Valor - SP 23/06/2026
Bastou um ano após a aquisição para que a U.S. Steel começasse a contribuir para os lucros da controladora japonesa Nippon Steel, à medida que avanços em medidas de reestruturação — como cortes de custos e ganhos de eficiência — avançaram.
Em entrevista exclusiva, o CEO da U.S. Steel, David Burritt, detalhou ao "Nikkei Asia" como avalia os resultados pós-aquisição e afirmou que a chamada “golden share” emitida para o governo dos EUA — que dá poder de veto sobre determinadas decisões corporativas — não representa um obstáculo às reformas da companhia.
A seguir, trechos editados da entrevista.
Nikkei Asia: Como o senhor avalia o progresso da parceria com a Nippon Steel um ano após a conclusão da aquisição?
David Burritt: Em termos de progresso do negócio, nunca vivi uma transformação melhor. Essa parceria vai tornar a empresa não apenas melhor, mas também maior. Nossos funcionários sabem muito bem como operar nos Estados Unidos. A Nippon Steel sabe produzir aço muito bem. Os melhores engenheiros siderúrgicos do mundo estão vindo para ajudar os nossos engenheiros, que também são fantásticos. Estamos unindo forças para construir um grande futuro.
Nikkei: Houve forte oposição à aquisição, inclusive em Washington. O senhor acredita que houve maior aceitação local?
Burritt: Para viabilizar o acordo, o vice-presidente da Nippon Steel e vice-presidente executivo, Takahiro Mori, realizou reuniões com funcionários, políticos e o maior número possível de pessoas. Ele, na verdade, criou muitas amizades aqui no Mon Valley. A comunicação é difícil entre idiomas diferentes, mas as pessoas percebem como os engenheiros fazem diferença na comunidade. Ao trabalhar com os funcionários locais, a percepção de como estamos evoluindo em conjunto se espalha. E posso dizer que isso está funcionando no mais alto nível.
Nikkei: Qual é a relação atual com o sindicato United Steelworkers (USW), que se opôs à aquisição?
Burritt: Houve muitos conflitos com a direção do USW, liderada então por David McCall. Mas, no nível dos trabalhadores, eles viram os benefícios e entenderam o acordo. O presidente Donald Trump era contra o negócio antes de ser a favor. Ele ouviu os trabalhadores e mudou de posição.Hoje, os trabalhadores apoiam o acordo. Todos apoiam. Se tivesse fracassado, teria sido terrível para a comunidade.
Nikkei: Que tipo de diálogo o senhor mantém com o governo Trump?
Burritt: Fazemos o possível para manter uma boa relação com qualquer governo. O presidente Trump, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, têm sido muito positivos porque ouviram e entenderam nossas posições.
Encerramos o ciclo de conflitos com o governo anterior, que estava mais alinhado com outras prioridades que não as dos trabalhadores. Tudo o que posso dizer é: aguardem e vejam o quanto vamos crescer. Estamos apenas começando.
Nikkei: Qual sua visão sobre a “golden share” concedida ao governo Trump no acordo?
Burritt: A golden share não impede nem a U.S. Steel nem a Nippon Steel de fazer o que queremos. Para mudar o nome da U.S. Steel, seria necessária aprovação do detentor da ação especial — mas não temos intenção de mudar o nome.
Para transferir a sede, também precisaríamos dessa aprovação — e não pretendemos fazer isso. Se fosse necessário paralisar uma unidade, seria preciso aprovação, mas não esperamos isso no momento. Inclusive, acabamos de inaugurar uma nova instalação.
Nikkei: O governo Trump impôs tarifa adicional de 50% sobre o aço. Como o senhor avalia essa política?
Burritt: Sabemos que a China tem excesso massivo de capacidade e que seu aço acaba chegando a mercados ao redor do mundo, o que dificulta a competição. Para as siderúrgicas que atuam nos EUA, o que importa é justiça: um campo de atuação equilibrado e proteção da segurança nacional. Com o acordo com a Nippon Steel, não apenas a segurança nacional é preservada, mas também a segurança econômica e o emprego nas comunidades onde nossos funcionários vivem e trabalham.
Portos e Navios - SP 23/06/2026
A Usiminas está participando da construção do Novo Porto da Manaus Moderna, um dos mais importantes projetos de infraestrutura logística da região Norte do Brasil, com o fornecimento de 16 mil toneladas de aço. O empreendimento foi projetado pelo Estaleiro Juruá (AM) para acompanhar as variações extremas do nível do rio, que podem ultrapassar 17 metros entre os períodos de cheia e seca.
A obra irá modernizar a principal estrutura portuária da capital amazonense, ampliando a segurança das operações, melhorando o embarque e desembarque de passageiros e fortalecendo a integração logística da Amazônia. Localizado às margens do Rio Negro, o Porto de Manaus desempenha papel estratégico para a mobilidade de pessoas e mercadorias na região.
O fornecimento do aço é realizado em parceria com o Estaleiro Juruá, cliente da Usiminas há mais de 10 anos e responsável pela engenharia, construção e montagem das estruturas navais do projeto. A empresa também atua na fabricação dos módulos em ambiente controlado, além de conduzir toda a logística de transporte e instalação das estruturas no local definitivo.
As chapas grossas fornecidas pela Usiminas serão utilizadas na construção das principais estruturas do porto, incluindo nove módulos de cais, oito pontes metálicas de 50 metros de comprimento, seis flutuantes intermediários e seis berços de apoio. O conjunto formará um complexo moderno, projetado para oferecer mais segurança, capacidade operacional e conforto aos usuários.
Para o diretor de vendas, distribuição, infraestrutura e construção civil da Usiminas, Bruno Campolina, a participação no projeto demonstra a capacidade de atendimento a empreendimentos de grande porte. “O Novo Porto da Manaus Moderna é uma obra que terá impacto direto na logística e no desenvolvimento da região Norte. Para a Usiminas, é motivo de orgulho contribuir com o fornecimento de aço para um projeto dessa magnitude”, destacou.
O projeto é executado em consórcio com a Construtora ETAM, responsável pelas obras do retroporto, incluindo terminais, acessos e edificações de apoio. Quando concluído, o Novo Porto de Manaus Moderna contribuirá para o desenvolvimento econômico da região, ampliando a integração logística, fortalecendo o transporte hidroviário e promovendo melhorias para milhares de pessoas que utilizam diariamente o terminal.
Exame - SP 23/06/2026
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu ao menor nível desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), iniciada em 1997 durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Entre agosto de 2025 e maio de 2026, os americanos responderam por 9,3% das vendas externas do Brasil, segundo levantamento divulgado pelo jornal Valor Econômico.
O recuo ocorre após o tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump em julho de 2025, que elevou as tarifas aplicadas a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Antes da entrada em vigor das medidas, entre agosto de 2024 e maio de 2025, os EUA representavam 12,4% da pauta de exportações brasileira.
O movimento reforça uma tendência de perda gradual de participação do mercado americano no comércio exterior brasileiro, ao mesmo tempo em que evidencia uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países. No início dos anos 2000, os EUA chegaram a responder por cerca de 26% das exportações brasileiras, no auge da série histórica.
Segundo o levantamento do Valor, a fatia dos EUA já vinha diminuindo nas últimas décadas devido ao crescimento da participação chinesa nas compras brasileiras, principalmente de commodities. A China passou a ocupa atualmente o maior espaço na pauta brasileira.
Dados da Balança Comercial Brasileira, divulgados pelo Governo Federal, mostram que as exportações para o país asiático cresceram 21,8% entre janeiro e maio de 2026, alcançando US$ 46,26 bilhões.
O impacto recente, porém, ocorreu em um intervalo mais curto e foi associado às novas barreiras comerciais.
Queda de 14%
Os efeitos da redução das vendas aos Estados Unidos foram registrados em praticamente todo o país. Segundo o levantamento, 24 dos 26 estados e o Distrito Federal tiveram queda na participação americana em suas exportações após a adoção das tarifas.
A retração também aparece nos dados mensais do governo brasileiro. Apenas no mês de maio, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 3,09 bilhões, uma queda de 14% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, logo antes do tarifaço de Trump ser anunciado.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio entre Brasil e EUA caiu 14,3%, para US$ 29,49 bilhões.
No período, as importações brasileiras de produtos americanos também recuaram. Entre janeiro e maio, as compras do Brasil de produtos dos Estados Unidos diminuíram 12,6%, para US$ 15,48 bilhões, enquanto a balança comercial com o país registrou déficit de US$ 1,47 bilhão.
Exportações brasileiras
Apesar da retração nas vendas para os Estados Unidos, as exportações totais brasileiras continuaram em expansão. Segundo a Balança Comercial Brasileira, o Brasil exportou US$ 148,57 bilhões entre janeiro e maio de 2026, alta de 8,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O governo brasileiro informou que, no acumulado de janeiro a maio, o setor agropecuário exportou US$ 34,53 bilhões, alta de 7,3%. A indústria extrativa somou US$ 36,47 bilhões, crescimento de 17,3%, enquanto a indústria de transformação alcançou US$ 76,76 bilhões, avanço de 5,6%.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento das vendas para a China. No acumulado do ano, as exportações para a China cresceram 21,8%, enquanto as vendas para a União Europeia aumentaram 6,7%, chegando a US$ 21,81 bilhões.
O país asiático também ampliou as importações de produtos brasileiros no acumulado do ano, com superávit comercial para o Brasil de US$ 15,50 bilhões entre janeiro e maio.
Novo tarifaço pode ampliar pressão sobre relação comercial
A queda na participação americana ocorre em meio à possibilidade de novas medidas tarifárias dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
O Brasil tem argumentado que mantém uma relação comercial historicamente favorável aos Estados Unidos. De acordo com o embaixador Maurício Lyrio, o país acumulou déficit comercial de cerca de US$ 400 bilhões com os americanos ao longo das últimas décadas.
As negociações entre os dois países seguem em andamento, mas representantes brasileiros avaliam que há dificuldades para avançar em alguns pontos apresentados pelo governo americano.
A audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos está prevista para 6 de julho, etapa que poderá anteceder novas decisões sobre as tarifas.
Agência Brasil - DF 23/06/2026
A Nova Indústria Brasil (NIB), política do governo federal de incentivo à indústria nacional, vai receber o aporte de mais R$ 140 bilhões até o fim deste ano. Com o incremento, o programa de apoio do banco à industrialização chegará a R$ 750 bilhões de investimentos desde 2023.
Do novo conjunto de recursos, R$ 102,5 bilhões sairão dos cofres do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), banco público vinculado ao governo federal voltado ao fomento de setores estratégicos da economia.
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à inovação, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), contribuirá com R$ 37,5 bilhões.
O anúncio do aporte de recursos para o programa foi feito nesta segunda-feira (22), durante cerimônia pelo aniversário de 74 anos do BNDES, na sede da instituição, no Rio de Janeiro.
O evento contou com a participação dos presidentes da República, Luís Inácio Lula da Silva; do BNDES, Aloizio Mercadante; do vice-presidente, Geraldo Alckmin e de ministros.
Setores escolhidos
Os recursos serão destinados às áreas de fertilizantes, máquinas agrícolas, insumos farmacêuticos ativos (IFAs), biofármacos, terapias avançadas, mobilidade sustentável, inteligência artificial, audiovisual, minerais críticos e tecnologias duais (aplicações civis e militares).
Ao se referir ao governo do presidente Lula, Aloizio Mercadante destacou o papel do banco na recuperação da indústria brasileira.
“A indústria teve um saldo extraordinário, nós interrompemos aquela desindustrialização prematura, estamos renovando, relançando a indústria, que é o carro-chefe, voltou a ser o principal setor de financiamento do BNDES. Não era assim, agora é”, declarou.
Empresários
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, apontou que, embora o BNDES tenha aportado os recursos da NIB, o setor privado acompanhou o investimento.
Segundo ele, o BNDES atua como um catalisador de investimentos privados.
“Das seis missões [objetivos estratégicos] que nós desenhamos na NIB, em quatro delas o setor privado é o que responde pela maior parte dos investimentos”, apontou.
Na mesma solenidade, o governo federal lançou o Portal Investe Indústria Brasil. O ambiente virtual tem apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e funciona como um canal para empresas dos setores estratégicos registrarem intenções de investimento e os gargalos que impedem a realização.
O presidente Lula ressaltou a importância do trabalho do corpo técnicos do BNDES.
Minerais críticos
No evento, o BNDES e a Petrobras anunciaram uma parceria para construir iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionadas a minerais críticos e estratégicos, essenciais às cadeias de transição energética e de óleo e gás.
A parceria inclui troca de informações e análises das principais lacunas de capacidade produtiva ou tecnológica.
A presidente da estatal de petróleo, Magda Chambriard, afirmou que a empresa quer “dominar o cenário de tecnologia em minerais críticos”.
“O Brasil tem uma posição privilegiada nesse contexto, e a gente quer participar disso. Queremos no Brasil uma cadeia global de fornecimento. Queremos a Petrobras participando dessa cadeia global”, afirmou.
Mercado de carbono
O BNDES e a Petrobras anunciaram ainda os nomes das três empresas vencedoras do primeiro leilão do ProFloresta+, iniciativa conjunta voltada à compra de créditos de carbono gerados a partir da restauração ecológica de áreas degradadas na Amazônia.
As empresas selecionadas são a Systemica, brCarbon e re.green. A iniciativa deverá mobilizar cerca de R$ 450 milhões em investimentos, apenas em plantio, gerar 6,3 mil empregos verdes, viabilizar o plantio de mais de 25 milhões de árvores nativas e capturar 5 milhões de toneladas de carbono.
E-bikes
Ainda na cerimônia de aniversário do BNDES, foi anunciado também o financiamento de R$ 340 milhões para a Tembici, empresa de aluguel de bicicletas, adquirir até 85 mil bicicletas elétricas (e-bikes), que serão alugadas a entregadores de plataforma digitais com custo 25% menor do que o atual.
Diário do Comércio - MG 23/06/2026
Os ministérios da Fazenda (MF) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF) realizaram nesta sexta-feira (19/6) o lançamento do novo Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) e anunciaram instituições financeiras habilitadas para operar o instrumento.
A iniciativa representa um importante avanço na estrutura de apoio ao financiamento das exportações brasileiras, com a entrada em operação da Modalidade MPME+, solução criada no âmbito do FGCE para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a competitividade de micro, pequenas e médias empresas que atuam no comércio exterior.
As iniciativas foram anunciadas durante o evento “FGCE – Uma nova etapa no apoio às Exportações Brasileiras”, em São Paulo, que contou com a participação do secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Rodrigo Zerbone, da presidenta da ABGF, Maíra Madrid, além de representantes do governo, do sistema financeiro, entidades empresariais e empresas exportadoras convidadas.
Com o FGCE oficialmente constituído, as empresas passam a contar com um modelo mais moderno, ágil e acessível de apoio financeiro às suas operações de exportação, por meio da rede de instituições credenciadas pela ABGF.
O novo modelo foi desenvolvido para enfrentar um dos principais desafios das empresas exportadoras brasileiras: o acesso ao crédito. Embora as micro, pequenas e médias empresas representem cerca de 69% das empresas exportadoras do país, elas respondem por aproximadamente 6% do volume financeiro exportado. Com o MPME+, a expectativa é ampliar a participação dessas empresas no comércio exterior brasileiro, aumentando sua capacidade de inserção internacional e crescimento.
Entre os principais avanços apresentados está a possibilidade de acesso a crédito com garantia antes da assinatura de um contrato de exportação. Na prática, a medida permite que empresas utilizem linhas de capital de giro e investimento para se preparar para entrar em novos mercados, ampliar capacidade produtiva, adquirir insumos, estruturar operações e atender futuros compradores internacionais com maior previsibilidade.
Embora as micro, pequenas e médias empresas representem cerca de 69% das empresas exportadoras do país, elas respondem por aproximadamente 6% do volume financeiro exportado. Com o MPME+, a expectativa é ampliar a participação dessas empresas
O FGCE também amplia significativamente os prazos de apoio às operações de pré-embarque, que passam de 180 para até 720 dias, oferecendo maior segurança para o planejamento financeiro das empresas exportadoras.
Durante o evento, foram anunciadas as instituições financeiras habilitadas a operar com as garantias do FGCE, ampliando a capilaridade do instrumento e aproximando as soluções de financiamento das empresas em todo o país.
Aprovação mais simples
Por sua natureza de análise por carteira, a Modalidade MPME+ reduz a necessidade de aprovação individual de cada operação, tornando o processo mais escalável e eficiente, reduzindo burocracias e ampliando a oferta de crédito em condições mais competitivas.
Poderão acessar as garantias do MPME+ empresas com receita operacional bruta anual de até R$ 300 milhões que possuam histórico exportador, observados os critérios de elegibilidade.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, a iniciativa reforça o compromisso do Governo Federal com o aperfeiçoamento dos instrumentos de crédito e com a criação de condições para que mais empresas brasileiras possam ampliar sua participação no comércio exterior.
“Hoje, com a constituição do FGCE, com o aporte de recursos e com a capilaridade dos bancos privados, nós vamos multiplicar por 15 o apoio à exportação de micro, pequenas e médias empresas. Isso é muito importante para o país, vai dar escala para essas empresas, permitir que elas cresçam, que elas se tornem mais competitivas, que elas inovem. Isso é muito saudável para o país, ajuda a balança comercial, gera emprego, renda, e reforça a visão de médio a longo prazo de medidas que estamos implementando pelo desenvolvimento estrutural do país”, afirmou.
Nós vamos multiplicar por 15 o apoio à exportação de micro, pequenas e médias empresas. Isso é muito importante para o país, vai dar escala para essas empresas, permitir que elas cresçam”
Para o secretário-executivo do MDIC, Rodrigo Zerbone, o lançamento do FGCE consolida uma agenda mais ampla de fortalecimento dos instrumentos públicos de apoio às exportações e de ampliação da presença internacional das empresas brasileiras.
“Nosso objetivo é construir um ambiente em que mais empresas brasileiras possam enxergar o comércio exterior como uma estratégia concreta de crescimento. O FGCE faz parte desse esforço de modernização da política de apoio às exportações e amplia a capacidade do país de incorporar micro, pequenas e médias empresas à agenda de internacionalização da economia brasileira”, afirmou.
Segundo a presidenta da ABGF, Maíra Madrid, o lançamento do FGCE representa um marco para o fortalecimento das exportações brasileiras.
O FGCE tem potencial de ampliar em mais de 10 vezes o apoio disponível do Seguro de Crédito à Exportação para MPMEs, podendo chegar a 2,2 bilhões de crédito disponível por ano”
“Estamos criando condições para que mais empresas, de todos os portes, consigam acessar crédito de forma simples, rápida e segura para exportar mais. O FGCE tem potencial de ampliar em mais de 10 vezes o apoio disponível do Seguro de Crédito à Exportação para MPMEs, podendo chegar a 2,2 bilhões de crédito disponível por ano”, afirma.
Mais informações sobre o evento “FGCE – Uma nova etapa no apoio às Exportações Brasileiras”, sobre o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE) e instituições financeiras habilitadas estão disponíveis na página da ABGF.
Globo Online - RJ 23/06/2026
O Banco Central (BC) divulgará hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada na semana passada. O documento deve detalhar a decisão unânime de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, mas é aguardado especialmente pelo mercado para desfazer dúvidas deixadas pelo comunicado da decisão na semana passada.
A tendência é que o BC aprofunde sua avaliação sobre o cenário econômico, mas mantenha a estratégia de não dar muitas pistas sobre os próximos passos na condução dos juros. A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação.
O mercado financeiro aguarda com especial atenção as explicações sobre a mudança na comunicação do comitê, que decidiu "alongar o horizonte relevante" da política monetária para justificar o corte. Essa sinalização gerou ruídos e pressão nos juros futuros e no câmbio nos dias seguintes ao anúncio, com analistas apontando uma possível maior tolerância do BC com desvios da inflação acima da meta de 3%.
No comunicado divulgado após a reunião da quarta-feira passada, o Copom destacou que o cenário doméstico apresentou indicadores de atividade econômica mais fortes no primeiro trimestre do ano, além de uma aceleração em medidas de inflação subjacente. Externamente, a autoridade monetária citou a incerteza persistente devido aos conflitos no Oriente Médio e a postura conservadora do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
A ata desta terça-feira deve esclarecer ainda se o ciclo de cortes terá continuidade ou se os próximos passos ficarão em aberto, dependendo da evolução dos dados econômicos e da ancoragem das expectativas de inflação, que voltaram a subir nas últimas semanas.
BC precisa dar explicação clara, diz Meirelles
Para o ex-presidente do BC Henrique Meirelles, as atenções estarão todas voltadas para a ata do Copom, que será divulgada hoje:
— Na ata, o BC precisa dar explicação clara da estratégia dele aos atores econômicos. Há um risco sobre a credibilidade do BC. Ele precisa explicar algo que seja muito convincente, do porquê ele acha que deixando a inflação acima da meta, ela vai cair lá na frente.
Para Meirelles, há “um preço” para esse tipo de condução da política monetária: o retorno de juros mais altos, para devolver a inflação à meta.
Política monetária perde força
Ex-diretor de Política Monetária do BC, Luís Eduardo Assis afirma que a situação reflete um certo esgotamento da política monetária diante da grande injeção fiscal no ano eleitoral e do receio de que a inflação suba ainda mais.
— Chegamos a um ponto que mostra um certo esgotamento da governança que criamos. Há uma série de medidas fiscais, parafiscais e creditícias que estão estimulando a economia, ao contrário do que a política monetária quer — avalia Assis, que chama a atenção para a forte pressão dos juros altos sobre o ambiente de negócios do país.
O adiamento do leilão do Tesouro, avalia Sergio Goldenstein, fundador da Eytse Estratégia e ex-chefe do Departamento de Mercado Aberto do BC, advém da leitura de “disfuncionalidade” das taxas.
— Fica o recado de que o Tesouro não sancionará esses patamares de juros — avalia.
Goldenstein lembra que a última vez que houve interrupção de leilão foi em março, logo no início da guerra no Irã, quando grandes fundos tiveram que revisar abruptamente suas expectativas para a flexibilização das taxas por aqui, e o Tesouro chegou a recomprar o recorde de R$ 49 bilhões em títulos para absorver a disparada nas taxas. O economista prevê novas intervenções do Tesouro com leilões de recompra para reduzir a volatilidade.
O Estado de S.Paulo - SP 23/06/2026
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela 15.ª semana consecutiva, de 5,30% para 5,33%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.
Considerando apenas as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 5,35% para 5,36%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,10% para 4,15%. Um mês antes, era de 4,01%. Considerando apenas as 96 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, oscilou de 4,20% para 4,18%.
A mediana do Focus para a inflação de 2028 aumentou de 3,68% para 3,70%. Um mês antes, era de 3,65%. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 42ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de junho, publicada na última quarta-feira, 17. O colegiado aumentou as projeções para o IPCA em 2026 de 4,6% para 5,20%, e em 2027, de 3,5% para 3,7%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Selic
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,75% para 14,00%. Há um mês, era de 13,25%. Considerando só as 78 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano permaneceu em 14,00%.
A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 seguiu em 12,00%. Um mês atrás, era de 11,25%. Levando em conta apenas as 77 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana continuou em 12,00%.
O Copom promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas três primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,25% ao ano.
No comunicado da reunião de junho, publicado na última quarta-feira, 17, voltou a enfatizar a incerteza do cenário e disse que, em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, a magnitude total do atual ciclo de calibração da Selic será estabelecida “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,25%. Há um mês, era de 10,00%. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela sétima semana consecutiva.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 subiu pela quinta semana seguida, de 1,96% para 1,98%. Um mês antes, era de 1,89%. Considerando apenas as 56 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa passou de 1,99% para 2,00%.
O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.
A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,70% pela quarta semana seguida. Levando em conta apenas as 54 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária permaneceu em 1,66%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 119ª e 66ª semana seguida, respectivamente.
Dólar
A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 seguiu em R$ 5,20. Um mês antes, era de R$ 5,17. Considerando apenas as 64 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária também continuou em R$ 5,20.
A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,26.
A projeção para o fim de 2028 seguiu em R$ 5,30 pela quarta semana seguida. A estimativa para 2029 permaneceu em R$ 5,40, mesmo nível em que estava há um mês, embora tenha oscilado no período.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
Globo Online - RJ 23/06/2026
As previsões de analistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos deste ano tiveram uma deterioração significativa hoje, refletindo o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada que informou a decisão do colegiado do Banco Central (BC) de cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano.
O estresse no mercado fez o Tesouro Nacional, que realiza seus leilões da dívida pública todas as terças e quintas, adiar a oferta que seria realizada amanhã, evitando emitir dívida pagando taxas consideradas muito elevadas. O BC também atuou no mercado de câmbio.
O texto do Copom foi considerado dúbio pelos analistas, que passaram a prever juro mais alto, inflação ainda pressionada e até mesmo chances de um ciclo de aperto monetário, segundo apurou o Boletim Focus, divulgado hoje.
A pesquisa semanal feita pelo BC com instituições financeiras apontou, para este ano, uma estimativa de apenas mais uma flexibilização da Selic ao longo do ano, estimando-a em 14% em dezembro. É uma alta na comparação com a semana anterior, quando a mediana das previsões mostrava que a taxa cairia aos 13,75% até o fim do ano.
Na curva de juros, em contratos negociados pelos investidores, o mercado mantém a previsão da semana passada, de que a Selic retorne ao patamar dos 15% entre março e abril do ano que vem.
Incerteza monetária e eleitoral
Analistas atribuem piora das projeções a uma combinação entre a comunicação do BC e a crescente percepção de risco fiscal associada ao cenário eleitoral.
Pesou a leitura de que o comunicado do Copom foi confuso. Os membros da diretoria do BC afirmaram que tanto o crescimento econômico quanto a inflação aceleraram, advertindo que medidas de estímulo poderiam alimentar aumentos de preços ao consumidor que já estão acima da meta. Mesmo assim, a autoridade monetária cortou 0,25 ponto percentual da Selic, embora não tenha feito previsão para seus próximos passos.
Também contribuiu para a reação do mercado o contexto eleitoral, com o candidato da oposição, Flavio Bolsonaro (PL), perdendo força nas pesquisas eleitorais. Na leitura do mercado, uma alternância de poder poderia favorecer cortes nos gastos do governo e redução dívida pública como percentual do PIB e da Selic, probabilidade que vê como menos provável no cenário de reeleição de Lula (PT). Segundo o Instituto Fiscal Independente (IFI), do Senado Federal, a previsão é que a dívida alcance 82,7% do PIB ao fim deste ano, e 86,2% no fim do ano que vem.
Para Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting e colunista do GLOBO, a comunicação confusa da ata do Copom trouxe “fantasmas” sobre uma possível permissividade com um nível de inflação mais alto, o que se converteu nas taxas previstas pelo mercado:
— O comunicado foi muito confuso, usando de um artifício de estender o período de convergência de inflação para a meta. Mas foi de uma forma muito ruim. E trouxe fantasmas da era (de Alexandre) Tombini, quando houve aquele “cavalo de pau” — relembra ela, referindo-se ao presidente do BC no governo Dilma Rousseff, quando houve corte de juros mesmo num contexto inflacionário.
Na leitura de Fábio Kanczuk, ex-diretor do BC, a perda de competitividade de Flávio Bolsonaro (PL) diante de Lula nas recentes pesquisas também contribuiu para a pressão das taxas recentes, e o aumento das estimativas para a Selic no Focus. Segundo ele, a probabilidade de vitória do petista passou aumentar na visão do mercado com a evolução positiva dele nas pesquisas nas últimas semanas.
— Isso pegou o mercado interno, com maior probabilidade de um fiscal insustentável pós-eleição — diz ele, que também vê como confusa a comunicação do BC na semana passada e avalia que a alta nos juros futuros recentes pode ser um reflexo dessa leitura, considerando-se o cenário inflacionário adiante. — Se as pessoas entendem que o BC é mais leniente com a inflação, pedem mais juros. “Só vou colocar meu dinheiro se o título pagar mais, porque a inflação vai comer parte disso daí”, dizem. Foi isso que vimos.
Variação significativa do IPCA+
Os títulos do Tesouro indexados à inflação (IPCA+), com vencimento para 2032, chegaram a ser negociados com taxa real de 8,56% durante a manhã, nível considerado expressivo e o maior para um papel com prazo de seis anos desde 2006.
As taxas arrefeceram após o anúncio do adiamento do leilão e da queda dos juros futuros, qu reagiram à baixa do petróleo no exterior. Ainda assim, as taxas seguiram em patamar alto, acima de 8%.
Separadamente, o Banco Central realizou uma operação conhecida como “casadão”, vendendo dólares no mercado à vista e desmontando parte de sua posição em swaps cambiais. A operação dupla impede que os juros em dólar utilizados localmente, conhecidos como cupom cambial, continuem subindo e comprimindo o retorno das operações de carry trade com a moeda.
Os contratos futuros de swap de juros recuaram nesta segunda-feira, enquanto o real apresentou leve valorização frente ao dólar, superando o desempenho da maioria das moedas de mercados emergentes.
Os rendimentos dos títulos indexados à inflação vêm subindo de forma constante há semanas em meio a uma ampla onda de vendas nos mercados locais. Os juros dos papéis atrelados ao IPCA com vencimento em maio de 2029 avançaram mais de 80 pontos-base desde o início do mês, alcançando 8,81%.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, afirmou que o cancelamento do leilão de NTN-B pelo Tesouro pode ser um primeiro passo rumo a uma operação de recompra de títulos.
— O mercado está realmente muito machucado. Não há compradores, e não há muito o que se possa fazer a respeito — disse ele.
Money Times - SP 23/06/2026
O mercado ainda discute quando o Federal Reserve voltará a cortar os juros nos Estados Unidos. Mas, para o Bank of America (BofA), a próxima movimentação do banco central americano deve ocorrer na direção oposta.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (22), o banco revisou sua projeção para a política monetária americana e passou a esperar três altas de 0,25 ponto percentual ainda em 2026, nas reuniões de setembro, outubro e dezembro. Se confirmado, o movimento levaria a taxa básica para o intervalo de 4,25% a 4,50%.
A mudança representa uma guinada importante na visão da instituição. Até pouco tempo atrás, o BofA demonstrava ceticismo sobre a necessidade de novos ajustes, mas agora avalia que o Fed pode ser obrigado a reverter rapidamente parte dos cortes promovidos anteriormente.
“Os dados e nossa leitura atualizada da função de reação do Fed sugerem que a autoridade monetária deve desfazer rapidamente os cortes realizados”, afirmaram os economistas do banco.
O que mudou para o Fed?
Segundo o BofA, a combinação de uma economia resiliente com uma inflação mais persistente alterou significativamente o cenário para a política monetária.
O banco destaca que, em relação a maio do ano passado, a taxa de desemprego permanece praticamente estável, enquanto o núcleo do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), indicador favorito do Fed para monitorar a inflação, avançou cerca de 70 pontos-base.
Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros está atualmente 75 pontos-base abaixo do nível observado naquele período.
Na avaliação dos economistas, essa combinação sugere que a política monetária está hoje menos restritiva, apesar de uma inflação mais elevada.
Fed mais “hawkish”
Outro fator que levou à revisão das projeções foi a comunicação recente da autoridade monetária. Para o BofA, tanto o Sumário de Projeções Econômicas (SEP) divulgado na reunião de junho quanto os comentários do presidente do Fed reforçaram uma postura mais dura no combate à inflação.
Os analistas avaliam que o banco central americano passou a demonstrar menor tolerância a pressões inflacionárias persistentes e maior disposição para manter os juros elevados por mais tempo.
“O SEP e a coletiva indicam que a função de reação do Fed é muito mais hawkish do que imaginávamos”, destacaram.
Quando o cenário pode mudar?
Apesar da revisão, o BofA reconhece que alguns fatores ainda podem impedir a retomada do aperto monetário.
Entre eles estão uma desaceleração mais forte do mercado de trabalho americano, leituras mais benignas de inflação nos próximos meses ou uma correção significativa das bolsas, capaz de enfraquecer a demanda na economia.
Por ora, contudo, a avaliação do banco é que a inflação continua sendo o principal problema do Fed e que os dirigentes devem priorizar o retorno dos preços à meta, mesmo que isso exija novos aumentos dos juros.
Jornal de Brasília - DF 23/06/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 3,061 bilhões na terceira semana de junho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 22, o valor foi alcançado com exportações de US$ 9,320 bilhões e importações de US$ 6,259 bilhões.
O mês de junho acumula superávit de US$ 7,636 bilhões, resultante de US$ 25,604 bilhões em exportações e US$ 17,968 bilhões em importações.
Até a terceira semana de junho, comparado ao mesmo período do mês de 2025, as exportações cresceram 26%. O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 21,9% em Agropecuária, que somou US$ 5,89 bilhões; crescimento de 70,3% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,47 bilhões e, por fim, crescimento de 10,0% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 12,12 bilhões.
Em relação às importações, houve alta de 10,7% na mesma comparação. Houve queda de 0,8% em Agropecuária, que somou US$ 0,31 bilhões; crescimento de 11,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 0,74 bilhões e, por fim, crescimento de 11,0% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 16,81 bilhões.
Acumulado do ano
De janeiro até a terceira semana de junho, o ano acumula superávit de US$ 40,298 bilhões, um crescimento de 41,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 30,186 bilhões. A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 72,1 bilhões neste ano. O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 364,2 bilhões em exportações e US$ 292,1 bilhões em importações.
Infomoney - SP 23/06/2026
O governo da China anunciou sanções econômicas contra 10 empresas americanas, incluindo grupo de defesa e mineradoras, como L3Harris, MP Materials e USA Rare Earths. A decisão foi uma resposta à prática condenável do governo dos EUA de ampliar a chamada “lista de empresas militares chinesas”, segundo o governo do país asiático.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, 22, o Ministério do Comércio chinês informou que a decisão tem como base as disposições pertinentes em leis e regulamentações, como a Lei de Controle de Exportações da República Popular da China e o Regulamento de Controle de Exportações de Itens de Dupla Utilização da República Popular da China, a fim de salvaguardar a segurança e os interesses nacionais e cumprir obrigações internacionais.
Com a medida, fica proibido que operadores de exportação exportem itens de dupla utilização para as referidas 10 entidades e determina que quaisquer organizações e indivíduos de quaisquer países e regiões ficam impedidos de transferir ou fornecer às referidas entidades itens de dupla utilização de origem chinesa. As atividades de exportação relacionadas que estiverem em andamento devem ser cessadas imediatamente, informou o ministério, citando que a medida entrou em vigor nesta segunda-feira.
As sanções atingem grupos como a USA Rare Earth, que anunciou a compra da brasileira Serra Verde em abril. A lista inclui ainda a Aveox, Teal Drones, Red Cat, Imsar, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services e MP Materials.
Negociadas na Bolsa de Nova York, as ações da Red Cat derreteram 7% e as da Imsar marcaram um tombo de 7,5% na sessão desta segunda-feira. As da USA Rare Earth cederam 2,11%, as da L3Harris caíram 3,05% e as da MP Materials perderam 0,97%.
Fabricante de caminhões para usos especiais como os usados em aeroportos, combate a incêndios, indústrias e nas forças armadas. a Oshkosh Corporation resistiu e subiu 1,98%.
Valor - SP 23/06/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a 739,5 yuans
O preço do minério de ferro recuou nesta segunda-feira (22) na China, em meio a sinais de que a demanda pelo setor siderúrgico pode começar a enfraquecer sazonalmente.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 0,87%, cotado a 739,5 yuans.
Segundo analistas da consultoria Baocheng Futures, as siderúrgicas mantiveram níveis estáveis de produção, sustentando um consumo relativamente forte de minério de ferro e oferecendo algum suporte aos preços, dizem os analistas.
No entanto, eles observam, em relatório, que a fraqueza sazonal do mercado de aço está se tornando mais evidente, com espaço limitado para melhora da demanda.
O Estado de S.Paulo - SP 23/06/2026
Na Vale (VALE3), as grandes disputas se estendem para além do mercado de minério de ferro. Desde que a companhia deixou para trás a antiga estrutura de controle concentrado, a influência sobre a mineradora constrói-se por meio de alianças entre acionistas relevantes, fundos de pensão, investidores institucionais e grupos empresariais.
Nesta segunda-feira (22), disputa de poder se dará em uma assembleia em que os acionistas decidirão a permanência de Daniel Stieler na presidência do conselho de administração, composto por 13 membros efetivos.
A movimentação é liderada pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que detém 7,01% do capital da Vale diretamente e afirma possuir cerca de 10% da companhia ao considerar também participações indiretas por meio da Litel e da Litela, holdings que reúnem investimentos de acionistas relevantes da mineradora.
A pedido da Previ, a Vale convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para discutir a destituição de Stieler e mudanças na composição do conselho. Para além do organograma, a votação poderá revelar quais grupos têm hoje maior capacidade de influência dentro de uma das empresas mais valiosas da América Latina.
A maioria dos conselheiros, porém, já sinalizou resistência à proposta e considerou insuficientes os motivos apresentados pela Previ para a destituição, segundo a Bloomberg. A reunião será realizada em formato digital, às 10h.
Segundo informações do Valor Econômico, a própria Previ avalia contestar a validade do encontro sob o argumento de que Stieler participou da deliberação relacionada à sua própria permanência no cargo, situação que, na visão do fundo, poderia caracterizar conflito de interesses.
Acionistas da Vale votarão mudanças na presidência e na composição do conselho
Além da possível saída de Stieler da presidência, a assembleia também decidirá sobre alterações na composição do conselho de administração.
Para uma vaga no colegiado, a Previ indicou José Maurício Pereira Coelho, enquanto a administração da Vale apresentou a candidatura de Ieda Gomes Yell. Na disputa pela presidência do conselho aparecem Marcelo Gasparino e Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, este último apoiado pela Previ.
O conselho de administração está entre os órgãos mais relevantes da companhia. É ele quem supervisiona a gestão, define diretrizes estratégicas e aprova decisões que podem influenciar os rumos da mineradora por anos, incluindo grandes investimentos, políticas corporativas e processos de sucessão.
Resultado da assembleia pode redesenhar o equilíbrio de forças dentro da Vale
A disputa não altera diretamente a produção de minério de ferro nem as perspectivas operacionais da companhia. Ainda assim, o mercado acompanha o episódio de perto porque ele oferece um retrato de como o poder está distribuído dentro da Vale.
Hoje, nenhum acionista possui participação suficiente para determinar sozinho os rumos da empresa. Decisões relevantes dependem da formação de maiorias e da capacidade de articulação entre diferentes grupos de investidores.
Por isso, mais do que a permanência ou não de Stieler, a assembleia tende a ser interpretada como um teste da força política dos principais acionistas da mineradora. O resultado poderá representar a manutenção da atual configuração do conselho ou sinalizar uma nova correlação de forças dentro da maior produtora de minério de ferro do Ocidente.
Valor - SP 23/06/2026
Estado vai receber 19% do total que o Brasil deve atrair no mesmo período, avalia Ibram
Segundo maior produtor mineral do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, o Pará deve captar US$ 14,66 bilhões (cerca de R$ 73,3 bilhões) para investimentos no setor no quinquênio 2026-2030. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e corresponde a pouco mais de 19% do que o setor poderá receber no país no mesmo período. Embora não haja no momento projeções de desempenho para este ano, o Pará foi responsável em 2025 por mais de um terço da receita nacional da mineração. Dos R$ 298,8 bilhões faturados, R$ 103,1 bilhões foram gerados pelas mineradoras que atuam lá.
O Estado abriga não apenas a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo (Serra dos Carajás), mas também é um dos principais polos exportadores de minérios do país - nos últimos três anos, foi responsável por, em média, 36,5% do que o país enviou para fora. Quase metade dos municípios paraenses possuem hoje alguma atividade de mineração. No entanto, operar na Amazônia impõe desafios que precisam ser contornados. Entre eles, gargalos logísticos, regras ambientais complexas e investimentos significativos para desenvolver projetos com tecnologia de ponta, soluções de baixo impacto ambiental e descarbonização.
Nessa pegada ambiental, a Mineração Rio do Norte (MRN) desembolsará R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão que conectará suas operações ao Sistema Interligado Nacional (SIN) para receber energia limpa. “Buscamos reduzir em 21% a pegada de carbono a partir de 2027”, explica Guido Germani, CEO da MRN, líder na produção de bauxita e responsável por cerca de 30% da produção da alumina e de cerca de 20% da produção de alumínio no país. A empresa investiu no ano passado R$ 51 milhões em projetos socioambientais.
Para garantir suas operações pelos próximos 15 anos, com produção de 12,5 milhões de toneladas/ano de bauxita, Germani diz que a companhia prevê investimentos de R$ 9 bilhões até 2041, além dos R$ 1,9 bilhão programados para 2026. No ano passado, a companhia desembolsou R$ 810,9 milhões (54,7% a mais em relação a 2024) para segurança operacional, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade. “O foco da MRN é manter o patamar atual de produção, apesar de contar com 18 milhões de toneladas de capacidade instalada, o que permite aumentar a atual se houver maior demanda”, acrescenta Germani.
A Vale, que concentra no Pará um dos seus principais polos operacionais, quer dobrar a produção de cobre até 2035 e alcançar as 700 mil toneladas/ano. Para o níquel, o objetivo é crescer de 175 mil t/ano para mais de 300 mil t/ano no mesmo período. “Nosso crescimento será focado na vasta dotação mineral de Carajás”, afirma Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de operações da mineradora, cujo capex, hoje entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões, deverá chegar a US$ 6 bilhões nos próximos anos. Em 2025, a Vale já havia anunciado investimentos de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2030 para sustentar a produção de minério de ferro e ampliar a de cobre.
A mina da Vale em Carajás, em operação desde 1985, produz hoje cerca de 170 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, com destaque para o complexo S11D, em Canaã dos Carajás, com capacidade próxima de 90 milhões de t/ano. Na questão ambiental, Medeiros informa que a Vale intensificou no ano passado sua estratégia de mineração circular, mais que dobrando a produção a partir de rejeitos e resíduos, para 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro. A iniciativa "waste to value", segundo o executivo, transforma subprodutos em novos materiais, reduzindo a necessidade de barragens e visando 10% da produção via fontes circulares até 2030.
Nessa mesma frente, a Alcoa informa que estruturou um plano para suas operações no Brasil, especialmente em Juruti, região oeste do Pará. Entre as soluções em fase de desenvolvimento estão a substituição de geradores a diesel por energia elétrica renovável para potencializar a extração e beneficiamento de bauxita. “Isso se dará com a construção de uma linha de transmissão de 51 quilômetros pela Equatorial Energia para integrar a mina e o Porto de Juruti ao Sistema Interligado Nacional”, diz Daniel Bueno, diretor de operações da Alcoa em Juruti (PA). Ele informa que essa medida deve reduzir em até 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030.
Em transporte, Bueno destaca investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em uma frota própria de quatro navios para levar a bauxita do porto até a refinaria da Alumar no Maranhão. Para levar o minério até Juruti, a companhia depende hoje de uma ferrovia de 55 km. “A logística é parte fundamental da operação. A produção em Juruti depende da integração entre mina, porto e navegação fluvial”, diz Bueno.
Como importante produtor de cobre e níquel, essenciais para tecnologias renováveis, o Pará também joga papel importante na transição energética global. A esses metais devem se somar futuramente as terras raras, cujo cenário para o Estado é promissor em função de suas condições geológicas. No momento, entretanto, não há infraestrutura necessária para extrair, produzir e agregar valor a minerais como neodímio, praseodímio, cério e lantânio.
Estima-se que há cerca de 115 milhões de toneladas de terras raras no planeta, sendo 44 milhões delas na China e de 21 milhões a 23 milhões no Brasil, o que o torna o segundo em reservas mundiais.
Valor - SP 23/06/2026
Em Brasília, o que se vê hoje é algo inédito, um grupo de fabricantes contra uma única empresa, que já é dona de mais de 8% do mercado brasileiro apenas com importação de carros prontos e semimontados
É conhecido o lobby intenso que a indústria automobilística tem feito, no Brasil, ao longo dos anos. O sistema de tributação desse setor tem sido constantemente marcado por intervenções e participação ativa dos representantes das empresas e suas associações. Até aqui, no entanto, a mobilização costumava envolver conjuntos coesos das empresas, divididas ou não. O que se vê hoje em Brasília é algo inédito: o grupo de fabricantes, veteranos ou não, contra uma única empresa: a BYD.
A movimentação ganha força nesta segunda-feira (22), véspera da reunião ordinária do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), núcleo da Camex, que pode incluir na pauta a renovação, por seis meses, do Imposto de Importação reduzido para carros híbridos e elétricos prontos e semimontados, uma pauta encaminhada ao governo por uma marca chinesa, a BYD, líder de vendas de carros elétricos e que em maio já ocupou o quarto lugar na venda total de carros e comerciais leves no país.
A BYD já é dona de mais de 8% do mercado brasileiro apenas com importação de carros prontos e semimontados. Desde o início do segundo semestre de 2025, os semimontados chegam da China para posterior acabamento na instalação industrial que a empresa constrói em Camaçari (BA). A marca fica atrás apenas de Fiat, Volkswagen e General Motors, que há décadas inauguraram fábricas no Brasil. A mais nova do trio, a Fiat, completa 50 anos este ano.
Quando se preparava para inaugurar a fábrica na Bahia, no ano passado, a BYD encaminhou ao governo pedido para reduzir imposto para os carros que entram pelo sistema conhecido na indústria por SKD, a sigla, em inglês, para o sistema de produção com veículos importados semimontados.
Diante da forte oposição dos fabricantes locais, representados pela Anfavea, o governo tentou uma solução intermediária, que atendesse ambos os lados. Criou cotas isentas do imposto durante seis meses, até janeiro.
O período de cotas isentas terminou, assim, em janeiro, e a partir de 1º de julho as alíquotas do Imposto de Importação subiriam, todas, para 35%. Hoje, estão em 25% para carros elétricos prontos, 28% para híbridos plug-in, 30% para híbridos convencionais e 18% para os carros semimontados, independentemente do tipo de energia.
Mas é nos semimontados (SKD) que a BYD tem o maior interesse, seja por meio do adiamento da elevação do imposto ou por eventual prorrogação do sistema de cotas isentas.
O governo se vê diante de um problema complexo. De um lado, precisa lidar com interesses políticos, vindos, principalmente de representantes do próprio governo que defendem meios de promover o desenvolvimento econômico da Bahia e veem nos projetos anunciados pela BYD uma forma de recompor, anos depois, o trauma deixado pela Ford, que há cinco anos fechou a fábrica no mesmo local onde hoje a BYD ergue a sua.
Ao mesmo tempo, os integrantes tanto os ministérios que representam a indústria como o dos trabalhadores e o da Fazenda, no comando da política econômica e tributária, estão diante de um dilema.
Dar essa chance à BYD significa ter mais uma grande montadora no país, como são as demais? Ou, como argumentam Anfavea e Sindipeças, representantes das montadoras já instaladas e da indústria de autopeças, a não recomposição do sistema tributário estabelecido põe em risco não apenas a continuidade do atual parque industrial como todos os planos de investimentos anunciados pelas empresas que o compõem?
E, por último, e mais desafiador, é lidar com o avanço das marcas chinesas no mundo. No documento que a Anfavea enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, 19, a própria entidade lembra que em 2025 a China respondeu por cerca de 70% da produção mundial de automóveis elétricos, “mantendo posição central em toda a cadeia produtiva, inclusive na fabricação de baterias e de seus principais componentes”.
O mesmo documento destaca que “a elevada capacidade produtiva chinesa, juntamente com a intensa concorrência em seu mercado interno, tem estimulado um aumento nas suas exportações”. “As exportações chinesas de automóveis elétricos dobraram em 2025, superando 2,5 milhões de unidades.”
Por meio de mecanismo interno, os Estados Unidos elevaram para 100% o Imposto de Importação para carros chineses e a Europa busca meios de proteger sua indústria.
Mas, tanto na Europa como no Brasil, as próprias montadoras estão abrindo espaço em suas fábricas para acomodar marcas chinesas, que, afinal, dominam o conhecimento mais competitivo para produzir os carros elétricos que são um caminho sem volta.
O consumidor brasileiro não tem sofrido com o aumento das alíquotas de imposto desses carros. Aliás, ele nem percebe porque, mesmo com o aumento gradativo da tributação, ao longo mais um ano e meio, veículos elétricos modernos, com novas tecnologias entram no país a preços competitivos.
A Anfavea aponta os altíssimos estoques desses carros, preparados para enfrentar a elevação tributária. Ainda nesta manhã, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, falará com a imprensa para explicar a posição da Anfavea diante do que pode ser uma ameaça à indústria.
Enquanto isso, a BYD comemora as “filas” que registrou em suas lojas no fim de semana para inscrição de taxistas e motoristas de aplicativos no Move, um novo programa de financiamento do governo exclusivo para essas categorias e que inclui os elétricos, mesmo importados.
O Estado de S.Paulo - SP 23/06/2026
Após quase três décadas produzindo o Corolla, a fábrica da Toyota em Indaiatuba, no interior de São Paulo, se despediu oficialmente do sedã. Com direito a desfile e tapete vermelho, a última unidade do modelo, da versão Altis Premium, saiu da linha de montagem da planta, que será desativada no final deste mês.
Apesar da cerimônia, o Corolla não deixará de ser montado no Brasil. A Toyota vai transferir a fabricação para a unidade de Sorocaba, localizada a cerca de 60 km de Indaiatuba, onde já são produzidos o Corolla Cross e o Yaris Cross.
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A transferência faz parte do plano estratégico da Toyota para o Brasil, que prevê um aporte de R$ 11 bilhões até 2030. Atualizar as linhas de montagem de Indaiatuba, em operação desde 1998, data da nacionalização do Corolla, seria mais caro do que transferir a produção para outra unidade.
Com isso, a Toyota centraliza sua produção em uma única fábrica, aumentando o volume de 170.000 para cerca de 270.000 carros por ano. O aumento de capacidade permitirá absorver a fabricação de seu próximo modelo, uma picape intermediária para concorrer com Fiat Toro, Chevrolet Montana, Ram Rampage e as futuras VW Tukan e Renault Niagara.
Picape inédita será próxima aposta da Toyota
A picape inédita adotará a mesma motorização do Corolla, com motor 2.0 aspirado de 175 cv e 20,8 kgfm, além do câmbio CVT. As versões mais caras, porém, não terão motor diesel, como é costume no segmento. Em vez disso, serão equipadas com um conjunto híbrido plug-in flex de 223 cv, baseado na motorização do Prius.
O fechamento da fábrica de Indaiatuba está anunciado desde março de 2024. Cerca de 2.000 vagas de realocação foram abertas em Sorocaba, enquanto outros funcionários puderam optar pelo Plano de Demissão Voluntária (PDV).
A planta foi a primeira da Toyota no Brasil voltada para veículos de larga escala, além de ter sido responsável por nacionalizar o carro mais vendido do mundo: o Corolla. Ela também teve destaque como a primeira da América Latina a produzir um veículo híbrido flex.
Por enquanto, a Toyota ainda não divulgou o que acontecerá com a planta de Indaiatuba. Algumas especulações sugerem que já existam montadoras chinesas interessadas em adquirir a fábrica, repetindo um movimento que já ocorreu no Brasil com a aquisição de antigas instalações industriais por empresas como BYD e GWM.
Valor - SP 23/06/2026
Pelos cálculos da entidade, a economia brasileira pode sofrer impacto negativo de R$ 240 bilhões, caso todas as montadoras passem a importar veículos semiprontos ou prontos, em vez de produzir aqui
As montadoras que produzem no país poderão ir à Justiça, caso a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decida, nesta terça-feira (23), pela prorrogação das cotas de importação de veículos eletrificados semimontados (SKD) e importados prontos (CBU).
“Se possível, vamos judicializar”, disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet.
Se adotada, a medida irá contra um cronograma estabelecido pelo próprio governo em julho do ano passado, o que traz insegurança para os investimentos, acrescentou. Além disso, a discussão tem sido conduzida sem transparência e as empresas contrárias não tiveram chance de se manifestar. Por isso, o processo poderá ser questionado na Justiça.
Pelos cálculos da entidade, a economia brasileira pode sofrer impacto negativo de R$ 240 bilhões, caso todas as montadoras passem a importar veículos semiprontos ou prontos, em vez de produzir aqui. A perda abarca perda de empregos e de poder aquisitivo, redução de arrecadação tributária, queda nas exportações.
A medida também poderá colocar em dúvida os planos de investimento das montadoras, de R$ 140 bilhões, para a produção local de automóveis eletrificados a partir da Nova Indústria Brasil (NIB).
“Estão mudando a regra do jogo quase no fim”, afirmou. “Eu fico imaginando a cabeça lá dos investidores, botando R$ 140 bilhões para o novo portfólio de produtos eletrificados, e agora estão mudando.”
Um total de 14 entidades sindicais enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta em que defende a indústria nacional e a retomada da tributação sobre veículos elétricos. O pedido se junta ao feito pela Anfavea na sexta-feira (19).
Não estamos sendo ouvidos, nem chamados, nem respondidos sobre a questão”, afirmou Calvet. “A pergunta que fica para a gente é por que nesse momento, a seis meses de conclusão do cronograma que o próprio governo estabeleceu, há uma tentativa de mudar esse cronograma.”
A previsão é que, em 1º de julho, as cotas isentas de tarifa de importação sejam encerradas e as importações de SKD e CBU fora da cota, taxadas em 28%, passarão a pagar 35%. Em janeiro, as importações de CKD, veículos totalmente desmontados, passarão a ser taxadas em 35%.
Ele comentou que na manhã desta segunda-feira (22), véspera da reunião da Camex, ainda não havia pauta publicada. Na sexta-feira passada (20), uma reunião do Comitê de Análise de Tarifas (CAT), de nível técnico, recomendou a prorrogação. No entanto, essa reunião não foi informada pelos canais oficiais, como é praxe. As montadoras contrárias à medida não tiveram oportunidade de se manifestar.
Essa condução do processo pode ser base para judicializar a prorrogação das cotas, disse Calvet.
Na visão do presidente da Anfavea, o governo contraria sua própria diretriz de política industrial, de estimular a produção e agregação de valor no país, ao prorrogar estímulos à importação de SKD.
Se todas as montadoras passassem a importar SKD em vez de produzir localmente, o impacto negativo na economia chegaria a R$ 240 bilhões, calcula a Anfavea.
O maior impacto seria visto na cadeia de fornecedores. A redução de compras locais de autopeças chegaria a R$ 103 bilhões em um ano e a queda na arrecadação tributária relativa à cadeia cairia R$ 26 bilhões. O mercado de trabalho direto receberia um choque de R$ 17 bilhões, sendo R$ 5 bilhões a menos na arrecadação federal sobre a folha em um ano e R$ 8 bilhões em queda do poder aquisitivo, com diminuição de 69 mil empregos.
Já no mercado de trabalho indireto, relacionado aos fornecedores o impacto chegaria a R$ 52 bilhões. O poder aquisitivo cairia R$ 27 bilhões, com perda de 227 mil empregos. Haveria ainda redução de R$ 42 bilhões em queda nas exportações de veículos leves.
O Estado de S.Paulo - SP 23/06/2026
As vendas de eletroeletrônicos voltaram a crescer na casa de dois dígitos este ano, mesmo com crédito caro e orçamento apertado dos brasileiros por causa do elevado endividamento e do aumento da inflação de alimentos.
A reação, no entanto, não foi uniforme entre os vários segmentos do setor eletroeletrônico. Os eletrodomésticos de grande porte, como fogões e geladeiras, a chamada linha branca, e os eletroportáteis impulsionaram as vendas entre janeiro e maio, enquanto a comercialização de aparelhos de ar-condicionado e de itens de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), como monitores, despencou. Até mesmo as TVs, cujas vendas costumam disparar em anos de Copa do Mundo, tiveram desempenho pífio.
De janeiro a maio, foram vendidos 53,6 milhões de aparelhos eletroeletrônicos da indústria para o varejo, um volume 11% maior em relação a igual período de 2025, segundo a Eletros, associação que reúne os fabricantes.
A reação ocorre após o desempenho decepcionante que houve em 2025. No ano passado inteiro, tinham sido comercializadas 124,2 milhões de unidades, com um ligeiro recuo em relação ao ano anterior.
“O resultado de 2026 mostra que, mesmo com crédito mais caro e orçamento apertado, o brasileiro continua destinando uma parcela relevante da renda para conforto, eficiência e tecnologia dentro de casa”, disse o presidente da Eletros, Jorge do Nascimento, durante a abertura da Eletrolar Show, em São Paulo.
Puxada pela renovação dos eletrodomésticos, como fogões, geladeiras e lavadoras, a linha branca sustentou o crescimento do setor e avançou 16% no período, com vendas de 7,1 milhões de unidades.
Os eletroportáteis são outro vetor de crescimento. Foram comercializados no período 37,6 milhões de aparelhos, com alta de 15% em relação aos cinco primeiros meses de 2025.
Os eletroportáteis têm valor unitário menor em relação a outros eletroeletrônicos e a compra, na maioria das vezes, independe do crédito.
Para Nascimento, os portáteis funcionam, em muitos casos, como porta de entrada para novos hábitos de consumo e para maior conveniência no dia a dia. “Mesmo quando o orçamento está apertado, o consumidor procura soluções que facilitem a rotina, e isso mantém o segmento em trajetória de crescimento.”
Já as TVs, que normalmente explodem em anos de Copa do Mundo, tiveram um desempenho inexpressivo em número de unidades vendidas. Entre janeiro e maio, foram comercializados 5,6 milhões de aparelhos, com crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2025.
Para a Eletros, o mercado de TVs já tem uma base elevada, com aparelhos dotados de mais recursos, conectividade e telas maiores, o que explica o baixo crescimento de vendas neste ano.
Recuo das vendas de aparelhos de ar-condicionado e TIC
A grande surpresa nas vendas de eletroeletrônicos ocorreu com os aparelhos de ar-condicionado. Depois de três anos seguidos de alta, com momentos em que chegou-se a registrar escassez de aparelhos no varejo, as vendas despencaram neste ano.
De janeiro a maio, foram comercializadas 2,4 milhões de unidades da indústria para o comércio, com queda de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além das temperaturas mais amenas, o elevado endividamento do consumidor, o crédito caro e a forte base de comparação levaram a esse desempenho negativo, segundo a Eletros.
Apesar da racionalidade dos argumentos, Nascimento admite que o resultado é preocupante. “A retração do mercado de ar-condicionado nos preocupa pela intensidade da queda e pelos reflexos sobre toda a cadeia produtiva”, disse o presidente da Eletros.
Outro segmento que registrou queda de vendas foi o de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). Entre janeiro e maio, foram comercializadas 792 mil unidades, com recuo de 13% em relação ao ano anterior.
A explicação para a queda é a base de comparação alta, pois tanto empresas como cidadãos comuns tinham renovado os equipamentos, bem como as condições mais restritivas do crédito.
“Isso não altera a importância do segmento, mas indica que empresas e consumidores passaram a permanecer mais tempo com os equipamentos adquiridos nos últimos anos”, explicou Nascimento.
O Estado de S.Paulo - SP 23/06/2026
Milhares de famílias tiveram a vida transformada pelo Casa Paulista, o maior programa habitacional da história do estado de São Paulo. São 87 mil moradias já entregues e outras 116 mil em obras, além de mais de 150 mil imóveis regularizados, totalizando mais de 350 mil famílias atendidas. O investimento do governo de São Paulo no programa passa de R$ 9 bilhões.
O programa é estruturado em quatro frentes de atuação: a concessão de crédito imobiliário para famílias que desejam adquirir um imóvel diretamente com as construtoras ou incorporadoras; a construção de casas populares pelo governo paulista; a regularização fundiária de imóveis; e a execução de obras de urbanização e de melhorias habitacionais e urbanas.
Obstáculo superado
Modalidade responsável pelo maior número de unidades viabilizadas pelo Casa Paulista, a Carta de Crédito Imobiliário (CCI) ajuda famílias de baixa renda a obter o valor suficiente para a entrada de um financiamento, normalmente correspondente a 20% do preço do imóvel.
Concedido a fundo perdido – ou seja, o valor não precisa ser restituído –, a CCI foi responsável por 58% das novas moradias já entregues ou em construção pelo Casa Paulista desde o início de 2023. Está disponível para famílias com renda mensal entre um e três salários mínimos, cujos membros não possuam imóveis ou financiamento imobiliário ativo em seus nomes.
Esse subsídio só pode ser usado em unidades que façam parte de empreendimentos aprovados pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), após inscrição pelas construtoras. Enquadram-se nessa modalidade os imóveis da categoria Habitação de Interesse Social (HIS), tipo 1, com pelo menos dois quartos e área mínima de 39 m².
A renda média mensal das famílias beneficiadas em 2025 pela CCI foi de R$ 2,8 mil, enquanto a renda média dos demais compradores de imóveis nos mesmos empreendimentos foi quase o dobro, R$ 5,2 mil. Essa comparação evidencia o alcance do programa ao proporcionar que famílias de baixa renda superem a etapa mais difícil do sonho da casa própria: obter o valor suficiente para a entrada – já que, a partir daí, a parcela mensal do financiamento costuma ser menor do que o valor do aluguel já pago pela família.
Apoio em várias frentes
Além do fomento à iniciativa privada – que, por meio da CCI, passa a ter acesso a famílias de baixa renda que estavam fora do mercado imobiliário formal –, outra estratégia de enfrentamento do déficit habitacional paulista é a produção direta de unidades pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
Nesse caso, o financiamento dos imóveis segue as diretrizes da nova Política Habitacional do Estado de São Paulo: juro zero para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos. As prestações são calculadas conforme a renda familiar, podendo comprometer 20% dos rendimentos (com parcelas corrigidas pela inflação) ou 30% (com parcelas fixas, sem qualquer tipo de reajuste durante todo o prazo do financiamento).
Há outras modalidades direcionadas a públicos específicos, como o Vida Digna (que substitui moradias precárias, a exemplo de palafitas e barracos de madeira em áreas de risco de inundação, por unidades habitacionais adequadas) e o Vida Longa (voltado a idosos em situação de vulnerabilidade social).
O Casa Paulista também atua fortemente na regularização fundiária de imóveis em áreas urbanas, com o objetivo de proporcionar segurança jurídica aos cidadãos e aos municípios, por meio da posse legal e da garantia de direitos sobre a propriedade. Uma das iniciativas nessa linha é o Cidade Legal, que acelera e desburocratiza o processo, com apoio técnico às prefeituras e sem custos para o cidadão.
Todas essas estratégias são complementadas por melhorias habitacionais e urbanas realizadas pelo governo do Estado em diversos municípios – desde obras de maior porte (drenagem, contenção de encostas, sistemas de saneamento etc) até iniciativas como o programa Viver Melhor, destinado à reforma de moradias precárias já construídas.
Grandes Construções - SP 23/06/2026
O Brasil registrou, em maio de 2026, o maior índice de custo da construção civil desde 2022.
O INCC-M acumula alta de 6,82% nos últimos 12 meses, impulsionado pela pressão de mão de obra e pelo aumento de materiais provocado pelo conflito no Oriente Médio. Insumos como PVC, cimento e vergalhão registraram reajustes de 35%, 15% e 13%, respectivamente, segundo a FGV/Ibre.
O custo nacional do metro quadrado atingiu R$ 1.946,09 em abril de 2026, com R$ 1.098,80 referentes apenas a materiais, segundo o SINAPI/IBGE, com acúmulo de 7,01% em 12 meses, a maior pressão desde 2022.
Apesar da alta dos custos, a demanda por reformas segue em alta. Levantamento da Juntos Somos Mais - joint venture da Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre - apontou que 33,2% dos brasileiros planejavam realizar obras ou reformas em 2025, com o cartão de crédito parcelado liderando as formas de pagamento de materiais, à frente do PIX.
Em 2026, porém, o acesso ao cartão ficou mais restrito: segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 80,9% das famílias brasileiras acumulavam alguma dívida em abril, recorde histórico da série, e o cartão de crédito estava presente em 85% dos casos.
Com o limite comprometido, parte dos consumidores que precisam reformar migrou para o crediário no ponto de venda e a Top One Financeira registrou crescimento de 20% nas operações para materiais de construção em 2026 frente ao mesmo período de 2025.
“O custo da obra subiu, o cartão já está comprometido e a renda não cresceu na mesma proporção. O crediário entra nesse contexto não como solução de última instância, mas como alternativa planejada: parcela fixa, prazo definido, sem depender do limite do cartão. A decisão de consumo migra do valor total da obra para o valor da parcela mensal”, explica Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, que atua em mais de 3 mil pontos de venda no país e já analisou mais de R$ 3 bilhões em solicitações de crédito
Para o varejo de materiais de construção, oferecer crediário no ponto de venda é também uma proteção contra a inadimplência. A aprovação considera renda disponível, histórico de pagamento e nível de endividamento do consumidor, critérios que reduzem o risco para o lojista e garantem que o crédito concedido seja compatível com a capacidade real de pagamento.
Em um ambiente de juros elevados e custo do dinheiro pressionado, essa seletividade é o que diferencia o crescimento saudável do crediário da expansão indiscriminada de crédito.
“Quando o preço dos insumos sobe de forma abrupta, o consumidor não abandona a reforma, ele busca uma forma diferente de financiá-la. O crescimento que observamos em 2026 reflete exatamente essa migração: o crediário permite parcelar diretamente no ponto de venda, com análise criteriosa e sem a variabilidade dos juros rotativos do cartão”, conclui Vanderley.
Valor - SP 23/06/2026
Plano do governo federal é leiloar a Ferrogrão ainda em 2026 e em 2027 a extensão norte da FNS, ligando Açailândia (MA) ao Porto de Vila do Conde
Dois projetos ferroviários programados pelo governo federal para irem à leilão de concessão em 2026 e 2027 prometem reconfigurar a logística paraense, mas com impactos distintos sobre o desenvolvimento econômico e social do Estado. Um projeto é a extensão norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS) entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA), onde está o Porto de Vila do Conde. O trajeto de 530 km tem capex estimado pelo Ministério dos Transportes em R$ 10 bilhões e potencial de transportar 30 milhões de toneladas por ano, principalmente minérios, grãos, farelos e óleo de soja e etanol.
O edital de licitação está previsto para ser publicado em dezembro, com leilão em março de 2027. O traçado da ferrovia percorre uma área antropizada na região leste do Estado, passando próximo a Marabá e a polos agrícolas em expansão como Paragominas e Dom Eliseu, importantes produtores de soja e milho, e Mojú, a “capital nacional do dendê” e produtora de açaí. “O Pará está se posicionando como um forte produtor agrícola, e a FNS vai ser importante para escoar a produção local”, diz Mauro Bastos, secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará.
Bastos avalia que a o Pará pode dobrar sua produção agrícola, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 7,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, em três anos ocupando apenas áreas antropizadas, sem avançar sobre a floresta. “Só precisamos de uma logística eficiente”, afirma.
O setor industrial espera que a extensão da FNS até Barcarena transforme a logística local. A expectativa é que a conexão à malha ferroviária nacional possa reduzir custos ao diminuir a dependência rodoviária, ampliar a previsibilidade e melhorar a competitividade. “Isso significa melhores condições para recebimento de insumos e escoamento de produção para outros Estados e para exportação”, diz Alex Dias Carvalho, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).
A estimativa é que a ferrovia reduza em até 30% os custos logísticos e reduza em mais de 60% as emissões de gases de efeito estufa. Hoje, todo o transporte de produtos agropecuários e minerais da região de abrangência da futura extensão da FNS é realizado por caminhões até o porto de Vila do Conde, pelas rodovias BR-010, BR-316 e PA-150.
O outro projeto programado é a Ferrogrão, de 933 km entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), onde se localiza o porto de Miritituba, no rio Tapajós. O Ministério dos Transportes estima capex de R$ 33,2 bilhões e potencial de movimentação de 66 milhões de toneladas por ano, basicamente grãos produzidos no Centro Oeste. Uma etapa importante para viabilizar o leilão foi superada em 21 de maio, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, que reduziu a área do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, em 862 hectares, viabilizando o trajeto.
O ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo, avaliou em seu voto que o traçado da ferrovia acompanha a faixa de domínio da BR-163, o que reduziria impactos ambientais. Após a decisão, o ministro dos Transportes, George Santoro, reforçou a decisão do governo de realizar a concessão ainda em 2026. “O projeto está no TCU [Tribunal de Contas da União] em fase avançada para ir pra plenário para aprovação”, disse Santoro em um evento em Cuiabá, reforçando que “provavelmente” o certame será no segundo semestre.
A construção da ferrovia ainda precisará de licenciamento ambiental. e o processo pode ser demorado. A Ferrogrão é questionada por grupos ambientalistas e também por lideranças indígenas, uma vez que seu traçado percorre uma área ainda não antropizada. Documento do Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra) estima que o projeto possa gerar um desmatamento de mais de 2 mil km2 de florestas e promover conflitos fundiários na região.
“A Ferrogrão vai precisar de uma espécie de ‘licença social’ para se viabilizar”, diz Carvalho. Ou seja, uma aceitação informal da comunidade. “O poder público e os investidores vão precisar convencer a sociedade que a ferrovia é necessária e vai gerar benefícios para a coletividade, não apenas para o agronegócio”, afirma o presidente da Fiepa. Ele propõe que o governo federal destine o valor integral da outorga da concessão a ações socioambientais na região afetada e supere os recursos vinculados às compensações ambientais que serão necessárias para o licenciamento.
Para o agronegócio, a ferrovia tem potencial de reduzir em 30% o custo do transporte de Mato Grosso ao porto de Miritituba (PA) em relação ao deslocamento via BR-163, por onde transitaram 17,4 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2025. A projeção do Ministério da Agricultura é que o Mato Grosso dobre sua produção agrícola em dez anos, principalmente na região norte do Estado, na área de influência da BR-163 e da Ferrogrão.
Valor - SP 23/06/2026
Localizado na Baía de Sepetiba, em Itaguaí, o terminal privado mira movimentações de cargas produzidas no pré-sal
O Porto Sudeste iniciou as obras para a implantação de estruturas de atracação e amarração de embarcações, denominadas dolfins, de olho no mercado de óleo e gás. Com investimentos de R$ 177 milhões, o Porto Sudeste vai construir seis novos dolfins de amarração e dois de atracação, além de uma nova plataforma de apoio.
Localizado na Baía de Sepetiba, em Itaguaí, o terminal privado mira movimentações de cargas produzidas no pré-sal. Com as obras, a capacidade de escoamento de granéis líquidos dobrará, ao passar da capacidade de transferência de 50 milhões de toneladas por ano para 100 milhões de toneladas por ano.
Em 2025, o Porto, também conhecido pelo escoamento de minério de ferro, realizou 19 operações de granéis líquidos: a partir de 2022, o porto iniciou processo de diversificação de cargas e iniciou transbordo de granéis líquidos.
Atualmente, o porto compartilha o píer entre granéis sólidos e líquidos, o que deixará de ocorrer com a construção das novas estruturas, ao se destinar cada espaço para cada carga, explicou em nota o presidente do Porto Sudeste, Jayme Nicolato.
"A localização geográfica do Porto Sudeste posiciona o ativo como uma engrenagem estratégica incontestável para a logística e escoamento da produção de petróleo originária da província do pré-sal”, disse Nicolato.
O Porto Sudeste é controlado pelo Mubadala e pela Trafigura. Inicialmente foi dedicado à movimentação do minério de ferro produzido em Minas Gerais.
Valor - SP 23/06/2026
Projeto prevê terminal para contêineres, grãos, minérios e combustíveis
A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) articula a criação de um porto privado offshore no canal do Quiriri, que conecta o estuário do rio Pará e a baía de Marajó com o oceano Atlântico, na proximidade da ilha dos Guarás. O projeto ainda está em desenvolvimento, mas segundo a entidade, há interesse de empresas como tradings agrícolas e mineradoras. Sua área de influência contempla a Margem Equatorial, o que pode atrair petroleiras.
“Precisamos expandir os portos existentes e de um novo porto multipropósito”, afirma Rui Lourenço, presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Pará (Sindopar). “O poder público não tem capacidade financeira de realizar esses investimentos. A expansão terá que vir do setor privado”, completa Kleber Menezes, CEO da Brick Logística.
O projeto será apresentado às autoridades após o término de estudos de viabilidade. “Pretendemos colocar na agenda do próximo governo”, afirma Alex Dias Carvalho, presidente da Fiepa. O porto ocuparia um local com calado natural de 25 metros de profundidade - permitindo a atracação do Valemax, maior graneleiro do mundo -, seria exclusivamente fluvial e teria cais para barcaças e contêineres, píeres para minérios, grãos e combustíveis e área de estocagem de mercadorias.
Segundo o Sindopar, no dia 13 de maio o line up do Porto de Vila do Conde registrava 31 navios que à espera para atracar há mais de 15 dias - e alguns já estavam na fila há 30 dias. “A diária de um navio fundeado é de US$ 30 mil”, diz Lourenço. “É um valor pago pelo embarcador, mas que, em última instância, é arcado pelo consumidor.”
No dia 23 de maio, o navio Strait Pearl zarpou de Vila do Conde com 45 mil toneladas de ferro gusa, após 36 dias de espera até realizar o carregamento. “A espera gera um prejuízo muito grande para o exportador”, diz Carlos Pinto, diretor comercial da Matapi Multimodal, empresa responsável pela operação logística da carga, da retirada no fabricante em Marabá (PA) ao embarque no navio. “Não é de espantar que muitas empresas paraenses prefiram encaminhar suas cargas pelos portos do Maranhão”, afirma.
O Estado de S.Paulo - SP 23/06/2026
Privatizada quatro anos atrás, a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) mudou de nome para Vports Autoridade Portuária S.A. e, sob a gestão privada, busca escrever uma nova história do complexo portuário que reúne os portos de Vitória e de Vila Velha e, futuramente, de um novo terminal em Barra dos Riachos. A autoridade portuária capixaba foi a primeira, e até agora única, a ser desestatizada no País.
Uma das metas da Vports é mais do que dobrar a receita de operação até 2030, ante os R$ 381 milhões registrados em 2025. Para isso, planeja ampliar a movimentação das atuais cargas e a inserção de novas, como a exportação de petróleo extraído nas bacias do Estado.
Gustavo Serrão, há dois anos nomeado presidente da Vports, disse que a meta foi trazer para as operações dos dois terminais a agilidade e a flexibilidade da gestão de empresas privadas, em todos os processos, para obter redução de custos e ganhos de eficiência. O executivo falou ao Estadão três semanas antes de se desligar da empresa, na última quinta-feira, 18 de junho.
“Conseguimos, nesse período, formar 18 novas parcerias — empresas que operam no porto em segmentos específicos de cargas alavancando investimentos de R$ 1,6 bilhão", informa o executivo. No mesmo período, a movimentação de cargas nos dois terminais cresceu 15%, atingindo 8,4 milhões de toneladas em 2024 e um pouco menos no ano passado. Segundo Serrão, até 2022, eram 7 milhões de toneladas durante 10 anos.
Vitória e Vila Velha formam um porto multipropósito, que movimenta granéis sólidos (ferro-gusa, fertilizantes, coque de petróleo, grãos), rochas ornamentais (granito, em blocos e chapas), cargas em contêiner, como café, e outros tipos de cargas, caso de veículos. “Cerca de 90% dos veículos elétricos que entram no Brasil é via nossos portos”, diz.
Segundo Serrão, o tarifaço de Donald Trump (presidente dos EUA) em 2025 mudou um pouco o perfil da movimentação de cargas no ano passado. A importação, em alguns casos, cresceu. Por exemplo, de fertilizantes, que bateu recorde. Já as exportações foram afetadas, principalmente de café e de rochas ornamentais — o Espírito Santo é um dos maiores produtores do grão no País.
Porto ganhará área maior de armazenamento da carga
A Vports e a concessionária de ferrovias VLI Logística vão colocar em operação, no próximo mês, a duplicação do transporte de ferro-gusa, passando de 500 mil para 1 milhão de toneladas o volume transportado por ano. A operação foi viabilizada em parceira com a Multilift. A carga virá do polo guseiro da região metropolitana de Belo Horizonte.
Para tornar viável a operação, o investimento é de R$ 140 milhões, a cargo da parceira. Com isso, o berço de atracação de navios passa a ter um calado mais profundo, de 10,6 metros para 12,5 metros, permitindo receber navios para gusa com capacidade de até 50 mil toneladas. Hoje está restrito a embarcações de até 30 mil toneladas. O porto ganha uma área maior de armazenamento da carga—40 mil metros quadrados.
Além da ampliação do volume das cargas atuais, os investimentos, diz Serrão, estão voltados para elevar a especialização de material movimentado em Vitória e Vila Velha. “O Espírito Santo está num raio de 1 mil km onde ficam 60% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. A Vports pode ser acessada por duas ferrovias, a Vitória a Minas, da Vale e a VLI”, afirma.
Em maio, a Vports inaugurou a ampliação da área de contêineres. A movimentação no terminal de Vila Velha é de quase 300 mil TEUs (unidade equivalente a 20 pés, ou cerca de seis metros) por ano.
No momento, a autoridade portuária desenvolve um berço para exportar petróleo, com contrato já firmado com a Blue Terminals. Está na fase de obtenção de licença ambiental e a previsão, dentro do cronograma, é iniciar os embarques em janeiro de 2028. O investimento do parceiro no projeto é de R$ 340 milhões.
“Já temos 80% da área (mole de abrigo) prontos. Falta uma obra para permitir a atracação de navios aptos a transportar 2 milhões de barris. A expectativa é de 50 navios por ano”, diz o executivo. Ele destaca que o Espírito Santo é o segundo maior produtor brasileiro de petróleo.
Outra iniciativa, com aportes de R$ 400 milhões, visa duplicar a tancagem de combustíveis nos terminais da Vports, informa Serrão. “O esforço, desde que cheguei, é construir soluções eficientes, sempre com parcerias. Isso é fator chave do nosso modelo. O parceiro é quem captura as cargas.”
‘Há demanda para vários tipos de cargas’
Ao mesmo tempo, a Vports tem o olhar voltado para o norte do Estado, especificamente a região do município de Aracruz, onde há estímulo do governo capixaba para a formação do Parque Logístico Norte. São três terminais dentro de uma área que engloba 10 municípios. Atualmente, há em operação no município o Portocel, para exportação de celulose, do grupo Suzano.
A Imetame Logística, do grupo Imetame, está em fase avançada de construção de um complexo portuário privado, incluindo um terminal de contêiner, também em Aracruz. A empresa fez parceria estratégica com Hanseatic Global Terminal (HGT), operadora de terminais da gigante Hapag-Lloyd.
O projeto da VPorts, em Barra dos Riachos, um distrito e comunidade costeira localizados 45 km ao norte de Aracruz, será também no modelo multipropósito. “Há demanda para vários tipos de cargas”, diz o CEO. Ele cita que o porto pode abrigar terminais para grãos, gás, energia e para descomissionamento de plataformas de petróleo em fim de vida útil.
O executivo lembra que a fabricante de veículos chinesa GWM anunciou plano de montar uma fábrica de carros na região entre 2029 e 2030.
No momento, o empreendimento da Vports ainda está na fase de obter a primeira licença ambiental, esperada para sair no final de 2026. Com o documento emitido pelo órgão ambiental do estado, a autoridade portuária irá a campo buscar parceiros, o que deve ocorrer ao longo de 2027. O projeto será um greenfield em área de 522 mil metros quadrados.
Na época da privatização, a Vports já detinha a área. Os novos acionistas tiveram de firmar compromisso de desenvolver esse projeto durante o seu tempo de concessão, que é de 35 anos. “Vamos, nesse período, elaborar estudos para ter a melhor alternativa de negócio a ser explorada no terminal”, diz Serrão.
Qual é o salto na capacidade previsto?
A antiga Codesa foi arrematada com lance pela outorga de R$ 106 milhões feito pelo fundo de investimento Quadra Capital, que também adquiriu as ações da autoridade portuária por R$ 326 milhões. E mais R$ 855 milhões em investimentos em obras de infraestrutura.
Em três anos, a meta da Vports é desenvolver projetos para elevar sua capacidade de operação de cargas nos dois terminais de 10 milhões de toneladas, hoje, para 16 milhões de toneladas por ano — aumento de 60% a ser atingido em 2030.
Neste ano, até abril, o volume movimentado pela Vports cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é otimista, mas com incertezas diante do novo tarifaço dos EUA a produtos brasileiros e do cenário geopolítico dos EUA com China e no Oriente Médio.
Serrão, formado em engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e com passagens pela área de logística ferroviária e portuária de Vale e VLI, destaca que o crescimento da Vports será em linha com sua vocação. Em contêineres, por exemplo, na cabotagem.
No ano passado, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa alcançou R$ 220 milhões, com margem de quase 60% sobre a receita operacional de R$ 381 milhões. “No período, desde que foi privatizada, o Ebitda mais que triplicou. Era de R$ 60 milhões”. Segundo o executivo, a Vports tem rating Triple A da Fitch Ratings.
IstoÉ Online - SP 23/06/2026
O Irã, através de seu principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, confirmou o estabelecimento de uma linha de comunicação direta com os Estados Unidos para gerenciar a passagem de navios pelo estratégico Estreito de Ormuz. A medida visa primordialmente evitar conflitos e incidentes na via navegável crucial para o comércio global. Este avanço diplomático ocorreu após intensas negociações realizadas no domingo na Suíça. Adicionalmente, um acordo para a liberação de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados foi finalizado durante os mesmos diálogos.
O que aconteceu
Irã e EUA estabelecem linha de comunicação sobre o estratégico Estreito de Ormuz. O objetivo é prevenir conflitos e incidentes na vital via navegável internacional. Acordo para liberação de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados foi finalizado.
Qalibaf detalhou as resoluções à TV estatal iraniana ao retornar das negociações na Suíça. Ele enfatizou a importância do diálogo direto para a estabilidade regional e para garantir o fluxo ininterrupto do transporte marítimo global.
A finalização da liberação dos ativos é vista como um passo significativo na desescalada das tensões e no restabelecimento da confiança mútua entre as nações, após anos de impasses e sanções.
InfraRoi - SP 23/06/2026
O Complexo Industrial Portuário de Suape, localizado na Região Metropolitana do Recife (PE), movimentou 11.268.644 toneladas de cargas entre janeiro e maio deste ano, crescimento de 26,9% na comparação com o registrado no mesmo período de 2025. Pelos números alcançados até 31 de maio, o atracadouro pernambucano figura como o quarto porto público mais movimentado do país, de acordo com ranking da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
O desempenho positivo já havia sido sinalizado em janeiro, quando Suape registrou aumento de 38,6% na movimentação de cargas e de 26,2% nas atracações na comparação com o primeiro mês de 2025. O acumulado dos cinco primeiros meses confirma o avanço das atividades industriais instaladas no território e o fortalecimento das operações que conectam Pernambuco aos mercados brasileiro e internacional.
Movimentação por carga
As operações com granéis líquidos responderam por 66,2% de toda a movimentação do período. Foram 7.454.345 toneladas de petróleo, derivados e outros produtos líquidos, resultado 41,9% superior ao do mesmo intervalo de 2025. O crescimento reflete diretamente a ampliação da produção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), que agora opera com capacidade para processar até 130 mil barris por dia.
Os granéis sólidos também apresentaram forte crescimento. O segmento acumulou 658.642 toneladas, alta de 43,6%, com destaque para trigo, cimento, clínquer e coque. Já as cargas gerais soltas responderam por 2,1% da movimentação total.
A movimentação de contêineres permaneceu em patamar elevado. O Tecon Suape registrou 275.714 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) entre janeiro e maio, volume semelhante ao apurado no mesmo período do ano passado e correspondente a 25,9% das operações do complexo.
O aumento das operações teve reflexo direto no fluxo marítimo. Nos cinco primeiros meses do ano, Suape recebeu 693 embarcações de diferentes portes e perfis, número 14,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Movimentação mostra potencial do Porto
Para o diretor-presidente do Complexo de Suape, Armando Monteiro Bisneto, os resultados demonstram a consolidação de um ciclo sustentável de expansão. “Os números confirmam a força do nosso parque industrial, o crescimento das operações energéticas e os efeitos dos investimentos que vêm ampliando a competitividade do porto. Suape fortalece sua posição como um dos principais hubs logísticos do Brasil, contribuindo para a atração de investimentos, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico de Pernambuco”, destaca.
O desempenho acompanha o momento de expansão do complexo, marcado por investimentos em infraestrutura, modernização operacional e ampliação da capacidade portuária. Com localização estratégica e conexão com as principais rotas marítimas do país, Suape segue fortalecendo seu protagonismo como plataforma logística, industrial e energética do Nordeste.
“Os resultados refletem não apenas o aumento da demanda por combustíveis e derivados, mas também a importância de avançarmos com os investimentos planejados para os Píeres de Granéis Líquidos. Essas intervenções serão fundamentais para elevar a eficiência operacional, ampliar a capacidade de atendimento e garantir que Suape continue acompanhando o ritmo de crescimento da cadeia de petróleo, derivados e combustíveis que hoje movimenta a maior parte das cargas do complexo”, pontua o diretor de Desenvolvimento e Gestão Portuária de Suape, José Constantino.
Veja - SP 23/06/2026
Os Estados Unidos autorizaram o Irã a voltar a comercializar petróleo em dólares pela primeira vez em décadas, em uma mudança significativa na política de sanções adotada contra Teerã.
A decisão, anunciada pelo Departamento do Tesouro americano nesta segunda-feira (22), suspende por dois meses restrições que limitavam a exportação de petróleo iraniano e o acesso do país ao sistema financeiro internacional.
A medida faz parte das negociações em curso entre Washington e Teerã para consolidar um cessar-fogo após meses de tensão militar na região.
O acordo também está ligado à reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, e às discussões sobre o programa nuclear iraniano.
Alívio econômico para Teerã
A autorização permite que compradores paguem pelo petróleo iraniano diretamente em dólares, moeda dominante no comércio internacional de energia. Na prática, a mudança facilita o retorno de receitas ao sistema bancário iraniano e reduz a dependência de mecanismos alternativos utilizados para contornar sanções.
Desde a reimposição de restrições americanas nos últimos anos, o Irã vinha recorrendo a uma rede de intermediários, empresas de fachada e navios operando fora dos sistemas convencionais de rastreamento para exportar petróleo, principalmente para refinarias chinesas.
Segundo especialistas em sanções internacionais, a nova autorização representa uma ruptura relevante com a estratégia adotada por Washington ao longo das últimas duas décadas.
Além dos pagamentos em dólar, a suspensão temporária das sanções também permite que embarcações anteriormente incluídas em listas restritivas participem legalmente do comércio de petróleo iraniano durante o período de vigência da medida.
Negociações avançam em torno do programa nuclear
O anúncio ocorreu horas depois de o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmar que o governo iraniano concordou em permitir o retorno de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
A presença dos técnicos é considerada fundamental para verificar o estado das instalações nucleares iranianas após ataques realizados por Estados Unidos e Israel no ano passado.
As inspeções são um dos pontos centrais das negociações. Washington busca limitar a capacidade iraniana de enriquecer urânio em níveis próximos aos necessários para a produção de armas nucleares.
O governo iraniano, por sua vez, insiste que seu programa possui fins pacíficos e exige a retirada gradual das sanções econômicas.
Até o momento, Teerã não confirmou oficialmente as declarações americanas sobre a retomada das inspeções. Setores mais conservadores do regime demonstraram resistência à possibilidade de ampliar o acesso dos inspetores internacionais às instalações nucleares do país.
Hormuz volta ao centro das preocupações
Outro tema prioritário nas negociações é a navegação pelo Estreito de Hormuz. A passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.
O bloqueio temporário da região durante a escalada do conflito provocou forte preocupação nos mercados internacionais e elevou os riscos de interrupções no fornecimento de petróleo.
Segundo autoridades americanas, foi criado um mecanismo permanente de comunicação entre Estados Unidos e Irã para reduzir o risco de novos incidentes na área.
Dados de monitoramento marítimo indicam que o tráfego de navios começou a se recuperar nos últimos dias, embora ainda permaneça abaixo dos níveis observados antes do conflito.
Mercado observa efeitos da reaproximação
A flexibilização das sanções ocorre em um momento em que os mercados acompanham com atenção qualquer sinal de aumento da oferta de petróleo.
O Irã possui algumas das maiores reservas de hidrocarbonetos do mundo e produz atualmente cerca de 3 milhões de barris por dia.
Analistas avaliam que um retorno mais amplo do petróleo iraniano ao mercado internacional poderia contribuir para reduzir pressões sobre os preços da commodity nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, a decisão deve enfrentar resistência de setores políticos nos Estados Unidos e de aliados regionais de Washington, que defendem a manutenção da pressão econômica sobre o regime iraniano até que haja avanços concretos nas negociações nucleares.
O acordo anunciado nesta segunda-feira sugere que a Casa Branca aposta em incentivos econômicos para obter concessões diplomáticas de Teerã, em uma estratégia que marca uma mudança importante em relação à política de isolamento adotada nos últimos anos.
Investing - SP 23/06/2026
As exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita caíram a um mínimo histórico em abril, registrando o segundo declínio mensal consecutivo, de acordo com dados da Iniciativa Conjunta de Dados das Organizações (JODI, na sigla em inglês) divulgados na segunda-feira.
As exportações recuaram para aproximadamente 3,990 milhões de barris por dia em abril, ante 4,974 milhões de bpd em março. A queda ocorreu em meio às perturbações causadas pela guerra com o Irã, que afetou os embarques da região do Golfo. Os dados da JODI sobre exportações e produção de petróleo bruto da Arábia Saudita remontam a 2002.
A produção de petróleo bruto do país atingiu 6,316 milhões de bpd em abril, o menor nível já registrado, em comparação com 6,967 milhões de bpd em março.
Os dados mensais de exportação são enviados por Riad e outros membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) à JODI, que publica as informações em seu site.
Os Estados Unidos e o Irã fizeram "progressos encorajadores" na primeira rodada de negociações voltadas para um acordo de paz definitivo, segundo mediadores. As tensões persistem em relação ao Líbano e ao Estreito de Ormuz.
Ataques iranianos contra países do Golfo, em resposta a ofensivas dos EUA e de Israel iniciadas no final de fevereiro, danificaram importantes instalações de energia e perturbaram o tráfego de navios pelo estreito. O estreito normalmente responde por cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito.
A Agência Internacional de Energia (AIE) estimou que a guerra bloqueou mais de 14 milhões de bpd da produção de petróleo do Oriente Médio.