O Estado de S.Paulo - SP 26/03/2026
Em entrevista ao Estadão, a diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, advertiu que o sistema internacional de comércio enfrenta as maiores disrupções em 80 anos. Tarifas unilaterais, rivalidades geopolíticas e políticas industriais agressivas parecem anunciar o desmonte da ordem econômica construída no pós-guerra. Se dependesse da atmosfera política atual, seria fácil concluir que a globalização entrou em estado terminal. A realidade, porém, é mais complexa.
O comércio internacional, é verdade, voltou a ser instrumentalizado na competição estratégica entre potências. Os EUA recorrem cada vez mais a tarifas e barreiras comerciais; a China turbina setores industriais com generosos subsídios estatais; a União Europeia ampliou políticas industriais. Em diferentes graus e por razões distintas, as principais economias do mundo vêm tensionando as regras que ajudaram a criar – como proprietários que desconfiam da solidez da casa que eles próprios construíram.
E, no entanto, apesar de todo o ruído político, o comércio global segue funcionando com surpreendente normalidade. Mais de 70% das transações internacionais ainda operam sob as regras da OMC. As cadeias globais continuam integrando fábricas, fornecedores e mercados em diversos continentes. Empresas organizam sua produção em escala internacional e governos negociam novos acordos – muitas vezes em formatos regionais ou plurilaterais. A globalização, longe de desaparecer, passa por um processo de reorganização: mais cautelosa, mais politizada, mas ainda profundamente estruturante para a economia mundial. Quando barreiras surgem em um ponto do sistema, fluxos comerciais frequentemente encontram outros caminhos. Só em 2026, Índia e Mercosul celebraram com a Europa acordos massivos de livre-comércio e empresários nos EUA lograram desbaratar o arsenal tarifário de Donald Trump na Justiça.
Essa resiliência tem razões sistêmicas. Décadas de integração produtiva criaram uma rede de interdependências difícil de desmantelar sem custos elevados. Um automóvel montado na América do Norte pode depender de semicondutores asiáticos, software europeu e minerais africanos. Para milhares de multinacionais, desfazer essas cadeias significaria abrir mão de eficiência, escala e acesso a mercados. Fornecedores, consumidores e governos dos cinco continentes seguem dependentes dos ganhos de produtividade proporcionados por mercados abertos e competitivos.
O risco, portanto, não é o desaparecimento desse sistema, mas sua fragmentação. Disputas geopolíticas, combinadas ao emprego populista de políticas industriais e barreiras comerciais, podem forçar uma lógica de blocos rivais, degradando a previsibilidade que sustentou a expansão do comércio nas últimas décadas.
Nesse cenário, a OMC – ainda que muito mais limitada do que no auge da globalização pós-guerra fria – continua relevante. Não porque tenha resolvido seus impasses, mas porque o mundo ainda não encontrou nada melhor para substituí-la. Mesmo debilitada por bloqueios e sabotagens, suas regras e mecanismos de resolução de disputas seguem sendo a principal infraestrutura institucional do comércio, reduzindo riscos de conflitos descontrolados e funcionando como amortecedor contra a lei do mais forte.
Preservar esse sistema exigirá adaptação. A própria Okonjo-Iweala defende reformas que tornem a OMC mais ágil, ampliem o uso de acordos plurilaterais e atualizem regras para novas áreas da economia digital. Ao mesmo tempo, economias emergentes, como a Índia, pressionam por um equilíbrio que permita conciliar integração comercial e desenvolvimento industrial.
O comércio internacional atravessa, sem dúvida, uma fase turbulenta, mas é mais resistente do que muitos supõem. Governos podem tentar controlar seus fluxos, mas raramente conseguem ignorar por muito tempo as convergências de interesses que os impulsionam. Mais cautelosa do que há duas décadas, a globalização talvez tenha perdido parte do entusiasmo político que a acompanhou no passado, mas continua sendo a engrenagem silenciosa que mantém a economia mundial em movimento.
Diário do Comércio - MG 26/03/2026
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,53% na terceira quadrissemana de março, acelerando em relação à alta de 0,42% registrada na segunda quadrissemana do mês, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta quarta-feira (25).
Na terceira leitura de março, quatro dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força: Alimentação (de 0,88% na segunda quadrissemana a 1,27% na terceira), Transportes (de 0,19% a 0,38%), Despesas Pessoais (de -0,05% a 0,14%) e Vestuário (de 0,20% a 0,22%).
Por outro lado, houve arrefecimento de uma quadrissemana para a outra em Habitação (de 0,38% a 0,19%), Saúde (de 0,46% a 0,41%) e Educação (de 0,02% a 0,00%).
Infomoney - SP 26/03/2026
A criação de uma nova linha de crédito de até R$ 15 bilhões pelo governo federal para financiar exportações pode dar fôlego às pequenas e médias indústrias brasileiras em um momento de pressão no cenário externo. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), após a edição da Medida Provisória nº 1.345/2026, que institui o Plano Brasil Soberano 2.
Os recursos previstos na medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e terão como foco micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), além de fornecedores ligados às cadeias exportadoras, com intuito de fomentar as vendas externas.
Para a CNI, a medida chega em um contexto desafiador, marcado pela desaceleração da economia global e pelo aumento de barreiras comerciais, como o tarifaço dos Estados Unidos. Isso além dos impactos de tensões geopolíticas sobre o comércio internacional.
“O aporte de R$ 15 bilhões pode ajudar a evitar a disseminação de problemas financeiros nas cadeias produtivas, preservar empregos e sustentar a produção, especialmente em um ambiente de juros elevados”, afirma em nota o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Na prática, o governo tenta reforçar o acesso ao crédito em um momento em que o custo financeiro segue elevado no Brasil, o que limita investimentos e capital de giro, sobretudo para empresas menores. A ideia é dar suporte não apenas às exportações diretas, mas também a toda a cadeia produtiva ligada ao comércio exterior.
A nova linha permitirá financiar:
Setores estratégicos
O plano prioriza segmentos mais expostos às turbulências externas, como siderurgia, metalurgia e indústria automotiva. Também inclui setores considerados estratégicos para a balança comercial brasileira, como farmacêutico, máquinas e equipamentos e eletrônicos. Segundo o governo, os recursos virão do superávit do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e de outras fontes sob supervisão do Ministério da Fazenda.
Política industrial
O Plano Brasil Soberano 2 é uma continuidade da iniciativa lançada em 2025 para mitigar os efeitos do aumento de tarifas sobre produtos brasileiros no exterior. Para a CNI, no entanto, o sucesso da medida depende da conversão da MP em lei. A entidade destaca que a segurança jurídica é essencial para garantir previsibilidade e efetividade das operações.
Outro ponto considerado relevante é o avanço na operacionalização do Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), previsto na Lei nº 15.359/2026. Esse tipo de mecanismo funciona como uma espécie de “seguro” para operações de crédito, reduzindo riscos e facilitando o acesso ao financiamento, especialmente para empresas menores.
Na avaliação da indústria, instrumentos desse tipo são fundamentais para aproximar o Brasil das práticas internacionais e permitir que empresas nacionais concorram em condições mais equilibradas no mercado global.
IstoÉ Online - SP 26/03/2026
Ainda que as notícias sobre um possível cessar-fogo permaneçam desencontradas, a confirmação oficial pela Casa Branca de que os Estados Unidos mantêm canais de diálogo abertos com o Irã e estariam perto de alcançar seu objetivo na guerra continuou dando suporte à queda dos juros futuros no pregão desta quarta-feira, 25.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,176% no ajuste de terça para 14,105%. O DI para janeiro de 2029 fechou em 13,815%, vindo de 13,87% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 caiu de 15,005% para 13,96%.
O apetite ao risco voltou e praticamente apagou a alta das taxas no final da sessão de terça, após uma fonte familiarizada com o assunto ter informado que o governo americano propôs um plano de cessar-fogo de 15 pontos a Teerã. O país persa, por sua vez, seguiu negando que haja tratativas em curso com Washington.
Já a secretária de imprensa de Donald Trump, Karoline Leavitt, disse nesta quarta que o governo iraniano “quer conversar” e que o presidente está disposto a ouvir, destacando que negociações que ocorreram nos últimos três dias têm sido “produtivas”.
Refletindo o otimismo em torno da possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã, o contrato futuro do petróleo Brent para junho caiu 2,96%, voltando a ficar abaixo de US$ 100 o barril, o que forneceu alívio às curvas de juros globais. Agentes ponderam, no entanto, que a expectativa de uma trégua no conflito é frágil, o que deve manter os juros futuros por aqui oscilando de acordo com as cotações do petróleo.
“O mercado está monotemático, operando praticamente só a guerra. Temos notícias para todos os lados, mas na margem elas estão mais positivas e timidamente o mercado começou a melhorar. Mas tudo ainda é muito incerto”, observa Luiz Laudari, sócio e gestor de portfólio da Galapagos. Para ele, se o conflito de fato acabar, há um espaço relevante para correção de preços em boa parte dos ativos globais, principalmente nos juros, que foram os mais afetados desde a eclosão da guerra.
No Brasil, destaca Laudari, a curva de DIs precificava quase 300 pontos-base de corte da Selic este ano antes do confronto, quando o petróleo estava cotado a US$ 65 o barril. “Com o barril a US$ 90, a inflação não é mais a mesma, não tem mais jeito, e o tamanho potencial do ciclo do Banco Central fica vinculado ao petróleo”, disse.
A curva de juros está cerca de 150 pontos-base acima do patamar pré-guerra, aponta Laudari, e o cenário é muito volátil: para ele, as taxas futuras podem abrir mais 100 pontos ou devolverem essa magnitude, a depender da normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, o maior fator de impacto sobre os preços do petróleo.
Em relatório divulgado nesta quarta, o Barclays avalia que o mercado de juros nominais seria uma das primeiras curvas a fechar em um cenário de resolução do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, uma vez que ainda há “margem para calibragem”.
“Achamos que há espaço para alívio se o petróleo se estabilizar”, afirmam os analistas do banco britânico, ponderando que a sensibilidade às manchetes relacionadas às eleições deve aumentar conforme o pleito se aproxima, principalmente se as pesquisas permanecerem mostrando um cenário apertado entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Publicada antes da abertura dos negócios, levantamento da AtlasIntel mostrou os dois pré-candidatos tecnicamente empatados em eventual segundo turno. Nesta hipótese, Lula teria 46,6% das intenções de voto, contra 47,6% de Flávio. A enquete, no entanto, foi ofuscada pelo noticiário da guerra, diz Laudari, da Galapagos. “O tema da guerra está sendo dominante sobre qualquer informação nova de Brasil. Fora isso, ainda estamos suficientemente longe da eleição”.
O Estado de S.Paulo - SP 26/03/2026
Por seis vezes a ata da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) fez referência direta aos conflitos no Oriente Médio para amparar as decisões da política monetária, que cortou em apenas 0,25 ponto porcentual (p.p.) a taxa básica de juros, agora em 14,75% ao ano. Em razão das incertezas da guerra travada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, optou também por não dar qualquer indicação sobre a duração e intensidade do ciclo de queda de juros, à espera dos desdobramentos geopolíticos.
O Copom não poderia ser mais claro: explicou que as expectativas de inflação, que vinham declinando, subiram após o início do conflito e permanecem acima da meta de inflação “em todos os horizontes”. Mais uma vez, enfatizou sua função de trazer a inflação para o centro da meta (3% ao ano, como determinou o Conselho Monetário Nacional) e sublinhou que a calibração dos juros dependerá de novas informações vindas do front, que atingem em cheio países emergentes, como o Brasil.
Enquanto o BC se mantém firme no propósito de não agir sob pressão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preocupado com suas chances de reeleição, se queixou de que só “por causa da guerra” o BC deixou de baixar mais os juros – como se o caos provocado pelo conflito, afetando o preço dos combustíveis e de diversas etapas das cadeias produtivas que dependem deles, não tivesse nenhuma repercussão no Brasil.
Como sabem todos aqueles que se informam, a guerra no Oriente Médio tem afetado a ordem econômica em todo o planeta, e o Brasil não tem como passar incólume aos reveses de um conflito que atinge o centro produtor de petróleo mundial. Ao contrário do discurso lulopetista, o País não é autossuficiente em combustíveis. Importa 25% do diesel e 10% da gasolina que consome. Não há como “abrasileirar” preços dos combustíveis, como desejam Lula e os petistas desde sempre, diante da necessidade de importação e da enorme volatilidade dos preços externos.
O posicionamento do Copom foi bastante previsível – e num momento tão turbulento e indefinido, previsibilidade e cautela trazem alguma segurança. Mesmo assim, o imponderável da guerra se refletiu no mercado e produziu análises distintas do recado do Copom. Houve quem identificasse evidências de que a porta está aberta para um corte de 0,5 p.p. em abril; quem visse na abordagem que o BC irá manter a queda suave, de 0,25 p.p.; quem preferisse se ater ao médio prazo, com 12% ao final do ano, ou mesmo quem não veja compromisso com novos cortes, para citar apenas algumas análises divulgadas pelo Broadcast/Estadão.
Mais do que nunca, cabe ao Executivo atender ao apelo do Banco Central para manter a inflação sob controle, reduzindo gastos e evitando o incentivo ao consumo. Manter prudência justamente para permitir a continuidade de um ciclo seguro de queda de juros não é pedir muito. É apenas o básico.
O Estado de S.Paulo - SP 26/03/2026
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou, em 2025, recorde de injeção de crédito, totalizando R$ 366 bilhões. Incrementado em 32% na comparação anual, o montante viabilizou investimentos e geração de emprego nos setores industrial, agrícola, de comércio, serviços e infraestrutura.
“O BNDES está fomentando o crédito em R$ 1 bilhão ao dia”, ressalta o presidente do banco, Aloizio Mercadante. “É uma contribuição fantástica, porque permite investimento, inovação, modernização e descarbonização da economia. Inclusive, com o aumento da competitividade e da oferta de produtos, ajuda a reduzir a inflação estrutural”, destaca.
De acordo com o balanço recém-divulgado, o volume de desembolsos, que corresponde ao dinheiro efetivamente liberado nas operações de crédito, subiu 27% em relação ao ano anterior e chegou a R$ 169,7 bilhões, o equivalente a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse crescimento é consequência direta do impulso de 19% no volume de consultas e de 12% nas aprovações de crédito, que alcançaram R$ 237,9 bilhões (1,9% do PIB).
Em termos setoriais, o destaque é o aumento de 35% nas aprovações (R$ 71 bilhões) para a indústria ante 2024. O setor lidera as aprovações do BNDES pelo segundo ano consecutivo, o que reflete seu esforço para reindustrializar o País. As aprovações do agro e do setor de comércio e serviços foram ampliadas em 4% e 23%, chegando, respectivamente, a R$ 54,3 bilhões e R$ 41,2 bilhões.
Desempenho recorde
O lucro recorrente, de R$ 15,2 bilhões, é o maior da história do BNDES (15,4% superior ao do ano anterior). Ele provém da receita gerada por fontes constantes e previsíveis. No caso do BNDES, a principal é o pagamento dos financiamentos pelos clientes. Um dos fatores que contribuíram para o excelente resultado é a baixíssima inadimplência: enquanto no Sistema Financeiro Nacional (SFN) como um todo o índice é de 4,08%, no BNDES é de 0,06% – o que reforça a solidez da carteira de crédito do banco, que alcançou R$ 664 bilhões, crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior.
O lucro líquido também registrou alta, de 1,7%, chegando a R$ 26,8 bilhões. Trata-se do segundo melhor resultado do SFN. Quando se leva em conta o resultado por colaborador, no entanto, o BNDES ficou com o primeiro lugar: quase R$ 9,2 milhões por empregado, patamar cinco vezes superior à média do segundo colocado.
Apoio à inovação
“O BNDES está se tornando crescentemente um banco de inovação”, explica o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa. O esforço reflete uma das diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB), política do Governo Federal para reindustrializar o País. “As operações voltadas à inovação saíram de R$ 7,1 bilhões de 2019 a 2022 para R$ 35,6 bilhões em apenas três anos”, detalha o dirigente.
Uma das empresas que obtiveram financiamento é a farmacêutica Althaia, de capital nacional, fundada em 2010 e sediada em Atibaia (SP). Os R$ 211 milhões obtidos no BNDES foram destinados à construção de um centro de Pesquisa & Desenvolvimento (R$ 70 milhões), com capacidade para abrigar 248 profissionais, e ao desenvolvimento de produtos (R$ 141 milhões).
“Esse tipo de linha de crédito permite às companhias aproveitar o capital intelectual do Brasil. Não teríamos investido na mesma proporção sem o acesso a esse crédito”, diz o CEO da Althaia, Jairo Yamamoto. Ele destaca que o grande diferencial do financiamento é o prazo de 15 anos, com três de carência. “Isso é fundamental, porque nenhum projeto na área farmacêutica dá resultado em menos de cinco anos”, observa o executivo.
Papel estratégico
“Mais do que viabilizar projetos estruturantes, o BNDES desempenha um papel estratégico ao impulsionar a modernização produtiva e fomentar iniciativas alinhadas ao desenvolvimento sustentável”, ressalta o diretor de Finanças e Relações com Investidores da WEG, André Menegueti Salgueiro. “Esse apoio reverbera por toda a cadeia produtiva, de fornecedores a parceiros tecnológicos, ampliando oportunidades, estimulando ganhos de eficiência e promovendo a geração de empregos e valor no País.”
Sediada em Jaraguá do Sul (SC), a empresa – que investe fortemente em inovação e expansão industrial – faturou R$ 40,8 bilhões no ano passado. O anúncio de investimento mais recente que conta com a participação do BNDES é a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias, em Itajaí (SC). Para viabilizar o projeto, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027, a WEG contou com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação.
Crédito para micro, pequenas e médias supera R$ 200 bi
Em 2025 o apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) – que, juntas, são as maiores empregadoras do País – chegou a R$ 224 bilhões, aumento de 43% em relação a 2024 e 215% ante 2022.
Desse montante, R$ 95,8 bilhões se referem à concessão de crédito e R$ 128,2 bilhões dizem respeito às garantias, já que o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) é um mecanismo gerido pelo BNDES com foco nas MPMEs. “A grande dificuldade de acesso ao crédito é a garantia. Com o acesso do BNDES ao FGI-Peac, o BNDES alavanca e democratiza o crédito para esse segmento, que gera muito emprego”, declara Mercadante.
Uma das contempladas pelo aval do FGI às aprovações de crédito efetuadas por outros bancos é a propriedade rural familiar de Luan Poloni, situada em Barra do Rio Azul (RS). Ele obteve R$ 700 mil para construir um galpão destinado a 30 vacas leiteiras. Com prazo de pagamento de 10 anos, o financiamento foi liberado em dezembro e as obras seguem a todo vapor.
Com a nova estrutura, as vacas até então mantidas no pasto durante o dia permanecerão 24 horas por dia sob proteção, em ambiente climatizado, com camas para descanso e alimentação padronizada com ração. “Além de aumentar a produtividade e a qualidade do produto, nossas condições de trabalho vão melhorar. Não precisaremos mais ficar debaixo de chuva, por exemplo”, exemplifica Poloni.
Sustentabilidade
O BNDES também vem se consolidando como um importante indutor da sustentabilidade, ao financiar iniciativas ligadas à chamada “economia verde”. É o caso do crédito de R$ 3,5 milhões concedido à Empresa Pernambucana de Engenharia Sanitária (Empesa), fundada em 1998 com o propósito de promover o correto tratamento dos resíduos sólidos urbanos e industriais. Hoje, a companhia, de médio porte, atua em vários Estados. “O BNDES está sendo fundamental na transição tecnológica que buscamos”, conta o diretor técnico, Fábio Lopes.
Além do objetivo de ajudar a eliminar os lixões ainda existentes em muitas cidades brasileiras, a Empesa está empenhada em buscar tratamentos específicos para cada tipo de resíduo. Por meio do BNDES, foi possível adquirir um equipamento capaz de beneficiar resíduos que antes não tinham valor comercial e que iriam ser destinados aos aterros sanitários sem o beneficiamento adequado. “Com a utilização dessa nova tecnologia, conseguimos transformar o que antes era lixo em Combustível Derivado de Resíduo (CDR), utilizado principalmente na indústria de cimento em substituição ao combustível derivado de petróleo”, descreve Lopes.
Outros destaques da atuação do BNDES em sustentabilidade são a retomada do Fundo Amazônia, abastecido basicamente por doações do exterior, e o incremento do Fundo Clima, que tem por objetivo o financiamento de projetos relacionados à redução das emissões, à transição energética e à adaptação das cidades à mudança climática.
Depois de um período sem novas aprovações entre 2020 e 2022, o Fundo Amazônia aprovou R$ 2,2 bilhões em 2025, viabilizando projetos para áreas degradadas, capacitação técnica e assistência à população da Amazônia. O Fundo Clima também vem experimentando forte expansão, com desembolso recorde de R$ 6,8 bilhões em 2025, quase seis vezes mais do que no ano anterior. Suas aprovações chegaram a R$ 12,5 bilhões, um incremento de 23% ante 2024 e quase 10 vezes o valor aprovado em 2022.
Sempre presente em situações emergenciais, como as enchentes no Rio Grande do Sul, o BNDES atuou fortemente na mitigação dos efeitos do choque tarifário sobre exportações imposto pelos Estados Unidos.
Foram destinados R$ 19,5 bilhões ao plano Brasil Soberano, criado pelo Governo Federal, contemplando 676 clientes de 24 Estados. “Houve uma mobilização da equipe do BNDES e reduzimos em sete vezes o prazo de aprovação dessas operações diretas para atender empresas que foram mais afetadas pelo choque tarifário”, detalhou Nelson Barbosa.
Solidez e transparência
Outro recorde obtido pelo BNDES em 2025 está nos ativos totais – que chegaram a R$ 962,5 bilhões, maior valor nominal na história do banco. É um aumento de 14,5% em relação ao ano anterior e de 41% em comparação a 2022. “Houve crescimento dos ativos, da carteira de crédito e da participação acionária”, explica o diretor financeiro e de Mercado de Capitais, Alexandre Correa Abreu. “Mas é importante ressaltar que esse crescimento vem acompanhado de diversos indicadores de qualidade. Isso é muito importante para qualquer banco, sobretudo para o BNDES, que tem que prestar contas à sociedade brasileira.”
O diretor Nelson Barbosa destacou ainda a conquista, pelo terceiro ano consecutivo, da classificação mais alta na avaliação do Programa Nacional da Transparência Pública, promovido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) juntamente com o TCU.
Diário do Comércio - MG 26/03/2026
A atividade econômica aumentou em quatro das cinco regiões do País em janeiro, na comparação com dezembro, em dados dessazonalizados. A maior alta foi registrada no Centro-Oeste (1,7%), seguida pelo Norte (1,1%), pelo Sudeste (1,1%) e pelo Nordeste (0,6%). Somente o Sul registrou contração da atividade de 0,5% no mês.
As informações constam no Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR), divulgado nesta quarta-feira, 25.
Entre os 13 Estados acompanhados pelo BC, 10 registraram alta no período. O maior crescimento foi registrado no Amazonas (2,5%), seguido pelo Pará (2,1%), por São Paulo (1,8%), pelo Ceará (1,0%), pela Bahia (0,8%), pelo Paraná (0,7%), por Minas Gerais (0,3%), por Pernambuco (0,2%), pelo Espírito Santo (0,2%) e pelo Rio de Janeiro (0,2%).
Por outro lado, houve queda em Santa Catarina (-0,9%), em Goiás (-0,3%) e no Rio Grande do Sul (-0,1%).
Interanual
Em comparação com janeiro de 2025, em dados observados, a atividade também cresceu em quatro das cinco regiões do Brasil, com destaque para o Centro-Oeste (3,9%). Também houve alta no Nordeste (2,6%), no Sudeste (1,8%) e no Norte (1,2%), enquanto o Sul registrou queda de 0,2%.
Entre os Estados, Pernambuco (7,4%) teve o maior crescimento interanual. Na sequência aparecem o Rio de Janeiro (5,5%), o Espírito Santo (4,2%), o Pará (2,8%), Goiás (1,1%), o Paraná (0,9%), o Ceará (0,7%), Minas Gerais (0,7%) e São Paulo (0,7%). Em contrapartida, registraram queda na Bahia (-0,3%), no Rio Grande do Sul (-0,3%), no Amazonas (-1,1%) e em Santa Catarina (-1,5%).
Em 12 meses, a maior alta regional foi do Centro-Oeste (5,4%), seguido pelo Norte (3,0%), pelo Nordeste (2,6%), pelo Sul (2,0%) e pelo Sudeste (1,8%).
IstoÉ Dinheiro - SP 26/03/2026
O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Stephen Miran, disse nesta quarta-feira, 25, que passou a prever menos cortes na taxa de juros neste ano, após os últimos dados de inflação nos Estados Unidos. Segundo o dirigente, apesar de enxergar uma taxa de juros neutra abaixo de seus colegas no BC americano, ele não estaria “tão desalinhando assim” dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, em inglês).
“Eu subi minha projeção para a inflação cheia para 2,7% neste ano devido aos choques no preço do petróleo”, disse Miran, durante evento em Nova York.
Para ele, a commodity energética, porém, não está afetando as expectativas de inflação no longo prazo.
Miran voltou a defender novos cortes na taxa de juros, ao alegar que atualmente ela estaria num patamar cerca de 100 pontos-base (pb) acima da taxa neutra – quando não expande nem contrai a economia. “A política monetária está prejudicando a atividade no momento”, afirmou.
O dirigente do BC dos EUA ainda disse que o mercado de trabalho vem em uma sequência prolongada de enfraquecimento e que poderia se beneficiar de um apoio adicional da política monetária.
O Estado de S.Paulo - SP 26/03/2026
A dívida pública deve continuar cobrando uma conta trilionária em juros, apesar do início, na semana passada, do ciclo de cortes da Selic. Enquanto o alívio na parcela que acompanha as variações da Selic deve vir aos poucos, dada a tendência de redução lenta dos juros de referência, o restante da dívida, mais sensível ao risco fiscal do que às decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), continuará sendo refinanciado a um custo elevado.
As projeções de mercado coletadas pelo Banco Central (BC) indicam que, após atingir 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, a despesa com juros da dívida pública deve subir mais um pouco, para 8% em 2026. A partir daí, a tendência é de retração gradual, mas sem retorno à média histórica de 6% ao longo de todo o horizonte de projeções, que se estende até 2035.
Levando em conta as previsões para o PIB, isso significa que, por mais dois anos (2026 e 2027), o setor público seguirá com uma fatura de R$ 1 trilhão em juros a pagar. O ano passado foi o primeiro em que a marca foi superada, ainda que os ganhos excepcionais do BC com swaps cambiais tenham impedido as despesas financeiras de serem ainda maiores. Como essa contribuição não deve se repetir, a cifra deve ter um acréscimo de R$ 30 bilhões em 2026.
Embora inclua os governos estaduais, as prefeituras e as empresas estatais, excluindo a Petrobras, o grosso dessa conta - 88% do total - é do governo central, formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e BC.
O custo da dívida pública é hoje mais sensível às decisões de política monetária, dado que mais da metade do endividamento (54%) está indexado à Selic. Porém, os conflitos no Oriente Médio, levando a uma escalada nos preços do petróleo, fizeram o BC iniciar os cortes de juros de forma mais gradual do que o mercado esperava até poucos dias antes da última reunião do Copom.
O restante da dívida, avaliam economistas, continuará sendo trocado, por mais algum tempo, a juros superiores às taxas dos títulos em vencimento. Ainda que favoreça as emissões a taxas prefixadas, o ciclo de afrouxamento foi aberto pelo BC com os juros de referência no maior nível em quase duas décadas. Somado ao prêmio cobrado pelo investidor para financiar a dívida brasileira, o resultado é uma taxa de rolagem ainda salgada.
Economista do Santander e especialista em contas públicas, Ítalo Franca observa que o estoque da dívida pública, que tem um custo médio de 12% em doze meses, está sendo substituído por captações que pagam 13,7%. “Mesmo considerando nossa projeção de Selic em 11,5% no próximo ano, a redução do custo médio da dívida deve ocorrer de forma gradual”, comenta.
O diretor de investimentos em renda fixa da Inter Asset, Ian Lima, acrescenta que, mesmo em queda, a taxa de juros incide sobre uma dívida que dobrou de tamanho nos últimos oito anos, ultrapassando já a marca de R$ 10 trilhões, o equivalente a 78,7% do PIB. “A despeito de a taxa média cair, o volume total (da dívida) não vai dar muito alívio.”
Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos, o custo da dívida segue alto porque, além da Selic em nível elevado, a curva de juros também está pressionada. “Fazendo um déficit primário com custo alto e com crescimento econômico mediano, é difícil reverter essa trajetória”, avalia Vital.
Tesouro diz que não há risco de solvência apesar da escalada da dívida
Os juros altos provocaram um crescimento rápido da dívida pública brasileira que, saindo de um valor inferior a R$ 5 trilhões dez anos atrás, já ultrapassou a marca de R$ 10 trilhões, o equivalente a 78,7% do PIB. Essa escalada não ameaça, porém, os pagamentos a credores do governo brasileiro, conforme avaliam especialistas e o próprio Tesouro Nacional.
Em resposta a questões enviadas pela reportagem, o Tesouro ressaltou que o País não corre risco de solvência, já que as regras de ajuste do arcabouço fiscal devem levar à estabilização e, posteriormente, à queda da dívida.
O último Relatório de Projeções Fiscais, baseado no cenário elaborado pela equipe econômica em novembro, aponta crescimento da dívida bruta do governo geral para 88,6% do PIB até 2032, mas em ritmo mais lento, próximo da estabilidade, a partir de 2029. A tendência no longo prazo, segundo o Tesouro, é de acomodação, com o endividamento cedendo para 88% do PIB em 2035, último ano do horizonte de projeções.
Economistas consultados pelo Estadão/Broadcast concordam que, com 96% da dívida do governo federal financiada em moeda local no mercado doméstico, não há risco de o Brasil dar default - isto é, deixar de cumprir suas obrigações financeiras. Não se descarta, porém, o risco de, em um cenário extremo, ocorrer o chamado “calote branco”: um ajuste pela via inflacionária, no qual o aumento de preços eleva a arrecadação nominal e, ao mesmo tempo, corrói o valor real da dívida, facilitando seu financiamento.
Economista da XP Investimentos, Tiago Sbardelotto não acredita, por ora, em problemas de refinanciamento da dívida pública. Porém, pondera, esse cenário pode mudar se a dívida atingir níveis muito elevados, fazendo com que o ajuste fiscal fique cada vez mais custoso. Alguns estudos, cita o economista, apontam um patamar de 120% do PIB como limite.
“Mas isso depende de outras condições subjacentes. Nesse caso, não teríamos um default no estilo clássico, já que a maior parcela da dívida é em moeda local. O risco reside, na verdade, em um ajuste pela via inflacionária”, comenta Sbardelotto.
Chefe de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt diz que está mais preocupado com os efeitos colaterais do avanço da dívida pública. Entre eles, a menor disponibilidade de recursos para o financiamento do setor privado, o que resulta em juros mais altos para investimentos produtivos.
Só este ano, a necessidade de captações prevista no financiamento da dívida pública federal é de R$ 1,7 trilhão. “É o Estado competindo com o setor privado pelos recursos da poupança. Quanto maior a dívida, mais o Estado precisa tomar recursos para rolar a dívida. Sobram menos recursos para o setor privado, que passa a ter com isso um financiamento mais caro. Com recurso mais caro, o País cresce menos”, comenta Bittencourt.
“Então, eu me preocupo menos com a questão da solvência e mais com os danos ao crescimento econômico de uma dívida desse tamanho”, conclui o ex-secretário do Tesouro.
CNN Brasil - SP 26/03/2026
A decisão da Anglo American de deixar o negócio de níquel e concentrar esforços em minério de ferro de alto teor, cobre e fertilizantes foi uma escolha "estratégica" de portfólio, segundo a CEO da empresa no Brasil, Ana Sanches.
Em entrevista ao programa Mapa da Mina, da CNN Infra, a executiva afirmou que o grupo vem, há alguns anos, redesenhando sua atuação global para reduzir o número de commodities no portfólio e concentrar capital em frentes vistas como mais aderentes à estratégia de longo prazo da empresa.
“A nossa estratégia há alguns anos era ser uma empresa diversificada, tínhamos várias commodities. Houve uma decisão estratégica do grupo em simplificar o portfólio, reduzir o número de commodities, focando em ativos de cobre, minério de ferro de alto teor e fertilizantes”, disse.
Ana Sanches é a primeira entrevistada do Mapa da Mina, programa semanal do CNN Money que discute os rumos da indústria de mineração e estreia nesta quarta-feira (25), às 19h45.
Segundo a executiva, a aposta no cobre tem relação direta com o papel do metal na eletrificação da economia.
“A decisão da Anglo de focar nessas três foi uma decisão realmente de portfólio estratégico, apostando no cobre como um mineral extremamente relevante para o futuro da eletrificação”, afirmou.
Venda dos ativos de níquel
Em fevereiro de 2025, a Anglo acertou a venda de toda a sua operação de níquel no Brasil para a MMG Singapore Resources, subsidiária da MMG, companhia controlada pela estatal chinesa China Minmetals.
O acordo pode chegar a US$ 500 milhões e envolve os ativos operacionais de ferroníquel de Barro Alto e Codemin, ambos em Goiás, além dos projetos Morro Sem Boné, no Mato Grosso, e Jacaré, no Pará.
O fechamento da operação, porém, ainda depende do processo antitruste na Europa. A própria Anglo informou, em seu relatório de produção do quarto trimestre de 2025, que a venda do negócio de níquel segue em tramitação na aprovação concorrencial da Comissão Europeia.
A análise ganhou peso adicional depois de Bruxelas abrir, em novembro de 2025, uma investigação aprofundada para avaliar se a operação poderia desviar oferta de ferroníquel para fora do mercado europeu e prejudicar as siderúrgicas do bloco.
A saída acontece em um momento ainda desafiador para o mercado de níquel.
O metal vem sendo pressionado por excesso de oferta global, especialmente com a expansão da produção da Indonésia, enquanto parte da demanda ligada a baterias perdeu força relativa com o avanço de químicas que usam menos níquel.
Demanda global por cobre
Do outro lado dessa reconfiguração está o cobre, hoje tratado por governos, mineradoras e organismos internacionais como um dos minerais mais críticos para a transição energética.
Isso porque ele é insumo central para a condução em redes elétricas, motores, veículos elétricos, sistemas de armazenamento e infraestrutura de energia.
A IEA (Agência Internacional de Energia) projeta que, no cenário de políticas atuais, a demanda por cobre cresça cerca de 30% até 2040, impulsionada principalmente pela eletrificação das redes, da indústria e dos transportes.
A agência também alerta que o risco de aperto na oferta de cobre é preocupante, diante da queda dos teores minerais, do aumento dos custos de projetos e da desaceleração nas novas descobertas.
No caso do minério de ferro, o foco da Anglo no Brasil está no Minas-Rio, operação integrada entre mina, usina, mineroduto e terminal portuário no Porto do Açu, voltada à exportação.
A empresa produz minério de ferro premium, usado pela siderurgia e valorizado por clientes que buscam reduzir emissões no processo de produção de aço.
Em 2025, o sistema produziu 24,8 milhões de toneladas, acima da estimativa anterior do grupo, e a companhia elevou a projeção para 2026 e 2027 para uma faixa entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas.
A qualidade do produto é um dos principais ativos da empresa nessa frente.
A Anglo têm reforçado que o pellet feed (minério de ferro de altíssima qualidade e teor) do Minas-Rio atende a uma demanda crescente da indústria siderúrgica por minérios mais adequados à descarbonização.
Questionada sobre a possibilidade de diversificar para um dos segmentos que mais têm atraído atenção no Brasil, o de terras raras, a executiva afirmou que "não há nenhuma previsão hoje de investimento em terras raras" pela Anglo.
Valor - SP 26/03/2026
Contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, encerrou cotado a US$ 116,9
O preço do minério de ferro recuou nesta quarta-feira (25), após relatos de que a produção siderúrgica possa ser pressionada por um maior controle da emissão de poluentes de siderúrgicas em Tangshan.
O contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, recuou 1,83%, cotado a 806,5 yuans (US$ 116,9).
Segundo o site Finimize, foi ativado um protocolo de combate à poluição do ar em Tangshan, o que tipicamente significa maiores limitações a operações com patamar elevado de emissão de carbono.
Analistas da Nanhua Futures também afirmaram que uma demanda fraca continua pesando sobre os preços do minério no longo prazo.
Money Times - SP 26/03/2026
A Vale (VALE3) está bem posicionada para atravessar o cenário global mais turbulento e ainda aumentar a remuneração aos acionistas, segundo o BTG Pactual. O banco reiterou recomendação de compra e preço-alvo de US$ 15 para os ADRs após reuniões com a diretoria da mineradora em Londres.
Segundo o banco, o momento atual favorece mais revisões positivas de lucros do que cortes, “com a configuração atual inclinando-se mais para revisões de lucro para cima do que para baixo”.
A combinação de preços elevados do minério de ferro, contratos estratégicos e disciplina financeira coloca a companhia em posição confortável para enfrentar o cenário e até surpreender. “A Vale parece bem preparada para enfrentar a tempestade”, afirma o BTG.
Por volta das 12h30 (de Brasília), os ADRs da mineradora negociados na Nyse subiam 12,42%, cotados a US$ 15,23. No mesmo horário, os papéis VALE3 tinham alta de 1,98% no Ibovespa, a R$ 79,69. O desempenho dos papéis da companhia destoa do minério de ferro, que encerrou o dia com queda de 1,92% em Singapura, cotado a US$ 105,60 a tonelada.
Minério forte e demanda resiliente sustentam a tese
Um dos pilares da visão otimista dos analistas do BTG é o preço da commodity, negociada em torno de US$ 110 por tonelada — cerca de US$ 10 acima das expectativas do mercado —, enquanto a demanda chinesa segue resiliente, apesar de dados oficiais mais fracos.
Para o BTG, não há sinais de dificuldade para escoar produção. “Neste ponto, não há absolutamente nenhum problema em colocar toneladas de minério de ferro no mercado”, diz o banco em relatório. Ao mesmo tempo, “a demanda chinesa é reportada como resiliente/estável”, com prêmios de qualidade ainda elevados.
O banco reforça que o mercado pode estar subestimando a dinâmica de oferta e demanda. “O erro favorito do mercado” seria apostar em queda dos preços, enquanto a Vale sustenta um cenário de valores mais altos por mais tempo.
Guerra pressiona custos — mas Vale sai na frente
O conflito no Oriente Médio trouxe um choque inflacionário relevante, principalmente via petróleo — o que impacta diretamente os custos de frete e insumos. Ainda assim, a Vale aparece como uma “vencedora relativa” entre as mineradoras globais.
“Continuamos vendo a Vale como um vencedor relativo”, afirma o BTG. Isso porque a empresa: tem contratos de frete de longo prazo, reduzindo exposição ao mercado spot; conta com hedge de combustível; e enfrenta baixo risco de escassez de diesel no Brasil.
Segundo o banco, essa combinação é crucial: “a estratégia de hedge da companhia, combinada com a baixa probabilidade de escassez de diesel, permanece um diferencial-chave”. Enquanto concorrentes já reportam riscos de abastecimento, a Vale mantém custos mais previsíveis — e menor sensibilidade ao petróleo.
Dividendos extraordinários no radar
Com preços elevados do minério de ferro, custos relativamente protegidos e baixa exposição ao frete spot, a geração de caixa da Vale tende a surpreender positivamente — e isso abre espaço para uma remuneração mais robusta ao acionista.
Segundo o BTG, “os dividendos extraordinários parecem cada vez mais prováveis daqui para frente, à medida que os fluxos de caixa continuam surpreendendo positivamente”.
O banco destaca que, no cenário atual, a companhia está “bem posicionada para gerar fluxo de caixa livre (FCF) sólido em 2026”. Se essa expectativa se confirmar, a leitura do BTG é que a Vale deve devolver o excesso de caixa aos investidores.
“Esperaríamos que a companhia retornasse o excesso de caixa aos acionistas, seja por meio de dividendos extraordinários e/ou recompras”, afirma o banco em relatório.
A projeção do BTG aponta para um potencial de retorno em caixa de cerca de 9% em 2026.
Monitor Digital - RJ 26/03/2026
Um novo modelo elétrico promete virar o jogo da Nissan para enfrentar a “invasão chinesa”. Desenvolvido pela joint venture Dongfeng Nissan, o NX8 foi flagrado pela Via Digital rodando por São Paulo em uma carroceria “zebrada”, que disfarça suas linhas.
O SUV tem 4,87 metros e chega com uma missão clara: elevar o patamar tecnológico da marca para enfrentar a forte ofensiva chinesa. O modelo se destaca pelo porte imponente e pelo entre-eixos de 2,91 metros, o que garante um espaço interno digno de um “longe” sobre rodas.
A grande virada de chave do NX8 está na eficiência. Ele utiliza uma nova plataforma com arquitetura de 800V, o que permite recargas ultrarrápidas capazes de entregar 300 km de autonomia em apenas 5 minutos (em carregadores compatíveis).
Para o mercado brasileiro, a versão com extensor de alcance é a mais aguardada: nela, um motor 1.5 turbo atua apenas como gerador, enquanto o motor elétrico de 265 cv traciona o carro, permitindo uma autonomia combinada que rompe a barreira dos 1.000 km.
Visualmente, o carro traz o futuro para o presente com a nova linguagem V-Motion e lanternas traseiras em oled. Também conta com o sensor LiDAR, essencial para o sistema de navegação autônoma de última geração.
Na China, o NX8 deve ter as vendas iniciadas nas próximas semanas e por aqui a expectativa que chegue no segundo semestre.
As tendências para picapes no Brasil
As picapes surgiram para atender pequenos comerciantes, mas hoje consolidaram uma participação resiliente e estratégica no mercado brasileiro. Segundo dados da K.Lume Consultoria, o segmento mantém uma estabilidade de 19% das vendas totais há três anos, fechando 2025 com 485.968 unidades emplacadas.
Esse vigor é personificado pela Fiat Strada, que lidera o ranking nacional desde 2021, equilibrando a versatilidade das compactas com a robustez das médias superiores, que dominam o volume do setor.
Para o futuro, a tendência indica a manutenção dessa força histórica por meio de movimentos táticos distintos. A indústria deve focar no nicho de luxo, priorizando modelos de alto valor agregado e baixo volume, enquanto fabricantes chinesas tentam avançar sobre o território das picapes médias.
Após resultados discretos com modelos puramente elétricos, essas novas marcas recalibraram suas estratégias para motores a combustão e híbridos. Essa adaptação tecnológica e o foco em nichos específicos garantem que o segmento preserve sua relevância e tradição no cenário automotivo nacional a longo prazo.
Ranger de cabine simples amplia opções do portfólio
A Ford escolheu a feira Show Safra, no Mato Grosso, para a primeira exibição pública da Ranger XL Cabine Simples. A estratégia foca na relevância de um estado que lidera a produção de grãos e gado, representando um dos maiores mercados consumidores de picapes do país.
A nova XL foi projetada como ferramenta de trabalho, com foco na produtividade, entrega a maior capacidade de carga da categoria e um custo operacional 15% menor que o da concorrência. Custa R$ 256.600.
Sob o capô, motor 2.0 TD de 170 cv acoplado ao câmbio manual de 6 marchas.
Ford Pro América do Sul se une ao México
A Ford unificou as divisões de veículos comerciais da América do Sul e do México em uma estrutura única para a América Latina. O objetivo é ampliar a escala e a sinergia para atender clientes de logística e comércio eletrônico que atuam regionalmente.
Em 2025, a Ford Pro vendeu 28 mil unidades na América do Sul, um aumento de 17%, enquanto o México comercializou 29 mil veículos. No Brasil, a divisão registrou 9 mil emplacamentos, com crescimento de 30%.
Guillermo Lastra, diretor de Veículos Comerciais da Ford América Latina
A estratégia de expansão foca na linha Ranger. A fabricante afirma que esses veículos possuem maior capacidade de carga e custo operacional 15% inferior aos concorrentes. A nova organização, liderada por Guillermo Lastra, diretor de Veículos Comerciais da Ford, vai coordenar 504 concessionárias na região para operacionalizar o suporte técnico e o planejamento de portfólio.
CNN Brasil - SP 26/03/2026
Uma crise histórica do petróleo e a alta nos preços dos combustíveis estão reforçando os argumentos a favor dos veículos elétricos. Os fabricantes chineses de veículos elétricos estão ansiosos para atender a essa demanda.
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã interrompeu o abastecimento de combustíveis fósseis essenciais provenientes do Oriente Médio, elevando os preços do petróleo bruto a US$ 119 por barril na semana passada. Isso gerou temores de um agravamento da inflação ou até mesmo de uma recessão global.
Mas a turbulência não poderia ter surgido em melhor momento para a indústria de veículos elétricos da China. Embora a China fabrique e exporte mais carros elétricos do que qualquer outro país, suas montadoras enfrentam uma concorrência acirrada de preços e um crescimento em desaceleração no mercado interno. As marcas chinesas estão sob pressão crescente para encontrar outros mercados.
Agora, à medida que os veículos elétricos chineses estão ficando mais baratos, a gasolina está ficando mais cara. Essa combinação provavelmente impulsionará a expansão global do setor, segundo analistas, especialmente entre os países asiáticos que estão sofrendo o impacto da escassez de combustível.
“Há potencial para que as marcas chinesas conquistem uma grande fatia do mercado asiático, aproveitando o aumento dos preços da gasolina”, afirmou Tu Le, diretor-geral da Sino Auto Insights, uma consultoria especializada no setor automotivo. “Espero que elas aproveitem ao máximo essa oportunidade.”
Apesar do crescente investimento em energia renovável na Ásia, o conflito de três semanas no Oriente Médio destacou a dependência contínua da região em relação às importações de petróleo. Cerca de 60% do abastecimento de petróleo bruto da Ásia vem do Oriente Médio através do Estreito de Ormuz, onde o Irã restringiu severamente o fluxo de cargas.
Em um relatório recente, a Ember, um think tank especializado em energia, chamou os veículos elétricos de “a maior alavanca para reduzir as contas de importação” e estimou que o uso de veículos elétricos no ano passado reduziu o consumo global de petróleo em 1,7 milhão de barris por dia – cerca de 70% das exportações do Irã em 2025.
Acelerando a adoção
Da mesma forma que a invasão da Ucrânia pela Rússia impulsionou os investimentos em energia renovável na Europa, analistas afirmaram que a atual crise do petróleo poderia ser outro ponto de inflexão para o setor de energia limpa na Ásia.
“Quando se trata de um único aumento de preço em um ambiente de baixa inflação, as pessoas podem ignorá-lo”, disse Lauri Myllyvirta, analista-chefe e cofundador do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo. “Quando ocorre outro, pode ser um momento do tipo ‘não me engane duas vezes’ que deixa claro que os preços são voláteis e que dirigir um veículo a gasolina apenas mantém você exposto a eles.”
Na China, que importa mais de 40% do petróleo do Oriente Médio, a transição para as energias renováveis tem dado frutos. Com o maior estoque de reservas de petróleo do mundo e como o maior produtor de energia eólica e solar, a China está mais protegida contra a crise energética do que outros países asiáticos.
Myllyvirta estima que a disseminação dos veículos elétricos na China, que representam cerca de 50% das vendas de carros novos e cerca de 12% de todos os veículos registrados, reduziu o consumo de petróleo do país em quase 10% no ano passado.
“Do ponto de vista da China, esse cenário é exatamente o que estava em mente quando o país vinha buscando sua estratégia de segurança energética”, disse ele.
Zhu Zhaoyi, diretor executivo do Instituto de Estudos do Oriente Médio da Escola de Negócios HSBC da Universidade de Pequim, disse que a crise do petróleo poderia acelerar as atuais ambições da China em matéria de energia limpa – especificamente, atingir o pico de emissões até 2030 e a neutralidade de carbono até 2060.
“A liderança chinesa já viu esse filme antes. Sempre que há instabilidade no Oriente Médio, isso reforça a mesma lição: depender de combustíveis fósseis importados não é apenas ruim para o meio ambiente, é um problema de segurança nacional”, afirmou Zhu.
Pressão sobre os veículos elétricos
O apoio estatal que ajudou a China a se tornar líder mundial em veículos elétricos acessíveis também criou um cenário de concorrência acirrada para suas montadoras nacionais, muitas das quais agora lutam para sobreviver em um mercado com excesso de oferta.
A consultoria AlixPartners estima que apenas cerca de 15 das 129 marcas chinesas de veículos elétricos presentes no mercado em 2024 serão financeiramente viáveis em 2030. Analistas esperam que a demanda interna diminua ainda mais à medida que o governo chinês elimine gradualmente os subsídios que apoiam a adoção de veículos elétricos.
O recente aumento no preço do petróleo pode dar às montadoras um impulso muito necessário no mercado interno, mas elas ainda precisarão dos mercados externos para absorver o excesso de oferta.
“Mesmo que o aumento do preço do petróleo possa ajudar a ampliar ainda mais o mercado de veículos elétricos na China, isso não significará que ele dobrará de tamanho”, disse Yichao Zhang, consultor automotivo da AlixPartners. “Não creio que isso possa resolver a questão do excesso de capacidade imediatamente.”
É improvável que esse excesso de capacidade beneficie os consumidores nos EUA, onde tarifas elevadas praticamente excluíram os veículos elétricos chineses do mercado para proteger as montadoras locais, incluindo a líder de mercado Tesla. No início deste ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, parecia disposto a receber marcas chinesas de veículos elétricos – mas somente se elas construíssem fábricas no país.
Mas na Ásia, os países estão desesperados por maneiras de reduzir o consumo de energia, já que os estoques de combustível diminuíram. Alguns países, como Tailândia, Filipinas e Vietnã, orientaram a população a trabalhar em casa e limitar o uso de ar-condicionado. A VinFast, principal fabricante de veículos elétricos do Vietnã, também começou a oferecer descontos em carros e motos elétricos após os ataques ao Irã.
Lam Pham, analista de energia asiática da Ember, afirmou que os veículos elétricos chineses têm uma vantagem na maioria dos mercados asiáticos, devido à sua competitividade de preço, tecnologia avançada de baterias e cadeia de suprimentos abrangente.
“A crescente volatilidade dos preços dos combustíveis e o maior apoio político indicam que o mercado de veículos elétricos na Ásia deve crescer rapidamente. Essa expansão beneficiará os fabricantes de veículos elétricos em geral, mas especialmente aqueles que conseguem expandir rapidamente e oferecer modelos a preços acessíveis”, disse ele.
Valor - SP 26/03/2026
Entre outubro e dezembro, a receita da companhia, que atua na locação de caminhões, máquinas e equipamentos, anotou alta de 24%
A Vamos, empresa que atua na locação de caminhões, máquinas e equipamentos, apresentou um lucro líquido de R$ 77,7 milhões no quarto trimestre de 2025, representando uma piora anual de 52,6%.
Entre outubro e dezembro, a companhia somou receita líquida de R$ 1,48 bilhão, alta de 24,3%, sendo R$ 1,07 bilhão de receita líquida de serviços, que cresceu 11,4%, e R$ 326,9 milhões com venda de ativos, alta de 98,4%.
Apesar do maior faturamento, o custo total da companhia cresceu em 55,1%, totalizando R$ 689,5 milhões. Assim, o lucro bruto — receitas menos custos — ficou em R$ 793,5 milhões no trimestre, alta de 6% em um ano.
As despesas operacionais totalizaram R$ 100,5 milhões, valor 11,8% inferior ao reportado no quarto trimestre de 2024. O resultado financeiro piorou em 33,1%, ficando negativo (despesa financeira) em R$ 591,6 milhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) atingiu R$ 956,9 milhões no quarto trimestre de 2025, 13,2% superior ao reportado em igual período do ano anterior.
Ao final de dezembro, a dívida líquida da companhia era de R$ 11,81 bilhões, ante a dívida de R$ 11,96 bilhões do final de setembro. A alavancagem saiu de 3,27 vezes para 3,16 vezes entre períodos.
No acumulado de 2025, a companhia teve lucro de R$ 318,9 milhões e receita de R$ 5,75 bilhões.
Projeção
Para 2026, a Vamos projeta uma receita líquida consolidada de R$ 6,3 bilhões a R$ 6,9 bilhões. A empresa também espera um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado na faixa de R$ 3,75 bilhões e R$ 4 bilhões. Já a alavancagem no final deste ano é esperada entre 2,9 vezes e 3,1 vezes.
A Vamos também espera uma ocupação da frota entre 88% e 92% em 31 de dezembro de 2026.
O “capex” (investimento) líquido para 2026 está previsto entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,9 bilhão. Em 2025, os investimentos foram de R$ 1,62 bilhão.
Money Times - SP 26/03/2026
As mudanças recém-aprovadas para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) posicionam o setor de construção civil para mais um ano promissor em termos operacionais, segundo avaliação do BTG Pactual.
Em relatório, o banco afirmou que a demanda deve seguir forte diante das condições ainda mais favoráveis do programa habitacional, o que permitirá que as construtoras listadas em bolsa continuem crescendo com margens elevadas e retornos saudáveis.
As preferências do BTG
Na visão da instituição, os ajustes vão beneficiar principalmente empresas expostas a rendas mais baixas, em que o mercado potencial cresce de forma relevante. Nesse cenário, a Tenda (TEND3) é apontada pela casa como a principal vencedora.
Apesar disso, o BTG destacou que companhias com maior participação nas faixas intermediárias do MCMV, nas quais o poder de compra tende a avançar mais, também serão contempladas. Nesse caso, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) foram eleitas pelo banco como os principais destaques.
Por volta das 14h30 (horário de Brasília), os papéis DIRR3 subiam 2,29% na bolsa de valores, enquanto TEND3 avançava cerca de 3,5% e CURY3, 2,9%.
O que mudou no MCMV
Na última terça-feira (24), o Conselho do FGTS aprovou novos limites de renda das famílias que se enquadram no Minha Casa, Minha Vida, permitindo que mais pessoas participem do benefício habitacional:
Faixa 1: o teto da renda subiu de R$ 2.850 para R$ 3.200; Faixa 2: de R$ 4.700 para R$ 5.000; Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600; Faixa 4: de R$ 12.000 para R$ 13.000.
Além disso, também houve aumento no valor máximo dos imóveis que podem ser financiados pelo programa:
Faixas 1 e 2: o preço pode variar entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, dependendo da localização; Faixa 3: subiu de R$ 350 mil para até R$ 400 mil; Faixa 4: subiu de R$ 500 mil para até R$ 600 mil. Nova estrutura de financiamento
Além desses ajustes, o governo também prevê mudanças na estrutura orçamentária do programa, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026.
Isso porque o Ministério das Cidades estima que a ampliação das Faixas 1 e 2 exigirá cerca de R$ 500 milhões adicionais em subsídios — elevando o montante de R$ 12,5 bilhões para R$ 13 bilhões — a serem incluídos na revisão orçamentária de junho.
Para acomodar as atualizações, também foi indicada a necessidade de aumentar o orçamento total para habitação em R$ 3,6 bilhões este ano, para R$ 145,7 bilhões, com recursos vindos do Fundo Social.
Há ainda discussões avançadas para permitir o uso do Fundo Social no financiamento da Faixa 4 — hoje restrito à Faixa 3 — também a partir do segundo semestre de 2026, numa medida que, segundo o BTG, pode fortalecer estruturalmente o crédito habitacional no longo prazo.
As preferências da Empiricus
Para Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, essas atualizações trouxe um novo fôlego para as ações do setor imobiliário, com impacto positivo esperado nas vendas.
“Com mais famílias elegíveis e maior capacidade de financiamento, a tendência é de continuidade da demanda por imóveis. Isso permite às construtoras manter o forte ritmo de lançamentos”, afirmou.
Segundo ele, embora as mudanças já fossem parcialmente antecipadas, elas reforçam uma leitura positiva para o segmento de habitação popular.
“O cenário é favorável para empresas com maior exposição à baixa renda, que se beneficiam diretamente do aumento do público atendido, mas também para aquelas com atuação nas faixas intermediárias, em que o ganho de poder de compra foi relevante”, explicou.
Entre as preferências da Empiricus, Araujo destacou a Direcional (DIRR3), que considera bem posicionada e com ponto de entrada mais atrativo após a recente correção das ações – nos últimos 30 dias, os papéis da companhia recuaram cerca de 11% na bolsa de valores.
As preferências do Itaú BBA
Na mesma linha, analistas do Itaú BBA apontaram que, apesar de esperadas, as mudanças reforçam uma visão construtiva para o setor de baixa renda, com tendência de fortalecimento da demanda.
O banco calcula que o aumento dos limites de renda pode elevar o poder de compra das famílias entre 8% a 24%, o que tende a sustentar vendas mais fortes e volumes maiores de lançamentos.
“Esperamos que esses ajustes no MCMV comecem a refletir nos resultados operacionais já a partir do segundo trimestre (2T26)”, afirmou a casa, em relatório.
O BBA mantém preferência por empresas que, pelos seus cálculos, apresentam maior potencial de crescimento. A Tenda segue como a principal escolha do banco, negociando a cerca de 6,5 vezes o lucro estimado para 2026.
Na sequência, a instituição destaca a Direcional, com P/L projetado em 7,5 vezes para este ano, citando a perspectiva de aceleração das vendas, geração de caixa mais robusta e crescimento escalável — especialmente por meio da parceria com a Moura Dubeux (MDNE3) no Nordeste.
“Acreditamos que essas alterações devem se traduzir principalmente em comercialização mais forte. Além disso, com a melhora das condições de financiamento e dos subsídios, a acessibilidade tende a aumentar de forma relevante.”
Valor Investe - SP 26/03/2026
Ampliação do programa aumenta poder de compra, reforça demanda e sustenta alta das ações
As ações de construtoras voltadas à baixa renda estão entre os maiores ganhos da bolsa nesta quarta-feira (25), impulsionadas pelas mudanças no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) anunciadas nesta terça, que elevou as faixas iniciais do programa, além de ter aumentado o teto das faixas 3 e 4. Isso é positivo para o setor, na visão do BTG Pactual.
O papel da MRV (MRVE3) disparou 7,5%, encerrando o pregão desta quarta-feira (25) cotado a R$ 8,32. Tenda (TEND3) ganhou 2,5%, Cury (CURY3) avançou 2,8% e Direcional (DIRR3) registrou valorização de 0,93%.
Na avaliação do BTG, o pacote era amplamente esperado e deve ter impacto direto sobre a demanda por imóveis, principal motor de crescimento das empresas do setor.
O banco destaca que as mudanças aumentam o limite de renda em todas as faixas do programa e elevam o teto dos imóveis nas faixas 3 e 4. Na prática, isso amplia o número de famílias elegíveis e aumenta o poder de compra dos beneficiários.
Segundo as estimativas da instituição, o ganho de poder de compra pode chegar a até 21%, dependendo da faixa de renda, um impulso significativo para as vendas das construtoras.
Além disso, o governo sinalizou aumento no orçamento do programa, o que reforça a previsibilidade de funding e reduz um dos principais riscos percebidos pelo mercado.
Para o BTG, esse conjunto de medidas deve manter a demanda aquecida e permitir que as empresas continuem crescendo com rentabilidades elevadas e retorno saudável.
O banco mantém recomendação de compra para todas as companhias do setor sob sua cobertura, destacando que o momento operacional segue particularmente favorável.
Entre os principais destaques, a Tenda aparece como a principal beneficiária, por sua maior exposição às faixas de renda mais baixas, justamente onde a expansão do público elegível é mais relevante;
Já Cury e Direcional devem se beneficiar mais do aumento no poder de compra nas faixas 3 e 4, onde houve elevação dos tetos de preço dos imóveis;
A MRV, por sua vez, também tende a capturar parte desse movimento, dado seu posicionamento diversificado dentro do programa.
Segundo o BTG, o setor entra em mais um ciclo positivo, sustentado por demanda forte, maior capacidade de financiamento e um ambiente regulatório mais favorável.
Canal Rural - SP 26/03/2026
O movimento ocorre em meio à expectativa de mais uma safra recorde no Brasil, a produção agrícola deve ultrapassar 350 milhões de toneladas em 2026, o que amplia o desafio logístico em um país ainda fortemente dependente do transporte rodoviário, justamente o mais impactado pela variação no preço dos combustíveis.
Nesse cenário, a infraestrutura, logística ganha, bastante relevância e os players que atuam nessa cadeia tem uma responsabilidade grande de atuar tanto na eficiência operacional quanto investimento de novas infras, destaca o responsável pela área de grãos da VLI Logística, Gabriel Fonseca.
Investir em infraestrutura deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade. A integração entre rodovias, portos e, principalmente, ferrovias surge como caminho para ampliar a capacidade de escoamento e melhorar a eficiência da cadeia logística.
Além disso, o cenário de margens mais apertadas reforça a importância de soluções que garantam competitividade ao produtor rural. Nesse contexto, o transporte ferroviário aparece como aliado, especialmente em longas distâncias, onde pode reduzir custos operacionais e melhorar o desempenho logístico.
A ferrovia entra com papel estratégico, buscando preservar, essa competitividade para o produtor rural e ao mesmo tempo, garantir que o Brasil continue como um grande protagonista no mercado global de commodities destaca Fonseca.
Alternativa sustentável
Além de mais eficiência, as ferrovias também representam uma alternativa mais econômica e sustentável. Em longas distâncias, o transporte ferroviário pode reduzir custos logísticos e emitir até seis vezes menos carbono do que o rodoviário.
O modal ferroviário emite menos carbono do que outros modais. Caso, por exemplo, se comparado ao rodoviário até seis vezes menos emissão de carbono. Então, naturalmente, à medida que a gente aumenta a matriz de transporte ferroviário, a gente migra do rodoviário para ferrovia e estamos contribuindo diretamente para sustentabilidade do ponto de vista ambiental, explica Fonseca.
Valor - SP 26/03/2026
Expansão do setor é uma das prioridades do governo federal, que afirma estar trabalhando para aumentar a segurança jurídica e destravar investimentos privados
As ferrovias e portos do Brasil devem entrar em um período de transformações nos próximos anos, com a perspectiva de muitos investimentos no setor. Ao mesmo tempo em que empresas chinesas enxergam grandes oportunidades no país, o governo brasileiro afirma tratar a questão como prioritária e estar trabalhando para aumentar a segurança jurídica e destravar investimentos privados no setor. Esse é o cenário que foi traçado no painel “Logística e Infraestrutura: Linhas que Conectam Portos, Trilhos e o Investimento Chinês no Brasil”, do "Summit Valor Econômico Brazil-China 2026", nesta quarta-feira (25), em Xangai.
O evento é promovido pelo Valor Econômico em associação com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Associação do Povo Chinês para a Amizade com Países Estrangeiros (CPAFFC). O painel teve mediação de Zínia Baeta, editora-executiva do Valor.
Leonardo Ribeiro, secretário de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, salientou a importância do setor para a cooperação econômica entre os dois países e disse que o governo quer expandir a participação das ferrovias de 20% para 35% na matriz de transportes do país. “A infraestrutura ferroviária pode transformar as relações comerciais do Brasil com a China, trazendo eficiência e competitividade para a logística das commodities."
Ribeiro informou que o governo federal pretende lançar três editais no primeiro semestre: “Os projetos de ferrovias estão maduros, com estudos técnicos robustos já concluídos." O secretário afirmou que, com o Marco Legal das Ferrovias, hoje há leis, normas e padronizações de contratos que garantem a segurança jurídica dos investimentos no setor.
De todo modo, acrescentou que há conversas sendo realizadas com o Tribunal de Contas da União para garantir o êxito dos certames. “Neste momento, estamos discutindo com o TCU os mecanismo que serão utilizados pelo governo para apoiar o setor privado. Essa validação é essencial para a segurança jurídica dos leilões.” E acenou com a possibilidade de mais garantias do governo. "Nós também temos estratégias para conferir garantias para que esses projetos aconteçam dentro de uma matriz de risco em que o governo vai compartilhar com o setor privado eventuais situações extremas."
"A maior barreira no Brasil é o ambiente jurídico de impostos, que são muito diversificados", disse Li Sisheng, vice-presidente executivo da Power China International. Na avaliação do executivo, essa é uma das explicações para o fracasso de alguns investimentos de empresas estrangeiras no país. Ele lembrou, porém, que a empresa tem investimentos de US$ 4 bilhões no país e estuda projetos nas áreas de rodovias, ferrovias e energia.
Ding Songbing, gerente-geral e chefe do departamento de estratégia e pesquisa do Shanghai International Port, observou que há muito espaço para o desenvolvimento e modernização dos portos brasileiros. "As embarcações estão aumentando de tamanho, e os portos precisam se adaptar", argumentou. Na sua opinião, outros dois campos onde há oportunidade são a adaptação climática e a automação e digitalização dos processos.
Zhang Jianyu, secretário-geral-adjunto e diretor-chefe de Desenvolvimento da Aliança Internacional para o Desenvolvimento Verde do Cinturão e Rota, explicou que a China e as bolsas chinesas vêm endurecendo as exigências ambientais sobre suas empresas, e as regras valem para a atuação delas no exterior. "Se uma empresa chinesa não tiver bons resultados [em sustentabilidade] no mercado brasileiro, por exemplo, ela vai ter dificuldades de captação de capital aqui dentro da China."
*O “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026” é o terceiro evento do gênero promovido pelo jornal na China desde 2024. Esta edição tem patrocínio de BYD, Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio, Embratur, Governo do Estado do Rio de Janeiro e ApexBrasil, com apoio de Prefeitura de São Paulo e São Paulo Negócios, Suzano, CBMM, Alibaba, World Resources Institute, Instituto Clima e Sociedade (iCS), CNA Senar e Confederação Nacional da Indústria (CNI). Não há despesas bancadas pelo jornal em caso de convites feitos a agentes públicos que façam parte dos debates.
Globo Online - RJ 26/03/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda nesta quarta-feira (25) no interior de São Paulo, com passagem por Gavião Peixoto, Araraquara e São Carlos. Pela manhã, Lula esteve no Aeródromo Embraer, na Unidade Gavião Peixoto, onde participou da cerimônia de apresentação do primeiro caça F-39 E Gripen montado no Brasil. Em seguida, já em Araraquara, anunciou a instalação de uma fábrica de trens da empresa chinesa CRRC Brasil Equipamentos Ferroviários. Lula também aproveitou para criticar a ausência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no evento.
A unidade da CRRC ocupará as antigas instalações da montadora Hyundai, às margens da rodovia Antônio Machado Sant’Anna. A previsão é que a produção comece no segundo semestre de 2026. Durante o evento, também foi assinada uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para viabilizar o projeto.
Participaram da agenda o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, além de outras autoridades.
Durante o discurso, Lula destacou a importância do investimento, estimado em cerca de R$ 7 bilhões, e lamentou a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas:
- Eu lamento profundamente que o governador não esteja aqui. Ele poderia falar, falar o que ele quisesse, agradecer ou não agradecer, mas estivesse aqui. Porque é um investimento de quase R$ 7 bilhões para São Paulo. Não é pouca coisa, não. É um investimento de R$ 7 bilhões para gerar emprego, trazer tecnologia, trazer modernidade, inclusive para atender os trens que vão ser feitos em São Paulo. Então, eu estou aqui para dizer para vocês: esperem, porque este ano é o ano que a verdade vai ter que derrotar a mentira nesse país, disse.
Após a agenda em Araraquara, Lula seguiu para São Carlos, onde anunciou, ao lado do ministro Alexandre Padilha, a ampliação do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mais cedo, o presidente esteve em Gavião Peixoto, onde participou do lançamento de um avião supersônico desenvolvido no país, em agenda relacionada à Embraer.
A programação no interior paulista inclui ainda visita às instalações da LATAM Airlines, também em São Carlos, para anúncio da compra de aeronaves da Embraer.
Portos e Navios - SP 26/03/2026
A administração do Sepetiba Tecon, em Itaguaí (RJ), informou que recebeu no último dia 20 de março o navio multipropósito Green Suape, da Cosco Shipping Specialized Carriers, carregado com contêineres, veículos, bobinas de aço e vagões de metrô. Segundo a empresa, isso confirma a tendência de chegada a portos brasileiros de embarcações com diferentes tipos de carga.
De acordo com a companhia, usualmente cargas conteinerizadas são transportadas em navios porta-contêineres e cargas soltas, em navios de carga geral ou de projeto. Mas armadores estão optando por embarcações multipropósitos para transportar volumes maiores, melhorar a ocupação dos navios e reduzir custos para exportadores e importadores, evitando gastos com armazenagem.
A Tecon Sepetiba explicou que, para atender a esse tipo de embarcação, terminais portuários precisam ter área adequada para armazenagem e acessos marítimos, rodoviários e ferroviários capazes de viabilizar o transporte de cargas com diferentes características e dimensões. Além disso, são necessárias infraestrutura adequada e mão de obra qualificada, porque a operação envolve o manuseio simultâneo de cargas que demandam equipamentos, serviços e procedimentos de segurança específicos.
A avaliação da Sepetiba Tecon é que com o crescimento do segmento de carga geral, a chegada de navios multipropósito tende a aumentar, e o diretor operacional a empresa, Guilherme Vidal, disse que o terminal está preparado para recebê-los porque investiu em infraestrutura adequada e em áreas de armazenagem e conta com acessos para atender a diferentes perfis de carga. Mas ressaltou que é preciso continuar investindo em equipamentos e formação de equipes com perfil multidisciplinar, para ampliar a capacidade operacional e o nível de integração das operações.
Portal Fator Brasil - RJ 26/03/2026
Desvios do Mar Vermelho, fechamento do Estreito de Ormuz e aumento dos preços do combustível marítimo elevam os custos operacionais.
O conflito crescente no Oriente Médio está tendo um efeito dominó no transporte marítimo de contêineres, com impactos que vão desde o fechamento de fato do Estreito de Ormuz até a consolidação de desvios da rota do Mar Vermelho, além de congestionamento portuário, aumento dos custos de combustível marítimo e um novo ciclo de alta nas sobretaxas e taxas.
No setor energético, os ataques e as tensões em torno do Estreito de Ormuz — uma rota crucial para aproximadamente 20% do petróleo mundial — interromperam o tráfego de navios-tanque e elevaram os preços do petróleo bruto. Essa situação já se reflete em custos operacionais mais altos para as companhias de navegação. De fato, o aumento nos preços do combustível marítimo foi imediato: —Os preços do VLSFO continuam subindo, com uma média global de US$ 1.068 por tonelada— alerta o analista da indústria marítima Lars Jensen, destacando também um aumento significativo na diferença de preço em relação aos combustíveis com alto teor de enxofre.
O aumento dos preços dos combustíveis levou à introdução de sobretaxas emergenciais de bunker. A CMA CGM, por exemplo , elevou sua sobretaxa de US$ 150/TEU para US$ 265/TEU, enquanto outras companhias de navegação, como OOCL, Cosco e Maersk , implementaram sobretaxas emergenciais de bunker temporárias (EBS ). Segundo a consultora Drewry , espera-se que essas medidas —impulsionem os fretes marítimos—.
Entretanto, a crise no Mar Vermelho — agora em seu segundo ano — continua afetando as rotas marítimas globais. Embora não se trate de um fechamento formal, a maioria das principais companhias de navegação continua evitando a região. Jensen é enfático: —Todas as principais companhias de navegação continuam desviando suas rotas ao redor da África—refletindo que os riscos não diminuíram apesar das ações militares.
Essa dupla tensão levou a uma reconfiguração de redes e rotas. —Os proprietários de cargas estão explorando todas as soluções disponíveis sejam elas pontes terrestres, redirecionamento ou redes alternativas —explica Peter Sand, da Xeneta . Nesse contexto, observa-se uma mudança nos portos de escala, com hubs alternativos ganhando destaque. Um excelente exemplo é o Porto Nhava Sheva, na Índia, que —emergiu como um dos portos mais atraentes para o redirecionamento de cargas retidas—.
O impacto nas taxas spot nessas rotas regionais tem sido significativo. Segundo a Xeneta, o frete entre a China e Nhava Sheva aumentou quase 70% em um mês, enquanto o segmento de alto padrão do mercado quase dobrou. —Há uma disputa por capacidade, com os proprietários de carga dispostos a pagar altas taxas para transportar suas mercadorias —afirma Sand .
Globalmente, o efeito é amplificado pela congestão portuária , que se espalhou muito além do epicentro do conflito. —A congestão portuária continua a aumentar ao longo das cadeias de abastecimento marítimo… particularmente nos principais centros de transbordo da Ásia— alerta a Xeneta . Portos importantes como Port Klang (50%), Colombo (46%) e Singapura (36%) apresentam altos níveis de congestão, afetando inclusive cargas que não se destinam ao Oriente Médio.
A congestão também está sendo observada em portos alternativos e rotas de desvio. De acordo com a Freightos , as companhias de navegação estão redirecionando contêineres para portos em Omã, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, utilizando conexões terrestres, além de aumentar o uso de hubs na Índia. No entanto, essa estratégia está criando novas pressões: —A congestão já está aumentando nesses portos alternativos, bem como na Índia—.
Em relação às taxas spot , o impacto é variado globalmente . A Drewry relata em análise que seu Índice Mundial de Contêineres (WCI) subiu 2% semanalmente, para US$ 2.172/FEU, com aumentos mais acentuados na rota transpacífica. No entanto, o verdadeiro impulso pode vir das sobretaxas: —As companhias de navegação anunciaram uma onda de sobretaxas emergenciais, PSS ( sobretaxa de alta temporada ) e GRI ( aumento geral de tarifas )… algumas delas na casa dos milhares de dólares por contêiner —observa a Freightos .
Embora alguns analistas prevejam resistência por parte dos proprietários a esses aumentos, a tendência aponta para uma alta. Como Sand resume : —Estamos vendo exatamente o que previmos… tempos de trânsito mais longos e sobretaxas sendo aplicadas em todos os setores—.
Com cerca de 800 mil contêineres por mês entrando na região afetada, o setor enfrenta o desafio de manter as cadeias logísticas operacionais em um ambiente de grande incerteza. Nesse cenário, desvios, aumento de custos e instabilidade tarifária estão se consolidando como variáveis estruturais do comércio marítimo global. | Com informações MM.
O Estado de S.Paulo - SP 26/03/2026
Trump tem enviado mensagens contraditórias sobre como espera reabrir o estreito, incluindo a sugestão, na segunda-feira, 23, de que poderia controlar o estreito em conjunto com o líder supremo do Irã. Mas a maioria das opções que os Estados Unidos estão considerando envolve as forças armadas.
O primeiro passo para abrir o estreito pela força militar envolveria tentar eliminar a capacidade do Irã de atacar navios. Desde o início da guerra, no final de fevereiro, pelo menos 17 embarcações foram atingidas, segundo a Kpler, uma empresa de dados marítimos.
Até o momento, milhares de ataques dos EUA e de Israel contra instalações militares iranianas não conseguiram deter a ameaça. Pode não ser possível encontrar e destruir todos os locais onde o Irã armazena ou utiliza armas.
“Eles têm muitos lugares onde poderiam instalar baterias de mísseis”, disse Mark F. Cancian, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e coronel da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais. “E como as baterias de mísseis são móveis, é difícil encontrá-las e atingi-las.”
Trump solicitou escolta naval para petroleiros comerciais que transitam pelo estreito. Isso, segundo Cancian, seria uma grande operação militar.
“Isso envolveria navios escoltando os petroleiros”, disse ele. “Haveria caça-minas para lidar com quaisquer minas que pudessem ter sido colocadas. Haveria aeronaves sobrevoando a área para interceptar quaisquer drones e atacar quaisquer baterias de mísseis em terra.”
O envio de navios de guerra para repelir ataques de drones e mísseis traz seus próprios riscos.
Irã: Como o país se tornou um regime teocrático?
“Os sistemas defensivos do destróier são realmente projetados para algo diferente do combate corpo a corpo no estreito”, disse Eugene Gholz, professor associado de ciência política na Universidade de Notre Dame. “Cada parte do destróier é vulnerável a ataques.”
Mas talvez as minas representem a maior ameaça.
“Se houver uma ameaça realmente crível de minas na água, isso muda completamente as coisas”, disse Jonathan Schroden, especialista em guerra irregular do CNA, um instituto de pesquisa de defesa apartidário. “Nenhuma marinha vai querer colocar seus navios de guerra em uma hidrovia que esteja potencialmente ou de fato minada.”
As operações de desminagem podem levar semanas e colocar marinheiros americanos em perigo direto. As equipes, que se movem lentamente, precisariam de proteção, incluindo cobertura aérea.
Riscos no terreno
Fuzileiros navais estão se dirigindo em grande número para a região, e especialistas dizem que o Pentágono pode usá-los para realizar operações terrestres, lançar ataques ou instalar sistemas de defesa aérea para os comboios.
Considerando o tamanho das próprias forças terrestres do Irã, os fuzileiros navais podem limitar suas incursões às ilhas do estreito e evitar tentar tomar território no continente iraniano, dizem especialistas.
Mesmo assim, o risco de perdas americanas pode levar Trump a evitar essa opção.
“Se as forças terrestres forem mortas ou capturadas, a dinâmica muda completamente”, disse Parker, ex-oficial da Marinha.
Os limites do sucesso
Mesmo com uma grande operação militar, basta um único ataque para abalar novamente a confiança.
Neste momento, a maioria das empresas de transporte de petróleo não está se arriscando a atravessar o estreito. Há quase 500 navios-tanque no Golfo Pérsico, a oeste do estreito, e a maioria deles está parada, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.
Para que esses navios voltem a transportar petróleo, os armadores e as seguradoras teriam que ser convencidos de que as escoltas forneceriam proteção suficiente.
Mesmo com companhias a bordo e uma grande operação de comboio defensivo em curso, as escoltas militares só conseguem proteger alguns navios de cada vez. Em fevereiro, antes da guerra, cerca de 80 petroleiros e gasodutos atravessavam o Estreito de Ormuz diariamente.
“O importante é tranquilizar as empresas de navegação e o mercado de seguros de que o risco é suficientemente baixo para que valha a pena atravessar o estreito”, disse Kevin Rowlands, especialista naval do Royal United Services Institute, um grupo de pesquisa em Londres.
Uma grande e sofisticada operação de escolta também poderia representar um fardo para as forças militares americanas. Os comboios de escolta poderiam desviar unidades militares valiosas da campanha aérea EUA-Israel e da proteção de outras forças na região.
E como o Irã já atacou navios tanto no Golfo Pérsico quanto no Golfo de Omã, as embarcações ainda precisariam de proteção após atravessarem o estreito, um processo mais demorado para os recursos militares.
“Acredito que enquanto houver uma ameaça residual do Irã ao estreito, haverá um impacto no tráfego marítimo”, disse Talmadge. “Para que as coisas realmente voltem ao normal, será necessária uma solução diplomática e política.”
Portos e Navios - SP 26/03/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, na última terça-feira (24), com base em dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que a movimentação de contêineres nos portos da região Sul atingiu, em janeiro de 2026, 4,9 milhões de toneladas, com alta de 22,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. De acordo com o levantamento, somados, os portos do Sul movimentaram 13,9 milhões de toneladas no período.
O maior volume movimentado em portos públicos na região foi registrado no Porto de Paranaguá, no Paraná, com 4,7 milhões de toneladas, seguido pelo Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, com 1,9 milhão de toneladas. Além dos contêineres, destacaram-se petróleo e derivados, com 2,5 milhões de toneladas, e fertilizantes, com 1,3 milhão de toneladas. Segundo a pasta, a movimentação relacionada à navegação de longo curso cresceu 7,2% e à cabotagem, 3,7%.
O MPor creditou o aumento do volume de cargas aos investimentos na melhoria da infraestrutura portuária da região, citando como exemplos o aumento do calado do Porto de Paranaguá e a concessão do canal de acesso ao terminal paranaense. Além disso, previu crescimento da movimentação no Rio Grande do Sul, como consequência do arrendamento do terminal destinado à movimentação e armazenagem de granel sólido, como fertilizantes e grãos, POA26, no Porto de Porto Alegre.
Petro Notícias - SP 26/03/2026
A escalada do conflito entre EUA/Israel e Irã elevou de forma relevante o risco geopolítico no Oriente Médio, região central para a oferta global de petróleo. Esse ambiente aumenta os riscos logísticos, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do fluxo mundial do petróleo. Não há mais seguro que cubra as viagens do petroleiros, que estão ameaçados por foguetes e minas marítimas iranianas. Uma solução americana e israelense, com possível apoio de outros países aliados, pode agravar ainda mais o problema e fazer com que os Estados Unidos assumam militarmente a Ilha de Kharg, a 30 quilômetros da costa do Irã, local de onde parte 90% do petróleo exportado pelos iranianos. A Ilha já foi bombardeada pelos Estados Unidos, que aniquilaram as forças militares que protegia a ilha. Um desembarque de tropas americanas, elevaria ao máximo as tensões internacionais.
Como consequência, o mercado incorpora um prêmio de risco nos preços, impulsionando o Brent e elevando a volatilidade da energia durante a manutenção do cenário de choque de oferta. Esse movimento tende a contaminar expectativas inflacionárias e impactar curvas de juros globalmente. Durante a tarde o preço estava mais ou menos controlado, mas com o barril do Brent sendo cotado para maio entre US$ 96 e US$ 97. Alto, mas comportado. Nesse contexto, empresas do setor de óleo e gás, especialmente as de exploração e produção, se beneficiam diretamente da alta do petróleo, dado seu elevado grau de alavancagem operacional ao preço da commodity. A elevação do preço do barril se traduz em expansão de margens, aumento de geração de caixa e, em muitos casos, maior distribuição de dividendos.
OUTRAS CONSEQUÊNCIAS
Mike Wirth, CEO da Chevron, disse que a guerra entre EUA e Irã prejudicou os mercados globais de petróleo mais do que a guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele acredita que levará algum tempo para reconstruir os estoques e as cadeias de suprimentos após a abertura completa do Estreito de Ormuz. As empresas petrolíferas e os maiores consumidores de energia do mundo enfrentam um desafio significativo para reconstruir as cadeias de abastecimento e os estoques globais de petróleo assim que o gargalo crítico do Estreito de Ormuz for liberado, disse o CEO da Chevron, Mike Wirth, nesta segunda-feira. “Temos muito petróleo e gás agora que não está chegando ao mercado. As cadeias de suprimentos físicas não respondem imediatamente, então, mesmo que o estreito se abra em algum momento, levará tempo para reconstruir os estoques dos tipos certos de petróleo bruto e combustível.”
Wirth alertou que os países asiáticos estão com estoques baixos de diesel e querosene de aviação. A guerra atrasou as entregas de GNL, fertilizantes e outros produtos. Parte do desafio, disse Wirth, será avaliar os danos. Não está claro quanta produção foi interrompida e quão gravemente algumas instalações foram danificadas. Ele reiterou aos executivos do setor petrolífero que previa que a interrupção global no fluxo de petróleo e gás seria “de curto prazo”, mas incentivou as empresas a aumentarem a produção. “Os mercados fazem o que os mercados fazem. Os preços subiram para enviar sinais a todos que podem produzir mais. Por favor, produzam mais.”
EMERGÊNCIA NAS FILIPINAS
O Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr, declarou estado de emergência energética nacional devido aos impactos da guerra com o Irã, ao que chamou de “perigo iminente” para o abastecimento energético do país. A declaração ocorreu em meio à agenda de greves de dois dias de trabalhadores do transporte, passageiros e grupos de consumidores das Filipinas, a partir de quinta-feira, em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis e o que consideram a falha do governo em responder prontamente à situação. “A declaração de estado de emergência energética nacional permitirá ao governo implementar medidas responsivas e coordenadas, de acordo com as leis vigentes, para lidar com os riscos representados pelas interrupções no fornecimento global de energia e na economia doméstica”, disse Marcos Jr.
Foi formado um comitê para garantir a movimentação, o fornecimento, a distribuição e a disponibilidade ordenados de combustível, alimentos, medicamentos, produtos agrícolas e outros bens essenciais. A declaração de emergência, que permanecerá em vigor por um ano, autoriza o governo a adquirir combustível e derivados de petróleo para garantir o abastecimento oportuno e suficiente e, se necessário, pagar parte do valor do contrato antecipadamente. As autoridades também estão habilitadas a tomar medidas contra o açambarcamento, a especulação e a manipulação do fornecimento de produtos petrolíferos.
A Secretária de Energia, Sharon Garin, disse em uma coletiva de imprensa que o país ainda tinha reservas de combustível para cerca de 45 dias, com base nos níveis de consumo atuais. Ela afirmou que o governo está trabalhando para adquirir 1 milhão de barris de petróleo de países dentro e fora do Sudeste Asiático para formar seu estoque regulador, mas provavelmente haverá incertezas para atingir esse nível. Os sindicatos de transportes e os senadores filipinos criticaram a resposta do governo à crise, acusando a administração Marcos de falta de uma ação unificada e coordenada para mitigar as consequências da alta dos preços do petróleo.
A Piston, uma federação de associações de transporte público, descreveu a declaração de emergência energética nacional como um “remendo superficial que ignora deliberadamente as raízes estruturais da crise dos combustíveis”. “Se o governo realmente pretende proteger os trabalhadores do transporte e os passageiros desta crise geopolítica, suspenderá imediatamente o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dos produtos petrolíferos para reduzir drasticamente os preços da noite para o dia”, disse Piston em um comunicado. Como parte das medidas de mitigação do governo, estudantes e trabalhadores em algumas cidades estão recebendo acesso gratuito a viagens de ônibus, e o governo começou a fornecer um subsídio de US$ 83 para mototaxistas e outros trabalhadores do transporte público em todo o país para ajudá-los a lidar com o aumento dos preços da gasolina e do diesel.
NO BRASIL, FUP LUTA POR REESTATIZAÇÃO
No Brasil, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) participou, na noite desta terça-feira (24), da Plenária Nacional em defesa da reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias privatizadas, que reuniu lideranças parlamentares, representações sindicais e movimentos sociais para debater a retomada de ativos estratégicos do sistema Petrobrás. A atividade integrou a agenda de criação da frente parlamentar mista, coordenada pelo deputado federal Pedro Uczai, “que visa a volta do controle do Estado sobre setores considerados essenciais para a soberania energética do país.” Pelo jeito, a solução que a federaão dos petroleiros acredita: criar mais boquinhas de empregos e altos salários, como o que está acontecendo em todas as empresas estatais, com exceção da Petrobrás, de controle do Estado, mas de capital misto.
A Acelen, produzindo muito e dando lucros
Ao contrário das análises do Dieese/FUP, a Refinaria de Mataripe (antiga Rlam, na Bahia) mostra que a privatização da empresa fez bem ao mercado. A mesma coisa com Refinaria Amazonas. A FUP diz o contrário. Para a federação, o atual cenário internacional reforça a necessidade de uma Petrobrás integrada e sob controle estatal. A federação está defendendo a reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias e diz que é fundamental para recompor a capacidade do Estado de atuar como balizador do mercado de combustíveis e assegurar o abastecimento nacional, com foco no interesse público.
Ream, apesar das dificuldades logísticas, vai bem
Sobre o aumento da capacidade de da Petrobrás refinar o petróleo produzido no Brasil, a FUP não trata do assunto. Diz apenas que a Ream, após a privatização, em 2022, deixou de refinar e pratica os preços mais caros do país, sem considerar nenhum fator logístico e das dificuldades regionais. A realidade nua e crua é que o Brasil só tem capacidade de refinar 75% de sua necessidade. 25% do diesel e da gasolina são importados e atendem aos preços internacionais, obviamente. Quem importa, precisa vender por um preço que lhe dê lucro e mais capacidade de importar para que o país não deixe de ter o mercado desabastecido. O preço de refino da Petrobrás, claramente é mais barato do que o combustível importado, que obedece aos preços internacionais. Como os importadores irão concorrer com a Petrobrás. Os preços internacionais, comparando-se aos preços da Petrobrás, ficarão sempre acima.
O Estado de S.Paulo - SP 26/03/2026
A Superintendência-Geral (SG) do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição, pela Energy Development Company (EDC), de ativos de produção de petróleo e gás natural atualmente detidos pela Shell nas áreas de desenvolvimento de Orca e Sul de Orca, um campo de petróleo e gás natural do pré-sal localizado na Bacia de Santos.
A EDC vai adquirir, por meio de uma sociedade limitada atualmente em constituição no Brasil, 20% dos direitos e obrigações da Shell. A EDC é uma subsidiária integral da Kufpec.
A Kufpec, por sua vez, foi constituída em 1981 como subsidiária da Kuwait Petroleum Corporation (KPC), companhia estatal do Kuwait, e atua como uma companhia internacional de petróleo e gás dedicada à exploração, desenvolvimento e produção de petróleo bruto e gás natural fora do Estado do Kuwait, com operação em 9 países de cinco continentes.
A SG concluiu que a operação não deverá acarretar prejuízos ao ambiente concorrencial, e pode ser aprovada, sem restrições, pelo procedimento sumário, um mecanismo mais rápido para aprovação de atos de concentração de baixo risco concorrencial. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 25.
Atualmente, o Grupo Shell e suas joint ventures desenvolvem as seguintes atividades no Brasil: Upstream (exploração e produção de petróleo e gás), comercialização de petróleo, gás e energia, energias renováveis, geração de energia elétrica, comércio atacadista de álcool combustível, biodiesel, gasolina e outros derivados de petróleo, fabricação e comercialização de açúcar, lubrificantes e créditos de carbono.
Os ativos do Projeto Orca têm início de produção previsto apenas a partir de 2029. Ao órgão antitruste brasileiro, o Grupo KPC disse que não possui atividades diretas no Brasil, não detém direitos de exploração ou quaisquer ativos produtivos no setor de petróleo e gás no País, e não mantém relações comerciais com empresas atuantes nesse setor no território nacional.
“Consequentemente, a operação não resultará em qualquer sobreposição horizontal ou integração vertical entre as atividades do Grupo KPC e os ativos do Projeto Orca, uma vez que, em última análise, representa a entrada de um novo agente econômico no mercado brasileiro”, disse a compradora. A KPC destacou ainda que a entrada de novos concorrentes no setor de exploração e produção de petróleo e gás natural é pró-competitiva, “pois estimula o dinamismo do mercado, amplia a diversidade de participantes e pode contribuir para maior eficiência e competitividade no longo prazo”.
Por sua vez, a Shell se manifestou com o argumento de que a operação está em conformidade com seu modelo de negócios e sua estratégia de gestão de riscos, representando uma oportunidade de reposicionamento de seu portfólio.
No despacho assinado nesta terça-feira, 24, o superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto, concluiu que, com base na declaração das partes, a operação configura mera substituição de agente econômico, “não demandando, deste modo, uma análise mais aprofundada dos mercados envolvidos”.
A decisão da SG não é final, pois ainda é possível a apresentação de recurso no prazo de 15 dias após a publicação por terceiros interessados ou conselheiros do próprio Cade. Caso aceito o recurso, o processo pode subir para o tribunal, que pode manter, alterar ou reverter a decisão da SG.
Além do Cade, a operação ainda será submetida à aprovação dos órgãos reguladores - a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia (MME).
Valor Investe - SP 26/03/2026
Segundo o jornal The New York Times, os EUA enviaram ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio
As notícias de que um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã está em negociação fizeram o petróleo despencar nesta quarta-feira (25).
No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em maio teve queda de 2,17%, cotado a US$ 102,22 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês recuou 2,20%, a US$ 90,32 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Segundo o jornal The New York Times, os EUA enviaram ao Irã, por meio do Paquistão (que se ofereceu para sediar as negociações), um plano de 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Ainda que não esteja claro o quão amplo é o plano, quais são os detalhes e nem se Israel, que tem bombardeado o Irã junto dos EUA, concorda com a proposta, sabe-se que ele aborda o programa nuclear e o de mísseis balísticos do Irã.
Como isso mexe com a minha vida?
O Irã é um dos maiores produtores da commodity do mundo e controla o estreito de Ormuz, um dos principais pontos de distribuição do produto. Portanto, uma guerra envolvendo o país afeta não só a produção, como a distribuição do petróleo. Assim, o preço da commodity subiu devido a oferta menor.
Como o petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos, quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens. E para manter suas margens, essas empresas repassam esses custos ao consumidor final.
Como o petróleo também influencia o preço de plásticos, fertilizantes e diversos insumos industriais, o efeito se espalha por toda a economia, pressionando os preços em geral e aumentando a inflação.
Portanto, uma queda do petróleo agora pode trazer bom humor generalizado para o mercado, ainda que a commodity siga em preços bem elevados em relação aos valores praticados antes da guerra.
InfraRoi - SP 26/03/2026
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), autarquia da Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL), publicou na última sexta-feira (20/3) o resultado da licitação da restauração em concreto e ampliação da capacidade da PRC-272 entre Mauá da Serra e Lidianópolis, no Vale do Ivaí. O Consórcio Restauração Rodovia PR-272, formado pelas empresas Construtora Tripoloni Ltda. e Consol – Engenheiros Consultores Ltda., foi declarado vencedor após ter proposta de preços aprovada, no valor negociado de R$ 384 milhões.
A licitação prevê a restauração total de 54,81 quilômetros de pista da PRC-272 utilizando a técnica whitetopping, em que o pavimento asfáltico existente é aproveitado como base para uma nova camada de pavimento rígido de concreto. Também serão implantados 31,70 quilômetros de faixas adicionais em subidas e em segmentos com muitas curvas, permitindo ultrapassagens e sem gerar lentidão, e acostamentos em ambos lados da rodovia.
Estão previstos três viadutos no trecho, um em Faxinal, um em Cruzmaltina e o terceiro no entroncamento com a PR-453, acesso para Borrazópolis, além de novas rotatórias em nível. A licitação contempla ainda a sinalização horizontal e vertical, dispositivos de segurança viária, paisagismo, serviços complementares e iluminação das vias marginais, rotatórias e retornos.
O edital utiliza o regime de contratação integrada, prevendo a elaboração do projeto básico e projeto executivo de engenharia, em um prazo de 10 meses, seguida pela execução da obra em si, com prazo de 24 meses. A SEIL-PR aponta que, com a publicação, tem início o prazo para interposição de recursos das demais participantes quanto a este resultado, seguido por período para contrarrazões do vencedor.
Diário do Comércio - MG 26/03/2026
O grupo chinês Jiangsu World poderá investir em uma fábrica de máquinas agrícolas em Minas Gerais ainda neste ano. O projeto para a construção de uma planta industrial da afiliada do grupo, a Jiangsu World Agricultural Machinery, mais conhecida como FM World, prevê investimento de R$ 2 bilhões e a geração de 250 vagas de trabalho na fase inicial.
A informação foi confirmada pelo prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), que está em viagem à China para avançar nas negociações. “O protocolo de intenções deve ser assinado em maio, e estamos torcendo para que seja na nossa região”, afirmou.
A comitiva mineira foi convidada a participar de uma conferência global de parceiros das empresas chinesas. Durante o encontro, novas rodadas de negociações foram realizadas, e o interesse na instalação da fábrica foi reforçado.
Ficou acordado que a empresa retornará ao Brasil nos próximos meses para dar continuidade às tratativas. “É um investimento muito grande. Eles vão primeiro consolidar a marca, distribuir mais máquinas e entrar no mercado, mas já apresentaram o plano de ter uma fábrica no Brasil”, disse o prefeito.
Caso se concretize, o projeto representará a primeira unidade industrial de máquinas agrícolas da companhia fora da Ásia. “Será a primeira fábrica deles na América Latina e até nas Américas. É um movimento muito forte”, destacou Falcão.
Agronegócio e localização estratégica atraem investidores
O município de Patos de Minas entrou na rota de expansão de uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas da Ásia após a visita da comitiva da empresa à cidade. Os executivos da FM World, incluindo o presidente e o vice-presidente, conheceram propriedades rurais e áreas disponíveis para instalação industrial, entre elas um terreno de 16,5 mil metros quadrados. “Mostramos fazendas, regiões produtoras e toda a dinâmica, e eles ficaram encantados”, relatou Falcão.
Segundo o prefeito, o movimento faz parte da estratégia global da companhia, comparada por ele ao avanço da BYD no setor automotivo. “É como se fosse a BYD dos tratores, máquinas agrícolas, colheitadeiras e pulverizadores. Eles estão expandindo a atuação global e têm a intenção de instalar uma fábrica no Brasil nos próximos três anos”, afirmou.
A comissão executiva da empresa chegou a visitar os estados do Rio Grande do Norte e Santa Catarina e fez doações de máquinas ao governo federal como parte de investidas de expansão no território brasileiro, sem efetivação até o momento.
A aposta no município mineiro se sustenta pelo peso econômico do agronegócio na região. De acordo com o prefeito, o Alto Paranaíba concentra cerca de 33% da produção de café de Minas Gerais, além de se destacar na produção de leite, com Patos de Minas liderando o ranking estadual, e na produção de milho, soja, sementes e algodão. “É uma liderança já consolidada. A região é a mais forte de Minas Gerais no agronegócio e uma das mais fortes do Brasil”, disse.
Outro fator que chama a atenção dos investidores é a localização logística. A cidade está próxima a importantes mercados consumidores e produtores, como o interior de São Paulo, Goiás e Mato Grosso. “Logisticamente falando, é muito interessante. A região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba favorece muito”, completou.
Para o prefeito, o projeto simboliza uma oportunidade histórica. “É gigante para Minas Gerais e para o Brasil”, concluiu. A ideia é que as obras comecem ainda neste ano, mas a data ainda não foi divulgada.
Atualmente, a empresa possui bases de produção de equipamentos na China, Tailândia, Indonésia e Uzbequistão. Novas unidades estão em construção na Índia e no Cazaquistão.