Infomoney - SP 02/10/2025
A Comissão Europeia proporá o corte das cotas de importação de aço em quase metade e o aumento das taxas sobre volumes acima desses níveis para 50%, em linha com as tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelo Canadá, disse uma fonte informada sobre os detalhes à Reuters nesta quarta-feira.
As medidas farão parte de um novo pacote para o setor siderúrgico, que será apresentado oficialmente em 7 de outubro. Stephane Sejourne, vice-presidente executivo da Comissão para estratégia industrial, informou as associações siderúrgicas nesta quarta-feira, antes do anúncio da próxima semana.
As atuais salvaguardas para o aço do bloco expirarão em 30 de junho do próximo ano. A UE e os aliados ocidentais estão tentando conter o excesso de capacidade criado pelas fábricas chinesas subsidiadas no aço e em outros setores.
A UE já restringiu as atuais cotas de importação de aço em 15% a partir de 1º de abril, e a Comissão está investigando as tendências do mercado para possíveis salvaguardas para o alumínio, bem como as taxas de exportação de sucata metálica.
O aço entrou no centro das atenções no início deste ano depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou as tarifas sobre as importações estrangeiras de aço e alumínio para 50%.
Depois de chegar a um acordo comercial geral com Trump no final de julho, a UE disse que trabalharia em estreita colaboração com Washington em uma “aliança de metais” para proteger suas respectivas produções contra a China. As siderúrgicas europeias ainda enfrentam uma tarifa de exportação de 50% para os EUA.
O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, reuniu-se com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na Ásia, no início deste mês, para reacender as negociações. Fontes da UE disseram anteriormente à Reuters que as novas salvaguardas seriam um ponto de partida para negociações detalhadas com Washington.
Bloomberg Línea- SP 02/10/2025
CEO Gustavo Werneck citou fracas perspectivas de mercado e o preço ‘subsidiado’ do aço chinês para justificar a decisão e disse que as prioridades no país se voltam para a mineração e para o processamento de sucata; EUA terão mais atenção
Boomberg — A Gerdau suspendeu investimentos no valor de R$ 2,1 bilhões planejados para o Brasil e decidiu dar mais atenção a sua atividade nos EUA. A decisão foi tomada por causa das fracas perspectivas do mercado e do aumento do preço do aço chinês, segundo a siderúrgica.
“O maior player no mercado brasileiro de aço é atualmente o aço chinês - subsidiado e injustamente competitivo”, disse o CEO Gustavo Werneck na quarta-feira (1º), durante o Investor Day da Gerdau, em São Paulo.
O Brasil atualmente investiga a necessidade de tarifas antidumping sobre as importações de mais de duas dúzias de tipos de produtos de aço da China.
A Gerdau, que também tem operações no México e na América do Norte, vai se concentrar na expansão da usina de Midlothian, no Texas, sua maior planta nos EUA.
A empresa planeja adicionar 150 mil toneladas de capacidade anual a partir de 2026 e prevê que suas operações nos EUA se beneficiarão das tarifas de importação sobre o aço impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, bem como da alta demanda por energia renovável e do crescimento dos data centers.
No Brasil, as prioridades se voltam para a mineração - tanto para autoabastecimento quanto para vendas - e para o processamento de sucata.
Os projetos em espera incluem uma nova linha de laminação e expansão florestal no estado de Minas Gerais.
É provável que as altas taxas de juros afetem o setor de construção civil, e as tarifas dos EUA podem prejudicar clientes como os do setor de autopeças.
A empresa agora prevê R$ 4,7 bilhões de reais em capex para 2026, abaixo dos R$ 6 bilhões previstos para este ano.
Segundo Werneck, a produção de seu próprio minério de ferro ajudará a reduzir custos e compensar a inundação de aço chinês de baixo preço que está prejudicando a indústria brasileira.
“Não podemos ficar de braços cruzados e esperar que nossa estratégia no Brasil se baseie na defesa comercial”, disse ele.
Veja mais em bloomberg.com
Valor - SP 02/10/2025
Segundo o comando, diferentes segmentos da economia devem apresentar comportamentos distintos, influenciando diretamente a demanda por aço
A Gerdau prevê um crescimento moderado de suas operações no Brasil, em 2026. A avaliação foi feita por Maurício Metz, vice-presidente da Gerdau Aços Brasil, durante o Gerdau Day, evento realizado nesta quarta-feira (1), em São Paulo. O executivo destacou que diferentes segmentos da economia devem apresentar comportamentos distintos, influenciando diretamente a demanda por aço.
Segundo Metz, a construção civil, tradicionalmente um setor resiliente, deve registrar apenas uma leve expansão no próximo ano. O avanço mais tímido está associado ao cenário de juros elevados, que encarece o crédito e dificulta o financiamento de novos projetos habitacionais e de infraestrutura.
No caso do agronegócio, a Gerdau enxerga uma perspectiva positiva, porém dentro da normalidade. Metz frisou que a expectativa é de crescimento, mas sem resultados surpreendentes que possam impulsionar significativamente o consumo de aço no setor.
O executivo apontou que o setor automotivo ainda é uma incógnita para 2026. A entrada crescente de produtos importados principalmente da China preocupa a companhia, especialmente porque impacta a cadeia de suprimentos nacional. Hoje, cerca de 20% do mercado de autopeças são importados e um quinto desse volume é destinado aos EUA, o que pode reduzir o consumo interno de aço.
Tarifas de Donald Trump
Metz também comentou os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao aço importado. Ele destacou que a operação brasileira da Gerdau exporta pouco para a América do Norte, o que mitiga os impactos diretos sobre a companhia.
“Não temos os mesmos efeitos que outros ‘players’, mas nossos clientes sofrem, especialmente fabricantes de máquinas amarelas, o que pode indiretamente reduzir o consumo de aço”, disse.
O presidente da Gerdau Aços Longos na América do Norte, Chia Wang, disse que as recentes medidas de tarifação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão redesenhando o mercado de aço na região e abrindo oportunidades para a empresa, que tem operações locais.
Segundo ele, apenas o Reino Unido conseguiu, até agora, negociar a redução das tarifas impostas pelos EUA, o que restringe a entrada de produtos importados. A Gerdau vem se movimentando para aproveitar o cenário, com um reequilíbrio da presença operacional (footprint), a fim de minimizar remessas entre países, e ajustando seu mix de produtos no Canadá para assegurar alta utilização de ativos, priorizando o mercado doméstico.
Durante o Gerdau Day, o executivo destacou que houve um aumento de 60% nas cotações de pedidos de aços especiais (SBQ) no mercado norte-americano. Com a retração das importações, a empresa espera capturar novos negócios e reforçar sua presença em setores estratégicos. Wang citou especialmente a energia renovável, onde a demanda por aço está em crescimento nos EUA, e a Gerdau possui uma posição relevante.
Para Wang, a indústria siderúrgica norte-americana tem capacidade suficiente para absorver o declínio das importações. As novas capacidades instaladas estão concentradas em planos e vergalhões, segmentos onde a demanda permanece firme.
O Estado de S.Paulo - SP 02/10/2025
A maior vulnerabilidade da economia brasileira é a fiscal, diz o economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto. Segundo ele, um ajuste em 2027 é inevitável. “O País hoje está posicionado de forma que, se nada fizer, a política fiscal é completamente insustentável no tempo.” Embora a atividade aquecida gere arrecadação, o gasto é muito forte. “O Brasil tem de ser muito mais ambicioso na consolidação fiscal”, afirma.
Porto nota que a atividade desacelera, porém tem sintomas de superaquecimento e precisa de um equilíbrio melhor entre demanda doméstica e crescimento potencial para que a inflação possa convergir à meta. “Não dá para contar com a apreciação do câmbio para sempre”, afirma o economista, que acaba de reduzir para 4,6% a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025, mencionando também o preço de commodities mais baixo.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista, concedida na sede do Citi, onde ele recebeu a reportagem do Estadão/Broadcast.
Como o senhor vê o rumo da política monetária no Brasil?
O cenário inflacionário vem melhorando. O suficiente? Não. Mas o processo de reancoragem das expectativas, induzido por uma inflação corrente mais baixa, deve continuar e abrir espaço para um ciclo gradual de corte de juros a partir de janeiro. A reancoragem pode ser potencializada pela desaceleração econômica e pelo ganho de credibilidade do Banco Central.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, ganhou credibilidade?
Credibilidade não é um cenário binário: de ganhou ou perdeu. É contínuo. O BC vem ganhando credibilidade desde o começo do ano, mas ainda não é plena, quando todo mundo acredita no que o BC diz que vai fazer. Nenhuma das expectativas de inflação de longo prazo está em 3%. O ganho de credibilidade deve continuar até o final do ano se o BC mantiver juro parado em 15%.
Com a saída dos diretores Diogo Guillen e Renato Gomes no fim de 2025, o Copom começará 2026 com uma diretoria totalmente indicada pelo presidente Lula. Isso pode gerar algum impacto em termos de credibilidade?
O risco existe, mas o BC faz um trabalho de harmonização do discurso dos diretores que é importante, mostrando que a desancoragem das expectativas é claramente um desconforto de todo o colegiado. Não incorporamos no nosso cenário que essa mudança na diretoria implicará alteração na percepção de credibilidade. Se isso acontecer, o risco é uma política ainda mais dura.
Não há o risco de o BC errar ao manter um juro tão elevado por muito tempo e provocar um efeito colateral na atividade?
Vou fazer uma associação com o câmbio. Se ele apreciar, é um fator para jogar a inflação para baixo — de forma temporária. O câmbio apreciou a R$ 5,30, mas, se permanecer em R$ 5,30 nos próximos 12 meses, o efeito benéfico sobre a inflação se dissipa. Ou seja, a deflação de alimentos vai se dissipar. E a inflação volta a orbitar na sua tendência anterior, que em geral vai estar mais atrelada à inflação de serviços, que não para de subir. Alguns componentes de serviços já estão em 7%, e isso está intrinsecamente relacionado ao mercado de trabalho. O Brasil hoje tem todos os sintomas de uma economia superaquecida.
Pode detalhar esses sintomas?
O Brasil está com uma inflação superior à meta, principalmente em non-tradables (bens não comercializáveis). Cresceu nos últimos quatro anos bem acima do considerado potencial, acima de 3%. Trouxe a taxa de desemprego à mínima histórica, a 5,6%, com o salário subindo próximo de 9%, indicando que estamos próximos do pleno emprego — se é que já não estamos. Um quarto sintoma é o déficit em conta corrente, que não para de aumentar, principalmente por uma queda do saldo comercial derivada de um crescimento da importação. O BC precisa colocar o crescimento econômico em uma trajetória mais balanceada em relação ao crescimento potencial de médio e longo prazo para a inflação convergir para a meta. Não dá para contar com a apreciação do câmbio para sempre.
Esse saldo negativo em conta corrente preocupa?
Estamos com um déficit de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto), acima da média histórica, de 2,3%. E há 12 meses, era de 2%. Saímos de um sinal verde para amarelo — que merece atenção — nas contas externas. Subimos o déficit em conta corrente, não mais coberto por investimento direto há seis meses. Não estamos no sinal vermelho ainda, especialmente porque o Banco Central está fazendo o seu trabalho. Não que o BC mire a conta corrente, mas um dos efeitos colaterais de taxa de juros muito alta é fazer a economia desacelerar. E aí comprime a importação e contém o aumento do déficit em conta corrente, sem contar que o juro mais elevado atrai capitais.
Voltando ao superaquecimento da economia, ele não geraria um resultado fiscal melhor?
Numa economia superaquecida, há resultados fiscais muito mais sólidos, porque a arrecadação, em geral, é bem mais sensível ao ciclo econômico do que o gasto público. Mas continuamos gerando déficit fiscal. E não é porque a arrecadação não está forte. Ela cresce numa velocidade muito forte. É porque o gasto é muito forte também. A maior vulnerabilidade da economia brasileira é a fiscal.
E como é possível resolver isso?
A mensagem principal é que o Brasil tem de ser muito mais ambicioso na consolidação fiscal. Isso não é uma crítica a esse governo, é ao que estamos vendo nos últimos anos: o País cresce muito acima do potencial desde 2021, e desde lá temos gerado déficits primários sistemáticos mesmo com uma arrecadação crescendo muito forte. Estamos em tempo de vacas gordas, temos de poupar para sinalizar que temos uma trajetória fiscal sustentável.
Qual sua avaliação sobre a proposta que está na Comissão de Assuntos Econômicos para limitar o teto da dívida em 80% do PIB?
Quando uma criança tem febre, não é quebrando o termômetro que se resolve. É preciso tratar da natureza do problema. Uma medida como essa pode agravar a situação, gerando um problema de financiamento de curto prazo. A solução é endereçar o problema fiscal na sua natureza, que é a velocidade incompatível de crescimento do gasto público e/ou uma discussão de aumento de carga tributária para colocar o resultado primário no terreno positivo, potencialmente acima de 2%. Se não discutirmos isso, nunca vamos estabilizar a dívida. Em 2027, por exemplo, é inadiável uma discussão da reforma previdenciária. Precisamos discutir carga tributária, em especial crédito tributário.
Em relatório recente, consta que a expectativa do Citi é de dólar a R$ 5,40 no fim de 2025. Qual o motivo disso?
No exterior, houve aumento de tarifa nos Estados Unidos, de 2% do ano passado para 18% agora e indo para 20%, o que encarece a importação e reduz o comércio mundial. As economias vão se tornar menos eficientes, com tendência de crescimento global mais baixo, o que geralmente está associado a fluxos de capitais para países emergentes menores. Em paralelo, também sugere um preço de commodity, variável importante para o real, mais baixo. Para o Brasil, o cenário global tende a ficar onde está ou ser menos benigno. No cenário doméstico, o investimento direto no País não cobre mais todo o déficit em conta corrente e o capital necessário para financiá-lo pode ficar mais restrito. E há um cenário eleitoral com uma incerteza muito grande, que em geral faz os investidores ficarem mais cautelosos em alocar seus portfólios.
O cenário eleitoral já afeta preços de ativos?
O câmbio e o CDS — “Credit Default Swap” é um derivativo financeiro que funciona como um contrato de seguro contra o calote de um título de dívida — no Brasil são explicados por fatores globais, o que sugere que o cenário eleitoral ainda não está fazendo preço. O segundo ponto é que, em eleição, importa a percepção de política econômica dos respectivos candidatos, ponderada pela probabilidade de vitória de cada um deles. Quanto mais tivermos uma campanha mais centrista, com discussão de propostas, o ambiente tende a ser mais construtivo para preços de ativos. De mais populismo, mais radicalismo eleitoral, desagradável aos preços. E estamos vendo para onde estão indo as variáveis fiscais. O País hoje está posicionado de forma que, se nada fizer, a política fiscal é completamente insustentável no tempo.
Portos e Navios - SP 02/10/2025
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou a abertura de escritórios de representação em Nova York, nos Estados Unidos, Xangai, na China, Munique, na Alemanha, e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O objetivo é fortalecer a presença em regiões consideradas estratégicas para negócios e facilitar o acesso de empresas brasileiras a mercados potenciais para a indústria.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, explicou que a meta é facilitar parcerias e aumentar a visibilidade internacional para os produtos industriais fabricados no Brasil. “Nossa missão é defender os interesses do setor, reduzir vulnerabilidades e transformar esses desafios em oportunidades para levar a indústria brasileira ao mundo e trazer o mundo para a nossa indústria”, disse.
Ele lembrou que o Brasil é o 24º colocado no ranking de exportadores globais e responde por apenas 1,2% do comércio mundial, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, levantamento da CNI mostra que a China é o principal parceiro comercial do Brasil e foi destino de 28% das exportações brasileiras em 2024.
A Confederação avalia que, embora as exportações sejam basicamente de commodities agrícolas e minerais, há espaço para vender para os chineses bens manufaturados, tecnologias verdes e soluções industriais. E também para os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil e principal destino dos investimentos greenfield brasileiros no exterior, com crescimento de 52,3% na década passada.
Já a Europa, informou a CNI, compra 16,7% das exportações brasileiras e faz investimentos consistentes no Brasil há mais de duas décadas, o que reforça a importância para a indústria nacional de ter representação naquele continente. No caso de Dubai, a justificativa é o fato de a cidade ser hoje o principal hub logístico e comercial do Oriente Médio e Norte da África e plataforma de reexportação para dezenas de mercados da região.
Ricardo Alban destacou que as representações da CNI permitirão, além de apoiar as empresas brasileiras do setor, fomentar parcerias tecnológicas e industriais de alto valor agregado, cultivar relacionamentos institucionais e posicionar o Brasil como destino atrativo para investimentos. Segundo a CNI, os escritórios internacionais vão também apoiar as federações estaduais de indústria e os conselhos empresariais bilaterais, promovendo rodadas de investimento e a aproximação entre companhias nacionais e estrangeiras em mercados considerados prioritários, como Emirados Árabes, Índia e China.
Cada escritório terá, nos próximos 12 meses, agenda própria de atividades. Entre as ações já previstas estão a Semana da Indústria em Nova York, programada para 2026, e um seminário de investimentos na China. E estão previstas estratégias específicas para cada representação. À de Nova York caberá a defesa dos interesses da indústria brasileira nos Estados Unidos e o fortalecimento da imagem do setor com agendas institucionais. A de Xangai será responsável pela busca de investimentos e parcerias em inovação e P&D, além de dar apoio a delegações brasileiras em feiras, missões e eventos.
No caso de Munique, o escritório fará a coordenação regional na Europa, com foco em financiamento, inovação, sustentabilidade e manufatura avançada, enquanto a de Dubai terá como meta a articulação para ampliar a presença brasileira nos mercados do Oriente Médio e da Índia, também visando a atração de investimentos produtivos e a ampliação das oportunidades para a indústria brasileira.
A CNI informou que a abertura dos escritórios internacionais faz parte de parceria com a Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP). O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, explicou que a InvestSP já dispõe de infraestrutura e equipes locais, o que otimiza custos e garante mais agilidade às operações. A Confederação anunciou ainda que negocia com a própria InvestSP e com outras instituições, como a Apex Brasil, para criar outras unidades no exterior.
Monitor Digital - RJ 02/10/2025
O Brasil enfrenta o desafio de aumentar sua competitividade no comércio exterior, especialmente diante das mudanças globais, como as recentes tensões tarifárias e a necessidade de buscar novos mercados.
Segundo Roberto Feitosa, head de Tecnologia e Inovação da RGC Consultoria, os regimes aduaneiros especiais surgem como mecanismos importantes para o desenvolvimento do comércio exterior, permitindo a suspensão, isenção ou restituição de tributos. Entre os mais relevantes, destacam-se o Drawback e o Recof.
Drawback é um regime especial que suspende ou isenta impostos sobre insumos importados utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. Ele pode operar em três modalidades: isenção (quando a empresa já exportou e quer repor o estoque), suspensão (quando a exportação ainda será realizada) e restituição (quando os impostos já foram pagos e são ressarcidos após a exportação).
Já o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) permite à empresa importar ou comprar no mercado interno insumos, matérias-primas e componentes com suspensão de impostos, para que sejam submetidos a processo de industrialização e, posteriormente, exportados ou vendidos no mercado interno.
“Apesar de seu potencial, esses regimes são pouco utilizados no Brasil”, afirma Feitosa. Dados do setor indicam que, das 55 mil empresas importadoras e 28 mil exportadoras, somente 2,5 mil operam com o Drawback e 155 com o Recof. Esse cenário demonstra que apenas 30% do potencial de uso de regimes especiais é explorado.
Nos últimos seis anos, o regime Recof gerou uma suspensão de mais de R$ 48 bilhões em Impostos de Importação (II). Essa renúncia fiscal representa um ganho econômico significativo, beneficiando diretamente as empresas que utilizam o regime.
“O baixo índice de adoção desses regimes se deve, em grande parte, à percepção de que sua implementação é complexa, custosa e demorada. Empresas frequentemente acreditam que os controles necessários são burocráticos e difíceis de gerenciar, criando um obstáculo à sua utilização”, explica.
A tecnologia e a inteligência artificial podem transformar esse cenário, simplificando a implementação e o gerenciamento dos regimes especiais. Com a utilização de plataformas tecnológicas, é possível viabilizar a integração de dados de forma flexível, rápida e com custos mais acessíveis.
“A tecnologia permite a criação de uma matriz de benefícios que, com o uso de inteligência artificial, ajuda as empresas a identificar oportunidades de ganhos que não seriam facilmente percebidas devido à complexidade e ao volume de dados da cadeia produtiva. A análise de dados de fornecedores e transações de comércio exterior, por exemplo, pode sugerir a aplicabilidade ideal de regimes como Drawback e Recof para cada operação”, conclui.
CNN Brasil - SP 02/10/2025
Os setores do ouro e do ferro – dois dos mais relevantes da mineração nacional – pressionam o governo para serem contemplados pela Política Nacional de Minerais Críticos, que tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados.
Pelo texto em análise, será criado o Comitê de Minerais Críticos e Estratégicos, responsável por definir prioridades do setor, elaborar estudos e estabelecer critérios para a classificação de minerais como críticos ou estratégicos.
Esse comitê seria presidido pelo ministro de Minas e Energia e contaria com representantes de outros ministérios e do setor privado.
Os representantes do ouro e do ferro já negociam tanto com o governo quanto com outros atores privados para que seus minérios sejam reconhecidos como “estratégicos”.
Com essa definição, teriam acesso aos benefícios fiscais previstos no texto da Câmara, além das linhas de crédito que devem ser oferecidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A classificação de um mineral como crítico ou estratégico – embora siga certos padrões internacionais – varia de país para país. Estados Unidos e China, por exemplo, classificam o ouro como crítico; o Japão, não.
No Brasil, apesar de ainda não existir um marco regulatório específico para a mineração crítica, ouro e ferro já são considerados estratégicos. Hoje, o governo adota três critérios principais para essa definição:
Minerais em que o Brasil depende fortemente de importações para setores vitais da economia; Minerais essenciais para produtos e processos de alta tecnologia; Minerais fundamentais para a balança comercial, por garantirem superávit - caso de ouro e ferro.
Seguindo essa lógica, mineradoras – em especial a Vale – avaliam que o governo não deve oferecer resistência em incluí-los novamente na lista.
Ainda assim, os setores buscam novos argumentos. Tanto governo quanto Congresso pretendem dar grande ênfase à transição energética no texto, já que minerais críticos são insumos essenciais para tecnologias de energia limpa.
O setor do ouro argumenta que o mineral é usado na fabricação de componentes eletrônicos, como placas de circuito e conectores para painéis solares e baterias. O ferro, além de ser utilizado na construção de linhas de transmissão, pode ser explorado para contribuir com a descarbonização da indústria do aço.
Valor - SP 02/10/2025
Esta será a primeira vez que a Gerdau estruturará uma produção acima da sua necessidade interna, com excedente destinado à venda no mercado
A Gerdau vai expandir sua atuação no setor de mineração em Minas Gerais e, a partir de 2026, pretende disponibilizar ao mercado cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro. O anúncio foi feito pelo CEO da companhia, Gustavo Werneck.
Embora a empresa opere no setor de mineração há duas décadas, esta será a primeira vez que a Gerdau estruturará uma produção acima da sua necessidade interna, com excedente destinado à venda no mercado.
“A gente entende que, do ponto de vista dos direitos minerários, estamos muito bem posicionados. Seria um desperdício não aproveitar a qualidade e a localização estratégica desses ativos em Minas Gerais”, disse em entrevista ao Valor.
Os primeiros 2 milhões de toneladas estarão disponíveis a partir de 2026 e virão de reservas minerais na mina de Miguel Burnier. Entretanto, a companhia não definiu metas de quanto essa operação e todos os direitos minerários poderão representar nos resultados. O plano, segundo o executivo, é avaliar gradualmente a intensidade da exploração e o resultado dos estudos, de acordo com as oportunidades de mercado.
“A gente vai estudar a possibilidade de alguma forma gerar valor para a companhia ao longo do tempo. Os direitos estão lá, mas não tem capacidade produtiva. Não tem um investimento desse tipo. Podem virar no futuro”, disse.
Os direitos minerários a que se refere o executivo dão à empresa não apenas a posse da terra, mas a autorização federal para explorar reservas minerais. A unidade de Miguel Burnier, em Minas Gerais, será a base dessa expansão.
Werneck ressaltou que a localização próxima à ferrovia é um diferencial competitivo, garantindo maior eficiência logística. Ele também destacou que a decisão vem em um momento em que o setor de mineração busca se reorganizar após as tragédias de Mariana e Brumadinho, que restringiram a produção de parte dos mineradores.
“Olhando mais para frente, se a Gerdau tem oportunidade de ser um pouco mais mineradora? Eu acho que sim, mas eu acho que tem muita oportunidade de a gente melhorar a nossa rentabilidade média no Brasil e produzir um pouco mais de minério. Então, isso vai ser um tema que vai tomar mais energia nossa a partir de agora porque seria talvez um desperdício da gente não usar a qualidade dos direitos minerários que a gente tem em Minas Gerais, à luz das oportunidades que estão surgindo”.
Segundo Werneck, os estudos sobre a viabilidade dessa operação ainda estão em andamento e vão determinar o tamanho do projeto no futuro. “Vamos estudar a possibilidade de, de alguma forma, gerar valor para a companhia ao longo do tempo. Esses direitos estão lá, mas ainda não existe uma capacidade produtiva instalada. Isso pode se transformar no futuro”, explicou.
O Estado de S.Paulo - SP 02/10/2025
O CEO da Ford, Jim Farley, recebeu na terça-feira, 30, centenas de líderes dos setores de manufatura, construção e logística dos EUA no Ford Pro Accelerate Summit, realizado na Michigan Central Station, em Detroit, para discutir com urgência a competitividade americana no que ele chama de “economia essencial”. Num momento em que a escassez de mão de obra e a queda da produtividade ameaçam a espinha dorsal industrial do país, Farley defendeu ações ousadas e novas parcerias para restaurar a liderança e a inovação dos Estados Unidos.
A mensagem de Farley foi, ao mesmo tempo, um chamado à ação e um alerta: ele teme que a China — por meio de investimentos incessantes e de uma estratégia coesa — esteja avançando rapidamente à frente dos EUA em manufatura e tecnologias críticas. Questionado sobre como a “economia essencial” americana se compara ao que observa no mundo, Farley respondeu: “Estamos muito atrás… É bastante humilhante quando olhamos onde estamos em termos de economia essencial, da aceitação social e do reconhecimento da importância desses empregos.” Ele pediu que empresas e formuladores de políticas fechem essa lacuna: “Precisamos realmente colocar nosso dinheiro onde precisa”.
Farley relatou visitas a outros países com indústria avançada e disse ter sentido frustração ao perceber que os EUA não estão fazendo os investimentos que considera necessários para acompanhar o ritmo: “Quando você vai à China, Coreia do Sul, Japão… o que eles fazem é investir. Eles realmente investem.”
Farley comentou brevemente sobre a política comercial e prioridades econômicas do presidente Donald Trump dizendo: “Você pode concordar ou discordar de suas políticas, mas me pergunto como elas se encaixam na economia essencial.”
Lições da Ásia
Farley destacou que o que diferencia os concorrentes da Ásia é a construção de sistemas robustos que reforçam a importância desses empregos não apenas com palavras, mas com apoio político e financeiro substancial. Em países como China e Japão, um emprego de classe média no comércio ou na manufatura é transformador — algo semelhante ao que esses cargos significaram para os EUA no auge industrial.
Esse compromisso inclui programas abrangentes de treinamento e aprendizagem, garantindo um fluxo contínuo de trabalhadores para setores críticos. Para Farley, isso contrasta fortemente com a desvalorização da mão de obra essencial nos EUA, que leva a escassez crônica de trabalhadores e à estagnação da produtividade.
Ele disse ter ficado impressionado com o investimento contínuo e o respeito social pelos empregos qualificados em países asiáticos, onde tais cargos são valorizados e atrativos para novas gerações. Em contraste, lamentou que os EUA tenham subestimado sua força de trabalho essencial — construtores, transportadores e reparadores —, permitindo o surgimento de lacunas que fragilizam a economia.
Farley apelou a líderes públicos e privados para aumentar o investimento em treinamento vocacional, apoiar pequenas empresas e reduzir a burocracia que dificulta o setor. Ele lembrou que a Ford enfrenta falta crítica de técnicos e operários, problema também presente em toda a indústria americana. Apenas destacar a importância desses empregos, segundo ele, não basta sem programas concretos, como mais oportunidades de aprendizagem e parcerias com escolas e organizações comunitárias.
Implicações para a política e a indústria dos EUA
As observações de Farley se cruzam com debates atuais sobre políticas nacionais, incluindo o foco da administração Trump em reindustrialização e treinamento vocacional. Embora elogie a intenção, Farley alertou que tais medidas, sozinhas, não resolverão a crise de mão de obra; à medida que a produção aumenta internamente, a ausência de trabalhadores qualificados pode elevar custos, criar atrasos e prejudicar empresas e consumidores.
Ele apontou que tarifas e mudanças regulatórias podem agravar a escassez de mão de obra se não vierem acompanhadas de investimentos sérios em qualificação. “O que vamos fazer pelo pequeno empresário? Precisamos ajudá-lo porque ele não tem dinheiro para investir”, afirmou. Farley também pediu que líderes locais e estaduais eliminem barreiras como excesso de licenciamento e burocracia, que pesam mais sobre pequenos contratados e negócios familiares, cruciais para a economia essencial.
Segundo Farley, a Ford está mensurando a escassez de técnicos no mundo e expandindo parcerias para recrutar e treinar novos trabalhadores, em colaboração com escolas técnicas, sindicatos e organizações de veteranos. A empresa também pressiona por reformas regulatórias e mais investimentos públicos e filantrópicos.
Tanto Farley quanto Whitmer concordaram que os EUA sofrem com o subinvestimento em cursos profissionalizantes, com Whitmer citando estatísticas de que apenas 0,1% do PIB é dedicado à formação profissional — muito menos do que em outras nações desenvolvidas. Whitmer e os palestrantes do evento em Detroit reforçaram o apelo de Farley por uma mudança real, enfatizando que todo americano merece um caminho — seja por meio de programas de aprendizagem ou do ensino superior tradicional — e que a remoção de obstáculos é crucial.
Whitmer, referindo-se a estudos coordenados com o Aspen Institute e a Ford, observou que a baixa produtividade na economia essencial limitou diretamente o potencial de renda das famílias. Ela insistiu que as barreiras para novos entrantes, incluindo custos e mentalidades ultrapassadas, devem ser desmanteladas.
Eles pediram a expansão da educação técnica profissional, a reforma dos programas de aprendizagem e o fortalecimento de parcerias com sindicatos, grupos de veteranos e faculdades comunitárias, ecoando modelos observados na Alemanha e no Leste Asiático. “Prestamos um péssimo serviço a nós mesmos ao defender apenas um caminho para a prosperidade”, disse ela. Um diploma universitário de quatro anos, acrescentou, “é um bom caminho para muitas pessoas, mas não é o caminho certo para todos.”
Whitmer destacou que os encanadores ganham muito bem. “Você pode ser seu próprio chefe... Você pode abrir seu próprio negócio. E esses empregos não foram tão valorizados nas últimas décadas quanto deveriam.” Ela acrescentou que espera que a inteligência artificial mude isso para melhor, pois ajuda as pessoas a perceberem que algumas coisas não podem ser substituídas pela tecnologia: “Espero que comecemos a valorizar novamente alguns desses empregos que tornam nossas vidas possíveis... e fazem nossas vidas funcionarem.”
Questionada sobre tarifas e seu impacto em Michigan, Whitmer disse que “não é contra todas as tarifas em si”, mas repetiu o ditado: “Quando a América pega um resfriado, Michigan pega uma gripe”, e mencionou a história de seu motorista, Eric. Ele tinha três caminhões e tinha sua própria empresa de transporte, disse ela, mas “teve de abandonar o negócio por causa das tarifas. As pessoas estavam muito inseguras. Elas não estavam transportando numa escala que o permitisse manter o negócio”.
Ela lembrou ainda que a fronteira de Michigan com o Canadá é a mais movimentada da América do Norte, com autopeças cruzando em média oito vezes. “Quando você tem políticas caprichosas sobre tarifas, isso paralisa investimentos e aumenta custos de todos os bens dos quais dependemos. Nos últimos oito meses, isso gerou enormes dificuldades para grandes e pequenas empresas, e Michigan está sentindo isso mais do que qualquer outro Estado pela natureza de sua economia.”
Monitor Digital - RJ 02/10/2025
A China chega com força ao Brasil na Rioparts 2025 – Feira da Indústria e Comércio de Autopeças e Reparação do Rio de Janeiro, aberta nesta quarta-feira com encerramento no próximo sábado (4), na ExpoRio Cidade Nova. Metade dos 200 expositores presentes é composta por empresas chinesas, que estão apresentando novidades e tendências em componentes elétricos, eletrônicos e equipamentos mecânicos e automotivos.
Empresas como Zhejiang Sensen, Ruian Meiru, Shanghai Hepeng, Hebei Xingzhu, Guangdong Minghua e Changzhou Qunxing, entre outras, reforçam o protagonismo da China no setor e consolidam a importância da Rioparts como vitrine global de tecnologia, inovação e competitividade no aftermarket automotivo. Realizada a cada dois anos pela Diretriz Feiras e Eventos, a Rioparts agora é o evento oficial do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Rio de Janeiro (Sindirepa-RJ) .
A feira reúne montadoras, startups e especialistas do setor, com foco em veículos elétricos, conectividade, sustentabilidade e novas demandas de consumo. Nesta edição, vai ocupar o dobro do espaço da última, em 2023, e espera receber mais de 15 mil visitantes nos quatro dias. Expositores nacionais e multinacionais.
As empresas chinesas vêm reforçar o perfil internacional e inovador do evento, trazendo soluções que combinam tecnologia, qualidade e custo-benefício e ampliando as oportunidades para o setor de autopeças no Brasil. Além da forte presença chinesa, o evento contará com grandes nomes brasileiros e internacionais, como SKF, Fras-le, Schaeffler, Cofap/Magneti Marelli, Dayco, Randon, Sabó e Nakata, apresentando soluções em peças, componentes e tecnologias para o aftermarket. “Essa combinação de players nacionais e internacionais reflete a força do Rio de Janeiro no setor automotivo e de reposição. Nosso objetivo é gerar conexões de negócios, apresentar soluções inovadoras e consolidar a feira como referência para toda a América Latina”, destaca Cássio Dresch, diretor comercial da Diretriz Feiras e Eventos, com sede em Curitiba (PR). Precursora na realização de feiras, atuando há 60 anos e com mais de 600 eventos realizados.
Pelas ruas do Rio de Janeiro circulam mais de 7 milhões de veículos, quase metade (3 milhões) somente na capital. É a segunda maior frota do Brasil e 40% deles têm mais de 10 anos de uso. Para manter toda essa engrenagem funcionando sem travar o trânsito, existe um mercado gigantesco de oficinas mecânicas, distribuidores e lojas de autopeças. É neste cenário que a RIOPARTS chega à sexta edição, com a proposta de conectar quem mantém tudo funcionando com quem busca soluções para o estado não parar.
Entre os grandes temas em pauta, estão: veículos elétricos e híbridos, cada vez mais presentes no Brasil e no mundo; conectividade inteligente, com automóveis se transformando em verdadeiros computadores sobre rodas; exigências ambientais e regulação verde, que apontam para um futuro com restrições aos motores a combustão; o novo perfil de consumo automotivo, em que sustentabilidade, transparência e eficiência pesam nas decisões de compra; e impactos no aftermarket automotivo, que desafiam oficinas e distribuidoras a se adaptarem às novas tecnologias.
O evento também conta com apoio de entidades como o Sindicato do Comércio Varejista de Veículos e Acessórios no Município do Rio de Janeiro (Sincopeças-RJ), Associação do Mercado de Autopeças do Estado do Rio de Janeiro (Amap-RJ), Associação Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Anfape) e Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos (Abrafiltros), entre outros.
Valor - SP 02/10/2025
Problemas competitivos da Tesla foram agravados pela rejeição a Elon Musk, que ajudou a financiar a campanha de Donald Trump e tem defendido a extrema-direita na Europa
As vendas da Tesla aumentaram em vários mercados europeus em setembro, incluindo França e Dinamarca, impulsionadas pelo seu Model Y atualizado, mas analistas dizem que a montadora corre o risco de perder espaço à medida que a concorrência se intensifica e sua linha envelhecida permanece inalterada.
A fabricante norte-americana de veículos elétricos mostrou crescimento contínuo na Noruega e na Espanha, segundo dados locais da indústria divulgados nesta quarta-feira (1º), com o Model Y revisado sendo o modelo mais vendido na Dinamarca. No entanto, os novos emplacamentos — um indicativo de vendas — caíram na Suécia e na Holanda pelo nono mês consecutivo.
A Tesla viu suas vendas despencarem na Europa este ano, já que sua linha limitada e envelhecida enfrenta uma onda de novos veículos elétricos de fabricantes europeus e chineses. A empresa não lançou um novo modelo de massa desde o Model Y, em 2020.
Concorrência em alta e rejeição a Musk
Matthias Schmidt, da Schmidt Automotive Research, disse que o aumento “reflete um piso na tendência de queda em vez de qualquer sinal real de uma recuperação esperada estar próxima”. Ele acrescentou que uma versão acessível do Model Y poderia ajudar em 2026, mas “esperamos que as coisas continuem difíceis para a Tesla em um ambiente de mercado mais competitivo”.
Os problemas competitivos da Tesla foram agravados pela rejeição de alguns consumidores ao seu diretor-presidente, Elon Musk, que ajudou a financiar a vitória eleitoral de Donald Trump no ano passado e tem defendido partidos de extrema-direita na Europa.
A Tesla argumentou que seu Model Y reformulado, que começou a entregar em muitos mercados europeus em junho, levaria a uma recuperação nas vendas europeias. De janeiro a agosto, as vendas da Tesla caíram 42,9% ano a ano na União Europeia e 32,6% na Europa como um todo. No mesmo período, as vendas de EVs em toda a indústria na UE subiram 24,8%.
A chinesa BYD superou a Tesla na UE em agosto pela segunda vez este ano, embora a Tesla tenha superado sua rival chinesa em toda a Europa. Até poucos anos atrás, a Tesla estava praticamente sem concorrência na Europa e o Model Y foi o carro mais vendido do continente em 2023, mas agora enfrenta dezenas de modelos muito mais novos de concorrentes em todo o continente.
“Tesla ainda pode ser um peixe grande, mas o lago agora está cheio de concorrentes sérios”, disse Andy Palmer, presidente do grupo de defesa dos veículos elétricos Electric Vehicles UK. “A menos que renove sua linha, continuará perdendo participação de mercado.”
Resultados mistos em mercados-chave
Em setembro, a Tesla registrou um aumento anual de 2,74% nas vendas na França e uma alta de 20,5% na Dinamarca. Na Noruega, os emplacamentos da Tesla subiram 14,7%, com seus Model Y e Model 3 ocupando as duas primeiras posições de vendas. As vendas da Tesla subiram 3,4% na Espanha, impulsionadas por um aumento de 60% nos novos emplacamentos do Model Y.
Mas na Suécia, que foi o pior mercado da Tesla na Europa nos primeiros oito meses do ano, seus emplacamentos caíram 64%, para 1.726 carros, embora isso tenha representado uma forte alta em relação aos 210 carros registrados lá em agosto. As vendas na Holanda caíram 48% em setembro.
Andy Leyland, cofundador da especialista em cadeia de suprimentos SC Insights, disse que a concorrência que a Tesla enfrenta está prestes a piorar, à medida que montadoras chinesas expandem suas redes de distribuição em mercados europeus-chave, como Alemanha, Reino Unido e França. “Será realmente crítico ver se a Tesla ainda consegue competir”, disse Leyland.
O Estado de S.Paulo - SP 02/10/2025
A produção da Toyota no Brasil foi suspensa devido a uma forte tempestade que danificou a unidade de Porto Feliz (SP), onde são produzidos motores, e não por uma suposta crise econômica no País, como sugere publicação feita pelo vereador de São Paulo Rubinho Nunes (União Brasil).
No post, o parlamentar alega que a paralisação teria relação com a gestão econômica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como fontes, a postagem apresenta uma reportagem da Revista Oeste sobre a suspensão da produção e um recorte de um discurso de Lula, no qual ele parece fazer uma crítica à montadora.
Ocorre que o próprio texto da revista começa citando que a fábrica foi devastada por uma “microexplosão atmosférica”. Já no trecho do vídeo recortado, Lula aparece dizendo: “Porque se eu falar bem da Toyota, como falou aqui o Haddad, a Maria [das Dores, representante dos colaboradores], o companheiro Alckmin, o meu companheiro Evandro Maggio [presidente da montadora] vai ter que me dar um carro de presente. Como o presidente da República não pode receber um carro de presente, porque vão dizer que é corrupção, então eu me eximo de falar tão bem da Toyota, porque vocês conhecem a Toyota melhor do que eu”.
A fala é de 18 de março de 2025, ocasião na qual o presidente visitou uma fábrica da montadora japonesa em Sorocaba (SP). Diferentemente do que a publicação sugere, o discurso não teve tom crítico à empresa. Pelo contrário, na íntegra do pronunciamento é possível ver que o presidente enalteceu a montadora.
“Eu quero agradecer à Toyota. Eu conheço o toyotismo, companheiro Maggio, eu conheço o toyotismo desde os anos 80. Desde o meu começo na vida sindical que eu ouço falar do famoso toyotismo, o jeito de se trabalhar na produção na Toyota.”
No evento, a montadora havia destacado a previsão de investir R$ 11,5 bilhões no País até 2030, com a construção da nova fábrica para produção de modelos híbridos-flex. Com previsão para começar a operar em 2026, a nova fábrica deve ter capacidade produtiva de 100 mil carros por ano, um aumento de 50% em relação ao atual parque fabril de Sorocaba.
Em comunicado feito em 23 de setembro, a Toyota informou que havia iniciado a elaboração de um relatório para entender a extensão dos impactos na planta de Porto Feliz e que tinha interrompido a produção na unidade, sem previsão de retomada das operações.
Dois dias depois, a montadora destacou que, mesmo com a expectativa de que a reconstrução da unidade de Porto Feliz leve meses, as atividades devem ser retomadas. “Mesmo diante desse cenário desafiador, a Toyota do Brasil segue confiante na superação de todos os obstáculos para uma rápida recuperação de suas atividades de produção de motores e veículos no País.”
Como noticiou o portal g1, a fábrica de Porto Feliz é a única da América Latina que produz motores para a montadora. São produzidos cerca de 800 equipamentos desses por dia, distribuídos para as plantas das cidades paulistas de Indaiatuba e Sorocaba, onde são montados modelos de Toyota Corolla.
Como a montadora não trabalha com estoque, as outras unidades também tiveram suas atividades paralisadas após o vendaval, por falta desses equipamentos. Por conta disso, os trabalhadores aprovaram o layoff, medida que permite a suspensão temporária dos contratos de trabalho, garantindo a manutenção dos empregos e dos direitos dos funcionários.
Na postagem analisada, o vereador também alega que medidas do governo Lula teriam levado ao fechamento da Nissan no Brasil, o que não é verdade. A companhia passa por uma crise global e, apesar de ter anunciado o encerramento das atividades de um centro de design no Brasil e a redução das operações em países como Reino Unido e Japão, pretende aumentar os ganhos com a fábrica de Resende (RJ).
Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova
A publicação foi feita em 25 de setembro pelo vereador Rubinho Nunes, que conta com mais de 180 mil seguidores no X e mais de 569 mil no Instagram. O parlamentar costuma fazer vídeos e outros conteúdos críticos ao governo Lula e a políticos de esquerda.
No X, onde o post foi publicado, foram 282,7 mil visualizações, 9 mil curtidas, 2 mil compartilhamentos e 605 comentários até o dia 30 de setembro.
O Comprova entrou em contato com o parlamentar, mas não obteve retorno até o fechamento do texto.
Por que as pessoas podem ter acreditado
O autor da publicação usa uma estratégia bastante disseminada entre os desinformadores, que é descontextualizar os assuntos do cotidiano, usando algo que aconteceu – o fechamento da fábrica – e adicionando mentiras.
Outra técnica é usar tom alarmista. Neste caso, a postagem cria o temor de que a montadora teria fechado definitivamente, com consequente impacto no corte de milhares de empregos.
É sempre importante fontes de informação confiáveis, e não as redes sociais, para se certificar de que aquilo que foi apresentado é verídico ou não.
Fontes que consultamos: Reportagens e comunicados oficiais da Toyota.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: Esta não é a primeira vez que circula desinformação sobre montadoras no país. O Comprova já mostrou que um vídeo chegou a inventar o fechamento de uma e a fazer projeções errôneas sobre desemprego. A AFP já checou uma peça de desinformação semelhante que levava as pessoas a acreditarem que uma fábrica da Toyota iria fechar em São Paulo.
Notas da comunidade: A publicação não recebeu nenhuma nota da comunidade.
O texto acima foi publicado em parceria com o Comprova. Leia sobre a coalizão aqui.
Agência Brasil - DF 02/10/2025
A receita de vendas da indústria de máquinas e equipamentos atingiu R$ 200,8 bilhões nos oito primeiros meses do ano (janeiro a agosto), 10,6% acima do registrado no mesmo período de 2024. O resultado, no entanto, mostra uma desaceleração no crescimento das vendas em 2025: no acumulado até julho, a elevação, em comparação ao ano anterior, era de 13,6%. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (1º), são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
No mês de agosto, já com o início do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil, a receita de vendas recuou 5,6% em relação ao mesmo mês de 2024 e atingiu R$ 26,5 bilhões.
“Esse desempenho na receita do setor veio em linha com as expectativas. Para os próximos meses a tendência é de manutenção da desaceleração, reflexo da política monetária contracionista e agravada pelo tarifaço sobre os produtos da indústria de máquinas e equipamentos”, disse a entidade, em nota.
De janeiro a agosto, a receita das vendas internas do setor somou R$ 153,2 bilhões, 12,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Já as exportações do setor totalizaram US$ 8,3 bilhões nos oito primeiros meses de 2025, uma leve queda de 0,1% na comparação com o mesmo período de 2024.
“Apesar da estabilidade, houve, entre os grupos de produtos exportados, incremento nas vendas de máquinas agrícolas, de máquinas para bens de consumo não duráveis e de componentes. O maior crescimento ocorreu nas vendas para os países da América do Sul e em maior escala na Argentina, Chile e Peru”, apontou a entidade em nota.
Mudança nas exportações
Segundo a associação, no acumulado de 2025, houve mudanças importantes nos principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. As vendas para a América do Norte caíram 9%, enquanto a Europa e a América do Sul cresceram 11,6% e 17,2%, respectivamente.
Na América do Sul, o destaque foi a Argentina, com aumento de 47,2% nas exportações, puxado pela ampliação das vendas de máquinas para agricultura (+82,8%) e para construção civil (+80,1%).
Para os Estados Unidos, que representaram 25,9% das exportações do setor no acumulado de 2025, até agosto, houve queda de 7,5% nas vendas, principalmente devido à retração na demanda por máquinas para construção civil (-14,9%). Em 2024, as vendas para os EUA representaram 26,9% do total das exportações do setor.
Já as importações mantiveram a trajetória de crescimento, somando US$ 21,1 bilhões de janeiro a agosto, alta de 9,1% em relação a igual período em 2024.
As importações do mês de agosto tiveram como principal origem a China (30,6% do total), que registrou acréscimo de 12,9% nas suas vendas para o Brasil em relação ao mês de julho. No acumulado do ano, até agosto, a China também permanece como a principal origem das importações, tanto em participação (31,8% do total) como em taxa de crescimento (+18,0%) em relação a 2024.
O Estado de S.Paulo - SP 02/10/2025
A nova linha de crédito para reformas de casas, que será lançada em outubro, terá orçamento de cerca de R$ 40 bilhões, operado pela Caixa Econômica Federal, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Os recursos virão do Fundo Social do Pré-Sal e de recursos vindos de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) emitidas pelo próprio banco público.
Interlocutores afirmam que a proporção de origem do dinheiro, valores mínimos e máximos de empréstimo e o montante total ainda podem ser alterados, estando em estágio final de estruturação. Ainda assim, o valor não deve mais se distanciar dos R$ 40 bilhões.
O assunto foi pauta de uma reunião entre os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Casa Civil, Rui Costa, e das Cidades, Jader Filho, que ocorreu na manhã desta terça-feira, 30, no Palácio do Planalto. O encontro serviu para fechar os últimos detalhes do programa, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
O valor agora ventilado é superior ao que era discutido anteriormente. Na reunião ministerial de agosto, Rui Costa declarou que o programa já havia sido aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que teria investimento de R$ 30 bilhões.
As discussões são ainda mais amplas, com a linha de crédito para reformas fazendo parte de uma nova forma de financiamento habitacional. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, as liberações poderiam variar de R$ 5 mil a R$ 100 mil, segundo a análise de crédito dos tomadores.
A taxa de juros será de 1,17% ao mês, ou 14,98% ao ano, para famílias com renda de até R$ 3,2 mil, o equivalente a cerca de dois salários mínimos. Tomadores com faixa de renda acima disso vão pagar 1,95% ao mês, ou 26,08% ao ano.
Uma linha de crédito com taxas mais baixas que as de mercado para reforma de casas é uma promessa repetida por Lula em seus eventos públicos nos Estados. A operacionalização desse desejo deve ser anunciada a pouco mais de um ano das eleições de 2026, quando o petista deve tentar a reeleição.
Diário do Comércio - MG 02/10/2025
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, afirmou, em entrevista ao programa CNN Money, que a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já resultou em R$ 3 bilhões em financiamento. O executivo, contudo, ponderou que esperava uma demanda maior, mas que é preciso considerar que o mercado para os imóveis de classe média dentro do programa ainda não está estruturado. “O mercado deverá começar a fazer imóveis adaptados. Quando o MCMV começou, o mercado imobiliário levou tempo para se adaptar”, afirmou.
Mesmo assim, Vieira afirma que o mercado da Faixa 4 dobra mensalmente, sustentando a visão de que se tornará um grande produto, inclusive pela demanda de retrofit de prédios antigos.
Vieira também defendeu que as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) não sejam taxadas. Segundo ele, a taxação afetaria toda a cadeia produtiva da construção civil, que gera empregos, contribui ao Produto Interno Bruto (PIB) e à arrecadação.
O presidente da Caixa destacou o papel da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) no diálogo com o Congresso Nacional para argumentar contra a medida. Na mesma linha, Vieira ressaltou que, em sua relação com o Legislativo, sempre destaca a importância do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a habitação.
Em relação ao mercado de habitação, Vieira recordou que a Caixa produz R$ 1 bilhão por dia em contratos de financiamento imobiliário, devendo fechar 2025 com R$ 250 bilhões. “Apesar da taxa de juros, temos aumento da renda familiar”, explicou.
Segundo o presidente do banco, são financiados 19 lançamentos de empreendimentos por dia e, diariamente, são feitas 318 mil simulações de financiamento habitacional.
Por fim, Vieira afirmou que a Caixa, que opera as loterias em todo o País, lançará, no fim de outubro, sua própria bet. “A plataforma gerará arrecadação e seguirá a linha do jogo consciente, que já seguimos nas loterias”, explica.
IstoÉ Dinheiro - SP 02/10/2025
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou nesta quarta-feira, 1º de outubro, que o sistema ferroviário brasileiro deve avançar, na próxima década, mais que nos últimos 30 anos. A declaração foi feita durante a abertura do evento Brasil nos Trilhos, principal encontro do setor ferroviário de cargas do País.
Segundo o ministro, os investimentos em ferrovias atingiram R$ 13,7 bilhões em 2024, quase o dobro do registrado dois anos antes.
O crescimento acompanha o aumento da safra agrícola, da exportação de minério e da produção industrial. Ele anunciou que a Transnordestina fará sua primeira viagem de carga em outubro, transportando milho do Piauí até o Ceará.
Renan destacou que os aportes em infraestrutura têm vindo tanto do setor público quanto do privado, com predominância da iniciativa privada. “Hoje há confiança e horizonte de longo prazo, o que permite ampliar a carteira de projetos e assegurar recursos para novas concessões”, afirmou.
Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o nível atual de investimentos privados é o maior já registrado no setor.
O ministro relacionou a expansão da malha a efeitos macroeconômicos, como geração imediata de empregos, aumento de renda e redução de custos logísticos.
A previsão é que a ampliação da participação ferroviária na matriz de transportes contribua para baratear o frete e elevar a competitividade do Brasil em setores como agronegócio, mineração e indústria exportadora.
“As curvas de juros vão fechar, trazendo 2026 para o ambiente que esperamos: inflação controlada, desemprego baixo, investimentos em alta e PIB em crescimento sustentável. Esse ciclo virtuoso – mais infraestrutura, confiança, juros menores, inflação sob controle e renda crescente – ajuda o País a enfrentar até o ‘tarifaço’, amortecendo seus efeitos”, disse ele no discurso.
Outro ponto ressaltado foi a retomada de investimentos em mobilidade urbana sobre trilhos, com projetos de VLTs e trens regionais. Para ele, esse modal deve ser encarado como instrumento de inclusão social e integração nacional, não apenas como alternativa de transporte.
IstoÉ Dinheiro - SP 02/10/2025
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou nesta quarta-feira, 1º de outubro, que o governo estuda utilizar recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para financiar projetos ferroviários que estejam localizados em áreas de influência de portos, as chamadas poligonais. A proposta está em fase de elaboração e deve ser apresentada à Casa Civil.
De acordo com o ministro, a medida tem como objetivo superar o histórico desafio de integração entre portos e ferrovias. “Estamos trabalhando a possibilidade de crédito do Fundo da Marinha Mercante para projetos ferroviários que estão na poligonal. Tudo isso vai fortalecer o setor portuário e o setor de navegação”, disse a jornalistas após o evento Brasil nos Trilhos, realizado pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
Costa Filho destacou que o FMM já destinou quase R$ 25 bilhões em crédito para a navegação e outros R$ 10 bilhões para o setor portuário, mas ainda dispõe de recursos suficientes para apoiar também projetos ferroviários vinculados aos portos.
“É uma complementaridade muito estratégica. Precisamos da autorização para incorporar projetos ferroviários à possibilidade de acessar esse crédito”, afirmou o ministro.
Segundo ele, a iniciativa poderá estimular a expansão de ferrovias conectadas a portos brasileiros, ampliando a eficiência logística do País.
Portos e Navios - SP 02/10/2025
O ministro de portos e aeroportos (MPor), Silvio Costa Filho, defendeu, nesta quarta-feira (1º), a possibilidade de uso de recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) em projetos ferroviários que operem nas poligonais dos portos brasileiros. A declaração foi dada na abertura da 9ª edição do evento 'Brasil nos Trilhos', sobre transporte de cargas pelo modal ferroviário. Na ocasião, ele afirmou que o MPor está preparando uma proposta de modelo que inclua esses projetos para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Costa Filho ressaltou que também é necessário uma autorização do Conselho Diretor do FMM, que é um órgão colegiado, presidido pelo secretário de navegação do MPor.
Atualmente existe uma espécie de 'trava' para que os recursos do fundo setorial priorizados para projetos que não sejam do setor naval — setor portuário, por exemplo — não ultrapassem os 30%. “Hoje, 70% do Fundo da Marinha Mercante são para navegação e nós já assinamos quase R$ 25 bilhões para navegação e R$ 10 bilhões para o setor portuário. Mas o fundo tem recursos suficientes para também apoiar projetos de ferrovias que estão na poligonal de portos. Isso é uma forma de estimular as ferrovias que estão operando em portos brasileiros”, afirmou o ministro no evento.
Ele projetou a ampliação do escoamento da produção brasileira pelos portos, com investimentos em projetos de ferrovias que operam nas áreas geográficas portuárias. “Com as ferrovias elevando as operações portuárias, a gente vai crescer 30% o escoamento da produção brasileira”, afirmou. Costa Filho citou o investimento de R$ 1,7 bilhão anunciado nesta semana no Amazonas, também com recursos do FMM, para a construção de 188 barcaças. Desde 2023, o FMM piorizou R$ 70 bilhões do FMM para aplicação em projetos, volume três vezes maior que o aprovado no período entre 2019 e 2022.
Costa Filho defendeu a prioridade na utilização de recursos também para o setor hidroviário, que interligado a ferrovias e rodovias possa garantir uma logística integrada para o escoamento da produção brasileira. “Vamos fazer a primeira concessão de hidrovias, que é hidrovia do Paraguai, estratégica para o desenvolvimento da América do Sul”, afirmou. “Na hora que a gente tem a hidrovia, temos redução do custo logístico de 40%. E isso dialoga com a pauta sustentabilidade, já que a cada grupo de 10 barcaças, nós estamos falando em mil caminhões a menos nas nossas rodovias”, acrescentou.
Portaria 424
A portaria 424/2024 do MPor estabeleceu que a prioridade de financiamento do FMM é a indústria naval, reforçando o que já estava previsto na Lei 10.893/2004. Na prática, a portaria garantiu um mínimo de 70% do orçamento anual do fundo setorial para a indústria naval e definiu uma ‘trava’ de, no máximo, 30% a serem destinados a projetos de infraestrutura aquaviária, que abarca o setor portuário e o desenvolvimento de hidrovias.
Portal Fator Brasil - RJ 02/10/2025
Dragagem e arrendamento do Terminal Marítimo de Passageiros vão fortalecer infraestrutura e ampliar competitividade do complexo portuário.
A Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) celebra o pacote de investimentos anunciado pelo governo federal para o Porto do Recife, que prevê a assinatura de um termo de compromisso para a dragagem de readequação do porto e o lançamento do edital de arrendamento do Terminal Marítimo de Passageiros (TMP Recife). O conjunto de medidas representa um salto para o fortalecimento da infraestrutura portuária e para a melhoria do ambiente de negócios na região.
Com valor estimado em R$ 100 milhões, a dragagem vai ampliar a profundidade dos canais internos e externos, garantindo calado operacional de até 12 metros. A intervenção permitirá a atracação de embarcações de maior porte, proporcionando mais segurança, eficiência e capacidade operacional ao porto.
—A melhoria no acesso aquaviário aumenta significativamente a competitividade dos terminais que operam no Porto do Recife, que já vêm realizando investimentos contínuos em eficiência e inovação. É fundamental que o poder público também faça a sua parte e garanta infraestrutura e segurança, criando um ambiente favorável ao crescimento do setor. Por isso, anúncios como este são bem-vindos e devem ser celebrados —afirma o diretor-presidente da ABTP, Jesualdo Silva.
Já em relação ao Terminal Marítimo de Passageiros, o edital lançado pelo governo contempla intervenções em uma área de mais de 15 mil metros quadrados, com a expectativa de ampliar a capacidade de atendimento anual de 30 mil para 50 mil passageiros. O projeto prevê reforma completa, incluindo modernização de mobiliário e equipamentos, renovação das áreas de espera e atendimento, criação de espaços administrativos, atualização dos sistemas de segurança e reforço na climatização. O contrato de arrendamento terá prazo de 25 anos (2025–2049), com o futuro arrendatário responsável por realizar investimentos adicionais para a manutenção e aprimoramento da infraestrutura durante o período.
—O arrendamento do terminal é um exemplo claro da importância da parceria público-privada para elevar a qualidade e a eficiência do serviço prestado ao usuário. Para que essa parceria seja sustentável, é essencial que a iniciativa privada tenha segurança jurídica e liberdade para investir, aspectos que estão adequadamente tratados no PL 733/25, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados— acrescenta Jesualdo Silva.
A ABTP reitera que o fortalecimento da infraestrutura portuária é essencial para o desenvolvimento econômico e para a integração do Brasil ao comércio e ao turismo globais. A associação reforça, ainda, sua atuando em defesa de um ambiente regulatório moderno, que estimule investimentos, inovação e competitividade no setor.
Portos e Navios - SP 02/10/2025
A Ferroport, operadora do terminal de minério de ferro no Porto do Açu, em São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro, anunciou nesta quarta-feira (1º) a adoção do Sistema de Detecção de Materiais Adversos por Inteligência Artificial (IA), projetado pela área de Planejamento e Controle de Produção (PCP) da empresa e desenvolvido em parceria com a SVA Tech.
O sistema, segundo a Ferroport, identifica materiais indesejados, inclusive pedras, chapas e detritos, no fluxo de carregamento das correias transportadoras até os navios. Segundo a companhia, as imagens são captadas por câmeras e processadas por um modelo de IA.
A empresa informou que três câmeras foram instaladas nas saídas das chamadas casas de transferência e filmam o embarque do minério. Em caso de identificação de um material indesejado, o sistema emite alertas, inclusive sonoros.
Os equipamentos foram instalados em ambientes controlados, com segurança, fácil acesso e iluminação que garante captar imagens nítidas. O objetivo é ter mais controle do processo de embarque e garantir a qualidade do produto embarcado.
Segundo a Ferroport, nos testes para a adoção do monitoramento, houve 100% de acerto nas detecções. A empresa apresentará o sistema nesta quinta-feira (2), no evento Port Performance Summit Brasil 2025, em São Paulo.
Exame - SP 02/10/2025
Um quinto das indústrias brasileiras que não usam a cabotagem — o transporte marítimo entre os portos de um mesmo país — lançaria mão dessa modalidade logística se “houvesse condições adequadas”, mostra uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que será divulgada nesta quarta-feira.
A sondagem entrevistou 195 empresas industriais. Dessas, somente 29% usam a cabotagem para escoar suas cargas em um país que tem uma das maiores costas marítimas do mundo.
O impacto da cabotagem na logística nacional
Em julho, o governo federal editou um decreto que regulamenta a “BR do Mar”, programa lançado em 2022 para impulsionar a cabotagem.
Segundo a CNI, a movimentação entre os portos nacionais responde por 11% da matriz de transportes do Brasil. E essa fatia é concentrada na logística do petróleo e de combustíveis, que responde por 75% da cabotagem no país.
A avaliação da CNI é de que o Brasil tem potencial para usar mais a cabotagem. Em geral, essa modalidade logística se destaca pelo custo mais baixo que o rodoviário, por exemplo, e maior segurança em relação a roubos e desvios de carga.
Quanto mais carga, mais vantajoso é o custo do navio. Por isso, na estimativa da CNI, “um melhor equilíbrio na matriz de transportes do país” poderia levar a uma redução de 13% no custo logístico das empresas.
Obstáculos ao uso da cabotagem
Conforme a sondagem da CNI, ao responderem sobre os impeditivos, as indústrias que não usam a cabotagem citaram com maior frequência (45% dessa parcela de entrevistados) a incompatibilidade geográfica (45%).
“Foram mencionadas ainda a indisponibilidade de rotas (39%), o maior tempo de trânsito (15%) e a distância da origem do transporte até o porto (15%)”, diz uma nota divulgada pela CNI.
Já entre os 29% do total de entrevistados que usaram a cabotagem, o motivo mais citado como razão por que adotam a modalidade logística foi a redução de custos, mencionada por 79% dessa parcela. O segundo motivo mais citado foi a segurança no transporte (21%).
IstoÉ Dinheiro - SP 02/10/2025
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta quarta-feira, 1º de outubro, uma resolução com índices mínimos de conteúdo local para a construção de navios-tanque acima de 15 mil toneladas de porte bruto. Foi estabelecido índice mínimo global de conteúdo local de 50%.
A norma afeta embarcações destinadas ao transporte de petróleo e derivados, bem como navios gaseiros empregados nas atividades de cabotagem no Brasil.
O conteúdo local será medido pela proporção entre o valor dos bens produzidos e dos serviços prestados no Brasil em relação ao valor total utilizado na construção das embarcações.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ficará responsável pela fiscalização do cumprimento dos índices.
Além disso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) vai definir, em breve, as etapas de construção dos navios-tanque.
A ANP encaminhará ao MDIC, em até três meses após a conclusão de cada etapa da construção, informações referentes ao cumprimento do índice de conteúdo local.
Embarcações de apoio marítimo
Também nesta quarta-feira, o CNPE anunciou a aprovação de resolução com índices mínimos de conteúdo local para embarcações de apoio marítimo produzidas no Brasil. Pela decisão, as embarcações que fazem apoio logístico em alto-mar deverão atingir, no mínimo, 60% de índice de conteúdo local global.
Além disso, também será obrigatório mínimo de 50% em pelo menos dois dos três grupos de investimentos.
Esses três grupos são: engenharia; máquinas, equipamentos e materiais; e construção e montagem.
O texto prevê exceção para embarcações “inovadoras”, como aqueles com motorização híbrida plug-in ou com tecnologias sustentáveis equivalentes. Nesses casos, o índice mínimo global será de 50%, e de 40% em pelo menos dois dos três grupos de investimentos.
A ANP será responsável pela mensuração e fiscalização do cumprimento dos índices mínimos de compra e aquisição local. O MDIC também atuará na supervisão.
O Brasil conta hoje com 19 estaleiros de grande porte distribuídos ao longo do litoral e também no leito do rio Amazonas, capazes de atender à maior parte da demanda nacional por embarcações, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).
Jornal de Brasília - DF 02/10/2025
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informou nesta quarta-feira, 1º de outubro, que a 62ª reunião do Comitê Ministerial Conjunto de Acompanhamento (JMMC, na sigla em inglês) se limitou a “revisar os dados de produção de petróleo bruto para os meses de julho e agosto de 2025” e a “notar a conformidade geral dos países da Opep e não Opep participantes da Declaração de Cooperação (DoC)”.
O comunicado da instituição não fala em recomendação de alteração na produção de petróleo.
Na terça-feira, 30, a Opep negou informações sobre suposto plano de aumento na produção da commodity.
A próxima reunião ministerial da Opep, marcada para domingo, é a que deverá decidir oficialmente sobre eventuais mudanças na política de oferta.
Já o próximo encontro do JMMC, espécie de comitê técnico, está previsto para 30 de novembro de 2025.
Segundo a entidade, o comitê “reitera a importância crítica de alcançar plena conformidade e compensação” e reforçou que continuará a monitorar a adesão aos ajustes de produção definidos na 38ª Reunião Ministerial Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de dezembro de 2024, além das reduções voluntárias adicionais anunciadas por alguns países em fevereiro deste ano.
TN Petróleo - RJ 02/10/2025
A PetroReconcavo anuncia a conclusão da aquisição de 50% dos ativos de midstream de gás natural da Brava Energia, localizados no complexo de Guamaré, no Rio Grande do Norte. A operação reforça a estratégia da Companhia de ampliar a eficiência e a segurança no escoamento e processamento de gás natural na Bacia Potiguar.
O portfólio adquirido inclui duas Unidades de Processamento de Gás Natural (UPGNs), cada uma com capacidade de 1,5 milhão de metros cúbicos por dia (MMm³/dia) – sendo a UPGN III em operação e a UPGN II em estado hibernado –, além de sistemas auxiliares de recebimento, compressão e armazenamento de derivados líquidos, e o gasoduto que conecta a produção da PetroReconcavo e de terceiros às UPGNs.
O fechamento da transação ocorreu após o pagamento de R$ 168,8 milhões à Brava, correspondentes a 50% do valor total, já com ajustes de preço. Conforme previsto em contrato, os 15% remanescentes serão quitados de forma fracionada, acompanhando a evolução do processo de transferência imobiliária.
A gestão dos ativos será regida por um Joint Operating Agreement (JOA), no qual a Brava permanece como operadora. Um Comitê Operacional, formado por representantes das duas empresas, definirá as diretrizes orçamentárias, de custos e de eficiência.
Segundo a Companhia, a conclusão desta aquisição representa um marco relevante na implementação do plano de resiliência e eficiência operacional, garantindo maior previsibilidade, redução de custos e segurança no processamento da produção de gás natural no Estado.
Petro Notícias - SP 02/10/2025
Novidades importantes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que impactam no setor de óleo e gás. O colegiado aprovou hoje (1º) a realização do chamado Leilão de Áreas Não Contratadas nas Jazidas Compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu. Esta é a primeira vez que a União transfere direitos e obrigações de Acordos de Individualização da Produção (AIP). O certame, organizado pela PPSA, deve acontecer no dia 4 de dezembro de 2025, na B3, em São Paulo.
Para lembrar, quando uma determinada jazida dentro do polígono do pré-sal se estende para áreas não concedidas ou não partilhadas, a União (representada pela PPSA) celebra o AIP. A lei 15.164/2025, publicada em julho, autorizou a União a alienar seus direitos e obrigações decorrentes da celebração de AIPs em áreas não concedidas ou não partilhadas na área do pré-sal e em áreas estratégicas.
O certame de dezembro oferecerá ao mercado a totalidade das participações da União justamente nessas áreas não contratadas, que hoje correspondem a 3,500% em Mero, 0,551% em Tupi e 0,950% em Atapu. A resolução do CNPE aprovada hoje define os parâmetros técnicos e econômicos e o preço mínimo que a PPSA deve observar no certame.
“É a primeira vez que a União transfere direitos e obrigações de Acordos de Individualização da Produção. E faz isso de forma transparente, com regras claras e com parâmetros técnicos e econômicos definidos pelo CNPE. Com a aprovação dessa medida, fortalecemos a governança sobre os recursos do Pré-Sal, ampliamos a transparência no processo de licitação e asseguramos maior eficiência na gestão dos ativos estratégicos da União”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
O vencedor do leilão assumirá os direitos e obrigações referentes aos AIPs, em conformidade com os contratos vigentes e observando exigências de descomissionamento, recuperação ambiental e continuidade operacional. Mais informações podem ser obtidas no link do certame.
OFERTA DE BLOCOS ALÉM DAS 200 MILHAS NÁUTICAS
O CNPE também aprovou hoje uma resolução que define as diretrizes para a inclusão de blocos exploratórios de petróleo e gás sob o regime de partilha de produção em áreas localizadas além das 200 milhas náuticas, em conformidade com o Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (Leplac).
“Com essa decisão, o Brasil reafirma seu compromisso com o aproveitamento soberano de seus recursos energéticos, impulsionando investimentos e ampliando as fronteiras da produção de petróleo e gás em áreas promissoras do Atlântico Sul. Já temos dois blocos do regime de concessão além das 200 milhas náuticas que foram arrematados no governo Lula, e agora vamos dar a segurança jurídica para avançar também no regime de partilha de produção”, declarou Silveira.
A resolução abre caminho para a oferta do Bloco Mogno, localizado em área de elevado potencial geológico que se estende pelo polígono do pré-sal. A inclusão do bloco está prevista para a próxima Oferta Permanente de Partilha de Produção (OPP), que deve acontecer em 22 de outubro.
O texto aprovado também determina que editais e contratos da OPP incorporem cláusulas específicas para garantir previsibilidade e segurança jurídica aos agentes, especialmente em relação aos aspectos legais da exploração além das 200 milhas, conforme o direito internacional e o Leplac.
IstoÉ Dinheiro - SP 02/10/2025
O Brasil produziu no mês de agosto 3,896 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O resultado representa um crescimento de 16,6% em comparação ao mesmo período do ano passado, porém, uma queda de 1,6% em relação a julho deste ano. Essa foi a primeira queda mensal na produção brasileira ao longo dos últimos 11 meses.
Pela primeira vez, Búzios, na Bacia de Santos, produziu 821,88 mil barris por dia. Essa foi a primeira vez que o campo ultrapassou a produção do campo de Tupi, ícone da produção do pré-sal, mas que já está em declínio.
Havia a expectativa de que Búzios superasse Tupi neste ano, de acordo com informações da Petrobras, a operadora do campo, que tem como sócias as chinesas CNOOC e CNODC, na medida em que mais unidades produtoras foram instaladas.
+ Otimista com Foz do Amazonas, Petrobras entrega novo plano para avaliação do Ibama
O campo, o mais produtivo do país com seis unidades produtoras instaladas, deve contar com uma sétima plataforma, a P-78, em breve – ela chegou ao campo na terça-feira. A nova instalação tem capacidade de produção de 180 mil barris/dia de óleo.
Produção de gás natural
A produção de gás natural em agosto foi de 188,9 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). O volume representa uma queda de 1% frente a julho e aumento de 18,2% na comparação com agosto de 2024.
Somadas a produção de gás e petróleo, o Brasil produziu em agosto 5,084 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). O desempenho mantém um patamar de produção acima dos 5 milhões de boe/d, alcançado pela primeira vez em julho, segundo a ANP. Porém, o volume representa uma queda de 1,47% em relação a julho e um crescimento de 16,93% ante ao mesmo período de 2024.
O pré-sal representou 79,4% de toda a produção brasileira, somando 4,033 milhões de boe/d. O volume representou uma redução de 1,1% em relação ao mês anterior e um crescimento de 16,5% na comparação com o mesmo mês de 2024.
Valor - SP 02/10/2025
Prazo total do contrato da concessão deverá ser de 30 anos, prorrogável por até 30 anos
O Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) aprovou, em caráter ad referendum, as condições mínimas para desestatização das rodovias BR-116/251/MG, que totalizam 751,150 km. A decisão consta de resolução publicada, nesta quarta-feira (1º), no Diário Oficial da União (DOU).
A modalidade de licitação será de leilão, por concorrência internacional; e o critério de julgamento da melhor proposta será o menor valor de tarifa de pedágio. Além disso, o valor da tarifa-teto do edital será aquele capaz de zerar o fluxo de caixa de projeto descontado pelo custo de capital regulatório.
O prazo total do contrato da concessão deverá ser de 30 anos, prorrogável por até 30 anos.
Veja trechos concedidos à exploração privada:
– BR-116/MG, trecho com início na Divisa BA/MG até o entroncamento BR-381/451 (B) (Viaduto Contorno de Governador Valadares/MG)
– BR-116/MG, contorno de Teófilo Otoni, com início no km 0,030 até o km 16,870;
– BR-251/MG, trecho com início no entroncamento com a BR-116 (B) até o entroncamento com a BR-122 (B) (Início do perímetro urbano de Montes Claros).