Clipping Diário

09 | Janeiro | 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   09/01/2026

As ações de mineradoras e siderúrgicas registram queda nesta quinta-feira (8) após um início de ano bastante promissor. Às 11h (horário de Brasília), os ativos da CSN (CSNA3, R$ 9,59, -2,64%), Vale (VALE3, R$ 74,62, -2,23%), Bradespar (BRAP4, R$ 20,94, -2,01%) caíam cerca de 2%. Enquanto isso Usiminas (USIM5, R$ 6,43, -0,77%) tinha baixa menos expressiva; já Gerdau (GGBR4) e CSN Mineração (CMIN3) operavam perto da estabilidade.

O movimento mais geral do setor acompanha o desempenho do minério de ferro. Os contratos futuros do minério de ferro recuaram nesta quinta após quatro sessões de alta, com investidores realizando lucros devido a temores de uma possível intervenção para controle de preços pelo governo da China conforme as cotações se aproximam do nível-chave de US$ 110 por tonelada.

O contrato de maio de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com queda de 0,37%, a 813 iuanes (US$116,42) por tonelada, depois de atingir 831,5 iuanes no início da sessão, o maior valor desde 22 de julho de 2025.
O minério de ferro de referência de fevereiro na Bolsa de Cingapura caiu 1,05%, para US$ 107,9 a tonelada, depois de atingir o valor mais alto desde 30 de setembro de 2024, a US$ 109,4.

Minério na China cai após quatro dias de alta com realização de lucros

Contrato de maio de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com queda de 0,37%

A alta dos preços foi estimulada pela esperança de aumento da demanda na China, principal mercado consumidor de minério de ferro, depois que o banco central do país se comprometeu a afrouxar a política monetária.

Entretanto, o aumento acentuado dos preços deixou os investidores cautelosos em meio a temores de que Pequim pudesse intervir para controlar os preços, como fez em 2023.

Algumas usinas siderúrgicas também deixaram de comprar cargas em meio aos preços mais altos, disseram analistas.

O volume de transações de minério de ferro nos principais portos da China caiu 54,9% na quarta-feira em comparação com o dia anterior, segundo dados da consultoria Mysteel.

Além disso, os metais básicos cobre e níquel recuaram de suas máximas na quarta-feira, pesando sobre o sentimento geral em relação aos metais.

SEGS.com.br - SP   09/01/2026

A cada treliça, tubo ou perfil vendido, há mais do que estrutura: há também uma escolha por um material cuja cadeia produtiva vem ganhando atenção pelos seus indicadores de sustentabilidade. A indústria do aço — matéria-prima essencial para obras, reformas e estruturas metálicas — está mudando paradigmas. Dados recentes mostram avanços concretos em eficiência, reciclagem e redução de impactos ambientais.

Segundo o relatório mais recente da World Steel Association (2024), o setor global do aço mantém níveis elevados de eficiência material — em 2023, a “material efficiency” atingiu 98,15%. Ainda de acordo com o estudo, boa parte do aço produzido pode ser reciclada repetidas vezes sem perda de qualidade.

No Brasil, os dados confirmam essa vocação sustentável: o Instituto Aço Brasil aponta que, em 2024, foram recicladas 8,7 milhões de toneladas de sucata de aço. A reciclagem reduz drasticamente a necessidade de exploração de novos minérios e diminui o consumo de energia, contribuindo para a preservação de recursos naturais e a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Esse cenário de responsabilidade socioambiental não passa despercebido pela Pinheiro Ferragens. Segundo o diretor comercial da empresa, Roil Pinheiro, a consciência sobre o impacto do aço precisa acompanhar cada etapa da cadeia. “Para nós, vender aço não é apenas fornecer matéria-prima para obras. É entregar um produto que carrega em sua origem a possibilidade de ser reciclado infinitas vezes, com menos consumo de energia e menos agressão ao meio ambiente. Isso reforça nosso compromisso com a sustentabilidade e com o futuro das construções”, afirma Roil Pinheiro.

Ele explica que a empresa prioriza fornecedores que adotam boas práticas ambientais e que a conscientização é parte das conversas com clientes e parceiros. “Queremos mostrar que optar por estruturas metálicas bem fabricadas e recicláveis é também uma escolha ética e consciente. Construir com aço pode — e deve — significar construir com responsabilidade”, afirma.

Com a legislação ambiental mais rigorosa, o aumento da demanda por construções sustentáveis e o crescimento da consciência coletiva sobre mudanças climáticas, o aço reciclado e a eficiência em processos têm grandes chances de se tornar um diferencial competitivo.

Sobre a Pinheiro Ferragens – Fundada em 1960, a empresa nasceu com o objetivo de comercializar aço para a construção civil. De base familiar e pioneira na capital, foi responsável por oferecer grande parte dos materiais para a construção de Brasília. Atualmente, a empresa trabalha com um mix de mais de dois mil produtos comercializados e industrializados. Localizada no Setor de Indústrias de Brasília e Taguatinga, a loja possui moderna estrutura e serviços diferenciados.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   09/01/2026

A Organização das Nações Unidas (ONU) espera que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil avance 2% em 2026, ano de eleição presidencial no País, conforme relatório publicado nesta quinta-feira, 8. Se confirmada, a taxa de crescimento apontará desaceleração em relação ao ano passado, quando o Brasil deve ter avançado 2,5%, segundo a instituição, com sede em Nova York, nos EUA.

+ ONU projeta crescimento moderado nos EUA, com impulso de IA e riscos ligados a tarifas

Ao atualizar suas projeções, a ONU manteve a expectativa de crescimento do Brasil em 2026, mas aumentou a de 2025 em 0,7 ponto porcentual. Ainda assim, a expansão econômica do País no ano passado também representa uma desaceleração na comparação com 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%.

“A desaceleração projetada reflete os efeitos defasados do aperto monetário, que elevou as taxas de juros a níveis mais altos em décadas e continua a pesar sobre o investimento”, avalia a ONU, em relatório, publicado nesta quinta-feira. Uma postura fiscal “moderadamente expansionista”, porém, deve compensar parcialmente a desaceleração, acrescenta.

A Organização diz que “ventos contrários adicionais surgiram das tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos, de até 50%, sobre uma ampla gama de importações brasileiras”. Apesar disso, pondera, o impacto geral no Brasil deve ser limitado, já que os EUA representam apenas cerca de 12% de suas exportações, além do governo do presidente Donald Trump já ter voltado atrás na taxação de diversos segmentos da pauta exportadora brasileira.

Para a ONU, o País só voltará a acelerar o ritmo de expansão no próximo governo. A organização espera que a economia brasileira cresça 2,3% em 2027.

O Brasil deve crescer mais em 2025 do que a média da América Latina e do Caribe, cuja economia avançou 2,4% no ano passado. No entanto, o País tende a se expandir em ritmo menor que o da região nos anos seguintes. Em relação ao México e à América Central, o Brasil mostra maior vigor econômico em 2025, 2026 e 2027, mas deve perder essa posição em 2027, prevê a ONU.

Desafios continuam no fiscal

A ONU reforça o alerta da comunidade internacional para os desafios fiscais do Brasil. A relação entre a dívida bruta do governo geral e o PIB ultrapassou 90% no ano passado, atingindo 91,4%, ante 87,3% em 2024, segundo a entidade. O patamar supera a média dos países em desenvolvimento, cuja relação subiu de 73% para 76,9% no mesmo período.

“Desvios recentes do arcabouço fiscal – em meio a isenções fiscais temporárias, despesas acima do planejado e o uso de linhas de crédito extraordinárias – ressaltam os desafios contínuos em reforçar a credibilidade fiscal, mesmo que as autoridades mantenham um compromisso de médio prazo com a consolidação gradual”, reforça a ONU, em relatório.

Para a ONU, o Brasil não conseguirá cumprir a meta de inflação em 2025. A organização estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial, tenha fechado o ano passado em 5,0%. A meta contínua para o índice é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

“No Brasil, a inflação geral permanece teimosamente acima da meta do banco central, apesar das taxas de juros estarem em níveis mais altos em várias décadas”, diz a ONU.

A projeção da organização supera o consenso de mercado. A mediana das estimativas de economistas consultados pelo Projeções Broadcast aponta para uma inflação de 4,27% em 2025. O resultado do IPCA será divulgado nesta sexta-feira, 9.

Nos próximos anos, porém, a inflação deve convergir para a meta do BC. A ONU projeta que o ritmo de crescimento do IPCA se reduza para 4,3% em 2026 e 4,0% em 2027.

Quanto à política monetária, a organização diz que o Brasil foi uma “exceção importante” na tendência de afrouxamento vista em países em desenvolvimento na Ásia, América Latina e Caribe no ano de 2025, mas o País deve voltar a baixar suas taxas neste ano. “Após um aperto substancial na primeira metade de 2025, o Banco Central do Brasil manteve sua taxa de política em 15% – a mais alta desde 2006 – com um ciclo de afrouxamento esperado para começar em 2026, à medida que a inflação modera”, avalia.

A organização destaca ainda que o Brasil foi um dos países em desenvolvimento a reduzir o desemprego e a elevar o salário mínimo em 2025. “O Brasil atingiu o menor índice de desemprego em décadas”, destaca a ONU. O indicador estava em 5,2% em novembro de 2025.

O Estado de S.Paulo - SP   09/01/2026

Vamos imaginar que o próximo governo tenha como objetivo ajustar o resultado fiscal primário — isto é, sem juros — em 2% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2026 e 2030. E vamos assumir que a despesa primária da União seja da ordem de 19% do PIB em 2026.

Finalmente, vamos assumir também que: 1) a despesa pública cresça apenas 1% ao ano em termos reais no próximo governo; e 2) o crescimento médio da economia nesse período seja de 2,0% ao ano.

Quem conhece sabe que provavelmente a hipótese 1) é um piso, mas deixemos esses números, mesmo cientes desse viés. Nesse caso, a despesa primária em 2030 estaria em 18,3% do PIB. Isto é, menos de 1% do PIB abaixo do nível de 2026. Algo importante, mas insuficiente. Peço ao leitor que guarde essa conclusão. Vamos completar o raciocínio.

A imprensa cunhou a expressão “maldades” para referir-se às iniciativas destinadas a inibir o crescimento do gasto público. E cada uma das medidas listadas abaixo é importante, fiscalmente relevante e — tão relevante quanto isso — perfeitamente defensável com argumentos economicamente corretos e intelectualmente honestos:

a) indexação do salário mínimo ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem aumentos reais;

b) mudança da regra de vinculação das despesas com saúde e educação;

c) fim do abono salarial;

d) redução do número de beneficiados e do valor real per capita do Bolsa Família — o que já aconteceu em 2024 e 2025; entre outros.

É aqui que entra a “economia política do ajuste”. É tão certo que 2 + 2 = 4 que a imprensa rotulará essa agenda como sendo um ajuste sobre o “andar de baixo”. Portanto, mesmo que seu efeito fiscal não se iguale às medidas listadas, será preciso que paralelamente sejam incorporadas ao “cardápio” propostas que afetem outros setores da sociedade. Em particular, sugere-se incluir as seguintes medidas:

a) redução das emendas parlamentares;

b) combate aos “penduricalhos” e privilégios de setores do funcionalismo e da Justiça;

c) mudança da aposentadoria dos militares;

d) redução dos gastos tributários; e

e) aumento da taxação mínima sobre as altas rendas.

Faço questão de registrar ao leitor dois pontos. Primeiro, é impossível alcançar um ajuste de 2% do PIB em quatro anos só cortando gastos. E segundo, é impossível aprovar medidas de ajuste do gasto que não passem também pela agenda listada acima, para que o ajuste seja visto como equânime e socialmente justo. Será preciso ter muita habilidade política para aprovar aquilo de que o País precisa. A ver se existirá.

Globo Online - RJ   09/01/2026

Sete estados brasileiros alcançaram, em 2025, o maior valor de exportações de suas séries históricas: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pernambuco e Acre.

De acordo com um levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), juntos, essas unidades da federação responderam por cerca de 35% das vendas externas do país no ano, em um contexto marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos e pelas incertezas do comércio mundial.

No total, as exportações brasileiras somaram US$ 348,7 bilhões em 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), estabelecendo recorde também no cômputo geral.

Entre os estados com melhor desempenho histórico, o Rio de Janeiro teve papel de destaque. O estado exportou US$ 48,1 bilhões, crescimento de 5% em relação ao ano anterior, e respondeu por 13,8% das vendas externas do país. Minas Gerais também alcançou seu melhor resultado, com US$ 45,7 bilhões exportados, alta de 8,6%, enquanto Santa Catarina somou US$ 12,2 bilhões, avanço de 4,4%.

Na sequência, Mato Grosso do Sul registrou exportações de US$ 10,7 bilhões em 2025, com crescimento de 7,5%, consolidando um novo recorde estadual. Rondônia exportou US$ 3,1 bilhões, alta de 17,2%, também no melhor resultado de sua série histórica. Pernambuco, com US$ 2,5 bilhões vendidos ao exterior e avanço de 16,4%, e o Acre, que somou cerca de US$ 99 milhões, com crescimento de 13,3%, completam o grupo de estados recordistas.

Petróleo e minério

A composição das exportações dos estados que bateram recorde em 2025 revela forte concentração em alguns produtos-chave. No Rio de Janeiro, o desempenho foi amplamente sustentado pelo setor de energia: os óleos brutos de petróleo responderam pela maior parte das vendas externas do estado, com valor superior a US$ 37 bilhões, seguidos por óleos combustíveis, produtos semiacabados de ferro ou aço e minério de ferro.

Em Minas Gerais, a pauta permaneceu diversificada, mas ancorada em commodities. O minério de ferro liderou as exportações, seguido por café não torrado, ferro-gusa, ouro não monetário, soja e açúcares, que juntos concentraram parcela expressiva do total exportado pelo estado.

Em Santa Catarina, as carnes continuaram no centro da pauta exportadora. Carnes de aves e carne suína lideraram as vendas externas, acompanhadas por produtos industriais, como geradores elétricos, motores e itens do setor madeireiro.

Já em Mato Grosso do Sul, o recorde foi impulsionado principalmente por produtos do agronegócio e da indústria de base, com destaque para soja, celulose, carne bovina e milho, que responderam pela maior parte das exportações estaduais em 2025.

Nos estados do Norte e do Nordeste que também atingiram máximas históricas, a pauta mostrou menor diversificação. Em Rondônia, a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada concentrou a maior fatia das exportações, seguida por soja e milho. Pernambuco teve como principais itens exportados óleos combustíveis, açúcares e produtos químicos e industriais, enquanto no Acre as vendas externas ficaram concentradas sobretudo em carne bovina e soja, que, juntas, responderam por parcela significativa do total exportado pelo estado no ano passado.

Além dos recordes, o MDIC aponta crescimento expressivo das exportações em outras unidades da federação. O Ceará liderou a expansão proporcional, com alta de 55,6% em 2025. Também se destacaram Roraima (23%) e Tocantins (21,7%), entre outros.

Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), afirmou que, embora os Estados Unidos apareçam entre os principais destinos das exportações dos estados que bateram recorde em 2025, o país não foi o maior mercado para a maioria deles. A exceção foi Santa Catarina.

— Olhando para o perfil de países, os Estados Unidos estão entre os principais destinos, mas, em nenhum deles, os EUA foram o maior, tirando Santa Catarina — disse.

Segundo Brandão, mesmo no caso catarinense, a queda das exportações para o mercado americano não impediu o avanço do total exportado pelo estado. Ele destacou que houve crescimento expressivo das vendas brasileiras para a Argentina, movimento que também se refletiu em Santa Catarina.

— Caiu a exportação de Santa Catarina para lá, mas o que puxou a exportação do estado foram outros produtos para outros países, como a Argentina, a China e o Chile — afirmou.

De acordo com o diretor da Secex, a carne — um dos produtos que haviam sido fortemente afetados pela sobretaxa de 50% aplicada a partir de agosto do ano passado pelos Estados Unidos — teve papel relevante no desempenho de vários estados, em razão da produção descentralizada no país.

— A carne foi um grande destaque para vários estados, especialmente a carne bovina, que acabou puxando a exportação em muitos deles, mas não somente isso. Teve a celulose em Mato Grosso do Sul; o milho, o minério de ferro e o café em Minas Gerais. O café cresceu, bateu recorde e puxou muito a exportação de Minas Gerais — afirmou.

No Rio de Janeiro, Brandão destacou a forte concentração no petróleo.

— Cerca de 80% da exportação do Rio de Janeiro é petróleo, e houve crescimento, apesar de uma queda no valor total exportado pelo estado — disse.

Apesar do ambiente incerto, o diretor da Secex avaliou que o cenário mais provável é de crescimento das exportações.

— Acreditamos que é mais provável um aumento, por fatores como a ampliação da oferta exportável, o crescimento da produção de soja, petróleo e minério de ferro, além de uma demanda mundial que, apesar das incertezas, permanece relativamente estável, de acordo com as previsões que temos até agora — afirmou.

Tatiana Prazeres, secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirmou que o governo federal tem atuado para ampliar a participação dos estados no comércio internacional e tornar a política comercial brasileira mais inclusiva. Segundo ela, esse esforço ganhou estrutura formal com o lançamento da Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), instituída por decreto em 2023.

— A ideia é ampliar a base exportadora do Brasil, envolvendo os estados da federação nesse esforço de mobilizar os produtos que têm potencial exportador — disse.

Segundo a secretária, a iniciativa está alinhada ao objetivo de tornar o comércio exterior brasileiro mais inclusivo, tanto do ponto de vista geográfico quanto social.

— A inclusão tem essa dimensão de mais estados participando ativamente do comércio, mas também envolve programas como o Elas Exportam, voltado a empresas lideradas por mulheres, e o Raízes Comex, para ampliar a participação de pessoas negras no comércio exterior — enfatizou.

Prazeres acrescentou que o incentivo às exportações tem efeitos positivos comprovados sobre a economia e destacou que empresas exportadoras remuneram melhor seus trabalhadores, são mais longevas, lidam melhor com as adversidades ao longo do tempo e são mais produtivas e competitivas.

IstoÉ Dinheiro - SP   09/01/2026

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), em relatório sobre a economia dos EUA de 2026 a 2028, pontuou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real deve aumentar de um estimado de 1,9% em 2025 para 2,2% em 2026, à medida que a lei de reconciliação de 2025 estimula atividade econômica adicional.

A retomada da atividade federal após o shutdown do governo também desloca parte dos gastos do governo do final de 2025 para o início de 2026, impulsionando o crescimento deste ano nas projeções do CBO. “De 2027 a 2028, uma mistura de fatores positivos e negativos leva a um crescimento médio do PIB real de 1,8% ao ano”, acrescentou.

Nas projeções, o crescimento do emprego desacelera após 2026. Após subir para uma taxa estimada de 4,5% no final de 2025, a taxa de desemprego atinge 4,6% em 2026 e, em seguida, cai gradualmente para 4,4% em 2028.

“No curto prazo, tarifas mais altas e o aumento da demanda agregada decorrente da lei de reconciliação de 2025 se combinam para manter a inflação acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed)”, pontua o CBO. A inflação então diminui nos anos seguintes, com o índice de preços para despesas de consumo pessoal (PCE) sendo de 2,7% em 2026, e continuando a cair nos dois anos seguintes, atingindo 2,1% em 2028.

As taxas de juros devem cair no curto prazo, à medida que o Fed toma medidas adicionais para enfrentar os riscos negativos para o mercado de trabalho, diz o CBO. A taxa efetiva dos Fed Funds cai de 3,9% no quarto trimestre de 2025 para 3,4% no quarto trimestre de 2026.

Veja - SP   09/01/2026

A divulgação do resultado de dezembro do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, nesta sexta-feira, 9, fecha o retrato da inflação de 2025 e influencia as decisões sobre a taxa básica de juros, Selic.

O Boletim Focus mais recente indica que os economistas projetam 4,32% de inflação no ano de 2025: um resultado acima do centro da meta de 3%, mas ainda abaixo do teto de 4,5%. Para este ano, a expectativa no mercado financeiro é de que o índice encerre o ano em 4,05%. Até novembro, a inflação acumula alta de 3,92% e, nos últimos 12 meses, o índice está em 4,46%. Para a Selic, a

Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o dado desta sexta é decisivo para medir o grau de persistência dos preços. “O mercado espera um índice moderado, com alta concentrada principalmente em serviços, que seguem pressionados pelo custo da mão de obra e por uma demanda ainda relativamente resiliente”, afirma.

Segundo ele, a tendência mais benigna de bens industriais e alimentos deve ajudar a limitar uma aceleração maior do índice. “Um número próximo do esperado reforça a leitura de desaceleração gradual; uma surpresa para cima reacende preocupações com o ritmo de convergência da inflação e tende a manter o debate sobre juros mais elevados por mais tempo.”

José Alfaix, economista da Rio Bravo, estima que o IPCA de dezembro registre alta de 0,32% no mês, levando a inflação do ano a 4,26%. “O aumento dos preços de alimentação em domicílio e passagens aéreas, puxadas pelo aumento sazonal da demanda ao final do ano, deve explicar a maior parte do resultado”, diz. Ele também ressalta a persistência da inflação dos serviços que tem sido uma das grandes responsáveis pela manutenção da política monetária restritiva. “Observamos tendência de resiliência nos preços de serviços, em especial subjacentes, que subiram de 7,2% para 7,5% na média móvel de três meses dessazonalizada na última divulgação do IPCA-15 de dezembro.”

CNN Brasil - SP   09/01/2026

Uma das poucas boas surpresas deste governo foi a atuação de Gabriel Galípolo no Banco Central. Apesar do seu passado e associações heterodoxas, ele tem gerenciado a política monetária de forma técnica e ortodoxa.

A meta de inflação no Brasil tem sido tratada na maioria das vezes com certo desprezo, tanto pelo Banco Central como pelo mercado, resultando no fato que a média da inflação tem ficado bem acima do objetivo: 5,86% desde 2010.

Afinal, toda a sociedade tem a inflação que merece. E não devemos somente culpar o Banco Central por isso, afinal nossa política fiscal tem, certamente em todos os governos petistas, trabalhado consistentemente contra a meta de inflação (com as notáveis exceções do período Antonio Palocci e Joaquim Levy na Fazenda).

A maioria dos presidentes do Banco Central tem aceitado esses fatos e permitido que a inflação fosse consistentemente acima da meta. Esse comportamento obviamente passa para as expectativas de inflação dos agentes privados.

Mas hoje, estou convencido de que Gabriel Galípolo realmente quer ver a inflação na meta de 3%. Isso é um fato notável, pois quebraria o padrão comum de culpar “choques exógenos” pela falta de cumprimento da meta.

Assim, acredito que o Banco Central somente vai cortar a Selic quando o Copom julgar que pode apresentar uma projeção da inflação na meta no horizonte relevante de forma crível, e não “marretando” os modelos. A boa notícia é que estamos quase lá, e eu acredito que devemos ver a Selic cair na reunião de março.

Aí tem a questão da extensão do ciclo. O Banco Central estima a taxa neutra de juros em 5%, o que com uma inflação na meta de 3%, daria uma Selic ao redor de 8%. Assim, poderíamos imaginar o ciclo de queda levando a Selic para (colocando um pequeno prêmio) ao redor de 9%. A pesquisa Focus, a partir de 2027, está quase lá, com uma projeção de 10,5%. O mercado não está tão otimista, com uma Selic projetada na curva de juros mais para 12,5%-13%.

Quem vai acertar essa será muito, muito importante para o futuro da economia. Hoje o grande condicionante da alta da relação dívida/PIB é a alta taxa de juros reais, e não o déficit primário.  Se a Selic cair para 9%, o esforço necessário no resultado primário será bem mais razoável que se a Selic ficar 12-13%.

Há uma circularidade nesse equilíbrio. Os juros reais estão altos porque o mercado acredita que o risco de uma solução ao sobre-endividamento via inflação é alto.  Mas com juros nesse patamar, a tentação de resolver a questão com um choque inflacionário aumenta.

A única forma de mudar esse equilíbrio nocivo será o ganhador do pleito em 2026 sinalizar a disposição de fazer um ajuste fiscal estrutural, atacando o crescimento desordenado dos gastos obrigatórios. Sem isso, pressupondo que Galípolo não vai ser cúmplice de um choque inflacionário, a Selic vai ficar ainda demasiadamente elevada, aumentando o risco de, em um ambiente global menos favorável do que estamos vivendo hoje, uma crise de fuga de capitais, com suas consequências nefastas sobre a economia.

Infomoney - SP   09/01/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,9% em 2025 e deve desacelerar para alta de 4,6% em 2026, de acordo com o relatório Situação e Perspectivas da Economia Mundial de 2026 da ONU, divulgado nesta quinta-feira, 8. As estimativas representam um aumento em relação ao levantamento divulgado no ano passado, em que as previsões eram de 4,6% e 4,4%, respectivamente. Para 2027, a entidade projeta crescimento do PIB chinês de 4,5%.

Segundo o relatório, a economia chinesa manteve um crescimento robusto no primeiro semestre do ano passado, apoiado pela aceleração dos embarques de exportação antes do aumento das tarifas dos Estados Unidos e por um consumo doméstico mais forte.

“No entanto, o ritmo começou a perder fôlego no terceiro trimestre”, pondera o documento. “Em setembro, o crescimento das vendas no varejo desacelerou para 3%, ante um pico de 6,4% em maio – a taxa mais alta desde janeiro de 2024”.
O relatório ainda cita o investimento em ativos fixos, que teve contração de 0,5% nos três primeiros trimestres do ano. “Isso sugere uma atividade de investimento significativamente mais fraca no terceiro trimestre”, diz a ONU.

ONU: projeção econômica global é incerta, com desafios fiscais e tensão geopolítica

“As tensões geopolíticas e os riscos financeiros aumentam essas pressões, tornando a economia global fragilizada”, avalia a ONU

O setor industrial e de infraestrutura foram impulsionados por estímulos governamentais – como os títulos ultralongos para renovação urbana, segundo a ONU. Em contrapartida, esses ganhos foram compensados pela contração do setor imobiliário.

Para este ano, o relatório alerta que os principais riscos decorrem de uma possível deterioração das relações comerciais entre China e Estados Unidos, de uma demanda global mais fraca e de uma nova desaceleração do setor imobiliário.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   09/01/2026

Os contratos futuros do minério â  de ferro recuaram nesta quinta-feira, após quatro sessões de alta, com investidores realizando lucros devido a temores de uma possível intervenção para controle de preços pelo governo da China conforme as cotações se aproximam do nível-chave de US$110 por tonelada.

O contrato de maio de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com queda de 0,37%, a 813 iuanes (US$116,42) por tonelada, depois de atingir 831,5 iuanes no início da sessão, o maior valor desde 22 de julho de 2025.

O minério de ferro de referência de fevereiro na Bolsa de Cingapura caiu 1,05%, para US$107,9 a tonelada, depois de atingir o valor mais alto desde 30 de setembro de 2024, a US$109,4.
A alta dos preços foi estimulada pela esperança de aumento da demanda na China, principal mercado consumidor de minério de ferro, depois que o banco central do país se comprometeu a afrouxar a política monetária.

Entretanto, o aumento acentuado dos â  preços deixou â  os investidores cautelosos em meio a temores de que Pequim pudesse intervir para controlar os preços, como fez em 2023.

Algumas usinas siderúrgicas também deixaram de comprar cargas em meio aos preços mais altos, disseram analistas.

O volume de transações de minério de ferro nos principais portos da China caiu 54,9% na quarta-feira em comparação com o dia anterior, segundo dados da consultoria Mysteel.

Além disso, os metais básicos cobre e níquel recuaram de suas máximas na quarta-feira, pesando sobre o sentimento geral em relação aos metais.

Globo Online - RJ   09/01/2026

A Glencore e o Grupo Rio Tinto estão em negociações sobre um acordo de US$ 207 bilhões que criaria a maior empresa de mineração do mundo, pouco mais de um ano depois de conversas anteriores entre as duas companhias terem fracassado.

Em comunicado, a Glencore afirmou que as negociações são preliminares, com opções que incluem uma transação totalmente em ações, na qual a Rio Tinto compraria a empresa. A Glencore disse que não há certeza de que um acordo será fechado, acrescentando que um novo anúncio será feito quando apropriado. A Rio confirmou as conversas em um comunicado separado.

Os ADRs da Glencore subiram até 9% e os ADRs da Rio Tinto caíram até 3,9% nas negociações nos Estados Unidos.

As novas conversas ocorrem em meio a uma onda de fusões e aquisições no setor, à medida que as maiores mineradoras buscam aumentar sua exposição ao cobre, um metal crucial para a transição energética e que está sendo negociado próximo de máximas históricas.

A Teck Resources e a Anglo American concordaram em se fundir no ano passado, enquanto o Grupo BHP fez tentativas de comprar a Anglo.

Após não conseguir chegar a um acordo em 2024, a Glencore continuou trabalhando nos bastidores com seus banqueiros sobre como poderia ser um possível negócio com a Rio, conforme noticiado anteriormente pela Bloomberg.

A administração tomou medidas para preparar a Glencore para agir rapidamente, e o CEO, Gary Nagle, tem reiterado em conversas privadas que se trata de uma transação que deveria acontecer — descrevendo uma união entre Rio e Glencore como o negócio mais óbvio do setor.

Desde que as negociações anteriores fracassaram — principalmente por causa da avaliação — a Rio substituiu seu CEO, enquanto a Glencore buscou convencer investidores — e possíveis compradores — de seus planos para expandir seus negócios de cobre.

O cobre disparou para níveis recordes acima de US$ 13.000 por tonelada no início desta semana, impulsionado por uma série de interrupções em minas e por movimentos para estocar o metal nos EUA antes de possíveis tarifas de um governo Trump.

Isso reforçou um foco já existente entre executivos do setor de mineração e investidores de que o fornecimento futuro do metal será restrito, já que a escassez de novas minas não consegue atender à demanda esperada da inteligência artificial e do aumento dos gastos com defesa.

O novo CEO da Rio, Simon Trott, até agora tem se concentrado em cortar custos e simplificar o negócio. A empresa também prometeu se desfazer de algumas de suas unidades menores. Sob a presidência de Dominic Barton, a Rio se afastou dos negócios desastrosos do passado, afirmando que a empresa será mais aberta a aquisições.

Tanto a Glencore quanto a Rio são proprietárias de algumas das melhores minas de cobre do mundo. No entanto, a Rio — assim como a BHP — ainda depende fortemente do minério de ferro para impulsionar seus lucros, em um momento em que o boom da construção civil da China, que durou décadas, está chegando ao fim e o mercado de minério de ferro parece caminhar para um período prolongado de fraqueza.

A Glencore fez dessas minas de cobre o centro de seus negócios. Após anos decepcionando investidores com metas não cumpridas e queda na produção de cobre, a empresa apresentou, no fim do mês passado, planos para quase dobrar sua produção do metal ao longo da próxima década.

Embora os ativos de cobre da Glencore provavelmente sejam a principal atração, a empresa também é a maior exportadora de carvão do mundo, uma commodity da qual a Rio saiu anos atrás. A Glencore também extrai metais como níquel e zinco, além de operar um grande negócio de trading.

O ex-CEO da Glencore Ivan Glasenberg, que liderou uma abordagem anterior à Rio em 2014, ainda possui cerca de 10% da empresa.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   09/01/2026

Taxação sobre carros semimontados e desmontados divide montadoras e governo

A três semanas do fim da isenção do Imposto de Importação para veículos híbridos e elétricos semimontados e desmontados, o setor automotivo volta a se mobilizar em Brasília. De um lado, os que tentam convencer o governo a adiar a elevação do tributo e, do outro, fabricantes que buscam evitar uma prorrogação.

Essa movimentação não é explícita. Acontece nos bastidores e tenta envolver integrantes do governo que podem apoiar um lado ou outro a depender do Estado ou região que a elevação tributária beneficia ou prejudica. No governo, já há uma divisão de posições entre integrantes do Executivo.

Até julho de 2025, o Imposto de Importação para veículos híbridos e elétricos que entram no país semimontados ou desmontados variava entre 10% e 30%, dependendo do grau de eletrificação.

No sistema semimontado (SKD - semi knocked down), o veículo chega montado e recebe acabamento final de peças como pneus e vidros. Já o no caso do desmontado (CKD - completely knocked down), kits de componentes ou peças avulsas são importados para montagem local.

Em meados de 2025, a BYD, que se preparava para inaugurar uma fábrica na Bahia com o sistema SKD, encaminhou ao governo pedido para reduzir o imposto. Mas montadoras já instaladas no país fizeram forte oposição.

O governo decidiu, então, por uma solução que agradasse a ambos os lados. Isentou esses veículos do imposto durante seis meses. Mas criou cotas, que foram divididas por mais de uma dezena de marcas interessadas em produzir nos sistemas CKD e SKD. Essas cotas somaram US$ 463 milhões.

O risco está em subsidiar esse sistema por um longo período”

— Igor Calvet

E, para atender a reivindicações das montadoras veteranas, o governo antecipou de julho de 2028 para janeiro de 2027 a elevação do imposto dos eletrificados importados no sistema CKD para o teto de 35%. Já no caso do SKD, o tributo chegará a 35% já em julho de 2026, seguindo a mesma elevação da alíquota para carros que chegam prontos.

Fontes do governo apontam para o impacto fiscal da medida, uma vez que a isenção do Imposto de Importação implica renúncia de receita. Também destacam que o benefício se somaria a outros incentivos já existentes, como o regime automotivo regional, que reúne estímulos fiscais para a produção industrial no Nordeste e Centro-Oeste, e o programa Mover, que concede incentivos tributários condicionados a investimentos em descarbonização.

Recentemente, também foi aprovada a inclusão de baterias nos incentivos fiscais do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores (Padis), medida que ainda será regulamentada.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) conta com a elevação do imposto a partir de fevereiro, conforme o cronograma definido pelo governo há seis meses. Para Igor Calvet, presidente da entidade, o tributo serve para garantir “competitividade, previsibilidade e sustentabilidade da indústria nacional”.

O presidente da Anfavea considera a produção “em alto volume” de veículos eletrificados nas modalidades CKD e SKD um sistema “pouco sofisticado, no qual partes inteiras do automóvel são importadas”.

Segundo Calvet, a Anfavea não é contra CKD ou SKD quando utilizados “para certos nichos de mercado” ou para o ingresso de empresas e tecnologias no país. “O risco está em subsidiar esse sistema por um longo período”, diz.

O executivo aponta os recentes programas de investimentos anunciados pelas montadoras que, incluindo a indústria de máquinas, passa de R$ 140 bilhões na década. Em várias ocasiões Calvet e outros dirigentes da indústria já instalada cogitaram que esses investimentos estariam em risco caso a indústria local fosse menos protegida.

Calvet mostra-se, no entanto, otimista em relação à volta do imposto: “Felizmente, esse benefício encerra-se em breve. Com isso, teremos restaurada parte do conjunto de regras que garante a competição em solo nacional”.

Para uma ala do governo, a prorrogação do benefício resultaria apenas na importação de produtos, sem contrapartidas relevantes para o desenvolvimento da indústria nacional, beneficiando, destacam as fontes, sobretudo a BYD, que tem ampliado rapidamente a participação no país. Em 2025, a marca ficou em sétimo lugar no mercado brasileiro.

As empresas que usam os sistemas SKD e CKD se defendem. Em entrevista ao Valor, publicada na quinta-feira, 8, o vice-presidente da BYD, Alexandre Baldy, disse que a fábrica da companhia, em Camaçari (BA), estará pronta para iniciar processos locais de estamparia, solda e pintura entre abril e maio.

Além da BYD, outra chinesa que já tem fábrica no Brasil, a GWM, iniciou a produção no Brasil há seis meses no sistema CKD e anunciou a intenção de elevar a nacionalização dos veículos produzidos no país para poder exportar.

Além dos montados e semidesmontados, os benefícios fiscais para carros eletrificados prontos importados estão prestes a acabar. Híbridos e elétricos importados prontos ficaram isentos do Imposto de Importação entre 2015 e o fim de 2023. Desde então, o tributo passou a ser aplicado em etapas e chegará a 35% em julho.

IstoÉ Dinheiro - SP   09/01/2026

País asiático se tornou o maior fabricante de carros elétricos do mundo. Indústria automobilística alemã ameaçada tenta aprender com os erros do passado e agora se volta para a Índia.Nürburgring, nas colinas ocidentais da Alemanha, é a pista de corrida permanente mais longa do mundo. Tem quase um século de existência e foi palco de muitas disputas da Fórmula 1. A pista de mais de 20 quilômetros é apelidada de “Inferno Verde”, por causa das florestas que cercam a região de Eifel e seu traçado desafiador.

Para entender a importância da engenharia e do desempenho na fabricação de carros alemães, este é um bom lugar para começar, diz Misha Charoudin, piloto e influenciador.

“Se um carro consegue fazer um bom tempo de volta aqui, significa que todos os componentes funcionam: suspensão, pneus, motor, chassi e, claro, o próprio motorista”, diz ele enquanto faz uma curva a 190 quilômetros por hora. “É melhor do que uma montanha-russa.”

A indústria automobilística alemã usou esse legado, junto a suas rodovias públicas sem limite de velocidade, as famosas Autobahnen, a seu favor para construir globalmente uma imagem.

Marcas como Mercedes-Benz, BMW, Audi e Volkswagen passaram a ser sinônimo de engenharia de precisão, desempenho e confiabilidade. Não eram apenas carros — eram ícones culturais e a espinha dorsal da economia alemã. Mas hoje, a magia está desaparecendo.

Década de rachaduras

Durante décadas, a fórmula era simples: engenharia de classe mundial mais demanda global igual a sucesso. Em 1950, as montadoras alemãs venderam cerca de 200 mil veículos. Hoje, vendem cerca de 14 milhões globalmente.

A indústria automobilística emprega mais de um milhão de pessoas e há muito tempo é um termômetro da saúde econômica alemã. Mas o diagnóstico atual não é bom: as vendas estão encolhendo, empregos estão sendo cortados e fábricas enfrentam ameaças de fechamento.

“A pressão aumenta”, disse um funcionário da Mercedes, que preferiu não se identificar. “É tudo sobre cortes de custos em todos os lugares.”

As primeiras rachaduras apareceram em 2015, com o Dieselgate, quando a Volkswagen foi pega trapaceando nos testes de emissões. O escândalo custou à empresa mais de 30 bilhões de euros e minou a confiança nas marcas alemãs.

Também coincidiu com o Acordo de Paris e uma mudança global para tecnologias mais amigáveis ao clima, que colocou em xeque a indústria. Enquanto a Tesla dobrou as vendas de carros elétricos, os fabricantes alemães hesitaram.

A corrida pelo ouro na China

Por anos, a China foi a terra prometida. Na década de 1980, líderes políticos chineses convidaram a Volkswagen para formar joint ventures e fabricar carros na China para o mercado doméstico.

Houve tempos em que a participação de mercado da Volkswagen se aproximava de 50%. Até alguns anos atrás, as montadoras alemãs vendiam um em cada três carros no país asiático.

Quanto mais a economia da China crescia, maior se tornava o seu mercado automobilístico. Outras montadoras seguiram o exemplo da Volkswagen.

“Era tempo de garimpo”, lembra Beatrix Keim, que passou duas décadas na Volkswagen na China e agora é diretora de uma consultoria do setor em Duisburg, na Alemanha. “Vendendo muitos carros, ganhando muito dinheiro. Não havia muita concorrência chinesa.”

A China aprendeu com os parceiros estrangeiros para depois liderar. Em 2009, Pequim aprovou uma lei para impulsionar veículos elétricos. O objetivo, segundo Keim, era encontrar uma tecnologia onde a China pudesse prosperar.

Arrogância alemã?

Hoje, a cada dois carros vendidos na China, um é elétrico — e quase todos são de marcas chinesas. As vendas alemãs despencaram em seu mercado mais importante.

“Começando com os veículos elétricos, os chineses tiveram a chance única de ultrapassar a Alemanha. E conseguiram”, diz Manuel Vermeer, professor que ensina cultura e negócios chineses na Universidade de Ciências Aplicadas em Ludwigshafen.

Para ele, as montadoras alemãs subestimaram a determinação chinesa e a velocidade do seu desenvolvimento. Bilhões em subsídios e infraestrutura depois, a China agora é líder mundial em veículos elétricos e baterias — recentemente, a BYD ultrapassou a Tesla em vendas.

“Acho que tem muito a ver com arrogância”, aponta Vermeer. “O ponto de vista alemão sempre foi: ‘somos superiores’, ‘como podemos ensiná-los?’ e ‘eles devem aprender conosco’. Mas quase nunca foi algo como: ‘poderíamos aprender com eles’, ‘deveríamos ouvir mais’, ou ‘talvez eles sejam diferentes do que pensamos?'”.

Hoje, a Alemanha depende da China para baterias. “Mesmo que construamos carros elétricos muito bons, ainda precisaríamos das baterias da China. Estamos mais dependentes do que costumávamos ser”, prossegue o professor.

Próxima parada, Índia

Com a China escapando, a atenção se volta para a Índia, agora o país mais populoso do mundo. No tráfego denso em Chennai, uma cidade no sudeste do país, raramente passa um carro alemão.

Carros indianos, japoneses e coreanos dominam as ruas da cidade, que é frequentemente chamada de “Detroit da Índia”, devido às suas muitas fábricas de automóveis.

A fábrica da BMW em Chennai produz cerca de 80 carros por dia, em comparação com 1,4 mil na sua unidade principal, na Alemanha. Ainda assim, o crescimento é forte — mais de 10% ao ano.

“Há uma grande corrida para o mercado indiano”, diz o gerente da fábrica, Thomas Dose. “Todo mundo sente que, se não estivermos na Índia agora, perderemos alguma oportunidade.”

Seria então a Índia uma nova China? Dose é realista: “Eu diria que não. É diferente e tem seu potencial. Mas não teremos o crescimento extensivo tal como na China.”

Lições aprendidas — ou tarde demais?

Keim acredita que as montadoras alemãs estão tentando mudar. “Elas entenderam que precisam ser mais rápidas, descer de seu pedestal.”

Enquanto isso, a corrida para construir veículos elétricos bem-sucedidos segue a todo vapor. Na China, os fabricantes locais enfrentam excesso de capacidade e queda nos preços. Eles também tentam vender seus produtos na Europa, até agora com sucesso moderado.

Agora, fabricantes de carros elétricos da China e de outros países estão testando seus veículos no circuito de Nürburgring, na Alemanha: uma reviravolta simbólica em uma história de perda de domínio.

As montadoras alemãs podem deixar completamente este barco passar? “Pode acontecer”, opina o influenciador Misha Charoudin. “Olhe para a [fabricante finlandesa de celulares] Nokia. Eles estavam prosperando. E então, de repente, perderam o barco.”

IstoÉ Dinheiro - SP   09/01/2026

Na visão do CEO da Ford para a América do Sul, Martín Galdeano, concorrer com a China é como ‘jogar futebol com um campo inclinado’ e, no panorama atual, as regras não estão igualitárias para todos os players – uma tese endossada não somente por players da indústria automotiva, mas também de outros ramos.

“Eu acredito que ninguém entende totalmente como é a concorrência com a China. Nós sabemos uma parte importante, mas tem uma parte que não conhecemos com profundido, e o que vemos é que não são regras equivalentes”, diz o CEO da Ford, em participação no Dinheiro Entrevista.

“O que nós enxergamos é: qual envolvimento dos governos em essa regra de jogo?”, questiona.

O executivo levanta questões sobre eventuais imposições nas exportações, subsídios governamentais e outras práticas que tornam players chineses favorecidos em escala global.

“O que temos que tomar cuidado é com o modo que geramos a concorrência. Quando falamos de concorrência chinesa, todos nós, montadoras tradicionais, ou ocidentais, temos provavelmente os mesmos produtos sendo fabricados em solo chinês”, diz.

“Nós produzimos a Ranger na América do Sul, mas também produzimos na China. Não é como se essa opção estivesse somente para o concorrente chinês, ela está para todos nós. Por isso, digo que o grande tema aqui é solucionar como nós seremos mais eficientes para concorrer do melhor jeito”, completa.

Ou seja, segundo o CEO da Ford, a questão não se limita à concorrência chinesa em si, mas à capacidade das montadoras tradicionais de se organizarem e operarem com mais eficiência em um ambiente global no qual produzir na China é uma alternativa disponível a todos os grandes fabricantes, mas as regras praticadas em todos os mercados são distorcidas por conta das práticas consideradas assimétricas.

Dados de pesquisas recentes indicam que a China mantém níveis de subsídio industrial significativamente superiores aos dos países da OCDE, com suporte por meio de subsídios diretos, empréstimos abaixo do custo de mercado e tratamento tributário preferencial – cenário que já fez representantes de diversas indústriaas ao redor do mundo pleitearem medidas compensatórias.

Em meados de 2023 a Comissão Europeia chegou a iniciar uma investigação dedicada exclusivamente aos subsídios chineses aos fabricantes de automóveis elétricos. Mais tarde a comissão concluiu que haviam apoios estatais significativos concedidos às montadoras chinesas – o que resultou em tarifas compensatórias entre 17% e 35%.

No Brasil, associações representativas da indústria automotiva, como a Anfavea, abriram diálogo com o Governo por conta de práticas consideradas de dumping e concorrência desleal envolvendo fabricantes chineses de veículos, pedindo tarifas.

Isso ocorre em um momento de intensificação das exportações de veículos chineses, especialmente de carros elétricos. Entre janeiro e setembro de 2025, a alta registrada das exportações de elétricos foi de 89% ante igual etapa do ano anterior, totalizando cerca de 1,76 milhão de unidades.
Questões trabalhistas

Galdeano defende que o principal ponto seria um eventual ‘marco impositivo’, com regras mais apertadas de concorrência global.

“Eu te diria que, para nós, o principal seria ter um marco impositivo, mas certamente também um marco trabalhista – que tem um impacto menor, mas também é gera alguma disparidade [de concorrência]”, diz, após ser indagado sobre como as leis trabalhistas são nebulosas e pouco conhecidas pelo restante do globo.

Frequentemente a China é associada a mão de obra barata e condições de trabalho exaustivas pela mídia internacional e por Organizações Não Governamentais (ONGs) como a China Labor Watch (CLW), sediada em Nova York.

Como exemplo, um relatório de julho de 2025 da CLW detalhou condições intensas de trabalho nas oficinas que abastecem a Shein em Guangzhou, com jornadas de mais de 10 horas diárias 7 dias na semana, salários pagos por peça sem compensação por horas extras, e retenção de uma parcela do salário pela gerência.
Para onde vai a Ford

O CEO da companhia para a América do Sul frisa que a empresa deve manter um crescimento de dois dígitos no acumulado de 2025 e nos anos subsequentes, apesar da elevação sucessiva da base comparativo.

No Brasil, as vendas cresceram 68% e chegaram a 48.498 unidades no acumulado do ano de 2024.

De janeiro a novembro de 2025, a companhia emplacou cerca de 49 mil veículos, representando alta de 12,6% ante igual período do ano passado, quase dez vezes acima da indústria, que avançou 1,3%.

Na América do Sul, os números mostram 123.700 emplacamentos até novembro, com a Ford cresceu 21%, mais que o dobro dos 9% da indústria no continente.

Há anos a empresa deixou de fabricar carros de entrada e modelos mais populares, como o Fiesta, que saiu de linha em 2019, e passou a focar em picapes e SUVs – decisão que resulta de um redesenho na operação global da empresa.

A tese é de que, focando somente neste nicho, a empresa terá um maior potencial de crescimento e uma maior fatia de market share.

O mercado automotivo brasileiro chegou à metade do ano de 2025 com recorde na venda de SUVs, em cerca de 469 mil, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Além do crescimento absoluto, também aumentou a participação dos veículos utilitários esportivos no mercado – nas vendas entre janeiro e junho de 2025, 53% dos carros 0km emplacados no Brasil eram SUVs.

Há cerca de quatro anos a empresa deixou de produzir em solo brasileiro e, no momento, se vê satisfeita com a decisão, todavia não descarta uma volta futuramente.

Isso, a depender do posicionamento estratégico da empresa, dado que a decisão de parar a produção no Brasil não teve a ver com condições econômicas.

O Brasil é o mercado mais relevante para a montadora na América do Sul, representando mais de 50% do faturamento da companhia. Os carros são importados de países vizinhos onde a companhia ainda mantém fábricas.

Sem produzir no Brasil, o foco da Ford passou a ser estratégico e voltado à tecnologia, com 1,5 mil engenheiros empregados no Centro de Desenvolvimento e Tecnologia e no Campo de Provas, localizados em Camaçari (BA) e Tatuí (SP), respectivamente.

Valor - SP   09/01/2026

Primeiro modelo na plataforma de elétricos da montadora é uma picape elétrica de médio porte prevista para lançamento em 2027, com um preço-alvo de US$ 30 mil

A Ford planeja lançar sistemas de assistência ao motorista de Nível 3 no mercado em 2028, permitindo que os motoristas tirem as mãos e os olhos da estrada enquanto operam em certas rodovias.

A tecnologia estará disponível primeiro na nova plataforma de veículos elétricos da Ford, que está sendo desenvolvida por uma equipe especializada na Califórnia, disse a montadora, com planos de expandir para outros veículos no futuro.

O primeiro modelo na plataforma é uma picape elétrica de médio porte prevista para lançamento em 2027, com um preço-alvo de US$ 30 mil, que contará com sistemas de software avançados não disponíveis atualmente em outros modelos da Ford.

A Ford recusou-se a dizer qual modelo da plataforma receberia primeiro o software avançado de assistência ao motorista.

Doug Field, diretor de veículos elétricos, digital e design da Ford, disse, em entrevista à Reuters, que o sistema de Nível 3 não viria como item de série no preço de US$ 30 mil, mas estaria disponível por uma taxa adicional, que ainda não foi determinada.

“Também estamos aprendendo muito sobre o modelo de negócios. Deve ser uma assinatura? Você deve pagar tudo no início? Estamos focados agora em torná-lo super acessível e estamos muito animados com isso. Temos tempo para estabelecer o preço”, disse Field.

A montadora está tentando desenvolver esses sistemas internamente com menos dependência de fornecedores, em um esforço para reduzir custos, entregar atualizações mais rápidas aos clientes e melhorar a qualidade, um problema recorrente para a empresa.

A Ford planeja usar uma tecnologia de sensoriamento remoto, para dar suporte ao seu sistema de Nível 3, disse Field. O diretor-presidente da Tesla, Elon Musk, disse que a autonomia pode ser resolvida sem lidar, usando câmeras, embora seu sistema de Full Self Driving em seus veículos pessoais tenha capacidade de Nível 2 e ainda exija os olhos dos motoristas na estrada o tempo todo.

A maioria das montadoras limita os recursos de direção autônoma em veículos pessoais às rodovias, onde os padrões de tráfego são mais previsíveis. As cidades apresentam desafios mais difíceis, incluindo pedestres, ciclistas e situações inesperadas.

A Mercedes-Benz oferece um sistema de Nível 3 exclusivo em rodovias para motoristas dos EUA, que está em uso em alguns estados, incluindo Califórnia e Nevada.

A General Motors (GM) disse, em outubro, que traria a direção “sem necessidade de olhar para a estrada” ao mercado em 2028, começando com seu elétrico Cadillac Escalade IQ, que tem preço inicial superior a US$ 125 mil.

A Reuters informou anteriormente que a Stellantis, proprietária da Chrysler, estava arquivando seu programa ADAS de Nível 3 devido aos altos custos, desafios tecnológicos e preocupações sobre o apetite do consumidor.

Os sistemas de assistência ao motorista, que aceleram e freiam automaticamente em certas situações, tornaram-se um ponto focal para as montadoras à medida que buscam gerar receita de assinatura com seus carros nas ruas. A Ford oferece seu sistema BlueCruise de Nível 2 hoje em muitos modelos por cerca de US$ 50 mensais ou um pagamento anual de US$ 495, o que permite que os motoristas fiquem sem as mãos no volante, mas exige que mantenham os olhos na estrada.

A tecnologia de direção assistida também é considerada precursora de carros totalmente autônomos, que analistas dizem que podem desbloquear enormes novos mercados para frotas de transporte por aplicativo, bem como veículos autônomos pessoais.

Field também delineou os planos da Ford para um assistente de inteligência artificial como um aplicativo móvel a ser lançado no início deste ano e como um recurso no veículo no próximo ano. O assistente poderia analisar uma foto de um palete de suprimentos, por exemplo, e calcular a quantidade que caberia em uma picape.

A GM está oferecendo IA conversacional com o Google Gemini a partir deste ano e disse que apresentará seu próprio sistema personalizado mais tarde. A Volkswagen e a Mercedes-Benz também oferecem variações de agentes de IA.

Infomoney - SP   09/01/2026

A General Motors anunciou nesta quinta-feira que assumirá uma baixa â  contábil de US$ 6 bilhões para desmontar alguns investimentos em veículos elétricos, no mais recente anúncio de recuo de montadora na área após queda da demanda em meio às políticas do governo de Donald Trump.

O impacto decorre da redução da produção de carros elétricos em relação ao planejado e das consequências na cadeia de suprimentos, disse a GM. Semanas antes, a Ford Motor fez anúncio semelhante. mas muito maior.

A maior parte da baixa contábil da GM – um encargo em dinheiro de US$ 4,2 bilhões – está relacionada a cancelamentos de contratos e acordos com fornecedores, que haviam planejado volumes de produção muito maiores.

A GM disse que a baixa contábil não afetará a linha atual de cerca de uma dúzia de modelos elétricos nos Estados Unidos. ‘Planejamos continuar a disponibilizar esses modelos para os consumidores’, disse a empresa.

Muitas montadoras dos EUA, incluindo a Ford, têm reduzido a produção de modelos eletrificados desde meados do ano passado. As vendas de veículos elétricos despencaram após a eliminação, em 30 de setembro, de um crédito federal de US$ 7.500 para compradores de veículos elétricos.

Em dezembro, a Ford disse que vai registrar baixa contábil de US$ 19,5 bilhões ao longo de vários trimestres, já que cancelou vários programas de veículos elétricos, incluindo a versão elétrica da picape F-150, além de outra picape e uma van elétricas.

A GM, a maior montadora dos EUA em vendas, fez uma das maiores apostas em veículos elétricos entre as montadoras globais, prometendo, em determinado momento, eliminar gradualmente os carros e picapes movidos a combustão até 2035.

Embora a GM não tenha publicamente voltado atrás na meta de 2035, analistas reduziram drasticamente a previsão de vendas de veículos elétricos do setor para a próxima década nos EUA, o maior e mais lucrativo mercado da GM. A presidente-executiva da GM, Mary Barra, disse que a empresa responderá à demanda dos clientes.

A montadora começou a reduzir alguns investimentos relacionados a veículos elétricos no ano passado. Este mês, a GM interrompeu a produção de baterias para veículos elétricos em duas fábricas por â  seis meses e reduziu â  a produção para um turno em uma fábrica exclusiva para veículos elétricos em Detroit.

A empresa também abandonou planos de outra fábrica de Michigan que estava programada para produzir veículos elétricos e, em vez disso, montará o utilitário Cadillac Escalade e picapes.

As vendas de veículos elétricos da GM caíram 43% no quarto trimestre após o fim do incentivo norte-americano. As vendas atingiram recordes nos três meses anteriores, quando os clientes correram para comprar veículos eletrificados antes do fim do incentivo.

O provedor de dados automotivos Edmunds espera que os veículos elétricos representem cerca de 6% das vendas totais de veículos nos EUA em 2026, ante 7,4% em 2025.

A decisão da Ford, na qual a empresa basicamente eliminou toda a segunda geração planejada de veículos elétricos, resultou em um impacto contábil muito maior. O presidente-executivo da Ford, Jim Farley, disse que foi uma medida dolorosa, mas necessária, à medida que o mercado esfriou.

A Ford está agora depositando suas esperanças no segmento de veículos elétricos em uma arquitetura totalmente nova que permitirá a produção de modelos mais acessíveis, começando com uma picape elétrica de US$ 30 mil em 2027.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS  

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   09/01/2026

A Komatsu – fabricante de equipamentos para os segmentos de mineração, construção e florestal – reforça sua parceria com a Anglo American ao atingir a marca histórica de mais de 110 equipamentos com previsão de estarem em operação dentro do ano de 2026 nas frentes de infraestrutura, carregamento e transporte do empreendimento Minas-Rio.

Esta é a maior operação concentrada de equipamentos da Komatsu em uma única mina em solo brasileiro.

Os destaques da Komatsu no Sistema Minas-Rio este ano são a operação teleremota para os tratores modelo D375Ai-8R com IMC (Controle Automático da Lâmina), que irão atuar na nova planta de filtragem de rejeito e oferecer mais segurança e conforto a operadores e operadoras, além da implantação da nova motoniveladora modelo GD955-7M0 com capacidade de lâmina entre 18ft e 20ft.

As soluções também promovem maior eficiência operacional e impacto ambiental positivo, como o caminhão Diesel Elétrico 830E com pré-disposição para operação autônoma e redução média de consumo de combustível acima de 10%, quando comparado a outros modelos oferecidos no mercado, além da aplicação do sistema de atenuação de som dos caminhões, totalmente focado na redução de ruídos, o que contribui para a saúde e bem-estar dos operadores.

Adicionalmente, a Komatsu irá implementar em 2026, dentro das operações da Anglo American, um Centro de Treinamento com foco na alta capacitação de profissionais que irão operar os novos equipamentos, visando à melhor performance das máquinas e tecnologias atreladas a elas.

“A Komatsu e a Anglo American já possuem uma aliança global e esse novo projeto eleva o nível de colaboração com foco em segurança, inovação, projetos sustentáveis e perenes, sendo esses fortes compromissos e pilares existentes entre as duas empresas. Neste ano que se inicia, teremos mais de 110 equipamentos operando no empreendimento Minas-Rio, sendo 16 deles dedicados para a nova planta de filtragem”, afirma Leonardo Carmo, gerente geral comercial de Mineração de Superfície e Subterrânea da Komatsu.

“Buscamos continuamente tecnologias de ponta para tornar as nossas operações cada vez mais seguras, eficientes e sustentáveis. Essas inovações estão diretamente conectadas à nossa estratégia de longo prazo, focada em reduzir emissões, operar com responsabilidade e gerar valor”, frisa Aurélio Garcia, gerente executivo de Operações de Mina da Anglo American.

No Brasil, a Anglo American também já utiliza as seguintes soluções da Komatsu: DISPATCH, sistema de despacho que otimiza o tráfego e o uso de caminhões nas mineradoras; ProVision, navegação de máquinas com tecnologia que utiliza GPS de alta precisão que ajuda operadores a identificarem áreas de escavação e evitar erros, garantindo aderência ao planejamento; e MineCare, solução preditiva, em tempo real por meio de telemetria, que monitora a saúde das máquinas por sensores, prevenindo falhas e otimizando a produtividade.

Revista Lide - SP   09/01/2026

O setor de máquinas e equipamentos vive um ciclo de renovação no Brasil, impulsionado pelo avanço da construção civil, da infraestrutura logística e do agronegócio — três pilares estratégicos da economia nacional. O segmento movimenta mais de R$ 250 bilhões por ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), e reflete diretamente o ritmo de investimento público e privado em obras, rodovias, energia e produção agrícola.

A crescente demanda por máquinas inteligentes, conectadas e de menor impacto ambiental vem transformando o perfil da indústria, que aposta em eficiência energética e automação como novos diferenciais de competitividade.
Contribuiçãp e liderança

Desde sua chegada ao Brasil em 1954, a Caterpillar tem sido parte essencial dessa história. Pioneira na produção nacional de máquinas pesadas, a empresa fabricou seus primeiros O equipamentos ainda na década de 1960, entre eles, a motoniveladora 12E, utilizada na construção de Brasília e nas grandes rodovias que conectam o país, como Bandeirantes, Imigrantes e Anchieta-Anhanguera.

As máquinas da marca também estiveram presentes nas principais obras de infraestrutura energética do Brasil, incluindo as hidrelétricas de Itaipu, Tucuruí e Jirau, símbolos do avanço tecnológico e da matriz elétrica limpa brasileira.

Hoje, a Caterpillar Brasil emprega cerca de 6.500 colaboradores e fabrica centenas de modelos de equipamentos e motores voltados à construção, mineração, pavimentação, energia e transporte. Suas operações incluem ainda o centro de remanufatura CAT Reman, que recupera componentes usados com eficiência ambiental, e a Progress Rail, dedicada à produção de locomotivas.

Globalmente, a companhia mantém mais de 113 mil funcionários e lidera iniciativas voltadas à redução de emissões, uso de biocombustíveis e digitalização das operações.

Valor - SP   09/01/2026

As máquinas a hidrogênio começaram a ser vendidas no Reino Unido no ano passado e as primeiras entregas estão previstas para o início deste ano

A fabricante inglesa de máquinas da chamada linha amarela JCB planeja trazer, ainda em 2026, modelos movidos a hidrogênio para o Brasil. A ideia é demonstrar o desempenho desses equipamentos aos clientes, sem previsão inicial de vendas. As máquinas a hidrogênio começaram a ser vendidas no Reino Unido no ano passado e as primeiras entregas estão previstas para o início deste ano.

As máquinas da linha amarela são equipamentos pesados, como escavadeiras, rolo compressor, pás carregadeiras e tratores de esteira. Entre os setores que mais utilizam esses equipamentos estão o agronegócio, infraestrutura, mineração e logística.

“Nosso objetivo inicial é mostrar o equipamento ao mercado brasileiro. Não temos planos de vendas no início. Vamos testar o conceito”, diz Adriano Merigli, presidente da JCB no Brasil. “Até porque a grande questão é: quando o hidrogênio vai chegar na bomba? É a questão da infraestrutura (de abastecimento)”, afirma.

Apesar do avanço tecnológico, Merigli diz que o custo é similar à máquina a combustão tradicional. O motor é o mesmo, mudando apenas a injeção. Isso torna o hidrogênio opção mais barata e rápida, a princípio, do que o uso da energia elétrica na linha amarela.

Mas o executivo destaca que o setor tem feito esforços para melhorar os motores a combustão. “Se fala muito da eletrificação e do hidrogênio, mas a melhoria dos motores atuais também traz ganhos importantes para a questão das emissões”, defende.

Quem já teve um mercado de 6 mil máquinas, ter 30 mil unidades não é pouco"

— Adriano Merigli

A JCB fechou 2025 com crescimento em torno de 7% a 8% em volume, dentro da expectativa inicial, que era entre 5% e 10%. Até novembro, o mercado onde a empresa atua acumulava alta de 0,8%, com pouco menos de 30 mil equipamentos entregues. “Então podemos dizer que ganhamos participação onde atuamos.”

O ano passado foi marcado pela queda num segmento importante para o setor: o agronegócio. Mas compensado pelas compras oficiais dos governos (nacional, estaduais e prefeituras). As vendas para o agronegócio caíram 10%. Para construção (que inclui infraestrutura e obras civis), a redução foi de 6% e para as locadoras, de 9%.

Já as compras públicas cresceram 88%, passando de 1,8 mil máquinas em 2024 para cerca de 3,5 mil equipamentos no ano passado. Merigli vê nesses números o que chama de ciclo eleitoral. Em anos de eleições, as vendas públicas caem, sendo compensadas nos anos que não há disputa eleitoral. Então, o resultado de 2025 representa tanto recuperação sobre um ano fraco, que foi 2024, como antecipação das compras de 2026. O segmento de mineração subiu 20% e o industrial/florestal, 14%.

“Mas não há o que reclamar. Quem já teve um mercado de 6 mil máquinas (em 2017), ter um mercado acima das 30 mil unidades não é pouco”, afirma o executivo.

Para 2026, a JCB mantém a estimativa de crescimento entre 5% e 10%. Para o mercado, a previsão é de queda de 5% a alta de 5%. “Acredito mais no menos 5%”, com a retomada do agronegócio, mas menos compras dos governos por conta do calendário eleitoral. E uma aposta forte em saneamento, que vem ganhando espaço na aquisição de máquinas. Somente para um grande cliente de saneamento, a JCB entregou mais de 500 equipamentos no ano passado.

A companhia entra no terceiro ano do plano de dobrar de tamanho em cinco iniciado em 2024. “Nosso plano prevê crescimento mais acelerado a partir do quarto e quinto anos”, conta Merigli. E no segundo ano do ciclo de investimento de R$ 500 milhões até 2030 que sustenta o plano de expansão.

A aposta é no pós-venda e em novos produtos. A meta é ter ao menos um técnico a 200 quilômetros de qualquer máquina da JCB e o estoque de peças cresceu 30% em 2025. Em 2026, a JCB vai entrar em dois novos segmentos e o portfólio deve crescer de 30 para perto de 40 produtos, a maior parte produzida na fábrica de Sorocaba (SP).

A empresa trabalha com cenário de redução da taxa Selic, hoje em 15%, em dois pontos percentuais ao longo de 2026, começando neste primeiro trimestre. Com isso, deve haver maior oferta de crédito pelos bancos. Metade das vendas da JCB são financiadas, 43% à vista e 7%, via consórcio.

Já sobre a eleição presidencial marcada para outubro e o futuro governo, Merigli é pragmático. “A gente acorda e vem trabalhar. Independentemente de quem for (o novo presidente da República).”

NAVAL

Portos e Navios - SP   09/01/2026

Dados divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) revelam que, pelo terceiro ano consecutivo, o Brasil teve, em 2025, superávit em sua balança comercial, de 68,2 bilhões de dólares, o maior montante da série histórica iniciada em 1989. No total, a soma de importações e exportações atingiu no ano 629 bilhões de dólares, dos quais 95% passaram pelos portos.

As vendas para o exterior somaram 348,676 bilhões de dólares, com alta de 3,5% em relação a 2024. Já as importações fecharam o ano com 280,4 bilhões de dólares, valor 6,7% superior ao de 2024 e quase oito bilhões de dólares acima do recorde anterior, de 2022.

O vice-presidente da República e ministro da Indústria, do Comércio e de Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltou que os resultados foram conseguidos graças à conquista de novos parceiros como estratégia para superar as dificuldades nas vendas para os Estados Unidos por causa das sobretaxas a produtos brasileiros impostas pelo presidente americano, Donald Trump. “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirmou.

O balanço do MPor aponta que o setor portuário deve fechar 2025 com movimentação total de 1,34 bilhão de toneladas de cargas e crescimento de 3,25% em relação ao ano anterior. O Porto de Santos, em São Paulo, registrou, de janeiro a outubro, crescimento de 29% na movimentação, atingindo 119,4 milhões de toneladas, enquanto o de Paranaguá, no Paraná, cresceu 13,5%, somando 55,2 milhões de toneladas. No Arco Norte, o Porto do Itaqui, no Maranhão, teve alta de 7,6%, com 31,4 milhões de toneladas, principalmente de grãos e minérios.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, creditou os bons resultados do comércio exterior à infraestrutura portuária nacional, que, segundo ele, se tornou um diferencial competitivo do Brasil. "Estamos dando as condições necessárias tanto para escoar nossa produção ao mercado internacional quanto para receber os insumos e mercadorias que abastecem a indústria e o consumo interno", disse.

CNN Brasil - SP   09/01/2026

A iniciativa dos Estados Unidos de apreender embarcações estrangeiras em águas internacionais viola gravemente o direito internacional, disse o Ministério das Relações Exteriores da China nesta quinta-feira (8).

"A China sempre se opôs a sanções unilaterais ilegais sem a base do direito internacional e sem a autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse a porta-voz do ministério, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa.

Os EUA apreenderam dois navios petroleiros ligados à Venezuela no Oceano Atlântico na quarta-feira (8), um deles navegando sob a bandeira da Rússia.

As duas embarcações apreendidas e abordadas pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (7) estavam ligadas à Venezuela, informou a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.

O presidente Donald Trump ordenou um “bloqueio” de todos os petroleiros de petróleo sancionados que entram e saem da Venezuela em 16 de dezembro.

Casa Branca mantém apreensões

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta quarta (7) que o presidente Donald Trump “não tem medo” de continuar apreendendo petroleiros sancionados, apesar das preocupações de que isso possa aumentar as tensões com a Rússia e a China.

“Ele vai aplicar a nossa política que é a melhor para os Estados Unidos da América”, disse ela a repórteres durante uma coletiva de imprensa. “Isso significa fazer cumprir o embargo contra todas as embarcações da chamada ‘frota fantasma’ que estejam transportando petróleo ilegalmente.”

A porta-voz minimizou o risco de que isso provoque uma escalada entre os EUA e a Rússia, argumentando que Trump mantém um bom relacionamento com o presidente russo, Vladimir Putin.

“Acredito que esses relacionamentos pessoais vão continuar”, afirmou, acrescentando que Trump deixou claro que a apreensão de petroleiros sancionados é “a política desta administração, e ele não tem medo de implementá-la”.

Veja - SP   09/01/2026

A nova infraestrutura portuária prevista para a cidade de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, deve iniciar operações em 2030 e ampliar a capacidade de escoamento de cargas do Sul do país. O TUP Coamo (Terminal de Uso Privado Coamo) projeta movimentar 11 milhões de toneladas por ano de granéis sólidos e líquidos, como soja, milho, fertilizantes e derivados de petróleo e gerar, em 2035, cerca de 117 milhões de reais anuais em receitas públicas. “A implantação de um terminal com perfil voltado ao agronegócio e a insumos industriais gera um efeito que vai muito além do cais. Na prática, as empresas começam a procurar áreas para armazenagem, cross-docking, pátios de triagem, bases operacionais e centros de distribuição, o que aumenta a ocupação e antecipa movimentos de preço, principalmente em regiões onde a oferta de imóveis prontos é limitada”, afirma Douglas Curi, sócio da Sort Investimentos, empresa administra 3,9 bilhões de reais em ativos do gênero.

Portos e Navios - SP   09/01/2026

Balanço divulgado nesta quarta-feira (7) pelo Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) informa que em 2025 o Fundo da Marinha Mercante (FMM) destinou R$ 4,6 bilhões para 524 projetos nos estados do Amazonas e do Pará, na Região Norte. Eles se referem a construção e modernização de embarcações, instalação e melhoria de terminais portuários e de estruturas de docagem e de reparo.

Segundo o Mpor, a avaliação é de que os investimentos têm potencial para gerar 23.774 empregos diretos e têm como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento regional, a ampliação da indústria naval local e o uso das hidrovias. De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a destinação de recursos do Fundo da Marinha Mercante para a Regão Norte faz parte da estratégia para ampliar a eficiência logística.

Ele definiu o FMM como instrumento central da política pública para o setor aquaviário e disse que os aportes na Região Norte visam fortalecer a navegação interior e ampliar a capacidade logística. “Com o Fundo, promovemos desenvolvimento econômico com geração de empregos e integração regional”, afirmou.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   09/01/2026

Um levantamento inédito sobre a renda gerada pelas petrolíferas por meio de compensações financeiras (royalties e participações especiais) e pagamento de tributos revela que a aceleração da produção na Bacia de Santos fortalece o caixa dos municípios paulistas, mas não altera a liderança do Estado do Rio de Janeiro. Oito dos dez principais beneficiários são prefeituras fluminenses.

O diagnóstico, elaborado pelo Programa Macrorregional de Caracterização de Rendas Petrolíferas (PMCRP), e antecipado com exclusividade ao Estadão/Broadcast, revisou 14 anos de produção nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Nos três primeiros municípios do ranking, as receitas petrolíferas representaram, em 2024, mais de 35% do orçamento público.

O litoral fluminense abrange campos do pré-sal da Bacia de Santos e do pós-sal da Bacia de Campos, as duas maiores fronteiras de produção do País. “A migração da produção para Santos trouxe mais receita para as cidades de São Paulo, mas Campos ainda exerce influência nessa distribuição regional”, destaca a coordenadora do projeto, Paula Araújo.

Em 2010, a Bacia de Santos, que abrange os litorais do Rio, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, respondia por apenas 3% da produção nacional em 2010. Após se tornar a principal área de exploração em 2018, sua fatia chegou a 77% em 2024, alta de 2,84 p.p. ante 2023. Já a participação da Bacia de Campos na produção recuou para 20,30%, queda anual de 3,12 pontos, refletindo nas esferas municipais.

O levantamento mostra que, em alguns casos, a participação da renda petrolífera caiu 50%. “Isso não significa menor dependência, mas que os municípios apenas passaram a receber menos diante das estratégias das operadoras”, acrescenta.
Dados

O estudo, conduzido pela Fundação Instituto de Administração (FIA), atende a uma condicionante do licenciamento ambiental federal coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e foi financiado pela Petrobras.

A caracterização contempla 63 municípios influenciados por empreendimentos da Brava Energia, BW Energy, Equinor, Karoon, Perenco, Petrobras, Prio, Shell, TotalEnergies, Trident Energy e avalia 49 indicadores distribuídos em 14 perguntas-chave.

Conforme Araújo, compreender quanto dos orçamentos municipais está ligado ao pagamento de tributos pelo setor ainda é um desafio.

“São aspectos que esbarram no sigilo fiscal das prefeituras, mas importantes para a comparabilidade de alguns dados e para que a população entenda a composição das receitas dos locais onde mora”, explica a pesquisadora da FIA.

Também faltam informações sobre empréstimos municipais lastreados em “royalties futuros”. “São operações prevista na Lei 13.609/2018, mas que expõem os cofres locais ao risco da volatilidade da commodity e da queda abrupta da arrecadação”, sustenta Araújo.

Ainda na consolidação dos dados, o PMCRP detectou uma divergência de R$ 1,6 bilhão nos valores de participações especiais informados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “Não houve perda para os entes, mas o caso expõe fragilidades na divulgação de números tão sensíveis”, afirma a pesquisadora.

Quanto à criação de fundos soberanos, Araújo vê o cenário com preocupação, já que só Maricá, Niterói, Ilhabela, Saquarema e o Estado do Espírito Santo contam com o mecanismo. “São recursos finitos, vinculados ao mercado internacional e às estratégias empresariais. As cidades que não se prepararem sofrerão quando a arrecadação diminuir.”

Novos relatórios para detalhar o uso das receitas e iniciativas para reduzir a dependência do petróleo estão previstos para 2026, dentro do PMCRP.

Investing - SP   09/01/2026

Dados mostrando uma redução semanal maior que o esperado nos estoques de petróleo dos EUA também ajudaram os preços do petróleo, enquanto as hostilidades contínuas entre Rússia e Ucrânia mantiveram algum prêmio de risco em jogo.

Os futuros do petróleo Brent para março subiram 0,7% para US$ 60,38 por barril, enquanto os futuros do petróleo West Texas Intermediate subiram 0,7% para US$ 56,28 por barril às 01:25 (horário de Brasília). Ambos os benchmarks caíram mais de 1% por duas sessões consecutivas.

Acordo EUA-Venezuela em foco após Trump mencionar venda de US$ 3 bilhões

Os mercados de petróleo estavam totalmente focados em como um novo acordo entre os EUA e a Venezuela afetará o fornecimento global.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que a Venezuela entregará entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo a Washington, no valor de até US$ 3 bilhões, poucos dias após as forças americanas capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Trump foi visto convidando várias empresas petrolíferas americanas para estabelecer produção na Venezuela, com a Chevron Corp (Nova York:CVX) vista na vanguarda desse esforço. A Reuters informou que a Chevron estava negociando uma expansão em sua licença para operar no país latino-americano.

A empresa é atualmente a única grande petrolífera americana com operações na Venezuela e possui autorização especial do governo que a isenta de sanções rigorosas contra o país.

Os mercados temem que um aumento acentuado na produção venezuelana impulsione ainda mais o fornecimento global. Essa noção surge em meio a preocupações sustentadas sobre um excesso de oferta de petróleo em 2026.

Mas analistas disseram que qualquer aumento no fornecimento venezuelano provavelmente levaria tempo, dada a instabilidade política elevada no país após a incursão dos EUA.

Um relatório do Financial Times disse que as empresas petrolíferas americanas estavam buscando "garantias sérias" de Washington antes de investirem na Venezuela.

Estoques de petróleo dos EUA diminuem mais que o esperado

Dados do governo divulgados na quarta-feira mostraram que os estoques de petróleo dos EUA diminuíram em 3,8 milhões de barris na semana até 2 de janeiro, superando as expectativas de uma redução de 1,2 milhão de barris.

A queda foi quase o dobro da redução de 1,9 milhões de barris observada na semana anterior, e ajudou a estimular alguma confiança de que a demanda no maior consumidor de combustível do mundo permanecia forte.

O foco desta semana está em uma série de dados econômicos importantes dos EUA, principalmente os dados de folha de pagamento não agrícola de dezembro, previstos para sexta-feira. O relatório provavelmente influenciará as expectativas para as taxas de juros.

Globo Online - RJ   09/01/2026

Três navios fretados pela petroleira americana Chevron seguem em direção aos Estados Unidos transportando petróleo venezuelano, nesta quinta-feira, de acordo com informações do portal de notícias AFP, baseadas em dados de rastreamento marítimo. A operação ocorre em meio às sanções impostas por Washington contra Caracas e a um bloqueio naval que afeta petroleiros vinculados ao governo venezuelano, mas não alcança embarcações contratadas pela empresa americana.

Outros dois petroleiros contratados pela empresa estavam ancorados no porto da refinaria de Bajo Grande, no oeste da Venezuela, na quinta-feira, enquanto seis outros se dirigiam ao país sul-americano, de acordo com informações divulgadas pela Bloomberg. No contexto de suas remessas regulares de petróleo para os Estados Unidos, a Chevron fretou esses navios, sendo a única empresa americana que atua na Venezuela.

O presidente americano, Donald Trump, assegurou, na terça-feira, que Caracas entregaria aos Estados Unidos entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo "sob sanções".

O bloqueio naval imposto por Washington aos petroleiros sancionados vinculados à Venezuela provoca um acúmulo de petróleo nos tanques do país, advertiram analistas da plataforma especializada Kpler. O bloqueio não afeta os navios fretados pela Chevron.

De acordo com a Bloomberg, um dos petroleiros contratados, o "Ionic Anassa", foi avistado navegando em frente a Cuba, a caminho do porto de Pascagoula, no Mississippi, após ser carregado em Bajo Grande no dia 4 de janeiro.

Na quinta-feira, o "Nave Photon" encontrava-se ao norte de Caracas, após ter chegado ao terminal de José, localizado no leste do país, no dia 5 de janeiro. O "Mediterranean Voyager" o acompanhava de perto. Ambos têm como destino o porto de Freeport, no Texas. E em Bajo Grande, estavam outros dois navios: o "Minerva Gloria" e o "Searuby". E outros seis, aparentemente desocupados, seguiam para a Venezuela.

De acordo com a mais recente estimativa da Kpler, fundamentada em imagens de radar do dia 30 de dezembro, as reservas de petróleo bruto na Venezuela ultrapassam os 22 milhões de barris, o que representa aproximadamente metade da capacidade de armazenamento do país.

Os volumes de armazenamento chamados de "flutuantes" também crescem. De acordo com uma análise de satélite da Kpler, na quinta-feira havia mais de 16 milhões de barris de petróleo sob sanções armazenados em petroleiros usados como depósitos temporários.

Ao ser questionada sobre o assunto, a Chevron não comentou sobre as suas operações.

Globo Online - RJ   09/01/2026

As americanas Exxon Mobil e ConocoPhillips lideram a lista de empresas petrolíferas com grandes reivindicações financeiras contra a Venezuela, cujo presidente, Nicolás Maduro, foi capturado por forças dos Estados Unidos no fim de semana, em Caracas. As companhias estrangeiras de petróleo lutam há duas décadas para serem indenizadas por terem sido forçadas a deixar o país durante o governo do antecessor de Maduro, Hugo Chávez.

A empresa tinha investimentos substanciais em projetos de petróleo no centro e no leste da Venezuela, bem como na costa do país. Órgãos internacionais de arbitragem decidiram repetidamente a favor da Conoco, mas transformar essas decisões em dinheiro tem sido muito difícil.

A Exxon Mobil afirmou em documentos regulatórios que recebeu indenizações de US$ 908 milhões relacionadas ao seu investimento no Projeto Cerro Negro, no leste da Venezuela, e de US$ 260 milhões em compensação ligada ao Projeto La Ceiba, em um porto da região central do país.

Mas outro laudo arbitral, no valor de US$ 1,4 bilhão, foi anulado no Centro Internacional para a Solução de Controvérsias sobre Investimentos. A Exxon apresentou uma nova reivindicação para restaurar a decisão, mas essa e a grande maioria de suas reivindicações permanecem sem pagamento.

A Exxon Mobil também não respondeu a pedidos de comentário.

A Venezuela contestou muitas das reivindicações de empresas petrolíferas estrangeiras e afirmou que deve muito menos ou nada.

Empresas petrolíferas dos EUA e da Europa vêm conversando com o governo Trump sobre os próximos passos na Venezuela. Mas novos investimentos representam desafios significativos devido à instabilidade política criada pela captura de Maduro.

Na quarta-feira, autoridades do governo Trump disseram que o governo dos EUA assumiria indefinidamente o controle das vendas de petróleo venezuelano, dentro de um acordo que está sendo negociado com o país.

O dinheiro dessas vendas será usado para “estabilizar a economia da Venezuela”, disse o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, à C-SPAN. Somente depois a receita seria usada para compensar as empresas petrolíferas americanas por suas reivindicações contra a Venezuela, afirmou.

Ainda assim, os investidores permanecem cautelosos. Até agora nesta semana, as ações da Exxon Mobil e da Chevron caíram mais de 5%, enquanto os papéis da ConocoPhillips recuaram mais de 7%.

Mesmo antes de o governo Trump capturar Maduro, o custo de restaurar a produção de petróleo da Venezuela já seria elevado. O Banco Interamericano de Desenvolvimento, principal fonte de financiamento ao desenvolvimento na América do Sul e no Caribe, estimou em 2020 que seriam necessários US$ 10 bilhões por ano, ao longo de uma década, para restaurar a produção petrolífera venezuelana.

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