Infomoney - SP 14/08/2026
A CSN (CSNA3) registrou prejuízo líquido de R$ 773 milhões no segundo trimestre de 2026, aumentando as perdas em 494,6% ante os R$ 130 milhões apurados entre abril e junho de 2025.
No período atual, o Ebitda ajustado fechou em R$ 2,77 bilhões, alta de 4,9% na comparação anual. Já a receita líquida atingiu R$ 11,30 bilhões, aumento de 5,7% frente ao segundo trimestre de 2025.
A empresa encerrou junho com dívida líquida de R$ 42,13 bilhões, de R$ 35,65 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025 e R$ 40,50 bilhões no primeiro trimestre deste ano.
A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou em 3,49 vezes no trimestre, alta de 14 pontos-base em relação ao período imediatamente anterior.
Valor - SP 14/08/2026
Empresa alemã, que produz desde autopeças até fertilizantes, está atualmente no processo de mudar radicalmente sua estrutura
A Thyssenkrupp está perto de fechar um acordo com Bruxelas para garantir 2 bilhões de euros em financiamento público para sua usina de aço verde na Alemanha, conforme declarou seu diretor financeiro nesta quinta-feira (13), eliminando um grande obstáculo para um dos principais projetos do conglomerado.
A empresa havia obtido inicialmente os recursos, que representam dois terços do volume total de investimento da planta de redução direta, em 2023, sob a condição do uso de hidrogênio, uma premissa que desde então se tornou irrealista.
Longas negociações foram realizadas para ajustar a estrutura de financiamento e, essencialmente, remover a rígida exigência do uso de hidrogênio, que provavelmente não estará disponível na Europa a preços acessíveis tão cedo.
“Estamos muito satisfeitos que a Comissão Europeia tenha aprovado a alteração planejada nas regras de financiamento atualmente em vigor e já tenha confirmado que elas estão totalmente em conformidade com a lei de auxílio estatal da UE”, afirmou Axel Hamann.
“Isso significa que o governo federal [alemão] pode implementar essa alteração prontamente e, consequentemente, ajustar as decisões de financiamento de acordo. As novas regras de financiamento entrarão então em vigor.”
Os comentários ocorreram no momento em que a Thyssenkrupp elevou o piso de sua meta de lucro para 2026, impulsionada por suas unidades de aço, naval e comércio de materiais, bem como por cortes de custos relacionados ao seu programa de eficiência em andamento.
A empresa alemã, que produz desde autopeças até fertilizantes, está atualmente no processo de mudar radicalmente sua estrutura, desmembrando todas as suas divisões individuais em uma tentativa de simplificar e melhorar o desempenho.
A Thyssenkrupp agora espera um lucro operacional anual ajustado de 600 milhões a 900 milhões de euros, acima da faixa anterior de 500 milhões a 900 milhões de euros.
Com 8,79 bilhões de euros, as vendas do terceiro trimestre vieram acima do esperado, impulsionadas também pela divisão de materiais, que será desmembrada nos próximos meses, e pela divisão de aço.
Valor - SP 14/08/2026
Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu as investigações e definiu a aplicação do direito antidumping definitiva por até cinco anos
O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou nesta quinta-feira (13), que o negócio de siderurgia foi influenciado, no segundo trimestre deste ano, pelos “primeiros impactos positivos das medidas antidumping” adotadas pelo governo federal na frente de siderurgia.
“Foi, na verdade, a primeira vez que a gente sentiu esse benefício, no sentido de não termos essa competição desleal que vem na maioria de produtos asiáticos, trazendo um forte impacto negativo no mercado, e não somente na indústria siderúrgica, mas em todas as indústrias que estão instaladas no Brasil”, disse ele, durante teleconferência sobre os resultados da empresa no segundo trimestre.
Já o diretor executivo da companhia, Luis Fernando Martinez, disse que, no ano passado, a taxa de penetração de importados no setor no Brasil foi de 25%, ou seja, de 4 milhões de toneladas dentro de um mercado de 16 milhões de toneladas.
Neste ano, até junho, foram 1,8 milhão de toneladas importadas com tendência de queda, disse. “O que significa que 600 mil toneladas, a gente já colocou para dentro do mercado interno dos quais uns 70% são da CSN”, completou.
Em fevereiro, o governo brasileiro concluiu as investigações e definiu a aplicação do direito antidumping definitiva por até cinco anos. O dumping é uma forma de concorrência desleal, em que um país exporta produtos a preços mais baixos que os do mercado local e prejudica a produção do país importador. Quando o dumping é comprovado, o governo pode aplicar uma taxa adicional ou definir uma cota de importação.
Para os laminados planos a frio, a cobrança sobre a tonelada passou de US$ 322,93 a US$ 670,02; nos laminados planos revestidos, de US$ 284,98 a US$ 709,63.
Infomoney - SP 14/08/2026
Os resultados do segundo trimestre de 2026 de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) foram marcados por um contraste entre a melhora operacional e a persistente pressão sobre geração de caixa e balanço patrimonial. Enquanto as duas companhias apresentaram números operacionais melhores ou em linha com as expectativas, os analistas seguem preocupados com a alavancagem do grupo e com a dificuldade de conversão de resultado em fluxo de caixa livre.
Na visão do Goldman Sachs, o trimestre foi operacionalmente positivo, com desempenho mais forte da siderurgia e novo recorde de rentabilidade no cimento compensando a desaceleração da mineração.
Já para o JPMorgan, a CSN teve um resultado neutro, enquanto a CSN Mineração foi o principal destaque positivo da temporada.
A XP, por sua vez, destacou que a principal frustração continua sendo a ausência de desalavancagem efetiva na CSN, mesmo diante da melhora operacional observada em vários negócios do grupo.
Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileira Temporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olho
Contudo, as ações da CSN subiam nesta quinta-feira (13) pós-balanços, com alta de 2,55% (R$ 4,43), enquanto a CSN Mineração caíam 2,59% (R$ 5,64). Mas, vale ressaltar, CMIN3 avança cerca de 12% no acumulado do ano, enquanto CSNA3 desabam cerca de 49% no mesmo período, mostrando os investidores embolsando lucros em CMIN3 e vendo oportunidades em CSNA3 após a forte queda.
CSN: siderurgia e cimento ajudam, mas desalavancagem segue distante
O Ebitda ajustado da CSN somou aproximadamente R$ 2,6 bilhões a R$ 2,8 bilhões no trimestre, superando ou ficando ligeiramente acima das estimativas do mercado. O desempenho foi sustentado principalmente pela divisão de aço, que registrou recuperação relevante de volumes e margens, e pelo segmento de cimento, que entregou mais um trimestre de rentabilidade recorde.
Segundo Goldman Sachs, o Ebitda da operação de aço alcançou R$ 636 milhões, acima das projeções, beneficiado pela retomada dos volumes no mercado doméstico, aumento dos preços realizados e melhora dos custos unitários. O banco destacou que medidas antidumping contra importações ajudaram a criar um ambiente competitivo mais favorável no mercado brasileiro.
O JPMorgan ressaltou que os embarques domésticos cresceram 37% na comparação anual e 9% frente ao trimestre anterior, enquanto o custo caixa por tonelada recuou 3% em relação ao mesmo período de 2025.
O segmento de cimento também voltou a chamar atenção. O Ebitda cresceu mais de 45% ano a ano, impulsionado por reajustes de preços, reforçando a visão de que o negócio continua sendo uma das principais fontes de geração de valor para o grupo.
Apesar da melhora operacional, o mercado continua olhando para a geração de caixa. A XP avaliou que a desalavancagem voltou a ficar para depois, já que a queima de caixa permaneceu elevada, pressionada por investimentos, despesas financeiras e amortizações de contratos de pré-pagamento de minério.
O Goldman Sachs calcula que a companhia consumiu cerca de R$ 2 bilhões em caixa no trimestre. A liberação de capital de giro de aproximadamente R$ 900 milhões não foi suficiente para compensar investimentos de R$ 1,4 bilhão, despesas financeiras de R$ 1,5 bilhão e amortizações ligadas aos contratos de prepay de minério.
Como consequência, a dívida líquida da CSN avançou para cerca de R$ 40 bilhões e a alavancagem subiu para aproximadamente 3,4 vezes Ebitda, permanecendo como principal preocupação dos investidores.
CMIN surpreende em volumes e custos, mas caixa decepciona
Na CSN Mineração, o mercado teve leitura um pouco melhor, com a leitura de embarques de minério de ferro de 11,8 milhões de toneladas, volume acima das projeções de Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan. Os preços realizados também vieram ligeiramente acima das expectativas.
O Ebitda ajustado ficou próximo de R$ 1 bilhão, vindo abaixo de algumas estimativas de consenso, mas superando as projeções de casas como Goldman Sachs e Morgan Stanley.
Segundo Goldman Sachs, a principal surpresa positiva veio da redução dos chamados “outros custos”, que ajudaram a compensar a pressão nos custos operacionais diretos. O custo caixa por tonelada caiu para cerca de US$ 29 por tonelada, melhor do que o esperado pelos analistas.
A XP destacou justamente essa dinâmica: volumes sólidos e custos menores do que o previsto ajudaram a sustentar uma rentabilidade operacional melhor que o esperado, mesmo em um ambiente de preços mais fracos para o minério.
Por outro lado, a geração de caixa voltou a decepcionar. O Morgan Stanley destacou que o fluxo de caixa operacional de apenas R$ 119 milhões ficou muito abaixo das expectativas do mercado e da própria instituição. O principal motivo foi o consumo de capital de giro, incluindo uma redução de mais de R$ 1 bilhão em adiantamentos de clientes.
O banco também chamou atenção para o aumento da dívida líquida para R$ 1,4 bilhão, ante cerca de R$ 700 milhões no trimestre anterior, movimento pior do que o esperado.
Venda de ativos continua sendo o principal gatilho
Apesar dos resultados operacionais razoáveis, a discussão central para investidores permanece sendo a estrutura de capital da CSN.
Goldman Sachs e XP destacam que o principal catalisador para os papéis continua sendo o programa de venda de ativos do grupo, estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. A concretização dessas operações é vista como fundamental para acelerar a redução da dívida e melhorar a percepção de risco da companhia.
O JPMorgan também ressaltou que, embora a CSN tenha conseguido alongar parte de suas dívidas recentemente, a geração de caixa segue insuficiente para produzir uma desalavancagem relevante no curto prazo.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2026
Alguns leitores talvez se lembrem do sofrimento causado pela estagflação desenfreada na década de 1970 nos Estados Unidos. A combinação de inflação alta e estagnação do crescimento econômico destruiu milhões de empregos e, ao mesmo tempo, corroeu o poder de compra de praticamente todos, garantindo que não houvesse como escapar do sofrimento econômico para a maioria dos americanos. Agora, a estagflação está voltando após décadas de letargia. Até que ponto ela se tornará generalizada?
A pessoa mais capacitada a responder essa pergunta é o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. O recém-empossado presidente conquistou o cargo ao convencer o presidente Donald Trump de que compartilhavam perspectivas semelhantes sobre a redução das taxas de juros - uma medida que quase certamente impulsionará a economia no curto prazo, mesmo que acarrete o risco de uma calamidade econômica no futuro. Se a história serve de orientação, a forma como Warsh responderá às exigências de Trump terá repercussões importantes no futuro dos americanos.
Não há dúvida de que a estagflação voltou. A inflação permanece elevada, com o índice de julho, divulgado na quarta-feira, ficando em 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, a economia mostra cada vez mais fraqueza, com o crescimento do produto interno bruto desacelerando para 1,5% no segundo trimestre deste ano. O mercado de trabalho desacelerou. O mercado imobiliário estagnou. E, é claro, os preços do petróleo continuam elevados. Este é um caso clássico de economia sem brilho com inflação problemática.
A parte da economia que parece notavelmente boa é justamente aquela que deveria nos preocupar mais: nosso mercado de ações está em alta recorde, com as avaliações de algumas ações atingindo níveis fantásticos. Embora o crescimento dos lucros corporativos seja forte, o múltiplo que o mercado está pagando por esses lucros é agora duas vezes e meia maior do que a média histórica - um sinal de que a exuberância irracional dos investidores se instalou. Valorizações tão elevadas introduzem um grave risco sistêmico, deixando os mercados acionários muito sensíveis a perturbações macroeconômicas e ameaçando uma redução destrutiva da riqueza.
Donald Trump aponta o mercado de ações como prova de que a economia pode absorver cortes nas taxas de juros. Mas o resultado dessa política monetária é profundamente preocupante. Reduzir os custos dos empréstimos incentiva os participantes do mercado a assumir alavancagem excessiva, elevando ainda mais as valorizações que já estão acima de patamares históricos e aumentando o risco de um colapso financeiro. E isso, por sua vez, agravaria muito a estagflação.
É aqui que a década de 1970 oferece uma lição sobre o que o Fed não deve fazer. Na década de 1970, assim como hoje, os EUA estavam em guerra e apresentavam déficits fiscais. Naquela época, assim como agora, os preços do petróleo foram impulsionados para cima por fatores externos. Há cinco décadas, foram o embargo árabe ao petróleo e a revolução iraniana. Hoje, são a guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz.
As semelhanças não param por aí. O presidente Richard Nixon pressionou o presidente do Fed, Arthur Burns, a estimular a economia para se fortalecer politicamente, assim como Trump está pressionando Warsh a reduzir drasticamente as taxas. Burns - que, assim como Warsh, também enfrentava a perspectiva de uma economia em desaceleração - seguiu a orientação de Nixon e optou por reduzir as taxas de juros de forma rápida e drástica, ignorando o fato de que a inflação já estava elevada. É claro que isso impulsionou o crescimento econômico e o emprego por um tempo, melhorando a sorte de Nixon e ajudando-o a conquistar uma vitória esmagadora nas eleições de 1972. Mas a cadeia de eventos que levou à devastadora estagflação já havia começado.
O sofrimento causado pelas más escolhas políticas de Burns foi generalizado, atingindo quase todas as famílias americanas. Os salários não acompanhavam a inflação. Os preços de itens do dia a dia, como alimentos e roupas, dispararam, e as famílias precisavam se esforçar cada vez mais a cada ano para se manter. Os retornos dos investimentos foram superados pela inflação, corroendo as economias dos aposentados. Em 1975, a inflação havia atingido 12% e o desemprego subiu para 9%.
No entanto, os custos totais da estagflação não ficaram claros até que Paul Volcker assumiu a presidência do Fed em 1979. Para conter a inflação, Volcker elevou a taxa dos “fed funds” (os depósitos que os bancos precisam fazer no Banco Central dos EUA) para mais de 20% (em comparação com os 3,6% atuais). Isso elevou as taxas de hipotecas para quase 20%, reduziu pela metade o ritmo de construção de novas moradias e provocou a perda de dois milhões e meio de empregos. Volcker enfrentou enorme resistência do público, do Congresso e do então presidente Ronald Reagan, mas persistiu.
Volcker conseguiu agir independentemente de conveniências políticas. Por fim, sua medida drástica surtiu efeito, reduzindo a inflação de 14,8% em março de 1980 para menos de 3% em 1983, conforme medido pelo Índice de Preços ao Consumidor em relação ao ano anterior. Durante esse período, a economia dos EUA passou por uma profunda reestruturação, afastando-se da indústria tradicional em direção a uma economia mais resiliente, orientada para os serviços e impulsionada pela tecnologia, que persiste até hoje.
Hoje, todos os elementos estão reunidos para que se repita o erro de Burns, que causou dificuldades indevidas ao país. O cenário econômico atual não é tão grave quanto aquele que ele enfrentou, mas o dilema que Warsh enfrenta é o mesmo: uma economia em enfraquecimento poderia levá-lo a reduzir as taxas de juros antes que a luta contra a inflação esteja encerrada.
É claro que a campanha de pressão do presidente Trump coloca Warsh em uma posição difícil, forçando-o a escolher entre o que a economia precisa e o que o presidente quer.
A lição que Warsh deve ter em mente é que, quanto mais tempo o Fed tolerar a inflação, por qualquer motivo que seja, mais cara será a solução final. Ele deve garantir que o Fed permaneça independente da política e mantenha a luta contra a inflação, elevando as taxas de juros se necessário, mesmo diante das objeções do nosso presidente.
A estagflação chegou. Warsh continuará a luta contra a inflação ou cederá às pressões de Trump? As eleições de meio de mandato se aproximam e, com elas, a tentação de impulsionar a economia agora. Embora agir de forma independente hoje possa significar que Warsh seja ridicularizado e repreendido por Trump, as consequências de não fazê-lo são muito piores.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2026
O Brasil corre o risco de entrar nos próximos anos em um período de desaceleração econômica acompanhado de inflação, juros altos e aumento ainda maior das dificuldades fiscais, segundo avaliação do economista Marcos Lisboa, sócio-diretor da Gibraltar Consulting, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-presidente do Insper, e da economista Solange Srour, diretora de Macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. Para eles, o País não conseguiu resolver problemas estruturais que limitam a produtividade e o crescimento e chega a um possível novo ciclo de crise mais vulnerável a choques externos.
Na avaliação de Lisboa, o Brasil tem ficado para trás em relação às economias desenvolvidas e aos países emergentes. Além de crescer menos, o País tem uma frequência maior de crises e, quando elas ocorrem, os efeitos costumam ser mais severos. Para ele, esse desempenho está relacionado a uma visão de política econômica que remonta às décadas de 1950 a 1970, baseada em estímulos à demanda, proteção do mercado doméstico e subsídios a setores específicos.
O economista afirma que esse modelo contribuiu para sucessivas crises fiscais e de inflação ao longo das últimas décadas. Ele citou os períodos que sucederam os governos Juscelino Kubitschek e João Goulart, a crise provocada pelo governo Ernesto Geisel e, mais recentemente, a recessão associada ao governo Dilma Rousseff. “Ou a gente supera essa visão de economia, ou a gente vai continuar nesse mar de dificuldades”, afirmou.
Solange Srour vê pouca possibilidade de uma mudança de trajetória no curto prazo. Para ela, o principal problema é a dificuldade do País em resolver a questão das contas públicas e criar condições para a queda dos juros. “Se não conseguirmos baixar os juro,s não há custo de oportunidade no Brasil.”
Segundo ela, a situação fiscal atual é muito preocupante, diante do nível elevado da dívida pública e de uma trajetória de crescimento acelerado dos gastos. O quadro, segundo a economista, já produz efeitos sobre a atividade econômica, com juros altos, inadimplência e elevado comprometimento da renda das famílias.
“Eu acho que o entendimento sobre a questão fiscal ainda é extremamente raso. É profunda a nossa crise, é muito maior do que era há 4, 8 anos, porque hoje a gente está com um nível de dívida extremamente elevado, com uma trajetória de crescimento aceleradíssima e com a economia crescendo.”
Para Solange, a consequência é uma desaceleração que já está “contratada”. O problema é que a economia pode perder força sem que isso necessariamente permita ao Banco Central reduzir os juros. Caso não haja uma agenda fiscal considerada crível, o aumento das expectativas de inflação e a depreciação do câmbio podem manter a inflação pressionada.
Nesse cenário, o consumidor seria atingido de dois lados: pela piora do mercado de trabalho e da atividade econômica e pela inflação. Para Solange, esse segundo efeito é especialmente preocupante porque a inflação funciona como um dos maiores impostos sobre a população.
Subsídios e protecionismo
Outro ponto central, segundo Lisboa, é o que ele chama de “patrimonialismo” da política econômica brasileira. Segundo ele, governos de diferentes orientações políticas mantiveram políticas de benefícios tributários, subsídios e proteção a setores específicos sem comprovação de resultados suficientes em termos de produtividade.
Ele cita como exemplos programas e mecanismos voltados a setores e regiões específicas, como a Zona Franca de Manaus e incentivos regionais. Na avaliação dele, políticas desse tipo permanecem mesmo quando não conseguem entregar o desenvolvimento prometido.
O caminho para o crescimento, afirma Lisboa, tem de ser por meio de investimento em capital humano, pesquisa, tecnologia, inovação e empreendedorismo, acompanhado de instituições que permitam ao setor privado desenvolver novas ideias.
Brasil está vulnerável ao cenário internacional
Os economistas destacam ainda que o momento externo ainda tem ajudado o Brasil, apesar dos problemas domésticos. Solange afirma que preços de commodities favoráveis, melhora da balança comercial e um ambiente cambial relativamente benigno têm funcionado como uma espécie de proteção para a economia brasileira.
Mas tudo isso pode mudar. Uma nova alta da inflação americana, juros mais elevados nos Estados Unidos ou um aumento generalizado da aversão ao risco poderiam acelerar a deterioração da economia brasileira. “A gente não fez o dever de casa para evitar a contaminação de um problema externo. Estamos muito vulneráveis aos choques exógenos, mas depois vão dizer que a culpa é do cenário internacional que virou. Na verdade, a culpa é nossa, que não estamos preparados para um cenário internacional que não seja tão benigno como foi nos últimos três anos.”
Lisboa concorda e afirma que o Brasil tem uma característica particularmente problemática: cresce menos que outros emergentes quando o cenário global é positivo e sofre mais quando o ambiente externo piora. Para ele, isso ocorre porque o País não aproveita os períodos favoráveis para corrigir seus desequilíbrios.
Infomoney - SP 14/08/2026
A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, disse nesta quinta-feira, 13, em evento na Câmara do Comércio de Dayton Area, que é “crítico” agir agora para devolver a inflação à meta de 2%.
Ela afirmou não ver, no momento, uma tensão relevante no duplo mandato do banco central americano, apontando que o mercado de trabalho tem se mantido “razoavelmente estável”, com a taxa de desemprego oscilando em torno do nível que estima como compatível com máximo emprego.
Dow Jones Futuro sobe com redução das apostas em alta da taxa de juros pelo Fed
Após CPI de julho vir abaixo do esperado, investidores aguardam PPI para calibrar as apostas sobre a trajetória dos juros americanos em setembro
Segundo Hammack, a inflação continua acima do objetivo do Fed há mais de cinco anos. Após a melhora registrada no período pós-pandemia, quando o avanço dos preços recuou de mais de 7% para abaixo de 3%, ela disse que choques recentes fizeram a inflação voltar a superar 3%, o que reforça a necessidade de ação para evitar que o processo de desinflação se prolongue e imponha mais custos a famílias e empresas.
A dirigente avaliou que a política monetária, atualmente, não parece particularmente restritiva. Ela relatou ouvir de empresas que seguem dispostas a captar e tomar empréstimos para investir, em parte devido ao impulso da construção de infraestrutura ligada à inteligência artificial, o que, em sua leitura, pode adicionar pressão sobre preços e exigir mais contenção para evitar superaquecimento.
Hammack também citou incertezas associadas a tarifas, choques de energia e problemas nas cadeias de suprimentos, inclusive relacionados ao Estreito de Ormuz.
Ao falar de estabilidade financeira, apontou três focos de atenção: o crescimento do crédito privado, isto é, empréstimos concedidos por fundos fora do sistema bancário tradicional, pela menor transparência; vulnerabilidades no mercado de Treasuries, diante de trajetória fiscal que considera “insustentável” e do uso de alavancagem; e o volume de capital direcionado à IA, que pode lembrar ciclos anteriores de euforia se a rentabilidade esperada não se confirmar.
Infomoney - SP 14/08/2026
No acumulado de 12 meses, o PPI desacelerou para 4,7%, ficando abaixo da mediana de mercado, de 4,9%, e apresentando um recuo frente ao resultado de 5,5% do mês anterior.
O núcleo do indicador, que exclui as variações voláteis de alimentos e energia, avançou 0,2% em julho, uma marca inferior aos 0,3% esperados pelo mercado. A leitura anual do núcleo ficou em 4,2%, alinhada com as projeções.
CPI: Inflação nos EUA desacelera em julho, alivia pressão sobre juros, mas ainda há riscos
Recuos e avanços no indicador
A estagnação do índice principal contou com o recuo de 0,7% no setor de bens, o que refletiu um tombo de 3,1% nos preços de energia, pressionado por uma forte queda de 5,7% na gasolina. O grupo de alimentos também exerceu pressão de baixa, com retração de 0,9%.
O setor de serviços, por sua vez, demonstrou desaceleração, passando de 0,5% em junho para 0,2% em julho. A dinâmica dos serviços foi impactada por um salto de 6,5% na categoria de gestão de carteiras, movimento parcialmente compensado pela redução de 1,8% nos custos de transporte de cargas por caminhão.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o indicador ligeiramente abaixo das expectativas do mercado “dá certo conforto de que a inflação segue na direção esperada pelo Fed”. A análise do economista indica que o ambiente macroeconômico atual diminui a pressão por um aperto monetário imediato.
De acordo com Kayo, esse cenário reforça no mercado a aposta de que uma eventual alta de juros não deve ocorrer na próxima reunião, em setembro, ficando para outubro ou dezembro, a depender dos dados.
A análise do Goldman Sachs destacou que os preços centrais ao produtor apresentaram um comportamento misto. Enquanto o núcleo tradicional veio um pouco abaixo do consenso, a métrica do PPI que exclui alimentos, energia e serviços comerciais aumentou 0,4%, superando as estimativas. Contudo, a instituição ressaltou que os componentes do PPI relevantes para o PCE (índice de despesas de consumo pessoal) reportaram, no saldo líquido, uma força menor do que a projetada pelo banco.
Baseando-se nos desdobramentos dos relatórios do PPI e do índice de preços ao consumidor (CPI), o Goldman Sachs estima que o núcleo do PCE tenha avançado 0,20% no mês de julho, o que corresponde a uma taxa anual de 3,24%. O relatório do banco sinaliza que mais da metade desse incremento esperado (11 pontos-base) provém do componente de aconselhamento de investimentos e gestão de portfólios, impulsionado pelos ganhos recentes verificados nas cotações de ações.
No âmbito da atividade econômica e do mercado de trabalho, o Goldman Sachs também avaliou os dados de pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA. Na semana encerrada em 8 de agosto, o volume avançou em 9 mil, alcançando 209 mil solicitações, um número considerado um pouco acima das expectativas.
CNN Brasil - SP 14/08/2026
O uso de ferramentas de inteligência artificial (IAs) pode acrescentar R$986,7 bilhões à economia brasileira até 2030, segundo estimativas do centro de pesquisa Reglab. O valor corresponde a aproximadamente 7,6% do PIB (Produto Interno Bruto) estimado para 2026.
Entre os 12 setores avaliados pelo estudo, os maiores ganhos estimados de produtividade estão na indústria de transformação, com R$ 264,2 bilhões; nos serviços, com R$ 165,4 bilhões; e no comércio, com R$ 131,2 bilhões.
A pesquisa calculou o impacto econômico da IA a partir de duas frentes. A primeira considera os ganhos de produtividade da força de trabalho, com profissionais utilizando a tecnologia para realizar tarefas. A segunda avalia o aumento da eficiência do capital, a partir da aplicação de IA em máquinas, equipamentos e processos.
Em média, 65% do crescimento estimado deve vir dos ganhos relacionados à força de trabalho, enquanto os outros 35% estarão associados à produtividade do capital.
Segundo João Ricardo Costa Filho, líder do núcleo de pesquisa de economia aplicada do Reglab, a expectativa é que, entre 2027 e 2030, a IA ajude empresas a produzir mais utilizando os recursos já existentes. A tecnologia pode contribuir para a realização de atividades de forma mais rápida, com menos erros e desperdícios, além de apoiar a tomada de decisões.
Na agropecuária, a IA deve adicionar R$ 48,2 bilhões à economia até 2030. O avanço deve ocorrer principalmente pela modernização de máquinas e processos, com recursos como drones, colheitadeiras inteligentes e sistemas de monitoramento do solo.
Já nas atividades financeiras, o impacto deve ocorrer principalmente por meio do apoio aos profissionais. Entre as aplicações estão ferramentas capazes de acelerar análises de crédito, revisão de documentos e classificação de riscos.
O levantamento aponta, no entanto, que o impacto econômico da IA pode ser ainda maior que os quase R$ 1 trilhão estimados. Um dos fatores é o ritmo de adoção da tecnologia no Brasil, que ainda é mais lento do que em economias avançadas.
Para Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, as projeções são conservadoras e indicam que os efeitos da IA não devem aparecer de maneira imediata. Segundo ele, o impacto tende a ocorrer de forma gradual e cumulativa, conforme empresas, trabalhadores e governos incorporam a tecnologia a tarefas, máquinas e processos.
Para aproveitar esse potencial, os pesquisadores defendem a criação de políticas públicas que estimulem a adoção da IA sem comprometer a inovação.
Entre as medidas apontadas estão a requalificação profissional de trabalhadores em atividades com maior risco de substituição, a expansão da infraestrutura digital no campo, incentivos à adoção da tecnologia em setores de baixa produtividade e nos serviços públicos, além de maior previsibilidade e clareza regulatória.
Infomoney - SP 14/08/2026
Os futuros de minério de ferro foram negociados dentro de uma faixa estreita nesta quinta-feira, com a redução das perdas das siderúrgicas e os custos de frete firmes sendo contrabalançados pela queda nas exportações de aço da China.
O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com queda de 0,21%, a 705 iuanes (US$104,52) por tonelada, após ser negociado entre 703,50 e 712 iuanes. O contrato mais ativo mudou de setembro para janeiro nesta semana.
O contrato-padrão de minério de ferro para setembro na Bolsa de Cingapura ficou praticamente inalterado, a US$95,65 por tonelada.
As perdas nas principais siderúrgicas de Tangshan, centro siderúrgico da China, diminuíram em relação à semana anterior, embora as empresas continuem registrando prejuízo de mais de 100 iuanes por tonelada, de acordo com dados da consultoria Mysteel.
As taxas de frete permaneceram firmes, apesar da queda nos preços do petróleo, afirmaram estrategistas da Macquarie em uma nota.
Os preços do petróleo caíram nesta quinta-feira, à medida que os investidores avaliavam as perspectivas de uma demanda global mais fraca neste ano, embora tenham sido sustentados pela falta de avanços significativos nas negociações sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz e pelas interrupções no abastecimento. [O/R]
A força das taxas de frete está sendo impulsionada por volumes de carga maiores em relação ao ano anterior, períodos de carregamento mais longos devido a interrupções causadas por tufões no Pacífico e preços de combustível de bordo ainda elevados, acrescentaram os estrategistas da Macquarie.
Custos de frete mais altos tendem a sustentar os preços do minério de ferro transportado por via marítima.
As exportações totais de aço da China caíram para 2,06 milhões de toneladas na semana encerrada em 10 de agosto, uma queda de 447.900 toneladas em relação à semana anterior e 331.600 toneladas a menos do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados da Mysteel.
Outras matérias-primas para a produção de aço na DCE registraram queda, com o carvão coqueificável e o coque caindo 1,2% e 0,89%, respectivamente.
Os índices de referência do aço na Bolsa de Futuros de Xangai apresentaram queda. O vergalhão caiu 0,3%, o bobina laminada a quente perdeu 0,34%, o fio-máquina recuou 0,18% e o aço inoxidável registrou queda de 0,96%.
Valor - SP 14/08/2026
Atualmente, as montadoras americanas enfrentam tarifas de cerca de 25% sobre importações provenientes do México e do Canadá, mas veículos com maior proporção de conteúdo produzido nos EUA pagam menos impostos
As montadoras de Detroit planejam argumentar ao governo Trump que as propostas para um acordo comercial norte-americano revisado podem custar bilhões de dólares às empresas e prejudicar sua competitividade em relação aos rivais estrangeiros.
As fabricantes de automóveis dos Estados Unidos inda lutam para absorver a enxurrada de tarifas implementadas pelo governo em 2025, incluindo taxas sobre aço e alumínio, peças automotivas e veículos importados do México e do Canadá. Elas afirmam que concorrentes do Japão, da Coreia do Sul e da Europa enfrentam uma carga tarifária menor.
Agora, executivos do setor automobilístico americano temem que propostas dos EUA apresentadas antes das negociações previstas com autoridades comerciais mexicanas no próximo mês elevem ainda mais seus custos.
Um dos pontos mais controversos para as montadoras é a exigência de Washington de que os veículos tenham pelo menos 50% de conteúdo produzido nos Estados Unidos para se qualificarem a tarifas mais baixas, conforme a Reuters informou em maio.
Essa exigência, juntamente com uma proposta para aumentar o conteúdo total americano dos veículos em relação ao nível atual de 75%, acrescentaria pelo menos US$ 2 bilhões em custos anuais para cada uma das montadoras de Detroit, segundo estimativas de duas empresas do setor.
Essas despesas se somariam aos custos que as montadoras já vêm arcando em razão das diversas tarifas em vigor desde 2025.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) não respondeu a um pedido de comentário. Integrantes do governo afirmam que as medidas tarifárias têm como objetivo estimular investimentos em fábricas e a geração de empregos nos Estados Unidos.
A General Motors (GM) estima que as despesas brutas relacionadas às tarifas custarão entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões neste ano, o que pode representar mais de 20% de seu lucro operacional.
A Ford Motor calcula que o impacto líquido das tarifas será de cerca de US$ 1 bilhão neste ano.
Nova iniciativa de relocalização da Ford
Em um aparente sinal à Casa Branca de seu compromisso em produzir mais veículos domesticamente, a Ford anunciou na quarta-feira (12) que transferirá da China para fábricas americanas a produção de modelos da marca Lincoln destinados ao mercado dos EUA, citando as tarifas do governo Trump como um fator determinante para a decisão.
O presidente-executivo da Ford, Jim Farley, disse à Reuters na quarta-feira que a empresa talvez, inicialmente, não estivesse preparada para o comprometimento da administração em aumentar a produção automobilística nos EUA.
Mas a Ford, que já fabrica domesticamente uma parcela maior dos veículos vendidos nos Estados Unidos do que suas concorrentes de Detroit, entendeu o recado, afirmou ele.
“Percebemos muito rapidamente: ‘Olha, precisamos fazer algumas mudanças aqui’”, disse.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em entrevista conjunta, afirmou esperar que mais montadoras sigam os passos da Ford e da GM ao transferirem atividades fabris para os Estados Unidos.
“Trabalhamos juntos para acertar”, acrescentou Lutnick.
Autoridades dos EUA e do México estão planejando uma quarta rodada de negociações comerciais para o próximo mês. Autoridades comerciais canadenses vêm se reunindo com seus pares americanos nesta semana na tentativa de evitar uma nova rodada de tarifas contra o Canadá que está prevista para entrar em vigor na próxima semana.
Vantagens de montadoras asiáticas geram insatisfação
O American Automotive Policy Council (AAPC), entidade que representa Ford, GM e a fabricante do Jeep, Stellantis, remeteu a Reuters a um comunicado de 30 de junho no qual afirma que as montadoras americanas estão em desvantagem em relação às fabricantes japonesas, sul-coreanas e europeias, que exportam para os EUA e enfrentam uma tarifa fixa de 15%.
A presidente-executiva da GM, Mary Barra, afirmou em teleconferência de resultados realizada em julho que a empresa está focada em “garantir que as montadoras americanas consigam competir e vencer quando observamos quais são as tarifas aplicadas aos europeus, japoneses e coreanos”.
Um executivo do setor automobilístico dos EUA disse que Trump firmou acordos mais rapidamente com Coreia do Sul e Japão porque esses governos puderam defender os interesses de suas montadoras como parte de acordos comerciais mais amplos voltados à segurança nacional, enquanto as empresas automobilísticas americanas não tinham a mesma influência.
“Não temos um presidente ou primeiro-ministro que possa ligar para Trump em nosso nome”, disse o executivo.
Atualmente, as montadoras americanas enfrentam tarifas de cerca de 25% sobre importações provenientes do México e do Canadá, mas veículos com maior proporção de conteúdo produzido nos EUA pagam menos impostos.
A GM afirmou à Reuters que veículos com elevado conteúdo americano e norte-americano “devem receber tratamento melhor do que veículos que não o possuem” e acrescentou estar encorajada pelo progresso das negociações conduzidas pelo governo.
A Stellantis informou que vê as negociações com otimismo e está trabalhando com os três governos “para garantir que possamos fabricar e vender veículos acessíveis em toda a região”.
Infomoney - SP 14/08/2026
A construção civil brasileira continua crescendo e gerando empregos, mas cada vez mais apoiada nas obras de infraestrutura do que no mercado imobiliário tradicional. Essa foi a principal mensagem da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) ao divulgar, nesta quarta-feira (13), o balanço do segundo trimestre do setor e suas perspectivas para 2026.
A entidade manteve sua projeção de expansão de 1,2% para a construção civil neste ano, apesar de um ambiente marcado por juros elevados, custos acima da inflação e deterioração da confiança dos empresários. Segundo a CBIC, o avanço das concessões, das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e dos investimentos em saneamento vem compensando parte das dificuldades enfrentadas pelos segmentos mais dependentes do crédito.
“O melhor dinamismo das obras de infraestrutura e os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos, que ainda estão em execução, nos levaram a manter a projeção de crescimento”, afirmou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, durante a apresentação.
A leitura da entidade reflete uma mudança na composição do crescimento do setor. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, as obras de infraestrutura superaram a construção de edifícios na geração de empregos durante um primeiro semestre.
Entre janeiro e junho, a infraestrutura criou 64.793 vagas com carteira assinada, alta de 30,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, a construção de edifícios gerou 60.552 vagas, queda anualizada de 2,19%; e os serviços especializados para construção, 43.617 vagas, redução de 7,14%.
No mesmo intervalo, a construção civil como um todo abriu 168.962 postos formais, crescimento de 6,5%.
Para a CBIC, o desempenho está diretamente relacionado aos investimentos privados em projetos de saneamento e infraestrutura que começaram a sair do papel após mudanças regulatórias e leilões realizados nos últimos anos.
Segundo o presidente da entidade, Eduardo Almeida, dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) mostram que 84% dos investimentos em infraestrutura têm origem no setor privado.
Setor cresce, mas confiança piora
Se o mercado de trabalho continua resiliente, os indicadores de confiança e atividade contam uma história mais cautelosa. O Índice de Confiança do Empresário da Construção encerrou o primeiro semestre com 47,2 pontos, o menor nível desde 2016. Pela metodologia da pesquisa, resultados abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança.
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o problema não é apenas a queda recente da confiança, mas sua persistência.
“Uma coisa é uma falta de confiança pontual. Outra é uma persistência de falta de confiança por um período muito longo. Isso tende a se refletir em decisões de investimento, contratações e lançamento de novos empreendimentos”, afirmou.
Já a média do indicador “Nível de Atividade” da Construção ficou em 46,4 pontos nos primeiros seis meses de 2026, o menor patamar registrado desde 2020, ano da chegada da pandemia no Brasil, quando caiu para 39,1 pontos.
Juros seguem no centro das preocupações
A principal explicação para esse ambiente de cautela continua sendo a política monetária. Segundo a CBIC, desde que a taxa básica de juros passou a operar em dois dígitos, em 2022, ela figura entre os principais problemas apontados pelos empresários da construção que participaram do levantamento. No segundo trimestre deste ano, voltou a ocupar a primeira posição do ranking de preocupações do setor.
Na avaliação da entidade, os juros elevados afetam tanto a demanda imobiliária quanto a capacidade de investimento das empresas. Também contribuem para o aumento do endividamento das famílias, reduzindo o consumo de materiais de construção e limitando pequenas reformas residenciais.
A preocupação aparece inclusive nos indicadores ligados à cadeia produtiva. A produção de insumos típicos da construção recuou 4,1% entre janeiro e maio na comparação anual, enquanto as vendas do varejo de materiais de construção caíram 1%.
Crédito imobiliário reage
Apesar do cenário desafiador, o financiamento imobiliário apresentou recuperação no primeiro semestre. O volume financiado com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) somou R$ 160,3 bilhões entre janeiro e junho, avanço de 17,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O destaque ficou com o SBPE, principal fonte de crédito para imóveis de mercado, cujo volume financiado cresceu 28,55%, na comparação anual. Segundo a CBIC, o desempenho reflete mudanças regulatórias implementadas recentemente e o aumento do limite de financiamento dentro do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
No semestre, foram financiadas 563,4 mil unidades habitacionais, o melhor resultado para o período desde 2021.
Custos continuam pressionando
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44% nos 12 meses encerrados em julho, contra inflação de 4,44% medida pelo IPCA. Já o Custo Unitário Básico (CUB Brasil), calculado pela própria CBIC, subiu 7,06% em 12 meses até junho.
Materiais, equipamentos e mão de obra continuam pressionando os orçamentos. Entre os insumos que mais encareceram, a entidade destacou o fio de cobre, cujo preço médio aumentou mais de 21% no período. Também registraram altas expressivas itens como cimento, esquadrias, vidro e concreto.
Segundo a CBIC, parte dessa pressão está relacionada ao aumento dos custos de energia observado após os conflitos geopolíticos dos últimos anos. A entidade argumenta que muitos dos insumos utilizados pela construção possuem processos produtivos intensivos em energia, o que fez com que a alta do petróleo e de outros custos energéticos fosse repassada aos preços finais dos materiais.
“São geralmente insumos que dependem muito de energia”, explicou o presidente da CBIC, Eduardo Almeida, ao comentar o avanço dos custos de materiais. A economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, acrescentou que a alta do petróleo após os conflitos no Oriente Médio também ajudou a pressionar os preços dos insumos da construção.
O tema é fonte de preocupação em relação aos projetos habitacionais de interesse social. A CBIC informou que vem discutindo o tema com o governo federal, argumentando que a alta dos materiais pode comprometer a viabilidade econômica de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida que possuem preços previamente definidos e sem mecanismos adequados de reajuste.
Interiorização do crescimento
A apresentação também mostrou uma mudança geográfica da atividade. Embora São Paulo continue liderando a geração de empregos em números absolutos, a CBIC passou a analisar a criação de vagas proporcionalmente ao tamanho da população dos estados. Nesse critério, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina aparecem como os mercados mais dinâmicos do país.
O caso mais emblemático é o de Inocência (MS), município impulsionado pela construção de uma das maiores fábricas de celulose do mundo – o “Projeto Sucuri”, da Arauco. Segundo a entidade, a cidade tem cerca de 8 mil habitantes, mas atualmente abriga uma população flutuante próxima de 23 mil pessoas, o que vem estimulando simultaneamente obras de infraestrutura e construção de edifícios.
Para a CBIC, o movimento evidencia como os investimentos em infraestrutura estão se tornando um vetor de transformação econômica para regiões fora dos grandes centros tradicionais do país.
Valor - SP 14/08/2026
Foi o quarto mês seguido de retração no varejo ampliado
As vendas de material de construção caíram 3,5% em junho, perante o mês anterior, sob efeito da inflação no período, e pesaram sobre o varejo ampliado, segundo o gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Cristiano Santos, responsável pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). Também houve recuo de 1,5% em vendas de veículos e motos, partes e peças, outra influência negativa sobre o varejo ampliado, que registrou queda de 1%.
Este foi o quarto mês seguido de retração no varejo ampliado – que reúne as oito atividades do varejo restrito mais material de construção, veículos e atacarejo. Os recuos foram de 0,1% em março, 0,7% em abril e 0,3% em maio.
De acordo com Santos, a inflação da construção pesou sobre as vendas do segmento. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 1,19% em junho.
No caso dos veículos, houve influência do crédito, por causa dos juros altos, com recuo de 0,5% no crédito à pessoa física.
Infomoney - SP 14/08/2026
A alta dos custos da construção civil acima da inflação levou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) a abrir conversas com o governo federal sobre contratos do Minha Casa Minha Vida (MCMV), especialmente os da modalidade FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), voltado às famílias de menor renda.
Durante a apresentação dos dados do setor referentes ao segundo trimestre, ocorrida na manhã desta quinta-feira (12), o presidente da CBIC, Eduardo Almeida, afirmou que a principal preocupação da entidade é o descompasso entre o aumento dos custos dos materiais de construção e os preços fixados nos contratos habitacionais.
“Estamos em conversa com a Casa Civil. Os dados embasam claramente, com muito mais capilaridade que o INCC, como tem se comportado o custo dos materiais, bem acima da inflação”, disse.
Segundo Almeida, a escalada dos custos ganhou força após os conflitos geopolíticos internacionais e continua pressionando o setor.
“Isso tem preocupado muito o setor, principalmente no que se refere ao programa Minha Casa Minha Vida, modalidade FAR. Qual é a nossa preocupação? O preço do contrato é fixo, sem reajuste. Esse aumento de material iniciou muito fortemente após o início da guerra [no Oriente Médio] e tem permanecido em alta. Nossa preocupação é que os novos contratos não sejam mais atrativos e as pessoas que necessitam da moradia, as mais carentes, não possam tê-la. E também os contratos em andamento”, afirmou.
A avaliação da CBIC é que o atual cenário pode acabar pressionando a rentabilidade das construtoras e reduzindo o interesse por novos empreendimentos voltados à faixa de menor renda caso não haja mecanismos capazes de absorver parte da alta dos custos.
Custos avançam acima da inflação
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou alta de 6,44% nos 12 meses encerrados em julho, acima da inflação oficial de 4,44% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já o Custo Unitário Básico (CUB Brasil), indicador calculado pela própria CBIC a partir dos dados estaduais, avançou 7,06% em 12 meses até junho.
A pressão vem tanto da mão de obra quanto dos materiais. Segundo a entidade, o custo dos materiais aumentou 7,92% no período analisado pelo CUB Brasil, enquanto a mão de obra registrou alta de 6,33%.
Pela primeira vez, a CBIC também divulgou um levantamento nacional sobre a variação dos principais insumos da construção. O destaque ficou para o fio de cobre, cujo preço médio subiu 21,35% em 12 meses. Outros produtos, como cimento, esquadrias, vidros e portas, registraram aumentos superiores à inflação.
Energia e petróleo entram na conta
Na avaliação da entidade, parte relevante dessa pressão está ligada ao aumento dos custos de energia sobre a cadeia produtiva. Ao comentar o encarecimento dos insumos, Aroeira destacou que muitos dos materiais utilizados pela construção dependem de processos industriais intensivos em energia. “São geralmente insumos que dependem muito de energia”, afirmou.
“Teve também o conflito do Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, influenciando também o aumento dos insumos no setor”, complementou Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.
Segundo a CBIC, a trajetória dos custos permanece em alta, mesmo em um cenário doméstico de desaceleração da inflação ao consumidor.
Valor - SP 14/08/2026
A MRV aguarda uma alteração no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) que poderia melhorar a acessibilidade da classe média ao programa, com redução de juros para a faixa 3, que atende famílias com renda de R$ 5 mil a R$ 9,6 mil. O juros dessa faixa hoje vão até 8,16% ao ano.
Eduardo Fischer, co-CEO da MRV&Co, afirmou em teleconferência com analistas nesta quinta-feira (13) que não vê o período eleitoral como um entrave para que alterações desse tipo ocorram no programa.
Hoje, cerca de 20% da produção da MRV fica na faixa 3, com outros 20% na faixa 1. A maior parte da produção é focada na faixa 2, para rendas de R$ 3,2 mil a R$ 5 mil.
Também co-CEO da empresa, Rafael Menin afirmou que por volta de 40% das vendas da MRV contam, atualmente, com auxílio de programas estaduais de subsídio aos compradores.
Houve problemas com alguns desses programas. Concorrente da MRV, a Direcional reportou no seu balanço do segundo trimestre distratos feitos por causa da interrupção de parte dos programas.
Já Menin afirmou que a MRV “não tem nenhum problema com relação aos cheques estaduais, todos estão rodando bem”.
Um dos maiores problemas estava no Amazonas, mas a companhia já havia parado de comercializar unidades com o auxílio do programa estadual desde o fim de 2025. “Manaus é uma operação extremamente redonda para a MRV”, disse.
O co-CEO elogiou o fato de que parte dos governos estaduais estão conduzindo esses programas de forma mais madura, com previsão de gastos para todo o ano e um ritmo de desembolso que indica que não haverá problemas para 2026. “Para o ano que vem vai ter mudança de governo, orçamentos não foram aprovados, não sabemos o vem pela frente”, fez a ressalva.
A companhia espera aumentar o preço das unidades vendidas de acordo com a inflação, mas Fischer afirmou que há espaço para reajustes maiores, principalmente se ocorrer a atualização no MCMV.
A MRV tem buscado aumentar sua margem bruta, um processo de vinha ocorrendo nos últimos dois anos, afirmou Menin, mas teve seu ritmo interrompido neste segundo trimestre, quando o indicador cresceu 0,2 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, para 31,2%.
A causa, segundo a empresa, foram distratos provocados pela própria companhia em unidades vendidas fora do programa e que estariam com demora para efetuar os repasses. Segundo o diretor financeiro Ricardo Paixão, a medida trouxe impacto de R$ 100 milhões e deve ser contida apenas no segundo trimestre.
“Temos expectativa que daqui para a frente a margem voltará a subir na cadência que entregamos em 2024 e 2025”, disse Menin. A expectativa é que o patamar do indicador vá convergindo para a margem bruta de novas vendas, hoje em 35%.
Luggo
A operação de residenciais para renda da MRV no Brasil, a Luggo, deve vender seus últimos três ativos nos próximos meses, conforme memorando divulgado pela companhia neste mês. Perguntado sobre o que veem para o futuro do segmento, Menin afirmou que é um mercado que “vai crescer brutalmente ao longo dos próximos anos”, mas que a MRV só deve realizar novos projetos se conseguir acertar suas vendas para parceiros antes do lançamento, “e dentro das expectativas de retorno que achamos adequadas”. Foi assim com cinco prédios da Luggo, vendidos para a Brookfield em pacote antes do lançamento.
Resia
A divisão de residenciais para renda da MRV&Co nos Estados Unidos, Resia, ainda tem três terrenos para serem comercializados, além do empreendimento Golden Glades, previsto para ir a mercado até o começo de 2027, e o North City, esperado para ser vendido em 2028, mas que não está consolidado no balanço da holding.
A MRV&Co tem acelerado a venda de ativos da Resia, conforme seu plano de desinvestimento e desalavancagem, mesmo que as condições de venda façam com que “deixe dinheiro na mesa”. “Temos sido muito vocais nos trimestres de que a prioridade é caixa”, disse Menin. Segundo ele, a maior parte do caixa gerado pelas últimas vendas deve entrar no balanço da companhia ainda neste ano, com um “residual menor” para 2027.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2026
A LG vai ampliar sua participação no mercado brasileiro de linha branca, começando pela categoria de geladeiras. Para isso, investiu R$ 1,5 bilhão em uma nova fábrica em Fazenda Rio Grande (PR), que expande sua capacidade de produção no País e fortalece a estratégia de crescimento da companhia nesse segmento.
O investimento marca uma nova etapa da operação da empresa, que completa 30 anos de atuação no Brasil. Para Daniel Song, presidente da LG Electronics do Brasil, a trajetória construída ao longo dessas três décadas dá sustentação a esse novo momento da companhia no mercado brasileiro.
“Ao longo de 30 anos, construímos uma presença sólida, desenvolvemos conhecimento sobre o mercado e estabelecemos uma relação de confiança com consumidores, parceiros e colaboradores. Agora, estamos transformando essa trajetória em uma plataforma para o futuro.”
A escolha de Fazenda Rio Grande levou em consideração fatores como infraestrutura logística, disponibilidade de mão de obra qualificada, integração com fornecedores e potencial de expansão da operação. A fábrica passa a fazer parte da estrutura produtiva de uma companhia que mantém no Brasil um portfólio diversificado, com categorias como televisores, monitores, áudio, ar-condicionado residencial, climatização e outros eletrodomésticos. Com a produção local, a LG amplia sua capacidade de responder às particularidades do mercado brasileiro, combinando a experiência adquirida no País com as plataformas globais de tecnologia da companhia.
Consumidor mais exigente impulsiona o mercado
O crescimento da categoria acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Segundo Rodrigo Fiani, vice-presidente de Vendas da LG Brasil, a produção nacional também permite ajustar volumes, ampliar a oferta de modelos, reduzir prazos de abastecimento e aproximar as informações captadas pelo mercado das decisões da operação industrial. “O consumidor não procura apenas um eletrodoméstico que cumpra sua função básica; ele quer eficiência, conveniência, durabilidade e tecnologias que façam sentido no dia a dia.”
O executivo também destaca que, antes de comprar um eletrodoméstico, o brasileiro pesquisa especificações técnicas, avaliações, eficiência energética, reputação da marca e assistência técnica, tornando o processo de decisão mais criterioso.
Na categoria de refrigeradores, fatores como capacidade, organização interna, conservação dos alimentos, design e consumo de energia seguem entre os principais critérios de escolha. Ao mesmo tempo, cresce a procura por tecnologias que agreguem praticidade e eficiência ao dia a dia.
“O consumidor não busca tecnologia apenas pela novidade; ele valoriza aquilo que torna sua rotina mais simples e oferece ganhos concretos.”
Tecnologia aplicada às geladeiras LG
A primeira geladeira LG (Duplex B472) produzida na nova unidade reúne tecnologias voltadas para eficiência energética, conservação dos alimentos e praticidade. Entre elas estão:
Compressor Smart Inverter: reduz consumo de energia e ruído;DoorCooling+: resfriamento mais rápido e uniforme;Hygiene Fresh+: combate odores e melhora a conservação.
Segundo Edianne Menezes, gerente de Produtos da LG Electronics do Brasil, esses recursos refletem a evolução dos refrigeradores em direção a soluções que oferecem mais eficiência, praticidade e conveniência no dia a dia dos consumidores. “O valor dessas tecnologias estará, principalmente, na capacidade de transformar inovação em benefícios concretos para o consumidor.”
O modelo também conta com conectividade por meio do aplicativo LG ThinQ, que permite acompanhar o funcionamento do refrigerador e acessar funções remotamente, além do recurso Smart Diagnosis, que auxilia na identificação de eventuais necessidades de manutenção.
A nova fábrica foi concebida com processos digitais integrados desde sua implantação. Segundo a LG, a unidade reúne equipamentos conectados, sensores, automação e sistemas digitais de gestão que acompanham todas as etapas da produção, permitindo rastreabilidade dos componentes, controle de qualidade e maior eficiência operacional.
Planejada para operar de forma flexível e escalável, a fábrica poderá ampliar a produção e incorporar novos modelos conforme a evolução da demanda e da estratégia global da companhia.
Jornal de Brasília - DF 14/08/2026
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) decidiu nesta quinta-feira, 13, manter o edital elaborado pela Autoridade Portuária de Santos (APS) para a exploração da área destinada à instalação de um condomínio logístico na margem direita do terminal, mas determinou que o porto ajuste seu Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) para que ele fique compatível com a destinação do espaço.
O processo foi analisado porque a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) argumentava que a área ofertada no edital aparecia no PDZ como destinada à operação portuária, como movimentação de cargas e contêineres, e não como um empreendimento logístico.
A autarquia entendeu que, realmente, existe incompatibilidade entre o uso previsto no edital e o que consta no atual plano para o porto. Ainda assim, decidiu manter o resultado da disputa por considerar que a divergência não seria suficiente para a anulação.
O entendimento foi de que o PDZ é um instrumento de planejamento que pode ser atualizado para acompanhar mudanças nas necessidades operacionais e logísticas do porto. A diretoria também defendeu que as autoridades portuárias devem ter autonomia para estudar novas formas de utilização das áreas sob sua administração, desde que os ajustes necessários sejam formalizados.
A decisão determina que a APS apresente à agência, em até 15 dias, um cronograma para alterar o PDZ e adequá-lo ao projeto previsto para a área. O porto também deverá encaminhar as medidas necessárias ao Ministério de Portos e Aeroportos para aprovação da atualização do planejamento.
Valor - SP 14/08/2026
Pete Hegseth afirmou que embracações americanas que realizam operações contra Teerã podem ser substituídas periodicamente na região
As Forças Armadas dos Estados Unidos têm recursos suficientes para manter por tempo indeterminado um bloqueio naval ao Irã, afirmou nesta quinta-feira o secretário de Defesa, Pete Hegseth, acrescentando que os navios podem ser substituídos periodicamente na região conforme necessário.
As declarações de Hegseth sugerem que ele está dizendo ao presidente americano, Donald Trump, que as Forças Armadas dos EUA podem continuar exercendo pressão econômica sobre o Irã pelo tempo que for necessário para tentar contribuir com as negociações, que até agora não tiveram sucesso, para encerrar o conflito iniciado em fevereiro.
“A Marinha dos Estados Unidos pode manter indefinidamente um bloqueio como esse, porque vamos fazer um rodízio dos navios, como já temos feito, e continuaremos fazendo”, disse Hegseth a jornalistas.
Ele falou no Panamá depois de discursar para a tripulação a bordo do USS Gridley, um destróier equipado com mísseis guiados que havia sido anteriormente mobilizado no Oriente Médio.
Trump afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos controlam o Estreito de Ormuz.
“Os EUA têm controle total sobre o Estreito de Ormuz. Acho que vamos mantê-lo! Nosso bloqueio naval está sendo chamado por todos de ‘uma muralha de aço’, e não há nada que o Irã possa fazer a respeito”, escreveu em sua plataforma Truth Social.
Após o início da guerra, que começou com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã praticamente fechou o estreito, por onde antes passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo.
Posteriormente, os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval à navegação e aos portos iranianos, ao mesmo tempo que afirmaram que protegeriam a liberdade de navegação de embarcações com origem ou destino em portos não iranianos.
Washington enviou dezenas de milhares de militares ao Oriente Médio desde o início da guerra, além de mais de 20 navios de guerra.
Desde o início do bloqueio, as Forças Armadas americanas desviaram mais de 55 embarcações comerciais que tentavam furá-lo, incluindo três navios que foram incapacitados e outros dois abordados.
No início desta semana, um helicóptero MH-60 da Marinha dos EUA disparou dois mísseis Hellfire contra a casa de máquinas de um navio de bandeira panamenha depois que a embarcação ignorou advertências das forças americanas, segundo os militares.
Infomoney - SP 14/08/2026
Seis meses atrás, exportar petróleo do Golfo Pérsico era algo relativamente simples: produzir o crude ao menor custo possível, exportá-lo pela rota mais rápida e vendê-lo aos países que podem pagar mais.
Esses dias acabaram.
O transporte pelo Estreito de Ormuz, durante muito tempo a rota mais eficiente para as exportações, continua severamente reduzido por causa da guerra no Irã. Grande parte do petróleo que atravessa o estreito o faz em navios-tanque que enfrentam uma perigosa barreira de drones de ataque iranianos, ou navegam no escuro, com seus dispositivos de localização desligados. Pelo menos 17 marinheiros morreram na região.
Os países do Golfo, que por décadas produziram grande parte do petróleo mundial, agora estão determinados a romper sua dependência da estreita via marítima. Eles estão construindo ou expandindo oleodutos e outras infraestruturas que possam contorná-la, além de ampliar enormemente a capacidade de armazenamento em lugares como a Ásia.
Esses empreendimentos mostram como a guerra está transformando o negócio do petróleo no Golfo Pérsico. Custarão bilhões de dólares e levarão anos para serem concluídos, mas empresas e governos os consideram proteções essenciais em uma região cada vez mais volátil. Mesmo que um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã se materialize, os exportadores do Golfo reconhecem que depender excessivamente de uma única rota de trânsito é um risco que não podem mais correr. E essas medidas, com o tempo, podem diminuir a influência do Irã na região.
Irã: chefe de força paramilitar diz que Ormuz está sob o controle de Teerã
Os EUA e o Irã disputam o controle sobre a importante rota marítima
“Muita gente presume que o Estreito de Ormuz nunca mais terá a mesma participação nas exportações de petróleo que tinha antes da guerra”, disse Ben Cahill, analista de energia da Universidade do Texas em Austin. “Nenhum país do mundo quer voltar a depender tão fortemente desse ponto de trânsito.”
Os produtores de energia, disse ele, começaram a dar mais valor à segurança de sua infraestrutura, mesmo que isso tenha um custo maior e menos eficiência.
Antes de Estados Unidos e Israel iniciarem ataques militares contra o Irã em 28 de fevereiro, cerca de 20 milhões de barris de crude (petróleo bruto) por dia atravessavam o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico. Mas os bloqueios sobrepostos dos EUA e do Irã, minas marítimas, ataques com mísseis e custos de seguro disparados praticamente fecharam o estreito.
As exportações de crude pelo estreito caíram para cerca de 3,7 milhões de barris por dia na semana passada, segundo a Kpler, uma empresa de rastreamento marítimo. Para ser claro, mais petróleo do que isso está sendo exportado do Golfo, em parte por meio de navios que adotam medidas para dificultar o rastreamento. Milhões de barris por dia também estão saindo por rotas existentes, como oleodutos que não dependem do acesso ao Estreito de Ormuz.
Ainda assim, a frenética atividade por soluções duradouras para contornar o estreito é evidente em toda a região. Em Fujairah, cidade portuária dos Emirados Árabes Unidos voltada para o Golfo de Omã, equipes de construção trabalham 24 horas por dia para instalar um oleoduto secundário paralelo a uma tubulação existente que transporta petróleo de campos terrestres em Abu Dhabi.
O ambicioso projeto visa dobrar a capacidade de desvio do país para 3,6 milhões de barris por dia, permitindo que quase todo o crude terrestre de Abu Dhabi chegue a navios-tanque internacionais sem que as embarcações precisem usar o Estreito de Ormuz.
Além disso, a gigante estatal de energia dos Emirados, a Abu Dhabi National Oil Co. (ADNOC), disse esta semana que planeja gastar US$ 8,2 bilhões para expandir seu negócio de gás natural. A empresa também estuda planos para uma instalação de exportação de gás liquefeito em sua costa leste como forma de contornar o Estreito de Ormuz, disse Peter van Driel, diretor financeiro da ADNOC, à Bloomberg Television.
Na vizinha Arábia Saudita, a gigante estatal Aramco está acelerando uma expansão de bilhões de dólares em seu Oleoduto Leste-Oeste.
Projetado durante a guerra Irã-Iraque nos anos 1980, o oleoduto de 1.201 km (cerca de 746 milhas) atravessa a Península Arábica até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. O presidente da Aramco, Yasir Al-Rumayyan, chamou este ano o oleoduto de “tábua de salvação” econômica do reino, tendo redirecionado com sucesso cerca de 7 milhões de barris por dia desde que o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz após os ataques militares dos EUA e de Israel.
Autoridades sauditas estão trabalhando para adicionar mais 1 a 2 milhões de barris por dia, e também consideram um segundo oleoduto paralelo menor para produtos refinados de petróleo.
“Em termos de exportação de nosso crude, estamos buscando ativamente aumentar as opções agora”, disse Amin Nasser, CEO da Saudi Aramco, na semana passada.
A incerteza no Estreito de Ormuz também está estimulando empreendimentos conjuntos entre os produtores do Golfo.
O Kuwait está em negociações com a Arábia Saudita e outras nações árabes para construir um oleoduto que conecte os campos de petróleo do país a portos no Mar Vermelho ou em Omã. Iraque e Jordânia reavivaram planos há muito adiados para um oleoduto que poderia transportar até 1 milhão de barris por dia até o Porto de Aqaba, no Mar Vermelho, segundo reportagens da televisão estatal jordaniana. E o Iraque está acelerando planos para reconstruir um oleoduto danificado que transporta crude dos campos iraquianos em Kirkuk até a costa mediterrânea da Síria.
No entanto, muitas dessas soluções trazem um enorme atrito. O redirecionamento da rota comercial saudita transferiu o ônus da segurança para o Mar Vermelho e o Estreito de Bab-el-Mandeb — onde o grupo houthi no Iêmen vem atacando embarcações. Na terça-feira, seis pessoas morreram quando um navio foi atingido pelos houthis no Mar Vermelho.
Além de novos oleodutos, as nações do Golfo estão construindo apólices de seguro físicas a milhares de quilômetros de distância, expandindo o armazenamento em lugares como Coreia do Sul, Japão e Índia.
A lógica é simples: se o Estreito de Ormuz for fechado, o petróleo já está do outro lado do portão.
“Todo mundo está tentando adicionar mais capacidade de armazenamento”, disse Nasser, da Aramco, acrescentando: “A segurança energética está se tornando uma prioridade agora.”
E ainda assim, analistas observaram que, embora a guerra no Irã tenha exposto a dependência das nações do Golfo em relação ao estreito, ele nunca será eliminado por completo.
“Eles definitivamente precisam do Estreito de Ormuz porque ele traz muitas vantagens e a infraestrutura já está lá”, disse Carole Nakhle, CEO da Crystol Energy, uma consultoria. Mas, disse ela, “foi tolice confiar inteiramente em Ormuz.”
Petro Notícias - SP 14/08/2026
O ativo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, alcançou a produção acumulada de 4 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), tornando-se o primeiro ativo da história de 73 anos da Petrobrás a atingir essa marca. Primeiro sistema do pré-sal a iniciar a produção comercial, em 2010, Tupi exigiu o desenvolvimento de um novo modelo exploratório e de tecnologias pioneiras.
O marco ocorre no ano em que a empresa completa 20 anos de atuação na área. O ativo também voltou a superar, neste ano, a média de produção de 1 milhão de barris de petróleo por dia (bpd), patamar alcançado pela primeira vez em 2019.
“A produção em Tupi inaugurou uma nova era para a indústria petrolífera mundial. Nesses 20 anos, a camada pré-sal, onde também temos os campos super gigantes de Búzios e Mero, se revelou uma combinação única de grandes reservas, alta produtividade, petróleo com menor pegada de carbono e eficiência acima da média”, avalia a diretora de Exploração e Produção da Petrobrás, Sylvia Anjos.
O ativo de Tupi é operado pela Petrobrás, em parceria com a Shell e a Petrogal Brasil, além da PPSA, representante da União na Jazida Compartilhada de Tupi.
Atualmente, o pré-sal representa a principal fonte de produção da Petrobrás. Conforme o Plano de Negócios 2026-2030, a região poderá responder por até 82% da produção total da companhia no período. A produção total de petróleo e gás prevista até 2030 deverá ficar entre 3,1 milhões e 3,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
CNN Brasil - SP 14/08/2026
Os preços do petróleo caem nesta quinta-feira (13), após terem avançado ligeiramente em meio a impasse nas negociações entre EUA e Irã. Na véspera, os contratos futuros do Brent e WTI fecharam com alta de 7 centavos, a US$88,98 e US$83,27 o barril, respectivamente.
Já nesta manhã, os preços do petróleo tem ganhos limitados a medida os estoques comerciais de petróleo bruto registram o maior aumento semanal desde janeiro de 2023 e e a AIE (Agência Internacional de Energia) reduzi a previsão de crescimento da demanda mundial da commodity para 2026.
Às 11h11 (de Brasília), as cotações dos barris caem mais de 3%, a US$ 86,09 o Brent e US$ 80,42 o WTI.
Além dos dados, Washington e Teerã ainda trocaram acusações sobre um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, de importância estratégica vital. A rota é responsável pelo abastecimento de um quinto do petróleo mundial.
Os Estados Unidos afirmaram que o Irã não cumpriu suas obrigações, enquanto o Irã rebateu dizendo que Washington não havia cumprido sua promessa de encerrar o bloqueio aos portos iranianos.
A algumas horas dali, outros dois países mantém o conflito de anos. As forças armadas da Ucrânia atacaram uma refinaria de petróleo e um complexo petroquímico na república russa do Bascortostão, causando um incêndio.
A publicação no aplicativo Telegram do Estado-Maior ucraniano afirmou que o complexo estava localizado a cerca de 1.300 km da fronteira ucraniana e era responsável pelo fornecimento de combustível às tropas russas.
Petro Notícias - SP 14/08/2026
A EPR Participações, que venceu o leilão da concessão da BR-116 entre Curitiba e São Paulo, a Rodovia Régis Bittencourt, ao oferecer desconto de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio, está preparando uma lista de coisas a fazer. O novo contrato, com vigência até 2041, prevê aproximadamente R$ 7,2 bilhões em investimentos nos 383 quilômetros da rodovia, considerada um dos principais corredores logísticos entre as regiões Sul e Sudeste. O programa de investimentos contempla a ampliação da capacidade da rodovia, a recuperação da infraestrutura e melhorias operacionais e de segurança. Entre as intervenções anunciadas estão 69 quilômetros de duplicações, implantação de vias marginais, contornos urbanos e serviços permanentes de conservação e manutenção.
Para o transporte rodoviário de cargas, porém, o resultado da nova concessão dependerá da prioridade atribuída aos trechos mais congestionados e perigosos e do cumprimento dos cronogramas estabelecidos, a expectativa do setor é que os investimentos anunciados sejam convertidos em intervenções capazes de melhorar efetivamente a rotina das transportadoras. Segundo Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), a nova concessionária deverá concentrar esforços nos pontos que mais comprometem a operação.
“Os gargalos dessa região são conhecidos de qualquer transportadora: geometria deficiente na Serra do Cafezal, ausência de faixas adicionais em subidas longas, acostamentos precários e acessos mal projetados em travessias como Registro e Miracatu. A nova concessão precisa ir além do recapeamento e deve ampliar a capacidade viária nos trechos críticos, implantar terceiras faixas nos segmentos de serra e criar áreas de descanso adequadas aos motoristas”.
Congestionamentos, acidentes e interdições ao longo do trajeto acrescentam horas às viagens e reduzem a previsibilidade das entregas entre Paraná e São Paulo. Para as transportadoras, o tempo de espera representa maior consumo de combustível, despesas adicionais com motoristas, perda de janelas de entrega e dificuldade para cumprir compromissos em centros de distribuição, indústrias e terminais portuários. A insegurança também impacta o custo das operações, especialmente diante das ocorrências de roubo de cargas nos trechos próximos à Região Metropolitana de São Paulo e ao Vale do Ribeira. Além da execução das obras, a entidade defende acompanhamento permanente dos investimentos e maior participação dos usuários da rodovia na fiscalização do contrato. “A experiência com concessões anteriores nos ensina que contrato assinado não garante obra entregue. O SETCEPAR defende auditorias periódicas e públicas pela ANTT e pelo TCU, com indicadores claros de avanço físico e financeiro. O setor precisa de garantias reais, não de promessas”, finaliza Nery.
Exame - SP 14/08/2026
A inteligência artificial (IA) deve gerar R$ 48,2 bilhões em valor para a agropecuária brasileira entre 2027 e 2030. Mas, ao contrário do que ocorre em setores como comércio e serviços, o principal ganho no campo não estará na automação de tarefas realizadas por pessoas.
Segundo um estudo inédito do Reglab, think tank especializado em regulação e novas tecnologias, 92% desse impacto virá do aumento da eficiência de máquinas, equipamentos e sistemas utilizados na produção agrícola, enquanto apenas 8% será resultado do aumento da produtividade da força de trabalho.
O levantamento mostra que o agro foge ao padrão observado no restante da economia. Enquanto, no agregado nacional, cerca de 65% dos ganhos da IA são explicados pelo aumento da produtividade do trabalho e 35% pela melhoria do capital, na agropecuária essa lógica praticamente se inverte.
Para Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, o resultado reflete a própria estrutura produtiva do agronegócio.
"A agropecuária é um dos setores em que o capital pesa muito mais do que o trabalho. A produção depende fortemente de máquinas e equipamentos, enquanto boa parte das atividades humanas é predominantemente manual e, portanto, menos exposta à inteligência artificial", afirma.
Na prática, isso significa que a próxima onda de transformação do setor deverá ocorrer com a incorporação da IA em ativos físicos, como colheitadeiras, tratores, drones e sensores, capazes de tomar decisões em tempo real e elevar a eficiência da produção.
O relatório cita aplicações já presentes na agricultura de precisão, como drones para monitoramento das lavouras, sensores que acompanham umidade e nutrientes do solo, além de colheitadeiras capazes de ajustar automaticamente sua operação conforme as condições da cultura.
Segundo Ramos, diferentemente do que acontece em escritórios ou atividades administrativas, a inteligência artificial no agro tende a potencializar as máquinas, e não substituir trabalhadores.
O estudo faz um alerta: o potencial econômico de R$ 48,2 bilhões depende da expansão da infraestrutura digital no campo. Embora o levantamento não estime quanto o Brasil perde hoje por causa da baixa conectividade rural, Ramos afirma que a relação entre uma coisa e outra é direta.
"Sensores, drones, colheitadeiras conectadas e telemetria são essenciais para esse potencial. É razoável concluir que investir em infraestrutura digital no campo é condição para transformar essa projeção em realidade", afirma.
Recorde de produtividade
No agregado da economia, o Reglab estima que a IA poderá adicionar R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro até 2030, o equivalente a cerca de 0,69 ponto percentual de crescimento por ano.
Para ilustrar essa magnitude, Ramos faz uma comparação com um dos principais motores da economia brasileira.
"Em 2025, a agropecuária cresceu 11,7% e respondeu por cerca de 0,75 ponto percentual do PIB. O efeito projetado da IA equivale, aproximadamente, a uma safra recorde de grãos todos os anos durante quatro anos consecutivos", afirma.
Embora a agropecuária apareça atrás de setores como indústria, serviços e comércio em impacto econômico absoluto, o estudo mostra que isso está relacionado tanto ao peso de cada atividade na economia brasileira quanto à forma como a inteligência artificial é incorporada em cada segmento.
Entre 2027 e 2030, a IA deverá gerar R$ 264,2 bilhões para a indústria de transformação, R$ 165,4 bilhões para outras atividades de serviços, R$ 131,2 bilhões para o comércio, R$ 106,1 bilhões para a administração pública, saúde e educação, R$ 76,1 bilhões para as atividades financeiras e R$ 48,2 bilhões para a agropecuária.
"Na indústria, os dois canais funcionam juntos: o trabalhador fica mais produtivo e a máquina também. Já na agropecuária, o efeito vem quase totalmente das máquinas e equipamentos", diz Ramos.
CNN Brasil - SP 14/08/2026
A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 353 milhões de toneladas, 2% maior (ou mais 6,9 milhões de toneladas) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas), com aumento de 1,6% (ou mais 5,6 milhões de toneladas) em relação à de junho de 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (13).
Segundo o IBGE, a área a ser colhida foi de 83,1 milhões de hectares, com aumento de 1,5 milhão de hectares ante área colhida em 2025, crescimento de 1,8%. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou declínio de 62.805 hectares (-0,1%).
O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,4% da área a ser colhida.
Para a soja, a estimativa de produção do instituto foi de 174,9 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 141,8 milhões de toneladas (29,9 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 111,9 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas; a do trigo, em 6,4 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço), em 9,2 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 5,8 milhões de toneladas.
No que se refere à produção, ocorreram acréscimos de 5,3% para a soja e de 7,6% para o sorgo, bem como decréscimos de 6,7% para o algodão herbáceo (em caroço), de 11,3% para o arroz em casca, de 6,9% para o feijão e de 18,6% para o trigo. Para o milho, houve um crescimento de 59 371 toneladas (0,0%), com aumento de 16,4% para o milho 1ª safra e declínio de 3,6% para o milho 2ª safra).
Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 1,3% na área a ser colhida da soja, de 2,3% na do milho (aumentos de 8,4% no milho 1ª safra e de 0,8% no milho 2ª safra) e de 21,5% na do sorgo, ocorrendo declínios de 4,9% na do algodão herbáceo (em caroço), de 12,3% na do arroz em casca, de 4,4% na do feijão e de 19,3% para o trigo.