Globo Online - RJ 07/08/2026
A dinastia brasileira do aço está intensificando os esforços para conter o avanço da China na América Latina, em um exemplo de como a potência asiática pressiona concorrentes em todo o mundo.
A frente mais recente dessa disputa é o Peru, onde a Gerdau detém cerca de um terço da capacidade de produção de aço. A companhia pede ao novo governo conservador peruano que impeça uma concorrente chinesa de construir uma siderúrgica, alegando que o projeto não possui as licenças necessárias e criaria condições para concorrência desleal ao utilizar matéria-prima importada da China a preços inferiores aos custos de produção.
A empresa chinesa Acero Lima Shenglong SAC informou às autoridades peruanas que pretende construir uma usina com capacidade para produzir 700 mil toneladas de aço por ano, volume equivalente à capacidade local da Gerdau, mas ainda não solicitou as autorizações exigidas.
Autoridades confirmaram que há obras em andamento no terreno da Shenglong, ao sul da capital Lima, mas decidiram não abrir um processo de fiscalização após não conseguirem determinar se os trabalhos correspondem à construção da siderúrgica planejada.
A Shenglong afirmou, em e-mail à Bloomberg, que “no momento” não está construindo nada no Peru e recusou comentar o assunto.
O confronto coloca a Gerdau — maior fabricante de aço da América Latina, com usinas no Brasil, Peru, Argentina, Uruguai, México e EUA — diante da China, maior produtora e exportadora de aço do mundo.
O caso também representa um dos primeiros desafios para o governo da presidente Keiko Fujimori, que tem buscado estreitar relações com Washington e acaba de nomear como chanceler um diplomata que trabalhou por 15 anos na embaixada dos EUA em Lima. Ainda assim, será difícil ignorar a influência da China, principal parceiro comercial do Peru.
Na tentativa de pressionar as autoridades peruanas a interromper o projeto da Shenglong, a Gerdau colocou em espera investimentos planejados de US$ 45 milhões.
“O que pedimos é a interrupção imediata desse projeto”, afirmou em entrevista Aldo Tapia, responsável pelas operações da Gerdau no Peru. Segundo ele, os investimentos locais da companhia estão “em compasso de espera” porque a empresa está “muito preocupada com o futuro do ambiente jurídico e regulatório peruano”.
A Gerdau Brasil se recusou a comentar a reportagem ou disponibilizar seu presidente do conselho para entrevista.
Clã influente
A Gerdau é controlada pela bilionária família Gerdau, um clã com forte influência política no Brasil. A fortuna da família está altamente concentrada na companhia, e o valor de sua participação caiu desde que as exportações chinesas de aço dispararam no início dos anos 2000, embora as ações ordinárias da holding tenham avançado neste ano.
No mercado brasileiro, a Gerdau, sediada em Porto Alegre e São Paulo, atuou com sucesso para defender a adoção de tarifas sobre o aço chinês. Ao mesmo tempo, enfrentou os efeitos das tarifas dos EUA sobre importações de aço, abandonando planos de investimento no México que dependiam de exportações para o mercado americano.
Tapia afirma que o caso peruano é diferente porque a construção de uma usina vai além da prática tradicional da China de exportar o metal utilizado na construção civil. Se a fábrica planejada utilizar matéria-prima mais barata proveniente da China, poderá acabar violando regras de comércio justo.
— O problema é que a China adota práticas comerciais desleais por meio de preços de dumping — disse Tapia, acrescentando que Pequim subsidia os custos de produtos destinados à exportação, que chegam ao mercado “em um patamar com o qual não conseguimos competir”.
Embora o Peru não tenha imposto tarifas sobre o aço chinês, seu órgão de defesa da concorrência, o Indecopi, concluiu em julho que alguns produtos siderúrgicos chineses foram vendidos a “preços artificialmente baixos”, prejudicando a indústria local.
Como muitos países latino-americanos, o Peru historicamente manteve boas relações tanto com Washington quanto com Pequim. O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, aumentou a pressão sobre aliados da região para que escolham um dos lados.
A China exerce papel de destaque na economia peruana, não apenas por comprar a maior parte do cobre produzido pelo país. Em 2024, o presidente chinês Xi Jinping inaugurou o porto de Chancay, de US$ 1,3 bilhão, um dos maiores da América do Sul.
Dúvidas sobre licenciamento
A agência peruana de licenciamento ambiental, Senace, afirmou em comunicado à Bloomberg que a Shenglong apresentou documentação preliminar indicando a intenção de construir uma siderúrgica em Chilca, cerca de 80 quilômetros ao sul de Lima.
Segundo a Senace, a empresa ainda não apresentou o estudo de impacto ambiental, cuja aprovação é obrigatória antes do início de qualquer obra. Inspetores visitaram o terreno da Shenglong em março e verificaram que “obras de grande porte” estavam sendo realizadas exatamente na área destinada à futura siderúrgica, segundo relatório da agência.
A ampla presença da Gerdau na América Latina a expõe à concorrência chinesa em diversas frentes, mais do que outras grandes siderúrgicas da região, como CSN e Usiminas, que concentram suas operações no Brasil.
A China produz mais aço do que seus nove concorrentes mais próximos juntos, segundo a World Steel Association. A produção global supera amplamente a demanda, e a China exporta grande parte do aço que não consome internamente.
— Há uma capacidade excedente promovida pela China para ampliar as exportações e conquistar mercados e cadeias globais de suprimento— afirmou Ezequiel Tavernelli, diretor executivo da Alacero, entidade que representa siderúrgicas latino-americanas, incluindo a Gerdau.
As exportações chinesas de aço para a América Latina quase quadruplicaram nos últimos 15 anos, segundo dados da Alacero.
Pequim reconheceu o excesso de capacidade e prometeu reduzir a produção de aço, com resultados mistos.
O presidente do conselho da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, tataraneto do fundador da empresa, afirmou no ano passado que a indústria siderúrgica brasileira já chegou “ao limite” por causa da concorrência chinesa. O Brasil é o maior consumidor de aço da região e o principal mercado da Gerdau.
Cavalos e aço
A Gerdau foi fundada em 1901 por João Gerdau, imigrante alemão radicado no Sul do Brasil. A companhia expandiu-se rapidamente no fim do século 20 sob o comando do então diretor-presidente Jorge Gerdau, que liderou a internacionalização da empresa até o início dos anos 2000, incluindo a compra da Siderúrgica del Peru SAA, então controlada pelo Estado.
Embora a família Gerdau detenha apenas 10% da siderúrgica, segundo cálculos da Bloomberg, a empresa possui uma estrutura de duas classes de ações que permite ao grupo manter o controle.
Jorge Gerdau é apaixonado por cavalos há décadas, e seu filho André conquistou duas medalhas olímpicas de bronze pelo Brasil no hipismo, na modalidade salto.
Em 2006, Jorge Gerdau assumiu a presidência do conselho, e a empresa nomeou André como diretor-presidente. Em 2011, Jorge também se tornou um conselheiro próximo da então presidente Dilma Rousseff e consolidou a reputação de empresário com grande habilidade política. Naquele momento, o aço chinês começava a surgir como um desafio para as siderúrgicas latino-americanas.
Em 2004, a Gerdau afirmou que a demanda chinesa havia ajudado a empresa a alcançar “lucros recordes”. A companhia chegou a estudar a instalação de uma usina própria na China para atender ao mercado em expansão. O projeto nunca saiu do papel e, em 2014, André Gerdau alertava que as exportações de aço chinês para Brasil, Argentina e México haviam mais que dobrado.
— São números impressionantes— afirmou na época.
O Estado de S.Paulo - SP 07/08/2026
Depois da confusão causada em junho, o Banco Central (BC) optou pela concisão ao reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano. Não houve surpresas em relação à decisão, que já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, mas o curto comunicado divulgado após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ainda que não tenha sinalizado claramente quais serão os próximos passos a serem adotados, ao menos não abriu margem para contradições.
De fato, são tantas as incertezas que parece prudente deixar todas as possibilidades em aberto até a próxima reunião, em setembro. No exterior, a duração dos conflitos no Oriente Médio permanece uma incógnita. Já no mercado doméstico, há alguns sinais de que a economia perdeu força, a despeito de todas as medidas eleitoreiras que o governo Lula lançou nos últimos meses.
Sobre isso, o BC não dourou a pílula, ao reconhecer que os “desenvolvimentos da política fiscal” impactam a política monetária e os ativos financeiros e reforçam incertezas. Manteve, também, a menção a “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”.
Entre os analistas, há quem veja motivos de sobra para continuar a reduzir a Selic, assim como há quem avalie que o espaço para cortar os juros se exauriu. O fato é que há uma grande diferença entre as projeções de inflação para o primeiro trimestre de 2028 – o chamado “horizonte relevante”, que guia as decisões do Copom. Para o BC, elas continuam em 3,2%; para o mercado financeiro, segundo a última edição do Boletim Focus, elas estão em 3,8%. De qualquer forma, ambas permanecem acima do centro da meta, de 3%.
O balanço de riscos que o BC avalia para tomar suas decisões também continua assimétrico, ou seja, com mais chances de a inflação subir do que cair. Além da guerra, das medidas do governo e das expectativas de inflação, permanecem os potenciais efeitos do Super El Niño na produtividade do agronegócio e as pressões do setor de serviços na inflação. Na outra ponta, figuram a desaceleração da economia no País e no exterior e a redução nos preços das commodities.
A ata da reunião, a ser divulgada na próxima semana, pode ajudar a dissipar algumas dúvidas sobre o cenário, mas é improvável que traga sinalizações mais explícitas sobre a visão do BC. Escaldado pelos ruídos da reunião anterior, o Copom parece decidido a incorporar o estilo lacônico que o banco central norte-americano adotou sob a direção de Kevin Warsh, que assumiu o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês) em maio deste ano, sob as bênçãos do presidente dos EUA, Donald Trump.
Uma coisa é evitar se comprometer com decisões futuras sobre os juros, o que os bancos centrais têm todo o direito de fazer, sobretudo em momentos de tanta instabilidade. Outra, bem diferente, é tomar uma decisão em um sentido quando os dados indicam o oposto. O problema, nesse caso, não foi excesso de informação, mas falta de coerência, algo crucial para a credibilidade das instituições.
De um lado, a desaceleração da inflação nos últimos dois meses, por exemplo, está bastante relacionada às ações para conter os preços dos combustíveis e ao comportamento dos alimentos, que costuma recuar nessa época do ano. Do outro, as medidas para expandir o acesso ao crédito lançadas pelo governo mal começaram a fazer efeito, e o Executivo já cobrou que os bancos públicos abram o cofre e flexibilizem restrições para os encalacrados.
Se os juros cairão ou não em setembro, não se sabe, mas é certo que eles seguirão em nível muito elevado. Uma redução estrutural da Selic depende, necessariamente, de um duro ajuste fiscal, algo sobre o qual nem o presidente Lula nem os candidatos da oposição querem falar neste momento. Enquanto isso não ocorrer, as contas públicas permanecerão desequilibradas, a trajetória da dívida continuará com viés de alta e a inflação seguirá sob pressão, razão pela qual não há motivo para esperar taxas mais civilizadas.
O Estado de S.Paulo - SP 07/08/2026
Kevin Warsh coloca o combate à inflação no centro da política monetária, reduz a sinalização sobre os próximos passos e mantém em aberto o risco de juros mais altos
Quais são os fatores que contribuem para a inflação?
Arthur Burns foi presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, em boa parte da década de 70. Entrou para a história como sendo responsável pela perda de controle da inflação nos EUA ao não reagir adequadamente ao choque do petróleo e ceder às pressões políticas para manter os juros baixos (houve picos de inflação perto de 10%).
O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, corria o risco de repetir a história, ainda que em grau mais moderado. A percepção dos mercados era de que Warsh poderia ser mais flexível na perseguição da meta de inflação e que seria mais às pressões políticas. Além disso, também assumiria o Fed justamente no momento de um choque do petróleo comparável ao de 1973. Certamente ciente desses riscos, a estreia do novo presidente mostrou justamente uma guinada para direção oposta.
As primeiras medidas do presidente foram no sentido de reforçar o compromisso central do Fed de garantir a estabilidade de preços. Podemos mesmo dizer que representam um plano para desmontar o arcabouço mais complexo e confuso de política monetária que se criou depois da Crise de 2008 e que foi ampliado na Pandemia de 2020.
De fato, a inflação abaixo da meta depois de 2008 justificava a adoção de diversos novos instrumentos, como a indicação futura sobre a trajetória de juros (na expressão em inglês, forward guidance) ou o manejo da política monetária pelo balanço do Fed. Esse arcabouço, que serviu muito adequadamente naquele período após 2008, contudo, agora está sendo questionado.
A nova postura do Fed
Antes de entrarmos exatamente nessas propostas iniciais de modificações, é preciso avaliar de forma mais cuidadosa os sinais sobre a aparente disposição a perseguir a meta de inflação a todo custo. Kevin Warsh encontrava-se em posição desfavorável, com sua credibilidade como banqueiro central sendo questionada.
A credibilidade de bancos centrais é crucial para ancorar as expectativas de inflação e, nesse sentido, é o ativo mais valioso de uma autoridade monetária. Deveríamos, portanto, levar a valor de face essa postura de “perseguir a meta a todo custo” ou essa sinalização diz mais respeito a uma estratégia de comprar credibilidade em início de mandato? Essa dúvida persistirá por mais algum tempo. O teste efetivo serão as decisões práticas.
Reforma da política monetária coloca inflação no centro das decisões
De volta aos planos de reforma da política monetária, podemos elencar os seguintes pontos: (1) elevar o peso da importância da inflação em relação ao emprego nas decisões (“foco na entrega da meta de inflação”); (2) rever a comunicação; (3) rever o uso de ferramentas diferentes da taxa de juros para conduzir a política monetária; (4) rever como a análise da economia é realizada.
Mudanças já foram colocadas em prática na reunião de política monetária do Fed de junho, especialmente nos dois primeiros temas. De todo modo, todos os temas serão discutidos por grupos de trabalho que entregarão, dentro de alguns meses, uma análise final. A diretoria do Fed será responsável pelas decisões finais.
Também foi criado um grupo de trabalho que não está relacionado a uma reforma da política monetária, mas sim ao tema conjuntural de como a Inteligência Artificial pode afetar a economia.
A teoria econômica e a prática de bancos centrais há muito tempo mostraram que não existe forma de trocar inflação por crescimento. Os bancos centrais conseguem controlar, ainda que de forma imperfeita, a inflação. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), contudo, depende de um conjunto de fatores muito mais amplo.
A nova gestão do Fed recupera essa visão tradicional, propondo que as decisões sobre as taxas de juros dependam mais do comportamento e da perspectiva sobre a inflação. Há implicações práticas sobre essa mudança. Se estivesse em vigor no ano passado, o Fed não teria reduzido a taxa de juros de 4,50% para os atuais 3,75%. As decisões de reduzir a taxa de juros em setembro, outubro e dezembro de 2025 foram motivadas exclusivamente pelo temor de aumento da taxa de desemprego.
Olhando adiante, essa nova postura tira do radar cortes de juros pelos próximos trimestres e introduz riscos efetivos de que o Fed reverta parte ou a totalidade dos cortes de juros do final do ano passado.
Podemos dizer que o essencial do plano de reforma da comunicação já foi colocado em prática. A principal mudança é não fornecer indicação sobre as decisões futuras. O comunicado do Fed passou a não trazer sinalização sobre o futuro e os membros da instituição modificaram sua forma de discutir as decisões futuras.
Kevin Warsh, de forma mais enfática, tem rejeitado por completo fornecer sinalizações em seus discursos ou entrevistas mais recentes. O presidente do Fed também não enviou suas projeções para o painel de projeções que os membros da instituição informam a cada duas reuniões (“Resumo de Projeções Econômicas”).
A principal tarefa do grupo de trabalho sobre comunicação, portanto, parece ser prover o embasamento técnico e o suporte institucional para remover o Resumo de Projeções Econômicas.
Balanço do Fed e modelos econômicos entram na mira da reforma
O Fed tem em seu balanço de ativos US$ 6,7 trilhões. Antes da Crise de 2008, os ativos detidos eram de US$ 890 bilhões. Cresceram até atingirem o pico de US$ 4,5 trilhões, caíram para US$ 3,8 trilhões em 2019 e chegaram a impressionantes US$ 9 trilhões depois da Pandemia.
No momento, cerca de 70% do total correspondem a financiamento ao Tesouro por meio de títulos públicos, e 30% correspondem a financiamento indireto para compra de imóveis residenciais. Aqui o desafio do novo presidente será grande, uma vez que tentativas anteriores de redução do balanço geraram problemas de liquidez no sistema financeiro americano.
Por trás da preocupação com o balanço do Fed está a sensação, difusa entre analistas econômicos, de que sua dimensão pode ser responsável por alimentar a inflação ou bolhas de ativos.
Para o segundo conjunto de reformas, é preciso rever como a análise da economia é realizada. Para isso, foram constituídos dois grupos de trabalho: um sobre a produção e utilização de dados econômicos e outro sobre modelos econômicos.
Aparentemente a intenção é que o Fed influencie outras instituições do governo responsáveis pela produção de indicadores econômicos a produzirem dados mais tempestivos e de melhor qualidade. Nos últimos anos, as revisões dos dados de emprego resultaram em grandes mudanças no retrato da economia, produzindo grande confusão.
No outro grupo de trabalho (modelos econômicos), a dificuldade será introduzir grandes novidades. Há muita pesquisa e formulação de modelos a toda hora para tentar entender e prever o funcionamento da economia. Devemos esperar mudanças incrementais.
IA, comunicação e incertezas sobre os próximos passos dos juros
Por fim, Kevin Warsh reforçou a atenção do Fed às implicações da Inteligência Artificial. No momento, o enorme investimento nesse setor é claramente um impulso para a economia dos EUA. Mas será que, no futuro, provocará um grande salto de produtividade com efeito desinflacionário?Provocará um grande aumento do desemprego? Contudo, a IA não deve afetar as decisões do Fed no curto prazo.
Confira: O boom de investimento em inteligência artificial seguirá impulsionando a economia americana
Muito mais polêmica tem sido a abordagem da nova direção do Fed sobre a condução prática da política monetária. Em geral, a previsão da trajetória da política monetária para qualquer economia envolve três ingredientes mais importantes: (1) a perspectiva para a inflação e atividade; (2) a função de reação do banco central; (3) a sinalização do banco central.
Como dissemos, a sinalização sobre as decisões futuras foi descartada como prática. Seria um passo que exigiria alguma adaptação dos mercados, mas relativamente fácil de ser absorvido. Entretanto, a nova comunicação do Fed também removeu o ingrediente fundamental da “função de reação”.
O compromisso com a meta de 2% foi reforçado, mas com baixa clareza sobre o prazo para o alcance dela, sobre o diagnóstico da situação atual da inflação e atividade e sobre como o Fed reagiria a diferentes cenários futuros.
O debate dos mercados passou a se concentrar na leitura de que a inflação é o foco do Fed e que o comportamento dos indicadores de inflação de curto prazo determinará se haverá um ciclo de alta de juros. Contudo, a incerteza sobre a função de reação e a ausência de um diagnóstico do Fed sobre as condições atuais da economia complicam bastante o entendimento sobre a estratégia.
A inflação subjacente está alta ou baixa na visão do Fed? Ainda que haja algum arrefecimento da inflação, ele será suficiente? Qual peso ainda existirá para os indicadores de atividade?
Nossas projeções para a inflação americana indicam alguma redução da pressão de preços ao consumidor nos próximos meses. A gradual redução dos efeitos secundários da elevação de tarifas de importação, realizada em 2025, e do choque do petróleo é o principal motivo.
Além disso, o esfriamento do setor imobiliário residencial tem resultado em trajetória decrescente para a inflação de serviços. De forma mais ampla, a pressão de aumentos de salários arrefeceu nos últimos trimestres, o que aponta para alguma moderação dos demais preços, especialmente no setor de serviços. Por esse motivo, temos mantido o cenário base de ausência de elevação de juros pelo Fed.
As medidas e sinalizações do novo presidente do Fed, portanto, o afastaram de Arthur Burns. Ainda há dúvidas sobre o grau de rigor com a perseguição da meta de inflação. Interpretado literalmente, esse rigor significaria que a taxa de juros precisaria voltar ao patamar de 4,50% de 2025. O risco de um eventual ciclo modesto de elevação de juros permanecerá em debate no segundo semestre, mas minha visão atual é que um aumento de juros poderá ser evitado.
Globo Online - RJ 07/08/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,07 bilhões em julho, indicando que o país exportou mais que importou no mês passado.
Em julho, o Brasil exportou o equivalente a US$ 34,12 bilhões e importou US$ 27,05 bilhões, segundo os dados preliminares divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
O desempenho do comércio exterior no mês passado ficou estável em relação ao registrado no mesmo período de 2025, apesar do recuo de 5% nas vendas para os Estados Unidos no mês em que o presidente Donald Trump impôs novas tarifas de importação a produtos brasileiros. Foram US$ 3,64 bilhões em artigos enviados para a maior economia do mundo no mês passado.
A sobretaxa de 25% imposta pelo governo dos EUA sobre os produtos brasileiros importados pelos americanos começou a vigorar a partir de 25 de julho, sob a acusação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, portanto não é possível dizer que houve um impacto significativo no mês.
Houve um prolongamento de uma queda nas vendas para os EUA que já vem desde o ano passado, quando Trump lançou uma série de outras tarifas contra o Brasil. Portanto, um impacto maior do novo tarifaço na relação comercial entre os dois países pode surgir nos dados a partir deste mês.
As tarifas do governo Trump reduzem a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA, que ficam mais caros para o consumidor final americano ou empresas que importam insumos do Brasil.
US$ 388 bi em 7 meses
Já as exportações para a China, segundo maior PIB global e principal parceiro comercial do Brasil, continuaram crescendo e atingiram US$ 10,673 bilhões, aumento de 8,6% em relação ao valor embarcado em julho de 2025.
No acumulado do ano até 31 de julho, as exportações brasileiras totalizam US$ 218,55 bilhões, e as importações, US$ 169,51 bilhões, com saldo positivo de US$ 49,04 bilhões. A corrente de comércio (soma das exportações e das importações do país) alcançou US$ 388,065 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio.
Impacto do novo tarifaço ainda por vir
Além da sobretaxa específica de 25% sob a Seção 301 da lei de comércio exterior americana, o Brasil também entrou numa lista de 60 economias penalizadas com tarifa de 10% a 12,5% sobre suas exportações para os EUA sob a alegação de que não têm políticas eficazes para coibir produtos originados em trabalho forçado. A sobretaxa no caso brasileiro foi de 12,5%.
No entanto, nos dois casos, há uma lista extensa de exceções. O Mdic estima que apenas 23,1% da pauta de exportações do Brasil para os EUA foi afetada pelo novo tarifaço de Trump. O governo brasileiro chegou a falar em retaliação comercial, mas ainda não adotou qualquer medida neste sentido.
Um agravante do efeito da taxação de exportações brasileiras nos EUA é que ela recai principalmente sobre produtos industrializados, de maior valor agregado. A indústria brasileira tem nos EUA um de seus principais mercados. Já commodities agrícolas e minerais, como café e petróleo, foram isentas da sobretaxa em uma longa lista de exceções.
Exame - SP 07/08/2026
O governo dos Estados Unidos arrecadou US$ 166 bilhões com as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump desde o retorno do republicano à Casa Branca, em 2025. No entanto, dados divulgados pela AFP nesta quarta-feira, 5, mostram que o governo já encaminhou US$ 100 bilhões em reembolsos aos importadores após a decisão de fevereiro da Suprema Corte que considerou ilegais parte dessas cobranças. Com isso, a receita líquida da política tarifária foi reduzida para aproximadamente US$ 66 bilhões.
Apesar da arrecadação bilionária, o impacto sobre as contas públicas permanece relativamente limitado.
Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, no ano fiscal de 2025, encerrado em setembro, o governo federal registrou um déficit de aproximadamente US$ 1,75 trilhão, resultado de US$ 7,01 trilhões em despesas diante de cerca de US$ 5,26 trilhões em receitas.
Assim, a receita líquida de US$ 66 bilhões obtida com as tarifas corresponde a cerca de 3,8% do déficit registrado no último ano fiscal e a aproximadamente 1,3% da arrecadação federal.
Esse desequilíbrio fiscal reflete principalmente os elevados gastos obrigatórios do governo americano, especialmente com Previdência (Social Security), Medicare, defesa nacional e o pagamento de juros da dívida pública, hoje a segunda maior categoria de despesas do orçamento federal.
Suprema Corte obrigou governo a devolver parte das tarifas
Segundo documentos judiciais obtidos pela AFP, o governo americano arrecadou aproximadamente US$ 166 bilhões ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas sobre dezenas de parceiros comerciais.
Em fevereiro, porém, a Suprema Corte concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao utilizar a legislação de emergência para criar tarifas generalizadas. A decisão não atingiu as tarifas setoriais, como as incidentes sobre aço, alumínio, cobre e madeira.
Até 31 de julho, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) havia aceitado para processamento cerca de US$ 128,68 bilhões em pedidos de reembolso apresentados pelos importadores. Desse total, aproximadamente US$ 100 bilhões já haviam sido encaminhados ao Departamento do Tesouro para pagamento.
Na prática, isso significa que, dos US$ 166 bilhões arrecadados originalmente, apenas cerca de US$ 66 bilhões permaneceram efetivamente nos cofres do governo até o momento.
Mesmo após a derrota judicial, Trump voltou a anunciar novas tarifas contra dezenas de parceiros comerciais, o que abriu uma nova rodada de disputas judiciais.
Gastos públicos seguem crescendo
Enquanto a política tarifária enfrenta contestação na Justiça, as despesas do governo americano continuam aumentando.
Segundo o Departamento do Tesouro, os gastos federais somaram US$ 5,52 trilhões entre outubro de 2025 e junho de 2026, um aumento de US$ 172 bilhões em relação ao mesmo período do ano fiscal anterior, alta de 3%.
Os recursos financiam principalmente programas de Seguridade Social, Medicare, Defesa Nacional, benefícios para veteranos, saúde, transporte, educação e o pagamento dos juros da dívida pública.
No setor da defeda, a guerra no Irã, por exemplo, já custou $ US$ 37,5 bilhões até o dia 21 de julho, de acordo com o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth. A tendência é de que esse gasto continue aumentando.
No mês passado, a Câmara dos Representantes aprovou um projeto que prevê US$ 1,1 trilhão para o orçamento anual das Forças Armadas (NDAA), além de um pacote orçamentário adicional de US$ 95 bilhões, dos quais mais de US$ 70 bilhões seriam destinados especificamente ao esforço militar no conflito com o Irã. Ambas as propostas ainda precisam passar pelo Senado.
IndicadorValor
Receita bruta obtida com tarifasUS$ 166 bilhões
Valor encaminhado para reembolsoUS$ 100 bilhões
Receita líquida das tarifasUS$ 66 bilhões
Déficit fiscal dos EUA (FY2025)US$ 1,75 trilhão
Receita federal (FY2025)US$ 5,26 trilhões
Participação da receita líquida das tarifas no déficit3,8%
Participação da receita líquida das tarifas na arrecadação federal1,3%
Gastos federais acumulados em FY2026 (out.2025-jun.2026)US$ 5,52 trilhões
Aumento dos gastos em relação ao mesmo período anteriorUS$ 172 bilhões (+3%)
O avanço das despesas ocorre em um momento de desaceleração da economia americana. Conforme divulgado pelo governo na semana passada, o PIB dos Estados Unidos cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo dos 2% registrados no trimestre anterior, enquanto a inflação acelerou para 5,7%.
Apesar do ritmo mais fraco da atividade, o consumo das famílias e os investimentos privados, especialmente em inteligência artificial, continuaram sustentando parte do crescimento econômico, enquanto os gastos públicos permanecem elevados.
Infomoney - SP 07/08/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 7,067 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 6, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor foi alcançado com exportações de US$ 34,119 bilhões e importações de US$ 27,052 bilhões.
O resultado de julho ficou abaixo da mediana das estimativas do mercado financeiro apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 8,1 bilhões, após saldo positivo de US$ 9,758 bilhões em junho.
As projeções do mercado financeiro para esta leitura iam de US$ 7,2 bilhões a US$ 8,9 bilhões.
Exportações e importações
Em julho, as exportações registraram alta de 6,2% na comparação com o mesmo mês de 2025, com crescimento de 9,3% em Agropecuária, que somou US$ 7,823 bilhões; alta de 10,8% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 8,234 bilhões; e, por fim, crescimento de 2,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 17,834 bilhões.
As importações subiram 7,6% em julho ante o mesmo mês de 2025, com queda de 4,1% em Agropecuária, que somou US$ 478,2 milhões; alta de 31,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 1,323 bilhão; e, por fim, crescimento de 6,9% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 28,088 bilhões.
Acumulado de 2026
A balança comercial brasileira acumulou superávit comercial de US$ 49,039 bilhões no ano até julho, segundo os dados da Secex do MDIC. O valor foi alcançado com exportações de US$ 218,552 bilhões e importações de US$ 169,513 bilhões e é 31,9% maior do que no mesmo período de 2025.
No acumulado de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações registraram alta de 10,5%, com crescimento de 9,2% em Agropecuária, que somou US$ 50,481 bilhões; alta de 21,3% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 54,355 bilhões; e, por fim, crescimento de 6,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 112,500 bilhões.
As importações subiram 5,5% de janeiro a julho de 2026 ante o mesmo período de 2025, com queda de 14,7% em Agropecuária, que somou US$ 3,187 bilhões; alta de 3,3% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,213 bilhões; e, por fim, crescimento de 6,1% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 158,004 bilhões.
Infomoney - SP 07/08/2026
Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em cortar a Selic em mais 0,25 ponto percentual, levando-a a 14%, o mercado analisa, agora, os próximos passos dos juros no Brasil. De acordo com a XP, o choque de custos e a inflação justificam uma pausa na calibração dos juros ao longo deste ano, voltando a cortes maiores no ano que vem. O cenário mudaria caso os sinais de desaceleração da atividade e da inflação se confirmem antes do esperado.
Rodolfo Margato, economista da XP, afirma que, na economia real, uma série de preocupações vêm se somando, como a onda inflacionária impulsionada pelos choques globais e fatores climáticos, como o El Niño. Essa visão de cautela na ponta final da economia é endossada pelo contato direto com o setor produtivo. “A gente percebe uma série de incertezas. O nível de juros ainda é alto, é restritivo, tem um grau elevado de endividamento das famílias e das empresas”, afirma Margato, durante o programa Morning Call.
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Margato também destacou os receios com as contas públicas e as mudanças regulatórias no radar dos empresários. “Tem a incerteza das eleições, qual vai ser a política econômica, especialmente a política fiscal nos próximos anos, e o impacto de mudanças na jornada de trabalho (6x1) e na reforma tributária, que podem pressionar adicionalmente os custos das empresas”.
Atividade econômica e risco fiscal
Diante desse cenário mais restritivo e da fraqueza disseminada nos últimos indicadores de atividade, a XP retirou o viés positivo que atribuía ao crescimento do país, embora tenha mantido a projeção de alta de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026.
Para 2027, a expectativa é de uma desaceleração acentuada, com o PIB recuando para 1%. A corretora avalia que esse freio refletirá a piora no mercado de crédito e o fim do forte impulso fiscal e parafiscal visto recentemente.
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As contas públicas continuam sendo um ponto de pressão. A gestora projeta que o governo deverá registrar um déficit primário de 0,3% do PIB em 2026 e de 0,4% do PIB em 2027. “A dívida pública em alta pressiona os custos de financiamento, e mudanças nos parâmetros do arcabouço fiscal não devem ser suficientes para garantir uma trajetória sustentável”, afirma a XP, em relatório.
O tema ganha ainda mais peso diante da corrida eleitoral, que deve permanecer apertada e com a candidatura governista focada em defender a manutenção da sua agenda.
Câmbio, inflação e cenário externo
Apesar da surpresa positiva e do alívio disseminado nas últimas leituras de inflação, a trégua deve ser temporária. Com o mercado de trabalho ainda aquecido e as expectativas desancoradas, a XP manteve a projeção para o IPCA em 5,1% neste ano e 4,2% no próximo, ressaltando o ambiente de “elevada incerteza”.
No ambiente externo, embora a inflação nos países do G3 tenha apresentado alívio, a incerteza no Oriente Médio e a alta probabilidade de juros elevados nos Estados Unidos mantêm o mercado em alerta.
Ainda assim, as contas externas brasileiras têm ajudado a blindar a moeda. O Brasil deve sustentar um superávit comercial robusto, impulsionado pela queda nas importações — reflexo da economia mais lenta —, o que compensará o recuo recente nos preços do petróleo.
Além disso, a XP destaca que o forte ingresso de Investimento Direto no País (IDP) continuará financiando com folga o déficit em transações correntes. Com esse suporte técnico do Banco Central e o balanço de pagamentos sólido, as projeções para o câmbio foram mantidas em R$ 5,00 por dólar no final de 2026 e R$ 5,30 ao final de 2027.
Valor - SP 07/08/2026
A Vale informou que efetua regularmente o recolhimento da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), observando tanto as normas aplicáveis, quanto os limites constitucionais existentes.
A companhia respondeu a ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre uma cobrança, pela Agência Nacional de Mineração (AMN), de R$ 17,6 bilhões em royalties da Vale. A informação foi publicada pela Agência Infra.
“A Vale acredita que as cobranças citadas não procedem e irá se manifestar oportunamente perante as autoridades competentes”, comenta a mineradora, em comunicado.
Valor - SP 07/08/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, subiu 2,57%, a US$ 106,5
O preço do minério de ferro avançou fortemente na China nesta quinta-feira (6), revertendo a queda firme observada no início da semana.
O contrato futuro do minério com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, subiu 2,57%, a 719 yuans (US$ 106,5).
Em nota recente, analistas Everbright Futures afirmam que a alta do minério pode estar associada a preocupações com possíveis interrupções na oferta diante das expectativas de uma greve nas operações da BHP em Port Hedland, na Austrália.
Ainda assim, o mercado mais amplo continua pressionado por fundamentos fracos, acrescentam.
Infomoney - SP 07/08/2026
A montadora chinesa Jetour avalia opções para ter uma linha de produção no Brasil, incluindo a possibilidade de seguir o exemplo de outras marcas do país asiático que passaram a dividir espaço ocioso de instalações de grupos já estabelecidos no país, afirmou o diretor de marketing para o Brasil, Henrique Sampaio, em entrevista à Reuters.
‘É uma estratégia inteligente, boa para ambos os lados, principalmente se não forem competidores no mesmo segmento’, disse o executivo ao ser questionado sobre o movimento de rivais chinesas da Jetour que estão chegando ao Brasil por meio de acordos de produção em fábricas de outras montadoras já estabelecidas no país.
Parte do grupo automotivo chinês Chery, que tem parceria com a brasileira Caoa no Brasil, a Jetour começou a vender veículos no país em março deste ano e já conta com cerca de 60 concessionários e planos de chegar a 100 até o final de 2026.
‘Sim, é uma possibilidade fazer associação com outra marca para a produção’ no Brasil, disse Sampaio, lembrando que na África do Sul, um importante mercado de exportação para a marca Jetour tem parceria com a japonesa Nissan.
Questionado se a Jetour está negociando com a prefeitura de Jacareí (SP) para ocupar uma fábrica de veículos ociosa da Caoa Chery, parada desde 2022, Sampaio não se manifestou.
A Jetour está programando investimento de R$400 milhões no Brasil até o final de 2027, cifra que não inclui produção local, disse Sampaio.
O executivo afirmou que assim como suas rivais chinesas, a Jetour ‘está com o pé no acelerador quase furando o chão’ para se estabelecer no Brasil e se fixar na cabeça dos consumidores, que cada vez mais encontram opções de carros elétricos chineses, em sua maioria importados, recheados de recursos e preços atraentes.
No Brasil, além das marcas presentes há décadas no país, a Jetour disputa mercado com os grupos automotivos chineses BYD e GWM, que montaram fábricas próprias que antes eram ocupadas por outras montadoras; Geely, que comprou 30% de participação na operação brasileira da Renault; Chery (parceira da Caoa), GAC, Leapmotor, que tem parceria com a Stellantis no Nordeste; e Changan, outra parceria da Caoa.
‘Há 146 marcas de carros na China A competição é muito acirrada lá e isso traz margens muito complexas .Eles sabem que para ser mais competitivo têm que sair do país’, disse Sampaio.
‘Quem já chegou no Brasil sabe que está correndo contra o relógio Se você não consegue se consolidar agora, daqui três meses vai estar brigando com oito (marcas) e depois de seis meses com 15’, afirmou o executivo explicando a importância da Jetour acelerar suas operações no país.
‘O mais importante é consolidar a marca. A marca que conseguir chegar mais rápido e fizer seu nome mais depressa, essa marca vai ficar na cabeça do consumidor mais tempo’, acrescentou.
Segundo dados da Jetour, o Brasil é atualmente o sexto maior mercado de veículos do mundo, embora suas vendas ainda estejam longe do recorde de 3,8 milhões de unidades emplacadas em 2012. A previsão do mercado para este ano é de pouco abaixo de 3 milhões de unidades.
Mas a maior parte das novas marcas chinesas que estão operando hoje no Brasil têm menos de cinco anos de operações no país e já disputam o topo da tabela com marcas estabelecidas como Fiat, GM, Volkswagen e Toyota.
‘O Brasil é mercado que estabelece tendência na América Latina É muito difícil que uma marca não consiga emplacar nos outros países quando dá certo no Brasil’, disse Sampaio.
Por enquanto, a Jetour conta com vendas de 4 mil veículos no Brasil, em sua maioria grandes utilitários de motorização híbrida. A marca pretende lançar seis modelos no Brasil este ano, dos quais quatro já foram apresentados.
O quinto carro da Jetour será apresentado no Brasil ainda neste mês, disse Sampaio, o utilitário híbrido plug-in de grande porte G700, algumas semanas depois da apresentação ao mercado nacional do jipão T2 na versão 4x4.
A ideia da marca é ter pelo menos um carro inédito no Brasil por ano nos próximos cinco anos, disse Sampaio.
CNN Brasil - SP 07/08/2026
A China se consolidou como a principal fornecedora de carros eletrificados importados pelo Brasil em 2025. O avanço das montadoras chinesas fez com que o carro elétrico passasse a ser amplamente associado pelo consumidor brasileiro a um produto de origem chinesa, refletindo a rápida expansão dessas marcas no mercado nacional.
Os dados são de um relatório do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China). O documento ainda mostra que, em 2025, as importações de carros híbridos chineses atingiram o recorde de US$ 1,87 bilhão (cerca de R$ 9,6 bilhões).
Atualmente, o país asiático é responsável por 81% das compras de veículos híbridos e por 85% das de elétricos realizadas pelo Brasil no exterior. Juntos, os modelos eletrificados representam 94% de todas as importações de automóveis chineses.
A liderança também se reflete nas vendas ao consumidor. A BYD respondeu por 72% das vendas de veículos eletrificados (híbridos e elétricos puros) no mercado brasileiro em 2025.
Ainda de acordo com o relatório da CEBC, das dez marcas que mais comercializaram automóveis dessa categoria no país, seis são chinesas, superando fabricantes tradicionais dos Estados Unidos, Alemanha, França e Japão.
Produção chinesa local
Esse movimento foi acompanhado pelo início da produção nacional. A BYD inaugurou sua fábrica no antigo complexo da Ford, em Camaçari (BA), onde produziu cerca de 20 mil veículos eletrificados até o fim do ano.
A GWM também iniciou a fabricação de veículos em sua unidade de Iracemápolis (SP), instalada na antiga planta da Mercedes-Benz e já anunciou a instalação de sua segunda fábrica no Brasil no município de Aracruz, no Espírito Santo (ES).
Já a Geely ampliou sua presença por meio da parceria com a Renault do Brasil, que prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões até 2027 para a produção de veículos de baixa e zero emissão no Paraná.
Para sustentar este crescimento, as marcas têm investido fortemente em marketing para criar uma identidade brasileira. Estratégias que incluem slogans como "BYD é do Brasil" e campanhas com celebridades nacionais visam reduzir a percepção de marcas "estrangeiras" e reforçar o compromisso com a integração local.
Eae Máquinas - SP 07/08/2026
Os principais fabricantes mundiais de máquinas pesadas e equipamentos para concreto estarão reunidos na 17ª edição do Concrete Show. De 25 a 27 de agosto, no São Paulo Expo, o evento reunirá mais de 450 marcas expositoras, com lançamentos e novidades em autobetoneiras, bombas de concreto, betoneiras, centrais dosadoras e misturadoras de concreto, silos e sistemas para movimentação de agregados, acabamento de pisos de concreto, compactação de solo e corte de concreto e asfalto.
A alemã Liebherr, uma das principais fabricantes mundiais de equipamentos para construção, apresentará sua linha de betoneiras e lançará no mercado brasileiro uma nova geração de autobombas e bombas rebocáveis para concreto.
“A nova linha de autobombas e bombas rebocáveis para concreto foi desenvolvida para atender às necessidades do mercado brasileiro e latino-americano. Com esse lançamento, ampliamos nossa atuação também na etapa de distribuição do concreto, oferecendo soluções que combinam alta produtividade, robustez, operação segura e manutenção facilitada”, afirma o gerente divisional de Tecnologia do Concreto da Liebherr, Gian Romano.
Segundo o executivo, outro diferencial é o desenvolvimento e a fabricação nacional dos equipamentos, aliados a uma estrutura de pós-venda consolidada. “Essa presença local garante suporte técnico ágil, disponibilidade de peças originais, maior disponibilidade mecânica dos equipamentos e aumento da produtividade nas operações dos clientes”, destaca.
Para Romano, o mercado brasileiro apresenta perspectivas positivas, impulsionado pelos investimentos em infraestrutura, programas habitacionais e pela necessidade crescente de elevar a produtividade dos canteiros. Ao mesmo tempo, ressalta que fatores como juros elevados e custos operacionais tornam os clientes mais criteriosos na escolha dos equipamentos, priorizando confiabilidade, disponibilidade mecânica e suporte técnico especializado.
O executivo também avalia que conectividade, automação, inteligência artificial e eletrificação estarão entre as principais tendências para o segmento nos próximos anos.
“Soluções que permitam monitorar a operação em tempo real, reduzir desperdícios, planejar a manutenção e aumentar a disponibilidade dos equipamentos serão cada vez mais valorizadas. A conectividade terá um papel central, com recursos para monitoramento remoto, gestão de frotas e diagnóstico preventivo. A eletrificação também deve avançar gradualmente no Brasil, enquanto automação e inteligência artificial ganharão espaço como ferramentas para aumentar a eficiência e a segurança das operações”, ressalta Romano.
Outra fabricante alemã que escolheu o Concrete Show para apresentar lançamentos é a Schwing-Stetter, especializada em equipamentos para bombeamento e transporte de concreto. Durante a feira, a companhia exibirá as novas autobombas da linha XS, desenvolvidas para aplicações de alto desempenho, além da nova geração de autobetoneiras da marca.
“Nosso estande será focado nas linhas S e XS da Schwing. Entre os lançamentos estão a autobomba XS10022MA, projetada para bombeamento em altura de edifícios de até 70 pavimentos, além dos modelos XS8010GB e XS12013GB para operações de alto volume. Também apresentaremos as novas autobetoneiras AM8FHC e AM10FHC, desenvolvidas para proporcionar rápida absorção dos agregados, homogeneização do concreto em tempo mínimo e elevada durabilidade”, afirma o presidente da Schwing-Stetter, Renato Torres.
Para o executivo, a demanda por equipamentos permanece elevada tanto no mercado imobiliário quanto nas obras de infraestrutura, embora a ampliação das linhas de crédito seja fundamental para impulsionar novos investimentos.
Entre as tendências, Torres destaca o avanço da eletrificação, com o lançamento previsto para o final de 2026 das autobetoneiras elétricas da Schwing montadas sobre caminhões elétricos da XCMG, fabricante chinesa de máquinas pesadas que também participa do Concrete Show.
Vitrine das principais fabricantes mundiais
Além da Liebherr e da Schwing-Stetter, o Concrete Show reunirá alguns dos principais fabricantes mundiais de máquinas pesadas e equipamentos para construção.
Entre eles está a Putzmeister Brasil, subsidiária da tradicional empresa alemã especializada em bombas de concreto e soluções para grandes obras de infraestrutura; a italiana Fiori, referência em referência em equipamentos para produção de concreto em campo e sistemas de contenção inteligentes.
As fabricantes chinesas também terão presença no evento. A XCMG Brasil, braço da multinacional chinesa com amplo portfólio de escavadeiras, guindastes, carregadeiras, equipamentos rodoviários e máquinas para construção e a Zoomlion, uma das maiores fabricantes chinesas de equipamentos para concretagem, terraplenagem e içamento;
O segmento também contará com fabricantes brasileiros especializados em equipamentos para produção e transporte de concreto, como a Menegotti, SITI RCO, Convicta e a Petrotec.
Como participar do evento?
A edição de 2026 marca uma mudança no modelo de acesso ao evento, com a adoção do credenciamento pago para visitantes. A visitação terá valor de 150 reais na modalidade inteira e 75 reais na modalidade meia solidária, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível.
Os ingressos para visitantes e congressistas do “Construindo Conhecimento” estão disponíveis no site do evento: https://www.concreteshow.com.br/
Serviço: Concrete Show South América – 17ª edição Data: 25 a 27 de agosto de 2026 Local: São Paulo Expo | São Paulo Horário: 13 às 20 horas Mais informações e ingressos: Clique aqui
Sobre o Concrete Show
O Concrete Show South America é o mais completo evento da cadeia da construção civil e infraestrutura da América Latina. Em 2026, o evento chega à sua 17ª edição, com conteúdo técnico qualificado, oportunidades de networking e apresentação das mais recentes tecnologias e tendências aplicadas para a cadeia construtiva do concreto. Serão três dias de evento presencial, de 25 a 27 de agosto de 2026, no São Paulo Expo, em São Paulo.
Sobre a Informa
A Informa conecta pessoas e mercados por meio de soluções digitais, conteúdo especializado, feiras de negócios, eventos híbridos e inteligência de mercado, construindo uma jornada de relacionamento e negócios entre empresas e mercados 365 dias por ano. Presente em mais de 30 países, atua na América Latina há 30 anos entregando anualmente mais de 40 eventos híbridos no Brasil e no México, dezenas de eventos digitais, portais de notícia e plataformas digitais de conexão e negócios.
SEGS.com.br - SP 07/08/2026
Eventos climáticos extremos, vulnerabilidades dos mercados financeiros e dinâmicas do mercado de trabalho serão os três riscos mais severos para o setor global de construção nos próximos cinco anos.
A conclusão faz parte do estudo global Beyond 2030: The Future of Construction, produzido pelo Zurich Insurance Group, que identifica uma mudança importante na forma como tais ameaças afetam empreendimentos em escala global: elas deixam de atuar de forma isolada, aparecem antes mesmo do início das obras e podem comprometer cronogramas, custos, financiamento e a própria viabilidade dos projetos.
O relatório reúne contribuições de mais de 30 especialistas do setor nas áreas de subscrição, sinistros, engenharia de riscos e construção, coletadas entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Segundo o levantamento, os eventos climáticos extremos e desastres naturais lideram o ranking de riscos para o segmento de construção, com pontuação de 6,2 em uma escala de 7. Eventos cada vez mais severos e em regiões onde historicamente não aconteciam estão impactando cronogramas, danificando obras em andamento e reduzindo os tempos de recuperação dos projetos.
Na sequência, aparecem as vulnerabilidades dos mercados financeiros, com pontuação de 5,7. Segundo o relatório, embora exista capital disponível para investimento, o mercado está cada vez menos tolerante a atrasos a imprevistos, pressionando cronogramas em geral já apertados.
Por fim, em 3º lugar, o relatório traz as dinâmicas do mercado de trabalho, com peso de 5,6 o relatório aponta não apenas mão de obra escassa, mas ampla concentração de funções e decisões, sobretudo pelo avanço da digitalização no setor.
Além dos riscos principais, a pesquisa indica que tais fatores passaram a operar de maneira interdependente. Um evento climático extremo pode interromper cadeias de suprimentos, elevar custos, provocar atrasos, ampliar a exposição financeira e dificultar o acesso ao capital. Da mesma forma, limitações de infraestrutura, escassez de mão de obra especializada ou restrições de financiamento deixam de representar desafios pontuais e passam a influenciar decisões ainda na fase de concepção dos empreendimentos.
Nossos clientes estão entregando projetos cada vez mais complexos em um ambiente de risco mais volátil, sob prazos cada vez mais apertados. Nossa pesquisa mais recente deixa claro que, se um projeto não for segurável, ele não será financiado. Por isso, incorporar resiliência já no desenho do projeto, com a participação das seguradoras desde o início, é fundamental para viabilizar os empreendimentos, afirma Kelly Kinzer, Global Head of Construction & Surety da Zurich.
O estudo também situa a construção no centro de grandes transições globais, como digitalização, descarbonização, segurança energética e renovação da infraestrutura. A demanda permanece forte, mas a entrega de ativos complexos e intensivos em capital se torna menos previsível diante de uma combinação de dependências que incluem clima, capital, tecnologia, infraestrutura e mão de obra.
Entre os pontos de atenção, o relatório também destaca a disrupção de infraestruturas e sistemas críticos. Embora apareça na sexta posição em severidade, com pontuação de 5,1, trata-se do risco mais conectado da rede analisada globalmente, com maior potencial de ser desencadeado por outros fatores e, ao mesmo tempo, de ampliá-los. Falhas em energia, água, logística, sistemas digitais ou equipamentos essenciais podem afetar não apenas uma obra isolada, mas também projetos relacionados e portfólios inteiros.
O tema ganha peso em projetos de alta complexidade, como data centers, sistemas de energia, manufatura avançada e unidades de saúde. Em iniciativas desse tipo, o sucesso ou fracasso pode depender de acesso antecipado a energia, água, capacidade de rede, licenças e equipamentos especializados. A viabilidade passa, portanto, a ser definida muito antes do início da construção.
Brasil: planejamento ganha peso estratégico diante de custos, falta de mão de obra e impactos climáticos
No Brasil, os desafios descritos pelo estudo global encontram paralelo em temas já presentes na agenda de infraestrutura. O país vive um ciclo de investimentos em concessões, energia, saneamento, transportes e infraestrutura digital, mas a capacidade de execução segue pressionada pela disponibilidade de mão de obra qualificada, cenário macroeconômico, custo de capital e aumento dos eventos climáticos.
De acordo com a segunda edição do Termômetro do Setor da Construção Civil de 2025, elaborado pela Falconi em parceria com a Siange, 71% dos profissionais de construtoras e incorporadoras avaliaram a falta de mão de obra como fator que mais impacta seus negócios atualmente.
O avanço da digitalização, com o emprego de metodologias como o BIM (Business Information Modelling), embora apareça como solução neste contexto, também pressiona o mercado com novos riscos, aumento de responsabilidades em cargos únicos e déficit de profissionais altamente qualificados para atuar com as novas tecnologias.
Ainda segundo a pesquisa da Falconi, a elevada taxa de juros e custos de materiais e serviços (citados, respectivamente, por 48% e 37% das empresas) completam o top 3 de fatores que mais impactam os negócios na construção civil atualmente.
No Brasil, portanto, o risco financeiro se intensifica à medida que obras as ficam mais vulneráveis a variações de juros, insumos e mão de obra, o que eleva os custos e impacta cronogramas já enxutos.
Além disso, desastres climáticos como chuvas, enchentes e alagamentos têm se intensificado no Brasil, causando prejuízos bilionários à infraestrutura pública e setores produtivos. Segundo o Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil em 2025", relatório oficial do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os eventos climáticos extremos causaram prejuízos econômicos de aproximadamente R$ 3,9 bilhões e afetaram diretamente mais de 330 mil pessoas no país no útlimo ano.
Para a Zurich Seguros, a leitura local reforça uma das conclusões centrais do estudo global: a resiliência precisa ser considerada desde o planejamento. Em grandes obras, decisões sobre localização, fornecedores, cronograma, interfaces técnicas, exposição climática, financiamento e seguros passam a influenciar diretamente a capacidade de entrega.
O maior desafio atual da infraestrutura brasileira não parece ser a falta de projetos, mas a capacidade de executá-los com previsibilidade de prazo, custo e risco. Quando fatores como clima, financiamento, cadeia de suprimentos e mão de obra se combinam, a gestão de riscos precisa fazer parte da viabilidade do empreendimento, ou seja, ser considerada desde o início, afirma Sven Feistel, diretor executivo de Seguros Corporativos e Subscrição de Ramos Elementares da Zurich Seguros.
Diante de tal realidade, soluções como seguros de engenharia, seguro garantia, seguros de responsabilidade civil profissional, D&O (Responsabilidade Civil para Administradores), riscos cibernéticos e serviços de engenharia de riscos podem apoiar empresas na identificação, mitigação e transferência de riscos. Mais do que responder a perdas, o seguro passa a funcionar para o mercado como indicador de maior resiliência e previsibilidade dos projetos.
O estudo defende que a segurabilidade seja tratada ao lado de custo, prazo e segurança no planejamento de grandes projetos. Alterações em preço, capacidade, exclusões ou condições de cobertura podem sinalizar, de forma antecipada, pontos de atenção relacionados à execução, à qualidade técnica, ao cronograma ou à resiliência do empreendimento, detalha Sven. As empresas devem utilizar o feedback das seguradoras e os insights de engenharia de risco para identificar fragilidades desde cedo, antes que se materializem em perdas, aconselha.
A conclusão do relatório é que o futuro da construção global favorecerá organizações capazes de antecipar restrições, gerenciar interdependências e incorporar capacidade de recuperação desde o início. Em um setor cada vez mais pressionado por clima, capital, tecnologia e infraestrutura, resiliência deixa de ser um atributo desejável e passa a ser condição para que projetos sejam financiados, segurados e entregues com maior previsibilidade.
Valor - SP 07/08/2026
Os valores médios de aluguel anunciados para espaços de escritório no centro de Tóquio atingiram, em julho, o maior patamar em 31 anos. O dado resulta da demanda sólida e constante de empresas que buscam realocar ou expandir suas instalações, conferindo maior poder de negociação aos proprietários de imóveis.
A média referente aos cinco distritos centrais de Tóquio — Chiyoda, Chuo, Minato, Shinjuku e Shibuya — subiu 1,28% em relação a junho, chegando a 23.287 ienes (US$ 147) por “tsubo”, segundo dados divulgados na quinta-feira pela Miki Shoji, empresa especializada em corretagem de escritórios. Um “tsubo” equivale a aproximadamente 3,3 metros quadrados.
A média de julho marcou o 30º mês consecutivo de alta e representou o nível mais elevado já registrado na série histórica mensal, iniciada em 2002. Antes desse ano, os dados eram compilados anualmente; o recorde anterior havia sido registrado em 1995, quando os aluguéis atingiram 23.612 ienes por “tsubo”.
O interesse das empresas por espaços de escritório permanece elevado, uma vez que muitas têm expandido suas operações e incentivado o retorno dos funcionários ao ambiente presencial desde o arrefecimento da pandemia de covid-19.
Além disso, as empresas buscam espaços de trabalho de melhor qualidade para aumentar a satisfação dos colaboradores e fortalecer suas estratégias de recrutamento.
Simultaneamente, a escassez de espaços disponíveis torna cada vez mais difícil para as empresas encontrarem escritórios adequados. A taxa de vacância nos cinco distritos centrais de Tóquio caiu 0,04 ponto percentual, para 1,95%, em julho — um índice bem abaixo dos 5% geralmente considerados indicativos de um mercado equilibrado. O espaço vago diminuiu cerca de 3.400 “tsubos” entre junho e julho.
A demanda está se voltando para projetos ainda em fase de desenvolvimento. Segundo a empresa de serviços imobiliários CBRE, mais de 90% da área de quatro grandes edifícios de escritórios, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026, já haviam sido reservados (pré-locados) até junho.
O Otemachi Gate Building, um importante projeto desenvolvido pela Mitsubishi Estate no distrito de Chiyoda, foi concluído em julho com ocupação total. "Começamos a buscar inquilinos por volta de 2022, e o edifício estava praticamente ocupado cerca de um ano antes da conclusão", disse Takuya Hirose, gerente sênior do departamento da Mitsubishi Estate responsável pelo projeto.
Os proprietários estão cada vez mais otimistas. Alguns espaços de escritórios no distrito de Yaesu foram ofertados por mais de 100 mil ienes por “tsubo” e, segundo relatos, conseguiram inquilinos. Alguns proprietários de edifícios recém-concluídos estão optando por não buscar ocupação total imediata, preferindo dedicar mais tempo à procura de inquilinos na expectativa de novos aumentos nos aluguéis de mercado.
"Os proprietários continuam muito motivados a aumentar os aluguéis, impulsionados pela relação restrita entre oferta e demanda e pela inflação", afirmou Yuji Iwama, diretor sênior da CBRE. Os inquilinos tornaram-se mais dispostos a aceitar aluguéis mais altos à medida que a disponibilidade de escritórios diminui, acrescentou ele.
No entanto, alguns participantes do mercado alertam que esse ritmo pode desacelerar. "Além do aluguel, os custos associados a obras de adaptação de interiores e serviços similares estão aumentando, deixando as empresas hesitantes em mudar de endereço ou expandir seus espaços de escritório", disse Toyokazu Imazeki, analista-chefe da Sanko Estate.
Kohei Kawai, diretor sênior da Colliers Japan, observou que, "embora o mercado continue favorável aos proprietários, o ritmo de aumento dos preços está desacelerando e começam a surgir vagas em imóveis que já haviam sido ocupados anteriormente".
O Estado de S.Paulo - SP 07/08/2026
A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) já pediu uma licença ambiental para iniciar a construção do trem que ligará o litoral de São Paulo ao interior. Nesta quinta-feira, 6, a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) solicitou a apresentação de estudo de impacto ambiental antes de liberar o projeto bilionário. Não há prazo para obtenção do aval.
Depois de quase 30 anos, os trens de cargas e passageiros podem voltar a correr pelos trilhos entre Santos, na Baixada Santista, e Cajati, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.
Como o Estadão mostrou, os 223,6 km de malha ferroviária vão percorrer seis cidades da Baixada Santista, até Peruíbe, e sete cidades do Vale do Ribeira, até Cajati. A estimativa é transportar 32 mil passageiros e 600 contêineres por dia.
O custo total do empreendimento deve oscilar entre R$ 19 e R$ 21 bilhões. No futuro, a ideia é que o sistema seja integrado ao Trem-Intercidades Santos-São Paulo, conectando a capital, o litoral e o interior.
Como será percurso
A nova linha terá trens expressos e paradores. Para fazer todo o percurso, o tempo estimado para o serviço expresso será de 2 horas e 20 minutos. Os trens paradores farão o percurso de Santos a Peruíbe em 48 minutos e de Peruíbe a Cajati em 1 hora e 56 minutos.
Conforme a CPTM, entre os benefícios a serem proporcionados pela nova ferrovia está a redução de congestionamentos nas vias do litoral e na rodovia Régis Bittencourt (BR-116), com possível redução de acidentes.
De Santos a Peruíbe, numa extensão de cerca de 80 km, a via será elevada. O trem parte de uma altitude de 2 metros, no centro histórico de Santos, e chega à altitude de 75 metros, em Cajati.
O plano é que sob a linha sejam construídos parques lineares, ciclovias e estacionamentos para banhistas: a ferrovia seguirá paralela às praias.
Os trilhos já existentes no trajeto passarão por análise técnica e, quando possível, serão recuperados para reaproveitamento da malha ferroviária já existente. A reportagem do Estadão apurou que, em muitos trechos, especialmente na Baixada Santista, a antiga linha férrea foi ocupada irregularmente.
Em novembro de 2018, uma vistoria do Ministério Público Federal (MPF) constatou construções clandestinas e até plantações de banana sobre a linha férrea.
Algumas estações que foram depredadas ou sofreram danos na estrutura devido ao abandono terão de ser reconstruídas ou substituídas por prédios novos.
O abandono levou a prefeitura de Mongaguá a solicitar à União a doação de 13 km de área pública ocupada pela linha férrea desativada na área urbana do município.
Prefeitos da região se mobilizam há anos pela reativação da ferrovia. Alberto Mourão (MDB), prefeito de Praia Grande, defendeu a utilização da linha para o transporte de passageiros mercadorias até o Porto de Santos. Cerca de 50 mil pessoas se deslocam diariamente da cidade para Santos. “Nossa preocupação é com o estado de abandono que traz reflexos para o município”, diz.
Revista Ferroviaria - RJ 07/08/2026
A TIC Trens, concessionária responsável pela implantação do Trem Intercidades (TIC) e do Trem Intermetropolitano (TIM), além da operação, manutenção e modernização da Linha 7-Rubi, concluiu o processo de comissionamento dos nove veículos de manutenção importados da China. A etapa reúne testes, inspeções e validações técnicas realizadas antes da entrada em operação dos equipamentos.
Desde o início da concessão, a TIC Trens investiu cerca de R$ 200 milhões em veículos auxiliares, R$ 35 milhões em materiais utilizados para manutenção e mais de 3 mil horas de capacitação dos times de operação e manutenção.
Ao longo de 24 meses, a concessionária conduziu o planejamento, a aquisição dos equipamentos, os treinamentos das equipes e as validações técnicas. O processo teve como objetivo preparar os veículos para as atividades de manutenção e modernização da Linha 7-Rubi, em consonância com o cronograma de implantação do projeto TIC Eixo Norte. Nesse período, foram investidas mais de 400 horas em treinamentos e testes dos veículos.
Após a entrega, os veículos passam por testes em campo que contemplam inspeção visual, testes estáticos para verificação de funcionalidades e testes dinâmicos, que avaliam o desempenho e a operação dos equipamentos. A etapa final inclui treinamentos teóricos e práticos para a equipe responsável pela execução dos serviços de manutenção, além do recebimento e análise da documentação dos manuais de operação e manutenção para validação e distribuição às equipes.
A frota importada da China é composta por nove veículos: uma reguladora, duas locomotivas e quatro vagões ferroviários sendo três do tipo hopper e um do tipo prancha com proteção lateral, destinado ao transporte de materiais , além de uma socadora e um veículo de manutenção da rede aérea. A importação ocorre por meio de dois portos distintos no país asiático: Taicang e Zhangjiagang.
Veículo sem similar nacional
O veículo de manutenção da rede aérea foi o último equipamento entregue e não possui similar fabricado no Brasil. Com configuração desenvolvida especificamente para atender às demandas do projeto, baseada em solução já consolidada internacionalmente, o equipamento conta com tração própria e está sendo empregado na inspeção e manutenção da rede aérea de tração sistema de cabos suspensos responsável pelo fornecimento de energia elétrica aos trens.
Fabricado sob medida para o projeto TIC Eixo Norte, o veículo recebeu adaptações na plataforma para otimizar a dinâmica de trabalho das equipes. O modelo conta com plataforma elevatória que permite o acesso a toda a estrutura da rede aérea. A configuração adotada possibilita a conexão de duas plataformas independentes quando necessário, permitindo atuação simultânea em diferentes níveis. No Brasil, tradicionalmente utiliza-se uma única estrutura para alcançar a altura necessária. Para os passageiros, a concessionária afirma que isso se traduz em uma rede aérea mais estável e na redução da probabilidade de falhas elétricas que possam impactar a circulação dos trens.
Os testes são uma etapa fundamental para garantir que os veículos atendam aos requisitos técnicos, operacionais e de segurança definidos pela TIC Trens ao longo de todo o processo de desenvolvimento e fabricação. Essa validação em campo permite verificar o desempenho dos equipamentos em diferentes condições de operação antes do início das atividades de manutenção, contribuindo para intervenções mais precisas, maior confiabilidade dos sistemas e mais eficiência nas operações da Linha 7-Rubi e do TIC Eixo Norte, afirmou Federico Andrés, diretor de Implantação da TIC Trens.
Portos e Navios - SP 07/08/2026
O Estaleiro Inace (CE) participará da 20ª edição da Navalshore, que será realizada nos dias 18, 19 e 20 de agosto de 2026, na Expo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Com estande próprio no evento, a empresa pretende reafirmar seu compromisso com o desenvolvimento da indústria naval brasileira e apresentará ao mercado sua capacidade para atender às novas demandas dos segmentos naval, offshore e de defesa.
Com mais de cinco décadas de atuação, a Inace tem em seu portfólio projetos reconhecidos internacionalmente, desde a construção de embarcações de lazer de alto padrão, até a construção de embarcações militares e de segurança pública, incluindo navios-patrulha e embarcações destinadas à Marinha do Brasil e à Polícia Federal.
O estaleiro também possui conhecimento na construção de embarcações de trabalho, com experiência em projetos como empurradores, rebocadores e embarcações de apoio offshore. A aposta da Inace está na capacidade técnica e industrial para desenvolver soluções destinadas a diferentes perfis operacionais, atendendo a rigorosos requisitos de desempenho, segurança, qualidade e confiabilidade.
Para a empresa, a participação na Navalshore representa uma oportunidade para apresentar ao mercado toda a experiência acumulada, bem como a infraestrutura e a capacidade industrial disponíveis no estaleiro. A Inace informou que busca ampliar sua presença nos segmentos de construção, modernização e reparo naval, especialmente nos mercados de óleo e gás, apoio offshore, defesa e embarcações de trabalho, mantendo também seu consolidado posicionamento no segmento náutico.
A presença no evento também integra o movimento de fortalecimento da atuação comercial da Inace e de aproximação com armadores, operadores, EPCistas, empresas de petróleo e gás e demais agentes estratégicos da indústria. Nesse processo, a Inace conta com a FIDE como parceira no desenvolvimento de negócios e na identificação de novas oportunidades nos mercados naval e offshore.
O objetivo é ampliar a participação do estaleiro em projetos relevantes e consolidar a Inace como uma das principais alternativas brasileiras para a construção, modernização e reparo de embarcações. A Inace avalia que chega à Navalshore preparada para ampliar sua participação no atual ciclo de desenvolvimento da indústria marítima brasileira, combinando tradição, experiência e capacidade industrial.
“Nossa presença na Navalshore será uma oportunidade para reforçar a tradição, a capacidade técnica e o histórico de realizações da Inace. Queremos mostrar ao mercado que o estaleiro reúne infraestrutura, experiência e conhecimento para participar dos novos projetos nos segmentos naval, offshore, de defesa e de embarcações de trabalho”, destacou a empresa.
Jornal de Brasília - DF 07/08/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (6) que o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica que Teerã mantém fechada desde o início da guerra com o Irã, poderá ser reaberto “em breve”.
Em conversa com jornalistas no Salão Oval, Trump disse que as negociações estão avançando “muito bem” e acrescentou: “Estou envolvido na negociação”.
“Isso pode acontecer em breve”, afirmou, ao se referir à reabertura dessa rota fundamental para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
O Irã informou na quarta-feira que chegou a um acordo com o sultanato de Omã para criar uma nova rota de trânsito nessa via marítima, cujas margens são compartilhadas pelos dois países e que ocupa posição central nas tensões com os Estados Unidos.
No entanto, qualquer reabertura dependerá de Washington, que também impôs um bloqueio aos portos iranianos, segundo fontes iranianas citadas pela imprensa local.
A Tribuna - SP 07/08/2026
O Porto de Santos movimentou 92,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, resultado 5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (88,3 milhões de toneladas). Do total deste ano, 68,7 milhões de toneladas corresponderam a cargas de exportação, enquanto 24 milhões de toneladas foram de importação. As informações são do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) com dados das Autoridades Portuárias.
Nas importações, o maior volume foi registrado em carga geral, com 14,5 milhões de toneladas, puxado principalmente pela carga conteinerizada, que somou 14,1 milhões de toneladas. Depois, aparecem os granéis sólidos, com 5,7 milhões de toneladas, tendo o adubo como principal carga do grupo, com 3,7 milhões de toneladas. Os granéis líquidos importados somaram 3,8 milhões de toneladas.
Nas exportações, os granéis sólidos lideraram a movimentação, com 41 milhões de toneladas, impulsionados principalmente pela soja em grãos, que somou 25,6 milhões de toneladas. A carga geral exportada alcançou 21,3 milhões de toneladas, com predominância da carga conteinerizada, que registrou 16,7 milhões de toneladas. Já os granéis líquidos somaram 6,3 milhões de toneladas, com destaque para óleo combustível, sucos cítricos e óleo diesel e gasóleo.
Portos do Paraná
Os portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná, movimentaram 34,44 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre de 2026, entre importações e exportações. O volume representa crescimento de 0,6% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, 22,3 milhões de toneladas corresponderam a exportações, enquanto as importações somaram 12,1 milhões de toneladas.
Como observado em outros portos, a soja foi uma das principais cargas responsáveis pelo desempenho no período. Nos seis primeiros meses do ano, foram embarcadas 9,47 milhões de toneladas do grão, volume 21% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, quando a movimentação da commodity somou 7,86 milhões de toneladas.
Outro destaque foram as cargas conteinerizadas, que somaram 8,7 milhões de toneladas no semestre, aumento de 8,9% em relação a 2025, quando a movimentação atingiu 8 milhões.
Itajaí
No primeiro semestre de 2026, o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, movimentou 2,6 milhões de toneladas, volume 40% superior às 1,86 milhão de toneladas registradas no mesmo período de 2025. Em números absolutos, o acréscimo foi de 740,9 mil toneladas.
Na movimentação de contêineres, foram 238.873 TEU (unidade de medida padrão de contêiner), contra 136.385 no primeiro semestre de 2025, o que representa crescimento de 75%. Em junho, o porto movimentou 488,3 mil toneladas, volume 28% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.
Cargas em Itaqui crescem 53,5%
Estratégico para o escoamento de cargas pelo Arco Norte, o Porto do Itaqui, no Maranhão, movimentou 16,5 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026. Na comparação entre os resultados mensais de janeiro e junho, a movimentação passou de 2,09 milhões para 3,21 milhões de toneladas, alta de 53,5%.
Os granéis sólidos responderam pelo maior volume, com 11,97 milhões de toneladas movimentadas. Entre os granéis líquidos, foram movimentadas 3,86 milhões de toneladas. Já a carga geral registrou 755,7 mil toneladas, puxada principalmente pela celulose, com 702,9 mil toneladas movimentadas.
Suape
O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, movimentou 13,7 milhões de toneladas de cargas no primeiro semestre de 2026, crescimento de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os granéis líquidos foram o principal grupo de carga no período, com 9,14 milhões de toneladas movimentadas. O volume representa alta de 40,1%. Já os granéis sólidos totalizaram 799,5 mil toneladas, avanço de 39% na comparação anual.
Bahia
Os portos públicos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) registraram crescimento de 22,49% na movimentação de cargas no período. O Porto de Salvador apresentou a maior movimentação entre os portos administrados pela Codeba, com 3,79 milhões de toneladas, crescimento de 20,94%.
Globo Online - RJ 07/08/2026
O recorde na produção do pré-sal e o avanço na cotação do barril de petróleo após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro, fizeram a Petrobras registrar o terceiro maior lucro trimestral de sua história. Foi o primeiro trimestre completo sob os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo.
Entre abril e junho, a estatal teve ganhos de R$ 52,4 bilhões, um avanço de 96,8% na comparação com igual período do ano passado, superando a estimativa dos analistas de mercado, em torno de R4 45 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, o lucro subiu 37,6% e alcançou R$ 85,1 bilhões.
Esse é o terceiro maior lucro trimestral já registrado pela companhia. Fica atrás apenas do resultado do quarto trimestre de 2020 (R$ 59,9 bilhões) e do segundo trimestre de 2022 (R$ 54,3 bilhões).
A receita de vendas foi de R$ 169,530 bilhões no segundo trimestre, alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, o avanço chegou a 21%, para R$ 293,216 bilhões.
Em um dos principais focos de atenção dos investidores, a Petrobras informou que vai distribuir R$ 17,4 bilhões em dividendos referentes ao segundo trimestre. Dessa forma, o montante repassado de janeiro a junho soma R$ 26,43 bilhões. Do total, a União terá fatia de 28,67% ou R$ 7,58 bilhões para reforçar os cofres.
Cotação internacional turbinou ganhos
A disparada do petróleo teve papel-chave nos resultados. De acordo com a estatal, o preço médio do barril do Brent, referência internacional, entre abril e junho, foi de US$ 104,52, uma alta de 54,1% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando a cotação foi de US$ 67,82. No primeiro trimestre deste ano, o preço médio do Brent foi de US$ 80,61 por barril.
Segundo a Petrobras, a produção total comercial da estatal no segundo trimestre alcançou uma média de 2,927 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), alta de 14,3% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. No primeiro semestre, o avanço foi de 15,5%, com uma média de 2,879 milhões de boe/d.
— Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa — disse Fernando Melgarejo, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da estatal.
Imposto de exportação
A estatal destacou em seu balanço que o lucro só não foi maior devido ao aumento das despesas tributárias, especialmente por causa dos maiores gastos com o imposto de exportação sobre petróleo bruto e óleo diesel -- uma medida feita pelo governo e criticada pelas petroleiras -- , que somaram R$ 4,872 bilhões, além do menor ganho com a variação cambial, em função da menor valorização do real frente ao dólar. A companhia também registrou perdas de R$ 812 milhões com a reversão de ativos (impairment).
Receita de exportação
A Petrobras também atribuiu a maior receita ao crescimento nas exportações durante o segundo trimestre. As vendas externas de petróleo, óleo combustível e derivados aumentaram 40,8% entre abril e junho, com o maior volume de vendas sendo direcionado para países da Europa e Índia. No semestre, o aumento foi de 43,6% em relação aos primeiros seis meses de 2025.
As vendas totais de derivados da Petrobras no mercado interno também cresceram no segundo trimestre. O volume comercializado aumentou 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No semestre, a alta foi de 2,3%, para 1,7 milhão de barris por dia.
A Petrobras destacou que a maior cotação do petróleo e o aumento da produção impulsionaram os resultados das áreas de exploração e produção e de refino. A área de exploração e produção, por exemplo, registrou lucro líquido de R$ 41,592 bilhões no segundo trimestre, uma alta de 85,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
A área de refino teve um crescimento de 705% no lucro líquido na mesma base de comparação, alcançando R$ 9,669 bilhões no segundo trimestre deste ano. No segmento de gás e energia de baixo carbono, o lucro líquido aumentou 89,9% na comparação anual, chegando a R$ 957 milhões. Segundo a companhia, o resultado refletiu principalmente o reajuste trimestral nos preços do contrato de gás, em função do aumento da cotação do petróleo.
Investimentos
A Petrobras informou também que os investimentos somaram US$ 10,405 bilhões (cerca de R$ 53,2 bilhões) no primeiro semestre, um aumento de 22,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segundo trimestre, os investimentos totalizaram US$ 5,299 bilhões (aproximadamente R$ 27,1 bilhões), uma alta de 19,6%.
A companhia destacou que os projetos de desenvolvimento da produção no segmento de exploração e produção foram os principais responsáveis pelo aumento dos investimentos neste ano. Entre eles, citou aa plataformas P-79, P-80, P-82 e P-83. Houve ainda a construção de novos poços no pré-sal e na Bacia de Campos,
No segmento de refino, a empresa destacou investimentos na Refinaria Abreu e Lima, em Recife, e também no Polo Boaventura, antigo Comperj, no Rio de Janeiro.
Dívida
A companhia informou também que a dívida bruta chegou ao final do primeiro semestre em US$ 70,8 bilhões, uma queda de 0,6% em relação ao final de março. O principal destaque foi a redução da dívida financeira, que recuou 6,2% em função de pré-pagamentos realizados ao longo do segundo trimestre.
Petro Notícias - SP 07/08/2026
O projeto Raia, operado pela Equinor no pré-sal da Bacia de Campos, atingiu novos marcos em sua fase de desenvolvimento. A empresa concluiu a instalação do trecho 186 quilômetros em águas ultraprofundas do gasoduto que ligará o campo à costa fluminense, utilizando tubos fabricados pela Tenaris com 99% de aço de origem nacional.
Em seu ponto mais profundo, o gasoduto chega a 2.735 metros abaixo da superfície do mar, tornando-se o mais profundo do mundo. Durante a campanha de instalação, mais de 600 profissionais atuaram diariamente a bordo da embarcação da Saipem.
O avanço representa mais uma etapa importante do cronograma do projeto, que tem início de operação previsto para 2028. Quando entrar em funcionamento, Raia terá capacidade para transportar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, volume equivalente a cerca de 15% da demanda total projetada para o mercado brasileiro.
PRIMEIRO POÇO
Outro avanço importante foi a conclusão do primeiro poço produtor do projeto, o PDA-P14. Situado a aproximadamente 200 quilômetros da costa, na Bacia de Campos, o poço integra o desenvolvimento de Raia, que reúne as descobertas de Pão de Açúcar, Gávea e Seat, no pré-sal, com reservas recuperáveis superiores a 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), entre gás natural e óleo/condensado.
Finalizado antes do prazo previsto, o PDA-P14 evidencia a capacidade técnica das equipes responsáveis pela execução de um empreendimento de elevada complexidade.
O projeto também marcou a chegada da balsa elevatória (jack-up barge) Saturn à região de Macaé. A unidade dará suporte à campanha de instalação do gasoduto por meio da perfuração horizontal direcionada (HDD), tecnologia que fará a ligação entre os trechos marítimo e terrestre da infraestrutura. A chegada da Saturn inaugura uma nova etapa da campanha, que inclui a execução do furo piloto, o alargamento da perfuração e o lançamento do tubo antes da instalação definitiva do gasoduto. Segundo a Equinor, a mobilização da unidade contribui para o avanço seguro do cronograma do projeto.
Raia é um dos principais projetos de gás natural em desenvolvimento no Brasil e é operado pela Equinor, que detém 35% de participação, em parceria com a Repsol Sinopec Brasil (35%) e a Petrobrás (30%). O desenvolvimento do projeto prevê investimentos de aproximadamente US$ 9 bilhões. O FPSO que será utilizado na produção também deverá figurar entre os mais eficientes do mundo em intensidade de carbono, com emissões médias estimadas em cerca de 6 quilos de CO2 por barril de óleo equivalente produzido.
Infomoney - SP 07/08/2026
Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de US$3 por barril nesta quinta-feira, após notícias de que uma comissão do Parlamento iraniano está analisando um projeto de lei que proibiria a entrada de embarcações dos Estados Unidos e de Israel no Estreito de Ormuz e aplicaria multas aos infratores de até um quinto do valor de sua carga.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$3,04, ou 3,83%, a US$82,49 o barril. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fecharam com alta de US$2,07, ou 2,75%, a US$77,29.
Um parlamentar iraniano afirmou que uma comissão do Parlamento está analisando um projeto de lei preliminar para proibir navios dos EUA, de Israel e de outros países considerados hostis de entrar no Estreito de Ormuz, e multar os infratores das restrições propostas em até 20% do valor da carga, segundo a agência de notícias Fars.
“Os operadores de petróleo continuam focados nos acordos entre os EUA e o Irã, e quanto mais demorarem, mais os preços voltarão a subir”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.
Antes do início do conflito com o Irã, no final de fevereiro, cerca de um quinto do abastecimento diário global de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, os houthis do Iêmen afirmaram ter realizado ataques com mísseis e drones contra “posições sauditas” em Marib e Hadramout, no Iêmen, nesta quinta-feira, e que mataram ou feriram centenas de combatentes aliados à Arábia Saudita, além de terem destruído acampamentos militares, depósitos de armas e veículos.
“O mercado oscila conforme as tensões aumentam e diminuem e, é claro, esses ataques representam um desdobramento significativo, pois significam mais atividade em outro teatro de operações, longe do Golfo Pérsico, e servem como um lembrete de que a passagem pelo Mar Vermelho ainda pode estar em risco”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.
CNN Brasil - SP 07/08/2026
O Brasil produz cada vez mais gás natural, mas isso não o tornou uma economia de gás abundante e barato. Em 2025, a média chegou a 179,2 milhões de metros cúbicos por dia. Em junho de 2026, alcançou 217,35 milhões, dos quais apenas 64,36 milhões estavam disponíveis ao mercado. A diferença alimenta a ideia de que bastaria reduzir a reinjeção para inundar o país de gás barato. A conclusão é sedutora, mas equivocada.
A maior parte do gás brasileiro é produzida no mar, associada ao petróleo e, no pré-sal, misturada a CO2. Uma parcela é consumida nas plataformas; outra precisa ser tratada; e outra é reinjetada para manter a pressão dos reservatórios, recuperar petróleo e armazenar CO2. Reinjeção não é desperdício. Cada campo deve ser avaliado com transparência para se saber quanto gás poderia ser vendido sem comprometer segurança e recuperação de óleo.
O mesmo realismo deve orientar o tal “Gas Release”. O instrumento reduz a concentração comercial ao obrigar um agente dominante a oferecer parte de seus volumes por mecanismos transparentes, favorecendo novos vendedores e preços competitivos. Reorganiza a venda do gás disponível. Não cria reservas ou gasodutos, nem transforma automaticamente reinjeção em oferta.
Essa distinção evita promessas que a geologia não pode cumprir. O gás offshore brasileiro exige separação no mar, remoção de contaminantes, compressão, longos dutos e processamento. Os Estados Unidos têm imensa produção terrestre e infraestrutura capilar. A Argentina conta com Vaca Muerta. A Noruega construiu durante décadas sua rede para abastecer a Europa. Esses modelos não podem ser reproduzidos por ato administrativo.
A questão decisiva é onde o gás cria mais valor. Amônia, ureia, metanol e produtos petroquímicos dependem da molécula, assim como processos industriais de difícil eletrificação. Nesses casos, o gás favorece segurança alimentar, competitividade e agregação de valor. Queimá-lo onde a eletricidade é mais eficiente desperdiça uma matéria-prima escassa.
O Brasil encerrou 2025 com 86,8% de eletricidade renovável. Essa vantagem deve orientar a política industrial. Uma neoindustrialização fundada na promessa de gás offshore barato pode produzir subsídios permanentes, contratos rígidos e exposição ao Brent e ao câmbio. Incentivos devem considerar produtividade, emissões e evolução tecnológica, com metas e prazo definido.
Há também uma oportunidade negligenciada em terra. Campos onshore ficam mais próximos de cidades, indústrias e polos agropecuários, exigem projetos menores e permitem soluções regionais. O país precisa melhorar dados geológicos, licenciamento, infraestrutura e financiamento. Gás terrestre e biometano podem formar mercados distribuídos.
Uma política consistente deve combinar transparência sobre a reinjeção; Gas Release articulado ao acesso a gasodutos e unidades de processamento; estímulo à produção terrestre; e apoio industrial condicionado a resultados. O planejamento deve integrar eletricidade, gás, biometano, armazenamento e eficiência.
Esses são os eixos do recém lançado policy paper “Gás natural sem ilusões e da Evolução Energética: adicionar fontes, substituir tecnologias quando surgirem alternativas superiores e elevar a eficiência”, produzido por nós na Altiva Inteligência Estratégica.
O gás continuará relevante, se destinado às funções de maior valor econômico, industrial e estratégico. A concorrência disciplina o mercado; geologia, infraestrutura e tecnologia determinam quanto gás existe, quanto custa e onde utilizá-lo.
IstoÉ Online - SP 07/08/2026
A anunciou nesta quinta-feira (6) que as próximas licitações de exploração de petróleo no país, agendadas para outubro, terão um número recorde de áreas em disputa. A autarquia é responsável pela organização desses leilões, visando impulsionar a produção nacional.
A ANP confirmou número recorde de áreas para licitações de exploração de petróleo em outubro, com dois certames distintos.
O 4º Ciclo de Partilha (pré-sal) ofertará 13 blocos, enquanto o 6º Ciclo de Concessão (demais áreas) terá 22 setores. Empresas têm até 31 de agosto para manifestar interesse, com 12 já garantindo participação no leilão de concessão e seis no de partilha.
Os dois certames estão marcados para 7 de outubro. O chamado 4º Ciclo de Partilha, que abrange áreas do pré-sal, vai ofertar 13 blocos. Já o 6º Ciclo de Concessão, que licita as demais áreas de exploração, tem 22 setores em disputa.
A relação completa das e de foi publicada no , conforme a legislação vigente. Foram incluídos setores ou blocos que receberam declaração de interesse de pelo menos uma empresa de petróleo, desde que a companhia também tenha manifestado garantia de oferta.
Até o momento, os 22 setores do leilão de concessão receberam declaração de interesse com garantia de oferta de 12 empresas. Para os 13 blocos do leilão de partilha, há a manifestação de seis empresas.
Prazo final para manifestar interesse
A ANP detalha que, até 31 de agosto, companhias que ainda não se manifestaram ou que já declararam interesse podem ampliar sua participação. Elas podem fazê-lo demonstrando interesse em outros setores ou blocos, visando expandir a concorrência nos leilões.
Empresas que não cumprirem esse procedimento até o final do prazo estabelecido ainda poderão participar da disputa. Para isso, devem se associar em consórcio com empresas que já se habilitaram, buscando uma vaga nas concorrências.
Como foram os leilões anteriores da ANP?
Em outubro do ano passado, o 3º Ciclo da Oferta de Partilha resultou na arrematação de cinco dos sete blocos em disputa. Naquela ocasião, os bônus de assinatura somaram quase R$ 104 bilhões, com uma previsão de investimento mínimo na fase de exploração de R$ 451,5 milhões.
O leilão do 5º Ciclo da Oferta de Concessão ocorreu em junho de 2025, com a assinatura de 34 contratos de concessão de blocos. A arrecadação de bônus de assinatura atingiu cerca de R$ 989 milhões, e os investimentos mínimos estimados na fase de exploração alcançaram R$ 1,5 bilhão.
Entenda a diferença entre partilha e concessão
Descoberto há 20 anos, o petróleo do pré-sal provou ser tão crucial para o potencial de produção brasileiro que, em 2010, o governo alterou o regime. Essa mudança visou regular a autorização para empresas explorarem essa riqueza submersa.
Atualmente, nas áreas do pré-sal, vigora o regime de partilha. Nesse modelo, a produção de óleo excedente, que é o saldo após o pagamento dos custos, é dividida entre a empresa exploradora e a União.
Quando um leilão ocorre em uma área sob regime de partilha, a companhia vencedora é aquela que oferece a maior parcela do óleo à União. Este critério define o vencedor da disputa.
Essa regra é significativamente diferente do modelo de concessão, que é válido nos demais blocos de óleo e gás. No modelo tradicional, o risco de investir e encontrar ou não petróleo é integralmente da concessionária.
A empresa que vence a concessão torna-se a proprietária de todo o óleo e gás que porventura forem descobertos. Em contrapartida, além do bônus de assinatura pago ao arrematar o leilão, a petrolífera remunera o governo.
Os pagamentos incluem royalties e participação especial, especialmente no caso de campos de grande produção. Esses valores contribuem para a arrecadação pública.
Junto com o modelo de partilha, foi criada a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), uma estatal sediada no Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. A PPSA representa a União no recebimento das receitas.
Ou seja, a PPSA é a responsável por vender o petróleo que é entregue pelas petroleiras à União, gerenciando os interesses do Estado. Sua atuação é fundamental para o modelo de partilha.
O Polígono do Pré-Sal, localizado no litoral do Sudeste do Brasil, concentra os principais campos de produção de petróleo do país. Em junho de 2026, conforme dados mais recentes da ANP, esses campos responderam por 82% da produção nacional de petróleo e gás.
CNN Brasil - SP 07/08/2026
O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária recuou 2% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) divulgados nesta quinta-feira (6).
Essa queda representa uma redução de R$ 66,1 bilhões para o setor, puxada pela desvalorização de 3,62% (R$ 74,6 bilhões) do ramo agrícola, enquanto a pecuária apresentou um crescimento marginal, de 0,7% (R$ 8,6 bilhões).
Segundo o índice, que engloba toda a cadeia agropecuária, o PIB do setor foi estimado em R$ 3,13 trilhões, sendo R$ 1,88 trilhão no ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão no pecuário.
Nos primeiros meses do ano, os setores com maior queda foram o segmento primário (-4,15%), seguido por insumos (-2,15%), agroserviços (-1,25%) e agroindústria (-1,03%).
O Cepea destacou que o resultado foi influenciado pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, decorrente principalmente da queda dos preços, que superou os ganhos projetados de produção em diversas atividades agrícolas e pecuárias.
A queda mais drástica foi no segmento primário agrícola (5,72%), apesar da expectativa de aumento na produção de commodities importantes, como cana-de-açúcar, café e soja. Segundo os pesquisadores, a queda do PIB do setor foi motivada pelo recuo dos preços, que “mais do que compensaram o avanço produtivo”.
Por outro lado, a agroindústria e os agroserviços no ramo da agropecuária tiveram um retrospecto positivo no período, com crescimento de 1,93% e 1,86%, respectivamente.
“Os agroserviços foram influenciados pelos desempenhos dos segmentos a montante, sustentados pela maior demanda por transporte, comércio e demais serviços associados ao aumento esperado da produção pecuária”, explicam os pesquisadores.
Diferença com o IBGE
Em maio, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 230,4 bilhões, números significativamente menores do que os do Cepea.
A diferença entre os dois índices se dá pela abrangência de cada um. Enquanto o IBGE se restringe apenas ao setor primário, o Cepea leva em consideração toda a cadeia, estendendo-a para o ramo de serviços (logística, transporte, armazenagem e crédito) e indústria (usinas de açúcar, laticínios e abate de carnes).