Clipping Diário

30 | Abril | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   30/04/2026

Ebitda subiu para US$ 1,68 bilhão, ante US$ 1,58 bilhão no mesmo período do ano anterior

A ArcelorMittal afirmou que o aumento das tarifas europeias sobre as importações de aço pode impulsionar sua produção e seus lucros no futuro, visto que o lucro líquido continuou a cair no início do ano.

A siderúrgica com sede em Luxemburgo informou que o lucro líquido atingiu US$ 575 milhões no período de janeiro a março, queda de 28,6% ante US$ 805 milhões no mesmo período do ano passado. O resultado, no entanto, foi melhor do que a previsão de US$ 498 milhões dos analistas, segundo uma estimativa consensual fornecida pela empresa. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) — um indicador-chave de lucro para o grupo — subiu para US$ 1,68 bilhão, ante US$ 1,58 bilhão no mesmo período do ano anterior.

A produção de aço bruto atingiu 13,3 milhões de toneladas métricas no período, ante 14,8 milhões de toneladas.

A empresa afirmou estar confiante de que a produção receberá um impulso com o aumento das tarifas de importação da União Europeia, que entrarão em vigor já em 1º de julho. A UE aprovou este mês um plano para dobrar as tarifas sobre as importações de aço de fora do bloco, numa tentativa de proteger a produção nacional.

"A ArcelorMittal está bem posicionada para aproveitar esse potencial de crescimento por meio da capacidade existente e da retomada da capacidade ociosa", disse o CEO Aditya Mittal.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   30/04/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) revisou sua projeção a inflação acumulada em 12 meses até o fim de 2027, de 3,3% para 3,5%. Na reunião desta quarta-feira, 29, esse se tornou o horizonte relevante da política monetária.

A projeção segue ligeiramente acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Nesta quarta, as medianas indicam que a Selic estará em 13% no fim deste ano e vai cair a 11% no fim de 2027.

O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50%, como previam 33 de 37 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A decisão do colegiado foi unânime.

Ao justificar a decisão, o colegiado citou o ambiente externo que permanece incerto, em razão da indefinição com relação à duração dos conflitos no Oriente Médio, o que tem reflexos nas condições financeiras globais”. “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio”, diz o comunicado.

Com relação ao cenário doméstico, o Copom destacou que “o conjunto de indicadores segue apresentando trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”.

A cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções diminuiu de R$ 5,20 para R$ 5,00. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 passou de 4,10% na reunião anterior para 4,86% agora. Para 2027, passou de 3,80% para 4,00%.

A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 passou de 3,9% para 4,6%, acima do teto da meta de inflação, que é 4,5%. Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2026 (3,7% para 4,5%) e previu um índice de 3,5% para 2027. A projeção para os preços administrados passou de 4,3% para 4,8% este ano e de 3,4% para 3,6% no horizonte relevante.

Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.

Juros reais

Com a redução da Selic para 14,50%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, 9,33%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O País está atrás apenas da Rússia, com 9,67%. O México aparece em terceiro lugar, com 5,09%, seguido pela África do Sul (4,62%) e Indonésia (3,31%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5,0%.

O Estado de S.Paulo - SP   30/04/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 29, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual - de 14,75% para 14,50% ao ano, como esperava o mercado financeiro. A decisão do colegiado foi unânime.

O Copom afirmou que os passos futuros do processo de calibração da taxa Selic podem incorporar novas informações sobre os conflitos no Oriente Médio.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz o comunicado.

O Copom também afirmou que a decisão de cortar os juros é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, emendou.

Foi o segundo corte seguido da taxa. Na reunião anterior, de março, o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano, a primeira diminuição dos juros em quase dois anos. Apesar do corte, na ocasião, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário, em função dos conflitos no Oriente Médio.

Uma semana depois, em 26 de março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse em entrevista coletiva, que o “conservadorismo” da autoridade monetária durante 2025 compraria tempo para analisar o cenário e entender os efeitos da alta do petróleo, em razão do conflito, sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, afirmou.

No fim da tarde desta quarta-feira, a curva de juros indicava cerca de 100% de chance de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic.

Antes de março, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024.

Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Incerteza

O Copom destacou no comunicado que o conflito no Oriente Médio aumentou tanto as suas projeções de inflação quanto a incerteza em torno dessas estimativas. Mesmo assim, o colegiado avaliou que havia espaço para continuar “calibrando” a taxa Selic, diante de evidências de que a manutenção dos juros em nível contracionista já levou a uma desaceleração da economia brasileira.

“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, diz o comunicado.

O corte na Selic ocorreu mesmo diante de um aumento de 0,2 ponto porcentual na projeção de inflação para o fim de 2027, de 3,3% para 3,5%. A partir desta reunião, o quarto trimestre do ano que vem passa a ser o horizonte relevante da política monetária.

O comitê destacou ter considerado “apropriado dar sequência ao ciclo de calibração” dos juros porque há evidências de que a manutenção da taxa de juros em nível contracionista - 15% durante quase todo o ano de 2025 - levou a uma desaceleração da atividade econômica.

Isso, segundo o Copom, cria as condições para ajustar o “ritmo e extensão” do processo de calibração, à luz de novas informações, de forma a assegurar um juro compatível com a convergência do IPCA à meta.

O colegiado voltou a repetir que acompanha como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.

Ainda sobre o cenário doméstico, também disse que o conjunto de indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.

Juros reais

Com a redução da Selic para 14,50%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, 9,33%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O País está atrás apenas da Rússia, com 9,67%. O México aparece em terceiro lugar, com 5,09%, seguido pela África do Sul (4,62%) e Indonésia (3,31%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5,0%.

Veja - SP   30/04/2026

O setor produtivo absorveu a maior parte da disparada da inflação em abril e repassou apenas uma fração para os consumidores, o que eleva ainda mais a pressão sobre o caixa das empresas. É o que se pode concluir dos resultados do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) divulgados nesta quarta-feira 29 pela Fundação Getulio Vargas.

O IGP-M é a média ponderada de três indicadores. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com 60% de peso no resultado final, acompanha a inflação da cadeia de produção, desde a matéria-prima até o produto acabado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) participa com 30% de peso e reflete a pressão no bolso dos consumidores finais. Já o Índice Nacional de Custo da Construção fecha a conta com 10% de peso e representa a inflação da construção civil.

Em abril, o IPA foi o componente com a maior alta, 3,49%, sinalizando uma forte aceleração sobre março, quando ficou em 0,61%. Foi também o pior resultado mensal do IPA desde maio de 2021, quando atingiu 5,43%. Naquela ocasião, o mundo ainda se ressentia do desarranjo das cadeias produtivas globais prejudicadas pela pandemia de covid-19. A disparada dos preços de commodities agrícolas e minerais dava o tom e pesava no bolso dos brasileiros.

Neste mês, porém, o vilão é a disparada dos combustíveis motivada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota por onde escoa 20% da produção mundial de petróleo.

O impacto do conflito pode ser rastreado ao longo das etapas de produção da indústria brasileira. Segundo a FGV, dentre os grupos que compõem o IPA, as matérias-primas brutas registraram a maior alta em abril, 5,78%, pressionadas pelo encarecimento dos fretes e do petróleo. Parte desse reajuste foi absorvida pelos fornecedores como mostra o reajuste de 2,81% dos bens intermediários. Este elo da cadeia de produção também absorveu boa parte da pressão inflacionária. Com isso, os bens finais ficaram em média apenas 0,9% mais caros.

Como cada elo posterior da cadeia de produção reajustou os preços em percentuais menores que os de seus fornecedores, a diferença só pode ser entendida como uma decisão de absorver as altas, reduzindo as margens para repassar apenas parcialmente a pressão aos clientes. Em um momento em que as empresas brasileiras batem recordes de endividamento e de recuperações judiciais e extrajudiciais, o movimento adiciona ainda mais pressão sobre o caixa e redobra as preocupações sobre a capacidade do setor produtivo de sobreviver à guerra.

Outra evidência de que a indústria e o comércio atuam neste momento como para-choque da disparada de preços causada pelo conflito é o aumento de apenas 0,94% no IPC. Isso mostra que mesmo os setores de comércio e de serviços têm evitado reajustar os preços para os consumidores finais. Apenas os segmentos mais expostos ao petróleo reportaram altas expressivas neste mês. São os casos da gasolina que subiu 6,3%, e do diesel que disparou 14,9%.

Money Times - SP   30/04/2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano nesta quarta-feira (19). Essa foi a segunda flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime.

O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado. Na última atualização, com data de referência da segunda-feira (27), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 90,5% de o Banco Central (BC) reduzir os juros em 0,25 p.p.

“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, acrescentaram os diretores.

Os diretores mantiveram a menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto em meio a incertezas quanto à duração, extensão e desdobramentos do conflito.

As projeções para inflação para 2026 e no horizonte relevante também tiveram ajustes para cima.

“Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, diz o comunicado.

Internacional

No comunicado, o Copom reforçou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“, diz o comunicado.

Os diretores também consideraram que os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o usual, perante o conflito.

Entre os riscos de alta nos preços estão os possíveis impactos por restrições de oferta de petróleo e seus derivados. Já entre os riscos de baixa está uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e do petróleo.
Economia brasileira

Em relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.

Mas o cenário da inflação mudou. Em março, o BC reconheceu que a inflação apresentava algum sinal de arrefecimento. Agora, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta.

As expectativas do mercado também seguem desancoradas.

“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência”, diz o Copom.

O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio.

Entre os riscos de alta destacam-se:
desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados; maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Já entre os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, os diretores do Copom consideram:
uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e de petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Além disso, o Comitê afirmou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.
Vêm mais cortes na Selic?

O Copom disse, no comunicado, que julgou apropriado dar sequência ao ciclo de cortes na Selic, considerando que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que haja ajustes no ritmo e extensão dessa calibração.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.

O colegiado manteve a indicação de que os próximos passos serão feitos “à luz de novas informações”, de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.”
Decisão unânime

Segundo o comunicado, os dirigentes do Banco Central entraram em consenso e a decisão foi novamente unânime.

O Estado de S.Paulo - SP   30/04/2026

O equívoco do governo Trump de tratar o Brasil com simplicidade, quando o País nunca foi simples, pode custar caro à relação bilateral

Há um equívoco recorrente em Washington: a ideia de que o Brasil reage à pressão como parceiro menor, previsível. Uma possível escalada (com rumores de novas tarifas) mostra que esse erro não apenas persiste, como pode custar caro à relação bilateral. O equívoco vem de tratar o Brasil com simplicidade, quando o Brasil nunca foi simples.

Tarifas adicionais podem advir da investigação 301 aberta pelo USTR em julho do ano passado, que abrange temas que vão de comércio digital a meios de pagamento, além de tarifas preferenciais, medidas anticorrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. É uma lista ampla o suficiente para caber quase tudo; e vaga o suficiente para gerar instabilidade em quase todos os setores. Em teoria, deve haver uma decisão antes de julho deste ano, que poderia levar a tarifas ou outras restrições ao comércio.

O ziguezague tarifário já cobrou custos altos no ano passado: uma Ordem Executiva em julho impôs tarifa adicional de 40% sobre certos produtos brasileiros. Em novembro, produtos agrícolas foram excluídos daquela tarifa, reconhecendo-se implicitamente que a medida fora excessivamente ampla. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte restringiu a lei sobre a qual se baseavam as tarifas, levando o Governo Trump a impor um 10% genérico com base em outra norma (Seçao 122), que deve expirar em agosto próximo.

Assim, a insegurança permanece. Os dados de 2025 já indicavam perda de tração das exportações para os Estados Unidos, no recorte mais sensível aos efeitos tarifários. Pela primeira vez em 200 anos (!) os EUA representarão menos de 10% das exportações brasileiras.

Ou seja, ameaças e barreiras tarifárias não levarao a concessões pelo Brasil; antes, diminuirão a importância relativa da relação econômica bilateral comparativamente a outros parceiros.

Outro efeito: empresas que exportam para os Estados Unidos começam a procurar alternativas, diante do custo da imprevisibilidade. O setor brasileiro de móveis é exemplo claro: diante da combinação de tarifa, risco político e regulatório, exportadores passaram a investir em novos mercados, da Europa a mercados emergentes. Exportadores sao naturalmente avessos a aventuras tarifárias; buscam previsibilidade, contratos longos, crédito, logística e compradores que não mudem regras durante o transbordo.

O mesmo filme já se assistiu, em versão sul-americana. Durante muitos anos, a Argentina foi mercado natural da indústria brasileira. A proximidade, a então novidade do Mercosul e a integração produtiva davam à Argentina um lugar privilegiado. Mas barreiras recorrentes, licenças nao automáticas, controles cambiais e imprevisibilidade reduziram sua relevância. A indústria aprendeu a buscar outros destinos. Não deixou de vender para a Argentina, apenas deixou de depender daquele mercado e de defendê-lo nas crises seguintes.

Esse é o risco que os Estados Unidos estão criando agora: uma lenta reconfiguração das cadeias comerciais, que reverte contratos, feiras, decisões de investimento. Ao fim, a grandiosidade do discurso geopolítico definha em decisões empresariais quotidianas.

As ameaças dos EUA também afetam uma dimensão pouco compreendida em Washington: o comércio intrafirma como parte relevante do fluxo bilateral com o Brasil. Sao cadeias integradas, planejadas por meses, com custos e margens pré-definidos. E aqui o paradoxo: em nome de defender interesses norte-americanos, Washington acaba aumentando custos de empresas norte-americanas.

Há ainda uma incompreensão histórica. Desde o século 19, a estratégia externa do Brasil tem sido evitar alinhamentos automáticos. O Brasil já oscilou, negociou, aproximou-se, afastou-se, mas nunca aceitou vassalagem econômica. Mesmo na Guerra Fria, preservou graus relevantes de autonomia econômica.

A coerência da diplomacia nacional reflete um país continental, exportador diversificado, inevitavelmente com interesses no Atlântico, historicamente na Europa, nas Américas, crescentemente na Ásia e no mundo em desenvolvimento. Pressionar o Brasil como se fosse um pequeno recalcitrante é desconhecer a História e, pior, empurrá-lo para parceiros alternativos.

Por fim, a tática tarifária norte-americana também pode produzir efeito político ao avesso do que, no Departamento de Estado, pretendem alguns. Novas tarifas contra o Brasil fortalecerao a narrativa eleitoral do atual governo brasileiro contra a oposição. Se a economia sofrer, culpa-se o elemento externo. Se exportadores reclamarem, apontam-se os entreguistas. Se medidas forem anunciadas, reforça-se o nacionalismo, sempre disponível no cardápio das campanhas.

O Governo Trump deveria saber disso. Em outras frentes, suas medidas já produziram o inverso do objetivo anunciado. Aqui, o risco é semelhante. Tarifas para forçar concessões podem reduzir a relevância norte-americana. Ameaças para disciplinar o Brasil podem incentivar diversificação comercial. Medidas destinadas a proteger empresas norte-americanas podem encarecer suas próprias cadeias. E pressões destinadas a fragilizar o governo brasileiro podem ajudá-lo eleitoralmente.

Por tudo isso, Washington deveria refletir antes de mirar o Brasil como laboratório de coerção tarifária. Ambos os países têm interesse em preservar uma relação sólida. Mas isto exige inteligência estratégica. Exige distinguir irritantes políticos de interesses econômicos. Exige entender que comércio bilateral não é manchete, mas investimentos, cadeias produtivas, confiança e tempo.

Se Washington insistir na lógica da coerção, o resultado provavelmente nao será nem confronto nem alinhamento. Será distanciamento. E, no comércio internacional, distância quase sempre significa perda de relevância, de influência e, no limite, de mercado.

MINERAÇÃO

Grandes Construções - SP   30/04/2026

A busca por redução de emissões na cadeia automotiva já começa a gerar resultados concretos no Brasil.

Um projeto desenvolvido no país alcançou até 70% de redução na pegada de carbono na produção de ferro fundido, um dos materiais mais utilizados na indústria de veículos comerciais pesados.

A iniciativa foi reconhecida globalmente no Green Mover Award 2026, premiação da Daimler Truck que destaca soluções com impacto ambiental mensurável em sua cadeia de suprimentos.

O projeto, desenvolvido pela Schulz em parceria com a Mercedes-Benz do Brasil, foi selecionado entre 107 iniciativas de diferentes países.

O avanço reflete uma combinação de fatores que posicionam o Brasil de forma competitiva na transição para uma indústria de menor carbono.

Entre eles destacam-se a matriz energética renovável, entre as mais limpas do mundo, além da alta disponibilidade de matérias-primas, da qualificação técnica da indústria de fundição e de uma logística de exportação favorecida, com menor exposição a gargalos e tensões de outras rotas internacionais.

Na prática, a redução de emissões foi viabilizada por um conjunto integrado de iniciativas. Destaca-se, nesse contexto, a utilização de fornos de indução de alta eficiência aliada ao uso intensivo de sucata metálica no processo de fundição.

Essas ações são sustentadas pelo uso integral de energia renovável, posicionando a Schulz S.A. como uma das poucas indústrias metalmecânicas de Santa Catarina que operam com energia 100% renovável, combinando fontes certificadas com a modalidade de autoprodução por meio do seu próprio parque solar.

Esse modelo permitiu à companhia neutralizar as emissões de CO2 associadas ao Escopo 2 do Protocolo GHG (Greenhouse Gas Protocol).

Outro ponto relevante é o avanço na economia circular, com a reutilização de resíduos industriais, como o reaproveitamento de resíduos de usinagem e da areia de fundição, em aplicações como pavimentação, reduzindo a destinação para aterros.

O projeto também evidencia o papel estratégico das parcerias entre montadoras globais e fornecedores locais no desenvolvimento de soluções sustentáveis em escala.

No Brasil, essa colaboração tem permitido acelerar a implementação de tecnologias e práticas com impacto direto na redução de emissões.

Como reflexo desse movimento, a companhia também foi reconhecida no país com o Prêmio Interação em sua categoria Destaque Especial, concedido pela Mercedes-Benz do Brasil a fornecedores que se destacaram durante o ano vigente.

Valor - SP   30/04/2026

Vice-presidente executivo de finanças diz que companhia segue bem posicionada devido a instrumentos de proteção contra variações no preço do frete

O aumento dos custos no primeiro trimestre do ano não mudou as expectativas da Vale para o controle das despesas ao longo de 2026. A empresa se mantém confortável com as metas das despesas de produção para este ano, apesar do crescimento de 12% do custo caixa C1 (da mina ao porto) do minério de ferro no primeiro trimestre frente a igual período do ano passado, do avanço de 8% no custo do produto “all-in” na mesma comparação e das preocupações demonstradas pelo mercado.

O vice-presidente executivo de finanças e de relações com investidores da companhia, Marcelo Bacci, disse que a pressão de custos no primeiro trimestre veio principalmente do câmbio e da alta dos preço do petróleo, mas destacou que o avanço dos preços mais que compensou a subida das despesas.

“Continuamos confiantes de reduzir custos”, afirmou Bacci em teleconferência com analistas sobre o resultado do primeiro trimestre.

Bacci reforçou em sua fala na conferência o conforto da empresa com as metas para o custo nas operações de minério de ferro. Os analistas se mostraram preocupados com a elevação do custo caixa C1, que chegou a US$ 23,6 por tonelada no primeiro trimestre, alta de 12% e acima da meta de US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada. O custo “all-in”, que inclui o frete, subiu 8%, para US$ 55,4 por tonelada. Neste caso, a meta para o ano é entre US$ 52 e US$ 56 por tonelada.

Bacci ressaltou que esse avanço nas despesas de produção veio fundamentalmente do câmbio - uma vez que a apreciação do real acaba afetando negativamente a empresa, que tem maior parte das receitas em dólar e dos custos em reais -, da alta do petróleo, que encarece o combustível de navegação e, consequentemente, o frete, e de outras questões sazonais. Mas o vice-presidente financeiro explicou que a companhia está bem posicionada devido ao gerenciamento de risco: “Nosso programa de hedge de petróleo é desenhado para limitar a exposição a cenários extremos”, afirmou o executivo.

Segundo Bacci, o programa de hedge traz proteção para momentos em que o preço do barril do tipo Brent fica acima de US$ 80. O instrumento protege 70% da demanda da empresa por combustível de navegação (bunker oil) prevista para 2026. “Isso traz estabilidade e previsibilidade para a nossa geração de caixa”, disse Bacci.

Em um cenário hipotético, a companhia estima que cada 10% de alta do preço do diesel no Brasil leva a um impacto de cerca de US$ 0,15 por tonelada no custo caixa C1 na produção de minério de ferro, enquanto a valorização de R$ 0,10 no câmbio provoca impacto de US$ 0,25 por tonelada no custo caixa C1 e de US$ 0,4 por tonelada no “all-in”. No frete, a cada US$ 10 de alta no barril de petróleo do tipo Brent, há um encarecimento de US$ 1 por tonelada.

Em entrevista a jornalistas, Bacci afirmou que o aumento de custos foi geral para o setor de mineração devido aos fretes mais elevados, mas disse que a Vale ficou na ponta inferior desse avanço. Segundo ele, o aumento de custos para as empresas que exploram um minério com despesas mais altas de extração chegou a US$ 10 por tonelada nos primeiros três meses do ano em termos de custo “all-in”. Para a mineradora, esse crescimento foi de US$ 4,1 por tonelada.

O avanço de custos deu a tônica do mercado, frustrado com o resultado. Os analistas do Citi destacaram em relatório que o desempenho na divisão de minério de ferro foi ligeiramente mais fraco do que o esperado devido ao custo caixa C1, somado a despesas mais altas com frete. Os analistas do Itaú BBA alertaram para o risco de que a combinação de um real mais forte e dos preços mais altos do petróleo coloque em risco as metas de custos da companhia para o ano, podendo levar a revisões negativas nas estimativas de lucros. A possibilidade de revisão dos custos foi refutada pelos executivos da Vale.

Sobre a remuneração a acionistas, Bacci disse que a Vale poderá ampliar a distribuição caso a dívida líquida expandida, que inclui dispêndios com reparações de Mariana e Brumadinho, fique em até US$ 15 bilhões. O pagamento pode combinar recompra de ações e dividendos extraordinários.

Diário do Comércio - MG   30/04/2026

A mineradora Vale avalia que a guerra do Irã teve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro, uma vez que a produção de aço permanece estável, afirmou o vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira, durante conferência com investidores nesta quarta-feira.

“No Oriente Médio, especificamente, a produção de aço também está estável, porque eles estão mantendo a produção com base nos estoques de sucata e de pelotas. Isso ocorre apesar de uma contração na produção de aço bruto do Irã”, disse o executivo, ressaltando que a produção de aço naquele país foi interrompida.

“Mas o restante dos nossos clientes na região continua produzindo”, acrescentou.

O executivo explicou ainda que no Bahrein, uma importante planta de pelotização foi desativada diante de uma dificuldade para receber pellet feed, com a matéria-prima sendo desviada para outros mercados, principalmente China e Ásia em geral. Mas essa oferta adicional, disse Nogueira, foi compensada pela ausência de exportações do Irã de minério de ferro.

“Portanto, nossa visão sobre o mercado, especificamente em decorrência do conflito, é neutra. Houve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro por causa do conflito no Irã”, afirmou.

Nogueira disse ainda que, com o conflito e a alta dos preços do petróleo, a curva de custos foi deslocada para cima, entre US$5 e US$10 por tonelada, com algumas empresas menos competitivas sendo impactadas, o que acaba dando algum suporte aos preços atuais do minério de ferro.

A Vale espera ainda que o mercado de pelotas permaneça estável, considerando o saldo líquido entre oferta e demanda por pellet feed de alto teor. “Assim, no próximo trimestre, esperamos que os prêmios das pelotas fiquem estáveis ou apresentem até uma leve alta”, afirmou.

Na China, Nogueira afirmou que a produção de aço bruto está estável, de acordo com dados de institutos independentes. A utilização dos altos-fornos, segundo o executivo, está em cerca de 90%, o que a Vale considera “extremamente positivo e elevado”, disse ele.

“Ainda acreditamos e vemos a continuidade das exportações anualizadas de aço (pela China) em um nível de 100 milhões de toneladas em 2026. Infraestrutura e manufatura compensam um setor imobiliário fraco, que continua sendo, de fato, um setor desafiador para a China”, afirmou.

Fora da China, Nogueira acrescentou que a Vale vê um mercado geral estável, apesar de variações por região. “No geral, vemos equilíbrio entre oferta e demanda, e a perspectiva de preços também é equilibrada”, concluiu.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   30/04/2026

A GWM começou a estruturar, de fato, a base de uma operação de veículos a hidrogênio no Brasil. O Estradão participou de coletiva sobre o tema em Baoding, na China. A conversa teve a participação de Will Zhang, presidente da FTXT, divisão da fabricante de origem chinesa.

A GWM Hydrogen já negocia com uma empresa encarroçadora no Brasil e, ao mesmo tempo, conversa com cliente interessado no retrofit. O objetivo da marca é instalar kits de célula de combustível em caminhões já em operação, encurtando o caminho entre a tecnologia e a rua.

Dessa forma, modelos a diesel poderiam ser convertidos em caminhões elétricos a célula de hidrogênio. A novidade deve ganhar forma pública no segundo semestre.

Como funciona o sistema da GWM

O pacote envolve stack de célula, tanques de hidrogênio de alta pressão, motores elétricos e sistemas de controle, além de uma bateria de apoio. É uma troca que demanda reengenharia de chassi, recalibração estrutural e integração eletrônica completa.

E é aí que entra a encarroçadora na negociação, como parceira local capaz de adaptar diferentes tipos de aplicação, do cavalo mecânico rodoviário ao fora de estrada.

Para operadores logísticos, o maior ativo não é o caminhão em si, mas o ciclo de operação. Tirar veículos da rua para substituição completa custa caro e leva tempo. Converter parte da frota, por outro lado, permite testar a tecnologia sem ruptura operacional. É um tipo de projeto que, se funcionar, abre caminho para contratos maiores.

O retrofit permite ainda contornar, ao menos parcialmente, o gargalo clássico do hidrogênio. Ao trabalhar com clientes específicos, e não com o mercado aberto, a GWM pode viabilizar soluções dedicadas de abastecimento e não depender da criação de infraestrutura por outros players do mercado.

GWM Haval H7 - Salão do Automóvel | Pequim 2027

Brasil é fundamental para a GWM Hydrogen

A empresa vem tratando o Brasil como peça relevante em âmbito global. Documentos indicam uma meta de faturamento que beira R$ 80 milhões até 2028, apoiada não apenas na venda de veículos novos, mas também em soluções modulares de geração de energia e conversão de frota.

E esse plano não nasceu ontem. O primeiro caminhão movido a hidrogênio da operação no Brasil desembarcou por aqui em 2025 como parte de um programa de validação. Funcionou como um laboratório sobre rodas, a fim de entender como o sistema reagiria às variáveis locais.

Convém lembrar que veículos a hidrogênio são, essencialmente, elétricos. A célula de combustível gera eletricidade a partir da reação entre hidrogênio e oxigênio, enquanto a bateria atua como buffer para garantir eficiência e resposta. No fim do processo, o único subproduto é água. A promessa é limpa, mas o desafio está na produção, logística e abastecimento.

Na China, esse estágio já foi parcialmente superado. Milhares de veículos comerciais com tecnologia semelhante estão em operação, o que garante à GWM uma base de dados robusta. Trazer isso para o Brasil, porém, exige adaptação. Por aqui, a empresa pretende testar diferentes rotas de abastecimento, do hidrogênio verde obtido por eletrólise até alternativas como a reforma do etanol.

É justamente nesse ponto que o retrofit ganha força. Em vez de esperar por uma renovação completa de frota, a GWM tenta inserir a tecnologia onde já há demanda operacional. Se funcionar, reduz a barreira inicial e cria escala mais rapidamente. Caso contrário, teremos mais uma tentativa de acelerar um mercado que ainda patina na infraestrutura.

CNN Brasil - SP   30/04/2026

A Mercedes-Benz registrou uma queda acentuada no lucro operacional no início de 2026, um ano que deverá trazer custos mais elevados de matérias-primas e novas pressões tarifárias, pesando sobre a montadora alemã enquanto ela renova sua linha de modelos para impulsionar as vendas.

O conflito no Oriente Médio elevou os custos globais do setor, aumentando a pressão sobre as montadoras europeias já atingidas pelas altas tarifas de importação dos EUA.

A Mercedes, assim como as concorrentes alemãs Volkswagen e BMW , também está lutando contra a queda nas vendas na China, já que marcas nacionais como a BYD e a Nio estão invadindo o segmento premium depois de conquistarem o mercado de massa com veículos elétricos baratos e cheios de tecnologia.

A Mercedes anunciou nesta quarta-feira um resultado operacional medido pelo Ebit (lucro antes de juros e impostos) de 1,9 bilhão de euros (US$2,22 bilhões) no primeiro trimestre, uma queda de 17% em relação ao ano anterior.

As margens do primeiro trimestre caíram para 4,1%, ante 7,3% no ano anterior, mas dentro da faixa esperada para o ano inteiro de 3-5%.

A queda no lucro trimestral da Mercedes foi menor do que o esperado. Analistas consultados pela Visible Alpha esperavam uma queda de 29% em relação ao ano anterior.

As ações subiram 1,1% após os resultados, que os analistas da Bernstein consideraram "um bom começo para um ano muito complicado".

Valor - SP   30/04/2026

Novas marcas, modelos de luxo e de carregamento rápido e motor térmico “extra” são alguns dos incrementos que as montadoras estão trazendo ao país

O ano de 2026 não começou bem para as quase 130 marcas de carros na China, que pode terminar 2030 com apenas 15 delas. Em fevereiro, as vendas dos carros elétricos e híbridos no país asiático caíram 32%, em comparação com o mesmo mês em 2025 — e, globalmente, as mesmas categorias baixaram 11%. Os dados são das consultorias AlixPartners e Benchmark Mineral Intelligence.

Metade de toda a venda mundial dessas categorias é de fabricantes chineses, com 1,1 milhão de veículos. Na China, os motivos da crise são o excesso de oferta, com guerra de preços entre concessionárias locais que não conseguem lucrar, e as políticas de incentivo governamentais que visam mais a criação de empregos e fomentar a economia do que levar em conta a lucratividade e a concorrência saudável.

No Brasil, uma nova investida chinesa desponta nos próximos meses, com novas marcas, muitas delas ligadas a grupos já instalados no país. Um dos casos de expansão e lançamento é a marca de luxo Denza, pertencente à BYD. A empresa, líder de vendas de elétricos no Brasil, com 75% de participação de mercado no acumulado de 2025, está trazendo o sofisticado modelo Z9 GT.

“Ele também será o primeiro carro no mercado nacional com a tecnologia compatível com carregamento flash. Planejamos a instalação de mil carregadores desse tipo no Brasil até o fim de 2027”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head de comercial e marketing da BYD no Brasil. O avanço permite uma recarga ultrarrápida capaz de elevar a bateria de 10% a 70% em apenas cinco minutos.

Em julho de 2026, o imposto de importação para os eletrificados e híbridos subirá para 35%, oferecendo uma vantagem para as chinesas já com fábricas no Brasil, como BYD e GWM. As que montam no regime CKD (completamente desmontado) ou SKD (parcialmente desmontado) também passarão, em janeiro de 2027, de 16%-18% para os mesmos 35%.

Outra marca da nova onda é a Leapmotor, com carros importados pela Stellantis. Ela detém 51% das ações da startup e exclusividade de comercialização e produção dos modelos da Leap fora da China. Só nos dois primeiros meses de estreia, que aconteceu em novembro de 2025, a montadora vendeu 1.200 unidades no Brasil.

“Lançamos simultaneamente a SUV C10 nas versões elétrica e ultra-híbrida, sendo a última uma experiência de um veículo elétrico, mas sem depender de rede de recarga, pois o carro também pode ser abastecido com gasolina como em um veículo tradicional”, diz Felipe Daemon, head da Leapmotor para a América do Sul. A diferença para um híbrido comum é que um motor térmico “extra” gera energia para a própria bateria, e não para “girar a tração do carro”. A Leapmotor pretende fabricar seus carros no Polo Industrial de Goiânia da Stellantis ainda neste ano.

 

A GWM, especializada em híbridos, está em seu quarto ano no Brasil e, depois da BYD, é a chinesa que mais cresceu, de 11.479 carros em 2023 para 41.504 em 2025. “Em 2026 teremos 12 lançamentos. Só nos dois primeiros meses, comparados com o ano passado, superamos 100% de crescimento, estamos ganhando market share e ainda estreamos no mercado de diesel”, diz Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM. O Brasil foi a unidade que mais cresceu no globo e deve aumentar sua produção na fábrica em Iracemápolis, interior de São Paulo, com a instituição de um segundo turno.

Com quase 20 anos, a fábrica da Caoa em Anápolis (GO) vai trazer mais uma nova marca sino-brasileira, a Changan, com investimentos de R$ 5 bilhões, somados a um montante anterior de R$ 8 bilhões, para o período de 2023 a 2028. Lá, produzirá o SUV de médio porte Uni-T da marca. “Isso é fruto de uma aliança com a Changan, uma das maiores montadoras da China e do mundo, empresa com mais de 160 anos de história, sendo a única marca chinesa a ter ultrapassado 30 milhões de unidades produzidas e vendidas no mundo”, diz Jan Telecki, diretor de marketing do grupo, que também tem parceria com a chinesa Chery desde 2017.

Paralelamente, a matriz da Chery trouxe para o Brasil, em março, de maneira independente da Caoa, a marca Jetour com três SUVs híbridos plug-ins de luxo importados da China. Como atrativo, ela dá oito anos de garantia para a bateria e o motor elétrico, além de centro de distribuição de peças já em operação em São Paulo, além de rede inicial de 40 concessionárias. A ideia, segundo Henrique Sampaio, diretor de marketing e produto da Jetour no Brasil, é também montar carros no país, em curto e médio prazos.

Também parte da matriz Chery, a Omoda & Jaecoo vendeu no Brasil em 2025 mais de sete mil veículos e está em 14º lugar no ranking de varejo, com SUVs como o Omoda 7. A marca está em estudo de viabilidade de produção local dos carros.

O grupo GAC colocou suas rodas no Brasil há menos de um ano, com cinco modelos diferentes, incluindo um exclusivamente a combustão. “Não vemos a categoria a combustão como concorrência, mas como oportunidade de oferecer alternativas”, diz Luis Guidorzi, diretor de marketing da GAC Brasil. O grupo anunciou uma cooperação com a brasileira HPE Automotores para produzir veículos em Catalão (GO), a partir de 2027.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Frota e Cia - SP   30/04/2026

A Sany Brasil deu um passo decisivo para consolidar sua operação de caminhões no país ao confirmar a instalação de uma unidade de montagem na região de Campinas (SP), conforme antecipado com exclusividade pela reportagem da Frota&Cia. O local escolhido é a antiga fábrica da Mercedes-Benz no Distrito Industrial, que abrigará as atividades de produção, pós-vendas e estoque da montadora chinesa.

A unidade da Mercedes-Benz em Campinas foi inaugurada em 1979 e tinha como foco inicial a produção de ônibus completos. Em seu auge, chegou a empregar 8 mil trabalhadores. Com o passar dos anos, a planta passou por transformações e, em 2023, a montadora alemã anunciou o encerramento de suas atividades no local, transferindo operações para outras unidades. A fábrica está situada na Avenida Mercedes Benz, 679, no Distrito Industrial de Campinas (SP).
Operação da Sany

A ocupação de um galpão já existente reduz significativamente o investimento inicial e acelera o cronograma de implantação. “Já é um local pronto, bem adequado para isso. A intenção é que, no segundo semestre, a gente tenha já a montagem de caminhões”, antecipou Dieter Lommer, diretor de Vendas e Marketing da Sany Brasil, em entrevista recente à Frota&Cia. A operação inicial será focada na montagem de caminhões rodoviários e máquinas da chamada “linha amarela”, utilizando predominantemente o sistema CKD (Completely Knocked Down), no qual os equipamentos chegam em kits da China para montagem local.

A estratégia da empresa, no entanto, vai além da simples montagem. Lommer ressalta a intenção de buscar o maior índice de nacionalização possível, desenvolvendo componentes localmente para ampliar o portfólio e acessar linhas de crédito como o Finame. O início da produção nacional deverá elevar o quadro de funcionários da Sany Brasil dos atuais pouco mais de 400 para mais de 600 trabalhadores. “É um excelente sinal para o mercado, mostrando que a gente está aqui não só para importar, mas para envolver toda a parte logística, de pessoas e investimentos”, concluiu o executivo.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   30/04/2026

O Ministério do Trabalho e Emprego estima uma saída de R$ 4,5 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a quitação de dívidas por meio do Desenrola 2.0.

Por representar menos de 1% do saldo total do fundo, o chefe da pasta, Luiz Marinho, descartou riscos para o programa Minha Casa, Minha Vida.

“Não tem absolutamente nenhum risco para sustentabilidade, manutenção em relação aos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida, da saúde dos municípios, obras de infraestrutura que o fundo financeira. Acima de tudo, [não apresenta riscos] para os trabalhadores em caso de rescisão”, disse o ministro nesta quarta-feira (29).

A estratégia do governo em usar recursos do FGTS para reduzir o endividamento tem sido criticada por analistas e setores produtivos. Há uma preocupação no setor imobiliário de que o uso do fundo poderia prejudicar o setor de habitação.

Para a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o Desenrola 2.0 pode desvirtuar a finalidade do fundo e impactar o setor habitacional, uma vez que o trabalhador pode usar recursos do FGTS para comprar um imóvel.

O programa deve ser apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), evento na segunda-feira (4).

FERROVIÁRIO

Grandes Construções - SP   30/04/2026

A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados aprovou, na semana passada, a suspensão de parte de uma norma do Poder Executivo que trata do uso de ferrovias por diferentes empresas.

A proposta altera regras sobre o chamado “direito de passagem” e ocorre em meio ao debate sobre ampliação da concorrência no setor ferroviário.

Relator da matéria, o deputado Toninho Wandscheer (PP-PR) recomendou a aprovação de um substitutivo ao Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 141/2019, em vez do texto original. Segundo ele, a revogação total do decreto em vigor poderia gerar insegurança jurídica.

“A suspensão integral do decreto criaria um vazio normativo sobre o tema”, afirmou o parlamentar.

De acordo com Wandscheer, esse cenário poderia “dificultar a atuação tanto do poder público quanto das concessionárias e diminuir a esfera de direitos dos usuários e também dos cidadãos que convivem com as ferrovias no perímetro urbano”.

O parecer aprovado busca, portanto, preservar parte das regras existentes ao mesmo tempo em que elimina dispositivos considerados excessivos.

A avaliação na comissão é que o equilíbrio regulatório é necessário para garantir segurança jurídica e estimular investimentos no setor.

Na prática, a medida pode facilitar o compartilhamento da infraestrutura ferroviária entre empresas, sem comprometer a organização do sistema.

Parlamentares favoráveis ao texto argumentam que a mudança tende a melhorar a eficiência logística e ampliar a competitividade.

A proposta ainda será analisada por outras comissões da Câmara antes de seguir para o plenário. Caso seja aprovada em definitivo, o novo texto passa a sustar apenas os trechos considerados problemáticos da norma editada pelo Executivo.

NAVAL

Valor - SP   30/04/2026

Ao menos seis navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, uma fração do movimento normal

Pelo menos seis navios, uma fração do tráfego habitual, cruzaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, mostraram dados de navegação nesta quarta-feira, enquanto Estados Unidos e Irã permanecem em impasse sobre um acordo que permitiria reabrir essa via marítima crucial.

Pagamentos ao governo iraniano ou à Guarda Revolucionária — “direta ou indiretamente” — para garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz não serão autorizados para cidadãos americanos, incluindo instituições financeiras dos EUA, nem para entidades estrangeiras controladas por americanos, afirmou o Tesouro. “Tais pagamentos também criam exposição significativa a sanções para pessoas não-americanas”, acrescentou.

A maioria das embarcações era de transporte de carga seca a granel, e a Reuters não conseguiu determinar se mais de seis navios atravessaram o estreito, mas o fluxo recente tem sido, em média, de cerca de sete embarcações por dia.

Isso representa uma porcentagem ínfima do fluxo normal pela importante rota de acesso ao Golfo Pérsico, que registrava entre 125 e 140 passagens diárias antes do início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, instou o Irã nesta quarta-feira a “agir com inteligência logo” e assinar um acordo, após dias de impasse nas tentativas de encerrar o conflito e após uma reportagem indicar que os EUA estenderiam o bloqueio aos portos iranianos.

“Apesar do cessar-fogo entre EUA e Irã em 8 de abril de 2026, o tráfego comercial permanece limitado, com travessias restritas e incerteza contínua nas rotas”, afirmou o Centro Conjunto de Informação Marítima, liderado pela Marinha dos EUA, em seu relatório mais recente divulgado esta semana.

Autoridades iranianas chegaram a propor a cobrança de uma taxa de pedágio para navios que atravessassem o estreito.

Empresas de navegação que realizarem qualquer pagamento ao Irã pela passagem por Ormuz estarão expostas a sanções, mesmo que não sejam dos EUA, informou o Departamento do Tesouro americano em um comunicado na terça-feira.

Pagamentos ao governo iraniano ou à Guarda Revolucionária — “direta ou indiretamente” — para garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz não serão autorizados para cidadãos americanos, incluindo instituições financeiras dos EUA, nem para entidades estrangeiras controladas por americanos, afirmou o Tesouro. “Tais pagamentos também criam exposição significativa a sanções para pessoas não-americanas”, acrescentou.

Portos e Navios - SP   30/04/2026

As obras de dragagem no Porto de Natal (RN) foram iniciadas na última sexta-feira (24). A previsão é que sejam investidos R$ 60 milhões, do Plano de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), para readequar o canal de acesso e ampliar para 12 metros o calado da bacia de evolução. O objetivo é, além de permitir a atracação de navios de maior porte, aumentar a segurança das operações portuárias.

O diretor-presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Paulo Henrique Macedo, informou que o prazo previsto para o fim do serviço é de 120 dias. Ele explicou que a obra será feita em duas fases, a primeira compreendendo a dragagem de manutenção de quatro milhas náuticas, correspondentes a 7,2 quilômetros, do canal e a segunda, a readequação da bacia de evolução, a área de manobra das embarcações.

Além da dragagem, segundo a Codern, serão feitas intervenções para a melhoria e ampliação da estrutura do porto, incluindo as defensas de proteção dos pilares centrais da Ponte Newton Navarro e as do cais. Além disso, estão previstas a recuperação de armazéns, galpões e do sistema fotovoltaico.

O Estado de S.Paulo - SP   30/04/2026

Os Estados Unidos manterão o bloqueio naval aos portos iranianos por meses, se necessário, disse Donald Trump a executivos da indústria petrolífera, segundo um funcionário da Casa Branca nesta quarta-feira, 29. O presidente realizou uma reunião com líderes do setor na terça-feira, na Casa Branca, informou o Axios.

Na reunião, discutiram “as medidas tomadas pelo presidente para aliviar a situação nos mercados globais de petróleo e aquelas que poderiam ser tomadas para manter o bloqueio atual por meses, se necessário, e minimizar o impacto sobre os consumidores americanos”, disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato, à AFP.

Autoridades americanas disseram ao The Wall Street Journal que o presidente dos EUA, Donald Trump, está cético em relação a uma oferta feita pelo Irã que prevê a reabertura do estreito.

Em entrevista à emissora Fox News, o secretário de Estados dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington exige que Ormuz opere como antes da guerra, quando 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo passavam por essa região.

Mais cedo, o Irã já tinha afirmado que a reabertura do Estreito de Ormuz depende do fim definitivo da guerra com os Estados Unidos e Israel e de garantias de segurança.

Segundo a agência de notícias semi-oficial iraniana Fars News Agency, o vice-ministro da Defesa do Irã, Reza Talaei-Nik, disse que reconhece as preocupações internacionais em relação às restrições impostas por Teerã na via marítima, mas afirmou que elas são uma resposta aos ataques americanos e israelenses.

Talaei-Nik disse que o Irã só permitirá a passagem de navios pelo estreito caso o conflito termine “permanentemente”. “Permitir o trânsito tranquilo de navios comerciais estará na agenda após o fim da guerra, desde que sejam observados protocolos que não coloquem em risco a segurança do Irã”, acrescentou.

As declarações foram feitas durante uma reunião de ministros da Defesa da Organização de Cooperação de Xangai, em Bishkek, no Quirguistão, de acordo com a Fars News Agency.

O fluxo de embarcações em Ormuz está reduzido nos últimos dois meses, não apenas devido às restrições impostas pelo Irã, mas também pelo bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos e por apreensões de navios na região.

A garantia de segurança e estabilidade no estreito no pós-guerra, no entanto, não deve ser gratuita. No mês passado, a Comissão de Segurança do Parlamento do Irã aprovou um plano para impor taxas a navios que atravessem a via marítima.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   30/04/2026

As 30 maiores empresas de exploração e produção do mundo enfrentam quedas de produção de quase 40% entre 2025 e 2040. Esse cenário está impulsionando novos investimentos em exploração de fronteira em águas ultraprofundas, à medida que países buscam diversificação de oferta e segurança energética estratégica, segundo análise divulgada pela Wood Mackenzie. A consultoria diz que o setor de upstream enfrenta um déficit de 300 bilhões de barris de petróleo até 2050. Os campos atualmente em produção devem entregar apenas 700 bilhões de barris dos quase 1 trilhão de barris necessários para atender à demanda acumulada de líquidos até 2050 no cenário-base da Wood Mackenzie, sem novas descobertas ou extensões de campos.

As empresas precisam olhar além da volatilidade de curto prazo e estruturar estratégias para capturar recursos e preencher essa lacuna. A exploração tem papel relevante e apresenta histórico econômico positivo: o setor gerou US$ 120 bilhões em valor entre 2021 e 2025 com Brent a US$ 85 por barril, ou US$ 54 bilhões com Brent a US$ 65 por barril, após descontar US$ 97 bilhões em investimentos exploratórios.

Sonda Valaris Renaissance usada na perfuração de poço no bloco de Bumerangue

As prioridades de segurança de recursos estão redefinindo as estratégias de exploração. Grandes companhias de petróleo estão assumindo participações majoritárias em prospectos de fronteira para garantir recursos mais competitivos, capazes de substituir produção de maior custo. A BP detém 100% de participação na descoberta de óleo, gás e condensado Bumerangue, no Brasil, anunciada em agosto de 2025. A Wood Mackenzie avalia que o desenvolvimento bem-sucedido de Bumerangue pode gerar US$ 5,7 bilhões, elevando a criação de valor da indústria de exploração em 2025 para mais de US$ 10 bilhões.

Sete grandes companhias de petróleo, além de empresas nacionais como Petrobras, PETRONAS e a TPAO da Turquia, possuem capacidade técnica e apetite de risco necessários para operações em águas ultraprofundas, com lâminas d’água superiores a 1.500 metros. Empresas independentes como Murphy, APA Corporation e Woodside vêm ampliando sua atuação em águas profundas.

Os investimentos do setor ficaram em média em US$ 19 bilhões por ano, distribuídos em 633 poços exploratórios entre 2021 e 2025. O valor de US$ 16 bilhões em 2025, referente a 388 poços, representa uma variação pontual. Os aportes permaneceram estáveis apesar da quase duplicação das diárias de sondas, que representam parcela significativa do custo dos poços. Parceiros não operadores, como a QatarEnergy, forneceram capital adicional por meio de joint ventures no Brasil, Namíbia, Chipre e República do Congo.

“O primeiro grupo de grandes poços que monitoramos em 2026 resultou em insucessos — isso faz parte do jogo, e os agentes conhecem os riscos”, disse Andrew Latham, vice-presidente sênior de pesquisa em energia. “Quando a exploração em águas ultraprofundas funciona, descobertas únicas como Bumerangue geram bilhões em valor. Empresas com expertise em águas profundas estão assumindo participações concentradas porque a economia dos projetos funciona com Brent a US$ 65”, acrescentou.

A perfuração em águas ultraprofundas está concentrada em regiões que seguem descobertas recentes de alto valor feitas pela ExxonMobil na Guiana, pela Eni na Costa do Marfim, Indonésia e Chipre, pela BP no Brasil e pela TPAO no Mar Negro. Exploradores de fronteira estão ampliando o escopo para bacias pouco exploradas, incluindo a Foz do Amazonas, no Brasil, e extensões de plays existentes em Angola e Suriname.

A Wood Mackenzie identificou 23 poços de alto impacto para 2026. Esses poços têm potencial para comprovar a viabilidade de bacias de fronteira ou dar continuidade ao sucesso de descobertas gigantes realizadas em 2025. O poço Morpho-1, da Petrobras (com potencial de 800 milhões de barris de óleo equivalente), pode abrir a bacia da Foz do Amazonas, enquanto o poço S-M-1378-1, da Equinor, na Bacia de Santos, pode comprovar a viabilidade de carbonatos microbianos do pré-sal além da descoberta de Bumerangue, da BP.

O Estado de S.Paulo - SP   30/04/2026

Improviso com os combustíveis mostra que o governo não tem plano estrutural para a alta do petróleo

O petróleo Brent atingiu um novo recorde e alcançou o seu maior valor dos últimos quatro anos na madrugada desta quinta-feira, 30: nas negociações nos mercados asiáticos, o tipo, referência do Mar do Norte, atingiu a marca de US$ 126 o barril, um crescimento de 6,8%.

A cotação foi registrada às 4h30 GMT (1h30 em Brasília). No mesmo momento, o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 3%, para US$ 110,09. Na quarta, 29, o preço desta variação já havia registrado um aumento de quase 7%.

Os preços da commodity consolidaram os fortes ganhos de quarta em meio a preocupações de que o acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz possa ser adiado. Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o presidente Donald Trump mencionou a líderes da indústria petrolífera uma possível extensão “por vários meses” do bloqueio que Washington impôs aos portos iranianos.

Ao portal de notícias americano Axios, o republicano afirmou que “o bloqueio é mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sendo sufocados.” Ainda segundo o presidente, ação não terminará até que um acordo, que inclua o programa nuclear, seja alcançado com Teerã.

O cenário preocupa os investidores. O Brent atingiu seu valor mais alto desde meados de 2022, quando a invasão militar russa da Ucrânia provocou uma forte alta nos preços do petróleo e do gás.

Os mercados de ações asiáticos também sofreram, com perdas significativas em Tóquio (-1,2%) e Hong Kong (-1,2%) e ganhos leves em Xangai, Singapura, Wellington e Taipei.

Infomoney - SP   30/04/2026

O desgaste na relação entre Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita está no centro da decisão bombástica de Abu Dhabi de deixar a Opep.

A rivalidade vinha se acumulando há anos, mas foi o efeito colateral da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que abriu espaço para o anúncio desta terça-feira (28), segundo fontes ouvidas pela Bloomberg. Na prática, foi como se o “irmão menor” tivesse decidido que não quer mais viver à sombra do “irmão mais velho”.

Análise: Saída dos Emirados surpreende Opep e ameaça abalar controle sobre petróleo

Agora, o cartel terá que lutar para se manter relevante em um mercado global de petróleo em rápida transformação

E a coisa não para na Opep. Os Emirados também estão repensando sua participação em dois organismos regionais onde Riad tem bastante influência, contam essas mesmas fontes, sob condição de anonimato.
Embora nada esteja batido o martelo, Abu Dhabi estuda “congelar” a sua cadeira na Liga Árabe, com sede no Cairo, e tomar atitude parecida em relação à Organização para Cooperação Islâmica, baseada em Jeddah.

No radar também está o futuro dos Emirados dentro do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), bloco de seis países do Golfo. Nesta quarta-feira (29), Abu Dhabi fez questão de dizer que continua comprometido com o grupo. Mas o assessor diplomático do presidente dos Emirados, Anwar Gargash, já havia dito no começo da semana que o CCG vive “o momento mais fraco da história”.

Um funcionário emiradense afirmou que o país está revisando o quanto faz sentido seguir ativo em vários organismos multilaterais, mas que, por enquanto, não está discutindo saídas formais.

É verdade que nenhuma dessas três organizações tem “poder duro” — não mandam tropas, não impõem sanções sozinhas. Mas qualquer rompimento deixaria bem visível o tamanho da frustração dos Emirados com outros países árabes, especialmente com a vizinha Arábia Saudita, diante do que veem como pouca solidariedade num cenário de desafios militares e econômicos desde o início da guerra de Israel contra o Hamas, em 2023.

Oficialmente, a saída da Opep foi vendida como uma decisão econômica, olhando a frente para as necessidades de produção do país. Os Emirados conseguem produzir bem mais do que permite a cota atual do cartel e não queriam mais ter de “pedir benção” aos sauditas para usar essa capacidade adicional, segundo uma fonte a par das conversas em Abu Dhabi. Além disso, com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta global está tão apertada que ninguém no governo acredita em queda relevante dos preços no curto prazo.

Outro ponto: em Abu Dhabi, a leitura é que a demanda global por petróleo deve começar a cair por causa da transição energética antes do que Riad imagina. A lógica é simples — se o fim do ciclo está mais perto, melhor monetizar as reservas o quanto antes.

Ao mesmo tempo, a decisão foi o recado mais claro até agora de que os Emirados não querem mais esconder suas ambições, nem se limitar ao guarda-chuva político e de segurança da Arábia Saudita — que é a maior economia árabe e se enxerga como liderança natural do mundo muçulmano.

“Estamos construindo um modelo econômico diferente, e isso exige um novo alinhamento político e uma reconfiguração”, resume Nadim Koteich, consultor que assessora diversos órgãos do governo emirático.

O movimento do xeque Mohammed bin Zayed (MBZ) é o ponto alto de uma tensão que se arrasta há anos com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman (MBS).

Os dois países — aliados dos EUA e donos, cada um, de mais de US$ 1 trilhão em ativos de fundos soberanos — vêm se estranhando em crises da Líbia ao Iêmen e ao Sudão, muitas vezes apoiando lados opostos. Em linhas gerais, Riad acusa Abu Dhabi de incentivar grupos separatistas, enquanto os Emirados olham com desconfiança para o apoio saudita a grupos islamistas.

No campo econômico, a competição também está explícita: os sauditas querem transformar Riad em um hub financeiro capaz de competir com Dubai.
Blocos em formação

Apesar do clima pesado, Emirados e Arábia Saudita continuam alinhados em vários temas e devem manter o fluxo de comércio — hoje, dezenas de bilhões de dólares em mercadorias cruzam anualmente a fronteira entre os dois. Um funcionário emirático disse que uma reunião extraordinária do CCG em Jeddah, realizada perto da data do anúncio da saída da Opep — e que contou com o chanceler dos Emirados —, foi um movimento “na direção certa”, sem dar mais detalhes.

A saída dos Emirados da Opep tende a consolidar dois blocos regionais que já vinham se desenhando. De um lado, um eixo liderado pela Arábia Saudita, com Egito, Paquistão e Turquia. De outro, uma configuração que aproxima Emirados, Israel e Índia.

Em Nova Délhi, autoridades interpretaram o movimento como um gesto político de rebeldia, mais do que uma medida puramente econômica, com potencial para enfraquecer a “frente árabe”.

“Os Emirados não querem seguir uma ordem liderada pela Arábia Saudita nem pela Turquia”, diz Dania Thafer, diretora-executiva do Gulf International Forum, think tank com sede em Washington. “O país se vê como uma potência intermediária, um contrapeso aos demais.”

Segundo fontes, os Emirados começaram a desenhar seriamente sua saída da Opep por volta de novembro do ano passado. Mas a situação azedou de vez com o descompasso em relação à resposta aos ataques de mísseis do Irã, no contexto da guerra com EUA e Israel.

Abu Dhabi chegou a considerar participar diretamente de ataques contra o Irã e defendeu, na ONU, o uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz — rota crítica para exportação de petróleo e gás. Os sauditas não embarcaram nessa: preferiram insistir em negociações diplomáticas e conversas discretas de bastidor para encerrar o conflito.
Fator Israel

A aproximação dos Emirados com Israel em cooperação militar e de inteligência também pesa na balança, segundo interlocutores. Muitos países árabes ainda veem Israel como um ator expansionista e desestabilizador na região, e o responsabilizam por pressionar Washington a partir para a guerra com o Irã.

“Há uma rachadura no Golfo”, diz Hasan Alhasan, pesquisador sênior de política para o Oriente Médio no International Institute for Strategic Studies. “Os Emirados não contam com apoio pleno dos demais quando o assunto é enfrentar o Irã.”

Mesmo assim, os Emirados não entraram diretamente na guerra — hoje sob um cessar-fogo frágil —, apesar dos danos causados pelos ataques iranianos à infraestrutura de energia de Abu Dhabi e à imagem do país como porto seguro para turistas e investidores. O Irã disparou mais mísseis e drones contra os Emirados do que contra qualquer outro Estado do Golfo, o que só elevou a irritação por lá.

Em conversa recente com autoridades europeias, MBZ expressou frustração com a resposta coletiva dos vizinhos aos ataques de Teerã, segundo fontes com conhecimento da reunião. Ele apontou as divisões internas do CCG e classificou o bloco como disfuncional. Na mesma conversa, disse que pretende reforçar a cooperação com EUA e Israel.
Hora certa

Para Gargash, o assessor de MBZ, o fracasso da estratégia de “contenção” do Irã adotada pelos países do Golfo, antes da ofensiva militar de EUA e Israel, mostrou que instituições como o CCG “não estão à altura da tarefa”.

O grupo, que reúne Emirados, Arábia Saudita, Omã, Catar, Bahrein e Kuwait, “vive o momento mais fraco da história, considerando o tipo de ataque e a ameaça que representa para todos”, afirmou Gargash, um dia antes do anúncio da saída da Opep.

Do lado econômico, a decisão também dialoga com o fato de os Emirados terem diversificado a economia além do petróleo e operarem hoje com superávits fiscais. Isso dá fôlego para atravessar períodos de preço mais baixo. Já o governo saudita fechou 2023 no vermelho e deve seguir com déficit por alguns anos — a não ser que o fechamento prolongado de Ormuz empurre preços do petróleo ainda mais para cima.

Na visão de Koteich, a conta econômica para sair da Opep “fechava”, e faltava só o “timing político”.

Esse timing veio com a guerra contra o Irã e com o impacto do fechamento de Ormuz sobre a oferta global de energia, que levou o petróleo de novo para patamares acima de US$ 100 o barril.

“Não vai ser algo que mude radicalmente o mercado — a oferta já está apertada”, afirmou o ministro de Energia dos Emirados, Suhail Al Mazrouei, em entrevista sobre a saída da Opep.

Petro Notícias - SP   30/04/2026

A Petrobrás assinou um acordo para adquirir 100% de uma porção do ring-fence do campo de Argonauta (Concessão BC-10), na Bacia de Campos. A área pertence atualmente às empresas Shell, ONGC e Brava. A aquisição envolve a parcela do campo correspondente a 0,86% da Jazida Compartilhada de Jubarte, no pré-sal, vinculada ao Acordo de Individualização da Produção (AIP) em vigor desde 1º de agosto de 2025.

O valor da operação será composto por R$ 700 milhões e US$ 150 milhões, com pagamento dividido em três etapas: R$ 100 milhões no fechamento da operação; R$ 600 milhões em 15 de janeiro de 2027 ou no fechamento, o que ocorrer depois; e US$ 150 milhões dois anos após o fechamento. Os valores poderão sofrer ajustes conforme previsto em contrato.

Com a conclusão da transação, a Petrobrás passará a deter 98,11% de participação na Jazida Compartilhada de Jubarte. A União, representada pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), manterá 1,89%, referente à extensão da jazida em áreas não contratadas.

O fechamento também encerra as negociações entre Petrobrás, Shell, ONGC e Brava relacionadas à equalização e à individualização da produção envolvendo Jubarte e a área do ring-fence objeto da operação, conforme tratativas divulgadas anteriormente.

A companhia informou que a aquisição está alinhada ao seu plano de negócios e deve simplificar a gestão do ativo na Bacia de Campos. A conclusão da operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

A Jazida Compartilhada de Jubarte é operada pela Petrobras de forma integrada à infraestrutura de produção da área conhecida como Parque das Baleias. O Parque das Baleias é um conjunto de campos localizados na porção norte da Bacia de Campos, em lâmina d’água entre aproximadamente 1220 e 1400 metros, cujo principal campo é Jubarte. Os ativos são operados pela Petrobras, por meio das plataformas P-57, P-58, FPSO Cidade de Anchieta e FPSO Maria Quitéria, com produção atual de cerca de 210 mil barris de óleo por dia.

Valor - SP   30/04/2026

Três empresas chinesas já estão pré-qualificadas para as próximas licitações de contratação de plataformas flutuantes de produção (FPSOs) da Petrobras

A indústria naval brasileira aguarda com expectativa a chegada dos investimentos chineses ao setor. O primeiro — e fundamental — passo foi dado pela Petrobras, com o programa de licitação e construção de FPSOs (plataformas flutuantes de produção), um dos pilares de seu plano estratégico para aumento da produção no pré-sal.

Três empresas chinesas — COOEC, gigante na engenharia offshore, Wison New Energies e CNOOC Energy Technology & Services, provedora de serviços de produção offshore da CNOOC, a maior produtora de petróleo e gás offshore da China — estão pré-qualificadas para as próximas licitações de contratação de plataformas, segundo a Petrobras. A exigência de conteúdo local mínimo, que varia entre 20% e 25%, aliada à parceria com os chineses, vai estimular a retomada do setor naval nacional, após a crise desencadeada pela Operação Lava Jato, em 2014, seguida da consequente paralisação das encomendas da Petrobras.

O retorno da estatal ao mercado mudou as peças do tabuleiro. Um dos movimentos mais recentes foi a visita da diretoria da companhia à China, em fevereiro de 2026, para desenvolvimento de fornecedores, parte da estratégia da empresa de ampliar e diversificar a cadeia da indústria naval e offshore no Brasil.

O resultado, conforme a Petrobras informou ao Valor em nota, é o “movimento crescente de aproximação de empresas chinesas, incluindo os novos fornecedores pré-qualificados para o fornecimento e operação de FPSOs”. No texto, a estatal afirma que foi identificado “espaço para que empresas brasileiras executem parcelas de conteúdo local com parceiros chineses, promovendo maior competitividade e geração de empregos”.

O ponto de partida ocorreu no ano passado, durante o Fórum Estratégico para a Indústria Naval Brasil-China, no Rio de Janeiro, quando estaleiros brasileiros e chineses assinaram memorandos de entendimento para desenvolver parcerias tecnológicas e comerciais. Participaram do encontro gigantes chineses do setor (COOEC, CSSC, Cosco e CIMC) e os maiores estaleiros nacionais (EBR, Rio Grande, Mauá, Enseada e Atlântico Sul). De lá para cá, os brasileiros vêm recebendo visitas de executivos chineses, mas, segundo Miro Arantes, CEO do Estaleiro Mauá e vice-presidente do Sinaval (instituição que reúne os estaleiros) ninguém bateu o martelo.

“Não houve parceria até o momento. Fomos procurados recentemente por duas empresas chinesas para discutir acordos, a fim de que eles possam entrar na concorrência dos FPSOs da Petrobras utilizando o Mauá para construir os módulos, já que há exigência de conteúdo local. Há vários modelos, inclusive a terceirização e a subcontratação”, diz Arantes.

O Mauá, em recuperação judicial, não pode participar diretamente da licitação. Os investimentos da Petrobras em plataformas poderão resultar na construção de cascos na China, que serão exportados para o Brasil, onde ocorrerá a construção de módulos nos estaleiros do país. “Isso é interessante para a indústria? Sim, porque dá oportunidade para voltar ao jogo depois de dez anos parados. Os chineses estão conversando com vários estaleiros nacionais”, afirma Arantes.

O novo cenário, de acordo com Carlos Filipe Rizzo, especialista do setor e consultor da RX2 Engenharia, é resultado de mudanças expressivas que combinam a estratégia da Petrobras de fomento a fornecedores e de busca de novas parcerias; a decisão chinesa de participar de projetos via investimentos, e não apenas concedendo financiamento (via dívida), como vinha ocorrendo até então; a aproximação entre os dois países; e o interesse da China, maior importadora de petróleo do mundo, em ampliar sua presença no setor de óleo e gás no Brasil, sobretudo diante da nova configuração geopolítica gerada pela atual política nas relações internacionais dos Estados Unidos.

“Empresas chinesas estão se dispondo a se associarem em consórcios, correndo risco igual, dando garantia e atuando no mercado não mais via dívida. É uma mudança importante. O movimento de vinda dos chineses para o Brasil é concreto”, diz Rizzo. Paralelamente, a Petrobras — a grande contratante — passou a ter postura ativa para cumprir contratos com eficiência, a fim de cumprir 100% de seu plano de negócios. “Há dois anos, cumpria apenas 75%, porque tinha uma postura passiva. Agora não. Está em contato com fornecedores para superar dificuldades, aumentar a disputa e, com isso, melhores preços”, conclui Rizzo.

A opção pela China, que ganhou corpo após a visita do presidente Lula a Pequim no ano passado, tem como base o fato de o país concentrar entre 60% e 70% da produção naval global, segundo Leandro Henrique, chefe de tesouraria da Camorim Serviços Marítimos, empresa que importa certos equipamentos chineses para suas operações. Atualmente, companhias chinesas como a CNOOC e CNPC estão entre as maiores produtoras de petróleo no Brasil. “Os chineses estão de olho no potencial de crescimento do setor naval. O interesse não é só de construir navios, mas também de participar do ecossistema de apoio. Pode ser um ganha-ganha muito forte”, conclui.

Globo Online - RJ   30/04/2026

A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep não terá impacto no curto prazo. No médio prazo, após o fim da guerra no Oriente Médio, o que se pode imaginar é um aumento na produção de petróleo. Expandir a produção era um dos pontos de atrito entre os Emirados Árabes e a Arábia Saudita, maior exportador mundial e quem de fato comanda a Opep. A organização impõe a seus membros um sistema de cotas para manter a cotação do barril, em um sistema de cartel.

Terceiro maior produtor da região, atrás de Arábia Saudita e Iraque, os Emirados Árabes querem e têm capacidade de aumentar a produção atual de três milhões de barris para cinco milhões por dia. Neste momento, está faltando petróleo no mundo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, o que levou inclusive os países da região a reduzirem sua produção pela dificuldade de escoamento. Ao fim da guerra, com a regularização do tráfego por Ormuz, é possível que o impacto seja de redução dos preços, com o aumento da oferta pelos Emirados Árabes.

Os Emirados Árabes não foram o primeiro país a deixar a Opep. Na última década, Indonésia, Catar, Equador e Angola fizeram esse mesmo movimento. Em reportagem do Financial Times, um analista questiona: será esse o começo do fim da Opep? Nem ele tem a resposta. Na verdade, a Opep é mais poderosa no imaginário do que efetivamente é. Criada nos anos 1960, a organização foi responsável pela crise do petróleo em 1973, quando decretou o embargo do óleo e a redução da produção com o objetivo de aumentar os preços, criando um choque econômico mundial. Esse foi o auge do poder da organização, que ainda provocou um segundo choque em 1979, momento em que os países do Oriente Médio concentravam metade da produção global, com capacidade de influenciar drasticamente o patamar de preços do barril.

Dos anos 1970 para cá, outros países começaram a aumentar sua produção de petróleo, justamente após os choques, entre eles Estados Unidos e Brasil. A região ainda é relevante, obviamente — o conflito atual deixou isso claro, afinal pelo Estreito de Ormuz passa 20% do petróleo e do gás produzidos globalmente.

O conflito, aliás, deu ao Irã nova relevância dentro da Opep ao deixar claro seu poder de estrangular a logística da região. Ao ser atacado pelos EUA, o que o Irã fez? Bombardeou outros países, como Emirados Árabes e Arábia Saudita, e fechou a principal via de escoamento da produção da região para o resto do mundo. Enfim, é uma aliança muito frágil, que fica ainda mais enfraquecida com a saída dos Emirados Árabes e a clara busca de maior autonomia pelos países da região.

Recentemente foi criada a Opep+, da qual o Brasil faz parte. Qual a vantagem para o país de estar em um cartel que já se provou muito nocivo para o mundo, pela manipulação do preço, é uma pergunta a se fazer. O que o mundo deveria é buscar alternativas aos combustíveis fósseis, traçar o chamado mapa do caminho para eliminá-los. Isso ainda não está em nossos horizontes, mas foi a pauta brasileira na COP de Belém, que, embora ainda não aprovada, está evoluindo em reuniões como a Conferência de Santa Marta, na Colômbia. A guerra no Irã só vem provar o quanto estávamos certos na COP30.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   30/04/2026

Planejada há quase 20 anos, a ponte terá 12,4 quilômetros de extensão e será a maior ligação sobre lâmina d’água da América Latina; início das obras está previsto para julho

Planejada há quase 20 anos, a ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica vai finalmente sair do papel, com o início das obras previsto para julho. Ela terá 12,4 quilômetros de extensão e será a maior ligação sobre lâmina d’água da América Latina. A construção está a cargo de duas empresas chinesas, a China Railway 20th Bureau Group (CRCC ) e a China Communications Construction Company (CCCC). Pela primeira vez no Brasil, haverá participação da Sinosure, a agência estatal de seguro de crédito à exportação da nação oriental.

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também deverão participar da estruturação do financiamento. É possível que o NDB, o banco dos Brics, também faça aportes para a construção da ponte, cujo projeto está avaliado em R$ 10 bilhões.

O acordo de Parceria Público-Privada (PPP), assinado entre a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica e o governo do Estado da Bahia, ocorreu inicialmente em 2019. Mas a volatilidade do câmbio e custos durante a pandemia, uma solicitação de reequilíbrio financeiro feito pelo consórcio, bem como ajustes no projeto, a pedido da administração estadual, paralisaram o início das obras.

Em junho de 2025, um aditivo contratual foi assinado. O contrato prevê 35 anos de concessão, sendo o primeiro deles apenas para planejamento. Cinco anos serão dedicados à construção, e os outros 29 anos, à operação dos pedágios e manutenção. Qualquer atraso diminui o prazo de gestão da concessionária.

“Queremos ampliar a integração territorial, melhorar a logística, estimular investimentos e abrir um novo eixo de dinamização econômica no Estado”, afirma o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).

Durante as obras, a concessionária diz que serão contratadas sete mil pessoas. Além da ponte, será duplicada uma estrada de 22 quilômetros que corta a ilha e que leva a outra ponte, a do Funil, ligando ao continente pelo sudoeste insular. Estudos de tráfego projetam fluxo inicial de cerca de 28 mil veículos por dia no primeiro ano de operação.

“Com a construção desse novo sistema de mobilidade, cerca de 250 municípios e dez milhões de baianos serão direta ou indiretamente beneficiados”, prevê Lu Guannan, CEO da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica.

Considerando o elevado volume de investimento, o ciclo de implantação e a previsibilidade de geração de caixa, o projeto vai estruturar um modelo de project finance “com recurso limitado”, segundo Guannan. Uma parcela não revelada do investimento será aportada pelos acionistas, e o saldo será amortizado por meio de linhas de financiamento de bancos de desenvolvimento e pelo mercado financeiro.

Os governos estadual e federal aportarão quase 60% (R$ 5,7 bilhões) dos recursos necessários.

“Por ser um projeto estruturante com potencial de desenvolvimento e ganhos ambientais [redução de distâncias e combustível], uma solução será encontrada para sua viabilização, mesmo que com custos adicionais”, analisa José Virgílio Lopes Enei, sócio da área de infraestrutura do escritório Machado Meyer.

“O reequilíbrio contratual é uma forma legítima prevista no direito administrativo brasileiro”, lembra Décio Pio Borges, sócio de fusões e aquisições do escritório Demarest Advogados. “Mas o procedimento deve seguir parâmetros técnicos com atuação dos órgãos de controle.”

“É a maior obra no Brasil desde Itaipu”, explica Daniel Véras Ribeiro, engenheiro civil e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que participou dos estudos técnicos. “Se comparada à Rio-Niterói, podemos dizer que será mais fácil de construir, por conta das novas tecnologias e materiais disponíveis.”

O projeto, no entanto, não é unanimidade. O professor João Pena, do curso de urbanismo da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), considera a ponte “um equívoco”. “Não houve um planejamento prévio adequado. A decisão foi tomada sem consultar a população sobre a melhor alternativa.” Pena também destaca que, junto com a ponte, deve vir uma valorização imobiliária que poderá resultar na expulsão de moradores de menor poder aquisitivo na ilha. O governo do Estado nega não ter feito as oitivas nos locais impactados de forma correta.

Outro acadêmico, Paulo Ormindo de Azevedo, professor aposentado de arquitetura da UFBA, acredita que os chineses deveriam fazer, no Recôncavo, um porto hub ao estilo do que estão fazendo em Chancay, no Peru. “A entrada de 450 metros de largura, que não permite a passagem simultânea de dois navios, marginalizará toda a banda leste da baía, onde estão as maiores atividades econômicas”, diz, defendendo um outro projeto, o da construção de um anel rodoferroviário no entorno da baía de Todos os Santos.

AGRÍCOLA

Terra - SP   30/04/2026

O proprietário da empresa recebe o visitante com um celular equipado com inteligência artificial. Conforme eles se falam, o aparelho vai traduzindo, para o possível cliente, os atributos dos produtos em exposição, divulgados em mandarim. O interessado em conhecer as novidades é um brasileiro, que expressa as dúvidas em português, convertidas de volta para o idioma oficial da China.

Essa é uma cena que ficou característica durante a Agrishow, feira internacional de tecnologia agrícola que está sendo realizada em Ribeirão Preto (SP) até a sexta-feira, 1º. Resultado da crescente participação de empresas da China, de olho em ampliar as relações com o Brasil no segmento agro.

Este é o segundo ano em que os chineses montam um pavilhão na feira dedicado exclusivamente a companhias de tecnologia do país asiático. No ano passado, foram 18 participantes. Na atual edição, são mais de 50.

A organização do grupo é da Rhino Agri, uma espécie de associação que reúne mais de 500 fabricantes da China com o intuito específico de estreitar laços com o mercado brasileiro.

O CEO da plataforma, Neeson Cheng, afirma que a presença chinesa na Agrishow tem dois objetivos principais. O primeiro é mostrar o que têm de melhor para oferecer ao desenvolvimento do campo brasileiro. O segundo é preparar a montagem de um balcão de negócios permanente no Brasil, para facilitar a importação de tecnologia.
'Uma Ali Babá no agro'

"A nossa plataforma é uma espécie de 'Ali Babá' no agro. A feira, para nós, é uma vitrine para que possamos adquirir a confiança dos brasileiros que desejam comprar da China. Buscamos construir qualidade e percebemos que os clientes têm saído satisfeitos. Isso também nos deixa satisfeitos, já que o Brasil é o país do agronegócio", diz Cheng.

Ele explica, ainda, que a maior expectativa das empresas que compõem a Rhino é ajudar a automatizar o setor no Brasil. "Temos diversas máquinas com inteligência artificial, o que pode facilitar muito o trabalho dos agricultores brasileiros".

Jie Zhang, sócio da Nongbo Hechang Electric, empresa que atua em agricultura de precisão, tem visão parecida. Ele é o empresário que, no início dessa reportagem, conversava via celular. Usando o mesmo dispositivo, ele comenta que o Brasil tem uma agricultura muito desenvolvida, mas não dispõe de sensores tão tecnológicos quanto os dos chineses. "Entendemos que o agro brasileiro precisa de nossos produtos. Por isso, estamos aumentando a nossa presença na feira."
Diversificação

Uma das empresas chinesas pioneiras em participações na Agrishow é a XCMG, que participa do evento desde as primeiras edições. Agora em 2026, está lançando uma nova geração de tratores para alta performance rural. Destaque para uma máquina conceito desenvolvida em parceria com a Cummins. Com 80 cv de potência, o produto se posiciona na faixa de tratores de pequeno porte, para operações em terrenos considerados difíceis.

De acordo com Daniel Sasaki, head comercial, a expectativa de negócios na feira é positiva, apesar da cautela adotada pelos produtores para novos investimentos, por causa das pressões na rentabilidade provocadas pela queda do dólar e dos preços das commodities.

Ele evita citar números, mas fala em "um forte crescimento", que deve se estender para o restante do ano. Um dos fatores apontados para justificar o otimismo é o portfólio diversificado. Além do agro, a XCMG atende outros segmentos, como o portuário, o de construção civil e o de mineração.

"Quando um segmento não vai tão bem, diversificar acaba sendo uma vantagem, porque podemos compensar com outro. No caso do agro, sabemos que os agricultores não estão muito contentes. Diante disso, considerando a importância do setor para o segmento de máquinas, temos buscado ser resilientes, criativos, fazer promoções, enfim, provocar o mercado", diz Sasaki.

A LiuGong, que está pelo quarto ano consecutivo na Agrishow, também aposta na diversificação e, ao mesmo tempo, no crescimento do mercado agrícola. A empresa tem ampliado o catálogo de máquinas elétricas como caminho para aumentar a eficiência e a competividade no campo, visando ainda à sustentabilidade ambiental e à redução da dependência de combustíveis fósseis.

Em meio aos lançamentos deste ano, como uma pá carregadeira elétrica, é possível encontrar equipamentos para diversas aplicações no agro, como escavadeiras, motoniveladoras, rolos compactadores e plataformas elevatórias.

"A Agrishow é uma oportunidade para demonstrar, na prática, como nossos equipamentos estão evoluindo para atender às demandas do campo, com foco em produtividade, eficiência e custo operacional. Nosso objetivo é caminhar com o cliente, oferecendo soluções que respondam aos desafios reais das operações", afirma Diego Zolezi, head de Produto & BID da LiuGong Latin America.

Para ampliar a influência no mercado nacional, a proposta da empresa é ir além da venda de equipamentos. A companhia busca manter uma rede de distribuidores, para garantir proximidade dos clientes e agilidade nos serviços. Para Chrystian Garcia, head de Marketing e Desenvolvimento de Rede da LiuGong Latin America, é essa proximidade que garante que as soluções realmente façam diferença na produtividade e nos resultados das operações.
Levantando voo

A DJI Agriculture, empresa de drones que entrou no Brasil em 2019, é participante habitual da Agrishow, mas, no ano passado, decidiu montar estande próprio. Na edição de 2026, recebe os visitantes em estande de 900 metros quadrados, que oferece equipamentos para operações agrícolas e para vigilância.

A representante comercial Raquel Zhang conta que a empresa, que tem cerca de 400 lojas oficiais espalhadas pelo Brasil e já comercializou 20 mil drones no País, pretende aumentar a participação no mercado nacional em 50% ao ano. A aposta ousada está amparada no fato de que, na sua leitura, "a produção agrícola brasileira é muito vasta".

Raquel conta que há dois principais picos de venda. Um deles é na região Norte do Brasil, que responde por 40% dos drones comercializados pela empresa no Brasil. "Lá, eles têm sido muito usados para monitoramento da pecuária. Os preços do boi melhoraram ultimamente e propiciaram o investimento". O segundo são locais com terrenos acidentados. "É a única ferramenta para lugares onde os tratores não conseguem entrar."

A meta de ampliar a fatia de mercado no Brasil está atrelada ao próprio crescimento do uso de drones no campo. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o número desses equipamentos nas áreas agrícolas passou de 3 mil unidades em 2021 para 35 mil no ano passado, um aumento de 1.060%.

CNN Brasil - SP   30/04/2026

O segmento de máquinas e implementos agrícolas apresentou retração nos principais indicadores no primeiro trimestre, segundo dados divulgados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em coletiva na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

“De forma geral, a gente vê um ano que foi desafiador desde o ano passado. [Março] foi um mês de resultado positivo, mas em comparação interanual tem queda”, disse Pedro Estevão, presidente da CSMIA (Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas) da Abimaq.

Em março, a receita líquida total do setor somou R$ 4,78 bilhões, com queda de 15,5% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a retração foi de 16,4%. A receita no mercado interno apresentou recuo de 21,8% na comparação interanual e de 19,9% no trimestre.

O desempenho do segmento de máquinas agrícolas acompanha a redução dos investimentos produtivos observada no início de 2026, especialmente nas atividades agrícolas. No conjunto da indústria de máquinas e equipamentos, o consumo aparente recuou 11,4% no primeiro trimestre, com destaque para a queda nos investimentos no setor agropecuário.

Os dados indicam um cenário de retração no mercado doméstico, combinado com expansão das exportações em alguns segmentos, resultando em comportamento heterogêneo entre os diferentes tipos de equipamentos agrícolas.

Estevão afirmou que as vendas ao usuário final registraram queda entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano. Segundo ele, após um pico de cerca de 5 mil unidades comercializadas em setembro, houve retração no fim do ano, seguida por leve recuperação em março.

De acordo com Estevão, esse movimento “pode indicar uma melhora e mais próxima daquele período do ano passado”, sugerindo uma retomada das vendas. Ele destacou ainda que, apesar de os últimos 12 meses ainda apresentarem redução acumulada, os dados mais recentes show melhor desempenho tanto na comparação mensal quanto na interanual.

No comércio exterior, o comportamento foi distinto. As exportações de máquinas agrícolas cresceram 40,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações recuaram 4,1% .

Na importação de máquinas, por sua vez, houve uma alta de 13,5% em março, apesar de uma queda de 5,9% no acumulado de 2026. A tendência geral do mercado de máquinas, segundo a Abimaq, é de um aumento nas importações e perda de participação de mercado de máquinas brasileiras. O setor do agro tem participação de 4,1% na importação de máquinas.

Em termos de emprego, o setor registrou 116,3 mil trabalhadores em março, uma redução de 2,6% frente ao mesmo mês de 2025, embora com alta de 1,3% no acumulado do ano.

Contexto

O mercado de máquinas agrícolas encerrou 2025 com retração de cerca de 7%, em um contexto de redução na rentabilidade dos produtores rurais. A valorização cambial ao longo do período impactou a receita do setor agropecuário, levando produtores a priorizarem despesas de custeio em detrimento de novos investimentos, pontuou Estevão.

Com taxas de juros elevadas, o acesso ao crédito para aquisição de máquinas ficou mais oneroso. Nesse cenário, parte dos produtores optou por direcionar recursos próprios para a manutenção da produção, adiando a renovação de equipamentos, explicou.

O mercado permanece concentrado em culturas como soja e milho, que representam aproximadamente 60% da demanda por máquinas agrícolas. No início do ano passado, outros segmentos, como café, laranja e cana-de-açúcar, apresentavam maior poder de compra, influenciados também por um ambiente cambial mais favorável naquele momento.

Para 2026, a previsão inicial da Abimaq aponta para uma queda próxima de 8% no mercado de máquinas agrícolas, com possibilidade de revisão. A expectativa do setor é de que o desempenho possa ser reavaliado após a definição do Plano Safra, tradicionalmente anunciada no meio do ano e que pode influenciar o ritmo de investimentos no segundo semestre.

Tratores e colheitadeiras

Os dados de produção e comercialização indicam comportamentos diferentes entre os tipos de máquinas.

No caso dos tratores, as vendas de fábrica cresceram 20,1% em março na comparação anual, mas acumulam queda de 16,3% no ano. As vendas ao usuário final recuaram 8,6% no mesmo período. Já as exportações de tratores avançaram 25,7% no acumulado de 2026.

Para as colheitadeiras, houve uma “diminuição de uma forma mais constante”, segundo a Associação. As vendas de fábrica caíram 50,8% em março na comparação com o mesmo mês de 2025, acumulando queda de 42,7% no ano.

As vendas ao usuário final recuaram 40,2% no período. “As exportações têm um ritmo de melhora, mas dentro de um patamar menor”, e o acumulado do ano registra queda de 4,5%.

Valor - SP   30/04/2026

Ganhos ultrapassam 20% com agricultura de precisão e uso de maquinário automatizado

Do subsolo às prateleiras dos supermercados, a inteligência artificial transforma a cadeia produtiva do agronegócio. Por meio da agricultura de precisão ou do aprimoramento genético de rebanhos, por exemplo, soluções de IA geram aumento de produtividade, otimizam investimentos em maquinário, reduzem custos de insumos e recursos naturais, elevam a qualidade dos produtos e aprimoram os processos de gestão.

“O avanço nesse campo é uma vantagem competitiva vital”, diz José Damico, sócio da SciCrop e conselheiro da Associação Brasileira de IA. Pesquisas da SciCrop, empresa de ending computing focada no setor do agro, apontam, em 2025, economia de 28% no uso de pesticidas após adoção de inteligência artificial, 10% no consumo de água na indústria e 15% na otimização de rotas de tratores.

Os efeitos da IA também foram registrados em estudos coordenados por Oscar Burd, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) no curso de inteligência artificial e novas tecnologias aplicadas à excelência no agronegócio: de 20% a 25% de aumento de produtividade com a agricultura de precisão; entre 18% e 22% de aumento com uso de tratores automatizados e colheitadeiras robóticas; e cerca de 8% de aumento com uso de análise de imagens de câmeras e drones.

Hoje, diz Damico, as empresas têm um ou dois drones sobrevoando os campos, pilotados por humanos por meio de tablets: “No futuro, haverá verdadeiros enxames de drones, que se auto carregarão e se auto guiarão pelas rotas estabelecidas por sistemas inteligentes”, completa.

As soluções mais utilizadas nas operações de campo estão no âmbito da agricultura de precisão, que faz análises de imagens de larga escala, mapeamento de solo e pulverizações localizadas. Essas tecnologias propiciam redução de custos operacionais, economia de insumos e recursos como defensivos, sementes, água, energia elétrica e combustível, e mais qualidade ao produto, sem falar no benefício indireto de agregar sustentabilidade ao negócio.

Na pecuária, câmaras instaladas no pasto podem monitorar o nível de saúde do rebanho, identificando doenças em estágio inicial, o que otimiza as visitas do veterinário e tratamentos. É possível ainda fazer análise de dados de alimentação, genética e manejo para fomentar o crescimento do rebanho e da produção.

O mercado brasileiro está à altura do internacional, em termos de oferta de produtos. A brasileira Jacto tornou-se um case internacional, em 2008, com um veículo agrícola autônomo (VVA). Hoje, tem uma diversificada linha de maquinário de agricultura de precisão, como o pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV e a colhedora Hover 500, lançados este mês na Agrishow.

A John Deere, empresa que investiu aproximadamente R$ 5,7 bilhões no Brasil, nos últimos oito anos, para ampliar a tecnologia de ponta em seus equipamentos, oferece produtos como o sistema See & Spray, que identifica plantas daninhas individualmente e aplica defensivos apenas onde necessário e os Expert Alerts, que fazem a identificação preventiva de falhas no maquinário.

A automação do agronegócio, no entanto, é um investimento alto, que pode desastroso se não houver planejamento e aculturação dentro da empresa. “O primeiro passo é envolver o dono do negócio, o CEO, identificando uma dor específica e começando pequeno, mas com foco”, diz Burd. “A falta de confiança na inovação e o desconhecimento dos produtos são ainda mais complicados na adoção de IA do que a questão financeira”, acrescenta o professor.

A IA diagnostica um problema e recomenda uma ação, mas a tomada de decisão final é do técnico, ressalta Julianne Versiani, gerente de inteligência analítica da Tereos, segundo maior produtor mundial de açúcar. “É muito importante capacitar os profissionais para uma adoção consistente do sistema. Nós chegamos a levar os cientistas de dados ao campo, para sentirem a realidade do dia-a-dia, ao implantar o nosso GeoBot, um co-piloto para manutenção de colheitadeira que dá suporte ao operador de máquina 24 horas”, diz ela.

Outro desafio diz respeito aos dados necessários para compor e alimentar os sistemas inteligentes, que serão tão ou mais inteligentes quanto maior a qualidade dos dados obtidos. “Esses dados geralmente não estão organizados dentro da companhia. Muitas vezes, nem existem. É preciso um trabalho prévio de 3 a 4 meses para preparar a base de dados. E isso custa dinheiro com infraestrutura, pessoal, armazenamento”, explica Damico.

Bases de dados sólidas, integradas e corretas garantem que os modelos atinjam seu potencial máximo, confirma Rafael Rosa, diretor de Tecnologia da SLC Agrícola, para quem essa também é uma das maiores dificuldades na implantação de IA. Na safra 2024/25, a agricultura digital gerou uma economia de R$ 58,2 milhões à empresa com a aplicação localizada de insumos. Rosa destaca ainda a necessidade de atenção à conectividade rural: “É preciso superar limitações de sinal em regiões remotas através de testes contínuos com novas antenas, provedores e expansão do 4G”.

Valor - SP   30/04/2026

Em 2025, importações cresceram 17%, para 11 mil unidades, um recorde; já as vendas totais no mercado interno tiveram queda de 3,6%, para 49,8 mil unidades

Num cenário em que as vendas de máquinas agrícolas produzidas no Brasil têm registrado queda ano após ano, as importações da Índia e da China continuam a crescer em ritmo acelerado, preocupando as fabricantes que atuam no mercado brasileiro.

Em 2025, as importações atingiram um patamar recorde de 11 mil unidades, 17% acima do ano anterior. Da Índia vieram 6 mil unidades, o que fez do país o líder no ranking de modelos estrangeiros, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A China ficou em segundo lugar, com 3,9 mil unidades, e chamou atenção pelo forte crescimento em relação a 2024: a alta foi de 85,7%.

No primeiro trimestre de 2026, a alta nas importações ganhou mais força, conforme os dados da Anfavea. Foram 3,35 mil unidades, alta de 48,4% sobre as 2,26 mil máquinas importadas nos três primeiros meses de 2025. Do total deste ano, 1,7 mil vieram da Índia, 1,5 mil da China e 100 da Itália.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, evita fazer projeções para este ano, mas diz que as perspectivas não são positivas. Ele enxerga a indústria ainda mais pressionada diante do crescimento acelerado de importações comparado ao das exportações. “Tivemos um incremento maior nas importações. São duas mil unidades de déficit entre importação e exportação”, diz.

As exportações do setor cresceram 5,7% entre janeiro e março deste ano. Foram 1,33 mil unidades exportadas, em comparação com as 1,26 mil máquinas exportadas no mesmo período de 2025.

Esse desequilíbrio entre importações e exportações “gera pressão sobre os fabricantes, a cadeia de fornecimento e os investimentos projetados para este ano”, afirma Calvet.

Marcas da China e Índia ganharam espaço na relação de custo-benefício”

— Andrea Serra

Enquanto as importações avançam, as vendas de máquinas fabricadas no Brasil devem voltar a cair pelo quinto ano, segundo a Anfavea. A estimativa é de um recuo de 6,2% nas vendas internas em 2026, para 46,7 mil unidades. No ano passado, foram 49,8 mil máquinas, incluindo as importadas.

Os dados abrangem informações sobre tratores e colheitadeiras e contemplam tanto empresas associadas à entidade, como AGCO e CNH Industrial, quanto não associadas, como a John Deere.

Alguns fatores explicam o avanço das máquinas importadas. Os produtos chineses e indianos têm vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, segundo um estudo do Boston Consulting Group, encomendado pela Anfavea. Com isso, o custo pode ser até 27% menor.

Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea, lembra também que o atual cenário de juros altos tem estimulado os produtores a buscarem alternativas mais acessíveis fora do país. “Marcas da China e Índia ganharam espaço na relação de custo-benefício”.

O aumento das importações também se deveu ao aperto nas linhas de crédito tradicionais, o que faz o mercado olhar para fora em busca de opções, diz Serra. Para ela, o acesso ao crédito para a aquisição de máquinas continua sendo o fator decisivo. “Nacionalizar compras para licitações públicas seria uma forma de amenizar esse crescimento”.

Para Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o avanço das importações tem duas causas principais.

A primeira é a Lei de Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019), que facilitou a entrada de produtos estrangeiros ao reduzir exigências burocráticas que antes funcionavam como filtro protetor da indústria nacional. E a segunda é o crescimento das chamadas “emendas Pix”, que repassam verbas federais diretamente a Estados e municípios sem vinculação de destino.

“Na licitação pública, não há nenhum dispostivo que dê preferência para produção nacional, o maior critério de decisão são preços. Os produtos importados, principalmente da China têm preços mais competitivos que os nacionais”, diz. Mas há desvantagens, segundo Bastos: não há rede de pós-venda para máquinas importadas e a qualidade é inferior aos produtos nacionais.

Ontem, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou, em evento na Agrishow, que a receita com as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no primeiro trimestre do ano caiu 16,4%, para R$ 12,8 bilhões. Considerando apenas o mês de março, houve alta de 9,4%, para R$ 4,7 bilhões. Os números consideram vendas no mercado interno e exportações.

A associação informou ainda que as importações de máquinas e implementos no trimestre caíram 5,3% em valor. A China continua a maior origem das importações brasileiras, segundo a Abimaq.

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