Portal Siderurgia Brasil - SP 31/07/2026
Muito além da simples comercialização de produtos siderúrgicos, os distribuidores de aços planos exercem um papel essencial na cadeia de abastecimento da indústria brasileira. Eles garantem a capilarização do aço, levando o material a milhares de pequenas e médias empresas que não conseguem atender aos volumes mínimos exigidos pelas usinas.
Em junho de 2026, esse mercado apresentou um comportamento mais cauteloso. Dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA), entidade que reúne empresas responsáveis por cerca de 70% da distribuição nacional, mostraram que as compras alcançaram 323,8 mil toneladas, volume 4,9% inferior ao registrado em maio, mas 4,4% superior ao de junho de 2025. As vendas somaram 317,7 mil toneladas, recuando 6,9% na comparação mensal, embora ainda tenham ficado 1,2% acima do mesmo período do ano passado.
Os estoques permaneceram praticamente estáveis, com alta de apenas 0,5%, totalizando 1,162 milhão de toneladas, o equivalente a 3,7 meses de comercialização. Já as importações registraram expressiva recuperação frente a maio, avançando 97,9% e atingindo 239,1 mil toneladas. Apesar desse crescimento mensal, o volume ainda ficou 35,6% abaixo do observado em junho de 2025. Para julho, a expectativa da rede associada ao INDA é de um mercado mais conservador, com previsão de redução de aproximadamente 2% nas compras e nas vendas em relação aos resultados de junho.
CNN Brasil - SP 31/07/2026
A Usiminas registrou lucro líquido de R$ 428 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 236% em relação aos R$ 128 milhões apurados no mesmo período do ano passado. Segundo dados do balanço, o desempenho foi sustentado pela melhora operacional da siderúrgica.
O Ebitda (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado consolidado somou R$ 761 milhões entre abril e junho, crescimento de 86% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a margem Ebitda avançou de 6,2% para 12,4%.
Por outro lado, a receita líquida recuou 7% na comparação anual, para R$ 6,13 bilhões. Apesar da queda, a companhia conseguiu ampliar a rentabilidade. O lucro operacional atingiu R$ 580 milhões, mais de quatro vezes acima do registrado um ano antes, enquanto a margem operacional passou de 2% para 9%.
Na mensagem ao mercado, a empresa voltou a repetir que a indústria segue enfrentando desafios decorrentes do elevado volume de importações diretas de aço quanto da crescente entrada de produtos manufaturados importados com conteúdo de aço (importação indireta”.
“Esse movimento, observado especialmente em segmentos como máquinas e equipamentos, veículos, autopeças e produtos metálicos, amplia a pressão competitiva ao longo de toda a cadeia produtiva, uma vez que parte da demanda doméstica passa a ser atendida por bens fabricados no exterior”, diz a companhia.
Na divisão de siderurgia, o Ebitda ajustado alcançou R$ 688 milhões, alta de 26% sobre o primeiro trimestre, impulsionado principalmente por melhores preços praticados no mercado interno, ganhos de eficiência operacional e maior valor agregado do mix de produtos. A margem Ebitda da unidade subiu para 13%.
Já a mineração apresentou desempenho mais fraco. O Ebitda ajustado da unidade caiu 36% em relação ao trimestre anterior, para R$ 71 milhões, pressionado pela queda das cotações internacionais do minério de ferro e pela valorização do real frente ao dólar, apesar do aumento de 27% nas vendas de minério na comparação trimestral.
No consolidado, as vendas de aço totalizaram 989 mil toneladas, queda de 8% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto as vendas de minério de ferro permaneceram praticamente estáveis em 2,47 milhões de toneladas.
Para o terceiro trimestre, a administração espera estabilidade nos resultados operacionais da siderurgia, desconsiderando efeitos extraordinários do trimestre anterior, com aumento das vendas de aço no mercado interno e reajustes de preços para clientes industriais. Em contrapartida, projeta queda nos resultados da mineração, diante da expectativa de menores volumes vendidos e da manutenção de custos elevados de frete marítimo.
CNN Brasil - SP 31/07/2026
O IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado), conhecido como a "inflação do aluguel", caiu 1,16% em julho, um pouco mais do que o esperado, após recuo de 0,50% no mês anterior, mostraram dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta quinta-feira (30).
A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 1,09%, e com o resultado do mês o índice passou a acumular em 12 meses alta de 2,76%.
O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, caiu 1,74% em julho, depois de ter recuado 0,97% no mês anterior, influenciado por combustíveis e derivados de petróleo.
"A reversão das pressões dos meses anteriores reflete o recuo das tensões entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz, que reduziu as cotações internacionais do petróleo e se repassou rapidamente ao índice. Ainda assim, parte da cadeia petroquímica permanece pressionada por fretes, câmbio e óleos básicos", explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
No entanto, após alguns dias de alívio, as tensões no Oriente Médio voltaram a se intensificar, o que deve repercutir nos preços.
Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que tem peso de 30% no índice geral, registrou variação negativa de 0,01% em julho, de uma alta de 0,47% em junho.
"O IPC apresentou desaceleração, refletindo a desinflação dos alimentos in natura, parcialmente compensada pela elevação das passagens aéreas -- item pressionado pela sazonalidade das férias de julho e pelo repasse defasado de reajustes anteriores do QAV", disse Dias.
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) passou a subir no período 0,62%, de uma alta de 0,85% em junho.
O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
Infomoney - SP 31/07/2026
O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu 1,5% em termos anualizados no segundo trimestre, segundo estimativa inicial divulgada na quinta-feira (29) pelo Bureau de Análise Econômica do Departamento de Comércio em sua estimativa do PIB. A expectativa de economistas ouvidos pela Reuters era de crescimento de 2,1%, com as estimativas variando de 0,8% a 2,9%.
O crescimento econômico dos Estados Unidos desacelerou no segundo trimestre em meio ao aumento do déficit comercial, mas a aceleração dos gastos do consumidor e o investimento robusto das empresas em equipamentos relacionados à implantação de infraestrutura de inteligência artificial apontam para uma força subjacente.
A pesquisa, no entanto, foi realizada antes da divulgação do relatório preliminar dos indicadores econômicos de junho, que mostrou uma contração moderada no déficit comercial de bens e estagnação dos estoques no varejo. Esses dados levaram alguns economistas a reduzir suas estimativas para o PIB em até 0,8 ponto percentual, para uma taxa de 1,5%. A economia cresceu a um ritmo de 2,1% no primeiro trimestre.
Os gastos do consumidor, que representam mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, dispararam a uma taxa de 3,2% no último trimestre, após desacelerarem abruptamente para um ritmo de crescimento de 0,5% no trimestre de janeiro a março.
Apesar do conflito no Oriente Médio, os gastos permaneceram resilientes, em parte graças às restituições de impostos mais altas este ano, que serviram de amortecedor para os consumidores contra os preços mais elevados da gasolina decorrentes da guerra.
Além disso, as famílias de renda mais alta, que estão se beneficiando do forte crescimento dos preços dos ativos, também estão impulsionando os gastos. A Copa do Mundo da Fifa provavelmente também ajudou a estimular os gastos, assim como os gastos relacionados às eleições de meio de mandato por parte de organizações sem fins lucrativos.
O boom de investimentos em IA, que não mostra sinais de desaceleração apesar das preocupações dos investidores de que as avaliações de muitas empresas de tecnologia tenham se tornado exageradas, também está ajudando a sustentar a demanda interna. Mas economistas alertaram que a guerra liderada pelos EUA contra o Irã, agora em seu sexto mês, representa um risco de queda para a demanda e, em última instância, para o crescimento econômico no segundo semestre do ano.
Na quarta-feira, o Federal Reserve manteve sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Três membros discordaram, defendendo um aumento de 0,25 ponto percentual.
O Fed descreveu a atividade econômica como “em expansão a um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio”. Economistas esperavam que o Fed aumente os juros já em setembro para conter a inflação, o que também influenciou suas expectativas de um crescimento econômico mais lento no segundo semestre.
Money Times - SP 31/07/2026
O economista Mario Mesquita, ex-economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor de política monetária do Banco Central, considera que achar o crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) como bom é “se contentar com pouco”, visto o potencial produtivo do Brasil.
“Crescemos muito menos do que o mundo há muito tempo. Não estou apavorado, mas estou um pouco frustrado”, diz. A avaliação foi feita durante o evento da Moody’s “Inside LatAm: Brasil 2026”, realizado nesta quinta-feira (30), em São Paulo.
O economista afirma que a alta do PIB no primeiro trimestre foi bom, em ritmo razoável, mas perdeu a força, segundo os indicadores de alta frequência, como varejo, serviços e indústria. “Parece uma economia que está aterrissando. O crescimento neste ano deve ficar em 2%”, avalia.
À frente, o economista estima que o crescimento da atividade brasileira fique ao redor de 1,6%, uma vez que os estímulos econômicos devem reduzir no próximo ano depois do período de eleições.
Quanto à política fiscal, Mesquita considera que a conduta do próximo governo só será conhecida durante a transição. “A única coisa certa é que a dívida pública vai continuar crescendo”, afirma, acrescentando que o avanço da dívida deve afetar o preço dos ativos domésticos no longo prazo.
Na avaliação do economista, alguma coisa será realizada em relação ao ajuste fiscal no próximo governo, basta entender qual será o caráter dessas mudanças, se podem ser feitas pelo lado dos gastos ou das receitas.
Além disso, outros pontos que devem ficar no radar mais adiante na economia brasileira, segundo Mesquita são o protecionismo, a privatização de empresas estatais e o ambiente regulatório no país.
Para estabilizar a dívida pública, hoje equivalente a 80% do PIB, o economista considera que seria necessário adotar medidas como rever a vinculação de indexação de gastos, como o piso da Saúde e Educação. O ajuste gradual, afirma, talvez, seja o mais inevitável. O avanço da dívida, diz, é “exorbitante” hoje.
Já em relação à inflação, Mesquita avalia que, apesar das surpresas recentes, a dinâmica de preços tem se mostrado persistente, mantendo-se quase sempre acima da meta de 3% em termos anualizados. “Se fosse pela inflação corrente, não era para o Banco Central estar cortando os juros, mas ele está mirando na inflação à frente”, explica.
Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado considera diferentes cenários e escolhe a Selic mais adequada para jogar a inflação para onde é desejado. A política monetária demora para fazer efeito na inflação, lembra o economista.
“O que deve incomodar o Banco Central é que em nenhum dos cenários a inflação converge para a meta de 3%”, afirma Mesquita, que lembra que, ao olhar dois anos à frente, o resultado é de decisão de política monetária, com choques como o El Niño e o petróleo não interferindo adiante. “Eu no lugar deles (Copom) também estaria desconfortável com isso.”
Federal Reserve
Para Mesquita, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) tem errado na parte de inflação do duplo mandato, enquanto vem entregando o desemprego. “Está claro que a inflação vem rodando acima da meta há muitos anos, não é a toa que o Kevin Warsh [presidente do Fed] vem enfatizando a estabilidade de preços”, complementa.
O economista considera bem provável que o Fed eleve os juros na próxima reunião de setembro.
Além disso, a interpretação de que o mercado também teria uma responsabilidade na dinâmica da política monetária dos EUA, sinalizando que a função do Fed poderia ser terceirizada não está correta, afirma.
“Se o Warsh está mesmo preocupado com a inflação nos Estados Unidos, ele vai ter que fazer alguma coisa”, diz Mesquita, brincando que “graças a Deus isso é problema dele, não é meu”.
O Estado de S.Paulo - SP 31/07/2026
As concessões de crédito livre, cujas taxas são negociadas diretamente entre os bancos e clientes, sem subsídios do governo, aumentaram 6,7% em junho, na comparação com maio, para R$ 668,4 bilhões, informou nesta quinta-feira, 30, o Banco Central. No acumulado de 12 meses, a alta é de 9,3%. Os dados não têm ajuste sazonal.
Concessões para pessoas físicas cresceram 1,4% em junho, para R$ 338,4 bilhões. No acumulado de 12 meses, avançam 10,2%. As concessões para empresas dispararam 12,7% na margem, para R$ 330,0 bilhões. Em 12 meses, a alta é de 8,3%.
A taxa média de juros no crédito livre subiu de 49,3% (revisado, de 49,5%) em maio para 49,8% em junho. Em junho de 2025, a taxa era de 46,1%.
O juro médio do crédito livre para pessoas físicas subiu de 62,8% para 64,0%. A taxa cobrada das empresas oscilou de 24,9% (revisado, de 25,2%) em maio de 2026 para 24,4%.
A taxa do cheque especial avançou de 137,3% (revisado, de 138,3%) para 139,8%. O juro médio do crédito pessoal sem consignação passou de 120,3% (revisado, de 120,4%) em maio para 127,3% em junho. A taxa média do crédito pessoal consignado subiu de 27,9% (revisado, de 28,0%) para 28,3%.
O juro médio no crédito para aquisição de veículos passou de 26,3% para 26,4%.
A taxa média no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), oscilou de 33,2% (revisado, de 33,4%) para 33,4%. Em junho de 2025, estava em 32,3%.
O Indicador de Custo de Crédito (ICC) passou de 24,2% (revisado, de 24,3%) para 24,3%. O índice mostra o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.
A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre permaneceu em 6,2% em junho, o mesmo nível de maio. A taxa para pessoas físicas ficou estável em 7,6%, enquanto a inadimplência das empresas recuou de 4,1% para 4,0%.
A inadimplência do crédito direcionado, com recursos da poupança e do BNDES, caiu marginalmente, de 2,8% em maio para 2,7% em junho. Considerando o crédito total, que inclui o livre e o direcionado, a taxa permaneceu em 4,7%.
Estoque total de crédito sobe 0,7% em junho
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro cresceu 0,7% na passagem de maio para junho, para R$ 7,356 trilhões. Nos últimos 12 meses, o estoque acumula alta de 9,7%.
O saldo das operações com pessoas físicas avançou 0,2% em junho e 10,8% em 12 meses. Para empresas, cresceu 1,5%, com alta de 7,9% em 12 meses.
O estoque do crédito livre cresceu 0,7%. Nas aberturas, o saldo para pessoas jurídicas aumentou 1,9%. Em contrapartida, o saldo para pessoas físicas recuou 0,1% na margem, na primeira queda desde junho de 2023.
O estoque do crédito direcionado, com recursos do BNDES e poupança, teve alta de 0,8%.
O total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 55,7% em maio para 55,8% em junho.
Endividamento das famílias cai a 49,8% em maio
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro caiu para 49,8% em maio, depois de permanecer no pico da série em abril e março, em 49,9%. O resultado de abril foi revisado nesta leitura, de 49,8% na publicação original, feita no início de julho.
Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 31,2% em abril (revisado, de 31,1%) para 31,1% em maio de 2026.
O comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) subiu de 28,4% (revisado, de 28,2%) para 28,5%. Sem contar os empréstimos imobiliários, passou de 26,1% (revisado, de 25,9%) para 26,2%.
Concessões de consignado privado têm terceira baixa consecutiva
As concessões de crédito consignado para trabalhadores do setor privado caíram 1% em junho, na comparação com maio. O montante passou de R$ 7,758 bilhões para R$ 7,679 bilhões no período.
O saldo do consignado privado cresceu de R$ 109,140 bilhões para R$ 113,337 bilhões, uma alta de 3,8%. Os números refletem o comportamento do novo modelo de consignado privado, o Crédito do Trabalhador, lançado pelo governo em março de 2025.
O juro médio da modalidade cresceu 0,1 ponto porcentual na margem, de 53,9% para 54,0% ao ano. O governo esperava uma queda gradual das taxas desde o lançamento do programa, que não se confirmou.
No fim de junho, o governo anunciou que passa a ser possível usar o FGTS como garantia nessas operações. Quando isso for feito, a taxa de juros fica limitada a 1,99% ao mês (26,7% ao ano).
O Estado de S.Paulo - SP 31/07/2026
Custo médio da dívida pública federal chegou a 12,68% ao ano em junho, impulsionado pela Selic ainda elevada, complicando a gestão das contas públicas em meio a um cenário econômico desafiador
O custo médio da dívida da União no acumulado de 12 meses alcançou, em junho, o maior patamar desde setembro de 2016, quando o Brasil enfrentava uma dura recessão econômica e tentava deixar para trás a crise política que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Segundo dados do Tesouro Nacional, o custo médio da Dívida Pública Federal (DPF) chegou a 12,68% ao ano. Foi o quarto mês seguido de alta. Em maio, o custo calculado pelo Tesouro era de 12,31% ao ano.
O aumento do custo médio da dívida dificulta ainda mais o controle das contas públicas, um dos principais problemas da economia brasileira. O Brasil tem um endividamento elevado para economias consideradas emergentes, o que amplia a percepção de risco dos investidores com o País.
O efeito desse aumento na economia é perverso. Quando o custo da dívida pública aumenta, o governo precisa gastar mais dinheiro para pagar juros aos investidores que compram títulos públicos. Ou seja, diminui o espaço para outras despesas, como saúde, educação, infraestrutura e segurança.
Isso causa um ciclo vicioso. Para continuar gastando, o governo se endivida mais, os juros permanecem altos e o custo dos empréstimos para empresas e população sobe. Resultado é um crescimento menor.
Um reflexo da taxa elevada de juros
De acordo com o Tesouro, além do custo, o estoque da Dívida Pública Federal aumentou 2,61% em junho, na comparação com maio, de R$ 9,033 trilhões para R$ 9,268 trilhões. A DPF inclui a dívida interna e externa.
A escalada do custo da dívida da União reflete, sobretudo, o nível elevado da Selic. Atualmente em 14,25%, a taxa básica de juros está acima de 14% desde março do ano passado.
Segundo o analista da consultoria Tendências, João Pedro Leme, quase metade da dívida pública está atrelada à taxa Selic. “Isso faz com que a dívida se torne progressivamente mais cara, o que atrapalha o Tesouro Nacional nesses movimentos estabilizadores da trajetória da dívida.”
O Tesouro já precisou, por exemplo, cancelar ofertas de NTN-B — aqueles títulos atrelados à inflação e de mais longo prazo — como uma estratégia do órgão para não referendar taxas excessivamente elevadas cobradas pelos investidores. As taxas exigidas pelos investidores têm aumentado, dada a incerteza com o futuro da economia local e o contexto internacional mais difícil.
Com a piora da inflação global provocada pelo aumento do preço do petróleo, importantes bancos centrais aumentaram os juros ou indicaram que podem começar um aperto monetário. Quando os juros sobem em economias consideradas mais seguras do que a brasileira, o investidor fica mais seletivo para alocar seus recursos.
“O custo médio elevado reflete os juros básicos, mas também o prêmio pelo risco que o mercado está embutindo na curva. Isso significa que a dívida está mais cara por uma certa precificação da persistência dos problemas fiscais estruturais”, diz Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos.
“O aumento de títulos pós-fixados, as LFT (Letras Financeiras do Tesouro, atreladas à Selic), foi feito pelo Tesouro para evitar sancionar custo mais alto em títulos de prazo maior pré-fixados ou indexados à inflação (NTN-B). Mas as LFT também pioram a qualidade da dívida, uma vez que ampliam o porcentual atrelado à própria Selic”, acrescenta Salto.
Em coletiva de imprensa, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, afirmou que o Plano Anual de Financiamento (PAF) deve ser alterado para aumentar o limite da parcela de papéis atrelados à Selic na dívida, que está perto do teto de 50%. De maio para junho, a fatia de LFT na dívida subiu de 48,99% para 49,32%, sendo que o intervalo estabelecido no PAF vai de 46% a 50% para os títulos flutuantes.
“A LFT acaba exercendo esse papel protetivo do financiamento público; em momentos de incerteza, os agentes tendem a demandá-la justamente porque é um papel que tira a volatilidade”, disse.
Ele afirmou que, em julho, houve elevação do volume de emissão, ancorado nos títulos flutuantes. Segundo Borges, a guerra do Irã é um vetor novo que não estava precificado nos limites do PAF.
“A guerra, principalmente, é um fato novo, um vetor novo, que não estava totalmente especificado, muito menos a extensão dela ao longo dos meses. Então, potencialmente, a gente deve revisar o PAF agora em setembro. A gente faz, geralmente, as revisões do PAF, que ocorrem em abril, ordinariamente em abril. Em agosto, a gente faz os estudos necessários para a necessidade de uma nova revisão”, completou.
Colchão de liquidez teve aumento
Já o colchão de liquidez da dívida pública aumentou 11,17% em junho, na comparação com maio, de R$ 1,211 trilhão para R$ 1,347 trilhão. Na comparação com junho de 2025 (R$ 1,030 trilhão), o colchão cresceu 30,60% em termos nominais.
A reserva serve para honrar compromissos com investidores que compram os títulos brasileiros e é vista como termômetro para saber se o País tem recursos para pagar seus compromissos, ou se precisaria recorrer rapidamente ao mercado para reforçar o caixa.
O montante disponível em junho era suficiente para cobrir 8,33 meses de pagamentos de títulos, ante 9,14 meses em maio. O Tesouro trabalha com um mínimo prudencial de três meses de vencimentos.
“Quando há indicativos mais confiáveis de que as contas públicas serão sanadas, os investidores se satisfazem com prêmios menores, e você passa a disputar com outros mercados mais estáveis também. Isso com certeza facilitaria a dinâmica de dívida”, diz Leme, da Tendências.
“Não é esse o cenário que a gente tem no momento. Temos um cenário em que a dívida está muito cara. É também uma dívida curta e que tem de ser paga em pouquíssimo tempo”, acrescenta. / Colaboraram Flávia Said e Mateus Maia
O Estado de S.Paulo - SP 31/07/2026
O Goldman Sachs prevê que o banco central americano, o Federal Reserve (Fed), manterá os juros dos Estados Unidos inalterados até o fim de 2026, dada a expectativa de desaceleração da inflação cheia de itens mais voláteis e, principalmente, de um núcleo mais fraco nos próximos meses. A projeção contrasta com a do mercado, que vê cerca de 60% de chance de alta dos juros do país na próxima reunião do Fed, em setembro.
Em relatório, o banco diz que a decisão de política monetária anunciada na última quarta-feira (30), de manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, foi acompanhada por um comunicado sem alterações significativas e sem orientação adicional sobre a trajetória das taxas.
Na entrevista coletiva, diz o Goldman Sachs, não houve explicação sobre como o comitê de política monetária estava interpretando a situação inflacionária, embora três dos doze membros do colegiado tenham votado por um aumento dos juros, contrariando o voto majoritário pela manutenção.
Para o banco, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, minimizou pressões de preços relacionadas à inteligência artificial e relacionou o movimento de alta nos juros de mercado à força recente da economia.
“Ele indicou que o aumento nestas taxas poderia substituir a alta dos juros, mas não disse isso explicitamente”, diz o relatório.
Além disso, ao responder se o Fed precisaria elevar os juros para reduzir a inflação via enfraquecimento da demanda, Warsh sugeriu que um compromisso mais crível com a meta de inflação poderia ajudar a diminuir a inflação ao reduzir as expectativas inflacionárias, de acordo com o Goldman Sachs.
O Bank of America (BofA) avalia que os mercados financeiros reagiram aos comentários de Kevin Warsh questionando a credibilidade do BC americano, já que houve uma venda expressiva do dólar e de títulos de prazos mais longos - o que puxou alta dos rendimentos projetados.
“Os movimentos do mercado após a reunião foram condizentes com um choque de credibilidade do banco central em relação à inflação”, escreveram analistas do banco americano.
O banco citou que as curvas de rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA, tanto nominais quanto reais, sofreram uma acentuada ampliação da inclinação; as medidas de inflação saltaram, o dólar se desvalorizou e as ações caíram, com as oscilações mais intensas ocorrendo durante a coletiva de imprensa de Warsh.
Diante da reação, o BofA avalia que a necessidade de restabelecer a credibilidade aumenta a probabilidade de o Fed elevar os juros em setembro, mantidas as demais condições constantes.
“Portanto, mantemos nossa previsão de que o Fed promoverá aumentos de 25 pontos-base em cada uma das três reuniões restantes deste ano”, pontua a instituição em relatório.
Para o BofA, houve “muita conversa, pouca ação”.
Diante disso, o banco mantém a projeção de taxas mais elevadas na ponta curta da curva de juros americana e de uma curva com inclinação mais achatada, “pois acreditamos que o Fed provavelmente se sentirá compelido a restabelecer sua credibilidade quanto à inflação - especialmente se os próximos dados de inflação e do mercado de trabalho permanecerem firmes -, o que reforça nossa visão de apostar na alta dos juros de curto prazo e no achatamento da curva”.
O Estado de S.Paulo - SP 31/07/2026
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira, 30, que a diplomacia do Brasil voltará a conversar com a dos Estados Unidos, ainda que no momento o lado brasileiro sinta falta de “espaço para dialogar” com representantes do governo norte-americano sobre tarifas comerciais.
“O Brasil não sai da mesa de negociação, por piores que sejam os desaforos ditos contra a gente. O Brasil, que defende o multilateralismo, não para de negociar. Para nós, é mais relevante o povo do que posições ideológicas de alguns que governam por ocasião. Um mandato acaba. Mas as nações não. A gente está de mal, mas logo volta a se falar”, disse durante evento na Outlook Agro Brasil, na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex Brasil), em Brasília (DF).
O ministro disse ainda que, em momentos como esse, a Organização Mundial do Comércio (OMC) “nunca fez tanta falta” para evitar a adoção de medidas que o governo federal classifica como injustas e arbitrárias. “Mas isso não é motivo para a gente desistir. Não vai nos desmotivar”, afirmou.
Abertura de mercados
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex Brasil), Laudemir Müller, afirmou que o Brasil tem realizado um bom trabalho na abertura de novos mercados internacionais para os produtos brasileiros. Estratégica que, afirma, mostra a qualidade dos produtos nacionais e faz com que o País seja menos dependente e prejudicado em momentos de instabilidade internacional.
“O Brasil está fazendo um excelente trabalho na abertura de mercados. Ninguém faz acordo com o País que não confia. Essa é a grande contribuição do Brasil aos desafios globais”, disse durante o evento.
Laudemir afirmou que o desempenho exportador brasileiro está diretamente ligado ao agronegócio e ao papel do setor na estabilidade econômica do País. A expansão das vendas externas, diz, foi decisiva para que o Brasil deixasse de ser importador de alimentos e se transformasse em fornecedor de produtos agrícolas para todo o mundo.
Sem citar os Estados Unidos, o presidente da Apex Brasil afirmou que conflitos e elevações tarifárias aumentam as incertezas globais e prejudicam o ambiente de negócios. Nesse contexto, disse que o Brasil tem buscado se posicionar como um parceiro confiável para o mercado internacional.
“Se o mundo enfrenta mais incertezas e fragmentação do comércio internacional, o Brasil pode ajudar a enfrentar esses desafios globais”, afirmou.
Brasil Mining - SP 31/07/2026
A Anglo American Brasil divulgou nesta quinta-feira (30) os resultados operacionais e financeiros referentes ao primeiro semestre de 2026 (1S26), destacando o desempenho consistente das operações locais. O balanço aponta estabilidade na produção do Sistema Minas-Rio, manutenção das projeções para o ano e um recorde histórico de embarque de minério de ferro pelo Porto do Açu, no Rio de Janeiro.
Entre janeiro e junho, o Sistema Minas-Rio produziu 12,9 milhões de toneladas de minério de ferro premium, volume praticamente estável em relação às 13,1 milhões de toneladas registradas no 1S25. Segundo a empresa, o resultado foi sustentado pelo aumento da utilização da planta de beneficiamento e pela melhoria das taxas operacionais, favorecidas por uma alimentação mais estável de minério, especialmente durante o período de chuvas. Esses fatores compensaram o menor teor do minério e a redução da recuperação em massa.
Apesar da estabilidade operacional, o EBITDA subjacente do Minas-Rio caiu 13%, passando de US$ 561 milhões para US$ 486 milhões. A redução foi atribuída à queda dos preços realizados do minério de ferro e ao aumento dos custos unitários, parcialmente compensados por um leve crescimento no volume de vendas.
Os custos unitários alcançaram US$ 33 por tonelada, alta de 13% em comparação aos US$ 29 registrados no 1S25. A companhia explica que o aumento foi provocado principalmente pela valorização do real frente ao dólar e pelas pressões inflacionárias. Ainda assim, parte desse impacto foi reduzida por programas contínuos de corte de custos e iniciativas voltadas à eficiência operacional.
Nas operações de níquel em Goiás, a produção somou 18,2 mil toneladas nos seis primeiros meses de 2026, representando queda de 6% frente às 19,3 mil toneladas produzidas no 1S25. De acordo com a Anglo American, o resultado reflete a realização de manutenções corretivas e a antecipação de paradas programadas nas unidades de Barro Alto e Codemin.
O EBITDA subjacente do negócio de níquel também apresentou retração, passando de US$ 43 milhões para US$ 18 milhões, impactado pelo aumento dos custos unitários e pela redução dos volumes comercializados. A companhia destaca, no entanto, que preços realizados mais elevados ajudaram a minimizar parte desse efeito.
“Entregamos um primeiro semestre sólido nas nossas operações no Brasil. Em um contexto global marcado por volatilidade, a estabilidade dos nossos negócios no país demonstra a solidez dos nossos ativos, a qualidade do trabalho realizado pelas nossas equipes e o compromisso permanente da Anglo American com uma mineração responsável, eficiente e segura“, afirmou Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil.
A empresa também confirmou a manutenção da previsão de produção anual do Minas-Rio entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas de minério de ferro. Além disso, informou que continua avançando no processo regulatório para a venda do negócio de níquel, conforme anunciado anteriormente.
Recorde de embarques no Porto do Açu
Outro destaque do semestre foi o novo recorde mensal de embarque de minério de ferro no terminal da Anglo American localizado no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).
Em junho, foram embarcadas 2,78 milhões de toneladas úmidas de minério, distribuídas em 16 navios destinados aos mercados da Ásia, Europa e Oriente Médio. O volume supera a marca anterior de 2,77 milhões de toneladas, registrada em dezembro de 2024.
Para Ana Sanches, o resultado é consequência da integração entre todas as etapas da operação. “A possibilidade de embarcar esta quantidade recorde de minério é fruto de um trabalho integrado que envolve todas as nossas equipes, desde a mina até o porto. É um resultado de muito planejamento, colaboração e dedicação das nossas pessoas, que reflete nosso foco permanente em segurança, qualidade e excelência operacional“, destacou.
Money Times - SP 31/07/2026
A Vale (VALE3) registrou lucro líquido de R$ 6,847 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 43,3% em relação aos R$ 12,081 bilhões apurados no mesmo período do ano passado.
O resultado veio acompanhado de um Ebitda (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) ajustado de R$ 18,516 bilhões, retração de 3,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida avançou 6,4%, para R$ 53,012 bilhões, refletindo o melhor desempenho da divisão de metais básicos.
Apesar do crescimento da receita, a rentabilidade foi pressionada. O EBITDA ajustado caiu para R$ 18,5 bilhões, ante R$ 19,1 bilhões um ano antes, enquanto o lucro operacional recuou para R$ 10,836 bilhões, de R$ 11,349 bilhões. O desempenho foi impactado pelo enfraquecimento do negócio de minério de ferro, parcialmente compensado pela melhora nas operações de cobre e níquel.
Por segmento, o Ebitda de Soluções de Minério de Ferro caiu de R$ 16,847 bilhões para R$ 15,4 bilhões, enquanto a divisão de Vale Metais Básicos avançou de R$ 4,04 bilhões para R$ 6,5 bilhões. O destaque ficou para o cobre, cujo Ebitda passou de R$ 3,046 bilhões para R$ 5,177 bilhões, enquanto o níquel também apresentou melhora, de R$ 1,109 bilhão para R$ 1,481 bilhão.
A receita líquida de R$ 53,01 bilhões superou os R$ 49,8 bilhões registrados no 2T25. O crescimento ocorreu apesar da queda da contribuição do minério de ferro em algumas linhas operacionais e foi sustentado pelo avanço das vendas de metais básicos. A China permaneceu como principal mercado da companhia, respondendo por R$ 26,697 bilhões da receita do trimestre.
Do lado dos custos, a companhia registrou custo dos produtos vendidos e serviços prestados de R$ 36,8 bilhões, alta frente aos R$ 34,4 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O aumento refletiu principalmente maiores gastos com serviços, fretes, pessoal e royalties.
Junto com o balanço, a Vale anunciou uma revisão em seu guidance para 2026. A companhia elevou a projeção do custo caixa C1 do minério de ferro para US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada, ante a faixa anterior de US$ 20,0 a US$ 21,5.
A mineradora também revisou para cima o custo all-in do minério de ferro, que passou de US$ 52-56 para US$ 58-62 por tonelada. Segundo a empresa, as estimativas consideram câmbio médio de R$ 5,13 por dólar e Brent de US$ 86 por barril.
Por outro lado, a mineradora melhorou as perspectivas para metais básicos. A estimativa de produção de cobre passou de 350 mil-380 mil toneladas para 360 mil-380 mil toneladas, enquanto a de níquel subiu de 175 mil-200 mil toneladas para 185 mil-200 mil toneladas.
A companhia também reduziu as projeções de custo all-in dessas operações, passando a estimar US$ 0 a US$ 500 por tonelada para o cobre e US$ 10 mil a US$ 11,5 mil por tonelada para o níquel, abaixo das faixas anteriores. Todas as demais projeções foram mantidas.
CNN Brasil - SP 31/07/2026
Os contratos futuros de minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian caíram nesta quinta-feira para a mínima de um ano, pressionados pelo aprofundamento das perdas nas siderúrgicas da China e pelas expectativas de novas quedas na produção de ferro-gusa.
O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro caiu 3,31%, para 715 iuanes (US$ 05,80) por tonelada métrica, atingindo sua mínima desde 2 de julho de 2025.
O minério de ferro na Bolsa de Singapura operava em queda de 2,3% por volta das 8h30 (horário de Brasília), a US$ 95,85 por tonelada, atingindo sua mínima desde 23 de fevereiro.
As siderúrgicas na China continuarão enfrentando pressões fundamentais no próximo mês e os preços provavelmente continuarão caindo, e somente cortes significativos na produção serão capazes de estabilizar o mercado, afirmou Wang Jianhua, analista-chefe de aço da consultoria Mysteel, em uma nota.
As perdas médias das siderúrgicas em Tangshan ultrapassaram 100 iuanes por tonelada e continuam se aprofundando, segundo dados da Mysteel.
A produção de ferro-gusa caiu por três semanas consecutivas em julho e deve diminuir ainda mais em agosto, com os estoques portuários, já em níveis historicamente altos, previstos para subir e pressionar os preços, afirmou Yang Huidan, analista da corretora chinesa Guoyuan Futures, em uma nota.
O consumo diário de minério de ferro nas siderúrgicas continua diminuindo e, com os estoques ainda elevados, o complexo de custos entrou em um ciclo negativo que continua pesando sobre os preços, afirmou Zhang Kunfei, analista da Datong Securities, em uma nota.
Exame - SP 31/07/2026
O CEO da Ford, Jim Farley, disse a funcionários, nesta quinta-feira, 30, que a montadora se prepara para a entrada de fabricantes chineses no mercado americano nos próximos cinco a dez anos. A informação foi confirmada à Reuters por três pessoas que acompanharam a reunião.
Como resposta a essa "ameaça", a Ford prepara o lançamento de uma nova linha de veículos elétricos acessíveis, desenvolvida do zero para rivalizar em custo e eficiência com os modelos chineses.
A aposta da Ford no Brasil não é mais produzir carros, mas gerar talentos digitais
Durante a sessão de perguntas e respostas do encontro, Farley e outros líderes da montadora indicaram que o cenário mais provável é que as chinesas chegassem ao mercado americano na parte final desse intervalo, mais perto de dez anos do que de cinco, mesmo com as diversas barreiras comerciais impostas atualmente pelos Estados Unidos a veículos produzidos na China.
Farley é uma das vozes mais ativas do setor ao alertar sobre a competitividade de gigantes chinesas como a BYD.
A declaração acontece em um momento em que o Senado dos Estados Unidos discute aumentar as restrições de venda de carros chineses no país, o segundo maior e mais lucrativo mercado automotivo do mundo.
Ainda segundo a Reuters, a Ford, sediada em Dearborn, Michigan, já havia alertado antes que a China estava "à porta" dos Estados Unidos, mas nunca com um horizonte de tempo tão definido quanto o apresentado nesta quinta.
Valor - SP 31/07/2026
Um em cada três shoppings do país já integra moradia, serviços e lazer para rentabilizar terrenos e aproximar o consumidor
Dirigir até um shopping center apenas para comprar algo específico virou hábito do passado. Mudanças nos centros urbanos, sobretudo aquelas provocadas por excesso de trânsito e falta de segurança, levaram o consumidor a adotar um novo padrão de comportamento. Na prática, o melhor dos mundos passou a ser ter tudo a poucos passos de casa: trabalho, serviços, saúde, gastronomia, lazer e, claro, compras. É nesse contexto que os shoppings vêm se tornando verdadeiros hubs urbanos multifuncionais, como demonstra o movimento de grandes operadores que passaram a ampliar os investimentos no conceito multiuso.
O modelo deixou de ser uma tendência. Atualmente, um em cada três shoppings brasileiros já integra moradia, hotelaria, saúde e educação, conforme a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Os novos empreendimentos multifuncionais também ganharam escala em função da valorização de áreas ocupadas por estacionamentos. É o caso da Almeida Junior, líder na indústria de shopping centers em Santa Catarina, com 71% do mercado da região. Com um “banco de terrenos” de 56 mil m² em seus empreendimentos, a empresa tem investido no sistema multiuso como forma de valorização dos shoppings.
“As vagas permanecem, mas os estacionamentos foram para o subsolo ou sobem para andares mais altos. Agregamos sinergia com outros usos, seja com prédios corporativos ou residenciais”, ressalta Mirelle Cordeiro, diretora de desenvolvimento do Grupo Almeida Junior, operador de seis shoppings no Estado com movimento anual estimado de 35 milhões de pessoas.
O primeiro modelo com residências, entregue em 2024 no Balneário Shopping, em Balneário Camboriú (SC), com 114 apartamentos, gerou um efeito catalisador de crescimento no entorno. “O principal foco foi ter o cliente mais próximo e aumentar a receita, tornando o shopping mais robusto e relevante. Os empreendimentos residenciais trazem recorrência e os corporativos, novos clientes. Tudo isso gera movimento em horários distintos”, conclui Cordeiro. Os outros cinco shoppings do grupo já têm projetos multiuso planejados, mas o lançamento das novas fases ainda não tem data definida.
O Sul do país abriga um dos projetos multiuso mais ambiciosos em desenvolvimento. O Golden Lake, da Multiplan, será o primeiro bairro privativo de Porto Alegre, integrado ao BarraShoppingSul - localizado a apenas 600 metros de distância -, com oito condomínios e 20 torres residenciais. Erguido em um terreno de 250 mil m2 às margens do lago Guaíba, o empreendimento tem valor geral de vendas (VGV) estimado em R$ 4,9 bilhões.
Empreendimentos residenciais trazem recorrência e os corporativos, novos clientes”
— Mirelle Cordeiro
A infraestrutura inclui áreas de lazer, esporte e conveniência, além de uma praia privativa artificial com lago navegável. O primeiro condomínio foi entregue no segundo semestre de 2025, enquanto o segundo, atualmente em obras, tem previsão de entrega no primeiro semestre de 2028. O terceiro condomínio será lançado nos próximos meses.
O BarraShoppingSul já nasceu com torres comerciais e um prédio residencial, sendo concebido com base nos devidos impactos para seu entorno. “Hoje, a zona sul, a orla da cidade, é vista de outra maneira muito pela chegada do shopping na região. Agora, o Golden Lake se tornou um grande vetor da transformação urbana”, diz Jaqueline Vieira de Lemos, diretora regional da Multiplan no Sul. Ao todo, a empresa conta com uma área de 864 mil m² para construção de empreendimentos multiuso em todo o país.
A Iguatemi S.A., com participação em 17 shopping centers, é dona de uma carteira potencial de construção de 1,59 milhão de m2 de área privativa/imobiliária. Tudo isso distribuído em terrenos ao lado de seus shoppings. Um dos principais exemplos, segundo Caio Teles, diretor de desenvolvimento e gestão imobiliária, é o bairro Casa Figueira, em Campinas, no interior de São Paulo, que traz o conceito de centralidade urbana integrada ao Iguatemi Campinas.
O projeto, com capacidade para receber 50 mil moradores e usuários, vai integrar ao shopping residências, escritórios, comércio, serviços, lazer, além de cerca de 240 mil m2 de áreas verdes. “Na prática, torna a rotina mais conveniente ao reunir diferentes necessidades do dia a dia”, complementa Teles. Isso, além de ampliar a geração de receitas recorrentes e a valorização dos ativos no longo prazo.
Exame - SP 31/07/2026
As ações das construtoras figuram entre os principais destaques de alta da B3 nesta quinta-feira, 30. O setor, um dos mais sensíveis ao custo do crédito, reage ao ambiente mais favorável para os juros no Brasil e no exterior, impulsionando papéis como Cury, Cyrela, MRV e Direcional.
Entre os destaques do pregão por volta das 16h25 (horário de Brasília), a Cury (CURY3) avançava 4,75%, para R$ 30,22, seguida pela Cyrela (CYRE3), que subia 4,09%, a R$ 21,62. A MRV (MRVE3) ganhava 3,05%, para R$ 4,73, enquanto a Direcional (DIRR3) registrava alta de 2,52%, cotada a R$ 11,37.
Mas o desempenho das empresas ao longo do ano segue desafiador. A Direcional cai 16,58% em 2026, enquanto a MRV recua 38,60% no período. Já Cury e Cyrela mantêm trajetória de queda nestes sete meses, com retrações de 4,06% e 9,81%, respectivamente.
O que impulsiona o setor?
A alta acompanha o fechamento da curva de juros, movimento favorecido por uma combinação de fatores internos e externos, segundo especialistas ouvidos pela EXAME.
Nos Estados Unidos, dados de inflação mais benignos reforçaram a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter os juros estáveis por mais tempo. O recuo dos rendimentos dos Treasuries também aliviaram a pressão sobre os mercados globais.
No Brasil, indicadores recentes de inflação vieram abaixo do esperado, fortalecendo as apostas de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central. Para o gestor de portfólio da Atlas One Investimentos, Davi Khattar, o setor reage rapidamente às mudanças nessas expectativas.
"O setor de construção é bem sensível às variáveis macro como juros e inflação. Os dados de inflação mais benignos (...) e o Fed não subindo juros ontem abrem espaço para o ciclo de afrouxamento monetário continuar acontecendo por aqui e aliviam, por ora, as preocupações que estavam surgindo de pressão de custo no setor", destacou Khattar.
Os sinais recentes de desaceleração da atividade econômica também reforçam, na avaliação do gestor, a expectativa de novos cortes da Selic, melhorando o sentimento dos investidores com o setor.
Queda do petróleo e do dólar reforça a alta
Na avaliação do head de análise da GTF Capital, Artur Horta, o petróleo em queda também reduz a perspectiva para uma inflação elevada. Os contratos futuros do Brent recuam 1,37%, para US$ 86,88, e os do West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caem 0,99%, a US$ 83,62.
O dólar também está apresentando uma forte retração no mundo inteiro, assim como a taxa de juros longa americana; e, "como o setor de construção é o mais correlacionado com esses juros longos, ele está operando hoje na bolsa em forte alta", pontuou Horta.
Empresas saudáveis, mas juros no radar
Embora a sessão seja positiva, o estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, afirma que as incorporadoras seguem apresentando fundamentos sólidos, mas lembra que as expectativas para a Selic continuam sendo o principal fator para as ações.
Ele vê que as prévias operacionais do setor têm se mostrado positivas, com empresas saudáveis, gerando caixa e mantendo boas margens e rentabilidade, mas ponderou que alguns mercados, especialmente o segmento de média e alta renda em São Paulo, já mostram um ritmo mais lento de vendas.
Só que, caso a inflação continue surpreendendo positivamente, pode haver espaço para um cenário mais favorável. "O último IPCA-15 dessa semana veio muito bom, o que pode talvez trazer algum argumento para o Banco Central deixar em aberto algum corte de juros adicional ainda este ano", disse Saravalle.
Exame - SP 31/07/2026
Às 7 horas da manhã, poucos passageiros têm tempo para reparar nos nomes estampados pela plataforma da Linha 4-Amarela, em São Paulo. Uma música instrumental anuncia a chegada do próximo trem; as portas se abrem e 800.000 pessoas por dia avançam para os vagões. Em meio à rotina, ninguém embarca pensando em quem opera o trem, quem financiou o túnel ou quem assina a concessão. É o destino de toda infraestrutura que funciona: virar paisagem. Quem opera a linha desde 2010 é a Motiva, a antiga CCR, à frente de um dos maiores planos de investimento do Brasil.
Desde o ano passado, a empresa apresentou sua nova marca e, nos últimos meses, passou a redecorar as estações. Com a nova identidade visual veio um plano de investir 65 bilhões de reais em rodovias e trilhos, um recorde. São 8 bilhões de reais só em 2026.
“A mudança da marca aparece como uma consequência da transformação que fizemos ao longo desses anos, valorizando mais a experiência dos clientes”, diz o CEO, o português Miguel Setas. Com experiência de 15 anos no setor de energia, o executivo está há três intensos anos à frente da companhia. Desde sua chegada, a Motiva enxugou custos, reorganizou o portfólio e, sobretudo, ampliou a ambição. “Somos a empresa com o maior plano de investimento em infraestrutura no Brasil.”
A aposta é se consolidar como líder em transporte terrestre. De um lado, a Motiva pretende seguir aproveitando o ciclo maduro de concessões rodoviárias. Só nos últimos quatro anos, foram mais de 24 leilões, quatro deles vencidos pela companhia. Do outro, começa a se formar uma nova fronteira de investimentos em trilhos. O BNDES e o Ministério das Cidades lançaram uma estratégia nacional de mobilidade com 187 projetos para expandir as redes de transporte público das 21 maiores metrópoles brasileiras, incluindo metrôs, trens urbanos, VLTs e corredores de ônibus.
A conta supera 400 bilhões de reais nas próximas três décadas. Uma parcela próxima de 100 bilhões poderá caber ao capital privado. Para empresas como a Motiva, é um superciclo que muda o patamar dos negócios. O desafio é ter estrutura para dar conta de projetos de longo prazo naturalmente cercados de incertezas. Experiência não deve ser problema.
A Motiva nasceu durante outra grande onda de participação privada na infraestrutura brasileira, no fim da década de 1990. Em quase 30 anos, avançou sobre rodovias e diversificou a carteira com trilhos e aeroportos. No ápice, em 2025, chegou a 39 ativos em 13 estados, com mais de 16.000 colaboradores. Sua composição acionária acompanhou essa transformação. Criada como CCR a partir de grupos ligados à construção pesada — Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, hoje Mover, e Soares Penido —, a companhia abriu capital em 2002 e foi uma das primeiras empresas a ingressar no Novo Mercado da B3.
A Lava Jato, que dinamitou o mercado de grandes obras e envolveu, entre outras empresas, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, forçou mudanças na composição do controle. Em 2022, a Andrade Gutierrez vendeu sua participação para Itaúsa e Votorantim, que passaram a dividir o bloco de controle com Mover e Soares Penido, enquanto quase metade do capital continua em circulação no mercado.
A Mover vendeu na última segunda-feira a sua participação para o Bradesco BBI, em uma nova mudança do controle da empresa.
Hoje, a Motiva é a maior concessionária privada do Brasil em número de quilômetros administrados. Enfileirados, os 5.235 quilômetros de rodovias e trilhos da Motiva superam a distância em linha reta entre o Oiapoque (AP) e o Chuí (RS). Tudo isso somado a um volume de investimento recorde. Em 2021, a Motiva investiu 1,7 bilhão de reais. Agora, o valor anual é quase cinco vezes maior.
Para executar tudo na velocidade necessária, a companhia criou uma área dedicada a investimentos em obras no início de 2026, reforçou a engenharia com a contratação de mais de 500 profissionais, criou um plano de investir 1 bilhão de reais em tecnologia até 2035 e renovou o primeiro escalão. Entre os reforços estão André Salcedo, ex-Sabesp, no comando da mobilidade urbana; Rodrigo Araujo, ex-Cosan e Petrobras, na área financeira; e Osvaldo Bernardo Neto, ex-Promon Engenharia, como diretor de Capex.
Aumentar a capacidade de execução resolve apenas uma parte da equação. Financiar uma carteira de investimentos deste tamanho demanda mais eficiência operacional e disciplina na alocação de capital. Com a chegada de Setas, essas duas frentes viraram bandeiras. Resultados como receita líquida, margem de lucro e indicadores de eficiência melhoraram. Mas, com o crescimento de escala, vieram os desafios. O principal deles, o aumento da dívida.
De 2024 para 2025, a dívida líquida da holding saiu de 3,3 bilhões de reais para 6,1 bilhões de reais. A saída foi simplificar o portfólio com a venda de 20 aeroportos para a mexicana Asur, em novembro de 2025, por 11,5 bilhões de reais. Desse total, 5 bilhões de reais correspondem ao valor pago pelas participações da Motiva nos ativos e serão usados para reduzir o endividamento da holding. Com a operação, essa dívida ficará próxima de 1 bilhão de reais. A venda aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no início de junho deve ser finalizada até o fim de setembro, com a transferência integral da plataforma. “Concluir essa transação nos dará uma empresa que vai estar mais ágil e focada naquilo que são as suas competências core”, diz Setas.
A decisão também encerrou um ciclo de diversificação que havia aumentado a escala — e a complexidade — da antiga CCR. Em relatório no início de 2026, o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avaliou que a companhia chegou, em determinados momentos de sua história, a buscar novos ativos para preservar crescimento e escala, incorporando negócios considerados menos atraentes. A estratégia atual tenta fazer o movimento inverso: concentrar capital onde a administração enxerga maior retorno. “Isso nos dá oportunidade e espaço para olhar o crescimento da companhia nos próximos anos”, afirma Setas.
Com a redução da alavancagem, a ideia é aproveitar dois superciclos. O primeiro já está em execução e ocorre em um mercado com concorrência consolidada. Além da Motiva, grupos como EcoRodovias — sua principal rival em escala, com 5.000 quilômetros — e Arteris, além das “novatas” EPR, Pátria e Way, disputam espaço nas concessões rodoviárias. Os 13 leilões para este ano preveem mais de 180 bilhões em investimentos. Dois já foram e, enquanto esta edição vai para a gráfica, o grande filé deste segundo semestre, a otimização da Régis Bittencourt, com 7,2 bilhões em investimentos, terá o seu novo concessionário conhecido.
Para os próximos anos, a visão do mercado, compartilhada por Setas, é que uma nova leva de certames será de corredores longe dos grandes eixos logísticos e aditivos contratuais em concessões maduras — obras que não estavam no contrato original. O ministro dos Transportes, George Santoro, afirma que, para os próximos quatro anos, já existem mais de 50 projetos mapeados. “Quando existem agendas, previsibilidade e relevância, o investimento acontece”, diz. Além disso, é esperada a consolidação do chamado mercado secundário, a venda de concessões entre operadores. A entrada de fundos de investimentos em rodovias abriu uma crença de que a venda de concessões acontecerá no médio prazo após a execução de investimentos. “Nós entendemos que tanto rodovias quanto mobilidade urbana estão passando por um superciclo de investimento”, diz Setas. A diferença entre eles está na maturidade.
Entre estradas e trilhos
Se nas rodovias o superciclo já pode ser medido pelo número de leilões e de obras contratadas, nos trilhos ele ainda é embrionário. É uma aposta num mercado que o Brasil conhece menos e que exigirá uma participação muito maior do poder público para sair do papel. A companhia parte de uma posição difícil de ignorar. Opera cinco sistemas sobre trilhos, com 191 quilômetros de extensão e 124 estações, que transportam cerca de 3 milhões de passageiros por dia. A carteira inclui linhas em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.
Em relatório, o Banco Safra mostra uma operação em crescimento. Em junho, os sistemas transportaram 62,1 milhões de passageiros, alta de 3,4% em um ano e acima do crescimento de 1,7% projetado. O avanço foi puxado pelas linhas 8 e 9, com alta de 5,3%, e pela Linha 5, com 4%. Para chegar a esses resultados a empresa investiu em melhorias e tecnologia, principalmente nas Linhas 8 e 9, desafiadoras no início da concessão, em 2022, pelo alto número de falhas. A Motiva aposta em drones e monitoramento preventivo para evitar problemas.
Além disso, já existe um plano de expansão focado em aditivos contratuais. Na Linha 4, a Motiva levará pela primeira vez o Metrô para fora da capital em um projeto de quase 4 bilhões de reais. Para a Linha 5-Lilás, a previsão é de 3 bilhões de reais para levar o Metrô ao extremo da zona sul de São Paulo. Em Salvador, o plano é operar o futuro VLT da cidade. “Nossa concentração neste momento é viabilizar esses investimentos que estão focados nessas três grandes cidades”, diz o CEO.
Para além das linhas já existentes, há busca por sinergia. Por isso, Setas já declarou mais de uma vez que o futuro Trem Intercidades São Paulo-Sorocaba será estudado pela companhia, pelo seu possível traçado ligado à Linha 8-Diamante. A lógica já aparece no portfólio: as Linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás se conectam em São Paulo, enquanto, nas rodovias, nove das 13 concessões estão concentradas no estado. “O BNDES colocou uma série de oportunidades que se situam em regiões onde nós não estamos presentes”, afirma Setas. “Nós vamos acompanhar o desenvolvimento dessas oportunidades e estudar. E, se em algum momento houver algum interesse em analisar algum investimento, assim faremos.”
A estratégia para acompanhar esses projetos e, ao mesmo tempo, aliviar ainda mais seu balanço está na busca por um sócio internacional para os trilhos. A leitura é que, no momento, a alta taxa de juros pode tornar a operação não tão atraente; por isso, a medida ficará para os próximos anos. “Vamos fazer isso no momento em que o contexto permitir uma maximização de valor”, diz.
Até lá, os projetos devem ganhar maturidade. Pelo menos esse é o plano do BNDES, lançado em junho deste ano. Foram mapeadas 187 intervenções nas 21 maiores capitais do país, entre metrôs, trens, VLTs e corredores de BRT. Juntas, elas exigem mais de 400 bilhões de reais nas próximas décadas. Nos últimos dez anos, o Brasil investiu apenas 60 bilhões em mobilidade. A previsão do estudo é que o país aporte na mobilidade esse mesmo valor em apenas três anos, a partir de 2030. Com isso, a população ganharia mais de 3.000 quilômetros de trilhos e corredores.
“São investimentos que vão mudar todas essas cidades”, diz Nelson Barbosa, diretor de planejamento e relações institucionais do banco. Além de listar os projetos, o BNDES sugere um grande arranjo com a participação da União, inclusive com um fundo federal para auxiliar os projetos a sair do papel. Para o Ministério das Cidades, o primeiro desafio será transformar essa carteira em projetos capazes de atrair o dinheiro necessário. “Projetos bem estruturados, fundamentados em evidências e com boa governança, têm maior capacidade de atrair recursos públicos e privados”, afirma Vladimir Lima, ministro das Cidades.
Com esse salto de escala, também deve mudar o mapa de empresas que atuam no setor. Hoje, poucos grupos privados têm tamanho e experiência para assumir projetos que exigem dezenas de bilhões de reais. Em seu relatório, o BNDES cita a Motiva como principal player, mas espera que novos competidores cheguem. A complexidade dos projetos também favorece uma divisão de tarefas.
Em uma concessão, uma nova linha de metrô ou trem pode reunir, em um mesmo consórcio, quem constrói, quem fabrica os trens e sistemas, quem opera o serviço e quem aporta ou financia o capital. “Cada player do consórcio tem uma função, para mitigar risco”, diz Rafael Ferraz, gerente de mobilidade urbana do BNDES. A expectativa é que esse desenho atraia investidores estrangeiros em associação com grupos brasileiros. “Acho que vai atrair, provavelmente, uma combinação de empresas nacionais e internacionais”, afirma Barbosa.
Além disso, o banco vê a parceria público-privada como uma grande alternativa para dividir os custos. Foi assim que projetos bilionários ganharam novos investidores nos últimos anos. A Linha 6-Laranja é liderada pela espanhola Acciona, que assumiu depois de um consórcio de construtoras brasileiras deixar o contrato por falta de execução. Maior projeto de mobilidade em execução na América Latina, com investimentos de 19 bilhões de reais, a linha teve sua primeira etapa inaugurada em junho. A entrada de novos grupos, porém, não ficou restrita a empresas estrangeiras. Companhias brasileiras com origem em outros segmentos do transporte também passaram a disputar espaço nos trilhos. Um dos exemplos é o grupo Comporte. Conhecido pela atuação no transporte rodoviário, o grupo formou duas concessionárias em São Paulo: a TIC Trens, em parceria com a chinesa CRRC, responsável pela Linha 7-Rubi e pelo Trem Intercidades São Paulo-Campinas, e a Trivia, que assumiu as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
Somados, os dois contratos preveem quase 30 bilhões de reais em investimentos ao longo das concessões. Controlado pela família de Nenê Constantino, fundador da Gol e um dos empresários mais conhecidos do setor de transportes do país, o grupo também controla a concessão do metrô de Belo Horizonte e participa da operação do VLT da Baixada Santista. Apesar do apetite recente, o posicionamento da empresa tem sido de cautela. O diretor da TIC Trens, Lamarck Sobreira, reforça que o plano é entregar o desafiador projeto. “Hoje, na TIC, 100% do foco é entregar o nosso projeto da melhor forma”, diz.
A cautela ajuda a dimensionar uma das limitações desse novo ciclo. Mesmo com a entrada de grupos como Comporte e Acciona, ainda são poucas as empresas capazes de assumir contratos bilionários. “Estamos falando de projetos de mais de 10 bilhões de reais. Não é qualquer empresa que tem capacidade para fazer esse tipo de investimento”, diz Rafael Benini, secretário de Parcerias e Investimentos de São Paulo.
O estado, que concentra mais de 40 projetos da carteira mais madura do país, tem buscado atrair operadores europeus, grupos chineses e fundos internacionais. A expectativa é que a expansão da carteira atraia novos concorrentes. São Paulo será um dos primeiros testes. “Mobilidade urbana é projeto caro e que demora bastante. É programa de Estado, não de governo”, diz Benini.
Atrair empresas, porém, resolve apenas parte da equação. Segundo a IFC, braço do setor privado do Banco Mundial, as tarifas cobrem, em média, apenas 75% dos custos operacionais dos metrôs no mundo, o que exige aportes públicos, garantias e receitas alternativas. “O mecanismo de garantias é crítico para o sucesso de uma PPP”, afirma Bernardo Tavares de Almeida, head de Assessoria em PPPs da IFC, do Banco Mundial, no Brasil. O Santander, por exemplo, aparece entre os financiadores mais ativos do setor na América Latina, com mais de 17 bilhões de dólares em projetos mapeados. O novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo tenta organizar essa equação ao separar a tarifa paga pelo passageiro da remuneração do operador.
“A tarifa tem um limite social, econômico e político”, diz Heloísa Ferraz, advogada do Pinheiro Neto. O BNDES encontrou diferentes soluções para essa conta: São Paulo combina subsídios e receitas acessórias; Salvador recorre a fundos garantidores; Vancouver e Londres usam impostos e taxas; e Bogotá e Cidade do México adotam modelos que separam arrecadação e remuneração. O princípio é o mesmo: diversificar receitas e dar previsibilidade ao investimento. “É preciso que haja novas fontes, criação de fundos e participação da União nessa equação. Isso é fundamental”, diz Patrizia Lira, presidente da ANPTrilhos.
Para o avanço da agenda da mobilidade e de toda a infraestrutura, associações defendem a atualização da legislação de concessões e PPPs. O projeto foi aprovado pela Câmara, mas está parado no Senado há cerca de um ano. Relator da proposta entre os deputados, Arnaldo Jardim diz que a intenção é incorporar três décadas de aprendizado. “Nós não vamos fazer um cavalo de pau. Vamos fazer um processo de aprimoramento”, afirma.
O texto prevê regras mais claras para compartilhamento de riscos, reequilíbrio econômico-financeiro, transferência de controle e solução de conflitos — pontos essenciais em contratos que podem atravessar três ou quatro governos. Jardim afirma que a medida deve ser aprovada neste ano. “Conversei com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O projeto pode avançar antes da eleição.”
Mesmo que dinheiro e regras avancem, resta um gargalo menos visível: capacidade de construção. “Nosso gargalo não é tanto operacional, é construtivo”, diz Sérgio Avelleda, ex-presidente do Metrô e da CPTM e coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Insper. Para ele, o país perdeu parte da capacidade de engenharia pesada desde a Lava Jato e precisará recompor mão de obra e empresas capazes de tocar grandes projetos ao mesmo tempo. A Odebrecht, hoje Novanor, é o maior exemplo. A empresa perdeu a capacidade de atuação em meio aos escândalos de corrupção em 2014. Ainda assim, Avelleda vê uma mudança importante no plano atual: a volta da União ao centro da agenda.
O histórico brasileiro ajuda a explicar certo pessimismo: projetos ferroviários frequentemente atravessam governos, acumulam atrasos ou ficam pelo caminho. O trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, prometido para a Copa de 2014, nunca saiu do papel. Obras prometidas para o Mundial do Brasil só foram entregues três copas depois, como a Linha 17-Ouro. O retorno potencial vai além das concessionárias. Só em 2025, os benefícios da rede metroferroviária brasileira, que ainda é de apenas 5,2 quilômetros por milhão de habitantes, na economia foram de 44 bilhões, segundo a ANPTrilhos. É redução de tempo de viagem e de custos, como um motor para o país.
Toda essa equação será resolvida em Brasília, em contratos, fundos e garantias. Mas o resultado será medido longe dali. Na Luz, em São Paulo, no bairro da Paz, em Salvador, e nas estações que ainda não existem. Para a Motiva, a resposta definirá quanto dessa nova fronteira poderá virar negócio. Para o país, dirá se os projetos conseguirão fazer o percurso mais difícil: sair do mapa e entrar na rotina das cidades.
Revista Ferroviaria - RJ 31/07/2026
O Metrô de São Paulo avança nos testes de comissionamento da nova frota de trens da Linha 15-Prata e já trabalha com a perspectiva de colocar as primeiras composições em operação comercial ainda neste ano.
Produzidos pela Alstom em parceria com a CRRC, na cidade de Wuhu, na China, os 19 novos trens da quinta geração do modelo Innovia 300 serão incorporados gradualmente à operação do ramal, que transporta mais de 150 mil passageiros diariamente entre as estações Vila Prudente e Jardim Colonial.
A aquisição das composições acompanha a expansão da Linha 15-Prata, que deverá receber, nos próximos dois anos, as estações Ipiranga, Boa Esperança e Jacu-Pêssego. Além de ampliar o alcance do monotrilho, a expansão criará uma nova integração com a Linha 10-Turquesa e levará transporte de alta capacidade a regiões da Zona Leste historicamente carentes desse tipo de serviço.
Durante um destes testes, o engenheiro do empreendimento da Linha 15-Prata, Noé Alves, destacou que a nova frota incorpora uma série de avanços tecnológicos em relação aos trens da Série M, a frota pioneira deste modelo.
O trem S30 é um dos 19 trens que compõem a Frota S, a nova frota do monotrilho da Linha 15 que estamos recebendo. Essa frota é produzida na China. A fabricação começou em julho de 2023 e o último trem foi concluído em novembro de 2025, com uma média de 60 dias para a produção de cada unidade. A Frota S pertence à mesma plataforma de fabricação da Frota M, nossa primeira geração de monotrilhos no Brasil, mas representa a quinta geração dessa plataforma.
Ao longo desse período, ela passou por diversos processos de modernização e evolução tecnológica. Embora visualmente seja muito semelhante à frota anterior, traz inúmeras melhorias nos sistemas embarcados e na tecnologia do trem, explicou o engenheiro.
Entre as novidades que serão percebidas pelos passageiros, estão o novo acabamento dos assentos, alguns modelos de pega-mãos e os painéis de informação ao usuário, mais modernos. Apesar das atualizações, a configuração interna foi preservada, mantendo a disposição dos equipamentos e bancos, além da composição formada por sete carros interligados no conceito open gangway, que permite a livre circulação dos passageiros entre todos os carros.
Nos testes de desempenho, as composições atingiram velocidades próximas de 70 km/h, patamar semelhante ao empregado na operação comercial da linha. A expectativa é que esse índice seja superado nas próximas etapas de homologação.
A implantação da nova frota ocorrerá de forma gradual. Segundo o Metrô, a entrada em operação dos novos trens permitirá que unidades da atual Frota M sejam retiradas temporariamente para manutenções programadas, sem impacto na oferta de viagens aos passageiros. A previsão é de que a primeira composição entre em operação comercial até dezembro de 2026.
Atualmente, todos os novos trens estão armazenados no Pátio Oratório. Esse cenário deverá mudar com a entrega do Pátio Ragueb Chohfi, localizado na extremidade leste da linha. A nova estrutura permitirá distribuir as atividades de manutenção e estacionamento das composições entre os dois pátios, além de oferecer maior flexibilidade operacional, contribuindo para ganhos de eficiência e melhorias no atendimento aos passageiros.
O Estado de S.Paulo - SP 31/07/2026
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou nesta quinta-feira, 30, a versão final da proposta de prorrogação antecipada do contrato de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e encaminhou o processo para análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A modelagem prevê investimentos estimados em R$ 24 bilhões ao longo de 30 anos.
A proposta aprovada pela diretoria da agência contempla a operação de aproximadamente 4,1 mil quilômetros de trechos ferroviários e a devolução de cerca de 3,1 mil quilômetros de segmentos considerados de baixa viabilidade operacional. Pela modelagem, a concessionária deverá pagar uma indenização estimada em R$ 4,2 bilhões à União pelos trechos devolvidos.
Hoje a concessão da FCA está com a VLI, uma holding que tem como sócios a Brookfield, Vale, Mitsui, FI-FGTS e BNDESPar.
Segundo a ANTT, os segmentos que deixarão de integrar a concessão poderão futuramente ser objeto de outros instrumentos previstos na legislação, incluindo autorizações ferroviárias.
O plano de outorga também prevê a destinação de 1% dos investimentos em capital (Capex) para ações de descarbonização e infraestrutura resiliente, por meio do Programa Carbono Zero.
A diretoria da agência aprovou ainda a prorrogação excepcional do contrato vigente por até dois anos. A medida busca garantir a continuidade da operação ferroviária durante a tramitação do processo no TCU, uma vez que o contrato atual da FCA vence em agosto de 2026.
Veja - SP 31/07/2026
A Mover e a Somah — atuais nomes dos antigos grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão — fecharam uma negociação para vender o Cais Leste do Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco, segundo apurou o Radar. A área será destinada à instalação de um terminal de gás natural liquefeito.
A operação integra a estratégia das sócias de monetizar áreas ociosas e retirar o estaleiro da recuperação judicial. O Atlântico Sul acumula uma dívida estimada em R$ 700 milhões.
O terreno já havia sido reservado no plano de recuperação para um terminal de GNL ou uma termelétrica. O documento atribuiu às áreas do Cais Leste valor econômico mínimo de R$ 380 milhões e autorizou sua venda direta. Publicamente, no entanto, o estaleiro vinha apresentando à Antaq um projeto diferente, voltado a derivados de petróleo e carga geral.
Jornal de Brasília - DF 31/07/2026
Congressistas da oposição protocolaram nesta quinta-feira (30) uma representação no TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a suspensão imediata da licitação de R$ 1,06 bilhão do condomínio logístico do porto de Santos.
Os deputados afirmam que a APS (Autoridade Portuária de Santos) utilizou uma modalidade de contratação inadequada para retirar o empreendimento da análise prévia da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e do próprio tribunal, restringindo a concorrência e favorecendo um desfecho que consideram irregular.
Além de pedir a suspensão cautelar do edital e do contrato já assinado, os congressistas solicitam ao TCU que realize auditoria do processo e declare a nulidade da licitação.
A representação é assinada pelos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Gilson Marques (Novo-SC), Luiz Lima (Novo-RJ), Alfredo Gaspar (PL-AL), Bia Kicis (PL-DF) e Evair de Melo (Republicanos-ES), além do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
A representação quer, ainda, o impedimento do ministro do TCU Bruno Dantas de atuar no caso. O UOL revelou que o Portolog é administrado pelo empresário João Pedro Camargo, cunhado de Dantas, que relatou o voto revisor do leilão do Tecon 10. que restringe a competição de empresas interessadas em disputar o futuro leilão do Tecon Santos 10, vizinho ao condomínio logístico, previsto para ser a maior transação portuária da história.
Entre os administradores da vencedora do leilão também está Camila Funaro Camargo Dantas, esposa do ministro. No pedido, os autores dizem não acusar Bruno Dantas de irregularidade, mas sustentam que o regimento interno do TCU prevê impedimento em processos de interesse de cônjuge.
Procurados pela Folha, Bruno Dantas não comenta o assunto. A Portolog também não se pronuncia sobre o caso. A APS nega as acusações de irregularidades.
A Antaq chegou a apontar falhas técnicas no edital elaborado pela APS, reconhecendo haver motivos para questionar a legalidade da licitação. Deixou, porém, de adotar medidas práticas porque a licitação estava suspensa por decisão da Justiça Federal.
Quando a determinação da Justiça foi derrubada, em maio deste ano, a agência não voltou a analisar o caso. A APS homologou o resultado e assinou o contrato com o consórcio Portolog. O contrato encontra-se atualmente suspenso, por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
À Folha a Antaq disse que a “decisão adotada no início do processo teve natureza cautelar e não representou julgamento definitivo sobre a validade do edital”, apesar de o contrato, como mostra a reportagem, já ter sido homologado sem haver nenhuma intervenção da agência.
Segundo a agência, “o processo permanece pendente de decisão definitiva da diretoria colegiada, a partir dos elementos e subsídios técnicos que vêm sendo colhidos para fundamentar a decisão final”.
A licitação do condomínio logístico teve o edital publicado pela APS em outubro de 2025, prevendo apenas 16 dias úteis para que empresas analisassem o projeto, preparassem estudos e apresentassem propostas.
Uma empresa interessada foi desqualificada no processo. A Portolog acabou sendo a única com proposta válida e ganhou a licitação.
Ocorre que a concorrência já era contestada não apenas por causa do prazo exíguo, mas por envolver uma área que, para empresas locais, é vital nas operações do porto, enquanto a APS diz se tratar de um espaço de manobras, e “não afeta as operações portuárias”.
Tecon Santos 10 fica para 2027
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse nesta quinta-feira (30) no Rio de Janeiro que o leilão do Tecon 10 deve ficar para 2027. A declaração ocorreu após ele ser questionado em uma entrevista no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Franca participou do anúncio de uma linha de crédito de R$ 8 bilhões para companhias aéreas com recursos do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil).
“Acho que dá para a gente lançar o edital este ano. Deve haver um novo desenho da modelagem que foi estabelecida e já analisada pela Antaq e pelo Tribunal de Contas”, afirmou.
“Após essa diretriz, o processo volta para a Antaq para uma nova análise e volta para o Tribunal de Contas para uma nova análise [ ]. Portanto, um processo como esse, para ter um edital aí, no mínimo 60 dias, 90 dias. Então, a gente consegue lançar, mas provavelmente o leilão deve acontecer nos primeiros meses de 2027”, acrescentou.
CNN Brasil - SP 31/07/2026
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, afirmou nesta quinta-feira (30) que o leilão do terminal de contêineres Tecon Santos 10 (STS-10) deve ocorrer apenas no início de 2027, se o governo conseguir lançar o edital neste ano.
O leilão do mega terminal já foi reprogramado diversas vezes devido a divergências sobre o modelo de concessão. A modelagem deve passar por novas mudanças.
"Num processo como esse a gente deve ter um edital em 60 a 90 dias, mas provavelmente o leilão deve acontecer nos primeiros meses de 2027", disse o ministro.
O megaterminal em Santos deve ter em princípio um contrato de concessão de 25 anos, renovável por até 70, e o investimento previsto chega a R$6,45 bilhões. O leilão pode viabilizar uma ampliação de até 50% na movimentação de contêineres do porto.
Entre as principais divergências está a permissão ou não para que empresas que já atuem no Porto de Santos possam participar do certame do Tecon 10.
Falando durante evento sobre o Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil), França afirmou que o governo federal também está discutindo a inclusão de mais seis terminais na concessão do aeroporto Viracopos, em Campinas (SP), que está em curso.
Diário do Comércio - MG 31/07/2026
Sediada em Minas Gerais, a Cedro Participações prevê obter, em agosto, as licenças prévia e de instalação do Porto do Meio, terminal dedicado para minério de ferro que será implantado no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, entre as instalações da Vale e da CSN.
Em paralelo, a holding planeja concluir o projeto executivo do empreendimento, que receberá investimentos da ordem de US$ 800 milhões, pouco mais de R$ 4 bilhões na cotação de quinta-feira (30).
Com esses avanços, a intenção é iniciar em setembro o processo de contratação de obras e serviços do porto, que abrangem quatro frentes principais: civil, dragagem, equipamentos e montagem eletromecânica. Estima-se a geração de 3.000 empregos diretos e indiretos no pico das intervenções, que devem durar três anos.
A entrada em operação do Porto do Meio é esperada para o primeiro trimestre de 2030. Já em funcionamento, a previsão é que 256 pessoas sejam empregadas diretamente.
Inicialmente, o terminal será capaz de movimentar até 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. No futuro, a capacidade poderá atingir até 24 milhões de toneladas anuais.
As informações foram compartilhadas com o Diário do Comércio pelo diretor da Cedro Participações e responsável pelo empreendimento, Marcus Santarém.
A holding arrematou a concessão do terminal em leilão do governo federal realizado em dezembro de 2024. O contrato de arrendamento foi assinado em fevereiro de 2025 e tem prazo de validade de 35 anos, prorrogável por igual período.
Instalação traz independência e reduz riscos
Conforme Santarém, o Porto do Meio trará independência na exportação para o braço da Cedro Participações no setor mineral, concentrado em Minas Gerais, e reduzirá riscos associados ao plano de crescimento da holding no segmento.
Atualmente, a Cedro Mineração produz cerca de 7,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O produto da empresa é o sinter feed. Aproximadamente 20% da produção vai para usinas do mercado interno, enquanto os outros 80% são repassados à Vale, à CSN ou ao Porto Sudeste e, posteriormente, destinados ao mercado externo.
A empresa pretende alcançar, em 2032, capacidade de produção de até 20 milhões de toneladas por ano e, antes disso, chegar a 15 milhões de toneladas anuais, em 2030. Também planeja migrar o portfólio de produtos para o pellet feed. Além disso, projeta exportar a maior parte do volume produzido por meio do próprio terminal.
O diretor afirma que, assim como outras mineradoras do Quadrilátero Ferrífero que estão em crescimento, a Cedro Mineração não consegue, neste momento, vender diretamente para clientes do exterior por não ter porto para escoar.
Ele ressalta que são poucos os terminais exportadores de minério de ferro no Brasil e, normalmente, ligados a grandes mineradoras. De acordo com Santarém, as empresas menores não têm alternativas e ficam reféns dessas instalações.
Terminal prioriza demanda da Cedro, embora possa atender outras empresas
Ainda segundo o diretor, o Porto do Meio será construído com foco na produção própria da Cedro Mineração, embora também possa, eventualmente, movimentar minério de ferro de outras mineradoras. Segundo Santarém, a empresa mantém contratos de longo prazo com a Vale para algumas entregas, mas a carteira de projetos de crescimento deverá gerar volume suficiente para ocupar a capacidade instalada do terminal.
“É possível [movimentar minério de ferro de outras empresas no Porto do Meio]. Isso já vem ocorrendo com os demais terminais. É uma questão de mercado. Mas o porto será feito, principalmente, para atender à necessidade da Cedro”, afirma.
“Caso contrário, são investimentos bilionários, e a gente não quer ficar refém de terminais portuários que estão na região [de Itaguaí], com preços de mercado que não temos como medir ou garantir. É importante termos um porto próprio para suportar nossa movimentação, nosso crescimento e mitigar riscos”, reitera.
Obras da ferrovia Serra Azul devem começar apenas em 2029
Outro projeto estratégico da Cedro Participações é a ferrovia Serra Azul, ramal de curta distância (short line), com 26 quilômetros (km) de extensão, que passará pelos municípios mineiros de Mário Campos, Mateus Leme, Igarapé e São Joaquim de Bicas, conectando a produção regional de minério de ferro à malha ferroviária da MRS Logística.
O cronograma de implantação é mais lento que o do Porto do Meio devido às etapas que precisam ser cumpridas junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Neste momento, segundo o diretor,a holding trabalha no projeto executivo e no processo de licenciamento ambiental do empreendimento, que receberá investimentos da ordem de US$ 400 milhões. Segundo ele, a previsão é de iniciar as obras em 2029 e a operação em 2032.
A ferrovia terá capacidade de transportar aproximadamente 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Como não ficará próximo de minas da Cedro Mineração, o ramal será construído para atender outras mineradoras do Quadrilátero Ferrífero.
Santarém ressalta que o empreendimento reduzirá um gargalo logístico para as mineradoras que precisam utilizar modal rodoviário para escoar a produção até a MRS, além de reduzir acidentes ao retirar caminhões de minério das rodovias da região e reduzir as emissões de CO2. De acordo com o diretor, o empreendimento será uma alavanca para o crescimento das empresas ao gerar uma oportunidade econômica de transporte em larga escala.
Petro Notícias - SP 31/07/2026
O setor global de exploração e produção de petróleo e gás (upstream) poderá gerar um excedente de caixa de US$ 495 bilhões em 2026, caso o preço médio do Brent permaneça em torno de US$ 90 por barril, segundo a atualização semestral das perspectivas para o setor elaborada pela consultoria Wood Mackenzie. O valor representa mais que o dobro das projeções feitas pelas empresas no início do ano, quando os investimentos foram planejados considerando um Brent na faixa de US$ 60 por barril.
De acordo com o estudo, as 49 maiores companhias internacionais e estatais de petróleo e gás (IOCs e NOCs) acompanhadas pela consultoria deverão responder por US$ 272 bilhões desse excedente de caixa, montante equivalente a cerca de 70% dos investimentos combinados previstos para o ano. Apesar da melhora expressiva na geração de caixa, os orçamentos de investimentos permanecem praticamente inalterados e o aumento das receitas ainda não resultou em uma onda de recompras de ações.
Segundo a Wood Mackenzie, a indústria iniciou 2026 esperando um cenário desafiador, mas encontrou uma combinação de alta dos preços do petróleo, geração extraordinária de caixa e desafios estratégicos que se tornaram ainda mais relevantes.
O levantamento utiliza dados da plataforma Lens Upstream e do serviço Corporate Strategy and Analytics para avaliar o desempenho das 49 maiores petroleiras globais em relação às projeções traçadas no início do ano. Até o primeiro semestre de 2026, o preço médio do Brent datado ficou em US$ 91 por barril, muito acima das expectativas iniciais. Mesmo assim, as empresas mantiveram praticamente inalterados seus programas de investimentos e preservaram suas políticas de remuneração aos acionistas.
A consultoria estima que os programas de recompra de ações desse grupo deverão cair cerca de 5% em 2026 na comparação com o ano anterior, considerando os planos anunciados antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre.
“Talvez o aspecto mais revelador da resposta corporativa às turbulências macroeconômicas que afetam o setor de petróleo e gás seja justamente o quanto pouco mudou. A maioria das empresas adotou uma postura de esperar para ver, preferindo acumular caixa em seus balanços em vez de devolvê-lo aos acionistas ou ampliar os investimentos. A disciplina de capital mostrou-se mais resistente do que previam tanto os otimistas quanto os pessimistas”, afirmou Tom Ellacott (foto principal), vice-presidente sênior de Pesquisa Corporativa da Wood Mackenzie.
Segundo ele, preços elevados aliviam a pressão financeira, mas não resolvem o desafio de manter os níveis de produção na próxima década. “O segundo semestre de 2026 mostrará se a resposta estratégica acompanhará a força financeira das empresas”, acrescentou.
Principais conclusões do estudo
– Desafio de produção na próxima década: a Wood Mackenzie estima que as 155 empresas monitoradas enfrentarão uma queda média de 30% na produção entre 2030 e 2040, o equivalente a 32 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), excluindo as estatais do Oriente Médio. Mais de 70 companhias poderão registrar reduções superiores a 50%.
– Disciplina nos investimentos permanece: os gastos globais em desenvolvimento de projetos upstream caminham para registrar o segundo ano consecutivo de leve retração. As operadoras continuam priorizando manutenção, otimização de ativos e projetos de menor intensidade de capital.
– Caixa permanece nos balanços: a maior parte das empresas optou por acumular os recursos adicionais em vez de direcioná-los para investimentos ou remuneração dos acionistas, acelerando também o processo de redução do endividamento.
– Mercado de fusões e aquisições surpreende: apesar da volatilidade dos preços, o volume de transações no primeiro semestre foi o maior em dois anos. Entre os principais negócios estão a aquisição da ARC pela Shell por US$ 16 bilhões, a fusão entre Devon e Coterra, avaliada em US$ 25 bilhões, e a compra da Aethon pela Mitsubishi por US$ 7,5 bilhões.
– Perspectiva de oferta piorou: a produção mundial de petróleo deverá cair pelo menos 3% em 2026, revertendo a expectativa inicial de crescimento semelhante. No mercado de GNL, a oferta global deverá recuar ao menos 2%, quando anteriormente se previa expansão de 8%. Os maiores impactos concentram-se no Oriente Médio, especialmente no Iraque, onde até 3 milhões de barris por dia permanecem fora do mercado, e no Catar, afetado pela redução na oferta de GNL.
– Oriente Médio continua estratégico: apesar das atuais dificuldades geopolíticas, a região segue oferecendo a melhor combinação de escala e baixo custo de produção e deverá continuar ocupando posição central nas estratégias de longo prazo das maiores petroleiras do mundo.
Para Fraser McKay, diretor de Análise de Upstream da Wood Mackenzie, o atual cenário não representa um ciclo convencional de commodities. “A alta dos preços reflete conflitos geopolíticos, e não o crescimento da demanda. As empresas sabem disso. Os balanços estão mais fortes do que em muitos anos, mas a prioridade continua sendo preservar essa solidez e se preparar para o futuro, em vez de gastar imediatamente. Se os preços permanecerem elevados durante o segundo semestre, aumentará a pressão para utilizar esse capital por meio de recompras de ações, fusões e aquisições ou novos investimentos. A forma como os conselhos de administração administrarão esse equilíbrio definirá a direção estratégica da indústria rumo a 2027”, concluiu.
Money Times - SP 31/07/2026
Após a disparada de 7% na véspera, os preços do petróleo voltaram a cair nesta quinta-feira (30) com as afirmações do Irã de que o diálogo com Omã para negociar a administração do Estreito de Ormuz continua, em meio à redução do fluxo de navios na região.
Apesar da continuidade na troca de ataques entre Estados Unidos e Irã, a tensão não foi determinante para pressionar a commodity no pregão de hoje.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para outubro terminou o dia em baixa de 1,37%, a US$ 86,88 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro cedeu 1,03%, a US$ 83,59 o barril.
O que aliviou o petróleo hoje?
A commodity operou em alta durante a madrugada com a afirmação dos Estados Unidos quanto à realização de novos ataques contra o Irã. Teerã prometeu retaliar ainda hoje.
Contudo, o petróleo passou a recuar depois que o país persa indicou que as negociações com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz seguem em andamento.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, porém, reiterou que a via marítima permanece fechada. Segundo a agência iraniana Fars, um navio carregado de gás natural liquefeito atravessou o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira, com a permissão do Irã, apesar do bloqueio.
Além disso, no radar dos operadores, estão as propostas para uma coalizão marítima liderada pela Arábia Saudita com o objetivo de fortalecer a cooperação em defesa na região do Mar Vermelho.
Segundo o Ministério da Defesa saudita, 14 países, incluindo Turquia, Paquistão, Egito, Sudão e Djibuti, emitiram uma declaração conjunta em apoio à proposta de coalizão multinacional de defesa marítima.
Enquanto isso, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, em inglês) informou que cumpre “rigorosamente” o bloqueio naval contra o Irã no Golfo Pérsico e já redirecionou 20 navios comerciais até a quarta-feira (29), desativando dois.
Para a Capital Economics, apesar de o tráfego pelo Estreito de Ormuz seguir praticamente paralisado, o petróleo acumula queda líquida na semana, alimentando dúvidas sobre o aparente descompasso entre o mercado futuro e o mercado físico.
“As condições no físico continuam críticas e, se não houver uma retomada consistente dos fluxos pelo estreito, avaliamos que o mercado pode se aproximar de um `ponto de inflexão’ por volta do início do quarto trimestre”, avalia a consultoria.
Petro Notícias - SP 31/07/2026
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta quarta-feira (30) a resolução que define as diretrizes para a comercialização do gás natural da União por meio de leilões. Os certames, que serão conduzidos pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), serão organizados em duas modalidades: curto prazo (2026 a 2030) e longo prazo (a partir de 2030). De acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o primeiro leilão deverá ser realizado no último bimestre deste ano, com foco na comercialização da produção da União prevista para 2027. A expectativa é realizar, até 2029, leilões anuais com objetivo de comercializar a produção prevista para o ano subsequente.
A medida aprovada pelo CNPE abre caminho para a venda direta do gás natural da União ao mercado livre, com foco na indústria de base, incluindo os segmentos químico e siderúrgico. A expectativa é ampliar a oferta do insumo, estimular novos investimentos produtivos e reduzir significativamente seu custo. Segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia, o preço do gás natural da União poderá cair em pelo menos 50%.
Atualmente, os volumes de gás natural pertencentes à União continuam sendo adquiridos pela Petrobrás por valores considerados baixos, com base em modelos contratuais antigos, e incorporados à produção da companhia. Na prática, além de representar uma vantagem econômica para a estatal, esse modelo faz com que a Petrobras determine a destinação dessa parcela crescente de gás pertencente à União.
Os leilões de curto prazo serão voltados preferencialmente aos consumidores livres dos setores da indústria de base. Já o segundo modelo de lono prazo será destinado a novos empreendimentos ou para expansão da capacidade produtiva das empresas desses setores.
“É um marco que realmente vai contribuir para trazer mais competitividade para o gás natural no país, reduzindo o custo desse insumo para o setor industrial brasileiro. Desta forma, não apenas atendemos a uma demanda de longa data de vários agentes da indústria nacional, damos também ao gás natural da união uma destinação de política pública”, afirmou Silveira. “O Gás Natural da União, vendido pelo agente dominante – a Petrobrás – no mercado brasileiro a cerca de 12 dólares por milhão de BTU, poderá chegar à indústria nacional a cerca de 5 dólares por milhão de BTU. Uma redução de mais de 50%”, completou.
Estudos elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que a resolução, em conjunto com medidas em desenvolvimento pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no âmbito do Programa Gás para Empregar, voltadas à desconcentração do mercado, ao acesso às infraestruturas e à remuneração adequada dos ativos, poderá resultar na geração de 436 mil empregos diretos e indiretos, R$ 95 bilhões em investimentos, incremento de R$ 79 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e aumento de R$ 9,3 bilhões na arrecadação de tributos federais, além de ampliar a oferta de gás natural.
HISTÓRICO
A Lei nº 14.134/2021 instituiu o novo marco legal do mercado de gás natural no Brasil, estabelecendo regras para a organização do setor e para a comercialização do combustível. Em 2023, o CNPE criou o Grupo de Trabalho do Programa Gás para Empregar (GT-GE) com o objetivo de avaliar medidas destinadas à ampliação da oferta de gás natural, à redução da reinjeção do insumo e ao aperfeiçoamento do funcionamento do mercado.
Entre os principais objetivos do Programa Gás para Empregar estava identificar os fatores estruturais que fazem com que o gás natural brasileiro esteja entre os mais caros do mundo, analisando a participação de cada etapa da cadeia de valor na formação do preço final, desde a produção, passando pelo escoamento, processamento e transporte, até a distribuição ao consumidor. Os estudos desenvolvidos pelo grupo de trabalho indicaram a possibilidade de redução do preço do gás natural de cerca de US$ 12 para aproximadamente US$ 5 por milhão de BTU.
Segundo o ministro de Minas e Energia, esse conjunto de medidas, aliado às ações previstas na agenda regulatória da ANP, será essencial para ampliar a oferta do insumo, aumentar a concorrência e promover uma redução efetiva dos preços ao consumidor. Silveira destacou que essas iniciativas incluem o avanço da regulamentação do acesso não discriminatório às infraestruturas de escoamento e processamento, maior transparência das informações do mercado, implementação do Gas Release, revisão das tarifas das transportadoras e definição de uma remuneração justa e adequada para as infraestruturas.
Agência Brasil - DF 31/07/2026
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta quinta-feira (30), resolução que permite o uso de gasodutos da Petrobras para escoamento do gás natural da União, produzido no pré-sal, com objetivo de comercializar o combustível em leilões com venda direta a grandes consumidores, como termelétricas e indústrias.
O objetivo da política, segundo o governo, é aumentar a oferta do gás natural no mercado e, com isso, reduzir o preço do combustível. A estimativa do Ministério de Minas e Energia (MME) é que valor do gás aos grandes consumidores caia 50%.
A decisão do CPNE, conselho formada por ministros do governo, alterou a Resolução CNPE nº 15, de 29 de outubro de 2018, reestruturando a política de comercialização de gás natural da União. O MME informou que há um leilão previsto para o último bimestre deste ano, além de outros leilões até 2030 e mesmo depois.
O ministro do MME, Alexandre Silveira, que preside o CNPE, afirmou que a nova resolução será capaz de reduzir o valor do combustível para as indústrias de base no Brasil.
“Para que nossas infraestruturas sejam melhor utilizadas a favor do Brasil e para que a gente tenha gás mais barato, vamos começar com o gás da União. Mas eu espero que outras fontes venham para aumentar a oferta do gás e minimizar o sofrimento da nossa indústria”, disse Silveira.
O Grupo de Trabalho do Programa Gás para Empregar (GT-GE), criado pelo CNPE, estima que a resolução deve reduzir o valor do gás natural de US$ 12 por milhão de BTU para US$ 5 por milhão de BTU.
Pela resolução, os leilões serão conduzidos pela Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural – Pré-Sal Petróleo (PPSA). Ainda segundo o MME, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ficará responsável por definir o valor pago à Petrobras pelo uso do gasoduto da companhia.
A Agência Brasil procurou a Petrobras para manifestação sobre a mudança aprovada no CNPE, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Industria comemora
O anúncio da nova política, realizado em Brasília, contou com a participação de entidades que representam a indústria e os grandes consumidores de energia, que comemoraram a nova resolução aprovada no CNPE.
A vice-presidente Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Libre (Abrece Energia), Daniela Coutinho, disse esperar que o gás mais barato ajude a competitividade da indústria brasileira.
“É importante que esse gás chegue para a indústria para a gente reverter essa tendência de queda da demanda. E não resta dúvida que essa é uma conta fácil. Mais gás no mercado, um gás mais barato, consequentemente, um aumento da competitividade na indústria”, afirmou.
O MME destacou ainda que a nova resolução responde a uma exigência da Lei n14.134 de 2021, que determina, em seu artigo 33, medidas para ampliar a oferta de gás natural no Brasil e reduzir “a concentração na oferta de gás natural”.
“Assim, o gás natural comercializado pela União será destinado prioritariamente aos segmentos industriais da indústria de base intensivos no uso do insumo, como as indústrias química, petroquímica, de fertilizantes e siderúrgica”, disse o ministério, em comunicado à imprensa.
Valor - SP 31/07/2026
A empresa também apresentou todos os documentos exigidos, tendo sido solicitada a prorrogação do prazo para conclusão das condições precedentes à assinatura do contrato de concessão para o dia 14 de agosto
A Azevedo & Travassos disse nesta quinta-feira (30) que realizou o aporte de R$ 43,5 milhões a título de integralização de 50% do capital social regulatório da Rota Mogiana, em cumprimento às obrigações previstas no edital da concessão.
Segundo a companhia, sua sócia no consórcio da concessão, a Quimassa Infraestrutura, integralizou idêntico montante, correspondente aos 50% remanescentes do referido capital social regulatório.
A Azevedo & Travassos também afirma que apresentou todos os demais documentos exigidos, tendo sido solicitada a prorrogação do prazo para conclusão das condições precedentes à assinatura do contrato de concessão para o dia 14 de agosto.
“A companhia reafirma seu compromisso com a transparência e manterá seus acionistas e o mercado em geral tempestivamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes acerca das matérias ora divulgada”, completa, em comunicado.
O Valor publicou hoje reportagem dizendo que a Azevedo & Travassos vem enfrentando dificuldades para manter seus investimentos em concessões de infraestrutura após a crise da gestora Reag.
CNN Brasil - SP 31/07/2026
A construção da terceira pista do Sistema Anchieta-Imigrantes, principal corredor de acesso ao Porto de Santos (SP), segue sem previsão para começar, segundo Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo.
Ao Conexão Infra, ela afirmou que o governo estadual e a EcoRodovias, concessionária responsável pelo sistema, ainda negociam adequações no contrato para viabilizar a emissão da licença de instalação, documento que autoriza o início das obras.
O projeto, que é um pleito antigo do setor portuário de Santos, obteve a licença prévia em março deste ano, concedida pelo Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente). Essa etapa é essencial e reconhece a viabilidade ambiental do empreendimento.
Agora, as discussões se concentram nas adaptações contratuais e nas recomposições necessárias para que a licença de instalação seja emitida. "Estamos discutindo a adequação necessária para a licença de instalação, junto com a concessionária e internamente, para definir o contrato e as recomposições necessárias", afirmou.
A terceira pista integra a estratégia do governo paulista para ampliar a capacidade logística dos acessos aos portos de Santos e São Sebastião e melhorar o escoamento da produção do agronegócio.
O projeto busca enfrentar um gargalo histórico no acesso ao Porto de Santos, principal complexo portuário do país. Interlocutores do setor portuário apontam que os congestionamentos frequentes no Sistema Anchieta-Imigrantes estão entre os principais entraves para a aumentar a competitividade das operações portuárias paulistas, especialmente durante os períodos de maior movimentação de cargas.
Exame - SP 31/07/2026
Depois de uma safra de resultados recordes, o agronegócio brasileiro entra no ciclo 2026/27 diante de um cenário bem menos favorável. O Rabobank estima que o PIB agrícola recue 3% em 2026, pressionado por uma combinação de juros elevados, risco de um El Niño forte, restrições fiscais e caos geopolítico.
Para Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do banco holandês especializado em agronegócio e alimentos, o conjunto desses fatores deve tornar o atual ciclo um dos mais desafiadores dos últimos anos.
Qual é o cenário macroeconômico desenhado para a safra 2026/27 que começou em julho?
Bastante desafiador. Não esperamos um crescimento da safra como o observado na temporada passada. Além disso, há um desafio relacionado ao El Niño para o fim deste ano, uma vez que existe a probabilidade de 50% de um fenômeno forte para outubro [colheita em alguns estados]. Para completar esse quadro, o Plano Safra deste ano veio com um crescimento tímido e houve redução dos recursos destinados à equalização de juros. Diante desse conjunto de fatores, nossa expectativa é que o PIB agrícola registre queda de 3% em 2026. O setor cresceu 11,7% em 2025.
Essa projeção de queda já fazia parte das estimativas do Rabobank ou foi ajustada diante desse cenário?
Atualizamos nossas premissas à medida que esse cenário foi se desenhando. O primeiro fator foi a intensificação da força do El Niño. Além disso, trabalhávamos com a expectativa de um ciclo mais intenso de cortes na taxa Selic ao longo de 2026. Hoje essa avaliação mudou. O Banco Central ainda tem espaço para realizar apenas mais um corte de juros em 2026, levando a Selic para 14%. Para o próximo ano, projetamos a Selic em 12,5%. Isso aumenta a pressão sobre o governo em relação aos recursos destinados à equalização dos financiamentos do Plano Safra.
Na avaliação do Rabobank, quais serão os efeitos do El Niño sobre a inflação de alimentos?
Depois de um período de deflação e estabilidade, a inflação de alimentos voltou a acelerar em 2026. A projeção do Rabobank é que o índice encerre o ano em 6,85%, impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo, que elevou os custos de frete, combustíveis, logística e fertilizantes, além da expectativa de um El Niño mais intenso no fim do ano. O pico deve ocorrer em fevereiro de 2027, quando a inflação pode chegar a 7,7%, antes de desacelerar para cerca de 4,3% no fim do ano.
Como a geopolítica e o dólar devem mexer com o agro nesta safra?
Projetamos que a volatilidade do terceiro trimestre mantenha o dólar entre 5,40 reais e 5,45 reais. Com a definição do cenário eleitoral e a redução das incertezas, a expectativa é de maior estabilidade, com a moeda americana encerrando 2026 em torno de 5,35 reais. Para 2027, o banco prevê um primeiro semestre mais favorável ao câmbio, impulsionado pela entrada de dólares da safra, enquanto o segundo semestre deve voltar a sofrer pressão de fatores como remessas de dividendos e discussões fiscais. Ainda assim, a projeção é de um dólar próximo de 5,30 reais no fim de 2027.