Portal Fator Brasil - RJ 26/02/2026
Importar aço no Brasil pode parecer um bom caminho para reduzir custos ou abastecer linhas de produção, mas, na prática, essa operação está longe de ser simples ou acessível para a maioria das empresas. Além das barreiras tarifárias e burocráticas já conhecidas, os importadores enfrentam um contexto recente de regulamentações protecionistas, guerra por cotas e volatilidade de mercado que transformam esse processo em um desafio estratégico, financeiro e logístico de nível extremo.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil, federação que reúne as principais siderúrgicas do país, as importações brasileiras de produtos siderúrgicos cresceram fortemente nos últimos anos e, em 2025, a média foi de 6,4 milhões de toneladas, um salto de cerca de 20,5% em relação ao ano anterior. Porém, esse aumento resultou em pressão do mercado interno, implementação de cotas de importação e um escrutínio alfandegário muito mais severo.
O principal erro das empresas é subestimar o grau de planejamento necessário, já que importar aço no Brasil exige engenharia logística, inteligência tributária e leitura constante do cenário regulatório. Não é apenas uma operação de compra internacional, é uma esteira de altíssimo risco e custo.
Abaixo, destaco os erros operacionais mais comuns que comprometem processos milionários, e que começam ainda na fase de planejamento:
Desconhecimento do ambiente regulatório e inércia sistêmica: O mercado siderúrgico brasileiro opera sob rigorosos mecanismos de defesa comercial. Hoje, a gestão de Licenças de Importação (LIs) exige precisão cirúrgica. Empresas que não possuem monitoramento para registrar documentações de madrugada no Siscomex, no exato momento da abertura, perdem suas cotas, travando a carga e destruindo a margem de lucro antes mesmo de o navio atracar;
Gestão cambial e tributária inadequada: A volatilidade do dólar é apenas a ponta do iceberg. O grande erro financeiro está na falta de estruturação de benefícios fiscais estaduais e na ausência de provisionamento exato para a nacionalização. Uma carga bloqueada por falta de caixa para recolhimento de impostos ou eventual adicional de Marinha Mercante gera multas que engolem a rentabilidade da operação;
Fragilidade e amadorismo logístico: No comércio de aço, o porto não é local de armazenagem, é local de trânsito. O importador comum sofre com atrasos, parametrizações em “Canal Vermelho” e vistorias do MAPA, pagando fortunas em demurrage (sobreestadia). O importador de alta performance manobra esse gargalo utilizando ferramentas como a DTA (Declaração de Trânsito Aduaneiro), transferindo inteligentemente milhares de toneladas entre recintos alfandegados estratégicos para otimizar custos e garantir a liberação expressa da carga;
Ausência de auditoria de qualidade e relacionamento internacional: Importar aço em larga escala exige uma auditoria implacável na origem. Falhas na validação de Certificados de Qualidade Metalúrgica (MTCs) ou submissão a agentes marítimos abusivos geram dores de cabeça incalculáveis no Brasil. Ter relacionamento direto com a diretoria das usinas asiáticas não é um luxo, é a única forma de garantir compliance, resolver avarias (sinistros) de forma ágil e proteger o fluxo de caixa.
Mesmo com os desafios, importar aço é altamente estratégico. Quando a operação é orquestrada com profundo domínio técnico, inteligência aduaneira e visão de longo prazo, ela não apenas abastece o mercado, mas cria um fosso intransponível de vantagem competitiva contra a concorrência.
• Por: Matheus Antonio Rodrigues, estrategista de negócios e especialista em comércio internacional com mais de 20 anos de atuação no setor siderúrgico.
Diário do Comércio - MG 26/02/2026
Com um investimento de R$ 200 milhões, o Grupo Sada, atuante na área de logística automotiva, inaugurou nesta quarta-feira (25) a primeira recicladora integrada de veículos do País, em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Com capacidade industrial para processar até 300 mil veículos por ano e volume de 100 a 120 toneladas/hora de sucata geral, a Igarapé Reciclagem (Igar), localizada a cerca de 40 km da capital mineira, atuará na desmontagem, reaproveitamento, descontaminação, desmonte e trituração, além de participar na destinação ambientalmente correta de automóveis em fim de vida útil (ELV), na sigla em inglês, End-of-Life Vehicles.
Conforme a vice-presidente do Grupo Sada, Daniela Medioli, o principal objetivo da Igar é contribuir para a descarbonização do setor automotivo, fomentar a economia circular e oferecer uma infraestrutura industrial de larga escala para o tratamento completo do veículo.
“Estamos demonstrando mais uma vez nosso pioneirismo. Ao buscarmos o modelo mais eficiente para a reciclagem de veículos em fim de vida, além da destinação correta dos resíduos, contribuímos com a economia circular e a mitigação do impacto ao meio ambiente”, afirma Daniela Medioli.
ArcelorMittal é a primeira parceira da recicladora
Instalada em uma área de 80 mil metros quadrados, parte dos produtos produzidos pela Igar virará matéria-prima para a ArcelorMittal, que já é uma parceira estratégica para absorver a produção nesse projeto.
O contrato foi firmado em janeiro deste ano entre as empresas e prevê o processamento de sucata para a siderúrgica. Além disso, será implantado um entreposto para armazenamento e movimentação de todo o material. A gestão logística da sucata, tanto a processada quanto a originada no entreposto, será feita pelo Grupo Sada com destino às operações da produtora de aço.
O diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal, comentou durante o evento de inauguração que a parceria dá mais relevância à siderúrgica e reflete uma visão de futuro. “O que antes era visto como apenas um resíduo, hoje é reconhecido como recurso estratégico global. Na ArcelorMittal, entendemos que isso capta um dos principais motores da descarbonização e da competitividade, e é o alicerce do desenvolvimento de aços mais sustentáveis que o mundo exige”.
A iniciativa segue tendências de mercado globais como a redução de resíduos, conservação de recursos naturais e redução de emissão de CO2.
De acordo com a vice-presidente do Grupo Sada, o contrato com a ArcelorMittal é um passo concreto em direção à industrialização verde no Brasil.
“Estamos unindo a experiência logística do grupo à liderança produtiva da ArcelorMittal para dar vida nova ao aço, além de impulsionar a sustentabilidade, reduzindo impactos ambientais, conservando recursos e gerando valor por meio da economia circular”, afirma Daniela Medioli.
Para a ArcelorMittal, a economia circular faz parte da estratégia de sustentabilidade da empresa. As iniciativas visam à redução de resíduos, ao reaproveitamento de materiais e à inovação nos processos produtivos. O uso de sucata metálica fornecida pela Igar fortalecerá as ações da empresa em prol da redução da pegada de carbono em sua produção, essencial para atender à crescente demanda por materiais sustentáveis nas cadeias globais.
Além da presença da vice-presidente do grupo Sada, Daniela Medioli, a cerimônia de inauguração contou com a participação do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, e autoridades do setor.
Recicladora está alinhada com Programa Mover do governo federal
De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipecças), a frota brasileira, estimada em 123 milhões de unidades, é uma das mais velhas do mundo, com idade média de 10 anos. O que reflete os desafios para a descarbonização.
Dessa forma, a Igar se alinha ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), política do governo federal voltada para o setor automotivo e de mobilidade, que pretende orientar a transição da indústria brasileira para padrões sustentáveis e eficientes.
No Brasil, já existem empresas recicladoras, mas nenhuma integrada como a que foi inaugurada nesta quarta-feira.
Recicladora integrada cria novos negócios e reduz impacto ambiental
As recicladoras de veículos ou Centros de Desmontagem Veicular têm se tornado uma solução sustentável para o destino de veículos, até então, sem utilidade no Brasil e proporcionado novos negócios às montadoras.
Diferentemente dos antigos desmanches ou da simples compactação de sucata metálica, o modelo integrado atua em todas as etapas do ciclo final do automóvel, passando pela descontaminação à reintegração de materiais na indústria.
O conceito “integrada” está diretamente ligado à capacidade de gerir o processo completo: receber o veículo, realizar a descontaminação ambientalmente segura, desmontar de forma estratégica, reaproveitar componentes, reciclar materiais e comercializar peças com certificação e rastreabilidade.
O que não pode ser reaproveitado é separado por tipo de material, como aço, alumínio, cobre e plásticos, e encaminhado para reciclagem como matéria-prima. Esse processo fecha o ciclo da economia circular, permitindo que os materiais retornem à cadeia produtiva.
Em alguns casos, recicladoras integradas mantêm parcerias com montadoras para reinserir o material reciclado na fabricação de novos veículos, reforçando o conceito de “fábrica reversa”.
Em agosto do ano passado, com o objetivo de prolongar a vida útil das peças automotivas e contribuir com a mobilidade do futuro, a Stellantis inaugurou, em Osasco (SP), o Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças e se tornou a primeira montadora a criar um centro de desmontagem de veículos no Brasil. Atualmente, o centro tem capacidade para receber até 8 mil veículos por ano.
Na unidade, peças de automóveis são recuperadas e comercializadas em perfeitas condições de uso, com qualidade e procedência certificadas.
No caso da Stellantis, os componentes estão sendo disponibilizados para venda no próprio Centro de Desmontagem, em Osasco, ou na loja oficial da Circular AutoPeças no Mercado Livre. Entre as vantagens apresentadas pela empresa estão a rastreabilidade e a segurança, já que seguem os critérios do Detran.
Conheça as etapas de reciclagem:
Retirada dos airbags – Retirada controlada dos airbags identificados nos veículos. Descontaminação – Retirada da bateria e do gás do ar-condicionado. As rodas são separadas dos pneus (que são triturados dentro da própria Igar). Drenagem dos fluidos – Água do radiador, óleos de freio, de câmbio, do motor e do amortecedor, além do combustível. Retirada dos vidros – Os vidros das janelas laterais são quebrados de forma controlada, e o vidro da frente, retirado com cuidado. Todo o material cai em um poço localizado na parte de baixo dos veículos e, em seguida, coletado. Retirada do catalisador do veículo – Todos os materiais resultantes da descontaminação são encaminhados para empresas especializadas ou associações de reciclagem para reaproveitamento. Triturador – Depois de todas as etapas de descontaminação, os carros são triturados em um equipamento denominado Shredder, que tem capacidade de processamento de sucata de 100 a 120 toneladas/hora. Esse material é utilizado pela indústria siderúrgica na produção de aço, em substituição ao minério de ferro. Grupo Sada celebra 50 anos em 2026
Fundada pelo empresário, jornalista e político italiano naturalizado brasileiro Vittorio Medioli em 4 de agosto de 1976, em Contagem (MG), o Grupo Sada surgiu, inicialmente, como Sada Transportes e Armazenagens para atender à demanda da fábrica da Fiat em Betim.
Hoje, 50 anos depois, o grupo é composto por mais de 30 empresas de diversos segmentos de mercado, sendo o principal de logística e transporte de veículos zero-quilômetro, compondo o maior conglomerado desse negócio da América Latina.
Presente em mais de 50 cidades em todas as regiões brasileiras, o grupo também opera na Argentina e no Uruguai e cumpre um papel importante no mercado de trabalho ao empregar mais de 9 mil pessoas.
Além das áreas de transporte e logística, a empresa opera no setor de fundição, produção e distribuição de etanol, distribuição de combustíveis, componentes automotivos, reflorestamento, comunicação, esporte, terceiro setor e concessionárias de automóveis de passeio e de carga.
O Estado de S.Paulo - SP 26/02/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscou, em seu discurso do Estado da União na terça-feira, 24, convencer os americanos da ideia de uma economia em expansão, com queda de preços e aumento acelerado de empregos. O republicano abriu o discurso afirmando que os EUA estão vivendo sua era dourada. Mas ele enfrenta um público cético, com uma visão muito mais sombria.
Apenas 12 horas antes do discurso de Trump, o The Conference Board, um grupo de pesquisa de negócios, divulgou seu mais recente relatório de confiança do consumidor. Ele mostrou que a confiança geral na economia dos Estados Unidos permanece historicamente baixa e está apenas ligeiramente acima do nível para o qual despencou no auge da recessão causada pela covid-19.
Em fevereiro, o índice subiu para 91,2, um número bem abaixo do pico de quatro anos alcançado em novembro de 2024, de 112,8. Os americanos continuam desanimados com os preços altos e veem poucas vagas de emprego disponíveis, constatou a pesquisa.
Outras sondagens apontaram resultados semelhantes: apenas 39% dos americanos aprovam a liderança econômica de Trump, segundo a pesquisa mais recente do Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research. E a pesquisa de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan permanece em níveis típicos de recessão.
Trump tentou superar esse pessimismo apontando dados econômicos que traçam um cenário mais positivo, uma tática que o presidente Joe Biden também tentou, com pouco sucesso. Mas, na noite de terça-feira, houve discrepâncias entre as afirmações do presidente e a realidade econômica enfrentada por muitos americanos.
“A inflação está despencando, as rendas estão subindo rapidamente, a economia vibrante está mais forte do que nunca”, disse Trump. Entenda a seguir se a economia dos Estados Unidos está mesmo em sua “era dourada”.
1. Economia cresceu, mas lentamente
Para começar, a economia está crescendo, mas está longe de estar “em plena expansão”. Ela cresceu 2,2% no ano passado, abaixo dos 2,8% no último ano de Biden e dos 2,9% em 2023. Certamente muitos americanos ficaram profundamente insatisfeitos com os aumentos de preços sob Biden, que levaram a inflação a um pico de 9,1% em 2022, o maior em quatro décadas.
Uma economia americana realmente aquecida costuma se parecer mais com o fim da década de 1990, quando o crescimento superou 4% por quatro anos seguidos, ou com os anos 1980, quando ficou em 3,5% ou mais por seis anos consecutivos.
2. Consumidores ainda enfrentam preços altos
A inflação desacelerou no último ano, mas muitos americanos ainda citam os preços elevados nas pesquisas como principal motivo de insatisfação com a economia.
Trump observou corretamente que a inflação subjacente, que exclui as categorias voláteis de alimentos e energia, caiu para o menor nível em cinco anos em janeiro. No entanto, outras medidas mostram que a inflação permanece persistentemente elevada: um indicador de preços subjacentes acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed) estava 3% mais alto em dezembro do que um ano antes, acima da meta de 2% do Fed. Esse indicador dá menos peso aos custos de moradia, que desaceleraram, do que a medida citada por Trump.
Quase metade das pessoas que responderam à pesquisa de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan em fevereiro “mencionou espontaneamente os preços altos corroendo suas finanças pessoais”, afirmou Joanne Hsu, diretora da pesquisa, em comunicado.
Trump destacou que o preço dos ovos caiu fortemente em relação ao pico, o que é verdade, mas a maioria dos itens essenciais dos quais os americanos dependem — como alimentos, aluguel e eletricidade — permanece muito mais cara do que há cinco anos. Além disso, os preços de eletricidade subiram mais 6,3% apenas nos últimos 12 meses.
As tarifas impostas por Trump também elevaram o custo de muitos itens importados, incluindo móveis, peças automotivas, ferramentas e roupas. E alimentos como carne moída, café e bananas subiram fortemente no último ano. Os preços da carne moída, por exemplo, aumentaram 17%.
3. Contratações quase pararam
Uma das razões para o pessimismo dos consumidores é provavelmente a forte desaceleração nas contratações no ano passado. Os empregadores adicionaram apenas 181 mil empregos em 2025 — ou 15 mil por mês — tornando-o o pior ano para crescimento do emprego fora de uma recessão desde 2002.
E, apesar da promessa de Trump de revitalizar a indústria americana, as fábricas perderam 108 mil empregos em 2025, além dos 202 mil perdidos nos dois últimos anos do governo Biden. Somente montadoras e fábricas de autopeças cortaram quase 74 mil empregos nos últimos dois anos.
As tarifas de Trump são parcialmente responsáveis, pois obrigam muitas fábricas a pagar mais por matérias-primas e peças importadas. Mas as altas taxas de juros também prejudicaram os fabricantes nos últimos anos.
Além disso, muitos contrataram agressivamente — talvez até demais — em 2021 e 2022, quando a economia dos EUA se recuperava com força das restrições da pandemia. A automação, estimulada pela pandemia, também significa que muitas fábricas precisam de menos trabalhadores.
Por outro lado, as contratações surpreenderam positivamente em janeiro, com 130 mil novos empregos, e as fábricas voltaram a criar vagas pelo primeiro mês em mais de um ano.
4. Benefícios das tarifas permanecem incertos
Trump sugeriu que suas tarifas contribuíram diretamente para um boom econômico nos EUA, mas é provável que a maioria dos americanos tenha visto poucos benefícios. “Daqui para frente, fábricas, empregos, investimentos e trilhões e trilhões de dólares continuarão fluindo para os Estados Unidos da América”, disse Trump.
Em seu discurso, o presidente voltou a apresentar suas tarifas como indolores, insistindo que são pagas por países estrangeiros. Na realidade, elas são pagas por importadores americanos, que muitas vezes tentam repassar o custo aos consumidores por meio de preços mais altos.
Empresas estrangeiras podem sofrer perdas se tiverem que reduzir preços para manter vendas nos EUA. Mas os preços de importação não caíram significativamente, sugerindo que os exportadores no exterior não estão sentindo tanto impacto.
Um estudo do economista de Harvard Alberto Cavallo e dois colegas constatou que os consumidores americanos arcaram com 43% dos custos mais altos das tarifas, enquanto as empresas dos EUA absorveram a maior parte do restante.
E, até agora, as amplas taxas de importação impostas por Trump não trouxeram muitos avanços em direção ao seu objetivo de reduzir o grande e antigo déficit comercial dos EUA — a diferença entre o que o país vende ao exterior e o que compra. O déficit comercial dos EUA em bens como automóveis e eletrodomésticos — foco das políticas protecionistas de Trump — atingiu um recorde de US$ 1,24 trilhão no ano passado, alta de 2% em relação a 2024.
Globo Online - RJ 26/02/2026
A decisão do governo brasileiro de elevar as alíquotas de impostos de importação entre 7% e 20% para mais de mil produtos dos setores de bens de capital e informática e telecomunicações carece de lógica. Com a intenção de proteger e incentivar a produção local, o governo prejudica indústrias e consumidores. Máquinas e produtos de informática de última geração são imprescindíveis para que as empresas brasileiras tenham condições de competir nos mercados internacionais. Ao encarecer esses equipamentos, o governo torna as exportações industriais brasileiras menos atraentes. O imposto mais alto também tem impacto negativo no mercado doméstico, pois aumentos de custos são repassados de forma automática a consumidores locais. Crítico da política protecionista do presidente americano, Donald Trump, o governo brasileiro insiste em cometer o mesmo erro.
O efeito será sentido de forma mais aguda nos setores de metalurgia, mecânica, automotivo, alimentos e bebidas, papel e celulose, farmacêutico, mineração, óleo e gás, energia, construção pesada, logística e agronegócio. Não há sentido em manter taxação tão alta sobre computadores ou smartphones, hoje ferramenta de trabalho para milhões de brasileiros também na prestação de serviços.
A possibilidade de zerar o imposto de importação para alguns itens estrangeiros sem similar no Brasil e a preservação dos regimes especiais vigentes não mudam o quadro geral. Ficou mais caro investir em eficiência e em novos negócios baseados na economia digital. Essa realidade ressalta a teimosia extraordinária dos governos petistas em apostar no protecionismo como alavanca de desenvolvimento. Se proteger a indústria local fosse uma política eficaz, o Brasil já seria potência fabril há muito tempo.
Na tentativa de se justificar, o Ministério da Fazenda publicou nota mencionando o aumento da participação de bens de capital importados no consumo nacional (de 33,6% em 2017 para 45% no ano passado). Incluindo bens de informática, as importações cresceram 33,4% em dólar desde 2022. “Em 2025, as importações especificamente de máquinas e equipamentos alcançaram US$ 28,8 bilhões, mais que o dobro das exportações, estimadas em US$ 11,5 bilhões”, diz o governo. Ora, tais números deveriam ser motivo de celebração, indício da modernização das empresas brasileiras, com acesso a equipamento de melhor qualidade e mais baratos que os produzidos localmente.
A Fazenda aponta como ameaça a ascensão chinesa nos setores de bens de capital, aço e tecnologia. Mas, para enfrentar eventuais práticas desleais chinesas, há outros mecanismos mais eficazes que as tarifas. A China, por sinal, nem será o país mais afetado pela medida brasileira. Quem mais perderá são os Estados Unidos.
O Estado de S.Paulo - SP 26/02/2026
O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quarta-feira, 25, que tomou conhecimento das declarações do representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, sobre a continuidade da investigação da Seção 301 a respeito do cumprimento, por Pequim, do acordo econômico e comercial de “fase um” firmado entre os dois países, e alertou que adotará medidas necessárias caso Washington avance com novas tarifas.
Segundo o porta-voz da pasta, desde a entrada em vigor do acordo, no início de 2020, a China tem cumprido suas obrigações “com espírito contratual”, apesar dos impactos da pandemia e das rupturas nas cadeias de suprimento. Pequim sustenta que implementou os compromissos relacionados à proteção de propriedade intelectual e à abertura dos mercados financeiro e agrícola, além de ter promovido a expansão da cooperação comercial.
Em contrapartida, o governo chinês acusa os EUA de endurecer controles de exportação, restringir investimentos bilaterais e ampliar medidas de contenção em áreas econômicas e comerciais, o que, segundo a pasta, viola o espírito do acordo e prejudica as condições para sua implementação.
O ministério acrescentou que, desde o ano passado, os dois lados realizaram cinco rodadas de consultas econômicas e comerciais e alcançaram consensos sobre temas como extensão da suspensão de tarifas recíprocas, comércio agrícola, controles de exportação e redução de restrições a investimentos.
Pequim disse esperar que Washington trate a implementação do acordo de forma “objetiva e racional” e evite transferir responsabilidades. Caso os EUA insistam na investigação ou adotem novas tarifas com base nela, a China afirmou que tomará “todas as medidas necessárias” para defender seus direitos e interesses legítimos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, deve viajar à China em abril para encontro bilateral com o líder chinês, Xi Jinping.
Agência Brasil - DF 26/02/2026
Os juros médios para as famílias e empresas continuaram subindo em janeiro deste ano. Para as pessoas físicas, a taxa média de juros alcançou 61% ao ano, com acréscimos de 0,9 ponto percentual (p.p.), no mês, e de 6,7 p.p., em 12 meses, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta quarta-feira (25), pelo Banco Central (BC).
Um dos destaques é a elevação da taxa das operações de cartão de crédito parcelado, com alta de 6,8 p.p., no mês, e de 17,7 p.p., em 12 meses, alcançando 194,9% ao ano.
Após 30 dias de utilização do crédito rotativo, as instituições financeiras parcelam a dívida do cartão de crédito seguindo essa modalidade de juros.
Ainda assim, a carteira de cartão de crédito rotativo ainda opera com os juros mais elevados do mercado. Apesar do recuo de 13,7 p.p., no mês, e de 26,3 p.p., em 12 meses, a taxa do cartão rotativo ficou em 424,5% ao ano em janeiro.
O crédito rotativo dura 30 dias e é tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito. Ou seja, contrai um empréstimo e começa a pagar juros sobre o valor que não conseguiu quitar.
Outros destaques nas operações para pessoas físicas, em janeiro, são as altas nas taxas de crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.).
No caso das operações com empresas, a taxa média situou-se em 25,2% ao ano no fim de janeiro, com acréscimo de 1,6 p.p., no mês, e 1,1 p.p., em 12 meses.
Em janeiro, esse desempenho foi influenciado, basicamente, pelo aumento sazonal das taxas médias de desconto de duplicatas e outros recebíveis (0,9 p.p.) e pelo incremento de outras modalidades, como capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,8 p.p.), cheque especial (25,9 p.p.) e cartão rotativo (63,9 p.p.).
Essas são as taxas no crédito livre, nas quais os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes.
Já o crédito direcionado - com regras definidas pelo governo - é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.
No caso do crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas ficou em 11,2% ao ano, estável no mês e com redução de 0,1 p.p., em 12 meses. Para empresas, os juros subiram 0,8 p.p., no mês, e caíram 0,7 p.p., em 12 meses, para 13% ao ano.
Crédito rotativo do cartão de crédito continua a ter a maior taxa do mercado financeiro - Arquivo Agência Brasil
Juros em alta
Considerando recursos livres e direcionados, a taxa média de juros das novas contratações de crédito chegou, em janeiro de 2026, a 32,8% ao ano, para famílias e empresas. Houve incremento de 0,7 p.p., no mês, e de 2,9 p.p., em 12 meses.
Como esperado, a alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Ao aumentar a taxa, o BC visa esfriar a demanda e conter a inflação, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, fazendo com que as pessoas consumam menos, e com que os preços subam menos.
A taxa básica de juros está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.
Já o spread bancário das novas contratações situou-se em 21,9 p.p., com acréscimo de 0,8 p.p., no mês, e de 3,5 p.p., em 12 meses. Esse termo diz respeito à diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes. O spread é uma margem que cobre custos operacionais, riscos de inadimplência, impostos e outros gastos e resulta, assim, no lucro dos bancos.
Saldo do crédito
No mês passado, as concessões de crédito chegaram a R$ 651,5 bilhões, resultado de um aumento de 1,5% no mês, com ajuste sazonal. Houve elevações de 2,2% nas operações com pessoas jurídicas e de 1,6% nas operações pactuadas com pessoas físicas.
No acumulado em 12 meses até janeiro de 2026, as concessões nominais variaram 9,4%, sendo 9,7% nas operações com empresas e 9,1% com famílias.
Com isso, o estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em R$ 7,115 trilhões, o que representa uma redução de 0,2%, em janeiro, e uma alta de 10,1%, em 12 meses.
As carteiras de crédito para pessoas jurídicas e famílias, respectivamente, fecharam o mês com saldos de R$ 2,654 trilhões e de R$ 4,460 trilhões, nessa ordem.
Já o crédito ampliado ao setor não financeiro - que é o crédito disponível para empresas, famílias e governos, independentemente da fonte (bancário, mercado de títulos ou dívida externa) - alcançou R$ 20,812 trilhões.
Foi constatado um ligeiro recuo de 0,3%, no mês, principalmente devido à redução de 3,4% dos saldos dos empréstimos externos, impactados pela valorização de 4,95% do real.
Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12,6%, prevalecendo as elevações da carteira de empréstimos do SFN, em 9,9%, e dos títulos públicos de dívida, em 19,1%.
Endividamento das famílias
Segundo os números do Banco Central, a inadimplência também vem aumentando e foi de 4,2% em janeiro. São considerados, nesse caso, os atrasos acima de 90 dias nos pagamentos.
No segmento empresarial, o percentual situou-se em 2,6% e, no crédito às famílias, a inadimplência atingiu 5,2%.
O endividamento das famílias ficou em 49,7% em dezembro do ano passado, fechando 2025 com aumento de 1,3 p.p. no ano. Esse número considera a relação entre o saldo das dívidas e a renda familiar acumulada em 12 meses.
Com a exclusão do financiamento imobiliário, que pega um montante considerável da renda, o endividamento ficou em 31,2% no último mês de 2025.
Já o comprometimento da renda - relação entre o valor médio a ser pago em dívidas e a renda média apurada no período - ficou em 29,2% em dezembro, com aumento de 1,7 p.p. no ano.
O endividamento e comprometimento de renda são indicadores apresentados com uma defasagem maior, pois o Banco Central usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Estado de S.Paulo - SP 26/02/2026
Trabalho do economista Guilherme Klein aponta volatilidade do câmbio e meta de inflação muito baixa como fatores relevantes paro o alto juro real brasileiro.
O economista Guilherme Klein, da Universidade de Leeds, detectou, em recente trabalho acadêmico, que a alta volatilidade cambial brasileira (entre 2011 e 2024, o câmbio real brasileiro foi a terceira moeda mais volátil entre as 50 maiores economias) e uma meta de inflação muito baixa são razões importantes para o elevado juro real do País. Já a baixa poupança doméstica tem menos importância para explicar o fenômeno.
Klein atualizou estudo do FMI de 2012 sobre o "quebra-cabeças" do juro real extremamente elevado no Brasil. O economista utilizou dados de 15 países emergentes: Brasil, Chile, Colômbia, República Tcheca, Hungria, Indonésia, Coreia do Sul, México, Peru, Filipinas, Polônia, Romênia, África do Sul, Tailândia e Turquia. São os mesmos países do estudo original do FMI.
O estudo original do FMI é um modelo comparativo que cruza dados de renda per capita, poupança privada, resultado fiscal, juro americano e volatilidade inflacionária para detectar, na comparação entre países, porque o juro real é tão alto no Brasil. Mas o trabalho, que encontra papel relevante para a poupança doméstica, não consegue explicar 2 pontos porcentuais (pp) do alto juro real brasileiro.
O economista Bráulio Borges (LCA 4intelligence e FGV-IBRE) nota que o trabalho do FMI tomou o período de 1980-2009, de muita instabilidade no mundo emergente e durante boa parte do qual muitos desses países não tinham adotado o sistema de metas de inflação. Já Klein, em sua atualização, tomou o período mais estável e de disseminação dos sistemas de meta de inflação.
Klein trabalhou com o juro real da Selic descontada a inflação ocorrida (talvez não o ideal, mas uma escolha necessária por razão de comparabilidade com os outros países).
Uma importante contribuição de Klein foi incluir variáveis novas no modelo, como uma medida de qualidade institucional, o nível da meta de inflação e a volatilidade cambial.
Como mencionado, o pesquisador encontrou um papel importante da volatilidade cambial e da baixa meta de inflação na explicação do juro real elevado do Brasil.
Nas suas simulações, se o Brasil tivesse a estabilidade cambial do Chile, o juro real poderia recuar quase 1 ponto percentual. Já se a meta brasileira saísse dos atuais 3% e retornasse para 5%, o juro real poderia cair entre 0,8 e 0,9pp de forma persistente, segundo o modelo. Em relação à poupança, o efeito é fraco. Se o Brasil aumentasse a poupança doméstica em 2pp, o alívio no juro real seria de apenas 0,5pp.
Mas ainda faltariam 0,9pp de juro real brasileiro a ser explicado, que o trabalho de Stein não consegue explicar. Assim, o "quebra-cabeças" é reduzido de 2pp para 0,9pp.
Em relação à meta de inflação, Stein menciona que, em economias emergentes sujeitas a choques de oferta frequentes, como câmbio, alimentos, energia, metas muito baixas podem reduzir o espaço de acomodação de choques, induzir reações monetárias que elevam desnecessariamente o juro real e aumentar a rigidez do regime e os custos de desinflação.
Segundo Borges, os choques nos países emergentes, relativamente aos avançados, são mais frequentes, mais intensos e mais assimétricos, no sentido de geralmente serem desfavoráveis.
"Em um país sujeito a choques frequentes e intensos, uma meta de 3% pode exigir um esforço monetário desproporcional", ele continua. A determinação de uma meta de inflação ideal, levando em conta fatores micro e macroeconômicos, é um dos temas que estão sendo trabalhados na tese de doutorado de Borges.
Globo Online - RJ 26/02/2026
A decisão do governo dos Estados Unidos de substituir as sobretaxas de 40% e 50% por uma sobretaxa global de 10% reduziu, ao menos temporariamente, o impacto tarifário sobre uma parcela relevante das exportações brasileiras. Levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que 34,9% da pauta exportadora do Brasil aos EUA, o equivalente a US$ 14,9 bilhões, passou a enfrentar uma carga tarifária menor no acesso ao mercado americano.
A nova sobretaxa entrou em vigor em 24 de fevereiro e tem vigência temporária de 150 dias, com base jurídica na Seção 122 da lei de comércio americana, mecanismo acionado para lidar com desequilíbrios no balanço de pagamentos dos EUA. O presidente Donald Trump já indicou que a alíquota poderá ser elevada para até 15% ao fim desse período.
Com a mudança, a participação de produtos brasileiros sujeitos à sobretaxa adicional de 10% saltou de 13,2% para 40% da pauta exportadora aos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a parcela de bens não sujeitos a sobretaxas aumentou de 37,5% para 45,6%, ampliando o espaço de produtos brasileiros com acesso menos oneroso ao mercado americano.
As tarifas impostas por razões de segurança nacional, com base na Seção 232 da legislação dos EUA não foram afetadas pela decisão e permanecem em vigor. Esses produtos continuam representando 14,4% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, concentradas sobretudo nos segmentos de aço, alumínio e autopeças.
Segundo a Amcham, a redução das alíquotas beneficiou um conjunto amplo de itens da pauta brasileira, incluindo máquinas e equipamentos industriais, açúcar bruto, café solúvel, álcool etílico, transformadores elétricos, tratores agrícolas, pedras ornamentais e produtos florestais. Em vários casos, mercadorias que antes estavam sujeitas a sobretaxas de 50% passaram diretamente a enfrentar a alíquota adicional de 10%, reduzindo de forma significativa o custo de acesso ao mercado americano.
A Ordem Executiva também ampliou a lista de produtos excluídos das sobretaxas, como aeronaves e partes aeronáuticas, nióbio, zinco, estanho, óxidos metálicos e outros insumos industriais. De acordo com o levantamento, os 15 principais itens agora isentos concentram quase 80% do valor exportado pelo Brasil dentro desse grupo, com base em dados de 2024 da U.S. International Trade Commission (USITC).
Apesar do alívio tarifário, a Amcham ressalta que o impacto positivo para os exportadores brasileiros é condicionado ao caráter temporário da medida e à possibilidade de nova elevação das alíquotas. A manutenção das tarifas da Seção 232 sobre setores estratégicos preserva um ambiente de incerteza para o comércio bilateral e para as decisões de exportação no curto prazo.
Jornal de Brasília - DF 26/02/2026
Gestores de investimentos têm divergido quanto à estimativa para a taxa Selic terminal de 2025. Enquanto o consenso do mercado aponta para o juro a 12% ao ano em dezembro, como indicado pelo último boletim Focus, previsões de um patamar menor do que esse começaram a rondar os debates dos economistas.
Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do BC (Banco Central) e atual gerente de portfólios do Itaú Asset Management, diz acreditar que a taxa básica de juros deve encerrar em 11% ao ano, “no mínimo”. A análise foi feita em evento do BTG Pactual nesta quarta-feira (25) e endossada por Marco Freire, gestor de investimentos da Kinea, e Christiano Chadad, sócio e gestor do BTG Volt.
Serra enumerou uma sequência de dados para sustentar a argumentação. A inflação, diz ele, deve rodar em torno de 3% até o mês de outubro e finalizar em 3,5% no acumulado do ano -uma previsão que só tem a “direção da política fiscal” como entrave. O PIB (Produto Interno Bruto) está perto do potencial, em 2%, sustentado pelo desempenho do agronegócio e da extrativa mineral, encabeçada por Vale e Petrobras.
“Excluindo agro e minérios, algo que o BC deu muita cor em seu último relatório de política monetária, o resto da economia com potencial inflacionário está em 1,5% e desacelerando. Mercado de trabalho desacelerando. Salários fortes, mas prevejo queda conforme a inflação se aproxima da meta. Mas o juro está em 15%”, afirmou.
O conjunto de fatores leva o gestor a crer que o BC irá entrar em um ciclo de cortes acelerado, em especial ao pesar a inflação corrente em 3% e a desaceleração econômica. “O juro neutro do BC é 8,5%. O do mercado é 9,5%. Eu dou mais 1,5 ponto percentual de lambuja para sugerir que a Selic termina o ano em 11%, para menos, e que no início de 2027 estaremos discutindo um patamar ainda mais baixo.”
“Juro neutro” significa a taxa de juros real, descontada a inflação. Pressupõe um nível de restrição monetária que mantém a economia em equilíbrio, sem acelerar a inflação, tampouco frear o crescimento econômico.
Para chegar no patamar neutro conforme as variáveis de inflação e PIB se impõem, Serra prevê que o BC terá de cortar a taxa Selic em um ritmo mais acelerado do que o consenso do mercado prevê. O gestor, que assume ter “uma visão bem fora do consenso”, avalia que a primeira redução da taxa Selic será de 0,5 ponto percentual em maio, seguida por duas de 0,75 ponto a partir de junho.
“O risco é da Selic parar em 9% no final do ano, e não em 12%.”
Chadad, do BTG, endossa a perspectiva de cortes acelerados, em especial antes das eleições presidenciais. “Cortar durante o processo eleitoral não faz parte da história do Brasil”, diz.
Ele ainda ressalta que as previsões se baseiam na manutenção da atual política fiscal até o fim do ano. Se o governo decidir gastar mais, diz ele, o cenário muda, e, ao longo dos próximos anos, “a combinação de Executivo gastando muito com BC perseguindo meta deve chegar ao fim”.
“O próximo governo, mesmo que seja Lula, terá muita dificuldade em manter esse nível de gasto. Vamos bater em um muro de dívida e talvez voltar a falar em dominância fiscal.”
Já Freire, da Kinea, avalia que a Selic em 15% é uma “excrescência”, e Selic em 12% também seria.
“Vou comparar com países emergentes ‘meia boca’, nada de muito maravilhoso. México está com inflação em 4% e o banco central discute juros em torno de 6,5%. África do Sul está com inflação em 3% e juros rodando 6%. Quando falamos de Selic em 12%, é o dobro do juro”, analisa.
“O Brasil tem um nível de dívida mais alto do que os desses países, mas temos instituições fortes, que funcionam apesar de terem sido fragilizadas recentemente. 12% ainda me parece muito fora do lugar.”
No boletim Focus desta semana, economistas reduziram pela primeira vez em mais de quatro meses a previsão sobre a Selic terminal, de 12,25% para 12,13%.
Apesar das previsões, o BC tem adotado cautela antes de dar sinalizações mais robustas sobre o ciclo de cortes. Em evento no dia 11 de fevereiro, Gabriel Galípolo, presidente da instituição, reforçou que a palavra-chave do momento é “calibragem”.
Ele afirmou que o BC seguirá dependente dos dados e não pretende oferecer sinalizações adicionais sobre os próximos passos do Copom (Comitê de Política Monetária) além do que já foi comunicado.
Galípolo também negou que o uso recente dos termos “serenidade” e “parcimônia” representaria alteração na estratégia da instituição. “Não há nenhuma mudança de função de reação”, afirmou.
“Sobre o resto do ano, qualquer sinalização corre o risco de ser frustrada e causar mais dano do que ajudar”, disse ele, referindo-se ao cenário incerto de geopolítica, mudanças na política econômica dos Estados Unidos e as eleições brasileiras.
Valor - SP 26/02/2026
Contrato da commodity com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a US$ 109,20
O preço do minério de ferro subiu nesta quarta-feira (25) na China, em meio a relatos de que a produção de aço se manteve estável durante o feriado do Ano Novo Lunar.
O contrato da commodity com vencimento em maio, o mais negociado, avançou 1,42%, cotado a 752,5 yuans (aproximadamente US$ 109,20) na bolsa de Dalian.
Apesar de uma leve melhora no consumo de minério de ferro, analistas da consultoria Baocheng Futures apontaram que a rentabilidade das siderúrgicas permanece baixa, ao passo que aumentam as preocupações com o nível de estoques da commodity em portos da China.
Monitor Digital - RJ 26/02/2026
Com aparições no desfile da Supucaí, a Omoda & Jaecoo (O&J) utilizou o Carnaval de 2026 como plataforma de validação de marca no Brasil, com os híbridos Jaecoo 7 e Omoda 7 abrindo os desfiles. A estratégia visou consolidar o valor da marca e a experiência do consumidor antes da conversão direta por preço. No encerramento das festividades, a escola de samba campeã do Rio de Janeiro recebeu uma unidade do Jaecoo 7.
A projeção de vendas para 2026, inicialmente de 40 mil veículos, foi revisada para um patamar entre 45 mil e 50 mil unidades. A marca planeja expandir sua atuação para os setores de locação e frotas de pequenas empresas.
A operação brasileira registrou crescimento com volume próximo a 10 mil unidades e participação de 8,6% no segmento de eletrificados. Roger Corassa, vice-presidente executivo da O&J no Brasil, aposta no crescimento dos híbridos plug-in.
O cronograma de lançamentos para o segundo semestre de 2026 terá Jaecoo 5, Jaecoo 1 em agosto e Omoda 4 em novembro, este último posicionado como o modelo de entrada.
Atualmente, as marcas chinesas que pertencem ao grupo Chery, avaliam se instalar no País e já ouviram propostas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. A viabilidade da fábrica depende da escala de volume e da superação de gargalos logísticos, como pátios e cabines de pintura.
O perfil dos clientes indica que a linha Jaecoo possui maior aceitação entre o público masculino, enquanto o Omoda 5 registra 53% de vendas para o público feminino. A faixa etária predominante dos compradores situa-se entre 35 e 45 anos.
Creta agora tem motor 1.6 turboflex
A Hyundai alterou a estrutura de versões do SUV Creta na linha 2027, introduzindo a motorização 1.6 turboflex. A configuração N Line assume o topo da gama, substituindo o antigo motor 1.0 turbo pelo novo 1.6 turboflex. A versão Ultimate, que anteriormente utilizava apenas gasolina, também passa a ser equipada com a tecnologia bicombustível.
Hyundai Creta N Line 1.6 turboflex
A atualização técnica do motor 1.6 atende às normas do programa Mover. A recalibração reduziu a potência de 176 cv com gasolina e 173 cv com etanol – a versão só a gasolina rendia 193 cv.
A versão N Line recebeu rodas de 18” e o modo de condução Smart, que se soma aos modos Sport, Eco e Normal já existentes. Na versão Platinum, equipada com motor 1.0 turboflex, os conjuntos óticos dianteiros agora são em led.
Os preços começam em R$ 156.590 na versão Comfort 1.0, chegando a R$ 206.990 na versão N Line 1.6 turboflex. As opções intermediárias Limited e Platinum custam R$ 173.390 e R$ 188.990, respectivamente, enquanto a Ultimate é tabelada em R$ 201.590.
Indústria reduz estoques para liberar capital de giro
A indústria automotiva brasileira reavalia a gestão de estoques para liberar capital de giro diante do cenário de juros altos. Dados da consultoria Mirow & Co. indicam que o redesenho de processos pode eliminar até 20% dos volumes armazenados sem comprometer a produção ou o pós-venda.
O redesenho também antecipa a transição para frotas eletrificadas, que exigirá a coexistência de componentes para motores a combustão, elétricos e flex, demandando maior otimização de espaço.
Além das peças, o controle estende-se aos pátios de veículos acabados, para priorizar modelos com maior saída. A única exceção são os semicondutores, que mantêm níveis conservadores devido a riscos geopolíticos e histórico recente de crises de abastecimento.
Volvo altera estrutura diretiva e cria áreas regionais
Marcelo Kronemberger, presidente Volvo Car Latam e Brasil
A Volvo Cars alterou sua estrutura organizacional para unificar as operações do Brasil e da América Latina. Marcelo Kronemberger assume a presidência de ambas as divisões, acumulando a liderança regional que ocupava desde 2025. Marcelo Godoy, que presidia a unidade brasileira, passa a atuar como Head de Vendas, Planejamento e Logística para toda a região.
A nova diretoria integrada é composta por André Bassetto (Produto), Ricardo Ochiai (Rede) e Eduardo Oshima (Pós-Vendas). Rita Leme, Felipe Yagi e João Reia permanecem em suas funções atuais nas áreas de RH, Marketing e Finanças.
O Estado de S.Paulo - SP 26/02/2026
A GWM e o governo do Espírito Santo apresentaram na terça-feira, 24, plano para fábrica em Aracruz, cidade a cerca de 90 km da capital Vitória. O local é considerado estratégico por fazer parte do Parklog ES, espaço com portos e aeródromos.
A nova fábrica da GWM no Brasil será construída na região de Barra do Riacho, em área útil de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados. A montadora utilizará parte do investimento de R$ 10 bilhões no País até 2032 para levantar a unidade, com capacidade de produção de 200 mil carros.
Segundo o governo do Espírito Santo, quando a fábrica estiver em plena capacidade poderá gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos. Na fase de implantação, a administração avalia que 1.500 a 3.500 postos de trabalho sejam criados, principalmente na construção civil.
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A nova fábrica da GWM no Espírito Santo terá processo produtivo completo. Ou seja, contará com estamparia, soldagem, pintura e montagem final. Ricardo Bastos, diretor da montadora de origem chinesa, destacou que a escolha pelo Espírito Santo reflete as “condições de competitividade” desejadas pela fabricante.
Além de Bastos, estiveram na solenidade que marcou a confirmação da fábrica Way Chien, CFO da GWM, o head de comunicação da companhia, Zeca Chaves, e Thiago Sugahara, gerente de ESG e projetos estratégicos da montadora de origem chinesa. O prefeito de Aracruz, Luiz Carlos Coutinho, também esteve presente, bem como governador e vice-governador do Espírito Santo, Renato Casagrande e Ricardo Ferraço.
O projeto “é classificado como estratégico, de alto impacto social e econômico, alinhado ao plano de desenvolvimento” do governo do Espírito Santo. A administração salienta que os próximos passos para a construção da fábrica envolvem levantamentos topográficos e sondagens, licenciamento ambiental e início da terraplanagem e preparação do terreno.
Vale relembrar que a GWM inaugurou sua primeira fábrica no País em agosto de 2025, em Iracemápolis (SP). A empresa comprou a unidade da Mercedes-Benz.
A fábrica trabalha na produção dos modelos da família Haval (H6 e H9) e a picape Poer P30.
IstoÉ Dinheiro - SP 26/02/2026
O Índice de Confiança da Construção recuou 2,5 pontos em fevereiro ante janeiro, para 91,5 pontos, informou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Em médias móveis trimestrais, o índice caiu 0,8 ponto.
“Em 2025, a confiança setorial foi se deteriorando ao longo do ano e os empresários terminaram mais pessimistas”, apontou Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, em nota oficial.
Castelo lembra que a queda na confiança registrada em fevereiro “devolveu quase toda a melhora observada em janeiro”, quando o indicador tinha crescido 2,8 pontos.
“No entanto, os fundamentos que podem alicerçar o crescimento setorial permanecem, ou seja, não houve mudança significativa no cenário. Por outro lado, as fragilidades parecem ganhar força com a escassez de mão de obra atingindo patamares historicamente elevados. Enfim, as dificuldades para sustentar o crescimento podem estar minando a confiança dos empresários”, avaliou a pesquisadora.
Em fevereiro, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) diminuiu 2,4 pontos, para 91,0 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE-CST) encolheu 2,5 pontos, para 92,1 pontos.
Quanto ao momento presente, o item que mede a situação atual dos negócios recuou 2,4 pontos, a 89,7 pontos, e o componente de volume de carteira de contratos caiu 2,5 pontos, para 92,4 pontos.
Quanto às expectativas, o item demanda prevista nos próximos três meses teve queda de 2,8 pontos, para 94,4 pontos, e o item de tendência dos negócios nos próximos seis meses caiu 2,2 pontos, para 89,8 pontos.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da Construção diminuiu 0,3 ponto porcentual em fevereiro, para 77,1%. O Nuci de Mão de Obra cresceu 0,3 ponto porcentual, para 78,7%, enquanto o de Máquinas e Equipamentos encolheu 1,3 ponto porcentual, para 71,7%.
Em fevereiro, 41,6% dos empresários da construção reportaram que a escassez de mão de obra tem sido um fator limitativo para melhoria dos seus negócios, maior proporção para o mês de fevereiro desde 2011.
“Além disso, esse também foi o fator mais citado desde maio de 2024, enquanto o segundo fator mais mencionado foi demanda insuficiente, para 22,9% das empresas”, completou a FGV.
Globo Online - RJ 26/02/2026
O projeto do Novo Centro Administrativo, que visa a transferir a sede da gestão estadual do Morumbi para os Campos Elíseos, no Centro da capital paulista, será licitado nesta quinta-feira, na B3. O leilão vai definir as empresas que irão construir e gerir o complexo por 30 anos. A nova sede foi uma promessa de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o projeto passou por diversas modificações até enfim sair do papel. A expectativa é que a mudança de endereço seja realizada em 2030.
Na segunda, dois consórcios apresentaram propostas para construir o complexo, por meio de Parceria Público Privada (PPP). Um deles é formado pela Acciona e pela Construcap, e o outro, chamado Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, engloba cinco empresas: Zetta infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK empreendimentos Imobiliários e Iron Property.
Com o custo de R$ 6 bilhões divididos entre o estado e a iniciativa privada, o complexo terá sete edifícios, praça, área de 25 mil metros quadrados para comércios, e incluirá também o restauro de 17 edifícios tombados e a remoção do Terminal Princesa Isabel. O espaço, que hoje atende 16 linhas de ônibus, deverá ser substituído por um outro a ser construído ao lado da Estação da Luz.
O novo centro vai reunir 22 mil funcionários, que hoje estão espalhados por 40 edifícios em várias regiões da cidade. A concessionária vencedora ficará responsável pela gestão administrativa e manutenção do estado, e também pela destinação dos espaços comerciais que haverá no complexo.
— Campos Elíseos foi o primeiro bairro organizado de São Paulo, projetado por dois engenheiros alemães. Esse projeto urbanístico vem para recuperar a estrutura do passado e construir um projeto urbanístico moderno com construções para abrigar toda a estrutura de governo com 22 mil funcionários, recuperando essa região que estava entregue nas mãos da Cracolândia e do crime organizado — explica o secretário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif, escalado para conceber e liderar o Novo Centro Administrativo desde o início.
Ele garante que o espaço não será uma ilha na região, pois todos os prédios terão fechadas ativas para serviços e comércios — e compara o projeto ao Conjunto Nacional, icônico espaço multiuso na Avenida Paulista.
O desenho arquitetônico do complexo foi produzido pelo escritório Ópera Quatro, após um concurso realizado pelo governo em 2024. O arquiteto Pablo Chakur, que liderou o projeto, afirma que se inspirou em “referências internacionais de requalificação urbana e concentração de edifícios públicos em áreas consolidadas da cidade, como por exemplo a Potsdamer Platz, em Berlim, que transformou uma área fragmentada em um novo polo institucional e urbano integrado com edifícios corporativos e espaços públicos qualificados”. A intenção foi evitar que o complexo virasse um “enclave fechado”.
— O projeto privilegia a permeabilidade física e visual, com térreos ativos, praças abertas ao público, conexões com o sistema viário existente e integração com o transporte coletivo. A proposta considera a escala do bairro dos Campos Elíseos, respeitando o entorno e criando frentes urbanas qualificadas, com usos que extrapolam o expediente administrativo, estimulando fluxo constante de pessoas. A ideia é que o conjunto funcione como extensão do tecido urbano, e não como barreira — explica.
A empresa que vencer a licitação terá que seguir o projeto urbanístico escolhido no concurso. A proposta vencedora do leilão será aquela que apresentar o maior desconto sobre a contrapartida mensal do governo, que hoje está girando em torno de R$ 78 milhões por mês.
Em 2024, a Secretaria da Justiça transferiu-se para o Palácio dos Campos Elíseos, local que abrigava a sede do governo entre 1915 e 1967. O local passou por restauros nos últimos anos, e por alguns anos abrigou o Museu das Favelas, que foi transferido para o Páteo do Colégio. Mesmo após o governo ser transferido para o Centro, o governador deve manter um gabinete no Palácio dos Bandeirantes, que também seguirá sendo a residência oficial do chefe do Executivo paulista. As secretarias da Casa Civil e Comunicação também devem permanecer no Morumbi.
Tarcísio tem dito que o Novo Centro Administrativo não é “um projeto de governo, mas de Estado”, já que sua continuidade depende de quem for eleito governador nas eleições de outubro. Ele argumenta que a concentração dos órgãos públicos em um único espaço gerará economia e praticidade, já que os prédios serão modernos, tecnológicos e próximos de uma ampla rede de transporte sobre trilhos – pela região, há estações de metrô e trem de várias linhas. Em janeiro, ao comentar sobre o projeto com o GLOBO, o governador afirmou que o projeto faz parte de “uma ampla ação de urbanização no Centro”, que envolve "desde a desmobilização da Cracolândia até a remoção da favela do Moinho".
Mas o custo elevado, o tempo e a dinâmica de concretização do Novo Centro Administrativo também levanta questionamentos sobre sua necessidade e efeitos sobre a região. Uma das justificativas da gestão Tarcísio é que a transferência da administração estadual para os Campos Elíseos será uma intervenção urbanística capaz de levar mais movimento no entorno, já que os servidores vão circular mais por ali, bem como gerar interesse da iniciativa privada em construir mais moradias e empresas na região.
Hoje, entretanto, cerca de metade das sedes das secretarias estaduais já fica no Centro, especialmente no Triângulo Histórico, como é o caso da Fazenda, Educação, Esportes, Cultura e Habitação, entre outras. O historiador Renato Abramowicz Santos, cuja pesquisa de doutorado foi sobre as remoções e destruições no centro de São Paulo, afirma que o projeto não se justifica.
— Está se anunciando um imenso projeto, a um custo elevadíssimo para fazer algo que, na prática, já acontece — afirma.
Segundo Afif, os prédios que os órgãos públicos ocupam hoje ainda não tem destinação definida, e poderão ser negociados com a prefeitura, que teria interesse em alguns edifícios, enquanto outros poderão passar por retrofits para virar moradias.
Outro impacto relevante da obra são as desapropriações e remoções de moradores e comerciantes dos Campos Elíseos que, segundo o contrato, serão feitas pela empresa privada que vencer a concessão. Segundo as estimativas do estado, há cerca de 600 famílias em situação de vulnerabilidade que serão removidas, mas ainda há outras pessoas que terão seus imóveis desapropriados mediante indenização.
Afif afirma que a oferta de atendimento habitacional vai priorizar imóveis no centro, mas remoções recentes, como da Favela do Moinho, também no Centro, mostram que nem sempre isso acontece. Nos últimos anos, coletivos e conselhos populares que atuam na região central alegam que houve falta de diálogo em relação ao projeto e que não houve explicação sobre como se darão as desapropriações.
— As resistências contra esse tipo de projeto não são porque as pessoas não querem que as coisas mudem, pelo contrário, todo mundo quer melhorias, todo mundo quer mais dignidade na vida, mas para que supostas melhorias aconteçam é preciso expulsar quem mora e construiu historicamente esse espaço que se promete melhorar? Não é possível construir novos imóveis e equipamentos, trazer novos moradores e comerciantes ao mesmo tempo mantendo quem já mora na região, preservando a história e a memória do lugar? — questiona Abramowicz.
Jornal de Brasília - DF 26/02/2026
O Ministério dos Transportes apresentou, durante o P3C 2026 – PPPs e Concessões: Investimentos em Infraestrutura no Brasil, realizado em São Paulo nos dias 23 e 24, um novo modelo de concessões ferroviárias que une o poder público e o setor privado. A iniciativa, destacada pelo secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, promove inovação, segurança jurídica e sustentabilidade, permitindo que o país se insira no mercado internacional com eficiência e produtividade.
Essa proposta faz parte da primeira Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, lançada pelo Ministério em dezembro de 2025. A política define diretrizes de planejamento, governança e sustentabilidade, além de criar um modelo inédito de funding que combina recursos públicos e privados. Com isso, estão previstos oito leilões em 2026, atraindo R$ 140 bilhões em investimentos no modal ferroviário, marcando um novo ciclo para o setor.
No setor rodoviário, o ritmo de investimentos também atinge recordes históricos. Para 2026, o Ministério projeta 13 leilões de rodovias federais. Até o fim da atual gestão, serão realizadas 35 concessões, garantindo R$ 396 bilhões aplicados na malha viária de todo o país. O secretário-executivo do Ministério, George Santoro, enfatizou que essa agenda de concessões representa uma política de Estado, com projetos em desenvolvimento para anos subsequentes.
Outra iniciativa relevante é o Programa de Otimização de Contratos, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU). O programa visa restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro em concessões rodoviárias com desempenho insatisfatório. Em 2023, cerca de 70% das obras mais relevantes estavam paralisadas, mas nove acordos já foram firmados, destravando investimentos sem a necessidade de novos leilões. A secretária Nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, destacou que a renegociação permite a reativação imediata dos trabalhos, superando barreiras como licenciamento ambiental.
Os debates no P3C 2026 também abordaram concessões verdes, incorporando critérios de sustentabilidade à infraestrutura. O subsecretário de Sustentabilidade, Cloves Benevides, ressaltou o papel estratégico do setor de transportes na descarbonização do Brasil, alinhando concessões e parcerias público-privadas às metas das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e ao Plano Clima.
Veja - SP 26/02/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou hoje, 25, a formalização de 25 instrumentos contratuais relacionados a Terminais de Uso Privado (TUPs) entre julho de 2025 e janeiro de 2026, totalizando 9,23 bilhões de reais em investimentos. São sete novos contratos de adesão (5,81 bilhões de reais) e 18 alterações contratuais (3,41 bilhões de reais). Os projetos abrangem todas as regiões do país.
CNN Brasil - SP 26/02/2026
A ATP (Associação de Terminais Portuários) vê "um retrocesso muito grande" por parte do governo federal ao revogar o decreto que autorizava o estudo técnico para a concessão de hidrovias do Rio Tapajós, afirmou o presidente da entidade, Murilo Barbosa, em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (25).
O setor enfrenta uma série de gargalos logísticos, sobretudo na região amazônica onde grande parte do transporte depende de meios fluviais. A ATP via no avanço da hidrovia do Tapajós uma oportunidade de modernizar o setor.
"Há dois anos, nós comemorávamos, numa cerimônia no Ministério de Portos e Aeroportos, a criação da Secretaria Nacional de Hidrovia e Navegação, que prometia dar um novo impulso à utilização de hidrovias para escoamento de safra, para encaminhamento de produtos necessários, principalmente para a região amazônica, porque lá o uso dos rios é extremamente importante, eu diria até que é essencial para a comercialização de todos os bens", ponderou Barbosa.
"Até a gente retomar novamente essas iniciativas, vai ser mais difícil. A invasão com depredação foi um ato absolutamente inadmissível, e obviamente o governo ceder a essa pressão, acho que pode criar até um precedente para novos atos dessa natureza", pontuou.
Na última semana, manifestantes indígenas invadiram o terminal privado da Cargill no Pará, em reivindicação contra a dragagem do Tapajós.
O governo federal e o Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns) viveram impasse sobre o decreto 12.600, que autorizava a União estudar a concessão das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira, Tocantins e Paraguai, transferindo para a iniciativa privada a responsabilidade pela manutenção da navegabilidade, incluindo a execução de dragagens nos pontos críticos e a adoção de medidas como a sinalização do canal e gestão do tráfego das embarcações.
Segundo o governo, o propósito era ter um escoamento mais seguro e ambientalmente protegido. A causa indígena se opôs ao que chamou de privatização dos caminhos fluviais, afirmando que "os rios não são corredores de exportação". Após a pressão, o governo federal se reuniu com a articulação indígena para negociar e acabou revogando o decreto.
O CNN Money apurou, porém, que o Ministério de Portos e Aeroportos deve seguir com os estudos de concessão mesmo após a revogação, visando não atrasar o atual cronograma, que prevê leilão das hidrovias no primeiro semestre de 2027.
Com a concessão, Barbosa afirmou que seria possível "uma logística muito mais barata". Ele observou que, em períodos de grande seca, como o observado em 2024, a logística no rio é completamente afetada, comparando com uma estrada esburacada que precisa ser interditada para reformas.
"A navegação chegou a paralisar por cerca de um mês lá, então é como se nós tivéssemos uma estrada de rodagem e seis locais com buracos que nós precisemos recapiar, tapar os buracos para permitir um fluxo normal dos carros e dos caminhões", ponderou o presidente da ATP
"A hidrovia acontece exatamente a mesma coisa, em alguns pontos nós temos alguns bancos de areia que precisa tirá-los de lá para que, durante a seca, não tenha problema de navegabilidade, é isso basicamente o que se pretende com a dragagem e a concessão que virá", pontuou.
CNN Brasil - SP 26/02/2026
O primeiro leilão de terminais portuários do ano está com dois dos quatro projetos oferecidos suspensos. A Justiça Federal cancelou, nesta quarta-feira (25), de forma liminar, a disputa pela área MCP01, que fica no Porto de Santana (AP).
O pedido foi feito pela empresa Rocha Granéis Sólidos e Exportação, que administra o terminal MCP03 no mesmo porto desde 2025. A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) informa que vai recorrer da decisão.
Além disso, a própria Antaq também suspendeu temporariamente o leilão do novo terminal de passageiros no Porto de Recife (PE). A medida atendeu a um pedido da autoridade portuária de Recife, para revisão e consolidação de informações técnicas do projeto, especialmente em razão de recente mudança na gestão.
O secretário de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos, Alex Ávila, explicou que será necessário fazer uma revisão do projeto.
Os leilões estão marcados para esta quinta-feira (26), na sede da B3, em São Paulo. No dia, ficou mantida a realização das licitações dos terminais NAT01, no Porto de Natal (RN), e POA26, no Porto de Porto Alegre (RS).
O projeto do MCP01 é o mais valioso em disputa. O investimento é estimado em R$ 150,2 milhões e contrato de 25 anos. A obra é destinada ao escoamento da produção de grãos e de cavaco de madeira.
O terminal de passageiros em Recife (PE) busca ligar os demais terminais do nordeste: Fortaleza (CE), Maceió (AL) e Salvador (BA). A ideia é fortalecer os cruzeiros turísticos na região. O investimento previsto é de R$ 2,3 milhões.
Valor - SP 26/02/2026
Proposta encaminhada à Antaq prevê vários ativos em um mesmo contrato e investimento direto de R$ 134 milhões
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou nesta semana à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) o projeto de concessão do sistema aquaviário integrado dos portos do Rio Grande do Sul e da lagoa Mirim. O modelo é inédito por agrupar em um único contrato, pela primeira vez, a concessão de canais de acesso portuários e trechos hidroviários. Estão previstos R$ 134 milhões em investimentos diretos.
O projeto abrange infraestruturas de acesso aquaviário aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, todos no Rio Grande do Sul. Também contempla trechos estratégicos da hidrovia da lagoa dos Patos, lago Guaíba e dos rios Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí, que atualmente estão sob gestão da Autoridade Portuária dos Portos do Rio Grande do Sul (Portos RS).
A proposta foi enviada depois da aprovação do estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental (EVTEA). Agora, a agência reguladora deverá realizar consultas e audiências públicas. O modelo também será analisado pelo Tribunal de Contas da União.
O secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos, Alex Ávila, explica que a aplicação do modelo na região deve-se a uma configuração específica da geografia local. Entretanto, diz que eventualmente poderá haver outras oportunidades de aplicação do mesmo modelo.
Ávila afirma que a concessão dos ativos agrupados traz previsibilidade e investimentos contínuos na manutenção dos canais, permitindo a realização de dragagens de forma adequada e nos prazos necessários. O processo consiste na retirada de sedimentos para manter ou ampliar a profundidade para a navegação.
“Ganham com isso o usuário e o porto, pois vai conseguir movimentar mais carga e aferir mais receita, já que o porto vive das receitas geradas pelas cargas”, afirma.
Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, pondera que o projeto ainda será aperfeiçoado até a realização do leilão, mas avalia que as mudanças representariam um salto na logística, especialmente sob o ponto de vista do Mercosul, devido à localização dos portos e das hidrovias.
A iniciativa dá continuidade a um processo iniciado com a concessão do canal de acesso de Paranaguá (PR), realizada no ano passado e cujo contrato deve ser assinado em março. O governo também estrutura concessões de canais de acesso no porto de Santos (SP), na Bahia e em Itajaí (SC).
Além disso, o tema se insere em outra agenda da pasta: as primeiras concessões de hidrovias. O governo sofreu um revés nos últimos dias com a revogação do decreto que incluía ativos desse tipo no Programa Nacional de Desestatização (PND), após protestos de povos indígenas.
É um atraso criar resistência a leilões. O certo é trazer soluções para questões ambientais”
— Gesner Oliveira
O decreto englobava a hidrovia do rio Madeira, a hidrovia do rio Tocantins e a hidrovia do rio Tapajós, na região Norte. Os projetos agora devem ficar para 2027. Além desses, a chamada “Hidrovia Verde”, também na região Norte, está entre os projetos prioritários.
O governo ainda pretende conceder a hidrovia do Paraguai, em Mato Grosso do Sul. Porém, nesse caso, o processo é mais complexo. Por envolver trechos de fronteira, a proposta precisa do aval dos Parlamentos do Brasil, do Paraguai e da Bolívia. O documento para o acordo internacional ainda está em elaboração.
Oliveira, da GO Associados, ressalta que apenas 5% das cargas movimentadas no Brasil utilizam o modal hidroviário, muito abaixo do observado em países como a China, onde essa movimentação representa mais de 50%. De acordo com dados do ministério, 144,8 milhões de toneladas foram transportadas pelo modal em 2025.
“É um atraso criar resistência a leilões de hidrovias. Acho que a maneira correta de intervir é trazendo questões e soluções para problemas ambientais. Qualquer projeto de infraestrutura tem impacto ambiental, evidentemente, mas é preciso ter uma visão holística”, ponderou.
Especialista em infraestrutura e sócio da Inter.B, Claudio Frischtak afirma que as hidrovias brasileiras são frágeis, por falta de sinalização, balizamento e derrocamento. Ou seja, não há segurança para garantir profundidade razoável para tráfego ao longo do ano. Mas diz que elas são um meio de transporte de cargas boa relação entre custo e benefício, além de desafogar outros modais - inclusive rodovias localizadas em áreas ainda preservadas.
O CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann, afirma que a descarbonização e o aumento da eficiência do transporte como um todo passam pela migração do modal rodoviário para os demais. A MoveInfra reúne os seis principais grupos de infraestrutura do país.
“Há um planejamento muito maior e uma questão de fundo muito mais estratégica do que uma simples discussão sobre ser a favor ou contra um programa de concessão de hidrovias. O Brasil precisa mudar sua matriz de transporte ou continuará com uma matriz poluidora e ineficiente", disse.
Petro Notícias - SP 26/02/2026
Mais fôlego para a indústria naval brasileira. A Marinha e o Exército assinaram um novo contrato para a construção de quatro embarcações blindadas para patrulha e fiscalização nas fronteiras. As unidades serão uma versão aperfeiçoada das lanchas de Operações Ribeirinhas da Classe “São Félix do Araguaia”, produzidas entre 2024 e 2025 e entregues aos Comandos Militares da Amazônia, do Norte, do Oeste e do Sul. As construções serão realizadas no Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro. “Essa evolução contínua é natural e de extrema relevância, incorporando lições aprendidas com base nos relatórios de desempenho de material elaborados pelos usuários”, afirmou o Diretor de Fabricação do EB, General de Divisão Tales Villela.
A blindagem e a capacidade de manobra proporcionam maior proteção aos combatentes e melhor mobilidade tática, contribuindo para a repressão a práticas ilícitas e para o controle de vias fluviais estratégicas. “Ao integrar esforços entre as Forças, essas embarcações potencializam a presença do Estado nos diversos Comandos Militares de Área para os quais serão distribuídas, traduzindo-se em maior efetividade operacional”, disse o general. As características principais da lancha, como deslocamento, dimensões, capacidade de tripulação, motorização e autonomia, permanecem as mesmas da Classe “São Félix do Araguaia”. Ela é construída em alumínio de alta resistência, equipada com proteção balística e metralhadoras 50 mm e MAG 7,62 mm. Os motores de 320 hp (cavalos de força) permitem desenvolver a velocidade máxima de 35 nós, cerca de 65 km/h, transportando um total de 17 pessoas.
Segundo o Diretor do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), Contra-Almirante Mauro Nicoloso Bonotto, esse segundo Termo de Execução Descentralizada (TED) confirma a confiança do EB na experiência e no conhecimento técnico da MB. “Ele demonstra que conseguimos atender às expectativas com as primeiras entregas e, nesta nova oportunidade, vamos aperfeiçoar ainda mais as lanchas de operações ribeirinhas. Essa encomenda, conjuntamente com a construção simultânea de dois Navios-Patrulha de 500 toneladas, o ‘Mangaratiba’ e o ‘Miramar’, além de uma embarcação para transporte de pessoal para o Centro de Munição da Marinha e outra para lançamento de barreiras de contenção para o Depósito de Combustíveis da Marinha, atestam que o AMRJ retomou a sua capacidade de construção naval, honrando o seu legado de 262 anos a serviço da Pátria”.
Globo Online - RJ 26/02/2026
Os Estados Unidos autorizaram a revenda de petróleo e gás para Cuba por empresas licenciadas, desde que garantam que o combustível seja destinado a cidadãos e empresas do setor privado, e com exceção do governo cubano, anunciou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira. Após a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma incursão militar dos EUA em janeiro, Washington anunciou sanções contra países ou empresas que desejassem exportar petróleo para Cuba, levando Havana a uma situação crítica. A autorização foi anunciada no mesmo dia em que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, desembarcou no Caribe para iniciar reuniões com líderes locais, que alertam que o agravamento da crise humanitária em Cuba pode gerar instabilidade na região.
Segundo o Departamento do Tesouro, para serem autorizadas, "as exportações devem ser destinadas simultaneamente ao uso pelo setor privado cubano e às atividades do setor econômico privado, incluindo necessidades humanitárias". O comunicado esclarece ainda que o petróleo e o gás virão dos Estados Unidos, embora a origem inicial seja a Venezuela.
As empresas, porém, não podem vender ao governo cubano nem aos militares, nem fornecer petróleo em benefício de hotéis administrados pelos militares que estejam na lista de propriedades proibidas pelas sanções do Departamento de Estado americano.
"Em conformidade com a legislação e a política aplicáveis dos EUA, transações que envolvam, ou beneficiem, quaisquer pessoas ou entidades associadas às Forças Armadas cubanas, aos serviços de inteligência ou a outras instituições governamentais, incluindo entidades listadas na Lista Restrita de Cuba do Departamento de Estado dos EUA, não serão abrangidas por essa política de licenciamento favorável."
Ainda segundo o departamento, os candidatos a obter a licença para a revenda não precisam necessariamente de uma entidade americana estabelecida, e as limitações de uma licença concedida em janeiro para exportar petróleo venezuelano em larga escala não se aplicariam a Cuba.
A medida faz parte de um esforço do governo Trump para estabelecer uma distinção entre o regime cubano e o povo cubano, disse um funcionário do departamento à Bloomberg.
Desde a queda de Maduro, a Venezuela, agora iderada pela presidente interina Delcy Rodríguez, foi forçada a interromper seus importantes embarques de petróleo para seu aliado Cuba, que dependia de seu aliado para cerca de metade de suas necessidades de combustível. A escassez de combustível agravou a crise econômica e energética de longa data da ilha, limitando o transporte e a disponibilidade de eletricidade. O México, que havia começado a substituir parte do fornecimento, também teve de suspender os envios para Cuba depois de um último carregamento em janeiro, sob pressão dos EUA.
Após o golpe sofrido por Caracas, o presidente americano, Donald Trump, advertiu que iria controlar o destino do petróleo bruto venezuelano. Ele explicou que esse petróleo seria vendido no mercado a preços internacionais, e que as empresas americanas teriam prioridade.
Com o corte das importações de petróleo por Trump, Cuba passou a depender dos cerca de 40 mil barris que produz por ano, volume muito abaixo dos 100 mil barris diários considerados mínimos para atender à demanda.
Ajuda humanitária
Diante da situação, as Nações Unidas têm advertido que a campanha dos EUA tem um "impacto cada vez mais severo", que afetou hospitais, saneamento público, abastecimento de água e distribuição de alimentos no país caribenho. A falta de gasolina também prejudicou a capacidade do governo de distribuir alimentos, afirmou a ONU neste mês. Escolas, maternidades e lares de idosos estão particularmente em risco, "com os grupos mais vulneráveis sendo impactados de forma desproporcional".
Na terça-feira, o governo mexicano enviou dois navios militares com quase 1.200 toneladas de suprimentos alimentares para Cuba, o segundo carregamento enviado à ilha desde que a crise se agravou na ilha caribenha.
Os navios Papaloapan e Huasteco partiram do porto de Veracruz, no Golfo do México, "com um total de 1.193 toneladas de suprimentos alimentares destinados à população civil da ilha de Cuba", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado. Eles transportam principalmente leite e feijão, além de 23 toneladas de diversos itens alimentícios, doados por civis mexicanos como parte de uma campanha de apoio a Cuba. O primeiro carregamento, que chegou a Havana em 12 de fevereiro, era composto por 814 toneladas.
O governo canadense também anunciou nesta quarta-feira que enviará ajuda humanitária a Cuba no valor de aproximadamente US$ 5,8 milhões (R$ 29,74 milhões), por meio do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas e do Unicef, para garantir que ela "chegue diretamente ao povo cubano".
Visita de Rubio
Após assistir ao discurso do presidente Trump sobre o Estado da União perante o Congresso na terça-feira, Rubio voou durante a noite para participar da cúpula da Comunidade do Caribe (Caricom) — que não inclui Cuba — em São Cristóvão e Névis, um antigo território britânico com menos de 50 mil habitantes.
Desde que assumiu o cargo de Secretário de Estado, Rubio, que é cubano-americano, tem moderado publicamente os apelos por uma mudança de regime em Cuba, e Washington tem mantido conversas discretas com Havana.
Trump e Rubio ameaçaram impor sanções aos países que vendem petróleo para Cuba, mas se abstiveram de implementar algumas medidas exigidas pelos setores mais radicais da comunidade de exilados cubano-americanos, como a proibição de remessas.
Na abertura da cúpula na terça-feira, o primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, alertou que uma maior deterioração da situação em Cuba afetaria a estabilidade de todo o Caribe e desencadearia uma onda migratória, a principal preocupação política de Trump.
— O sofrimento humanitário não beneficia ninguém — afirmou Holness. — Uma crise prolongada em Cuba não ficará confinada a Cuba. (...) A Jamaica apoia um diálogo construtivo entre Cuba e os Estados Unidos que busque a distensão, a reforma e a estabilidade. Acreditamos que há espaço, talvez mais agora do que em anos anteriores, para um compromisso pragmático.
Holness afirmou ainda que a Jamaica acredita na democracia e no livre mercado — uma crítica ao sistema comunista de Havana — mas pediu "ajuda humanitária" para os cubanos.
O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro de São Cristóvão e Névis, Terrance Drew, também pediu apoio humanitário para Cuba. Drew, médico de profissão, estudou durante sete anos em Cuba e relatou que seus amigos de lá lhe falaram sobre escassez de alimentos, apagões e acúmulo de lixo nas ruas.
— Uma Cuba desestabilizada desestabilizará a todos nós. (...) Só consigo sentir a dor daqueles que me trataram tão bem quando eu era estudante — disse ele.
Kamla Persad-Bissessar, primeira-ministra de Trinidad e Tobago, disse que se solidarizava com o povo cubano, mas discordava das declarações de seu homólogo jamaicano.
— Não podemos defender que outros vivam sob o comunismo e a ditadura — declarou ela.
Sob liderança da premier, Trinidad e Tobago, cujas costas são visíveis da Venezuela, facilitaram o acesso das forças militares dos EUA antes da operação que derrubou Maduro. O líder venezuelano deposto enfrenta acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos, as quais ele nega.
Persad-Bissessar também agradeceu a Trump, Rubio "e às Forças Armadas dos EUA por se manterem firmes contra o tráfico de drogas e o contrabando de pessoas e armas". O governo Trump realizou ataques letais contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe, atraindo críticas daqueles que consideram tais ataques legal e eticamente questionáveis.
Valor - SP 26/02/2026
Organização se prepara para o pico da demanda no verão no hemisfério norte e alta nos preços devido às tensões entre os EUA e o Irã, membro da Opep; organização produz metade do petróleo mundial
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) deverá considerar aumentar sua produção de petróleo em 137 mil barris por dia em abril, disseram três fontes com conhecimento do assunto, enquanto o grupo se prepara para o pico da demanda no verão no hemisfério norte e uma alta nos preços devido às tensões entre os Estados Unidos e o Irã, membro da Opep.
A retomada do aumento da produção após uma pausa de três meses permitiria que a líder da Opep, Arábia Saudita, e membros como os Emirados Árabes Unidos recuperassem participação no mercado, em um momento em que outros integrantes, como Rússia e Irã, enfrentam sanções ocidentais, enquanto o Cazaquistão se recupera de uma série de contratempos na produção de petróleo.
Oito produtores da Opep+ — Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã — se reunirão no dia 1º de março.
Conflito no Oriente Médio
Separadamente, a Arábia Saudita ativou um plano para aumentar a produção e exportação de petróleo no curto prazo, caso um ataque dos Estados Unidos ao Irã interrompa os fluxos do Oriente Médio, disseram duas fontes familiarizadas com o plano saudita.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está considerando um ataque ao Irã para pressionar seus líderes a concordarem com um acordo para conter o programa nuclear de Teerã.
A Opep e as autoridades da Rússia e da Arábia Saudita não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. Os oito membros aumentaram as cotas de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia entre abril e dezembro de 2025, o que equivale a cerca de 3% da demanda global, e congelaram novos aumentos planejados para janeiro a março de 2026 devido ao consumo sazonalmente mais fraco.
Opep+ produz cerca de metade do petróleo mundial
Apesar dos temores de que o excesso de oferta afetasse os preços este ano, o petróleo Brent está sendo negociado perto de US$ 71 por barril, patamar que não está longe da máxima de sete meses de US$ 72,50 alcançada esta semana devido às tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Todas as três fontes, que preferiram não se identificar, disseram que um aumento de 137 mil barris por dia pelos oito membros a partir de abril é uma decisão provável em 1º de março. Uma quarta fonte disse que uma pausa para abril também era uma possibilidade.
O incremento de 137 mil barris por dia seria o mesmo que o acordado para dezembro, novembro e outubro do ano passado. A Opep+ produz cerca de metade do petróleo mundial.
Canal Rural - SP 26/02/2026
Na prática, trata-se de uma tarifa ampla e isso faz toda a diferença. Diferentemente de medidas pontuais, a Seção 122 atinge praticamente todos os exportadores. Para o Brasil, isso inclui proteína animal, suco de laranja, café, açúcar, celulose e madeira. São produtos com contratos de médio prazo, preços formados em bolsas internacionais e margens já bastante enxutas.
Uma sobretaxa de 15% não é um detalhe pequeno. Muitas vezes, pode significar a perda de competitividade diante de fornecedores alternativos. O setor agropecuário trabalha com grandes volumes e ganhos por centavo. Além disso, há o fator logístico: cargas já embarcadas podem ser taxadas com a nova tarifa, e o exportador não consegue simplesmente segurar a produção no armazém, como pode fazer um setor industrial com estoques mais flexíveis.
O segundo ponto é mais estrutural: a expansão da Seção 301. O comunicado aponta para uma aceleração nas investigações contra grandes parceiros comerciais, ampliando o conceito de práticas desleais para incluir temas ambientais, digitais e regulatórios. No caso do Brasil, há investigações em andamento sobre desmatamento, propriedade intelectual, ambiente digital e até o Pix.
Para o agro, esse é o ponto mais delicado. Ao incluir desmatamento e outras questões ambientais como base para a aplicação de tarifas, a política comercial passa a impactar diretamente a produção rural. Não estamos falando só de preço ou volume, mas também de governança ambiental, rastreabilidade, crédito rural e uso da terra.
A Seção 301 permite tarifas altas e seletivas, como já aconteceu com a China. Ou seja, não é uma sobretaxa geral, mas medidas direcionadas a cadeias específicas. Carnes, soja, madeira e seus derivados podem virar alvos se forem associados, mesmo que indiretamente, a narrativas ambientais. O agro brasileiro tem avançado em rastreabilidade e compliance, mas, em uma investigação 301, o critério final é político. Isso aumenta o grau de incerteza.
As tarifas da Seção 232, baseadas em segurança nacional, permanecem inalteradas e já afetam aço, alumínio, cobre, madeira e móveis. Pode parecer que isso impacta mais a indústria do que o campo, mas a realidade é mais complexa. A cadeia do agro é integrada: máquinas agrícolas, implementos, silos, estruturas metálicas e embalagens dependem desses insumos. Quando tarifas tornam esses produtos mais caros ou restringem suas exportações, o efeito se espalha.
O comunicado também reforça uma narrativa estratégica: reduzir o déficit comercial, exigir reciprocidade e fomentar o reshoring produtivo ou seja, o uso das tarifas como instrumento de política industrial. A negociação deixa de ser apenas comercial para se tornar estratégica, incluindo temas como terras raras, comércio digital, padrões regulatórios e compromissos ambientais. Na prática, isso pode significar pressões para abertura regulatória ou alinhamento tecnológico como condição para reduzir tarifas. O setor rural, que já enfrenta exigências sanitárias e ambientais complexas, poderá ver esse cenário ficar ainda mais político.
O tom do comunicado também sugere um uso político doméstico. A insistência em destacar a redução do déficit e a validade dos acordos reforça a intenção da Casa Branca em manter pressão sobre parceiros comerciais. Para o Brasil, isso significa que nenhum acordo deve ser encarado como definitivo. O risco de renegociação diante de novas ameaças tarifárias passa a ser constante. E o agro, por ser a principal fonte de superávit na balança comercial brasileira, tende a ficar sempre no centro dessas negociações.
Assim, para o agro brasileiro, a palavra-chave é previsibilidade algo que ainda é escasso.
A Seção 122 é temporária e juridicamente contestável, e importadores americanos podem questioná-la. Já a Seção 301 exige investigação formal e bases técnicas, o que abre espaço para defesas jurídicas e diplomáticas. Mas o ponto central desse complexo cenário entre Brasil e Estados Unidos é que a decisão da Suprema Corte não encerra o ciclo tarifário, apenas o transforma.
Num mundo em que as tarifas viram ferramentas de política industrial e ambiental, o produtor rural passa a disputar não só mercado, mas também a narrativa. E a resposta precisa ir além do reativo: exige coordenação entre governo e setor privado, diplomacia ativa e uma estratégia clara para o posicionamento internacional.
O campo brasileiro já mostrou que sabe competir. Agora, precisa garantir que continuará tendo essa oportunidade.
Ana Paula Abritta é diretora de Estratégia e Inovação da BMJ Consultores Associados, onde atua desde 2016 liderando equipes de Relações Governamentais, Inovação e Comércio Internacional. É mestra em Poder Legislativo (Câmara dos Deputados), com MBA em Comércio Internacional (FGV) e graduação em Relações Internacionais (UCB). É cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT).
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
CNN Brasil - SP 26/02/2026
São Paulo começou 2026 na liderança das exportações do agronegócio brasileiro. Em janeiro, o setor registrou superávit de US$ 1,31 bilhão, resultado de US$ 1,84 bilhão em exportações frente a US$ 530 milhões em importações. O estado respondeu por 17,1% de todos os embarques do agro nacional, ficando à frente de Mato Grosso, com 16,7%, e de Minas Gerais, com 11,5%.
Mesmo com área territorial inferior à de outros grandes produtores, o agronegócio paulista representou 40,9% das exportações totais do estado em janeiro, enquanto as importações do setor corresponderam a 8% do total estadual, reforçando o peso estratégico do campo na balança comercial.
O complexo sucroalcooleiro liderou a pauta, com 25,3% das exportações e US$ 465,3 milhões, sendo o açúcar responsável por quase a totalidade desse valor.
Na sequência vieram os produtos florestais, com 18,8% e US$ 346,9 milhões, impulsionados principalmente pela celulose; as carnes, com 16,6% e US$ 305,8 milhões, puxadas pela carne bovina; os sucos, com 8,9%, majoritariamente de laranja; e o café, com 7,2%, com predominância do café verde. Juntos, esses cinco grupos concentraram 76,8% das vendas externas do agro paulista.
O complexo soja respondeu por 2,7% do total exportado, com expectativa de crescimento a partir de fevereiro, com o avanço da colheita.
Na comparação com janeiro do ano passado, houve aumento nas exportações de produtos florestais, carnes e complexo soja, enquanto os segmentos sucroalcooleiro, café e sucos registraram queda, reflexo das oscilações de preços e volumes embarcados.
A China segue como principal destino das exportações do agro paulista, com 21,9% de participação, seguida pela União Europeia, com 18,1%, e pelos Estados Unidos, com 8,1%. Os dados são elaborados pelo Instituto de Economia Agrícola, ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.