Clipping Diário

11 | Março | 2026

SIDERURGIA

Veja - SP   11/03/2026

A Usiminas vive dias de tensão. No próximo dia 12 de abril, a assembleia de acionistas, que elegerá o novo conselho, marcará a primeira reunião após a CSN reduzir sua participação na siderúrgica para menos de 5%, por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Nesse cenário, dois novos grupos entraram em cena. Joesley Batista, por meio da Globe Investimentos, comprou cerca de 5% da Usiminas em uma operação avaliada em aproximadamente 260 milhões de reais.

Outra fatia relevante foi adquirida por investidores minoritários reunidos em um fundo administrado pela Apex, grupo global de serviços financeiros que, há três anos, incorporou a vertical de administração de fundos do Banco Modal e da BRL Trust.

Globo Online - RJ   11/03/2026

No encontro que teve com Lula na última sexta-feira, o presidente do grupo ítalo-argentino Techint, Paolo Rocca, conversou com o presidente sobre os planos do conglomerado para o Brasil. Segundo Rocca disse a Lula, o grupo que controla as siderúrgicas Ternium e Usiminas quer investir pelo menos R$ 3,6 bilhões no país este ano.

O aporte inclui a compra de ações da Nippon Steel na Usiminas — transação anunciada no fim do ano passado, mas que ainda precisa ser concluída — e projetos de melhoria das plantas industriais que o grupo mantém no Rio, em Ipatinga (MG) e em Cubatão (SP).

Na operação da Usiminas, a japonesa Nippon Steel, uma das fundadoras da siderúrgica brasileira, vendeu 21,71% da empresa por cerca de US$ 315 milhões, ou R$ 1,65 bilhão ao câmbio de hoje. Com o negócio, a Ternium, do Grupo Techint, tornou-se a controladora única da Usiminas.

Paolo Rocca esteve com Lula na sexta-feira passada, durante a inauguração da Escola Técnica Roberto Rocca, fundada pelo Grupo Techint em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   11/03/2026

Base da exportação do país, itens como soja e petróleo vem sofrendo alta com a guerra no Irã. Para especialistas, efeitos positivos devem ocorrer no longo prazo, mas sem repetir ganhos das últimas décadas.A guerra travada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem lançado incerteza sobre os rumos da economia global. A alta no petróleo, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana e redução na oferta dos países no Golfo Pérsico, já leva analistas a apostarem numa inflação generalizada como uma das consequências do conflito.

Além do petróleo, o choque econômico causado pelo conflito também atinge em cheio a oferta de fertilizantes, já que cerca de um terço do insumo passa por Ormuz. O Irã, por si só, é um dos maiores exportadores de ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizado por agricultores de todo o mundo.

O dessa crise nos preços ainda é incerto, mas uma alta nas commodities já ocorrendo nas últimas semanas. O índice CRB, um dos principais termômetros de matérias-primas básicas como petróleo e alimentos, atingiu, a última segunda-feira (09/03), a maior cotação desde 2011. E a tendência, segundo especialistas, é que esse movimento se mantenha, pelo menos enquanto durar o conflito.

É esse ponto que levanta questões sobre o papel do Brasil nesse contexto. O país é não só o maior produtor de alimentos do mundo, como o sexto maior produtor de petróleo bruto e décimo no ranking de exportadores do combustível fóssil. Tem, assim, grande parte de sua balança comercial dependente de produtos primários.

Foi justamente um incremento na cotação desses itens que gerou o que ficou conhecido como “boom das commodities”, a partir do início do século 21 até o começo da década de 2010. O período beneficiou a economia brasileira, contribuindo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a consolidação do país como grande economia exportadora de matérias-primas.

No entanto, de acordo com especialistas consultados pela DW, o cenário atual é distinto. Mesmo assim, existe a possibilidade de que o Brasil se beneficie do contexto causado pelo conflito no Oriente Médio – mas não sem se livrar dos choques.

Um novo boom das commodities?

O fechamento do Estreito de Ormuz tem impactado diretamente na oferta de produtos como petróleo, gás natural e fertilizantes. É uma diferença fundamental em relação ao boom das commodities, basicamente fomentado pelas altas taxas de crescimento da economia da China.

O país asiático registrou, entre 2002 e 2011, uma alta do PIB acima de 9%, propulsionada principalmente pela rápida expansão industrial chinesa. Houve maior demanda por matérias-primas, o que gerou uma oportunidade para o Brasil. Foi durante esse também, em 2009, que a China se tornou o maior parceiro comercial brasileiro.

Mas, desde então, a economia chinesa vem reduzindo as taxas de crescimento e, neste ano, pela primeira vez desde 1991, o país asiático colocou como meta uma alta anual do PIB abaixo dos 5%.

É para lá que o Brasil manda 80% da sua soja, produto brasileiro mais vendido para o exterior, que correspondeu a 34,5% das exportações do país em 2025 – registrando um total de US$ 34,5 bilhões na balança comercial brasileira do ano passado. O país asiático ainda compra 56% do minério de ferro produzido no Brasil e 45% do petróleo bruto.

Um bloqueio mais prolongado no Estreito de Ormuz, com o recrudescimento na guerra no Irã, deverá pressionar para uma alta das commodities agrícolas como efeito cascata a partir do encarecimento dos combustíveis e dos fertilizantes, aliada à incerteza que gera especulação no mercado.

“Para a China, por exemplo, o fornecimento de grãos do Brasil deverá ficar no mesmo patamar. Só que, se houver alta dos preços, isso gera uma maior receita. Não é uma coisa muito significativa, mas pode acontecer”, explica Francisco Américo Cassano, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Santa Cecília. “Não vejo como um novo boom, mas como um aumento da exportação”, complementa.

Um fator a mais poderá ser causado pelo choque nos fertilizantes: os próximos meses serão cruciais para o início do plantio em países do Hemisfério Norte, o que também pode gerar uma redução na oferta por lá e o redirecionamento das compras para países como o Brasil, onde as safras ocorrem no segundo semestre.

Cassano, no entanto, acredita que as chances de isso ocorrer são menores. “Mesmo porque o Donald Trump não tem tanto interesse desse conflito se alastrar por tanto tempo, porque ele vai sofrer o mesmo problema de inflação dentro dos Estados Unidos”.

Cenários de curto e longo prazo

O fato de estar fora da região de conflito realmente pode fazer com que o Brasil se beneficie do cenário atual, analisa Jorge Arbacher, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB). “O país se torna uma opção de investimento de uma forma geral, exatamente porque está longe das tensões. Tem uma política de se manter distanciado, está longe do ponto de vista geográfico e político e tem várias oportunidades de negócios – na agricultura, na energia e diversos outros setores”, aponta o economista.

Segundo ele, o contexto internacional tende a fazer com o que país siga atraindo investimento direto estrangeiro, fluxo que já vem ocorrendo nos últimos por causa do aumento das incertezas na geopolítica mundial.

“É muito provável que os preços da energia e alimentos subam mesmo após o fim da guerra, por causa da mudança climática. Quando você coloca a geopolítica em cima, os efeitos são ainda maiores”, diz Arbacher. “Isso tende a ser benéfico no médio e longo prazo, mas de maneira condicionada, porque é um cenário de incertezas”, ressalta o professor.

Já no curto prazo, a situação é mais complicada. O aumento da percepção de risco nos mercados pode atingir o risco de crédito e o risco-país, impactando principalmente os países emergentes. A elevação do preço do petróleo e fertilizantes pode afetar a economia brasileira e chegar no consumidor, com choques no valor do frete, por exemplo.

Mas mesmo uma alta nas commodities, lembra Cassano, com o mercado externo pagando mais caro nos alimentos, por exemplo, deve gerar mais inflação para o consumidor interno. “Os preços tendem a subir também porque o produtor está recebendo mais lá fora e isso impacta diretamente os preços internos, gerando mais inflação”, afirma o professor da Universidade Santa Cecília.

Além disso, os efeitos da guerra no Irã sobre incertezas e decisões de investimento vão continuar, mesmo se o conflito chegar ao fim nas próximas semanas. As retaliações do Irã em países vizinhos no Golfo Pérsico causaram estragos em plantas energéticas e reservatórios em importantes para países como Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita. “Essas nações têm grandes fundos soberanos, que são investidores inclusive no Brasil – muito provavelmente, isso vai fazer com que eles reduzam esses aportes”, pontua Arbacher.

Segundo ele, no entanto, mesmo que o cenário ainda seja incerto quanto a previsões, o consumidor poderá voltar a ganhar no longo prazo, com um aumento da atratividade do Brasil que impulsionará a atividade econômica, gerando mais emprego. “Mas, no curto prazo, deve perder, como praticamente todo mundo. É uma guerra com impactos generalizados por causa da globalização. É uma guerra que mirou um alvo e está acertando em vários outros, com múltiplas complicações econômicas”, finaliza o professor da UnB.

O Estado de S.Paulo - SP   11/03/2026

A produção industrial cresceu 1,8% em janeiro e superou por 0,2% a de um ano antes, mas ainda ficou 15,3% abaixo do recorde atingido em maio de 2011, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como todos os setores produtivos, a indústria tem sido prejudicada pelo crédito caro, num cenário de juros básicos de 15% ao ano. Mas o atual arrocho financeiro explica somente em parte o desempenho do setor.

O produto industrial encolheu em sete dos 14 anos de 2012 a 2025. O pior desempenho nesse período ocorreu em 2015, com resultado negativo de 8,3%. Esse foi o segundo ano de um triênio desastroso, com recuos de 3%, 8,3% e 6,4% na produção da indústria.

Os juros básicos avançaram, entre 2014 e 2016, de 10% para o máximo de 14,25% e em seguida começaram a diminuir. O custo do dinheiro afetou, sem dúvida, a atividade econômica, mas o ritmo dos negócios também refletiu a confiança dos consumidores e as expectativas dos empresários.

Não só os juros e as condições gerais do crédito afetam essa confiança e essas expectativas. O comportamento e o rumo do governo também são fundamentais para decisões dos consumidores e do empresariado. Esse rumo depende, em grande parte, da existência de políticas setoriais e de sua condução.

Uma política de reindustrialização ou neoindustrialização tem sido a ação principal, na área econômica, do vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem exibido pouco envolvimento nessa ou em qualquer outra política setorial. Mas tem contribuído, de alguma forma, para a diversificação do relacionamento internacional, num trabalho menos vistoso, menos ideológico e possivelmente mais eficaz que a formação de grupos como o Brics.

Mas a política industrial e outras iniciativas de expansão e modernização de setores dependem de investimento, isto é, de aplicação de recursos em capacidade produtiva.

Os últimos balanços têm mostrado taxas de investimento ainda próximas de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) e até inferiores a esse nível, superado até com folga em outros emergentes. Não basta, no entanto, o setor público esforçar-se e até se endividar para investir.

Essa tarefa deve depender principalmente do setor privado. Juros mais baixos são importantes para esse tipo de atividade, mas confiança e perspectivas claras de médio e de longo prazos são essenciais. Previsibilidade e segurança econômica têm sido, no entanto, fatores especialmente escassos no Brasil.

Infomoney - SP   11/03/2026

Lideranças de grandes companhias que participaram do Rumos 2026, evento realizado pelo Valor Econômico, em São Paulo, afirmaram que as reformas em curso, a queda dos juros e o aumento da competitividade são centrais para impulsionar os negócios no Brasil. Uma das barreiras, porém, seria o complexo mercado de trabalho, com baixa disponibilidade de mão de obra e entraves que têm levado setores importantes da economia a perder profissionais para o trabalho informal em plataformas digitais.

Para o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, o ambiente de negócios ainda impõe obstáculos ao financiamento a varejistas, o que limita decisões de investimento e expansão:

“Mas avanços microeconômicos podem melhorar o acesso a crédito e reduzir riscos no varejo”, afirmou. “É necessária uma agenda de reformas estruturais para destravar o ambiente de negócios.”

O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve trazer o primeiro corte de juros após um longo período com a taxa básica em patamares elevados. Segundo ele, seria importante reduzir o custo de capital.

“Precisamos discutir alavancas para uma queda estrutural da taxa de juros”, disse, em debate com mediação de Mônica Scaramuzzo, editora do Núcleo de Empresas do Valor, e Maria Luiza Filgueiras, editora do Pipeline.

Ele afirmou que é preciso instituições fortes, o que ajuda a reduzir o prêmio de risco e ampliar a segurança jurídica.

“O tema fiscal é o tema da hora. O próprio secretário (do Tesouro, Rogério) Ceron, reconheceu que tem espaço para avançar. O arcabouço fiscal é lento (em melhora na dívida pública). O Brasil precisa fazer uma reforma orçamentária urgente, qualquer que seja o novo presidente.”
Concorrência com apps

Já o CEO do Assaí Atacadista, Belmiro Gomes, citou o trabalho CLT no Brasil como trava ao setor produtivo. Para ele, uma modernização do regime formal seria um tema mais importante a ser debatido do que o fim da escala de trabalho 6x1.

“(O regime CLT) é muito para quem paga e pouco para quem recebe. Temos um paradoxo. De um lado, temos a pressão para reduzir a carga horária. Mas parte do crescimento do trabalho nos últimos anos foi de pessoas que estão trabalhando 12 horas por dia em plataformas e que preferem trabalhar mais para ganhar mais”, disse, sobre o aumento de trabalhadores em apps como iFood, 99 e Uber.

Segundo ele, o debate deve buscar uma forma de o trabalhador ser mais remunerado:

“Na medida em que se compete com as plataformas digitais, foi criado um problema de (falta de) mão de obra.”

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, afirmou que a escassez de mão de obra qualificada é um dos principais entraves à expansão de setores como energia e construção civil. Mesmo num cenário de demanda, disse ele, as empresas enfrentam dificuldades.

“Muitas vezes não conseguimos aprovar investimentos que recuperem o capital”, afirmou, ao comentar os desafios para ampliar a capacidade produtiva, frisando que a transformação digital e o uso de inteligência artificial se tornaram centrais para a competitividade das empresas.

Para o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, além da Reforma Tributária, é preciso garantir um cenário macro forte e comércio internacional livre de burocracias para fortalecer o setor produtivo. Ele lembrou que as turbulências no cenário global têm sido constantes:

“Na Embraer, tratamos com objetividade e foco (o tema), com plano robusto para definir as medidas para mitigar as crises”, disse.

Já a líder da Dow no Brasil, Mariana Orsini, pontuou que o país precisa seguir avançando em sua política industrial. Segundo ela, o Inflation Reduction Act, aprovado pelo governo de Joe Biden nos EUA, é um bom exemplo do qual o Brasil pode beber na fonte. Ela lembrou que a Dow fez um investimento grande numa unidade de polietileno no Canadá porque havia regras claras, abundância de matérias-primas e incentivos.

“Benefícios fiscais são essenciais para avanços nos setores que o Brasil decidiu escolher”, concluiu.

O evento teve patrocínio de BTG Pactual, Febraban, FenaSaúde, Gerdau e Philip Morris Brasil; e apoio de Assaí e Embraer.

CNN Brasil - SP   11/03/2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comparou o temor dos mercados diante da disparada do preço do petróleo ao tarifaço implementado pelos Estados Unidos, ao ser questionado nesta terça-feira (10) sobre o impacto do conflito na próxima decisão do Copom (Comitê de Política Monetária).

Para o chefe da pasta econômica, o Brasil não pode tomar decisões “açodadas”. Haddad afirmou que a sua equipe está monitorando a volatilidade dos preços, elaborando cenários e soluções para cada um deles.

“Não podemos correr riscos de tomar decisões açodadas. No caso do tarifaço, houve um pânico gerado pela extrema direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira e que o Brasil finalmente ia se render ao império do Norte”, disse a jornalistas.

Na última ata do Copom, o colegiado confirmou o início do corte dos juros. O Banco Central já sinalizou que está incorporando em sua análise o conflito do Oriente Médio, mas que é necessário aguardar mais dados.

O preço do barril de petróleo ultrapassou US$ 100 na última segunda-feira (9). Horas depois, o sinal inverteu e a commodity opera em queda nesta terça-feira após falas de Donald Trump sobre o fim do conflito no Irã e com o recuo dos Estados Unidos em sanções.

“O preço do petróleo está oscilando dia a dia. Não pode com base nisso já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer. Tem que observar o andar das coisas e estabelecer cenários como fizemos no caso do tarifaço”, disse Haddad.

O Estado de S.Paulo - SP   11/03/2026

A disposição do BC de calibrar a política monetária não muda com a guerra no Irã, mas é bem possível que um grau a mais de conservadorismo entre nas deliberações da autoridade monetária.

A política monetária no Brasil (e no mundo) não vai ficar indiferente à guerra no Irã. A alta do petróleo é um típico caso de choque adverso de oferta, que pode ter efeitos estagflacionários. A inflação sobe desde o primeiro momento, mas a perda de renda (mais gastos com energia) acaba tendo efeitos recessivos.

No manual dos bancos centrais, esse é um tipo de choque em que se acomoda o efeito inflacionário direto (a alta da energia), mas se combate os efeitos secundários, isto é, a propagação dessas altas para os outros preços da economia.

No caso brasileiro (e de outras economias emergentes), há uma preocupação adicional, que é o impacto no câmbio da maior aversão a risco global trazida pelo conflito. Se o câmbio se desvalorizar fortemente - a depreciação no caso do Brasil foi modesta até agora -, isso aumenta o risco de propagação da alta da energia para os outros preços.

O problema com a guerra no Irã é que há muita incerteza sobre como vai se desenrolar. O fato de Donald Trump não ter até agora dado nenhuma ideia clara dos seus objetivos para além de castigar o país persa com bombardeios contribui para a imprevisibilidade do conflito. É difícil afirmar se vai durar semanas ou meses.

Até agora, já ocorreram a destruição de infraestrutura de energia na região e a paralisia do transporte marítimo (afetando diretamente o petróleo) pelo estreito de Ormuz. Não se tem ideia de quanto tempo a interrupção do transporte vai durar nem do tamanho do estrago de infraestrutura que ocorrerá. Assim, é muito difícil fazer previsões sobre até onde irá a alta de petróleo, gás e fertilizantes, e sobre quanto tempo vai durar.

Os bancos centrais terão de fazer hipóteses e atribuir probabilidades a diversos cenários possíveis dos desdobramentos do conflito. Se o choque adverso de oferta se revelar persistente, vai afetar as expectativas inflacionárias e o "orçamento" de cortes da Selic terá que ser repensado.

Na situação anterior ao início do conflito, o BC estava se preparando para uma calibração do atual aperto monetário, movimento congruente com os ganhos de desinflação dos últimos seis a 12 meses. A ideia era levar a taxa básica de juros de um nível muito contracionista para um patamar apenas contracionista. O mercado interpretou esse plano de voo como um orçamento de corte por volta de 250 a 300 pontos base a partir do nível atual de 15% da Selic.

A disposição do BC de calibrar a política monetária não muda com a guerra no Irã, mas é bem possível que um grau a mais de conservadorismo entre nas deliberações da autoridade monetária.

Em relação à decisão da reunião do Copom de 17 e 18 de março, a guerra fez com que se pensasse que o BC poderia iniciar os cortes com 0,25 ponto porcentual em vez do 0,5pp que era a aposta dominante. Na verdade, dado o altíssimo patamar da Selic, e uma inflação em 12 meses que pode cair para perto de 3% em meados do ano, parece um pouco precipitado pensar já em 0,25pp.

O BC ainda tem duas semanas para avaliar os efeitos da guerra no Irã, e possivelmente a situação estará um pouco menos nebulosa na reunião de março. Se o petróleo e a energia continuarem a subir até lá, e o câmbio se desvalorizar mais, é possível que isso pese na hora de determinar a decisão de março. Mas é difícil fazer qualquer previsão com as informações de hoje. O que é certo é que a vida do Banco Central ficou mais complicada.

Exame - SP   11/03/2026

O comércio exterior da China alcançou 7,73 trilhões de yuans (cerca de US$1,12 trilhão) entre janeiro e fevereiro de 2026, com crescimento de 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados na terça-feira pela Administração Geral das Alfândegas. O resultado reflete a expansão das exportações, o aumento das importações e a demanda doméstica durante o feriado do Ano Novo Chinês.

As exportações somaram 4,62 trilhões de yuans no período, alta anual de 19,2%. Já as importações atingiram 3,11 trilhões de yuans, com crescimento de 17,1%.

Além disso, as exportações de produtos mecânicos e elétricos de maior valor agregado cresceram 24,3% nos dois primeiros meses de 2026. Esses itens concentram parte relevante da pauta exportadora chinesa.

Ao mesmo tempo, o consumo interno durante o feriado do Ano Novo Chinês aumentou a demanda por produtos importados. Nesse contexto, as importações de equipamentos mecânicos e elétricos, minério de ferro e petróleo bruto registraram crescimento de dois dígitos.

Comércio mantém ritmo após expansão em 2025

O resultado do início de 2026 ocorre após o comércio exterior chinês crescer 3,8% em 2025. Segundo analistas, governos locais e departamentos administrativos ampliaram ações para estimular negócios internacionais. Paralelamente, empresas exportadoras buscaram novos pedidos e mercados.

Huang Qunhui, pesquisador do Instituto de Economia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que o desempenho do início do ano cria base para o comércio exterior ao longo de 2026. Segundo ele, a modernização da indústria manufatureira e o estímulo à demanda doméstica ampliam o suporte ao comércio internacional do país.

Durante entrevista coletiva realizada na semana passada à margem da quarta sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional, o ministro do Comércio, Wang Wentao, afirmou que o comércio exterior mantém a tendência observada em 2025.

No entanto, o ministro destacou desafios no cenário internacional. “Os recentes conflitos geopolíticos impactaram a ordem econômica internacional e as cadeias industriais e de suprimentos globais”, afirmou Wang. Segundo ele, esse cenário aumenta a volatilidade e pressiona a estabilidade do comércio global.

ASEAN lidera entre parceiros comerciais

Entre os parceiros comerciais da China, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) manteve a primeira posição. O comércio entre China e ASEAN atingiu mais de 1,24 trilhão de yuans entre janeiro e fevereiro de 2026, com crescimento anual de 20,3%.

A União Europeia aparece em seguida. O comércio bilateral somou 998,94 bilhões de yuans no período, alta de 19,9%.

Além disso, o comércio da China com a América Latina cresceu 19,7%, enquanto as transações com países africanos avançaram 34,2%.

Em contraste, o comércio com os Estados Unidos totalizou 609,71 bilhões de yuans no período, queda anual de 16,9%.

Os dados também mostram expansão das trocas com países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota. O comércio com essas economias alcançou 4,02 trilhões de yuans nos dois primeiros meses de 2026, com crescimento de 20%.

China busca equilibrar exportações e importações

Segundo Wang Wentao, a China pretende manter o crescimento equilibrado do comércio exterior em 2026. O governo busca estabilizar as exportações e ampliar o acesso de produtos estrangeiros ao mercado chinês.

Nesse contexto, o país pretende aumentar as importações de produtos agrícolas, bens de consumo, equipamentos industriais e componentes.

Além disso, o governo planeja ampliar o comércio digital e o comércio verde. O objetivo inclui incentivar exportações de produtos ligados à inteligência artificial, equipamentos de energia limpa e outras tecnologias. Essas áreas devem ampliar as fontes de crescimento do comércio exterior chinês nos próximos anos.

Infomoney - SP   11/03/2026

Empresas brasileiras têm sentimentos mistos sobre a economia e os negócios. Há otimismo em relação à atividade econômica e expectativa de redução da inflação, enquanto a expectativa é moderada quando o assunto são os planos de contratação e de preocupação quanto à lucratividade.

São dados registrados na pesquisa “S&P Global Brazil Business Outlook”, da agência de rating S&P Global, que ouve 12 mil empresas dos setores da indústria e de serviços sobre seus pensamentos quanto ao futuro das condições de negócios.

“As expectativas de inflação diminuíram para todas as três categorias de preços monitoradas pela pesquisa, mas a guerra no Oriente Médio traz novos desafios para o banco central”, comenta a diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima.

Em fevereiro, o índice registrou um aumento de 30% no saldo líquido da atividade empresarial, um leve aumento aos 29% observados em outubro de 2025, o que indica melhora nas projeções de crescimento para o ano. Os dados foram capturados entre 4 e 24 de fevereiro e não capturam, portanto, o início da guerra no Oriente Médio.

“As expectativas de inflação diminuíram para todas as três categorias de preços monitoradas pela pesquisa, mas a guerra no Oriente Médio traz novos desafios para o banco central”, aponta De Lima.

Ela afirma que, apesar da capacidade doméstica de produção de energia proteger o país de altas de preços em relação aos importadores de petróleo, há risco de inflação decorrente da interrupção de cadeias globais de suprimentos. O cenário deve impactar o ritmo e a duração das potenciais reduções nas taxas de juros e até atrasar o primeiro corte.

Os planos de fixação de preços foram revisados para baixo, com o saldo líquido agregado de custos sobre a produção no Brasil reduzindo para o menor patamar em cinco anos, de cerca de 30%. O saldo líquido de empresas que preveem lucros maiores caiu de um número próximo a 8% para 7%, o menor desde o início da pandemia de Covid-19 e abaixo da média global de 12%.

Entre os 12 países para os quais há dados comparáveis da pesquisa, os níveis mais altos de otimismo foram registrados em Índia, Irlanda, Reino Unido e Estados Unidos. Segundo o relatório, previsões otimistas entre empresas brasileiras derivariam de parcerias internacionais e lançamentos de novos produtos, além da Copa do Mundo e da implementação gradual da reforma tributária. Essas companhias também esperam taxas de juros mais baixas e uma demanda subjacente melhor, além de preverem ganhos de produtividade com investimentos em inteligência artificial.

Planos de contratação, no entanto, foram revisados para baixo pela terceira pesquisa consecutiva. Na casa de 5%, o saldo líquido de empregos atingiu o menor patamar desde junho de 2020. Evidências colhidas pela S&P indicam que essa moderação pode decorrer de pressões de custo elevadas na comparação histórica, incertezas sobre políticas públicas provocadas pelas eleições de 2026 e escassez de mão de obra qualificada.

Diário do Comércio - MG   11/03/2026

Quando um conflito cria gargalos logísticos para a movimentação de petróleo, a indústria sente. A escalada militar envolvendo Estados Unidos (EUA), Israel e Irã voltou a colocar o barril acima de US$ 100 e reacendeu um risco clássico para a economia global: inflação mais alta, juros elevados por mais tempo e maior volatilidade cambial.

Petróleo: o custo invisível de tudo

Com pressões sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o mercado reagiu rapidamente. Em 9 de março de 2026, o Brent chegou a tocar US$ 119,50 antes de recuar para a faixa de US$ 106, enquanto o WTI também superou US$ 100.

Quando o petróleo sobe, a transmissão para a economia é quase imediata. Diesel, nafta, asfalto e fretes avançam em bloco, pressionando custos logísticos e industriais.
Do barril ao bolso

Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) acumulava alta de 2,4% em 12 meses em janeiro. Um choque energético tende a interromper esse processo de desaceleração, dificultando cortes de juros. Quando combustíveis sobem, bancos centrais costumam agir com mais cautela.

Na China, após meses de inflação baixa, o CPI chegou a 1,3% em fevereiro, maior nível em mais de três anos. Para o Brasil, esse movimento importa porque custos e demanda chinesa influenciam diretamente setores como mineração, aço e químicos.

No Brasil, o IPCA acumulava alta de 4,44% em janeiro e a Selic permanece em 15% ao ano. Petróleo mais caro pressiona combustíveis, fretes e insumos importados. Em momentos de maior risco global, o dólar também tende a se valorizar, ampliando a pressão sobre custos industriais.
Impactos esperados por setor

Na siderurgia, energia e frete sobem, enquanto a demanda global pode enfraquecer. O câmbio favorece exportações e reduz a competitividade do aço importado, mas encarece insumos como carvão e coque;

Na mineração, diesel e logística pressionam custos, ao mesmo tempo em que a volatilidade chinesa aumenta a incerteza sobre volumes exportados;

Em óleo e gás, produtores tendem a se beneficiar da alta do barril, enquanto refino e distribuição enfrentam maior volatilidade e risco de repasse incompleto;

Na indústria de papel e celulose, exportadores ganham com o câmbio, mas enfrentam custos maiores de químicos, energia e transporte;

Na química básica, a alta da nafta e de derivados comprime margens quando o repasse não ocorre rapidamente;

Já na construção civil, o efeito é duplo: materiais mais caros e juros elevados por mais tempo, o que tende a desacelerar vendas e novos lançamentos.

Mais importante que o pico é a duração

Em choques de commodities, a variável decisiva raramente é o pico de preço, mas a duração. Se o conflito e as restrições logísticas persistirem, custos elevados podem se tornar estruturais, pressionando margens e preços em toda a cadeia produtiva.

Em um mundo interconectado, conflitos distantes rapidamente se transformam em impacto local.

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Infomoney - SP   11/03/2026

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) arrefeceu o ritmo de queda na primeira prévia de março, a 0,19%, conforme divulgou a Fundação Getulio Vargas nesta terça-feira (10). Na primeira prévia de fevereiro, o indicador contraiu 0,49%.

O movimento foi puxado pelo recuo menos intenso do Índice de Preços ao Produtor Amplo (-0,88% para -0,36%). Também houve perda de força na alta do Índice Nacional de Custo da Construção (0,51% para 0,36%).

Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que havia subido 0,39% na primeira prévia de fevereiro, arrefeceu o ritmo de alta a 0,10% nesta leitura, também conforme a FGV.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   11/03/2026

O Itaú BBA afirmou que ainda vê valor adicional a ser destravado nas ações da Vale (VALE3), após reunião com executivos da mineradora. Em relatório desta terça-feira (10), o banco destacou perspectivas positivas para o minério de ferro, o crescimento da divisão de metais básicos e uma estratégia disciplinada de alocação de capital.

A instituição tem um preço-alvo de US$ 19,50 para as ADRs, o que representa um potencial de alta de 27%, com recomendação outperform — equivalente a compra. Por volta das 16h, as ações da companhia na B3 subiam 1,8%, a R$ 80,65, impulsionadas pelo fluxo estrangeiro e após perdas em pregões recentes.

Segundo o Itaú BBA, durante uma mesa-redonda com o CEO Gustavo Pimenta e o diretor de relações com investidores Thiago Lofiego, a companhia falou das alternativas para continuar destravando valor para os acionistas, além de temas como um possível IPO da divisão de metais básicos e decisões de capital.

O banco destacou que a Vale Base Metals (VBM) está bem posicionada para capturar valor com uma base operacional competitiva e crescimento orgânico. No entanto, ressaltou que um eventual IPO da divisão não é um objetivo em si, já que a mineradora não espera uma reprecificação relevante apenas com esse movimento.

Ainda assim, a empresa pretende manter a divisão de metais básicos “pronta para IPO”, caso surja uma oportunidade favorável, segundo o banco.

O Itaú BBA também afirmou que o crescimento da VBM deve ser majoritariamente financiado com recursos próprios, com investimentos estimados em US$ 5 bilhões até 2035, sendo cerca de US$ 3 bilhões até 2030.
Vale vê espaço para aumento de produção, diz BBA

De acordo com o BBA, a Vale vê espaço para elevar a produção de cobre de cerca de 380 mil toneladas por ano atualmente para 700 mil toneladas até 2035. Já o negócio de níquel apresenta dinâmica mais desafiadora, e a companhia continua avaliando alternativas estratégicas.

Em relação ao minério de ferro, o banco disse manter uma visão construtiva para o curto e o longo prazo. A produção global de aço segue resiliente mesmo com a desaceleração da China, enquanto a queda no teor de alguns contratos favorece produtos de maior qualidade, como os da Vale, destacou.

Para o longo prazo, o Itaú BBA destaca o aumento da demanda por minério transportado por via marítima em regiões como a Índia, onde a Vale deve vender cerca de 10 milhões de toneladas em 2025, além da redução estrutural da indústria, estimada em cerca de 3% ao ano, que tende a favorecer produtores mais competitivos.

Frete e impacto da guerra

O BBA também apontou que a mineradora ampliou sua exposição de longo prazo ao frete, aumentando o volume de contratos de transporte além do nível histórico de cerca de 80% das necessidades logísticas.

A companhia, disseram os analistas, citou um impacto negativo estimado de US$ 2 a US$ 2,5 por tonelada decorrente da alta de cerca de US$ 20 por barril no Brent em meio ao conflito no Oriente Médio – foi mais do que compensado por uma elevação de aproximadamente US$ 5 por tonelada no preço do minério de ferro desde o início das tensões.

O Itaú BBA destacou também que a estratégia de alocação de capital da Vale segue focada em crescimento orgânico e projetos de alto retorno, enquanto fusões e aquisições só devem ocorrer se forem estrategicamente sólidas e geradoras de valor.

O banco ainda citou que os trabalhos de recuperação nas operações de Fábrica e Viga estão praticamente concluídos e que o impacto nos volumes de produção de 2026 deve ser limitado.

Infomoney - SP   11/03/2026

As importações de minério de ferro pela China nos dois primeiros meses de 2026 aumentaram 10% em relação ao ano anterior, mostraram dados alfandegários nesta terça-feira, graças às exportações mais fortes da Austrália, maior fornecedora mundial, e à maior demanda interna.

O maior consumidor de minério de ferro do mundo trouxe 210,02 milhões de toneladas do principal ingrediente de fabricação de aço em janeiro e fevereiro, acima dos 191,36 milhões de toneladas do ano anterior.

O crescimento foi atribuído principalmente às fortes exportações da Austrália em dezembro, já que o país não sofreu tantas interrupções relacionadas ao clima como no ano anterior, disse Alexis Ellender, analista da empresa de rastreamento de navios Kpler.
A China combina os dados de importação de janeiro e fevereiro para suavizar o impacto do feriado de uma semana do Ano Novo Lunar, que caiu em fevereiro deste ano.

A melhora da demanda doméstica também apoiou o aumento das importações de minério de ferro, disseram analistas.

A produção média diária de ferro-gusa, um indicador da demanda de minério de ferro, aumentou 1,2% em relação ao ano anterior nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados da consultoria Mysteel.

O número de janeiro a fevereiro corresponde a uma média mensal de 105,01 milhões de toneladas, em comparação com 119,65 milhões de toneladas em dezembro.

Ellender, da Kpler, espera que as importações de março cheguem a quase 105 milhões de toneladas.

As exportações de aço da China nos dois primeiros meses caíram 8,1% em relação ao ano anterior, para 15,59 milhões de toneladas, já que as exigências de licenças de exportação reduziram a velocidade dos embarques.

Em dezembro, Pequim revelou um plano para implantar um sistema de licenças a partir de 2026 para regular as exportações siderúrgicas, depois que os fortes embarques alimentaram uma crescente reação protecionista em todo o mundo.

Valor - SP   11/03/2026

Contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a aproximadamente US$ 113,4

O preço do minério de ferro avançou nesta terça-feira (10) na China, mesmo em meio a um período de aparente enfraquecimento da oferta e da demanda pela commodity.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,25%, cotado a 784 yuans (aproximadamente US$ 113,4).

O baixo volume de novos pedidos de exportação de aço da China está levantando preocupações sobre a demanda externa futura, o que pode levar a expectativas de cortes de produção nas siderúrgicas, dizem analistas da Nahua Futures.

Apesar disso, o preço do minério pode estar refletindo as expectativas de um encerramento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, após Donald Trump indicar que isso pode ocorrer “muito em breve”. Há pouco, o contrato do petróleo tipo Brent para abril recuava 7,05% na Intercontinental Exchange, em Londres.

Infomoney - SP   11/03/2026

A Vale (VALE3) realizou reuniões com analistas do mercado financeiro para detalhar a nova fase estratégica da companhia. Ao mercado, destacou a confiança em sua capacidade operacional e na geração de valor a longo prazo.

O otimismo da gestão, liderada pelo CEO Gustavo Pimenta, surge em um momento de correção técnica no mercado financeiro, visto que as ações da mineradora registram uma queda de 8,6% na variação mensal.

Para os analistas do Bradesco BBI, esse recuo, que chega a 11% desde o final de fevereiro, “oferece um ponto de entrada atraente”, com a empresa negociando a múltiplos descontados de 4,8 vezes o Valor de empresa/Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) para o ano de 2026. Além disso, a gestão pontuou que está entregando o guidance e reduzindo custos, mantendo uma alocação de capital disciplinada.
A disciplina financeira e o retorno ao acionista continuam sendo as prioridades estratégicas centrais da companhia, mesmo diante de um cenário global volátil. Em relatório, o JPMorgan destaca que a Vale vive seu “melhor momento no lado operacional”, sendo capaz de entregar uma “combinação rara de crescimento e retorno ao acionista”.

De acordo com o banco, o Fluxo de Caixa Livre (FCL) atual sustenta a expansão orgânica sem comprometer a distribuição de dividendos, mantendo a meta de dívida líquida expandida em torno de US$ 15 bilhões.

O programa de Capex (Capital Expenditure, ou despesas de capital) para a unidade de metais básicos é considerado autofinanciado, com US$ 3,5 bilhões previstos até 2030 e outros US$ 1,5 bilhão até meados da década de 2030, o que garante que o crescimento não limite o pagamento de proventos aos preços atuais das commodities no mercado à vista.

Sobre a alocação de capital, o BBI saudou o compromisso contínuo da empresa com a disciplinada remuneração aos acionistas, juntamente com a reafirmação de que nenhuma transação em grande escala está sendo considerada.
Expansão orgânica

O motor do crescimento futuro da Vale está na sua divisão de VBM (Vale Metais Básicos). A ambição é dobrar a produção atual de cobre, saltando de 350 mil para 700 mil toneladas anuais até 2035.

O documento sobre a Vale escrito pelo Morgan Stanley detalha que esse avanço já tem cronograma: o projeto Bacaba está em construção e novos projetos de expansão em Carajás devem ser aprovados em 2026, com investimentos pesados começando em 2027. De acordo com o Bradesco BBI, a vantagem é que esses ativos exigem baixo Capex, pois aproveitam estruturas que já existem, o que torna a expansão mais lucrativa.

Para o projeto Hu’u, na Indonésia, Pimenta ressaltou aos analistas que há um potencial forte em relação ao cobre, sendo o mais relevante nos últimos dois anos, com a possibilidade de atingir de 300 a 350 mil toneladas ao ano. “Dito isso, ele enfatizou a complexidade do desenvolvimento do projeto, observando que a Vale está buscando ativamente um parceiro estratégico para impulsioná-lo”, afirma relatório do BBI.

No setor de níquel, a estratégia é de “blindagem”: a empresa foca em aumentar a eficiência para enfrentar a enxurrada de oferta vinda da Indonésia. O objetivo é atingir um breakeven de Ebitda em US$ 15 mil por tonelada, garantindo que a operação não dê prejuízo mesmo em cenários de preços baixos.

“Apesar dos desafios de mercado [de níquel], a administração continua a enxergar valor estratégico no níquel e busca manter sua viabilidade a longo prazo”, diz documento do Morgan Stanley.
IPO e fusões

Analistas de diferentes casas concordam que, ao contrário do que se especulava, abrir o capital da unidade de metais básicos através de um IPO (Oferta Pública Inicial) não é uma prioridade imediata da Vale.

O Itaú BBA observa que a Vale “não acredita em buscar um IPO meramente para destravar valor, pois não antecipa uma reprecificação significativa” com o movimento. Para o Morgan Stanley, o IPO é apenas uma “opcionalidade” para o futuro, caso haja necessidade de caixa, já que hoje o crescimento da unidade se paga sozinho.

Essa postura se estende para M&A (Fusões e Aquisições), reforçado pela ideia de que comprar outras mineradoras agora seria “dilutivo”, ou seja, reduziria o valor para o acionista atual, segundo Bradesco BBI.

O documento do banco ressalta que o valor de mercado da Vale hoje está muito barato em comparação aos seus concorrentes globais, tornando o uso de capital para compras externas pouco vantajoso no curto prazo.
Minério de ferro

No segmento de minério de ferro, a Vale aposta na qualidade e no custo. O projeto S11D continua sendo o ativo mais eficiente, com custos C1 (custo de caixa de produção) abaixo de US$ 15/t, enquanto a média global em 2025 gira em torno de US$ 21/t.

Os analistas dos bancos Morgan Stanley e JPMorgan destacam que a adição de um novo britador no S11D somará 20 milhões de toneladas de capacidade até o fim do ano. Um ponto regulatório levantado pelo Morgan Stanley é o potencial do novo “Decreto de Cavidades”: caso aprovado, ele permitiria minerar áreas próximas a cavernas na Serra Norte, o que poderia reduzir o custo C1 na região em mais US$ 1 a US$ 2 por tonelada ao destravar frentes de mineração mais ricas e compensar a exaustão de teores.

A logística e as relações institucionais também ganharam foco. A Vale reiterou que a linha férrea duplicada em Carajás cumpre todos os requisitos do Ibama e do MPF, com concessão garantida até 2057.

A XP Investimentos aponta que a Vale permanece construtiva quanto aos fundamentos do mercado do minério, apoiada por redução de estoques, melhora em prêmios e maior flexibilidade para ajustar seu mix de produtos, com S11D sustentando uma posição de custo de referência no setor. A companhia reiterou sua capacidade de entregar volumes e preservar uma estrutura de custos resiliente dentro da base de ativos existente.

Quanto à volatilidade global, o Itaú BBA destaca que a mineradora aumentou sua proteção no frete marítimo (acima de 80% das necessidades contratadas), o que permitiu que o aumento de US$ 20 no barril de petróleo Brent fosse neutralizado pela alta de US$ 5 na tonelada do minério de ferro.

InstituiçãoRecomendaçãoPreço-Alvo
JPMorganCompraNão mencionado
Morgan StanleyCompraUS$ 18,00
Bradesco BBICompraUS$ 19,00
Itaú BBACompraUS$ 19,50 (ADR)
XP InvestimentosNeutraR$ 85

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   11/03/2026

A presença crescente da Geely no Brasil (primeiro de forma indireta, agora cada vez mais estrutural) ajuda a explicar o novo capítulo da Renault. O grupo francês anunciou o plano futuREady, estratégia global que pretende consolidar a empresa como “referência europeia” no setor automotivo em um cenário cada vez mais competitivo e marcado pelo avanço de fabricantes chineses.

Por meio de comunicado, a Renault deixou claro que pretende estreitar ainda mais suas relações com a Geely na América do Sul e no Brasil. A fabricante já reorganiza sua estratégia industrial e tecnológica em parceria com a chinesa, numa relação que mistura cooperação industrial, compartilhamento de plataformas e divisão de investimentos em tecnologias de eletrificação.

O futuREady é, na prática, a continuação da Renaulution, estratégia lançada em 2021 que reposicionou a empresa após anos de dificuldades financeiras. Agora, a ambição é transformar aquela recuperação em um crescimento mais robusto.

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“futuREady é um passo crucial para o futuro do Renault Group. Em um ambiente cada vez mais competitivo, podemos nos apoiar em fundamentos sólidos: nossas marcas, nossos produtos e nossos resultados financeiros”, afirmou o CEO do marca, François Provost.
América do Sul ganha peso estratégico

Entre os mercados globais, a América do Sul aparece explicitamente como um dos polos de crescimento do grupo, ao lado de Índia e Coreia do Sul.

A região deve receber parte relevante da ofensiva internacional da marca, que prevê 36 novos modelos até 2030. Destes, 22, diz a Renault, são exclusivos para a Europa (sendo 16 elétricos) e 14 são destinados a mercados fora do continente.

Nesse contexto, a parceria com a Geely ganha papel central. O plano confirma que a cooperação entre as duas empresas continuará sendo uma das bases para a expansão internacional da Renault na América do Sul e, por conseguinte, no Brasil.

Isso se traduz na prática em plataformas compartilhadas e produção conjunta, estratégia que já começou a se materializar em projetos voltados para mercados emergentes. A lógica é simples: dividir custos e acelerar desenvolvimento como uma resposta direta ao avanço das montadoras chinesas.

O Koleos, lançamento recente da Renault no país, se vale de tal estratégia. O modelo é feito sobre a plataforma CMA (Compact Modular Architecture), arquitetura global desenvolvida pela Geely e por sua subsidiária, a Volvo.

Apesar do avanço internacional, o coração da estratégia continua na Europa. O grupo quer consolidar sua posição como “referência europeia da indústria automotiva”, apostando em tecnologia, eletrificação e desenvolvimento local.

A Renault quer reforçar sua presença no continente com os novos produtos, ao mesmo tempo em que acelera a eletrificação da linha. A meta é que 100% das vendas europeias sejam eletrificadas até 2030.

Já a Dacia continuará explorando sua estratégia de custo-benefício, com ampliação da presença no segmento C e eletrificação gradual da linha. A Alpine, por sua vez, seguirá como divisão esportiva e tecnológica do grupo, preparando inclusive uma nova geração do esportivo A110.
Renault terá 10 plataformas e carros definidos por software

O plano estratégico também detalha a próxima geração tecnológica da Renault. Um dos pilares é o Software Defined Vehicle (SDV), em que o carro passa a funcionar como um dispositivo digital atualizável. Segundo o grupo, 90% das funções dos veículos poderão ser atualizadas remotamente, reduzindo o tempo de desenvolvimento e permitindo melhorias contínuas.

Além disso, a plataforma elétrica de próxima geração, chamada RGEV Medium 2.0, terá arquitetura de 800 volts, permitindo carregamento ultrarrápido em até 10 minutos em condições ideais até o final da década. É algo similar em termos de tecnologia ao que temos, por exemplo, na BYD e na Tesla.

A meta da Renault é atingir 750 km de autonomia no ciclo WLTP, podendo chegar a 1.400 km em versões com extensor de alcance. Este pode, inclusive, ser um trunfo para futuros modelos eletrificados à venda em nosso país. É uma tecnologia parecida, bom lembrar, com a do Leapmotor C10.

Bom salientar que, para a produção dos 36 novos carros, a Renault lança mão de 10 plataformas. Todas atenderão a objetivos específicos.

A RGMP, por exemplo, plataforma de Kardian e Boreal, segue no jogo. E renderá o primeiro fruto já em 2027: trata-se de modelo que tomará como base o Bridger Concept.

Com menos de quatro metros de comprimento, o veículo antecipa um SUV compacto de proporções ousadas focado em mercados emergentes, como o Brasil. Construído sobre a plataforma RGMP Small, será versátil, prevendo motorizações a combustão, híbridas e elétricas.

No visual, o conceito aposta em linhas angulares*e uma grade frontal imponente que integra o nome da marca aos faróis. Para reforçar o espírito aventureiro, a Renault incluiu um estepe na tampa do porta-malas — estilo clássico do Duster — acompanhado de rodas de 18 polegadas e a exclusiva cor “Beige Dune Satin”.

Por dentro, o destaque do Bridger Concept é o aproveitamento inteligente de espaço. O SUV tem posição de dirigir elevada e um espaço para pernas na traseira de 20 cm, que promete ser dos maiores da categoria. Além disso, o porta-malas tem capacidade para 400 litros.

Desenvolvido inicialmente na Índia, a versão de produção dessa espécie de evolução do Duster com pegada mais aventureira deve ganhar as ruas antes do fim de 2027. Embora siga para outros mercados internacionais, o Bridger não deve ser lançado na Europa, mantendo o foco em regiões onde a demanda por SUVs compactos e robustos é prioridade. Como o Brasil.
Híbridos no jogo e maior eficiência

Apesar do foco crescente em veículos elétricos, a Renault não pretende abandonar os híbridos. A tecnologia E-Tech continuará sendo desenvolvida mesmo depois de 2030, principalmente para mercados internacionais, onde infraestrutura de recarga e custo dos elétricos ainda são obstáculos.

Essa decisão dialoga diretamente com realidades como a brasileira, onde o híbrido ainda aparece como solução intermediária mais viável.

Novo Renault Koleos tem IA que aprende como você dirige

Outro eixo do plano envolve produtividade industrial. A Renault pretende encurtar o ciclo de desenvolvimento de novos carros para apenas dois anos e reduzir o custo de produção dos elétricos em até 40%.

Para isso, o grupo aposta em digitalização das fábricas, uso intensivo de inteligência artificial e um metaverso industrial capaz de monitorar operações em tempo real. Até 350 robôs humanoides poderão ser usados em tarefas pesadas ou repetitivas nas linhas de produção.

Uma nova fase industrial

No pano de fundo, o plano também reflete a reorganização global da indústria automotiva. Enquanto a Renault mantém sua base tecnológica na Europa, o crescimento virá cada vez mais de mercados emergentes e parcerias internacionais.

Ademais, a empresa reforçou seu compromisso com parcerias como Nissan e Mitsubishi. A companhia prevê, inclusive, produzir mais de 300 mil veículos por ano para outras fabricantes, incluindo as japonesas e também Volvo Trucks, Ford e Geely.

Para Provost, essa rede de cooperação será fundamental para enfrentar a nova fase do setor. “Sabemos de onde viemos. Agora sabemos para onde queremos ir, como e com quem”, disse o executivo.

Entre eletrificação, software e alianças globais, o plano da Renault reflete a nova realidade da indústria automotiva. É uma disputa que hoje passa tanto pela engenharia europeia quanto pela velocidade de execução que marcas chinesas vêm impondo ao mercado global.

Valor - SP   11/03/2026

A Tata teve dificuldades com estratégias de baixo custo no passado

Políticas protecionistas na Índia, Vietnã e outros países asiáticos abriram as portas para que empresas locais entrem no mercado de veículos elétricos e conquistem uma grande fatia da demanda interna.

A Tata Motors Passenger Vehicles, subsidiária do conglomerado indiano Tata Group, apresentou uma versão renovada de seu principal modelo, o Punch EV, em um evento de lançamento no dia 20 de fevereiro, onde o diretor-geral, Shailesh Chandra, classificou o novo veículo como revolucionário.

A Tata está adotando uma abordagem ousada com o preço do novo Punch, vendendo o veículo por apenas 649 mil rúpias (cerca de US$ 7.100).

A empresa mantém os custos iniciais baixos com um plano que permite aos clientes pagar uma taxa separada de 2,6 rúpias por quilômetro rodado. O preço acessível aliviará quaisquer preocupações que os consumidores possam ter sobre a compra de um veículo elétrico, disse Chandra.

A Tata ocupa o terceiro lugar no mercado de veículos de passageiros da Índia, com uma participação de 13%, bem atrás da japonesa Suzuki Motor, com seus 40%. Mas, considerando apenas os veículos elétricos, a Tata lidera com uma participação de 40%. A Suzuki lançou seu primeiro veículo elétrico na Índia no mês passado.

A Tata utilizou preços baixos para chegar ao topo do mercado doméstico de elétricos. O Tiago, um hatchback elétrico anunciado em 2022, foi lançado com um preço inicial especial de 849 mil rúpias, alcançando mais de 10 mil pré-encomendas em um único dia.

Mesmo com inflação em alta na Índia devido ao crescimento econômico, a Tata reduziu o preço do Tiago para 799 mil rúpias em 2024. A empresa conseguiu reduzir ainda mais o preço do novo Punch EV ao separar o custo da bateria.

A Tata teve dificuldades com estratégias de baixo custo no passado. Em 2009, a Tata lançou o Nano, um carro ultrabarato com preço de 100 mil rúpias. Mas o modelo enfrentou problemas de qualidade e as vendas foram afetadas por uma recessão econômica, transformando o pequeno carro em um grande fracasso.

O Grupo Tata, que inclui fabricantes de peças e produtos químicos, afirma que, desde dezembro, mais da metade das peças para seus veículos elétricos são adquiridas no mercado interno. A empresa busca construir uma cadeia de suprimentos e lançar veículos com preços imbatíveis.

Políticas protecionistas dirigidas às indústrias indianas abriram caminho para o sucesso da Tata no mercado de veículos elétricos.

A Tesla inaugurou sua primeira concessionária na Índia em 2025, mas vendeu apenas 225 unidades naquele ano, segundo a Federação das Associações de Concessionárias de Automóveis da Índia. As vendas em janeiro deste ano chegaram a apenas 37 unidades.

O governo indiano impõe tarifas de importação superiores a 100% sobre alguns veículos. O Model Y da Tesla tem preço inicial de cerca de 6 milhões de rúpias, ou aproximadamente US$ 66 mil, bem acima do preço nos Estados Unidos, de US$ 44.990. O fundador da Tesla, Elon Musk, reclamou que o país possui uma das tarifas alfandegárias mais altas do mundo.

O governo indiano é ainda mais rigoroso com as empresas chinesas. Após uma disputa de fronteira com a China, em 2020, passou a exigir aprovação prévia para investimentos de países vizinhos.

Em 2023, foi noticiado que os planos da gigante chinesa de veículos elétricos BYD de construir uma fábrica na Índia foram rejeitados pelo governo devido a preocupações com a segurança. Em 2025, a BYD vendeu apenas cerca de 5.400 veículos na Índia, representando apenas 3% do mercado de veículos elétricos.

Enquanto isso, o protecionismo no Vietnã também está impulsionando a produção nacional de veículos elétricos.

A fabricante local VinFast, que produz exclusivamente veículos elétricos, viu suas vendas de veículos novos no mercado interno em 2025 praticamente dobrarem em relação ao ano anterior, chegando a 175.099 unidades. O VF3, um modelo popular, tem preço inicial de 302 milhões de dongs (cerca de US$ 11.500).

Tendo iniciado a produção de veículos elétricos há apenas quatro anos, a participação da VinFast nas vendas de novos está agora próxima de 30%, consolidando sua posição como a principal fabricante de elétricos, muito à frente da Toyota e outras.

O imposto especial sobre o consumo de veículos elétricos no Vietnã varia de 1% a 3%, significativamente menor do que a alíquota de 35% ou mais para veículos a gasolina. Os elétricos também serão isentos de taxas de registro até 2027.

A VinFast também conta com o apoio de sua controladora e maior conglomerado do Vietnã, o Vingroup. A VinFast acumulou déficits nos últimos anos, com perdas acumuladas que chegaram a 329 trilhões de dongs até o final de setembro.

O presidente indonésio, Prabowo Subianto, também lançou uma iniciativa nacional para o setor automotivo na Indonésia, e especula-se que o país esteja desenvolvendo um veículo elétrico de marca nacional. O ministro de Assuntos Econômicos, Airlangga Hartarto, afirmou que o país precisa aprender com a VinFast.

Com a participação de empresas estatais, a produção deverá começar já em 2028, com o objetivo de atingir uma escala de 100 mil unidades.

A fabricante indonésia de eletrodomésticos Polytron também entrou no mercado de veículos elétricos, dominado por montadoras chinesas, em 2025. Ela será a primeira marca de elétricos do país.

A Indonésia não cobra imposto sobre bens de luxo para veículos elétricos produzidos internamente, o que ajudou a reduzir a diferença de preço em relação aos veículos a gasolina.

A Ásia já foi um reduto das montadoras japonesas, mas a ascensão de concorrentes chineses e locais está corroendo sua participação de mercado. A participação do Japão no mercado indonésio caiu de 96% para 80% entre 2020 e 2025.

Em uma pesquisa da KPMG com executivos da indústria automotiva global, realizada de abril a maio de 2025, 90% afirmaram que a fragmentação regional do setor automotivo provavelmente ocorrerá nos próximos cinco anos.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   11/03/2026

No dia 5 de março, a JCB promoveu um evento em Sorocaba (SP) para anunciar sua nova linha de escavadeiras hidráulicas no Brasil.

A iniciativa marca o novo posicionamento estratégico da companhia, que busca se consolidar como fornecedora de soluções para todos os segmentos produtivos no país.

Indicado para aplicações de terraplenagem e locação, o modelo 205NXT é o carro-chefe da nova linha, projetado para – segundo a fabricante – “atender às demandas de robustez e simplicidade do mercado nacional”.

Produzida inteiramente em Sorocaba, a nova gama de máquinas para escavação conta ainda com os modelos 220NXT e 130NXT.

Segundo a fabricante, modelo 205NXT é o principal destaque da nova linha de escavadeiras no Brasil

O lançamento está atrelado à estratégia da empresa para dobrar de tamanho até 2030, como explicou Adriano Merigli, presidente da JCB na América Latina.

“Nossa estratégia de crescimento começou a ser implementada dois anos atrás, quando anunciamos investimento de R$ 500 milhões, dos quais cerca de R$ 360 milhões são voltados à expansão das operações e à modernização da nossa planta de Sorocaba, que abastece as Américas do Sul e Central”, disse ele.

Para o diretor de engenharia e estratégia de produto da JCB na América Latina, Etelson Hauck, a nova linha reforça o compromisso da marca “em entregar máquinas que unam altos índices de confiabilidade e de eficiência operacional".

Durante o lançamento, o diretor de vendas e marketing da JCB América Latina, Carlos França, comentou que a ação foi concebida para aproximar ainda mais a empresa de seus clientes.

“Estar próximo deles é uma prática cotidiana. Mas tê-los ainda mais ao nosso lado em um momento histórico como esse é uma oportunidade única”, afirmou França, destacando que o evento contou com a presença de representantes dos 66 pontos de venda da empresa no país.

Já o diretor de pós-venda Felipe Battistella revelou que a JCB prepara a introdução de uma nova oferta de Plano de Manutenção em seu portfólio de serviços para a linha de pesados.

“Será um plano com cobertura nacional, cuja gestão será feita diretamente pela fábrica”, destacou.

NAVAL

Petro Notícias - SP   11/03/2026

O Irã pode implantar minas navais no Estreito de Ormuz. É o que acredita a inteligência dos Estados Unidos. O estoque de minas navais do Irã é desconhecido, embora as estimativas variem de 2.000 a 6.000 unidades. Os serviços de inteligência dos EUA detectaram indícios preliminares de que o Irã pode implantar minas na rota de navegação do do Estreito de Ormuz. Após a divulgação do relatório, o presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu em uma postagem agora excluída no Truth que, se minas tivessem sido colocadas, embora ele tenha observado que os EUA não tinham relatos de tal ocorrência, e se não fossem removidas, “As consequências militares para o Irã seriam de um nível nunca antes visto. Se, por outro lado, removerem o que possa ter sido colocado lá, será um passo gigantesco na direção certa!”, escreveu ele. O fluxo de navegação pelo estreito, está influindo diretamente no peço do barril de petróleo, que agora, no início da noite estava cotado a US$ 91,28 o Brent.

Trump também anunciou que os EUA haviam atingido e “destruído completamente” 10 navios lançadores de Minas, alertando que mais seriam atingidos, mas esta publicação foi retirada. O general americano Dan Caine afirmou hoje que Washington estava realizando ataques contra navios iranianos que lançavam minas e que o Pentágono analisaria uma série de opções caso fosse incumbido de escoltar navios pelo Estreito de Ormuz. A guerra fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito, impedindo a navegação de navios-tanque por mais de uma semana e forçando os produtores a interromper o bombeamento à medida que os estoques se enchem.

Além disso, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a Marinha dos EUA escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz “para garantir que o fluxo de petróleo para os mercados globais continue”. Um superpetroleiro com dois milhões de barris de petróleo iraniano a bordo navegou pelo Estreito de Ormuz no último dia, juntando-se a pelo menos outros cinco navios que transportam petróleo para a Ásia desde 28 de fevereiro, segundo dados de rastreadores de navios divulgados nesta terça-feira. Uma análise da Lloyd’s List Intelligence e da Kpler mostrou que o navio Cuma, com bandeira da Guiana e que consta na lista de sanções dos EUA, navegou pelo estreito em 9 de março com destino à China. Desde o início dos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o país também enviou cargas de gás e derivados de petróleo por essa importante via navegável. Estima-se que, além do último carregamento, pelo menos 11 milhões de barris de petróleo bruto tenham deixado o Irã desde então.

A Tribuna - SP   11/03/2026

O governo do Paraná, responsável pela administração dos portos do estado, e o Governo Federal assinariam nesta quarta-feira (11) o contrato de concessão do canal de acesso aquaviário de Paranaguá e Antonina. Porém, o evento foi cancelado, conforme divulgação da Portos do Paraná. Uma nova data ainda não foi informada.

A concessão, inédita no Brasil, obteve R$ 276 milhões de lance de outorga e vai garantir mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos nos cinco primeiros anos, destinados à ampliação, manutenção e exploração do canal aquaviário.

O leilão de concessão, realizado em outubro do ano passado, na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, foi homologado em 4 de dezembro. O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) — formado pelas empresas FTS Participações Societárias S.A., Deme Concessions NV e Deme Dredging NV — será o concessionário pelos próximos 25 anos.

O procedimento licitatório, até a sua conclusão com a homologação, precisou atender a uma série de quesitos avaliados cuidadosamente pelos técnicos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para comprovar a regularidade de todos os trâmites.

Após a assinatura do contrato, a empresa deverá apresentar o projeto de implantação. Uma vez aprovado, será concedida a permissão para o início dos trabalhos. Nos dois primeiros anos de atuação, o consórcio terá que iniciar os levantamentos batimétricos (mapeamento da topografia do fundo do canal) e hidrográficos (que incluem estudos ambientais, de engenharia e de navegação), essenciais para a execução de todo o projeto.

Etapas

O modelo econômico-financeiro foi estruturado com regras rígidas de controle. Entre as melhorias previstas estão o alargamento, a derrocagem e o aprofundamento, até que seja atingido o calado desejado. Em paralelo, serão executadas as dragagens de manutenção para garantir a navegabilidade com total segurança, além da implantação do sistema de sinalização.

Ao final dos cinco primeiros anos de concessão, a concessionária deverá realizar o aprofundamento do canal para garantir um calado operacional — que é a distância entre o ponto mais profundo do navio e a superfície da água — de 15,5 metros. Atualmente, o calado é de 13,3 metros.

O aumento superior a dois metros no calado representa um salto expressivo na capacidade de embarque de mercadorias, com um adicional de até mil contêineres ou 14 mil toneladas de granéis vegetais sólidos em um único navio.

A arrendatária fará a cobrança da tarifa de uso da infraestrutura, paga por todas as embarcações que acessam os portos.

Portal Fator Brasil - RJ   11/03/2026

Na corrda estão os estaleiros: Ecovix Construções Oceânicas, Swan Defence and Heavy Industries, Dalian Shipbuilding Offshore e Green Port Logística Portuária (Mac Laren).

A Transpetro, empresa do Sistema Petrobras, realizou no dia 09 de março (segunda-feira) a abertura das propostas comerciais da licitação pública internacional destinada à aquisição de quatro novos navios de médio porte da classe MR1 (Medium Range), com 40 mil toneladas de porte bruto (TPB), destinados ao transporte de petróleo e derivados pela costa brasileira.

Disponível no portal Petronect, plataforma eletrônica de compras do sistema Petrobras, a publicação do ordenamento traz a classificação preliminar das empresas proponentes por preço global dos lances. Recebemos propostas dos seguintes estaleiros: Ecovix Construções Oceânicas, Swan Defence and Heavy Industries, Dalian Shipbuilding Offshore e Green Port Logística Portuária (Mac Laren).

A concorrência segue agora para as próximas por meio da comissão de licitação, que irá avaliar as propostas recebidas e dar continuidade ao processo até a homologação do resultado final.

A licitação integra o Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras.

Etapas da licitação — A concorrência permitiu a participação de todos os estaleiros que atendessem aos critérios legais, técnicos e econômicos previstos. Em conformidade com a Lei das Estatais (Lei 13.303/ 2016), o processo licitatório prevê algumas etapas até a divulgação do estaleiro vencedor e a assinatura do contrato. Todas elas serão divulgadas por meio do portal Petronect.

De acordo com a Transpetro, após a abertura das propostas comerciais, a comissão de licitação dará início à fase de negociação com os proponentes. Em seguida, serão analisadas as condições de habilitação, com a verificação de documentação para qualificação jurídica, econômica e técnica.

— Será julgado vencedor da licitação o estaleiro com a proposta classificada em primeiro lugar e que apresente todos os requisitos e documentos exigidos— ressalta a Transpetro.

— Após esse trâmite, será aberto prazo para recursos. Ao final, será feita a divulgação do resultado dos recursos e a formalização da proposta vencedora na Petronect— conclui.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   11/03/2026

Diretor-executivo da Eurasia Group para as Américas, Christopher Garman mantém a avaliação de que o efeito do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo tende a ser transitório. Ele afirma que o cenário-base aponta para certa normalização dos mercados energéticos ainda em março, mas admite risco significativo de impacto duradouro nos preços da commodity.

Garman diz que o presidente americano, Donald Trump, está disposto a assumir riscos, mas subestimou a reação do regime iraniano, que afetou diversos países ao adotar a estratégia de maximizar o dano à economia global. Segundo ele, o manejo do conflito “ficou mais difícil” do que o imaginado. No curto prazo, a Casa Branca deve dobrar a aposta e correr contra o relógio para contornar a crise, pois “quanto maior a duração, maior o preço que Trump pagará domesticamente”.

“Nos Estados Unidos, popularidade é preço de gasolina. E, nesta segunda-feira, vimos declarações querendo criar as bases para declarar a vitória. Está batendo medo. Há eleições em novembro”, afirma. “Trump sabe que tem que declarar vitória até o final deste mês”, reforça. Em resposta às declarações de segunda-feira, o preço do petróleo virou para baixo e caía nesta manhã.

Quanto mais tempo demorar a normalização do tráfego de navios no Estreito de Ormuz, maior o risco de redução prolongada da oferta de petróleo. “Ataques pontuais do Irã sem resolução permanente podem elevar o preço da commodity e sustentar um choque inflacionário”, alerta Garman. No cenário alternativo, adverso, com probabilidade de 40%, os efeitos sobre as cotações tendem a ser “mais duradouros”.

Na segunda-feira, Trump ameaçou atacar o Irã com “20 vezes mais força” se o país “fizer algo que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz”. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse que não permitirá “a exportação de nem mesmo um litro de petróleo da região para partes hostis e seus parceiros” enquanto prosseguirem os ataques de Estados Unidos e Israel contra o país.

Para o Brasil, no cenário-base, o efeito imediato deve ser limitado, com repercussão modesta. No alternativo, porém, um choque pressionaria combustíveis e alimentos, gerando desgaste para o governo Lula em ano eleitoral. Se a crise durar de um a três meses, exigirá atenção do Banco Central ao reflexo sobre a inflação no processo de redução da taxa Selic.

“O dano político dos preços mais altos da gasolina é menor que nos Estados Unidos; o que pesa são os preços dos alimentos, ligados ao diesel e a fertilizantes”, compara. Se a guerra “levar mais de quatro a cinco semanas, então poderíamos ter um impacto no Brasil”, pondera Garman. Ele lembra que a crise da Ucrânia gerou efeito modesto e vê o Brasil bem posicionado ante os pares por ser potência energética, agropecuária e mineral em um mundo com conflitos maiores.

O diretor da Eurasia falou a empresários de diversos setores em evento da Esfera na noite desta segunda-feira.

Petro Notícias - SP   11/03/2026

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) anunciou hoje (10) que aprovou, em 2025, um total de 45 planos de desenvolvimento (PDs) de campos de produção de petróleo e gás natural, sendo 42 totalmente e três parcialmente. Desse total, 34 campos tiveram prorrogação contratual.

Entre os 45 planos aprovados total e parcialmente, destacam-se: 13 campos maduros que tiveram prorrogação contratual e também redução da alíquota de royalties sobre a produção incremental; 21 com apenas prorrogação contratual; dois com apenas redução de royalties; e 13 sem pleito adicional (somente aprovação de novo PD).

Ainda segundo a ANP, um dos destaques em 2025 foi a conclusão de 154 processos de prorrogação dos contratos da chamada Rodada Zero — que ratificou os direitos da Petrobrás na forma de contratos de concessão sobre os campos que se encontravam em efetiva produção e blocos em exploração na data de vigência da Lei do Petróleo (Lei nº 9.478/1997).

“Esses contratos possuíam vigência inicial de 27 anos, que se encerraria em 05/08/2025, e foi necessário avaliar campo a campo se havia investimentos e continuidade da produção por um período adicional. Segundo dados do último Programa Anual de Trabalho e Orçamento, os campos prorrogados receberão R$ 136 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos”, detalhou a agência.

Valor - SP   11/03/2026

Bolsas ampliam ritmo de alta e dólar intensifica queda em meio ao maior apetite a risco nos mercados globais

Os contratos futuros do petróleo ampliaram as perdas no começo desta tarde, registrando uma queda intradiária de quase 20%, em meio à notícia de que um navio petroleiro com dois milhões de barris de petróleo iraniano atravessou o Estreito de Ormuz ontem, somando-se a outras cinco embarcações que transportaram petróleo para a Ásia desde 28 de fevereiro. As bolsas de Nova York seguiam em firme alta e, no cenário local, o Ibovespa ampliou a valorização vista mais cedo. O dólar aprofundou a queda.

Por volta das 14h20 (de Brasília), o contrato futuro do petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em maio tinha queda de 16,31%, cotado a US$ 82,82 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para abril recuava 17,43%, a US$ 78,25 por barril, na New York Mercantile Exchange.

No mesmo horário, o Ibovespa subia 2,24%, aos 184.974 pontos, após chegar aos 184.985 na máxima do dia. O índice é apoiado pelo avanço expressivo nas empresas do setor bancário e as ações da Vale, que pesam na composição do índice e, há pouco, subiam 1,83%. Em Nova York, o índice Dow Jones tinha alta de 0,86%, aos 48.151,78 pontos, o S&P 500 avançava 0,60%, aos 6.836,91 pontos, e o Nasdaq registrava ganho de 0,83%, aos 22.886,414 pontos. Os setores de comunicação e tecnologia apresentavam as altas mais expressivas.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes, tinha queda de 0,67%, aos 98,50 pontos, ampliando as perdas vistas mais cedo. No cenário local, o dólar comercial recuava 0,55%, a R$ 5,1361.

O Estado de S.Paulo - SP   11/03/2026

Mais rápido do que o esperado, a nova guerra no Oriente Médio fez a cotação do petróleo ultrapassar US$ 100 o barril. Oito dias depois do primeiro bombardeio de Estados Unidos e Israel contra Irã, o barril do tipo Brent, referência internacional, encostou em US$ 120, o que não era visto desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022. Caiu em seguida, mas permanece rondando o patamar de US$ 100.

A intensidade e a rapidez com que o conflito no Golfo Pérsico, principal região produtora de petróleo do mundo, afetam o preço da commodity tendem a colocar a Petrobras, mais uma vez, ante a adoção do modo “privado” ou “estatal” na travessia da nova ordem econômica mundial. As decisões a partir de agora indicarão o quão profunda pode ser a interferência política do lulopetismo na estratégia comercial da empresa.

Por enquanto, como grande exportadora de petróleo cru, hoje o principal item da pauta comercial brasileira, a Petrobras está lucrando com a valorização acelerada da commodity. Mas pode zerar ou até mesmo reverter ganhos dependendo do período em que a escalada da cotação se prolongar sem repasses proporcionais aos preços domésticos dos produtos derivados, como gasolina e diesel.

Há pouco mais de uma década, a escolha errada foi desastrosa para a companhia. Entre 2011 e 2014, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, o preço internacional do barril Brent se manteve sistematicamente acima de US$ 100 por motivos parecidos: a Primavera Árabe deflagrou fortes conflitos no Oriente Médio e norte da África com interrupções no fornecimento, enquanto a demanda mundial crescia. Ignorando solenemente o drástico cenário internacional, o governo petista de então manteve represados os preços internos e deteriorou sem dó o caixa da empresa, que registrou em 2015 prejuízo de R$ 34,83 bilhões, o maior da história da empresa.

A intenção era manter a inflação controlada, ainda que artificialmente e à custa da saúde financeira da Petrobras. Não será exagero identificar aí um padrão lulopetista em relação à empresa, mesmo com todas as medidas de blindagem da governança adotadas depois do arrasa-quarteirão da era Dilma. Um rigor que, a duras penas, conseguiu controlar o endividamento monstruoso da companhia e recolocá-la num ciclo de crescimento.

A guerra atual não dá sinais de que será curta como se imaginava a princípio. Com a irresponsabilidade de sempre, o presidente Donald Trump diz que a disparada do petróleo “é um pequeno preço a pagar” diante de seus objetivos no Irã e dita os rumos da economia mundial a partir da potência econômica dos EUA.

No Brasil, o ano de 2026 se anuncia como a prova de fogo para a Petrobras. Num momento em que a empresa conseguiu um alinhamento razoável aos padrões internacionais e comemora recorde de produção que levou ao aumento de 200% no lucro de 2025 em relação ao ano anterior, um novo congelamento forçado de preços para segurar de forma ilusória a inflação e manter os objetivos eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva seria uma infeliz volta ao passado.

Valor - SP   11/03/2026

Brasil é autossuficiente em petróleo, mas ainda importa para diversificar derivados

O Brasil é autossuficiente em petróleo. Isso significa que o país produz um volume maior do que consome. Ainda assim, distribuidoras e refinadoras importam alguma parcela de petróleo para complementar a produção brasileira com óleos de características diferentes, necessários para ampliar o leque de derivados fabricados.

No caso da Petrobras, maior produtora do Brasil, a importação de petróleo é feita para produzir lubrificantes, que precisam de um óleo mais pesado para serem produzidos. A companhia costuma importar esse tipo de hidrocarboneto da Arábia Saudita, mas a diretoria da estatal informou, na sexta-feira (6), que tem níveis suficientes em estoque por enquanto, e que não deve ser afetada pelos efeitos do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, existem outros fornecedores que podem vender um petróleo mais denso para a Petrobras em caso de dificuldades com a compra no Oriente Médio.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2025, o Brasil produziu 3,770 milhões de barris de petróleo por dia (bbl/d), um recorde histórico. O volume foi 12,3% acima do observado em 2024 (quando atingiu 3,358 milhões de bbl/d).

Em 2025, a maior parte da produção de petróleo e gás foi proveniente de reservatórios do pré-sal, província que representa, em média, 79,63% da produção nacional. Já as produções do pós-sal e das bacias terrestres representam, em média, 15,45% e 4,92%, respectivamente, do total extraído no país.

Em dezembro de 2025, os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 90% do total produzido. A extração teve origem em 6.048 poços, sendo 547 marítimos e 5.501 terrestres.

Quantas refinarias existem no Brasil?

O Brasil tem 19 refinarias que produzem diversos tipos de subprodutos de petróleo. Dessas unidades, 10 são da Petrobras.

Localizada em São Paulo, a Refinaria de Paulínia (Replan), da Petrobras, é a maior do país em capacidade de processamento de petróleo, com 19% da produção nacional. A unidade produz diesel, gasolina, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo (GLP) e outros derivados.

A refinaria de Mataripe, da Acelen, fica na Bahia e, em 2025, foi a segunda maior em termos de processamento de petróleo, seguida da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, no Rio de Janeiro.

Há risco de faltar gasolina e diesel no Brasil?

Ainda que o mercado de petróleo e derivados esteja sob pressão por conta da guerra no Oriente Médio, que causa forte volatilidade nos preços internacionais, a ANP descarta o risco de desabastecimento.

“A ANP mantém o monitoramento contínuo do mercado regulado, inclusive com acompanhamento diário dos estoques. Até o momento, a Agência não identifica restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país”, disse a agência reguladora.

Em relação ao diesel, fruto de preocupação do mercado devido à proximidade do período da colheita, o país importou nos dois primeiros meses deste ano o total de 2,7 bilhões de litros. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que a Rússia foi o país que mais forneceu diesel para o país neste período, com 1,2 bilhão de litros. A seguir, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Omã, três países que ficam na região do conflito, responderam conjuntamente por 853,4 milhões de litros de diesel vendidos ao Brasil. Os Estados Unidos venderam 586,8 milhões de litros importados pelo Brasil e volumes menores vieram da Índia, Suécia e França.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) também informou que não vê riscos, por enquanto, de falta de combustíveis no Brasil. Mas a associação reforça que as diferenças de preços praticadas no Brasil em relação aos internacionais pode prejudicar as regiões que dependem mais do produto que vem do exterior: Norte, Nordeste e Centro Oeste. Sobre a região Sul, a Abicom afirmou não ver problemas de abastecimento.

Valor - SP   11/03/2026

Na segunda-feira (9), o valor do insumo era de 55,86 euros/MWh, alta de 73% no mercado europeu Title Transfer Facility (TTF)

A guerra no Oriente Médio levou ao aumento de mais de 70% nos preços do gás natural liquefeito (GNL) a partir de dois fatores: a suspensão do suprimento do insumo pelo Catar, um dos principais fornecedores globais, e o fechamento do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo. No Brasil, os reflexos da alta do GNL sobre os preços internos tendem a ser limitados, dizem especialistas ouvidos pelo Valor.

Antes do início da guerra, no dia 27 de fevereiro, o GNL estava cotado a € 32,38 por megawatt-hora (MWh). Na segunda-feira (9), o valor era de € 55,86 por MWh, alta de 73% no mercado europeu Title Transfer Facility (TTF), uma das principais referências do setor.

Após um bombardeio na fábrica de Ras Laffan, no Catar, em 2 de março, a Qatar Energy suspendeu a produção de GNL. Um dos problemas da paralisação está no fato de que não há rotas alternativas viáveis para o transporte de grandes volumes, o que leva à alta da commodity. A Agência Internacional de Energia (AIE) avalia que uma interrupção mais prolongada de fornecimento pode agravar a escassez no mercado.

Vitor Santos, professor de economia da Lisbon School of Economics & Management (ISEG), disse que com o fechamento de Ormuz vários países produtores ficam com a capacidade de exportação limitada. Importadores, por sua vez, passam a enfrentar dificuldades de abastecimento. “O encerramento do Estreito de Ormuz prejudica os produtores do Golfo Pérsico e os principais consumidores asiáticos de petróleo e gás natural, que apresentam uma elevada dependência das importações de combustíveis fósseis”, disse Santos.

Análise do Oxford Institute for Energy Studies (OIES), de junho de 2025, já avaliava que um eventual choque global de preços de GNL pelo fechamento de Ormuz seria semelhante ao que ocorreu em 2022, após a invasão russa na Ucrânia, quando os preços de curto prazo aproximaram-se a US$ 30 por milhão de BTU. “Outro choque de preços, similar ao de 2022, poderia trazer consequências diretas a orçamentos de governos na Europa e na Ásia”, dizia o estudo.

No Brasil, o GNL passou a ser utilizado nos anos 2000 diante da dificuldade de aumento da oferta de gás natural para a geração térmica. Na ocasião, a Petrobras instalou três terminais de regaseificação, um no Rio, um no Ceará e outro na Bahia. Hoje o país conta com seis terminais de GNL em operação. Reflexos de preços e suprimento devem ser restritos no mercado local, dizem especialistas.

Rodrigo Borges, diretor-geral da Aurora Energy Research no Brasil, disse que quando o GNL dispara no mercado externo o custo marginal das térmicas sobe, com tendência a pressionar o preço da energia no Brasil, sobretudo nos momentos em que o sistema precisa acioná-las.

Diogo Lisbona, pesquisador do FGV Ceri, explicou que os preços da energia e do gás natural podem refletir a curto prazo os efeitos da guerra. Isso porque grandes consumidores e algumas térmicas possuem contratos com reajustes trimestrais que consideram a média ponderada do Brent.

Rivaldo Moreira Neto, sócio-diretor da A&M Infra, afirmou que o petróleo tem um mercado mais amplo e permite mitigar efeitos do fechamento de Ormuz, com crescimento da produção em outras regiões do mundo. Mas, diferente do óleo, o GNL não tem a mesma possibilidade. Moreira ressaltou que Europa e Ásia são grandes consumidores do GNL do Catar e salientou que o bloqueio do Estreito de Ormuz é mais relevante para o GNL do que para o petróleo.

“O Brasil, como importador, não necessariamente deve sofrer com interrupção de suprimento, uma vez que a gente importa dos Estados Unidos e do Reino Unido. A questão é de preço, que deve subir bastante", disse Moreira.

Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) avalia que eventuais reflexos serão pontuais, fruto de possíveis redirecionamentos de navios para atender demandas específicas. Pires ressaltou que no Brasil o gás natural é comercializado por meio de contratos de longo prazo. A preocupação pode incidir sobre o leilão de reserva de capacidade, previsto para ocorrer no dia 18 de março

Para a PSR Consultoria, o impacto da crise no mercado brasileiro vai depender de quantas térmicas estão com custo de combustível associado a preços internacionais e do comportamento de tais indicadores. “Se a crise persistir, a pressão sobre estes índices é forte e com ela vem custos variáveis das térmicas maiores e impactos nos preços de energia”, avalia a PSR.

Um ponto de alerta é a disponibilidade de gás para térmicas em função da guerra e quanto do insumo do Oriente Médio seria substituído pelo americano: a PSR diz que os EUA ofertam ao mercado um volume de 60 milhões de toneladas por ano de nova capacidade entre 2026 e 2027. “Embora esse volume não substitua o Catar, é um montante robusto que ajuda a amortecer a demanda em uma crise prolongada.”

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