Diário do Comércio - MG 01/10/2026
O setor siderúrgico está preocupado com a alta das importações indiretas de aço e pleiteia a aplicação de medidas efetivas de defesa comercial para preservação da cadeia metalmecânica, além de uma política eficaz de conteúdo local na aquisição de bens.
“Quem fabrica veículos, máquinas, tratores, implementos, linha branca e assim por diante, que são os nossos clientes, precisam estar competitivos”, afirmou o presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil, André B. Gerdau Johannpeter, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (30), durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo.
Segundo números apresentados pela entidade, as importações indiretas de aço devem fechar o ano com um aumento de 19,9% em relação a 2025, totalizando 7,2 milhões de toneladas. Esse mesmo percentual de crescimento foi observado no acumulado de janeiro a agosto, quando o volume chegou a 4,8 milhões de toneladas.
No recorte dos primeiros oito meses deste ano, apenas de aço contido em carros e veículos comerciais importados, entraram no País um milhão de toneladas, o que representa um incremento interanual de 65,4%. Ainda no segmento automotivo, o mercado brasileiro importou 798 mil toneladas de aço incorporado em autopeças, um acréscimo de 12,5%.
Importações diretas estão em queda, mas seguem acima da média
Se por um lado há avanço nas importações indiretas de aço, por outro, há queda nas importações diretas. Entre janeiro e agosto, foram importados 3,2 milhões de aço laminado, recuo interanual de 20,3%. Para o acumulado de 2026, o instituto prevê a entrada de 4,9 milhões de toneladas, o que equivale a uma baixa de 15,1% frente ao ano passado.
Conforme Johannpeter, o recuo do volume importado de laminados é fruto dos instrumentos de defesa comercial pleiteados anteriormente e adotados pelo governo federal. O setor siderúrgico vê como imprescindível a manutenção desse arcabouço, que abrange cota-tarifa, elevação tarifária e medidas antidumping, assim como o monitoramento contínuo das importações, inclusive em razão da existência de triangulação.
Apesar de terem ajudado a reduzir as importações diretas de aço, as ferramentas de defesa comercial aplicadas até o momento ainda são insuficientes, na avaliação do setor siderúrgico. O presidente do conselho diretor do Aço Brasil ressaltou que o volume de laminados que o País importa continua bem acima da média.
Dados da entidade mostram que, na média de 2000 a 2029, o mercado brasileiro importava anualmente 2,2 milhões de toneladas de laminados. Ou seja, o volume previsto para este ano é 121% superior. Mensalmente, eram 184 mil toneladas, o que é inferior à quantidade importada nos últimos cinco meses, de 336 mil toneladas, na média.
O presidente-executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, também reconheceu os avanços do Brasil para conter as importações predatórias de aço. No entanto, ponderou que falta celeridade nas decisões e que o País segue distante de mercados como os Estados Unidos, Canadá e União Europeia, que aplicam uma taxa maior sobre o aço importado.
Valor - SP 01/10/2026
Instituição espera produção de 33,38 milhões de toneladas, total que, se confirmado, representará redução de 0,1%, e consumo aparente de 26,08 milhões de toneladas, queda anual de 2,7%
O Brasil deve terminar o ano com uma produção de aço bruto e com vendas internas em níveis similares aos observados em 2025. Por outro lado, o consumo aparente, que considera as vendas internas e as importações, deve ser reduzido na comparação anual, segundo estimativas do Instituto Aço Brasil divulgadas nesta quarta-feira (30).
A instituição calcula que o país deve produzir 33,38 milhões de toneladas em 2026, total que, se confirmado, representará uma redução de 0,1% ante o verificado no ano passado. Já as vendas internas devem ficar em 21,27 milhões de toneladas, uma alta anual de 0,2%. O consumo aparente, por sua vez, deve ser de 26,08 milhões de toneladas, queda anual de 2,7%.
“Nós não ganhamos mercado doméstico, mas caiu o mercado e a importação também. É um pouco da situação dos juros, a incerteza, já que em ano em que tem eleição fica mais estagnado, além das empresas com dificuldades, afetadas por fatores econômicos”, avaliou André B. Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração da Gerdau e do conselho diretor do Instituto Aço Brasil, durante o fechamento do Congresso Aço Brasil 2026.
A maior alteração se deu na previsão das importações, que devem cair 13,2%, para 5,55 milhões de toneladas, por conta da adoção de medidas de defesa comercial pelo Brasil principalmente em relação ao aço chinês. No caso das importações de laminados, a redução é maior, de 15,1%, caso se confirme a importação de 4,88 milhões de toneladas.
De acordo com Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, mesmo com a queda nas importações, o percentual continua sendo mais do que o dobro da média histórica entre 2000 e 2019, que era de 9,7% em se tratando dos laminados. “Esse segue sendo um desafio, as medidas de defesa ajudam, influenciaram, mas não resolveram o volume grande que tem de importação”, reiterou.
Já as exportações previstas são de 19,93 milhões de toneladas, redução anual de 0,5%. Ainda segundo Johannpeter, esse volume se dá num ambiente de maior protecionismo dos países por todo o mundo.
Balança
O Brasil deve encerrar o ano com um déficit de US$ 156,8 bilhões na balança comercial de produtos manufaturados, estima o Aço Brasil. Se confirmado, o valor será superior aos US$ 133,9 bilhões reportados no ano passado, que já foi o maior verificado desde 2020.
De acordo com a instituição, o valor é um ponto de atenção, já que as importações de aço caíram ao longo do ano por conta das ações de defesa comercial adotadas pelo governo federal este ano, mas os produtos com aço contido em sua confecção têm aumentado sua participação no mercado brasileiro ao longo dos anos.
“Quando a gente fala aqui de aço contido, falamos da cadeia produtiva, da necessidade de integração e de uma política de conteúdo local que, na verdade, ainda que nós estejamos reivindicando, é para aplicação na nossa cadeia produtiva”, afirmou Mello.
Nas contas da instituição, a importação indireta de aço, que considera o aço contido em bens, deve crescer 19,9% em relação a 2025, sendo liderada pelos setores de máquinas e equipamentos (alta anual esperada de 8,6%), automóveis (37,3%), e estruturas, móveis e embalagens, cuja importação deve subir 54,7%.
Para o Aço Brasil, é preciso uma agenda de recuperação do mercado doméstico que passe também pela aplicação de políticas de conteúdo local na aquisição de bens. A instituição pleiteia ainda a manutenção das medidas de defesa comercial já adotadas além da aceleração da decisão em caso de novas decisões nesta frente.
Revista Mineração - SP 01/10/2026
A Usiminas iniciou a implantação de um projeto de R$ 1,7 bilhão para reconstruir a Bateria 4 da Coqueria 2, em seu complexo industrial de Ipatinga (MG). A nova estrutura substituirá a bateria atualmente desativada e deverá começar a operar em 2029.
A obra envolve a demolição da estrutura existente e a construção de uma nova bateria, que contará com tecnologias atualizadas. A expectativa da companhia é que a fase de construção movimente cerca de 800 postos de trabalho.
Um dos principais objetivos do projeto é permitir a retomada da produção própria de coque e gás de coqueria. Com a nova bateria em funcionamento, a Usiminas poderá reduzir a dependência de coque adquirido de terceiros e ampliar o uso de insumos fabricados internamente.
De acordo com a companhia, a maior autonomia na produção de coque deve contribuir para tornar as operações mais eficientes e previsíveis, além de melhorar as condições de competitividade da siderúrgica.
O presidente da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou que o projeto demonstra a disposição da companhia e da Ternium, sua acionista, em continuar investindo na indústria brasileira.
A nova bateria, segundo o executivo, terá como finalidade substituir uma operação que estava desativada e contribuir para a competitividade da empresa. Chara também ressaltou a necessidade de condições de concorrência consideradas justas para a indústria nacional diante da entrada de produtos importados subsidiados.
Modernização do complexo industrial
A reconstrução da Bateria 4 não é o único projeto em andamento no Centro Industrial de Ipatinga. A Usiminas também trabalha no reparo a quente da Bateria 3 da Coqueria 2, iniciativa que integra o processo de modernização da área de produção de coque.
O plano inclui ainda a implantação de uma nova planta de Moagem e Injeção de PCI e a construção de um novo Gasômetro.
Com os investimentos, a companhia busca atualizar estruturas industriais, ampliar a utilização de insumos próprios e fortalecer a eficiência operacional de sua unidade em Ipatinga.
Diário do Comércio - MG 01/10/2026
A linha de produção de aço elétrico da Aperam South America, na usina de Timóteo, no Vale do Aço, em Minas Gerais, está operando com metade da capacidade, segundo o CEO da companhia, Rodrigo Villela. A razão para a ociosidade, segundo ele, é o impacto das importações indiretas de aço.
Segundo Villela, o Brasil vem importando um grande volume de motores elétricos de baixo custo e baixa eficiência. Com isso, os clientes da Aperam enfrentam o que o executivo classifica como concorrência desleal, reduzindo a demanda pelo aço elétrico produzido pela companhia.
“Temos que avançar não só nas medidas de defesa comercial que garantam a boa competitividade do aço, mas também em relação aos produtos finais, nos quais vemos uma competição desleal”, ressaltou o executivo, em entrevista à imprensa mineira durante o Congresso Aço Brasil 2026, promovido pelo Instituto Aço Brasil nesta semana, em São Paulo.
Villela explicou que a Aperam produz dois tipos de aço elétrico no Vale do Aço. O de grão não orientado (GNO) é utilizado em motores elétricos e compressores. Já o de grão orientado (GO) é empregado em transformadores de força e de distribuição de energia.
A siderúrgica também produz aço inox para diferentes setores industriais, como o automotivo, o de eletrodomésticos e o de utensílios domésticos. A empresa fabrica ainda aço carbono especial, utilizado, por exemplo, em ferramentas, implementos agrícolas e discos de freio.
De acordo com o CEO, tanto a linha de produção de aço inox quanto a de aço carbono especial ainda têm capacidade disponível para atender ao mercado brasileiro.
“A Aperam tem capacidade e está pronta para atender não só o crescimento natural do Brasil, que é o do PIB [Produto Interno Bruto], mas também o estimulado, aquele em que buscamos novas aplicações com os clientes mostrando o valor do nosso produto”, afirmou.
O executivo informou que aproximadamente 85% do aço produzido na usina de Timóteo é vendido no mercado brasileiro. O restante é exportado para outros mercados das Américas, incluindo os Estados Unidos.
Investimentos seguem congelados com o cenário atual
Embora siga investindo no desenvolvimento de novos produtos, inovação e inteligência artificial para ampliar a competitividade, a produtividade e a eficiência, a Aperam mantém congelados outros investimentos previstos para a usina de Timóteo, segundo Villela. De acordo com o executivo, o cenário das importações diretas e indiretas de aço é o principal motivo.
Há cerca de três anos, a companhia sinalizou a intenção de investir em um novo laminador a frio na planta, como parte de um plano mais amplo que incluiu a modernização da laminação a quente da unidade. Posteriormente, a siderúrgica anunciou o adiamento dos aportes diante do cenário das importações.
Segundo o CEO, as medidas de defesa comercial implementadas recentemente pelo governo federal contribuíram para reduzir o volume de aço importado neste ano em relação a 2025, inclusive de aço inox, mas ainda são insuficientes. Para Villela, é necessário estabelecer condições mais equilibradas de competição não apenas para o setor siderúrgico, mas para toda a cadeia industrial.
“A Aperam é um grupo internacional. Quando se faz uma alocação de capital para investimento, o investimento é decidido baseado naquilo que traz o retorno mais favorável. Se o Brasil não propõe isso, vai perdendo o timing e o investimento não avança”, disse.
Ainda de acordo com Villela, o País precisa avançar em outras frentes para ampliar a competitividade da indústria do aço e de outros segmentos. Entre os gargalos apontados pelo executivo estão o chamado Custo Brasil, o elevado preço do gás natural e questões relacionadas à segurança jurídica.
A CSN (CSNA3) desponta como a terceira maior alta do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (30), depois de desabar mais de 11% na véspera. Apesar da recuperação parcial do papel, bancos e grandes instituições do mercado seguem em alerta em relação ao endividamento da companhia.
Isso após o anúncio da CSN Mineração de redução temporária da produção de minério de ferro de menor qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto (MG), refletindo condições de mercado mais desafiadoras e custos de frete mais elevados.
Consequentemente, a companhia reduziu seu guidance (projeção) de produção para 2026 e de compras de minério de terceiros para a faixa entre 39 a 41 milhões de toneladas, ante 45 a 47 milhões de toneladas, o que implica uma redução de cerca de 13% no ponto médio.
O guidance de custo caixa C1 foi elevado para US$ 25,00 a US$ 26,00 a tonelada, ante USS$ 22,00 a US$ 23,50 a tonelada, anteriormente, ou um aumento de aproximadamente 12% no ponto médio.
A companhia destacou que a medida poderá ser revertida caso as condições de mercado passem a oferecer melhores margens para o minério de menor teor.
Por volta das 13h52 (horário de Brasília) CSNA3 subia 5,74%, a R$ 5,71.
Liquidez nos holofotes
Para o Banco Safra, a notícia é negativa tanto para a CSN Mineração quanto para a CSN, visto que a redução do guidance diminui a capacidade da CMIN3 de continuar apoiando a liquidez da holding sem pressionar adicionalmente seu próprio balanço.
Além disso, o banco destaca que não há clareza sobre o potencial de melhora na realização de preços decorrente da redução da produção de minério de menor teor, como uma eventual diminuição do desconto em relação ao índice Platts.
A CSN segue com recomendação neutra do Safra e preço-alvo de R$ 6,10, com potencial de valorização de apenas 2% em relação aos níveis atuais.
Já a divisão de mineração tem recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 5,30, com upside de 5%.
Monetização de ativos segue como principal
O BTG Pactual recomendou, há algumas semanas, um trading tático para a CSN, baseada na possibilidade de aceleração da venda de ativos e do processo de desalavancagem sob a liderança do novo CEO, Fabio Schvartsman, considera que o anúncio de envolvendo o braço de mineração não ajuda essa tese e acrescenta pressão adicional sobre os resultados da companhia no curto prazo.
“No entanto, nossa recomendação continua sendo baseada principalmente na agenda de Fabio para reequilibrar a estrutura de capital da CSN por meio da monetização de ativos, e não em uma melhora nos fundamentos do minério de ferro”, explica o banco.
“Continuamos preferindo a CSN à CMIN3, onde vemos maior potencial para catalisadores específicos da companhia provenientes de vendas de ativos, desalavancagem e reestruturação do portfólio”.
O BTG manteve sua recomendação neutra para a CSN e CSN Mineração.
Copo meio cheio
Na avaliação da XP Investimentos, embora a notícia de ontem seja claramente negativa para os lucros e a geração de caixa da holding no curto prazo, o anúncio também reforça a visão de que os níveis atuais de frete estão retirando a oferta marginal de menor teor do mercado transoceânico.
Segundo a corretora, essa dinâmica que poderia, em última análise, sustentar marginalmente os fundamentos do minério de ferro e os prêmios de qualidade ao longo do tempo.
Ainda assim, considerando a conjuntura do cenário, a XP reitera a recomendação neutra para CSN e CSN Mineração.
Infomoney - SP 01/10/2026
A dívida bruta do Brasil registrou alta em agosto, quando o setor público consolidado brasileiro apresentou déficit primário menor do que o esperado, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.
A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou agosto em 82,9%, contra 82,6% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 69,3%, de 69,1%.
As expectativas em pesquisa da Reuters eram de 83,0% para a dívida bruta e de 69,5% para a líquida.
Em agosto, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$10,012 bilhões, menor do que a expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de R$15,7 bilhões.
O desempenho mostra que o governo central teve rombo de R$14,687 bilhões, enquanto Estados e municípios registraram superávit primário de R$2,688 bilhões e as estatais tiveram saldo positivo de R$1,987 bilhão, mostraram os dados do Banco Central.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2026
Os salários medidos pela PNAD Contínua e a inflação de serviços, dois indicadores acompanhados de perto pelo Banco Central, deram sinais nas últimas semanas de possível reversão da moderação observada ao longo do ano.
A PNAD Contínua divulgada ontem pelo IBGE mostrou que o rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto, alta de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa salarial cresceu 4,8% na mesma base de comparação. Esses números indicam uma reversão. No trimestre até janeiro, salário médio e massa reais cresciam, respectivamente, 5,4% e 7,3%. Esses números caíram para um mínimo de, respectivamente, 2,8% e 3,6% no trimestre até junho. A partir daí, cresceram nos trimestres até julho e até agosto, e estão, nesta última leitura, em, respectivamente, 3,7% e 4,8%.
Na inflação de serviços, os serviços livres do IPCA acumulados em 12 meses desaceleraram de 6% em fevereiro para 5,46% em agosto, mas se mantêm bem acima do teto de tolerância da meta de inflação, de 4,5%. E o IPCA-15 de setembro trouxe sinais de reaceleração. Segundo cálculos da XP Investimentos, a média trimestral dessazonalizada e anualizada dos serviços subjacentes passou de 4,6% para 5,2%. O IPCA-15 cheio, de 0,70%, veio acima do esperado, com alta de 4,47% em 12 meses.
Os serviços intensivos em trabalho, os mais diretamente ligados à dinâmica salarial, subiram 0,56% em setembro e acumulam 7,3% em 12 meses. Na média trimestral anualizada e dessazonalizada, ainda segundo a XP, o ritmo passou de 6,8% para 7,1%.
Parte da moderação anterior da inflação pode ser atribuída ao choque cambial favorável. O dólar caiu 11% em 2025, fechando o ano a R$ 5,49, e recuou cerca de 6% adicionais no primeiro semestre de 2026, para R$ 5,16. O efeito mais direto recai sobre os bens comercializáveis: na média trimestral anualizada e dessazonalizada, a inflação de industriais subjacentes recuou de 3,5% para 2,0% no IPCA-15 de setembro, segundo a XP. Com alguma defasagem, porém, o câmbio também afeta os serviços, que têm bens comercializáveis em sua estrutura de custos.
Esse alívio parece estar se esgotando. Desde meados do ano, em meio a tensões geopolíticas e à incerteza eleitoral, o real deixou de se apreciar, e o dólar oscila na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20.
A questão relevante é se a reaceleração de salários e serviços reflete uma demanda mais forte ou apenas uma oscilação dentro de um quadro de desaceleração gradual da economia. Os dados de atividade de julho ainda apontam na segunda direção. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), as vendas do varejo restrito caíram 0,8% ante junho e cresceram apenas 1,2% em relação a julho de 2025. Já o volume da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) ficou estável em julho ante junho, com alta de 0,9% em relação a julho de 2025.
Para um gestor de recursos ouvido pela coluna, a economia de fato desacelera, mas de forma gradual, nada abrupta, num processo que começou no ano passado. O PIB de 2025 cresceu menos que o de 2024, e o de 2026 deve crescer menos que o de 2025. Na sua visão, a discussão relevante é sobre a intensidade e as causas dessa desaceleração.
O gestor identifica duas forças principais, com implicações diferentes. A primeira é de oferta. Com o mercado de trabalho muito apertado, em parte pelo forte impulso fiscal, há hoje menos gente disposta a trabalhar no Brasil e, portanto, menos pessoas que as empresas possam empregar. Isso, por si só, já freia a atividade.
A segunda força é de demanda, gerada pela política monetária. Os setores mais sensíveis ao juro e ao crédito, e mais endividados, como construção e bens duráveis, sofrem mais e já reduziram a demanda por contratações. O agronegócio, cujo endividamento cresceu, também começa a sentir mais os juros. A indústria extrativa, por sua vez, é pouco sensível tanto à política monetária quanto à fiscal. E os serviços, muito pouco sensíveis ao juro, seguem contratando bem, como mostra o Caged.
No sentido contrário dessas duas forças atuam o fiscal e o parafiscal, que injetam dinheiro extra na economia e fazem com que a desaceleração seja lenta.
Quanto à inflação de serviços, o gestor avalia que ela, na verdade, nunca desacelerou. Há muito ruído em alguns componentes voláteis, como o seguro de automóvel, que caiu bastante por estar ligado ao preço dos carros, apesar de ser um serviço. Na parte menos volátil, os serviços sempre estiveram elevados e devem seguir assim.
O diagnóstico não é animador. "Desaceleração da oferta é ruim", diz o gestor. Depois de dois anos de desaceleração, a economia ainda não gerou a ociosidade que ajudaria a conter a inflação. Para ele, a desaceleração pode se aprofundar no ano que vem, caso o suporte fiscal seja retirado.
A PMC e a PMS de agosto, que saem em meados de outubro, devem ajudar a esclarecer se a atividade confirma a desaceleração ou se há algo mais forte em curso. Delas depende, em boa medida, quanto espaço o Banco Central terá para seguir reduzindo os juros.
CNN Brasil - SP 01/10/2026
A economia dos Estados Unidos cresceu a um ritmo sólido no segundo trimestre, impulsionada pelos gastos fortes do consumidor e pelos investimentos empresariais relacionados à implantação de infraestrutura de IA.
O PIB (Produto Interno bruto) cresceu a uma taxa anualizada de 2,2%, em dado revisado para cima em relação à estimativa anterior de 1,5%, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio em sua terceira estimativa do PIB do segundo trimestre, divulgada nesta quarta-feira (30).
Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado não fosse revisado.
A economia cresceu a uma taxa de 2,5% no primeiro trimestre. Esse número foi revisado para cima em relação à taxa de 2,1% divulgada anteriormente.
O escritório revisou os dados do PIB desde 2021 para refletir informações atualizadas.
Os números de crescimento sugerem que a economia tem se mantido bem até o momento apesar dos problemas decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, graças aos investimentos agressivos das empresas em IA e às generosas restituições de impostos decorrentes da legislação tributária do ano passado, que sustentam os gastos do consumidor.
Os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da economia, cresceram a uma taxa de 3,8% no último trimestre, em dado revisado para cima em relação à taxa de 3,4% divulgada anteriormente.
Os gastos cresceram 0,7% no trimestre de janeiro a março.
Mas, mesmo com os consumidores continuando a gastar, os orçamentos das famílias estão cada vez mais sob pressão devido à inflação mais elevada, principalmente os preços da gasolina.
Apesar da ansiedade em relação à inflação, o ritmo vigoroso dos gastos do consumidor parece ter se mantido no terceiro trimestre, graças a uma alta no mercado de ações impulsionada pela inteligência artificial, bem como ao fato de as famílias estarem utilizando suas economias e poupando menos.
Os gastos das empresas com equipamentos mantiveram um crescimento de dois dígitos.
As vendas finais a compradores domésticos privados, que excluem o comércio, os estoques e os gastos do governo, aumentaram a uma taxa de 4,6% no segundo trimestre, ante 4,2% divulgado anteriormente.
Esse indicador da demanda doméstica cresceu a uma taxa de 1,8% no trimestre de janeiro a março, de 1,7% informado antes.
IstoÉ Dinheiro - SP 01/10/2026
Um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve no próximo mês parece menos provável nesta quarta-feira, após novos dados do governo mostrarem que a inflação subiu menos do que o esperado em agosto. Essa desaceleração alivia a pressão sobre o banco central dos Estados Unidos para agir na véspera das eleições nacionais de novembro.
O que aconteceu
Juros Fed: A expectativa de manutenção da taxa de juros pelo Federal Reserve em outubro subiu para 60,7% após dados de inflação. O índice de preços PCE subiu 3,4% nos 12 meses até agosto, abaixo da previsão de 3,7%, impactando as projeções para dezembro. Economistas ainda veem a inflação acima da meta de 2% do Fed, indicando a possibilidade de um aperto monetário adicional.
A plataforma FedWatch, do CME Group, mostrou um avanço para 60,7% das chances de manutenção da taxa na reunião de outubro, contra os 49,1% previstos na véspera. Antes, participantes do mercado consideravam mais provável outra alta de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa para o intervalo entre 4,0% e 4,25%, dos 3,75% a 4% praticados atualmente.
Com a mudança de expectativa para a reunião de outubro, as visões para dezembro também se alteraram. A previsão agora é que a taxa de juros termine o ano entre 4,0% e 4,25%, com um possível aumento acontecendo apenas em 9 de dezembro.
Inflação abaixo do esperado?
O índice de preços PCE subiu 3,4% nos 12 meses até agosto, conforme informou o Escritório de Análise Econômica. Essa taxa é a mesma de julho, em um dado revisado para baixo. Economistas esperavam que o aumento em agosto fosse de 3,7%.
Analistas observaram que, com a inflação ainda acima da meta de 2% do Fed, é provável que haja outro aumento nos juros ainda este ano. As decisões do banco central são frequentemente alvo de escrutínio e pressão, como ocorreu no passado recente. Para entender mais sobre a dinâmica dessas pressões, leia o artigo Trump pressiona FED por corte de juros e ameaça comércio.
“A porcentagem dos componentes de preços do PCE que estão subindo a uma taxa superior a 3% ao ano diminuiu um pouco, passando de 54% para 51%, embora esse nível ainda seja muito superior ao normal, o que oferece poucos motivos para acreditar que a tendência subjacente da inflação tenha melhorado significativamente”, escreveu Sal Guatieri, economista sênior do BMO.
Guatieri complementou que “isso reforçará a visão (do Fed) de que é necessário um aperto monetário adicional para conter a inflação e levá-la de volta à meta”.
Próximos passos do Fed
O Federal Reserve receberá outros dados nas semanas que antecedem sua reunião de 27 e 28 de outubro. Entre eles, estão o relatório mensal sobre o mercado de trabalho na sexta-feira e os dados sobre a inflação ao consumidor de setembro.
No cenário político, os republicanos defendem maiorias estreitas no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Pesquisas mostram que o aumento dos preços — impulsionado em parte pela alta da gasolina devido ao conflito no Oriente Médio — está minando o apoio entre os eleitores.
Veja - SP 01/10/2026
A economia brasileira perdeu velocidade no segundo trimestre, mas o mercado de trabalho continua aquecido.
O PIB cresceu 0,5% entre abril e junho, menos da metade do avanço de 1,1% registrado nos três primeiros meses do ano.
No mesmo período, a taxa de desemprego permaneceu em patamar historicamente baixo e chegou a 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo o IBGE.
A combinação dificulta a leitura sobre os próximos passos dos juros. A atividade mais fraca tende a reduzir as pressões inflacionárias, mas emprego e renda ainda sustentam a demanda e podem manter os preços de serviços resistentes.
O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano em setembro, em dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
Na ata do Copom, o comitê afirmou que os indicadores apontam para uma moderação gradual da atividade, principalmente nos setores mais cíclicos, mas classificou o mercado de trabalho como aquecido.
Emprego reage depois da atividade
A diferença entre os indicadores é explicada, em parte, pela defasagem entre a atividade e o mercado de trabalho. Empresas costumam reduzir investimentos e novas contratações antes de cortar postos de trabalho.
“O desemprego em 5,3% mostra que o mercado de trabalho ainda resiste à desaceleração, mas dificilmente ficará imune por muito tempo”, afirma Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Segundo ele, a perda de ritmo tende a aparecer primeiro nas contratações e na renda e, posteriormente, na taxa de desemprego.
Os dados mais recentes do IBGE mostram que o rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto. A taxa de desemprego, de 5,3%, ficou 0,3 ponto percentual abaixo da registrada três trimestres antes e também 0,3 ponto abaixo da taxa de um ano antes.
O cenário ainda é de baixa ociosidade no mercado de trabalho.
Em seu relatório de política monetária de junho, o BC havia apontado que a taxa de desocupação estava no mínimo histórico e que o crescimento do emprego formal superava o avanço da população em idade de trabalhar.
A autoridade monetária projetava, ao mesmo tempo, uma redução gradual do hiato do produto à medida que os efeitos da política monetária restritiva se propagassem pela economia.
Renda e produtividade
O ponto de atenção para a inflação está na relação entre salários e produtividade. Quando a remuneração cresce mais rapidamente que a produção por trabalhador, empresas de setores intensivos em mão de obra podem enfrentar aumento de custos e repassar parte deles aos preços.
“O ponto de atenção está na renda: ela ainda cresce 3,7% em termos reais, e o Banco Central afirma que esse avanço permanece superior ao da produtividade”, diz Caio Mazzuchelli, CEO da You Lead.
Esse mecanismo é particularmente relevante para os serviços, em que a mão de obra representa parcela importante dos custos. Por isso, um mercado de trabalho apertado pode fazer com que a inflação demore mais a convergir para a meta mesmo quando o PIB perde força.
O próprio Copom afirmou em setembro que a atividade econômica apresenta moderação gradual, mas destacou a necessidade de cautela diante das incertezas e dos riscos em torno do cenário de inflação.
A projeção do BC no Relatório de Política Monetária de setembro aponta IPCA de 5,2% em 2026 e 3,9% em 2027 no cenário de referência.
A desaceleração do PIB, portanto, não produz automaticamente espaço para uma redução rápida dos juros. Para o BC, será necessário observar se a perda de ritmo da atividade também chegará ao mercado de trabalho e reduzirá as pressões sobre salários e serviços.
Para as empresas, o ajuste pode aparecer antes nas contratações do que nas demissões.
Menor abertura de vagas, redução de horas extras e maior investimento em automação são mecanismos que podem permitir uma desaceleração do custo da mão de obra sem aumento imediato do desemprego.
A combinação entre atividade mais fraca e emprego ainda resistente deve ser, assim, um dos pontos centrais do debate econômico nos próximos meses. O PIB já mostra os efeitos de uma política monetária restritiva, mas o mercado de trabalho ainda não deu o mesmo sinal de enfraquecimento.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2026
A recente cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington renovou a alta diplomacia e seus símbolos. Entre calculados apertos de mão e cerimonial de Estado, o encontro sinalizou trégua temporária, mas pouco avançou na resolução das fraturas estruturais que afetam a economia global. Tratou-se, em essência, de gestão de expectativas e de política interna: muito fausto e algumas gafes para escassos resultados de fundo.
No terreno do comércio, o resultado tangível do encontro resumiu-se à extensão do armistício tarifário até 10 de janeiro de 2027 e à ativação operacional do Conselho bilateral de Comércio. As partes ainda recomendaram cortes tarifários recíprocos sobre US$ 60 bilhões em mercadorias (US$ 30 bilhões de cada lado, ou uns 10% do comércio bilateral), focados estritamente em bens não sensíveis.
Do lado norte-americano, o alívio contempla artigos de consumo e lazer, como brinquedos, louças e fogos de artifício; do lado chinês, a lista inclui produtos agrícolas de nicho, madeira, dispositivos médicos e carvão. As disputas centrais, entretanto – que envolvem semicondutores, veículos elétricos, baterias, terras raras e controles de exportação – foram mantidas fora da negociação.
Mesmo uma avaliação rápida demonstra que será marginal o impacto do acordo. A redução pontual de tarifas sobre produtos periféricos não altera a trajetória dos déficits operacionais nem alivia pressões inflacionárias. O alívio tarifário atende à retórica eleitoral interna, enquanto os compromissos de compras agrícolas pactuados ficaram muito aquém dos US$ 17 bilhões desejados pelos produtores norte-americanos.
Para o Brasil, a relevância não é o texto assinado em Washington, mas sim os efeitos colaterais que o arranjo projeta sobre as exportações nacionais nos dois mercados. O setor agropecuário brasileiro, que vinha expandindo sua participação na China em detrimento dos fornecedores norte-americanos, pode assistir a uma reacomodação cheia de nuances.
No mercado chinês, a decisão de manter a tarifa punitiva de 10% sobre a soja em grão dos EUA preserva, no curto prazo, a competitividade do produto brasileiro. Pequim continua a usar soja como ativo de barganha geopolítica. No entanto, o comando para que estatais chinesas comprem 25 milhões de toneladas do grão norte-americano e a reativação de licenças para mais de 400 plantas de carne bovina dos EUA ligam o sinal de alerta. Por outro lado, a ausência de cotas obrigatórias para o milho e o sorgo, naquele acordo, garante uma janela de alívio temporário para o grão brasileiro.
Nas relações com os Estados Unidos, os desdobramentos mostram-se igualmente ambíguos. O acordo não envolve exportações brasileiras cruciais, mas a inclusão do Brasil em listas de risco por suposta triangulação comercial (transshipment) e tarifas adicionais de 25% sobre produtos nacionais revelam a agressividade de Washington.
Toda essa dinâmica expõe, concomitantemente, a fragilidade de estratégias comerciais baseadas na dependência concentrada de poucos mercados. O arranjo entre Washington e Pequim demonstra que tréguas diplomáticas e concessões regulatórias têm efeitos indiretos relevantes para os exportadores nacionais.
Como resposta estratégica, o Brasil tem de superar a inércia e acelerar a diversificação de mercados, parceiros e rotas de exportação. Em um ambiente global marcado pelo protecionismo escancarado e pela instrumentalização do comércio, a resiliência e a autonomia nacional dependem diretamente da capacidade de não ficar refém desses dois colossais mercados.
Monitor Digital - RJ 01/10/2026
O Produto Interno Bruto dos EUA registrou um crescimento de 0,7% no segundo trimestre de 2026 em relação ao dado anterior, o que representa uma melhora significativa na atividade econômica do país, de acordo com a terceira estimativa divulgada pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio.
Dessa forma, nos meses de abril a junho de 2026, a economia norte-americana cresceu 2,2% em termos anualizados, contra os 1,5% registrados na última revisão do dado.
Por outro lado, o governo dos EUA também revisou para cima o PIB do primeiro trimestre, passando de um aumento de 2,1% para os 2,5% estimados em setembro, quatro décimos acima.
Os principais setores que contribuíram para o aumento do PIB foram o imobiliário e de locação, a informação, a indústria de bens duráveis e o setor financeiro e de seguros; enquanto os principais fatores que compensaram esse aumento foram as quedas nos setores de transporte e armazenamento, comércio varejista e indústria de bens não duráveis.
Além disso, o Departamento de Comércio indicou que o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE), o indicador preferido pelo Federal Reserve para medir a inflação, ficou em 3,4%, enquanto o dado reflete uma inflação subjacente de 3%.
Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, “o PCE subiu abaixo da expectativa de mercado, de 0,4%. Em 12 meses, o índice ficou em 3,4%, também abaixo do esperado, que era 3,7%. Já o núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% no mês, ante projeção de 0,3%, com a leitura anual em 3%, abaixo dos 3,3% projetados.”
“Na mesma divulgação, saiu a estimativa final do PIB do segundo trimestre, revisado para cima, de 1,5% para 2,2% em ritmo anualizado, bem acima da previsão de 1,5%”, diz.
Ainda segundo ele, “os dois dados puxam as apostas de juros em direções opostas. A revisão para cima do PIB reforça o diagnóstico de uma economia forte, sustentada pelo consumo e pelo investimento, e tende a aumentar a expectativa de juros mais altos à frente.”
“Já a inflação abaixo do esperado joga no sentido contrário, reduzindo a urgência para novas altas. O ponto é que o PCE segue bem acima da meta de 2% e o Fed tem deixado claro que o combate à inflação é prioridade, num cenário em que atividade e mercado de trabalho continuam resilientes. Enquanto esse quadro se mantiver, uma leitura de inflação melhor na margem tende a pesar menos do que a força da economia na condução da política monetária”, avalia.
Globo Online - RJ 01/10/2026
A economia americana emite sinais contraditórios, gera incertezas em relação a sua solidez, e isso impacta a percepção de riscos globais e as taxas de juros em vários países, inclusive no Brasil. Por um lado, a economia americana apresenta resiliência. O PIB teve crescimento anualizado de 1,5% no segundo trimestre e a projeção do Fundo Monetário Internacional é de 2,3% de expansão para 2026, patamar bom para uma economia madura. O desemprego está abaixo de 5% desde março de 2022, registrando 4,1% em agosto, segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics.
Por outro lado, a economia emite sinais preocupantes. A inflação está acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed). Ficou em 3,4% em agosto, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI). Em setembro, após três anos de estabilidade, o Fed aumentou em 0,25 ponto percentual a taxa de juros, o Fed Funds Rate, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A expectativa da maioria dos analistas é de mais uma alta no mesmo patamar ainda em 2026.
Em agosto, pela primeira vez, a dívida pública americana ultrapassou a casa de US$ 40 trilhões, de acordo com o Departamento do Tesouro. A dívida representa 120% do PIB americano e é superior à soma dos PIBs de China, Alemanha, Japão, Reino Unido e Índia, as cinco maiores economias do mundo fora os EUA. Os títulos de dez anos do tesouro americano, os treasuries, apresentam em setembro uma rentabilidade na casa dos 5% ao ano, a maior marca desde 2007, um pouco antes do estouro da crise do Subprime.
— O cenário fiscal dos EUA é ruim, está se deteriorando, e é de difícil solução — diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. — A polarização política entre os democratas e republicanos no Congresso impede qualquer encaminhamento de solução.
Guerra com irã agrava gastos
O déficit fiscal anual ronda 6% do PIB e as despesas são agravadas pelos gastos com a guerra no Irã, que até agosto já haviam consumido US$ 38 bilhões, segundo a Comissão de Orçamento do Congresso.
— Há riscos relevantes no cenário econômico americano, que geram dúvidas, mas o país continua recebendo um intenso fluxo de recursos internacionais — diz Solange Sour, diretora de macroeconomia no UBS Global Wealth Management.
Apesar da conjuntura desfavorável, o dólar continua sendo visto como a principal reserva de valor disponível e os EUA se mantém na posição de maior receptor de recursos financeiros globais. O Investimento Direto Estrangeiro (IED) em atividades produtivas nos EUA somou US$ 288 bilhões em 2025, valor três vezes superior ao segundo colocado, a China, no ranking elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os EUA também são o maior receptor de investimentos em títulos públicos e privados do mundo, mas os recursos que fluem para o país estão em queda.
De acordo com um estudo do Deutsche Bank, os fluxos internacionais para investimentos no mercado de ações (equity) em 12 meses até junho, foi equivalente a 2,8% do PIB americano, registrando uma rara superação dos recursos internacionais destinados ao mercado de treasuries, 2% do PIB no mesmo período.
Limite à margem de cortes
O problema, para os demais países, é que os treasuries são uma espécie de piso das taxas de juros internacionais, uma vez que o título americano é considerado o de menor risco.
Em setembro, o Banco Central Europeu e o Banco do Japão também aumentaram em 0,25 ponto percentual suas respectivas taxas de juros. É má notícia para o Brasil, onde o esforço é para redução nas elevadas taxas de juros, que estão em 13,75% ao ano, após redução em 0,25 ponto percentuais promovida pelo Banco Central em setembro.
— A alta nas taxas de juros internacionais limita a margem de cortes nas taxas brasileiras — diz Vale.
Infomoney - SP 01/10/2026
A gigante brasileira de minério de ferro Vale (VALE3) está considerando captar até 3,5 bilhões de yuans (US$ 522 milhões) em sua estreia no mercado de títulos da China, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, juntando-se a um número crescente de emissores que diversificam suas fontes de financiamento e buscam opções mais baratas.
A mineradora planeja realizar roadshows para a possível venda de títulos denominados em yuan na semana de 19 de outubro e pretende comercializar os títulos já em novembro, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo informações confidenciais. Os títulos podem ter vencimentos de três, cinco ou dez anos, com os prazos finais a serem definidos com base no feedback dos investidores, disseram as fontes.
Os chamados títulos panda serão emitidos por sua subsidiária, Vale Overseas Limited, e garantidos pela matriz, disseram as fontes. Não houve resposta imediata aos pedidos de comentários enviados por e-mail à Vale fora do horário comercial normal.
Os títulos panda têm atraído crescente interesse como uma fonte de financiamento mais barata. A emissão por parte de empresas e governos aumentou 78% em relação ao ano anterior, atingindo o recorde de 245 bilhões de yuans até o momento neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Títulos soberanos estrangeiros e empresas globais venderam títulos panda com um cupom médio de 1,88% em 2026, o menor já registrado. Isso representa mais de 300 pontos-base abaixo do rendimento dos títulos do Tesouro americano de três anos.
O diretor financeiro da Vale, Marcelo Bacci, foi o primeiro a mencionar o plano da empresa de vender títulos panda no início deste mês, afirmando que é “natural” recorrer ao mercado de dívida na China, que representa cerca de metade da receita da Vale.
Em 7 pontos, entenda por que VALE3 apagou os ganhos de 2026 — e o que vem agora
Ação cai 10,58% em setembro e volta ao negativo no ano; minério segue pressionado, gráfico testa região importante e bancos divergem sobre o valor da companhia
Em julho, o secretário do Tesouro do Brasil, Daniel Leal, afirmou que o governo pretendia captar até 10 bilhões de yuans por meio da emissão de pandabonds, com a primeira transação prevista para este ano. A venda seria inédita para um país latino-americano, em um movimento de diversificação de sua fonte de financiamento, reduzindo a dependência de dívidas denominadas em dólares e estreitando laços financeiros com Pequim.
Os planos da Vale e do governo brasileiro de acessar o mercado de títulos chinês estão alinhados com esforços mais amplos em outros lugares para reduzir a dependência do dólar americano e expandir o acesso a fontes alternativas de capital. A Indonésia captou 7 bilhões de yuans com seus títulos panda inaugurais no mercado onshore chinês em julho.
Infomoney - SP 01/10/2026
s contratos futuros de minério de ferro registraram uma ligeira alta nesta quarta-feira, depois que dados mostraram que a atividade industrial da China voltou a crescer em setembro, enquanto novas medidas de estímulo anunciadas por Pequim reforçaram ainda mais o otimismo do mercado.
O contrato de minério de ferro mais negociado na bolsa de Commodities de Dalian (DCE), na China, subiu 0,14%, para 702,5 iuanes (US$ 104,79) por tonelada métrica.
Tenda (TEND3) aprova recompra de até 5 mi ações
Plano de recompra tem início imediato e durará 12 meses
A atividade industrial da China se expandiu em setembro, segundo mostraram pesquisas oficiais e privadas divulgadas nesta quarta-feira, à medida que a diminuição das interrupções causadas pelas condições climáticas permitiu que as fábricas retomassem as operações e um boom global de inteligência artificial (IA) apoiou o setor industrial.
Na terça-feira, a China divulgou medidas destinadas a canalizar crédito mais barato para setores como infraestrutura e tecnologia, ao mesmo tempo em que ampliou o apoio aos compradores de imóveis, em um novo esforço para impulsionar sua economia em desaceleração.
Valor - SP 01/10/2026
A Bernstein afirmou que a montadora estabeleceria uma meta de margem de médio prazo de 3% a 5% para sua divisão automotiva até 2028
A montadora alemã de carros de luxo BMW apresentará planos para ampliar a produção local, em uma tentativa de recuperar as margens após uma série de alertas sobre lucros relacionados ao fraco desempenho na China, afirmaram analistas da Bernstein nesta quarta-feira.
A BMW deve divulgar sua atualização estratégica ainda na quarta-feira, durante um evento dedicado aos mercados de capitais para investidores, mas a Bernstein destacou os principais elementos do plano em uma nota após se reunir com a diretoria.
A reputação de resiliência da empresa sofreu um golpe duro em junho, quando divulgou um alerta inesperado — o terceiro em pouco mais de três anos — relacionado à fraqueza no mercado chinês. O revés ressaltou os desafios enfrentados pelas montadoras europeias, que lutam contra a queda nas vendas na China e as tarifas dos EUA.
A montadora sediada em Munique respondeu com um programa de demissões em massa que deve afetar cerca de 8.000 empregos na Alemanha, juntando-se à Volkswagen e à Mercedes-Benz na redução de custos.
A BMW, cujas ações caíram mais de um terço no último ano, atingindo seu nível mais baixo em mais de seis anos, está apresentando seu plano de recuperação em um evento de dois dias em Munique.
A Bernstein afirmou que a BMW estabeleceria uma meta de margem de médio prazo de 3% a 5% para sua divisão automotiva até 2028.
No início da década de 2030, a BMW teria como meta restaurar as margens para 8% a 10%, uma melhora acentuada em relação ao seu resultado mais recente de 2,3%.
“A BMW entende que a solução não é simplesmente cortar custos. Ela também busca o crescimento com produtos inovadores”, disse o analista da Bernstein Stephen Reitman, acrescentando que a linha Neue Klasse, liderada pelo SUV elétrico iX3, é fundamental para o plano de recuperação.
A BMW confirmará os planos de lançar um SUV de luxo posicionado acima do X7 e expandir suas linhas M e Alpina a partir de 2027 para fortalecer sua oferta premium, informou a Bernstein.
Um porta-voz da BMW disse que os detalhes de sua estratégia seriam anunciados ainda nesta quarta-feira.
Separadamente, a BMW informou que investirá cerca de 2 bilhões de euros na produção alemã de seu sedã esportivo Série 3 de próxima geração.
De acordo com a Bernstein, as fábricas da BMW na Europa e nos EUA estão operando em plena capacidade, sendo a China “a principal área que requer ajuste na produção e flexibilidade de capacidade”.
O Estado de S.Paulo - SP 01/10/2026
No cenário de contração do mercado e sobra de capacidade, gigantes Geely e Nio firmam acordo para unir operações de troca e recarga de baterias
Após anos em franca expansão, a China encara o desafio de ter capacidade industrial superior à demanda. Há fábricas suficientes para produzir todos os carros vendidos no mercado chinês e ainda atender toda a produção dos Estados Unidos e da Europa.
Ao mesmo tempo, as vendas de veículos no país caíram 20,8% nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. A retração do mercado ocorre em meio à redução do consumo das famílias chinesas, afetado pela queda nos preços dos imóveis.
“Há simplesmente montadoras demais na China — fusões, aquisições e reestruturações serão uma tendência daqui para frente”, afirmou David Zhang, professor visitante da Huanghe University of Science and Technology, em Zhengzhou.
Um primeiro sinal de que uma onda de consolidações está por vir já acontece. Duas das principais fabricantes chinesas de veículos elétricos, Nio e Geely, anunciaram um acordo para combinar suas operações de recarga e troca de baterias. A operação ocorre em um momento de excesso de capacidade na indústria automobilística chinesa e de retração do mercado doméstico.
Pelo acordo, a Geely incorporará sua operação de troca de baterias à estrutura maior da Nio e pagará US$ 95 milhões por uma participação de 30% no negócio. A empresa resultante pretende chegar a 10 mil estações de troca de baterias até 2030. A Nio também ficará com 10% da divisão de carregadores da Geely, que deverá ter 22 mil estações até o fim do próximo ano.
As duas companhias pretendem coordenar o desenvolvimento de veículos relacionados às tecnologias de troca e recarga de baterias. Juntas, Nio e Geely venderam 1,3 milhão de veículos elétricos a bateria ou híbridos plug-in no primeiro semestre de 2026.
O movimento acontece duas semanas depois de a GAC anunciar planos de associação com a FAW, outro grande grupo automotivo chinês. O cenário reforça a tendência de consolidação da indústria.
Troca de bateria de carro elétrico
A troca de baterias permite substituir uma unidade descarregada por outra carregada em cerca de três ou quatro minutos. Uma recarga de 80% mesmo em um carregador muito rápido leva aproximadamente o dobro do tempo.
Apesar da vantagem em velocidade, a tecnologia de troca de baterias ainda é menos popular que os carregadores convencionais na China e em outros mercados.
O acordo entre Geely e Nio também representa um movimento em direção à padronização da fabricação de baterias, já que as empresas pretendem coordenar o desenvolvimento de seus veículos relacionados aos sistemas de troca e recarga.
Valor - SP 01/10/2026
Enredadas entre disputas comerciais e a necessidade de acelerar a eletrificação, as montadoras dos Estados Unidos estão estreitando ainda mais os laços com seus parceiros chineses.
A cúpula realizada na semana passada em Washington entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, foi precedida por especulações de que os Estados Unidos poderiam flexibilizar as restrições a veículos fabricados na China.
Embora tal medida não tenha sido incluída no acordo pós-cúpula, a entrada de carros chineses no mercado americano continua sendo uma possibilidade em discussão.
Executivos das três grandes montadoras dos Estados Unidos — General Motors, Ford e Stellantis (proprietária da Chrysler, Fiat e outras marcas) — reuniram-se nesta semana no estado de Michigan para um evento do setor que durou vários dias.
Sobre o relacionamento da Ford com fabricantes chineses, o executivo-chefe (CEO), Jim Farley, disse na terça-feira: "Nossa resposta é bem simples. Vamos fazer parcerias com os chineses onde não detemos a propriedade intelectual e onde podemos ser mais eficientes em termos de capital, em regiões como a Europa ou o Sudeste Asiático. Ao mesmo tempo, vamos competir diretamente com eles com veículos elétricos universais, e ambas as abordagens são perfeitamente viáveis. Elas não são mutuamente exclusivas".
A Ford utilizará tecnologia fornecida pela chinesa CATL em baterias para suas picapes elétricas de 30 mil dólares, cujo lançamento está previsto para 2027. Na Espanha, a Ford firmou acordo para criar uma joint venture com a chinesa Geely Automobile Holdings.
O governo Trump monitora atentamente os laços estreitos entre empresas americanas e chinesas. A Ford precisa ser estratégica ao decidir o que manter internamente e o que terceirizar. "Se você não sabe o que quer controlar, vai fracassar", disse Farley.
"Foi isso que a Ford aprendeu com a Mazda. Se delegamos toda a nossa estratégia de plataforma à Mazda, estamos abrindo mão de uma capacidade essencial da empresa", acrescentou ele, referindo-se à montadora japonesa com a qual a Ford manteve vínculos societários no passado.
Legisladores dos Estados Unidos estão avaliando uma legislação que proibiria permanentemente a venda e a produção de veículos de montadoras chinesas em solo americano. As três grandes montadoras dos Estados Unidos estão pedindo ao governo Trump que mantenha as restrições aos carros chineses.
No entanto, elas ainda querem trabalhar com suas rivais chinesas por um motivo importante: sua própria desvantagem na tecnologia de veículos elétricos.
"As oportunidades delas na China diminuíram à medida que as empresas chinesas se tornaram mais competitivas, primeiro na China e depois globalmente. Por isso, acredito que isso levou a uma mudança na postura das empresas americanas em relação às suas homólogas chinesas", disse Scott Kennedy, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
As montadoras dos Estados Unidos mantêm joint ventures com montadoras chinesas desde a década de 1990. Elas ensinaram a fabricação de automóveis aos parceiros chineses, mas a era dos veículos elétricos trouxe uma inversão de papéis.
Em agosto, a GM prorrogou seu acordo de joint venture com a Saic Motor por mais 20 anos. As vendas da GM na China caíram para cerca de 1,9 milhão de veículos em 2025, menos da metade do seu pico histórico. A prorrogação do acordo foi motivada pelo desejo da GM de obter acesso à tecnologia de veículos elétricos.
"Acho que precisamos ser capazes de analisar o que eles estão produzindo e entender isso a fundo", disse o presidente da GM, Mark Reuss, na terça-feira.
"Não conseguiremos competir em termos de subsídios, mas podemos competir em tecnologia, engenharia e na entrega de valor naquilo que os clientes realmente desejam", acrescentou Reuss.
A escassez de modelos híbridos — um segmento cada vez mais popular no mercado dos Estados Unidos — também cria um incentivo para depender de parceiros chineses.
Quanto aos veículos novos vendidos nos Estados Unidos no trimestre de julho a setembro, projeta-se que a participação de mercado combinada das três montadoras caia para uma mínima histórica de pouco mais de 36%, segundo a empresa de pesquisa Cox Automotive.
Enquanto isso, montadoras asiáticas — como Toyota e Hyundai, ambas fortes no segmento de híbridos — mantiveram participações de mercado próximas de máximas históricas, superando a marca combinada de 50% por dois trimestres consecutivos. As três grandes montadoras investiram pesadamente em veículos elétricos e baterias nos Estados Unidos, incentivadas pelos créditos fiscais para elétricos lançados durante a gestão do ex-presidente Joe Biden. No entanto, os prejuízos se acumularam, prejudicando sua capacidade de buscar crescimento.
Terra - SP 01/10/2026
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou queda de 15,5% na receita líquida em agosto, somando R$ 22,9 bilhões, com recuo acumulado de 13,2% no ano, segundo a Abimaq. O setor aponta os juros altos a 13,75% e as incertezas eleitorais como principais entraves para novos investimentos, projetando retração de 8,4% para 2026. Enquanto as exportações caíram 6,3%, as importações saltaram 16,7%, puxadas pela China, em um cenário de demanda doméstica enfraquecida por condições financeiras restritivas.
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos recuou em agosto na comparação anual, com a receita líquida caindo 15,5%, para R$22,9 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela associação de fabricantes Abimaq.
Na comparação com julho, o recuo foi de 11,3% considerando ajuste sazonal. No acumulado de janeiro a agosto, o setor registrou queda de 13,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Segundo a diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq, Cristina Zanella, os números de agosto confirmaram o cenário que a associação já vinha desenhando desde o começo do ano, que é de uma retração no mercado doméstico.
"O resultado reforça a percepção de que o investimento continua arrefecido", disse Zanella em entrevista coletiva.
A diretora colocou como uma das principais causas para o desempenho fraco o atual nível da taxa de juros, que está em 13,75% ao ano.
"Os juros a gente coloca como principal. Faz com que empresas posterguem projetos", afirmou.
Zanella também citou as eleições como um fator que pressiona os negócios. "Ano eleitoral causa muita desconfiança e incerteza, então ocorre adiamento de decisões de investimento", disse Zanella.
Nesse contexto, a associação manteve expectativa de recuo de 8,4% na receita líquida de máquinas e equipamentos para 2026.
A receita no Brasil caiu 16,4% em agosto ante o mesmo mês de 2025, para R$16,8 bilhões. O consumo aparente também recuou 5,2%, para R$33,1 bilhões.
"O desempenho negativo observado em 2026 reflete o enfraquecimento da demanda doméstica, provavelmente em razão das condições financeiras restritivas", disse a Abimaq, em apresentação à imprensa.
As exportações tiveram uma queda de 6,3% na comparação com agosto de 2025, somando US$1,18 bilhão. Já as importações somaram US$2,98 bilhões em agosto, disparando 16,7% na base anual.
"Esse aumento das importações é liderado pela China, que ocupa 36% das importações de máquinas e equipamentos", disse Zanella.
Segundo a Abimaq, as importações de máquinas e equipamentos mantiveram a tendência de concentração de origem, com a China na liderança isolada como país de origem, seguida pelos Estados Unidos e pela Alemanha.
O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 79,6% em agosto ante 79,0% um ano antes.
A carteira de pedidos subiu para 10,1 semanas, nível 13,3% superior a agosto de 2025.
Vitória News - ES 01/10/2026
Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil recuaram 5,2% em agosto frente ao mesmo mês de 2025, somando R$ 33,15 bilhões, segundo dados da Abimaq, entidade que representa a indústria de bens de capital mecânicos. Na margem - na comparação de agosto com julho -, os investimentos caíram 4,2%, reforçando a leitura de que a demanda doméstica por bens de capital segue deprimida.
Os números refletem a combinação de queda na demanda por equipamentos produzidos localmente e avanço das compras externas. No acumulado de janeiro a agosto, a aquisição de máquinas e equipamentos (medida pelo consumo aparente) registra retração de 11,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Pelo lado da indústria, a receita líquida total de vendas do setor foi de R$ 22,93 bilhões em agosto, com recuo de 6,2% ante julho e queda de 15,5% em relação a agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, a receita líquida total soma R$ 177,6 bilhões, o que representa baixa de 13,2% ante igual intervalo do ano passado. A receita interna atingiu R$ 16,84 bilhões em agosto, com queda de 9,7% na comparação mensal e retração de 16,4% na comparação interanual; no ano até agosto, a receita interna acumula baixa de 15,5%.
"O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro, inibindo novos projetos de investimento industrial", disse a Abimaq em nota.
No comércio exterior, as exportações de máquinas e equipamentos somaram US$ 1,18 bilhão em agosto, alta de 4,6% sobre julho, mas com queda de 6,3% ante agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, as vendas externas crescem 6,2%, para US$ 8,81 bilhões. Já as importações totalizaram US$ 2,98 bilhões no mês (+1,1% ante julho e +16,7% em um ano) e atingiram US$ 22,20 bilhões no acumulado do ano (+5,2%). O setor acumula déficit comercial de US$ 13,39 bilhões entre janeiro e agosto.
A entidade destaca ainda o avanço estrutural das importações na composição do mercado doméstico.
No acumulado de janeiro a agosto, as máquinas importadas responderam por 47,6% do consumo aparente no País (45,3% um ano antes). A China ampliou a liderança como principal fornecedora: as compras do país somaram US$ 8,0 bilhões no ano até agosto, alta de 18,8%, com 36,0% de participação no total importado. Na sequência, aparecem os Estados Unidos (US$ 3,24 bilhões; -2,7%) e a Alemanha (US$ 2,57 bilhões; +1,0%).
O balanço mostra também ajustes no mercado de trabalho. O setor encerrou agosto com 403.294 pessoas ocupadas, recuo de 2,6% frente a julho e queda de 5,6% na comparação com agosto de 2025 - o equivalente ao fechamento de cerca de 24 mil postos em 12 meses, segundo a Abimaq.
Na utilização da capacidade, o NUCI ficou em 79,6% em agosto, acima dos 79,0% de um ano antes (e acima de julho, quando estava em 78,9%). A carteira de pedidos subiu para 10,1 semanas de atendimento em agosto (ante 9,6 semanas em julho).
Globo Online - RJ 01/10/2026
A Infra S.A., estatal vinculada ao governo federal, apresentou nesta quarta-feira um plano para deixar de depender de recursos do Tesouro a partir de 2031. A empresa que incorporou a antiga estatal criada para desenvolver o projeto do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo, incluiu entre as apostas para gerar novas receitas a exploração da infraestrutura do corredor formado pelas ferrovias de Integração Centro-Oeste (Fico) e de Integração Oeste-Leste (Fiol).
As medidas fazem parte do Plano de Sustentabilidade Econômica e Financeira 2027–2031, apresentado pela companhia nesta quarta-feira. O objetivo é alcançar a independência financeira com receitas próprias suficientes para cobrir 105% das despesas de pessoal e custeio.
Este é o requisito exigido para que uma estatal dependente do Tesouro alcance a transição, conforme regulamentação do Ministério da Gestão atualizada em 2025.
Hoje, parte relevante das despesas da Infra S.A. é bancada pelo Tesouro. Para o ano que vem, estão previstos R$ 849 milhões do Orçamento. Com 634 empregados, a empresa é fruto de uma fusão concluída em 2022 entre a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e a Valec, estatal de ferrovias em regime de parceria público-privada.
Entre 2022 e 2025 a estatal ampliou as receitas próprias de R$ 6,5 milhões para R$ 74,2 milhões.
O plano divide as novas fontes de receita em três frentes: estruturação de concessões e políticas públicas, exploração de infraestrutura e prestação de serviços ligados a mercado e inteligência.
No setor ferroviário, um dos principais projetos é a exploração da infraestrutura do corredor Fico-Fiol, prevista para começar a gerar receitas a partir de 2030. A empresa também pretende fazer novas ofertas públicas de terminais ferroviários, revisar contratos de terminais que já estão sob sua gestão e buscar receitas relacionadas às subconcessões da Ferrovia Norte-Sul e à Transnordestina.
A estatal também quer transformar em fonte de receita serviços ligados às bases de dados do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), com inspeções técnicas e atuação na área ambiental.
Outra frente será ampliar a cobrança pelos estudos e projetos desenvolvidos pela companhia. O plano prevê uma revisão da metodologia usada para definir os preços cobrados pela Infra S.A.. O modelo será aplicado a projetos nos setores rodoviário, ferroviário, portuário e aeroportuário.
A estruturação do portfólio começa em 2026 e, entre 2027 e 2028, a previsão é colocar em funcionamento as primeiras fontes recorrentes de receita.
Petro Notícias - SP 01/10/2026
A Navemestra, empresa de bunkering do Grupo Bravante, deve iniciar ainda neste ano a construção de uma série de seis novos rebocadores portuários. As obras das embarcações acontecerão no Estaleiro São Miguel, em São Gonçalo (RJ), também integrante do Grupo Bravante, retomando novos investimentos após mais de cinco anos. O projeto conta com financiamento aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e é mais um passo para o renascimento da indústria naval brasileira. O diretor de Novos Negócios do Grupo Bravante, Thiago Lemgruber, explica que a companhia pretende manter os investimentos em renovação e expansão de frota, além de investir na melhoria contínua dos negócios. “O mercado tem alto potencial com as perspectivas da expansão em diversas frentes, desde a Margem Equatorial até Pelotas, passando por Sergipe e a expansão continua no pré-sal”, avaliou.
Poderia começar explicando quais foram os motivos que permitiram a retomada de novos investimentos do grupo para a construção das embarcações?
O Grupo Bravante acessou o Fundo de Marinha Mercante que oferece condições competitivas para financiamento de construção naval. Dessa forma foi possível resgatar o relacionamento com o BNDES para financiar a renovação da frota marítima do Grupo Bravante, iniciando com o projeto de construção de rebocadores portuários para atuar no mercado de bunkering.
Esperamos iniciar as obras ainda este ano.
Como o senhor vê a futura demanda por rebocadores no setor portuário brasileiro para os próximos anos?
Vemos uma demanda crescente em função do aumento contínuo do movimento portuário.
É possível detalhar, em termos operacionais, quais serão os principais ganhos obtidos a partir da expansão da frota de rebocadores da Navemestra?
Esperamos maior agilidade na entrega de combustível marítimo para nossos clientes, acelerando o tempo de resposta para abastecimento. Hoje, a Navemestra atende seus clientes em sete portos brasileiros, sendo responsável pela movimentação de mais de 4 milhões de toneladas de MGO e VLSFO por ano. Ou seja, somos parte da segurança energética portuária brasileira, e com esses novos rebocadores esperamos melhorar ainda mais a qualidade e confiabilidade do nosso serviço aos nossos clientes.
Qual será o impacto positivo dessas obras para a indústria naval fluminense?
Será muito importante voltar a ter obras de novas construções no Rio, que perdeu muito do protagonismo da indústria naval para outros estados. O Rio é o berço da indústria naval brasileira e tem muita mão de obra competente, uma cadeia de suprimentos bem estabelecida e estaleiros bem capacitados. Com essa obra esperamos resgatar esse protagonismo mostrando a força e competência da indústria naval fluminense.
A depender da continuidade da retomada da indústria naval brasileira, o grupo pretende fazer novos investimentos? Caso sim, poderia indicar quais?
Sim, pretendemos manter os investimentos em renovação e expansão de frota, além de investir na melhoria contínua dos nossos negócios. Estamos expandindo a atuação da nossa empresa de resposta a emergências, Hidroclean (que também faz parte do Grupo Bravante), por meio de compra de novos equipamentos de resposta a emergência ambiental e retomada de expansão das nossas bases, que hoje são mais de 30 no Brasil.
No segmento offshore, estamos investindo pesado em modernização da frota para atender aos exigentes requisitos operacionais de nossos clientes, em meio a um aquecido mercado de apoio marítimo. E nosso Estaleiro São Miguel, por fim, tem investido em renovação dos equipamentos com muito foco em acelerar as docagens, que são mais de 70 por ano, fazendo parte essencial do ecossistema de manutenção da frota brasileira.
Por fim, gostaria de ouvir também quais são as expectativas do grupo com o segmento offshore.
No segmento offshore estamos animados com o mercado, conseguindo atingir altos índices de eficiência operacional, e atentos aos requisitos de nossos clientes. O mercado tem alto potencial com as perspectivas da expansão em diversas frentes, desde a Margem Equatorial até Pelotas, passando por Sergipe e a expansão continua no pré-sal.
Valor - SP 01/10/2026
A ausência de novos avanços diplomáticos entre EUA e Irã sustenta o valor da commodity em patamares elevados
Os contratos futuros do petróleo encerraram a quarta-feira (30) em alta, apesar da melhora no fluxo pelo Estreito de Ormuz e da retomada operacional do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita. A ausência de novos avanços diplomáticos entre Estados Unidos e Irã sustenta o valor da commodity em patamares elevados, após Teerã ter confirmado a rejeição por Washington da mais recente proposta para a reabertura total da passagem marítima.
O petróleo Brent com entrega para novembro encerrou em alta de 0,92%, cotado a US$ 103,53 por barril, na ICE. O WTI com vencimento no mesmo mês subiu 1,16%, cotado a US$ 90,42 por barril, na Nymex.
O Goldman Sachs estima que as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, incluindo as chamadas “exportações ocultas”, retornaram à média de 2025, após dobrarem de volume em setembro. Enquanto isso, as de produtos refinados permaneceram na metade do nível registrado naquele ano.
A avaliação do Goldman Sachs vai em linha com o reportado pelo Departamento de Energia (DoE) americano, hoje. Os estoques de petróleo no país subiram em 922 mil barris, para 427,320 milhões, ante estimativa de queda de 200 mil. Já os estoques de gasolina caíram em 1,684 milhão de barris e os destilados recuaram em 2,251 milhões de barris, ambos muito abaixo do consenso.
As exportações da Arábia Saudita lideraram a recuperação da oferta, segundo o Goldman, ultrapassando a média de 2025, ao passo que o Irã não realizou embarques de petróleo bruto por via marítima em setembro.
“A notável capacidade de adaptação da oferta do Oriente Médio e da demanda de importação da China sustenta nosso cenário-base de que o Brent recuará para US$ 85 o barril até o fim do ano. No entanto, mantemos a preocupação com uma possível nova escalada do conflito que danifique mais infraestruturas energéticas, o que poderia provocar uma alta significativa nos preços.”
Valor Investe - SP 01/10/2026
Disparada da commodity reforçou preocupações com inflação e juros e repercutiu sobre dólar e bolsas ao longo do período; foi a terceira maior alta do ano, atrás de março e julho
O petróleo tipo Brent, referência global e brasileira de preços, encerrou setembro com alta acumulada de 15%, em um mês ainda fortemente marcado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, pelas restrições ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e pelo temor de novos choques sobre a oferta global da commodity. Foi a terceira maior alta do ano, atrás de março (+64%) e julho (+24%).
A disparada fez do petróleo um dos principais motores dos mercados financeiros no período. Como a commodity entra nos custos de combustíveis, transportes e produção, a alta reforçou preocupações com a inflação e, consequentemente, com a trajetória dos juros. Esse movimento repercutiu também no dólar, nas bolsas e nos títulos públicos ao redor do mundo.
Nesta quarta-feira (30), último pregão do mês, o Brent subiu 0,92%, a US$ 103,53 por barril, na ICE. O WTI, referência americana, avançou 1,16%, a US$ 90,42, na Nymex.
Os preços permaneceram elevados mesmo com sinais de recuperação da oferta do Oriente Médio. As exportações de petróleo da região chegaram a 16,328 milhões de barris por dia em setembro, maior nível desde o início da guerra, no fim de fevereiro. A Arábia Saudita também retomou carregamentos pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, após restabelecer as operações no oleoduto leste-oeste do país.
Segundo o Goldman Sachs, as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, incluindo embarques não registrados pelos canais convencionais, voltaram à média de 2025 depois de dobrarem em setembro. O Irã, por outro lado, não realizou embarques marítimos de petróleo bruto no mês.
A recuperação da oferta, porém, não foi suficiente para eliminar o prêmio de risco provocado pelo conflito. As negociações para uma trégua continuam sem avanço. O Catar tenta aproximar Washington e Teerã, mas o presidente americano, Donald Trump, negou nesta quarta-feira que tenha oferecido alívio das sanções ou a liberação de recursos iranianos congelados em troca de concessões no programa nuclear do país.
Para o Goldman Sachs, a capacidade de adaptação da oferta do Oriente Médio sustenta a projeção de queda do Brent para US$ 85 por barril até o fim do ano. O banco ressalva, porém, que uma nova escalada militar que atinja a infraestrutura de energia da região poderia provocar outra forte alta dos preços.
Valor - SP 01/10/2026
Navio-plataforma tem capacidade de produzir 225 mil barris por dia de petróleo e processar 12 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural
A plataforma P-80, também conhecida como Búzios 9, deixou nesta quarta-feira (30) o estaleiro Tuas Boulevard Yard, em Cingapura, rumo ao Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, informou a Petrobras.
O navio-plataforma (FPSO, na sigla em inglês) tem capacidade de produzir 225 mil barris por dia de petróleo e processar 12 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. A plataforma é uma das “seis gigantes” da estatal que estavam em construção. Outra unidade, a P-82, está em fase final de construção.
Segundo a Petrobras, a P-80 e a P-82 devem entrar em operação em 2027. Outras três plataformas, P-83, P-84 e a P-85, irão, respectivamente, para os campos de Búzios, Atapu e Sépia, também no pré-sal da Bacia de Santos. Elas estão em construção, mas em etapas anteriores.
A primeira das “seis gigantes” foi a FPSO Almirante Tamandaré, que já alcançou produção de até 270 mil barris por dia.
Ainda de acordo com a Petrobras, os módulos de processo da P-80 foram fabricados no Brasil, no estaleiro Seatrium BrasFELS, em Angra dos Reis, e da P-82 no estaleiro Estaleiro Seatrium Aracruz, no Espírito Santo.
O campo de Búzios é operado pela Petrobras em consórcio que conta com as chinesas CNOOC e CNPC.
Cultivar - RS 01/10/2026
A indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas acumulou queda de 22,4% na receita líquida total entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O faturamento alcançou R$ 36,30 bilhões. A retração ganhou força no mercado doméstico. A receita interna caiu 25,7% no período e somou R$ 30,37 bilhões.
Em agosto, a receita líquida total do segmento agrícola atingiu R$ 4,79 bilhões. O resultado ficou 1,7% abaixo de julho e 22,8% abaixo de agosto de 2025. As vendas destinadas ao mercado brasileiro geraram R$ 4,10 bilhões no mês. Houve recuo de 1,1% na comparação mensal e de 24,9% na comparação anual.
Os números integram o levantamento conjuntural da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade aponta o setor agrícola entre os segmentos com pior desempenho na aquisição de máquinas produzidas no país em 2026. O ambiente de juros elevados encareceu o crédito e o serviço da dívida. Esse cenário reduziu os investimentos produtivos e pressionou a demanda doméstica por bens de capital.
Retração agrícola
A retração agrícola supera o resultado da indústria de máquinas e equipamentos como um todo. No conjunto do setor, a receita líquida total caiu 13,2% entre janeiro e agosto. A receita interna apresentou redução de 15,5%. O consumo aparente de máquinas e equipamentos recuou 11,6% no mesmo intervalo. A Abimaq identifica impactos mais intensos da redução dos investimentos nas atividades agrícolas e na indústria de transformação.
As exportações ajudaram a compensar parte da queda no segmento agrícola. As vendas externas de máquinas e implementos agrícolas somaram US$ 1,15 bilhão entre janeiro e agosto. O valor representa crescimento de 12,7% sobre igual período de 2025. Em agosto, os embarques alcançaram US$ 133,44 milhões. Houve queda de 5,5% diante de julho e de 1,1% na comparação com agosto do ano passado.
Importações agrícolas
As importações agrícolas seguiram direção diferente no acumulado. As compras externas totalizaram US$ 810,89 milhões nos oito primeiros meses de 2026, com retração de 4%. Em agosto, chegaram a US$ 90,25 milhões. O montante caiu 4,6% frente a julho, mas superou agosto de 2025 em 4,9%.
No conjunto da indústria de máquinas e equipamentos, o avanço das importações ampliou a participação de produtos estrangeiros no consumo nacional. Os equipamentos importados responderam por 47,6% do consumo aparente entre janeiro e agosto, ante 45,3% no mesmo período de 2025. A China respondeu por 36% das importações brasileiras do setor e movimentou US$ 8 bilhões no período. As compras de origem chinesa cresceram 18,8%. Entre os produtos chineses com destaque aparecem equipamentos destinados à agricultura, logística, construção civil e indústria de transformação.
Os dados de tratores também mostram perda de ritmo no mercado brasileiro. As vendas de fábrica acumularam retração de 22% até agosto. As vendas ao usuário final caíram 15%. As exportações avançaram 30% no período. Em agosto, 3.324 tratores chegaram ao usuário final, contra 2.790 unidades em julho. O volume representa crescimento mensal de 19,1%, mas queda de 25,5% diante de agosto de 2025.
As fábricas comercializaram 3.440 tratores em agosto. O volume recuou 2,6% frente a julho e 34,1% na comparação anual. As exportações alcançaram 488 unidades no mês. Houve redução de 26,1% em relação a julho e crescimento de 6,6% frente a agosto de 2025.
O mercado de colheitadeiras apresenta retração mais intensa. As vendas de fábrica acumulam queda de 60,5% entre janeiro e agosto. As entregas ao usuário final recuam 39,6%. No mesmo período, as exportações crescem 14,9%. Em agosto, as vendas ao usuário final somaram 112 máquinas, diante de 197 unidades no mesmo mês de 2025. As fábricas registraram 141 unidades no mês, contra 214 em agosto do ano passado.