CNN Brasil - SP 01/09/2026
A Gerdau informou nesta segunda-feira que celebrou junto com a Gerdau Aços Longos, a Gerdau Açominas, a Gerdau Ameristeel Corporation e outras empresas afiliadas no exterior uma linha de crédito global denominada "Senior Unsecured Global Working Capital Credit Agreement", segundo comunicado.
Dessa forma, a empresa disse que a operação atual, no montante de US$ 875 milhões, será substituída por uma linha de crédito no valor de US$ 1,125 bilhão, representando um aumento de aproximadamente 29% na disponibilidade total das companhias.
A nova operação terá prazo de cinco anos, a contar da data de assinatura do Credit Agreement, com vencimento previsto para o final de agosto de 2031, podendo ser prorrogada por até um ano, disse a empresa.
O Estado de S.Paulo - SP 01/09/2026
A CSN deve bater o martelo esta semana sobre qual dos dois interessados na aquisição de sua subsidiária de cimentos avançará nas negociações, com exclusividade, apurou a Coluna. O ativo está sendo disputado pela chinesa Huaxin e pelo Grupo Votorantim com a italiana Cimentir, que fizeram proposta conjunta.
O negócio é avaliado em cerca de R$ 12 bilhões e a expectativa da CSN é fechar a transação até o final de setembro. A venda da unidade de cimentos foi uma das condições para a obtenção de um empréstimo sindicalizado com um grupo de bancos em março, de US$ 1,2 bilhão.
As propostas vinculantes foram entregues no início de agosto e durante a exclusividade devem ser negociados os contratos, de acordo com fontes. Um dos pontos a ser discutido com o comprador escolhido, por exemplo, é o fornecimento da escória da siderurgia para a operação de cimentos de Volta Redonda (RJ). Hoje esse mecanismo beneficia a operação. Com a venda, a CSN almejaria receber preço de mercado para esse insumo, disse uma fonte com conhecimento do assunto.
Empresa tem quase 20% do mercado
A CSN Cimentos tem quase 20% do mercado local. Esta é uma das razões pela qual a Votorantim entrou com um sócio italiano na disputa, temendo dificuldade de aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo fontes, o consórcio de Votorantim com os italianos fez uma única proposta, mas com cada um ficando com partes diferentes do ativo. A ideia, caso vençam, é levar ao Cade uma estrutura de posse dos ativos da CSN Cimentos que cause menor fricção, do ponto de vista de concorrência, para eventual aprovação do negócio.
No caso da Huaxin, a chinesa somaria o ativo à adquirida Embu S.A., uma das maiores produtoras de pedra brita do Brasil, o que mostra uma estratégia no fornecimento de concreto para obras de grande porte.
Exame - SP 01/09/2026
A economia brasileira deve perder ritmo no segundo trimestre de 2026 após uma forte arrancada no início do ano. Os dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) serão divulgados nesta terça-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas as projeções de BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Daycoval e XP apontam para uma desaceleração da atividade, puxada principalmente pela perda de força dos serviços e pela fraqueza de alguns segmentos da indústria.
O BTG estima que o PIB tenha crescido 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, após uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre. A instituição mantém a projeção de crescimento de 2% para o PIB de 2026.
A XP tem uma visão próxima e projeta alta de 0,4% na margem no segundo trimestre, com crescimento de 1,9% na comparação anual. Segundo a casa, a estimativa ficou ligeiramente abaixo da previsão feita três meses antes, quando o XP Tracker indicava avanço de 0,5%.
Já o Daycoval espera uma desaceleração um pouco mais intensa, com avanço de 0,3% na comparação trimestral e crescimento anual de 1,7%. Para o banco, a perda de ritmo deve ser disseminada entre os setores, com destaque para a desaceleração dos serviços, que têm o maior peso na economia.
O principal ponto em comum entre as análises é a perda de dinamismo do setor de serviços, que foi um dos principais motores da economia brasileira nos últimos anos.
A XP projeta alta de 0,4% para o setor no 2º tri, mantendo uma trajetória de expansão, mas em ritmo mais moderado. Serviços de informação e comunicação, comércio e intermediação financeira aparecem entre os destaques positivos, enquanto transporte e armazenagem continuam pressionados.
O BTG também avalia que os serviços seguem em desaceleração. Segundo o banco, os serviços prestados às empresas perderam força neste ano, após terem sido o segmento mais resiliente em 2025, enquanto os serviços voltados às famílias continuam apresentando crescimento mais robusto.
Agro e indústria
Apesar do cenário de desaceleração, a indústria deve apresentar um desempenho relativamente melhor no trimestre. O BTG considera que o setor foi o mais resiliente no período, com recuperação após a fraqueza observada ao longo de 2025.
A XP projeta crescimento de 0,5% para a indústria no segundo trimestre, puxado principalmente pela indústria extrativa, com avanço da produção de petróleo. A indústria de transformação também deve registrar crescimento, ainda que moderado.
O Daycoval, porém, mantém uma visão mais cautelosa para o setor. Para a produção industrial de julho, o banco espera avanço mensal de 0,2%, acompanhado de queda de 0,6% na comparação anual.
A agropecuária deve contribuir positivamente para o PIB do trimestre. Segundo a XP, o setor deve crescer 0,6% na comparação trimestral, impulsionado principalmente pela maior produção de grãos, especialmente soja.
Apesar do desempenho positivo, a XP avalia que o cenário para o setor deve ficar menos favorável nos próximos períodos, diante dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
Consumo no PIB
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias deve continuar sendo um dos pilares da atividade. A XP estima crescimento de 0,6% no consumo das famílias no segundo trimestre, apoiado por um mercado de trabalho resiliente e medidas de estímulo de curto prazo.
O BTG também acredita que o mercado de trabalho seguirá apertado, mas com sinais de acomodação. A geração de empregos perdeu força no segundo trimestre, enquanto os rendimentos começaram a desacelerar.
O principal risco para os próximos períodos está no crédito. O BTG avalia que o elevado endividamento das famílias e o comprometimento da renda em um ambiente de juros altos podem limitar o consumo, principalmente em 2027.
Apesar da expansão esperada no segundo trimestre, os bancos avaliam que a economia brasileira entra em uma fase de crescimento mais moderado.
A XP projeta avanço de 2% do PIB em 2026 e 1% em 2027, com viés de baixa. A instituição avalia que a retirada dos estímulos fiscais e parafiscais, somada aos juros elevados e ao endividamento das famílias e empresas, deve pesar sobre a atividade.
O BTG mantém projeção de 2% para 2026 e 1,1% para 2027, destacando que o cenário do próximo ano é mais adverso em razão do menor impulso fiscal, do ambiente de crédito mais restritivo e dos riscos para a produção agrícola.
Jornal de Brasília - DF 01/09/2026
Representantes do governo brasileiro disseram aos Estados Unidos nesta segunda-feira (31), na primeira reunião bilateral após o anúncio do tarifaço de julho, que o tratamento dispensado ao país pela Casa Branca é injusto e discriminatório.
Segundo nota divulgada pelo governo federal, os ministros reiteraram “que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o país, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”.
As duas partes concordaram em voltar a se reunir em nível ministerial, em encontro ainda sem data, para revisar o progresso alcançado nas negociações bilaterais e nas reuniões de nível técnico que devem acontecer nas próximas semanas.
Os ministros Márcio Elias Rosa (Indústria) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) conversaram nesta segunda com o diplomata Jamieson Greer, que chefia o Escritório do Representante de Comércio da Casa Branca, órgão responsável por recomendar as tarifas punitivas de 25% e 12,5% contra o Brasil em julho.
Como mostrou a Folha de S. Paulo , o governo brasileiro chegou às negociações bastante cético em relação à possibilidade de um acordo, mas temendo uma espécie de tarifaço permanente caso o impasse com os americanos se prolongue.
Um auxiliar do presidente lembra que as barreiras comerciais sobre o aço e o alumínio implementadas em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, não foram revogadas pelo sucessor, Joe Biden. O risco seria que as tarifas da Seção 301 implementadas em julho seguissem o mesmo caminho, com impactos ainda mais graves.
São duas as tarifas aplicadas pelos EUA contra o Brasil. Uma primeira, de 25%, por supostas práticas comerciais desleais. E uma segunda, de 12,5%, por supostas falhas no combate à importação de produtos produzidos com trabalho forçado -esta última substituiu a tarifa global de 10% que vigorou até julho.
Essas duas sobretaxas atingem ao mesmo tempo 3.985 produtos, ou US$ 10,8 bilhões (R$ 55 bilhões) em mercadorias brasileiras aos EUA, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Neste mês, o governo brasileiro deu início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, que permite à União retaliar medidas comerciais aplicadas por outros países de forma injusta ou desproporcional. Nesta primeira etapa, o governo procurou os EUA e abriu consultas com diferentes ministérios da Esplanada, que se manifestarão sobre o tema.
Exame - SP 01/09/2026
O Governo Federal divulgou nesta segunda-feira, 31, que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê inflação medida pelo IPCA de 3,60% no ano. O índice faz parte dos parâmetros utilizados pelo governo para projetar receitas, despesas e outras variáveis econômicas do próximo ano.
A proposta é enviada pelo presidente da República ao Congresso Nacional que estima quanto o governo federal deverá arrecadar e define como esses recursos poderão ser gastos no ano seguinte.
Ela deve ser encaminhada ao Legislativo até 31 de agosto e, depois de analisada e aprovada pelos parlamentares, dá origem à Lei Orçamentária Anual (LOA).
Os grandes números do PLOA 2027
O PLOA prevê R$ 7,45 trilhões em orçamento total para 2027. Desse montante, R$ 3,42 trilhões correspondem às despesas primárias, enquanto R$ 3,82 trilhões são despesas financeiras. O limite de despesas primárias foi fixado em R$ 2,5 trilhões, R$ 183,8 bilhões acima do limite de 2026.
Entre as principais dotações, estão R$ 272,2 bilhões para a Saúde, R$ 141,2 bilhões para a Educação e R$ 133,8 bilhões para investimentos. O governo também prevê um salário mínimo de R$ 1.741 no próximo ano e trabalha com um superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões.
Inflação projetada ajuda a definir o tamanho do Orçamento
A projeção de inflação é uma das variáveis utilizadas pelo governo para montar o PLOA, pois tem impacto direto sobre algumas despesas públicas.
Em declarações anteriores sobre o Orçamento de 2027, o governo já havia indicado que a contenção do crescimento das despesas obrigatórias seria uma das estratégias para cumprir a meta fiscal.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que gastos obrigatórios, emendas parlamentares e vinculações legais, incluindo recursos para a saúde, deverão crescer abaixo do limite estabelecido pelo arcabouço fiscal.
Segundo Moretti, essa desaceleração abriria espaço para despesas discricionárias e ajudaria o governo a entregar um resultado primário positivo em 2027. O ministro afirmou ainda que, se necessário, o Executivo poderá fazer contingenciamento de despesas para buscar o centro da meta fiscal.
CNN Brasil - SP 01/09/2026
Analistas do mercado financeiro voltaram a revisar para baixo as expectativas de inflação e do PIB (Produto Interno Bruto) de 2026, segundo números do Boletim Focus publicados nesta segunda-feira (31) pelo BC (Banco Central).
Para o ano que vem, porém, a previsão é de maior pressão inflacionária.
A expectativa do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026 foi levemente corrigida para 5,01%, ante 5,02% na semana passada.
O BC (Banco Central) persegue meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo (1,5% ou 4,5%).
A expectativa do PIB também teve leve queda, agora em 1,92%. Na última edição, a previsão era de alta de 1,95%.
Os analistas ouvidos pelo BC mantiveram as expectativas para a Selic em 13,75% ao ano, com novo corte de 0,25 ponto no Copom (Comitê de Política Monetária) de setembro.
Atualmente, a taxa básica de juros está em 14% ao ano.
A expectativa para o câmbio também foi repetida em R$ 5,20 ao fim deste ano.
inflação mais alta em 2027
Para o ano que vem, os analistas ouvidos pelo BC subiram a expectativca do IPCA, agora em 4,28%. Foi a terceira semana seguida de revisão para cima. Na edição anterior, a expectativa estava em 4,25%.
As precisãoes para PIB do ano que vem foram mantidas em 1,5%, enquanto os juros devem encerrar em 12%, a mesma expectativa em 11 semanas.
Já para o câmbio, as aspotas se mantiveram em R$ 5,30.
O Estado de S.Paulo - SP 01/09/2026
A Vale (VALE3) é um exemplo típico de empresa “vaca leiteira”, como se diz no jargão do mercado financeiro. A mineradora opera com fluxo de caixa consistente e tem retrospecto de boa pagadora de dividendos, mas, em contrapartida, apresenta pouca perspectiva de crescimento. A companhia, no entanto, vem trabalhando para reverter essa característica, com foco na subsidiária Vale Base Metals (VBM).
A VBM acumula recordes operacionais nos últimos trimestres com a extração de cobre e níquel. Para analistas, esse desempenho ainda não está precificado pelas ações, o que sustentaria a tese de que o papel VALE3 segue subavaliado.
“Com a Base Metals a Vale preenche essa lacuna, pois a unidade pode oferecer o crescimento que hoje, em minério de ferro, está mais difícil”, diz o analista de Equity Research da Ativa Investimentos Ilan Arbetman. Para muitos, a VBM é a “joia da coroa” da Vale.
Os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26) confirmaram a boa fase da VBM, com crescimento de 79% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, indicador que mede a geração de caixa operacional da empresa) na comparação anual, o sexto trimestre seguido de ganhos expressivos e uma participação cada vez maior no resultado consolidado da companhia.
A divisão respondia por 10% do Ebitda total da Vale em 2024. No ano seguinte esse número saltou para 22%, com projeções de atingir 28% em 2026 e uma meta de longo prazo de 35% a partir de 2035.
“As ações da Vale corrigiram cerca de 15% em relação às máximas de abril, criando um ponto de entrada mais atrativo”, observam os analistas do BTG Pactual (BPAC11).
Deslize para ver o conteúdo AnoParticipação da VBM no Ebitda total da Vale202410%202522%2026 (projeção)28%2035 (meta)35%
O negócio de cobre e níquel que o mercado ainda não precificou
A Vale vem sinalizando um salto de produção na Base Metals, das atuais 350 mil toneladas para quase 500 mil em 2030 e 700 mil em 2035. Esse volume poderia colocar a operação entre as dez maiores produtoras globais de cobre.
Para o analista da Ágora Investimentos Renato Chanes, o mercado vem desconsiderando a operação de cobre e níquel na composição da companhia. “Continuam pagando múltiplos de minério de ferro, de quatro vezes Ebitda”, diz.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, enxerga a VBM com um futuro promissor, entregando produtos com demanda cada vez maior e dando ao investidor melhor nível de previsibilidade de retorno para o investimento que a companhia está fazendo hoje. “Empresas mais focadas em cobre negociam por um múltiplo de oito, nove vezes”, compara. .
No último ano, o preço do cobre no mercado futuro valorizou acima de 44%, reflexo desse cenário de maior demanda das teses de transição energética e de baterias. “A Vale enxerga nesse mercado o potencial de retorno sobre investimento melhor”, resume Hungria, da Empiricus.
A Vale Base Metals registrou alta de 79% no Ebitda no 2T26 e já representa 22% do resultado consolidado. A projeção é chegar a 35% até 2035. O mercado financeiro ainda paga pelo papel como se fosse apenas uma mineradora de ferro.
Cobre com vento a favor
Data centers, inteligência artificial e eletrificação de frotas puxam a demanda por cobre. O preço do metal valorizou mais de 44% no último ano no mercado futuro.
Dividendo competitivo com a renda fixa
O free cash flow yield estimado pela Ágora é de 10%, com 7,5% revertido em proventos, equivalente a IPCA+7,5% em ganho real.
Recompra de ações
A Vale anunciou recompra de 100 milhões de ações (2,3% dos papeis em circulação), somada aos dividendos semestrais, o retorno total ao acionista estimado pelo BTG é de 8% a 9% em 2026.
Valor - SP 01/09/2026
Contrato futuro com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 108
O preço do minério de ferro avançou nesta segunda-feira (31) na China, em meio a sinais de uma possível recuperação da relação entre oferta e demanda.
O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,76%, cotado a 727 yuans (US$ 108).
Analistas da consultoria Nanhua Futures afirmam, em relatório, esperar que a demanda pela commodity seja impulsionada por fatores sazonais.
Paralelamente, o petróleo voltou a subir com força, registrando alta de mais de 3% no início desta semana, após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no fim de semana. A alta dos custos de frete vinha dando algum suporte à cotação do minério de ferro.
CNN Brasil - SP 01/09/2026
A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (31) a medida provisória que destina até R$ 30 bilhões ao financiamento de veículos novos para motoristas de aplicativo, taxistas, cooperativas de taxistas e profissionais de transporte escolar. O texto vai agora ao Senado.
A medida desloca recursos do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para melhorar a infraestrutura do transporte, com foco em sustentabilidade ambiental, social e econômica.
A MP está incluída no programa Move Brasil, que foi lançado pelo governo. Há duas semanas, o Planalto anunciou a ampliação do programa. O teto de financiamento saiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil.
O responsável pela gestão dos recursos será o Ministério da Fazenda, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai agenciar as linhas de crédito. Os riscos das operações poderão ser assumidos por outras instituições financeiras determinadas pelo BNDES. O Conselho Monetário Nacional (CMN) determinará as condições financeiras e os prazos.
Cada motorista de transporte remunerado beneficiado terá acesso a um veículo. Já nas cooperativas de taxistas, o limite estabelecido é de um veículo por pessoa. Quem trabalha com transporte escolar não tem um limite definido.
A linha de crédito também pode ser usada para que os motoristas financiem o seguro dos veículos e seguros para quitar a dívida nas situações previstas em contrato, além de artigos de segurança para mulheres. A medida também estabelece que o CMN poderá determinar condições diferenciadas de taxas, prazos e carência para motoristas mulheres.
O Ministério da Indústria será responsável por habilitar as montadoras que participarão do programa e pode exigir contrapartidas para esse registro. De acordo com a norma, o governo pode pedir até descontos mínimos nos veículos. Para habilitar os motoristas, a pasta pode também pedir informações para entender se o motorista atende às regras e compartilhar entre as plataformas digitais, instituições financeiras e órgãos públicos, caso o motorista autorize.
Move Brasil
Lançado em junho deste ano, o Move Brasil prevê até R$ 30 bilhões em financiamentos para motoristas de aplicativo, taxistas e entregadores.
O programa oferece linhas de crédito com juros reduzidos e prazos ampliados, tendo como objetivo estimular a substituição de veículos antigos por modelos mais modernos e menos poluentes.
O programa soma mais de R$ 1 bilhão em financiamentos aprovados, segundo o BNDES. Até julho, o valor médio dos financiamentos ficou em cerca de R$ 102 mil.
Exame - SP 01/09/2026
A Toyota e a Honda podem estar entre as empresas mais expostas à nova frente da guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proposta de elevar para 50% a tarifa sobre carros importados do Canadá ameaça uma parcela relevante desses veículos no mercado americano.
Os Estados Unidos são o principal mercado de ambas. No ano passado, quase um quarto dos carros vendidos pela Honda no país havia sido produzido no Canadá. Na Toyota, a fatia foi de 17%, segundo analistas do Barclays.
A medida, caso avance nos termos propostos e entre em vigor em 1º de janeiro, pode obrigar as montadoras a rever a produção em território canadense e buscar alternativas para abastecer o mercado americano, conforme informações da Reuters.
Canadá é peça importante para as montadoras
Toyota e Honda respondem juntas por mais de 75% dos veículos fabricados no Canadá. O país produz, aproximadamente, 1,2 milhão de carros por ano, enquanto a indústria automotiva sustenta indiretamente cerca de 427 mil empregos.
Entre os modelos produzidos no país estão dois veículos esportivos do tipo SUVs importantes para as operações americanas das montadoras. São eles o RAV4, da Toyota, e o CR-V, da Honda. Ambos estão entre os utilitários esportivos mais vendidos nos EUA.
Essa dependência aumenta o risco em torno da tarifa de 50%. A cobrança representaria o dobro da alíquota atual, de 25%, e poderia tornar economicamente inviável parte da produção canadense voltada aos EUA. Tanto a Toyota quanto a Honda não comentaram o assunto com a Reuters.
Analista de automóveis da Pelham Smithers Associates, Julie Boote destacou que as duas companhias provavelmente teriam de encerrar algumas linhas de montagem no Canadá caso a medida seja implementada. "Se você realmente quisesse destruir a indústria automobilística canadense, poderia fazê-lo com essas tarifas", disse.
Mudança pode pressionar ainda mais a Honda
A ameaça chega em momentos diferentes para as duas empresas. A Honda já enfrenta dificuldades para recuperar sua operação de automóveis, que vem registrando prejuízos. A incerteza sobre o comércio na América do Norte também começa a pesar nas suas decisões de investimento.
Um executivo da montadora afirmou recentemente que a empresa pode não construir uma oitava fábrica de montagem na América do Norte se as negociações sobre o acordo comercial entre EUA, Canadá e México, denominado USMCA, não forem prorrogadas.
O tratado, que substituiu o Nafta, está em vigor há seis anos. Em julho, Trump decidiu não renová-lo e passou a submetê-lo a revisões anuais, embora as conversas entre os três países continuem, de acordo com dados compilados pela agência americana.
A Hyundai, da Coreia do Sul, também afirmou no ano passado que as dúvidas sobre o futuro do USMCA estavam atrasando suas decisões de investimento.
Toyota amplia produção nos EUA
A Toyota, por sua vez, já vem direcionando recursos para ampliar sua capacidade dentro dos EUA. No último ano fiscal, a montadora calculou que as tarifas americanas tiveram um impacto de cerca 1,4 trilhão de ienes, equivalente a US$ 8,8 bilhões.
A empresa havia anunciado, assim, um plano de investir até US$ 10 bilhões nos EUA em cinco anos. Entre os projetos está uma nova fábrica de US$ 3,6 bilhões no Texas, que deverá produzir a picape Tacoma, atualmente fabricada na Baixa Califórnia, no México.
A estratégia, porém, não resolve imediatamente o problema criado pela possível tarifa canadense. Se a cobrança entrar em vigor, Toyota e Honda teriam de encontrar capacidade adicional para atender à demanda americana.
Tarifas chegam em meio à pressão chinesa
A dificuldade é ainda maior porque as montadoras japonesas já enfrentam uma mudança no cenário competitivo global. Fabricantes chinesas de veículos elétricos de baixo custo, como a BYD, vêm ganhando espaço em mercados como Europa, Sudeste Asiático e América Latina.
Nos EUA, porém, essas empresas ainda não têm acesso à comercialização. O local é o principal mercado da Toyota e da Honda. Uma eventual redução da produção canadense, portanto, levaria as montadoras a reorganizar sua cadeia de fornecimento sem abandonar o país.
O analista sênior do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory, Seiji Sugiura, afirmou que a mudança representaria uma ruptura importante em relação ao modelo de produção adotado pelas montadoras ao longo das últimas décadas.
A dificuldade está em que outras fábricas podem não ter capacidade disponível para absorver rapidamente a produção. Além disso, veículos destinados aos EUA precisam atender a especificações e regulamentações próprias do mercado.
Todavia, não é descartada a possibilidade de um acordo que impeça a entrada em vigor das tarifas.
O Estado de S.Paulo - SP 01/09/2026
O vice-presidente da XPeng, Dr. Brian Gu, afirmou que nem todas as marcas vão sobreviver aos próximos anos, incluindo até as conterrâneas chinesas. Para o executivo, o maior desafio das empresas é conseguir se destacar em duas frentes simultaneamente: como fabricante de automóveis e como desenvolvedora de tecnologia e IA.
“Você precisa ser tanto uma empresa automotiva quanto uma empresa de tecnologia. Você será tanto uma empresa de IA quanto uma empresa de manufatura avançada. Você precisa entender como operar um dispositivo inteligente, além de construir uma cadeia de suprimentos para um produto grande e sofisticado”, disse Gu à mídia australiana.
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O vice-presidente da XPeng fez uma analogia, comparando o cenário atual das montadoras à época em que os smartphones começaram a se tornar populares:
“[O mercado de celulares] passou por uma enorme transição tecnológica. Muitas das marcas antigas tiveram dificuldades e desapareceram, aliás. Eu diria que estamos passando por isso também no mundo automotivo”, disse.
Na Austrália, marcas consolidadas mundialmente começam a apresentar dificuldades para se manter operando. A Fiat, por exemplo, parou de importar carros para o país, enquanto a importadora independente que representava a Peugeot anunciou recentemente que deixaria de representar a marca.
Em escala global, a Volkswagen está perto de cortar cerca de 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na Europa, segundo o jornal Financial Times. Esse é o plano do CEO Oliver Blume para concentrar as operações do grupo no setor automotivo, enquanto enfrenta a forte concorrência das novas marcas chinesas.
Para as fabricantes chinesas, o caminho para aumentar as receitas tem sido acelerar a expansão internacional. A intensa concorrência e o excesso de capacidade produtiva na China levaram empresas como a XPeng a buscar novos mercados.
Mesmo com as vendas no país caindo 20% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2025, cerca de 650 novos modelos foram lançados neste ano.
Para Gu, porém, isso não reflete necessariamente inovação, já que a grande maioria dos lançamentos consiste apenas em atualizações de modelos já existentes. O executivo também relativiza esse número, afirmando que poucos lançamentos realmente conseguem conquistar espaço no mercado.
“Os lançamentos de modelos na China, eu diria que muitos deles não são modelos novos, são apenas atualizações, pequenas mudanças. Por isso o número parece grande”, disse o executivo. “Mas também, você precisa olhar quantos modelos realmente [capturam] participação de mercado, certo? Quer dizer, há modelos que lançamos e ninguém se importou. Não há volume, não há vendas, e o mercado é enorme.”
Dr. Brian Gu deu as declarações em um momento em que a XPeng tenta se reposicionar na Austrália. Antes, a marca atuava por meio de um importador independente, que enfrentava dificuldades para entregar peças, entre outros problemas. A situação levou a empresa à Justiça, após acusações de má conduta.
Agora, a XPeng busca se restabelecer na Austrália com o apoio da matriz chinesa. Segundo Gu, a expansão internacional da marca tem avançado, com aumento de 126% nas entregas internacionais entre 2024 e 2025.
A expansão da montadora também inclui o Brasil. A XPeng já deu os primeiros passos para chegar ao nosso mercado e deve iniciar a venda de veículos em 2027.
CNN Brasil - SP 01/09/2026
O tempo necessário para carregar um carro elétrico começa a se aproximar daquele gasto no abastecimento de um modelo a combustão. A BYD/Denza apresentou no Festival Interlagos o Flash Charging, sistema de recarga ultrarrápida que representa um novo passo no progresso da mobilidade elétrica no país.
Com potência de até 1.500 kW — ou 1,5 megawatt — por conector CCS2, o equipamento consegue elevar a bateria de um veículo compatível de 10% a 70% em cinco minutos e de 10% a 97% em apenas nove minutos. Nesse intervalo, pode acrescentar até 400 quilômetros de autonomia, segundo a fabricante.
A demonstração foi realizada com o Denza Z9 GT, primeiro automóvel preparado para aproveitar integralmente a tecnologia. O shooting brake elétrico, equipado com bateria de aproximadamente 100 kWh, recuperou 87% da carga em pouco mais de nove minutos durante a apresentação em Interlagos.
Para entregar a potência sem exigir 1,5 MW diretamente da rede elétrica, o Flash Charging utiliza baterias estacionárias integradas. Como se fossem powerbanks. Elas armazenam energia gradualmente e liberam a carga em alta potência quando um veículo é conectado.
Essa arquitetura de estacionárias permite instalar o equipamento em locais nos quais a rede elétrica não teria capacidade para alimentar diretamente um carregador de potência tão elevada.
O carregador tem estrutura em formato de “T”, cabos suspensos e sistema que reduz o peso percebido pelo motorista. Há ainda a função Plug & Charge, que reconhece automaticamente o veículo e permite iniciar e pagar a recarga sem depender de aplicativos ou etapas de identificação.
Expansão
A BYD promete instalar mil carregadores Flash Charging no país até o final de 2027, garantiu o vice-presidente Alexandre Baldy. A primeira unidade será inaugurada em uma concessionária de Brasília, no Distrito Federal. A partir daí, a tecnologia deverá avançar para outras regiões.
O plano é permitir que a infraestrutura ajude a reduzir uma das principais inseguranças de quem ainda hesita em comprar um elétrico: o tempo perdido durante a recarga.
Vale lembrar que o novo supercarregador não atua com a mesma velocidade nos carros elétricos que já conhecemos por aqui e são maioria do mercado. Eles continuarão limitados às respectivas capacidades de carregamento.
O Flash Charging poderá representar para os elétricos de nova arquitetura aquilo que a expansão dos postos de combustíveis significou para o automóvel no século passado.
Monitor Digital - RJ 01/09/2026
A construção civil abriu 12.691 novas vagas de trabalho com carteira assinada em julho de 2026, registrando o segundo melhor desempenho entre os setores da economia brasileira no mês, atrás apenas do setor de serviços, que gerou 24.098 novos postos de trabalho. Diante do saldo nacional de 58.568 novas vagas formais, a construção respondeu por 21,67% de todos os empregos gerados no país no período.
Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e analisados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
No recorte por segmentos, as obras de infraestrutura lideraram a geração de empregos em julho, com 7.087 novas vagas. Na sequência aparecem os serviços especializados para construção, com saldo de 4.253 postos, e a construção de edifícios, com 1.351 novos empregos.
Com o resultado, a construção alcançou 3,131 milhões de trabalhadores formais, estoque 2,92% superior ao registrado em julho de 2025.
De janeiro a julho de 2026, a construção civil acumulou 180.449 novos empregos formais, garantindo também a segunda posição entre os setores que mais geraram postos de trabalho no país. O resultado representa crescimento de 1,67% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram abertas 177.483 vagas.
A infraestrutura é o principal destaque do mercado de trabalho da construção em 2026. Nos primeiros sete meses do ano, o segmento gerou 71.711 novos postos formais, ante 57.308 no mesmo período de 2025, um crescimento expressivo de 25,13%.
Na sequência aparecem a construção de edifícios, com 61.589 novas vagas entre janeiro e julho, e os serviços especializados para construção, com 47.149 postos.
Além da geração de postos de trabalho, a construção civil se destaca pela remuneração na entrada do trabalhador no mercado formal. Em julho, o salário médio de admissão no setor foi de R$ 2.634,50, o maior entre as atividades econômicas e superior à média nacional de R$ 2.419,23.
Crédito para o segmento cresce 107%, enquanto poupança tem saques de R$ 30,6 bilhões
O avanço do mercado imobiliário brasileiro em 2026 expõe um desafio que vai além do nível elevado dos juros: como financiar uma demanda crescente por recursos quando uma das principais fontes históricas desse crédito não avança no mesmo ritmo.
No primeiro semestre, os financiamentos imobiliários realizados com recursos da caderneta de poupança somaram R$ 93,7 bilhões, alta de 28,5% sobre igual período de 2025. Apenas o crédito destinado à construção alcançou R$ 26,5 bilhões, crescimento de 107%, enquanto R$ 67,2 bilhões foram destinados à aquisição de imóveis.
A relevância da poupança nessa equação está no próprio funcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE: os depósitos captados pelas instituições financeiras historicamente formam uma das bases de recursos usadas pelos bancos para conceder crédito habitacional e à produção. Em 2025, a poupança ainda representava 29% das fontes de financiamento imobiliário do país.
O problema é que, entre janeiro e junho deste ano, os saques superaram os depósitos em R$ 30,6 bilhões, embora o estoque permanecesse elevado, em R$ 764,1 bilhões. O cenário não indica falta imediata de recursos, mas revela uma pressão estrutural: o setor precisa financiar mais obras sem depender do crescimento contínuo da mesma fonte de funding.
CNN Brasil - SP 01/09/2026
O argumento é direto. Os Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã durante semanas, causaram enormes danos e exigiram grandes concessões. O Irã se recusou a se render. Seu governo continua no poder. Seus mísseis continuam sendo uma ameaça em toda a região. E, principalmente, Teerã ainda tem capacidade de interromper a navegação pelo Estreito de Ormuz, impondo custos maiores de energia aos Estados Unidos e a grande parte do mundo. Durante o verão, Trump alertou para uma depressão global caso o estreito permanecesse fechado.
É um argumento forte. Mas pode ter se mostrado prematuro.
Guerras são disputas de poder de pressão e resistência. E essa disputa parece muito diferente de apenas alguns meses atrás.
A quarta fase
A trajetória deste conflito de seis meses ocorreu em quatro fases. A primeira começou com intensos ataques aéreos em 28 de fevereiro e durou seis semanas de operações militares de alta intensidade. A segunda começou com o cessar-fogo de 7 de abril e as negociações, culminando no memorando de entendimento assinado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian em 17 de junho. A terceira começou semanas depois, quando o Irã voltou a atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, levando a outra rodada de confrontos militares entre os dois lados.
Foi naquele momento que aumentaram os pedidos para que os Estados Unidos efetivamente desistissem e cedessem o controle do Estreito ao Irã. Os Estados Unidos pareciam ter ficado sem opções.
Não tão rápido.
Desde meados de julho, os Estados Unidos retomaram o bloqueio militar aos portos iranianos e as sanções contra o comércio de petróleo do Irã. Paralelamente, os militares americanos trabalharam incansavelmente para liberar as rotas de navegação e ajudar a proteger navios comerciais que transitam pelo estreito. O resultado foi um bloqueio efetivo às exportações de petróleo iranianas, enquanto os embarques globais se recuperaram e os preços da energia permaneceram surpreendentemente estáveis. A Bloomberg informou nesta semana que o fluxo de petróleo pelo estreito havia se recuperado para dois terços dos níveis anteriores à guerra.
Isso significa que a pressão agora está se acumulando sobre o Irã, e não sobre os Estados Unidos. E, se o Irã perder sua capacidade de manter o estreito como refém, seu poder de pressão desaparecerá rapidamente.
Uma estratégia melhor para os EUA
O Irã entrou na guerra enfraquecido por anos de sanções e má gestão econômica. Sua posição hoje é consideravelmente pior.
Segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia iraniana deve encolher mais de 5% neste ano, com a inflação se aproximando de 70%. O valor da moeda iraniana caiu acentuadamente. Os preços dos produtos básicos dispararam. Um funcionário do Ministério do Trabalho do Irã estimou recentemente que mais de 1 milhão de empregos desapareceram apenas nos três primeiros meses da guerra.
Esses números são importantes porque a capacidade do Irã de sustentar o conflito depende, em última instância, de mais do que seu arsenal de mísseis remanescente. Antes da guerra, o regime iraniano enfrentava uma pressão pública sem precedentes contra seu governo repressivo e sua economia em crise. Milhares de iranianos teriam sido mortos nas ruas.
Uma estratégia americana melhor desde o início poderia ter sido uma campanha econômica para apoiar os iranianos que exigiam mudanças. A primeira fase da guerra — que eliminou a maior parte das lideranças iranianas — resultou na consolidação da Guarda Revolucionária e em novas repressões contra a maioria dos iranianos que se opõem ao regime.
Mas a Guarda precisa de recursos para governar pela força, e essa nova quarta fase — um embargo militar — é algo que o Irã nunca havia enfrentado antes. Na verdade, esta é a primeira vez desde a Revolução de 1979 que o Irã enfrenta uma quarentena sobre sua linha vital econômica através de Ormuz.
A saída para o Irã é parar de ameaçar navios no estreito e abandonar o que resta de seu programa de enriquecimento de urânio, em grande parte destruído. É um acordo que Trump aceitaria. Fazer qualquer uma das duas coisas, no entanto, do ponto de vista da Guarda, demonstraria fraqueza e ameaçaria seu governo.
As cartas do Irã
Teerã pode tentar lutar para sair desse estrangulamento. Sua estratégia nas três primeiras fases era clara: ameaçar o comércio no estreito, elevar os preços globais de energia e os preços da gasolina nos Estados Unidos, aumentar a pressão econômica global e, por fim, forçar Trump a recuar, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.
O Irã também atacou a infraestrutura energética dos países do Golfo e poderia fazer isso novamente. Sua força por procuração no Iêmen, os houthis, ameaçou fechar o comércio no Mar Vermelho com mísseis e drones iranianos.
Tudo isso significaria recorrer às mesmas táticas das primeiras fases da guerra. Estrategicamente, isso não funcionou para o Irã. Os países do Golfo não estão satisfeitos com a guerra, mas a maioria não apoia ceder às exigências que consideram de extorsão do Irã no estreito. As tentativas iranianas de fechar o estreito com drones e minas também estão agora — pela primeira vez — fracassando.
Portanto, eu não descartaria o risco de uma escalada iraniana à medida que a pressão econômica aumenta. Mas isso pode não ser suficiente, neste momento, para reduzir essa pressão. Trump parece muito mais comprometido do que os líderes iranianos aparentemente imaginavam.
Ponto de ruptura
Líderes iranianos e muitos analistas ocidentais projetam uma imunidade à pressão. O Irã nunca abandonará seu programa nuclear, nem o Estreito de Ormuz. Nem seus grupos aliados terroristas na região.
Isso é algo que todos nós devemos aceitar como um fato da vida no Oriente Médio, segundo Teerã.
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, argumentou na semana passada que o bloqueio e a pressão das sanções estão “fadados ao fracasso”, assim como, segundo ele, todas as outras campanhas que fracassaram em mudar a política iraniana.
Eu costumava ouvir a mesma coisa de especialistas sobre o Estado Islâmico, quando liderava a campanha para derrotar o grupo. E sobre o Hamas, quando negociava a libertação dos reféns mantidos em Gaza.
Na verdade, todos têm um ponto de ruptura. O Irã achou que havia encontrado o de Trump. Trump pode ainda encontrar o deles. É cedo demais para dizer.
Não é a última fase
Essa disputa, de alguma forma, pode durar até o fim da presidência de Trump e além. Ela está em andamento há quase cinco décadas.
As fases anteriores desta guerra foram prejudicadas, do lado americano, por objetivos que mudavam e eram mal definidos, posições amplamente contraditórias e declarações inconsistentes.
Mas a quarta fase parece diferente. Os militares dos Estados Unidos têm um objetivo claro, conforme descrito nesta semana pelo comandante do CENTCOM, almirante Brad Cooper. Trata-se de fazer cumprir o bloqueio ao Irã e facilitar a circulação de tráfego comercial.
O objetivo dos Estados Unidos também deveria ser claramente definido. O Irã deve abandonar suas reivindicações sobre o estreito e abrir mão do programa de enriquecimento nuclear. Até lá, este será o novo status quo.
E esse status quo — talvez pela primeira vez desde o início da guerra — agora favorece Washington, e não Teerã.
Sobre o autor: Brett H. McGurk é analista de assuntos globais da CNN e ocupou cargos de alto escalão na área de segurança nacional durante os governos de George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e Joe Biden.
Globo Online - RJ 01/09/2026
A gigante filipina ICTSI, que opera terminais portuários em Suape (PE) e no Rio, voltou à carga contra operação entre as rivais MSC e Maersk que viabiliza a participação das duas em leilão para megaterminal em Santos (SP).
Gigante filipino compra antigo Estaleiro Inhaúma, na zona portuária do RioFamília Gradin aumenta sua frota de apoio à Petrobras comprando navio que foi usado até na guerra do Iraque
A companhia asiática acaba de apresentar petição ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na tentativa de derrubar a transação junto ao Tribunal do órgão antitruste. A ICTSI alega risco à concorrência.
A operação em questão foi apresentada por MSC e Maersk, que são sócias na Brasil Terminal Portuário (BTP), terminal que já existe no Porto de Santos. As duas submeteram ao Cade um arranjo pelo qual cada uma se compromete a vender à outra sua metade da BTP caso a outra saia vencedora do leilão para operar o Tecon 10, futuro megaterminal que será erguido também em Santos. A Superintendência-Geral do Cade aprovou essa eventual operação há algumas semanas.
Inicialmente, as versões do edital para o futuro leilão proibiam os atuais concessionários do Porto de Santos de participar do certame para evitar possível concentração. Mas, embora o edital do leilão não esteja pronto, o Executivo passou a defender nos últimos meses que grupos já presentes no mercado possam participar, desde que se desfaçam de ativos em caso de vitória.
A ICTSI — que também trava disputa com a Maersk em Suape, depois de a dinamarquesa retirar suas cargas do terminal público que a filipina opera — vem protestando contra a operação, mas não foi aceita como “terceira interessada” no processo.
Processo sancionador
Agora, a firma asiática quer convencer o Tribunal do Cade — órgão que tem o poder de desfazer decisões da área técnica e da Superintendência-Geral — a não reconhecer a transação entre MSC e Maersk por tratar “de atos de concentração hipotéticos e excludentes entre si”.
A ICTSI diz que a área técnica do Cade analisou uma operação artificialmente isolada do leilão do Tecon 10, sem atentar para o fato de que, na sua avaliação, a operação não é mera reorganização societária na BTP, mas um arranjo coordenado que terá impactos na concorrência em Santos.
“O negócio a ser executado nunca se limitará apenas à consolidação de controle na BTP”, disseram os advogados da ICTSI na petição.
A companhia também quer que o Cade abra processo administrativo sancionador “para investigar conduta coordenada entre MSC e Maersk para dividir o mercado de movimentação e armazenagem de carga conteinerizada do Porto de Santos, trocar informações sensíveis e fraudar a competitividade do leilão referente ao terminal TS10.”
CNN Brasil - SP 01/09/2026
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou nesta segunda-feira (31) que o governo federal prevê que o imposto de exportação sobre petróleo será zerado em 2027 com a volta à normalidade do cenário no Oriente Médio.
A fala ocorreu durante coletiva de apresentação do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual para o próximo ano. No documento, o governo revisou para baixo a previsão do brent médio para 2026 de US$ 91,25 para US$ 79,16.
Segundo o ministro, a alíquota de 12% foi construída como "mecanismo de suavização de choque de preço", somente existindo sob a premissa da guerra e o impacto no preço dos derivados do petróleo.
Na última quinta-feira (27), o Gecex (Comitê-Executivo de Gestão) da Camex (Câmara de Comércio Exterior) prorrogou por 60 dias o imposto sobre a exportação de petróleo, a contar a partir de 8 de setembro.
Anteriormente, a Justiça já havia suspendido a primeira cobrança anunciada pelo governo. As petroleiras consideram que a medida tem argumento frágil jurídico e vem recorrendo das cobranças anunciadas pelo Executivo.
No final de julho, Moretti já havia afirmado que o imposto tem finalidade regulatória, para evitar o desabastecimento interno de petróleo na esteira da alta do preço do Brent no mercado internacional.
Ainda segundo a equipe econômica, a projeção arrecadatória com o imposto permanece em R$ 15,6 bilhões em quatro meses.
Jornal de Brasília - DF 01/09/2026
O preço do petróleo disparou mais de 6% nesta segunda-feira (31) e voltou à casa dos US$ 90 com a retomada dos ataques entre EUA e Irã nesse domingo (30).
O barril Brent, referência mundial, chegou a US$ 91,52 (R$ 475,54) por volta das 7h15 (horário de Brasília), atingindo o seu maior patamar em uma semana. O petróleo foi a US$ 92,08 na última segunda-feira (24) e caiu durante toda a semana passada, mas voltou a subir nesta madrugada.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, subia 2,19%, às 12h15, cotado a US$ 85,23 (R$ 442,86). No mesmo horário, o Brent estava a US$ 90,27 (R$ 469,04), com uma valorização de 4,82%.
A alta ocorreu já na abertura do mercado repercutindo a divulgação dos ataques dos EUA a dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz. “As forças americanas efetuaram uma ação limitada e precisa contra forças da Guarda Revolucionária que representavam uma ameaça iminente no estreito de Hormuz”, informou o Centcom (Comando Central do Exército dos Estados Unidos).
O ataque desse domingo é o primeiro conhecido dos EUA contra o Irã desde o fim de julho. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que todas as minas haviam sido detonadas ou retiradas das águas internacionais do estreito de Hormuz e que o Irã havia sido avisado de que qualquer navio ou embarcação que instalasse novas minas seria destruído.
Em retaliação, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou que lançou mísseis balísticos contra duas bases aéreas militares americanas na Jordânia, aliada de Washington, o que teria provocado “graves danos”, segundo o braço militar do Irã. Uma base dos EUA nos Emirados Árabes Unidos também foram alvos de ataques feitos por drones.
“Não buscamos a guerra, mas daremos uma resposta contundente aos agressores”, afirmou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em um comunicado citado pela televisão estatal.
O governo dos EUA afirmou que seus ataques tinham como objetivo impedir que o Irã instalasse mais minas marítimas em Hormuz.
“Esta situação parece um barril de pólvora sem fim, que continua a gerar preços elevados”, afirmou Michael Alfaro, diretor de investimentos da Gallo Partners, fundo de hedge focado em energia e indústria.
O estreito de Hormuz, por onde transitavam 20% do petróleo e gás exportados no planeta, está bloqueado por Teerã, que ataca de forma esporádica os navios que tentam atravessar a via.
A guerra começou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que respondeu com ações contra os países do Golfo aliados de Washington.
Um cessar-fogo em abril interrompeu quase 40 dias de intensos bombardeios. Em junho, um protocolo de acordo foi alcançado com a intenção de encerrar o conflito de maneira definitiva. Mas o acordo foi rompido em julho, após a retomada das hostilidades. Desde então, as negociações permanecem estagnadas.
Enquanto retoma os ataques ao Irã, Trump afirmou que planeja usar o controle recém-anunciado sobre bilhões de barris de petróleo bruto da Venezuela para recompor a reserva de emergência americana.
“Uma das coisas que farei com o petróleo venezuelano é reabastecer as Reservas Estratégicas Nacionais”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social, na qual culpou Joe Biden, seu antecessor na Presidência, por esvaziar a reserva.
Na sexta-feira (28), o presidente norte-americano anunciou acordo com a Venezuela que pode extrair 65 bilhões de barris venezuelanos nos próximos 15 anos. Segundo a líder venezuelana, Delcy Rodríguez, o acordo terá duração de 25 anos e pode elevar a produção de petróleo para 1,5 milhão de barris por dia.
Delcy classificou o acordo como “histórico” e disse que ele ajudará a recuperar a economia e aumentar as receitas do governo, além de contribuir para definir o futuro do país. Ela afirmou que o acordo “prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos”.
Infomoney - SP 01/09/2026
A petrolífera norte-americana North American Blue Energy Partners assumirá o controle de alguns campos de petróleo anteriormente controlados por cinco empresas chinesas e uma russa, disseram dois funcionários norte-americanos à Reuters nesta segunda-feira (1º).
A aquisição fará parte de um amplo acordo de produção de petróleo que o presidente Donald Trump anunciou com a Venezuela, disseram eles.
De acordo com as autoridades, os projetos estavam entre os 14 contratos recentemente concedidos à North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa apoiada pelos EUA. A NABEP pertencia anteriormente ao magnata do petróleo norte-americano Harry Sargeant e agora é controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt.
Na semana passada, Trump anunciou que os EUA garantiram acesso a cerca de 64 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria com empresas privadas.
O acordo concede às empresas americanas uma posição estratégica em alguns dos ativos petrolíferos mais importantes da Venezuela, ao mesmo tempo que desloca os interesses chineses e russos que há muito desempenham um papel preponderante no setor energético do país. Além disso, confere a Washington um papel direto na determinação de quem produz e vende o petróleo venezuelano, enquanto a administração Trump procura reformular a indústria petrolífera do país e aproximar as suas vastas reservas dos interesses econômicos e geopolíticos dos EUA.
A NABEP deverá controlar um total de 17 projetos na Venezuela, que planeja desenvolver e, em última instância, usar para fornecer petróleo aos EUA. Quatorze desses projetos serão concedidos pelo governo venezuelano, disseram as autoridades.
Cinco dos 14 contratos foram operados por empresas chinesas sob um modelo promovido pelo então presidente Nicolás Maduro, enquanto um era anteriormente operado por uma empresa russa, disseram as autoridades.
Dois dos projetos foram operados pela China Concord Resources, que foi sancionada pelos EUA em 2019 por atividades relacionadas ao Irã. Outro projeto foi operado pela Sinopec e outro pela China National Petroleum Corp, disseram as autoridades, recusando-se a identificar a quinta empresa chinesa.
“Não estamos apenas abrindo novas oportunidades para o governo dos EUA e para as empresas petrolíferas americanas, mas também estamos abrindo os Estados Unidos como mercado para esse petróleo que antes era enviado para a China”, disse o funcionário.
Outros dois projetos eram operados por afiliados de Alex Saab, um antigo colaborador próximo do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, que atualmente está sob custódia dos EUA, disseram as autoridades.
Outro campo petrolífero foi ligado a um sobrinho da esposa de Maduro, Cilia Flores, disseram as autoridades.
As autoridades disseram que as conversas entre as autoridades interinas da Venezuela e representantes da Assembleia Nacional de 2015 visam restaurar um mínimo de ordem constitucional e abordar questões legais relacionadas à transição do país.
O governo Trump considera a assembleia de 2015 como o último órgão legislativo venezuelano eleito e em funcionamento sob a constituição do país, embora não possua poder governamental formal.
Um funcionário afirmou que chegar a um acordo com a assembleia de 2015 poderia fornecer uma base constitucional e legal para uma transição mais ampla, incluindo decisões econômicas como a revitalização da indústria petrolífera da Venezuela.
Valor - SP 01/09/2026
Entendimento colocará sob controle de Washington 65 bilhões de barris de petróleo recuperável, volume superior ao total das reservas americanas comprovadas, de 46 bilhões de barris
Um gigantesco acordo de petróleo de longo prazo que deve dar aos Estados Unidos acesso a um quinto das reservas de petróleo bruto da Venezuela está levando especialistas em energia e advogados a questionar sua legalidade e eventual execução, além de cobrar dos dois governos maior transparência sobre os contratos.
O acordo sem precedentes, anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira e confirmado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, colocará sob controle de Washington 65 bilhões de barris de petróleo recuperável, volume superior ao total das reservas comprovadas dos EUA, de 46 bilhões de barris.
O acordo não passou por um processo competitivo, e suas negociações permaneceram em segredo até a semana passada, mesmo em meio a uma ampla reforma da principal lei de hidrocarbonetos da Venezuela e à migração de dezenas de joint ventures e contratos para novas condições, processo que autoridades e operadores ainda não concluíram.
Embora Trump tenha dito em uma publicação nas redes sociais na semana passada que o acordo envolveria “uma parceria com empresas privadas”, os Estados Unidos não revelaram quais companhias estão se preparando para operar os campos de petróleo em seu nome.
A North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa liderada pelo controverso investidor venezuelano Alejandro Betancourt e que tem atuado como uma ponte entre Caracas e Washington, disse ao New York Times que espera trabalhar com os Estados Unidos, em meio a reportagens segundo as quais a companhia deverá participar do acordo.
“Se o objetivo era tentar reduzir o risco de investir na Venezuela, os Estados Unidos podem estar fazendo exatamente o contrário com essa transação: enfraquecendo ainda mais o já frágil arcabouço institucional do país”, disse Luisa Palacios, pesquisadora sênior adjunta do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia.
Segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, o acordo terá duração de pelo menos 25 anos, em linha com a Lei de Hidrocarbonetos do país membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep,) e garantirá US$ 100 bilhões em investimentos e US$ 209,3 bilhões em royalties e impostos, o que deixaria cerca de US$ 19 para a Venezuela por barril produzido.
Especialistas manifestaram dúvidas sobre a legalidade do acordo, sobretudo porque caberá aos Estados Unidos, e não à Venezuela, escolher o modelo e as empresas que operarão os campos.
“Apesar de ser formalmente reconhecido pelos EUA, o acordo poderá ser questionado judicialmente no futuro”, disse Juan Carlos Apitz, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Central da Venezuela.
A Casa Branca encaminhou as perguntas da Reuters ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, que não respondeu a um pedido de comentário.
O Ministério do Petróleo da Venezuela e a estatal de energia PDVSA também não responderam aos pedidos de comentário.
A receita tributária que o país sul-americano deverá receber também parece ficar abaixo do que determina a legislação.
“Os impostos a serem arrecadados, anunciados pelo governo interino, são incrivelmente baixos”, escreveu Francisco Monaldi, do Instituto Baker da Universidade Rice, nas redes sociais no sábado. Ele criticou o que classificou como falta de transparência em torno da política petrolífera venezuelana, que está sob supervisão dos Estados Unidos desde a captura do presidente Nicolás Maduro, em janeiro.
O que é tecnicamente viável?
Os 65 bilhões de barris virão de 17 campos de petróleo, com a maior parte das reservas concentrada em oito grandes blocos na vasta Faixa do Orinoco, principal região produtora da Venezuela, e as áreas restantes distribuídas pelo Lago de Maracaibo, tradicional polo petrolífero do país e carente de investimentos, conforme uma lista vista pela Reuters.
Uma análise da consultoria Gas Energy Latin America, com sede em Caracas, concluiu que os campos contêm 63,7 bilhões de barris de reservas comprovadas, calculadas com base em um fator de recuperação de 20%, tecnicamente viável, embora ainda não alcançado. O esgotamento das reservas recuperáveis deverá levar mais de 25 anos, segundo alguns especialistas.
As áreas, no entanto, oferecem aos Estados Unidos uma combinação de ativos em campos novos e maduros, permitindo ao operador começar com uma base de produção destinada à exportação que poderá crescer à medida que sejam concluídos os reparos de infraestrutura no Lago de Maracaibo e implementados os planos de desenvolvimento das áreas ainda não exploradas da Faixa do Orinoco, que contêm petróleo extrapesado.
A participação de 55% pretendida pelos Estados Unidos na parceria ampliaria ainda mais o volume de petróleo venezuelano enviado ao país, que atualmente recebe cerca de 60% das exportações totais da Venezuela.
Diante da pressão política provocada pela alta dos preços da gasolina em meio ao conflito em curso com o Irã, Trump afirmou no domingo que os novos barris venezuelanos ajudarão a recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, que neste mês caiu para 290 milhões de barris, perto do menor nível em 44 anos.
O Estado de S.Paulo - SP 01/09/2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incluiu um projeto para construir um novo gasoduto e abastecer usinas termelétricas vencedoras do megaleilão de energia no Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
O projeto compreende a ampliação da rede da TAG (Transportadora Associada de Gás) no Nordeste e foi incluído no PAC no dia 14 de julho por decisão do Comitê Gestor do PAC, coordenado pela Casa Civil, a pedido do Ministério de Minas e Energia.
O empreendimento é privado e será executado pela própria TAG, sem recursos no Orçamento da União, segundo a Casa Civil. De acordo com a pasta, o investimento estimado é de R$ 1,5 bilhão, integralmente de responsabilidade da empresa.
O governo contratou, em março, usinas termelétricas e hidrelétricas para fornecer potência ao sistema elétrico pelos próximos 15 anos. Conforme o Estadão mostrou, o certame abriu uma disputa bilionária entre gigantes do setor elétrico e pode encarecer a conta de luz de consumidores de todo o País em mais de R$ 800 bilhões.
O leilão foi questionado em função dos preços e da concentração em três grupos — BTG, mbar e Petrobras — e chegou a ser suspenso pela Justiça, mas a decisão foi revertida e o resultado foi homologado. As primeiras usinas começaram a funcionar em agosto. A Casa dos Ventos, empresa de energia eólica do empresário Mário Araripe, atuou para anular o leilão.
A contratação de usinas termelétricas, ou seja, poluentes e com um custo maior, foi alvo de críticas do setor de energias renováveis e de associações de consumidores, ainda mais após o governo não incluir as baterias que armazenam energia solar e eólica no certame. O governo argumentou que as termelétricas são necessárias para fornecer potência quando o sistema mais precisa e lançou diretrizes para um leilão só de baterias — em escala menor.
Uma das diretrizes do Novo PAC é a transição energética, com a promoção de energia limpa. O projeto da TAG, por sua vez, serve para abastecer usinas termelétricas da empresa que entraram no leilão quando elas forem acionadas no sistema elétrico. As usinas são novas e ainda serão construídas.
A inclusão de um projeto 100% privado no Novo PAC faz com que o governo adote o empreendimento como prioritário e classifica a obra como uma estratégia nacional, mesmo não colocando recursos federais na obra.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a inclusão acelera a tramitação de processos envolvendo o projeto. O Executivo argumenta, porém, que não há benefícios tributários nem afastamento de licenciamentos exigidos.
“O Projeto Integrado de Expansão da Infraestrutura de Transporte de Gás Natural da TAG foi incluído na carteira do Novo PAC por sua relevância para a segurança energética do país”, disse a Casa Civil ao Estadão. “A inclusão do LRCAP 2026 no Novo PAC não contradiz o objetivo de transição energética. Ela decorre justamente da necessidade de conciliar transição energética com segurança energética. O ponto fundamental é que contratar potência de reserva não significa escolher térmicas em lugar de renováveis.”
O Ministério de Minas e Energia afirmou que a TAG teve novas usinas termelétricas vencedoras do leilão e avaliou a necessidade de expansão da malha para o suprimento de gás natural para a região dessas usinas.
Ainda segundo a pasta, o projeto consiste na ampliação da capacidade de transporte da malha de gasodutos da transportadora entre Alagoas e Ceará, por meio da construção de um novo gasoduto e estações de compressão, e deve ser concluído em outubro de 2028.
O objetivo é ampliar a capacidade de suprimento da malha da TAG em 7,5 milhões de metros cúbicos por dia, com foco no atendimento de novas térmicas do megaleilão.
“Considerando que as usinas têm prazo para iniciar a operação, em observância aos prazos estabelecidos nos produtos do leilão, a inclusão do projeto no Novo PAC permite o monitoramento de sua implantação, bem como viabiliza celeridade na tramitação dos processos necessários com os órgãos competentes”, disse a pasta.
A TAG afirmou ao Estadão que o projeto está em fase de estudos e serve para atender a demanda das novas termelétricas contratadas no Nordeste. “A inclusão do empreendimento no Novo PAC atesta sua relevância para o fortalecimento do mercado de gás nacional e segurança energética do País”, disse a empresa.