Clipping Diário

24 | Abril | 2026

INDA

Portal Siderurgia Brasil - SP   24/04/2026

O Inda – Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço divulgou os números do desempenho do setor de processamento e venda de aços planos de março.

Em março de 2026, o setor de aços planos apresentou desempenho positivo em compras e vendas, mas com retração nas importações.

As vendas avançaram 18,4% sobre fevereiro, alcançando 351,9 mil toneladas, contra um total de 297,2 mil toneladas daquele mês e cresceram 6,1% na comparação anual.

As compras somaram 354,8 mil toneladas, alta de 16,0% frente a fevereiro que havia registrado um total de 306 mil toneladas e 7,3% em relação ao mesmo mês de 2025.

O movimento dos estoques registrou uma posição estável, com leve alta de 0,2%, totalizando 1.138,6 mil toneladas, o que representa giro de 3,2 meses de vendas.

Já as importações recuaram fortemente: queda de 33,0% frente ao mês anterior e de 21,0% em relação a março de 2025, encerrando em 271,4 mil toneladas.

Para abril, a expectativa da rede associada é de retração de 7,5% tanto nas compras quanto nas vendas, sinalizando possível ajuste após o crescimento observado em março.

Segundo Carlos Loureiro, presidente do INDA, neste momento o grande problema está na importação do chamado aço contido, ou seja aquele aço que já vem processado em forma de veículos, de máquinas, de implementos agrícolas e rodoviários, de utensílios domésticos etc. Este aço na verdade está roubando além do mercado de distribuição, toda uma cadeia de industrias e mais diretamente empregos de brasileiros, pois os produtos chegam prontos, desativando por aqui as fábricas nacionais.

Chamamos a atenção para um artigo que apresentaremos em nossa edição da Revista Siderurgia Brasil de abril e que estará no ar em nosso portal no dia 30 de abril, onde apresentaremos um artigo sobre o avanço da China sobre os nossos mercados. Haverá uma análise e uma opinião de quem vive este momento muito de perto.

Reuters - SP   24/04/2026

23 Abr (Reuters) - O setor de distribuição de aços planos ​no Brasil seguiu ​elevando estoques em março, alcançando um volume acumulado pouco mais de três ​meses de ⁠comercialização, ​segundo a associação que ⁠representa a atividade, ​Inda.

Os estoques do setor terminaram março em quase 1,139 ‌milhão de toneladas, um ‌crescimento ​7,6% sobre o mesmo mês de 2025 e apenas ‌0,2% acima do nível de fevereiro, segundo dados do Inda apresentados nesta quinta-feira.

Em março, as vendas do setor subiram 6,1% sobre um ano antes, para 351,9 ‌mil toneladas, e subiram 18,4% ante fevereiro.

Para abril, a expectativa do ​Inda é de queda de 7,5% ‌nas vendas ante março, para 325,5 mil toneladas.

Segundo o presidente-executivo ‌da Inda, Carlos Loureiro, ‌o mercado segue "muito fraco" e o ⁠segmento está sob pressão devido aos grandes volumes de importação e a dificuldade que o setor ​vem enfrentando ​em repassar os recentes aumentos.

"Esperamos que, com a queda na importação que se avizinha nos próximos meses, a condição do mercado melhore um pouco", ⁠acrescentou Loureiro.

(Por Michael Susin em Barcelona; ​edição Igor Sodré)

SIDERURGIA

Money Times - SP   24/04/2026

O Itaú BBA cortou os preços-alvo de CSN (CSNA3), de R$ 9,50 para R$ 7,50, e de CSN Mineração (CMIN3), de R$ 6,50 para R$ 5,50, mantendo a recomendação neutra para ambas as ações. Os novos valores implicam um potencial de valorização de, respectivamente, 12% e 11% em relação ao fechamento anterior (22).

O BBA incorporou uma perspectiva mais positiva para a divisão de aço da CSN, com perspectivas favoráveis para os preços da commodity a partir do terceiro trimestre de 2026 (3T26). No entanto, o banco considera que este não é o principal fator que impulsiona a tese agora.

“Em vez disso, preocupações crescentes com a alavancagem da empresa têm pesado mais sobre o sentimento dos investidores”, avalia o BBA.

Nesse cenário, o banco de investimentos vê uma relação risco-retorno pouco atrativa tanto para a siderúrgica quanto para a mineradora, com a relação entre o valuation da empresa e o Ebitda estimado para 2026, em 5x para a CSN e 5,8x para a CSN Mineradora, níveis considerados justos em relação ao histórico, além de perspectivas de geração negativa de fluxo de caixa livre (FCF).

O BBA aponta ainda que desinvestimentos podem aliviar as preocupações com alavancagem e reduzir o risco da tese de investimento em CSN.

Por volta das 12h19 (horário de Brasília), CSNA3 recuava 1,51% (R$ 6,54) e CMIN3 caía 1,01% (R$ 4,89).

Expectativas para CSNA3 e CMIN3

Em relação à CSN, o banco de investimentos prevê que o Ebitda seja de R$ 11,7 bilhões em 2026, estável na comparação anual, uma vez que as melhorias nas divisões de aço e cimento compensam a deterioração no segmento de mineração.

Segundo o BBA, a combinação de alavancagem financeira ainda elevada e perspectiva de geração negativa de FCF impede uma visão mais otimista para a siderúgica.

Já a CSN Mineração tem Ebitda estimado de R$ 5,3 bilhões em 2026, uma queda real de 18% na comparação com o ano anterior. Isso, explica o BBA, reflete os maiores custos de frete e C1, além do impacto negativo de um real mais forte.

“A empresa mantém uma estrutura de capital saudável, mas esperamos geração negativa de FCF nos próximos anos devido ao alto capex para o projeto P15, afirma o banco.
Alavancagem é um calcanhar de Aquiles

Para o BBA, as preocupações com a alavancagem têm pressionado o desempenho da CSN. No ano, a CMIN3 caiu 7%, enquanto a Vale (VALE3) subiu 20%.

“Consideramos essa diferença amplamente justificada, dado que a CMIN tem maior exposição ao aumento dos fretes e menor exposição à alta nos preços de metais básicos, que têm sustentado revisões positivas de lucro para a Vale”, afirma o banco.

Na avaliação do banco, no entanto, o mesmo não se aplica totalmente à CSN: a CSNA3 caiu 24% no ano, enquanto Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5) subiram 6% e 21%, respectivamente.

“Em nossa visão, essa pior performance está menos ligada a fundamentos operacionais e mais associada à percepção de maior risco de alavancagem, exigindo maior retorno esperado pelos investidores”, explica o BBA.
BB-BI também corta preço de CMIN3

O BB Investimentos também cortou o preço-alvo de CSN Mineração (CMIN3) de R$ 5,50 para R$ 5,40, mas manteve a recomendação de venda para o papel. O novo preço implica um potencial de valorização de cerca de 9% ante o fechamento da véspera (22).

Segundo o BB-BI, a CSN Mineração apresentou melhora operacional sequencial nos últimos trimestres, possibilitada pela combinação de fatores internos, como o forte ritmo de produção e custos competitivos, e externos, como a demanda de mercado aquecida e preços de minério favoráveis.

A expectativa da casa é que a manutenção desse cenário deverá continuar trazendo bons resultados operacionas em 2026.

“Por outro lado, o consumo relevante de caixa da companhia e a elevação da alavancagem no 4T25 – principalmente em função da transação envolvendo a MRS – podem reforçar receios de um aumento ainda maior desse indicador à frente, especialmente diante do volume expressivo de investimentos planejados pela companhia para os próximos anos: R$ 13,2 bilhões de desembolsos entre 2025 e 2030”, pondera o BB-BI.

Como em 2025 os investimentos para expansão somaram apenas R$ 1 bilhão, o ritmo deve acelerar mais forte a partir de 2026, avalia a analista Mary Silva.

Além disso, o BB-BI há outro ponto de atenção: a elevada exposição da companhia à modalidade spot de fretes marítimos.

Isso, explica, porque usualmente essa linha impacta de forma significativa as margens operacionais da CSN Mineração e tem seguido em patamar mais elevado, especialmente do ambiente de tensões geopolíticas e elevados preços de combustíveis.

ECONOMIA

Exame - SP   24/04/2026

Em abril de 2025, o presidente Donald Trump levou um cartaz para um evento no jardim da Casa Branca. Em suas mãos, uma tabela mostrava tarifas para vários países do mundo, que ele prometia que mudariam a economia dos Estados Unidos e o comércio global.

De lá para cá, as tarifas tiveram uma série de idas e vindas e, ao que tudo indica, tanto as cobranças quanto a incerteza devem permanecer ainda por bastante tempo. “O governo [Trump] está preparando o terreno para reimpor tarifas por meio das Seções 301 e 232. É provável que o governo pretenda manter um nível mais alto de tarifas básicas do que o vigente antes de 2025”, diz Jesse Solis, vice-presidente da Tax Foundation, entidade de Washington que estuda política fiscal.

Para os EUA, as tarifas geraram aumento de arrecadação, de quase 200 bilhões de dólares no ano fiscal de 2025, na comparação com o ano anterior. Em 2025, o fluxo de comércio exterior cresceu, mas o déficit americano ficou quase inalterado, com queda de mero 0,2%. Trump colocou a redução deste valor como uma das principais razões para adotar as cobranças. Já as relações com os países tiveram alterações maiores. Os americanos passaram a comprar menos da China e mais de países como México e Vietnã (veja quadro abaixo).

O Brasil foi um dos países com mais reviravoltas nas tarifas. Em abril, começou com 10%, taxa recíproca mínima. Depois, teve o percentual aumentado para 50%, em julho, mas uma série de isenções foram adotadas. Porém, em abril deste ano, 65% das exportações nacionais ainda recebiam cobranças extras.

Uma preocupação no horizonte é a imposição de novas taxas por meio da Seção 301. Os EUA abriram uma investigação contra o Brasil por suposta concorrência desleal, em áreas como pagamentos, etanol, carne bovina e pirataria digital. As ações impostas por essa medida tendem a ser mais difíceis de derrubar, pois possuem base jurídica sólida. “Poderão vir mais tarifas por esse canal, além de ações responsivas, que podem levar até a sanções financeiras”, diz Bruna Santos, diretora do programa de Brasil no think tank Inter-American Dialogue, sediado em Washington.

Ao mesmo tempo, o Brasil aproveitou o momento de reorganização no comércio global para obter novos acordos comerciais. O maior deles, entre Mercosul e União Europeia, entra em vigor em 1o de maio.

“Nunca o Brasil exportou tanto quanto no ano do tarifaço. Apesar de uma queda de 6,6% das exportações aos Estados Unidos, o aumento das exportações para outros destinos mais do que compensou”, diz Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do governo do Brasil. “Há um esforço contínuo de diversificação de parcerias com países interessados em investimentos baseados em friend-shoring.” A secretária lamenta, no entanto, que a incerteza vinda dos EUA dificulte o avanço do comércio entre os dois países. “O comércio está claramente aquém do potencial”, diz.

Trump deixou claro que não pretende desistir das tarifas, e há risco de que os próximos governos não queiram retirá-las. A gestão de Joe Biden manteve taxas contra a China adotadas no primeiro governo Trump. “Poderá ser um desafio para os futuros formuladores de políticas reverter as tarifas mais altas”, diz Solis, da Tax Foundation.

O Estado de S.Paulo - SP   24/04/2026

Normas aprovadas entre 2023 e 2025 acrescentaram R$ 146,9 bilhões por ano ao Custo Brasil, comparando efeitos negativos e positivos das mudanças regulatórias, de acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Foram avaliados 45 atos normativos instituídos durante esses três anos. Incluem leis, decretos, portarias e resoluções, contabilizando até medidas provisórias e portarias governamentais, nas áreas trabalhista, tributária, ambiental e de energia.

Cada norma foi analisada em cada ponto da lei, para se obter o efeito líquido das mudanças aprovadas, explica o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio. O saldo líquido das novas regras é o balanço de um incremento de custos estimados de R$ 290,7 bilhões e de uma queda de custos possível, com efeitos positivos das novas regras, de R$ 143,7 bilhões. “Por exemplo, em energia, tem o efeito positivo do novo marco do setor elétrico, que foi muito bom, mas, por outro lado, a lei das eólicas offshore acabou incrementando os custos”, diz o economista.

O saldo mostra que o País continua ampliando o Custo Brasil. Ele é definido como a despesa adicional enfrentada pelas empresas para produzir, em comparação à média observada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), explica a Fiemg. Na prática, tratam-se de “entraves enfrentados pela indústria para investir, contratar, exportar e competir de forma sustentável”.

O estudo tem como base um outro anterior e a sua metodologia, divulgado em 2021 pelo Movimento Brasil Competitivo, que criou o Observatório do Custo Brasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na ocasião, o Custo Brasil foi estimado em R$ 1,7 trilhão anuais, correspondendo a 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

O impacto das normas aprovadas entre 2023 e 2025 pode ser somado a esse valor, mas, para uma atualização completa, faltam os dados do ano de 2022, não contabilizados. O novo estudo, explica Pio, tratou desse horizonte de tempo para entender como, no ciclo do atual governo, o Custo Brasil foi alterado.

Seguindo a metodologia do Movimento Brasil Competitivo, o diagnóstico foi estruturado em 12 eixos temáticos que afetam a competitividade empresarial. Em apenas dois deles, as medidas aprovadas entre 2023 e 2025 trouxeram queda líquida ao Custo Brasil.

A maior baixa aconteceu em custos para financiar um negócio, de R$ 20 bilhões. Também houve queda de R$ 7,9 bilhões em custos para dispor de infraestrutura. Esse último item tem peso importante no Custo Brasil. Na pesquisa de 2021, ele foi estimado em R$ 270 bilhões anuais. “Houve o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o programa Nova Indústria Brasil, com investimentos direcionados que acabam impactando a infraestrutura, o que é positivo para a indústria”, diz Pio. “Mas essa ainda é uma área de um grande gargalo para a economia. É um grande desafio, com regiões muito heterogêneas e que necessitam de estratégias diferentes, mas precisamos avançar.”

Os eixos que mais tiveram aumento líquido entre 2023 e 2025 foram os de custos no ambiente jurídico regulatório (R$ 80,5 bilhões), para empregar capital humano (R$ 36,9 bilhões), para honrar tributos (R$ 28,9 bilhões) e para acessar insumos básicos (R$ 21 bilhões). “Houve grande aumento em tributos e questões regulatórias, com mudanças jurídicas”, afirma Pio. “Se, por um lado, existe um exemplo positivo com a reforma tributária, também tivemos a lei das subvenções, já que, antes dela, havia subsídios a investimentos e não tributação, e ela passou a trazer um custo adicional para investir.”

Dentro dos custos para o emprego de capital humano, o caso que mais chama a atenção é o da reoneração da folha de pagamento das empresas. “A reoneração gradual da folha traz peso para setores mais intensivos em mão de obra, afetando o mercado de trabalho, mas também trazendo impacto na questão tributária”, diz o economista da Fiemg.

Para ele, o ponto central hoje para diminuir o Custo Brasil está na insegurança jurídica. “Melhorar o ambiente jurídico regulatório é imprescindível. Diferentemente de outros eixos, em que o impacto está num aumento de custos de produzir, como no capital humano, esse eixo afeta diretamente a decisão de investir ou não”, afirma.

O economista também cita como essencial uma melhoria do próprio capital humano, em busca de um aumento da produtividade do trabalho. “Como não sabemos como vai ser o resultado da redução da jornada de trabalho (proposta pelo governo), que pode piorar este gargalo, será importante investir mais na formação das pessoas.”

Diário do Comércio - MG   24/04/2026

O FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que o impacto da guerra no Oriente Médio na economia da América Latina vai variar de acordo com cada país, mas todos devem sentir um aumento da inflação.

“Os países estão sendo afetados por mudanças nas condições financeiras globais e nos fluxos de capital, por oscilações na aversão ao risco dos investidores e pela volatilidade dos preços das commodities”, afirma um relatório divulgado pelo fundo na sexta-feira (17).

“Com a diversidade das economias da região, os efeitos desse ambiente global em transformação variarão entre os países e dependerão fortemente da duração do conflito e das disrupções associadas.”

Durante uma entrevista a jornalistas na sexta-feira, o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental, Nigel Chalk, afirma que países produtores de petróleo vão se beneficiar em meio aos conflitos.

Entre os produtores de petróleo, são citados países como Brasil, Argentina, Canadá, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Venezuela.

Para o FMI, os países “estão se beneficiando dos altos preços da energia”. “O choque das commodities está fortalecendo seus balanços de pagamentos, sustentando o crescimento e ajudando as finanças públicas”, diz.

Para Chalk, porém, apesar desse benefício, é preciso cuidado. “Até mesmo nesses países, não podemos perder o olhar de que, apesar de ganhos macroeconômicos, os mais vulneráveis vão ser afetados por um aumento nos preços e o preço de alimentos pode ser o próximo a ser pressionado”, afirmou Chalk.

No início da semana passada, o FMI divulgou o relatório de crescimento global, em que o Brasil teve o crescimento corrigido para cima em comparação com janeiro. A expectativa é que a economia do país cresça 1,9% neste ano, ante estimativa anterior de 1,6%.

A América Latina e o Caribe também tiveram o crescimento revisado para cima com uma alta de 2,3% neste ano, 0,1 ponto porcentual acima da última atualização feita em janeiro.

O diretor relembra que produtores de energia são uma parte da região, não sua totalidade, e analisa que economias do Caribe que dependem do turismo provavelmente vão ser mais atingidas.

Ele destaca que esses países têm dívida alta e elevada dependência de importações de energia.

“Estamos bastante preocupados que destinos turísticos do Caribe podem ser os próximos afetados. A dívida deles é alta, o espaço fiscal é pequeno e são, em grande parte, importadores de energia”, afirma Chalk.

A América Central também é alvo de preocupação uma vez que há limitações na capacidade de adotar medidas de mitigação devido ao espaço fiscal restrito.

No entanto, o FMI considera que esforços anteriores de alguns países para aumentar a participação da energia gerada por fontes renováveis proporcionarão algum alívio.

Além disso, países com déficits significativos em conta corrente e dependência de financiamento global — mesmo aqueles exportadores de energia — estão enfrentando custos de financiamento mais altos e menor acesso ao mercado, à medida que a guerra reduz o apetite ao risco dos investidores.

A orientação do FMI é que as autoridades fiscais deverão resistir à pressão política para conter ou adiar os inevitáveis aumentos nos preços de alimentos e combustíveis.

A instituição relembra que muitos países da região, nos últimos anos, tomaram decisões corajosas ao substituir subsídios generalizados a combustíveis e alimentos por redes de proteção social mais bem estruturadas. “É fundamental que esses avanços sejam preservados”, diz o fundo.

O foco deve ser no apoio a famílias vulneráveis, agricultores e empresas mais afetadas. Dado o alto nível de endividamento, o FMI diz que a região tem pouca margem para ampliar déficits fiscais.

Por isso, a prioridade deve ser reduzir gastos menos essenciais ou aumentar a arrecadação junto a empresas e famílias com maior capacidade de pagamento.

Infomoney - SP   24/04/2026

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos EUA, que engloba serviços e indústria, subiu de 50,3 em março para 52 em abril, atingindo o maior nível em três meses, segundo pesquisa preliminar da S&P Global divulgada nesta quinta-feira, 23. O resultado superou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta a 50,6.

Apenas o PMI de serviços norte-americano subiu de 49,8 para 51,3 no mesmo período, também acima do consenso da FactSet, de 51.

Já o PMI industrial avançou de 52,3 em março para 54 em abril, alcançando o maior patamar em 47 meses. Nesse caso, a previsão da FactSet era 52,9.
Os números acima de 50 sinalizam que a atividade econômica dos EUA continuou se expandindo neste mês.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/04/2026

O fluxo cambial está positivo em US$ 907 milhões em 2026 até o dia 17 de abril, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira, 23.

O canal financeiro apresenta saídas líquidas de US$ 8,947 bilhões. Já o fluxo comercial é positivo, somando US$ 9,853 bilhões no ano.

O segmento financeiro tem compras de US$ 211,523 bilhões e vendas de US$ 220,470 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.

O canal comercial tem importações de US$ 70,614 bilhões e exportações de US$ 80,468 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 9,203 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 18,478 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 52,786 bilhões em outras operações.

No mês

O Brasil registrou fluxo cambial negativo de US$ 3,20 bilhões em abril até dia 17. Em março, houve saída líquida de US$ 6,350 bilhões.

O canal financeiro registrou saída líquida de US$ 3,988 bilhões até o último dia 17. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 30,878 bilhões e vendas no total de US$ 34,866 bilhões.

No comércio exterior, o saldo no período foi positivo em US$ 788 milhões, com importações de US$ 12,553 bilhões e exportações de US$ 13,341 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 1,389 bilhão em ACC, US$ 3,655 bilhões em PA e US$ 8,297 bilhões em outras entradas.

Entre os dias 13 e 17 de abril

O País anotou fluxo cambial negativo de US$ 2,450 bilhões na semana passada. Entre os dias 13 e 17 de abril, o canal financeiro apresentou saídas líquidas de US$ 3,310 bilhões. O valor é o resultado de compras de US$ 13,248 bilhões e vendas no total de US$ 16,559 bilhões.

No comércio exterior, o saldo da semana passada foi positivo em US$ 860 milhões, com importações de US$ 5,277 bilhões e exportações de US$ 6,137 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 543 milhões em ACC, US$ 1,481 bilhão em PA e US$ 4,113 bilhões em outras entradas.

O Estado de S.Paulo - SP   24/04/2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu em R$ 214 bilhões a estimativa de benefícios tributários a serem concedidos em 2027, após a reforma tributária e a redução linear em incentivos aprovada no ano passado. O corte efetivo, porém, será menor, segundo a Receita Federal e especialistas consultados pelo Estadão.

As estimativas fazem parte do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado na semana passada ao Congresso Nacional. Benefícios tributários são incentivos dados pelo governo para pessoas físicas e empresas de diferentes setores da economia.

No ano passado, a previsão de benefícios em 2027 era de R$ 648,1 bilhões. Agora, o cálculo caiu para R$ 434,3 bilhões.

Em 2025, o governo aprovou um corte de 10% nos benefícios tributários e o fim de incentivos que não gerassem mais retornos positivos para a economia brasileira ou que não fossem avaliados. A medida teve impacto nas estimativas da Receita Federal.

Mais do que isso: o governo não incluiu as renúncias de receitas que terá com os novos impostos criados pela reforma tributária, jogando a estimativa para baixo. Assim, especialistas acrescentam que as previsões de arrecadação da equipe econômica estão otimistas.

No projeto enviado ao Congresso, o governo afirma que houve uma “redução estrutural de benefícios tributários” e que a estratégia faz parte de um conjunto de medidas para cumprir o arcabouço fiscal e garantir a sustentabilidade das contas públicas.

O governo afirmou, no projeto, que o ano de 2027 marca, de fato, a implementação da primeira fase da reforma tributária. A mudança é neutra do ponto de vista arrecadatório mas envolve a substituição dos impostos atuais, que tinham benefícios tributários, pelos novos tributos.

Os benefícios concedidos por meio das contribuições para o PIS-Pasep e para a Cofins, impostos extintos pela reforma tributária, por exemplo, foram zerados nas novas estimativas da Receita Federal, e não migraram para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma. A renúncia com o Imposto Seletivo também não foi calculada. Só com PIS-Pasep e Cofins, estavam previstos R$ 154,9 bilhões em incentivos.

O Executivo também citou a Lei Complementar que cortou os benefícios tributários em 10%, com algumas exceções, e destaca que a legislação proibiu a a prorrogação de benefícios cujas metas não tenham sido atingidas ou cuja avaliação de resultados não tenha sido realizada.

O governo apontou ainda a lei que limitou a desoneração da folha de pagamentos até 31 de dezembro de 2024, estabelecendo uma reoneração progressiva entre 2025 e 2027, até a volta da alíquota de contribuição patronal de 20% a partir de 2028.

“Para 2027, uma nova governança e novo processo de monitoramento e avaliação para os incentivos tributários fará parte da estratégia de política fiscal”, diz o Executivo.

A Receita Federal, responsável pelas estimativas, afirmou ao Estadão que não projetou o montante das renúncias dos novos tributos da reforma tributária porque ainda não tem a definição das alíquotas. “Oportunamente, com as definições, teremos como quantificar esses valores.”

Em 2026, a CBS (novo imposto federal) está em vigor com uma alíquota de teste de 0,9%. A partir de 2027, o PIS e a Cofins serão extintos e a CBS passará a vigorar com alíquota cheia. A alíquota de referência definitiva, porém, ainda terá de ser fixada pelo Senado Federal.

O Executivo estabeleceu uma meta de superávit primário (saldo positivo nas contas públicas) de R$ 73,2 bilhões em 2027 - o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) -, mas com o piso de tolerância da meta e exceções que não entram na conta, poderá ter um déficit efetivo de até R$ 21,9 bilhões.

O Ministério da Fazenda afirmou que não se baseou diretamente na projeção de renúncia de receitas elaborada pelo Fisco para estimar a arrecadação federal e fixar as metas fiscais do PLDO.

“Para fins das previsões de arrecadação foram estimadas as arrecadações de PIS, Cofins e IPI, da forma como esses tributos existem hoje”, disse a Fazenda.

O Demonstrativo de Gastos Tributários da Receita Federal apresentou somente as renúncias dos tributos cuja regulamentação está consolidada, segundo a pasta. “Não há como ter cálculo, neste momento, da renúncia de CBS e Imposto Seletivo.”
Governo diminui estimativas de perdas com Simples, agricultura e desoneração

O governo estimou uma redução de R$ 67,4 bilhões em benefícios do Simples Nacional, o maior gasto tributário do País, reduzindo a estimativa de R$ 144,9 bilhões para R$ 77,5 bilhões em 2027, uma diminuição de 47%.

Na agricultura e na agroindústria, o corte foi ainda maior, proporcionalmente. O Executivo reduziu a estimativa de incentivos para o setor em 77%, com uma queda de R$ 93,6 bilhões para R$ 21,4 bilhões em isenções.

A desoneração da folha de salários, que terá uma reoneração gradual, diminuiu de R$ 13 bilhões para R$ 2,6 bilhões, uma redução de 80% no ano que vem.

Corte em benefícios deve acontecer, mas impacto na arrecadação tende a ser menor, dizem especialistas

“O corte linear a ser empreendido, mesmo com as exceções conhecidas, vai proporcionar uma mudança importante no padrão de gastos tributários, incentivos e benesses de toda sorte“, diz o economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário Fazenda de São Paulo, Felipe Salto.

Segundo ele, muitos benefícios devem reaparecer no Orçamento de 2027, com a migração de tributos da reforma tributária. O Simples Nacional, por exemplo, ficou blindado das mudanças recentes. Além disso, ele aponta um desafio “muito grande” pela frente.

“É preciso uma avaliação minuciosa e completa de todos os gastos tributários. A partir disso, providenciar um corte à altura e, até mesmo, a eliminação de diversos benefícios fiscais que não fazem sentido, que não têm qualquer comprovação efetiva de eventuais resultados econômicos e sociais”, diz Salto.

A economista Selene Peres Nunes, ex-secretária de Economia de Goiás, lembra que a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado não validou as estimativas do governo com a revisão de benefícios tributários.

Ela lembra que o projeto da LDO se ancorou em projeções para a economia brasileira mais otimistas que as do mercado. O governo espera um crescimento real de 2,33% do PIB em 2026, enquanto o mercado projeta de 1,82% a 1,83% e o Fundo Monetário Internacional (FMI), 1,9%.

“Dá para esperar algum efeito, mas não na magnitude sugerida. As novas leis restringindo concessão de benefícios podem reduzir a expansão futura, mas nem sempre cortam o estoque atual e o impacto da reforma tributária é muito difícil de estimar, pois coexistirão regimes antigos e novos. Parece um chute”, comenta a economista.

“Acho importante dizer que o ‘ajuste’ mostrado é criado por receitas extraordinárias e incertas, não por reforma estrutural do gasto. Então, fica difícil explicar também a trajetória tão otimista para o futuro, porque os problemas continuam”, diz Nunes.

Segundo a advogada tributarista e presidente do Centro Nacional para Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários (Cenapret), Mary Elbe Queiroz, as estimativas merecem cautela. “Embora o discurso oficial seja de reequilíbrio das contas públicas, o que se observa, na prática, é uma forma indireta de aumento de carga tributária, sem o devido enfrentamento estrutural do problema do gasto público” diz a especialista.

Para ela, os cortes podem minar a confiança do contribuinte gerar aumento da judicialização. “Não se trata apenas de renúncia de receita, mas de instrumentos de política econômica que estimulam setores específicos, geram empregos e promovem desenvolvimento. A sua retirada abrupta compromete a previsibilidade e impacta diretamente contribuintes que estruturaram suas atividades com base em regras vigentes.”

MINERAÇÃO

Valor - SP   24/04/2026

Contrato futuro com vencimento em setembro fechou cotado a US$ 114,80

O preço do minério de ferro recuou nesta quinta-feira (23), na China, em meio a preocupações quanto à oferta do insumo, apontam analistas.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro fechou em baixa de 0,32%, cotado a 783,50 yuans (US$ 114,80).

O cenário de oferta de minério parece misto, afirmam analistas do ANZ Research em nota. A produção da mineradora australiana BHP no primeiro trimestre aumentou 2% na comparação anual, para 2,8 milhões de toneladas, e a companhia reafirmou sua projeção de produção para o ano completo, observam.

No entanto, persistem preocupações em relação a uma potencial restrição da oferta, com a falta de combustível afetando operações de mineração no Brasil e na Austrália.

Ao mesmo tempo, também tem havido uma recomposição de estoques antes do feriado do Dia Mundial do Trabalho, em 1º de maio.

Money Times - SP   24/04/2026

O grupo BHP concordou em usar um índice de preços de minério de ferro chinês adicional para um de seus principais produtos, como parte de um acordo com a China para encerrar uma disputa de meses, disseram três fontes com conhecimento do assunto.

A BHP, terceira maior fornecedora de minério de ferro do mundo, disse na quarta-feira que havia concluído as negociações de um novo contrato de vendas com o China Mineral Resources Group (CMRG), encerrando a disputa decorrente das proibições de aquisição do principal ingrediente de fabricação de aço da BHP.

Nem a BHP nem o CMRG — o comprador estatal chinês de minério de ferro — deram detalhes do acordo.

O novo contrato durará até o final do ano fiscal de 2027 da BHP, de acordo com um investidor que disse ter sido informado pelos executivos do grupo de mineração.

A liquidação dos finos de Jimblebar da BHP, um minério de ferro de grau médio, será baseada em uma média ponderada de quatro índices, incluindo o valor equivalente em dólares norte-americanos do índice portuário de minério de ferro Corex 61% da China, que terá um peso de 26%, disseram duas das três fontes.

Todas as fontes solicitaram anonimato devido à sensibilidade do assunto.

A BHP não quis comentar.

A CMRG não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Outros índices para a liquidação dos finos de Jimblebar incluem o índice Argus 61% seaborne, Mysteel 61% seaborne e o valor convertido em dólares do índice Mysteel 61% portside.

Anteriormente, a BHP liquidava contratos Jimblebar com clientes chineses usando um preço fixo ou uma combinação dos índices marítimos Argus e Mysteel.

A Pequim Iron Ore Trading Centre Corp, ou Corex, lançou seu índice portuário de minério de ferro em setembro do ano passado, em um esforço para obter um papel na precificação das importações de minério de ferro, no valor de US$123 bilhões em 2025.

A BHP é a segunda mineradora australiana a adotar o índice Corex, depois da Hancock Prospecting, disseram duas das fontes. A China suspendeu a proibição parcial da aquisição de minério de ferro da Hancock em setembro passado, informou a Reuters. O motivo não foi informado.

A Hancock não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As mineradoras e os operadores globais têm sido cautelosos quanto ao uso do Corex devido ao seu histórico de dados relativamente curto e ao fato de que ele se baseia em transações portuárias em vez do mercado marítimo usado em outros índices, disseram membros do setor.

Como parte do acordo, a BHP oferecerá um desconto de 1,8% por navio de minério de ferro em contratos a termo, além de um desconto vinculado ao frete para determinados navios de grande porte, disse uma das fontes.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Revista Mineração - SP   24/04/2026

A primeira edição do Workshop Mineração Inteligente – Eficiência, Oportunidades e Sustentabilidade, promovido pela Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração (CSCM), da ABIMAQ, reuniu mais de 150 participantes em Parauapebas (PA), consolidando-se como uma nova plataforma estratégica para o setor mineral brasileiro.

Realizado em 15 de abril, o evento marcou o início de uma iniciativa que pretende integrar mineradoras, fornecedores, fabricantes de equipamentos e especialistas, com foco na troca de conhecimento e no fortalecimento da cadeia produtiva. A expectativa da organização é transformar o encontro em uma agenda anual.

A programação contou com quatro painéis técnicos e uma palestra magna, abordando temas como inovação, sustentabilidade, segurança e eficiência operacional — pilares considerados essenciais para a competitividade da mineração no país.

Na abertura, o presidente da CSCM, Rodrigo Franceschini, ressaltou a relevância da articulação entre os diferentes elos da cadeia mineral. Segundo ele, o Brasil ocupa posição estratégica no cenário global devido à demanda por minerais críticos e terras raras.

“A integração entre mineradoras, fornecedores, universidades e centros de pesquisa é fundamental para aproveitar esse momento e garantir desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A escolha de Parauapebas como sede foi apontada como estratégica. A cidade, um dos principais polos minerais do Brasil, aproxima soluções tecnológicas da realidade operacional das mineradoras e fortalece conexões regionais.
Tecnologia e sustentabilidade em destaque

O primeiro painel apresentou soluções voltadas à eficiência energética e automação industrial. Entre os destaques, foram discutidas estratégias para otimização do uso de ar comprimido, com potencial de economia de energia entre 6% e 7%.

Também foram apresentadas tecnologias para eliminação de barragens de rejeitos, com processos capazes de atingir até 99% de homogeneidade na mistura e recuperar até 90% da água utilizada, viabilizando a disposição de rejeitos a seco.

Outro ponto relevante foi a apresentação de avanços operacionais em grandes projetos de mineração de cobre no Brasil, com foco em ganhos de produtividade, segurança e rentabilidade.
Confiabilidade e manutenção preditiva

O segundo painel aprofundou o debate sobre confiabilidade de ativos e manutenção preditiva. Tecnologias de monitoramento online foram destacadas como ferramentas para antecipar falhas e reduzir paradas não programadas.

Especialistas também ressaltaram a importância da padronização de componentes industriais, que contribui para redução de custos, maior previsibilidade operacional e aumento da vida útil dos equipamentos.

Soluções voltadas à segurança operacional também foram apresentadas, com foco na redução do tempo de intervenção em equipamentos e na mitigação de riscos para trabalhadores.
Eficiência operacional e redução de custos

O terceiro painel abordou a eficiência operacional como diferencial competitivo. Um dos destaques foi o alto consumo de diesel na mineração, estimado em cerca de R$ 5 bilhões por ano, reforçando a necessidade de sistemas de gestão e controle mais precisos.

Além disso, especialistas destacaram o papel de componentes industriais, como válvulas e sistemas de transporte, na redução de custos e aumento da confiabilidade dos processos.

Tecnologias de separação magnética também foram discutidas, com ênfase na importância do gradiente magnético — e não apenas da intensidade — para garantir eficiência na remoção de contaminantes.
Inovação aplicada à produção

O quarto painel trouxe exemplos práticos de otimização de processos, com destaque para soluções que permitem aumentar a capacidade produtiva e reduzir etapas operacionais.

Entre os avanços apresentados, estão tecnologias capazes de ampliar a área de filtração em até 47%, reduzindo consumo energético e elevando a produtividade sem necessidade de grandes modificações estruturais.
Visão estratégica e futuro do setor

A palestra magna encerrou o evento com uma análise sobre o futuro da mineração, destacando o papel da digitalização, conectividade e inteligência artificial.

A integração tecnológica foi apontada como essencial para o avanço do setor, permitindo maior autonomia operacional, ganhos de eficiência e desenvolvimento de soluções inovadoras.

Também foi reforçada a importância da colaboração entre mineradoras e fornecedores para acelerar a inovação e enfrentar desafios comuns.
Integração e próximos passos

Ao final do workshop, especialistas discutiram caminhos para fortalecer a integração da cadeia mineral, destacando a importância da proximidade regional, da comunicação entre os agentes e do acesso a áreas estratégicas dentro das empresas.

A criação de fóruns permanentes de diálogo e a presença mais ativa de fornecedores em regiões mineradoras foram apontadas como fatores-chave para o desenvolvimento do setor.

Com alto nível de participação e engajamento, o evento também contou com espaço para networking e exposição de soluções tecnológicas.

Diante dos resultados da primeira edição, a ABIMAQ confirmou a intenção de tornar o workshop uma iniciativa anual, ampliando sua atuação em diferentes regiões do Brasil.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   24/04/2026

A Huawei aumentará o investimento em pesquisa e desenvolvimento de direção inteligente, incluindo mais de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para aprimorar a capacidade de computação para treinamento, disse um executivo graduado da empresa nesta quinta-feira (23).

A gigante chinesa da tecnologia investirá 18 bilhões de iuanes (US$ 2,6 bilhões) globalmente em P&D de direção inteligente este ano, incluindo 10 bilhões de iuanes em poder de computação, disse Jin Yuzhi, vice-presidente sênior da Huawei, em um evento em Pequim antes do maior salão do automóvel da China, que começa na sexta-feira.

A Huawei está defendendo sua liderança depois de emergir nos últimos quatro anos como um fornecedor importante no setor de veículos elétricos inteligentes da China, impulsionado por tecnologias cada vez mais preferidas pelos consumidores chineses abastados em relação às alternativas de engenharia alemã.

Um total de 38 modelos de veículos equipados com as tecnologias de direção inteligente e cabine de comando inteligente da Huawei foram apresentados no evento na quinta-feira, incluindo quatro modelos da Audi e o BZ7 da Toyota desenvolvido com a Guangzhou Automobile .

A Huawei também apresentou seu sistema avançado de assistência ao motorista Qiankun ADS, que será lançado no carro-chefe X9, um SUV de seis lugares da marca Aistaland, desenvolvido em parceria com a Dongfeng Motor.

As montadoras chinesas estão cada vez mais fazendo parcerias com a Huawei para aumentar as vendas de carros e melhorar a utilização da fábrica, após seu sucesso em reviver a Seres com o lançamento da marca Aito em 2021.

Desde então, a Aito ultrapassou as tradicionais montadoras alemãs, incluindo BMW, Mercedes-Benz e Audi, no mercado chinês de todos os veículos com preços acima de 500.000 iuanes (US$ 72.500) em 2024 e 2025, segundo dados da empresa de pesquisa ThinkerCar, sediada em Xangai.

"Mais proprietários de automóveis chineses estão substituindo seus carros premium alemães por marcas nacionais como Aito, Zeekr e Li Auto", disse Yale Zhang, diretor administrativo da consultoria Automotive Foresight.

"Agora, as marcas chinesas estão sendo vendidas a preços ainda mais altos, dissipando a percepção de que elas atendem apenas a quem busca pechinchas", acrescentou.

Embora as vendas automotivas constituam uma parte relativamente pequena do portfólio da Huawei, que inclui telecomunicações, smartphones e computação em nuvem, elas continuam sendo o segmento de crescimento mais rápido da empresa.

A receita relacionada ao setor automotivo saltou 72% em 2025, para 45 bilhões de iuanes (US$ 6,5 bilhões), ajudando a elevar a receita geral em 2,2%, para 880,9 bilhões de iuanes.

Infomoney - SP   24/04/2026

De robotáxis a carros voadores, a China está trabalhando para exportar mais de sua tecnologia de ponta para veículos – uma estratégia que reflete tanto sua ambição global quanto a dura realidade da economia do país.

A segunda maior economia do mundo abriga o maior e mais avançado mercado de automóveis do mundo. Mas uma guerra de preços de vários anos deixou o país com um excedente de veículos, incluindo os elétricos produzidos em massa por empresas desconhecidas no Ocidente.

As vendas de automóveis na China caíram 18% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior e espera-se que permaneçam estáveis ou em baixa no futuro próximo.

Os mercados estrangeiros oferecem a promessa de margens mais altas e crescimento significativo no volume de vendas, dizem os analistas e observadores do setor. Isso significa que a perspectiva de crescimento global será o foco do salão do automóvel anual da China, que começa na sexta-feira em Pequim.

As exportações da China já cresceram significativamente no ano passado, quando o país exportou 5,8 milhões de carros, quase 20% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados do setor.

As exportações totais de veículos da China, incluindo carros e veículos comerciais, devem crescer 4%, chegando a 7,4 milhões neste ano, segundo uma previsão da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis divulgada nesta quinta-feira.

‘Eles chegaram a um ponto em que sabem que não se trata apenas da China’, disse Pedro Pacheco, analista da empresa de pesquisa Gartner, falando sobre as montadoras chinesas.

‘Eles também precisam de um roteiro para implantar tecnologia na Europa, na América Latina e no Sudeste Asiático.’

A marca chinesa de veículos elétricos Aito, que é apoiada pela gigante da tecnologia Huawei, está entre as que almejam o crescimento no exterior. A Aito tem como objetivo mais do que dobrar suas vendas anuais para 1 milhão de veículos até 2030, disse seu presidente, John Zhang, à Reuters.

Zhang disse que a Aito, de propriedade da montadora Seres Group, sediada em Chongqing, espera que as vendas no exterior representem 20% do volume total nos próximos três anos, em comparação com menos de 1% atualmente.

A empresa planeja entrar em alguns mercados do norte da Europa este ano, onde a adoção de veículos elétricos é maior.

Por enquanto, os EUA estão efetivamente fechados para os carros chineses.

Os veículos elétricos chineses também estão sujeitos a tarifas na Europa, mas ainda podem ser competitivos lá, o que faz com que os mercados europeus pareçam ser um foco para os fabricantes chineses de veículos elétricos.

Cada vez mais, os automóveis fabricados na China atendem às necessidades dos motoristas estrangeiros, dizem os analistas.

‘A China não é um país emergente no setor automotivo. É um país de ponta, de alto nível’, disse Francois Roudier, secretário geral da Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Automotores, um grupo global do setor, à Reuters em Pequim.

Os consumidores norte-americanos também se interessaram mais pelos veículos chineses, de acordo com pesquisas, embora as barreiras para vender lá incluam tarifas de cerca de 100%.

No início deste mês, três senadores democratas dos Estados Unidos pediram ao presidente norte-americano, Donald Trump, que impedisse as montadoras chinesas de fabricar veículos nos EUA e que impedisse a entrada no país de carros chineses montados no México ou no Canadá.

Em janeiro, Trump disse que estava aberto às montadoras chinesas que fabricassem veículos nos EUA.

Ele deve se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, em uma cúpula no próximo mês. A relação econômica e comercial com a China é estável e Trump tentará mantê-la assim, disse o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, no início deste mês.

CNN Brasil - SP   24/04/2026

O mercado de carros elétricos no Brasil deve ganhar força expressiva nos próximos anos, com projeção de ocupar cerca de 15% do mercado automotivo nacional em 2026.

A informação foi compartilhada pelo colunista de Auto da CNN, Jorge Moraes, que está a caminho do Salão Internacional do Automóvel em Pequim, na China.

De acordo com o especialista, o Brasil deve receber aproximadamente 15 novos modelos eletrificados até o final deste ano. "São 15 novos automóveis que você vai acompanhar, assim como a audiência vai perceber que, aos poucos, as montadoras vão soltar as novidades", destacou Moraes. Muitos desses lançamentos estão previstos para depois da Copa do Mundo, quando ocorrerá "uma avalanche de lançamentos, modificando muito o cenário da indústria automotiva brasileira".
Reprecificação e reposicionamento do mercado

Um dos pontos destacados pelo colunista é o conceito de "reprecificação", que ele define como um novo tema da indústria automotiva. Este movimento está diretamente relacionado ao crescimento do mercado de carros elétricos, especialmente os modelos compactos e urbanos, que estão conquistando espaço para deslocamentos cotidianos e até pequenas viagens.

Moraes também revelou algumas novidades que devem chegar ao mercado brasileiro, incluindo o Bingo S, da General Motors, um novo carro compacto que será vendido na faixa entre 120 e 140 mil reais. Esse modelo chega para competir em um segmento em que a fabricante chinesa BYD já tem obtido bons resultados.

O colunista ressaltou ainda que, em 2025, 223,9 mil carros eletrificados foram comercializados no Brasil, representando um aumento de 26% em relação a 2024. Considerando um mercado total estimado em 2,5 milhões de veículos para 2026, se os elétricos alcançarem os 15% previstos, isso significaria uma quantidade significativa de carros chineses circulando nas ruas brasileiras.

Durante sua participação, Jorge Moraes também adiantou que trará de Pequim a notícia de uma nova montadora chegando ao Brasil com dois novos carros, com planos de produção local entre 2027 e 2028. O especialista reforçou seu desejo de que esses automóveis sejam produzidos no Brasil, em vez de apenas importados da China.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.

O Estado de S.Paulo - SP   24/04/2026

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a constitucionalidade da chamada Lei Ferrari, que regula as relações comerciais entre montadoras e concessionárias de veículos no Brasil.

“A regulação setorial deve e pode ser alvo de críticas e eventuais aprimoramentos, mas isso não significa inconstitucionalidade”, afirmou o presidente da Corte, Edson Fachin, relator do caso.

Ele defendeu a manutenção da lei como uma deferência à opção legislativa.

Vigente desde 1979, a Lei Ferrari estabelece regras para contratos de concessão entre fabricantes de veículos e suas redes de concessionárias. Entre outras coisas, ela permite exclusividades territoriais, limites de vendas e exigências de estoque e fidelização.

Críticos à lei argumentam que ela está desatualizada e cria barreiras à concorrência, o que tem reflexos no preço de veículos novos.

Já entidades do setor defendem que a regulação atual garante segurança jurídica e equilíbrio nas relações comerciais.

Valor - SP   24/04/2026

Apesar dos desafios enfrentados pelos veículos elétricos nos Estados Unidos sob o governo do presidente Donald Trump, a Volvo Cars começará a fabricar um novo veículo elétrico no país no final de 2026, afirmou o executivo-chefe (CEO) Hakan Samuelsson ao “Nikkei Asia”.

Muitas montadoras reconsideraram seus planos para veículos elétricos nos Estados Unidos desde que o governo Trump encerrou os incentivos fiscais para a compra desses veículos, mas a Volvo, montadora de origem sueca pertencente à chinesa Geely, segue em frente.

"Deve haver muitos clientes que talvez queiram algo diferente da Tesla", disse Samuelsson.

Ele afirmou que a Volvo planeja começar a fabricar novos híbridos nos Estados Unidos até 2030, destacando a popularidade desses veículos no mercado americano. "Acho que realmente precisamos de um híbrido de segunda geração, que funcione como um elétrico, mas com um motor a combustão como reserva", disse ele.

Atualmente, a Volvo produz apenas híbridos "leves", que utilizam um motor elétrico de forma limitada para funções como aceleração, e híbridos plug-in, que podem ser carregados a partir de uma fonte de energia externa. Samuelsson indicou que não descartaria o desenvolvimento de um novo tipo de híbrido.

Em setembro de 2024, a Volvo revisou sua meta de ter todos os seus novos carros elétricos até 2030. Agora, a empresa pretende que os veículos eletrificados — elétricos e híbridos plug-in — representem pelo menos 90% do seu volume de vendas até esse ano. Isso permite outros tipos de híbridos, mas eles serão limitados a 10% do total.

"Não acho que precisamos definir uma data para eliminar completamente" os carros movidos a gasolina, disse Samuelsson, mas "não veremos carros de nova geração totalmente equipados com motor a combustão".

Na quarta-feira, a Volvo iniciou a produção de seu novo modelo elétrico, o EX60, em sua fábrica de Gotemburgo. O SUV de porte médio tem uma autonomia de até 810 quilômetros — a maior da sua categoria — e pode percorrer até 340 km com uma carga rápida de 10 minutos. As entregas estão previstas para começar na Europa neste verão, seguidas posteriormente pelos lançamentos nos Estados Unidos e na Ásia.

O EX60 tem preço similar ao do XC60, seu equivalente híbrido plug-in. Isso é incomum, já que os veículos elétricos tendem a custar milhares de dólares a mais do que híbridos plug-in similares.

Entre os fatores que contribuem para a redução do preço está o uso da tecnologia de megacasting, que permite que partes da estrutura de alumínio sejam combinadas em uma única peça grande. A Tesla já adotou tecnologia similar, e a Toyota planeja utilizá-la em um novo veículo elétrico com lançamento previsto para 2027.

Outra contribuição é a tecnologia "cell-to-body", que consiste na integração das células da bateria diretamente na carroceria do veículo.

A Volvo registrou um prejuízo líquido de 2,9 bilhões de coroas suecas (US$ 313 milhões) em 2025. Embora a meta seja retornar à lucratividade, a queda persistiu em 2026, com as vendas globais recuando 11% no trimestre de janeiro a março em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Com a disparada dos preços da energia por causa do conflito no Oriente Médio, Samuelsson expressou a esperança de que os consumidores passem a enxergar os veículos elétricos sob uma nova perspectiva. "Os clientes do mundo todo foram lembrados de que um carro a gasolina talvez não seja a alternativa ideal", afirmou.

Valor - SP   24/04/2026

A Honda anunciou na quinta-feira que deixará de vender automóveis na Coreia do Sul no fim de 2026, devido aos grandes prejuízos que enfrenta em decorrência de mudanças em sua estratégia para veículos elétricos.

A empresa japonesa vende motocicletas no mercado sul-coreano desde 2002 e automóveis desde 2004 por meio da Honda Korea, sua subsidiária de vendas com sede em Seul. Até este mês, a Honda Korea contava com 84 funcionários. A empresa afirmou que as vendas de motocicletas continuarão.

Em um comunicado à imprensa, a empresa declarou que decidiu descontinuar as operações de venda de automóveis no país "em vista das mudanças no cenário dos mercados automotivos global e sul-coreano". A montadora também afirmou que a decisão foi tomada "após cuidadosa análise, visando concentrar recursos corporativos para fortalecer sua competitividade a médio e longo prazo".

A Honda informou que continuará oferecendo serviços de pós-venda, incluindo manutenção de veículos e fornecimento de peças, após o encerramento das vendas de automóveis.

A montadora vende o sedã Accord e o SUV CR-V na Coreia do Sul. No entanto, o mercado automobilístico do país é dominado pelas montadoras locais Hyundai Motor e Kia, que juntas detêm cerca de 90% do mercado. A Honda vendeu apenas 1.458 veículos na Coreia do Sul no ano fiscal encerrado em março de 2026, uma queda de 44% em relação ao ano anterior, segundo a empresa de pesquisa automotiva MarkLines, com sede em Tóquio.

A Honda anunciou em 2021 uma meta ambiciosa para que veículos elétricos com emissão zero e veículos a célula de combustível representassem 100% de suas vendas de automóveis novos em todo o mundo até 2040.

Mas, no mês passado, a empresa decidiu cancelar o desenvolvimento de três modelos de veículos elétricos planejados para a América do Norte.

Houve demora para se adaptar às revisões das políticas de apoio a veículos elétricos feitas durante o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, num contexto de demanda fraca.

A montadora também prevê despesas e prejuízos totais de até 2,5 trilhões de ienes (US$ 15,7 bilhões) até o ano fiscal que termina em março de 2027.

No mês passado, a Honda também anunciou que espera registrar um prejuízo líquido de até 690 bilhões de ienes para o ano fiscal 2025, encerrado em 31 de março de 2026, uma revisão acentuada para baixo em relação à sua previsão anterior de lucro líquido de 300 bilhões de ienes. Tal resultado marcaria seu primeiro prejuízo líquido desde a abertura de capital em 1957.

Em um comunicado divulgado no mês passado, a Honda citou razões para a deterioração da rentabilidade de seu negócio automobilístico. Mencionou mudanças nas categorias de veículos com motor de combustão interna e veículos híbridos elétricos devido a uma alteração na política do governo dos Estados Unidos, bem como "um declínio na competitividade dos produtos Honda na Ásia devido ao impacto da alocação de mais recursos para o desenvolvimento de veículos elétricos".

A empresa também anunciou no mês passado que decidiu interromper o desenvolvimento do veículo elétrico Afeela, que estava sendo desenvolvido em parceria com o Grupo Sony.

A decisão da Honda de interromper a venda de carros na Coreia do Sul indica que sua revisão de negócios foi além da estratégia de produto, abrangendo também a estratégia de região de vendas.

O executivo-chefe (CEO) da Honda, Toshihiro Mibe, anunciará os resultados financeiros da empresa para o ano fiscal recém-encerrado e detalhará suas iniciativas futuras em 14 de maio.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   24/04/2026

Com o início das obras do Trem Intercidades (TIC) para Campinas, a segregação das vias ferroviárias entre o interior e a capital paulista avança para se consolidar como realidade.

Durante evento em Vinhedo, município também contemplado pelo novo serviço regional de passageiros, o governador Tarcísio de Freitas apresentou novos detalhes sobre o cronograma e citou o futuro Ferroanel paulista como a próxima etapa do projeto.

Segundo ele, o TIC Eixo Norte prevê uma atuação conjunta entre a concessionária TIC Trens, a MRS Logística e o Governo do Estado para viabilizar a separação das operações de passageiros e de carga, aumentando a previsibilidade e a eficiência de ambos os serviços. Em paralelo às obras entre Jundiaí e Campinas, os trabalhos na capital, ao longo da Linha 7Rubi, devem começar até dezembro.

De acordo com o projeto, o trecho entre a estação Água Branca, na Zona Oeste da capital, e Campinas contará com uma via férrea exclusiva para trens cargueiros. A expectativa é ampliar em até dez vezes a capacidade de transporte, alcançando cerca de 10 milhões de toneladas no trajeto.

De Jundiaí até São Paulo, na faixa de domínio onde hoje existem duas linhas, passaremos a ter cinco [vias], sendo uma dedicada à carga. Vamos trabalhar nisso junto com a MRS, conforme previsto em contrato, com investimentos para ampliar significativamente a capacidade de transporte, afirmou o governador.

Com a conclusão das obras, prevista entre 2029 e 2031, o modelo de segregação poderá ser expandido para outros trechos da Região Metropolitana de São Paulo, como o Alto Tietê e, principalmente, o ABC Paulista. Na Linha 10Turquesa, por exemplo, já há estudos para separar as vias entre Mooca e Rio Grande da Serra, trecho atualmente compartilhado por trens de passageiros e de carga.

Após a consolidação desse processo, o próximo passo será a elaboração do Ferroanel, estrutura voltada exclusivamente ao transporte de cargas.

Essa segregação vai elevar a capacidade de cerca de 1,5 milhão de toneladas para algo próximo de 10 milhões. É um passo importante para que possamos, na sequência, avançar com o Ferroanel, completou Tarcísio de Freitas.

NAVAL

Portos e Navios - SP   24/04/2026

O IAPH World Ports Tracker 2026, levantamento trimestral feito pela Associação Internacional de Portos e Terminais (IAPH na sigla em inglês) com portos globais que movimentam mais de 8,6 bilhões de toneladas de carga marítima, indica que, apesar da incerteza regulatória e das dificuldades políticas, os planos de descarbonização dos principais portos do mundo não parecem ter sofrido alterações significativas em 2026. Os resultados da pesquisa estão no IAPH World Ports Tracker 2026 – Sustentabilidade e Tendências de Mercado, elaborada pelos professores Theo Notteboom e Thanos Pallis, do comitê técnico de risco e resiliência da Associação e que atualiza a versão de 2025.

De acordo com o estudo, o status da Estrutura Net Zero da Organização Marítima Internacional (IMO) está em dúvida desde outubro do ano passado, porém mais da metade dos portos do mundo está indo além, declarando publicamente metas para alcançar a neutralidade de carbono antes de 2050. Além disso, os terminais avançam para ter infraestrutura para abastecimento de combustíveis marítimos com baixo ou zero teor de carbono, com GNL sendo usado em um terço deles.

Os participantes responderam a perguntas sobre as seis áreas de interesse do Programa Mundial de Sustentabilidade dos Portos (WPSP) e sobre suas perspectivas de mercado. O relatório reúne ainda dados sobre produtividade portuária de contêineres e conectividade de linhas regulares da Unctad/MDS e da S&P Global.

O diretor executivo da IAPH, Patrick Verhoeven, expliocu que, a partir das contribuições dos membros regulares da IAPH, o estudo oferece o panorama mais claro até o momento sobre a sustentabilidade na indústria portuária global. Além disso, segundo ele, os resultados se devem à abordagem dos comitês técnicos e grupos de trabalho da IAPH, que se dedicam à troca de conhecimento e ao fornecimento de recursos de ponta para o setor.

Entre eles, são citadas iniciativas para fortalecer a segurança cibernética e a resiliência climática, remover barreiras à geração de energia em terra e adoção de combustíveis com zero emissão de carbono. O objetivo é fornecer caminhos para a certificação portuária por meio do Índice Ambiental de Navios e do projeto piloto de Acreditação de Portos de Cruzeiros Sustentáveis, da Associação.

Porto Gente - SP   24/04/2026

O transporte de mercadorias em contêineres por cabotagem tem potencial de reduzir em até 8,2% as emissões líquidas de CO2 de todo o setor de transportes de cargas no Brasil. De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira (23), a intensificação dessa navegação doméstica ao longo dos mais de 8 mil quilômetros de litoral brasileiro é fundamental para descarbonizar o setor e reduzir o Custo Brasil.

O levantamento identifica que o Brasil tem potencial para, no longo prazo, quadruplicar o transporte de contêineres por cabotagem. Para isso, serão necessários novos investimentos em infraestrutura portuária, além de melhoria das condições de acesso aos portos, estabelecimento de novas linhas regulares do serviço, redução da burocracia e mudança na cultura logística dos empresários nacionais.

Em um cenário mais conservador, que considera apenas os portos que já oferecem os serviços de cabotagem, o estudo mostra que esse volume poderia ser mais do que o dobro do atual – um aumento de 163%. Nesse caso, a estimativa é de uma redução de 4,5% nas emissões do setor de transporte de cargas.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o país precisa aproveitar a geografia privilegiada para fortalecer a indústria nacional. "A navegação ao longo da costa brasileira pode desempenhar um papel estratégico, sobretudo diante do enorme potencial logístico de um país com grande parte de sua atividade industrial situada próxima ao litoral", destaca.

O estudo usou simulações com base nas rotas de transporte de cargas no Brasil. A análise focou apenas em mercadorias que podem ser transportadas em contêineres e que têm potencial para sair das rodovias e ir para o transporte marítimo entre portos. Para isso, foram considerados somente os trajetos entre regiões que ficam a até 200 km de um porto e que estão a pelo menos 900 km de distância entre si – condições que, segundo pesquisas e especialistas do setor, tornam esse tipo de transporte economicamente viável.
Eficiência ambiental e econômica

Atualmente, o setor de transportes é responsável por 13,5% das emissões líquidas brasileiras de gases de efeito estufa (GEE). O modal rodoviário concentra sozinho 92% desse montante, o que mostra a forte dependência do país desse tipo de transporte.

Em termos de esforço de transporte (TKU), a cabotagem é menos poluente, emitindo, em média, entre 12% e 15% do que o caminhão emite para transportar a mesma carga. Além do ganho ambiental, a migração estratégica de cargas de longa distância para os navios reduz externalidades negativas como acidentes, roubos de carga, avarias e congestionamentos nas estradas.

A eficiência dos modais, no entanto, varia conforme a distância. O transporte rodoviário é mais competitivo em trajetos curtos, especialmente abaixo de 500 quilômetros, sobretudo para mercadorias de maior valor agregado.

Em distâncias intermediárias, entre 500 km e 1.500 km, o ferroviário ganha vantagem. Já em percursos mais longos, acima de 1.500 km, o transporte marítimo se destaca como a alternativa mais eficiente. Na comparação direta entre rodoviário e cabotagem, essa vantagem começa a se consolidar a partir de cerca de 850 km a 1.050 km.
Desafio da matriz logística

Apesar das vantagens, apenas 9% do transporte de cargas no Brasil é feito via cabotagem. Esse índice está muito abaixo de outras regiões com grandes litorais, como o Japão (44%), a União Europeia (32%) e a China (25%). Dados da matriz de transporte brasileira demonstram essa concentração: o modal rodoviário responde por 66,2% da movimentação de cargas, seguido pelo ferroviário (17,7%), enquanto a cabotagem representa 9,2%.

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, alerta que o uso da cabotagem no transporte de longa distância representa uma oportunidade de redução de custos logísticos, enquanto o transporte rodoviário segue indispensável para trajetos curtos – inclusive, para conectar portos às origens e destinos das mercadorias.

"A integração entre cabotagem, rodovias e ferrovias promove ganhos expressivos em eficiência logística, otimiza a distribuição das cargas e contribui para uma melhor qualidade de vida dos caminhoneiros. Essa combinação torna o sistema de transportes mais equilibrado e eficiente, beneficiando toda a cadeia produtiva", aponta.
Gargalos

Conforme o estudo, a cabotagem é frequentemente submetida a exigências documentais que espelham o transporte internacional de longa distância, mesmo se tratando de uma navegação doméstica. Essa disparidade impõe a participação de múltiplos agentes envolvidos na fiscalização portuária, como Antaq, Anvisa, Receita Federal, Marinha, Polícia Federal e Ministério da Agricultura.

Além da burocracia, o estudo mostra que ainda são necessários investimentos para tornar a cabotagem mais competitiva. Entre os principais problemas estão: o acesso precário aos portos, a necessidade de dragagem e a falta de capacidade dos terminais.

Como esse tipo de transporte segue horários fixos e frequentes, atrasos nos portos podem fazer com que os navios deixem de parar em determinados locais. Quando isso acontece, a carga precisa seguir por caminhão, o que encarece a logística.

Outro fator é a falta de conhecimento sobre o modal, já que o Brasil historicamente depende do transporte rodoviário.
Marco legal

O Marco Legal da Cabotagem (Lei 14.301/22) é apontado como avanço importante. A regulamentação publicada em 2025 trouxe critérios de sustentabilidade e ampliou a oferta de serviços no setor.

Análise Portogente:

A cabotagem se consolida como alternativa estratégica para reduzir custos logísticos e emissões no Brasil. No entanto, sua expansão depende de investimentos, simplificação regulatória e mudança cultural no setor produtivo.

PETROLÍFERO

Valor - SP   24/04/2026

Remessas seguiram em navios com sistema de rastreamento desligado, afirma empresa de análise de dados Vortexa

Cerca de 10,7 milhões de barris de exportações de petróleo iraniano atravessaram o Estreito de Ormuz e saíram da área bloqueada pela Marinha dos Estados Unidos entre 13 e 21 de abril, informou a empresa de análise de dados Vortexa.

As remessas foram transportadas em seis navios petroleiros que estavam com seus dados do Sistema Automático de Identificação (AIS na sigla em inglês) desligados.

Um bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos entrou em vigor em 13 de abril. O bloqueio, segundo a Vortexa, “não é necessariamente implementado próximo aos portos iranianos nem dentro do Estreito de Ormuz, mas de forma flexível em uma área de cerca de 300 milhas [náuticas] a oeste, entre a fronteira Paquistão/Irã e o ponto mais ocidental de Omã.” 300 milhas náuticas equivalem a cerca de 555 quilômetros.

A Vortexa registrou 35 travessias totais pela região do bloqueio dos EUA entre 13 e 22 de abril, envolvendo embarcações ligadas ao Irã ou sob sanções, tanto em viagens de entrada quanto de saída.

Desde que o bloqueio entrou em vigor, o tráfego ligado ao Irã através do estreito caiu, com média de 1 a 2 petroleiros por dia entre 13 e 21 de abril, abaixo dos cerca de 2 a 3 por dia nos 30 dias anteriores.

As Forças Armadas dos EUA interceptaram pelo menos três petroleiros de bandeira iraniana em águas asiáticas, disseram fontes do setor de transporte marítimo e de segurança na quarta-feira (22).

Os militares dos EUA informaram na tarde de quarta-feira que até o momento ordenaram que 29 embarcações dessem meia-volta ou retornassem ao porto como parte do bloqueio naval contra o Irã.

O Estado de S.Paulo - SP   24/04/2026

Os preços internacionais do petróleo voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril, refletindo a escalada de tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorre em meio a disputas estratégicas pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás natural.

Nesta quinta-feira, 23, o barril do petróleo tipo Brent registrava alta de menos de 1%, sendo negociado em torno de US$ 103, após já ter superado a barreira dos US$ 100 no dia anterior pela primeira vez em duas semanas. Já o West Texas Intermediate (WTI) operava próximo de US$ 94, também com avanço de quase 1%.

Os preços da energia subiram acentuadamente desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã no final de fevereiro, e o Irã respondeu bloqueando efetivamente a navegação pelo estreito. Os Estados Unidos retaliaram com um bloqueio naval que impediu dezenas de navios de entrar ou sair de portos iranianos.

Fatih Birol, diretor-geral da Agência Internacional de Energia, afirmou em entrevista à CNBC que o mundo enfrenta a “maior ameaça à segurança energética da história”, citando a perda de cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia em meio às interrupções ligadas ao conflito com o Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Ele alertou que a crise pode impactar o crescimento global, impulsionar a inflação e levar à escassez, incluindo uma potencial crise de combustível de aviação na Europa em poucas semanas.

As perspectivas de uma trégua duradoura vêm sendo colocadas em risco uma vez que os dois países intensificaram as ações militares e estratégicas. Na quarta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter apreendido dois navios cargueiros nas proximidades do estreito, enquanto forças americanas mantêm um bloqueio naval que restringe o acesso de embarcações a portos iranianos.

De acordo com o presidente Donald Trump, em declaração na terça-feira, o governo do Irã está “em colapso financeiro” devido ao bloqueio que deixou o país sem “dinheiro”.

Segundo o Pentágono, militares dos EUA interceptaram, na quinta-feira, o petroleiro M/T Majestic X no Oceano Índico, embarcação alvo de sanções por transportar petróleo iraniano. No início da semana, outra operação envolvendo membros da Marinha SEAL abordou o navio M/T Tifani, também ligado ao transporte de petróleo do Irã.

O aumento das tensões tem impacto direto sobre os mercados globais. Além da alta do petróleo, bolsas internacionais registraram queda, refletindo a aversão ao risco por parte dos investidores.

Na quarta, a Karex, maior fabricante de camisinha do mundo, confirmou o aumento nos preços de seus produtos em até 30%. A empresa produz cerca de cinco bilhões de preservativos por ano e atribuiu o aumento dos preços à alta dos preços das matérias-primas, às interrupções no transporte marítimo global e aos custos mais elevados de frete.

Desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irã, os preços da energia acumulam forte alta. Em resposta, Teerã passou a restringir a navegação no Estreito de Ormuz, enquanto Washington intensificou medidas para pressionar a economia petrolífera iraniana.

Todo esse cenário eleva preocupações sobre o abastecimento global e adiciona volatilidade aos mercados, uma vez que qualquer interrupção prolongada no fluxo de petróleo pela região pode afetar significativamente a oferta mundial e pressionar ainda mais os preços.

Infomoney - SP   24/04/2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira que propôs ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que permitirá transformar ganhos extraordinários de arrecadação provenientes da alta do preço do petróleo em cortes de tributos sobre combustíveis.

A partir da eventual aprovação do projeto pelo Legislativo, o governo editará decretos com as reduções tributárias, que poderão beneficiar diesel, gasolina, etanol e biodiesel com cortes em PIS, Cofins e Cide.

Os cortes valeriam por pelo menos dois meses e seriam vinculados à duração da guerra no Irã, sendo reavaliados periodicamente.
As informações foram apresentadas pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Eles disseram que o governo não está fazendo nenhum anúncio imediato de corte de tributos, ressaltando que as reduções dependeriam do aval do Congresso a esse mecanismo de compensação.

Inicialmente, o Ministério da Fazenda havia informado que o governo anunciaria nesta quinta “medida de redução de alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a gasolina” para mitigar impactos da alta internacional do preço do petróleo.

De acordo com Durigan, o projeto define que a arrecadação extraordinária será calculada em receitas de royalties, dividendos, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) incidentes sobre a cadeia de petróleo e a venda de óleo da Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA).

O cálculo vai comparar a previsão original de arrecadação no Orçamento deste ano com nova projeção feita pelo governo já considerando os efeitos do conflito no Oriente Médio — serão descontados valores que já foram comprometidos por outras medidas.

O ministro da Fazenda ressaltou que após aprovação do projeto pelo Congresso o governo anunciará reduções parciais de tributos sobre gasolina e etanol, produtos ainda não beneficiados por medidas emergenciais do governo.

No caso da gasolina, Moretti afirmou que cada R$0,10 de tributos retirados desse combustível geraria um impacto fiscal de R$800 milhões para cada dois meses.

O governo tem adotado uma série de ações com o argumento de que busca mitigar efeitos da guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que elevou preços internacionais do petróleo e tem produzido alta volatilidade no mercado enquanto não há acordo para o fim do conflito.

Entre as medidas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou em março a cobrança de PIS/Cofins que incide sobre importação e comercialização do óleo diesel, além de dar subvenção adicional a produtores domésticos, e anunciou posteriormente uma divisão de custos com Estados para fazer um corte adicional da tributação sobre o diesel.

As ações já implementadas ainda incluem a taxação de exportações de petróleo, corte de tributos de biodiesel e combustível de aviação, subvenção para gás de cozinha e reforço na fiscalização da venda de combustíveis.

O governo também implementou uma linha de crédito para companhias aéreas e editou medida provisória para reforçar o crédito a exportadores.

Membros da equipe econômica têm afirmado que o plano é temporário e que o governo busca neutralidade fiscal, destacando que o custo das subvenções e dos cortes na tributação é compensado por iniciativas como a taxação das exportações de petróleo e por ganhos de arrecadação gerados pela cotação mais alta do petróleo.

Valor - SP   24/04/2026

Ao longo do mês de abril, negociações entre EUA e Irã animaram os participantes do mercado e ajudaram a conter os preços do petróleo

O mercado voltou a precificar um processo mais custoso de normalização do petróleo após a guerra no Irã. O Brent para dezembro encostou em US$ 85 nesta quinta-feira, no maior nível desde o fim de março, em um movimento que volta a colocar em xeque a leitura de uma normalização rápida do mercado.

Em abril, esse patamar ficou longe de ser alcançado, em especial devido à esperança dos participantes do mercado nas negociações entre Estados Unidos e Irã. No entanto, a paralisação nas conversas entre os dois atores — e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz — ajuda o mercado a exigir prêmios maiores.

“A ausência de qualquer negociação de paz entre os EUA e o Irã levou os investidores a voltar a precificar um conflito mais prolongado, bem como um fechamento mais duradouro de Ormuz. De fato, o bloqueio imposto pelos EUA permanece em vigor e, ontem, o Irã afirmou ter apreendido dois navios comerciais no Estreito. Ou seja, os desdobramentos mais recentes apontam, na prática, para uma escalada nas tensões”, enfatizam os estrategistas do Deutsche Bank.

E é justamente nesse sentido que, em revisões de cenário, instituições financeiras têm trabalhado com um cenário base sem muita convicção, ao mesmo tempo em que estabelecem cenários alternativos com riscos de cauda que não são tão desprezíveis.

No caso do holandês ABN Amro, a avaliação central é de que as disrupções severas na oferta de energia devem persistir até o fim de maio, o que mantém os preços de energia mais elevados por algum tempo. O banco, inclusive, projeta que o Brent opere, em média, a US$ 100 por barril ao longo do segundo trimestre e que, na média do ano de 2026, o preço do petróleo fique em US$ 86. Embora esse seja o cenário base do banco, ele é, também, o mais positivo.

O ABN trabalha, ainda, com um cenário negativo e com um cenário severo. No negativo, o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz permanece bem abaixo dos níveis normais por um período prolongado, ao longo de todo o restante do ano, e há mais danos à infraestrutura energética. Nesse caso, os preços do Brent sobem para uma média de cerca de US$ 130 por barril no segundo e no terceiro trimestres, podendo atingir picos de US$ 150. Na média do ano, o Brent ficaria em US$ 110 — uma alta expressiva em relação aos US$ 86 do cenário-base.

E, no cenário severo do banco holandês, a situação seria ainda mais crítica: o bloqueio de oferta de energia se estenderia do Estreito de Ormuz ao Mar Vermelho e, assim, eliminaria outro importante mecanismo de compensação às atuais disrupções de oferta, além de haver novos danos severos à infraestrutura energética no Oriente Médio. Os preços do Brent subiriam para uma média de US$ 175 por barril no segundo e terceiro trimestres e a média do ano seria de US$ 140.

Agência Brasil - DF   24/04/2026

Estudo do WWF-Brasil calcula lucros e prejuízos da operação

Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 23/04/2026 - 16:43

Brasília

Ao optar pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o Brasil poderá abrir mão de R$ 47 bilhões em receita e benefícios que poderiam ser gerados na escolha por energia renovável e biocombustíveis, diz estudo inédito da WWF Brasil, lançado nesta quinta-feira (23).

O montante soma as perdas de R$ 22,2 bilhões estimadas para o investimento em combustíveis fósseis na Margem Equatorial aos R$ 24,8 bilhões que o país deixaria de lucrar pela ausência de investimentos na eletrificação da matriz energética.
Perdas e ganhos

Para entender o que o país pode ganhar e perder ao investir em uma nova fronteira petrolífera em um contexto de transição energética acelerada e riscos crescentes, o estudo promovido pelo WWF-Brasil usou como metodologia a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB). É a mesma medição recomendada pelo Tribunal de Contas da União para avaliação de grandes investimentos públicos.

De acordo com Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, é um método bastante sistemático e comparativo com critérios objetivos, baseados em evidências, transparentes e comparáveis, em uma perspectiva de longo prazo.

“É uma análise que não está focada no lucro do investidor privado ou no imposto que o governo recolhe. Está balizada no retorno para todos os atores da sociedade, incluindo governo, empresa e famílias”, explica.

Bacia da Foz do Amazonas

O estudo partiu de um cenário de desempenho produtivo da bacia da Foz do Amazonas, em um período de 40 anos, considerando os dez primeiros anos necessários à exploração para identificar e comprovar o petróleo, além de desenvolver a nova frente de extração do recurso.

Nos 30 anos seguintes, com o início da operação, foram levantados investimentos compatíveis com o mercado e o preço do petróleo no longo prazo, a partir de 2036, quando os barris estariam disponíveis no mercado. A reserva considerada seria de 900 milhões de barris de petróleo, com a capacidade de explorar 120 mil barris ao dia a partir de 20 poços exploratórios

Partindo do ponto de vista exclusivamente financeiro, descontados os custos das operações, as empresas teriam lucro, a partir do valor de venda de US$ 39 por barril. Atualmente, o barril de petróleo está em torno de US$ 100.

Segundo Daniel Thá, o lucro seria mais ou menos vantajoso conforme as ações climáticas adotadas pelo país. “As petroleiras dependem muito de um mundo sem ação climática suficiente para terem lucro”, diz.
Efeitos

O cálculo inclui ainda o custo social do modelo adotado na Foz do Amazonas tendo como principal efeito colateral as emissões de gases de efeito estufa, conforme critérios da Agência Internacional de Energia.

“Nós conseguimos, a partir do desenho desse modelo representativo, estimar emissões de 446 milhões de toneladas de CO2 equivalente. A maior parte na fase de consumo dos combustíveis”, explica o consultor da WWF-Brasil.

O montante das emissões, apenas considerando o custo social do carbono, pode variar de R$ 21 a R$ 42 bilhões em prejuízos gerados à população.

Na prática, ao considerar prejuízos como esses, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o saldo líquido da nova frente petrolífera na Foz do Amazonas geraria perda de R$ 22,2 bilhões em 40 anos.

“A adição dessas externalidades faz com que a somatória dos custos de exploração e produção mais as externalidades não sejam superadas pelo volume de benefícios que é gerado”, explica Daniel Thá.
Cenários

A partir desse modelo, a rota do petróleo foi comparada a outros dois sistemas com os mesmos parâmetros de investimentos, quantidade de energia entregue, volume de combustível e risco de mercado nos mesmos 40 anos.

O estudo adota como premissa que a demanda social é por energia, e não pelo petróleo em si. Para viabilizar a comparação entre diferentes fontes, a produção média anual de petróleo foi convertida em uma unidade de medida equivalente, totalizando 48,63 TWh/ano. Essa métrica serve como base para avaliar se alternativas, como a eletrificação, podem entregar o mesmo serviço energético com custos e impactos reduzidos.

Para o cenário de eletrificação foram considerados 50% de eólica em solo, 42% de solar fotovoltaica, 4% de biomassa -bagaço de cana - e 4% de biogás previstos no último Plano Decenal de Expansão de Energia.

“Desvendamos que essa rota de eletrificação, que é imediata e não precisa esperar os dez anos de exploração da rota do petróleo, traria um retorno positivo para sociedade, ou seja mais benefícios que custos e externalidades, de quase R$ 25 bilhões”, afirma Daniel Thá.

Para o terceiro cenário que trabalha com os biocombustíveis, a gasolina foi comparada ao etanol, o diesel ao biodiesel, o combustível de aviação ao SAF (sigla em inglês para combustível sustentável de aviação) e o gás de petróleo foi comparado ao biometano.

Apesar de apresentarem custos mais altos em comparação ao do petróleo, o prejuízo das externalidades (efeitos colaterais) foi menor, explicam os cientistas. Isso faz com que a soma desse cenário chegue a um custo 29,3 bilhões menor do que o da rota de combustíveis fósseis.
Petrobras

A Margem Equatorial, especialmente a bacia da Foz do Amazonas, é a nova fronteira de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial estimado de 30 bilhões de barris de petróleo.

Localizada entre o Amapá e o Pará, a região é sensível, com vasta biodiversidade, próxima de rios importantes e da floresta. Ao mesmo tempo, para a Petrobras, a área é considerada crucial para substituir o pré-sal pós-2030.

Na avaliação da estatal, a produção de óleo a partir da Margem Equatorial é uma decisão estratégica para que o país não tenha que importar petróleo no horizonte de dez anos.

O governo brasileiro defende ainda que os recursos dos combustíveis fósseis financiem a transição energética do país.

TOP