Clipping Diário

19 | Fevereiro | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   19/02/2026

Analistas explicaram que a decisão reflete a percepção de que as condições de mercado se deterioraram recentemente, contaminadas por anúncios de reestruturações de dívidas no país

A S&P National Ratings colocou as notas de crédito nacionais “brAA-” da Companhia Sidrúrgica Nacional (CSN) e CSN Mineração em observação negativa por deterioração das condições de mercado.

Os analistas Alexandre Galafazzi, Wendell Sacramoni e Marcelo Schwarz escrevem que a decisão reflete a percepção de que as condições de mercado se deterioraram recentemente, contaminadas por anúncios de reestruturações de dívidas no país.

Eles afirmam que esee ambiente de maior aversão a risco torna mais desafiadores os processos de refinanciamento e, principalmente, o plano de venda de ativos anunciado pela CSN em janeiro.

Embora a agência de classificação de riscos não visualize um risco iminente à liquidez da companhia, ponderam que o cenário turbulento pode encarecer o custo de novas dívidas e pressionar para baixo o valor dos ativos que pretende vender.

Como contrapeso, os analistas apontam que as recentes medidas protecionistas adotadas pelo governo para o setor de aço, somadas a preços de minério de ferro ainda favoráveis, apoiando a retomada gradual da rentabilidade da CSN.

Valor - SP   19/02/2026

Controladora argentina da Usiminas registrou receitas de US$ 3,77 bilhões entre outubro e dezembro, redução de 3% sobre o mesmo período de 2024

A Ternium teve lucro de US$ 122 milhões no quarto trimestre, queda de 56,6% na comparação anual. A controladora argentina da Usiminas registrou receitas de US$ 3,77 bilhões entre outubro e dezembro, redução de 3% sobre o mesmo período de 2024.

A companhia destaca que teve produção de 3,72 milhões de toneladas de aço no quarto trimestre, queda de 1% no ano. Já a produção de minério de ferro ficou em 3,36 milhões de toneladas, alta de 12%.

Segundo a empresa, seus resultados nos três meses finais de 2025 foram impactados por preços mais baixos do aço, mas suas margens ficaram estáveis com a redução de custos com insumos e de aquisição de chapas.

Em 2025 como um todo, a Ternium teve lucro de US$ 425 milhões, revertendo o prejuízo de US$ 54 milhões um ano antes. O faturamento entre janeiro e dezembro chegou a US$ 15,6 bilhões, redução de 12% sobre 2024.

Olhando para o primeiro trimestre de 2026, a companhia espera que seus resultados melhorem sequencialmente, com maiores vendas no México e melhoria de margens no México e no Brasil.

O conselho de administração da Ternium aprovou o pagamento de um dividendo anual de US$ 570 milhões, o equivalente a US$ 2,70 por ação e um rendimento de 6%, a ser pago no próximo mês de maio.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   19/02/2026

Mesmo com eleições e com risco de gastança, o País deve fechar o ano com inflação de 3,95%, menor do que a do ano passado, 4,25%, segundo projeção do boletim Focus divulgado nesta Quarta-feira de Cinzas.

A estimativa para o próximo ano indica um novo recuo, dessa vez para 3,80%, mas esse resultado ainda estará acima da meta oficial, fixada em 3% para intervalos de 12 meses.

O cenário incluiu a taxa anual de 3,50% para 2028 e 2029. Mas qualquer aposta para o médio prazo é especialmente insegura, neste momento, diante das possíveis mudanças internas e também das condições internacionais.

Se as eleições terminarem num quadro econômico razoável, qualquer governo ainda terá o desafio de manter, nos próximos anos, alguma combinação de prosperidade e estabilidade. Mesmo sem novos choques internacionais, o poder federal terá muito trabalho para combinar expansão econômica, modernização produtiva, ampliação do emprego, contas públicas sustentáveis e inflação contida.

As contas externas do Brasil estão em ordem, o País é solvente e tem condições de enfrentar alguma turbulência internacional. Mas a ordem global tem sido contestada, com insistência, pelo governo dos Estados Unidos, a maior potência do sistema capitalista e talvez do mundo.

O bom relacionamento do presidente brasileiro com o governante americano pode atenuar alguns perigos, mas sem criar imunidade a choques externos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se empenhado, além disso, em diversificar relações econômicas e diplomáticas.

Seus parceiros externos, no entanto, são também vulneráveis a crises globais. De toda forma, a diversificação pode ser um fator relevante de segurança. Nenhum arranjo diplomático pode compensar, no entanto, as deficiências políticas internas.

O balanço econômico do ano passado é satisfatório. Houve aumento de 1,6% no comércio varejista, expansão de 2,8% nos serviços, avanço de 0,6% na produção industrial, bom desempenho da agropecuária e redução do desemprego a 5,1% da força de trabalho, o melhor resultado da série iniciada em 2012.

Ao mesmo tempo, a inflação diminuiu e pode continuar diminuindo, se o governo tiver alguma prudência. Mas o poder central continua sem um plano econômico bem definido e sem um claro compromisso com o controle de seus gastos.

Sem esse compromisso, os juros até poderão cair, mas bem mais lentamente do que se houvesse um empenho mais confiável na estabilização das finanças públicas.

Diário do Comércio - MG   19/02/2026

A mediana das estimativas do mercado financeiro do relatório Focus do Banco Central para a Selic no fim de 2026 continuou em 12,25%, pela 8ª semana seguida. Considerando só as 45 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,25% para 12,00%.

A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50%, pela 53ª semana seguida. Considerando só as 43 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana permaneceu em 10,50%.

A mediana para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,00%, pela 4ª semana consecutiva. Para 2029, a mediana ficou em 9,50%, pela 16ª leitura seguida.

Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quinta vez seguida, mas indicou que pode começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse a ata da decisão.

Infomoney - SP   19/02/2026

Agora que o presidente dos EUA, Donald Trump, escolheu Kevin Warsh como seu indicado para suceder Jerome Powell na presidência do Federal Reserve, é hora de levar as ideias de Warsh a sério, para não dizer literalmente.

Grande parte da discussão sobre Warsh tem focado nas recomendações dele sobre taxas de juro, que têm oscilado com o vento político. Mas isso é fazer tempestade em copo d’água. A política de taxas de juro do Fed é decidida por um comitê, e seu presidente é só uma voz entre muitas.

Kevin Warsh pode ter dificuldades em estabelecer novas regras para o Fed

A voz do presidente do Fed é a mais alta, mas isso não é garantia. G. William Miller foi derrotado em votação em 1979, quando se opôs a um aumento na taxa de redesconto do Fed (cobrada quando o Fed empresta diretamente a bancos). (Miller foi derrotado pelo Conselho do Federal Reserve, não pelo Comitê Federal de Mercado Aberto, já que o Conselho toma a decisão final sobre a taxa de desconto.) O conceituado ex-presidente do Fed Paul Volcker foi brevemente derrotado em 1986, quando se opôs a uma redução das taxas de juros.

Nenhuma das duas divisões manchou a reputação do Fed, embora ambos os episódios tenham diminuído a influência do presidente da instituição. Tanto Miller como Volcker deixaram seus cargos pouco tempo depois, o que é um aviso para Warsh. O próximo presidente do Fed terá de construir um consenso para evitar tornar-se outro Miller.

Isso torna as ideias de Warsh sobre a previsão do curso da economia um assunto de grande interesse, porque suas ideias serão o veículo para sua influência sobre outros governadores. Às vezes, Warsh parece defender uma dependência menor de modelos econômicos complicados, funcionários de carreira e dados recebidos, favorecendo uma abordagem mais arbitrária baseada no tom dos mercados.

Essa abordagem de investimento baseada no sentimento é conhecida por funcionar nas mãos de profissionais experientes, como o mentor de Warsh, o investidor bilionário Stanley Druckenmiller, que ganhou destaque no Quantum Fund de George Soros. Mas é improvável que funcione como um guia para prever a evolução de médio prazo da inflação e do emprego.

Noutras ocasiões, Warsh parece defender que se deve confiar menos nos indicadores econômicos retrospectivos e mais nas fontes de dados econômicos em tempo real disponíveis graças à revolução digital. Aqui, ele está no caminho certo. Mas o mesmo se aplica aos funcionários do Fed que, em suas pesquisas, já citam dados de fontes como o Billion Prices Project e o HBS Pricing Lab.

Além de Druckenmiller, o operador financeiro mais parecido com Warsh é J.P. Morgan Senior. Ele esteve intimamente envolvido na gestão das grandes crises bancárias e financeiras que eclodiram periodicamente nos Estados Unidos antes da criação do Fed.

A abordagem preferida de Morgan era organizar operações de resgate, nas quais os bancos mais fortes forneciam a liquidez necessária para manter os bancos mais fracos à tona e acalmar os mercados financeiros.

Num episódio famoso em 1907, Morgan convocou os diretores dos principais bancos de Nova York e os trancou em sua biblioteca particular até que concordassem em fornecer fundos para resgatar outras instituições financeiras solventes, mas instáveis.

Warsh, por sua vez, teve papel fundamental na negociação da aquisição do Bear Stearns pelo JPMorgan Chase em 2008. No fim das contas, essa triagem seletiva não fez nada para conter uma crise sistêmica. Para isso, foram necessárias injeções de liquidez em grande escala pelo banco central – exatamente o tipo de injeção de crédito sobre o qual Warsh expressou reservas.

Em 1907, os participantes dos mercados financeiros também se preocupavam em confiar na abordagem do setor privado de J.P. Morgan para resolver crises financeiras. Essas preocupações levaram diretamente à criação do Federal Reserve em 1913 (Morgan morreu no mesmo ano).

Nesse sentido, Warsh argumenta que o Fed deve concentrar-se em seu mandato duplo de garantir a estabilidade dos preços e o máximo emprego, evitando ao mesmo tempo o alargamento da sua missão. Isto parece se aproximar perigosamente de renunciar à responsabilidade do Fed pela supervisão bancária e pela estabilidade financeira, o que poderia incentivar um afrouxamento adicional das rédeas regulatórias do Fed.

A visão de Warsh indica preocupação com o risco moral, a preocupação de que a injeção de liquidez do Fed incentive comportamentos de risco por parte dos bancos, inflacione os preços dos ativos e promova o esbanjamento por parte de um governo federal já propenso ao déficit. Contudo, embora o risco moral seja uma preocupação válida, o risco de colapso também o é. A chave para o sucesso do banco central não é privilegiar um em detrimento do outro.

O argumento mais forte para que o Fed foque em seu mandato principal – entendido como preços estáveis, pleno emprego e também estabilidade financeira – é que a preservação da independência da autoridade monetária depende disso. A independência só é politicamente viável quando acompanhada de responsabilidade – somente quando indivíduos e a agência aos quais funções públicas são delegadas são obrigados a explicar e justificar suas ações.

Quanto mais complexo for o mandato, mais difícil será para os responsáveis políticos da agência – o Congresso e o público – avaliar a correspondência entre essas decisões, de um lado, e os objetivos do mandato, de outro. E mais difícil será, então, para os decisores políticos independentes defenderem suas ações de forma confiável.

A ironia é que Warsh, nomeado por um presidente que valoriza lealdade acima de tudo, pode ser lembrado como um importante defensor da independência do banco central.

O Estado de S.Paulo - SP   19/02/2026

Analistas do mercado financeiro reduziram de 3,97% para 3,95% a estimativa de inflação para 2026, segundo o Boletim Focus, divulgado pela quarta-feira, 18, pelo Banco Central. Foi o sexto recuo seguido.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está 0,55 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,02%.

A projeção para o IPCA de 2027 ficou estável em 3,80%, pela 15ª semana consecutiva. Considerando apenas as 55 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,80% para 3,70%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da última mediana do Focus, que previa que alta de 4,31%, e da estimativa do Banco Central para o período, de alta de 4,4%.

Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,4% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no terceiro trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.

No Focus desta quarta-feira, a projeção para o IPCA de 2028 ficou estável em 3,50%, pela 15ª semana seguida. Para 2029, a projeção também ficou em 3,50%, pela 24ª semana consecutiva.
PIB

A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,80% pela 10ª semana consecutiva.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre.

Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 ficou estável em 1,80%, pela 7ª leitura consecutiva. Considerando só as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa também seguiu em 1,80%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 101ª e 48ª semana seguida, respectivamente.

Money Times - SP   19/02/2026

Se Dario Durigan é o nome para acalmar os ânimos no Ministério da Fazenda com a iminente saída de Fernando Haddad, a possível ascensão de Guilherme Mello a uma diretoria do Banco Central colocou o mercado em modo de espera — e defesa.

Atual Secretário de Política Econômica (SPE) e ideólogo central do pensamento econômico do atual governo, Mello representa a tentativa mais ambiciosa do Palácio do Planalto de alterar a “alma” da autoridade monetária, migrando de uma gestão estritamente ortodoxa para uma visão focada no binômio investimento-crescimento.

Nos bastidores, a manobra é lida como um elo estratégico de Haddad: ao alçar Mello a uma das duas diretorias vagas do BC, o ministro não apenas aumenta a influência do seu braço direito, mas tenta alinhar as projeções da SPE — hoje o “norte” das metas fiscais — ao comando da política monetária.
Quem é Guilherme Mello

Aos 42 anos, o professor da Unicamp é um dos arquitetos do novo arcabouço fiscal. Sua tese central é a de que o controle de gastos do governo não pode ser um fim em si mesmo, mas um meio para viabilizar o investimento público.

No Copom, que define a taxa de juros do país, sua presença sinalizaria uma defesa explícita do mandato dual (mesmo que não formal): a busca pela meta de inflação sem sacrificar o pleno emprego e a atividade econômica.

Reação de mercado

A Faria Lima já começou a precificar o “fator Mello”. A reação imediata nos juros futuros (DIs) de longo prazo — os que medem o risco fiscal de longo curso — revelou o ceticismo dos players. O salto de 15 pontos-base refletiu o temor de uma política monetária mais leniente ou de uma pressão por cortes da Selic que ignorem as expectativas de inflação desancoradas.

Na visão do governo, Mello traz harmonia entre Fazenda e BC, reduzindo o ruído institucional e facilitando uma queda estrutural dos juros via coordenação de expectativas.

Já na visão do mercado, sua indicação pode ser vista como uma “intervenção técnica”, em que a meta de inflação passaria a ser secundária, elevando o prêmio de risco e a volatilidade do câmbio.
Três vetores para o investidor monitorar:

Dobradinha com Galípolo: A formação de uma maioria heterodoxa no Copom pode acelerar o ciclo de corte de juros, mas o custo pode ser a desancoragem das expectativas para 2027/28.

Sabatina no Senado: O rito político será o primeiro grande teste de estresse de Mello. O tom das respostas sobre a autonomia do BC ditará o ritmo dos mercados no dia.

Projeções da SPE vs. Focus: Como Mello comanda hoje as projeções de PIB e inflação da Fazenda, sua ida ao BC pode gerar um choque de metodologias com o Boletim Focus, que reúne as expectativas do mercado para a economia.

Monitor Digital - RJ   19/02/2026

Após a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central de janeiro, os bancos brasileiros avaliam que o Copom irá cortar a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual em março, seguindo com este ritmo de cortes nas próximas reuniões. Além disso, pouco mais de 60% dos participantes acreditam que os juros básicos devem ficar abaixo de 12,25% ao ano em dezembro, nível inferior ao da atual expectativa trazida pelo Boletim Focus, do Banco Central.

É o que aponta a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que ouviu 21 bancos entre 3 e 9 de fevereiro. Para a maioria dos participantes (76,2%) foi adequada a decisão do Copom de manter os juros inalterados em janeiro e já sinalizar o início do ciclo de flexibilização em março.

A pesquisa, realizada de 45 em 45 dias, logo após a divulgação da ata da última reunião do Copom, revela ainda uma elevação na expectativa de crescimento da carteira de crédito total em 2026, que subiu de 8,2%, na pesquisa de dezembro, para 8,4% na pesquisa atual. Em linha com os números recentes do segmento, o levantamento mantém a tendência de desaceleração gradual do mercado de crédito – em 2025, a expansão do saldo situou-se na faixa de dois dígitos (10,2%).

Os dados refletem o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado ao longo do ano, cuja projeção subiu de 9,4% para 9,6%. Essa alta é explicada pelo crédito para empresas, que se elevou de 9,7% para 11,1%, sustentado pelos programas governamentais para as micro, pequenas e médias empresas. Na carteira direcionada às famílias, a expectativa de crescimento caiu ligeiramente, de 9,1% para 9,0%, dados os sinais ainda de baixo dinamismo no crédito rural.

Na carteira livre, a expectativa de crescimento ficou estável em 7,6%. De um lado, o crescimento esperado para a carteira para pessoas físicas (PF) subiu de 8,6% para 9,1%, em função da resiliência do mercado de trabalho, que tem impulsionado as linhas voltadas para o consumo. De outro, houve redução na projeção para a carteira de pessoas jurídicas (PJ), que caiu de 6,2% para 5,6%.

“A Pesquisa mantém o viés de alta para as projeções do mercado de crédito, algo que temos observado desde o ano passado. Assim, mesmo com uma taxa Selic bastante elevada, o crédito deve manter um bom ritmo de expansão neste ano, ainda que com leve moderação” avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Ainda segundo ele, “essa revisão altista nas projeções segue concentrada na carteira livre destinada às famílias e com recursos direcionados para as empresas.”

A pesquisa captou um aumento da dispersão das projeções para o PIB deste ano. Caiu de 55,0% para 38,1% a proporção daqueles que projetam um crescimento na faixa de 1,8% para 2026 (atual consenso de mercado). Por outro lado, aumentou a proporção daqueles que esperam um crescimento menor (33,3%) ou maior (28,6%) do que tal patamar, embora sem uma direção clara. De todo modo, interessante observar que o percentual daqueles que esperam PIB maior que o consenso (1,8%) subiu de forma expressiva. Como dissemos foi a 28,6% dos respondentes, mas este número estava em apenas 15% na pesquisa anterior.

A maioria dos participantes (71,4%) entende que o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal deste ano (pouco abaixo do observado na pesquisa anterior, de 80,0%). Destes, 47,6% esperam que a agenda seja focada em medidas do lado das despesas (contingenciamento ou exclusão de despesas da meta).

A projeção para a inadimplência da carteira livre para 2026 ficou estável em 5,2%, após fechar 2025 em 5,5%, reforçando a expectativa de que a inadimplência está próxima do seu pico e que deve começar a cair em breve, com a proximidade do início de queda da taxa Selic. Para 2027, a projeção é de 4,9%, mantendo a expectativa de recuo do indicador.

Crédito em 2027 – A pesquisa também captou pela primeira vez projeções para 2027. A expectativa de crescimento da carteira total ficou em 7,7%, patamar um pouco inferior ao projetado para este ano (8,4%). A projeção reflete altas esperadas de 7,4% para a carteira livre e de 8,3% para a direcionada.

IstoÉ Dinheiro - SP   19/02/2026

A prioridade do ministério da Fazenda, hoje, deveria ser ‘devolver a sanidade ao orçamento público’. A avaliação é de Maílson da Nóbrega, fundador da Tendências Consultoria que ocupou a cadeira de ministro da Fazenda no fim da década de 1980, durante o governo Sarney.

“Se eu fosse convidado para assumir o cargo de ministro da Fazenda novamente e tivesse que escolher uma prioridade, seria devolver a sanidade ao orçamento público brasileiro. Não é viável para o futuro de um país que 96% dos gastos primários do governo federal sejam de natureza obrigatória, restando apenas 3% para financiar setores fundamentais como ciência, tecnologia, cultura, funcionamento de áreas importantes do governo, especialmente na área de investimento”, diz.

Segundo o ex-ministro, é crucial ‘devolver a flexibilidade’ para o orçamento.

Desde a promulgação da Constituição, o Brasil optou por um modelo que, apesar de visar a redução de desigualdade, criou obrigações financeiras crescentes. Atualmente, os gastos obrigatórios – que incluem previdência social, salários de servidores e benefícios assistenciais como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) – já consomem a vasta maioria da arrecadação federal.

Nesse contexto, o Brasil pode viver um shutdown técnico do Estado, com o governo perdendo totalmente o poder de manejo sobre as chamadas despesas discricionárias.

Assim, em meados de 2027, as despesas obrigatórias representarão 100% do PIB.

As reformas estruturantes, desta forma, se fazem necessárias, na avaliação de Maílson.

“Se não fizermos as reformas e não houver indicação de que elas podem ser feitas, o efeito será provavelmente um colapso fiscal que redundará em incertezas, fuga de capital, aumento da taxa de juros, aumento dos custos das empresas, inflação e dólar mais alto. E tudo isso conspirará contra o futuro do país.”
‘O Brasil ainda pode ser um país rico?’

Maílson lançou no dia 10 de fevereiro seu novo livro intitulado ‘O Brasil ainda pode ser um país rico?: o desafio da produtividade’, obra na qual o economista remonta eventos históricos que moldaram a economia brasileira e detalhou o que considera fatores fundamentais para o Brasil se tornar um país próspero.

O economista defende que o Brasil pode caminhar para um ambiente de pujança no campo econômica, mas isso depende ‘de como os fatores que impedem o crescimento da economia e aqueles que impulsionam o crescimento da economia atuarem uns contra outros’.

“Se a prevalência for dos fatores que inibem o crescimento da economia, como a maneira como o juiz decide, as visões de mundo do PT, o fim do bônus demográfico e assim por diante, aí vai ser difícil. O Brasil não vai ser uma Venezuela, não vai ser uma Argentina dos tempos do peronismo, mas vai ser um país de grande limitação na sua capacidade de crescer”, comenta.

“Se por outro lado, prevalecer os os elementos positivos, como a força do agronegócio, a importância dos sistema financeiro, um Banco Central independente de grande credibilidade: todos esses fatores impulsionam a economia e eles podem se contrapor e gerar um efeito positivo, porque eles anulariam grande parte dos fatores que inibem o crescimento do país”, opina.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   19/02/2026

Depois de dois dias de Bolsa fechada no Carnaval, as ações da Vale (VALE3) operam em queda nesta quarta-feira (18), em movimento de ajuste aos ADRs negociados em Nova York e em meio ao aumento da aversão a risco no exterior. Por volta das 14h30, os papéis recuavam 2,31%, a R$ 85,02.

A baixa reflete, em grande parte, a necessidade de alinhamento aos recibos da companhia nos Estados Unidos, que acumularam perdas nos últimos dois pregões enquanto a B3 permanecia fechada. Com isso, o mercado local abriu já “correndo atrás” da correção de preços.

No cenário externo, o principal vetor de pressão veio dos Estados Unidos. Dados recentes de inflação e do mercado de trabalho reacenderam o temor de que o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) mantenha os juros elevados por mais tempo. A perspectiva de política monetária mais restritiva fortalece o dólar, pressiona commodities e reduz o apetite por ativos de risco — combinação tradicionalmente negativa para mineradoras.

Ao mesmo tempo, o mercado ficou sem o suporte da China durante o feriado do Ano Novo Lunar. Investidores aguardavam eventuais anúncios de estímulos por parte de Pequim, que costuma usar o período para sinalizar prioridades econômicas e reforçar liquidez.

Com as bolsas de Dalian e Xangai fechadas, a liquidez migrou para Singapura. A ausência de novas medidas de incentivo, somada a indicadores ainda moderados da atividade industrial chinesa, pesou sobre o minério de ferro. O contrato negociado em Singapura encerrou a sessão em torno de US$ 95,95 por tonelada, o menor nível desde novembro.

Sem um gatilho claro de demanda vindo do maior consumidor de aço do mundo e diante de um ambiente global mais duro para ativos cíclicos, Vale acompanha o ajuste das commodities e devolve parte dos ganhos recentes.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   19/02/2026

A indústria de veículos elétricos (EVs, na sigla em inglês) entrou em uma fase de desaceleração global, marcada por queda nas vendas e incertezas regulatórias. Nem mesmo a Tesla ficou imune ao chamado “inverno dos EVs”, movimento impulsionado por mudanças nas políticas de incentivo dos Estados Unidos e da China.

A demanda global por carros movidos a bateria recuou 3% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da consultoria Benchmark Intelligence divulgados pelo Business Insider. Na América do Norte, as vendas caíram 33%. Na China, 20%.

Parte desse movimento está ligada à retirada de estímulos públicos. No mercado chinês, o governo encerrou as isenções fiscais e reduziu os incentivos para a troca de veículos a combustão por modelos 100% elétricos. Nos EUA, a eliminação do crédito fiscal de US$ 7,5 mil para a compra de carros elétricos novos teve efeito semelhante: sem o desconto, o preço final subiu e a demanda esfriou.

O setor automobilístico se prepara, assim, para uma fase de “congelamento profundo”, com a retirada de subsídios que sustentavam a expansão dos EVs. A avaliação de especialistas é que, sem esses incentivos, o ritmo de vendas tende a desacelerar ainda mais, pressionando margens, investimentos e planos de expansão.

Montadoras voltam a investir em veículos a combustão

A crise não atinge apenas a Tesla. Ford, General Motors e Stellantis anunciaram mais de US$ 50 bilhões em encargos ligados aos negócios de veículos elétricos, em um movimento que reflete a desaceleração nas vendas e a revisão de estratégias no segmento.

Segundo a Benchmark Intelligence, as montadoras têm redirecionado investimentos para híbridos e modelos a combustão, após a venda de apenas 90 mil EVs na América do Norte em janeiro, de acordo com o Business Insider. O recuo reforça o ambiente mais desafiador para as empresas que haviam apostado na eletrificação acelerada.

No caso da Tesla, os impactos são visíveis. A montadora vendeu menos de 20 mil veículos na China em janeiro, o menor volume desde o fim de 2022, segundo dados da China Passenger Car Association citados pelo Business Insider. A ausência parcial de novos lançamentos deixou a empresa mais vulnerável em um mercado cada vez mais competitivo.

A concorrência chinesa ganhou força. O modelo YU7, da Xiaomi, lançado em junho de 2025, superou as vendas do Tesla Model Y em janeiro, em proporção superior a dois para um. Em 2025, a BYD também ultrapassou a Tesla como maior vendedora mundial de veículos a bateria.

Ainda assim, o cenário não é favorável apenas para a Tesla. A própria BYD registrou queda de 30% nas vendas em janeiro na comparação anual, sinalizando um início de 2026 desafiador para toda a cadeia produtiva.

Na Europa, a resistência à Tesla se intensificou após comentários do CEO Elon Musk sobre a política local, incluindo o apoio ao partido alemão AfD em 2025. Embora a região tenha registrado crescimento de quase 25% na demanda por elétricos, os números da Tesla caminharam na direção oposta.

Na França, os emplacamentos da marca caíram 42%. Na Noruega, apenas 82 veículos da Tesla foram comercializados no período. No Reino Unido, a perda de competitividade frente aos rivais chineses ficou evidente: em janeiro, a BYD vendeu quatro vezes mais veículos que a Tesla, enquanto os licenciamentos da montadora americana recuaram pela metade.

Ao mesmo tempo, a Tesla sinaliza mudanças estratégicas mais profundas. Musk afirmou a investidores que a empresa deve encerrar os modelos Model S e Model X para priorizar o robô humanoide Optimus. No longo prazo, a aposta é concentrar a produção em veículos autônomos, como o futuro Cybercab.

O Mecânico - SP   19/02/2026

A disposição da Ford Motor Company em discutir, ainda que de forma informal, a entrada de montadoras chinesas nos Estados Unidos por meio de joint ventures marca um ponto sensível na estratégia global da empresa. Mais do que um movimento isolado, a iniciativa revela o reposicionamento forçado de uma montadora que perdeu competitividade nos principais eixos da indústria automotiva mundial — especialmente frente à ascensão da BYD.

A imprensa internacional destaca uma reunião do CEO Jim Farley ocorrida em janeiro com o alto escalão do governo Trump no Salão de Detroit. Segundo a imprensa norteamericana a Ford propôs um modelo de parceria com controle das empresas dos Estados Unidos.

Na Europa, a estratégia elétrica da Ford revelou suas limitações. Modelos como o Mustang Mach-E e derivados elétricos baseados em plataformas compartilhadas não conseguiram sustentar volumes nem margens em um ambiente altamente competitivo, dominado por marcas chinesas e por fabricantes europeus já adaptados à transição energética.

Diante do enfraquecimento na Europa e da irrelevância estrutural na China, a América Latina passou a ser um dos poucos pilares estáveis da Ford. Brasil, Argentina e México sustentam volumes relevantes graças a produtos a combustão bem posicionados, como picapes, SUVs médios e veículos comerciais.
Conteúdo da proposta

A proposta apresentada por Jim Farley ao governo Trump — permitir que montadoras chinesas produzam nos EUA por meio de joint ventures controladas por empresas americanas — deve ser lida como um sinal explícito de que a Ford reconhece sua desvantagem estrutural frente à indústria chinesa.

O modelo espelha exatamente aquilo que a China exigiu por décadas das montadoras ocidentais: parcerias locais como condição para operar. A diferença é que, agora, são as empresas americanas que buscam esse arranjo para sobreviver à nova ordem industrial.

O Estado de S.Paulo - SP   19/02/2026

Não é só no Brasil que os preços agressivos dos carros chineses chamam a atenção. Na própria China, o fenômeno atingiu um nível crítico, levando o governo a estabelecer regras que impedem as montadoras de venderem modelos por valores inferiores ao seu custo de produção.

O objetivo é frear a guerra de preços desenfreada e estimular o retorno das marcas à lucratividade. Atualmente, existe mais de uma centena de fabricantes no país — a maioria pouco sustentável a longo prazo devido à dificuldade em alcançar rentabilidade.
Oferecer descontos ou subsídios que deixem o preço final abaixo do valor de custo;Utilizar vendas corporativas (frotistas) para disfarçar reduções de preços ao consumidor final;Entregar volumes de veículos superiores ao faturado (bonificações “por fora”);Praticar o dumping (preço abaixo do custo) para eliminar concorrentes ou ganhar domínio de mercado.

Essas orientações são pilares de qualquer cartilha de livre concorrência, mas, surpreendentemente, haviam deixado de funcionar no aquecido mercado chinês. A intervenção ocorre justamente no momento em que Pequim reduz os subsídios diretos ao consumidor.

Medida pode esfriar as vendas de veículos

Em entrevista ao South China Morning Post, o setor de varejo demonstrou preocupação. “As novas diretrizes vão esfriar o interesse de compra dos consumidores este ano, com queda nas entregas devido à retirada gradual da isenção de impostos”, afirmou Zhao Zhen, diretor de vendas da concessionária Wan Zhuo Auto, em Xangai.

Segundo ele, o governo quer que as montadoras parem de buscar o volume de vendas cegamente às custas da saúde financeira. Até o ano passado, os carros elétricos contavam com uma isenção de 10% no imposto de compra; este ano, o incentivo caiu para 5% e deve ser totalmente extinto até 2028.

Sem a intervenção do governo, a tendência natural seria que as montadoras aumentassem os descontos para compensar o fim dos subsídios estatais e manter as vendas aquecidas. Agora, com os preços “travados”, é provável que muitos consumidores cancelem ou posterguem a compra do carro novo.

Saúde financeira em risco

Apesar de amarga para o consumidor, a mudança é vista como vital para a sobrevivência da indústria. Até mesmo a BYD, uma das poucas marcas que opera no azul, registrou queda superior a 30% no lucro líquido no terceiro trimestre do ano passado.

Essa falta de rentabilidade gera um efeito cascata que atinge toda a cadeia de suprimentos. Pressionadas financeiramente, algumas montadoras chegavam a demorar até um ano para pagar fornecedores de autopeças e tecnologia.

Com as novas regras, o governo espera normalizar esses ciclos de pagamento e garantir a sustentabilidade do ecossistema automotivo chinês.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Money Times - SP   19/02/2026

A XP Investimentos manteve a Cyrela (CYRE3) como sua principal escolha (top pick) entre as construtoras listadas em bolsa e que são voltadas ao segmento de alta renda.

Em relatório, a corretora apontou que a companhia iniciou 2026 com uma operação diversificada, menos dependente do cenário macroeconômico do que seus concorrentes, apresentando um histórico sólido e sendo negociada a um “atraente” P/L (preço sobre lucro) de 5,7 vezes.

Segundo os analistas Ygor Altero e João Rodrigues, que assinam o documento, após quase dobrar o volume de lançamentos nos últimos dois anos, a Cyrela deve começar um ciclo de forte crescimento de receitas até 2027, quando o ritmo tende a se estabilizar.

De acordo com a dupla, no curto prazo, esse movimento pode até pressionar a alavancagem, mas a expectativa é de melhora à medida que lucro líquido e geração de caixa avancem.

“Mantemos a empresa como nossa preferência no setor devido à diversificação de operações, histórico operacional e desempenho de alto nível no segmento de alta renda”, escreveram os analistas, que elevaram o preço-alvo das ações de R$ 37 para R$ 42, o que implica potencial valorização de 36% frente aos atuais R$ 31,55.

Altero e Rodrigues projetam um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 19% em 2026 para a companhia e esperam que a geração de caixa livre ganhe força a partir de 2028, abrindo espaço para maior distribuição de dividendos.

Lavvi: a segunda favorita

A dupla também apontou a Lavvi (LAVV3) como a segunda preferência dentro do segmento de média e alta renda, destacando que a companhia tem apresentado um dos maiores ROEs do setor, mas mantendo uma abordagem conservadora que limita os riscos de execução.

“Esperamos que a empresa entre numa nova fase de crescimento em 2026, aumentando os lançamentos em 38%”, afirmaram os analistas, que elevaram o preço-alvo dos papéis de R$ 17 para R$ 26, indicando potencial de alta de 44%.

A XP também vê a Novvo — marca da Lavvi voltada à baixa renda — ganhando relevância ao longo do tempo, após o seu ciclo inicial e curva de aprendizagem, atingindo potencialmente cerca de um terço dos lançamentos do grupo.

Já a unidade de alta renda deve seguir focada na estratégia de apostar em produtos icónicos, lançados em conjunto com parceiros, e privilegiando a rentabilidade e a rotação de ativos.

“A partir de 2027, esperamos que a Lavvi atinja a sua velocidade de cruzeiro, o que se deverá traduzir numa geração de cash-flow mais forte e potencialmente um maior pagamento de dividendos.”
Desafio: calibrar oferta e demanda

No relatório, a corretora também afirmou que o desafio mais importante que as construtoras do segmento pode enfrentar este ano é equilibrar corretamente a oferta e a demanda.

Com juros ainda elevados e o ambiente eleitoral no radar, a XP avalia que potenciais compradores podem adiar decisões enquanto aguardam maior clareza sobre o cenário fiscal e a trajetória das taxas brasileiras.

“Observamos uma mudança inicial por parte das incorporadoras no sentido de aumentar sua exposição ao segmento de renda média, com o objetivo de se beneficiar de uma possível melhora no segmento, caso os juros caiam até o momento da entrega das unidades”, disse a casa.

“No entanto, observamos que a visibilidade desse cenário permanece limitada, e acreditamos que o crescimento deve ser seletivo, a fim de atender à demanda certa para o ano”, alertou.
Outras construtoras

A XP ainda atualizou as estimativas para outras construtoras e incorporadoras voltadas à alta renda. Para a Moura Dubeux (MDNE3), por exemplo, os analistas elevaram o preço-alvo das ações de R$ 31 para R$ 38 e mantiveram a recomendação de compra.

A avaliação reflete o avanço consistente nos lançamentos e a estratégia de diversificação da companhia, incluindo a parceria com a Direcional (DIRR3) para ampliar a atuação no segmento de habitação popular.

No caso da Eztec (EZTC3), a casa manteve o preço-alvo em R$ 19, com recomendação neutra. Apesar do múltiplo atrativo — com os papéis negociando a cerca de 5,1 vezes o lucro projetado para 2026 —, o retorno sobre o patrimônio ainda baixo e as incertezas relacionadas às vendas de imóveis comerciais sustentam uma postura mais cautelosa.

Já para a Even (EVEN3), o preço-alvo subiu de R$ 8 para R$ 10, com recomendação de compra. Segundo a XP, a empresa segue focada em produtos de nicho voltados ao público de maior renda, baseados em grandes aquisições de terrenos.
Confira as recomendações da XP:

Ticker Recomendação Preço-alvo (R$) Preço atual (R$) Upside (%)
CYRE3 Compra (top pick) 42,00 31,55 36%
LAVV3 Compra 26,00 18,31 44%
EZTC3 Neutra 19,00 15,44 23,1%
MDNE3 Compra 38,00 32,64 16,4%
EVEN3 Compra 10,00 8,45 18,3%
MELK3 Compra 5,00 4,00 25%

CNN Brasil - SP   19/02/2026

O ritmo de expansão do mercado imobiliário nos últimos trimestres mostram um setor aquecido e com potencial para gerar um novo “boom” em 2026, mesmo em um ambiente de pressão com a maior taxa de juros em duas décadas no Brasil.

Agora, com as perspectivas mais consolidadas para o início do clico de cortes da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) neste ano, o fôlego do mercado financeiro — que vem recebendo um grande fluxo de capital estrangeiro —, além do ânimo geral do setor, analistas e grandes players já projetam: 2026 será o ano de um novo salto imobiliário.

Apesar do cenário otimista, especialistas ouvidos pelo CNN Money sinalizam pontos que podem prejudicar o setor, como a mudança na jornada de trabalho 6x1.

São Paulo e o termômetro nacional

Dados da Brain Inteligência Estratégica revelam uma aceleração vigorosa no coração econômico do país.

Na cidade de São Paulo, o volume de unidades vendidas no acumulado de 12 meses saltou de 138,8 mil no segundo trimestre para 151,7 mil imóveis ao fim do terceiro trimestre de 2025.

Esse movimento não é isolado. Ao nível nacional, a intenção de compra de imóveis atingiu a marca histórica de 50%.
Ou seja, um em cada dois brasileiros manifesta o desejo de adquirir uma propriedade no curto ou médio prazo.

Dos fatores que explicam essa euforia, há, em primeiro lugar, uma mudança demográfica: a Geração Z (jovens entre 21 e 28 anos) lidera o apetite por moradia, com 56% de intenção de compra.

“Aquela ideia que muito se implantou, que se divulgou ao longo dos últimos 5, 10 anos, de que o jovem quer morar de aluguel, na prática, todas as pesquisas demonstram que é bobagem”, diz Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain.

“Os jovens são os que mais querem comprar imóveis porque eles querem melhorar de vida. Eles podem ter dificuldade de comprar imóvel, mas são os que mais desejam”.

Em segundo lugar, o desempenho recorde do mercado financeiro também traz otimismo ao setor.

Com o Ibovespa em patamares históricos, o chamado "efeito riqueza" faz com que investidores realizem lucros na bolsa para reinvestir no "tijolo", buscando segurança e ganho real.

A compra de imóveis como investimento - aluguel ou revenda - representou 26% das aquisições no 4º trimestre de 2025, uma alta significativa frente aos 20% do mesmo período do ano anterior, conforme a Brain.

O principal índice da bolsa de valores brasileira registrou alta acumulada de 12,56% em janeiro, o terceiro melhor resultado em 16 anos, segundo levantamento da Elos Ayta.

Do ponto de vista cambial, o Ibovespa acumulou avanço de cerca de 20,37% até o fim do mês, ficando entre os 11 maiores ganhos mensais em dólares desde 2000.

E o ganho real já é uma realidade. No último trimestre de 2025, o preço do metro quadrado em São Paulo subiu 2,1%.

Confrontado com uma inflação estimada em 1,2% no período, segundo dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o setor entregou uma valorização real de aproximadamente 0,89% em apenas 90 dias — um rendimento que começa a bater de frente com a renda fixa, agora em trajetória de queda.

“No início desse ano, já sentimos um movimento grande não só do investidor de bolsa, mas do capital estrangeiro vindo muito mais forte para o Rio de Janeiro”, comenta Elcilio Brito, do Grupo BSJ.

“Temos uma operação que transfere dinheiro de fora para o Brasil e sentimos uma alta em torno de 30% a 35% de investidores de fora, olhando o mercado do Rio de Janeiro, o que é diferente dos outros estados”.
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O desafio dos custos e a resiliência do setor

Nem tudo, porém, é certeza. Como aponta o CEO da Brain, o setor observa de perto a reforma tributária e o custo dos insumos.

Outro possível “cisne negro” que pode ser uma pedra no sapado desse potencial “boom” imobiliário é a alteração da escala de trabalho 6x1, com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que sugere a redução da jornada semanal de 44 horas para 36 horas.

Atualmente, três PECs estão em debate no Congresso. A mais recente está na Câmara e implementa a jornada 4x3 sem transição (totalizando 36 horas por semana). Também na Câmara, outra proposta já tramita desde 2019 e prevê a diminuição gradual da jornada atual de 44 horas semanais num prazo de 10 anos até alcançar as 36 horas.

O setor da construção civil vê com preocupação essa possível alteração da escala, conforme defendido pelo Ministério do Trabalho.

O setor imobiliário de São Paulo acompanha as tramitações de perto, e prevê alta dos preços caso as mudanças sejam concretizadas.

Segundo o Secovi-SP, o reajuste seria repassado aos preços de produtos e serviços, já que os setores econômicos de produção, comércio e serviços não terão como absorver a contratação de mais mão de obra.
Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), reforça que o custo da mão de obra aumentará, refletindo em preços maiores aos consumidores.

“Ela representa 45% a 50% do custo do índice, então isso vai encarecer, vai para o consumidor final em todos os setores”, diz.

O especialista também chama a atenção para o programa Minha Casa, Minha Vida, desafiando a capacidade de pagamento das famílias de baixa renda.

“Como é que vai ficar o Minha Casa Minha Vida se tiver que aumentar o preço da moradia? A prestação tem que subir’’ house.
A todo vapor

Apesar dos desafios que se desenham no horizonte, a oferta está se ajustando.

No terceiro trimestre, as incorporadoras em São Paulo "ligaram as máquinas", lançando mais de 15 mil novas unidades em relação ao período anterior.

O estoque — período em que um novo imóvel fica à venda após o lançamento — na capital paulista é de 9 meses, um nível considerado saudável, mas que sinaliza urgência para novos lançamentos caso a demanda continue a subir.

Fora do programa de desenvolvimento habitacional, outros segmentos nadam contra os juros.

“Dentro do mercado brasileiro, há dois segmentos muito distintos, que é o Minha Casa, Minha Vida, que usa o funding do fundo de garantia, que normalmente não é afetado pela Selic mais alta, e outras pontas; os mercados de médio e alto padrão, esses, sim, são muitíssimo afetados pela Selic alta”, explica Eduardo Fischer, CEO da MRV&Co.

“Então a nossa indústria, de forma geral, é uma indústria que depende de uma macroeconomia organizada, estável e com taxa de juros baixa”.
2026: o ano da consolidação

"As perspectivas são muito boas", resume Fábio Tadeu, da Brain.

Se as "tempestades não previstas" não surgirem no horizonte macroeconômico, 2026 tem tudo para ser o ano em que o recorde de intenção de compra se transformará no maior volume de escrituras assinadas da história do país.

Com o setor de construção civil projetando crescer acima do PIB (Produto Interno Bruto), o mercado imobiliário deixa de ser apenas um sobrevivente dos juros altos para se tornar o motor da economia brasileira no próximo ano.

Para a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), o setor estima crescer acima da economia nacional em 2026, um resultado para a construção melhor do visto no ano anterior.

A expectativa de crescimento em 2%, em relação aos 1,6% do PIB brasileiro, é sustentada por fatores como o início da queda na taxa de juros, programas como o Reforma Casa Brasil, além de orçamento recorde para a habitação financiado pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e dos investimentos em obras de infraestrutura.

Para Eduardo Fischer, “quando a gente soma tudo isso, eu olho para 2026 com bastante otimismo. Uma indústria que já vem bem, apesar da taxa de juros muito alta, tende a ter um 2026 e 2027 melhor ainda”.

Money Times - SP   19/02/2026

As construtoras e incorporadoras BRZ Empreendimentos e Fica Empreendimentos anunciaram, por meio de fatos relevantes, que a tentativa de combinação de negócios foi oficialmente encerrada.

As duas companhias informaram que expirou o prazo do memorando de entendimentos (MOU) firmado entre as partes em agosto de 2025, sem que houvesse consenso sobre os termos finais da operação.

Com isso, o acordo foi rescindido automaticamente, assim como a proposta vinculante celebrada pela BRZ junto aos acionistas controladores da Fica — Total Log Planejamento e Promult Empreendimentos.
Operação poderia abrir caminho para acesso à bolsa

O memorando de entendimentos previa a unificação das bases acionárias e a criação de uma nova companhia, na qual a BRZ deteria 85% de participação e a FICA, 15%.

A transação poderia funcionar de forma semelhante a um IPO reverso. Isso porque a BRZ não é negociada na bolsa de valores, enquanto a Fica é uma companhia aberta desde 2007.

Na prática, ao se fundir com uma empresa já listada, a BRZ herdaria essa condição e passaria a negociar ações na B3 sem a necessidade de realizar uma oferta pública tradicional (isto é, um IPO).

“O MOU foi reincidido de pleno direito, bem como a proposta vinculante celebrada entre a BRZ e os acionistas da FICA”, informaram as duas companhias.

Quem são as empresas

Fundada em 2010 na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais), a BRZ atua principalmente no segmento de baixa renda, com projetos voltados ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

A incorporadora lançou 12 empreendimentos em 2025, somando mais de 4,4 mil unidades e Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,25 bilhão.

Já a Fica, anteriormente chamada de CRZ Empreendimentos, foi fundada em janeiro de 2006 e entregou mais de 8,3 mil unidades habitacionais ao longo de sua trajetória.

A companhia abriu capital em 2007 e teve inicialmente ações negociadas sob o código CRDE3, no Novo Mercado da B3. Após um processo de reestruturação, passou a operar sob a marca FICA (FIEI3) em 2023.
IPO reverso: o atalho

Em meio à escassez de novas ofertas públicas iniciais no Brasil, o chamado IPO reverso tem sido utilizado como alternativa para acesso ao mercado de capitais.

Nesse modelo, uma empresa fechada assume o controle de uma companhia já listada, passando a ter acesso à bolsa sem precisar seguir todo o processo tradicional de um IPO, que envolve auditorias, aprovação regulatória e esforços de distribuição junto a investidores.

Pontos de atenção

Segundo especialistas, no entanto, em uma operação desse tipo, para a empresa compradora o risco é não ter total controle do histórico da companhia anterior e ficar suscetível ao passivo que está adquirindo.

Já para os investidores, a preocupação está na menor previsibilidade sobre a nova organização resultante da fusão, já que como não há o mesmo processo típico de um IPO tradicional, que envolve ampla divulgação de informações e roadshow, o mercado pode ter menos tempo para avaliar o negócio.

FERROVIÁRIO

Folha On-Line - SP   19/02/2026

Primeiro projeto estruturado sob nova política ferroviária, desenho da estrada de ferro criará padrão para contratos

EF-118 prevê trecho entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ), com expansão até Nova Iguaçu (RJ)

Sustentei recentemente em artigo nesta coluna que o discurso oficial sobre a nova política ferroviária precisa refletir com clareza o que ela efetivamente propõe. Volto ao tema para analisar as minutas de edital e contrato da EF-118, recentemente submetidas ao TCU. Por ser o primeiro projeto estruturado sob a nova política ferroviária, seu desenho criará um padrão para os contratos seguintes.

A EF-118 prevê a construção do trecho entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ), com expansão condicionada até Nova Iguaçu (RJ), incluindo segmento preexistente da EF-103, além da prestação do serviço de transporte de cargas.

Trata-se, na prática, de uma PPP (parceria público-privada) com aporte de recursos públicos (R$ 5,2 bilhões) ao longo da construção da ferrovia, diretamente ou por meio de investimentos cruzados de concessionárias que renovaram seus contratos entre 2020 e 2025. Em qualquer desses casos, o projeto gera efeitos fiscais, ainda que menos visíveis no caso dos investimentos cruzados, pois os recursos não passam pela conta única do Tesouro e não são considerados na contabilidade pública.

Apesar de ser uma PPP com aporte, o critério de julgamento não é, como seria esperado, menor pagamento de aporte público, mas sim maior pagamento pela outorga, destinado a um fundo para cobrir contingências no próprio projeto. O problema é que o contrato cria hipóteses em que esse fundo pode se revelar insuficiente, exigindo recursos orçamentários adicionais.

Um exemplo é a regra segundo a qual se o custo definido no projeto executivo superar 110% do valor estimado das obras (R$ 3,8 bilhões), 90% do excedente será suportado pela União. Como o projeto executivo será elaborado pelo concessionário, é plausível imaginar cenário em que os licitantes já antecipem sobrecustos superiores a 10%. Nesse contexto, se a margem líquida da obra para o concessionário superar a parcela de risco que o concessionário assume, haverá incentivo econômico para o concessionário buscar elevar o custo da construção já no projeto executivo.

O país já viveu situação semelhante no fim do século XIX e princípio do XX, com o regime de garantia de juros, adotado por influência de estudo de André Rebouças. Como a rentabilidade era proporcional ao investimento reconhecido, criou-se incentivo para maximizar o capital empregado. A literatura registra a consequência disso: ferrovias construídas com traçados em ziguezague, com o efeito colateral de reduzir a eficiência do transporte.

O modelo da EF-118 também pode afetar o leilão. Se o concessionário sabe que a outorga poderá retornar a ele via reequilíbrios e que seus ganhos crescem com o valor da obra, pode oferecer lance artificialmente elevado, apostando na recomposição futura. Nesse caso, a tendência é que vença não o operador mais eficiente, mas aquele que apostar mais alto na sua capacidade de obter reequilíbrios.

Outro ponto sensível é a definição de eventos extraordinários que dão ao concessionário direito a reequilíbrio pela variação de custos de insumos. Na EF-118, considera-se extraordinária variação do custo total de insumos superior a 2% da receita do ano anterior da concessionária, enquanto, por exemplo, no setor de rodovias, esse percentual é definido por análise de dados com metodologias probabilísticas, que resulta geralmente em atribuir riscos aos concessionários substancialmente maiores que os mencionados 2%.

Há evidente assimetria entre o desenho da EF-118 e as concessões de ferrovias renovadas entre 2020 e 2025, que somam cerca de R$ 85 bilhões em compromissos de investimento, sem proteção semelhante para variações de custos de insumos. Se o modelo da EF-118 for replicado para implantar ferrovias na área de influência das concessionárias atuais, poderá haver distorções concorrenciais.

Diante de tudo isso, seria prudente reavaliar essas regras e seu impacto fiscal. O Brasil precisa ampliar sua malha ferroviária, integrar territórios e reduzir custos logísticos. Isso exige projetos viáveis e contratos bem calibrados. É preciso aprimorar o desenho da EF-118, de modo a assegurar que os recursos mobilizados —públicos e privados— resultem em obras eficientes, concorrência saudável e sustentabilidade fiscal. É assim que se constroem políticas públicas que atravessam gerações.

NAVAL

Exame - SP   19/02/2026

A China lançou mais submarinos do que os Estados Unidos entre 2021 e 2025, segundo relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.

No período, Pequim colocou 10 submarinos em operação, somando 79 mil toneladas, enquanto os EUA lançaram sete unidades, com 55,5 mil toneladas.

O dado marca uma virada em relação ao período de 2016 a 2020, quando os Estados Unidos haviam superado a China tanto em número de embarcações quanto em tonelagem, de acordo com a CNN Portugal.

Produção chinesa cresce com foco em submarinos nucleares

O levantamento, feito com base em imagens de satélite, aponta que a Marinha do Exército de Libertação Popular ampliou a produção de submarinos nucleares. Entre os modelos destacados estão:

submarinos lançadores de mísseis balísticos (SSBN); submarinos de ataque e de mísseis guiados (SSGN).

No início de 2025, a China tinha 12 submarinos nucleares ativos — seis lançadores de mísseis balísticos e seis de ataque ou guiados. Além disso, opera 46 submarinos de propulsão convencional.

Como funcionam os cabos submarinos que sustentam a internet global

A maior parte dessa expansão ocorre no estaleiro de Huludao, no norte do país. O relatório cita a entrada de novos submarinos do Tipo 094, capazes de lançar mísseis balísticos com ogivas nucleares, reforçando a capacidade nuclear marítima chinesa.

O próximo modelo, o Tipo 096, está em desenvolvimento e deve entrar em operação no fim da década.

EUA mantêm frota maior, mas enfrentam atrasos na produção

Apesar do avanço chinês, os Estados Unidos ainda mantêm ampla vantagem em tamanho de frota, com 65 submarinos nucleares no total, sendo 14 equipados com mísseis balísticos. Diferentemente da China, Washington opera apenas submarinos de propulsão nuclear.

Relatório do Congressional Research Service aponta que os estaleiros americanos entregam hoje cerca de 1,1 a 1,2 submarino de ataque da classe Virginia por ano, abaixo da meta oficial de duas unidades anuais.

O novo submarino estratégico da classe Columbia, o USS District of Columbia, também enfrenta atraso de pelo menos um ano e só deve ser entregue após 2028.

Com isso, o número de submarinos de ataque dos EUA pode cair para 47 unidades até 2030, no chamado “vale da força submarina”, antes de uma eventual recuperação a partir de 2032, caso as metas de produção sejam cumpridas.

PETROLÍFERO

Valor - SP   19/02/2026

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, citou que há um interesse “enorme” de empresas que querem entrar no país latino-americano

A Venezuela pode aumentar a produção de petróleo em 30% a 40% neste ano, uma alta de aproximadamente 300 mil a 400 mil barris por dia, de acordo com o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Se confirmado, tal acréscimo equivaleria a cerca de um terço do crescimento do fornecimento global de petróleo neste ano.

Wright citou que há um interesse “enorme” de empresas que querem entrar no país latino-americano.

O governo Trump emitiu recentemente licenças que permitem a algumas petrolíferas operar na Venezuela. Os EUA estão tentando estimular a indústria no país e reaquecer a economia após a prisão do líder Nicolás Maduro no início deste ano.

A produção de petróleo da Venezuela caiu cerca de metade desde 2017, quando Washington impôs as primeiras sanções financeiras ao país.

Wright afirmou ainda que a busca de Trump pela "dominância energética" — incluindo o aumento da produção interna e a reconstrução de alianças no Oriente Médio e em outras regiões — reduziu as preocupações dos EUA com os preços da energia.

Atualmente, o petróleo está sendo negociado perto da máxima dos últimos seis meses em Londres, em meio a um temor de que Trump possa atacar o Irã para conter seu programa nuclear. O Irã é membro da Opep. Os preços também foram impulsionados por uma série de interrupções no fornecimento da commodity, devido a sanções impostas pelos EUA ao Irã e à Rússia.

CNN Brasil - SP   19/02/2026

A Petrobras voltou a considerar a Venezuela dentro de uma lógica essencialmente financeira e estratégica. Com uma relação reserva-produção (R/P) estimada em cerca de 12 anos e projeções indicando que o pré-sal deverá iniciar declínio progressivo ao longo da próxima década, a companhia discute alternativas para antecipar a reposição de reservas. Nesse contexto, ganhou tração a hipótese de converter aproximadamente US$ 1,8 bilhão da dívida venezuelana com o Brasil em participação direta em projetos de exploração e produção no país vizinho.

A modelagem financeira da operação é relativamente clara: para uma empresa cujo CAPEX anual oscila entre US$ 16 e 18 bilhões, incorporar reservas por meio de troca de crédito soberano pode reduzir desembolso imediato de caixa e ampliar portfólio sem disputa em leilões competitivos. Contudo, o mercado não precifica apenas volume de reservas adicionadas, mas o retorno ajustado ao risco. A Venezuela carrega prêmio geopolítico estrutural, insegurança jurídica recorrente e elevada reversibilidade regulatória, fatores que podem afetar o custo médio ponderado de capital (WACC) da Petrobras caso a exposição seja interpretada como aumento relevante de risco político.

O elemento central da equação permanece em Washington. A retomada consistente de investimentos internacionais na Venezuela depende de licenças específicas do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, e a sinalização política tende a privilegiar aporte produtivo direto em vez de mera conversão contábil de passivos em ativos. Mesmo diante de flexibilizações recentes, o arcabouço de sanções permanece juridicamente reversível, o que adiciona volatilidade potencial ao projeto e pode levar investidores a exigir desconto adicional na precificação da companhia.

Do ponto de vista operacional, a natureza do petróleo venezuelano também impõe condicionantes econômicos. Trata-se majoritariamente de óleo pesado e sulfurado, tradicionalmente negociado com desconto relevante frente ao Brent, muitas vezes entre US$ 10 e US$ 15 por barril, dependendo da qualidade e da capacidade global de refino complexo. Parte relevante desse petróleo é processada em refinarias do Golfo do México, enquanto outra parcela é direcionada à China, o que adiciona dimensão diplomática adicional caso haja reconfiguração do ambiente sancionatório.

Para a Petrobras, o pano de fundo estrutural é a necessidade de manter a trajetória de produção e geração de caixa no horizonte de médio e longo prazo. O pré-sal segue altamente competitivo, com lifting cost entre os mais baixos da indústria global, em alguns campos abaixo de US$ 5 por barril, mas nenhuma província sustenta crescimento indefinido. A Margem Equatorial ainda enfrenta incertezas regulatórias, e a Bacia de Pelotas não demonstra, até o momento, potencial equivalente para substituir o volume projetado do pré-sal. Sem novas reservas relevantes, a curva de produção poderá entrar em declínio estrutural ao longo da próxima década, movimento que o mercado tende a antecipar na avaliação dos ativos.

A decisão, portanto, transcende a simples comparação entre barris potenciais e valor contábil da dívida. Caso a troca resulte em participação economicamente viável, respaldada por licenças estáveis e previsibilidade regulatória, poderá fortalecer a narrativa de reposição de reservas e sustentar percepção positiva de longo prazo. Se, ao contrário, ampliar exposição geopolítica sem clareza institucional, o prêmio de risco poderá neutralizar os benefícios estratégicos. Em última instância, a questão central para investidores é quanto risco adicional a Petrobras está disposta a incorporar para preservar sua curva de produção e sua geração de valor na próxima década.

Veja - SP   19/02/2026

A Rússia ameaça mobilizar sua Marinha para proteger a “frota sombra” de petroleiros de possíveis apreensões europeias, elevando as tensões. Nikolai Patrushev, do Kremlin, alertou para retaliação contra navios sob bandeira europeia. O contexto é de negociações e ataques na Ucrânia. Entenda os riscos.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A Rússia ameaçou mobilizar sua Marinha para proteger embarcações ligadas ao país diante da possibilidade de apreensões por governos europeus.

A declaração, feita por um alto funcionário do Kremlin, amplia o risco de retaliações contra navios sob bandeira europeia e acirra a disputa em torno da chamada “frota sombra” usada por Moscou para exportar petróleo sob sanções.

O alerta partiu de Nikolai Patrushev, ex-diretor do FSB e atual chefe do conselho marítimo russo. Em entrevista ao jornal russo Argumenty i Fakty, ele afirmou que a Marinha deve estar pronta para reagir ao que classificou como “pirataria ocidental”.

“Se a situação não puder ser resolvida pacificamente, a Marinha romperá qualquer bloqueio e atuará para eliminá-lo”, disse. Patrushev acrescentou que muitos navios navegam sob bandeiras europeias e sugeriu que a Rússia também poderia “se interessar” pelo que transportam e para onde se dirigem.

Segundo ele, qualquer tentativa de impor um bloqueio marítimo à Rússia seria ilegal à luz do direito internacional. O dirigente também contestou a base jurídica do termo “frota sombra”, utilizado pela União Europeia para designar petroleiros associados à exportação de petróleo russo fora dos mecanismos tradicionais de rastreamento e seguro.

A declaração ocorre num momento sensível. Autoridades russas e ucranianas se reúnem em Genebra em mais uma rodada de negociações mediadas pelo governo de Donald Trump, às vésperas do quarto aniversário da invasão em larga escala da Ucrânia por Moscou.

Na madrugada anterior às conversas, a Rússia realizou bombardeios em diversas regiões ucranianas. Na cidade portuária de Odessa, no sul do país, ataques danificaram a rede elétrica, deixando dezenas de milhares de pessoas sem aquecimento e água, segundo o presidente Volodymyr Zelenskyy.
O que é a “frota sombra”

O termo “frota sombra” se refere a cerca de 1.500 petroleiros antigos ou operando sob regulamentação branda e estruturas societárias opacas.

Essas embarcações seriam usadas para escoar petróleo russo para países como China e Índia, contornando restrições impostas por EUA, Reino Unido e União Europeia após a invasão da Ucrânia.

Mais de 600 navios já foram alvo de sanções por parte de Bruxelas, Londres e Washington. As medidas incluem restrições de seguro, financiamento e acesso a portos, e contribuíram para limitar parte das receitas petrolíferas do Kremlin.

Apesar da pressão política crescente, governos europeus enfrentam obstáculos jurídicos para interceptar ou confiscar fisicamente os navios em alto-mar.

Em geral, recorrem a sanções econômicas, inspeções e exigências documentais. Países ocidentais também sinalizam que embarcações sem documentação adequada podem ser tratadas como “navios sem nacionalidade”, ampliando a margem para intervenções.

No último fim de semana, o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, discutiu com colegas europeus, durante a Conferência de Segurança de Munique, possíveis medidas para apreender petroleiros associados à frota.

A Marinha Francesa chegou a interceptar brevemente, no início do ano, um navio suspeito de integrar o esquema, mas o liberou em seguida.

Já os Estados Unidos adotaram postura mais assertiva nos últimos meses, realizando apreensões de petroleiros ligados a redes de exportação de petróleo sob sanção da Rússia, da Venezuela e do Irã.

As declarações de Patrushev, porém, concentram-se sobretudo na Europa.

A sinalização é de que o Kremlin busca evitar um confronto direto com Washington enquanto negociações delicadas sobre a Ucrânia permanecem em curso, mas deixa claro que poderá reagir caso a pressão sobre sua “frota sombra” avance para bloqueios ou apreensões sistemáticas em águas internacionais.

RODOVIÁRIO

Globo Online - RJ   19/02/2026

Entram nessa lista grandes obras como o Rodoanel Norte, que se arrasta desde 2013 entre paralisações e prejuízo milionário, e o monotrilho da Linha 17 (Ouro) da CPTM, que instalou o canteiro de obras em 2011 e teve a entrega prometida para a Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil. Novas estações de metrô também ampliam o alcance eleitoral na região metropolitana.

Opositores, por outro lado, questionam a originalidade dos projetos e o impacto da gestão, alegando que várias obras estavam em estágio avançado, incluindo algumas de suas principais bandeiras políticas. Apontam ainda que parte dos investimentos em obras emblemáticas, como o túnel Santos-Guarujá e o próprio Rodoanel, vieram do governo federal.

No fim do ano passado, Tarcísio inaugurou o primeiro trecho de 24 quilômetros do Rodoanel Norte, liberando o fluxo entre as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, com um túnel que passa embaixo da Serra da Cantareira. Falta ainda a segunda parte, de 20 quilômetros, que só deve ficar pronta no segundo semestre, após as eleições, e conecta as pistas à avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na Zona Norte da capital.

— O Rodoanel foi uma obra abatida pela corrupção, pela Lava-Jato, ficou abandonada. Imagina se a minha postura fosse “essa obra não fui eu que iniciei, então não vou concluir”. É uma postura que leva ao desperdício. Infraestrutura é uma política de Estado, entregar obra faz a diferença para as pessoas, independente da obra ter ou não começado na nossa gestão — comentou o governador ao GLOBO.

Tarcísio já havia citado o envolvimento da obra em escândalos durante a entrega oficial do primeiro trecho, em dezembro, quando aproveitou para alfinetar o governo federal — representado no evento pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, ex-ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff.

Nesse meio tempo, o governo adotou um padrão curioso para comunicar o andamento das obras. Em vez de informar a execução total do Rodoanel em cada lote, preferiu destacar o percentual referente apenas ao que ainda não estava pronto e foi tocado pela concessionária após a retomada dos trabalhos na gestão Tarcísio. Ainda que o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) diga que se trata de um procedimento normal, ele transmite uma ideia similar à de uma obra tocada do zero.

Um documento disponibilizado pelo DER aponta que, em março de 2019, imediatamente antes de a obra ser paralisada, o percentual de execução do Rodoanel Norte variava entre 72% e 97% nos seis lotes concedidos à iniciativa privada. O novo leilão ocorreu quatro anos depois, e os trabalhos foram retomados em abril de 2025. Na primeira vistoria do governador ao canteiro, o Executivo paulista soltou uma nota informando que 8,5% do projeto estava pronto.

O superintendente de rodovias da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Roger Pêgas, contesta esses dados por conta de reparos e testes que precisaram ser refeitos após quase seis anos de paralisação. Auditoria contratada pelo governo junto ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) identificou, em 2020, 59 grandes falhas construtivas no projeto, envolvendo colunas desalinhadas, infiltrações em túneis e erosão de encostas.

— O Rodoanel tem nuances, por conta da obra ter ficado abandonada tanto tempo, de você ter grandes retrabalhos. Eu trabalho com rodovia há 35 anos e nunca tinha visto desmontar uma viga que já está montada em cima do viaduto. Praticamente todo o asfalto lançado se perdeu, porque venceu a vida útil e a água penetrou nele. Tivemos que dar muitos passos para trás. Eu diria que o que foi feito na obra, pela experiência até que a gente tem, é mais do que o que estava na obra até então.

Pêgas diz ainda que o contrato previa a liberação dos trechos em duas etapas e que a metade inaugurada em dezembro tinha menos complexidade do que os lotes pendentes, porque tinha menos túneis, entre outros aspectos. Ele comenta ainda que o acesso ao aeroporto de Guarulhos, previsto na obra, depende de autorização federal para ser executado por completo. Há o temor de que a conexão amplie o tráfego na Rodovia Hélio Smidt, o que demandaria mais faixas, alterando o contrato com a GRU Airport, ou a instalação de pedágio.

Ainda no setor viário, o governador aposta em um grande volume de obras menores de duplicações de vias e de estradas vicinais (estradas menores, muitas vezes não pavimentadas, que conectam áreas rurais) como vitrines, principalmente para atrair o eleitor do interior paulista. Tarcísio deve rodar o estado até julho, quando estoura o prazo para inaugurações em ano eleitoral, capitalizando também em cima de moradias populares, escolas e postos de saúde.

Oposição contesta

O resultado prático da gestão, mesmo na área da mobilidade urbana, é contestado por opositores no estado. O deputado estadual Antônio Donato (PT) acusa a gestão de "maquiar números" e alega que o governador apresentou pouca novidade diante de um orçamento que supera R$ 1 trilhão em quatro anos.

— O marketing dele é que ele está "fazendo o impossível". Isso não tem a menor lógica. Ele entregou 22 quilômetros do Rodoanel, uma obra de 132 quilômetros ao todo e que já estava 80% executada. A linha do monotrilho ficou pela metade, porque a ideia era levar até o Morumbi. Então, não estou vendo nada de excepcional. Eles são ruins de execução, mas bons de propaganda — critica.

Ele acusa ainda a gestão de "benevolência" com as administradoras de rodovias e do metrô, mencionando o aditivo de R$ 6 bilhões aos contratos de concessão aprovados no final do ano passado pela Artesp. Destes, R$ 3,6 bilhões foram para a Linha Uni, que toca as obras do metrô da Linha 6 (Laranja). O pagamento se deve a desequilíbrios financeiros causados pela pandemia de covid-19 e por dificuldades técnicas dos empreendimentos.

Um desgaste que o governador tem enfrentado, inclusive entre aliados, em relação às rodovias diz respeito ao novo sistema de pedágios, o "free flow", em que a cobrança é automática sem as tradicionais praças e varia de acordo com a distância percorrida pelo motorista. O modelo causou polêmica nas redes sociais devido a parte de população que antes usava trechos menores, sem pedágios no meio, e agora precisa pagar.

— O "free flow" traz justiça tarifária. Ao contrário do que se vende, ele faz com que as pessoas paguem menos no percurso, porque elas vão pagar pelo que usam da rodovia efetivamente. Você aumenta a base de pagantes e diminui a tarifa. Obviamente, toda vez que muda a tecnologia, tem incertezas, mas é uma mudança que aqui no Brasil já chega muito tarde. O governo federal está fazendo concessões de rodovias e também está empregando free flow, não somos só nós — rebate Tarcísio.

Transporte sobre trilhos

Outra aposta de Tarcísio para este ano são as obras metroviárias. Serão duas novas linhas, após quatro anos sem a inauguração de nenhuma estação de metrô no estado — no período, foi entregue apenas a estação de trem Varginha, da Linha 9 (Esmeralda), em janeiro de 2025.

A promessa é entregar, em março, a Linha 17 (Ouro), monotrilho que ligará a estação Morumbi da Linha 9 (Esmeralda) até o Aeroporto de Congonhas. O ramal, que originalmente teria 18 estações e colocaria Paraisópolis no mapa do transporte sobre trilhos, será entregue com 12 anos de atraso, com apenas oito estações e sem chegar à comunidade. A expectativa é de transportar 185 mil passageiros por dia, número menor do que qualquer outra linha de metrô da cidade. O governador afirma que era necessário finalizar esse primeiro trecho, e garante que vai dar continuidade à extensão da Linha 17, conforme o projeto original.

— Quando mais interligado o metrô for, mais eficiente ele é. As outras etapas da linha 17 não estão abandonadas, nós vamos fazer, só que era fundamental que a gente concluísse essa primeiro. Eu não posso falar "vou expandir o metrô e fazer a ligação da linha 17 à linha 4, atender Paraisópolis e chegar ao Morumbi’", se eu sequer complementasse essa ligação Congonhas - Pinheiros. Colocando essa etapa para funcionar, vamos pensar imediatamente já na segunda e na terceira etapa. Eu quero fazer a linha 17 chegar a Paraisópolis, e vamos fazê-la chegar a Jabaquara, na Linha 1 — garante o governador.

Como de praxe, a linha deve ser entregue com operação parcial, em que os trens só circulam por algumas horas por dia, durante vários meses, para identificar eventuais falhas na operação, e no segundo semestre a operação comercial em horário estendido deve começar.

Também em março, o governo promete inaugurar o primeiro trecho da Linha 6 (Laranja), de Brasilândia a Perdizes. O ramal é o primeiro construído por meio de parceria público-privada e será administrado pela Linha Uni, da construtora Acciona. Nos dois casos, a operação comercial, com cobrança de tarifa e horário estendido, só deve começar no segundo semestre. O trajeto inteiro vai até o centro de São Paulo, na estação São Joaquim, localizada no distrito da Liberdade. A linha, aguardada há décadas por moradores da região Norte e Noroeste da capital, deve transportar 633 mil passageiros por dia.

Ainda no campo da mobilidade, o Trem Intercidades de São Paulo a Campinas deve ter as obras iniciadas este ano. Outra obra-vitrine é o Túnel Santos-Guarujá, o primeiro do tipo imerso do Brasil, que será custeado metade pelo governo estadual, metade pelo governo Lula, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O contrato com a Mota-Engil, que venceu o leilão para tocar a obra, foi assinado em janeiro, e o próximo passo serão as desapropriações. O governo promete o início das obras ainda neste ano.

Uma intervenção foi capitaneada pelo governo Tarcísio é o novo Centro Administrativo do governo estadual, uma promessa de campanha, deve começar a sair do papel neste mês. No dia 26, será realizada a licitação para definir a empresa que vai construir e administrar o projeto, que vai unificar em um só complexo todas as secretarias e promete ajudar na revitalização dos Campos Elíseos, região degradada do centro de São Paulo. O andamento, portanto, dependerá de quem ocupar o gabinete nos próximos anos.

Grandes Construções - SP   19/02/2026

O leilão da Rota dos Sertões que vai acontecer em 28 de maio, decidiu no dia 12 de fevereiro o colegiado da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), quando aprovou o edital da nova concessão, que compreende trechos das rodovias BR-324 e BR-116/BA/PE, no segmento entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE).

O Capex (investimentos em capital) está estimado em R$ 4,32 bilhões, com parcelas concentradas no início do contrato.

Já o Opex (custos operacionais) soma R$ 4,8 bilhões ao longo de todo o período contratual.

No relatório do seu voto, o diretor Lucas Asfor destacou que o corredor logístico é “de elevada relevância para o Nordeste (…) cuja dinâmica econômica exige infraestrutura de transporte eficiente e integrada”.

Com cerca de 502 quilômetros de extensão, o projeto de concessão prevê um conjunto de intervenções voltadas à requalificação da infraestrutura existente, à elevação dos padrões de segurança viária e à ampliação da capacidade operacional da rodovia, de acordo com o relatório.

Segundo o voto do relator, estão previstas obras de duplicação, implantação de vias marginais e faixas adicionais, construção de passarelas e dispositivos de retorno, adequação de acostamentos, além de serviços permanentes de recuperação, conservação e operação.

Em julho do ano passado, o TCU (Tribunal de Contas da União) havia apontado fragilidades na modelagem do projeto, determinando a realização de ajustes em alguns itens, o que foi avaliado pela ANTT.

Free Flow 0 A diretoria também aprovou o reajuste da tarifa básica de pedágio e o início da cobrança do free flow pela EPR Iguaçu, do contrato de rodovias no Paraná assinado no ano passado.

De acordo com o voto do diretor Felipe Queiroz, a deliberação tratou da cobrança por pedágio eletrônico nas praças P1 – Lindoeste, P8 – Ampere e P9 – Pato Branco.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   19/02/2026

As exportações brasileiras de produtos agropecuários alcançaram US$ 10,8 bilhões em janeiro, informou o Ministério da Agricultura, em nota técnica. O valor é 2,2% inferior ao obtido no ano anterior, o equivalente a uma queda de US$ 244 milhões ante os US$ 11 bilhões registrados um ano antes. O setor representou 42,8% dos embarques totais do País no último ano, em comparação com 43,3% de 2024.

Apesar da queda, o número é o terceiro maior registrado para janeiro da série histórica. O resultado do setor, segundo a pasta, foi pressionado pela queda de 8,6% nos preços médios dos produtos exportados, apesar do aumento de 7% no volume de produtos comercializados ao exterior.

“A cesta de alimentos que compõem o Índice de Preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) caiu 0,4% em janeiro em relação a dezembro ou 0,6% na comparação anual. Já a cesta de alimentos que compõem o índice de preço dos alimentos do Banco Mundial teve uma redução de 3,1% na comparação anual. Com efeito, as duas instituições apontam para quedas nos preços, fator que teve influência preponderante para a diminuição do valor exportado pelo Brasil”, explicou o ministério em nota técnica da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais.

A pasta destacou ainda que as proteínas animais apresentaram recorde de exportação, com a carne bovina in natura sendo o item de maior valor exportado no mês com US$ 1,3 bilhão comercializado ao exterior. Os seis principais setores exportadores do agronegócio brasileiro no último mês foram carnes (US$ 2,58 bilhões); complexo soja (US$ 1,66 bilhão); produtos florestais (US$ 1,38 bilhão); cereais, farinhas e preparações (US$ 1,12 bilhão); café (US$ 1,10 bilhão) e complexo sucroalcooleiro (US$ 750 milhões). Juntos, estes setores responderam por 79,8% do total embarcado pelo agronegócio em janeiro, somando US$ 8,6 bilhões.

Entre os destinos, a China se manteve como a principal importadora de produtos do agronegócio brasileiro no mês passado, com US$ 2,16 bilhões comercializados ao país asiático, 20% das exportações do setor, 5,4% mais que em 2024. Na sequência, está a União Europeia, com US$ 1,69 bilhão exportados, 15,7% do total, 11% menos que em 2025, e Estados Unidos, com US$ 705,54 milhões, 6,6% do total e 31% menos que no ano anterior.

Ao longo do último mês, cresceram as exportações de produtos agropecuários brasileiros para Emirados Árabes Unidos, Turquia, Filipinas, Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos. “As exportações do agronegócio brasileiro para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), que cresceram 5,7% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, indicando avanço em um bloco que reúne mercados relevantes do Sudeste Asiático e formado pelos seguintes países: Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Singapura, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã”, ressaltou o ministério.

No último mês, o País desembolsou US$ 1,633 bilhão com a importação de produtos agropecuários, queda de 11,2% ante 2024. Os principais produtos agropecuários importados pelo Brasil em janeiro foram: papel, trigo, salmão, fibras e produtos têxteis.

“A redução nas importações de cacau inteiro ou partido foi o que mais contribuiu para esse resultado, uma vez que foram importados US$ 81,33 milhões a menos do que o mesmo mês em 2025. Outros itens que registraram forte queda foram trigo, com US$ 58,55 milhões a menos do que havia sido registrado previamente, e o malte, com US$ 31,38 milhões a menos do que janeiro de 2025”, enfatizou o ministério. Além disso, foram importados inúmeros insumos necessários à produção agropecuária: fertilizantes (US$ 940,0 milhões; +1,1%); defensivos agrícolas (US$ 301,3 milhões; -26,4%), ressaltou a pasta.

O saldo da balança comercial do setor ficou positivo em US$ 9,12 bilhões no último ano, abaixo dos US$ 9,16 bilhões de 2024.

IstoÉ Dinheiro - SP   19/02/2026

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária neste ano deve atingir R$ 1,371 trilhão, prevê o Ministério da Agricultura. O número é inferior ao R$ 1,392 trilhão estimados pela pasta no mês passado. Em relação ao ano anterior, há queda de 3,6%. Para 2025, o ministério também revisou sua projeção de R$ 1,419 trilhão para R$ 1,422 trilhão.

A perspectiva de queda pode ser explicada pelo menor preço esperado para as commodities agrícolas neste ano e pela desaceleração da produtividade das lavouras. As projeções constam de boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério. Os dados foram compilados pela reportagem.

O VBP é o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais, considerando a produção agrícola e pecuária e a média de preços recebidos pelos produtores rurais de todo o País.

Do total previsto para 2026, R$ 895,311 bilhões devem vir das lavouras, equivalente a 65% do total e recuo estimado de 4% ante 2025. Outros R$ 475,329 bilhões estão relacionados à produção pecuária, correspondente a 35% do total e queda de 3% em comparação com o ano passado. Para 2025, o ministério prevê alta de 10,6% no valor bruto da produção da agricultura, para R$ 932,342 bilhões, e alta de 14,3% no faturamento da pecuária, para R$ 488,801 bilhões.

Na agricultura, é esperado crescimento neste ano apenas para o VBP das lavouras de banana, café, feijão, mandioca e soja. Entre as principais culturas com participação no VBP, as lavouras de soja devem apresentar faturamento bruto 3,7% maior, para R$ 342,093 bilhões, enquanto o VBP do milho é estimado em R$ 154,626 bilhões, recuo anual de 7,1%. A receita bruta obtida com a produção de trigo deve somar R$ 8,615 bilhões, queda anual de 17,3%.

Para as lavouras de café, a projeção é de VBP de R$ 116,274 bilhões, alta de 1,3% frente a 2025. O faturamento das lavouras de cana-de-açúcar, por sua vez, deve cair 11,2%, estima o ministério, para R$ 103,895 bilhões, enquanto o faturamento bruto das lavouras de laranja deve ceder 36,1%, para R$ 15,567 bilhões. O VBP das lavouras de algodão é estimado em R$ 30,343 bilhões, baixa anual de 14,8%. As previsões apontam ainda para recuo de 33,7% do VBP do cacau, para R$ 7,681 bilhões.

Já o VBP das lavouras de arroz e feijão deve diminuir, respectivamente, 30,5% e 8,4%. O faturamento bruto da produção de arroz deste ano é estimado em R$ 14,472 bilhões. A receita bruta do cultivo de feijão é projetada em R$ 12,745 bilhões.

Na pecuária, o maior crescimento deve ser observado na cadeia de bovinos, com aumento estimado de 3,2%, para um VBP projetado em R$ 218,700 bilhões. A produção bovina continua liderando o faturamento bruto da pecuária. O valor bruto da cadeia de suínos deve recuar 4,4%, para R$ 60,349 bilhões, enquanto o faturamento bruto da produção de frangos é projetado 7,4% abaixo do ano anterior, para R$ 104,304 bilhões. A receita bruta obtida com a produção de leite deve cair 4%, para R$ 69,854 bilhões. A produção de ovos deve apresentar VBP 24,4% menor, para R$ 22,121 bilhões.

O VBP é projetado mensalmente pelo ministério. O número é calculado pelo cruzamento das informações de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos preços coletados nas principais fontes oficiais. O estudo da pasta abrange 17 cadeias da agricultura e cinco atividades pecuárias.

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