Money Times - SP 17/09/2026
As siderúrgicas brasileiras produziram 2,69 milhões de toneladas de aço bruto em agosto, uma queda de 6,2% sobre o volume produzido um ano antes, segundo dados apresentados nesta terça-feira (15) pela associação que reúne as usinas.
A queda ocorreu apesar de crescimento nas vendas no mercado interno e nas exportações, segundo os dados do Aço Brasil.
No mercado interno, as usinas venderam 1,8% mais no período, para 1,86 milhão de toneladas, ao passo que as exportações subiram 13%, a 959 mil toneladas.
O recuo na produção ocorreu, inclusive, com baixa nas importações, de 19,5% no período, para 395 mil toneladas.
A produção foi atingida por recuo de 2% no segmento de laminados longos em agosto sobre um ano antes, para 841 mil toneladas. Enquanto isso, a produção de planos subiu 3,5%, para 1,16 milhão de toneladas.
Os números também mostraram uma queda de 5,8% na produção de placas semiacabadas para venda em agosto sobre um ano antes, para 557 mil toneladas.
No acumulado de janeiro ao final do mês passado, a produção de aço bruto teve queda de 1,8% ante os oito primeiros meses de 2025, para 21,78 milhões de toneladas.
Enquanto isso, as vendas no mercado interno se mostram praticamente estáveis, para 14,2 milhões de toneladas, e as exportações mostram crescimento de 3,7%, para 7,32 milhões de toneladas. As importações no acumulado do ano recuaram 20,2%, em meio às medidas de defesa comercial tomadas pelo governo federal desde o ano passado, para 3,7 milhões de toneladas.
Grandes Construções - SP 17/09/2026
Na edição de 2026 da CasaCor Minas, a ArcelorMittal e o escritório BCMF Arquitetos voltaram a provocar os limites da arquitetura, do design e da construção civil com o Pavilhão OCA ArcelorMittal.
Instalado nos jardins históricos tombados da PUC Minas Lourdes, o espaço propõe um diálogo entre ancestralidade, inovação, fabricação digital e sustentabilidade.
Na semana passada (11), o Pavilhão foi entregue como legado à PUC Minas, em cerimônia com a presença da diretoria da ArcelorMittal, PUC Minas, CasaCor Minas e parceiros do projeto.
Com estrutura aberta de 160m², o pavilhão inverte a lógica da construção ao transformar o vergalhão de aço – tradicionalmente oculto – no protagonista visual do projeto.
Inspirado no arquétipo da oca indígena brasileira, o projeto rejeita réplicas literais para resgatar o conceito de abrigo coletivo e integrado à natureza.
O grande destaque do espaço é a inversão poética e técnica de um dos materiais mais universais da arquitetura: o vergalhão de aço.
Aço sustentável – Tradicionalmente utilizado como estrutura invisível dentro do concreto armado, o vergalhão da ArcelorMittal assume aqui o papel de elemento estético.
A abóbada curva – que remete tanto às tramas de cestaria indígena quanto às icônicas abóbadas do modernismo – utiliza 2,3 toneladas do aço XCarb.
Produzido com 100% de sucata metálica e 100% de energia elétrica renovável, o material contribui para a redução da pegada de carbono na construção civil e é ativo chave da estratégia de descarbonização da empresa.
“O projeto dialoga diretamente com o atual posicionamento de marca, reforçando a relevância do aço feito no Brasil para o desenvolvimento de diferentes setores da economia nacional”, ressalta Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM.
“O Pavilhão OCA ArcelorMittal traduz aquilo que buscamos construir como empresa: soluções que ultrapassam os limites da indústria e geram impacto positivo para a sociedade”, diz ele.
A estrutura de 20 m de comprimento, 8 m de largura e 4 m de altura é composta por 80 arcos principais de vergalhões de 20 mm calandrados em serralheria.
Essa trama metálica permeável filtra a luz natural, produz sombras dinâmicas e elimina a necessidade de fechamentos convencionais.
"Sempre vimos o vergalhão de aço atuando de forma oculta. No Pavilhão OCA, nós invertemos essa lógica e tiramos essa estrutura da sombra para transformá-la na própria arquitetura”, explica Silvio Todeschi, sócio do BCMF Arquitetos.
“A trama curva revela a essência estrutural da forma, evocando a cestaria ancestral ao mesmo tempo em que torna visível aquilo que ficava escondido nas grandes abóbadas do modernismo brasileiro, como as de Niemeyer”, completa.
Valor - SP 17/09/2026
A Nippon Steel investirá 900 milhões de euros (US$ 1,04 bilhão) em um novo forno a arco elétrico na Eslováquia, informou a empresa japonesa na quarta-feira, buscando adicionar mais um pilar à sua rede global de produção.
O forno a arco elétrico, a ser construído nas instalações de uma siderúrgica que a Nippon Steel adquiriu ao comprar a U.S. Steel, terá capacidade anual de 1,6 milhão de toneladas métricas.
O investimento, que conta com 350 milhões de euros em subsídios do governo eslovaco, também incluirá uma unidade de produção de oxigênio, utilizado para remover impurezas durante a fabricação do aço.
O complexo industrial possui atualmente três altos-fornos — um deles inativo — com capacidade total de produção anual de 4,5 milhões de toneladas. A previsão é que o novo forno a arco elétrico entre em operação em 2030. Após essa etapa, espera-se que a Nippon Steel considere desativar os demais altos-fornos.
A fábrica eslovaca produz principalmente chapas de aço para o setor automotivo. A adição do forno a arco elétrico permitirá à Nippon Steel abastecer o mercado europeu com "aço verde", que gera menos emissões.
Para a indústria siderúrgica, uma grande emissora de dióxido de carbono, a transição para fornos a arco elétrico é fundamental para os esforços de descarbonização. Estima-se que esses fornos, que fundem sucata de aço utilizando eletricidade, emitam apenas cerca de um quarto da quantidade de dióxido de carbono (CO2) gerada pelos altos-fornos movidos a carvão.
A Nippon Steel espera que o fornecimento de aço verde ajude a conquistar participação de mercado na Europa, onde as regulamentações ambientais são particularmente rigorosas.
A Europa está tomando medidas para barrar a entrada de aço chinês barato por meio de cotas de importação e tarifas. Os preços do aço na região têm subido, e espera-se um maior crescimento do mercado.
No entanto, a Nippon Steel há muito enfrenta dificuldades para ganhar espaço na Europa, um mercado dominado por sua rival de longa data, a ArcelorMittal. A empresa japonesa adquiriu a fabricante sueca de aços especiais Ovako em 2018, mas carecia de produção local de produtos essenciais, como chapas de aço automotivo.
"Nunca tivemos uma base importante na Europa antes, mas finalmente garantimos uma siderúrgica integrada", disse o presidente do conselho e executivo-chefe (CEO) da Nippon Steel, Eiji Hashimoto, após a aquisição da U.S. Steel no ano passado.
A empresa operadora da siderúrgica eslovaca tornar-se-á uma subsidiária integral da Nippon Steel em 1º de outubro e passará a se chamar Nippon Steel Slovakia. Além de investir em um forno a arco elétrico, a Nippon Steel planeja enviar engenheiros do Japão para melhorar a produtividade e o controle de qualidade.
A Nippon Steel incorporará a Sanyo Special Steel — sua subsidiária japonesa e atual proprietária da Ovako — em abril de 2027. Após essa etapa, todas as operações europeias da Nippon Steel ficarão diretamente sob a gestão da empresa controladora. A Nippon Steel Slovakia servirá como o centro de gestão das operações do grupo na Europa.
A Nippon Steel estabeleceu a meta de aumentar sua produção anual de aço bruto em 60% ao longo de uma década, chegando a 100 milhões de toneladas. A empresa prevê adicionar 20 milhões de toneladas à sua capacidade de produção na Europa e nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, a companhia planeja investir US$ 11 bilhões até 2028 nas instalações existentes da U.S. Steel e também projeta a construção de uma nova siderúrgica.
Na Índia, outro pilar de sua presença global, a Nippon Steel e a ArcelorMittal adquiriram uma siderúrgica local em 2019. A “joint venture” entre ambas está ampliando a capacidade de uma siderúrgica no oeste do país de 9 milhões para 15 milhões de toneladas anuais por meio da construção de um alto-forno, ao mesmo tempo em que planeja novas instalações de produção.
Em seu plano de médio a longo prazo, que vai até o ano fiscal de 2030, a Nippon Steel prevê investimentos de 6 trilhões de ienes; desse total, 4 trilhões de ienes serão destinados a operações no exterior, incluindo a U.S. Steel e projetos na Índia e na Europa.
"Daqui a dez anos, certamente recuperaremos a posição de maior fabricante de aço do mundo", afirmou Hashimoto. "Para alcançar esse objetivo, precisamos concentrar nossos investimentos agora."
Grandes Construções - SP 17/09/2026
A indústria brasileira do aço se reúne nos dias 29 e 30 de setembro, em São Paulo, para discutir os principais desafios do setor e os caminhos para aumentar a competitividade da indústria nacional.
A 36ª edição do Congresso Aço Brasil será realizada no Transamerica Expo Center e reunirá empresários, especialistas, representantes do governo e lideranças da indústria.
A abertura do evento contará com a presença de Márcio Fernando Elias Rosa, Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Os debates passam pelos principais temas que hoje afetam a indústria brasileira, como geopolítica, competitividade, avanço da China no comércio mundial e crescimento econômico.
A conferência magna será conduzida pelo economista Marcos Troyjo, que vai analisar as mudanças no cenário internacional e seus impactos sobre a economia e os negócios.
Ao longo do primeiro dia, os debates vão tratar ainda dos desafios para tornar o Brasil mais competitivo, do avanço da China no comércio global e da importância de uma indústria forte para o crescimento da economia.
No segundo dia, o foco se volta para o Brasil. O jornalista William Waack fará uma análise do cenário político e econômico após as eleições de 2026.
O Congresso termina com um painel que reunirá CEOs de empresas produtoras de aço para discutir os desafios e as perspectivas do setor.
“Durante o Congresso, vamos discutir os desafios não só do setor do aço, mas de toda a indústria, fundamental para o crescimento do país”, afirma Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes.
“A agenda é extensa, e esse debate é uma contribuição para o avanço do Brasil”, explana.
As inscrições estão disponíveis no site do Congresso Aço Brasil.
O Estado de S.Paulo - SP 17/09/2026
O Copom não cantou a caçapa seguinte de sua política. Nisso, seguiu tanto o Banco Central Europeu quanto o Fed (banco central dos Estados Unidos), que não anteciparam os lances seguintes
O comportamento indecente do Supremo aponta para enorme insegurança jurídica. Se isso é como foi no tribunal maior, o que não será nas instâncias inferiores? O ministro Flávio Dino reconheceu terça-feira que a corrupção nunca foi tão espalhada como agora no sistema judiciário do País.
Mas essa incerteza, ainda que gravíssima e com possíveis consequências para a economia, não entrou em consideração na decisão do Copom, entre as outras graves incertezas que cercam a economia do Brasil e do mundo.
Como se esperava, a decisão dos diretores do Banco Central nesta quarta-feira, 16, foi reduzir os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano, graças a certa retração da inflação que, no entanto, não tende a se repetir.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom reiterou que o ambiente permanece incerto, o que exige “serenidade e cautela da política monetária”.
A questão de fundo nem é a existência de incertezas, mas a ordem de grandeza dessas incertezas. Se essa é a densidade da neblina, mais complicado fica a calibragem dos juros destinada a combater a inflação.
Ninguém sabe, por exemplo, até onde vão as hostilidades no Oriente Médio e, em consequência, ninguém sabe quando a disparada dos preços do petróleo começará a ser revertida e, com ela, a alta generalizada dos preços globais.
Os países ricos, especialmente os Estados Unidos, estão fortemente endividados, fator que provoca a deterioração da qualidade dos títulos públicos, do valor patrimonial das reservas dos países e dos fundos de investimento.
O fenômeno climático desse feroz El Niño já começou a espalhar efeitos. Mas ainda se desconhece o tamanho dos estragos que serão produzidos sobre o mercado de alimentos.
E têm as incertezas nossas. Na terça-feira, o presidente Lula criticou o Banco Central por sua incapacidade de arrumar a economia, embora tenha uma administração autônoma. Continua a ignorar que sua política fiscal gastadeira tira chão da política de juros do Banco Central, porque injeta dinheiro na economia enquanto a política do Copom é de restrição do volume de moeda na economia.
A população está excessivamente endividada, o mercado de trabalho está esticado, e a inflação dos serviços continua resiliente.
Também desta vez, o Copom não cantou a caçapa seguinte de sua política. Nisso, seguiu tanto o Banco Central Europeu quanto o Fed (banco central dos Estados Unidos), que optaram pela alta dos juros sem, no entanto, antecipar os lances seguintes.
Exame - SP 17/09/2026
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) elevou nesta quarta-feira, 16, a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta do ciclo comandado por Kevin Warsh. Além da decisão, já antecipada pelo mercado, a autoridade monetária também soltou o seu Resumo das Projeções Econômicas (SEP). As projeções sinalizam juros altos por mais tempo e a inflação voltando ao objetivo de 2% só no fim da década.
Pela mediana das projeções, os dirigentes veem a taxa dos fed funds encerrando 2026 em 4,1%, o que abre espaço para mais um aperto residual ainda neste ano a partir do patamar definido agora. Para 2027, a mediana permanece em 4,1%, sem qualquer corte. A primeira redução aparece apenas em 2028, quando a projeção recua para 3,9%, seguida de 3,6% em 2029. A taxa neutra de longo prazo foi fixada em 3,2%.
O quadro representa um endurecimento frente a junho, quando o Fed ainda projetava a taxa em 3,8% para o fim de 2026 e 3,6% para 2027. As revisões da reunião anterior já apontavam para uma trajetória mais dura, e o comitê apenas reforçou essa leitura.
Inflação mais persistente
A justificativa está nos preços. A projeção para o índice de preços de gastos com consumo (PCE) cheio em 2026 subiu de 3,6% para 3,7%, enquanto o núcleo do PCE, indicador que exclui alimentos e energia e é o mais acompanhado pelo Fed para medir a tendência, avançou de 3,3% para 3,4%. Ambos estão bem acima da meta de 2%.
A convergência é lenta. O PCE cheio recua para 2,3% em 2027, 2,1% em 2028 e só encosta em 2,0% em 2029. O núcleo segue caminho parecido, com 2,5% em 2027, 2,2% em 2028 e 2,0% apenas em 2029. Os riscos para a inflação foram avaliados como fortemente inclinados para cima pela maioria dos participantes, que também classificou a incerteza sobre os preços como elevada.
Atividade dá margem ao aperto
A resiliência da economia americana dá ao Fed espaço para priorizar o combate à inflação. A projeção de crescimento do PIB real de 2026 foi revisada de 2,2% para 2,3%, e a de 2027, de 2,3% para 2,4%. A estimativa de longo prazo permanece em 2,0%.
O mercado de trabalho seguiu na mesma direção. A taxa de desemprego projetada para 2026 caiu de 4,3% para 4,1% e se mantém nesse nível até 2029, abaixo da projeção de longo prazo de 4,2%. Com atividade firme e emprego apertado, o comitê tem menos razões para afrouxar a política monetária no curto prazo.
Warsh no comando
A decisão ocorre sob a gestão de Warsh, que assumiu o Fed em maio. Em Jackson Hole, o chairman condicionou qualquer flexibilização à confiança de que a inflação caminha para 2% de forma clara.
Nos dias que antecederam a reunião, o rendimento dos Treasuries de dez anos (títulos do Tesouro dos EUA) superou 5%, o maior nível desde 2007, num sinal de que o mercado de títulos vinha exigindo prêmio maior para carregar a dívida americana de longo prazo.
Para o investidor brasileiro, o aperto americano estreita o diferencial de juros com o Brasil, num momento em que o Copom vem cortando a Selic, e adiciona pressão sobre o real.
CNN Brasil - SP 17/09/2026
Os preços de importados nos Estados Unidos subiram em agosto em meio a aumentos significativos nos custos de bens de capital e de consumo, sugerindo que a inflação poderá subir ainda mais nos próximos meses.
Os preços de importados avançaram 0,7% no mês passado, após queda de 0,3% por dois meses consecutivos, informou nesta quarta-feira (16) o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Ministério do Trabalho.
Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,4% nos preços de importados, que excluem tarifas.
Nos 12 meses até agosto, os preços saltaram 7,0%, maior aumento desde agosto de 2022, após avançarem 6,1% em julho. Na semana passada, o governo divulgou dados indicando aceleração nos preços ao consumidor e ao produtor em agosto.
A inflação mais elevada, devido ao choque nos preços do petróleo decorrente da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, e os ganhos acima do esperado no mercado de trabalho em agosto devem levar o Federal Reserve a aumentar a taxa de juros nesta quarta-feira.
Os preços dos bens de capital importados aumentaram 0,9% no mês passado, após alta de 1,0% em julho.
Os preços das máquinas não elétricas subiram 1,2% pelo segundo mês consecutivo em agosto. Um boom nos gastos com inteligência artificial está elevando os preços dos bens de capital importados.
Os bens de consumo importados, excluindo automóveis, tiveram alta de 0,5% após duas quedas mensais consecutivas. O custo dos veículos automotores, peças e motores importados permaneceu inalterado.
Os preços dos combustíveis importados caíram 0,1%, registrando queda pelo terceiro mês consecutivo. Os preços dos alimentos importados subiram 0,1%.
Infomoney - SP 17/09/2026
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,22% em julho na comparação mensal com ajuste sazonal, confirmando a perda de fôlego da economia. Para economistas, a retração disseminada dá mais combustível para o Comitê de Política Monetária (Copom) dar continuidade ao ciclo de corte de juros, em vez de pausa após a decisão desta quarta-feira (16).
Para Alexandre Maluf, economista da XP, a abertura setorial mostra que o setor de serviços teve estabilidade (0,0%), o único componente a não recuar no mês. Já a indústria (-0,4%), o indicador de impostos (-0,2%) e a agropecuária (-1,2%) registraram perdas.
A XP avalia que o indicador reforça a visão de desaceleração da atividade doméstica e projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) deve estagnar no terceiro trimestre, mantendo a estimativa de crescimento em 1,7% para o ano de 2026. Para a XP, o Copom deve continuar cortando juros neste ano, levando a Selic a 13,25% até dezembro.
Super 4ª: Com Copom e Fed em direções opostas, o que esperar para mercado brasileiro?
Paula Sauer, professora da FIA Business School, destaca que, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o IBC-Br avançou 3,8%, e que o dado merece ser olhado com cautela. Ela aponta que houve uma alta disseminada entre os três compoentes do índice, devido ao impacto de fatores internacionais.
Impacto dos juros na economia
A leitura negativa do mês fortalece a percepção de um cenário mais desafiador. Segundo relatório do Goldman Sachs, o recuo deixou um carregamento estatístico (carry-over) negativo de 0,7% para o terceiro trimestre.
A instituição avalia que, daqui para frente, a atividade continuará a ser sustentada por transferências fiscais e um mercado de trabalho forte, mas esses fatores positivos serão mitigados pelas condições financeiras apertadas e pelo alto nível de endividamento das famílias.
Na avaliação da Suno Research, a retração do IBC-Br reflete os impactos defasados dos juros elevados sobre a demanda da indústria, somados à desaceleração do setor extrativo. Rafael Perez, economista da casa, aponta que o setor de serviços também sofre limitações em seu ritmo de expansão devido à perda de confiança das famílias e ao custo mais elevado do crédito.
Na agropecuária, a queda já era esperada após o pico de colheita no início do ano, mas o desempenho pode seguir moderado por conta do Super El Niño. A Suno projeta crescimento de 0,2% para o PIB no terceiro trimestre e avanço de 1,9% no consolidado do ano.
A Mag Investimentos projeta desaceleração da economia no 3º trimestre, com PIB próximo da estabilidade no período.
Decisão sobre juros do Copom
A consolidação desse quadro de desaceleração na leitura mensal pode dar mais subsídios para a condução da política monetária.
Rafael Pastorello, portfólio manager do Banco Sofisa, afirma que o IBC-Br reforça a percepção de que os efeitos da política monetária restritiva começam a se refletir “de forma mais clara” na atividade econômica.
Para a decisão do Copom, o mercado já precifica uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 13,75% ao ano. No entanto, para Pastorello, o Banco Central deverá manter uma “comunicação cautelosa”, reforçando a “dependência dos próximos dados”, com atenção às expectativas inflacionárias, política fiscal e incertezas externas.
Já André Valério, economista sênior do Inter, diz que o dado abre espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento, avaliando que a moderação da atividade, afetada pelo esgotamento da renda e do crédito, deve persistir. “Esperamos que a trajetória de moderação da atividade permita com que o Copom continue cortando a Selic além da reunião de hoje”, afirma Valério, projetando a taxa básica em 13,25% até dezembro.
A Genial Investimentos pondera que o descasamento histórico entre as políticas fiscal e monetária tem limitado parcialmente os efeitos contracionistas, e projeta um avanço sutil de 0,1% no PIB do terceiro trimestre. Yihao Lin, economista da corretora, avalia que o enfraquecimento amplia o espaço para discutir cortes adicionais, mas não torna sua continuidade automática.
O cenário-base da Genial prevê que o corte para 13,75% será o último do ano, embora a instituição enxergue “um risco considerável de que a Selic seja afrouxada novamente na reunião de novembro” caso os dados de inflação sigam benignos.
Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, também destaca a perda de velocidade na atividade, mas diz que ela não reverteu completamente o crescimento, acumulando alta de 1,5% no ano.
Para ele, o mercado prestará mais atenção ao comunicado do Banco Central do que ao corte propriamente dito. “A grande questão é saber se 13,75% será uma pausa no ciclo ou apenas mais uma etapa da queda dos juros”, pontua.
Os analistas alertam que os efeitos positivos da redução dos juros levarão tempo para chegar à ponta final. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, explica que a transmissão da política monetária acontece primeiro nos mercados financeiros e depois chega à economia real.
Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, avalia que os juros altos ainda afetam decisões passadas e projeta que a melhora mais perceptível em linhas mais amplas de crédito e capital de giro deve aparecer somente ao longo de 2027.
Super Quarta
O cenário de juros locais divide as atenções com o ambiente externo durante a chamada “Super Quarta”, que alinha as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Inflação e petróleo pressionam Fed para mais uma alta de juros nos EUA
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, projeta que as instituições seguirão direções opostas, com o Federal Reserve (Fed) elevando os juros norte-americanos em 0,25 ponto percentual devido à persistência da inflação. Segundo ele, “um Fed mais duro pode fortalecer o dólar e pressionar os juros globais, limitando o espaço para cortes mais rápidos no Brasil”.
Money Times - SP 17/09/2026
O Federal Reserve voltou a subir os juros dos Estados Unidos nesta quarta-feira (16), em uma decisão amplamente esperada pelo mercado. Mas, para os economistas, foi o conjunto da obra que reforçou a mensagem: inflação ainda resistente, economia mais forte e um gráfico de pontos que deixou aberta a porta para novos apertos monetários.
Por unanimidade, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. Foi a primeira alta desde 2023 e também a primeira mudança nos juros sob o comando de Kevin Warsh.
O chamado dot plot, gráfico que reúne as projeções individuais dos dirigentes do Fed, indicou mais uma alta de 0,25 ponto percentual ainda em 2026. Além disso, as novas projeções mostraram uma economia americana mais resistente do que o previsto anteriormente, combinação que ajudou a reforçar a leitura mais hawkish da reunião.
O Fed passou a projetar crescimento de 2,3% para a economia americana em 2026, com taxa de desemprego de 4,1% e núcleo do PCE, principal referência de inflação da autoridade monetária, em 3,4%.
Para Andressa Durão, economista do ASA, o conjunto das novas projeções completou um quadro mais duro para a política monetária.
“O gráfico de pontos indicou mais uma alta de 25 bps ainda este ano, em linha com o consenso, mas apontou para uma trajetória da taxa de juros mais elevada que o esperado ao longo do horizonte. As projeções de PIB e inflação foram revisadas para cima e as de desemprego para baixo, completando o quadro hawkish”, afirma.
Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, também chama atenção para a combinação entre atividade mais forte e inflação resistente. Na avaliação da casa, “o cenário econômico atual, somado à comunicação do Fed, deve levar a mais uma alta nos juros ainda em 2026”.
Warsh mantém porta aberta
Na coletiva após a decisão, Warsh evitou antecipar os próximos movimentos do Fed, mas explicou que três mudanças desde seu discurso em Jackson Hole pesaram na decisão desta quarta-feira: a sequência de indicadores mostrando uma economia forte, a falta de melhora suficiente da inflação e a deterioração do cenário geopolítico.
O presidente do Fed também afirmou que o banco central precisa estar confiante de que a inflação subjacente esteja caminhando em direção à meta de 2% de maneira “clara e suficientemente rápida”.
Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, tanto a decisão quanto a entrevista reforçaram uma orientação mais dura por parte do banco central norte-americano.
“A mensagem de Warsh sugere disposição para realizar ajustes adicionais caso a convergência à meta continue ocorrendo em velocidade insuficiente, sem comprometer antecipadamente as próximas decisões”, afirma.
A Genial espera mais uma alta ao longo de 2026 e vai além das projeções apresentadas pelo próprio Fed para o próximo ano: a casa prevê outras duas elevações no primeiro semestre de 2027.
Segundo Lin, a combinação de uma economia resiliente com sucessivos choques de oferta aumenta o risco de que pressões inicialmente concentradas em determinados preços acabem contaminando outros componentes da inflação. “É um risco que o Fed aparenta querer mitigar”, diz.
Unanimidade também manda um recado
Outro ponto que chamou atenção foi a unanimidade. Na reunião de julho, a manutenção dos juros havia sido aprovada por nove votos a três, com defesas de uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, avalia que o placar de hoje ganha importância diante das discussões sobre a independência e a credibilidade da instituição.
“A unanimidade é, em si, uma informação relevante”, afirma. Para ela, o resultado representa “um sinal positivo para a credibilidade da instituição”.
A leitura da Nomad para o horizonte mais longo, porém, é menos dura. Embora o Fed indique outra elevação em 2026, Zogbi destaca que as projeções não apontam novas altas em 2027, com mediana de 4,1% no fim do próximo ano.
Segundo ela, essa trajetória é mais dovish do que a que estava embutida nos preços de mercado antes da decisão, quando as apostas apontavam majoritariamente para duas altas adicionais em 2027.
Fed se precipitou?
Apesar da predominância de avaliações mais hawkish, há quem questione se o Fed precisava subir os juros agora.
Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, avalia que o banco central buscou preservar sua credibilidade diante dos últimos números de inflação e da volta do petróleo para acima dos US$ 100 por barril. Ainda assim, considera a decisão precipitada.
“O Fed optou por elevar a taxa a fim de evitar um choque de credibilidade no mercado de renda fixa americano. Ainda assim, o movimento me parece precipitado”, afirma.
Flores argumenta que as expectativas de inflação de cinco e dez anos continuam ancoradas e destaca a revisão metodológica do PCE prevista para o fim de setembro, que pode alterar a leitura de alguns componentes do índice.
O gestor também discorda da projeção do Fed para o núcleo do PCE. “A projeção do Fed de 3,4% para o Core PCE me parece exagerada, dado que ela implica que a inflação não irá ter um progresso positivo ao longo do resto do ano, o que não concordamos.”
Para ele, uma nova alta ainda em 2026 dependerá, sobretudo, do comportamento do petróleo e dos desdobramentos geopolíticos. Caso a commodity recue novamente para a região entre US$ 70 e US$ 80 por barril e as pressões inflacionárias diminuam, a Stratton vê espaço para o Fed manter os juros estáveis.
Assim, apesar do consenso de que a reunião de setembro trouxe uma mensagem mais dura, a discussão agora muda de endereço: não é mais se o Fed voltaria a subir os juros, mas quantas altas ainda serão necessárias para convencer Warsh de que a inflação está, de fato, voltando aos 2%.
Infomoney - SP 17/09/2026
Os preços do minério de ferro subiram ligeiramente nesta quarta-feira, revertendo perdas registradas mais cedo, à medida que os investidores desviaram o foco das perspectivas de demanda na China para possíveis medidas de estímulo por parte de Pequim e cortes na oferta por parte de algumas mineradoras de menor porte.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 0,14%, a 709 iuanes (US$105,73) por tonelada, após ter atingido mais cedo o nível mais baixo desde 21 de agosto, a 704,5 iuanes.
A referência de minério de ferro para outubro na Bolsa de Cingapura subia 0,27%, a US$95,7 por tonelada. Mais cedo, o contrato chegou a atingir uma mínima desde 20 de agosto, a US$95,05.
Uma série de dados oficiais divulgados na terça-feira mostrou um consumo chinês lento e um agravamento da queda nos investimentos, reforçando as preocupações com o aprofundamento dos desequilíbrios econômicos.
O fraco crescimento econômico da China em agosto aumentou a probabilidade de um estímulo fiscal adicional no quarto trimestre, afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China do BNP Paribas, em nota.
A redução na oferta de minério, causada pela diminuição das margens de lucro devido ao aumento das taxas de frete, também ajudou o minério a recuperar as perdas anteriores.
A mineradora brasileira de minério de ferro Itaminas planejava suspender parcialmente a produção, reduzindo a oferta em cerca de 200 mil toneladas, segundo um porta-voz da empresa, que se recusou a divulgar mais detalhes, incluindo os motivos por trás dessa decisão.
No entanto, a pressão baixista sobre os preços persistiu, já que as perdas cada vez maiores entre as siderúrgicas aumentaram temores de cortes na produção de aço, o que pesará sobre o consumo de matéria-prima.
A Associação Chinesa de Ferro e Aço — apoiada pelo Estado chinês, juntamente com 45 grandes siderúrgicas, incluindo o China Baowu Steel Group — exortou as siderúrgicas nacionais de todo o setor a implementarem com firmeza controles de produção para reduzir os elevados estoques de aço, de acordo com um comunicado publicado em sua conta no WeChat na terça-feira.
Valor - SP 17/09/2026
Operadores citam questões específicas do setor de mineração, em meio a movimento mais amplo de saída de recursos de não residentes
O volume financeiro negociado em ações da Vale disparou nesta quarta-feira (16). Segundo participantes do mercado, há indícios de que investidores estrangeiros estejam liquidando posições no papel, em meio à saída de recursos desse grupo da bolsa brasileira nos últimos dias. Um profissional de um grande banco estrangeiro destaca ainda que o volume negociado no índice foi fraco ontem, o que pode estar levando a esse movimento mais intenso hoje.
Por volta das 15h20, as ON da Vale cediam 1,55%. O volume financeiro negociado pelos papéis chegava a R$ 2,9 bilhões, quase o dobro da média diária dos últimos 30 dias, de R$ 1,5 bilhão. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,19%, aos 186.156 pontos.
Outro gestor de uma asset local afirma que, com o minério de ferro na faixa de US$ 95, somado ao potencial de queda do câmbio e aos problemas com frete, a mineradora fica sem um catalisador para subir. “A Vale tem ‘hedge’ [proteção] para o frete, então está mais protegida no curto prazo, mas isso pode virar um problema mais à frente. Para as mineradoras menores, já está sendo. Nesse cenário, eu diria que a Vale está meio ‘range-bound’ [sem direção clara].”
Outro operado também observa que o volume atípico é específico do papel e da B3. "O ADR [recibo de ação] está com volume normal em Nova York e o resto do Ibovespa está girando abaixo da média."
A venda de papéis da Vale não é um caso isolado. Desde segunda-feira, o executivo observa que investidores estrangeiros vêm vendendo ações brasileiras.
Automotive Business - SP 17/09/2026
A primeira quinzena de setembro começou forte em vendas de automóveis, com avanço de 7,9% em relação ao mesmo período de agosto. No período, foram emplacadas 109.536 unidades.
Os resultados são do balanço quinzenal da Bright Consulting, divulgado nesta quarta-feira, 16.
Em relação a setembro do ano passado, as vendas aumentaram 6,6% na quinzena. No período, quase três em cada dez automóveis vendidos eram eletrificados (28,8%).
As marcas chinesas representaram são 22,8% do mercado, leve recuo frente aos 24,7% da mesma janela de agosto, quando houve um pico de vendas.
No acumulado do ano, o setor chega a 1.992.993 emplacamentos, crescimento de 18,9% sobre o mesmo período de 2025.
Automóveis concentram maior parte dos emplacamentos
Dos 109.536 emplacamentos da quinzena, os automóveis são 87.142 unidades (79,6% do total), com 43,5% em venda direta mercado predominantemente varejista.
Já os comerciais leves somaram 22.394 unidades (20,4%), com 59,1% em venda direta, mantendo forte concentração corporativa.
SUVs lideram participação entre os modelos
Os modelos SUVs representam 41,8% do mix de veículos. Na comparação com o ano passado, a participação avançou quase 7 pontos percentuais. Em relação a agosto, houve uma pequena retração de 4,8%.
Os hatchbacks seguem em recuperação, com 25,3%, ante os 20,2% de setembro de 2025. O resultado é sustentado pelo programa Carro Sustentável e por lançamentos como o Hyundai i20, segundo a análise da Bright.
Os sedãs tiveram 6,9% de participação, leve reação ante agosto, mas seguem em retração na comparação anual: a participação caiu de 11,4% em setembro de 2025 para o patamar atual.
Top 5 montadoras 1ª quinzena de setembro
1º Fiat (20.573 unidades) 2º Volkswagen (16.938 unidades) 3º BYD (10.230 unidades) 4º General Motors (9.273 unidades) 5º Hyundai (8.318 unidades) Eletrificados avançam 131% na primeira quinzena
Na primeira quinzena de setembro, os veículos eletrificados somaram 25.941 emplacamentos, equivalentes a 23,7% do mercado de veículos leves e a 28,8% das vendas de automóveis. O volume representa crescimento de 131% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os modelos 100% elétricos foram a categoria mais emplacada, com 10.667 unidades. Na sequência aparecem os híbridos plug-in, com 7.554; os híbridos convencionais, com 3.972; os híbridos leves, com 3.462; e os elétricos com extensor de autonomia, com 286.
A BYD segue em destaque, dominando o segmento de veículos 100% elétricos (BEV) com o Dolphin Mini (4.414 unidades), o que representa 41,4% das vendas dessa tecnologia.
No segmento de híbridos plug-in, o BYD Song Pro emplacou 1.743 unidades, com 23,1% do mercado da categoria. Entre os híbridos convencionais, a Toyota liderou entre as marcas, com 34,9%, enquanto o Omoda 5 SHS-H, da Omoda & Jaecoo, foi o modelo mais vendido, com 1.190 unidades.
O Estado de S.Paulo - SP 17/09/2026
A proposta de ampliar o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para famílias com renda até R$ 21 mil e imóveis de até R$ 1,2 milhão não deve ser colocada em prática pelo governo federal.
A Coluna apurou que não houve consenso entre os líderes dos ministérios de Cidades, Fazenda e Casa Civil para levar adiante a proposta. Se confirmada, a medida representaria a maior ampliação do Minha Casa desde a sua criação, em 2009.
O Secretário Nacional de Habitação, Augusto Rabelo, chegou a declarar publicamente que o tema foi motivo de debates “intensos” no governo, mas sem conclusão. “Estamos em intensas rodadas de conversas e, tão logo tenhamos uma definição, vamos comunicar”, afirmou, mês passado, ao participar de um evento empresarial.
Oficialmente, não foi batido martelo de que a proposta tenha sido abandonada, mas há um consenso entre agentes públicos e empresários consultados pela reportagem de que não há como dedicar atenção ao Minha Casa neste momento em que o País está na corrida eleitoral e com uma crise institucional deflagrada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Procurado, o Ministério das Cidades não diz sim, nem não. “O ministério é a favor da democracia e do diálogo. Recebe muitas propostas, ouve e avalia, sem compromisso de prazo ou adoção”, informou, oficialmente.
A proposta de um ajuste no Minha Casa, Minha Vida foi desenhada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e encaminhada em junho para o governo federal, conforme revelou a Broadcast. Após a movimentação vir à público, tornou-se alvo de críticas de que isso desvirtuaria o MCMV, concebido originalmente para atender famílias de menor renda.
Além disso, o programa já passou por uma série de reajustes no atual governo, incluindo aí a criação da faixa 4, destinada a famílias com renda até R$ 13 mil e imóveis até R$ 600 mil. Esse e outros ajustes permitiram ao governo superar a meta de 2 milhões de contratações através do MCMV neste mandato, com tendência de chegar perto de 3 milhões até o fim de 2026.
Ao sugerir a ampliação do teto de renda e de preços de imóveis da faixa 4, os empresários tinham em mente aproveitar recursos do orçamento do fundo social do pré-sal destinado ao MCMV, mas que não devem ser totalmente consumidos.
A proposta também embutia cortar os juros nas faixas 3 e 4 na ordem 1 ponto porcentual, facilitando as condições de aquisições pelas famílias. Aqui, a lógica era fortalecer o poder de compra e abrir espaço para elevação dos preços dos imóveis pelas construtoras, que viram o preço de materiais, serviços e mão de obra crescer de modo relevante ao longo deste ano. Portanto, visavam garantir a subida dos preços e a manutenção da margem de lucro.
Questionada sobre o “encalhe” da proposta, a Abrainc respondeu: “Nós mantemos um diálogo permanente com o governo e contribuímos tecnicamente com propostas voltadas ao aperfeiçoamento da política habitacional. Por respeito à confidencialidade dessas discussões, não comentamos o conteúdo de propostas em análise”.
Grandes Construções - SP 17/09/2026
A MRV prepara novos lançamentos em São Paulo para o segundo semestre, como parte da estratégia de expansão da companhia na capital e Região Metropolitana.
O movimento inclui empreendimentos no Jaguaré, na Zona Oeste da capital, e a retomada das operações em Guarulhos.
O primeiro lançamento previsto é o Mirante do Farol, residencial localizado no Jaguaré.
Construído em um terreno de mais de 6 mil metros quadrados, o residencial será composto por cinco torres de nove pavimentos.
As unidades terão opção de varanda e o projeto incluirá lazer completo, inclusive piscina e espaços de convivência.
“São Paulo continua sendo um dos mercados mais estratégicos para a MRV. O Jaguaré reúne características relevantes para quem busca o primeiro imóvel, como infraestrutura urbana consolidada, acesso às principais regiões da cidade e perspectivas de desenvolvimento”, afirma Ítalo Pita, diretor Comercial da MRV em São Paulo.
“Nosso objetivo é acompanhar essa evolução com empreendimentos em bairros com potencial de crescimento e valorização”, destaca.
Desde o início das operações em São Paulo, em 2000, a MRV lançou 145 empreendimentos na cidade, que somam mais de 38 mil unidades.
No período, foram vendidos 33 mil apartamentos e entregues quase 21.500 imóveis.
A empresa também investiu R$ 2,6 bilhões em obras e outros R$ 168 milhões em projetos de urbanização.
Segundo dados da companhia, esses investimentos contribuíram para a geração de 186.150 empregos diretos e indiretos.
Atualmente, 67.246 pessoas vivem em empreendimentos da MRV em São Paulo.
“Seguimos investindo em São Paulo porque identificamos demanda habitacional e oportunidades de crescimento em diferentes regiões”, comenta ítalo.
Os próximos lançamentos reforçam a estratégia de ampliar a presença em bairros consolidados, diz ele, chegando a novas localidades e retomar mercados importantes como Guarulhos.
“Com isso, acompanhamos a evolução das diferentes regiões e seguimos fortalecendo nossa atuação na capital e Região Metropolitana”, conclui.
Diário do Comércio - MG 17/09/2026
O Ministério dos Transportes apresentou uma carteira de projetos voltada à reativação de cerca de 10 mil quilômetros de ferrovias atualmente ociosas, desativadas ou em processo de devolução. A proposta prevê a realização de chamamentos públicos para selecionar empresas interessadas em recuperar e operar os trechos por meio de contratos de autorização.
Segundo a Pasta, o modelo tem como referência a estrutura desenvolvida para o Corredor Minas-Rio. A modelagem foi validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em agosto e poderá ser replicada em outros segmentos da malha ferroviária nacional.
Pelo modelo apresentado, as empresas vencedoras dos chamamentos públicos terão prazo de até dois anos para elaborar um Plano de Requalificação da Malha (PREC), documento que detalhará os investimentos necessários para recuperação e operação dos trechos. Os contratos de autorização terão duração de 99 anos.
A carteira inicial inclui sete projetos classificados como shortlines – ferrovias de menor extensão destinadas ao transporte de cargas ou passageiros e conectadas aos principais corredores ferroviários do País.
Além do Corredor Minas-Rio, os trechos previstos para futuros chamamentos públicos são General Carneiro (MG)-Miguel Burnier (MG), Aguaí (SP)-Bauxita (MG), Brasília (DF)-Luziânia (GO), Campina Grande (PB)-Cabedelo (PB), Roncador Novo (GO)-Jardim Ingá (GO), Santo ngelo (RS)-Santa Rosa (RS) e Cruz Alta (RS)-Santo ngelo (RS).
A recuperação das ferrovias poderá ocorrer com recursos exclusivamente privados ou contar com aportes públicos. Nos casos em que houver necessidade de participação do governo, será realizado procedimento competitivo simplificado, vencendo a empresa que demandar o menor volume de recursos públicos.
O modelo também prevê ressarcimento ao autorizatário original pelos custos incorridos na elaboração dos estudos caso outra companhia assuma posteriormente a execução do projeto.
A apresentação também incluiu uma carteira de terminais logísticos associados à Ferrovia Norte-Sul. O governo prevê para 3 de dezembro o leilão de cinco terminais localizados em Palmeirante e Porto Nacional, no Tocantins, sendo dois destinados à movimentação de granéis agrícolas e três voltados a granéis líquidos.
Revista Ferroviaria - RJ 17/09/2026
A carioca Vânia Morais, que trabalha com comunicação corporativa, morava em Ubatuba (SP) até o final do ano passado. Precisava de carro para tudo, quando a distância não podia ser percorrida de bicicleta. Mas, ao voltar a residir no Rio de Janeiro, ela entrou nas estatísticas da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos, a ANPTrilhos. A entidade verificou que, entre o primeiro semestre de 2026, os sistemas metroferroviários de todo Brasil transportaram 1,30 bilhão de passageiros no Brasil, 33,85 milhões a mais do que no mesmo período de 2025, um incremento de 2,7%.
Foram transportados 8,86 milhões de passageiros por dia útil, e Vânia era uma dessas pessoas. Moro no Catete e trabalho no centro, na estação Carioca do metrô. Perto demais. É assim: Catete, Glória, Cinelândia e Carioca. Em dez minutos eu chego, conta ela.
No final de junho deste ano, o sistema de transportes urbanos sobre trilhos chegou a 1,140 mil quilômetros. Foram entregues três novas linhas ou 15,4 quilômetros de extensão a mais, com 17 estações e paradas. Mas não foi esse acréscimo que provocou o aumento no número de usuários, segundo a diretora-presidente da ANPTrilhos, a paraense Ana Patrizia Lira. Outros 15 quilômetros ainda estão em operação assistida, com horários reduzidos, e por isso não foram ainda contabilizados, explica.
Ana Patrizia acredita que o aumento de uso aconteceu realmente porque mais gente está usando o transporte sobre trilhos, mais vezes.
Eu usava metrô uma vez por semana e, atualmente, passei para duas ou três porque comecei a ir mais vezes presencialmente ao escritório, conta o paulistano Paulo Machado, especialista em marketing. Ele mora em Diadema, no Grande ABC, e usa o trólebus pelo corredor metropolitano para chegar ao metrô e, de lá, se desloca para outras regiões da capital.
Setor tem capacidade de receber ainda mais gente
Esse crescimento, mesmo sendo positivo, ainda está abaixo da capacidade de transporte do setor, segundo a diretora. A infraestrutura instalada tem espaço para mais. Um ano antes da pandemia, a média anual de passageiros transportados foi de 3,26 bilhões de pessoas. Hoje, estamos com 2,6 bilhões, diz Ana Patrizia.
Por isso, a entidade lançou em agosto uma campanha chamada No Trilho Certo, não só para estimular mais gente a usar o sistema, mas para chamar a atenção do governo para o tema. O transporte urbano ferroviário precisa ter o mesmo tratamento que educação e saúde têm. E explico por quê: com mais transporte ferroviário, há menos acidentes de trânsito e menos poluição. Hoje, 60% dos pacientes de UTI são vítimas de acidentes de trânsito. A poluição também adoece muita gente. Então o governo federal precisa olhar com mais prioridade para o setor, conta a executiva.
Atualmente, segundo a ANPTrilhos, a União não tem nenhuma participação na composição tarifária do setor. E isso é importante, uma vez que existe um conceito chamado de modicidade, que impera nessa área: o valor da tarifa para os usuários precisa sempre ser baixo (a palavra vem de valor módico). Senão, as pessoas não usam. No Rio, por exemplo, o total de passageiros cresceu de 161,23 milhões para 161,52 milhões de entre janeiro e junho deste ano na comparação com 2025.
Lá, o valor da tarifa ia subir de R$ 7,80 para R$ 8,10. Mas o governo subsidiou esses 30 centavos. Já o bilhete de ônibus, passou de R$ 4,70 para R$ 5. Por isso a gente defgende uma Política Nacional de Modicidade Tarifária, com fontes permanentes de custeio para aliviar o peso da tarifa paga pelo usuário e cobrir os altos custos fixos do setor, explica Ana Patrizia.
Com a participação da União, o transporte urbano sobre trilhos também teria mais estímulo para se espalhar por outras cidades do País. A concentração é tanta que, só o estado de São Paulo, sendo a Região Metropolitana da capital a principal área, foi responsável por 1 bilhão dos 1,30 bilhão de passageiros transportados no ano passado no País todo.
Juntos, São Paulo e Rio de Janeiro responderam por 97,3% dos acréscimos (35,45 milhões de passageiros) no semestre.
Para tanto, a associação defende dois pontos: a criação fortalecimento de Autoridades Metropolitanas de Mobilidade Urbana, como prevê o Marco Legal do Transporte Público Coletivo (Lei nº 15.432/2026), criado este ano, e investimento continuado, com garantia de R$ 20 bilhões por ano para a expansão da rede metroferroviária. Hoje, esse valor alcança R$ 8,6 bilhões. Não fomos nós que definimos esses R$ 20 bi. Foi o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), diz ela.
Num levantamento intitulado Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), o BNDES, em parceria com o Ministério das Cidades, estima que o Brasil precise de mais 1,3 mil quilômetros de malha ferroviária urbana, sendo 450 quilômetros de metrô, 366 quilômetros de trem urbano e entre 555 e 933 quilômetros de VLT. É uma carteira muito maior do que o ritmo de expansão dos últimos anos, o que mostra a urgência de tirar esses projetos do papel, diz Ana Patrizia.
Já as Autoridades Metropolitanas de Mobilidade Urbana são órgãos que ajudariam na expansão do sistema porque a partir delas, os investimentos não seriam tão concentrados em apenas alguns municípios, mas sim em conglomerados urbanos.
Além disso, a ANPTrilhos reivindica que a lei do Vale Transporte seja atualizada. Criada em 1985, ela determina que o empregador antecipe o custeio de transporte de seus empregados. Mas naquela época, nas cidades, de 45% a 50% dos trabalhadores eram registrados sob o regime CLT (com carteira de trabalho assinada). Hoje, esse porcentual caiu para 38%, conforme dados oficiais.
Houve muita pejotização, há um crescimento do empreendedorismo. Por isso a gente defende que as empresas paguem uma taxa por empregado independentemente do tipo de transporte que o funcionário usa, como é na França, diz a diretora. Isso garantiria mais verba para o setor.
Valor - SP 17/09/2026
A Marinha dos Estados Unidos está considerando adquirir navios de guerra construídos em países aliados, como Japão e Coreia do Sul, segundo informaram várias autoridades navais ao “Nikkei Asia”. A medida seria altamente incomum e visa acompanhar a rápida expansão da frota naval chinesa.
"Estamos desenvolvendo ativamente opções para atender à intenção do presidente de entregar navios mais rapidamente, garantindo, ao mesmo tempo, investimentos de longo prazo, transferência de tecnologia e a expansão da mão de obra nos estaleiros dos Estados Unidos", afirmou uma autoridade da Marinha americana referindo-se ao presidente Donald Trump.
Outra autoridade da Marinha reconheceu que a força militar carece de um número suficiente de embarcações e demonstrou abertura para adquirir navios do Japão. "Podemos comprar algumas fragatas japonesas", disse a autoridade. "Elas são excelentes."
Em agosto, a Casa Branca divulgou um memorando sobre a reconstrução da marinha e da base industrial de construção naval do país, estabelecendo que empresas estrangeiras que construírem novos estaleiros nos Estados Unidos ou adquirirem estaleiros americanos existentes poderão construir as duas primeiras embarcações em seus países de origem para entrega aos Estados Unidos.
Um veículo de notícias operado pelo centro de estudos U.S. Naval Institute informou que fragatas construídas na Coreia do Sul, no Japão e na Turquia estão entre as opções em análise. A candidata japonesa seria uma versão aprimorada da fragata classe Mogami, da Mitsubishi Heavy Industries, atualmente operada pela Força de Autodefesa Marítima do Japão.
A classe Mogami já obteve sucesso em exportações após ter sido selecionada pela Marinha Real Australiana como sua fragata de próxima geração, superando concorrentes da Coreia do Sul, Alemanha e Espanha. O projeto inclui tecnologias avançadas de automação que permitem a operação com uma tripulação relativamente pequena. No entanto, resta saber se o modelo conseguirá atender aos requisitos dos Estados Unidos em relação às operações locais de construção naval e aos cronogramas de entrega rápida.
A Coreia do Sul é amplamente considerada uma forte candidata, uma vez que seus principais estaleiros têm investido ativamente nos Estados Unidos. Em julho, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung apresentou os estaleiros do país ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião, afirmando que a Coreia do Sul estava pronta para cooperar na construção de embarcações navais. A Turquia também é vista como uma candidata em potencial, beneficiando-se de fortes laços entre os líderes dos dois países.
A administração Trump tem defendido a revitalização da indústria de construção naval dos Estados Unidos. Sua proposta orçamentária para o ano fiscal de 2027 destinou US$ 66 bilhões a programas de construção naval da Marinha, visando produzir um total de 34 navios de guerra e de apoio. Enquanto a capacidade nacional de construção naval não se recupera, Washington avalia a possibilidade de realizar aquisições no exterior.
Essa urgência é impulsionada, em parte, pela expansão militar da China. As forças armadas chinesas quase septuplicaram sua frota de contratorpedeiros e fragatas modernos entre 2001 e 2026, segundo o Ministério da Defesa do Japão. As capacidades do país estão se equiparando rapidamente às dos Estados Unidos.
Em termos de tamanho total da frota, os Estados Unidos continuam sendo líderes mundiais, com 970 embarcações, contra 700 da China. No entanto, as forças navais americanas estão distribuídas globalmente. Ao considerar apenas a região da Ásia-Pacífico, o poderio naval chinês torna-se cada vez mais expressivo.
Os Estados Unidos estão muito atrás da China em capacidade de construção naval. Após o fim da Guerra Fria, a indústria naval americana entrou em declínio e, nos últimos anos, tem produzido apenas um número reduzido de navios comerciais anualmente.
A China, por sua vez, expandiu seu setor de construção naval e detém atualmente a maior participação no mercado mundial. Como resultado, os Estados Unidos buscam cada vez mais a Coreia do Sul e o Japão — o segundo e o terceiro maiores países construtores de navios do mundo — para ajudar a suprir suas necessidades de construção naval.
Infomoney - SP 17/09/2026
Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta quarta-feira, 16, com a notícia de que autoridades dos Estados Unidos e os houthis se reuniram e os rebeldes do Iêmen disseram não pretender atacar navios americanos. O alívio, porém, foi limitado por novos relatos de ataques contra alvos sauditas.
Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para novembro, fechou em queda de 2,69% (US$ 2,92), a US$ 105,83 o barril.
Já o petróleo WTI para outubro recuou 3,21% (US$ 3,40), a US$ 102,43 o barril na Nymex.
Autoridades norte-americanas se reuniram com representantes dos houthis em Omã no fim de semana, segundo cinco fontes da Reuters, dias após a milícia apoiada pelo Irã tomar um trecho estratégico da costa do Mar Vermelho.
O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou nesta quarta que o grupo atacou uma base aérea em Khamis Mushait e instalações da petroleira Saudi Aramco, enquanto os sauditas tentam retomar, nos próximos dias, cerca de metade da capacidade do oleoduto que cruza o país – interrompido na semana passada após ataques com drones, segundo a Bloomberg.
A estatal Saudi Aramco trabalha em um desvio para contornar o trecho danificado e reativar parte do fluxo.
Com seu reino sob ataque, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, viajou na terça-feira ao Cairo, no Egito, para pedir apoio contra os rebeldes houthis. Na terça circularam informações de que o governo saudita recebeu informações de inteligência de Israel por meio dos EUA.
Tudo somado, os futuros do petróleo recuaram após atingirem seu nível mais alto desde maio. O Citi espera que a escalada tenha um efeito positivo sobre o petróleo e seus derivados antes de uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz no quarto trimestre, apoiada pela diplomacia regional. No entanto, os recentes acontecimentos destacam que o caminho para a redução da tensão provavelmente não será linear, destaca o banco.
Ainda no radar, os estoques de óleo nos EUA tiveram baixa de 640 mil barris na semana encerrada em 11 de setembro, menos intensa do que a previsão de analistas, de queda de 1,4 milhão de barris.
Diário do Comércio - MG 17/09/2026
A Petrobras alcançou, no primeiro semestre de 2026, a maior margem de lucro em um grupo de grandes petroleiras internacionais, superando gigantes como a saudita Saudi Aramco e as americanas ExxonMobil e Chevron.
A constatação está em um estudo divulgado nesta quarta-feira (16) pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que reúne sindicatos que representam mais de 105 mil trabalhadores da indústria do petróleo.
O levantamento é coordenado pelo economista Cloviomar Cararine, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), instituição de pesquisa ligada ao movimento sindical.
O estudo compara resultados financeiros de grandes petroleiras desde 2020. É a primeira vez em que a Petrobras alcança o topo do ranking de margem de lucro.
Margem x lucro
Lucro é quanto dinheiro sobra para a empresa depois de descontados os custos, despesas e tributos. Já a margem de lucro mede a eficiência da empresa ao mostrar qual proporção da receita (vendas totais, como combustíveis, óleo cru e derivados) realmente se transforma em lucro.
Por exemplo, se uma companhia tem uma margem líquida de 15%, significa que, para cada R$ 100 em vendas, R$ 15 sobram como lucro líquido para o negócio após todos os custos, despesas e tributos terem sido pagos.
No ranking do Dieese, a Petrobras aparece no topo, com margem de 29,15% no primeiro semestre de 2026. No período, a estatal brasileira teve lucro líquido de R$ 85,1 bilhões.
Confira a margem de lucro das grandes petroleiras acompanhadas pelo Dieese:
Petrobras: 29,15%
Saudi Aramco: 25,48%
Chevron: 18,01%
ExxonMobil: 16,33%
BP (Reino Unido) 14,83%
Equinor (Noruega) 12,84%
Shell (anglo-holandesa): 9,94%
TotalEnergies (França): 9,44%
De 2020 até 2025, a Saudi Aramco figurava como dona da maior margem de lucro. Em todos esses anos, a Petrobras era vice-líder, com exceção de 2024.
A fonte dos dados são informações divulgadas pelas próprias empresas. O pesquisador não incluiu no comparativo empresas chinesas, como Sinopec e PetroChina.
Top 3 em lucro
O economista do Dieese comparou também o lucro das companhias. Os resultados do primeiro semestre apontam a Petrobras como terceiro maior lucro no ranking em dólar.
Saudi Aramco: US$ 65,4 bilhões
ExxonMobil: US$ 18,7 bilhões
Petrobras: US$ 16,6 bilhões
Shell: US$ 15,5 bilhões
Chevron: US$ 14,3 bilhões
TotalEnergies: US$ 11,8 bilhões
BP: US$ 9,5 bilhões
Equinor: US$ 7,9 bilhões
ConocoPhillips (EUA): US$ 6,1 bilhões
Fatores para eficiência
Para o economista, o resultado inédito reflete a “grande eficiência operacional da companhia”.
O desempenho, completa ele, foi sustentado pelo aumento da produção, alta dos preços internacionais do petróleo (reflexo da guerra no Oriente Médio), redução dos gastos gerais e por ser ainda uma empresa integrada, que produz e refina o óleo.
Cloviomar Cararine acredita que essa combinação permite à Petrobras maior capacidade de atravessar crises que as concorrentes internacionais.
No segundo trimestre de 2026, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras foi a maior da história, atingindo 3,34 milhões de barris de óleo equivalente (boe, unidade resultante da conversão do gás natural em equivalente energético de petróleo, que permite somar os dois produtos) por dia.
Cerca de 30% do que foi produzido foi vendido para o exterior (996 mil barris/dia).
A companhia chegou também ao recorde histórico do Fator de Utilização (FUT) das refinarias, atingindo a marca de 101,2%. Quanto maior o FUT, mais as refinarias estão sendo utilizadas.
TN Petróleo - RJ 17/09/2026
A Vallourec - líder mundial em soluções tubulares premium sem costura - anuncia que conquistou um importante contrato com a Subsea7 para o fornecimento de line pipes de aço carbono sem costura e revestimento de isolamento térmico para o projeto Sepia 2, desenvolvido pela Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos, offshore Brasil.
Essa adjudicação ocorre após o contrato EPCI (Engenharia, Suprimentos, Construção e Instalação) recentemente conquistado pela Subsea7 junto à Petrobras para o projeto Sepia 2. A Vallourec conquistou todo o escopo de fornecimento de line pipes de aço carbono e revestimento externo do projeto por meio de uma única oferta integrada.
Nos termos deste contrato, a Vallourec fornecerá aproximadamente 130 quilômetros de risers rígidos e flowlines, representando mais de 15 mil toneladas de line pipes de aço carbono para serviço ácido. Os tubos serão produzidos na usina da Vallourec em Jeceaba, Minas Gerais, Brasil, com o respectivo revestimento de isolamento térmico aplicado na planta da Vallourec Coating Solutions em Serra, Espírito Santo.
O projeto Sepia 2 está localizado em águas ultraprofundas da Bacia de Santos, uma área do pré-sal a aproximadamente 280 quilômetros da costa brasileira, e é desenvolvido por um consórcio liderado pela Petrobras. Ele compreende 15 poços, bem como um duto de exportação conectado a uma nova unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO), a ser instalada em uma profundidade de água de aproximadamente 2.170 metros.
Esse sucesso destaca a capacidade da Vallourec de atender aos requisitos altamente exigentes de isolamento térmico das fases de instalação e operação em condições extremas de águas profundas. Graças às suas avançadas soluções de Polipropileno Sintático, a Vallourec estará ao lado da Subsea7 e da Petrobras para enfrentar esses desafios ao longo da execução do projeto.
Philippe Guillemot (foto), Presidente do Conselho de Administração e Diretor-Presidente do Grupo Vallourec, comentou: "Este contrato ilustra a força da oferta integrada da Vallourec, combinando line pipes premium sem costura e revestimento avançado de isolamento térmico. Ele confirma nossa posição como parceiro preferencial para os mais exigentes projetos do pré-sal e demonstra a excelência de nossa presença industrial totalmente integrada no Brasil, desde nossa usina de Jeceaba até nossa planta de revestimento em Serra. Agradeço à Subsea7 e à Petrobras por esta nova demonstração de confiança, que recompensa a dedicação de nossas equipes."
Sobre a Vallourec - A Vallourec é líder mundial em soluções tubulares premium para os mercados de energia e para aplicações industriais exigentes, como poços de petróleo e gás em ambientes severos, usinas de energia de nova geração, projetos arquitetônicos desafiadores e equipamentos mecânicos de alto desempenho. O espírito pioneiro e a pesquisa e desenvolvimento de ponta da Vallourec abrem novas fronteiras tecnológicas. Com cerca de 13 mil colaboradores dedicados e apaixonados em mais de 20 países, a Vallourec trabalha lado a lado com seus clientes para oferecer mais do que apenas tubos: a Vallourec fornece soluções tubulares inovadoras, seguras, competitivas e inteligentes, para tornar cada projeto possível. Listada na Euronext em Paris (código ISIN: FR0013506730, ticker VK), a Vallourec integra os índices CAC Mid 60, SBF 120 e Next 150 e é elegível ao Serviço de Liquidação Diferida. Nos Estados Unidos, a Vallourec estabeleceu um programa patrocinado de American Depositary Receipt (ADR) Nível 1 (código ISIN: US92023R4074, ticker: VLOWY). A paridade entre ADR e uma ação ordinária da Vallourec foi estabelecida em 5:1.
Grandes Construções - SP 17/09/2026
Durante mais de três décadas desenvolvendo tecnologias para infraestrutura, aprendi uma lição que também conheci na indústria aeronáutica: quando uma inovação muda completamente a forma como as pessoas interagem com um sistema, o maior desafio raramente está na tecnologia. Está na confiança.
Foi assim quando participei do desenvolvimento de sistemas embarcados para aeronaves militares. Um piloto jamais questiona apenas se um equipamento funciona. Ele precisa confiar que funcionará corretamente sob qualquer condição. Nas rodovias, começa a acontecer exatamente o mesmo.
Essa discussão ganha ainda mais relevância porque o Brasil atravessa o maior ciclo de investimentos em concessões rodoviárias da sua história. Segundo o Ministério dos Transportes, cerca de R$ 150 bilhões devem ser investidos pela iniciativa privada até o fim de 2026, enquanto uma carteira ainda mais ampla prevê centenas de bilhões de reais em novos projetos para modernizar a infraestrutura viária do país.
E, mais do que ampliar a malha concedida, essa nova geração de contratos incorpora tecnologias que, até pouco tempo atrás, eram vistas apenas como tendência. O Free Flow é uma delas. Existe, porém, uma mudança silenciosa por trás desse movimento. Pela primeira vez, a qualidade de uma rodovia deixará de ser medida apenas por quilômetros duplicados, pontes ou viadutos construídos.
Ela também passará a ser avaliada pela inteligência embarcada capaz de operar essa infraestrutura. Em outras palavras, o ativo mais valioso das futuras concessões talvez não esteja no concreto, mas nos algoritmos.
Nos últimos anos, o Free Flow se tornou um dos principais símbolos da modernização da infraestrutura rodoviária brasileira. O debate público, no entanto, tomou outro rumo no início da implantação, com boa parte das discussões concentrada nas multas, nas formas de pagamento, nas cobranças posteriores e na dificuldade que muitos motoristas encontraram para entender como o novo sistema funciona.
Nenhuma inovação conquista a confiança das pessoas quando exige múltiplos aplicativos, diferentes meios de pagamento, pouca integração entre sistemas e comunicação insuficiente sobre algo que, por definição, deixou de ser físico.
Quando existia uma cancela, o motorista enxergava o momento da cobrança. No Free Flow, a confiança deixa de estar na estrutura e passa a depender integralmente da inteligência que opera por trás dela. O problema, então, nunca esteve no conceito do Free Flow. O que ainda está em construção é a experiência digital que sustenta esse novo modelo.
Contudo, à medida que o país avança na implantação do Free Flow e novos contratos de concessão passam a incorporar essa IA, uma nova corrida ganha força. E desta vez ela não acontecerá na instalação dos pórticos, mas dentro dos algoritmos.
E isso exige mais do que tecnologia embarcada. Exige integração entre concessionárias, órgãos reguladores e diferentes meios de pagamento. O sucesso do Free Flow no Brasil dependerá tanto da capacidade de construir um ecossistema digital simples, transparente e interoperável para o usuário quanto da qualidade das IAs em operação.
Será pré-requisito para todas as concessões possuir uma inteligência artificial robusta, bem testada e capaz de interpretar corretamente situações extremamente complexas do tráfego brasileiro. E essa não é uma tarefa trivial dentro do mercado atual.
As rodovias nacionais reúnem características muito diferentes daquelas encontradas em países onde boa parte dessas soluções nasceu. Temos uma frota altamente diversificada, grande participação de veículos comerciais, caminhões com múltiplas configurações de eixos, placas desgastadas, condições severas de luminosidade, chuvas intensas, neblina, diferenças regionais e uma enorme variedade operacional.
Nesse ambiente, identificar corretamente um veículo vai muito além da leitura da placa. Os sistemas mais avançados já analisam simultaneamente até centenas de características físicas e comportamentais para construir uma identidade digital única de cada veículo. Cor, volumetria, quantidade de eixos, distância entre eles, dimensões, modelo, histórico de circulação, frequência de passagem e inúmeras outras variáveis passam a compor essa identificação.
Quanto maior a capacidade de interpretar esse contexto, menor o risco de erro. E isso é algo que fará toda a diferença, porque o usuário não avalia um algoritmo. Ele avalia a cobrança. E uma única cobrança indevida pode comprometer a confiança construída durante milhares de transações corretas, além da previsão de multa de valor significativo à concessão por cobrança indevida.
Por isso, acredito que a palavra mais importante do Free Flow nos próximos anos será acurácia. A precisão deixará de ser apenas um indicador técnico para se tornar um ativo estratégico das concessões rodoviárias. Só a acurácia elevada será capaz de reduzir custos operacionais, diminuir revisões manuais, judicializações, melhorar a experiência do usuário e fortalecer a credibilidade do sistema como um todo.
Existe ainda outro aspecto que, a meu ver, ganhará importância crescente. Durante muitos anos, houve uma ideia de que tecnologias sofisticadas para infraestrutura precisariam necessariamente ser importadas. No entanto, quando falamos de inteligência artificial, os dados utilizados para treinar um sistema fazem enorme diferença. Uma IA desenvolvida nacionalmente e para a realidade brasileira tende a compreender muito melhor as situações que fazem parte da nossa realidade cotidiana.
Ela aprende com os caminhões que circulam aqui, com nossas condições climáticas, com nossas configurações de eixos, com nossa dinâmica operacional. Isso não significa apenas produzir tecnologia no Brasil. Significa desenvolver inteligência adaptada ao Brasil.
Nos próximos anos, dificilmente um motorista perguntará qual empresa instalou determinado pórtico de Free Flow. A pergunta será muito mais simples: posso confiar nesta cobrança? Quem responder melhor a essa pergunta não liderará apenas o mercado de pedágios. Liderará a próxima geração da infraestrutura rodoviária no Brasil.