Clipping Diário

16 | Janeiro | 2026

SIDERURGIA

Money Times - SP   16/01/2026

As ações da CSN (CSNA3) revertiam o curso positivo de mais cedo e recuavam com força nesta quinta-feira (15), após nova apresentação da companhia sobre redução de alavancagem, com o mercado ponderando promessa do grupo de conseguir em um ano importantes vendas de ativos, que incluem o controle da segunda maior produtora de cimento do Brasil.

Às 11h30 (horário de Brasília), a ação da CSN estava entre as maiores perdas da sessão, recuando 4,8%, a R$ 9,77, enquanto o Ibovespa (IBOV) operava em leve alta, acima dos 165 mil pontos. A rival Usiminas (USIM5) caía 3,5%.

A empresa anunciou mais cedo que pretende levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para reduzir cerca de 50% de sua dívida líquida de R$ 37,5 bilhões.

Para isso, a CSN, que ao longo das últimas décadas amealhou ativos em uma série de setores que hoje fazem a empresa ter negócios em aço, cimento, mineração, energia e logística, promete vender o controle de sua produtora de cimentos e uma participação relevante, mas minoritária, em uma holding de infraestrutura que pretende montar reunindo ativos de ferrovia, portos e até transportadora rodoviária.

Para a venda do controle da CSN Cimentos, que ganhou força em 2022 após a compra dos ativos brasileiros da europeia LafargeHolcim, a empresa promete assinatura de acordo com comprador entre o terceiro e quarto trimestres deste ano.

O mesmo prazo envolve a chamada CSN Infraestrutura, que apesar do interesse do grupo em torná-la uma holding única, será alvo de uma venda escalonada, com fatia em ativos do Sudeste sendo vendida também entre o terceiro e quarto trimestres de 2026 e operações no Nordeste, que incluem a ferrovia Transnordestina, em 2027.

Vendas de ativos são raras na história de décadas da CSN, mas nos últimos anos o controlador Benjamin Steinbruch tem repetido ao mercado que a empresa tem trabalhado para levantar capital com alguns deles como forma de obter recursos para investimentos e redução de dívidas.

A empresa fez IPO de suas operações de mineração, consideradas pelo mercado como “joia da coroa do grupo” em 2021, mas manteve uma participação entre 60% e 70% nelas.

No mesmo ano tentou abrir o capital de sua empresa de cimentos, mas não havia oportunidade para isso no mercado. No final do ano passado, a companhia anunciou a venda de uma participação de R$ 3,35 bilhões na transportadora ferroviária MRS para a sua própria mineradora.

Ao longo desses anos a empresa até foi na contramão das promessas de venda de ativos e comprou novos. Incluindo a geradora de energia CEEE, por quase R$ 1 bilhão, em 2022, e o controle da transportadora rodoviária Tora, por mais de R$ 700 milhões no final de 2024.

Analistas do JP Morgan disseram em relatório a clientes após a apresentação da CSN que as notícias dadas pela empresa são positivas, “entretanto, é importante mencionar que a companhia tem prometido vender ativos há algum tempo e uma execução bem-sucedida continua importante para estabilizar os ratings (da empresa) e criar um histórico mais forte de gestão de balanço”.
Nunca antes

Steinbruch afirmou na apresentação que a CSN “ao longo de 32 anos acumulou excelentes ativos” e, citando a continuidade de juros elevados da economia, afirmou que a empresa talvez tenha insistido “por mais tempo que o necessário (na manutenção deles dentro do grupo)”.

“Esperar mais não faz sentido e resolvemos tomar essas decisões em que vamos desalavancar por volta de R$ 18 bilhões”, afirmou o Steinbruch, citando que o nível de juros do país dificulta investimento e tem pressionado o endividamento do grupo.

“Nunca nos comprometemos dessa forma tão transparente e pragmática” para redução da alavancagem e venda de ativos, acrescentou.

Com isso, com as vendas do controle da CSN Cimentos e da participação na CSN Infraestrutura, a CSN quer reduzir sua alavancagem financeira de 3,14 vezes para 1,83 vez “no curto prazo” e chegar a 1 vez num intervalo de oito anos, disse o diretor de finanças, Antonio Marco Rabello.

Segundo Rabello, o nível de 1 vez será alcançado com uma esperada melhora nos resultados do grupo, com geração de caixa medida pelo Ebitda crescendo a partir de investimentos em modernização de suas instalações siderúrgicas e de mineração e avanço da área da CSN Infraestrutura, que inclui sete ativos dos quais quatro no Sudeste – MRS e Tora e os terminais portuários Tecon e Tecar.
Mudança de planos

Embora o mercado visse a CSN como mais inclinada a vender participação adicional na divisão de mineração, ainda mais num cenário de preços de minério de ferro favorável, Rabello afirmou que se trata de uma “grande reserva de valor para o grupo” e que a CSN não tem intenção de vender fatias adicionais da operação.

Analistas questionaram por que a empresa que sempre prefere ter controle sobre seus investimentos vai manter uma fatia minoritária na área de cimentos. “O interesse do investidor e o ‘valuation’ são os fatores que vão nortear o percentual que vamos monetizar” durante as negociações com interessados, explicou Rabello.

O interesse atual para venda do controle se dá pela ausência de janela de oportunidade para uma nova tentativa de IPO e pelo recebimento de “sinalizações importantes de grupos do mercado que indicaram múltiplos importantes, mostrando que isso vai trazer o ‘valuation’ que queremos mesmo sem IPO”, disse Rabello sem dar detalhes.

O executivo afirmou que entre os interessados nos ativos de cimento estão grupos sem participação no Brasil, o que pode facilitar a tarefa de obtenção de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o negócio. “Mas se for consórcio (de empresas), o Cade pode demorar um pouco mais”, disse o executivo.

Rabello explicou que a CSN prefere manter o controle da CSN Infraestrutura em razão do vínculo dessa operação com a atividade de mineração, uma das maiores exportadoras de minério de ferro do Brasil.

A CSN não afirmou quanto pretende levantar com cada venda, mas Steinbruch disse que apenas a alienação do controle da operação de cimentos “já resolve sozinha a questão do nosso endividamento e a partir das sobras (de recursos) a gente vai ver o que faz”.

Rabello disse que a CSN segue aberta a fazer IPOs de todos os seus negócios, um plano antigo do grupo, incluindo energia e infraestrutura, mas que não há oportunidade para isso no momento.

E a empresa também teria opções de vendas de ativos fora do Brasil, como operações de siderurgia na Europa, mas o executivo disse que os dois movimentos em cimento e infraestrutura “são suficientes” para a desalavancagem que a companhia quer fazer.

Questionado por analista sobre o nível de engajamento de investidores e interessados nos ativos do grupo, o diretor financeiro afirmou que a CSN “está fazendo tudo o que é correto e tudo o que os investidores estão pedindo nos últimos meses. Vamos descobrir nas próximas semanas”.

Steinbruch ventilou ainda que a divisão de siderurgia, cuja usina em Volta Redonda (RJ) remonta aos anos de 1940 e que tem recebido investimentos do grupo mais recentemente, vai precisar de parcerias para modernizar equipamentos. É um setor que como um todo tem sentido dificuldades em crescer no Brasil diante de alto volume de importações.

“Temos que passar por investimentos muito fortes, e temos que buscar essa forma de fazer fora do Brasil, através de (parceiros) asiáticos ou europeus”, disse o executivo citando que os investimentos em modernização precisam ser feitos “de forma compatível com a sobrevivência do negócio”.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   16/01/2026

A piora no desempenho das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos foi um dos elementos a reduzir o superávit da balança comercial brasileira na passagem de 2024 para 2025. A perda, porém, foi parcialmente compensada pelo aumento nas remessas para a Argentina. Para 2026, volta a preocupar a imprevisibilidade de medidas do governo do presidente norte-americano Donald Trump sobre o comércio internacional. A avaliação é do relatório do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

“O ano de 2025 foi marcado pelas incertezas trazidas pela imprevisibilidade e total desrespeito às regras do comércio mundial pelo governo Trump”, apontou o Icomex.

Segundo o relatório da FGV, entre as três notícias que marcam o início de 2026 está a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações.

“Os efeitos não são imediatos, pois os cronogramas de desgravação tarifária são longos podendo chegar a 30 anos para carros de novas tecnologias, no caso brasileiro. Em adição, os ganhos da agropecuária para o Brasil foram reduzidos com imposição de cotas para produtos sensíveis”, resumiu o Icomex.

A segunda questão foi o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que poderia afetar a balança comercial indiretamente através de impactos no petróleo e instaura uma preocupação porque “passa a pairar sempre a possibilidade de políticas mais intervencionistas na região”.

“A terceira foi o anúncio de uma tarifa de importação de 25% incidente sobre os produtos de países que negociam com o Irã. Em 2025, o Irã respondeu por 0,84% das exportações do Brasil, sendo por 0,03% das importações. Os percentuais são pequenos”, esclareceu a FGV. “No entanto, o pior impacto é novamente a incerteza e a imprevisibilidade que Trump traz para o comércio e a economia mundial. A expectativa que, em 2026, Trump ficaria mais voltado para as questões domésticas dos Estados Unidos parece que não vai se realizar. Iniciamos 2026 com um cenário internacional com potencial conflitos e a isso se junta o ano de eleições no Brasil, onde apostas em candidatos tendem a gerar volatilidade cambial que afetam as decisões do comércio exterior.”

A balança comercial brasileira teve um superávit entre US$ 68,3 bilhões no ano de 2025. O volume de exportações aumentou 5,9% em relação a 2024, enquanto as importações subiram 7,1%.

Em relação ao desempenho de 2024, o superávit encolheu US$ 5,9 bilhões. As trocas comerciais do Brasil com os Estados Unidos passaram de um déficit de aproximadamente US$ 300 milhões em 2024 para um déficit de US$ 7,5 bilhões em 2025. O comércio com a China resultou num superávit US$ 1,6 bilhões menor, passando de US$ 30,7 bilhões em 2024 para US$ 29,1 bilhões em 2025. As trocas com a União Europeia encolheram de superávit de US$ 1,05 bilhão em 2024 para déficit de US$ 0,5 bilhão em 2025. Já a corrente de comércio com a Argentina contribuiu positivamente, com superávit de US$ 5,2 bilhões em 2025, ante US$ 0,2 bilhão em 2024.

O Estado de S.Paulo - SP   16/01/2026

Depois de 25 anos de tratativas, vamos ver se a assinatura virá mesmo. E mesmo com ela há um caminho a percorrer antes de entrar em vigor. Em particular, precisa ser aprovado pelos parlamentos dos diversos países, e na Europa, a França tem se destacado na posição contrária, conforme defendida pelo presidente Macron. Mas espera-se que seja aprovado pela maioria. Isso será suficiente.

Sobre o assunto, o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, deu uma interessante entrevista a este jornal, publicada em 13/1 (B6), na qual respondeu a inteligentes perguntas da repórter Célia Froufe. Costa, diplomaticamente, não fez referências a Donald Trump, mas ressaltou que o acordo veio num bom momento, pois traz uma mensagem em favor do multilateralismo, do livre comércio e do diálogo ante o unilateralismo e suas tensões, como no caso do tarifaço imposto pelo presidente Trump – digo eu.

Costa também informou que virá para a assinatura a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que se empenhou bastante pelo acordo, conforme vi pela imprensa ao longo dos anos recentes.

Costa falou das salvaguardas incorporadas ao acordo pela União Europeia (UE) a itens agrícolas a serem exportados pelos países do Sul, acredito eu, como uma forma de acomodar argumentos como os de Macron. Mas garantiu que o instrumento “será usado excepcionalmente e que não terá o objetivo de restringir o comércio entre as partes ou criar barreiras. A União Europeia, afirmou, está plenamente comprometida com a implementação efetiva do acordo”.

Também afirmou que, após 25 anos, “a assinatura no dia 17 criará a maior zona de livre comércio, um mercado de mais de 700 milhões de consumidores, o que gerará enormes oportunidades para nossos cidadãos e para as nossas empresas”. Costa também reiterou que o acordo entre a UE e os países do Mercosul envia ao mundo uma mensagem em defesa do multilateralismo, do livre comércio e do diálogo, posicionando-se contra o unilateralismo e as tensões... “Brasil e UE são dois grandes polos regionais com enorme potencial para fortalecer ainda mais os laços que unem a Europa e a América Latina”. Note-se a referência ao Brasil, que creio ser o interesse especial da UE.

E mais: “Este acordo pode ter chegado tarde, mas chega no momento em que mais precisamos dele. (...) Insisto, o seu impacto vai além do campo econômico.” Outro fator a considerar é que a paralisação da Organização Mundial do Comércio (OMC) ou o recurso a tarifas unilaterais são sintomas de um mundo em que o multilateralismo está sob pressão. A União Europeia tem procurado responder com inteligência, reforçando o diálogo, a cooperação e uma parceria global baseada em regras. (...) A América Latina é um parceiro natural e estratégico para nós.”

Confesso que até aqui não havia percebido o enorme tamanho do acordo em termos do elevado número de consumidores que cobre. Em ternos populacionais, a UE é duas vezes maior que o Brasil, e tem também uma renda per capita maior.

Será interessante acompanhar a evolução do acordo quando for finalmente aprovado pelos parlamentos dos dois lados. Empresários de ambas as partes se debruçarão sobre as regras em busca de oportunidades de negócios. Vi, por exemplo, que os empresários daqui já identificaram essas oportunidades nos casos do azeite e do queijo europeus. Não sei se os mineiros queijeiros vão se incomodar e espero que sua reação seja positiva e procure levar nossos queijos ao mercado europeu, pois vários deles já foram premiados em contextos internacionais.

As entidades comerciais deveriam liderar esse esforço de levar o acordo à prática, reunindo seus empresários para fazer isso em conjunto. O Brasil não deve temer a concorrência, mas sim aproveitá-la para melhorar a qualidade e a produtividade de sua produção.

Em 11 de janeiro (A17), o colunista deste jornal Lourival Sant’Anna também fez uma avaliação muito positiva do acordo. Disse ele: “A aprovação do acordo (...) é estratégica para o Brasil. Apesar de todas as restrições à importação de produtos agrícolas pelos europeus, o Brasil passa a participar da maior zona de livre comércio do mundo, com um bloco que compartilha os valores democráticos e liberais, reduz a relativa independência da China e o efeito das pressões americanas. No momento em que Donald Trump impõe o seu desejo pelo uso ou ameaça da força militar, o simples fato de 31 países dos dois continentes chegarem a um acordo sobre novas normas que regem suas relações é uma mensagem para o mundo.”

Estarei acompanhando o que virá pela frente e eventualmente traremos novas reflexões sobre o assunto para informar os leitores. Eu acordei para esse assunto e também passei a vê-lo como um contraponto à iniciativa individualista e protecionista de Donald Trump com seu tarifaço.

O Estado de S.Paulo - SP   16/01/2026

Insegurança global, agravada pela disputa da Groenlândia, pela crise no Irã e pelas pretensões imperiais do presidente Donald Trump, é por enquanto a principal ameaça à atividade econômica, à expansão do emprego e, no caso do Brasil, ao crescimento seguro e equilibrado neste ano de eleições.

O País encerrou o último ano com inflação de 4,26%, pouco abaixo do teto da meta. 4.5%, e perspectiva, segundo projeções do mercado, de aumento de preços ao consumidor ainda acima de 4% em 2026.

Candidato a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter interesse especial em manter contido o custo de vida, tarefa complexa durante durante uma disputa eleitoral.

A complexidade envolve também o crescimento da economia. A expansão do produto deve ter ficado entre 2% e 3% no ano passado, provavelmente mais perto de 2,5%, de acordo com as estimativas correntes.

As projeções para este ano indicam expansão menor, em torno de 1,80%, segundo o boletim Focus. Se quiser impulsionar a atividade e o emprego, neste ano, o governo terá maior dificuldade para frear a inflação.

A contenção dos preços continuará a depender principalmente do Banco Central (BC), isto é, do aperto monetário. Se houver redução dos juros, será lenta, quase certamente. Nesta altura, a expectativa de uma taxa básica de 12,25% no fim do ano pode até parecer otimista.

Se mantiver o padrão de política seguido nos últimos anos, o Comitê de Política Monetária do BC, o Copom, deverá ser muito cuidadoso na redução dos juros, para evitar o risco de de um novo arrocho e, portanto, de um recuo em sua política. O quadro poderá ser diferente se o governo contiver de fato seus gastos. “De fato” significa, nesse caso, sem disfarce contábil.

Manter o desemprego baixo será um objetivo especialmente importante num ano de eleições. O Brasil encerrou o trimestre móvel de setembro a novembro com desocupação de 5,2% da força de trabalho, a menor taxa da série iniciada em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população ocupada chegou a 103 milhões de pessoas, um novo recorde, assim como a massa de rendimento real habitual, estimada em R$ 367,7 bilhões naquele trimestre.

O desemprego continuou em queda, mas a atividade perdeu vigor no final do ano. Mesmo com a perda de impulso, a produção industrial ainda aumentou 0,7% nos 12 meses até novembro, os serviços avançaram 2,7%, o volume vendido pelo comércio varejista expandiu-se 1,5%. Repetir esse desempenho em 2026 já será um desafio, especialmente se houver empenho em controlar as contas públicas e impedir um aumento da inflação.

Infomoney - SP   16/01/2026

Os preços de importados dos Estados Unidos aumentaram 0,4% nos dois meses de setembro a novembro, informou o Escritório de Estatísticas do Departamento do Trabalho nesta quinta-feira.

A paralisação de 43 dias do governo impediu a coleta de dados de pesquisa para outubro. Como resultado, o Escritório não publicou as variações mensais dos preços de importados para outubro e novembro. No entanto, foram publicadas as variações mensais de um número limitado de índices calculados a partir de dados não provenientes de pesquisas.

Os preços de importados aumentaram 0,1% nos 12 meses até novembro. A paralisação mais longa da história também impediu a coleta de dados para produzir o índice de preços ao consumidor de outubro. Embora a coleta de dados para o índice de preços ao produtor não tenha sido afetada, o processamento foi atrasado.

Alguns componentes dos índices de preços ao consumidor, ao produtor e dos preços de importados alimentam o cálculo do índice PCE, a medida de inflação monitorada pelo Federal Reserve para sua meta de 2%.

Os preços dos combustíveis importados caíram 2,5% no período de dois meses encerrado em novembro, e recuaram 6,6% nos 12 meses até novembro.

Os preços dos alimentos caíram 0,7% em novembro, depois de aumentarem 1,4% em outubro. Excluindo combustíveis e alimentos, os preços de importados avançaram 0,9% nos 12 meses até novembro, refletindo a desvalorização do dólar em relação às moedas dos parceiros comerciais dos Estados Unidos.

IstoÉ Dinheiro - SP   16/01/2026

A mediana do Prisma Fiscal para o déficit primário do Governo Central em 2026 aumentou de R$ 72,100 bilhões em dezembro para R$ 72,400 bilhões em janeiro. A estimativa intermediária para 2027 cedeu de R$ 54,897 bilhões para R$ 51,970 bilhões. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda nesta quinta-feira, 15. A coleta dos dados foi fechada no 5º dia útil de janeiro.

A meta fiscal é de superávit de 0,25% porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, com tolerância de 0,25 ponto.

O governo negociou com o Congresso maneiras de obter a arrecadação necessária para fechar o orçamento de 2026. No fim de 2025, aprovou um corte linear nos benefícios tributários do governo e amplia a tributação sobre apostas eletrônicas, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP).

A norma promove um corte linear nos incentivos fiscais e deve gerar arrecadação superior aos R$ 20 bilhões estimados como necessários para auxiliar o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit de R$ 34,3 bilhões.

Os economistas do mercado consultados pela SPE mantiveram as estimativas para a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). A mediana para o fim de 2026 ficou em 83,70%. A projeção para 2027 ficou estável em 87%. A estimativa intermediária do Prisma Fiscal para o déficit nominal do governo central este ano subiu, saindo de R$ 1,009 trilhão para R$ 1,039 trilhão.

A mediana para a arrecadação federal passou de R$ 3,085 trilhões para R$ 3,082 trilhões em 2026, e caiu de R$ 3,277 trilhões para R$ 3,258 trilhões em 2027. Com isso, a estimativa intermediária para a Receita Corrente Líquida (RCL) do governo central passou de R$ 2,513 trilhões para R$ 2,510 trilhões este ano, e de R$ 2,680 trilhões para R$ 2,664 trilhões no próximo.

A mediana da projeção do Prisma Fiscal para a despesa total do governo central saiu de R$ 2,585 trilhões para R$ 2,580 trilhões em 2026. Em 2027, caiu de R$ 2,730 para R$ 2,717 trilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   16/01/2026

A balança comercial entre Brasil e União Europeia em 2025 foi de US$ 100,1 bilhões, cerca de R$ 538 bilhões. Os dados, obtidos pela Coluna do Estadão, constam do site “Painel de Oportunidades Mercosul–União Europeia”, que será lançado nesta sexta-feira, 16, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Neste sábado, 17, será assinado o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), a maior zona de livre comércio do mundo.

Segundo a pasta, no ano passado o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia e importou US$ 50,3 bilhões. O saldo comercial ficou negativo ao País em US$ 0,5 bilhão. Óleos brutos de petróleo, café não torrado e farelo de soja foram os principais produtos vendidos à UE.

Dos US$ 49,8 bilhões exportados ao bloco europeu, 73% se concentram em cinco países:
Holanda (US$ 11,7 bilhões);Espanha (US$ 8,8 bilhões);Alemanha (US$ 6,5 bilhões);Itália (US$ 5,4 bilhões);Bélgica (US$ 4 bilhões).

No “Painel de Oportunidades Mercosul–União Europeia”, é possível fazer análises individuais por produto, mercados e unidades da federação. Os Estados que mais exportaram à União Europeia no último ano foram Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

‘Acordo é o mais relevante já firmado pelo Mercosul’, diz secretária

“O acordo com a União Europeia é o mais relevante já firmado pelo Mercosul. Para que ele alcance todo o seu potencial, é preciso transformar compromissos em oportunidades reais. O painel é uma primeira contribuição para a implementação do acordo a partir de sua assinatura”, afirmou à Coluna a secretária de Comércio Exterior do ministério, Tatiana Prazeres, que assinará o acordo neste sábado.

IstoÉ Dinheiro - SP   16/01/2026

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na quarta-feira, 14, em entrevista à GloboNews, que surpreendeu o mercado ao entregar crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima do esperado pelos analistas. Um dos motivos para o bom desempenho da economia, segundo o ministro, foi a melhora no ambiente de negócios no País, principalmente em relação à concessão de crédito.

Haddad disse ainda esperar uma queda da taxa Selic em 2026, “com responsabilidade”, diante do cenário benigno. O ministro afirmou que os juros altos são o principal responsável pelo aumento da dívida pública e que ouviu de técnicos que “chega uma hora que juros é só para dar satisfação para o mercado”, mas não entrou em detalhes sobre a afirmação.

Déficit

Haddad reafirmou que o déficit nas contas públicas em 2025 deverá ficar em 0,48% do PIB, mas que o índice poderia ter chegado a 1,9% por causa do impacto de medidas tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

Na entrevista, o ministro disse que Bolsonaro entregou o Orçamento de 2023 – primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – com a previsão de um déficit de R$ 63 bilhões, mas não inclui o aumento do benefício do Bolsa Família de R$ 400 para R$ 600. O ex-presidente também deu um “calote” nos precatórios que teve de ser honrado pela atual gestão.

“Déficit com [o ex-presidente Michel] Temer e Bolsonaro ficava entre 1,5% e 2%”, disse Haddad, para ressaltar o resultado do ano passado.

Ainda sobre a questão fiscal, o ministro afirmou que se debruça sobre a isenção das letras de crédito, que provoca concorrência com os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional. Como o Congresso derrubou a tributação que o governo havia determinado sobre as letras, a medida não pode ser reapresentada. Com isso, a equipe econômica estaria estudando outras formas de corrigir o problema, segundo o ministro.

Haddad disse que também se preocupa com os supersalários do funcionalismo, entre eles a aposentadoria dos militares. O ministro disse que não teve espaço para enfrentar a questão durante a gestão. “Se o Congresso tiver juízo, supersalário deve ser endereçado”, afirmou.

Outro tema importante no campo fiscal, segundo Haddad, é a situação dos Correios, que podem precisar de socorro do Tesouro Nacional, mesmo após terem obtido um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a bancos. Segundo Haddad, a estatal é obrigada a bancar a universalização do serviço postal, o que atrapalha a competitividade com empresas de logística. “Nenhuma empresa vai levar uma carta de São Paulo ao interior do Amazonas”, afirmou. Nesse contexto, a Fazenda estuda como financiar a universalização sem que o custo pese sobre os Correios.

Infomoney - SP   16/01/2026

Comentaristas chineses têm falado muito nos últimos tempos sobre a pobreza nos Estados Unidos, reivindicando a superioridade da China ao se apropriar de uma expressão evocativa da cultura dos videogames.

A expressão “linha fatal” (kill line, em inglês) é usada nos games para marcar o ponto em que a condição dos jogadores adversários se deteriorou tanto que eles podem ser mortos com um único disparo. Agora, ela se tornou uma metáfora recorrente na propaganda do Partido Comunista.

China apresenta sua ilha sem impostos como ‘maior porto livre de comércio do mundo’

“Linha fatal” tem sido usada repetidamente nas redes sociais e em sites de comentários, assim como em veículos de notícias ligados ao Estado. Ganhou força na China para retratar o horror da pobreza americana — um limiar fatal além do qual a recuperação para uma vida melhor se torna impossível.

A expressão é usada como metáfora para englobar falta de moradia, endividamento, vício e insegurança econômica. Em seu uso oficial, a “linha fatal” paira sobre a cabeça dos americanos, mas é algo que os chineses não precisam temer.

A representação dos Estados Unidos como um lugar onde as dificuldades econômicas são profundas e disseminadas é um recurso recorrente da comunicação oficial chinesa há anos. Mas o uso da expressão e da imagem da “linha fatal” é novo.

A força está na simplicidade do que ela descreve: um limiar abrupto em que a miséria começa e uma vida feliz é perdida de forma irreversível. A narrativa busca oferecer alívio emocional ao povo chinês ao mesmo tempo em que tenta desviar críticas aos seus líderes.

Quanto piores as coisas parecem do outro lado do Pacífico, diz a lógica da propaganda, mais toleráveis se tornam as dificuldades presentes.

Não é coincidência que haja uma enxurrada dessas mensagens agora. O crescimento econômico da China é metade do que já foi. O desemprego entre os jovens é elevado. Caminhos antes familiares para a segurança — empregos estáveis, valorização imobiliária, mobilidade ascendente constante — tornaram-se menos previsíveis. Para muitas famílias, a margem de erro parece mais estreita do que antes.

Em um ensaio publicado online no fim de dezembro, o blogueiro jurídico Li Yuchen argumentou que o apelo da ideia da “linha fatal” estava em sua conveniência. Ela permitia que os chineses condenassem um sistema distante enquanto evitavam perguntas incômodas sobre a própria vida, escreveu.

O termo “funciona menos como uma ferramenta analítica do que como um intérprete emocional”, escreveu ele. Seu ensaio foi removido pelos censores, juntando-se a uma longa lista de conteúdos apagados por questionarem narrativas econômicas oficiais.

O fato é que a desigualdade social é um problema tanto na China quanto nos Estados Unidos. E a economia americana, sem dúvida, deixa muitas pessoas em posições frágeis. As causas são complexas.

Ainda assim, na China a pobreza é vivida e percebida de forma diferente. Na maioria das cidades chinesas, a mendicância de rua e a falta de moradia visível são rigidamente controladas, tornando-as muito menos presentes no cotidiano.

Muitos moradores urbanos entram em contato com essas cenas apenas por meio de reportagens estrangeiras, retransmitidas pela mídia estatal chinesa, sobre os Estados Unidos e outros lugares.

A insegurança econômica continua generalizada na China. Cerca de 600 milhões de pessoas, ou aproximadamente 40% da população, ganham algo em torno de US$ 1.700 por ano. As aposentadorias rurais muitas vezes somam apenas US$ 20 ou US$ 30 por mês, e uma doença grave pode lançar famílias em uma crise financeira.

Esse medo de ficar sem dinheiro é uma das razões pelas quais a China tem algumas das maiores taxas de poupança doméstica do mundo. Mas essas pressões são retratadas como parte de uma cultura de resistência e responsabilidade que deixa as famílias preparadas para superar eventos imprevisíveis da vida.

Para os chineses mais velhos, o uso da pobreza americana a serviço da política interna é algo familiar. Durante a Revolução Cultural, um slogan famoso proclamava que “os chineses felizes se preocupavam profundamente com o povo americano vivendo na miséria”, mesmo quando a maioria dos próprios chineses vivia na pobreza.

Quando eu estava crescendo na China, no início dos anos 1980, minha família assinava o China Children’s News, que publicava uma coluna semanal com um slogan simples: “O socialismo é bom; o capitalismo é ruim”.

Ela descrevia idosos em cidades americanas revirando lixo em busca de comida e pessoas em situação de rua morrendo de frio. Essas histórias não eram inventadas, mas careciam de contexto e eram apresentadas como as experiências dominantes da sociedade americana.

Grande parte da sociedade chinesa ainda estava fechada ao mundo, e informações confiáveis eram escassas.

Que muitas pessoas aceitassem tais narrativas não é surpreendente. O que chama a atenção é que retratos semelhantes continuem a ressoar hoje, quando o acesso à informação é relativamente muito maior, apesar do controle estatal.

A fórmula é simples: ampliar o sofrimento estrangeiro para desviar a atenção dos problemas domésticos. Essa abordagem está ganhando forma hoje em torno da metáfora da “linha fatal”.

Acredita-se que a expressão tenha sido popularizada pela primeira vez nesse novo contexto na plataforma de vídeos Bilibili, no início de novembro, por um usuário conhecido como Squid King.

Em um vídeo de cinco horas, ele costurou o que afirmou serem relatos em primeira mão de pobreza a partir do tempo que passou nos Estados Unidos. Seu vídeo usou cenas de crianças batendo de porta em porta numa noite fria de Halloween pedindo comida, entregadores passando fome por causa de salários irrisórios e trabalhadores feridos dispensados de hospitais por não conseguirem pagar.

As cenas foram apresentadas não como casos isolados, mas como evidência de um sistema: acima da “linha fatal”, a vida continua; abaixo dela, a sociedade deixa de tratar as pessoas como humanas.

A narrativa se espalhou para além do vídeo do Squid King, e muitas pessoas online repetiram seus relatos. Ensaios no site nacionalista de notícias Guancha e na maior plataforma de redes sociais da China, o WeChat, descreveram a “linha fatal” como a “lógica real de funcionamento” do capitalismo americano.

Outros citaram exemplos do jornalismo ocidental que, na visão deles, apresentavam os contrastes entre Estados Unidos e China. Um artigo do Financial Times publicado em 24 de dezembro sobre a disparidade de riqueza em Connecticut — a próspera Greenwich e a combalida Bridgeport — foi republicado na mídia chinesa.

Mesmo um choque financeiro modesto, como um salário não pago, a perda de benefícios de saúde ou uma despesa inesperada, pode desencadear uma rápida espiral descendente.

Outro exemplo amplamente divulgado recorreu a “Hillbilly Elegy”, o livro de memórias de 2016 do vice-presidente JD Vance. Pessoas online destacaram seu relato de vender plasma enquanto lutava contra dívidas estudantis.

Se até um futuro líder nacional teve de drenar o próprio corpo para se manter à tona, perguntavam comentaristas chineses, que chance tem um americano comum?

No fim de dezembro, a estrutura da “linha fatal” havia ganhado impulso oficial. Beijing Daily e Southern Daily, ambos veículos estatais, lançaram vários “temas quentes” na plataforma Weibo, que normalmente ajudam a atrair atenção mais ampla.

O Guancha publicou mais de uma dúzia de comentários em menos de duas semanas aplicando a metáfora à pobreza, à saúde e às condições de trabalho nos Estados Unidos.

O site depois incluiu a “linha fatal” em sua retrospectiva das principais notícias do ano, vinculando-a a críticas ao primeiro ano do presidente Donald Trump de volta ao cargo.

No início de janeiro, a Qiushi, principal revista teórica do Partido Comunista Chinês, publicou um comentário abordando a “linha fatal” como uma característica estrutural do capitalismo dos Estados Unidos. Um termo emprestado da cultura dos games havia entrado na linguagem política sancionada.

Em muitos dos comentários, relatos de americanos vivendo crises financeiras abruptas são seguidos por comparações com a China. Assistência médica básica universal, garantias mínimas de subsistência e campanhas de erradicação da pobreza são citadas como evidências de que a China não permite que ninguém caia em sofrimento repentino.

“O sistema da China não permitirá que uma pessoa seja ‘morta’ por um único infortúnio”, afirma um comentário de um departamento provincial de propaganda.

Muitos leitores expressaram choque com a pobreza americana e gratidão pelo sistema chinês. “Pelo menos temos uma rede de proteção”, disse um comentarista.

Nem todos aceitaram a narrativa. Alguns comentaristas chegaram a aplicar a linguagem da “linha fatal” a políticas domésticas, incluindo ações locais no norte da província de Hebei que elevaram drasticamente os custos de combustível de inverno para famílias rurais.

“Um tema não ganha tração simplesmente porque as pessoas são tolas”, escreveu alguém no WeChat. “Muitas vezes, ele se espalha porque encarar a realidade é mais difícil.”

O título do artigo: “A linha fatal americana não é sobre a América”

IstoÉ Online - SP   16/01/2026

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que não vê sinais de deterioração no mercado de trabalho dos Estados Unidos e reforçou que eventuais cortes de juros dependem de avanços adicionais no combate à inflação. Em entrevista à CNBC, ele disse não estar “surpreso com dados baixos de pedidos de auxílio-desemprego”, após a queda semanal das solicitações para 198 mil, abaixo das previsões do mercado.

Segundo Goolsbee, “ainda há força nos empregos e o crescimento geral nos EUA é bom”, com indicadores que apontam para estabilidade no mercado de trabalho. Ele ressaltou que o foco central do banco central continua sendo a inflação: “o mais importante para nós é levar a inflação de volta à meta de 2%”.

Nesse contexto, o dirigente avaliou que a política monetária pode ser flexibilizada, desde que os números confirmem o cenário esperado. “As taxas de juros podem cair bastante, mas os dados precisam confirmar as expectativas”, afirmou. Goolsbee acrescentou que espera ver cortes nas taxas do Fed neste ano, mas voltou a condicionar a hipótese à confirmação de dados. “Os juros ainda podem cair se virmos progresso no lado da inflação.”

O dirigente observou ainda que “dados recentes de inflação mostram possível diminuição do impacto de tarifas”, embora tenha alertado que a inflação de serviços ainda não está sob controle. Apesar disso, destacou que o crescimento econômico dos EUA “tem sido bem sólido”.

Goolsbee também comentou o debate sobre a autonomia da autoridade monetária, afirmando que “atacar a independência de um banco central pode provocar alta de inflação”. Para ele, o país está a caminho da meta de 2% de inflação, mas advertiu que “atacar a independência do Fed pode prejudicar isso”. O dirigente concluiu que o banco central “precisa cuidar do duplo mandato, não trabalhar para deixar o presidente feliz”.

MINERAÇÃO

Valor - SP   16/01/2026

Ao colaborar em novos projetos em suas operações vizinhas de minério de ferro de Yandicoogina e Yandi, as empresas poderiam extrair até 200 milhões de toneladas de minério de ferro

A Rio Tinto e a BHP vão trabalhar juntas em alguns novos projetos em minas de minério de ferro vizinhas na Austrália, o que pode ajudar a reforçar sua produção futura do insumo siderúrgico.

As empresas disseram que, ao colaborar em novos projetos em suas operações vizinhas de minério de ferro de Yandicoogina e Yandi, na região de Pilbara, na Austrália, poderiam extrair até 200 milhões de toneladas de minério de ferro, parte das quais poderia ter ficado inviabilizada sem o acordo.

“Ao trabalhar de forma mais inteligente, podemos aproveitar melhor a infraestrutura existente para destravar produção adicional com requisitos mínimos de capital”, disse Matthew Holcz, chefe das operações de minério de ferro da Rio Tinto.

A Rio Tinto e a BHP são, juntamente com a brasileira Vale, as maiores produtoras mundiais de minério de ferro, usado na fabricação de aço. A BHP é a maior mineradora do mundo em valor de mercado, e a Rio Tinto, a segunda maior.

As empresas disseram hoje que assinaram acordos não vinculantes para explorar formas de colaborar no desenvolvimento do depósito Wunbye, da Rio Tinto, que faz fronteira com as operações Yandi, da BHP.

Elas também analisarão se a BHP pode fornecer minério de seu depósito Yandi Lower Channel para a Rio Tinto para processamento em suas plantas de beneficiamento a úmido existentes. A BHP não possui a infraestrutura para processar o tipo de minério que produziria lá.

“Este é um exemplo claro de produtividade em ação, destravar novas oportunidades aproveitando ao máximo nossos recursos existentes”, disse Tim Day, que lidera as minas de minério de ferro da BHP na Austrália Ocidental.

A produção do primeiro minério de ambos os depósitos é esperada para o início da próxima década, se os projetos forem aprovados, disseram as empresas.

As ações da BHP fecharam em alta de 2,60% na Bolsa de Sydney, enquanto a Rio Tinto subiu 0,37%.

A aliança surge enquanto as empresas trabalham para proteger suas lucrativas operações de minério de ferro na Austrália contra uma China mais assertiva, que tem buscado ganhar maior controle sobre a precificação da matéria-prima necessária para projetos de infraestrutura intensivos em aço. A China compra sete de cada 10 toneladas de minério de ferro negociadas globalmente.

A BHP está há meses travada em negociações de contratos de minério de ferro com a China, que em 2022 estabeleceu um comprador estatal para ajudar o país a obter mais influência sobre os preços. Essa entidade agora supervisiona as compras para a maioria das siderúrgicas da China.

As rivais BHP e Rio Tinto já colaboraram antes. Em 2023, concordaram em minerar o Mungadoo Pillar, também liberando minério de uma fronteira compartilhada que as empresas disseram ser anteriormente inacessível. Elas também estão trabalhando juntas para testar caminhões de transporte elétricos a bateria e encontrar maneiras de produzir aço com menos emissões a partir do minério de ferro de Pilbara.

Em uma assembleia de acionistas da BHP em outubro, o presidente do conselho e o diretor-presidente da mineradora disseram a repórteres que a BHP sempre consideraria a melhor maneira de usar a infraestrutura, mesmo aquela de propriedade de terceiros, para melhorar suas operações.

Essas observações seguiram uma avaliação do analista Kaan Peker, do RBC Capital Markets, que questionou se as gigantes do minério de ferro deveriam considerar algum tipo de aliança para ajudar a proteger lucros futuros de suas operações massivas à medida que a influência de precificação da China cresce.

Tanto a Rio Tinto quanto a BHP dependem do minério de ferro para mais da metade de seus lucros, embora venham investindo pesadamente na expansão em cobre, um metal que esperam estar no centro do próximo boom de commodities, dado que é essencial para veículos elétricos, redes elétricas e data centers, entre outras coisas.

As duas empresas consideraram uma empresa conjunta de minério de ferro em Pilbara cerca de 16 anos atrás, mas o acordo proposto foi descartado, com as mineradoras citando obstáculos regulatórios. Mais da metade de todo o minério de ferro embarcado globalmente vem da região de Pilbara, na Austrália.

Valor - SP   16/01/2026

Contratos para maio, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 116,58 por tonelada

Os preços do minério de ferro caíram nesta quinta-feira (15), após dados da China mostrarem que as importações da commodity metálica subiram em dezembro.

Os contratos do minério de ferro para maio, os mais negociados, fecharam com alta de 1,03% na Bolsa de Dalian, na China, cotados a 813 yuans (116,58) a tonelada.

Analistas do ANZ Research afirmam que as importações mantiveram o forte ritmo após a reposição dos estoques mesmo durante o feriado de fim de ano.

O volume importação de minério de ferro da China atingiu 1,26 bilhão de toneladas, um aumento de 1,8%, o que indica o suporte contínuo da reposição das siderúrgicas.

Isso ocorre apesar de a produção doméstica do minério permanecer moderada, ponderam os analistas.

AUTOMOTIVO

Monitor Digital - RJ   16/01/2026

O governo chinês pediu um controle firme das guerras de preços desordenadas no setor de veículos de nova energia (NEV, sigla em inglês), com o objetivo de salvaguardar a ordem de mercado justa e guiar a indústria em rápido crescimento rumo a um desenvolvimento de alta qualidade.

O Ministério da Indústria e Informatização, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e a Administração Estatal para Regulação de Mercado convocaram conjuntamente uma reunião na quarta-feira para delinear medidas para regular a concorrência no setor.

A reunião destacou a necessidade de seguir um caminho de desenvolvimento orientado para a inovação e a qualidade em primeiro lugar, além de fomentar um ambiente de mercado onde produtos de qualidade atinjam preços razoáveis sob concorrência justa.

O governo intensificará as investigações de custos e o monitoramento de preços, fortalecerá a supervisão e a aplicação regulatória, ampliará a supervisão sobre a consistência da produção e tratará de forma estrita as empresas que violam leis e regulamentos, segundo a reunião.

Representantes de uma associação industrial e de 17 grandes montadoras participaram da reunião.

O Estado de S.Paulo - SP   16/01/2026

A produção de veículos teve no ano passado um crescimento de 3,5%, chegando a 2,64 milhões de veículos, conforme balanço divulgado nesta quinta-feira, 15, pela Anfavea, a associação das montadoras. O resultado ficou abaixo das expectativas dos fabricantes diante do freio dos juros altos no consumo e da maior entrada de carros importados no País.

A expectativa da Anfavea era de crescimento de 7,8% na produção, porém as compras de veículos tiveram uma desaceleração maior do que a esperada, com crescimento de apenas 2,1% no acumulado do ano, para 2,69 milhões de unidades.

Apoiado pelas exportações, que subiram 32,1%, para 528,8 mil veículos — graças, especialmente, à recuperação dos pedidos na Argentina —, o total de veículos produzidos em 2025 foi o maior em seis anos. Não recuperou, porém, o nível de produção de antes da pandemia. Em 2019, as montadoras produziram quase 3 milhões de veículos.

Parte disso é explicado pelo crescimento das importações, que morderam 18,5% do mercado no ano passado, acima dos 17,7% de 2024. Com o crédito mais caro, o mercado não teve o desempenho que a indústria esperava — a Anfavea iniciou 2025 projetando crescimento de 6,3%, prognóstico depois revisto para 5%. Por outro lado, vendas a locadoras e os descontos no IPI de modelos de entrada dentro do programa Carro Sustentável evitaram um desempenho pior.

Balanço de dezembro

Só no mês passado, a produção, de 184,5 mil veículos, encolheu 3,9% na comparação com dezembro de 2024. Na margem — ou seja, frente a novembro —, a queda foi de 15,8%.

As vendas, de 279,4 mil veículos, foram as maiores em um mês em 11 anos. O número corresponde a um crescimento de 8,5% em relação a dezembro de 2024. Frente a novembro, a alta foi de 17,1%. Desde dezembro de 2014, quando foram vendidos 370 mil veículos no Brasil, não se registrava um número mensal tão alto.

As exportações ficaram 38,1% abaixo de dezembro de 2024, chegando a 18,7 mil veículos no mês passado. Na comparação com novembro, houve queda de 47,7% nos embarques.

O balanço da Anfavea mostra ainda que 1,2 mil vagas de emprego foram eliminadas nas montadoras em dezembro, o que reduz para 2,5 mil o saldo de postos criados durante todo o ano passado. Agora, o setor emprega 109,7 mil pessoas.

Auto Industria - SP   16/01/2026

Um dispositivo na Portaria Secex nº 420, que permite a eventual extensão do prazo das cotas de importações de veículos SKD/CKD com alíquota zero, é motivo de preocupação na Anfavea.

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, há risco de os incentivos não serem suspensos no próximo dia 31, o que traria sérios prejuízos à indústria nacional.

“A princípio, as cotas vigoram até o dia 31 deste mês, permitindo a importação de US$ 436 milhões sem pagamento de Imposto de Importação, o equivalente a mais de 30 mil eletrificados. Somos totalmente contrários à prorrogação desse prazo”, detacou o executivo.

Estudo feito pela Anfavea e já distribuído para as montadoras aqui instaladas revela perda de R$ 103 bilhões pela economia brasileira por conta das compras não realizadas junto aos fornecedores locais de autopeças. Isso sem contar valor não arrecadado com impostos.

Além disso, há risco de perda de 69 mil empregos nas montadoras e de 227 mil nas autopeças, assim como redução de R$ 42 bilhões nas exportações.

“Nossa preocupação com essa questão leva em conta o consequente empobrecimento da base industrial brasileira. Os kits chegam prontos e isso afeta toda a cadeia antes de chegar às montadoras, do aço até estamparia e soldagem”, comentou Calvet.

Ele informou, ainda, que a proporção de trabalhadores entre uma operação tradicional de produção de veículos e uma de montagem de SKD é de cinco para um.

“Fizemos o estudo para mostrar o que pode acontecer. É uma ação de prudência diante do que pode acontecer”, explicou o presidente da Anfavea.

Atualmente, as montadoras chinesas BYD e GWM estão operando a partir da importação de autopeças do país asiático, o que também acontece com a General Motors no Nordeste.

Queda nas importações

A entidade que representa as montadoras locais acredita que haverá redução da importação de eletrificados neste ano. As compras no exterior em 2025 atingiram 498 mil veículos, alta de 37,6% sobre 2024.

“Com o início da produção local de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, o fim dos incentivos à importação de kits para SKDqCKD e a recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho, nossa expectativa é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026”, conclui Calvet.

Alzira Rodrigues

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo, iniciou a cobertura do setor automotivo em 1981 na Sucursal do ABC de O Estado de S. Paulo. Manteve-se na área desde então, passando por outros jornais e também revistas e sites.

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Anfavea defende fim definitivo dos incentivos às unidades SKD/CKD - 15 de janeiro de 2026Em 2025, produção de caminhões cai 12,1% e a de veículos leves cresce 4,5% - 15 de janeiro de 2026“Otimismo contido”, diz presidente da Anfavea sobre 2026 - 15 de janeiro de 2026

IstoÉ Dinheiro - SP   16/01/2026

A produção de veículos no Brasil – que engloba automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões – deve crescer 3,7% em 2026, de acordo com a estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O movimento deve ser impulsionado principalmente pela produção de veículos leves, como automóveis e comerciais leves, que devem apresentar alta de 3,8% neste ano.

Também é esperada alta no licenciamento desses veículos, que devem crescer em torno de 2,7% neste ano, informou a Anfavea.

“Continuamos com um ano de dificuldades”, disse nesta quinta-feira (15) o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante coletiva de imprensa, em São Paulo. “Eu tenho dito que nós temos um otimismo contido para o setor automotivo. Isso porque os números vão continuar crescendo, mas os fatores de imprevisibilidade continuam. Nós temos fatores geopolíticos agora muito importantes que podem afetar a cadeia de fornecimento e nós temos um ano que antecede a entrada em vigor da reforma tributária. Teremos um ano em que nós precisamos ficar alertas e essa é razão pela qual nós estamos propondo revisar nossas projeções trimestralmente para ir acompanhando passo a passo os acontecimentos”, pontuou..

No ano passado, a produção de veículos cresceu 3,5% em relação a 2024, somando 2,6 milhões de unidades fabricadas, mantendo o Brasil na oitava posição no ranking mundial de produção.

Já as vendas totalizaram 2,69 milhões de unidades em 2025, o que representou aumento de 2,1% em relação ao ano anterior e que manteve o Brasil na sexta posição no ranking mundial de mercado.

Segundo Calvet, esses resultados foram piores que o esperado para 2025, já que a Anfavea projetava crescimento de 7,8% para produção e de 5% para licenciamento. Ainda assim, destacou ele, 2025 encerrou como um ano positivo para o setor.

“Nós tivemos um ano em que o mercado cresceu 2% e a produção cresceu 3%. Foi um ano de muita instabilidade, um ano em que nós tivemos questões geoeconômicas que influenciaram o setor.”, detalhou o presidente da Anfavea.

Calvet ressaltou que também foi um ano em que de discussões importantes como, por exemplo, sobre o Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. “Então isso tudo impacta muito o setor, sem contar a taxa de juros. Quando fizemos a projeção, lá em 2024, tínhamos uma taxa de juros de 12%. Agora nós estamos com uma taxa de juros de 15%. O mercado automotivo é muito sensível a essas imprevisibilidades e isso tudo fez com que os números fossem menores, mas ainda sim foram números positivos para o setor”, completou..

Igor Calvet apresenta os resultados de 2025 do setor automotivo brasileiro- Paulo Pinto/Agência Brasil

Comércio externo

Além das vendas e da produção, o setor automotivo também teve um ano positivo em exportações, com crescimento de 32,1% e quase 529 mil unidades comercializadas no período.

“As exportações surpreenderam em 2025. Só para a Argentina o crescimento foi de 85% em relação a 2024. Nossos embarques ao exterior superaram as importações, que também foram em nível alto. Tivemos quase meio milhão de veículos importados no país no ano de 2025”, disse o presidente da entidade.

Para 2026, a expectativa de crescimento das exportações gira em torno de 1,3%.

Já as importações cresceram 6,6% no período, puxado principalmente pela entrada de autoveículos fabricados em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, como a China. O país asiático representou 37,6% dos 498 mil importados que foram emplacados no Brasil no ano passado.

“Neste ano a gente até acredita que as importações vão diminuir, porque há novos entrantes no mercado e esses novos entrantes projetam o início das suas produções agora no ano de 2026. Logo, o que antes era importado, passará a ser produzido no país, o que é um excelente movimento. Mas nós vamos ter um ano ainda bastante desafiador na esfera do comércio exterior com a nossa possibilidade de avançar em acordos importantes e fortalecer a nossa relação com a Argentina e também com a Colômbia, que é um parceiro com quem tivemos problemas de acordo comercial no último ano”.
Programa Move Brasil

Na entrevista coletiva de hoje, na capital paulista, o presidente da Anfavea afirmou que uma das grandes preocupações do setor automotivo para este ano é a reforma tributária, já que ainda não foi definida a alíquota que vai incidir sobre o setor automotivo.

Igor Calvet destacou que a dificuldade de fazer planejamento preocupa muito o setor. “Nós não sabemos ainda qual a alíquota que vai incidir sobre cada um dos nossos produtos, sobre o portfólio de produtos. Isso há menos de um ano da entrada em vigor da reforma tributária. E neste ano também temos um grande desafio que é o desafio de acessar novos mercados. Nós temos tradicionalmente parceiros importantes na região da América do Sul e que têm sido tomados por outros concorrentes internacionais. Esse é um grande desafio para que a nossa capacidade instalada consiga ser ampliada, sobretudo, produzindo para esses países”.

Outro aspecto que anda trazendo preocupações para o setor é o segmento de caminhões, cuja produção caiu 46,4% no ano passado e apresentou queda de 9,2% em emplacamentos. “Caminhões têm uma correlação muito forte com o PIB [Produto Interno Bruto]. Se o PIB cresce, em princípio o mercado de caminhões teria que crescer já que grande parte de nossa produção é escoado pelo modal rodoviário e o modal rodoviário são caminhões. Então, o setor de caminhões deveria crescer, mas o que constrange o setor de caminhões hoje no Brasil são as altas taxas de juros”, defendeu.

Por isso, ressaltou, o programa Move Brasil, anunciado neste ano pelo governo federal, e que oferece crédito para a compra de caminhões, vai acabar sendo muito importante para o setor. “Recentemente nós tivemos o anúncio de uma importante medida provisória que é o Move Brasil e que dá uma linha de crédito com condições em termos de taxas muito boas. Nós entendemos que essa é uma medida desfibrilatória para a economia brasileira e que envolve o setor de caminhões. Então acreditamos que essa é uma medida que vai fazer com que as quedas expressivas do setor parem nesse começo de ano”.

Valor - SP   16/01/2026

Resultado foi puxado pela categoria média cilindrada, que teve alta de 15,9%, e pela baixa cilindrada, que registrou avanço de 13,4%; fabricação de modelos de alta cilindrada ou premium teve retração de 5,1%

A produção de motocicletas no Brasil cresceu 13,3% em 2025, na comparação anual, e somou 1,9 milhão de unidades montadas no país. Este foi o melhor ano do setor desde 2011, quando as fabricantes ultrapassaram a marca de 2,1 milhões de motos produzidas, mostra levantamento da Abraciclo, entidade que reúne onze montadoras do Polo Industrial de Manaus (PIM).

As perspectivas positivas continuam para 2026. Os dados da entidade, divulgados hoje (15), estimam crescimento de 4,5% na produção neste ano, atingindo 2 milhões de motos montadas em Manaus.

“Nós estamos sonhando com os 2 milhões [de motos]”, disse o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, durante a apresentação dos dados.

Bento disse que o cenário para 2026 é “desafiador”, apesar da projeção positiva. Entre pontos que despertam atenção, ele cita a taxa de juros no Brasil — hoje, a taxa básica está em 15% ao ano, maior patamar em 20 anos — e o efeito de conflitos internacionais sobre a logística mundial e, consequentemente, sobre a logística de produção em Manaus.

“Além disso, esse ano de 2026 é extremamente desafiador, sobretudo também por conta da quantidade de feriados, como a Copa do Mundo, entre outros eventos, que podem afetar a produção”, afirmou

O levantamento também mostra que em 2025 foi licenciado total de 2,1 milhões de motos, expansão de 17,1% em relação a 2024. Estimativa inicial da entidade para este ano é de crescimento de 4,6%, com a marca de 2,3 milhões de motos vendidas. “É um recorde histórico de emplacamento”, disse Bento.

Mercado externo

Depois de um 2024 com retração de mais de 5%, o mercado externo teve recuperação expressiva em 2025. Segundo a Abraciclo, as exportações de motos subiram 39,1% no acumulado de 2025, com 43,1 mil unidades embarcadas. A expectativa para 2026 é de expansão de 4,4% no mercado externo, com 45 mil unidades embarcadas.

“É um volume tímido ainda, já que já chegamos a exportar quase 8% do nosso volume total. Mas foi um crescimento, e nós projetávamos que seria de menos”, disse o presidente da Abraciclo.

Segundo a entidade, as exportações para Argentina, que respondeu por 40% dos embarques em 2025, e Colômbia, por 20,1%, tiveram alta de 31% e 32,8%, respectivamente. Já as exportações para Austrália mais que dobraram, com alta de 111%.

“Claro, temos um impacto negativo do tarifaço dos Estados Unidos (que respondeu por 17,4% dos embarques em 2025) sobre as exportações, mas que foram absorvidos por outros mercados, como Austrália, Canadá, França. E o mercado da América do Sul é muito importante, já que o nosso crescimento se deu principalmente pelos embarques para Argentina e Colômbia”, afirmou Bento.

Produção

A produção de motocicletas em 2025 foi puxada pela média cilindrada (motores de 161 a 449 centímetros cúbicos), que teve alta de 15,9%, e pela baixa (de até 160 cm³), que teve alta de 13,4%. Já a produção de motos de alta cilindrada ou premium (acima de 450 cm³), teve retração de 5,1%.

No acumulado do ano, a baixa cilindrada representou 78,2% do mercado, a média 19,1% e a alta cilindrada ou premium 2,7%. Do total produzido, as motos flex, abastecidas com etanol ou gasolina, representaram 63% e as movidas a apenas gasolina, 37%.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

InfraRoi - SP   16/01/2026

A Anglo American tem previsão de operar mais de 110 equipamentos da Komatsu em sua mina de minério de ferro em Conceição do Mato Dentro (MG), o Sistema Minas-Rio, em 2026. Esta é a maior operação concentrada de equipamentos da Komatsu em uma única mina em solo brasileiro.

Os destaques da Komatsu no Sistema Minas-Rio são a operação teleremota para os tratores modelo D375Ai-8R com IMC (Controle Automático da Lâmina), que irão atuar na nova planta de filtragem de rejeito, totalizando 16 equipamentos dedicados para este novo processo. A mineradora também vai implantar a nova motoniveladora modelo GD955-7M0 com capacidade de lâmina entre 18ft e 20ft.

Outra novidade é o caminhão Diesel Elétrico 830E com pré-disposição para operação autônoma e redução média de consumo de combustível acima de 10%, quando comparado a outros modelos oferecidos no mercado. O veículo também conta com o sistema de atenuação de som dos caminhões para redução de ruídos, o que contribui para a saúde e bem-estar dos operadores.

Adicionalmente, a Komatsu irá implementar em 2026, dentro das operações da Anglo American, um Centro de Treinamento com foco na alta capacitação de profissionais que irão operar os novos equipamentos, visando à melhor performance das máquinas e tecnologias atreladas a elas.
Parceria da Komatsu com Anglo American vai além de apenas equipamentos

A parceria é uma forma da Anglo American usar a tecnologia a favor de operações mais seguras, eficientes e sustentáveis, como aponta o gerente executivo de Operações de Mina da companhia, Aurélio Garcia. “Essas inovações estão diretamente conectadas à nossa estratégia de longo prazo, focada em reduzir emissões, operar com responsabilidade e gerar valor.”

A Komatsu ainda lembra que já conta com uma aliança global com a mineradora. No Brasil, a Anglo American também já utiliza as seguintes soluções da Komatsu:
DISPATCH, sistema de despacho que otimiza o tráfego e o uso de caminhões nas mineradoras; ProVision, navegação de máquinas com tecnologia que utiliza GPS de alta precisão que ajuda operadores a identificarem áreas de escavação e evitar erros, garantindo aderência ao planejamento; MineCare, solução preditiva, em tempo real por meio de telemetria, que monitora a saúde das máquinas por sensores, prevenindo falhas e otimizando a produtividade.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   16/01/2026

Expectativa é de contratação de 1 milhão de unidades do programa este ano

Com orçamento recorde do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para habitação, reformulação do modelo de crédito imobiliário e lançamento de linha para a classe média e do Reforma Brasil, o governo espera que o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) continue impulsionando o desempenho da construção civil neste ano eleitoral.

Em entrevista ao Valor, o secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Rabelo, disse que a expectativa é contratar 1 milhão de moradias. Além disso, reforçou que o governo quer entregar 60% das obras em execução - 172 mil unidades - no primeiro semestre, ou seja, enquanto não há restrições eleitoral para realização de eventos políticos.

Apesar do impacto positivo na economia, economistas ouvidos pelo Valor chamam a atenção para o subsídio do governo ao programa. Somente para atender à faixa 1, o Ministério das Cidades reservou R$ 8,567 bilhões para este ano. Segundo dados da pasta, esse valor foi de R$ 9,117 bilhões em 2023, de R$ 13,623 bilhões em 2024 e de R$ 8,649 bilhões em 2025.

Do total de 1 milhão de moradias, 390 mil serão destinadas a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850, na chamada faixa 1. Das unidades destinadas a esse público de menor renda, 140 mil serão integralmente subsidiadas pelo governo federal. Para isso, o Ministério das Cidades reservou R$ 8,567 bilhões neste ano. O restante - 250 mil unidades - será contratado por meio de financiamento.

Segundo o secretário, os ajustes feitos no programa desde 2023 se consolidaram, e os resultados aparecerão de forma mais clara a partir deste ano, o que poderá contribuir para sustentar a expansão do setor da construção. “2026 terá um amadurecimento desse ciclo iniciado em 2023, ano em que recuperamos o Orçamento e a política pública foi redesenhada”, disse Rabelo.

Expansão fiscal não sustentável acaba produzindo aumento dos juros e do prêmio de risco”

— Gabriel Leal de Barros

Ele lembrou que, em 2023, as contratações somaram 490 mil unidades; em 2024, 605 mil; e devem ultrapassar 670 mil no dado fechado de 2025. Do primeiro ano de governo até meados de dezembro, foram contratadas 1.967.824 unidades no âmbito do programa. Com a estimativa de contratação de mais 1 milhão neste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerraria seu terceiro mandato com a marca de 3 milhões de moradias contratadas.

Na avaliação do secretário, os financiamentos imobiliários neste ano devem ser puxados pelo orçamento recorde do FGTS de R$ 144,5 bilhões para habitação e pelo aumento do valor máximo do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

A transição para as novas regras do modelo de crédito imobiliário, que deve estar plenamente em funcionamento em 2027, contribuirá para alavancar o mercado, pois proporcionará - se confirmadas as expectativas - mais funding para o financiamento da casa própria, diante da escassez de recursos da caderneta de poupança. Além da contratação de 390 mil unidades da faixa 1, Rabelo afirmou que a previsão é de que sejam contratadas neste ano 89 mil unidades para a classe média. No passado, foram assinados 31 mil contratos.

Esse cenário positivo para contratações e entregas do MCMV deve manter aquecida a construção civil, conforme o presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Fernando Guedes. Segundo ele, o programa habitacional respondeu por quase metade dos lançamentos (47%) e das vendas (44%) do setor no terceiro trimestre de 2025.

No que diz respeito à geração de empregos, a construção civil criou 3,075 milhões de postos com carteira assinada, sendo 1,178 milhão na construção de edifícios no acumulado de janeiro a setembro de 2025, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Segundo Guedes, desse total de 1,178 milhão, algo em torno de 550 mil empregos se deve ao programa habitacional. “Estou otimista em relação a 2026. Devemos manter a tendência positiva de 2025”, contou, destacando, no entanto, que o desempenho será um pouco mais moderado do que o observado em 2024.

Para Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), no curto prazo esse tipo de iniciativa é positiva para o Produto Interno Bruto (PIB), “mas, como a política pública é matematicamente insustentável, é negativa no médio e no longo prazos”. “A expansão fiscal não sustentável acaba produzindo aumento dos juros e do prêmio de risco, diante da piora da percepção de risco, o que reduz a potência da própria expansão fiscal. É algo de horizonte curto e que entrega problemas enormes no day after, quando a política chega ao fim ou é revisada para baixo”, afirmou.

Para Marcus Pestana, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) - órgão de monitoramento das contas públicas ligado ao Senado Federal -, os segmentos de baixa renda só conseguem financiar um imóvel se houver um grau elevado de subsídio governamental.

“Como as desigualdades no Brasil são gigantescas, milhões de brasileiros só terão acesso à casa própria se o programa habitacional for subsidiado. Essa é uma política pública essencial, altamente geradora de emprego. R$ 8,5 bilhões em uma receita primária líquida de R$ 2,5 trilhões é até muito pouco”, destacou Pestana. “O investimento no MCMV deveria ser muito maior, o que evidencia mais uma faceta negativa do atual engessamento orçamentário, que comprime a margem de investimento”, completou.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   16/01/2026

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil vive um ciclo histórico de retomada dos investimentos em infraestrutura ferroviária, após décadas de obras paralisadas e baixa prioridade ao modal. Em entrevista ao EsferaCast, ao ar nesta quarta-feira (14), o ministro destacou o lançamento da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e de uma nova carteira de projetos, que prevê concessões e autorizações para novas ferrovias a partir de 2026, com foco na atração de capital privado.

O Brasil vive hoje a máxima histórica de investimento em ferrovias, disse. Ele citou o andamento de obras como a Transnordestina, a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e a conclusão da Norte-Sul. Só essas três grandes obras geram aproximadamente 20 mil postos de trabalho, afirmou.

A nova política ferroviária estabelece, dentre outros pontos, o maior valor de outorga como critério preferencial nos leilões ferroviários e permite que os recursos arrecadados sejam usados tanto no próprio projeto quanto em outras malhas, por meio de subsídios cruzados. O texto também reforça a sustentabilidade das concessões ao prever mecanismos de mitigação de risco, como uso de recursos orçamentários, contas vinculadas para controle financeiro e a destinação de valores de outorgas, prorrogações e repactuações para financiamento dos projetos.

Renan Filho ressaltou que a retomada do setor ferroviário tem impacto direto na competitividade do país. A ferrovia reduz o custo, garante melhor escoamento da produção e estrutura a infraestrutura de maneira mais adequada para um país exportador como o Brasil, declarou. Para ele, o novo ciclo marca uma mudança em relação ao passado recente. Durante muito tempo o Brasil ficou para trás, com obras paradas. Isso deu uma baixa autoestima ao setor. Agora ele está revigorado.

Entre os próximos projetos, o ministro citou ainda o chamamento público para uma ferrovia ligando Minas Gerais à região portuária do Rio de Janeiro, além da EF-118, que deve integrar as malhas do Espírito Santo e do Rio. Esse pipeline de projetos ferroviários é muito convidativo. O mundo está olhando, afirmou, ao comparar a expectativa para o setor com o interesse internacional observado nos leilões de rodovias. A nossa carteira de rodovias chamou a atenção do mundo inteiro e agora vai acontecer o mesmo com as ferrovias.

O ministro também citou como prioridade a proposta de reformulação das regras da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Queremos tornar a CNH mais barata, menos burocrática e mais rápida, para incluir milhões de brasileiros, afirmou.

Fonte: https://agenciainfra.com/blog/brasil-vive-ciclo-historico-de-investimentos-em-ferrovias-diz-renan-filho/
VÁ ALÉM DA MANCHETE

O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.

A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.

Revista Ferroviaria - RJ   16/01/2026

A fabricação de locomotivas, vagões e carros de trens de passageiros deve se expandir no Brasil ao longo de 2026, em meio a uma série de novos contratos no segmento.

As empresas com operações no país devem produzir em 2026 um total de 72 locomotivas, 1.900 vagões de carga e 193 carros de passageiros, aumentos de 9%, 12% e 59%, respectivamente, segundo a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).

É possível sim que consigamos superar essas estimativas para este ano, em meio a uma certa recuperação do setor, mas vale ressaltar que ainda vivemos num cenário em que as indústrias locais enfrentam grande ociosidade, disse Vicente Abate, presidente da Abifer, à BNamericas.

As expectativas de expansão da indústria ferroviária ocorrem em um momento em que o Brasil tenta acelerar projetos tanto de trens de carga quanto de trens de passageiros.

Na área de cargas, segmento no qual os projetos são mais dependentes das políticas do governo federal, o ministério dos Transportes planeja realizar este ano oito leilões de ferrovias, que devem alavancar cerca de R$650 bilhões (bi) em investimentos no setor. Desse total, R$140bi seriam destinados à instalação de aproximadamente nove mil quilômetros de trilhos a serem concedidos.

Esses leilões buscam reduzir a dependência do transporte de cargas no Brasil de caminhões. Atualmente, cerca de dois terços do transporte de cargas no país é realizado por caminhões.

Além disso, o transporte ferroviário de cargas no país também é bastante concentrado, com cerca de 70% da carga transportada por ferrovias sendo minério de ferro e quase 10% associado ao setor agrícola.

Temos uma grande oportunidade de diversificar mais nossas ferrovias também, com esses novos contratos, atraindo para esse tipo de transporte não só minério e produtos agrícolas, mas também o transporte de contêineres, disse Abate.

Uma vez que os contratos a serem oferecidos pelo governo este ano tendem a se materializar em investimentos no setor no médio e longo prazo, a Abifer projeta impactos positivos para os próximos anos dessa carteira planejada de concessões.

No transporte de passageiros, que compreende metrôs, VLTs e trens urbanos de passageiros, os projetos no Brasil estão mais associados a programas de governos estaduais. Nesse sentido, o estado com mais projetos em andamento permanece sendo São Paulo, embora haja iniciativas também em outros estados.

São Paulo continua sendo o estado com maior volume de projetos na área de transporte de passageiros, mas temos também avanços percebidos em localidades como o Distrito Federal [capital do Brasil] e também em Salvador [capital do estado da Bahia], entre outros, disse Abate.

A Abifer, que representa empresas multinacionais com operações no Brasil, como Alstom, CAF e Hyundai Rotem, entre outras, também reforçou a importância de garantir igualdade de competição para as empresas com fabricação local, diante da crescente concorrência de empresas da China em contratos ligados à indústria ferroviária brasileira.

O que nós sempre defendemos é a igualdade de condições para todas as empresas. Além disso, nossa intenção é atrair empresas para que produzam no Brasil, gerando investimentos e empregos aqui, disse Abate.

Nos últimos anos, vários segmentos industriais no Brasil têm reclamado da crescente competição de empresas chinesas no país, vencendo contratos com uma política de precificação agressiva, graças à intensa produção no gigante asiático, apoiada por uma série de subsídios governamentais.

Fonte: https://www.bnamericas.com/pt/feature/industria-ferroviaria-projeta-alta-de-producao-em-2026-no-brasil
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Revista Ferroviaria - RJ   16/01/2026

Diretamente da China, o primeiro entre os novos trens do metrô de Belo Horizonte desembarcou em solo brasileiro nessa terça-feira (13/1). A composição chegou pelo Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, e seguirá para Belo Horizonte nos próximos dias, após a liberação alfandegária.

Até o fim de 2026, o governo estadual prevê que dez novas máquinas estejam em operação, sendo quatro até julho e outras seis até dezembro. O prognóstico de início da operação com passageiros considera todo o processo de comissionamento, que inclui montagem, testes, certificações de segurança e revisão final.

De acordo com Executivo, a Metrô BH antecipou em dois anos a aquisição dos 24 novos trens previstos em contrato. O investimento, que contou com o apoio do governo, é de cerca de R$ 700 milhões. A fabricação dos outros 14 trens segue em ritmo acelerado. Os veículos irão atender às linhas 1 e 2 do metrô, proporcionando mais conforto, regularidade e eficiência nas viagens, diz o Executivo.
Sobre os novos trens

Segundo o Executivo, os trens são produzidos pela Changchun Railway Vehicles, subsidiária da CRRC Corporation Limited (CRRC), maior fabricante de material rodante do mundo.

As novas composições, identificadas como série 2000, representam um avanço tecnológico em relação às atuais composições da série 900, em circulação desde a década de 1980. Entre as melhorias estão: ar-condicionado em todos os carros, bancos mais largos e maior controle na abertura das portas.

As composições também contam com câmeras de vigilância (CFTV), canal direto com o condutor em casos de emergência e wi-fi durante todo o trajeto. Os trens dispõem ainda de um moderno sistema de multimídia ativa, com displays de LED que informam o nome da estação atual, a próxima parada e o destino final, explica o governo.
Telemetria embarcada

As novas máquinas também possuem inovações operacionais. O Executivo indica que os trens possuem telemetria embarcada, que envia dados em tempo real ao Centro de Controle de Operações, e o sistema de recuperação de energia da frenagem, que reduz o consumo energético, contribui para a sustentabilidade ambiental e aumenta a eficiência do transporte sobre trilhos.

Os operadores também contarão com o sistema ATO (Operação Automática de Trens), que realiza automaticamente aceleração, frenagem e abertura e fechamento das portas, garantindo viagens mais suaves e seguras.

Fonte: https://www.otempo.com.br/cidades/2026/1/14/diretamente-da-china-primeiro-entre-os-novos-trens-do-metro-de-bh-desembarca-no-brasil

VÁ ALÉM DA MANCHETE

O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.

A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.

NAVAL

Jornal de Brasília - DF   16/01/2026

Excluídos do leilão pela recomendação do TCU (Tribunal de Contas da União), armadores (donos de navios) internacionais, especialmente asiáticos, pressionam o governo federal por ajustes no edital do Tecon 10, o megaterminal do porto de Santos, segundo apurou a reportagem.

Empresários do setor, ouvidos pela reportagem, disseram que companhias concorrentes em um eventual leilão conversam entre si para avaliar a melhor estratégia.

O lobby é pela prevalência do parecer da Antaq (Agência de Transportes Aquaviários). O órgão regulador apresentou a recomendação de que o leilão seja dividido em duas fases. Na primeira, estariam afastados da disputa apenas armadores que possuem terminal no porto de Santos. A medida atinge três das principais empresas mundiais do segmento: Maersk, MSC e CMA CGM.

Elas estariam aptas a participar apenas em uma eventual segunda fase. Mas o consenso é que dificilmente o certame não será encerrado na primeira.

Na votação no TCU, em dezembro de 2025, prevaleceu o voto do ministro revisor, Bruno Dantas. Sob o argumento da verticalização do setor e do risco excessivo de concentração nas mãos de poucas companhias, ele propôs que todos os armadores, não importando a origem e atuação, sejam impedidos de apresentar lances na primeira fase leilão, mesmo que associados a outras empresas.

O acórdão surpreendeu empresários. A pressão começou também porque o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), afirmou que o Ministério seguiria em 100% a recomendação do TCU. Integrantes do governo federal, especialmente na Casa Civil, eram favoráveis a um certame livre de restrições e em fase única.

A questão pode passar pelo conselho do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), órgão colegiado que é comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pessoas ligadas ao TCU disseram à reportagem que a Corte apresentou uma recomendação (não exigência) do modelo de leilão que considera ideal, mas que não avaliou como ilegal o parecer da Antaq.
Este poderia ser adotado.

O Tribunal apenas não aceitaria uma modelagem em fase única por alegar ter analisado o leilão sob a ótica da Antaq e seu parecer por duas rodadas.

Mas nos pareceres documentos enviados ao relator do caso, ministro Antonio Anastasia, o Ministério da Fazenda e a área técnica do próprio TCU foram favoráveis à fase única. O Ministério Público para o TCU considerou as restrições ilegais.

O voto de Anastasia, derrotado pelo de Dantas, era pela exigência de um leilão liberado a todos os participantes.

Nesta quarta-feira (15), Costa Filho anunciou novo adiamento. O edital pode acontecer no final de abril, de acordo com ele. A estimativa anterior para a concessão era março. Antes disso, o discurso do governo era que o leilão do Tecon 10 deveria ocorer até o fim de 2025.

“A nossa expectativa é realizar o leilão até 30 de abril. Será o maior da história do Brasil”, disse o ministro.

A nova data tem dois motivos: tentar aparar arestas com relação ao edital a ser publicado em março e dar tempo para o roadshow, a ser realizado pelo governo federal para vender no mercado os méritos do Tecon 10 e maximizar o número de propostas no certame.

Costa Filho já disse, repetidas vezes, que o ativo tem dez ou mais empresas interessadas. Isso seria uma marca histórica. Como publicou a Folha de S.Paulo, o histórico de leilões portuários é de poucas propostas. Mais da metade teve apenas um interessado.

Mesmo o limite de 30 de abril pode não ser definitivo. A Maersk planeja entrar com ação judicial para interromper o processo sob a alegação de que não houve audiência pública para discutir um leilão com restrições, além da questão concorrencial. A MSC já judicializou a questão, sem sucesso. Novos pedidos devem ser feitos.

Armadores internacionais, que contavam participar do leilão do ativo que pode movimentar metade das cargas do porto de Santos, também podem adotar o mesmo caminho.

O QUE É O TECON 10

O megaterminal será instalado em uma área no bairro do Saboó, em Santos, de 622 mil metros quadrados. O projeto é que seja multipropósito, movimentando contêineres e carga solta. O vencedor do leilão será definido pelo modelo da maior outorga: ganha quem oferecer mais dinheiro pelo direito de construí-lo e operá-lo.

Serão quatro berços, como são chamados os locais de atracação do navio para embarque e desembarque. A previsão de investimento nos 25 anos de concessão pode chegar a R$ 40 bilhões.

Infomoney - SP   16/01/2026

O Porto de Santos confirmou a expectativa e bateu novamente em 2025 o recorde anual de movimentação de cargas. Segundo dados da Autoridade Portuária de Santos (APS), foram 186,4 milhões de toneladas movimentadas em todo o ano, um crescimento de 3,6% sobre o número de 2024 (179,8 milhões de toneladas).

A movimentação de contêineres no maior por brasileiro também atingiu a marca histórica com 5,9 milhões de TEU (contêiner padrão de 20 pés de comprimento). Isso é equivalente a uma alta de 7,7% em relação a 2024. Em peso, a modalidade somou 62,3 milhões de toneladas (+3,9%).

Segundo a APS, o desempenho foi consolidado por um mês de dezembro robusto, que registou 14,7 milhões de toneladas, com alta de 16,0% em comparação com o mesmo mês do ano anterior (12,7 milhões).

Para o presidente da APS, Anderson Pomini, os números refletem a eficiência operacional e a capacidade do complexo de atender a demanda crescente da logística nacional. “O ano de 2025 registrou recordes na movimentação de contêineres em todos os meses, e de carga geral na maioria dos meses. O resultado demonstra a resiliência do Porto de Santos e a assertividade dos investimentos em infraestrutura, além de atestar o crescimento do Brasil no comércio global”, disse Pomini em nota.

Governo deve acatar TCU e impor restrições ao megaleilão do Porto de Santos
Destaques no ano

Nos granéis sólidos, o acumulado do ano somou 94,5 milhões de toneladas, com aumento de 4,2%. O destaque foi o complexo soja, que movimentou 44,9 milhões de toneladas, registrando um crescimento de 18,9%. A celulose também teve forte desempenho, com alta de 21,5%, atingindo 9,9 milhões de toneladas.

Em contrapartida, apresentaram recuo no acumulado anual cargas como o açúcar (-10,8%), milho (-4,6%) e granéis líquidos (-6,3%).

Em dezembro, no entanto, houve dessas cargas, com os granéis sólidos crescendo 36,7% e o milho disparando 44,9% em relação a dezembro de 2024.
Fluxo Comercial

As operações de embarque (exportação) totalizaram 137,4 milhões de toneladas no ano, um crescimento de 4,6%. Enquanto isso, os desembarques (importação) mantiveram-se praticamente estáveis com um leve aumento de 1%, somando 49 milhões de toneladas.

Segundo a APS, a participação do Porto de Santos na corrente comercial brasileira seguiu em expansão. Até dezembro de 2025, o complexo foi responsável por 29,6% de todas as transações comerciais do Brasil com o exterior (em valor US$ FOB), uma evolução ante os 29,0% registados no mesmo período do ano anterior.

A China se manteve como o principal parceiro comercial, sendo destino ou origem de 29,6% das transações em Santos.

O fluxo de navios também acompanhou o crescimento da movimentação. Em 2025, 5,7 mil embarcações atracaram no Porto de Santos, um crescimento de 2,7% em comparação com o ano de 2024.

Resumo dos Números:

– Total de cargas: 186,4 milhões de toneladas (+3,6%)

– Contêineres: 5,9 milhões de TEU (+7,7%)

– Exportações: 137,4 milhões de toneladas (+4,6%)

– Importações: 49,0 milhões de toneladas (+1,0%)

– Movimentação em dezembro: 14,7 milhões de toneladas (+16,0%)

Exame - SP   16/01/2026

O Porto de Itajaí voltou ao centro da agenda logística nacional. Em meio à reorganização do sistema portuário brasileiro, o terminal catarinense se consolida como ativo estratégico para o comércio exterior do Sul do país e atrai o interesse da JBS, que avalia disputar o arrendamento definitivo da área hoje operada pela JBS Terminais.

O movimento ocorre no contexto de um novo ciclo de leilões portuários, com os primeiros certames previstos para 26 de fevereiro, que devem mobilizar inicialmente cerca de R$ 229 milhões e abrir caminho para projetos de maior escala — como o Tecon Santos 10, estimado em até R$ 6,4 bilhões ao longo do contrato. A combinação entre retomada operacional, investimentos privados e avanço regulatório recoloca Itajaí como peça relevante no tabuleiro da logística nacional.

Com o governo federal reorganizando sua carteira de concessões e arrendamentos, os portos brasileiros voltam ao radar dos grandes grupos privados. O cronograma divulgado pela ANTAQ e pelo Ministério de Portos e Aeroportos indica que 2026 será decisivo para a logística nacional, com projetos que vão de terminais regionais a ativos de escala global. Nesse contexto, Itajaí emerge como um dos pontos mais sensíveis do tabuleiro, tanto pelo histórico recente quanto pelo seu papel na cadeia exportadora do Sul do país.

Após um período de paralisação que afetou cadeias produtivas inteiras em Santa Catarina, o Porto de Itajaí iniciou um processo de recuperação acelerada a partir da entrada da JBS Terminais. Desde que assumiu a gestão da área arrendada, em outubro de 2024, a companhia imprimiu um ritmo intenso de eficiência operacional e retomada de mercado.

Em 2025, primeiro ano completo de operação, a JBS Terminais movimentou quase 390 mil TEUs, volume 11% superior ao registrado em 2022, período que antecedeu a paralisação do terminal. Considerando todo o intervalo sob sua administração, o volume já supera 430 mil TEUs em 15 meses, atendendo uma base diversificada de cerca de 3 mil clientes.

Os números reforçam a percepção de que Itajaí voltou a operar como hub logístico estratégico, conectando Santa Catarina diretamente a mercados da Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África.

Para sustentar essa retomada, a companhia realizou investimentos da ordem de R$ 220 milhões em modernização tecnológica e operacional. O aporte incluiu a aquisição de dois guindastes móveis MHC Konecranes Gottwald ESP.9, com capacidade para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres, além da ampliação da capacidade para cargas refrigeradas, com 1.708 tomadas para reefers. A operação terrestre também foi reforçada com a implantação de oito gates reversíveis, que ampliam a fluidez do acesso rodoviário conforme a demanda.

Dez linhas regulares de navegação

A infraestrutura atual do terminal compreende 180 mil metros quadrados de área operacional, 1.030 metros de cais, quatro berços e 14 metros de profundidade, permitindo a atracação de navios de grande porte. Ao longo de 2025, o terminal recebeu 384 embarcações, operando com 10 linhas de navegação regulares e sete escalas semanais. Para 2026, está prevista a adição de novos serviços, incluindo uma rota ligando o Brasil ao Norte da Europa.

Segundo Aristides Russi Junior, CEO da JBS Terminais, o foco estratégico está na eficiência absoluta do fluxo de cargas e no resgate do protagonismo regional do porto.

“A retomada dos volumes acima dos níveis pré-paralisação demonstra a resiliência do ativo e a assertividade da estratégia adotada desde o primeiro dia de gestão”, afirma o executivo, destacando que o plano de investimentos foi desenhado para converter o terminal em uma plataforma de alta performance, capaz de atender às demandas mais complexas das cadeias de suprimentos modernas.

A pauta de cargas reflete a diversidade econômica catarinense. As carnes lideram as exportações, seguidas por madeira; nas importações, ganham espaço plásticos, alimentos preparados para animais e máquinas de alto valor agregado. Além do impacto logístico, a operação movimenta a economia local, com 345 colaboradores diretos e cerca de 600 Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs) mobilizados diariamente.

O interesse da JBS em permanecer no ativo dialoga com o novo ciclo de leilões. A companhia avalia as condições do edital e a modelagem do arrendamento definitivo antes de formalizar sua participação, em linha com a estratégia do grupo de ampliar presença em logística e infraestrutura para garantir eficiência, previsibilidade e competitividade às suas cadeias globais.

O programa federal não se limita a Itajaí. Além dos projetos previstos para fevereiro — em portos como Natal, Porto Alegre, Santana e Recife — avançam certames de maior escala, com destaque para o Tecon Santos 10, no Porto de Santos. Somados, esses ativos podem mobilizar investimentos bilionários ao longo da próxima década.

Nesse ambiente de reconfiguração, Itajaí ganha relevância não apenas como terminal regional, mas como ativo estratégico na nova geografia logística brasileira. Com o leilão se aproximando e o interesse da JBS explicitado, a disputa pelo futuro do porto catarinense tende a ser um dos capítulos centrais da agenda portuária de 2026 — com impactos que extrapolam Santa Catarina e alcançam toda a cadeia de comércio exterior do país.

De janeiro a novembro de 2025, o Complexo Portuário de Itajaí acumulou 14.225.986 toneladas movimentadas, crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2024 (12.804.927 toneladas).Já o Porto de Itajaí (cais público + área comercial) soma, no mesmo período, 4.277.115 toneladas, frente a 754.052 toneladas no acumulado de 2024.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   16/01/2026

A Petrobras firmou um acordo para fornecer bunker com conteúdo renovável (VLS B24) à empresa norueguesa Odfjell, um dos maiores armadores globais no transporte de produtos químicos e líquidos a granel. A operação estratégica reforça a posição da companhia no mercado internacional de combustíveis de baixo carbono e atende à crescente demanda por soluções mais sustentáveis no segmento marítimo.

O VLS B24 da Petrobras é um VLSFO (Very Low Sulfur Fuel Oil) com 24% de biodiesel e 76% de óleo mineral produzido nas refinarias da empresa. O produto segue padrões internacionais de qualidade, apresentando a certificação International Sustainability and Carbon Certification – EU (ISCC EU), um sistema global que assegura a rastreabilidade, a conformidade com critérios de sustentabilidade e a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em toda a cadeia de produção do biocombustível, sendo especificamente voltado para atender às exigências do mercado europeu.

Além disso, o combustível atende às exigências da FuelEU Maritime, regulamentação da União Europeia que impõe redução progressiva da intensidade de GEEs nos combustíveis usados por navios que atracam em portos europeus, incentivando o uso de soluções renováveis e de baixo carbono.

“A comercialização do VLS B24 com uma empresa de forte atuação internacional demonstra o avanço consistente da Petrobras rumo a um mercado de baixo carbono, em sinergia com o nosso Plano de Negócios 2026-2030. A iniciativa não apenas gera valor para o negócio, mas também viabiliza soluções concretas em novas energias e descarbonização, reforçando nosso compromisso com a sustentabilidade e a inovação”, afirma o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser.

O abastecimento será realizado por barcaças dedicadas a partir do Terminal de Rio Grande (TERIG), onde também ocorrerá a mistura do produto. O contrato prevê a entrega de até 12 mil toneladas ao longo de 2026.

A Odfjell, empresa norueguesa com presença em rotas pelas Américas, Europa e Ásia, é referência no transporte marítimo de produtos químicos e granéis líquidos. Tem escritórios em locais estratégicos, incluindo São Paulo, apoiando suas atividades na América do Sul. Com uma frota de mais de 70 navios, a Odfjell transporta cerca de 600 tipos de líquidos — que vão de produtos químicos e ácidos a óleos comestíveis e derivados claros de petróleo — atendendo desde grandes companhias petrolíferas até empresas menores de logística.

O relacionamento entre a Petrobras e a Odfjell, marcado por uma trajetória de colaboração, ganhou novo impulso com a iniciativa conjunta dos governos brasileiro e norueguês para promover soluções sustentáveis no setor de energia. Esse movimento resultou na criação de um corredor verde entre os dois países, formalizado por um Memorando de Entendimento (MoU) assinado em fevereiro de 2025, que incentiva a circulação de navios movidos por combustíveis de baixo carbono.

Portos e Navios - SP   16/01/2026

A Petrobras informou que, em 2025, sua produção de óleo alcançou 2,40 milhões de barris de óleo por dia (bpd), ultrapassando em 0,5 pontos percentuais (p.p) o limite superior da meta (+4%) estabelecida em seu Plano de Negócios 2025-2029. Em comunicado divulgado na noite desta quinta-feira (15), a companhia afirmou que esse resultado representa um crescimento de 11% em relação à produção de 2024.

A produção total de óleo e gás natural superou em 2,8 p.p. o limite superior da meta (+4%), alcançando 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), representando um aumento de 11% em relação à produção de 2024. A produção comercial de óleo e gás natural alcançou 2,62 milhões de boed, superando em 0,9 p.p. o limite superior da meta (+4%) projetada.

Além de superar os guidances estabelecidos, as marcas de produção de óleo, produção comercial e produção total superaram recordes anuais históricos registrados ao longo de uma trajetória de mais de 70 anos. A companhia também estabeleceu no pré-sal novos recordes anuais de produção total própria de 2,45 milhões de boed e operada de 3,70 milhões de boed. O volume de produção no pré-sal representa 82% da produção total da Petrobras.

Plataformas
Em 2025, entraram em operação duas novas plataformas no pré-sal da Bacia de Santos: o FPSO Almirante Tamandaré localizado no campo de Búzios, e o FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero. O FPSO Marechal Duque de Caxias, em Mero, alcançou o topo de produção e o FPSO Almirante Tamandaré atingiu recorde de produção, chegando a uma produção média de cerca de 240 mil bpd nos meses de novembro e dezembro, tornando-se a plataforma de maior produção do Brasil.

Além disso, seguiu-se o ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte, Anita Garibaldi e Anna Nery, nos campos de Marlim e Voador. O aumento significativo de eficiência operacional de todas as unidades operacionais foi fundamental para a superação das metas de produção.

Outro destaque do ano foi o atingimento de 1 milhão de barris de óleo por dia de produção operada, no campo de Búzios, com apenas 6 plataformas, o que demonstra a grande produtividade dos poços deste campo. A sétima plataforma, P-78 (foto), que entrou em operação em 31 de dezembro, contribuirá para a continuidade da trajetória de crescimento da produção da companhia.

"Estes resultados são fruto do esforço integrado da força de trabalho da Petrobras para aumentar a produção e manter o compromisso com a atenção total às pessoas, o respeito ao meio ambiente, a preservação da segurança operacional e a confiabilidade dos ativos", informou a Petrobras em comunicado ao mercado.

O Estado de S.Paulo - SP   16/01/2026

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, aproveitou seu primeiro discurso ao Congresso nesta quinta-feira, 15, para defender reformas na indústria petrolífera que atrairiam investimentos estrangeiros, um objetivo defendido agressivamente pelo governo Trump desde que derrubou ditador Nicolás Maduro, líder de longa data do país há menos de duas semanas.

Rodríguez, que tem sofrido pressão dos Estados Unidos para se alinhar à sua visão para a Venezuela, disse que as vendas do petróleo venezuelano iriam reforçar os serviços de saúde atingidos pela crise, o desenvolvimento econômico e outros projetos de infraestrutura.

Embora tenha criticado duramente o governo Trump e dito que havia uma “mancha em nossas relações”, a ex-vice-presidente também delineou uma visão distinta para o futuro entre os dois adversários históricos, afastando-se de seus antecessores, que há muito tempo protestam contra a intervenção americana na Venezuela.

“Não tenhamos medo da diplomacia” com os EUA, disse Rodríguez, que agora deve lidar com pressões conflitantes do governo Trump e de manter um governo que demonstre lealdade a Maduro.

O discurso, transmitido com atraso na Venezuela, ocorreu um dia depois de Rodríguez afirmar que seu governo continuaria libertando prisioneiros detidos sob Maduro no que ela descreveu como “um novo momento político” desde sua destituição.

Na quinta-feira, Trump se reuniu na Casa Branca com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, cujo partido político é amplamente considerado como vencedor das eleições de 2024 no exterior. Mas ao apoiar Rodríguez, que atuou como vice-presidente de Maduro desde 2018, Trump deixou Machado de lado.

Em seu discurso, Rodríguez disse que o dinheiro arrecadado com as vendas de petróleo no exterior seria destinado a dois fundos: um dedicado aos serviços sociais para os trabalhadores e ao sistema público de saúde, e outro ao desenvolvimento econômico e a projetos de infraestrutura.

Hospitais e outras instalações de saúde em todo o país sofrem há muito tempo. Os pacientes são solicitados a fornecer praticamente todos os suprimentos necessários para seu tratamento, desde seringas até pinos cirúrgicos. A turbulência econômica, entre outros fatores, levou milhões de venezuelanos a migrar para fora da nação sul-americana nos últimos anos.

Corda bamba

Ao seguir em frente, a presidente interina deve andar na corda bamba, equilibrando as pressões tanto de Washington quanto dos altos funcionários venezuelanos que controlam as forças de segurança e se opõem fortemente aos EUA. Seus recentes discursos públicos refletem essas tensões — oscilando entre apelos conciliatórios à cooperação com os EUA e discursos desafiadores que ecoam a retórica anti-imperialista de seu antecessor derrubado.

As autoridades americanas há muito criticam um governo que descrevem como uma “ditadura”, enquanto o governo da Venezuela construiu um poderoso ethos populista que se opõe veementemente à interferência dos EUA em seus assuntos.

No futuro próximo, o governo de Rodríguez foi dispensado de realizar eleições. Isso porque, quando o Supremo Tribunal da Venezuela concedeu poderes presidenciais a Rodríguez em caráter interino, citou uma disposição da Constituição que permite ao vice-presidente assumir o cargo por um período renovável de 90 dias.

Trump recrutou Rodríguez para ajudar a garantir o controle dos EUA sobre as vendas de petróleo da Venezuela, apesar de tê-la sancionado por violações dos direitos humanos durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2020. Para garantir que ela cumprisse suas ordens, Trump ameaçou Rodríguez no início deste mês com uma “situação provavelmente pior do que a de Maduro”.

Maduro, que está detido em uma prisão no Brooklyn, se declarou inocente das acusações de tráfico de drogas.

Antes do discurso de Rodríguez na quinta-feira, um grupo de apoiadores do governo foi autorizado a entrar no palácio presidencial, onde gritaram por Maduro, que o governo insiste em manter como presidente do país. “Maduro, resista, o povo está se levantando”, gritavam.

RODOVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   16/01/2026

Classificada em terceiro lugar para a obra bilionária do Complexo Viário Roberto Marinho e do Parque Linear, na capital paulista, a Acciona conseguiu reverter as etapas técnica e comercial, por meio de recursos, e acabou vitoriosa na licitação.

Sua proposta de preço (comercial), de R$ 2,09 bilhões, era quase R$ 300 milhões mais cara que a da primeira colocada, e R$ 100 milhões a mais em relação ao consórcio que ficou em segundo lugar. Na parte técnica, todas conseguiram a mesma nota em um primeiro momento.

A obra, uma das mais importantes da prefeitura de São Paulo, vai tornar possível a ligação mais rápida entre a avenida Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes e vai implantar um parque linear, além de um sistema de drenagem na região sul de São Paulo.

A comissão técnica da SP Obras, empresa vinculada à Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, porém, acabou acatando recurso da Acciona que desclassificou o primeiro colocado, que foi o Consórcio Expresso Roma, formado pela Odebrecht e pela Álya Construtora (ex-Queiroz Galvão),

O consórcio apresentou proposta de R$ 1,8 bilhão para a obra, com desconto de 25% sobre o valor orçado, de cerca de R$ 2,4 bilhões.

Segundo documento que contém a análise do recurso da Acciona, o Consórcio Expresso Roma desatendeu a exigências do edital ao excluir de sua proposta técnica a construção de viadutos, de um túnel linear e seus emboques e o sistema completo de macrodrenagem, alterando a licença ambiental do projeto que havia sido aprovada.

Conforme a decisão, a redução de preço apresentada pelo consórcio aconteceu justamente devido à exclusão desses trechos de obras.

Além da Acciona, o consórcio que ficou em segundo colocado também apresentou recurso pedindo a desclassificação do Expresso Roma justamente por essa modificação da proposta original da obra.

Na primeira etapa de análise técnica das propostas, porém, esse ponto, que levou o consórcio de primeiro colocado a desclassificado, não tinha sido levado em consideração pela SP Obras.

A Acciona também conseguiu desbancar com recurso a segunda colocada na etapa de classificação da licitação, que foi o Consórcio Nova Roma, formado pela Construbase, FM Rodrigues e Uranpres, que apresentaram proposta de R$ 1,9 bilhão.

A construtora espanhola pediu em recurso a redução de uma das notas da proposta técnica do consórcio de 90 para 50, o que foi aceito pela SP Obras. Com isso, a Acciona passou para o primeiro lugar com nota técnica maior.
DISPUTA

Conforme o Painel S.A. noticiou, a licitação gerou disputas nos bastidores desde que a prefeitura de São Paulo publicou o primeiro edital.

Empreiteiras brasileiras interessadas em participar da concorrência ameaçaram recorrer à Justiça por considerar que as regras da licitação favoreciam companhias estrangeiras. A Acciona é espanhola.

O principal incômodo era em relação às exigências de qualificação da equipe de obra. O edital original dava mais notas para o consórcio ou empresa que tivesse um engenheiro civil com tempo de experiência superior a 20 anos na execução de ponte ou viaduto pelo método estaiado.

O incômodo das empreiteiras brasileiras se deu pela pouca experiência que existe no Brasil com esse tipo de obra, já que a primeira ponte estaiada do país foi inaugurada entre o fim dos anos 1990 e o início de 2000.

Com a pressão das companhias brasileiras, a SP Obras fez uma errata que acabou modificando o texto dessa parte do edital.

Pela nova redação, a nota técnica passou a ser desvinculada do tempo de experiência com obras estaiadas, sendo obrigatório apenas que o engenheiro tivesse feito ao menos uma obra em toda sua trajetória profissional por esse método.

Passado esse primeiro estresse, após a etapa classificatória, houve uma nova disputa, com uma leva de recursos apresentados pelas três primeiras colocadas na licitação para desqualificar as propostas de suas concorrentes.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   16/01/2026

Com a finalização do plantio de verão nas principais áreas do país, o governo confirma que a safra de 2025/26 será recorde. Em seu quarto levantamento sobre a temporada, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê 353,13 milhões de toneladas, 0,3% mais que em 2024/25.

A estrela do agronegócio, como não poderia deixar de ser, é a soja, que terá uma colheita de 176,12 milhões de toneladas, segundo a estimativa, um aumento de 2,7%.

Esse volume é creditado ao aumento de área de 2,8%, na comparação com a temporada anterior, e as expectativas climáticas, que vêm favorecendo a cultura. A exceção é Mato Grosso do Sul e Goiás, que enfrentam chuvas irregulares.

Outra importante cultura, o milho, também apresentou acréscimo de 4% na área plantada total estimada, somando as três safras, de 22,7 milhões de hectares. Entretanto, devido a eventos climáticos como tempestades, granizo, baixas e altas temperaturas e veranicos na Região Sul e falta de chuvas no estágio inicial de desenvolvimento em Minas Gerais, a projeção é que o cereal tenha queda de 1,5% na produção e 5,3% na produtividade, computadas as três safras.

Em relação à produção, ela sai de 141 milhões de toneladas em 2024/25 para 138,9 milhões nesta safra. Já no que se refere a produtividade, a estimativa é que ela caia 343 kg/ha, de 6.457 kg/ha no ciclo agrícola passado e agora de 6.114 kg/ha.

Demais culturas de verão

A semeadura das culturas de primeira safra está em fase final e já foram iniciadas as primeiras colheitas. No caso do algodão, a previsão é de uma redução de 2,8% na área cultivada, o que deve resultar em uma colheita 6,3% menor, com 3,8 milhões de toneladas. No caso do amendoim, a expectativa é de queda de 1,9% na produção, com 1,1 milhão de toneladas.

Os queridinhos do prato dos brasileiros, arroz e feijão, também devem ter colheitas menores.  A produção de arroz deve diminuir 13,3%, em razão de uma queda de 9,9% na área semeada. O total ficará em 11,06 milhões de toneladas, segundo a Conab.

A produção total de feijão, somando as três safras, está estimada em 3 milhões de toneladas, 0,5% abaixo da safra anterior. Em ambos os casos, o preço em baixa dos alimentos desincentivou o cultivo em 2025/26.

Estimativa do IBGE

Nesta quinta-feira (15), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também divulgou seu Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, com a previsão de uma safra recorde, de 346,1 milhões de toneladas para 2025. O instituto trabalha com ano-calendário (janeiro-dezembro), enquanto a Conab faz levantamentos com ano-safra (julho-junho).

O resultado do ano passado foi impulsionado pela previsão de produções recordes de soja (166,1 milhões de toneladas), milho (141,7 milhões), algodão (9,9 milhões) e café canephora (1,3 milhão). Na comparação com 2024, a produção total de grãos foi 18,2% maior.

Ao mesmo tempo, o instituto apresentou o terceiro prognóstico para a safra 2026, estimada em 339,8 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 1,8%, ou 6,3 milhões de toneladas, em relação ao recorde de 2025.

A área colhida em 2025 foi estimada em 81,6 milhões de hectares, alta de 3,2% frente ao ano anterior. Houve expansão nas áreas de algodão, arroz, soja, milho e sorgo, enquanto feijão e trigo registraram redução.

Segundo o IBGE, a produção de grãos mais que dobrou nos últimos 13 anos, passando de 162 milhões de toneladas em 2012 para o volume recorde de 2025, enquanto a área plantada cresceu 66,8% no período. Para Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do instituto, o avanço está ligado aos ganhos de produtividade, resultado de investimentos em pesquisa e tecnologia no campo.

Regionalmente, o Centro-Oeste concentrou 51,6% da produção nacional de grãos em 2025. Mato Grosso foi o maior produtor do país, com 32,0% do total, seguido por Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que juntos responderam por 79,7% da safra nacional.

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