não foi finalizada. Na nova tentativa de emplacar um projeto ali, o governo deixou as áreas ocupadas irregularmente fora da licitação para reduzir a complexidade do processo.
Modelo mudou

A nova licitação está a cargo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), estatal de habitação e proprietária do terreno. Para atrair interessados, a CDHU mudou o modelo da licitação, que agora será um processo competitivo - espécie de leilão. A abertura das propostas ocorrerá no dia 26 de junho.

O vencedor da disputa será aquele que oferecer o menor valor de aporte da CDHU, ou seja, aquela que demandar menos recursos públicos para viabilizar o projeto. Segundo o edital, a CDHU vai aportar até R$ 732 milhões (60% do total), enquanto os R$ 468 milhões restantes (40%) ficarão a cargo do parceiro privado.

O dinheiro público será usado para a infraestrutura (saneamento, energia, ruas, calçadas e outros equipamentos, como creches), enquanto os recursos privados vão para as obras das moradias. A venda dos imóveis será feita pela própria CDHU, o que também diminui o risco das empresas de comercializar e receber o pagamento das moradias.
‘Precisamos fazer alguma coisa’

“Se vai dar certo? O que não dá certo é ficar com o terreno parado. Precisamos fazer alguma coisa com ele”, afirma o presidente da CDHU, Reinaldo Iapequino, em entrevista à Coluna. “Nessa parceria, CDHU ficou com o risco de demanda. Muitas empresas têm interesse em participar, mas temem a dificuldade de conseguir vender por causa da competição de outros programas, como o Minha Casa Minha Vida. Procuramos facilitar”.

Na licitação, o terreno de 2 milhões de m² foi dividido em três lotes que estão abertos a propostas. O lote 1 terá 1.080 moradias; o lote 2, 1.769 unidades; e o 3, 984 unidades. As obras deverão ser entregues em até seis anos. Já a contrapartida da CDHU para a empresa será paga ao longo de 12 anos. Iapequino reconhece que isso gera um descasamento para o caixa dos proponentes. A solução, segundo ele, será a emissão de um Certificado de Recebível Imobiliário (CRI), lastreados no fluxo de pagamentos da estatal paulista.

Do total de moradias, 80% irão para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, e os 20% restantes, para aquelas até dez salários mínimos. O edital prevê que 75% das moradias sejam apartamentos em prédios de até 11 andares, e 25%, em casas do tipo sobrados. “Muitas vezes encontramos dificuldade em convencer as famílias em áreas de risco a se mudarem para um apartamento. Entendemos que oferecer uma casa, sem despesa de condomínio, facilita o reassentamento”, diz o presidente da CDHU.

NAVAL

A Tribuna - SP   04/05/2026

Os portos brasileiros tiveram papel central no avanço das exportações no primeiro trimestre de 2026, ao garantir o escoamento de cargas de grande volume, como petróleo, minérios e produtos agropecuários. Responsáveis por mais de 95% das exportações do País, esses ativos sustentam a conexão do Brasil com os principais mercados internacionais.

De janeiro a março, o Brasil exportou US$ 82,3 bilhões, um aumento de 7,1% em comparação com o mesmo período de 2025. Com isso, o saldo positivo da balança comercial – diferença entre o que o País vende e compra do exterior – chegou a US$ 14,1 bilhões, alta de 47,6%.

O resultado foi impulsionado, principalmente, pelas vendas para a China, principal parceiro comercial do Brasil, que cresceram 21,7% no trimestre e somaram US$ 23,9 bilhões. As exportações para a União Europeia também avançaram, com alta de 9,7% e total de US$ 12,2 bilhões.

Com o aumento da demanda internacional por commodities, cresce também a importância dos investimentos em infraestrutura logística do País. Por isso, os portos são fundamentais para garantir eficiência, reduzir custos e manter a competitividade brasileira no comércio global.

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o Brasil tem avançado em uma agenda consistente de investimentos e modernização da infraestrutura. “Só em 2025, foram R$ 7,8 bilhões em autorizações e contratos no setor portuário, incluindo novos terminais de uso privado, alterações contratuais e reinvestimentos em arrendamentos existentes”, destacou.

Infomoney - SP   04/05/2026

A Vale planeja mais que duplicar nos próximos três anos sua frota de navios de transporte de minério de ferro com velas, somando ao menos 20 embarcações equipadas com a tecnologia, revelou um executivo da mineradora à Reuters, no porto onde um Guaibamax estava atracado nesta semana.

A iniciativa tem potencial de reduzir em quase 10% o consumo de combustível, dependendo do tipo do navio, e ajuda a amortecer a volatilidade global dos preços do óleo marítimo em suas operações. O custo do frete é importante fator para a Vale, cujas operações estão mais distantes da China do que as concorrentes australianas.

Fruto de uma estratégia que vem sendo elaborada há mais de uma década com foco na redução de emissões e no aumento de eficiência, o movimento ganha tração justamente em um momento em que o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã fez disparar os preços dos derivados do petróleo no mundo, diante de restrições de oferta da commodity.

As velas, que impulsionam os navios com a força dos ventos em viagens transoceânicas, foram incorporadas a oito navios a serviço da Vale desde 2021, ou aproximadamente 40% do total de graneleiros adaptados com a tecnologia no mundo, revelou o gerente-geral de navegação da mineradora brasileira, Rafael Fischer, ao guiar visitantes por um dos navios da frota com velas, no Porto de Tubarão, em Vitória.

“A eficiência energética faz com que a gente dependa cada vez menos do combustível, então isso faz com que a gente tenha impactos menores de qualquer variação do preço do ‘bunker’ (combustível marítimo)”, disse o executivo em entrevista à Reuters.

Ele falava do alto de um mirante no porto, logo após desembarcar de um navio do modelo Guaibamax equipado com velas, com capacidade de 325 mil toneladas, que terminava de ser carregado com minério da Vale para seguir rumo à China.

No Porto de Tubarão, maior exportador de pelotas de minério de ferro do mundo, as velas que têm um formato cilíndrico e altura equivalente à de um prédio de dez andares podem ser avistadas por banhistas ao longo de praias capixabas.

Com as velas, a frota de oito navios da Vale registrou uma redução de cerca de 4.700 toneladas de CO2 equivalente no primeiro trimestre, associada a uma economia de aproximadamente 1.500 toneladas de óleo combustível pesado, segundo dados da companhia. Uma viagem de ida e volta à China consome cerca de 5 mil toneladas do combustível fóssil.

Quatro dos oito navios ainda estão em “ramp-up”, com expectativa de melhoria de desempenho nos próximos meses, segundo a companhia.

A primeira implementação de energia eólica em um navio pela Vale ocorreu em 2021, em uma embarcação do modelo Guaibamax, que recebeu cinco velas, com quatro metros de diâmetro e 24 metros de altura.

Já o primeiro Valemax — de 400 mil toneladas de capacidade — com a tecnologia começou a operar em 2024, com cinco velas de 35 metros de altura e 5 metros de diâmetro cada. Esse último foi o que teve a economia de combustível mais expressiva da frota no primeiro trimestre deste ano, de cerca de 8%.

Além dos dois projetos com investimento próprio, a Vale coopera com os armadores em outros seis projetos em operação, de forma a incentivar a adoção da tecnologia no setor, disse Fischer. Os últimos três entraram em operação entre outubro de 2025 e janeiro deste ano.

“São mais de mil viagens por ano, centenas de navios diferentes, a Vale não tem a ambição de sozinha bancar todos esses projetos. Os armadores também estão engajados nisso”, afirmou. “Fizemos dois projetos e, a reboque, ganhamos seis outros.”

“Esse menor consumo de combustível faz com que a gente também reduza o custo do frete”, acrescentou.

A Vale opera simultaneamente uma frota afretada de mais de 200 navios, sendo que os navios de grande porte, e que contam com contratos de longo prazo, somam pouco mais de 100 embarcações.

FLEXIBILIDADE E COMBUSTÍVEIS ALTERNATIVOS

Com as velas, Fischer explicou que é possível ainda reduzir o tempo de viagem do navio, mas que a Vale tem optado por manter a velocidade e poupar o combustível.

Ele acrescentou que a empresa também busca a adoção de combustíveis alternativos nas embarcações, o que permite menos emissões e mais flexibilidade no abastecimento.

“No futuro, a gente vai ter a possibilidade de pelo menos cinco combustíveis, isso garante flexibilidade para a gente se adaptar às situações, às condições de mercado e utilizar as tecnologias que vão trazer o melhor resultado sustentável para a empresa”, pontuou.

No início deste mês, a Vale anunciou um contrato de afretamento de 25 anos com a chinesa Shandong Shipping Corporation que prevê a construção pelo armador dos dois primeiros navios transoceânicos do mundo movidos a etanol e equipados com velas. As embarcações Guaibamax poderão ser abastecidas também com metanol e “bunker” comum e terão a opção de “retrofit” para GNL e amônia.

O acordo recente se somou à contratação de outras dez embarcações Guaibamax bicombustíveis também com velas e movidas a metanol e óleo pesado, junto à Shandong, com entregas previstas entre 2027 e 2029. A mineradora estuda a possibilidade de converter essas embarcações também para o uso adicional de etanol.

Além disso, na frota atual, alguns navios já têm a capacidade para futura adaptação para combustíveis alternativos.

Essas grandes embarcações realizam entre três e quatro viagens por ano, majoritariamente na rota Brasil-China, e seus avanços tecnológicos são essenciais para trazer ganho de competitividade para a Vale frente aos seus principais concorrentes que ficam na Austrália, mais próximos do continente asiático. Para percorrer cada trecho, o navio demanda cerca de 45 dias.

“Temos uma desvantagem geográfica comparada aos nossos competidores, então trazemos aqui inovação como uma alavanca para mitigar esse efeito”, disse o executivo.
RESULTADOS ALCANÇADOS

As velas são impulsionadas por um fenômeno físico chamado Efeito Magnus, o mesmo que no futebol explica a curva da bola em um chute de trivela, disse Fischer.

Quando as velas cilíndricas giram, permitem que uma face fique a favor e outra contra o vento. “Essa diferença de velocidade do fluido (ar) gera um diferencial de pressão, assim como em uma vela tradicional, fazendo então esse efeito de propulsão”, afirmou.

No Valemax, a adoção de velas permitiu a redução de emissões em 1,6 mil toneladas de CO2 equivalentes em 2026, ou 7,6% do total, quando a previsão inicial era de cerca de 6%. Desde o início da operação, há um ano e meio, a redução chegou a 6,5 mil tCO2eq, segundo cálculos da empresa.

O resultado contribui para a meta da Vale de reduzir em 15% as emissões do Escopo 3 até 2035, relacionado à cadeia de valor, que inclui a maior parte das emissões do transporte marítimo, dependendo do tipo de contrato. Em média, a navegação é responsável por 3% das emissões de escopo 3, enquanto a siderurgia engloba os demais 97%.

Desde 2020, a Vale investiu cerca de R$7,4 bilhões em iniciativas para reduzir suas emissões de Escopo 1, 2 e 3. “É um esforço que é contínuo, e a empresa segue na trajetória para descarbonização”, afirmou Fischer.

Jornal de Brasília - DF   04/05/2026

Terminais portuários brasileiros que movimentam contêineres preveem investir mais de R$ 10 bilhões até 2029 para expandir capacidade e aumentar a profundidade dos canais de acesso aos portos. As obras buscam contornar a infraestrutura saturada dos terminais e possibilitar a operação de navios de nova geração.

O levantamento foi feito pela consultoria Solve Shipping, que atua nos setores logístico e de comércio exterior. No total, os aportes serão feitos em portos de nove estados, nas regiões Sudeste, Nordeste e Sul.

Leandro Carelli, sócio da Solve Shipping, aponta os investimentos previstos para o porto Itapoá (SC) como uma das obras mais importantes do segmento.

O terminal privado prevê R$ 500 milhões para conclusão da sua quarta fase de expansão, que inclui ampliação do cais e aquisição de portêineres —equipamento essencial para a movimentação de contêineres em navios de grande porte.

Em paralelo, o terminal aguarda a finalização da obra de dragagem do canal de acesso ao Complexo Portuário da baía da Babitonga. O aprofundamento da passagem, que custou mais de R$ 324 milhões, vai permitir que navios maiores atraquem na região.

O aporte maior, de R$ 300 milhões, veio do porto Itapoá e será devolvido de forma parcelada até 2037.

O porto de São Francisco do Sul, localizado na margem oposta da baía e ligado ao governo estadual, custeou o restante (R$ 24 milhões) da obra.

Segundo Alberto Machado, gerente de comunicação e relações institucionais do porto Itapoá, a expectativa é de que a dragagem seja concluída entre junho e julho. “Depois tem período de testes, homologação. A gente está imaginando no segundo semestre já ter esse canal 100% aprofundado.”

Com o fim da obras, a profundidade do canal externo crescerá de 14 metros para 16 metros, permitindo a navegação de embarcações de até 366 metros de comprimento —navios maiores e mais novos no mercado.

De acordo com Carelli, da Solve Shipping, a mudança pode facilitar a logística de grandes navios que vêm de outras partes do mundo, como a Ásia. Ele explica que as embarcações podem usar o terminal de Itapoá para descarregar um pouco da carga e seguir, mais leves, para outros portos que possuem calados (profundidade) menores –e que, por isso, não recebem navios maiores que operam em plena capacidade.

O levantamento elaborado pela Solve Shipping exclui o Tecon Santos 10, o megaterminal de contêineres projetado para o porto de Santos (SP) que é alvo de divergências de modelagem do leilão e ainda não teve a data do certame marcada.

Carelli diz, no entanto, que para garantir aumento da capacidade no segmento de contêineres, esse e outros projetos terão de sair do papel. “Se não vier o Tecon Santos 10 e mais algum [outro terminal] até 2035, a gente vai continuar andando acima da capacidade operacional”, afirma.

Somente na Portonave, terminal privado de contêineres em Navegantes (SC), serão investidos mais de R$ 2 bilhões. Com o aporte, o cais será adequado para operar com até 17 metros de profundidade, o que o tornará apto a receber navios de até 400 metros, de acordo com o terminal. Hoje o porto opera com um calado menor que 14 metros.

“Nós teremos isso formatado para receber a nova geração de navios, de 366 metros que já está começando a entrar em alguns terminais no Brasil. Até então, nós só podemos receber navios de 350 metros”, diz Osmari de Castilho Ribas, diretor superintendente administrativo da Portonave.

Além disso, haverá infraestrutura para futura instalação de um sistema que permitirá o fornecimento de energia elétrica aos navios atracados.

A Portonave também usará os recursos para a aquisição de nove novos equipamentos, entre eles guindastes e scanners de contêineres.

Com as obras previstas, o terminal prevê expandir a capacidade operacional anual de 1,5 milhão para 2 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).

Em Pernambuco, a APM Terminals constrói um novo terminal de contêineres no porto de Suape, com início de operação previsto para o segundo semestre deste ano e investimento de R$ 2,1 bilhões.

Em entrevista à Folha durante a Intermodal Soth America, feira do setor de logística, o diretor de Investimentos para as Américas da APM Terminals, Leonardo Levy, disse que o novo terminal mira o futuro da navegação no Brasil, com operação de navios maiores. A mudança, porém, precisa abranger outros portos, afirmou.

“O terminal vai estar preparado para isso [receber navios maiores]. Mas não adianta um porto, um terminal só estar preparado para isso no Brasil. A gente tem que ter vários portos preparados para isso, porque o navio que vem para cá não escala um terminal só”, diz Levy.

Exame - SP   04/05/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em postagem na rede social Truth Social na noite deste domingo, 3, que o país vai 'orientar' as embarcações que estão presas no Estreito de Ormuz rumo a águas seguras a partir desta segunda-feira.

A ação, que o americano chama de "Projeto Liberdade", visa a retirar navios de países que não estão envolvidos no conflito do local. O Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, é considerado crucial para o escoamento de petróleo do Oriente Médio. Antes da guerra iniciada pela ofensiva americano-israelense contra o regime dos Aiatolás, estimava-se que por ali passavam cerca de 20% do petróleo do mundo.

Com a mediação do Paquistão, os EUA negociam com o Irã um acordo para por fim ao conflito iniciado eno fim de fevereiro deste ano. O regime iraniano fez uma proposta de reabrir Ormuz, mas não abriu mão da continuidade do programa nuclear do país, o que, segundo o New York Times, é considerado insuficiente por Trump.

Em seu comunicado, o presidente americano disse que "países de todo o mundo" solicitaram "que ajudássemos a liberar seus navios, que estão retidos no Estreito de Ormuz, em uma situação com a qual não têm absolutamente nada a ver".

"Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que vamos orientar seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir livremente com suas atividades. Mais uma vez, trata-se de navios de regiões do mundo que não estão, de forma nenhuma, envolvidas com o que está acontecendo atualmente no Oriente Médio", prossegue o texto de Trump.

O presidente americano também disse que seus representantes "estão mantendo discussões muito positivas com o Irã" e que os dipalogos "podem levar a algo muito positivo para todos", sem dar detalhes.

A movimentação dos navios, segundo Trump, tem "apenas o objetivo de libertar pessoas, empresas e países que não fizeram absolutamente nada de errado".

O texto conclui com uma ameaça ao regime iraniano: "Acredito que isso pode representar um passo importante para demonstrar boa vontade por parte de todos aqueles que têm travado conflitos de forma tão intensa nos últimos meses. Se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá de ser enfrentada com firmeza".

A Tribuna - SP   04/05/2026

A grande experiência de Luciana Fuschini na área da segurança é responsável por credenciá-la para falar sobre o tema. Delegada aposentada da Polícia Federal (PF), ela exerceu as funções de chefe da Delegacia da PF em Santos e coordenadora da Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Cesportos). Atualmente, além de consultora na área de segurança, Luciana atua como conselheira de administração na Autoridade Portuária de Santos (APS). Nesta entrevista para A Tribuna, ela aborda problemas e sugere soluções envolvendo o setor, em especial no Porto de Santos.

A senhora foi a primeira mulher a ocupar a delegacia da Polícia Federal aqui em Santos. É uma responsabilidade que fica para a vida?
Sim, algumas coisas que a gente faz ao longo da vida, que vão pavimentando caminhos para outras pessoas, acabam ficando. Quando você chega primeiro, é algo solitário, não tem ninguém te esperando. Tudo é muito novo e diferente. Isso aconteceu várias vezes na minha vida. Quando eu coordenei a Cesportos no estado de São Paulo, em 2018, também fui a primeira mulher. Agora, na diretoria da Soamar (Sociedade Amigos da Marinha), também fui a primeira mulher. Foram caminhos que a gente foi pavimentando.

O ramo portuário ainda segue sendo muito masculino. Essas suas conquistas inspiram outras mulheres?
Com certeza. Tem muitas mulheres que chegam e falam que se inspiraram, o quanto foi bom eu ter mostrado os caminhos. Não acho que o meio seja machista, é uma questão objetiva: o Porto começou com estivadores carregando sacos, era algo ligado à força. Era um ambiente mais masculino no qual foi, aos poucos, sendo inserida a questão de logística. Agora tem até estivadora, que opera a máquina. Acho que as mulheres que entram estão se dando muito bem. As características dos homens e das mulheres são complementares.

Com a sua experiência de 21 anos como delegada PF, o que mudou na segurança dos portos?
Tivemos um avanço muito grande na parte de ISPS Code, que é uma certificação internacional de segurança no porto, que entrou a partir de 2019, com força de lei federal. A partir desse momento, começou a se cobrar os terminais e, virando obrigatório, a régua aumentou bastante. Os terminais passaram a se adaptar e a segurança deu uma boa elevada. Dá para perceber em estatísticas o impacto que isso teve. E, fora isso, o avanço da tecnologia, a inteligência artificial (IA) está crescendo exponencialmente essa parte tecnológica.

O que pode ser feito para minimizar as ocorrências envolvendo segurança nos portos, em especial em Santos?
Hoje, para um terminal ser certificado, tem que ter um estudo de avaliação de risco e o plano de segurança feito para mitigar aqueles riscos que foram detectados. Se os terminais tiverem aquela maturidade de segurança e eles seguirem exatamente o que está proposto nos planos deles, a gente já está em um patamar muito elevado. São os supervisores de segurança, obrigatórios em todos os terminais portuários, que verificam essa situação do ISPS Code e fazem algo chamado Roip, que são os Registros de Ocorrência de Incidente de Proteção. Serve para uma investigação. Hoje você tem barreira perimetral virtual, tem vídeo analítico, várias camadas de segurança, análise preditiva com IA. Isso tudo eleva o nível.

Os portos ainda são rotas essenciais para o tráfico de cocaína, basta ver as apreensões constantes...
Os traficantes têm muito dinheiro, criatividade e tempo para achar rotas e maneiras alternativas. Gosto muito de gráficos porque, com eles, você consegue enxergar bastante coisa. É possível ver, ao longo dos anos, o que houve. Nem sempre quando o número de apreensões diminui, significa que as coisas estão dando certo. Às vezes, é uma mudança de rota ou de modus operandi. E o que acontece: a polícia e os órgãos de segurança estão sempre um passo atrás. Então, quando se analisa um gráfico, tem se levar tudo em consideração. Tivemos aqui uma GLO (Garantia da Lei da Ordem, com intensificação no patrulhamento militar) no Porto de Santos (entre novembro de 2023 e junho de 2024) e isso (apreensões) diminuiu naquele período. Mas o que eu percebi foi um aumento no número de ocorrências nos portos do Nordeste e do Norte, que ainda tem um nível de maturidade de segurança um pouco menor.

O investimento em inteligência tem que ser ainda maior?
Não tenho dúvida. Hoje, a gente tem um investimento baixíssimo, não só em inteligência, mas em mão de obra. O número de servidores está muito aquém. O aparelhamento também. Por exemplo, aqui no Porto de Santos a gente tinha uma lancha, vamos receber outra. Mas se essa que tem quebra? Como o maior porto do Hemisfério Sul tem esse grau de estrutura? Não pode ser assim. Precisamos olhar e ver a magnitude de como isso impacta o País e a economia, que passa pelo Porto de Santos. Os salários também são menores do que outras carreiras. Estamos encolhendo e acaba acontecendo o impacto da falta de atratividade. Tudo isso tem que ser levado em consideração e analisado de cima para baixo do Governo, para poder investir nesses profissionais. O pessoal trabalha meio na raça. Às vezes falta dinheiro para gasolina na viatura, não pode fazer uma diária. Por várias vezes eu tirei a diária do bolso para receber meses depois. Não é justo. Temos um Núcleo de Polícia Marítima (Nepom) que está completamente aquém, não só no Porto de Santos.

Está prevista a construção de um novo prédio da PF na Ponta da Praia. O quanto ele será importante para melhorar o trabalho?
Eu me sinto muito à vontade em falar sobre isso, porque foi a minha gestão que conseguiu de volta aquele terreno. No atual prédio da Polícia Federal, não tem estacionamento suficiente para as viaturas. O prédio é precário. Isso tem até um impacto psicológico para o crime organizado. Se há uma estrutura mais imponente com viaturas, lanchas, aquilo causa um impacto. É importante que você esteja com todo o aparato e com a visão para tudo ali no Porto e no futuro aeroporto, além da saída rápida da lancha por ali.

A futura mudança do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, para o Valongo vai ser importante para a segurança do Porto?
Embora ele tenha sido bem construído, uma instalação nova já nasce com uma estrutura ainda mais pensada, também com os órgãos de segurança, dentro da maturidade no assunto que temos hoje, e integrando os órgãos intervenientes que já atuam conjuntamente. A nova localização também ajuda nisso, saindo um pouco da, digamos, confusão do Porto. Vai ser interessante essa mudança.

O que a Cesportos já fez e pode continuar fazendo em termos de mudanças e incrementos ligados à segurança?
Na época em que eu estive lá, uma das coisas nas quais eu mais batia era a integração do público com o privado. Não adianta cada um discutir isoladamente. A gente trabalha integrado, um precisa do outro. Por exemplo, se você dobrar o número de toneladas de movimentação, você não tem a estrutura dos órgãos públicos na mesma proporção. Quando vai se tomar qualquer tipo de decisão, precisa envolver todos esses órgãos para poder ver o impacto. É o efeito em cadeia. Puxei muito essa integração do público om o privado e ela continua hoje rendendo bons frutos. Tenho batido nisso também dentro do Conselho de Administração (Consad) do Porto de Santos.

A Cesportos tem que ter um papel mais atuante?
Ela tem hoje um papel mais atuante. Antigamente não tinha tanto, mas foi encorpando e hoje as pessoas veem a importância. Costumo dizer que a segurança não é um setor, ela permeia tudo. Quando uma empresa contrata alguém, tem que ver quem está contratando. Hoje, o crime organizado cria empresas de fachada, pagando todos os impostos e colocando o preço lá embaixo. O setor de compras vai lá e a contrata porque ela está, formalmente, toda correta. E, na verdade, está contratando o crime organizando para ele ter acesso ao terminal e aos navios.

Embora não tenha ligação direta com a Polícia Federal, haverá daqui a alguns anos o túnel imerso Santos-Guarujá. Como analisá-lo sob o ângulo da segurança?
Ele tem um impacto na segurança. Se a mobilidade do cidadão de bem vai ser maior, a do crime também. É outro aspecto que eu sempre converso: quando sair, tem que haver toda essa questão do aspecto da segurança, com inteligência artificial e uma série de coisas. Ou seja, o que tem nas cidades inteligentes, como detectar pessoas procuradas. Tem que fazer a maior blindagem possível para não se tornar um meio facilitador para o crime ao invés de só um meio de mobilidade dos cidadãos. É por isso que eu falo que tudo passa pela segurança. É um dos aspectos que a gente tem que ver sempre que tomamos decisões dentro ou fora do Porto.

PETROLÍFERO

Agência Brasil - DF   04/05/2026

A Petrobras informou que, neste feriado de 1º de maio, iniciou a operação da plataforma de produção de petróleo e gás P-79, localizada no Campo de Búzios, na Bacia de Santos, litoral do Sudeste.

A empresa ressaltou que conseguiu antecipar o início da operação em três meses.

A estrutura tem capacidade para produzir 180 mil barris de óleo e de compressão de gás de 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) diários. O navio-plataforma é do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading, em português, Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência).

A P-79 é a oitava plataforma em operação no Campo de Búzios. Com esse reforço, a produção no campo subirá para cerca de 1,33 milhão de barris de óleo por dia.

A operação é planejada para exportar gás para o continente, por meio do gasoduto Rota 3. A operação vai acrescentar até 3 milhões de m³ por dia à oferta de gás no país.

A plataforma terminou de ser construída na Coreia do Sul e chegou ao Brasil em fevereiro. O FPSO já veio do país asiático com uma equipe da Petrobras a bordo, para adiantar os procedimentos de comissionamento (montagem para entrada em operação), de forma a ganhar tempo para o início da produção.

O processo já havia sido feito com a P-78, também localizada no Campo de Búzios, que entrou em operação em dezembro de 2025.
Búzios

A P-79 forma o chamado Búzios 8, módulo de produção de petróleo que prevê 14 poços, sendo 8 produtores e 6 injetores (serve para manter a pressão do reservatório e “empurrar” o petróleo em direção aos poços produtores).

Descoberto em 2010, o Campo de Búzios é o maior do país em reservas de petróleo. No ano passado superou a marca de 1 milhão de barris produzidos diariamente.

Búzios está a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro - equivalente a distancia de Brasília a Goiânia. O reservatório fica a 2 mil metros de profundidade - é como se fosse a altura de 38 estátuas do Cristo Redentor “empilhadas”.

Além da P-79, operam no Campo de Búzios os FPSO P-74, P-75, P-76, P-77, P-78, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.

A Petrobras planeja acrescentar quatro plataformas ao campo nos próximos anos. Três delas já estão em construção (P-80, P-82 e P-83); e a quarta, em licitação.

A produção de óleo e gás em Búzios é por meio de um consórcio, no qual a estatal brasileira é a operadora. As demais empresas são as chinesas CNOOC, CNODC e a Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA), estatal federal que representa a União.
Choque do petróleo

O início da operação da P-79 acontece em um momento em que o mundo enfrenta um choque no preço do petróleo, motivado pela guerra no Irã.

O conflito no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. A região concentra países produtores de petróleo e o Estreito de Ormuz, passagem marítima que liga os golfos Pérsico e de Omã, por onde passam 20% da produção mundial de óleo e gás.

Uma das retaliações do Irã é o bloqueio do estreito, que fica ao sul do país. O reflexo observado é o distúrbio na logística da indústria do petróleo, o que tem causado redução da oferta do produto e, consequentemente, aumento de preços no mercado internacional.

O petróleo e seus derivados, como a gasolina e o óleo diesel, são commodities, isto é, mercadorias negociadas a preços internacionais. Isso explica por que os preços sobem até mesmo em países produtores, como o Brasil.

Além disso, o Brasil precisa importar alguns derivados, como o diesel. Cerca de 30% do consumo interno vem do exterior. A Petrobras já manifestou que estuda fazer o país autossuficiente no combustível em até cinco anos.

O governo brasileiro tem tomado iniciativas para conter a escalada dos derivados de petróleo. Entre as ações estão a isenção de cobrança de impostos e subsídio a produtores e importadores.

Money Times - SP   04/05/2026

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) concordou, em princípio, em elevar as metas de produção de petróleo em junho, disseram neste sábado duas fontes familiarizadas com o grupo.

O aumento, porém, permanecerá em grande parte no papel enquanto a guerra entre EUA e Irã continuar a interromper o fornecimento no Golfo Pérsico.

Sete países da Opep+ têm um acordo para aumentar as metas de produção de petróleo em cerca de 188.000 barris por dia em junho, o terceiro aumento mensal consecutivo, apesar da guerra e da saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo nesta semana, disseram as fontes.

Os sete membros – Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã – se reunirão neste domingo (3). Com a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo, a Opep+ passou a incluir 21 membros, inclusive o Irã. Porém, nos últimos anos apenas esses sete países, mais os Emirados Árabes Unidos, estiveram envolvidos nas decisões mensais de produção.

A guerra contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro, e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz reduziram as exportações da Arábia Saudita, do Iraque e do Kuwait, bem como dos Emirados Árabes Unidos. Antes do conflito, esses países eram os únicos do grupo capazes de elevar a produção.

O Irã, também membro da Opep+, embora não esteja entre os sete que se reunirão no domingo, viu suas próprias exportações serem reduzidas por um bloqueio imposto pelos EUA em abril.
Produção de petróleo em meio à guerra

O aumento da produção permanecerá em grande parte simbólico até que o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz seja reaberto. Ainda assim, levará várias semanas, se não meses, para que os fluxos se normalizem, afirmaram executivos do setor petrolífero do Golfo Pérsico e comerciantes globais de petróleo.

A interrupção impulsionou os preços do petróleo para uma alta de quatro anos nesta semana, acima de US$ 125 por barril, enquanto os analistas começam a prever uma escassez generalizada de combustível de aviação em um ou dois meses, além de uma alta na inflação global.

O aumento de produção no domingo será semelhante ao do mês passado, de 206.000 barris por dia (bpd), menos a participação dos Emirados Árabes Unidos, que deixou o grupo em 1º de maio, disseram as fontes. Elas falaram sob condição de anonimato, pois não estão autorizadas a conversar com a imprensa.

A decisão sinaliza que a Opep+ está adotando uma abordagem de negócios como de costume e está disposta a aumentar a oferta quando a guerra terminar, disseram as fontes anteriormente.

A produção de petróleo bruto de todos os membros da Opep+ foi, em média, de 35,06 milhões de bpd em março, uma queda de 7,70 milhões de bpd em relação a fevereiro, informou a Opep em um relatório no mês passado. Iraque e Arábia Saudita fizeram os maiores cortes devido às restrições sobre as exportações.

Fora do Golfo Pérsico, a Rússia também cortou a produção depois que ataques de drones ucranianos danificaram sua infraestrutura.

Petro Notícias - SP   04/05/2026

A Petrobrás registrou, no primeiro trimestre de 2026, produção própria média recorde de 3,23 milhões de barris de óleo equivalente por dia, resultado 3,7% superior ao do trimestre anterior e 16,1% acima do mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pelo avanço da produção em novas unidades e pela entrada de poços ao longo do período. O resultado reflete o ramp-up dos FPSOs P-78, no campo de Búzios, Alexandre de Gusmão, em Mero, além das unidades Anna Nery e Anita Garibaldi, nos campos de Marlim e Voador. Os dados estão disponíveis no relatório trimestral de produção da petroleira, divulgado na noite desta quinta-feira (30).

A companhia também destacou a manutenção da produtividade e da eficiência operacional, com redução de perdas associadas a paradas para manutenção, o que contribuiu para maior estabilidade das operações. No período, foram iniciados 10 novos poços produtores, sendo sete na Bacia de Campos e três na Bacia de Santos.

No período, a Petrobrás também alcançou novos recordes de produção. A produção total operada chegou a 4,65 milhões de barris de óleo equivalente por dia, superando o recorde anterior de 4,54 milhões registrado no terceiro trimestre de 2025. No pré-sal, a produção total operada alcançou 4,01 milhões de barris de óleo equivalente por dia, frente ao recorde anterior de 3,90 milhões no quarto trimestre de 2025, enquanto a produção própria somou 2,66 milhões de barris de óleo equivalente por dia, superando os 2,56 milhões registrados anteriormente.

REFINO

A Petrobrás registrou crescimento de 6,7% na produção total de derivados em relação ao 4T25, alcançando 1.816 milhões de barris por dia. Destaque para a participação de derivados médios (diesel e QAV) e gasolina, que representaram 68% da produção total de derivados no 1T26.

A companhia destacou também que a maior produção possibilitou o aumento das vendas de derivados produzidos, reduzindo as importações. No primeiro trimestre do ano, a Petrobrás teve o menor volume de importação de GLP (26 milhões de barris por dia). A conquista se deve à produção do Complexo de Energias Boaventura, que, em conjunto com a maior utilização do parque de refino, tem elevado a oferta total do derivado e contribuído para a redução da dependência do produto importado.

O Fator de utilização total do parque de refino atingiu o patamar de 95%, 6 pontos percentuais acima do quarto trimestre de 2025. Além disso, em março, a Petrobrás registrou FUT de 97,4%, maior utilização do parque desde dezembro de 2014.

O Estado de S.Paulo - SP   04/05/2026

Um dos principais produtores de petróleo do mundo, os Emirados Árabes Unidos acabam de anunciar que estão deixando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O anúncio é um golpe para a organização – um cartel liderado pela Arábia Saudita que ao longo de décadas busca influenciar os preços do petróleo por meio da determinação de cotas de produção.

Fundada nos anos 1960, a Opep viveu o auge de seu poder na década de 1970. À época, havia bem menos países produtores da commodity, o que permitiu ao cartel, em 1973, embargar o envio de petróleo aos EUA, então altamente dependente de importações de membros da Opep.

Nos últimos anos, porém, o surgimento de novos atores capazes de produzir volumes consideráveis da commodity foi diminuindo o poder do cartel. Apenas nas Américas, Brasil, Guiana e EUA converteram-se em grandes países produtores. Hoje, os EUA são os maiores produtores mundiais de petróleo, à frente da Arábia Saudita.

Foi nesse contexto que os Emirados Árabes Unidos resolveram retirar-se, de forma contundente, da Opep. Fora do cartel, o país pretende ampliar sua produção para 5 milhões de barris diários até 2027.

Em 2019, o Catar já havia deixado a Opep, mas sem causar o ruído provocado pela decisão emiradense. Pequeno produtor de petróleo, o Catar escolheu priorizar a sua produção de gás natural.

Já a saída de um membro da estatura dos Emirados Árabes pode levar a novas debandadas da Opep. Por ora, no entanto, a saída não exerce impacto relevante nem sobre os preços nem sobre a produção de petróleo, uma vez que o conflito entre EUA, Israel e Irã reduziu significativamente as atividades produtivas de países do Golfo Pérsico, como os próprios Emirados e a Arábia Saudita.

Contudo, se há um vencedor claro nessa história, ele é obviamente o presidente dos EUA, Donald Trump, que inúmeras vezes pressionou a Opep a ampliar sua produção petrolífera para que o preço da commodity caísse.

Trump chegou a acusar a Opep de produzir pouco petróleo para inflar os preços, ajudando a Rússia, grande produtora associada ao cartel, a financiar sua campanha de agressão à Ucrânia. Ao romper com a Opep, os Emirados Árabes Unidos emitem um sinal de que não estão alinhados à Rússia, mas ao próprio Trump.

Além disso, os Emirados Árabes Unidos escalam a disputa cada vez menos silenciosa com a Arábia Saudita pela capacidade de liderar os países do Golfo, grupo que também inclui Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar e Omã.

É difícil antever as implicações dessa rivalidade sobre o delicado alinhamento entre os países do Golfo, especialmente os árabes. O que é certo, porém, é que a demanda por energia não para de crescer e, a despeito do aumento considerável de fontes renováveis, o petróleo segue sendo um ativo de grande importância em todo o mundo.

No ano passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que a demanda global por petróleo seguirá crescendo até 2050, revertendo previsão feita no ano anterior de que o pico do interesse por petróleo se daria já em 2030.

Abalada pela deserção dos Emirados Árabes Unidos, a Opep também deve preocupar-se com o aumento da produção na Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Formalmente membro do cartel, a Venezuela agora encontra-se sob influência direta de Trump e certamente não se orientará pelas cotas da organização.

É verdade que o petróleo pesado venezuelano é mais difícil de refinar que o produzido em países do Golfo. Contudo, ele se encontra em uma região bem menos propensa a crises geopolíticas como a que se desenrola atualmente no Estreito de Ormuz, por onde circula 20% da produção mundial de petróleo.

A conta é simples: refinar o petróleo venezuelano sai mais barato que depender da produção de uma região altamente instável como o Golfo Pérsico.

Antes uma potência global por força do seu poder regional praticamente indisputável, a Opep, que em outros tempos submetia o mundo a seus desígnios, agora é tragada por suas disputas internas e por uma produção de petróleo cada vez mais diversa.

Valor - SP   04/05/2026

Supremo avalia constitucionalidade de lei de 2012; resultado pode afetar receita de RJ, ES e SP

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, na quarta-feira (6), as regras de distribuição dos royalties e participações especiais (PE) sobre a produção de petróleo e gás natural, após o assunto ficar 13 anos parado na Corte. O STF vai definir se a lei que prevê mudanças nos percentuais das taxas governamentais destinadas aos entes federativos é constitucional ou não.

A legislação foi aprovada em 2012 pelo Congresso mas não entrou em vigor, pois os Estados produtores entraram com ações no Supremo questionando as novas regras. Em 2013, a ministra Cármen Lúcia, relatora dos processos na Corte, concedeu decisão liminar que vale até hoje, mantendo a distribuição dos recursos nos moldes anteriores.

Caso as regras mudem, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, que concentram a produção, serão os maiores perdedores, com sérias consequências, sobretudo para o Rio. Os três receberam, em 2025, 93,3% dos R$ 16,6 bilhões de royalties pagos aos Estados, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Embora os três sejam afetados, os efeitos para cada um têm dimensões diferentes.

O Rio terá o maior impacto. Responsável por 84,6% da extração nacional de óleo e gás, o Estado tem quase 25% da receita corrente líquida (RCL) oriunda das taxas governamentais sobre a produção do setor. Na projeção do governo estadual, a perda com a redistribuição pode superar 9% da RCL. Isso poderia levar a redução acumulada de receita de R$ 50,7 bilhões de 2026 a 2032, média de R$ 7,2 bilhões por ano.

Para um Estado que tem déficit projetado de R$ 19 bilhões neste ano e estima R$ 13 bilhões para 2027, abrir mão dessa receita dos poderia levá-lo a uma crise econômica semelhante a vivida em 2015, quando o governo não conseguiu pagar os servidores e precisou, no ano seguinte, decretar calamidade pública.

O Rio é um dos Estados que acionaram o Supremo para barrar a mudança na divisão das compensações pela produção de petróleo no país. O Valor apurou que o governo fluminense pretende tentar adiar o julgamento em busca de decisão favorável ao Estado. Em abril, o governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, esteve diversas vezes em Brasília reunido com ministros do STF, entre eles o presidente, Edson Fachin, para defender interesses do Estado e alertar para o risco de eventual crise caso as regras mudem.

Além da ação movida pelo Rio, o Supremo julgará, de forma conjunta, outros quatro processos, cujos autores são a Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), Espírito Santo, São Paulo e a Associação Brasileira dos Municípios Com Terminais Marítimos, Fluviais e Terrestres de Embarque e Desembarque de Petróleo e Gás Natural (Abramt). Todos argumentam que a lei de 2012 é inconstitucional e pode causar prejuízos aos Estados e municípios produtores.

Pelo número de partes a se manifestar, julgamento dificilmente terá solução em um único dia

Os requerentes dizem ainda que os produtores, para fazer a produção, precisam fazer investimentos em infraestruturas e estão sujeitos a impactos ambientais e socioeconômicos da atividade. As taxas são, portanto, uma compensação.

No outro lado da mesa, defendendo a redistribuição entre todos os entes federativos, o argumento é de que os recursos naturais que possibilitam a produção do petróleo pertencem à União e, por isso, devem ser repartidos. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) encabeça esse argumento, junto com 19 Estados: Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

A entidade chegou a levar ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol), do STF, uma tentativa de acordo para mudar as regras de distribuição. O órgão, vinculado à presidência do Supremo, havia marcado uma reunião para discutir essa hipótese para terça-feira (5), mas o encontro foi cancelado por causa da proximidade do julgamento no plenário da Corte.

Na quarta, o julgamento começará com a leitura do relatório de Cármen Lúcia sobre a questão. Depois, será a vez das partes fazerem as sustentações orais. Na avaliação de quem acompanha o caso, pela quantidade de manifestações previstas, é improvável que o caso chegue a uma conclusão no mesmo dia. Isso porque, além dos autores das ações e da Advocacia-Geral da União (AGU), também devem falar os “amicus curiae” (partes interessadas). Desde que o julgamento foi marcado, diversos Estados e entidades pediram para ser “amigos da Corte”. São 17, que vão desde Estados como Bahia, Rio Grande do Sul e Goiás, às seções da OAB de Minas Gerais e do Rio, passando pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e associações municipalistas com foco em royalties.

Depois das sustentações orais, será a vez dos ministros votarem, começando por Cármen Lúcia. A ministra será seguida dos outros magistrados por ordem de quem tem menos tempo na Corte: Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Por último, fica o presidente, Edson Fachin. Mesmo que um deles peça vista, dificilmente o julgamento demorará mais uma década no tribunal, já que agora há um limite de 90 dias para retomar a análise de um processo. Essa regra não existia quando o tema passou a ser discutido no STF há 13 anos.

Segundo procuradores do caso, o STF tende a buscar um caminho que atenda a todas as partes envolvidas. Para isso, o Supremo deve usar o mecanismo jurídico de modulação das decisões, instrumento previsto em lei. Assim, a Corte poderá definir a extensão da decisão e a partir de quando valeria.

Um cenário possível é o plenário validar a liminar de Cármen Lúcia e manter a distribuição como está hoje. Outro, é refazer o cálculo previsto na lei de 2012, mantendo uma parcela maior dos royalties e da PE com os Estados produtores, mas repassando mais aos não produtores. Outra hipótese é estabelecer um novo período de transição para as novas regras. A lei aprovada pelo Congresso previa que as mudanças fossem implementadas em sete anos. Por fim, a Corte também poderia decidir que a lei só vale para o novos contratos, mantendo aqueles em vigor com a regra atual.

AGRÍCOLA

Globo Rural - SP   04/05/2026

A 31ª Agrishow, realizada essa semana em Ribeirão Preto (SP), teve uma intenção de negócios de R$ 11,4 bilhões, uma queda de 22% em relação aos R$ 14,6 bilhões de 2025. Os números foram divulgados nesta sexta (1/5), dia do encerramento da maior feira de tecnologia agrícola da América Latina. A apuração se refere apenas aos setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem. Segundo os organizadores, o público ficou semelhante ao registrado no ano passado, de 197 mil visitantes.

“Consideramos que foi um bom resultado, lembrando que no primeiro trimestre deste ano as vendas de máquinas agrícolas caíram 19,9%. O mercado está realmente muito desafiador devido à taxa de câmbio, aos juros altos, à inadimplência e ao preço das commodities”, disse Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Segundo João Carlos Marchesan, presidente da feira, a Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil.

“Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E, para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vêm do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”.

O dirigente também disse que o anúncio feito pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, na abertura da Agrishow, no domingo, de um crédito de R$ 10 bilhões pelo Finep para compra de máquinas agrícolas atrapalhou, porque a linha ainda está sendo operacionalizada. “Muitos produtores decidiram adiar suas compras para ver se conseguem aproveitar essa linha.”

Antes do início da feira, executivos das principais indústrias de máquinas agrícolas já previam uma queda nas vendas neste ano e a reportagem da Globo Rural constatou isso in loco: estandes mais vazios e produtores temerosos de investir devido especialmente aos juros altos dos financiamentos.

Algumas empresas que divulgaram seus balanços individuais nesta sexta, como a chinesa XCMG Brasil, anunciaram aumento de negócios. Daniel Sasaki, gerente comercial da indústria que é líder no segmento de máquinas pesadas na China, disse que a empresa vendeu em torno de 5% a 10% a mais neste ano, graças aos lançamentos de dois modelos de tratores agrícolas e um sobre esteiras.

A Tritucap Equipamentos Agrícolas, de Sertãozinho, fabricante de trituradores de alta performance, comemorou o desempenho alcançado em seu retorno à Agrishow, após sete anos fora da feira. Impulsionado pelo lançamento de um equipamento de linha pesada desenvolvido para a erradicação sustentável de lavouras de café sem a queima, a empresa superou em três vezes a meta de vendas, totalizando 31 máquinas comercializadas e outras 27 em fase avançada de negociação.

A 32ª edição da Agrishow já está marcada: em 2026, o evento vai acontecer de 26 a 30 de abril.

Jornal de Brasília - DF   04/05/2026

O agronegócio está enfrentando um pacote de intempéries que se arrastam há anos e envolvem reflexos das guerras da Ucrânia e do Irã, a taxa básica de juros e os preços em baixa de algumas commodities agrícolas, que refletem nas compras de máquinas como tratores e colheitadeiras, especialmente em regiões produtoras de grãos.

A avaliação é de Luis Felli, 60, head global da Massey Ferguson e vice-presidente sênior da Agco, que além da Massey reúne marcas como Valtra e Fendt e é um dos grandes grupos do setor.

Ao participar da Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), encerrada na sexta-feira (1) em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), Felli observou que a feira teve redução de 25% nos negócios em relação a 2025. Para este ano, a queda no volume financeiro com a venda de máquinas será maior que a redução no total de unidades comercializadas, já que os negócios têm sido feitos com tratores menores e, consequentemente, mais baratos.

“O mercado deve ser -5%, -7%, -8%, mais ou menos isso. Mas esses fechamentos de números de máquinas não refletem o tíquete médio da máquina, que vai ser bem pior. Porque as máquinas grandes vão vender menos que o ano passado e as máquinas pequenas talvez vendam o mesmo, um pouquinho mais, principalmente os mercados de café”, afirmou o executivo da Massey, que disputa mercado de tratores com players como John Deere, New Holland e Case IH.

Em volume financeiro, o mercado deixou de vender, em valores nominais, ao menos R$ 3,2 bilhões na feira em Ribeirão, que gerou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios.

É um quadro semelhante ao da Tecnoshow, em Rio Verde (GO), que viu os negócios recuarem 30% na edição deste ano, após acolher R$ 10 bilhões em propostas em 2025.

“O ano passado já foi assim, o mercado de grandes máquinas caiu mais. O mercado meio que ficou no zero a zero ano passado, mas o mercado de grandes máquinas caiu respeitavelmente. É natural, o grande negócio de máquina agrícola se chama grãos, isso é o que puxa o mercado de máquina agrícola em termos de valor, não em termos de unidade. E esse mercado está sofrendo”, disse Felli.

No primeiro trimestre do ano, as vendas internas no varejo de máquinas agrícolas somaram 9.800 unidades, 13,1% abaixo do patamar de janeiro a março de 2025, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Os problemas enfrentados pelo mercado envolvem a questão da importação de fertilizantes, os preços do óleo diesel para os produtores rurais, a taxa básica de juros, os baixos preços de commodities em relação a outras safras e o real valorizado, segundo o executivo.

“Taxa de juros elevada, dois dígitos há quase cinco anos, que é um período muito longo, uma taxa desse tamanho, muito negativo. O produtor vem sofrendo com essas taxas de juros elevadas há bastante tempo e impactando dois dígitos. Isso inibe muito o investimento do produtor. Aí você tem preços de commodities baixo e o real valorizado [ ] O real em dezembro de 2024 estava em R$ 6. De R$ 6 para R$ 4,97 quanto dinheiro sumiu da cadeia? Então o produtor está realmente pressionado.”

O anúncio de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões com juros inferiores a 10%, feito na Agrishow pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), vai ajudar o setor nesse momento, segundo ele.

Mas é preciso que a forma de acesso à linha da Finep seja clara e que entes financeiros como o Banco do Brasil sejam credenciados.

Na Agrishow, a Massey apresentou tratores menores, para a agricultura familiar (35 e 45 cavalos), para atender uma necessidade do produtor que não estava contemplada pela marca nos últimos anos, e afirmou que os veículos movidos a etanol como opção ao diesel chegarão aos consumidores em 2028, fruto de investimento anual em inovação de 4,5% a 5% do faturamento global.

“É uma demanda muito forte. Nós temos mais de 10 mil horas em testes já no campo. A gente tem teste em bancada, teste em campo. Estamos trabalhando longevidade, ajuste de curva de motor, coisas dessa natureza. É uma demanda muito forte nas usinas, estão muito interessadas, fornecedores de cana muito interessados.”

Segundo ele, a tendência é que a máquina movida a etanol tenha preço similar ao atual, do trator a diesel.

SEGURANÇA ENERGÉTICA

Felli disse considerar que a descarbonização nas máquinas é inevitável, mas que a segurança energética é uma necessidade que “está mais na cara do mundo hoje”, devido à guerra do Irã.

Os motores a diesel têm sido lançados com proposta de redução no consumo. O executivo da Massey diz que as máquinas combinando motores Ecopower e transmissão CVT chegam a proporcionar 30% de redução em relação aos modelos convencionais e é estratégico para o Brasil o uso do biodiesel.

“O mandato de biodiesel [obrigatoriedade legal de mistura] é estratégico para o Brasil. Esse crescimento do mandato ajuda na segurança energética, colocar 30%, 32% de biodiesel dentro do diesel.”

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