Clipping Diário

15 | Setembro | 2026

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   15/09/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 caiu pela terceira semana seguida, desta vez de 5% para 4,90% — 0,40 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 111 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana diminuiu de 5,01% para 4,95%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 oscilou de 4,29% para 4,30%. Um mês antes, era de 4,24%. Considerando apenas as 111 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 4,25% para 4,31%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 seguiu em 3,80% pela sétima semana seguida. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 54ª semana consecutiva.

No início de agosto, o Banco Central ajustou suas projeções para o IPCA de 2026, de 5,2% para 5,1%, e de 2027, de 3,7% para 3,8%. As estimativas constam no comunicado da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado manteve a projeção para a inflação acumulada em 12 meses no 1º trimestre de 2028 em 3,2%. O período se tornou o horizonte relevante da política monetária nesta reunião.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Selic

A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,75% pela sexta semana consecutiva. No entanto, considerando só as 98 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano caiu de 13,75% para 13,56%.

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 continuou em 12% pela 13ª semana seguida. Levando em conta apenas as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também seguiu em 12%.

No início de agosto, o Copom reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.

Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o colegiado na ata da reunião.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,50% pela 11ª semana. A estimativa para 2029 continuou em 10% pela 19ª semana consecutiva.
PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 caiu de 1,93% para 1,89%. Um mês antes, era de 1,98%. Considerando apenas as 75 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa diminuiu de 1,89% para 1,86%.

O crescimento esperado pelo mercado está em linha com o previsto pelo Banco Central, de 2,0%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,50% para 1,45%. Levando em conta apenas as 75 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária diminuiu de 1,52% para 1,33%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 caíram de 1,96% para 1,87%. Há um mês, era de 1,89%. Para 2029, permaneceu em 2,00% pela 78ª semana seguida, respectivamente.

Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 continuou em R$ 5,20 pela 13ª semana seguida. Considerando apenas as 75 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária também continuou em R$ 5,20.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,29.

A projeção para o fim de 2028 continuou em R$ 5,30 pela oitava semana seguida.

A estimativa para 2029 oscilou de R$ 5,35 para R$ 5,36. Há um mês, era de R$ 5,36.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Jornal de Brasília - DF   15/09/2026

O crescimento do Produto Interno Bruto do G20 desacelerou ligeiramente para 0,7% no segundo trimestre, ante os três meses anteriores, segundo levantamento preliminar divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira, 14.

O resultado mostrou uma leve desaceleração ante o desempenho de 0,8% do trimestre anterior. Esse resultado refletiu um cenário misto entre os países do G20 para os quais havia dados disponíveis, com a maioria registrando uma desaceleração.

Entre as economias do G20 com dados disponíveis, a contração na Arábia Saudita se aprofundou, com o PIB caindo 4,8% no segundo trimestre de 2026, após uma queda de 1,4% no primeiro trimestre. “Isso refletiu, principalmente, uma redução acentuada nas atividades ligadas ao petróleo”, observou a OCDE.

O PIB também contraiu na África do Sul, recuando 0,2% no segundo trimestre, após crescer 0,4% no primeiro. Na Coreia, o crescimento do PIB desacelerou de forma acentuada, passando de 1,8% no primeiro trimestre para 0,6% no segundo, refletindo sobretudo o crescimento mais fraco das exportações e do consumo privado. O ritmo de crescimento também diminuiu no Brasil (de 1,1% para 0,5%), na China (de 1,3% para 0,9%) e na Índia (de 2,1% para 1,8%).

Em contrapartida, o crescimento registrou uma forte recuperação no México, com o PIB aumentando 1,4% no segundo trimestre após uma contração de 0,3% no primeiro, e manteve-se robusto na Indonésia, em 1,3% (nível semelhante ao do primeiro trimestre).

O crescimento também ganhou força na Turquia (de 0,3% para 1,1%) e no Canadá (de 0,1% para 0,8%), enquanto na Austrália houve uma leve aceleração (de 0,3% para 0,4%). Na França, o PIB permaneceu estável no segundo trimestre, após uma contração de 0,2% no primeiro.

Diário do Comércio - MG   15/09/2026

A confiança dos empresários industriais voltou a recuar em setembro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado nesta segunda-feira (14) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu 1,4 ponto, passando de 46,3 para 44,9 pontos.

O resultado mantém o indicador abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de pessimismo. Com isso, a indústria completa 21 meses consecutivos sem confiança, no período mais prolongado já registrado pela série desde 2015 e 2016.

Segundo a CNI, a queda foi disseminada entre os componentes do índice, atingindo tanto a avaliação das condições atuais quanto as expectativas para os próximos meses.

“Essa queda foi generalizada, verificada em todos os componentes do índice, tanto a avaliação das condições correntes quanto as expectativas”, afirmou em nota Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Economia pesa

A percepção dos empresários sobre a situação econômica do país foi um dos principais fatores para o recuo do indicador. A avaliação das condições atuais da economia brasileira caiu 3,6 pontos, de 36,6 para 33 pontos.

O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção dos empresários sobre o momento presente, caiu 2,5 pontos, de 42,7 para 40,2 pontos.

Os principais resultados foram:
Expectativas pioram

O pessimismo também avançou nas perspectivas para os próximos meses. O Índice de Expectativas recuou 0,9 ponto, passando de 48,1 para 47,2 pontos.

A percepção sobre o futuro da economia brasileira caiu de 39,7 para 39,1 pontos. Já as expectativas em relação às próprias empresas tiveram queda de 1 ponto, de 52,3 para 51,3 pontos.

Confira os números:
Efeito nos negócios

Para a CNI, as oscilações positivas registradas ao longo de 2026 não foram suficientes para alterar o cenário de desconfiança entre os empresários industriais.

Segundo a entidade, eventuais melhorias desses índices em alguns meses deste ano foram pontuais e não mudaram muito o quadro. A falta de confiança continua disseminada entre os empresários industriais.

A edição de setembro do Icei ouviu 1.186 empresas industriais de 1º a 8 de setembro de 2026. Desse total, 475 pequenas empresas, 441 médias empresas e 270 grandes empresas.

CNN Brasil - SP   15/09/2026

O mercado financeiro consolidou quase como certa a expectativa de aumento de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) em setembro e ampliou perspectivas de aperto monetário até o fim deste ano, segundo ferramenta de monitoramento do CME Group.

O movimento ocorre em meio ao salto nos preços de combustível, temores sobre IA (Inteligência Artificial), persistência da inflação elevada nos EUA e intensificação das guerras no Oriente Médio e Leste Europeu ao longo do fim de semana.

Por volta das 12h20 (de Brasília), a probabilidade de elevação dos juros em 25 pontos-base (pb) era de 90,3%, em comparação aos 85,6% registrados na sexta-feira. A chance de manutenção caiu de 14,4% a 9,7%.

Até dezembro, a principal aposta do mercado continua uma alta de 50 pontos-base nos juros pelo BC norte-americano, somando 48,4% das probabilidades – praticamente inalterada em relação a sexta-feira.

Contudo, a chance de aperto monetário maior, de 75 pb, cresceu de 18,5% a 27,8%. A probabilidade de as taxas de juros terminarem o ano com apenas um aumento de 25 PB caiu para 21,9%, de 29,2% na sexta-feira, enquanto a manutenção no nível atual somava somente 1,9% de chance.

O Estado de S.Paulo - SP   15/09/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne a partir desta terça-feira, 14, para definir a nova taxa básica de juros do País. De acordo com 75 das 78 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, o resultado a ser divulgado no final da tarde de quarta-feira deve ser um novo corte de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Três instituições projetam a manutenção dos juros no patamar atual.

De acordo com economistas, um alívio inflacionário no curto prazo e evidências mais firmes de desaceleração da atividade econômica amparam essa aposta de corte em setembro. A dúvida, porém, reside nos próximos passos do Comitê.

A expectativa é que o Banco Central mantenha a comunicação sem sinalizações futuras, deixando a porta aberta para manejar a taxa ao sabor dos novos dados que aparecerem. Para além da reunião de setembro, analistas consideram que a proximidade da eleição presidencial tende a amplificar a incerteza do cenário econômico. Na conta, o comportamento da taxa de câmbio e do petróleo - que se mantém resistente em US$ 100 com novas tensões no Oriente Médio - será fundamental para os próximos passos da autoridade monetária.

Há, ainda, a chegada do super El Niño no fim do ano, que pode gerar impactos indiretos, de segunda ordem, que preocupam o Banco Central.

A mediana da pesquisa, porém, indica a Selic em 13,75% ao fim de 2026, sugerindo que o corte em setembro deve ser, por ora, o último do ano. Essa é também a estimativa intermediária da última pesquisa Focus, do Banco Central.

Para o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, a dinâmica mais fraca da atividade dá conforto para a continuidade da calibração no juro em setembro. “Foi um PIB do segundo trimestre com consumo das famílias negativo e indústria e serviços mais fracos em julho. São dados recentes que dão espaço para essa redução”, afirma.

Apesar do alívio tanto via atividade quanto via inflação, diz, a expectativa é de que este corte seja o último e a incerteza quanto ao próximo governo é o argumento mais forte para ditar a condução dos juros. “O BC precisa ser mais conservador. São decisões de agora que terão impacto em 2027, sem saber, por ora, quais serão as regras da política econômica no ano que vem, além do cenário externo desafiador”, afirma.

Mas há no mercado quem acredite que ha espaço para novos cortes ainda este ano. O economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano, considera que o corte de 0,25 ponto na reunião de setembro “já está dado” e não há expectativas de surpresas por parte do Comitê. Mas, segundo ele, a desaceleração da atividade econômica elevou as chances de mais uma redução em novembro, o que levaria a Selic a 13,5% ao fim de 2026.

“O desafio para o Copom está na reunião de dezembro, para entender de maneira mais clara os efeitos do choque do El Niño”, destaca Serrano. Para ele, o evento climático também pode ser responsável por algum aumento marginal nas expectativas de inflação para 2027 apuradas no Boletim Focus. O alerta, diz, fica para o espraiamento e persistência do choque.

Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, considera que as evidências de desaceleração da atividade e da inflação vieram antes que o previsto e permitirão ao colegiado seguir com cortes na Selic até dezembro, atingindo o nível de 13,25% ao ano. A perspectiva, porém, é de inflação mais pressionada no fim de 2026.

Segundo o economista, a desaceleração da atividade vem se tornando mais disseminada e, por isso, abre espaço para a continuidade dos ajustes. “A perda de fôlego da economia aparece justamente em segmentos mais sensíveis ao ciclo e, portanto, tende a reforçar a estratégia de cortes pequenos e consecutivos”, afirma. Ele ainda nota que o estímulo fiscal não tem sido satisfatório em impulsionar a demanda, em meio ao elevado endividamento das famílias e das empresas.

IstoÉ Dinheiro - SP   15/09/2026

A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 1,548 bilhão na segunda semana de setembro. Os dados, divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que o resultado foi impulsionado por exportações de US$ 7,034 bilhões, contra importações de US$ 5,486 bilhões.

O que aconteceu

O superávit comercial brasileiro alcançou US$ 1,548 bilhão na segunda semana de setembro, resultado de exportações que superaram as importações. No acumulado de setembro, o saldo positivo já soma US$ 3,356 bilhões, com destaque para o crescimento das exportações em 28,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A projeção do MDIC aponta para um superávit de US$ 90 bilhões até o final do ano, um aumento significativo em relação aos resultados anteriores.

Em setembro, o acumulado do mês já apresenta um superávit de US$ 3,356 bilhões. Este montante é derivado de US$ 14,247 bilhões em exportações e US$ 10,891 bilhões em importações até a segunda semana do período.

Até a segunda semana de setembro, as exportações brasileiras registraram um crescimento de 28,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A agropecuária destacou-se com crescimento de 16,5%, totalizando US$ 2,831 bilhões. A indústria extrativa apresentou uma expansão robusta de 70,5%, atingindo US$ 4,188 bilhões, enquanto a indústria de transformação cresceu 17,0%, somando US$ 7,140 bilhões.
Crescimento nas importações por setor

As importações também apresentaram alta de 9,5% no mesmo comparativo. A agropecuária registrou aumento de 13,7%, totalizando US$ 197,2 milhões. A indústria extrativa teve elevação de 13,5%, alcançando US$ 465,2 milhões. Já a indústria de transformação, setor de maior peso, cresceu 9,2%, com US$ 10,169 bilhões.

Qual a projeção para a balança comercial?

No acumulado de janeiro até a segunda semana de setembro, o superávit atingiu US$ 58,674 bilhões. Este valor representa um crescimento de 36,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo positivo era de US$ 46,300 bilhões.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta que o superávit da balança comercial brasileira alcance US$ 90,0 bilhões neste ano. Se confirmada, a previsão representará um crescimento de 32,3% em relação ao ano anterior. Para este ano, as projeções indicam US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   15/09/2026

Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta segunda-feira para os níveis mais baixos desde 21 de agosto, à medida que a lucratividade das siderúrgicas despencou a uma mínima histórica, prejudicando as perspectivas de demanda pela matéria-prima para a produção de aço.

O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) na China recuou 1,6%, a 708,5 iuanes (US$105,64) por tonelada.

A referência de minério de ferro para outubro na Bolsa de Cingapura caía perto de 1%, a US$95,65 por tonelada.
A lucratividade das siderúrgicas diminuiu 22,51 pontos percentuais em relação à semana anterior, para 7,79%, segundo dados da consultoria Mysteel.

Os prejuízos das siderúrgicas se ampliaram significativamente, com a magnitude dos prejuízos atingindo uma mínima histórica, afirmaram analistas da corretora chinesa Everbright Futures em nota.

A taxa de utilização da capacidade de produção em altos-fornos de 247 siderúrgicas pesquisadas foi de 88,73%, uma queda de 0,19 ponto percentual em relação à semana anterior, segundo dados da Mysteel.

A demanda por aço na China enfraqueceu ainda mais no terceiro trimestre, com a demanda para o setor de construção continuando a diminuir e o investimento em ativos fixos caindo ainda mais em relação ao mês anterior em julho, afirmou a corretora Galaxy Futures em uma nota.

A demanda internacional por aço permaneceu resiliente, mas mostra sinais de recuperação atrasada, afirmaram os analistas. Já para a demanda de usuários finais na China, é improvável uma melhora significativa em setembro, impondo perspectivas baixistas para os preços do minério de ferro, acrescentaram.

As perdas foram limitadas, no entanto, pela redução contínua de estoques nos portos chineses.

Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses caíram 0,88% em relação à semana anterior, para 151,29 milhões de toneladas na semana passada, segundo dados da consultoria Steelhome.

Os estoques de minério de ferro importado pelas siderúrgicas aumentaram 1,41 milhão de toneladas, para 90,44 milhões de toneladas na semana passada, segundo dados da Mysteel, indicando sinais iniciais de reposição, mesmo com a queda nos estoques portuários.

Brasil Mineral - SP   15/09/2026

A Comissão Europeia analisa a venda dos ativos de níquel brasileiro em investigação aprofundada, temendo que a aquisição pela mineradora chinesa desvie o ferro-níquel do mercado europeu e prejudique a produção de aço inoxidável sustentável no bloco.

A Comissão Europeia deverá publicar, até o final de setembro, um alerta formal com preocupações sobre a venda dos ativos de níquel da Anglo American no Brasil para a MMG. O processo está em fase de investigação aprofundada, com prazo provisório até 30 de novembro de 2026. A operação é avaliada em até US$ 500 milhões e envolve as minas de ferro-níquel de Barro Alto e Codemin (GO) e os projetos Jacaré (PA) e Morro Sem Boné (MT). A Comissão teme que a aquisição pela MMG (controlada pela estatal chinesa China Minmetals) possa desviar o ferro-níquel brasileiro do mercado europeu, e, desta forma, prejudicar a produção de aço inoxidável de alta qualidade e baixa emissão no bloco. O ferro-níquel é um insumo essencial e a oferta global de baixo carbono é limitada. Além disso, há uma dimensão geopolítica ligada ao controle chinês de minerais críticos.

A Comissão prepara uma declaração de objeções (documento formal com preocupações preliminares), que não representa uma proibição final, mas pressiona a MMG a oferecer soluções mais robustas. Uma proposta anterior (compra garantida de ferro-níquel pela Anglo por até 10 anos) foi rejeitada, por ser considerada insuficiente. A decisão final pode ser a aprovação com condições (exigindo compromissos de fornecimento à Europa), bloqueio da operação ou a aprovação sem restrições (cenário menos provável diante das preocupações atuais). Enquanto a UE mantém análise rigorosa, o Cade (Brasil) arquivou o caso sem restrições, não examinando a estrutura societária por trás da MMG.

A MMG e a Anglo American já prorrogaram o prazo final do contrato de 30 de junho para 31 de outubro de 2026, aguardando a conclusão da revisão europeia. A MMG mantém que a transação não levanta preocupações concorrenciais e deveria ser aprovada sem condições. Para tentar dissipar as preocupações da Comissão Europeia, a Anglo American e a MMG apresentaram uma proposta formal em outubro de 2025. A medida central é um acordo de "compra garantida" para o fornecimento de ferro-níquel ao mercado europeu.

No acordo, a Anglo atuaria como intermediária ao comprar o ferro-níquel produzido pela MMG nas minas brasileiras e o revendê-lo na Europa, mantendo o mesmo volume atualmente exportado. O acordo teria validade de cinco anos, com a opção de extensão por mais cinco anos. A Comissão Europeia confirmou o recebimento da proposta e estendeu o prazo de decisão para analisá-la. Um dos cenários em análise é que a eficácia dessa alternativa seja considerada limitada, uma vez que não altera a estrutura de controle dos ativos e depende da vontade da MMG de honrar o acordo a longo prazo.

O Estado de S.Paulo - SP   15/09/2026

O Ibovespa fechou em queda de 0,91% aos 185.500,88 pontos nesta segunda-feira (14), em pregão marcado pela valorização do petróleo no exterior. O grande destaque negativo da sessão foi a CSN Mineração (CMIN3), que recuou 6,85%. Do lado oposto, a Totvs (TOTS3) liderou as altas, subindo 4,34%. A Hypera (HYPE3) também tomou direção positiva e subiu 3,38%, após o Itaú BBA reiterar recomendação de compra para a ação e elevar o preço-alvo para R$ 33 no fim de 2027, ante R$ 32 no fim de 2026.

“A pressão veio do petróleo, dos Treasuries e dos prêmios fiscal e eleitoral, apesar da expectativa predominante de corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom [Comitê de Política Monetária]”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

Na agenda econômica, a mediana do Boletim Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu pela terceira semana seguida, desta vez de 5% para 4,90% - 0,40 ponto porcentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,50%. Já a projeção para a Selic no fim de 2026 seguiu em 13,75%.

“Dessa forma, a atenção começa a migrar da decisão desta semana para a comunicação do Banco Central e para a possibilidade de interrupção do ciclo de flexibilização, diante de um ambiente externo mais inflacionário e da redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos”, completa Praça.

Falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajudaram a aliviar os ganhos do petróleo nesta tarde, mas a commodity segue no território positivo. O republicano ressaltou que o petróleo está voltando a fluir pelo Estreito de Ormuz e disse que outros países deverão reembolsar Washington pelos custos relacionados ao conflito com o Irã.

Após as declarações de Trump, o petróleo WTI para outubro encerrou em alta de 1,34%, a US$ 101,39 por barril, enquanto o Brent para novembro avançou 1,02%, a US$ 105,68 por barril. Na máxima do dia, o Brent foi cotado a US$ 109,80. Na B3, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) passaram a operar no campo negativo, com as ordinários em baixa de 0,48% e as preferenciais em queda de 0,16%.

A Vale (VALE3), outro papel de peso para o Ibovespa, tombou mais de 3%, pressionada pela queda do minério de ferro na China e em Singapura.

Em Nova York, os sinais são negativos: Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 recuaram 0,29%, 0,56% e 0,48%, respectivamente. No mercado de câmbio, o dólar fechou em alta de 0,44%, cotado a R$ 5,1479.

Exame - SP   15/09/2026

O Brasil exportou 416 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, alta de cerca de 7% em relação ao ano anterior, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. As vendas somaram US$ 28,9 bilhões e colocaram a commodity como o terceiro produto mais exportado pelo país, atrás de petróleo e soja.

Levar esse volume das minas aos portos, porém, ainda é um desafio. A produção mineral brasileira depende de uma rede concentrada em poucos corredores e com forte participação do transporte rodoviário. Quando falta conexão entre as diferentes etapas, aumentam os custos, os prazos e o risco de gargalos no escoamento.

A infraestrutura, por isso, passou a ocupar um lugar central nos planos de expansão das mineradoras. Segundo a Mordor Intelligence, o mercado brasileiro de logística minerária deve crescer de US$ 8,66 bilhões em 2026 para US$ 11,33 bilhões em 2031, uma alta média de 5,53% ao ano.

Na Cedro Mineração, os investimentos estão distribuídos por diferentes etapas do percurso do minério. Em Mariana (MG), onde a companhia prevê aplicar R$ 3,5 bilhões na expansão das operações, a Cedro vai instalar um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD), uma espécie de esteira de grande escala capaz de transportar o minério por quilômetros de forma contínua. Com cerca de 20 quilômetros, o sistema fará a ligação entre a área de produção e a conexão ferroviária.

A estrutura terá capacidade para movimentar entre 1.800 e 2.000 toneladas por hora. Na prática, o TCLD permitirá substituir parte do trajeto hoje realizado por carretas por um sistema contínuo de transporte, reduzindo a circulação de veículos pesados e dando mais previsibilidade ao fluxo de minério.

O projeto usa um modelo curvo, capaz de acompanhar o relevo e contornar montanhas e vales sem a necessidade de construir novas estruturas a cada mudança de direção. A inspeção será feita por um robô equipado com inteligência artificial e sensores de vibração, temperatura e velocidade. Toda a operação poderá ser acompanhada remotamente por uma sala de controle.

A obra integra um pacote mais amplo de expansão, que inclui mudanças nas etapas de processamento do minério.

“Estamos alocando os recursos principalmente no aprimoramento de processos críticos dentro das nossas plantas, com destaque para as áreas de moagem e flotação. É através dessa reestruturação tecnológica e das obras de expansão em Mariana que nós projetamos aumentar a nossa capacidade produtiva total, saltando para a casa de 10 a 11 milhões de toneladas nos próximos três anos”, afirma Wanderley Santo, vice-presidente de Operações da Cedro Mineração.

Mais acesso aos trilhos

A redução da dependência das rodovias também orienta a Ferrovia Serra Azul, projetada para conectar a produção mineral da Região Metropolitana de Belo Horizonte à malha ferroviária nacional.

O ramal terá 26,4 quilômetros entre a zona rural de Mateus Leme e a linha existente em Mário Campos. A partir desse ponto, as cargas poderão seguir pela rede ferroviária até o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

Autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, o projeto tem investimento estimado em R$ 2 bilhões e capacidade prevista de até 25 milhões de toneladas por ano. O plano operacional contempla cinco trens diários, cada um com 136 vagões e cerca de 14,7 mil toneladas.

Segundo a companhia, uma única composição poderá substituir até 525 caminhões. Considerando a operação prevista, a estimativa é reduzir em cerca de 5 mil as movimentações diárias de veículos pesados na BR-381. As obras devem começar em 2028, com o início da operação previsto para 2031.

A ferrovia poderá atender também mineradoras de pequeno e médio portes da região, que nem sempre conseguem acessar os grandes corredores logísticos. Na prática, o ramal funcionará como uma ligação de curta distância entre as áreas produtoras e uma rede com alcance nacional.

Essa conexão pesa na disputa pelo mercado externo. Países produtores mais próximos da Ásia, principal destino do minério de ferro, partem com vantagem no custo do transporte.

“No cenário internacional, eu sempre reitero que o nosso verdadeiro desafio está na logística, uma vez que concorrentes como a Austrália estão geograficamente muito mais próximos do mercado asiático. No entanto, garanto que o grande diferencial brasileiro reside na qualidade excepcional do nosso produto”, diz José Carlos Martins, presidente do Conselho da Cedro Participações.

Porto amplia capacidade de escoamento

No Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, a Cedro Participações assinou o contrato de concessão da área ITG-02, onde será construído o Porto do Meio. O espaço tem aproximadamente 350 mil metros quadrados e será destinado à armazenagem e à movimentação de granéis sólidos minerais.

Com obras previstas entre 2027 e 2029, o terminal terá capacidade para movimentar até 15 milhões de toneladas por ano. Além da produção ligada ao grupo, poderá receber cargas de outras mineradoras que hoje têm acesso limitado à infraestrutura portuária.

A abertura do terminal para terceiros pode ampliar as alternativas disponíveis em um setor que ainda depende de poucos corredores para transportar grandes volumes. Em um país que exporta centenas de milhões de toneladas de minério por ano, ampliar essas conexões será fundamental para sustentar a expansão do setor e sua competitividade no mercado internacional.

Money Times - SP   15/09/2026

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra a Vale (VALE3), a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o governo de Minas Gerais para reparação de danos ambientais causados pelo extravasamento de água e sedimentos na mina de Viga, em Congonhas (MG), em janeiro de 2026.

O MPF pede a contratação de auditoria técnica independente, custeada pela Vale e sem conflito de interesses, para atuar no acompanhamento ambiental e na segurança operacional do local. A ação foi ajuizada no último dia 9.

“Um evento que provocou o extravasamento de estruturas da mina e o transporte de sedimentos para os cursos de água exige o acompanhamento por auditoria técnica independente, para avaliar a segurança das medidas adotadas e a adaptação das instalações a chuvas intensas”, afirma o procurador da República Eduardo Henrique de Almeida Aguiar, autor da ação.

Em nota, o MPF lembra que após o incidente, a ANM realizou vistoria na mina e determinou a interdição total por constatar comprometimento da infraestrutura e ausência de comprovação da segurança operacional. Então, o MPF solicitou o bloqueio de R$ 200 milhões da Vale para garantia de reparação e a suspensão da transferência de direitos minerários.

O MPF apontou ainda que, antes de apresentar a ação judicial, promoveu reuniões com a Vale, o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e órgãos ambientais para buscar uma solução consensual, mas a mineradora não assinou o documento.

Posicionamentos

Procurada, a Vale informou, em nota, que, até o momento, não teve conhecimento da ação. Disse ainda que, mesmo diante do acordo assinado com o MP-MG e o Estado de Minas Gerais, em agosto, segue empenhada nas tratativas com o MPF para composição extrajudicial. “A empresa vem adotando todas as medidas necessárias para a recuperação da área, em alinhamento com os órgãos competentes.”

Em nota, a ANM informou que acompanha a situação da mina e concentra sua atuação na análise do pedido de desinterdição. “O procedimento envolve fiscalizações presenciais, avaliação da documentação técnica e verificação do efetivo cumprimento das exigências formuladas pela Agência.”

Procurado, o governo de Minas Gerais não respondeu às tentativas de contato até o fechamento desta nota.

AUTOMOTIVO

Auto Informe - SP   15/09/2026

As fabricantes chinesas ampliaram ainda mais sua presença no mercado mundial de veículos eletrificados. No primeiro semestre de 2026, seis montadoras do país responderam por 62,3% das vendas globais de veículos eletrificados, considerando modelos elétricos a bateria e híbridos plug-in. No mesmo período do ano passado, a participação era de 57,2%.

O resultado mostra a velocidade com que as empresas chinesas deixaram de atuar principalmente em seu mercado doméstico e passaram a disputar espaço diretamente com montadoras tradicionais em diferentes regiões do mundo.

A expansão é liderada por fabricantes como BYD, que vem aumentando sua presença na Europa, América Latina e outros mercados. A estratégia também envolve a construção de fábricas fora da China, como parte de um movimento para reduzir a dependência das exportações e contornar barreiras comerciais.

A vantagem chinesa não está apenas no volume de produção. As empresas desenvolveram uma cadeia de fornecimento bastante integrada para baterias, componentes eletrônicos e sistemas de propulsão elétrica. A Agência Internacional de Energia (IEA) já apontava que as fabricantes chinesas responderam por cerca de 60% das vendas globais de carros elétricos em 2025.

O avanço acontece enquanto o mercado mundial de eletrificados continua crescendo, mas em ritmos diferentes entre as regiões. A Europa vem apresentando forte expansão, enquanto China e Estados Unidos enfrentam desafios distintos para manter o ritmo de crescimento.

A disputa, portanto, deixou de ser apenas pela venda de carros elétricos. Ela envolve também baterias, tecnologia, software, produção local e acesso a mercados estratégicos.

Para as montadoras tradicionais, o avanço chinês aumenta a pressão por modelos mais competitivos em preço e tecnologia. Para as fabricantes chinesas, o próximo desafio é transformar a liderança nas vendas em uma presença industrial permanente nos principais mercados.

Valor - SP   15/09/2026

O "Move Brasil" destina até R$ 30 bilhões em crédito para a compra de carros novos no valor de até R$ 200 mil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (14), o projeto de lei de conversão (PLV) do "Move Brasil", que cria a linha de financiamento com juros reduzidos para taxistas, entregadores e motoristas de aplicativo. Nascido de uma medida provisória (MP) governistas de maio, o programa destina até R$ 30 bilhões em crédito para a compra de carros novos no valor de até R$ 200 mil.

A linha de crédito tem juros reduzidos (12,6% para homens e 11,5% para mulheres), com prazo de até 72 meses para o pagamento. Podem participar motoristas de aplicativo e entregadores com cadastro há pelo menos seis meses e que tenham realizado ao menos 100 corridas ou entregas na mesma plataforma e taxista com licenças e registros ativos.

Com a sanção, o Conselho Monetário Nacional (CMN) atualizou as regras do programa. Deixa de valer o prazo anterior de 120 dias para contratação do financiamento, e agora não há mais prazo para contratação das operações, até atingir o limite de R$ 30 bilhões para as linhas de crédito. Além disso, a regulamentação também passou a prever expressamente que itens como emolumentos cartorários são elegíveis como itens financiáveis.

Estão incluídos carros novos movidos a etanol, flex, elétricos e híbridos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), desde a que a linha entrou em operação, no dia 19 de junho, foram vendidos mais de 48 mil carros e mais de 19 mil motos.

Embora os ministros do governo neguem publicamente, a medida faz parte da estratégia do governo Lula em ano eleitoral, visando melhorar aprovação e dialogar com diferentes públicos, em especial dos trabalhadores de aplicativos, considerado refratário ao petista e mais próximo do bolsonarismo.

"O que nós estamos fazendo não é ajudando uma categoria, mas ajudando um país a deixar de ser uma via de desenvolvimento e se tornar desenvolvido", defendeu Lula, em evento no Palácio do Planalto. "O governo está investindo naquilo que é necessário investir. É dar chance aos que nunca tiveram chance."

No ato, o ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic, também negou qualquer intenção eleitoral da proposta. "Não tem nada a ver com isso. É uma medida que combina a dimensão ambiental, já que é uma troca de frota, social e no aumento de produtividade do trabalhador", disse.

Motoristas de vans escolares também deverão ser englobados na medida "em breve" por meio de decreto, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. "Aqueles que apostavam que isso ia afetar a inflação, é o contrário. Que a gente possa seguir com o programa", defendeu.

Como antecipou o Valor, antes de a linha entrar em operação, o setor privado vinha demonstrando resistência em participar do programa devido ao maior risco associado ao público-alvo e ao potencial considerado limitado de rentabilização desse segmento.

O setor privado também apontava que não tinha acesso aos dados necessários para saber quantos motoristas cumprem os requisitos mínimos do programa, como cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ao menos cem corridas nesse período. Mesmo entre os elegíveis, ainda seria necessário avaliar renda, histórico financeiro e capacidade de pagamento.

"Para fazer política pública, todo mundo tem que abrir mão um pouquinho", argumentou o presidente. "Se todo mundo resolver perder um pouquinho, quem vai ganhar são as pessoas que queremos fazer políticas públicas."

"Houve várias críticas quando se lançou o Move, de que era eleitoral, e se tornou uma política permanente", defendeu o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.

Auto Informe - SP   15/09/2026

A estrutura da indústria automobilística chinesa pode passar por uma nova reorganização envolvendo duas das maiores empresas estatais do país, GAC e FAW e a japonesa Toyota. A GAC assinou nesta segunda-feira, 14, uma carta de intenção para comprar parte da participação da FAW em uma joint venture automotiva. A operação ainda depende de aprovações e os detalhes financeiros não foram divulgados. O jornal Economic Daily apontou que se trata da FAW Toyota, uma das operações da montadora japonesa na China.

A movimentação acontece em um momento de profundas mudanças no mercado chinês. As fabricantes locais ganharam espaço rapidamente, principalmente nos segmentos de veículos elétricos e híbridos, pressionando as marcas tradicionais e suas joint ventures no país.

A Toyota mantém duas grandes operações de produção na China: FAW Toyota, em parceria com a FAW, e GAC Toyota, formada com a GAC. As duas estruturas possuem redes de distribuição e concessionárias separadas.

Diante desse cenário, a Toyota estaria defendendo a criação de uma empresa de vendas unificada para suas operações no país. A proposta prevê uma divisão de 50% para a Toyota, enquanto FAW e GAC ficariam cada uma com 25%. O objetivo seria integrar as redes de distribuição, vendas e serviços das duas operações.

A ideia não significa necessariamente o fim das duas joint ventures de produção. A possível mudança está principalmente relacionada à estrutura comercial e à maneira como os veículos da Toyota são distribuídos e vendidos no mercado chinês.

A reorganização também revela uma preocupação maior da indústria tradicional: ganhar eficiência para enfrentar fabricantes chinesas que operam com ciclos de desenvolvimento mais rápidos e forte presença nos veículos eletrificados.

A China se tornou um dos mercados mais competitivos do mundo e, ao mesmo tempo em que continua sendo essencial para as montadoras globais, passou a exigir mudanças profundas nas estratégias adotadas por elas.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   15/09/2026

Uma colisão entre um trem da concessionária TrensRJ e uma camionete, ocorrida na tarde da última quarta-feira, 9 de setembro, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, provocou o descarrilamento da composição, interrompeu parcialmente a circulação ferroviária de passageiros e resultou em um prejuízo estimado em R$ 1 milhão para a empresa.

Segundo a concessionária, o valor consta de uma análise preliminar e considera aproximadamente R$ 500 mil pela indisponibilidade do material rodante danificado, além de outros R$ 500 mil relacionados ao atendimento da ocorrência e à recuperação da via permanente. A empresa afirma que o incidente decorreu de uma situação alheia à sua operação.

O acidente ocorreu por volta das 15h20, quando a camionete acessou irregularmente a faixa ferroviária e colidiu com o trem, provocando o descarrilamento e a suspensão temporária da circulação em parte do Ramal Saracuruna. As estações Jardim Primavera e Campos Elíseos precisaram ser fechadas durante a ocorrência. O motorista do veículo foi encaminhado a um hospital em razão dos ferimentos.

Até o momento, a concessionária não tem informações concretas sobre as circunstâncias exatas que permitiram o acesso indevido à via. A TrensRJ, entretanto, informa que existe, na região, um trecho de muro cujo fechamento está sendo conduzido pelo Governo do Estado.

Tecnologia como aliada da segurança

Embora a implantação de barreiras físicas seja uma das alternativas para impedir acessos irregulares, soluções tecnológicas também podem contribuir para a redução de riscos. Entre elas está a passagem em nível equipada com sistema de detecção por Doppler, recurso que pode ampliar a segurança em cruzamentos entre ferrovias e vias rodoviárias.

A tecnologia utiliza sistemas inteligentes de sinalização para identificar a aproximação de composições e antecipar o acionamento de avisos e o fechamento das passagens em nível. A adoção de equipamentos desse tipo, segundo especialistas, merece maior atenção por parte dos órgãos responsáveis pela gestão da infraestrutura ferroviária no país.

Na avaliação de Alessander Bosloper, mestre em Engenharia de Manufatura, os desafios não se limitam à tecnologia. Para ele, fatores culturais e comportamentais também influenciam diretamente a ocorrência de acidentes, seja envolvendo motoristas, seja envolvendo pedestres.

O que faz hoje o povo atravessar a PN? Ela está ligada, em modo de alerta, ou seja, está piscando e o trem não vem. O que a pessoa faz? Ela atravessa. Por isso que há um número de acidentes, afirma.

O especialista observa que a pressa e o desrespeito à sinalização estão entre os principais fatores associados aos sinistros registrados nesses cruzamentos.

Experiência de Curitiba

Entre as alternativas para modificar esse comportamento, Alessander cita uma experiência realizada em Curitiba, onde a instalação de semáforos convencionais de trânsito em passagens em nível contribuiu para uma redução superior a 90% nos acidentes nos pontos contemplados pelo projeto. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Rumo, operadora ferroviária de carga, utilizou um modelo de sinalização mais familiar à população.

Um sinaleiro normal de carro [é uma opção], porque as pessoas hoje estão acostumadas. Você está olhando o sinaleiro, ele vai ficar vermelho e, intuitivamente, você já sabe que tem que parar. E, a partir da colocação do sinaleiro, a comunidade local passa a abraçar aquele equipamento [entender as regras e os sinais]. E isso aqui funciona, explica.

A realidade da malha fluminense

O episódio também chama atenção para a dimensão do desafio na malha ferroviária de passageiros do Rio de Janeiro. Com aproximadamente 270 quilômetros de extensão, o sistema possui ao menos 37 passagens em nível regulares e sinalizadas.

Paralelamente, um levantamento realizado pela então SuperVia, em 2023, apontou a existência de mais de uma centena de travessias ilegais ao longo da malha. O cenário exige ações coordenadas entre os governos estadual e municipais, especialmente para impedir a abertura recorrente de acessos clandestinos por moradores e usuários que vivem no entorno da ferrovia.

A combinação entre fiscalização, implantação de barreiras físicas, conscientização da população e adoção de tecnologias de detecção e sinalização pode ser determinante para reduzir a ocorrência de acidentes e preservar a segurança de passageiros, pedestres e motoristas.

CNN Brasil - SP   15/09/2026

Na primeira semana de julho, após um ano e meio à frente do Metrô BH, o engenheiro Cláudio Andrade assumiu a presidência de outro grande projeto do grupo Comporte: a Trivia Trens, que havia arrematado a concessão de três linhas da estatal CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), com investimentos de R$ 14,7 bilhões em duas décadas e meia de contrato.

Trata-se do passo mais ambicioso no setor metroferroviário da holding controlada pela família Constantino (dona da empresa aérea Gol), mas sua estreia nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi definitivamente para esquecer.

No terceiro dia de operações, em 23 de julho, houve uma sucessão de falhas e a CPTM precisou retomar os três ramais. Houve incêndio em uma composição. Passageiros desceram dos trens e saíram andando pelos trilhos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou a situação como "inaceitável" e ameaçou até decretar a caducidade da concessão.

Recém-chegado na Trivia, Andrade precisou colocar a bola no chão. Foi uma "situação anormal e absolutamente atípica", segundo o executivo, mas a crise serviu para uma readequação geral dos planos.

Novas rodadas de treinamento e capacitação foram realizadas. Metade dos 2,4 mil funcionários da Trivia já esteve pessoalmente com Andrade, que tem passado por todas as estações e centros operacionais para ouvir relatos de suas equipes.

"Ninguém está aqui para dizer que uma crise é boa, mas tudo isso nos uniu em torno de um imenso desafio e nos permitirá voltar com muito respeito, trazendo mais informações ao usuário e esclarecendo como pretendemos melhorar gradualmente os serviços nas três linhas", afirmou o executivo à CNN.

Mais importante: uma série de investimentos exigidos contratualmente foi antecipada por decisão da concessionária.

A subestação de energia Engenheiro Sebastião Gualberto, no trecho mais afetado pelas falhas de julho, será recuperada no início de 2027. É um equipamento crítico, retificador da tensão elétrica, construído na década de 1950. Inicialmente, era uma obra prevista só no terceiro ano de concessão.

A implantação do SFTV — um sistema fechado de mais de 400 câmeras em estações, vias e pátios de manobras conectadas ao centro de controle operacional — está sendo adiantada em dois anos.

"Isso nos permitirá agir preventivamente quando enxergarmos situações que comprometam potencialmente a operação", explica Andrade.

A inteligência artificial hoje é uma aliada e pode disparar alertas sobre vandalismo, roubos, comportamento suspeito de usuários, concentração elevada de passageiros em determinada plataforma.

Do total de investimentos previstos, segundo o CEO da Trivia, R$ 6 bilhões já foram contratados. Isso abrange obras civis das novas estações e 22,6 quilômetros de expansão das linhas, reforma das estações existentes, modernização da rede aérea, sinalização e energia, bem como revisões programadas dos trens que estão sendo herdados da CPTM.

Mais de 160 equipamentos ferroviários de médio e grande porte foram encomendados, incluindo uma renovadora de via permanente importada da Áustria, capaz de trocar dois quilômetros de trilhos e dormentes em períodos de apenas 36 horas, bem como limpar ou remover a pedra brita existente abaixo deles.

A fase pré-operacional foi estendida por 90 dias e agora a "virada de chave" nas três linhas que serão assumidas pela Trivia está prevista para o fim de outubro.

A partir daí, serão 12 meses — seis meses prorrogáveis por outros seis — de "operação assistida", com supervisão da CPTM.

A Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo) ainda precisará aprovar a passagem de bastão.

"Esse contrato tem um período de transição mais robusto e extenso do que contratos anteriores de mobilidade", afirma Andrade.

Para o grupo Comporte, será um momento de deixar para trás esse começo tumultuado de operações, incorporando definitivamente as três linhas de trens metropolitanos à sua carteira de mobilidade, que já tem o metrô de Belo Horizonte (privatizado em 2022) e o Trem Intercidade São Paulo-Campinas, em plena construção, cujo contrato abrange a Linha 7-Rubi.

NAVAL

Valor - SP   15/09/2026

Antes do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o estreito costumava receber cerca de 125 grandes embarcações comerciais por dia

O número de navios de carga que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para um dígito por dia no fim de semana, segundo dados preliminares de rastreamento de navios divulgados nesta segunda-feira, bem abaixo da média de 14 nos últimos 10 dias.

Durante o fim de semana, quatro navios saíram do Golfo pelo estreito, incluindo um navio Handysize navegando em lastro, um navio Handy transportando GLP, um Supramax transportando fertilizante e um Suezmax carregado com petróleo bruto ou condensado.

Dez navios entraram no Golfo, incluindo um mini-bulker transportando pequenas cargas a granel, um Handymax transportando grãos, um Panamax transportando metais e um Supramax transportando carga seca a granel, segundo os dados.

Os números excluem quaisquer navios que possam ter atravessado o estreito com seus transponders do Sistema de Identificação Automática (AIS) desligados para evitar detecção.

Um navio foi atingido por um projétil desconhecido enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz, informou a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido na madrugada de domingo.

A agência informou que a situação da tripulação, a avaliação dos danos e o impacto ambiental eram desconhecidos.

Antes do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, o estreito costumava receber cerca de 125 grandes embarcações comerciais por dia, incluindo petroleiros, navios de gás, graneleiros e navios porta-contêineres, representando cerca de 20% do abastecimento diário mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

Um bloqueio dos EUA ao transporte marítimo relacionado ao Irã interrompeu as exportações de petróleo iraniano desde que foi reimposto em meados de julho.

O Estado de S.Paulo - SP   15/09/2026

Concessão de hidrovias estava na agenda do Executivo, mas foi adiada pela pressão de movimentos sociais, em especial dos povos indígenas

Depois de frustração na tentativa dos ministérios de Portos e Aeroportos de realizar as primeiras concessões hidroviárias do País em 2026, a área técnica do governo entende que o tema só voltará a avançar depois das eleições e aposta em destravar os projetos no setor nos primeiros 100 dias do próximo governo, independentemente do resultado do pleito, segundo apurou a Coluna do Estadão/Broadcast. A concessão de hidrovias como as dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins estava na agenda do Executivo para este ano, mas foi adiada pela pressão de movimentos sociais, em especial dos povos indígenas.

Sob o entendimento de que a pauta não tem mais força para avançar, o corpo técnico do Executivo trabalha - com otimismo - e com a estratégia de finalizar todos os projetos do segmento ainda em 2026 para os apresentar à nova equipe de um quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou à equipe de transição de um eventual novo presidente eleito este ano.

O trabalho que tem sido realizado nos bastidores também é o de reunião com lideranças de movimentos sociais críticos à concessão do serviço de manutenção da navegabilidade das hidrovias para que a situação esteja menos tensionada em 2027. Lideranças de grupos indígenas ocuparam a sede da multinacional Cargill como forma de protesto contra a agenda, no início de 2026. A pressão resultou na derrubada do decreto que inseriu as hidrovias do Norte do País em estudos de viabilidade de concessão.

Mesmo com as conversas, a percepção é a de que o tema avance mesmo que seja necessário “comprar algumas brigas”.

Outro fator que reforça a percepção de que a pauta deve ganhar tração a partir de 2027 é o trabalho realizado pela recém-criada Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação. Embora ainda não tenha conseguido destravar as concessões neste ano, a área vem atuando para ampliar a discussão sobre o tema, inserindo-o na agenda de associações, federações e ministérios considerados estratégicos para o avanço do setor.

Cabo de guerra

A disputa em torno do avanço da concessão opõe, de um lado, os Ministérios de Portos e Aeroportos e dos Transportes, que articulam junto à Presidência da República em favor da pauta sob o argumento de que o projeto tem potencial para atrair investimentos e contribuir para a descarbonização do transporte de combustíveis e commodities destinados à região Norte do País. De outro, a Secretaria-Geral da Presidência da República, comandada pelo ministro Guilherme Boulos, e o Ministério dos Povos Indígenas, liderado por Sônia Guajajara, manifestam - oficialmente - resistência às concessões, alegando que a medida pode elevar custos para populações ribeirinhas, causar impactos à fauna e à flora locais e afetar a cultura dos povos indígenas da região.

Nos bastidores, a resistência à concessão não é uniforme e tem outras justificativas. O Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, por exemplo, não faria oposição ao projeto em si, mas adota uma postura mais cautelosa, cobrando estudos adicionais e evidências de que a iniciativa não provocará impactos ambientais relevantes antes de dar aval ao avanço da agenda.

Na Secretaria-Geral da Presidência, o principal fator seria mais político do que social. A leitura é que, diante da proximidade do calendário eleitoral, há pouca disposição para direcionar esforços para uma pauta capaz de gerar conflitos ou desgaste político para o governo e fazer Lula perder popularidade na região.

Já no Ministério dos Povos Indígenas, a principal preocupação estaria relacionada ao cumprimento dos procedimentos de consulta livre, prévia e informada às comunidades potencialmente afetadas. A área técnica favorável às concessões avalia que a abrangência do processo e a necessidade de ouvir diferentes grupos podem ampliar significativamente os prazos de análise e elevar os custos do projeto.

Na Casa Civil, prevaleceria uma visão mais pragmática sobre a concessão. Integrantes das tratativas afirmam que a pasta avalia os riscos políticos e ambientais, mas considera que eventuais impactos podem ser mitigados por condicionantes e medidas compensatórias. A expectativa entre defensores do projeto é que, superado o período eleitoral, o ambiente político se torne mais favorável para destravar a discussão e permitir o avanço da agenda.

Efeito El Ñino

Sem o serviço de dragagem na hidrovia do Tapajós, por exemplo, a estimativa do setor é que as empresas que transportam cargas na região precisem reduzir os volumes carregados a partir da segunda quinzena de outubro ou início de novembro.

Por enquanto, a recomendação do Executivo é que se opte pelas rodovias BR-163 e a BR-230 para evitar prejuízo aos produtos transportados.

Globo Online - RJ   15/09/2026

A Autoridade do Canal do Panamá planeja reduzir ainda mais o trânsito de navios devido à seca causada pelo fenômeno El Niño, após uma restrição inicial implementada em 4 de setembro, anunciou o administrador da hidrovia nesta segunda-feira. A autoridade planeja restringir a passagem a "uma média de 29,5 trânsitos" para o próximo ano fiscal, que começa em outubro, de acordo com uma proposta orçamentária submetida à Assembleia Legislativa.

Anteriormente, o número de embarcações autorizadas a cruzar diariamente, bem como o calado, já havia sido reduzido de 36 para 32. A nova média, no entanto, é menos drástica do que a do período de 2023-2024, quando o canal foi forçado a reduzir os trânsitos para até 22 por dia, também devido ao El Niño.

A hidrovia opera utilizando água da chuva armazenada nos lagos artificiais de Gatun e Alhajuela. O nível da água diminuiu devido ao El Niño, que se configura como o mais intenso já registrado e levou a um alerta nacional.

No fim de 2023, crise hídrica obrigou a hidrovia panamenha a reduzir o número diário de navios que transitam pelo canal de 38 para 22

Além disso, de acordo com a proposta orçamentária, aprovada nesta segunda-feira no primeiro de três debates, o canal prevê uma redução de 743 embarcações e 5 milhões de toneladas de carga para o próximo ano fiscal (1º de outubro de 2026 a 30 de setembro de 2027). Durante o ano fiscal anterior, quase 11.500 embarcações transitaram pelo canal transportando 462 milhões de toneladas de carga.

"Estamos prevendo menos chuvas", e a redução do calado "limita o volume de carga devido à menor capacidade de carga das embarcações", afirmou Espino de Marotta.

A autoridade estima que a receita do canal totalizará aproximadamente US$ 5,5 bilhões, cerca de US$ 350 milhões a mais do que neste ano. Enquanto isso, as contribuições diretas para o estado são estimadas em US$ 3,6 bilhões, um valor recorde devido à diversificação das atividades comerciais ao longo do canal. Estima-se que 5% do comércio marítimo global passe pelo canal, cujos principais usuários são os Estados Unidos e a China.

PETROLÍFERO

Valor - SP   15/09/2026

No segundo trimestre do ano, a produção de petróleo no Oriente Médio caiu 29,2% em comparação com o primeiro trimestre

A produção global de petróleo caiu 1,6 milhão de barris por dia em agosto em relação ao mês anterior em razão dos mais de 10 milhões de barris por dia do Golfo Pérsico que ainda estão fora do mercado, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). A queda da produção mundial foi menor do que a registrada no Oriente Médio no mês passado dado o aumento em outras regiões, sobretudo nas Américas.

Para a agência e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), as dificuldades de escoamento devem persistir no Oriente Médio, o que desmotiva um aumento da extração. Se a região contribuiu negativamente para a oferta de petróleo em função da guerra, o chamado “quinteto da Américas”, formado por EUA, Canadá, Brasil, Guiana e Venezuela, ampliou sua participação. Segundo a AIE, esses países devem adicionar 1,4 milhão de barris/dia à oferta global em 2026.

No segundo trimestre do ano, a produção de petróleo no Oriente Médio caiu 29,2% em comparação com o primeiro trimestre, para 20,1 milhões de barris por dia, segundo a AIE. Como a guerra começou em 28 de fevereiro, o segundo trimestre reflete inteiramente os reflexos do conflito.

Iraque, Irã, Kuwait e Arábia Saudita são os que mais contribuíram para a redução. A Arábia Saudita, segundo maior produtor do mundo, teve queda de 26% no segundo trimestre em relação ao anterior, para 6,8 milhões de barris por dia, conforme dados da Opep. A maior queda foi do Kwait, de 59,1%, para 857 mil barris por dia.

O conflito segue causando reflexos negativos à produção mundial. Em agosto, a produção global ficou em 100,1 milhões de barris por dia, 1,6 milhão de barris/dia abaixo de julho, à medida que ataques a navios petroleiros e à infraestrutura energética no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho levaram a Arábia Saudita a reduzir a produção total de petróleo.

“Com riscos de segurança intensificados, as exportações da costa oeste da Arábia Saudita foram restringidas, de acordo com dados de rastreamento de petroleiros, com os suprimentos de petróleo bruto caindo ao nível mais baixo em mais de três décadas”, disse a AIE.

Para a agência, a oferta mundial de petróleo deve atingir média de 100,7 milhões de barris por dia em 2026, 1,3 milhão a menos do que previa em levantamento anterior. O ajuste se deve à previsão da AIE de que a recuperação total dos produtores do Golfo Pérsico só deve acontecer em 2027.

Daniel Osorio, analista da consultoria Hedgepoint, disse que o mercado tem se movido com base na logística, e não mais na geologia: “O gargalo do Estreito de Ormuz deixou milhões de barris do Golfo retidos, forçando retiradas comerciais em grande escala apenas para atender à demanda imediata. Já ultrapassamos o ponto de não retorno. Os níveis cronicamente baixos de estoque à medida que entramos no inverno estão traçando um quadro catastrófico para a economia global.”

Para o quarto trimestre, o quadro segue incerto. “Sem uma normalização a curto prazo do trânsito no Golfo Pérsico, milhões de barris da região seguem retidos. Espera-se que a região adote uma postura defensiva, enquanto os Emirados Árabes Unidos mantêm a produção próxima da capacidade máxima para abastecer um mercado desesperado por entregas físicas confiáveis.”

CNN Brasil - SP   15/09/2026

A Petrobras comunicou que assinou um contrato de longo prazo com a norte-americana Sempra Infrastructure para a compra de GNL (Gás Natural Liquefeito). O acordo prevê o fornecimento de 0,8 milhão de toneladas por ano durante 20 anos.

O contrato foi assinado no fim de agosto. O combustível será fornecido pelo Terminal de Liquefação de GNL de Port Arthur, empreendimento que está sendo construído pela Sempra Infrastructure na costa do Texas, nos Estados Unidos.

Segundo a Petrobras, a contratação de volumes por um período mais longo reduzirá a exposição da companhia às oscilações de preços do mercado de curto prazo (spot), no qual as cargas são negociadas para entrega no curto prazo.

“A contratação de volumes de longo prazo contribui para reduzir a exposição da Petrobras à volatilidade do mercado spot, fortalece a gestão de riscos do portfólio de gás natural e amplia a capacidade da companhia de atender aos seus contratos de forma mais flexível e segura”, afirmou a estatal em nota.

O Terminal de Port Arthur terá acesso às reservas de gás natural dos Estados Unidos e contará com uma infraestrutura logística integrada. A localização na costa do Texas facilita o escoamento do GNL para diferentes mercados consumidores.

Subsidiária da Sempra, a Sempra Infrastructure atua no desenvolvimento, na construção, na operação e nos investimentos em ativos de infraestrutura energética.

Petro Notícias - SP   15/09/2026

O terrorismo imposto pelos Houthis, financiados, apoiados e treinados pelo Irã, ganha uma nova dimensão na guerra do Oriente Médio. O avanço dos terroristas abre uma nova frente na campanha de pressão do Irã contra os estados do Golfo. A tomada do litoral iemenita do Mar Vermelho pelos houthis está remodelando o equilíbrio de poder no Golfo, fortalecendo a posição do Irã e colocando a Arábia Saudita e seus vizinhos diante de uma escolha difícil: absorver os custos crescentes ou buscar um acordo com Teerã. Ao garantir uma posição com vista para o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das mais importantes vias navegáveis do mundo, o grupo alinhado ao Irã abriu um segundo ponto de pressão, ameaçando as exportações de petróleo sauditas desviadas do Estreito de Ormuz, já explodido um oleoduto saudita no final da semana passada.

O cálculo, segundo autoridades e analistas regionais, é simples: ao ameaçar a navegação no Mar Vermelho, enquanto o Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, Teerã e os houthis podem aumentar os preços do petróleo e alimentar a inflação, reduzindo as chances da região de contar com Washington para resolver a crise. Na manhã desta segunda-feira, a cotação do Brent no mercado internacional já está a US$ 109,15 o barril. Nunca as petroleiras ganharam tanto em tão pouco tempo. A estratégia, segundo eles, visa impor uma escolha drástica aos Estados do Golfo: suportar as crescentes dificuldades econômicas decorrentes da redução das exportações de petróleo e dos ataques iranianos, ou dialogar com o Irã para proteger o comércio, o fluxo de energia e a estabilidade econômica.

O analista do Oriente Médio Fawaz Gerges(direita), diz que a captura pelos Houthis, de ilhas estratégicas perto de Bab el-Mandeb, é um divisor de águas: “Isso altera o equilíbrio de poder e lhes confere uma influência geopolítica e geoeconômica muito maior sobre a Arábia Saudita, o Golfo, os Estados Unidos e o comércio global.” Desde que a guerra fechou efetivamente o Estreito no lado oposto da Península Arábica, Riade redirecionou grande parte do seu petróleo bruto para os portos do Mar Vermelho, mas na sexta-feira (11) fechou o oleoduto que transportava o petróleo após este ter sido atacado. A recusa alegada de Trump em atender a um pedido da Arábia Saudita para que os EUA atacassem os houthis, combinada com os crescentes custos econômicos, está reforçando a visão em algumas capitais do Golfo de que as negociações com Teerã não são mais uma opção, mas uma necessidade para a autopreservação.

A reunião entre ministros das Relações Exteriores dos países árabes do Golfo e seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, marcada para discutir nesta segunda-feira um possível acordo sobre o Estreito de Ormuz, foi adiada devido a divergências sobre os termos das negociações, disse uma fonte do Golfo. O encontro fez parte de uma iniciativa conjunta de Omã e Irã para garantir uma estrutura temporária para a gestão da navegação na hidrovia, uma artéria crucial para as exportações globais de petróleo. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi(direita), disse que a reunião regional agendada para segunda-feira em Salalah foi adiada “em prol do consenso”. “Continuamos empenhados em promover o diálogo que apoia a estabilidade e a cooperação duradoura em nossa região”, escreveu ele no X sem dar detalhes sobre os motivos do atraso.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian(direita), afirmou no domingo que teve boas conversas com o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan(esquerda), em Nova Déli, à margem da cúpula dos líderes do BRICS. “Concordamos em deixar o passado de lado e olhar para o futuro, e para como podemos construir um futuro juntos“, disse ele. O dilema para os estados do Golfo é que a geografia é imutável. Décadas de confrontos não conseguiram alterar uma realidade simples: a posição do Irã junto às principais vias de energia e comércio da região o torna um ator incontornável em qualquer equação de segurança do Golfo Independentemente do que os líderes do Golfo pensem da República Islâmica, ela continua sendo uma realidade que não podem ignorar ou simplesmente desejar que desapareça, e o conflito desencadeado pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã destruiu décadas de esforços diplomáticos para contê-lo. Questionado no domingo se estava preocupado com o encontro dos países do Golfo com o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que isso dependia deles.

Alex Vatanka(direita), do Middle East Institute, afirmou que a questão para os Estados do Golfo pode ser cada vez menos se eles confiam no Irã e mais como proteger seus interesses e sobreviver às hostilidades que Washington não pode encerrar rapidamente. Isso poderia impulsioná-los em direção a uma diplomacia paralela com Teerã e, com o tempo, a uma estratégia de segurança mais ampla e menos dependente apenas dos Estados Unidos.“Os estados do Golfo estão considerando a realidade fundamental de que talvez tenham que fechar um acordo com os iranianos por conta própria, independentemente de ferirem ou não os sentimentos dos americanos, porque os Estados Unidos não conseguem tirá-los desse atoleiro“, disse ele.

ARÁBIA SAUDITA X HOUTHIS

O Príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, se reuniu com o chefe do CENTCOM em busca de ajuda dos EUA em meio à escalada dos ataques dos terroristas Houthi, apoiados e financiados pelo Irã. Os terroristas do Iêmem, que faz fronteira ao sul da Arábia Saudita, têm realizado ataques e conquistado território em toda a região, o que gera séria preocupação entre as nações do Golfo. Bin Salman discutiu nesta segunda-feira (14) os desenvolvimentos regionais com o chefe do comando, almirante Brad Cooper, em Jeddah, em meio à escalada das hostilidades com os houthis. O encontro ocorreu dias depois de três fontes familiarizadas com o assunto terem dito que o príncipe herdeiro solicitou assistência militar ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ajudar a combater os houthis. Trump não concordou com ataques dos EUA contra o grupo, mas Washington disse a Riad que forneceria compartilhamento de informações e assistência na definição de alvos, acrescentaram as fontes.

Os houthis intensificaram os ataques contra cidades sauditas e infraestrutura energética, enquanto avançam ao longo da costa Mar Vermelho, no Iêmem, em direção ao Estreito de Bab al-Mandab, uma importante rota marítima. A escalada abriu um segundo palco no conflito regional mais amplo e aumentou as preocupações com as exportações do petróleo saudita e o

Oleoduto atacado pelo Houthis

transporte marítimo global. A Defesa Civil saudita emitiu um alerta hoje, após avisos de possível perigo em quatro cidades do sul do país, em meio a um aumento nos ataques dos houthis.

A Defesa Civil Saudita havia emitido alertas para as cidades de Najran, Khamis Mushait, Jazan e Abha. Posteriormente, emitiu alertas para Khamis Mushait e Abha pela segunda vez, antes de os suspender novamente. Os houthis, que controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país, vêm lançando ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riad em julho, com ataques direcionados a navios sauditas no Mar Vermelho, entretanto, a Arábia Saudita solicitou o adiamento de uma reunião entre Teerã e as potências do Golfo que deveria ocorrer hoje, em Omã.

ISRAEL X ARÁBIA SAUDITA

Para Brandon Friedman, diretor de pesquisa do Centro Moshe Dayan para Estudos do Oriente Médio e da África da Universidade de Tel Aviv e pesquisador sobre reforma política na Arábia Saudita, Israel dificilmente melhorará as relações com a Arábia Saudita, apesar da ameaça dos terroristas houthis. “Se houvesse uma nova coligação governamental que demonstrasse maior compromisso com a discrição, talvez surgisse uma abertura para uma maior cooperação”, sugeriu. É improvável que Israel encontre uma oportunidade para melhorar as relações com a Arábia Saudita, apesar dos esforços de Riad para expandir o compartilhamento de informações e a assistência militar em sua luta contra os Houthis.

Embora Friedman tenha afirmado que seria lógico que a atual situação de segurança criasse uma oportunidade para Israel colaborar com a Arábia Saudita, dado o inimigo comum no eixo iraniano, ele sustentou que isso seria “bastante improvável no cenário atual”, visto que “todas as questões de política externa hoje estão sendo analisadas sob a ótica das eleições israelenses“. Qualquer apoio que Riade recebesse de Israel teria que acontecer “discretamente”, devido às suas “próprias necessidades políticas internas”, disse Friedman. Embora Riade tenha afirmado que não normalizará as relações com Israel até que um Estado palestino seja estabelecido, Jerusalém e Washington há muito tempo buscam incluir a Arábia Saudita nos Acordos de Abraão.

Embora a Arábia Saudita tenha ficado em 25º lugar entre 145 países no Índice Global de Poder de Fogo de 2026, Friedman argumentou que Riad se tornou cada vez mais dependente de Washington nos últimos 15 anos e agora tem “muito pouco poder militar próprio”, o que a deixa com ferramentas limitadas à sua disposição, “razão pela qual sua guerra no Iêmen, desde basicamente 2015, tem sido um fracasso”. Embora Riade pudesse recorrer a Israel e aos Emirados Árabes Unidos em busca de apoio, Friedman sugeriu que isso seria improvável, visto que “os sauditas estão em conflito” com ambos os países há um ano. Apesar de Israel ter sinalizado disposição para compartilhar informações de inteligência, Friedman afirmou que isso era “bastante improvável, dada a atual conjuntura política”.

Valor - SP   15/09/2026

Equipamentos estão sendo enviados para portos americanos vindos do Texas, Oklahoma, Colorado e outros Estados, em diferentes condições de desgaste

Sob o calor sufocante de Humble, no Texas, nos arredores de Houston, dois trabalhadores nivelavam um terreno com pesados rolos compactadores, preparando espaço para equipamentos usados e comprados em leilões nos Estados Unidos, destinados a uma esperada retomada da indústria de petróleo da Venezuela.

Na extremidade do terreno, um caminhão comercial pesado, desgastado e enferrujado, coberto de sujeira, chamava a atenção. O veículo, leiloado recentemente, é um entre uma grande quantidade de caminhões, sondas e outros equipamentos comprados para viabilizar uma esperada recuperação da produção de petróleo na Venezuela, enquanto empresas americanas tentam aproveitar a mudança de postura de Washington: depois de sete anos de sanções contra o país membro da Opep, os EUA agora promovem um plano de US$ 100 bilhões para reconstruir a indústria venezuelana.

As necessidades da Venezuela incluem sondas, bombas, estações de válvulas, equipamentos de soldagem e outros instrumentos, segundo a estatal PDVSA. Esses equipamentos estão sendo enviados para portos americanos vindos do Texas, Oklahoma, Colorado e outros Estados, em diferentes condições de desgaste.

“Às vezes você encontra verdadeiras joias. Às vezes, é puro lixo”, disse Jesse Cole, CEO da Sky Drop Capital, empresa de investimentos envolvida na aquisição de equipamentos para operações na Venezuela.

A Guanta Express, uma intermediária de transporte que leva o nome de um importante porto de petróleo venezuelano, opera o terreno em Humble. A empresa envia mercadorias de várias partes dos EUA em navios de carga para os portos de Guanta e Maracaibo, os principais pontos de entrada da Venezuela para a indústria petrolífera.

“Até o fim do ano, estaremos operando em plena capacidade. Já temos pedidos programados para os próximos dois navios”, disse Greg Diaz, presidente da Guanta Express, em entrevista em Humble.

Contêineres transportados pela Guanta Express com sondas de manutenção de poços chegaram e foram descarregados em Maracaibo na semana passada, segundo fotos vistas pela Reuters. A empresa espera transportar duas sondas de 1.500 cavalos de potência em seus próximos dois embarques, as maiores que já enviou à Venezuela, disse Diaz.

Executivos de empresas como Chevron, SLB e Formentera Partners esperam que a capacidade de produção precise ser ampliada em bacias de exploração desafiadoras, incluindo o lago de Maracaibo e o vasto cinturão do Orinoco. Isso exigirá a aquisição de equipamentos mais potentes nos próximos meses — como as grandes sondas enviadas pela Guanta Express.

Outros carregamentos de equipamentos para o setor de energia são esperados no porto de Guaranao, na costa oeste, segundo uma fonte do terminal.

O interesse de empresas independentes que pretendem reativar poços em campos maduros também deve manter elevada a demanda por sondas menores de manutenção, segundo analistas.

A produção de petróleo da Venezuela atingiu um pico superior a 3 milhões de barris por dia no fim dos anos 1990, mas agora está em cerca de 1,25 milhão de barris por dia, após décadas de subinvestimento, corrupção e sanções estrangeiras.

A PDVSA e o Ministério do Petróleo da Venezuela não responderam a pedidos de comentário.

Condições dos equipamentos preocupam

Uma das preocupações do setor é a confiabilidade dos equipamentos usados e comprados em leilões, estes últimos frequentemente com milhares de horas de uso e sem garantia.

Em março, um caminhão-trator de três anos de idade usado para transportar equipamentos pesados chegou a Maracaibo com um adesivo laranja característico da leiloeira americana Ritchie Bros., segundo fotografias vistas pela Reuters. O caminhão havia sido vendido em dezembro por US$ 24 mil na unidade da leiloeira em Newnan, na Geórgia, depois de registrar 5.551 horas de uso do motor e mais de 140 mil milhas rodadas.

Embora o Departamento do Tesouro dos EUA tenha flexibilizado uma grande parte das sanções contra a Venezuela, ajudando a abrir caminho para que seguradoras americanas ofereçam cobertura para equipamentos, muitas empresas ainda relutam em entrar nesse mercado, segundo fontes.

“A principal questão para as seguradoras costuma ser a falta de registros verificáveis de manutenção e inspeção”, disse David Peña, que lidera a área de energia e infraestrutura elétrica para a América Latina na corretora global de seguros Marsh. Segundo ele, as seguradoras podem estar menos dispostas a oferecer cobertura sem inspeções independentes ou podem impor condições mais restritivas.

As políticas da Ritchie Bros. estabelecem que não há garantias, e o anúncio do caminhão-trator também informava que nenhuma garantia poderia ser oferecida. Um porta-voz da empresa afirmou que ela realiza “leilões públicos globais sem preço mínimo”, nos quais os equipamentos são vendidos ao maior lance.

A corrida por equipamentos começou pouco depois da incursão americana de 3 de janeiro para capturar o então presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

“Na semana seguinte a 3 de janeiro, comecei a receber ligações pedindo para transportar equipamentos de Houston”, disse Jorge Aponte, CEO da PetroFarm, com sede em Houston.

A empresa compra equipamentos de petróleo diretamente de proprietários e operadores nos EUA, o que permite verificar registros de manutenção, condições de operação e integridade técnica. Uma dessas compras foi uma sonda de manutenção de poços de 2014, adquirida na Carolina do Norte e que deve ser embarcada de Houston neste mês.

A PetroFarm também já enviou duas sondas menores de manutenção de poços para a Venezuela e planeja mandar outras três nas próximas semanas. Uma sonda pequena desse tipo pode custar cerca de US$ 350 mil, disse Aponte.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   15/09/2026

Depois de três anos marcados por queda nas commodities, margens comprimidas, juros elevados e aumento das recuperações judiciais, o agronegócio brasileiro pode estar começando a sair do fundo do ciclo de baixa. Essa é a avaliação da SFA Investimentos, que vê uma combinação de preços dos grãos em recuperação, estoques globais mais apertados e novas fontes de demanda capaz de sustentar uma melhora do mercado nos próximos anos.

Em relatório publicado em setembro, a gestora afirma que os preços dos grãos estavam, em agosto de 2026, 32% acima das mínimas registradas em agosto de 2025. Para a SFA, o movimento é um dos primeiros sinais de que o ciclo pode estar mudando de direção.

A leitura, porém, não significa que o produtor já tenha deixado a crise para trás. O próprio relatório reconhece que os resultados das empresas ainda demoram a reagir à melhora das commodities.

A tese da gestora é de antecipação: o mercado de grãos pode estar virando antes de essa recuperação aparecer integralmente nos balanços.

Entre o pico de 2022 e o fundo de 2024, a soja negociada em Chicago caiu 43%, enquanto a saca em Mato Grosso recuou perto de 49%. No mesmo período, os pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro saltaram de 534, em 2023, para quase 2 mil em 2025, segundo os números utilizados pela SFA.
China continua sendo o principal risco

Um dos principais pontos de atenção para a agricultura brasileira é a perspectiva de menor crescimento da demanda chinesa por soja. A SFA considera provável que a China consiga reduzir suas importações da oleaginosa de cerca de 112 milhões de toneladas para 82 milhões de toneladas até 2035, em razão de ganhos de produtividade, maior eficiência na alimentação animal e menor necessidade de farelo.

Na avaliação da gestora, isso poderia retirar cerca de 30% da soja brasileira atualmente destinada ao mercado chinês.

A conclusão, no entanto, não é necessariamente negativa para o Brasil. A SFA aposta que novos mercados e, principalmente, o avanço dos biocombustíveis podem compensar parte relevante dessa perda.

O Sudeste Asiático aparece como uma das regiões com maior potencial de crescimento do consumo de proteína. No mercado doméstico, a expansão do biodiesel, do etanol e, no futuro, do combustível sustentável de aviação tende a criar novas fontes de demanda por soja e milho.

Ao considerar esses fatores, a gestora estima um saldo positivo de 9 milhões a 23 milhões de toneladas de demanda adicional para a soja brasileira, mesmo incorporando o risco de uma redução das compras chinesas.
Estoques e clima podem acelerar a virada

Outro argumento da SFA é a mudança no balanço global da soja. Depois de três anos consecutivos de excedentes, os estoques mundiais devem começar a diminuir. O relatório estima uma redução de aproximadamente 900 mil toneladas nos estoques globais em 2026/27.

Esse mesmo argumento foi dado pelo sócio do economista e sócio da EY, Alexandre Mendonça de Barros em entrevista à CNN ao vivo. Para ele a combinação de menor crescimento da oferta mundial de grãos, estoques mais baixos e aumento do risco climático pode abrir espaço para uma recuperação dos preços e, consequentemente, devolver fôlego financeiro ao campo na safra 2026/27.

Tanto a SFA, quanto o economista apontam que um eventual El Niño forte poderia apertar ainda mais o mercado. A estimativa apresentada é de que um evento climático dessa intensidade poderia retirar aproximadamente 15 milhões de toneladas da produção brasileira de soja.

A própria gestora faz uma ressalva: historicamente, nem todo El Niño provoca perdas relevantes de produtividade no Brasil. Os impactos mais fortes ocorreram em episódios classificados como intensos, como os de 2015/16 e 2023/24.

Há ainda uma relação de preços que chama atenção no relatório. Segundo a SFA, os fertilizantes costumam mudar de direção antes das commodities agrícolas, com uma defasagem de alguns trimestres. A avaliação da gestora é que o fertilizante já teria virado e os grãos estariam começando a acompanhar esse movimento.
SLC Agrícola é a principal aposta

A tese sobre a recuperação do agro está diretamente associada, no relatório, à SLC Agrícola. A gestora declara que mantém posição em ações da SLC Agrícola (SLCE3) em seus fundos. Portanto, a análise deve ser lida como uma tese de investimento de uma gestora que possui exposição financeira à companhia e não como uma avaliação independente ou neutra sobre o setor.

A gestora destaca que a SLC possui  835 mil hectares plantados no Cerrado, além de diversificação geográfica, escala de compras e produtividade acima da média.

Outro ponto defendido pela SFA é a mudança na estrutura de capital da companhia. Nos últimos anos, a SLC passou a utilizar mais terras arrendadas, reduzindo a quantidade de capital necessário por hectare e aumentando a exposição da empresa à recuperação dos preços dos grãos.

A gestora também chama atenção para aquisições recentes. Segundo o relatório, a SLC destinou cerca de R$ 2,8 bilhões para adquirir terras e operações arrendadas, a um múltiplo médio de aproximadamente 3,7 vezes o EV/Ebitda, enquanto as ações eram negociadas, em agosto, perto de seis vezes.

Na visão da SFA, a empresa estaria fazendo justamente o movimento que considera ideal em um negócio cíclico: comprar ativos quando o mercado está pessimista e os preços estão deprimidos.
A ação ainda carrega um desconto elevado

O principal argumento financeiro da tese está na diferença entre o valor de mercado da SLC e o valor estimado de seus ativos. Em agosto, a companhia tinha valor de mercado de aproximadamente R$ 7,8 bilhões, contra um NAV  (valor líquido dos ativos) estimado em R$ 13,8 bilhões pela SFA. Isso representa um desconto de cerca de 43%.

Para a gestora, juros elevados e a menor renda gerada pelas terras ajudam a explicar essa diferença. Se os juros brasileiros caírem e os preços agrícolas se recuperarem, o desconto poderia diminuir.

Mas a própria SFA reconhece que a recuperação ainda não aparece de forma clara nos resultados. No primeiro semestre de 2026, o Ebitda ajustado da SLC caiu 15% na comparação anual, enquanto o EVA (indicador utilizado pela própria gestora para medir a geração de valor acima do custo de capital) passou de R$ 380 milhões positivos para R$ 190 milhões negativos.

A SFA atribui parte relevante dessa deterioração a fatores considerados não recorrentes, como mudança no mix de produção, maior participação do milho e maior volume proveniente de áreas de menor produtividade.

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