O Estado de S.Paulo - SP 10/09/2026
O BTG afirma que manteve uma postura cautelosa com a CSN (CSNA3) por vários anos, principalmente por causa da alavancagem elevada, da geração fraca de fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) e da ausência de uma tese clara para o mercado de ações. Agora, o banco diz enxergar uma oportunidade tática de curto prazo, ao avaliar que a nomeação de Fabio Schvartsman como CEO pode funcionar como catalisador de mudanças.
Para os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, o primeiro grande teste de Schvartsman será entregar a venda da CSN Cimentos, operação que, segundo o relatório, tem probabilidade razoável de sucesso.
Eles acrescentam que esperam que a nova liderança coloque no centro da agenda a desalavancagem, a venda de ativos e a alocação de capital, ainda que os riscos de execução permaneçam altos.
O BTG destaca que o balanço continua sendo a questão central. A CSN terminou o segundo trimestre de 2026 com cerca de R$ 42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes na relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Ao mesmo tempo, a geração de FCF segue pressionada, e o peso dos juros continua a absorver uma parcela relevante do caixa operacional.
Nesse contexto, o banco aponta que a transição de liderança pode ser um catalisador porque Steinbruch declarou explicitamente que o mandato de Schvartsman é desalavancar a companhia, enquanto a CSN mantém a meta de reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões em dívida por meio de um programa mais amplo de desinvestimentos.
O BTG ressalva que existe uma diferença grande entre anunciar essa ambição e executá-la, mas avalia que até mesmo uma entrega parcial poderia melhorar de forma relevante a trajetória do balanço.
Na visão do BTG, a venda da CSN Cimentos tende a ser o primeiro “ponto de prova” desse processo. O relatório afirma que a empresa já recebeu propostas e espera cerca de mais 40 dias para escolher a melhor, com a possibilidade de a transação ser concluída até novembro.
Depois do negócio de cimento, a administração teria indicado como potenciais fontes adicionais de recursos participações minoritárias em infraestrutura e energia, ativos internacionais isolados e, mais adiante, um parceiro estratégico para o negócio de aço.
Para o BTG, se Schvartsman conseguir fechar o negócio de cimentos com relativa rapidez e construir credibilidade para o programa mais amplo de venda de ativos, os investidores poderiam passar a precificar uma alavancagem estruturalmente menor antes mesmo de o plano total de R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões estar concluído.
O relatório também atribui à troca no comando um efeito de sinalização mais amplo. O BTG descreve Schvartsman como um executivo bem visto e pró-mercado, com experiência em Vale (VALE3), Klabin (KLBN11) e Ultrapar (UGPA3). Ao mesmo tempo, o banco pondera que Steinbruch permanece como chairman (presidente do conselho de administração) e deve continuar a desempenhar um papel estratégico, o que não permite supor uma transformação imediata em governança ou alocação de capital.
O BTG diz ainda ver a CSN relativamente bem posicionada diante dos principais cenários eleitorais no Brasil. Segundo o banco, uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia ser associada a expectativas de políticas mais favoráveis ao mercado e a juros domésticos potencialmente menores, o que beneficiaria de forma desproporcional empresas com alta alavancagem, como a CSN.
Já uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia implicar maior risco de depreciação do real, oferecendo uma proteção natural de resultados via exposição relevante ao dólar, especialmente em minério de ferro e receitas de aço voltadas à exportação. O BTG ressalta que a transmissão não é simétrica e que várias variáveis macroeconômicas importam.
O banco diz que este ainda não é um chamado de que os problemas estruturais da CSN tenham sido resolvidos: a alavancagem segue elevada, o FCF precisa melhorar e o programa de venda de ativos ainda precisa ser executado. Ainda assim, o BTG afirma que o “setup” mudou e que, após anos de ceticismo, vê um caminho crível para o mercado começar a precificar a desalavancagem antes de ela ser plenamente entregue.
O BTG diz lançar uma recomendação tática de compra para trade em CSN, embora registre que sua recomendação oficial para a empresa permanece neutra. O preço-alvo é de R$ 10, o que representa um potencial de alta de 51,05% ante o fechamento desta terça-feira (8).
IstoÉ Dinheiro - SP 10/09/2026
O comércio entre Brasil e Estados Unidos sofreu um revés significativo em 2026, com uma queda acentuada nas exportações brasileiras para o mercado americano, impactadas diretamente pela política tarifária agressiva implementada pelos EUA.
Entre janeiro e agosto deste ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 24,1 bilhões, representando uma retração de 9,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa diminuição marca o menor valor para o período desde 2023, evidenciando o efeito das barreiras comerciais.
O que aconteceu
Comércio Brasil EUA registra queda histórica de 9,7% nas exportações brasileiras, somando US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. A retração é atribuída à política tarifária agressiva americana, que impôs sobretaxas de 25% a 50% em diversos produtos. Setores como indústria extrativa, agropecuária e de transformação foram duramente afetados, contrastando com o crescimento para outros mercados globais.Impacto das tarifas americanas no comércio
Segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat, o recuo de US$ 2,6 bilhões nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano sublinha a gravidade da situação. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, ressaltou que o comércio bilateral está em trajetória de retração em 2026, com perdas para ambas as economias.
“Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirmou Neto. A busca por alternativas é crucial para reverter esse cenário negativo e retomar o crescimento das trocas comerciais, um tema frequentemente debatido em negociações comerciais entre os dois países.
Em agosto, as exportações brasileiras aos EUA registraram um crescimento de 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025. Contudo, essa alta foi acompanhada por uma queda de 17,3% na quantidade exportada, atingindo o menor nível para um mês de agosto desde 2021. Este fenômeno, explica a Amcham Brasil, foi sustentado pelo aumento dos preços médios, embora alguns produtos específicos, como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café, tenham apresentado volumes maiores.
A associação destacou que a comparação se dá sobre uma base já impactada pelas tarifas adicionais de 40% e 50%, implementadas pelos Estados Unidos a partir de agosto do ano passado. “Apesar do crescimento das exportações em valor em agosto deste ano, os produtos atualmente sujeitos às sobretaxas mais elevadas, de 25% a 37,5%, registraram queda de 10,5%”, informou a Amcham.
Quais produtos mais sentem o efeito das sobretaxas?
No acumulado de janeiro a agosto, as exportações dos produtos sujeitos às sobretaxas de 25% a 37,5% sofreram uma retração ainda mais acentuada, de 29,1%, caindo de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Considerando todos os bens com sobretaxas, a queda foi de 11,4%, enquanto os produtos sem sobretaxas recuaram 8,3%.
Entre os dez principais produtos submetidos às tarifas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas exportações para o mercado norte-americano no acumulado do ano. As maiores retrações incluem madeira de coníferas (-55,3%), fumo não manufaturado (-39,9%), sebo bovino (-39,4%) e granitos trabalhados (-37,4%).
Do lado das importações, agosto marcou o segundo mês consecutivo de crescimento, após sete meses de retração. As compras brasileiras de produtos norte-americanos avançaram 1,1% no mês, mas, no acumulado do ano, permanecem em queda.
Setores brasileiros e a retração nas exportações
O Monitor da Amcham Brasil revela que a retração das vendas brasileiras para os Estados Unidos no acumulado do ano atingiu os três grandes setores da economia: indústria de transformação, indústria extrativa e agropecuária. Este cenário contrasta fortemente com o desempenho das exportações brasileiras para os demais mercados, que registraram crescimento em todos os setores.
Entre janeiro e agosto, as exportações da indústria de transformação para os Estados Unidos caíram 4,9%, enquanto as vendas do setor para o restante do mundo cresceram 6,6%. Na indústria extrativa, as exportações para os Estados Unidos recuaram 28,9%, ao passo que avançaram 19,6% para outros mercados. Na agropecuária, os embarques para os Estados Unidos caíram 26,7%, enquanto cresceram 9,5% para o restante do mundo.
A indústria de transformação, responsável por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, registrou a primeira retração das vendas ao mercado norte-americano desde 2020, com a queda de 4,9%. Mesmo com o recuo, os Estados Unidos ainda se mantêm como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 15,5% do total.
Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, seis registraram queda. Em quatro deles, a retração no mercado norte-americano ocorreu em contraste com o crescimento das vendas para o restante do mundo: petróleo bruto (-31,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-4,3%), ferro-gusa (-8,1%) e celulose (-1,9%).
Principais números (Jan.- Ago. de 2026):
Exportações Brasil > Estados Unidos: US$ 24,1 bilhões (-9,7%) Importações Estados Unidos > Brasil: US$ 27,3 bilhões (-8,6%) Déficit brasileiro: US$ 3,2 bilhões Bens sem sobretaxa: US$ 13,1 bilhões (-8,3%) Bens com sobretaxa: US$ 11,0 bilhões (-11,4%) Produtos sujeitos a sobretaxas de 25%-37,5%: US$ 3,6 bilhões (-29,1%)
Infomoney - SP 10/09/2026
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, em inglês) do Departamento do Tesouro dos EUA sancionou nesta quarta-feira, 9, a intitulada “Organização Criminosa Transnacional” Xinbi Guarantee. A plataforma chinesa, segundo o Tesouro, é amplamente utilizada por cibercriminosos que operam um grande mercado online ilícito de golpes cibernéticos, fraudes, lavagem de dinheiro e outras atividades criminosas que visam americanos.
O OFAC também sancionou duas entidades que apoiam as operações centrais da Xinbi Guarantee por meio da provisão de moeda digital e outros serviços financeiros. A ação foi realizada em coordenação com a Força-Tarefa de Golpes do Departamento de Justiça (SCSF), que apreendeu nesta quarta-feira infraestrutura e carteiras de ativos digitais usadas pela Xinbi.
Tesouro dos EUA anuncia recompra de US$ 6 bi, mas juros seguem em alta
A operação, amplamente aguardada pelos investidores, representa um aumento significativo em relação ao programa regular de recompras, normalmente de US$ 2 bilhões
“Centros de golpes no Sudeste Asiático roubam bilhões de dólares de vítimas americanas a cada ano”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “O governo Trump está unida em seus esforços para desmantelar essas empresas criminosas no exterior, e o Tesouro continuará usando suas ferramentas para interromper as redes por trás dessa fraude flagrante.”
Mais cedo, o Ministério do Comércio da China afirmou que “se opõe firmemente” às acusações feitas pelos EUA contra empresas chinesas de inteligência artificial (IA), após órgãos americanos divulgarem um comunicado conjunto com recomendações de proteção para companhias dos EUA.
CNN Brasil - SP 10/09/2026
O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) medido em reais cresceu 3,61% em agosto na comparação com julho, informou a autarquia nesta quarta-feira (9). Houve alta em commodities metálicas (6,72%), de energia (4,14%) e agropecuárias (2,09%).
O IC-Br representa a média mensal dos preços de um conjunto de commodities consideradas relevantes para a dinâmica da inflação no Brasil. O setor agropecuário tem peso aproximado de 67% no índice, seguido pelos segmentos de energia (em torno de 17%) e de metais (com cerca de 16%).
Em dólares, o índice agregado avançou 2,80% em agosto, com alta nas commodities metálicas (5,90%), de energia (3,30%) e agropecuárias (1,31%).
O IC-Br medido em reais acumula alta de 5,65% de janeiro a agosto deste ano. Em 12 meses, ele cresce 6,53%.
Os preços das commodities agropecuárias sobem 0,63% no ano e caem 4,40% em 12 meses. As commodities metálicas têm alta de 12,80% no ano e sobem 41,19% em 12 meses. Já as commodities de energia avançam 12,53% no ano e sobem 12,00% em 12 meses.
Infomoney - SP 10/09/2026
Pelo menos um terço de todos os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) disseram que considerariam se reunir com menos frequência para definir as taxas de juros, dando a Kevin Warsh uma abertura inicial para uma das maiores mudanças estruturais que ele propôs como novo presidente do banco central.
Se a ideia poderá ser adotada tão cedo ainda é incerto. O comitê de política monetária do Fed ainda não detalhou nenhum plano. Alguns dirigentes que são abertos à proposta também disseram que querem ver uma análise mais aprofundada dos potenciais trade-offs, além de considerar se a mudança viria acompanhada de outros possíveis ajustes na estratégia de comunicação do Fed.
A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, Jeffrey Schmid, de Kansas City, e Anna Paulson, da Filadélfia, estão entre um grupo de seis presidentes regionais do Fed que disseram recentemente estar receptivos a reduzir o número de reuniões regulares do comitê que define as taxas de juros.
Em sua reunião de julho, Warsh sugeriu realizar seis reuniões por ano para deliberar e definir as taxas de juros, reservando duas reuniões separadas para discutir um tópico econômico substantivo, conforme noticiou anteriormente a Bloomberg.
Senadores pressionam Warsh a manter reuniões do Fed após rumor de mudanças
O banco central é obrigado por lei a se reunir quatro vezes por ano, embora o número de reuniões tenha variado ao longo das décadas. Desde 1981, os dirigentes programam oito sessões por ano.
“O presidente observou que seis reuniões programadas por ano, realizadas aproximadamente a cada dois meses, permitiriam que mais informações se acumulassem entre as reuniões do que na prática atual e dariam aos formuladores de políticas e à equipe mais tempo para considerar questões estratégicas de política monetária”, mostraram as atas da reunião de julho.
Reduzir o número de reuniões marcaria uma mudança significativa na forma como o banco central dos EUA opera e o diferenciaria de seus principais pares internacionais. O Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ) se reúnem oito vezes por ano.
Não está claro se os dirigentes discutirão a proposta de Warsh em detalhes na reunião de política monetária marcada para 15 e 16 de setembro. A questão da inflação elevada e se haverá aumento de juros pela primeira vez em três anos pode dominar a próxima reunião.
Embora vários dirigentes tenham dito estar abertos a reduzir o número de reuniões do Fed a cada ano, alguns disseram que querem primeiro analisar as potenciais implicações da mudança.
“É ótimo dar uma nova olhada na forma como fazemos as coisas”, disse Paulson à CNBC no mês passado. “Assim como na política monetária, estou de mente aberta também. Quero entender melhor os trade-offs de seis versus oito — como tudo isso funciona.”
Ata do FOMC: Apoio para alta de juros dos EUA foi maior que os três votos dissidentes
Implicações para as projeções
Alterar a frequência das reuniões provavelmente teria implicações para os materiais que o Fed divulga em algumas de suas reuniões. Atualmente, o Fed publica as projeções econômicas e de taxas de juros dos formuladores de política quatro vezes por ano — nas sessões de março, junho, setembro e dezembro. A mudança para seis reuniões levantaria a questão sobre se e com que frequência essas projeções ainda seriam publicadas.
A divulgação dessas projeções está sendo examinada por uma força-tarefa de comunicação — um dos cinco grupos de especialistas externos estabelecidos por Warsh neste ano para examinar várias práticas do Fed. Espera-se que todas as cinco forças-tarefa façam recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) por volta do final deste ano.
“Acho que é saudável”, disse o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, no podcast Odd Lots da Bloomberg no mês passado, quando questionado sobre a revisão da comunicação e o potencial de mudanças na cadência das reuniões, nas projeções econômicas e nas coletivas de imprensa pós-reunião. “Vamos repensar tudo isso.”
A ideia de menos reuniões está alinhada com os planos de Warsh para um banco central que, em geral, se manifesta menos. Ao final de sua primeira reunião como presidente em junho, o Fed divulgou um comunicado reduzido que eliminou grande parte da linguagem padronizada que havia crescido ao longo dos anos. Ele também se recusou terminantemente a se comprometer a realizar coletivas de imprensa após cada reunião do Fomc além deste ano.
Em 2014, Warsh recomendou que o Banco da Inglaterra realizasse menos reuniões como parte de uma revisão que conduziu sobre suas práticas de transparência a pedido do então presidente Mark Carney. Especificamente, Warsh recomendou que o BoE passasse de 12 reuniões para oito, para dar aos formuladores de política mais tempo para contemplar os dados recebidos. Ele argumentou que a economia raramente muda rápido o suficiente para justificar uma mudança de política mensalmente. O BoE acabou adotando a mudança.
Warsh tem sido menos específico sobre se comprometer a reduzir ainda mais o calendário de reuniões do Fed. Em sua audiência de confirmação em abril, ele observou que a lei exige pelo menos quatro por ano, mas que isso “não era suficiente”.
Vincent Reinhart, economista-chefe da BNY Investments e ex-economista sênior do Fed, disse que realizar menos reuniões poderia ajudar a isolar o banco central da pressão política, reduzindo a frequência de discussões de política de alto perfil que atraem escrutínio de legisladores e da Casa Branca.
“Isso estreita o alvo nas costas do Fed”, disse ele. “Se você reduzir o número de eventos de oito para seis, você — no geral — diminui a quantidade de atenção que o Fed recebe.”
CNN Brasil - SP 10/09/2026
A inflação nos portões das fábricas da China ganhou força em agosto e a alta dos preços ao consumidor acelerou, impulsionados em grande parte pelos elevados custos de energia ligados aos riscos de abastecimento decorrentes da guerra no Oriente Médio, mesmo com a demanda interna subjacente permanecendo moderada.
Com uma recuperação impulsionada pelas exportações amenizando a fraqueza doméstica já arraigada, a economia enfrenta obstáculos persistentes decorrentes de tensões comerciais, fraqueza da demanda do consumidor e interrupções relacionadas às condições climáticas, o que lança uma sombra sobre o ímpeto da recuperação.
O índice de preços ao produtor subiu 3,8% em agosto em relação ao ano anterior, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas, acelerando em relação aos 3,5% registrados em julho e superando a previsão de alta de 3,6% em uma pesquisa da Reuters.
O índice de preços ao consumidor avançou 0,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, contra um aumento de 0,5% em julho e em linha com a pesquisa.
“Os preços mais altos do petróleo bruto e dos metais não ferrosos no mercado internacional elevaram os preços em setores relacionados na China”, afirmou Dong Lijuan, estatística do escritório.
O núcleo da inflação, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, subiu 1% em agosto em relação ao ano anterior, em comparação com um aumento de 0,9% em julho.
“A persistência do conflito no Oriente Médio significa que a inflação provavelmente permanecerá mais alta por mais tempo do que o esperado anteriormente”, disse Nguyen Hoang Nam, economista especializado na China da Capital Economics.
“Mas nossa previsão básica continua sendo de que a inflação dos preços ao consumidor cairá acentuadamente no próximo ano, com média de apenas 0,4%, enquanto os preços ao produtor retornarão à deflação.”
Money Times - SP 10/09/2026
O fluxo cambial ficou positivo em US$ 9,089 bilhões em 2026 até o dia 4 de setembro, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira, 9, pelo Banco Central. O canal financeiro apresentou saídas líquidas de US$ 34,135 bilhões. Já o fluxo comercial ficou positivo, somando US$ 43,225 bilhões no ano.
O segmento financeiro teve compras de US$ 466,705 bilhões e vendas de US$ 500,841 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.
O canal comercial teve importações de US$ 171,081 bilhões e exportações de US$ 214,305 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 23,363 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 54,111 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 136,831 bilhões em outras operações.
Mensal
De acordo com os dados preliminares do BC, o Brasil registrou fluxo cambial negativo de US$ 3,914 bilhões em agosto. Em julho, houve entrada líquida de US$ 1,939 bilhão.
O canal financeiro registrou saída líquida de US$ 9,079 bilhões. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 48,333 bilhões e vendas no total de US$ 57,412 bilhões.
No comércio exterior, o saldo no período foi positivo em US$ 5,165 bilhões, com importações de US$ 21,679 bilhões e exportações de US$ 26,844 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 3,345 bilhões em ACC, US$ 6,967 bilhões em Pagamento Antecipado e US$ 16,532 bilhões em outras entradas.
Semanal
O Brasil registrou fluxo cambial negativo de US$ 6,693 bilhões em setembro até dia 4, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central.
O canal financeiro registrou saída líquida de US$ 6,448 bilhões até o último dia 4. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 10,495 bilhões e vendas no total de US$ 16,944 bilhões.
No comércio exterior, o saldo no período foi negativo em US$ 245 milhões, com importações de US$ 4,376 bilhões e exportações de US$ 4,132 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 552 milhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio, US$ 975 milhões em PA e US$ 2,605 bilhões em outras entradas.
Valor - SP 10/09/2026
Contrato futuro com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 110,8
O preço do minério de ferro cedeu levemente nesta quarta-feira (9) na China, em meio à recuperação lenta da demanda pela commodity, segundo analistas da consultoria Baocheng Futures.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em janeiro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em queda de 0,27%, cotado a 744 yuans (US$ 110,8).
O cenário de oferta e demanda do minério de ferro não melhorou significativamente, enquanto a produção das siderúrgicas se estabilizou, dizem especialistas em relatório.
Os desembarques em portos chineses aumentaram, e a oferta internacional permanece robusta, elevando a oferta total a níveis elevados, acrescentam.
Money Times - SP 10/09/2026
Em comunicado ao mercado na noite desta quarta-feira (9), a Vale (VALE3) afirmou que não foi tomada qualquer decisão pela companhia acerca da emissão de títulos de dívida.
“Como parte de sua gestão financeira e planejamento estratégico, a companhia avalia continuamente alternativas de financiamento e oportunidades que possam contribuir para a criação de valor de longo prazo e para o desenvolvimento de seus negócios”, disse a empresa no comunicado.
O esclarecimento foi motivado por uma reportagem publicada ontem pela Bloomberg Línea, com base em entrevista com o CFO da Vale, Marcelo Bacci. O texto informa que mineradora considera uma estreia no mercado de títulos da China ainda neste ano, possivelmente seguindo os passos do governo brasileiro na captação de investidores chineses.
Como principal consumidor do minério de ferro da Vale, respondendo por cerca de 50% da receita da mineradora, Bacci considerou “natural” que a Vale busque o mercado chinês. “Estamos preparando a empresa para isso”, disse o CFO, acrescentando que a venda dos títulos poderia ocorrer “possivelmente ainda em 2026”.
O Estado de S.Paulo - SP 10/09/2026
O Brasil já produziu 1,898 milhão de veículos no acumulado do ano de 2026. Os dados são da Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos no Brasil.
No mês de agosto, o registro de produção ficou em 271,1 mil unidades, crescimento de 9,6% em relação ao mesmo mês do ano passado.
“O mês de agosto de 2026 foi o melhor em termos de produção da indústria automotiva brasileira desde outubro de 2019, era pré-pandemia. Este número reflete um aquecimento do mercado brasileiro de automóveis e, principalmente, uma participação de 2/3 do crescimento proveniente da produção de modelos em CKD e SKD no país”, explica Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Resultados do mercado
O emplacamento de veículos zero km no Brasil ficou em 1,975 milhão de unidades no acumulado do ano, resultado 18,4% maior em comparação com o mesmo período do ano passado.
No segmento de pesados, o emplacamento de caminhões ainda segue em queda. No acumulado de 2026, os caminhões registraram 70,7 mil unidades emplacadas contra 74,3 mil no ano passado, uma queda de 4,9%.
“A alta dos juros e a falta de certeza de investidores ainda são alguns fatores que prejudicam o segmento de caminhões, apesar dos dois programas de incentivo governamental que tivemos no primeiro semestre, o Move Brasil I e II, que ajudaram a desacelerar esta queda. Ainda não é o momento de a indústria brasileira de caminhões respirar aliviada”, diz Calvet.
A importação de veículos, segundo a Anfavea, deu um salto de 29,8% no acumulado do ano, entre janeiro e agosto. No período, o Brasil comprou 406,7 mil unidades do exterior, contra 313,3 mil no ano passado.
Um destaque deste número é o fato de a China ser a principal origem dos carros importados pelo mercado brasileiro, com 221,2 mil unidades, mais da metade do montante importado pelo Brasil no período janeiro-agosto.
“Os veículos importados da China já representam cerca de 11% de todo o mercado brasileiro de carros novos”, finaliza Igor Calvet.
Auto Industria - SP 10/09/2026
Mesmo sem contemplar as montadoras que iniciaram operações no Brasil em 2025, em especial as chinesas GWM e BYD, o quadro de empregos no setor automotivo vem em ascensão este ano e atingiu, em agosto, 115 mil funcionários. O maior nível dos últimos 11 anos.
Só neste ano foram 5,6 mil contratações, das quais 1 mil no mês passado. Os dados são da Anfavea que, apesar de contemplar em seu balanço de vendas os números das novas entrantes, não considera no efetivo os empregos geradas por elas.
Nesse caso, são contemplados apenas os números das associadas fabricantes de veículos, excluindo assim também as do segmento de máquinas agrícolas e de construção.
Pelos últimos números divulgados pelas marcas chinesas, a BYD está empregando 6,3 mil funcionários em Camaçari, BA, e a GWM perto de 1,8 mil em Iracemápolis, SP, com total de 2 mil no País. Com isso, poderia se falar em um quadro total das montadoras aqui instaladas da ordem de 123 mil trabalhadores.
Até agora, o melhor período da indústria automotiva em volumes e mão de obra foi entre 2010 e 2015, sendo que o recorde de mão de obra, considerando exclusivamente as fabricantes de veículos, foi alcançado em 2013, com 135 mil empregos.
CNN Brasil - SP 10/09/2026
O mercado brasileiro de veículos elétricos e híbridos leves está prestes a atingir um marco histórico. Com mais de 57 mil emplacamentos registrados em agosto, a frota circulante de eletrificados no país alcançou 950.183 unidades, segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico).
Faltando apenas 49.817 veículos para a marca, a expectativa da entidade é que o primeiro milhão de veículos eletrificados em circulação seja atingido ainda durante o mês de setembro, mantendo o ritmo de aceleração das vendas observado ao longo de 2026.
"Nossa expectativa é chegar ao primeiro milhão nas próximas semanas, ainda este mês. É um número extraordinário para um mercado que começou vendendo 117 unidades em 2012, alcançou 1.091 em 2016 e deve terminar 2026 com cerca de 450 mil emplacamentos", afirma o presidente da ABVE, Ricardo Bastos.
Aceleração das vendas e avanço do mercado
De janeiro a agosto de 2026, o Brasil emplacou 328.477 veículos eletrificados leves, um salto de 160,5% na comparação com o mesmo período de 2025 (126.071 unidades). Em apenas oito meses, o volume comercializado já superou em 47% todo o acumulado do ano passado.
No consolidado do ano, a participação de mercado (em inglês, market share) dos eletrificados chegou a 20,2% das vendas totais de veículos leves. Em agosto, o indicador bateu recorde mensal ao atingir 22%. Na prática, de cada 100 veículos leves vendidos no país no último mês, 22 contavam com tração elétrica.
Fatores de expansão do setor
Segundo a ABVE, a rápida consolidação da eletromobilidade no Brasil acontece por três fatores:
Nacionalização da indústria: a chegada e instalação de fábricas de montadoras como BYD, GWM, Omoda, Pace/GM e Geely geram maior confiança e previsibilidade para o consumidor final;
Infraestrutura de recarga: o país já conta com mais de 25,4 mil eletropostos públicos e semipúblicos em operação;
Políticas públicas: o ecossistema é impulsionado pelo Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e pelo Move Brasil, programa federal que disponibiliza até R$ 30 bilhões em linhas de crédito para renovação de frotas de táxis, aplicativos e cooperativas.
Vendas por tecnologia
Os plug-ins (modelos de tomada) concentraram 83,1% de todas as vendas do segmento no mês. A divisão do volume por tipo de tecnologia registrou os seguintes indicadores:
100% elétricos (BEV): lideraram as vendas com 27.166 unidades (47,3% do total), avanço de 5,4% em relação a julho e alta de 256% ante agosto de 2025; híbridos plug-in (PHEV): somaram 20.535 emplacamentos (35,8% do total), alta de 0,2% no mês e expansão de 155% na comparação anual; híbridos flex (HEV flex): registraram 5.240 unidades (9,1% do total), recuo de 6,8% ante julho e crescimento de 133% em relação a agosto do ano anterior; híbridos convencionais (HEV): contabilizaram 4.445 veículos (7,8% do total), avanço de 6,6% sobre o mês anterior e alta de 94% em 12 meses.
Os modelos MHEV, ou micro-híbridos, que somaram 6.669 unidades em agosto, não possuem tração elétrica autônoma e, portanto, não são classificados como eletrificados nos critérios oficiais da entidade.
Geografia da eletromobilidade no Brasil
A Região Sudeste lidera o volume nacional de emplacamentos, concentrando mais de 40% das vendas de eletrificados leves. Veja o ranking abaixo:
Sudeste: 24.010 unidades (41,8%) Nordeste: 12.453 unidades (21,7%) Sul: 10.058 unidades (17,5%) Centro-Oeste: 8.162 unidades (14,2%) Norte: 2.703 unidades (4,7%)
Entre os estados, São Paulo liderou com 26,1% das vendas, seguido por Distrito Federal (8,8%), Minas Gerais (7,5%), Paraná (6,8%) e Rio de Janeiro (5,8%). No ranking das cidades, São Paulo ficou em primeiro lugar (9,0%), seguida por Brasília (8,8%), Belo Horizonte (4,2%), Rio de Janeiro (2,9%) e Curitiba (2,7%).
Grandes Construções - SP 10/09/2026
Mudanças nas regras de voos do Campo de Marte em São Paulo, de onde partem voos particulares de jatos e helicópteros, viraram fonte de dor de cabeça para o mercado imobiliário da capital e de cidades vizinhas.
A partir de 15 de setembro, os voos que pousam e aterrissam no aeroporto serão operados por instrumentos e, para que isso fosse possível, desde abril uma área de 20 quilômetros ao redor do aeroporto passou a ter uma restrição de altura para construção de novos edifícios.
Na prática, desde abril, tudo o que for construído no raio de 20 quilômetros e que ultrapassar os 45 metros de altura do terminal aeroviário precisa de autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira (FAB).
Antes, só construções num raio de 2,5 quilômetros precisavam desse aval.
De um lado, a FAB e a Pax Aeroportos, concessionária controlada pela XP que administra o aeroporto desde 2022, minimizam o impacto e, de outro, representantes do setor imobiliário e do poder público manifestam preocupação com as restrições que isso pode gerar para o desenvolvimento da cidade.
Segundo representantes do setor, as novas restrições podem fazer com que novos prédios sejam mais baixos do que o planejado pelas incorporadoras, ou com que haja maior prazo para liberação dos empreendimentos por conta do aval do Decea.
Segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, as restrições de construção por conta dos voos no Campo de Marte passaram de 2,98% para 52,7% da cidade, impactando “regiões estratégicas para o desenvolvimento urbano, produção habitacional e implantação de projetos públicos e privados”.
As alterações impactaram a área geral da cidade que tem algum tipo de restrição construtiva por causa de aeroportos - o que também considera Congonhas e Guarulhos - de 64% para 71% do território do município.
Por conta dos dois outros aeroportos, já havia a necessidade de autorização da FAB para empreendimentos em boa parte de São Paulo. Mas o Campo de Marte, por estar em altitude menor, exige uma dinâmica diferente.
"O aeroporto do Campo de Marte é, dos três aeroportos, o mais baixo de todos por estar na várzea. Então a cidade inteira será atingida por uma restrição de gabarito, e não é só o setor imobiliário, mas qualquer hospital, universidades, equipamentos em geral. Por tão pouco, por quatro voos por dia, você vai submeter a cidade a uma restrição de construções dessa magnitude?", indaga Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, entidade que representa o setor imobiliário na capital paulista.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) estima que as novas regras podem gerar um custo adicional para as empresas do setor de até R$ 2,7 bilhões por ano, e faz coro com as reclamações.
“Não é razoável que uma mudança voltada a uma parcela restrita da população prejudique milhares de famílias e enfraqueça o planejamento urbano de São Paulo. A Abrainc defende uma solução construída por meio do diálogo, que preserve a segurança do espaço aéreo sem comprometer a construção de moradias, a geração de empregos e o desenvolvimento”, diz a entidade em nota.
Aumento nos pedidos - Um argumento do setor imobiliário é que, agora, mais empreendimentos precisam pedir autorização para a Força Aérea antes de serem licenciados.
O balanço mais recente do Decea mostra que houve aumento de 48% nos pedidos de pareceres para novas obras nessa área.
Entre julho e 15 de dezembro de 2025, período em que as solicitações de novos projetos eram analisadas sob regras do voo visual (VFR), foram 6.399 pedidos e, desses, 4.175 foram aprovados de imediato e 728 (12%) exigiram abertura de processo técnico para avaliação mais aprofundada.
Já entre 16 de dezembro de 2025 e 30 de junho de 2026 - período que já considera as operações por instrumentos, o IFR - o número de pedidos subiu para 8.187. Entretanto, 4.656 foram aprovados de imediato e 1.081 (13%) viraram processos de análise técnica.
Ou seja, o Decea alega que essa estabilidade na taxa para abertura de processos mais aprofundados “evidencia a atuação técnica e criteriosa na análise das demandas, conciliando o desenvolvimento urbano com a segurança e a eficiência das operações aéreas”.
O fato de haver se mantido essa estabilidade é um dos argumentos da Pax para mostrar que as mudanças não vão inviabilizar o desenvolvimento imobiliário na cidade.
“A implantação do IFR no Campo de Marte não altera o desenvolvimento urbano de São Paulo. Dados do DECEA mostram que, já sob análise IFR, 13% dos pedidos de autorização para construção no entorno do aeroporto seguiram para análise técnica mais profunda, praticamente o mesmo percentual do período anterior, que foi de 12% sob VFR, comprovando a compatibilidade da operação por instrumentos com a atividade imobiliária”, diz Rogerio Prado, CEO da PAX Aeroportos.
A mudança de voos visuais (VFR, na sigla em inglês), em que o piloto guia o avião com base no que ele consegue visualizar, para voo por instrumentos (IFR, na sigla em inglês) foi uma previsão contratual quando a Pax assumiu a concessão, em 2022.
Com a modernização, a empresa, que também arrematou o Aeroporto de Jacarepaguá, no Rio, busca garantir uma gradual ampliação dos tipos de aviões que poderão usar o aeroporto.
No primeiro momento, os voos por IFR só poderão ser feitos entre 6h às 6h59, limitado a quatro pousos ou decolagens neste período. Depois, a expectativa é aumentar esse tipo de voo.
A diretora executiva da GPC Assessoria Aeroportuária, Mônica Marcondes de Castilho, cita regiões como as dos bairros de Perdizes, na Zona Oeste da capital paulista, Santana, na Zona Norte, e também o centro como um todo, mais próximos do Campo de Marte.
As regras para a operação do IFR levaram à criação de um plano de proteção que delimita diferentes faixas de limite para a altura dos prédios. O parâmetro é a altitude em relação ao nível do mar.
"Antes era possível conseguir uma dispensa da necessidade de aprovação do empreendimento com a aeronáutica. Agora, essa dispensa praticamente não está mais sendo emitida e a aeronáutica está pedindo para que os empreendimentos protocolem o processo de aprovação. Antes esse processo podia levar cerca de três semanas. Agora vai para quase 60 dias", diz Mônica.
Empresas como a dela, que auxiliam as construtoras a passarem pelo crivo da Aeronáutica, viram a procura por seus serviços aumentar com as novas regras.
Mônica conta ainda que um projeto não é automaticamente inviabilizado caso ultrapasse a altitude máxima prevista. No processo de aprovação, pode-se adotar o chamado princípio de sombra, uma regra prevista pela Aeronáutica.
“Em linhas gerais, a lógica é que o novo empreendimento, sendo mais baixo e ficando dentro desse volume de sombra, não cria uma nova interferência relevante para a operação aérea além daquela já existente. Mas a aplicação do critério de sombra não é automática e nem todo obstáculo existente pode ser utilizado como gerador de sombra”, explica.
Valor - SP 10/09/2026
Maior no crédito imobiliário, Caixa lidera com mais da metade do volume total de ativos disponíveis para venda que ficam nos balanços
Marcelo PrataOs cinco principais bancos do país - Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB), Bradesco, Santander e Itaú - contabilizavam no dia 30 de junho R$ 11 bilhões em ativos mantidos em carteira para venda. Desse total, estima-se que R$ 10 bilhões sejam referentes a imóveis recuperados pelas instituições financeiras para fazer frente a operações de crédito que não foram pagas. O número de imóveis retomados somava 27.004.
Os dados fazem parte do Mapa Resale, uma pesquisa inédita repassada ao Valor e que tem como objetivo dar transparência a esse mercado bilionário, cujas informações são apresentadas de forma fragmentada nos balanços dos bancos. Pelo levantamento, a Caixa, por ser a maior financiadora de crédito imobiliário, concentrava mais da metade do total de ativos mantidos para venda pelos bancos. Dos R$ 11 bilhões, R$ 6,03 bilhões estão registrados no balanço da Caixa, seguida por Bradesco (R$ 2,53 bilhões), Santander (R$ 1,59 bilhão), Itaú (R$ 598 milhões) e BB (R$ 302 milhões).
O Mapa Resale mostra que o banco público também lidera em número de imóveis retomados ofertados. Dos 27.004, 24.572 são da Caixa. O Santander aparece em segundo lugar (1.365 imóveis), acompanhado por BB (633) e Bradesco (434). Já o Itaú não tem esses dados disponíveis.
Com o levantamento, que terá periodicidade trimestral, será possível criar uma série histórica para uma melhor análise dos critérios de concessão de crédito para, se for preciso, aprimorá-los como forma de tornar o imóvel líquido rapidamente, diz o CEO da Resale, Marcelo Prata. A Resale é uma plataforma que atua como um outlet de imóveis retomados por bancos e instituições financeiras para dar liquidez a esses ativos imobiliários disponíveis para venda.
Segundo Prata, a estimativa de R$ 10 bilhões em imóveis retomados registrados como ativos é baixa se considerado um universo de mais de R$ 1 trilhão em crédito imobiliário. Porém, o montante tem impacto nos resultados dos bancos. O levantamento reforça também que esses R$ 10 bilhões não representam o estoque imobiliário reportado pelas cinco instituições financeiras, mas, sim, uma estimativa indicativa construída a partir de dados observados, proxies e hipóteses analíticas, diante da ausência de abertura contábil padronizada por tipo de ativo.
“Temos zero dado [valor da parcela imobiliária no total de ativos para venda]. É o pré-sal do mercado imobiliário. Não é uma informação pública”, frisou. O executivo ressalta que, com os dados, será possível acompanhar o comportamento da retomada e da venda desses imóveis, algo hoje “escondido”. Atualmente, o setor tem acesso apenas a dados como a evolução dos lançamentos imobiliários e os números do mercado secundário.
O Mapa Resale aponta que a trajetória dos ativos mantidos para venda não depende apenas da inadimplência ou da entrada de novos imóveis na carteira do banco. Conforme o levantamento, resulta da combinação entre novos ativos retomados, capacidade de alienação do estoque existente, baixas e reclassificações contábeis. Ou seja, o dado estimativo de ativos imobiliários mantidos para venda nas carteiras dos bancos não significa, isoladamente, que houve mais retomadas, assim como uma redução não necessariamente indica menor inadimplência.
O diretor-executivo da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Filipe Pontual, afirmou que a entidade não tem a informação sobre o valor dos imóveis retomados mantidos para venda nas carteiras dos bancos. Ele ressalta, no entanto, que a taxa de inadimplência dos financiamentos imobiliários em até 90 dias está nos níveis mais baixos da história, mesmo com a taxa básica de juros (Selic) em 14% ao ano. “Não é algo que esteja nos preocupando”, disse.
Além disso, Pontual afirmou que o crescimento do crédito imobiliário nos últimos cinco anos foi “bastante forte”, tanto via Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) como na parcela que tem como “funding” os recursos da caderneta de poupança. “Em valores absolutos de imóveis retomados [R$ 10 bilhões], pode parecer alto, mas, em termos relativos, é baixo”, explicou Pontual, lembrando que representaria algo em torno de 0,7% do saldo total de financiamentos no país, que chega a R$ 1,455 trilhão.
Prata explicou ao Valor que o montante consolidado de R$ 11 bilhões em ativos para venda na carteira dos bancos foi apurado a partir de informações disponíveis nas demonstrações financeiras. A composição desses saldos, conforme Prata, não é divulgada de forma padronizada pelos bancos. A partir das informações públicas disponíveis - como as demonstrações financeiras - e de referências analíticas individualizadas - portais de vendas e diferentes etapas dos processos de recuperação e alienação de ativos -, foi possível calcular que R$ 10 bilhões desse total representam uma estimativa indicativa do possível componente imobiliário.
Procurada para comentar os números, a Caixa confirmou, por meio de nota, que o saldo contábil de ativos mantidos para venda era de R$ 6,03 bilhões no balanço patrimonial referente ao segundo trimestre de 2026. Atualmente, aproximadamente 27 mil imóveis estão disponíveis para comercialização no portal Imóveis Caixa, número mais atualizado do que o apontado no Mapa Resale.
“Ressalta-se que esse quantitativo é dinâmico e pode variar em função da alienação de bens e da incorporação de novos imóveis ao estoque”, informou a Caixa, destacando que a estimativa de valor para comercialização desse estoque corresponde à soma dos valores mínimos de venda divulgados para os imóveis disponibilizados no portal de vendas do banco.
A Caixa reforçou ainda que, nos termos da regulamentação aplicável aos Ativos Não Financeiros Mantidos para Venda (AMV), a alienação desses bens integra a gestão patrimonial da instituição, contribuindo para a recuperação de créditos, a redução dos custos e riscos associados à sua manutenção e sua conversão em recursos financeiros.
Já o BB informou, também por meio de nota, que não comenta volumes, metas e valores por motivos de sigilo de sua estratégia concorrencial referente à parcela de ativos mantidos para venda, como é o caso dos imóveis retomados.
“Cabe destacar que a recuperabilidade e a venda dos imóveis retomados perfazem a cadeia de crédito, e seu sucesso contribui para a composição de risco e taxa de juros, sendo tanto menor quanto maior for a velocidade na retomada e na venda”, explicou o banco.
O BB informou que, atualmente, 98,5% do estoque de imóveis do banco advém da recuperação e retomada desses ativos e que a estimativa de recebimento por eles está intrinsecamente ligada ao valor da dívida em atraso, conforme dispõe a Resolução 4.747 do Banco Central, segundo a qual o ativo imobilizado de uma instituição financeira decorrente de retomada deve perseguir o valor justo.
Procurados, Itaú, Santander e Bradesco não se manifestaram sobre o levantamento.
Exame - SP 10/09/2026
O Jardim das Perdizes vai ganhar nove novas torres e R$ 3,6 bilhões em lançamentos imobiliários. O novo ciclo do bairro planejado na zona oeste de São Paulo começa com a Tecnisa na condução operacional e o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) como parceiro financeiro do projeto.
Houve uma mudança societária depois de uma negociação que levou o BTG a ampliar sua participação no empreendimento. Em abril, o presidente da Tecnisa, Fernando Perez, havia antecipado à EXAME que o banco compraria a participação da gestora americana Hines e parte da fatia da própria Tecnisa.
Com a operação, o BTG passou a deter cerca de 68% do Jardim das Perdizes, enquanto a incorporadora ficou com 32%. A transação também ajudou a Tecnisa a reduzir seu endividamento corporativo. Perez detalhou, na época, que a operação permitiria à companhia eliminar cerca de 70% de dívida.
O primeiro projeto dessa nova fase é o Sequoia, que será lançado em setembro. O empreendimento terá duas torres e 384 unidades residenciais, com valor geral de venda (VGV) de R$ 508 milhões. As unidades terão três e quatro dormitórios, com até duas suítes, e áreas de 121 metros quadrados (m²), 148 m² e 175 m².
O projeto também terá três lojas e áreas comuns de lazer. O Sequoia foi desenvolvido com foco no conceito de bem-estar (wellness, em inglês), com espaços voltados para saúde e atividade física. Entre eles estão um spa, centro fitness, quadra de tênis com medidas oficiais, quadra esportiva e complexo aquático.
O empreendimento também possui certificação de Excelência em Design para Maior Eficiência (EDGE, em inglês), voltada a soluções de eficiência no consumo de energia e água e à redução de impactos ambientais. As áreas comuns terão curadoria e móveis da Artefacto.
BTG e Tecnisa preparam nove novas torres no Jardim das Perdizes
A estratégia é desenvolver as novas etapas de forma progressiva, incorporando cada projeto ao conjunto urbanístico já existente. O presidente da Tecnisa, Fernando Perez, vê que o Sequoia traduz uma evolução na forma de "pensar a experiência de morar".
Ele detalha que o projeto "combina apartamentos amplos, infraestrutura completa e uma série de soluções voltadas ao bem-estar, dentro de um bairro que já oferece uma condição urbana bastante singular em São Paulo."
Sócio-sênior do BTG, Alexandre Camara acrescentou que o projeto é único no mercado imobiliário paulistano por sua escala, planejamento urbano e "qualidade da infraestrutura construída ao longo dos últimos anos." O Sequoia traduz a confiança no projeto, na sua visão, e na busca por ser referência em projetos de moradia e qualidade de vida.
Jardim das Perdizes já soma 2.859 imóveis e 7 mil moradores
O Jardim das Perdizes ocupa uma área de 250 mil m² e tem um parque central de 45 mil m², com áreas residenciais, espaços de convivência e infraestrutura voltadas à circulação de pedestres e à interação entre os moradores. Desde o início do projeto, foram lançadas 19 torres, que somam 2.859 unidades residenciais.
Desse total, 15 torres e 2.119 unidades já foram entregues. Atualmente, cerca de 7 mil pessoas vivem no bairro. O projeto também prevê a ampliação do parque, com a incorporação de uma área vizinha. O investimento ainda deve ser anunciado.
O bairro conta com fiação subterrânea, iluminação em LED, ciclovia, calçadas largas e acessíveis e sistemas de gestão de águas. O Jardim das Perdizes também possui um selo internacional de alta qualidade ambiental para construções (AQUA, em inglês) e sistema de segurança 24 horas, com câmeras integradas às polícias de São Paulo.
O terreno foi adquirido pela Tecnisa em 2007, por R$ 133 milhões, em uma área que havia sido ocupada pela Telefônica. Para aumentar o potencial construtivo do projeto, a companhia também investiu em Cepacs, títulos utilizados para ampliar o potencial de construção em determinadas áreas da cidade.
Revista Ferroviaria - RJ 10/09/2026
Uma decisão judicial levou a Companhia de Transportes da Bahia (CTB) a suspender por tempo indeterminado a licitação para a compra de 40 novos vagões para o sistema metroviário da Bahia.
A decisão consta no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira, 9, e interrompe o processo a apenas oito dias da abertura das propostas, marcada para 16 de setembro.
A TARDE questionou a CTB sobre o teor da decisão judicial e quais pontos do processo foram questionados e aguarda retorno.
Entenda
A decisão judicial interrompe, por enquanto, o cronograma para reforçar a frota do metrô e ampliar a capacidade de atendimento das Linhas 1 e 2.
O reforço da frota é previsto para atender ao aumento da demanda e reduzir o tempo de espera nas estações, especialmente após a implantação de novos terminais.
Por se tratar de uma Licitação Presencial Internacional (LP), o processo permitia a participação de fabricantes internacionais de material rodante, ampliando a concorrência pela contratação dos novos trens.
Com a suspensão determinada pela Justiça, porém, o cronograma para a contratação fica sem previsão de retomada.
Histórico turbulento
A TARDE já havia informado, em 17 de agosto, que a CTB revogou a primeira licitação para a compra dos 10 novos trens para as Linhas 1 e 2 do Metrô de Salvador e Lauro de Freitas.
À época, a justificativa da companhia foi que a decisão considerava os fundamentos apresentados em uma decisão administrativa registrada no processo.
Dois dias depois, em 19 de agosto, a CTB abriu uma nova licitação internacional para a compra dos 10 trens.
A sessão pública estava marcada para o dia 16 de setembro, às 9h, na sede da companhia, em Salvador.
Agora, no entanto, essa licitação foi suspensa por tempo indeterminado.
Diário do Comércio - MG 10/09/2026
O governo federal marcou para 17 de dezembro, a partir das 14h, na B3, em São Paulo, a sessão pública do leilão de concessão do corredor ferroviário Minas-Rio. Será o primeiro certame do modal ferroviário desde 2021, quando foi leiloado o Trecho I da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), e o primeiro a utilizar o modelo de chamamento público, servindo como um teste para outras ferrovias ociosas ou parcialmente abandonadas.
A malha conecta Minas Gerais ao litoral do Rio de Janeiro e tem cerca de 733 quilômetros (km). O traçado foi dividido em dois lotes: um de 626 km entre Iguatama, no Centro-Oeste mineiro, e Barra Mansa (RJ), com ramal entre Varginha e Lavras, no Sul de Minas; e outro de 107 km entre Barra Mansa (RJ) e Angra dos Reis (RJ).
Com autorização válida por 99 anos, a nova concessionária do Minas-Rio, atualmente operado pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), assumirá a manutenção, recuperação e modernização da infraestrutura, com prazo de até dois anos para apresentar um plano de recapacitação da ferrovia. O contrato está previsto para ser assinado até maio de 2027.
No último dia 27 de agosto, quando a diretoria colegiada da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou a versão definitiva do edital de concessão, o diretor da autarquia e relator do processo, Marcelo Fonseca, afirmou que o corredor será uma referência para futuros chamamentos públicos de autorização ferroviária.
Na avaliação dele, o projeto representa uma inovação por tratar da exploração de trechos já existentes e anteriormente operados sob regime de concessão, diferentemente das autorizações ferroviárias já emitidas após a aprovação do novo marco regulatório, voltadas majoritariamente a projetos greenfield.
Ainda neste ano, a ANTT prevê publicar o edital de chamamento público entre Arcos, no Centro-Oeste mineiro, e Barra Mansa (RJ), além do edital da Estrada de Ferro 118, que ligará Vitória (ES) ao Porto do Açu (RJ). Para 2027, a carteira ferroviária da agência inclui ainda a Ferrogrão, a Malha Oeste e a Malha Sul.
Projeto estratégico para Minas Gerais
O corredor Minas-Rio é considerado um projeto estratégico para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais por ampliar a conexão mineira com os portos do Sudeste, como o de Angra dos Reis, além de otimizar a logística de exportação de fertilizantes e, principalmente, de café. O Sul do Estado é a principal região cafeeira do Brasil.
A nova concessão integra o conjunto de iniciativas federais composto por oito projetos principais voltados à retomada da infraestrutura ferroviária nacional e à ampliação da participação das ferrovias no transporte de cargas do País. Para Minas Gerais, a previsão é de R$ 38 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos.
“Hoje, as rodovias já não suportam mais o volume atual de cargas. Expandir as ferrovias não é uma escolha, é uma necessidade”, afirmou o diretor da ANTT, Alessandro Baumgartner, no 1º Fórum Ferroviário de Minas Gerais, realizado em maio, na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte.
Revista Ferroviaria - RJ 10/09/2026
O Tribunal de Contas do Distrito Federal suspendeu a licitação para compra de 15 novas unidades de trens do Metrô-DF. A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial do DF desta terça-feira (8).
O processo deve seguir suspenso até uma nova decisão da corte sobre o tema. Por tramitar em sigilo, a Corte não pode dar mais detalhes sobre a suspensão
Em nota, o Metrô-DF afirmou que vai adotar as providências necessárias para o regular prosseguimento do certame, após nova deliberação do Tribunal (veja nota na íntegra no fim da reportagem).
Falhas frequentes
O sistema de metrô do DF acumula, só neste ano, falhas que afetam a rotina dos usuários:
agosto: na volta para casa, passageiros enfrentaram pane por um problema de sinalização no trecho do Plano Piloto. O serviço só foi normalizado no início do dia seguinte; julho: os trens pararam de rodar após um trem passar por uma peça que se soltou no trilho. Ao longo de toda a manhã, o serviço ficou interrompido e voltou a rodar no período da tarde em velocidade reduzida; abril: um trem quebrado causou confusão em uma estação do metrô e atrasou a circulação de passageiros logo no início da manhã; janeiro: nove estações ficaram fechadas por cerca de 11 horas após uma falha técnica em um veículo de manutenção do metrô O que diz o Metrô-DF
O Metrô-DF informa que, em cumprimento à Decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal TCDF, foi temporariamente suspensa a licitação para aquisição de 15 novos trens para o sistema metroviário. A Companhia analisará as questões apresentadas pela Corte de Contas e prestará os esclarecimentos e justificativas pertinentes, promovendo eventuais ajustes que se mostrarem necessários. A análise de editais e a adoção de medidas cautelares integram o exercício regular do controle externo realizado pelo TCDF, sobretudo em contratações de maior complexidade. O Metrô-DF adotará as providências necessárias para o regular prosseguimento do certame, após nova deliberação do Tribunal.
Portos e Navios - SP 10/09/2026
A Nuclep concluiu, em parceria com a Itaguaí Construções Navais (ICN), nesta quarta-feira (9), seu escopo na fabricação da Seção de Qualificação do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), uma das etapas técnicas necessárias à construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, que integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), da Marinha do Brasil.
A seção de qualificação funciona como uma representação de parte do casco resistente do futuro submarino. De acordo com a Nuclep, ela é construída antes das seções definitivas para comprovar que materiais, processos de soldagem, equipamentos e profissionais atendem aos rigorosos requisitos técnicos exigidos pelo projeto. A estrutura não fará parte do submarino final, mas sua fabricação é essencial para atestar que a indústria está qualificada para construí-lo.
A Nuclep avalia que a conclusão dessa etapa reforça uma competência desenvolvida pela empresa ao longo de décadas na construção naval militar brasileira. A empresa participou da fabricação de cascos resistentes de submarinos das classes Tupi e Tamoio e, no Prosub, dos quatro submarinos convencionais da Classe Riachuelo: Riachuelo, Humaitá, Tonelero e Angostura.
Para o presidente da Nuclep, Adeilson Telles, o marco representa a preservação de um conhecimento estratégico para o país. “O Brasil levou décadas para formar profissionais, desenvolver tecnologia e construir uma capacidade industrial apta a participar de um projeto dessa complexidade. A conclusão da seção de qualificação mostra que esse conhecimento está no país e precisa ser preservado. Para a Nuclep, é mais um marco de uma trajetória diretamente ligada à construção dos submarinos brasileiros. Para o Brasil, representa avanço em autonomia tecnológica, Defesa e soberania nacional”, afirmou Telles.
A participação da Nuclep no futuro SNCA também está ligada ao Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), protótipo terrestre, em escala real, da planta de propulsão nuclear. No Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), a empresa participa da fabricação do Bloco 40, estrutura que abriga o reator nuclear e sistemas associados, e já concluiu uma importante fase desse fornecimento.
A Nuclep atua em duas frentes diretamente relacionadas ao futuro submarino: no desenvolvimento da tecnologia de propulsão nuclear em terra, por meio do LABGENE, e na qualificação dos processos industriais necessários à construção do casco resistente. Segundo o engenheiro Vinícius Leone, gerente do contrato, a conclusão da etapa confirma a capacidade técnica desenvolvida para o programa.
“Com a conclusão da seção de qualificação e os avanços obtidos no Bloco 40, a Nuclep reafirma sua posição como um dos principais ativos tecnológicos da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, contribuindo diretamente para a preservação de competências críticas, para o fortalecimento da soberania nacional e para a continuidade de um projeto que colocará o Brasil entre o seleto grupo de nações detentoras da tecnologia de construção e operação de submarinos com propulsão nuclear", destacou.
Veja - SP 10/09/2026
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã atacou uma base americana na Jordânia e navios no Golfo Pérsico, retaliando bombardeios dos EUA contra petroleiros iranianos. A escalada da violência no Oriente Médio fez o preço do petróleo ultrapassar os US$ 100. A tensão também envolve a captura de um submarino americano no Estreito de Ormuz.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A Guarda Revolucionária Islâmica, força ideológica do Irã, lançou ataques nesta quarta-feira, 9, contra uma base americana na Jordânia e quase vinte navios no Golfo Pérsico, em retaliação pela perda de cinco petroleiros iranianos em bombardeios dos Estados Unidos na véspera. À medida que a violência voltou a crescer no Oriente Médio, o preço do petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100.
“No âmbito da operação destinada a punir o agressor, foram atacadas instalações de manutenção e reparo, áreas de preparação e locais de decolagem dos caças F-35, F-16 e F-15, infligindo danos graves ao inimigo mal-intencionado”, afirmou a guarda, segundo a agência estatal de notícias IRNA.
O Exército da Jordânia informou que interceptou 18 de 20 mísseis iranianos lançados contra o seu território, enquanto outros dois “caíram em áreas desabitadas”.
Algumas horas depois, outro comunicado anunciou um ataque contra dois navios americanos, oito petroleiros e outros 10 navios que tentavam atravessar o estratégico Estreito de Ormuz, segundo a IRNA. A força de elite da república islâmica havia advertido “todos os petroleiros presentes nos portos do Kuwait e do Bahrein, que abrigam terroristas e são cúmplices de suas maldades: abandonem seus navios, porque serão atacados”, segundo a imprensa estatal.
A UKMTO, agência britânica de monitoramento marítimo, confirmou que “vários navios mercantes no norte do Golfo Árabe e no Golfo de Omã” foram “alvos de fogo, o que os deixou inoperantes, como parte da atividade militar em curso na região”. O órgão também relatou que um navio localizado 44 quilômetros ao noroeste de Port Rashid, nos Emirados Árabes Unidos, estava naufragando.
Escalada das hostilidades
A nova troca de ataques marca um recrudescimento do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã. Em abril, chegou a haver um acordo de cessar-fogo — que não interrompeu a troca de agressões na região do Golfo –, substituído depois por um outro pacto, em junho. A pausa também durou poucas semanas.
O agravamento do cenário nas últimas horas fez disparar, nesta quarta-feira, os preços do petróleo. O barril de Brent, referência do mercado mundial, chegou a ser negociado por US$ 100,19 por alguns minutos.
A ofensiva iraniana aconteceu depois que os Estados Unidos bombardearam cinco petroleiros perto da costa da ilha de Kharg, responsável pela produção de 90% de todas as exportações petrolíferas do Irã. Segundo Washington, foi uma ação em represália por ataques recentes de Teerã contra um navio militar da Marinha americana.
O Centcom, comando militar responsável pelo Oriente Médio, afirmou em comunicado que ordenou “às tripulações que abandonassem as embarcações” antes dos ataques.
“O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos Estados Unidos, e toda vez que fizer isso ou tentar fazê-lo, perderá petroleiros. Acho que hoje voltarão a ser testemunhas disso”, disparou o secretário de Estado, Marco Rubio, durante uma visita à Colômbia, ao que o comandante do Estado-Maior iraniano, general Ali Abdolahi, respondeu: “Qualquer ataque contra petroleiros iranianos provocará bombardeios das Forças Armadas da república islâmica contra as bases americanas na região.”
Submarino capturado
A Guarda Revolucionária também anunciou na terça-feira 8 que capturou um submarino americano não tripulado no Estreito de Ormuz, que Teerã mantém bloqueado desde o início da guerra. As forças dos Estados Unidos minimizaram a perda, afirmando que um de seus drones aquáticos de “modelo antigo” sofreu uma pane na região, sem informar se era o mesmo aparelho mencionado pelo Irã.
O Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra, está praticamente paralisado pelo Irã desde o começo do conflito. As negociações pela sua reabertura e para encerrar a guerra permanecem estagnadas, enquanto as duas partes disputam o controle da rota marítima.
Teerã exige agora que os navios obtenham uma autorização para atravessar a hidrovia, ideia rejeitada por Washington e vários países da região. O governo americano, que impõe um bloqueio aos portos iranianos, incluiu na terça-feira todo o setor aéreo iraniano em sua crescente lista de sanções inéditas e ameaça punir qualquer organização que trabalhe com as companhias aéreas da república islâmica.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/09/2026
O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 o barril, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio. Ataques de houthis no Mar Vermelho e Estreito de Ormuz elevam os receios sobre a segurança do transporte marítimo de petróleo. Bancos globais como Goldman Sachs e JPMorgan revisam projeções, alertando para riscos de preços mais altos apesar da capacidade de adaptação do mercado.
O movimento de alta ocorre após semanas de deterioração do cenário geopolítico e de redução das expectativas por uma solução rápida para o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados na região.
O gatilho mais recente veio dos ataques promovidos por houthis, apoiados pelo Irã, contra instalações energéticas na Arábia Saudita. Além dos danos diretos, o episódio elevou os receios sobre a segurança dos embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, rota que ganhou importância desde que os fluxos pelo Estreito de Ormuz passaram a sofrer severas restrições após o início da guerra, em fevereiro.
Segundo dados citados pela Reuters, o volume transportado por Ormuz chegou a se recuperar para entre 8 milhões e 9 milhões de barris por dia antes da retomada dos confrontos, mas voltou a cair para menos de 2 milhões de barris diários recentemente.
Bancos revisam projeções para o brent
A deterioração do cenário levou bancos globais a revisar suas projeções para o petróleo.
Daan Struyven e sua equipe, do Goldman Sachs, elevaram suas previsões para o Brent e passaram a trabalhar com preços de US$ 85 por barril no fim de 2026 e US$ 80 em 2027, ambos US$ 5 acima das estimativas anteriores. A principal mudança foi a adoção do cenário de interrupções prolongadas no transporte marítimo do Oriente Médio ao longo de 2027.
O banco destaca que o mercado passou a precificar um conflito mais duradouro. Segundo seus cálculos, a probabilidade implícita nas opções de o Brent superar US$ 100 por barril em março de 2027 saltou de cerca de 6% para 25% em apenas um mês.
Apesar da revisão, o Goldman adota uma postura relativamente cautelosa em relação à magnitude da alta dos preços. Os analistas argumentam que o mercado global vem encontrando formas de adaptação à crise, com rotas alternativas, aumento do uso de oleodutos e crescimento da produção fora do Golfo Pérsico.
Estoques e adaptação ajudam a conter alta maior?
De acordo com o Goldman Sachs, o déficit global de petróleo diminuiu significativamente desde o início da guerra. A estimativa do banco é que o desequilíbrio entre oferta e demanda tenha recuado de cerca de 7 milhões de barris por dia em março para aproximadamente 1 milhão de barris por dia no terceiro trimestre deste ano.
Além disso, os estoques comerciais da OCDE, considerados uma das referências mais importantes para os preços, apresentaram reduções menores do que o inicialmente esperado. O banco calcula que os estoques globais visíveis caíram mais de 500 milhões de barris desde o início do conflito, mas a maior parte dessa redução ocorreu em reservas estratégicas, petróleo em trânsito e estoques chineses, e não nos estoques comerciais tradicionais.
Outro fator apontado pela instituição é o avanço da produção fora do Oriente Médio. Estados Unidos, Canadá, Brasil, Guiana, Argentina e Venezuela vêm ampliando a oferta, compensando parte das perdas provenientes do Golfo. O Goldman estima que somente esses países adicionaram cerca de 2,3 milhões de barris por dia em produção em relação à média de 2025.
JPMorgan vê mercado mais resiliente
O JPMorgan também avalia que o mercado vem absorvendo o choque melhor do que se imaginava no início do conflito.
Segundo a equipe liderada por Natasha Kaneva, o petróleo propriamente dito não foi o segmento mais pressionado pela guerra. O maior impacto ocorreu nos derivados, especialmente no diesel, cujas margens de refino atingiram níveis recordes em diversas regiões do mundo.
O banco afirma que três fatores ajudaram a evitar uma crise de oferta ainda mais severa: o redirecionamento dos fluxos globais de petróleo, a utilização gradual de estoques e o forte crescimento da produção fora do Oriente Médio. Além disso, consumidores e empresas passaram a reduzir o consumo por causa dos preços mais altos, ajudando a equilibrar o mercado.
Na visão do JPMorgan, mesmo que o conflito persista por um período maior do que o atualmente previsto pela curva futura, os preços não necessariamente precisarão disparar muito além dos níveis atuais, justamente por causa da capacidade de adaptação da oferta e da demanda.
Riscos seguem voltados para novas interrupções
Embora os dois bancos reconheçam os mecanismos de adaptação que surgiram ao longo dos últimos meses, ambos destacam que os riscos continuam inclinados para preços mais altos.
Para o Goldman Sachs, um cenário de intensificação dos ataques no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho poderia reduzir a produção média do Golfo em cerca de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra, hipótese em que o Brent poderia superar US$ 120 por barril.
O banco também ressalta que os ataques a navios, refinarias e instalações de exportação continuam sendo a principal variável para os preços do petróleo nos próximos meses.
Diário do Comércio - MG 10/09/2026
A Petrobras confirmou em agosto a descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. Localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço apresentou resultado positivo dez meses após o início da perfuração, autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025. A presença de hidrocarbonetos foi constatada por meio da análise de amostras realizada no centro de pesquisas da companhia. Agora, as etapas seguintes serão delimitar o tamanho da acumulação e comprovar sua viabilidade comercial, um trabalho que levará anos.
A Margem Equatorial se estende por cerca de 2.200 quilômetros entre o Amapá e o Rio Grande do Norte e reúne cinco bacias sedimentares. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estima para a região um potencial superior a 30 bilhões de barris, e sua geologia é análoga à da Guiana e à do Suriname, onde grandes descobertas transformaram a costa vizinha em uma das fronteiras exploratórias mais ativas do mundo.
Para o Brasil, o tema central é a reposição de reservas. A produção do pré-sal deve atingir o pico no início da próxima década e começar a declinar nos anos seguintes. Sem novas fronteiras, o País perderia gradualmente produção, arrecadação e relevância no mercado global de energia. Morpho é a primeira evidência concreta, obtida diretamente das rochas, de que a aposta nessa nova fronteira pode se confirmar.
Principais efeitos para o mercado
No curto prazo, o efeito deverá ser mais de sinalização do que de resultado imediato. A descoberta melhora a perspectiva exploratória da bacia, tende a elevar o interesse privado pelos blocos da região nos próximos leilões e reforça a decisão de investimento da própria Petrobras. O Plano de Negócios 2026-2030 da companhia destina US$ 2,5 bilhões à Margem Equatorial, com 15 poços previstos. O montante equivale a 37,5% de todo o orçamento exploratório da estatal.
Essa campanha já mobiliza uma cadeia de sondas, embarcações de apoio, logística e serviços especializados, segmentos que serão os primeiros diretamente beneficiados pela descoberta. A atividade também deverá produzir efeitos positivos sobre a economia da região Norte.
No longo prazo, os números são potencialmente transformadores. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis na porção noroeste da Bacia da Foz do Amazonas. Executivos da Petrobras também avaliam que a região pode sustentar a produção por mais 40 anos, caso o tamanho das reservas seja confirmado.
O início da produção comercial, porém, deve levar de seis a sete anos. Somente então virão os royalties, os impostos, os empregos diretos e um crescimento significativo da cadeia produtiva local, além da infraestrutura necessária para a atividade econômica.
Apesar desse potencial aparentemente enorme, nada disso está garantido. As incertezas exploratórias continuam altas, o investimento é substancial, as exigências socioambientais serão crescentes e o licenciamento seguirá rigoroso. No início de setembro, o Ibama autorizou a perfuração de três poços adicionais no bloco.
Antes mesmo que o primeiro barril de petróleo seja produzido na região, há um longo caminho pela frente. Transformar Morpho em produção exigirá a atração de potenciais produtoras e operadores, disciplina na gestão do capital, governança rigorosa dos projetos, desenvolvimento de fornecedores locais, construção da infraestrutura de apoio e de escoamento da produção e qualificação de pessoas em escala. A descoberta é apenas o começo de uma década de trabalho árduo.
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Globo Online - RJ 10/09/2026
Em um dia negativo para os mercados financeiros globais, a Petrobras encerrou a sessão desta quarta-feira em máxima histórica no preço de suas ações. O papel ordinário (PETR3, com voto) subiu 0,85%, aos R$ 53,69, enquanto os papéis preferenciais (PETR4, sem voto) avançaram 0,69%, valendo R$ 48,42.
O movimento das ações acompanhou o barril do petróleo. Nesta quarta-feira, o barril do tipo Brent (referência internacional) avançou 3,36%, aos US$ 101,21, no maior valor desde 23 de julho.
Analistas afirmam que um barril mais alto afeta diretamente os resultados da companhia, que tende a aumentar seus resultados — e, consequentemente, seus dividendos — diante do atual patamar. A petrolífera anunciou, no mês passado, um lucro 97% maior no 2º trimestre deste ano por conta da alta do óleo.
A empresa segue líder como a mais valiosa da América Latina, valendo R$ 663 bilhões (ou cerca de US$128,3 bilhões). No ano, as ações ordinárias valorizam 72,8%, enqCom petróleo a US$ 101, Petrobras atinge recorde em preço de açãouanto os papéis preferenciais avançam 65,7%. A valorização é muito maior do que o principal índice da B3, o Ibovespa, que acumula alta de 15,2% no ano.
Dia negativo para os mercados
Ataques dos EUA a petroleiros iranianos em revide ao ataque de navios da Guarda Revolucionária Iraniana a uma corveta da marinha americana elevaram a tensão e as incertezas sobre o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz.
O Ibovespa fechou em baixa de 0,93%, aos 185.629 pontos, diante da realização de investidores após um cenário negativo no exterior. O dólar encerrou a sessão em avanço de 0,51%, aos R$ 5,11.
Para Nicolas Borsoi, estrategista sênior da Tullett Prebon, o cenário de adversidade no exterior levou “a um movimento de realização de lucros pelos investidores” após a valorização recente das ações locais.
Ainda assim, Leonel Mattos, do banco de câmbio StoneX, afirma que a exposição do real ao petróleo pode suavizar níveis mais altos para o dólar:
— Embora o aumento das tensões geopolíticas costume pressionar moedas emergentes, o Brasil pode se beneficiar parcialmente desse movimento por ser exportador líquido de petróleo. Preços mais elevados da commodity tendem a ampliar as receitas com exportações e podem contribuir para uma pressão baixista sobre a taxa de câmbio — diz.
Os juros futuros subiram ao longo de todos os vértices, acompanhando os rendimentos das treasuries, os títulos do Tesouro Americano. Lá, a escalada do petróleo aumentou o temor de que o Fed (Federal Reserve, o BC americano) precise subir os juros na reunião da semana que vem, dia 16.
Também nos EUA, o Tesouro anunciou uma operação de recompra de US$ 6 bilhões em títulos de prazos entre 10 e 20 anos na tentativa de suavizar as taxas.
Com a alta dos juros futuros aqui, empresas voltadas à economia doméstica foram penalizadas: Localiza (RENT3) cedeu 3,07% e Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 4,46%.
Grandes Construções - SP 10/09/2026
O setor de concessões de rodovias viveu uma agenda bem movimentada nos últimos anos, com 25 leilões realizados - até o momento - durante o atual mandato do presidente.
Este número deverá chegar a 29, com mais quatro certames ainda neste ano, previstos pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio.
Com uma carteira de grandes projetos para executar e mais alguns para disputar, o setor de rodovias espera uma menor agenda de leilões de concessão após as eleições presidenciais de 2026, independente do presidente que sair das urnas em outubro.
Segundo Marco Aurélio de Barcelos, diretor-presidente da Associação Brasileira das Concessionárias Rodoviárias (ABCR), os leilões vão continuar em 2027 e 2028, mas em menor número, porque “a onda está acontecendo agora”, apesar do governo federal dizer que tem cerca de 40 projetos em gestação.
A projeção do diretor da ANTT, inclusive, fará o Governo Lula fechar 2026 com a realização de sete leilões de rodovias ao todo, número abaixo da estimativa de 13 certames para o ano, divulgada anteriormente pelo Ministério dos Transportes.
A estimativa buscava alcançar o recorde do ano passado. Os 13 leilões de rodovias realizados em 2025 corresponderam pelo maior volume anual do setor em toda a história.
Barcelos ressalta que a nível federal, independente do comando da gestão, a política de leilões veio para ficar.
A visão de que o investimento em infraestrutura com capital público ou privado, lastreado na estratégia das concessões, já está calcificada como algo interessante e que deve ser preservado.
A ABCR projeta que os investimentos em rodovias devem somar cerca de R$ 400 bilhões em até dez anos.
Apesar do virtuoso ciclo de leilões e o aguardado ciclo de entregas, uma preocupação do setor é a de que os políticos, que se colocam como potenciais líderes nas eleições, certifiquem a sociedade de que compartilham a mesma “visão calcificada” sobre concessões - como uma política de estado - e não joguem contra os projetos, em movimentos para angariar votos, mas que possam colocar em risco a sustentabilidade das concessões.
O diretor-presidente da ABCR alerta que alguma guinada em relação à política de concessões tem de ser justificada à população com as informações adequadas.
Em tom relativamente otimista, o executivo aposta que os políticos terão a sensibilidade de criticar e rever contratos, mas justificativas para a sociedade.
“A política eleitoral é do candidato, e ele administra da melhor maneira possível. A política pública é do cidadão”, argumenta.
“Não dá para um novo político, seja qual for, para bons projetos, de longo prazo, que buscam a sustentação ao longo dos anos, que ele, por diletantismo, jogue fora, sem nenhuma prestação de contas, nenhuma deferência para com o cidadão, que é o dono da política pública”, completa.
O Estado de S.Paulo - SP 10/09/2026
Se ciência, iniciativa privada, produtores e políticas públicas caminharem na mesma direção, a transformação dos últimos 50 anos poderá ser apenas o 1º capítulo de uma história ainda maior
O Brasil construiu, ao longo das últimas cinco décadas, uma das mais extraordinárias transformações da agricultura mundial. Um país que até os anos 1960 ainda dependia da importação de parte dos alimentos necessários ao abastecimento de sua população tornou-se uma potência agropecuária, referência em agricultura tropical e um dos grandes responsáveis pela segurança alimentar do planeta.
Essa mudança não aconteceu por acaso. Foi resultado da combinação entre ciência, pesquisa, empreendedorismo, crédito, mecanização, assistência técnica, melhoramento genético e, sobretudo, da capacidade do produtor rural brasileiro de incorporar conhecimento e transformar desafios em oportunidades.
Os números ajudam a dimensionar essa revolução. Entre 1975 e 2023, a produção brasileira de grãos saltou de 35,8 milhões para cerca de 259 milhões de toneladas, enquanto a produção de carnes passou de 2,9 milhões para 30,1 milhões de toneladas. A produção de leite cresceu de aproximadamente 7 bilhões para quase 35 bilhões de litros.
Em séries históricas da Embrapa, fica evidente que a expansão da produção ocorreu em velocidade muito superior à da área utilizada, demonstrando que o principal motor dessa transformação foi a produtividade. Foi a ciência brasileira que ajudou a corrigir solos, adaptar plantas e animais às condições tropicais, incorporar o Cerrado à produção e desenvolver sistemas produtivos cada vez mais eficientes.
Essa transformação também produziu um extraordinário efeito “poupa-terra”. Tecnologias desenvolvidas nas últimas décadas permitiram produzir muito mais sem que fosse necessário ampliar as áreas agrícolas na mesma proporção.
Somente no cultivo da soja, estudos da Embrapa indicam uma economia superior a 70 milhões de hectares em relação à área que seria necessária, caso permanecessem os níveis anteriores de produtividade. Esse é um patrimônio que precisa ser valorizado. O Brasil demonstrou que ciência, tecnologia e produção podem caminhar juntas e que produtividade é também uma poderosa ferramenta de sustentabilidade.
Mas o impacto do agro vai muito além da porteira. Quando o campo prospera, movimenta cidades inteiras. A produção rural demanda máquinas, fertilizantes, sementes, defensivos, equipamentos, tecnologia, crédito, seguros, transporte, armazenagem, assistência técnica, serviços veterinários, comércio e indústria.
Depois da colheita, outra extensa cadeia é acionada: cooperativas, agroindústrias, frigoríficos, usinas, transportadoras, portos, supermercados, restaurantes e empresas exportadoras. Por isso, o dinheiro gerado no campo circula pelas pequenas cidades, sustenta empregos nos centros regionais e chega também às grandes metrópoles. Estudos recentes mostram como o dinamismo do agronegócio vem impulsionando produtividade, renda, construção, comércio e serviços no interior brasileiro.
Essa capacidade ganha dimensão ainda maior diante dos desafios globais das próximas décadas. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alerta que garantir segurança alimentar e nutrição para uma população mundial crescente exigirá profundas transformações nos sistemas agrícolas, nas economias rurais e na gestão dos recursos naturais.
Produzir alimentos suficientes não será o único desafio: será necessário produzir de maneira economicamente viável, socialmente inclusiva e ambientalmente sustentável, enfrentando simultaneamente mudanças climáticas, pressão sobre água e solo, desigualdade e desperdício. Nesse cenário, poucos países reúnem condições comparáveis às brasileiras para contribuir de maneira decisiva para a oferta mundial de alimentos.
É justamente por isso que precisamos começar a pensar na próxima transformação. O Brasil já conquistou a condição de grande celeiro do mundo. Agora precisa trabalhar para se tornar também o supermercado do planeta. Isso significa deixar de ser reconhecido apenas pelo volume de soja, milho, café, açúcar, algodão, celulose e proteínas que embarca nos portos e ampliar sua presença internacional com alimentos industrializados, produtos prontos para consumo, ingredientes sofisticados, bioprodutos e marcas brasileiras reconhecidas mundialmente.
Agregar valor deve ser uma prioridade nacional. Uma tonelada exportada como matéria-prima tem determinado valor; transformada em alimento processado, embalagem, marca, tecnologia e serviço, pode multiplicar a renda gerada no país. E cada etapa acrescentada à cadeia produtiva significa novas indústrias, empregos qualificados, arrecadação, inovação e oportunidades. O desafio não é reduzir nossa capacidade de exportar commodities — ela é estratégica e deve continuar crescendo —, mas utilizar essa extraordinária base produtiva para construir novas cadeias de valor dentro do Brasil.
Para isso, precisamos de uma verdadeira política de Estado de longo prazo para o agro, com horizonte de dez, vinte ou trinta anos. Crédito e seguro rural precisam oferecer previsibilidade. A infraestrutura deve acompanhar a capacidade produtiva do campo. Precisamos ampliar armazenagem, melhorar rodovias, acelerar ferrovias e hidrovias, modernizar portos e reduzir o custo logístico.
É necessário investir continuamente em defesa agropecuária, rastreabilidade, conectividade, irrigação, energia, pesquisa, inteligência artificial, agricultura de precisão e formação profissional. E, principalmente, garantir segurança jurídica para quem investe e produz.
Nesse contexto, a discussão sobre o fim da escala 6x1, que o senador David Alcolumbre deixou para ser votada após as eleições, precisa considerar as particularidades de setores essenciais e de funcionamento ininterrupto, como a agropecuária.
No campo, não é possível interromper a ordenha, deixar animais sem alimentação e manejo, suspender uma colheita no momento adequado ou simplesmente adiar atividades que dependem das condições climáticas. O Brasil já provou que sabe produzir.
Estudo apresentado pelo professor José Pastore apontou que mudanças na jornada podem provocar aumento médio de 9,1% nos custos das empresas; em outras análises da entidade, considerando cenários mais amplos de redução da carga horária, a elevação do custo da hora trabalhada pode chegar a 22%.
Na agropecuária, o impacto ganha dimensão ainda maior porque a produção não pode parar: estudo apresentado no âmbito do Ministério da Agricultura indica que a mudança de escala poderia elevar os gastos com mão de obra em 23,2% na pecuária leiteira, 19,8% no café, 12,1% na uva e 11,9% na laranja.
O desafio é conciliar a legítima busca por melhores condições de trabalho com a sustentabilidade econômica de quem produz, evitando que custos adicionais se transformem em redução de empregos, perda de competitividade, diminuição na oferta de produtos ou aumento dos preços dos alimentos. A responsabilidade de alimentar o planeta faz parte da nossa história. Agora é trabalhar para mostrar que ultrapassamos a porteira e ganhamos as gôndolas dos supermercados do mundo.
Também será fundamental abrir e diversificar mercados. Não basta vender mais; precisamos vender melhor. Isso significa negociar acordos comerciais, reduzir barreiras, conquistar novos mercados e desenvolver uma estratégia internacional para posicionar o alimento brasileiro como sinônimo de qualidade, segurança, sustentabilidade e inovação. O consumidor internacional precisa reconhecer não apenas a soja, o café, a carne ou o suco produzidos aqui, mas as marcas brasileiras que transformam essas matérias-primas em produtos de alto valor agregado.
Essa nova etapa precisa chegar especialmente aos pequenos e médios produtores. Tecnologia não pode ser privilégio de grandes propriedades. Assistência técnica, capacitação, gestão, cooperativismo, conectividade e acesso ao crédito são instrumentos fundamentais para que milhares de produtores possam participar dessa transformação.
O futuro do agro será cada vez mais digital, conectado e orientado por dados. Quem ficar distante dessa revolução correrá o risco de perder produtividade, competitividade e renda. Daí porque os centros de excelência que estamos construindo tornam-se vitais para essa conquista.
O mundo continuará precisando de mais alimentos. Mas também exigirá alimentos melhores, mais seguros, rastreáveis e produzidos com menor impacto ambiental. Essa equação coloca sobre o Brasil uma responsabilidade histórica e, ao mesmo tempo, uma oportunidade extraordinária.
Temos terra agricultável, água, clima, biodiversidade, conhecimento científico, produtores experientes, agroindústria, capacidade empresarial e uma agricultura tropical desenvolvida ao longo de décadas. Poucos países possuem tantos ativos reunidos.
Nos últimos 50 anos, mostramos que era possível transformar solos considerados pouco produtivos em algumas das regiões agrícolas mais eficientes do planeta. Transformamos conhecimento em produtividade e produtividade em segurança alimentar.
Saímos da condição de importadores para ocupar posição central no comércio mundial de alimentos. A próxima fronteira é transformar essa força produtiva em ainda mais desenvolvimento dentro do Brasil.
Ser o celeiro do mundo é motivo de orgulho. Significa produzir em escala, com competência e capacidade para abastecer bilhões de pessoas. Mas podemos ir além. O Brasil precisa ser o país que planta e colhe, mas também aquele que transforma, industrializa, embala, cria marcas, desenvolve tecnologia e entrega diretamente ao consumidor global. Precisamos deixar de vender apenas aquilo que sai da terra e ampliar a participação no valor daquilo que chega à mesa.
Temos todas as condições para isso. Se ciência, iniciativa privada, produtores e políticas públicas caminharem na mesma direção, a transformação que fizemos nos últimos 50 anos poderá ser apenas o primeiro capítulo de uma história ainda maior.