Clipping Diário

01 | Abril | 2026

SIDERURGIA

CNN Brasil - SP   01/04/2026

O Brasil pode assumir um papel estratégico na descarbonização da indústria siderúrgica europeia, segundo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia).

A organização aponta que a produção de minério de ferro com baixas emissões no país, associada à exportação de insumos intermediários, pode reduzir de forma significativa o custo do chamado aço verde na Europa.

De acordo com o estudo Energy Technology Perspectives 2026, muitos polos industriais europeus enfrentam dificuldades para produzir aço de baixo carbono a custos competitivos, principalmente devido ao preço mais elevado da energia e às limitações estruturais de algumas plantas industriais.

Paralelamente, a pressão sobre a indústria europeia tem aumentado com o avanço de políticas climáticas mais rígidas, incluindo o mercado de carbono e taxação de produtos intensivos em emissão.

Nesse cenário, a IEA avalia que a importação de insumos produzidos em regiões com energia mais barata e de menor emissão, como o Brasil, pode se tornar uma alternativa mais eficiente.

O relatório destaca que o Brasil reúne vantagens relevantes, como disponibilidade de energia renovável competitiva e infraestrutura já consolidada na cadeia do ferro e do aço.

Com isso, o país poderia produzir ferro com baixa emissão e exportar esse material intermediário para processamento final em siderúrgicas europeias.

Segundo a IEA, nesse cenário, se produtores da Europa Ocidental importassem ferro de baixa emissão produzido no Brasil, o custo adicional do aço verde, hoje estimado em cerca de 20% acima do aço convencional, cairia para níveis próximos à paridade de preços.

Algumas empresas já avançaram nessa direção.

A Vale, por exemplo, lançou briquetes de minério de ferro produzidos com menor intensidade de carbono, que podem reduzir emissões na produção de aço e atender à crescente demanda por insumos siderúrgicos mais limpos.

Outra iniciativa é da britânica Brazil Iron, que desenvolve o projeto Ferro Verde, na Bahia, com foco na produção de minério, pelotas e ferro briquetado de redução direta com baixa emissão, apoiado em energia renovável. O projeto ainda está em desenvolvimento.

Em entrevista à CNN, o vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, Emerson Souza, destacou que a empresa, embora ainda não produza o insumo, já conta com clientes contratados na Europa, o que, segundo ele, reflete a crescente demanda por matérias-primas de menor emissão.

“Nesse contexto, a Brazil Iron se posiciona para atender essa demanda. As obras começam em 2026, com início de operação previsto para 2030. Os primeiros dez anos de produção já estão contratados com clientes estratégicos na Europa e na Ásia”, disse.

Na avaliação do executivo, a tendência deve se intensificar diante da expectativa de crescimento da demanda por insumos de menor emissão.

“A McKinsey & Company estima um déficit de 109 milhões de toneladas de ferro verde já em 2031. É um cenário de escassez que tende a orientar decisões de investimento desde agora”, concluiu Emerson.

ECONOMIA

Money Times - SP   01/04/2026

O acirramento do conflito no Oriente Médio provocou uma revisão generalizada nas expectativas econômicas para o Brasil. Itaú BBA, Santander e XP elevaram suas projeções para a inflação de 2026 para 4,5% — há um mês, a estimativa variava entre 3,8% e 3,9%. Para 2027, as previsões também subiram, situando-se entre 4% e 4,1%.

O impacto inicial ocorre pelo preço do petróleo, que encarece diretamente a gasolina, o diesel e o querosene de aviação. Contudo, analistas alertam para um efeito cascata que atinge fretes, seguros e custos de produção, pressionando os preços de alimentos, bens industrializados e vestuário.
Crise logística e fertilizantes

A logística global enfrenta gargalos críticos. O fechamento do Estreito de Ormuz e restrições impostas por grandes exportadores, como Rússia e China, limitam a oferta de fertilizantes.

Embora a safra brasileira atual já esteja cultivada, o Itaú BBA aponta riscos para o plantio do segundo semestre, o que pode reduzir a produtividade e elevar os preços dos alimentos no futuro.
Impacto nos transportes e energia

No cenário interno, a alta do diesel já elevou o custo do frete rodoviário, gerando tensões com caminhoneiros e ameaças de greve.

No setor elétrico, embora não haja crise hídrica imediata, o Santander incorporou possíveis impactos nas tarifas devido ao risco de acionamento de termelétricas movidas a combustíveis fósseis.
Risco de inflação inercial

Especialistas demonstram preocupação com a inflação inercial: o fenômeno em que a percepção de “tudo mais caro” faz com que os preços continuem subindo mesmo após o choque inicial passar.

Para o Santander, a persistência dessas pressões pode ampliar a difusão da alta de preços ao consumidor final. A incerteza sobre a duração da guerra e o tempo necessário para a reconstrução de refinarias e gasodutos bombardeados sugerem que os efeitos econômicos podem perdurar por meses.

 

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2026

Os investimentos no estado do Rio de Janeiro no triênio 2026-2028 devem contemplar cerca de 2 mil projetos totalizando R$ 526,3 bilhões, estima a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan-RJ). A previsão está na publicação Panorama dos Investimentos, divulgada nesta terça-feira (31).

Segundo o estudo, projetos em andamentos ou a serem iniciados somam 1.882, com investimentos de R$ 327,6 bilhões distribuídos por todas as regiões do estado e abrangendo diversos setores. Estão previstos ainda investimentos potenciais, em um total de 79, com valores de R$ 198,7 bilhões.

De acordo com o levantamento, na fase de implementação, estima-se um contingente médio de cerca de 607 mil trabalhadores ocupados por ano, que serão necessários para as obras. Já na fase de operação, os empreendimentos deverão demandar cerca de 638 mil empregos, consolidando efeitos mais permanentes sobre o mercado de trabalho. Do ponto de vista fiscal, a Firjan-RJ prevê a arrecadação associada aos investimentos em R$ 6,4 bilhões durante a execução dos projetos e em aproximadamente R$ 3,8 bilhões ao ano na fase operacional.

Para o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano (à esquerda na foto), apesar do momento geopolítico complicado no mundo, esses investimentos mostram uma confiança dos investidores, das indústrias e da cadeia produtiva no estado.

“A nossa estimativa é que haja um ganho no número de empregos e um aumento na contribuição em forma de tributos e impostos, o que trará esperança de dias melhores para o Rio”, disse o presidente.

Segundo o diretor de Competitividade Industrial, Inovação Empresarial e Comunicação Corporativa da Firjan, Maurício Fontenelle, três fatores ainda travam um maior potencial do Rio, como a infraestrutura. “Aonde quer que a gente vá, escuta falar da parte logística, principalmente rodoviária, mas também passa por ferroviária e aeroportuária.”

Fontenelle ainda ressaltou a questão da energia. “A gente tem ainda muito potencial para quantidade e qualidade do serviço de energia, principalmente fora da capital fluminense”, disse.

Ele também destacou a segurança pública. “Essa é outra área que a gente precisa trabalhar muito forte para destravar esses investimentos. Dois em cada três empresários olham para a questão da segurança pública para alocar seus investimentos”, afirmou o diretor.

O gerente de Infraestrutura da Firjan, Isaque Ouverney (à direita na foto), avalia que a segurança pública é um fator de competitividade importante para a decisão de investimentos, que impacta nos custos do frete por conta do alto valor do seguro e a necessidade de escolta.

“Essa é uma questão nacional que tem a ver com o mercado ilegal, como no roubo de carga, na receptação, na pirataria, no contrabando. Por isso entendemos que as ações efetivas de combate a esse mercado ilegal virão da integração entre União, estados e municípios no combate a esses diferentes elos”, afirmou o gerente.
Setores

O Panorama dos Investimentos destaca a importância do setor de energia, que concentra R$ 215,7 bilhões em investimentos em andamento, correspondentes a 65,8% do total mapeado. Nesse contexto, o segmento de petróleo e gás natural está em evidência, com aportes relevantes de empresas como Petrobras, Shell e Equinor voltados à exploração e produção.

Em infraestrutura, as concessões deverão trazer cerca de R$ 41 bilhões em aportes ao longo do período. “Destaca-se o início das obras de melhoria nas concessões rodoviárias mais recentes, como os projetos Rio–SP, que inclui a Presidente Dutra (BR-116) e a Rio–Santos (BR-101); o Rio–Valadares, que contempla as BR-116, BR-465 (antiga Rio–São Paulo) e BR-493 (Arco Metropolitano); além da nova concessão da BR-040 (Rio – Juiz de Fora)”, diz a Firjan.

No âmbito do projeto Rio–SP, são destaques as intervenções na Serra das Araras, com a implantação de um novo traçado para a pista de subida, obra fundamental para ampliar a segurança viária e garantir maior fluidez ao transporte de cargas.

“Vale destacar, ainda, a renovação da concessão ferroviária da Malha Sudeste, operada pela MRS Logística, os investimentos no novo terminal de minério de ferro no Porto de Itaguaí, nos terminais do Porto do Rio de Janeiro e a segunda fase do anel viário de Campo Grande”, diz o relatório.

Quanto à indústria de transformação, os investimentos somam cerca de R$ 25,6 bilhões, com destaque para o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub), que compreende a construção de complexo industrial, produção de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, consistindo no maior projeto nacional da indústria de defesa.

Até o momento, três submarinos convencionais já foram incorporados à frota da Marinha: Riachuelo, Humaitá e Tonelero. O quarto submarino convencional, o Almirante Karam (antigo Angostura), foi lançado à água em novembro de 2025. Já o lançamento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, o Álvaro Alberto, está previsto para 2034.

Em desenvolvimento urbano, os investimentos somam cerca de R$ 20,3 bilhões, sobressaindo os aportes a serem realizados pelas concessionárias na área de saneamento, com a meta de universalizar os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em 49 municípios fluminenses ao longo de 12 anos.

Infomoney - SP   01/04/2026

A atividade industrial da China cresceu em março no ritmo mais rápido em um ano, sustentada pela melhora da demanda, mostrou uma pesquisa oficial nesta terça-feira, um alívio bem-vindo para uma economia que luta contra as tensões da cadeia de suprimentos global e a volatilidade do mercado de energia.

A leitura mais forte alivia a pressão sobre os formuladores de políticas, embora a durabilidade desse crescimento esteja em dúvida, uma vez que o aumento dos preços da energia, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, e o aumento dos riscos de crescimento representam novos ventos contrários para os fabricantes que dependem das exportações e operam com margens reduzidas.

‘As perspectivas para o segundo trimestre não são claras neste momento, dado o impacto negativo dos altos preços da energia’, disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.
‘O mercado está cada vez mais preocupado com o risco de desaceleração do crescimento global e com a interrupção da cadeia de suprimentos.’

O índice oficial de gerentes de compras (PMI) do setor industrial subiu para 50,4 em março, ante 49,0 em fevereiro, acima do limite de 50 e atingindo o ponto mais alto em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas. O resultado superou a previsão dos analistas de uma leitura de 50,1 em uma pesquisa da Reuters.

O PMI do setor industrial esteve em contração durante a maior parte de 2025 e nos dois primeiros meses de 2026.

O WSJ noticiou que o presidente estaria disposto a encerrar campanha militar no Oriente Médio, mesmo com Estreito de Ormuz ainda parcialmente fechado

As exportações de mercadorias da China continuaram a impulsionar o crescimento em janeiro e fevereiro, após o superávit comercial recorde de US$1,2 trilhão do ano passado, impulsionado pela firme demanda global por produtos eletrônicos, principalmente semicondutores. O Ministério do Comércio da China disse na semana passada que o ímpeto parecia destinado a se manter, mesmo com a persistência das tensões geopolíticas.

No entanto, a guerra no Oriente Médio está gerando preocupações para os formuladores de políticas.

A pressão já era evidente na última pesquisa. O subíndice para os preços de compra das principais matérias-primas saltou de 54,8 em fevereiro para 63,9 em março, impulsionado pelo aumento dos preços das commodities a granel e pela aquisição mais rápida pelas empresas, informou o Escritório.

Os preços de produtos também aumentaram, embora em um ritmo mais modesto, sugerindo um poder limitado de fixação de preços.

O PMI não industrial, que inclui serviços e construção, também aumentou para 50,1, de 49,5 em fevereiro, segundo a pesquisa do Escritório Nacional de Estatísticas.

A pesquisa PMI desta terça-feira sugere que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China no primeiro trimestre provavelmente excederá 4,5%, o piso da meta de 4,5% a 5,0% de Pequim para este ano, disseram os analistas do ANZ.

O ANZ não espera mais cortes nos juros em 2026 ou 2027, uma vez que o crescimento ficou dentro da meta oficial, dizendo que, em vez disso, os formuladores de políticas provavelmente priorizariam medidas estruturais para amortecer o impacto do choque do petróleo.

Os líderes da China prometeram repetidamente mudar o motor do crescimento para o consumo interno a fim de reduzir a dependência da demanda externa. No entanto, as reformas de reequilíbrio levarão tempo e, à medida que as consequências da guerra se aprofundam, é provável que as empresas sintam a dor com mais intensidade no curto prazo.

‘Quando a situação global é incerta, a dependência da cadeia industrial da China aumenta, semelhante à situação no início da pandemia’, disse Dan Wang, diretor para a China do Eurasia Group.

‘No entanto, as exportações e o PMI podem enfrentar riscos no segundo semestre do ano, já que a questão iraniana pode levar a uma recessão nas principais economias, especialmente na UE, que é o destino comercial mais importante da China.’

CNN Brasil - SP   01/04/2026

O presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeff Schmid, alertou nesta terça-feira (31) contra a suposição de que os preços mais altos da energia terão apenas um efeito transitório sobre a inflação, considerando que a inflação estava próxima de 3% mesmo antes de a guerra do Irã desencadear um aumento nos preços do petróleo, e o progresso em direção à meta de 2% do Fed havia estagnado.

"Acho que não podemos ser complacentes em relação aos riscos para as expectativas de inflação", disse Schmid em comentários preparados para serem entregues ao Rotary Club de Oklahoma City, acrescentando que ele não se sente muito confortável com o fato de que a maioria das medidas de expectativas de inflação de médio e longo prazo tem se mantido bastante estável.

"Agora é nosso trabalho seguir com ações de política monetária que validem essas expectativas."

Schmid não especificou a que ações de política ele se referia exatamente, embora no ano passado ele tenha discordado duas vezes da decisão do Fed de cortar as taxas para apoiar um mercado de trabalho que ele considera amplamente equilibrado.

Na semana passada, os mercados financeiros refletiram apostas crescentes de que o aumento do preço do petróleo poderia forçar o banco central a aumentar as taxas ainda este ano para evitar a inflação, embora esta semana a opinião do mercado seja de que o Fed manterá as taxas estáveis.

Muitos dos pares de Schmid, incluindo o presidente do Fed, Jerome Powell, também já expressaram preocupação com a possibilidade de que os preços mais altos do petróleo desancorem as expectativas de inflação.

Mas eles também costumam dizer que, por enquanto, não há problema em esperar para ver o que acontece, ao mesmo tempo em que sinalizam os riscos para o crescimento e o mercado de trabalho caso, por exemplo, os consumidores reduzam seus gastos para garantir que tenham dinheiro suficiente para abastecer seus tanques de gasolina.

Schmid disse acreditar que os preços mais altos do petróleo causarão apenas um "pequeno impacto" no crescimento, e observou que as restituições de impostos mais altas este ano podem compensar o impacto no consumo decorrente dos preços mais altos da gasolina.

"A resiliência da economia dos EUA não deve ser subestimada", disse ele. Enquanto isso, o impacto dos preços mais altos do petróleo sobre a inflação é inequívoco, disse ele, e elevará não apenas a inflação geral, mas também os índices básicos, excluindo energia e alimentos, que o Fed vê como um sinal mais forte da direção que a inflação provavelmente tomará.

Os formuladores de política monetária do Fed devem pesar as ameaças às suas duas metas de inflação estável e emprego máximo, que às vezes exigem respostas de política monetária opostas, disse ele.

"Ao ponderar essas compensações, estou mais concentrado nos riscos para a inflação neste momento", disse Schmid.

Investing - SP   01/04/2026

O setor manufatureiro da China expandiu pelo quarto mês consecutivo em março, embora o crescimento tenha desacelerado à medida que as fábricas enfrentaram as pressões de custos mais acentuadas em quatro anos e as interrupções na cadeia de suprimentos se intensificaram.

O PMI de Manufatura Geral da China da RatingDog caiu para 50,8 em março, ante 52,1 em fevereiro, marcando o segundo melhor desempenho em seis meses. Uma leitura acima de 50 indica expansão.

A produção e os novos pedidos aumentaram durante o mês, estendendo as sequências de crescimento para quatro meses, embora ambos tenham se expandido em ritmos mais lentos do que em fevereiro. Os novos negócios de exportação também subiram, ainda que em um ritmo mais modesto.

O emprego cresceu pelo terceiro mês consecutivo, representando o período mais longo de criação de empregos desde meados de 2021. Os fabricantes aumentaram o número de funcionários à medida que os atrasos de trabalho cresceram em um ritmo mais rápido, refletindo restrições de capacidade e mudanças de pessoal.

As cadeias de suprimentos enfrentaram pressão notável, com os prazos de entrega se alongando na maior extensão desde dezembro de 2022. As empresas atribuíram os atrasos às interrupções na cadeia de suprimentos, preços voláteis de insumos e restrições de capacidade dos fornecedores.

A inflação dos preços de insumos acelerou para o nível mais alto desde março de 2022, enquanto os preços de produção aumentaram no ritmo mais acentuado em quatro anos. Ambas as taxas superaram suas médias históricas da pesquisa.

A atividade de compras se expandiu pelo terceiro mês consecutivo, enquanto os estoques de compras subiram ligeiramente. Os estoques de produtos acabados contraíram marginalmente à medida que as empresas atenderam pedidos a partir de estoques existentes.

Os fabricantes mantiveram uma perspectiva otimista de produção para 12 meses, citando demanda mais firme dos clientes, investimento em capacidade, novos produtos e políticas governamentais de apoio. O sentimento enfraqueceu em relação ao pico recente de fevereiro, mas permaneceu mais forte do que em dezembro e janeiro.

A pesquisa coletou dados de cerca de 650 fabricantes entre 12 e 23 de março.

IstoÉ Dinheiro - SP   01/04/2026

A queda de 0,25% nos preços dos produtos industriais na porta de fábrica em fevereiro foi decorrente de reduções em 13 das 24 atividades pesquisadas, segundo os dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça (31).

O recuo de 0,87% nos preços do segmento de alimentos deu a principal contribuição para o resultado do IPP, responsável por -0,21 ponto porcentual. Os preços dos alimentos recuaram pelo 10º mês consecutivo na porta de fábrica, acumulando uma queda de 10,00% em 12 meses. Em fevereiro, a redução de preços na atividade foi puxada pela queda nos açúcares.

“No caso dos alimentos, os açúcares foram os principais responsáveis pela queda. Esse movimento reflete tanto a redução dos preços no mercado internacional quanto a intensificação de promoções e descontos por parte das empresas no período, indicando um ambiente de maior negociação e aproveitamento de oportunidades de mercado”, disse Alexandre Brandão, gerente de Análise, Metodologia e Planejamento do IBGE, em nota.

Os veículos automotores também ajudaram a deter o IPP, com recuo de 0,68% e impacto de -0,05 ponto porcentual.

Na direção oposta, as principais altas foram registradas por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (1,73%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (1,44%), metalurgia (1,41%) e vestuário (1,32%). Metalurgia liderou o ranking de pressões, com impacto de 0,10 ponto porcentual, seguida por máquinas, aparelhos e materiais elétricos, 0,05 ponto porcentual.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   01/04/2026

A Vale Base Metals (VBM) poderá responder por aproximadamente 30% a 35% do Ebitda consolidado da Vale a partir de 2035, contra 22% em 2025, afirmou o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale (VALE3), Marcelo Bacci, nesta terça-feira.

A projeção, segundo o executivo, considera como premissas principais preços de longo prazo de cobre, níquel e ouro, com base na média das estimativas de analistas, disponíveis em fevereiro de 2026, além de projeções de produção de minério de ferro, níquel e cobre.

Bacci acrescentou que, em 2024, a VBM representou 10% do Ebitda da Vale e em 2026 deverá alcançar aproximadamente 26%, pontuando que a subsidiária de metais básicos “se tornará cada vez mais relevante ao longo do tempo” para a companhia.
“Isso foi feito, e vai continuar sendo feito, por meio de uma transformação de negócios muito importante”, disse Bacci, em apresentação durante encontro com investidores em Toronto, com transmissão pela internet.

Estrutura segue positiva no médio prazo, apesar da correção.

“Acho que esta equipe de gestão que temos hoje entregou uma revisão e uma reconfiguração incríveis das operações , que devem continuar a gerar valor e criar a oportunidade de um ‘re-rating’, especialmente dado o potencial de crescimento que temos.”

A mineradora brasileira estimou ainda nesta terça-feira que o fluxo de caixa livre da VBM em 2026 possa ficar em faixa aproximada entre US$400 milhões e US$1,9 bilhão, em termos reais, segundo apresentação a investidores.

A Vale reiterou que a VBM busca quase dobrar a produção de cobre, de 382 mil toneladas em 2025 para cerca de 700 mil toneladas em 2035, conforme a apresentação. Para níquel, a empresa indicou avanço da produção de 177 mil toneladas em 2025 para entre 210 mil e 250 mil toneladas em 2030.

Valor - SP   01/04/2026

As incertezas geopolíticas têm levado a commodity a andar de lado nos últimos dias, mas em um patamar elevado

O preço do minério de ferro recuou nesta terça-feira 31), na China, em meio às incertezas geopolíticas que têm levado a commodity a andar de lado nos últimos dias, mas em um patamar elevado, apontam analistas.

O contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em baixa de 0,8%, cotado a 808 yuans (US$ 116,8).

A demanda global por minério de ferro enfrenta atualmente incertezas significativas, já que tensões geopolíticas elevaram os preços do petróleo, aumentando os riscos de inflação e travando a recuperação da atividade manufatureira, segundo a consultoria Nanhua Futures.

Caso as tensões diminuam, preços mais baixos do petróleo podem favorecer a recuperação da demanda, acrescentam os especialistas da instituição.

Investing - SP   01/04/2026

O preço do minério de ferro caiu nesta terça-feira, depois que comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o fim da guerra contra o Irã aliviaram as preocupações relacionadas a um aumento dos custos de frete impulsionados pela alta dos preços do setor de energia.

No entanto, as expectativas de melhora da demanda por minério na China, principal mercado consumidor do insumo, e a disponibilidade cada vez mais restrita de cargas spot, juntamente com a ampliação das proibições de Pequim a mais produtos da BHP, mantiveram os preços do principal ingrediente siderúrgico a caminho de um ganho em base mensal.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,8%, para 808 iuanes (US$116,99) a tonelada. Em março, a alta de preços foi de 7,7%, marcando o maior ganho mensal desde julho de 2025.

O minério de ferro de referência de maio na Bolsa de Cingapura recuou 0,69% nesta terça-feira, a US$105,5 a tonelada, mas registrou alta de 7,8% no mês, o maior ganho mensal desde setembro de 2024.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado em grande parte, e deixar uma operação complexa para reabri-lo para uma data posterior, informou o Wall Street Journal na segunda-feira, citando funcionários do governo norte-americano.

Os comentários de Trump geraram expectativas de alívio na crise do fornecimento de energia, fazendo com que os preços do carvão caíssem, disse Guiqiu Zhuo, analista da corretora Jinrui Futures.

O Carvão metalúrgico e o coque, outros ingredientes de fabricação de aço, caíram 5,71% e 3,13%, respectivamente.

"A queda no preço do carvão arrastou para baixo outros produtos ferrosos; as preocupações com o aumento dos custos de frete, que haviam sustentado os preços do minério, também diminuíram", acrescentou Zhuo.

Os preços do minério registraram ganhos mensais, já que o mercado esperava que a demanda aumentasse em março, quando o consumo de aço normalmente melhora.

No entanto, a produção média diária de ferro-gusa, um indicador da demanda de minério de ferro, caiu 1,6% em março em relação ao mês anterior, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados da consultoria Mysteel.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   01/04/2026

Montadora ressuscita sua tradicional subsidiária de engenharia em uma tentativa de revitalizar seu espírito inovador e combater a ascensão das rivais chinesas

Os milhares de engenheiros da Honda Motor responsáveis pelo desenvolvimento automotivo passarão a integrar uma unidade de Pesquisa e Desenvolvimento a partir desta quarta-feira (1º). A montadora ressuscita sua tradicional subsidiária de engenharia em uma tentativa de revitalizar seu espírito inovador e combater a ascensão das rivais chinesas.

A Honda R&D foi criada a partir da Honda Motor em 1960, refletindo a crença do fundador Soichiro Honda de que um ambiente livre e independente fomenta a criatividade e a engenhosidade dos engenheiros.

A unidade realizava pesquisa e desenvolvimento sob encomenda, utilizando recursos da matriz, e revendia os projetos resultantes para a Honda.

Esse modelo de negócios liderado por engenheiros, sem interferência de decisões comerciais, fomentou a inovação. Em 1972, a Honda R&D desenvolveu o motor de combustão controlada por vórtice composto (CVCC) de baixa emissão, o primeiro a atender às normas de emissões dos Estados Unidos. O Civic, equipado com esse motor, teve boas vendas nos Estados Unidos, lançando as bases para o negócio de veículos de quatro rodas da empresa. Décadas depois, em 2020, o ex-presidente da Honda Motor, Takahiro Hachigo, decidiu reformular esse modelo de negócios fundamental. O fato de seus engenheiros desenvolverem tudo internamente diminuiu o ritmo dos negócios, prejudicando sua divisão de veículos de quatro rodas.

Ignorando as objeções internas, Hachigo fez com que a matriz absorvesse a unidade de Pesquisa e Desenvolvimento para adotar uma gestão focada em eficiência, que integrasse tudo, do planejamento de produtos à produção em massa.

O atual presidente da Honda, Toshihiro Mibe, que chefiava a área de Pesquisa e Desenvolvimento na época, apoiou a mudança, afirmando que "reformas ousadas eram necessárias para a sobrevivência". Mibe agora mudou de ideia e decidiu devolver a independência à unidade.

"Cinco ou seis anos atrás, era aceitável que a matriz assumisse a liderança", disse um executivo da Honda. "Mas agora o mundo mudou drasticamente."

Essa reversão pode ser vista como uma falha de gestão, mas a pressão das montadoras chinesas, com preços mais competitivos, não deixou outra escolha à Honda. "Não temos chance contra isso", disse Mibe durante uma visita a uma fábrica de autopeças em Xangai, no final de fevereiro. Da aquisição de peças à gestão logística, tudo na fábrica era automatizado e não havia humanos no chão de fábrica.

A fábrica, operada por um grande fabricante chinês de peças, também fornece para a Tesla, com sede nos Estados Unidos, e mantém uma qualidade consistente, ao mesmo tempo que reduz os custos de mão de obra. Mibe testemunhou em primeira mão a fonte da vantagem competitiva da China: rápido, barato e bom.

As montadoras chinesas podem desenvolver um novo modelo em cerca de 18 a 24 meses, metade do tempo que as montadoras japonesas levam. Elas também estão à frente em eficiência de produção e automação. A Honda está atrás em competitividade e enfrenta vendas fracas.

As vendas de veículos novos da Honda na China em 2025 caíram 24% em relação a 2024, para 640 mil unidades, marcando o quinto ano consecutivo de declínio.

Entre as concorrentes japonesas, a Toyota registrou um aumento nas vendas na China pela primeira vez em quatro anos, em 2025. Embora as vendas da Nissan tenham caído 6% no país, essa queda foi menor do que a de 12% em 2024.

A Toyota e a Nissan estão colaborando com fabricantes chineses para incorporar conhecimento técnico e estão lançando um retorno com veículos elétricos de baixo custo. A Honda, por sua vez, adiou o lançamento, previsto para 2025, de um modelo elétrico de ponta na China, sob uma nova marca local de veículos elétricos, após concluir que não atingiria as metas de vendas.

Em fevereiro, a Honda notificou seus fornecedores de peças chineses sobre seus planos de produção para 2026, que previam menos de 600 mil unidades. "É um plano extremamente decepcionante", disse um executivo de uma empresa de peças. "Mas nem estou surpreso com o plano que eles apresentaram."

A China costumava ser um dos principais motores de receita da Honda, que vendeu cerca de 1,6 milhão de unidades no país em seu auge, em 2020. Mas os números de vendas encolheram com o crescimento da concorrência chinesa, caindo para 640 mil unidades em 2025.

A capacidade de produção da Honda na China é de cerca de 1,2 milhão de unidades, com taxas de utilização das fábricas em torno de 50% a 60%. O ponto de equilíbrio para fábricas de automóveis é geralmente considerado em torno de 70% a 80%, com percentuais menores resultando em prejuízos.

A internalização da unidade de Pesquisa e Desenvolvimento há seis anos melhorou a eficiência do desenvolvimento, inclusive simplificando os procedimentos internos. Mas a Honda decidiu que era necessário dar à unidade de desenvolvimento uma forte autonomia novamente para realizar as reformas fundamentais necessárias para competir com a velocidade e as capacidades de desenvolvimento de software das rivais chinesas.

"Precisamos agir rapidamente" para digitalizar a produção, disse Mibe em uma reunião com fornecedores japoneses de autopeças no início de março.

No entanto, permanece incerto se o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento conseguirá expressar suas opiniões à matriz com a mesma força de antes. Toshihiro Akiwa, diretor de operações de desenvolvimento automotivo, que tem promovido os esforços de eletrificação, assumirá a presidência de Pesquisa e Desenvolvimento da Honda em abril.

"É duvidoso que a simples restauração da estrutura organizacional vá mudar alguma coisa", disse Takaki Nakanishi, analista-chefe do Instituto de Pesquisa Nakanishi.

O executivo da Honda admitiu que "mesmo que restauremos o instituto de pesquisa, não há garantia de que conseguiremos superar a China. Mas isso não significa que vamos nos render."

A Honda está posicionando a Índia como uma base fundamental para aprimorar sua competitividade. A empresa produzirá o veículo elétrico estratégico global 0 Alpha, com lançamento previsto para 2027, na Índia, onde os custos de mão de obra são baixos, vendendo-o no Japão e em outros países.

Em 16 de março, a subsidiária indiana da empresa divulgou imagens do Alpha iniciando os testes de estrada na Índia, escrevendo em uma publicação no X que isso marcava "um novo marco na jornada de eletrificação da Honda".

Valor - SP   01/04/2026

A Subaru assinou um contrato na terça-feira para uma linha de crédito comprometida de 100 bilhões de ienes (US$ 630 milhões), dando à montadora flexibilidade para tomar empréstimos para investimentos em áreas como híbridos e tecnologia de direção autônoma em um ambiente incerto.

Os principais bancos japoneses e instituições financeiras locais participam da linha de crédito, com o Mizuho Bank atuando como coordenador.

A linha de crédito de três anos inclui uma opção de prorrogação que permite à Subaru converter qualquer empréstimo em um financiamento com prazo de até sete anos, disse o diretor financeiro Shinsuke Toda ao “Nikkei Asia”.

Este é o primeiro acordo desse tipo para a Subaru, bem como a primeira nova linha de crédito de longo prazo divulgada por uma grande montadora desde o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra Irã e Líbano.

"Podemos usar isso para atender às necessidades de financiamento de médio a longo prazo, como investimentos em crescimento", disse Toda.

A decisão da Subaru de garantir financiamento ocorre em um momento delicado para a indústria automobilística. As tarifas americanas impactaram os lucros, e é difícil prever como as políticas do governo Trump irão se alterar.

Alguns investimentos agressivos de montadoras em veículos elétricos se mostraram contraproducentes. A Honda se prepara para grandes prejuízos, por exemplo. O conflito no Oriente Médio ameaça elevar os preços e as taxas de juros.

Enquanto isso, a demanda por financiamento na indústria provavelmente crescerá. Além do aumento na procura por veículos híbridos, a competição no desenvolvimento tecnológico se intensificou, com as montadoras chinesas impulsionando avanços em veículos inteligentes.

Embora a demanda global por veículos elétricos tenha arrefecido, investimentos ainda serão necessários a longo prazo para responder às mudanças climáticas. A Subaru viu uma vantagem em garantir uma fonte de financiamento flexível.

As finanças da montadora são estáveis. Seu índice de patrimônio líquido era de 52% no final de 2025, bem acima dos 30% considerados um indicador de saúde financeira, e a empresa possuía aproximadamente 1 trilhão de ienes em caixa líquido.

Embora seu fluxo de caixa livre nos nove meses até dezembro tenha caído aproximadamente 20% em relação ao ano anterior, impactado pelas tarifas, ele permaneceu positivo em 59,8 bilhões de ienes.

A Subaru está trabalhando no reequilíbrio de seus passivos. Em janeiro, a empresa anunciou planos para recomprar até 30 bilhões de ienes em títulos, divididos em quatro parcelas com vencimento até 2031.

"Queremos equilibrar nosso cronograma de pagamentos, levando em consideração o equilíbrio entre investimento em crescimento, retorno aos acionistas e estabilidade financeira", disse Toda.

CONSTRUÇÃO CIVIL

InfraRoi - SP   01/04/2026

O consumo de materiais de construção por construtoras e incorporadoras subiu nos dois primeiros meses de 2026, como aponta um levantamento do Ecossistema Sienge. Materiais de base avançaram 23,5% e de acabamento cresceram 53,7% nos dois primeiros meses de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025.

O índice considera janeiro de 2023 como referência (100 pontos) e usa esse patamar para acompanhar a evolução do consumo ao longo do tempo. Em média, o consumo de materiais de base – cimento, areia, blocos e aço – registrou 126 pontos em 2026, acima dos 102 de 2025 e dos 116,5 verificados em 2024. Já os materiais de acabamento — como pisos cerâmicos e tintas — alcançaram média de 176 pontos, contra 114,5 em 2025 e 129,5 em 2024, mantendo o consumo em patamar elevado na comparação anual.
Mercado imobiliário puxa consumo de materiais de construção

O aumento do consumo de materiais de acabamento nos primeiros meses do ano é explicado pelo desempenho recente do mercado imobiliário. De acordo com os Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025 da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), foram lançadas 453 mil unidades residenciais no país em 2025, alta de 10,6% em relação a 2024. O volume de vendas também permaneceu acima de 100 mil unidades, mesmo com a taxa básica de juros elevada.

Além disso, os números de consumo da construção civil entre dezembro e fevereiro são, historicamente, baixos. Com uma baixa métrica de comparação, qualquer oscilação de mercado para cima já aponta para um crescimento acima da média.
Crescimento por mês

Ao avaliar os dois primeiros meses do ano de forma isolada, em janeiro, o indicador marcou 130 pontos para materiais de base e 174 pontos para acabamento, patamar superior ao observado em janeiro de 2025, tanto em materiais de base quanto em acabamento. Já em fevereiro, os números foram 122 e 178 pontos para materiais de base e de acabamento, respectivamente, confirmando a tendência de alto consumo.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), a previsão para 2026 é de um avanço ainda mais significativo na eficiência do setor. A industrialização da construção e a crescente adoção de soluções sustentáveis são algumas das questões que devem impactar diretamente o consumo de materiais, com os produtos de acabamento superando a marca dos 30% de participação nas compras totais, afirma a entidade.
Metodologia do estudo

Os dados são da nova edição do “Panorama de Consumo de Materiais de Construção por Construtoras e Incorporadoras”, relatório elaborado pelo Ecossistema Sienge em parceria com a Abramat. O estudo considera uma amostra fixa de 1.073 empresas da indústria da construção, com base em 3 milhões de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) por ano, totalizando cerca de 8 milhões de itens analisados anualmente.

FERROVIÁRIO

Veja - SP   01/04/2026

A plataforma de trilhos da Motiva formalizou na China a assinatura da ordem de serviço para a aquisição de seis novos trens junto à fabricante CRRC Changchun, em um investimento de 600 milhões de reais. O aporte financeiro visa sustentar a extensão da Linha 4-Amarela até o município de Taboão da Serra, marcando a primeira vez que o sistema metroviário ultrapassa os limites da capital paulista. As novas composições contarão com seis carros e capacidade para transportar 1 560 passageiros cada, dimensão projetada para absorver o incremento estimado de 50 mil clientes diários com a ampliação do ramal ferroviário.

O cronograma prevê a entrega do primeiro trem em julho de 2029, no Pátio Vila Sônia, com operação comercial prevista ainda no mesmo ano.
O projeto de extensão da Linha 4-Amarela soma mais de 4 bilhões de reais em investimentos, consolidando o ciclo de aportes da concessionária que, desde o início da operação há 15 anos, já destinou cerca de 1,5 bilhão de reais para a melhoria do modal.

Segundo o CEO da Motiva Trilhos, André Salcedo, a antecipação da capacidade operacional é fundamental para acompanhar o crescimento da demanda e assegurar que a extensão da Linha 4 mantenha os atuais níveis de confiabilidade. O executivo ressalta que a compra das novas composições integra uma estratégia de longo prazo focada em eficiência operacional e na previsibilidade do serviço prestado à sociedade. “Este movimento reforça o compromisso da Motiva com a mobilidade urbana regional, com o cumprimento rigoroso do contrato de concessão e dos planos de expansão do sistema ferroviário de São Paulo”, finaliza.

Valor - SP   01/04/2026

Segundo o secretário-executivo do Ministério de Transportes, George Santoro, na carteira de projetos estão a EF-118, a Malha Oeste, a Minas-Rio e a Ferrogrão

O atual secretário-executivo do Ministério de Transportes, George Santoro, que deverá assumir o cargo do ministro Renan Filho (MDB), afirmou que há previsão de um calendário intenso de leilões de ferrovias entre agosto e novembro deste ano. Na carteira de projetos estão a EF-118, a Malha Oeste, a Minas-Rio e a Ferrogrão.

Questionado sobre o possível impacto negativo do cenário eleitoral sobre os projetos, no segundo semestre, ele disse não ver efeito. “Acho que vai ser uma sequência rápida de projetos. Os leilões vão acontecer no segundo semestre.”

No caso da Ferrogrão, o ministério tenta convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) a liberar o projeto.

Jornal de Brasília - DF   01/04/2026

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que vai se reunir com representantes da Vale nesta quarta-feira (1º) para tentar chegar a um novo entendimento sobre os termos da renovação antecipada dos contratos das ferrovias Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) e a Estrada de Ferro Carajás (EFC).

Em entrevista a jornalistas após o leilão da rodovia Rota Gerais, nesta terça (31), o ministro disse que espera anunciar um entendimento com a mineradora para enviar ao TCU (Tribunal de Contas da União).

“Nós teremos uma reunião decisiva com a Vale no sentido de enviar novamente uma proposta de acordo ao TCU. Isso é muito importante para o Brasil, porque a companhia sabe que precisamos encontrar um denominador comum para garantir novos investimentos e para que ela remunere com justiça os ativos públicos federais”, disse.

O acordo envolvendo as ferrovias da Vale se tornou um dos principais imbróglios na área de infraestrutura do atual mandato do presidente Lula (PT).

Os contratos de concessões dos dois ativos venceriam em 2027, mas foram renovados para 2057 antecipadamente durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Em 2023, o governo Lula questionou os termos dessa renovação por considerá-los excessivamente favoráveis à concessionária. O Ministério dos Transportes alegou que os valores pactuados estavam subestimados.

O caso foi levado ao TCU e, em dezembro de 2024, governo federal e Vale assinaram um protocolo de repactuação, no qual a mineradora concordou em fazer um aporte adicional de R$ 11 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões foram pagos de imediato. Outros R$ 13 bilhões seriam divididos entre pagamentos futuros à União (R$ 7 bilhões) e investimento em obras (R$ 6 bilhões).

Em meados de 2025 a discussão foi reaberta após uma nova estimativa do governo. A Vale, porém, avaliou que as novas condições extrapolariam o que havia sido pactuado em 2024 e o acordo não foi concluído.

Agora, Renan Filho espera anunciar um novo entendimento com a mineradora, para que um acordo atualizado seja enviado ao TCU.

Segundo o ministro, a proposta deve ficar mais ou menos como estava anteriormente. “A Vale já pagou R$ 4 bilhões de outorga adicional pela revisão. Deve ainda pagar algo em torno de R$ 7 bilhões em um período e concluir as obras que ela pactuou fazer anteriormente, especialmente as obras da Fico [Ferrovia de Integração Centro-Oeste]”, disse.

Renan acrescentou que um detalhamento maior do acordo será apresentado posteriormente. “Mas o entendimento está bem próximo.”

Projeto de 383 quilômetros de extensão, previsto para ligar os municípios de Mara Rosa, em Goiás, e Água Boa, em Mato Grosso, a Fico é construída pela mineradora Vale, como contrapartida pela renovação antecipada da concessão da EFVM.

Prevista para ligar a região Centro-Oeste à malha da Ferrovia Norte-Sul até 2028, a Fico está hoje com 20% de seu projeto completamente travado por causa de impasses envolvendo comunidades indígenas.

Portal Fator Brasil - RJ   01/04/2026

Lote reforçará operação da companhia no novo modelo regulatório de Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C).

A VLI, companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, recebeu, no dia 30 de março (segunda-feira), a última de um total de sete novas locomotivas ES43BBi fabricadas pela Wabtec — empresa global de tecnologia e soluções para transporte ferroviário — que reforçarão a frota destinada à operação de carga geral no Corredor Leste da Ferrovia Centro-Atlântica, que liga regiões produtivas de Minas Gerais ao sistema portuário do Espírito Santo. A aquisição integra investimentos de cerca de R$ 600 milhões realizados pela VLI para a operação no novo formato regulatório de Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C). As demais locomotivas foram entregues ao longo de fevereiro.

—A ampliação do nosso material rodante reforça a contínua capacitação do Corredor Leste, que une a tradição ferroviária mineira à vocação portuária capixaba, abrindo caminhos para o Brasil no mercado global. As novas locomotivas fortalecem essa integração e nos permitem oferecer um serviço ainda mais eficiente, seguro e de baixo carbono para a cadeia logística dos nossos clientes —afirma Fábio Marchiori, presidente da VLI.

Os investimentos para a operação como ATF-C contemplam a aquisição de locomotivas e vagões, adequações operacionais e estruturais e a contratação de cerca de 700 pessoas em Minas Gerais e no Espírito Santo. Com as novas locomotivas, a VLI chega a 27 máquinas adquiridas desde 2024 para operação na FCA e no tramo norte da Ferrovia Norte-Sul, também sob concessão da companhia.

Tecnologia —As locomotivas da série Evolution, produzidas pela Wabtec em Contagem (MG), estão entre as mais avançadas e seguras do mercado para operações de carga pesada. Elas possuem motores diesel de alta eficiência capazes de operar com biocombustíveis e podem reduzir o consumo de combustível — e, consequentemente, as emissões atmosféricas — em até 6% em comparação a outros motores do mercado.

A frota incorpora as mais recentes tecnologias digitais e de segurança da Wabtec, incluindo sistemas que monitoram a atenção do operador, gerenciam automaticamente a velocidade e acionam a frenagem em condições de alto risco. As locomotivas também contam com tecnologias que evitam acidentes e monitoram continuamente parâmetros críticos de operação. Sistemas embarcados acompanham esses parâmetros para ampliar a segurança e a disponibilidade dos ativos.

—Entregar essas locomotivas à VLI é um grande orgulho para Wabtec. Estamos comprometidos em oferecer as melhores soluções aos nossos clientes, unindo eficiência, confiabilidade, segurança e sustentabilidade através de uma logística de baixo carbono —observa Danilo Miyasato, presidente e Líder Regional Wabtec Latam.

ATF-C —A atuação como ATF-C marca o início da operação da VLI com composições próprias ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas. A concessão controlada pela Vale conecta o Corredor Leste da FCA ao sistema portuário do Espírito Santo, movimentando cargas como grãos, fertilizantes e insumos e produtos das indústrias siderúrgica e petrolífera. Cerca de 22 milhões de toneladas de cargas de clientes da VLI são transportadas anualmente ao longo da EFVM.

No modelo tradicional, o transporte de carga geral utilizava locomotivas e equipes da Vale; como ATF-C. Com a mudança de formato, profissionais e material rodante da VLI poderão prestar diretamente o serviço para carga geral ao longo da EFVM. O novo arranjo confere maior autonomia à VLI para programação e condução das composições, resultando em ganhos de eficiência e redução de paradas operacionais. A estimativa é de que a estruturação completa ocorra até o segundo semestre de 2026.

A operação como ATF-C também é exemplo de diversidade na VLI e já iniciou com uma supervisão 100% feminina, incluindo líderes e maquinistas. Atualmente, 30% da área é composta por mulheres.

O novo modelo do ATF-C não altera as obrigações contratuais da Vale enquanto concessionária da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Permanecem inalteradas as responsabilidades financeiras, de investimento, de prestação de informações e de manutenção da infraestrutura ferroviária, bem como o transporte de passageiros, cargas gerais e minério de ferro. A companhia reforça que mantém seu compromisso com seus empregados e com a sociedade.

VLI — A VLI atua na integração de serviços logísticos por meio de ferrovias, portos e terminais intermodais. A empresa opera as ferrovias Norte Sul (FNS) e Centro-Atlântica (FCA), além de terminais em pontos estratégicos como Santos (SP), São Luís (MA) e Vitória (ES). Presente nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, a VLI conecta a produção nacional aos principais corredores logísticos do país. A VLI reafirma seu protagonismo ao conquistar, pela terceira vez, o topo do ranking Valor Inovação em Transporte e Logística — mantendo-se entre as líderes do setor por sete anos consecutivos.

Wabtec — A Wabtec Corporation está revolucionando a forma como o mundo se move para as futuras gerações. A empresa é um líder global no fornecimento de equipamentos, sistemas, soluções digitais e serviços de valor agregado para as indústrias ferroviárias de carga e transporte urbano, além dos setores de mineração, marítimo e industrial. A Wabtec é líder no setor ferroviário há 155 anos e tem a visão de alcançar um sistema ferroviário eficiente nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Revista Ferroviaria - RJ   01/04/2026

A VLI Logística avalia expandir sua atuação como Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C) para outras malhas ferroviárias do país, para além da operação na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), administrada pela Vale. A companhia conseguiu o registro como ATF-C na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) há dois anos e no ano passado começou a operar na EFVM neste modelo.

Antes de ser ATF-C, o transporte de carga geral da VLI no Corredor Leste da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) trocava de mãos quando chegava na EFVM a partir dali, a carga era transportada por locomotivas e equipes da Vale. Agora, profissionais e material rodante da VLI operam o serviço diretamente ao longo da EFVM. O novo arranjo aumenta a eficiência do transporte de cargas, já que resulta em redução de paradas operacionais. Este foi o primeiro Acordo de Transporte Ferroviário (ATF) feito dentro do País.

O registro concedido pela ANTT possibilita a VLI negociar a entrada das suas locomotivas em malhas ferroviárias de outros players do setor, como MRS e Rumo, além da própria Vale, por meio de contrato operacional específico (COE). O COE permite a VLI acessar, mediante compartilhamento, trechos ferroviários para fins de execução do transporte de suas cargas.

Somente para o ATF na EFVM a companhia adquiriu 43 locomotivas e 1.040 vagões da mineradora por R$ 380 milhões, além de sete locomotivas da Wabtec Corporation, com fábrica em Contagem, na Grande BH, por R$ 150 milhões. Outros R$ 70 milhões estavam previstos para adequações das instalações utilizadas no transporte de carga. Ao todo, o novo tipo de operação resultou em investimentos da ordem de R$ 600 milhões.

Em evento na fábrica da Wabtec, que marcou a entrega da última das sete locomotivas adquiridas para a operação como ATF-C, o CEO da VLI, Fábio Marchiori, afirmou que o acordo na EFVM é um teste para mostrar que existem outros modelos ferroviários possíveis, com outras ferrovias entrando na área do concessionário, o que aumenta a competitividade das transportadoras.

Caso o testena Estrada de Ferro Vitória a Minas tenha sucesso, destaca Marchiori, a VLI está atenta para expandir a atuação como Agente Transportador em outras ferrovias. A estimativa da companhia é que a estruturação completa do ATF na EFVM ocorra até o segundo semestre deste ano.

Sim, com certeza a gente olha outras oportunidades dentro da malha brasileira para operar com o ATF, mas nós queremos primeiro fazer esse caso dar certo e ter muito sucesso. Por isso nós contratamos 700 pessoas na região entre Minas Gerais e Espírito Santo, onde se localiza esse ATF, por isso nós estamos comprando as locomotivas e treinando pessoas, declarou o CEO da VLI.
Renovação da FCA

A companhia de logística vive um momento de grande expectativa. Na próxima semana, a ANTT vai aprovar o acordo entre Ministério dos Transportes e VLI pela renovação antecipada da concessão da FCA. Em seguida, a agência vai encaminhar o processo para análise do Tribunal de Contas da União (TCU).

O aval do TCU é o último passo antes da assinatura da renovação da concessão da VLI, que vence em agosto deste ano. Pelo novo acordo, a companhia vai administrar a FCA até 2056. A VLI deverá investir R$ 24 bilhões ao longo da nova concessão, que deverá contar com outros R$ 10 bilhões em investimentos adicionais por parte do governo federal.

A Ferrovia Centro-Atlântica é a maior linha férrea em extensão do Brasil, com 7,2 mil quilômetros (km) ao longo de sete estados e o Distrito Federal (DF). Além de Minas Gerais, a FCA passa pela Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. A FCA é responsável por cerca de 65,3% das 61,2 milhões de toneladas de cargas transportadas pela VLI em todas suas ferrovias.

A concessionária pediu a devolução de trechos da malha considerados antieconômicos. O novo contrato prevê a devolução de mais de 3 mil km de ferrovia não utilizados, trechos que serão devolvidos à União e deverão ser oferecidos a outros operadores, por meio de chamamento público ou novas concessões. Até o momento, a nova concessão da FCA deve englobar 5,8 mil km, ao invés dos 7,2 mil km atuais.

NAVAL

Money Times - SP   01/04/2026

O governo federal segue em estudos para conseguir viabilizar o leilão do terminal de contêineres STS10, no Porto de Santos, no final deste ano, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, nesta segunda-feira (30).

“Esperamos conseguir em novembro ou dezembro”, disse o ministro a jornalistas ao final do leilão do aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, vencido pelo grupo espanhol Aena.

O ministro afirmou que a discussão sobre o Tecon Santos 10 (STS10) envolve a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

“Estamos fazendo uma avaliação técnica da melhor forma para a modelagem, estudando de maneira conjunta para ver qual a melhor modelagem para democratizar a participação de grupos nacionais e internacionais”, disse Costa Filho.

Há anos o governo federal tenta conceder a área à iniciativa privada em um negócio que marcará o maior leilão portuário da história do país e que vai catapultar capacidade de movimentação de contêineres em Santos para 9 milhões por ano.

Há duas semanas, Costa Filho havia afirmado que o leilão do STS10 deveria ficar para agosto ou setembro, indicando que havia oito a 10 grupos internacionais interessados no projeto.

Além do STS10, o governo federal ainda espera fazer em novembro o leilão do aeroporto de Brasília, atualmente administrado pela Inframerica, disse o ministro, sinalizando que a pasta vai tentar “solução consensual” para o aeroporto de Viracopos (SP).

Sobre o aeroporto de Santos Dumont, na cidade do Rio de Janeiro, Costa Filho afirmou que um eventual leilão do terminal depende de uma definição sobre o futuro da estatal Infraero, que hoje tem mais de 80% de sua receita oriunda apenas do aeroporto carioca.

“Só podemos tomar qualquer decisão sobre o aeroporto (Santos Dumont) discutindo como vai se dar o futuro da Infraero”, disse o ministro. “A Infraero pode ter papel mais importante se puder se dedicar à aviação regional do Brasil”, acrescentou.

CNN Brasil - SP   01/04/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, pode dizer que os Estados Unidos poderiam encerrar sua campanha militar contra o Irã nas próximas duas ou três semanas, mas levará muito mais tempo para que os navios voltem a navegar pelo Estreito de Ormuz.

As ações globais estão se recuperando com a esperança de que a guerra esteja perto do fim. Mesmo que os combates terminem e os preços do petróleo bruto caiam, levará tempo para que os preços da gasolina nos postos de gasolina se estabilizem e o transporte marítimo se normalize nessa via navegável estratégica.

O seguro marítimo continua altíssimo, mesmo com os prêmios de risco embutidos, e os trabalhadores marítimos estão menos dispostos a fazer a viagem depois de testemunharem um conflito que ceifou a vida de marinheiros.

“Os marinheiros são a espinha dorsal do comércio marítimo”, disse Angad Banga, CEO do Caravel Group, com sede em Hong Kong. Sua empresa supervisiona a Fleet Management Ltd., a segunda maior empresa de gerenciamento de navios do mundo.

“Depois que algo assim acontece, haverá efeitos em cadeia, e o desafio de convencer os marinheiros a voltarem a navegar continuará a causar problemas para a cadeia de suprimentos.”

O setor de transporte marítimo movimenta 90% de todos os produtos manufaturados, tornando os marítimos vitais para o comércio global.

O bloqueio seletivo do Estreito de Ormuz pelo Irã afetou milhares de embarcações que operam no Oriente Médio. As águas agora estão expostas a minas e drones explosivos, o que evidencia os riscos enfrentados pela navegação comercial na região.

O perigo ficou evidente quando o navio cargueiro tailandês Mayuree Naree foi atingido por um projétil no início deste mês, causando um incêndio a bordo e forçando a tripulação a evacuar. Alguns dos tripulantes resgatados retornaram posteriormente à Tailândia, mas três permanecem desaparecidos.

Desde o início do conflito, houve pelo menos sete mortes de marítimos e mais de uma dezena de embarcações atacadas perto do Irã.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.

Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.

Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.

Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.

O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.

Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.

Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.

Grandes Construções - SP   01/04/2026

A região Norte registrou o maior crescimento portuário do país em janeiro de 2026, com alta de 42,1% na movimentação de cargas, totalizando 11,5 milhões de toneladas.

Os dados são do Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e indicam o avanço do Arco Norte como alternativa logística para o escoamento de commodities.

O desempenho foi puxado pelos granéis sólidos, que somaram 8,4 milhões de toneladas, com crescimento de 53,2%, refletindo o avanço da safra e a migração de fluxos logísticos para portos mais próximos das regiões produtoras. Contêineres (1,1 milhão de toneladas) e granéis líquidos (1,4 milhão) também registraram alta.

Demanda do agro - Soja e milho lideraram a movimentação, com 2,2 milhões (+192,4%) e 2,6 milhões de toneladas (+112,1%), respectivamente, respondendo por mais de 40% do total.

O volume reforça a consolidação de rotas pelo Norte, que reduzem distâncias terrestres e custos logísticos em relação aos corredores tradicionais do Sudeste.

“O crescimento dos portos do Norte mostra que o Brasil está avançando na diversificação de suas rotas de escoamento. Com mais eficiência, menor custo logístico e proximidade com mercados internacionais, a região se consolida como eixo estratégico”, afirma Silvio Costa Filho.

Além dos grãos, a bauxita também teve destaque, com 2,2 milhões de toneladas (+21%), ampliando a relevância da região no transporte de commodities minerais.

Exportações e longo curso - O crescimento foi impulsionado principalmente pelo comércio exterior. As exportações avançaram 66,5% no período, enquanto as importações cresceram 4,6%. Na navegação de longo curso, a movimentação atingiu 4,6 milhões de toneladas (+43,9%), evidenciando o aumento da inserção internacional dos portos do Norte.

A cabotagem também apresentou crescimento, com 1 milhão de toneladas (+17,2%), indicando maior integração com a costa brasileira.

Os terminais privados concentraram cerca de dois terços da movimentação, com 7,7 milhões de toneladas, com destaque para operações voltadas a granéis sólidos. Entre os principais, estão Trombetas (PA), Hermasa (AM) e Chibatão (AM), todos com expansão relevante no período.

Nos portos públicos, a movimentação chegou a 3,8 milhões de toneladas, com alta de 50,2%, com destaque para Santarém (PA) e Vila do Conde (PA).

O avanço da região Norte indica uma reconfiguração da matriz logística brasileira, com maior uso de corredores alternativos para exportação e redução da pressão sobre rotas tradicionais.

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2026

Para completar um ciclo logístico de 1.050 km entre Mato Grosso do Sul e o Porto de Santos, a companhia chilena Arauco vai investir R$ 2 bilhões na construção de um terminal portuário na margem direita do porto santista, no bairro da Alemoa. O empreendimento receberá a celulose que sairá da fábrica de empresa em Inocência (MS) e fará o embarque da commodity em navios rumo a mercados externos, principalmente da Ásia.

Toda a operação logística para atender a maior fábrica de celulose do mundo, que ficará pronta no quarto trimestre de 2027, custará em torno de R$ 4,4 bilhões (US$ 840 milhões pelo câmbio atual). Inclui um ramal ferroviário de 50 km, locomotivas, vagões e o terminal em Santos.

No município de Inocência, que tem 8,8 mil habitantes, o grupo chileno do ramo florestal e madeira está erguendo uma fábrica com capacidade de produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra de eucalipto por ano. Denominado Projeto Sucuriú, é a maior planta industrial da commodity no mundo, com 98% da produção para exportação. Nessa instalação e no plantio de florestas de eucalipto no Estado, a Arauco está investindo US$ 4,6 bilhões, valor equivalente a R$ 24,15 bilhões.

A fábrica, que neste momento emprega um contingente de 11 mil trabalhadores — devendo chegar a 14 mil no pico da obra por volta de julho a agosto — tem previsão de iniciar produção dentro de 20 meses. Por isso, toda a infraestrutura logística terá de estar pronta ao mesmo tempo.

O terminal em Santos é o último pilar desse tripé. É fruto da aquisição da concessão do TUP Alemoa S/A, que pertencia à empresa Terminal Marítimo Alemoa S.A. (Alempor), e que já dispõe de licenças para a construção do empreendimento. Na última quinta-feira, 26, a transação e o projeto de investimento receberam a autorização técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Em até 90 dias, está previsto o aval final do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), após a aquisição da Alempor, ainda dependente de outras condições comerciais e jurídicas, e formalidades societárias e regulatórias requeridas.

“Como Santos tem atualmente limitações de infraestrutura, avaliamos alternativas brownfield (expansão de estruturas já existentes) e greenfield (construção do zero). A opção da empresa foi por um TUP (Terminal de Uso Privativo)”, disse ao Estadão Alberto Pagano, diretor de Logística da divisão de celulose da Arauco no Brasil.

Com o aval da Antaq, a empresa já pode adiantar algumas ações, como licenciamento ambiental, informa o executivo. A construção do terminal, numa área de 200 mil metros quadrados, envolve dragagem, berços de atracação de navios, piers, defensas, obras marítimas e onshore (armazenagem da celulose) e vias de acesso rodoviário e ferroviário. Dos três berços, dois serão construídos agora e um no futuro.

A definição do terminal “representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência”, disse, em nota, Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.
Navios encomendados na China

O calado do terminal para atracação dos navios será de 14,5 metros. A empresa vai despachar a celulose em embarcações com capacidade de transportar 50 mil a 80 mil toneladas. Pagano informa que foram feitos contratos com armadores internacionais, que já encomendaram navios em estaleiros da China, país de destino da maior parte da celulose.

A empresa prevê 18 meses de obras para o terminal — conclusão em torno de setembro de 2027. Ao mesmo tempo em que as obras da unidade industrial e do ramal ferroviário entre Inocência e a fábrica, de 50 km, também sejam concluídas. “Tudo planejado para acontecer simultaneamente. Não pode ocorrer nada que atrase os embarques de celulose”, comenta Pagano.

Para o pacote de investimento em logística e infraestrutura, de R$ 4,4 bilhões, o diretor de logística informa que a Arauco está avaliando todas as opções de financiamento disponíveis. Por exemplo, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

Pagano destaca que a operação por via ferroviária vai tirar das estradas até 200 caminhões por dia. Além de segurança, um benefício apontado é a redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir do consumo de combustíveis fósseis.
Do Centro-Oeste ao litoral santista

A viagem da celulose até o terminal em Santos será feita em trens de 100 vagões, cada um com 96 toneladas, sob operação da Rumo Logística, empresa ferroviária do grupo Cosan. O contrato da Arauco com a Rumo é de 10 anos, dividido em dois acordos: um de transporte na própria ferrovia, que passa ao lado de Inocência; e outro, de operação específica (COE), no ramal da Arauco.

A companhia chilena adquiriu para a operação logística 26 locomotivas, fabricadas em Contagem (MG) pela Wabtech, e 721 vagões do grupo gaúcho Randon, montados em Araraquara (SP). Incluindo a construção do ramal ferroviário, o desembolso da empresa nesse pacote é de R$ 2,4 bilhões.

Na construção do terminal portuário em Santos, estão previstos 1.850 funcionários. Para a operação, entre 350 e 400 pessoas. Para o ramal ferroviário, em Inocência, cujas obras foram iniciadas em fevereiro, a contratação é de 1 mil pessoas.

Petro Notícias - SP   01/04/2026

O Grupo Belov anunciou que firmou novos contratos com a Petrobrás que somam R$ 2,7 bilhões. Ao todo, foram assinados oito acordos com prazo de quatro anos, voltados à operação de embarcações do tipo SDSV (Shallow Diving Support Vessel), utilizadas em atividades de mergulho raso e operações com veículos operados remotamente (ROVs).

Os contratos abrangem quatro embarcações: Belov Humaitá, Belov Amaralina e Cidade Ouro Preto, além do novo navio Belov Arembepe. Cada uma das três primeiras unidades está vinculada a dois contratos — um de afretamento e outro de prestação de serviços — que garantem a continuidade das operações. O contrato também viabiliza a construção do Belov Arembepe, atualmente em andamento no estaleiro da companhia em Simões Filho (BA). A embarcação tem entrega prevista para o segundo semestre de 2027.

As unidades serão empregadas em serviços de inspeção e manutenção de plataformas offshore da Petrobras ou por ela contratadas. A entrada em vigor dos contratos ocorrerá de forma escalonada, entre o segundo semestre de 2026 e o segundo semestre de 2027.

Segundo o diretor do Grupo Belov, André Weber Carneiro, “a assinatura desses contratos representa, para os próximos cinco anos, um avanço significativo na estabilidade operacional da nossa frota, além de consolidar o projeto de expansão da empresa com a construção do Belov Arembepe.”

PETROLÍFERO

Infomoney - SP   01/04/2026

O petróleo oscila no fechamento de sua maior alta mensal da história em Londres, afetado pelos ataques contínuos no Golfo Pérsico e por sinais de que o presidente Donald Trump está considerando uma saída do conflito com o Irã.

Os contratos futuros de Brent para entrega em maio eram negociados perto de US$ 118 o barril, a caminho de uma alta recorde de mais de 60% em março e aproximando-se dos US$ 120 o barril, à medida que a campanha EUA-Israel contra o Irã desencadeou o choque de oferta de energia mais severo da história. Com o vencimento dos contratos futuros de maio na terça-feira, o contrato de junho, mais negociado, apresentou pouca variação, ficando abaixo de US$ 108 o barril.

O presidente Trump repreendeu os aliados que lutam para obter combustível de aviação que normalmente flui pelo estreito, dizendo simplesmente para “tomarem posse”, argumentando em uma publicação nas redes sociais que os EUA já enfraqueceram o Irã o suficiente.
O Wall Street Journal noticiou anteriormente que Trump disse a seus assessores que está disposto a encerrar a campanha militar mesmo que o estreito permaneça fechado, após sua administração avaliar que a reabertura do corredor levaria muito tempo. O presidente decidiu que os EUA deveriam, em vez disso, concentrar-se em enfraquecer a marinha e o arsenal de mísseis do Irã, para então encerrar as hostilidades atuais.

Os preços do brent dispararam nesta terça-feira, após o Irã atingir um petroleiro kuwaitiano com um ataque de drone, mas os ganhos posteriormente arrefeceram. O Al-Salmi, um navio petroleiro de grande porte totalmente carregado, foi atingido na área de ancoragem do porto de Dubai, sofrendo danos no casco. Teerã tem atacado navios regularmente no Golfo desde o início da guerra, tendo anteriormente atacado duas embarcações perto do Iraque.

Esse ataque indica um maior aperto do controle da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz, visando petroleiros logo fora da hidrovia, disse Ben Emons, diretor de investimentos da FedWatch Advisors, destacando os riscos renovados de novas interrupções no fluxo de energia.

“Acho que estamos mais perto de um cenário de saída rápida do que muita gente imagina”, disse Christoph Eibl, CEO e cofundador da empresa de comércio de commodities Tiberius Group, em entrevista à Bloomberg Television. “Existe a possibilidade de uma operação rápida, de impacto, com destruição de tudo”, por parte dos EUA, enquanto tentam “encontrar uma maneira de sair” do conflito rapidamente.

A guerra, agora em sua quinta semana, fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, interrompendo o fornecimento de petróleo bruto, gás natural e produtos como diesel para os mercados globais, o que levou à disparada dos preços da energia e a preocupações com a inflação.

O presidente Trump tem oscilado regularmente entre afirmar que o fim da guerra está próximo e alertar que está preparado para intensificar as operações militares. Na segunda-feira, ele disse que os EUA destruirão usinas de energia, instalações petrolíferas e “possivelmente” infraestrutura de dessalinização se o Irã não reabrir o Estreito de Ormuz.

O petróleo bruto dos EUA subiu mais de 50% neste mês, a maior alta desde maio de 2020, e o mercado permanece apreensivo com o aumento das tropas americanas na região e um possível destacamento terrestre no Irã.

As hostilidades continuaram na terça-feira, com as Forças de Defesa de Israel concluindo mais uma onda de ataques contra alvos do regime iraniano em Teerã, enquanto a Arábia Saudita interceptou e destruiu drones. A agência de notícias semioficial iraniana Mehr noticiou um ataque conjunto EUA-Israel ao porto de Bahman, no leste da ilha de Qeshm.

Durante o fim de semana, os houthis, apoiados pelo Irã, atacaram Israel com mísseis no Iêmen. Teerã está pressionando os militantes a se prepararem para uma nova campanha contra a navegação no Mar Vermelho, o que poderia ameaçar o fornecimento de petróleo por rotas alternativas fora de Ormuz, como os embarques da Arábia Saudita a partir de seu porto de Yanbu.

“O tom continua sendo de um passo para frente e cinco para trás em qualquer saída”, disse Rebecca Babin, trader sênior de energia do CIBC Private Wealth Group. “Com 10 a 12 milhões de barris por dia ainda efetivamente ausentes do mercado, as reservas estão diminuindo e falar em queda do preço do petróleo bruto está se tornando menos eficaz.”

Valor - SP   01/04/2026

Apesar da queda, a commodity do tipo Brent está a caminho de um ganho mensal recorde, com os preços subindo cerca de 60% em março

Os preços do petróleo perderam força, após relatos de que Donald Trump estaria disposto a encerrar a campanha militar no Irã mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado, e apesar de mais um ataque iraniano a um petroleiro no Golfo Pérsico. O petróleo segue negociado acima de US$ 100 o barril.

Por volta das 12h25, na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em junho caía 0,20% a US$ 107,18 por barril. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio ganhava 1,06% a US$ 103,97.

Nesta segunda-feira (30), o presidente Trump afirmou que um acordo para encerrar as hostilidades ainda é possível. Ele também ameaçou com possíveis ataques à infraestrutura energética do Irã, incluindo o terminal de exportação da Ilha de Kharg.

Apesar da queda, o Brent (referência global) está a caminho de um ganho mensal recorde, com os preços subindo cerca de 60% em março. O índice de referência dos Estados Unidos, o WTI, subiu mais de 50% em março, após fechar ontem acima de US$ 100 o barril pela primeira vez desde julho de 2022, destaca o ING, em nota.

RODOVIÁRIO

Exame - SP   01/04/2026

A EcoRodovias venceu o primeiro leilão rodoviário federal de 2026 ao arrematar a concessão da Rotas Gerais (BR-116/251/MG), com desconto de 19% sobre a tarifa básica de pedágio. O certame ocorreu nesta terça-feira, 31, na sede da B3, em São Paulo.

A companhia superou propostas da Monte Rodovias e do Consórcio Atlas Rodovias, ligado à Yvy Capital. A disputa incluiu mais de 50 lances em etapa viva-voz até a definição da vencedora.

A concessão abrange cerca de 735 quilômetros, conectando o norte de Minas Gerais ao sul da Bahia, passando por 26 municípios. O contrato prevê investimentos de R$ 13,1 bilhões ao longo de 30 anos, sendo R$ 7,3 bilhões destinados a obras. O projeto integra a estratégia federal de ampliação da malha rodoviária concedida à iniciativa privada.

A EcoRodovias já opera 11 concessões em sete estados, totalizando 4,3 mil quilômetros de rodovias.

Como foi a disputa?

A empresa partiu com lance inicial de 13,5% de desconto sobre a tarifa básica — definida em R$ 0,12644/km para pista simples e R$ 0,17702/km para pista dupla, com data-base de abril de 2023 — e ampliou a oferta ao longo da disputa.

A Monte Rodovias apresentou desconto inicial de 0,01% e não avançou para a fase de lances. Criada em 2020, a empresa possui quatro concessões no Nordeste.

O Consórcio Atlas Rodovias representa a entrada da Yvy Capital no setor de infraestrutura rodoviária. A gestora foi fundada por Paulo Guedes e Gustavo Montezano, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em parceria com a Pavidez Engenharia, o grupo estruturou o fundo Atlas neste ano com foco em concessões de médio porte.

Segundo o CEO da EcoRodovias, Marcello Guidotti, a nova concessão apresenta integração operacional com ativos já administrados pela companhia, como Ecovias Norte Minas e Ecovias Rio Minas.

Entre as intervenções previstas estão duplicações, faixas adicionais, vias marginais, contornos urbanos, passarelas e dois Pontos de Parada e Descanso (PPDs).

Novos investimentos

O leilão integra a agenda do Ministério dos Transportes, que prevê 13 certames em 2026, sendo sete novos projetos e seis otimizações de contratos. A estimativa total de investimentos é de R$ 148 bilhões.

Entre os próximos leilões está a Rota dos Sertões (BR-116/324/BA/PE), prevista para 28 de maio.

O certame também marca a saída do ministro Renan Filho, que deixará o cargo para disputar o governo de Alagoas.

Globo Online - RJ   01/04/2026

O Ministério dos Transportes autorizou nesta terça-feira o início de obras na rodovia BR-319, localizada na Amazônia, e anunciou a publicação do aviso de licitação para o melhoramento e pavimentação do trecho do meio da estrada. Criticado por ambientalistas pelo risco de crescimento do desmatamento no coração da floresta, o asfaltamento da via é considerado estratégico pelo governo federal para ligação terrestre do Amazonas com o restante do país.

As obras incluem a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu para substituição da travessia por balsa. Para o "trecho do meio", de 339,4 quilômetros, será lançado edital de licitação com investimento estimado em R$ 678 milhões, com publicação prevista para o mês de abril.

A pavimentação da rodovia BR-319 foi facilitada por mudanças legislativas no ano passado. Uma brecha para adiantar o licenciamento da via e culminar na liberação do asfaltamento em até 90 dias foi inserida na Licença Ambiental Especial (LAE) pelo Senado em dezembro. O texto foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na véspera do Natal. A obra é apoiada pelo petista e está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Com pouco mais de 850 quilômetros de extensão, a via construída na ditadura militar conecta Manaus, no coração da Floresta Amazônica, a Porto Velho, no arco do desmatamento. A estrada compreende 13 municípios, 42 Unidades de Conservação e 69 Terras Indígenas. Em setembro, Lula afirmou que a obra seria autorizada em acordo com ambientalistas. Quatro meses antes, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de ataques em uma sessão no Senado sob acusação de frear o desenvolvimento do Brasil no que tange o licenciamento ambiental.

Divulgado em novembro, um relatório da rede de organizações Observatório BR-319 mostra que ao menos 2.240 quilômetros de estradas ilegais que cruzam a rodovia avançaram sobre unidades de conservações federais. Outros 1.297 quilômetros de vias também clandestinas atravessam territórios indígenas. Os dados, consolidados em agosto deste ano, apontam que esses novos caminhos estão associados ao desmatamento, grilagem de terras e a processos de mineração. As vias funcionam como corredores para o interior da floresta, o que colocaria em risco áreas anteriormente isoladas.

Em nota divulgada após a aprovação da licença especial no Senado, o Observatório do Clima afirma que a BR-319 “implodirá o controle do desmatamento – e, por tabela, das emissões de gases de efeito estufa do Brasil”.

“A LAE integra o conjunto de medidas que transformam o licenciamento de empreendimentos em exceção no Brasil, contrariam jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e põem em risco a vida e a saúde dos brasileiros”, diz a rede.

Já o Ministério do Meio Ambiente criticou, à época, a inclusão do dispositivo sobre a repavimentação de rodovias preexistentes na Medida Provisória que originou a LAE. A pasta argumentou que a medida traz “ritos sumários incompatíveis à adequada avaliação prévia, exigida pela legislação ambiental”, o que “enfraquece o licenciamento ambiental e gera mais insegurança jurídica".

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   01/04/2026

“É tudo o que o agronegócio não precisava neste momento”, diz José Roberto Mendonça de Barros, sócio da consultoria MB Associados. Na verdade, é difícil encontrar algum setor da economia que precise de mais uma guerra, como a deflagrada pelos EUA e Israel contra o Irã, há pouco mais de um mês. Mas especialistas no setor, como Mendonça de Barros, dizem que o conflito acontece num momento particularmente desafiador para a área.

Não se trata de uma crise no agronegócio brasileiro, setor que responde por cerca de 25% do PIB. No ano passado, a agropecuária registrou expansão de 11,7% em relação a 2024, segundo o IBGE. Para este ano, é esperada desaceleração nesse ritmo, mas ainda com produção elevada.

“Há segmentos dentro dessa cadeia que estão muito bem, como proteínas, café e açúcar”, diz Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA. “Mas é fato que o setor passa por um grande ajuste e a guerra do Irã é mais uma âncora que segura essa retomada.”

Isso porque alguns elos dessa cadeia, principalmente os ligados aos grãos, viveram sucessivos reveses nos últimos anos. Entre eles, altas nos custos de produção, supersafras que derrubaram lucros e a “estilingada” nos juros, com o consequente recorde de recuperações judiciais para o setor. Uma crise energética, como a causada pela guerra do Irã, com impacto tanto em combustíveis quanto em fertilizantes, agravará o cenário para quem já está com a corda no pescoço.

Época de vacas gordas

Responsável por salvar o PIB brasileiro na pandemia, o agronegócio parecia ter entrado, no início da década, numa temporada de fartura infinita. A alta na produção em 2020, em comparação com o ano anterior, foi de nada menos do que 24,3%, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, com a CNA.

Nos anos seguintes, a mistura de câmbio favorável às exportações, adoção de novas tecnologias, juros baixos e dinheiro abundante no mundo prometia uma expansão - e rentabilidade - ainda mais forte do celeiro do mundo.

Até mesmo um novato de peso, que jamais tinha calçado botas, chegou para irrigar o campo: o mercado financeiro. Com o objetivo de tirar a dependência do agro do Plano Safra, repassado principalmente pelo Banco do Brasil, o governo criou a Nova Lei do Agro, em 2020.

Entre outras novidades, o marco legal abriu a possibilidade da criação dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), uma modalidade de investimento isenta de Imposto de Renda. Outros incentivos também permitiram o avanço dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) em escala inédita.

Resultado: o patrimônio líquido dos fiagros foi de R$ 10 bilhões, em 2022, para R$ 38 bilhões, segundo os dados mais recentes de 2026, com 750 mil investidores ativos na B3. Já o estoque de CRAs foi de R$ 65 bilhões, em 2021, para uma estimativa de R$ 180 bilhões no ano passado.

Por outro lado, fundos de private equity (que compram participação em empresas) passaram a investir na consolidação de cadeias varejistas e atacadistas em todo o País. Gestoras fizeram com que o “balcão da esquina” que vendia adubo em qualquer cidade do interior se transformasse em redes gigantescas.

Lojas bonitas, padronizadas e com muitos vendedores no campo. O objetivo era ganhar escala nas negociações com os grandes produtores de insumos e fertilizantes, dar eficiência logística, bem como crédito ao produtor.

Mas veio a primeira e inesperada guerra, com o ataque da Rússia contra a Ucrânia, em 2022. De uma hora para outra, o preço do cloreto de potássio, usado em culturas como soja, milho, cana e café, foi de US$ 250 para US$ 1 mil a tonelada.

“Tanto a pandemia quanto a guerra da Ucrânia revelaram a vulnerabilidade da dependência internacional na área de fertilizantes”, diz Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro. “Essa história de que ‘em se plantando, tudo dá’ não é verdade: o Brasil só é tão produtivo graças à correção do solo com muita importação e seremos sempre dependentes do mercado internacional, o que não é nenhum demérito por conta do tamanho da nossa produção.”

Porém, pouco depois da guerra tornar os insumos mais caros e antes das cadeias globais de suprimentos se readequarem, o Brasil colheu sua maior safra. Foram mais de 300 milhões de toneladas em 2023, principalmente de milho e soja. A boa notícia virou prejuízo: o produtor, que tinha contas mais salgadas para pagar, recebeu menos por sua colheita - e enfrentou um primeiro ano de restrições.

“Veja que interessante: eu, em 1964, comecei a tomar conta de uma fazenda de café do meu pai em Maringá, quando ainda era estudante, e vi a mesma coisa que hoje: quando o preço do café ia bem, o produtor comprava a fazenda do vizinho, caminhonete nova, trator e, com qualquer balançadinha, ele quebrava”, diz Mendonça de Barros. “Eu fico impressionado que, até hoje, o comportamento é exatamente o mesmo.”

Anos de vacas magras, com dívidas altas

No ano seguinte, em 2024, apesar de os custos com fertilizantes terem caído entre 25% e 30% em relação ao ano anterior, o preço da produção despencou ainda mais rápido em relação ao ano anterior. Isso porque foi a vez de EUA e Argentina brilharem com safras recordes. Por outro lado, as enchentes no Rio Grande do Sul fizeram com que os agricultores perdessem safras inteiras prontas para colheita, mas continuassem com dívidas com juros altos.

Entrou então na equação a variável com a qual o agricultor não estava acostumado a lidar: o pagamento dos empréstimos captados junto ao mercado financeiro. Se até então crises como essa eram dribladas com concessões conseguidas junto ao governo, via Banco do Brasil, agora o problema era outro.

“Houve uma superoferta de crédito no período em que o agro crescia e ninguém queria acreditar que aquele momento de entusiasmo do setor ia acabar”, afirma Rafael Pesce, sócio da consultoria Arm Gestão, especializada em reestruturação de empresas, sobretudo do agronegócio. “Isso resultou num cenário de produtores muito endividados, que colocaram as fazendas como garantias, e os bancos foram para cima querendo executá-las.”

Enquanto no Plano Safra o governo subsidia parte dos juros cobrados nos financiamentos ao agronegócio, nos empréstimos conseguidos junto ao mercado financeiro, a taxa de retorno tem como base algum indicador, como CDI, mais uma porcentagem pré-determinada.

Assim, enquanto um crédito via Pronampe (que é o Plano Safra para os médios produtores) cobra em média 10% de juros ao ano, a taxa dos CRAs para médias e grandes empresas fica em CDI (atualmente em 14,65%) mais um porcentual que varia entre 5% e 10%.

“Imagine o quanto de retorno uma empresa agrícola tem de alcançar para pagar um empréstimo de CDI mais 8%”, afirma Serigati, da FGV Agro. “Com o atual patamar dos juros, o produtor rural não consegue nem honrar a rolagem da dívida com sua margem.”

Para ele, houve um aprendizado dos dois lados - tanto do produtor quanto de parte do mercado financeiro, que passou a operar na área mais recentemente. Mendonça de Barros concorda. “Muita gente que entrou para fornecer crédito não tinha experiência adequada, usava algoritmos para conceder empréstimos nem sempre ajustados ao negócio”, afirma. “Isso resultou numa certa trava e hoje, para quem está endividado, a vida ficou difícil.”
Recorde de recuperações judiciais

Essa explosão nos juros foi um dos motivos que fez com que o agro fechasse o ano de 2025 com quase 2 mil solicitações de recuperação judicial, segundo a Serasa Experian. O crescimento no número de pedidos foi de 56,4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.272 requerimentos. Em 2023, as solicitações totalizavam 534, o que evidencia a escalada.

Do campo, surgiu o efeito cascata, que afetou também as distribuidoras que estavam se consolidando por meio dos fundos de private equity. “A situação das revendas é mais grave do que a dos produtores rurais”, diz Pesce. “Eles, pelo menos, têm bens a negociar.”

Para ficar num exemplo, a Agro Galaxy pediu recuperação judicial em 2024, com dívidas de R$ 4,6 bilhões. Outras tiveram de cortar custos e readequar planos de expansão.

“A economia está cansada do período longo de juros muito altos e o agro, sendo muito sensível a crédito e razoavelmente alavancado em alguns casos, sofre muito”, afirma Castro Alves, do Itaú BBA. “O cenário macroeconômico certamente agravou o quadro de dificuldade para o setor.”

Os especialistas dizem, porém, que uma indústria de recuperação judicial, que existe no setor há pelo menos uma década, ajudou a detonar essa explosão no recorde de pedidos. “Tem muito assessor que orienta o produtor a pedir a recuperação judicial para não pagar as dívidas e continuar com a safra, o que parece uma solução maravilhosa, mas no final, ele também fica sem crédito”, diz Mendonça de Barros. “Além disso, a gente viu algumas aberrações como casas com ‘quintais’, que não entram nos bens a serem usados na recuperação judicial, de 5 mil hectares.”

A expectativa era que esses tropeços do setor fossem se ajustando com o passar do tempo, com a venda de ativos por parte das empresas muito endividadas. Porém, a guerra do Irã já começa a trazer custos maiores, o que piora a situação de quem estava machucado. “Não será um aumento pequeno e já está se dando em fertilizantes e no diesel”, afirma Mendonça de Barros.

Nesse cenário, pesa ainda o fato de que refinarias, terminais petrolíferos e campos de gás de diferentes países do Oriente Médio terem sido atingidos, o que impede que as projeções de preços da energia voltem a patamares anteriores ao início da guerra.

“A região do Oriente Médio produz 30% dos fertilizantes do mundo e de 15% a 18% do usado no País, que dependem do fornecimento de gás”, afirma Castro Alves. “Há mitigantes em outros lugares do mundo, mas a tendência é que tudo se inflacione.” Para ele, não há a perspectiva de normalização rápida nos preços, como aconteceu na guerra da Ucrânia, exatamente pela questão da importância energética da região.

Por enquanto, os especialistas não começaram a fazer mudanças em suas projeções para o setor. Um dos motivos é que os produtores brasileiros podem postergar até o meio do ano a compra de insumos agrícolas - que subiram muito nas últimas semanas. Ao contrário dos fazendeiros do hemisfério norte, que estão pagando caro porque começam a plantar em breve.

“O conflito é um ingrediente a mais, muito preocupante, porque contamina o agro de duas formas: primeiro, os produtores já estão com as margens apertadas, sem sinal sugerindo que os preços de suas colheitas devam subir”, afirma Castro Alves. “Ao mesmo tempo, há um indicativo muito forte de que o custo para a próxima safra, para a soja que vai ser plantada no fim do ano, está muito mais elevado, principalmente por conta dos fertilizantes.”

Todos têm preocupação parecida na radar, bem como na hipótese de criação de uma política de combustíveis que segure o preço por um lado, mas garanta o abastecimento por outro. “O desabastecimento é muito pior do que a inflação dos combustíveis”, diz Serigati.

Porém, certamente o impacto inflacionário tende a pesar. “Se a guerra não aliviar, o preço do adubo não vai cair e, obviamente, esse custo vai pesar muito o ano que vem”, diz Castro Alves. “Estamos preocupados e bem cautelosos, porque não há muita visibilidade do fim do conflito até aqui.”

Portal DBO - SP   01/04/2026

O aumento do preço do diesel em 2026 já impacta diretamente o dia a dia no campo e acende um alerta para os custos de produção. Diante de um cenário de instabilidade no mercado global de petróleo, produtores rurais têm buscado alternativas para manter a rentabilidade das operações.

Entre as estratégias, a eficiência das máquinas agrícolas ganha protagonismo. Avaliações realizadas em campo mostram que equipamentos com maior nível tecnológico podem reduzir o consumo de combustível, que pode chegar a mais de 10 litros por hora. Ao longo de uma safra, em um ciclo operacional que, dependendo da cultura e quantidade de área, pode chegar a uma média de 2.000 horas de trabalho, essa diferença pode representar economia superior a 20.000 litros de diesel para uma única máquina, permitindo ao agricultor trabalhar mais hectares com o mesmo volume de combustível.

“A modernização da frota passou a ser uma decisão técnica e econômica. A adoção de máquinas agrícolas com maior eficiência no consumo de diesel contribui para uma maior previsibilidade de custos, aumento da produtividade operacional e um aproveitamento muito superior dos recursos”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produtos da Massey Ferguson. “Hoje, a eficiência energética se consolida como um dos principais critérios técnicos na escolha do maquinário agrícola pelo produtor”.

Testes comparativos conduzidos em condições reais de trabalho apontam que a modernização da frota por meio da adoção de transmissões continuamente variáveis (CVT), como a exclusiva Dyna-VT, associadas a motores agrícolas de alta eficiência, tem um impacto direto na redução do consumo específico de combustível e dos custos operacionais diários, refletindo também em um maior rendimento operacional e sustentabilidade.

“Nossos resultados estão diretamente associados à capacidade dos motores de operar com alto torque em baixas rotações de maneira automática, sem influência do operador. Essa característica permite reduzir o regime de operação, mantendo toda a potência disponível e diminuindo substancialmente o consumo”, explica Zanetti. “A menor rotação também contribui para uma grande redução do desgaste interno de componentes, o que tem um impacto muito positivo nos custos de manutenção e no prolongamento da vida útil dos equipamentos.”

No segmento de alta potência, o trator MF 8S.305, equipado com transmissão Dyna-VT, apresentou desempenho amplamente superior em operações de plantio direto com implementos de 18 linhas, quando comparado ao seu principal concorrente. O consumo registrado pela máquina da Massey Ferguson foi de 24,19 litros por hora, frente a 33,75 l/h do modelo comparado, gerando uma redução de 28,33% graças à integração inteligente entre motor e transmissão.

A eficiência tecnológica abrange diferentes perfis de cultura. Em severas operações de preparo de solo no setor sucroenergético, os tratores da série Massey Ferguson MF 7700, equipados com transmissão Dyna-6, registraram um consumo por hectare até 42,5% inferior em relação a modelos equivalentes do mercado. Em áreas de 1.000 hectares, essa eficiência representa uma redução extremamente significativa nos custos atrelados à queima de combustível.

Nas operações de subsolagem profunda, os equipamentos de alta potência da série Massey Ferguson MF 8700 S, equipados com motores AGCO Power e transmissão Dyna-VT, apresentaram elevada capacidade operacional e permitiram uma redução no tempo de execução das atividades em até 17 dias de antecipação. Esse desempenho está atrelado à combinação de alto torque e controle absoluto e preciso de velocidade, mitigando os gastos totais por área.

A tecnologia também se faz presente para proteger o produtor nas faixas de menor potência. Na pulverização focada em culturas perenes, como a citricultura, o modelo Massey Ferguson MF 4700 utiliza recursos eletrônicos como a “Memória de Rotação” do motor para manter a total estabilidade da tomada de potência (TDP). Mesmo operando em condições de relevo adverso e aclives, o sistema garante uma redução do consumo aliada à manutenção impecável da qualidade operacional da aplicação.

“Para essa série de tratores, a tecnologia de gerenciamento eletrônico também impactou na qualidade de pulverização e redução de custos operacionais, controlando o tamanho de gotas, mesmo com as oscilações de terreno, o que contribui significativamente para um menor custo operacional, maior controle de pragas e doenças e maior sustentabilidade”, detalha Zanetti.

A integração inteligente entre os tratores e os implementos (como plantadeiras e pulverizadores) também contribui para a eficiência agronômica. A adoção de conjuntos modernos de plantio, dotados de sistemas de corte de seção e controle individual de linhas, consegue eliminar em até 50% o desperdício de fertilizantes e sementes em áreas de sobreposição.

No aspecto logístico, a precisão e a conectividade das novas frotas garantem uma capacidade operacional muito superior. Substituir conjuntos antigos por máquinas modernas de alta capacidade tem gerado um aumento de até 82% na eficiência operacional de plantio. “Isso significa que grandes propriedades conseguem finalizar suas janelas de operação com dias de antecedência, reduzindo o número de máquinas necessárias na lavoura, a necessidade de horas extras e, novamente, a exposição da frota ao consumo de diesel”, finaliza Zanetti.

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