Globo Online - RJ 23/04/2026
Tem tudo para ser quente a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da Usiminas marcada para amanhã com o objetivo de eleger por voto múltiplo os novos integrantes do conselho de administração.
A Latache Capital, gestora ativista comandada por Renato Azevedo e que se especializou em litígios barulhentos — como as brigas com Funcef, Bodytech, Rabobank, Oncoclinicas e Marfrig/BRF — parece ter a siderúrgica mineira como novo alvo.
A Latache não só vai participar na qualidade de gestora do Fundo Vila Rica, detentor de mais de 5% do capital da Usiminas, como pretende eleger conselheiros.
Está indicando dois candidatos: Marco Aurelio Gonçalves (tendo como suplente Fernando Martins da Poça) e Stefan Lourenço de Lima (e, como suplente Sergio Clemente).
A Usiminas, depois de uma longa disputa com a CSN, é hoje controlada pela italiana Ternium.
CNN Brasil - SP 23/04/2026
O mercado brasileiro de aço deve apresentar desempenho melhor em 2026 na comparação com 2025, avalia o CEO da ArcelorMittal Pecém, Erick Torres. Em entrevista à CNN, o executivo afirmou que alguns dos principais setores consumidores do produto já demonstram condições mais favoráveis de atividade.
Segundo Torres, áreas como construção civil, linha branca e até o setor automotivo indicam melhora nas perspectivas de demanda por aço no país. “Esses setores estão com condições de mercado melhores, o que tende a refletir em uma recuperação gradual do consumo de aço”, afirmou.
A expectativa de avanço no mercado doméstico, se deve a um movimento coordenado do setor siderúrgico de pressão no governo por medidas adicionais de defesa comercial diante do aumento das importações, especialmente vindas da China.
Torres destacou que o volume de aço importado no Brasil cresceu significativamente nas últimas duas décadas. De acordo com ele, esse avanço tem pressionado a competitividade da produção nacional.
“O crescimento de material importado foi de 160% nas últimas duas décadas. O aço importado chinês que chegou ao Brasil foi de 5,7 milhões de toneladas em 2025, quase duas vezes a produção da ArcelorMittal Pecém. Isso traz uma competição desleal com o aço produzido no Brasil”, disse.
O tema ganhou força recentemente após o governo brasileiro ampliar o número de NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) incluídas no sistema de cota-tarifa para produtos de aço que excederem limites de importação. Além disso, foi aberta uma investigação antidumping envolvendo 25 produtos siderúrgicos de origem chinesa.
As medidas atendem a demandas do setor por maior proteção comercial e seguem movimentos semelhantes adotados por países da Europa e da América do Norte.
Para o executivo, o custo de produção do aço chinês não estaria dentro de uma faixa considerada natural de mercado, o que levanta questionamentos sobre as condições de concorrência internacional.
Segundo ele, o custo de produção chinesa não está dentro de uma “faixa natural”, o que interfere na competição leal de mercado.
No cenário externo, a siderurgia brasileira também enfrenta desafios. Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor tarifas de 50% a produtos brasileiros (entre eles o aço), exportadoras como a ArcelorMittal Pecém passaram a enfrentar maior dificuldade para competir no mercado americano.
Diante disso, empresas com produção local nos Estados Unidos, como a Gerdau, acabam tendo vantagem competitiva nesse ambiente tarifário. Ainda assim, o executivo afirma que o mercado americano continua estratégico para a companhia.
“O mercado americano ainda é muito atrativo mesmo com a taxação, porque permite colocar aço de alto valor agregado. Por isso conseguimos nos manter nesse mercado”, afirmou.
Portos e Navios - SP 23/04/2026
A Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, participa da 2ª edição da NN Logística, Feira da Indústria Fluvial que acontece do dia 22 ao dia 24 de abril de 2026, no Centro de Convenções do Amazonas - Vasco Vasques, em Manaus (AM). O evento reúne fornecedores que impulsionam a construção naval, a logística e o transporte de mercadorias e de passageiros de toda América Latina.
A companhia está com um estande localizado no Pavilhão Vitória Régia, onde apresenta produtos e soluções voltadas para o segmento naval. Entre os destaques do portfólio estão chapas grossas, bobinas, perfis estruturais, barras e perfis, incluindo cantoneiras com Certificação ABS (a única empresa do ramo a possuir esta certificação) e arames para solda, materiais essenciais para a alta produtividade e eficiência da construção naval e logística fluvial na região.
O espaço conta com consultores e especialistas durante todos os dias da feira para oferecer atendimento técnico e explicações sobre a melhor aplicação de cada produto. Além de tirar dúvidas, os visitantes poderão solicitar cotações e conferir o catálogo com soluções navais da Gerdau, que está presente na região norte do país, com unidades da área comercial em Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Ananindeua (PA).
"Nossa participação na NN Logística reforça o compromisso da Gerdau com a indústria fluvial e naval do país, amplia nossa presença logística em Manaus e região e é mais uma oportunidade para mostrarmos nosso portfólio robusto de aços e soluções essenciais para as demandas de alta produtividade do setor”, afirmou Débora Baum, líder de Marketing na Gerdau.
Em sua segunda edição, a NN Logística consolida-se como o principal ponto de encontro da indústria naval e fluvial da Amazônia oferecendo, além das exposições, cursos gratuítos, workshops e conferências.
Serviço NN Logística 2026
Data: 22 a 24 de abril de 2026
Horário: 14h às 21h
Local: Centro de Convenções do Amazonas - Vasco Vasques, Manaus – AM
Estande Gerdau: D55 – Pavilhão Iara
Mais informações: https://nnlogistica.com.br/
O Estado de S.Paulo - SP 23/04/2026
A carga tributária elevada sobre os produtos da indústria de transformação é um fator relevante para explicar a perda persistente de participação desse setor no Produto Interno Bruto (PIB), tanto no Brasil quanto no mundo, apontou um estudo com dados de diferentes países compilados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.
Uma comparação com países europeus e latino-americanos reforça que o fenômeno não é particular ao Brasil, mas sim reflexo de um padrão estrutural mais amplo. O estudo do Ibre/FGV tem como base os dados do Escritório Europeu de Estatística, o Eurostat, e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
O levantamento, com informações de países industrializados ao longo de mais de uma década, mostrou que, quanto menor a taxa de imposto sobre os produtos industriais, maior é a fatia da indústria no PIB. Ou seja, há uma fração relevante do declínio industrial que não é explicada nem pela doença holandesa (em que variações do câmbio decorrentes da exportação de commodities tornam a indústria nacional menos competitiva) nem pela desindustrialização prematura (quando o setor industrial perde peso para os serviços na economia, porém antes que o País alcance alto nível de desenvolvimento econômico ou de renda per capita).
Impostos estão na raiz da estagnação?
“Você tem um problema de estagnação da indústria de transformação, de perda de competitividade, que tem a ver com os impostos. No resto do mundo acontece isso: quando você tem imposto alto, a participação do setor no PIB é menor. Nos países que têm imposto baixo, a participação é maior. Há uma relação entre imposto e desindustrialização”, disse Claudio Considera, pesquisador do Ibre/FGV, autor do artigo em parceria com Ana Letícia Cardoso Branco.
No Brasil, a taxa média de imposto sobre a indústria de transformação entre 2010 e 2021 foi de 12,88%, enquanto a participação média do setor no produto total a preços básicos — ou seja, o PIB excetuando-se os impostos — ficou em 12,78%.
Já na Alemanha, a taxa de imposto foi de 6,10% na década de referência, com o setor respondendo por uma fatia de 22,04% no PIB alemão; na Áustria, a taxa de imposto foi de 6,47%, enquanto a participação no PIB do país ficou em 19,30%; na Itália, a taxa de imposto foi de 7,04%, ante uma fatia no PIB italiano de 16,17%.
Por outro lado, a Grécia tinha taxa média de imposto de 13,62%, com fatia no PIB de 9,26%; e a Noruega, imposto de 11,35% ante uma fatia no PIB de 7,39%.
“Estes resultados sugerem que a incidência de impostos elevados nos produtos da indústria de transformação brasileira reduz sua competitividade progressivamente, reduzindo ou mantendo reduzida sua participação no produto da economia”, afirmam os pesquisadores no estudo. “Sistemas tributários que oneram desproporcionalmente a produção industrial tendem a estar associados a menor peso manufatureiro no produto agregado.”
Latino-americanos
Quanto aos países latino-americanos, o México tinha uma taxa de imposto da indústria de transformação de apenas 3,10%, e a fatia do setor no PIB mexicano era de 19,74%; a Colômbia registrou taxa de imposto de 8,71% e fatia no PIB de 20,12%; no Chile, a taxa de imposto foi de 10,35%, com participação de 10,70% do setor no PIB.
Mais recentemente, a fatia da indústria de transformação no PIB brasileiro desceu de 14,1% em 2024 para 13,7% em 2025, menor participação desde 2020, ano da pandemia de covid-19, quando essa porção era de 12,3%, de acordo com as mais recentes informações das Contas Nacionais Trimestrais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há 20 anos, em 2005, a indústria de transformação respondia por uma fatia de 17,4% do PIB do Brasil.
Claudio Considera acrescenta que outras hipóteses foram testadas no artigo, todas apontando para a mesma direção: a análise regional mostrou que o fenômeno não é circunscrito a sistemas tributários estaduais específicos; o plano temporal revelou uma trajetória de agravamento relativo da carga tributária sobre a produção industrial; e a avaliação setorial provou que o problema afeta tanto indústrias tecnologicamente avançadas quanto as tradicionais, assim como bens de consumo e bens intermediários, embora sob intensidades diferentes.
“O mecanismo é direto: impostos sobre produtos elevam os preços relativos dos manufaturados, comprimem margens, desviam demanda para outros bens e reduzem o retorno ao investimento industrial em relação a outros setores da economia”, reforçaram os autores.
Segundo Considera, a reforma tributária é bem-vinda para endereçar o problema, embora conte com um prazo de transição de até 50 anos. “A eficácia só vamos descobrir depois, daqui a alguns anos”, concluiu.
Monitor Digital - RJ 23/04/2026
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que China e EUA concentram cerca de 40% das exportações do país, o que amplia a exposição a oscilações políticas, tarifárias e cambiais.
Para Murillo Oliveira, especialista em investimentos e estruturação financeira internacional e Head de Tesouraria da Saygo, a dependência desses mercados deixou de ser apenas uma característica do comércio exterior brasileiro e passou a representar um risco direto à previsibilidade das empresas.
“A dependência excessiva de poucos mercados expõe as empresas a decisões que estão fora do controle delas, como tarifas, embargos ou mudanças regulatórias. Diversificar não é apenas crescer, é proteger receita”, afirma.
Movimentos recentes no comércio global reforçam essa percepção. A adoção de tarifas entre grandes economias, além de restrições sanitárias e ajustes em cadeias de suprimento, tem redirecionado fluxos comerciais e aberto janelas pontuais para novos fornecedores. Ao mesmo tempo, aumenta a instabilidade para quem opera de forma concentrada.
Na prática, empresas brasileiras já começam a direcionar esforços para regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e países europeus fora dos polos tradicionais. A mudança exige adaptação, mas amplia o potencial de crescimento.
“Existe demanda global fora do eixo tradicional, mas ela exige preparo técnico, inteligência comercial e leitura de risco. Não é um movimento automático”, diz.
A diversificação também impacta diretamente a gestão financeira. Operar com diferentes moedas e ambientes regulatórios aumenta a complexidade, mas reduz a dependência de um único ciclo econômico.
“Quem atua em mais de um mercado consegue equilibrar melhor receita e risco. Isso traz mais estabilidade no médio prazo”, explica.
Apesar do avanço do tema, a expansão internacional ainda esbarra em desafios operacionais. Falta de conhecimento sobre novos mercados, entraves logísticos e ausência de estrutura interna estão entre os principais obstáculos. “Muitas empresas entendem o risco de concentração, mas não têm clareza de como executar essa mudança. Sem estrutura, a diversificação pode gerar mais problema do que solução”, afirma.
Nova parceria quer destravar importações chinesas em meio à volatilidade
Empresas brasileiras que importam da China passarão a ter acesso facilitado a mecanismos de seguro de crédito do governo chinês e a prazos de pagamento estendidos. A Axton Global, que atua como facilitadora do acesso à Sinosure (Corporação Chinesa de Seguro de Crédito à Exportação), acaba de firmar parceria com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), a principal associação que apoia empreendedores e empresas brasileiras na conexão com companhias chinesas.
A colaboração entre as organizações tem como foco ampliar e dar maior recorrência às importações da China realizadas por empresas brasileiras, por meio de soluções de seguro de crédito à exportação que contribuem para a otimização do fluxo de caixa e aumentam a segurança das operações internacionais – especialmente para as empresas de médio porte, que enfrentam maiores restrições de crédito no Brasil.
Desde 2004, a China é a principal origem das importações do Brasil, de acordo com dados do Mapa Bilateral de Comércio e Investimentos Brasil-China 2024. Entre 2019 e 2023, as compras brasileiras do país asiático registraram crescimento médio anual de 10,2%, evidenciando o fortalecimento contínuo das relações comerciais entre as duas economias. Nesse sentido, a parceria entre as organizações chega em um momento de intensa colaboração bilateral.
Monitor Digital - RJ 23/04/2026
A perspectiva do comércio e da indústria foi abordada por Roberto Milani, vice-presidente da Comexport, no webinário “O Futuro do Comércio Brasil–China”, realizado mês passado. Ele afirmou que a presença crescente de empresas chinesas no Brasil pode representar oportunidades importantes para a indústria nacional, desde que acompanhada por políticas adequadas: “A China traz competitividade e capital para o Brasil, e isso é uma tendência clara. O desafio está na regulação e em garantir que parte dessa capacidade produtiva seja desenvolvida aqui”.
Milani também mencionou o avanço das montadoras chinesas no país e a possibilidade de transferência de tecnologia para a cadeia produtiva brasileira.
O especialista ainda destacou áreas nas quais a cooperação bilateral pode ganhar relevância nos próximos anos, como infraestrutura, mobilidade urbana e economia digital. “A expansão de data centers no Brasil, apoiada por energia renovável e tecnologia chinesa, pode transformar o país em um exportador estratégico de serviços digitais. Ao mesmo tempo, áreas como mobilidade elétrica e infraestrutura logística também devem ganhar espaço nessa relação.”
A abertura do webinário foi feita pelo presidente do CEBC, embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, e a moderação ficou a cargo de Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho.
Comércio Brasil-China é estável mesmo em cenário conturbado | Monitor Mercantil
Pix in english
O Conselho do Sistema do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) convidou o público a comentar uma proposta que permitirá a bancos e cooperativas de crédito dos EUA usar intermediários para transferir fundos por meio do serviço FedNow.
Essa flexibilidade adicional daria suporte a novos casos de uso do FedNow no setor privado. Por exemplo, permitiria que bancos dos EUA utilizassem o FedNow para realizar transações com bancos correspondentes, facilitando a parte internacional de um pagamento transfronteiriço. Atualmente, uma transferência de fundos enviada pelo FedNow pode incluir apenas dois bancos dos EUA.
Traduzindo, o Fed avança para fazer um clone do Pix nos EUA.
01: Menos que o mínimo
Segundo a Folha, o programa de governo de Flávio Bolsonaro vai limitar o reajuste de aposentados e pensionistas à inflação,eliminando o reajuste real de acordo com a alta do PIB, que ficaria restrito apenas ao salário mínimo de quem está na ativa.
Traduzindo, o filho 01 de Bolsonaro quer pagar aos aposentados menos do que o salário mínimo.
Infomoney - SP 23/04/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 877,7 milhões na terceira semana de abril. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta quarta-feira, 22, o valor foi alcançado com exportações de US$ 6,442 bilhões e importações de US$ 5,564 bilhões.
O mês de abril acumula superávit de US$ 7,544 bilhões, decorrente de US$ 21,241 bilhões em exportações e US$ 13,697 bilhões em importações.
Até a terceira semana de abril, comparado a abril de 2025, as exportações cresceram 18,5%. O desempenho dos setores foi o seguinte: alta de 16,1% em Agropecuária, que somou US$ 5,537 bilhões; crescimento de 29,9% em Indústria Extrativa, que somou US$ 5,475 bilhões; e, por fim, alta de 14,4% Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,115 bilhões.
Em relação às importações, houve alta de 2,7% na mesma comparação. Houve queda de 32,0% em Agropecuária, que somou US$ 230,8 milhões; crescimento de 21,8% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 795,2 milhões; e, por fim, alta de 3,0% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 12,617 bilhões.
Acumulado do ano
De janeiro até a terceira semana de abril, o ano acumula superávit de US$ 21,719 bilhões, um crescimento de 39,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 17,270 bilhões.
A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 72,1 bilhões neste ano.
O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 364,2 bilhões em exportações e US$ 292,1 bilhões em importações.
Infomoney - SP 23/04/2026
O início de 2026 trouxe uma surpresa positiva para a atividade econômica brasileira, levando o JPMorgan a revisar suas projeções de crescimento para o ano. Segundo análise do banco, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deve crescer a uma taxa anualizada de 3,6% na comparação trimestral, acima dos 2,8% estimados anteriormente, refletindo um desempenho mais robusto da indústria, do varejo e dos serviços nos primeiros meses do ano.
O banco destaca que, entre janeiro e fevereiro, a produção industrial acumulou alta de 3%, as vendas no varejo subiram 2% e o setor de serviços avançou 0,2%, com destaque para os serviços prestados às famílias. Esse conjunto de dados levou o JPMorgan a elevar a projeção de crescimento do PIB de 2026 em 0,2 ponto percentual, para 1,5% na comparação anual. Ainda assim, a instituição ressalta que essa revisão é explicada quase integralmente pelo efeito de carregamento estatístico do primeiro trimestre, e não por uma melhora estrutural do cenário ao longo do ano.
Apesar do começo mais forte, a leitura do banco é de que o fôlego da economia tende a diminuir à frente. O JPMorgan projeta desaceleração a partir do segundo trimestre, com crescimento abaixo do potencial no segundo semestre. Entre os fatores que pesam contra a atividade estão a deterioração das margens do setor corporativo, o aumento dos custos de insumos e condições financeiras mais apertadas, agravadas pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de energia.
Esse ambiente mais desafiador também tem implicações relevantes para a política monetária. Diante de pressões inflacionárias no curto prazo e de uma atividade ainda resiliente, o JPMorgan passou a esperar uma postura mais cautelosa do Banco Central. A estimativa para o próximo movimento da Selic foi revista de um corte de 50 pontos-base para uma redução de 25 pontos-base tanto na reunião de abril quanto na de junho. Com isso, a projeção para a taxa básica ao fim de 2026 subiu de 11,75% para 12,25% ao ano.
A avaliação do banco, no entanto, é que um ritmo mais lento de cortes no curto prazo não significa uma taxa final mais alta. Pelo contrário: ao preservar a credibilidade do combate à inflação, esse caminho tornaria mais factível uma Selic terminal de 10% em 2027, mantida como cenário central da casa. A incerteza em torno desse horizonte, contudo, permanece elevada, dado o impacto ainda difícil de mensurar do cenário internacional e das respostas de política econômica no Brasil.
Do lado fiscal, o JPMorgan reforça que a política orçamentária segue como o principal fator de risco para o balanço de crescimento e inflação. Medidas do governo para mitigar os efeitos do choque do petróleo, estimular o crédito e reduzir o endividamento das famílias podem suavizar parte do impacto negativo sobre a atividade, mas também adicionam complexidade ao trabalho do Banco Central, especialmente em um ano marcado por maior sensibilidade política.
Exame - SP 23/04/2026
O Goldman Sachs reduziu a projeção para o corte da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O banco americano agora espera uma queda de 25 pontos-base na Selic em abril. Na estimativa anterior, previa uma redução de 50 pontos-base. A revisão levou em conta a deterioração do cenário inflacionário no Brasil.
A reunião de abril do Copom ocorre nas próximas terça e quarta-feira, 28 e 29. E, na avaliação dos analistas da instituição financeira, o ambiente atual exige "prudência" da autoridade monetária.
"Esperamos que a Selic atinja 13% até o final de 2026 e 10,75% até o final de 2027", disse o banco em relatório.
O Goldman destaca que, embora o ciclo de flexibilização monetária siga em curso, a estratégia mais conservadora seria até mesmo interromper temporariamente os cortes. "A abordagem mais prudente seria interromper o ciclo de normalização das taxas para obter maior visibilidade sobre os choques positivos de demanda e negativos de oferta em curso", afirmam os analistas.
Expectativas desancoradas e cenário global mais incerto
Os apontamentos do Goldman acompanham a deterioração das expectativas de inflação no Brasil. No último Boletim Focus, divulgado na segunda, 20, o mercado revisou para nova alta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pela sexta semana consecutiva. A estimativa agora é de que a taxa fique em 4,80%, acima dos 4,71% registrados na semana anterior.
O mercado também revisou para cima a inflação de 2027, projetando-a em 3,99%, enquanto a expectativa para 2028 foi mantida em 3,60%. O Focus também troue uma elevação de 0,50 ponto percentual da Selic para o ano, com os juros encerrando em 13% até o final de 2026, mesmo expectativa do banco americano.
O Goldman acredita que, apesar da exigência de prudência, a avaliação é que o Copom deve optar, por ora, apenas por reduzir o ritmo de afrouxamento.
Mas a instituição financeira também afirma que a inflação no Brasil permanece elevada e persistente, e que o quadro se tornou ainda mais desafiador nas últimas semanas diante da guerra no Irã, que vem elevando o preço do petróleo no mundo.
"A inflação no Brasil tem se mantido elevada há um longo período, e o cenário acaba de se tornar ainda mais desafiador. O forte choque nos preços do petróleo e do gás, desencadeado pelo conflito no Oriente Médio, está adicionando mais uma camada de complexidade a um ambiente inflacionário já exigente", disseram os analistas.
Perda de âncoras inflacionárias
Um dos pontos de maior preocupação é a perda das chamadas "âncoras" inflacionárias. "Os dados de inflação de março e abril sugerem que as duas principais 'âncoras' da inflação até então, alimentos e combustíveis, estão enfraquecendo". Ao mesmo tempo, o banco observa aceleração nos preços de bens industriais e manutenção de níveis elevados na inflação de serviços, que segue entre 5% e 7%.
"A inflação está se tornando mais disseminada, com o índice de difusão do IPCA subindo para 67,4% em março, e a inflação de serviços permanecendo resiliente entre 5% e 7%", afirma o banco.
Outro fator que reforça o tom de alerta é a deterioração das expectativas. A projeção mediana para a inflação de 2026 subiu para 4,80%, ultrapassando o teto da meta, de 3%.
Na avaliação do Goldman, o Brasil enfrenta hoje uma combinação desafiadora de choques. De um lado, um choque negativo de oferta, com a alta dos preços de energia; de outro, um impulso positivo de demanda, decorrente de estímulos fiscais e de crédito. Esse cenário, somado a um mercado de trabalho apertado e ao crescimento da renda, dificulta a convergência da inflação para a meta.
"Dada a postura expansionista da autoridade fiscal antes das eleições de outubro, a política monetária é vista atualmente como a única âncora macroeconômica crível na economia. O Copom deve manter uma calibração cautelosa até que a trajetória da inflação forneça um 'sinal verde' para acelerar cortes ou um 'sinal vermelho' para parar totalmente o ciclo, caso as projeções continuem acima da meta", conclui o banco americano.
Valor - SP 23/04/2026
Assim como vários concorrentes, a empresa colocou o cobre no centro de seus planos de crescimento
A BHP elevou sua projeção para investidores para o negócio de cobre, no centro de seus planos de crescimento, ao mesmo tempo que confirmou um aguardado acordo de fornecimento com a China para sua lucrativa divisão de minério de ferro.
A maior mineradora do mundo em valor de mercado afirmou na quarta-feira que agora espera que a produção de cobre no ano até junho fique na metade superior de sua faixa de projeção de 1,9 milhão a 2 milhões de toneladas métricas. Há apenas três meses, a companhia revisou essa projeção de uma faixa anterior de 1,8 milhão a 2 milhões de toneladas.
A empresa também melhorou suas estimativas de custos para a mina de Escondida, no Chile, onde opera a maior operação de mineração de cobre do mundo.
A produção de cobre da BHP no terceiro trimestre foi 3% menor do que no trimestre anterior e 7% abaixo do mesmo período do ano anterior, ficando ligeiramente aquém das expectativas do mercado.
“O ponto principal é que a BHP tem operado bem no cobre, especialmente em Escondida, antes da esperada queda nos teores nos próximos anos”, afirmou o Jefferies em nota a clientes.Há pouco, as ações da mineradora listadas nos Estados Unidos subiam 2,55% no pré-mercado.
A BHP anunciou em fevereiro que o cobre, pela primeira vez, respondeu pela maior fatia dos lucros da mineradora — superando o minério de ferro, que por muito tempo foi o principal motor de ganhos.
Ainda assim, o minério de ferro “fez o trabalho pesado” no terceiro trimestre fiscal da BHP, disse o analista da RBC Capital Markets, Kaan Peker. A produção nessa divisão foi 2% maior na comparação anual, levemente acima das estimativas dos analistas.
“É importante notar que a BHP concluiu as negociações de contratos de venda de minério de ferro com o China Mineral Resources Group”, afirmou Peker.
No relatório trimestral, a BHP disse que concluiu as negociações contratuais com o comprador estatal chinês de minério de ferro, sem fornecer mais detalhes.
O acordo encerra um impasse de meses entre a maior mineradora do mundo e o maior comprador global de minério de ferro, que vinha afetando o mercado do insumo siderúrgico desde setembro.
Embora a BHP tenha reiterado aos investidores que continuava vendendo o minério de ferro produzido, analistas afirmaram que a China parecia estar assumindo maior controle sobre os preços, em detrimento das grandes mineradoras do setor.
A BHP disse que o preço médio do minério de ferro no acumulado do ano fiscal está 2% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. A companhia é a terceira maior produtora global de minério de ferro, atrás da Vale e da Rio Tinto.
Assim como vários concorrentes, a BHP colocou o cobre no centro de seus planos de crescimento, projetando aumento da demanda pelo metal industrial utilizado na fabricação de veículos elétricos, infraestrutura de energia e centros de dados. Nos últimos anos, a mineradora tentou diversas vezes adquirir a rival Anglo American para impulsionar seu negócio de cobre, mas sem sucesso.
A BHP, já a maior produtora mundial do metal, afirmou anteriormente que não depende de aquisições e que possui reservas suficientes de cobre em seu portfólio para desenvolver.
“A questão agora é se a BHP começará a acelerar seu compromisso de crescimento no cobre”, afirmou o Jefferies em sua nota.
O presidente-executivo da BHP, Mike Henry, que será sucedido pelo chefe das Américas, Brandon Craig, em julho, disse na quarta-feira que a mineradora continua avançando de forma consistente em seus planos de crescimento no cobre.
Henry também buscou tranquilizar os investidores de que a gigante da mineração está bem posicionada para lidar com a volatilidade do mercado em meio ao conflito no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e de diversas matérias-primas.
“Nossa capacidade de compras centralizadas e nossas operações de baixo custo nos posicionaram de forma vantajosa diante da pressão generalizada sobre os custos de energia e insumos decorrente do conflito no Oriente Médio”, disse Henry.
Diário do Comércio - MG 23/04/2026
Os preços do minério de ferro subiram nesta quarta-feira, à medida que uma onda de reabastecimento por parte das siderúrgicas chinesas antes do feriado neutralizou as preocupações com aumento da oferta após o fim de uma disputa contratual de meses entre a BHP e a China.
A BHP, terceira maior fornecedora de minério de ferro do mundo, informou que concluiu as negociações do contrato de venda de minério de ferro com o China Mineral Resources Group (CMRG), comprador estatal da China para minério de ferro.
A Reuters informou na semana passada que o CMRG havia suspendido as proibições de aquisição do minério da BHP depois que os principais executivos da mineradora visitaram a China.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com alta de 0,32%, a 786,5 iuanes (US$ 115,32) a tonelada. O contrato atingiu o nível mais forte desde 8 de abril, em 790 iuanes, no início da sessão.
Já o minério de ferro de maio, referência na Bolsa de Cingapura, avançava 0,28%, a US$ 107,2 a tonelada, o maior valor desde 30 de março.
“Como a negociação do contrato a termo (entre BHP e CMRG) foi finalizada, os fatores baixistas foram amplamente precificados”, disseram os analistas da corretora Yongan Futures em uma nota.
“A demanda de curto prazo é robusta no período que antecede o feriado, dando suporte aos preços, de modo que os preços se consolidarão no curto prazo.”
As siderúrgicas chinesas normalmente reabastecem a matéria-prima antes do feriado do Dia do Trabalho, de 1 a 5 de maio.
Money Times - SP 23/04/2026
A mineradora Samarco, joint venture da Vale (VALE3) com a BHP, produziu 3,8 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro no primeiro trimestre, alta de 18% na comparação com o mesmo período de 2025, conforme prévia operacional divulgada nesta quarta-feira.
O resultado, segundo a empresa, confirma “níveis de produção em um patamar estruturalmente mais elevado”.
Na comparação com o quarto trimestre, porém, houve recuo de 3% na produção, em função de efeitos sazonais, disse a Samarco.
As vendas, por sua vez, somaram 3,2 milhões de toneladas entre janeiro e março, alta de 12% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e queda de 37% ante o trimestre anterior, informou a companhia.
“Após um quarto trimestre excepcionalmente forte, beneficiado pela antecipação de embarques, os volumes de vendas se normalizaram, resultando em um perfil de embarques mais equilibrado no início do ano, ainda superior ao nível observado no ano anterior”, disse a companhia.
O preço médio realizado de pelotas foi de US$130,3 por tonelada no primeiro trimestre, queda de 8% na comparação anual, mas alta de 2% na comparação trimestral, refletindo melhora sequencial na dinâmica de preços, segundo a Samarco.
Por Reuters
A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
Valor - SP 23/04/2026
Desafio para o país está em reduzir obstáculos para atrair empresas interessadas em atuar de maneira mais perene, e não apenas na lógica extrativista, diz especialista
Enquanto as potências globais redesenham suas cadeias de suprimentos sob a pressão de guerras e desafios atrelados à crise climática, o Brasil tem a oportunidade de emergir no cenário internacional como uma peça-chave no tabuleiro da descarbonização industrial, segundo o geólogo britânico e diretor-técnico da Brazil Iron, empresa sediada no Reino Unido que mantém uma subsidiária em Piatã, cidade da Bahia localizada na região da Chapada Diamantina, rica em minério de ferro e manganês.
A companhia ocupa uma área de 430 km² no estado baiano e aguarda licenças ambientais para operar completamente, mas já projeta investir US$ 5,7 bilhões nos próximos cinco anos para explorar o potencial de “ferro verde”, expressão usada para se referir à produção de ferro e aço com um processo de baixa emissão de carbono.
Em entrevista ao Valor, o geólogo britânico afirmou que o setor siderúrgico passa atualmente por uma "bifurcação". Segundo ele, de um lado, está o minério de baixa qualidade, dependente de combustíveis fósseis que tem perdido valor agregado diante de mecanismo como o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono (CBAM) da União Europeia – regulamentação que taxa a importação de produtos como aço, alumínio e cimento com base nas suas emissões de carbono. Neste contexto, o Brasil tem vantagens naturais que precisam ser aproveitas, diz ele. E uma das principais é a capacidade de fornecer energia limpa para o processo de produção siderúrgico.
"O mundo precisa de ferro para descarbonizar, e não há como fugir do fato de que o Brasil tem o que o mundo precisa. O Brasil é onde a energia limpa está disponível", comenta o geólogo da Brazil Iron.
Davies explica que a capacidade de gerar energia limpa no Brasil, especialmente no Nordeste, é fundamental para abastecer os chamados fornos elétricos a arco (EAF, na sigla em inglês), fundamentais para substituir os altos-fornos movidos a carvão na fabricação de aço.
A indústria do ferro representa aproximadamente 8% das emissões de carbono global. E dentro da indústria siderúrgica, essa representação é cerca de 25%. Portanto é uma questão com a qual todos teremos que lidar e quem estiver no Brasil estará em vantagem no caminho da descarbonização”, avalia.
Davies vê a combinação de reservas de minerais críticos do Brasil e a oferta de energia limpa como um grande diferencial estratégico para o país no século XXI. O desafio para o país está em reduzir obstáculos para atrair empresas interessadas em atuar de maneira mais perene, e não apenas na lógica extrativista. “O ideal é desenvolver estratégias para vender não somente para a China, que é o grande comprador, mas também para países como Estados Unidos e Japão. É o que queremos fazer com o ferro verde a partir de nossa produção na Bahia. Isso ajudará a desenvolver localmente a região”, diz.
Em relação ao cenário externo com países aumentando gastos em armamentos e guerras, o que naturalmente tende a reduzir financiamentos públicos para a descabonização, Davies observa que este mesmo problema joga luz para a necessidade de se olhar para fontes de energia alternativa. “A guerra atual [no Irã] está gerando justamente uma crise energética por causa do petróleo”, diz. “Então, a descarbonização continua sendo uma oportunidade em termos energéticos. O ritmo da transição pode diminuir, mas o movimento não vai parar”.
Globo Online - RJ 23/04/2026
De olho em medidas de impacto que possam melhorar popularidade em ano eleitoral, o governo federal inicia nesta quarta-feira um novo modelo de financiamento de imóveis com ampliação do Minha Casa Minha Vida para os brasileiros da classe média. Entre as medidas, estão previstas a redução dos juros e a ampliação do público com permissão de adesão para quem ganha até R$ 13 mil. A partir de agora, poderão ser incluídos no financiamento imóveis de até R$ 600 mil. Começam a valer nesta quarta-feira também as mudanças no programa de reformas de casas.
Novos valores máximos dos imóveis
Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade;
Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil;
Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil.
Reforma de casas
Também começará a valer a ampliação do programa para reforma de casas, anunciada semana passada pelo governo federal. Entre as medidas, estão previstas a redução dos juros, o aumento do ticket máximo da reforma de R$ 30 mil para R$ 50 mil e a ampliação do público com permissão de adesão para quem ganha até R$ 13 mil. Antes, o programa de reforma de casas era aberto para quem ganhava até R$ 9,6 mil.
Com relação aos juros, as taxas são atualmente de 1,17% para quem ganha até R$ 3,2 mil e de 1,95% para quem tem faixa de renda superior. Agora, a taxa será uniformizada em 0,99% ao mês para qualquer faixa de renda. O governo também estendeu o prazo de amortização para 72 meses. Antes, era 60 meses.
Para viabilizar essas e outras medidas, o governo confirmou um aporte adicional de R$ 20 bilhões provenientes do Fundo Social do Pré-Sal para o programa Minha Casa, Minha Vida. Esse novo volume de recursos visa garantir a contratação de um milhão de unidades habitacionais neste ano.
— Vamos aportar R$ 20 bilhões do fundo social chegando no orçamento recorde R$ 200 bilhões — disse o ministro das Cidades, Vladimir Lima, em evento na semana passada.
O anúncio foi feito semana passada durante reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros e representantes do setor da construção civil no Palácio do Planalto.
Reforma de casas
Também começarão a valer a ampliação do programa para reforma de casas, anunciada semana passada pelo governo federal. Entre as medidas, estão previstas a redução dos juros e a ampliação do público com permissão de adesão para quem ganha até R$ 13 mil. Atualmente, o programa de reforma de casas é aberto para quem ganha até R$ 9,6 mil e agora passará para R$ 13 mil, igualando-se ao teto do Minha Casa, Minha Vida.
Com relação aos juros, as taxas são atualmente de 1,17% para quem ganha até R$ 3,2 mil e de 1,95% para quem tem faixa de renda superior. Agora, a taxa será uniformizada em 0,99% ao mês para qualquer faixa de renda. O governo também estendeu o prazo de amortização para 72 meses. Antes, era 60 meses.
Grandes Construções - SP 23/04/2026
O cenário para a construção civil em abril de 2026 tem sido marcado por uma dualidade entre crescimento resiliente do mercado interno e riscos inflacionários externos.
A continuidade dos conflitos geopolíticos entre EUA, Israel e Irã gerou um "choque energético", elevando o preço do petróleo e do diesel.
Isso pressiona diretamente os custos de frete e de insumos derivados, como asfalto e tintas.
A análise integra o “Boletim da Construção” de abril, publicado pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
Segundo o levantamento, o custo total da construção (SINAPI) acumulou alta de 6,7% em 12 meses, com a mão de obra subindo 9,9% e os materiais, 4,4%.
O emprego formal demonstrou forte resiliência, atingindo a marca de 3 milhões de trabalhadores no Brasil em fevereiro, alta de 3% em um ano.
A expectativa de atividade nacional permanece estável e em nível elevado de confiança (51,3 pontos), embora o estado de São Paulo tenha retornado ao nível de pessimismo (43,8 pontos).
Há sinais de arrefecimento no consumo de materiais básicos.
O consumo aparente de cimento apresentou viés negativo em fevereiro (-0,3%), enquanto o de aço longo manteve trajetória de queda, reduzindo 3,1% no período de um ano.
O destaque positivo é o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que atingiu recordes históricos com a expansão de 38,5% nos lançamentos e de 12,1% nas vendas em 12 meses.
Em contraste, o mercado total de lançamentos residenciais teve uma leve queda de 1% em dezembro.
Em termos de financiamento e investimentos, as operações com recursos do FGTS para novos imóveis cresceram 19,8% no ano.
O financiamento via SBPE (poupança) continua prejudicado pelos juros elevados, registrando queda de quase 20% em 12 meses.
O Investimento do Governo Central em obras e instalações caiu 2,1% no acumulado de um ano, apesar de um leve crescimento no investimento total.
Já o preço dos imóveis (IGMI-R) acelerou 19,7% no período de um ano, crescendo em ritmo significativamente superior aos custos de construção (INCC-DI), que subiram 5,7% no mesmo intervalo.
Valor - SP 23/04/2026
Alta do preço do petróleo pode atrapalhar margem de empresas, principalmente do Minha Casa, Minha Vida, diz analista
As incorporadoras listadas na bolsa tiveram um primeiro trimestre com mais lançamentos e vendas do que no mesmo período de 2025. Levantamento com as prévias operacionais divulgadas por 14 empresas mostra uma alta de 2,6% no valor lançado e de 16,8% nas vendas líquidas. O cenário internacional, porém, pode atrapalhar o bom momento.
André Mazini, chefe da equipe de análise do Citi para a América Latina, afirma que o banco não está otimista com as empresas de construção civil, e o culpado é o petróleo. Até esta quarta-feira (22), o petróleo Brent subia quase 41% desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, dia 28 de fevereiro. Não há sinais de arrefecimento, uma vez que a passagem de navios pelo estreito de Ormuz continua inconstante.
O petróleo responde por 40% dos custos da produção de cimento e também afeta outros materiais das obras, como aço e revestimentos. Neste mês, o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou ao Valor que seria “quase inevitável ter que passar isso de alguma forma” aos clientes.
Essa situação pode se refletir em um custo de obra mais elevado, em um momento no qual os materiais de construção estavam com preço comportado e segurando a inflação do setor, enquanto a mão de obra encarece.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) sobe 5,81% nos últimos 12 meses até março, com alta de 9,04% para o segmento de mão de obra e de 3,55% para o de materiais e serviços.
O problema está no petróleo, e é muito difícil mensurar o efeito no custo total”
— Piero Trotta
Para a mão de obra, pode haver novo encarecimento a depender das discussões sobre o fim da escala 6x1, praticada na construção civil. Já a situação dos materiais pode mudar a depender do comportamento do petróleo, destaca Mazini.
“Uma preocupação nossa e acreditamos que também do mercado é que o problema está no petróleo, e é muito difícil para nós ou para as próprias incorporadoras mensurar o efeito no custo total, porque você tem diversos fornecedores”, ressalta Piero Trotta, analista do Citi.
As empresas que atuam no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que vinham apresentando os melhores resultados por causa do impulso dado pelo programa - e da alta taxa de juros, que atrapalha o comprador de média e alta renda -, podem ser as mais afetadas pela inflação dos materiais, afirma Mazini. Foi assim durante a pandemia, quando o INCC chegou a 17% em um ano.
Depois de feita a venda dentro do MCMV, o preço das unidades não é atualizado. “E ainda tem dois anos para construir, em cenário de custos bem diferente do que se imaginava em janeiro”, explica. “Pode contratar resultados de margem bruta piores.”
As vendas estavam fortes nos meses anteriores à guerra. As cinco principais incorporadoras do MCMV ampliaram suas vendas em 23% no quarto trimestre e em 16,9% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os mesmos períodos de 2024 e 2025.
Por sua vez, os lançamentos de média e alta renda podem sofrer reajustes durante a fase de obras, caso os materiais subam. As parcelas, nesse período, são reajustadas pelo INCC.
A boa notícia, para as incorporadoras, é que há espaço para subir o preço dos imóveis no MCMV, se necessário, destaca Mazini. Nesta quarta-feira (22), entraram em vigor as novas faixas de renda e de teto de preço dos imóveis no programa, que devem permitir uma acomodação dos preços. O valor máximo da renda familiar para a faixa 1 subiu para R$ 3,2 mil. Na faixa 2, passou a ser de R$ 6 mil. Na 3, de R$ 9,6 mil, e na faixa 4, de R$ 13 mil. Já o teto de preço passou de R$ 350 mil para R$ 400 mil na faixa 3, e de R$ 500 mil para R$ 600 mil na faixa 4.
Os analistas do Citi destacam que não é esperado um efeito “catastrófico” no preço dos materiais, mas a incerteza atrapalha a visão sobre o setor de baixa renda. “O mercado gosta de fazer conta e, quando ele não consegue, gera uma incerteza que às vezes torna a precificação dos ativos um pouco mais irracional”, afirma Mazini.
No setor imobiliário, o banco tem preferido apostar em ações de empresas de shoppings, que conseguem repassar a inflação com mais velocidade, com reajustes nos contratos de aluguel das lojas. O papel preferido, no momento, é o da Multiplan.
Incertezas à parte, a temporada de prévias operacionais das incorporadoras terminou com surpresas, como o desempenho considerado “fraco” da Cyrela, maior empresa do setor, com desaceleração de lançamentos e de vendas, e o bom desempenho da Eztec, que vinha de trimestres com poucos novos projetos. “Voltou a lançar em um patamar super relevante e também vendeu bem”, diz o chefe de análise do Citi, que credita essa melhora a uma falta de produtos de médio padrão no mercado.
A Tenda teve o melhor resultado, segundo o analista, superando expectativas de lançamento e com maior velocidade de venda. A Cury também veio bem, com mais um trimestre de geração de caixa, apesar de uma “leve queda anual de lançamentos, que continua super forte”, pondera.
A MRV “desapontou”, apesar da evolução das vendas no Brasil, que subiram 14% na comparação anual. A subsidiária americana do grupo, Resia, segue “difícil”, diz Mazini, e a geração de caixa no Brasil ficou aquém do esperado.
Money Times - SP 23/04/2026
A Vale (VALE3) informou ao mercado, nesta quarta-feira (22), que vai continuar negociando com o governo mudanças nos contratos da Estrada de Ferro Carajás e da Estrada de Ferro Vitória-Minas, conforme aprovado por seu Conselho de Administração. As negociações estão sendo realizadas com o Ministério dos Transportes, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a Infra S.A..
De acordo com o comunicado, o ajuste nos contratos de concessão espera criar mais previsibilidade, segurança jurídica e clareza sobre as regras para os investimentos associados às concessões. A perspectiva da empresa é de melhor eficiência operacional a longo prazo.
As concessões dessas ferrovias foram renovadas em 2020, na gestão de Jair Bolsonaro, por um prazo até 2057. Porém, o governo atual passou a questionar os valores dessa renovação, avaliando que:
a base de ativos foi subestimada e a Vale teria pago menos do que deveria pela prorrogação.
Isso levou, então, à abertura de um processo de repactuação em 2024.
O principal ponto em discussão é o pagamento adicional pela Vale, estimado em cerca de R$ 11 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 4 bilhões já foram quitados, enquanto o restante ainda depende de definição final no acordo.
Em paralelo, o governo busca garantir novos compromissos de investimento, com destaque para a conclusão da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), considerada estratégica para a expansão da malha ferroviária nacional.
Embora os valores estejam próximos de um consenso, as negociações seguem difíceis em aspectos jurídicos e na delimitação das obrigações da empresa. A etapa final ainda prevê análise de órgãos reguladores e do Tribunal de Contas da União (TCU), antes da formalização definitiva.
CNN Brasil - SP 23/04/2026
O grupo Comporte, controlado pela família Constantino (dona da Gol Linhas Aéreas), entrou nos preparativos finais para assumir de vez a operação de três ramais da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) -- o passo mais ambicioso da empresa, até hoje, no setor metroferroviário.
A "virada de chave" nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade está prevista para ocorrer no dia 21 de julho. Vencedora de um leilão organizado pelo governo de São Paulo e com 25 anos de concessão, a Trivia Trens precisará investir R$ 14,3 bilhões.
A operação assistida, com auxílio da CPTM, dura 12 meses. Depois disso, a estatal sai de cena e a companhia da família Constantino fica 100% responsável pelas linhas.
O contrato prevê oito novas estações e 22,6 quilômetros de expansão, além de renovação completa das vias permanentes, troca da rede aérea, novos sistemas de energia e de sinalização.
"Tudo isso permite uma operação mais confiável e com menos falhas. Aumenta o fluxo de trens, gera intervalos menores e traz uma melhoria de percepção dos usuários", disse à CNN o diretor de operações da Trivia, Paulo Ferreira.
Será a maior atuação até agora do grupo Comporte, que arrematou as concessões do metrô de Belo Horizonte e do Trem Intercidades São Paulo-Campinas (em parceria com a chinesa CRRC), incluindo a Linha 7-Rubi da CPTM.
Nenhuma delas transporta tanta gente como as três novas linhas, que movimentam cerca de 900 mil passageiros por dia.
Com a expansão dos ramais e as melhorias previstas, segundo o diretor, a expectativa da Trivia é atingir a marca de 1,2 milhão a 1,3 milhão de passageiros no médio prazo.
"Esse pacote de investimentos vai elevar a confiabilidade do sistema e atrair mais demanda", afirma Ferreira.
A Linha 13-Jade, que hoje termina nos arredores do aeroporto internacional de Guarulhos (SP), será estendida em quatro estações: Jardim dos Eucaliptos, São João, Presidente Dutra e Bonsucesso.
"Chegaremos ao coração da cidade, onde existe uma demanda bastante representativa."
Pedido de calma
O principal ciclo de investimentos da Trivia está nos seis a sete primeiros anos de concessão, com entregas entre 2031 e 2032.
Algumas estações já estão passando por alguma remodelação, com melhorias em questões como acessibilidade, piso e iluminação.
No entanto, a reforma total das estações e a troca das vias permanentes (trilhos e dormentes) começam só depois de julho, quando a empresa assumir plenamente as operações.
Ferreira tenta conter as expectativas de uma guinada no curtíssimo prazo e avisa que a melhoria de percepção dos passageiros será gradual: "É impossível, em uma operação tão grande, fazer mudanças radicais de forma imediata".
A Trivia já tem 1,8 mil funcionários em seus quadros e alcançará 2,4 mil quando assumir efetivamente. Todo o pessoal de operação e manutenção começou a atuar em campo. A CPTM tem se encarregado do treinamento das equipes para a passagem de bastão.
Uma das diferenças, segundo Ferreira, será na forma de agir dos agentes de segurança das estações. Eles serão renomeados como "agentes de atendimento e segurança".
"Queremos que eles passem 70% do tempo no atendimento aos usuários e apenas 30% com questões relacionadas à segurança. O foco tem que ser a empatia, a atenção ao cliente e a ajuda com informações", diz o executivo.
Máquinas pioneiras no Brasil
Para tocar as obras, a Trivia adquiriu cerca de 160 equipamentos de grande porte e importou da Áustria um maquinário de uso inédito em ferrovias de passageiros no Brasil.
O conjunto de equipamentos é formado pela renovadora de vias permanentes SMD 80 e pela desguarnecedora de lastro RM 80. Elas são capazes de substituir trilhos e dormentes, bem como limpar ou remover a pedra brita abaixo deles, sem desmontar as vias existentes.
Com as novas máquinas, o trabalho pode ser feito de cinco a dez vezes mais rapidamente do que por métodos tradicionais. Dois quilômetros de vias podem ser trocados em apenas 36 horas, afetando muito menos as operações.
A substituição envolve 173 quilômetros de vias, 290 mil dormentes e 309 mil metros cúbicos de brita movimentados.
Revista Ferroviaria - RJ 23/04/2026
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) propõe que o Ceará ganhe uma terceira ferrovia de cargas. O novo ramal ligaria os municípios de Santa Quitéria e Maranguape e seria destinado a escoar a produção de fosfato e urânio da usina de Itataia, conectando-se com a Transnordestina na Grande Fortaleza.
Essa interligação consta no Panorama da Infraestrutura Edição Nordeste, elaborado e apresentado pela CNI na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) em 2024, conforme noticiado pelo Diário do Nordeste.
Por enquanto, no entanto, a ideia não tem projetos ou tratativas formais em andamento, já que a TLSA (empresa responsável pela obra da Transnordestina) e o Ministério dos Transportes ponderaram que não há estudos em curso.
Segundo o estudo da CNI, o ponto final do ramal seria em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. A expectativa é de que a descarga das mercadorias aconteça nas proximidades do terminal logístico da empresa Transnordestina Logística S.A. (TLSA), em um dos pontos de interseção com a Ferrovia Transnordestina.
O coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Fiec, Heitor Studart, comenta o estudo, apontando que fica a cargo da concessionária, no caso a TLSA, a construção do ramal.
A Transnordestina tem a projeção de interligação com Itataia. Vai chegando até Maranguape, com previsão de terminal. Tem várias possibilidades de interligar as duas ferrovias, explica.
POR QUE CONSTRUIR UMA NOVA FERROVIA NO CEARÁ?
A solicitação da nova ferrovia por parte da Fiec envolve escoar a produção, sobretudo de fosfato da usina de Itataia, em Santa Quitéria, para exportação via Porto do Pecém.
Maranguape será uma das cidades que receberá terminais intermodais da Transnordestina, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MIDR).
A tendência é de que a TLSA faça no município um polo privado, já chamado anteriormente por Heitor Studart de joia da coroa pelo potencial de crescimento.
NOVA FERROVIA DEPENDE DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL PARA USINA, DIZ CONSÓRCIO SANTA QUITÉRIA
No mapa rodoviário da Superintendência de Obras Públicas do Estado do Ceará (SOP-CE) de 2026, constam ferrovias existentes e a Transnordestina, ainda em construção.
Não há, no entanto, nenhuma ferrovia, seja em planejamento, em construção ou já existente, saindo da região de Itataia rumo a Maranguape.
O Consórcio Santa Quitéria, parceria entre Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Galvani Fosnor Fertilizantes Fosfatados do Norte-Nordeste SA, descarta que esteja atualmente realizando estudos para construir uma ferrovia entre Santa Quitéria e Maranguape.
O transporte de urânio da usina, por se tratar de uma carga radioativa e sensível, segue processo legal de transporte, e o modal a ser adotado deve ser o rodoviário, de Itataia ao Porto do Pecém, com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Segundo a parceria, o fosfato para representa mais de 90% do minério encontrado na jazida de Itataia, e todas as estruturas logísticas são vistas como oportunidades importantes para apoiar a operação futura do projeto.
NOVA FERROVIA NO MEIO DO CEARÁ PODE APROVEITAR MALHA NÃO OPERACIONAL
O Estado tem, atualmente, duas ferrovias de cargas em operação. A primeira delas é a Ferrovia Fortaleza-São Luís, operada pela Ferrovia Transnordestina Logística (FTL).
A segunda, ainda em fase de testes, é a Ferrovia Transnordestina, na região Centro-Sul do Estado. Quando for concluída, ela chegará ao Porto do Pecém.
Heitor Studart reforça que, caso a ferrovia entre Santa Quitéria e Maranguape saia do papel, o transporte prioritário dela será de cargas e com potencial de concessão para a iniciativa privada.
Para isso, poderá utilizar trechos da malha não operacional da antiga Ferrovia Fortaleza-Crato, sob concessão da FTL e desativada integralmente, de forma oficial, desde 2013.
Constrói aproveitando o que puder, sai de Itataia direto para se interligar ao terminal que a TLSA está construindo para ser o intermodal dela em Maranguape, observa.
MARANGUAPE REÚNE FACILIDADES LOGÍSTICAS
Questionado sobre o melhor local para conectar por ferrovia à usina em Santa Quitéria, Heitor Studart definiu que a escolha por Maranguape é mais acertada, mantendo a ligação com a Transnordestina.
É mais perto do Pecém para exportação, e tem mais ligações rodoviárias, principalmente no 4º Anel Viário. Maranguape vai ser um polo muito importante. Maior parte do polo industrial da Grande Fortaleza está ali do lado (em Maracanaú), observa.
Em resposta aos questionamentos da reportagem, a TLSA e o Ministério dos Transportes afirmam que não há estudos ou tratativas em curso para a construção de ferrovias entre os municípios.
Revista Ferroviaria - RJ 23/04/2026
Uma parceria entre Vports, VLI e Multilift resultou na criação de uma nova alternativa logística para o transporte de ferro-gusa no Espírito Santo, com a implantação de uma moega ferroviária que deve iniciar operação no segundo semestre deste ano. A estrutura viabiliza a integração entre ferrovia e porto, com potencial de aumento da competitividade na exportação da commodity.
A moega, utilizada para recepção e descarga de cargas transportadas por trem, integra a ferrovia entregue pela Vports em 2024. Os trilhos, conectados à Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), receberam investimentos de R$ 16 milhões.
Segundo o CEO da Vports, Gustavo Serrão, a integração entre modais é estratégica para a eficiência logística. Permitir a integração entre modais é um passo fundamental para ampliar a eficiência e reduzir o custo logístico total, com ganhos para toda a cadeia. A distribuição de cargas, conforme as especificidades de cada porto, contribui para um sistema equilibrado e competitivo. Nesse sentido, a Vports tem avançado em iniciativas voltadas a maximizar a infraestrutura e potencializar a vocação de seus portos, afirma.
De acordo com a VLI, a nova estrutura contribui para a modernização da cadeia de transporte do ferro-gusa, com ganhos operacionais. A exportação de ferro-gusa, por meio da parceria com a Vports, aumenta a competitividade dos clientes usuários da ferrovia, uma vez que possibilita o embarque de navios maiores, em virtude do calado do porto. A parceria é, portanto, um importante passo no foco da VLI de gerar valor à cadeia logística dos nossos clientes, oferecendo também um transporte de baixo carbono, afirma o CEO da companhia, Fábio Marchiori.
O ferro-gusa é uma matéria-prima obtida a partir da redução do minério de ferro em altos-fornos e base para a produção de aço, sendo um insumo relevante para diversos segmentos industriais e com demanda no mercado interno e externo. No último ano, o Corredor Leste da VLI, por onde a carga será transportada, movimentou cerca de 16 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil), o que representa aumento de 10,5% em relação a 2024.
Para o CEO da Multilift, Rafael Fattorelli Carneiro, a iniciativa também tem impacto econômico regional. O aumento da competitividade logística fortalece o ambiente de negócios e amplia a capacidade do Espírito Santo de se posicionar como um corredor estratégico para exportação de commodities, afirma.
Na avaliação de Serrão, a implantação da moega ferroviária reforça a integração logística e o papel das parcerias no setor. A construção de soluções mais eficientes para o desenvolvimento econômico sustentável é uma missão da Vports. Iniciativas como essa demonstram, na prática, como a colaboração entre diferentes agentes do setor pode ampliar a competitividade, otimizar a infraestrutura existente e gerar valor para toda a cadeia produtiva, completa.
CNN Brasil - SP 23/04/2026
O governo brasileiro está pedindo adesão a um tratado internacional que deve baratear o leasing de vagões e locomotivas usados por concessionárias de ferrovias, segundo informou à CNN o ministro dos Transportes, George Santoro.
Em vigência desde 2024, o Protocolo Ferroviário de Luxemburgo criou um sistema integrado e permanente de registro das composições ferroviárias, facilitando o rastreio delas pelo mundo.
Além disso, reforça globalmente os direitos dos credores e fornecedores em caso de inadimplência, permitindo uma recuperação mais ágil dos ativos.
Tudo isso tende a acabar barateando o custo financeiro associado ao leasing ou à compra financiada de locomotivas e vagões, explica Santoro.
De acordo com o ministro, essa redução de custo é especialmente importante no atual momento vivido pelo setor, com investimentos bilionários das operadoras de ferrovias que renovaram suas concessões por 30 anos.
É o caso de empresas como Rumo (Malha Paulista), MRS Logística e Vale (Estrada de Ferro Carajás e Vitória-Minas). A VLI também está na reta final do processo para renovar a concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), que vence em agosto.
Santoro afirma ainda que a entrada em vigência do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia traz novas oportunidades para o setor.
Segundo ele, a importação de trilhos de países como Áustria pode ficar mais barata e acessível do que o material trazido da China, hoje predominante nas ferrovias brasileiras.
Além disso, equipamentos ferroviários produzidos no Brasil podem se tornar competitivos no mercado europeu com a isenção de alíquotas de importação pela UE, diz o ministro.
A Tribuna - SP 23/04/2026
O Porto de São Sebastião projeta crescimento com projetos de modernização que devem ampliar a capacidade operacional do terminal nos próximos anos. A expectativa é encerrar 2026 com até 1,6 milhão de toneladas movimentadas, o que representaria um novo recorde anual. Em 2025, o terminal movimentou 1,4 milhão de toneladas.
Administrado pelo Governo do Estado por meio da Companhia Docas de São Sebastião, o terminal registrou, em janeiro, 133,7 mil toneladas — o maior volume já apurado para o mês.
Segundo o diretor-presidente do Porto, Ernesto Sampaio, os resultados refletem um processo consistente de modernização da infraestrutura e de melhoria operacional.
“O Porto de São Sebastião vive um momento de transformação. Ampliamos nossa eficiência logística, diversificamos cargas e fortalecemos a relação com o setor exportador. O porto está preparado para assumir um papel cada vez mais relevante na logística paulista e nacional”, afirma.
O crescimento recente é impulsionado principalmente pelo agronegócio. O açúcar se consolidou como principal produto movimentado, colocando o terminal entre os destaques nacionais nesse segmento. Também integram a pauta de cargas produtos como barrilha, malte, cevada, coque de petróleo e trigo, este último retomado após cerca de 25 anos.
A localização no Litoral Norte paulista e melhorias na Rodovia dos Tamoios ampliaram o alcance logístico do Porto, facilitando o acesso a polos produtivos. Outro fator apontado é a profundidade natural do canal, que chega a cerca de 42 metros em alguns trechos e permite a operação de navios de grande porte sem necessidade frequente de dragagem.
Outro avanço estratégico é o novo acesso viário ao terminal, em fase final de execução. Com investimento de mais de R$ 51 milhões, o projeto cria uma rota direta entre as rodovias e o cais, permitindo que caminhões acessem o porto sem passar pelo Centro da cidade.
Nova área
Entre os projetos aguardados está o arrendamento do terminal multipropósito SSB01, em fase de modelagem pelo Governo Federal.
O empreendimento prevê até R$ 2,5 bilhões em investimentos privados para ampliação da infraestrutura portuária, incluindo a construção de novos berços de atracação, áreas operacionais e sistemas de recepção e expedição de cargas. A expansão vai inserir São Sebastião no mercado de cargas conteinerizadas.
A expectativa é que o terminal alcance capacidade anual de até 1,35 milhão de TEU (unidade de medida de um contêiner padrão) e cerca de 3,45 milhões de toneladas de granéis sólidos.
O Estado de S.Paulo - SP 23/04/2026
Mesmo que o Estreito de Ormuz volte a ser aberto, executivos e analistas do setor afirmam que a indústria não poderá mais contar com ele como antes. Para o estreito, não há como voltar ao normal.
Países de toda a região estão explorando a construção, expansão ou reabilitação de infraestruturas que contornariam o estreito.
E as nações que importam combustível da região estão correndo para garantir petróleo e gás de outros lugares, implementando medidas de conservação e recorrendo a alternativas como o carvão. É provável que essas estratégias mudem com o tempo. O uso atual do carvão pode dar lugar a maiores investimentos em energia solar e energia nuclear, por exemplo.
Não importa o que aconteça daqui para frente, o Irã não esquecerá como é fácil interromper o tráfego marítimo pelo estreito, o que significa que as empresas de energia e os consumidores devem se preparar para um futuro muito diferente.
“Desde o momento em que os mísseis começaram a cair e os drones a atacar, ficou muito claro que não haveria volta”, disse Badr Jafar, empresário que atua como enviado especial para assuntos comerciais e filantrópicos dos Emirados Árabes Unidos.
Para conter a atual crise energética, a Arábia Saudita e os Emirados redirecionaram parcelas substanciais do petróleo que produzem para portos distantes do Estreito de Ormuz, por meio de oleodutos construídos há anos em preparação para uma crise. O Iraque também começou recentemente a enviar uma pequena quantidade de petróleo para a Turquia por um oleoduto que tem entrado e saído de serviço há anos devido a conflitos políticos e armados.
Mais de 7 milhões de barris de petróleo estão sendo transportados para fora do Golfo Pérsico todos os dias por uma dessas rotas, um aumento em relação aos menos de 4 milhões de barris por dia antes da guerra, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).
Mas isso representa apenas uma fração dos 20 milhões de barris de petróleo que atravessavam o estreito diariamente antes da guerra. E os oleodutos não oferecem solução para países geograficamente isolados, como o Kuwait e o Catar. Eles também são de pouca utilidade para o transporte de alumínio, fertilizantes e outras mercadorias.
Por essas razões, sem mencionar os objetivos geopolíticos, a reabertura do estreito continua sendo muito importante. A centralidade do estreito é a razão pela qual os preços internacionais do petróleo despencaram 9% na sexta-feira, atingindo seus níveis mais baixos desde a segunda semana da guerra, depois que o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o estreito estaria “completamente aberto”.
Mas Teerã mudou de rumo no dia seguinte, depois que o presidente Trump deixou claro que as forças americanas continuariam bloqueando embarcações que viajassem de e para portos iranianos. Posteriormente, os Estados Unidos apreenderam um navio cargueiro com bandeira iraniana que, segundo Trump, havia tentado contornar o bloqueio americano.
Essa troca de golpes reforçou a ideia de que a livre passagem pelo estreito pode ser interrompida por qualquer potência mundial determinada a fazê-lo.
“O Estreito de Ormuz terá menos importância em 2030 ou 2035 do que tinha em janeiro”, afirmou Elliott Abrams, que atuou como representante especial para o Irã e a Venezuela durante o primeiro governo Trump. “As pessoas encontrarão alternativas.”
Algumas opções mais simples incluem a expansão de oleodutos, capacidade de armazenamento e portos existentes na Arábia Saudita e nos Emirados. Mas isso resolveria apenas uma parte do problema. A maioria dos países do Golfo não tem o benefício de acesso a outra costa que fique fora do estreito.
O Iraque, que está entre os países sem outra costa, propôs a construção de um novo oleoduto até o Mar Mediterrâneo, passando pela Síria.
Conflitos políticos frequentemente impediram tais projetos transfronteiriços no passado. Um oleoduto do Iraque, passando pela Arábia Saudita, até o Mar Vermelho, foi construído na década de 1980. Mas a Arábia Saudita o fechou em 1990, depois que Saddam Hussein, o líder iraquiano, invadiu o Kuwait.
Agora, com poucas alternativas viáveis, no mês passado o Iraque foi forçado a interromper a produção de cerca de três milhões de barris de petróleo por dia, segundo a AIE.
“É possível traçar belas linhas no mapa”, disse Robin Mills, diretor executivo da Qamar Energy, uma empresa de consultoria sediada em Dubai, nos Emirados. “Tentar fazer com que isso aconteça na realidade é outra história.”
Jafar, empresário dos Emirados e enviado especial, expressou otimismo de que a guerra possa inspirar o tipo de cooperação regional que antes era difícil de alcançar.
“Não há nada como um senso de urgência e a necessidade imperativa de nos desvincular desse ponto de estrangulamento para que possamos ver esse tipo de coisa se concretizando”, disse Jafar. “Não é impossível, longe disso.”
Esse tipo de infraestrutura provavelmente custaria bilhões de dólares — e potencialmente dezenas de bilhões para projetos maiores. Dito isso, crises como a que o mundo está enfrentando também são caras.
“Um ou dois meses de uma interrupção como essa já compensam o investimento”, disse Mills, referindo-se a projetos menores, como a expansão de alternativas já existentes.
É claro que nenhuma alternativa seria totalmente à prova de falhas, como o Irã demonstrou ao atacar instalações energéticas em toda a região. Mas ter mais opções torna mais difícil para os países interromperem o fornecimento de energia proveniente da região.
Os importadores de energia também estão agindo rapidamente para diversificar fora do Golfo Pérsico, seja comprando mais combustível dos Estados Unidos ou fazendo planos para reiniciar usinas nucleares. Essas tendências provavelmente serão duradouras, dizem especialistas em energia. Elas poderiam dar vantagem aos produtores de petróleo e gás que não estão à mercê de pontos de estrangulamento marítimos e acelerar a transição para longe do petróleo e do gás.
Mas reformular as rotas de comércio de energia para priorizar a resiliência — em vez da eficiência — será caro. Tais investimentos levarão tempo e provavelmente elevarão os preços da energia para os consumidores, disse Spencer Dale, que até recentemente era economista-chefe da petrolífera BP, com sede em Londres.
“O mundo está agora mais incerto, mais vulnerável do que antes”, disse Dale, atualmente professor visitante na London School of Economics and Political Science. A resposta racional é compensar isso, tornando o sistema energético mais resiliente às turbulências geopolíticas, afirmou ele. “Mas tudo isso tem um custo.”
Valor - SP 23/04/2026
Mediadores se esforçam para levar Washington e Teerã ao diálogo, para o qual as duas partes exigem concessões duras
Estados Unidos e Irã estão presos em uma batalha pelo controle do Estreito de Ormuz, um dos entraves para uma nova rodada de negociações de paz, com ambos os lados mantendo o uso de bloqueios à crucial passagem marítima como forma de pressão durante o atual cessar-fogo, estendido terça-feira, horas antes de expirar, pelo presidente americano, Donald Trump.
Numa demonstração de força, a Guarda Revolucionária do Irã apreendeu dois navios de carga no Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (22), no primeiro movimento do tipo desde o início da guerra, e disparou contra um terceiro, ampliando seu controle sobre a via estratégica.
Enquanto isso, a Marinha americana diz ter forçado 27 navios a darem meia-volta em razão do bloqueio aos portos iranianos, embora a empresa de rastreamento de cargos Vortexa tenha informado nesta quarta-feira que ao menos 34 petroleiros ligados ao Irã conseguiram contornar os navios dos EUA desde o início da medida, em 13 de abril.
A Casa Branca voltou a afirmar na quarta-feira que a trégua continuará por tempo indefinido enquanto aguarda que o Irã apresente uma proposta de paz, embora Teerã tenha manifestado não ter planos para tomar parte em negociações.
Os EUA querem desbloquear Ormuz e a entrega, por parte dos iranianos, de mais de 400 quilos de urânio enriquecido. Já o Irã quer um compromisso de paz definitivo para sentar-se à mesa de diálogo.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, estava preparado para viajar ao Paquistão na terça-feira, mas os planos mudaram após ter ficado claro para o governo americano que o Irã não enviaria sua delegação.
O presidente do Parlamento e principal negociador do Irã, Mohammed Qalibaf, afirmou que a reabertura de Ormuz era impossível diante do bloqueio americano, chamada por ele de “violação flagrante” da trégua.
“Vocês não alcançaram seus objetivos por meio da agressão militar e também não os alcançarão por meio de intimidação. O único caminho é reconhecer os direitos do povo iraniano”, afirmou ele, na resposta à extensão do cessar-fogo anunciada por Trump.
Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que, embora o país seja a favor de negociações, o “bloqueio e as ameaças são os principais obstáculos” à diplomacia.
A extensão da trégua por Trump representou um recuo em relação às ameaças de retomar os bombardeios contra Irã caso um acordo não fosse alcançado até esta quarta-feira. Mas ainda não há sinal de o Estreito de Ormuz será reaberto em breve para embarques de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), o que eleva a probabilidade de falta de oferta e de uma crise inflacionária mundial.
Com a incerteza em relação ao conflito, apesar da extensão da trégua, o barril do petróleo tipo Brent, referência mundial, com vencimento em junho fechou nesta quarta-feira em alta de 3,48%, cotado a US$ 101,91.
Trump atribuiu a necessidade de estender a trégua a divisões entre os líderes do Irã e quer uma “proposta unificada”. Segundo a emissora Fox News essa trégua poderia não durar mais do que cinco dias. Além das diferenças em relação a Ormuz, os dois lados continuam muito distantes em questões de longo prazo, como a situação dos programas nuclear e de mísseis do Irã e seu apoio a grupos militantes no Oriente Médio.
Alguns membros do governo iraniano e do comando militar, incluindo nomes na liderança da Guarda Revolucionária, interpretaram a continuidade do bloqueio americano como mais um sinal de que Trump não é confiável, segundo autoridades dos EUA e do Irã.
O líder da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, pressiona por uma postura dura nas negociações, segundo fontes com conhecimento da dinâmica das conversas .
Nesta quarta-feira, Trump disse que o Irã atendeu a seus apelos para não executar oito mulheres manifestantes. Nas redes sociais, ele que quatro delas seriam libertadas de imediato e outras quatro condenadas a um mês de prisão. "Valorizo muito que o Irã e seus líderes tenham respeitado meu pedido", escreveu o presidente dos EUA.
Teerã classificou toda a questão como uma fabricação e afirmou que Trump estava tentando salvar as aparências. “A falta de resultados no campo de batalha o levou a fabricar conquistas a partir de notícias falsas”, disse a Mizan, agência de notícias do Judiciário iraniano.
No outro front da guerra, Israel e Líbano devem retomar negociações diretas hoje em Washington. Na semana passada, Trump anunciou um cessar-fogo, que termina em 26 de abril. Embora o Hezbollah, apoiado pelo Irã, não faça parte formal do acordo, a trégua tem se mantido em termos gerais, apesar das acusações dos dois lados de novos ataques.
Valor - SP 23/04/2026
Desestocagem e menor prêmio de risco explicam recuo recente nos preços da commodity em relação ao pico, mas estoques baixos e fluxo limitado sustentam viés de alta
Ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha prorrogado o cessar-fogo na guerra com o Irã, os preços do petróleo operam em alta — embora a um ritmo moderado — e se encaminham para permanecer elevados. A justificativa, na leitura do Goldman Sachs, está no nível cada vez menor dos estoques globais de petróleo, que devem atingir mínimas históricas, mesmo em um cenário otimista.
Os analistas do Goldman observam que, de fato, os preços dos futuros de petróleo se afastaram dos níveis de maior estresse, em torno de US$ 120, embora os fluxos pelo Estreito de Ormuz estejam reduzidos. Três fatores estão por trás dessa melhora pontual, na visão do banco: um menor prêmio de risco; desestocagem antecipando uma esperada reabertura de Ormuz; e moderação nas compras no mercado “spot”.
Mas, ao se debruçar sobre o nível dos estoques de petróleo, o Goldman já começa a emitir sinais de alerta bastante preocupantes sobre a oferta de energia, diante da maior queda dos estoques de petróleo por dia desde 2017 neste mês de abril. Nos cálculos do banco, há uma redução acumulada de 474 milhões de barris de petróleo desde o início da guerra.
E, como os fluxos estimados de petróleo pelo Estreito de Ormuz seguem em apenas 10% do normal e uma recuperação dos fluxos tende a ser gradual, “a queda dos estoques globais deve continuar ao longo de maio ou além”.
Em outras palavras, “o aperto no mercado físico de petróleo continuará exigindo preços muito mais altos para entrega imediata de petróleo, em comparação aos preços para entrega futura, caso os agentes de mercado atribuam alta probabilidade de uma disrupção de curta duração”.
Como mostrou o Intraday, o mercado de petróleo tem sofrido um processo de fragmentação relevante. Embora os preços futuros tenham se distanciado dos US$ 120 e operem, agora, em torno de US$ 99, o preço do petróleo físico se mostra bem mais alto e os spreads entre os futuros mais líquidos e o Brent “spot” seguem bem mais altos que o de costume — um possível sinal de desconexão entre o otimismo dos mercados com um eventual fim da guerra e a realidade.
É nesse sentido que o Goldman emite outro sinal de alerta: a desestocagem não é sustentável, já que os estoques têm um limite natural. Ao mesmo tempo, a reserva global de petróleo armazenado em navios “está próxima de se esgotar”, já que o volume de petróleo que não é alvo de sanções em trânsito marítimo também está próximo das mínimas históricas.
“A partir desse ponto, o principal mecanismo de reequilíbrio, na ausência de recuperação da oferta, passa a ser a destruição de demanda.”
Jornal de Brasília - DF 23/04/2026
Os preços do petróleo subiram nesta quarta-feira (22) depois que a prorrogação da trégua do presidente americano, Donald Trump, com o Irã não compensou o longo bloqueio duplo do Estreito de Ormuz.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte para entrega em junho, a referência mundial, subiu 3,48%, a 101,91 dólares. É a primeira vez em mais de duas semanas que o Brent fecha acima dos 100 dólares.
Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate (WTI), para entrega no mesmo mês, subiu 3,67%, a 92,96 dólares.
O presidente Trump prorrogou o cessar-fogo com o Teerã por tempo indeterminado na noite de terça-feira, horas antes de a trégua terminar.
“Esta notícia acalmou os temores imediatos de uma escalada”, disse David Morrison, da Trade Nation.
No entanto, o anúncio não resolveu a situação no Estreito de Ormuz, onde, em tempos de paz, transitava um quinto da produção mundial de petróleo.
Nesta quarta-feira, Teerã descartou a reabertura desta crucial passagem marítima enquanto persistir o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos. Dois navios que tentaram cruzar o estreito para as exportações do Golfo foram apreendidos pelo Irã.
“A probabilidade de que esta guerra possa se estender muito além do fim deste mês está aumentando”, disse Morrison.
“Cada vez mais indicadores mostram que a escassez, em particular do combustível para aviação, se agrava”, disse Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management.
CNN Brasil - SP 23/04/2026
Um estudo inédito mostrou que as rodovias e o setor de saneamento lideram a agenda de PPPs (parcerias público privadas) e concessões nos estados da federação.
Segundo o levantamento da Radar PPP, que analisou o ciclo iniciado em 2023 até o primeiro trimestre deste ano, os entes estaduais já investiram R$ 160 bi durante o período, representando um crescimento de 28,7% ante o período entre 2019 e 2022.
Do volume total de investimentos, 46,5% corresponde às rodovias, que tiveram o melhor desempenho histórico, sendo impulsionado por novas concessões e modelos operacionais. O saneamento vem logo atrás, marcando 28,5%, que segue em alta após o Marco Legal, além de concessões estaduais que agitam o setor.
Já em relação às iniciativas mapeadas, o número registrado nos estados e no DF foi de 1.151.
Além das iniciativas, o número de contratos assinados também saltou 177% em crescimento, passando de 105 em 1018 para 291 até março deste ano.
"Ao fim de 2022 já havia sido registrado um crescimento relevante na comparação com o ciclo 2015–2018, tanto em termos de volume de iniciativas quanto na diversificação setorial e no avanço de projetos até etapas mais maduras", afirma a entidade.
Ainda segundo a empresa, os dados mais recentes sugerem a continuidade e, em alguns casos, a intensificação do movimento, com os estados desenvolvendo carteiras de investimentos mais robustas, além de assumir papel central na promoção da infraestrutura junto aos municípios.
Infraestrutura Social
Além dos segmentos de investimentos já consolidados, as áreas de Saúde, Educação, Habitação, e Sistema Prisional, despontam com forte potencial para a expansão de projetos nos próximos anos.
Entre os exemplos no setor estão a PPP das unidades educacionais na rede pública de ensino em Minas Gerais e as PPPs de hospitais regionais no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso do Sul e de escolas de tempo integral no Paraná.
Ao todo, 62 projetos atingiram o estágio de consulta pública desde 2023, sendo os segmentos de Cultura, Lazer e Comércio (10 iniciativas), Mobilidade (10) e Meio Ambiente (8) os mais beneficiados. Outros 49, que foram iniciados antes de 2023, também estão sob consulta.
Para a entidade, o movimento reforça que os governos estaduais têm dado continuidade às concessões e PPPs, mesmo durante a transição de governos.
Sem contar a data de início, os segmentos que lideram os projetos são Rodovias (em 23 iniciativas), Água e Esgoto (15) e Meio Ambiente (13).
Licitações nos estados
As licitações estaduais também aparecem dentro do levantamento, com 105 certames durante o período desde 2023, uma média de três por mês.
Dentre os processos, 46 foram iniciados depois do início do ciclo, o que representa que 18% das novas iniciativas chegaram à fase final de contratação.
Segundo a Radar PPP, o número tende a aumentar, projetando de 38% a 40% de aumento.
"Dado que no ano de fechamento do ciclo govermental, é comum surgir uma quantidade menor de novas iniciativas e de se observar uma quantidade maior de projetos alcançando a fase licitatória", diz um trecho do estudo.
Entre os projetos destacados estão a PPP do novo Centro Administrativo do governo de SP, que foi vencido pelo consórcio MEZ-RZK, além da concessão do Cais Mauá, em Porto Alegre (RS), e das concessões dos serviços de água e esgoto no Pará.
Em relação a novos contratos, o período 2023-2026 registrou novas iniciativas já assinadas, com Rodovias (18); Cultura, Lazer e Comércio (11); e Água e Esgoto (9) liderando os segmentos que mais licitaram no ciclo.
Entre os projetos assinados, por exemplo, está a concessão dos serviços de água e esgoto de 74 municípios no Sergipe, vencido pela Iguá Saneamento, com investimentos na casa dos R$ 6,3 bilhões, e o túnel imerso Santos-Guarujá, que teve leilão vencido pelo grupo Mota-Engil, e tem investimentos estimados em R$ 6,8 bilhões.
Se comparado com ciclos passados, as licitações e contratações apresentaram crescimento, passando de 97 licitações entre 2019 e 2022 para 105 no último período.
Já investimento estimado teve um aumento de 29,3% - saltando de R$ 124,7 bilhões entre 2019 e 2022, para R$ 161,2 bi desde 2023 até o primeiro trimestre deste ano.