Clipping Diário

22 | Janeiro | 2026

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   22/01/2026

O economista Roberto Giannetti da Fonseca avalia que a aprovação das medidas antidumping aguardadas pelo setor siderúrgico para este trimestre deve dar um fôlego para que a indústria nacional recupere mercado. Essas iniciativas englobam produtos de aço laminado a frio e revestidos vindos da China.

“Claro que eu preferiria ter um mundo sem tarifas, mas às vezes você tem de ser realista: a tarifa é necessária, a tarifa é indispensável, se não mata-se o paciente, mata-se a indústria”, afirmou ao Estadão/Broadcast o ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) — de 2000 a 2002, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso — e ex-diretor titular de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) — de 2004 a 2013.

Ele avalia que esse fôlego permitirá ao governo, em parceria com as empresas, pensar em uma agenda de competitividade para o setor, ante a necessidade de rever outros pontos que tornam o aço brasileiro caro.

A seguir, os principais pontos da entrevista:

Qual seria o efeito de medidas antidumping na situação da indústria siderúrgica hoje?

Temos um coeficiente de importação de aço chinês para o Brasil num nível que já preocupa a própria sobrevivência da indústria siderúrgica brasileira. Quase um terço do aço usado no Brasil hoje é importado, e isso é um paradoxo. Somos um país que tem todas as condições de competitividade, matéria-prima, melhor minério de ferro do mundo. Não nos falta nada. Mas temos desvantagens competitivas que têm agravado e prejudicado a indústria: excesso de carga tributária, inclusive nas exportações; logística deficiente; e o custo do capital. Temos um juro real que é insuportável. As indústrias consumidoras de aço reclamam do custo do aço brasileiro com razão. Eles conseguem comprar mais barato o aço importado. O aço importado na origem é subsidiado e vendido para o exterior abaixo do preço do mercado interno. Então, quando se tem essa evidência de uma concorrência desleal e já há uma desvantagem competitiva, a situação é extrema. Ou se conserta isso, ou a indústria vai morrer, vai acabar.
Esses custos elevados para se produzir no Brasil também denotam falta de tecnologia nas siderúrgicas do País?

A defasagem tecnológica se dá pela falta de apetite para investir. As empresas não têm segurança de que vão ter retorno. O custo do capital é elevado. O custo de investimento (capex) por tonelada de capacidade instalada de aço varia significativamente com base na tecnologia (alto-forno ou forno elétrico a arco), localização da planta e se é uma planta nova (greenfield) ou expansão (brownfield). Em média, os novos projetos siderúrgicos que temos avaliado no Brasil, na Índia, e na China indicam respectivamente custo por tonelada de capacidade instalada de aço de US$ 1,1 milhões no Brasil, US$ 800 mil na Índia, e US$ 500 mil na China. Ou seja, no Brasil temos um capex onerado pelo elevado custo do capital no processo produtivo dos equipamentos e montagem industrial, alto custo da mão de obra e da logística envolvida, e carga tributária sobre os investimentos. Com a reforma tributária em curso estima-se uma redução na carga tributária sobre investimentos. Mas persistem as demais desvantagens competitivas apontadas.

E o que é possível fazer para melhorar essas condições?

Uma medida tomada pelo (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) Geraldo Alckmin é o programa de depreciação acelerada, que proporciona menor imposto de renda. Como consequência, haverá menos endividamento, menor dependência de bancos e de custo de capital caro. É uma medida, por exemplo, que poderia ser reforçada para o setor siderúrgico, já que o resultado disso se refletiria na indústria automobilística, na indústria de eletroeletrônicos e de máquinas e equipamentos, todos que são utilizadores de aço. Política industrial virou um nome pejorativo durante um tempo. Nós estamos resgatando. O mundo todo está praticando política industrial. As próprias tarifas de importação são parte disso. Os países estão se protegendo. Claro que eu preferiria ter um mundo sem tarifas, mas às vezes você tem que ser realista: a tarifa é necessária, a tarifa é indispensável, se não mata-se o paciente, mata-se a indústria.
A aprovação de medidas antidumping, esperadas para o primeiro trimestre, para produtos chineses laminados a frio e revestidos resolveria apenas uma parte do problema, então?

Sim, a medida (antidumping) tem o sentido de dar uma proteção temporária para que a indústria ganhe fôlego, recupere o seu mercado interno e consiga, com isso, agilizar modernização e investimento. Ao mesmo tempo, é preciso que o governo discuta — porque algumas coisas dependem do governo — a política industrial, faça uma agenda de competitividade para o setor siderúrgico. Isso tem de ser tratado com uma espécie de força-tarefa. Tem de ser um plano de parceria público-privada que coloque realmente gente competente do governo e do setor privado pensando, agindo, realizando iniciativas para que daqui a três ou cinco anos o setor siderúrgico diga: ‘Não preciso mais de proteção tão alta. Vamos trabalhar com 10%, 12%, 8% e o setor sobrevive’.

Já houve algum momento em que a indústria disse isso?

Eu exportava aço para a China, para o Japão e para a Coreia na década de 80. Eu sou testemunha viva de que o Brasil foi, e foi muito, competitivo. Claro que ainda se exporta, mas pouquíssimo. O que precisamos pensar também é na venda, tanto quanto possível, de produtos de valor agregado, inclusive do aço transformado. Quando se exportam automóveis, máquinas, produtos elétricos e eletrônicos, se está também exportando o aço. E temos de ter uma política de exportação que busque também valorizar a agregação de valor. A reforma tributária vai facilitar isso, porque ela permite uma recuperação de impostos da cadeia produtiva de uma forma mais rápida.
Qual é a chance de, por exemplo, esse alto volume de importação da China começar a fazer outras rotas comerciais e chegar ao Brasil por outros países, burlando esse antidumping?

Acontece, sim, às vezes, a tentativa de triangulação. Temos de ficar espertos nos fluxos. Se houver, por exemplo, um aumento de exportação da Índia para o Brasil e verificarmos uma triangulação, devem ser tomadas medidas compensatórias.

Qual a perspectiva de aprovação de medidas antidumping para o setor hoje?

O momento está muito favorável para aprovação dos antidumpings. Primeiro, porque (os dumpings) estão, de fato, ocorrendo. Houve uma época em que era muito difícil se investigar essas ocorrências, porque não havia muita informação. Hoje a informação está mais fluida, mais transparente. É fácil obter informações para fazer um processo consistente. E também esse tumulto do tarifaço, dessa desorganização que aconteceu com o comércio mundial criou um ambiente mais aberto para proteção de mercado. Virou quase um efeito manada. Todos os países estão olhando uma forma direta ou indireta de proteção do seu mercado. A começar pelos Estados Unidos, que fazem isso de forma agressiva.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   22/01/2026

O IBC-Br de novembro, acima da mediana das expectativas do Projeções Broadcast, é uma peça a mais no quebra-cabeças do timing do primeiro corte da Selic pelo Banco Central (BC).

Livio Ribeiro, sócio-fundador da consultoria BRCG e pesquisador associado do FGV-IBRE, vê a economia no quarto trimestre de 2025 mais forte do que se pensava.

"A gente vê desde o final do ano passado o ciclo político-eleitoral funcionando, de forma mais sofisticada, com concessão de crédito e estímulos fiscais e parafiscais que passam fora do orçamento", diz Ribeiro.

Ele exemplifica com o programa Brasil Soberano (resposta ao tarifaço de Trump) e o de reforma de residências, que conjuntamente ofereceram cerca de R$ 70 bilhões em crédito garantido. "Tem muito dinheiro na rua", observa o economista.

Ele prevê o primeiro corte da Selic na reunião do Copom de abril, mas acrescenta que, se o BC fosse buscar para valer a meta de 3%, não haveria cortes da taxa básica este ano. Na sua projeção, a Selic fecha 2026 em 13,25%.

O analista aponta que a média de outubro e novembro dos serviços e do varejo (restrito e ampliado) está acima do terceiro trimestre de 2025.

Assim, para Ribeiro, o fato de os juros a 15% não terem provocado a desaceleração esperada obriga a uma revisão do que se entende por juro neutro no Brasil. Na sua visão, o juro neutro brasileiro hoje está por volta de 7,25%.

O economista assinala que a desinflação já ocorrida dependeu muito de quedas em itens específicos de forte peso, como alimentos e manufaturados 'tradables', não se disseminando da mesma forma para amplas parcelas do IPCA.

Já Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da gestora JGP, vê a desaceleração da atividade do terceiro trimestre se desdobrando para o quarto, mas com a discrepância de um mercado de trabalho ainda muito aquecido. Ele nota que a taxa de desemprego do trimestre até novembro, de 5,2%, é a menor em décadas, assim como o indicador dessazonalizado, de 5,5%.

Uma diferença, porém, em relação ao período de 2012-13, também de forte aquecimento do mercado de trabalho, é que, naquela época, mesmo com uma taxa de desemprego maior que a atual, a evidência anedótica de gargalos de mão de obra era bem maior, segundo Rocha.

Ele considera que uma possível explicação para a taxa muito baixa de desemprego são aplicativos como Uber e os de entrega, de acesso muito fácil para quem está desempregado (e deixa de estar assim que tenha qualquer ocupação).

Rocha cita número (de publicação do BC) de 2 milhões de pessoas trabalhando em aplicativos de transporte e entrega, o que corresponde a 2% dos ocupados e pode ajudar a explicar 2 pontos porcentuais (pp) a menos de taxa de desemprego. A isso se soma uma queda da taxa de participação (ante o pré-pandemia) de cerca de 1 pp - que alguns estudos indicam que pode ter sido causada em boa parte pelo forte aumento do Bolsa Família - e já se chega a 3pp de queda do desemprego não exatamente ligados à demanda por mão de obra.

Por outro lado, ressalva Rocha, o aumento real do salário mínimo na faixa de 4,5% ao ano - num ciclo robusto de alta real que vem de 2022 - é inegavelmente um sinal de aquecimento do mercado de trabalho.

No frigir dos ovos, o economista pensa que Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, deve prosseguir zelando por sua reputação anti-inflacionária e, assim, o primeiro corte da Selic não deve ocorrer em janeiro, para quando, inclusive, sua precificação diminuiu bastante. A primeira queda da Selic, portanto, seria deixada possivelmente para março.

O Estado de S.Paulo - SP   22/01/2026

Os tarifaços de Donald Trump são um "gol contra" em termos do bem-estar dos consumidores dos Estados Unidos, segundo recém-publicado estudo pelo Instituto Kiel, think tank sediado na cidade alemã de mesmo nome. Os autores são os economistas Julian Hinz, Aaron Lohmann, Hendrik Mahlkow e, A. Vorwig.

Na média, os importadores e consumidores norte-americanos pagaram por 94% do aumento das tarifas de produtos importados, enquanto os exportadores dessas mercadorias só reduziram em 4% seus preços. Segundo os economistas, se os Estados Unidos impõem uma tarifa de 25% num determinado produto, os exportadores reduzem seu preço pré-tarifa em menos de 1%.

O estudo usou dados de transporte de mercadorias, cobrindo mais de 25 milhões de transações de comércio exterior no valor de US$ 4 trilhões.

Os autores fizeram estudos de evento específicos para os casos do Brasil e da Índia, que foram particularmente atingidos por tarifaços de, respectivamente, 50% e 25-50%. Em ambos os casos, o volume de comércio despencou e os preços foram mantidos.

Os economistas escrevem que os resultados do trabalho têm profundas implicações:

"Se os exportadores estrangeiros não reduzirem seus preços em resposta às tarifas, então todo o ônus da tarifa recai sobre os compradores americanos. A tarifa não funciona como um imposto sobre produtores estrangeiros, mas como um imposto sobre o consumo sobre os americanos. Cada dólar de receita tarifária representa um dólar extraído de empresas e domicílios americanos".

A metodologia do estudo se valeu de dados no nível de remessa (shipment-level) para construir valores unitários (valor por kg) como medida primária de preços de importação. Ao comparar a variação de preços para um mesmo produto de diferentes países, os autores conseguiram isolar o efeito das tarifas de outros fatores de mercado.

Os economistas formulam algumas hipóteses sobre por que os exportadores de produtos para os Estados Unidos, atingidos pelo tarifaço, praticamente não absorvem o custo.

A primeira dela é a possibilidade de redirecionar as vendas para mercados alternativos na Europa e na Ásia. Também pode explicar a reação dos exportadores o fato de que cortes de preços para compensar uma tarifa de 50% seriam tão grandes que tornariam a operação comercial insustentável e não lucrativa.

Outro fator explicativo é a possível expectativa dos exportadores de que o tarifaço é temporário, e que fazer reajuste de preços, além de ser custoso, poderia sinalizar fraqueza e ser um chamariz para mais tarifas. Finalmente, há a rigidez das cadeias de suprimento, com importadores dos Estados Unidos frequentemente mantendo relações de longo prazo com fornecedores dos quais acabam dependentes - isso, por sua vez, aumenta o poder de barganha dos exportadores.

Os economistas notam também que, em última instância, são os consumidores americanos que pagam a conta do tarifaço. Isso ocorre porque os importadores e atacadistas tendem a repassar o custo da tarifa para a frente, assim como as indústrias que importam insumos e o comércio varejista.

Assim, para os autores, "o aumento de US$ 200 bilhões em receitas tarifárias [causado pelos tarifaços] representa US$ 200 bilhões extraídos das empresas e das famílias americanas".

Diário do Comércio - MG   22/01/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro subiu 1,1% em novembro ante outubro, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com novembro de 2024, houve crescimento de 1,9% em novembro de 2025. A taxa acumulada em 12 meses até novembro foi de avanço de 2,2%.

O avanço na passagem de outubro para novembro sucede dois meses seguidos de recuos.

“Apesar da continuidade da perda de fôlego em determinadas atividades, como transporte e serviços de informação, outros componentes mostraram crescimento após meses de queda, que é o caso da indústria de transformação, do comércio e dos investimentos (formação bruta de capital fixo). Embora o consumo das famílias não tenha apresentado expressiva contribuição positiva em novembro, permaneceu com taxa em campo positivo, o que também contribuiu para um bom desempenho da economia”, apontou Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB – FGV, em nota oficial.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

“Mesmo permanecendo pressionada com os altos juros ao longo do ano, a economia voltou a ter um crescimento mais robusto em novembro”, completou Trece.

No trimestre móvel encerrado em novembro de 2025 ante o trimestre terminado em novembro de 2024, o PIB cresceu 1,5%. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 1,2% no período.

“Após desacelerar desde o final de 2024, e registrar taxas de crescimento próximas a 0% em meados de 2025, o consumo das famílias voltou a apresentar crescimento mais forte no trimestre móvel findo em novembro. Isto é explicado pelo fim das contribuições negativas no consumo de duráveis e de não duráveis, que penalizaram o desempenho do consumo ao longo de 2025, além de um crescimento mais intenso no consumo de serviços”, apontou o relatório do Monitor do PIB.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) teve uma alta de 1,3% no trimestre até novembro de 2025 ante o mesmo período do ano anterior. O componente de máquinas e equipamentos tem contribuído negativamente, enquanto a construção permanece com taxas positivas, embora mais brandas.

A exportação de bens e serviços registrou alta de 8,8% no trimestre até novembro de 2025 ante o trimestre até novembro de 2024.

“A exportação seguiu ampliando seu crescimento em 2025 com contribuições positivas em todos os seus tipos. Embora as exportações da extrativa mineral tenham reduzido significativamente sua contribuição positiva no trimestre móvel findo em novembro, foi compensado pelo aumento das contribuições nas exportações de produtos agropecuários, bens intermediários, bens de capital e de serviços”, explicou a FGV.

As importações subiram 4,0% no trimestre até novembro ante o mesmo trimestre do ano anterior. Houve contribuição positiva de bens de capital e de bens de consumo, mas quedas em produtos da extrativa mineral e serviços.

Em termos monetários, o PIB alcançou R$ 11,577 trilhões de janeiro a novembro de 2025, em valores correntes.

A taxa de investimento da economia foi de 18,9% em novembro.

O Estado de S.Paulo - SP   22/01/2026

A Suprema Corte dos Estados Unidos sinalizou, nesta quarta-feira, 21, a tendência de rejeitar a tentativa do presidente Donald Trump de demitir Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (o Fed, equivalente ao Banco Central). Juízes manifestaram preocupação com o enfraquecimento da independência histórica do principal BC do mundo.

Juízes de todo o espectro ideológico questionaram se as alegações feitas pelo presidente Trump contra Cook — uma afirmação não comprovada de que ela teria cometido fraude hipotecária antes de assumir o cargo — eram graves o suficiente para permitir que o presidente a demitisse.

Eles sugeriram que era prematuro para o tribunal resolver o caso enquanto ainda havia controvérsias factuais sobre essas alegações e demonstraram ceticismo quanto ao fato de Cook ter recebido notificação suficiente das acusações de Trump e uma oportunidade de respondê-las.

Após cerca de duas horas de debate, a maioria dos juízes pareceu inclinada a ordenar procedimentos adicionais, possivelmente em tribunais inferiores, o que significa que a decisão da Suprema Corte pode não ser a palavra final no caso. Mas, se os juízes concordarem em permitir que Cook mantenha seu cargo enquanto isso, o resultado seria que o esforço do presidente para reformular o Fed ficaria congelado por ora.

A maioria conservadora do tribunal permitiu repetidamente que Trump destituísse líderes de outras agências independentes, em sua tentativa de expandir o poder presidencial e assumir o controle da burocracia federal. Mas os juízes sinalizaram que o Fed pode ser diferente e estar singularmente protegido da influência do executivo devido à sua estrutura e história.

Juízes importantes questionaram duramente o advogado do governo Trump sobre as implicações da posição do presidente para a independência do Fed e da economia.

Os juízes Brett M. Kavanaugh e Amy Coney Barrett, que frequentemente formam a maioria, observaram que ex-presidentes do Fed e secretários do Tesouro haviam alertado contra a permissão para que o presidente demitisse imediatamente Cook.

Aceitar a posição do presidente, disse o juiz Kavanaugh, “enfraqueceria, se não destruiria, a independência do Federal Reserve”, abrindo caminho para que futuros presidentes tentassem demitir funcionários do Fed “à vontade”.

Quando deve sair a decisão?

Os juízes concordaram em analisar o caso de Cook em caráter de urgência, e se espera que emitam uma decisão nas próximas semanas ou meses. O resultado final do caso poderá determinar o grau de liberdade que os presidentes têm para influenciar os rumos do poderoso banco central, que o Congresso tentou intencionalmente proteger de pressões políticas.

O caso surge num momento em que o governo intensificou drasticamente seus ataques ao Fed, aparentemente com o objetivo de reformular seu Conselho e reduzir as taxas de juros. O Departamento de Justiça abriu, neste mês, uma investigação criminal para apurar se Jerome Powell, presidente do Fed, mentiu ao Congresso sobre os custos adicionais relacionados à reforma da sede do Fed.

Powell, cujo mandato como presidente termina em maio, rebateu veementemente a ameaça de acusações criminais, sugerindo que elas eram motivadas por política, uma vez que o Fed definia os custos de empréstimo “com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”.

A investigação provocou uma reação negativa por parte dos republicanos, de políticos internacionais, de Wall Street e de alguns aliados de Trump, que alertaram que a independência e a credibilidade do banco central estavam em risco.

Isso também ameaçou complicar os planos de Trump de nomear o substituto de Powell como presidente — e, segundo especialistas jurídicos, o caso na Suprema Corte que foi ouvido na quarta-feira.

No final de agosto, Trump anunciou nas redes sociais que demitiria Cook. Ele alegou que ela havia se envolvido em fraude hipotecária envolvendo documentos de empréstimo que assinou antes de ingressar no Fed em 2022. Ela não foi acusada nem condenada por nenhum crime e contesta veementemente as alegações.

Ainda assim, o presidente afirmou que as alegações lhe davam “motivo” suficiente para demitir Cook, de acordo com a lei federal que criou o Fed em 1913. O Congresso tentou garantir que os dirigentes do Fed pudessem definir as taxas de juros com o objetivo de alcançar uma inflação baixa e estável e um mercado de trabalho forte, livres de pressão política, estabelecendo mandatos de 14 anos para seus líderes, conhecidos como governadores, e permitindo que os presidentes os destituíssem apenas por “justa causa”.

Entre as principais questões em análise pelos juízes estão: quanta discricionariedade um presidente tem para demitir funcionários do Fed, o que constitui justa causa e que tipo de notificação e devido processo legal os funcionários devem ter antes que um presidente possa removê-los do cargo.

O governo Trump não está contestando a constitucionalidade da lei que criou o Fed — diferenciando o caso de outro analisado pelos juízes em dezembro, que tratava da capacidade do presidente de demitir outros reguladores independentes. Mas o Departamento de Justiça afirmou que os tribunais não podem questionar as justificativas de um presidente nem reintegrar um funcionário demitido.

“O presidente identificou uma causa válida para a remoção de Cook: aparente fraude ou negligência grave em uma questão financeira, o que criou uma grave aparência de impropriedade em sua gestão das finanças americanas”, escreveu D. John Sauer, procurador-geral, em um documento judicial.

Em resposta, a equipe jurídica de Cook afirmou que a conduta privada de uma pessoa antes de assumir o cargo não pode ser motivo para destituição e que a razão declarada por Trump para removê-la foi um “pretexto” para divergências políticas.

Segundo a equipe, se qualquer motivo for considerado motivo, isso equivaleria a dizer que um presidente pode destituir um membro do conselho de administração à vontade, o que destruiria a independência do banco central.

O advogado de Cook, Abbe Lowell, apresentou uma resposta detalhada às alegações em uma carta enviada ao Departamento de Justiça em novembro, acusando o governo de perseguir os inimigos percebidos do presidente.

Ele reconheceu que Cook havia declarado indevidamente que um apartamento na Geórgia seria sua residência principal em um pedido de hipoteca de 2021. No entanto, ele escreveu que a anotação era “claramente inócua” devido a outros documentos que ela apresentou, nos quais forneceu informações mais específicas sobre o uso do imóvel como casa de férias.

“Não há fraude, nenhuma intenção de enganar, nada de criminoso ou remotamente semelhante a uma base para alegar fraude hipotecária”, escreveu Lowell em novembro.

A Suprema Corte está analisando separadamente a demissão, pelo presidente, de outro funcionário de uma agência independente. Em questão nesse caso, que envolve a Comissão Federal de Comércio, estão leis que estabelecem que funcionários só podem ser demitidos pelo presidente por “ineficiência, negligência no cumprimento do dever ou improbidade administrativa”.

Os tribunais inferiores deram razão a Cook. Um juiz do Tribunal Distrital em Washington afirmou que Cook não poderia ser destituída por condutas ocorridas antes de se tornar governadora do Fed, nem por alegações que não envolvessem sua conduta profissional.

Em uma decisão de 2 a 1, o Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito de DC também apoiou Cook. As proteções de mandato para o Fed foram concebidas para “garantir aos membros do Conselho de Governadores (como se chamam os representantes do Fed em cada Estado) — e aos mercados nacionais e globais — que eles não servem por vontade própria e, portanto, desfrutam de um certo grau de independência política em relação ao presidente”, escreveu o juiz Bradley N. Garcia, acompanhado pela juíza J. Michelle Childs, ambos indicados pelo presidente Joe Biden.

O juiz Gregory G. Katsas apresentou um voto divergente, argumentando que o presidente havia invocado uma causa relacionada à “conduta, capacidade, aptidão ou competência” de Cook e que os tribunais normalmente não “analisam além” de uma justificativa válida.

O juiz Katsas, indicado por Trump, alertou que excluir condutas ocorridas antes de alguém ingressar no governo poderia proteger um funcionário que subornou um parlamentar para garantir sua confirmação ou até mesmo cometeu um assassinato antes de assumir o cargo.

CNN Brasil - SP   22/01/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a economia americana deve crescer o dobro da taxa projetada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21), ele afirmou o crescimento do país será impulsionado pelas políticas de sua gestão.

Conforme divulgado na segunda-feira (19), o FMI projeta que o crescimento econômico dos EUA acelere para 2,4% em 2026, acima do previsto no relatório de outubro, quando a instituição previa alta de 2,1%.

Em 2027, no entanto, o desempenho deve desacelerar a 1,9%, segundo a atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais da instituição.

Também no discurso em Davos, Trump acrescentou que "pretende elevar o padrão de vida" da população americana. Na véspera, ele completou um ano do segundo mandato na Casa Branca, tendo aplicado uma agenda interna com o objetivo de remodelar o cenário político, social e econômico dos Estados Unidos.

A inflação ao consumidor nos EUA encerrou 2025 acima da meta, segundo o CPI (Índice de Preços ao Consumidor),. Em dezembro do último ano, os preços subiram 2,7%, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Trump argumentou nesta quarta que desmentiu os céticos que previram que as tarifas e demissões em massa de funcionários federais prejudicariam o país.

“Provamos que eles estavam errados”, disse ele durante o discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos. “Em um ano, nossa agenda produziu uma transformação como os Estados Unidos não viam há mais de 100 anos”.

Trump disse que as tarifas haviam foram bem-sucedidas e estavam a caminho de reduzir drasticamente o déficit comercial, apesar das preocupações generalizadas de que elas estivessem aumentando os preços para os consumidores.
Pressão sobre a Groenlândia

A presença de Trump no resort de montanha suíço era amplamente aguardada em meio à crescente pressão para tomar o território dinamarquês da Groenlândia. Trump intensificará provavelmente a pressão para adquirir a ilha, apesar dos protestos da Europa, no maior desgaste das relações transatlânticas em décadas.

O presidente dos EUA também deve realizar um pronunciamento na reunião do Conselho de Paz, às 6h30 (horário de Brasília) de quinta-feira (22). A Casa Branca anunciou neste mês o grupo que supervisionará a reconstrução de Gaza, e será encabeçado por Trump.

Money Times - SP   22/01/2026

O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, traçou um cenário cautelosamente otimista para o Brasil neste ano, marcado por eleições presidenciais, Copa do Mundo e início de ciclo de corte de juros, em painel de abertura do evento “Onde Investir em 2026”, promovido pelo portal Seu Dinheiro, parceiro do Money Times.

Segundo ele, apesar de fundamentos positivos, como desemprego baixo e inflação controlada, o risco fiscal emerge como o maior calcanhar de Aquiles, podendo definir um caminho binário para 2027: recuperação sustentada ou retorno a juros elevados e incerteza.
Crescimento do PIB desacelera

Mansueto projeta expansão do PIB entre 1,8% e 2% em 2026, abaixo dos 2,2% estimados para 2025 e bem inferior aos ritmos acima de 3% observados no pós-pandemia (2021-2024).

“É uma economia que vai crescer, mas de forma desigual”, afirma o economista.

Setores sensíveis ao crédito devem sofrer mais com os juros altos, enquanto o consumo das famílias deve avançar entre 1,5% e 2%, sustentado por salários reais em alta e massa salarial elevada.

O desemprego, que estava em 5,2%, mínima histórica, segundo os dados mais recentes, deve subir levemente para cerca de 6% ao final do mandato atual — patamar ainda historicamente baixo, aponta o economista.

“O Brasil precisa gerar cerca de 900 mil vagas por ano para crescer 2%, o que não é difícil”, observou Mansueto, destacando a falta de mão de obra qualificada em áreas como infraestrutura, com um déficit estimado de 75 mil engenheiros.
Inflação sob controle, mas serviços pressionam

A inflação deve fechar 2026 em torno de 4%, após a surpresa positiva verificada em 2025, quando fechou em 4,26%. A média do governo atual deve ficar em 4,4%, considerada baixa historicamente.

Segundo o economista, fatores como apreciação do real em 2025 e política monetária restritiva ajudaram a conter pressões, embora a inflação de serviços permaneça elevada (cerca de 6%).
Ciclo de corte da Selic começa, mas juros reais seguem altos

O Banco Central deve iniciar os cortes na Selic ainda no primeiro trimestre, reforça o economista — possivelmente com 0,25 ponto em janeiro ou mais provavelmente em março, dado o tom cauteloso da autoridade monetária em seu último comunicado.

O consenso de mercado aponta para redução total de 200 a 300 pontos-base ao longo do ano, levando a taxa básica a 12% no fim de 2026.

Ainda assim, o economista-chefe do BTG destaca que é uma das maiores taxas reais do mundo, o que limita investimentos e crescimento mais robusto do PIB.

“É o segundo ano consecutivo de Selic elevada, o que continua atrativo para renda fixa”, comenta Mansueto.
Câmbio volátil em ano eleitoral

O dólar, que oscilou entre R$ 5,35 e R$ 5,60 no início do ano, deve apresentar alta volatilidade, típica de períodos eleitorais, segundo ele. “Achamos que o dólar continua depreciando, mas com muita volatilidade”, disse.

A projeção do BTG é de um fechamento em torno de R$ 5,20 em 2026, com possibilidade de queda abaixo de R$ 5 caso o plano fiscal pós-eleições seja claro e crível para o mercado.
Fiscal: o maior risco para 2027

O ponto central da análise de Mansueto foi o desequilíbrio fiscal das contas públicas. O déficit primário deve ficar em 0,4% a 0,5% do PIB — melhora expressiva ante os 2,4% de 2023 —, mas impulsionada mais por arrecadação do que por controle de gastos.

A dívida pública deve subir cerca de 12 pontos percentuais do PIB (para cerca de 83,6%), mesmo com crescimento médio anual de 2,5%.

Os gastos federais cresceram cerca de 20% em termos reais nos últimos quatro anos — o dobro do ritmo observado entre 2014 e 2022. Programas como Bolsa Família (custo anual de R$ 160 bilhões) e Previdência Social (70% atrelada ao salário mínimo) pressionam as contas.

“O fiscal é o calcanhar de Aquiles”, alertou. Sem um novo arcabouço com maior credibilidade — incluindo limitação drástica do crescimento das despesas (como no teto da era Temer) e ajustes em regimes tributários —, 2027 pode ser binário: juros equilibrados e recuperação, ou retorno a taxas de dois dígitos e ativos pressionados.

“Candidatos precisam discutir corte de gastos e um novo arcabouço fiscal”, defende.

Para os investidores, o economista sugere cautela, mas com potencial de surpresas positivas caso o debate político avance na direção de maior disciplina fiscal.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/01/2026

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta quarta-feira, 21, que a economia dos Estados Unidos está em expansão, os investimentos no país estão disparando, enquanto a inflação, foi derrotada, em discurso, segundo ele, direcionado para “alguns amigos e alguns inimigos”.

“Vocês verão um crescimento que nenhum país jamais viu. A estimativa de crescimento do quarto trimestre de 2025 dos EUA é de 5,4%”, informou Trump, ao dizer que as pessoas “estão felizes” com ele e que a inflação subjacente ficou em 1,5% no 4º trimestre de 2025.

Trump disse acreditar que suas políticas podem impulsionar “ainda mais” o crescimento e mencionou que pretende elevar os padrões de vida.

Europa

No discurso, o presidente dos EUA também afirmou “amar” a Europa e defendeu que quer ver os europeus “se dando bem”, mas que o continente não está no caminho certo, na avaliação dele.

O comentário acontece diante de incertezas entre Washington e Bruxelas, após Trump ameaçar impor tarifas progressivas contra oito países europeus, diante das investidas americanas para a aquisição da Groenlândia, que pertence à Dinamarca.

Segundo ele, certos lugares na Europa “já não são reconhecíveis”.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   22/01/2026

Os contratos futuros do minério de â  ferro caíram pela quinta sessão consecutiva nesta quarta-feira, depois que a Rio Tinto, a maior fornecedora mundial de minério, reportou fortes embarques no quarto trimestre.

Preocupações com inspeções de segurança em siderúrgicas também pesaram sobre o mercado chinês.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com queda de 0,32%, a 784 iuanes (US$112,58) a tonelada.
O minério de ferro de referência de fevereiro na Bolsa de Cingapura perdeu 0,74%, para US$103,2 a tonelada, depois de atingir mais cedo o valor mais baixo desde 17 de dezembro, a US$103.

A Rio Tinto relatou um aumento de 7% nos embarques de minério de ferro no quarto trimestre nesta quarta-feira, auxiliada pela produção trimestral recorde das operações de Pilbara e pelo forte desempenho de descarga ferroviária e portuária.

Um aumento nos embarques de minério de ferro da Austrália para a China exerceria uma pressão de baixa sobre os preços chineses do minério de ferro.

Enquanto isso, preocupações com supervisões de segurança mais â  rígidas após â  uma explosão em uma fábrica de placas de aço na região norte da China, na Mongólia Interior, alimentaram temores sobre a demanda por matérias-primas.

Embora a produção de metais quentes tenha crescido 22.800 milhões de toneladas na semana anterior, os volumes de transações de minério de ferro nos principais portos da China têm sido lentos, de acordo com dados da Mysteel divulgados em 21 de janeiro.

De modo geral, permaneceu o sentimento baixista e avesso a risco, com os preços do minério de ferro enfrentando resistência no curto prazo, informou o Shanghai Metals Market.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   22/01/2026

Em encontro de início de ano com a imprensa especializada, na terça-feira, 20, a Abeifa promoveu palestra sobre o mercado automotivo brasileiro e global, apresentada por Murilo Brigante, COO, Chief Operating Officer, da Bright Consulting,

O consultor (foto abaixo) abordou temas variados, abrangendo desde a maior competitividade do mercado brasileiro até a consolidação da China como um “player sistêmico”.

Também em destaque o processo de eletrificação no mercado automotivo, que “deixou de ser nicho e virou infraestrutura de negócio”.

Comentou, por exemplo, sobre os avanços do carro elétrico, ressaltando a redução de 40% no preço das baterias, de US$ 165/kWh para US$ 100/kWh, que tem peso de  40% no custo total desses modelos.

Com relação ao mercado brasileiro, lembrou que a alíquota de importação de carros elétricos e híbridos sobe de 30% para 35% a partir de julho deste ano, igualando o índice vigente para veículos a combustão.

Com isso, comentou Danilo, o preço dos eletrificados importados deve subir até 8% em relação aos valores praticados no ano passado.

Com relação aos eletrificados que estão sendo montados no Brasil em processo CKD/SKD, por enquanto pelas chinesas BYD e GWM, o impacto nos preços não será muito grande caso essas montadoras invistam na compra de autopeças produzidas no Brasil.

De acordo com o consultor, os eletrificados CKD fabricados localmente terão aumento pequeno de alíquota – de 10% a 14% para 16%, com efeito nos custos de apenas 3% para os elétricos e de 1% nos híbridos -, caso alcancem índice de conteúdo local de pelo menos 55%.

Ainda sobre o varejo automotivo brasileiro, Murilo destacou que o consumidor atual não paga mais apenas pelo básico, exigindo valor agregado real.

“A tecnologia de assistência ativa, por exemplo, cresceu dois dígitos, tornando-se decisiva na compra racional. Com isso, o brasileiro da Classe C deixa de ter acesso ao carro 0 km. O público agora limita-se às classes A e B, o que torna o mercado de usados ainda mais importante para as concessionárias movimentarem seus negócios com retorno adequado”.

Segundo ele, a consolidação dos eletrificados e a exigência por ADAS definem o novo “piso” tecnológico para os próximos lançamentos.

Valor - SP   22/01/2026

Montadoras japonesas trabalharão com fabricantes de chips para compartilhar informações sobre semicondutores automotivos. O objetivo é fortalecer a cadeia de suprimentos da indústria automobilística contra riscos geopolíticos e desastres naturais, segundo apurou o “Nikkei Asia”.

Cerca de 20 fornecedores, incluindo as japonesas Renesas Electronics e Rohm, bem como a alemã Infineon Technologies, devem participar.

Nenhum fabricante de chips chinês participará, mas espera-se que a iniciativa abranja de 80% a 90% dos semicondutores usados pelas montadoras japonesas.

Os fabricantes de chips registrarão dados sobre especificações de produtos, datas de início da produção e origens. O objetivo é facilitar a identificação de dispositivos com fornecimento incerto. A tecnologia blockchain será usada para evitar vazamentos de informações para outras montadoras.

A Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis (Jama), que inclui Toyota e Honda, e a Associação Japonesa das Indústrias de Autopeças (Japia) estão liderando a iniciativa para criar o banco de dados de chips, com previsão de conclusão até abril. O Centro de Rastreabilidade Automotiva e de Baterias, com sede em Tóquio, deverá gerenciar as operações.

Semicondutores são amplamente utilizados em carros, desde sistemas de navegação até motores. Eles são essenciais para a produção automobilística e cruciais para a segurança econômica.

A escassez global de chips durante a pandemia de covid-19 levou a cortes generalizados na produção automobilística.

No ano passado, a suspensão dos embarques pela fornecedora de semicondutores chinesa Nexperia forçou a Honda e a Nissan a reduzirem a produção. A Honda estima que a escassez de chips reduzirá seu lucro operacional em 150 bilhões de ienes (US$ 950 milhões) no ano fiscal que termina em março de 2026.

A indústria automotiva é uma enorme pirâmide, com as montadoras no topo, sobre várias camadas de fornecedores. A complexa rede de subcontratados significa que as montadoras têm dificuldade em compreender o panorama completo, incluindo a origem dos insumos de seus fornecedores.

Este novo sistema visa permitir uma melhor compreensão dos riscos associados aos chips que estão sendo adquiridos.

Se as montadoras souberem mais sobre as origens e especificações de seus chips, poderão reagir mais rapidamente e garantir alternativas caso um evento geopolítico ou desastre natural interrompa a produção.

Montadoras não japonesas poderão usar o sistema mediante solicitação.

A indústria está se voltando para a direção autônoma e a inteligência artificial, tornando os chips ainda mais importantes. O mercado global de semicondutores automotivos deverá atingir aproximadamente US$ 159,4 bilhões em 2035, um aumento de mais de 80% em relação a 2025, segundo uma previsão de 2024 da Associação Japonesa das Indústrias de Eletrônica e Tecnologia da Informação.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Terra - SP   22/01/2026

A RZK Agro, com forte atuação em Mato Grosso e Goiás, firmou uma sociedade estratégica com a Deltamaq, tradicional dealer das marcas John Deere e Wirtgen, com 24 anos de experiência. A união dá origem à RZK Equipamentos, companhia com foco total na linha amarela — segmento que abrange máquinas pesadas utilizadas em obras de infraestrutura, pavimentação, mineração, agricultura de grande porte e construção civil. A nova empresa nasce com maior escala, capacidade ampliada de investimento e uma visão estratégica de longo prazo.

A linha amarela é composta por equipamentos como escavadeiras hidráulicas, tratores de esteiras, pás carregadeiras, motoniveladoras, retroescavadeiras, rolos compactadores, pavimentadoras, fresadoras e usinas de asfalto. São máquinas de alta performance, essenciais para movimentar grandes volumes de terra, nivelar terrenos e viabilizar projetos de infraestrutura em larga escala. A RZK Agro projeta receita de R$ 2,5 bilhões em 2026, refletindo a estratégia de expansão e diversificação dos negócios.

A nova estrutura tem atuação em sete unidades físicas — Ananindeua (PA), Paragominas (PA), Parauapebas (PA), Macapá (AP), Imperatriz (MA), São Luís (MA) e Palmas (TO) — regiões onde mantém a representação das marcas John Deere e Wirtgen, herdadas da operação da Deltamaq. Além disso, expande sua presença para Mato Grosso e Goiás, onde passa a atender exclusivamente a linha amarela John Deere, na mesma área de cobertura já operada pela RZK Agro. A ampliação fortalece o atendimento regional, visando garantir mais agilidade, proximidade e eficiência ao cliente.

A estratégia também prevê a análise contínua dos locais e a definição de novas estruturas de atendimento, acompanhando o crescimento do mercado e as necessidades dos clientes. O objetivo é responder à crescente demanda por soluções ágeis, robustas e integradas em regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional.

Combinando a expertise técnica da Deltamaq e a força de gestão do Grupo RZK, a nova sociedade potencializa investimentos em infraestrutura, digitalização de processos, ganho de escala, estoque de peças e pontos de atendimento técnico especializado. O objetivo é garantir suporte completo em todas as fases do ciclo de vida das máquinas, com foco em excelência operacional e máxima disponibilidade para o cliente.

De acordo com a RZK, a união possibilita sinergias significativas, como redução de custos, otimização logística e padronização de processos, além do compartilhamento de conhecimento entre equipes altamente capacitadas. A operação conjunta também reforça a presença das marcas John Deere e Wirtgen na região, posicionando o novo dealer como um parceiro estratégico para grandes projetos de infraestrutura e operações de alta complexidade.

"Essa união representa um passo decisivo para ampliarmos nossa eficiência operacional e entregarmos ainda mais valor aos nossos clientes", afirma José Ricardo Lemos Rezek, presidente do Grupo RZK. Ao combinar estruturas e expertises, a empresa ganha escala, otimizando processos e criando uma base sólida para atender, com excelência, setores estratégicos como infraestrutura, mineração, agricultura e construção pesada.

"A nova empresa será conduzida com foco em ética, qualidade e geração de valor. Estamos iniciando essa fase com uma base sólida de governança e responsabilidade", diz Mário Nóbrega, fundador da Deltamaq. Para o empresário, a união entre experiência, compromisso ético e visão de longo prazo será essencial para impulsionar a transformação no setor de máquinas pesadas.

Ipesi - SP   22/01/2026

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) acompanha com atenção os recentes avanços rumo à assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia e reafirma seu posicionamento favorável à ampliação da inserção internacional da indústria brasileira.

A entidade reconhece a importância do Acordo como instrumento para ampliar o acesso a mercados, integrar o Brasil às cadeias globais de valor e criar oportunidades para o Brasil e para o setor de máquinas e equipamentos. O acordo é uma grande oportunidade para os produtores de bens e serviços brasileiros atingirem um universo de aproximadamente 720 milhões de consumidores e 22 trilhões de dólares de PIB.

No caso da indústria de transformação, cuja estrutura europeia é mais competitiva do que a do Mercosul, a Abimaq destaca que a simples assinatura do Acordo não garante o aumento das exportações brasileiras de bens manufaturados. Sem ganhos efetivos de competitividade, existe o risco de aumento do saldo negativo da balança comercial de manufaturados entre o Brasil e a União Europeia. Se a balança comercial total entre o Brasil e a União Europeia é neutra, próximo de zero, a balança comercial de manufaturados é altamente negativa ao Brasil, superando os 25 bilhões de dólares de déficit anual.

A observância das regras de origem assume papel central para assegurar que os benefícios do Acordo sejam direcionados às indústrias efetivamente instaladas nos países do Mercosul e da União Europeia.

Os prazos de desgravação, isto é, para a redução progressiva das tarifas de importação, previstas no Acordo, para o setor industrial é longo. O prazo para máquinas e equipamentos varia entre 10 e 15 anos. Os vários prazos para os setores da indústria devem ser compreendidos como uma janela estratégica para a implementação de reformas estruturais. Esse período oferece ao Brasil a oportunidade de mitigar os fatores que aumentam o custo de produção no País: implementar reformas, buscar o equilíbrio macroeconômico, diminuir a complexidade e a carga tributária, melhorar o ambiente jurídico e regulatório, criar condições para a redução estrutural das taxas de juros e fortalecer a competitividade da indústria nacional.

A Abimaq defende que a abertura comercial deve caminhar de forma equilibrada com uma agenda consistente de reformas internas e de competitividade. O aprimoramento do ambiente econômico é fundamental para atrair investimentos, elevar a produtividade, gerar empregos de qualidade e permitir que o país deixe de ser apenas fornecedor de produtos primários, avançando na agregação de valor e no fortalecimento de sua base industrial.

Tendo em vista que seus efeitos serão percebidos a médio e longo prazo, a entidade reforça que o Acordo Mercosul-União Europeia representa uma grande oportunidade, mas seu sucesso dependerá diretamente da capacidade do Brasil de realizar mudanças internas e transformar o período de transição em uma oportunidade para ganhos concretos de competitividade para a indústria brasileira.

FERROVIÁRIO

Grandes Construções - SP   22/01/2026

A futura estação Aeroporto de Congonhas da Linha 17-Ouro recebeu um trem pela primeira vez no dia 11 de janeiro.

A chegada ao local foi em caráter de teste, avaliando o sistema de sinalização e controle dos trens, as condições da via e o alinhamento na plataforma, marcando um dos mais importantes passos para a abertura da linha no fim de março.

A viagem registrou também a passagem do trem pela primeira vez no enlace que desvia as composições sentido estação Aeroporto de Congonhas.

Como a linha terá formato de Y, os trens que vêm de Morumbi têm duas opções de destino e o enlace é o trecho onde há a mudança de via sentido Congonhas ou Washington Luís.

O trajeto foi feito do Pátio Água Espraiada até a futura estação Brooklin Paulista, onde o trem retornou com destino à estação que vai conectar diretamente o aeroporto à rede sobre trilhos.

Neste percurso, a composição circulou com velocidade variando entre 10 e 20km/h para possibilitar as aferições necessárias.

Uma das oito estações da Linha 17, Congonhas atingiu 97% das obras concluídas, com trabalhos concentrados no acabamento interno, como comunicação visual, e externo, no entorno dos acessos, além de testes de sistemas.

Chegada ao local foi em caráter de teste, avaliando o sistema de sinalização e controle dos trens, as condições da via e o alinhamento na plataforma

Linha 17-Ouro - Após ter as obras retomadas em setembro de 2023, a Linha 17-Ouro atingiu 95% de conclusão das obras e já tem oito dos 14 trens disponíveis em testes.

Prevista para iniciar a operação até o fim de março, a linha vai ligar o aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda, ao longo de seus 6,7 km de extensão e oito estações c com integração também ao metrô na estação Campo Belo (Linha 5-Lilás).

Quando pronta, transportará cerca de 100 mil passageiros por dia.

Valor - SP   22/01/2026

Consolidação da malha brasileira e início da revisão da regulamentação do segmento são prioridades da agência neste ano

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) terá como prioridade neste ano a consolidação da malha ferroviária brasileira, buscando destravar projetos considerados estratégicos. O plano também engloba o início da revisão da regulamentação do segmento. As afirmações foram feitas pelo diretor-geral da agência, Guilherme Sampaio, em entrevista ao Valor.

Parte da ideia da ANTT é combinar novos leilões e renovações antecipadas. Os projetos previstos para 2026 poderão destravar R$ 150 bilhões em investimentos no segmento na próxima década, segundo Sampaio. Entre eles, está a conclusão da renovação antecipada do contrato da Ferrovia Centro-Atlântica. Os estudos, ajustados em parceria com o Ministério dos Transportes, devem ser encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) em fevereiro.

Como a análise da prorrogação do contrato por mais 30 anos deve se estender, a agência planeja uma extensão temporária da concessão, por até dois anos, até a conclusão do processo. A medida deve ser formalizada no primeiro semestre deste ano. Também está no radar, até junho, o leilão da Ferrovia Vitória-Rio, a EF-118, com o objetivo de integrar a malha ferroviária do Sudeste e ampliar o acesso ferroviário a portos. O projeto está no TCU.

Já para o segundo semestre, há expectativa de leilões de trechos considerados estratégicos para o escoamento de cargas. É o caso do corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol), apontado como estratégico para a exportação brasileira, e da Ferrogrão, conectando a região produtora de grãos do Centro-Oeste ao Estado do Pará, também já enviado à corte de contas.

“Apesar de há um tempo ter ocorrido certo ceticismo, enxergamos que isso não existe mais. As questões jurídicas estão sendo bem endereçadas e o principal aspecto, o respeito aos povos originários, foi mitigado. É um tema muito relevante e é um projeto transformador para o Centro-Oeste e para o Norte, onde tem escoamento de carga, e que vai trazer competição”, diz.

Ainda na carteira está a conclusão da relicitação da Malha Oeste, que compreende o trecho entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, e a renovação antecipada da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), que atravessa quase todo o Nordeste brasileiro. O contrato vence em 2028, mas a conclusão do processo é esperada para este ano. Também está prevista a renovação da Ferrovia Tereza Cristina, um pequeno trecho em Santa Catarina, além de novos estudos para malhas regionais.

“Temos uma agenda ferroviária bem aquecida, levando todas as modernizações regulatórias, econômicas e financeiras da gestão de rodovias para esse segmento também. Todo o ciclo que tivemos de matriz de risco, de inovação, de gestão e de fiscalização estamos implementando agora em ferrovias para tornar esse segmento também muito atrativo para o investimento privado e com olhar, sobretudo, para o usuário”, afirma.

Também está previsto para 2026 o início da discussão sobre a revisão do marco regulatório das ferrovias. O objetivo é consolidar normas, avançar na interação da operação entre malhas, estabelecer regras mais claras de direito de passagem e incorporar critérios de sustentabilidade, em um esforço para tornar o modal mais atrativo a investidores e usuários.

A intenção é iniciar as discussões das novas regras regulatórias neste ano, mas Sampaio já admite que o processo deverá ser longo e concluído apenas em 2028, dado o rito regulatório. Segundo ele, as novas regras não devem ser aplicadas apenas a novos projetos, mas também a contratos antigos, por meio de aditivos contratuais.

Para 2026, a carteira da agência reguladora prevê oito concessões de rodovias

Apesar do foco na agenda ferroviária, a ANTT também celebra o ciclo de leilões de rodovias do último ano. Foram dez certames em 2025, com previsão de R$ 127 bilhões em investimentos ao longo dos contratos. Considerando os projetos entre 2023 e 2025, os investimentos contratados em rodovias e otimizações de contratos somam R$ 180 bilhões.

“A agenda de infraestrutura está muito aquecida. Desde o início do governo, saímos de 13 mil quilômetros de rodovias concedidas. Hoje, temos 16 mil e, pela carteira que estamos seguindo, com as deste ano, temos condições de chegar até o início do próximo ano a 25 mil quilômetros de rodovias concedidas. É praticamente dobrar a malha rodoviária federal concedida”, diz.

Sampaio atribui a consolidação do setor ao alinhamento institucional entre a agência reguladora e o governo federal, além do apoio do TCU, que mediou o reequilíbrio de uma série de contratos com o objetivo de garantir estabilidade econômico-financeira.

Para 2026, a carteira da agência reguladora prevê oito concessões. Entre os principais projetos, estão a Rota 2 de Julho (BA), a Rota dos Sertões (BA/PE), a Rota das Gerais (MG), com leilão marcado para março, além de lotes de rodovias no Sul. Também estão previstas seis otimizações. Nessa quarta-feira (21), o TCU aprovou as repactuações da Via Brasil (BR-163) e da Régis Bittencourt.

A proposta sobre a Rodovia Litoral Sul já foi encaminhada à corte de contas. Permanecem pendentes de envio os projetos da Rodovia Planalto Sul e da Rodovia Transbrasiliana, que devem ser encaminhados ainda neste semestre.

“Além de novos projetos que temos feito, há as questões das otimizações dos contratos. São duas jornadas que têm trazido bastante retorno. Isso representa projetos bem estruturados, taxas internas de retorno condizentes com o risco do projeto. Vemos poucos países no mundo que tenham taxa interna de retorno semelhante à que temos no Brasil e, também, uma matriz de risco evoluída, que permite compartilhar riscos extraordinários e residuais”, afirma Sampaio.

Em paralelo, a agência pretende avançar em uma agenda que inclui a substituição de praças físicas de pedágio por pórticos, com o uso de câmeras e sensores para cobrança automática, além da ampliação da conectividade nas rodovias, iniciativa que também leva internet a regiões sem cobertura. A pauta regulatória contempla ainda aspectos ambientais dos projetos e a conclusão da consulta pública da resolução das Regras Gerais de Outorgas Ferroviárias, com aplicação esperada a partir de julho.

Grandes Construções - SP   22/01/2026

A Ferrovia Transnordestina iniciou operações experimentais entre o Piauí e o Ceará para estruturar sua base de clientes e definir o modelo comercial que deverá vigorar até a conclusão total do projeto, prevista para 2028.

Os testes aproximam a operadora TLSA (Transnordestina Logística S/A) do setor produtivo e servem para ajustar custos, contratos e a cadeia logística do transporte ferroviário.

Segundo a TLSA, a procura pelo serviço aumentou após as primeiras viagens-teste, realizadas com cargas de milho e sorgo.

As operações funcionam como ensaios práticos do modelo de contratação, que permitirá o transporte sob demanda, com vagões contratados individualmente por diferentes empresas em uma mesma composição ferroviária.

A Tijuca Alimentos foi a primeira empresa a participar das operações experimentais. Os grãos foram transportados por caminhões até o terminal de Bela Vista do Piauí (PI), seguiram pela ferrovia até Iguatu (CE) e, de lá, retornaram ao modal rodoviário para distribuição às unidades industriais da companhia.

De acordo com a empresa, mesmo com a ferrovia ainda incompleta, a expectativa é de redução de custos em relação ao transporte exclusivamente rodoviário quando o sistema estiver plenamente operacional.

A TLSA afirma que os testes ajudam a desenhar soluções logísticas específicas para cada tipo de carga, incluindo a integração com terminais privados de armazenagem e transbordo.

O modelo prevê que clientes possam contratar apenas o transporte ferroviário ou combinar serviços com operadores de terminais, além de arranjos em que o investidor do terminal também atue como comprador da carga.

A ferrovia já obteve autorizações da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e licença de operação do Ibama para os trechos em teste.

A empresa planeja implantar entre seis e oito terminais logísticos ao longo da linha, em estados como Piauí, Pernambuco e Ceará, incluindo a conexão com o Porto do Pecém, para atender fluxos internos e de exportação.

Revista Ferroviaria - RJ   22/01/2026

Um trem produzido em Taubaté, no interior de São Paulo, vai operar na futura Linha 7 do metrô de Santiago, no Chile. O primeiro modelo da frota foi apresentado nesta terça-feira (20) na fábrica responsável pela produção dos veículos, instalada no município.

O contrato prevê a fabricação de 37 trens do modelo, com tecnologia automatizada. A expectativa é de que a nova linha beneficie cerca de 1,4 milhão de pessoas na região metropolitana da capital chilena, segundo a companhia.

De acordo com a empresa, a produção para o metrô do Chile reforça o papel estratégico da unidade de Taubaté na cadeia global de mobilidade ferroviária.

Nos últimos anos, a empresa investiu cerca de R$ 130 milhões na modernização da planta em Taubaté. A apresentação do trem contou com a presença de executivos da empresa no Brasil e na América Latina, além de representantes do Metrô de Santiago.

NAVAL

A Tribuna - SP   22/01/2026

A Autoridade Portuária de Santos (APS) avalia que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pode dobrar o fluxo anual de cargas no Porto de Santos em até dez anos. Essa expansão na movimentação seria impulsionada pela abertura de mercados, redução de tarifas e aumento da competitividade das exportações brasileiras.

A assinatura do tratado ocorreu no último sábado, no Paraguai, após mais de 25 anos de negociações. O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre Mercosul e UE, beneficiando especialmente o agronegócio e setores industriais de maior valor agregado.

Para o presidente da APS, Anderson Pomini, haverá impacto direto sobre o cais santista. “É um dos maiores acordos comerciais do planeta. Envolve 27 países, uma população de 718 milhões de habitantes e um PIB de cerca de US$ 22 trilhões. Tem potencial para dobrar a movimentação de cargas no Porto de Santos em um prazo de cinco a dez anos”, afirmou.

Segundo Pomini, o Porto movimenta atualmente 180 milhões de toneladas por ano. Com a ampliação desses mercados e a criação de novas rotas marítimas, o volume pode chegar a quase 400 milhões de toneladas. Ele destacou que a integração entre Europa e América do Sul tende a reorganizar cadeias logísticas globais, abrindo espaço para mais navios e negócios operando em Santos.

Para a APS, o acordo beneficia setores estratégicos da economia brasileira, com forte participação na pauta exportadora, como o agronegócio, a indústria automotiva, o setor aeronáutico e o segmento de máquinas e tecnologia. “Comemoramos, mas também assumimos a responsabilidade de nos prepararmos para os próximos 20 anos, aprofundando o canal de navegação, cuidando dos acessos e dando maior capacidade”, ressalta Pomini.

Diversificação

O economista Roberto Paveck acredita que um dos efeitos mais relevantes do acordo é a redução de tarifas de importação sobre bens de capital, máquinas e equipamentos. Ele diz que esse movimento tende a se refletir, ao longo do tempo, na diminuição do custo dos investimentos e pode ter impacto positivo na modernização dos portos, ao ampliar tecnologias hoje concentradas em fornecedores asiáticos.

“Ao diversificar origens e ampliar alternativas tecnológicas, o acordo cria um ambiente mais favorável às decisões de investimento no setor. Não se trata de uma mudança imediata na operação, mas de um fator que, de forma gradual, pode apoiar a elevação do padrão tecnológico e da eficiência do sistema portuário”, afirma.

O tratado segue para os processos internos de ratificação. Na União Europeia, o texto será analisado pelo Parlamento Europeu e poderá também passar pelos parlamentos nacionais. No Mercosul, precisará ser aprovado pelos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Especialista descarta salto imediato

Para o consultor portuário Ivam Jardim, da Agência Porto Consultoria, do ponto de vista técnico, falar em dobrar a movimentação no curto ou médio prazo é uma análise muito otimista, “para a qual eu não encontro hoje uma fundamentação concreta”.

Jardim explica que o acordo é relevante, mas ele não cria novos mercados do zero. “Ele melhora condições de acesso, reduz tarifas, amplia cotas e dá previsibilidade. Isso tende a acelerar fluxos existentes, não a multiplicá-los”.

Ele lembra que a Europa é um mercado maduro, onde a população já tem acesso a bens, alimentos e produtos industrializados. Ou seja, não existe consumo reprimido que vai demandar mais commodities.

“A população europeia não cresce. Em muitos países, ela está em retração. Então, não há um vetor demográfico que sustente uma duplicação de consumo. O que pode crescer é valor agregado, qualidade, regularidade do comércio”.

Ivam Jardim afirma que o tema traz à tona uma discussão necessária: os limites físicos e operacionais do Porto de Santos. “Hoje, o Porto já enfrenta dificuldades, especialmente nos acessos terrestres. Se temos desafios para operar com o nível atual de movimentação, como seria com um aumento, por exemplo, de 30%, 40% ou 50%?”

O consultor cita a necessidade de expansão da área portuária, melhorias efetivas nos acessos rodoviários e ferroviários e a ampliação da capacidade do canal de navegação. “Não basta aprofundar o canal para 17 metros. É fundamental aumentar a capacidade operacional, ou seja, o número de navios que conseguem entrar e sair por hora, para evitar filas, janelas perdidas e ineficiência”.

TN Petróleo - RJ   22/01/2026

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou, nesta quarta-feira (21), a aprovação de R$ 2,3 bilhões em recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a construção de seis embarcações de apoio marítimo destinadas às operações offshore de petróleo e gás. O financiamento é realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e fortalece a indústria naval em Santa Catarina.

Do valor total aprovado, R$ 134 milhões já foram desembolsados, garantindo o início da execução do projeto. As embarcações serão construídas no estaleiro Navship, em Navegantes, e contarão com tecnologia híbrida, com sistemas flexíveis de combustível e soluções de armazenamento de energia, capazes de reduzir emissões e ampliar a eficiência operacional, em alinhamento à agenda de sustentabilidade e transição energética do setor naval.

O empreendimento prevê a geração de mais de 1.200 empregos diretos, movimentando a economia local e regional e fortalecendo a cadeia produtiva da indústria naval em Santa Catarina.

Durante a visita, o ministro destacou que o investimento integra um ciclo histórico de retomada do setor no país. "Estamos vivendo um ciclo histórico de investimentos no Brasil. Encerramos 2025 com o maior volume de concessões da história e, até 2029, teremos mais de R$ 300 bilhões em contratos assinados. Na indústria naval, mais que dobramos os empregos em menos de três anos. Isso reforça que o maior programa social do país é a geração de emprego e renda, que garante dignidade e desenvolvimento para o Brasil", afirmou.

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, também ressaltou a importância da parceria entre o setor público e a iniciativa privada e do papel estratégico do Fundo da Marinha Mercante para o desenvolvimento do país. "Este é um exemplo claro de parceria público-privada, com a atuação conjunta de diversos órgãos do Governo Federal. É fundamental sair de Brasília e ver de perto a realidade do que o nosso trabalho está gerando. Em um cenário internacional cada vez mais desafiador, o Brasil precisa de uma indústria forte, com trabalhadores capacitados e contratados. Temos batido recordes na utilização dos recursos do Fundo da Marinha Mercante porque nosso objetivo é gerar emprego, renda e fortalecer uma indústria estratégica para o país e para o mundo", destacou.

Os investimentos reforçam a política do Governo Federal de fortalecimento da indústria naval brasileira, com foco na valorização da mão de obra nacional, na incorporação de tecnologia, na capacitação dos estaleiros e na garantia de que os projetos sejam executados no país, promovendo soberania produtiva e desenvolvimento industrial.

Monitor Digital - RJ   22/01/2026

Com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), a Bram vai adquirir, até julho de 2028, 6 embarcações da classe PSV 5000, a serem construídas no Navship. Com o projeto, a expectativa é de criação de 620 empregos diretos no estaleiro durante a construção das embarcações e de 190 empregos diretos na Bram na fase operacional delas.

O FMM é um fundo de natureza contábil, destinado a prover recursos para o desenvolvimento da Marinha Mercante e da indústria de construção e reparação naval brasileiras. Ele é administrado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, por intermédio do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM).

As embarcações decorrem de contratos da Petrobras para afretamento por 12 anos e serão utilizadas para o transporte de suprimentos entre as plataformas de perfuração ou produção em alto mar e as bases em terra. A propulsão será híbrida, do tipo diesel-elétrica, com bancos de baterias que fornecerão energia suficiente para que, sem outra fonte, sejam capazes de manter a embarcação em posição por um tempo preestabelecido. Também serão dotadas de conector elétrico capaz de receber energia diretamente do porto, quando atracadas.

Estabilidade econômica

“A indústria naval brasileira vive um momento de retomada. Com o apoio do BNDES e os recursos do Fundo da Marinha Mercante, estamos garantindo que a demanda do setor de óleo e gás seja atendida, com projetos feitos aqui, com mão de obra brasileira. Esse tipo de investimento só acontece em um país que voltou a ter estabilidade econômica e confiança para investir.

O resultado não poderia ser melhor: estaleiros cheios, mais de 50 mil empregos gerados no setor em 2025 e o fortalecimento da nossa economia”, afirma o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

“O apoio do BNDES contribui para desenvolver e capacitar com emprego de tecnologias mais avançadas o parque nacional de estaleiros, a partir da produção de embarcações com banco de baterias e motores elétricos, que reduzem as emissões de gases de efeito estufa.”, afirma o presidente do banco, Aloizio Mercadante.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   22/01/2026

A produção de petróleo da União atingiu 174 mil barris por dia (bpd) em novembro, considerando nove contratos de partilha de produção (CPPs) e os acordos de individualização da produção (AIPs) de Tupi, Atapu, Mero e Jubarte, resultado 3,8% inferior ao de outubro. Os dados integram o Boletim Mensal da Produção, divulgado nesta quarta-feira (21) pela PPSA (Pré-Sal Petróleo).

Nos contratos de partilha, a parcela de petróleo da União foi de 157 mil bpd, com destaque para Mero, responsável por 72% da produção, com 112,57 mil barris por dia.

O resultado do mês foi 5% inferior ao do período anterior, em razão do menor excedente de óleo no campo de Búzios, decorrente de Paradas Programadas na P-74 e no FPSO Almirante Barroso, além de Serviços de Manutenção na P-71, do campo de Itapu.

Já nos AIPs, a parcela total de petróleo da União foi de 16,53 mil bpd, 6% superior ao período anterior, devido ao maior excedente em óleo do AIP de Mero, responsável por 74% da parcela da União em novembro.

Gás natural da União atinge 472 mil m³/dia

A parcela de gás natural da União atingiu 472 mil m³/dia em novembro, em cinco contratos de partilha produção e nos AIPs de Tupi e Jubarte.

Nos Contratos de partilha, a média do total da parcela de gás natural disponível para exportação da União foi de 391 mil m³ por dia. Nos AIPs, a exportação de gás natural da União foi de 81 mil m³ por dia em novembro, 32% a menos do que no período anterior, reflexo do menor excedente em gás para os AIPs de Tupi e Jubarte.

Produção total em regime de partilha

A produção total dos campos sob regime de partilha chegou a 1,42 milhão de bpd em novembro, 8% inferior ao período anterior, devido às paradas programadas da produção no campo de Búzios. Mero foi o maior produtor (com 620,64 mil bpd), seguido de Búzios (549,88 mil bpd).

Desde 2017, início da série histórica, a produção acumulada em regime de partilha soma 1,48 bilhão de barris. Búzios é responsável por 49% da produção. Do total acumulado, foram destinados 108,40 milhões de barris à União.

A produção acumulada de gás natural em regime de partilha desde o início da série histórica soma 5,04 bilhões de m³, dos quais 311,10 milhões de m³ correspondem à parcela da União.

Valor - SP   22/01/2026

Recursos representam primeira parcela dos US$ 500 milhões arrecadados e fazem parte de uma operação do país norte-americano para comercializar 50 milhões de barris da commodity

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na terça-feira (20) que US$ 300 milhões oriundos das vendas de petróleo realizadas pelos Estados Unidos já entraram no sistema bancário do país.

O valor representa o primeiro pagamento do total de US$ 500 milhões arrecadados pelo país governado por Donald Trump com o comércio do óleo mineral venezuelano.

“Hoje devemos informar que os recursos provenientes da venda de petróleo já foram recebidos e que, dos primeiros US$ 500 milhões, US$ 300 milhões já chegaram”, disse Rodríguez.

Os valores fazem parte de uma operação de grande escala, que envolve a venda de até 50 milhões de barris, organizada pelos Estados Unidos. A ação ocorre após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar norte-americana realizada em 3 de janeiro.

As comercializadoras de petróleo Vitol Group e Trafigura ficaram responsáveis pelas vendas, após receberem autorização dos EUA para negociar com a estatal petrolífera PDVSA.

Agora, o montante em dólares deve impulsionar a economia da nação bolivariana, que é altamente dependente das exportações da commodity, e reverter a queda da produção petrolífera registrada ao longo do último ano.

Rodríguez também informou que os dólares serão distribuídos pelo Banco Central a instituições privadas do sistema nacional de câmbio, com o objetivo de ajudar a “fortalecer a renda dos trabalhadores” e “conter a inflação”. O mercado cambial da Venezuela sofria uma crise desde dezembro, quando o governo Trump intensificou o embargo petrolífero contra o país.

Valor Investe - SP   22/01/2026

Por um lado, os conflitos de Venezuela e Irã prometem muita volatilidade. Por outro, o aumento dos níveis de estoque e oferta globais tem feito o preço do barril descer a ladeira - e pode descer ainda mais

Conflitos geopolíticos envolvendo grandes produtores de petróleo, em geral, fazem os preços dos barris subirem - e ações de petroleiras, como a Petrobras (PETR3; PETR4), idem. No entanto, nestes tempos de Donald Trump indo para cima de Venezuela e Irã, outra força mais poderosa está agindo na direção contrária: o aumento do estoques internacionais.

Ou seja, dias difíceis podem estar por vir para os acionistas da estatal brasileira, que nos últimos anos não tiveram muito do que reclamar em matéria de dividendos.

Sob influência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o nível da oferta global está se equiparando ao do consumo. Esse descompasso, agravado lá na pandemia, chegou a fazer barris ultrapassarem os US$ 120 em idos de 2022 - o que permitiu forte distribuição de lucros pela Petrobras.

Apenas quatro anos depois, no entanto, devemos ter uma queda de mais de 50% nos preços do petróleo, se confirmadas as previsões da Administração de Informação de Energia (EIA) dos Estados Unidos. Já tendo cedido ao preço médio de US$ 69 por barril no ano passado, seriam atingidos os US$ 56 em 2026; e os US$ 54 no ano que vem.

Dito isso, será que a Petrobras manterá o posto de favorita entre investidores pessoa física, conquistado em 2025?

Inegavelmente, a estatal tem pela frente possível pressão na geração de caixa. Para Ruy Hungria, da Empiricus, se o barril chegar a patamar inferior a US$ 50, a torneira de dividendos deve se fechar. Mas tudo é relativo, não é mesmo? A estatal está bem posicionada no setor, ele explica, e outras empresas têm potencialmente mais a sofrer nesse ambiente. “Ainda depende da redução dessas tensões geopolíticas e outros fatores, que aumentem a perspectiva de sobreoferta, para confirmar essa queda de preços”, diz Hungria.

De todo modo, analistas já começam a refazer suas contas sobre o potencial das ações da Petrobras daqui para frente. A UBS BB, por exemplo, divulgou em seu último relatório sobre Petrobras um ajuste do preço-alvo de RS 42 para R$ 40 e manteve recomendação de compra - as ações da estatal giram no momento na casa dos R$ 32, logo, com uma alta potencial de 25%.

Na avaliação do banco, os níveis de produção são sólidos e o preço do barril não deve cair muito mais, o que se traduz em uma retorno com dividendos por ação (dividend yield) entre 10% e 11% em 2026. Esses números colocam a companhia entre as petroleiras com maior retorno ao acionista no mundo. No lado dos riscos, o relatório situa o preço do barril como principal preocupação no primeiro semestre, enquanto, no segundo, as eleições devem ganhar mais atenção.

Volatilidade segue no radar

As tensões geopolíticas que levaram o preço do petróleo a oscilar nas primeiras semanas do ano são um dos principais fatores que podem reverter a tendência de longo prazo de preços.

“Embora não tenha a quantidade de reservas da Venezuela, o Irã é a terceira maior potência do mundo e está num ponto estratégico, próximo dos principais mercados consumidores, como China e Índia", afirma João Victor Marques, pesquisador da FGV Energia. "A produção iraniana é de cerca de 3 milhões de barris por dia, mesmo sendo um país sancionado."

A ameaça de um conflito militar contra os Estados Unidos envolve riscos elevados, e os preços seriam muito afetados. Para o pesquisador, os mais graves são os de destruição de infraestrutura petrolífera essencial ao mercado internacional; interrupção do escoamento dos demais países árabes, que dependem do Estreito de Hormuz; e a possibilidade de arrastar China e Índia para o conflito, por dependerem do petróleo iraniano.

Por isso, o preço respondeu mais à ameaça de um conflito militar entre o regime dos aiatolás e os Estados Unidos do que no episódio envolvendo Venezuela. Ao sabor do Oriente Média, atingiu US$ 66 por barril faz uma semana, indo ao maior nível desde novembro.

Mas, salvo nova escalada de tensão, a tendência é que os preços voltem a cair. “Os preços tem um impacto psicológico e antecipa um risco. Quando se percebe que o risco não foi consumado, ele despenca rapidamente em função das condições de oferta e demanda”, diz Marques.

Ainda sobre a Venezuela, o efeito predominante da intervenção americana periga ser baixista sobre os preços.

Pode até haver alguma redução momentânea de produção, enquanto não se define quem estará na dianteira da indústria venezuelana. De acordo com Trump, serão as empresas americanas. Confirmada essa possibilidade, pode ser recuperada a eficiência perdida dos últimos anos na Venezuela. Assim sendo, poderiam vir pressões adicionais de alta na oferta global e de queda nos preços.

Em entrevista ao Valor, Carlos Pascual, da S&P Global, diz que aumentar a produção de petróleo da Venezuela de 900 mil barris por dia para cerca de 1,5 milhão por dia pode ser feito com a infraestrutura existente em um prazo de cerca de 18 meses.

O desafio maior é elevar a produção para além desse volume, o que exigiria investimentos bilionários. "A situação é altamente incerta e dependerá do alinhamento de diversos fatores para que a produção de petróleo da Venezuela retorne aos níveis anteriores", afirmou a S&P. "A única certeza é que a indústria de petróleo e gás estará de olho."

A JP Morgan Global Research também projeta que a produção poderia atingir 1,3 a 1,4 milhão de barris por dia dentro de dois anos após uma transição política. Isso se intensificaria especialmente se as principais empresas petrolíferas retornassem ao país, o que poderia impulsionar ainda mais a produção.

“Com novos investimentos e grandes reformas institucionais, a produção poderia potencialmente expandir para 2,5 milhões de barris por dia na próxima década”, escreve Natasha Kaneva, chefe de Estratégia Global de Commodities da JP Morgan. “Assim, a situação em constante evolução na Venezuela pode representar imediatamente um dos maiores riscos de alta para as perspectivas de oferta global de petróleo para 2026-2027 e além.”

Nesse sentido, seriam dois problemas para a Petrobras. Além da pressão adicional de baixa nos preços do petróleo, concorrentes americanas, como a Chevron, podem despontar na preferência de investidores internacionais.

A ver as cenas dos próximos capítulos. Com Trump protagonista, emoções não devem faltar.

RODOVIÁRIO

IstoÉ Dinheiro - SP   22/01/2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira, 21, a solução consensual para a reestruturação e repactuação do contrato de concessão das rodovias BR-163 (Mato Grosso-Pará) e BR-230 (Pará), sob responsabilidade da Via Brasil. A modernização contratual, com novo prazo de 20 anos, prevê investimentos de aproximadamente R$ 10,642 bilhões.

Esse recurso será destinado às obras de ampliação de capacidade, recuperação estrutural do pavimento e melhorias na segurança. Cerca de R$ 3 bilhões devem ser executados já nos primeiros três anos. Hoje, a concessão enfrenta desequilíbrio econômico-financeiro.

Há problemas ainda como o aumento expressivo do tráfego, altos índices de acidentes e degradação do pavimento. Com 1.009,52 km de extensão, a BR-163/230 é um dos principais corredores de exportação agrícola do País, ligando as regiões Centro-Oeste e Norte.

O presidente do TCU, Vital do Rêgo, avaliou em seu voto que a concessão, firmada em 2022, foi planejada para ser de curto prazo, com apenas dez anos, e focada em manutenção e conservação. Na época, havia a previsão de que a Ferrogrão absorveria a maior parte do tráfego pesado.

O problema é que a produção agrícola na região aumentou exponencialmente e a Ferrogrão foi adiada. Houve um aumento de tráfego 44% maior que o esperado já em 2023. “Manter o contrato como está mostra-se, portanto, inviável e perigoso, pois ele simplesmente não foi desenhado para suportar os investimentos de duplicação que se tornaram urgentes”, apontou o presidente da Corte.

O ministro e relator, Bruno Dantas, também classificou o caso como um dos mais urgentes no setor de infraestrutura. Como as novas condições contratuais, ele também entendeu ser necessária uma camada “reforçada de verificação”, por meio de verificador independente. Esse agente terá atribuições como a medição da qualidade e tempo das entregas, registrando eventuais atrasos. Atuará, na prática, para substituir o agente regulador.

Uma das soluções consideradas inovadoras, no acordo, é a conversão de multas que somavam R$ 432 milhões em realização de investimentos imediatos. Para isso, haverá acompanhamento trimestral das metas de obras e serviços pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com apoio de verificador independente.

AGRÍCOLA

IstoÉ Dinheiro - SP   22/01/2026

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária neste ano deve atingir R$ 1,392 trilhão, prevê o Ministério da Agricultura. O número supera os R$ 1,370 trilhão estimados pela pasta no mês passado. Em relação ao ano anterior, entretanto, há queda de 2%. Para 2025, o ministério também revisou sua projeção de R$ 1,416 trilhão para R$ 1,419 trilhão.

A perspectiva de queda pode ser explicada pelo menor preço esperado para as commodities agrícolas neste ano e desaceleração da produtividade das lavouras. As projeções constam de boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério. Os dados foram compilados pela reportagem. O VBP é o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais, considerando a produção agrícola e pecuária e a média de preços recebidos pelos produtores rurais de todo o País.

Do total previsto para 2026, R$ 900,407 bilhões devem vir das lavouras, equivalente a 66% do total e recuo estimado de 3,2% ante 2025. Outros R$ 491,156 bilhões estão relacionados à produção pecuária, correspondente a 34% do total e alta de 0,5% em comparação com o ano passado. Para 2025, o ministério prevê alta de 10,6% no valor bruto da produção da agricultura, para R$ 930,487 bilhões, e alta de 14,3% no faturamento da pecuária, para R$ 488,827 bilhões.

Na agricultura, é esperado crescimento neste ano apenas para o VBP das lavouras de batata-inglesa, café, mandioca, soja e uva. Entre as principais culturas com participação no VBP, as lavouras de soja devem apresentar faturamento bruto 6,7% maior, para R$ 351,203 bilhões, enquanto o VBP do milho é estimado em R$ 150,725 bilhões, recuo anual de 9,3%. A receita bruta obtida com a produção de trigo deve somar R$ 8,522 bilhões, queda anual de 18,1%.

Para as lavouras de café, a projeção é de VBP de R$ 118,072 bilhões, alta de 3% frente a 2025. O faturamento das lavouras de cana-de-açúcar, por sua vez, deve cair 6,4%, estima o ministério, para R$ 109,310 bilhões, enquanto o faturamento bruto das lavouras de laranja deve ceder 38%, para R$ 15,081 bilhões. O VBP das lavouras de algodão é estimado em R$ 29,213 bilhões, baixa anual de 17,8%. As previsões apontam ainda para recuo de 33% do VBP do cacau, para R$ 7,736 bilhões.

Já o VBP das lavouras de arroz e feijão deve diminuir, respectivamente, 30,6% e 8,8%. O faturamento bruto da produção de arroz deste ano é estimado em R$ 14,417 bilhões. A receita bruta do cultivo de feijão é projetada em R$ 10,700 bilhões.

Na pecuária, o maior crescimento deve ser observado na cadeia de bovinos, com aumento estimado de 4,5%, para um VBP projetado em R$ 221,082 bilhões. A produção bovina continua liderando o faturamento bruto da pecuária. O valor bruto da cadeia de suínos deve avançar 0,2%, para R$ 63,122 bilhões, enquanto o faturamento bruto da produção de frangos é projetado 1,4% acima do ano anterior, para R$ 113,977 bilhões. A receita bruta obtida com a produção de leite deve cair 6,2%, para R$ 68,164 bilhões. A produção de ovos deve apresentar VBP 15,1% menor, para R$ 24,810 bilhões.

O VBP é projetado mensalmente pelo ministério. O número é calculado pelo cruzamento das informações de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos preços coletados nas principais fontes oficiais. O estudo da pasta abrange 19 cadeias da agricultura e cinco atividades pecuárias.

Governo da Bahia - BA   22/01/2026

Como parte da política pública de fortalecimento da agricultura familiar, a mecanização rural tem papel estratégico nas ações do Governo da Bahia voltadas ao desenvolvimento do meio rural. Em 2025, a entrega de máquinas e equipamentos agrícolas a associações, cooperativas e prefeituras municipais reduziu o esforço físico do trabalho no campo e ampliou a capacidade produtiva de milhares de famílias agricultoras em diferentes regiões do estado.

A iniciativa é executada pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com recursos provenientes de emendas parlamentares. Foram entregues tratores e diversos implementos agrícolas, como carretas, escavadeiras, plantadeiras, grades aradoras, roçadeiras hidráulicas, tanques-pipa e veículos tipo pick-up, beneficiando municípios de 21 Territórios de Identidade da Bahia.

Entre as organizações contempladas está a Cooperativa de Trabalho Urbano e Rural de Campo Alegre de Lourdes (COOPSERCAL), que recebeu um trator com implementos agrícolas. Segundo o presidente da cooperativa, Antônio José dos Passos Filho, o equipamento trouxe ganhos imediatos para os agricultores. “O trator reduziu a necessidade de mão de obra e garantiu mais eficiência no preparo do solo, no deslocamento dos produtos e no transporte de materiais como areia e madeira”, destacou.

No município de Laje, a Associação da Gameleira também foi beneficiada com um trator, que resultou em economia direta para os agricultores. “Antes, os associados precisavam pagar cerca de R$ 120 por hora pelo aluguel de máquinas. Agora temos um equipamento moderno, que facilita o preparo da terra e o carregamento da colheita, reduzindo o esforço físico e aumentando a produtividade”, explicou o tratorista Júnior Medrado.

Já a Cooperativa de Fruticultura Irrigada de Paramirim (COOFIPA) recebeu quatro plantadeiras, o que trouxe mais eficiência ao plantio. Para o presidente da entidade, Zilton Santos Silva, os resultados superaram as expectativas. “Houve melhora no controle da quantidade de sementes, na adubação, no espaçamento e no alinhamento. O aproveitamento das sementes é muito maior, o que impacta diretamente na produtividade”, afirmou.

Máquinas e equipamentos para mecanização rural

Entre 2023 e 2025, o Governo da Bahia ampliou os investimentos em mecanização rural, com a entrega de mais de 620 tratores com implementos agrícolas, 320 máquinas forrageiras com reboque, 46 retroescavadeiras e 30 kits de irrigação, com capacidades entre 0,5 e 2 hectares. Os equipamentos fortalecem o preparo do solo, o plantio, a colheita e outras etapas do processo produtivo da agricultura familiar.

Inovação e tecnologia

Um dos diferenciais da política de mecanização rural é a introdução de tratores equipados com tecnologia de telemetria, que permite o monitoramento remoto do desempenho e da operação dos equipamentos por até cinco anos. O sistema possibilita o acompanhamento do consumo de combustível, localização, tempo de uso e envio de alertas de manutenção preventiva, contribuindo para uma gestão mais eficiente e para o aumento da vida útil dos equipamentos. A Bahia é o primeiro estado do Nordeste a adotar esse nível de inovação na mecanização rural.

Capacitação para uso eficiente dos equipamentos

A política pública também inclui a qualificação dos beneficiários, por meio do Curso de Operação e Manutenção Preventiva em Tratores Agrícolas, oferecido pela CAR. A formação garante o uso adequado, seguro e duradouro dos equipamentos, com conteúdos sobre manutenção preventiva, operação segura, cuidados técnicos, prática de campo, cálculo da hora-máquina e modelos de gestão da mecanização agrícola.

Para o diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, a mecanização rural representa um avanço estrutural para o rural baiano. “Não se trata apenas de entregar máquinas. Estamos garantindo acesso à mecanização para quem historicamente não teve essa oportunidade. Com a telemetria e a capacitação, damos um salto em tecnologia, eficiência e gestão, fortalecendo de forma estruturante a agricultura familiar da Bahia”, afirmou.

Infraestrutura rural complementar à mecanização

Além da mecanização, o Governo do Estado também investiu em infraestrutura rural, ampliando as condições de produção, armazenamento e logística no meio rural. No mesmo período, foram entregues 350 tanques-pipa, 15 caminhões para transporte de água, leite refrigerado e cargas em geral, caixas d’água com capacidades entre 500 e 10 mil litros, 24 tanques de resfriamento de leite, além de casas de farinha móveis e barracas de feira, fortalecendo a base produtiva e a comercialização da agricultura familiar.

Auto Data - SP   22/01/2026

O Brasil é referência no desenvolvimento e produção de máquinas agrícolas e de construção, com alguns equipamentos produzidos apenas no País e exportados para todo o mundo. No caso da AGCO a fábrica de Ibirubá, RS, tornou-se referência no desenvolvimento e na produção de plantadeiras, abrigando um centro de engenharia local.

O desenvolvimento de novas plantadeiras é feito em conjunto com a equipe dos Estados Unidos, pois além do Brasil esta linha de equipamentos também é produzida em uma fábrica no Kansas. Vinícius Fior, diretor global de engenharia de plantio e preparo de solo da AGCO, falou um pouco mais sobre esse trabalho:

“Hoje não temos mais desenvolvimentos individual. Nossa equipe no Brasil trabalha junto com o dos Estados Unidos para o desenvolvimento de novas plantadeiras. Quando o equipamento entra em produção o Brasil abastece a América do Sul e a África e nossa fábrica no Kansas abastece toda a América do Norte e a Europa”.

Mesmo trabalhando em conjunto o Brasil é o único país no mundo em que a AGCO mantém Centro de Desenvolvimento apenas de plantadeiras: nos Estados Unidos o local compartilha o desenvolvimento de outras máquinas.

A maior equipe de engenharia dedicada a plantadeiras está na fábrica de Ibirubá, com cerca de cinquenta pessoas trabalhando em novos projetos e auxiliando os trabalhos realizados na América do Norte. Parte das peças usadas na produção estadunidense é feita no Brasil e exportada para a fábrica instalada no Kansas.

Fior disse que no momento a engenharia da AGCO trabalha em atualizações que serão aplicadas na plantadeira Momentum, que é produzida no Brasil, assim como em uma nova geração do equipamento que será produzida, inicialmente, na América do Norte.

O desenvolvimento é feito em conjunto e as fábricas produzem plantadeiras com desenhos diferentes porque os clientes da América do Sul e da África precisam de um equipamento com linhas de plantio diferentes das que os produtores da América do Norte e da Europa. A parte de cabine, tecnologia, motor e chassi seguem o padrão global.

De acordo com o executivo a operação da AGCO no Brasil tornou-se referência em plantadeiras de forma comum, pois a história do plantio passa pela unidade de Ibirubá: foi lá que a empresa realizou os primeiros desenvolvimentos deste tipo de máquina, com a criação de kits para adaptação de equipamentos que eram usadas no plantio.

São Paulo – O Brasil é referência no desenvolvimento e produção de máquinas agrícolas e de construção, com alguns equipamentos produzidos apenas no País e exportados para todo o mundo. No caso da AGCO a fábrica de Ibirubá, RS, tornou-se referência no desenvolvimento e na produção de plantadeiras, abrigando um centro de engenharia local.

O desenvolvimento de novas plantadeiras é feito em conjunto com a equipe dos Estados Unidos, pois além do Brasil esta linha de equipamentos também é produzida em uma fábrica no Kansas. Vinícius Fior, diretor global de engenharia de plantio e preparo de solo da AGCO, falou um pouco mais sobre esse trabalho:

“Hoje não temos mais desenvolvimentos individual. Nossa equipe no Brasil trabalha junto com o dos Estados Unidos para o desenvolvimento de novas plantadeiras. Quando o equipamento entra em produção o Brasil abastece a América do Sul e a África e nossa fábrica no Kansas abastece toda a América do Norte e a Europa”.

Mesmo trabalhando em conjunto o Brasil é o único país no mundo em que a AGCO mantém Centro de Desenvolvimento apenas de plantadeiras: nos Estados Unidos o local compartilha o desenvolvimento de outras máquinas.

A maior equipe de engenharia dedicada a plantadeiras está na fábrica de Ibirubá, com cerca de cinquenta pessoas trabalhando em novos projetos e auxiliando os trabalhos realizados na América do Norte. Parte das peças usadas na produção estadunidense é feita no Brasil e exportada para a fábrica instalada no Kansas.

Fior disse que no momento a engenharia da AGCO trabalha em atualizações que serão aplicadas na plantadeira Momentum, que é produzida no Brasil, assim como em uma nova geração do equipamento que será produzida, inicialmente, na América do Norte.

O desenvolvimento é feito em conjunto e as fábricas produzem plantadeiras com desenhos diferentes porque os clientes da América do Sul e da África precisam de um equipamento com linhas de plantio diferentes das que os produtores da América do Norte e da Europa. A parte de cabine, tecnologia, motor e chassi seguem o padrão global.

De acordo com o executivo a operação da AGCO no Brasil tornou-se referência em plantadeiras de forma comum, pois a história do plantio passa pela unidade de Ibirubá: foi lá que a empresa realizou os primeiros desenvolvimentos deste tipo de máquina, com a criação de kits para adaptação de equipamentos que eram usadas no plantio.

TOP