Clipping Diário

19 | Agosto | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   19/08/2026

Já as importações caíram em resposta à ampliação de medidas antidumping do governo nos primeiros meses do ano

O Brasil exportou 383 mil toneladas de aço ao longo do mês de julho. O montante representa ampliação de 9,8% ante o verificado em junho, mas redução de 2,6% frente ao reportado no sétimo mês do ano passado. Os dados são do Instituto Aço Brasil.

De acordo com a instituição, o país produziu 2,8 milhões de toneladas de aço bruto no mês passado, um volume praticamente estável na comparação com igual mês de 2025, com uma variação positiva de apenas 0,1%. Na comparação com junho, porém, houve recuo de 1,3%.

As importações, porém, caíram nas duas bases de comparação: foram 383 mil toneladas em julho, quedas mensal de 19,9% e anual de 37,8%, influenciadas pela ampliação de medidas antidumping do governo brasileiro nos primeiros meses do ano.

As vendas internas ficaram em 1,9 milhão de toneladas, estáveis na comparação anual. Já em relação ao mês de junho, houve alta de 4,1%. O consumo aparente somou 2,2 milhões de toneladas de aço, redução anual de 4,7%. Frente ao mês de junho, houve expansão de 2,6%.

De acordo com o superintendente da instituição, Marcelo de Ávila, no acumulado do ano, a produção de aço bruto recuou 1,2%, as exportações avançaram 2,4% e as importações recuaram 20,3%, todos na comparação com igual período de 2025. As vendas internas ficaram estáveis no mesmo período, enquanto o consumo aparente recuou 5%, na mesma base de comparação.

Na ocasião, o Aço Brasil divulgou o Índice de Confiança da Indústria do Aço (Icia) referente ao mês de agosto. Segundo a instituição, o indicador recuou 2,6 pontos frente ao mês anterior e atingiu 43 pontos, acumulando a terceira retração seguida da confiança dos CEOs da indústria do aço.

“Como ocorreu em julho, a queda do Icia em agosto se deu principalmente pela diminuição das expectativas em relação ao futuro, visto que o indicador de situação atual aumentou em relação ao mês anterior”, completou Ávila.

Exame - SP   19/08/2026

O agronegócio já representa cerca de 10% da carteira da Gerdau e está entre os mercados considerados estratégicos para sua expansão.

É nesse contexto que a companhia siderúrgica estreia na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (SP), que acontece entre 20 e 30 de agosto, e é uma das principais vitrines da cultura agro no Brasil, reunindo atrações que vão de shows e feiras a rodeios.

A aposta é ousada e se materializa em infraestrutura: mais de 70 toneladas de aço de baixo carbono foram utilizadas na modernização do Parque do Peão, incluindo as estruturas do maior telão de LED da América Latina, instalado na arena, além da ampliação da área de hospitalidade.

O projeto marca ainda a primeira aplicação da New Eco, nova linha lançada para clientes que buscam reduzir as emissões associadas às suas cadeias de produção.

A aproximação com o agronegócio, porém, não começou em Barretos. A marca já está presente em eventos como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), e a Expointer, em Esteio (RS).

Para Pedro Torres, diretor global de Comunicação, Marca e Relações Institucionais da Gerdau, a estreia em Barretos é mais uma forma de fortalecer a relação com clientes e outros atores para ampliar sua atuação rumo à descarbonização.

“Vamos levar produtos que representam soluções para os principais desafios do setor”, afirma à EXAME.

A estratégia ganha corpo em um momento em que a descarbonização começa a avançar para além das emissões diretamente associadas à produção rural no campo: a pegada de carbono também envolve os materiais, equipamentos e insumos utilizados ao longo da cadeia produtiva. E o aço é parte importante dessa equação.

A estratégia por trás do aço de baixo carbono

A Gerdau está entre as siderúrgicas de menor intensidade de emissões no mundo. A companhia emite 0,85 tonelada de CO2e por tonelada de aço produzida, menos da metade da média global do setor, de 1,92 tonelada.

A meta da companhia é chegar a 0,82 tCO2e por tonelada até 2031 e tornar as operações neutras em carbono até 2050.

Segundo o diretor, o desempenho está relacionado em parte ao próprio modelo de produção que utiliza sucata como uma de suas principais matérias-primas. Como uma das maiores recicladoras de aço da América Latina, a companhia recicla cerca de 10 milhões de toneladas de sucata por ano.

A cada tonelada reciclada, aproximadamente 1,5 tonelada de CO2 é evitada no processo produtivo.

A energia utilizada também pesa nessa conta. Atualmente, 52% da energia da Gerdau é proveniente de fontes renováveis e certificadas. A ambição é elevar esse percentual para 80% até 2031, com investimentos para ampliar o uso de fontes como solar e eólica.

Para a Gerdau, o desafio agora é transformar a menor intensidade de carbono de seu aço em uma vantagem também na disputa por espaço em uma cadeia que começa a olhar com mais atenção para as emissões de seus fornecedores.

Money Times - SP   19/08/2026

A venda da unidade de cimento da CSN (CSNA3) continua indefinida, com divergências em relação ao valor final do negócio, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com o assunto.

Este mês, a CSN confirmou em comunicado ao mercado que havia recebido propostas pela unidade, sem nomear os proponentes. A Reuters tinha noticiado anteriormente que as favoritas incluíam a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e pela italiana Cementir.

Embora as fontes tenham confirmado que esses proponentes continuam na disputa, as ofertas iniciais, estimadas em cerca de R$ 10 bilhões, ficaram aquém das expectativas da CSN, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato devido à natureza das conversas.

De acordo com uma das fontes, a meta da CSN caiu para pelo menos R$ 12 bilhões, frente aos R$ 15 bilhões pedidos inicialmente. A segunda fonte confirmou que a meta original era R$ 15 bilhões, mas acrescentou que a empresa pode estar aberta a aceitar uma oferta abaixo desse valor, embora não tenha fornecido um novo número.

A venda da CSN Cimentos visa levantar caixa e reduzir a dívida da CSN. O Morgan Stanley está assessorando a transação.

Uma das duas fontes acrescentou que há preocupações no mercado de que a CSN possa buscar alguma outra estratégia para gerir a dívida caso as ofertas pela unidade de cimentos continuem abaixo do esperado, uma medida que atrasaria o plano de desinvestimento.

A Votorantim Cimentos e a CSN não quiseram comentar. A Huaxin não respondeu pedidos de comentário.

A CSN também contratou o Bradesco BBI e o Citi para gerenciar a venda de uma participação minoritária em suas operações de infraestrutura e logística.

ECONOMIA

Infomoney - SP   19/08/2026

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,04% na segunda quadrissemana de agosto, após avançar 0,05% na primeira leitura do mês, segundo dados divulgados nesta terça-feira (18) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Na segunda estimativa de agosto, quatro dos sete componentes do IPC-Fipe desaceleraram em relação à primeira quadrissemana: Habitação (de 0,63% para 0,44%), Saúde (de 0,14% para 0,12%), Vestuário (de 0,43% para 0,37%) e Educação (de 0,14% para 0,07%).

Por outro lado, o item Despesas Pessoais ganhou força (de 0,20% para 0,43%), Alimentação recuou menos (de -0,54% para -0,48%) e Transportes repetiu a queda anterior, de 0,23%.
Segue abaixo a variação dos componentes do IPC-Fipe na segunda quadrissemana de agosto:

Habitação: 0,44%

Alimentação: -0,48%

Transportes: -0,23%

Despesas Pessoais: 0,43%

Saúde: 0,12%

Vestuário: 0,37%

Educação: 0,07%

Índice Geral: 0,04%

Monitor Digital - RJ   19/08/2026

Em junho, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, o terceiro corte consecutivo. A taxa havia permanecido em 15% de junho de 2025 a março deste ano — o maior nível em quase duas décadas. O boletim Focus projeta algo próximo de 13,5% ao fim de 2026.

A direção mudou. E é aqui que começa o mal-entendido que vejo se repetir em toda reunião de planejamento comercial: a ideia de que, com o juro caindo, a venda volta.

Não volta. Ou melhor: não volta nem no ritmo nem no prazo que a maioria das empresas está projetando.

A primeira razão é de nível, não de tendência. Sair de 15% para 14,25% é alívio, mas não é dinheiro barato. Descontada a inflação, o Brasil segue com uma das maiores taxas reais de juros do mundo — no início do ano, apenas a Rússia estava à frente. Um crédito ao consumidor tomado hoje continua caro em termos absolutos. A curva mudou de inclinação; o patamar, quase não.

A segunda razão é de transmissão. A Selic é a taxa que os bancos usam entre si. Ela chega ao crediário, ao cartão e ao financiamento com atraso e com filtro. O rotativo do cartão de crédito, que roda a centenas de por cento ao ano, não cai porque o Copom cortou um quarto de ponto. Entre a decisão do Banco Central e a prestação que o cliente vê na tela existe uma distância que costuma se medir em trimestres.

A terceira, e a mais importante para quem vende, é de estoque de dívida.

A política monetária afeta o custo do crédito novo. Ela não apaga o crédito velho. As famílias brasileiras chegaram a este ciclo com mais de 80% delas endividadas, segundo a CNC, e com comprometimento de renda em nível recorde na série do Banco Central. Essas parcelas foram contratadas quando o dinheiro estava mais caro, e continuarão sendo pagas com o valor de então. O corte de juros muda o preço da próxima dívida; não muda o peso das que já existem.

É por isso que existe um descompasso quase cruel entre o noticiário econômico e o balcão. O jornal anuncia corte de juros. O comércio não sente nada. Não porque a notícia esteja errada, mas porque a melhora começa no crédito futuro e leva tempo até chegar à renda disponível de hoje.

Para quem toma decisão comercial, tirar a conclusão errada aqui é caro nos dois sentidos.

Errar para o otimismo significa dimensionar estoque, equipe e meta para uma retomada que ainda não chegou ao cliente. É como o varejo brasileiro costuma se machucar: compra para um cenário que só existe no gráfico e descobre em dezembro que o consumidor não foi avisado.

Errar para o pessimismo tem custo simétrico. Empresa que trata o ciclo inteiro como recessão corta capacidade, encolhe equipe e reduz presença — e chega despreparada quando o movimento efetivamente melhora. Recompor equipe comercial leva meses; a janela de recuperação não espera.

A leitura equilibrada, na minha visão, é tratar 2026 como ano de transição e não como ano de virada. Planejar receita com a hipótese de que a demanda melhora devagar. Manter capacidade comercial, porque ela é lenta de reconstruir. E, sobretudo, aproveitar a fase de transição para preparar a equipe, que é exatamente o que se faz de mais barato quando o movimento ainda não voltou.

Há um detalhe de calendário que reforça isso. A melhora do crédito, quando chegar de fato ao consumidor, provavelmente coincidirá com o segundo semestre e as datas comerciais mais fortes do ano. Quem usar os meses de transição para estruturar processo e formar equipe chega nesse momento pronto. Quem usar os mesmos meses para cortar chega no melhor momento do ano com menos capacidade do que tinha.

Juro em queda é boa notícia. Mas boa notícia macroeconômica raramente vira venda no mês seguinte. Ela vira venda para quem se preparou durante a espera.

Quem espera a queda dos juros para começar a preparar a equipe sempre chega atrasado. O mercado melhora antes para quem se organizou do que para quem apenas esperou. Onde tem venda, tem vida, não esquece.

Jornal de Brasília - DF   19/08/2026

A dívida bruta do setor público brasileiro alcançou R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, segundo dados do Banco Central. O valor corresponde a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior proporção registrada desde abril de 2021. O indicador também se aproxima do pico histórico de 87,6% do PIB, atingido em outubro de 2020, durante a pandemia de Covid-19.

Desde janeiro de 2023, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o terceiro mandato na Presidência da República, o endividamento avançou 10,2 pontos percentuais em relação ao PIB. Em dezembro de 2022, último mês do governo Jair Bolsonaro (PL), a dívida equivalia a 71,7% do PIB. A evolução do indicador ocorre em um cenário marcado por despesas elevadas e dificuldade de geração de resultados fiscais positivos.

O déficit nominal acumulado em 12 meses até junho chegou a 9,99% do PIB, conforme o Banco Central. Para 2026, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estima que a dívida termine o ano em 82,5% do PIB. Pelas projeções do órgão, caso a trajetória atual persista, o indicador poderá alcançar 100% do PIB em 2032 e chegar a 115% em 2036.

Entre os fatores apontados para a pressão sobre as contas públicas estão o crescimento moderado da economia, o nível elevado dos juros e a falta de poupança pública. O país caminha para completar 13 anos consecutivos de déficit primário em 2026. O resultado nominal também foi afetado pelo pagamento antecipado de precatórios, que aumentou temporariamente as despesas, enquanto medidas de ajuste fiscal adotadas anteriormente incluem o programa conduzido por Joaquim Levy em 2015, o teto de gastos do governo Michel Temer e alterações tributárias implementadas durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.

MINERAÇÃO

Valor - SP   19/08/2026

Contrato futuro com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 105,9

O preço do minério de ferro avançou nesta terça-feira (19) na China, devolvendo a perda observada no dia anterior.

O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,85%, cotado a 714 yuans (US$ 105,9).

Analistas da consultoria ANZ Research afirmm, entretanto, a pressão decorrente do excesso de oferta provavelmente se intensificará devido ao aumento de embarques da Austrália e do Brasil, o que deve limitar os ganhos dos preços do minério de ferro.

Valor - SP   19/08/2026

Processo que acompanha a jornada de minerais desde a extração, a rastreabilidade mineral ganhou relevância com a adoção de mecanismos internacionais que consideram as emissões incorporadas aos produtos

O Brasil corre contra o tempo para garantir a origem lícita dos minerais e atender às exigências fiscais, regulatórias e ambientais do mercado internacional. Processo que acompanha a jornada de minerais desde a extração na mina, passando pelo beneficiamento até chegar ao consumidor final, a rastreabilidade mineral ganhou relevância com a adoção de mecanismos internacionais que consideram as emissões incorporadas aos produtos, como o mecanismo europeu de ajuste de carbono, que entrou em vigor em 2026 e taxa produtos como ferro, aço, alumínio, cimento, fertilizantes e hidrogênio.

Depois da Europa, a tendência regulatória deve avançar pelas principais economias interessadas na descarbonização. Para os especialistas, somente dados auditáveis podem garantir que os diferenciais competitivos do Brasil, como o minério de alta pureza e uma matriz energética limpa, sejam devidamente precificados pelos compradores globais, destravando a produção de baixo carbono e impulsionando as vendas para os mercados globais. “O rastreamento é uma ferramenta cada vez mais importante para acessar mercados que exigem informações não apenas sobre a origem dos minérios, mas também sobre as práticas de extração, os impactos socioambientais e as emissões de carbono. Permite comprovar não apenas de onde o minério veio, mas também sob quais condições foi produzido”, avalia Larissa Rodrigues, diretora de pesquisa do Instituto Escolhas.

Os especialistas apontam que o Brasil tem vantagens naturais para produzir o chamado “ferro verde” (minerais de baixo carbono), como uma matriz energética limpa e renovável, abundância hídrica e reservas de minério de ferro de alta qualidade.

A Brazil Iron pretende investir US$ 5,7 bilhões para iniciar o Projeto Ferro Verde, empreendimento integrado de mineração, processamento e transformação mineral na região da Chapada Diamantina, na Bahia, com produção de 10 milhões de toneladas anuais de concentrado de minério de ferro de alta pureza. A mineradora está desenvolvendo sistemas de rastreabilidade de dados operacionais que cobrem toda a jornada do produto, desde a lavra mineral até as etapas de transporte e entrega aos portos de destino. “O monitoramento consolida informações verificáveis sobre a origem dos insumos minerais, o consumo de energia, a pegada de carbono associada, o cadastro qualificado de fornecedores e o cumprimento das condicionantes socioambientais”, destaca Emerson Souza, vice-presidente de relações institucionais da Brazil Iron.

Esse controle digital será auditado de forma independente e periódica. A empresa já fechou parceria com o Bureau Veritas para traçar um plano de verificação antes do início da produção, prevista para até 2031. O aço de baixo carbono será exportado para a Ásia (com foco no Japão), Europa e os Estados Unidos.

“A rastreabilidade é fundamental especialmente para pequenas e médias mineradoras, uma vez que as grandes já têm uma produção mais verticalizada”, pontua o diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário. No mercado do ferro, grandes mineradoras utilizam sistemas digitais para controle de qualidade e logística para atender às normas internacionais.

Empresas de tecnologia, como a Metso, fornecem sistemas usados por mineradoras para rastrear o minério desde a mina até a planta de processamento, correlacionando parâmetros de qualidade. A tecnologia utiliza etiquetas inseridas no fluxo de minério para acompanhar lotes específicos ao longo das operações de mineração e processamento mineral. “À medida que a União Europeia introduz os Passaportes Digitais de Produto, as mineradoras precisarão de informações mais confiáveis sobre a origem dos materiais. A tecnologia cria uma base para futuras iniciativas de rastreabilidade e para a geração de relatórios sobre cadeias de valor de baixo carbono”, diz Laender Azevedo, gerente de soluções de automação da Metso.

O diretor regional da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Geraldo Iran, diz que, para impulsionar a rastreabilidade, é fundamental a distribuição de energia limpa a preços competitivos e segurança jurídica com regras claras, além de incentivos fiscais para a implementação de tecnologias de baixo carbono.

Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), uma parcela das empresas e cooperativas de reciclagem já utiliza a rastreabilidade no país. Essas experiências, entretanto, ainda são fragmentadas e adotam metodologias distintas. Algumas acompanham a origem física do produto, enquanto outras se concentram em atributos ambientais ou em controles internos da cadeia de fornecimento. Para a agência, o Projeto de Lei 2.780/2024 — aprovado pela Câmara dos Deputados e em análise no Senado Federal —, que prevê a criação de um sistema de rastreabilidade para os minerais críticos e estratégicos, pode ajudar a comprovar uma produção com menor emissão, dar mais visibilidade às vantagens da matriz energética brasileira e aumentar a transparência perante os compradores.

Traceability - A strategy to gain an edge

Traceability — the process of tracking minerals from the point of extraction onward — has gained prominence with the adoption of international mechanisms that account for the emissions embedded in products.

According to experts, only auditable data can ensure that Brazil’s competitive advantages, such as high-purity ore and a clean energy mix, are properly valued by global buyers. “Traceability is important for accessing markets that require information not only on the origin of minerals, but also on extraction practices, socio-environmental impacts and carbon emissions,” says Larissa Rodrigues, research director at Instituto Escolhas.

Bill No. 2,780/2024 — approved by the Chamber of Deputies and now under review by the Federal Senate — provides for the creation of a traceability system for critical and strategic minerals. It could help demonstrate lower-emissions production, raise the visibility of the advantages of Brazil’s energy mix and enhance transparency for buyers. A traceability system for gold is also under development.

Once the regulatory framework is in place, experts say Brazil has natural advantages for producing so-called “green iron.” Brazil Iron plans to invest $5.7 billion to produce 10 million tonnes a year. The mining company is developing traceability systems covering the product’s entire journey, from mining through transportation and delivery. The low-carbon steel will be exported to Asia, Europe and the United States.

“Traceability is particularly important for small and medium-sized mining companies, since the larger ones already have more vertically integrated operations,” says Pablo Cesário, CEO of the Brazilian Mining Institute (Ibram).

Valor - SP   19/08/2026

A corrida global por insumos estratégicos para a geração de energias renováveis, carros elétricos e baterias traz novas perspectivas para a atividade

Até 2030, o setor de mineração no Brasil deve receber US$ 76,9 bilhões em investimentos, um aumento de 12,5% em relação à previsão do período 2025-2029. A estimativa é de US$ 21,3 bilhões para os chamados minerais críticos e estratégicos (como grafita, vanádio, nióbio, cobre, níquel, terras raras, bauxita, lítio, titânio e zinco), o que representa um aumento de 15,2% para esses minerais, comparativamente ao período de 2025-2029 (US$ 18,5 bilhões).

O minério de ferro deve receber US$ 19,8 bilhões (1,1% mais em relação ao período anterior) e, na terceira posição, a área socioambiental deve ser destino de US$ 14,7 bilhões, alta de 29,7% em relação ao período 2025-2029. A distribuição dos investimentos revela uma transformação na mineração brasileira: durante décadas, os aportes estiveram concentrados na expansão da produção de minério de ferro, e, embora o segmento mantenha-se entre os três principais itens da pauta de exportação, a corrida global por insumos estratégicos para a geração de energias renováveis, carros elétricos e baterias traz novas perspectivas.

“A transição energética sinaliza que o mundo vai precisar muito da mineração”, diz Rinaldo Mancin, diretor de sustentabilidade e assuntos associativos do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram — entidade cujos associados respondem por mais de 85% da produção mineral brasileira). Outra mudança estrutural é o aumento de quase 30% nos investimentos sociais e ambientais até o fim da década, sinalizando que a régua da sustentabilidade subiu e hoje é um dos fatores que compõem a competitividade em relação às novas e crescentes exigências de investidores, reguladores e mercados consumidores.

Essa tendência é global. Mas, no caso brasileiro, foi impulsionada pelos desastres envolvendo o rompimento das barragens de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), que, juntos, causaram a morte de 291 pessoas e incontáveis impactos ambientais. Depois deles, a legislação tornou-se mais rigorosa em relação ao descomissionamento de barragens de rejeitos, o setor adotou maior transparência em relação aos riscos envolvendo essas estruturas e os aportes de capital a mineradoras passaram a ser condicionados ao desempenho em critérios ambientais, sociais e de governança (ESG).

O recorte Brasil da pesquisa “Top 10 business risks and opportunities 12 for mining and metals”, estudo global publicado em abril de 2026 pela consultoria global EY, corrobora essa percepção.

A chamada “licença para operar” está entre os três principais temas do setor de mineração, atrás de capital (primeira posição) e aumento dos lucros e produtividade, em segundo lugar. Os fatores ESG ocupam a sétima posição entre os temas mais importantes levantados pelos 500 executivos entrevistados do setor de mineração e metais.

De acordo com Ricardo Assumpção, líder de sustentabilidade e ESG para América Latina da EY, hoje, é esperado que as mineradoras não só compensem os impactos ambientais de suas operações, mas também assumam a responsabilidade de construir uma proposta de geração de valor compartilhado nos territórios.

“Isso se faz criando novas fontes de receita, novas cadeias de fornecimento, fomento à empregabilidade e capacitação, infraestrutura e uma estratégia para o pós-fechamento das minas”, diz Assumpção.

Outra pesquisa recente, elaborada pela Agenda Pública em parceria com o Ibram e o Ministério de Minas e Energia (MME), aponta que, embora os municípios mineradores contem com reforços orçamentários, a aplicação desses recursos nos territórios é desigual, de modo que nem sempre a riqueza da mineração se traduz em melhores indicadores socioambientais. O levantamento listou 79 municípios brasileiros em que o principal royalty pago pela mineração, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), representou pelo menos 5% da receita total municipal em algum ano entre 2018 e 2025. Os pesquisadores analisaram oito dimensões, tais como saúde, educação e infraestrutura.

Para Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, organização que atua no fortalecimento de políticas públicas, o estudo demonstra que a licença para operar da mineração estará, cada vez mais, ligada à habilidade das empresas de equilibrar as demandas das populações com a construção de capacidade para lidar com os ciclos da atividade.

“Depois de Brumadinho e Mariana, nada será como antes. A mineração hoje passa por um escrutínio maior e precisa provar que consegue tanto operar no cotidiano quanto construir um legado de longo prazo para o território”, afirma.

Isso passa, por exemplo, por fundos anticíclicos — mecanismos de reserva estruturados para proteger a economia de Estados e municípios mineradores contra as oscilações bruscas do mercado de commodities e a futura exaustão das jazidas, além de contribuir para o planejamento da transição local para outras atividades econômicas.

Para os executivos que comandam áreas de gestão e ESG nas mineradoras, a sustentabilidade passou do estágio de compliance para uma dimensão estratégica, que precisa de padrões e transparência para ser comprovada. A Vale foi a primeira mineradora no Brasil a adotar as normas IFRS S1 e S2, padrões internacionais criados pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), que orienta empresas na divulgação de informações sobre riscos e oportunidades relacionados à agenda ESG e clima.

A obrigatoriedade do relatório foi suspensa em maio deste ano pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas a empresa optou por continuar utilizando o padrão como ferramenta de comunicação com o mercado, de acordo com Grazielle Parenti, vice-presidente-executiva de sustentabilidade da Vale. “Durante nossas interações recentes com investidores na Europa, a palavra que mais ouvimos foi transparência. O relatório traduz, de forma pragmática, os riscos, oportunidades e resultados financeiros das iniciativas socioambientais e como a descarbonização é, hoje, um diferencial competitivo para a Vale”, diz.

A demanda por produtos com menor teor de carbono deve favorecer o minério brasileiro no cenário crescente de precificação das emissões, como o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM, na sigla em inglês) da União Europeia, que entrou em vigor em janeiro deste ano. Isso tem levado as empresas a uma corrida para aumentar a produção de itens como o pellet feed, minério de maior pureza e valor agregado que ajuda a reduzir as emissões da siderurgia em até 50%.

Com teor de ferro entre 67% e 68%, o produto é o carro-chefe do Sistema Minas-Rio da Anglo American, que conecta via mineroduto as minas localizadas em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas até o terminal do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

“Hoje, o minério de ferro premium ocupa um papel estratégico no mercado global, contribuindo para a descarbonização da cadeia do aço e para o avanço da transição energética”, diz Ana Cunha, diretora de assuntos corporativos e sustentabilidade da Anglo American. O avanço rumo a uma mineração mais sustentável em meio ao cenário geopolítico turbulento, marcado por guerras e tarifaços, passa por incorporar eficiência e circularidade nos processos, na avaliação de Sérgio Botelho, diretor-executivo da Mineração Serra Azul, que faz parte do grupo ArcelorMittal.

A substituição das barragens de rejeitos por outras tecnologias de disposição, a reutilização e comercialização de coprodutos, o uso da sucata como insumo na produção do aço (hoje, cerca de 60% de aços do segmento de longos já são produzidos via sucata), a eficiência energética e a introdução da inteligência artificial (IA) para reduzir perdas contribuíram para aumentar a competitividade das operações tanto de mineração quanto de siderurgia.

“A sustentabilidade deixa de ser um custo e passa a agregar valor ao produto final”, diz o executivo.

Com uma produção de 7 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, a Cedro Mineração, que opera em Nova Lima e Mariana (MG), planeja a expansão da produção do pellet feed voltado à exportação, em uma nova planta que busca ser modelo em sustentabilidade. O empreendimento, um investimento de R$ 4 bilhões, está em fase de licenciamento e contará com a tecnologia de empilhamento a seco dos rejeitos de mineração — a empresa foi uma das pioneiras em Minas Gerais no descomissionamento de barragens — e com logística que inclui caminhões elétricos e um transportador de correia de longa distância (TCLD), que levará o insumo de Mariana até o porto de Vitória (ES), reduzindo também impactos ambientais do transporte rodoviário, como diesel e poeira.

Na visão de José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações, a competitividade da mineração será definida, nos próximos anos, pela capacidade de alinhar a expansão de volume à produção de minério de alta qualidade, com incorporação de engenharia avançada e sustentabilidade.

“O Brasil tem a vantagem de produzir minério de alta pureza, o que ajuda a equilibrar e compensar custos de frete e logística em relação aos mercados globais. Além disso, a competitividade dependerá do compromisso real com a descarbonização da cadeia siderúrgica e com a responsabilidade social nas áreas de influência”, diz.

Re-Mining the future emissions

By 2030, Brazil’s mining sector is expected to draw $76.9 billion investment, a 12.5% increase over the forecast for 2025-2029. Iron ore remains one of the top destinations for capital, with $19.8 billion, but combined investment in critical and strategic minerals-copper, nickel, lithium, rare earth elements, graphite, and niobium — is projected to reach $21.3 billion, up 15.2%. Another notable shift is a 29.7% increase in funding for environmental and social initiatives, expected to total $14.7 billion by decade’s end. The distribution of this capital reflects a broader transformation under way in Brazilian mining. For decades, the sector’s growth was concentrated in iron ore. Now, the global race for materials critical to the energy transition is elevating the importance of strategic minerals. At the same time, sustainability has moved beyond regulatory compliance to become a core pillar of corporate strategy. In Brazil, the shift gained momentum after the 2015 Mariana dam collapse and the 2019 Brumadinho disaster, which prompted stricter legislation, greater transparency around operational risk, and rising investor demand for strong ESG performance. A survey by EY found that securing a “social license to operate” remains one of the industry’s most pressing challenges in Brazil. That push for transparency is also reshaping how companies communicate with markets. Vale, for instance, has opted to keep voluntarily reporting under the IFRS S1 and S2 sustainability disclosure standards, even after Brazil’s securities regulator, the CVM, revoked the mandatory requirement. “In our recent meetings with investors in Europe, the word we heard most often was ‘transparency,’” says Grazielle Parenti, Vale’s executive vice president of sustainability. The rising cost of carbon, driven by mechanisms such as the European Union’s Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), which took effect in January, is expected to favor Brazil’s higher-grade iron ore. Mining companies are responding by ramping up production of pellet feed, a high-grade ore that can cut steelmaking emissions by as much as 50%. “Premium iron ore now plays a strategic role in the global market, supporting decarbonization and the energy transition,” says Ana Cunha, Anglo American’s director of corporate affairs and sustainability. Cedro Mineração, meanwhile, plans to invest R$4 billion to expand pellet feed production for export, through a facility designed to minimize environmental impact. The project includes dry-stacked tailings disposal, electric haul trucks, and a conveyor system linking Mariana, in Minas Gerais, to the port of Vitória, Espírito Santo. Operational efficiency, the circular economy, and innovation are also gaining ground as levers of competitiveness. Companies are exploring reuse of co-products, increasing scrap metal in steelmaking, and artificial intelligence to cut waste. “Sustainability is no longer seen as a cost—it’s becoming a source of added value for the final product,” says Sérgio Botelho, executive director of Mineração Serra Azul, part of the ArcelorMittal Group.

Diário do Comércio - MG   19/08/2026

A mineradora Vale lançou nesta terça-feira (18) um plano, elaborado com a colaboração da consultoria Accenture, para gerar mais 2,3 milhões de empregos no setor, atingindo 5,3 milhões, e elevar a arrecadação de impostos de R$ 750 bilhões, na última década, para R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035.

O relatório, chamado de “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, foi lançado em fórum homônimo, realizado em Brasília, com a participação de representantes do governo federal, do setor produtivo mineral e especialistas em infraestrutura e competitividade. O material será entregue a todos os candidatos à Presidência da República em 2026 (veja mais abaixo os principais pontos do plano).

Com o lançamento do plano, a Vale, que vem sendo cobrada pelo governo Lula para que faça mais investimentos, com geração de empregos, se posiciona quanto às políticas públicas que ajudem a fortalecer e modernizar a mineração brasileira. O avanço do setor, disse a empresa, pode posicionar o Brasil como um protagonista global, alavancando o desenvolvimento industrial e socioeconômico do país.

“Em um momento em que se discutem caminhos para impulsionar o crescimento do País, a Vale contribui para o debate a partir de uma proposta concreta para que o Brasil aproveite a janela de oportunidade global e destrave nosso enorme potencial minerário”, diz Gustavo Pimenta, presidente da Vale. “Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de empregos, renda, crescimento econômico e proteção ambiental.”

A proposta inclui 15 iniciativas estratégicas, divididas em 4 agendas prioritárias, para alavancar o potencial da mineração nos próximos anos. Os temas vão de previsibilidade no licenciamento a impacto positivo para as comunidades e territórios, passando por infraestrutura, disponibilidade de energia e aspectos regulatórios, tributários e financeiros.

O levantamento reúne dados sobre o setor mineral brasileiro e projeta ganhos de crescimento, renda e competitividade a partir do crescimento da produção mineral no país.

“A expectativa é que a contribuição do setor em arrecadação fiscal, que na última década foi de R$ 750 bilhões, suba para R$ 1,3 trilhão no próximo ciclo, entre 2026 e 2035, ampliando o impacto social positivo e contribuindo para o equilíbrio das contas públicas”, disse a Vale em nota. “O montante, se convertido em investimento público, equivale à criação de 23,1 milhões de vagas em escola integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 478 mil quilômetros de vias asfaltadas ou 870 mil leitos em hospitais.”

A companhia frisou ainda que, “com uma agenda coordenada entre governo, setor privado e sociedade, a produção mineral anual do Brasil pode saltar de cerca de R$ 300 bilhões atualmente para até R$ 535 bilhões em 2035”, o que resultaria em aumento do nível de emprego do setor. Neste cenário, o impacto total do setor sobre o emprego, hoje em cerca de 3 milhões, pode contribuir para chegar a até 5,3 milhões de postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos no País no mesmo período.

O potencial dos minerais críticos
Na atual gestão do presidente Lula, é reconhecido que o desenvolvimento desse setor carece, especialmente, de investimentos de fora do País. Por outro lado, há repúdio imediato à ideia de exploração e extração dos bens minerários para a simples exportação, sem beneficiamento e processamento em escala industrial no Brasil.

O Ministério de Minas e Energia (MME) disse, em nota, que a cooperação internacional e a participação de investidores estrangeiros podem contribuir “para o fortalecimento das cadeias produtivas minerais, a ampliação da capacidade de inovação e o desenvolvimento industrial e tecnológico do País”.

Além de minerais como lítio, níquel, grafite, cobre, cobalto e terras raras, utilizados em baterias, energias renováveis e tecnologias avançadas, o governo federal reconhece a importância estratégica de minerais empregados na produção de fertilizantes, como potássio e fosfato.

Durante evento no Rio de Janeiro no início de agosto, o presidente da Vale comentou que a companhia enxerga, no momento, oportunidades no setor de minerais críticos apenas na etapa upstream (mineração, concentração e beneficiamento). O executivo ressaltou que, no refino, as “margens são mais apertadas”.

Uma pesquisa do MME, anunciada em junho, considerou que o aperfeiçoamento do elo de midstream (separação individual dos elementos, purificação, refino e transformações em óxidos, metais e ligas) é um investimento essencial para que o Brasil possa figurar entre os atores mais relevantes no mercado.

No curto prazo, o estudo aponta que o objetivo central é destravar e organizar a cadeia. As prioridades incluem a consolidação do upstream competitivo e o aprofundamento da inteligência geológica, além da criação de instrumentos de redução de riscos ao longo do setor. Também entram nesse pacote instrumentos tributários e financeiros voltados à verticalização gradual, a coordenação regulatória, dentre outros pontos. O governo aguarda a aprovação do marco legal para minerais críticos, ainda em tramitação no Congresso Nacional.
Os principais pontos do plano da Vale

1) Licenciamento e Fundamentos da Mineração:
Otimizar e padronizar processos de licenciamento;
Fortalecer Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Iphan, ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Funais (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e secretarias de Meio Ambiente;
Simplificar e modernizar padrões de análises de processos minerários;
Aproximar SGB (Sistema Geológico Brasileiro) e empresas para parceria de mapeamento geológico.

2) Cadeia Mineral Integrada:
Estabelecer instrumentos de incentivo à transformação mineral;
Aprimorar condições energéticas para a cadeia mineral de baixo carbono;
Criar plano diretor de infraestrutura para o setor de mineração.

3) Ambiente de Negócios e Segurança Institucional:

Implementar Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos;
Modernizar regulamentação de cavidades;
Atualizar regulação de segurança de estéril e rejeitos;
Fortalecer a ANM (Agência Nacional de Mineração);
Apoiar na Agenda Setorial sobre impactos da Reforma Tributária

4) Valor Compartilhado:
Criar Programa de Qualificação do Uso da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais);
Definir categoria de projetos estruturantes com contrapartidas socioambientais;
Fortalecer a mineração responsável.

Diário do Comércio - MG   19/08/2026

A Vale quer mudanças na legislação federal que regula a preservação de cavernas para destravar a exploração de minerais em áreas com baixa relevância ambiental, afirmou nesta terça-feira (18) o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.

“Algumas [cavidades] são de máxima relevância, ou seja, têm algum valor de biodiversidade único e, portanto, precisam ser preservadas”, disse o executivo durante evento da Editora Globo e da Vale em Brasília. “O que a gente vem discutindo é modernizar para que […] nas outras, que não têm nenhuma biodiversidade, a gente possa utilizar para mineração com alguma forma de compensação.”

Segundo Pimenta, o regramento atual atinge principalmente projetos de minério de ferro e de exploração de cobre, e pode vir a prejudicar a exploração de terras raras no futuro.

Em 2022, o governo Jair Bolsonaro (PL) editou um decreto que permitia a destruição de cavernas para viabilizar projetos considerados de utilidade pública.

Naquele mesmo ano, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou dois trechos da medida, incluindo aquele que permitia “impactos negativos irreversíveis” quando não houvesse alternativas viáveis para atividades consideradas de utilidade pública.

A modernização da lei pedida pela Vale seria, na prática, uma reclassificação do que constitui uma cavidade relevante. “Trabalhar melhor o que é classificação de uma versus a outra, para que a gente possa focar naquilo que é relevante e efetivamente ser mais flexível naquilo que não tem relevância”, afirmou o executivo a jornalistas.

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, também defendeu uma mudança na legislação sobre o tema. “Está na hora de resolver o decreto das cavidades”, disse.

Mercadante defendeu a atuação do BNDES no impulsionamento de projetos de mineração e afirmou ser possível combinar proteção ambiental com desenvolvimento econômico. “A Vale é um exemplo nisso, aprendeu com os graves erros que cometeu no passado”, disse, numa provável referência aos desastres de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, nos anos de 2015 e 2019.

“A gente aprende também errando, e às vezes errando de forma muito dura, mas [a Vale] deu um salto e acho que o Brasil precisa acompanhar”, afirmou.

Durante o evento, Gustavo Pimenta defendeu que o Brasil volte a abraçar megaprojetos de mineração, e citou como exemplos os projetos do Alemão, de extração de cobre, e o S11C, de minério de ferro, ambos na região da Serra dos Carajás, no Pará, e hoje no portfólio da empresa.

A Vale estima investir R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões no projeto do Alemão. “O último grande projeto de mineração no Brasil foi o S11D no Pará, há 10 anos. De lá para cá a gente não fez mais nenhum grande projeto”, disse Pimenta. “Nós temos capital, temos como fazer, temos conhecimento técnico. A gente precisa entender que esses projetos vão mover o ponteiro.”

Questionado sobre o PL dos minerais críticos, hoje em tramitação no Senado, ele defendeu a criação de forças-tarefa em órgãos governamentais para acelerar o rito burocrático de projetos de mineração considerados “transformacionais”.

“Nosso grande desafio como país é aumentar a capacidade de processamento no licenciamento ambiental dos projetos estratégicos”, disse. “Se a gente identificar que o Brasil tem 10 ou 20 projetos que são transformacionais, a gente poderia talvez criar forças-tarefa em todos os órgãos para poder acelerar o desenvolvimento, para que não leve 15 anos, para que leve 8 ou 10 anos.”

A Vale lançou nesta terça (18) um estudo feito em parceria com a consultoria Accenture que apresenta propostas para “destravar” o setor de mineração no Brasil. A empresa propõe, entre outros pontos, padronizar o licenciamento ambiental, simplificar processos de análise mineral e fortalecer órgãos como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e secretarias ambientais estaduais.

Segundo a empresa, a exploração mineral cresce em ritmo mais lento no Brasil do que em países concorrentes, como Austrália, Filipinas e República Democrática do Congo, sendo que o Brasil perdeu competitividade e caiu três posições no ranking dos principais produtores de minério entre 2014 e 2023, ocupando hoje o 7º lugar.

O relatório destaca que o Brasil é líder em reservas de minerais estratégicos para a indústria de alta tecnologia, como nióbio, terras raras e grafita, e que pode aproveitar a demanda por esses materiais puxada pela eletrificação da frota de veículos e pela descarbonização da matriz energética.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   19/08/2026

Há 34 anos o empresário representa a sul-coreana no Brasil; montadora agora retoma antigo plano de ter uma operação própria

Ao sair de seu centro tecnológico em Salto de Itu (SP), o empresário José Luiz Gandini passa um tempo olhando o terreno vizinho. Ele é o dono daquela extensa área que o remete a outros grandes terrenos que já o inspiraram a erguer uma fábrica de carros da Kia. Esse sonho nunca pôde ser realizado em razão de uma dívida com o Fisco, que nada tem a ver com ele. Foi deixada pela Asia Motors, que pertenceu à Kia. Agora, o empresário ainda corre o risco de perder a representação da Kia no Brasil, depois de 34 anos. Existe a possibilidade de a montadora sul-coreana ter a sua própria fábrica no país caso o governo brasileiro perdoe a dívida. Por enquanto, nem a matriz da Kia e nem o Ministério da Fazenda confirmam acordo nesse sentido. Enquanto espera, Gandini traça outros planos.

O terreno que hoje Gandini contempla tende a ser usado para expandir o centro tecnológico, um laboratório de emissões que entrou em operação no fim de 2019 e que hoje não consegue atender à crescente demanda. Nesse espaço são feitos testes de emissões de poluentes, necessários para homologar veículos de diversas marcas lançados no Brasil. Aliadas ao avanço das chinesas, apressadas para homologar seus lançamentos, as cada vez mais rígidas leis de emissões exigem testes mais rigorosos. Desde março de 2025, o centro opera 24 horas por dia.

“Acho que vou precisar do espaço desse terreno”, diz Gandini, parando para, mais uma vez, pensar numa solução. A ampliação não é tão fácil. Uma rua passa entre o centro e o terreno. Todo o cuidado é pouco quando se trata de veículos mantidos em rigoroso sigilo porque ainda não foram lançados no mercado.

Reconhecido pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e acreditado pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), o laboratório realiza testes de emissões de gases de escapamento, consumo de combustível e emissões evaporativas, em veículos a combustão e de eficiência energética em carros elétricos.

Agora, o centro tecnológico receberá investimento de R$ 57 milhões para ter a capacidade dobrada e, ainda, iniciar testes de motocicletas. Com a ampliação, a expectativa é passar dos 1,2 mil testes em 2025 para 2,4 mil.

Durante visita ao laboratório, Gandini passa pelas fileiras de carros cobertos. São segredos de diversas marcas. Alguns que já rodam no país vão ganhar novas versões. É o caso de uma marca chinesa que ali testa o uso de etanol em veículos híbridos.

Tivesse sido autorizado pela matriz da Kia a construir uma fábrica como planejava, em meados da década de 1990, Gandini teria se livrado de uma situação que sempre o incomodou: sujeitar-se à instabilidade tributária do país, com o vaivém de alíquotas de Imposto de Importação, algumas vezes carregadas de penalidades extras para marcas que não fabricam localmente. “Eu queria produzir aqui para me livrar da instabilidade dos impostos e ser competitivo”, diz.

Ao mesmo tempo, Gandini acabou sendo vítima de dívida que não lhe pertence. Nos anos 1990, uma representação brasileira da Asia Motors, empresa posteriormente adquirida globalmente pela Kia, desfrutou de incentivos fiscais para importar carros em troca da promessa de construir uma fábrica que nunca existiu. Isso gerou uma dívida bilionária e um processo mantido em sigilo de Justiça até hoje. Informações não oficiais dão conta de que o endividamento chega a R$ 6 bilhões.

Depois que a Asia Motors e a Asia Motors Brasil foram extintas o governo brasileiro entendeu que poderia cobrar a dívida da Kia. Com receio de que eventual empreendimento pudesse ser confiscado em razão da dívida, a Kia Corporation invalidou o contrato de concessão tecnológica que vinha sendo negociado com o grupo Gandini para produzir no Brasil. A Kia pertence ao grupo Hyundai que desde 2012 tem fábrica em Piracicaba (SP).

Gandini já cogitou, em declarações à imprensa, que haveria negociações entre a sede da Kia International e o governo brasileiro para perdão da dívida em troca de uma fábrica em Piracicaba, ao lado da Hyundai. Essa operação estaria sob comando da matriz da Kia. Se bem-sucedida, tiraria o importador brasileiro da exclusividade da marca.

Companhia não tem conhecimento de quaisquer mudanças que afetem as operações [no Brasil]”

— Kia Corporation

Não existe, porém, nenhuma informação oficial. E Gandini, agora, se esquiva de falar sobre o assunto. Consultada, a Kia Corporation informou que “até o momento, nenhuma decisão final foi tomada sobre possíveis atividades comerciais no Brasil”.

“A Kia Corporation também esclarece que a dívida não pertence à empresa, mas à Asia Motors Brasil, empresa que nunca esteve sob o controle da Kia”, destaca. E acrescenta: “Essa questão foi reconhecida pela Corte Internacional de Arbitragem, órgão da Câmara de Comércio Internacional (ICC), e confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)”.

A Asia Motors Brasil de fato era comandada por investidores brasileiros. Mas a provável existência de sócios da Coreia levou o governo brasileiro a cobrar a dívida da Kia, ex-controladora da Asia.

O posicionamento da Kia acrescenta que, no seu entender, “não possui qualquer responsabilidade pela dívida em questão, que permanece em discussão no âmbito judicial e ainda não foi definitivamente solucionada”. “A companhia informa não ter conhecimento de quaisquer mudanças que afetem as operações relacionadas aos veículos da marca Kia importados e comercializados no Brasil”, completa o comunicado enviado ao Valor.

Do lado brasileiro, a área de comunicação do Ministério da Fazenda informou que a pasta desconhece a existência de qualquer negociação nesse sentido. E não confirma o valor da dívida. Também por meio da área de comunicação, a Hyundai do Brasil informou que não comenta nada sobre a KIA “por serem empresas separadas”.

Mesmo sem informações oficiais, o assunto paira no ar. Se conseguir ter a dívida perdoada em troca de uma fábrica e empregos, a Kia terá de enfrentar a dura concorrência das marcas chinesas, que já detêm mais de 20% das vendas de veículos leves, com pleno domínio da eletrificação. Ao mesmo tempo, a Hyundai tem acordo com a General Motors para desenvolvimento conjunto de novas plataformas para as futuras gerações de veículos produzidos no Brasil.

Seja qual for o desfecho da história, Gandini conta com outro vínculo com a Kia fora no Brasil. Quando lhe foi negada a autorização para ter uma fábrica no Brasil, o empresário decidiu produzir no Uruguai, com a concordância da matriz. Há dez anos, fez acordo com um fabricante local, a Nordex, com fábrica na região de Montevideu. “Essa fábrica estava praticamente parada, mas retomou a atividade depois que investimos na nossa linha”, diz Gandini. Hoje na Nordex são produzimos também veículos de outras montadoras, como a Stellantis.

No Uruguai são produzidas mensalmente 900 unidades do caminhão leve Kia Bongo, a maioria destinada ao Brasil. E, provavelmente, ali poderá ser também fabricada a picape Tasman, por enquanto importada da Coreia.

A Tasman, que vai custar R$ 249.990, marcou, em lançamento na terça-feira, 18, a estreia da Kia Brasil nesse segmento. “Faltava uma picape. Finalmente temos uma”, disse Gandini.

O grupo Gandini, que pertence a uma tradicional família de Itu, não revela seu faturamento. Segundo o empresário, pela ordem, os negócios mais relevantes são, em primeiro lugar, a Kia Brasil. Em segundo está a Kia Uruguai, em terceiro, o centro tecnológico e, por fim uma empresa do ramo imobiliário.

O destino da Kia Brasil é incerto. Já o centro tecnológico está a todo vapor. Segundo Gabriel Loureiro, diretor do laboratório, a agenda de atendimento está fechada até 2027. Nova demandas só poderão ser atendidas daqui a um ano.

Auto Industria - SP   19/08/2026

Após a abertura do 34º Congressso & ExpoFenabrave, nesta terça-feira, 18, no São Paulo Expo, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, atendeu um grupo de jornalistas para falar do setor e do balanço das vendas até agosto.

Um dos temas abordados foi a invasão dos chineses no mercado brasileiro 11 marcas anunciaram vendas por aqui este ano, totalizando pelo menos 15 em atuação no Brasil. E outras estão chegando, caso da BAIC, que anunciará operação no Festival Interlados Carros na semana que vem.

Ele foi enfático em dizer que a concorrência é boa para o consumidor brasileiro e que beneficiou o setor (a rede está crescendo), mas admitiu que as margens de concessionários e montadoras foram reduzidas por causa dos chineses e também disse que no cenário atual, há grupos de concessionárias que ganharam e outros que perderam.

A principal questão, no seu ponto de vista, é se há espaço para todos que estão chegando. A minha preocupação é quem fica e quem vai embora, comentou, deixando claro que o problema é o risco de algumas não sobreviverem no País, o que certamente afetaria os concessionários que nelas investiram.

Nossa maior preocupação é com as que vão embora. Se ficarem, ótimo. Mas o bolo (do mercado) não cresce na mesma proporção das marcas que estão desembarcando aqui, destacou o presidente da Fenabrave

Automotive Business - SP   19/08/2026

A BAIC vai revelar em setembro onde produzirá veículos no Brasil. De acordo com Oswaldo Ramos, COO da empresa no país, o local da produção já foi definido e contará também com investimento de um parceiro local, além de recursos da matriz chinesa.

O executivo falou com a reportagem na terça-feira, 18, durante o Congresso Fenabrave, realizado no SP Expo, em São Paulo (SP).

CKD e SKD [kits de peças importados] não fecham a conta no longo prazo por causa do imposto de importação, por isso optamos para uma primeira fase do cronograma de produção no país realizar a importação no esquema peça a peça, recolhendo a alíquota por unidade, disse Ramos.

Esse esquema é similar ao praticado pela GWM na fábrica de Iracemápolis (SP). Ramos, inclusive, foi COO da montadora antes de assumir o comando das operações da BAIC.

A matriz está avaliando o valor do investimento que será feito por aqui. Os representantes chineses têm em mãos todo o levantamento que fizemos a respeito de locais para comprar ou para alugar no país. Faz mais sentido essa associação com parceiro que já tem essa estrutura pronta e em operação, revelou o executivo.

Por ora, no Brasil, apenas o Polo Automotivo do Ceará (Pace), controlado pela Comexport, conta com tais instalações. Mas a reportagem de AB apurou com fontes do mercado que grupos de investidores estão prospectando junto às marcas chinesas oportunidades para explorar esse mesmo nicho da Pace, o da montagem terceirizada de veículos.

Ainda de acordo com o executivo, a BAIC deverá compartilhar com a Foton o centro de distribuição de peças em São Paulo. Ambas empresas fazem parte do mesmo grupo.

Uma produção compartilhada no mesmo site pelas empresas está descartada. A Foton produz caminhões na fábrica da Agrale no Rio Grande do Sul.

Na China temos parcerias com a Hyundai e com a Mercedes-Benz. A Hyundai aqui no Brasil não tem espaço [para compartilharinhas com a BAIC]. A Mercedes, bem, a GWM já comprou a fábrica que era deles, disse Ramos.

A montadora vai revelar na semana que vem, no Festival Interlagos, os modelos com os quais vai iniciar a operação comercial no país. Ramos informou que eles se enquadram em três segmentos: o de SUVs offroad nas configurações 4×2 e 4×4, SUVs urbanos e crossovers. Todos com versões elétricas e híbridas.

A rede de concessionários ainda está sendo montada pelo COO da BAIC, que tem no currículo uma longa passagem pela área comercial da Ford, à época em que a empresa mantinha fábrica em São Bernardo do Campo (SP). A ideia é que sejam 200 pontos de venda, segundo o executivo, com ampla capilaridade nacional.

Enquanto não começa a produção local, e com os modelos ainda ocultos por trás do biombo corporativo, a BAIC corre para compor seu quadro de profissionais na operação brasileira.

De acordo com Oswaldo Ramos, até o final do ano o quadro deverá contar com 75 funcionários, dentre profissionais da área administrativa, comercial e de engenharia. Com o aumento do tamanho do time, a sede da companhia deverá se mudar do endereço atual, em prédio comercial no bairro da Barra Funda, na capital paulista, para um espaço maior em local ainda indefinido.
BAIC projeta avanço dos elétricos chineses no Brasil

A expectativa de crescimento da operação da BAIC no Brasil se dá, de certa forma, na projeção que o próprio COO fez para o mercado nacional de veículos, baseada em estudos e estatísticas.

Na visão do executivo, os veículos elétricos chineses responderão por 52% do mercado brasileiro de modelos zero quilômetro.

Isso só vai acontecer por causa da reação lenta das montadoras tradicionais. As matrizes estão demorando para investir e, quando o fazem, chegam aqui produtos com tecnologias já defasadas, infelizmente, contou Ramos.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Infomoney - SP   19/08/2026

Vladimir Lima, ministro das Cidades, acredita que o crédito imobiliário pode “avançar para além de 12%” de participação no Produto Interno Bruto (PIB) país. A fala foi emitida durante sua participação no ABECIP Summit 2026, nesta terça-feira (18).

O ministro afirmou que a participação do financiamento habitacional na economia brasileira, que cresceu recentemente de 10% para 11% do PIB, segue abaixo da observada em outros mercados, como Estados Unidos, Reino Unido e China, e pode avançar com o apoio de ajustes regulatórios e maior integração entre governo e setor privado.

“Eu pessoalmente acredito que a gente tem espaço, considerando o cenário mundial, para avançar para além dos 12%”, afirmou.
Provocado por Michel Cury, presidente da ABECIP, sobre um patamar de 20%, Lima respondeu: “Temos tudo para avançar para além de 20%”.

O ministro atribuiu parte da expansão recente do mercado às mudanças promovidas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), implementadas em conjunto pelo governo federal, Banco Central e demais órgãos envolvidos na formulação da política habitacional.

“As mudanças que promovemos em conjunto avançaram no primeiro semestre deste exercício, comparado com o semestre do exercício anterior, em mais de 29% no crédito imobiliário no Brasil”, disse.

NAVAL

Monitor Digital - RJ   19/08/2026

O mercado naval vive um cenário promissor de retomada e expansão. Apenas no âmbito do Programa Mar Aberto, da Petrobras, está prevista a construção de 96 embarcações até 2032, com investimentos estimados em R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira. O programa contempla 40 embarcações de apoio marítimo, 20 navios de cabotagem, 18 barcaças e 18 empurradores.

Somam-se a essas oportunidades as encomendas vinculadas ao segmento offshore. A carteira de projetos das operadoras contempla cerca de 20 plataformas previstas para os próximos anos, parte delas já gerando contratos para a indústria nacional e outras ainda em fase de licitação.

O mercado de operação e manutenção também apresenta relevância. Atualmente, a costa brasileira possui cerca de 170 unidades de produção instaladas, sendo 77 em operação, além de uma frota de aproximadamente 475 embarcações de apoio marítimo. Esse cenário representa um mercado consolidado em que o Rio de Janeiro se destaca no país.

Os dados constam do Panorama Naval no Rio de Janeiro, lançado nesta terça-feira, na Navalshore, pela federação das indústrias fluminenses. O estado concentra o maior parque naval do país, reunindo 24 dos 49 estaleiros e 66 mil dos 181 mil empregos relacionados às atividades navais no Brasil. Além disso, abriga 82% das plataformas marítimas em operação no país.

A indústria naval, isoladamente, já recuperou os empregos perdidos após a crise iniciada em 2014, quando empregava 82,4 mil trabalhadores; em junho de 2026, o setor já contava com 90 mil contratados.
Novas frentes de atuação para indústria naval

Além dos mercados tradicionais, o Panorama Naval destaca novas frentes de atuação para os estaleiros brasileiros. O descomissionamento de ativos de petróleo e gás, o desmantelamento de embarcações e o desenvolvimento da cadeia de energia eólica offshore despontam como segmentos capazes de diversificar receitas, reduzir os impactos da sazonalidade das demandas por novas embarcações e ampliar a geração de emprego e renda.

Segundo estimativas da ANP, as atividades de descomissionamento deverão movimentar cerca de R$ 70,2 bilhões até 2030, contemplando operações como abandono e arrasamento de poços, retirada de equipamentos, recuperação ambiental e demais etapas inerentes ao encerramento da vida útil dos ativos.

O planejamento estratégico da Petrobras, prevê, em seu Plano de Negócios 2026–2030, investimentos totais de US$ 109 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 9,7 bilhões serão destinados às atividades de descomissionamento, consolidando este mercado como um dos eixos estratégicos de sua carteira de exploração e produção.

Quanto às eólicas offshore, cabe ressaltar a localização estratégica do Rio, com ventos fortes e constantes, proximidade com portos, estaleiros e bases de apoio logístico e pela alta demanda energética na região Sudeste.

No capítulo Cenários da Indústria, a Abeemar e o Sinaval, entidades representativas do setor, apresentam uma análise da indústria naval brasileira sob a ótica das melhores práticas internacionais, destacando a importância da previsibilidade e da política industrial.

Portos e Navios - SP   19/08/2026

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) promoveu, nesta terça-feira (18), na Navalshore 2026, a primeira iniciativa do convênio firmado com a Associação Brasileira das Empresas da Economia do Mar (Abeemar) e o Sindicato da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). O convênio resultou no Invest in Brasil – Shipbuilding & Offshore, projeto estratégico para promover rodadas de negócios, captação de investimentos estrangeiros e parcerias tecnológicas para fortalecer a cadeia naval, portuária e de óleo e gás no Brasil.

Helena Brandão, gerente de investimentos da ApexBrasil, destacou que a Apex é uma agência do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio de Serviços (MDIC) que tem duas grandes missões: apoiar a indústria brasileira a exportar produtos e serviços e atrair investimentos estrangeiros para o Brasil. Na Navalshore, o objetivo é a segunda missão para, junto com a Abeemar e o Sinaval, atrair investimentos para o setor naval. O convênio tem recursos de R$ 5 milhões em dois anos para financiar os estudos e as missões.

“O convênio tem atividades de inteligência, para identificar oportunidades de investimento no Brasil e buscar empresas brasileiras da indústria naval que desejam receber investimentos e empresas estrangeiras que gostariam de vir ao Brasil por meio de parcerias ou projetos greenfield e transferência de tecnologia. Nossa missão é unir essas duas pontas”, detalhou Helena.

Na segunda etapa, o convênio prevê atividades de prospecção. “O investimento estrangeiro é amplo e pode ser apoio de capital, parcerias tecnológicas, joint ventures. O grande objetivo do convênio é trazer desenvolvimento econômico e robustecer a indústria naval brasileira, que é importante para a soberania e a transição energética”, ressaltou a gerente de investimentos da Apex.

João Azeredo, presidente do Abeemar e diretor de comunicação do Sinaval, disse que o convênio é um sonho antigo desde que viu a atuação da Apex em eventos como a OTC (Offshore Technology Conference) para incentivo à indústria de offshore. “Procuramos criar um projeto que contemplasse a indústria naval em linha com as políticas públicas federais de atração de investimentos e conteúdo local. Iniciamos pela Navalshore, mas vamos passar pela SMN (principal feira internacional da indústria marítima do mundo) na Alemanha, pela China, pelo Workboat Show, pela Aquamarine, pela Norshipping (Noruega)”, adiantou.

Ele explicou que é um projeto de dois anos que a Abeemar espera que se renove por mais dois anos e que traga resultados para o Brasil, tornando uma indústria naval mais perene. “O objetivo é identificar dentro das demandas do setor naval como um todo que tipo de fornecedores precisamos atrair, quais os gargalos que a Petrobras, a Transpetro e os estaleiros mais enxergam como potencial para atração desses parceiros”, resumiu Azeredo.

TN Petróleo - RJ   19/08/2026

Em um momento estratégico para a indústria naval brasileira, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) lança hoje (18/8) a 7ª edição do Panorama Naval no Rio de Janeiro. Impulsionado pela expansão das atividades de exploração e produção de petróleo e gás, pela renovação da frota mercante e de apoio marítimo, pelo crescimento da economia do mar, pelo desenvolvimento das energias renováveis offshore, pelo fortalecimento da Base Industrial de Defesa e pelo avanço das atividades de descomissionamento de ativos offshore, o mercado vive um cenário promissor de retomada e crescimento.

"Nesse contexto, o estado do Rio de Janeiro assume papel de destaque. O estado concentra o maior parque naval do país, reunindo 24 dos 49 estaleiros brasileiros e 66 mil dos 181 mil empregos relacionados às atividades navais no Brasil. Além disso, abriga 82% das plataformas marítimas em operação no país, consolidando-se como principal polo da atividade naval e offshore", destaca o presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano.

Baixe o estudo no link

https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-naval-no-rio-de-janeiro-2026

O lançamento da publicação Panorama Naval no Rio de Janeiro ocorre durante a abertura da Navalshore 2026, maior encontro da indústria naval da América Latina, feira que acontece de hoje a 20 de agosto no ExpoRio, na capital fluminense.

As perspectivas de expansão também são expressivas. Apenas no âmbito do Programa Mar Aberto, da Petrobras, está prevista a construção de 96 novas embarcações até 2032, com investimentos estimados em R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira. O programa contempla a construção de 40 embarcações de apoio marítimo, 20 navios de cabotagem, 18 barcaças e 18 empurradores.

Somam-se a essas oportunidades as encomendas vinculadas ao segmento offshore. A carteira de projetos das operadoras contempla cerca de 20 plataformas previstas para os próximos anos, parte delas já gerando contratos para a indústria nacional e outras ainda em fase de licitação.

O mercado de operação e manutenção também apresenta grande relevância. Atualmente, a costa brasileira possui cerca de 170 unidades de produção instaladas, sendo 77 em operação, além de uma frota de aproximadamente 475 embarcações de apoio marítimo. Esse cenário representa um mercado consolidado para atividades de reparo e manutenção, segmento em que o Rio de Janeiro se destaca como principal hub nacional.

Novos mercados

Além dos mercados tradicionais, a publicação destaca novas frentes de atuação para os estaleiros brasileiros. O descomissionamento de ativos de petróleo e gás, o desmantelamento de embarcações e o desenvolvimento da cadeia de energia eólica offshore despontam como segmentos capazes de diversificar receitas, reduzir os impactos da sazonalidade das demandas por novas embarcações e ampliar a geração de emprego e renda.

Segundo estimativas da ANP, as atividades de descomissionamento deverão movimentar cerca de R$ 70,2 bilhões até 2030, contemplando operações como abandono e arrasamento de poços, retirada de equipamentos, recuperação ambiental e demais etapas inerentes ao encerramento da vida útil dos ativos.

O planejamento estratégico da Petrobras, prevê, em seu Plano de Negócios 2026–2030, investimentos totais de US$ 109 bilhões, dos quais aproximadamente US$ 9,7 bilhões serão destinados às atividades de descomissionamento, consolidando este mercado como um dos eixos estratégicos de sua carteira de exploração e produção.

Quanto às eólicas offshore, cabe ressaltar a localização estratégica do estado do Rio, com ventos fortes e constantes, proximidade com portos, estaleiros e bases de apoio logístico e pela alta demanda energética na região Sudeste.

O estado apresenta um forte potencial com 1.034 aerogeradores mapeados, 15,5 mil MW de potência em licenciamento, 6,7 mil Km2 de área total em licenciamento, sendo a 3ª maior área mapeada do país. Cada um desses projetos demanda uma ampla cadeia de bens, serviços e infraestrutura. São oportunidades para estaleiros, para a indústria local, para a área de instalação e construção, embarcações de apoio e operação e manutenção.

"Apesar do ambiente favorável, a publicação traz reflexões sobre os caminhos para transformar essas oportunidades em desenvolvimento sustentável a partir de condições que garantam previsibilidade, competitividade, inovação, qualificação profissional, estabilidade regulatória e integração de toda a cadeia produtiva", diz a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso.

Conteúdo da edição

O Panorama Naval 2026 reúne contribuições de entidades, empresas e instituições de referência para analisar tendências, oportunidades e desafios da indústria. A abertura da publicação traz um estudo da Firjan SENAI SESI sobre a consolidação e o potencial do mar fluminense como vetor estratégico para o desenvolvimento industrial do estado.

No capítulo Cenários da Indústria, a ABEEMAR e o SINAVAL apresentam uma análise da indústria naval brasileira sob a ótica das melhores práticas internacionais, destacando a importância da previsibilidade e da política industrial. O capítulo reúne ainda contribuições da ABEAM, SYNDARMA, ONIP, Rystad Energy e ABIMAQ, abordando temas como investimentos, competitividade, cadeia de fornecedores e experiências internacionais de sucesso, com destaque para o modelo sul-coreano.

Já o capítulo Mercados reúne análises da Petrobras, ABEEólica, SEENEMAR, Porto do Açu, Marinha do Brasil, Transpetro, Allseas e Edison Chouest, explorando temas como a expansão das atividades offshore, energia eólica offshore, logística, infraestrutura portuária, defesa, renovação de frota e descarbonização do transporte marítimo.

Em Política Industrial e Regulatória, a ANTAQ, o BNDES e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) discutem o papel dos instrumentos regulatórios e de financiamento para ampliar a competitividade e a capacidade produtiva da indústria naval brasileira.

Encerrando a publicação, o capítulo Formação e Qualificação Profissional apresenta uma análise da Firjan SENAI sobre os desafios relacionados à inovação tecnológica, capacitação profissional e desenvolvimento de competências necessárias para atender às demandas atuais e futuras dessa indústria.

Agência Brasil - DF   19/08/2026

O número de navios que atravessaram o Estreito de Ormuz ainda estava na casa de um dígito nesta segunda-feira (17), apesar de ter aumentado ligeiramente em relação ao fim de semana, de acordo com dados preliminares de tráfego marítimo divulgados nesta terça-feira (18), em meio a um impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã.

Seis navios de carga transitaram pelo estreito ontem, dos quais três estavam saindo do Golfo Pérsico e três estavam entrando, segundo dados de rastreamento da Kpler. Nos últimos 10 dias, 11 navios atravessaram o canal, sendo três no sábado (15), e dois no domingo (16).

Não houve passagem de superpetroleiros (VLCCs) nem de navios-tanque transportando gás natural liquefeito.

Algumas embarcações podem estar passando pelo estreito com seus transponders desligados e, portanto, não são consideradas na contagem.

O navio de transporte de gás de grande porte (VLGC) Xavia entrou no estreito pela rota iraniana em lastro, ou seja, sem carga, de acordo com a Kpler. Os VLGCs são normalmente usados para transportar gases de petróleo liquefeitos, como propano e butano.

Um petroleiro de médio alcance e um petroleiro de alcance intermediário também entraram no Golfo Pérsico, enquanto um navio de transporte de GLP de médio porte, um graneleiro Panamax e um petroleiro do tipo Panamax saíram do Golfo.
Impasse

O Estreito de Ormuz seguirá com trânsito restrito até que os EUA cumpram as condições de um acordo provisório assinado com o Irã em junho, afirmou o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, em declarações publicadas pela mídia estatal nesta terça.

Essas condições incluem que os EUA suspendam o bloqueio aos portos iranianos, suspendam as sanções ao petróleo, liberem os ativos congelados de Teerã e ponham fim às ameaças e operações militares em todas as frentes, disse Qalibaf ao Parlamento.

Firmado em 17 de junho, o memorando de entendimento desmoronou rapidamente devido a uma disputa sobre o controle do Estreito de Ormuz, a estreita via navegável pela qual circulava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o acordo estava “encerrado” em 7 de julho e, uma semana depois, o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que ele estava “suspenso”.
Estreito de Bab El-Mandeb

No estreito de Bab el-Mandeb, do outro lado da Península Arábica, 19 navios de commodities transitaram na segunda-feira, segundo dados da Kpler, um número inferior à média móvel de 10 dias, de 26, e às 33 travessias registradas no domingo.

Dos 19 navios, cinco estavam entrando no Mar Vermelho e 14 estavam saindo.

Das 14 saídas, uma foi do VLCC Norns, carregado com 2 milhões de barris de petróleo, de acordo com os dados.

Entre os navios que entraram, dois eram os petroleiros Admiral e Portofino, sendo que o Portofino transportava diesel com destino aos mercados a oeste de Suez.

Diário do Comércio - MG   19/08/2026

O presidente da Transpetro, Sergio Bacci, afirmou nesta terça-feira (18) que a subsidiária de logística da Petrobras já avalia a necessidade de uma base no Norte diante dos desdobramentos da campanha exploratória no poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial. No entanto, em sua avaliação, o tema ainda não deve se refletir na revisão do Plano de Negócios 2027-2031 da estatal.

“Nós já estamos olhando a região Norte, porque, possivelmente, vamos precisar ter alguma base para poder fazer o alívio das plataformas para recolher o petróleo e transportá-lo até a costa ou exportar parte da produção”, afirmou ele a jornalistas durante a Navalshore, feira da indústria marítima no Rio de Janeiro. “Possivelmente, o refino do óleo vai acontecer na Replan (Refinaria de Paulínia, SP), então vamos precisar trazer esse óleo por cabotagem”, complementou.

Em relação ao local para a instalação de um possível terminal de transbordo de carga, Bacci pontuou que a decisão “será com base no que for melhor para a companhia”. “É uma descoberta muito recente e tem um tempo ainda de maturação. Teremos um caminho longo ainda em tudo que envolve a Margem Equatorial. É evidente que vai ter barco de apoio. Mas qual vai ser o tamanho disso vai depender da prospecção na área”, complementou.
Entregas

Bacci também detalhou o cronograma de expansão da frota e os investimentos ligados ao aumento da produção de petróleo e à demanda por logística no País. São 13 navios em construção no Brasil – quatro navios de produtos, cinco gaseiros e quatro de médio porte do tipo MR1, além de 18 empurradores e 18 barcaças destinados ao novo segmento de navegação interior.

Além das encomendas nacionais, a subsidiária holandesa TIBV contratou nove navios aliviadores, em construção na Coreia do Sul. O primeiro deverá ser entregue em março e, a partir daí, a empresa prevê uma nova entrega a cada três meses.

No segmento de gaseiros, há três navios em construção na China, com expectativa de entrega em até 2,5 anos.

“A indústria naval brasileira depende de demanda perene. Para os próximos quatro anos, já há quatro MR2 até 55.000 toneladas de porte bruto no plano de negócios da Transpetro, em fase de estudo”, finalizou Bacci.

PETROLÍFERO

Exame - SP   19/08/2026

A eventual produção de petróleo nos seis estados da Margem Equatorial pode adicionar bilhões à economia brasileira, além de colocar o país entre os cinco maiores produtores de óleo no mundo.

A região, com 2.200 quilômetros de extensão, que vai do extremo norte do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte, é considerada a mais nova fronteira marítima de exploração de combustíveis fósseis no Brasil, um "novo pré-sal".

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região tem potencial estimado em 30 bilhões de barris de óleo.

Segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a futura produção pode adicionar até R$ 175 bilhões ao PIB brasileiro, criar 495 mil empregos formais e gerar cerca de R$ 11,2 bilhões em impostos indiretos.

Um estudo da consultoria Oxford Economics estima que a produção pode passar dos atuais 3,8 milhões de barris/dia para cerca de 5 milhões. Hoje, Estados Unidos, com 13 milhões de barris/dia, Arábia Saudita, com 9,9 milhões, e Rússia, com 9,7 milhões, são os maiores produtores do mundo.

Os números dimensionam o potencial econômico de uma região que voltou ao centro das atenções após a Petrobras identificar hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas. A descoberta confirma a presença de petróleo ou gás natural nas formações analisadas, mas ainda não permite saber se há reservas em volumes comercialmente viáveis.

O estudo da CNI calcula os efeitos que uma futura produção pode provocar nas economias de Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Além da atividade diretamente ligada à extração, entram na conta fornecedores, serviços especializados e o efeito renda, impacto provocado pelo consumo associado aos salários gerados pela cadeia.A Petrobras prevê investir US$ 3 bilhões na região nos próximos cinco anos e perfurar 15 poços. A busca por novas reservas ganhou peso no planejamento da estatal diante da expectativa de que a produção do pré-sal atinja o pico entre 2030 e 2032.

Atualmente, a indústria de óleo e gás representa 17% do PIB industrial, com estimativas de investimentos de cerca de US$ 165 bilhões no Brasil.

Quanto a produção pode movimentar nos estados

O Simulador de Impacto na Margem Equatorial, desenvolvido pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), permite calcular os efeitos da atividade a partir de variáveis como produção, preço do barril e câmbio.

Em uma simulação de 300 mil barris por dia em cada estado, com petróleo a US$ 80,20 e dólar a R$ 5,20, o valor anual da produção alcança R$ 45 bilhões por unidade da federação analisada.

Nesse cenário, o impacto nominal sobre o PIB a preços de mercado fica próximo de R$ 34 bilhões em cada estado:

O Ceará registra R$ 34,005 bilhões; Maranhão, com R$ 33,846 bilhões; Rio Grande do Norte, com R$ 33,686 bilhões; Amapá, com R$ 33,490 bilhões; Piauí, com R$ 33,377 bilhões; Pará, com R$ 33,257 bilhões.

A geração estimada de empregos varia de 155.632 no Pará a 170.520 no Ceará. Maranhão aparece próximo, com 170.390 postos. Rio Grande do Norte teria 163.424; Amapá, 162.261; e Piauí, 158.997.

Nos tributos indiretos, os valores ficam entre R$ 1,901 bilhão no Amapá e R$ 2,022 bilhões no Ceará.

Embora o impacto nominal sobre o PIB fique próximo de R$ 34 bilhões nos seis estados, o peso relativo da atividade muda de forma significativa conforme o tamanho de cada economia.

No Amapá, por exemplo, o valor adicionado bruto projetado pelo simulador equivale a um impacto de 193,5% sobre a base de comparação estadual. O valor bruto da produção teria impacto de 296,3%, enquanto os tributos indiretos alcançariam 162,2%.

O efeito relativo diminui nos estados com economias maiores. O impacto sobre o valor adicionado bruto é de 66,8% no Piauí, 49,6% no Rio Grande do Norte, 37,8% no Maranhão, 22,3% no Ceará e 19,3% no Pará.

A diferença mostra como um mesmo volume hipotético de produção pode ter efeitos distintos sobre cada economia. No emprego total, por exemplo, o impacto estimado chega a 44,6% no Amapá, ante 11% no Piauí e no Rio Grande do Norte, 6,7% no Maranhão, 4,1% no Ceará e 4% no Pará.

Royalties podem chegar a bilhões por bloco

Além dos efeitos sobre PIB e emprego, o simulador dimensiona as receitas associadas à produção de um único bloco.

Em uma concessão com royalties de 5%, o valor anual simulado é de R$ 2,283 bilhões. Com alíquota de 10%, sobe para R$ 4,567 bilhões. No cenário apresentado para partilha, com percentual de 15%, chega a R$ 6,850 bilhões.

A ferramenta estima ainda R$ 5,023 bilhões em participação especial, compensação financeira adicional associada a campos de grande volume de produção ou rentabilidade, em um cenário de concessão com percentual de 11%.

Outros R$ 342,49 milhões aparecem destinados a P&D&I, pesquisa, desenvolvimento e inovação, considerando percentual de 0,75%.

No maior cenário de royalties apresentado pelo simulador, um único bloco poderia gerar R$ 6,85 bilhões por ano, além de outros efeitos econômicos associados à produção.

Para a CNI, a disponibilidade de receitas dessa magnitude amplia a importância da governança dos recursos. A entidade cita gargalos históricos em saneamento, educação, energia, transporte e conectividade nesses estados como desafios para transformar a renda do petróleo em efeitos econômicos de longo prazo.

Descoberta ainda precisa provar viabilidade comercial

O cenário econômico projetado pela CNI ainda está distante da etapa atual da exploração na Foz do Amazonas.

A licença concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autoriza apenas a fase exploratória.

Se a companhia encontrar volumes economicamente viáveis, terá de avançar na delimitação da descoberta, com novos poços e coleta de dados para determinar o tamanho e a qualidade do reservatório.

Após uma eventual declaração de comercialidade, um Plano de Desenvolvimento terá de ser apresentado à ANP em até 180 dias. O documento define os investimentos, estruturas e etapas necessárias para colocar o campo em produção.

Também será necessário um novo processo de licenciamento ambiental. A autorização atual não permite instalar e operar um campo produtor.

Se o projeto seguir o cronograma de outras áreas marítimas complexas, o intervalo entre a perfuração exploratória e o início da produção pode levar de sete a dez anos, o que coloca uma eventual extração comercial no horizonte de até 2035.

É nesse intervalo que a dimensão econômica da Margem Equatorial começará a ficar mais clara. A confirmação de hidrocarbonetos abre uma nova etapa de avaliação geológica, mas o impacto bilionário calculado para a região dependerá do tamanho das reservas, da capacidade de produção e dos investimentos necessários para transformar uma descoberta em um campo comercial.

Money Times - SP   19/08/2026

Os preços do petróleo tiveram mais uma sessão de ganhos com continuidade das tensões no Estreito de Ormuz e impasse nas tratativas entre Estados Unidos e Irã.

O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para outubro terminou o dia com alta de 0,17%, a US$ 91,02 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) também para outubro subiu 0,38%, a US$ 84,06 o barril.
O que movimentou o petróleo hoje?

O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz continuou a dar impulso aos preços do petróleo.

Pela manhã, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que não há conversas em andamento ou agendada com o Irã.

“Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã. O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito. O Estreito de Ormuz está aberto e operacional. Todas as minas aquáticas foram removidas ou detonadas”, disse ele em uma publicação no Truth Social.

Do outro lado, o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador, Mohammad Baqer Ghalibaf, afirmou que a via marítima permanecerá fechado até que os EUA cumpram as condições do acordo provisório assinado em junho.

Essas condições incluem que os EUA suspendam o bloqueio aos portos iranianos, suspendam as sanções ao petróleo, liberem os ativos congelados de Teerã e ponham fim às ameaças e operações militares em todas as frentes, disse Qalibaf ao Parlamento.

Além disso, o memorando firmava o compromisso dos dois países em negociar um acordo final — abrangendo questões mais amplas, como o destino do programa nuclear iraniano — em um prazo máximo de 60 dias, prorrogável por consentimento mútuo.

Sem perspectiva de avanço nas tratativas entre Teerã e Washington, as hostilidades na via marítima seguiram. A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que uma embarcação foi atingida por um “projétil desconhecido” enquanto realizava a travessia da rota marítima, o que causou “uma baixa na tripulação”.

No Mar Vermelho, os houthis, do Iêmen, voltaram a atacar com drones a refinaria de Jazan, da petrolífera saudita Saudi Aramco, de acordo com a agência de notícias Saba. A informação, porém, não foi confirmada pela Arábia Saudita.

Também no radar, os mediadores do Catar estão aguardando que Omã e Irã alcancem um acordo bilateral sobre Ormuz antes da retomada de negociações mais amplas entre Washington e Teerã, segundo a Al Arabiya.

Infomoney - SP   19/08/2026

Aproximadamente metade da produção de petróleo da Venezuela está sendo exportada para os Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira o subsecretário de Energia, Kyle Haustveit.

“Nos últimos meses, observamos que mais de 500 mil barris (por dia), aproximadamente metade da produção venezuelana, são exportados para os Estados Unidos, para refinarias construídas especificamente para esse petróleo”, afirmou Haustveit em Houston, acrescentando que o país produz atualmente cerca de 1,25 milhão de bpd.

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Por sua vez, Jovanny Martínez, vice-presidente executivo da petrolífera estatal PDVSA, afirmou que a produção de petróleo da Venezuela atingiria 1,245 milhão de bpd no final de agosto e que as exportações do país aumentaram 19,7% neste ano.
Ele acrescentou que o país precisa de diluentes para os petróleos mais pesados, os quais deveriam ser desenvolvidos na Venezuela.

Martínez também destacou que as refinarias do país deveriam ser ampliadas e afirmou que a produção de combustível da Venezuela aumentou 12,9% até agora no ano, fornecendo 5,4% a mais de combustível ao mercado interno.

O funcionário destacou a reforma da lei de hidrocarbonetos, que ocorreu após 20 anos de nacionalização rigorosa e expropriação de ativos pertencentes a empresas estrangeiras, incluindo a Exxon Mobil e a ConocoPhillips , que não foram totalmente indenizadas após anos de arbitragens e ações judiciais.

A Venezuela tem um déficit no mercado interno de gás natural de 500 milhões de pés cúbicos por dia, acrescentou Martínez.

Globo Online - RJ   19/08/2026

Um navio foi atingido por um projétil na manhã desta terça-feira enquanto navegava para fora do Estreito de Ormuz, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), ligado às Forças Armadas britânicas. Um funcionário iraniano afirmou que a rota não será reaberta até que os Estados Unidos cumpram as condições impostas pelo Irã. Enquanto diminuem as esperanças dos investidores de uma solução rápida para o conflito, os preços do petróleo e os custos de captação dos governos subiram nesta terça-feira para o maior nível desde o fim de julho.

Ainda não houve reivindicação de responsabilidade pelo ataque. O episódio, no entanto, evidencia o perigo contínuo de tentar atravessar a via marítima enquanto o Irã continua restringindo o tráfego de navios, mesmo quando finaliza negociações com Omã sobre um plano para administrar a passagem estratégica.

Um projétil não identificado danificou a casa de máquinas do navio e “causou uma vítima entre a tripulação”, enquanto a embarcação tentava atravessar o Estreito de Ormuz, na costa de Omã, informou o UKMTO, citando um relatório do escritório de segurança da empresa. A agência de monitoramento marítimo não divulgou detalhes sobre o navio ou sua carga, e não está claro se o tripulante morreu no ataque ou ficou ferido. Segundo o órgão, a Guarda Costeira de Omã auxilia a tripulação e as autoridades investigam o caso.

A preocupação com vazamentos de petróleo no Golfo Pérsico e em outras águas da região provocados por embarcações danificadas enquanto tentam atravessar o estreito tem aumentado, mas o UKMTO afirmou que não havia sido registrado nenhum dano ambiental no ataque mais recente.

O Irã fechou, na prática, o estreito — por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo antes da guerra — depois que Israel e os Estados Unidos atacaram o país em 28 de fevereiro. Os Estados Unidos também mantêm atualmente um bloqueio a todo o tráfego marítimo iraniano pelo estreito. Ambos os lados concordaram em junho com um cessar-fogo de 60 dias, mas o acordo, que já havia efetivamente entrado em colapso, expirou oficialmente na segunda-feira sem sinais de avanço e em meio à escalada de tensões.

Na segunda-feira, Trump ameaçou bombardear Omã, aliado dos EUA, caso o país interferisse nos esforços americanos no estreito — aumentando ainda mais a preocupação dos investidores de que um acordo de paz possa estar distante.

Os contratos futuros do petróleo Brent, referência global, subiram 0,1%, para US$ 91 por barril. Já os contratos futuros do WTI, referência americana, avançavam 0,7%, para US$ 85. Os rendimentos dos títulos do governo americano — os juros que o governo precisa pagar para tomar dinheiro emprestado de investidores — também subiam nesta terça, enquanto os investidores avaliam que um conflito prolongado entre Estados Unidos e Irã manterá os preços da energia elevados e, por sua vez, aumentará as chances de que os bancos centrais elevem as taxas de juros para manter a inflação sob controle. Outros fatores, incluindo os enormes volumes de dívida pública, também contribuem para a elevação dos rendimentos.

O rendimento do título do Tesouro americano de 30 anos subiu para uma máxima intradiária de 5,33% nesta terça-feira, o maior nível em quase duas décadas, segundo a Reuters. O rendimento do título do governo alemão de dez anos atingiu o maior nível em 15 anos, informou a publicação. Analistas do Deutsche Bank afirmaram nesta terça-feira que os rendimentos dos títulos públicos de 30 anos haviam “atingido máximas de vários anos em diversos países, mostrando como as pressões fiscais sobre os governos não estão desaparecendo”, publicou a CNN americana.

Valor - SP   19/08/2026

Retomada das exportações sauditas pode ajudar a aliviar oferta de tipos mais pesados da commodity, que produzem óleo combustível residual, usado para abastecer navios

A Saudi Aramco retomou na semana passada os carregamentos de petróleo a partir de terminais localizados dentro do Estreito de Ormuz, após semanas de interrupção. A gigante estatal saudita também tem mais navios-tanque aguardando para carregar e voltou a oferecer cargas de petróleo pesado no mercado à vista, segundo dados de transporte marítimo e fontes do mercado.

Na segunda-feira, a maior exportadora de petróleo do mundo ofereceu a algumas refinarias asiáticas cargas dos tipos Arab Medium e Arab Heavy para carregamento neste mês por meio de transferências de navio para navio ao largo de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

A empresa havia interrompido as vendas durante semanas após ataques contra sua frota de petroleiros em Ormuz durante uma escalada do conflito entre EUA e Irã no mês passado.

A retomada das exportações sauditas pode ajudar a aliviar a oferta restrita de tipos mais pesados de petróleo, que produzem maior quantidade de óleo combustível residual, usado para abastecer navios ou processado posteriormente em refinarias para a produção de combustíveis de maior qualidade, como gasolina e diesel.

Três superpetroleiros (VLCCs, na sigla em inglês) — Malaysia Prosperity, Algeria Prosperity e Singapore Prosperity — carregaram 2 milhões de barris de petróleo cada nos terminais de Juaymah e Ras Tanura entre 12 e 16 de agosto.

Dados das empresas de monitoramento de navios Vortexa e Kpler mostraram um intervalo de três semanas desde o último carregamento nesses portos. Não ficou imediatamente claro quais tipos de petróleo os navios transportavam.

A Saudi Aramco não quis comentar. A Sinokor, proprietária dos petroleiros, não respondeu a um pedido de comentário.

Outros seis superpetroleiros poderão carregar petróleo saudita a partir de terminais dentro do estreito ainda neste mês, segundo dados preliminares da Kpler.

Operadores disseram que a Saudi Aramco poderá utilizar petroleiros sauditas para atravessar Ormuz, além das embarcações da Sinokor.

Sete superpetroleiros pertencentes à operadora saudita Bahri estavam ao largo dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, enquanto outros dois seguiam em direção a Fujairah, segundo dados de transporte marítimo da Lseg divulgados nesta terça-feira.

Exportações pelo Egito

As exportações sauditas de petróleo, no entanto, continuam limitadas, uma vez que o país enfrenta um bloqueio dos houthis do Iêmen no Mar Vermelho, para onde a Aramco havia redirecionado suas exportações pelo porto de Yanbu no início da guerra com o Irã.

Como alternativa, a empresa ofereceu cargas adicionais de petróleo para embarque pelo porto mediterrâneo de Sidi Kerir, no Egito. O volume, porém, representa apenas uma fração dos 4 milhões de barris por dia exportados por Yanbu antes do bloqueio, enquanto os custos adicionais de transporte e as viagens mais longas têm desestimulado compradores.

Cerca de 670 mil barris por dia de petróleo do Oriente Médio devem ser embarcados pelo porto de Sidi Kerir com destino à Ásia neste mês, segundo dados da Kpler, ante nenhum carregamento nos três meses anteriores.

“Isso mostra que a oferta de Sidi Kerir para a Ásia provavelmente não está funcionando, já que seus clientes asiáticos, pelo menos os chineses, não estão satisfeitos com as viagens longas e os altos custos de frete”, afirmou Emma Li, analista do mercado chinês da Vortexa.

RODOVIÁRIO

Grandes Construções - SP   19/08/2026

Embora o governo federal ainda não tenha detalhado como os investimentos estimados no Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 serão distribuídos entre os estados, Minas Gerais já tem mais de R$ 100 bilhões contratados em concessões rodoviárias e ferroviárias para os próximos anos, de acordo com o Ministério dos Transportes.

Lançado na semana passada, o PNL 2050 prevê R$ 1,2 trilhão em investimentos em infraestrutura logística no Brasil até 2050, sendo R$ 734,4 bilhões de recursos privados e R$ 490,5 bilhões públicos.

Nesta etapa, porém, o plano não apresenta a distribuição regional desses valores, o que será feito posteriormente, a partir da elaboração dos planos setoriais, que deverão especificar as prioridades e os aportes para cada região.

O propósito do PNL é identificar necessidades e oportunidades para a infraestrutura logística brasileira, com foco em eficiência, redução de custos, maior competitividade e melhor conexão entre modais.

O plano estabelece diretrizes e diagnósticos para orientar a governança do setor, investimentos públicos e privados e a criação de políticas de médio e longo prazo para os modais rodoviário, ferroviário, aquaviário, hidroviário e aeroportuário.

Na lista de objetivos prioritários de atuação para 2050, o plano aponta como problemas de Minas a dificuldade de escoamento da produção para exportação de açúcar, milho, soja e produtos industrializados e siderúrgicos, além da dificuldade de escoamento de produtos industrializados e siderúrgicos e outros granéis sólidos minerais para o mercado doméstico.

Já na seleção de oportunidades de desenvolvimento regional a partir da infraestrutura de transporte, o PNL 2050 destaca o desenvolvimento da exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha, onde estão concentradas operações e diversos projetos.

Prioridades de investimento até 2050 - No que diz respeito às prioridades de investimento até 2050, à luz dos objetivos de atuação, o PNL elenca vários projetos relacionados a Minas Gerais, como a implantação do trecho Mariana-Porto Firme, na BR-356, a requalificação e expansão de trechos da BR-040 e BR-381 e a ampliação do corredor ferroviário Minas-Rio.

Minas tem destaque no PNL 2050 por ter um papel relevante no transporte de cargas e pessoas no Brasil.

Caso receba os aportes necessários para destravar gargalos existentes, o Estado terá ganhos significativos, conforme o professor Bernardo Campolina, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas (Face), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“Minas terá ganhos expressivos porque a maior parte das conexões do Norte e Nordeste, ou mesmo do Centro-Oeste, passa por Minas em alguma medida. Minas é um Estado muito central na articulação do País. Boa parte da produção que sai de São Paulo e que vai ao Nordeste precisa, de alguma forma, na maioria dos casos, atravessar Minas Gerais. E a mesma coisa do Nordeste para o Sul e para o Sudeste. E também um pouco em relação ao Centro-Oeste e ao Norte”, pontua o docente.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   19/08/2026

O agronegócio foi na contramão da economia brasileira em junho. Enquanto o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou 0,64% na comparação com maio, a atividade agropecuária avançou 0,96% no mês. O resultado também foi melhor do que o registrado pela indústria e pelos serviços, que caíram 1,35% e 0,52%, respectivamente.

O desempenho coloca o campo entre os poucos segmentos capazes de oferecer sustentação à atividade econômica em um momento de perda de ritmo. No segundo trimestre, a agropecuária cresceu 0,33%, enquanto o IBC-Br como um todo avançou apenas 0,18%.

O resultado, porém, precisa ser lido com cautela. O indicador do Banco Central não é o PIB e o componente agropecuário do IBC-Br também não representa diretamente a variação da produção de todas as cadeias do setor. O BC utiliza indicadores que funcionam como aproximações da atividade agropecuária, permitindo acompanhar o comportamento do setor antes da divulgação das contas trimestrais do IBGE.

Perspectivas

A perspectiva para o restante do ano é de continuidade desse papel de sustentação, embora em ritmo provavelmente mais moderado. A Conab estima uma produção de 360,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume recorde e 2,2% superior ao ciclo anterior. A soja, principal cultura brasileira, deve alcançar uma produção próxima de 175 milhões de toneladas.

Além da soja, o segundo semestre ainda concentra atividade de culturas como milho, cana-de-açúcar e café, além da pecuária. O avanço da produção movimenta não apenas as lavouras e criações, mas também transporte, armazenagem, comercialização e exportações.

O cenário, entretanto, está longe de ser livre de riscos. O clima continua sendo uma variável decisiva para as próximas safras, principalmente com a chegada do super El Niño, enquanto os custos de produção, especialmente de fertilizantes, o comportamento do câmbio e as barreiras comerciais no exterior podem alterar as margens dos produtores. Juros elevados também dificultam investimentos e encarecem o financiamento da produção.

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