Clipping Diário

28 | Janeiro | 2026

INDA

O Tempo - MG   28/01/2026

A indústria siderúrgica brasileira acompanha em compasso de espera a definição de novas medidas contra a importação de aço da China. As empresas do setor suspenderam investimentos em expansão na capacidade produtiva e reivindicam que o governo federal adote mecanismos de defesa comercial mais efetivos do que o sistema cota-tarifa.

O sistema foi criado pela União em 2024 e combina taxas de 25% com cotas de importação para 25 produtos de aço classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), mas não tem conseguido impedir o crescimento do aço importado chinês no mercado nacional.

De acordo com o Instituto Aço Brasil, as importações de aço no mercado brasileiro seguiram em expansão em 2025, com a entrada de 6,4 milhões de toneladas. Desse volume, 5,7 milhões de toneladas foram de laminados, um salto de 20,5% em comparação ao ano anterior. A importação de produtos laminados alcançou o maior volume em 15 anos.

Atualmente, o volume de laminados de aço que entra no país é 168% superior à média das importações entre 2000 e 2019, de 2,2 milhões de toneladas. Esse crescimento levou a penetração de importados (“import penetration”) para 21%, ante o patamar histórico de 9,7%.

Consequentemente, a produção brasileira de aço bruto alcançou 33,3 milhões de toneladas em 2025, uma queda de 1,6% frente ao ano anterior, segundo o Instituto.

O Aço Brasil afirma que a atual penetração de importados é “inaceitável” e que a concorrência com uma competição considerada predatória no comércio mundial do aço já causou o fechamento de 5 mil vagas de emprego e o corte de R$ 2,5 bilhões em investimentos no setor.

Para o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço do Brasil (Inda), Carlos Loureiro, a alíquota do sistema cota-tarifa não tem sido efetivo para impedir uma inundação de aço chinês no país, que já sofre o impacto de uma alta taxa básica de juros (Selic), que inibe investimentos.

“Se não vier nada com relação a dumping, nós vamos ter de novo mais um ano perdido. O sistema cota-tarifa não serviu para nada, porque 25% não segura nada da China. Da China tem que vir muito mais que 25%”, declarou.

O CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, apontou que a empresa tem investimentos importantes para serem feitos no Brasil, como a ampliação da capacidade da usina siderúrgica de Timóteo, no Vale do Aço, mas que estão os planos estão “absolutamente suspensos” por conta do cenário com a concorrência contra o aço importado chinês.

A retomada dos investimentos passará pelos movimentos do ambiente de negócios brasileiro, afirmou, em um cenário que hoje desafia a indústria instalada no Brasil. Villela apontou que o crescimento das importações é mais do que o dobro do crescimento do mercado brasileiro de aço inoxidável e o cenário não é muito diferente também na linha de aços elétricos.

“Em um cenário de crescimento dessa magnitude da importação versus o próprio crescimento do mercado, os investimentos de crescimento e capacidade deixam de ser atrativos no curto prazo, até que a gente veja uma luz no fim do túnel, para que o mercado brasileiro passe a ter regras mais justas de competição”, destacou o CEO da Aperam.

Perto da Aperam, em Ipatinga, cidade vizinha a Timóteo no Vale do Aço, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) também avalia recalcular a rota dos investimentos frente ao aço importado com origem na superpotência asiática.

O diretor corporativo de relações institucionais e comunidades da Usiminas, André Chaves, cita uma frustração da siderúrgica após passar por um plano de investimento robusto. A empresa investiu pesado nos últimos anos para aumentar a produtividade e esperava estar com um nível de ocupação da capacidade instalada em um nível muito maior do que o atual.

Somente a reforma do Alto-forno 3, responsável por 70% da produção da Usiminas, consumiu R$ 2,7 bilhões.

“Hoje a gente tem uma ociosidade que é muito acima daquilo que são os níveis saudáveis para a indústria siderúrgica. Isso para nós é um motivo de muita preocupação e um motivo de colocar sob muita atenção. Não tomamos uma decisão clara de um cancelamento de algum projeto específico, mas a gente olha com muita atenção e revisa semanalmente, periodicamente, a nossa agenda de investimentos”, apontou.

Ele ressaltou que hoje, a Europa, os Estados Unidos e alguns países asiáticos têm medidas para combater o comércio considerado desleal com o aço chinês e que o Brasil deveria adotar o mesmo caminho. “Nós não estamos pedindo proteção. A gente está precisando combater algo que é desleal, ilegal, uma vez que é reconhecido internacionalmente que a prática de dumping é algo ilegal”, argumentou.

Brasil e mundo com excesso de capacidade na produção
O líder de Energia e Recursos Naturais da EY, Afonso Sartório, aponta que a siderurgia não só nacional, como a internacional, enfrenta grandes excessos de capacidade instalada. No Brasil, com uma produção de 33 milhões de toneladas no último ano, há ainda capacidade para produzir mais 17 milhões, o que resultaria no potencial de 50 milhões de toneladas produzidas por ano.

No mundo o cenário é ainda mais impressionante. O excesso de capacidade é da ordem de 600 milhões de toneladas por ano. Cerca de metade da produção mundial de aço, de 1,8 trilhão de toneladas, vem da China, o que gera uma necessidade do gigante asiático alocar o produto no mercado.

Ele analisa que a adoção de qualquer medida comercial tem que ser balanceada, para não impactar negativamente outros setores da economia brasileira.

“É importante proteger a indústria de produção de aço, mas a gente tem que olhar a indústria e os consumidores como um todo. Se encarece muito o custo do aço a partir dessa importação, vai tendo efeitos nas outras etapas da cadeia produtora do Brasil - a indústria de manufatura pesada, por exemplo", analisa.

"Isso reflete na capacidade de investimento das empresas que vão usar esses produtos e na capacidade ou de rentabilizar esses produtos ou a demanda dos consumidores por um encarecimento. Tem um impacto na economia do país”, complementa.

Saída pode estar na descomoditização e economia verde
O consultor da EY apontou que uma alternativa frente ao desafiador cenário para a indústria siderúrgica seria focar na sustentabilidade, por meio de um entendimento entre governo federal e a indústria para o fomento e/ou parcerias comerciais com mineradoras para projetos verdes, que têm acesso a fundos diferenciados.

“Uma siderurgia mais verde e menos descomoditizada. São mercados de muito volume e um mercado que tem muito excesso de capacidade, então não vale a pena focar a estratégia futura nos próximos anos em volume. Você tem que tentar encontrar nichos em que o seu produto tenha uma aceitação diferenciada, e a descarbonização e a descomoditização, as aplicações especiais, formam um caminho legal”, avalia.

Esta seara tem sido analisada com lupa pela Aperam. A empresa recentemente fechou contratos para o fornecimento de energia solar e eólica e produz carvão vegetal com certificação florestal, selo que garante uma gestão responsável das florestas. Além disso, produz um aço inox com níquel que é composto por aproximadamente 50% de sucata.

Apesar de se considerar bem posicionada na economia sustentável, a valorização do aço verde no mercado ainda gera certa dúvida para o futuro da Aperam.

“A gente cada vez mais busca alternativas para evoluir mais ainda. Hoje nós temos uma pegada de carbono muito eficiente e eu acredito que trará uma vantagem competitiva para nós. O mercado ainda vai, assim, não na velocidade que a gente gostaria de valorização, mas eu acredito que esse é um caminho sem volta”, disse o CEO da Aperam.

A Usiminas também tem investido no fornecimento de energia solar e gás natural como foco em uma produção com menores emissões de gases de efeito estufa, mas a utilização da sucata é mais limitada tecnicamente. A siderúrgica é voltada para a produção de aços planos, insumo em que a aplicação da sucata não é tão viável, especialmente em alguns nichos de mercado, como o setor automotivo.

“A Usiminas é uma produtora de aço que considera a sucata, dentro dos limites técnicos para as propriedades de aplicação dos aços, que considera o benchmarking internacional para todas essas classes de aço. E a gente considera outras alternativas”, finalizou André Chaves, da Usiminas.

SIDERURGIA

Diário do Comércio - MG   28/01/2026

Roberto Giannetti Fonseca

Economista e empresário, presidente da Kaduna Consultoria e o Lide Comércio Exterior

Quando conto que a Cotia Trading exportava aço brasileiro para a China nos anos 80, alguns devem pensar que sou mentiroso. Mas sou apenas um veterano exportador brasileiro desiludido com o que aconteceu nos últimos cinquenta anos. Enquanto a produção de aço bruto na China cresceu, em média, 7% ao ano entre 1985 e 2025, e alcançou 1 bilhão de toneladas atuais, no Brasil o setor permaneceu praticamente estagnado, oscilando entre 30 e 35 milhões de toneladas por ano.

Mas como um país com reservas de minério de ferro de alta qualidade, ampla oferta de fontes de energia renovável e mão de obra técnica qualificada perdeu espaço no mercado global do aço? A resposta passa por fatores já conhecidos, que vão do alto custo do capital à pesada carga tributária, além da logística deficiente e da insegurança jurídica que mina a confiança de investidores, fornecedores e clientes da indústria brasileira.

O fato é que a China expandiu a sua capacidade industrial, tornando-se um agressivo exportador do excedente. Em 2025, a indústria brasileira deveria produzir cerca de 33,6 milhões de toneladas de aço bruto, enquanto a China vai ultrapassar 1 bilhão, volume trinta vezes maior que a produção nacional. A eficiência da operação chinesa, apoiada por subsídios estatais e pela capacidade de produzir em grande escala, possibilita aplicar preços que nenhum concorrente consegue chegar.

Mas as grandes economias tratam a indústria siderúrgica como um setor estratégico, que não estão dispostas a perder. O resultado foi uma escalada protecionista, com tarifas elevadas, salvaguardas, medidas antidumping e cotas de importação. O Brasil, porém, avançou pouco nesta direção. De 2002 até hoje, a fatia do aço chinês no consumo aparente do mercado interno saltou de 5% para mais de 30%, o que representa mais de 6 milhões de toneladas importadas anualmente. Somando às importações indiretas, via produtos com alta densidade de aço, estima-se mais de 6,3 milhões de toneladas por ano, totalizando 12,5 milhões, número que segue em crescimento exponencial.

Hoje, parte da indústria brasileira já recorre ao aço chinês. Em alguns estados, benefícios fiscais de ICMS para produtos importados tornam o produto mais competitivo no mercado interno, e a tendência de valorização do real frente ao dólar reduz ainda mais a proteção à indústria nacional. A situação é grave: a concorrência chinesa aumenta, os preços do aço desde dezembro de 2023 estão em queda de 18% no mercado mundial, e as principais empresas brasileiras do setor apresentam prejuízos e baixa propensão a novos investimentos em seus balanços. Um clima desanimador em um setor que emprega mais de 120 mil pessoas.

O cenário exige medidas urgentes, seja por meio de maior proteção tarifária ou de salvaguardas temporárias acompanhadas de uma política de incentivos a investimentos. Só assim será possível assegurar a sobrevivência da indústria siderúrgica brasileira.

É necessário ousadia e resiliência. Se não agirmos, amanhã teremos de lidar com o risco de seguirmos como simples fornecedores de minério de ferro, sem agregar valor, gerar renda ou criar empregos, o oposto do que sucessivos governos vêm defendendo desde os anos 2000. A hora é agora.

ECONOMIA

Money Times - SP   28/01/2026

As avaliações de Bruno Serra, gestor da Itaú Asset e ex-diretor do Banco Central, e de Rodrigo Azevedo, gestor da Ibiúna e também ex-diretor do BC, apontam para um mesmo diagnóstico: o Copom (Comitê de Política Monetária) ganhou espaço para iniciar um ciclo de cortes de juros, apoiada pela melhora do cenário global e pela desaceleração da inflação.

Para Bruno Serra, a Selic em 15% precisa ser lida em um contexto histórico. “Em mais de 20 anos, a gente não teve Selic a 15%. Todas as vezes em que a taxa esteve nesse patamar ou próxima disso, foi em momentos de estresse muito grande. Esse juro foi colocado para comprar credibilidade em um ambiente de choque fiscal e institucional”, afirmou em evento do UBS BB, realizado nesta terça-feita (27).

Segundo ele, passada essa fase, o Copom agora tem base para começar a reduzir o aperto. “Eu acho que o ciclo pode começar em março, com 50 pontos-base, e ganhar tração ao longo do ano. Partindo de 15%, cortes menores do que meio ponto parecem desnecessários.”, disse.

Na sua leitura, o espaço para afrouxamento é relevante. “Com a inflação rodando perto de 3% e expectativas mais bem comportadas, dá para imaginar a taxa caminhando para algo em torno de 11%. Em algumas reuniões, não dá para descartar movimentos maiores do que 50”, acrescentou.

Rodrigo Azevedo concorda com a direção, mas destacou que a análise não deve se apoiar apenas na projeção central do Banco Central. “A projeção de inflação é feita 18 meses à frente, em um ambiente de incerteza gigantesca. Ela é útil como exercício analítico, mas não pode ser o único guia para a decisão de política monetária”, afirmou.

Para ele, o aperto forte do ano passado foi justificado pela assimetria de riscos. “Naquele momento, a probabilidade de a inflação ser maior era muito superior à de ela ser menor. Diante disso, o Banco Central optou por um choque forte, elevando a Selic para 15% para ancorar expectativas e comprar credibilidade”, disse.

Agora, o balanço mudou. “Com a inflação vindo abaixo do esperado, o câmbio apreciando e a incerteza diminuindo, a distribuição de probabilidades se deslocou para baixo. Se esse risco mudou, esse juro de 15% passou a ficar excessivamente apertado”, lembrou.

Nesse contexto, Azevedo defende a devolução do aperto acumulado. “É razoável retirar os cerca de 300 pontos-base que foram colocados lá atrás. Mesmo com a Selic em 12%, a política monetária continuaria bastante restritiva, dado o nível atual da inflação”, disse.
Cenário internacional e Copom

Os dois gestores também destacaram o papel do cenário internacional na leitura do Copom.

Para Bruno Serra, o mundo passa por uma reprecificação global, com redução da sobrealocação em ativos americanos. “Depois de anos de desempenho muito superior dos Estados Unidos, é natural que os investidores passem a reduzir marginalmente essa exposição. Esse processo é grande em volume e tem impacto relevante sobre preços e câmbio”, afirmou.

Segundo ele, esse movimento ajuda a explicar o comportamento recente do real. “O Banco Central olha para a trajetória do câmbio para frente porque ela entra diretamente na projeção de inflação. Esse pano de fundo global ajuda o Brasil, independentemente do ruído político doméstico”, disse.

Azevedo reforçou esse ponto ao falar da volatilidade internacional. “A taxa de juros americana é a taxa livre de risco do mundo. Quando a volatilidade da curva de Treasuries cai, os ativos passam a refletir mais seus próprios fundamentos, e isso cria um ambiente muito mais confortável para exposição a risco”, afirmou.

Sobre a eleição, ambos relativizaram o impacto imediato na condução da política monetária. “A eleição influencia, claro, mas menos do que as pessoas imaginam no curto prazo”, disse Bruno Serra.

Já Rodrigo Azevedo alertou que o verdadeiro divisor de águas está no fiscal. “No dia seguinte à eleição, a história fica binária: ou há um ajuste fiscal crível, ou não há. É isso que vai definir a trajetória dos juros no médio prazo”, concluiu.

O Estado de S.Paulo - SP   28/01/2026

O CEO da Verde Asset Management, Luis Stuhlberger, disse nesta terça-feira, 27, que a fórmula de crescimento baseada em expansão fiscal é inviável e insustentável no longo prazo, mas explica a resiliência da economia brasileira.

Durante conferência anual do UBS BB com investidores, Stuhlberger disse que, num contexto de baixo desemprego e economia resiliente, a inflação tem sido controlada a uma taxa de juros de 15%, classificada pelo gestor como uma bomba atômica, dado o impacto no custo de financiamento.

“O Brasil está gastando uma bomba atômica para combater a inflação”, comentou Stuhlberger.

Ele observou que, para financiar os gastos, a carga tributária chegou a 34,3% do Produto Interno Bruto (PIB), porcentual que sobe para 37,8% quando se inclui a arrecadação não tributária, como dividendos de estatais e concessões. “A noção de que o governo aumentou impostos é real.”

Como o governo gasta mais do que arrecada, as despesas públicas, pontuou Stuhlberger, alcançam 38,5% do PIB. “O que é um negócio insano”, declarou o gestor.

Conforme Stuhlberger, esse status econômico não se sustenta no longo prazo. “Mas, ao mesmo tempo, isso explica, em grande parte, a resiliência”, assinalou o gestor, ao comentar os bons indicadores da atividade econômica. “A dúvida é o que vai acontecer quando o governo tiver que fazer ajuste fiscal”, acrescentou.

Diário do Comércio - MG   28/01/2026

A redução de 5,2% no valor da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras, que passa a valer nesta terça-feira (27), já era amplamente aguardada por agentes do segmento de combustíveis. Ainda assim, com os preços praticados no Brasil acima dos internacionais e com o barril de petróleo acumulando queda de quase 20% em 2025, o movimento da estatal nos primeiros dias de 2026 pode gerar uma leve diminuição nas projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de curto prazo, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A companhia abandonou a Paridade de Preços Internacionais (PPI) em maio de 2023 e passou a adotar uma estratégia comercial que evita transferir a volatilidade do petróleo para o mercado interno.

Entretanto, o cenário recente, marcado pela estabilidade das cotações externas do óleo e pela valorização do real em relação ao dólar, respalda a decisão, destaca o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro: “A defasagem entre o valor de venda da Petrobras e o do produto importado chegou a superar R$ 0,40 por litro em meados de janeiro. Na sexta-feira (23), permaneceu em R$ 0,24 mesmo com restrições de oferta no Cazaquistão e receios acerca de impactos na produção norte-americana devido à chegada do vórtice polar aos Estados Unidos”, ressalta.

Para o Itaú BBA, o anúncio foi neutro, embora a magnitude do corte tenha ficado um pouco abaixo da estimativa da equipe. “Depois do ajuste, os valores domésticos devem permanecer aproximadamente 5% acima da PPI, de acordo com nossos cálculos. Antes, estavam cerca de 10% superiores”, avalia.

O analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, também aponta a diferença superior a 10%. “Não foi um corte artificial; havia espaço para reduzir”, afirma.

Outro fator que reforçou a expectativa de redução dos preços foi o leilão realizado pela companhia na semana passada para um lote de gasolina A, cujo lance inicial trazia desconto de R$ 0,26 por litro em relação ao preço então vigente, acrescenta a StoneX.
Efeitos

Sob a ótica do mercado de combustíveis, a diminuição de cerca de R$ 0,14 por litro representa alívio no custo na origem da cadeia, observa o especialista em renda variável da Ável Investimentos, Fabio Oiko. “O preço nas bombas depende de tributos, margens de distribuição e revenda, despesas logísticas e da mistura obrigatória com etanol. Ainda assim, a medida contribui para diminuir o custo marginal do produto”, explica.

A decisão da estatal igualmente tende a influenciar as cotações do etanol, cuja safra de cana-de-açúcar começa em abril, lembra a responsável pela área de combustíveis da consultoria de preços Argus, Gabrielle Moreira. “A expectativa é de que este ciclo seja mais direcionado à produção de álcool, o que tende a tornar o etanol mais competitivo no mercado interno. O reajuste no valor da gasolina ajuda a preservar essa competitividade”, avalia.

Do ponto de vista macroeconômico, a elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o combustível e os fundamentos econômicos justificam o corte. Essa combinação deve reduzir o apetite pelo produto importado, acrescenta a especialista da Argus.
A economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, lembra que o repasse das quedas nas refinarias ao consumidor final tem sido parcial, o que pode limitar o impacto sobre a inflação.

O Estado de S.Paulo - SP   28/01/2026

E se a inflação dos Estados Unidos (2,7% no acumulado em 12 meses em dezembro, no índice de preços ao consumidor, CPI na sigla em inglês), em vez de rumar para a meta de 2% ao longo de 2026, subir para 4%?

Os economistas Peter Orszag (da Lazard, gestora internacional) e Adam S. Pozen (do Instituto Peterson para Economia Internacional, PIIE na sigla em inglês, sediado em Washington) acabam de publicar um artigo no site do PIIE em que dizem considerar provável que a inflação americana supere 4% ao final deste ano.

Orszag e Pozen citam cinco razões para apostarem que haverá uma surpresa altista na inflação dos Estados Unidos em 2026.

O primeiro deles é o impacto inflacionário dos aumentos de tarifas de Donald Trump. Eles alegam que esse efeito não se dá de imediato, e tende a ser gradativo. Uma das razões é que os importadores nos Estados Unidos tendem a trabalhar com o custo do estoque, e estocaram bastante antes do tarifaço. Quando esses estoques se consumirem e novas importações forem sendo feitas a um preço maior (por causa das tarifas), o repasse deve ocorrer. Mas de forma gradual, porque as empresas não gostam de assustar o consumidor. E esses efeitos seriam sentidos em 2026.

A segunda razão é o impacto sobre o mercado de trabalho da radical política anti-imigratória de Trump. Com isso, nas contas dos economistas, a criação mensal de empregos que mantém a taxa de desemprego estável caiu de 150 mil no início de 2024 para 90 mil em meados de 2025. Eles preveem que haverá escassez de mão de obra em setores dependentes da mão de obra imigrante.

O terceiro e o quarto fatores são a política fiscal e as condições monetárias, ambas mais frouxas e expansionistas do que parece, para os dois economistas. Finalmente, eles mencionam as expectativas inflacionárias dos consumidores, que estão desancoradas.

José Júlio Senna, especialista em política monetária do FGV-IBRE, diz que não tem elementos para corroborar inflação americana de 4% em 2026, mas que concorda, sim, com as preocupações de Orszag e Pozen em relação a pressões inflacionárias nos Estados Unidos.

De maneira geral, Senna dá um pouco menos de importância à questão das tarifas do que as outras mencionadas, pelo fato de que a inflação de bens norte-americana está no momento abaixo da meta.

E o economista do IBRE considera particularmente relevante a preocupação com as condições financeiras frouxas, o que está sinalizado em três indicadores deste tipo, um da Bloomberg e dois do próprio Federal Reserve (Fed, BC dos EUA).

Senna aponta que o crescimento real da chamada absorção doméstica (consumo privado, consumo do governo e investimentos) dos Estados Unidos está em torno de 3% ao longo de 11 trimestres, comparado a um produto potencial de aproximadamente 1,8%. Ele nota que o Fed - acertadamente, a seu ver - considera a absorção doméstica um indicador mais relevante até que o PIB para a condução da política monetária.

O economista acrescenta que os ataques de Trump à independência do Fed, mesmo que não deem em nada, também afetam as expectativas inflacionárias de longo prazo (os agentes econômicos podem raciocinar que o presidente americano não conseguiu agora, mas pode tentar novamente no futuro).

Para Senna, todos esses riscos inflacionários podem fazer com que o BC americano mantenha a taxa básica, os Fed Funds, estável no nível atual de 3,5-3,75% por um bom tempo, não fazendo cortes nem na reunião deste mês nem na de março.

Veja - SP   28/01/2026

Em um evento com tom eleitoral, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu os resultados da economia do país no último ano e garantiu que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai reduzir os juros depois de passar por uma mudança na direção. “O crescimento econômico está explodindo com números nunca vistos antes”, disse o presidente do país cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,1% em 2025, segundo projeção do Banco Mundial. Trump discursou para apoiadores no estado de Iowa, no centro-oeste dos EUA, na noite desta terça-feira, 27.

O presidente americano diz que bons resultados econômicos do país ocorrem a despeito do presidente do Fed, Jerome Powell, que mantém os juros locais elevados. “Acho que vamos ter um anúncio (do sucessor de Powell) muito em breve”, disse. “Vocês vão ver os juros caírem muito”. Trump acusa o presidente do banco central de querer que os juros sejam “os mais altos possíveis”. Em falas anteriores, o chefe da Casa Branca já havia xingado Powell de “burro”, entre outros termos pejorativos. O mandato da atual presidência do Fed termina em maio.

O presidente dos EUA alegou ter vencido a inflação em apenas um ano. “Herdamos os maiores preços da história do país e rapidamente reduzimos eles”, disse. A afirmação, contudo, bate de frente com a medição do indicador no país. Os preços subiram 2,7% nos Estados Unidos em 2025, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho. A variação não é muito diferente da observada no ano anterior à posse de Trump, quando os preços subiram 2,9%.

Trump promove a maior e mais incisiva política de tarifas americana em décadas. O governo americano, contudo, incluiu uma série de exceções às novas regras temendo o efeito inflacionário da oneração de importações.

Apesar da inflação americana ter sido comedida no último ano, os preços de alguns itens essenciais, como alimentos, subiram acima da média. O café ficou 19,8% mais caro em 2025, enquanto as cotações da carne bovina e de peixes congelados subiram 16,4% e 8,6%, respectivamente, segundo dados do governo.

Nos arredores do centro de eventos Horizon, onde ocorreu o discurso de Trump, milhares de pessoas protestaram contra a presença do presidente no estado. Manifestantes bradavam dizeres como “Fora ICE agora!”, segundo apurou o jornal The New York Times. Protestos em diferentes cidades americanas têm ganhado forma após dois cidadãos do país terem sido mortos por agentes da imigração e fiscalização aduaneira (ICE), na cidade de Mineápolis.

Trump não deu atenção à escalada de violência em Mineápolis durante seu discurso, se voltando apenas ao que considera serem conquistas do seu governo. Ele celebrou, no entanto, a política migratória de seu governo, implementada em parte pelo ICE.

O presidente americano reconheceu o tom eleitoral do evento: “Estou aqui porque amo Iowa, mas também estou aqui porque precisamos começar a campanha para ganhar as eleições de meio de mandato”, disse. Os americanos vão renovar cadeiras do Congresso em eleições marcadas para novembro deste ano. Sobre a próxima eleição presidencial, marcada para 2028, Trump sugeriu que pode concorrer novamente, o que fere a constituição do país, que limita os presidentes a um total de dois mandatos. “Nós vencemos duas vezes, temos que ganhar uma terceira vez”, disse.

O Estado de S.Paulo - SP   28/01/2026

Está chegando a hora de o Copom começar um ciclo de corte de juros, depois de a taxa Selic ficar estacionada em 15% por bastante tempo. Embora a aposta da esmagadora maioria de analistas não seja a de que o primeiro corte aconteça ao fim da reunião de política monetária nesta quarta-feira, 28, é grande a ansiedade sobre como o Copom irá conduzir as expectativas do mercado e sinalizar em que ritmo vai reduzir os juros e até onde pretende baixá-los.

As dúvidas são muitas. Irá o Copom começar a reduzir a Selic com um ritmo mais modesto (de 0,25 ponto porcentual) ou mais agressivo (de 0,50 ponto)? Qual o orçamento, isto é, o tamanho total do ciclo de afrouxamento monetário?

A mediana das projeções de analistas, na pesquisa Focus, aponta para uma taxa a 12,25% ao fim de 2026, ou 2,75 pontos de corte. Mas há quem preveja uma redução maior. Ao fim do ano, estará a política monetária em nível restritivo, neutro ou acomodatício (quando estimula a economia)?

De um lado, o balanço de risco é favorável ao início do ciclo de corte de juros. Quando o Copom elevou a Selic para 15% em junho do ano passado, a projeção da inflação para 2025 pelos analistas era de 5,25%, mas o IPCA fechou em 4,26% no ano passado, abaixo do teto da meta.

Em junho, a estimativa da inflação em 2026 era de 4,50%, enquanto na mais recente pesquisa Focus está em 4,0%. No Copom de junho, o dólar estava em R$ 5,50, ante o patamar atual ao redor de R$ 5,25.

De outro lado, os indicadores recentes apontam para uma reaceleração da atividade econômica. Os últimos dados ainda mostram um mercado de trabalho robusto, com criação de postos de trabalho acima do esperado e taxa de desemprego na mínima histórica. Isso significa que os preços de serviços não darão um alívio à inflação.

Para o IPCA convergir para a meta, a contribuição maior terá de vir de preços de bens comercializáveis, os quais dependem da taxa de câmbio e de preços administrados. Mas o câmbio é uma variável sobre a qual o Banco Central não tem controle.

Com tantos riscos externos (geopolítica mundial) e internos (eleição presidencial), o dólar pode disparar a qualquer momento. Não dá para confiar numa dinâmica de inflação que depende mais do câmbio do que do hiato do produto.

O Copom já pode começar a remover o grau de aperto monetário, mas precisa conduzir esse afrouxamento com cautela, deixando, por ora, um nível ainda contracionista. E sinalizar que os próximos passos dependem dos dados da economia e da inflação. Ou seja, cortar a conta-gotas agora, para conseguir ir mais longe depois.

CNN Brasil - SP   28/01/2026

As taxas dos DIs caíram pela quinta sessão consecutiva nesta terça-feira (27), ainda que o IPCA-15 de janeiro tenha revelado que os preços de serviços seguem pressionados, em mais um dia de forte procura por ativos brasileiros, com o Ibovespa batendo recorde e o dólar em queda firme.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,875%, em baixa de 10 pontos-base ante o ajuste de 12,977% da véspera. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,36%, com recuo de 18 pontos-base ante o ajuste de 13,542%.

No acumulado das últimas cinco sessões, as taxas para janeiro de 2028 e janeiro de 2035 recuaram 32 e 44 pontos-base, respectivamente.

As taxas cederam desde o início desta terça-feira, na esteira da divulgação do IPCA-15, indicador considerado uma prévia da inflação oficial.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, desacelerando ante a taxa de 0,25% de dezembro. No acumulado de 12 meses, no entanto, a taxa foi para 4,50% em janeiro, ante 4,41% em dezembro.

Os resultados ficaram em linha com as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam taxas de 0,21% em janeiro e 4,51% em 12 meses, mas a abertura do indicador não foi tão favorável.

A alta dos preços de serviços no IPCA-15 desacelerou de 0,70% em dezembro para 0,15% em janeiro, conforme cálculos do banco Bmg, mas isso já era esperado em função da queda dos preços de passagens aéreas no primeiro mês do ano.

Por outro lado, os serviços subjacentes aceleraram de 0,52% para 0,53% e a taxa dos serviços intensivos em mão de obra foi de 0,65% para 0,74% no período, de acordo com o Bmg. A média dos núcleos de inflação passou de 0,33% para 0,42%.

"O qualitativo foi ruim, mas não pior do que o esperado", resumiu o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, para quem o mercado aproveitou os resultados mais gerais do IPCA-15 para "bater" nas taxas futuras, ainda que a leitura qualitativa tenha sido desfavorável.

A queda das taxas dos DIs se intensificou a partir do fim da manhã, à medida em que o Ibovespa foi renovando máximas históricas, superando os 183 mil pontos no melhor momento, e o dólar caiu para perto dos R$ 5,20.

Profissionais ouvidos pela Reuters voltaram a citar a forte demanda de estrangeiros por ativos brasileiros, em especial ações, com a contrapartida de venda de taxa no mercado de DIs — como observado nas sessões anteriores.

O recuo nesta terça-feira foi um pouco mais intenso na ponta longa da curva a termo — justamente onde os estrangeiros mais atuam.

Economistas do mercado avaliaram, de forma geral, que os resultados de mais cedo do IPCA-15 não alteram a perspectiva para a decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que tende a manter a taxa básica Selic em 15%.

Para o encontro de março, porém, as expectativas seguiam divididas entre manutenção, corte de 25 pontos-base ou de 50 pontos-base.

“A trajetória de desinflação permanece, apesar de alguns soluços sazonais. Dessa forma, mantemos o cenário de redução da taxa Selic em 25 pontos-base em março”, disse Rodrigo Marques, economista-chefe na Nest Asset Management, após o anúncio do IPCA-15.

O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, vê um corte de maior magnitude.

“Em nosso cenário-base, o ciclo de flexibilização monetária deve ter início em março, com um primeiro corte de 50 pontos-base, seguido por nova redução de mesma magnitude na reunião subsequente, em abril”, afirmou.

Na B3, as opções de Copom precificavam na sexta-feira — dado mais recente — 36,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em março, 34,25% de chance de redução de 50 pontos-base e 23,00% de possibilidade de manutenção.

O recuo firme das taxas dos DIs nesta terça-feira ocorreu a despeito de, no exterior, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo estarem em alta, com investidores à espera da decisão de quarta-feira do Federal Reserve.

Neste fim de tarde, os preços futuros nos EUA indicavam 97,2% de probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, contra 2,8% de chance de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch. Para o encontro de março, havia 82,1% de probabilidade de manutenção contra 17,4% de chance de corte de 25 pontos-base.

Às 16h40, o rendimento do Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 2 pontos-base, a 4,231%.

MINERAÇÃO

Investing - SP   28/01/2026

Os preços futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian caíram nesta terça-feira pelo segundo dia consecutivo, pressionados por preocupações persistentes sobre a demanda pelo principal ingrediente de fabricação de aço na China, maior mercado consumidor de minério.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com queda de 0,51%, a 788 iuanes (US$113,26) a tonelada.

O minério de ferro de referência de janeiro na Bolsa de Cingapura subiu 0,26%, a US$103,8 a tonelada.

Mais usinas siderúrgicas iniciaram a manutenção de equipamentos no período que antecede o feriado do Ano Novo Lunar em fevereiro, diminuindo o apetite por matérias-primas, incluindo o minério de ferro, disseram analistas da corretora Zhengxin Futures em nota.

As siderúrgicas da China normalmente realizam a manutenção dos fornos durante o inverno, quando a demanda enfraquece na região norte porque a baixa temperatura prejudica a atividade de construção ao ar livre.

Além disso, a expectativa de exportações fracas de aço este ano minou o interesse de compra por minério de ferro em meio a previsões de um excesso de oferta, disseram analistas da corretora First Futures em nota.

As exportações de aço da China atingiram recorde no ano passado, mas a crescente reação protecionista contra o aço barato chinês, juntamente com a introdução de um regime de licenças por Pequim, nublou as perspectivas de demanda fora da China este ano, disseram os analistas.

O persistente aumento nos estoques portuários também pressionou os preços do minério de ferro, de acordo com Guiqiu Zhuo, analista da corretora Jinrui Futures.

"Mas a expectativa de que poderia haver outra onda de reabastecimento de matéria-prima com a aproximação do feriado do Ano Novo Lunar, enquanto as usinas ainda poderiam ganhar algum dinheiro, limitou a margem de queda", disse ele.

Valor - SP   28/01/2026

A mineradora superou as 327,3 milhões de toneladas da anglo-australiana Rio Tinto; a empresa fechou o 4º trimestre do ano passado com a produção de 90,4 milhões de toneladas do minério, alta anual de 6%

A produção de minério de ferro da Vale aumentou 6% no quarto trimestre de 2025, em comparação com igual período do ano anterior, para 90,4 milhões de toneladas, segundo o relatório de produção e vendas da companhia, divulgado nesta terça-feira (27). A produção de pelotas, no período, caiu 9,2% na base anual, para 8,3 milhões de toneladas.

No acumulado de 2025, a mineradora atingiu uma produção de 336 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 2,6% ante o ano anterior. Com o resultado, a empresa superou a produção de 327,3 milhões de toneladas da anglo-australiana Rio Tinto e voltou a ser a maior produtora global do insumo, posto que havia perdido em 2018.

A companhia destacou, em seu relatório de resultados, que a produção do S11D, na região de Carajás (PA), atingiu o recorde de 86 milhões de toneladas no ano passado.

A produção de pelotas da mineradora, no acumulado do ano passado, caiu 15%, para 31,356 milhões de toneladas.

Vendas

As vendas de finos de minério de ferro no quarto trimestre subiram 5,2% na base anual, para 73,5 milhões de toneladas. Já as vendas de pelotas entre outubro e dezembro caíram 10% na base anual, para 9,05 milhões de toneladas.

Em todo o ano de 2025, as vendas de finos de minério de ferro subiram 4,9%, para 273 milhões de toneladas, e as vendas de pelotas caíram, 14,4%, para 32,8 milhões de toneladas.

O preço médio realizado nos finos de minério de ferro no quarto trimestre do ano passado aumentou 2,6% na comparação com igual período de 2024, para US$ 95,4/ton. Enquanto o preço médio realizado na venda de pelotas entre outubro e dezembro de 2025 caiu 8,1%, para US$ 131,4/ton.

Já o preço médio nas vendas de finos de minério de ferro em 2025 ficou em US$ 91,6 por tonelada, uma queda de 3,9% na comparação com a média de 2024. O preço médio nas vendas de pelotas, no período, caiu 13,3%, para US$ 134 por tonelada.

Níquel

No níquel, a produção da Vale no quarto trimestre subiu 1,5% em comparação com o mesmo período de 2024, para 46,2 mil toneladas. As vendas do produto no período subiram 5,3% na base anual, para 49,6 mil toneladas.

Já a produção no acumulado de 2025 cresceu 10,8%, para 177,2 mil toneladas.

As vendas de níquel cresceram 11,3%, para 172,8 mil toneladas, no acumulado de 2025, e o preço médio realizado na venda de níquel ficou em US$ 15.556 por tonelada, queda de 8,9%.

Cobre

No cobre, a produção da Vale no quarto trimestre subiu 6,2% na base anual, para 108,1 mil toneladas. As vendas de cobre no período subiram 8% na base anual, para 106,9 mil toneladas. O preço médio realizado na venda de cobre no quarto trimestre ficou em US$ 11.003 por tonelada, alta de 19,8%.

A produção de cobre em 2025, por sua vez, foi de 382,4 mil toneladas, um crescimento de 9,8% em relação a 2024. Já as vendas do insumo avançaram para 367,8 mil toneladas, um crescimento de 12,4% ante 2024. O preço médio obtido pela Vale no ano passado pelo cobre ficou em US$ 9.763 por tonelada, um crescimento de 10,8%.

Agência Brasil - DF   28/01/2026

A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que o evento ocorrido no complexo Mina de Fábrica, região onde foram registrados vazamentos de água em áreas de minas exploradas pela Vale no interior de Minas Gerais, não comprometeu as estruturas de barragens.

“Não houve ruptura, colapso ou comprometimento de estruturas de barragens ou pilhas de mineração nas ocorrências registradas em áreas da Vale S.A., no Complexo Mina de Fábrica, entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto (MG), e na mina Viga, em Congonhas (MG)”.

A agência acrescentou que, no caso do complexo Mina de Fábrica, “o evento esteve associado a infraestrutura instalada em área da operação, sem caracterização de falha estrutural em barragens ou pilhas de mineração”.
Entenda

Nos últimos dias, dois vazamentos de água foram registrados em minas da Vale localizadas no município de Congonhas.

Segundo a prefeitura de Congonhas, o primeiro vazamento ocorreu após o rompimento de uma barreira de contenção de água na Mina de Fábrica.

Um outro vazamento foi registrado menos de 24 horas depois na mesma região. Desta vez, em um sumidouro (tanque secundário) da mina Viga, também da Vale, localizada na estrada Esmeril, a cerca de 22 km do local da primeira ocorrência.

A Vale informou que já suspendeu operações nas duas minas, após receber ofício da prefeitura de Congonhas.

Diante da situação, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, cobrou da ANM uma “solução imediata e efetiva” para o extravasamento de água ocorrido na mina Viga

No oficio, o ministro chega a cogitar – “se for preciso” – a interdição da operação da empresa de forma a garantir a segurança das comunidades locais e a proteção do meio ambiente.
Mina de Fábrica

No caso do rompimento dessa cava da mina de Fábrica, o material atravessou o dique Freitas e seguiu carreando sedimentos e rejeitos de mineração, provocando impactos ambientais.

Houve vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.

Esse vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora, a CSN, provocando danos materiais. Depois, essa lama atingiu o rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade, antes de se encontrar com o Rio Maranhão, já na área central de Congonhas.

Segundo a CSN, esse rompimento provocou o alagamento de áreas de sua unidade Pires, localizada em Ouro Preto.
Vale

Em comunicados ao mercado divulgados pela Vale, a empresa informou que os extravasamentos de água identificados nas minas de Congonhas e de Ouro Preto foram contidos; que ninguém ficou ferido na região; e que a população e as comunidades próximas não foram afetadas.

A empresa alega que nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações em suas condições de estabilidade e segurança e elas são monitoradas de forma contínua.

Ainda segundo a Vale, não houve carreamento de rejeitos de mineração, mas “apenas água com sedimentos”.

“As causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia”, acrescentou a Vale.

Posteriormente, a empresa informou que recebeu ofício da Prefeitura Municipal de Congonhas, determinando a suspensão de alvarás de funcionamento de atividades atreladas às unidades de Fábrica e Viga, bem como a adoção de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental.

“A Companhia suspendeu operações nas unidades mencionadas e irá se manifestar tempestivamente sobre as ações demandadas, colaborando integralmente com as autoridades competentes e prestando todos os esclarecimentos necessários”, acrescentou.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   28/01/2026

As vendas de carros totalmente elétricos superaram as de veículos a gasolina na União Europeia pela â  primeira vez em dezembro, mesmo com a proposta dos parlamentares de flexibilizar as regulamentações de emissões, segundo dados divulgados nesta terça-feira (27) pela ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, em francês).

Os emplacamentos de veículos elétricos a bateria, um indicador de vendas, também ultrapassaram os de carros a gasolina no mercado europeu mais amplo, que inclui o Reino Unido e Noruega, com as vendas de carros no continente registrando o sexto mês de â  crescimento anual.

A concorrência de marcas chinesas como BYD , Changan e Geely está intensificando a corrida pelo mercado europeu, mesmo quando montadoras nacionais como Volkswagen e BMW lançam novos modelos de EV.

A UE revelou em dezembro um plano para â  abandonar a proibição efetiva dos carros com motor de combustão a partir de 2035, cedendo à pressão dos fabricantes de automóveis, que enfrentam desafios como a competição dos rivais chineses, tarifas de importação dos EUA e dificuldade em vender veículos elétricos de forma lucrativa.
Veículos elétricos ainda devem aumentar fatia no mercado europeu

No entanto, especialistas esperam que os veículos â  elétricos continuem aumentando sua participação no mercado europeu.

O secretário-geral da E-Mobility Europe, Chris Heron, disse que as marcas europeias começaram a se adaptar com a introdução de veículos elétricos novos e acessíveis, enquanto os países oferecem novos esquemas de incentivo.

"Estamos vendo a adesão de consumidores", disse Heron. "Estamos confiantes de que as vendas em toda a Europa continuarão a crescer em â  2026."

Os emplacamentos na Europa, Reino Unido e Associação Europeia de Livre Comércio para Volkswagen e Stellantis aumentaram 10,2% e 4,5%, respectivamente, em dezembro, enquanto caíram 2,2% na Renault .

Os registros da Tesla caíram 20,2% no mês, enquanto os da BYD aumentaram 229,7%.
Vendas totais de carros na UE aumentam quase 6% em dezembro

As vendas na UE, Reino Unido e Associação Europeia de Livre Comércio aumentaram 7,6% para 1,2 milhão de carros em dezembro e 2,4% â  para 13,3 milhões no total em 2025, atingindo seus maiores volumes em cinco anos, embora tenham permanecido bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia, mostraram os dados da ACEA.

As vendas â  totais de carros na UE aumentaram 5,8%, chegando a quase um milhão de unidades em dezembro, e 1,8%, chegando a 10,8 milhões no ano.

Os registros de dezembro de carros elétricos a bateria, híbridos plug-in e híbridos elétricos aumentaram 51%, 36,7% e 5,8%, respectivamente, representando coletivamente 67% dos registros do bloco.

Auto Industria - SP   28/01/2026

O Brasil está subindo rápido no ranking dos maiores mercados internacionais de veículos chineses. Em 2025, foram exportados para cá 322 mil unidades, o quinto maior volume negociado para um único país, segundo levantamento do site noticioso chinês Car News China

Ainda assim, os brasileiros responderam por somente 4% do total dos embarques chineses. De acordo com a CPCA, Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, foram exportados para todos os continentes a partir da China 8,32 milhões de automóveis e comerciais leves no ano passado, substancial crescimento de 30% em relação a 2024.

Do total, 3,43 milhões são produtos de novas energias, leia-se híbridos e elétricos sobretudo — 70% a mais em relação ao ano anterior —, sendo 200,8 mil encaminhados para o Brasil.
Maiores mercados de veículos chineses em 2025

País Unidades
1 México 625.187
2 Rússia 582.738
3 Emirados Árabes Unidos 571.937
4 Reino Unido (UK) 335.551
5 Brasil 322.076
6 Arábia Saudita 302.189
7 Bélgica 300.103
8 Austrália 297.382
9 Filipinas 256.681
10 Cazaquistão 211.545
Fonte: Car News China

À frente do Brasil, relata a publicação especializada, aparecem como os maiores destinos apenas México, Rússia, Emirados Árabes Unidos e, por muito pouco, somente 13 mil unidades a mais, o Reino Unido.

A Anfavea destaca que os emplacamentos de veículos chineses no Brasil superaram 187 mil em 2025, mas defendeu que as marcas chinesas encerraram o ano com pelo menos outros 100 mil veículos nos estoques, o que, de fato, não estaria tão distante do levantamento o site noticioso chinês.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/01/2026

A General Motors (GM) disse nesta terça-feira, 27, que espera ter lucro mais alto em 2026, apoiada pela flexibilização de regras ambientais dos Estados Unidos, que incentiva as vendas de picapes e utilitários esportivos (SUV) de grande porte.

A maior montadora dos EUA em vendas passou o ano passado lidando com as rápidas mudanças nas tarifas de importação dos EUA e com os problemas na cadeia de suprimentos, que inflaram os custos e reduziram o lucro operacional.

Muitas dessas pressões permanecerão em 2026, disse a GM aos investidores, e a montadora também enfrentará o aumento de custos de commodities, inclusive do alumínio. Mas a GM espera que o lucro se recupere este ano, em grande parte devido a um forte mercado de picapes e SUVs na América do Norte.

A GM divulgou um lucro de quarto trimestre que superou estimativas de analistas, fazendo com que as ações da montadora de Detroit subissem 7% no pregão desta manhã.

O lucro ajustado antes de impostos aumentou cerca de 13%, para US$ 2,84 bilhões no trimestre, em comparação com cerca de US$ 2,51 bilhões há um ano. O lucro por ação de US$ 2,51 superou facilmente as expectativas dos analistas de US$ 2,21.

A empresa espera um lucro operacional ajustado anual medido pelo Ebitda de US$ 13 bilhões a US$ 15 bilhões em 2026, uma faixa cujo ponto médio excede as expectativas dos analistas de US$ 13,39 bilhões, de acordo com dados da LSEG.

“Essa é uma previsão muito forte”, escreveu Chris McNally, analista da Evercore ISI.

A GM registrou fortes vendas de seus veículos mais lucrativos durante o trimestre: grandes picapes, incluindo o Chevrolet Silverado, e SUVs robustos, como o Cadillac Escalade.

Para 2026, a perspectiva para os veículos mais lucrativos da GM melhorou com a recente reversão das regulamentações ambientais federais dos EUA. No ano passado, o governo de Donald Trump congelou as penalidades para as montadoras que não cumprirem regulamentações de eficiência no consumo de combustível e emissões de escapamento.

A GM disse que deve economizar até US$ 750 milhões por não ter que comprar créditos de carbono de fabricantes de veículos elétricos, como a Tesla, para ajudar a cumprir essas regras.

A empresa disse que o clima regulatório mais fácil a ajudará a trazer mais produção de volta aos Estados Unidos nos próximos anos – mas isso aumentará as despesas. A GM enfrenta até US$ 1,5 bilhão em custos adicionais de movimentos de onshoring, bem como mudanças em sua cadeia de suprimentos e investimentos em software, disse o diretor financeiro, Paul Jacobson, a analistas.

A GM também anunciou nesta terça-feira aumentou no pagamento de dividendos trimestrais em 20% e aprovou um novo programa de recompra de ações de US$ 6 bilhões.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Money Times - SP   28/01/2026

A Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deve começar a apresentar números mais relevantes em 2026, após um período de adaptação do mercado, segundo avaliação de Priscilla Ciolli, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Na visão da executiva, embora a criação do novo nível tenha sido uma medida positiva, incorporadoras, construtoras e até instituições financeiras não estavam totalmente preparadas para operar no segmento.

“A Faixa 4 é uma boa iniciativa, mas o mercado não estava preparado. Houve dúvidas sobre limite de renda, metragem e perfil dos empreendimentos. Ao longo de 2025, o setor começou a se estruturar para operar esse programa”, afirmou Ciolli, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), em São Paulo.

Em sua fala, a presidente da Abecip relembrou que a Faixa 4 tem como principal objetivo atender a média renda, segmento que, segundo ela, foi o mais impactado nos últimos meses pelo aumento da taxa de juros.

“Esse foi o mercado [classe média] que mais sentiu em 2025. Por isso, acredito que vamos observar em 2026 números diferentes, tanto em empreendimentos lançados voltados à Faixa 4 quanto na atuação das instituições”, disse.

Criada pelo governo federal em abril passado, o nível 4 do Minha Casa, Minha Vida ampliou o financiamento habitacional para famílias com renda mensal entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil.
Emprego ajuda, mas juros seguem como entrave

De acordo com Ciolli, dentro da indústria imobiliária, os efeitos dos juros elevados se manifestam de forma distinta.

“Quando falamos da baixa renda, não vemos esse movimento [negativo] porque os programas habitacionais subsidiam muito. Estamos falando de taxas abaixo de 10%. Já na alta renda, o juro alto não é um problema, né? Não existe esse impacto”, afirmou. “A grande dor é a média renda, que acaba adiando a compra do imóvel.”

Segundo a executiva, a melhora nos indicadores de emprego e de massa salarial até ajudou a amortecer os efeitos da Selic restritiva, embora não tenha sido o bastante.

“O cenário poderia ser pior se não tivéssemos esses bons indicadores. Eles contribuem para a capacidade de compra, mas, ainda assim, a média renda sente muito quando olha a taxa de juros e o valor da parcela, que acaba se tornando inviável”, explicou.

“Se tivéssemos um ambiente mais complexo em relação ao pleno emprego, teríamos indicadores muito diferentes de pagamentos, distratos, atrasos e inadimplência, e isso não foi observado”, acrescentou.
Impacto da isenção do IR

Também presente na coletiva, o diretor executivo da Abecip, Filipe Pontual, avaliou que a nova isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, em vigor desde 1° de janeiro, pode ter efeito positivo sobre o crédito imobiliário, especialmente nos níveis iniciais do MCMV.

“Esse público está concentrado principalmente nas faixas 2 e 3. Com um pouco mais de renda disponível, pode sobrar mais recurso para entrar numa prestação, ainda mais considerando que os juros do Minha Casa, Minha Vida são bastante baixos”, afirmou.

Segundo o executivo, embora o impacto seja difícil de mensurar, a combinação de maior dinheiro à disposição e inflação mais baixa, especialmente de alimentos, pode melhorar a percepção de capacidade de pagamento das famílias.

A Tribuna - SP   28/01/2026

O mercado imobiliário não deve enfrentar falta de dinheiro para financiamentos neste ano, mesmo com a fuga da caderneta de poupança e o uso exagerado de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), segundo especialistas ouvidos por A Tribuna.

Para os entrevistados, o ano será marcado pela adaptação dos bancos às mudanças no crédito anunciadas pelo Governo Federal no fim de 2025 e pela redução da taxa de juros elevada, barateando o crédito.

Na avaliação do consultor econômico da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Celso Petrucci, o financiamento imobiliário em 2025 teve desempenho acima do esperado, apesar dos juros elevados. “Não existe no nosso radar nenhuma tendência que indique que 2026 seja menor em fontes de financiamento”.

Segundo ele, o principal desafio não é a quantidade de dinheiro, mas o custo do crédito.

Entre as mudanças, Petrucci cita a atualização do valor máximo do imóvel enquadrado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, permitindo acesso a taxas limitadas para um número maior de operações.

A expectativa da CBIC é que este ano funcione como um período de teste para a consolidação dessas novas regras e para a forma como os bancos irão operá-las.

Com a limitação de recursos do FGTS e os saques da caderneta de poupança, outras fontes de financiamento imobiliário ganharam espaço, como LCI, LIG e CRI, além do uso do Fundo Social do Pré-Sal na Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida.

Crédito ainda caro

O economista Luciano Simões explica que o encarecimento do crédito é intensificado em um ambiente de taxa Selic elevada (15% ao ano).

Segundo ele, a migração para outras fontes de financiamento busca fundings (origem do dinheiro que vai para a habitação, como FGTS, poupança e bancos) eficientes e alinhados ao risco de mercado. “Mas esses não oferecem custo tão baixo quanto a poupança, que funcionava como um subsídio implícito”, diz.

Simões explica que o custo do dinheiro, em qualquer modalidade de captação, tende a refletir a Selic como referência, especialmente em contratos longos. Portanto, instrumentos de renda fixa precisam oferecer rentabilidade acima da taxa de juros para atrair capital.

“O resultado é que o custo do crédito imobiliário, a taxa efetiva para o mutuário, tende a subir, mesmo com competição”, afirma ele.

Bancos devem ampliar exigências

O economista Luciano Simões acredita que haverá dinheiro para o financiamento, mas que, além do custo maior, surgirão critérios mais rigorosos, especialmente fora dos segmentos de baixo risco. “A Selic em 15% continua a ser um freio ao custo do crédito para mutuários, especialmente na faixa de renda média e baixa”, explica.

Simões acrescenta que o episódio recente do Banco Master mostrou que o regulador pode ser mais rigoroso com instituições que assumem riscos excessivos ou práticas de captação agressivas. “Isso reduz o espaço de crédito fácil e barato”, diz.

Apesar desse cenário mais restritivo, a expectativa da Cbic é de que o mercado registre maior disponibilidade de recursos e taxas mais atrativas, acompanhando a projeção de queda da Selic. “Isso deve ser positivo tanto para as pessoas físicas quanto para as empresas, com custo de dinheiro mais baixo e maior oferta de crédito”, afirma Petrucci.

Na avaliação do Sindicato da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP), o ritmo de saques da poupança poderá diminuir e os juros recuarem. Segundo o diretor regional, Lucas Teixeira, a expectativa é de que a taxa Selic se aproxime de 12,5% ao ano. “Assim, a situação volta ao normal”, afirma.

Sobre 2025, Teixeira conta que houve dificuldades pontuais na liberação de crédito entre o início e o meio do ano, mas que a situação se normalizou rapidamente. “Alguns bancos tiveram alguma dificuldade, mas a situação se normalizou rapidamente, e as taxas aumentaram muito, puxadas pelo aumento da Selic, o que diminui a procura de financiamento”, resume.

Orçamento do Minha Casa, Minha Vida mantém patamar

Procurada por A Tribuna, a Caixa esclareceu que o orçamento para financiamentos no programa Minha Casa, Minha Vida segue no mesmo patamar do ano passado.

Em relação aos recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com a mudança na regra do compulsório promovida pelo Banco Central (veja o quadro), a perspectiva é de que o orçamento seja superior ao de 2025, conforme o banco. Em dezembro, as modalidades de financiamento com recursos do SBPE tinham saldo devedor atualizado pela TR e cobram juros a partir de 10,99% ao ano, com prazo de pagamento em até 420 meses.

A Caixa destacou que, para a classe média, o aumento dos recursos do SBPE e a criação da modalidade Minha Casa, Minha Vida - Classe Média (Faixa 4) “representam incentivos significativos para a aquisição da casa própria”.

Novo modelo de financiamento

Atualmente, 65% dos recursos da poupança captados pelos bancos precisam ser direcionados ao crédito imobiliário, enquanto 15% estão livres para operações mais rentáveis e 20% ficam retidos no Banco Central como depósito compulsório.

Com as mudanças dessas regras em outubro, haverá um direcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para maximizar a poupança como fonte de financiamento. Segundo o governo, na medida em que mais valores são depositados em poupança, mais crédito será disponibilizado para financiamento imobiliário.

Após período de transição, que começa neste ano, acabarão os depósitos compulsórios no BC referentes a esse tipo de aplicação e o direcionamento obrigatório de 65% da captação da poupança.

O total dos recursos depositados na caderneta de poupança passará a ser referência para o volume de dinheiro que os bancos devem destinar ao crédito habitacional.

Quando o novo modelo estiver plenamente implementado, em janeiro de 2027, se um banco captar, por exemplo, R$ 1 milhão e direcionar integralmente esse montante para financiamento imobiliário, ela poderá usar a mesma quantia captada na poupança, que tem custo mais baixo, para aplicações livres por um período predeterminado.

Conforme o governo, o novo modelo aumenta a competição, pois incorpora os depósitos interfinanceiros imobiliários ao direcionamento, o que permite que instituições que não captam poupança também concedam crédito habitacional em condições equivalentes às demais.

Durante a transição, o volume dos compulsórios será reduzido para 15% e os 5% serão aplicados no novo regime.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/01/2026

O Índice de Confiança da Construção (ICST) registrou alta de 2,8 pontos em janeiro, atingindo 94,0 pontos, o maior nível desde março de 2025. informou nesta terça-feira, 26, a Fundação Getulio Vargas (FGV). O avanço ocorreu após queda de 1,2 ponto em dezembro.

“Perspectiva de mais investimentos na infraestrutura, de contratações recordes do Minha Casa Minha Vida, e as novas regras para o financiamento habitacional na média e alta renda, pode ter contribuído para a alta”, aponta Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE. No entanto, ela pondera que problemas com a mão de obra permanecem e não devem dar trégua durante o ano.

Os componentes do índice refletiram esse sentimento positivo: o Índice de Situação Atual (ISA-CST) avançou 2,4 pontos, para 93,4 pontos, maior nível desde março de 2025. Já o Índice de Expectativas (IE-CST) subiu 3,0 pontos, atingindo 94,6 pontos. O indicador de situação atual dos negócios cresceu 1,2 ponto, chegando aos 92,1 pontos, e o indicador de demanda prevista nos próximos três meses subiu 5,1 pontos, totalizando 97,2 pontos.

Apesar da alta na confiança, o Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) cedeu 1,1 ponto porcentual, atingindo 77,4%. Essa redução também foi observada nos componentes de Mão de Obra e de Máquinas e Equipamentos, que recuaram 1,4 e 0,6 ponto porcentual, respectivamente, para 78,4% e 73%.

A coleta de dados para a edição de janeiro foi realizada entre os dias 5 e 23 deste mês, envolvendo 720 empresas do setor. A próxima divulgação ocorrerá em 23 de fevereiro.

O Estado de S.Paulo - SP   28/01/2026

Donos de apartamentos populares em bairros valorizados de São Paulo têm recorrido à Justiça para impedir ou autorizar a locação de curta temporada, como por meio do Airbnb e Booking. Esse tipo de “desvio” têm polarizado condomínios, até com ações coletivas, mesmo com a proibição legal ao serviço de hospedagem em imóveis construídos com incentivos municipais para a moradia de baixa renda.

As principais decisões identificadas pela reportagem anularam convenções de condomínio que permitiam a locação de curta temporada. Juízes também não acataram investidores que reivindicavam o “direito de propriedade” como argumento.

Esses edifícios estão em áreas procuradas por turistas na capital paulista. Dentre elas, estão Vila Madalena, Pinheiros e Pompeia, na zona oeste, e o entorno da Rua Oscar Freire e a Sé, no centro expandido.

Em nota, o Airbnb afirma que “promove o uso responsável da plataforma em conformidade com as políticas de moradia social na cidade”. Também diz ter “regras claras que exigem que os anfitriões cumpram todas as leis e normas aplicáveis ao anunciar um espaço”. Procurado, o Booking não respondeu.

A Prefeitura considera proibida locação de curto período em apartamentos com incentivos municipais para Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP). Essas moradias são construídas e comercializadas pelo mercado imobiliário sem envolvimento do poder público.

Em nota, a Prefeitura destacou que “a prática de locação de curta temporada é proibida nessas unidades independentemente do seu período de aquisição”. “Convenções condominiais não se sobrepõem à legislação municipal, que veda expressamente essa prática”, completa.

Pela lei paulistana, esse tipo de unidade somente pode ser moradia de famílias enquadradas em faixas de renda específicas, de até seis salários mínimos mensais (HIS) e até 10 (HMP). O uso não residencial é proibido. A propriedade pode ser de pessoa com maior rendimento, desde que se garanta a locação ao público-alvo.

Indícios do “desvirtuamento” por meio do chamado “short stay” (estadia curta) já haviam sido citados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em inquérito sobre potenciais fraudes à política municipal. A situação também foi abordada em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, que chegou a ouvir moradores de prédios onde há locação de curta temporada de apartamentos populares.

Um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a Fundação Tide Setubal chegou a elencar anúncios desses imóveis em plataformas virtuais como “red flags” de desvios na habitação popular da cidade. “Trata-se da exploração da unidade de HIS como negócio”, aponta trecho do documento.

Como o Estadão mostrou, a Justiça também tem recebido uma série de ações de distrato contra construtoras e incorporadoras relacionadas a imóveis populares vendidos a compradores de maior renda. As decisões favoráveis envolvem principalmente clientes que comprovaram desconhecer as restrições dos imóveis, como de faixa de renda dos residentes.
Moradores disputaram aval a Airbnb perto do Allianz

A locação de curta temporada no Nex One Ministro Ferreira Alves foi alvo de ao menos duas ações judiciais coletivas em São Paulo. Ambas foram movidas por proprietários e moradores, divididos entre favoráveis e contrários ao serviço de hospedagem em apartamentos HMP no prédio.

O prédio fica na Pompeia, nas proximidades do Allianz Parque. Essa localização é procurada especialmente por visitantes que estão em São Paulo para shows e outros eventos no estádio do Palmeiras.

A ação com decisão mais recente considerou como inválida a alteração na convenção de condomínio que liberava a locação de curta temporada na ala residencial do prédio. O MP-SP chegou a se manifestar no processo indicando a proibição desse tipo de serviço em HMP, assim como a Prefeitura.

“A alteração unilateral da convenção de condomínio a fim de permitir a locação de curta duração após a comercialização das unidades é contrária a legislação sobre o tema”, declarou o juiz Fernando José Cúnico (40ª Vara Cível) na decisão, em novembro. Ainda cabe recurso.

Antes disso, outro processo havia obtido decisão oposta: em outubro, a juíza Elisa Leonesi Maluf (2ª Vara do Juizado Especial Cível - Vergueiro) acolheu o entendimento do condomínio de que a lei somente restringiria a faixa de renda do comprador, não do usuário do imóvel. A ação foi extinta.

Procurada pela reportagem, a incorporadora que entregou o empreendimento (a One Innovation) disse que os casos envolvem “pedidos de cancelamento da alteração da convenção”. Também destacou que um deles está em fase de recurso.

‘Investimento incompatível com uma família de baixa renda’, apontou juiz

No Today Brigadeiro, uma liminar de outubro suspendeu a convenção de condomínio que havia liberado o short stay em apartamentos populares. O edifício fica nas proximidades do Terminal Bandeira, no centro, área também muito procurada para serviços de hospedagem. O processo segue em tramitação.

“É inviável concluir que um imóvel destinado ao atendimento a famílias de baixa renda cumpra sua função social quando utilizado para locações de curta temporada; isso porque tal modalidade de aluguel demanda investimento incompatível com uma família de baixa renda”, destacou o juiz Vítor Gambassi Pereira (23ª Vara Cível - Foro Central Cível) na decisão. Ele atendeu à tutela de urgência requerida por parte dos moradores.

Decisão semelhante envolveu o Today Pinheiros, na movimentada Rua dos Pinheiros, no distrito homônimo. Nesse caso, o condomínio alegou que o aval à locação rápida não alterava a destinação das unidades como habitação social.

O juiz não acatou a defesa do condomínio, mas não chegou a entrar no mérito de envolver moradia popular, focando-se na forma como a convenção condominial havia sido alterada. O processo foi julgado extinto.

“A alteração aprovada, contemplando permissão de locações por período inferior a 90 dias, implica, na prática, modificação da finalidade de uso das unidades, incompatível com a destinação exclusivamente residencial”, apontou na decisão, em setembro.

A incorporadora que entregou os dois empreendimentos (a Canopus) foi procurada pela reportagem, mas não respondeu.
Vila Madalena e Oscar Freire: 2ª instância manteve veto de condomínios a Airbnb

Além de coletivas, há ações movidas por proprietários que exigem permissão condominial para a locação de curto período. Nesses casos, as decisões judiciais têm mencionado jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que esse tipo de uso pode ser vetado pelo condomínio (independentemente de ser habitação popular).

Um dos casos mais recentes levados à Justiça envolve o Nex One Vila Madalena, nas proximidades da estação de metrô homônima. Em dezembro, a 35ª Câmara de Direito Privado não acolheu a defesa de proprietário que buscava aval do condomínio para a locação de curta temporada.

O dono do imóvel havia defendido que a proibição imposta pelo condomínio seria ilegal. Já o condomínio destacou que a lei municipal não permite serviço de hospedagem em HMP, por descaracterizar a destinação residencial.

Nesse processo, os desembargadores reverteram a decisão de 1ª instância, ao entender que convenções de condomínio podem restringir a locação de curta temporada. Os magistrados não mencionaram, contudo, que o caso envolvia imóvel popular.

Outra ação semelhante envolve o Mobi One Estação Oscar Freire, nas proximidades da famosa rua paulistana. Nesse caso, o proprietário defendeu que o short stay também seria um tipo de locação residencial e requereu a suspensão de multas que havia recebido pelo condomínio após receber hóspedes de plataformas virtuais.

“É certo que as locações realizadas pelo autor, em discussão nesta demanda, não estão em conformidade com a convenção de condomínio”, concluiu a juíza Mariah Calixto Sampaio Marchetti (Foro Regional II - Santo Amaro - 15ª Vara Cível). O imóvel ser HMP não foi mencionado na decisão, de 2024. O processo foi arquivado.

Procurada pela reportagem, a incorporadora que entregou o empreendimento (a One Innovation) respondeu que os casos envolvem “pedidos de cancelamento da alteração da convenção”.
Por que apartamentos HIS estão sob suspeita em SP?

Em São Paulo, moradias populares são construídas pelo mercado imobiliário com vários incentivos municipais, criados especialmente a partir do Plano Diretor (2014) e a Lei de Zoneamento (2016). Posteriormente, os benefícios foram ampliados por meio de decretos, portarias e alterações na legislação.

Pela lei, esse tipo de imóvel pode ser vendido a proprietário de maior rendimento, porém apenas se for averbado como investimento e com a obrigação de que seja locado para o público-alvo. Hoje, a restrição é a seguinte:
HIS-1 (renda mensal familiar de até três salários mínimos): R$ 4.863 (ou até R$ 810,50 per capita);HIS-2 (renda mensal familiar de três a seis salários mínimos): R$ 9.726 (ou até R$ 1.621 per capita);HMP (renda mensal familiar de seis a 10 salários mínimos): R$ 16.210 (ou até R$ 2.431,50 per capita).

Em janeiro de 2025, o Ministério Público ajuizou ação contra a Prefeitura, para mudanças na fiscalização do uso de HIS e HMP na cidade. A Justiça apontou até “negligência” do Município.

A gestão Nunes afirma ter intensificado a fiscalização. “A Prefeitura editou o Decreto 64.244/25, que reforçou os mecanismos de controle e fiscalização da produção de moradia popular para assegurar que as unidades habitacionais subsidiadas pelo Município cheguem efetivamente às famílias”, apontou em nota recente.

A legislação paulistana limita o valor de venda dessas unidades. Os tetos são:
HIS-1: R$ 276.102,20;HIS-2: R$ 383.636,74;HMP: R$ 537.672,71.

Dados do mercado imobiliário mostram que unidades HIS e HMP são 75% das autorizadas no sistema Aprova Digital (o principal usado pelo Município). Já um estudo calculou que a Prefeitura deixou de arrecadar ao menos R$ 1 bilhão com parte dos benefícios concedidos para a construção desses apartamentos.

Há cerca de 16 tipos de incentivos municipais construtivos, fiscais e tributários dispostos para HIS, conforme o levantamento, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a Fundação Tide Setubal.

Nessa política pública, diferentemente de condomínios da Cohab, a venda é feita diretamente pela construtora ou incorporadora. Não há lista prévia de pessoas priorizadas, exceto em casos específicos, definidos após o decreto do ano passado.

FERROVIÁRIO

A Tribuna - SP   28/01/2026

O modal ferroviário responde por 21,4% da movimentação de cargas no País, atrás apenas do rodoviário (67,61%). Os trens transportam em sua maioria minério de ferro, grãos e produtos siderúrgicos, com baixa participação de carga geral. No entanto, embora o setor tenha potencial de crescimento tanto em infraestrutura de transporte e na indústria, o avanço depende de políticas públicas consistentes e sinergia com o setor privado.

É o que demonstra o Panorama do Sistema Ferroviário Brasileiro com Foco em Carga Geral, que mapeia o setor ferroviário no Brasil. O estudo foi elaborado pelo Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) em parceria com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e publicado pela Infra S.A.

O estudo constatou que o setor ferroviário tem potencial econômico, mas está limitado por gargalos estruturais, altos custos, baixa escala produtiva e desafios tecnológicos. O relatório também aponta o potencial da indústria ferroviária nacional, cujo crescimento é ínfimo por falta de demanda de produção e da importação de parte da infraestrutura como trilhos, por exemplo.

Conforme o mapeamento, alavancar o setor de transportes ferroviários e a indústria depende de políticas públicas integradas, inovação, expansão da malha e maior articulação entre investimentos públicos e privados. Entre os principais desafios estão a volatilidade da demanda e o Custo Brasil, enquanto as oportunidades incluem novas concessões, substituição de importações e projetos de trens regionais.

A Infra S.A. informou ainda que tem uma carteira de oito projetos de concessões ferroviárias para 2026, que ultrapassam 9 mil quilômetros de trilhos, com investimentos que somam R$ 800 bilhões. O Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, e o Corredor Leste-Oeste, composto por ferrovias que se encontram em fase de construção também pela Infra S.A.: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) fazem parte das ferrovias previstas para serem concedidas.

O Plano Nacional de Logística (PNL) 2035, que foi utilizado como fonte para o panorama, aponta a meta do Governo Federal de ampliar a participação do modal ferroviário na matriz de transportes dos atuais 21% para 40% até 2035.

Modais

O levantamento mostra que a matriz de transporte de cargas no Brasil segue fortemente concentrada no modal rodoviário, especialmente de produtos agrícolas, industriais e de consumo. O ferroviário aparece em segundo lugar e a cabotagem responde por 8% das cargas, principalmente contêineres e combustíveis.

Já o hidroviário participa com cerca de 1,5%, com destaque para as principais hidrovias do Norte e do Centro-Sul. O dutoviário representa pouco mais de 1%, voltado ao transporte de líquidos e granéis gasosos, e o modal aéreo tem participação residual, inferior a 0,1%.

O estudo aponta que o modal rodoviário é o melhor para curtas distâncias, de até 400 km, devido à flexibilidade e à rapidez no transporte porta a porta, especialmente em áreas urbanas, embora tenha custos mais elevados em trajetos longos.

Para distâncias intermediárias, entre 400 km e 1,5 mil km, o ferroviário se mostra mais eficiente e sustentável, sendo indicado para grandes volumes, com menor consumo de energia e impacto ambiental. Já o hidroviário e a cabotagem são ideais para longas distâncias, de 1,5 mil a 3 mil km, destacando-se pelos baixos custos operacionais e pelo menor impacto ambiental, embora dependam de infraestrutura adequada.

Último no ranking

A densidade da malha ferroviária é um dos principais indicadores da eficiência do transporte de cargas e passageiros, sobretudo em países de grande extensão territorial, onde o modal é estratégico para o escoamento de commodities e produtos industriais. Uma análise comparativa entre as redes ferroviárias de dez países — incluindo Brasil, Estados Unidos, China e Rússia — revela como fatores geográficos, econômicos e históricos influenciam o nível de interconectividade das ferrovias e sua capacidade de atender às demandas nacionais.

No recorte por área territorial, o Brasil aparece na última posição entre os países analisados, com densidade de apenas 3,62 quilômetros de ferrovias a cada mil quilômetros quadrados. O dado evidencia a baixa cobertura ferroviária em relação à dimensão do território brasileiro e reforça a carência de infraestrutura capaz de conectar, de forma eficiente, regiões produtoras, centros consumidores e áreas exportadoras, um gargalo histórico da logística nacional. Quando a análise considera a densidade ferroviária por população, o Brasil ocupa a sétima colocação, com 0,15 quilômetro de ferrovia por milhão de habitantes.

Embora o índice seja superior ao de China e Índia, países que concentram as maiores populações do mundo, ele ainda permanece abaixo do observado na maioria das nações avaliadas, indicando limitações no atendimento às demandas internas de transporte. A insuficiência da malha ferroviária brasileira gera impactos diretos sobre a logística, elevando os custos de transporte e reduzindo a competitividade do País no mercado internacional.

Minério de ferro

O transporte ferroviário brasileiro manteve forte concentração em poucos tipos de carga entre 2010 e 2024. No período, três subgrupos — minério de ferro, soja e farelo de soja, e produção agrícola — responderam juntos por 87% de todo o volume movimentado pelas ferrovias no País, evidenciando o papel estratégico do modal no escoamento de commodities. É o que aponta o Panorama do Sistema Ferroviário Brasileiro com Foco em Carga Geral, do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) em parceria com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), publicado pela Infra S.A.

O minério de ferro permaneceu como o principal produto transportado, alcançando seu maior volume em 2018, com 441,4 milhões de toneladas úteis (TU). Em 2019, houve queda de 18% em relação ao ano anterior, reflexo direto do rompimento da barragem de Brumadinho, que interrompeu operações no Complexo Córrego do Feijão e afetou toda a logística associada, inclusive trechos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

Apesar de o volume bruto ter voltado a crescer nos anos seguintes, a participação do minério no total transportado atingiu o pico em 2016, com 78,7%, e recuou para 72,3% em 2024. O subgrupo formado por soja e farelo de soja teve crescimento expressivo ao longo da série histórica. O volume transportado mais que dobrou, saltando de 20,6 milhões de TU em 2010 para 43,4 milhões de TU em 2024, quando passou a representar 8% do total ferroviário.

O avanço foi mais acentuado especialmente em 2017 e 2018, acompanhando a expansão da produção agrícola e da logística de exportação. Tendência semelhante foi observada no subgrupo “produção agrícola”, que reúne produtos agrícolas exceto soja e farelo. O volume transportado foi de 19,4 milhões de TU em 2010 para 36,1 milhões de TU em 2024, alcançando participação de 6,7% do total movimentado pelas ferrovias. Embora ainda tenham peso reduzido na matriz ferroviária, os subgrupos “contêiner” e “adubos e fertilizantes” também registraram avanço relevante em termos absolutos.

Cada um respondeu por cerca de 1% do volume total transportado, mas apresentaram crescimento acumulado de 140% e 60%, respectivamente, indicando diversificação gradual das cargas atendidas pelo modal ferroviário brasileiro.

Abifer tem demandas estratégicas

A Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) apontou demandas consideradas essenciais para impulsionar a modernização, a competitividade e a sustentabilidade do setor ferroviário brasileiro. As propostas envolvem desde a renovação da frota até ajustes tributários e ampliação de instrumentos de financiamento, com foco no aumento da participação das ferrovias na matriz nacional de transporte de cargas.

Substituição

Entre as principais prioridades está a substituição de vagões e locomotivas com mais de 50 anos de uso por equipamentos dotados de inovações tecnológicas e soluções sustentáveis. Segundo a entidade, a renovação da frota pode gerar uma economia anual de 58 milhões de toneladas de combustível e reduzir em cerca de 150 mil toneladas por ano as emissões de CO2, além de elevar em pelo menos 30% a produtividade das concessionárias de carga e aumentar a segurança operacional.

Alíquota

A Abifer também defende a elevação da alíquota de importação de produtos ferroviários, dos atuais 11,2% para 35%, como forma de equiparar o setor aos demais modais de transporte e fortalecer a indústria nacional. Outra demanda é o apoio à política de Estado conduzida pelo Ministério dos Transportes, que prevê, por meio da Infra S.A., ampliar a participação do modal ferroviário na matriz de cargas dos atuais 27% para 40% até 2035.

Linhas de crédito

No campo do financiamento e dos incentivos, a entidade quer a inclusão do setor ferroviário no programa Mover, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do acesso a linhas de crédito do Fundo Clima, operado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A manutenção do regime tributário especial Reporto, além de 2028, também é apontada como fundamental para garantir previsibilidade aos investimentos. Segundo a associação, o atendimento a essas demandas é decisivo para aumentar a eficiência logística, reduzir impactos ambientais e fortalecer a indústria ferroviária brasileira.

Valor - SP   28/01/2026

TIC Trens propõe aditivo de até R$ 2,5 bi para fazer duplicação para via expressa

Prestes a dar início às obras do Trem Intercidades (TIC) entre a capital paulista e Campinas (SP), a concessionária TIC Trens se prepara para discutir com o governo paulista uma ampliação do projeto. A empresa propõe construir uma linha adicional, que seria destinada às viagens expressas entre os dois municípios. O aditivo poderá chegar a um limite de cerca de R$ 2,5 bilhões, estima Pedro Moro, diretor-presidente da TIC Trens, concessionária formada pelo grupo Comporte (da família Constantino) e pela chinesa CRRC.

“O edital já previa essa possibilidade de duplicação da via, com um custo limitado. Estamos fazendo o projeto detalhado, até o fim do ano devemos terminar para tentar aprovar com o governo”, afirmou o executivo.

O grupo conquistou o contrato no início de 2024, em um leilão sem concorrentes. O projeto, que previa investimentos em torno de R$ 14 bilhões (em valores da época da concorrência), inclui a gestão da Linha 7-Rubi de trens urbanos, já em operação entre a capital e Jundiaí, e a construção do trem até Campinas.

Serão oferecidos dois serviços aos passageiros. Um deles, com paradas, será formado pela Linha 7 e por uma linha de trem que será construída pela empresa, entre Jundiaí e Campinas. O trajeto total deverá ser feito em 94 minutos. Além disso, haverá uma viagem expressa, da capital a Campinas, com uma só parada em Jundiaí, feita em 64 minutos.

O problema é que, pelo contrato inicial, sem a duplicação, os trens da viagem com paradas e os da viagem expressa terão que compartilhar a mesma linha. Isso significa dificuldades na operação, mais riscos de atrasos em caso de imprevistos e uma limitação caso, no futuro, o Estado decida ampliar a malha ferroviária para além de Campinas, segundo Moro.

“Do ponto de vista da operação, fazer a duplicação faz todo o sentido”, afirmou. Porém, agora resta avaliar se a construção é viável. “O principal é entender o custo da obra, além de ver o impacto no cronograma do projeto.”

Caso a duplicação se mostre viável e o aditivo seja aprovado pelo Estado, o contrato prevê um limite de aporte público adicional na obra, que Moro calcula em aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Questionada sobre o tema, a Secretaria de Parcerias em Investimentos disse que a concessão já prevê a possibilidade de duplicação. “O contrato estabelece que a concessionária deve apresentar os projetos e, se os custos estiverem dentro da faixa prevista, a obra é realizada conforme as regras.”

A primeira parte da obra, do trem entre Jundiaí a Campinas, deverá começar até maio. O trecho deverá ficar pronto em 2029, o que já permitirá oferecer viagens com paradas. “Estamos finalizando os projetos, com a licença ambiental protocolada e na fase final de seleção da construtora.”

Em 2031, deverão começar as viagens expressas, o que dependerá de uma segunda etapa da obra, com a construção de uma linha adicional entre São Paulo e Jundiaí. Hoje o trajeto, percorrido pela Linha 7, divide os trilhos com os trens de carga da MRS, uma concessionária federal.

As obras entre Jundiaí e Campinas começam no máximo até maio”

— Pedro Moro

A companhia assinou um aditivo com a União em 2022, no qual se comprometeu a investir em uma nova linha entre a capital e Jundiaí, fazendo a segregação dos trilhos de carga e passageiros. Uma vez que essa via for entregue, será possível usar os trilhos de passageiros para a Linha 7 e para o trem expresso até Campinas, enquanto a MRS terá sua própria via para escoar carga.

A previsão é que esta parte das obras comece no segundo semestre deste ano, afirmou Moro. Será a etapa mais complexa da construção, porque se dará em um trecho no qual já existe operação.

Outro desafio serão as obras do terminal Água Branca, na capital, de onde partirão os trens até Campinas. A ampliação ainda depende de desapropriações de imóveis da União, processo pendente e que já comprometeu a programação inicial em diversos meses.

“Estamos remodelando o cronograma porque em outubro deste ano começa a operar a Linha 6-Laranja [operada pela Acciona ], que terá uma integração na Água Branca. Na primeira fase da operação, será a única integração da linha, então não temos como fechar a estação”, disse Moro. Uma ideia em análise é atrasar as obras no local, possivelmente até o segundo semestre de 2027, quando a Linha 6 terá integração com outras linhas, em outras estações.

A entrada de novos trens, outra obrigação do contrato, também deverá seguir o cronograma: até 2029, deverão ser entregues sete trens para o trecho com paradas. Os equipamentos deverão ser construídos pela sócia CRRC, na fábrica recém montada pela chinesa em Araraquara (SP). Já outros 15 trens destinados à viagem expressa serão importados da China.

Em meio ao avanço do projeto do TIC Campinas, a parceria entre Comporte e CRRC já analisa outras oportunidades. O principal ativo no radar é a concessão das linhas 10-Turquesa e 14-Ônix. O governo paulista planeja fazer o leilão no segundo semestre deste ano.

A Comporte já está presente em outros sistemas de trilhos, como o VLT da Baixada Santista, o Metrô de Belo Horizonte e a concessão das linhas 11, 12 e 13 em São Paulo - esta última, conquistada no início de 2025, sem os chineses.

No caso da CRRC, o foco no segmento é a fabricação de trens - por isso o interesse do grupo apenas nas concessões que preveem compra de equipamentos, como será o caso das linhas 10 e 14. No ano passado, a companhia arrendou uma planta já existente no interior paulista para iniciar sua produção local de trens. A decisão veio após a vitória em uma licitação do Metrô de São Paulo para o fornecimento de 44 trens. O financiamento pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) prevê uma parcela de nacionalização da produção, o que levou à vinda dos chineses.

NAVAL

Diário do Aço - MG   28/01/2026

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, promove, nos dias 5 e 6 de fevereiro, em Ipatinga, o “Conexões MME – Encontro Nacional de Grandes Compradores da Indústria do Petróleo, Gás e Naval no Vale do Aço”. A iniciativa marca a retomada da indústria naval na região, fortalecendo a cadeia produtiva, da inovação industrial e o desenvolvimento regional, reconhecendo a importância do Leste de Minas no desenvolvimento industrial do país. As informações foram divulgadas pela assessoria do ministro.

O Conexões MME tem como objetivo aproximar grandes compradores nacionais do setor metalmecânico da região, criando oportunidades reais de receita e geração de empregos. A programação do evento conta com a realização de painéis temáticos, debates, rodadas de negociações e apresentações de oportunidades e perspectivas para a indústria do aço, além de uma feira com estandes de empresas da região.

Alexandre Silveira destaca que a escolha de Ipatinga como sede do encontro reflete o reconhecimento do Vale do Aço como um dos principais polos industriais do país, com capacidade técnica, tradição produtiva e papel estratégico na retomada da indústria naval brasileira.

“Conheço de perto a história e a força da indústria do Vale do Aço e o potencial das empresas da região. Por isso, estamos criando a conexão entre a capacidade produtiva local e as oportunidades de negócios com grandes empresas nacionais dos setores de petróleo, gás e naval. Queremos buscar investimentos e o desenvolvimento econômico regional, gerando empregos e estimulando o crescimento do Vale do Aço”, afirmou o ministro.

Oportunidade
O evento conta com o apoio da Fiemg Vale do Aço e será realizado na sede da entidade. A abertura oficial ocorre às 9h30 da quinta-feira (5/2), com a presença do ministro, autoridades, lideranças empresariais e executivos de grandes companhias do setor.

O presidente da Fiemg Regional Vale do Aço e do Sindimiva, João Batista Alves, destacou que o Vale do Aço reúne capacidade técnica, tradição industrial e um parque metalmecânico altamente qualificado. “O Conexões MME posiciona a região como protagonista na retomada da indústria naval, conectando compradores das empresas locais e contribuindo diretamente para o fortalecimento da competitividade do setor metalmecânico, criando oportunidades reais de negócios e desenvolvimento regional”, pontuou o presidente da entidade.

Portal Fator Brasil - RJ   28/01/2026

A retomada do estaleiro Enseada, em Maragogipe, no Recôncavo da Bahia, foi consolidada no dia 26 de janeiro (segunda-feira), a entrega de 13 barcaças mineraleiras, com capacidade de carregamento de minério de ferro de até 2.900 toneladas. Este foi o carregamento do primeiro lote de 13 barcaças, no distrito de São Roque do Paraguaçu. O equipamento voltou a operar em 2025, com geração de cerca de 600 empregos diretos e até 900 indiretos.

A construção das barcaças da LHG Mining, do Grupo J&F, está sendo feita através de um consórcio, que envolve parceria com a Tenenge, do Grupo Novonor. A construção das barcaças estão sendo realizadas por quatro estaleiros brasileiros, localizados nas regiões Norte e Nordeste, incluindo o Enseada, — um dos maiores do país, com capacidade de processar mais de 100 mil toneladas de aço por ano, com o maior guindaste da América Latina, operando também em exportação, importação e projetos voltados à energia renovável e hidrogênio verde.

— Hoje estamos aqui num dia especial, vendo realmente a construção e a entrega dessas barcaças que vão ser carregadas nos navios oceânicos. São R$80 e R$ 500 milhões de investimento e o retorno da geração de emprego é o que deixa a gente mais feliz — disse o diretor da LHG, Darlan Carvalho.

InfraRoi - SP   28/01/2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) assinou o contrato de adesão do Terminal de Uso Privado (TUP), vinculado ao Projeto Natureza, da CMPC, no Porto de Rio Grande, no estado gaúcho. O empreendimento portuário e logístico prevê investimentos de aproximadamente R$ 24 bilhões para implantação de uma nova unidade industrial de celulose em Barra do Ribeiro (RS) e à estruturação da logística de exportação.

A intenção do governo federal é aumentar a importância do Porto de Rio Grande para o desenvolvimento nacional. A expectativa é de que o acordo promova um salto de eficiência logística ao reduzir custos, ampliar a capacidade de escoamento da produção e fortalecer a competitividade das exportações brasileiras.

O Projeto Natureza deve impactar mais de 75 municípios no Rio Grande do Sul e gerar cerca de 12 mil postos de trabalho durante as obras e aproximadamente 1,5 mil após sua conclusão. Com a ampliação da produção, a expectativa é de um escoamento superior a 4,3 milhões de toneladas de celulose por ano, o que motivou a implantação de dois novos Terminais de Uso Privado no estado, em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com investimentos estimados em R$ 1,4 bilhão.

O TUP do Porto de Rio Grande terá capacidade de movimentar até 9 milhões de toneladas por ano, a partir do 11º ano de operação, com infraestrutura para armazenagem de cerca de 194 mil toneladas e operação simultânea de dois navios. A operação do terminal deve gerar mais de 400 empregos diretos e cerca de 2.100 indiretos, além de aproximadamente 1.500 postos de trabalho durante a fase de construção.
Programa Mar Aberto

O MPor também destacou a assinatura de contratos do Programa Mar Aberto, iniciativa da Petrobras voltada à renovação da frota de apoio marítimo. Ao todo, os contratos somam R$ 2,8 bilhões para a construção de cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores, com potencial de geração de mais de 9 mil postos de trabalho diretos e indiretos. As embarcações serão operadas pela Transpetro e construídas em estaleiros do Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   28/01/2026

Os preços do petróleo fecharam em alta de 3% nesta terça-feira, 27, com as petroleiras se recuperando de uma tempestade de inverno que prejudicou a produção e levou as exportações da Costa do Golfo dos EUA a zero no fim de semana.

Os preços futuros do petróleo Brent subiram US$ 1,98, ou 3,02%, a fechando a US$ 67,57 por barril. O petróleo West Texas Intermediate ficou em alta de US$ 1,76, ou 2,9%, a US$ 62,39 por barril.

Os produtores de petróleo dos EUA deixaram de produzir até 2 milhões de barris por dia, ou cerca de 15% da produção nacional durante o fim de semana, segundo estimativas de analistas e comerciantes, já que uma forte tempestade de inverno varreu o país, sobrecarregando a infraestrutura de energia e as redes elétricas.

O clima severo impulsionou os futuros do petróleo, com os riscos de curto prazo inclinados para cima devido aos temores de interrupções no fornecimento, disse Fawad Razaqzada, analista de mercado da City Index.

“O clima frio nos EUA provavelmente causará reduções bastante significativas nos estoques de petróleo nas próximas semanas, principalmente se esse clima persistir”, disse Tamas Varga, analista de petróleo da corretora PVM.

As exportações de petróleo bruto e gás natural liquefeito dos portos da Costa do Golfo dos EUA caíram para zero no domingo em meio ao clima frio, informou o serviço de rastreamento de navios Vortexa.

As exportações se recuperaram na segunda-feira, com os fluxos chegando acima dos números sazonais com a reabertura dos portos, disse Samantha Santa Maria-Hartke, chefe de análise de mercado da Vortexa.

CNN Brasil - SP   28/01/2026

A Petrobras se prepara para uma nova fase de exploração na Bacia do Solimões, no coração da Amazônia. A empresa prevê a perfuração de 22 novos poços de petróleo e gás natural a partir de 2026, ampliando a atuação na maior reserva terrestre desses hidrocarbonetos do Brasil.

“Aprovamos esses 22 poços. 20 poços vão ser perfurados na campanha que se inicia em janeiro de 2026 e que vai até 2030. São 20 poços na área que já conhecemos. Dois poços estão fora, que podem fazer novas fronteiras exploratórias”, afirmou à CNN Brasil o gerente geral da base de produção e exploração da Petrobras em Urucu (AM), Hilter Bandeira.

"Ou seja, a partir desses 22 poços, vamos ter ideia de novos projetos e de trazer novos investimentos para a região."

A expectativa da Petrobras é aumentar a produção para compensar o declínio natural de poços mais antigos.

“Isso é importante por conta da nossa curva de declínio. Todos os poços têm, conforme nossa vida também, uma curva de declínio. Então, você chega no seu auge de produção e começa a reduzir aos poucos a produção daquele poço”, acrescentou Bandeira.

"Temos alguns mecanismos de auxílio que fazem manter a produção, mas é preciso sempre estar aumentando a produção, perfurando, para manter nosso mercado, nosso fornecimento e entrega de gás para Manaus."

No entanto, os resultados dessas novas perfurações ainda são incertos. Até que sejam perfurados, não há garantia de que todos os novos poços vão ser produtivos ou viáveis comercialmente.

Riqueza estratégica

Localizada em Urucu, a 650 quilômetros de Manaus, a base de operações da companhia já abriga cerca de 100 poços, dos quais 75 são produtivos.

A área é de difícil acesso e cercada por uma floresta densa. É impossível chegar de carro ou de ônibus. Não há estradas que liguem Urucu ao mundo exterior. Isso foi pensado de propósito para preservar ao máximo a floresta nativa e evitar a formação de novos povoados ao redor da região.

A base da Petrobras em Urucu produz atualmente cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia, o que representa 3,5% do consumo diário nacional.

Além disso, são extraídos 13,5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, volume que ajuda a gerar 65% da energia elétrica de Manaus.

Cerca de 80 mil botijões de gás de cozinha também saem da região diariamente, suprindo as necessidades do Norte e parte do Nordeste.

O óleo e o gás de cozinha saem de Urucu em 285 quilômetros de dutos até Coari. Dali os produtos são escoados por navios e barcaças.

Já o gás natural chega direto a Manaus por um gasoduto de 663 quilômetros, que segue floresta adentro.

Com petróleo de alta qualidade — baixo teor de enxofre e metais —, a produção de Urucu é voltada para derivados nobres como diesel, gasolina, nafta petroquímica e querosene de aviação.

As buscas por petróleo na Amazônia datam da primeira metade do século 20. Sem muita tecnologia, as pesquisas se limitavam às margens dos rios. Mas a insistência dos desbravadores foi recompensada. Em 1986, petróleo e gás com viabilidade econômica passaram a jorrar em Urucu.

Desde a descoberta da reserva, o campo vem sendo explorado com foco na preservação ambiental. A Petrobras afirma ocupar apenas 2% da área total da concessão, mantendo 98% da floresta nativa intocada.
Impacto local e compensações

A base da Petrobras fica no município de Coari, no Amazonas, com pouco mais de 70 mil habitantes. Em 2020, a cidade recebeu mais de R$ 58 milhões em royalties. Esse valor mais do que dobrou em 2022, quando o preço do petróleo atingiu a máxima histórica. De lá pra cá, os repasses somam mais de R$ 274 milhões.

Apesar da distância dos grandes centros urbanos, cerca de mil funcionários vivem em Urucu em regime de escala – ficam 14 dias na base e 21 em casa. Eles contam com alojamento, academia, ambulatório, farmácia e áreas de lazer para enfrentar as longas jornadas longe da família.

Francianne Giovanella, enfermeira que trabalha há 18 anos na unidade, destaca o papel da convivência entre os colegas.

“Eu tenho 18 anos de Urucu, então as pessoas que trabalham comigo vêm de longa data. Elas são mais do que colegas de trabalho. São pessoas com quem compartilho a minha rotina, com quem compartilho meus anseios, os meus medos e as alegrias que eu tenho.”
Transição energética e reflorestamento

A Petrobras adota uma série de medidas para minimizar o impacto ambiental da exploração. Após o encerramento das atividades em um poço, a área é reflorestada com mudas de espécies nativas germinadas em viveiros locais. Até agora, mais de 1,5 milhão de mudas já foram plantadas na região.

O reaproveitamento de resíduos também faz parte da rotina da base. O lixo orgânico é transformado em adubo e o restante dos resíduos é tratado em Manaus.

De olho na sustentabilidade, a empresa quer zerar as emissões operacionais de gases de efeito estufa até 2050.

Emanuela Santos, gerente setorial do Programa Carbono Neutro da Petrobras, afirma haver um foco em eficiência e mitigação em Urucu.

“A gente precisa fazer com que uma transição de uma fonte para outra faça com que todas as pessoas possam ter acesso aos serviços energéticos. [...] A preservação da Amazônia é o coração da estratégia de gestão de clima do Brasil.”

Jornal de Brasília - DF   28/01/2026

Os preços do petróleo fecharam em alta, nesta terça-feira (27), impulsionados pela produção ainda limitada na principal jazida petrolífera do Cazaquistão e pela queda do dólar, moeda de referência para as transações com a commodity.

O preço do barril de Brent do mar do Norte para entrega em março fechou em alta de 3,02%, a 67,57 dólares.

Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate, para entrega no mesmo mês, avançou 2,90%, a 62,39 dólares.

A produção na principal jazida de petróleo do Cazaquistão foi retomada progressivamente na segunda-feira, mais de uma semana depois de um incêndio que paralisou a instalação, anunciou a empresa Tengizchevroil (TCO).

“Mas parece que continuará muito abaixo de sua capacidade normal durante várias semanas mais”, disse à AFP Andy Lipow, da Lipow Oil Associates. O local opera com 50% de sua capacidade, acrescentou.

Analistas estimam que o mercado tenha sido privado de aproximadamente um milhão de barris diários de petróleo cazaque após a interrupção da produção.

O setor petroleiro do Cazaquistão está sob tensão há vários meses devido aos ataques ucranianos contra as infraestruturas russas, das quais Astana depende para exportar seus hidrocarbonetos.

Segundo Lipow, os preços também sobem devido ao enfraquecimento generalizado do dólar, que em uma semana recuou mais de 2% e se situava, nesta terça, em seu nível mais baixo perante o euro em mais de quatro anos.

Como o petróleo é cotado na moeda americana, tecnicamente é mais barato para outros países quando o dólar recua, o que aumenta a demanda.

O mercado também se questiona sobre as consequências na produção de petróleo da grande tempestade de inverno em grande parte dos Estados Unidos no fim de semana.

“As estimativas oficiais das perdas de produção relacionadas com as condições meteorológicas ainda não estão disponíveis”, disse Carsten Fritsch, do Commerzbank.

O frio polar fez dispararem os preços do gás americano devido, em particular, ao forte aumento da demanda.

TN Petróleo - RJ   28/01/2026

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) lança hoje, terça-feira (27/1) a 8ª edição do "Perspectivas do Gás no Rio 2025-2026", uma publicação Firjan SENAI SESI. O documento revela que o mercado de gás atravessa uma transformação estrutural profunda – com reflexos naturais no estado do Rio, impulsionada pelos cinco anos da Nova Lei do Gás e avanços regulatórios, investimentos e novos modelos de negócio com novos contratos e uso do biogás.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) lança nesta terça-feira (27/1) a 8ª edição do "Perspectivas do Gás no Rio 2025-2026", uma publicação Firjan SENAI SESI. O documento revela que o mercado de gás atravessa uma transformação estrutural profunda – com reflexos naturais no estado do Rio, impulsionada pelos cinco anos da Nova Lei do Gás e avanços regulatórios, investimentos e novos modelos de negócio com novos contratos e uso do biogás.

Com 75% da produção nacional de gás natural concentrada em seu território, o Rio de Janeiro reafirma sua posição como o principal polo de infraestrutura para movimentação e processamento de gás natural do país. O estudo destaca que o gás natural não é apenas um insumo energético, mas o vetor central para a competitividade industrial e a segurança energética nacional.

Para baixar a publicação e acessar os dados dinâmicos do "Perspectivas no Gás no Rio 2025-2026" clique em Observatório Firjan no link https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/perspectivas-do-gas-no-rio-2025-2026

Presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano enfatiza que a maturidade do mercado exige agora uma coordenação institucional sólida e segurança jurídica para transformar o potencial produtivo em redução de custos para a ponta final:

"A abertura do mercado de gás vai muito além da ampliação de agentes; trata-se de uma mudança estrutural que exige a redefinição de competências, revisão de tarifas e um ambiente regulatório previsível. Para o Rio de Janeiro, esta é uma oportunidade ímpar de liderar a transição energética e a reindustrialização do Brasil, desde que as decisões sejam alinhadas ao desenvolvimento econômico e à redução de custos para a nossa indústria", afirma Luiz Césio Caetano.

Destaques dos dados dinâmicos da publicação:

Produção bruta: A produção diária de gás natural no país aumentou 16% em 2025, alcançando 178 milhões m3/dia, segundo dados da ANP (até o mês de novembro) compilados pela Firjan em comparação à média diária do ano de 2024. O Rio de Janeiro segue como maior produtor, respondendo por 75% do gás nacional, o que corresponde a um volume de 137 milhões m3/dia.

Somente no Rio de Janeiro, a produção bruta cresceu 20% no mesmo período. Ao compararmos os avanços no ambiente de produção em um período mais alongado, como aquele da aprovação da Nova Lei do Gás em 2021, os volumes diários produzidos entre janeiro e novembro de 2025 alcançaram patamares 60% acima daquele ano no estado e 33% acima a nível nacional.

Gás nacional disponível ao mercado: Maximizar o aproveitamento da produção nacional de gás natural é um dos desafios deste mercado. Os dados mostram que uma parcela menor do gás produzido no país chegou ao mercado em 2025, quando comparamos a 2021. Saímos de um patamar de 42% para atuais 33%.

Isso não significa que não houve avanços na disponibilização do gás, apenas que não acompanhamos o ritmo de aumento da produção.

O início da operação do gasoduto Rota 3 e da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Complexo Boaventura contribuíram para que maiores volumes de gás nacional chegassem ao mercado, revertendo a tendência de queda observada nos últimos anos no país:
Gás nacional disponível – Brasil (2024-2025): de 50 milhões m3/dia para 59 milhões m3dia (+ 18%) Gás nacional disponível – Brasil (2021-2025): de 55 milhões m3/dia para 59 milhões m3dia (+ 6%) Gás nacional disponível – Rio de Janeiro (2024-2025): de 26milhões m3/dia para 33 milhões m3dia (+ 24%)

Gás nacional disponível – Rio de Janeiro (2021-2025): de 24 milhões m3/dia para 33 milhões m3dia (+ 6%)

Sobre a publicação: O panorama "Perspectivas do Gás no Rio 2025–2026" é o momento em que a Firjan reafirma seu compromisso de fortalecer o papel do gás natural na reindustrialização, na transição energética e no desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Ao reunir importantes agentes da indústria e do poder público de forma integrada a Firjan busca qualificar o debate e apresentar as perspectivas para o ano que se inicia. O resultado é um panorama sobre os desafios e oportunidades que moldarão o mercado de gás, oferecendo subsídios técnicos para formuladores de políticas públicas e agentes econômicos.

Estruturada em quatro eixos centrais — Tributação, Regulação, Infraestrutura e Modelos de Negócio — a 8ª edição discute o momento de transformação estrutural vivido pelo mercado de gás natural no estado do Rio de Janeiro.

Para a gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, "um salto de qualidade do mercado de gás fluminense passa por uma maior integração de ativos como o Porto do Açu e Cabiúnas à malha de transporte nacional, garantindo que o gás chegue de forma competitiva ao setor produtivo".

O "Perspectivas do Gás no Rio 2025-2026" conta com a colaboração das seguintes instituições: BNDES, Petrobras, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Ministério de Minas e Energia (MME), Receita Federal, Naturgy, Sinergás, Mattos Filhos Advogados, Infis Consultoria, Origem Energia e Conselho de Usuários do Sistema de Transportes de Gás Natural (CdU), oferecendo uma visão técnica sobre tributação, regulação, infraestrutura e modelos de negócio.

Destaques do estudo:

Preços do gás e a visão Rio de Janeiro: A Firjan destaca a importância e os desafios da redução dos preços para a competitividade do gás natural no país. Com uma cadeia ampla que se inicia nas atividades de produção até a distribuição aos consumidores finais, é preciso conciliar a modicidade nos custos de consumidores com justa remuneração aos investimentos realizados em cada etapa da cadeia.

A estimativa apresentada pela federação mostra que o preço final do gás natural aos consumidores industriais no Rio é formado por 13% referente ao valor da molécula, 10% referente ao escoamento, 36% referente ao processamento, 21% referente ao transporte e distribuição e aproximadamente 20% referente aos tributos. Por isso, é importante buscar a redução de custos em cada uma das etapas.

Segundo a federação, 2025 marcou uma série de ações de potencial impacto na redução dos custos do gás, como os avanços regulatórios à nível estadual e federal, além de ações individualizadas de atores do mercado como a Petrobras, que viabilizou a possibilidade customização de contratos. No estado fluminense, embora os impasses tenham se estendido ao longo do ano, tudo caminha para uma definição dos entraves no mercado livre de gás e recentes anúncios de redução tarifária.

Choque de oferta e reinjeção: O mercado aguarda um "choque de oferta" com o projeto Raia (Bacia de Campos), previsto para 2028. O estudo aponta a importância de viabilizar maiores volumes do gás, que atualmente é reinjetado, fazendo com que maiores parcelas da produção cheguem ao mercado, aumentando a oferta e a competição, com consequente redução nos preços aos consumidores.

Transição energética e biometano: O Rio já é um protagonista no mercado de biometano no país em termos de capacidade instalada e produção. Até 2027, outras cinco plantas estão mapeadas para entrar em operação, o que elevará ainda mais a capacidade instalada local. O potencial estimado para o estado é expressivo, da ordem de 1,3 milhão de m³/dia. O Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) surge como ferramenta essencial para a rastreabilidade e monetização de atributos ambientais.

Desafios tributários: A publicação alerta que o estado do Rio deve buscar consolidar uma política fiscal moderna, estando atento às movimentações de estados vizinhos, sob risco de perda de competitividade com impactos negativos na capacidade de atração de investimentos e condições menos favoráveis ao desenvolvimento do mercado livre de gás.

Infraestrutura e regulação: Um maior desenvolvimento do mercado de gás, depende, dentre outros, dos avanços na agenda regulatória de transporte e da harmonização entre as regulações federal e estadual (Agenersa), criando um ambiente mais propício para ampliação do consumo da segurança jurídica para novos investimentos.

AGRÍCOLA

Eae Máquinas - SP   28/01/2026

A YANMAR, multinacional japonesa fabricante de máquinas e soluções compactas para diversos setores da indústria brasileira, entre eles, o agrícola e de construção civil, confirma sua participação no Show Rural Coopavel, que acontece de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Durante o evento, a empresa apresentará um portfólio robusto de equipamentos voltados à alta performance, versatilidade e eficiência para o produtor rural brasileiro.

No estande da YANMAR, os visitantes poderão conhecer soluções integradas que acompanham todas as etapas da produção agrícola – da preparação do solo às operações de apoio, infraestrutura e geração de energia –, reforçando o compromisso da marca em oferecer tecnologia que impulsiona a produtividade e a sustentabilidade no campo.

Na linha de tratores Solis, a marca apresenta modelos que atendem desde pequenas propriedades até operações mais robustas. Entre os destaques está o Solis 26 SS 6×2, eleito Trator do Ano 2019/2020, que conta com 24 cv de potência e se destaca pela versatilidade em aplicações que exigem um equipamento estreito e baixo. O modelo é amplamente utilizado em operações de manutenção agrícola, pulverização em culturas adensadas — tanto anuais, como tomate e vagem, quanto perenes, como café, uva, pêssego e caqui — além de estufas e instalações agropecuárias, como aviários e currais.

Ainda na mesma família, o Solis 26 XL 9×9 combina design moderno com alta versatilidade operacional, oferecendo uma transmissão 9F + 9R, torque máximo de 75,2 Nm e opções variadas de rodados, que ampliam sua aplicação em diferentes segmentos e tipos de terreno. Já o Solis 60 entrega 60 cv de potência e forte desempenho na preparação de solo, favorecido pela grande distância entre eixos, que aumenta a tração e reduz a possibilidade de empinamento. O modelo conta ainda com embreagem dupla de dois estágios, ideal para operações com roçadeiras e ensiladeiras, permitindo interromper o deslocamento do trator sem desligar a tomada de potência.

Projetado especialmente para culturas perenes e adensadas, o Solis 75 Narrow Cabinado reúne características como largura reduzida, conforto operacional e alto desempenho. Equipado com motor turbo de elevado torque em baixas rotações, o modelo é indicado para aplicações que exigem potência na TDP, como trituradores e turbo atomizadores. O trator conta ainda com TDP Econômica, TDP Proporcional, tração dianteira auxiliar e sistema hidráulico com capacidade de levante de até 2.500 kg, além de duas válvulas de controle remoto.

Com foco em fruticultura e cafeicultura, o Solis 90 Narrow alia porte compacto a alto desempenho. Mesmo em dimensões reduzidas, o modelo possui motor turbo de alto torque, garantindo eficiência em implementos que demandam potência constante. O trator se diferencia pela opção de TDP Econômica, TDP Proporcional com inversão da rotação em marcha ré e sistema hidráulico com capacidade de 2.500 kg, oferecendo mais produtividade e economia de combustível no dia a dia.

Lançamentos na versão cabinada

O trator YM 347 lançado em 2022, será apresentado pela primeira vez ao público em sua versão cabinada. O modelo é projetado para atender principalmente  as culturas de café e frutas, e também de aves, e se destaca no mercado pelos diferenciais competitivos.

Com fabricação 100% YANMAR, o modelo além de econômico, eficiente e confortável para o operador, conta com 47.6 cv de potência e motor YANMAR 4TNV88, um dos mais eficazes do mercado. Dos diferenciais, a máquina conta ainda com exclusiva tecnologia YANMAR em sua transmissão 12×12 – com reversão de série, e se evidencia pela baixa compactação no solo.

Além dele, a marca também apresentará em primeira-mão o Solis 105 Cabinado, trator de maior potência do portfólio da marca. Equipado com motor 4 cilindros turbo com intercooler e 107 cv, o modelo entrega força e eficiência para operações mais exigentes. Sua transmissão ITAT 12x12, aliada ao levante hidráulico Mita com capacidade de 3.500 kg e dois cilindros auxiliares, proporciona versatilidade no uso de implementos agrícolas. O conforto do operador também é um diferencial, com ajuste de altura do volante, iluminação em LED e sistema de engate rápido nos braços inferiores, reguladores e estabilizadores.

A colheitadeira YH 880 em sua versão cabinada é outro destaque. Com a plataforma perfurada, que facilita a passagem e eliminação de impurezas, o modelo garante uma limpeza mais rápida e eficaz do material colhido. O debulhador, componente essencial no processo de separação dos grãos, também já vem preparado de fábrica para a colheita de milho, ampliando as possibilidades de uso do equipamento para diferentes culturas.

O radiador com tela autolimpante reduz de forma significativa o acúmulo de resíduos, evitando paradas frequentes para manutenção, garantindo maior desempenho e durabilidade. Além disso, a colheitadeira possui uma caixa redutora de rotação do rotor, recurso que permite ao operador ajustar a velocidade conforme a cultura trabalhada, assegurando melhor adaptação às condições de campo e preservação da qualidade dos grãos.

No segmento de máquinas de construção civil, a YANMAR apresenta equipamentos que se consolidam como importantes aliados do produtor rural em atividades de infraestrutura, manutenção e preparo de áreas. A ViO17 se destaca pelo peso operacional de 1.740 kg, motor de 10,1 kW e profundidade de escavação de 2.200 mm, além do exclusivo sistema de abertura e fechamento de esteiras, que reduz o acúmulo de resíduos e facilita a manutenção. Já a ViO27 combina estabilidade avançada, sistema hidráulico otimizado e o conceito de Verdadeiro Giro Zero, oferecendo mais produtividade e segurança em espaços reduzidos.

A ViO33C chega ao mercado com peso operacional de até 3,4 toneladas e motor YANMAR 3TNV88-ESBV2, de 18,9 kW, aliando eficiência de combustível e conformidade com as mais recentes normas de emissão. O modelo conta com engate rápido hidráulico de dupla trava, linha hidráulica adicional com vazão ajustável e recursos como monitor LCD colorido e modos Eco e de desaceleração automática. Com proposta semelhante, a ViO38 amplia o desempenho com peso operacional de até 3,7 toneladas e largura maior, mantendo o conceito de giro zero de traseiro e alta versatilidade para diferentes aplicações.

Voltada a operadores profissionais, a ViO55C se destaca pelo baixo consumo de combustível, conforto e durabilidade, oferecendo potência de 36,1 kW e capacidade de concha de 0,16 m³. Já o modelo SV100C combina potência de 54,7 kW e peso operacional de 9.825 kg, entregando rendimento de trabalho comparável a escavadeiras de maior porte, com diferenciais exclusivos das miniescavadeiras YANMAR, como deslocamento lateral da lança, lâmina frontal e sistema de inversão mecânica de comandos.

Complementando o portfólio apresentado no Show Rural Coopavel, a YANMAR expõe soluções em motores e geração de energia. O motor YANMAR 3TNV70-ASA, fabricado no Japão, possui três cilindros, seis válvulas e potência de 22,2 cv, sendo indicado para aplicações em miniescavadeiras, empilhadeiras e tratores de diferentes marcas. Reconhecido pela robustez, eficiência energética e durabilidade, o modelo é uma solução confiável para quem busca alto desempenho em diversas aplicações.

Na linha de grupos geradores, o destaque é o YBG28TE, equipamento de uso profissional com potência de até 27,5 kVA, acionado por motor YANMAR 4TNV98GGE, refrigerado a água. O gerador conta com alternador WEG eletrônico tipo brushless, frequência de 60 Hz e painel completo de instrumentos, atendendo às demandas de fazendas, construções, indústrias, comércios e residências.

“A participação no Show Rural Coopavel é estratégica para a YANMAR, pois nos permite estar próximos dos produtores, entender suas demandas e apresentar soluções completas que contribuem diretamente para o aumento da produtividade no campo”, destaca Anderson Oliveira, gerente Comercial da YANMAR South America. “Nosso portfólio foi pensado para atender desde pequenas propriedades até operações mais complexas, sempre com foco em eficiência, durabilidade e inovação”, finaliza.

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