Clipping Diário

19 | Maio | 2026

SIDERURGIA

Money Times - SP   19/05/2026

As ações da Usiminas (USIM5) operam entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) nos primeiros minutos do pregão desta segunda-feira (18).

Por volta de 13h10 (horário de Brasília), USIM5 subia 0,22%, a R$ 9,14. Na máxima intradia, os papéis chegaram a subir 2,85% (R$ 9,38). Acompanhe o Tempo Real.

Mais cedo, o Safra elevou o preço-alvo das ações da mineradora de R$ 7,70 para R$ 9,70 para o fim deste ano, o que representa um potencial de valorização de 6,4% sobre o preço de fechamento anterior. Na última sexta-feira, USIM5 terminou o dia cotada a R$ 9,12.

Os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro destacaram, desde meados de abril, a Usiminas superou o desempenho da Gerdau e do Ibovespa, com apoio dos resultados do primeiro trimestre (1T26) acima das expectativas.

No 1T26, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 896 milhões, um avanço de 166% na comparação com o mesmo período em 2025.

Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o resultado teve um salto de 596% ante os R$ 129 milhões reportados no período.

Segundo a companhia, a evolução reflete a melhora do resultado operacional, efeitos cambiais líquidos positivos e um aumento nos créditos por tributos diferidos pela apreciação do real frente ao dólar no período.

Usiminas (USIM5) vê lucro líquido saltar 166%, a R$ 896 milhões, no 1T26; veja os números

Para o Safra, a supresa positiva foi em custos de produtos vendidos (COGS, na sigla em inglês), com cerca de 1% de ganho na margem Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) decorrente de efeitos da moeda “que podem não se repertir”.

O banco também considera a queda mais rápida das importações de aço como um dos catalisadores recentes da ação, apoiando uma recuperação das vendas domésticas e permitindo aumentos de preços (HRC em alta de 9% no acumulado do ano).

Além disso, os analistas destacam o aumento da confiança na implementação de novas medidas antidumping.
‘Vender’ continua sendo a recomendação

Apesar da valorização recente, o Safra mantém a recomendação de venda para USIM5.

Para os analistas, “grande parte” do cenário mais favorável já está precificado, limitando o potencial adicional de valorização nos níveis atuais e criando um perfil de ‘risco-retorno’ mais assimétrico.

“Vemos maior assimetria negativa, já que a avaliação para 2027 já embute uma forte melhora em relação aos resultados atuais”, escreveram Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro em relatório.

Além disso, a dupla considera o valuation atual “pouco atraente”.

“O risco de queda permanece caso os preços não melhorem ou os custos não recuem, já que tanto nossas projeções quanto as do consenso já embutem premissas otimistas para preços e alguma deflação nos custos de matérias-primas”, acrescentaram os analistas.

Para os analistas, a demanda segue fraca e os riscos de evasão comercial podem limitar a eficácia das medidas antidumping.

“As medidas antidumping podem reduzir a penetração das importações chinesas, mas os riscos de evasão permanecem relevantes — seja por substituição por produtos similares ou por mudança na origem das importações, como já ocorreu historicamente”, diz o relatório.

Eles destacam ainda que os dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex) mostram que as importações de aços planos caíram 44% na comparação anual em abril, com as importações representando 24% do consumo. “Não vemos isso como evidência suficiente de uma normalização sustentável”.

O Safra também avalia que o caso antidumping dos laminados a quente (HCR) continua provável e a implementação deve acontecer no fim deste ano, com efeitos apenas em 2027.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   19/05/2026

A expectativa para a inflação brasileira teve aumento pela 10ª semana seguida no relatório Focus desta semana. O documento que foi publicado nesta segunda-feira (18), elevou a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 4,92%, em uma leve alta de 0,01, p.p. (ponto percentual), em relação à última divulgação.

Os analistas do mercado financeiro também mantiveram a estimativa do índice para 2027, ficando em 4%, como na última semana, e elevando a projeção para 2028, para 3,65%.

Além da inflação, a taxa básica de juros (Selic) também sofreu aumento em sua expectativa. Desde a última publicação, a projeção teve um aumento de 0,25 ponto percentual, indo para 13,25% ao ano.

Para os próximos dois anos, a taxa continuou em linha com o relatório da semana passada, de 11,25% em 2027 e 10% em 2028.

Enquanto isso, o câmbio e o PIB (Produto Interno Bruto) não tiveram aumento nesta divulgação. O crescimento interno do país continuou na estimativa de 1,85%, assim como a moeda seguiu estimada para encerrar 2026 em R$ 5,20.

O Estado de S.Paulo - SP   19/05/2026

As informações foram divulgadas no Boletim Macrofiscal, publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) nesta segunda-feira, 18.

A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados, segundo a SPE. “Contudo, as projeções também consideram que parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalançada pelos efeitos do real mais apreciado e por medidas mitigatórias adotadas pelo governo federal para conter o repasse do aumento dos combustíveis no mercado doméstico”, diz a secretaria.

“Até o início dos conflitos no Oriente Médio, dados do IPCA apontavam para uma trajetória de desaceleração da inflação, com convergência para o centro da meta. Desde março, contudo, o choque na cotação internacional do petróleo, além de afetar os preços dos combustíveis, passou a pressionar insumos industriais e custos de transporte, com possíveis desdobramentos em itens da cadeia de alimentos”, afirma. Segundo a secretaria, esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais disseminada e persistente ao longo de 2026, o que explica a revisão altista da projeção.

A revisão, portanto, incorpora os seguintes fatores: elevação da cotação do petróleo, que atua como vetor altista; a apreciação da taxa de câmbio estimada para 2026; a expectativa de mercado de uma taxa Selic mais alta ao longo do ano; as políticas mitigatórias, que operam em sentido oposto; e os resultados recentes do IPCA, que vieram acima do projetado na grade anterior.

A previsão já considera bandeira tarifária amarela para a energia elétrica em dezembro. A Fazenda estima que, diferentemente de 2025, em 2026 os preços de alimentos devem deixar de contribuir para a queda da inflação, refletindo fatores estruturais, especialmente ligados ao ciclo do boi, impactando carnes, leite e derivados, e produtos semielaborados.

A maior probabilidade de ocorrência de El Niño na segunda metade do ano e o prolongamento do choque nos preços de fertilizantes são vetores que podem impactar em maior medida a safra de 2027 e pressionar a inflação de alimentos, com alguma antecipação ainda para este ano.

Para 2027, a expectativa de inflação também foi revisada para cima, passando de 3,0% para 3,5%, repercutindo a maior inércia de 2026. “Parte desse movimento deve ser compensada pelos efeitos defasados da política monetária em um patamar mais restritivo e pela taxa de câmbio mais apreciada, conforme a mudança de expectativa para essas variáveis da grade anterior para a atual”, completa.

Para os anos seguintes, projeta-se inflação convergindo para a meta, em 3,0% em 2028, 2029 e 2030.
PIB

O Ministério da Fazenda manteve a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 em 2,3%. A estimativa para o ano que vem permaneceu em 2,6%.

As projeções da SPE continuam acima das medianas do último relatório Focus, que indicavam crescimento de 1,85% para o PIB em 2026 e de 1,77% para 2027.

“O efeito contracionista da Selic mais elevada é compensado pela alta do preço do petróleo, que atua por dois canais: os efeitos diretos sobre a indústria extrativa e seus encadeamentos produtivos, e a melhora dos termos de troca e do saldo da balança comercial, movimento já observado nos dados até abril”, diz a SPE, que manteve a projeção de crescimento para o PIB do primeiro trimestre de 1% na margem e de 1,8% interanual.

Segundo a pasta, as projeções permanecem sustentadas pela divulgação de indicadores coincidentes, que apontaram desempenho em linha com o projetado para o PIB total.

A projeção para o PIB agropecuário permaneceu em 1,2%, já incorporando os resultados da LSPA de março. Para a indústria, mantém-se a expectativa de alta de 2,2%, com o desempenho aquém do esperado da manufatura no primeiro trimestre de 2026 sendo compensado, ao longo do ano, pelo dinamismo da indústria extrativa, favorecida pela elevação das cotações do petróleo e seus encadeamentos produtivos.

Para os serviços, a projeção também se manteve em 2,4%, “sustentada pela entrada em vigor da isenção do imposto de renda, pela expansão do crédito consignado privado e pelo crescimento da massa real de rendimentos em um mercado de trabalho ainda resiliente”.

Para 2027, a SPE diz que a estimativa foi mantida por causa dos efeitos defasados do ciclo de flexibilização monetária, com a redução da Selic ao longo de 2026 e 2027, conforme expectativas de mercado.

Segundo a SPE, a partir de 2027, o ritmo de crescimento deverá acelerar pouco em relação a 2026: “Este cenário conta com os impactos positivos e graduais da Reforma Tributária, além do Plano de Transformação Ecológica. Cabe ressaltar que este crescimento esperado é próximo ao crescimento potencial estimado para a economia brasileira”, escreveu.

Monitor Digital - RJ   19/05/2026

A economia da China apresentou uma recuperação constante nos primeiros quatro meses de 2026, com indicadores-chave se recuperando e novos motores de crescimento ganhando impulso à medida que as políticas macroeconômicas continuaram a surtir efeito.

Durante o período de janeiro a abril, o crescimento da produção e da oferta acelerou, enquanto a demanda de mercado continuou a se expandir. O emprego e os preços ao consumidor também permaneceram geralmente estáveis, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas (DNE).

Em meio a um cenário internacional complexo, a China adotou uma política fiscal mais proativa e uma política monetária adequadamente acomodativa para apoiar a contínua modernização e otimização da economia, demonstrando forte resiliência e vitalidade, disse a porta-voz do DNE, Fu Linghui, em uma coletiva de imprensa.

De acordo com dados do NBS, a produção industrial de valor agregado do país aumentou 5,6% em relação ao ano anterior nos primeiros quatro meses de 2026. Somente em abril, a produção industrial cresceu 4,1% em relação ao ano anterior e aumentou 0,05% em comparação com o mês anterior.

Apesar do impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio e da maior volatilidade nos mercados globais de energia, a produção industrial da China permaneceu geralmente estável, continuou sua transformação e modernização e demonstrou forte resiliência, disse Fu.

Fu atribuiu o desempenho estável do setor industrial ao sistema industrial abrangente da China e às fortes capacidades de suporte, bem como ao apoio político à transição doméstica para energia verde.

O consumo continuou a se recuperar, com as vendas no varejo de bens de consumo – um indicador-chave dos gastos do consumidor – crescendo 1,9% em relação ao ano anterior nos primeiros quatro meses, mostraram os dados do NBS.

A recuperação esteve em linha com os dados divulgados no início deste mês, que mostraram que o índice de preços ao consumidor da China, um dos principais indicadores da inflação, subiu 1,2% em abril em comparação com o mesmo período do ano anterior, um aumento de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Ao comentar sobre a tendência de alta no mercado consumidor, Fu afirmou que a China está bem posicionada para expandir ainda mais o consumo, citando seu mercado gigantesco e os diversos cenários de consumo. Com múltiplas medidas pró-consumo em vigor, espera-se que o país mantenha um crescimento constante nos gastos do consumidor, acrescentou Fu.

Ainda sobre a demanda interna, o investimento em ativos fixos do país caiu 1,6% nos primeiros quatro meses em comparação com o mesmo período do ano anterior, mas uma análise detalhada mostrou que o investimento em infraestrutura cresceu 4,3% em relação ao ano anterior, enquanto o investimento na indústria manufatureira aumentou 1,2% no mesmo período do ano passado.

O emprego permaneceu estável no geral, com a taxa de desemprego urbano pesquisada no país em 5,2% em abril, 0,2 ponto percentual abaixo do mês anterior. A taxa média foi de 5,3% nos primeiros quatro meses do ano.

Os dados do NBS também apontaram para uma recuperação no mercado imobiliário chinês. Em abril, os preços de imóveis comerciais em cidades de primeira linha subiram mês a mês em 70 cidades de grande e médio porte, enquanto a queda mensal em cidades de segunda e terceira linha diminuiu ou permaneceu inalterada em relação ao mês anterior.

Olhando para o futuro, o porta-voz do NBS, Wang Guanhua, disse que, embora reconhecendo as pressões e desafios internos e externos que afetam o desempenho econômico, é igualmente importante observar que os fatores fundamentais para um crescimento estável e sólido permanecem inalterados e devem continuar a fornecer suporte.

“Temos oportunidades para a modernização industrial impulsionada pelo desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade, vitalidade liberada pelo aprofundamento das reformas em todos os setores e amplas reservas políticas e preparo para lidar com riscos e desafios”, disse Wang, acrescentando que tais fatores fornecem uma base sólida e condições favoráveis para sustentar um desenvolvimento econômico estável e sólido.

De modo geral, o conjunto de ferramentas de política macroeconômica da China é diversificado, com amplas medidas e espaço suficiente para ajustes tanto anticíclicos quanto transcíclicos, disse Wang.

“Na próxima etapa, faremos pleno uso de nossa política macroeconômica e garantiremos uma implementação mais direcionada e precisa, a fim de fomentar forças motrizes endógenas mais fortes para o crescimento econômico.”

Indicadores surpreendem negativamente o mercado, diz especialista

Já para Sara Paixão, analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, os indicadores de atividade da China surpreenderam negativamente o mercado. A produção industrial aumentou 4,1% na base anual, frente a projeção de 6% e as vendas no varejo apresentaram aumento de 0,2%, frente ao consenso de 2%.

“Os indicadores mostram uma desaceleração na atividade chinesa, que é um dos países mais impactados pelo choque de oferta no preço de petróleo, dado sua posição de importador líquido da commodity. Vale dizer que a economia chinesa já passava por um processo de desaceleração, que pode ter sido intensificado pelo choque de oferta”, avalia.

Ainda segundo ele, a China também apresentou aumento nos últimos indicadores de inflação, especialmente no preço ao produtor. Sendo o país um dos principais exportadores de bens para o Brasil, o aumento nos preços, seguido de uma desaceleração na atividade econômica é uma preocupação, já que tende a influenciar o preço dos bens importados.

O Estado de S.Paulo - SP   19/05/2026

Representantes de entidades do setor produtivo defenderam nesta segunda-feira, 18, que a discussão da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 contemple a possibilidade de negociação coletiva e uma transição para minimizar o impacto para as empresas.

Participaram da audiência na comissão especial que discute a PEC na Câmara dos Deputados representantes de 15 entidades:
Confederação Nacional da Indústria, Confederação Nacional do Comércio de Bens Serviços e Turismo, Confederação Nacional do Transporte, Confederação da Agricultura e Pecuária, Confederação Nacional de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços, Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, FecomercioSP, Secovi-SP, Sistema OCB, Instituto Brasileiro de Infraestrutura, Associação Brasileira de Proteína Animal, União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços, Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Os participantes manifestaram preocupação com o encarecimento do custo dos setores caso seja aprovada a PEC que acaba com a escala 6x1 (seis dias trabalhados e um de folga) e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas remuneradas.

Ao final da audiência, o autor da PEC, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sinalizou que o relator, Leo Prates (Republicanos-BA), pode incluir alguma transição em seu parecer.

“O relator deve trabalhar algum tipo de transição. Eu não posso falar pelo relator”, disse. “É evidente que esses impactos serão, sim, absorvidos. Tem impacto? Evidente que tem. Não é neutro. Não tem neutralidade total. Mas é bom também lembrar que esses impactos são menores do que os impactos do reajuste do salário mínimo anual. E que faz bem à economia.”

‘Não é chororô de empresário’

Primeiro a falar, Alexandre Furlan, diretor da CNI, afirmou que a preocupação do setor não é “chororô de empresário que não quer o melhor para o trabalhador”.

“O que me parece é que um debate mais aprofundado foi substituído por aquilo que hoje eu chamo de canto da sereia, ou seja, uma tentação sedutora do ponto de vista político, mas enganosa do ponto de vista econômico”, argumentou.

Ele afirmou que a mudança levaria a um aumento “substancial” no custo dos produtos para o consumidor em todos os ramos das atividades econômicas, “o que vai cair, obviamente, nas costas do trabalhador”. “Para nós, a negociação coletiva é a palavra-chave. Isso, inclusive, foi objeto muito enfatizado pelas centrais sindicais”, continuou.

Luciana Diniz, advogada da CNC, também advertiu para o risco de redução da remuneração do trabalhador e aumento da informalidade. “Esses trabalhadores têm a ciência de que eles vão ganhar menos?“, questionou.

“E eles têm ciência também de que o fato de reduzir a jornada e a escala, talvez uma situação oposta vá ser ir para a informalidade e talvez ele vai se deparar com uma situação de ter que trabalhar sete dias na semana e não simplesmente ter agora a questão do final da escala 6x1”, disse.

Vander Francisco Costa, presidente da CNT, defendeu ressalvas aos serviços essenciais. Duas emendas apresentadas à PEC preservam a jornada de 44 horas semanais para essas atividades, como mostrou o Estadão.

“No caso específico do transporte, a gente tem que andar com o transporte, o ônibus urbano, sete dias por semana, não há como tirar o direito do cidadão de utilizar o transporte público”, disse.

Ele também sugeriu uma transição de uma hora por ano, durante quatro anos, para que as empresas consigam “absorver esse custo sem passar para o preço”.

Rodrigo Hugueney, coordenador trabalhista da CNA, afirmou que a discussão da jornada de trabalho parte de uma premissa equivocada. “Todos os países que adotaram, primeiro, aumentaram a produtividade para depois fazer a redução da jornada”, disse. “A gente não vai conseguir aumentar a produtividade por meio de um decreto, de uma lei ou de uma emenda à Constituição. Então, a premissa está invertida.”

Representante da CNSaúde, Genildo Lins de Albuquerque Neto pediu que sejam considerados alguns pontos na elaboração do relatório de Leo Prates, entre eles que os dias de descanso não sejam consecutivos.

“Isso inviabilizaria a maioria dos serviços atendidos”, disse. Ele também defendeu que seja mantida uma média mensal de 40 horas semanais. “Porque hoje os nossos trabalhadores ficam 12x36, tem semana que eles trabalham 30 horas, tem semanas que eles trabalham 50, na média eles ficam 40 horas semanais”, disse.

Irmã do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, Elizabeth Regina, da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, afirmou que, no segmento, não é possível reduzir a carga de trabalho.

“Nós temos a nossa lei de diretriz e base, nós temos 200 dias letivos por ano. Inclusive o ensino médio usa muito os sábados para estudar, é o momento em que os meninos estão lá se preparando para suas provas de vestibular, etc. Eu não posso tirar esse dia do professor”, afirmou.

Carlos Alberto Azevedo, do Secovi-SP, argumentou que uma mudança como a proposta pela PEC exige cautela e exemplificou com o cronograma de uma obra.

“Uma alteração legislativa dessa magnitude no meio dessa operação desequilibra todo o planejamento do empreendedor. Não só do empreendedor, como também do próprio adquirente da unidade imobiliária”, disse.

“A partir do momento que o senhor implementa uma alteração legislativa na carga horária dos operários, os empreendedores vão ter, obrigatoriamente, de rever o seu planejamento. E, ao rever o seu planejamento, a obra que ia ser entregue vai ser postergada, o custo vai ser aumentado”, continuou.

Mário Povia, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura, disse que três pilares precisam ser considerados em uma transição, a começar pela possibilidade do negociado sobre o legislado. “Sem tal salvaguarda, escalas consolidadas e funcionais tornam-se ilegais”, afirmou.

Ele também defendeu tratamento diferenciado para atividades essenciais e períodos de transição com avaliação de impacto.

José César da Costa, presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, disse que é preciso também um tratamento diferenciado para a micro e pequena empresa.

“O segundo, a implementação gradual da redução da jornada. E o terceiro, o fortalecimento da negociação coletiva, convenções e acordos coletivos precisam prevalecer para adequação de escalas, jornadas e regimes especiais, conforme a realidade de cada setor e região do país”, afirmou.

O Estado de S.Paulo - SP   19/05/2026

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,67% em março, na comparação com fevereiro e na série com ajuste sazonal, informou a autoridade monetária nesta segunda-feira, 18. Em fevereiro, o indicador havia avançado 0,87% (revisado, de 0,60%).

Todas as aberturas do IBC-Br caíram na margem. O índice ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, cedeu 0,93%, após uma alta de 0,88% no mês anterior (revisado, de 0,61%). O indicador próprio da agropecuária recuou 0,21%, depois de ter avançado 1,40% (revisado de 0,23%) em fevereiro.

O índice de serviços caiu 0,79%, após ter crescido 0,57% (revisado de 0,29%) no mês anterior; o da indústria recuou 0,23%, após alta de 0,65% (revisado de 1,18%) em fevereiro; e o de impostos — equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do PIB — caiu 0,21%, após alta de 0,84% (revisado de 0,75%) no mês anterior.

Interanual

Na comparação com março de 2025, o IBC-Br total cresceu 3,07% na série sem ajuste sazonal — em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 3,0%. As estimativas do mercado iam de 0,48% a 4,20%.

O índice ex-agropecuária cresceu 3,90% na comparação interanual, após alta de 0,15% (revisado de variação zero) no mês anterior. O da agropecuária caiu 0,73%, após uma baixa de 1,18% (revisado de -1,31%) em fevereiro.

O indicador de serviços cresceu 3,97%, após alta de 1,05% (revisado de 0,99%) no mês anterior. O índice da indústria avançou 2,27%, depois de ter caído 0,97% (revisado de -1,30%). O índice de impostos aumentou 6,0%, após queda de 2,29% (revisado de -2,63%) em fevereiro.
Primeiro trimestre

No primeiro trimestre de 2026, frente ao trimestre anterior, a economia brasileira cresceu 1,29%. O resultado confirma a tendência de retomada da atividade no início deste ano: no quarto trimestre de 2025, o índice havia crescido 0,36%, considerando dados revisados.

Na ata da sua reunião de abril, publicada em 5 de maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central apontou que a economia deveria se recuperar nos primeiros meses de 2026, embora a tendência ainda seja de um crescimento menor para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano. O colegiado diminuiu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,50% ao ano.

“Os efeitos da política monetária restritiva por período prolongado sobre a demanda agregada, que já se faziam presentes na desaceleração dos componentes cíclicos do PIB no final de 2025, ainda se fazem sentir no início de 2026 por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular de créditos livres”, afirmou o Copom, na ata.

No primeiro trimestre, o IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor na atividade, cresceu 1,23% — também acelerando na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando a alta na margem foi de 0,24%. O indicador exclusivo da agropecuária avançou 1,04%, arrefecendo frente aos 3,02% acumulados entre outubro e dezembro do ano passado.

O IBC-Br da indústria cresceu 1,30%, acelerando frente ao quarto trimestre de 2025, quando o indicador retraiu 0,31%. O índice de serviços avançou 1,02%, depois de ter crescido 0,47% de outubro a dezembro do ano passado. O indicador de impostos — equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do PIB — avançou 1,59%, contra 0,33% no trimestre anterior.

Considerando o primeiro trimestre de 2026, mas frente ao mesmo período de 2025 e na série sem ajuste sazonal, o IBC-Br total cresceu 1,41%. O índice ex-agropecuária avançou 1,72%, e o específico do agro caiu 0,53%. Os serviços subiram 2,38%; a indústria cresceu 0,28%; e os impostos aumentaram 0,91%.

No acumulado de 12 meses até março, na série sem ajuste sazonal, o IBC-Br acumula alta de 1,81%. É uma desaceleração frente ao mesmo período até fevereiro, quando a alta era de 1,90%, já considerando números revisados.

Nessa mesma comparação, o índice ex-agropecuária passou de 1,42% para 1,59%. O indicador próprio da agropecuária passou de 9,68% para 5,79%. O índice da indústria oscilou de 0,83% para 0,72%, e o de serviços, de 1,91% para 2,12%. O IBC-Br de impostos passou de 0,18% para 0,58%.

MINERAÇÃO

Valor Investe - SP   19/05/2026

Setor acompanha o recuo do minério de ferro lá fora

As mineradoras vivem um dia no vermelho na bolsa nesta segunda-feira (18), puxando o Ibovespa para a seara negativa. A Vale (VALE3), peso-pesado, caiu 2%, a R$ 81,83. Já a CSN Mineração (CMIN3) tombou 9,32%, negociada a R$ 4,28.

Segundo Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, o desempenho de hoje está ligado à queda do minério de ferro na China e aos dados ligeiramente mais fracos da economia chinesa.

Fora isso, ele acrescenta que o encontro de Trump com Xi Jinping não trouxe novidades para o mercado. Ou seja: continua o mesmo cenário de fechamento de Estreito de Ormuz, com o petróleo disparando.

"Coloca isso em um balaio onde a bolsa brasileira não sobe há pelo menos cinco semanas. Então temos um cenário ruim para os ativos brasileiros há bastante tempo e um cenário onde essas empresas estão muito indexadas ao preço do minério de ferro, o que puxa todo mundo para baixo e gera uma realização", diz Sant'Anna.

Em relação à CSN Mineração (CMIN3), na avaliação do especialista, soma-se ao cenário do exterior o resultado trimestral da empresa. Embora a companhia tenha saído do prejuízo, "ainda tem muitos pontos que precisam ser amarrados". "Mas é um papel de R$ 4 reais, então precisa de poucos centavos para fazer uma movimentação como essa".

O preço do minério de ferro recuou 1,11% na bolsa de Dalian, cotado a 803 yuans (US$ 117,9), com analistas considerando fraca tanto a demanda como a oferta do minério.

Valor - SP   19/05/2026

Contrato futuro com vencimento em setembro fechou cotado a US$ 117,9

O preço do minério de ferro recuou nesta segunda-feira (18) na China, com analistas considerando fraca tanto a demanda como a oferta do minério.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro fechou em queda de 1,11%, cotado a 803 yuans (US$ 117,9).

Os preços provavelmente permanecerão dentro de uma faixa limitada no curto prazo, com demanda e oferta relativamente fracas, afirmam analistas da Nanhua Futures em nota.

AUTOMOTIVO

Monitor Digital - RJ   19/05/2026

As vendas de veículos 0km no mercado brasileiro registraram, em abril, um giro de estoque médio de 37 dias. De acordo com o PVZ – Estudo de Preços de Veículos Zero Km, feito pela MegaDealer com dados da plataforma Auto Avaliar, essa foi a maior rotatividade de 2026 até o momento, o que somado ao aumento dos descontos praticados pela concessionárias revela um cenário de estratégias mais focadas em garantir a estabilidade das vendas. Segundo o estudo, o desconto médio, em relação aos valores sugeridos pelas montadoras (MSRP), subiu de 6,9% para 7,1%, sendo que 14 das 21 marcas analisadas aumentaram seu nível. “Observamos um pequeno aumento de preços, tanto no MSRP  quanto nos preços transacionais durante o mês de abril em relação a março. Chama a atenção a quase estabilidade também nos preços registrados nos últimos 12 meses, alinhando as expectativas dos lojistas ao comportamento dos consumidores”, analisa Fábio Braga, Country Manager da MegaDealer.

Os dados do PVZ mostram um preço médio transacional de R$158.784 por unidade. Entre os modelos que tiveram os maiores aumentos de desconto, destacam-se os veículos da Honda (+1,6pp), Nissan (+1,3pp), Toyota (0,8pp), que podem indicar um estoque alto no final do mês de abril.

No ranking de descontos por região, o Norte apresentou o maior patamar, com o preço médio por venda 7,9% menor do que os valores sugeridos pelas montadoras. Na sequência veio o Sudeste – MG, RJ e ES (7,5%); o estado de São Paulo (7,4%), que é analisado individualmente; Centro-oeste (6,7%), empatado com o Sul do País; e Nordeste (6,5%).

O PVZ já reúne dados de cerca de 720 mil operações de vendas de veículos Zero KM nos últimos 12 meses, gerando informações qualificadas sobre precificação e descontos praticados pelas concessionárias, nos vários segmentos, cores, modelos e, principalmente, os respectivos descontos sobre o preço sugerido pelo fabricante. Somente em abril deste ano, o estudo pioneiro analisou indicadores-chave de performance coletados a partir de dados de mais de 65 mil operações de vendas realizadas.

A parceria com a Auto Avaliar, plataforma líder no segmento B2B conectada em mais de 4 mil concessionárias, viabiliza o acesso ”in loco” aos preços praticados ao consumidor final.

O Estado de S.Paulo - SP   19/05/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai lançar nesta terça-feira, 19, o programa Move Aplicativos, que busca financiar veículos para motoristas de aplicativo. O evento será realizado na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo (SP), às 15h30.

O lançamento da linha de crédito ocorre após o governo sofrer uma derrota ao não conseguir aprovar no Congresso a regulamentação da atuação dos trabalhadores por aplicativo. A intenção é conseguir ter o setor, considerado próximo do bolsonarismo, próximo a Lula nas eleições.

A nova linha de crédito, que prevê R$ 30 bilhões em recursos públicos, é voltada a motoristas de aplicativo e taxistas e traz condições especiais para financiamento e manutenção de veículos, além da criação de capital de giro. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, serão oferecidas taxas de juros inferiores à Selic, carência de até seis meses e prazos de financiamento de até 72 meses.

Como mostrou o Estadão, o governo Lula já anunciou até o momento R$ 140 bilhões em bondades e estímulos à economia em ano eleitoral.

No lançamento do programa em São Paulo, o Planalto espera a presença de aproximadamente 500 pessoas, entre representantes do governo, motoristas de aplicativos, taxistas e demais atores relacionados ao setor automotivo e de mobilidade urbana.

Segundo estudo do Instituto Datafolha realizado em 2025 com motoristas ativos no aplicativo Uber, 87% dos condutores estão interessados em comprar ou trocar de carro nos próximos três anos, sendo que 88% pretendem financiar e apenas 12% deles possuem intenção de pagar à vista. Entre quem não pretende trocar, a principal razão apontada é que o carro atual ainda está novo.

Além disso, três em cada quatro motoristas (74%) são proprietários do veículo, sendo que pouco mais da metade deles (56%) ainda está pagando, com prazos geralmente acima de três anos. Entre aqueles que não são proprietários, mais da metade (57%) usa veículo de uma empresa e a maioria paga aluguel pelo uso (73%).
Regulamentação frustrada

No ano passado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criou um grupo de trabalho que reuniu lideranças do setor para criar um relatório com as reivindicações deles.

Os principais pedidos foram a elevação do piso de serviço para R$ 10, adicional por distância de R$ 2,50 por quilômetro rodado e pagamento integral de rotas agrupadas.

Os pedidos não foram incluídos no texto que tramita na Câmara, relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). Além disso, o governo recebeu o indicativo de que a proposta não será votada em 2026, por falta de consenso entre as empresas e os trabalhadores e a proximidade das eleições. O Planalto credita o engavetamento pelo lobby dos grandes aplicativos.
Anfavea pede que programa limite uso de recursos para importados

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defendeu ao governo federal que veículos importados não sejam elegíveis no novo programa.

Em ofício ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a associação dos fabricantes nacionais expressou preocupação com a possibilidade de que veículos importados também tenham acesso irrestrito às condições favorecidas do novo programa, “sobretudo considerando a relevância que esses veículos já possuem no mercado brasileiro”.

Segundo a Anfavea, atualmente, os importados representam aproximadamente 19% dos emplacamentos totais do País e cerca de 25% das vendas no varejo, demonstrando crescimento constante de participação no mercado nacional.

“Dessa forma, entendemos que a utilização de recursos incentivados em benefício de veículos importados pode representar um precedente sensível sob a ótica do fortalecimento da indústria nacional”, disse a entidade.

A Anfavea frisou que, historicamente, as linhas de crédito incentivadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram estruturadas com foco no fortalecimento da produção nacional, da cadeia de fornecedores instalada no País e da preservação dos empregos associados à indústria brasileira. E lembrou que esse direcionamento esteve presente em programas recentes destinados aos segmentos de caminhões, ônibus e máquinas.

“Recursos do BNDES devem priorizar empresas que gerem valor agregado, emprego, inovação e capacidade produtiva no território nacional, em consonância com os objetivos constitucionais da política de desenvolvimento industrial brasileira”, defendeu. “Sem contrapartidas locais claras, há risco de desvirtuamento do acesso ao crédito, com estímulo à importação, redução do efeito multiplicador doméstico, perda de arrecadação futura e enfraquecimento do adensamento produtivo nacional”, completou.

Em um meio termo, a entidade sugeriu que, caso o entendimento do governo seja pela manutenção da elegibilidade de veículos importados no programa, sejam definidos limites específicos para a utilização dos recursos financeiros destinados a esses veículos.

Por fim, a associação reforçou a importância de que o BNDES e os agentes financeiros estejam “operacionalmente preparados para a implementação célere do programa, de forma a evitar descontinuidade ou paralisação das vendas no mercado durante a fase inicial de implementação”.

De modo geral, a Anfavea entende que a medida tem potencial de impulsionar a atividade econômica e ampliar o acesso à frota. E disse ao governo que suas associadas recebem a iniciativa de forma positiva e “certamente avaliarão condições comerciais competitivas e atrativas ao consumidor final”.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   19/05/2026

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) divulgou na semana passada, durante o evento Construir com Impacto Positivo – Eficiência Hídrica e Inovação na Construção Civil, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os novos indicadores da construção civil brasileira relacionados às emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à energia incorporada nas edificações.

Os dados da CECarbon apontam emissões médias de 0,23 tonelada de carbono equivalente por metro quadrado (tCO2e/m²) nas obras analisadas em 2026, o indicador está abaixo das referências internacionais.

Na União Europeia, estudos apontam emissões incorporadas entre 0,43 e 0,82 tCO2e/m² em edificações. Já a energia incorporada média das construções brasileiras alcançou 2,39 gigajoules por metro quadrado (GJ/m²), mantendo o setor em patamar competitivo no cenário internacional.

Para o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, os indicadores reforçam a maturidade ambiental da construção brasileira.

“Os resultados demonstram que o setor vem consolidando práticas mais eficientes e sustentáveis. O trabalho desenvolvido pelo Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP (Comasp) é importante para que as empresas brasileiras possam medir seu desempenho ambiental em relação aos indicadores nacionais e internacionais”, afirma.

Emissão de carbono - Os indicadores mostram diferenças nas emissões de GEE entre os tipos de empreendimentos. Projetos de Habitação de Interesse Social (HIS) registraram emissões médias de 0,21 tCO2e/m², enquanto empreendimentos de padrão médio apresentaram 0,22 tCO2e/m² e os de alto padrão registraram 0,27 tCO2e/m². A diferença está associada, principalmente, ao maior volume de insumos, acabamentos e sistemas incorporados às edificações de padrão mais elevado.

Os empreendimentos comerciais e de uso misto registraram 0,23 tCO2e/m², resultado associado ao sistemas empregados e aos materiais utilizados. Os empreendimentos residenciais registram 0,22 tCO2e/m².

Os resultados da CECarbon indicam ainda que as escolhas construtivas têm impacto direto nas emissões associadas às obras. O sistema de Parede de Concreto apresentou intensidade média de emissões de 0,19 tCO2e/m², enquanto o sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional registrou 0,26 tCO2e/m². O sistema de Alvenaria Estrutural apresentou intensidade média de emissões de 0,21 tCO2e/m².

Segundo Francisco Vasconcellos Neto, vice-presidente de Meio Ambiente do SindusCon-SP, o levantamento reforça o amadurecimento técnico da ferramenta e a ampliação da base de dados do setor.

“A CECarbon está consolidada como uma importante referência nacional para mensuração de emissões de carbono e energia incorporada na construção civil. O crescimento da base de dados e o avanço metodológico da ferramenta permitem análises cada vez mais precisas e alinhadas às demandas de sustentabilidade do setor. Além da questão ambiental, esses indicadores passam a ter relevância crescente para a competitividade das construtoras, acesso a financiamentos e desenvolvimento de empreendimentos alinhados às demandas por construções sustentáveis no mercado”, destaca.

Consumo energético - O indicador da CECarbon considera a energia incorporada aos materiais e aos processos construtivos ao longo da execução das obras.

Ao analisar por padrão de empreendimento, observa-se que os projetos de Habitação de Interesse Social (HIS) registraram energia incorporada média de 2,26 GJ/m², os empreendimentos de padrão médio alcançaram 2,27 GJ/m² e os projetos de alto padrão apresentaram 2,72 GJ/m².

Por tipologia de uso, os empreendimentos residenciais apresentaram média de 2,39 GJ/m², enquanto os comerciais e mistos também registraram 2,39 GJ/m².

Na análise por sistema construtivo, o sistema de Parede de Concreto registrou média de 2,05 GJ/m², enquanto o sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional apresentou média de 2,71 GJ/m², segundo o indicador da CECarbon. Já o sistema de Alvenaria Estrutural apresentou média de 2,19 GJ/m².

Plataforma Construção Sustentável e CEHídrica - Durante o evento, o SindusCon-SP lançou também a Plataforma Construção Sustentável e a Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção (CEHídrica).

A Plataforma Construção Sustentável é um ambiente digital que reúne, em um único local, ferramentas voltadas à gestão ambiental da construção civil, com foco em temas como emissões de carbono, eficiência energética e gestão hídrica.

Já a CEHídrica foi desenvolvida para apoiar a avaliação do consumo e do impacto hídrico das edificações ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos.

“As novas soluções do SindusCon-SP representam um avanço importante para ampliar a integração de dados e apoiar decisões mais eficientes e sustentáveis no setor. Elas reforçam o comprometimento da entidade com o desenvolvimento de ferramentas que viabilizem a construção sustentável de forma consistente, acessível e sem onerar as empresas. Com isso, construtoras de diferentes portes poderão participar de forma mais ativa da agenda de sustentabilidade e atender às demandas de legislações e certificações”, finaliza a coordenadora técnica do Comasp, Lilian Sarrouf.

FERROVIÁRIO

CNN Brasil - SP   19/05/2026

O governo paulista deu mais um passo para tirar do papel a retomada do transporte de passageiros por trilhos entre São Paulo e Sorocaba, desativado há quase três décadas. A SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado) apresentou no dia 4 de maio uma proposta de modelo do Trem Intercidades (TIC) Eixo Oeste, que vai ligar a capital paulista ao município do interior.

Nesse projeto, o governo pretende adotar uma nova modalidade de licitação - o diálogo competitivo com o mercado - em que os investidores são ouvidos antes do lançamento do edital definitivo. O novo modelo ainda é inédito no Brasil. A modalidade foi submetida à consulta pública, mas ainda precisa passar pelos conselhos dos programas de parcerias e desestatização do governo. O edital deve ser lançado até o final deste ano. O leilão e a assinatura de contrato estão previstos para 2027.

A última composição de passageiros entre São Paulo e Sorocaba circulou há 27 anos, quando os trens de longo percurso pararam de operar pela linha da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS). Em razão das muitas paradas, a viagem levava 3 horas. Desde então, esse transporte é feito quase que exclusivamente por rodovias. A viagem de ônibus dura em média 2 horas. O futuro trem expresso fará o percurso em no máximo 1 hora.

O projeto do TIC Sorocaba prevê 88,7 quilômetros de extensão e cinco estações, com integração ao sistema de transporte metropolitano em pontos estratégicos como Água Branca, Carapicuíba e Amador Bueno. O trem expresso fará o percurso direto entre as estações de Sorocaba e São Paulo. Já o trem parador fará pausas em São Roque, Amador Bueno e Carapicuíba.

A estimativa é de atender cerca de 50,2 mil passageiros por dia útil até 2050. Em Sorocaba, haverá ainda uma nova conexão com o futuro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Este projeto é do governo estadual e deve ter 25 quilômetros conectando as zonas leste e oeste, com 13 estações planejadas. O leilão deve ocorrer em 2028.

O TIC Eixo Oeste prevê investimento de R$ 10,5 bilhões. O projeto será estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP), com recursos dos setores privado e público e prazo de 30 anos. Está prevista a compra de 15 novos trens e a implementação completa da infraestrutura ferroviária.

R$ 45, no máximo

Estão previstas viagens a cada 15 minutos no serviço parador em dias úteis, além de uma viagem a cada hora no serviço expresso. A tarifa é quilométrica, proporcional ao trecho viajado, sendo o teto de R$ 45 para o passageiro que fizer a viagem completa, entre Sorocaba e São Paulo. É um valor competitivo com o que é cobrado no ônibus. "Quem faz um trecho intermediário paga pelo trecho", diz Augusto Almudin, diretor da Companhia Paulista de Parcerias da SPI.

Segundo ele, a nova ferrovia acompanhará o traçado da antiga linha férrea. "Sempre que possível vamos aproveitar a faixa de domínio existente que, na sua maioria, está livre e desimpedida. Precisa refazer os trilhos, dormentes, rede aérea, construir uma nova linha férrea onde hoje tem um leito ferroviário desativado. Não dá para utilizar 100% da antiga Estrada de Ferro Sorocabana porque ela é muito sinuosa. Para cumprir o tempo de viagem de uma hora, será preciso retificar alguns trechos do traçado anterior", explica.

De acordo com Almudin, o TIC facilitará a ligação entre a região metropolitana de Sorocaba e a de São Paulo. "O projeto pretende resolver um gargalo de trânsito que a população de Sorocaba enfrenta todos os dias, sobretudo quem trabalha ou estuda em São Paulo ou vice-versa. As rodovias Castello Branco e Raposo Tavares são estruturalmente complicadas. Então, o TIC é inadiável."

Estudo Ambiental

O especialista em planejamento urbano Ivan Maglio, pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) avalia como uma boa notícia a retomada do transporte de passageiros de longa distância no Estado para reduzir a dependência do modal rodoviário.

Ele aprova as condições gerais já conhecidas do projeto, como velocidade e tarifa do TIC-Eixo Oeste, mas considera importante realizar uma avaliação estratégica para orientar o planejamento urbano e ambiental dessa região. "Vai estimular a urbanização, principalmente no entorno das estações que se potencializam como centralidades. Assim, são recomendadas medidas para controlar os impactos e preservar o meio ambiente e em especial a vegetação e os recursos hídricos para garantir resiliência às mudanças climáticas", diz. A SPI informa que todos os impactos serão considerados durante os estudos para licenciamento da obra.

Esse novo modelo de licitação que deve ser adotado neste projeto permite que empresas previamente selecionadas participem de uma fase de discussões com o governo, contribuindo para as soluções técnicas antes da apresentação das propostas finais. O modelo substitui a modalidade de concorrência internacional usada até agora para obras de grande porte.

O processo é realizado em etapas. Primeiro, é feita uma pré-seleção de empresas ou consórcios com capacidade técnica e financeira para desenvolver o projeto. Depois, esses participantes entram na fase de diálogo com o Estado, em que são discutidas e apresentadas alternativas de engenharia, operação, modelagem contratual e estrutura financeira.

Esta fase começa no segundo semestre deste ano e vai até o primeiro semestre de 2027. Com base nessas contribuições, o projeto é consolidado. Só então é aberta a fase competitiva, na qual os participantes mostram as propostas finais. Segundo o governo, esse formato reduz incertezas, melhora a qualidade do projeto e amplia a competitividade da licitação, ao permitir maior alinhamento entre poder público e mercado antes da disputa final. No caso do TIC-Oeste, já houve uma fase de sondagem de mercado, que reuniu grandes operadores, construtoras e instituições financeiras nacionais e internacionais. As contribuições recebidas levaram a ajustes importantes, como a otimização do traçado para reduzir o tempo de viagem, a revisão de custos e melhorias na modelagem contratual.

Ao mesmo tempo, foram realizadas audiências públicas em São Paulo, São Roque e Sorocaba para receber sugestões da população, além de consultas públicas e de mercado que somaram em torno de 500 contribuições. Segundo Almudin, as sugestões ajudaram a modelar o projeto e garantir maior aderência às necessidades reais dos usuários.

Mestre em Direito Público e sócio do Willeman Advogados, Rodrigo Zambão explica que o diálogo competitivo foi inspirado em diretivas europeias de contratação pública. "Trata-se de mecanismo pensado justamente para projetos complexos, em que a administração pública não dispõe, desde o início, de todas as informações técnicas, operacionais ou econômico-financeiras necessárias para estruturar adequadamente a contratação", diz.

CNN Brasil - SP   19/05/2026

A renovação antecipada da Malha Oeste deve ser aprovada pela ANTT no próximo dia 21 de maio. Após a deliberação da agência, o projeto ainda precisará passar pelo Ministério dos Transportes antes de ser encaminhado ao TCU.

Nas discussões internas, segundo fontes que conversaram com a reportagem, o governo estima que será necessário um aporte público entre R$ 3 bilhões e R$ 3,6 bilhões para viabilizar a recuperação da malha. A avaliação dentro da equipe técnica é que os recursos poderão ser transferidos de forma escalonada, sem necessidade de desembolso integral imediato.

A estratégia, segundo integrantes do governo, é garantir previsibilidade fiscal e evitar interrupções nos repasses, permitindo que os investimentos ocorram de maneira contínua ao longo da concessão.

O novo contrato terá novos parâmetros, atualização dos investimentos e prazo 57 anos. O modelo deve combinar menor tarifa com uma curva gradual de aportes públicos e privados ao longo da execução contratual.

A concessão abrange cerca de 1,6 mil quilômetros de ferrovia, ligando Corumbá (MS) a Mairinque (SP), com integração ao Porto de Santos e conexão futura com os portos do Rio de Janeiro e Espírito Santo por meio do Ferroanel.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   19/05/2026

O principal órgão de segurança do Irã anunciou nesta segunda-feira, 18, a criação de um novo órgão para administrar o Estreito de Ormuz, que Teerã bloqueou de fato e onde pretende cobrar um pedágio para a passagem de navios.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional compartilhou, na rede social X, uma publicação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) na qual afirma que oferecerá “informações em tempo real sobre as operações” na passagem marítima.

A conta da Marinha da Guarda Revolucionária compartilhou a mesma publicação.

As funções do novo organismo ainda não estão claras, mas, segundo a publicação especializada Lloyd’s List, seria responsável por “aprovar o trânsito de navios e arrecadar taxas de direito de passagem no Estreito de Ormuz”.

No início do mês, a emissora iraniana em inglês Press TV afirmou que o novo órgão representava um “sistema para exercer a soberania” do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

O Irã bloqueou quase totalmente o tráfego marítimo por esta rota vital desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro. Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril.

O controle do Irã sobre o estreito abalou os mercados mundiais e deu a Teerã uma vantagem significativa, embora os Estados Unidos tenham implementado seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos.

Antes da guerra, quase 20% dos hidrocarbonetos consumidos no planeta transitavam por esta via.

Desde o início do conflito, o Irã afirmou reiteradas vezes que o tráfego marítimo pelo estreito “não voltará à situação anterior ao conflito” e, no mês passado, declarou que havia recebido os primeiros pagamentos de pedágio.
Negociações em andamento

Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã também afirmou que respondeu à proposta mais recente dos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio e que as negociações com Washington continuam.

“Como anunciamos, nossas preocupações foram transmitidas à parte americana”, afirmou o porta-voz da pasta, Esmaeil Baqaei, em entrevista coletiva.

Baqaei afirmou ainda que as conversações “continuam por meio do mediador paquistanês”.

Ele defendeu as exigências do Irã, que incluem a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior e o fim de sanções impostas há décadas.

“Os pontos apresentados são exigências iranianas que têm sido firmemente defendidas pela equipe iraniana em cada rodada de negociações”, acrescentou.

O porta-voz também reiterou a exigência iraniana de que os EUA paguem reparações de guerra, classificando o conflito como “ilegal e sem fundamento”.

Sobre a possibilidade de um novo confronto militar, Baqaei disse que o Irã está “preparado para qualquer eventualidade”.

CNN Brasil - SP   19/05/2026

Entidades do setor produtivo pretendem lançar, nesta semana, um manifesto em defesa do leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP) ainda em 2026 e sem as restrições planejadas inicialmente.

O documento sustenta que o Tecon Santos 10 é um projeto de "inequívoco interesse estratégico" e advoga pela "ampla concorrência" no certame, bem como pela "participação isonômica de todos os operadores".

O novo terminal prevê investimentos de R$ 5,6 bilhões e deve aumentar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina, que está perto do limite.

O documento tem nove signatários:
Abac (Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem) ATP (Associação de Terminais Portuários Privados) Anea (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão) CBA (Câmara de Comércio Brasil-Ásia) Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) Centronave (Centro Nacional de Navegação Transatlântica) IBI (Instituto Brasileiro de Infraestrutura) Instituto Livre Mercado Logística Brasil

As entidades manifestam apoio à nota técnica do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), vinculado à Casa Civil da Presidência da República, com novas orientações sobre o leilão.

A Casa Civil orientou o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) a organizar um leilão sem restrições a armadores (companhias de navegação) e permitindo a entrada dos atuais operadores de contêineres em Santos, desde que vendam seus ativos antes da assinatura do contrato, em caso de vitória na disputa pelo Tecon Santos 10.

Esse novo formato acaba liberando a participação de empresas como a suíça MSC, a dinamarquesa Maersk e a chinesa Cosco.

Antes disso, o MPor e a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) vinham defendendo um leilão com restrições aos incumbentes.

O TCU (Tribunal de Contas da União) recomendou ainda o veto à entrada de armadores -- posição que foi inicialmente acatada pelo governo.

Diante das indefinições, o leilão atrasou. Ele era pensado para o segundo semestre de 2025, mas ficou para 2026 e não há mais certeza que possa ser realizado ainda neste ano.

"Na ausência de justificativas concretas que recomendem limitações amplas ao ingresso de operadores, a solução mais racional reside na adoção de salvaguardas regulatórias adequadas, e não em barreiras preventivas que possam comprometer a competição, a eficiência regulatória e a atratividade de investimentos", afirma o manifesto.

O documento também chama atenção para o risco de que o Porto de Santos se torne um gargalo para o escoamento da produção, já que responde por 29% de todo o comércio exterior brasileiro e se encontra à beira do esgotamento para a movimentação de contêineres.

"Há uma conta social e econômico-financeira sendo paga diariamente pela sociedade brasileira. Esse custo aparece na perda de empregos, no encarecimento da produção, na redução da competitividade das empresas e, principalmente, no preço final dos produtos", diz o documento.

Por isso, as entidades pedem celeridade. "Impõe-se avançar com a conclusão da modelagem e a realização do leilão ainda em 2026", conclui o manifesto.

PETROLÍFERO

Petróleo dispara e passa de US$ 111 após Trump ameaçar Irã novamente

O Estado de S.Paulo - SP   19/05/2026

O petróleo voltou a disparar no mercado internacional após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã. O barril do tipo Brent, referência global da commodity, subiu 1,9% e chegou a US$ 111,31, o equivalente a cerca de R$ 563,76, ampliando a sequência de alta registrada desde o agravamento do conflito no Oriente Médio.

No início da manhã, os contratos futuros continuavam em alta: o Brent era negociado a US$ 110,25, enquanto o WTI, principal referência do mercado americano, operava em torno de US$ 102,29.

A reação do mercado ocorreu após Trump publicar, em sua rede social Truth Social, que “o tempo está se esgotando” para o Irã e que o país deveria agir “rápido” ou “não sobrará nada deles”. A declaração foi feita depois de uma conversa telefônica com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu.

Mais tarde, o presidente voltou a fazer publicações com imagens em referência ao Irã. Em uma delas é possível ver um mapa do Oriente Médio com a bandeira americana sobreposta e setas apontando para o território iraniano.

Trump também compartilhou outra imagem gerada por inteligência artificial em que aparece sentado diante de um botão vermelho enquanto explosões atingem diferentes alvos. A montagem traz a inscrição “Força Espacial”.

Com a expansão da pressão americana, investidores acompanham com cautela a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. O corredor marítimo segue parcialmente bloqueado em meio à guerra, enquanto os Estados Unidos mantêm restrições marítimas aos portos iranianos desde o mês passado.

A tensão aumentou após um ataque com drone atingir, no fim de semana, uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos, elevando os temores de uma ampliação do conflito na região.

Nos bastidores, autoridades americanas esperam que a China possa atuar como intermediadora de um eventual acordo de paz, devido à relação econômica próxima com Teerã. Na semana passada, Trump afirmou que o presidente chinês, Xi Jinping, teria sinalizado disposição para ajudar nas negociações, embora ainda não esteja claro qual seria o papel de Pequim nesse processo.

Desde o fim de fevereiro, antes do início da guerra, o Brent era negociado próximo de US$ 70 por barril. A escalada recente dos preços reflete o temor de interrupções mais amplas no fluxo global de energia e possíveis impactos sobre a oferta mundial de petróleo e gás.

Valor - SP   19/05/2026

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa será responsável este ano, mais uma vez, pelo principal produto da pauta exportadora brasileira. Este será, segundo a executiva, o terceiro ano seguido em que o petróleo e os óleos combustíveis serão o principal contribuidor para as exportações do país. Chambriard participou, nesta segunda-feira (18), na refinaria de Paulìnia (SP), do anúncio de investimentos de R$ 37 bilhões da estatal no Estado de São Paulo até 2030.

“Estamos dando alegria para os investidores, para a sociedade brasileira, gerando emprego e renda para o país”, afirmou Chambriard, acrescentando que o Plano de Negócios 2026-2030 é “robusto e resiliente” a diferentes preços do barril de petróleo.

Em sua apresentação no evento, que conta com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chambriard ressaltou que os investimentos no Estado vão gerar 38 mil empregos diretos e indiretos em São Paulo. Na área de exploração e produção serão R$ 9 bilhões para, entre outros pontos, melhorar a produção dos campos de Sapinhoá e de Mexilhão, esse último de produção de gás.

A presidente da companhia acrescentou que a empresa vai declarar a comercialidade da acumulação de Aram, no pré-sal do litoral paulista, no fim deste ano ou no começo do ano que vem.

Também serão investidos R$ 3,3 bilhões até 2030 para ampliar o terminal aquaviário no Estado. Com isso, a estatal estará apta a vender combustível de navegação com teor de 24% a 30% de biodiesel, uma mistura já testada em Singapura, com boa aceitação no mercado asiático, segundo Chambriard.

A presidente da Petrobras voltou a afirmar nesta segunda-feira que a empresa se comprometeu a tornar o país autossuficiente na produção de diesel até 2030. Ela já havia comentado na teleconferência com analistas sobre o resultado do primeiro trimestre sobre o plano atingir em 2030 volume de produção de diesel suficiente para abastecer toda a demanda nacional.

Chambriard destacou que a estatal é responsável por 75% do abastecimento de diesel no território nacional e o Plano de Negócios 2026-2030 prevê chegar a 85% em 2030, mas, devido ao cenário internacional posterior ao início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã — que causou elevação dos preços do petróleo e dos derivados — a companhia se comprometeu a tornar o país autossuficiente no derivado.

A presidente da companhia lembrou que a Petrobras vai investir R$ 17 bilhões em refino no Estado de São Paulo até 2030, sendo R$ 6 bilhões apenas para a Replan, em Paulínia. A carga processada na unidade é 80% oriunda do pré-sal.

Chambriard acrescentou que São Paulo é responsável pelo processamento de 912 mil barris por dia, metade do refino da Petrobras e de 40% de todo o combustível consumido no Brasil. Em relação ao diesel, um terço do mercado nacional do produto é abastecido por refinarias paulistas.

Diário do Aço - MG   19/05/2026

No cenário em que o Brasil busca aumentar a produção de combustíveis derivados do petróleo, como forma de depender menos do contexto internacional - no qual a guerra no Irã levou ao aumento de preços - a Petrobras informou, na última terça-feira (12), que as refinarias da companhia operam acima da capacidade.

A afirmação foi feita pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante apresentação do balanço trimestral da estatal.

As demonstrações da companhia apontam que, no primeiro trimestre de 2026, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias ficou em 95%. Especificamente em março, o FUT atingiu 97,4%, o mais alto desde dezembro de 2014.

Em teleconferência da direção da companhia com investidores e analistas de mercado, Magda Chambriard foi além e antecipou que nos meses de abril e maio, o FUT ultrapassou 100%.

“A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias”, declarou.

O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, detalhou que a empresa está operando “já com 100%, 102%, 103%”.

“De ontem (11) para hoje (12) operamos com 103% nas nossas refinarias”, completou França.

O que é o FUT?
As refinarias são as estruturas industriais nas quais a Petrobras transforma o petróleo em derivados, como óleo diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV).

O FUT é um cálculo que leva em conta o volume de carga de petróleo processado e a capacidade de referência das refinarias, dentro dos limites de projeto dos ativos, dos requisitos de segurança, de meio ambiente e de qualidade dos derivados produzidos.

Quanto maior o FUT, mais as refinarias estão sendo utilizadas. Quando o indicador chega a 100%, significa que estão no limite de capacidade.

França explica que o fator de utilização pode superar 100% porque a carga de processamento pode ser um pouco maior que a capacidade de referência instalada, desde que haja a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Guerra e manutenção
França relacionou a expansão do FUT ao ambiente geopolítico internacional, uma vez que a empresa é exportadora de derivados de petróleo.

“Tivemos o efeito da guerra. Quanto mais refinar o nosso petróleo, mais dinheiro a gente está ganhando. Estamos agregando valor além das exportações do petróleo”.

O diretor lembrou que a Petrobras bateu recorde de produção de petróleo no primeiro trimestre e destacou que está “investindo muito em confiabilidade das refinarias, com inspeções baseadas em risco e outras ferramentas do time de engenharia”.

“Então, bombas, por exemplo, que operavam com 70% do tempo, hoje estão operando 90% do tempo antes de uma intervenção”, completou.

Recorde em Abreu e Lima
Segundo França, a Petrobras está reduzindo o tempo de intervenção nas unidades, o que faz as refinarias terem confiabilidade maior, permitindo operar com cargas maiores por muito mais tempo que antigamente.

“Isso nos permite aumentar o nosso fator de utilização, isto é, aumentar a carga da nossa unidade por mais tempo”, sustenta.

O responsável pelos processos industriais da estatal acrescenta que 2026 tem sido um ano de “baixa” nas manutenções programadas. “Fizemos muita manutenção programada no ano passado para deixar as unidades prontas”, descreve.

“A manutenção programada é para isso, para dar uma geral na unidade e deixá-la pronta para uma campanha confiável, uma campanha de disponibilidade próxima de 100%”, conclui.

França citou o exemplo da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, região metropolitana do Recife, que passou por manutenção no primeiro trimestre do ano passado. A refinaria tem capacidade de produção de 130 mil barris por dia.

“Pôde fazer uma parada muito boa e agora pode subir a carga para 140 mil, 150 mil barris por dia, porque está confiável”.

No início do mês, a Petrobras informou que a unidade bateu recorde de produção de óleo diesel S-10 (menos poluente) em abril, com 385 milhões de litros, superando a melhor marca anterior, de 373 milhões registrada há quase dez anos, em julho de 2016.

A Petrobras tem 11 refinarias, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A maior delas é a Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo, que responde por cerca de 30% de todo o refino de petróleo no Brasil.

TN Petróleo - RJ   19/05/2026

A PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) realizará, no dia 3 de junho, às 11h, o 6º Leilão Spot, para comercializar uma carga de 500 mil barris de petróleo do campo de Atapu e 1 milhão de barris de petróleo do campo de Bacalhau. Ambas as cargas têm previsão de carregamento para agosto de 2026.

Ao todo, 16 empresas foram convidadas na última sexta-feira (15) para participar do certame.

As ofertas de preço, referenciadas pelo Brent datado, serão abertas em tempo real em reunião realizada com a participação de representantes das empresas que apresentarem propostas por escrito. Após a abertura, haverá possibilidade de disputa em viva voz entre os proponentes habilitados.

Neste ano, a PPSA já comercializou, em duas etapas do 5º Leilão Spot, dois milhões de barris de petróleo da União do campo de Bacalhau: um para a Equinor, em janeiro; e outro para a Petrochina, em abril.

Mais informações estão disponíveis na página do 6º Leilão Spot, no site da PPSA.

Agência Brasil - DF   19/05/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (18) a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Durante visita à Refinaria de Paulínia (Replan), no interior paulista, Lula destacou que a atividade deverá ser feita com responsabilidade para evitar problemas ambientais.

"Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós [do governo]”, disse.

Para Lula, a exploração também é importante por uma questão de soberania nacional e para evitar que essa área seja invadida por outros países.

“Daqui a pouco o Trump [presidente dos Estados Unidos] acha que é dele e vai lá. Ele [Trump] achou que o Canadá era dele, ele achou que a Groenlândia era dele. Ele achou que o Golfo do México era dele. Quem garante que ele não vá dizer que a Margem Equatorial é dele também? Então nós vamos ocupar e explorar petróleo com a maior responsabilidade para fazer com que esse dinheiro possa ser revertido para garantir o futuro desse país”, declarou.

A Petrobras obteve, no ano passado, a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial. A região, localizada no norte do país, é apontada como novo pré-sal devido ao seu potencial petrolífero.

Críticas à privatização

Em seu discurso em Paulínia (SP), Lula também criticou as privatizações da BR Distribuidora, em 2019, e da Liquigás, em 2020. Para ele, essas vendas foram uma tentativa de acabar com a Petrobras.

“A BR foi privatizada porque os sonhos que eles tinham de privatizar a Petrobras seriam altamente recusados pelo povo, então eles resolveram vender os pedacinhos. É que nem aquele rolo de mortadela grande que se vê pendurado na padaria. Vende 100 gramas hoje, 200 gramas amanhã. Chega um dia, o rolo desaparece. O que eles queriam fazer com a Petrobras era isso”, falou o presidente.

Para o presidente, a Petrobras precisa ser encarada como um patrimônio brasileiro e não deve ser privatizada. Segundo Lula, se a Petrobras já fosse uma empresa privada, os brasileiros iriam sentir ainda mais no bolso o peso da Guerra no Oriente Médio.

“A Petrobras está ganhando mais dinheiro exportando petróleo e o petróleo subiu por causa da Guerra do Irã. Então, esse dinheiro a mais que a Petrobras está ganhando, estamos cobrando do imposto da exportação do petróleo para que a gente possa subsidiar o preço do diesel e da gasolina para não sobrar no bolso do brasileiro e no [bolso do] motorista de caminhão ou de carro. Estamos tirando dinheiro do Orçamento do governo para não permitir que esse prejuízo chegue ao povo brasileiro porque ele não tem culpa da guerra do Irã. A guerra do Irã é culpa do Trump”, afirmou o presidente.

Investimentos da Petrobras

Lula esteve no interior paulista para visitar a Refinaria de Paulínia (Replan), a maior do país, e acompanhou o anúncio de R$ 37 bilhões de investimentos da Petrobras no estado de São Paulo até 2030.

Segundo a Petrobras, esses recursos serão destinados ao fortalecimento do refino e biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável e devem gerar 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Cerca de R$ 6 bilhões desse valor serão aplicados na Replan, que é a responsável pelo abastecimento de mais de 30% do território brasileiro e que tem capacidade atual de 434 mil barris de petróleo por dia. Com o projeto de ampliação do processamento, o volume deve subir para 459 mil barris por dia.

“E nessa Replan estamos andando, a passos largos, para até o final do ano, fazer combustível de aviação com até 5% de renováveis”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Segundo ela, a empresa está destinando recursos para melhorar a produção do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, que é um campo de gás. Magda também declarou que a Petrobras pretende anunciar, em breve, a viabilidade comercial de uma nova descoberta no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos.

“Já é uma reserva e já já vamos declarar a sua comercialidade, interligando o primeiro poço de Aram a produzir deste pré-sal e de mais um pré-sal aqui do estado de São Paulo. Vamos ter dois poços a produzir em mais um pré-sal aqui no estado de São Paulo”, disse.

A presidente da Petrobras destacou ainda a participação da empresa na segurança energética do país, principalmente neste momento de conflitos externos.

“A Petrobras é responsável pelo abastecimento de 75% do diesel do território nacional. Mas temos projetos para chegar a 85%. E, no âmbito dessa discussão sobre segurança energética, nos perguntamos por que não 100%. E nos comprometemos, junto ao presidente Lula, a sermos autossuficientes em diesel até 2030 neste país”, falou a presidente da Petrobras.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   19/05/2026

Estudo aponta que melhora do pavimento precisa ser acompanhado de políticas mais severas de monitoramento e controle de velocidade

Os investimentos federais em manutenção de rodovias evitaram um gasto estimado em R$ 1,28 bilhão ao reduzir acidentes e vítimas nas estradas brasileiras entre 2023 e 2025, segundo estudo técnico do Ministério dos Transportes obtido pelo Valor. A pesquisa aponta que o governo federal evitou cerca de 2,6 mil sinistros e poupou 8,4 mil vítimas no período por meio de melhorias nas rodovias.

A estimativa considera metodologia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que mede os impactos econômicos dos acidentes de trânsito. O cálculo contempla, por exemplo, gastos com saúde, produtividade de força de trabalho, danos patrimoniais e despesas da gestão das ocorrência. Cada acidente custa, em média, R$ 490,2 mil à sociedade.

Os dados foram compilados pela Subsecretaria de Fomento e Planejamento da pasta, que, a pedido da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), avaliou se a manutenção de rodovias, além dos impactos na logística, reduz acidentes. O estudo considera 767 trechos rodoviários federais administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) entre 2022 e 2025.

A subsecretária de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, Gabriela Monteiro Avelino, explica que a análise parte da premissa do crescimento histórico dos investimentos em manutenção das rodovias federais. Nos últimos anos, os aportes passaram de média anual de R$ 4,01 bilhões entre 2019 e 2022 para R$ 9,98 bilhões entre 2023 e 2025.

A análise conclui que, mesmo considerando o aumento no volume médio de tráfego nas rodovias federais desde 2022 e de acidentes, a melhora do pavimento teve impacto positivo sobre a segurança viária, sendo que, a cada redução de 1% nas imperfeições das rodovias, espera-se uma redução média de 0,0473% na frequência de acidentes e queda de 0,0589% no número de vítimas,

“O estudo mostra que, se não houvesse investimentos, o cenário de acidentes teria piorado”, afirmou a subsecretária. Ela ressalta, contudo, que, considerando dados de 2025, quando houve redução no número de acidentes, é possível concluir que os investimentos estão compensando o aumento do tráfego e revertendo a tendência de crescimento dos sinistros.

Os dados apontam ainda que o efeito da melhoria da malha rodoviária não é uniforme, sendo que, em algumas localidades, o aumento dos investimentos em infraestrutura pode elevar acidentes, já que a melhor qualidade do asfalto tende a induzir os motoristas ao aumento da velocidade. Nesses casos, o estudo recomenda que os investimentos na melhoria do pavimento sejam acompanhados de políticas mais severas de monitoramento e controle de velocidade.

“Conseguimos, por meio dessa informação, saber quais são essas rodovias. O estudo aponta que, se a rodovia tem tráfego menor de 5 mil veículos por dia, se melhorar o pavimento, tem que colocar controle de velocidade mais rígido. Para as acima disso, o benefício da melhoria do pavimento não tem esse efeito colateral, porque há mais movimento. Isso, do ponto de vista do gestor, sobre onde colocar dinheiro para radar, por exemplo, é uma informação valiosa. O estudo ajuda a tomar decisões baseadas em evidências para usar o dinheiro onde há melhor efeito”, disse a subsecretária.

Necessidade de quase R$ 50 bi para corrigir somente necessidades de adequação da malha”

— Fernanda Rezende

Pela ótica dos ganhos econômicos dos investimentos em infraestrutura, o ministério, com base em estudo do Dnit em parceria com o Centro de Estudos em Infraestrutura do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), estima que, o volume médio anual de quase R$ 10 bilhões em investimentos pode ter ampliado a atividade econômica do país em mais de R$ 33 bilhões.

Apesar do aumento dos investimentos nos últimos anos, a diretora-executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Rezende, avalia que o patamar atual é suficiente para resolver problemas pontuais nas rodovias, mas ainda está aquém do necessário. “De acordo com resultado da nossa pesquisa, apontamos a necessidade de quase R$ 50 bilhões para corrigir somente necessidades de adequação da malha, só em relação ao pavimento”, disse.

A diretora ressalta a preocupação com os volumes de investimento e, por esse motivo, defende a complementaridade entre investimento público e iniciativa privada. Segundo ela, caso isso não tivesse sido feito nos últimos anos por meio do programa de concessões, o Brasil enfrentaria um cenário de colapso na infraestrutura.

O diretor de planejamento e economia da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Roberto Guimarães, afirma que, para reverter o cenário de sinistros, é necessário manter os investimentos federais, avançar com a carteira de concessões, já que os contratos possuem índices de qualidade que incluem metas de redução de acidentes, e, paralelamente, ampliar os esforços de conscientização da população sobre segurança no trânsito.

Em linha com o diagnóstico do estudo, a pasta vai criar o Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito (Cnest), visando analisar acidentes graves de relevância nacional, conforme mostrou o Valor. O grupo terá caráter técnico-científico e preventivo, sem finalidade de identificar responsabilidades pela ocorrência dos sinistros de trânsito. O lançamento está previsto para esta terça-feira (18).

Caberá ao grupo, além de identificar as causas que contribuíram para os sinistros, propor medidas para evitar e reduzir ocorrências.

AGRÍCOLA

Money Times - SP   19/05/2026

A China se comprometeu a comprar pelo menos US$17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA anualmente, além de soja, por três anos, informou a Casa Branca no domingo, após uma cúpula dos líderes dos dois países em Pequim na semana passada.

Maior importador de produtos agrícolas do mundo, a China reduziu drasticamente as compras dos EUA após a guerra comercial do ano passado entre as duas maiores economias do mundo. No entanto, ambos concordaram em expandir o comércio agrícola e eliminar as barreiras não tarifárias para carne bovina e aves, informou o Ministério do Comércio da China no sábado.

Aqui estão os detalhes de seu comércio agrícola e como as compras podem se desenvolver:
O que significa o acordo

A promessa de US$17 bilhões, além dos compromissos existentes com a soja, levaria o total das importações agrícolas da China nos EUA para perto de US$28 bilhões a US$30 bilhões por ano, segundo operadores e analistas, abaixo do pico de US$38 bilhões em 2022, mas muito acima dos US$8 bilhões do ano passado e dos US$ 24 bilhões em 2024.

Para atingir essa meta, Pequim teria que aumentar drasticamente as compras de trigo, grãos para ração, carne e produtos agrícolas não alimentícios, como algodão e madeira, disseram operadores e analistas.

Pequim cumpriu o compromisso de comprar 12 milhões de toneladas de soja, levando um pouco de trigo e um grande volume de sorgo, após um acordo em outubro passado entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega chinês, Xi Jinping. Como parte desse acordo, a Casa Branca disse que a China compraria pelo menos 25 milhões de toneladas métricas de soja por ano.
Redirecionamento das importações

É provável que o aumento das compras de produtos agrícolas dos EUA ocorra às custas das exportações de fornecedores rivais, como Brasil, Austrália e Canadá.

“Alcançar US$17 bilhões anuais excluindo a soja provavelmente exigiria que a China redirecionasse intencionalmente as compras dos fornecedores existentes para os Estados Unidos por motivos políticos e estratégicos, e não por motivos puramente comerciais”, disse Cheang Kang Wei, vice-presidente da StoneX em Cingapura.

O Brasil, principal fornecedor de soja da China, com 73,6% de participação no mercado em 2025, também se tornou seu principal fornecedor de milho. No ano passado, a China aprovou as importações de grãos secos de destilaria brasileiros (DDGS), ingrediente para ração animal com alto teor de proteína obtido durante o processo da fabricação de etanol.

A Austrália, principal fornecedor de trigo da China em 2023 e principal fornecedor de sorgo em 2025, poderá enfrentar uma demanda reduzida se o trigo e o sorgo dos EUA ganharem terreno. As importações de cevada também podem sofrer pressão, enquanto as maiores compras de carne bovina dos EUA podem reduzir a demanda pela carne bovina premium da Austrália na China.

Outros grandes fornecedores, como o Canadá e a França, no caso do trigo, e a Argentina, no caso do sorgo, também podem ter uma demanda menor.
Soja

Espera-se que a China comece a comprar soja dos EUA da nova safra para embarques a partir de outubro, com os suprimentos norte-americanos com preços competitivos em relação às cargas brasileiras, disseram os operadores.

“A compra de 25 milhões de toneladas de soja dos EUA não deve ser um problema, pois os preços dos EUA estão bastante atraentes agora”, disse um trader de sementes oleaginosas baseado na Ásia de uma empresa comercial internacional que administra fábricas de processamento de soja na China. “Eles podem comprar para esmagamento e também para estocagem.”

Espera-se que as estatais Cofco e Sinograin sejam as principais compradoras de soja dos EUA até que a China suspenda uma tarifa adicional de 10%, disseram os operadores.

A China reduziu drasticamente sua dependência da oleaginosa dos EUA desde o primeiro mandato de Trump, com a soja dos EUA representando cerca de um quinto das importações em 2024, ante 41% em 2016.
Milho e trigo

É provável que os comerciantes estatais chineses também continuem sendo os principais compradores de milho e trigo dos EUA, já que lhes são atribuídas cotas de importação com tarifas baixas.

A China tem cotas de importação de 9,64 milhões de toneladas métricas para o trigo e 7,2 milhões de toneladas para o milho com uma tarifa de 1%. As importações além da cota estão sujeitas a tarifas proibitivas de 65%.

A China comprou milho norte-americano no valor de apenas US$5 milhões em 2025, abaixo dos US$561,5 milhões do ano anterior, com a paralisação dos embarques após junho, segundo dados da alfândega chinesa.

As importações de trigo caíram para quase zero em 2025, de 1,9 milhão de toneladas métricas, no valor de US$600 milhões, em 2024.
Sorgo e DDGS

Espera-se que a China aumente as compras de grãos para ração, incluindo o sorgo, depois que fortes chuvas prejudicaram sua safra do norte em 2025.

Ao contrário do trigo e do milho, o sorgo não está sujeito a cotas.

Desde novembro, Pequim comprou pelo menos 2,5 milhões de toneladas métricas de sorgo dos EUA para suprir a escassez de milho no mercado interno, mas compras significativas de DDGS exigiriam que o país suspendesse as tarifas antidumping e antissubsídios que datam de 2017.
Carne

A China é um mercado importante para pés de frango, orelhas de porco e miúdos dos EUA — itens para os quais há pouca demanda nos EUA.

É provável que as importações de carne bovina e de aves dos EUA aumentem depois que Pequim disse que os dois lados trabalhariam para resolver os problemas.

Na sexta-feira, a China concedeu extensões de registro de cinco anos a 425 fábricas de carne bovina dos EUA, em grande parte suspensas após a expiração de seus registros no ano passado, e aprovou novos registros de cinco anos para outras 77 instalações dos EUA.

Pequim introduziu um sistema de cotas de importação de carne bovina em dezembro passado, com uma tarifa de 55% sobre as importações acima da cota para os principais fornecedores, incluindo os Estados Unidos, para proteger a indústria nacional.
Produtos agrícolas não alimentícios

As importações da China também podem incluir produtos não alimentícios, como algodão e madeira. As importações de algodão caíram de US$1,85 bilhão em 2024 para US$225,7 milhões no ano passado.

CNN Brasil - SP   19/05/2026

O MF (Ministério da Fazenda) elevou de 0,5% para 1,2% a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária em 2026. A revisão consta no Boletim MacroFiscal de maio divulgado nesta segunda-feira (18) pela SPE (Secretaria de Política Econômica).

No relatório divulgado em fevereiro, a SPE projetava crescimento de apenas 0,5% para o agro neste ano, diante da expectativa de menor produção de milho e arroz e redução da contribuição do abate bovino.

A nova estimativa veio acompanhada de uma melhora na avaliação para o desempenho do setor no primeiro trimestre deste ano. Segundo a SPE, houve melhora na expectativa para o primeiro trimestre e pelos dados mais recentes do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) e das pesquisas de abate.

“O PIB da agropecuária manteve sua projeção, em linha com as divulgações mais recentes do LSPA e das pesquisas de abate. Após crescer 0,2% no quarto trimestre, projeta-se avanço de cerca de 2,6% na margem para o setor, refletindo o desempenho das culturas com maior peso no primeiro trimestre, soja e fumo, e o bom resultado do abate de bovinos”, afirmou a secretaria.

A SPE manteve a projeção de avanço de 2,6% para o PIB agropecuário na comparação trimestral, puxado principalmente pela soja, fumo e pecuária bovina. Na comparação anual, a expectativa é de alta de 1,7% no período.

A Fazenda manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB brasileiro em 2026, mas alterou a composição da atividade. A agropecuária segue em desaceleração após a safra recorde de 2025, porém com desempenho melhor do que o previsto anteriormente.

Pressão nos alimentos

Apesar da revisão positiva para o PIB do setor, o governo passou a prever pressão maior dos alimentos sobre a inflação.

Segundo o boletim, a inflação acumulada em 12 meses do grupo alimentação no domicílio saiu de -0,1% para 1,3% entre fevereiro e abril, puxada por carnes, leite, arroz e alimentos in natura, especialmente tubérculos.

“Diferentemente de 2025, em 2026 os preços de alimentos devem deixar de contribuir para a queda da inflação, refletindo fatores estruturais, especialmente ligados ao ciclo do boi, impactando carnes, leite e derivados, e produtos semielaborados”, afirmou a SPE.

Com isso, a projeção do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu de 3,6%, estimada em fevereiro, para 4,5% no relatório de maio.

Segundo a SPE, a piora reflete principalmente os efeitos da alta do petróleo após o agravamento do conflito no Oriente Médio, com impactos sobre combustíveis, transporte, fertilizantes e cadeia de alimentos.

“A inflação acumulada em 12 meses medida pelo IPCA avançou de 3,8% em fevereiro para 4,4% em abril, repercutindo principalmente a aceleração nos preços de bens monitorados e alimentos”, destacou o documento.

Risco climático

O documento também cita risco climático para a próxima safra. A SPE alerta que a maior probabilidade de ocorrência de El Niño na segunda metade do ano e o prolongamento da alta dos fertilizantes podem pressionar a safra de 2027 e antecipar parte dos impactos ainda para este ano.

“A maior probabilidade de ocorrência de el niño na segunda metade do ano, e o prolongamento do choque nos preços de fertilizantes, são vetores que podem impactar em maior medida a safra de 2027 e pressionar a inflação de alimentos, com alguma antecipação ainda para este ano”, completou a secretaria.

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