Money Times - SP 03/07/2026
A Fitch Ratings revisou nesta quinta-feira a perspectiva de rating da Gerdau (GGBR4) de estável para positiva e manteve os ratings de inadimplência do emissor (IDRs) da companhia em “BBB”.
Segundo a agência, a perspectiva positiva reflete “as potenciais melhorias de curto prazo no perfil de negócios da Gerdau (posição de mercado, diversificação e qualidade dos ativos) e na rentabilidade, impulsionadas por uma presença mais consolidada na América do Norte e pela recuperação no Brasil”.
“As classificações da Gerdau refletem seu sólido perfil de negócios, fluxo de caixa livre resiliente ao longo dos ciclos, estrutura de capital conservadora e robusta liquidez”, disse a Fitch em relatório.
Gerdau tem melhorado
O balanço mais recente da Gerdau, do primeiro trimestre, foi considerado sólido pelos analistas, com melhora operacional em diferentes frentes e desempenho novamente puxado pela América do Norte.
A empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 33,8% em relação ao mesmo período do ano passado, e anunciou a distribuição de R$ 106 milhões em dividendos.
Para a XP Investimentos, o resultado trouxe “melhoras generalizadas”, refletindo mais um trimestre robusto nos Estados Unidos, com as tarifas de Donald Trump impulsionando os resultados, e também de avanço de margens no Brasil.
“O resultado foi sustentado por um desempenho forte na América do Norte, com preços mais altos e maiores volumes, além de backlog sólido acima de 90 dias, o que indica continuidade do bom momento no próximo trimestre”, afirmam os analistas, liderados por Lucas Laghi.
Diário do Comércio - MG 03/07/2026
O Brasil caiu sete posições na edição de 2026 do ranking de competitividade do instituto suíço IMD, figurando em 65º entre os 70 países analisados. O ranking anual é organizado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria técnica com a Fundação Dom Cabral.
O instituto afirma que o ranking, realizado há 38 anos, “analisa e classifica a capacidade dos países de criar e manter um ambiente que sustente a competitividade das empresas”.
A análise avalia os países segundo indicadores agrupados em quatro pilares: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Neste ano, o Brasil perdeu posições em todos eles -com destaque para a eficiência empresarial e governamental, fatores nos quais o país caiu, respectivamente, 11 e seis posições.
A forte queda em 2026 reverte o resultado brasileiro na edição passada da lista. Em 2025, o Brasil havia subido quatro posições em relação a 2024. O crescimento dos gastos governamentais é um dos principais desafios brasileiros elencados pelo IMD.
A nova posição do Brasil deixa o país diretamente atrás de Gana (64º) e à frente de Botsuana (66º). Dentre os seis países da América Latina analisados pelo instituto, apenas a Venezuela, última colocada da lista, fica atrás do Brasil. Estão melhor colocados Chile (43º), Argentina (58º), Colômbia (59º) e Peru (60º).
No outro extremo da lista, estão Singapura (1º), Hong Kong (2º) e Suíça (3º). Singapura retomou o primeiro lugar, que havia perdido para a Suíça em 2025.
“O retorno de Singapura ao primeiro lugar é talvez a ilustração mais clara de um tema mais amplo que permeia os resultados de 2026. Ou seja, a capacidade adaptativa de uma economia para corrigir seu rumo de forma eficiente tornou-se um importante ativo competitivo”, aponta o relatório.
Após três anos de queda, os Estados Unidos (10º) voltaram a subir no ranking e figurar entre os dez primeiros colocados. O retorno ao top 10, segundo o IMD, é impulsionado por uma recuperação acentuada no sentimento dos executivos, indicando “que a confiança empresarial se recuperou mais rapidamente do que os fundamentos fiscais e comerciais subjacentes justificariam”.
Money Times - SP 03/07/2026
Os economistas Bruno Serra, gestor da família de fundos Janeiro, da Itaú Asset, e Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, enxergam um segundo semestre mais tranquilo para a economia global após a reversão do choque provocado pela guerra no Oriente Médio. A leitura, porém, muda quando o assunto é a política monetária brasileira.
Durante painel do evento Onde Investir no 2º Semestre de 2026, promovido pelo Seu Dinheiro, os dois apresentaram projeções distintas para a taxa Selic até o fim deste ano. Enquanto Serra acredita que o Banco Central terá espaço para retomar os cortes de juros, Mansueto avalia que a inflação ainda exige cautela e aposta na manutenção da taxa em 14,25%.
Serra vê inflação mais comportada e volta dos cortes
Para Serra, o principal choque inflacionário do ano praticamente ficou para trás. Segundo o ex-diretor do Banco Central, o petróleo e seus derivados devolveram boa parte da alta registrada após o conflito no Oriente Médio, reduzindo significativamente o impacto esperado sobre a inflação brasileira.
“A gente fez uma atualização relevante na semana passada depois que ficou clara a reversão do choque do petróleo”, afirmou.
Na avaliação do economista, o efeito líquido da guerra sobre o IPCA deverá ser limitado e, combinado com uma desaceleração da atividade econômica, poderá abrir uma nova janela para o Banco Central voltar a reduzir a Selic.
O cenário-base da Itaú Asset considera inflação de 4,6% neste ano e câmbio próximo de R$ 5,10. Com isso, Serra projeta que a Selic encerre 2026 entre 13% e 14%, podendo haver cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões caso os dados confirmem a perda de força da economia.
“Eu diria que eu estou mais para achar que o 14% é o teto para o ano [ ]O Banco Central vai fazer o que for necessário. Quando olho para o meu cenário de inflação, vejo espaço para voltar a cortar juros”, disse.
Além da inflação mais benigna, Serra afirmou que já aparecem sinais de desaceleração no mercado de trabalho, citando a expectativa de novos resultados fracos do Caged, o que reforçaria o argumento para flexibilizar a política monetária.
Mansueto vê inflação resistente e Selic parada
A leitura do economista-chefe do BTG Pactual é mais conservadora. Embora reconheça que a reversão dos preços do petróleo ajuda a aliviar parte das pressões inflacionárias, Mansueto avalia que o Brasil enfrenta um problema doméstico mais persistente: a combinação entre atividade econômica resiliente e expansão fiscal.
Segundo ele, a economia voltou a acelerar no primeiro trimestre mesmo com juros elevados, indicando que os estímulos fiscais e as operações de crédito subsidiado continuam sustentando a demanda.
“A grande desconfiança que todos nós temos é um impulso fiscal positivo”, afirmou.
Diante desse cenário, o BTG trabalha com inflação de 5,3% em 2026 e acredita que o Banco Central manterá a Selic em 14,25% até o fim do ano.
“Hoje a nossa trajetória de juros, dado o nosso cenário de inflação de 5,3%, é um juro constante em 14,25%. Não esperamos mais cortes neste ano, a não ser que haja surpresa consistente nos dados de inflação”, afirmou.
Para Mansueto, a principal preocupação continua sendo a inflação de serviços e a desancoragem das expectativas de longo prazo, fatores que exigem cautela adicional da autoridade monetária.
O ponto em comum
Apesar das projeções diferentes para a Selic, os dois economistas convergiram em alguns pontos. Ambos afirmaram que o choque provocado pela guerra no Oriente Médio perdeu intensidade após a queda do petróleo, reduzindo o risco de uma deterioração maior da inflação global.
Também concordam que o comportamento do Federal Reserve continuará sendo um dos principais fatores para os mercados nos próximos meses, especialmente pelo impacto sobre o dólar e os fluxos para países emergentes.
CNN Brasil - SP 03/07/2026
Depois de meses em que as revisões do mercado se concentraram nas projeções para inflação e juros, começou uma nova onda de mudanças nas estimativas para o crescimento da economia brasileira em 2027.
Nas últimas semanas, Banco Pine e Bradesco reduziram suas previsões para o PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano. Embora o movimento ainda não seja generalizado, ele reforça uma percepção que já aparece nas projeções da maior parte dos economistas: o crescimento de 2027 deverá ser significativamente mais fraco do que o observado em 2026.
A mudança de cenário tem duas explicações principais. A primeira é que os efeitos da política monetária restritiva devem se tornar mais intensos ao longo do próximo ano. A segunda é a expectativa de perda do impulso fiscal, um dos fatores que vêm sustentando a atividade econômica em 2026.
O Banco Pine fez a revisão mais expressiva. A instituição reduziu sua projeção para o crescimento do PIB de 2027 de 1,4% para 0,8%. Segundo Cristiano Oliveira, economista-chefe do Pine, a economia continuará resiliente neste ano, mas perderá tração em 2027 diante dos efeitos acumulados dos juros elevados, da menor sustentação dos estímulos à demanda e de um impulso fiscal que deve se tornar negativo.
O Bradesco também revisou seu cenário. O banco reduziu sua estimativa para o crescimento do próximo ano de 2% para 1,5%. Para o economista-chefe, Fernando Honorato, a economia ainda será beneficiada em 2026 pelo mercado de trabalho aquecido, pelo aumento da renda e pelos estímulos fiscal e creditício. No ano seguinte, porém, esses motores devem perder força.
Entre as instituições que mantiveram suas projeções, a expectativa é de uma desaceleração.
O Itaú continua projetando crescimento de 1,7% em 2027, mas afirma que a economia deve enfrentar uma perda de intensidade do impulso fiscal, embora ele permaneça positivo. Segundo o banco, a política monetária continuará em terreno contracionista, limitando a aceleração da atividade.
A instituição calcula que o impulso fiscal em 2026 será equivalente a aproximadamente 1% do PIB, resultado do aumento das despesas com transferências de renda e de medidas já anunciadas pelo governo, como as mudanças no Imposto de Renda, o programa Gás para Todos e outras iniciativas de estímulo. Para 2027, esse efeito tende a diminuir.
A XP Investimentos também trabalha com um crescimento menor no próximo ano. A casa projeta expansão de 2% para o PIB em 2026 e de 1,2% em 2027. O Inter, por sua vez, estima crescimento de 1,8% em ambos os anos.
Exame - SP 03/07/2026
O mais recente relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, confirmou que a maior economia do mundo está perdendo tração no mercado de trabalho. A criação de 57 mil vagas não agrícolas em junho ficou abaixo das projeções do mercado, que esperavam algo em torno de 110 mil a 115 mil novos postos.
Mais do que o dado isolado do mês, as revisões para baixo dos meses anteriores cortaram outras 74 mil vagas do mapa. Essa deterioração na margem fez a média móvel de três meses despencar de 188 mil para 111 mil contratações, desenhando um cenário de desaquecimento.
Apesar do recuo na criação de vagas, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%. E analistas já alertam que essa aparente melhora esconde uma "armadilha" de retração da força de trabalho. O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, pondera sobre a "leitura mais fraca" dos números.
"O movimento foi acompanhado por queda de 0,3 ponto percentual na taxa de participação da força de trabalho, que atingiu 61,5%. Parte da melhora reflete, portanto, uma retração da oferta de trabalho, e não uma absorção mais forte de mão de obra", explica.
O fator imigração e o tombo em serviços
A explicação por trás do encolhimento da força ativa, com 1,2 milhão de pessoas deixando o mercado em junho, passa diretamente por questões regulatórias. O economista sênior do Inter, André Valério, conecta esse indicador às políticas imigratórias na Casa Branca.
"Com o forte controle imigratório imposto pelo governo Trump, a oferta de trabalho tem reduzido", avalia Valério, apontando que o aperto na fronteira justifica o desemprego mais baixo mesmo com a economia contratando menos.
Pelo lado dos setores, o detrator do mês foi o segmento de lazer e hospitalidade, que extinguiu 61 mil postos. O economista da Rio Bravo Investimentos, José Alfaix, vê que essas vagas haviam sido "provavelmente infladas em maio pela Copa e pelo Memorial Day".
"O payroll de maio dava cobertura para (o presidente do Federal Reserve, Kevin) Warsh manter juros ou subir. O de junho tira. E a inflação não cedeu. Atividade enfraquecendo com preços ainda pressionados não é o tipo de cenário que se resolve com uma direção só", detalhou Alfaix.
Juros e o dilema sem saída do Fed
A grande divergência entre as casas de análise está em como o Fed irá reagir. O relatório reduz a pressão por juros ainda mais restritivos, mas o ganho salarial de 3,5% em termos anuais ainda sinaliza uma inflação de serviços persistente e sem ganho real para os trabalhadores, conforme os especialistas.
O CEO da Azumi Investimentos, Edgar Araujo, detalha que, para o banco, "o dado aumenta a pressão por uma postura menos dura, mas ainda não resolve o dilema dos juros."
"O mercado de trabalho já mostra fissuras, mas ainda não enfraqueceu o bastante para garantir uma virada clara na política monetária. Para os ativos de risco e mercados emergentes, incluindo o Brasil, isso tende a manter a volatilidade elevada", acrescentou.
Enquanto o Inter espera a manutenção dos juros até dezembro, condicionando o corte aos próximos dados de inflação, a Suno Research adota uma postura similar, projetando juros inalterados até o fim de 2026 e relatando que o comitê aguarda por sinais mais claros de estabilidade de preços.
Monitor Digital - RJ 03/07/2026
Em documento enviado aos EUA, o governo brasileiro contestou a proposta de tarifaço de 25% contra produtos do Brasil sugerida pela Representação Comercial dos EUA (USTR). O Itamaraty destacou que a medida prejudicaria as próprias empresas norte-americanas.
“Amplas tarifas sobre produtos brasileiros imporiam custos reais à economia dos EUA”, conclui documento de 29 páginas assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Vieira lembrou que 43 empresas e associações comerciais americanas solicitaram a exclusão de produtos de quaisquer tarifas, “enfatizando a ausência de substitutos nacionais e o risco de os custos serem repassados aos consumidores e indústrias dos EUA”.
“Os participantes do mercado esperam que uma ampla implementação de tarifas prejudique, em vez de promover, os interesses econômicos dos EUA”, diz o documento.
O Brasil ainda contestou a afirmação do USTR de que o Pix discrimina empresas dos EUA; defendeu decisões do Supremo Tribunal Federal usadas para sustentar possível prejuízo às empresas americanas; além de argumentar que o tarifaço, caso adotado, não vai funcionar para reverter políticas brasileiras.
Publicado em junho, o relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo Trump sobre supostas práticas “desleais” do Brasil no comércio, baseado na Seção 301 da legislação dos EUA. A resposta oficial do Brasil ao USTR, enviada nessa quarta-feira (1º), afirma que a tarifa proposta corre o risco de minar, em vez de incentivar, o diálogo entre os países.
“Isso oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados, ao mesmo tempo que reduziria o espaço para o diálogo mais capaz de produzir resultados práticos”, afirmou.
Para o governo brasileiro, a ameaça do tarifaço foi politizada por autoridades dos EUA mirando as eleições de outubro no Brasil, usando esse processo como forma de interferir na escolha dos eleitores brasileiros.
O documento enviado pelo Itamaraty defende o Pix, rebatendo os argumentos do USTR de que o mecanismo discrimina empresas dos EUA. O texto lembra que o Google Pay Brasil e a Visa, empresas dos EUA, atuam dentro do Pix.
“Esses fatos contradizem diretamente a sugestão de que o Pix opera como um campeão nacional fechado do qual as empresas americanas são excluídas ou ao qual são submetidas em termos discriminatórios”, escreveu o governo.
A resposta do Brasil lembrou ainda que os EUA também desenvolveram uma infraestrutura pública de pagamentos, o FedNow, criado pelo Federal Reserve.
O ataque ao Pix por parte das autoridades americanas é visto como uma reação ao mecanismo gratuito de pagamentos que prejudicaram empresas dos EUA como MasterCard, Visa e o Whatsapp Pay, que cobram pelo mesmo serviço que o Pix oferece gratuitamente.
‘Brasil não vai abandonar a mesa’, diz ministro
Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil corre contra o tempo e vai insistir na negociação com o governo dos EUA para evitar sofrer taxação extra de produtos brasileiros vendidos para os americanos.
Segundo Márcio Elias, o governo tem que trabalhar com muita firmeza, seguindo a orientação do presidente Lula.
“Nunca abandone a mesa de negociação”, reproduziu a fala de Lula. “Quem defende o multilateralismo, como o Brasil, tem que saber lutar contra as barreiras que são impostas”, completou.
Nesta quinta-feira, ao lado de representantes do Ministério das Relações Exteriores e da assessoria especial da Presidência da República, Márcio Elias participou de uma reunião virtual com a USTR.
Após o encontro, ele conversou com jornalistas e manifestou preocupação com o prazo para se chegar a um acordo.
“O tempo corre contra porque o prazo é 15 de julho”, ressaltou, sobre o prazo para se iniciar a cobrança, acrescentando que algumas questões “poluem o debate”.
“Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”, afirmou.
Diário do Comércio - MG 03/07/2026
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,18% em junho, desacelerando ante a alta de 0,45% em maio e também em relação ao avanço de 0,27% na terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta quinta-feira, 2.
O resultado de junho ficou dentro das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 0,12% a 0,24%, mas abaixo da mediana, de 0,21%.
No primeiro semestre de 2026, o IPC-Fipe acumulou inflação de 2,11%. Em 12 meses até junho, o índice registrou alta de 3,92%, abaixo da mediana projetada de 3,95% e acelerando em relação ao ganho de 3,65% no período encerrado em maio.
Em junho, três dos sete componentes do IPC-Fipe perderam força: Habitação (de 0,53% em maio para 0,34%), Alimentação (de 1,14% para 0,13%) e Despesas Pessoais (de 0,31% para -0,03%).
Por outro lado, houve aceleração de maio para junho em Transportes (de -0,65% para 0,10%), Saúde (de 0,05% para 0,31%), Vestuário (de 0,18% para 0,31%) e Educação (de -0,03% para 0,11%).
Infomoney - SP 03/07/2026
Os contratos futuros de minério de ferro subiram nesta quinta-feira, depois que a China tomou medidas para restringir as entregas de determinados produtos da Fortescue a algumas siderúrgicas locais, reduzindo a oferta no maior mercado mundial do insumo para a produção de aço.
O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China registrou alta de 0,48%, para 740 iuanes (US$109,01) por tonelada.
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O contrato de referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura subiu 0,89%, para US$98,40 por tonelada.
A China Mineral Resources Group, compradora estatal de minério de ferro, notificou verbalmente algumas usinas de que, a partir de 15 de julho, elas não devem receber cargas portuárias dos produtos “Super Special Fines” e “Fortune Fines” da Fortescue — ambos produtos de minério de ferro de menor teor –, segundo cinco fontes a par do assunto.
Os estoques do “Super Special Fines” da Fortescue em alguns dos principais portos chineses totalizavam 7,22 milhões de toneladas em 30 de junho, informou outro trader que preferiu não se identificar.
Isso representa quase 5% do total dos estoques portuários de minério de ferro, de acordo com um cálculo da Reuters baseado em dados da consultoria Steelhome .
No entanto, os custos de transporte mais baixos limitaram os ganhos nos preços do minério de ferro nesta quinta-feira.
Os preços do petróleo caíam cerca de 1%, registrando queda pelo terceiro dia consecutivo, depois que o Catar informou que o Irã e os EUA haviam feito progressos em negociações indiretas focadas no Estreito de Ormuz, que movimentava um quinto do abastecimento global de petróleo antes da guerra.
Valor - SP 03/07/2026
Segundo o presidente da entidade, estimulada pela chegada das novas marcas chinesas, mais de 200 novas revendas foram abertas no país este ano
A venda de automóveis continua em alta e surpreende até os dirigentes do setor. No primeiro semestre de 2026, foram licenciados 1,42 milhão de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, um aumento de 18,47% na comparação com os primeiros seis meses de 2025. Mas esse avanço foi puxado pelos carros de passeio, cujas vendas cresceram 23,67% no período. Já o mercado de caminhões e ônibus encolheu 9,09% no período.
Os resultados levaram a Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave) a rever projeções para 2026 nesta quinta-feira (2). A entidade que representa os concessionários começou o ano prevendo aumento de 3,03% no mercado total, incluindo carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Na época, estimou crescimento de 3% no mercado de carros e 3% também no de caminhões.
Hoje a entidade anunciou novas projeções. Os cálculos mais recentes indicam aumento de 7,9% no mercado total, o que equivale à soma de 2,9 milhões de unidades. Para o segmento de carros de passeio, a entidade estima avanço de 8,8%. No entanto, a Fenabrave projeta quedas de 7,8% e de 9,2% nas vendas de caminhões e ônibus, respectivamente.
“Passamos a noite de ontem fazendo cálculos e revisamos os números porque tivemos um surpreendente crescimento nas vendas de carros no primeiro semestre”, destacou Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, ao comentar os dados do setor.
O avanço no mercado de carros é resultado de alguns fatores. Um deles vem do programa Carro Sustentável, do governo federal, que oferece financiamento com juros subsidiados para modelos novos mais baratos produzidos no Brasil. Esse programa vai até dezembro. Além disso, o consumidor se animou a trocar o carro, seduzido pelas novidades que surgiram principalmente no mercado de modelos eletrificados, com forte presença das marcas chinesas.
Segundo Arcelio Junior, estimulada pela chegada das novas marcas chinesas, mais de 200 novas revendas foram abertas no país este ano. O número de concessionárias soma agora 8.401 no país.
O segmento de carros 100% elétricos, carregados em tomadas, foi o que mais cresceu. No acumulado de janeiro a junho, houve avanço de 196,29%. As vendas desse tipo de veículo passaram de 30,5 mil unidades no primeiro semestre de 2025 para 90,4 mil no mesmo período deste ano. O segmento de híbridos — que utilizam dois motores, um a combustão e outro elétrico — aumentou 85,07%.
As vendas de carros, incluindo importados, tende a subir ainda mais nos próximos dias em razão de outro novo programa do governo federal, que oferece recursos para subsidiar financiamento para motoristas de aplicativos e taxistas. Nos primeiros dias, esse programa não avançou porque precisava da sustentação do Fundo Garantidor, agora liberado, segundo Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave.
No caso dos caminhões, o governo também ofereceu um programa com juros subsidiados. Tanto que as vendas de junho na comparação com o mesmo mês do ano passado cresceram 13,5%. Mas isso não foi suficiente para evitar a queda de 9,39% registrada no semestre. Como os recursos para financiamento são limitados, a Fenabrave estima que o volume de operações já contratadas já estaria praticamente esgotada.
Para a entidade, boa parte da retração na demanda por caminhões vem dos problemas enfrentados na atividade agrícola, que sofre com os preços mais baixos das commodities, principalmente os pequenos agricultores. Alėm disso, o ritmo da economia no segundo semestre tende a cair como resultado também do período eleitoral, segundo os dirigentes da Fenabrave.
Exame - SP 03/07/2026
A nova cota que zera o imposto de importação de veículos elétricos desmontados, os chamados CKD, e semidesmontados, chamados de SDK, editada pelo governo Lula na semana passada, ainda não pode ser aplicada na prática, apesar de ter entrado em vigor nesta quarta-feira, 1. Isso porque a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda não editou a portaria que estabelece os critérios de distribuição dos US$ 463 milhões da cota.
Questionado, o MDIC confirmou que ainda não é possível utilizar as novas cotas tarifárias e que a portaria que regulamenta a cota será publicada "nos próximos dias".
Enquanto os critérios de distribuição da cota não são publicados, os veículos CKDs e SKDs importados pagam imposto de importação de 14% e 35%, respectivamente.
A edição de uma nova cota com imposto de importação opõe as montadoras que já produzem no Brasil, reunidas na Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), à chinesa BYD, principal importadora de eletrificados atualmente.
Também são contrários à isenção centrais sindicais, como a CUT, sindicatos, como o dos metalúrgicos do ABC Paulista, e entidades do setor de autopeças, como o Sindipeças.
A medida não foi solicitada oficialmente por nenhuma empresa, nem discutida previamente com o setor automotivo. A nova cota foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior na semana passada.
A proposta foi apresentada pela Casa Civil e, segundo integrantes do próprio governo e do setor automotivo, atende a interesses comerciais da BYD. A empresa não tem se pronunciado sobre o tema.
Vai e volta das cotas
A cota atual tem, até agora, o mesmo desenho de uma anterior, editada em julho de 2025 e que expirou em dezembro do ano passado. Na ocasião, o benefício comercial fez parte de um arranjo negociado pelo então ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, para resolver uma disputa comercial entre BYD e montadoras tradicionais.
O benefício anterior, que valeu de julho a dezembro de 2025, também previa US$ 463 milhões em valores FOB (preço do produto na origem, sem incluir custos de frete ou seguro) e tinha como critérios de distribuição a performance importadora pregressa.
As montadoras com produção no Brasil criticaram, à época, o modelo porque, àquela altura, a BYD já era a principal importadora de eletrificados e a cota, naqueles moldes, garantiu que a maior parte da isenção ficasse com a chinesa.
O benefício foi uma contrapartida à antecipação, em um ano e meio, do cronograma de recomposição do imposto de importação desses veículos para 35% em janeiro de 2027.
Pelo cronograma, a alíquota de 35% já está sendo aplicada desde 1º de julho para veículos que são importados já montados (CBUs) e para os semidesmontados (SKDs). Os CKDs têm imposto de 14% atualmente e a alíquota subirá para 25% a partir de 1º de janeiro de 2027.
Valor - SP 03/07/2026
Demanda deve seguir forte mesmo com a elevação do Imposto de Importação
A venda de carros híbridos e elétricos no país cresceu 114,9% no primeiro semestre em comparação com igual período de 2025. O período abrange os seis últimos meses antes do aumento do Imposto de Importação para esses veículos, em vigor desde o dia 1º. As projeções indicam, no entanto, que a despeito da elevação tributária, a demanda por esses veículos continuará em ascensão.
O aumento das alíquotas para o teto de 35% encerra a elevação gradual iniciada em janeiro de 2024. Mas, a julgar pela ausência de impacto das elevações anteriores, essa última também tende a passar despercebida pelo consumidor, já que grande parte das marcas chinesas, as principais importadoras desses tipos de veículos, tendem a manter preços competitivos em relação à indústria nacional. Em um ano e meio, híbridos e elétricos eram isentos de Imposto de Importação.
Além disso, a BYD, líder de vendas de elétricos, será beneficiada pela recente decisão do governo, que liberou novas cotas de importação de carros semimontados com alíquota zero. Nos próximo seis meses, veículos semimontados entrarão no Brasil isentos de impostos para receber acabamento final no país.
Embora a base seja menor, o avanço das vendas dos chamados eletrificados ficou muito à frente do crescimento do mercado total, que também foi bom. No primeiro semestre, foram licenciados 1,36 milhão de carros e comerciais leves no país, um aumento de 23,67% em relação aos primeiros seis meses de 2025.
A fatia dos híbridos e elétricos alcançou 18% na primeira metade do ano. Foi, portanto, significativa o suficiente para puxar o resultado total, principalmente levando em conta os expressivos crescimentos de cada uma dessas categorias.
O segmento dos carros 100% elétricos, carregados em tomadas, foi o que mais cresceu. No acumulado de janeiro a junho, o avanço foi de 196,29%. O volume de vendas desse tipo de veículo passou de 30,5 mil unidades no primeiro semestre de 2025 para 90,4 mil este ano. Já o mercado de híbridos - que utilizam dois motores, um a combustão e outro elétrico - cresceu 85,07%.
Segundo Arcelio Júnior, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), como efeito da chegada das novas marcas chinesas, somente neste ano mais de 200 concessionárias foram abertas no país. Segundo ele, as chinesas já são donas de 1.360 pontos de vendas. O total de revendas soma 8.401 no país.
Tivemos um surpreendente crescimento de vendas no primeiro semestre”
— Arcelio Junior
Segundo dados da Fenabrave, dos dez modelos de automóveis mais vendidos em junho, três são da chinesa BYD, marca que ficou no quarto lugar no ranking de junho, com mais de 8% do mercado de carros e comerciais leves.
A demanda por elétricos compactos tende a aumentar ainda mais na segunda metade do ano, quando começarão a aparecer os efeitos do programa do governo federal que oferece recursos para subsidiar financiamento para motoristas de aplicativos e taxistas.
Nos primeiros dias de vigência, esse programa não avançou, disseram os dirigentes da Fenabrave, por falta da sustentação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que acaba de ser liberado. Para Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave, a partir de agora, com liberação de crédito mais fácil, a demanda por recursos do programa deve aumentar.
No primeiro semestre, a expansão do mercado foi também resultado de outro programa do governo federal, chamado Carro Sustentável, que abrange modelos compactos mais baratos e se encerra em dezembro. Nesse caso, porém, os recursos estão disponíveis apenas para veículos produzidos no país.
Os bons resultados de vendas totais de automóveis e comerciais leves no primeiro semestre levaram a Fenabrave a rever projeções para 2026. A entidade começou o ano prevendo aumento de 3,01% no mercado total. Os novos cálculos indicam avanço de 7,9%, o que equivale a 2,9 milhões de veículos. Para o segmento de carros, a entidade estima avanço de 8,8%. “Tivemos um surpreendente crescimento no primeiro semestre”, afirma Arcelio Junior.
No entanto, a Fenabrave projeta agora quedas de 7,8% e de 9,2% nas vendas de caminhões e ônibus, respectivamente. O governo também criou um programa com juros subsidiados para esses veículos. Os efeitos já aparecem, com elevação de 13,5% nas vendas de caminhões em junho em relação a um ano atrás. Mesmo assim, no semestre, o mercado de caminhões recuou 9,39%, como resultado, sobretudo, afirma a Fenabrave, da queda de demanda no setor agrícola.
Valor - SP 03/07/2026
Wall Street tem dado cada vez menos importância aos números trimestrais de entregas, à medida que Musk direciona o foco da Tesla para IA, direção autônoma, robôs humanoides e infraestrutura de energia
A Tesla superou as expectativas de Wall Street para as entregas do segundo trimestre de 2026 esta quinta-feira, à medida que a recuperação da demanda na Europa compensou a demanda ainda fraca na América do Norte e a intensa concorrência das montadoras chinesas.
A empresa entregou 480.126 veículos no período de abril a junho, alta de cerca de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Analistas esperavam, em média, entregas de 402.776 veículos, segundo dados da Visible Alpha.
As ações da companhia, sediada em Austin, no Texas, subiam menos de 1% nas negociações pré-mercado. A empresa informou que divulgará seus resultados trimestrais em 22 de julho, após o fechamento dos mercados.
A recuperação foi impulsionada pela melhora da demanda na Europa, onde a Tesla registrou uma retomada das vendas em vários mercados importantes após a forte queda do ano passado, que analistas atribuíram em parte aos danos à imagem da marca decorrentes das atividades políticas do CEO Elon Musk.
A demanda nos Estados Unidos também deu sinais de estabilização após uma queda acentuada provocada pelo fim do crédito tributário federal de US$ 7.500 para veículos elétricos, expirado no fim de setembro.
A Tesla continuou expandindo a oferta de seu software avançado de assistência ao motorista Full Self-Driving (FSD) na Europa, embora ele esteja disponível em apenas um número limitado de países. Analistas esperam que uma disponibilidade mais ampla nos próximos meses ajude a sustentar a demanda.
As vendas de veículos elétricos da Tesla fabricados na China cresceram neste ano, impulsionadas pela produção da versão atualizada do Model Y, apesar da forte concorrência da BYD e de outras montadoras chinesas.
Wall Street tem dado cada vez menos importância aos números trimestrais de entregas, à medida que Musk direciona o foco da Tesla para inteligência artificial, direção autônoma, robôs humanoides e infraestrutura de energia.
A Tesla expandiu suas operações de robotáxis após lançar um serviço comercial limitado em Austin, em junho. Musk afirmou que a empresa pretende ampliar rapidamente esse serviço ao longo de 2026.
A produção do Cybercab, veículo autônomo desenvolvido pela Tesla sem pedais nem volante, deve ganhar ritmo ainda neste ano.
Wall Street tem voltado sua atenção cada vez mais para além das entregas de veículos, concentrando-se nas ambições da Tesla em inteligência artificial, robótica e direção autônoma.
O valor de mercado da Tesla, de aproximadamente US$ 1,6 trilhão, depende fortemente desses negócios de longo prazo, embora a venda de veículos continue sendo sua principal fonte de receita.
Infomoney - SP 03/07/2026
Apesar da pressão persistente sobre parte dos custos da construção civil, incorporadoras e construtoras vêm demonstrando capacidade de repassar aumentos aos preços dos imóveis novos – que ficaram 10% mais caros nesse ano –, sustentando perspectivas um pouco mais favoráveis para o setor decepcionado com a manutenção da Selic em patamar elevado.
Essa é a principal descoberta do Radar da Construção – Panorama Estratégico do Mercado Imobiliário e da Construção, relatório elaborado pelo Sienge, ecossistema de softwares da Starian dedicado ao setor imobiliário, Grupo OLX e CV CRM, com participação da Nomad.
Segundo o estudo inédito, os preços dos lançamentos imobiliários acumularam alta de 10,06% em 12 meses, acima da variação de 6,17% do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) no mesmo período.
O desempenho sugere que, no agregado do mercado, as empresas conseguiram absorver parte das pressões da cadeia produtiva sem comprometer completamente sua rentabilidade. O cenário, no entanto, está longe de ser homogêneo.
O Rio de Janeiro liderou a valorização dos lançamentos monitorados pelo Índice de Lançamentos Imobiliário (ILI) DataZAP, com alta de 68,51% em 12 meses e preço médio de R$ 19.445 por metro quadrado. Fortaleza registrou valorização de 52,73%, enquanto Florianópolis avançou 26,13%. Em São Paulo, os preços ficaram praticamente estáveis no período.
Os pontos cegos do INCC
O Radar da Construção sugere que combinação entre preços ainda em alta e demanda resiliente cria condições para um ano mais positivo do que os últimos, embora sem espaço para erros de execução.
Segundo Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, um equívoco central na execução das construtoras e incorporadoras é a confusão entre custo e inflação.
“O custo não pode ser tratado como inflação média, mas sim como risco específico variável, a depender do insumo, da região, da etapa da obra e do momento da compra. Considerar apenas o INCC faz com que você subdimensione o impacto do insumo que realmente está fazendo a obra custar mais, como vimos com o fio de cobre”, afirmou .
Os dados do Índice de Preço de Materiais de Construção (IPMC), elaborado pelo Sienge, mostram forte disparidade entre os insumos. Nos 12 meses encerrados em maio, o fio de cobre acumulou alta de 30,72%, enquanto o cimento avançou 14,96%. Em sentido oposto, aço e argamassa registraram quedas de 0,63% e 2,30%, respectivamente. Enquanto isso, a mão de obra avançou próximo de 9%, segundo o INCC.
Demanda aquece, mas ainda está morna
Os dados do Anuário DataZAP reforçam a percepção de demanda mais aquecida, mas com ressalvas. Segundo o levantamento, 82% dos interessados em imóveis estão nas fases de descoberta ou busca ativa, enquanto apenas 11% se encontram em negociação e 6% próximos da conclusão da compra.
Além disso, 91% dos consumidores consideram imóveis usados durante o processo de escolha, enquanto apenas 16% avaliam lançamentos ou unidades na planta, obrigando os novos empreendimentos a justificar com mais clareza a diferença de preço em relação aos imóveis prontos, seja por localização, projeto, tecnologia ou potencial de valorização.
Perspectivas para 2026
Para o Radar da Construção, o setor deve atravessar o ano trajetória de recuperação, mas distante de um ciclo de expansão generalizada, segundo o relatório.
A manutenção da Selic em patamar elevado ao longo de 2026 manterá o custo de capital como uma das principais variáveis para o setor, impactando negativamente o financiamento das obras e, sobretudo, a capacidade de compra das famílias que dependem de crédito imobiliário, sobretudo na média renda.
Em linha, o mercado de médio padrão tende a sentir com mais intensidade os efeitos do crédito caro, uma vez que os imóveis econômicos continuam beneficiados por programas habitacionais e fontes de financiamento subsidiadas, e o segmento de alto padrão permanece menos dependente dos bancos.
Exame - SP 03/07/2026
O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 em um período de retomada cautelosa, caracterizado pelo que o Radar da Construção – Panorama Estratégico do Mercado Imobiliário e da Construção, elaborado pelo Ecossistema Sienge, CV CRM, Grupo OLX e Nomad, chama de "otimismo seletivo".
"É o otimismo de quem sabe ler dado e tomar decisão com mais assertividade", resume Gabriela Torres, gerente executiva de dados e inteligência do Ecossistema Sienge. A primeira metade do ano não representou um ciclo de expansão automática, mas sim uma fase em que a busca por eficiência operacional e de capital se torna essencial.
A conjuntura para 2026 é marcada por crédito ainda restritivo, com a taxa Selic projetada em 12,50% ao ano e a inflação estimada em 4,31%, próxima ao teto da meta. Com o PIB previsto em 1,85% e o câmbio em R$ 5,40, aumenta o "custo do erro" para incorporadoras em decisões sobre localização e timing de lançamento.
"Há um aumento do preço do insumo, ligado à geopolítica, e da mão de obra, ligada a mudanças sociais, somados a um crédito mais caro. Qualquer erro ao longo do processo pesa mais no resultado final", afirma Gabriela Torres, gerente executiva de dados e inteligência do Ecossistema Sienge.
A pressão sobre os custos de construção, no entanto, é desigual. Segundo o Índice de Preço de Materiais de Construção (IPMC), no acumulado de 12 meses até maio de 2026, o fio de cobre subiu 30,72% e o cimento 14,96%, enquanto aço e argamassa registraram queda. Já o INCC aponta alta de cerca de 9% nos custos de mão de obra, consolidando-se como principal vetor de pressão no período.
Dinâmica de preços e repasse
Apesar do aumento nos custos, o setor conseguiu repassá-los aos lançamentos. O Índice de Lançamentos Imobiliário (ILI) DataZAP revela valorização média de 10,06% nos imóveis lançados, acima do INCC acumulado de 6,17%. O preço médio geral dos lançamentos nas regiões monitoradas chegou a R$ 12.849,63 por metro quadrado.
O estudo mostra que cada cidade responde de forma distinta aos estímulos. Fortaleza se mantém como referência no segmento econômico, liderando isoladamente pelo quinto trimestre consecutivo, com a maior valorização trimestral registrada entre as regiões monitoradas (+62,60%). O preço médio dos lançamentos na cidade alcançou R$ 12.936,31/m², reforçando sua atratividade para o padrão econômico.
Curitiba se destaca no segmento de médio padrão, posicionando-se logo atrás de São Paulo, mantendo-se entre as primeiras cidades em demanda. Além disso, a capital paranaense também aparece como uma das líderes no padrão econômico, com preço médio de lançamentos em R$ 13.914,94/m², segundo a análise comparativa regional do Radar.
Já Brasília lidera o segmento de alto padrão e vem ganhando espaço no padrão econômico, subindo para a quinta posição do ranking IDI, impulsionada pela chamada "Demanda Direta". O desempenho da capital federal contribuiu para que o Centro-Oeste passasse a ocupar duas das três primeiras posições no alto padrão, reduzindo a concentração histórica do eixo Sul-Sudeste.
Outras cidades também mostram dinâmicas relevantes: Maringá e Itajaí entraram no top 10 do médio padrão devido à alta procura ativa, enquanto Goiânia mantém posições de destaque no mesmo segmento. Florianópolis, embora em 12º lugar no IDI econômico, apresenta valorização anual expressiva de 26,13% e um dos maiores preços médios do país (R$ 17.706,51/m²). O
Rio de Janeiro, apesar de ter o maior preço médio por metro quadrado (R$ 19.445,44), ocupa apenas a décima posição no IDI do padrão econômico, indicando um mercado de nicho com alto ticket, porém demanda mais restrita nesse segmento.
Perfil do consumidor
O comportamento do comprador exige estratégias digitais mais assertivas. Segundo o Anuário DataZAP, 82% dos consumidores estão nas etapas iniciais da jornada de compra, sendo 30% em descoberta e 52% em busca ativa. Cerca de 91% consideram imóveis usados, enquanto 16% avaliam lançamentos na planta ou em construção, preferência mais forte entre os compradores mais jovens.
O comprador médio em 2026 possui renda domiciliar mensal de R$ 7.371,54, concentrada nas classes B e C, e leva em média três meses na busca pelo imóvel ideal. Além disso, 48% realizam sua primeira compra, reforçando a necessidade de orientação e confiança ao longo do processo.
InfraRoi - SP 03/07/2026
O mercado imobiliário brasileiro mantém crescimento, mas opera em ambiente de maior complexidade. Juros elevados, restrição ao crédito, custos pressionados, escassez de mão de obra, mudanças regulatórias e novos hábitos de consumo agora são desafios que acontecem simultaneamente, exigindo das construtoras e incorporadoras uma capacidade de coordenação que vai além da execução das obras.
Durante o Construsummit 2026, realizado em Florianópolis e com cobertura do InfraROI, executivos do Ecossistema Sienge defenderam que a competitividade do setor depende de gestão integrada para o canteiro de obras, capital, clientes, fornecedores, dados e estratégia comercial. “A construção sempre conviveu com ciclos. Agora, a diferença está na simultaneidade e na permanência das pressões”, disse Cristiano Gregorius, diretor-executivo do ecossistema Sienge.
Os dados reforçam essa percepção. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas cresceram 4,1%, enquanto os lançamentos recuaram 4,9% no primeiro trimestre do ano, movimento associado principalmente ao patamar dos juros e às condições de financiamento.
Segundo Cristiano, o prazo médio de venda dos empreendimentos está na faixa dos dez meses, o que é historicamente aceitável, mas distante dos cinco ou seis meses observados em ciclos recentes. Com isso, o apetite ao investimento em novos empreendimentos reduz naturalmente, algo que pode ser revertido assim que os estoques forem reduzindo.
Custo do erro aumenta em um ambiente mais seletivo
A primeira edição do Radar da Construção – Panorama Estratégico do Mercado Imobiliário e da Construção, elaborada pelo Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo OLX, com participação da Nomad, também foi lançada durante o Construsummit 2026 e mostra que o momento é de maior seletividade por parte do construtor.
Segundo Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, as escolhas relacionadas à localização, ao produto, ao ticket médio e ao momento dos lançamentos estão mais determinantes para os resultados das incorporadoras. “O Radar nasce da combinação de diferentes fontes de dados e indicadores do setor, permitindo uma leitura mais integrada, clara e segura do mercado imobiliário e da construção”, disse.
Segundo ela, a vantagem competitiva está menos no acesso às informações e mais na capacidade de transformar dados em decisões com maior previsibilidade.
O estudo reúne indicadores sobre custos da construção, preços de lançamentos, demanda regional, financiamento e comportamento dos consumidores, combinando informações do INCC-FGV, IPMC-Sienge, Índice de Demanda Imobiliária e Índice de Lançamentos Imobiliários do Grupo OLX.
Desafios dos juros, crédito, custos e mão de obra
A expectativa do setor por uma redução mais acelerada da taxa de juros em 2026 não se confirmou até o momento e, por isso, o ambiente continua marcado por crédito mais seletivo e maior rigor das instituições financeiras na concessão de recursos.
Para as incorporadoras, isso significa ciclos de decisão mais longos e menor margem para erros estratégicos. “Embora tarifas e a guerra no Irã tenham impactado a dinâmica da inflação, os dados econômicos não apontam para um cenário de ruptura. O principal desafio do atual cenário é navegar a incerteza sem reagir de forma precipitada”, avaliou Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
Ao mesmo tempo, novos agentes financeiros começam a atuar no mercado imobiliário, mas a conexão entre esses investidores e as construtoras ainda ocorre de forma limitada, dificultando a ampliação das alternativas de financiamento.
Nesse contexto, planejamento financeiro, análise de demanda e gestão operacional passam a funcionar como partes de uma mesma estratégia.
A pressão sobre os custos está elevada no setor imobiliário, impulsionada pelos efeitos acumulados da pandemia, pela volatilidade internacional e pelos conflitos geopolíticos recentes.
Segundo Cristiano Gregorius, o Índice Nacional de Custo da Construção acumula variação cerca de 40% superior ao IPC, aumentando a necessidade de ganhos de produtividade e eficiência.
A escassez de trabalhadores — observada historicamente sempre que o setor amplia o número de obras — agora parece mais severa. Isto ocorre especialmente pela baixa atratividade do setor para os trabalhadores mais jovens. “Isso tem ‘envelhecido’ o canteiro de obras, onde a faixa etária média é de trabalhadores acima de 40 anos, atualmente”, destacou Cristiano.
No Radar da Construção, os especialistas também pontuaram que mais de 80% dos empresários da construção civil relatam dificuldades para contratar profissionais, cenário que pode ser ampliado pelas discussões sobre mudanças nas jornadas de trabalho.
Construsummit 2026 mostra que consumidor está mais racional
Não bastassem os desafios com juros, crédito, custos e mão de obra, as construtoras e incorporadoras imobiliárias também precisam se readequar à demanda. Sim, os consumidores estão mais comparativos, e isso amplia o tempo e a forma da decisão de compra.
O Radar da Construção mostra que 91% dos compradores consideram imóveis usados durante a busca, enquanto 16% avaliam lançamentos na planta ou em construção, participação mais elevada entre os consumidores mais jovens.
Grande parte dos interessados permanece nas etapas iniciais da jornada de compra, o que amplia a relevância da presença digital das incorporadoras e da construção de relacionamento antes da venda.
Também há diferenças regionais nesse cenário.
No Rio de Janeiro, por exemplo, preços elevados exigem maior diferenciação dos empreendimentos. Em Fortaleza, a demanda por imóveis econômicos favorece projetos ligados a programas habitacionais. Florianópolis combina renda elevada e oferta restrita, sustentando produtos de maior valor agregado, enquanto em São Paulo, a estabilidade dos preços reforça a importância das decisões sobre localização, produto e cronograma dos lançamentos.
“O Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI) reforça que não existe uma única dinâmica para o mercado de lançamentos no Brasil. Cada praça responde de forma diferente a preço, renda, oferta, crédito e comportamento da demanda”, disse Coriolano Lacerda, gerente sênior de Inteligência de Mercado do Grupo OLX.
Gestão integrada
O cenário multitemático para o setor de construção imobiliária exige, naturalmente, uma gestão mais integrada. Para Cristiano Gregorius, isso muda a forma histórica do setor priorizar a capacidade de execução de obras em detrimento de outras partes da gestão do negócio.
“Continua sendo importante executar bem a obra, mas isso passou a ser algo basilar. Nesse ecossistema mais integrado e complexo, com pressões que tendem a ser permanentes, é preciso olhar além da obra. É necessário olhar para capital, operação, formação de custos e gestão de forma integrada e sistêmica”, disse.
Ainda nessa linha, ele completou que a fragmentação agora custa mais caro, e isso tanto para a gestão de dentro da empresa, operando em silos, quanto fora, com pressão por custos, margem e eficiência.
É por isso que a integração entre áreas, processos e informações aumenta – inclusive com apoio da inteligência artificial – e deve continuar evoluindo para ampliar previsibilidade e velocidade de resposta, segundo o executivo da Sienge. “Se a gestão não estiver conectada, a previsibilidade do negócio diminui muito”, resumiu
No ecossistema Sienge, mais de 38% dos clientes já utilizam soluções baseadas em inteligência artificial, embora a maior parte das empresas ainda não possua políticas estruturadas para orientar seu uso.
Para Cristiano, a adoção da IA precisa partir de aplicações pragmáticas, voltadas à antecipação de problemas e à melhoria das decisões. A condição básica continua sendo a existência de dados organizados e integrados. “Não existe nenhum setor com tantos processos repetitivos em escala quanto a construção civil. A grande questão é o pragmatismo”, disse.
A disseminação das tecnologias digitais alterou a lógica competitiva da construção imobiliária, segundo ele, e o acesso às ferramentas está mais democrático. “Com IA, tecnologia e acesso às soluções para todos, o gap competitivo ficou na maturidade da gestão. E isso não tem relação com o tamanho da empresa”, concluiu, salientando que, na prática, obra, capital, fornecedores, clientes, riscos e operações precisam funcionar como partes de um único sistema integrado.
Agência Brasil - DF 03/07/2026
A construção da primeira fase da ferrovia Transnordestina, no ramal que conecta o interior do Piauí ao litoral do Ceará, atingiu 82% de obras físicas concluídas.
O trecho mais recente, de pouco mais de 100 quilômetros (km), entre as cidades cearenses de Acopiara e Quixeramobim, foi inaugurado nesta quinta-feira (2), em um evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Elmano de Freitas.
"Essa é uma estrada de ferro vital para a perspectiva de desenvolvimento dessa região", afirmou Lula na cerimônia em Quixeramobim.
Considerada a maior obra de infraestrutura linear em execução no país, a Transnordestina terá 1.206 quilômetros de extensão, ligando Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE), e atravessará 53 municípios nordestinos, incluindo o oeste de Pernambuco, pela cidade de Salgueiro.
Com a entrega dos novos trechos, a ferrovia passa a contar com 777 quilômetros de infraestrutura física finalizada, de acordo com o Ministério dos Transportes. A previsão é que o total de 1,2 mil km de trilhos esteja concluído até o fim do ano que vem.
Segundo o governo federal, o investimento total na obra está estimado em R$ 15 bilhões, com R$ 9,8 bilhões desembolsados até março de 2026.
A agenda desta quinta também marcou a entrega de 100 vagões graneleiros destinados ao transporte de grãos e fertilizantes e o anúncio da produção de outros 370 vagões. Além disso, foi assinada a ordem de serviço do Ramal Nelog, que fará a ligação da ferrovia ao Terminal de Uso Privado (TUP) Nelog, no Complexo do Pecém, e a assinatura de protocolo de intenções para implantação do Porto Seco de Quixeramobim, empreendimento com previsão de R$ 1 bilhão em investimentos privados para melhorar a logística regional e estimular a instalação de novos empreendimentos industriais.
Ligação com Porto de Suape
Originalmente, o projeto da ferrovia Transnordestina, iniciado há 20 anos, previa um ramal de mais 500 km ligando o oeste de Pernambuco, a partir de Salgueiro, ao Porto de Suape, na região metropolitana do Recife, mas o trecho foi retirado na gestão anterior. A contratação permanece suspensa por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).
Portos e Navios - SP 03/07/2026
O Moegão, novo sistema ferroviário de descarga de grãos do Porto de Paranaguá (PR), alcançou 95% de execução e avançou para a fase final das obras, segundo a Portos do Paraná. O empreendimento, que soma mais de R$ 650 milhões em investimentos com financiamento do BNDES, é considerado a principal obra portuária em andamento no país.
Nas últimas semanas, foi concluída a instalação dos 54 módulos das galerias metálicas que compõem o sistema logístico, com cerca de 1,7 quilômetro de extensão e mais de 4 mil metros de correias transportadoras. A estrutura contará com três linhas independentes de esteiras para o transporte simultâneo de granéis vegetais até os terminais de exportação.
De acordo com a Portos do Paraná, a moega e o sistema de prevenção e combate a incêndio já estão finalizados, assim como a torre de elevadores que alimenta as correias aéreas. Parte relevante dos equipamentos está instalada em níveis subterrâneos que atingem até 14 metros de profundidade.
Com a entrada em operação, a capacidade de recepção ferroviária no porto deve saltar de até 550 para 900 vagões por dia, um aumento de 63%, segundo a autoridade portuária. O volume anual de granéis recebidos por ferrovia poderá alcançar até 24 milhões de toneladas, frente a pouco mais de 5 milhões atualmente.
O sistema atenderá 11 terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex) e centralizará a descarga ferroviária, eliminando a necessidade de manobras individuais nos terminais. A mudança deve reduzir interferências urbanas, com diminuição das passagens de nível de 16 para cinco e menor tempo de bloqueio viário.
As obras seguem com frentes simultâneas, incluindo a finalização da linha férrea, construção de prédios operacionais e implantação de uma subestação elétrica dedicada. Segundo a Portos do Paraná, a nova estrutura foi projetada para absorver o crescimento da demanda associado à expansão da malha ferroviária, como a Ferroeste e a Malha Sul.
Além dos ganhos operacionais, o projeto incorpora sistemas de controle ambiental, com captação de material particulado e mecanismos para reduzir a dispersão de poeira durante a movimentação de cargas.
Valor - SP 03/07/2026
Novas PPPs de metrôs e trens urbanos sofrem atraso; governo diz que projetos das linhas
O pacote bilionário de novas concessões de metrôs e trens urbanos lançado pelo governo paulista em 2024 deverá ficar praticamente todo no papel na atual gestão. De ao menos 13 projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) anunciadas há cerca de dois anos, apenas um leilão se concretizou, o das linhas 11, 12 e 13.
Segundo o governo, há possibilidade de duas iniciativas avançarem até o fim de 2026: as licitações da Linha 16 e a do Trem Intercidades da capital a Sorocaba. Porém, não há confirmação de datas.
“Estamos trabalhando para que os projetos saiam o quanto antes. É possível, mas não há nada confirmado de que saia neste ano”, afirmou Thiago Nunes, secretário-executivo da secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado. “Mas não há nenhuma vinculação com período eleitoral”, destacou.
Outra iniciativa que vinha sendo apontada como mais avançada, a PPP das linhas 10 e 14, está em estágio anterior, disse.
Analistas e fontes ouvidas pelo Valor apontam uma série de desafios que explicam a dificuldade para que concessões de trilhos avancem com mais rapidez, enquanto leilões de outras áreas vivem um ciclo forte de leilões. Entre elas, estão o investimento elevado que é necessário para colocar de pé os projetos, o alto risco envolvido nos contratos e restrições orçamentárias para subsidiar obras e a operação.
“Os projetos de trilhos, além de serem muito intensivos em investimento, remetem a uma dependência tecnológica. São poucos os fabricantes de material rodante [como trilhos e trens], o que gera problemas”, aponta Rafael Vanzella, sócio do Machado Meyer. Além dos desafios particulares da área, ele destaca que estes se somam aos problemas do setor de infraestrutura no geral, como os riscos de demanda de passageiros, de variação de preço dos insumos e de câmbio.
Esse cenário dificulta a atração de novos investidores ao segmento. Recentemente, o próprio governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou em entrevista que havia uma preocupação em evitar a concentração do mercado em poucos operadores.
O valor elevado das PPPs e a complexidade do setor restringem a concorrência, avalia Caio Loureiro, sócio do TozziniFreire: “Não é toda empresa, todo fundo que está disposto a alocar em projeto de mobilidade, que é uma área não vista como institucionalmente não tão estável quanto outras”.
Outro desafio que tem limitado o avanço dos novos leilões, segundo fontes, são restrições orçamentárias e a disponibilidade de garantias mais firmes aos contratos, considerando que o Estado já tem feito uma série de PPPs.
O fator orçamentário é sensível para o segmento de mobilidade urbana, que quase sempre depende de recursos públicos, destacou Mariana Avelar, advogada do Manesco Advogados e professora da PUC Minas. “A viabilidade dessa área é sempre delicada. É um setor com muita participação estatal, pela importância social, pela operação deficitária que vai demandar recursos do orçamento. Não é um problema só do Brasil ou de São Paulo, é generalizado.”
Quando um governo começa a pensar um projeto de trilhos, não é ele que vai entregar”
— Thiago Nunes
Apesar do desafio, ela avalia que as PPPs paulistas deverão avançar e que não há uma inércia da gestão. Uma das iniciativas destacadas é a estruturação de um novo tipo de licitação, o diálogo competitivo. Nesse modelo, há uma pré-seleção de proponentes, que por sua vez fazem estudos aprofundados e sugerem soluções para o projeto. A regulamentação do formato, inclusive, é uma das causas de atraso do programa, destaca Avelar.
Para Vanzella, esse tipo de inovação é necessária para tirar as PPPs do papel. “O diálogo competitivo é um exemplo, mas também é preciso haver mais compartilhamento de riscos. Será preciso repensar os sistemas garantidores das PPPs, porque as garantias convencionais não estão dando conta de despertar a percepção de mitigação do risco”, disse.
Nunes, da secretaria de Parcerias, afirmou que os projetos seguem avançando. “Até que se chegue ao leilão são muitas etapas que às vezes são silenciosas. Quando um governo começa a pensar em um projeto de trilhos, certamente não é ele que vai entregar.”
Ele disse também que hoje nenhuma questão orçamentária restringe novos projetos e, em relação às garantias, afirmou que novos modelos estão sendo finalizados, o que deverá abrir espaço para mais PPPs. Nunes destacou também que, para além dos leilões, o programa estadual voltado a trilhos incluiu uma série de outras iniciativas, como a entrega de obras de concessões em curso e de obras públicas.
Para além do adiamento dos leilões, nos últimos dias o governador anunciou, durante inauguração de uma nova estação da Linha 17, que a rota deverá voltar ao poder público. A linha, entregue neste ano, tinha sido licitada em 2018 para a ViaMobilidade, da Motiva, juntamente com a Linha 5, que já está em operação. Agora, será necessário negociar sua retirada.
A percepção de pessoas a par do tema é que há um componente eleitoral na decisão, mas que não trouxe alerta ao mercado devido ao contexto conturbado do ativo. Interlocutores afirmam ainda que não há interesse da concessionária em ficar com a linha, vista como desafiadora.
Ainda assim, a empresa começou a estudar o impacto da medida, dizem as fontes. No edital, a linha aparecia como deficitário - um reequilíbrio, neste caso, poderia ser favorável ao Estado. Porém, o grupo nunca chegou a entrar na operação e precisa entender se de fato há saldo negativo.
Em nota, o governo de São Paulo afirmou que o "SP nos Trilhos não é um programa que prevê apenas o leilão de ativos, mas sim uma série de frentes de expansão e modernização do transporte ferroviário paulista, reunindo mais de 40 projetos voltados à ampliação da rede, à qualificação dos serviços e à integração regional".
A gestão disse que o programa inclui "mais de 1 mil km de trilhos na Grande São Paulo, no interior e no litoral, contemplando projetos em diferentes fases" e que "integra o maior ciclo de expansão sobre trilhos da história do Metrô de São Paulo, com entregas recordes, obras em andamento, novos contratos, projetos estruturantes e estudos destinados a ampliar a conexão ferroviária em todo o Estado".
O governo disse que neste ano foram entregues projetos como a Linha 17-Ouro e a Linha 6-Laranja, além do início das obras do Trem Intercidades. "As entregas incluem as oito estações da Linha 17-Ouro, com ligação ao Aeroporto de Congonhas e conexão com as Linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda, e as seis primeiras estações da Linha 6-Laranja, entre João Paulo I e Perdizes, em operação assistida. Desde março, também avançam as obras do TIC no trecho entre Campinas e Jundiaí, consolidando uma nova etapa da retomada do transporte ferroviário regional de passageiros em São Paulo", disse, na nota.
A gestão afirmou que na carteira de concessões do Estado, o eixo de mobilidade urbana inclui 11 projetos com mais de R$ 220 bilhões em investimentos previstos. "O avanço do programa deve ser analisado pelo conjunto de entregas, obras, contratos, estudos e modernizações em curso, e não a partir de uma etapa isolada de contratação".
"Entre as iniciativas da carteira estão PPPs em execução, como a Linha 6-Laranja; obras públicas em andamento no Metrô, como as Linhas 2-Verde e 17-Ouro; projetos concedidos ou em processo de concessão, como o TIC Campinas, já contratado, e o Lote Alto Tietê, que contempla as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade; expansões em concessões existentes, como a Linha 4-Amarela até Taboão da Serra; modernizações previstas em contratos vigentes, como melhorias nos sistemas de sinalização das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda; e projetos em estruturação, como a Linha 16-Violeta, que já passou por etapas de consulta e audiência pública. Também seguem em estudo novos eixos de Trens Intercidades, voltados a ampliar a integração regional sobre trilhos no Estado", afirmou ainda, na nota.
Em relação à linha 17, o governo afirmou "que a possibilidade citada está em estudo" e que "caso a alternativa avance, eventuais mudanças deverão seguir regras previstas em contrato, com análise técnica, jurídica, econômico-financeira e regulatória", mas que "neste momento, não há nenhuma definição sobre valores, compensações ou investimentos substitutivos".
Portos e Navios - SP 03/07/2026
O Porto de São Francisco do Sul (SC) anunciou novos investimentos de R$ 27 milhões em infraestrutura, com recursos próprios, durante cerimônia realizada em 1º de julho, quando o complexo completou 71 anos. Segundo a autoridade portuária, os projetos abrangem melhorias logísticas, ampliação da armazenagem e adequações ambientais e operacionais.
Entre as iniciativas, está a autorização para contratação das obras de ampliação do acesso pela BR-280, com valor de referência de R$ 11 milhões. As intervenções incluem 1,4 quilômetro de melhorias viárias, com implantação de novas faixas, além de serviços de pavimentação, drenagem e sinalização. A execução está prevista em até dez meses e tem como objetivo melhorar o fluxo de caminhões e o acesso ao porto.
O porto também inaugurou três novos armazéns, somando 15 mil metros quadrados de área, com investimento de R$ 4,9 milhões. De acordo com a administração, a expansão representa aumento de cerca de 20% na capacidade de armazenagem, com foco na recepção de cargas importadas, especialmente aço.
Outro projeto lançado prevê R$ 5,2 milhões para modernização e ampliação dos sistemas de drenagem pluvial e esgotamento sanitário, com separação das redes e adequação às exigências ambientais. Já a modernização do sistema de combate a incêndio, incluindo hidrantes e sprinklers, terá investimento estimado em R$ 5,4 milhões, visando reforçar a segurança operacional e atender às normas do Corpo de Bombeiros.
Segundo o porto, o conjunto de investimentos busca reduzir gargalos logísticos, aumentar a eficiência operacional e adequar a infraestrutura às demandas atuais do comércio exterior.
O Estado de S.Paulo - SP 03/07/2026
A equipe técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) foi unânime em entender que a melhor forma de conduzir o leilão do megaterminal de contêineres (Tecon-10) no Porto de Santos (SP) será com a realização de um remate dividido em duas etapas sem a restrição a armadores, como já havia sido proposto pela agência reguladora, segundo apurou o Estadão/Broadcast.
A avaliação seria um meio-termo entre o que foi recomendado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em dezembro — que o leilão fosse realizado em duas etapas e com restrição à participação de armadores — e o que foi indicado pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), em maio — leilão realizado sem restrição concorrencial alguma, mediante a desinvestimento de incumbentes caso vençam o remate.
Com o posicionamento da equipe técnica, o diretor-geral da autarquia, também relator do processo na Antaq, Frederico Dias, enviou um ofício à PPI e à Secretaria Nacional de Portos, do Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor), para que ambos possam seguir colaborando com a construção do edital e esclareçam a diretriz para a realização, em especial no que diz respeito à modelagem competitiva e, se julgarem necessário, enviar novos pareceres à Antaq.
O entendimento na reguladora permanece o de que a nota encaminhada pela PPI configura uma contribuição técnica ao processo, e não uma nova diretriz estratégica automaticamente vinculante para o leilão. Ainda assim, o relator destacou a necessidade de alinhamento formal entre as manifestações existentes, diante de ambiguidades e possível desalinhamento quanto às diretrizes de política pública aplicáveis ao projeto.
O encaminhamento pedindo consolidação e eventual complementação das diretrizes seria então a alternativa que buscaria respeitar o papel da União, por meio do Poder Executivo (Poder Concedente), de definir e formalizar as diretrizes de política pública, e a competência da reguladora de implementar o certame e deliberar tecnicamente sobre as regras editalícias.
A estratégia também seria uma opção para reduzir o risco de que mudanças estruturais no modelo concorrencial levem à necessidade de nova submissão ao TCU e acabem por atrasar a realização do leilão, uma vez que a Corte de Contas não tem prazo para finalizar uma eventual nova deliberação sobre o tema.
A decisão não encerra a discussão sobre o tema por não trazer deliberação de mérito e orientar a comissão de licitação a aguardar nova manifestação formal do Poder Concedente. O edital, com eventuais novas contribuições da PPI e do Mpor, ainda precisa ser submetido à votação da diretoria colegiada da agência reguladora, instância responsável pela deliberação final.
Investing - SP 03/07/2026
Várias das principais nações europeias já aceitam que navios que passam pelo Estreito de Ormuz precisarão pagar taxas ao Irã e a Omã, de acordo com um relatório da Bloomberg publicado na quinta-feira.
A possibilidade de cobranças de serviços após a guerra entre os EUA, Israel e o Irã é agora vista por alguns países da UE como inevitável. Alguns oficiais árabes do Golfo também compartilham essa visão em privado, embora isso possa não refletir as posições oficiais de seus governos.
O tipo e o valor das taxas que as nações aceitariam ainda não estão claros. Os EUA e os países árabes do Golfo sustentam que o Irã e Omã não podem impor cobranças pelo Estreito de Ormuz. As preocupações se concentram no cumprimento do direito marítimo internacional e no risco de criar um precedente para que outros países cobrem taxas em diferentes vias navegáveis.
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Ao mesmo tempo em que aceitam a perspectiva de custos adicionais, os países europeus pediram às autoridades iraniana e omanense que não discriminem navios com base em sua nacionalidade, segundo o relatório.
Na semana passada, Omã teria informado a autoridades europeias que retornar ao status quo anterior à guerra no Estreito de Ormuz é impossível. Navios que transitam pela via navegável, que representa um ponto de passagem estratégico para o fornecimento de energia do Golfo, poderão enfrentar cobranças por serviços relacionados à despoluição do estreito e a custos de navegação.
Valor - SP 03/07/2026
Contrato prevê a aquisição de 50% de participação do bloco Itaimbezinho, no offshore da Bacia de Campos
A Superintendência Geral (SG) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou o contrato celebrado entre a Petrobras e a Equinor Brasil Energia para aquisição de 50% de participação do bloco Itaimbezinho, no offshore da Bacia de Campos. Se nenhum concorrente ou conselheiro questionar a aprovação nos próximos quinze dias ela será considerada aprovada em definitivo.
Atualmente, a Equinor possui 100% do bloco de Itaimbezinho e, com a conclusão da transação, o consórcio passará a ser composto pela Equinor (operadora, 50%), Petrobras (50%) e Pré-Sal Petróleo (PPSA), como gestora do Contrato de Partilha.
Em comunicado ao mercado na época do anúncio da operação a Petrobras informou que a parceria maximiza sinergias na Bacia de Campos, região onde a empresa já desenvolve ativos vizinhos, também em parceria com a Equinor.
Para a empresa, a operação reforça a importância e relevância da atividade exploratória no Brasil e está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria. Além do Cade, a operação precisa de aval da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
A área técnica do Cade considerou na análise que, conforme informado pelas empresas, como o Bloco de Itaimbezinho ainda se encontra em fase exploratória, não é possível estimar o impacto que tal área terá no mercado nacional ou mundial de petróleo e gás natural, visto que atividades relevantes de investigação e análise exploratórias ainda precisam ser realizadas na área para a viabilização de um poço exploratório. Ainda segundo as empresas, a perfuração de um poço poderá resultar ou não em uma descoberta, além disso, uma eventual descoberta ainda demandará novas avaliações para se determinar a comercialidade da área.
O Cade já reconheceu que blocos ainda em fase exploratória não são capazes de produzir efeitos imediatos no mercado brasileiro de exploração e produção de petróleo e de gás natural, uma vez que não seria sequer possível estimar qual seria o impacto desses blocos (ou mesmo se teriam qualquer impacto) na produção nacional de petróleo e gás natural.
Por isso o órgão considerou que a operação não deve acarretar alterações significativas ao ambiente concorrencial no Brasil e que não demanda uma análise mais aprofundada dos mercados envolvidos. A aprovação foi publicada nesta quinta-feira (2) no Diário Oficial da União.
O Estado de S.Paulo - SP 03/07/2026
O comando militar conjunto do Irã advertiu nesta quinta-feira, 2, que todos os petroleiros que atravessarem o Estreito de Ormuz deverão utilizar as rotas aprovadas por Teerã ou estarão sujeitos a uma “resposta imediata e enérgica”, aumentando novamente a tensão em torno da hidrovia, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.
O estreito, localizado na saída do Golfo Pérsico, tornou-se um dos principais pontos das negociações que buscam um acordo definitivo para encerrar a guerra na região. O comunicado do comando militar Khatam al-Anbiya, divulgado pela televisão estatal iraniana, foi publicado um dia após diplomatas dos Estados Unidos e do Irã se reunirem com mediadores no Catar.
Não está claro o que motivou a nova ameaça iraniana. No entanto, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (Centcom) divulgou um comunicado sobre uma reunião realizada no Bahrein com representantes de países do Oriente Médio, na qual os participantes reafirmaram o compromisso com a livre circulação do comércio pelo Estreito de Ormuz.
“Qualquer descumprimento, desvio da rota designada ou desrespeito aos protocolos de navegação da República Islâmica do Irã no Estreito de Ormuz será respondido de forma imediata e enérgica pelas Forças Armadas, colocando em risco a segurança das embarcações infratoras”, afirmou o comunicado iraniano.
A nota acrescenta que qualquer interferência das forças americanas no estreito “será recebida com uma reação rápida e decisiva”.
Como parte de um acordo provisório, Irã e Estados Unidos concordaram em permitir, por 60 dias, a passagem de embarcações sem cobrança de tarifas. Teerã, porém, insistiu que deve controlar as rotas utilizadas pelos navios e, posteriormente, cobrar taxas pela travessia, rompendo uma prática adotada há décadas na hidrovia.
Os Estados Unidos e diversos países árabes do Golfo afirmam que não aceitarão a cobrança de tarifas pelo Irã para a passagem pelo estreito. A tentativa de Omã e de uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) de estabelecer uma nova rota próxima ao litoral omanense desencadeou ataques em diferentes pontos do Oriente Médio no último fim de semana, evidenciando o aumento das tensões.
Apesar dos ataques, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz continuou a se recuperar. Pelo menos 258 embarcações atravessaram a hidrovia na semana passada, período que incluiu ataques iranianos contra dois navios comerciais, segundo dados da empresa de inteligência marítima Lloyd’s List Intelligence. Na semana anterior, haviam sido registradas 138 embarcações.
“As rotas estão sendo definidas praticamente de hora em hora e dependem das mudanças nas autorizações políticas e das avaliações de segurança em tempo real”, disse Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s. “Essa não é a nova normalidade”, afirmou.
No início desta semana, a televisão estatal iraniana informou que uma embarcação estrangeira ficou à deriva no estreito após ignorar instruções da Guarda Revolucionária. No entanto, o formato da embarcação, sua localização e outras informações indicam que o navio está ligado ao próprio Irã e aparentemente encontrava-se encalhado havia vários meses.
Infomoney - SP 03/07/2026
Os contratos futuros do petróleo fecharam em leve alta nesta quinta-feira, 2, mas sendo negociados em torno de seus níveis pré-conflito, com investidores monitorando os avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã e a incerteza sobre o futuro do Estreio de Ormuz.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em alta de 0,16% (US$ 0,11), a US$ 68,69 o barril. Já o Brent para setembro avançou 0,32% (US$ 0,23), a US$ 71,80 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Na noite de quarta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catari, Majed Al Ansari, afirmou que mediadores do Catar e do Paquistão concluíram reuniões separadas com negociadores americanos e iranianos em Doha, citando “progresso positivo”. Para o MUFG, os preços do petróleo provavelmente continuarão sob pressão de baixa à medida que o fornecimento se normaliza e os prêmios de risco geopolítico diminuem.
As dúvidas sobre a soberania do Estreito de Ormuz, contudo, prosseguem. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã afirmou nesta quinta-feira, 2, que qualquer “intervenção” dos EUA no estreito geraria uma resposta “rápida e decisiva” das forças armadas. Além disso, algumas potências europeias agora parecem aceitar que navios que transitam por Ormuz terão que pagar taxas ao Irã e Omã, de acordo com a Bloomberg.
Sem progresso sobre o programa nuclear iraniano e um acordo sobre grupos relacionados, como o Hezbollah, os riscos de escalada permanecem altos, alerta a XS.com.
O Morgan Stanley, por sua vez, avalia que, para equilibrar o mercado em 2027, os fluxos do Estreito de Ormuz só precisam atingir 65% do nível pré-guerra. A previsão do banco é de US$ 75 o barril do Brent no quarto trimestre de 2026 e de queda para US$ 70 no fim do ano que vem.
Mesmo com o conflito ainda sem resolução definitiva, as projeções para o preço do petróleo no fim de 2026 e em 2027, feitas por diferentes casas, têm indicado uma tendência de baixa. Elas variam em intensidade, mas seguem a mesma direção. Enquanto isso, o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês) mantém expectativas de preços mais altos.
Eae Máquinas - SP 03/07/2026
A edição especial em comemoração às 50 mil unidades produzidas, apresenta a pintura no estilo da Fendt Design Line de 2005 e, assim como naquela época, inclui o pacote cromado.
A história da transmissão Vario e da série Fendt 900 estão interligadas. Em 1996, a Fendt, inovadora fabricante alemã de maquinário agrícola de alta tecnologia, apresentou a transmissão continuamente variável Vario no Fendt Favorit 926 Vario, lançando as bases para o sucesso tanto da série quanto da transmissão Vario.
Desde então, a série tem servido repetidamente como plataforma para a introdução de novas tecnologias, como o terminal Vario, o sistema de controle de pressão dos pneus VarioGrip e o ABS projetado especificamente para tratores. No teste DLG PowerMix, o Fendt 900 Vario alcançou as melhores pontuações em diversas ocasiões, impulsionando o crescimento da marca Fendt em diversos países. Seu design compacto e alto desempenho impressionaram produtores em todo o mundo. O design da série foi premiado em 2005, entre outros, com o Red Dot Design Award.
Para comemorar o aniversário, a Fendt está lançando uma edição especial limitada que homenageia a história da série. O modelo apresenta a pintura no estilo da Fendt Design Line de 2005 e, assim como naquela época, inclui o pacote cromado. Além disso, está disponível nas cores Preto, Azul Aço, Verde Abeto, Preto Vermelho e Verde Natureza, e apresenta as seguintes especificações: soleira da porta gravada, tapete bordado com logotipo de aniversário, emblema no capô com o logotipo de aniversário, banco SuperComfort em couro Titanium com encosto de cabeça bordado com o logotipo de aniversário. Esta edição especial é limitada a 300 unidades.
O modelo especial de edição limitada estará em exposição em diversas feiras e eventos nos próximos meses. Entre outros locais, a Fendt o apresentará na feira de máquinas agrícolas EIMA, em Bolonha, Itália, de 11 a 14 de novembro.
Sobre a Fendt
Fendt é a marca líder em alta tecnologia no Grupo AGCO para clientes com as mais altas exigências de qualidade de máquinas e serviços. Os tratores e colheitadeiras Fendt operam globalmente em fazendas profissionais, bem como em aplicações não agrícolas. Os clientes se beneficiam da tecnologia inovadora para aumentar o desempenho, a eficiência e a economia. O uso de tecnologias Fendt economizam recursos e ajudam os agricultores e empreiteiros a trabalharem de forma sustentável em todo o mundo. Em suas instalações alemãs em Marktoberdorf, Asbach-Bäumenheim, Hohenmölsen, Feucht, Waldstetten e Wolfenbüttel, a Fendt emprega mais de 6.600 pessoas em pesquisa e desenvolvimento, vendas e marketing, bem como em produção, serviço e administração.
Diário do Comércio - MG 03/07/2026
Representantes do agronegócio analisaram como ineficiente o Plano Safra 2026/2027, lançado na terça-feira (30 de junho) pelo governo federal. O Plano Safra anunciado para a agricultura empresarial prevê a disponibilização de R$ 525,1 bilhões, um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao valor da safra anterior. Porém, conforme a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), os números mostram que o plano representa uma redução de R$ 29,6 bilhões (5,73%) em relação ao ciclo anterior, sem os fundos inseridos artificialmente. Além disso, foram feitos cortes em linhas e programas considerados fundamentais para a manutenção das atividades e da competitividade, como a linha de custeio e os programas Moderfrota e para a construção de armazéns.
Assim como a FPA, em nota, o Sistema Faemg Senar ressaltou que, apesar de atender parte das demandas, o Plano Safra 2026/27 permanece distante das necessidades de financiamento do setor.
“Dentre as medidas anunciadas até o momento, o Plano Safra 2026/2027 apresentou reduções importantes nas taxas de juros de algumas linhas de crédito, mas permanece distante das necessidades de financiamento do setor. A expressiva redução dos recursos destinados às linhas de investimento, a inclusão de programas que não integram o crédito rural tradicional no montante total anunciado, bem como o volume insuficiente de recursos equalizados, podem restringir o acesso dos produtores ao crédito e comprometer a capacidade de investimento e modernização do setor agropecuário”, aponta trecho da nota oficial.
Um dos pontos criticados é o valor destinado ao crédito para custeio da safra, linha considerada essencial, uma vez que permite ao produtor a compra de insumos para a manutenção da atividade agropecuária. Conforme as informações do governo, a linha, juntamente com a de comercialização, terá R$ 384,9 milhões para contratação, queda de 7,2% frente ao plano anterior.
Em nota, a FPA, ressalta que “o governo reduziu o crédito de custeio e comercialização, de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, justamente a modalidade que garante o plantio, a compra de insumos, a manutenção da atividade produtiva e o abastecimento”.
Outro ponto questionado é a ampliação dos recursos para investimentos, que, segundo o governo federal, subiram 38%, passando de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. Para a FPA, o valor é “irreal” e não garante a oferta de crédito.
“O valor foi inflado pela inclusão de R$ 38,5 bilhões de fundos que não fazem parte do escopo tradicional do crédito rural. Uma engenharia financeira que não resolve o problema do produtor que precisa de crédito rural efetivo, acessível e contratado na ponta, em momento crítico de endividamento”, explica o bloco parlamentar em nota.
A FPA também critica a redução de 54% nos recursos voltados para o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota). Mesmo enfrentando desafios para a armazenagem das safras, houve redução também nos valores voltados para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).
“A redução afeta a renovação de máquinas e equipamentos. Além disso, o PCA teve queda de 28%, apesar do reconhecido déficit de armazenagem no País”.
As medidas para o seguro rural também desagradaram. A modalidade, nos últimos anos, se tornou uma das principais demandas do setor agropecuário frente às mudanças climáticas que ampliam os riscos na produção agrícola e pecuária. “O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural vem sendo contingenciado ano após ano e sofreu novos cortes. Com orçamento reduzido, a cobertura estimada deve ser a menor em 10 anos, alcançando apenas 2,69 milhões de hectares, justamente em um cenário de maior risco climático e confirmação do fenômeno El Niño”, completa a FPA.
Outra demanda do setor era a redução das taxas de juros, que, segundo o governo, foi um dos principais avanços do Plano Safra 2026/27. O plano apresentou taxas que variam entre 8% e 12,5%, dependendo da linha contratada. A redução é resultado da queda da taxa Selic, o que abriu a “janela” para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural.
Porém, para a FPA, a redução foi considerada insuficiente: “A FPA reconhece o esforço do governo para reduzir juros. No entanto, a medida é insuficiente diante da situação de endividamento do setor, da restrição de crédito enfrentada por produtores e da queda de 14,7% em recursos equalizados”.