Money Times - SP 03/02/2026
A agência de recomendação de crédito Fitch rebaixou nesta segunda-feira os IDRs (Issuer Default Ratings) da CSN (CSNA3) de “BB” para “BB-“, e seu rating nacional de longo prazo de “AAA(bra)” para “AA-(bra)”, além de ter colocado todos os ratings em observação negativa, removendo a observação metodológica.
“O rebaixamento reflete os índices de alavancagem bruta e líquida persistentemente altos da CSN, os desafios da empresa para reverter a geração negativa de fluxo de caixa livre (FCF) e os altos riscos de refinanciamento da holding”, disse a Fitch.
Já a observação negativa se deve aos riscos de mais ações negativas de rating se as medidas para refazer a estrutura de capital da CSN por meio de desinvestimentos não forem completamente implementadas.
Em janeiro, a companhia anunciou que pretende levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para reduzir cerca de 50% de sua dívida líquida de R$ 37,5 bilhões.
Para isso, a CSN, que ao longo das últimas décadas amealhou ativos em uma série de setores que hoje fazem a empresa ter negócios em aço, cimento, mineração, energia e logística, promete vender o controle de sua produtora de cimentos e uma participação relevante, mas minoritária, em uma holding de infraestrutura que pretende montar reunindo ativos de ferrovia, portos e até transportadora rodoviária.
Para a venda do controle da CSN Cimentos, que ganhou força em 2022 após a compra dos ativos brasileiros da europeia LafargeHolcim, a empresa promete assinatura de acordo com comprador entre o terceiro e quarto trimestres deste ano.
Valor - SP 03/02/2026
Investimento teve por objetivo o aprimoramento de práticas ambientais, melhoria de eficiência operacional e modernização de equipamentos, permitindo com que a operação forneça tarugos com 12 metros de comprimento
A Gerdau reiniciou, nesta segunda-feira (02), a produção de aço na unidade de Maracanaú, no Ceará, após investimentos de cerca de R$ 200 milhões para modernização da aciaria. A planta tem capacidade de produção de 160 mil toneladas por ano.
Conforme a siderúrgica, o investimento teve por objetivo o aprimoramento de práticas ambientais, melhoria de eficiência operacional e modernização de equipamentos, permitindo com que a operação forneça tarugos com 12 metros de comprimento.
Durante o projeto, foram gerados cerca de 1,5 mil empregos diretos e indiretos. “Com o reinício da aciaria em Maracanaú, ampliamos nossa produtividade e a oferta de produtos no Ceará, reforçando o atendimento de nossos clientes nas regiões Nordeste e Norte”, diz em nota o presidente do conselho de administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter.
Conforme o empresário, a entrada excessiva de aço importado no mercado brasileiro demanda iniciativas que ampliem competitividade e rentabilidade, e a Gerdau seguirá investindo nesse sentido em suas operações.
A siderúrgica tem outra unidade focada em laminação no Ceará, em Caucaia, que também usará o aço produzido em Maracanaú para fabricação de aços longos.
A cerimônia de retomada das operações na unidade contou com a participação do presidente do conselho de administração da Gerdau, do governador do Ceará, Elmano de Freitas, e do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa.
Petro Notícias - SP 03/02/2026
A Unidade Tuper da ArcelorMittal está celebrando 55 anos de história em São Bento do Sul (SC). Fundada em 1971, com apenas 30 empregados e 800 metros quadrados de área construída, a unidade evoluiu ao longo das décadas até se consolidar como uma das maiores transformadoras de aço da América Latina. Hoje, com cerca de 1.800 empregados e uma operação que atende segmentos como automotivo, agronegócio, construção civil, distribuição, energia solar, indústria e óleo e gás, além de uma estrutura logística com 20 centros de distribuição em pontos estratégicos de todo o Brasil, “Reafirmando o papel estratégico que desempenha no desenvolvimento industrial, econômico e social da região,” diz o comunicado da companhia.
A integração ao Grupo ArcelorMittal, realizada em maio de 2025, marcou um novo capítulo dessa trajetória. “Ao comemorarmos os 55 anos da Unidade Tuper, celebramos principalmente as pessoas que constroem essa história todos os dias. A integração com a ArcelorMittal fortaleceu ainda mais o negócio e abriu novas oportunidades para crescer, inovar e evoluir juntos, sempre com a segurança como prioridade máxima“, lembrou Sandro Sambaqui, CEO da Unidade Tuper da ArcelorMittal.
Ao completar 55 anos, a Unidade Tuper reforça que sua história é construída pelas pessoas. Além de investir continuamente em capacitação e desenvolvimento, a unidade mantém diversas vagas abertas, especialmente para a área produtiva, ampliando oportunidades de emprego e crescimento profissional na região de São Bento do Sul. A empresa diz que a ArcelorMittal segue investindo em projetos sociais, culturais e ambientais que promovem educação, cultura, esporte, saúde e sustentabilidade. Em São Bento do Sul, a empresa manteve, em 2025, apoio mensal a 10 entidades, além de mais de 30 instituições beneficiadas por meio de patrocínios institucionais e seguirá ampliando suas ações na comunidade.
Globo Online - RJ 03/02/2026
O Banco Central (BC) deve dar mais detalhes sobre os motivos que sustentam a sinalização de um corte de juros em março na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que será publicada nesta terça-feira. Na semana passada, o colegiado deixou claro que pretende iniciar o ciclo de redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom, mas que os juros devem continuar em nível restritivo para garantir a convergência da inflação à meta de 3,0%.
"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária", disse o Copom, no comunicado divulgado após a reunião da última quarta-feira.
A taxa Selic está parada em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos, desde junho de 2025. De lá para cá, foram cinco reuniões e o BC vinha mantendo uma postura bastante cautelosa para assegurar o alívio inflacionário em meio a reclamações crescentes do governo.
Na semana passada, por sua vez, o BC afirmou que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência inflacionária e citou um ambiente de inflação menor e transmissão de política monetária mais evidentes.
"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros."
A inflação fechou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo da meta, que vai até 4,5%. No horizonte relevante, atualmente o terceiro trimestre de 2027, o BC projeta arrefecimento para 3,2%.
"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação", disse o BC, no comunicado.
O BC ainda destacou que a atividade econômica segue apresentando trajetória de moderação de crescimento, em linha com o cenário esperado, mas ponderou que o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Além disso, manteve a análise de que as expectativas de inflação seguem desancoradas. As expectativas no Boletim Focus eram de 4,0% este ano e 3,80% em 2027. Para 2028 e 2029, as projeções são de 3,50%.
"O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho."
Diário do Comércio - MG 03/02/2026
Analistas consultados pelo Banco Central passaram a ver a inflação abaixo de 4% neste ano, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira, que trouxe poucas alterações.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 passou a 3,99%, de 4,0% antes. Para 2027 a projeção segue em 3,80%.
O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Para o Produto Interno Bruto (PIB), não houve alterações nas estimativas de crescimento de 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027.
A pesquisa semanal com uma centena de economistas também mostrou que eles seguem esperando a taxa básica de juros Selic a 12,25% ao final deste ano e a 10,50% no próximo. O primeiro corte na Selic, atualmente em 15%, continua sendo esperado para março, de 0,5 ponto percentual.
O Estado de S.Paulo - SP 03/02/2026
O índice de desconforto econômico do Brasil deve atingir o menor patamar da história no primeiro semestre deste ano, segundo um estudo realizado pelo banco Santander.
Calculado com base na taxa de desemprego e na inflação, o índice vai rondar o patamar de 9% entre fevereiro e julho de 2026, recuando ao nível mais baixo já observado desde 2012, quando tem início a série histórica.
Com base nas estimativas do banco Santander, em abril deste ano, por exemplo, a inflação acumulada em 12 meses deve chegar a 3,25%, e a taxa de desemprego é projetada em 5,8%, o que vai levar o índice à mínima histórica.
“É uma boa medida de bem-estar. Já tínhamos uma ideia de que o índice estava na mínima histórica. Temos sido surpreendidos positivamente com a taxa de desemprego e, provavelmente, a inflação deve rodar abaixo de 3,5% em meados do ano”, afirma Italo Franca, economista do Santander e um dos autores do estudo.
O trabalho ainda contou com a participação de Henrique Danyi e Rodolfo Almeida, também economistas do Santander.
Os números do índice de desconforto econômico melhoram a partir de 2022. Desde o início da série histórica, o pior momento foi observado no segundo semestre de 2021, quando o índice chegou a 23% — à época, por causa dos estragos provocados pela pandemia, o Brasil colhia inflação acumulada em 12 meses e taxa de desemprego acima de dois dígitos.
Na previsão do Santander, depois de atingir o piso de 9%, o índice deve oscilar um pouco para cima no segundo semestre, por causa de um leve aumento esperado para o desemprego, mas deve encerrar o ano na faixa de 10%.
“Devemos ter uma contribuição do desemprego subindo um pouquinho ao longo do ano, principalmente no segundo semestre”, diz Franca.
Comportamento por região
O estudo do Santander também apurou o desempenho do índice de desconforto econômico por região metropolitana. De forma geral, na comparação com o início da série em 2012, houve melhora em praticamente todos os locais pesquisados.
O patamar mais baixo de desconforto econômico foi encontrado na Grande Vitória, cujo índice alcançou 6,4% no fim do ano passado.
Nos demais locais da região Sudeste, também houve queda do índice de desconforto nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte e São Paulo, que marcaram 8,3% e 9,9%, respectivamente, em 2025. A única alta foi observada no Rio de Janeiro. Em 2012, estava em 10,1% e subiu para 11,4% na última leitura.
“É o lado do mercado de trabalho que explica mais essas mudanças. Ou seja, o desemprego de Vitória atingiu um patamar mais baixo do que estava naquela época, e o do Rio de Janeiro não tanto”, acrescenta Henrique.
Na região Sul, os últimos números da pesquisa são bastante semelhantes ao de 2012, destaca o estudo. Curitiba atingiu o seu mínimo histórico, de 6,2% no segundo semestre, mas registrou uma leve piora no fim do ano passado, para 6,9%.
“Curitiba chegou a ter o índice mais positivo do País, mas os números deram uma leve piorada”, diz Rodolfo.
Porto Alegre está no mesmo nível de 2012, próximo da melhor marca já registrada, em meados de 2023. No fim do ano passado, o índice de desconforto econômico da região foi de 8,2%.
Os maiores patamares do índice de desconforto econômico são encontrados, sobretudo, nas regiões Norte e Nordeste, embora os números também tenham melhorado ao longo dos anos.
De 2012 até 2025, o índice da região de Salvador caiu de 17,1% para 13,2% no período analisado. Em Belém, caiu de 15,6% para 11,2%.
Na região metropolitana de Recife, o índice chegou a 12,4%, e foi de 10,7% em Fortaleza.
Mercado imobiliário
Por fim, o trabalho do Santander também encontrou evidências de que, quando a taxa de desconforto fica abaixo de 11%, há uma aceleração dos preços dos imóveis nas capitais pesquisadas.
“São vários os fatores que podem estar por trás disso. Um dos mais claros é que, com mais renda garantida, ao mesmo tempo em que a inflação não está pressionada, as famílias têm uma capacidade de pagamento maior”, afirma Henrique. “E, então, o sistema financeiro consegue financiar compras de ativos grandes, como de imóveis, o que pressiona a demanda e, portanto, puxa os preços para cima.”
Infomoney - SP 03/02/2026
As condições a indústria brasileira se deterioram ainda mais no â início de 2026, pressionadas por declínios nas encomendas e na produção diante do enfraquecimento da demanda, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta segunda-feira.
O PMI, compilado pela S&P Global, caiu a 47,0 em janeiro, de 47,6 em dezembro, marcando a deterioração mais acentuada em quatro meses ao ir ainda mais abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração.
“Os primeiros dados do PMI de 2026 reforçam um padrão observado nos meses recentes, com os fabricantes brasileiros avançando para um cenário ainda mais acentuado de retração, em função da persistente fraqueza da demanda’, disse em nota a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima.
“Diante da contínua redução nos pedidos em atraso, a ausência de novos projetos e a preferência das empresas por estoques enxutos, é provável que a produção permaneça em território contracionista no curto prazo’, completou.
Segundo a pesquisa, deteriorações significativas tanto na demanda interna quanto na internacional por bens brasileiros impactaram fortemente as carteiras de pedidos e os volumes de produção em janeiro. Os bens de capital lideraram o declínio da produção.
A contração das vendas foi a décima consecutiva, além de representar a segunda mais acentuada em quase três anos. Em relação às vendas externas, os participantes da pesquisa indicaram as tarifas norte-americanas como a principal razão por trás da queda, com algumas menções à suspensão de pedidos de clientes dos Estados Unidos.
Os fabricantes de bens intermediários e de investimento registraram fortes retrações nas vendas totais, enquanto a queda observada entre os produtores de bens de consumo foi apenas marginal. Os bens de capital foram o único â segmento a registrar â aumento nos novos pedidos para exportação.
Os dados de janeiro mostraram ainda que o emprego no setor industrial recuou pelo segundo mês consecutivo, segundo os participantes da pesquisa, devido a medidas de controle de custos e avaliação das condições de demanda.
Brasileiro continuará no saldo devedor em 2026, com juro alto e menos emprego
Mesmo com recordes de renda em 2025, juro real elevado e desaceleração econômica devem manter o saldo devedor das famílias no próximo ano.
A retração em todo o setor foi acompanhada por novas pressões sobre os custos, o que levou as empresas a elevarem seus preços após quatro meses de concessão de descontos.
Os custos de insumos subiram pela primeira vez em três meses, com as empresas pagando mais por alimentos, commodities, componentes eletrônicos, metais, plásticos e têxteis.
Apesar do cenário de fraqueza, os fabricantes brasileiros sinalizaram melhora na confiança nos negócios em janeiro, com o nível de otimismo atingindo o patamar mais elevado desde junho de 2025.
O sentimento positivo baseou-se nas expectativas de cortes na taxa de juros e de melhores condições de demanda, bem como em investimentos planejados e lançamento de novos produtos.
O Estado de S.Paulo - SP 03/02/2026
A indicação do economista Guilherme Mello para uma das duas vagas de diretor do Banco Central abriu um novo foco de atrito entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad - que fez a indicação a Lula - e o presidente do órgão, Gabriel Galípolo.
Galípolo tem bom relacionamento com Mello; mas, segundo pessoas próximas ao BC que falaram ao Estadão sob a condição de anonimato, entende que este não é o melhor momento para se passar mensagens ambíguas ao mercado financeiro, com a autoridade monetária prestes a iniciar um ciclo de cortes de juros. O efeito da informação entre os investidores foi justamente o contrário: aumento da curva longa de juros.
A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e ainda não se sabe se ele levará em conta a visão de Galípolo e do Banco Central.
Mello tem feito um bom trabalho à frente da Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda, com a elaboração de cenários e análises de conjuntura, muitas vezes acertando mais do que o próprio Boletim Focus, mas sob nenhum aspecto parece ser o nome mais indicado para assumir uma diretoria do Banco Central.
Ainda mais se ocupar a cadeira que pertenceu a Diogo Guillen, de Política Econômica - um economista de tendência liberal, formado na PUC-Rio e que foi um dos pilares da transição suave entre as presidências de Roberto Campos Neto e Gabriel Galípolo.
Mello é da escola da Unicamp, tem sido crítico da condução dos juros, e é um economista com ligações com o Partido dos Trabalhadores (PT). Foi assessor econômico do PT e elaborou a proposta econômica de Lula na eleição de 2022.
Nesta segunda-feira, 2, o mercado de juros passou a operar com forte alta, com o temor de que a indicação represente uma tentativa do governo de acelerar a queda da Selic, que começará em março. Em casos assim, o mercado precifica juros mais baixos no curto prazo, mas também juros mais altos no longo, por entender que haverá aumento da inflação.
Na melhor hipótese, Mello fará uma guinada no seu pensamento econômico e manterá o espírito do Banco Central de que com inflação não se brinca. Mas, ainda assim, haverá um custo reputacional para o BC, que levará tempo para ser superado. Na pior, abrirá divergências em cada voto do Comitê de Política Monetária (Copom) - o que terá como consequência o aumento do dólar, dos juros e uma piora das expectativas.
A relação entre Haddad e Galípolo já havia ficado estremecida após a proposta do governo de tributar operações financeiras com IOF, em meados do ano passado. Haddad também demorou a dar declarações de apoio ao BC na crise do Banco Master.
Ter alguém do PT dentro do Banco Central é a pior ideia que Haddad poderia ter tido neste início de 2026, prestes a deixar o cargo de ministro da Fazenda. Se ele acertou em todas as suas outras indicações, incluindo Galípolo, Paulo Pichetti e Nilton David, cometerá um grande equívoco se seguir com a ideia adiante.
Para o governo, ficará o risco de ver uma disparada do dólar a poucos meses do início das eleições. Para Haddad, o peso de politizar o Banco Central - o mesmo erro, aliás, que tem sido cometido pelo presidente americano, Donald Trump.
Investing - SP 03/02/2026
Os contratos futuros do minério de ferro caíram ligeiramente nesta segunda-feira, com o aumento dos estoques portuários na China e a conclusão da reposição de estoques pelas siderúrgicas, enquanto a demanda por matéria-prima e as transações devem permanecer lentas antes do Ano Novo Lunar.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com queda de 1,26%, a 783 iuanes (US$112,66) por tonelada.
O contrato de referência de minério de ferro para março na Bolsa de Cingapura caiu 0,95%, para US$102,8 por tonelada.
Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses aumentaram 1,16% na comparação semanal, de acordo com dados da consultoria Steelhome divulgados em 30 de janeiro.
Cerca de 80% das siderúrgicas consultadas concluíram a reposição de estoques, e os estoques de produtos siderúrgicos acabados também vêm se acumulando, indicando que a demanda por minério de ferro deve permanecer fraca, segundo nota do Shanghai Metals Market.
Devido a restrições de proteção ambiental, os altos-fornos em Hebei podem reduzir a produção de ferro gusa, disse a nota.
A demanda dos usuários finais e o volume de transações devem permanecer fracos antes do feriado do Ano Novo Lunar chinês, de acordo com avaliação da Mysteel.
O suporte aos preços do aço dependerá da rapidez com que as atividades poderão ser retomadas após o feriado e os estoques acumulados poderão ser absorvidos, acrescentou a Mysteel, em nota.
A atividade industrial da China vacilou em janeiro, com a demanda interna fraca prejudicando a produção no início do ano, mostrou uma pesquisa oficial divulgada no sábado.
No entanto, uma pesquisa do setor privado divulgada na segunda-feira mostrou resultados contrastantes, afirmando que a atividade industrial se expandiu em janeiro, com a recuperação das encomendas de exportação e a aceleração do crescimento da produção.
Valor - SP 03/02/2026
Programa de linhas de crédito com juro subsidiado tem R$ 10 bilhões e demanda elevada
No início do segundo semestre de 2025, executivos da indústria de caminhões começaram a ter reuniões mais frequentes com o governo, principalmente a equipe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Alertavam sobre os riscos de sucessivas quedas de vendas e produção, que já começavam a provocar suspensões temporárias de trabalho e demissões. Em dezembro, quando o volume de produção caiu 46,4% em relação ao mesmo mês de 2024, o governo decidiu lançar um programa de linhas de crédito de R$ 10 bilhões com juros subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Move Brasil. No primeiro mês, o banco já aprovou R$ 1,3 bilhão. As inscrições vão até 25 de maio, mas os recursos podem se esgotar antes. A expectativa do setor é que a partir da aguardada queda da Selic, os juros de mercado comecem a cair.
O segmento mais afetado foi o de extrapesados, usados sobretudo no transporte de grãos. As encomendas do agronegócio recuaram a partir da queda dos preços internacionais das commodities. Além disso, o movimento para os portos também caiu com o aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos. Quando fizeram o planejamento de 2025, os fabricantes não contavam com essas variáveis e nem com o tamanho do impacto dos juros elevados. As vendas totais caíram 12,1% em 2025. No segmento de extrapesados, a retração passou de 20%.
O extrapesado representa quase 45% das vendas de caminhões no país, segundo Sérgio Zonta, primeiro vice-presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave).
Empresas que produzem uma linha mais diversificada - de leves a pesados - sofreram menos. “Paramos a linha dos pesados alguns dias. Diminuímos o ritmo para evitar demissões”, afirma Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Mas, segundo ele, a venda dos leves, mais procurados em razão do crescimento de entregas de produtos vendidos no comércio eletrônico, compensou a crise nos pesados.
Para Cortes, um dos méritos do programa é incluir os seminovos. Quem não tem recursos para adquirir um zero-quilômetro pode se inscrever no programa para comprar um usado, desde que tenha sido fabricado a partir de 2012 e atenda aos requisitos ambientais do Proconve 7 - equivalente à norma europeia Euro 5. A atual é a Euro 6.
Paramos a linha dos pesados alguns dias. Diminuímos o ritmo para evitar demissões”
— Roberto Cortes
Dos R$ 10 bilhões disponíveis no programa, R$ 6 bilhões são de recursos do Tesouro Nacional e R$ 4 bilhões, captados pelo banco a taxa de mercado, o que permite custo financeiro com taxa de juros entre 13% e 14% ao ano. O prazo de pagamento é de 60 meses com carência de seis. Para ter o benefício, o veículo precisa ter sido fabricado no Brasil.
“Os juros de mercado estão bem mais elevados”, afirma Luis Gambim, diretor comercial da DAF, especializada no segmento de pesados. No mercado, as taxas giram entre 22% e 24%.
“Quando iniciamos o planejamento do ano seguinte, em novembro de 2024, não imaginávamos que a demanda iria cair tanto”, afirma Gambim. Mas, conforme conta, no segundo semestre de 2025, além dos preços das commodities mais altos, a elevação das tarifas dos Estados Unidos afetou clientes que exportam café, peixe e suco de laranja, por exemplo.
Segundo ele, quando os estoques começaram a subir, parte dos empregados da fábrica em Ponta Grossa (PR) entrou em “layoff” (suspensão temporária dos contratos de trabalho).
A Iveco também tem linha diversificada, com forte atuação em entregas urbanas. Mesmo assim, participou ativamente das conversas com o governo, incluindo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, segundo Márcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina. “Vínhamos alertando que a taxa elevada levaria a uma retração de mercado”, diz. Segundo ele, a cada três caminhões vendidos, dois são financiados.
Logo após lançar o Move Brasil, em 8 de janeiro, Alckmin visitou a Nasa, revenda da Volks Caminhões em Brasília. No dia 23, seguiu para Ribeirão Preto (SP), onde acompanhou a entrega simbólica de caminhões pelo programa na Rodonaves, revenda Iveco em Ribeirão Preto. O ministro tem feito visitas às concessionárias com frequência para acompanhar a efetividade de outros programas do governo para o setor. É o caso do Carro Sustentável, que isentou automóveis básicos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Um dos pontos fortes do novo programa governamental é ser o início de uma efetiva renovação de frota, discussão que se arrasta há décadas. O cliente que, ao se inscrever no programa, colocar um veículo velho, para desmontagem, pagará taxas de juros menores. A pessoa física pode até dar um velho por um seminovo.
O veículo entregue para desmontagem deve ter mais de 20 anos, estar em condições de rodar e com o licenciamento regular no mínimo até 2024. “Isso garante tirar das ruas um veículo que está efetivamente em operação, poluindo e pouca segurança”, afirma Querichelli.
Para os executivos, a renovação da frota fica assegurada por estar vinculada a taxas mais baixas. Querichelli lembra da existência de outro programa, o Fundo Clima, também com recursos do BNDES. Focado na sustentabilidade, o fundo clima oferece benefícios na compra de veículos a gás que podem ser abastecidos com biometano. “As taxas podem cair a 6,5% se juntarmos os dois programas”, destaca.
“O Move Brasil atua na necessidade histórica que é a renovação da frota brasileira”, afirma Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões da Mercedes-Benz do Brasil. Segundo ele, a Mercedes tem recebido muitas consultas de clientes sobre o potencial do Move Brasil. Todas as montadoras treinaram equipes de vendas para explicar ao cliente detalhes do programa.
Em geral, o esforço só endossa conclusões que os transportadores já sabem: quanto mais novo o caminhão menor o custo operacional. “O programa terá sucesso devido a essa necessidade de renovar a frota”, afirma Gambim.
Apesar desse movimento, veículos velhos nas ruas continuam a ser um problema. A edição mais recente do estudo de frota, do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes (Sindipeças), referente a 2024, indica que a idade média da frota de caminhões é de 12 anos e 2 meses. Mas a quantidade dos mais velhos aumentou. Em 2015, 60% dos que circulam no país tinham até 15 anos; em 2024, a proporção caiu para 56%, enquanto a faixa acima de 16 anos aumentou de 22% para 32%.
Ao anunciar ontem a aprovação de R$ 1,3 bilhão no primeiro mês de vigência do novo programa, Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, destacou, por meio de nota, que o Move Brasil chega como “modelo de renovação de frota moderno”, com foco não só na sustentabilidade como também no “fortalecimento da indústria nacional”.
Para alguns, os recursos do Move Brasil podem se esgotar antes do prazo para a inscrição - 25 de maio. “Quem chega primeiro bebe água limpa”, lembra Gambim. O prazo até o quinto mês do ano também tende a levar a uma concentração de compras no primeiro semestre e desaquecimento do mercado na segunda metade do ano. “Nossa esperança é que, até lá, a taxa básica de juros realmente caia”, diz Cortes, da Volks.
Automotive Business - SP 03/02/2026
Quem importou, importou. Quem não importou, não importa mais. Com a chegada de fevereiro, expirou o benefício federal que isentava kits de peças veiculares importadas do pagamento do Imposto de Importação.
Com isso, a partir de 1º de fevereiro, as montadoras que mantém no país montagem de veículos nos modelos SKD ou CKD voltam a recolher o tributo. A alíquota que volta a incidir sobre os produtos volta a ser de 18% e 20%, respectivamente.
Mesmo que as fabricantes não tenham utilizado toda a cota de importação que o governo concedeu, a partir de fevereiro toda e qualquer importação de kits de peças voltará a ser tributada.
No começo de janeiro, a Anfavea, que é a associação que representa quase todas as montadoras instaladas no país, manifestou preocupação acerca da prorrogação desse incentivo, o que acabou não acontecendo.
De acordo com dados da Câmara de Comércio Exterior (Camex), até o dia 26 de janeiro nenhuma montadora se manifestou a respeito desse pleito, como ocorreu no ano passado.
Isso não significa, no entanto, que não vai acontecer. AB apurou que a expectativa da indústria é a de que o assunto volte a entrar na pauta em fevereiro nas reuniões do Gecex, que é um comitê de gestão da Câmara de Comércio.
A prorrogação dos incentivos não entrou na pauta da reunião agendada para ocorrer na quinta-feira, 5. E todo o setor está de olho na agenda do próximo encontro, no dia 12.
O Estado de S.Paulo - SP 03/02/2026
O trem que ligará os terminais do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, à CPTM deveria ter sido aberto à população em 18 de fevereiro de 2024, segundo o contrato. Desde dezembro em fase de testes, o novo modal transporta funcionários de Cumbica e das companhias aéreas, mas ainda não há data para a inauguração oficial.
Segundo o consórcio AeroGRU, encarregado da construção e da operação, a abertura ao público geral será nos primeiros meses de 2026. “Existe um rito e estamos na etapa final. Isso não deve passar de três a quatro meses”, afirmou ao Estadão Eduardo Chrysostomo, diretor de Operações do consórcio, no último dia 8.
“Assim que a data exata for definida, ela será comunicada oficialmente”, acrescenta o Aerogru.
Mas o que falta para a operação completa? Em comunicações com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e em explicações para a reportagem, o consórcio atribui o atraso nessa fase final da implementação a problemas com uma fornecedora e à complexidade do processo de obtenção do certificado de segurança (leia mais abaixo). Destaca ainda o fato de o modelo ser diferente de outros já adotados no Brasil, o que exige um novo rito de testes e certificações.
O AeroGRU também aponta, em nota, que os testes mostram “plena capacidade técnica para a entrega e operação completa.” Desde 1º de outubro, houve mais de 15 mil simulações de desempenho e segurança, incluindo viagens sem passageiros.
A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto e contratou o AeroGRU, afirma acompanhar a implantação e prezar pela segurança. O Ministério de Portos e Aeroportos diz que a Anac é quem fiscaliza o contrato.
A agência, por sua vez, afirma que abriu, em maio de 2024, um processo para avaliar o atraso na entrega. “Esse processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa, pode levar à aplicação de multa, cujo valor é definido conforme a duração total do atraso”, informa.
Desde 2012, a GRU Aiport tem manifestado a intenção de ter um sistema de transporte entre os terminais, hoje feito por ônibus gratuito. As obras, porém, só começaram dez anos depois. O custo total do aeromóvel é estimado em R$ 310 milhões, dividido entre o governo federal e a iniciativa privada.
Prazos descumpridos
Nos últimos dois anos, o prazo de inauguração vem sendo adiado sucessivas vezes. Mudou de fevereiro para outubro para 2024, depois para fevereiro do ano seguinte e, mais tarde, para agosto de 2025.
Em reunião com a Anac em 28 de novembro do ano passado, a AeroGRU estimava que, em 16 de janeiro deste ano, a população já poderia usar o trem, ainda que com limitações. Ou seja, a operação teria início ainda nas férias de verão, quando o aeroporto fica mais movimentado. A previsão, porém, não se concretizou outra vez.
17 de julho de 2019 — Governo federal formaliza à Anac , junto com a GRU Airport, o pedido de liberação para construção do aeromóvel.8 de setembro de 2021 — GRU Airport assina contrato com o governo federal para construir um trem ligando os três terminais do aeroporto à CPTM. Para isso, a concessionária contrata o consórcio AeroGRU. 18 de maio de 2023 — Em visita técnica, Anac observa atrasos na implantação do aeromóvel.26 de outubro de 2023 — Anac alerta que AeroGRU não deve concluir o aeromóvel a tempo. 18 de fevereiro de 2024 — Prazo contratual para entrega do aeromóvel acaba, sem conclusão de obra. GRU Airport informa que AeroGRU prevê terminar a obra até outubro de 2024.27 setembro de 2024 — GRU Airport informa que não vai conseguir entregar projeto e pede adiamento para fevereiro de 2025.Janeiro de 2025 — GRU Airport pede novo adiamento e informa que AeroGRU pretende concluir projeto até 31 de agosto de 2025.29 de agosto de 2025 — GRU Airport diz ser necessário novo “ajuste no cronograma”.1º de setembro de 2025 — Anac afirma que “não há elementos técnicos que garantam prazo de entrega ou mesmo que o sistema é possível de ser entregue na forma como originalmente contratado.”1º de outubro de 2025 — AeroGRU começa a testar aeromóvel sem passageiros.28 de novembro de 2025 — Reunião presencial entre Anac, GRU Airport e AeroGRU, em que são informados verbalmente prazos de entrega.3 de dezembro de 2025 — Aeromóvel começa a operar parcialmente em caráter de testes, restrito a trabalhadores do aeroporto e de companhias aéreas, mediante apresentação de crachá. Prazo informado em 28 de novembro pela AeroGRU para esta etapa é cumprido.16 de janeiro de 2026 — Prazo informado verbalmente pela AeroGRU à Anac para a abertura do aeromóvel ao público geral não foi cumpridoAté 31 de março de 2026 — Prazo informado pela AeroGRU ao Estadão para a abertura do aeromóvel ao público geral, ainda que em operação parcial.16 de abril de 2026 — Prazo informado verbalmente pela AeroGRU à Anac para início da operação do 2º veículo (de cor laranja).25 de junho de 2026 — Previsão informada verbalmente pela AeroGRU à Anac para início da operação das 5h à meia-noite.10 de agosto de 2026 — Prazo informado verbalmente pela AeroGRU à Anac para entrega completa do aeromóvel com certificação e operação plena.
Grandes Construções - SP 03/02/2026
Os portos brasileiros encerraram 2025 com recorde histórico de movimentação de cargas, confirmando a tendência de crescimento do setor registrada nos últimos anos.
Dados do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) indicam que o volume movimentado ultrapassou 1,28 bilhão de toneladas entre janeiro e novembro de 2025, crescimento próximo de 5% em relação a 2024. O resultado reforça o papel da logística marítima como eixo estruturante da economia brasileira e principal canal de escoamento da produção nacional e de integração do país ao comércio exterior.
O crescimento ocorreu de forma consistente nos principais complexos portuários do país. O Porto de Santos encerrou 2025 com movimentação superior a 186 milhões de toneladas, o maior volume de sua trajetória operacional.
Já o Porto de Paranaguá registrou crescimento acima de 10%, impulsionados principalmente pelo agronegócio, enquanto terminais como Itaqui e Suape ampliaram sua participação no escoamento de grãos, combustíveis e cargas gerais, reforçando sua relevância regional e nacional no sistema logístico brasileiro.
Segundo Antonio Luiz Leite, presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), o desempenho expressivo dos portos brasileiros é resultado de um processo histórico contínuo de consolidação da infraestrutura portuária nacional, diretamente ligado aos ciclos econômicos do país.
“Desde o período colonial, com o açúcar e o café, passando pela industrialização e pela expansão do agronegócio e da mineração, os portos sempre tiveram papel estratégico na organização do território e na conexão do Brasil com os mercados internacionais. Ao longo das últimas décadas, investimentos estruturais, ajustes regulatórios e avanços na integração logística explicam os ganhos de capacidade e eficiência observados hoje”, afirma.
A FuMTran atua na preservação, organização e difusão da memória do transporte brasileiro em todos os modais, incluindo a infraestrutura logística e os sistemas aquaviários nacionais. A instituição mantém um acervo digital com documentos, imagens, vídeos e publicações técnicas que registram a trajetória dos principais portos brasileiros desde sua origem. No âmbito marítimo, a FuMTran realizou, em 2025, registros e entrevistas com a comandante de cabotagem Vanessa Cunha dos Santos Silva, uma das principais lideranças brasileiras do setor.
Para o presidente da Fundação, o resultado recorde de 2025 também decorre do amadurecimento da articulação logística entre os modais e da evolução dos modelos operacionais do setor.
“Ao longo do tempo, os portos passaram a operar de forma mais especializada, com maior capacidade instalada, incorporação de tecnologia, automação de processos e melhor coordenação logística. Esses avanços aumentaram a produtividade, reduziram gargalos e permitiram respostas mais eficientes às exigências do comércio exterior”, avalia.
Ao analisar o fechamento de 2025, Leite reforça que os recordes devem servir como referência para o planejamento do futuro. “Os números históricos evidenciam o potencial logístico do Brasil, mas também reforçam a necessidade de visão de longo prazo. Conhecer a história do transporte é fundamental para orientar investimentos e garantir que o crescimento da logística marítima continue de forma integrada, eficiente e sustentável”, conclui.
Porto Gente - SP 03/02/2026
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, assinou nesta sexta-feira (30), no Recife (PE), o contrato para a execução da obra de dragagem de readequação da infraestrutura aquaviária do Porto do Recife, iniciativa que representa um investimento estimado em R$ 100 milhões e que está prevista na licitação homologada em 26 de janeiro de 2026.
O contrato contempla a dragagem de manutenção e a readequação do acesso aquaviário do complexo portuário, com profundidade mínima de 12 metros, calado operacional de 10,7 metros, canal de acesso com 240 metros de largura e bacia de manobra de 500 metros de diâmetro, permitindo que o Porto do Recife passe a operar navios de até 210 metros de comprimento.
Destaque: a ampliação do calado aumenta a eficiência logística, reforça a segurança das operações e reduz custos operacionais, consolidando o Porto do Recife como ativo estratégico regional.
Durante a assinatura, o ministro Silvio Costa Filho destacou que a obra está em sintonia com a estratégia do governo federal para o crescimento econômico e o fortalecimento da infraestrutura logística do país.
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, ressaltou que a parceria com o governo federal tem sido decisiva para viabilizar obras estruturantes no estado, ampliando a competitividade portuária e criando condições para geração de emprego e renda.
Investimentos
Os recursos destinados à obra incluem R$ 54,1 milhões empenhados em 2025 e R$ 45,8 milhões previstos para 2026. O início das obras está programado para até março de 2026, com conclusão estimada para maio de 2027.
O presidente do Porto do Recife, Guilherme Cavalcante, afirmou que o investimento é fundamental para modernizar a infraestrutura do terminal, ampliar a competitividade e melhorar também a operação de cruzeiros e a experiência dos turistas.
A dragagem do Porto do Recife se soma a outras ações estruturantes em Pernambuco, reforçando o papel do estado como eixo estratégico da navegação de cabotagem e do comércio exterior no Nordeste.
A Tribuna - SP 03/02/2026
Instrumentos de infraestrutura fundamentais, os terminais fazem parte da paisagem do Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Eles são os responsáveis pelo armazenamento e transferência das cargas para os navios. Cabe lembrar que 95% do comércio exterior brasileiro é feito por meio dessas embarcações. Portanto, sem terminais, essa movimentação da carga não ocorreria. Ao mesmo tempo em que crescem e passam por constantes melhorias, as empresas também desejam que o complexo santista evolua na Baixada Santista.
O diretor-presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP), Cláudio Oliveira, ressalta os problemas envolvendo acessos e fala da necessidade de ampliação da profundidade do canal do Porto. “Nos últimos anos, o Porto cresceu muito. Foram destravados muitos investimentos e projetos que estavam parados. Vemos muito boa intenção. Precisamos melhorar o calado, pois estamos restritos a receber navios de, no máximo, 366 metros. Até estamos homologados para que o armador traga uma embarcação assim, mas pelo calado fica difícil. Santos é o último porto de exportação e o primeiro na importação, então ele acaba operando com o navio a 75%, 80% da capacidade. Por mais que ele (armador) queira prestigiar o complexo santista, é difícil de fechar a conta”.
Oliveira também mostra preocupação com o necessário aumento de capacidade e a falta de espaço para os contêineres no complexo santista.
“O Porto está trabalhando há uns três ou quatro anos perto de sua capacidade máxima, com mais de 90%. E os terminais estão tentando, dentro dos seus limites, aumentar a capacidade”.
Uma das ações da BTP para ganhar espaço é a demolição do edifício que abriga a sede administrativa - cujos funcionários estão sendo transferidos para outro local, no Centro Histórico. “Vamos construir um novo prédio de operações que fica no terminal, mas na entrada. Hoje não faz mais sentido ter um prédio em uma área tão nobre aqui dentro do terminal e não poder armazenar contêineres”, justifica.
Medidas
A Santos Brasil também está tomando igual providência pela mesma razão. A nova construção ficará ao lado da portaria terrestre e terá cinco andares. “A edificação atual ocupa uma área de 4 mil metros quadrados (m²) bem no centro do pátio do terminal. Esse espaço, após as obras, será incorporado ao pátio de contêineres, ampliando a capacidade de armazenamento do Tecon Santos. Serão incrementados cerca de 137 mil TEU por ano na capacidade dinâmica do terminal”, detalha o diretor de Operações de Terminais da Santos Brasil, Marcelo Patrício.
A carga conteinerizada movimentada na Santos Brasil é muito diversificada. “Entre as cadeias de suprimentos assistidas, temos o agronegócio, em que o café é praticamente 100% exportado em contêineres, além de produtos como açúcar e algodão. Na cadeia chamada de ‘fria’, dos contêineres refrigerados, temos a proteína animal, com carne, frango, miúdos e outros. Já a cadeia automotiva conta com autopeças e eletrônicos, apenas para citar alguns exemplos”, lista Patrício.
Ampliação
A Santos Brasil projetava ampliar sua capacidade operacional para 3 milhões de TEU por ano em 2031, mas informa que isso será entregue ao Porto de Santos ao final deste ano.
“Já começamos 2026 com 2,7 milhões de TEU. Além disso, os investimentos em equipamentos e em pessoas aumentam nossa eficiência operacional, que é comparável à dos terminais de contêineres mais produtivos da Europa”, afirma Patrício.
TN Petróleo - RJ 03/02/2026
A GNLink, distribuidora de gás natural que tem como acionistas gestora de recursos Lorinvest e a Copa Energia, recebeu a Autorização de Operação (AO) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a sua unidade localizada em Assú, no Rio Grande do Norte, marcando o início das operações da primeira unidade de liquefação e compressão de gás natural do estado.
Com a liberação, a GNLink passa a operar sua terceira planta construída em apenas três anos de atuação, que conta com a parceria da PetroReconcavo no suprimento do gás natural.
A unidade de Assú é a segunda unidade dedicada à liquefação e compressão de gás natural voltada ao atendimento do interior dos estados do Nordeste. Com capacidade total de produção de até 100 mil metros cúbicos de gás por dia, a instalação irá abastecer localidades em um raio de até 1.000 quilômetros que não dispõem de acesso direto à rede canalizada de gás.
O projeto recebeu um investimento total de R$ 125 milhões, incluindo a construção da unidade e a infraestrutura necessária. Durante as obras, foram gerados aproximadamente 400 empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia local e regional.
A AO marca o início de uma nova fase operacional da unidade de Assú. "A conquista da autorização de operação da ANP representa um marco fundamental para a GNLink e para o avanço da infraestrutura de gás natural no Nordeste. Com o início das operações da instalação de Assú, damos mais um passo concreto no nosso propósito de levar energia mais limpa, segura e competitiva a regiões que historicamente não tiveram acesso à rede de gás. Essa nova etapa reforça a solidez da nossa estratégia de crescimento, a força da parceria com a PetroReconcavo e o nosso compromisso com o desenvolvimento econômico regional e com a transição energética do Brasil", afirma Marcelo Rodrigues, CEO da GNLink.
Além do Rio Grande do Norte, a GNLink opera com outras unidades nos estados do Paraná, em Barra Bonita, e da Bahia, em Itabuna.
Sobre a GNLink - A GNLink Distribuidora de Gás Natural S.A., constituída em 2022, é uma empresa da gestora de recursos Lorinvest, presente no Brasil desde 1953, com foco em projetos disruptivos e com pegada predominante ambiental/ESG e da Copa Energia, líder em engarrafamento e distribuição de GLP, que completou mês passado 70 anos de atuação no Brasil. Tem como premissa atuar no segmento de combustíveis gasosos e líquido, para o atendimento a Distribuidoras Estaduais de Gás Natural, Indústrias e segmento automotivo, com viés de transição energética onde o Gás Natural e é a peça-chave neste processo.
A empresa tem como objetivo levar o gás aonde ele ainda não chega, com a distribuição multimodal rodoviário.
Valor Investe - SP 03/02/2026
Sinais de diálogo entre EUA e Irã e força da moeda americana derrubam os preços da commodity
Depois de uma alta intensa no mês de janeiro, os preços do petróleo tiveram forte desvalorização nesta segunda-feira (2) e fecharam na maior queda em uma única sessão em mais de seis meses, pressionados por sinais de trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo fortalecimento do dólar no mercado internacional.
O petróleo Brent com vencimento em abril perdeu 4,36%, cotado a US$ 66,30 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com entrega para março cedeu 4,71%, cotado a US$ 62,14 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Segundo a CNBC, os preços da commodity subiram recentemente para o nível mais alto em seis meses, em meio a temores de que os Estados Unidos pudessem realizar um ataque militar contra o Irã. Hoje, porém, os contratos recuam fortemente à medida que o risco de um ataque militar diminuiu depois das declarações de Trump no fim de semana.
O presidente vinha ameaçando o Irã com intervenção caso o país não concordasse com um acordo nuclear ou continuasse reprimindo os protestos. Essas ameaças sustentaram os preços do petróleo ao longo do primeiro mês do ano.
No sábado, no entanto, Trump disse a repórteres que o Irã está “conversando seriamente”, poucas horas depois de Ali Larijani, principal autoridade de segurança do país, afirmar que os preparativos para negociações estavam em andamento.
As declarações de Trump, somadas a relatos de que as forças navais da Guarda Revolucionária do Irã não planejam exercícios com fogo real no Estreito de Ormuz, dão sinais de trégua ao mercado hoje.
Em paralelo, em reunião no domingo, a Opep+ concordou em manter a produção de petróleo inalterada em março. Em novembro, o grupo havia congelado novos aumentos planejados para o período entre janeiro e março de 2026, diante de um consumo mais fraco.
Com informações do Valor PRO, serviço de notícia em tempo real do Valor Econômico.
IstoÉ Dinheiro - SP 03/02/2026
A produção de petróleo do Brasil em 2025 somou 3,770 milhões de barris por dia (bpd), com alta de 12,3% ante o volume de 2024, à medida que novas unidades na região do pré-sal impulsionam os números para um novo recorde, apontou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Com isso, a produção brasileira de petróleo retoma trajetória de crescimento, após ter tido uma queda entre 2023 e 2024.
O campo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, foi responsável por 21,36% da produção marítima de petróleo no ano passado, com alta de cerca de 1% em relação a 2024, já que a Petrobras tem investido para reduzir o impacto do declínio natural do campo.
Já o campo de Búzios, na mesma bacia, registrou uma alta na produção de 17,84% no mesmo período, representando 20,47% da produção marítima, embora a área tenha superado Tupi em agosto pela primeira vez.
A produção de gás natural no Brasil em 2025 aumentou mais, com alta de 17% no comparativo anual, para 179 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d).
Dessa forma, a produção de petróleo e gás natural atingiu a marca de 4,897 milhões de barris de óleo equivalente/dia (boed), cerca de 12,7% maior que o recorde alcançado em 2023, que foi de 4,344 milhões de boed. Em 2024, a produção em óleo equivalente havia recuado a 4,322 milhões de boed.
Em 2025, a maior parte da produção de petróleo e gás natural foi proveniente de reservatórios do pré-sal, que representam, em média, 79,63% da produção nacional. Já as produções do pós-sal e terrestre representam, em média, 15,45% e 4,92%, respectivamente.
Em dezembro, a produção de petróleo do país atingiu 4,015 milhões de barris por dia, um aumento de 6,4% na comparação com novembro e de 17,4% em relação a dezembro de 2024. Para o gás natural, a produção foi de 194,33 milhões de m³/d, tendo crescido 6,4% frente ao mês anterior e 20,6% na comparação anual.
Ainda em dezembro, a Petrobras produziu 2,459 milhões de bpd de petróleo, contra 2,089 milhões de bpd no mesmo mês de 2024. Já a Shell, segunda maior produtora do país, produziu 408,135 mil bpd no mês passado, ante 387,811 mil bpd um ano antes.
Exame - SP 03/02/2026
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) programou uma inspeção remota na sonda contratada pela Petrobras para exploração na bacia da Foz do Amazonas.
A fiscalização acontecerá entre 9 e 13 de fevereiro e representa uma etapa fundamental para que a empresa possa retomar a perfuração, suspensa desde 4 de janeiro após um vazamento de fluido. Desde então, a embarcação OND II está inoperante.
O problema que paralisou a operação ocorreu em duas tubulações auxiliares que ligam a embarcação ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense, em profundidade de 2.700 metros. Aproximadamente 18 mil litros de fluido de perfuração foram liberados no mar.
Inicialmente, a companhia previa retomar as atividades em 15 dias, mas até o momento não há previsão confirmada. Tanto a ANP quanto o Ibama precisam, antes de tudo, autorizar o reinício dos trabalhos.
Inspeções em andamento
Embora o documento oficial sobre o incidente ainda não tenha sido apresentado aos órgãos ambientais, representantes técnicos da Petrobras tem mantido reuniões constantes com a ANP tentando agilizar a liberação.
O local do vazamento fica a aproximadamente 50 quilômetros do Grande Sistema de Recifes da Amazônia (GARS), formação única que ocupa cerca de 9.500 km² entre Amapá e Maranhão.
Estudos mostraram também três territórios indígenas, seis comunidades quilombolas e 34 áreas protegidas com alta vulnerabilidade à contaminação por hidrocarbonetos, incluindo o maior manguezal contínuo do país.
Em nota, a estatal declarou que a perfuração no poço Morpho só será reiniciada quando as inspeções das tubulações forem concluídas; um trabalho que está sendo realizado na própria plataforma, com acompanhamento dos órgãos reguladores.
A empresa já havia garantido que tanto a sonda quanto o poço estão seguros e que o material vazado possui baixa toxicidade e se degrada naturalmente, não representando ameaça ao meio ambiente.
Histórico de acidentes
Este não é o primeiro problema do tipo na região. Dados compilados pela InfoAmazonia revelaram um padrão preocupante de falhas mecânicas nas perfurações, ilustrando como são muitos os desafios da exploração petrolífera na costa norte brasileira.
Desde 1970, um quarto das tentativas de perfuração nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas foram abandonadas por problemas técnicos. De 156 poços autorizados, 41 (26%) enfrentaram interrupções por falhas operacionais. Nas demais regiões marítimas do Brasil, esse percentual cai para apenas 7%.
Especificamente na Foz do Amazonas, 27 dos 96 poços tiveram suas operações interrompidas por acidentes mecânicos; 28% do total. Na bacia de Barreirinhas, o cenário é mais crítico: 35% dos poços enfrentaram paralisações por falhas técnicas.
Investigações em curso
Na época do acidente, o Ibama foi notificado através do Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema). O documento reportou que durante a circulação do fluido foram detectados sinais de perda e, posteriormente, confirmou-se o derramamento no oceano.
O instituto então exigiu da Petrobras um relatório completo abordando origem do problema, composição química do material vazado, toxicidade, consequências ambientais e providências para prevenir novos incidentes.
Segundo informações obtidas pela Exame na ocasião, a falha pode ter origem em danos a uma das mangueiras do sistema, embora não configure um desastre ambiental de grandes proporções.
O Ministério Público Federal no Amapá também solicitou explicações, ampliando um inquérito civil iniciado em 2018 que investiga a legalidade do licenciamento na região.
Sociedade civil propõe mudança de estratégia
Há cerca de uma semana, o Observatório do Clima, rede que reúne 161 organizações da sociedade civil, apresentou recentemente uma proposta de diretrizes para o plano de transição energética brasileiro.
O documento defende que a produção de petróleo migre de uma lógica de exploração máxima para outra baseada no mínimo necessário.
Para a organização, enquanto o país avança significativamente no combate ao desmatamento, é contraditório que o governo mantenha apoio à exploração em áreas ambientalmente sensíveis como a Margem Equatorial.
Entre as sugestões no documento está o estabelecimento de zonas de exclusão para exploração de combustíveis fósseis em locais socioambientalmente vulneráveis, com renúncia a novos empreendimentos petrolíferos, especialmente na Foz do Amazonas.
Potencial bilionário em disputa
A Margem Equatorial é considerada uma das principais fronteiras energéticas brasileiras para as próximas décadas. Estimativas técnicas indicam reservas de até 10 bilhões de barris recuperáveis, com 6 bilhões concentrados na Foz do Amazonas.
Há também urgência estratégica. A produção brasileira tende a declinar entre 2030 e 2035, quando o pré-sal começar a perder produtividade.
Caso a Margem Equatorial entre em operação, análises projetam receitas petrolíferas estáveis entre 2,5% e 3% do PIB, gerando de 250 a 350 bilhões de reais anuais.
Atualmente, 38 blocos estão concedidos nas três bacias amazônicas, e outros 270 aguardam estudos ou estão disponíveis para futuras rodadas de licitação.
Para os grupos ambientalistas, autorizar novos projetos sem investigar completamente este acidente e sem dados atualizados sobre oceanografia representa negligência histórica.
Jornal de Brasília - DF 03/02/2026
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, participou nesta quarta-feira, em Campo Grande (MS), da apresentação técnica do contrato de concessão da Rota da Celulose. A iniciativa, em parceria entre o governo federal e o estadual, tem como objetivo promover o transporte da produção industrial e da cadeia produtiva de celulose no leste de Mato Grosso do Sul, além de facilitar o escoamento da produção agroindustrial do Centro-Oeste.
A concessão terá duração de 30 anos, abrangerá 870 quilômetros e prevê cerca de R$ 7 bilhões em investimentos em obras de infraestrutura, somados a aproximadamente R$ 3 bilhões em custos operacionais, totalizando R$ 10 bilhões. O projeto é fundamental para a logística da indústria de celulose e contribuirá para a melhoria das condições de tráfego em um dos principais corredores rodoviários do estado.
Em seu discurso, a ministra destacou os principais momentos históricos da instalação de empresas e da expansão de rodovias na região que viabilizaram a Rota da Celulose. “Este projeto é um projeto de muitas mãos agora estamos conseguindo trazer a duplicação daquela que é a estrada que vai ligar o maior Estado da Federação Brasileira ao Estado do agronegócio, como o Mato Grosso do Sul, para poder ligar essa região à nossa rota bioceânica, que estará pronta até o final do ano”, afirmou Tebet.
Ela enfatizou a importância dos investimentos públicos e privados para a viabilidade dos projetos, afirmando que mais recursos federais e privados serão necessários para o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. A ministra também alertou que o Brasil não pode perder oportunidades de crescimento, como na energia limpa e nas terras raras.
Por fim, Tebet agradeceu ao governo estadual e destacou a união de esforços para o avanço do estado, que ocupa o terceiro lugar entre os com menor índice de pobreza e o segundo em crescimento projetado do Produto Interno Bruto para 2025.
A Rota da Celulose, assim chamada por sua proximidade com grandes fábricas como as unidades da Suzano em Ribas do Rio Pardo e da Eldorado Brasil em Três Lagoas, é composta por cinco trechos rodoviários que cortam municípios como Campo Grande, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Bataguassu, Nova Andradina, Nova Alvorada do Sul e Santa Rita do Pardo.
Cenário MT - MT 03/02/2026
Depois de um 2025 marcado por crescimento consistente, o setor brasileiro de máquinas e equipamentos entra em 2026 com expectativa de avanço, mas em ritmo mais moderado. Dados do setor indicam que a indústria segue apoiada pela força do mercado interno, pela necessidade de modernização tecnológica e pelo papel estratégico do agronegócio como motor da economia nacional.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já sinalizou que o segmento de máquinas agrícolas deve registrar crescimento próximo de 3,4% em 2026. O índice é considerado positivo, ainda que abaixo de períodos de forte expansão, refletindo um cenário ainda pressionado por juros elevados e instabilidades externas.
A leitura do setor é clara: o mercado segue aquecido, mas exige planejamento, crédito estruturado e estratégias mais eficientes para sustentar a competitividade industrial.
2025: base sólida para sustentar o próximo ciclo
O desempenho de 2025 ajudou a construir a base para as projeções atuais. O setor de máquinas e equipamentos encerrou o ano com receita próxima de R$ 299 bilhões, crescimento superior a 7%, com destaque para a demanda doméstica puxada principalmente pelo agro, mineração e infraestrutura.
Mesmo com desafios ligados à política monetária e ao custo do crédito, o mercado interno foi responsável por sustentar a expansão, mostrando que o Brasil segue com forte demanda por mecanização, tecnologia embarcada e ganho de produtividade no campo.
Ao mesmo tempo, o setor registrou recorde nas importações, reforçando um desafio estrutural: a concorrência internacional, especialmente de equipamentos asiáticos, que pressiona a indústria nacional e amplia o déficit comercial do segmento.
Agronegócio segue como principal motor de demanda
Para 2026, a expectativa positiva do setor está diretamente conectada ao tamanho e à força do agronegócio brasileiro. A expansão de áreas cultivadas, principalmente soja e milho, aumenta a necessidade de máquinas mais robustas, com maior capacidade operacional e alto nível de tecnologia embarcada.
Projeções de mercado indicam que o crescimento da produção agrícola, aliado à busca por eficiência e escala, tende a ampliar a demanda por tratores, plantadeiras e colheitadeiras de alta performance.
Esse movimento reforça uma tendência clara: o produtor rural busca cada vez mais tecnologia para reduzir custos operacionais, otimizar tempo e aumentar produtividade por hectare.
Tecnologia e modernização serão o centro das decisões em 2026
Os investimentos previstos para este ano mostram qual será o foco da indústria. A modernização tecnológica aparece como principal destino dos recursos, seguida da ampliação da capacidade produtiva e da reposição de máquinas já depreciadas.
Essa estratégia mostra que o setor aposta menos em expansão acelerada e mais em ganho de eficiência, automação e digitalização dos equipamentos — um caminho alinhado às demandas do agro moderno.
Além disso, eventos técnicos e feiras do setor seguem como vitrines importantes de inovação. A Agrishow, por exemplo, continua sendo palco para lançamentos e tendências tecnológicas que moldam o futuro do campo brasileiro.
Um ano de avanço, mas com gestão estratégica
O cenário para 2026 pode ser definido como de otimismo responsável. O crescimento deve vir, mas acompanhado de maior atenção ao custo do crédito, ao câmbio, ao comportamento da demanda global e ao ritmo da safra brasileira.
A indústria aposta na diversificação das fontes de financiamento, no fortalecimento da tecnologia nacional e na proximidade com o produtor como caminhos para sustentar a competitividade.
Para o agronegócio, a mensagem é direta: 2026 tende a ser um ano de consolidação tecnológica, onde investir em eficiência e inovação pode ser tão decisivo quanto ampliar área ou volume de produção.