Clipping Diário

16 | Junho | 2026

SIDERURGIA

Veja - SP   16/06/2026

A CSN acelerou o processo de venda de uma participação minoritária em seu braço de infraestrutura. O pacote colocado no mercado reúne ativos avaliados entre R$ 16 bilhões e R$ 21 bilhões e pode render entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos para o caixa da companhia, de acordo com pessoas a par do assunto.

Na cesta estão a participação na MRS Logística, os terminais Tecar e Tecon, em Itaguaí (RJ), e a transportadora rodoviária Grupo Tora. A operação prevê a venda de uma fatia entre 20% e 40% dos ativos, preservando o controle nas mãos da CSN.

O movimento faz parte da estratégia de desalavancagem do grupo de Benjamin Steinbruch. A companhia encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 40,5 bilhões e trabalha para cumprir a meta anunciada ao mercado de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a reciclagem de ativos.

Nos bastidores, a expectativa é que fundos globais de infraestrutura apareçam entre os principais interessados. O principal ponto de atenção, porém, está na governança da operação. Isso porque uma parcela relevante da participação na MRS está alocada na CSN Mineração, empresa listada e que tem como sócia a japonesa Itochu.

Para acomodar a venda dentro do novo veículo de infraestrutura, a CSN terá de promover uma reorganização societária interna. O desenho ainda está sendo estruturado, mas fontes de mercado avaliam que o tema pode gerar questionamentos de governança por parte dos minoritários da mineradora e de seus parceiros estratégicos.

A expectativa é que os primeiros memorandos de entendimento (MoUs) sejam assinados nas próximas semanas, com a definição de uma lista restrita de interessados até o fim do terceiro trimestre.

Money Times - SP   16/06/2026

A Gerdau (GGBR4) informou nesta segunda-feira (15) que apresentou proposta vinculante e assinou contrato para adquirir a participação de 23,03% da Copel na Dona Francisca Energética S.A. (Dfesa), em uma transação que considera um enterprise value de R$ 150 milhões.

Segundo a companhia, o pagamento será realizado à vista na data de fechamento da operação, com recursos próprios. A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo aprovação da autoridade concorrencial brasileira.

A operação também prevê a renúncia da Copel ao direito de preferência em relação à aquisição da participação detida pela Celesc na Dfesa, transação já anunciada pela Gerdau em abril deste ano.

A Dona Francisca Energética é responsável pela operação de uma participação de 85% no consórcio da concessão da Usina Hidrelétrica Dona Francisca, localizada no Rio Grande do Sul, entre os municípios de Agudo e Nova Palma, no rio Jacuí.

A usina possui capacidade instalada de 125 MW e garantia física de 72,5 MW médios, dos quais aproximadamente 66 MW médios são destinados à Dfesa.

Atualmente, a Gerdau detém 53,94% do capital social da empresa, equivalente a 35,6 MW médios de energia. Com a conclusão das aquisições das participações da Copel e da Celesc, a companhia passará a controlar 100% da Dfesa.

O investimento total nas duas aquisições soma R$ 300 milhões em enterprise value. Com isso, a Gerdau ampliará sua autoprodução de energia em 30,4 MW médios, passando a utilizar integralmente os 65,94 MW médios de energia assegurada disponíveis na Dfesa para fins de autoprodução.

De acordo com a siderúrgica, a operação está alinhada à sua estratégia de alocação de capital e deve aumentar a competitividade dos custos de seus negócios.

A companhia afirmou ainda que a transação elevará a autoprodução de energia para mais de 50% do seu consumo, com foco em fontes renováveis e em linha com sua estratégia de descarbonização.

ECONOMIA

Exame - SP   16/06/2026

O novo tarifaço proposto pelo governo de Donald Trump pode afetar as relações comerciais com o Brasil. Segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 31,6% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos poderão ser submetidas a uma tarifa de 37,5% caso sejam adotadas as novas medidas sugeridas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

No momento, esses produtos estão sujeitos a uma alíquota de 10%, o que representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais.

O levantamento também aponta que outros 3,6% dos embarques brasileiros para o mercado norte-americano passariam de uma tarifa de 10% para 12,5%, um acréscimo de 2,5 pontos percentuais.

Se as taxações forem efetivamente implementadas pela Casa Branca, 35,2% das exportações brasileiras aos Estados Unidos ficarão sujeitas às novas cobranças. Quando somadas às medidas setoriais já aplicadas com base na Seção 232, a parcela de produtos brasileiros atingidos por alguma tributação adicional poderá alcançar 54,1%.

Apesar disso, as propostas ainda não têm aplicação imediata. Antes de qualquer decisão definitiva, o governo norte-americano deverá realizar consultas públicas e audiências para discutir as medidas.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que a adoção das tarifas poderá gerar impactos nas cadeias produtivas dos dois países.

"A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo, baseado em critérios técnicos e na busca de soluções que preservem uma parceria econômica estratégica para ambos os países”, afirma Alban.

Entre os produtos mais afetados está o ferro gusa não ligado, que passaria a recolher uma tarifa adicional de 37,5%, ante os 10% atualmente aplicados com base na Seção 122. Em 2024, as exportações brasileiras desse item para os Estados Unidos somaram US$ 1,5 bilhão.

Produtos que podem ser submetidos à tarifa de 37,5%:

Ferro gusa não ligado; Açúcar de cana em forma sólida; Sebo não comestível; Álcool etílico não desnaturado; Molduras de madeira padrão de pinho.

Produtos que podem ser submetidos à tarifa de 12,5%:

Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas; Lajes de quartzito; Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja; Silício; Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

O levantamento da CNI utiliza como base as listas de exceções divulgadas pelo USTR. A metodologia considera isentas as exportações já abrangidas pelas medidas da Seção 232, segundo os relatórios publicados pelo órgão.

Investigações da Seção 301 e propostas tarifárias dos Estados Unidos

Em junho deste ano, o USTR divulgou os resultados de duas investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, ambas com impactos potenciais sobre produtos brasileiros.

No caso da investigação direcionada ao Brasil, iniciada em julho de 2025, o órgão concluiu que práticas relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento seriam consideradas restritivas ou onerosas ao comércio norte-americano.

Como resultado, foi sugerida a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A proposta prevê exceções para 1.698 códigos tarifários, incluindo itens como café, carne e suco de laranja.

Paralelamente, o USTR finalizou uma investigação sobre trabalho forçado envolvendo quase 90 países. Segundo o órgão, o Brasil integra o grupo de nações que não adotam ou não aplicam de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Nesse caso, a proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5%, com isenção para 1.655 códigos tarifários.

Quando as duas medidas recaem sobre um mesmo produto, a sobretaxa total pode atingir 37,5%.

Medidas ainda dependem de consulta pública

As tarifas adicionais propostas pelo USTR ainda estão em fase de discussão e não entram em vigor automaticamente.

O cronograma prevê audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho para debater os resultados das investigações e recolher contribuições de empresas, entidades representativas e governos. Também haverá a possibilidade de envio de manifestações por escrito.

Na avaliação da CNI, essa etapa oferece ao Brasil a oportunidade de apresentar dados e argumentos técnicos para contestar as propostas e demonstrar os possíveis impactos sobre a relação econômica entre os dois países.

Por que os EUA fizeram nova ameaça de tarifas?

No início de junho, os Estados Unidos anunciaram uma proposta para aplicar tarifas mínimas de 10% sobre produtos importados da maior parte de seus principais parceiros comerciais. A iniciativa surge após uma investigação relacionada à entrada de mercadorias supostamente produzidas com trabalho forçado. A informação foi divulgada inicialmente pela Bloomberg.

A medida integra os esforços do presidente Donald Trump para reconstruir a estrutura tarifária que havia sido invalidada pela Suprema Corte americana.

Segundo comunicado do Escritório do Representante Comercial dos EUA, a tarifa de 10% alcançaria importações provenientes de países e blocos como Canadá, México, União Europeia, Taiwan e Reino Unido. Já produtos originários de economias como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça ficariam sujeitos a uma alíquota de 12,5%.

Diferenças nas taxações

De acordo com o órgão, a diferenciação das taxas leva em conta a atuação dos parceiros comerciais no combate à importação de produtos associados ao trabalho forçado. Países que adotam ou assumiram o compromisso de adotar restrições a esse tipo de mercadoria receberiam a tarifa menor. Já aqueles “que não conseguiram impor e aplicar efetivamente” essas proibições seriam enquadrados na taxa mais elevada.

A proposta marca um novo capítulo da tentativa de Trump de restaurar as tarifas aplicadas individualmente a países durante o início de seu primeiro mandato. As novas recomendações derivam de investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento jurídico distinto daquele anteriormente utilizado pela Casa Branca.

As tarifas ainda não serão implementadas. O processo prevê consultas públicas e etapas de revisão que podem resultar em alterações antes da adoção definitiva das medidas. O prazo para envio de manifestações por escrito termina em 6 de julho. Na sequência, um painel vinculado à Seção 301 deverá iniciar audiências públicas em 7 de julho.

“A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias fabricadas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”, disse a Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, em um comunicado. “Não toleraremos mais essa disparidade.”

A iniciativa também deve servir como teste para a reação dos principais parceiros econômicos dos Estados Unidos. Até o momento, muitos deles evitaram retaliações diretas às tarifas impostas por Trump, priorizando negociações voltadas à redução de barreiras comerciais e à preservação do acesso ao mercado americano.

As apurações relacionadas ao trabalho forçado representam apenas uma parte da estratégia comercial do governo. Outras investigações conduzidas sob a mesma autoridade legal analisam questões ligadas ao excesso de capacidade produtiva em economias parceiras dos EUA.

O plano inclui exceções. Alguns produtos têxteis e de vestuário poderão ingressar no mercado americano com tarifas reduzidas, dentro de cotas calculadas a partir do volume de exportações têxteis dos EUA para esses países. Certos alimentos, como carne bovina, tomates, bananas, café e suco de laranja, ficariam totalmente isentos. Também permanecem fora do escopo da proposta metais já submetidos a outras tarifas, além de determinados combustíveis e produtos químicos.

A estratégia comercial de Trump sofreu um revés em fevereiro, quando a Suprema Corte anulou tarifas implementadas com base em poderes de emergência. A investigação relacionada ao trabalho forçado, conduzida sob a Seção 301, havia sido direcionada inicialmente a cerca de 60 economias.

As tarifas previstas pela Seção 301 são consideradas mais robustas do ponto de vista jurídico e oferecem maior flexibilidade ao governo, embora demandem mais tempo para serem implementadas. Paralelamente, Trump adotou uma tarifa global de 10% com base na Seção 122 da legislação comercial americana. Essas cobranças, porém, têm validade até julho e continuam sob análise judicial.

Greer afirmou que a intenção do governo é concluir diferentes investigações comerciais para que novas tarifas possam ser implementadas rapidamente após o encerramento das medidas atualmente em vigor.

O Estado de S.Paulo - SP   16/06/2026

Na leitura dos analistas, o aumento de estímulos à economia sustenta essa combinação; Ministério da Fazenda diz que política fiscal tem atuado no sentido de reduzir pressões sobre a demanda agregada

Os números recentes da economia brasileira mostram que o País tem acumulado uma série de desequilíbrios. O Brasil cresce além do seu potencial, turbinado por vários incentivos fiscais; a inflação está acima do teto da meta, com as projeções para os próximos anos subindo; e a taxa básica de juros (Selic) pode parar de cair em breve.

Na leitura dos analistas, por trás dessa combinação perversa está o aumento do número de medidas que acabam estimulando a economia, o que leva o Brasil a crescer acima da sua capacidade, piorando o cenário de inflação e, consequentemente, de juros. Tudo isso num cenário internacional que se tornou mais difícil nos últimos meses.

Os especialistas chamam a atenção para o fato de que esse modelo está próximo do fim: 2027 será decisivo para o País endereçar a questão das contas públicas, reduzindo o espaço para estímulos.

“Eu brinco que o Brasil tem um equilíbrio imaginário”, afirma Luis Otávio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners. “Temos uma economia que cresce entre 2% e 3%, uma taxa de desemprego na mínima histórica e crescimento da renda muito forte nos últimos anos. Também temos uma inflação que diverge da meta e uma taxa de juros extremamente elevada, o que leva a um endividamento das famílias e das empresas. Esse pseudoequilíbrio não é sustentável.”

Em meio ao cenário eleitoral competitivo, o governo Lula adotou uma série de políticas para tentar alavancar a popularidade da atual gestão. São várias as medidas em curso que têm estimulado a economia, como, por exemplo, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o Gás do Povo e o novo Desenrola. Juntas, as medidas anunciadas desde o ano passado já somam R$ 212 bilhões — o equivalente a 1,7% do PIB, segundo cálculos da Tendências Consultoria.

“Isso acaba jogando a economia num estado de crescimento mais artificial”, diz Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria. “Mesmo com a taxa de juros elevada, a economia brasileira ainda mostra uma resiliência.”

Mais do que as medidas de curto prazo, o Brasil ainda lida com um Orçamento engessado e com o aumento das chamadas despesas obrigatórias, como as da Previdência e as do Benefício de Prestação Continuada (BPC), sobretudo pela volta da política de valorização real (acima da inflação) do salário mínimo.

“Temos programas que são meritórios e fazem sentido, mas alguns deles dão um incentivo adicional à demanda”, afirma Alessandra.

Procurado, o Ministério da Fazenda aponta que a atribuição de que a economia brasileira opera acima do seu potencial por causa dos “estímulos fiscais recentes não reflete integralmente o quadro observado”. Em nota, a Pasta informou que “o Impulso Estrutural do Gasto (IEG) foi contracionista ao longo de quatro trimestres seguidos, entre meados de 2024 e o primeiro semestre de 2025, o que aponta para uma política fiscal que tem atuado no sentido de reduzir pressões sobre a demanda agregada, e não de ampliá-las.”
Trajetória da dívida preocupa

A trajetória da dívida brasileira em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é monitorada de perto pelos investidores, pois ela se tornou elevada para uma economia emergente, como é o caso do Brasil. Com uma percepção de risco maior, os investidores cobram um retorno maior para comprar títulos do Tesouro, como ocorreu nas últimas semanas.

Hoje, o cenário é agravado porque não há uma sinalização de que esse aumento será controlado no curto prazo. Nas projeções dos analistas consultados pelo Banco Central, a dívida bruta deve chegar a 99,40% do PIB em 2035.

“A situação fiscal brasileira deteriora-se em velocidade preocupante. Desde o início do atual governo, a dívida bruta cresceu quase nove pontos porcentuais do PIB, dos quais cerca de cinco pontos se concentraram apenas nos últimos 12 meses”, afirma Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. “O arcabouço fiscal vigente mostrou-se insuficiente para estabilizar a dívida, mesmo que em patamar elevado.”

“À medida que retornarmos ao padrão estrutural de crescimento de cerca de 1,5% ao ano, com as desacelerações cíclicas que caracterizam a volatilidade do nosso PIB, o quadro fiscal ficará ainda mais desafiador”, acrescenta.

O Congresso também tem tido a sua parcela de responsabilidade na deterioração fiscal do País, com a aprovação de uma série de pautas-bomba, piorando o quadro das contas públicas. Um cálculo dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento mostrou que nove proposições que tramitam no Congresso podem ter um impacto fiscal estimado em R$ 111 bilhões por ano.

Na quarta-feira, 10, o Senado aprovou o projeto que prevê a renegociação de dívidas rurais com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal. No mesmo dia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, por votação simbólica, uma Proposta de Emenda à Constituição que trata de regras para a contratação e aposentadoria das carreiras dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de Combate às Endemias (ACE).

“O problema central não é apenas o nível atual da dívida, mas a percepção crescente de que o País perdeu a capacidade política de controlar o crescimento das despesas obrigatórias. E o custo desse descontrole já se anuncia: mais inflação, menos crescimento e juros longos que não cedem”, afirma Solange. “Esse ambiente restringe severamente o Banco Central.”

Sobre a fragilidade apontada em relação ao arcabouço fiscal, a Fazenda argumenta que a regra foi concebida “para assegurar a sustentabilidade da dívida pública com ajuste gradual e previsível.” O ministério ainda destaca que “as expectativas de mercado convergem para o início da apuração de superávits primários no início da década de 2030" e que o “governo avalia, contudo, que há condições para que essa estabilização ocorra antes desse horizonte.”
Cenário externo complica ainda mais a situação do País

Esses sinais preocupantes com a economia brasileira se avolumaram num momento de piora do cenário internacional, diante da disparada do preço do petróleo e do aumento da inflação global, o que levou os principais bancos centrais do mundo a mudarem o rumo da política de juros. Na quinta-feira, 11, o Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de juros em 0,25 ponto porcentual. Por ora, há uma expectativa relevante por parte do mercado de que o Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) também possa subir os juros neste ano.

Juros mais altos em economias consideradas mais seguras tendem a tirar recursos de países emergentes, como é o caso do Brasil.

“Para economias emergentes, isso significa um mundo com dólar menos fraco e investidores muito mais seletivos, em que fragilidades domésticas são penalizadas com mais rapidez. O Brasil não poderá contar com condições externas favoráveis para compensar erros de política econômica por muito mais tempo”, afirma Solange.

Na quarta-feira, 17, será a vez do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar a sua decisão para a Selic, atualmente em 14,50% ao ano. A expectativa majoritária é de um corte de 0,25 ponto porcentual. Mas o que o mercado vai querer saber mesmo é quais serão os próximos passos da autoridade monetária.

“O cenário externo não ajuda. Mas eu acho que a situação da inflação no Brasil, nesse momento, tem pouco a ver com a guerra. Mesmo que não houvesse a guerra, teríamos um cenário de inflação desafiador”, afirma Leal.

“A guerra torna o clima mais pesado. Talvez, se o clima estivesse melhor, o mercado poderia ter um pouco mais de paciência com o cenário inflacionário, e a gente poderia ter avançado um pouco mais com o corte de juros”, diz.

Ao longo do ano, o mercado foi revisando para cima as suas previsões para a Selic diante da piora do cenário de inflação. Parte do mercado avalia que a taxa básica de juros pode encerrar o ano no patamar de 14% — ela terminou 2025 em 15%. Na pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central, a projeção mais recente é de que os juros encerrem o ano em 13,50%. Em janeiro, a expectativa era de que pudessem recuar para o patamar 12,25% em 2026.

“Agora, a gente entra no momento de desaceleração da economia, um movimento que estamos vivenciando desde o ano passado. É um crescimento que começou a deixar de ser mais orgânico e passou a vir mais de uma pressão de demanda, especialmente uma demanda causada pelo regime fiscal e que, na verdade, trouxe um processo inflacionário mais preocupante de novo”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Em 2026, os economistas consultados pela pesquisa do BC estimam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o ano em 5,11% — acima da meta (3%) e do teto (4,5%). No início do ano, a expectativa era de 4,06%. Além dos estímulos fiscais, a inflação brasileira sente o impacto do aumento da cotação do petróleo e ainda lida com o risco do super El Niño.

Os números de inflação também estão maiores para os anos seguintes e, portanto, se afastando do centro da meta.

“É uma economia que já estava em desaceleração e que traz uma ideia de que, chegando em 2027, vai ser necessário um ajuste fiscal mais significativo. Há uma percepção de um risco muito grande que vem pela questão fiscal e será necessário, de alguma forma, passar por um ajuste mais significativo no ano que vem”, diz Vale.

Na nota enviada ao Estadão, a Fazenda avalia que os “dados disponíveis não sustentam a tese de desancoragem estrutural das expectativas de inflação”. A Pasta também diz que “há, de fato, revisões altistas nas projeções de curto prazo, refletindo um processo de acomodação de cenários diante de choques recentes”, mas “esse fenômeno é distinto, porém, de uma desancoragem estrutural das expectativas.”

Sobre a trajetória da Selic, o ministério afirma que “o próprio mercado, via Focus, já projeta a Selic se estabilizando em 10,00% ao longo de 2028 e 2029, o que indica que, uma vez superado o choque imediato, a expectativa é de convergência a um patamar mais moderado.”

Globo Online - RJ   16/06/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar os juros em 0,25 ponto percentual. Será o terceiro corte consecutivo, mas a taxa continuará em um patamar elevado. Na verdade, a conjuntura piorou significativamente, e a Selic só está caindo porque estava alta demais, em 14,50%. O quadro econômico não é de relaxamento monetário, mas de dificuldades. A inflação está em alta. A projeção do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira, é de IPCA a 5,30% no fim deste ano. A estimativa para a taxa de juros foi elevada pela segunda semana consecutivo, chegando a 13,75%. Ou seja, todas as variáveis pioraram.

O que o Banco Central certamente levará em consideração é que parte desse cenário decorre de um choque temporário. Começamos a semana com uma nova perspectiva de encerramento do conflito entre Estados Unidos e Irã. Trata-se de um acordo ainda frágil, que não representa um ponto final, mas abre mais 60 dias de negociações para quem sabe, se chegar a um documento capaz de consolidar a paz entre os países. De qualquer forma, abre-se uma possibilidade de fim da guerra no Oriente Médio. Se isso ocorrer, o restabelecimento do suprimento de petróleo — perspectiva que já provocou queda no preço do barril nesta segunda-feira — poderá apontar para um final de ano mais tranquilo, o que faria de 2026 uma história marcada por sucessivas idas e vindas.

No entanto, a assinatura de um acordo não elimina todos os problemas. A normalização da economia global leva tempo. Neste momento, há pressão inflacionária decorrente da guerra e também de um ambiente fiscal adverso, marcado pelo aumento dos gastos públicos por iniciativa do governo e do Congresso, o que contribui para um cenário desafiador.

O Banco Central deve reduzir os juros nesta semana, deixando em aberto os próximos passos da política monetária, ou seja, sem oferecer forward guidance, diante de um ambiente interno e externo ainda marcado por elevada incerteza.

O Estado de S.Paulo - SP   16/06/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela 14.ª semana consecutiva, de 5,11% para 5,30%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 104 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana subiu de 5,17% para 5,35%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 aumentou de 4,03% para 4,10%. Um mês antes, era de 4,00%. Considerando apenas as 104 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,00% para 4,20%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 aumentou de 3,65% para 3,68%. Um mês antes, era de 3,65%. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 41ª semana consecutiva.

A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de abril. O colegiado prevê alta de 4,6% para o IPCA em 2026 e 3,5% em 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Selic

A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75%. Há um mês, era de 13,25%. O mercado vem ajustando as expectativas para a extensão do ciclo de afrouxamento monetário conduzido pelo Banco Central, em meio ao aumento da incerteza e dos preços de petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.

Considerando só as 106 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano subiu de 13,50% para 14,00%.

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 aumentou de 11,50% para 12,00%. Um mês atrás, era de 11,25%. Levando em conta apenas as 103 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 11,75% para 12,00%.

O Copom do BC promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas duas primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,50% ao ano. Alertou, porém, na ata da sua última reunião, que a magnitude e duração do ciclo vão ser determinadas ao longo do tempo, à medida que houver novas informações sobre o conflito.

O Copom destacou que segue “cautela e serenidade” na condução da política monetária, para que os seus próximos passos possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos, além dos seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 subiu de 10,00% para 10,25%, depois de 20 semanas de estabilidade. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 6ª semana consecutiva.
PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 subiu de 1,91% para 1,96%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 70 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa passou de 1,98% para 1,99%.

O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,70% pela terceira semana seguida. Levando em conta apenas as 68 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária caiu de 1,70% para 1,66%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 118ª e 65ª semana seguida, respectivamente.
Dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20, mesmo nível em que estavam há um mês. Considerando apenas as 79 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária permaneceu em R$ 5,20.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 aumentou de R$ 5,20 para R$ 5,25. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,27.

A projeção para o fim de 2028 seguiu em R$ 5,30 pela terceira semana seguida. Há um mês, era R$ 5,34. Já a estimativa para 2029 aumentou de R$ 5,35 para R$ 5,40, mesmo nível em que estava há um mês.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Globo Online - RJ   16/06/2026

Ex-diretor do Banco Central (BC) e atual estrategista-chefe da BTG Asset Management, Tiago Berriel, avalia que o anúncio de um acordo para o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã não deve levar a autoridade monetária a “baixar a guarda” na política de juros.

Em entrevista ao GLOBO, ele também menciona a questão fiscal brasileira e outros fatores internos que devem influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que define nesta semana a taxa básica de juros, a Selic, principal instrumento do BC para convergir a inflação à meta.

Como a guerra afetou o Brasil ao longo desses cem dias?

O choque do petróleo reflete nas economias de maneira diferente. Na Europa, há recessão e aumento da inflação. Aqui, o choque tende a ser inflacionário, mas estimula a atividade, porque somos exportadores líquidos de petróleo. E o choque inflacionário não gera recessão, pois gera efeito positivo nas contas externas e riqueza.

Agora, há o risco do preço de energia se propagar para outros preços, causando um juro mais alto por mais tempo. Mas isso gera apreciação cambial, por conta do carry trade (diferença entre os juros entre economias desenvolvidas e a nossa). Para o país, o choque da guerra não é o pior, mas é ruim na perspectiva de inflação.

Por que o anúncio do acordo para acabar com o conflito no Oriente Médio teve pouco impacto aqui ontem?

Porque tem muita coisa acontecendo na inflação para além da guerra. Tivemos dados de inflação corrente mais fortes e com uma composição pior. Observamos também dados de atividade robustos, mercado de trabalho aquecido e um estímulo fiscal superior ao que se antecipava.

Tivemos também um aumento do risco do El Niño, que cria pressão sobre preços de alimentos, e o debate da escala 6x1, que é um choque de custo no setor de serviços e aumenta o salário por hora. Com aumento de custo, uma parte é repassada para preços. A gente “engravida” as expectativas de inflação.

Como o senhor avalia a piora nas projeções de juros e o peso da participação dos gastos públicos nas revisões? O BTG, inclusive, prevê que este ano só haverá mais um corte na taxa básica (Selic), para 14,25%, na reunião desta semana do Copom.

A mudança da perspectiva de juros começou com o choque do petróleo, que gerou uma desancoragem de expectativas, mas você vê algo que só aprofundou o problema. Há muitos elementos para uma revisão. O fiscal torna a expectativa inflacionária mais difícil.

Veja, por exemplo, toda essa política creditícia, de desembolsos que estimulam a atividade. E é uma conta difícil de precisar. Mas é clara a direção de que estamos tendo mais estímulos. O impulso fiscal neste ano vai ser de mais de 1% do PIB, o que desfaz o sacrifício da política monetária. A gente “engravida” as expectativas de inflação.

O mercado seguirá volátil?

Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. São muitos os choques: a guerra, as cadeias produtivas desorganizadas, o fiscal, a escala 6x1, El Niño. Do ponto de vista de política monetária, deve-se ter cautela extra, porque a guerra “acabou” várias vezes nos últimos cem dias. E o mercado também terá cautela.

Tem muita incerteza política no debate, também. O mercado e os agentes econômicos precisam de cautela. Contudo, o Brasil ainda é um país geopoliticamente seguro e com preços atraentes. Existe espaço para atração de capital, e observamos um sólido interesse de investidores estrangeiros no país. Basta a gente não fazer nada muito errado.

Exame - SP   16/06/2026

A pressão sobre o Federal Reserve para elevar os juros nos Estados Unidos neste ano arrefeceu após o acordo entre Washington e Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz, derrubando os preços do petróleo e provocando uma alta nos títulos do Tesouro americano. A avaliação é de Leslie Falconio, estrategista-chefe de renda fixa tributável do UBS Global Wealth Management.

"O que está acontecendo agora é que os preços do petróleo estão caindo e o mercado está retirando as apostas em alta de juros. Por causa disso, o rendimento dos Treasuries de dois anos está recuando", disse Falconio em entrevista à Bloomberg Television nesta segunda-feira, 15.

Mercado retirava precificação de alta desde a semana passada

Ao longo da semana passada, os investidores chegaram a precificar uma probabilidade de quase 100% de elevação de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds até dezembro de 2026, movimento que refletia a escalada do petróleo e o risco renovado de inflação. Com o acordo anunciado nesta segunda-feira, essa probabilidade caiu para cerca de 74%, à medida que os Treasuries se valorizaram, liderados pelos vencimentos mais curtos.

Ações e títulos subiram globalmente enquanto o petróleo despencava para a mínima em três meses, após EUA e Irã anunciarem o fim do conflito e a reabertura do estreito estratégico para o tráfego marítimo.

Primeira reunião de Warsh no comando do Fed

O cenário ocorre na semana em que Kevin Warsh presidirá sua primeira decisão de política monetária à frente do Fed. Existe uma pressão crescente dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) por parte de membros favoráveis a elevar os juros, diante da alta do petróleo que ameaçava reacender a inflação.

Falconio avalia que o FOMC deve formalizar nesta reunião a remoção do viés de afrouxamento monetário — um sinal mais hawkish —, mas sustenta que o próximo movimento efetivo ainda será de corte de juros, previsto apenas para 2027.

"Acho que eles vão simplesmente sentar, exercer a opcionalidade que têm e esperar os dados chegarem antes de mudar de posição, provavelmente no primeiro ou segundo trimestre de 2027", afirmou a estrategista.

Fed deve aguardar dados do mercado de trabalho

Segundo Falconio, a manutenção dos juros ao longo de 2026 permitirá ao Fed avaliar como a economia, que ainda apresenta crescimento "razoável", se comportará diante da evolução do mercado de trabalho americano. A avaliação sugere que o banco central americano prioriza cautela antes de sinalizar qualquer mudança de direção na política monetária.

CNN Brasil - SP   16/06/2026

Toda infraestrutura no Brasil é regulada. Transporte, energia, saneamento, telecomunicações – não existe ativo relevante nessa classe que opere fora de algum marco regulatório. Essa é uma constatação, não uma crítica. A dificuldade aparece quando a regulação que deveria dar estabilidade ao investimento de longo prazo se torna sensível ao ciclo político. No Brasil, essa sensibilidade existe e precisa ser precificada por quem decide entrar nessa classe.

Isso não significa que o Brasil não oferece oportunidades em infraestrutura. Oferece. Elas exigem, porém, um tipo específico de capital, uma tese de entrada bem definida e uma leitura honesta dos riscos que o ambiente local impõe.
Demanda real, execução incerta

O gap de infraestrutura brasileiro é documentado e persistente. Tivemos avanços, é claro. As debêntures incentivadas de infraestrutura, que trazem isenção de imposto de renda para o investidor pessoa física, criaram uma fonte relevante de financiamento e viabilizaram projetos que de outra forma não sairiam do papel. Se votado e aprovado pelo Senado, o projeto de lei que institui o novo marco legal das concessões e PPPs e que possui instrumentos mais sofisticados deve atrair capital privado.

O que ainda escapa aos modelos financeiros mais otimistas, no entanto, é o risco operacional que surge depois que o capital já está comprometido. Um caso concreto ajuda a ilustrar. Nos últimos anos, muitos investidores alocaram capital em energia renovável no Brasil com teses sólidas: havia uma demanda crescente, o custo de geração estava em queda e o arcabouço regulatório aparentava ser estável.

O que não estava suficientemente precificado era o curtailment, prática que consiste na interrupção da geração de energia nas usinas quando a rede de transmissão não suporta a carga produzida. Trata-se de uma medida de natureza técnica que, na percepção de gestores do setor, passou a carregar um grau de discricionariedade preocupante, criando incerteza para quem já tinha capital comprometido e prejudicando projetos bem estruturados. Estimativas do setor apontam prejuízos bilionários aos agentes nos últimos dois anos, e os cortes seguem em trajetória de alta. Esse é o tipo de variável que não aparece na planilha de viabilidade, mas que tem forte impacto na vida do investidor.
Oportunista ou estrutural, a distinção que define a estratégia

Há duas formas muito diferentes de investir em infraestrutura, e confundi-las é o principal equívoco que investidores cometem nessa classe.

O investimento estrutural é aquele em que o capital entra para ficar por décadas, capturando o fluxo de caixa previsível de um ativo concedido. Esse modelo funciona bem em ambientes onde a segurança jurídica é consolidada e a regulação resiste às alternâncias de poder. Há países que oferecem esse ambiente de forma consistente, e para esse perfil de alocação, eles competem com vantagem real.

Já o investimento oportunista segue outra lógica. O capital entra para resolver uma situação específica, seja um ativo subprecificado, uma estrutura que precisa ser reorganizada ou um projeto que travou por razão não operacional. O prêmio de risco compensa a incerteza, e o horizonte de saída é mais definido desde o início. Esse formato já funcionou no Brasil e pode funcionar de novo. Nós mesmos, na Jera, já participamos de situações assim, investindo em estradas e em energia distribuída. Quando a tese de entrada está bem calibrada os resultados tendem a ser bastante positivos.

Para avaliar o potencial desses ativos, as perguntas corretas nunca devem ser genéricas, mas específicas. Qual é a natureza do capital em jogo? Qual é a tese de entrada? E o que o ativo em questão exige em termos de estabilidade regulatória para que os retornos projetados, de fato, se realizem?
O que o olhar global oferece de perspectiva

Internacionalmente, infraestrutura tem uma forte correlação histórica com inflação. Ativos de transporte, energia e logística em mercados com regulação estável entregam fluxo de caixa previsível e defensivo, com baixa correlação com mercados de ações. Para uma família que pensa em preservar poder de compra ao longo de gerações, essa combinação tem valor que vai além do retorno nominal.

Energia renovável na Europa, alavancada pela urgência de segurança energética que o conflito na Ucrânia provocou, foi uma dessas janelas. Data centers nos Estados Unidos, sustentados pela demanda crescente por capacidade computacional, são outra. A infraestrutura ligada à inteligência artificial representa hoje um dos maiores vetores de alocação de capital de longo prazo no mundo desenvolvido.

Porém, vale um alerta aqui: quando uma tese parece óbvia demais, o preço já capturou parte do upside antes de você entrar. Exatamente por isso é preciso mais rigor na análise de entrada, não menos.
O que mudaria a equação doméstica

O capital de longo prazo que family offices alocam em infraestrutura precisa de uma certeza básica: que o contrato assinado hoje será honrado daqui a 25 anos, independentemente de quem estiver no poder. Isso é algo que demanda consistência, e consistência se constrói ao longo de décadas.

O Brasil tem instrumentos melhores do que tinha há dez anos. O arcabouço de concessões evoluiu e o mercado de capitais desenvolveu produtos adequados para canalizar o investidor doméstico para essa classe. Há projetos sérios em andamento em diferentes segmentos.

O que ainda se constrói é o histórico de respeito contratual que transforma intenção em convicção para o investidor de prazo mais longo. Enquanto esse histórico se consolida, o capital mais criterioso vai calibrar sua exposição de forma seletiva, entrando onde a relação risco-retorno justifica o investimento e com critérios mais exigentes do que aplicaria em mercados de trajetória regulatória mais previsível.

Quem gere patrimônio com responsabilidade lê o contexto antes de assinar qualquer compromisso.

Globo Online - RJ   16/06/2026

A equipe econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva vê com otimismo o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Caso realmente vá adiante, a trégua tende a normalizar os preços do petróleo, embora um retorno aos níveis anteriores à guerra, iniciada no final de fevereiro, seja improvável no curto prazo.

Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que já assinou o acordo preliminar com o Irã e que o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do fornecimento mundial de petróleo antes da guerra, deve ser reaberto até sexta. O memorando prevê um cessar-fogo em todas as frentes do conflito por 60 dias, período no qual os dois países continuariam a discutir questões mais difíceis, como o futuro do programa nuclear iraniano.

Como resultado do avanço das negociações, a cotação do barril de petróleo despencou no primeiro pregão após o anúncio do entendimento preliminar, voltando aos patamares de março. O barril de petróleo tipo Brent para agosto, referência global para o mercado, caiu quase 5% nesta segunda, para US$ 83,17. Nos momentos mais tensos da guerra, a cotação superou US$ 110, mas antes do conflito figurava mais próximo dos US$ 70.

Embora seja difícil um retorno para os níveis anteriores ao ataque de EUA e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro - até porque há dúvidas sobre a duração da paz -, um interlocutor da área econômica do governo Lula acredita que o barril pode cair abaixo de US$ 80 se realmente o acordo se concretizar.

Isso pode gerar repercussões positivas para o cenário de inflação e juros no Brasil. Na avaliação do Ministério da Fazenda, o salto nas projeções inflacionárias estão vinculadas ao impacto da guerra no mercado de petróleo.

Antes do conflito, a expectativa no Boletim Focus para o IPCA - índice oficial da inflação - estava abaixo de 4% tanto para 2026 quanto para 2027. Agora, está em 5,30% para este ano e 4,10% para o ano que vem. A projeção do governo também subiu, embora ainda se situe no limite de tolerância da meta (4,50%).

Como consequência, o Banco Central colocou um pé no freio no processo de redução dos juros. No mercado, antes da guerra, o cenário era de queda da Selic de 15% para 12%, mas a pesquisa Focus realizada na semana passada e divulgada nesta segunda prevê uma queda bem menor, para 13,75%.

Nesta semana, o BC deve promover o terceiro corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa de 14,50% para 14,25%, mas uma ala relevante de economistas vinha apontando que essa queda poderia ser a última do ciclo.

Outro integrante da equipe econômica avalia que o acordo pode conter o aumento das expectativas de inflação. Além do impacto dos preços do petróleo, havia um temor de que a alta de fertilizantes poderia prejudicar a próxima safra brasileira, que começa no segundo semestre, com efeito também nos preços de comida no país.

Uma descompressão nos preços do petróleo pode também diminuir a demanda por novas medidas para reduzir os preços dos combustíveis nas bombas. O governo já lançou um pacote bem extenso, com subvenção do diesel, gasolina e gás de cozinha, com custo bilionário para os cofres públicos, que, por sua vez, tende a ser compensado pelos ganhos de arrecadação com royalties do petróleo e outras rubricas diretamente vinculadas à alta da commodity.

Se o cessar-fogo for adiante, pode reduzir ainda a necessidade de aprovação do projeto que autoriza o uso de receitas extraordinárias vinculadas à alta do petróleo para bancar o pacote de medidas para mitigar o efeito da guerra sobre a população brasileira. No entanto, com tantas reviravoltas nas negociações entre EUA e Irã desde fevereiro, há cautela sobre o sucesso do novo acordo.

Jornal de Brasília - DF   16/06/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,5 bilhão na segunda semana de junho de 2026, com corrente de comércio de US$ 15,4 bilhões. No período, as exportações somaram US$ 8,4 bilhões e as importações, US$ 7 bilhões.

No mês, o saldo positivo chegou a US$ 4,7 bilhões, com exportações de US$ 16,4 bilhões e importações de US$ 11,7 bilhões. A corrente de comércio no período foi de US$ 28,1 bilhões.

No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 165 bilhões e as importações, US$ 127,6 bilhões, resultando em superávit de US$ 37,3 bilhões e corrente de comércio de US$ 292,6 bilhões. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (15) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Na comparação com junho de 2025, as exportações cresceram 25,3% e as importações, 12,3%, considerando as médias até a segunda semana de junho de 2026. Entre os setores exportadores, houve crescimento na agropecuária, na indústria extrativa e na indústria de transformação. Já entre os setores importadores, também houve alta nos três segmentos, com destaque para a indústria de transformação. As informações foram retiradas do Governo Federal.

O Estado de S.Paulo - SP   16/06/2026

Os quase 50 dias que separam a última reunião de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, no fim de abril, dos encontros desta quarta-feira (17) foram marcados por mudanças relevantes na leitura sobre inflação e juros em ambos os países.

O período foi de idas e vindas nas expectativas macroeconômicas, com indicadores acima do esperado e maior cautela em relação aos próximos passos dos bancos centrais. Tudo isso em meio a um ambiente de elevada volatilidade nos mercados.

Boa parte da piora tem a ver com a continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã. Ainda que a semana tenha começado com a notícia de que a administração de Donald Trump anunciou a possibilidade de novo acordo de paz para normalizar a passagem de petróleo no Estreito de Ormuz, os mais de 100 dias de guerra deixaram de ser lidos como um ruído geopolítico de curto prazo pelo mercado.

A disparada da commodity colocou a economia global em um choque de oferta, começando a contaminar os indicadores de inflação de diversos países, em um momento em que muitos bancos centrais já enfrentavam dificuldade de fazer os indicadores convergirem para as metas estipuladas.

Essa virada de chave fez o mercado precificar juros mais altos por mais tempo nas economias globais, ampliando as incertezas sobre as decisões, mas principalmente sobre as comunicações desta Superquarta.

“Fica a expectativa de como tais bancos centrais agirão frente aos desafios inflacionários: se promoverão ajustes mais proativos em termos de magnitude ou se preferirão passos menores, tentando acomodar no tempo (e será necessário agora muito mais tempo) as distorções inflacionárias, o crescimento e o consumo”, diz Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos.

Além da guerra, tanto os EUA quanto o Brasil chegam na decisão de política monetária com piora dos números de inflação. Por lá, o mercado de trabalho forte acendeu um alerta. Por aqui, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também superou as projeções, com o fiscal ajudando a pressionar as expectativas para os próximos anos.
Nos EUA, o desafio do mercado de trabalho

Nos Estados Unidos, o consenso é que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai manter a taxa de juros no atual intervalo entre 3,5% e 3,75% ao ano. Mas desde abril as apostas sobre o futuro da Fed Funds variaram muito. Se no início do ano havia a expectativa que o BC americano poderia cortar os juros em algum momento do ano, agora há risco de o ajuste ser para cima.

A principal novidade desde abril foi o mercado de trabalho. A economia americana já dava sinais de força e resiliência há meses, mas o payroll de maio surpreendeu com uma criação de 172 mil vagas de trabalho, bem acima das expectativas que indicavam 80 mil postos, além de uma revisão de quase 100 mil para os últimos dois meses.

Marcela Rocha, CIO da Avenue, explica que esse quadro de uma economia americana forte não é novidade e já vinha acontecendo ao longo dos últimos meses. Mas essa força não era acompanhada de uma surpresa no mercado de trabalho. “Esse cenário, junto com a inflação, mostra que o Fed deve adotar um tom um pouco mais duro no seu comunicado”, diz.

A Avenue não acha que o Fed precisará subir os juros este ano, como parte do mercado passou a precificar desde o fim de maio.

Dados da ferramenta de monitoramento do CME Group vem desde o último mês mostrando que há apostas em um ajuste para cima na taxa americana já para outubro. Ainda em maio, os rendimentos dos Treasuries longos, de 30 anos, atingiram o nível mais alto desde 2007, indicando a percepção do mercado de juros mais altos por mais tempo.

Rocha destaca que, ainda que o mercado de trabalho esteja mais apertado, os salários não mostraram aceleração. Como o Fed tem um mandado duplo e precisa olhar também para esses dados – ao contrário do Brasil, onde a missão do Banco Central é perseguir apenas a meta de inflação –, o alívio do preço do petróleo pode dar tempo para a instituição avaliar os novos números de inflação sem precisar de um ajuste imediato de juros.

Mas a corretora também não vê espaços para cortes em 2026, o que já é por si só uma mensagem relevante e pode impactar os mercados nos próximos meses.
No Brasil, um corte com cautela

No Brasil, o consenso indica um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, o terceiro desta magnitude desde que o ciclo de afrouxamento monetário começou em março deste ano. Se confirmado, isso levará os juros brasileiros para 14,25% ao ano.

Mas o caminho até esta reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) também não foi simples.

Nas última semanas, além da continuidade da guerra, o risco fiscal voltou ao radar com a aprovação de um pacote de “medidas-bomba” no Senado, que se colocadas em prática vão pressionar ainda mais as contas públicas. Esse combo fez a curva de juros futuros abrir muito. Sete dias antes da reunião do Copom começar, a curva precificava não só o fim do ciclo de afrouxamento monetário, como novas altas de juros até o fim do ano.

O possível fim da guerra no Oriente Médio deu alívio a essas apostas mais pessimistas, mas não resolve o principal: a deterioração no cenário de inflação no País, com reaceleração da atividade doméstica em meio a medidas de estímulo à economia e a nova apreciação do dólar frente ao real.

A projeção para o IPCA no Boletim Focus para 2026 vem de 14 semanas consecutivas de alta, cada vez mais distante da meta de 3%, mas a principal preocupação está na desancoragem das expectativas para 2027 e 2028.

A Suno Research espera por um novo corte de 0,25 p.p na Selic, mas atribui cerca de 45% de probabilidade à manutenção da taxa já nesta reunião graças a essa piora.

“Três pontos concentram a atenção: o risco de um choque passageiro se tornar permanente; uma nova piora das expectativas de inflação; e a leitura, pelos agentes econômicos, de um Banco Central mais tolerante com a meta, o que desgastaria a credibilidade conquistada nos últimos ciclos. Esse conjunto de fatores explica a cautela cada vez maior”, diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno.

A XP Investimentos também espera por um corte de 0,25 p.p e diz que não se surpreenderia se o BC brasileiro optasse por interromper o ciclo de ajustes após a decisão de quarta-feira. “O cenário de inflação ficou ainda mais desafiador, colocando os bancos centrais – incluindo o brasileiro – em uma posição difícil”, explica.

“Choques de oferta pressionaram a inflação corrente e as expectativas inflacionárias globalmente, mesmo com a queda recente nos preços do petróleo. O ambiente é particularmente desafiador em países onde a inflação já estava acima da meta e a política fiscal tem caráter expansionista, como nos EUA e no Brasil.”

Em relatório, o time de economistas da corretora destaca que a manutenção dos juros já nesta semana não pode ser descartada diante de todo esse cenário. Mas não é o cenário-base, tendo em vista que, desde a última reunião, os membros do Copom “praticamente não alteraram” a comunicação oficial e as condições de mercado melhoraram nos últimos dias, especialmente com o alívio no Oriente Médio.

MINERAÇÃO

Valor - SP   16/06/2026

Empresa é uma das poucas brasileiras que já divulgam as informações de sustentabilidade seguindo as normas IFRS S1 e S2. Nesta edição, a companhia vai além do clima, incorporando quatro novos riscos, como o de barragens e direitos humanos

A mineradora Vale mais do que dobrou em um ano a produção de minério de ferro a partir do reaproveitamento de rejeito e estéril, que atingiu 26,3 milhões de toneladas em 2025, e elevou a mineração circular ao posto de oportunidade de negócio. Este é um dos principais destaques da segunda edição de seu Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade , elaborado de acordo com as normas IFRS S1 e S2, do International Sustainability Standards Board (ISSB), e divulgado nesta segunda-feira (15).

A publicação ainda é voluntária, mas a companhia adotou a divulgação desde o ano passado, sendo a primeira do setor no mundo e a primeira empresa brasileira a se antecipar à regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que havia tornado o reporte obrigatório para companhias abertas a partir dos exercícios iniciados em 2026, mas voltou atrás recentemente.

A principal mudança em relação ao documento do ano passado está no escopo, conforme explica ao Prática ESG Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade da Vale. “Esta segunda edição do relatório alinhado ao ISSB reflete a evolução e a maturidade da agenda de sustentabilidade da Vale. Avançamos na integração entre sustentabilidade e finanças, oferecendo informações cada vez mais consistentes e relevantes para a tomada de decisão de investidores de forma responsável”, afirma Grazielle.

Enquanto a primeira edição se concentrou nos dados de clima, esta segunda mantém os riscos e oportunidades já mapeados, com impactos atualizados, mas acrescenta quatro novos riscos, sendo um deles o rompimento de barragens, com potencial de danos graves a pessoas, ao patrimônio e ao meio ambiente.

Os outros são; atraso ou não obtenção de licenças ambientais, que afeta a perspectiva de crescimento da capacidade produtiva e a lucratividade; conflitos com comunidades e impactos em direitos humanos, que podem gerar prejuízos financeiros, reputacionais e perda da licença social para operar; e os perigos operacionais associados a equipamentos móveis, veículos, instalações industriais e infraestruturas críticas, com potencial de acidentes graves ou fatais.

No tema de comunidades e direitos humanos, em especial, a companhia mapeou 1,2 mil comunidades no entorno de suas operações no Brasil, das quais 147 são consideradas críticas e contam com planos ativos de engajamento, segundo Grazielle.

A decisão de se antecipar à obrigatoriedade tem relação direta com a demanda de quem aloca capital. Grazielle relata que os temas do relatório aparecem de forma recorrente nas reuniões bilaterais com investidores e nas rodadas realizadas pela companhia, como as feitas recentemente em Londres (Inglaterra), na Escandinávia e em Nova York (EUA). Desde o lançamento da primeira edição, a Vale contabiliza cerca de 100 engajamentos com entidades nacionais e internacionais, empresas e investidores para discutir o documento e a forma como foi construído.

Os questionamentos e demandas, então, contribuem para refinar indicadores, ampliar temas abordados e tornar mais objetiva a comunicação sobre riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade. "Clientes globais demandam e fazem pedidos. Fizemos um tour recente com investidores da Escandinávia, Holanda e outros mercados e essas perguntas [sobre sustentabilidade] estão nas nossas reuniões bilaterais com investidores”, diz. "A transparência é valorizada”, acrescenta.

A comparabilidade é o ponto central dessa cobrança. A executiva conta que ouviu de um gestor que avalia 2 mil empresas o questionamento sobre como comparar companhias que reportam de formas distintas, exatamente o problema que as normas do ISSB buscam resolver. Criadas em 2023, as IFRS S1 (requisitos gerais) e S2 (divulgações de clima) estabelecem uma linguagem comum de divulgação financeira relacionada à sustentabilidade, com foco na materialidade financeira: o que pode afetar fluxos de caixa, acesso a financiamento e custo de capital.

Segundo Grazielle, as conversas com investidores mostram que o interesse do mercado vai além dos indicadores ambientais e sociais. A executiva afirma que a cultura organizacional tem surgido com frequência nas reuniões, como uma forma de avaliar se as práticas de sustentabilidade estão efetivamente incorporadas à gestão da companhia.

Rejeito vira produto

O tema da “mineração circular”, ou seja, a aplicação da economia circular às atividades minerárias, consiste em aproveitar ao máximo os recursos extraídos, prevenindo a geração de resíduos e reaproveitando os que são gerados no processo produtivo, como estéril e rejeito. Na Vale, a frente se materializa no Programa de Mineração Circular, batizado de Waste to Value, que já identificou mais de 100 iniciativas neste sentido na companhia.

Os números justificam o destaque para o tema no relatório. Em 2025, a produção de minério de ferro da companhia por fontes circulares somou 26,3 milhões de toneladas, cerca de 8% do total anual, aumento de 107% sobre as 12,7 milhões de toneladas de 2024, quando a frente representava aproximadamente 4% da produção. A ambição é chegar a 10% até 2030, com benefício estimado de eliminação de 117 mil toneladas de CO₂ naquele ano, conforme reforçou a executiva.

Segundo Grazielle, os ganhos vão além da receita adicional. As operações circulares exigem menos área e menos água e reduzem de forma substancial as emissões de gases de efeito estufa em comparação com minas convencionais. A tecnologia, porém, ainda é nova e impõe desafios operacionais. Cada pilha e cada barragem tem características próprias, o que obriga a companhia a customizar a operação caso a caso. A própria taxonomia da circularidade na mineração está em construção — a Vale trabalha o tema em fóruns internacionais, como o World Business Council for Sustainable Development, diz a executiva.

O caso emblemático do relatório é a mina de Capanema, em Ouro Preto (MG), reativada em 2025 após 22 anos paralisada, com investimentos de R$ 5,2 bilhões. A retomada partiu do aproveitamento de uma pilha de estéril, e a operação funciona a umidade natural — sem uso de água no processamento e sem gerar rejeito, o que dispensa barragem. A unidade deve adicionar cerca de 14 milhões de toneladas por ano à produção da Vale e integra o pacote de R$ 67 bilhões que a companhia investirá em Minas Gerais até 2030, voltado sobretudo à filtragem e ao empilhamento a seco do rejeito, para reduzir de 30% para 20% o uso de barragens no Estado.

O portfólio circular inclui ainda o projeto Gelado, em Carajás (PA), que desde 2023 reaproveita com dragas elétricas o rejeito acumulado em barragem desde 1985 e a Areia Sustentável, coproduto do rejeito da mina de Brucutu (MG) que já soma mais de 3 milhões de toneladas vendidas à construção civil e deu origem à startup Agera.

O relatório também quantifica oportunidades já mapeadas no documento anterior, como um aumento de US$ 1 por tonelada no prêmio de produtos como os briquetes, menos intensivos em carbono, representaria acréscimo de R$ 1,4 bilhão (1,8%) ao EBITDA ajustado do segmento de Soluções de Minério de Ferro em 2025. Já os preços realizados de cobre, metal-chave da transição energética, subiram 10,8% no ano, adicionando R$ 3,2 bilhões à receita.

"O relatório serviu para tangibilizar a questão da sustentabilidade e mostrar como ela está conectada à estratégia de negócio”, comenta a executiva. "Sustentabilidade não tem estratégia de sustentabilidade; a sustentabilidade é uma das alavancas que entrega resultado esperado no negócio."

A experiência de dois ciclos de divulgação deixou aprendizados. O primeiro, segundo Grazielle, é que o relatório é a ponta final de uma cadeia de atividades, uma vez que foi preciso estruturar sistemas e estabelecer uma governança específica para a coleta de dados, mesmo em uma empresa que já contava com infraestrutura robusta de informação. O segundo é que parte das agendas reportadas segue em evolução. A taxonomia da mineração circular ainda está sendo definida, e a mensuração dos impactos de eventos climáticos extremos avança a cada ciclo. Há ainda o desafio regulatório. Para a executiva, empresas e investidores precisam de previsibilidade e de harmonização entre os padrões globais e locais.

Obrigatoriedade à vista?

O movimento da Vale ocorre em um contexto regulatório que vinha avançando cedo no Brasil, mas que acaba de sofrer uma reviravolta. Com a Resolução CVM nº 193, de 2023, a Comissão de Valores Mobiliários saiu na dianteira mundial ao adotar os padrões ISSB de maneira obrigatória para companhias abertas a partir dos exercícios iniciados em 1º de janeiro de 2026, o que levaria os primeiros relatórios compulsórios ao mercado em 2027. Até agora, já aderiram de forma voluntária, além da Vale, Lojas Renner, Natura, Grendene e, para este ano, também a B3.

Contudo, a duas semanas da divulgação do relatório da Vale, a regra caiu. Em 29 de maio, a CVM publicou a Resolução nº 244, que revogou a obrigatoriedade e manteve a elaboração e a divulgação do documento em caráter voluntário para todas as companhias abertas. O retrocesso pegou o mercado financeiro de surpresa.

Como a exigência passaria a valer justamente a partir do exercício de 2026, ela não chega a produzir efeitos. No lugar da obrigação, a autarquia instituiu o modelo "pratique ou explique": a partir de 1º de janeiro de 2027, a companhia que optar por não arquivar o relatório terá de justificar publicamente a decisão, em comunicado ao mercado.

A flexibilização veio com contrapartidas para dar consistência ao reporte voluntário. Quem decidir divulgar terá de fazê-lo por pelo menos três exercícios consecutivos, no lugar da regra anterior, pela qual um único reporte voluntário gerava obrigação permanente. Além disso, terá de comunicar previamente ao mercado uma eventual interrupção. A asseguração por auditor independente e a observância dos padrões CBPS e ISSB continuam exigidas das companhias que publicarem.

Entre os gargalos apontados por especialistas sobre a implementação da medida estão a operacionalização da materialidade financeira, a definição de cenários climáticos, a qualidade e a rastreabilidade dos dados e o preparo para a asseguração externa das informações — etapas em que a maioria das companhias ainda está em estágio inicial.

Monitor Digital - RJ   16/06/2026

No ano passado, a Vale produziu 26 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de iniciativas de circularidade, um aumento de 107% em relação ao ano anterior. Atualmente, a mineração circular responde por 8% do total produzido pela empresa. A meta é chegar a 10% da produção total em 2030. Estas informações são citadas no Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade de 2025, divulgado nesta segunda-feira.

A mineração circular é definida como um modelo sustentável que transforma o ciclo de vida dos minerais, substituindo o tradicional “extrair, usar e descartar” por um sistema de circuito fechado. “O foco é prevenir a geração de resíduos, reaproveitar rejeitos (como estéreis e lamas) e maximizar a eficiência dos recursos naturais”.

A Vale afirma ter sido a primeira mineradora do mundo e a primeira empresa brasileira a publicar, ainda no ano passado, o relatório que segue o novo padrão estabelecido pelo International Sustainability Standards Board (“ISSB”) para que as empresas reportem riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade.

“Esta segunda edição do relatório alinhado ao ISSB reflete a evolução e a maturidade da agenda de sustentabilidade da Vale. Avançamos na integração entre sustentabilidade e finanças, oferecendo informações cada vez mais consistentes e relevantes para a tomada de decisão de investidores de forma responsável”, destaca Marcelo Feriozzi Bacci Vice-Presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores.

“Esse movimento reforça nosso compromisso com a transparência, a qualidade dos dados reportados e a geração de valor sustentável no longo prazo”, afirma Grazielle Parenti, vice-presidente executiva de Sustentabilidade. Ela destaca que a nova oportunidade mapeada é a mineração circular, termo criado para designar a aplicação da economia circular à mineração. O objetivo é aproveitar ao máximo os recursos extraídos, incluindo o reaproveitamento de resíduos do processo, para reduzir desperdício e diminuir impactos ambientais, ao mesmo tempo em que criamos valor para o negócio.

Entre as principais iniciativas do Programa de Mineração Circular, estão o reaproveitamento de materiais contidos em pilhas e barragens e também a fabricação de coprodutos, como a Areia Sustentável e insumos para a construção civil, a partir de resíduos do processo produtivo de minério de ferro. Outras oportunidades de negócio mencionadas no relatório incluem o aumento da procura por produtos de minério de ferro com potencial de reduzir as emissões de carbono da indústria siderúrgica e a demanda crescente por metais para a transição energética, como cobre e níquel.

“Ao publicar relatórios com base em padrões de alcance global, divulgamos práticas sustentáveis de forma transparente, facilitando decisões de investimento responsáveis e promovendo mais qualidade e confiança nas informações relacionadas ao desempenho ambiental, social e de governança corporativa. A transparência é um atributo fundamental na relação da Vale com investidores e sociedade”, afirma Marcelo Bacci, vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores. Ele esclarece que o relatório no padrão ISSB foi elaborado de acordo com os IFRS Sustainability Disclosure Standards, garantindo alto nível de transparência em informações relacionadas ao impacto financeiro das ações de sustentabilidade da companhia.

Valor - SP   16/06/2026

Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 113,9

O preço do minério de ferro avançou nesta segunda-feira (15) na China, com o apoio do anúncio de que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,72%, cotado a 771,50 yuans (US$ 113,9).

Embora o aumento do custos de energia e frete decorrente da guerra estivesse puxando o preço do minério de ferro, o conflito também vinha levantando a possibilidade de uma desaceleração da demanda pelo insumo.

Segundo a consultoria Tongguan Jinyuan Futures, entretanto, os preços do minério de ferro podem continuar pressionados diante do forte volume de embarques globais e da ampla oferta.

Os embarques internacionais e as chegadas aos portos chineses aumentaram na semana passada, enquanto os estoques portuários continuaram em alta, segundo a Tongguan.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   16/06/2026

Em seus esforços para obter aprovação de países europeus para seu sistema de assistência ao motorista Full Self-Driving (FSD), a Tesla apresentou a reguladores da Suécia e da Holanda estatísticas de segurança produzidas pela própria empresa que, segundo pesquisadores independentes de segurança no trânsito, equivalem a marketing enganoso.

Uma análise da Reuters publicada em maio constatou que o presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, e outros executivos têm citado cada vez mais, ao longo do último ano, estatísticas que, segundo eles, comprovam que o recurso de assistência ao motorista FSD é até dez vezes mais seguro do que motoristas humanos. No entanto, a revisão da Reuters identificou diversas comparações de dados inválidas que sustentam as estatísticas da Tesla e exageram suas alegações de segurança.

A Tesla apresentou esses dados de segurança inflados a alguns reguladores europeus, de acordo com correspondências obtidas pela Reuters por meio de pedidos de acesso a informações públicas, enquanto a fabricante de veículos elétricos busca uma aprovação mais ampla do FSD na região. A Tesla procurou a RDW, autoridade reguladora de trânsito da Holanda, no fim de 2024, para iniciar o processo de aprovação do FSD.

Em uma carta enviada à RDW em novembro de 2024, a Tesla forneceu um link para seu relatório de segurança e afirmou que o “aumento do uso” do FSD “leva a estradas mais seguras”. A Tesla cobra uma assinatura mensal pelo FSD, que pode conduzir o veículo de forma autônoma em determinadas circunstâncias, mas exige que o motorista humano permaneça atento.

Após mais de um ano de testes e discussões com a Tesla, a RDW aprovou, em abril, o uso do FSD na Holanda. A autoridade holandesa agora busca uma aprovação em toda a União Europeia em nome da Tesla.

A RDW se recusou a comentar os problemas identificados pela Reuters nas estatísticas de segurança da Tesla, mas afirmou, em comunicado, que “não se baseia em alegações de marketing ou estatísticas externas” para tomar decisões e realiza seus próprios “testes, análises e verificações” do sistema em vias públicas e pistas de testes. A agência não informou se avaliou as estatísticas de segurança da Tesla nos Estados Unidos.

A RDW afirmou que a Tesla “coletou muitos dados” durante os testes e que a agência “validou, testou e auditou todos esses dados". A autoridade não informou que tipo de dados foi coletado nem o que foi medido.

A Tesla não respondeu a pedidos de comentário.

Salvando 32 mil vidas?

Pouco depois de os holandeses anunciarem a decisão, em 10 de abril, um gerente de políticas públicas da Tesla, Ivan Komusanac, enviou um e-mail a reguladores suecos solicitando uma aprovação semelhante para o FSD. Ele anexou uma apresentação que exibia a alegação exagerada de que veículos Tesla utilizando o FSD conseguem percorrer uma distância mais de sete vezes maior entre acidentes do que a média dos motoristas humanos nos Estados Unidos.

A apresentação também afirmava que o FSD poderia ter potencialmente salvado 32 mil vidas e evitado 1,9 milhão de ferimentos.

Pesquisadores ouvidos pela Reuters afirmaram que esses números são altamente enganosos porque se baseiam na premissa irrealista de que todos os veículos dos Estados Unidos, incluindo caminhões de carga e motocicletas com alta incidência de acidentes, seriam substituídos por carros Tesla equipados com FSD — e de que todos os veículos Tesla seriam, de fato, pelo menos sete vezes mais seguros do que aqueles que substituiriam.

A análise da Reuters também constatou que a Tesla exagera a segurança da tecnologia ao comparar a taxa de acidentes de veículos Tesla operando com FSD que acionaram os airbags com a taxa geral de acidentes de todos os veículos nos Estados Unidos, que inclui colisões muito menos graves. A empresa também compara seus carros com a média da frota americana, que é muito mais antiga do que a média dos veículos Tesla. Isso distorce os resultados porque as montadoras vêm introduzindo gradualmente novos recursos de segurança que reduzem os acidentes.

Anders Eriksson, investigador da Agência Sueca de Transportes, recusou-se a comentar os dados apresentados pela Tesla, mas acrescentou que os reguladores suecos “vão além dos números principais” e que qualquer avaliação desse tipo de sistema não se basearia “exclusivamente em alegações agregadas de segurança, mas no conjunto de evidências apresentadas”.

A autoridade reguladora não respondeu às perguntas da Reuters sobre quais outras evidências a Tesla apresentou.

Dudley Curtis, porta-voz do grupo de monitoramento Conselho Europeu de Segurança nos Transportes, afirmou que sua organização está “certamente preocupada” com o fato de a Tesla ter apresentado “dados de segurança não confiáveis” dos Estados Unidos a reguladores da Suécia, após a Reuters informar o grupo sobre as correspondências.

Ele acrescentou que, se a Tesla quiser fazer alegações de segurança, deveria “fornecer os dados a uma universidade, submetê-los à verificação independente de um pesquisador qualificado e, então, discutir o assunto”.

Tesla aposta no FSD para recuperação na Europa

A Tesla afirmou que a aprovação do FSD na Europa é fundamental para o crescimento das vendas de veículos na região. A fabricante de veículos elétricos ainda tenta recuperar participação de mercado após as vendas terem despencado no ano passado em meio a protestos contra as atividades políticas de Musk, incluindo seu apoio a partidos europeus de extrema direita.

Não conseguir a aprovação pode dificultar a capacidade da Tesla de competir em uma região onde montadoras chinesas de veículos elétricos vêm avançando gradualmente.

Nos próximos meses, representantes de 55% dos Estados-membros que, juntos, representam 65% da população do bloco, precisarão votar favoravelmente para que o FSD se torne legal em toda a União Europeia.

Enquanto isso, países individualmente podem aprovar a tecnologia por conta própria. Um regulador da Grécia, que afirmou no mês passado que o país pretende aprovar o FSD, citou dados “do outro lado do Atlântico” que mostrariam que “esse sistema acaba levando a uma redução muito significativa dos acidentes”.

O Ministério dos Transportes da Grécia recusou-se a responder às perguntas sobre se os dados citados eram provenientes do relatório de segurança da Tesla.

Reguladores de outros países europeus têm sido inundados por mensagens de motoristas que citam as estatísticas de segurança da Tesla e pedem uma aprovação rápida do FSD, mostram os e-mails obtidos.

Vários motoristas da Tesla escreveram aos reguladores rodoviários da Noruega no outono passado citando o relatório de segurança da empresa. Um deles argumentou que a tecnologia é “significativamente mais segura do que a condução manual média”, com potencial para “reduzir os acidentes de trânsito em até 90% e, assim, salvar vidas nas estradas norueguesas"”

Stein-Helge Mundal, da Administração de Estradas Públicas da Noruega, respondeu a vários entusiastas da Tesla afirmando que os números da empresa “são produzidos pela própria companhia”, o que torna “difícil encontrar correlação com as estatísticas de acidentes das autoridades”.

O Estado de S.Paulo - SP   16/06/2026

Projeto de Lei pretende proibir a circulação de carros chineses até mesmo de marcas tradicionais; entenda o motivo

Duas parlamentares americanas estão tentando acabar de vez com a entrada de veículos ligados a fabricantes chinesas nos Estados Unidos, e isso inclui até os modelos que visitam o país a passeio, vindos do México e do Canadá.

A deputada Haley Stevens e a senadora Elissa Slotkin, ambas de Michigan, apresentaram o projeto de lei Proteção da América contra os Carros Chineses durante a Conferência de Política de Mackinac, realizada no mês passado. Segundo a descrição do projeto, a proposta visa impedir que “veículos conectados à China entrem nos EUA, inclusive por meio de nossos vizinhos ao norte e ao sul”.

Segundo as parlamentares, a alta conectividade desses veículos pode representar riscos à segurança nacional ao permitir a coleta de dados sensíveis. De acordo com o documento, os automóveis poderiam coletar “informações que ameaçariam nossa segurança nacional se caíssem nas mãos de nossos adversários”.

As parlamentares também criticam os subsídios oferecidos às montadoras chinesas pelo governo local. Segundo elas, isso permite às marcas chinesas praticar preços mais baixos que os da concorrência e “inundar mercados, como os da Europa e da América do Sul”.

As restrições propostas, porém, não atingiriam apenas montadoras chinesas. O projeto de lei também visa proibir veículos de qualquer fabricante que tenha, no mínimo, 15% de participação de uma empresa chinesa. Atualmente, a Geely detém 78,8% de participação na Volvo e cerca de 20% na Polestar.

Mesmo com as proibições, o documento prevê uma autorização específica para que veículos ligados a fabricantes chinesas entrem nos EUA. No entanto, essas permissões só seriam concedidas “sob condições rigorosas, com transparência e supervisão do Congresso”.
Herança do governo Biden

As sanções aos carros chineses não são uma exclusividade do atual governo dos EUA. Ainda durante o governo de Joe Biden, foi criada uma regra para “proibir a venda e a importação de hardware e software de veículos conectados, bem como de veículos conectados completos” vindos da China e da Rússia.

A regra entrou em vigor em janeiro de 2025, nos últimos dias do governo Biden, e afetou diretamente a Volvo.

Em maio, após negociações com autoridades federais, a Volvo recebeu uma autorização especial do governo Trump para continuar operando normalmente no mercado americano.

A montadora sueca afirma que a autorização permite que ela prossiga com seus planos de crescimento nos Estados Unidos, um de seus principais mercados.

Desde 2017, a Volvo mantém uma fábrica nos EUA, na cidade de Charleston, na Carolina do Sul. A planta, onde são montados o Volvo EX90 e o Polestar 3, já recebeu mais de US$ 1,3 bilhão em investimentos e emprega cerca de 2.000 funcionários.

Valor - SP   16/06/2026

Fabricante de peças metálicas do corpo e chassis, espanhola inaugurou a sétima unidade no Brasil

O avanço da eletrificação e da conectividade transforma o automóvel sob vários aspectos. Mas um carro continuará a ser sempre um conjunto de peças que, unidas, precisam garantir estrutura firme e segura. A nova dinâmica leva os fornecedores à necessidade de desenvolver componentes cada vez mais leves. Sob essa ótica, a espanhola Gestamp, fabricante de peças metálicas do corpo e chassis do veículo, inaugura nesta terça-feira (16), em Piracicaba (SP), sua sétima fábrica no Brasil.

Com investimento de R$ 200 milhões, a nova unidade acrescenta 16,5 mil metros quadrados aos 300 mil de área construída que a multinacional, pouco a pouco, ergueu desde que se instalou no Brasil, em 1997, ano que marcou o início da descentralização industrial do setor automotivo no país.

A unidade de Piracicaba vai funcionar com processos modernos e linha de estampagem a quente, uma especialidade da Gestamp que permite redução de peso dos componentes. “Precisamos reduzir o peso dos veículos para ampliar a autonomia e, ao mesmo tempo, proteger as baterias”, disse o presidente global da Gestamp, Francisco Riberas, por meio de respostas enviadas por escrito ao Valor. “O veículo do futuro combinará três atributos essenciais: leveza, segurança e sustentabilidade.”

Para o executivo, “os carros elétricos vieram para ficar e se tornarão a opção dominante no futuro tanto no Brasil quanto globalmente”. Mas, até que isso aconteça, ressalva Riberas, “é fundamental que a regulamentação ocorra no mesmo ritmo da realidade industrial”.

Para ele, a velocidade da eletrificação veicular depende de diferenças regulatórias, incentivos para o setor e subsídios à compra, além da infraestrutura de recarga de bateria. Segue acelerada na China, que aumentou a participação na produção global e “tornou o planejamento mais complexo, tanto para montadoras como para fornecedores”.

Para o executivo, no Brasil, depois do período em que o governo isentou híbridos e elétricos do Imposto de Importação para ajudar na descarbonização, “espera-se uma gradual nacionalização do produto por parte dos chineses”.

“Agora, já foram estabelecidos marcos, com exigências de conteúdo de peças locais para que a partir de 2027 a produção passe a ser dentro do Brasil”, destaca o executivo. E, de olho nos planos das chinesas no país, Riberas afirma que a tendência de nacionalização da produção dessas marcas “pode criar oportunidades em toda a cadeia”. “Temos interesse de crescer ao lado de todos os fabricantes”, afirma.

É recomendável que fabricantes de peças grandes como as da Gestamp se instalem próximo às linhas de montagem. Com receita anual global de € 11,34 bilhões e 42,4 mil funcionários, a empresa espanhola tem 115 fábricas espalhadas pelo mundo.

No Brasil, seguiu esse mesmo processo de aproximação das montadoras. Suas fábricas estão em São José dos Pinhais (PR), Gravataí (RS) e Betim (MG), onde se concentram grandes montadoras, além de Taubaté, Sorocaba, Santa Isabel e agora Piracicaba, no interior de São Paulo, apontado por Riberas como “um importante polo”. Na capital paulista fica, ainda, um dos 13 centros de pesquisa e desenvolvimento da Gestamp no mundo.

O faturamento da operação brasileira acompanhou a expansão industrial. Em cinco anos, a receita no país cresceu 80%, alcançando € 677 milhões em 2025.

A demanda por carros no Brasil se opõe, diz o executivo, à volatilidade e queda de produção na Europa, Japão e Estados Unidos. Riberas mostra-se animado com projeções de consultores que indicam que até 2030, o Brasil, hoje oitavo maior produtor de veículos, alcançará a produção anual de 3,2 milhões de veículos leves, 30% acima do volume de 2025.

“Projeções do FMI indicam que o PIB per capita continuará aumentando no Brasil, o que contribui para a expansão da classe média”, completa o executivo. “Quando olhamos para o Brasil, vemos uma combinação atraente de capacidade industrial, talento, tamanho do mercado e potencial de crescimento para as próximas décadas.”

Para acompanhar as projeções otimistas, a nova fábrica em Piracicaba já foi projetada para uma ampliação que poderá chegar a 40 mil metros quadrados e uma elevação do quadro efetivo dos atuais 50 para 150 funcionários, podendo chegar a até 500. “As oportunidades aqui são significativas e estamos bem posicionados para aproveitá-las”, diz.

NAVAL

Petro Notícias - SP   16/06/2026

Temos um acordo para terminar a guerra do Irã? Temos, mas ele é forte ou frágil? O mundo pode confiar? Até a próxima sexta-feira (19) estas serão as perguntas mais não respondidas pelos negociadores do acordo entre Estados Unidos, Irã e Israel. Elemento chave em todo este embaralho de situações, Israel não sairá do Líbano, mas promete não atacar se o grupo terrorista do Hezbollah, financiado pelo Irã, permanecer parado. Onde estão e quem irá retirar as minas iranianas colocadas no Estreito de Ormuz? A busca pelas minas pode levar semanas, atrasando o retorno à normalidade do transporte marítimo. Isso pode potencialmente reter dezenas de milhões de barris de petróleo, além do fornecimento de petróleo do Golfo já bloqueado desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro.

A França e o Reino Unido estão prontos para liderar uma missão no Estreito de Ormuz, com o apoio da Holanda e da Itália, para ajudar na reabertura da rota marítima após o acordo firmado entre os Estados Unidos e o Irã se tornar realidade, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira (15). Ele acrescentou que a missão poderia ser implementada em dois ou três dias. Macron afirmou que reabrir o Estreito de Ormuz com a cobrança de pedágio seria contrário ao direito internacional. Grã-Bretanha, França e Alemanha enviaram navios de guerra e caça-minas para o Oriente Médio, antecipando uma possível operação de desminagem. Corey Ranslem, diretor executivo do grupo de segurança marítima Dryad Global, afirmou que, mesmo após os ataques dos EUA destinados a destruir a capacidade militar iraniana, incluindo navios e estoques de minas, estima-se que o Irã possua até 1.000 minas navais. “Se for detectado um campo minado, a remoção da ameaça pode levar semanas ou meses”, disse ele.

Segundo avaliações de cinco fontes ocidentais de segurança marítima, a operação com navios caça-minas convencionais e drones subaquáticos de última geração poderá continuar por 40 a 50 dias antes que muitas seguradoras, empresas de transporte marítimo ou petrolíferas se sintam suficientemente confiantes para prosseguir. Isso pode atrasas o tráfego de dezenas de navios e de milhões de barris de petróleo, de acordo com estimativas baseadas nos fluxos pré-guerra. Cada barril exportado do Golfo é crucial, visto que os estoques nas maiores economias do mundo estão caminhando para seus níveis mais baixos desde pelo menos 2003, de acordo com uma análise divulgada na semana passada pela Administração de Informação Energética dos EUA.

Embora o Irã e os EUA tenham ajudado discretamente navios a atravessar o estreito bloqueado nas últimas semanas, autoridades do setor marítimo continuaram a pedir cautela depois do acordo preliminar para encerrar a guerra e reabrir o estreito. “Ainda consideramos muito arriscado para os navios iniciarem as travessias neste momento“, disse Jakob Larsen, diretor de segurança da associação de transporte marítimo BIMCO. “A ameaça de minas na área continua sendo uma preocupação imediata, bem como a longo prazo, e rotas livres de minas precisam ser estabelecidas.”

Não está claro quantas minas o Irã pode ter colocado no estreito, que antes da guerra era responsável por 20% do fornecimento diário mundial de petróleo e gás natural liquefeito. O Irã, que tem procurado afirmar seu controle sobre a hidrovia durante a guerra, ameaçou implantar minas navais, sem comentar se suas forças as plantaram ou não. Os EUA indicaram que as minas representam um risco e afirmam ter como alvo barcos iranianos lançadores de minas. Em uma nota, a Marinha alemã, citando informações das marinhas americana e britânica, afirmou que minas estavam localizadas em quatro pontos ao redor do estreito, acrescentando que a Alemanha não pôde verificar a localização exata das minas.

Até mesmo a possibilidade de minas terrestres poderia dissuadir as empresas. Um superpetroleiro e sua carga de petróleo bruto valem cerca de US$ 300 milhões, portanto, seguradoras de risco de guerra, empresas petrolíferas e de transporte marítimo precisariam de garantias de que a passagem é segura antes de tentar atravessar o estreito, disseram representantes do setor de transporte marítimo. “Uma única mina marítima é suficiente para causar fatalidades“, disse Rene Kofod-Olsen(DIREITA), CEO da V.Group, uma das maiores especialistas mundiais em gestão técnica de navios e tripulações, que tem 13 navios presos no Golfo.

Questionado na semana passada sobre quantas minas haviam sido instaladas e suas localizações, um porta-voz do Comando Central (Centcom) das Forças Armadas dos EUA disse que não podia discutir detalhes publicamente por razões de segurança operacional. “Os esforços militares dos EUA para garantir que o Estreito de Ormuz esteja completamente livre de minas marítimas colocadas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã estão em andamento.” O Centro de Segurança Marítima de Omã alertou os navegantes em 30 de maio que transitavam pelo lado omanita do estreito para que tivessem cautela após descrever o avistamento de um “objeto suspeito de ser uma mina flutuante”.

Enquanto o Irã e os EUA negociavam um acordo provisório para interromper a guerra, ambos os lados permitiram que alguns navios saíssem do estreito. O número de navios que atravessam o estreito aumentou para uma média de 12 a 15 embarcações por dia nas últimas semanas, de acordo com dados de navegação que podem ser verificados assim que os navios se tornam visíveis após deixarem o estreito. Mas isso representa uma fração dos 120 a 140 navios que cruzavam a hidrovia diariamente antes da guerra. O comunicado afirmava que as medidas incluiriam vários tipos de minas navais, incluindo minas flutuantes que poderiam ser lançadas da costa.

Valor - SP   16/06/2026

Cerca de 500 navios mercantes ainda permanecem no Golfo Pérsico

Os preços do petróleo estão caindo com a expectativa de que o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã possa levar à reabertura do Estreito de Ormuz, mas analistas alertam que o fluxo de petróleo pode se recuperar apenas lentamente e continuar vulnerável a novas interrupções.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou que chegou a um acordo para reabrir a passagem estratégica após a assinatura formal de um memorando de entendimento, prevista para sexta-feira. Para que isso aconteça, o Irã deverá remover as minas marítimas da hidrovia e se comprometer a não cobrar qualquer tipo de pedágio, enquanto os EUA terão de suspender o bloqueio naval aos navios que entram e saem dos portos iranianos.

“Navios do mundo, deem partida em seus motores”, escreveu o presidente americano nas redes sociais no domingo. “Deixem o petróleo fluir!”

Entidades da indústria marítima estimam que cerca de 500 navios mercantes ainda permanecem no Golfo Pérsico após mais de três meses de conflito, com o tráfego pelo estreito reduzido a um fio. Antes da guerra, mais de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo era transportado por essa hidrovia estratégica.

Algumas embarcações começaram a ligar seus motores na manhã de segunda-feira e se deslocar para posições mais próximas da entrada do estreito, prontas para atravessá-lo assim que ele for reaberto.

Um navio-tanque de GNL, o Disha, navegava por uma rota previamente definida pelo Irã quando o acordo foi anunciado na noite de domingo. Segundo a plataforma de commodities Kpler, ele havia carregado gás na instalação de GNL de Ras Laffan, no Catar, em 1º de março.

Uma travessia comercial típica pela hidrovia leva cerca de oito horas, o que significa que qualquer esforço para eliminar o acúmulo de embarcações será gradual, especialmente se os navios forem obrigados a navegar sob condições restritivas.

O estreito é a principal rota de exportação dos produtores de petróleo do Golfo e das exportações de GNL do Catar, tornando qualquer interrupção uma grande preocupação para os mercados globais de energia.

Antes do conflito, cerca de 130 navios passavam por ele diariamente. Desde então, o tráfego despencou após repetidos ataques a embarcações comerciais e o aumento das preocupações com a segurança das tripulações e das cargas.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, 46 navios foram atacados, segundo estimativas da indústria marítima, enquanto o Irã tomou dois navios porta-contêineres como reféns.

Grandes entidades do setor de navegação, incluindo a Câmara Internacional de Navegação e a Bimco, emitiram orientações aos armadores para o caso de reabertura do estreito, alertando que “travessias simultâneas e descoordenadas” podem gerar congestionamentos, “manobras erráticas” e movimentos “imprevisíveis” de embarcações. A expectativa é que a supervisão militar permaneça limitada.

Nesta segunda-feira, elas alertaram que a situação para a navegação continuava “volátil”, apesar do anúncio de um acordo.

Jakob Larsen, diretor de segurança da Bimco, afirmou que as empresas de navegação ficaram “decepcionadas” com tentativas anteriores dos EUA de reabrir o estreito e com uma falsa largada dos iranianos em abril, de modo que agora desejam “algo um pouco mais sólido”.

As declarações dos Estados Unidos e do Irã ofereceram poucos detalhes sobre como as travessias serão administradas quando a hidrovia for reaberta.

Larsen afirmou que um organismo neutro, como a ONU, deveria ser encarregado de administrar o tráfego marítimo no estreito.

Alguns armadores continuaram permitindo que seus navios navegassem por Ormuz, mas a maioria foi desencorajada por relatos sobre minas nas principais rotas marítimas, especialmente após ataques americanos contra embarcações iranianas supostamente envolvidas na instalação de minas no mês passado. A maior parte dos navios tem transitado por rotas próximas ao litoral do Irã ou de Omã.

Tim Wilkins, diretor-gerente da associação da indústria de petroleiros Intertanko, afirmou que os governos dos EUA e do Irã deveriam “colaborar para garantir que o Estreito de Ormuz esteja livre da ameaça de minas, enquanto a navegação dividida entre as chamadas rotas omanense e iraniana deveria ser interrompida”.

De acordo com os termos do acordo, forças iranianas removerão as minas do estreito durante os primeiros 30 dias após a assinatura.

Mesmo antes de surgirem relatos sobre um possível acordo, analistas já alertavam que os armadores provavelmente permaneceriam cautelosos caso o Irã fosse visto como mantendo o controle operacional da hidrovia.

Martin Kelly, chefe de consultoria da EOS Risk Group, disse estar “pessimista” quanto à solidez de qualquer acordo, diante da escalada de ataques recíprocos durante o atual cessar-fogo. “Cada vez que vemos esse ciclo, observamos um pouco mais de escalada”, afirmou.

Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities do RBC Capital Markets, comparou a possível reabertura à situação da navegação no Mar Vermelho, onde o tráfego continua muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito, apesar de um acordo firmado pelos Estados Unidos com os houthis no ano passado.

“O tráfego no Mar Vermelho está atualmente cerca de 56% abaixo dos níveis anteriores ao conflito”, escreveu Croft em relatório, acrescentando que muitas grandes empresas de navegação continuam evitando a rota devido a preocupações com a segurança do estreito de Bab el-Mandeb.

Ela acrescentou que mesmo atingir esses níveis reduzidos “provavelmente exigiria um período prolongado, dadas as operações logísticas de embarcações que se estenderiam por várias semanas após a reabertura”.

Saul Kavonic, analista de energia da MST Financial, afirmou que, mesmo em um cenário otimista, “os mercados de petróleo permanecerão apertados até 2027”, devido ao tempo necessário para restaurar a logística marítima, reparar infraestruturas energéticas danificadas e recompor estoques de petróleo esgotados.

“Este é apenas o início de um processo longo e complicado para restaurar os fluxos de petróleo”, disse Kavonic. “Considerando que Trump deixou o Irã com o controle efetivo do estreito, a espada de Dâmocles continuará pairando sobre a passagem por Ormuz daqui para frente, sujeita ao risco de interrupção pelo Irã a qualquer momento”, acrescentou.

Portos e Navios - SP   16/06/2026

A Autoridade Portuária de Santos (APS) assinou nesta sexta-feira, dia 12 de junho, o contrato para a dragagem de aprofundamento do canal de navegação do Porto de Santos. A nova profundidade será de 16 metros, atendendo a uma necessidade do mercado de navegação e ampliando a capacidade do complexo portuário.

"É um investimento que estamos fazendo de quase 620 milhões, que atende ao planejamento de expansão do Porto de Santos, para que a mais moderna frota de navios cargueiros do mundo possa acessar sem dificuldade os terminais, aumentando a produtividade e diminuindo custos”, informa o presidente da APS, Anderson Pomini.

O aprofundamento do canal do Porto de Santos será feito depois de 14 anos da última obra, quando a profundidade foi aumentada para 15 metros. Neste período, os navios evoluíram e exigem maior calado. Com essa obra, a APS visa garantir aos usuários do complexo portuário melhor infraestrutura.

A empresa que irá fazer o aprofundamento é a Jan de Nul do Brasil. O valor é de R$ 617,9 milhões, por um período de cinco anos de obras. A contratação prevê também a dragagem de manutenção do novo gabarito por um período de dois anos.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   16/06/2026

As expectativas da semana não ficarão só em torno dos jogos da Copa do Mundo. Na próxima sexta-feira (19), os olhos do mundo estarão voltados para Genebra, na Suíça, quando deve ser assinado o tão aguardado acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, anunciado ontem de noite (14). Nesta segunda-feira (15), o mercado de óleo e gás deve sentir os efeitos do anúncio, com expectativa de volatidade nos preços do barril. Contudo, apesar da sinalização de que o confronto deve chegar ao fim, os efeitos do prologando confronto e do fechamento do Estreito de Ormuz devem ainda perdurar por algum tempo. A retomada do tráfego pela rota marítima deve garantir o retorno ao mercado global da produção de petróleo interrompida pelo conflito, que atingiu um pico de cerca de 12 milhões de barris por dia (bpd) em maio.

Em seu relatório Horizons de maio, a consultoria britânica Wood Mackenzie apresentou diferentes cenários sobre os impactos da reabertura do estreito nos mercados de energia, nos preços do petróleo e do GNL e na economia global. Com o cenário da reabertura do Estreito de Ormuz ainda em junho, a Wood Mackenzie acredita que boa parte da produção interrompida poderá ser restaurada relativamente rápido.
Dados da consultoria indicam que Arábia Saudita e Iraque já começaram a elevar preventivamente sua produção. Na maioria dos casos, o principal gargalo não estará na capacidade dos reservatórios, mas na logística necessária para retomar as exportações e realizar a partida segura dos campos.

Instalações de países do Golfo Árabe foram afetadas durante a guerra

Considerando uma retomada gradual e controlada das operações, a análise aponta que os campos afetados pelo fechamento do estreito poderiam recuperar cerca de 70% da produção anterior em três meses e aproximadamente 90% em seis meses. Entretanto, o último milhão de barris por dia deverá levar significativamente mais tempo para retornar.

A recuperação depende de uma série de variáveis relacionadas aos reservatórios. Entre elas estão a idade, maturidade e tamanho dos campos, a proporção da produção interrompida, o período em que os poços permaneceram fechados e a qualidade do processo de paralisação, que em muitos casos ocorreu sob pressão e em curto espaço de tempo.

Também são fatores relevantes as características dos reservatórios, a qualidade do petróleo, o ponto de bolha, os mecanismos de recuperação utilizados, as tecnologias empregadas e até mesmo a salinidade da água presente nos sistemas de produção.

Além dos desafios subterrâneos, existem obstáculos operacionais na superfície. Sistemas de manuseio de gás e reinjeção de água precisam ser religados simultaneamente para evitar danos aos reservatórios. Em muitos campos, a participação de água nos fluidos produzidos deverá aumentar temporariamente, tornando a retomada e a reotimização desses sistemas uma etapa crítica do processo.

Há ainda desafios relacionados à cadeia de suprimentos. A recuperação pode ser afetada pela disponibilidade de equipes especializadas, problemas mecânicos em sistemas de elevação artificial, necessidade de religamento da geração elétrica remota e questões ligadas à integridade e ao escoamento dos oleodutos. Segundo a consultoria, alguns dos poços mais antigos ou mais complexos provavelmente nunca recuperarão totalmente sua produção.

RETOMADA DAS EXPORTAÇÕES

A consultoria destaca quatro etapas fundamentais para que as exportações retornem aos níveis registrados antes da guerra.
A primeira é garantir a passagem segura das embarcações pelo Estreito de Ormuz, sem restrições em nenhuma direção. Armadores, seguradoras e operadores de navios dificilmente aceitarão menos do que isso.

A segunda etapa consiste em liberar os navios atualmente retidos no Golfo. A expectativa é que essas embarcações já estejam carregadas com petróleo ou derivados e prontas para seguir viagem. O terceiro desafio envolve a restauração da logística de carregamento de petroleiros. Navios vazios posicionados fora da região precisarão retornar para receber cargas provenientes de estoques armazenados nos terminais. Esse processo criará espaço de armazenamento para que a produção possa ser retomada.

Segundo a Wood Mackenzie, será necessário destravar todo o fluxo logístico dos petroleiros. Como muitos navios levarão semanas para completar suas viagens e retornar, outras embarcações precisarão ser reposicionadas para sustentar a recuperação dos fluxos de exportação. A quarta etapa é restabelecer toda a cadeia de valor do petróleo em cada país, incluindo poços produtores, oleodutos, refinarias, instalações petroquímicas, tanques de armazenamento e terminais de carregamento.

Valor - SP   16/06/2026

Apesar do otimismo, analistas de mercado mostram-se cautelosos quanto aos desdobramentos depois da renovação do cessar-fogo

O anúncio de um acordo preliminar entre os Estados Unidos e o Irã derreteu grande parte do prêmio de risco do barril de petróleo, que despencou nesta segunda-feira e aproximou-se da faixa de US$ 80, a qual não era vista desde o início de março tanto para o Brent quanto para o WTI. Apesar do otimismo, analistas de mercado mostram-se cautelosos quanto aos desdobramentos depois da renovação do cessar-fogo, visto que pontos-chave na negociação, como o programa nuclear iraniano, seguem sem uma conclusão.

O petróleo Brent com entrega para agosto caiu 4,76%, cotado a US$ 83,17 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI com vencimento em julho despencou 4,87%, cotado a US$ 80,75 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Os termos exatos do acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não foram divulgados, embora o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, tenha afirmado que o pacto exigia "o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano". Além disso, o presidente americano, Donald Trump, autorizou a reabertura irrestrita do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio ao Irã, com vigência a partir da assinatura do acordo, já feita.

Vale notar que o acordo será de mais um cessar-fogo de 60 dias, no qual outra tratativa mais abrangente será negociada, e Trump afirmou que os ataques poderiam ser retomados caso um acordo não seja atingido no período. A Reuters reportou que o destino do programa nuclear iraniano, outra questão crucial para Trump, será abordado nessas conversas posteriores.

O foco do mercado neste momento será a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz e qual será a velocidade com a qual a normalidade poderá ser retomada na passagem. A equipe de pesquisa do MUFG, porém, mostra um certo grau de ceticismo quanto ao retorno do tráfego e da normalização dos preços do petróleo.

“Duvidamos que retorne aos níveis pré-conflito, abaixo de US$ 70 por barril, visto que levará tempo para que o fornecimento seja restabelecido, os estoques foram reduzidos e um prêmio de risco geopolítico maior ainda será necessário para refletir o risco contínuo de fracasso do acordo.”

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, veio a público hoje para afirmar que Israel fará o que for preciso para impedir que o Irã tenha armas nucleares, independentemente de um possível acordo diplomático.

O analista-chefe de commodities do SEB Research, Bjarne Schieldrop, alerta ainda para a fragilidade do acordo. “Os EUA precisam demonstrar que estão dispostos a investir força suficiente para gerir e conter Israel contra o Hezbollah no Líbano. Vimos que Netanyahu não tem dado muita atenção às diretrizes e desejos de Trump. Isso pode ser um grande obstáculo.”

O Estado de S.Paulo - SP   16/06/2026

Ambas as empresas oferecem o melhor balanço entre risco e retorno e rendimentos atrativos em 2026; confira as recomendações e preços-alvo para todo o setor na Bolsa brasileira

A XP Investimentos afirma que, apesar da queda do petróleo após o anúncio do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, reforça a preferência nas ações da Prio (PRIO3) e da Petrobras (PETR3; PETR4) no setor de óleo e gás no Brasil. A corretora considera que as ações de ambas companhias oferecem o melhor balanço entre risco e retorno e yields (rendimentos) atrativos em 2026, assumindo que o preço do petróleo permaneça relativamente elevado por ainda incorporar algum prêmio de risco.

Em relatório, o analista Regis Cardoso aponta que o contrato do petróleo Brent recuou para cerca de US$ 83 por barril, queda de cerca de 6% no dia, depois de quinze semanas de conflito e do anúncio de um acordo que prevê o fim do bloqueio naval norte-americano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

A XP diz que, com o petróleo em queda, revisitou análises de sensibilidade e destaca que Petrobras e Prio são as companhias mais expostas aos preços do petróleo em 2026. Considerando hedge (proteção) e a taxa de exportação de 120 dias, a corretora calcula que a sensibilidade do yield de Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE) a cada queda de US$ 10 por barril no Brent é de aproximadamente menos 3,6 pontos porcentuais para a Prio, menos 2,8 pontos porcentuais para a Petrobras, menos 2,4 pontos porcentuais para a PetroReconcavo (RECV3) e menos 1,8 ponto porcentual para a Brava Energia (BRAV3).

Apesar de serem as mais expostas ao recuo do petróleo, a XP refirma recomendação de compra e preço alvo de R$ 78 para a Prio e de R$ 63 para a ação PN da Petrobras (PETR4), com potenciais de alta de 27,2% e 53% ante o último fechamento, respectivamente. A corretora também tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 25 para a Brava, e recomendação neutra com preço-alvo de R$ 13 para Petrorecôncavo, ambas com potencial alta de 18,9%.

No relatório, a XP detalha que autoridades dos Estados Unidos e do Irã devem assinar formalmente o memorando de entendimento na sexta-feira (19), na Suíça. A corretora estima que o Estreito de Ormuz deve reabrir apenas após o ato e que, se isso ocorrer, a expectativa é de que os preços do petróleo recuem, com a normalização gradual do fluxo comercial na região.

A corretora acrescenta que o acordo tem efeitos que podem ser conflitantes. Do ponto de vista macroeconômico, o evento elevou o apetite por risco nos mercados financeiros globais e a queda dos preços de energia ajuda a reduzir expectativas de inflação e abre espaço para cortes de juros, o que seria positivo para ações. Por outro lado, o relatório ressalta que o fluxo de caixa das empresas de óleo e gás tende a ser afetado negativamente pela queda do Brent, agora em cerca de US$ 83, ante níveis recentes ao redor de US$ 90 a US$ 100 por barril.

Em meio à volatilidade, a XP afirma que prefere trabalhar com cenários para uma faixa de preços de petróleo, observando tanto sensibilidades relativas quanto níveis absolutos de retorno.

Petro Notícias - SP   16/06/2026

A Coppe/UFRJ vai inaugurar um importante projeto de modernização e ampliação da sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento para a indústria de óleo e gás, em águas muito profundas. O Núcleo de Tecnologia de Poços (NTP), vinculado ao Laboratório de Tecnologia Submarina, representa um importante avanço na capacidade nacional de desenvolver e testar equipamentos de fundo de poço em condições extremas de pressão, temperatura, tração e compressão, ampliando a capacidade da Coppe em desenvolver e testar equipamentos fundamentais para os desafios do pré-sal. O Núcleo é coordenado pelo professor Ilson Pasqualino, do Programa de Engenharia Oceânica, sendo financiado pela Shell Brasil, com recursos da cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

A nova estrutura compreende dois grandes sistemas de testes: uma câmera termo-hiperbárica e um aparato termomecânico. Os equipamentos permitem aplicar pressões internas em até 8 pontos da amostra de até 30 Ksi, uma capacidade inédita no país e que coloca o Núcleo entre as estruturas mais modernas do mundo. Mas, o que significa tal capacidade? Significa que os pesquisadores do NTP poderão estudar uma pressão duas vezes maior à registrada na Fossa Mariana, no Oceano Pacífico, o ponto mais profundo conhecido no planeta (15 km), ou 2 mil vezes superior à pressão atmosférica. No NTP, pesquisadores do Programa de Engenharia Oceânica poderão desenvolver ensaios de caracterização e qualificação de materiais e equipamentos, testes de alta pressão, ensaios com cargas combinadas e simulações completas do ambiente do pré-sal. Esses testes permitem avaliar segurança, confiabilidade, resistência e a vida útil de componentes utilizados em operações críticas da indústria de óleo e gás.

Os testes podem incluir temperaturas variando entre 4°C a 250°C e cargas axiais trativas de 500 toneladas (uma força “puxando” o objeto de estudo, com 500 toneladas de força empregada no movimento de tração) e compressivas de 700 toneladas (suportar a compressão superior ao peso de mais de uma centena de elefantes), assegurando maior confiabilidade aos equipamentos utilizados pela indústria. Além disso, as obras na estrutura do LTS permitem a ampliação do número de bancadas de teste, melhorias no sistema de movimentação de cargas de até 10 toneladas, reforma do pátio principal e aproveitamento de estruturas já existentes, que passarão a ser utilizadas plenamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento. “O NTP (Núcleo de Tecnologia de Poços) é uma nova área de testes do LTS, destinada ao desenvolvimento de tecnologias para a completação inteligente de poços de petróleo. O NTP possui grande potencial para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas, desenvolvimento de tecnologias voltadas à exploração de poços de grande profundidade do pré-sal e constitui um elo importante entre a academia e a indústria de óleo e gás”, avalia o professor.

RODOVIÁRIO

CNN Brasil - SP   16/06/2026

O setor de concessões rodoviárias acompanha com preocupação o ritmo dos leilões previstos para 2026. Atualmente, cerca de 85% dos certames estão concentrados no segundo semestre do ano, período que coincide com o calendário eleitoral e pode gerar incertezas quanto à continuidade dos projetos.

Para atingir a meta de 13 leilões até o fim do ano, o governo federal precisará realizar, em média, duas disputas por mês. Até o momento, apenas duas concessões rodoviárias foram leiloadas, e a agenda deve ser retomada em julho com a concessão da rodovia Régis Bittencourt, que conecta os estados de São Paulo e Paraná.

A expectativa é de que os projetos movimentem mais de R$ 400 bilhões em investimentos ao longo da próxima década.

Em entrevista ao CNN Money, Luís Fernando Parma, do Instituto I4 Brasil, a agenda de PPPs (Parcerias Público-Privadas) e concessões ainda sofre influência de questões ideológicas, especialmente no âmbito federal.

Para o especialista, embora o país tenha mais de duas décadas de experiência com a legislação de PPPs, decisões relacionadas ao tema continuam sendo impactadas por disputas políticas.

Ele observa, no entanto, que setores historicamente mais consolidados, como rodovias, energia, portos e aeroportos, tendem a sofrer menos interferência, enquanto projetos estaduais e municipais permanecem mais suscetíveis a esse tipo de influência.

Parma ressalta que a discussão sobre concessões deve ultrapassar divergências partidárias e se concentrar na criação de um ambiente regulatório estável. Como os contratos costumam ter duração de 20, 30 ou até 35 anos, a segurança jurídica é considerada um fator decisivo para atrair investimentos privados.

Segundo ele, independentemente da orientação política dos governos, o essencial é garantir regras claras e previsíveis que permitam ao capital privado investir e gerar benefícios para a população.

A falta dessa previsibilidade, contudo, ainda representa um obstáculo para a ampliação da concorrência no setor. De acordo com Parma, a insegurança jurídica de longo prazo afasta potenciais investidores que possuem capacidade operacional e financeira para participar dos certames.

Na avaliação do especialista, um ambiente regulatório mais seguro estimularia a entrada de novos participantes, aumentando a competitividade dos leilões e contribuindo para melhores condições de investimento e execução das obras.

O especialista também defende as PPPs como uma ferramenta eficiente para reduzir o déficit histórico de infraestrutura do país.

Para ele, projetos bem estruturados devem apresentar viabilidade financeira, econômica, orçamentária, técnica e ambiental, além de aproveitar a experiência da iniciativa privada na execução, operação e manutenção de grandes ativos.

Nesse contexto, as parcerias público-privadas se consolidam como um importante instrumento para impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura nacional.

Parma destaca ainda que o Brasil investe em infraestrutura em proporção ao PIB abaixo da média observada em outros países em desenvolvimento, o que contribui para a defasagem de diversos ativos estratégicos.

Diante desse cenário, ele avalia que a participação do capital privado é indispensável para acelerar os investimentos e modernizar a infraestrutura brasileira.

Para o especialista, essa agenda deve ser tratada como uma política de Estado, voltada à construção de um legado de longo prazo, e não como uma pauta sujeita a disputas partidárias ou mudanças de governo.

AGRÍCOLA

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   16/06/2026

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou da 20ª edição da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), integrando a comitiva do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Durante a cerimônia de abertura, o vice-presidente Alckmin destacou a relevância do agronegócio para a economia brasileira e ressaltou a posição de liderança do país no mercado internacional.

“Hoje estamos entre os três maiores produtores do mundo e somos o maior exportador de alimentos. No ano passado, o agro brasileiro exportou US$ 169 bilhões”, evidenciou.

Na ocasião, foram anunciadas medidas voltadas ao fortalecimento da produção agropecuária e da logística nacional.

Entre elas, o programa Move Agricultura, que disponibilizará R$ 14 bilhões em crédito para a aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e demais implementos agrícolas, com taxa de juros de até 9,2% ao ano, prazo de até 60 meses para pagamento e carência de 12 meses.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também anunciou a disponibilização de R$ 21,1 bilhões para renovação da frota de transporte de cargas e passageiros.

Desse total, R$ 19,1 bilhões serão destinados à aquisição de caminhões e R$ 2 bilhões à compra de ônibus, além de recursos voltados a implementos rodoviários. A expectativa é que os financiamentos contem com taxas em torno de 12% ao ano.

As iniciativas integram o conjunto de ações do Governo Federal voltadas ao aumento da competitividade, da produtividade e da eficiência logística do agronegócio brasileiro.

Em seu discurso, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reafirmou o compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento do setor agropecuário e destacou os investimentos realizados nos últimos anos por meio do Plano Safra.

“Estamos trabalhando para que os números do próximo Plano Safra sejam compatíveis com o crescimento e a pujança da nossa atividade”, disse.

O ministro André de Paula também ressaltou a credibilidade do sistema de defesa agropecuária brasileiro e os avanços alcançados pelo país na ampliação de mercados internacionais.

“Não por acaso o Brasil exporta para mais de 170 países. Recentemente, a China reconheceu o status do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação em todo o território nacional”, destacou.

André de Paula enfatizou ainda a importância estratégica do Oeste baiano para a produção agropecuária nacional e ressaltou a trajetória de desenvolvimento da região.

Bahia Farm Show - Realizada pela Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), com apoio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), da Associação dos Revendedores de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Oeste da Bahia (Assomiba) e da Fundação Bahia, a Bahia Farm Show é considerada uma das principais feiras de tecnologia agrícola e negócios do país.

A 20ª edição do evento aconteceu entre os dias 8 e 13 de junho reunindo representantes do setor produtivo, instituições públicas, empresas, entidades de classe e agentes estratégicos ligados ao agronegócio.

Para 2026, a organização ampliou em 35% a área do complexo em relação ao ano anterior, totalizando 38 hectares (380 mil metros quadrados).

A expectativa é receber mais de 500 expositores e movimentar investimentos estimados em R$ 180 milhões, consolidando a feira como uma das principais vitrines da inovação, tecnologia e competitividade do agronegócio brasileiro.

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