Exame - SP 02/07/2026
O governo brasileiro manifestou, nesta quarta-feira, 1º de julho, insatisfação com a decisão da União Europeia de ampliar as restrições quantitativas e aumentar as tarifas de importação aos produtos siderúrgicos.
Em nota divulgada em conjunto, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informaram que o novo regime de quotas adotado pelo bloco europeu representa uma medida unilateral e, na avaliação do governo, não pode ser considerado um mecanismo de compensação.
Os ministérios também afirmaram que, até o momento, Brasil e União Europeia não chegaram a um acordo sobre as compensações previstas em razão do aumento das tarifas para produtos siderúrgicos, como estabelece o Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), que reúne as regras para o comércio internacional entre diversos países.
No comunicado, as pastas destacaram que as novas restrições, aplicadas à maior parte dos parceiros comerciais da União Europeia, reduzem ainda mais o acesso ao mercado europeu no mesmo dia em que perde validade a salvaguarda adotada pelo bloco em 2018.
De acordo com o governo federal, o Brasil também sofre os efeitos do excesso de capacidade global da indústria siderúrgica e mantém atuação em fóruns multilaterais para discutir o tema, com destaque para o Fórum Global sobre Excesso de Capacidade Siderúrgica.
“A imposição de medidas de restrição comercial a países que não são a causa do problema não contribui para a busca de solução efetiva e pode levar a uma escalada de medidas de defesa comercial”, diz a nota.
Por fim, os ministérios reiteraram que o governo brasileiro continuará as negociações com a União Europeia, “com vistas a encontrar uma solução que seja aceitável e mutuamente benéfica”.
Entenda a medida
A Comissão Europeia divulgou nesta terça-feira, 30, os detalhes da implementação do novo sistema de importação de aço da União Europeia. As regras, que entram em vigor em 1º de julho, reduzem em 47% as cotas anuais livres de tarifa e estabelecem uma alíquota de 50% para os volumes que excederem esses limites.
A medida, que entra em vigor nesta quarta-feira, 1º, faz parte da estratégia do bloco para proteger a indústria siderúrgica europeia diante do excesso de capacidade global e de práticas consideradas desleais de comércio.
O que muda nas regras de importação de aço?
Pelo novo modelo, as cotas anuais livres de tarifa passam a somar 18,3 milhões de toneladas. Acima desse volume, será aplicada uma tarifa de 50% sobre 26 categorias de produtos siderúrgicos.
Metade das cotas será reservada exclusivamente aos países que possuem acordos de livre comércio (FTA) com a União Europeia. A outra metade ficará disponível para todos os parceiros comerciais, incluindo esses mesmos países.
Segundo a Comissão Europeia, muitos parceiros receberão cotas proporcionais aos seus volumes históricos de exportação. O órgão afirmou ainda que a maior parte dos países com acordos de livre comércio terá uma redução de acesso ao mercado inferior à média de 47% prevista pelo novo regulamento.
Um "número significativo" de parceiros já teria aceitado provisoriamente a nova distribuição, de acordo com a agência Reuters.
Por que a União Europeia elevou as tarifas?
Em comunicado, o comissário europeu de Comércio, MaroÅ¡ Å efÄ oviÄ , afirmou que as regras oferecem previsibilidade ao mercado por meio de critérios claros para distribuição das cotas e buscam equilibrar os compromissos comerciais do bloco com a necessidade de manter uma oferta diversificada de aço.
Apesar disso, um alto funcionário da União Europeia reconheceu, segundo o jornal Financial Times, que a decisão gerou tensão nas negociações com parceiros comerciais, especialmente Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, que buscam compensações pelas mudanças nas tarifas.
Pelo Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, esses países podem negociar compensações quando alterações tarifárias reduzem seu acesso ao mercado. Até agora, a principal compensação oferecida por Bruxelas foi a distribuição de cotas de importação livres de tarifa.
A Comissão argumenta que as medidas são necessárias diante da persistente sobrecapacidade mundial no setor siderúrgico, que continua distorcendo os mercados internacionais. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o excesso global de capacidade deve superar 720 milhões de toneladas até 2027.
A decisão também ocorre após movimentos semelhantes adotados por Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, que também elevaram tarifas sobre importações de aço. Autoridades europeias afirmam que, após o aumento das tarifas americanas, parte das exportações asiáticas passou a ser redirecionada para o mercado europeu.
Além das novas tarifas, a União Europeia passará a exigir informações sobre a etapa de produção conhecida como "melt and pour" (etapa em que o aço é fundido e moldado pela primeira vez) em um mecanismo de rastreabilidade inspirado no modelo dos Estados Unidos para evitar que produtos chineses sejam exportados por meio de terceiros países.
Veja a íntegra da nota do Itamaraty
"O governo brasileiro lamenta a adoção, no dia de hoje, pela União Europeia, de novas restrições quantitativas, bem como da elevação das tarifas aduaneiras extra-quota para produtos siderúrgicos.
A medida, que vale para a grande maioria dos parceiros comerciais da UE, reduz ainda mais o acesso ao mercado de produtos siderúrgicos do bloco, mesmo após a expiração, hoje, da salvaguarda adotada em 2018.
O Brasil, que é também vítima do excesso de capacidade global no setor, segue empenhado no enfrentamento da questão nos foros competentes, notadamente no Fórum Global sobre Excesso de Capacidade Siderúrgica.
A imposição de medidas de restrição comercial a países que não são a causa do problema não contribui para a busca de solução efetiva e pode levar a uma escalada de medidas de defesa comercial.
Até a presenta data, não houve acordo entre o Brasil e a UE sobre compensações a serem oferecidas ao País pela elevação das tarifas de produtos siderúrgicos, nos termos do Artigo XXVIII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT).
O sistema de quotas implementado hoje pela União Europeia constitui medida unilateral e não configura instrumento de compensação do ponto de vista do Governo brasileiro.
O governo brasileiro segue comprometido a dar continuidade às negociações com a UE, com vistas a encontrar solução que seja aceitável e mutuamente benéfica".
O Estado de S.Paulo - SP 02/07/2026
Inflação e expectativas inflacionárias reagem menos a aumentos da taxa básica em países com dívida pública grande, mas a atividade econômica cai tanto quanto nas economias com menor dívida.
Um novo estudo do Banco para Compensações Internacionais (BID) indica que, em países com maiores dívidas públicas, os efeitos da política monetária são mais fracos. A inflação e as expectativas inflacionárias reagem menos a aumentos da taxa básica, mas a atividade econômica cai tanto quanto nas economias com menor dívida pública.
Intitulado "Dívida pública e transmissão da política monetária: evidência da Europa avançada e emergente", o artigo dos economistas Christopher Johns, Aaron Mehrotra e Fabrizio Zampolli analisa dados do período de 2001 a 2020 na zona do euro e em outras economias europeias.
O principal achado do estudo, mencionado acima, é relevante para um país como o Brasil, com dívida bruta do governo geral de 81,1% do PIB (e em crescimento), nível considerado muito elevado para países emergentes.
Para separar os efeitos do tamanho da dívida daqueles derivados do prazo médio de vencimento, os autores do paper comparam em seu modelo a transmissão da política monetária em cenários contrafactuais de dívida pública de 60% e 120% do PIB, mas mantendo o perfil de prazos de vencimento na média da amostra.
O trabalho aponta que o aperto monetário aumenta os juros pagos pelo governo, o que pode piorar o panorama fiscal. O risco fiscal percebido cresce, afetando os prêmios de risco. Se, por um lado, isso amplifica o aperto das condições financeiras e reforça o efeito da política monetária na atividade, por outro lado pode ocorrer desvalorização cambial, que contrabalança o impacto desinflacionário.
Os autores observam que há dois canais adicionais de impacto da política monetária. Um é que a alta dos juros reduz o valor de mercado dos títulos do governo, gerando perdas de capital para pessoas e instituições, o que é desinflacionário. O outro canal é o aumento dos juros recebidos pelos detentores de títulos, que vai na direção contrária ao efeito pretendido pelos BCs quando apertam a política monetária.
A pesquisa na área do euro e economias adjacentes teve a vantagem de examinar um contexto de política monetária comum (os países de fora da área do euro na Europa acabam de certa forma atrelados às decisões do BCE) e dívidas públicas e posições fiscais distintas.
Um segundo achado do 'paper' é de que o prazo médio de vencimento da dívida pública tem efeitos não lineares na política monetária. Prazos médios muito curtos ou muito longos reforçam a política monetária, enquanto prazos médios a enfraquecem. Os prazos analisados vão de até nove meses, na ponta mais curta, até mais de oito anos, na mais longa.
Esses resultados derivam da interação dos três canais da política monetária. No caso de dívidas públicas com prazos muito curtos, a rolagem das dívidas também é muito curta e por isso é afetada mais rapidamente pela alta de juros. Já no caso de prazos médios, os juros maiores auferidos pelos detentores de títulos públicos anulam parcialmente o efeito da perda patrimonial. Já se a dívida pública tiver prazo muito longo, a perda patrimonial dos detentores de títulos é mais determinante.
Segundo os autores, se a política fiscal atuar para compensar a deterioração dos resultados primários quando ocorrem apertos monetários, os efeitos da dívida pública na transmissão da política monetária podem ser neutralizados. Na prática, porém, eles encontram que os efeitos de apertos monetários na posição fiscal dos governos, na renda dos detentores de títulos e no valor dos títulos não foram totalmente neutralizados pela política fiscal na amostra de países por eles analisada.
Money Times - SP 02/07/2026
A sinalização de uma postura mais rígida do Federal Reserve, combinada com os riscos inflacionários decorrentes das tensões geopolíticas e das incertezas eleitorais no Brasil, deve manter os investidores em alerta ao longo do segundo semestre, avalia Davi Ramos, sócio da Vante Invest.
Em entrevista ao Giro do Mercado desta quarta-feira (1), o especialista indicou que a fala de Kevin Warsh sobre a redução das expectativas e riscos de inflação nas últimas semanas não trouxe novidades, uma vez que o dirigente do Fed já havia sinalizado que adotaria uma postura mais rígida no combate à inflação.
Para Ramos, as decisões a partir de agora devem ser baseadas na evolução dos dados econômicos, em vez de tentar antecipar o comportamento futuro da economia.
Veja a análise completa no Giro do Mercado
“Acredito que isso pode sim trazer uma certa cautela ao mercado, o que já está acontecendo. Também não espero que deva acontecer mais um corte de juros, ao contrário, com essa fala dele podemos ter até um aumento dos juros até o final do ano”, analisou Ramos.
Na visão do especialista, a nova postura do Federal Reserve também deve pautar as decisões do Banco Central no Brasil. Ele aponta que “se o diferencial de juros entre os países aumenta, isso pressiona a desvalorização do real e faz com que a nossa inflação continue alta”.
A inflação, inclusive, deve ser o ponto central de atenção dos mercados globais no próximo semestre, de acordo com a análise de Ramos, mesmo com as negociações pelo fim da guerra no Irã.
Segundo o especialista, o acordo de paz ainda é bastante frágil e a região permanece como uma zona de conflito, o que deve manter a instabilidade nos próximos meses e seguir pressionando os preços.
Ele ressaltou que as seguradoras continuam classificando o Estreito de Ormuz como zona de guerra até 9 de julho, o que preserva as sobretaxas de risco e de transporte para cargas que passam pela região.
No Brasil, com a chegada do período eleitoral, esses números se tornam ainda mais relevantes: “a questão fiscal é uma questão agora no período eleitoral, quando o governo aumenta os gastos ainda mais. Então no mercado brasileiro, apesar dos ativos estarem muito descontados, temos esses pontos de atenção”, destacou.
Além disso, ele alerta os investidores para uma volatilidade no mercado, esperada justamente pelo cenário eleitoral. “A eleição está completamente indefinida e só começa a se definir dois meses antes. O segundo semestre deve ser um período de muita cautela”, indicou.
O Estado de S.Paulo - SP 02/07/2026
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira, 1º, que a instituição manterá sua independência em relação ao governo e seguirá concentrada no combate à inflação. A declaração reduz as expectativas de um corte nos juros no curto prazo, medida defendida repetidamente pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Durante um encontro de representantes dos bancos centrais em Portugal, Warsh reafirmou o compromisso da autoridade monetária com a meta de inflação de 2%. “Se empresas ou famílias acreditam que o Fed aceitará uma inflação acima de 2%, ficarão decepcionadas. Vamos entregar estabilidade de preços”, disse.
Ao ser questionado sobre a pressão de Trump por juros menores, Warsh voltou a destacar a autonomia do banco central. “Somos um banco central independente há muito tempo e continuaremos sendo”, afirmou.
As declarações marcam uma mudança de tom em relação ao período anterior à sua posse. Antes de assumir a presidência do Fed, em 22 de maio, após a saída de Jerome Powell, Warsh defendeu juros mais baixos. Desde que assumiu o cargo, porém, passou a enfatizar a necessidade de controlar a inflação antes de considerar qualquer flexibilização da política monetária.
Apesar disso, ele evitou antecipar quais medidas pretende adotar nas próximas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês). A postura é coerente com sua crítica ao chamado forward guidance, estratégia pela qual bancos centrais sinalizam previamente os rumos da política monetária. “Não vou fazer esse julgamento agora. A estratégia e as decisões ainda serão definidas”, afirmou.
Na última reunião do Fed, realizada em 16 e 17 de junho, quase metade dos 19 dirigentes projetou ao menos uma alta de juros ainda neste ano. Oito defenderam manter a taxa inalterada e apenas um indicou a possibilidade de corte. Warsh não apresentou projeções individuais.
A economia americana também mudou desde que Trump indicou Warsh para comandar o banco central, em janeiro. A inflação alcançou 4,2% em maio, o maior nível em três anos, impulsionada principalmente pela alta dos preços da energia durante a guerra envolvendo o Irã. Com o acordo de paz e a queda dos preços dos combustíveis, cresce a avaliação de que a inflação pode ter atingido seu pico.
Segundo Warsh, indicadores de expectativas de inflação — acompanhados por pesquisas e pelos mercados financeiros — também mostram uma desaceleração, sugerindo menor risco de pressões inflacionárias persistentes.
Ainda assim, o presidente do Fed terá de decidir se será necessário elevar novamente os juros nas próximas reuniões para reforçar o compromisso da instituição com o controle da inflação. Caso os preços da energia continuem recuando, essa decisão poderá ser adiada.
Outro fator que reduz a pressão por cortes nos juros é a resiliência do mercado de trabalho. Economistas esperam que o relatório oficial de emprego, previsto para quinta-feira, 2, mostre a taxa de desemprego estável em 4,3%, indicando que a atividade econômica segue aquecida.
Warsh também voltou a defender que a inteligência artificial tende a aumentar a produtividade da economia e contribuir para reduzir pressões inflacionárias no longo prazo. No curto prazo, porém, especialistas avaliam que o forte investimento em infraestrutura para IA tem encarecido semicondutores e equipamentos de computação, alimentando a inflação.
O presidente do Fed evitou dizer se compartilha dessa avaliação. Segundo ele, cinco grupos de trabalho foram criados dentro da instituição para estudar temas como inteligência artificial e seus efeitos sobre a produtividade. “Este é um dos momentos mais empolgantes e relevantes para ser um banqueiro central de que consigo me lembrar, talvez perdendo apenas para períodos de crise”, afirmou.
Infomoney - SP 02/07/2026
A atividade industrial no Brasil voltou a registrar leve expansão em junho, com pressões inflacionários menores, criação de vagas de trabalho e aumento de estoques compensando retrações nas vendas e nos volumes de produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta quarta-feira.
O PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio, ficando pouco acima da marca de 50 que separa contração de crescimento.
No entanto, o crescimento refletiu principalmente a criação de empregos pelo quinto mês seguido e a formação de estoques, já que dois dos maiores subcomponentes do indicador — produção e novas encomendas — permaneceram em território de contração.
Os estoques de itens de pré-produção aumentaram pelo quarto mês consecutivo em junho, no ritmo mais forte em quase cinco anos, com os participantes da pesquisa mencionando chegada de insumos adquiridos anteriormente e esforços recentes para reforçar os estoques de segurança. Os estoques de produtos acabados também cresceram, encerrando uma sequência de dois meses de redução.
O PMI também foi impulsionado pelo índice de prazo de entrega dos fornecedores. Embora prazos de entrega mais longos normalmente sinalizem condições de demanda forte, o atual aumento desses prazos refletiu interrupções nas cadeias de oferta causadas pelo conflito no Oriente Médio.
‘O conflito no Oriente Médio não ajuda — ele está agravando a inflação, prejudicando o comércio, abalando a confiança das empresas e provocando alguns dos piores atrasos nas entregas que vimos desde meados de 2022, tornando mais difícil para as companhias obterem os materiais de que necessitam’, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.
As contrações nas novas encomendas totais e na produção tiveram um ritmo mais lento do que em maio, mas as empresas continuaram relatando redução do apetite dos clientes por bens, pressões competitivas e encolhimento do mercado. As encomendas internacionais registraram queda acentuada, embora em ritmo menos intenso do que no mês anterior.
Os três grandes segmentos da indústria monitorados pela pesquisa — bens de consumo, intermediários e de investimento — registraram reduções na produção, nos novos pedidos e nas vendas para o exterior.
Os custos de insumos tiveram a menor pressão inflacionária em três meses, mas as empresas ainda apontaram que a guerra no Oriente Médio elevou os gastos com combustíveis, matérias-primas e transporte.
Os preços cobrados também subiram no ritmo mais lento em três meses, à medida que parte dos custos adicionais foi repassada aos clientes.
Embora as empresas tenham mantido uma visão positiva sobre as perspectivas de crescimento, a confiança recuou em junho para o menor nível em 14 meses. O otimismo foi limitado por preocupações relacionadas à concorrência, ao comportamento da demanda, à incerteza política e à volatilidade dos mercados globais.
Money Times - SP 02/07/2026
O Ministério da Fazenda deve revisar para cima sua projeção oficial para a inflação em 2026 por ver um viés de alta em relação à estimativa feita em maio, de 4,5%, diante do fenômeno climático El Niño e outros fatores, disse nesta quarta-feira a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire.
Em entrevista ao portal Jota, a secretária afirmou que o governo tem hoje mais clareza de que o El Niño “vem forte”, o que deve minimizar o arrefecimento da inflação que era esperado para o segundo semestre deste ano.
“A gente já esperava um El Niño mais agressivo, mas agora esse cenário está se consolidando de forma mais robusta. Então, devido a isso, a gente entende que há um risco, há um vetor altista para a inflação neste ano”, disse.
Ela acrescentou que a nova previsão — que superará o teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 4,5% — deve ficar abaixo da apontada pelo mercado, que estimou nesta semana uma inflação de 5,33% em 2026, segundo o boletim Focus do Banco Central.
Freire afirmou ainda que a pasta vê uma estabilidade em relação à projeção feita em maio para a atividade econômica do país, que apontava para uma alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
A secretária ponderou que os números, que serão divulgados oficialmente mais tarde neste mês, ainda passam por avaliação e poderão ser ajustados.
Freire acrescentou que a elevação de juros em economias avançadas traz um cenário mais desafiador para o crescimento econômico do Brasil em 2027. Segundo ela, uma expectativa de taxa Selic mais alta do que o previsto anteriormente também pode gerar efeitos sobre a atividade.
Em relação às contas públicas, a secretária disse que o arcabouço fiscal implementado pelo atual governo está cumprindo sua função de fazer uma consolidação gradual.
“Nossa expectativa é que o arcabouço fiscal faça a convergência da dívida pública no médio prazo, não no próximo ano”, afirmou.
Ela reconheceu que há desafios fiscais, sendo necessário conter o crescimento de despesas obrigatórias dentro do limite de alta real de 2,5% por ano para gastos estabelecido pelo arcabouço, além de ampliar a formalização de trabalhadores, o que geraria impacto positivo sobre contribuições previdenciárias.
Valor - SP 02/07/2026
A estatal chinesa responsável pela compra de minério de ferro pediu a algumas siderúrgicas nacionais que não recebam determinados produtos de minério de ferro da Fortescue, segundo fontes do setor, a mais recente mineradora australiana a ser afetada pela iniciativa de Pequim de aumentar o controle sobre o mercado.
O China Mineral Resources Group (CMRG) notificou verbalmente algumas siderúrgicas de que, a partir de 15 de julho, elas não devem receber cargas portuárias dos produtos “Super Special Fines” e “Fortune Fines” da Fortescue, ambos de minério de ferro de menor teor, segundo cinco fontes a par do assunto.
A medida intensifica a campanha do CMRG para afirmar o controle sobre a forma como o minério de ferro entra no mercado chinês, após um impasse de meses com a BHP que terminou em abril. A Fortescue envia a maior parte de seu minério de ferro para a China e ainda está negociando os termos de fornecimento com o CMRG.
Todas as fontes pediram anonimato devido à delicadeza do assunto. O CMRG e a Fortescue não responderam imediatamente a pedidos de comentários fora do horário comercial.
Os estoques de “Super Special Fines” da Fortescue em alguns dos principais portos chineses totalizavam 7,22 milhões de toneladas em 30 de junho, informou outro operador que preferiu não se identificar.
Isso representa quase 5% do total dos estoques de minério de ferro nos portos, de acordo com um cálculo da Reuters baseado em dados da consultoria Steelhome.
Em junho, o CMRG orientou algumas siderúrgicas nacionais a não se envolverem em discussões com a Fortescue sobre um novo produto de minério de ferro, o “Fortune Fines”, com embarques programados a partir de julho.
Revista Mineração - SP 02/07/2026
A Cedro Participações anunciou um investimento de aproximadamente R$ 700 milhões na implantação de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD) em sua operação de Mariana (MG). O equipamento faz parte do projeto de expansão da mina, que receberá cerca de R$ 4 bilhões em investimentos para elevar a produção anual de minério de ferro de 3 milhões para 5 milhões de toneladas de pellet feed, conhecido como “minério verde“.
Com cerca de 20 quilômetros de extensão, o TCLD será um dos maiores sistemas desse tipo no Brasil e substituirá o transporte rodoviário por carretas entre a mina e a interface ferroviária. A estrutura terá capacidade para movimentar entre 1.800 e 2.000 toneladas de minério por hora, operando com velocidade de 4 metros por segundo em uma correia de 1.200 milímetros de largura.
Segundo o diretor de Engenharia e Implantação de Projetos da Cedro Mineração, Ricardo Jeunon, o equipamento utilizará uma tecnologia que permite realizar curvas horizontais ao longo do trajeto, reduzindo significativamente a necessidade de obras de terraplenagem, estruturas de transferência e intervenções em áreas de relevo acidentado.
De acordo com o executivo, o projeto elimina a necessidade de construção de edifícios estruturais a cada mudança de direção da correia, reduzindo custos, minimizando impactos ambientais e diminuindo a geração de poeira durante a movimentação do minério.
Outro diferencial será o sistema de monitoramento automatizado. A inspeção da correia será realizada por um robô que percorrerá trilhos instalados sob o equipamento. Com apoio de inteligência artificial e sensores de vibração e temperatura, o sistema identificará a necessidade de manutenção preventiva, reduzindo a exposição de trabalhadores em campo. Toda a operação será controlada remotamente por meio de uma sala de comando.
Redução das emissões e impactos ambientais
Além de eliminar o transporte rodoviário do minério, a companhia estima que o TCLD evitará a emissão de aproximadamente 54 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, resultado da substituição do consumo de diesel e da redução do desgaste de pneus.
A retirada das carretas também deverá diminuir os níveis de poeira, ruído e tráfego ao longo dos cerca de 20 quilômetros percorridos atualmente pelos veículos. O sistema será alimentado por energia elétrica proveniente da rede de distribuição de Minas Gerais, cuja matriz é majoritariamente renovável, e contará com acionamentos regenerativos para reduzir o consumo energético.
Segundo Jeunon, a tecnologia também diminui a necessidade de abertura de novas estradas internas, melhora o fluxo operacional e reduz gargalos logísticos, tornando o transporte mais eficiente e sustentável.
Projeto aguarda licença ambiental
A Cedro informou que está na fase final do processo de obtenção da Licença de Instalação (LI). Paralelamente, a empresa conclui a engenharia detalhada e o Plano de Execução do Projeto (PEP).
Após a emissão da licença ambiental, serão iniciadas as obras de supressão vegetal e terraplenagem. A previsão é que a implantação do sistema seja concluída em aproximadamente 36 meses, prazo que poderá variar conforme as condições climáticas da região.
Expansão da produção de minério verde
O projeto em Mariana integra a estratégia da Cedro de ampliar sua produção para 9 milhões de toneladas anuais até 2028 e alcançar 20 milhões de toneladas até 2030, consolidando-se entre as cinco maiores produtoras de minério de ferro do Brasil.
Com a expansão, toda a produção da unidade será convertida para pellet feed, matéria-prima de alta qualidade e baixo teor de impurezas, capaz de reduzir em até 50% as emissões de carbono na produção de aço.
A companhia também destaca outras iniciativas voltadas à sustentabilidade, como a filtragem e o empilhamento a seco de rejeitos, eliminando a necessidade de barragens, além do reaproveitamento de aproximadamente 85% da água utilizada em seus processos industriais.
Nos próximos anos, a Cedro pretende migrar integralmente sua produção para pellet feed de redução direta (PFRD), com a meta de atingir 100% desse produto até o fim da década, fortalecendo sua atuação nos mercados da Europa e do Oriente Médio.
Valor - SP 02/07/2026
Em nota, analistas da Galaxy Futures afirmam que os embarques globais da commodity permanecem abundantes e os estoques nos portos continuam em níveis historicamente elevados
O preço do minério de ferro recuou com força nesta quarta-feira (1º) na China, devolvendo parte da alta dos últimos três pregões.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 1,68%, cotado a 733 yuans.
Em nota, analistas da Galaxy Futures afirmam que os embarques globais da commodity permanecem abundantes e os estoques nos portos continuam em níveis historicamente elevados.
Enquanto isso, a demanda por aço do setor de construção da China segue fraca, ao passo que a demanda ligada à indústria de transformação está desacelerando, tendência que pode persistir por vários meses.
Auto Informe - SP 02/07/2026
Com 1,36 milhão unidades, as vendas de carros e comerciais leves atingiram um crescimento expressivo no acumulado do primeiro semestre. O aumento foi de 19,7% sobre o mesmo período do ano passado, um resultado muito além das estimativas traçadas tanto pela Anfavea, a associação dos fabricantes, como da Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias de todo o país.
Se os negócios seguirem nesse ritmo, 2026 deve passar das 2,7 milhões de unidade vendidas, um avanço significativo em relação a 2025, que vendeu 2.550 milhões. Normalmente, o segundo semestre registra vendas superiores, mas neste ano de Copa do Mundo e de eleições, apostar num crescimento ainda maior é arriscado.
O que se nota no ranking de venda por marca, é uma presença cada vez maior das marcas chinesas entre as mais vendidas. Fiat, líder, Volkswagen e GM, segunda e terceira colocadas, permanecem como as mais vendias no Brasil, mas logo na quarta posição aparece a BYD, deixando pra traz marcas tradicionais, com o Hyundai, Toyota, Honda, Nissan, entre outras. E outra chinesa, a Caoa Chery, ficou na décima posição. Outras três chinesas aparecem em seguida: GWM na 11ª posição, Geely em 13º e Jaecoo em 15º.
As vendas em junho mantiveram o patamar acima de 200 mil unidades e as vendas diárias continuam acima das 12 mil unidades. Foram 264 mil unidades no mês passado. Veja o Ranking do mês de Junho
Ranking de vendas por marca
Junho/2026
Marca Unidades
1) Fiat 84.709
2) Volkswagen 76.034
3) Chevrolet 42.446
4) BYD 26.456
5) Hyundai 25.742
6) Toyota 19.171
7) Renault 17.796
8) Jeep 16.994
9) Honda 13.510
10) Nissan 9.150
11) GWM 7.947
12) Chery 7.380
13) Geely 5.875
14) Ford 5.653
15) Jaecoo 4.788
Ranking de vendas por modelo
Junho/2026
Modelo Unidades
1)Fiat Strada 25.135
2)Volkswagen T-Cross 20.071
3)Volkswagen Polo 18.857
4)Fiat Argo 17.619
5)Volkswagen Tera 15.169
6)Chevrolet Onix 12.949
7)Hyundai HB20 11.469
8)Fiat Mobi 10.047
9)Fiat Pulse 8.732
10)BYD Dolphin Mini 7.771
11)Jeep Renegade 7.683
12)Renault Kwid 7.600
13)Hyundai Creta 6.971
14)BYD Dolphin 6.167
15)Volkswagen Nivus 5.709
Valor - SP 02/07/2026
Vendas da fabricante chinesa na Europa saltaram 270% em 2025, para quase 188 mil veículos, e mais que dobraram nos primeiros cinco meses deste ano, superando 100 mil unidades
A BYD, da China, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, está próxima de decidir pela aquisição de uma fábrica automotiva já existente na Europa para acelerar sua expansão na região, afirmou nesta quarta-feira um assessor sênior da empresa.
“A decisão precisa ser tomada muito em breve”, disse Alfredo Altavilla, assessor especial da BYD para a Europa, durante a conferência Reuters Automotive Europe, em Frankfurt, referindo-se às propostas da União Europeia para regras de “Produzido na Europa”, destinadas a estimular a manufatura local.
Altavilla afirmou que Espanha e França são candidatas para investimentos em ativos industriais existentes (“brownfield”), que envolvem a aquisição de uma fábrica já em operação pertencente a uma montadora tradicional, acrescentando que uma decisão deve ser anunciada em breve.
“Nesta semana, temos duas equipes avaliando diferentes jurisdições, então estamos próximos”, afirmou, ao questionar a competitividade das fábricas alemãs, que também enfrentam problemas de baixa utilização da capacidade.
As declarações ocorrem em um momento em que montadoras tradicionais buscam maneiras de lidar com o excesso de capacidade produtiva enquanto investem pesadamente no desenvolvimento de produtos e em tecnologias como baterias e softwares.
A Stellantis detém participações majoritárias em joint ventures com as chinesas Dongfeng e Leapmotor, como parte dos esforços para ampliar a produção em fábricas localizadas na Espanha e na França.
‘É totalmente inútil’ combater a concorrência chinesa
As vendas da BYD na Europa saltaram 270% em 2025, para quase 188 mil veículos, e mais que dobraram nos primeiros cinco meses deste ano, superando 100 mil unidades.
A aquisição de uma fábrica já existente daria à BYD uma segunda unidade de montagem na Europa, depois da Hungria, onde a produção deve começar no quarto trimestre, reforçando o avanço das montadoras chinesas no mercado europeu.
“Lutar contra essa invasão é totalmente inútil”, disse Altavilla, acrescentando que os planos da Volkswagen de intensificar os cortes de custos representam “o primeiro verdadeiro alerta” para a indústria automotiva europeia.
Pressionada por tarifas, aumento de custos e concorrência cada vez mais intensa das fabricantes chinesas, a Volkswagen avalia sua maior reestruturação da história, incluindo a eliminação de 100 mil postos de trabalho e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha, disseram fontes à Reuters na semana passada.
Altavilla criticou a visão de que fabricantes chinesas que entram na Europa estariam dispostas a aceitar participações minoritárias em joint ventures enquanto fornecem suas tecnologias mais avançadas.
“Isso não é coexistência. É uma violência brutal”, afirmou.
Agrolink - RS 02/07/2026
O Governo do Estado de São Paulo iniciou, nesta terça-feira (30), a entrega de 115 máquinas destinadas a prefeituras paulistas durante cerimônia realizada na Fazenda Santa Elisa, em Campinas, unidade do Instituto Agronômico. Os equipamentos foram adquiridos por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e serão utilizados para reforçar a infraestrutura rural, ampliando o atendimento aos produtores, especialmente de pequenas e médias propriedades.
Os equipamentos serão distribuídos a municípios das regiões de Araçatuba, Bauru, Campinas, Central, Itapeva, Marília, Presidente Prudente, Região Metropolitana de São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Sorocaba, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira.
A iniciativa recebeu investimento de R$ 66 milhões em 2026 e integra o programa Patrulha Rural, voltado ao apoio das administrações municipais com máquinas destinadas à manutenção e recuperação de estradas rurais, conservação das vias de acesso às propriedades, melhoria da logística de escoamento da produção e fortalecimento das condições de trabalho no campo.
Com essa etapa, o Governo do Estado de São Paulo conclui a transferência dos 115 equipamentos previstos nesta fase do programa. Outros 25 maquinários também deverão ser entregues nos próximos dias.
Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desde o início da atual gestão foram investidos mais de R$ 240 milhões na aquisição de mais de 640 máquinas e equipamentos. Os investimentos têm como objetivo ampliar a capacidade de atendimento dos municípios e contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura rural em todo o estado.
Coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o programa Patrulha Rural busca fortalecer a capacidade operacional das prefeituras por meio da destinação de máquinas e equipamentos voltados à manutenção da infraestrutura no campo. A proposta é melhorar a trafegabilidade das estradas vicinais, facilitar o transporte da produção agropecuária, reduzir custos logísticos e garantir melhores condições de acesso para produtores, estudantes e moradores das áreas rurais.
A ação integra as iniciativas do Governo do Estado de São Paulo voltadas ao desenvolvimento regional, com foco na ampliação da infraestrutura, da competitividade e da qualidade de vida no meio rural, em parceria com os municípios.
Canal Rural - SP 02/07/2026
Pelo texto, o benefício valerá para empresas tributadas pelo regime do lucro real que adquirirem máquinas e equipamentos novos a partir de 1º de janeiro de 2026. A regra autoriza o desconto de 50% do valor do bem no ano da compra ou da instalação e dos 50% restantes no ano seguinte, independentemente da vida útil do equipamento.
Na prática, a depreciação entra como despesa na contabilidade da empresa, reduzindo o lucro real e, consequentemente, o imposto a pagar. Os valores serão abatidos da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
O benefício se aplica apenas a máquinas e equipamentos novos utilizados em atividades industriais e agroindustriais. Entre os segmentos citados estão fabricação, montagem, beneficiamento, secagem, torrefação, moagem, pasteurização, refrigeração e empacotamento.
Atualmente, alguns setores já contam com esse tipo de incentivo, como a fabricação de alimentos, produtos têxteis, madeira, químicos, metalurgia e obras de infraestrutura. O relator, deputado Beto Richa (PSDB-PR), apresentou uma versão que estabelece limite para que o total descontado não ultrapasse o custo de compra das máquinas e dos equipamentos, além de prever avaliação periódica do benefício fiscal.
Segundo Richa, a medida favorece o fluxo de caixa das empresas e cria um ambiente mais propício à ampliação da capacidade produtiva e à modernização industrial. O autor da proposta, deputado Diego Garcia (União-PR), defendeu um ambiente de negócios mais estável e previsível.
Depois da aprovação na comissão, o Projeto de Lei 473/26 ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
Grandes Construções - SP 02/07/2026
A demanda por imóveis mais econômicos, puxada nos últimos anos por famílias que buscam sair do aluguel, tem sustentado a expansão do mercado imobiliário mesmo em um ambiente de economia oscilante.
Com programas de incentivo à compra da casa própria e subsídios habitacionais, o segmento de moradias acessíveis ganhou força, especialmente no estado de São Paulo, onde o volume de lançamentos bateu recordes recentes.
Esse ritmo acelerado de novos empreendimentos espalhados por diferentes regiões reforça o aquecimento do setor, mas também expõe um gargalo cada vez mais evidente nos canteiros: a falta de mão de obra.
O setor enfrenta escassez de profissionais qualificados e precisa ampliar a formação de trabalhadores para atender à demanda crescente da construção civil.
Em meio ao apagão de mão de obra, construtoras têm sido obrigadas a rever a forma como atraem e contratam profissionais para manter o ritmo de trabalho e cumprir os prazos de entrega dos empreendimentos.
Em um setor aquecido, especialmente no segmento de moradias voltadas a faixas mais econômicas, o cenário atual também revela um mercado cheio de oportunidades para quem quer trabalhar.
Nesse contexto, a Longitude Incorporadora, focada atualmente na construção de empreendimentos de faixas mais econômicas, tem intensificado suas estratégias de recrutamento para responder a uma demanda urgente do setor.
Hoje, a empresa soma mais de 200 vagas abertas em diferentes regiões de atuação.
Desse total, cerca de 80% das oportunidades estão concentradas nas operações de engenharia e construção, com postos para engenheiro, pedreiro, sinaleiro, cremalheiro, auxiliar de almoxarifado, ajudante de obras, mestre de obras, assistente de engenharia, carpinteiro, manutencista e coordenador de obras.
Os outros 20% das vagas são destinados a áreas corporativas e de suporte ao negócio, com oportunidades em gente e gestão, marketing, tecnologia, arquitetura, financeiro e relacionamento.
Na prática, o volume de posições em aberto evidencia tanto a necessidade das empresas quanto o espaço existente para profissionais de diferentes perfis em uma cadeia que segue demandando gente para crescer.
Para enfrentar um mercado cada vez mais escasso e competitivo, a empresa vem apostando na evolução dos seus processos de recrutamento e seleção.
A estratégia inclui divulgação segmentada de vagas em plataformas digitais, campanhas direcionadas, fortalecimento da marca empregadora e uso de soluções tecnológicas que ampliam o alcance das oportunidades e tornam a conexão entre empresa e candidato mais rápida, simples e eficiente.
“Hoje, um dos maiores desafios da construção civil é encontrar profissionais em quantidade e no tempo que a operação exige. Temos empreendimentos lançados, cronogramas em andamento e um compromisso permanente com a entrega. Por isso, precisamos de processos de atração e seleção cada vez mais ágeis e assertivos”, afirma
Camila Dantas, superintendente de Gente & Gestão da Longitude.
Segundo a executiva, embora a tecnologia não substitua a importância da mão de obra nos canteiros, ela tem papel decisivo na aceleração das contratações.
“Temos investido continuamente em ferramentas digitais, indicadores e estratégias de atração de talentos que aumentam a capilaridade das nossas buscas, reduzem o tempo de preenchimento das vagas e facilitam a jornada de candidatura. Isso vale tanto para funções operacionais quanto para posições corporativas”, diz Camila.
Na avaliação da empresa, a escassez de profissionais exige criatividade, velocidade e maior proximidade com o público que está em busca de recolocação ou de uma nova chance no mercado.
Mais do que abrir vagas, o desafio está em chegar às pessoas certas, com uma comunicação acessível e processos seletivos compatíveis com a urgência do setor.
“Existe hoje uma demanda real por trabalho, especialmente na construção. O setor continua gerando oportunidades e precisa de pessoas dispostas a crescer junto com ele. Nosso papel é tornar esse encontro entre vaga e candidato mais simples, mais direto e mais eficiente”, completa Camila.
Globo Online - RJ 02/07/2026
A abertura da Linha 6 do metrô de São Paulo, prevista para hoje, é um alento num país que, ao longo de décadas, tem privilegiado o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário, mais eficiente. A nova extensão deverá operar inicialmente com horário reduzido, sem cobrança de tarifa, ao longo de seis estações. Pela previsão do governo, o ramal completo com 15 paradas deverá ficar pronto no ano que vem e transportar cerca de 600 mil passageiros por dia, quase o volume de todo o metrô do Rio (670 mil).
A linha foi construída totalmente por meio de uma parceria público-privada, modelo que permite realizar obras complexas sem sobrecarregar os cofres públicos. É verdade que o projeto havia sido anunciado 18 anos atrás pelo então governador Geraldo Alckmin, e a intenção era entregar as primeiras estações em 2011. O calendário atrasou devido a uma série de entraves, entre eles denúncias de corrupção, rescisões contratuais, problemas geotécnicos, descobertas arqueológicas, interrupções e ajustes no contrato — histórico que não difere muito de outras grandes obras públicas no país.
Considerando os novos trechos entregues na gestão Tarcísio de Freitas, a malha ferroviária urbana de São Paulo chega a quase 400 quilômetros de extensão, entre trens e metrôs. Pode ficar atrás de outras metrópoles do mundo, mas não se pode ignorar a realidade brasileira. Historicamente, o Brasil sempre incentivou a indústria automobilística, a construção de estradas e o transporte rodoviário, tanto de passageiros quanto de cargas. A rede de trilhos não apenas parou de se expandir, como ainda por cima encolheu. No Rio, trens urbanos chegaram a transportar 1 milhão de passageiros por dia. Hoje atendem menos de um terço.
Nas metrópoles brasileiras, ônibus acabaram responsáveis por transportar a maior parte dos passageiros, numa inversão de papéis na comparação com outros países. A greve dos rodoviários no Rio, deflagrada a partir da última segunda-feira, mostrou quanto esse predomínio pode ser nocivo à população. Com os ônibus parados nas garagens, os cariocas tiveram de disputar espaço nos poucos que circularam, enfrentar metrô e trens abarrotados ou recorrer a veículos de aplicativos, cujos preços dispararam pela alta demanda.
A bem-vinda expansão da malha ferroviária urbana em São Paulo não começou nem deverá parar na linha 6. A persistência de um projeto consistente de transporte sobre trilhos ao longo de décadas deveria inspirar outras cidades brasileiras a seguir o mesmo caminho. É certo que metrôs são obras caras, que muitas vezes não cabem no orçamento. Por isso mesmo, os gestores precisam privilegiar parcerias público-privadas, que se mostram exitosas neste e noutros setores de infraestrutura. Ou partir para metrôs de superfície e Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs), menos onerosos. O governo federal insiste na recorrente prática brasileira de distribuir fartos incentivos a automóveis. Segue na contramão de um mundo que exige um transporte confortável, rápido, com horário previsível e não poluente. E ele anda sobre trilhos.
A Tribuna - SP 02/07/2026
Mais cargas transportadas em menos tempo e com menor custo. Esse é o objetivo do novo sistema integrado das quatro concessionárias ferroviárias que operam os acessos ao Porto de Santos. O aumento da eficiência logística demandou um investimento de R$ 2 bilhões em infraestrutura, que inclui seis pátios ferroviários e o Centro de Controle Operacional Integrado (CCOI) da Baixada Santista, inaugurado nesta terça-feira (30) pelo ministro dos Transportes, George Santoro, no Valongo, em Santos.
“Estamos entregando essa fase que é uma interconexão de operação (entre as empresas ferroviárias). É importante, em termos de governança, para melhorar a produtividade do Porto. São mais cargas com menos tempo dentro de uma operação. Isso faz com que o Brasil tenha redução de custos logísticos e tenha mais segurança junto à população de Santos, porque a gente está apresentando soluções para conflitos urbanos”, declarou o ministro em coletiva.
A partir do CCOI, as quatro concessionárias ferroviárias farão um planejamento operacional unificado, com um fluxo de trens sincronizado de modo a tornar as operações portuárias mais eficientes.
As obras de infraestrutura avaliadas em R$ 2 bilhões estão no plano de investimentos da MRS para a renovação da concessão da empresa, aprovado pelo Ministério dos Transportes e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O que faz parte
Os investimentos abrangem seis novos pátios ferroviários (Prainha, Jurubatuba, Quilombo, Areais, Campo Grande e Fase 1 do pátio de Santos), que aumentarão a capacidade de filas, cruzamento e manobra de trens; modernização da via permanente, com substituição de mais de 90 km de linhas para perfil de trilho TR-68 e inclusão de 126 aparelhos de mudança de via (AMVs), que possibilitarão o aumento da carga por eixo para 32,5 toneladas; além de preparação da malha ferroviária para a circulação de trens mais longos, de 2,4 mil metros de comprimento, com 120 a 140 vagões.
O plano também engloba a implementação de sistemas de sinalização avançados (CBTC e CTC) na Ferradura (trecho ferroviário de acesso ao Porto de Santos), totalizando 34 quilômetros de vias; além do viaduto de Cubatão e passarelas para pedestres em Santos e Guarujá.
Embora o maior fluxo de cargas para o cais santista utilize o modal rodoviário, Santoro avalia que a ampliação do ferroviário deverá reduzir a circulação de caminhões na Baixada Santista. “Quando você faz um investimento de R$ 2 bilhões, tendo pátios, mecanismos de manobra e agilidade no processamento das ferrovias, elas ganham competitividade em relação aos caminhões. Com certeza, isso vai retirar caminhões das ruas de Santos e de Cubatão”.
Para o ministro, o ganho de eficiência permitirá ampliar a participação do modal ferroviário na movimentação de cargas ao longo da próxima década. “Isso vai fazer com que aumentemos a capacidade das ferrovias, mudando um pouquinho esse patamar nos próximos dez anos. O planejamento é chegar a 150 milhões de toneladas, mais que dobrando a capacidade. Isso provavelmente vai tirar algumas dezenas de milhares de caminhões do sistema intermunicipal”.
A empresa responsável confirma que o trabalho em conjunto permitirá dobrar a capacidade de transporte ferroviário em um horizonte de dez a 15 anos. Isso porque o novo sistema aumentará a eficiência operacional e reduzirá o tempo de circulação dos trens. A expectativa é reduzir em torno de duas horas e meia o tempo de percurso de um trem.
Poderão ser operados trens de até 2,4 mil metros. Até então, as composições atingem mil metros. Com trens mais longos, é possível transportar muito mais carga utilizando a mesma faixa de circulação.
Exame - SP 02/07/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quarta-feira, 1º, que seu governo não permitirá que a China amplie sua influência sobre o Canal do Panamá.
A declaração ocorreu durante um evento em comemoração aos 250 anos da independência dos Estados Unidos, realizado na biblioteca presidencial de Theodore Roosevelt, no estado de Dakota do Norte.
Durante o discurso, Trump retomou o histórico da construção da via interoceânica e defendeu que os Estados Unidos foram responsáveis pela obra antes de transferirem sua administração ao Panamá. Segundo o presidente, o país fez um grande investimento financeiro e humano no projeto.
"Perdemos 38 mil pessoas construindo o Canal do Panamá. Foi um enorme esforço dos Estados Unidos e, depois de concluído, nós o entregamos de presente", afirmou Trump durante o evento. O presidente chegou à cerimônia a bordo do novo avião presidencial Air Force One, doado pelo governo do Catar.
Trump também declarou que o Canal do Panamá representou o empreendimento mais caro já realizado pelos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, um dos mais rentáveis. De acordo com ele, após a transferência do controle da passagem ao governo panamenho, em 1999, as tarifas cobradas das embarcações passaram por sucessivos aumentos.
Segundo o presidente, o Panamá elevou os valores cobrados dos navios logo após assumir a administração do canal e repetiu os reajustes posteriormente. Trump afirmou que a medida permitiu ao país arrecadar grandes volumes de recursos ao longo dos anos.
As declarações repetem posicionamentos apresentados por Trump desde o início de seu mandato, em 2025, quando passou a defender a necessidade de os Estados Unidos "recuperarem" o Canal do Panamá por considerar a influência da China na região uma questão de segurança nacional.
Trump reforça discurso sobre influência chinesa na América Latina
A relação entre o Canal do Panamá e a presença da China na América Latina integra a estratégia do governo Trump para o hemisfério ocidental. Em diferentes discursos, o presidente tem afirmado que Pequim busca ampliar sua influência sobre ativos considerados estratégicos para o comércio internacional e para os interesses dos Estados Unidos.
Desde a posse, em 2025, Trump voltou a citar o tema em eventos públicos e entrevistas, mantendo a defesa de uma atuação mais direta dos Estados Unidos na região sob o argumento de proteger interesses de segurança nacional.
Portos e Navios - SP 02/07/2026
Um dia após anunciar a encomenda de quatro rebocadores azimutais ao estaleiro Belov, a Saam Towage reforçou que o contrato integra um plano mais amplo de renovação e padronização tecnológica de sua frota no Brasil, hoje composta por mais de 65 embarcações em 19 portos.
A companhia destaca que as novas unidades, de 70 toneladas de tração estática (bollard pull), com sistema de combate a incêndio FiFi 1 e projeto Robert Allan, estão alinhadas ao objetivo de elevar a potência média e a capacidade operacional da frota em manobras de navios de maior porte em terminais brasileiros. Em comunicado recente, a empresa lembrou que opera com uma das maiores frotas do país e atribui à modernização contínua dos rebocadores ganhos de eficiência e de segurança nas operações portuárias.
Segundo a country manager da Saam Towage no Brasil, Renata Ervilha, o contrato com a Belov é mais um passo na estratégia de priorizar ativos de última geração nos mercados considerados prioritários para o grupo. A executiva tem reiterado que o Brasil figura entre os principais focos de crescimento da empresa e que a renovação da frota busca responder à evolução do perfil de navios que chegam aos portos nacionais, com maior porte e exigência de desempenho nas manobras.
A parceria com o estaleiro baiano também foi ressaltada pela companhia como um componente relevante do projeto. Além de reforçar a presença industrial em Salvador (BA), o novo pacote de construção deve gerar efeitos na cadeia local de fornecedores de serviços e equipamentos navais, em linha com o compromisso declarado da Saam de apoiar o desenvolvimento da indústria marítima regional.
No cenário internacional, a empresa lembra que o investimento no Brasil ocorre em paralelo à estratégia global de consolidar sua posição como líder em rebocagem nas Américas e terceira maior operadora mundial do segmento, com mais de 200 rebocadores em mais de 100 portos. A companhia indica que a padronização de projetos, como os desenvolvidos pela Robert Allan, facilita a gestão de frota e a difusão de tecnologias de segurança e combate a incêndio em diferentes mercados onde atua.
Valor - SP 02/07/2026
Segundo relatos, as negociações indiretas realizadas em Doha, no Catar, nesta semana foram positivas
Os preços do petróleo recuam, com o Brent sendo negociado na faixa de US$ 72 por barril, enquanto os operadores acompanham as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã e a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz. Segundo relatos, as negociações indiretas realizadas em Doha, no Catar, nesta semana foram positivas.
Por volta das 8h20, na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em setembro caía 0,78% a US$ 72,35 por barril. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto cedia 0,68% a US$ 69,03.
“O mercado mantém uma visão otimista quanto à recuperação da oferta proveniente do Golfo Pérsico, apesar das recentes tensões entre os Estados Unidos e o Irã”, diz o ING, em nota. A movimentação de navios-tanque no Estreito de Ormuz segue limitada, embora o leve aumento nas entradas indique maior confiança dos armadores para operar no Golfo Pérsico, pontua.
Além disso, dados dos Estados Unidos mostraram que a produção de petróleo no país atingiu nível recorde em abril, enquanto as exportações também renovaram máximas, ajudando a compensar perdas de oferta do Golfo Pérsico. Já dados da API apontaram queda de 6,07 milhões de barris nos estoques de petróleo na última semana, antes da divulgação do relatório oficial do Departamento de Energia americano.
TN Petróleo - RJ 02/07/2026
No mês de maio, o Brasil produziu 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) de petróleo e gás natural. Os dados foram divulgados hoje (1/7) pela ANP no Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural.
Com relação ao petróleo, foram extraídos 4,301 milhões de barris por dia (bbl/d), uma queda de 0,9% na comparação com o mês anterior e aumento de 16,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
A produção de gás natural em maio foi de 206,06 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Houve queda de 0,3% frente a abril e aumento de 19,6% na comparação com maio de 2025.
Pré-sal
A produção total (petróleo + gás natural) no pré-sal, em maio, foi de 4,503 milhões de boe/d e correspondeu a 80,5% da produção brasileira. A produção teve uma redução de 2,4% em relação ao mês anterior e crescimento de 18,4% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Foram produzidos 3,471 milhões de bbl/d de petróleo e 164,08 milhões de m³/d de gás natural por meio de 189 poços.
Aproveitamento do gás natural
Em maio, o aproveitamento de gás natural foi de 97,2%. Foram disponibilizados ao mercado 60,83 milhões de m³/d e a queima foi de 5,87 milhões de m³/d. Houve aumento de 30% na queima, em relação ao mês anterior - por conta do comissionamento da FPSO P-79, no Campo de Búzios - e redução de 37% na comparação com maio de 2025.
Origem da produção
No mês, os campos marítimos produziram 98,1% do petróleo e 88,9% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 87,78% do total produzido. A produção teve origem em 6.373 poços, sendo 602 marítimos e 5.771 terrestres.
Campos e instalações
No mês de maio, o campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo, registrando 893,37 mil bbl/d de petróleo. Já campo de Mero, também na Bacia de Santos, foi o maior produtor de gás natural, com 47,20 milhões de m³/d.
As instalações com maiores produções foram o FPSO Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, para o petróleo (247.647 bbl/d); e o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, para o gás (13,08 milhões de m³/d).
Sobre o Boletim da Produção de Petróleo e Gás
Além da publicação tradicional em .pdf, é possível consultar os dados do boletim de forma interativa utilizando a tecnologia de Business Intelligence (BI). A ferramenta permite que o usuário altere o mês de referência para o qual deseja a informação, além de diferentes seleções de períodos para consulta e filtros específicos para campos, estados e bacias.
Variações na produção são esperadas e podem ocorrer devido a fatores como paradas programadas de unidades de produção em função de manutenção, entrada em operação de poços, parada de poços para manutenção ou limpeza, início de comissionamento de novas unidades de produção, dentre outros. Tais ações são típicas da produção de petróleo e gás natural e buscam a operação estável e contínua, bem como o aumento da produção ao longo do tempo.
Valor - SP 02/07/2026
Camada correspondeu a 80,5% da produção total brasileira no mês
A produção de petróleo e gás natural no pré-sal aumentou 18,4% em maio na comparação com igual mês do ano anterior, para 4,503 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), segundo a Agência Nacional de Petróleo. Conforme a ANP, a camada correspondeu a 80,5% da produção total brasileira no mês.
A produção total de petróleo no Brasil em maio aumentou 16,9% em comparação com 2025, para 4,301 milhões de barris por dia. A produção brasileira de gás natural subiu 19,6% em maio ante ano anterior, para 206,06 milhões metros cúbicos por dia.
No total, o país produziu 5,597 milhões de barris de óleo equivalente por dia em maio, informou a ANP nesta quarta-feira (1°).
No mês, os campos marítimos produziram 98,1% do petróleo e 88,9% do gás natural.
Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 87,78% do total produzido.
A produção teve origem em 6.373 poços, sendo 602 marítimos e 5.771 terrestres.
O campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, foi o maior produtor de petróleo, com 893,37 mil barris por dia de petróleo. Já o campo de Mero, também na Bacia de Santos, foi o maior produtor de gás natural, com 47,20 milhões de m³/d.
As instalações com maiores produções foram o FPSO Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, para o petróleo (247.647 bbl/d); e o FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero, para o gás (13,08 milhões de m³/d).
Grandes Construções - SP 02/07/2026
O projeto da Ponte Salvador–Itaparica se aproxima de uma nova etapa e iniciará as obras em terra (etapa onshore) nos próximos dias, no município de Vera Cruz.
Entre os avanços recentes para implantação do empreendimento, está a emissão da Licença de Instalação (LI) pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), órgão vinculado à Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema).
Também foram publicadas pelo Inema a Autorização de Supressão de Vegetação Nativa (ASV), a Autorização de Manejo de Fauna e a Medida Compensatória referente à Autorização de Servidão Ambiental.
Os atos integram o conjunto de exigências legais para a realização das obras e estabelecem condicionantes, programas e medidas de controle ambiental que deverão ser cumpridos durante a implantação do projeto.
O projeto também já possui autorização da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) para intervenções em área da união, bem como autorização da Marinha do Brasil para construção da Plataforma Linear Provisória (PLP) e alvarás da prefeitura de Vera Cruz necessários para início das intervenções.
“A Ponte Salvador–Itaparica representa um novo ciclo de desenvolvimento para a Bahia, com impactos positivos na mobilidade, na economia e no desenvolvimento de diversas regiões do estado”, destaca o secretário Mateus Dias, da Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador–Itaparica (SVPonte).
O projeto conta com três canteiros principais. Em Vera Cruz e São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, os canteiros já se encontram em intensa movimentação, tendo recebido centenas de toneladas de materiais, estruturas e equipamentos importados da China e adquiridos junto a empresas brasileiras.
Os espaços terão, respectivamente, as funções de gestão direta das atividades de campo na ilha e principal hub industrial e logístico da obra.
Já o terceiro canteiro será localizado em Salvador, na Avenida Jequitaia, centralizando o suporte administrativo e a produção de materiais primários (concreto e armações de aço).
Plataforma Linear Provisória (PLP) - Já aplicada em grandes projetos internacionais, a plataforma provisória é uma estrutura essencial para garantir maior eficiência na execução da obra.
Entre as vantagens, está a redução de quase 70% no número de embarcações de apoio, contribuindo para maior organização do tráfego marítimo na Baía de Todos-os-Santos durante as obras.
Apenas durante a fase inicial de montagem da plataforma, que será utilizada para a locomoção de trabalhadores e máquinas, devem ser gerados cerca de 200 empregos diretos, entre montadores, soldadores e engenheiros, além de contratações indiretas ligadas aos setores de logística, transporte e suprimentos.
Quando considerado todo o período de construção do empreendimento, está prevista a criação de 7.000 vagas de emprego diretas e indiretas.
Novo sistema rodoviário - Com 12,4 km sobre lâmina d’água, a Ponte Salvador–Itaparica será a maior da América Latina e integrará o novo Sistema Viário Oeste, maior obra de infraestrutura da história da Bahia, com novos acessos viários em Salvador e Vera Cruz.
Do lado da capital, serão 4,4 km de estruturas ligando a região da Calçada e Água de Meninos, com viadutos e túneis paralelos aos da Via Expressa.
Já na Ilha de Itaparica, haverá implantação de uma via expressa de 22 km e a duplicação de um trecho de 8 km da BA-001, da localidade de Tairu até a Ponte do Funil.
Mais do que uma ligação entre duas cidades, o novo sistema rodoviário vai permitir a integração entre regiões, dinamizando economias locais e promovendo uma nova dinâmica de desenvolvimento econômico no estado.
A expectativa é de que o projeto impacte positivamente a vida de mais de 70% da população baiana em 250 municípios, promovendo o escoamento da produção agrícola, incentivando o turismo regional e atraindo investimentos privados.
CNN Brasil - SP 02/07/2026
Diferentemente de outras fabricantes de máquinas agrícolas, a Agritech espera que os recursos do Plano Safra 2026/27 ajudem o setor a retomar os investimentos. A companhia é especialista em tratores e implementos voltados aos pequenos e médios produtores.
"Embora a empresa considere positiva a ampliação do orçamento e a redução das taxas de juros anunciadas pelo Governo Federal, os efeitos sobre o mercado dependerão da efetiva contratação das linhas de crédito pelos agricultores", divulgou a empresa, em nota.
Nesta edição do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), são previstos R$ 85,2 bilhões, montante 9% superior aos R$ 78,2 bilhões da safra anterior. As linhas de custeio passam a operar com juros entre 1% e 7,5% ao ano, ante a faixa de 2% a 8% do ciclo anterior. Já as linhas de investimento terão taxas entre 1% e 5% para aquisição de máquinas e equipamentos e de até 7,5% para outras finalidades.
Para o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, a combinação de mais recursos e juros menores tende a melhorar o ambiente para o produtor rural, especialmente após um período de retração do consumo.
"O governo colocou uma quantidade maior de recursos e com juros mais amigáveis, o que é positivo. Sentimos os efeitos da redução do poder de compra dos consumidores nos últimos meses. Quando dói no bolso do brasileiro, ele tira o pé", afirma.
Feiras demonstram cautela
Apesar do cenário considerado mais favorável, Oliveira observa que o mercado ainda demonstra cautela. Segundo ele, o interesse dos produtores pode ser percebido pela movimentação nas feiras do setor, mas isso não tem se convertido automaticamente em negócios.
"O mercado está movimentado. A presença em feiras do setor indica interesse, mas interesse não é sinônimo de fechamento de negócios. O segmento depende de quase 90% de financiamento. São poucos os produtores que compram à vista", destaca.
Impacto do Moderfrota
Além do Plano Safra, a Agritech acompanha as perspectivas para o Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras). Para a safra 2026/27, o Governo Federal destinou R$ 5,8 bilhões ao programa, com taxas de juros de 11,5% ao ano para produtores enquadrados no Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural ) e de 12,5% ao ano para os demais produtores.
O financiamento contempla produtores rurais e cooperativas com renda bruta anual de até R$ 45 milhões e prevê prazos de pagamento de até sete anos para máquinas novas e até quatro anos para equipamentos usados.
Na avaliação de Oliveira, o programa tem potencial para impulsionar as vendas da Agritech e acelerar a renovação das máquinas agrícolas nas propriedades rurais, ampliando o acesso à mecanização. Ainda assim, seus resultados dependerão da efetiva execução dos recursos previstos.
"O Moderfrota pode criar um ambiente mais favorável para que um número cada vez maior de produtores tenha acesso à mecanização, aumentando a produtividade e a competitividade da agricultura brasileira. Mas os números precisam sair do papel efetivamente".
Money Times - SP 02/07/2026
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou, em nota, que houve um esforço do governo federal para incrementar o Plano Safra 2026/27, avaliando que, do ponto de vista das linhas destinadas ao financiamento de máquinas agrícolas, os juros estipulados para o Moderfrota, fixados em 11,5% e 12,5% ao ano, são atrativos se comparados com a taxa Selic e com as condições de mercado.
Em comunicado, a Anfavea ponderou, contudo, que as taxas vigentes podem encontrar limitações de acesso junto aos produtores. “Há o sentimento de que são juros que ainda não cabem no bolso de alguns clientes, já que os preços das commodities continuam (e vão continuar) em patamares mais baixos”, avaliou a entidade.
A nota destacou, ainda, a linha gerida pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), anunciada com juros da ordem de 9,2% ao ano para o ciclo atual. “Esta, sim, deverá ter uma maior demanda nesta fase inicial, assim que estiver disponível”, projetou a associação de montadoras.