Diário do Comércio - MG 06/10/2026
A Prolata Reciclagem destinou corretamente mais de 5,3 mil toneladas de embalagens de aço pós-consumo em Minas Gerais em 2025. O volume corresponde a uma taxa de recuperação de 31,59%, acima da meta de 31% estabelecida pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares) para o Estado.
As ações foram realizadas em 16 municípios mineiros e envolveram quatro frentes: entrepostos, cooperativas, Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e educação ambiental. Segundo a entidade, o trabalho busca ampliar a destinação adequada das embalagens e fortalecer a cadeia de reciclagem do aço.
As cooperativas estiveram entre as frentes de atuação do programa. Em 2025, cinco unidades receberam diagnósticos sociais, econômicos e estruturais, além de treinamentos e adequações nos galpões. Também foram doados equipamentos e 837 itens de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), destinados a 150 cooperados.
Rede de pontos de entrega cresce em Minas
A rede de Pontos de Entrega Voluntária também foi ampliada ao longo do ano. Minas Gerais encerrou 2025 com 33 pontos de descarte mantidos em parceria com a Triciclo Ambipar, 26 a mais que no ano anterior.
Desse total, 31 pontos receberam e encaminharam efetivamente embalagens de aço para reciclagem. A estrutura amplia as alternativas disponíveis para os consumidores destinarem corretamente esse tipo de resíduo.
Já na frente dos entrepostos, a Prolata manteve parcerias e incorporou novos operadores, com o objetivo de assegurar o fluxo das latas de aço e a rastreabilidade dos materiais.
Ações alcançaram 16 municípios
As iniciativas executadas diretamente pelo Programa Prolata chegaram a 16 municípios, entre eles Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Uberaba, Juiz de Fora, Contagem, Montes Claros e Pouso Alegre.
Por meio de parcerias com outras entidades gestoras, as operações alcançaram as 26 Unidades Regionais de Gestão de Recursos (URGRs) de Minas Gerais.
“Os resultados de 2025 em Minas Gerais demonstram avanços consistentes na reciclagem de aço. Conseguimos apoiar cooperativas, ampliar a rede de pontos de entrega e assegurar a destinação correta de mais de 5 mil toneladas de embalagens. Esses números reforçam nosso compromisso com a economia circular no Estado”, afirma a gerente executiva da Prolata Reciclagem, Cristine Fulchini.
Valor - SP 06/10/2026
Avaliação é do Instituto E+ que estudou descarbonização da siderurgia em diversos países
O aço verde, ou com baixa emissão de carbono, pode ser um diferencial do Brasil em nível global em meio a um mercado inundado pelo produto chinês, sugere levantamento do Instituto E+ Transição Energética e Transformação Industrial. Entre os ativos nacionais para viabilizar essa agenda, a instituição destaca a abundância de eletricidade gerada a partir de fontes renováveis, além do biogás como opção de rota de descarbonização.
“A gente tem um minério de ferro de altíssima qualidade, melhor do que nossos ‘concorrentes mundiais’. As reservas no Pará são tidas como de alta concentração de minério de ferro. E temos a energia limpa. Por que a gente não deslancha nisso?”, questiona a diretora executiva da instituição, Rosana Santos.
A instituição admite que, especialmente diante de um mercado com cadeias de suprimento em disputas geopolíticas, a necessidade de uma demanda para os produtos é uma realidade ainda mais flagrante, mas cita segmentos de nicho como automóveis de luxo ou festivais que já apostam no insumo verde como diferencial. Destaca também a contribuição que as contas públicas podem ter como incentivadoras.
Há, no entanto, gargalos como a própria divergência na definição de aço verde, além de dificuldade de financiar iniciativas de descarbonização, a necessidade de investimento em infraestrutura para eventuais adaptações e as dificuldades envolvendo soluções regionais, já que rotas de maior viabilidade nacional, como a do biogás, têm mais resistência que a que sugere a adesão de hidrogênio verde, que ainda não decolou mesmo em nível global.
“A diplomacia brasileira terá que entrar em campo para defender uma rota que é baseada em biomolécula, e isso, dependendo do fórum onde você está, é praticamente ‘xingar a mãe’. Mas essa rota, é importante dizer, já produz um aço a custo de mercado, e um aço de alta qualidade a preço de mercado”, destaca.
Para analisar as oportunidades e gargalos nesta frente, o instituto analisou o que países como Alemanha, Suécia, Japão, Estados Unidos, China e União Europeia estão fazendo para descarbonizar a siderurgia. Ao Valor, a diretora destacou as iniciativas suecas como lições a serem observadas.
“O que a gente vê ali é que a cartilha foi aplicada. Você tem um mandato, demanda, seja ela doméstica ou internacional, um processo de certificação, contabilidade, e uma grande diplomacia internacional para que o que você está fazendo seja aceito internacionalmente”, cita.
Ela destaca ainda investimento em pesquisa e desenvolvimento e uma conexão da universidade com a indústria local, e financiamento adequado. Além disso, o país conta com um norte abundante em energia limpa, e tem usado isso para atração de mercados numa espécie de “powershoring” europeu.
Apesar da diferença na oferta de recursos, Rosana destaca que o Brasil não é “neófito” na criação de indústrias, citando exemplos como a Embraer, ou a cadeia de energia eólica, ainda que esta última esteja num momento ruim.
“Dá para tirar exemplos de como adaptar isso para uma estruturação que não tem a mesma quantidade de dinheiro da Suécia, mas se aproveitando dessa onda de que vários desses países europeus estão com interesse de investir no Brasil e que grande parte das indústrias que estão no Brasil também são multinacionais”, cita. Para ela, esta agenda, se bem articulada, pode atuar como impulsionadora da reindustrialização do país.
“Se a gente pegar 20% desse minério de ferro que a gente está exportando e resolver fazer alguma coisa diferente, ou seja, beneficiar um pouco mais esse minério aqui, em território nacional, nós estamos falando em pontos percentuais de PIB [Produto Interno Bruto]”, sugeriu em referência ao insumo utilizado na fabricação do aço.
O Estado de S.Paulo - SP 06/10/2026
O endividamento cresceu 4,2 pontos porcentuais em oito meses não em razão de uma crise econômica ou de uma pandemia, mas como o resultado da política fiscal irresponsável de Lula
A dívida bruta atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). Foi o maior patamar desde março de 2021, quando o indicador estava em 85,1% do PIB, durante a pandemia de covid-19. Mais grave do que o nível elevado, no entanto, é o ritmo de crescimento do endividamento de 4,2 pontos porcentuais nos oito primeiros meses do ano, superado apenas pelo avanço registrado em 2020, quando o aumento foi de 11,3 pontos porcentuais.
Em 2020, o País havia acabado de autorizar um aumento emergencial de gastos para compensar as consequências da pandemia na atividade econômica, no nível de emprego e na arrecadação de União, Estados e municípios. Era uma situação excepcional, consequência da necessidade de adoção de distanciamento social, principal medida recomendada pelas autoridades para evitar o contágio e preservar vidas quando ainda não havia vacinas. A dívida bruta atingiu um pico de 87,6% do PIB em outubro de 2020, mas depois recuou ao longo de 2021 e 2022.
O crescimento da dívida pública neste ano, no entanto, nada tem a ver com isso. Não se trata de algo circunstancial nem de uma resposta a uma crise econômica ou a uma emergência sanitária global, mas o resultado da política fiscal expansionista do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), exacerbada neste ano em razão das eleições. Ademais, a perspectiva é a de que o endividamento continue a subir nos próximos meses e alcance 87,3% em 2027 e 90,4% em 2028, de acordo com a mediana das expectativas do Sistema de Expectativas de Mercado, que dá base às projeções do Boletim Focus do Banco Central.
Atribuir esse avanço à taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, é cômodo para a equipe econômica. Mas a Selic, sozinha, não explica o fato de a dívida bruta na proporção do PIB ter subido 11 pontos porcentuais desde o início do terceiro mandato do petista. Embora o Ministério da Fazenda insista na defesa do arcabouço fiscal e afirme ter entregado uma consolidação fiscal de cerca de 2% do PIB, não há dúvida de que a âncora não foi suficiente para conter os gastos, nem de que as medidas para recuperação de receitas não funcionaram a contento.
É verdade que o Brasil não está sozinho nessa toada. A dívida bruta global chegou a US$ 365 trilhões no primeiro semestre deste ano, o equivalente a 311% do PIB mundial. A guerra no Oriente Médio, a disparada das cotações do barril de petróleo e a resiliência da inflação no pós-pandemia dificultam a redução dos juros no mundo todo. O problema é que a dívida brasileira é bem mais elevada do que a da maioria dos países emergentes – a média é de cerca de 70% do PIB, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) – e bem mais cara do que a das economias ricas.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o rendimento dos títulos de 30 anos chegou a bater 5,61% na quinta-feira passada, o maior nível desde junho de 2002. No Reino Unido, os juros da dívida em papéis de 30 anos atingiram 6%, recorde desde 1998. Na França, o seu custo para títulos de 10 anos foi o maior dos últimos 25 anos. Tudo isso amplia nossa vulnerabilidade e afasta investidores estrangeiros interessados no diferencial entre as taxas cobradas no Brasil e no exterior.
Embora o tema do ajuste das contas públicas tenha sido ignorado durante a campanha eleitoral, o presidente eleito terá necessariamente de enfrentá-lo já em 2027, sob pena de termos de arcar com taxas de juros demasiadamente elevadas pelos próximos anos. Restabelecer a credibilidade fiscal é o primeiro e mais urgente dos desafios, tendo em vista a probabilidade de que novas medidas eleitoreiras sejam lançadas até o fim do segundo turno, piorando uma situação que já não é favorável.
Apesar do esforço da equipe econômica em sinalizar um superávit primário no ano que vem, Lula se recusa a dar respaldo à promessa. Já seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), garante que fará um “tesouraço” nas contas públicas, mas é evasivo em relação às medidas que pretende adotar para atingir esse objetivo. Independentemente de quem vença as eleições, a trégua terá curtíssimo prazo.
Infomoney - SP 06/10/2026
A chance de o Comitê de Política Monetária (Copom) acelerar o ritmo de cortes da Selic para 0,50 ponto percentual em dezembro subiu de 18% para 45% nesta segunda-feira (5), segundo o mercado de opções digitais de Copom, o que deixa os investidores praticamente divididos para a última reunião do ano. O movimento ocorre no primeiro pregão depois do primeiro turno das eleições presidenciais, em dia de forte rali nos juros futuros e de queda na percepção de risco do país.
O CDS (credit default swap) de cinco anos do Brasil, instrumento que funciona como um seguro contra calote da dívida soberana e é usado como termômetro do risco-país, recuou 20 pontos-base em relação ao fechamento anterior, para 113 pontos-base, segundo a S&P Global Market Intelligence.
Para o encontro de 5 de novembro, a probabilidade de corte de 0,25 ponto avançou de 62,8% para 77%, enquanto a de uma redução de 0,50 ponto já no mês que vem passou de 7% para 12%. Já a aposta na manutenção da Selic em 13,75% caiu de 27% para 5%.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 99,99% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dois voltam a se enfrentar no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Novo “Flávio Day” leva juros do Tesouro Direto à maior queda desde 2008
Prefixado 2032 recuou 120 pontos-base e IPCA+ 2050, 74, na abertura do primeiro pregão depois do primeiro turno das eleições, em dia de expectativa de fechamento da curva de juros
Na curva de juros futuros, as taxas indicam Selic de 12,50% no fim de 2027, nível ainda acima da mediana de 12% projetada pelo Boletim Focus divulgado nesta manhã. A queda das taxas, porém, se concentra nos vencimentos mais longos, já que o resultado das urnas afeta sobretudo os prêmios de risco ligados à política fiscal, e em menor grau as estimativas sobre a condução da política monetária pelo Banco Central.
Em relatório divulgado nesta segunda, o braço global de gestão de fortunas do UBS passou a adotar como cenário-base o que chama de “ajuste fiscal mais profundo e duradouro”. Segundo o banco, a maior probabilidade de troca de governo, somada à composição do novo Congresso, eleva as chances de uma âncora fiscal crível, com regra de gastos vinculante, reforma das despesas obrigatórias e dos mecanismos de indexação e uma trajetória de superávit primário em que o mercado confie.
Nesse cenário, o UBS espera queda dos juros nominais e reais, liderada pelos vencimentos intermediários da curva. O banco pondera que o Banco Central deve seguir cauteloso enquanto as expectativas de inflação estiverem acima da meta de 3%, o que tende a tornar o ajuste gradual. Ainda assim, um real mais forte “daria ao Banco Central espaço para acelerar os cortes de juros além do ritmo atual de 25 pontos-base por reunião”, aponta o relatório.
Para o UBS, o principal risco a esse cenário é uma mudança expressiva na preferência dos eleitores antes do segundo turno.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/10/2026
O futuro presidente do Brasil, eleito no segundo turno, enfrentará grandes desafios econômicos que exigirão articulação estratégica com o Congresso Nacional e a implementação de medidas de alto impacto na vida da população brasileira. Especialistas analisam as principais pautas econômicas que nortearão o próximo governo, avaliando as sinalizações de cada campanha e o cenário atual do país.
Resumo
O próximo presidente do Brasil enfrentará desafios econômicos críticos, incluindo uma dívida pública crescente e a necessidade de ajuste fiscal urgente. A política monetária e o controle da inflação dependem diretamente da credibilidade fiscal do novo governo para permitir a queda da taxa Selic. A regulamentação da Reforma Tributária, gastos públicos e a condução do comércio exterior são outras pautas essenciais para a estabilidade econômica.
Para detalhar o que deve pautar a economia em um próximo governo e as sinalizações de cada campanha, a reportagem conversou com Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management; Samuel Pessoa, pesquisador associado do FGV IBRE e chefe da pesquisa econômica da Julius Baer Brasil; e Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas Asset.
Eles avaliaram o cenário considerando as políticas em curso, caso o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, e o que se observou no governo anterior de Jair Bolsonaro, além das sinalizações feitas pelas equipes econômicas dos concorrentes na primeira fase da campanha.
Ainda há pouca informação detalhada sobre as propostas que poderiam ser implementadas e, principalmente, como elas seriam colocadas em prática.
Política fiscal: como frear a dívida pública?
O ajuste fiscal é considerado o tema mais urgente, segundo os economistas, pois o país precisa desacelerar a trajetória de crescimento da dívida pública, que em agosto atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
O problema é que 90% dos gastos são obrigatórios e, para resolver essa questão, seria preciso elaborar propostas de impopularidade elevada. As medidas exigirão a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) no Congresso e negociação com o Supremo Tribunal Federal (STF) para resistir às inevitáveis judicializações.
“Se nada for feito, a dívida pública pode crescer cerca de 5 pontos percentuais do PIB ao ano, atingindo a marca de 100% do PIB em 4 anos”, alerta Solange Srour.
“O desafio do presidente Lula é achar um equilíbrio entre os interesses dos mais pobres, mas que, simultaneamente, atenda à capacidade da economia de entregar resultados”, avalia Samuel Pessoa.
A avaliação é de que o atual governo aposta em brechas no arcabouço fiscal e no aumento contínuo de arrecadação para fechar as contas, sem conter a expansão real de despesas.
Em um eventual futuro governo de Jair Bolsonaro, a tendência é que ele enfrente menor resistência para aprovar as reformas no Congresso — ainda mais após o 1º turno das eleições, marcado por uma onda conservadora que não havia sido captada pelas pesquisas.
A candidatura do PL aposta em um “choque de credibilidade” pró-mercado, respaldado por nomes de perfil liberal na equipe econômica, como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e ex-braço direito de Paulo Guedes, e Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro de Minas e Energia.
No entanto, surgem dúvidas se Jair Bolsonaro usaria o capital político de início de mandato para aprovar tais reformas ou se essa força seria direcionada para pautas jurídicas, incluindo a revisão da pena aplicada ao seu pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe. “Ele pode ter a habilidade de tocar as duas pautas [econômica e jurídica] ao mesmo tempo, mas essas questões geralmente demandam uma energia e capital político muito grande”, avalia Ivo Chermont.
Nenhum dos candidatos, seja Lula ou Jair Bolsonaro, detalhou medidas de corte de gastos durante o primeiro turno da campanha. A tendência é que se mantenham neutros por se tratar de uma pauta impopular que pode custar votos. Diante dessa falta de sinalização, o vencedor precisará fazer anúncios fiscais convincentes logo após a eleição — antes mesmo de assumir o governo —, para evitar uma piora das expectativas, depreciação do câmbio e alta dos juros longos, avalia Srour.
Gastos públicos: a urgência de reformas
Os economistas avaliam que a medida mais urgente é harmonizar o crescimento das despesas com a regra do arcabouço fiscal, o que exige rever a vinculação automática das despesas de saúde e educação à receita corrente líquida, bem como alterar a fórmula de reajuste do salário mínimo.
Solange Srour defende ainda o redesenho dos programas sociais, ampliados após a pandemia. Isso poderia ser feito focando na qualificação profissional e na eficiência alocativa para atender à transição demográfica do país.
Ivo Chermont cita também como prioridade uma reforma administrativa ampla que reorganize as carreiras públicas, a eliminação de supersalários no Executivo, Legislativo e Judiciário, a revisão do volume de subvenções concedidas a setores privados e o aumento da transparência sobre as emendas parlamentares obrigatórias.
Neste quesito, o governo Lula tem demonstrado forte resistência em alterar as regras do salário mínimo e a vinculação das verbas de saúde e educação. Do lado de Jair Bolsonaro, as promessas focam na redução do tamanho do Estado mediante a extinção de ministérios, suspensão de concursos e enxugamento administrativo. No entanto, os economistas ressaltam que ações administrativas têm pouco impacto financeiro frente ao peso das despesas obrigatórias.
Política monetária e o controle da inflação
A condução da taxa básica de juros (Selic) está diretamente condicionada ao ritmo da política fiscal. Para que o Banco Central consiga promover um ciclo sustentável de corte de juros e trazer a inflação para a meta de forma duradoura, o Poder Executivo precisa entregar um ajuste fiscal crível, capaz de ancorar as expectativas de longo prazo e valorizar o câmbio.
Além do cenário interno, há pressões externas que vão impactar a inflação em 2027. Srour cita os impactos climáticos do El Niño, os custos de transição da Reforma Tributária sobre o setor de serviços e a eventual aprovação do fim da jornada 6x1, o que vai exigir prudência monetária, independentemente do vencedor.
Sob um novo governo Lula, e se houver a manutenção do atual modelo fiscal, a tendência é que a taxa Selic se mantenha em patamares elevados ao redor de dois dígitos por tempo prolongado.
Chermont aponta que, embora a diretoria do Banco Central liderada por Gabriel Galípolo venha atuando com independência e aderência ao ciclo econômico, a falta de apoio do lado fiscal impede que os juros caiam para níveis confortáveis. Ele explica que os gastos colocam mais dinheiro na economia, pressionando a demanda e elevando a inflação que, por sua vez, exige juros altos para ser contida.
Para Jair Bolsonaro, a expectativa do mercado é de uma reação positiva nos preços dos ativos e no câmbio. Caso consiga sinalizar reformas fiscais estruturais logo no início, a taxa Selic poderia recuar para a faixa entre 11% e 11,5%, segundo Chermont. Este patamar, contudo, seria limitado pelo cenário de juros elevados nos Estados Unidos.
Comércio exterior: qual o alinhamento?
A condução recente do Itamaraty no governo Lula 3 tem sido proativa e pragmática, o que deve ser preservado, independentemente de quem vencer, avalia Pessoa.
Srour também não vê espaço para grandes rupturas em relação aos EUA, China ou Europa em eventuais governos do PT ou PL. Ela destaca que a China permanece como o maior parceiro comercial do agronegócio e da mineração brasileira, enquanto os Estados Unidos e a Europa são fontes vitais de capital e tecnologia.
Neste contexto, a prioridade para o próximo presidente deve ser aprofundar acordos de integração e evitar medidas protecionistas ou alinhamentos ideológicos automáticos que resultem em retaliações.
Na avaliação de Chermont, a vitória de Jair Bolsonaro traria um alinhamento político mais forte com os EUA de Donald Trump e aproximação com a Argentina, além de maior flexibilidade em concessões, como no caso da exploração das terras raras. No entanto, as forças comerciais impedem um rompimento relevante com a China. Já o governo Lula tende a manter uma postura externa mais combativa e resistente a concessões.
Regulamentação da Reforma Tributária
A principal tarefa para o ciclo 2027–2030 é concluir a reforma tributária, definindo as alíquotas do IVA/CBS e do Imposto Seletivo, para dar segurança jurídica ao setor produtivo antes do início da transição.
Srour defende que o país não deve reabrir o texto constitucional já aprovado para criar novas exceções ou regimes favorecidos, uma vez que cada benefício concedido eleva a alíquota padrão paga pelos demais setores. Para ela, a prioridade de ambos os candidatos deve ser a de garantir a estabilidade das regras para que a transição ocorra sem sobressaltos.
Para Pessoa, a reforma tributária é o grande legado estrutural do atual mandato. Em um eventual quarto mandato de Lula, o andamento não deve sofrer alterações.
Já a candidatura de Jair Bolsonaro sinalizou a intenção de “pausar” a implementação para promover uma “reforma da reforma” e rever pontos aprovados. Pessoa alerta para os riscos de retrocesso e insegurança jurídica ao se reabrir a discussão no Congresso, e Solange Srour destaca que adiar a regulamentação prejudicará o planejamento das empresas e aumentará as incertezas no ambiente de negócios.
Veja - SP 06/10/2026
O setor de serviços brasileiro perdeu força em setembro e voltou a operar em território de retração, em um sinal de que a economia começa a sentir com mais intensidade os efeitos dos juros elevados e da cautela de empresas e consumidores.
O PMI de serviços, calculado pela S&P Global a partir de uma pesquisa com empresas, caiu de 50,5 pontos em agosto para 49,2 em setembro.
É a primeira vez desde outubro de 2025 que o indicador aponta contração tão forte. No PMI, resultados acima de 50 indicam expansão da atividade; abaixo disso, retração.
O resultado não significa que o setor inteiro tenha parado de crescer ou que o PIB esteja necessariamente em queda.
O PMI é um indicador antecedente, baseado na percepção de empresas sobre pedidos, produção, emprego e preços. Seu principal valor está em mostrar mudanças de direção da economia antes que elas apareçam em estatísticas oficiais mais abrangentes.
E o sinal de setembro foi de perda de fôlego.
Demanda mais fraca atinge pedidos e emprego
A pesquisa mostra que o problema começou principalmente na demanda. Empresas relataram restrições nos orçamentos de clientes, competição mais intensa, menor procura por serviços e cancelamento ou adiamento de projetos.
Os novos pedidos caíram pelo quarto mês em um intervalo de sete meses. A atividade também recuou, embora de maneira considerada leve.
O enfraquecimento da demanda começou a chegar ao mercado de trabalho. As empresas reduziram o número de funcionários em setembro, no ritmo mais rápido dos últimos três meses. Foi o terceiro recuo do emprego no setor nos quatro meses anteriores.
Isso é particularmente relevante para a economia brasileira porque serviços é um setor amplo e heterogêneo, que reúne desde restaurantes, transporte e turismo até tecnologia, telecomunicações, serviços financeiros, consultorias e atividades empresariais.
Uma desaceleração nesse segmento pode afetar simultaneamente consumo, contratação e investimento.
Juros ainda restringem a atividade
O resultado aparece em um momento em que a política monetária continua bastante restritiva.
O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano em setembro, mas manteve uma taxa que ainda encarece o crédito para famílias e empresas.
Na ata da reunião, o Copom afirmou que os indicadores mais recentes apontavam para uma moderação gradual da atividade, sobretudo nos setores mais sensíveis aos juros.
O mecanismo é relativamente direto: quando o custo do dinheiro permanece alto, financiamentos ficam mais caros, empresas tendem a ser mais seletivas na abertura de projetos e consumidores adiam compras que dependem de crédito.
Esse efeito costuma aparecer primeiro nos segmentos mais dependentes de financiamento e de decisões discricionárias de consumo e investimento.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho ainda vinha mostrando resistência, o que ajuda a impedir uma desaceleração mais brusca.
Dado oficial mais recente ainda mostrava economia de serviços resistente
Os números do IBGE disponíveis até agora não capturam setembro. A Pesquisa Mensal de Serviços, cuja próxima divulgação está prevista para 14 de outubro, tem julho como dado oficial mais recente.
Em julho, o volume de serviços ficou estável na comparação com junho. Apesar da falta de crescimento no mês, o setor ainda estava 20% acima do nível registrado antes da pandemia, em fevereiro de 2020. No acumulado de 12 meses, o volume crescia 2,4%.
Essa diferença entre os indicadores ajuda a entender a importância do PMI. Enquanto a estatística do IBGE mede a evolução efetiva do volume de serviços, o índice da S&P funciona como uma sondagem de empresas sobre as condições correntes e as perspectivas de negócios.
Por isso, o PMI de setembro pode ser interpretado como um sinal de que a perda de velocidade observada ao longo de 2026 pode estar se aprofundando.
Eleições aumentam a cautela das empresas
A pesquisa também captou o ambiente político às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais.
Parte das empresas relatou cautela diante da incerteza política e econômica, além de impactos de greves e da falta de investimentos. A avaliação é que uma eventual disputa em segundo turno poderia prolongar o período de espera antes de decisões de investimento.
Há, porém, uma contradição importante no levantamento: embora as empresas tenham reduzido pedidos, produção e emprego no curto prazo, elas ficaram mais otimistas em relação ao médio prazo.
A expectativa é de que a definição do cenário político permita maior previsibilidade e, consequentemente, facilite a retomada de investimentos e da demanda.
Isso não significa que as empresas estejam projetando uma forte aceleração imediata. É mais uma indicação de que parte do setor vê a fraqueza atual como uma fase de transição.
Inflação dá um sinal mais favorável
Um dos poucos pontos positivos do levantamento apareceu justamente no comportamento dos preços.
Os custos das empresas continuaram subindo, pressionados por itens como combustíveis, alimentos, metais, materiais elétricos, produtos químicos, embalagens, papel e madeira. Mas a velocidade dessa alta caiu para o menor nível em seis meses.
O repasse desses custos aos consumidores também perdeu força. Os preços cobrados pelos prestadores de serviços aumentaram no ritmo mais lento em oito meses.
Para o Banco Central, esse movimento é importante porque serviços são uma parcela relevante da inflação e, em alguns segmentos, os preços respondem menos imediatamente à queda da demanda.
Se a desaceleração da atividade continuar ajudando a limitar reajustes, o enfraquecimento dos serviços pode contribuir para reduzir as pressões inflacionárias.
Mas o cenário ainda está longe de estar resolvido.
O relatório Focus divulgado nesta segunda-feira mostra que o mercado elevou a projeção de inflação de 2026 para 5,01%, acima do teto de 4,5% estabelecido para a meta. A previsão para o crescimento do PIB também foi reduzida, para 1,85%.
Ou seja, a economia enfrenta simultaneamente um crescimento mais fraco e uma inflação ainda acima do desejado pelo Banco Central.
PMI composto mostra perda de força mais disseminada
O enfraquecimento também não ficou restrito aos serviços.
Quando o indicador é combinado com a indústria, o PMI Composto caiu de 49,1 em agosto para 47,4 em setembro. Foi a maior retração da atividade privada brasileira em um ano, segundo a S&P Global.
O número abaixo de 50 indica que a redução da atividade atingiu uma parcela mais ampla da economia pesquisada.
Ainda assim, é importante não transformar o resultado em uma previsão automática de recessão. O PMI é uma pesquisa mensal de empresas e pode oscilar por fatores temporários. A confirmação sobre o comportamento efetivo da economia depende dos indicadores oficiais de produção, comércio, serviços, emprego e PIB.
O que o resultado de setembro mostra, por enquanto, é uma economia que entrou no último trimestre do ano com menos impulso.
E, para o próximo governo, o desafio será conciliar a necessidade de reduzir a inflação e manter a credibilidade fiscal com a criação de condições para que consumo, investimento e atividade voltem a ganhar velocidade.
Infomoney - SP 06/10/2026
A Vale (VALE3) ficou de fora da euforia que tomou conta da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (5). Enquanto o Ibovespa disparava mais de 8% após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, as ações da mineradora operavam em queda.
O contraste chegou a ser ainda maior durante a sessão. A Vale abriu a R$ 73,38, alcançou R$ 74,27 na máxima e caiu até R$ 69,51, antes de recuperar parte das perdas. O Ibovespa, por sua vez, atingiu 209.605 pontos na máxima, novo recorde intradiário.
No ano, VALE3 acumula valorização de 1,68%, enquanto o Ibovespa avança 28,42%.
O movimento não é exclusivo de VALE3. Suzano e Embraer também operavam em queda em meio à disparada do Ibovespa, enquanto bancos, varejistas, construtoras e outras empresas mais sensíveis aos juros lideravam os ganhos.
No caso da Vale, há uma combinação particular: além da forte valorização do real, o minério de ferro entrou no feriado chinês pressionado e o gráfico da ação ainda não confirmou uma reversão do movimento de baixa.
Petrobras, Vale, Itaú e BB após eleição: até onde ações podem subir?
Reação dos ativos brasileiros em Nova York aumenta expectativa para a abertura; gráficos mostram resistências e suportes de PETR4, VALE3, ITUB4 e BBAS3
VALE3 ainda precisa confirmar reação no gráfico
Apesar da recuperação observada na parte final do pregão, a configuração técnica de VALE3 ainda não indica uma reversão clara.
A ação permanece dentro do canal de baixa iniciado após a máxima de R$ 89,41 e negocia entre as médias móveis de 9 e 21 períodos.
Para que a recuperação ganhe consistência, o papel precisa superar as médias curtas e avançar em direção aos R$ 77,55.
Acima desse patamar, as próximas resistências aparecem em R$ 81,31, R$ 83,35 e R$ 87,58, antes da máxima de R$ 89,41.
O IFR de 14 períodos (Índice de Força Relativa, indicador que mede a intensidade dos movimentos de preço) estava em 49,29 pontos na leitura feita com base no pregão anterior, região neutra, sem sinal de sobrecompra ou sobrevenda.
O pregão desta segunda também ajudou a testar o lado inferior do gráfico. VALE3 caiu até R$ 69,51, mas permaneceu acima da mínima recente de R$ 68,67, referência importante para a leitura técnica.
A perda dos R$ 68,67 pode reforçar a pressão vendedora e abrir espaço inicialmente para R$ 64,11. Abaixo, aparecem R$ 58,67, R$ 56,81 e R$ 54,75.
Na outra ponta, mesmo a máxima de R$ 74,27 desta segunda-feira ainda ficou abaixo dos R$ 77,55. Assim, o papel terminou o dia entre as duas principais referências de curto prazo, sem romper nem o suporte recente nem a primeira resistência capaz de dar maior consistência à recuperação.
Real forte também entra nas contas da Vale
O câmbio ajuda a explicar o descolamento de VALE3 em relação à Bolsa nesta segunda-feira.
O dólar chegou a cair abaixo dos R$ 5, acompanhando a forte reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno.
Como a Vale é uma grande exportadora e possui parcela relevante de suas receitas atrelada ao dólar, uma valorização forte do real reduz, na conversão cambial, o valor dessas receitas em moeda brasileira.
O câmbio, porém, não explica sozinho o desempenho de VALE3. Minério de ferro, China, custos e expectativas para a demanda global também entram na formação de preço da ação.
A sessão mostra ainda uma forte rotação dentro da Bolsa: investidores privilegiam empresas mais expostas à economia doméstica e à queda dos juros, enquanto algumas exportadoras ficam para trás.
Minério entrou no feriado chinês na mínima de dois anos
O cenário da principal commodity da Vale adiciona outra camada de pressão.
A referência física mais recente da Platts, o IODEX — índice do minério de ferro entregue à China e atualmente normalizado para 61% de teor de ferro — foi avaliada em US$ 91,05 por tonelada seca em 2 de outubro, queda de US$ 1,15 no dia e menor nível em aproximadamente dois anos.
Com o mercado futuro chinês fechado nesta semana, por causa do feriado nacional, não há nova cotação sendo formada em Dalian nesta segunda-feira.
A ausência dos compradores chineses também reduz a atividade no mercado físico. Algumas ofertas de cargas apareceram durante o feriado, mas não puderam ser efetivamente testadas junto ao mercado mais amplo, segundo informações da Platts compiladas pelo Bradesco BBI.
China vira próximo teste para o minério
A retomada das negociações chinesas deve devolver ao mercado uma de suas principais referências para a commodity.
Até lá, investidores acompanham as avaliações do mercado físico, o comportamento das grandes mineradoras internacionais e as expectativas para a demanda das siderúrgicas chinesas.
Para a Vale, essa combinação ajuda a explicar o forte descolamento desta segunda-feira. Enquanto o Ibovespa dispara com a reprecificação eleitoral e o mercado privilegia ações domésticas, VALE3 enfrenta simultaneamente um real mais valorizado, minério físico nas mínimas dos últimos dois anos e uma estrutura gráfica que ainda exige confirmação de melhora.
No curto prazo, R$ 77,55 segue como a primeira barreira importante para uma recuperação mais consistente. Do lado de baixo, R$ 68,67 permanece como o nível técnico mais próximo a acompanhar.
Veja - SP 06/10/2026
A Volkswagen Caminhões e Ônibus está ampliando sua aposta em veículos de menor emissão no Brasil em um momento em que a indústria mundial de caminhões passa por uma mudança tecnológica acelerada.
A empresa começa a vender o Constellation movido a biometano e apresenta duas novas versões elétricas do e-Delivery, de 12 e 17 toneladas.
O movimento ocorre em um mercado ainda pequeno no Brasil, mas que começa a ganhar espaço e já é dominado por fabricantes chinesas. No primeiro semestre de 2026, foram emplacados apenas 162 caminhões elétricos no país.
A JAC respondeu por 98 deles, mais de 60% do total, enquanto Foton e Sany ficaram nas posições seguintes. A Volkswagen registrou nove unidades.
A situação é diferente na China, onde os caminhões elétricos deixaram de ser um nicho.
Em 2025, foram vendidos cerca de 457 mil veículos médios e pesados de zero emissão no país, quase o dobro do ano anterior.
Os caminhões pesados e cavalos mecânicos responderam por cerca de 232 mil unidades, quase três vezes o volume de 2024.
A diferença de escala ajuda a explicar a pressão que as fabricantes chinesas vêm exercendo sobre as montadoras tradicionais.
O país reúne fabricantes de caminhões, empresas de baterias, fornecedores de componentes e infraestrutura de recarga em uma cadeia industrial muito mais desenvolvida para veículos elétricos.
Em 2025, mais de 90% da produção mundial de caminhões elétricos estava concentrada na China.
No Brasil, essa vantagem começa a aparecer no mercado. A JAC liderou as vendas de caminhões elétricos no primeiro semestre, enquanto Foton e Sany também ganharam espaço. Em 2025, JAC, Foton e Volkswagen concentraram mais de 80% das vendas de caminhões e ônibus elétricos no país, segundo levantamento do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT).
A ofensiva chinesa
A expansão das fabricantes chinesas não se limita a carros de passeio.
Empresas como JAC, Foton, Sany e XCMG avançam também no transporte comercial, justamente em uma área na qual a eletrificação pode oferecer ganhos econômicos importantes.
Na China, a expansão foi favorecida pela combinação entre escala industrial, queda no preço das baterias, políticas públicas e infraestrutura de recarga.
Em operações de curta e média distância, o custo de utilização do caminhão elétrico pode ser competitivo com o diesel, especialmente quando o veículo retorna regularmente à mesma base para recarregar.
A XCMG, por exemplo, fechou recentemente no Brasil um contrato para fornecer 251 caminhões elétricos de grande porte à transportadora Navarini, em um negócio estimado em cerca de 500 milhões de reais.
O acordo mostra que a disputa deixou de estar restrita a pequenos veículos urbanos e começa a chegar também ao transporte pesado.
É nesse ambiente que a Volkswagen tenta ampliar sua oferta.
Uma Volkswagen sob pressão
A ofensiva acontece enquanto o grupo Volkswagen enfrenta uma das fases mais difíceis de sua transformação industrial.
O problema é particularmente evidente na China, durante décadas um dos principais mercados da companhia.
Em 2025, as entregas do grupo no país caíram 8%, para 2,7 milhões de veículos, enquanto as vendas de modelos totalmente elétricos recuaram 44%, para 115 mil unidades.
A própria Volkswagen atribuiu parte relevante do desempenho à forte concorrência no mercado chinês.
A pressão não está apenas nos produtos.
A empresa também tenta reduzir custos e reorganizar suas operações na Alemanha.
No fim de setembro, a Volkswagen encerrou diversos acordos trabalhistas com o sindicato IG Metall, afetando cerca de 100 mil empregados. A medida faz parte do processo de reestruturação iniciado pela companhia para recuperar competitividade.
O grupo entregou 9 milhões de veículos em 2025, praticamente o mesmo volume do ano anterior, mas seu lucro operacional caiu para cerca de 8,9 bilhões de euros.
A companhia teve desempenho melhor na Europa e na América do Sul, mas enfrentou queda de vendas na China e na América do Norte.
A eletrificação é um dos pontos centrais desse desafio. Globalmente, a Volkswagen conseguiu aumentar em 32% as entregas de veículos totalmente elétricos em 2025, para 983 mil unidades. O avanço, porém, foi puxado principalmente pela Europa. Na China, as vendas de elétricos do grupo caíram.
A resposta da Volkswagen tem sido acelerar o desenvolvimento de produtos adaptados aos mercados locais e buscar parcerias com empresas chinesas. Em setembro, a montadora iniciou as vendas antecipadas de um novo modelo elétrico desenvolvido em conjunto com a Xpeng, em uma estratégia que a empresa chama de “na China, para a China”. O veículo chegou ao mercado em cerca de 24 meses, um prazo muito inferior ao tradicional da indústria alemã.
O movimento revela uma mudança de estratégia: em vez de simplesmente exportar para a China tecnologias desenvolvidas na Alemanha, a Volkswagen passou a incorporar fornecedores, plataformas e soluções chinesas ao próprio desenvolvimento de produtos.
O desafio chega aos caminhões
A mesma transformação começa a atingir os veículos comerciais.
A Volkswagen Caminhões e Ônibus não parte do zero. O e-Delivery foi um dos primeiros caminhões elétricos produzidos em escala no Brasil e chegou a liderar o segmento. Mas a concorrência mudou rapidamente.
A nova linha apresentada pela empresa inclui o e-Delivery 12, que substitui a versão de 11 toneladas, e o e-Delivery 17, que amplia a capacidade de carga para até 11,8 toneladas. O segundo pode transportar até oito pallets de bebidas, ante seis na configuração anterior de 14 toneladas.
No e-Delivery 12, a Volkswagen reduziu o peso de componentes importantes do sistema elétrico, como motor de tração, inversor e unidade de distribuição de alta tensão. A empresa também informa redução do tempo de recarga para cerca de uma hora e meia e oferece um carregador portátil como alternativa para operações que não dispõem de infraestrutura dedicada.
O e-Delivery 17 foi projetado para operações urbanas de maior capacidade. Com 17,5 toneladas de peso bruto total, suspensão pneumática e 7,2 metros de comprimento, pode ser utilizado em distribuição de bebidas, carga geral, operações frigorificadas, coleta de resíduos e outras atividades que exigem circulação em áreas urbanas.
A questão, porém, não é apenas tecnológica. Para ganhar mercado, a Volkswagen precisa provar que seus caminhões conseguem entregar aos transportadores uma conta competitiva em relação aos modelos chineses.
Esse cálculo envolve preço de aquisição, custo da energia, autonomia, tempo de recarga, manutenção, disponibilidade de peças, financiamento e valor de revenda. Em veículos comerciais, nos quais o caminhão precisa trabalhar praticamente todos os dias, uma parada ou uma recarga demorada pode representar perda financeira para o operador.
Por isso, a vantagem das fabricantes chinesas não está apenas nas baterias. A China construiu uma cadeia industrial inteira em torno da eletrificação. Segundo a Agência Internacional de Energia, mais de 400 mil caminhões elétricos foram produzidos no país em 2025, e cerca de 80% das baterias utilizadas nos caminhões elétricos chineses vieram da CATL.
Por que o Brasil é diferente
A eletrificação dos caminhões brasileiros ainda está longe da realidade chinesa.
Aqui, o diesel continua dominante e os caminhões elétricos enfrentam obstáculos como preço inicial elevado, infraestrutura de recarga insuficiente e dificuldade para operações de longa distância. Em 2025, foram vendidos apenas 53 caminhões de zero emissão com mais de 15 toneladas no Brasil.
Isso explica por que a Volkswagen não aposta exclusivamente nas baterias.
A empresa também está colocando no mercado o Constellation Biometano, inicialmente voltado para operações de coleta de resíduos. O caminhão utiliza tanques com capacidade total de 240 metros cúbicos de gás e autonomia anunciada de até 300 quilômetros.
O biometano tem uma vantagem particular no Brasil: o país possui uma grande oferta potencial de matéria-prima para sua produção, como resíduos agrícolas, dejetos da pecuária, esgoto e resíduos urbanos.
Segundo a Volkswagen, quando abastecido com biometano, o Constellation pode reduzir em até 90% as emissões de CO em comparação com uma operação convencional a diesel. O resultado efetivo, porém, depende da origem do combustível e de toda a cadeia de produção e distribuição.
A escolha por combinar eletrificação e biometano reflete uma característica do transporte de cargas brasileiro: não existe uma única tecnologia capaz de atender a todas as rotas.
Caminhões elétricos tendem a encontrar aplicações mais favoráveis em operações urbanas e trajetos previsíveis, nos quais o veículo pode retornar à base para recarregar. Já combustíveis como o biometano podem ser uma alternativa para operações que exigem maior autonomia e abastecimento mais rápido.
A disputa que está começando
A Volkswagen, portanto, não está apenas apresentando dois novos caminhões elétricos e um modelo a biometano. Está tentando se reposicionar em uma transformação que já avançou muito mais rapidamente na China.
O Brasil ainda está no começo dessa mudança. Mas a entrada agressiva das fabricantes chinesas significa que as montadoras tradicionais terão de disputar não apenas tecnologia, mas também preço, escala, financiamento, infraestrutura e custo de operação.
Para a Volkswagen, o desafio é ainda maior porque ocorre ao mesmo tempo em que o grupo tenta recuperar competitividade, reduzir custos e reagir à perda de espaço para empresas chinesas em seu mercado mais estratégico.
Diário do Comércio - MG 06/10/2026
mplacamentos de veículos bateram recorde para o mês, em setembro. Foram registradas 509.686 unidades – crescimento de 8,32% na comparação com setembro de 2025 e de 1,15% sobre agosto. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Esse resultado engloba a venda de automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), ônibus, caminhões, motos e implementos rodoviários [como reboques e carrocerias].
Considerando o acumulado do ano, entre janeiro e setembro, a alta foi de 14,41%, com mais de 4,2 milhões de unidades emplacadas.
“O mercado continua demonstrando demanda por veículos novos, mesmo em um ambiente ainda complexo de crédito”, explica o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior.
Segundo ele, para automóveis e comerciais leves, por exemplo, a concorrência entre marcas e os programas especiais de fomentação do setor – como o Move Brasil e o Carro Sustentável – continuam tendo peso importante na decisão do consumidor.
De acordo com Arcelio Junior, o Programa Move, que ofereceu incentivos para a renovação da frota de caminhões, ajudou a “estancar o movimento de queda” desse segmento.
Com isso, o segmento de caminhões cresceu 2,51% na comparação com agosto e 2,65% sobre setembro de 2025, embora o acumulado do ano continue a se apresentar negativo (-3,89%).
“Nos veículos pesados, o custo financeiro tem impacto importante porque estamos falando de um investimento ligado à atividade econômica. Mas as linhas especiais ligadas ao Move Brasil, já esgotadas, ajudaram a reverter o movimento de queda”, destacou o presidente da federação.
Demais segmentos
O segmento de automóveis e comerciais leves continua crescendo acima do esperado. Na comparação com agosto, o crescimento foi de 2,13%. Já em relação ao mesmo mês do ano passado, a alta foi de 16,16%.
Quanto aos ônibus, o crescimento foi de 12,09% sobre agosto e de 18,43% em relação a setembro de 2025. Alta também impulsionada pelo programa Move Brasil.
Já o segmento de motocicletas apresentou queda de 0,09% em relação a agosto e de 0,41% sobre o ano passado, resultado considerado “próximo da estabilidade” pela Fenabrave.
Projeções
A Fenabrave manteve a expectativa de crescimento nos emplacamentos para o fechamento deste ano. A previsão é de que o setor, como um todo, deva crescer em torno de 8,6%, com mais de 5,3 milhões de unidades comercializadas.
A entidade admite, no entanto, que essa previsão poderá ser revisada em novembro. “Os resultados atuais nos indicam um fechamento de ano melhor do que o esperado, para a maior parte dos segmentos, mas vamos aguardar o desempenho de outubro, que pode apontar ajustes no mercado”, afirmou Arcelio Junior.
Valor - SP 06/10/2026
Hyundai planeja ampliar sua linha de híbridos e lançar dez modelos na América do Norte até 2030
O Hyundai Motor Group superou a Honda Motor pela primeira vez no mercado de veículos híbridos dos EUA no primeiro semestre, com rápida expansão das vendas, beneficiada pelos preços elevados da gasolina e pressionando as marcas japonesas.
Na semana passada, a Hyundai apresentou em Nova York uma versão renovada do Tucson, seu SUV médio. Os EUA são o maior mercado da montadora, respondendo por cerca de 30% das vendas globais, e o Tucson é seu modelo mais vendido no país. A escolha de uma cidade americana para o lançamento reforça a importância do mercado para a Hyundai.
O segmento de SUVs médios nos EUA é bastante competitivo, com modelos como o RAV4, da Toyota Motor, o CR-V, da Honda, e o Rogue, da Nissan Motor. A versão híbrida convencional do Tucson faz 42 milhas por galão, próxima das 43 milhas por galão do RAV4 híbrido.
A Hyundai planeja ampliar sua linha de híbridos e lançar dez modelos na América do Norte até 2030. A meta é que os híbridos representem metade das vendas de veículos novos.
“Estamos trazendo a melhor tecnologia híbrida, que é a tecnologia mais procurada hoje para nossos veículos”, disse Jose Munoz, CEO da Hyundai Motor, no evento de lançamento na quinta-feira.
As vendas de híbridos do grupo Hyundai nos EUA, incluindo a subsidiária Kia, cresceram cerca de 80% no primeiro semestre de 2026, na comparação anual, segundo a consultoria americana Cox Automotive. A participação do grupo chegou a 18,4%, superando pela primeira vez a Honda, com 17,4%. A Hyundai ficou em segundo lugar, atrás da Toyota, que respondeu por 44,8% das vendas de híbridos nos EUA.
As vendas de híbridos da Hyundai nos EUA cresceram 39% em setembro, na comparação anual, segundo dados divulgados pela montadora na quinta-feira. Os híbridos representaram 28% das vendas totais no mês. A empresa já vinha aumentando a participação dos híbridos em seu mix de vendas nos EUA, mas o movimento ganhou força em 2026.
Embora os preços da gasolina permaneçam elevados devido às tensões no Oriente Médio, a adoção de veículos elétricos nos EUA continua atrás de outras regiões. Os consumidores estão comprando cada vez mais híbridos, que têm menor consumo de combustível, beneficiando montadoras japonesas e sul-coreanas com linhas amplas desses modelos. Já fabricantes mais dependentes de veículos a gasolina, como a Ford Motor, perderam participação de mercado.
A Toyota e outras montadoras japonesas também registram aumento nas vendas, mas o Hyundai Motor Group vem crescendo mais que as concorrentes japonesas no segmento de híbridos desde agosto.
As montadoras japonesas têm tido dificuldade para acompanhar a forte demanda, provocando falta de estoque de alguns modelos híbridos. A Honda avalia construir uma fábrica de veículos híbridos em Ohio para ampliar a oferta.
A oferta limitada de híbridos das montadoras japonesas que não a Toyota nos EUA ajudou as marcas sul-coreanas a ganhar espaço. A Nissan Motor, por exemplo, atualmente não vende híbridos no país.
“Acreditamos que seremos muito competitivos” em tecnologia híbrida, disse Munoz à Nikkei na quinta-feira. “O motivo pelo qual estamos investindo e produzindo esse produto nos Estados Unidos é porque estamos muito confiantes de que a demanda por híbridos continuará. Vamos tentar produzir o máximo possível, e localizar a produção aqui na América é um dos elementos para competir.”
Munoz, ex-executivo da Nissan, tornou-se em janeiro de 2025 o primeiro CEO não coreano da Hyundai. Desde que assumiu o cargo, ampliou sua atuação nos EUA e reforçou a estratégia de marca da empresa.
A estratégia também reflete a importância de atender à prioridade do presidente Donald Trump de ampliar os investimentos nos EUA. A Hyundai planeja investir US$ 26 bilhões no país até 2028 e aumentar a produção local de híbridos com investimentos adicionais em sua fábrica no Alabama.
O foco maior nos EUA também reflete a fraqueza em outros mercados. As vendas de veículos da Hyundai no país cresceram 4% no segundo trimestre, para 266 mil unidades, na comparação anual, mas caíram 7% na Europa e 16% na Coreia do Sul, aumentando a dependência do mercado americano.
A maior dependência dos EUA também traz riscos para a Hyundai. Em setembro de 2025, 475 pessoas foram detidas sob suspeita de trabalho ilegal em uma fábrica de baterias da Hyundai que estava em construção no país.
Automotive Business - SP 06/10/2026
Chegou a 2 mil o número de ônibus elétricos que compõem a frota circulante do transporte público de São Paulo (SP). Um lote formado por 250 unidades foi entregue ao município na semana passada.
Os novos veículos foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor total de R$ 2,5 bilhões, a maior operação para essa finalidade até o momento no Brasil.
Desde 2023, o banco já liberou R$ 2,4 bilhões para a cidade, o que permitiu a aquisição de 1.185 ônibus elétricos, incluindo as 250 unidades entregues agora.
A capital paulista tem a maior frota de ônibus elétricos do Brasil, com 2.009 veículos eletrificados, sendo 1.821 ônibus movidos a bateria e 188 trólebus circulando pelas ruas de São Paulo.
Segundo a SPTrans, com essa frota, os ônibus evitam o consumo anual de 70 milhões de litros de óleo diesel e a emissão de 174 mil toneladas de CO‚ na atmosfera.
Todos os novos ônibus têm acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e são equipados com ar-condicionado e tomadas USB.
Em São Paulo, o BNDES paga diretamente aos fabricantes a parte subsidiada pelo município na compra dos ônibus. As concessionárias ficam responsáveis pela infraestrutura de recarga e pelo restante do custo dos veículos.
Grandes Construções - SP 06/10/2026
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) informa que o Custo Unitário Básico (CUB) global da indústria da construção paulista registrou variação positiva de 0,13% em setembro de 2026. Com o resultado, o indicador acumulou elevação de 5,40% no ano e de 6,17% nos últimos 12 meses.
No mês, todos os principais componentes do índice apresentaram alta. Os custos com mão de obra avançaram 0,11% em setembro, acumulando elevação de 5,61% no ano e de 6,23% nos últimos 12 meses.
Os materiais de construção registraram alta de 0,15% no mês, com avanço de 5,10% no acumulado do ano e de 6,07% em 12 meses. Já as despesas administrativas aumentaram 0,27% em setembro, acumulando alta de 5,66% no ano e de 6,55% nos últimos 12 meses.
Com esse desempenho, o CUB representativo da construção paulista (padrão R8-N) foi apurado em R$ 2.238,58 por metro quadrado em setembro de 2026.
Com desoneração - Nas obras incluídas na desoneração da folha de pagamentos, o CUB registrou variação positiva de 0,14% em setembro. No acumulado do ano, o índice apresentou elevação de 7,29%, enquanto a variação em 12 meses foi de 8,08%.
O custo médio da construção paulista (padrão R8-N) com desoneração atingiu R$ 2.162,78 por metro quadrado no mês, sendo R$ 1.199,90 referentes à mão de obra, R$ 900,56 aos materiais e R$ 62,32 às despesas administrativas.
Custos dos insumos - Entre os materiais pesquisados, as maiores altas em setembro foram registradas pelo fio de cobre antichama isolante 750 V 2,5 mm² (1,59), pela porta lisa p/ pintura 3,5x70x210cm (1,06) e pela emulsão asfáltica com elastômero para impermeabilizar (1,03). O fio de cobre apresentou variação superior à do IGP-M, que registrou alta de 1,57 no período, enquanto os outros dois materiais tiveram aumentos inferiores ao índice.
Na comparação dos últimos 12 meses, os destaques ficaram por conta do fio cobre antichama isolante 750 V 2,5 mm² (13,87), do cimento CPE-32 saco 50kg (11,15) e da alimentação tipo marmitex nº 8 (10,96). As três variações ficaram acima da inflação medida pelo IGP-M, que acumulou 3,34% no mesmo período.
Revista Ferroviaria - RJ 06/10/2026
A utilização de condução semiautônoma de trens gerou economia média de 8% no consumo de óleo diesel em corredores logísticos que ligam Tocantins ao Porto de Itaqui e que ligam o Espírito Santo ao porto de Santos.
A tecnologia, em utilização pela VLI nos últimos três anos incluindo período de testes, se soma a outras iniciativas já implementadas e estudadas em ferrovias com o objetivo de descarbonizar as operações, apresentando melhor eficiência energética com composições maiores, vias mais robustas e testes para uso futuro de etanol.
A condução semiautônoma dos trens começou a ser testada em 2023 na VLI. Por meio de um software, o maquinista pode habilitá-la quando a composição atinge velocidade superior a 8 quilômetros por hora.
Quando os testes foram iniciados, a operadora logística estimava registrar economia de 7% nos corredores leste e sudeste (Espírito Santo-Porto de Santos) e de 3,5% no corredor norte (Tocantins-Porto de Itaqui, pela Ferrovia Norte-Sul), mas o resultado superou as expectativas, conforme a empresa.
Utilizada em cerca de 60% das viagens entre maio de 2024 e julho deste ano, a tecnologia gerou economia de 4 milhões de litros de diesel nos trilhos.
A ferramenta, conforme a VLI, ajusta aceleração, frenagem e velocidade da composição após analisar a dinâmica da via e do trem e calcular o plano de condução otimizado.
Por meio de sua assessoria, o diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia da VLI, Alessandro Gama, disse que a agenda de descarbonização é um fator de competitividade nas operações logísticas no país e que tecnologias como a empregada pela operadora permitem potencializar os resultados positivos.
A VLI, que engloba a Norte-Sul e a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), além de terminais intermodais, afirma ter atingido, no ano passado, 12,5% de redução nas emissões de gases de efeito estufa provenientes do diesel de locomotivas, em comparação com o ano-base de 2020, e que a meta é chegar a 15% em 2030. A tecnologia semiautônoma evitou a emissão de mais de 9,3 mil toneladas de CO2 até julho, conforme a empresa.
Outras operadoras também têm adotado tecnologias para melhorar processos e ampliar a eficiência energética. A Vale, que opera a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas, informou ter reduzido o consumo de diesel em 11 milhões de litros no ano passado, volume suficiente para abastecer os tanques de 245 mil veículos.
O desempenho foi, segundo a empresa, o melhor em eficiência nos últimos dez anos, e a meta é zerar as emissões de CO2 em suas ferrovias até 2050.
Ela e a Wabtec Corporation, fabricante de locomotivas, estão desenvolvendo estudos sobre o uso de etanol nos trens entre Cariacica (ES) e Belo Horizonte.
Já a Rumo, maior operadora de ferrovias no país, afirma ter registrado melhoria de 3% em eficiência energética no ano passado em relação a 2024, o que representa a redução de 12 milhões de litros de diesel no consumo.
Entre as medidas que contribuíram com a descarbonização estão a adoção de trens de 135 vagões, em vez dos 120 utilizados até então. A capacidade da via para suportar vagões mais pesados também foi ampliada, de 126,6 para 130 toneladas por unidade, e cada composição passou a transportar mais de 17 mil toneladas, ante as 15 mil toneladas do trem menor e com menos peso.
Revista Ferroviaria - RJ 06/10/2026
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o governo do Rio de Janeiro assinaram um Memorando de Entendimentos com o objetivo de coordenar a estruturação dos projetos de mobilidade urbana da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, identificados pelo ENMU (Estudo Nacional de Mobilidade Urbana). A assinatura foi realizada no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, em 25 de setembro.
Conforme define o memorando, o BNDES fará a estruturação da expansão do sistema metroferroviário, compreendendo:
Linha 2 (Estácio-Carioca/Praça XV, com potencial expansão da Pavuna até Baixada Fluminense);
Linha 3 (Carioca/Praça XV-Niterói-São Gonçalo-Itaboraí) ;
Linha 4 (Jardim Oceânico-Alvorada-Recreio).
Para cada uma delas, serão desenvolvidos os estudos previstos no âmbito do Novo PAC (Novo Programa de Aceleração do Crescimento).
No caso da Linha 3, o trabalho será em parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Serão aproveitados os estudos produzidos pelo Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia), no âmbito do Projeto Prisma, que já incluem um diagnóstico técnico-operacional e urbanístico.
O memorando também prevê medidas institucionais complementares, como o avanço da governança metropolitana e a integração tarifária, com participação do IRM (Instituto Rio Metrópole), autarquia vinculada ao governo estadual que atua no planejamento e na execução de políticas públicas na região metropolitana.
Os projetos incluídos nesse memorando de entendimentos são projetos que o BNDES já vem estudando. Eles estão incluídos no Estudo Nacional de Mobilidade Urbana. E agora nós vamos começar a desenvolver as fases iniciais desses projetos, disse o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa. Vamos ver o que precisa ser atualizado e deixar tudo preparado para que o próximo governo, se assim desejar, comece a realizar esses projetos, acrescentou.
O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, destacou que os projetos contribuem para uma maior integração da região metropolitana. Com esse acordo, serão entregues estudos já bem delineados para o próximo governante. São projetos que incorporam uma visão econômica muito adequada para o Rio de Janeiro. Consideramos que o estudo de mobilidade urbana liderado pelo BNDES oferece o contorno mais adequado para o estado. E quando o estado aproveita um estudo feito por um banco de desenvolvimento, há também uma economia. O estado não precisa contratar outro ator para a realização desse tipo de estudo, afirmou Além de Nelson Barbosa e Ricardo Couto, o memorando foi assinado por Glaydston Mattos Ribeiro, professor da UFRJ e pesquisador da Coppe/UFRJ; e pelo presidente do IRM, Roberto Leão. Um sistema de transporte adequado pode impulsionar vários setores da economia e essa atuação conjunta pode contribuir muito com o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro, comentou Glaydston.
ENMU
O EMNU é um mapeamento de projetos e a proposição de políticas para estabelecer as bases para a transformação do transporte público coletivo em 21 regiões metropolitanas do Brasil. O estudo reúne um banco de dados com 187 projetos de mobilidade urbana, que correspondem a mais de 3 mil km de metrôs, BRTs, trens e VLTs.
O ENMU mostra, por exemplo, o impacto de cada proposta na redução das emissões de poluentes e gases do efeito estufa (GEE) e em sinistros, além da previsão de embarques/dia e de investimento. Os projetos são analisados partir de mais de 100 indicadores técnico-operacionais, econômico-financeiros, socioambientais e urbanísticos que permitem sua priorização.
Juntas, as iniciativas propostas poderão evitar 27 mil vítimas de sinistros de trânsito e 3 milhões de toneladas anuais de CO‚, reduzir em 11% o custo das viagens e em 16% o tempo médio de deslocamento da população, gerando benefícios sociais superiores a R$ 400 bilhões. Os impactos também se estendem à cadeia produtiva, com potencial para mobilizar mais de 1 milhão de empregos e demandar até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 carros metroferroviários.
O estudo foi elaborado entre 2024 e 2026 e tem como foco as 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil. A iniciativa considera projeções populacionais e de demanda em um horizonte de 30 anos, com o objetivo de apoiar o planejamento de sistemas de transporte mais integrados, eficientes e sustentáveis.
Valor - SP 06/10/2026
A Arábia Saudita reduziu os preços do petróleo para a Ásia para o menor patamar desde 2020, enquanto o G7 e parceiros anunciaram nova liberação de estoques de emergência
Os preços do petróleo fecharam em queda, com os fluxos do Oriente Médio se recuperando para níveis próximos aos pré-guerra, apesar da persistência de restrições a embarques. A Arábia Saudita reduziu os preços do petróleo para a Ásia para o menor patamar desde 2020, enquanto o G7 e parceiros anunciaram nova liberação de estoques de emergência, o que pressionou as cotações da commodity.
Na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em dezembro fechou em queda de 1,89% a US$ 100,32 por barril. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para novembro caiu 1,84% a US$ 89,43.
“A normalização dos fluxos de petróleo do Oriente Médio é um sinal positivo, mas os riscos de interrupções repentinas e de novos danos à infraestrutura energética da região persistem”, diz o UBS, em nota.
Os rebeldes houthis afirmaram ter atacado instalações da Saudi Aramco em Riad com mísseis e drones, enquanto prosseguem os ataques a navios-tanque no Estreito de Ormuz e arredores. Em um relatório divulgado no fim de semana, a empresa de inteligência marítima Marisks afirmou que as embarcações que transitam pela via navegável enfrentam uma ameaça cinética elevada e cada vez mais imprevisível.
“Continuamos acreditando que o tráfego pelo Estreito de Ormuz deve ser retomado gradualmente, mas contratempos periódicos podem levar a picos nos preços do petróleo e à volatilidade do mercado”, diz o UBS.
Petro Notícias - SP 06/10/2026
Instalações de petróleo em Shahran, no Irã, foram alvo de ataques em junho. Guerra tem provocado danos à infraestrutura de vários países do Golfo Pérsico
Um comitê formado por países da OPEP+ (Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Nigéria, Argélia e Venezuela) manifestou preocupação com os impactos de ataques à infraestrutura energética e de eventuais interrupções nas rotas marítimas internacionais sobre a estabilidade do mercado global de energia. O posicionamento foi divulgado após a 68ª reunião da OPEP+, realizada por videoconferência.
Sem citar nominalmente os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu, o grupo alertou que ações que comprometam a segurança do abastecimento, seja por meio de ataques a instalações de energia ou pela interrupção de rotas de navegação, aumentam a volatilidade dos mercados e dificultam os esforços conjuntos para preservar a estabilidade.
A OPEP+ também chamou atenção para os efeitos da destruição de ativos do setor energético. De acordo com o comitê, a recuperação de instalações danificadas até sua capacidade total exige investimentos elevados e pode levar um período prolongado, afetando a disponibilidade global de oferta.
Durante a reunião, o JMMC analisou os dados de produção de petróleo bruto referentes aos meses de julho e agosto de 2026 e observou um nível geral de conformidade com os ajustes de produção entre os países da OPEP. Assim, o grupo decidiu manter inalteradas as metas de produção de petróleo para novembro.
A OPEP+ informou que seguirá acompanhando de perto as condições do mercado e poderá convocar reuniões adicionais ou solicitar uma nova reunião ministerial da OPEP e dos países não membros. A próxima reunião está marcada para 29 de novembro de 2026.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/10/2026
As exportações de petróleo do Oriente Médio superam os níveis pré-guerra em setembro, impulsionadas pelo aumento no volume de cargas dos produtores do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita e Iraque. Dados de transporte marítimo das empresas Kpler e Vortexa, divulgados nesta segunda-feira (5), revelam o crescimento apesar dos crescentes ataques a navios que cruzam o estratégico Estreito de Ormuz.
Resumo
As exportações de petróleo do Oriente Médio superaram os níveis pré-guerra em setembro, segundo dados da Kpler e da Vortexa. Arábia Saudita e Iraque impulsionaram o aumento das cargas, mesmo diante de ataques a navios no Estreito de Ormuz. A ameaça aos navios mercantes que transitam pelo Estreito de Ormuz tornou-se mais imprevisível, mas o tráfego se intensificou.
A média móvel de sete dias para as exportações de petróleo da região foi de 18,3 milhões de bpd em 30 de setembro, segundo dados provisórios da Kpler. As cargas superaram os níveis pré-guerra em 14 dias de setembro, incluindo trânsitos pelo Estreito de Ormuz, Mar Vermelho e exportações a partir de terminais.
Antes de setembro, os embarques de petróleo da região igualaram ou superaram os níveis pré-guerra em alguns dias em junho e julho, segundo dados da Kpler, depois que Washington e Teerã chegaram a um memorando de entendimento que, desde então, expirou. Nos 12 meses anteriores ao início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, as exportações de petróleo da região atingiram uma média de cerca de 18 milhões de bpd, segundo a Kpler.
Aumento na oferta de petróleo
O aumento nas exportações foi impulsionado pelos embarques da Arábia Saudita, tanto pelo Mar Vermelho quanto pelo Golfo, três semanas após um ataque ocorrido em 10 de setembro ao seu oleoduto Leste-Oeste, informou a Kpler.
Além disso, a estatal iraquiana Oil Tanker Company e algumas refinarias fretaram petroleiros para carregar petróleo de Basra dentro do estreito, depois que Bagdá obteve permissão do Irã para que os petroleiros iraquianos passassem pelo Estreito de Ormuz.
A Vortexa informou que a média móvel de 14 dias para as exportações de petróleo e condensado do Oriente Médio atingiu 18,6 milhões de bpd, superando a média sazonal de 10 anos e retornando aos níveis anteriores ao conflito.
“A maior parte desse aumento mês a mês observado em setembro vem da Arábia Saudita, que está aumentando as exportações para recuperar participação de mercado de outros países do Oriente Médio”, disse o analista sênior de mercado Xavier Tang. “Esse aumento na oferta do Oriente Médio também ajudará a aliviar a escassez no mercado de petróleo, especialmente para as refinarias asiáticas”, completou.
As cargas de gás natural liquefeito (GNL) que saíram do Estreito de Ormuz também aumentaram em setembro, atingindo o maior nível desde fevereiro.
Crescem ataques a navios?
No entanto, os ataques a petroleiros continuaram, com pelo menos sete incidentes registrados na semana passada, informou a Marisks. O superpetroleiro (VLCC) Kazimah III teria sido atingido em 1º de outubro por um projétil desconhecido enquanto navegava pelo estreito, causando um incêndio a bordo, acrescentou a empresa. Sua proprietária, a Kuwait Oil Tanker Company, não respondeu a um pedido de comentário.
Separadamente, o petroleiro Aframax Lipsi, de bandeira liberiana, teria sido atingido por um projétil desconhecido em 4 de outubro enquanto transitava a aproximadamente 3,9 milhas náuticas a nordeste de Jazirat Um Al Fayarin, em Omã, no Estreito de Ormuz, danificando sua sala de máquinas, informou a Marisks na segunda-feira. A Dynacom, sua administradora, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A tripulação a bordo dos dois petroleiros foi declarada em segurança, sem relatos de vítimas, informou a Marisks.
A agência britânica Maritime Trade Operations tem registrado pelo menos um ataque por dia no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Áden desde 2 de outubro.
Importância do estreito de ormuz
“Informações de inteligência atuais sugerem que o padrão recente de incidentes pode não representar necessariamente um alvo deliberado contra navios mercantes selecionados individualmente”, afirmou a Marisks. “Em vez disso, as informações disponíveis indicam a possibilidade de que as forças iranianas estejam lançando mísseis em uma área de combate pré-determinada, ou “kill box”, com as armas potencialmente adquirindo e travando em sinais de radar detectáveis dentro dessa área.”
Antes do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o estreito costumava receber cerca de 125 grandes navios comerciais por dia, incluindo petroleiros, navios de gás, graneleiros e navios porta-contêineres, representando cerca de 20% do abastecimento global de petróleo bruto e GNL.
O Estado de S.Paulo - SP 06/10/2026
O presidente da Aramco, empresa petrolífera saudita, alertou nesta segunda-feira, 5, sobre o nível “perigosamente baixo” das reservas mundiais de petróleo bruto, depois que os países do G7 anunciaram a liberação de estoques para amenizar as preocupações com o abastecimento.
“O sistema já está sob pressão”, declarou Amin Nasser durante a conferência Energy Intelligence Forum, realizada em Londres. “E, como existem muito poucas alternativas às quais o mundo possa recorrer, a reserva de segurança que permite lidar com interrupções no abastecimento está perigosamente baixa”, acrescentou.
O executivo da maior produtora de petróleo do mundo também alertou que não se deve considerar os “números brutos” das reservas, já que “menos de 10% estão realmente disponíveis”. Grande parte das reservas declaradas pelos países corresponde ao volume mínimo que deve ser mantido para garantir o funcionamento operacional das infraestruturas, acrescentou o executivo.
“Por isso, como podem ver, eles têm dificuldade em encontrar 100 milhões de barris”, explicou Nasser, referindo-se aos volumes de petróleo liberados na sexta-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne 32 países, incluindo os membros do G7.
“As reservas de energia poderiam nos ajudar a superar um inverno, mas não podem resolver de forma duradoura o problema do abastecimento”, alertou o diretor da Aramco.
No entanto, Nasser se mostrou tranquilizador quanto à “capacidade de resposta” de sua empresa, que está em condições de atender “a todas as necessidades” de seus clientes.
Informações publicadas pela Bloomberg em setembro apontavam o risco de que alguns clientes europeus não recebessem petróleo da Arábia Saudita. As infraestruturas petrolíferas desse país foram atacadas em várias ocasiões pelos rebeldes houthis do Iêmen.
Valor - SP 06/10/2026
Petrobras, Prio, TotalEnergies e Shell estão entre as empresas habilitadas para disputar áreas nos certames
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) realiza nesta quarta-feira (7) um leilão com mais de 300 blocos para exploração de petróleo e gás. Serão ofertadas 13 áreas no pré-sal, sendo cinco na Bacia de Campos e oito em Santos, sob o regime de partilha e mais de 300 sob o regime de concessão, espalhadas por nove bacias no país. Empresas conhecidas por participar de leilões como esses, como as brasileiras Petrobras e Prio, e as estrangeiras TotalEnergies e Shell, estão entre as habilitadas para apresentar ofertas. As duas sessões públicas serão realizadas no mesmo dia, uma pela manhã e outra à tarde.
As bacias da Foz do Amazonas, no Amapá, e de Pelotas, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, consideradas destaques do último leilão da ANP no ano passado, não terão blocos marinhos (offshore) ofertados dessa vez.
O governo espera com os leilões das ofertas permanentes de concessão e partilha uma arrecadação mínima de R$ 2,18 bilhões, recursos que serão destinados ao Tesouro. Desse total, R$ 1,235 bilhão se refere à arrecadação esperada com o regime de partilha e R$ 940,9 milhões com as ofertas no sistema de concessão caso todas as áreas sejam arrematadas pelo bônus mínimo de assinatura. O dinheiro deve entrar no caixa do governo ainda este ano. De acordo com o edital, o bônus deve ser pago até 30 de dezembro.
Pelo lado das petroleiras, a reposição de reservas de petróleo tem sido a palavra de ordem dos principais executivos de empresas globais. Presidentes da portuguesa Galp e da francesa TotalEnergies disseram ao Valor, em setembro, que têm buscado ampliar ativos para garantir a perenidade da produção. As companhias estão inscritas para participar do certame.
O caso é o mesmo para a Petrobras, que espera o pico do pré-sal para 2034. A estatal tem aumentado a participação em concessões em países africanos nos últimos anos, para garantir maior produção, apesar das dúvidas que enfrenta com as novas fronteiras no Brasil. No início de setembro, a Petrobras assinou contratos de oito blocos na Costa do Marfim. A presidente da companhia, Magda Chambriard, chegou a dizer que gostaria de aumentar o número de participações na Namíbia, onde já atua.
Com os leilões, governo espera arrecadação mínima de R$ 2,18 bilhões
Na sessão pública da oferta permanente de concessão, a ANP espera negociar 22 setores que somam 313 blocos e cinco acumulações marginais, blocos maduros explorados no passado e devolvidos à agência. Essas áreas foram escolhidas pelas 12 empresas inscritas para o certame, com a apresentação da manifestação de interesse das companhias nos setores disponíveis.
Para a oferta permanente sob regime de partilha, a ANP colocou em negociação 13 blocos. Neste caso, porém, o principal critério das ofertas é o percentual de excedente em óleo. As áreas que não forem arrematadas voltam para o estoque da ANP, para serem negociadas em novo ciclo da oferta permanente.
No modelo de contrato de partilha de produção, o Estado é proprietário do petróleo e do gás natural produzidos em áreas do pré-sal e as petroleiras atuam como operadoras. A outra parte da produção, denominada excedente em óleo ou óleo-lucro, é partilhada entre a União e a empresa.
No contrato de concessão, o vencedor é a empresa que pagar o maior valor pelo bloco ofertado, o chamado bônus de assinatura e ofertar o mais vantajoso Programa Exploratório Mínimo (PEM). Na concessão, o risco de encontrar óleo e gás é da empresa concessionária.
A ANP passou a adotar recentemente o modelo de oferta permanente, diferente dos leilões tradicionais. Nesse formato, os editais ficam disponíveis continuamente, com um conjunto de blocos, e passam por atualizações periódicas para exclusão de blocos arrematados nos ciclos e inclusão de novos. O modelo busca agilizar o processo burocrático dos editais.
Petro Notícias - SP 06/10/2026
A PPSA está na bica de receber a autorização para também leiloar o gás importado de Vaca Muerta, no extremo sul da Argentina, diretamente para empresas que operam no mercado aberto de gás. A PPSA já foi autorizada a realizar leilões de gás para empresas de setores industriais com alto consumo de gás, como as produtoras de fertilizantes. Os preços desse gás poderiam ser até 50% mais baixos do que os preços de venda da Petrobrás. O gás natural de Vaca Muerta poderá ser incluído em leilões especiais de gás natural para indústrias, promovidos pelo governo brasileiro para reativar a demanda industrial. O objetivo é reduzir o preço final do gás estatal em mais de 50% para estimular a demanda em setores industriais específicos.
O projeto Vaca Muerta também chama a atenção pela forma de construção do gasoduto. Ele corta o deserto e as áreas do sul da Argentina de forma aparente, proporcionando mais segurança, mais rapidez na construção, sendo muito mais barato. Esta é a mesma defesa do empresário Paulo Fernandes, Presidente da Liderroll, através de todos estes anos, desde que Magda Chambriard ainda era Diretora Geral da ANP: “Nós sempre defendemos a construção dos novos gasodutos e oleodutos de forma aparente. Não precisam ser enterrados, onde a segurança é até mais difícil de controlar. Os dutos aparentes são muito mais baratos de se construir e podem proporcionar uma segurança desenvolvida. Acredito que será uma tendência no futuro. Os argentinos estão de parabéns.”
A autorização para a PPSA realizar leilões de gás natural de curto prazo (2026-2030) e de longo prazo (a partir de 2030), permitirá a venda direta de gás natural da UE para o mercado aberto, especialmente para indústrias que utilizam grande quantidade de gás. O termo “gás da União” refere-se aos volumes de gás detidos pela PPSA, empresa que representa o Estado nos contratos de partilha de produção com a Petrobrás e outras operadoras em campos do pré-sal. Nesse sistema, as empresas petrolíferas cedem ao Estado uma parcela de sua produção excedente de petróleo e gás. Trata-se de um esquema semelhante ao implementado pela província de Neuquém nas novas concessões de hidrocarbonetos não convencionais que contemplam a possibilidade de pagamento de royalties em espécie (isto é, entrega da produção de petróleo ou gás à empresa estatal de Neuquén, GyP). O Brasil está considerando o gás de Vaca Muerta em leilões para indústrias. A novidade no Brasil é que o MME está avaliando se a PPSA pode realizar leilões não apenas com gás proveniente de contratos de partilha de produção.
Até o momento, a PPSA praticamente delegou a comercialização de seus volumes de gás à Petrobrás. A estatal petrolífera compra todo o gás da União na boca do poço, a preços próximos a US$ 2 por milhão de BTU (MMBTU), e o revende para indústrias a preços que variam entre US$ 9 e US$ 12 por MMBTU. Os leilões seriam abertos apenas para empresas de segmentos industriais que são grandes consumidoras de gás, como a produção de fertilizantes, a indústria química e petroquímica ou siderúrgicas. A interpretação do governo é que os volumes de gás detidos pela PPSA ao abrigo de contratos de partilha de produção são insuficientes para provocar uma alteração drástica na procura de gás por parte das indústrias. Essa demanda diminuiu nos últimos anos devido à queda no fornecimento de gás da Bolívia e ao aumento das importações de GNL, que são mais caras. Em todo caso, a PPSA ainda precisa finalizar as negociações com a Petrobrás sobre o uso de sua infraestrutura de processamento e transporte de gás. O governo quer que a Petrobrás cobre uma tarifa menor pelo uso dessa infraestrutura para o gás da União. A expectativa oficial é realizar o primeiro leilão de fornecimento de curto prazo nos últimos dois meses deste ano.