Infomoney - SP 19/03/2026
O novo CFO da Usiminas (USIM5) Diego Garcia teve conversas com analistas nesta semana, traçando cenários para a companhia. Ao longo do evento, o executivo deixou claro que o mote da siderúrgica durante a sua gestão será a disciplina. Com o objetivo de aprimorar a competitividade dos ativos, a Usiminas deverá focar na execução dos projetos em andamento e aumentar a eficiência operacional.
De acordo com Garcia, a companhia enfrenta um mercado difícil, com um cenário desafiador para o aço no Brasil. Para reduzir custos e aumentar a produtividade, a Usiminas priorizará seguir com os vários projetos de grande porte já em andamento, ao invés de assumir novos compromissos.
Conforme o JPMorgan, a agenda de curto prazo da companhia vai além do capex em andamento. A companhia revelou que todas as alavancas práticas estão sob revisão, desde os contratos com fornecedores à eficiência da força de trabalho. Ao mesmo tempo, a empresa tem levado em consideração os fatores externos, fora do controle da gestão.
Segundo os analistas da XP Investimentos, no curto prazo, a administração também aposta nas medidas antidumping para sustentar os preços no mercado interno. Em paralelo a isso, as taxas de frete sobem como reflexo do conflito no Oriente Médio. Para a casa, o aumento pode representar um risco de custos a médio prazo, com impactos potenciais provavelmente sentidos apenas no final do ano, caso esses níveis elevados persistam.
De acordo com o Morgan Stanley, o aumento das tarifas de frete à vista não deve impactar imediatamente os custos da Usiminas. A empresa possui contratos de frete garantidos até o segundo trimestre de 2026, antes do recente aumento.
Alocação de capital
A abordagem da Usiminas em relação à alocação de capital é conservadora. Durante o evento, a administração reforçou o objetivo em concluir projetos em execução, preservar a flexibilidade do balanço e evitar assumir riscos estruturais. Segundo o JP, o CFO se mostrou disposto a tolerar uma alavancagem temporariamente mais alta durante fases de pico de investimento.
A administração detalhou que dividendos ainda fazem parte da estratégia conservadora, equilibrados com necessidades de capex e liquidez prudente. De acordo com Garcia, recompras de ações podem acontecer, caso as condições permitirem, mas em segundo plano. A prioridade, conforme a própria empresa, segue com o financiamento dos projetos principais e à manutenção da solidez do balanço.
Alguns dos projetos em andamento apoiam a agenda de redução de custos, como o projeto PCI, para reduzir o consumo de coque, com benefícios de custo esperados no segundo semestre de 2026.
Outra iniciativa comentada é o projeto do gasômetro, que permitirá a reciclagem de gás para reduzir o consumo de gás natural no processo de fabricação de aço. A administração também discutiu o Projeto Compactos, com objetivo de fortalecer a produção de minério de ferro a longo prazo.
Em simultâneo a isso, a empresa espera avançar no licenciamento ambiental e na estruturação do projeto ao longo do ano, com uma possível decisão final de investimento no final do ano.
Revista Mineração - SP 19/03/2026
A ArcelorMittal Brasil inaugurou nesta terça-feira (18) uma nova planta de beneficiamento de minério de ferro na unidade de Serra Azul, localizada em Itatiaiuçu (MG). O projeto recebeu investimentos de R$ 2,5 bilhões e permitirá a ampliação da produção anual da mina de 1,5 milhão para 4,5 milhões de toneladas.
A cerimônia de inauguração contou com a presença de representantes do governo de Minas Gerais, autoridades municipais e colaboradores da companhia.
A expansão faz parte do ciclo de investimentos de R$ 25 bilhões da ArcelorMittal no país, iniciado em 2022 e atualmente em fase final. Considerado o maior programa da indústria do aço no Brasil, o plano contempla modernização de unidades industriais, diversificação do portfólio, aquisições estratégicas e projetos voltados à geração de energia renovável.
Segundo Sérgio Botelho, diretor-executivo da mina, a ampliação tem como foco aumentar a produção, prolongar a vida útil da operação e reduzir emissões de carbono, alinhando-se aos compromissos globais da empresa. Ele também destacou a importância histórica da companhia no estado mineiro.
Em operação desde 1969 e sob controle da ArcelorMittal desde 2008, a Mina de Serra Azul terá sua vida útil estendida até 2056 com a nova estrutura. A produção será destinada a uma unidade do grupo no México. O minério do tipo pellet feed, com teor de ferro em torno de 67% e baixo nível de impurezas, será transportado por cerca de 500 quilômetros até o terminal ferroviário e, posteriormente, ao Porto Sudeste, de onde seguirá para exportação.
O projeto envolveu uma complexa operação de engenharia, com a utilização de 17 mil toneladas de equipamentos e estruturas metálicas, instalação de 700 quilômetros de cabos elétricos e aplicação de 35 mil metros cúbicos de concreto. Também foram movimentados 2,5 milhões de metros cúbicos de terra e utilizadas 4 mil toneladas de vergalhões.
Além do impacto industrial, a iniciativa contribui para o desenvolvimento socioeconômico da região, com a geração de 332 empregos permanentes — praticamente dobrando o quadro de funcionários da unidade.
No campo ambiental, a nova planta foi projetada com foco em eficiência energética, priorizando o uso de tecnologias mais modernas disponíveis no mercado. O sistema permite a recirculação de mais de 90% da água utilizada no beneficiamento do minério, reduzindo significativamente o consumo de recursos hídricos.
Outro destaque é a adoção do sistema de empilhamento a seco de rejeitos, com uso de filtragem e compactação do material, eliminando a necessidade de barragens — prática adotada pela empresa desde 2012.
De acordo com Botelho, o projeto foi desenvolvido com base em rigorosos critérios socioambientais, visando minimizar impactos sobre o meio ambiente e as comunidades do entorno. Mesmo com o aumento expressivo da produção, a área de lavra foi ampliada em apenas 13%.
Valor - SP 19/03/2026
Os bancos fornecerão financiamento de longo prazo
Grandes instituições financeiras públicas e privadas japonesas estão prestes a fornecer cerca de 900 bilhões de ienes (US$ 5,66 bilhões) em empréstimos à Nippon Steel, após a aquisição da U.S. Steel por US$ 14,1 bilhões, segundo apurou o “Nikkei Asia”.
O Banco Japonês para Cooperação, ligado ao governo, fornecerá aproximadamente 550 bilhões de ienes, enquanto os principais bancos privados, Sumitomo Mitsui, MUFG Bank, Mizuho Bank e Sumitomo Mitsui Trust Bank, contribuirão com cerca de 350 bilhões de ienes.
Os bancos fornecerão financiamento de longo prazo, permitindo prazos de pagamento estendidos.
Estabilizar a cadeia de suprimentos de aço, utilizado em uma ampla gama de produtos industriais e projetos de construção, é fundamental para a segurança econômica. Com suas finanças reforçadas pelos empréstimos, a Nippon Steel dará continuidade a investimentos estratégicos de crescimento, incluindo a expansão e construção de siderúrgicas na Índia e a conversão de seus altos-fornos japoneses em fornos elétricos a arco.
Inicialmente, a Nippon Steel financiou a aquisição da U.S. Steel em junho integralmente por meio de empréstimos-ponte, que tendem a ter altas taxas de juros e exigem pagamento em até um ano.
Para solucionar esse problema, a empresa captou 750 bilhões de ienes por meio da emissão de títulos subordinados e empréstimos e anunciou, em fevereiro, que emitiria 600 bilhões de ienes em títulos conversíveis em mercados internacionais. Com a adição do novo financiamento bancário, a empresa finalizou o financiamento para a aquisição da U.S. Steel.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2026
Após quase dois anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 18, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual - de 15% para 14,75%, ao ano. A decisão do colegiado foi unânime.
A autoridade monetária havia cortado a Selic pela última vez em maio de 2024, quando diminuiu a taxa de 10,75% para 10,50% ao ano. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã e da disparada dos preços do petróleo.
Em comunicado, o Copom afirmou que os passos futuros do processo de calibração da Selic poderão incorporar novas informações relacionadas à profundidade e à extensão do conflito no Oriente Médio e seu impacto nos preços. Assim, o colegiado não sinalizou os passos da próxima reunião.
“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, diz o texto.
O colegiado afirmou que a decisão de reduzir os juros em 0,25 ponto porcentual é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.
Na reunião anterior, de janeiro, o Copom já havia indicado que começaria a diminuir os juros neste encontro. No mercado, havia dúvidas sobre a magnitude do primeiro corte, por causa da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Mas, nos últimos dias, cresceram as apostas no mercado financeiro de uma redução menor, de 0,25 ponto.
Antes do corte realizado nesta quarta-feira, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024.
Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Mais cedo, diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã, o Federal Reserve (Fed), o BC dos EUA, manteve a taxa dejuros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A manutenção era amplamente esperada por analistas, com as incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio. O presidente do Fed, Jerome Powell, recolocou no radar o risco de aumento das taxas de juro.
Exame - SP 19/03/2026
Após baixar a taxa Selic para 14,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom), em seu comunicado, deixou as portas abertas para todos os cenários possíveis, avalia Andrea Damico, economista-chefe da consultoria Buysidebrazil.
"O Copom diz que vai acompanhar os dados para tomar as decisões futuras, ou seja ele não dá nenhum guidance. Deixa realmente as portas abertas, tanto para continuar nesse ritmo de 25 (pontos-base) ou para acelerar se a guerra acabar e o petróleo ceder nas próximas semanas", disse Damico, durante um programa ao vivo da EXAME no YouTube. Assista abaixo.
"Ele não explicita isso, mas existe também sempre a possibilidade dele não dar nada, de parar esse afrouxamento, caso a situação piore ainda ou muito mais", afirma.
Damico aponta que outro ponto central do comunicado do Copom é o reconhecimento de que o cenário externo afeta a inflação, e que a posição sobre a atividade econômica no Brasil teve pouca mudança.
"No que diz respeito à inflação e atividade econômica, eles praticamente não alteraram nada. Eles trocaram arrefecimento por algum arrefecimento, então talvez reconhecendo que está mais lenta essa desinflação, mas sem mudanças significativas em relação ao cenário de curto prazo", afirma.
Redução da Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) baixou a taxa Selic para 14,75% ao ano, uma queda de 0,25 ponto percentual. Esta foi a primeira redução desde maio de 2024. A taxa estava em 15% desde junho de 2025. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões.
O Comitê de Política Monetária (Copom) baixou a taxa Selic para 14,75% ao ano, uma queda de 0,25 ponto percentual. O anúncio foi feito no começo da noite desta quarta-feira, 18.
Esta foi a primeira redução da Selic desde maio de 2024. A taxa estava em 15% desde junho de 2025. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões.
Mais cedo nesta quarta, o Fed (banco central dos EUA) decidiu manter a taxa de juros no país, na faixa entre 3,5% e 3,75%.
"O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz o comunicado do Copom.
"Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação", afirmou o comitê.
CNN Brasil - SP 19/03/2026
O BC (Banco Central) reforçou as incertezas com a guerra no Oriente Médio e deixou claro o início de um processo de "calibração" - não corte - dos juros, no comunicado que acompanhou a decisão de reduzir a Selic em 0,25 ponto, a 14,75%, nesta quarta-feira (18).
O temor com cenário internacional foi destaque do texto do Copom (Comitê de Política Monetária) - "Oriente Médio" é citado quatro vezes -, com ênfase para a elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
"O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil", cita o texto.
"Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária".
Copom reduz a taxa Selic para 14,75% a.a.
O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,3% no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities with efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração na atividade econômica, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.
O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, in particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados. O Comitê julgou apropriado dar início ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.
O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,75% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2026
O novo choque do petróleo da guerra no Irã põe em destaque a influência crescente dos choques de oferta globais nas economias dos países, afetando especialmente a política monetária.
O atual choque do petróleo é mais um episódio do que vem se tornando uma tendência: a multiplicação dos choques externos que afetam as economias nacionais e, em particular, a política monetária dos países.
Entre 1970 e 1998, o papel dos choques globais era relativamente modesto. Mas eles mais do que dobraram entre 1999 e 2019, sendo responsáveis por 1/3 da variância das taxas de juros das economias avançadas. Pós-pandemia, entre 2020 e 2024, esses choque globais passaram a explicar a metade da variação das taxas de juros, e até mais do que isso na área do euro.
Esses dados estão num estudo dos economistas Kristin Forbes (MIT), Jongrim Ha (Banco Mundial) e M. Ayhan Kose (Banco Mundial). Eles publicaram um artigo sobre o seu trabalho no site VoxEU.
Os pesquisadores fazem um paralelo interessante com ensinamentos do general e estrategista chinês Sun Tzu, do quinto século antes de Cristo. O sábio considerava necessário, para alcançar a vitória, diferenciar o que "vem do Céu", forças fora do controle dos generais, do que "vem da Terra", o terreno onde as batalhas são travadas. Para os autores, os choques globais são como eventos "do Céu" para os bancos centrais dos países.
Os economistas recordam que, até meados da década de 2000, os choques ainda eram predominantemente internos e de demanda, o que permitia calibrar melhor o balanço entre atividade e inflação, no período que ficou conhecido como a "Grande Moderação".
Já os choques globais são mais frequentemente de oferta (muitas vezes ligados a petróleo e energia), elevando a inflação e freando a atividade ao mesmo tempo. A política monetária atua sobre a demanda, e não sobre a oferta, o que, de saída, já torna mais complexa a abordagem de boa parte dos choques externos.
E há vários outros aspectos dos choques globais que dificultam a vida dos bancos centrais. Eles tendem a ser mais persistentes. Um choque doméstico na inflação costuma se dissipar em cerca de um ano. Já os efeitos de um choque global duram, em média, mais de três anos.
E há mais volatilidade nos choques externos, que tendem também a ser mais fortes. Além disso, o estudo identificou que os choques globais contribuem muito mais para os ciclos de aperto monetário (subida de juros) do que para os de alívio.
O trabalho mostra ainda uma mudança na forma como os bancos centrais reagem aos choques de oferta, com destaque para os globais. Tomando-se todo o período de 1970 a 2024, os choques de oferta explicam uma parcela maior da variação da inflação do que da taxa de juros, indicando que os BCs tendem de certa forma a acomodar esses choques.
Porém, desde o fim dos anos 90, e especialmente de 2020 a 2024, os choques de oferta globais explicam uma parcela maior da variação das taxas de juros do que da inflação e do produto - o oposto ocorre com choques de oferta domésticos. Para os autores, isso indica que os bancos centrais se tornaram menos propensos a acomodar os choque de oferta globais, relativamente aos domésticos.
"À medida que as perturbações nas cadeias de suprimentos globais se tornaram maiores, mais persistentes e mais voláteis, os 'policymakers' parecem reagir com mais força", escrevem os economistas.
No Brasil, nesta semana, o Banco Central tomará mais uma decisão sobre a Selic tendo como pano de fundo um forte choque de oferta global. Embora o estudo abordado nesta coluna tenha examinado países avançados, não há razão para duvidar que o impacto desses choques em economias emergentes seja pelo menos igual, quiçá maior, do que aquele que atinge os países ricos.
Se o Copom vai reagir mais fortemente a esse choque, como o trabalho mostra que é a tendência dos BCs do mundo avançado, é uma grande interrogação. Essa questão ficará mais clara na decisão sobre a Selic amanhã (a aposta principal passou a ser a de corte de 0,25 ponto porcentual, ante 0,5pp antes da deflagração da guerra no Oriente Médio) e no comunicado, no qual a autoridade monetária pode dar pistas sobre como pretende reagir ao choque.
TN Petróleo - RJ 19/03/2026
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) avalia como positivo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano. Esse movimento é coerente com a manutenção das expectativas inflacionárias dentro das metas previstas para os próximos anos e com o arrefecimento gradual do mercado de trabalho.
"Ainda assim, o atual patamar de juros permanece significativamente restritivo, sobretudo para a indústria de transformação, que segue enfrentando dificuldades para sustentar o investimento e recuperar competitividade", avalia o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
O início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, representa um alívio para a indústria, que enfrenta, além dos entraves internos, pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais decorrentes dos conflitos geopolíticos. Em um ambiente internacional de rápidas transformações, em que novos acordos comerciais exigem maior robustez produtiva, a federação ressalta a importância de fortalecer os fundamentos domésticos.
Mesmo em um contexto de incerteza associado ao ciclo eleitoral, o compromisso com uma agenda estrutural crível de contenção de gastos é condição necessária para reduzir o risco-país e abrir espaço para juros menores de forma sustentável. "Sem o pilar da responsabilidade fiscal, não será possível alcançar um patamar de juros capaz de destravar o investimento e devolver à indústria o fôlego necessário para competir no cenário global", aponta o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.
Jornal de Brasília - DF 19/03/2026
Apesar do corte na taxa básica de juros (Selic) de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Brasil segue na segunda posição no ranking mundial de juros reais (descontada a inflação), abaixo apenas da Turquia.
A taxa real brasileira passou de 9,23% ao ano, dado do levantamento feito em janeiro, para 9,51% ao ano em março.
Na Turquia, os juros reais subiram de 9,88% para 10,38% ao ano no mesmo período, segundo ranking elaborado pelo Portal MoneYou e pela Lev Intelligence.
Nesta quarta-feira (18), o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou a taxa básica de 15% para 14,75% ao ano.
A taxa real é uma combinação da inflação projetada para os próximos 12 meses (4,03%), segundo o boletim Focus, do Banco Central, e dos juros de mercado para os 12 meses à frente.
O Brasil possui juros reais mais elevados do que Rússia (9,41%), Argentina (9,41%) e México (5,39%), para citar os países mais próximos no ranking, que reúne 40 economias que possuem uma taxa média de 2,18% ao ano.
Em termos nominais, a taxa brasileira permaneceu em quarto lugar, abaixo de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%), mas acima de Colômbia (10,25%), México (7%) e África do Sul (6,75%).
Entre os 40 países do ranking, 82,5% mantiveram suas taxas nesse período, 10% cortaram e 7,5% elevaram.
Para a consultoria, o cenário de incertezas inflacionárias locais continua, dada a questão fiscal e um mercado de trabalho apertado, que criam tensão. O conflito entre Estados Unidos e Irã eleva as incertezas e complica o cenário para as decisões de política monetária.
CNN Brasil - SP 19/03/2026
Após corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros pelo BC (Banco Central), entidades avaliaram que a Selic segue em um nível restritivo e ainda insuficiente para o segmento, limitando a capacidade de investimento, encarecendo o crédito e dificultando a recuperação da competitividade do setor produtivo, mesmo diante do início do ciclo de cortes.
A decisão de reduzir a Selic a 14,75% ao ano foi divulgada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta quarta-feira (18).
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avalia que a decisão do BC foi adequada, mas ainda insuficiente para reverter o quadro econômico.
“A medida ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento — sintomas de uma política monetária excessivamente restritiva”, afirmou a entidade em nota.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, ressaltou que o atual cenário inflacionário abre espaço para uma atuação mais incisiva do Copom. Segundo ele, as expectativas de inflação seguem dentro do intervalo de tolerância da meta, o que justificaria um corte mais robusto da taxa básica de juros.
Alban também destacou que a manutenção de juros elevados por um período prolongado tende a aprofundar os efeitos negativos sobre a atividade produtiva, comprometendo a retomada do crescimento, o nível de investimentos e a geração de empregos.
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) também considera o corte da Selic insuficiente para melhorar a competitividade da indústria.
"A Federação compreende que o atual contexto internacional, marcado por conflitos no Oriente Médio e, consequentemente, a instabilidade nos preços dos combustíveis, gera efeitos secundários na inflação, mas alerta sobre os desafios adicionais à indústria, que já enfrenta um ambiente de crédito restrito e elevado custo de capital", explica documento.
Para o presidente da entidade, Flávio Roscoe, em um ambiente pressionado por choques externos, é “fundamental adotar medidas que contribuam para preservar a capacidade de investimento e a competitividade da indústria nacional”.
O dirigente também destacou que o elevado nível da taxa de juros impõe um grau significativo de restrição à economia e defendeu cautela para evitar impactos desproporcionais sobre a atividade produtiva e o mercado de trabalho. “Aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica leva a efeitos negativos na geração de emprego e renda”, afirmou.
Já a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) avaliou como coerente e positivo o corte de 0,25 ponto percentual da Selic.
"O início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, representa um alívio para a indústria, que enfrenta, além dos entraves internos, pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais decorrentes dos conflitos geopolíticos", avaliou a entidade.
O economista-chefe da federação, Jonathas Goulart, destacou a importância da responsabilidade fiscal e afirmou que, mesmo em um contexto de incerteza associado ao ciclo eleitoral, o compromisso com uma agenda estrutural crível de contenção de gastos é condição necessária para reduzir o risco-país e abrir espaço para juros menores de forma sustentável.
Segundo ele, sem esse pilar, a política monetária tende a permanecer restritiva por mais tempo, limitando os efeitos positivos do ciclo de cortes da Selic. Goulart ressaltou que a ausência de disciplina fiscal compromete a confiança dos investidores, pressiona as expectativas de inflação e dificulta a queda estrutural dos juros.
Em nota, a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) avalia que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio sobre o cenário interno limitaram um ajuste mais robusto por parte do Copom e que essa postura mais cautelosa deve ser mantida nas próximas reuniões.
"O ciclo de redução da Selic começou, mas a duração e intensidade dos cortes são cada vez mais incertos diante das conjunturas doméstica e internacional", explicou a entidade.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ressalta que o rigor da autarquia é uma "punição ao investimento e à inovação em favor da inpercia da renda fixa".
Na declaração, o presidente da federação, Paulo Skaf, diz que as taxas praticadas no mercado, que atingem seis vezes o índice de inflação, são "absurdas".
"Para que o país volte a crescer, é urgente que o governo assuma a responsabilidade sobre seus gastos excessivos e déficits — que já elevam a dívida pública para patamares próximos a 80% do PIB", avalia a entidade.
Investing - SP 19/03/2026
Os contratos futuros do minério de ferro caíram nesta quarta-feira, conforme o aumento das taxas de frete devido à guerra no Oriente Médio passou a restringir as exportações de aço.
Por outro lado, os preços foram sustentados pelas compras mais limitadas por parte das siderúrgicas chinesas, devido à alta dos custos de energia.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China recuou 0,12%, a 811 iuanes (US$117,97) a tonelada.
O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura caía 0,97%, a US$107,75 a tonelada.
O aumento das taxas de frete devido à guerra no Oriente Médio dificultou a exportação de produtos de aço acabados, já que os armadores se recusam a comprometer a tonelagem em meio às incertezas. Ao mesmo tempo, os custos altos de energia forçaram as usinas siderúrgicas a manter os preços elevados, desencorajando os compradores, segundo um relatório do Shanghai Metals Market.
A demanda fraca também está pesando sobre o mercado. A queda na produção chinesa de aço em janeiro e fevereiro levou as usinas siderúrgicas a adiarem a formação de estoques, informou uma nota do ANZ nesta quarta-feira.
A demanda por certos tipos de minério de ferro também passou por uma mudança estrutural, com os finos de IOCJ e os finos de PB desestocados rapidamente, enquanto os finos de Mac e os finos indianos tiveram um acúmulo de estoques nos portos chineses, de acordo com outra nota do Shanghai Metals Market.
No entanto, espera-se que a oferta mais limitada devido às restrições de compra colocadas pela China Mineral Resources Group (CMRG), compradora estatal de minério de ferro da China, dê suporte aos fundamentos do minério de ferro no curto prazo, acrescentou a nota.
Enquanto isso, o novo presidente-executivo da BHP, Brandon Craig, disse na quarta-feira que as negociações com a China continuarão, em meio à proibição da CMRG aos produtos da maior mineradora do mundo para controlar preços.
Valor - SP 19/03/2026
Presidente da Abla, Marco Aurélio Nazaré afirma que o cenário ideal para a indústria é de inflação controlada e juro mais baixo; a guerra, entretanto, tem deixado o mercado mais pessimista
O ano de 2026 deverá ser marcado pela dificuldade das locadoras em acelerar a compra de veículos, pontou a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), nesta quarta-feira (18). A guerra e seus efeitos sobre os juros e o poder de compra das famílias tende a deixar o setor de locação mais cauteloso após um ano de 2025 marcado por recuo nas compras.
Segundo dados da Abla, em 2025, o setor comprou 628.890 veículos, contra 649.399 em 2024. Com isso, o setor viu sua participação no total de emplacamentos no país cair de 26,1%, em 2024, para 24,6%, no ano passado – menor nível desde 2021.
“Esse ano vai ser bastante complicado. Temos um ano com Copa do Mundo, vários feriados, eleição. E agora, o cenário internacional mais complexo com a guerra”, disse vice-presidente da Abla, Paulo Miguel Júnior, em coletiva.
A previsão neste ano é que o setor mantenha o patamar de 620 mil carros comprados do ano passado. Em 2025, entretanto, a previsão também era manter as compras, o que não aconteceu em razão do juro elevado e seus efeitos sobre o custo de capital para a compra.
O presidente da Abla, Marco Aurélio Nazaré, disse que o cenário ideal para a indústria é de uma inflação controlada e um juro mais baixo. A guerra, entretanto, tem deixado o mercado mais pessimista. “Antes, pessoas no mercado projetavam fechar 2027 com taxa de juros próximo de 9% ou 10%. Hoje, [uma taxa de] 10% já é considerada muito favorável”, disse.
A guerra pode ainda comprometer o setor de locação de carros (o chamado RAC), diante do efeito sobre o preço dos combustíveis, que estão mais caros. “Um efeito da guerra nas locadoras e que estamos escutando é motoristas de aplicativo buscando mais carros eletrificados e híbridos”, disse Miguel Júnior, apontando essa busca também no segmento de seminovos.
As locadoras do Brasil fecharam 2025 com uma frota de 1,717 milhão de automóveis e comerciais leves, um crescimento de 100 mil veículos ou 6,2% em relação ao ano anterior. O setor de locação de veículos alcançou, no ano passado, um faturamento total recorde de R$ 61,7 bilhões, crescimento de 16,6% em relação a 2024.
A idade média da frota das locadoras caiu de 17,5 meses para 16,4 meses. A renovação é um passo importante após o envelhecimento da frota durante a pandemia.
As empresas do setor investiram R$ 79,3 bilhões na aquisição de novos automóveis, quase R$ 11 bi a mais do que em 2024 ou um salto de 15,3%. O investimento médio por automóvel atingiu R$ 126.050, 19% a mais do que o ano anterior. Por sinal, foi o maior preço do carro que levou a um crescimento no investimento mesmo em um cenário de menor volume de compras.
Monitor Digital - RJ 19/03/2026
A Caoa Changan inicia as entregas da sua rede de concessionárias no Brasil em 2026, com mais de 50 unidades previstas. A rede inclui também mais de 40 oficinas integradas ao sistema logístico da empresa.
A operação contará com vendedores e mecânicos treinados pela montadora. O Centro de Distribuição Caoa mantém estoque de mais de 1 milhão de peças, com capacidade declarada de atender 99% da demanda das oficinas em poucos dias.
Nos próximos dias, a rede será o canal de apresentação do primeiro veículo da marca produzido localmente no Brasil. A empresa não divulgou ainda oficialmente o modelo ou segmento, mas fontes do mercado afirmam ser o SUV médio Unit T, com produção em Anápolis (GO).
Na próxima semana é aguardada a visita do presidente Lula à planta, para dar início às operações.
A Caoa Changan é uma nova marca dentro do grupo Caoa, que já opera no Brasil com outras montadoras (Chery) e mantém estrutura de distribuição e pós-venda no setor automotivo nacional.
Denza inaugura loja em Brasilia e habilita supercarregador
A Denza, marca de luxo da BYD, inaugurou sua primeira concessionária em Brasília, operada pelo Grupo Saga. A marca registrou 32 emplacamentos do SUV B5 em janeiro e 50 em fevereiro, o que correspondeu a cerca de 30% de participação no segmento premium do Distrito Federal nos dois meses.
A rede Denza no Brasil passa a contar com três pontos: São Paulo, Brasília e uma unidade em soft opening no Rio de Janeiro. A previsão é encerrar 2026 com 22 concessionárias em operação.
Durante o evento, a BYD anunciou a instalação do primeiro carregador com tecnologia Flash do Brasil na unidade de Brasília, prevista para o primeiro semestre de 2026. O equipamento tem potência de 1.500 kW por conector e carrega a bateria de 10% a 70% em 5 minutos.
A meta é instalar mil carregadores Flash no Brasil até o fim de 2027. O primeiro modelo compatível com a tecnologia será o cupê elétrico Z9 GT, próximo lançamento da marca no País.
BYD terá centro de testes no Rio de Janeiro
A BYD anunciou a criação do seu primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva no Brasil, com investimento de R$ 300 milhões. O projeto será desenvolvido no complexo do Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador (RJ).
A estrutura prevê pistas para testes de velocidade, potência, resistência e durabilidade, além de um circuito off-road e uma piscina para o teste de flutuação do modelo U8. O centro terá foco em desenvolvimento de tecnologias de direção autônoma e adaptação de soluções ao mercado brasileiro e latino-americano. A inauguração está prevista para 2028.
GAC inicia pré-venda de SUV compacto
A GAC iniciou a pré-venda do GS3 no Brasil. As reservas são feitas exclusivamente pela loja oficial da marca no Mercado Livre, com sinal de R$ 4 mil, valor descontado no ato da compra.
Os participantes da pré-venda recebem R$ 4 mil de bônus e três revisões gratuitas. Os preços não foram divulgados ainda, mas estima-se que partam de R$ 130 mil.
O GS3 é um SUV compacto equipado com motor 1.5 turbo a gasolina, com 170 cv e 25,5 kgfm de torque. Com o modelo, o portfólio da GAC no Brasil passa a ter seis veículos: Aion ES, Aion Y, Aion V, GS4 e Hyptec HT.
Ford lança opções de Ranger para o trabalho
A Ford coloca à venda a Ranger XL em três novas carrocerias: cabine simples, chassi cabine e cabine dupla, todas disponíveis com transmissão manual ou automática de seis velocidades. A linha passa a ter seis versões XL no total.
O motor é o 2.0 turbodiesel Panther, com 170 cv. A cabine simples tem capacidade de carga de 1.223 kg na versão manual e 1.170 kg na automática. A chassi cabine suporta 1.371 kg no manual e 1.318 kg no automático, e pode receber implementos como baú, eletricitária ou ambulância.
A autonomia declarada é de 860 km, com consumo combinado de 10,7 km/l e tanque de 80 litros.
Os preços partem de R$ 248.600 para a chassi cabine manual e chegam a R$ 282.600 na cabine dupla automática.
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Diário do Comércio - MG 19/03/2026
A montadora chinesa GAC anunciou nesta quarta-feira que começará a produzir veículos no Brasil a partir de 2027 em Goiás, parte de uma estratégia de expansão global do grupo criado em 2008.
A companhia fez uma parceria com a brasileira HPE e utilizará a fábrica de Catalão (GO), que já produz modelos da Mitsubishi. A previsão é de uma capacidade de produção de até 50 mil veículos da GAC por ano.
A GAC tem joint-ventures na China com as japonesas Toyota e Honda e o anúncio reforça a disputa do mercado brasileiro por montadoras chinesas que no país têm a BYD como líder de vendas.
A companhia lançou sua operação no Brasil em maio passado, quando já tinha anunciado intenção de ter produção local até o final deste ano.
A GAC, que afirma ser a sexta maior montadora de carros da China, anunciou no ano passado planos de investimento de R$6 bilhões em cinco anos no Brasil.
A montadora chinesa afirma ter presença em mais de 100 países, com produção de cerca de 2 milhões de veículos em 2024.
Infomoney - SP 19/03/2026
A Multiplan (MULT3), uma das maiores companhias do setor de shopping centers do Brasil, inaugurou nesta quarta-feira, 18, a 6ª expansão do MorumbiShopping, em São Paulo. A expansão é a primeira do ano para a companhia, mas não será a última, segundo o CFO do grupo, Armando d’Almeida Neto.
“Vamos entregar uma expansão no BH Shopping e vamos abrir uma grande expansão no Park Shopping Brasília, no fim do ano, no quarto trimestre. Mas o mundo não para, já estamos pensando nas próximas”, disse ao InfoMoney.
O executivo afirmou que há hoje 160 mil metros quadrados de expansões mapeadas dentro do portfólio. Há também cerca de 865 mil metros quadrados de projetos para vendas, principalmente residenciais e escritórios, para desenvolvimento.
No caso do MorumbiShopping, foi alocado um investimento de R$ 400 milhões, incluindo expansão e revitalização. O projeto ampliou a Área Bruta Locável (ABL) do shopping em 13.141m2, incorporando 40 novas lojas distribuídas em dois pavimentos, além de um terceiro piso com rooftop gastronômico.
Com o cenário ainda de juros elevados e em ano eleitoral, o que muda para o grupo é a velocidade do crescimento, segundo o CFO.
“Vamos crescer provavelmente se os juros ficarem altos por mais tempo, com uma velocidade menor do que a gente poderia fazer, com uma capacidade menor de colocar os projetos na rua que a gente tem”, afirma. Ainda assim, o executivo traça paralelo com o período da pandemia, por exemplo, quando os juros estiveram a 2% mas não havia atividade econômica.
Em sua visão, há uma junção entre a conjuntura de juros, de crescimento e de apetite de lojistas por espaços. Além disso, fatores como reforma tributária e de escala de trabalho também tem potencial de impacto, tanto negativo quanto positivo.
Internacionalização
No centro da estratégia da nova fase do MorumbiShopping está a entrada de marcas internacionais no Brasil. Entre os destaques do novo mix estão a estreia da Bershka no país, marca do grupo Inditex, que inaugura sua primeira loja nacional no empreendimento, e a chegada da Bath & Body Works, líder global em cuidados pessoais e fragrâncias para o lar.
O mix da expansão internacional inclui ainda marcas como H&M, Jo Malone e Michael Kors.
“É aquela máxima: localização, localização, localização. A marca quer estar em bons pontos e nosso portfólio tem essa opção para trazer marcas novas. Tem muitas oportunidades de nomes que não estão no Brasil, que querem vir e vão estar, certamente, olhando o nosso portfólio como essa porta de entrada”, afirma.
A quantidade de marcas atualmente presentes, para o CFO, ainda é pouco perto das companhias que querem estar no país.
InfraRoi - SP 19/03/2026
A VLI, companhia de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, registrou a movimentação de 43,5 bilhões de TKU nos seus corredores logísticos ferroviários, um aumento de 4% em relação a 2024. Nos portos onde opera, a VLI embarcou 43,9 milhões de toneladas, incremento de 2% ante 2024.
O resultado também apareceu nos indicadores financeiros: Ebitda de R$ 5,26 bilhões, receita líquida de R$ 9,95 bilhões e lucro líquido reportado de R$ 1,4 bilhão, crescimento de 5,3% em comparação com o mês anterior, alavancado por iniciativas para refinanciamento de dívidas vincendas, que trouxeram redução de despesas financeiras.
A VLI também investiu em sua operação pelo segundo ano seguido. Foram cerca de R$ 3,5 bilhões em seus ativos próprios e nas concessões sob sua gestão, o equivalente a 35% da receita líquida e 2,5 vezes o lucro líquido reportado no ano.
CEO da VLI destaca gestão da empresa nos resultados
O CEO da VLI, Fábio Marchiori, destacou o papel dos seus colaboradores nos resultados positivos da empresa, que seriam” reflexo do engajamento das nossas pessoas, da disciplina na gestão de custos e da alocação estratégica de capital, da diversificação do portfólio de clientes e regiões geográficas atendidas pela VLI”.
Em seu comunicado divulgado à imprensa, ele também diz que a empresa busca pela excelência e segurança das operações em ferrovias, portos e terminais. “Pelo sétimo ano seguido, nosso rating de crédito mantem-se no grau máximo (AAA), o que demonstra o compromisso com uma gestão responsável, para gerar resultados para os nossos investidores, clientes e sociedade.”
Ativos da VLI
A base da operação da VLI está no transporte ferroviário, responsável pelo escoamento de commodities como grãos, minério e combustíveis, com destaque para:
Ferrovia Centro-Atlântica Ferrovia Norte-Sul Estrada de Ferro Carajás
A empresa também opera terminais terrestres estratégicos para transbordo e armazenagem, fazendo a ligação entre diferentes modais logísticos:
Terminal Integrador Porto Nacional Terminal Integrador Palmeirante Terminal Integrador Porto Franco Tiplam
No segmento portuário, a VLI atua com ativos próprios e operações em portos estratégicos:
Terminal Portuário São Luís Operações no Porto do Pecém Operações no Porto de Santos (via Tiplam)
Revista Ferroviaria - RJ 19/03/2026
O primeiro leilão ferroviário previsto para 2026, do corredor Minas-Rio, sofreu atraso e já não deve ocorrer em abril, como inicialmente previsto. O edital, que era esperado desde janeiro, ainda não foi publicado, e o governo federal readequou o cronograma, com previsão de realização do certame entre julho e agosto
Para a CNN, o secretário-executivo da pasta, George Santoro, afirmou que o documento, inicialmente esperado para janeiro, deve ser divulgado até maio. Com isso, o leilão precisou ser adiado, porém, Santoro afirma que esse segue sendo o primeiro leilão ferroviário do ano.
O atraso está relacionado, principalmente, ao caráter inédito do modelo e a ajustes no processo após o TCU (Tribunal de Contas da União) pedir para analisar o projeto, disse Santoro. Como a análise prévia da Corte de Contas não estava prevista no cronograma original, foi necessário readequar as etapas do projeto.
No momento, a proposta está na fase final de análise na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
O corredor Minas-Rio será o primeiro leilão estruturado por meio de chamamento público, mecanismo em que o governo oferece ao mercado trechos ferroviários devolvidos por concessionárias, geralmente por falta de interesse econômico. Empresas interessadas podem, então, assumir a operação e realizar investimentos.
O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, explicou que esse modelo deve ganhar protagonismo nos próximos anos e que o processo será semelhante ao do setor portuário com edital, projeto de referência e análise do TCU (Tribunal de Contas da União).
Jornal de Brasília - DF 19/03/2026
Em Brasília, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, assinou nesta quarta-feira (18) o termo aditivo que prorroga por mais 20 anos o contrato de arrendamento do terminal de cobre da Vale no Porto do Itaqui, em São Luís (MA). A extensão vai até 2 de janeiro de 2043, conforme previsto na legislação do setor portuário e na Portaria 530, de 2019.
Como contrapartida, a Vale investirá R$ 221,5 milhões, sendo R$ 21,5 milhões em aportes contratuais e R$ 200 milhões voluntários até 2030. Os recursos serão destinados à modernização de ativos, aumento da eficiência operacional e ampliação da vida útil dos equipamentos, garantindo a continuidade das operações de armazenagem e exportação do concentrado de cobre produzido no Complexo Minerador de Carajás, no Pará.
Silvio Costa Filho destacou o momento de crescimento econômico do país, baseado na segurança jurídica, que estimula investimentos como este no Maranhão. “O Brasil passa por um momento de crescimento econômico, que tem como base a segurança jurídica e um forte potencial de desenvolvimento”, afirmou o ministro.
A presidente do Porto do Itaqui, Oquerlina Costa Silva, enfatizou que a prorrogação representa um avanço para o desenvolvimento logístico da região, fortalecendo a parceria entre a empresa e o porto. “Estamos celebrando mais uma vitória. Não só para a Vale, mas também para o Porto do Itaqui, para o Maranhão e para toda a região”, disse.
O vice-presidente executivo da Vale, Samir Arap Sobrinho, reforçou o compromisso da companhia em ampliar os investimentos no terminal e contribuir para o crescimento econômico do país e do estado. “Queremos ajudar o país a crescer. A Vale tem a honra de manter essa relação de respeito, de transparência”, declarou.
O terminal ocupa 53,6 mil metros quadrados e integra a cadeia logística da Vale para exportação de concentrado de cobre das minas de Sossego, em Canaã dos Carajás (PA), e Salobo, em Marabá (PA). Em 2025, as unidades produziram 293 mil toneladas de cobre concentrado, um aumento de 10,5% em relação a 2024. Nos últimos 15 anos, o volume anual movimentado no terminal mais que dobrou, de cerca de 420 mil toneladas em 2010 para quase 1 milhão de toneladas em 2025.
A prorrogação ocorre em meio à expansão da produção de cobre pela Vale, essencial para a transição energética global, usado em turbinas eólicas, painéis solares, redes elétricas e veículos elétricos. A companhia planeja alcançar 700 mil toneladas de produção global de cobre até 2035, com o apoio da estrutura logística no Porto do Itaqui.
O evento contou com a presença de autoridades como o diretor-presidente da ABTP, Jesualdo Silva, a diretora executiva da ATP, Gabriela Costa, o diretor da Antaq, Alber Furtado, além de representantes da Marinha do Brasil, executivos da Vale e do Ministério de Portos e Aeroportos.
Agência Brasil - DF 19/03/2026
A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, anunciou nesta quarta-feira (18) que passará a fazer serviços de transporte marítimo para empresas de fora do chamado sistema Petrobras.
A companhia, que realiza para a Petrobras o deslocamento de combustíveis em navios e por meio de oleodutos, fechou, pela primeira vez, contratos com duas empresas para o transporte marítimo, a Trafigura e a Ipiranga.
A Transpetro informou ainda que a abertura de leque de clientes de navegação é estratégica.
“A nova frente de negócios amplia o portfólio de serviços da companhia, incluindo o afretamento de embarcações estrangeiras para atuar na cabotagem (na costa brasileira) e no longo curso (trajetos internacionais)”, diz nota da empresa.
A subsidiária explicou que a decisão de ingressar no novo segmento leva em conta a expansão do transporte aquaviário no país, a maior procura por afretamento de embarcações estrangeiras, devido à baixa disponibilidade de navios de bandeira brasileira, e o aumento da produção de petróleo no país.
A Transpetro cita que, de janeiro a novembro de 2025, a movimentação de petróleo e derivados nos portos brasileiros alcançou cerca de 203 milhões de toneladas, segundo levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos.
Outros serviços
Além da navegação, a Transpetro vai oferecer a futuros clientes serviços como vetting (avaliação técnica e operacional para verificação de padrões de segurança em navios); fitting (checagem e adequação das embarcações às exigências específicas de cada terminal); suporte regulatório; monitoramento operacional e emissão de documentos de transporte.
De acordo com o diretor financeiro da Transpetro, Danilo Silva, a empresa passa a oferecer ao mercado a oportunidade de viabilizar operações com embarcações estrangeiras quando não houver disponibilidade de navios com bandeira brasileira.
“A ampliação da atuação está em linha com nossos objetivos estratégicos de buscar mais clientes e elevar o faturamento”, disse em nota.
A companhia já oferecia outros serviços de logística para clientes, como distribuidoras, indústria petroquímica e demais empresas do setor de óleo e gás. São mais de 130 clientes na carteira.
A Transpetro é a maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina e opera uma frota de 33 navios, 46 terminais (25 aquaviários e 21 terrestres) e cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos.
Valor - SP 19/03/2026
A indústria naval chinesa está vivenciando uma recuperação nas encomendas após a ameaça de taxas portuárias nos Estados Unidos ter tornado o ano de 2025 turbulento. A retomada tem presença crescente de embarcações de alto valor agregado, como navios-tanque para gás natural liquefeito (GNL).
A recuperação foi visível neste mês em uma base de produção da China State Shipbuilding (CSSC) na cidade portuária de Dalian, no nordeste do país, com vários navios-tanque em construção e grandes guindastes de pórtico operando a todo vapor.
O setor passou por altos e baixos significativos. Até 2024, houve uma demanda robusta por embarcações que atendessem às normas ambientais. Mas surgiram dificuldades quando o Representante Comercial dos Estados Unidos anunciou, em abril do ano passado, a imposição de taxas portuárias para navios construídos na China que atracassem nos Estados Unidos, a serem implementadas a partir do outono daquele ano.
As empresas de transporte marítimo, diante dos custos adicionais, passaram a adiar cada vez mais a encomenda de embarcações da China. As novas encomendas aos estaleiros chineses caíram pela primeira vez em três anos em 2025, com uma queda de 35%, para 35,36 milhões de toneladas brutas compensadas, segundo a Clarksons Research.
Mas o número anual não mostra o quadro completo.
Dados mensais da Associação Chinesa da Indústria Naval mostram que, embora as encomendas tenham apresentado queda anual em termos de tonelagem de porte bruto (TPB) até outubro, elas se recuperaram acentuadamente no final de 2025. As encomendas de novembro ficaram cerca de 80% acima da média mensal de janeiro a outubro, em torno de 13 milhões de TPB, e mais que o triplo da média dos últimos 10 meses em dezembro.
Os Estados Unidos concordaram, em uma cúpula com a China em outubro, em adiar a implementação das taxas portuárias até o outono de 2026, em uma medida que se acredita ter sido um compromisso motivado pelos controles de exportação de metais de terras raras impostos por Pequim. Isso parece ter diminuído a relutância dos armadores em encomendar novas embarcações.
A Yanzijiang Shipbuilding Holdings, uma das maiores construtoras navais privadas da China, ilustra a recuperação que se seguiu à mudança radical nas taxas portuárias. Suas novas encomendas para 2025 haviam atingido apenas US$ 540 milhões até o final de junho, mas saltaram para US$ 2,17 bilhões em meados de novembro, com mais US$ 300 milhões adicionados até o final do ano.
"Esse ritmo provavelmente continuará em 2026", disse o executivo-chefe (CEO), Ren Letian.
Empresas chinesas receberam 67% das novas encomendas de construção naval em todo o mundo em janeiro, e sua participação subiu ainda mais para 80% em fevereiro, de acordo com a publicação especializada Eworldship.
Muitas dessas encomendas vieram da Europa. A Hengli Heavy Industries garantiu, em fevereiro, uma encomenda de uma empresa grega para até seis navios graneleiros de 180 mil toneladas.
A resiliência das construtoras navais chinesas tende a ser atribuída à sua competitividade de custos. A mão de obra, que representa 20% ou mais do custo total de construção de uma embarcação, é 50% ou mais inferior ao de concorrentes no Japão ou na Coreia do Sul, segundo o ING. Os chineses também conseguem obter grandes quantidades de aço a preços baixos.
As empresas chinesas também estão ganhando terreno no mercado de navios metaneiros, (que transportam gás natural liquefeito( GNL), especialidade dos construtores sul-coreanos devido à expertise técnica envolvida.
A Hudong-Zhonghua Shipbuilding, empresa central do grupo CSSC, entregou em janeiro o Tianshan, seu 60º navio metaneiro. O estaleiro teria reduzido o tempo de construção de 36 para 16 meses, com a produção interna de mais equipamentos e peças-chave.
Com a ascensão dos construtores chineses, o Japão tem trabalhado para fortalecer sua indústria naval. As empresas de navegação japonesas estão optando por encomendar embarcações de fabricantes nacionais por razões de segurança econômica.
O governo japonês pretende quase dobrar o volume de construção naval em 2035 em relação aos níveis de 2024. O estaleiro Shin Kurushima planeja investir cerca de 40 bilhões de ienes (US$ 250 milhões) até o ano fiscal de 2030 em expansão, com foco em navios movidos a combustíveis alternativos.
A guerra no Irã está causando preocupação tanto para os estaleiros chineses quanto para os japoneses. A demanda por novas embarcações cresceu em paralelo com o aumento do comércio global, e um conflito prolongado poderia fazer com que as empresas de transporte marítimo voltassem a adotar uma postura de cautela.
CNN Brasil - SP 19/03/2026
Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira (18), após relatos dos primeiros ataques a instalações de petróleo e gás iranianas na guerra, incluindo o maior campo de gás natural do mundo. Os incidentes representam uma escalada significativa no conflito, que até agora poupou em grande parte a infraestrutura energética do Irã.
O petróleo Brent de maio, referência global, fechou em alta de 3,83%, a US$ 107,38 o barril. O WTI, referência nos EUA, de maio, subiu 0,11%, para US$ 96,32 o barril.
No pós-mercado, os preços do petróleo seguem ampliando os ganhos com ataques do Irã a infraestruturas de energia no Oriente Médio. Por volta das 17h30, o Brent subia 7,7%, enquanto o WTI avançava 4%.
As agências de notícias semioficiais iranianas Fars e Tasnim informaram nesta quarta-feira (18) que algumas instalações importantes da indústria de petróleo e gás natural do país, incluindo refinarias, foram atingidas por ataques conjuntos entre EUA e Israel, e que os serviços de emergência tentam conter os incêndios.
A agência Tasnim citou South Pars, o maior campo de gás natural do mundo, e Asaluyeh, que possui instalações de petróleo e petroquímicas. South Pars é compartilhado com o Catar, que já desativou a maior planta de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
No início da guerra, Israel atacou um depósito de combustível em Teerã e, na sexta-feira (13), os Estados Unidos atacaram infraestrutura militar na ilha iraniana de Kharg, mas os ataques desta quarta-feira (18) representam os primeiros ataques a instalações de produção.
Os ataques mais recentes aumentam os temores de uma guerra mais longa. "Os mercados de energia estão tendo que precificar continuamente uma interrupção mais prolongada nos fluxos de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz, com poucos sinais de desescalada ou retomada dos fluxos de petróleo e GNL por essa via", escreveu Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING, em uma nota nesta semana.
O petróleo Brent fechou a US$ 103,42 na terça-feira (17), o nível mais alto desde o início da guerra, enquanto o Irã intensificava os ataques à infraestrutura energética no Golfo. Os preços do petróleo bruto subiram cerca de 40% desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro.
Iraque transportará petróleo via Turquia
As oscilações nos preços do petróleo indicaram que os investidores não se animaram muito com a notícia de que o Iraque havia fechado um acordo para retomar uma pequena quantidade de exportações de petróleo bruto via Turquia, contornando o Estreito de Ormuz, que está bloqueado.
As exportações de petróleo bruto dos campos petrolíferos de Kirkuk, no Iraque, devem ser retomadas nesta quarta-feira (18), a partir do porto de Ceyhan, na Turquia.
O governo federal do Iraque e o Governo Regional do Curdistão (GRC) “concordaram em tomar as medidas de segurança necessárias para proteger os campos petrolíferos e garantir a continuidade das exportações de petróleo”, afirmou o GRC em comunicado divulgado na terça-feira (17).
As exportações pelo oleoduto de Kirkuk fluirão a uma taxa de 250 mil barris por dia, uma “gota no oceano”, segundo Neil Wilson, estrategista da plataforma de negociação Saxo. Mas a retomada desses fluxos ainda é “mais uma notícia positiva em meio à guerra”, apontou ele em nota.
Para contextualizar, o Iraque produzia cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo por dia antes do início da guerra, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA. O quase fechamento do Estreito de Ormuz significa que cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, aproximadamente um quinto da oferta mundial de petróleo, são bloqueados no mercado global todos os dias.
Em outra notícia, uma fonte de segurança iraniana disse à CNN que Teerã está em negociações com oito países fora do Oriente Médio para garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz a petroleiros que transportam petróleo negociado em yuan chinês. O petróleo é negociado principalmente em dólares, com exceção do petróleo russo, que é negociado em rublos ou yuan.
Preços da gasolina nos EUA disparam
Os preços da gasolina nos Estados Unidos atingiram o nível mais alto em quase dois anos e meio.
O preço do galão de gasolina comum subiu mais 5 centavos de dólar, em média, para US$ 3,84, o preço mais alto desde 25 de setembro de 2023, de acordo com a Associação Automobilística Americana (AAA).
O preço médio da gasolina está agora em US$ 4 ou mais em sete estados, e ultrapassou os US$ 5 por galão na Califórnia, Havaí e Washington, segundo a AAA.
O preço médio nacional subiu 86 centavos de dólar em apenas 18 dias – um aumento de 29% – em um dos picos mais rápidos já registrados para os preços da gasolina. O rápido aumento é comparável, em termos percentuais, ao choque nos preços da gasolina durante o furacão Katrina, quando a tempestade atingiu a Costa do Golfo no verão de 2005, paralisando grande parte das operações de refino de petróleo dos Estados Unidos.
O foco do mercado permanece na duração da guerra. Também nesta quarta-feira (18), o Irã lançou novos ataques contra Israel, prometendo vingança pelo assassinato de dois importantes líderes iranianos nesta semana, incluindo o chefe de segurança Ali Larijani. Duas pessoas foram mortas por estilhaços de mísseis em Tel Aviv, segundo a polícia, e vários locais da cidade foram atingidos por destroços.
Valor - SP 19/03/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vetou Israel de realizar novos ataques ao megacampo de produção de gás natural Pars Sul, local de administração dividida entre Irã e Qatar que fica no meio do golfo Pérsico e foi alvo de ofensiva israelense nesta quarta-feira (18).
"Israel, por raiva do que tem acontecido no Oriente Médio, violentamente atingiu uma grande instalação conhecida como campo de gás Pars Sul no Irã. Os EUA não sabiam nada sobre este ataque em particular, e o Qatar não esteve envolvido de nenhuma forma nem tinha ideia de que ele iria ocorrer", afirmou Trump na rede Truth Social nesta quarta.
"Infelizmente, o Irã não sabia disso, e sem justificativa e injustamente atacou uma parte da instalaçao de LNG [gás natural liquefeito] do Qatar. Israel não fará novos ataques a esse extremamente importante e valioso campo de Pars Sul, a não ser que o Irã decida atacar o muito inocente Qatar --situação na qual os EUA, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, vai explodir massivamente a totalidade do campo de Pars Sul com uma quantidade de força e poder que o Irã nunca viu ou testemunhou antes", escreveu Trump.
O ataque de Israel ao campo gerou nova escalada do conflito no Oriente Médio, prontificando uma retaliação da República Islâmica contra infraestrutura energética de aliados americanos na região, como o Qatar, além de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O Qatar tem acesso a 60% das reservas da área do megacampo de Pars Sul, e o Irã é o maior produtor local de gás natural, quase toda produção comprada pela China.
Houve incêndio em estações de processamento do gás, controlado após horas. Antes, Tel Aviv havia matado o homem-forte do regime islâmico, Ali Larijani, e um importante comandante militar, o que levou a uma onda de retaliação mais forte contra Israel e países do golfo.
Na sequência, o Irã lançou uma ameaça até aqui inédita: listou uma refinaria e uma petroquímica da Arábia Saudita, um campo de gás dos Emirados Árabes Unidos e três complexos do Qatar.
A publicação de Trump indica a preocupação com seus aliados na região e com os impactos do conflito no setor energético, em momento de extrema incerteza e volatilidade de preços.
As ameaças iranianas a instalações energéticas da região, inclusive de petróleo, e continuidade do bloqueio do estreito de Hormuz fizeram o preço do barril Brent voltar a subir nesta quarta, fechando o dia em alta de 5,85% e cotado a quase US$ 110.
No Qatar, houve explosões e um grande incêndio no maior terminal de embarque de gás natural liquefeito do mundo, em Ras Laffan Industrial City. O governo local apenas disse que estava trabalhando contra ataques, e que tinha evacuado unidades de petróleo e gás. Nos Emirados, o governo relatou queda de destroços nas instalações do campo de gás de Habshan.
Ironicamente, pouco antes o governo em Doha havia emitido protestos, ao lado dos Emirados e de Omã, contra a ação israelense, dizendo que ela era "irresponsável e perigosa". Mas, após os relatos de explosões, expulsou o adido militar de Teerã no país.
O governo do premiê Binyamin Netanyahu tem escalado operações militares, anunciando inclusive uma política aberta de assassinato de lideranças do Irã. Trump tem se perdido em declarações contraditórias, e isso, segundo analistas do Estado judeu, faz Netanyahu dobrar a aposta no ataque frontal ao regime iraniano.
O Estado de S.Paulo - SP 19/03/2026
O CEO da Roubini Macro Associates, Nouriel Roubini, prevê que o preço do barril de petróleo deve estacionar em um patamar 10% acima das cotações anteriores ao início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro. Isso, no entanto, levará a uma situação de aumento de inflação nos Estados Unidos e forçará o presidente Donald Trump a recuar na sua intenção de continuar atacando o país persa.
Por isso, de acordo com Roubini, que participou na terça-feira, 17, do Nomad Global Invest Day, evento apoiado pelo Estadão, o seu cenário básico contempla um cessar-fogo no Irã.
“O preço do petróleo vai estagnar a economia americana e, como faltam nove meses para a eleição de meio de mandato nos EUA, Trump pode voltar atrás e ordenar um cessar-fogo”, disse Roubini.
No entanto, de acordo com o economista que ganhou fama mundial por ter previsto a crise da bolha imobiliária de 2007 e 2008, não se pode descartar a possibilidade de o Irã querer manter a guerra e o Estreito de Ormuz fechado para machucar os EUA e a Europa.
Se isso ocorrer, de acordo com Roubini, os países asiáticos vão festejar porque o petróleo do Irã será direcionado a eles a preços mais baixos.
“Não se trata apenas de Trump recuar, mas também de o Irã querer ou não interromper a guerra para prejudicar EUA, Israel e Europa”, disse Roubini, reforçando que isso, na avaliação dele, é pouco provável e que seu cenário básico aponta para um cessar-fogo.
Duração da guerra
O economista avalia que a guerra no Irã não deve durar mais do que alguns meses. Se a previsão for confirmada, projetou o economista, haverá uma reversão de boa parte da escalada na cotação internacional do petróleo.
“Mesmo que ainda permaneça um prêmio de risco nos preços do petróleo, porque o Irã sempre pode tentar bloquear o Estreito de Ormuz, o impacto econômico, financeiro e sobre os mercados tende a ser mais limitado”, comentou.
Roubini enfatizou a visão de que o período de excepcionalismo americano não acabou, já que a inteligência artificial tende a manter a maior economia do mundo em crescimento. “Eu acredito que o impacto dessa inovação, elevando o crescimento potencial dos EUA, vai empurrar o crescimento americano, até o fim da década, de 2% para 4%.”
Com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã levando o preço do petróleo para acima de US$ 100, Roubini disse que as economias que dependem da importação da commodity, como Europa e Ásia, enfrentam um risco maior do choque tanto de preço quanto de oferta.
Já os Estados Unidos, comparou, são exportadores líquidos de energia, o que leva a um impacto, no saldo, mais limitado da guerra na economia, ainda que com perdas para os consumidores de energia.
Inflação com recessão
Roubini disse que a guerra no Oriente Médio alimenta preocupações sobre a volta a um cenário que marcou a economia no fim da década de 1970, com choque do petróleo provocando inflação e recessão, esfriando a empolgação de investidores com a revolução tecnológica.
Para ele, a evolução tecnológica, com os ganhos de produtividade e redução de custos a partir da adoção da inteligência artificial, despertou um otimismo sobre um “boom econômico secular”, ao invés de uma estagnação secular.
“Mas, desde o início dessa guerra com o Irã, há preocupações de que vamos voltar aos anos 70, com outro choque do petróleo, grande e severo, desorganizando a economia global e causando inflação e recessão”, disse o economista.
Segundo Roubini, em economias exportadoras de petróleo, como o Brasil, a escalada nos preços da commodity pode representar uma melhora nos termos de troca comerciais, mas que, ponderou, beneficia apenas os produtores de petróleo. Para quem consome petróleo e energia, caso das famílias e empresas, o impacto, ressaltou, é negativo.
“Como nos anos 70, se eventualmente essa situação levar não apenas à inflação, mas também a uma recessão global, o Brasil e os países exportadores de energia vão ser prejudicados”, observou. “Foi o que aconteceu no fim dos anos 1970, quando o segundo choque do petróleo acabou levando a um colapso dos preços do petróleo e, depois, à crise da dívida latino-americana”, acrescentou.
Valor - SP 19/03/2026
Havia uma expectativa de que esse aporte da Autoridade Portuária de Santos (APS) fosse feito em março para dar andamento ao projeto
O Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu, por unanimidade, a Autoridade Portuária de Santos (APS) de fazer um aporte de R$ 2,6 bilhões para a construção do túnel Santos-Guarujá antes de uma análise prévia da Corte de Contas.
De acordo com a decisão do TCU, a APS terá de apresentar, em 30 dias, um instrumento formal que regule a governança do aporte federal ao projeto de parceria público-privada do túnel Santos-Guarujá. Havia uma expectativa de que o aporte fosse feito já este mês para dar andamento ao projeto.
Em seu voto, o ministro-relator, Bruno Dantas, afirmou que o centro da controvérsia está no fato de haver uma "aparente resistência institucional" do Estado de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) em conferir à APS "uma posição jurídica adequada, no entender da autoridade portuária, no que se refere ao projeto de concessão".
O túnel Santos-Guarujá será uma das maiores obras de infraestrutura do país, que visa ligar as duas cidades do litoral de São Paulo. Trata-se de um projeto que contará com recursos tanto do governo estadual quanto da União. Essas divergências, segundo o ministro, têm impedido a formalização da governança do projeto.
"O estabelecimento de algum instrumento jurídico hábil entre o Estado de São Paulo e a APS para regular a participação financeira federal serviria justamente para conferir transparência, segurança jurídica e prerrogativas mínimas ao ente que aporta 50% da contrapartida pública", assinalou em seu voto.
"O contexto de iminência do desembolso sem o estabelecimento prévio de instrumentos de governança demanda a adoção de medidas acautelatórias por esta Corte", votou o ministro. "Em que pese a peculiar estrutura interfederativa fixada para este projeto, proteger o patrimônio da União e garantir a transparência na aplicação de vultosos recursos federais não é apenas uma faculdade deste Tribunal, mas um dever inafastável, especialmente em arranjos complexos e relativamente inéditos, em que a segregação de funções e a governança pública devem ser preservadas", complementou em seu voto.