Clipping Diário

24 | Março | 2026

ECONOMIA

Infomoney - SP   24/03/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,387 bilhão na terceira semana de março. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 23, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,100 bilhões e importações de US$ 5,712 bilhões.

O mês de março acumula superávit de US$ 5,227 bilhões.

No acumulado do ano, de janeiro até a terceira semana de março, o superávit é de US$ 13,250 bilhões, um crescimento de 55,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 9,606 bilhões.
A projeção do MDIC é de que a balança comercial fique superavitária entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano. Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Nas três primeiras semanas de março, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações caíram 4,0%, somando US$ 21,781 bilhões. O desempenho dos setores foi o seguinte: queda de 13,4% em Agropecuária, que somou US$ 5,588 bilhões; crescimento de 27,6% em Indústria Extrativa, que somou US$ 5,432 bilhões; e, por fim, queda de 10,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,630 bilhões.

Em relação às importações, houve queda de 0,1% nas três primeiras semanas deste mês, totalizando US$ 16,554 bilhões. Houve queda de 24,9% em Agropecuária, que somou US$ 341,5 milhões; crescimento de 6,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 794,4 milhões; e, por fim, alta de 0,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 15,302 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   24/03/2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda lançar uma medida provisória (MP) apelidada de “Brasil Soberano 2.0" nos corredores de Brasília, para ajudar setores afetados pela guerra no Oriente Médio. Entre as propostas avaliadas no Palácio do Planalto está a criação de uma linha de crédito de R$ 15 bilhões. A informação foi revelada pelo Valor Econômico e confirmada pela Estadão/Broadcast.

A expectativa é que, além da linha de crédito, uma série de medidas que buscam proteger setores mais atingidos sejam anunciados pelo Executivo. Para isso, ainda é necessário um crivo de Lula e novas reuniões entre as pastas envolvidas: o Ministério da Fazenda, a Casa Civil, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Pessoas próximas do Planalto defendem que o governo possui capacidade de lançar as novas medidas sem comprometer as receitas ou decretar estado de calamidade pública.

O governo enxerga com preocupação os impactos no decorrer da guerra nos preços dos combustíveis, em especial o diesel. Mesmo com a isenção do PIS/Cofins e a subvenção, anunciadas na semana passada, as cifras nas bombas registram aumentos em várias partes do País. Como resposta, uma força-tarefa, liderada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) atua para fiscalizar e reprimir “aumentos abusivos”.

Por outro lado, o governo conseguiu um respiro ao realizar diálogos prévios com representantes de caminhoneiros que ameaçam realizar uma greve em escala nacional ao criticarem o aumento do diesel e a ineficácia das ações do Executivo. Uma reunião entre auxiliares de Lula e essas lideranças deve ocorrer nos próximos dias.

O Plano Brasil Soberano foi lançado pelo governo federal em agosto de 2025 com linhas especiais de financiamento para contrabalançar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Na semana passada, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que havia a necessidade de um Brasil Soberano 2 porque algumas empresas ainda estão com tarifas acima de 15%, a mínima que os EUA impuseram a todos os parceiros comerciais. “Alguns setores estão com tarifa de 50%, para o setor siderúrgico, setor alumínio, cobre e, também, na indústria automotiva, 25%, em autopeças”, argumentou.

Mercadante comentou que o banco ainda conta no caixa com recursos que não foram utilizados e, portanto não haveria impacto direto no Orçamento. Segundo ele, há uma sobra de R$ 6 bilhões de recursos destinados ao programa e que não podem ser usados diretamente pelo BNDES em outra destinação.

CNN Brasil - SP   24/03/2026

Um levantamento inédito feito pela KPMG apontou que o “risco financeiro” é a maior preocupação de tomadores de decisão do setor de infraestrutura no Brasil.

A consultoria ouviu cem presidentes, conselheiros, executivos e outras lideranças. Um total de 41% definiu o tema como aquele que mais tira o sono de quem atua na área.

“É um reflexo da elevada taxa de juros. Desmotiva os investimentos e diminui a industrialização”, explica Cláudio Graef, sócio da área de entrega e gestão de ativos de infraestrutura da KPMG para a América Latina.

A preocupação é justificada com os recentes pedidos de recuperação extrajudicial divulgados neste mês de março, como o caso da Raízen e do grupo varejista GPA.

Grael lembra que os investimentos em infraestrutura são de longo prazo e que as taxas altas trazem impactos importantes na previsão de recursos dos projetos. “Claro que tudo é estudado e previsto, mas a preocupação financeira permanece”, sintetiza.

Os entrevistados apontaram outras preocupações na segunda edição da pesquisa “Infraestrutura: perspectivas e oportunidades de investimentos.”

Em segundo lugar, aparecem as questões regulatórias (32%), seguidas pelas incertezas trabalhistas e falta de mão de obra qualificada (29%) e o cenário político (27%).

Também surgiram outros riscos: cadeia de suprimento (20%), climático e cambial (10% cada), licenciamento ambiental (7%) e cibernético (2%).
Desafios

O trabalho também apontou que o “contexto político e econômico” é considerado o principal desafio do segmento, recebendo 31% das menções.

“O mundo está olhando para o Brasil. O pipeline de projetos é grande e o ano eleitoral sempre gera incertezas”, explica Graef citando o volume de R$ 700 bilhões incluídos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Segundo ele, o país avançou na regulação mas a modelagem é toda baseada em capital privado, gerando alto risco para os investidores.

Também são desafios importantes, para os líderes das empresas de infraestrutura, o financiamento (27%) e o licenciamento ambiental (14%).
Entrevistados

Entre os entrevistados pela pesquisa, a maior parte atua em de construção civil (43%) e rodovias (33%). Também participaram representantes do setor ferroviário (17%), portos (5%) e aeroportos (2%). Em relação ao tipo de atuação, 70% das empresas participantes se identificaram como prestadoras de serviço, 16% atuam como investidores, 10% como concessionárias e apenas 3% como representantes do setor público.

Infomoney - SP   24/03/2026

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta segunda-feira uma dança das cadeiras na pasta com a saída Fernando Haddad do Ministério da Fazenda. Haddad será o candidato do PT ao governo de São Paulo.

Durigan está à frente da secretaria-executiva desde junho de 2023 e é elogiado pelo perfil técnico e pela grande capacidade de negociação.

Para o lugar de Durigan na secretaria-executiva, o escolhido é Rogério Ceron, que hoje comanda a secretaria do Tesouro Nacional.
“Confio na sua capacidade de entrega, e destaco que seu trabalho à frente do Tesouro foi fundamental para avançarmos com nossa agenda nos últimos anos”, disse o ministro nas redes sociais

Já o novo secretário do Tesouro será Daniel Leal, o atual subsecretário de Dívida Pública.

Ceron é um dos principais responsáveis pelo arcabouço fiscal, a principal regra de gestão das contas públicas do governo Lula. O arcabouço substituiu o teto de gastos, permitindo um crescimento real das despesas de até 2,5% por ano — o teto limita a expansão à inflação do ano anterior.

Durigan e Ceron têm uma relação de longa data com Haddad. Os dois foram auxiliares do pré-candidato ao governo de São Paulo quando ele foi prefeito da capital, de 2013 a 2016. Já Leal é servidor de carreira do Tesouro desde 2014 e assumiu a subsecretaria no ano passado.

A nova formação, com a manutenção de pessoas da confiança de Haddad em cargos-chave, indica continuidade da política econômica que vinha sendo implementada pelo petista.

Como secretária executiva adjunta, assume Úrsula Peres, professora da USP e especialista em políticas públicas. Fábio Terra será chefe de gabinete de Durigan e, Flavia Renó, assessora especial.

“Ninguém faz nada sozinho. Somos um Ministério sério, unido e técnico. Mulheres e homens comprometidos em fazer a diferença todos os dias, trabalhando pela prosperidade das famílias brasileiras”, disse o ministro.

A Fazenda já vem passando por mudanças nos últimos meses. Em janeiro, Régis Dudena deixou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) para comandar a Secretaria de Reformas Econômicas depois da saída de Marcos Pinto. Daniele Cardoso assumiu o lugar.

Já a Mathias Alencastro, que era assessor especial de Haddad, assumiu a Secretaria de Assuntos Internacionais, após a exoneração de Tatiana Rosito, que virou diretora do Banco Mundial na Ásia.

Houve ainda a dissolução da secretaria especial de Reforma Tributária, que era comandada por Bernard Appy, após a mudança nos impostos sobre o consumo virar lei.

Novas mudanças ainda podem acontecer se Lula aceitar a sugestão de Guilherme Mello para uma das diretorias com cargo vago no Banco Central. Mello comanda a Secretaria de Política Econômica (SPE).

O Estado de S.Paulo - SP   24/03/2026

A guerra no Oriente Médio, que provocou a disparada da cotação do petróleo e o encarecimento do frete, começa a ter desdobramentos nas cadeias de produção de alguns setores da indústria e já faz acender o sinal de alerta. O tamanho do estrago nos custos, no abastecimento de insumos e na inflação ao consumidor dependerá de quanto tempo o conflito vai durar.

Os impactos atingem não só empresas que dependem diretamente de insumos que trafegam pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, como petróleo e gás natural. A indústria farmacêutica, por exemplo, que importa 92% dos princípios ativos usados na produção de medicamentos, já sente os impactos da guerra no Oriente Médio nas operações logísticas internacionais.

Os princípios ativos produzidos na Índia, China e Europa chegam ao Ocidente por meio de rotas que têm hubs em Dubai e Abu Dhabi, localizados nas áreas de conflito.

“Os operadores logísticos estão mudando a rota”, diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

Depois do início do confronto, os produtos estão vindo via Rússia, que também enfrenta problemas no espaço aéreo por causa da guerra com a Ucrânia, ou via Pacífico, que é uma rota muito mais cara em relação à do Oriente Médio.

O resultado dessa ginástica logística é um aumento de 25% em dólar no custo de transporte, algo que as indústrias já estão sentindo, diz o executivo. Isso, sem contar com a variação do câmbio que pode ampliar ainda mais as despesas das fabricantes.
Indústria farmacêutica

Outro foco de aumento de custos para a indústria farmacêutica por causa da guerra está nas embalagens plásticas. Se o preço do petróleo continuar nas alturas, a perspectiva é de que os fabricantes tenham de desembolsar mais pelas embalagens dos medicamentos.

Mas essa pressão de custos das embalagens ainda não chegou às indústrias, pondera Mussolini. “Não estamos sentindo isso neste momento, mas, se a guerra durar mais tempo e o petróleo continuar subindo, provavelmente (o aumento de custos) vai ser repassado para as embalagens.”

O desafio para o setor farmacêutico, que tem preços controlados pelo governo e pode reajustá-los só uma vez por ano, está em como absorver essas pressões de custos extras por causa da guerra.

Segundo Mussolini, as companhias sentirão esses efeitos nos resultados. “Vamos pagar menos dividendos para os acionistas ou fazer cortes em outras áreas, mas nunca mexer no preço do medicamento.” O reajuste anual dos medicamentos que passa a valer a partir de 1º de abril deste ano será, em média, de 1,95%.
Calçados

Na indústria de calçados, os fornecedores de componentes já sinalizaram que haverá necessidade de aumentar preços nos próximos dias.

Segundo o gestor de Mercado Internacional da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Luiz Ribas Júnior, no primeiro momento, quando o conflito estourou, os fabricantes de componentes tinham estoques. “Não houve um repasse imediato.” Mas, à medida que o tempo foi passando, os estoques foram diminuindo.

Nas próximas vendas, Ribas Júnior diz que os preços de componentes como solados, palmilhas, cabedais, por exemplo, fabricados a partir de matérias-primas derivadas do petróleo e importadas, devem ser reajustados, acompanhando a variação do preço da commodity.

Dependendo do tipo do calçado, os componentes que usam derivados de petróleo ou que tenham os preços atrelados à commodity, representam entre 25% e 30% do custo de um par de sapatos.

Ribas Júnior acrescenta que há também aumentos de custos dos componentes da indústria calçadista por causa do frete e gastos adicionais com logística.

Ele pondera que talvez todo o impacto não chegue na totalidade ao consumidor final do calçado. As empresas provavelmente vão negociar com a indústria de calçados os repasses. “Não é um efeito imediato, mas muito possível de acontecer.” A indústria de componentes movimenta R$ 1,5 bilhão por ano e reúne 300 empresas no País.

Priscila Linck, coordenadora de Inteligência de Mercado da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), diz que o cenário é de bastante incerteza no momento e que fica difícil projetar os aumentos de preços.

É esperado um aumento da estrutura de custos, em razão da alta de preço da matéria-prima e componentes, diz Priscila. “O repasse dependerá de cada empresa.”
Indústria química

A indústria química informa, por meio de nota, que não há risco de desabastecimento conjuntural nem estrutural por causa da guerra no Oriente Médio. Atualmente, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as fábricas no País funcionam com uma ociosidade de cerca de 40% da sua capacidade de produção.

De acordo com a entidade, isso representa “uma reserva estratégica de disponibilidade imediata com garantia de fornecimento para toda a indústria de transformação, em complemento ou até mesmo em substituição aos produtos importados, cujos principais mercados fornecedores são Estados Unidos, China e até mesmo países da nossa região como México, Colômbia e Argentina”.

Em relação à indústria nacional do plástico, um derivado do petróleo que está sofrendo diretamente o impacto da guerra, a entidade diz também que está afastado o risco de desabastecimento

“O conflito pressiona custos globais relevantes, especialmente em energia e fertilizantes. No caso dos produtos químicos, porém, o Brasil dispõe de capacidade industrial suficiente para preservar o abastecimento do mercado”, afirma o presidente executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, por meio de nota.
Eletroeletrônicos

Procuradas, as entidades que representam as indústrias de produtos eletroeletrônicos (Eletros e Abinee), informaram que não há informações sobre altas de custos em razão da guerra.

No entanto, fontes do setor dizem que, a médio prazo, a indústria eletroeletrônica poderá ser impactada. Isso porque boa parte dos componentes é importada da Ásia por meio de frete marítimo. Além disso, derivados do petróleo, como o plástico usado nos gabinetes dos eletroportáteis e televisores, podem ter os custos pressionados.

Aviação

A alta da cotação do petróleo acendeu um sinal de alerta para o setor aéreo, com a possibilidade de impactos principalmente na aviação regional, dificultando o avanço de planos de abertura de rotas e de maior conectividade do País. O governo promove uma agenda para ampliar a malha regional, após décadas de encolhimento.

“Esses mercados já têm demanda menor e são mais sensíveis. Uma pressão dessas pode inviabilizar destinos”, afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, ao Estadão/Broadcast.

O impacto vai além do preço das passagens, que também tende a ser pressionado pelo aumento de custos. “Não é só inflação. É crescimento, é conexão, é integração”, acrescenta. Os desafios financeiros e operacionais atingem a aviação brasileira como um todo. No entanto, a aviação regional utiliza aeronaves menores, o que reduz a capacidade de diluir os custos fixos entre os passageiros.

Nos últimos meses, o setor aéreo brasileiro vinha em trajetória mais otimista, com a demanda aquecida e uma melhora na situação financeira das companhias, após processos de reestruturação via recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), sendo o caso da Azul o mais recente.

O combustível responde por cerca de um terço dos custos das aéreas. A pressão cambial é também um ponto de atenção, já que a maior parte das despesas é dolarizada, enquanto a receita é em real. A pressão de custos tende a atingir com mais força mercados menores, onde a demanda é mais limitada.

A Abear defende a adoção de iniciativas para mitigar os impactos da alta do combustível. O querosene de aviação (QAV) ficou de fora da medida anunciada pelo governo para subsidiar o diesel e amortecer os efeitos da alta do petróleo. Para o presidente da associação, incluir o combustível do setor na iniciativa ajudaria a reduzir a volatilidade de custos e preservar a expansão da malha aérea. “O governo tem a oportunidade de amortecer esse efeito montanha-russa”, reforça Noman.

A entidade tem mantido diálogo com integrantes do governo para discutir alternativas para mitigar esses efeitos. O executivo afirma ainda que o momento exige coordenação, já que o choque de custos afeta diferentes segmentos da economia.

No fim de fevereiro, antes do início da crise no Oriente Médio, a Petrobras reajustou em 9,4% o preço do combustível para a aviação a partir de março. “A Petrobras tem a faca e o queijo na mão para mostrar como é importante ser um grande produtor de petróleo”, diz, ressaltando que mais de 80% do QAV consumido no Brasil é produzido localmente, o que permitiria reduzir o repasse integral das oscilações do mercado internacional.

O tema está em discussão pelo governo, segundo afirmou esta semana o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
Automóveis

Os impactos para a indústria automobilística, se a guerra perdurar, devem estar relacionados principalmente ao aumento dos custos logísticos, pressionados pela cotação do petróleo e a possibilidade de um dólar mais forte. “Aquilo que recebemos no País fica mais caro e podemos perder ainda mais competitividade”, afirma o presidente-executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet.

O conflito é somado também às incertezas tarifárias, com a política de guerra comercial promovida pelo presidente americano, Donald Trump, fazendo com que o ambiente de negócios tenha mais instabilidade. “Isso causa instabilidade não só na política comercial bilateral, mas em todo o contexto da nossa cadeia de valor ao longo do mundo, porque nossas empresas são integradas globalmente”, diz. “Tudo isso aponta para um ano de 2026 bastante desafiador.”
Logística

O setor de logística é um dos mais afetados pela guerra e que mais repassa as suas dificuldades para o restante da economia. Cerca de metade dos custos das empresas do setor são relacionados ao diesel, diz o presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Pedro Moreira.

Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base em aproximadamente 192 mil notas fiscais eletrônicas em todo o País, apontaram alta desde o início da guerra até o dia 16 de março de 19,71% no diesel S10 comum e de 17,61% no aditivado.

Esse aumento de custos, no entanto, não tem sido repassado por completo pelos transportadores. “O repasse de frete tem ficado entre 4% e 6%, que é quanto o mercado está absorvendo. Tem gente pedindo de 10% a 15%, mas isso não tem cabimento”, diz Moreira.

O problema é que o setor vem sofrendo reduções de margem de lucratividade, e há a possibilidade de uma terceira onda de falências de empresas, diz o executivo.

A expectativa é de que o pacote do governo para conter os preços do diesel tenha efeito. Mas, segundo Moreira, isso ainda não está acontecendo. “A isenção de PIS e Cofins, em tese, compensaria o reajuste de preços da Petrobras, mas isso não está sendo repassado pelos postos de combustíveis”, diz. “Precisa ver como vai ficar a fiscalização. O Brasil é muito grande e não tem nem equipe para acompanhar direito.”

O avanço da guerra vai continuar pressionando o setor. “Qualquer solução alternativa, como o uso de veículos elétricos, movidos a GNV e biometano, é estruturante. Demora tempo para serem adotadas. Isso pode até servir de alerta para acelerarmos a transição.” / COLABOROU ELISA CALMON

Infomoney - SP   24/03/2026

Analistas consultados pelo Banco Central elevaram pela terceira semana seguida a expectativa para a taxa básica de juros ao final deste ano e passaram a ver a Selic em 12,50%, de 12,25% antes, mostrou a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira.

A alteração ocorre na esteira das preocupações com a inflação diante do aumento dos preços do petróleo por conta da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que interrompeu o fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz.

Na semana passada, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, mas defendeu cautela para passos futuros da calibragem da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
No Focus, os economistas consultados seguem vendo corte de 0,5 ponto percentual na Selic em abril, para 14,25%. Para 2027 a expectativa segue sendo taxa de juros de 10,50%.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 subiu a 4,17%, de 4,10% antes, permanecendo em 3,80% para o ano que vem.

O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano passou a 1,84%, de 1,83%, e segue em 1,80% para 2027.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/03/2026

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Chicago, Austan Goolsbee, deixou em aberto, em entrevista para a CNBC nesta segunda-feira, 23, a trajetória dos juros pelo BC dos Estados Unidos neste ano. Ele afirmou que continua “otimista” de que a política monetária pode ser afrouxada até o final de 2026, mas precisa de “provas” de que a inflação está caminhando para a meta de 2%.

“O Fed pode voltar a um cenário de múltiplos cortes de juros; também podemos observar condições em que o Fed pode aumentar as taxas de juros”, ponderou o dirigente do Fed, ao mencionar que o novo choque de preços de energia decorrente das tensões no Oriente Médio “atrapalha” os planos do BC norte-americano e ninguém pode dizer o que acontecerá na questão geopolítica.

Historicamente, segundo Goolsbee, os choques do petróleo têm sido estagflacionários, agravando tanto a inflação quanto o desemprego. No entanto, ele afirmou que ainda está tentando entender quanto tempo levará para que os altos preços do petróleo impactem outras partes da economia.

Para Goolsbee, a inflação já estava em níveis “desconfortavelmente altos” antes do aumento nos preços de energia e, ainda que o Fed espere que o impacto não seja duradouro, possui um reflexo expressivo nas expectativas das famílias.

De acordo com o dirigente, até o momento, as expectativas de inflação parecem estar bem ancoradas, mas alertou que, uma vez que se desviam do caminho, é difícil corrigi-las.

Por outro lado, na ponta do mercado de trabalho, ele avalia que a taxa de desemprego não aumentou muito e que a criação de empregos pode não ser uma boa medida de capacidade ociosa. “Estamos mais perto do pleno emprego do que da meta de inflação. A inflação parece ser o grande risco atualmente”, disse.

MINERAÇÃO

Investing - SP   24/03/2026

Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta segunda-feira, apoiados por taxas de frete elevadas, enquanto outras matérias-primas de fabricação de aço, como o carvão e o coque, também tiveram ganhos, já que os países reservaram cargas de carvão para suas necessidades de energia, devido a um aumento nos preços globais do petróleo e do gás.

O contrato maio do minério de ferro na bolsa de Dalian, da China,, subiu 0,92%, para 819 iuanes (US$ 118,57) a tonelada métrica.

Em meio ao conflito no Oriente Médio, o minério de ferro e o coque se mantiveram em alta, apoiados pelo aumento das taxas de frete marítimo e pelo impacto da substituição de energia do carvão pelo coque, informou uma nota do Shanghai Metals Market.

No entanto, o sentimento do mercado foi cauteloso enquanto a BHP negociava com o comprador de minério de ferro apoiado pelo Estado, o China Mineral Resources Group, o que levou alguns investidores a realizarem lucros, acrescentou a nota.

Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses caíram 0,74% em relação à semana anterior, em 20 de março, segundo dados da consultoria Steelhome, com o aumento da produção de metais quentes.

Na Austrália, o forte ciclone tropical Narelle passou pela costa nordeste do país, alimentando o temor de uma interrupção nos suprimentos do centro de minério de ferro.

Port Hedland, um dos principais centros de minério de ferro, deverá enfrentar ventos fortes nesta semana, de acordo com o Bureau of Meteorology da Austrália.

Os índices de referência do aço na Bolsa de Futuros de Xangai registraram ganhos. O vergalhão se fortaleceu 0,9% e a bobina laminada a quente subiu 0,97%.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Infomoney - SP   24/03/2026

O setor de construção civil tem demonstrado um ritmo operacional sólido e, em 2026, deve passar por uma fase ainda melhor, de acordo com os analistas da XP Investimentos. Para a casa, uma série de fatores acumulados ao longo do ano têm criado – e devem proporcionar – o melhor cenário macro para o setor já visto em tempos.

De um lado, a reforma do imposto de renda tem o potencial de beneficiar Tenda (TEND3), Plano & Plano (PLPL3) e MRV (MRVE3), principalmente. Do outro, mudanças no FGTS e aumento do papel do Fundo Social podem favorecer o crescimento de Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3).

A XP mantém uma visão construtiva para o segmento de baixa renda e reitera Cury como a sua top pick.
De acordo com as estimativas dos analistas, a reforma do imposto de renda deve gerar um impacto maior na Faixa 2 do programa Minha Casa Minha Vida. A mudança poderá facilitar a entrada de cerca de 7 milhões de trabalhadores informais no acesso ao crédito. Já no início deste ano, o programa Minha Casa Minha Vida passou por uma mudança no teto de preço das Faixas 1 e 2, para R$ 275 mil por unidade.

“Estimamos [que essa mudança possa] gerar ganhos de poder de preço entre 10% e 14% para 2026”, explicam os analistas. Esses ganhos seriam impulsionados, também, com a economia de imposto de renda, herdada da nova reforma tributária. Para os analistas, a reforma do imposto de renda pode beneficiar cerca de 20 milhões de trabalhadores.

Nesta terça-feira (24), ocorrerá a primeira reunião do Conselho Curador do FGTS, que pode abrir discussões sobre novos aprimoramentos ao programa. A XP espera que, durante a reunião, seja proposto um aumento dos limites de renda e dos tetos de preço em todas as faixas.

Fundo Social

Conforme a XP, o mercado tem sugerido que o Fundo Social ganhe mais relevância no financiamento habitacional a partir deste ano. A expectativa é de que o programa alcance R$ 30 bilhões em 2026, impulsionado pelos royalties do petróleo pagos à União. O Fundo Social surgiu em 2010, pela Lei 12.351/2010, financiado por recursos arrecadados pelo governo federal na exploração das reservas de petróleo brasileiras.

De acordo com Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), o governo espera que a arrecadação proveniente de royalties e da comercialização do petróleo aumente para cerca de R$ 170 bilhões até 2029. Para os analistas, esse aumento poderia elevar as entradas do programa para R$ 87,2 bilhões no mesmo ano.

Ainda que o Fundo Social tenha diversas áreas de interesse público como destino, em 2025, o LOA encaminhou quase 50% para projetos de habitação social. “Assumindo que essa proporção permaneça como referência razoável para as alocações futuras, o orçamento habitacional nacional poderia atingir R$ 211 bilhões até 2029”, calculam os analistas.

A destinação, entretanto, depende da aprovação do Conselho Deliberativo do Fundo Social (CDFS). O primeiro relatório anual do Fundo Social, com informações do saldo atual do fundo e a destinação dos recursos, está previsto para até o final de maio de 2026.

Globo Online - RJ   24/03/2026

O Conselho Curador do FGTS se reúne nesta terça-feira e deve aprovar mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida.

Faixa 4: de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

Além disso, a pasta propõe corrigir todas as faixas de renda de renda familiar do programa, podendo chegar a até R$ 13 mil. A proposta é:

Faixa 1: a renda passa de R$ 2.850 para R$ 3.200; Faixa 2: renda passa de de R$ 4.700 para R$ 5.000; Faixa 3: de R$ 8.600 para R$ 9.600;Faixa 4: de 12.000 para R$ 13.000.

Para ampliar o teto do valor do imóvel no financiamento habitacional para famílias de classe média no programa Minha Casa, Minha Vida, o governo vai usar mais uma vez recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Segundo técnicos a par das discussões, o plano é retirar da conta entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões porque o FGTS, que custeia o programa habitacional, não tem recursos extras disponíveis.

Contudo, os técnicos reclamaram que a proposta do ministério não foi acompanhada de estudos de impacto. Alegaram ainda que o orçamento do FGTS para habitação foi em novembro de 2025, sem essas alterações.

No ano passado, o governou usou R$ 15 bilhões do Fundo Social para atender a classe média (renda de até 12 mil). Posteriormente, foram destinados mais R$ 30 bilhões para financiamento de reforma de moradias. O fundo é abastecido por royalties do petróleo do pré-sal para apoiar principalmente as áreas de educação e saúde.

O objetivo do Ministério das Cidades ao fazer as alterações é entregar mais 100 unidades habitacionais para a classe média no ano eleitoral. A meta inicial de 750 mil moradias pode chegar a 850 mil, segundo técnicos.

Nas faixas 3 e 4 não há subsídios, diferentemente das faixas 1 e 2, que são beneficiadas por R$ 12 bilhões em descontos nos contratos a fundo perdido por ano.

A correção dos valores é um pleito do setor da construção civil e a nova tabela sugerida pelo Ministério das Cidade para cada faixa foi baseada na quantidade de salários mínimos.

Conforme revelou O GLOBO, os conselheiros do FGTS estão preocupados com o impacto de medidas tomadas pelo governo nas contas do Fundo, como saques emergenciais e empréstimos para santas casas. A projeção aponta para uma retirada de R$ 60,8 bilhões nos próximos cinco anos.

Em novembro, os conselheiros aprovaram orçamento de R$ 160,5 bilhões para habitação em 2026 e 207. Para os anos seguintes, o valor baixa para R$ 155,5 bilhões. As tabelas indicam recuo nas aplicações do FGTS em títulos públicos, que ampliam as disponibilidades de caixa, de R$ 24,762 bilhões neste ano para R$ 22,951 bilhões em 2029.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   24/03/2026

A TIC Trens completa nesta semana quatro meses com a operação completa da Linha 7-Rubi de trens metropolitanos em São Paulo, e recebeu do Ministério das Cidades uma sinalização positiva para investimento bilionário no ramal de passageiros.

De acordo com a Portaria MCID Nº 278 publicada nesta segunda-feira, 23, a União passa a incluir a requalificação da linha sete no escopo da PPP (Parceria Público Privada) do Trem Intercidades, o TIC Eixo Norte, permitindo o empréstimo de R$ 1.425.000.000,00 à concessionária.

Este recurso pode ser empregado nas intervenções de via permanente (trilhos), sistemas (sinalização, energia e entre outros) e estações, executando obras previstas no contrato de concessão assinado com o Governo de São Paulo.

O recurso federal terá origem no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e agora depende de passar pela etapa de validação junto ao agente financeiro e após isto, chegar às mãos da TIC Trens.

A sinalização favorável ao investimento público ocorre dias antes do início da construção do Trem Intercidades, previsto até o final deste mês de março. A obra é fundamental para o serviço ferroviário regional de passageiros entre Campinas e a capital paulista sair do papel, demandando adequações e melhorias na Linha 7, que terá trilhos em paralelo ao novo serviço.

Revista Ferroviaria - RJ   24/03/2026

O projeto do trem intercidades que ligará a capital paulista a Sorocaba terá em seu processo licitatório uma etapa a mais, antes do leilão, que prevê a elaboração de estudos por empresas pré-selecionadas pelo Governo de São Paulo.

Chamada de diálogo competitivo, a modalidade está prevista na Lei de Licitações e Contratos Administrativos, de 2021, mas é pouco utilizada no país.

O Governo de São Paulo lançará até o fim deste semestre um edital para seleção das empresas interessadas na concessão, diz Augusto Almudin, diretor de assuntos corporativos da CPP (Companhia Paulista de Parcerias), à Folha. Segundo ele, as companhias selecionadas participarão do diálogo competitivo durante 2027, num período estimado de seis a oito meses, de forma individual e sigilosa.

A SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) encerrou no fim de fevereiro uma consulta pública sobre o tema. Foram recebidas mais de 230 contribuições.

A intenção do governo é que o diálogo competitivo do TIC Eixo Oeste como é chamado o projeto de ferrovia entre Sorocaba e São Paulo se torne um precedente e seja usado em licitações futuras, principalmente em projetos do segmento ferroviário, que exigem mais investimentos e têm grande risco de implantação e operação.

Um projeto não tão grande de trilhos representa [um investimento] de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões. Para metrô, é quase R$ 1,5 bilhão por quilômetro e uma linha tem mais de 15 quilômetros no geral. Como o nível de risco é muito grande, o estado precisa tomar com mais atenção a forma de contratação desses projetos, afirma Almudin.

O projeto do TIC Eixo Oeste trata-se de uma PPP com investimentos previstos de R$ 11,9 bilhões. O prazo de contrato é de 30 anos.

O trajeto, de aproximadamente 100 km, deverá ser feito em 60 minutos. A demanda projetada é 50 mil passageiros por dia. De acordo com a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos), atualmente, o deslocamento rodoviário tem duração de 110 minutos de carro e 130 minutos de ônibus.

Atualmente, a concessionária vencedora de determinada licitação faz os projetos básicos e executivos logo depois da assinatura do contrato. O que estamos fazendo com o diálogo competitivo é trazer esse início da fase de execução de projetos para antes da entrega das propostas comerciais, de forma a fazer com que o licitante dê uma proposta melhor informada, diz Almudin.

Ainda segundo o diretor da CPP, a gestão estadual irá prever no contrato que a licitante ganhadora deverá ressarcir as outras empresas participantes, que, por sua vez, terão desembolsado recursos na elaboração dos estudos na fase de diálogo competitivo. O valor a ser ressarcido terá como base uma quantia calculada pelo governo.

Luis Guasch, professor da Universidade da Califórnia (EUA) e especialista em PPPs (parcerias público-privada), defende que o diálogo competitivo seja testado como um projeto-piloto, não como um padrão a ser seguido. Segundo ele, essa modalidade pode ocasionar problemas em países com histórico de corrupção e baixa transparência.

Isto é algo que me incomoda: quais critérios são usados para escolher, entre os participantes do diálogo competitivo, aquele que seguirá adiante? Não está claro para mim. Ainda hoje não vi critérios objetivos que digam: se eu dialoguei com uma, duas ou três empresas, com base em que fundamento escolho a primeira, a segunda ou a terceira?, diz.

Acho que, talvez, valha a pena considerar o instrumento do diálogo competitivo, mas já vi problemas demais, abusos demais desse mecanismo, sobretudo em economias emergentes. O Brasil está no meio do caminho particularmente São Paulo. Minha sugestão é usar como projeto-piloto, ver como as coisas se desenvolvem, quão confortável você se sente e quão boa é a solução que emerge, completa Guasch.

De acordo com a Lei de Licitações, o diálogo competitivo é restrito a contratações que envolvam condições de inovação tecnológica ou técnica, impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções disponíveis no mercado e quando há impossibilidade de as especificações técnicas serem definidas com precisão suficiente pela administração pública.

A modalidade também é prevista caso haja necessidade de definir e identificar os meios e as alternativas que possam atender às necessidades definidas pelo ente público, como solução técnica mais adequada e estrutura jurídica ou financeira do contrato.

Na opinião de Leticia Queiroz, sócia do Queiroz Maluf Reis, o diálogo competitivo impõe ao projeto um desafio de participação. [A licitante] Será uma empresa que esteja comprometida a fazer um projeto básico durante a licitação e, ao mesmo tempo, aceitar que aquela seja a base da licitação, porque ela não tem certeza que vai ganhar. Ela vai disputar com os demais [participantes].

Como toda criação nova, vai ter que passar pelo teste de mercado. Eu acho que o governo está muito bem-intencionado no sentido de aprimorar as licitações, de diversificar, completa Queiroz.

Guilherme Reisdorfer, sócio do escritório Vernalha Pereira e especialista em infraestrutura, diz sre importante que a administração pública tenha certo nível de expertise e maturidade para que não seja capturada pelo mercado e para dialogar de igual para igual com as empresas selecionadas.

O diálogo competitivo pode ser mais apropriado em situações em que o empreendimento já está definido e pode haver muitas incertezas, mas quando as incertezas orbitam em torno de um projeto que já tem uma espinha dorsal. É muito importante que, quando a administração pública lance um diálogo competitivo, entenda e calibre bem o nível de insegurança que ela quer resolver, diz Reisdorfer.

Jornal de Brasília - DF   24/03/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira, 25 de março, da visita à fábrica de trens da CRRC Brasil Equipamentos Ferroviários, em Araraquara (SP). Durante o evento, foi assinada a contratação de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor total de R$ 5,6 bilhões com o governo do estado de São Paulo para projetos de mobilidade urbana.

A fábrica, instalada nas antigas instalações da montadora Hyundai, já gera 49 empregos diretos e estima quadruplicar esse número até o final do ano. O início da produção pela empresa chinesa no Brasil está previsto para o segundo semestre deste ano. Além de Lula, participaram da visita o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, entre outras autoridades.

Os contratos de financiamento incluem R$ 3,2 bilhões para o Trem Intercidades Eixo Norte (TIC Eixo Norte), que ligará São Paulo a Campinas, e R$ 2,4 bilhões para a expansão da Linha 2 (Verde) do metrô da capital paulista. Os projetos integram o Novo PAC e foram aprovados pelo BNDES em setembro de 2023. Os 44 trens para a Linha 2 serão produzidos pela CRRC em Araraquara, com previsão de entrega a partir de maio de 2027.

NAVAL

CNN Brasil - SP   24/03/2026

Sob pressão diplomática e empresarial, o governo deve promover pelo menos quatro ajustes e flexibilizar as restrições no leilão do novo terminal de contêineres no Porto de Santos (SP).

O objetivo é estimular a concorrência na disputa, ampliando o número de participantes, mas tomando o cuidado de evitar riscos de concentração no porto, segundo relatos feitos à CNN por fontes diretamente envolvidas com os preparativos do leilão e que já discutiram o assunto com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Maior projeto de arrendamento da história do setor, o Tecon Santos 10 prevê investimentos acima de R$ 6 bilhões e aumentará em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no porto, que está à beira da saturação para processar esse tipo de carga.

Em dezembro, o TCU (Tribunal de Contas da União) deu aval à modelagem proposta pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), com um leilão dividido em duas fases. Por esse modelo, operadores de terminais de contêineres já presentes no porto ficariam banidos na primeira etapa. Caso nenhuma proposta surgisse, eles seriam liberados apenas na segunda fase, mediante desinvestimento (venda de sua fatia acionária nas operações atuais).

O tribunal de contas também recomendou um veto à participação de armadores (companhias de navegação marítima), como a suíça MSC e a dinamarquesa Maersk.

O Ministério de Portos e Aeroportos pediu à Antaq, então, para acatar todas as orientações do TCU. O Palácio do Planalto, no entanto, entrou em campo e faz questão de ajustes no desenho do leilão. A disputa, antes prevista para 2025, já ficou para o segundo semestre de 2026.

A pressão tem sido tão forte que até o presidente do Conselho Europeu, António Costa, escreveu para Lula no começo do ano com um pedido de revisão das regras. Antes disso, o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, já havia abordado pessoalmente o tema com o chanceler Mauro Vieira, à margem da assinatura do acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia.

A CNN apurou que quatro ajustes na modelagem estão sendo considerados por determinação do Planalto.
Participação de armadores: o governo decidiu liberar, de forma geral, empresas de navegação no certame. A recusa em acatar o TCU não é vista como problemática, uma vez que houve recomendação (de cumprimento não obrigatório) e não determinação (de caráter vinculante) do tribunal sobre esse ponto. Definição de grupo econômico: o governo pretende esclarecer com precisão quem deve ser classificado como incumbente em Santos, deixando claro que participações acionárias pouco relevantes em atuais operadores de terminais não excluem automaticamente essas empresas da disputa pelo Tecon Santos 10. Conceito de movimentação relevante: outro ponto sensível é definir qual nível de atuação no setor caracteriza participação como operador de contêineres. Esse tópico é essencial para delimitar quem poderia ser barrado na primeira fase do leilão. A falta de clareza pode abrir margem para judicialização e questionamentos de concorrentes. Data para desinvestimento: também está em discussão o prazo para eventual venda de ativos por empresas que já operam no porto e queiram participar do leilão. A ideia no Palácio do Planalto é que, se até o dia do leilão a empresa desinvestir no ativo, ela não será mais considerada incumbente. Isso abre uma brecha para MSC e Maersk -- sócias na BTP (Brasil Terminal Portuário) em Santos.
O conceito de movimentação relevante envolve empresas como a JBS, empresa controlada pelo grupo J&F. O grupo também controla a Eldorado Celulose, dona de um terminal em Santos.

A Eldorado já fez movimentações de contêineres no porto -- que, apesar de pequenas, poderiam caracterizá-la como incumbente ou pelo menos deflagrar contestações judiciais por parte de concorrentes.

A JBS Terminais, que administra um terminal de contêineres no Porto de Itajaí (SC), é vista no mercado como uma das principais interessadas no Tecon Santos 10. A empresa nunca admitiu publicamente sua intenção de entrar no certame.

Já o conceito de grupo econômico tem como um dos pontos centrais a situação da gigante chinesa Cosco Shipping, quarta maior empresa de navegação do mundo, que tem 6% de participação acionária do fundo americano Black Rock. A Black Rock também é acionista da TIL, braço de terminais da suíça MSC, que divide o controle da BTP com a Maersk. A BTP opera em Santos.

Se o edital não trouxer um esclarecimento sobre o que é grupo econômico, poderia haver veto à presença da Cosco no leilão, o que o Planalto busca evitar.

No caso da liberação de armadores, a medida tem como objetivo atrair empresas como a alemã Hapag-Lloyd, companhias árabes e até a China Merchants.

Dona do TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), no Paraná, a chinesa já esteve na Antaq e demonstrou interesse em entrar no leilão.

Fez a ressalva, no entanto, de que opera linhas de frete marítimo na Ásia e poderia ser barrada da disputa caso prevaleça a recomendação feita pelo TCU em dezembro.

Apesar da relevância, o leilão enfrenta entraves desde o ano passado.

A divergência sobre o grau de restrição à participação de empresas já atuantes no porto e de grandes armadores, em um mercado considerado altamente concentrado, atrasou o leilão, inicialmente previsto para dezembro e agora reprogramado para o segundo semestre deste ano.

Portos e Navios - SP   24/03/2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) informou que o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou, em reunião realizada em 18 de março, investimentos de R$ 6 bilhões para 13 projetos e 95 obras no setor naval e portuário. A expectativa, explicou a pasta, é que eles gerem cerca de 2,8 mil empregos diretos.

Entre os projetos aprovados, anunciou o MPor, está o do Porto Central, no Espírito Santo, de infraestrutura portuária, no qual serão investidos R$ 2,18 bilhões, e o de construção para a Petrobras de quatro embarcações para transporte de derivados de petróleo, com aportes previstos de R$ 2,17 bilhões.

Foi aprovada também a produção de 35 embarcações para a GDE Transportes destinadas a transporte de combustíveis na região Norte, orçada em R$ 380,3 milhões.Os investimentos aprovados incluem ainda a construção de embarcações de apoio marítimo, navegação interior e carga, além de manutenção, reparo, modernização e ampliação de estaleiros em estados, entre os quais Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O secretário executivo do MPor e presidente do CDFMM, Tomé Franca, disse que a aprovação desses projetos confirma a retomada dos investimentos no setor.

O ministério informou que a próxima reunião do Conselho será em 18 de junho de 2026 e que propostas podem ser apresentadas até 20 de abril. No caso de aprovação, os responsáveis terão 450 dias para formalizar a contratação do financiamento, com possibilidade de prorrogação por até 180 dias.

Exame - SP   24/03/2026

Diz o ditado que somente na tempestade se forma bons marinheiros. A presidente global da Azimut Benetti, Giovanna Vitelli, esteve em Itajaí (SC), na última semana, para apresentar o que definiu como um novo capítulo da operação no Brasil — a única unidade da companhia fora da Itália.

Na agenda, anunciou um investimento de R$ 120 milhões na expansão da fábrica e confirmou a produção, pela primeira vez fora da Europa, de um superiate de 30 metros.

A visita também marcou a apresentação da nova estrutura de comando da operação local. Giovanna oficializou os italianos Carlo Alberto Sisto como CEO da Azimut Brasil e Roy Capasso como diretor comercial da Azimut Yachts Brasil, em um movimento que simboliza a virada de gestão no país.

Filha de Paolo Vitelli, fundador do grupo em 1969 e responsável por transformar a Azimut Benetti na maior fabricante de iates de luxo do mundo, a executiva usou a expressão “novo capítulo” como um marco para encerrar um período recente de transição na operação brasileira.

“Estamos iniciando um novo capítulo no Brasil, que envolve não apenas investimentos na fábrica, mas também uma evolução na gestão local, alinhada aos valores globais do grupo", disse. E acrescentou: “Tivemos uma situação anterior que não refletia mais os padrões da marca. Por isso, tomamos as medidas necessárias e agora seguimos com uma estrutura mais alinhada à nossa cultura e estratégia de crescimento.”

A Azimut Benetti, líder global no segmento há 26 anos consecutivos, abre assim um novo ciclo no país — movimento que reposiciona a operação brasileira como peça-chave na estratégia mundial do grupo.

Hub continental

O aporte será direcionado à ampliação da unidade de Itajaí (SC), a única fábrica da companhia fora da Itália, que passa a assumir papel mais relevante na produção, no desenvolvimento tecnológico e na exportação de embarcações de alto padrão.

Sob o comando de Giovanna Vitelli, o grupo detém 23% de participação no mercado global de iates de luxo e mantém uma liderança consolidada, com volume de produção 32,7% superior ao segundo colocado no ranking mundial, segundo o Global Order Book.

Em 2025, registrou faturamento de € 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,1 bilhões) — alta de 15% — e acumula uma carteira de pedidos de € 2,6 bilhões até 2029 (aproximadamente R$ 14 bilhões).

Questionada sobre como pretende manter a liderança em um mercado cada vez mais competitivo, Giovanna respondeu de forma direta: “Somos líderes globais há 26 anos porque desenvolvemos uma expertise reconhecida mundialmente na entrega de embarcações que combinam excelência estética e alto nível de conforto, atendendo aos clientes mais exigentes.”

“Ao mesmo tempo, garantimos uma engenharia que oferece segurança, navegabilidade com inovação e tecnologia de ponta. Essa combinação é o que sustenta a nossa liderança.”“Estamos no Brasil desde 2010 e acompanhamos um crescimento consistente do mercado. É um país com cultura náutica, uma base sólida de clientes e um potencial ainda em expansão”, afirma.

O investimento contempla a expansão da planta industrial, a incorporação de novas tecnologias e o desenvolvimento de produtos. A área do estaleiro será ampliada em mais 27 mil metros quadrados, passando dos atuais 38 mil m² para 65 mil m², consolidando a unidade catarinense como a maior do gênero no país.

A expansão também terá impacto direto na geração de empregos. A companhia projeta a criação de cerca de 200 novas vagas, elevando o quadro para aproximadamente 800 colaboradores até 2028.

O principal símbolo dessa virada será o lançamento, ainda em 2026, do Azimut Grande 30 Metri, primeiro modelo desse porte produzido integralmente fora da Europa, com foco em inovações tecnológicas e design italiano.

“O cliente brasileiro quer embarcações cada vez maiores. Essa é uma tendência global, mas aqui ela se mostra ainda mais evidente. Muitos dos nossos clientes cresceram com a Azimut e agora buscam modelos maiores e mais sofisticados”, diz Giovanna. No Brasil, a companhia detém cerca de 40% de market share em seu segmento, consolidando a liderança no mercado nacional de iates de luxo.

Com o novo investimento, a unidade de Itajaí passa a operar como um hub de exportação e tecnologia para a América do Sul, com foco na expansão em mercados como Chile, Argentina, Uruguai, Colômbia e Venezuela. A expectativa é de crescimento de 10% nas exportações já neste ano.

“Cerca de 10% da produção brasileira já é destinada ao mercado internacional, mas o foco principal segue sendo o próprio Brasil, que continua crescendo e se sofisticando”, afirma. Na prática, o movimento reposiciona o Brasil na cadeia global da náutica: deixa de ser apenas consumidor de bens de luxo e passa a atuar como fornecedor de embarcações de alto valor agregado e tecnologia embarcada.

O portfólio produzido no país inclui modelos entre 40 e 100 pés, das linhas Atlantis, Fly e Grande, que combinam engenharia italiana com produção local.

Polo náutico

Com 8,5 mil quilômetros de litoral, 42 mil quilômetros de vias navegáveis interiores e condições favoráveis ao longo de todo o ano, o Brasil reúne uma base natural relevante para o desenvolvimento da indústria náutica, que já emprega mais de 150 mil pessoas.

Nesse cenário, Santa Catarina se consolidou como o principal polo do setor, concentrando cerca de 65% da produção nacional de embarcações de lazer e mais de 90% das exportações.

Dentro desse ecossistema, Itajaí se destaca como núcleo produtivo e logístico, reunindo infraestrutura portuária, cadeia industrial especializada e conexão direta com o turismo náutico e o mercado imobiliário de alto padrão.

Foi ali que a Azimut instalou, em 2010, sua única fábrica fora da Itália — decisão que ajudou a estruturar a cadeia produtiva, elevar o padrão do setor e consolidar o Brasil como uma nova fronteira da economia do mar. É onde produz embarcações entre 51 e 100 pés,

A Azimut Yachts é uma marca do Grupo Azimut|Benetti, líder mundial na fabricação de iates de luxo, com matriz na Itália. Com suas coleções Atlantis, Verve, Magellano, Flybridge, S e Grande, oferece uma das mais amplas linhas de embarcações do mercado, com modelos que variam de 40 a 120 pés.Está presente em 80 países, por meio de uma rede de 138 centros de vendas e assistência

CNN Brasil - SP   24/03/2026

Dois navios-tanque com destino à Índia navegaram pelo Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (23).

As embarcações com bandeira indiana transportavam gás liquefeito de petróleo (GLP), usado principalmente para cozinhar na Índia. Eles carregaram em ancoradouros no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, conforme dados de rastreamento de navios da LSEG.

O Pine Gas, que carregou em águas dos Emirados Árabes Unidos, navegou pelo Estreito seguido pelo Jag Vasant, que transportava GLP do Kuwait, segundo dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.

O Ministério dos Portos, da Marinha Mercante e das Vias Navegáveis da Índia confirmou que os dois navios-tanque, transportando mais de 92.000 toneladas de GLP, navegaram pelo Estreito de Ormuz e deveriam chegar a portos indianos entre 26 e 28 de março.

O navio Pine Gas transmitiu uma mensagem identificando-se como "navio e tripulação indianos", de acordo com dados de rastreamento de navios da LSEG.

Cerca de 20.000 marinheiros permanecem retidos no Golfo, de acordo com a agência marítima da ONU.

O Irã ameaçou, nesta segunda-feira (23), lançar minas marítimas caso Trump levasse adiante os ataques a instalações energéticas iranianas, informou a mídia estatal.

No domingo (22), um navio-tanque carregado com derivados de petróleo também passou pelo Estreito rumo à Índia, segundo dados da Kpler.

A interrupção do tráfego de navios-tanque pelo Estreito reduziu o fornecimento mundial de petróleo e derivados em cerca de 20%.

Pelo menos 14 petroleiros carregados com bandeira iraniana chegaram às águas asiáticas ao redor do Estreito de Singapura desde 28 de fevereiro, de acordo com uma análise do grupo de defesa dos direitos humanos United Against Nuclear Iran (UANI), dos EUA, que monitora o tráfego de petroleiros relacionados ao Irã.

Para o Irã, "tudo continua como o usual", disse Charlie Brown, consultor sênior da UANI.

No domingo (22), o Irã recebeu o primeiro navio com ligação ao Ocidente desde o início da guerra. Um navio graneleiro operado por uma empresa grega entregou grãos do Canadá ao porto de Bandar Imam Khomeini, segundo dados da Lloyds List Intelligence e uma fonte familiarizada com o assunto. O navio havia partido do Canadá, passando pelo Cabo Canaveral, antes de chegar ao Golfo Pérsico, conforme mostrou o rastreamento de navios da MarineTraffic.

Uma reunião da agência de navegação da ONU, realizada na semana passada, concordou em trabalhar para a criação de um corredor marítimo seguro para a saída de navios do Golfo e proteger marinheiros retidos. Nenhum prazo foi estipulado para a iniciativa.

Cerca de 15 petroleiros com bandeira iraniana estão retornando ao Golfo Pérsico após entregarem cargas na Ásia, de acordo com a UANI.

PETROLÍFERO

Valor - SP   24/03/2026

Bolsas globais avançaram e dólar teve queda com busca por ativos de risco

A notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou ataques contra usinas e infraestrutura de energia no Irã por cinco dias trouxe alívio aos mercados nesta segunda-feira e levou a uma queda de mais de 10% nos preços do petróleo. Ele citou “conversas produtivas” com as autoridades do país islâmico, que posteriormente negaram a existência de negociações.

Ainda assim, a sinalização por parte de Washington de que há disposição para um acordo com o Teerã foi bem recebida pelos participantes do mercado e provocou uma distensão nos ativos globais, com alta firme das bolsas de Nova York, enquanto o dólar e os rendimentos dos Treasuries caíram, em uma reversão da dinâmica dominante nas últimas semanas.

No fechamento, o petróleo tipo Brent, a referência mundial, com vencimento em maio teve queda de 10,91%, negociado a US$ 99,94 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O petróleo WTI, a referência americana, com entrega para o mesmo mês caiu 10,28%, a US$ 88,13 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,38%, aos 46.208,47 pontos; o S&P 500 avançou 1,15%, aos 6.581,00 pontos; e o Nasdaq teve alta de 1,38%, aos 21.946,760 pontos.

Após um aumento nas tensões no Oriente Médio no fim de semana, Trump mudou o tom na manhã de ontem e disse que iria suspender toda a ofensiva contra a infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias, ao mencionar “conversas muito boas e produtivas” com o país persa.

Antes, o republicano havia dado um ultimato ao Irã, exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz em até dois dias, sob ameaça de bombardear usinas de energia no país islâmico. Em resposta, Teerã disse que atacaria os sistemas de energia e água de países vizinhos no Golfo Pérsico caso isso acontecesse e que só iria liberar a passagem quando suas usinas atacadas fossem reconstruídas.

“Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”, disse Trump nas redes sociais. As declarações fizeram com que o petróleo tivesse forte queda, com o Brent terminando o dia abaixo do nível de US$ 100 por barril, e levaram a um alívio nos mercados globais, que interpretaram a notícia como um sinal de desescalada na guerra.

Trump também disse que um acordo poderia surgir em questão de dias e, “se isso funcionar”, o Estreito de Ormuz será reaberto em breve. O presidente dos EUA afirmou que o Irã foi o primeiro a fazer contato e que as autoridades americanas estão falando com uma “figura de alto nível” do país do Oriente Médio. No entanto, pouco depois, autoridades do Irã negaram a existência de conversas, o que afastou os preços do petróleo das mínimas, embora os contratos ainda tenham terminado o dia em forte queda.

Trump citou “conversas produtivas” com as autoridades do Irã, que depois negaram as negociações

“O potencial de escalada e desescalada no conflito entre Estados Unidos contra Israel e Irã muda quase diariamente”, comentam os estrategistas da UBS Global Wealth Management em relatório enviado a clientes. Eles observam que, apesar do choque nos preços do petróleo e da reprecificação da política monetária em diversas economias, os ativos de risco têm se mostrado resilientes, com o S&P 500 caindo apenas 5,4% desde o início do conflito.

A gestora suíça acredita que uma recuperação rápida do mercado é provável diante de qualquer sinal de fim da guerra e normalização dos fluxos de exportação de petróleo - uma visão reforçada pelo comportamento dos preços no pregão de ontem.

Por outro lado, Jeffrey Hawkins, sócio e responsável por crédito e “special situations” da Bain Capital, acredita que os investidores podem estar subestimando os riscos da guerra no Oriente Médio e aponta que os efeitos podem durar mais do que os participantes do mercado antecipam no momento. “Acho mais provável vermos uma correção do que uma recuperação rápida. Há mais risco de queda do que de alta, na minha visão”, enfatiza. “Mas me parece que o mercado de ações, neste momento, está mais posicionado para não perder um eventual rali.”

Hawkins afirma que, mesmo se ambos os lados da guerra chegassem a um acordo, o que parece longe, ainda demoraria para que o Estreito de Ormuz voltasse a funcionar de forma semelhante ao período anterior ao conflito. “Ainda seria necessário retirar as minas que foram colocadas no Estreito, reativar o mercado de seguros, reposicionar os navios, garantir que as tripulações aceitem operar... Tudo isso leva tempo. E quanto tempo, exatamente, é difícil saber”, observa. “De forma geral, me parece que o mercado está subestimando esses riscos.”

No fim da sessão, os rendimentos dos Treasuries com vencimento em dois anos caíam de 3,913% no fechamento anterior para 3,865%, enquanto a taxa da T-note de dez anos passava de 4,387% para 4,351%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de outras seis moedas fortes, teve dinâmica semelhante e, no fim da tarde, sustentava queda de 0,53%, aos 99,12 pontos.

Para Ian Lyngen e Vail Hartman, estrategistas do BMO Capital Markets, as manchetes conflitantes do dia reforçaram a incerteza associada ao conflito, embora esteja claro que uma queda nos preços de energia é positiva para as ações americanas e para os Treasuries. “A extensão do prazo mantém aberta a janela para um acordo até depois do fechamento de sexta-feira. Evidentemente, se aprendemos algo com o segundo mandato de Trump na Casa Branca, é que prazos são flexíveis e objetivos são frequentemente negociáveis”, comentam os profissionais do banco.

Globo Online - RJ   24/03/2026

As refinarias estatais da China começaram a explorar a compra de mais petróleo bruto iraniano, depois que os Estados Unidos suspenderam as sanções contra petróleo do Irã, permitindo a venda de parte do óleo já carregado em navios-tanque, em um esforço para limitar a alta de preços causada pela guerra no Oriente Médio.

Segundo fontes, representantes da Companhia Nacional de Petróleo do Irã e traders que atuam como intermediários também têm sondado discretamente potenciais compradores entre essas e outras refinarias asiáticas.

Ainda há obstáculos, porém, incluindo a forma de lidar com pagamentos e transporte, além de riscos reputacionais que fazem os compradores hesitarem, afirmou Muyu Xu, analista sênior de petróleo bruto na Kpler Ltd., em Cingapura.

— É improvável que os fluxos de petróleo iraniano mudem de forma significativa no curto prazo — disse ela.

O Irã já foi um fornecedor-chave para grandes importadores asiáticos, incluindo Coreia do Sul e Japão, antes do endurecimento das restrições dos EUA. A China é o comprador individual mais importante do petróleo de Teerã e fornece uma tábua de salvação financeira vital — mas os compradores tendem a ser refinarias privadas menores, com menor exposição aos mercados internacionais. Grandes estatais mantinham distância, receosas de serem envolvidas em sanções dos EUA.

A Sinopec (China Petroleum & Chemical Corp), maior refinaria da China, ainda evitaria o petróleo iraniano, afirmou o vice-presidente da empresa, Zhao Dong, em uma teleconferência de resultados em Hong Kong nesta segunda-feira. Além da disponibilidade limitada de cargas, a curta janela de entrega de um mês pode criar riscos legais quando a isenção dos EUA expirar, disse ele.

Dong acrescentou que a empresa reduziu as taxas de operação em 5% em março para economizar petróleo, à medida que dificuldades de navegação pelo Estreito de Ormuz restringem o fornecimento de petróleo bruto.

O CEO afirmou ainda que a Sinopec também seguirá qualquer plano nacional para liberar reservas estatais de petróleo, embora não tenha dado mais detalhes. Pequim acumulou cerca de 1,4 bilhão de barris, que poderiam ser utilizados caso as interrupções persistam.

O lucro da Sinopec caiu no ano passado, refletindo a menor necessidade de combustíveis para transporte devido à eletrificação da economia, bem como uma onda de novas plantas petroquímicas que levou a um excesso estrutural de oferta. Zhao reconheceu que os preços mais altos do petróleo, provocados pela guerra envolvendo o Irã, podem acelerar a adoção de veículos elétricos.

A mais recente isenção do Tesouro dos EUA, que cobre o petróleo iraniano transportado por via marítima por um mês, segue medidas semelhantes para facilitar o acesso ao petróleo russo, enquanto a Casa Branca tenta aliviar um aperto na oferta e conter os preços globais.

Embora a isenção amplie, em teoria, o grupo de compradores potenciais, novos participantes na China e em outros lugares afirmam que estão avaliando os mecanismos de qualquer compra em um momento em que outras restrições ao Irã — incluindo limites ao seu acesso ao sistema financeiro internacional — permanecem em vigor. Outro grande gargalo é o acesso a transporte marítimo em conformidade, capaz e disposto a movimentar o petróleo iraniano.

Armadores com trânsito internacional, novos no comércio de petróleo bruto iraniano, aguardam mais detalhes e expressaram preocupação de que possam estar se expondo a riscos ocultos de sanções ao lidar com intermediários envolvidos no comércio clandestino, segundo Karnan Thirupathy, sócio do escritório Kennedys Law LLP e especialista em sanções.

— Há muita incerteza em relação ao comércio e também sobre o que acontecerá após 19 de abril caso a transação não seja concluída — disse Thirupathy.

Até mesmo intermediários experientes no comércio de petróleo sancionado estão analisando as letras miúdas para entender o que é permitido e evitar penalidades futuras, disseram duas das pessoas. Sem clareza sobre detalhes-chave, é improvável que os compradores desses volumes transportados por via marítima mudem, acrescentaram.

Enquanto isso, porém, o preço do petróleo iraniano vendido à China já subiu. O Iranian Light foi ofertado com um pequeno prêmio em relação ao ICE Brent, à medida que fornecedores testavam o apetite por cargas, segundo traders ativos no mercado. Isso se compara a descontos de mais de US$ 10 por barril no mês passado.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/03/2026

O efeito cascata desencadeado pela guerra no Oriente Médio está pautando a agenda do maior fórum mundial de petróleo, gás e energia, que tem início nesta segunda-feira (23) em Houston — um encontro no qual também serão discutidas as oportunidades na Venezuela, agora aliada de Donald Trump.

Milhares de executivos se reunirão por uma semana na CERAWeek, que deve contar com mais de 10.000 participantes. Os organizadores revisaram a programação: sessões especiais sobre a guerra foram incluídas na agenda após as ofensivas iniciais lançadas por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã.

O conflito ganhou uma nova dimensão nos últimos dias, com ataques diretos às instalações de produção de petróleo e gás — em vez de se restringirem a infraestruturas de armazenamento e transporte.

“Estamos testemunhando a maior perturbação na história do mercado global de petróleo”, alertou Daniel Yergin, vice-presidente da S&P Global e presidente da conferência CERAWeek. “Nunca houve algo de tamanha magnitude”, acrescentou.

Líderes empresariais, formuladores de políticas públicas, investidores e especialistas são aguardados a partir da manhã desta segunda-feira para debater o setor energético, o comércio internacional, a inteligência artificial, as terras raras e a fusão nuclear.

O fórum inicia com as declarações do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, na manhã desta segunda-feira e participantes atentos a comentários oficiais sobre o conflito ou novas medidas do governo Trump para conter a alta dos preços do petróleo.

– Venezuela e María Corina Machado –

Vários executivos de alto escalão do setor de energia são esperados ao longo da semana, incluindo Michael Wirth, da Chevron; Patrick Pouyanné, da TotalEnergies; Wael Sawan, da Shell; e Jack Fusco, da Cheniere Energy.

Como ocorreu em 2025, o ponto central do debate será a guinada de 180 graus do governo Trump sobre as políticas ambientais — optando, em vez disso, por uma maior exploração de carvão e petróleo.

Mais uma vez, ele retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e desmantelou diversas regulamentações ambientais adotadas por governos anteriores.

Suas decisões indignaram as ONGs ambientais. Um desses grupos, ‘Texas Campaign for the Environment’, convocou um protesto para o dia de abertura da CERAWeek.

A edição de 2026 contará com a líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, que discursará na terça-feira durante uma sessão sobre o “Futuro da Venezuela” — país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.

A nação sul-americana havia ficado em segundo plano no setor energético, devido ao embargo petrolífero americano, ao controle do Estado pelo regime “chavista” e a uma infraestrutura de produção em ruínas.

No entanto, a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, por uma força de elite americana alterou o cenário. Washington suspendeu algumas de suas sanções e agora incentiva investimentos, na esperança de capitalizar sobre os recursos do país.

“Estou entusiasmada em mostrar ao mundo o que uma nova Venezuela alcançará ao liberar nosso ilimitado potencial energético”, declarou Machado no X, em resposta ao convite da CERAWeek.

RODOVIÁRIO

CNN Brasil - SP   24/03/2026

Na terceira edição do evento Eloos, promovido pela Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, a diretora-executiva da CNT (Confederação Nacional dos Transportes) afirmou que o Brasil precisaria investir seis vezes para recuperar a malha rodoviária nacional. O evento acontece nesta segunda-feira (23), em Belo Horizonte.

O segundo painel da manhã reuniu representantes do setor público e privado, como a Diretora Executiva da CNT, Fernanda Rezende, e o Diretor Geral da ANTT, Guilherme Sampaio. Também participaram a presidente da Copasa, Marília Melo, o prefeito de Nova Lima, João Marcelo, e o diretor da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos), Marco Aurélio de Barcelos.

A diretora da CNT apontou que, apesar de ter quase dobrado o orçamento disponibilizado para recuperação da malha rodoviária, chegando a R$ 15 bilhões por ano, o investimento necessário levantado pela entidade é de R$ 100 bilhões.

Fernanda apontou ainda que o retorno do investimento privado é superior quando comparado com o investimento público, devido a celeridade da aplicação. Segundo ela, a cada R$ 1 investido pelo governo em transportes, o PIB do setor cresce R$ 0,61, enquanto com o mesmo investimento do setor privado, o retorno é de R$ 2,61.

Já o diretor-geral da ANTT ressaltou a importância do aumento no número de concessões, principalmente em Minas Gerais. Guilherme Sampaio afirmou que atualmente há nove concessões federais em MG, sendo 6 nos últimos três anos. Ele também confirmou a assinatura de um novo contrato da Rodovia Fernão Dias, e um novo leilão, chegando a 11 contratos. Dessa foram, 43% das rodovias federais ficarão com a iniciativa privada, enquanto 57% ficam sob responsabilidade do DNIT.

Todos os participantes ressaltaram a importância de se elevar o investimento público, mas também fortalecer as PPPs e concessões. O entendimento é que a união entre os setores pode acelerar os projetos de infraestrutura necessários para o desenvolvimento do país.

AGRÍCOLA

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   24/03/2026

Para atender à diversidade do mercado brasileiro, a companhia apresenta os novos tratores de alta potência da série 8R para combinar com o portfólio das plantadeiras 3100FT e DB transportável, além dos pulverizadores e distribuidores de nutrientes sólidos da série 400R.

O portfólio também contempla soluções versáteis para propriedades de menor porte, como a família de tratores 5M, o trator 3041E e os pulverizadores 1025E. Completa o conjunto a S4, que passa a integrar a linha de colheitadeiras inteligentes lançada em 2025.

“Na Casa John Deere, mostramos como a tecnologia deixa de ser um conceito para se tornar rentabilidade no campo. Nosso ecossistema de soluções foi desenhado para gerar ganhos reais a todos os perfis de clientes: do pequeno ao grande, todos precisam de eficiência em custo, alta performance e conectividade”, afirma Cristiano Correia, vice-presidente de Sistemas de Produção da John Deere para a América Latina, e vice-presidente global para cana de açúcar.

Plantio - A nova série de tratores de alta potência 8R chega ao Brasil com os modelos 440, 490 e 540, entregando até 634 cavalos para atender às demandas das maiores áreas agrícolas do país. O destaque é a sua tecnologia inteligente que libera potência extra automaticamente em operações pesadas, garantindo um ritmo de trabalho constante.

O modelo reduz os custos diários com um motor eficiente de 13,6 litros e inova com uma transmissão elétrica (EVT), que fornece energia diretamente à plantadeira, dispensando geradores externos. Tudo isso aliado a uma cabine que oferece uma nova experiência com alto conforto e sistemas de precisão que asseguram total conectividade e eficiência nas longas jornadas. Esses novos tratores são a solução na medida certa para o conjunto ideal com as plantadeiras John Deere e os novos lançamentos.

Mais uma novidade da John Deere é a plantadeira DB Transportável. Com um mecanismo inovador de fechamento que atinge 3,2 metros de largura, o equipamento permite o deslocamento ágil em caminhão prancha ou internamente com o trator, quase que uma demanda garantida nos campos brasileiros. A DB transportável reduz em mais de 90% o período de preparação para transporte entre fazendas.

“Conseguimos transformar um processo que antes levava dois dias em cerca de duas horas para alcançar 3,2 m de largura. A partir daí, a expansão até 3,8 m é feita em poucos minutos. Essa agilidade é fundamental para evitar a perda da janela ideal de plantio, permitindo operar em diferentes áreas com uma única máquina, que já sai de fábrica equipada com o sistema completo de inoculação no sulco”, comenta Correia. Além disso, a DB transportável amplia o portfólio de plantadeiras de maior porte com fertilização, ao lado da linha 3100 FT, disponível nas versões com 17, 23, 27 e 31 linhas, lançada em 2025 e também desenvolvida para facilitar o transporte.

Para democratizar a alta performance no campo, a John Deere apresenta a Família 1200 FT, que traz o conceito de plantio flexível para pequenas e médias propriedades.

Com configurações de 12 a 17 linhas, essas máquinas foram desenhadas para trabalhar com precisão mesmo em solos irregulares.

"Sua estrutura transportável resolve um desafio comum no campo: a agilidade no deslocamento. Além disso, esse modelo traz tecnologias e inovações já conhecidas dos modelos maiores que possibilita qualidade de plantio, uniformidade e adaptabilidade de terrenos, para garantir uma emergência uniforme, e que se traduz em produtividade e retorno financeiro para o produtor", diz.

Já para o setor sucroenergético, a companhia apresenta o ExactStand, um sistema inédito de visão computacional voltado ao plantio mecanizado de cana-de-açúcar. O ExactStand atua diretamente em um dos momentos mais críticos da produção de cana: o plantio.

Por meio de sensores, câmeras e tecnologia embarcada instalados na plantadora, o sistema acompanha cada linha plantada, identifica falhas e variações na distribuição de mudas e alerta o operador imediatamente, possibilitando correções ainda durante a operação.

Integrado ao ecossistema digital da John Deere, o ExactStand transforma informações do campo em dados, que podem ser visualizados no monitor da máquina e analisados remotamente pelo gestor. O sistema tem lançamento previsto para 2027.

Pulverização - O avanço no portfólio de pulverizadores começa com a Série 400R de pulverizadores e distribuidores de nutrientes sólidos, fabricados em Catalão, Goiás.

Os novos modelos 430R, 440R e 400R ND passam por uma renovação estrutural completa e contam com motores de 285 a 300 hp, caixas para nutrientes com capacidade de 6 m³, tanques de 3.000 ou 4.000 litros e uma nova geração de barras de até 40 metros. As máquinas também operam em velocidades de até 40 km/h, com maior controle de altura de barra, mais precisão no sistema de direção e opção de vão livre ampliado.

Além dos avanços técnicos, entregam ganhos relevantes na rotina do produtor, com redução de 10% no tempo de abastecimento do tanque de solução e até 50% menos tempo para configuração e ajustes, tornando a operação mais rápida e eficiente no dia a dia.

Também contam com uma nova arquitetura eletrônica e um sistema de controle de solução premium, com bomba dedicada para abastecimento, sensores de nível nos tanques, válvulas e registros eletrônicos, além de abastecimento frontal e lateral com painéis de controle integrados, trazendo mais eficiência e praticidade às operações no campo.

Outro destaque é o novo See & Spray, opcional de fábrica na série 400R, um sistema de aplicação seletiva inteligente que aplica produtos apenas onde há presença real de plantas daninhas.

A tecnologia proporciona economia média de 50% no uso de defensivos, com potencial de chegar a até 93% e, além da economia, apresenta taxa de acerto até 18% superior à média de outras soluções no mercado. Permite aplicações em pré e pós-emergência, em diferentes ângulos em relação à linha de plantio, com taxa variável em tempo real.

Uma evolução do sistema See & SprayTM Select, que a marca oferece via pós-vendas, para máquinas com arquitetura eletrônica atual, e que traz versatilidade de portfólio de acordo com o perfil do produtor e sua necessidade.

A linha se completa com o distribuidor de nutrientes sólidos 400R DN, que reúne facilidade de abastecimento em uma caixa com capacidade de 6 m³, novas balanças integradas, comporta dupla para maior precisão na distribuição e opção de lona com abertura e fechamento eletrônicos.

O portfólio é ampliado com o pulverizador 230M, que passa a contar com uma barra de 30 metros em aço, reforçando um conjunto de soluções robustas que aliam automação e produtividade para os grandes players do agronegócio brasileiro, no tamanho certo para muitas propriedades do mercado brasileiro e no sistema produtivo canavieiro.

Para complementar o portfólio, o pulverizador 1025E oferece estabilidade extrema, maior capacidade de rampa para terrenos declivosos, e facilidade de manobra em cultivos delicados, provando que o alto desempenho e a economia de insumos são realidades acessíveis para propriedades de todos os portes.

Colheita John Deere - Com a produção de etanol de milho em expansão no Brasil, a safra 2026/2027, que se inicia em abril, deve alcançar cerca de 13,2 bilhões de litros, segundo levantamento da Datagro Consultoria, publicado no início deste ano.

Esse avanço elevará a demanda pelo grão para aproximadamente 31,4 milhões de toneladas, ante 24,3 milhões em 2025, consolidando o etanol de milho como um importante motor do mercado e da importância de otimização da produção de milho no país.

Fabricada em Horizontina (RS), a nova plataforma de milho CR responde a esse cenário, reunindo tecnologias avançadas e a experiência global centenária da John Deere no sistema produtivo do milho, agora aplicada ao contexto brasileiro.

Disponível em versões de 12 a 27 linhas e totalmente integrada às colheitadeiras mais recentes da marca, como S5, S7 e X9, a plataforma de milho CR automatiza a abertura das placas destacadoras em tempo real, diferente do sistema tradicional que exige ajustes manuais constantes. Isso garante que as espigas sejam separadas com precisão e cheguem intactas à colheitadeira, adaptando-se instantaneamente às variações da lavoura para uma colheita mais eficiente.

Outro destaque é a automação da velocidade do eixo traseiro da plataforma, responsável por manter o funcionamento sincronizado com o deslocamento da colheitadeira. O sistema ajusta automaticamente a velocidade da plataforma de acordo com a velocidade de avanço da máquina, garantindo fluxo constante de material para o interior da colheitadeira. Essa sincronização evita situações em que a colheitadeira avança mais rápido do que a capacidade de alimentação da plataforma ou, ao contrário, quando o material chega em excesso ao sistema de processamento.

Outro lançamento do ano, que pode ser visto na Casa John Deere, é a colheitadeira S4, disponível nos modelos S4 300 e S4 400. Desenvolvida para atender as culturas de milho, soja, arroz, trigo, aveia, cevada e feijão, a máquina proporciona maior facilidade de operação em áreas com menor espaço de manobra e é capaz de trabalhar em terrenos acidentados, oferecendo melhor desempenho em qualquer condição de solo. Além disso, garante maior produtividade, grãos mais limpos e redução de perdas.

Entre os destaques da S4 estão o design que facilita as inspeções diárias, melhor visibilidade e estrutura eletrônica preparada de fábrica para tecnologias futuras. A colheitadeira já vem equipada com a tecnologia que permite o sincronismo entre máquinas e conexão com o transbordo (Machine Sync). A cabine da S4 conta com melhor iluminação interna e visibilidade da operação, redução de ruídos, maior ergonomia para o operador e botões digitais.

A plataforma de milho CR e a colheitadeira S4 completam a transformação da linha de colheitadeiras inteligentes lançada pela marca no ano passado, que inclui a S7 com Automação de Colheita, capaz de entregar, em média, até 20% mais produtividade, 10% melhor qualidade de grãos e 10% menos perdas.

Tratores - A John Deere lança no Brasil, em 2026, os tratores 5M, reconhecidos desde 2009 nos EUA e na Europa por sua robustez e eficiência. As versões que chegam ao mercado nacional são as mais recentes, adaptadas às condições brasileiras e produzidas no país.

A linha conta com quatro modelos — 85, 95, 105 e 120 cv — todos equipados com motor eletrônico John Deere PowerTech de 4 cilindros, que oferece alta performance, confiabilidade, alto torque e respostas rápidas, atendendo a diversas operações e culturas agrícolas.

Os Tratores John Deere 5M, contam com dois tipos de transmissões projetadas exclusivamente para estas máquinas, que garantem maior eficiência e produtividade. A alta capacidade de levante permite o uso de implementos mais pesados, ampliando a versatilidade do trator.

Já o trator 3041E entrega uma solução eficiente e versátil para produtores que buscam baixo custo operacional e alto desempenho. Equipado com motor turbo intercooler, o modelo combina boa relação entre potência e torque com consumo de combustível equilibrado, garantindo mais horas trabalhadas com menor consumo. Suas dimensões compactas e raio de giro reduzido permitem operar com agilidade em áreas estreitas, reduzindo a necessidade de manobras.

Além disso, a compatibilidade com carregadora frontal amplia as aplicações no dia a dia da propriedade, tornando o 3041E uma solução prática e completa para múltiplas operações, desde preparo de solo, pulverização e atividades gerais dentro da propriedade.

Novidades para construção - A companhia ainda apresenta novidades voltadas ao setor de construção, como a pá-carregadeira 544 versão G e a escavadeira DEX 210 versão P.

“A pá-carregadeira 544 G chega ao mercado como evolução da 524, modelo reconhecido pela robustez e confiabilidade em diferentes aplicações. O novo equipamento mantém essa base consolidada e incorpora melhorias em desempenho, eficiência operacional e facilidade de manutenção”, explica Adilson Butzke, diretor de Vendas e Marketing da divisão de Construção da John Deere para a América Latina.

Já a escavadeira DEX 210 P representa a nova geração de equipamentos da companhia a ser lançada em breve na América Latina. Produzida em Indaiatuba (SP), passou por mais de 165 mil horas de testes globais, incluindo cerca de 30 mil em condições reais na região, e pode ser equipada com sistemas que garantem execução precisa dos projetos e reduzem retrabalhos, além do SmartWeigh, que realiza a pesagem do material em tempo real, proporcionando maior controle das cargas.

Entre os recursos de segurança e operação, a DEX 210 P conta com o Controle Inteligente de braço e lança, que estabiliza os movimentos do braço, e Cercas Virtuais, sistema que delimita virtualmente o perímetro de trabalho para evitar interferências.

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