O Estado de S.Paulo - SP 13/02/2026
O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou nesta quinta-feira, 12, a proposta de aplicação de direito antidumping definitivo às importações brasileiras de laminados planos a frio e laminados planos revestidos originárias da China. O prazo válido é de até cinco anos. Os detalhes serão conhecidos no Diário Oficial da União (DOU). Não há data para publicação da medida.
Há meses as siderúrgicas brasileiras esperavam essa medida. Desde o fim de janeiro, o setor via como próxima de ser tomada pelo governo. Isso porque, há duas semanas, o Gecex aprovou um antidumping para o aço pré-pintado vindo da China e da Índia. A leitura nos bastidores era que o pleito começava a ser atendido.
A medida visa reduzir as importações chinesas em alta deste 2019. Segundo o Instituto Aço Brasil, o País fechou o ano de 2025 com 5,7 milhões de toneladas de aços laminados importados, uma participação de 21% de importações no mercado. A média histórica anual, de 2000 a 2019, era de 2,2 milhões de toneladas, uma participação de 21%.
Em conversa com analistas, a Usiminas sinalizou, ainda no ano passado, que as conclusões preliminares indicavam tarifas antidumping próximas de US$ 500 por tonelada para aços laminados a frio e revestidos.
Entre os analistas há o entendimento de que essa seria a companhia listada em Bolsa mais beneficiada pela medida.
Diário do Comércio - MG 13/02/2026
A venda das ações da Nippon Steel e da Mitsubishi Corporation na Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) para a Ternium Investments foi concluída nesta semana. Com isso, o Grupo Ternium passou a ter participação de 92,9% no controle da empresa, enquanto a Previdência Usiminas (fundo de pensão dos empregados da companhia) seguiu com 7,1%.
Na avaliação do economista da iHUB Investimentos, Lucas Sharau, a operação reduz significativamente a paralisia decisória e as disputas históricas no bloco de controle. Ele ressalta que a siderúrgica sempre conviveu com conflitos relevantes entre os principais acionistas, algo que gerava frequentemente ruído e incerteza na execução estratégica.
“Com a consolidação do controle nas mãos da Ternium, a estrutura societária fica mais unificada, o que tende a trazer maior previsibilidade e agilidade nas decisões”, destaca.
Após o fechamento da transação, a Ternium também ficou com 71% das ações ordinárias da Usiminas, resultando em um controle bastante concentrado e com maior alinhamento estratégico, que traz tanto benefícios quanto responsabilidades.
“Um controlador dominante tende a reduzir conflitos internos e acelerar decisões, especialmente de capex”, afirma Sharau.
“Por outro lado, o mercado passa a monitorar com mais atenção a proteção aos acionistas minoritários, sobretudo em temas como política de dividendos, eventuais reestruturações societárias ou operações que possam gerar diluição”, pondera o economista, mencionando que, caso não haja transparência e equilíbrio, isso pode se refletir no prêmio de risco e, consequentemente, no preço dos papéis da companhia.
Desafio de transformar o movimento em ganhos de margem e geração de caixa
Em relação aos próximos passos, a grande questão é como a nova configuração do controle pode impactar a eficiência operacional da Usiminas, segundo Sharau.
O economista recorda que o setor siderúrgico passou recentemente por um ciclo de preços mais pressionados, exigindo das empresas disciplina de capital, ganho de produtividade e investimentos contínuos em eficiência. Ele explica que, com o controle consolidado pela Ternium, as decisões estratégicas podem, sim, ser aceleradas, porém o efeito no resultado não é imediato, pois capex leva tempo para maturar e depende do ciclo econômico do aço.
“A configuração de menos sócios com poder de veto tende a tornar o processo decisório mais célere, mas a qualidade da alocação de capital continuará sendo determinante. O desafio é transformar essa simplificação societária em ganhos concretos de margem e geração de caixa”, ressalta.
Ruídos de fechamento de capital podem aumentar
Com a saída dos grupos japoneses e o maior controle por parte do grupo ítalo-argentino, podem aumentar os ruídos de fechamento de capital da Usiminas, na opinião do analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi. Esse movimento é visto como factível.
Avaliando a venda das ações da Nippon e da Mitsubishi, ele considera a operação como neutra para a Usiminas. O especialista diz que, provavelmente, as empresas decidiram sair por falta de interesse em continuar atuando em um mercado marcado por forte concorrência com aço importado e sem reação do governo. Do lado da gestão, Galdi não visualiza grandes mudanças, porque o maior poder de voto na companhia já era da Ternium.
Folha On-Line - SP 13/02/2026
Camex aprovou imposto de 25% para importação de diferentes tipos de produtos siderúrgicos
Presidente viaja no fim do mês para visita oficial a país asiático
O governo da Coreia do Sul pediu formalmente que o Brasil reveja um recente aumento de tarifas para o setor siderúrgico, sob o argumento de que a medida prejudica a própria indústria brasileira e afeta a integração das cadeias de valor entre os dois países.
A queixa de Seul foi formalizada em carta enviada ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) no último dia 2, menos de um mês antes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático.
No final de janeiro, o Comitê-Executivo de Gestão da Camex (Câmara de Comércio Exterior) aprovou a elevação tarifária de nove tipos de aço, pelo período de um ano. O imposto de importação para esses produtos —que variava de 10,8% a 12,6%— passou para 25%.
No caso da Coreia do Sul, um dos principais fornecedores de aço para o Brasil, a decisão afeta principalmente laminados e fios de ferro, além de cordas e cabos.
Em 2025, o Brasil comprou quase US$ 270 milhões em produtos siderúrgicos da Coreia do Sul, de acordo com o Instituto Aço Brasil, sendo que apenas parte desse montante foi afetada pelo novo imposto de importação.
Em carta assinada por um diretor do Ministério do Comércio, Indústria e Recursos, o governo sul-coreano argumenta que as exportações de aço do país são um "componente vital para a estabilidade e a competitividade do próprio setor manufatureiro do Brasil".
O primeiro pleito de Seul é que as novas tarifas não sejam aplicadas a produtos já embarcados ou cujo processo de exportação esteja em andamento. Como justificativa, a Coreia afirma que há 40 mil toneladas atualmente em trânsito para o Brasil, além de um volume semelhante com produção já concluída e embarque previsto para meados de fevereiro.
"Aplicar as alíquotas tarifárias aumentadas a mercadorias que já haviam sido embarcadas antes da publicação oficial, ou àquelas com contratos firmados, pode minar significativamente as expectativas legítimas dos exportadores e resultar em perdas financeiras substanciais e imprevistas", argumenta a carta.
Procurado, o Mdic disse que a Camex "recebeu manifestação posterior da Coreia do Sul e encaminhou o pleito para análise técnica".
Outro argumento levantado pelos coreanos é o de que existe uma lacuna entre a demanda brasileira por um tipo específico de aços elétricos e a capacidade de produção nacional.
"Além dessa insuficiência de volume, determinadas especificações de alto desempenho e exigências de entrega são difíceis de atender apenas com a produção local. Portanto, uma isenção tarifária para esses produtos específicos seria necessária para garantir que o setor elétrico brasileiro continue tendo acesso a materiais essenciais", prossegue a carta.
"Acreditamos que as preocupações levantadas acima dizem respeito não apenas a interesses comerciais, mas também aos princípios fundamentais da boa-fé e da proteção das expectativas legítimas que sustentam relações comerciais internacionais estáveis."
A imposição de tarifas adicionais para proteger o setor siderúrgico nacional partiu de uma demanda do Instituto Aço Brasil, que em dezembro pleiteou o estabelecimento de um sistema de cota rígida (hard quota) para mais de 200 tipos de aço.
A cota rígida é um sistema pelo qual se proíbe a entrada de determinado produto no país a partir do momento em que se alcança um certo volume de importação.
A Secretaria-Executiva da Camex elaborou uma proposta alternativa, defendendo o aumento de tarifas para uma gama de produtos com altos volumes de importação e cujas compras tenham registrado incremento expressivo nos últimos meses.
Na nota técnica que embasou a decisão, a Secretaria-Executiva da Camex cita um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) segundo o qual subsídios estariam distorcendo a concorrência global, especialmente na Ásia.
O principal foco são subsídios chineses, prossegue a nota, que incluem ajudas governamentais, empréstimos com condições abaixo das de mercado, tratamento tributário preferencial e energia barata.
Lula deve realizar uma viagem à Coreia do Sul entre 22 e 24 de fevereiro, em mais uma etapa do esforço do petista para diversificar as parcerias comerciais do Brasil, com foco no mercado asiático. Dias antes, o presidente visitará a Índia.
CNN Brasil - SP 13/02/2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, planeja reduzir algumas tarifas sobre produtos de aço e alumínio, informou o jornal britânico Financial Times nesta sexta-feira (13), citando fontes familiarizadas com o assunto.
Autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA acreditam que as tarifas estão prejudicando os consumidores, aumentando os preços de produtos como formas de torta e latas de alimentos e bebidas, segundo a reportagem.
Eleitores em todo o país estão preocupados com os preços ao consumidor, e a alta do custo de vida deve ser um fator importante para os americanos nas eleições de meio de mandato de novembro.
Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos mostrou que 30% dos americanos aprovam a gestão de Trump em relação ao aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovam, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
Trump impôs tarifas de até 50% sobre as importações de aço e alumínio no ano passado e tem usado repetidamente tarifas como ferramenta de negociação com diversos parceiros comerciais.
O governo Trump está revisando uma lista de produtos afetados pelas tarifas e planeja isentar alguns itens, interromper a expansão das listas e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a bens específicos, acrescentou a matéria do Financial Times.
A Casa Branca e o Departamento de Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters fora do horário comercial normal.
Recentemente, Trump destacou seu histórico econômico em Detroit, buscando redirecionar a atenção para a indústria manufatureira dos EUA e seus esforços para combater os altos custos para o consumidor, enquanto a Casa Branca tenta demonstrar que está lidando com as preocupações econômicas que afligem as famílias americanas.
O Departamento de Comércio dos EUA aumentou no ano passado as tarifas sobre aço e alumínio em mais de 400 produtos, incluindo turbinas eólicas, guindastes móveis, eletrodomésticos, tratores e outros equipamentos pesados, além de vagões ferroviários, motocicletas, motores marítimos, móveis e centenas de outros produtos.
CNN Brasil - SP 13/02/2026
O mercado financeiro brasileiro reagiu de forma positiva às recentes declarações de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, sobre o início de um possível ciclo de flexibilização monetária. As sinalizações trouxeram otimismo aos investidores e contribuíram para o bom desempenho do Ibovespa, que registrou seu 11º recorde no ano. Análise é de Gilvan Bueno no CNN Novo Dia.
O colunista do CNN Money explica que um dos principais destaques da atuação de Galípolo tem sido sua comunicação clara e acessível. "Para conseguir passar um direcionamento, passar um conservadorismo, mostrar que ele está muito alinhado, não trazer falas que podem trazer volatilidade aos mercados", explicou Bueno ao comentar o estilo de comunicação adotado pelo presidente do BC.
Galípolo utilizou metáforas como "transatlântico" e "jet ski" para explicar que é difícil fazer movimentos bruscos com a economia brasileira, reforçando seu compromisso com a estabilidade e o combate à inflação. Esta abordagem tem sido bem recebida pelo mercado, que valoriza a previsibilidade e a transparência nas decisões de política monetária.
Fatores externos também influenciam o mercado brasileiro
Além dos fatores internos, o cenário internacional também tem impactado o desempenho do mercado brasileiro. Dados de emprego recentemente divulgados nos Estados Unidos, que vieram acima do esperado, geraram reações nos mercados globais.
Gilvan Bueno destacou que a alta produtividade da economia americana, em comparação com o Brasil, influencia o fluxo de capitais entre os países. "Quando a gente pega uma economia que é super desenvolvida, que tem muita produtividade, tem uma renda, e ela vem para um país que ainda não tem uma grande produtividade e que os seus ativos estão baratos, os investidores internacionais acabam comprando bons ativos por preços muito atraentes", explicou.
O analista ainda apontou que o Brasil possui empresas dominantes em diversos setores, como Vale (minério), Suzano (celulose), Petrobras (petróleo) e CSN, o que pode atrair investidores estrangeiros em busca de oportunidades com bom custo-benefício.
Perspectivas e cuidados para investidores
Apesar do otimismo atual, Bueno fez ressalvas importantes para os investidores. "Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura", alertou, lembrando que o mercado de ações pode mudar rapidamente, especialmente em um ano eleitoral como 2026.
O analista também mencionou fatores que podem trazer volatilidade ao mercado, como conflitos geopolíticos que poderiam pressionar o dólar e os preços da gasolina, além de possíveis mudanças no cenário de investimentos em inteligência artificial, que atualmente impulsionam o crescimento global segundo relatório recente do Banco Mundial.
"Se você tem uma mudança brusca, alguns investidores que foram para o mercado de ações podem ter uma experiência um pouco negativa", advertiu Bueno, recomendando diversificação como estratégia de proteção para os investidores.
CNN Brasil - SP 13/02/2026
Um novo relatório do Banco da Reserva Federal de Nova York confirma o que os economistas há muito alertam: o peso das tarifas é suportado quase inteiramente pelas pessoas que vivem no país que as impõe.
Esse simples fato — agora aprendido empiricamente na América do século XXI — é uma lição básica de Economia 101, tão fundamental quanto a oferta e a demanda. Sempre foi assim!
As empresas e os consumidores americanos pagaram no ano passado quase 90% dos impostos de importação de 2025, segundo a filial do Fed. Isso não é surpreendente: o National Bureau of Economic Research e o Congressional Budget Office chegaram recentemente à mesma conclusão.
E embora o relatório do Fed de Nova York não tenha analisado a divisão entre empresas e consumidores, o relatório do CBO, publicado na quarta-feira (11), estimou que as empresas continuariam reduzindo ligeiramente suas margens para compensar os custos extras, enquanto repassariam a maior parte das taxas — 70% — aos consumidores. (Quanto aos exportadores estrangeiros que o presidente Donald Trump há muito afirma que arcariam com os custos? Eles estão assumindo cerca de 5%, estima o CBO.)
Em termos reais, as tarifas representaram um aumento médio de impostos de US$ 1.000 por família em 2025, de acordo com a Tax Foundation, uma organização apartidária.
Leia Mais
Agora, por um lado, esses são apenas artigos acadêmicos cheios de jargões publicados por um bando de nerds para um bando de nerds. A sabedoria coletiva dos economistas nunca importou muito para Trump quando se trata da “palavra mais bonita do dicionário para mim”, como ele uma vez descreveu as tarifas.
Mas os relatórios do CBO e do Fed de Nova York foram divulgados justamente quando a fadiga das tarifas está batendo forte em Washington.
Em uma rara repreensão à agenda econômica característica de Trump, seis republicanos da Câmara dos Deputados se uniram aos democratas na quarta-feira em uma votação que efetivamente revogaria suas tarifas sobre o Canadá. As tarifas não serão revogadas, veja bem, porque mesmo que fossem aprovadas pelo Senado, Trump simplesmente vetaria. Mas a reação dos membros do próprio partido de Trump não foi bem recebida na Ala Oeste, como era de se esperar. Logo após a votação, Trump respondeu com uma ameaça de “consequências” para “qualquer republicano” no Congresso que votasse contra as tarifas.
Enquanto isso, uma decisão da Suprema Corte sobre a legalidade das tarifas de Trump deve sair a qualquer momento, o que pode causar uma grande reviravolta em toda a sua agenda.
Em uma declaração, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, defendeu a agenda tarifária, observando que a inflação havia diminuído e os lucros das empresas aumentado, mesmo com “a taxa média de tarifas dos Estados Unidos tendo aumentado quase sete vezes”.
“A realidade é que a agenda econômica do presidente Trump, com cortes de impostos, desregulamentação, tarifas e abundância de energia, está reduzindo custos e acelerando o crescimento econômico”, disse ele.
É claro que tudo isso está acontecendo enquanto os americanos comuns se revoltam com o custo de vida e responsabilizam cada vez mais Trump e os republicanos. A mensagem da campanha de Trump de reduzir os preços no “primeiro dia” simplesmente não se concretizou. (Exceto em alguns itens, como ovos — podemos dar a ele o crédito por isso, principalmente porque os agricultores trabalharam muito para erradicar a gripe aviária que estava prejudicando o abastecimento de ovos e elevando os preços).
No papel, a economia dos EUA está indo muito bem. Isso se deve principalmente ao fato de a economia ser medida em médias e agregados.
Veja, por exemplo, o relatório de empregos de janeiro divulgado na quarta-feira. No geral, ele parecia surpreendentemente forte, com 130.000 empregos criados, quase o dobro do que os economistas esperavam. Mas, se você olhar mais de perto, quase todos os ganhos vieram de um único setor, o de saúde. Olhando um pouco mais de perto, praticamente todos os outros setores apresentaram ganhos fracos ou perdas. Na verdade, em todo o ano de 2025, a saúde e a assistência social representaram 97% de todo o crescimento do emprego.
Esse é um excelente exemplo do que a economista Diane Swonk, da KPMG, chamou de “banquinhos de uma perna só” que sustentam toda a economia. Dois outros banquinhos de uma perna só: pessoas ricas fazendo compras compulsivas e gigantescas empresas de tecnologia gastando centenas de bilhões em infraestrutura de IA.
Money Times - SP 13/02/2026
Os Estados Unidos criaram 130 mil vagas de emprego em janeiro, segundo dados divulgados da quarta-feira (11) pelo Departamento do Trabalho. O resultado veio bem acima da projeção do mercado, que esperava a abertura de 65 mil postos.
O dado reforçou a percepção de que o mercado de trabalho americano segue resiliente, em um momento em que investidores monitoram de perto os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Além do resultado de janeiro, o número de dezembro foi levemente revisado para baixo, passando de 50 mil para 48 mil vagas criadas.
Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o relatório mostrou um quadro mais forte do que o esperado.
“As 130 mil contratações registradas nos EUA em janeiro superaram muito a expectativa do mercado, que projetava 65 mil admissões no mês. Esse resultado foi puxado pelo setor privado, onde foram registradas 172 mil contratações. Com os dados de janeiro, a média dos últimos três meses chegou a 73 mil admissões por mês – um resultado bem mais forte do que o registrado no último trimestre de 2025”, afirma.
Segundo ele, de maneira geral, o relatório indica um mercado de trabalho sólido.
Desemprego cai e participação sobe
A taxa de desemprego ficou em 4,3%, abaixo da expectativa de 4,4% e inferior ao patamar anterior.
Para Salles, o dado chama atenção porque ocorreu mesmo com o aumento da taxa de participação.
“A taxa de desemprego caiu para 4,3%, um nível baixo para os padrões históricos dos EUA e inferior ao esperado pelo mercado. Esse movimento ocorreu a despeito de um aumento na taxa de participação na força de trabalho, que subiu de 62,4% para 62,5%, o que significa que mais pessoas passaram a procurar emprego nas últimas quatro semanas.”
Em outras palavras, mais pessoas entraram no mercado e, ainda assim, o desemprego recuou — um sinal de absorção consistente da mão de obra.
Salários seguem pressionando
No campo dos rendimentos, o salário médio por hora avançou 0,4% em janeiro e acumula alta de 3,7% em 12 meses.
“Essa variação mantém os salários em um ritmo de crescimento que tende a pressionar a inflação, especialmente no setor de serviços, que costuma ser mais sensível ao aumento do custo do trabalho”, diz o economista.
O comportamento dos salários é um dos principais pontos de atenção do Fed, já que influencia diretamente a dinâmica inflacionária.
O que muda para os juros?
Com um mercado de trabalho ainda firme e inflação resistente, os dados reduzem a probabilidade de um corte de juros já na próxima reunião do Fed, em março. As apostas, medidas pelo CME FedWatch, de corte de juros no mês que vem caíram de 23,2% para 6,4%.
“O mercado de trabalho americano ainda mostra resiliência, enquanto a inflação continua pressionada. Os dados de emprego e inflação referentes a fevereiro, que ainda serão divulgados, devem dar mais clareza sobre o cenário e ajudar a orientar a próxima decisão de política monetária do Fed. Por ora, esperamos a manutenção dos juros no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, na próxima reunião”, afirma Salles.
A leitura predominante é de que o Fed pode preferir aguardar novos sinais de desaceleração antes de iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário.
O Estado de S.Paulo - SP 13/02/2026
A inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses deve ficar abaixo de 4% a partir de fevereiro, e se aproximar do centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, já a partir de março, segundo economistas consultados pela Estadão/Broadcast. O comportamento benigno não só da inflação, mas da economia como um todo, deve acontecer nos meses que antecedem a eleição presidencial de outubro e servir de trunfo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará a reeleição.
A deflação de alimentos e a apreciação cambial — essa última, que afeta tanto os alimentos como os bens industriais — devem responder por boa parte do alívio na inflação acumulada em 12 meses.
Caso o cenário de parte relevante do mercado se confirme, será a primeira vez que a inflação permanece consistentemente abaixo de 3,5% desde o início da atual série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que começa em 2021. Desde que a meta de inflação foi definida em 3%, a taxa em 12 meses nunca chegou a estar colada neste número, como deve acontecer em meados deste ano.
Para Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do BC, a inflação corrente deve atingir 3,2% já em março, em meio ao início do ciclo de redução da taxa Selic. Nos cálculos de Serra, a inflação deve permanecer nesse nível, ou abaixo, até o fim de outubro, com aceleração prevista entre os meses de novembro e dezembro. “Mas essa alta também é questionável. Estamos mais confiantes de que a inflação vai ficar abaixo de 3,2% até outubro do que em relação a esse repique no fim do ano”, afirma.
Lula pode ter em mãos um nível baixo da inflação acumulada sobretudo em julho, de acordo com parte dos economistas. João Fernandes, da gestora Quantitas, por exemplo, considera que o IPCA deve rodar abaixo dos 3,5% de março a julho, com o ponto mais baixo justamente no sétimo mês do ano, quando ele espera que a inflação atinja 3,07%. O IPCA de julho deve ser divulgado no dia 11 de agosto, a cinco dias do início oficial da campanha eleitoral.
Segundo ele, esse “vale” deve ser atingido no período justamente por causa do impacto do bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica. “Em 2025, esse bônus que derrubou as contas de energia entrou em agosto. Então, a janela de 12 meses em julho de 2026 vai contar com esses dois momentos de queda forte da inflação”, explica ele. “Em agosto, se tudo ocorrer dentro do esperado, a tarifa de energia volta a subir e o acumulado em 12 meses pula de 3,07% para 3,82%”, calcula.
Na visão do economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, uma inflação abaixo de 4% por 10 meses seguidos significa um nível baixo para o padrão brasileiro. Ele também aposta em uma taxa menor em julho, de 3,25%. “Isso traz dúvidas sobre o real impacto do sobreaquecimento do mercado de trabalho”, observa. Além da ajuda da inflação de alimentos, o próprio mercado de trabalho, ainda que apresente sinais divergentes, já está em processo de acomodação, o que tende a contribuir para a desinflação, segundo Galhardo.
O cenário é corroborado também pelo BNP Paribas. A economista para Brasil do banco francês, Laiz Carvalho, prevê o ponto mais baixo da inflação em julho, praticamente colada nos 3%. Apesar de reconhecer que parte desse bom momento reflete um efeito puramente matemático, com a saída da conta do acumulado em 12 meses de leituras mais salgadas do IPCA do ano passado, ela concorda que é um número bastante positivo. “A inflação corrente ajuda na projeção para a inflação futura e o IPCA de 3% pode ajudar na ‘narrativa’ do governo, pensando em ano eleitoral”, sustenta.
Tanto o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que sai do cargo no fim do mês, quanto Lula, já vinham, por exemplo, exaltando que a atual administração conseguiu conciliar crescimento econômico e inflação baixa.
Pelo que se observa nas pesquisas eleitorais, porém, os bons números da economia não têm sido suficientes para conquistar o eleitorado brasileiro. O cenário atual — inflação sob controle, atividade que cresce com uma taxa de juros de 15% ao ano e desemprego no menor nível histórico — implicaria, em tese, maior aprovação e menor rejeição para o presidente Lula. Contudo, segundo o analista político e sócio da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, a economia perdeu o protagonismo de definir, só por ela, o resultado das eleições presidenciais.
“Eu diria que a economia representa um conjunto de variáveis que retrata a situação de bem-estar do eleitor. São condições necessárias, mas não mais suficientes porque a sociedade brasileira tem conflitos de outras naturezas que estão cristalizados e cada vez mais crescentes”, disse.
De acordo com Cortez, antigamente, quando se abria uma pesquisa eleitoral, ficava claro: as pautas de esquerda atraíam mais o apoio do eleitor de baixa renda e com menos escolaridade, enquanto a direita se saía melhor entre os mais escolarizados e com maior renda. Hoje, porém, a situação é outra: a inflação baixa e os programas sociais, por exemplo, passaram a ser percebidos como programas de Estado e não mais de governo.
Segundo o analista político da Tendências, tanto as pessoas mais pobres quanto as mais ricas estão mais preocupadas com pautas pertinentes à segurança, por exemplo, do que com a economia. “Estão mais preocupadas com o combate à corrupção do que com uma inflação que escape ao controle ou um ajuste fiscal”, alerta.
Valor - SP 13/02/2026
Contratos futuros com vencimento em maio, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 110,22
O minério de ferro teve leve queda nesta quinta-feira (12), com o setor desacelerando antes do feriado do Ano Novo Lunar.
Os contratos futuros do minério de ferro com vencimento em maio, os mais negociados fecharam cotados a 762 yuans (US$ 110,22), queda de apenas 1,5 yuan.
Os investidores estão relutantes em aumentar os estoques já elevados, enquanto a demanda permanece fraca, afirmam analistas do ANZ Research.
No entanto, a promessa da China de manter a política monetária e priorizar o crescimento econômico trouxe algum otimismo em relação à demanda.
Jornal de Brasília - DF 13/02/2026
O lucro da Vale caiu 56% em 2025, para R$ 13,8 bilhões. Segundo a companhia, o resultado reflete aumento de provisões no fim do ano e questões contábeis. No quarto trimestre, a mineradora teve prejuízo de R$ 21 bilhões.
Sem considerar os efeitos extraordinários, o lucro subiu 5%, para R$ 43,5 bilhões, informou a companhia no balanço divulgado nesta quinta-feira (12). O resultado do quarto trimestre foi um lucro de R$ 7,9 bilhões.
“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances [metas] enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo”, disse o presidente da companhia, Gustavo Pimenta.
No ano, a Vale produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro, crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior e melhor desempenho desde 2018, antes do desastre de Brumadinho, que deixou 272 mortos após o rompimento de uma barragem de rejeitos.
O volume é próximo à produção registrada pela Rio Tinto, que tomou da Vale o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo com as restrições operacionais impostas à mineradora brasileira após o acidente.
Mas a receita de vendas do mineral, o principal negócio da companhia, sofreu com o menor preço do minério de ferro. O preço médio realizado pela companhia foi de US$ 91,6 por tonelada, 3,9% inferior ao registrado em 2024.
A receita total da Vale subiu 4% no ano, para R$ 213,5 bilhões. O Ebitda, que é o indicador de geração de caixa, subiu 7%, para R$ 85,9 bilhões.
O resultado negativo, diz a mineradora, foi impactado por aumento em R$ 2,4 bilhões para a tragédia de Mariana (MG) com a responsabilização da sócia BHP pela Justiça do Reino Unido em novembro de 2025.
Também contribuiu a não repetição de ganho contabilizado no quarto trimestre de 2024 com a compra de 15% de participação na Minas-Rio, projeto minerário operado pela Anglo American em Minas Gerais.
A companhia também realizou revisões de valores de ativos de metais básicos no total de R$ 20 bilhões.
No início de fevereiro, a Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação das atividades da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto (MG), que havia sofrido um vazamento duas semanas antes.
Na madrugada do dia 25 de janeiro, cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos extravasaram da cava 18 da mina, atingindo áreas na bacia do Paraopeba. A mineradora informou que as operações no local já estão interrompidas desde o dia 26.
Valor - SP 13/02/2026
O executivo-chefe (CEO) da Ford, Jim Farley, soou o alarme sobre a ameaça que as montadoras chinesas representam para as rivais em todo o mundo. Segundo Farley, a combinação de produção de baixo custo fortemente subsidiada e fraca demanda interna na China certamente aumentará a pressão para que o país asiático recorra às exportações.
Em uma teleconferência com analistas na noite de terça-feira, nos Estados Unidos, Farley classificou a indústria automobilística chinesa como uma "carta na manga" com a qual todas as montadoras agora precisam lidar.
A Ford reportou um prejuízo líquido de US$ 8,18 bilhões no ano fiscal, após reconhecer US$ 15,9 bilhões em perdas extraordinárias relacionadas ao cancelamento de programas de veículos elétricos, incluindo diversas baixas contábeis de ativos e a venda de uma joint venture de baterias com a sul-coreana SK On.
Os resultados representaram uma deterioração acentuada em relação ao lucro líquido de US$ 5,87 bilhões do ano anterior, mesmo com um aumento de 1% na receita em relação ao ano anterior, atingindo US$ 187,26 bilhões em 2025.
A Ford não está sozinha na transição para longe dos veículos elétricos, com baixas contábeis substanciais. Suas concorrentes norte-americanas, General Motors e Stellantis (dona da marca Chrysler), também estão recuando. Todas foram afetadas pela ascensão das marcas chinesas que dominam a eletrificação de veículos em escala global, embora o mercado americano esteja praticamente fechado para carros chineses, com uma tarifa de 100%.
"Acho que a verdadeira pergunta que me faço é como os chineses mudarão o jogo em termos de poder de precificação, dada a realidade excessivamente competitiva e subsidiada", disse Farley.
Ele apontou para uma queda de dois dígitos nas vendas de automóveis na China em janeiro como um sério sinal de alerta. Segundo a Associação Chinesa de Concessionárias de Automóveis, as vendas de automóveis no mercado interno atingiram 1,794 milhão de unidades em janeiro, uma queda de 12,1% em relação ao ano anterior e de 31,9% em relação ao mês anterior.
"Se essa tendência persistir, teremos que adequar nossos custos a essa realidade de preços", disse Farley sobre a situação, ressaltando que todas as montadoras enfrentam esse desafio, além da incerteza regulatória.
Embora os carros de marcas estrangeiras, incluindo os da Ford, estejam perdendo terreno rapidamente na China, o maior mercado automotivo do mundo, as exportações de carros novos do país continuaram a crescer em 2025. Esses embarques atingiram 7,098 milhões de unidades, um aumento de 21,1% em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
A Ford será "oportunista" na China, afirmou Farley. A empresa americana aproveita a produção de baixo custo em sua joint venture chinesa como base de exportação, e Farley disse que esse segmento está "em crescimento". Embora tenha abandonado uma parte substancial de seus programas de veículos elétricos, a Ford mantém uma colaboração com a Contemporary Amperex Technology, a principal fabricante chinesa de baterias conhecida como CATL, em sua fábrica em Michigan, para fornecer modelos acessíveis.
Farley afirmou que as mudanças na Ford visam garantir a "alocação correta de capital" e uma "combinação de parcerias onde fizer sentido".
Ele prosseguiu dizendo que a Ford está focada em "investimentos eficientes em eletrificação parcial onde temos potencial de receita, e em atingir o mercado de veículos elétricos no núcleo do mercado, onde não há muita concorrência".
Mas existem outros obstáculos. A Jiangling Motors (JMC), uma montadora listada em Shenzhen, na qual a Ford é a segunda maior acionista com uma participação de 32%, alertou os investidores no final do mês passado que seu lucro líquido anual deve cair 22,7%, para 1,18 bilhão de yuans (US$ 172 milhões), citando "ajustes" feitos na subsidiária JMC Ford Technology. A unidade passou por um aumento de capital no ano passado, no qual a JMC converteu 1,26 bilhão de yuans de seus empréstimos à subsidiária em ações, enquanto a Ford fez uma nova injeção de capital de 1,21 bilhão de yuans, de acordo com um comunicado separado à bolsa de Shenzhen.
As preocupações de Farley sobre o desafio da China ecoam as de outros executivos americanos.
Mary Barra, executiva-chefe (CEO) da GM, principal concorrente da Ford, disse em uma teleconferência de resultados anuais no mês passado que uma "forte concorrência" estava vindo das montadoras chinesas "que são bastante subsidiadas".
Barra expressou confiança nos negócios domésticos da GM na China após uma grande reestruturação de sua joint venture com a Saic Motor e uma mudança drástica para a eletrificação, dizendo que o grupo manteria uma "presença significativa lá". No entanto, ela admitiu que "obviamente não na mesma medida de cinco ou seis anos atrás".
Globo Online - RJ 13/02/2026
Sindicatos de trabalhadores se uniram às montadoras do país para defender a manutenção de imposto de importação para os chamados CKDs (partes importadas de veículos) de carros eletrificados ou elétricos chineses montados no Brasil. O benefício tributário foi extinto no dia 31 de janeiro, após seis meses de vigência.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras instaladas no país, vinha defendendo a volta do imposto desde o ano passado, já que o uso do CDK traz o risco de uma industralização de baixa qualidade (sem que todos os processos da montagem (como pintura e estamparia) seja feitos no Brasil. Esse sistema também é limitador na geração de empregos, diz a Anfavea.
O tema poderá ser rediscutido nas próximas reuniões da Câmara de Comércio Exterior (Camex)
Estão juntos nesse mesmo pleito a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Força Sindical, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), a Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (Fit Metal) e outros 14 sindicatos das principais regiões do país com fábricas de automóveis, entre eles o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Do lado dos representantes dos empresários, estão federações industriais como Fiesp, Fiemg e Firjan.
Isenção durou seis meses
Os carros chineses elétricos montados no Brasil através do sistema CKD, em que os veículos são importados totalmente desmontados (em peças) para serem montados no país de destino, voltaram a pagar imposto. O prazo de isenção de seis meses dado pelo governo federal terminou no último dia 31 de janeiro e não houve prorrogação. Assim, o regime de cotas com isenção (ou tarifas reduzidas) para importação de veículos foi encerrado.
O governo atendeu a um pedido da fabricante chinesa BYD, que iniciou a montagem local de seus veículos na fábrica de Camaçari, na Bahia, no ano passado — e se beneficiava da isenção. Com isso, esses veículos voltam a fazer parte do cronograma de elevação tarifária para carros elétricos e híbridos importados, que deve chegar à alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027.
Levantamento da Anfavea indica que o setor automotivo remunera, em média, o dobro do restante da indústria da transformação, tem mais que o dobro de tempo de permanência no emprego e demanda um grau de escolaridade muito maior do que outros setores industriais, além de ter caráter indutor de pesquisa e desenvolvimento, e de conhecimento estratégico.
“Todas essas características se perderiam num modelo de fabricação que envolvesse apenas a montagem de kits em larga escala”, alertou o presidente Igor Calvet, em nota, que avalia que a adesão dos sindicatos e centrais sindicais ao pleito da Anfavea sinaliza união pela manutenção de empregos.
IstoÉ Dinheiro - SP 13/02/2026
A produção de motos teve crescimento de 11% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo o maior volume para o mês desde 2008. No mês passado, foram montadas 184,4 mil motocicletas, conforme balanço divulgado nesta quinta-feira, 12, pela Abraciclo, a associação das montadoras instaladas no polo industrial de Manaus (AM), onde está concentrada a maior produção do veículo.
Na comparação com dezembro, mês de paradas nas fábricas por férias coletivas de fim de ano, a alta foi de 42,2%.
“O primeiro mês do ano confirmou as expectativas para o segmento em 2026. Janeiro foi um mês bastante positivo, com produção plena nas fábricas, diferentemente de dezembro, período em que as associadas adotaram férias coletivas”, comentou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento.
A entidade prevê a produção de 2,07 milhões de motos neste ano. Se confirmado, será uma alta de 4,5% na comparação com 2025.
Valor - SP 13/02/2026
Mudança ocorreu depois que a Volkswagen garantiu uma suspensão tarifária para um de seus modelos SUV fabricados na China
O Ministério do Comércio da China mudou sua postura nesta quinta-feira (12), aceitando que os fabricantes chineses de veículos elétricos possam negociar independentemente com a União Europeia, depois que a Volkswagen garantiu uma suspensão tarifária para um de seus modelos SUV fabricados na China.
A Comissão Europeia, que supervisiona a política comercial do bloco de 27 países, aprovou nesta semana um pedido da marca Cupra, da gigante automotiva alemã, para isentar o SUV cupê Tavascan de tarifas de importação em troca de um preço mínimo acordado e uma cota de vendas — a primeira isenção desde a adoção das tarifas em 2024.
Pequim reabriu as negociações com Bruxelas em dezembro passado e instou o bloco a não se envolver em negociações separadas com fabricantes chineses, apesar de as regras da UE permitirem que as montadoras solicitem isenções tarifárias para modelos elétricos específicos fabricados na China.
“Espera-se que mais empresas chinesas cheguem a acordos com o lado europeu sobre compromissos de preços”, disse He Yadong, porta-voz do Ministério do Comércio chinês, em uma entrevista coletiva regular.
A China está disposta a manter a comunicação com a UE e “ambos os lados apoiam os fabricantes chineses de veículos elétricos a fazer bom uso dos compromissos de preço”, acrescentou.
Analistas saudaram o acordo da Volkswagen, mas observaram que as aprovações para outras montadoras provavelmente levarão tempo, pois parecem ser tratadas modelo por modelo.
O Tavascan, totalmente elétrico, estava sujeito a uma tarifa adicional de 20,7%, além da taxa existente de 10%.
Valor - SP 13/02/2026
As negociações de parceria entre a Nissan e a Honda em áreas como direção autônoma e produção nos Estados Unidos foram prejudicadas por divergências sobre detalhes específicos. O atraso na cooperação é um problema que se soma à concorrência de rivais chineses.
A colaboração é vista como vital para melhorar os lucros de ambas as empresas, que estão muito atrás dos da compatriota Toyota.
A Nissan prevê um prejuízo líquido de 650 bilhões de ienes (US$ 4,25 bilhões) para o ano fiscal que termina em 31 de março, o segundo ano consecutivo no vermelho. A Honda registrou prejuízo operacional em seu segmento automotivo nos nove meses encerrados em dezembro — o primeiro em 14 anos — devido à dificuldade enfrentada pelos veículos elétricos.
As conversas com a Honda têm sido "construtivas", enfatizou o presidente da Nissan, Ivan Espinosa, em um anúncio de resultados na quinta-feira.
"As discussões mais recentes estão focadas principalmente nos Estados Unidos e em como podemos colaborar na América do Norte", disse ele.
As duas montadoras iniciaram negociações em 2024 sobre a integração de operações, mas as conversas foram interrompidas em fevereiro de 2025. Posteriormente, as discussões foram retomadas com foco em cooperação, em vez de integração, concentrando-se em áreas como um sistema operacional compartilhado para veículos definidos por software e produção conjunta nas instalações da Nissan nos Estados Unidos.
Segundo uma fonte familiarizada com a situação, a Honda está considerando fornecer motores para veículos híbridos da Nissan nos Estados Unidos, onde a mudança de postura do governo em relação aos veículos elétricos impulsionou a demanda por híbridos.
A ausência de híbridos da Nissan no mercado norte-americano tem sido um fator para suas vendas lentas. A empresa planeja lançar uma versão híbrida plug-in de seu utilitário esportivo Rogue no ano fiscal de 2026.
Enquanto a tecnologia híbrida da Nissan é considerada pouco adequada para veículos maiores, como picapes, a da Honda se encaixa melhor. O fornecimento de motores para a Nissan aumentaria os lucros da própria Honda.
Embora as duas montadoras concordem com uma direção geral, a definição dos detalhes está levando tempo.
Espinosa, que assumiu a presidência da Nissan em abril de 2025, enfatizou a rapidez e a capacidade de decisão. A decisão da montadora, em julho passado, de encerrar a produção em uma fábrica emblemática na província de Kanagawa, no Japão, foi elogiada por especialistas do setor, com um analista afirmando que foi "mais rápida do que o esperado".
A cooperação com a Honda foi posicionada como peça central da estratégia de crescimento de médio a longo prazo da Nissan. Uma fonte interna afirmou que a empresa esperava anunciar decisões no verão (do hemisfério norte).
Em relação aos veículos definidos por software, Honda e Nissan concordaram com a ideia de compartilhar tecnologia para minimizar o investimento necessário e realizaram conversas sobre áreas específicas, como sistemas operacionais.
Mas o acordo tem se mostrado mais difícil em veículos autônomos, que, segundo uma fonte interna, é a área em que ambas "mais desejam se integrar". As montadoras têm abordagens diferentes para adquirir a tecnologia de inteligência artificial necessária.
A Nissan firmou uma parceria com a startup britânica Wayve Technologies para desenvolver sistemas capazes de condução autônoma em vias urbanas, com o objetivo de comercializá-los em veículos no ano fiscal de 2027.
"A tecnologia da Wayve é algo que as montadoras convencionais não possuem, então unir forças com eles desde o início é a melhor estratégia", afirmou uma fonte interna da Nissan.
A Honda, por sua vez, mantém sua tradição de desenvolvimento interno, visando lançar sua própria tecnologia no mercado no ano fiscal de 2027. "Se não fizermos isso internamente, não faz sentido", argumentou um executivo da Honda.
Espera-se que os recursos de assistência ao motorista se tornem um fator crucial na determinação do valor dos veículos. A visão da Honda é que ela deve trabalhar para desenvolver a tecnologia internamente, envolvendo-se no desenvolvimento de semicondutores e software.
Parece cada vez mais provável que a parceria Honda-Nissan não produza um carro autônomo antes de 2030.
"Como resultado, tornou-se menos necessário fechar acordos e fazer anúncios relacionados a veículos definidos por software como um todo neste momento", disse uma fonte interna.
A cooperação nos Estados Unidos também foi discutida. Tanto a Honda quanto a Nissan sofreram grandes prejuízos com as altas tarifas americanas, e não havia grandes objeções a serem superadas. A perspectiva de impulsionar a taxa de operação em declínio das fábricas da Nissan nos Estados Unidos também era atraente.
No verão passado, as negociações para a produção de picapes Honda nas instalações da Nissan estavam quase em fase final, segundo uma fonte interna, chegando a discutir modelos específicos.
Mas quando as montadoras analisaram a logística, seus equipamentos de produção e cadeias de suprimentos se mostraram incompatíveis, oferecendo poucos incentivos para prosseguir.
O prazo original de 2025 para um acordo foi adiado. As negociações agora se concentram na colaboração na América do Norte, considerada a região com maior potencial para impulsionar rapidamente os lucros. Resta saber se as montadoras conseguirão construir uma relação mutuamente benéfica.
Valor - SP 13/02/2026
Ao todo, 1.059 produtos poderão ser importados a tarifa zero, por inexistência de produção nacional similar
O governo aprovou nesta quinta-feira (12) uma série de pleitos do setor produtivo para redução do imposto de importação. Também foram aprovadas medidas de defesa comercial. As decisões aconteceram em reunião do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Foi aprovada a redução a zero do Imposto de Importação (II) para 421 bens de capital e informática, com vigência de até 2 anos. Também foi zerado o Imposto de Importação (II) para 638 autopeças, em prazo não informado, totalizando 1.059 produtos que poderão ser importados a tarifa zero, por inexistência de produção nacional similar. O pedido atende a um pleito feito pelo setor produtivo nacional.
A isenção de Imposto de Importação alcançou, ainda, 20 insumos que são utilizados pelos setores industrial e agropecuário. O detalhamento completo dos itens beneficiados será incluído em anexos de resoluções do Gecex.
Medidas antidumping
O comitê aprovou, também, três novas aplicações de medidas antidumping de produtos oriundos da China, "com o objetivo de neutralizar danos causados à indústria nacional por importações a preços desleais", segundo o governo.
O colegiado aplicou direitos antidumping sobre agulhas hipodérmicas, laminados planos a frio e laminados planos revestidos que venham da China. A medida valerá por até cinco anos.
Exame - SP 13/02/2026
A maior participação das construtoras em leilões de concessão e PPPs deve ocorrer de forma natural, à medida que o setor recupera capacidade financeira e operacional, afirma Humberto Rangel, diretor executivo do Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada).
“As construtoras foram pioneiras nas primeiras concessões. Muitas empresas que estão até hoje no setor nasceram com participação direta das empreiteiras”, afirma em entrevista ao Exame Infra, programa da EXAME em parceria com a empresa Suporte.
Segundo ele, o protagonismo perdido após a crise iniciada em 2015 pela Lava Jato tende a ser retomado assim que as empresas se fortalecem em um novo ciclo de investimentos em infraestrutura.
O executivo lembra que a queda brusca do mercado entre 2015 e 2020 reduziu o porte e a capacidade de alocação de capital de risco das empresas de engenharia.
“Houve uma retração no tamanho e na capacidade dessas empresas de colocar capital em projetos de infraestrutura”, diz.
Para Rangel, o importante é que o investimento aconteça e que as empresas se fortaleçam. A definição sobre qual agente lidera cada projeto, afirma, depende da estratégia e da capacidade de capitalização de cada grupo.
O diretor da Sinicon avalia que a retomada do mercado, com maior presença privada, tende a gerar um processo contínuo de recomposição da musculatura das construtoras.
“A participação como investidora vai se dar naturalmente. Não é possível cravar uma escala, mas esse movimento já começou”, afirma.
Ele argumenta que as empresas de engenharia brasileiras têm histórico de diversificação e vocação para investimento produtivo. No passado, grupos do setor mantiveram presença em áreas como petroquímica e cimento, além de outros segmentos industriais.
Segundo Rangel, esse perfil empresarial — voltado à produção e à expansão — permanece como um ativo relevante do país. “O DNA da empresa de engenharia está voltado para produção. Isso não se perde”, afirma.
O modelo atual de concessões e parcerias público-privadas, as chamadas PPPs — contratos de longo prazo entre poder público e iniciativa privada — tem estimulado estruturas societárias mais complexas. Construtoras participam como sócias, executoras ou parceiras de operadores especializados e fundos de investimentos.
Rangel lembra que, em ciclos anteriores, empresas do setor chegaram a se alavancar para investir além da própria geração de caixa.
O cenário atual, segundo ele, é mais cauteloso, com maior disciplina financeira e participação relevante do mercado de capitais.
Revista Ferroviaria - RJ 13/02/2026
Uma nova linha de metrô em São Paulo pode em breve começar a ganhar a sua forma e ter iniciado os trabalhos construtivos, a Linha 19-Celeste, projeto tocado pela estatal paulista.
Nesta terça-feira, 10, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitou os pedidos de liminar realizados por construtoras com a finalidade de alterar o resultado da licitação para os três lotes da Linha Celeste.
No Lote 1 em específico, a petição promovida pelo Consórcio Nove de Julho, formado pelas chinesas Yellow River e Highland, junto com a nacional Mendes Junior, pleiteando a mudança do resultado onde este grupo foi desclassificado, também foi rejeitada pela Justiça Paulista.
No recurso jurídico, o Nove de Julho alegou ilegalidade na decisão do Metrô que eliminou o primeiro colocado, por este não possuir experiência no emprego de tuneladoras (shield) em áreas urbanas e povoadas, determinado o consórcio formado pela AGIS, OHLA e Cetenco como vencedor.
Política Nacional de Outorgas Ferroviárias deve destravar investimentos e uma carteira com novos leilões e projetos.
Conheça todos os projetos
Liderado pela AGIS, o grupo deve agora ter sua documentação analisada para em breve ser homologado como vencedor e seguir para a assinatura do contrato. O Lote 1 é o que desperta maior interesse do público comum, visto que contempla as cinco estações dentro da cidade de Guarulhos, município que anseia pelo transporte metroviário.
Sobre os lotes 2 e 3 que incluem as dez estações entre a Zona Norte da capital e o Anhangabaú no centro, as contestações da Andrade Gutierrez sobre inconsistências em planilhas de valores também foram rejeitadas.
Com essa decisão do TCE e Justiça, o consórcio liderado pela Odebrecht foi homologado como vencedor e agora responsável por tirar do papel 2/3 da Linha 19-Celeste.
Conforme projeto, a Linha 19 terá um total de 15 estações, com integração às linhas 1-Azul (São Bento), 2-Verde (Dutra), 3-Vermelha (Anhangabaú) e uma provável conexão com as linhas 10 e 11 de trens na região do Pari.
Jornal de Brasília - DF 13/02/2026
O Brasil e o Reino Unido assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação técnica no setor ferroviário. O acordo foi firmado nesta quinta-feira (12), em Brasília, entre o Ministério dos Transportes e a Crossrail International Limited, ligada ao Departamento de Transportes britânico.
O documento promove intercâmbio em planejamento, regulação e eficiência logística, com o objetivo de atrair investimentos e compartilhar boas práticas. “Sinalizamos que nosso país está comprometido com boas práticas, planejamento responsável e ambientes regulatórios estáveis, elementos essenciais para atrair investimentos e viabilizar projetos estruturados”, destacou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
O memorando estabelece diretrizes para troca de conhecimento em áreas como governança, sustentabilidade, segurança operacional e modelos de financiamento de infraestrutura. Também cria um canal de interlocução com instituições britânicas, incluindo a UK Export Finance, o Office of Rail and Road, a Transport for London e a Network Rail.
Segundo o diretor de desenvolvimento da Crossrail International, Mark Lench, a iniciativa marca o início de uma parceria de longo prazo na malha ferroviária brasileira. A cerimônia contou com a presença de representantes como a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira; o secretário-adjunto do Ministério do Planejamento e Orçamento, Marcelo Moreira; e o conselheiro de Clima, Natureza e Energia da Embaixada do Reino Unido, Graham Knight.
O acordo ocorre em meio à expansão de investimentos no setor. A Política Nacional de Concessões Ferroviárias, lançada em novembro de 2025, estruturou uma carteira de mais de 9 mil quilômetros de ferrovias, com oito leilões previstos para atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos e potencial de até R$ 600 bilhões ao longo dos contratos. Projetos incluem o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e corredores da Malha Sul.
“O setor ferroviário de carga passa por um excelente momento, com recorde de produção, redução de acidentes e maior eficiência operacional”, afirmou o diretor-presidente da ANTF, Davi Barreto.
Entre os avanços, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) ultrapassou 35% de execução em 2025, conectando Goiás a Mato Grosso e integrando-se à Ferrovia Norte-Sul para escoamento agrícola. No transporte de passageiros, o Ministério dos Transportes selecionou seis projetos prioritários, como o trecho Brasília (DF) – Luziânia (GO), em fase final de elaboração.
A Tribuna - SP 13/02/2026
A Autoridade Portuária de Santos (APS) planeja licitar as novas áreas incorporadas ao Porto de Santos a partir de 2027 e espera abrigar até 30 novos terminais e uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). A área do complexo portuário santista foi ampliada de 9,3 km² para 14,5 km², em um ganho territorial de 56%, conforme portaria publicada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) no Diário Oficial da União da última terça-feira.
O presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou para A Tribuna que já planeja a realização de licitações para arrendar os novos espaços à iniciativa privada, visando o incremento da infraestrutura moderna e tecnológica com foco na eficiência das operações portuárias. “Ano que vem já faremos chamamentos para a ocupação destas áreas por terminais que tragam novas tecnologias aplicadas nos mais modernos portos do mundo”, afirmou.
Pomini reiterou que “a importância estratégica deste aumento da poligonal é justamente a de atender o constante crescimento da economia do Brasil e do Porto de Santos, que atende 600 destinos em quase 200 países. Este crescimento de 56% de áreas terrestres significa que poderemos, no futuro, comportar mais 20 a 30 terminais”. “A ampliação da poligonal é resultado do nosso planejamento. Solicitamos mais espaço ao Ministério de Portos e Aeroportos, justamente para realizarmos ações de curto, médio e longo prazos”, complementou.
A APS indicou as três áreas mais importantes e estratégicas: o entorno do Largo do Caneu, que inclui trechos planos com vegetação e espaços aquaviários, perfazendo aproximadamente 5 km²; áreas situadas na Alemoa, com acesso ao canal do Porto, ao lado do terminal da Petrobras, com 114 mil m²; e trechos no Monte Cabrão, na Área Continental de Santos, com acesso ao canal, medindo cerca de 180 mil m². “As áreas no Caneu comportam novos terminais e, também, uma ZPE”, disse Pomini.
Poligonal
O pedido de expansão da poligonal para até 20,4 km² foi encaminhado pela APS ao MPor em 2024. Em 2025, houve consulta pública e, agora, saiu a autorização parcial. Recentemente, a poligonal já havia sido atualizada de 7,8 km² para 9,3 km².
A expansão também envolve áreas marítimas — Perímetro de Deposição Oceânica (PDO) e Área de Fundeio -, ampliando o trecho aquaviário de 355,2 km² para 367,2 km². Com isso, a área total utilizada pelo cais santista foi ampliada de 383,8 km² para 401 km².
Oferta de áreas greenfield é atrativa para o mercado
A oferta de áreas greenfield — verdes, livres de edificações — e a localização estratégica do Porto de Santos são atrativos para a instalação de terminais e uma ZPE, mas os acessos ainda são desafios a serem superados para suportar o aumento da movimentação de cargas na região.
Para o estrategista de políticas públicas e especialista em Relações Internacionais Leandro Lopes, a expansão pode marcar um novo ciclo econômico. “O Porto de Santos já responde por cerca de 30% da balança comercial brasileira e a ampliação territorial reforça sua posição como principal hub logístico da América do Sul”.
Lopes avalia que, com a oferta de espaço, surgem oportunidades para implantação de terminais, retroáreas e operações logísticas integradas, ampliando a atratividade a investidores nacionais e estrangeiros. “Santos se fortalece como o maior e mais estratégico porto do Hemisfério Sul em diversidade de cargas e volume. O aumento da escala desperta o interesse de grupos que buscam presença em um ativo logístico de alcance global”.
Contudo, o especialista alerta para a concentração excessiva de cargas em um único porto. “Quanto maior o share nacional concentrado em Santos, maior o risco de lentidão se a infraestrutura ao redor não evoluir”.
Além disso, Lopes disse que a expansão favorece a criação de uma ZPE conectada ao Porto. “Uma ZPE estruturada em Santos poderia atrair multinacionais exportadoras, fortalecer a indústria nacional, reduzir tempo e custo logístico e gerar empregos e inovação”, apontou, alertando que “sem integração ferroviária, mobilidade urbana eficiente e segurança jurídica, a ZPE corre o risco de existir apenas no papel”.
Previsibilidade
Já o advogado especializado em Direito Marítimo e de Transportes e sócio da Reis, Braun e Regueira Advogados Associados, João Paulo Braun, analisa que a nova poligonal permite ao investidor trabalhar com previsibilidade e capacidade de expansão.
“O Porto de Santos sinaliza que tem espaço para crescer com projetos modernos e planejados do zero, os chamados greenfields. Isso reduz o risco de saturação e mantém o porto competitivo, funcionando como um imã para grandes operadores”.
Braun salientou que a nova configuração territorial é uma etapa fundamental para tirar a ZPE do papel, algo que o Ministério de Portos e Aeroportos destacou como possibilidade. “Ao trazer áreas estratégicas para dentro do Porto Organizado, abre-se caminho para o conceito de Porto-Indústria, atraindo fábricas que operam coladas ao cais”.
CNN Brasil - SP 13/02/2026
O transporte de cargas na Hidrovia do Madeira cresceu 20,4% no ano passado em relação a 2024. De janeiro a dezembro, foram transportadas 12,1 milhões de toneladas pelo rio.
Entre as mercadorias transportadas, destaca-se soja (7 milhões de toneladas), milho (3 milhões de toneladas) e petróleo (1 milhão de toneladas). Os dados foram compilados pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos nesta quinta-feira (12).
A concessão da hidrovia vem sendo estudada pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O projeto da concessão propôs uma tarifa de R$ 0,80 por tonelada transportada para cobrir investimentos, como dragagem e sinalização, e despesas com manutenção, mas veda a cobrança de pedágio de ribeirinhos e pescadores.
Com a concessão, o governo estima transportar até 21 milhões de toneladas pelo Rio Madeira. O projeto prevê investimentos privados da ordem de R$ 109 milhões até o quarto ano contratual.
A hidrovia do Madeira está localizada no chamado Corredor Logístico Norte, sendo o principal meio de escoamento da produção de grãos, como soja, milho e açúcar proveniente das plantações de Mato Grosso.
O projeto de concessão estabelece um calado — distância entre a parte mais baixa do casco da embarcação e a superfície da água — de 3 metros para garantir a navegabilidade do rio. Para assegurar esse nível, é necessário a realização de dragagens de manutenção — retirada de sedimentos do fundo do rio.
Portos e Navios - SP 13/02/2026
A Marinha do Brasil informou, nesta quinta-feira (12), que a fragata Tamandaré, primeira do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), recebeu certificados emitidos pela sociedade classificadora DNV, passando do status de embarcação 'em construção' para 'em operação'. A mudança, explicou a força naval, é resultado da conclusão de fase de verificações e inspeções da verificadora, o que permite que o navio opere seguindo normas internacionais de segurança, integridade estrutural e conformidade ambiental e seja incorporada à Armada brasileira.
Os certificados abrangem requisitos internacionais de arqueação, sistemas anti-incrustantes, segurança da construção, equipamentos e radiocomunicações, além de conformidade ambiental relacionada à prevenção de poluição por resíduos, óleo e esgoto. Foram emitidos também o certificado de classe e o respectivo class appendix, que formalizam a conformidade da embarcação com os requisitos internacionais de classificação naval.
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) prevê a construção no Brasil de quatro fragatas de alta complexidade tecnológica, em parceria com a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada pelas empresas TKMS, Embraer e Atech, e é gerenciado pela Emgepron. Ele foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), no segmento de inovação para a indústria de Defesa e de Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional.
TN Petróleo - RJ 13/02/2026
Os Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e de Minas e Energia (MME) assinaram hoje (11/2) manifestação conjunta inédita que confirma a viabilidade ambiental da inclusão, na Oferta Permanente, de blocos exploratórios em uma extensa área das Bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, abrangendo grande parte do polígono do pré-sal.
É a primeira vez que a manifestação de viabilidade ambiental é emitida para uma área contínua, e não individualmente, bloco a bloco. A medida representa um avanço relevante para a política de oferta de áreas. Dá maior celeridade à avaliação ambiental necessária à inclusão de blocos na Oferta Permanente de Concessão (OPC) e na Oferta Permanente de Partilha (OPP), amplia a previsibilidade regulatória e operacional para o planejamento das rodadas, reduz prazos de análise e encaminhamento de propostas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e expande as oportunidades exploratórias em duas das principais bacias produtoras do país.
Com a manifestação conjunta, a ANP poderá avançar na inclusão de blocos já aprovados para a OPC e a OPP, desde que situados na área avaliada e autorizada pelos ministérios. Além disso, blocos que venham a ser aprovados futuramente pela ANP, no caso da OPC, e pela ANP e pelo CNPE, no caso da OPP, poderão ser incorporados aos editais de forma significativamente mais célere, com maior previsibilidade.
Atualização do edital da Oferta Permanente de Partilha
A ANP encontra-se em fase de atualização do edital da Oferta Permanente de Partilha para ampliar o número de blocos ofertados, incluindo novos blocos, além dos oito já previstos na versão atual do edital.
Marco para o avanço das rodadas
A manifestação conjunta representa um marco para o mecanismo da oferta permanente. Ao antecipar a etapa de definição das diretrizes ambientais para uma área extensa, a Agência passa a operar com maior eficiência, possibilitando ciclos de oferta mais dinâmicos e alinhados à demanda do setor.
A iniciativa reforça o compromisso da ANP com a segurança jurídica, a transparência e a previsibilidade dos processos licitatórios, pilares essenciais para a atração de investimentos e para o desenvolvimento sustentável do setor de petróleo e gás natural no Brasil.
O que são manifestações conjuntas
Com base na Portaria Interministerial nº 1/MME/MMA, de 22 de março de 2022, manifestações conjuntas são instrumentos formais elaborados conjuntamente pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) que subsidiam o planejamento da outorga de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural, indicando quais blocos ou áreas podem ser disponibilizados para licitação, com base na avaliação de aspectos ambientais, territoriais e de potencial petrolífero.
Essas manifestações são elaboradas a partir de pareceres de órgãos ambientais competentes e têm como finalidade orientar a definição das áreas a serem ofertadas, especialmente quando ainda não tenham sido submetidas à Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS).
No processo, são identificadas restrições ambientais, sobreposições com áreas protegidas ou sensíveis, características territoriais relevantes e o potencial petrolífero das áreas, podendo resultar na exclusão ou delimitação de blocos a serem ofertados.
A manifestação conjunta possui validade de cinco anos e deixa de produzir efeitos caso seja posteriormente concluída a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar correspondente.
Diário do Comércio - MG 13/02/2026
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manteve a projeção para a produção brasileira de combustíveis líquidos em 2026, estimando que a oferta total do País, incluindo biocombustíveis, crescerá 160 mil barris por dia (bpd), para uma média de 4,6 milhões de bpd, segundo relatório mensal divulgado na quarta-feira (11).
No ano passado, a produção brasileira de líquidos aumentou cerca de 240 mil bpd, para a média de 4,4 milhões de bpd, estima a Opep.
De acordo com a Opep, a produção de petróleo bruto subiu cerca de 239 mil bpd em dezembro, para uma média de 4,0 milhões de bpd, após uma recuperação da interrupção observada em novembro, enquanto a de líquidos de gás natural (NGLs) permaneceu “amplamente inalterada” e “praticamente estável”, em cerca de 95 mil bpd. É estimado que a produção de biocombustíveis, principalmente etanol, tenha caído 10 mil bpd em comparação com o mês anterior, para uma média de 700 mil bpd, com dados preliminares de janeiro indicando uma tendência estável.
O relatório informa que, em dezembro, a produção total de líquidos do Brasil subiu cerca de 20 mil bpd na comparação mensal, para uma média de 4,8 milhões de bpd, o que representa um aumento de 600 mil bpd em relação ao ano anterior.
Para 2027, a Opep manteve a projeção para a produção brasileira de combustíveis líquidos e reafirmou a expectativa de que a produção aumente em cerca de 140 mil bpd na comparação anual, para uma média de 4,7 milhões de bpd. Segundo o relatório, a produção upstream deve aumentar com a expansão nos projetos Búzios (Franco), Bacalhau, Marlim e Wahoo, além do início da operação no campo de Búzios e no Cluster Pampo-Enchova.
PIB
No cenário macroeconômico, a Opep reafirmou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2,0% em 2026. E indicou aceleração para 2,2% em 2027, afirmando que, para o próximo ano, é esperado que o crescimento econômico continue se expandindo, apoiado pela flexibilização monetária e pela continuidade da forte atividade doméstica.
Jornal de Brasília - DF 13/02/2026
O Ministério dos Transportes, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), entregou 98 quilômetros pavimentados da BR-080/GO, no trecho entre os municípios de São Miguel do Araguaia (GO) e Alto Horizonte (GO). A obra, financiada com R$ 161 milhões do Governo do Brasil via Novo PAC, garante acesso direto a municípios como Bonópolis (GO), Amaralina (GO) e Mara Rosa (GO), além de fortalecer a ligação entre Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal.
Os serviços executados incluem terraplenagem, drenagem, pavimentação e sinalização horizontal e vertical. O empreendimento também contempla a construção de duas pontes sobre os rios Pintado e Gregório, e um viaduto na interseção com a GO-164.
A pavimentação impulsiona a economia regional ao oferecer mais segurança e conforto à população. Anteriormente, o deslocamento ocorria por vias não pavimentadas, sujeitas a alagamentos, o que prolongava o tempo de viagem e elevava os custos com combustível.
Agora, a BR-080 facilita o acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e transporte, além de aprimorar o escoamento da produção agroindustrial, o turismo regional e a circulação de bens e serviços entre os estados envolvidos.
O Estado de S.Paulo - SP 13/02/2026
As condições climáticas favoráveis no País vêm melhorando as projeções para a colheita nacional de grãos em 2026. A previsão para a safra agrícola deste ano já está próxima ao recorde alcançado em 2025, segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de janeiro, divulgados nesta quinta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A produção de grãos deve totalizar 342,7 milhões de toneladas em 2026, uma queda de 1% em relação a 2025. O resultado equivale a 3,4 milhões de toneladas a menos do que no ano passado. Porém, em relação ao terceiro Prognóstico da Safra Agrícola, que teve apuração feita em dezembro, a safra de 2026 já está 0,8% maior, ou 2,8 milhões de toneladas a mais.
“A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2026 está aproximando-se do recorde da safra de 2025, estando turbinada pela produção da soja, que é recorde da série histórica do IBGE. Até o momento, as condições climáticas estão beneficiando as lavouras da primeira safra”, justificou o gerente do levantamento do IBGE, Carlos Barradas, em nota.
A colheita de soja deve crescer 3,9% em 2026 em relação ao desempenho já recorde de 2025, totalizando um novo ápice de 172,5 milhões de toneladas. A projeção também é de alta para o feijão. Por ora, ainda são esperados decréscimos de 11% para o algodão; de 7,9% para o arroz; de 5,6% para o milho (crescimento de 11,3% para o milho 1.ª safra e declínio de 9,3% para o milho 2.ª safra); de 13,9% para o sorgo; e de 1% para o trigo.
A área a ser colhida na safra agrícola de 2026 deve alcançar 82,7 milhões de hectares, 1,1 milhão de hectares a mais que o desempenho de 2025, ou um aumento de 1,4%. Em relação ao prognóstico apurado em dezembro, houve uma redução de 27.452 mil hectares na estimativa da área colhida.
Quanto aos principais produtos, são esperados aumentos na área colhida para as seguintes culturas: de 0,5% na da soja; de 2,2% na do milho (expansão de 9,3% no milho 1.ª safra e de 0,5% no milho 2.ª safra); e de 0,9% na do trigo. Na direção oposta, deve ocorrer redução de 6,2% na área a ser colhida do algodão herbáceo; de 5,9% na do arroz em casca; de 1,4% na do feijão; e de 2,9% na do sorgo.