Valor - SP 29/04/2026
Iniciativas citadas pela companhia incluem o novo centro de reciclagem de sucata ferrosa em Pindamonhangaba, São Paulo
Três dos projetos que estão sendo desenvolvidos pela Gerdau neste momento, quando estiverem plenamente funcionais – ou seja, tiverem concluído seu “ramp up” – contribuirão com R$ 1,5 bilhão por ano no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia. Os cálculos foram detalhados pelo diretor vice-presidente, Rafael Japur, nesta terça-feira (28).
As iniciativas são a expansão da unidade de Midlothian, no Texas (EUA); o novo centro de reciclagem de sucata ferrosa em Pindamonhangaba (SP); e a nova plataforma de mineração sustentável na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG).
“Os três vão ser concluídos ao longo deste ano. Então podemos pensar que, em um ano e meio para a frente, quando estiverem completamente operacionais, deveríamos ver, no seu conjunto, em torno de R$ 1,5 bilhão a mais”, disse Japur a jornalistas, em teleconferência sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre do ano.
Ele afirmou ainda que a Gerdau tinha uma carteira grande de projetos em andamento, que exigiram um desembolso significativo nos últimos três ou quatro anos. “A gente está diminuindo um pouco este patamar; os projetos estão começando a entrar em operação e gerar resultado”, completou.
Infomoney - SP 29/04/2026
A virada de fevereiro para março deste ano enterrou o cenário benigno que vinha embalando os mercados desde o fim de 2025. Em pouco mais de oito semanas, o conflito direto entre Estados Unidos e Irã levou o petróleo a romper a barreira dos US$ 100, derrubou parques de energia no Oriente Médio e empurrou os bancos centrais — incluindo o brasileiro — para um beco sem saída entre inflação mais alta e crescimento mais fraco.
No mesmo período, o mundo viu uma combinação inédita de eventos: disparada histórica dos metais, fluxo recorde para mercados emergentes, a remoção do venezuelano Nicolás Maduro do poder por uma operação americana e uma alta de 18 pregões consecutivos no índice de semicondutores nos Estados Unidos, com algumas ações subindo 150% em apenas 20 dias.
O Brasil, segundo gestores, surfa parte desse movimento pelo chamado efeito halo — quando bolsas emergentes sobem na esteira do otimismo global.
Para discutir o impacto desse caldeirão de fatores, o programa Aftermarket, comandado por Lucas Collazo, transmitiu nesta edição direto de Omaha, nos Estados Unidos, durante a cobertura do encontro anual de acionistas da Berkshire Hathaway (BRK.B), de Warren Buffett. Participaram do bate-papo Andrew Rider, da WHG; Christian Keleti, da Alpha Key; e Felipe Guerra, da Legacy Capital.
Segundo Keleti, da Alpha Key, profissional com quase 30 anos de mercado, poucas vezes houve um conjunto de mudanças tão intenso em tão pouco tempo.
“Se eu chegasse para o (Felipe) Guerra hoje e ele tivesse dormido quatro meses, e falasse: olha, vai ter um rali de metais histórico, fluxo para emergentes que nunca vimos, os Estados Unidos entrando de madrugada na casa do Maduro, o petróleo acima de US$ 100 — o que você iria falar?”, provocou.
Cenário virou de “ideal” para inflacionário
Felipe Guerra, da Legacy, respondeu que o ambiente até o início do ano era tão favorável que a gestora chegou a projetar inflação de 3,4% para o Brasil, uma das mais baixas do mercado.
A previsão para os Estados Unidos rodava em torno de 2,2% — bem abaixo do consenso, que trabalhava com 2,7% a 2,8%. “A gente achava o ambiente muito propenso para tomar risco, para estar comprado em ativos de risco”, afirmou.
Tudo mudou no dia 27 de fevereiro. Os ataques iranianos a vizinhos e a destruição de parques de energia na região tornaram impossível ignorar o choque.
Segundo Guerra, o quadro virou da água para o vinho: saiu de “mais crescimento e menos inflação” para “mais inflação e menos crescimento” — uma combinação muito mais hostil para ações e títulos de risco.
A reação dos mercados foi caótica. Março trouxe forte realização de lucros nos ativos. Já abril teve uma recuperação em formato de “V” nas bolsas e nas moedas, com exceção da renda fixa e do petróleo, que seguiram pressionados.
“Acho que vai ser uma mudança radical”, avaliou o gestor da Legacy, ressaltando que o tamanho e a duração do choque do petróleo ainda são uma incógnita.
Money Times - SP 29/04/2026
O Federal Reserve (Fed) deve caminhar nesta quarta-feira (29) para a sua quinta manutenção de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%. Pelo menos esta é a expectativa do mercado, que conversa com os direcionamentos que os dirigentes do banco central norte-americano deram na última ata.
Para a economista Andressa Durão, do ASA, o Fed deve manter os juros inalterados e reforçar os riscos inflacionários no horizonte, especialmente diante do prolongamento do conflito no Oriente Médio.
“Os últimos dados mostraram uma inflação de serviços ainda pressionada, enquanto atividade e mercado de trabalho seguem resilientes”, afirma. Nesse contexto, o balanço de riscos segue assimétrico, reduzindo a probabilidade de cortes no curto prazo.
Na mesma linha, o estrategista da Avenue, William Castro, destaca que a manutenção já está amplamente precificada pelo mercado, sem espaço relevante para surpresas nesta reunião.
“A inflação já se mostrava teimosa e resiliente, e o conflito no Oriente Médio apenas exacerba esse quadro”, diz. Segundo ele, o impacto da alta de energia tende a se espalhar para outros preços, tornando o ambiente ainda mais desafiador para uma eventual flexibilização monetária.
Diante desse cenário, a expectativa é de que o Fed adote uma postura de “esperar para ver”, aguardando maior clareza sobre os efeitos dos choques recentes antes de qualquer mudança de rumo. Ainda assim, Castro pondera que as expectativas de inflação seguem relativamente ancoradas, o que afasta, por ora, a necessidade de novas altas de juros.
Além da decisão, o mercado deve acompanhar de perto a coletiva de Jerome Powell, que pode trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária. Esta será a última sob seu mandato, que encerra oficialmente em 15 de maio.
Em meio à incertezas externas e um cenário inflacionário ainda pressionado, investidores buscam sinais, ainda que sutis, sobre quando o ciclo de cortes poderá, de fato, entrar no radar.
Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a possibilidade de corte só aparece na reunião de 27 de outubro de 2027, com 48,5% de chances de corte, contra 47% de manutenção.
Já faz muito tempo
A última vez que o Fed cortou os juros foi em dezembro de 2025, quando promoveu uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa ao menor nível desde setembro de 2022. À época, a decisão foi motivada pela preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho.
O movimento ocorreu após a retomada da divulgação de indicadores econômicos em novembro, que haviam sido interrompidos durante o maior shutdown da história dos Estados Unidos, com duração de 43 dias. Os dados mostraram uma desaceleração na criação de empregos ao longo do ano, acompanhada de leve alta na taxa de desemprego.
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) destacou que os indicadores recentes eram compatíveis com esse arrefecimento, ao mesmo tempo em que a inflação permanecia “ligeiramente elevada”, em torno de 3%, ainda acima da meta de 2%. Diante desse cenário, o Fed passou a dar mais peso aos riscos no mercado de trabalho, em linha com seu mandato duplo, que busca equilibrar o máximo emprego com a estabilidade de preços.
Exame - SP 29/04/2026
Lucros de empresas chinesas, principalmente no setor de IA e semicondutores, subiram ao maior ritmo do último semestre em março, em uma alta de 15,8%, um aumento de 0,6% em comparação ao período de janeiro e fevereiro.
Nesse primeiro trimestre, lucros gerais das companhias do setor industrial chinês subiram 15,5% em comparação ao primeiro trimestre de 2025, conforme o crescimento econômico acelerou para 5% após atingir a maior baixa de três anos no último trimestre.
O crescimento econômico chinês nesse setor da indústria contribui para sinais mais amplos de recuperação econômica desigual da guerra no Oriente Médio durante o primeiro trimestre entre diferentes tipos de empresas industriais na China.
Enquanto a boa fase afeta empresas de inteligência artificial e de semicondutores, outras partes da indústria chinesa, especialmente empresas focadas em serviços diretos a consumidores, como alimentos, continuam sofrendo devido a quedas nas exportações desse tipo de produto, no varejo e na produção manufatureira como um todo no mês passado.
A economia chinesa viveu, nos últimos anos, um período prolongado em que os lucros dos produtores caíram devido à deflação. Uma recuperação recente dessa área deixou empresas em uma posição difícil, já que, apesar do valor de seus produtos naturalmente ter aumentado, sua capacidade de determinar preços, o que dita sua receita, é limitada por uma demanda baixa e inativa. O lucro de algumas companhias no setor industrial e os problemas de outras sugerem uma recuperação desigual dentro da China dos choques da guerra do Irã na economia global e das tarifas impostas pelos EUA.
Resiliência chinesa: uma “fábrica para fábricas”
Mesmo com tarifas americanas e incertezas globais com o fechamento do estreito de Ormuz, a economia chinesa segue exibindo uma resiliência notável. No fim de 2025, o país surpreendeu todas as expectativas, com um superávit comercial de US$ 1,2 trilhão e um total de US$ 3,8 trilhões em exportações. Apesar de um mês incerto em março, as exportações chinesas continuaram sua sequência recorde, aumentando 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
A resiliência econômica da China se deve ao fato de os EUA, devido às tarifas de Trump, representam um mercado cada vez menos importante para a China. Em 2025, exportações chinesas aos EUA caíram em mais de US$ 100 bilhões, enquanto exportações para outros destinos viram alta, agregando até 300 bilhões de dólares adicionais. Enquanto isso, Pequim se torna uma alternativa valiosa à dependência sobre os EUA para muitos países.
O crescimento e a resiliência se devem a dois fatores, aponta a revista britânica The Economist – primeiro, a China encontrou novos mercados à medida que o comércio com os EUA cai. Segundo, uma mudança no tipo de itens exportados contribui significativamente para os novos lucros.
Por exemplo, Pequim encontrou compradores para seus semicondutores em países como Vietnã, Índia e Tailândia, que, acima de tudo, não cobram tarifas elevadas sobre produtos chineses.
Além disso, a China se torna uma “fábrica para fábricas”, exportando cada vez mais bens intermediários (usados na confecção de outros bens, como produtos químicos na produção de plástico) e bens de capital (como maquinários e ferramentas). Exportações desses bens aumentaram 10,2% em 2025, enquanto as exportações de bens de consumo direto (como roupas baratas e alimentos), um tipo de produto historicamente associado à exportação chinesa, caíram 4,6%.
Essa mudança é alimentada por uma ênfase doméstica na inteligência artificial e em demais produções especializadas na indústria tecnológica, como semicondutores e componentes para celulares.
Além disso, por mais que o Yuan tenha se fortalecido em até 6% em relação ao dólar nos últimos 12 meses, continua sendo uma moeda barata quando ajustada ao comércio internacional. Os problemas deflacionários que causaram dificuldades para as indústrias no país também as tornaram mais competitivas para exportar, o que gera uma abundância de produtos.
O Estado de S.Paulo - SP 29/04/2026
Paira uma ameaça iminente sobre a decisão do Copom desta quarta-feira, 29: a desancoragem das expectativas de inflação. A esmagadora maioria dos analistas aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, para 14,50%, mas o que está em jogo é o que o Banco Central irá sinalizar no comunicado sobre os próximos passos da política monetária. O tom da mensagem será decisivo para interromper ou não a piora recente nas projeções de inflação para 2026 e 2027.
O impacto da guerra no Irã — a disparada no preço do petróleo e de outros insumos importantes, como fertilizantes — contribuiu para o salto nas estimativas para o IPCA deste ano, contaminando, por tabela, as previsões para 2027.
Na semana que antecedeu o início do conflito no Oriente Médio, a pesquisa Focus mostrava uma projeção de 3,91% para a inflação deste ano. Agora, essa estimativa subiu para 4,86%, acima do teto da meta perseguida pelo BC. E essa é a mediana das previsões. Há quem projete inflação acima de 5% em 2026. Para 2027, a expectativa subiu de 3,80% para 4,0%.
Sem falar que a inflação corrente vem surpreendendo para cima, mesmo com os analistas já esperando maior pressão dos preços de combustíveis. O IPCA de março, que subiu 0,88%, superou até a projeção mais pessimista do mercado para o mês (alta de 0,82%).
O IPCA de fevereiro (alta de 0,70%) também veio pior do que o consenso do mercado e perto do teto das projeções (de 0,72%). Ou seja, dois meses de números muito ruins dos índices de preços.
É bom lembrar que, na sua última reunião, em março, o Copom foi criticado por ter sido bastante tímido na sua projeção de inflação para o horizonte relevante da política monetária, o terceiro trimestre de 2027. Esse número foi revisado de 3,2% para apenas 3,3%. Há, agora, uma ansiedade do mercado em relação a uma revisão maior dessa projeção de IPCA. Aliás, a expectativa de inflação do Copom para 2026 também está bem defasada: 3,9%.
Outro ponto de atenção é como será a avaliação do BC sobre a atividade econômica, cujos dados no primeiro trimestre do ano vêm apontando para uma reaceleração – ao contrário da visão do Copom na última reunião.
Assim, não há outra opção a não ser uma mensagem mais dura no comunicado, incluindo a projeção de inflação e a avaliação sobre o ritmo da economia. Isso vai dar pistas sobre o tamanho total do ciclo atual de corte de juros.
O mercado prevê a Selic em 13% ao fim do ano. Mas, a esse nível, as projeções de IPCA seguem acima da meta na pesquisa Focus. Na briga pelas expectativas, quão duro precisará ser o Copom?
Diário do Comércio - MG 29/04/2026
As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, têm mobilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos da medida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6×1.
De um lado, estudos de entidades que representam o empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação.
Por outra perspectiva, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenham um cenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB.
Para a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de um debate puramente técnico, mas político.
“Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta.
Membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesite), Marilane defende que a resistência à redução da jornada, por parte dos empregadores, pode levar a projeções alarmistas.
“Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, acredita.
Previsões
A pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%.
“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afirma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%. Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média.
“Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC.
Custos x benefícios
Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%.
Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança.
“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea.
A exceção seriam as empresas com até nove trabalhadores, que empregam cerca de 25% dos assalariados formais do país. Segundo o Ipea, esses negócios podem precisar de apoio estatal para transição à nova jornada de trabalho.
Um dos autores do estudo do Ipea, Felipe Pateo, afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho.
“Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44 horas semanais”, afirmou.
A Agência Brasil procurou a CNC para comentar as divergências, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Inflação dos preços
Projeções de aumento de preços com o fim da escala 6×1 são destaque nos estudos de entidades patronais como CNC e CNI, que argumentam que o aumento do custo da mão de obra será repassado ao consumidor final.
O economista da CNI, Marcelo Azevedo, pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta.
“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica.
Por sua vez, o economista do Ipea, Felipe Pateo, avalia que o impacto inflacionário será limitado, lembrando que os empresários podem ainda absorver essa diferença com redução de lucros.
“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma Pateo.
Já a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, avalia que não há risco de aumento generalizado de preços.
“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial porque o salário mínimo tem impacto para o conjunto da economia”, compara.
Ela acrescenta que praticamente todos os setores da economia atuam com capacidade ociosa, que permite aumentar a oferta em caso de pressão no lado da demanda.
“Essa ideia de que uma elevação marginal no custo do trabalho pela contratação gera inflação, não se sustenta. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto. E se a empresa compete, ele não vai reajustar preço porque corre o risco de perder cliente para o concorrente”, justifica.
A nota técnica do Ipea sustenta que a redução da jornada terá efeito semelhante a de aumentos do salário mínimo e afirma que as projeções que preveem redução do PIB e do emprego não são respaldadas por estudos que analisam a experiência histórica brasileira.
“Aumentos reais [do salário mínimo], que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego”, diz a nota técnica do Ipea.
Divergências
A divergência entre as pesquisas ocorre porque os levantamentos partem de pressupostos e premissas diferentes para calcular os impactos sobre o PIB e inflação, por exemplo.
O estudo da Unicamp parte da premissa de que a redução da jornada vai incentivar os empregadores a contratar mais. Em contrapartida, o estudo da CNI parte do pressuposto de que a redução do total de horas trabalhadas diminuiria o total do produto final.
O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou à Agência Brasil que os estudos de projeções econômicas simplificam a realidade e precisam definir hipóteses para fazer projeções de impactos da mudança.
“Você pode assumir que vai ter ganho de produtividade, você pode assumir que não vai ter ganho de produtividade. E tudo bem. Isso faz parte dos estudos, desde que bem explicitados que tipo de hipótese você está assumindo. Não à toa você tem visões diferentes e não necessariamente erradas, mesmo que conflitantes”, pondera.
Marilane ressalta que a diferença entre as pesquisas não é resultado de uma manipulação das evidências. A partir dos mesmos dados, pode-se chegar a resultados distintos em razão da perspectiva política, econômica e social que o pesquisador tem do contexto que se analisa.
“É um conflito que chamamos de conflito distributivo. É uma disputa para definir para onde canalizar os lucros, a renda do trabalho, o salário e o consumo. O que está em disputa são os ganhos da produtividade”, completa.
Produtividade
Trabalhador da indústria- Amanda Oliveira/GovBA
O estudo da CNI aponta que a redução da jornada de trabalho vai impactar a competitividade das empresas. Ele avalia como improvável o aumento da produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas.
Ao aumentar a produtividade, uma empresa pode produzir o mesmo com menos tempo de trabalho.
“A gente, infelizmente, e por diversas razões que não são simples de contornar, está com uma produtividade estagnada há muito tempo. Ela é baixa frente aos outros países. Acho difícil apostar numa melhora significativa de produtividade”, explicou à Agência Brasil o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
A economista Marilane Teixeira aponta que, mesmo com uma jornada relativamente extensa como a brasileira, a produtividade se mantém estagnada.
“Portanto, não é a jornada de trabalho que vai resolver o problema da produtividade. Talvez, até reduzindo a jornada de trabalho, você possa melhorar a produtividade porque as pessoas vão estar mais descansadas”, completa.
O técnico do Ipea, Felipe Pateo, afirma que há muitas possibilidades para adequação das empresas frente a redução da jornada, não sendo possível antecipar uma queda no PIB.
“A hora liberada do trabalhador pode gerar também maior produção, maior consumo. Pode fazer com que as outras atividades, no tempo livre, tenham uma dinâmica positiva na economia”, explica.
Evolução histórica
Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988. – Arquivo Agência Brasil
Em 1988, a Constituição brasileira reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Em 2002, economistas da PUC Rio e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram estudo que não identificou efeitos negativos no nível de emprego.
“As mudanças relacionadas à jornada de trabalho em 1988 não aumentaram a probabilidade de o trabalhador afetado perder o emprego e diminuíram a sua probabilidade de sair da força de trabalho no ano seguinte à mudança regulatória”.
O economista da CNI, Marcelo Azevedo, questiona a comparação da redução atual da jornada com a que foi realizada durante a Constituição de 1988, alegando que a economia mudou muito nesses 40 anos.
“A economia era mais fechada, não tinha globalização como tem hoje, não tinha o comércio eletrônico de hoje. Era mais fácil absorver os custos com uma inflação elevadíssima como a daquela época”, rebate Azevedo.
CNN Brasil - SP 29/04/2026
A mineração brasileira passa por uma transformação impulsionada por avanços em tecnologia, engenharia e gestão de riscos. Empresas do setor ampliam investimentos para tornar as operações mais seguras e eficientes, e consolidam seu papel estratégico nas cadeias industriais globais e na transição energética.
Nesse cenário, a Samarco avança na retomada de suas operações. Após uma década do rompimento da barragem de Fundão, a empresa conduz um processo que envolve reconstrução produtiva, incorporação de tecnologias para disposição de rejeito e continuidade das ações de reparação.
Atualmente, a companhia opera com 60% da capacidade produtiva instalada e executa um plano de investimentos para retomar a capacidade total a partir de 2028.
Além da ampliação da produção, a estratégia inclui padrões robustos de engenharia, monitoramento contínuo das estruturas geotécnicas e modernização das operações industriais.
Consolidação da retomada operacional
Para a Samarco, a fase atual marca um novo estágio no processo de retomada iniciado após a paralisação das atividades.
O retorno das operações, iniciado em 2020, foi acompanhado por investimentos em modernização industrial, atualização de equipamentos e reforço nos sistemas de monitoramento e gestão de riscos.
As estruturas da companhia são monitoradas por um Centro de Monitoramento e Inspeção (CMI) que opera 24 horas por dia, sete dias por semana, realizando avaliação técnica permanente.
Outro eixo dessa transformação foi a mudança no modelo de disposição de rejeitos. A empresa passou a adotar sistemas de filtragem e empilhamento a seco para o rejeito arenoso, eliminando a necessidade de barragens de rejeitos.
As mudanças também refletem ajustes na cultura operacional, com maior rigor técnico, reforço de controles e integração entre produção, segurança e gestão socioambiental.
A trajetória da retomada
O avanço até esse estágio ocorreu de forma gradual, seguindo critérios técnicos e regulatórios.
Após cinco anos de paralisação, a Samarco retomou as operações no fim de 2020 com cerca de 26% da capacidade produtiva instalada, marcando o início de um processo de reativação planejado em etapas.
Desde então, a ampliação da atividade tem ocorrido progressivamente, acompanhando a reativação de estruturas industriais e a implantação de novos sistemas operacionais.
Entre as principais iniciativas, estão a reativação de concentradores, a implantação de novas plantas de filtragem e a modernização de unidades de pelotização, etapa que cria pequenas esferas de minério de ferro, matéria-prima utilizada pela indústria siderúrgica na produção de aço.
A Samarco inicia o sexto ano após o início da retomada como a terceira maior exportadora de pelotas de minério de ferro no mercado internacional. Em 2025, a companhia registrou o maior volume produzido desde a retomada das atividades, com mais de 15 milhões de toneladas produzidas no período.
Impacto econômico nas regiões de operação
A reativação das opera também tem reflexos na economia local.
Hoje, a Samarco mantém cerca de 19,9 mil trabalhadores entre empregados diretos e contratados em Minas Gerais e no Espírito Santo, além de uma rede de fornecedores e prestadores de serviço ligados à cadeia produtiva da mineração.
A atividade também contribui para a arrecadação de tributos e para a circulação de renda nos municípios próximos às unidades industriais da companhia.
Em 2025, os tributos gerados pela Samarco e por sua cadeia de suprimentos superaram R$ 2 bilhões, com impacto nas esferas municipal, estadual e federal.
Além da geração de empregos, a companhia ampliou programas de capacitação profissional voltados às comunidades locais e políticas de contratação que priorizam trabalhadores das regiões próximas às operações, além da inclusão de grupos minorizados, como mulheres e pessoas com deficiência.
Investimentos para a próxima etapa
O objetivo da retomada, agora, é atingir 100% da capacidade produtiva instalada, mantendo o padrão de segurança que pautou o processo de retomada.
Para isso, a Samarco prevê investimentos de R$ 13,8 bilhões, o que será o maior ciclo de investimentos de sua história. O plano marca a etapa final da restauração operacional da empresa, combinando ampliação da capacidade produtiva, modernização industrial e novos sistemas de disposição de rejeitos.
Os recursos incluem a reativação de estruturas industriais, a construção de novos sistemas de filtragem de rejeitos e a modernização de unidades operacionais e logísticas nas operações de Germano (MG) e Ubu (ES).
Também estão previstas atualizações em equipamentos, sistemas de controle e estruturas industriais, com adequação às normas regulatórias e aos padrões atuais de segurança da mineração.
A fase final da retomada operacional também deve impulsionar a geração de empregos. A expectativa é de até 12.900 postos de trabalho até 2031, sendo 900 empregados próprios (500 em Minas Gerais e 400 no Espírito Santo) e cerca de 12 mil contratados (8.500 em MG e 3.500 no ES).
Com a conclusão dessa etapa, a produção anual poderá alcançar entre 26 e 27 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro.
Ao mesmo tempo, a empresa mantém como prioridade as ações de reparação relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão.
A meta é consolidar um modelo de operação que combine expansão produtiva, engenharia mais rigorosa, monitoramento permanente de riscos e maior integração com comunidades e meio ambiente.
Diário do Comércio - MG 29/04/2026
Entre janeiro e março deste ano, a produção da Anglo American no Sistema Minas-Rio atingiu 6,4 milhões de toneladas (t) de minério de ferro. Em relação ao mesmo intervalo do ano passado, o volume ficou praticamente estável, com uma leve redução de 1,4%.
De acordo com a companhia, a melhor utilização da planta, impulsionada por maior consistência na alimentação de minério durante a estação chuvosa, sustentou a estabilidade operacional, mesmo com o efeito de um menor teor de ferro no período.
A projeção para 2026 de alcançar entre 24 e 26 milhões de t no complexo localizado em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas Gerais, foi mantida. Em 2025, foram 24,8 milhões de t produzidas pela empresa na unidade.
Globalmente, a mineradora britânica também registrou relativa estabilidade na produção de minério de ferro no primeiro trimestre, com uma pequena retração interanual de 1,5%, totalizando 15,2 milhões de t. Além do Minas-Rio, a Anglo tem as operações de Kumba, na África do Sul, onde o volume diminuiu 1,6%, para 8,8 milhões de t.
No balanço divulgado nesta terça-feira (28), o CEO da Anglo American, Duncan Wanblad, afirmou que a companhia teve um início de ano sólido no segmento, em linha com os planos de mineração. “No minério de ferro premium, Kumba e Minas-Rio apresentaram, mais uma vez, desempenhos operacionais estáveis”, avaliou.
O executivo ainda ressaltou que, embora o conflito no Oriente Médio esteja criando considerável volatilidade no mercado em geral, a cadeia de suprimentos está dando suporte à continuidade dos negócios e a empresa está gerenciando a situação para lidar com possíveis efeitos adversos, incluindo a inflação de custos.
Mineradora reduz volumes de níquel em Goiás
Nas operações de níquel, em Goiás, a Anglo produziu 9,1 mil t nos primeiros três meses de 2026, queda de 7,1% ante o mesmo período do último ano. O resultado, segundo a companhia, reflete as paradas programadas para manutenção em Barro Alto e Codemin.
“No Minas-Rio, seguimos entregando um produto de alta qualidade e, em níquel, esperamos aumentar a produção de forma gradual a partir do segundo trimestre”, destacou a CEO da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, em nota.
Cabe lembrar que, em fevereiro de 2025, a mineradora firmou um acordo relativo ao segmento para a venda dos ativos goianos e de dois projetos para desenvolvimento futuro (no Pará e no Mato Grosso) para a MMG Singapore Resources. Conforme a companhia, a transação segue na etapa de aprovação antitruste da Comissão Europeia.
Fusão com a Teck recebe aprovação regulatória da Coreia do Sul
No primeiro trimestre, a Anglo American também recebeu a aprovação antitruste da Coreia do Sul para a fusão com a Teck Resources. O último marco regulatório pendente, juntamente com outras condições de fechamento usuais, é a aprovação antitruste da China. A transação está prevista para ser concluída entre setembro deste ano e março de 2027.
O negócio foi anunciado em setembro do ano passado. A partir do acordo, o maior M&A do setor mineral em mais de uma década, nascerá a Anglo Teck, empresa citada como líder global em minerais críticos e uma das cinco maiores produtoras mundiais de cobre.
Exame - SP 29/04/2026
A Vale encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,893 bilhão, um crescimento de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado refletiu um ambiente de preços equilibrados dos principais insumos produzidos pela companhia (ferrosos e metais), combinado com avanços operacionais em diversas frentes do portfólio, destaca a empresa.
Com base no câmbio médio do período reportado no balanço, de R$ 5,2591 por dólar, o lucro em moeda brasileira seria de R$ 9,955 bilhões. Assim, ficou abaixo do consenso de mercado, que previa R$ 11,53 bilhões.
A geração operacional medida pelo EBITDA ajustado chegou a US$ 3,83 bilhões, alta de 23% sobre o primeiro trimestre de 2025.
A margem EBITDA Proforma (comparável) ficou em 42%, dois pontos percentuais acima dos 40% registrados um ano antes, sinalizando que a empresa conseguiu expandir rentabilidade mesmo diante da pressão de custos causada pela valorização do real frente ao dólar no período.
Receitas vale no 1º trimestre de 2026
A receita líquida total somou US$ 9,26 bilhões, avanço de 14% na comparação anual. O segmento minério de ferro, que engloba finos e pelotas, respondeu por 74% do total, com receita de US$ 6,88 bilhões, crescimento anual de 8%. O preço médio realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95,8 por tonelada, praticamente estável na comparação trimestral, mas 6% acima do registrado no primeiro trimestre de 2025.
O destaque do trimestre, porém, ficou por conta dos metais básicos. A divisão Vale Base Metals gerou receita de US$ 2,38 bilhões, salto de 37% na comparação anual. O cobre foi o principal motor: o preço médio realizado atingiu US$ 13.143 por tonelada, alta de 48% em relação ao 1T25, impulsionado pela valorização do metal nas bolsas internacionais. O EBITDA da divisão de metais básicos mais do que dobrou, crescendo 116% para US$ 1,197 bilhão.
Custos pressionados pelo câmbio
Os custos totais, excluindo despesas relacionadas a Brumadinho, somaram US$ 6,70 bilhões, crescimento de 12% sobre o primeiro trimestre de 2025. O principal vilão foi a apreciação do real: o câmbio médio do trimestre ficou em R$ 5,26 por dólar, ante R$ 5,85 um ano antes.
Como grande parte dos custos operacionais da Vale é denominada em reais — mão de obra, energia, serviços — a valorização da moeda brasileira encarece a operação quando os resultados são convertidos para dólares.
O custo caixa C1 do minério de ferro, principal métrica de eficiência do setor, subiu 12% para US$ 23,6 por tonelada. A Vale alertou que, mantido o câmbio projetado pelo mercado para 2026 em torno de R$ 5,25 por dólar, o custo anual deve caminhar para o limite superior de sua faixa de guidance.
Dívida sobe com pagamento robusto de dividendos
A dívida líquida expandida, que inclui, além das dívidas financeiras, as provisões relacionadas a Brumadinho e Samarco, encerrou março em US$ 17,8 bilhões, alta de US$ 2,2 bilhões em relação ao fim de dezembro.
A principal razão não foi deterioração operacional, mas sim a distribuição de US$ 2,745 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas durante o trimestre, além de US$ 74 milhões utilizados no programa de recompra de ações, que já totalizou a aquisição de aproximadamente 4,98 milhões de papéis.
A dívida bruta em si permaneceu praticamente estável em US$ 18,8 bilhões, com prazo médio de 8,4 anos e custo médio de 5,5% ao ano após operações de hedge.
Geração de caixa sustenta o ciclo de retorno ao acionista
O fluxo de caixa operacional somou US$ 1,879 bilhão no trimestre, crescimento anual de 13%, beneficiado pelo EBITDA mais robusto e pela queda de 46% nos pagamentos de impostos sobre o lucro, que recuaram de US$ 596 milhões para US$ 321 milhões.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 813 milhões, 61% acima dos US$ 504 milhões gerados no mesmo período do ano anterior.
Qual foi a produção de minério de ferro da Vale no 1º trimestre
A Vale registrou produção de 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro no primeiro trimestre de 2026, volume 3% superior ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi sustentado por recordes operacionais na mina S11D, na Serra dos Carajás, e em Brucutu, em Minas Gerais, além do avanço dos projetos Capanema e VGR1.
As vendas do minério atingiram 68,7 milhões de toneladas, o maior patamar para um primeiro trimestre desde 2018, com preço médio realizado de US$ 95,8 por tonelada. Para o ano completo, a companhia mantém guidance de 335 a 345 milhões de toneladas de minério de ferro.
Na linha de pelotas, a produção chegou a 8,2 milhões de toneladas, alta de 13,7% na comparação anual, impulsionada pelo desempenho das plantas de Tubarão. O guidance para aglomerados — categoria que inclui pelotas e briquetes — é de 30 a 34 milhões de toneladas em 2026.
Qual foi a produção de cobre e níquel da Vale no 1º trimestre
No segmento de metais, a Vale também apresentou crescimento de dois dígitos nos dois principais produtos. A produção de cobre totalizou 102,3 mil toneladas no trimestre, avanço de 12,5% sobre o primeiro trimestre de 2025 e o melhor resultado para o período desde 2017.
O desempenho foi puxado por recordes nas minas de Salobo e Sossego, ambas em Carajás. O preço médio realizado do cobre disparou 47,8% na comparação anual, para US$ 13.143 por tonelada, reflexo da forte valorização do metal nas bolsas internacionais. O guidance da companhia para o cobre em 2026 é de 350 a 380 mil toneladas.
O níquel produziu 49,3 mil toneladas no período, alta de 12,3% e o melhor primeiro trimestre desde 2020. Os destaques ficaram por conta de Onça Puma, no Brasil, e da refinaria de Long Harbour, no Canadá, que registrou recorde histórico de produção para um primeiro trimestre. A Vale projeta entre 175 e 200 mil toneladas do metal para o ano.
Infomoney - SP 29/04/2026
Quando o CEO da Ford, Jim Farley, quis testar a concorrência, ele não olhou para a Tesla, mas para a China. Agora, ele busca formas de a montadora tradicional imitar suas concorrentes chinesas.
Em 2024, Farley passou seis meses dirigindo o Xiaomi SU7, o primeiro veículo elétrico da empresa chinesa de tecnologia Xiaomi, conhecida principalmente por seus smartphones. Ao fim desse período, Farley disse: “Não quero devolvê-lo”.
BYD reage à concorrência e lança híbrido com até 301 km de autonomia no modo elétrico
Em entrevista ao podcast Rapid Response, Farley explicou por que escolheu dirigir um Xiaomi SU7 em vez de um carro de uma empresa americana como a Tesla.
“Não tenho nada contra a Tesla. Eles têm feito um ótimo trabalho, mas, sabe, eles realmente não têm um veículo atualizado”, disse Farley ao apresentador Bob Safian.
A Tesla tem promovido alguns redesenhos e atualizações em seus veículos para enfrentar a crescente concorrência chinesa. A versão 2026 do Tesla Model Y trouxe um exterior com visual futurista e um interior aprimorado, incluindo um painel redesenhado.
Já a versão 2023 do Tesla Model 3 também passou por uma reformulação, com adição de bancos dianteiros ventilados e iluminação ambiente. Alguns críticos argumentam que essas atualizações são incrementais quando comparadas às melhorias feitas por montadoras chinesas.
A Tesla não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Fortune.
Se a Ford quer ser a melhor do mundo, argumentou Farley, a empresa precisa focar na concorrência no exterior — não apenas a Xiaomi, mas também a líder chinesa de veículos elétricos BYD, que o CEO da Ford chamou de “a melhor do setor” quando se trata de custo, cadeia de suprimentos, manufatura e propriedade intelectual.
Os veículos elétricos chineses não são vendidos nos EUA por causa de uma tarifa de 100% imposta pelo presidente Joe Biden e mantida pelo presidente Donald Trump.
Ainda assim, os veículos chineses, especialmente a linha de elétricos de baixo custo da BYD, começaram a ganhar espaço em outros mercados.
Apesar de uma tarifa de até 38,1% imposta pela União Europeia em 2024, a BYD quase triplicou suas vendas na Europa no início do ano, com novos registros saltando para 18.242 em janeiro, contra 6.884 no mesmo mês do ano anterior, segundo o Wall Street Journal.
A BYD foi fundada em 1995 como fabricante de baterias, mas entrou na produção de automóveis em 2003, quando o fundador Wang Chuanfu comprou a estatal em dificuldades Xi’an Qinchuan Automobile.
Depois, a BYD ampliou sua produção de veículos elétricos ao focar no mercado chinês, que rapidamente se tornou o maior do mundo, em parte graças a subsídios governamentais tanto para consumidores quanto para fabricantes.
O país também expandiu a infraestrutura de recarga e estabeleceu padrões rigorosos de eficiência para veículos a combustão.
Em 2022, a BYD tornou-se a primeira montadora do mundo a parar de produzir carros exclusivamente a gasolina, focando em elétricos e híbridos.
Em 2025, a empresa superou a Tesla em receita e tirou a liderança da companhia de Elon Musk como maior fabricante de veículos elétricos do mundo. Ainda assim, a Tesla mantém uma avaliação muito mais alta, de US$ 1,22 trilhão, contra US$ 138 bilhões da BYD.
Farley disse durante a entrevista que quer que a Ford emule a BYD e faça o que os americanos sabem fazer melhor: “Usar a inovação para competir com os melhores do mundo”.
Os veículos elétricos chineses são notavelmente baratos, mas também avançados. Críticos argumentam que cerca de US$ 231 bilhões em subsídios concedidos pelo governo chinês à indústria doméstica de elétricos permitiram que empresas como a BYD vendessem carros abaixo do custo para superar concorrentes.
Ainda assim, até o CEO da Tesla, Elon Musk, admitiu em 2024 que as empresas chinesas são “as montadoras mais competitivas do mundo”.
Farley disse que a Ford deveria se inspirar na BYD e construir carros para atender às necessidades do “próximo ciclo” de consumidores americanos, que querem uma ampla variedade de estilos de carroceria, mas por US$ 30 mil, e não US$ 50 mil.
“Se formos inteligentes, vamos adotar a competitividade de custos da BYD e competir com essa plataforma em partes do mercado em que conhecemos muito bem nossos clientes”, disse ele.
O veículo mais barato da Ford, a picape híbrida Maverick XL, começa em cerca de US$ 28 mil, enquanto o carro mais barato da Tesla, o sedã Tesla Model 3, parte de pouco menos de US$ 37 mil.
Ambos são significativamente mais caros que o hatch elétrico compacto BYD Seagull, que custa cerca de US$ 9.500 — mas apenas na China. No exterior, incluindo América Latina e Europa, ele é vendido por preços mais altos.
A Ford já está se reinventando para competir e registrou um impacto de US$ 19,5 bilhões — um dos maiores já assumidos por uma empresa — em dezembro, ao reformular sua estratégia de veículos elétricos, em parte devido à demanda mais fraca do que o esperado após Donald Trump encerrar o crédito fiscal para elétricos.
Agora, a empresa está focando em híbridos e nos chamados veículos elétricos de autonomia estendida (EREVs), que têm um pequeno motor a combustão usado principalmente como gerador para recarregar a bateria elétrica e ampliar a autonomia. A Ford F-150 Lightning, antes apresentada como o futuro do negócio elétrico da empresa, será adaptada para esse formato.
Mas a empresa não está abandonando totalmente os elétricos. Até 2027, a Ford ainda planeja produzir uma picape elétrica de US$ 30 mil, que será a primeira de uma nova classe de veículos elétricos de baixo custo. Para comparação, a Ford F-150 Lightning atualmente parte de US$ 54.780.
Farley tem sido uma das vozes mais enfáticas ao defender que as montadoras americanas aprendam com as chinesas e já afirmou anteriormente que a empresa vê as fabricantes chinesas — e não a General Motors ou a Toyota — como suas maiores concorrentes.
Por isso, a Ford está mudando sua forma de operar para se inspirar na concorrência chinesa enquanto busca se tornar uma empresa melhor, segundo Farley.
“Esse é o presente que a China nos deu: sermos cautelosos e respeitarmos o avanço deles a ponto de não podermos simplesmente fazer o básico de qualquer jeito”, afirmou.
Valor - SP 29/04/2026
A rival da Tesla é a primeira das grandes montadoras da China a divulgar balanço em meio a forças conflitantes, à concorrência acirrada e ao pessimismo dos consumidores que têm freado as vendas de veículos elétricos na China
O lucro líquido da gigante automotiva chinesa BYD caiu mais pela metade no primeiro trimestre, com o fraco desempenho em seu mercado doméstico ofuscando o forte crescimento no exterior.
A rival da Tesla é a primeira das grandes montadoras da China a divulgar balanço em meio a forças conflitantes, à concorrência acirrada e ao pessimismo dos consumidores que têm freado as vendas de veículos elétricos na China, mas a disparada nos preços de energia devido à guerra no Oriente Médio reacendeu o interesse global.
A BYD, há muito conhecida por sua ampla linha de produtos e preços competitivos, está vendo uma divergência crescente entre seus mercados doméstico e externo, agravada pelo aumento dos preços do petróleo e do gás.
A fabricante chinesa de veículos elétricos informou nesta terça-feira que seu lucro líquido despencou 55% na comparação anual, para 4,08 bilhões de yuans (US$ 598 milhões) nos três meses encerrados em março. A demanda lenta no mercado doméstico também atingiu a receita da companhia, arrastando-a para uma queda de 12%, para 150,2 bilhões de yuans (US$ 22 bilhões).
Os resultados destacam como o mercado de veículos elétricos ferozmente competitivo da China está corroendo a lucratividade até mesmo de líderes do setor, como a BYD.
No exterior, a história foi diferente. A maior fabricante de veículos elétricos do mundo vendeu um total de 700.463 unidades no primeiro trimestre, com as exportações continuando a superar as entregas domésticas.
As exportações dispararam nos três primeiros meses do ano, com a Europa se tornando um campo de batalha fundamental para a BYD e suas rivais. O sucesso da empresa no exterior fornece mais evidências de sua capacidade de transição de uma montadora focada no mercado chinês para uma marca global.
Exame - SP 29/04/2026
A indústria automobilística alemã reconheceu publicamente que sua posição dominante no mercado chinês está enfraquecendo. Durante o Salão do Automóvel de Pequim, a presidente do VDA, associação que representa o lobby automotivo da Alemanha, Hildegard Mueller, afirmou que a concorrência no país atingiu um novo patamar e que as marcas locais terão papel cada vez maior no setor.
"A competição no mercado chinês é a mais intensa do mundo", declarou Mueller durante o Auto China 2026. Segundo ela, o patriotismo do consumidor chinês e a rápida evolução tecnológica das fabricantes locais mudaram estruturalmente o ambiente de negócios para grupos como Mercedes-Benz, BMW e Volkswagen.
O reconhecimento ocorre em um momento simbólico: o Auto China 2026 reuniu 1.451 veículos e 181 estreias mundiais em uma área recorde de 380 mil metros quadrados, consolidando o evento como o maior salão automotivo do mundo.
Marcas chinesas como Geely e NIO apresentaram modelos premium com mais tecnologia e preços inferiores aos praticados por rivais alemãs tradicionais, especialmente no segmento de luxo, onde os alemães historicamente concentraram sua força.
Mueller também apontou que o enfraquecimento da economia chinesa, com desemprego elevado e consumidores mais cautelosos, afeta diretamente o segmento de alto padrão. Isso pressiona justamente a faixa de mercado mais importante para Mercedes-Benz e BMW.
Apesar disso, ela afirmou que a China continua oferecendo maior potencial de crescimento do que Europa e Estados Unidos, o que mantém o país como prioridade estratégica para as montadoras alemãs.
Os dados reforçam essa mudança. Segundo a Automobility, as marcas locais já respondiam por cerca de 68% do mercado de veículos de passeio na China no início de 2026, enquanto as remessas de fabricantes alemãs caíram 16,8% entre janeiro e fevereiro.
Executiva trata perda de participação como mudança estrutural
Mueller reconheceu que a forte participação histórica da Alemanha no mercado chinês não pode mais ser usada como parâmetro de sucesso. A leitura do setor é que não se trata de uma oscilação temporária, mas de uma transformação mais profunda na indústria.
Com avanço em software, baterias e velocidade de desenvolvimento, empresas como XPeng e Xiaomi passaram a competir diretamente com marcas tradicionais também no segmento premium, tornando a disputa menos dependente da reputação histórica das montadoras europeias.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/04/2026
Pressionadas pela hipercompetitividade da China, marcas como Renault remodelam desenvolvimento, custos e prazos. Novo Twingo elétrico combina o uso de centros chineses, produção europeia e prazos menores.Montadoras na Europa e em outros polos automotivos no mundo têm buscado, cada vez mais, seguir um modelo de produção chinês. O mais recente lançamento da francesa Renault, o novo Twingo, é um exemplo claro desse movimento.
O automóvel 100% elétrico foi concebido em diferentes continentes, um processo que veio em resposta à hipercompetitividade do setor imposta pela China. É lá que muitas montadoras tradicionais estão desenvolvendo novos modelos com foco em velocidade, custo e tecnologia.
O carro está em produção na Eslovênia e começa a chegar às concessionárias europeias em abril, com preço pouco abaixo de 20 mil euros (cerca de R$ 116 mil). Ainda não há previsão de venda no Brasil.
“A verdadeira concorrência não é China versus Ocidente, mas sistemas rápidos versus sistemas lentos”, afirmou Bill Russo, ex-executivo da Chrysler e analista do setor automotivo.
“Se você quer entender para onde o futuro da indústria automobilística está indo, precisa entender como a China constrói esse tipo de produto”, disse Russo à DW.
Montadoras vão à China
Fabricantes ocidentais e japoneses como Tesla, Volkswagen e GM produzem há muito tempo na China tanto para o mercado doméstico quanto para exportação.
Mais recentemente, muitas ampliaram sua presença para além da manufatura, passando a projetar e desenvolver modelos inteiros no país, na tentativa de se beneficiar da concentração de fornecedores de veículos elétricos, da expertise local e de uma ampla base de consumidores.
Renault e Mercedes inauguraram centros de pesquisa ampliados em Xangai em 2024. A Volkswagen expandiu seu centro de pesquisa e desenvolvimento na província de Anhui em 2025, mesmo ano em que a Toyota transferiu todo o desenvolvimento de novos carros para consumidores da China para dentro do país.
“A China se tornou, como disse um fornecedor, a academia do mundo em termos da indústria automobilística”, afirmou Alexandre Marian, consultor da AlixPartners.
Ainda assim, enquanto competem com rivais chineses no exterior, as montadoras tradicionais enfrentam pressão para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de produtos em todos os mercados — inclusive em seus países de origem.
Os ciclos de desenvolvimento de novos veículos giram em torno de dois anos na China, menos da metade do tempo necessário para as montadoras tradicionais. Segundo Russo e outros especialistas, as empresas chinesas recorrem mais à automação, conduzem etapas em paralelo, são mais coordenadas com fornecedores e mantêm designs mais simples.
Para Russo, os prazos menores são um subproduto da virada da indústria para um foco prioritário em tecnologia.
Atualizando modelos
A Renault deixou de vender sua marca no mercado chinês em 2020. Mas uma visita ao Salão do Automóvel de Xangai, em 2023, convenceu executivos da empresa de que era hora de desenvolver algo dentro da China.
“A questão era entender como acelerar nosso processo de desenvolvimento”, disse Oliver Laik, chefe do segmento de carros compactos de entrada da empresa.
A unidade de desenvolvimento da Renault em Xangai, conhecida como Centro ACDC, permitiu à empresa se aproximar do ecossistema chinês e entender como ele funciona.
O Twingo original estreou em 1992, no Salão do Automóvel de Paris, onde rapidamente ganhou o apelido de “Le Frog” (“O Sapo”) devido à dianteira compacta e aos faróis redondos.
Atualizá-lo como um veículo elétrico inicialmente parecia menos atraente para a Renault, segundo Laik. Carros menores têm margens de lucro mais baixas na Europa devido aos elevados custos fixos, e aumentar o preço poderia empurrar consumidores para veículos usados ou outros modelos.
Mas produzi-lo na China — algo que rapidamente recebeu apoio da cúpula da empresa — reduziria custos e preservaria um preço atrativo na Europa.
Menos participação de fornecedores, mais reuniões
Um ciclo normal de desenvolvimento para um novo Twingo teria levado cerca de 42 meses, estima Laik.
Grande parte desse tempo é dedicada à validação do veículo, um período de testes que se estende por diferentes estações do ano e inclui exposições a diversas altitudes, além de condições severas de direção e corrosão.
Em vez de concentrar uma longa fase de desenvolvimento após a validação, engenheiros do Centro ACDC trabalharam de forma paralela, o que permitiu resolver problemas de maneira pontual.
A Renault também alterou sua relação com fornecedores para um modelo conhecido como “build to plan” (algo como “produção planejada”).
Em vez de pedir contribuições dos fornecedores, a Renault passou a projetar as peças e enviar especificações exatas aos fabricantes, economizando tempo e custos. Em alguns casos, a própria empresa montou componentes de fornecedores, incluindo os bancos.
De volta à França, os designers de produto também trabalharam em um ritmo mais apertado, diz Laik. A equipe fez reuniões mais frequentes, e vice-presidentes da empresa passaram a receber atualizações semanais.
Que lições ficam?
A Renault estima que o uso do seu Centro ACDC na China reduziu os custos em 40% em comparação com um processo de desenvolvimento tradicional.
A empresa planeja produzir mais dois modelos nos próximos meses, um para sua subsidiária Dacia e outro para a parceira Nissan. Também pretende reduzir ainda mais o tempo de desenvolvimento.
Modelos futuros passarão a incorporar peças chinesas, segundo Laik. Até mesmo os faróis dianteiros do Twingo vieram de um fornecedor chinês, uma vez que fornecedores franceses e europeus não conseguiram atender aos requisitos da Renault.
Permanece a dúvida sobre se as montadoras conseguem replicar em seus mercados domésticos o que chamam de “velocidade chinesa”.
Estruturas hierárquicas, IA e software
As montadoras tradicionais ainda podem avançar em outras áreas, acredita Alexandre Marian, incluindo um uso mais eficiente da inteligência artificial e o abandono de estruturas hierárquicas que prolongam os prazos.
Os engenheiros europeus são muito qualificados e tecnicamente avançados, afirma Marian.
“Eles desenvolveram muito conhecimento, muita experiência, e criaram carros realmente bons”, disse Marian à DW. “O ponto é que eles precisam mudar, mas, ao mudar, também precisam se empoderar.”
Para Bill Russo, a importância da adaptação vai além dos veículos elétricos e alcança a direção autônoma e o software.
“Aqui é uma panela de pressão”, afirmou Russo. “Se você não for rápido, vai perder a oportunidade.”
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 29/04/2026
O mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos atingiu R$ 49 bilhões em movimentação anual, consolidando-se como um dos vetores silenciosos de eficiência na economia real.
Os dados fazem parte do 1º Rental Market Report Brasil 2025, apresentado pela Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc).
Desenvolvido pela KPMG da França, o estudo pioneiro indica um setor em expansão estrutural, ainda que pressionado por juros elevados e desaceleração da atividade.
Com esse pano de fundo — crescimento estrutural combinado a desafios conjunturais — o setor se mobiliza para realizar a Analoc Rental Show 2026, que acontece de 6 a 8 de julho, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Realizado pela Analoc em parceria com o Ecossistema LocadoresBR, o evento surge como ponto de convergência para discussão de cenário, estratégias e oportunidades de expansão.
Além do volume financeiro, o levantamento revela a dimensão econômica da atividade: ao todo, o país possui 50 mil empresas de locação, sendo 60% destas voltadas para atender ao setor da construção.
São mais de 200 mil empregos diretos e cerca de R$ 9 bilhões em tributos gerados anualmente.
Na prática, trata-se de um segmento que conecta investimento, produtividade e geração de renda em cadeias estratégicas da economia, como construção civil, infraestrutura, mineração e agronegócio.
Outro ponto destacado pelo relatório é a capilaridade do setor, formado majoritariamente por micro, pequenas e médias empresas distribuídas por todo o território nacional, característica que amplia seu impacto regional e o papel na dinamização de economias locais.
Cerca de 60% das locadoras estão localizadas no Sudeste, 15% no Nordeste, 13% no Sul, 7% no Centro-Oeste, e 5% no Norte do país.
Ainda, de acordo com o estudo, o crescimento do volume faturado pelo setor de locação de equipamentos tem avançado de forma contínua e sustentável, com uma dinâmica de mercado que progride a 11% no período de 2022 até 2027.
Dessa forma, se atingiu R$ 49 bilhões em 2025, a perspectiva é alcançar mais de R$ 52 bilhões em 2026, e chegar a R$ 56 bilhões em 2027.
Mas é preciso destacar que, apesar do avanço, o Brasil ainda está atrás de mercados mais desenvolvidos.
“Nos Estados Unidos e em países da Europa, por exemplo, a locação já responde por uma parcela significativamente maior da utilização de equipamentos, com níveis de penetração elevados e consolidados há décadas”, compara Reynaldo Fraiha, diretor da Analoc Rental Show.
No Brasil, esse movimento acelera, mas ainda em fase de amadurecimento — o que, na prática, representa uma janela de crescimento.
“Existe hoje uma percepção muito clara de que, para o usuário, faz mais sentido alugar do que comprar”, diz ele.
“O custo da propriedade é alto e o capital pode ser mais bem aplicado no próprio negócio”, afirma Fraiha.
Um dos indicadores dessa transição está no destino das vendas de máquinas. Em plataformas aéreas, entre 90% e 95% dos equipamentos já são adquiridos por locadoras.
Na Linha Amarela, esse índice se aproxima de 30%, ainda distante dos padrões internacionais, mas em trajetória ascendente.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/04/2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa zero no mercado europeu assim que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) entrar em vigor, na próxima sexta-feira, 1º de maio. O montante equivale a mais de 80% das importações da União Europeia de bens do Brasil em 2025. Desses produtos, alguns já são livres de alíquotas de importação e outros 2.932 passarão a ter tarifa zero, sendo 93% (2.714) bens industriais.
Entre os 2.932 produtos que possuem tarifas e terão redução imediata, se destacam os seguintes setores: máquinas e equipamentos (21,8%), alimentos (12,5%), produtos de metal (9,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8,9%) e químicos (8,1%).
A União Europeia importou US$ 607,7 milhões do setor de máquinas e equipamentos brasileiro em 2025. Com o acordo, 95,8% desse valor entrará com tarifa zero no mercado europeu imediatamente. Ao todo, 802 produtos do setor não estarão sujeitos a tarifas de importação na União Europeia, incluindo itens como compressores, bombas para combustíveis, lubrificantes ou líquidos de arrefecimento e árvores de transmissão.
No setor de alimentos, serão 468 produtos sem tarifa imediata, incluindo subprodutos como animais não comestíveis, óleo de milho e extratos vegetais. No setor de metalurgia, serão 494 produtos sem alíquota de importação na entrada em vigor do acordo, incluindo ferro-gusa, matéria-prima da siderurgia, obtido pela redução do minério de ferro, chumbo, barras de níquel e óxido de alumínio.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o acordo amplia o acesso preferencial para um dos mercados mais estratégicos do mundo e oferece maior previsibilidade regulatória.
“O acordo representa uma oportunidade para ampliar, de forma significativa, a presença do Brasil no mercado internacional e fortalecer a agenda de competitividade industrial do País”, explica. Hoje, os países com que o Brasil mantém acordos comerciais respondem por 8,9% das importações mundiais. Com a integração Mercosul-União Europeia, esse porcentual poderá chegar a 37,6%.
A CNI lançou três documentos para auxiliar exportadores: o Manual do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia, que detalha os principais compromissos comerciais assumidos e oportunidades previstas, e duas cartilhas: uma sobre compras governamentais e outra sobre as regras de origem que as empresas precisam cumprir para ter direito à redução de tarifas prevista no acordo.
A CNI e suas congêneres no Mercosul – a Câmara de Indústrias do Uruguai (CIU), a União Industrial Argentina (UIA) e a União Industrial Paraguaia (UIP) – vão criar, em parceria com a BusinessEurope, um comitê do setor privado para monitorar e apoiar a implementação do acordo entre os blocos econômicos. A iniciativa vai apoiar as empresas na adaptação ao novo ambiente de negócios e na identificação de oportunidades concretas.
Próximos passos
O acordo segue uma implementação progressiva, com a redução escalonada de tarifas para produtos sensíveis ao longo de prazos que podem chegar a 10 anos na União Europeia e a 15 anos no Brasil, com exceção de veículos elétricos, híbridos e novas tecnologias, que possuem um prazo maior, de até 30 anos.
Na tarde desta terça-feira, 28, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assinou decreto de promulgação do acordo de comércio entre o Mercosul e a UE.
Em outro momento, o governo federal deverá publicar uma portaria para regulamentar como as cotas de importação serão distribuídas entre os países do Mercosul, estabelecendo critérios e os volumes permitidos para cada país membro no âmbito do acordo.
Valor - SP 29/04/2026
Tecnologias visam o beneficiamento mineral com menor consumo de água e de energia, menos intervenção humana e redução de desperdícios
O mercado global de equipamentos de mineração deve ultrapassar US$ 130 bilhões em 2026 e alcançar US$ 208,9 bilhões até 2030, segundo avaliações do setor e dados da multinacional de pesquisas Spherical Insights. “O Brasil é, sem dúvida, um dos protagonistas dessa movimentação”, diz Rodrigo Franceschini, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Parcela significativa dos investimentos globais deve ser direcionada para cá, tanto em novos projetos como na expansão de operações existentes, avalia.
Franceschini diz que as novas máquinas para mineração focam em três pilares: eficiência operacional, segurança e sustentabilidade. “Estamos falando de tecnologias que permitem o beneficiamento mineral com menor consumo de água e de energia e menos intervenção humana, mas com redução de desperdícios e manutenção eficiente”, argumenta.
Na Heli Brasil, divisão de empilhadeiras do grupo brasileiro KMR, máquinas estão ganhando maior capacidade de movimentação de cargas, enquanto versões elétricas prometem economia de combustível e menos ruídos nas minas. Uma das novidades é a Heli CPCD700, lançada em março. A empilhadeira com motor Volvo foi desenvolvida para trabalhar com cargas de até 70 toneladas, explica Kelly Martins Rech, presidente do conselho do KMR, baseado em Itajaí (SC). Inclui um sistema de segurança, com câmeras em 360o e sensores que detectam a aproximação de pessoas. “Ela pode substituir o uso de guindastes, reduzindo os custos das operações”, diz Rech.
Há uma integração crescente dos equipamentos com sistemas de automação”
— Roberto Galinari
Segundo o executivo, mineradoras querem equipamentos com tecnologias de segurança e eficiência operacional. “Entre as características mais procuradas nos modelos estão sensores de carga e câmeras com IA [inteligência artificial]”, diz. Há interesse também por empilhadeiras autônomas que operam com rotas pré-definidas e reconhecimento da posição dos pallets a serem transportados, continua.
Uma mineradora acaba de comprar uma empilhadeira elétrica para até 45 toneladas, destinada à movimentação de contêineres em terminais portuários. “Tem autonomia de mais de oito horas e recarga em até 90 minutos”, afirma Rech. “Em um ano de operação, a economia com combustível pode ultrapassar R$ 180 mil.”
Na opinião de Roberto Galinari, COO da Mason Holdings, dona da Mason Equipment, distribuidora da marca japonesa Komatsu - de escavadeiras, tratores de esteira e motoniveladoras -, as maiores compras estão vindo de minas de ferro no Pará e em Minas Gerais.
“Projetos ligados a minerais críticos, como lítio e níquel, também ganham força”, revela. “São frentes de exploração que combinam alta escala produtiva com novos investimentos, o que exige renovação, modernização e ampliação das frotas de máquinas.”
Uma das atrações do portfólio é o Komatsu HD785-7, um caminhão capaz de operar em minas com aclives acentuados. O modelo foi atualizado com funções de telemetria que medem a “saúde” das peças por meio de informações transmitidas via satélite para a fábrica da Komatsu no Japão. “Dessa forma, é possível realizar intervenções preventivas antes que as falhas ocorram, reduzindo custos de manutenção e o tempo de máquina parada”, afirma Galinari, na área de mineração há mais de 30 anos.
O executivo aponta que as minas desejam alternativas de grande envergadura, como caminhões fora de estrada e escavadeiras, pela necessidade de garantir escala e redução de custo por tonelada. “Há uma integração crescente dos equipamentos com sistemas de automação”, diz. “Máquinas mais ‘conectadas’ permitem o monitoramento do trabalho em tempo real e maior eficiência energética.”
A digitalização dos ativos eleva a produtividade ao reduzir paradas não planejadas, acrescenta. “Também contribui para o corte de custos, especialmente de manutenção e combustível”, afirma. “No viés da segurança, diminui a exposição humana em áreas críticas.”
Para Anderson Fernandes, vice-presidente da divisão internacional da WEG, de soluções elétricas, mecânicas e de automação, a adoção das máquinas nas minas costuma ocorrer por meio de projetos piloto. “Após a comprovação de retorno, o processo de digitalização é ampliado para agregar mais unidades, até atingir toda a frota de ativos essenciais nas plantas”, relata. “Esse movimento envolve a integração de equipamentos com sistemas de manutenção e de TI, além da capacitação das equipes no uso de dados, para tomadas de decisão.”
Um dos contratos mais recentes da WEG envolve o fornecimento de soluções para a Ero Brasil, de minas de cobre e ouro, em Tucumã (PA). “Estamos fornecendo um pacote que inclui eletrocentros que ocupam uma área de aproximadamente mil metros quadrados, com transformadores e sistemas de gestão de energia que compõem a infraestrutura elétrica da planta”, completa.
Infomoney - SP 29/04/2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta terça-feira, 28, que as condições financeiras da indústria da construção pioraram no 1º trimestre de 2026 por conta dos juros altos e do encarecimento das matérias primas. Os dados são da Sondagem Indústria da Construção, divulgada em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O índice que mede a evolução do preço médio de insumos e matérias primas aumentou 6,8 pontos em relação ao último trimestre do ano passado e atingiu 68,4 pontos, mostrando que, para os empresários, esses itens ficaram mais caros.
Arrecadação federal cresce 4,99% em março e bate recorde para o mês
No acumulado de janeiro a março, a arrecadação cresceu 4,58% acima da inflação em comparação com o primeiro trimestre de 2025, a R$ 777,117 bilhões
“A alta dos custos não é novidade. Isso é sentido pelo setor há algum tempo, principalmente por conta da mão de obra. Mas o início da guerra no Oriente Médio, que trouxe aumento nos preços dos combustíveis, agravou a situação”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Já o indicador que mede a facilidade de acesso ao crédito caiu 1,3 ponto entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026, de 39 pontos para 37,7 pontos, mantendo-se distante da linha divisória de 50 pontos. O movimento indica que a obtenção de crédito segue bastante difícil para as empresas da construção, limitando a atividade do setor.
Margens
Segundo o levantamento, as margens de lucro das empresas também pioraram no período. O índice que mede a satisfação dos empresários com o lucro operacional dos próprios negócios caiu 3,8 pontos, passando de 45,1 pontos no 4º trimestre de 2025 para 41,3 pontos no 1º trimestre de 2026.
Com o cenário, o índice que mede a satisfação com as finanças dos próprios negócios caiu 4,5 pontos, atingindo 45 pontos.
Em abril, os índices de expectativas para o número de empregados e para o lançamento de empreendimentos e serviços caíram 0,7 ponto. O primeiro passou para 48,8 pontos, enquanto o segundo foi para 49 pontos. Ambos continuam abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando perspectiva de queda dos postos de trabalho e de novas unidades nos próximos seis meses.
Por outro lado, aumentaram as expectativas de nível de atividade e de compras de matérias primas. A primeira subiu 0,6 ponto, atingindo 51,9 pontos. A segunda cresceu 1,2 ponto, chegando aos 51,5 pontos.
O índice de intenção de investimentos subiu de 42,1 pontos para 43,4 pontos. A melhora de 1,3 ponto, no entanto, não é suficiente para reverter a queda acumulada em fevereiro e março, de 2,5 pontos.
A Sondagem Indústria da Construção ouviu 308 empresas – 117 pequenas, 128 médias e 63 grandes – entre 1º e 13 de abril 2026.
Valor - SP 29/04/2026
Um superpetroleiro japonês pode ter cruzado o Estreito de Ormuz na terça-feira, naquela que seria a primeira vez que uma embarcação pertencente a uma refinaria deixa o Golfo Pérsico desde o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, em 28 de fevereiro deste ano.
O Idemitsu Maru, da Idemitsu Kosan, parece ter passado pelo estreito, de acordo com fontes, incluindo dados de rastreamento de navios da MarineTraffic.
"Este é o resultado de negociações do governo japonês", disse um alto funcionário japonês ao “Nikkei Asia”. "Nenhuma taxa de trânsito foi paga."
O petroleiro partiu da Arábia Saudita com destino à Ásia e acredita-se que esteja navegando em direção ao Japão. A previsão é de que chegue ao seu destino em meados de maio.
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — um ponto de estrangulamento marítimo vital para o petróleo bruto com destino à Ásia — permanece praticamente paralisado enquanto os Estados Unidos e o Irã não encontram um caminho para o fim das hostilidades.
A mídia estatal iraniana informou na terça-feira que o navio Idemitsu Maru atravessou o estreito com a permissão do Irã.
O petroleiro, da classe "VLCC" (Very Large Crude Carrier), tem capacidade estimada para cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto. A Idemitsu Kosan se recusou a comentar sobre a situação da embarcação, alegando preocupações com a segurança.
O Idemitsu Maru é operado pela Idemitsu Tanker, com sede em Tóquio, uma subsidiária da refinaria japonesa. Foi concluído em 2007 e tem 333 metros de comprimento.
A Idemitsu é a segunda maior refinaria de petróleo do Japão. Possui seis refinarias no país e contribui para o fornecimento estável de gasolina, diesel e matérias-primas petroquímicas produzidas a partir de petróleo bruto importado.
Entre as embarcações relacionadas ao Japão, três navios transportadores de gás natural liquefeito (GNL) e gás liquefeito de petróleo (GLP) da Mitsui O.S.K. Lines atravessaram o Estreito de Ormuz desde o início da guerra. É uma empresa de transporte marítimo, não uma refinaria, e seus destinos eram Omã e Índia, e não o Japão.
O Estado de S.Paulo - SP 29/04/2026
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, avaliou que os efeitos da guerra iniciada em 28 de fevereiro não devem desaparecer rapidamente, mesmo que haja esforços imediatos para encerrar o conflito. A executiva destacou que o cenário projetado pela Petrobras aponta para queda nos preços do petróleo e de seus derivados, com o barril em torno de US$ 70 ao final do ano.
“A gente se prepara para o preço baixo. Nossos projetos têm que ser resilientes a preço baixo. Temos que ser capazes de lidar com isso”, afirmou a jornalistas durante evento na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Ao ser questionada sobre a paridade de importação (PPI), a executiva destacou que todos os cenários em termos de preço são construídos pela Petrobras para evitar a volatilidade internacional no ambiente doméstico.
“Se você me perguntar se estamos pressionados pela paridade internacional, nós não estamos pressionados pelo preço”, destacou.
Desde maio de 2023, a Petrobras abandonou o PPI e passou a praticar uma estratégia de comercialização que leva em conta o maior preço que o cliente aceita pagar e o menor preço que a Petrobras aceita receber.
Ajuste na gasolina
Magda afirmou que a eventual aprovação do projeto de lei que permite o uso de receitas extraordinárias com petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis abre margem para reajustes de preços pela Petrobras. Ela pontuou, contudo, que a isenção de tributos como PIS/Cofins pode ser suficiente para evitar um aumento direto nos preços ao consumidor.
A desoneração abre espaço na cadeia para que produtores e importadores possam elevar seus preços sem que esse aumento necessariamente chegue às distribuidoras, o que reduziria a pressão por alta na bomba, observou.
“A gente olha para o preço de paridade internacional, seguimos a tendência do preço internacional, e acreditamos que essa isenção de PIS/Cofins é suficiente para nós em termos de resposta ao nosso investidor, dentre os quais os públicos privados”, afirmou.
Questionada se a medida, na prática, cria margem para reajuste, Chambriard reiterou que a possibilidade de mudanças nos próximos dias depende do entendimento do Congresso Nacional.
“Se o Congresso Nacional assim entender, sim (existe essa possibilidade de reajuste). Senão, nós vamos ter que pensar de uma outra forma. Mas eu acredito que o governo federal está empenhado e os congressistas estão empenhados em entregar valor para a sociedade. Eu acho que está todo mundo na mesma página e esse projeto vai dar certo."
Na semana passada, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar sobre o tema, mas, até o momento, nenhuma decisão foi anunciada.
Entrega em abril e maio
A presidente da Petrobras reafirmou a mensagem de que a estatal não vê necessidade de importar gasolina para cumprir as entregas previstas para abril e maio. Segundo ela, a importação só seria considerada em caráter excepcional, caso algum importador deixe de atender o mercado e o governo federal solicite que a Petrobras assuma essa demanda em meio à tensão no Oriente Médio.
“Nossos compromissos de abastecimento estão plenamente cobertos pela produção nacional”, afirmou.
Ela destacou a importância da política de subvenções adotada pelo governo federal. Como exemplo, citou o diesel subsidiado pelo governo federal, apontando que a medida representou um aumento de 46% no valor por litro para a Petrobras.
“Quando olhamos para a inflação, até hoje, quem mais perdeu foram os próprios Estados Unidos, seguidos pela União Europeia. Quem menos perdeu foi o Brasil. A empresa não perdeu. Então, o nosso investidor está tranquilo porque ele está com o seu valor preservado”.
Chambriard afirmou que os pagamentos da subvenção do diesel já estão sendo feitos. A estatal condicionou a adesão ao programa de subvenção de diesel à publicação e análise dos instrumentos regulatórios pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), relacionados ao preço de referência, necessários para a operacionalização da subvenção econômica.
Ela acrescentou que parte relevante do subsídio retorna rapidamente aos cofres públicos por meio de tributos, participação nos lucros e outros repasses.
‘Equívoco’ em leilão
Magda afirmou que a estatal não está mais promovendo leilões de combustíveis. Segundo ela, o último certame realizado foi o de diesel. Ao comentar o leilão de GLP, a executiva reconheceu que o processo se tornou “confuso” e visto pela própria estatal como um “equívoco”.
“Eu diria que foi um equívoco nosso porque o leilão que nós fizemos de diesel foi anterior à medida provisória de 12 de março. O leilão de GLP já foi um leilão a posteriori da medida provisória. Nós acabamos fazendo um leilão sem considerar uma mudança regulatória”, afirmou.
O leilão realizado pela companhia no dia 31 de março provocou a saída de Claudio Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. A companhia também anunciou a devolução aos clientes dos valores referentes à diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março.
Petro Notícias - SP 29/04/2026
Em time que está ganhando se mexe? Para a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a resposta é sim. O órgão regulador está preparando uma mudança significativa em seu modelo de licitações de blocos exploratórios, que passarão a ser realizadas em parceria com a B3, em São Paulo, a partir de 2027. A ideia central prevê o desenvolvimento de uma nova plataforma digital onde serão realizados todos os lances. Entre as principais mudanças, está o fato de toda a documentação será movimentada digitalmente, eliminando entregas em papel, como ocorre hoje.
A medida pode representar um esvaziamento do Rio de Janeiro no cenário nacional de óleo e gás. Desde 1999, a cidade é sede das licitações da agência — cuja sede também fica no Centro do Rio. A primeira rodada de licitação aconteceu em junho de 1999, em um hotel de luxo na Zona Sul. Desde então, os leilões foram realizados em diferentes espaços, mas sempre no Rio de Janeiro. Não era raro, também, que as sessões fossem realizadas em datas próximas a outros grandes eventos do setor, como a OTC Brasil e a Rio Oil & Gas (hoje ROG.e), o que representava uma comodidade e um ganho logístico para executivos do setor.
Primeira Rodada da ANP aconteceu em junho de 1999, no Rio de Janeiro
Segundo a ANP, no novo modelo, os leilões poderão ocorrer tanto na sede da B3 quanto totalmente online. As mudanças propostas não serão aplicadas nos ciclos da Oferta Permanente previstos para este ano. A proposta de alteração no formato das licitações foi oficialmente apresentada nesta segunda-feira (28), durante um workshop realizado na sede da ANP, para ouvir sugestões e dúvidas do mercado. Para aplicar as alterações propostas, será necessário alterar os editais da Oferta Permanente, que passarão pelas etapas de consulta e audiência públicas.
A ideia de levar as licitações para São Paulo foi proposta pela diretora da ANP Symone Araújo, que reconheceu que o atual modelo adotado pela agência sempre foi muito elogiado e bem visto pelo mercado. “Pode-se dizer que, talvez, [nosso modelo atual] seja um modelo vintage. Mas é um modelo exitoso. E, jogando a modéstia às favas, nossos leilões estão na casa do trilhão. Então, isso significa que sempre conseguimos oferecer aos investidores algo que é caro no sentido do valor, que é segurança e previsibilidade”, reconheceu.
Rio de Janeiro sempre foi a sede dos leilões realizados pela agência
Symone também disse que, apesar de ter proposto a mudança para a B3, não há percepção de qualquer carência ou problema no modelo atual, que classificou como “exitoso”. Ainda assim, a diretora da ANP afirmou que o novo modelo busca aprimorar ainda mais os leilões. “Quando pensamos em fazer essa mudança, era um pouco uma sensação de que as nossas licitações eram muito pouco vistas, porque eram licitações muito herméticas. Muitas vezes, a própria agência não ganhava o necessário protagonismo de demonstrar, de maneira inequívoca, o quanto de investimento a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis é capaz de atrair para o Brasil”, ponderou.
Segundo ela, a escolha pela B3 foi fruto de um longo processo de análises e consultas a diversas empresas. Ela também relatou que ouviu questionamentos de agentes do setor sobre a novidade e reconheceu que a mudança causa certa preocupação, mas pediu que o setor “confie no processo”.
OFERTA PERMANENTE E AMBIENTE “MAIS CONFORTÁVEL”
Último leilão, em 2025, foi realizado na própria sede da ANP
A diretora Symone Araújo afirmou que a proposta busca, na prática, imprimir mais dinamismo ao modelo de Oferta Permanente, adotado a partir de diretriz do Conselho Nacional de Política Energética para a oferta de blocos exploratórios sob regimes de concessão e partilha, além de áreas e campos marginais. Segundo ela, a ANP reconhece as críticas de que o modelo ainda não alcançou o nível de agilidade pretendido. Isso, ainda de acordo com Symone, ocorre devido ao conjunto de etapas necessárias até a realização de uma sessão pública, incluindo uma série de procedimentos burocráticos que precisam ser cumpridos ao longo do processo.
“Então, quando fomos conversar sobre as várias oportunidades, a percepção foi de que poderíamos aprimorar o nosso core business, que é enxergar as oportunidades, definir quais blocos ofertar em cada momento e estruturar licitações mais direcionadas — seja para terra, de forma regionalizada, voltadas a novas fronteiras ou ao gás, e, futuramente, para áreas de captura de carbono e de hidrogênio natural —, deixando a condução do processo licitatório para quem é especializado nisso, de modo a torná-lo mais eficiente”, declarou.
A diretora reforçou que o “coração” das licitações continuará sendo conduzido pela ANP, enquanto à B3 caberá fornecer a infraestrutura necessária à agência e às empresas licitantes. “As informações confidenciais e as informações próprias das estratégias que os agentes utilizam em nossas rodadas continuarão sob a responsabilidade da ANP”, detalhou.
A diretora acrescentou que caberá à B3 fornecer, em grande medida, a infraestrutura necessária para a realização das licitações, tanto para a agência quanto para os participantes, inclusive em ambientes mais confortáveis. Segundo ela, nos últimos anos houve uma preocupação com a realização das sessões em espaços cada vez menos adequados, o que levou à utilização da própria sede da ANP, em junho do ano passado, no 5º Ciclo da Oferta Permanente. Ainda assim, Symone afirmou que a expectativa é de que o interesse pelos leilões cresça a ponto de superar a capacidade do espaço atual da ANP, o que exigirá a realização dos certames fora da agência.
O Estado de S.Paulo - SP 29/04/2026
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e a aliança Opep+, que também inclui a Rússia, a partir de 1º de maio. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 28, pela agência de notícias oficial do país.
Em nota, a Wam, agência estatal emiradense, afirmou que a decisão “reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução de seu perfil energético”, ressaltando, em especial, a aceleração dos investimentos na produção de energia doméstica.
Segundo o comunicado, o país continuará atuando de forma responsável no mercado global de energia, ajustando sua produção de maneira gradual e alinhada com as dinâmicas de oferta e demanda.
A decisão ocorre em um contexto de crescente tensão dentro do bloco entre Abu Dhabi e Riad, especialmente em relação as políticas de produção de petróleo e também influência econômica na região.
Os Emirados Árabes Unidos vinham demonstrando insatisfação com as restrições impostas pela Opep, enquanto a Arábia Saudita mantém papel dominante na definição das cotas de produção.
Além das divergências dentro da organização, as relações entre os dois países também têm se tornado mais competitivas em frentes econômicas e geopolíticas, incluindo a disputa por investimentos estrangeiros no Oriente Médio. Embora tenham atuado como aliados em coalizões regionais, como na intervenção militar no Iêmen a partir de 2015, a parceria passou a enfrentar atritos e episódios de discordância nos últimos anos.
Valor - SP 29/04/2026
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram saída do cartel em meio à guerra com o Irã e divergências com países do Golfo Pérsico
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira que deixarão, a partir de 1º de maio, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
A Opep e seus aliados, entre eles a Rússia, são conhecidos coletivamente como Opep+. No ano passado, o grupo produziu quase 50% do petróleo do mundo, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE).
Os Emirados Árabes Unidos são o quarto maior produtor da Opep e aderiram ao grupo em 1967.
A seguir, fatos sobre a Opep+ e seu papel nos mercados de energia.
O que são a Opep e a Opep+?
A Opep foi fundada em 1960, em Bagdá, por Iraque, Irã, Kuwait, Venezuela e Arábia Saudita, com o objetivo de coordenar políticas petrolíferas e garantir preços justos e estáveis. Hoje, inclui 12 países, principalmente no Oriente Médio.
O grupo produziu mais da metade do petróleo bruto global de 1970, segundo cálculos da Reuters, antes do surgimento de fontes de oferta fora da Opep, como o Mar do Norte.
Nas décadas seguintes, a participação da Opep ficou entre 30% e 40%, mas o crescimento recorde da produção de rivais como os Estados Unidos reduziu gradualmente essa fatia.
Em 2016, a Opep buscou recuperar influência ao formar uma aliança com 10 países não membros, como a Rússia, batizada de Opep+.
Como resultado, a participação do grupo no mercado de energia aumentou para cerca de 51,5 milhões de barris por dia, ou quase 50% da produção de petróleo global em 2025, segundo a AIE. Em março, um mês após o início da guerra com o Irã, essa fatia caiu para cerca de 44%.
Guerra reduz produção
Antes do início da guerra entre EUA e Irã no final de fevereiro, os Emirados Árabes Unidos produziram 3,3 milhões de barris por dia e tinham capacidade de produzir entre 4,5 e 5 milhões de bpd.
Sua importância na Opep no passado foi ampliada porque, junto com o principal membro, a Arábia Saudita, possuía capacidade ociosa que poderia ser adicionada ao mercado se necessário.
Mas isso se tornou irrelevante diante da disrupção sem precedentes no mercado de petróleo causada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz desde a guerra com o Irã.
A produção de petróleo bruto da Opep+ no Golfo caiu em quase 8 milhões de barris por dia em março em relação a fevereiro, à medida que Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque reduziram a produção, segundo o cartel.
Os cortes foram necessários porque havia limitações na quantidade que os países conseguem exportar, embora tenham alguma capacidade de contornar o Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita, por exemplo, possui um oleoduto de 7 milhões de barris por dia até o Mar Vermelho, enquanto os Emirados Árabes Unidos podem exportar entre 1,5 e 1,8 milhão de barris por dia por meio de um oleoduto até o porto de Fujairah.
Opep e os preços globais de petróleo
A Opep+ afirma que reduz e aumenta a produção de petróleo para equilibrar os mercados. Seus críticos dizem que o grupo manipula preços, o que a Opep nega.
Durante a Guerra Árabe-Israelense de 1973, membros árabes da Opep impuseram um embargo contra os Estados Unidos em retaliação à decisão de reabastecer o exército israelense, bem como outros países que apoiaram Israel. O embargo proibiu exportações de petróleo para essas nações.
O embargo pressionou uma economia dos EUA já fragilizada e dependente de petróleo importado. Os preços dispararam, gerando altos custos de combustível e escassez. O embargo também levou os Estados Unidos e outros países à beira de uma recessão global.
O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou a organização de “explorar o resto do mundo” ao inflar os preços do petróleo. Trump também vinculou o apoio militar dos EUA ao Golfo aos preços do petróleo, dizendo que, enquanto os EUA defendem membros da OPEP, eles “se aproveitam disso impondo preços elevados”.
No entanto, foi Trump quem ajudou a convencer a Opep+ a cortar a produção em 2020 durante a pandemia de covid-19, quando os preços do petróleo despencaram e produtores dos EUA sofreram.
Em 2025, as exportações de petróleo bruto da Opep representaram cerca de 47% das exportações globais marítimas, segundo a Kpler. Em março, essa fatia caiu para 34,7%, mostram os dados da Kpler.
Quais países são membros da Opep?
Os atuais membros da Opep são: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Irã, Argélia, Líbia, Nigéria, Congo, Guiné Equatorial, Gabão e Venezuela. Os Emirados Árabes Unidos disseram que deixarão o grupo em 1º de maio.
Os países não pertencentes à OPEP na aliança global Opep+ incluem Rússia, Azerbaijão, Cazaquistão, Bahrein, Brunei, Malásia, México, Omã, Sudão do Sul, Sudão e Brasil, que aderiu no início de 2025.
Jornal de Brasília - DF 29/04/2026
A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve decisão favorável do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que suspende uma liminar e garante a realização de pregões eletrônicos para a contratação de serviços de manutenção e melhoramentos no trecho do meio da rodovia BR-319, ligando Manaus (AM) a Porto Velho (RO). O investimento estimado para a obra é de R$ 678 milhões.
A liminar, proferida pela 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas em uma Ação Civil Pública, havia determinado a suspensão dos certames licitatórios. A decisão de suspensão foi tomada pela presidente do TRF1, desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, que considerou a medida como grave lesão à ordem pública, à economia, à segurança e à saúde da população amazônica.
A AGU argumentou que a decisão inicial representava ingerência judicial nas atribuições técnicas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o qual classificou as intervenções no trecho da rodovia como não sujeitas a licenciamento ambiental, conforme o artigo 8º, inciso VII, da Lei nº 15.190/2015.
O TRF1 destacou a existência de ‘documentação técnica robusta’ nos autos para embasar a classificação feita pelo DNIT. A corte enfatizou que a lei em questão está em pleno vigor e goza de presunção de constitucionalidade, criticando a decisão de primeira instância por condicionar a aplicação da norma a requisitos não previstos expressamente.
‘Trecho da decisão impugnada operou, na prática, controle difuso de constitucionalidade em primeiro grau de jurisdição e em cognição sumária, sem observar que a inaplicabilidade do licenciamento ordinário para essa categoria de obra traduz opção política legítima do legislador, cujo exame de conveniência é vedado ao Judiciário’, afirma o TRF1.
Além disso, a suspensão das licitações poderia causar prejuízos à administração pública e à população da região. A decisão aponta que a perda da ‘janela hidrológica’, período de estiagem de junho a setembro na Amazônia, inviabilizaria a obra, gerando atrasos na pavimentação do trecho e prejuízos aos cofres públicos. A BR-319 representa a única ligação rodoviária terrestre permanente entre o Amazonas e o restante do território nacional.
Agrolink - RS 29/04/2026
O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com forte expansão e ampliou seu peso na economia nacional, impulsionado pelo aumento da produção, pelo maior volume agregado e pela recuperação dos preços reais ao longo do ano. Os dados são de Carlos Cogo, sócio-diretor de Consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, com base em levantamento do CEPEA em parceria com a CNA.
O PIB do Agronegócio cresceu 12,2% em 2025 e alcançou R$ 3,2 trilhões, consolidando o setor como um dos principais vetores do desempenho econômico do país. Desse total, R$ 2,06 trilhões vieram do ramo agrícola, enquanto a pecuária respondeu por R$ 1,14 trilhão.
Com o avanço, a participação do agronegócio no PIB brasileiro subiu para 25,1%, acima dos 22,9% registrados em 2024. O resultado reflete a combinação entre crescimento consistente da produção agropecuária, aumento de 6,76% no volume agregado e melhora dos preços reais ao longo do período.
Entre os segmentos, o desempenho foi positivo em praticamente todas as frentes. O setor de insumos cresceu 5,37%, puxado por fertilizantes, defensivos e máquinas. O segmento primário avançou 17,06%, com destaque para milho, café e pecuária, reforçando o papel da produção no resultado geral do setor.
A agroindústria teve comportamento misto. A base agrícola recuou 3,33%, enquanto a agroindústria ligada à pecuária registrou alta de 36,54%. Já os agrosserviços cresceram 13,76%, acompanhando o dinamismo observado no campo e a maior movimentação das cadeias produtivas.
Apesar da perda de ritmo em alguns trimestres, associada à queda de preços, o saldo final mostrou protagonismo do agronegócio no crescimento econômico brasileiro em 2025. O setor também encerrou o ano com participação recorde de 49% nas exportações totais do país e respondeu por 28% dos empregos diretos e indiretos gerados pela atividade econômica.
IstoÉ Dinheiro - SP 29/04/2026
A CNH, detentora da marca New Holland, investiu mais de R$ 100 milhões na fábrica de Curitiba (PR) para preparar a produção de uma nova linha de plataformas de alta performance para colheitadeiras de grãos, afirmou o vice-presidente de Marketing da CNH para a América Latina, Eduardo Kerbauy de Freitas Luís, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 28, na 31ª Agrishow, que segue até o dia 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP).
Segundo o executivo, a nova unidade será dedicada à fabricação de plataformas de colheita, com cada modelo desenvolvido para atender de forma específica a um modelo de máquina do portfólio da companhia.
“O investimento foi na ordem de mais de R$ 100 milhões. Estamos falando do investimento feito na fábrica de Curitiba para preparar a produção dessa nova linha de plataformas”, reafirmou.
Sobre o mercado de máquinas agrícolas, Kerbauy comentou que a expectativa da companhia é de estabilidade a uma leve retração nas vendas totais do setor em 2026, com variação entre estabilidade e queda de até 5%.
Sobre as vendas da marca New Holland, ele disse que não abre números e assinalou que essa expectativa diz respeito ao mercado de máquinas agrícolas como um todo, diante do cenário de alto endividamento do produtor rural, juros altos, alta de preços de insumos e queda nos preços dos grãos.
Ele ponderou que a decisão de renovação de máquinas pelo produtor rural depende não apenas da geração de receita, mas principalmente da rentabilidade da atividade e da capacidade de compra do agricultor.
Segundo ele, embora o produtor de grãos tenha mantido boa geração de receita e recordes sucessivos de produção, a perda de rentabilidade tem afetado principalmente o segmento de colheitadeiras de grãos, tornando esse nicho mais sensível nas vendas. Já os tratores de até 100 cavalos seguem com desempenho mais positivo no mercado.
“A perda de rentabilidade está mais acentuada na parte de grãos. Por isso, quando eu falo de colheitadeiras de grãos, ela tem uma dinâmica um pouquinho mais afetada e é um segmento que está sentindo mais nas vendas. Já os tratores de 100 cavalos continuam com uma boa tendência de vendas”, afirmou.
Expectativa de vendas na feira
Questionado sobre o desempenho comercial da Agrishow nos primeiros dias da feira, o executivo evitou antecipar um balanço, dizendo que ainda é cedo para medir o impacto efetivo do evento, especialmente porque muitos pedidos iniciados durante a feira costumam ser concretizados posteriormente. “A nossa expectativa é a de que praticamente se mantenha o nível de vendas. Mas eu prefiro passar uma visão da Agrishow após esse fechamento. Agora é prematuro”, disse.
Kerbauy também comentou a estratégia da New Holland no desenvolvimento de máquinas movidas a biocombustíveis e destacou a aposta inicial da marca no metano como principal alternativa energética. Segundo ele, a escolha foi feita por considerar o combustível como o “denominador comum” global para a evolução dos produtos da empresa, sem descartar avanços futuros para outras fontes energéticas.
“A New Holland escolheu trabalhar primeiro com a parte de metano, pensando que, globalmente, é o denominador comum que nós temos na evolução de produtos. Nada impede de evoluirmos para outras áreas e outros combustíveis”, afirmou.
O executivo ressaltou ainda que setores como pecuária, agricultura em geral e especialmente a cadeia da cana-de-açúcar aparecem como líderes na geração de biogás no Brasil, o que favorece a adoção desse tipo de tecnologia no campo.