Clipping Diário

19 | Dezembro | 2025

SIDERURGIA

Infomoney - SP   22/12/2025

As ações da CSN (CSNA3) e da CSN Mineração (CMIN3) são destaque de baixa na sessão desta sexta-feira (19), com CSNA3 em baixa de 1,98% (R$ 9,40) e CMIN3 em queda de 3,47% (R$ 5,29) às 11h (horário de Brasília).

O movimento ocorre após a CSN anunciar acordo para venda de participação de até 11,17% na transportadora ferroviária MRS para a sua mineradora - a CSN Mineração – por até R$ 3,35 bilhões, segundo fato relevante.

Como resultado, a CSN reduzirá sua participação na MRS Logística de 18,75% para 7,59% do capital social total (ou 13,69% de ações ordinárias e nenhuma ação preferencial).
Na visão do Bradesco BBI, este é um desdobramento positivo para a CSN, para a qual possui recomendação neutra, pois o negócio reforça o compromisso da empresa com a desalavancagem por meio da monetização de parte de seu portfólio de ativos, uma importante fonte de preocupação dos investidores.

O Morgan Stanley também aponta que o acordo visa reduzir a alavancagem da CSN, mantendo o controle indireto da participação na MRS por meio da consolidação e da participação majoritária da CSN na CSN Mineração. Com base em seus cálculos, a alavancagem líquida da CSN em 2026 cairá para 3,8-3,9 vezes (x), 0,2-0,3 vez abaixo de sua estimativa atual de 4,1 vezes (excluindo passivos de pré-pagamento de aproximadamente R$ 9,5 bilhões não incluídos na dívida líquida).

Quanto à CMIN3, o Bradesco BBI já projetava uma reação negativa do mercado, já que a avaliação implícita sugere um múltiplo EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 9,4 vezes, que é significativamente superior aos 6,1 vezes (x) estimados para outra empresa do mesmo setor, a Rumo (RAIL3), para 2025.

O Morgan Stanley também vê o acordo negativo para a CSN Mineração, pois reduz a liquidez e, combinado com a perspectiva de preços mais baixos do minério de ferro, pode dificultar a execução de seus projetos de crescimento, como a mina Itabirito P15. “Estimamos que a alavancagem líquida da CMIN3 em 2026 aumentará para 0,85x, 0,5x acima de nossa estimativa atual de 0,35x”, ressalta.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   22/12/2025

O Bradesco divulgou um estudo que mostra que, com a expectativa de um crescimento menor do PIB no ano que vem, as regiões vão crescer de forma diferente e com três velocidades distintas. Segundo o banco, Sul e Centro-Oeste devem crescer acima da média nacional, puxados pela agropecuária, enquanto Norte, Nordeste e Sudeste terão desempenho ligeiramente abaixo da média. Segundo o Bradesco, a economia brasileira deve crescer 2,2% em 2025 e 1,5% em 2026.

Centro-Oeste

A projeção para o Centro-Oeste é 3,4% em 2025 e 2,5% em 2026. A produção de grãos não será principal vetor do crescimento em 2026 como foi em 2025. A pecuária vai dividir o protagonismo. Há projeção de uma nova safra recorde de grãos, mas como o preços internacionais devem continuar em tendência de queda, reduz a renda das lavouras. "Já a pecuária terá comportamento oposto, com redução dos abates de bovinos mais do que compensada pela elevação dos preços, garantindo aumento da renda dos produtores".

Segundo o banco, o Mato Grosso, responsável por pouco mais de 30% da produção nacional de grãos, consolida-se com o melhor desempenho do oaís. "A agroindústria — frigoríficos, esmagadoras de soja e beneficiadoras de algodão — também seguirá em ritmo forte, sustentada pela infraestrutura logística em expansão, com destaque para o corredor da BR-163 e projetos como a Ferrogrão".

Sul

O Sul deve ter crescimento de 2,6% em 2025 e 1,8% em 2026. A agropecuária também impulsionará o Sul do País, afirma o banco. A principal contribuição para o crescimento de 1,8% em 2026 virá das proteínas animais, já que a região responde por quase 70% dos abates de suínos e de frangos do País. "Diante disso, a recomposição do mix de proteínas, decorrente do ciclo de retração dos bovinos e da substituição da carne bovina mais cara por frango, irá beneficiar os estados do Sul". O banco projeta que os abates de frangos devem crescer 3,5% no país os de suínos, 3%, favorecendo de forma relevante os três estados da região.

Segundo o Bradesco, a safra da região Sul deverá ser maior do que a deste ano em 2026, com a região respondendo por cerca de 25% da produção nacional. O banco projeta que o Rio Grande do Sul seguirá como líder na produção de arroz, concentrando cerca de 70% da produção brasileira, apesar da queda esperada, enquanto o Paraná deve manter forte desempenho na soja e em culturas de inverno, como o trigo. A instituição alerta, no entanto, que eventos climáticos representam risco para a produção agrícola: uma eventual ocorrência de La Niña pode afetar especialmente as safras de soja e milho na região. Já em caso de El Niño, o plantio e o desenvolvimento das lavouras da safra 2026/27, na segunda metade do ano, também seriam prejudicados.

Sudeste

Sudeste, maior região econômica do país, deve crescer em ritmo mais moderado: 2,3% em 2025 e 1,4% em 2026. O Bradesco avalia que os setores cíclicos devem segurar o desempenho da região. A instituição projeta que o crescimento ficará próximo à média nacional, influenciado essencialmente pelo comportamento da indústria de transformação. Segundo o banco, a política monetária ainda em patamar restritivo tende a afetar negativamente o setor, reduzindo tanto os investimentos quanto a demanda por bens industriais. O menor crescimento esperado das atividades imobiliárias e da construção civil também deve pesar sobre o PIB regional.

Além disso, o Bradesco destaca que as negociações entre Brasil e Estados Unidos ainda não resultaram na redução das tarifas de importação norte-americanas sobre os principais produtos da região. Setores industriais concentrados no Sudeste seguem sujeitos a tarifas de 50%, com destaque para metalurgia, siderurgia, mineração e produção de açúcar de cana. O banco aponta que o Espírito Santo tende a ser o estado mais afetado, já que quase 30% de suas exportações vão para os EUA e a maioria continua taxada nesse patamar. Minas Gerais e São Paulo também devem sentir os efeitos, ainda que em menor magnitude, devido à maior diversificação da base produtiva. O Rio de Janeiro, por sua vez, deve compensar parte desse impacto com as vendas de petróleo, isentas de tarifas.

Norte

A projeção é de crescimento para a região é 2,1% em 2025 e 1,4% em 2026. Segundo o Bradesco, haverá a maior heterogeneidade entre os estados da região. O banco projeta que o extrativismo mineral no Pará será o principal destaque, impulsionado pela produção de minério de ferro, bauxita e outros minerais, embora as tarifas de importação dos EUA representem um risco. A agropecuária deve ser o motor de crescimento em Tocantins, no sul do Pará e em Rondônia, integrados ao agronegócio do Centro-Oeste. Já o Amazonas, de acordo com a instituição, deverá registrar o menor crescimento entre os estados brasileiros em 2026, impactado pela menor demanda doméstica por bens duráveis produzidos na Zona Franca de Manaus.

Nordeste

O Nordeste deve registrar uma das desacelerações mais acentuadas, passando de 1,7% em 2025 e 1% em 2026. O Bradesco projeta crescimento um pouco abaixo da média nacional em 2026. Apesar de alguma reaceleração do consumo esperada para o próximo ano no país, a instituição avalia que a economia nordestina tende a perder dinamismo. A região deve capturar uma parcela menor desse crescimento em função do desemprego acima da média nacional, dos salários médios mais baixos e das condições de crédito ainda restritivas, o que limita a capacidade de consumo. Com isso, o banco estima que o comércio varejista e os serviços avancem abaixo da média nacional.

Por outro lado, segundo o Bradesco, a isenção do imposto de renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil a partir de janeiro do ano que vem, representa um vetor altista para as perspectivas de consumo da região. A Bahia, em especial, tende a ser favorecida pelo agronegócio do oeste do estado e pelo refino de petróleo.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/12/2025

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York, John Williams, afirmou, em entrevista para a CNBC nesta sexta-feira, 19, que não possui “senso de urgência” para novas mudanças na política monetária americana e avaliou que, atualmente, ela está “em um bom lugar”. Segundo ele, a posição do Fed é boa para analisar dados.

“A política monetária é moderadamente restritiva e tem alguma margem para retornar ao ponto de neutralidade. Na minha opinião, a taxa de juros real neutra fica um pouco abaixo de 1% e estamos um pouco acima dela”, disse o dirigente.

Williams considerou que, com a inflação acima da meta, a atual abordagem é “útil” e que, eventualmente, acredita que os juros irão cair ainda mais, mas, agora, quer ver “como a economia irá performar”. Na ocasião, ele mencionou que se sente “bastante confiante” em relação ao cenário econômico base, apesar de 2025 ter sido um ano muito incerto, em sua avaliação.

Ele acredita que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano ficará entre 1% e 1,5%, mas que em 2026 haverá uma recuperação maior. Para ele, um maior crescimento da produtividade é positivo para a economia e, se for mantido, pode ser desinflacionário.

Williams também destacou que a inteligência artificial (IA) pode trazer mudanças para o mercado de trabalho e ponderou que ela deve transformar a maneira com que se trabalha atualmente. No entanto, ele disse não acreditar que a IA imponha um risco sistêmico para o sistema financeiro. “Se precisarmos ajustar a política monetária por conta da IA, eventualmente faremos isso, mas precisamos focar na economia e em alcançar o duplo mandato”, acrescentou.

O presidente do Fed de Nova York afirmou que o BC dos EUA não está realizando flexibilização quantitativa com compra de ativos neste momento e que o programa atual de compra de ativos do Fed “não tem como objetivo influenciar as taxas de juros de longo prazo”.

Dados encorajadores e mostrando maior desinflação

Williams também avaliou como “encorajadores” os novos dados econômicos americanos e disse que eles apontam para uma maior desinflação e continuação do processo. Por outro lado, ele demonstrou cautela sobre a recente leitura do índice de inflação CPI e citou que os números podem trazer distorções por conta da falta de coleta de dados pelo Escritório de Estatísticas de Trabalho (BLS).

“Os dados do CPI de novembro podem ter sido ligeiramente reduzidos e apresentaram algumas distorções. Serão necessários mais dados de mais ‘um ou dois meses’ para se ter uma leitura precisa da inflação, a de dezembro trará uma maior clareza”, afirmou o dirigente.

Em relação ao mercado de trabalho, Williams disse que a taxa de desemprego também pode ter sido “inflada por distorções, talvez em um décimo”, mas que não há indícios de uma deterioração acentuada nos dados de emprego.

“Os dados são, em geral, consistentes com as tendências recentes e com o recente corte da taxa de juros pelo Fed. Eles não alteram minha visão sobre as perspectivas”, pontuou ele.

Exame - SP   22/12/2025

O aumento das exportações brasileiras para a China compensou a queda nas vendas aos Estados Unidos após aumento tarifário imposto pelo governo americano em agosto de 2025. Segundo estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), as exportações para o mercado chinês cresceram 28,6% entre agosto e novembro, enquanto as vendas aos EUA recuaram no mesmo período.

De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV, o valor exportado pelo Brasil para a China avançou 28,6% nos quatro meses após a entrada em vigor das novas tarifas americanas. Em contraste, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25,1% na comparação anual.

O movimento também apareceu nos volumes embarcados. As exportações físicas para a China aumentaram 30%, enquanto os embarques para os Estados Unidos recuaram 23,5%, segundo o Icomex.

A China segue como principal parceiro comercial do Brasil e responde por cerca de 30% do total das exportações do país. Esse peso relativo foi decisivo para reduzir os efeitos negativos das tarifas americanas sobre o desempenho geral das exportações brasileiras, aponta o estudo da FGV.

O relatório afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, superestimou a capacidade do país de provocar danos amplos às exportações brasileiras ao elevar as tarifas a partir de agosto. As sobretaxas chegaram a até 50% sobre produtos importados.

Na análise mensal, o Icomex registra quatro meses consecutivos de retração nas exportações brasileiras após a entrada em vigor das tarifas dos EUA. Ao mesmo tempo, as vendas para a China aceleraram no mesmo período, com crescimento concentrado a partir de agosto.

Segundo Lia Valls, pesquisadora associada da FGV, o avanço das exportações para a China teve como principal fator o aumento dos embarques de soja, concentrados no segundo semestre do ano. Para ela, o crescimento das vendas ao mercado chinês ajudou a sustentar o desempenho externo do país.

Como resultado desse efeito compensatório, o valor total das exportações brasileiras acumuladas entre janeiro e novembro de 2025 cresceu 4,3% em relação ao mesmo período de 2024, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos.

O Estado de S.Paulo - SP   22/12/2025

É hora de olharmos para 2026. Como é tradicional em anos eleitorais, deveremos ter um aumento das despesas do governo.

Um ajuste fiscal é essencial, porém não deve estar na agenda. Na melhor das hipóteses, a política fiscal será mantida no atual patamar. Devemos manter a esperança; porém, sem prescindir do realismo necessário.

Houve fatos positivos no ano, contudo. Na semana passada, o Congresso aprovou projeto que corta em 10% os incentivos fiscais e aumenta taxação de bets e fintechs. O texto vai na direção correta: o País deixa de arrecadar cerca de R$ 800 bilhões anuais ao conceder benefícios a alguns setores, sem controle ou comprovação da efetividade dessa prática para a economia. Faz sentido, portanto, reduzir essa renúncia de arrecadação.

Nos números divulgados pelo governo, a medida gerará R$ 22 bilhões extras no ano que vem, que podem ajudar a cumprir a meta fiscal. Mas o histórico recente desautoriza otimismo na área fiscal: sempre surgem novas despesas para ameaçar o respeito ao limite fiscal.

Uma prática negativa que deveria ser interrompida em 2026 é a exclusão de gastos do arcabouço fiscal. Somados os casos de 2025 e 2026, governo e Congresso deixaram R$ 170 bilhões de fora da regra criada para manter as contas públicas em ordem.

Como já falei, essa é uma prática de ilusão: o governo se livra de penalizações formais, mas não livra o País das consequências.

Não existe canetada capaz de apagar os efeitos negativos na economia real, como o aumento da dívida pública.

O mercado alimenta esperança de alguma redução dos juros em 2026. O Banco Central deu sinais claros de que a Selic em 15% ao ano atingiu seu teto e começa a fazer efeitos na redução da inflação. Não indicou, no entanto, uma perspectiva de início do processo de redução dos juros.

Os dados de inflação ainda não permitem enxergar isso. O principal combustível dos juros altos é a contínua expansão das despesas do governo. Ainda assim, veremos reclamações do mundo da política sobre a postura conservadora do Banco Central.

Governo e Congresso têm em mãos um projeto de reforma administrativa que atravessou o ano sendo aprimorado. Anos eleitorais são mais curtos no Congresso, mas quatro meses são suficientes para aprovar uma mudança capaz de reduzir custos da máquina pública, cortar privilégios e aumentar a eficiência dos serviços. Reformas são difíceis; nunca existe um momento ideal para elas: são feitas quando é necessário.

Desejo a todos um Feliz Natal, com paz e congraçamento, e um Ano-novo com muita saúde e esperança.

Monitor Digital - RJ   22/12/2025

O Congresso Nacional aprovou nesta sexta-feira o parecer do relator, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2026. O relatório preliminar prevê despesas totais de R$ 6,5 trilhões e meta de superávit de R$ 34,2 bilhões, que será cumprido se o déficit for zero ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. O texto segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Do total de despesas, R$ 6,3 trilhões são direcionados aos orçamentos fiscal e da seguridade social (OFSS) e R$ 197,9 bilhões ao orçamento de investimento das estatais. O limite de gastos para os ministérios e os demais Poderes passou a ser de R$ 2,4 trilhões.

O texto destaca ainda que 28% do OFSS será destinado exclusivamente para o pagamento de juros da dívida pública, o que equivale a R$ 1,82 trilhões. Esse montante envolve a amortização do principal da dívida contratual ou mobiliária com recursos obtidos por novas operações de crédito (emissão de títulos).

“Descontado o refinanciamento da dívida, a receita projetada para 2026 é de R$ 4,5 trilhões, sendo R$ 3,27 trilhões (72,6%) provenientes de receitas correntes e R$ 1.237,6 bilhões (27,4%) de receitas de capital”, diz o parecer.

O salário mínimo de 2026 será de R$ 1.621, R$ 10 abaixo da estimativa inicial do governo. Para 2026, também haverá uma despesa extra com o fundo eleitoral, programado em cerca de R$ 5 bilhões.

O relatório prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. Desse total, cerca de R$ 37,8 bilhões serão destinados a emendas impositivas, de pagamento obrigatório. As emendas individuais, dos deputados e senadores, somam R$ 26,6 bilhões; as de bancada, destinadas às bancadas estaduais, ficaram com R$ 11,2 bilhões. Já as emendas de comissão, que não têm execução obrigatória, somam R$ 12,1 bilhões.

Outros R$ 11,1 bilhões estão previstos no parecer como parcelas adicionais, para despesas discricionárias e para projetos selecionados no Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC).

Além do Orçamento para o próximo ano, foram aprovados outros 20 projetos de lei que abrem créditos adicionais no Orçamento de 2025.

Entre eles estão o PLN 6/2025, que destina R$ 8,3 bilhões para a constituição do Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, previsto na reforma tributária; o PLN 18/2025, que abre crédito suplementar de R$ 3 milhões para a Companhia Docas do Ceará.

Os recursos, resultantes de cancelamento de outras dotações, serão usados para aquisição de equipamentos e para estudos náuticos de manobrabilidade e navegabilidade necessários para o recebimento de navios porta-contêiner.

O Estado de S.Paulo - SP   22/12/2025

Depois de ultrapassar o teto da meta mês a mês de janeiro a outubro, a inflação acumulada em 12 meses teve em novembro seu primeiro resultado do ano levemente abaixo do limite máximo permitido para o IPCA, de 4,5%. Com seis meses consecutivos de queda, os preços dos alimentos tiveram papel importante na redução lenta, mas contínua, da taxa até atingir 4,46% em novembro. É possível que a inflação termine o ano dentro do intervalo de tolerância da meta, o que até pouco tempo parecia improvável, mas ainda está longe do centro da meta e mais distante ainda de ser percebida com alívio pelos consumidores.

Estudo recente dos economistas André Braz e Matheus Dias, da Fundação Getulio Vargas (FGV), comprova que o recuo no preço dos alimentos (2,69% entre junho e novembro) ainda é muito discreto diante do forte aumento acumulado nos últimos anos. Entre janeiro de 2020 e novembro de 2025, esses preços subiram 57%, enquanto o IPCA avançou 38%. No levantamento, os especialistas explicam que a grande diferença, de quase 20 pontos porcentuais, indica que os alimentos passaram a consumir um espaço maior no orçamento das famílias.

É uma situação que contribui para a desigualdade, já que, quanto menor a renda, maior o efeito da inflação dos alimentos. Para muitas famílias, manter a despesa com alimentação significa reduzir gastos com outros bens e serviços ou encarar o endividamento. A conta do supermercado passou a pesar mais no custo de vida e a empurrar com mais força a inflação média. Para o recuo recente dos alimentos começar a ser, de fato, percebido, precisa se estender por mais tempo e de forma mais intensa.

A julgar pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na mais recente reunião ministerial, contudo, o governo parece convicto de que tudo vai bem e que, “se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o problema da industrialização, do consumo, da agricultura, da inflação”.

A simplicidade do raciocínio do presidente é comovente, mas não se sustenta nos fatos. A inflação corrói o poder de compra do dinheiro, sobretudo dos mais pobres, que não conseguem proteger seus recursos aplicando no mercado financeiro para aproveitar os juros nas alturas. E haverá mais pressão inflacionária sempre que o governo gastar mais, a título de dar “dinheiro na mão do povo”, o que obriga a autoridade monetária a elevar os juros. Ganha quem está no topo da pirâmide, perde quem está embaixo – justamente a clientela que Lula diz cultivar.

Como mostra o estudo da FGV, a recente queda nos preços dos alimentos se deve, principalmente, ao câmbio, com valorização do real, e à boa safra produzida pelo setor do agro, que tem puxado a macroeconomia brasileira. Como o grupo alimentação responde por cerca de 20% das despesas familiares, a desaceleração também contribuiu para moderar a inflação média.

Do governo deve-se cobrar o mínimo: ajudar a autoridade monetária a cumprir o centro da meta inflacionária, de 3% ao ano. Até aqui, o Banco Central tem trabalhado sozinho nessa empreitada, em meio às pressões de Lula, incapaz de entender que a exorbitante taxa de juros de 15% ao ano, em vigor desde junho – e que não deve cair em janeiro –, é resultado direto da gastança desenfreada de recursos públicos da política de incentivo ao consumo.

A política monetária tenta refrear o estrago do expansionismo desmedido do lulopetismo. Consegue efeito razoável em relação ao crédito, inibido pelos juros mais altos, mas seu alcance em relação ao preço dos alimentos é limitado.

André Braz e Matheus Dias ponderam que a inflação dos alimentos só retrocederá de maneira mais consistente quando a oferta e a produtividade aumentar. Se a produção não avançar, os preços tenderão a se estabilizar em patamares elevados ou mesmo voltar a subir. Os pesquisadores sugerem ações de longo prazo, como melhoria da infraestrutura logística, investimentos em transporte por cabotagem, investimentos para desenvolver sementes mais resistentes às variações climáticas, entre outras medidas que poderiam fazer parte da lista de um governo interessado em governar, e não apenas dar “dinheiro na mão do povo”.

MINERAÇÃO

Investing - SP   22/12/2025

Os preços futuros do minério de ferro oscilaram dentro de uma faixa estreita nesta sexta-feira, mas devem encerrar a semana em alta, apoiados pela expectativa de que as siderúrgicas da China acelerem o reabastecimento da matéria-prima antes do feriado do Ano Novo Lunar em fevereiro.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia `com alta de 0,52%, a 780 iuanes (US$110,79) a tonelada, registrando um aumento semanal de 2,6%, o maior ganho semanal desde o final de outubro.

O minério de ferro de referência para janeiro na Bolsa de Cingapura recuava 0,17%, a US$104,7 a tonelada, mas caminhava para um aumento semanal de 2,7%. No início da sessão, o contrato atingiu o valor mais alto desde 27 de novembro, a US$105.

As usinas siderúrgicas devem aumentar a compra de cargas spot nas próximas semanas para repor volumes e atender às necessidades de consumo durante o feriado do Ano Novo Lunar, de 15 a 23 de fevereiro.

A escassez estrutural persistente de minério de ferro `de `grau médio também deu suporte aos preços, após a proibição de dois tipos de minério da BHP devido a uma disputa na negociação entre a mineradora e o comprador `estatal de minério de ferro da China.

Além disso, é provável que alguns `exportadores de aço chineses antecipem embarques neste mês, já que as exportações de aço estarão sujeitas a um sistema de licenças a partir de janeiro, disseram analistas.

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Entretanto, o consumo de minério no curto prazo continuou a cair, restringindo o viés positivo.

A produção média diária de metal quente, um indicador da demanda de minério de ferro, caiu 1,2% em relação à semana anterior, para 2,26 milhões de toneladas, em 18 de dezembro, o nível mais baixo desde o final de janeiro, segundo dados da consultoria Mysteel.

AUTOMOTIVO

IstoÉ Dinheiro - SP   22/12/2025

Pela primeira vez, Brasil vendeu mais motos do que carros. Nesse cenário, montadoras de modelos elétricos esperam conquistar cada vez mais consumidores.O Brasil passa por um boom na venda de motos. Nesse cenário, o setor de elétricos , que normalmente tem as atenções voltadas para os carros, apresenta espaço para crescer também em duas rodas. A força do delivery, a descarbonização e os custos menores estão por trás desse movimento, que atraiu fábricas para o país e impulsiona o desenvolvimento de empresas locais.

De janeiro a outubro, o número de motos elétricas emplacadas no Brasil cresceu 20,53% com relação ao mesmo período de 2024, conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O segmento busca avançar num mercado amplo, que conta com mais de 35 milhões motocicletas no país.

Com uma economia em combustível e manutenção de até 40% em comparação com as motos convencionais, além de autonomia suficiente para rodar durante todo o dia na cidade, há grande expectativa para uma expansão do uso de elétricas, especialmente no setor de entregas.

Especialistas ressaltam o espaço para a descarbonização da frota neste segmento, o que é reforçado no caso brasileiro pelas energias renováveis , mais baratas que de outros países, além dos incentivos para a redução das emissões.

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo vem avaliando medidas para impulsionar o setor. “Uma coisa que a gente quer fazer é baratear o financiamento de uma moto para que os entregadores tenham o direito de ter uma moto, de preferência elétrica para economizar a emissão de gás de efeito estufa”, destacou.

Entre as grandes notícias em 2025, está o anúncio do começo da produção da chinesa Yadea na Zona Franca de Manaus. A montadora, apelidada de BYD das motos, escolheu o Brasil para sediar sua primeira fábrica fora da Ásia. É o quarto país além da China a possuir plantas da empresa, sendo os outros: Vietnã, Indonésia e Tailândia.

Na frente nacional, fundada em 2024, a Leva Motors vem se expandindo, mas busca um crescimento sustentável. Atualmente, a marca conta com nove lojas próprias, e planeja vender entre 100 e 200 motos por mês a partir do próximo ano, frente às cerca de 50 em 2025.

Apesar do potencial, o mercado elétrico ainda tem pouco peso dentro do todo. Segundo a Abraciclo, entre janeiro e novembro, apenas 0,52% das vendas de veículos duas rodas foram deste gênero.

Alternativas mais em conta

Neste ano, pela primeira vez na série histórica, o Brasil registrou uma maior venda de motos que de carros. “Em uma renda per capita menor, há busca de alternativas na área de mobilidade”, explica Antônio Jorge Martins, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Na comparação entre elétricas e convencionais, as motos à combustão ainda são mais baratas. No entanto, há a expectativa do emparelhamento dos preços. “Há grande trabalho para que os valores sejam iguais. Os preços das baterias vêm caindo”, afirma Carlos Roma, diretor técnico da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE). Estes componentes representam grande parte dos custos das motos.

Devido ao preço elevado das baterias, o mercado de segunda mão é praticamente inexistente hoje, o que tende a dissuadir aqueles que esperam amenizar os gastos com uma revenda. “Este mercado ainda é um desafio”, reconhece Roma.

Negócio da China

Os interesses chineses em expandir sua escala de produção e as exportações, assim como foi feito no mercado de carros, são vistos como essenciais para o cenário atual. Na avaliação de Martins, o avanço de montadoras como a BYD no país ajudou a gerar confiança nas marcas do gigante asiático, o que abriu espaço para outros negócios. “A vinda dos carros favoreceu as empresas chinesas de motos em conjunto”, afirma.

“Hoje, há uma relação muito boa do país com o governo chinês, que vem buscando gerar divisas”, aponta Roma. Em sua visão, quando houve a visão em Pequim de que haveria interesses governamentais em incentivar o mercado de motos elétricas no Brasil, a oportunidade de se posicionar foi reforçada.

Por outro lado, uma grande diferença, na visão de Gabriel Pilão, diretor e cofundador da Leva, é que o setor de carros realizou investimentos pesados em marketing no país. O avanço da BYD foi marcado por uma campanha massiva de publicidade, que incluiu alguns dos principais meios de comunicação brasileiros. Neste sentido, a capacidade das montadoras de motos realizarem ações de dimensão semelhante é limitada.

De olho nas entregas

“Em dez anos, todas as motos de trabalho tendem a ser elétricas no país. Inclusive, os centros das grandes cidades devem passar a não permitir modelos à combustão”, projeta Roma. Sua visão é amparada por decisões em uma série de localidades pelo mundo que prometem as mesmas restrições para carros a partir da próxima década. Neste cenário, a ampliação não apenas da frota, mas de pontos de troca de baterias é vista como essencial.

O delivery sempre foi visto como um ponto chave para a eletrificação, o que motivou algumas das principais empresas brasileiras do setor a operarem no aluguel de motos. Um elemento que vem impactando o mercado são os altos juros no país. Com a taxa básica Selic em 15%, os financiamentos de veículos próprios tendem a ficarem mais caros, o que estimula a locação.

Em setembro, a 99, em parceria com o governo federal, anunciou um montante de R$ 6 bilhões para facilitar o acesso de trabalhadores a motos e bicicletas elétricas, por meio de linhas de crédito, locação e acordos estratégicos com fabricantes. Já o Ifood, em conjunto com outros fundos, apontou neste ano a meta de comercializar por ano até 600 mil motos elétricas no prazo de 2035, em uma iniciativa que contou com aporte inicial próximo de R$ 40 milhões.

Legislação

O mercado aguarda com grande expectativa o impacto da série de mudanças que o governo vem promovendo no código de trânsito, incluindo necessidade de emplacamento para veículos de menor potência e redução de custo para obtenção de Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No país, a estimativa é de que 50% dos motociclistas circulem sem licença, com os gastos com autoescola entre as grandes barreiras.

Na visão da Roma, a facilidade para obtenção de CNH tende a impulsionar alguns segmentos, no entanto, a obrigatoriedade de emplacamento de veículos que até então circulavam sem maiores entraves pode ser um desafio ao setor. “Neste caso, é possível que haja diminuição na velocidade de crescimento do mercado”, afirma.

A partir de 1º janeiro de 2026, novas regras valerão aos veículos considerados “ciclomotores”, que correspondem a uma boa parte das scooters e motonetas vendidas no país. Entre as exigências, além do emplacamento, estará a necessidade de obter carteira e o uso de capacetes. Já para as bicicletas elétricas, a obrigatoriedade não é a mesma, mas os condutores deverão obedecer as regras locais de circulação.

Automotive Business - SP   22/12/2025

Vimos ao longo de 2025 muitas montadoras mudando suas estratégias para veículos eletrificados, algo que agora contempla muito mais modelos híbridos do que aqueles considerados puramente elétricos.

No caso da Ford, não seria diferente. A empresa, que no passado promoveu mudanças profundas em suas estruturas para apostar na eletrificação total, agora também revisa os seus caminhos.

Até 2030, a montadora pretende alcançar uma marca que ilustra bem as suas novas pretensões: tornar metade da sua oferta global (50%) de veículos um mix de elétricos, híbridos e modelos com extensor de autonomia.

A outra metade, obviamente, será composta por modelos equipados com motores de combustão interna movidos a gasolina. Atualmente, apenas 17% da oferta da empresa é formada por esse mix.

Esta é uma mudança impulsionada pelo cliente para criar uma Ford mais forte, mais resiliente e mais lucrativa, disse o presidente e CEO da Ford, Jim Farley.

A realidade operacional mudou e estamos realocando capital para oportunidades de crescimento com maior retorno, completou o executivo.
Ford quer veículos elétricos mais baratos

A nova realidade operacional envolve também desenvolver veículos elétricos que sejam mais baratos do que os modelos atuais uma necessidade que toda a indústria ocidental enfrenta hoje para concorrer com as empresas chinesas.

Nesse sentido, a Ford concentrará o desenvolvimento de seus veículos elétricos na América do Norte em sua nova Plataforma Universal para Veículos Elétricos (UVP), de baixo custo e flexível.

Essa arquitetura de última geração foi projetada para sustentar uma família de veículos elétricos menores, mais eficientes e acessíveis, com objetivo de proporcionar volumes à montadora.

O primeiro modelo a ser montadora sobre esse chassi será uma picape média, que sairá das linhas da fábrica de Louisville a partir de 2027.

Para tentar ganhar um dinheiro a mais, a empresa também está apostando na diversificação dos seus negócios para além do mundo das quatro rodas.
Baterias Ford vão equipar data centers

A empresa lançou um novo negócio de vendas e serviços de sistemas de armazenamento de energia. Na prática, a empresa vai fornecer baterias para data centers e geradores.

Por meio de comunicado, a Ford informou que a iniciativa aproveitará a capacidade atualmente subutilizada de baterias para veículos elétricos, criando um novo fluxo de receita diversificado e lucrativo para a Ford.

A empresa também planeja investir aproximadamente US$ 2 bilhões nos próximos dois anos para expandir o negócio.

CNN Brasil - SP   22/12/2025

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a regulamentação de uma linha de financiamento de até R$ 6 bilhões para a compra de caminhões novos e seminovos, voltada à renovação sustentável da frota nacional. A medida foi definida em reunião extraordinária nesta sexta-feira (19).

A regulamentação permite que os bancos comecem a oferecer a linha de crédito criada pela Medida Provisória 1.328, publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (16).

O que é a nova linha de financiamento?

Trata-se de uma linha de crédito criada pelo governo federal para estimular a renovação da frota de caminhões no país, considerada envelhecida, com impactos negativos sobre custos logísticos, segurança nas estradas e emissões de poluentes.

O programa também busca reagir à queda na produção e nas vendas de caminhões ao longo de 2025, informou em nota o Ministério da Fazenda.
Qual é o valor disponível?

A linha contará com até R$ 6 bilhões, autorizados por Medida Provisória, combinados com recursos próprios do BNDES.

De acordo com a Fazenda, a medida não terá impacto fiscal primário, já que os financiamentos são reembolsáveis, não contam com garantia da União e têm risco de crédito assumido pelas instituições financeiras participantes.
Quem pode pedir o financiamento?

O programa é voltado a:
Transportadoras e frotistas; Motoristas autônomos; Empresas interessadas na aquisição de caminhões novos ou seminovos.
O valor máximo de financiamento é de R$ 50 milhões por mutuário.
Como o crédito será operado?

A linha será operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), exclusivamente na modalidade indireta, ou seja, por meio de bancos e instituições financeiras credenciadas.

Cabe a essas instituições a análise de crédito e a concessão dos financiamentos.

Quais são as condições do financiamento?

Segundo a regulamentação aprovada pelo CMN:
O prazo de reembolso pode chegar a 60 meses; Haverá carência de até seis meses para o pagamento da primeira parcela; Não é permitida a capitalização de juros durante o período de carência; Os pedidos de financiamento poderão ser protocolados até 30 de junho de 2026.
A resolução entra em vigor nesta sexta-feira.
Há incentivos para caminhões menos poluentes?

Sim. De acordo com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o programa prevê condições mais favoráveis de juros para caminhões movidos a eletricidade ou biometano, que costumam ter custo mais elevado do que os modelos a diesel.
Qual é o objetivo do governo?

Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa busca:
Reduzir a idade média da frota de caminhões; Aumentar a eficiência logística; Diminuir custos operacionais do transporte; Melhorar a segurança viária; Mitigar impactos ambientais associados às emissões de poluentes.
Além disso, o programa pretende dar suporte ao setor de caminhões em um momento de desaceleração da atividade econômica.

Com a regulamentação aprovada, a expectativa do governo é que os financiamentos comecem a ser oferecidos pelas instituições credenciadas nos próximos meses.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   22/12/2025

O preço dos imóveis só aumenta, certo?

Ao menos é isto que a gente ouve e é a impressão que eu tenho - mas será que é isto que os dados contam?

Felizmente, existe uma base de dados muito boa, que é o FipeZAP. Ele conta uma história que eu condensei em 10 gráficos - começando pelo preço por metro quadrado em São Paulo detalhado pelo número de dormitórios (1, 2, 3 ou 4 dormitórios). Além disso, temos também o preço médio, que começou em R$ 2.611 em 2008 e está em R$ 11.882/m² agora em novembro.

Mas tem um problema aí: este é o preço nominal - não podemos considerá-lo, é preciso deflacionar pelo IPCA. E aí o panorama que nós temos é bem diferente. Aquele preço que, em valores nominais parecia subir constantemente de 2008 até hoje, subiu em termos reais somente até 2014. A partir daí, houve queda de preços, mais pronunciada na recessão de 2015-2016 e durante a pandemia, entre 2020 e 2022.

Algo parecido ocorreu no Rio, porém mais extremo. No boom imobiliário, os preços chegaram perto de R$ 20.000/m² em 2014. Começaram a cair num ritmo mais acelerado que em São Paulo e hoje o preço está abaixo de R$ 11.000/m². Chama a atenção também Vitória, que teve uma considerável alta de preços após a pandemia.

No Sul, uma das capitais teve um comportamento distinto. Enquanto Florianópolis e Curitiba tiveram uma retomada de preços na pandemia, isso não aconteceu em Porto Alegre. Lá, houve uma queda contínua (iniciada na recessão em 2015, mas se manteve na pandemia). O preço por metro quadrado em Porto Alegre, que era parecido ao das outras duas capitais na região antes da recessão, hoje é significativamente mais baixo.

Na região Centro-Oeste, Brasília é um caso quiçá único no Brasil, pois o preço chegou ao pico em 2012 e começou a cair a partir de então, já bem antes da recessão.

No Nordeste, tradicionalmente os preços mais altos eram os de Fortaleza e Recife. Vieram caindo (como o da maioria das demais capitais) a partir da recessão, mas, na pandemia, Maceió começou a encarecer e atualmente é a capital com o metro quadrado mais alto no Nordeste.

Fazendo um apanhado geral, a capital que teve maior queda real de preços desde a grande recessão da década passada foi o Rio de Janeiro, com 44%, seguida de Brasília, com 33%. E as maiores subidas de preço ocorreram em Florianópolis, com 23%, e em Vitória, com 35% (lembrando que a inflação já foi descontada).

Considerando um outro referencial, que é o início da pandemia: novamente Vitória é a cidade que teve a maior subida de preços, com 50%, seguida de Curitiba e Maceió, ambas com 41% de aumento. Vale dizer que, neste período de pouco menos de seis anos, algumas capitais importantes tiveram queda de preço: São Paulo, Rio, Brasília e Porto Alegre.

Na animação abaixo, vemos a dinâmica dos últimos 11 anos: Rio e São Paulo, que estavam no topo, com preços em queda e, enquanto isto, outras capitais (como Vitória) subindo - lembrando que, atualmente, Vitória é a capital com o metro quadrado mais caro do Brasil.

Respondendo à pergunta inicial se os imóveis subiram de preço ou não: depende. Em algumas capitais sim, em outras não. Sempre depende do referencial que se considera. Como em qualquer investimento, o momento no qual você entra e no qual você sai que determina se foi vantajoso. Fato é que, na maior parte das capitais, ainda não houve recuperação dos preços aos níveis pré-recessão de 2015. Em São Paulo, por exemplo, o preço atual equivale ao de 2011!

Além das capitais, o FipeZAP também faz um levantamento de preços em outras cidades, e considerando a lista integral, não é Vitória a cidade de imóveis mais caros do Brasil, mas sim a amada e odiada Balneário Camboriú - e Itapema, o município vizinho, praticamente empata em preços.

Tenho uma história pessoal em relação a Itapema: o meu avô comprou uma casa de praia lá nos anos 60, num terreno gigantesco - e vendeu em fins dos anos 90, quando os netos já estavam crescidos. Dividiu o valor entre filhos e netos. Lembro vagamente que não era um valor desprezível, mas não era suficiente para comprar um carro popular, por exemplo. Se esta venda ocorresse hoje, eu teria uma pequena fortuna em mãos.

Opinião por Franklin Weise
Engenheiro, co-criador do site DesvenDados e conhecido nas redes sociais como Frankito, o curioso. Usa embasamento quantitativo e visualização de dados para falar de temas relevantes à sociedade.

FERROVIÁRIO

Veja - SP   22/12/2025

A plataforma de trilhos operada pela Motiva (antiga CCR) transportou praticamente 695 milhões de passageiros no acumulado de janeiro a novembro deste ano, um crescimento de 2% em relação aos primeiros onze meses de 2024. O uso do transporte sobre trilhos, que é 100% movido com eletricidade de fontes renováveis, evitou a emissão de 332 mil toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera, segundo estimativa da companhia. O volume é equivalente à quantidade de CO2 absorvida por 2 milhões de árvores. Em novembro, a operação de trilhos da Movida transportou 63 milhões de passageiros, número 0,9% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

As principais linhas de trens operadas pela companhia são as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, parte da malha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em São Paulo. As duas linhas transportaram 20 milhões de passageiros em novembro e 220 milhões de pessoas no acumulado do ano, alta de 2,7%. As linhas 5-Lilás e 4-Amarela, do metrô de São Paulo, além do VLT da cidade do Rio de Janeiro e o Metrô de Salvador, também são operados pela companhia.

NAVAL

A Tribuna - SP   22/12/2025

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) não acredita que eventuais ações judiciais irão barrar o leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó (STS10), no Porto de Santos. A última estimativa do MPor é que o certame seja realizado em março de 2026.

Segundo o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, apesar da expectativa de que empresas impedidas de participar busquem o Judiciário, não há histórico no setor de licitações de terminais que tenham sido inviabilizadas por disputas na Justiça.

“Agora a pauta é se teremos ou não processos judiciais que vão travar o processo de se fazer a licitação”, afirmou Ávila. Para ele, a judicialização é um instrumento previsto e disponível aos agentes econômicos. “Isso é parte do jogo, é uma ferramenta que está à disposição e, obviamente, quem se sentir de alguma forma preterido, tem todo o direito de fazer uso”, disse.

Ainda assim, o secretário ressaltou que o histórico do setor é favorável à continuidade dos certames. “Esses leilões têm muita demanda judicial, mas a gente consegue dar o devido tratamento e até hoje não tivemos nenhum leilão que deixou de ocorrer por conta de uma demanda judicial”, afirmou.

Ele reconheceu, porém, que o caso do Tecon Santos 10 tem dimensão inédita. “Obviamente que o Tecon Santos 10 é diferente de tudo que a gente já fez. É o maior terminal fruto de um leilão, de uma concessão em um porto público”, acrescentou.

Restrições
A declaração do secretário ocorre em um momento em que as regras do leilão do megaterminal passaram a ocupar o centro das discussões no setor. O Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu, no último dia 8, o julgamento do processo e definiu que o leilão será realizado em duas fases, com vedação de participação de todos os armadores (grupos donos de navios) na primeira, além de empresas que já possuem terminais de contêineres no Porto de Santos. Essas companhias só poderiam concorrer em uma eventual segunda etapa, se a primeira não tiver interessados.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) também havia proposto um modelo em duas fases, mas com restrição apenas de quem já atua no setor dentro do cais santista. Essa restrição maior, imposta pelo TCU e acolhida totalmente pelo MPor, reforçou a percepção de que o edital poderá ser alvo de disputas judiciais por interessados, hipótese minimizada pelo Ministério.

Já queria
Antes do julgamento do TCU, o Governo Federal já trabalhava com a perspectiva de incorporar restrições no edital como forma de reduzir riscos concorrenciais e ampliar a segurança jurídica do certame, diante das controvérsias levantadas no mercado sobre concentração e efeitos competitivos no Porto de Santos.

Ávila afirmou que, do ponto de vista do governo, a prioridade sempre foi viabilizar a licitação e avançar com o projeto. “Nosso grande objetivo sempre foi, desde o começo, fazer o leilão. Tivemos ali uma tomada de decisão, uma deliberação, agora temos um programa para avançar”, disse.

Segundo ele, a meta é manter o cronograma. “Nós devemos ainda avançar de tal maneira que em março teremos o leilão ocorrendo na B3 (Bolsa de Valores). E a gente está com todo o empenho, toda a energia da equipe do Ministério para fazer isso acontecer”.

O secretário nacional de Portos reforçou que o projeto é estratégico não apenas para Santos, mas para o País. Na avaliação dele, o Tecon Santos 10 é um salto de escala para a logística nacional. “O que ele representa é tão gigantesco quanto o seu tamanho perante o Porto”.

Patamar mundial
O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, citou projeções sobre o posicionamento do Brasil no cenário internacional. “Hoje, em um patamar mundial para a movimentação, nós devemos estar em algo como 46ª posição.

Em um cenário atual, tendo muito a ver com esse projeto de Santos, o País passa para a 15ª posição. Veja o que representa a grandiosidade desse terminal que nós estamos lutando para fazer”, disse. Além da dimensão econômica, o secretário destacou o componente ambiental do projeto.

“Esse projeto já vem totalmente aderente a toda essa agenda da sustentabilidade. Estamos exigindo que os equipamentos sejam elétricos, que tenha toda uma agenda voltada para a sustentabilidade”, concluiu.

Petro Notícias - SP   22/12/2025

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos identificou e sancionou 29 navios petroleiros embarcações que consideram parte da “frota fantasma” do Irã, usada para transportar petróleo e derivados por meio de práticas de transporte marítimo enganosas, sem o uso de identificação via transponder. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro sancionou as 29 embarcações, juntamente com as suas respectivas empresas de gestão, que “transportaram centenas de milhões de dólares em produtos petrolíferos iranianos”. As sanções também visam um empresário egípcio, Hatem Elsaid Farid Ibrahim Sakr, cujas empresas estariam supostamente associadas a sete dos 29 navios, bem como a diversas empresas de navegação. de acordo com o Departamento do Tesouro.

“Parte da “Frota Fantasma” usada para transportar petróleo iraniano

“Como o presidente Trump já afirmou repetidamente, os Estados Unidos não permitirão que o Irã tenha uma arma nuclear”, disse John Hurley, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira, em um comunicado. “O Tesouro continuará privando o regime da receita do petróleo que ele usa para financiar seus programas militares e de armamento.” O presidente Trump tem procurado reprimir as vendas de petróleo do Irã e, desde que retornou ao cargo, sancionou mais de 180 embarcações supostamente envolvidas no transporte de petróleo iraniano e produtos derivados.

“Os Estados Unidos continuarão a buscar medidas para implementar o Memorando Presidencial de Segurança Nacional nº 2, que orienta a imposição de pressão máxima sobre o regime iraniano para privá-lo das receitas que financiam suas atividades desestabilizadoras. Não hesitaremos em utilizar todas as ferramentas disponíveis para combater aqueles que permitem o comércio ilícito de petróleo do Irã”, diz um comunicado do Departamento de Estado

Navios de guerra dos Estados Unidos cercam a Venezuela

O governo Trump também tem como alvo a frota clandestina da Venezuela nos últimos dias. Na semana passada, tropas militares americanas apreenderam um petroleiro na costa da Venezuela que, segundo o governo, estava sendo usado para transportar “petróleo sancionado” da Venezuela e do Irã. O petróleo também iria para Cuba e Nicarágua. Trump afirmou que os EUA pretendem ficar com o petróleo que estava a bordo. Agora, conforme disse Trump, a pressão aumentou contra o ditador sanguinário Nicolás Maduro. O bloqueio será total de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. Com isso, Os reflexos contra Cuba e Nicarágua, abastecidos por Maduro, vai a zero.

CNN Brasil - SP   22/12/2025

O governo do Paraná quer elevar a exportação de grãos e farelos pelos portos de Antonina e Paranaguá, e deve concluir até fevereiro de 2026 as obras do Moegão. O complexo logístico vai centralizar o recebimento de trens carregados de granéis sólidos e distribuir as cargas para 11 terminais interligados ao sistema, aumentando a eficiência e a capacidade de exportação.

O governo estadual, por meio da Portos do Paraná, está investindo R$ 650 milhões na obra, com recursos próprios e financiamento do BNDES.

Quando estiver em operação, o Moegão terá capacidade para receber 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, atendendo aos terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex). Atualmente, cerca de 550 vagões são descarregados diariamente; após a conclusão, o número saltará para 900 vagões, com movimentação de até 68 mil toneladas de produtos por dia.

Até o momento, 87% da parte civil, 85,24% da mecânica e 57,81% da elétrica já foram concluídas.

Segundo Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná, “o Moegão vai revolucionar a logística ferroviária do Paraná e beneficiar toda a cadeia produtiva”.

Expansão do Porto de Paranaguá

O Moegão integra um amplo plano de modernização do Porto de Paranaguá, segundo maior exportador de commodities agrícolas do país, atrás apenas de Santos (SP). Em abril deste ano, a Portos do Paraná concluiu a regularização de todas as áreas arrendáveis, por meio de nove leilões, que resultaram em R$ 5,7 bilhões em investimentos e mais R$ 1,1 bilhão em outorgas.

Também está prevista a conclusão do píer em “T”, com quatro novos berços de atracação, no valor de R$ 2,2 bilhões em investimentos das arrendatárias e R$ 1 bilhão do governo do Estado.

Além disso, a ampliação do canal de acesso, com concessão realizada em outubro, permitirá a chegada de navios maiores, aumentando a capacidade de carga de 78 mil para 125 mil toneladas por embarcação.

Movimentação

Os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 70 milhões de toneladas de produtos entre janeiro e os primeiros 15 dias de dezembro de 2025, o que representa um recorde histórico para a empresa pública e supera a produtividade de 2024 quinze dias antes do término do ano. Até o momento, o volume é 5% maior do que o registrado no ano anterior.

Entre os portos brasileiros, Paranaguá é o maior exportador de carnes (frango, bovino e suíno), sendo responsável por cerca de 40% de toda a exportação nacional. É também o principal canal de embarque de óleo de soja e possui o segundo maior fluxo de carregamento de soja e farelo  do país.

A Portos do Paraná também se destaca no recebimento de fertilizantes. Em 2025, mais de 11 milhões de toneladas foram recepcionadas em Paranaguá e Antonina.

Investing - SP   22/12/2025

Os Estados Unidos estão interditando e apreendendo uma embarcação na costa da Venezuela em águas internacionais, disseram três autoridades norte-americanas à Reuters neste sábado, uma ação que ocorre poucos dias depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou um "bloqueio" de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.

Essa é a segunda vez nas últimas semanas que os EUA apreendem um navio-tanque perto da Venezuela e ocorre em meio a um grande aumento militar norte-americano na região.

As autoridades, que falaram sob condição de anonimato, não disseram onde a operação estava ocorrendo, mas acrescentaram que a Guarda Costeira dos EUA estava na liderança.

A Guarda Costeira e o Pentágono encaminharam perguntas à Casa Branca, que não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O Ministério do Petróleo da Venezuela e a empresa estatal de petróleo PDVSA não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

"Estou ordenando um BLOQUEIO TOTAL E COMPLETO DE TODOS OS PETROLEIROS SANCIONADOS que entram e saem da Venezuela", disse Trump na terça-feira.

Nos dias desde que as forças dos EUA apreenderam um petroleiro na costa da Venezuela na semana passada, houve um embargo efetivo, com navios carregados que transportam milhões de barris de petróleo permanecendo em águas venezuelanas em vez de correrem o risco de serem apreendidos.

Desde a primeira apreensão, as exportações de petróleo bruto da Venezuela caíram drasticamente.

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Embora muitas embarcações que coletam petróleo na Venezuela estejam sob sanções, outras que transportam o petróleo do país e o petróleo bruto do Irã e da Rússia não foram sancionadas, e algumas empresas, especialmente a Chevron dos EUA, transportam petróleo venezuelano em seus próprios navios autorizados.

A China é a maior compradora do petróleo bruto venezuelano, que responde por cerca de 4% de suas importações, com embarques em dezembro perto de atingir uma média de mais de 600.000 barris por dia, segundo analistas.

Por enquanto, o mercado de petróleo está bem abastecido e há milhões de barris de óleo em navios-tanque na costa da China esperando para serem descarregados. Se o embargo permanecer em vigor por algum tempo, a perda de quase 1 milhão de barris por dia de suprimento de petróleo bruto provavelmente elevará os preços do petróleo.

Desde que os EUA impuseram sanções à Venezuela em 2019, negociadores e refinarias que compram petróleo venezuelano recorreram a uma "frota sombria" de navios-tanque que disfarçam sua localização e a navios sancionados por transportar petróleo iraniano ou russo.

A campanha de pressão de Trump sobre Maduro inclui um aumento da presença militar na região e mais de duas dúzias de ataques militares a embarcações no Oceano Pacífico e no Mar do Caribe, perto da Venezuela, que mataram pelo menos 100 pessoas.

Trump também disse que os ataques terrestres dos EUA ao país sul-americano começarão em breve.

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, afirma que o reforço militar dos EUA tem como objetivo derrubá-lo para o país obter o controle dos recursos petrolíferos venezuelanos, que são as maiores reservas de petróleo bruto do mundo.

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A Tribuna - SP   22/12/2025

A movimentação de cargas nos portos da Região Sudeste alcançou 575,5 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados divulgados esta semana pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O volume representa crescimento de 4,9% em relação ao mesmo período de 2024, mantendo o Sudeste como principal eixo logístico do Brasil e movimentando os maiores volumes de cargas no sistema portuário nacional.

O desempenho regional foi sustentado principalmente pelos granéis sólidos, que somaram 299,7 milhões de toneladas, com alta de 4,2% frente a 2024. Os granéis líquidos alcançaram 187,3 milhões de toneladas, registrando crescimento de 7,7%, fortemente influenciados pela movimentação de petróleo e derivados.

Já as cargas em contêineres responderam por 60 milhões de toneladas, com expansão de 2,1%, enquanto a carga geral atingiu 28,6 milhões de toneladas, crescimento de 1,6% em relação a 2024, de acordo com as estatísticas divulgadas pela Antaq.

Tipos de navegação
Do total movimentado nos portos do Sudeste, 435,6 milhões de toneladas foram transportadas na navegação de longo curso, que são as operações entre o Brasil e outros países. Esse tipo de transporte registrou crescimento de 5,2% em relação a 2024, demonstrando o fortalecimento da integração da região com os mercados internacionais.

Já a cabotagem, que é o transporte de cargas entre portos brasileiros, somou 114,1 milhões de toneladas no período, com alta de 5,2% na comparação anual. Essa modalidade é fundamental para a logística nacional, pois permite o deslocamento de grandes volumes de mercadorias ao longo da costa, reduzindo custos e complementando o transporte rodoviário.

Ao analisar as mercadorias que entraram e saíram do país pelos portos do Sudeste, os dados da Antaq indicam que as exportações cresceram 6,6%, enquanto as importações registraram leve retração, de 2,4%, movimento que indica ajustes pontuais no volume de mercadorias.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   22/12/2025

A produção média total dos contratos em regime de partilha ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1,5 milhão de barris por dia (bpd) no mês de outubro. Segundo o Boletim Mensal da Produção, divulgado nesta quinta-feira (18) pela PPSA, o resultado (1,54 milhão de bpd) é 8% maior do que o registrado em setembro. Búzios é o maior produtor neste regime com 653,67 mil bpd, seguido de Mero com 629,53 mil bpd. Juntos, os campos de Búzios e de Mero respondem por 83% da produção em partilha.

O novo patamar marca o início da escala de produção prevista para o pré-sal. Conforme estudo divulgado no último dia 9 pela PPSA, a partir de 2028, os contratos de partilha estarão produzindo cerca de dois milhões de bpd, volume que representa mais de 40% da produção nacional. O pico de produção deverá ser alcançado em 2030, considerando os atuais contratos comerciais.

Ainda de acordo com o boletim divulgado hoje, a exportação de gás natural no mês de outubro foi de 6,64 milhões de m³ por dia. O resultado do mês apresentou um resultado 3% maior em relação ao período anterior em função do retorno operacional da unidade P-75 do Campo de Búzios, após parada programada. Búzios foi o maior exportador de gás natural com 5,19 milhões de m³ por dia, respondendo por 78% do total.

Volumes da União

No mês de outubro, a União também alcançou novo recorde de produção, com 181 mil bpd nos nove contratos de partilha de produção e nos AIPs das áreas não contratadas de Atapu, de Mero, de Tupi e de Jubarte. A parcela de exportação de gás natural da União no período foi de 533 mil m³/dia em cinco contratos de partilha de produção e nos AIPs de Tupi e de Jubarte, resultado inferior ao de setembro.

O Estado de S.Paulo - SP   22/12/2025

Oiapoque é uma cidadezinha pacata na orla da bacia amazônica, no extremo norte do Brasil. Durante a semana, os pescadores levam sua pesca ao mercado local enquanto indígenas chegam da floresta para vender farinha de mandioca e comprar combustível. Nos fins de semana, turistas da vizinha Guiana Francesa cruzam a fronteira para comprar alimentos baratos e paquerar os moradores locais. Mas não é difícil perceber que uma transformação está em andamento.

Hotéis estão surgindo ao longo da rua principal. Um deles, com inauguração prevista para o próximo ano, terá sete andares, praticamente um arranha-céu para os padrões da região pobre. Um pequeno aeroporto nos arredores da cidade foi recentemente reformado. O barulho das hélices dos helicópteros está se tornando mais comum.

Há muito tempo uma região isolada, Oiapoque está se preparando para se tornar uma cidade em expansão. Em 20 de outubro, o Ibama, órgão regulador ambiental do Brasil, concedeu à Petrobras, empresa estatal de petróleo, uma licença para explorar petróleo a 160 km da costa da cidade, em uma região conhecida como Margem Equatorial.

Depois de mais de dez anos de negociações, a decisão foi tomada após uma campanha crescente do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula. Enquanto o Ibama hesitava, a ExxonMobil encontrou 11 bilhões de barris de reservas comprovadas na costa da vizinha Guiana, avaliadas em mais de meio trilhão de dólares. O pequeno e novo Estado petrolífero rapidamente se tornou a economia que mais cresce no mundo.

Mais descobertas sensacionais se seguiram para o vizinho Suriname. Lula ficou furioso. “Vamos ficar presos comendo pão e água? Não! Nós gostamos de pão com mortadela”, disse ele a uma multidão em fevereiro.

O governo brasileiro está apostando no petróleo da Margem Equatorial para reativar as reservas do País, que estão se esgotando. Em 2006, durante o primeiro mandato de Lula, foram encontradas vastas reservas sob uma espessa camada de sal no leito marinho ao largo do Rio de Janeiro. Lula declarou triunfalmente que as descobertas equivaliam à segunda independência do Brasil.

As reservas, que ainda estão sendo extraídas, impulsionaram o País no ranking dos produtores de petróleo. Até 2030, os campos “pré-sal” do Brasil o tornarão o quarto maior produtor mundial de petróleo. Mas depois disso, o petróleo começará a se esgotar. Sem novas descobertas para manter as exportações, o Brasil poderá voltar a ser um importador de petróleo a partir de 2040. O governo Lula estima que esse declínio nas exportações de petróleo significaria uma perda de trilhões de reais em receitas (centenas de bilhões de dólares) para o Estado.

Para adiar esse problema, Lula tem se disposto a decepcionar seus fãs que votaram nele para voltar ao poder em 2023 com uma plataforma ecológica. Os ganhos potenciais são simplesmente muito atraentes. A agência nacional de petróleo e gás do Brasil estima que a parte do País na Margem Equatorial contenha mais de 30 bilhões de barris de petróleo, dos quais 10 bilhões podem ser recuperáveis. Graças a essa região, a América do Sul se tornou a parte do mundo onde a produção de petróleo cresce mais rapidamente. A previsão é que sua produção aumente em um terço até 2030, em comparação com cerca de um quarto no Oriente Médio e um décimo na América do Norte.

O problema é que a mais nova fronteira petrolífera da América do Sul fica perto de uma das regiões menos estudadas e mais biodiversas do mundo: o estuário do rio Amazonas. Ele é responsável por um quinto da água doce que flui dos rios para os oceanos do mundo todos os dias. Um número desconhecido, mas vasto, de espécies de peixes se alimenta nos solos lamacentos das florestas de manguezais da região, que estão entre as maiores do mundo.

Golfinhos cor-de-rosa, baleias e peixes-boi brincam perto da costa. Em 2016, cientistas descobriram um recife de águas profundas com 1 mil km de extensão no fundo do mar. Ninguém sabe a extensão total das outras riquezas biológicas e geológicas que se encontram sob as águas turvas da Amazônia.

A maioria dos habitantes do Amapá, Estado onde fica Oiapoque, está entusiasmada com o petróleo. Ao longo da rodovia que liga a capital do Estado à cidade, barracas de comida e casas em ruínas estão cobertas com adesivos que dizem “Sim ao desenvolvimento! Sim ao petróleo!”. Em sua banca de frutas e verduras nas ruas escaldantes de Oiapoque, Edna da Silva Costa está eufórica. “(O petróleo) vai gerar dinheiro para todos... todos são a favor, vai trazer empregos.”

O Ministério de Minas e Energia do Brasil estima que os investimentos na Margem Equatorial podem chegar a R$ 280 bilhões (US$ 52 bilhões) e criar 350 mil empregos. Essas expectativas provavelmente explicam por que os brasileiros apoiam cada vez mais a perfuração. Em outubro, 26% disseram ser a favor da prospecção na Margem Equatorial. Agora, 42% aprovam, contra 49% que desaprovam.

No entanto, a perfuração ao longo da costa norte do Brasil é extremamente difícil. As correntes ao redor da foz do Amazonas são fortes e imprevisíveis, geradas pelo volume colossal de água que o rio despeja no mar. Na superfície, as correntes correm em direção ao Caribe, mas a 200 metros de profundidade o fluxo se inverte, empurrando de volta em direção à terra.

O principal local que a Petrobras está de olho, conhecido como Bloco 59, tem uma profundidade de cerca de 3 km. Fica quase duas vezes mais abaixo da superfície do que o poço Deepwater Horizon, no Golfo do México; a BP levou três meses para conter o vazamento de petróleo quando a plataforma explodiu em 2010.

Essas complexidades não desanimaram as grandes petrolíferas. Em junho, a ExxonMobil, a Chevron e a China National Petroleum Corporation conquistaram os direitos de prospecção na área. A Petrobras é líder mundial em perfuração em águas profundas, já que os campos do pré-sal ficam a uma profundidade de cerca de 2 km.

Alguns moradores locais estão menos otimistas. Sob uma mangueira que está hospedando uma conferência de japim, pequenos pássaros de bico amarelo, Gildo Leoncio, vice-chefe do grupo indígena Karipuna, diz que a Petrobras consultou ele e outros chefes. “Dissemos a eles que estávamos preocupados, mas eles responderam que nada aconteceria, que tudo seria seguro”, conta. “Mas vimos na televisão que houve derramamentos de petróleo em outros lugares. Por que deveríamos acreditar que isso não pode acontecer aqui?”

Se a Petrobras encontrar petróleo, levará anos para colocá-lo no mercado. Mas mesmo a expectativa tem um lado sombrio. Grande parte da floresta tropical ao redor de Oiapoque foi desmatada para dar lugar a novos empreendimentos. A migração para a área “está fora de controle”, diz Isaú Macena, funcionário do governo local. Escolas e hospitais estão lotados. A corrupção é endêmica em toda a Amazônia.

Clécio Luis, governador do Amapá, reconhece as dificuldades de gerenciar um boom petrolífero. “Não podemos deixar que isso nos pegue de surpresa”, afirma. Ele quer que o Estado siga o exemplo da Noruega e crie um fundo soberano para investir suas novas riquezas.

O governo Lula planeja usar o dinheiro do petróleo para tentar escapar das contradições de promover uma agenda verde enquanto expande a exploração petrolífera. Em 5 de dezembro, ele ordenou que seus ministros elaborassem um roteiro sobre como o Brasil diminuirá sua dependência dos combustíveis fósseis. Aparentemente, as receitas do petróleo financiarão a transição.

“A estratégia do Brasil é pragmática”, diz Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia do País: “garantir a segurança energética e a estabilidade fiscal” no curto prazo, enquanto financia “a competitividade de longo prazo em energias renováveis”. Enquanto o mundo continua consumindo petróleo, ele acha que também pode consumir o do Brasil. As emissões de carbono do País por barril de petróleo produzido são significativamente menores do que a média global. De volta ao Oiapoque, cardumes de bagres, pescadas e acarás nadam pelo rio em tranquila ignorância.

Petro Notícias - SP   22/12/2025

Duas grandes especulações circulam o mercado internacional de petróleo no mundo. A primeira vem do México, de onde se diz que a estatal Pemex está se preparando para substituir o chefe de sua divisão de exploração e produção, Angel Cid Munguía, por enfrentar dificuldades para conter a queda na produção de petróleo da companhia. Como todos sabem, o valor de uma empresa de petróleo está ligado ao tamanho das reservas que ela possui. A outra grande informação veio a partir da mudança de comando da BP no Reino Unido. Desde ontem (18), como noticiamos, Meg O’Neill (foto principal), que há três anos gerenciou com sucesso a fusão das duas maiores empresas petrolíferas da Austrália, será a líder da companhia com o retorno para o foco da produção de petróleo. E o primeiro grande passo para isso é uma possível fusão com a Shell, uma empresa anglo-holandesa. A parte anglo seria uma grande incentivadora.

O foco em energia verde fez com que as ações da BP e também da própria Shell tivessem um desempenho inferior ao de rivais americanas como a Chevron e a ExxonMobil, que se mantiveram mais focadas em seu negócio principal de produção de petróleo e gás. E isso conta para os investidores e acionistas. Agora, com a informação de uma possível fusão, estes investidores podem esperar um ressurgimento das especulações sobre uma fusão entre as duas gigantes globais do petróleo. Como diretora da Woodside Energy, O’Neill foi uma figura fundamental na aquisição da BHP Petroleum, a divisão de petróleo e gás da maior empresa de mineração do mundo. Esse acordo criou uma empresa que hoje figura entre as 10 maiores empresas independentes de petróleo e gás do mundo, com operações importantes na Austrália e nos Estados Unidos.

A integração sem problemas entre a Woodside e a BHP Petroleum impressionou o presidente da Shell, Andrew Mackenzie(direita), ex-diretor executivo da BHP. Tanto a BP quanto a Shell estão sob pressão dos acionistas para reduzir seus pesados investimentos em energias alternativas e renováveis, que prejudicaram seu desempenho financeiro. O’Neill, é americana e construiu uma carreira de sucesso na ExxonMobil antes de ingressar na Woodside como diretora de operações em 2018, sendo promovido a diretora executiva em 2021. Ela assumiu a companhia no momento da retomada das negociações de fusão com a Shell, que foram abandonadas em junho, supostamente após objeções do diretor executivo da Shell, Wael Sawan. Agora, no campo das especulações, se diz que presidente do conselho da BP, Albert Manifold(esquerda), está interessado em ver mudanças mais rápidas na empresa, incluindo a redução do investimento em energia renovável e uma maior concentração em investimentos tradicionais em petróleo e gás.

PEMEX

Na Pemex, Angel Cid Munguía (direita), que reassumiu a liderança da estatal mexicana no início de maio, parece não ir tão bem desta vez, embora não seja novato no assunto. Ele já havia ocupado o cargo até o final do mandato do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, que terminou com a posse da presidente Claudia Sheinbaum. Esta seria a terceira mudança na direção da Pemex sob o governo Sheinbaum, que prometeu manter a produção nacional de petróleo em média em 1,8 milhão de barris por dia até o final de seu mandato, em 2030. Essa meta parece cada vez mais difícil, visto que os campos maduros estão em declínio, as novas descobertas não estão atingindo o potencial esperado e os projetos offshore Zama e Trion, que a Pemex está desenvolvendo em parceria, avançam lentamente.

Octavio Barrera Torres, engenheiro eletrônico nomeado em maio como diretor adjunto de projeto, engenharia e execução de projetos, parece ser o novo nome a ocupar o cargo, sob apadrinhamento da ministra de Energia, Luz Elena González (esquerda). A possível saída de Cid, que ocorreria após a assinatura dos primeiros contratos mistos, um novo esquema de parceria com empresas privadas com o objetivo de aumentar a produção de petróleo e gás. O programa, até o momento, despertou pouco interesse da indústria, devido ao elevado endividamento da Pemex. A empresa já assinou cinco dos onze contratos mistos que pretendia finalizar antes do final do ano. Espera-se que esses contratos poderiam adicionar quase 70.000 barris por dia (bpd) à produção atual de 1,6 milhão de bpd, incluindo os contratos com parceiros. A Pemex também enfrenta uma dívida financeira superior a US$ 100 bilhões, apesar das injeções de capital bilionárias e dos incentivos fiscais concedidos pelo governo. Entre janeiro e setembro, a empresa recebeu cerca de US$ 21,13 bilhões em contribuições governamentais, um aumento de mais de 150% em relação ao mesmo período do ano passado.

CNN Brasil - SP   22/12/2025

A greve dos trabalhadores da Petrobras, iniciada na última segunda-feira (15), custa cerca de R$ 200 milhões por dia somente na área de Exploração e Produção (E&P), de acordo com levantamento preliminar do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Procurada, a Petrobras não comentou imediatamente o assunto.

Nos seis primeiros dias de greve, a produção teria registrado uma queda acumulada estimada em cerca de 300 mil barris de petróleo e gás. Somente na área de Exploração e Produção (E&P), a redução é estimada em aproximadamente US$ 18 milhões por dia, o equivalente a cerca de R$ 100 milhões diários.

No segmento de refino, as perdas seriam de aproximadamente R$ 90 milhões por dia. Os cálculos são do economista do Dieese, Cloviomar Cararine.

Os dados oficiais de produção, apurados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), são divulgados com cerca de uma semana de defasagem. Desde o início do movimento grevista, a companhia tem afirmado que não há impacto na produção de petróleo e derivados.

"A Petrobras adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações e reforça que o abastecimento ao mercado está garantido".

A paralisação é motivada pelos termos do Acordo Coletivo de Trabalho. A estatal apresentou uma proposta no dia 09, que não foi aceita pela categoria. A FUP (Federação Única dos Petroleiros) e o Sindipetro-NF sustentam que a falta de negociação empurra a greve para um cenário prolongado.

A estatal afirmou, ao longo da semana, que se mantém aberta ao diálogo com as entidades sindicais.
Futuro da paralisação

Há pouco, outros duas entidades que representam os trabalhadores, a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) e o Sindipetro RJ (Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro) emitiram uma afirmando que estão reunidos com representantes da Petrobras para tratar da greve. A estatal não confirmou a informação.

Infomoney - SP   22/12/2025

O Bradesco BBI fez um balanço de quem se destacou e quem ficou para trás no setor de petróleo e gás da América Latina em 2025 e apontou os principais vetores que devem orientar as apostas do mercado em 2026.

Segundo a equipe de research do banco, 2025 foi um ano muito positivo para as empresas “menos comoditizadas” de sua cobertura. Já para o petróleo, o desempenho foi bastante fraco, algo que o mercado em grande medida já antecipava.

Há algum tempo, vêm ganhando força as expectativas de excesso de oferta, mitigadas em diversos momentos por um elevado prêmio geopolítico ao longo do ano, que atingiu seu pico em junho, durante a guerra de 12 dias entre Estados Unidos e Irã.
Com a aproximação do fim do ano, um ambiente geopolítico mais calmo e após uma série de aumentos de produção pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), o excesso de oferta tornou-se mais evidente, com alta dos estoques. O desempenho das ações de petróleo e gás na América Latina refletiu esse cenário, com melhor performance dos nomes menos expostos à commodity.
Quem se deu melhor em 2025

Nesse contexto, a medalha de ouro ficou com a distribuidora de combustíveis Vibra (VBBR3), que subiu 65% em 2025. A distribuição de combustíveis superou com folga o MSCI da América Latina e o Ibovespa, impulsionada principalmente pelo sucesso no combate à informalidade no setor. A Ultrapar (UGPA3) ficou com o bronze, com suas ações em linha com o Ibovespa no ano (+44%), já que a visão positiva para a distribuição de combustíveis foi parcialmente neutralizada por riscos ligados à alocação de capital.

A medalha de prata foi da OceanPact OPCT3, com alta de 62%, beneficiada pela forte reprecificação de contratos de day rate (valor diário pago pelos clientes pelo uso de embarcações ou serviços), pela melhor gestão de contratos spot (acordos de curto prazo, fechados a preços de mercado) e por uma perspectiva favorável de remuneração aos acionistas. Os demais nomes do setor, em geral, ficaram abaixo dos índices ou apresentaram desempenho negativo em dólares.

Quem se saiu pior

Já os chamados “proxies” de petróleo tiveram um desempenho bem mais fraco. Os piores segmentos foram das produtoras independentes de menor porte (junior E&Ps), que caíram 18%, por terem maior exposição direta ao preço do petróleo, e as empresas químicas, com queda de 6%, diante da perspectiva de excesso global prolongado de oferta e ciclos ainda deprimidos. As estatais recuaram 3%, com desempenho relativamente melhor graças à Ecopetrol, que subiu 18%, influenciada pelo ciclo político na Colômbia.

Na avaliação do BBI, as principais recomendações funcionaram bem em 2025, apesar de alguns equívocos. Ao longo do ano, a casa recomendou de forma consistente a construção de posições em Vibra (classificação outperform, preço-alvo de R$ 36), PRIO (PRIO3) (R$ 62) e OceanPact (R$ 10).

Entre os acertos, destacam-se Vibra e OceanPact, pelos motivos já mencionados.

No meio do caminho

Entre os erros ou frustrações, o BBI avalia que a PRIO foi claramente penalizada pela queda do petróleo. Ainda assim, apresentou desempenho positivo de 9% em dólares, enquanto seus pares latino-americanos, com exceção da Ecopetrol, registraram quedas.

O BBI também iniciou 2025 com Petrobras entre suas principais apostas, mas retirou o papel da lista no primeiro semestre. Apesar dos bons resultados operacionais, níveis elevados de capex e expectativas crescentes de fusões e aquisições reduziram o potencial de dividendos, além de tornar a ação cada vez mais sensível ao ciclo eleitoral de 2026.
O que o BBI olha para 2026

O BBI entra em 2026 com as mesmas preferências do fim de 2025: Vibra, PRIO e OceanPact, com Vibra como principal escolha. O BBI destaca os avanços do Brasil no combate à informalidade no mercado de combustíveis, tema que ganhou força em 2025 com uma série de reformas legais e administrativas. Os distribuidores formais, como Vibra, Ipiranga e Raízen (RAIZ4), já começaram a colher os frutos, movimento que deve se intensificar em 2026, com maiores volumes, margens, crescimento de NOPAT (lucro operacional após impostos) e ROIC (retorno sobre o capital investido), além de menor custo de capital, abrindo espaço para expansão de múltiplos.

Para a PRIO, o banco destaca que a companhia deve ser a que mais compensará um cenário de preços fracos do petróleo com crescimento de produção. A expectativa é de alta de 60% na produção média em 2026 frente a 2025, alcançando 173 mil barris de óleo equivalente por dia, além de apresentar o menor custo de manutenção por barril da região. “Mesmo assim, o papel deve continuar pressionado pelo cenário negativo do petróleo, embora deva novamente se destacar em termos relativos.”

No caso da OceanPact, a expectativa é de crescimento e dividendos no próximo ano. Além de novos contratos de serviços de inspeção, o banco projeta um recebimento líquido de R$ 328 milhões relacionado a uma disputa judicial com a Petrobras, o que deve reduzir significativamente a alavancagem e abrir espaço para remuneração aos acionistas. O BBI estima que a empresa possa devolver mais de 80% do seu valor de mercado aos acionistas nos próximos três anos.

O relatório também elenca sete grandes temas para 2026, com destaque para os ciclos políticos no Brasil e na Colômbia, a dinâmica global de oferta e demanda de petróleo, a perspectiva de queda de juros, o avanço contínuo no combate à informalidade no setor de combustíveis, o desempenho da economia argentina sob o governo Milei e um ambiente propício para fusões e aquisições, especialmente se os preços do petróleo recuarem de forma mais acentuada.

Infomoney - SP   22/12/2025

O petróleo fechou em alta pela terceira sessão consecutiva nesta sexta-feira, 19, impulsionado pelas tensões geopolíticas globais sobretudo em relação aos Estados Unidos e Venezuela, enquanto um acordo de paz para Ucrânia não deve se concretizar até o Natal, como pretendia o presidente norte-americano, Donald Trump.

Nesta sexta, o petróleo WTI para fevereiro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em alta de 0,93% (US$ 0 52), a US$ 56,52 o barril. Já o Brent para mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), avançou 1,08% (US$ 0,65), a US$ 60,47 o barril. Na semana, contudo, o WTI teve perdas de 1,60% e o Brent de 1,06%.

Aumentando as tensões entre os países, Trump afirmou nesta sexta que ainda considera a possibilidade de uma guerra com a Venezuela, em entrevista por telefone para a NBC News, e o secretário de Estado Marco Rubio apontou que o país latino-americano “é o único que não coopera no combate aos cartéis”.
No Leste Europeu, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, deve se reunir ainda nesta sexta com os conselheiros de segurança nacional da Alemanha, França, Reino Unido e Ucrânia em Miami. Uma agenda com a delegação russa é prevista para este fim de semana também na Flórida.

Em conferencia de imprensa anual, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscou está disposta a avançar em negociações para encerrar a guerra, mas avaliou que ainda não vê prontidão do lado ucraniano e do Ocidente.

A Ritterbusch observa uma potencial de perda de fornecimento venezuelano como modesta, especialmente em comparação com os possíveis ajustes na futura oferta global de petróleo bruto, se um acordo entre Ucrânia e Rússia for alcançado. Contudo, a empresa considera provável que a guerra se estenda ao longo de 2026.

Olhando para o futuro, a oferta abundante permanecerá como o fator dominante nos mercados de energia no ano que vem, alerta a Capital Economics.

RODOVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   22/12/2025

O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), publicou, no sábado (20), o edital de licitação para a implantação, gestão, operação e manutenção de uma ponte que vai ligar os municípios de Cássia e Delfinópolis, no reservatório da usina hidrelétrica de Mascarenhas de Moraes, no Sul do estado.

Com 1.280 metros de extensão, a ponte vai encerrar décadas de isolamento entre as cidades e facilitar o deslocamento diário de cerca de 780 veículos, mais da metade do fluxo atual das travessias da região. O contrato de concessão terá prazo de 30 anos, com investimentos estimados em R$ 221,4 milhões.

O projeto foi estruturado em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e conta com a participação da Eletrobras, atual proprietária das balsas e responsável pela manutenção desse serviço.

Além de promover a integração entre Delfinópolis e Cássia, a ponte é estratégica para o escoamento da produção agrícola, o acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e comércio, e para o fortalecimento do turismo rural e ecológico.

“Essa obra vai transformar a realidade dos moradores da região ao garantir uma ligação rodoviária direta entre Cássia e Delfinópolis, reduzindo o tempo de travessia e ampliando o acesso a serviços, oportunidades e ao desenvolvimento regional”, afirma o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno.
Consulta pública

Ao longo deste ano, foram finalizados e divulgados os estudos e a modelagem do lote, que também recebeu contribuições da população por meio de consulta pública até o dia 9/11.

A Seinfra promoveu ainda duas audiências públicas para ampliar o diálogo com a sociedade: uma presencial, em Delfinópolis, no dia 24/10, e outra virtual, transmitida pelo canal oficial da secretaria no Youtube, em 22/10. A previsão é que o leilão seja realizado no primeiro trimestre de 2026.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/12/2025

Com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ministros, foi inaugurada nesta sexta-feira (19) a Ponte Internacional da Integração Brasil-Paraguai, que liga Foz do Iguaçu (PR) à cidade de Presidente Franco, no Paraguai.

A obra, que contou com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teve investimento de R$ 1,9 bilhão dos dois países, incluindo R$ 712 milhões financiados pela Itaipu Binacional. Segundo o governo, o tráfego já está liberado mas apenas para caminhões sem carga nos dois sentidos, em uma primeira fase.

“Espero que muita gente do Paraguai vá visitar o Brasil e que muita gente do Brasil venha visitar o Paraguai. E que muitos produtos produzidos no Paraguai venham para o Brasil, assim como os produtos do Brasil possam ir para o Paraguai. Porque as duas economias precisam crescer e os nossos povos precisam melhorar a qualidade de vida”, destacou Lula, durante a inauguração.

O evento oficial ocorreu na nova aduana Brasil-Paraguai, e marcou a entrega da segunda ligação viária sobre o Rio Paraná entre as duas nações, seis décadas depois da inauguração da Ponte da Amizade, que conecta Foz do Iguaçu a Cidade do Leste, vizinha à Presidente Franco.

A Ponte da Amizade está há anos sobrecarregada, com um fluxo diário de 100 mil pessoas e 45 mil veículos, segundo a Receita Federal.

A Ponte da Integração tem 760 metros de extensão e um vão-livre de 470 metros, o maior do continente, além de duas pistas simples com 3,6 metros de largura cada. A estrutura do tipo estaiada é sustentada por duas torres de 190 metros de altura, o equivalente a edifícios de aproximadamente 54 andares.

Durante a entrega da obra, o ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou que toda a logística no entorno da ponte pelo lado brasileiro, está pronta para funcionar.

“A ponte está 100% pronta, a Receita Federal está preparada para trabalhar, a Polícia Federal também está preparada. As obras do lado brasileiro estão prontas, a rodovia perimetral que dá acesso à ponte também está 100% concluída. E, a partir de amanhã [sábado], nós vamos liberar o fluxo de caminhões por cima da ponte”, disse.
Etapas

Na etapa inicial, que começou hoje, a travessia será apenas para caminhões descarregados, conhecidos como “em lastro”, seguindo horários específicos coordenados pela Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Os ônibus de turismo fretados serão autorizados a trafegar em breve. Os horários da operação serão divulgados pelos órgãos competentes. A liberação gradual também é uma forma de garantir segurança e adaptação dos órgãos de fiscalização.

A liberação total para veículos de carga está prevista para ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027, condicionada à conclusão do Corredor Metropolitano del Este, no lado paraguaio, que garantirá a plena infraestrutura de acesso.

Globo Online - RJ   22/12/2025

Após 13 anos desde o início das obras, o governo de São Paulo vai entregar um trecho de 24 quilômetros do Rodoanel Norte, ligando as rodovias federais Fernão Dias e Presidente Dutra. A abertura ao tráfego está prevista para a próxima terça-feira (23), a partir das 6h. O segmento já contará com sistema de pedágio no modelo free flow.

O anúncio da inauguração foi feito pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na quinta-feira (18). A cerimônia oficial está marcada para a segunda-feira (22).

O free flow, novo modelo de cobrança autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), funciona por meio de leitura de tags ou placas dos veículos. O valor é calculado conforme o trajeto percorrido.

No total, o Rodoanel Norte terá 44 quilômetros de extensão, passando pelos municípios de São Paulo, Guarulhos e Arujá. A previsão do governo estadual é que os 20 quilômetros restantes sejam concluídos até setembro de 2026. Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o trecho Norte já custou mais de R$ 6,3 bilhões — cerca de 50% acima do valor inicialmente previsto.

Planejado na gestão do governador Mário Covas (PSDB) em 1995, o Rodoanel foi dividido em quatro trechos. Já foram entregues os segmentos Oeste, Sul e Leste. O projeto atravessou nove gestões estaduais ao longo de quase três décadas e enfrentou sucessivos atrasos, paralisações e revisões de cronograma.

A construção do Rodoanel, originalmente planejado para ter 176 quilômetros, começou efetivamente em 1998. Desde então, sua conclusão passou a ser tratada como uma vitrine política para os governos estaduais. Covas iniciou o trecho Oeste, de 32 quilômetros, inaugurado apenas em 2002 por seu sucessor, Geraldo Alckmin, à época no PSDB.

O vice e sucessor de Alckmin, Cláudio Lembo, do então PFL, deu início à construção do trecho Sul, de 57 quilômetros, em 2006. A obra atravessou as gestões Lembo, José Serra e Alberto Goldman, todos do PSDB, e foi concluída apenas em 2011, durante o segundo mandato de Alckmin, com dois anos de atraso.

Alckmin também iniciou e concluiu o trecho Leste, de 43 quilômetros. A obra começou em 2011, teve inauguração parcial em 2014 e foi finalizada em 2015. Ainda em sua gestão teve início a construção do trecho Norte, considerado o mais problemático do projeto — o mesmo que, segundo Tarcísio, será finalmente concluído no próximo ano.

A construção do trecho Norte começou em 2013, mas uma série de interrupções e entraves técnicos e ambientais transferiu a responsabilidade para governos seguintes. Márcio França (PSB), que assumiu o Palácio dos Bandeirantes em 2018, herdou a obra, que acabou totalmente paralisada naquele mesmo ano. Entre as justificativas estavam dificuldades no licenciamento ambiental e problemas de execução.

João Doria (PSDB), que assumiu o governo em 2019, chegou a anunciar a retomada do projeto, mas o plano não avançou. Seu sucessor, Rodrigo Garcia — então no DEM — também tentou dar andamento à obra, sem sucesso.

A construção do trecho de 44 quilômetros só foi retomada no ano passado, já sob a gestão Tarcísio de Freitas. Em leilão realizado na B3, a concessionária Via Appia FIP Infraestrutura venceu a disputa e ficou responsável pela conclusão das obras, com a promessa de entregar a parte final do anel viário em 2026.

AGRÍCOLA

Exame - SP   22/12/2025

Os protestos recentes de produtores rurais da União Europeia contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que tomaram as ruas de Bruxelas e influenciaram diretamente o adiamento da assinatura do tratado, revelam mais do que uma resistência pontual ao comércio internacional. Eles expõem um conflito estrutural: a crescente dificuldade de competitividade do setor agrícola europeu frente a regiões com custos de produção estruturalmente mais baixos, como o Brasil.

Embora o discurso político europeu enfatize preocupações sanitárias, ambientais e regulatórias, a raiz econômica do problema está cada vez mais clara: o diferencial de custo por unidade produzida tornou-se um fator central de tensão.

Dados oficiais da consultoria Eurostat mostram que a agricultura da União Europeia é pressionada por custos com insumos. Em 2024, o consumo intermediário do setor agropecuário europeu ultrapassou €300 bilhões, sendo a ração animal, fertilizantes, energia e defensivos os principais componentes.

Existem ainda outros fatores estruturais como fazendas de menor escala média, alto custo de energia e mão de obra, exigências ambientais rigorosas da Política Agrícola Comum (PAC), redução gradual de subsídios diretos e aumento de condicionalidades ambientais, e mercado consumidor exigente. Na prática, isso significa que qualquer ampliação da concorrência externa, mesmo que limitada por cotas e salvaguardas, gera reação imediata do setor produtivo europeu.

A China ocupa uma posição singular nesse comparativo. Relatórios oficiais da National Development and Reform Commission (NDRC) indicam que os custos de produção agrícola chineses são fortemente influenciados por estrutura fundiária fragmentada, alto custo de mão de obra, e uso intensivo de subsídios e políticas de suporte.

Diferentemente do Brasil, a China não busca competir globalmente em custo em todas as commodities, mas sim garantir segurança alimentar, estabilidade social e previsibilidade de oferta. Por isso, mantém estoques estratégicos e aceita custos domésticos mais elevados, compensados por importações seletivas, especialmente do Brasil. Compradores chineses recorrem com frequência à soja, ao milho e às proteínas brasileiras quando o diferencial de preço se amplia.

O debate político na Europa enquadra a discussão exclusivamente em padrões ambientais ou sanitários, e não reconhece que o diferencial de custo é estrutural, não conjuntural. Nesse contexto, o acordo UE–Mercosul torna-se um símbolo de um dilema maior: como conciliar competitividade global, transição ambiental e proteção social do produtor europeu.

Para o Brasil o momento exige uma comunicação mais sofisticada e baseada em evidências. É preciso explicar que a competitividade brasileira resulta de eficiência produtiva, não de “concorrência desleal”. Além disso, é necessário utilizar dados oficiais (CONAB, estatísticas setoriais reconhecidas) para demonstrar competitividade e mostrar que padrões sanitários e ambientais não são fraquezas, mas diferenciais crescentes em mercados exigentes.

Os protestos dos agricultores europeus não são apenas contra o Mercosul — são contra uma realidade econômica que a Europa vem adiando enfrentar. O diferencial de custo entre Brasil, União Europeia e o resto do mundo está no centro desse embate, ainda que nem sempre explicitado.

Para o Brasil, o desafio não é apenas negociar acordos comerciais, mas consolidar sua posição como fornecedor confiável, competitivo e transparente em um mundo onde agricultura, geopolítica e segurança alimentar estão cada vez mais interligadas.

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