Clipping Diário

06 | Agosto | 2026

SIDERURGIA

Money Times - SP   06/08/2026

As ações da Gerdau (GGBR4) operam em queda nesta quarta-feira (5), mesmo após a siderúrgica divulgar um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) acima das expectativas do mercado. Por volta das 11h40, os papéis recuavam 1,12%, cotados a R$ 25,58.

Na avaliação de analistas, o desempenho da operação na América do Norte voltou a ser o principal destaque do trimestre e compensou um cenário ainda mais desafiador no Brasil. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão, Ebitda ajustado de R$ 3,43 bilhões — alta de 16% em relação ao trimestre anterior — e anunciou R$ 451,3 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,23 por ação.

O Citi classificou o balanço como um “forte resultado”. A equipe liderada por Alexander Hacking destaca que a receita líquida atingiu R$ 18,8 bilhões, acima da estimativa da casa, enquanto o Ebitda consolidado superou em cerca de 9% a projeção do banco.

“A América do Norte permaneceu como o principal motor dos resultados, beneficiada pela demanda robusta ligada a energia renovável, data centers e manufatura, além de um ambiente mais favorável para as importações”, escreveram os analistas.

Segundo o Citi, a carteira de pedidos de aços longos permanece acima de 100 dias — o maior nível desde 2021 — enquanto os embarques de aços especiais alcançaram o maior patamar desde aquele ano. Na avaliação da instituição, esses fatores devem continuar sustentando os resultados da companhia nos próximos trimestres.

O Itaú BBA também avaliou que o resultado superou tanto suas estimativas quanto o consenso do mercado. Para a equipe liderada por Daniel Sasson, cerca de dois terços da surpresa positiva vieram da operação norte-americana, favorecida por preços mais elevados, enquanto o restante foi explicado pelo melhor controle de custos no Brasil.

A casa destaca que o Ebitda consolidado ficou aproximadamente 5% acima tanto de sua projeção quanto da expectativa média do mercado, enquanto a margem Ebitda alcançou 19,2%.

“Seguimos construtivos com o desempenho operacional da companhia para o segundo semestre de 2026, principalmente pela expansão das margens na América do Norte após os recentes reajustes de preços e por um ambiente macro favorável para a demanda”, escreveu Sasson.

No Brasil, porém, o tom é de cautela. A operação brasileira registrou Ebitda de R$ 705 milhões, com margem de 10,5%, apoiada pelo aumento de preços, crescimento dos embarques no mercado doméstico e disciplina de custos. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que a recuperação tende a ocorrer de forma gradual.

“No Brasil, entretanto, a recuperação deve permanecer gradual e seguimos vendo um ambiente doméstico de preços mais desafiador”, acrescentou o analista.

A leitura é semelhante à do Safra. Para a equipe liderada por Ricardo Monegaglia, a demanda doméstica segue moderada e os custos de produção continuam pressionados, embora haja espaço para melhora caso os reajustes de preços ganhem tração e o segmento de veículos pesados acelere.

Outro destaque positivo para o Safra foi a geração de caixa. O fluxo de caixa livre somou R$ 237 milhões, bem acima da expectativa da instituição, enquanto a alavancagem caiu de 0,74 vez para 0,69 vez dívida líquida sobre Ebitda.

“Os resultados e a geração de caixa superaram nossas estimativas”, afirmou Monegaglia.

Segundo o analista, o desempenho foi favorecido pelo Ebitda mais forte, menor consumo de capital de giro e investimentos abaixo do esperado, fatores que mais do que compensaram maiores despesas financeiras e tributárias. Além disso, a instituição avalia que a companhia deve continuar executando seu programa de recompra de ações.

Na visão do banco, as perspectivas seguem favoráveis para o restante do ano. “Na América do Norte, as margens ficaram acima do esperado, sustentadas pelos reajustes de preços implementados no segundo trimestre e no início do terceiro”, escreveu Monegaglia. Já no Brasil, “vemos espaço para uma melhora gradual caso os aumentos de preços ganhem tração e o segmento de veículos pesados acelere”.

Apesar da realização das ações nesta sessão, os bancos mantiveram uma visão positiva para a companhia. O Citi segue vendo a Gerdau como sua principal escolha entre as siderúrgicas. Já o Itaú BBA reiterou recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 27, assim como o Safra, que tem preço-alvo de R$ 30, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 16% em relação ao fechamento anterior.

Valor - SP   06/08/2026

Segundo a empresa, a expectativa é de melhoria sequencial em seus resultados no terceiro trimestre, apoiados na continuidade de volumes maiores

A Ternium teve lucro de US$ 344 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 60% na comparação anual. A siderúrgica ítalo-argentina registrou receitas de US$ 4,34 bilhões entre abril e junho, crescimento de 10% sobre o mesmo período de 2025.

A companhia, que é controladora da Usiminas, aponta que seus resultados foram impulsionados por melhores vendas e preços em meio à imposição de medidas antidumping no Brasil e no México.

A empresa teve movimentação de 3,85 milhões de toneladas de aço ao longo do segundo trimestre, alta de 4% no ano. Em suas operações de mineração, o crescimento de 1% no período, a 3,34 milhões de toneladas.

Os números foram impactados por um resultado financeiro negativo de US$ 39 milhões, sentindo efeitos da apreciação do peso mexicano e do real sobre o dólar e da desvalorização do peso argentino.

A empresa teve investimentos de US$ 431 milhões no segundo trimestre, avançando em nova usina siderúrgica no México, enquanto registrou fluxo de caixa operacional de US$ 256 milhões.

Segundo a Ternium, a expectativa é de melhoria sequencial em seus resultados no terceiro trimestre, apoiados na continuidade de volumes maiores, enquanto as margens serão sustentadas por preços maiores por tonelada.

Investing - SP   06/08/2026

A Cia. Siderúrgica Nacional busca pelo menos R$ 15 bilhões pela sua divisão de cimento e espera receber quatro propostas à medida que avança com os planos de vender a unidade integralmente.

A empresa, controlada por Benjamin Steinbruch, abandonou um plano anterior de manter uma participação minoritária e agora pretende vender o negócio por completo, de acordo com reportagem da Bloomberg. A J&F Investimentos SA, empresa controlada pelos bilionários Joesley e Wesley Batista, chegou a oferecer R$ 10 bilhões pelo negócio e concordou em assumir os passivos, segundo o relatório, que cita fontes familiarizadas com o assunto.

Entre os potenciais interessados estão um produtor chinês de cimento, a Votorantim Cimentos SA, do Brasil, a Cementir Holding NV, da Itália, e a fabricante brasileira de concreto Polimix, segundo pessoas a par do processo. Alguns interessados ainda avaliam se farão propostas de forma independente ou em consórcio. A CSN espera receber as ofertas até o final desta semana, de acordo com as mesmas fontes.

O processo ainda está em andamento e não há garantia de que algum interessado apresentará uma proposta vinculante ou de que a CSN atingirá a avaliação almejada, segundo a reportagem.

A venda faz parte dos esforços da CSN para levantar recursos e reduzir seu endividamento. O Morgan Stanley está assessorando a empresa no processo.

Valor - SP   06/08/2026

Há cerca de um mês, o governo de Donald Trump anunciou que não têm a intenção de renovar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá nos termos atuais

O presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou nesta quarta-feira (5) que a revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) é um ponto de atenção da companhia, mas não representa um risco adicional. Há cerca de um mês, os EUA anunciaram que não têm a intenção de renová-lo nos termos atuais.

Para o executivo, no entanto, as discussões técnicas têm avançado, e — caso sigam para o caminho que estão esperando — se encaminhará de uma forma que “não traz nenhum risco adicional nos negócios”. “Pode trazer um pouco mais de notícias positivas pra nós do que a gente tem atualmente”, disse, durante teleconferência sobre os resultados da empresa no segundo trimestre deste ano junto a analistas.

Confira os resultados e indicadores da Gerdau e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360

Ele afirmou que as equipes da companhia, especialmente no México, têm debatido juntamente com o Ministério da Indústria e o governo federal mexicano os temas relacionados a aço e automóveis. “Tem um viés americano de evitar triangulação de produtos chineses que entram nos Estados Unidos via México. Então essa questão assim de produção, de garantia de produção de veículo no México, tem sido um ponto central desses debates.”

Na mesma ocasião, o comando da companhia comentou a parada em alguns equipamentos na usina de Midlothian, no Estado americano do Texas. De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Gerdau, Rafael Japur, a interrupção não deve afetar a companhia em termos de volume, em virtude da preparação via estoque, mas pode haver um impacto do ponto de vista de custos estimado entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões em efeito transitório não recorrente.

Japur afirmou que o panorama divulgado pela companhia em relação ao desempenho no terceiro trimestre na América do Norte não considerou aumentos recentes nos preços de aço observados no fim da última semana.

“Já tivemos o mês de julho que andou sem esse aumento de preços, que não é retroativo por óbvio. Ele tem uma data de implementação ao longo do mês de agosto então terá um efeito da carteira não integral, então ele não tá integralmente capturado no nosso ‘outlook’”, disse.

Werneck afirmou que a Gerdau está adotando uma postura “conservadora ou realista” a respeito do desempenho nos Estados Unidos no sentido macroeconômico.

“Será que tem espaço realmente pra ampliação de margens assim? Será que os preços vão continuar subindo indefinidamente?”, questionou na mesma ocasião.

Brasil

Sobre a operação no Brasil, os executivos reforçaram a expectativa de que avance nesta segunda metade do ano a discussão de medidas antidumping com foco em produtos laminados e bobinas a quente. “A gente tem muita confiança no trabalho do Mdic [Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços] com relação à recomendação do pleito de defesa da concorrência de antidumping”, reiterou Japur. A expectativa é que a recomendação avance no fim de agosto e se dê até o fim do ano a conclusão da investigação sobre o tema, concluiu.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/08/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 5, reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano, 5. A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro.

Foi o quarto corte consecutivo. Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.

Antes, o Copom manteve a Selic em 15% – o maior nível em quase duas décadas – por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026.

No comunicado, o colegiado afirmou que o cenário atual é caracterizado por significativo aumento da incerteza que “demanda serenidade e cautela” na condução da política monetária. “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o texto.

O Comitê afirmou que monitora com atenção a desancoragem (projeções afastadas da meta) adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos e deixou os próximos passos em aberto.

“Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.

Cenário externo e interno

O Comitê afirmou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição em relação aos conflitos armados no Oriente Médio e da política monetária em algumas economias avançadas.

Segundo o colegiado, “tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

Sobre o cenário interno do País, o Copom disse que os indicadores divulgados desde a última reunião do colegiado sugerem uma “moderação gradual” da atividade econômica, embora que esta ainda segue em “patamar resiliente” com sinais mistos entre setores diferentes e com o mercado de trabalho aquecido.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta”, escreveu o comitê em seu comunicado.

O Copom também afirma que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.
Copom enxuga comunicado após ruído por ‘excesso de informações’ na decisão de junho

O BC enxugou o comunicado do Copom desta quarta-feira, depois que a decisão de junho causou uma série de ruídos com o mercado por causa do que a cúpula da instituição classificou como excesso de informações.

O comunicado teve nove parágrafos, três a menos do que os 12 vistos na decisão de junho. O número de caracteres excluindo espaços caiu de 4.844 no Copom passado para 3.674 nesta reunião, uma redução de quase 25%.

A redução no comunicado era esperada pelo mercado. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia atribuído os ruídos com a Faria Lima em junho a um parágrafo que tentava explicar um grande volume de discussões do Copom em pouco espaço, que teria gerado incompreensão.

“Talvez seja mais pertinente realmente a gente deixar os nossos comunicados mais concisos e reservar explicações como essa para a ata”, disse o banqueiro central, durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) no dia 25 de junho.

O Copom foi duramente criticado pelo mercado em junho, depois de ter cortado a taxa Selic em 0,25 ponto mesmo aumentando as suas projeções de inflação e piorando o seu balanço de riscos. Um parágrafo do comunicado que falava sobre “trajetórias alternativas” de juros foi especialmente atacado.

Galípolo disse que o trecho gerou ruído porque tentava explicar uma decisão que não foi tomada pelo BC – no caso, a razão para não ter aumentado ou mantido a taxa Selic parada em junho.

“É um caso particular de uma incompreensão, um ruído que foi gerado a partir daquele parágrafo que decorre da tentativa de explicar uma série de coisas em um espaço que é muito apertado, muito conciso do próprio comunicado”, argumentou o presidente do BC, durante a entrevista coletiva.

Projeções de inflação

O Comitê manteve a projeção para a inflação acumulada em 12 meses no 1º trimestre de 2028 em de 3,2%, considerando o cenário de referência. Nesta quarta-feira, esse se tornou o horizonte relevante da política monetária.

A projeção segue 0,2 ponto porcentual acima do centro da meta de inflação, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC.

As medianas do relatório indicam que a Selic estará de 13,75% no fim deste ano e cairá a 12,0% no fim de 2027 e a 10,50% no fim de 2028.

Ao justificar a redução da Selic nesta quarta, o colegiado disse entender que essa “decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.

Desde a última reunião, realizada em junho, a mediana do Focus para o IPCA de 2026 caiu de 5,30% para 5,03%. Em contrapartida, as estimativas para 2027 e 2028 avançaram, de 4,10% para 4,22% e de 3,68% para 3,80%, respectivamente. Já a cotação do dólar utilizada pelo Comitê em suas projeções seguiu em R$ 5,10.

Nesta quarta-feira, projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 caiu de 5,2% para 5,1%. Para 2027, subiu de 3,7% para 3,8%.

O colegiado também ajustou as estimativas para a inflação de preços livres em 2026 (5,3% para 5,1%), 2027 (3,7% para 3,9%) e no 1º trimestre de 2028 (3,2% para 3,1%). Para os preços administrados, revisou as estimativas para 2026 (4,7% para 4,9%), 2027 (3,9% para 3,5%) e manteve a projeção de 3,5% para o 1º trimestre de 2028.

Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente

Agência Brasil - DF   06/08/2026

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.
Expectativa

Gestor de portfólio da Oby Capital, Camilo Cavalcanti avaliou que o Copom manteve a mensagem de que a magnitude total do ciclo de redução dos juros ainda será definida à luz de novos dados, sem qualquer pré-compromisso, e reforçou o balanço de riscos assimétrico para cima.

"No fechamento do comunicado, o Copom passou a citar explicitamente a desancoragem das expectativas e os riscos elevados em torno do cenário-base como justificativa para 'serenidade e cautela' na condução da política monetária. Diante desse contraste entre um cenário corrente mais favorável e uma comunicação prospectiva ainda cautelosa, avaliamos que o Copom ainda mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes de juros na próxima reunião, mas ressalta os argumentos para uma pausa", observou.
Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Globo Online - RJ   06/08/2026

O governo dos Estados Unidos reembolsou cerca de US$ 100 bilhões (R$ 511 bilhões) em tarifas desde que a Suprema Corte anulou a maior parte dessas cobranças em uma decisão proferida neste ano, segundo documentos judiciais aos quais a AFP teve acesso hoje.

O valor representa cerca de 60% dos aproximadamente US$ 166 bilhões (R$ 849 bilhões) que o governo do presidente Donald Trump arrecadou depois de usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional para impor as tarifas.

Os reembolsos foram destinados aos importadores que haviam pago essas tarifas.

Trump utilizou essa lei para impor tarifas a parceiros comerciais desde seu retorno à Casa Branca, em 2025, mas a mais alta corte do país decidiu, em fevereiro passado, que o presidente havia excedido sua autoridade, impondo um duro revés à política econômica do governo.

A decisão, no entanto, não afetou as tarifas setoriais, voltadas especialmente para produtos como aço, alumínio, cobre e madeira para construção.

Um funcionário da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) afirmou que, segundo os documentos judiciais divulgados ontem, até 31 de julho haviam sido aceitos para processamento "aproximadamente US$ 128,68 bilhões em reembolsos, tanto potenciais quanto certificados".

Desse total, cerca de US$ 100 bilhões já haviam sido encaminhados ao Departamento do Tesouro para pagamento, acrescentou o funcionário.

Desde a decisão da Suprema Corte, em fevereiro, Trump anunciou novas tarifas contra dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos, o que deu origem a novas ações judiciais.

Exame - SP   06/08/2026

A dívida pública brasileira voltou a acender o sinal de alerta. Dados do Tesouro Nacional mostram que o estoque da dívida federal atingiu R$ 9,26 trilhões em junho, o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período, o custo médio da dívida subiu para 12,7% em 12 meses, o maior nível para o mês desde 2016.

Embora os números pareçam distantes da realidade da população, especialistas afirmam que seus efeitos são sentidos no dia a dia, desde o financiamento da casa própria até o preço dos alimentos e a geração de empregos.

Para a especialista em finanças e sócia-diretora do Grupo Mide, Milene Dellatore, o problema não está apenas no tamanho da dívida, mas no custo para financiá-la. "O Brasil combina uma dívida crescente com juros muito elevados. Nos últimos 12 meses, o setor público gastou cerca de R$ 1,16 trilhão com juros, o equivalente a 8,8% do PIB. É isso que torna a situação tão pesada", detalha.

Segundo ela, a dinâmica pode ser comparada ao orçamento de uma família que passa a comprometer parcela cada vez maior da renda apenas com o pagamento de juros: "Toda dívida emitida hoje representa impostos, redução de gastos ou refinanciamento no futuro. No fim, essa conta sempre volta para a população."

A especialista explica que, quando o governo oferece remuneração elevada para atrair investidores aos títulos públicos, empresas enfrentam mais dificuldades para captar recursos. "O empresário deixa de investir, expandir a produção ou contratar funcionários porque o custo do dinheiro ficou muito alto. Com menos investimento, há menos empregos, menor crescimento e crédito mais caro para as famílias", diz.

Geração de empregos

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP), André Paiva, observa que a relação entre dívida e PIB passou de 76% para 82% em apenas um ano, impulsionada pela combinação de juros reais elevados e desaceleração econômica. Para ele, a percepção de risco fiscal tem contribuído para manter o crédito restrito e caro.

"Empresas e famílias enfrentam aumento do endividamento e da inadimplência, enquanto o varejo registra queda nas vendas e diversos setores ampliam os pedidos de recuperação judicial. Esse cenário também afeta a geração de empregos", afirma.

Outro reflexo do avanço da dívida é a pressão sobre as contas públicas. Como parte crescente do orçamento é destinada ao pagamento de juros, sobra menos espaço para investimentos em infraestrutura, pesquisa e serviços públicos.

Na avaliação de Dellatore, o ajuste das contas não deve se basear apenas no aumento da arrecadação. "A reforma tributária pode simplificar o sistema, mas isso não significa necessariamente redução da carga tributária. O País precisa revisar gastos permanentes, eliminar desperdícios e tornar a máquina pública mais eficiente, sem comprometer áreas essenciais."

Jornal de Brasília - DF   06/08/2026

As medidas lançadas pelo governo para estimular a economia neste ano ampliaram a renda disponível das famílias, facilitaram o acesso ao crédito e reforçaram programas de investimento, mas encontraram um ambiente macroeconômico mais adverso do que o observado em períodos anteriores.

Em meio à manutenção da política de valorização do salário mínimo, ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e ao lançamento de uma série de programas de crédito e incentivo — como Gás do Povo, Brasil Soberano 2.0, reforço ao Minha Casa, Minha Vida, linhas para máquinas agrícolas, Move Brasil e novas etapas do Desenrola —, economistas avaliam que o impulso à demanda existe, mas perdeu potência diante dos juros elevados, do endividamento recorde e do repique recente da inflação.

A leitura predominante no mercado é que os estímulos não fracassaram. Eles continuam sustentando parte do consumo e da atividade, mas passaram a desempenhar um papel mais defensivo: impedir uma acomodação mais intensa da economia, e não provocar uma nova aceleração do crescimento. “O efeito mais provável é evitar uma desaceleração ainda mais pronunciada”, resume o economista Henrique Danyi, do Santander.

De acordo com dados do Banco Central (BC), o comprometimento da renda das famílias, que representa, a grosso modo, a porcentagem de rendimento gasta com o serviço da dívida, bateu recorde neste ano, atingindo 28,5% em maio. Já o endividamento, embora estável nas últimas leituras, segue oscilando próximo do pico da série histórica, entre 49,8% e 49,9%, também segundo o BC.

Assim, após o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 1,1% no primeiro trimestre de 2026, a expectativa do mercado é que a atividade tenha desempenhos bem mais modestos até o final do ano, com altas trimestrais seguintes projetadas entre 0,1% e 0,5%, consolidando a perda de tração da economia. Com isso, o País, que colecionou elevações do PIB acima de 3% entre 2022 e 2024, e viu o ritmo desacelerar para 2,3% no ano passado, deve encerrar 2026 com alta ainda menor, mais perto de 2%, ou abaixo disso, mesmo com a bateria de estímulos lançada em ano eleitoral.

O quadro deve romper com padrões recentes, em que o ritmo de crescimento da economia no ano da eleição presidencial é maior do que a média dos três anos anteriores, já que, costumeiramente, há um esforço do candidato incumbente em aquecer a economia e aumentar a popularidade do governo.

Para o economista da XP Investimentos, Rodolfo Margato, os estímulos lançados neste ano contribuíram para sustentar o consumo e os investimentos, principalmente no primeiro trimestre, mas ele concorda que o impacto positivo poderia ser ainda maior, não fosse o cenário macro adverso. “Não são resultados muito fortes porque existem outros fatores em direção contrária: incertezas econômicas lá fora e aqui, juros e endividamento”, avalia ele.

Danyi, do Santander, acrescenta que, por mais que as linhas de crédito recentemente lançadas ajudem a sustentar a atividade, o caráter mais direcionado das iniciativas faz com que o impacto seja localizado e gradual. “Em um ambiente de juros básicos elevados, parte do estímulo concedido pelo crédito direcionado é compensada pelo encarecimento das demais modalidades de financiamento”, frisa. Com mais dívidas, as famílias passaram a sentir mais o impacto dos juros altos, complementa ele.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, vai na mesma linha e ressalta que, por mais que os recentes programas de estímulo sejam direcionados a segmentos da população com alta propensão a consumir, esses consumidores veem sua demanda ser limitada por fatores conjunturais.

“Mesmo que o impulso fiscal estimado seja positivo e maior que o do ano passado, é necessário considerar o efeito deletério proveniente da parcela cada vez maior do endividamento sobre a renda das famílias, além da inflação concentrada em itens essenciais, como combustíveis e alimentação”, frisa.

Para Margato, da XP, o repique inflacionário é outro vetor que explica, em partes, os dados recentes mais fracos da atividade doméstica, sobretudo no comércio. Conforme apontou o IBGE, as vendas no varejo ampliado acumulam três quedas consecutivas entre março e maio.

“Houve surpresa negativa em categorias como supermercados e alimentos. Tivemos o chamado ‘efeito deflator’: o aumento da inflação, em virtude do choque global de energia, acabou corroendo o poder de compra”, detalha o economista.

Outro exemplo foi verificado no mercado de trabalho, na avaliação de Margato. Ele cita que os rendimentos reais do trabalho vinham crescendo de forma consistente há bastante tempo, depois entraram em estabilização e, em maio, enfraqueceram bastante. “Na nossa avaliação, aquela disparada da inflação, em reação à guerra, explica em grande medida essa certa estabilização ou até queda na renda”, detalha.

Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, faz coro à análise e afirma que a perda de força da economia parece ter chegado ao mercado de trabalho mais recentemente, o que marca uma mudança em relação a períodos anteriores.

Para ele, o impulso relacionado à ampliação da isenção do IR parece, de fato, ter perdido força, ao passo que outros programas, como o Move Brasil e o Desenrola, ainda não influenciaram de maneira clara os dados de atividade, o que dificulta mensurar o impacto dessas medidas.

Globo Online - RJ   06/08/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) tem reduzido a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, desde o início do ano. Hoje, o colegiado confirmou um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa, que caiu de 14,25% para 14% ao ano, o menor patamar desde março do ano passado.

Mesmo assim, a Taxa de Longo Prazo (TLP), principal referência para empréstimos do BNDES a empresas que investem na ampliação de suas operações ou em novos negócios, está em alta. Pela primeira vez em sua história, superou a marca de 8% ao ano mais a inflação. No acumulado em 12 meses até junho, o IPCA ficou em 4,64%.

No acumulado em 12 meses No início deste ano, a TLP estava em 7,8% ao ano. O resultado final é um custo muito alto para empresas interessadas em financiamento de longo prazo para projetos.

Mas, afinal, o que explica esse descompasso entre o ritmo de queda de juros pelo BC e a trajetória das taxas de longo prazo cobradas pelo BNDES? A resposta está no mercado de títulos públicos, que atravessa uma crise severa.

Este é o mercado no qual o Tesouro nacional toma empréstimos para financiar a dívida pública brasileira. A combinação de recorrentes incertezas do mercado doméstico sobre os rumos fiscais do país, um cenário externo de alta volatilidade desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, o aperto monetário forte e prolongado por parte do Banco Central brasileiro e problemas específicos do mercado de títulos, como a concorrência com papéis privados, tem pressionado as emissões do Tesouro Nacional.

Esse quadro tem afetado em especial as NTN-Bs, os títulos vinculados ao IPCA, índice oficial de inflação, e que, no caso dos papéis com prazo de cinco anos, são um dos componentes da TLP. Isso significa que, se a taxa desses títulos sobe, também sobe o custo do empréstimo de longo prazo ao setor produtivo para investimentos.

Desde meados de 2024, a taxa da NTN-B vem testando recordes. Neste ano, ficou acima de 7,7% em todos os meses, mas, em agosto, chegou a 8,21% ao ano.

Como a taxa é formada?

A TLP é formada pelo somatório de uma parcela prefixada (atrelada à NTN-B) e a variação da inflação no período. Procurado, o BNDES não comentou.

A consequência mais importante da disparada da taxa é inibir a demanda das empresas por crédito e, consequentemente, reduzir os investimentos feitos com recursos captados junto ao banco estatal de fomento. A TLP não é o único componente dos empréstimos do banco. Além desse custo, somam-se a remuneração do próprio banco e dos agentes repassadores que operam com a instituição.

Títulos estressados

As NTN-Bs, especialmente com prazo de cinco a dez anos, vivem um momento de forte alta e até “disfuncionalidade” na formação de preços pelo mercado. Ao longo do último ano e meio, esses papéis passaram de taxas da ordem de 6% mais a inflação, que já eram consideradas elevadas do ponto de vista de uma operação de longo prazo, para juros reais acima de 8%.

Neste ano, diante dos problemas no mercado, o Tesouro chegou a fazer uma mega operação de recompra de títulos para tentar estabilizar o mercado. Conseguiu por algum tempo, mas os “prêmios”, ou juros, exigidos pelos investidores voltaram a subir nos últimos dois meses.

Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos e que foi coordenador-geral da dívida pública do Tesouro Nacional, afirma que são vários os fatores que justificam o nível elevado da taxa de juros. Talvez o maior responsável para a escalada dos custos da dívida pública e seus impactos, afirma, seja a perspectiva fiscal.

— Com o endividamento crescendo, os investidores exigem taxas mais altas para financiar o Tesouro, em especial nos papéis que resultam em melhora no perfil da dívida — argumentou.

Há outros componentes, como o impacto das taxas do Tesouro americano nos papéis indexados à inflação, avalia.

— Soma-se a isso o componente dos papéis incentivados, isentos de IR (Imposto de Renda), que tiveram fluxo significativo de emissões nos últimos anos e que pressionam os títulos do Tesouro indexados à inflação. A indústria de fundos, em especial os multimercados, que tradicionalmente montam posições em NTN-B, vem encolhendo nos últimos anos — acrescentou.

Apesar da escalada dos juros, o BNDES tem mantido uma trajetória de expansão de crédito e de desembolsos, em parte por uma postura mais ativa determinada pelo presidente Lula e em parte pela própria diversificação de operações com linhas que não são indexadas pela TLP — ainda que as operações com TLP sejam a maior parte do estoque de desembolsos do banco, oscilando entre 60% e 70% do total a depender do momento.

Nesse contexto de taxas elevadas, além de uma queda na demanda pelo crédito tradicional (tanto do BNDES como no mercado de forma geral), empresários acabam buscando do governo operações com crédito subsidiado. E o governo tem cedido aos apelos, ainda que não como há uma década (quando o BNDES tinha muito mais operações com elevados subsídios).

Nesse cenário, surgem linhas para o setor de caminhões operadas pelo próprio BNDES com recursos do Tesouro Nacional ou a recentemente lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para financiar máquinas agrícolas.

— O patamar da TLP em 8,2% é bastante desconfortável para financiamento de projetos de longo prazo, inviabilizando uma série de projetos. Contudo, ele reflete uma realidade que realmente desestimula o investimento, em linha com a ideia de ter uma taxa que rege as operações do BNDES mais alinhadas com a taxa de mercado — salienta o chefe de macroeconomia da ASA e ex-secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, que foi um dos responsáveis pela formulação do instrumento entre 2017 e 2018.

Queda lenta da Selic

Para ele, um cenário fiscal sensível, com linhas de crédito subsidiado que tiram potência da política monetária e um conjunto de estímulos que levam a uma queda lenta da Selic compõem um quadro que mantém o financiamento de prazo mais longo do Tesouro com custo elevado.

— E a taxa do Tesouro tem que ser a referência para o financiamento doméstico — justifica Bittencourt, que recomenda evitar mecanismos para driblar essa restrição: — Fugir deste desenho e criar mais subsídio sobre esta taxa só agravaria o problema.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) compara a TLP atual com o custo de 2% ao ano que chegou em 2020, ano da pandemia, para destacar a “dimensão do problema para a indústria”. Em nota, a entidade destacou: “Para o investimento industrial esse patamar é mortal. Expansão de capacidade, modernização de parque fabril e infraestrutura têm maturação longa e retorno diluído no tempo. Um custo real superior a 8% ao ano funciona como um piso de rentabilidade exigida que inviabiliza a decisão de investir”. Para a entidade, “o resultado para o país é claro: menos emprego, menos renda, menos desenvolvimento”.

MINERAÇÃO

Investing - SP   06/08/2026

A ANM (Agência Nacional de Mineração) notificou a Vale a pagar, parcelar ou apresentar defesa em cobranças que totalizam cerca de R$ 17,7 bilhões em royalties da mineração. Os despachos foram publicados no DOU (Diário Oficial da União) nesta 4ª feira (5.ago.2026).

Os valores cobrados referem-se à CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais), tributo pago pelas mineradoras à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios pela extração de recursos minerais.

As notificações foram emitidas pela Superintendência de Arrecadação e Fiscalização de Receitas da ANM por meio de Notificações Fiscais para Lançamento de Débito. A mineradora tem prazo de 10 dias para quitar os valores, solicitar parcelamento ou apresentar defesa administrativa. Sem manifestação dentro desse prazo, os débitos poderão ser inscritos em Dívida Ativa e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal); além disso, poderão ser objeto de ação de execução.

As 3 maiores notificações individuais somam, juntas, cerca de R$ 12,34 bilhões. A maior delas chega a R$ 6,65 bilhões, seguida de uma cobrança de R$ 4,32 bilhões e outra de R$ 1,37 bilhão.

Os editais publicados no DOU não especificam a origem das cobranças nem os períodos a que os débitos se referem. As notificações formalizam apenas os valores apurados pela fiscalização da agência, sem detalhar o histórico que levou às autuações.

O Poder360 procurou a Vale por meio de e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito das notificações publicadas pela ANM sobre cobranças de CFEM. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Infomoney - SP   06/08/2026

Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta quarta-feira, já que a iminência de uma greve nas operações da BHP em Port Hedland contribuiu para melhorar o ânimo do mercado.

O contrato de minério de ferro para setembro, o mais negociado na bolsa de Commodities de Dalian (DCE), fechou com alta de 0,93%, a 706 iuanes (US$104,64) por tonelada métrica, seu primeiro ganho em nove pregões.

Aliados de Lula veem revogação de visto como tentativa de Trump influenciar eleição

Departamento de Estado afirmou que a medida é uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o aval diplomático a indicado pra embaixada em Brasília

O contrato de referência de minério de ferro para setembro na Bolsa de Cingapura registrou alta, pela manhã, de 0,5%, a US$94,35 por tonelada.
Uma greve de dois dias ocorrerá nas operações da BHP em Port Hedland, na Austrália Ocidental, neste fim de semana, apesar do avanço nas negociações ocorridas na terça-feira entre os sindicatos e a mineradora global, informou um porta-voz do sindicato.

A BHP embarca cerca de US$80 milhões em minério de ferro diariamente por meio de Port Hedland, que é o maior centro de exportação do mundo para a commodity.

A interrupção oferece algum suporte de curto prazo ao otimismo em relação ao minério de ferro, afirmaram analistas da corretora Everbright Futures em uma nota.

Valor - SP   06/08/2026

Companhia espera investir mais de US$ 13 bilhões em novas minas, instalações e equipamentos na região de Pilbara entre 2025 e 2027

A pressão sobre a oferta decorrente do esgotamento das minas de minério de ferro construídas no início deste século, como as da Austrália, deve sustentar o mercado e os preços da commodity na próxima década, afirmou nesta quarta-feira um executivo da Rio Tinto.

A Rio Tinto espera investir mais de US$ 13 bilhões em novas minas, instalações e equipamentos na região de Pilbara entre 2025 e 2027, ao mesmo tempo que estima que 800 milhões de toneladas precisem ser adicionadas globalmente na próxima década para manter a oferta.

Até o momento, apenas 300 milhões de toneladas foram contratadas.

“Parece que, a cada ano, o fim do minério de ferro está sendo muito exagerado”, disse Matthew Holcz, diretor executivo de minério de ferro da Rio, durante um almoço no Melbourne Mining Club.

“Embora eu ache que a questão da demanda tenha sido razoavelmente bem compreendida, realmente acredito que o problema está no lado da oferta, de modo que as interrupções têm sido subestimadas”, disse ele, apontando para os ciclones anuais que atingem a costa de Pilbara, na Austrália Ocidental, de novembro a abril.

“Acho que a taxa de esgotamento está sendo muito subestimada”, acrescentou Holcz.

“Se olharmos para os momentos em que o setor realmente cresceu, em 2005, 2010 e 2015, muitos desses ativos já têm 15 ou 20 anos, e a escala do setor de minério de ferro... aumentou.”

O investimento em nova oferta é apenas uma fração do observado no início da década passada, disse Holcz.

“Os custos marginais estão bem mais altos... por isso, acreditamos que haja um bom suporte aos preços em torno dos níveis que temos observado nos últimos anos.”

Espera-se que a demanda da China permaneça estável até 2030, antes de apresentar um leve declínio, mas o Sul Global impulsionará a demanda, particularmente a Índia, que a Rio espera que se torne um importador líquido de minério de ferro por volta de 2035.

Mudança na alavancagem

Sobre o comprador estatal chinês, agora mais assertivo nas negociações de preços com os fornecedores, Holcz disse que a tensão entre compradores e vendedores sempre prevaleceu, mas que a Rio estava focada em laços de longo prazo e oportunidades “vantajosas para ambas as partes”.

“O equilíbrio entre oferta e demanda mudou”, disse ele à imprensa em declarações à margem do evento. “Temos um mercado muito mais equilibrado e, certamente, isso alterou um pouco o equilíbrio de poder.”

Referindo-se às questões sindicais na região de Pilbara, onde os trabalhadores devem entrar em greve neste fim de semana nas operações da BHP no porto de Port Hedland, Holcz defendeu um “relacionamento direto” com os trabalhadores, o que, segundo ele, historicamente levou a melhores resultados.

As futuras decisões sobre gastos de capital dependerão da concorrência, das relações trabalhistas e das disposições tributárias em outros lugares - áreas nas quais a Austrália está ficando para trás.

A Rio Tinto não tem grande exposição à Radiant World, empresa de comercialização de minério de ferro, acrescentou Holcz.

As corretoras Vitol Group e Cargill interromperam as negociações com a Radiant World devido a preocupações de que as faturas apresentadas aos bancos da empresa pudessem não ser válidas, informou a Bloomberg News na semana passada, o que a Radiant World nega.

“Do ponto de vista da Rio Tinto, não há nenhuma exposição nesse sentido que nos preocupe”, disse Holcz.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   06/08/2026

A montadora chinesa GAC registrou um avanço de 30,67% nos emplacamentos de veículos no Brasil em julho de 2026, contabilizando 1.947 unidades comercializadas frente às 1.490 registradas em junho, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O crescimento da fabricante ocorreu em um período de relativa estabilidade no mercado nacional de automóveis, que recuou 0,09% no comparativo mensal.

Com o desempenho de julho, a marca atingiu a 16.ª posição no ranking geral de automóveis de passeio no país, registrando uma participação de mercado de 0,92%.

No mercado de veículos totalmente elétricos (BEV), a GAC emplacou 1.416 unidades durante o mês de julho, representando uma alta de 33,8% em relação ao volume registrado em junho. O resultado colocou a marca na terceira posição do ranking de montadoras que mais venderam elétricos no Brasil no período, com 5,51% de participação nesse segmento, liderado com folga pela BYD.

Para ilustrar, neste mês foram emplacadas 7.265 unidades do BYD Dolphin Mini, volume 513% maior que o das vendas gerais da GAC no mesmo período. No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, a empresa consolida a quarta colocação no ranking nacional de vendas de veículos 100% elétricos.
Aion UT no top 4 entre os modelos elétricos

O principal vetor do volume mensal da montadora foi o compacto elétrico Aion UT. Em seu segundo mês completo de comercialização no país, o modelo somou 1.064 emplacamentos, garantindo a quarta posição entre os automóveis 100% elétricos mais vendidos do mercado brasileiro em julho. O pódio fica para o BYD Dolphin Mini (7.265 unidades), BYD Dolphin (6.492 unidades) e Geely EX2 (5.898 unidades).

A GAC opera no Brasil há pouco mais de um ano, e os dados apresentados pela Fenabrave apontam para um crescimento não explosivo, porém constante, devido à entrada no segmento dos compactos elétricos e à expansão gradual da rede de concessionárias e da estrutura de pós-venda.

Auto Industria - SP   06/08/2026

Olevantamento preliminar é da CPCA, a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros: trancorrido o primeiro semestre de 2026, nada menos do que três montadoras chinesas estão entre as dez maiores do mundo em participação de mercado.

A BYD foi a fabricante chinesa mais bem colocada no ranking. Ocupou a sexta posição, com fatia global de 4,8%. Exatamente uma década atrás, a empresa, que já ocupa a quarta colocação no mercado brasileiro após apenas após quatro anos, detinha 0,6%. Em 2025, contudo, a montadora teve penetração ainda maior, 5,4%.

Imediatamente atrás da BYD, aparece o Geely Holding Group, com participação de 4,6%, ante 1,5% em 2016, índice que engloba as vendas de todas marcas do grupo, dentre elas Volvo, Smart, Polestar, Lotus e Proton.

Também já presente no Brasil, assim como as duas outras chinesas, a Chery apareceu no nono lugar, praticamente empatada com a Ford, ambas com participação de mercado de 4,1%.

A comparação com dez anos antes, quando detinha 0, 8% das vendas, também reforça drástica ascensão no cenário global, sobretudo em decorrência de seu ofensivo programa de vendas no exterior e que a coloca como a montadora que mais exporta a partir da China.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Valor - SP   06/08/2026

“A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção, mas isso não quer dizer que as empresas não busquem ganhos de produtividade", disse Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI

Levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) apontou que 74% das empresas industriais investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado, resultado um pouco abaixo dos 77% registrados em 2024. Apesar do recuo, a CNI destacou que as fábricas seguem priorizando compra de bens de capital novos: apenas 18% delas adquiriram máquinas e equipamentos usados em 2025, ante 16% no ano anterior.

Segundo a pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (5), a renovação do maquinário, contudo, não é acompanhada por um avanço tecnológico significativo. Entre as empresas que investiram em máquinas e equipamentos no ano passado, 72% delas visavam, principalmente, a mecanização, enquanto 9% tinham a robotização como alvo. Somente 5% das indústrias direcionaram seus investimentos para automatizar a produção, a partir de máquinas conectadas em rede, com capacidade de transmissão e processamento autônomo de dados.

“A maior parte dos investimentos continua sendo para mecanizar a produção, mas isso não quer dizer que as empresas não busquem ganhos de produtividade. Mesmo na mecanização, uma empresa pode ganhar produtividade, ao incorporar máquinas e equipamentos mais eficientes ao processo produtivo”, avaliou o especialista em Políticas e Indústria da CNI Rafael Sales.

A pesquisa também apurou que a imprevisibilidade do ambiente macroeconômico segue como a principal restrição às decisões de investimento da indústria brasileira. Seis em cada dez empresas (61%) que compraram máquinas e equipamentos novos no último ano apontaram as incertezas econômicas como o maior obstáculo para os investimentos. Na sequência vieram a queda das receitas das empresas (47%), os entraves tributários (47%), as incertezas relativas a cada setor (46%) e a falta de mão de obra (43%).

Entre as empresas que adquiriram maquinário usado, as incertezas econômicas também foram o principal obstáculo: 66% delas apontaram a imprevisibilidade macroeconômica. Outros pontos citados foram: queda das receitas (55%), entraves tributários (53%), incertezas setoriais (53%) e aumento dos custos dos insumos (52%).

As empresas, em geral, não têm uma preferência quanto à origem da principal máquina ou equipamento adquirido. Em 2024, 48% do maquinário comprado veio do exterior, enquanto 47% foi fabricado nacionalmente. No ano seguinte, os percentuais se inverteram: 48% das máquinas e equipamentos eram nacionais, enquanto 47% vieram de fora.

Segundo a pesquisa, 78% das grandes indústrias investiram em máquinas e equipamentos novos no ano passado, número que cai para 72% entre as médias e 66% entre as pequenas.

As empresas de grande porte também estão em estágio mais avançado quanto à adoção de tecnologias da Indústria 4.0. Entre as que investiram em máquinas e equipamentos em 2025, 7% visavam automatizar o processo produtivo. Nas médias e nas pequenas, apenas 4% e 2% tinham esse objetivo.

Em relação à origem do maquinário, as grandes empresas foram as únicas a preferir o importado em relação ao nacional no ano passado.

Para captar os dados referentes ao ano de 2025, a CNI consultou 599 empresas entre 5 e 14 de janeiro de 2026. Os dados de 2024 foram coletados junto a 656 indústrias entre 7 e 20 de janeiro de 2025.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   06/08/2026

Após registrar as maiores altas do ano em maio (1,24%) e junho (2,24%), o Custo Unitário Básico (CUB) global da indústria da construção paulista desacelerou para 0,45% em julho.

Com isso, o indicador acumula elevação de 5,06% no ano e de 6,23% nos últimos 12 meses. Os dados foram divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) no dia 03/08.

No mês, todos os principais componentes do índice apresentaram alta. Os custos com mão de obra avançaram 0,38% em julho, acumulando elevação de 5,32% no ano e de 6,24% nos últimos 12 meses.

Os materiais de construção registraram alta de 0,53% no mês, com avanço de 4,68% no acumulado do ano e de 6,19% em 12 meses. Já as despesas administrativas aumentaram 0,60% em julho, acumulando alta de 5,37% no ano e de 6,73% nos últimos 12 meses.

Com esse desempenho, o CUB representativo da construção paulista (padrão R8-N) foi apurado em R$ 2.231,37 por metro quadrado em julho de 2026.

Com desoneração - Nas obras incluídas na desoneração da folha de pagamentos, o CUB registrou variação positiva de 0,45% em julho. No acumulado do ano, o índice apresentou elevação de 6,94%, enquanto a variação em 12 meses foi de 8,15%.

O custo médio da construção paulista (padrão R8-N) com desoneração atingiu R$ 2.155,74 por metro quadrado no mês, sendo R$ 1.196,58 referentes à mão de obra, R$ 897,01 aos materiais e R$ 62,15 às despesas administrativas.

Custos dos insumos - Entre os materiais pesquisados, as maiores altas em julho foram registradas pela Emulsão asfáltica com elastômero para impermeabilização (1,86%), Placa cerâmica (azulejo) 15x15 cm, 1ª linha PEI II (1,66%) e Aço CA-50 Ø 10 mm (1,28%). Estes itens apresentaram variação superior à do IGP-M, que registrou queda de -1,16% no período.

Na comparação dos últimos 12 meses, os destaques ficaram por conta do Tubo PVC-R rígido para esgoto Ø 150 mm (15,20%), do Fio de cobre antichama isolado 750 V 2,5 mm² (14,46%) e do Cimento CPE-32 saco 50 kg (12,62%). As variações ficaram significativamente acima da inflação medida pelo IGP-M, que acumulou 2,76% no mesmo período.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   06/08/2026

O TCU (Tribunal de Contas da União) deve analisar nesta quinta (6) o primeiro chamamento público de ferrovias.

Na pauta do tribunal está o processo para construção do corredor Minas-Rio.

Este é o primeiro projeto ferroviário a adotar um modelo, diferente das licitações tradicionais, e deve servir como referência para futuras autorizações do governo no setor.

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Em junho, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou à CNN que o projeto seria aprovado pelo tribunal até o fim do mês.

O projeto foi dividido em dois lotes. O primeiro possui 625,8 quilômetros e liga Iguatama (MG) a Barra Mansa (RJ), além do trecho entre Varginha (MG) e Lavras (MG). Já o segundo lote conecta Barra Mansa (RJ) a Angra dos Reis (RJ) e tem extensão de 107 quilômetros.

A ideia é fazer a ligação de Minas Gerais ao Porto de Angra dos Reis (RJ), criando uma alternativa ferroviária e portuária para as cargas vindas do interior do país.

Conforme mostrou a CNN, a estratégia do governo, de acordo com fontes que conversaram com a reportagem, é usar esse primeiro caso como base para padronizar o procedimento junto ao TCU, permitindo que os próximos projetos avancem com mais agilidade e ganhem escala.

Técnicos do Ministério dos Transportes, da ANTT e da Corte de Contas têm mantido reuniões frequentes para alinhar o entendimento sobre o novo formato. A expectativa é que, após essa primeira validação, os próximos chamamentos públicos tenham tramitação mais rápida, com análises simplificadas por parte do TCU.

O leilão, inicialmente previsto para abril, foi adiado e há a previsão de que o certame aconteça no último trimestre deste ano.

NAVAL

Valor - SP   06/08/2026

Embora não haja negociações diretas entre Teerã e Washington, o Irã vem negociando com Omã, que controla a margem oposta do estreito

O acordo proposto entre Irã e Omã daria a Teerã o controle sobre os navios que entram no Golfo pelo Estreito de Ormuz, informaram à Reuters nesta quarta-feira uma fonte iraniana de alto escalão e duas autoridades regionais, em uma das maiores concessões feitas até agora ao Irã.

Apesar do aparente passo em direção à aceitação das exigências iranianas, as fontes refutaram as afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo para reabrir o estreito seria iminente, dizendo que detalhes importantes ainda precisavam ser acordados.

“A concessão já foi feita no que diz respeito a alguma forma de controle sobre o Estreito de Ormuz”, disse uma das fontes regionais à Reuters.

A outra fonte regional afirmou que ainda havia detalhes a serem definidos sobre como o “controle” seria estabelecido, com os negociadores do Golfo insistindo que os países da região supervisionem as inspeções dos navios e que qualquer pagamento de taxas seja voluntário.

A fonte iraniana de alto escalão afirmou que o texto de um acordo já em discussão previa que o Irã tivesse controle sobre os navios que se dirigissem ao Golfo através do estreito, e que um dos principais pontos de discórdia era qual seria o papel do Irã em relação aos navios que seguissem na direção oposta.

Não houve resposta imediata de Washington às revelações sobre o acordo proposto.

Autoridades americanas têm insistido repetidamente que nunca aceitariam qualquer acordo que permitisse ao Irã controlar o acesso à rota comercial mais importante do mundo para o abastecimento de energia. Mas Trump e autoridades de seu governo afirmaram nos últimos dias que um acordo está iminente para pôr fim à guerra que ele iniciou em fevereiro e à qual, segundo pesquisas, a maioria dos eleitores norte-americanos se opõe.

Os preços do petróleo subiam ligeiramente na quarta-feira depois que o movimento houthi, aliado ao Irã, no Iêmen, afirmou ter atacado um petroleiro com bandeira saudita no Mar Vermelho — o mais recente ataque à navegação no Oriente Médio que tem prejudicado o abastecimento global de energia.

No entanto, os preços globais do petróleo permanecem próximos aos níveis mais baixos desde o início de julho, tendo caído acentuadamente nos últimos dois dias depois que Trump cancelou novos ataques ao Irã, citando novas negociações que, segundo ele, poderiam pôr fim ao conflito.

Embora não haja negociações diretas entre Teerã e Washington, o Irã vem negociando com Omã, que controla a margem oposta do estreito. O Irã rejeitou uma proposta anterior de Omã na semana passada, alegando que ela lhe concedia pouca influência.

Globo Online - RJ   06/08/2026

O Irã anunciou nesta quarta-feira que alcançou um acordo com Omã sobre uma proposta de rota para navegação através do Estreito de Ormuz que será gerenciada em conjunto pelos dois países, um passo potencial para a reabertura dessa crítica via energética global — antes da guerra, 20% da produção de petróleo global trafegavam pelo estreito.

Em uma publicação no Telegram, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que um comunicado conjunta encontra-se na fase final de redação e que um acordo sobre as coordenadas de navegação poderá ser assinado "se certas terceiras partes não obstruírem esse processo".

Em comentários divulgados no canal do Ministério das Relações Exteriores do Irã no Telegram, Baghaei disse que muitos fatores que contribuem para a insegurança no estreito ainda persistem. Ele citou o bloqueio naval declarado pelos EUA contra o Irã e outras "ações agressivas e ameaçadoras contra o Irã e seus interesses".

Baghaei também afirmou que um acordo entre Irã e Omã sobre a rota de navegação não garante automaticamente a passagem segura, alertando que uma ação militar dos EUA na região ainda poderia comprometer a segurança na via.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo para reabrir o estreito poderia ser concretizado nesta quarta-feira, advertindo o Irã de que será "duramente atingido" caso as negociações fracassem.

Citando autoridades iranianas e americanas, o jornal americano New York Times informou na terça-feira que o acordo em negociação entre Irã e Omã poderá ratificar o controle de Teerã sobre o que, antes da guerra, era uma via navegável internacional aberta, preservando para a República Islâmica uma vantagem estratégica que não utilizava antes da guerra.

Conforme descrito ao jornal por autoridades a par do acordo em gestação, as embarcações que se dirigem ao Golfo Pérsico transitarão por um canal controlado pelo Irã e próximo à sua costa. Os navios que deixam o Golfo navegarão por um canal próximo a Omã.

Autoridades iranianas afirmam que, embora não haja cobrança de pedágio, o acordo inclui uma "taxa de serviço" para cobrir o impacto ambiental do transporte marítimo, a segurança de navios de carga e petroleiros, e a mão de obra. As receitas seriam divididas igualmente entre o Irã e Omã, segundo duas autoridades iranianas.

No entanto, uma autoridade dos EUA a par das negociações afirmou, na segunda-feira, que a versão iraniana “não era precisa”, dizendo que quaisquer rotas “temporárias” estabelecidas pelo estreito não envolveriam aprovações ou permissões do Irã, nem a cobrança de pedágios. O presidente dos EUA, Donald Trump, já reiterou em várias ocasiões que "não haverá cobrança" pelo acesso ao estreito, algo que Teerã estabeleceu como condição fundamental para qualquer acordo. O país insiste que tem o direito de controlar o tráfego marítimo e de interceptar embarcações que tentem transitar por esse ponto estratégico sem sua permissão.

Já o Axios citou, sob condição de anonimato, autoridades regionais e um funcionário americano apontando um possível arranjo de 60 dias para a passagem segura pelo estreito.

O Catar, mediador nas negociações, afirmou que os contatos diplomáticos continuavam em andamento, mas que não estavam previstas conversações diretas entre o Irã e os Estados Unidos. Os objetivos diplomáticos de Washington incluem a reabertura de Ormuz e a desnuclearização do Irã, algo que Trump admitiu que pode "levar um pouco de tempo".

Mais de cinco meses depois do início de uma guerra que custou bilhões de dólares a Washington, o Irã continua capaz de lançar mísseis e drones contra alvos dos Estados Unidos e de seus aliados na região, assim como contra navios comerciais.

Na madrugada de terça-feira, um cargueiro não identificado foi atingido por um projétil desconhecido no Estreito de Ormuz, em frente à costa de Omã. Um membro da tripulação está desaparecido, segundo a empresa de segurança britânica Vanguard Tech.

Ataque no Mar Vermelho

As perturbações no trânsito em Ormuz aumentaram a importância das rotas marítimas pelo Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, declararam em 20 de julho um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram infraestruturas petrolíferas do reino.

O porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, permitiu a Riad, aliada de Washington, manter seus envios aos mercados globais, contornando completamente Ormuz. Mas desde que os houthis anunciaram seu bloqueio, reivindicaram ataques contra vários navios que, segundo eles, o violam.

Na terça-feira, o navio indiano MSV Faize Noore Oliya afundou no Mar Vermelho, em frente ao Iêmen, após ter sido atacado, disse à AFP um funcionário iemenita. Autoridades indianas informaram que os 14 membros da tripulação foram resgatados, enquanto o governo do Iêmen, reconhecido pela comunidade internacional, atribuiu o ataque aos houthis.

Também na terça-feira, um aeroporto no sudoeste da Arábia Saudita, perto da fronteira com o Iêmen, suspendeu suas operações depois que os rebeldes houthis afirmaram tê-lo atacado.

A Tribuna - SP   06/08/2026

O Governo Federal ainda não diz como pretende realizar o leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó (STS10), no Porto de Santos, e arrasta um projeto considerado urgente para ampliar a capacidade do cais santista. Depois de sucessivas promessas, adiamentos e mudanças de direção nos últimos três anos, a modelagem será submetida a um grupo técnico criado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), sem prazo para a conclusão dos trabalhos.

A Tribuna solicitou entrevista com o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, para explicar as razões da demora, esclarecer qual a modelagem prevista e apresentar um cronograma viável para o leilão. O MPor, porém, informou que não seria possível atender à solicitação.

A pasta se limitou a enviar uma nota por escrito, sem informações cruciais sobre o certame. O texto informa que a Portaria nº 315, de 14 de julho de 2026, do MPor, instituiu Grupo Técnico de Trabalho (GTT), em caráter excepcional, no âmbito da Secretaria Nacional de Portos. E que o GTT vai “elaborar manifestação técnica conjunta entre o MPor e a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República sobre o projeto de arrendamento”.

Segundo o Ministério, o GTT tem como objetivo analisar as contribuições técnicas apresentadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), consolidar as informações relacionadas ao leilão e decidir a modelagem. “As diretrizes do projeto serão formalizadas no momento oportuno, após a conclusão das análises técnicas e a avaliação pelas instâncias competentes”, completou o MPor.

Mas quando?
A expressão “momento oportuno” resume a falta de horizonte para um empreendimento que já teve diferentes datas anunciadas e posteriormente abandonadas. O MPor não explicou quanto tempo o grupo terá para concluir a manifestação e quais pontos ainda precisam ser analisados.

O novo grupo técnico surge depois de o Governo não conseguir conciliar duas posições opostas. De um lado está a Casa Civil, que defende um leilão aberto a todos os interessados, incluindo empresas que já operam terminais de contêineres em Santos e armadores (donos das frotas de navios). Do outro, o MPor, que vinha acolhendo o modelo com restrições aprovado pela Antaq e posteriormente confirmado (com restrição ampliada para armadores) pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Modelagem
A divergência reabriu uma discussão que parecia encerrada em dezembro de 2025, quando o plenário do TCU aprovou a realização do leilão em duas etapas. Pela modelagem, empresas que já controlam terminais de contêineres no Porto de Santos e armadores não poderiam disputar a primeira fase. Somente poderiam participar de uma segunda rodada, caso não houvesse proposta válida na primeira.

Antes disso, em junho de 2025, a Antaq já havia determinado a adoção das restrições. A justificativa era preservar a concorrência e impedir uma concentração de mercado ainda maior da movimentação de contêineres no maior porto do País.

As restrições atingiram diretamente grupos europeus já presentes no complexo santista. As gigantes MSC (suíça) e Maersk (dinamarquesa), por exemplo, controlam conjuntamente a Brasil Terminal Portuário (BTP), no cais santista, com 50% de participação cada uma.

Novo rumo
Com o aval da Antaq e do TCU, o caminho esperado era a incorporação das determinações ao edital. O Governo Federal, no entanto, recuou após pressões de parte do setor e de empresas interessadas no ativo. Em abril deste ano, o MPor suspendeu o processo para que fossem discutidas novas diretrizes.

No mês seguinte, a Casa Civil tornou pública a defesa de um leilão sem restrições à participação de armadores e empresas que já operam no Porto de Santos. No mês passado, a Antaq enviou ofício cobrando do Governo Federal as diretrizes definitivas sobre o leilão para que retome a análise da licitação. Com mudanças, o processo também precisaria retornar ao TCU.

Promessas vazias
A indefinição atual não é um episódio isolado. O cronograma do Tecon Santos 10 vem sendo alterado repetidamente. Ao longo de 2025, o Governo trabalhou com a expectativa de realizar a licitação ainda naquele ano. A votação do modelo no TCU, porém, foi sucessivamente adiada e o leilão acabou transferido para 2026. Em novembro, A Tribuna já mostrava que a demora na análise impediria o cumprimento do calendário prometido.

Em 14 de janeiro de 2026, o então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que a disputa seria realizada até 30 de abril. Pouco mais de um mês depois, o leilão já não tinha data definida. Em 20 de fevereiro, o MPor informou somente que trabalhava com a Antaq para implementar as recomendações aprovadas pelo TCU.

O processo voltou a sofrer uma interrupção formal em abril, com o pedido de suspensão feito pela Casa Civil. Em maio, o Governo anunciou a intenção de rever a modelagem, apesar de ela já ter passado pela Antaq e pelo TCU. A demora ocorre em um momento de aumento gradativo da demanda pela movimentação de contêineres. Projeções citadas ao longo do processo pelo setor indicam que a capacidade disponível no Porto de Santos pode chegar à saturação em 2028, caso não seja ampliada.

O Tecon Santos 10 deverá ocupar uma área de 621,9 mil metros quadrados (m2) no cais do Saboó. O projeto prevê capacidade para movimentar 3,25 milhões de TEU (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano, além de carga geral. O investimento no terminal passará de R$ 6 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   06/08/2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quinta-feira, 5, de forma cautelar, que a Autoridade Portuária de Santos (APS) não poderá iniciar os serviços previstos no contrato contrato para a dragagem de aprofundamento do canal de navegação do Porto de Santos.

A obra busca elevar a profundidade do canal de 15 para 16 metros, permitindo a operação de navios de maior porte.

A medida vale até julgamento de mérito. Haverá oitiva da APS e da sociedade Jan de Nul do Brasil Dragagem para que, no prazo de 15 dias, ocorrem manifestações adicionais sobre o caso. O TCU entende que a suspensão não acarretará prejuízo irreversível ao interesse público e não impactará a operação do porto.

A decisão foi tomada no âmbito de uma representação a respeito de possíveis irregularidades na Licitação Eletrônica 51/2025, conduzida pela Autoridade Portuária de Santos.

A empresa Etesco Construções e Comércio contrariou sua desclassificação, que teria ocorrido porque não houve o encaminhamento da planilha de composição de custos, por equívoco formal.

A proposta do consórcio foi de aproximadamente R$ 10 milhões abaixo da posteriormente classificada em primeiro lugar. Ou seja, alegadamente, pode haver potencial prejuízo ao erário estimado em aproximadamente R$ 10 milhões.

PETROLÍFERO

Valor - SP   06/08/2026

Os preços do petróleo registraram queda nas primeiras operações do mercado asiático nesta quinta-feira, impulsionados pela crescente perspectiva de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz.

De acordo com informações do The Wall Street Journal, Irã e Omã estavam finalizando na quarta-feira a minuta de um documento que concederia a Teerã a supervisão dos navios que entram no Golfo Pérsico, sem permitir, contudo, a cobrança de pedágios ou taxas de serviço.

Os pontos centrais do texto — que estabelece uma rota de entrada próxima ao Irã e uma de saída perto de Omã — já foram pactuados e compartilhados com os Estados Unidos, países do Oriente Médio e a alta cúpula iraniana, de quem ainda se aguarda a aprovação final.

Diante desse cenário, os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) recuaram 0,4%, cotados a US$ 74,94 o barril, enquanto os contratos do Brent caíram 0,2%, negociados a US$ 79,32 o barril.

Analistas da ANZ Research destacaram a intensificação dos sinais de consenso, observando que, embora os países tenham alinhado a proposta de navegação na via marítima, detalhes operacionais ainda precisam ser ajustados.

Paralelamente ao alívio nas cotações de energia, as bolsas de valores asiáticas operaram majoritariamente em baixa, refletindo a cautela dos investidores sobre as avaliações das empresas após os recentes ganhos em Wall Street.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 3,1%, pressionado pelas quedas das gigantes de semicondutores SK Hynix (-6,5%) e Samsung Electronics (-2,1%). No Japão, o Nikkei cedeu 1,4%, puxado pela fabricante de memórias Kioxia (-8,9%) e pela produtora de equipamentos elétricos Fujikura (-6,7%).

O analista sênior Antonio Di Giacomo, da XS.com, apontou que os balanços corporativos nos Estados Unidos continuam a gerar reações mistas no mercado, citando que os resultados e as projeções de companhias como Advanced Micro Devices e SpaceX foram considerados insuficientes para sustentar as elevadas valuation aplicadas ao setor de tecnologia.

Na contramão do continente, o índice australiano S&P/ASX 200 subia 0,7%.

CNN Brasil - SP   06/08/2026

O presidente do Barla (Instituto Brasileiro de Ambiente Regulatório e Liberdade), Chicão Bulhões, avaliou que a insegurança e imprevisbilidade regulatória no setor de petróleo afasta novos atores deste mercado no Brasil.

"Todo o setor vai olhar e vai dizer, qual é o custo de colocar isso lá? Eu vou demorar 5, 6, 7, às vezes 10 anos para começar essa operação. E é claro que o Brasil nesse aspecto afasta novos atores de mercado, afasta essa atratividade, coloca isso no custo dos leilões, então existe um preço contratado para o futuro", explicou o especialitas após ser perguntando sobre o impacto do imposto de exportação de 12% em investimentos futuros no Brasil.

As declarações foram dadas durante o CNN Talks: Quando as Regras Mudam, evento realizado pela CNN Brasil, em Brasília, nesta quarta-feira (5).

Bulhões lembrou ainda sobre a judicialização das regras dos negócio, citando a morosidade das dicussões na justiça e impacto fiscal.

"Fora as discussões que vão parar no Supremo Tribunal Federal, que daqui a, talvez, 10 anos, vão virar eventualmente precatórios, porque se várias dessas ações judiciais resultarem, por exemplo, numa derrota do governo, esse dinheiro de fato vai ter que voltar para aqueles que foram prejudicados, se no final essas ações forem julgadas nesse sentido".

"Então, isso cria realmente muito essa insegurança nesse cenário e, é claro, pode trazer várias consequências", finalizou.

O economista comentou ainda sobre as decisões do Congresso Nacional que têm impacto no ambiente de negócios e regulatórios. Ele apontou que o instrumento das Medidas Provisórias têm sido utilizados de forma reversa, utilizando o prazo que o Parlmento teria para analisar o texto, para se arrecadar temporariamente.

Ele afirmou ainda que a criação do imposto de exportação de 12% sobre o envio de petróleo para o exterior não tem finalidade regulatória, e que o montante arrecadado tem sido utilizado para bancar o subsidio ao preço do diesel.

O CNN Talks: Quando as Regras Mudam reúne autoridades, empresários, especialistas e representantes da infraestrutura para debater os efeitos que decisões tomadas para responder às urgências do presente podem produzir sobre investimentos planejados para décadas.

Valor - SP   06/08/2026

Esse será o primeiro período de três meses completos sob os efeitos da guerra no Oriente Médio

Com recordes de produção e alta do petróleo, os resultados financeiros da Petrobras devem trazer aumentos anuais relevantes no segundo trimestre. Esse será o primeiro período de três meses completos sob os efeitos da guerra no Oriente Médio, o que levou o petróleo do tipo Brent a subir cerca de 51,9% na comparação anual, saindo de uma média de US$ 67,8, no segundo trimestre de 2025, para US$ 103, em igual período de 2026, segundo cálculos da Ativa Investimentos. O mercado espera ainda um anúncio de dividendos.

As estimativas de quatro bancos e corretoras compiladas pelo Valor apontam para um lucro líquido de R$ 42,025 bilhões no segundo trimestre, o que representaria crescimento de 57,9% frente a igual período do ano passado. A previsão média para a receita foi de R$ 152,3 bilhões, alta de 27,8% ante o segundo trimestre de 2025, enquanto a média projetada para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 88,9 bilhões, crescimento de 70,3% na mesma comparação. O Valor considerou as projeções de Itaú BBA, Citi, Ativa Investimentos e BTG.

A maior estimativa para o lucro foi do BTG, com R$ 47,2 bilhões, enquanto a menor foi da Ativa, com R$ 35,7 bilhões. Para a receita, as projeções ficaram entre R$ 144,9 bilhões da Ativa e R$ 158,4 bilhões do Citi, enquanto as previsões para o Ebitda ficaram entre R$ 79,4 bilhões da Ativa e R$ 94,1 bilhões do BTG.

A produção total própria da Petrobras no segundo trimestre bateu recorde de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia, alta de 14,1% na comparação com igual período do ano passado. Dez novos poços produtores entraram em operação entre abril e junho, sendo quatro na Bacia de Campos e seis na de Santos, o que impulsionou o volume.

A maior eficiência operacional do “ramp-up” (aumento gradual da produção) das plataformas Maria Quitéria, no campo de Jubarte, Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, P-78, no campo de Búzios, além do início de produção de produção do FPSO P-79, no campo de Búzios, favoreceu o aumento de produção, disse a estatal.

A Petrobras divulga resultados financeiros nesta quinta-feira (6), após o fechamento dos mercados. Segundo o Itaú BBA, as operações sólidas da companhia, o aumento do petróleo e receitas mais fortes com combustíveis no mercado brasileiro, incluindo os subsídios estabelecidos pelo governo para amortecer efeitos da guerra, vão impulsionar os resultados.

“Os investimentos de caixa devem somar US$ 4,6 bilhões, diante da aceleração dos projetos de exploração e produção de petróleo. Projetamos dividendos ordinários de US$ 3,1 bilhões”, disse o banco em relatório.

Para a XP Investimentos, se não fosse pelos subsídios, a Petrobras teria capturado a maior parte da valorização do Brent apenas por meio das exportações de petróleo e de outras vendas atreladas a referências internacionais, uma vez que os preços domésticos dos combustíveis permaneceram relativamente estáveis ao longo do trimestre: “Em nossas estimativas, o ‘crack spread’ [margem de refino] realizado do diesel da Petrobras aumentou cerca de US$ 29 por barril na comparação trimestral, para US$ 53/bbl.”

O banco ressalta, porém, que a geração operacional de caixa no trimestre foi parcialmente compensada pelo consumo de capital de giro, uma vez que os subsídios aos combustíveis geraram recebíveis que não foram integralmente monetizados durante o segundo trimestre. “Esses recebíveis deverão se converter em fluxo de caixa livre adicional apenas no próximo trimestre. No geral, estimamos um fluxo de caixa livre de US$ 3,7 bi no segundo trimestre. Em linha com a política de dividendos da Petrobras, projetamos dividendos ordinários de US$ 3 bilhões”, afirmou a XP em relatório.

A XP destaca, ainda, uma expectativa de manutenção da trajetória de alta da produção da Petrobras para os próximos trimestres.

Com foco mais adiante, o UBS BB afirma que, para além dos “resultados saudáveis” esperados para o segundo trimestre, o mercado já deve se preparar para o fato de que os dados do terceiro trimestre só serão divulgados após um possível segundo turno das eleições brasileiras: “Isso deve direcionar as discussões sobre desdobramentos mais amplos, tanto geopolíticos quanto da própria eleição.”

Valor - SP   06/08/2026

Os bônus de assinaturas dos cinco blocos somaram R$ 103,72 milhões, enquanto os investimentos mínimos previstos na primeira fase dos contratos, a de exploração, totalizam R$ 451,5 milhões

Os contratos de áreas do pré-sal que foram licitadas em outubro do ano passado foram assinados nesta quarta-feira (5), em cerimônia em Brasília. O certame, no âmbito do 3º ciclo da Oferta Permanente de Partilha, teve cinco blocos arrematados – Esmeralda e Ametista, na Bacia de Santos; e Citrino, Itaimbezinho e Jaspe, na Bacia de Campos.

O bloco Esmeralda foi arrematado pela Karoon, enquanto o bloco Ametista teve como vencedor o consórcio Cnooc (60%) e Sinopec (40%), ambas chinesas. Citrino e Itaimbezinho foram arrematados, respectivamente, por Petrobras e Equinor. Já o consórcio formado por Petrobras (60%) e Equinor (40%) levou o bloco Jaspe. No leilão, os blocos Ônix e Larimar não receberam ofertas.

Confira os resultados e indicadores da Petrobras e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360

Os acordos foram firmados com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Pré-Sal Petróleo (PPSA), responsável pela gestão dos contratos de partilha do pré-sal.

Segundo a ANP, os bônus de assinaturas dos cinco blocos, fixos e determinados no edital da oferta permanente de partilha, somaram R$ 103,72 milhões, enquanto os investimentos mínimos previstos na primeira fase dos contratos, a de exploração, totalizam R$ 451,5 milhões.

“Os bônus de assinatura previstos nos contratos também contribuem para a recomposição do caixa da União e ampliam a capacidade de investimento em áreas essenciais para o país”, disse, em nota, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

O 4º ciclo da oferta permanente de partilha está aberto e prevê a oferta de 23 blocos nas bacias de Santos e Campos.

Oferta permanente

A oferta permanente é uma modalidade mais ágil em relação ao modelo tradicional de leilões, e as empresas não precisam esperar um novo edital. Quando conseguem se habilitar para a oferta permanente, as petroleiras sempre estão aptas para arrematar blocos de petróleo.

No modelo tradicional, as empresas são habilitadas para cada leilão e os blocos incluídos em editais unicamente produzidos para cada certame. Já na oferta permanente, o edital é único e só é alterado para inclusão de novas áreas e exclusão de blocos que foram arrematados por empresas ou que venham a ser excluídos por outros motivos.

Os leilões públicos, nos quais as empresas apresentam ofertas pelas áreas pretendidas, continuam ocorrendo como habitualmente – são as sessões públicas de cada ciclo da oferta permanente. Entre a declaração de interesse e os leilões, decorre um prazo de 120 dias.

Os vencedores das sessões públicas passam a cumprir prazos de entrega dos documentos exigidos no edital e de assinatura dos contratos, que podem ser de concessão ou de partilha, entre outras etapas previstas no cronograma da oferta permanente.

O critério para vencer o leilão de uma área de petróleo sob o regime de concessão é o valor ofertado do bônus de assinatura e o Programa Exploratório Mínimo (PEM). Na oferta permanente de concessão, vence quem tiver a maior nota, calculada mediante atribuição de pontos e pesos aos critérios de bônus de assinatura e do PEM.

Na oferta permanente de partilha, o critério para definir o vencedor da sessão pública é o maior percentual de excedente em óleo para a União em relação ao valor mínimo estabelecido no edital.

RODOVIÁRIO

Grandes Construções - SP   06/08/2026

O governo brasileiro reduziu sua projeção de leilões de concessões de rodovias e ferrovias para este ano, em meio a diferentes desafios relacionados à maturidade dos projetos, questões regulatórias e ao cenário político.

O governo federal projetava para 2026 a realização de 21 leilões, sendo 13 contratos de concessão de rodovias e oito de ferrovias de cargas.

Agora, a expectativa foi revisada para 14 leilões, dos quais nove na área de rodovias e cinco no segmento ferroviário.

"A redução da previsão de 21 para 14 leilões parece decorrer, principalmente, de uma diferença entre o tamanho da carteira inicialmente anunciada e o efetivo grau de maturidade dos projetos. O cronograma original era bastante ambicioso e reunia 13 projetos rodoviários e oito ferroviários em diferentes estágios de desenvolvimento. Um projeto de concessão depende da conclusão dos estudos técnicos, econômicos e ambientais, da realização de consultas públicas, da aprovação pela ANTT, da análise do Tribunal de Contas da União e, finalmente, da publicação do edital", disse Alberto Sogayar, advogado especializado em infraestrutura e sócio do escritório SA Advogados.

"Qualquer revisão da modelagem, questionamento dos órgãos de controle ou necessidade de aprimoramento da matriz de riscos pode deslocar o leilão para o exercício seguinte. Não interpreto essa revisão como uma paralisação da política de concessões. Trata-se, em grande medida, de um ajuste do cronograma à capacidade institucional de concluir projetos complexos com segurança jurídica, consistência econômico-financeira e condições efetivas de atrair investidores", acrescentou.

Rodovias - No setor rodoviário, o governo federal já realizou três leilões neste ano: as concessões Rota Gerais, Rota dos Sertões e a otimização da Rodovia Régis Bittencourt.

No caso da Régis Bittencourt, trata-se de um processo de otimização contratual, mecanismo utilizado quando a concessionária opta pela devolução amigável do contrato e o governo promove uma nova licitação.

A legislação brasileira permite a devolução de contratos de concessão, situação observada em alguns projetos em razão de diferenças relevantes entre as projeções originais de tráfego e custos e as condições efetivamente verificadas ao longo da execução dos contratos.

Segundo especialistas, no segmento rodoviário, a revisão do cronograma está relacionada principalmente ao tempo necessário para que os órgãos reguladores concluam a análise das novas modelagens contratuais. Ainda assim, o interesse das empresas pelo setor permanece elevado.

"Continuaremos analisando todos os projetos que forem colocados no mercado, sempre com muito rigor técnico e disciplina de capital", disse José Carlos Cassaniga, diretor-presidente do Grupo EPR.

Recentemente, a EPR venceu o leilão da concessão da BR-116/PR/SP (Rodovia Régis Bittencourt), em um contrato que prevê investimentos de aproximadamente R$ 11 bilhões (US$ 2,15 bilhões).

A empresa superou as propostas da Motiva e da Arteris ao oferecer um desconto de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio, garantindo o direito de operar o corredor rodoviário até 2041.

Embora o governo ainda planeje realizar mais seis leilões rodoviários nos próximos meses, apenas um deles já possui data definida.

Em 12 de novembro, será realizado o leilão da concessão dos trechos das rodovias BR-163/MT, BR-163/PA e BR-230/PA, com aproximadamente 970 quilômetros de extensão e investimentos estimados em R$ 10,6 bilhões.

Ferrovias - No segmento de ferrovias de cargas, os desafios são considerados maiores.

"Os modelos desses projetos são novos e ainda geram muitas dúvidas no mercado. Um dos principais pontos de dificuldade é que diversos projetos combinam investimentos greenfield e brownfield na mesma concessão, aumentando a complexidade, especialmente em questões sociais, como reassentamentos de populações próximas aos empreendimentos, territórios indígenas e também aspectos ambientais", disse Paulo Dantas, advogado especializado em infraestrutura e financiamento de projetos do escritório Castro Barros Advogados.

No fim do ano passado, o governo federal anunciou uma agenda considerada ambiciosa para o setor ferroviário, prevendo o leilão de oito concessões, com investimentos estimados em R$ 160 bilhões. Até o momento, porém, nenhum contrato foi licitado.

Segundo o cronograma revisado, o governo pretende agora concentrar esforços em cinco projetos considerados mais maduros: o Anel Ferroviário Sudeste, a Malha Oeste, o Corredor Minas-Rio, o Corredor Leste-Oeste e a Ferrogrão.

Eleições - Outro fator que contribui para a revisão da agenda de concessões é a proximidade das eleições no Brasil.

Em outubro, os brasileiros irão às urnas para eleger presidente da República, governadores, senadores e deputados.

"Uma concessão leiloada neste ano provavelmente terá seu contrato assinado apenas no próximo ano. Isso gera incerteza, porque uma eventual mudança de governo pode resultar em ajustes na modelagem ou nas condições contratuais. Por isso, é muito provável que algumas empresas prefiram aguardar maior visibilidade sobre o processo eleitoral antes de tomar suas decisões", disse Luís Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Cargas (Anut).

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