Diário do Comércio - MG 08/01/2026
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição, por parte da Ternium Investments, da totalidade das ações de emissão da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) sob controle da Nippon Steel Corporation e da Mitsubishi Corporation, que compõem o Grupo NSC. O acordo, firmado em julho de 2023, definiu um preço por ação de aproximadamente US$ 2,06.
A operação envolve a alienação de 153.135.207 ações de propriedade do Grupo NSC. Esses papéis representam 31,67% do total das ações vinculadas e 21,71% do total de ações ordinárias de emissão da companhia siderúrgica.
Vale destacar que tanto a Previdência Usiminas (PU), responsável pela administração dos benefícios previdenciários dos empregados da companhia, quanto os demais membros do Grupo Ternium (Ternium Argentina S.A., Prosid Investments S.A. e Confab Industrial S.A.) deram seus respectivos consentimentos à operação, sem exercício do direito de preferência.
De acordo com fato relevante divulgado pela Usiminas em novembro de 2025, o Grupo Ternium passará a deter uma participação relativa de aproximadamente 92,95% das ações vinculadas ao Acordo de Acionistas, enquanto a Previdência Usiminas manterá seus 7,05% de participação. Além disso, o grupo também controlará 71,02% das ações ordinárias de emissão da siderúrgica mineira.
“Como resultado da operação, o Grupo NSC deixará de fazer parte do grupo de controle e do Acordo de Acionistas da companhia. Os direitos e as obrigações da PU previstos no Acordo de Acionistas, incluindo direitos de voto e indicação, não serão alterados”, pontua.
Na época, a Ternium havia informado à companhia que o investimento adicional que a operação representa reforçaria ainda mais seu compromisso com a Usiminas e o mercado siderúrgico brasileiro. De acordo com a empresa, o objetivo é seguir trabalhando para levar a companhia ao seu pleno potencial. A companhia ainda afirma que está comprometida em aprimorar sua competitividade e valor, no melhor interesse da Usiminas e de todos os seus stakeholders, ou demais interessados.
Já em um comunicado ao mercado, divulgado nesta quarta-feira (7), a Usiminas afirma que manterá seus acionistas e o mercado em geral informados a respeito dos demais andamentos relevantes relacionados a essa operação. “Especialmente no que se refere ao cumprimento das demais condições precedentes e ao subsequente fechamento da operação”, completa.
Novo diretor de finanças e RI da Usiminas
A Usiminas terá, a partir de 1º de fevereiro, um novo diretor vice-presidente de finanças e relações com investidores (RI). O novo ocupante do cargo será Diego Eduardo García, que atua como membro do Comitê de Auditoria Estatutário da companhia desde 2022. Ele substituirá o atual diretor Thiago da Fonseca Rodrigues, que apresentou sua renúncia ao cargo no ano passado, por razões pessoais.
García também já ocupou o cargo de diretor sênior de tesouraria global da Ternium entre os meses de julho de 2018 e maio de 2022 e, desde então, atua como diretor financeiro sênior da Ternium Brasil.
Valor - SP 08/01/2026
Uma opção em discussão prevê que a Jindal assuma uma participação majoritária na TKSE, provavelmente 60%, em uma primeira etapa, com os 40% restantes adquiridos posteriormente
A alemã Thyssenkrupp pode vender sua siderúrgica para a indiana Jindal Steel International em várias etapas, disseram quatro pessoas familiarizadas com as negociações, enquanto os dois lados tentam fechar um acordo para o complexo negócio.
A Jindal Steel vem realizando uma diligência prévia na Thyssenkrupp Steel Europe (TKSE) desde outubro, após fazer uma oferta preliminar pela segunda maior siderúrgica da Europa. O acordo é fundamental para a Thyssenkrupp, à medida que o grupo, que fabrica de submarinos a autopeças, busca se tornar mais enxuto e focado.
Uma opção em discussão prevê que a Jindal assuma uma participação majoritária na TKSE, provavelmente 60%, em uma primeira etapa, com os 40% restantes adquiridos posteriormente em duas parcelas de 20% ou de uma só vez, dependendo do progresso na reestruturação, disseram as pessoas.
Uma transação em fases daria à Thyssenkrupp mais flexibilidade para lidar com cerca de 2,5 bilhões de euros em passivos previdenciários ligados à TKSE, um grande obstáculo em tentativas de venda anteriores, disse uma das pessoas.
Detalhes de como uma aquisição gradual poderia ser estruturada e seu impacto nas obrigações de dívida não haviam sido relatados anteriormente. A diligência está em andamento e os termos ainda podem mudar, disseram as fontes.
As ações da Thyssenkrupp subiam 5,38% na Bolsa de Frankfurt, após a reportagem da Reuters, com um operador comentando que a venda da TKSE estava “ficando mais concreta após anos sem encontrar comprador”.
Delegação da Jindal Steel deve visitar a Alemanha em janeiro
A venda da TKSE encerraria anos de esforços para encontrar um comprador para um ativo que, embora central na herança industrial da Alemanha, tem sido volátil e custoso de operar em meio à concorrência asiática mais acirrada.
Para a Jindal Steel International, braço siderúrgico internacional do grupo Naveen Jindal, isso marcaria uma grande expansão na Europa após a compra da concorrente tcheca menor Vitkovice Steel em 2024.
A Thyssenkrupp disse em comunicado que todos os aspectos da transação, incluindo valores, obrigações e investimentos futuros, seriam discutidos durante a diligência e quaisquer negociações contratuais.
“Não podemos comentar declarações individuais, que neste estágio podem representar apenas um status provisório”, disse a empresa.
A Jindal Steel International não fez comentários imediatos.
Uma segunda fonte disse que uma delegação da Jindal estava agendada para visitar a Alemanha em janeiro para uma revisão técnica da fábrica da TKSE em Duisburg, após uma viagem planejada para dezembro ter sido adiada.
Uma aquisição em fases também manteria a Thyssenkrupp envolvida na reestruturação da TKSE, disse uma terceira fonte.
O diretor-presidente da Thyssenkrupp, Miguel Lopez, disse no mês passado que a Jindal Steel era um “encaixe ideal” para a TKSE, acrescentando que um plano de reestruturação abrangente para cortar empregos e capacidade despertou o interesse do grupo indiano.
Lopez afirmou que a Thyssenkrupp ainda tinha um plano B caso as conversas com a Jindal Steel International fracassem, sem dar detalhes.
Agência Brasil - DF 08/01/2026
O Brasil registrou em 2025 a segunda maior saída líquida de dólares da série histórica, iniciada em 1982, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quarta-feira (7) pelo Banco Central (BC). O fluxo cambial total ficou negativo em US$ 33,316 bilhões, volume inferior apenas ao registrado em 2019, quando a saída somou US$ 44,768 bilhões.
Apesar do resultado expressivo, o real se valorizou ao longo do ano, sustentado por juros elevados no país e pela queda do dólar no mercado internacional.
O desempenho negativo foi provocado principalmente pelo canal financeiro, que acumulou saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, a segunda maior da série histórica, atrás apenas de 2024. Esse canal inclui investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucros, pagamento de juros e outras operações financeiras.
Já o canal comercial apresentou entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, insuficiente para compensar a forte evasão financeira. O saldo positivo ficou abaixo do pico registrado em 2007 e também menor que o observado em 2024.
Importações
Segundo o BC, o principal fator para a menor entrada de dólares pela via comercial foi o avanço das importações. O volume de câmbio contratado para compras externas alcançou US$ 238 bilhões, o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2022.
As exportações somaram US$ 287,5 bilhões no ano. Diferentemente da balança comercial, que inclui apenas exportações e importações já realizadas, o fluxo cambial inclui operações como pagamentos antecipados e adiantamentos de contrato de câmbio.
Apreciação do real
Mesmo com a saída expressiva de dólares no mercado à vista, o real apreciou-se em 2025. Os juros elevados no Brasil e o enfraquecimento global do dólar estimularam posições favoráveis à moeda brasileira no mercado de derivativos (ativos que derivam de outros ativos), compensando o fluxo cambial negativo.
O Banco Central, por sua vez, teve atuação limitada no mercado à vista, realizando apenas duas intervenções de US$ 1 bilhão cada, por meio do mecanismo conhecido como “casadão”. Nessas operações, o BC vende dólares das reservas internacionais, combinando com swaps cambiais reversos, compra de dólares no mercado futuro, na mesma quantia. O casadão permite que a autoridade monetária alivie a taxa de juros em dólar, sem mexer no câmbio.
Saída em dezembro
Em dezembro, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 13,562 bilhões, valor inferior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída chegou a US$ 27 bilhões. O resultado refletiu uma saída de US$ 20,982 bilhões pela conta financeira, parcialmente compensada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.
Tradicionalmente, dezembro concentra remessas ao exterior para pagamento de dividendos. Em 2025, os envios foram intensificados por empresas e investidores que buscaram se antecipar ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que passou a ser tributada a partir de janeiro de 2026.
Prévia
As relações monetárias e financeiras entre residentes e não residentes são medidas pelo balanço de pagamentos, divulgado no fim de cada mês pelo Banco Central. O fluxo cambial, no entanto, funciona como uma prévia dos números, ao contabilizar adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados.
O fluxo cambial é composto de duas partes: o fluxo comercial, que mede o fechamento de câmbio para exportações e importações, e o fluxo financeiro, que mede investimentos em empresas, empréstimos e transações no mercado financeiro. Os dados do Banco Central mostram que, no ano passado, a fuga de dólares ocorreu no canal financeiro.
Exame - SP 08/01/2026
A economia brasileira deve seguir em ritmo de desaceleração em 2026, mas riscos como o cenário da economia nos Estados Unidos, a piora da percepção fiscal pelo mercado em um ano eleitoral e a inevitável necessidade de ajuste fiscal para 2027 podem agravar o resultado.
A maioria das projeções aponta para um crescimento econômico entre 1,5% e 1,8% no próximo ano. Para 2025, a estimativa é de alta de 2,3%. O dado consolidado será divulgado em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para a inflação, analistas e instituições financeiras projetam um IPCA próximo de 4% em 2026 , abaixo do teto da meta, que é de 4,5%. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%.
Em relação à Selic, a expectativa do mercado é que o ciclo de queda de juros comece nesse primeiro semestre. A estimativa é que a taxa de juros cairá de 15% para até 12,25% no fim deste ano.
"O Banco Central vem praticando uma política fiscal contracionista intensa para compensar enormes impulsos fiscais que aconteceram nos primeiros dois anos do terceiro mandato do presidente Lula", afirma Samuel Pessôa, economista e pesquisador associado do FGV Ibre e do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).
Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), os gastos federais aumentaram R$ 344 bilhões entre 2023 e o fim de 2025, alcançando R$ 2,4 trilhões no ano passado.
Em relatórios de dezembro, a IFI e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) avaliaram que a política de gastos do governo Lula é insustentável.
"Nesse terceiro mandato de Lula, a dívida pública vai crescer 10% do PIB, com um crescimento médio de 2,5%. A grande preocupação é o fiscal", diz Pêssoa.
Para ele, o maior risco à economia em 2026 é interno, ligado ao desequilíbrio fiscal estrutural e aos sinais que serão dados durante as eleições.
"Existe a possibilidade de uma disputa eleitoral agressiva como a de 2014. Esse tom pode sinalizar uma deterioração fiscal ainda maior para o próximo mandato", afirma.
O economista alerta que esse cenário pode gerar fuga de capitais e forte desvalorização do real, com impacto direto na inflação.
"Se o real se desvaloriza muito, inicia-se um processo inflacionário. A inflação não será de 4,2%, mas pode chegar a 5,5%. Com desvalorização de 10%, o IPCA pode atingir até 6% ou mais", afirma.
Com o alto comprometimento financeiro das famílias e os juros elevados afetando pequenas e médias empresas, Pêssoa acredita em uma possível reversão cíclica mais intensa, com um risco de recessão econômica.
"Podemos entrar em uma recessão mais profunda com inflação. Uma recessão com preços subindo. Esse é o cenário de risco que enxergo hoje", diz.
Risco EUA
Outro ponto de atenção vem dos Estados Unidos. Segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, os efeitos da política externa do ex-presidente Donald Trump, como a guerra tarifária, devem impactar a economia americana e, por tabela, o Brasil.
"Os Estados Unidos vivem um cenário de desaceleração. Com as ações de Trump, a atividade econômica vai se ressentir. É uma economia que trará risco para todos", afirma.
Uma desaceleração mais intensa da economia americana pode afetar diretamente as exportações brasileiras, por exemplo, já que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, e, em um cenário de ritmo econômico lento, diminuiriam o ritmo de importação.
Vale pondera que China e Europa, também em ritmo fraco, não devem representar riscos maiores ao Brasil.
Fator 2027
Diversas instituições financeiras estimam que o Brasil precisará de um ajuste fiscal de 3% a 4% do PIB — algo em torno de R$ 400 bilhões — que precisaria ser feito a partir de 2027.
Esse cenário já preocupa 2026, com a dívida pública podendo alcançar 84% do PIB até o fim do ano, segundo Vale.
"É uma dívida elevada, cara, com déficit alto. Para fazê-la cair, seria necessário gerar um superávit primário que não será trivial", diz.
Na visão do economista da MB Associados, o cenário fiscal já está deteriorado pelos gastos já realizados, uma vez que o espaço para novas medidas do governo Lula se esgotou.
O economista aponta que os principais estímulos já foram adotados: isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, aumento do salário mínimo, vale gás e isenção na conta de luz para a população de baixa renda, entre outros.
"O governo tem pouca margem para grandes mudanças neste ano, tanto pelo espaço legislativo quanto pelas ações já adotadas em 2025", diz.
Na mesma linha, Pêssoa lembra que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2022, conseguiu aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição que criou espaço fiscal para ampliar gastos em ano eleitoral. Isso só foi possível, segundo ele, pelo apoio que Bolsonaro mantinha no Congresso.
"Bolsonaro aprovou uma PEC. Não consigo ver Lula fazendo o mesmo este ano. Ele não tem maioria no Congresso. Por isso, o pacote da reeleição já foi entregue. Não espero novas medidas", diz.
O Estado de S.Paulo - SP 08/01/2026
A crítica formulada pelo Ministro do Tribunal de Contas da União, Jonathan de Jesus, ao questionar medidas interventivas do Banco Central, aparenta desconhecer o núcleo duro do Direito Público e o regime jurídico do Sistema Financeiro Nacional.
A leitura apresentada inverte prioridades, fragiliza a proteção coletiva e, em última análise, coloca interesses particulares acima da ordem econômica constitucionalmente protegida — algo juridicamente inadmissível.
1. A Constituição impõe atuação firme e preventiva
A ordem econômica, segundo a Constituição Federal, tem por finalidade assegurar existência digna e justiça social, devendo observar a defesa do consumidor, a livre concorrência e a redução de riscos sistêmicos (art. 170, caput e incisos).
Além disso, o Sistema Financeiro Nacional deve ser organizado “de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade” (art. 192).
Portanto, quando o Banco Central atua para evitar colapsos bancários, protege depósitos, preserva a liquidez e impede contágio sistêmico, cumpre mandato constitucional — não um ato discricionário isolado.
2. Banco Central: dever jurídico, não faculdade política
A lei estrutural do Sistema Financeiro (Lei nº 4.595/1964) é expressa:
compete ao Banco Central assegurar o regular funcionamento do sistema financeiro (art. 10 e seguintes);cabe-lhe exercer fiscalização, intervenção e medidas corretivas quando instituições representarem risco ao mercado e aos depositantes (art. 44 e correlatos).
Mais recentemente, a Lei Complementar nº 179/2021 reforçou a responsabilidade institucional do Banco Central ao fixar, como objetivos:
estabilidade de preços;solidez e eficiência do sistema financeiro;mitigação de riscos sistêmicos (art. 1º).
Não há zona cinzenta: a legislação obriga a atuação tempestiva e prudencial. Inércia seria, aí sim, ilícito administrativo.
3. Regimes especiais: prevenção, não remediação tardia
As intervenções e liquidações extrajudiciais não surgem ao acaso. São disciplinadas por marco legal específico (Lei nº 6.024/1974), que autoriza a adoção de medidas severas quando constatados indícios de insolvência, má gestão ou risco sistêmico.
O regime jurídico é claro: age-se antes do colapso, para proteger o conjunto da sociedade. Questionar esse modelo equivale a defender um sistema que intervém somente depois do desastre — precisamente o oposto do que exige o Direito Público contemporâneo.
4. Marcos prudenciais: padrão internacional e dever de Estado
As práticas prudenciais adotadas pelo Banco Central — inclusive decorrentes dos acordos Basileia II e III, internalizados por resoluções do CMN — impõem:
exigências de capital mínimo;controle de liquidez;limites de exposição a risco;monitoramento contínuo de solvência.
Essas normas não são “opções regulatórias”; são obrigações internacionais incorporadas ao ordenamento, exatamente para evitar crises bancárias em cadeia.
Ignorá-las, como sugere a crítica do Ministro, é desconsiderar décadas de evolução institucional.
5. O limite jurídico do controle externo
O TCU exerce controle de legalidade, legitimidade e economicidade. Contudo, não lhe cabe substituir o juízo técnico prudencial da autoridade monetária.
Quando o controle externo tenta refazer o mérito regulatório, avança sobre a separação funcional e cria interferência incompatível com:
a Constituição;a Lei 4.595/1964;a LC 179/2021.
Mais grave: a demora decorrente desse tipo de ingerência pode gerar perdas irreversíveis — algo que o próprio regime jurídico busca evitar.
Outrossim, como é cediço, o Tribunal de Contas da União – TCU exerce controle relevante, mas possui natureza institucional generalista.
A atuação do TCU abrange múltiplas políticas públicas, orçamentos e contratos, sem vocação técnica específica para decidir, em substituição às autoridades setoriais, sobre riscos macroprudenciais, solvência bancária ou contágio sistêmico.
Pretender que um órgão de controle refaça — em chave retrospectiva e fora do tempo próprio — decisões tomadas sob elevada complexidade e urgência técnica significa deslocar o locus de responsabilidade, desfigurando o modelo constitucional de regulação financeira.
É precisamente por isso que a expertise e a independência do Banco Central devem ser respeitadas.
A autoridade monetária opera com informações sensíveis, modelos de risco sofisticados e protocolos prudenciais que não se prestam à reavaliação casuística por órgãos não especializados.
Quando o controle externo ultrapassa a fronteira da legalidade e tenta substituir o juízo técnico, instala-se uma perigosa confusão institucional: o controle passa a governar e o regulador passa a se justificar por agir.
Esse movimento representa uma completa inversão do raciocínio jurídico — enfraquece a proteção coletiva, expõe o sistema financeiro e compromete a própria racionalidade do Estado regulador.
6. O Relator desloca o TCU para um lugar que ele não ocupa no sistema constitucional
Quando o Relator tenta submeter o mérito das intervenções do Banco Central ao crivo do TCU — indo além do controle de legalidade, legitimidade e economicidade procedimental — ele leva o Tribunal para uma zona que não lhe pertence:
transforma controle externo em órgão de decisão regulatória;tensiona a separação funcional entre controle e regulação;enfraquece o dever constitucional do Banco Central de agir com rapidez e independência.
Essa expansão interpretativa não tem sustentação sólida nos precedentes. É, portanto, juridicamente arriscada — e institucionalmente corrosiva.
7. O risco concreto: insegurança regulatória e paralisia decisória
Consideramos, s.m.j., que a posição do Relator projeta duas consequências graves:
efeito inibidor sobre o Banco Central: se cada intervenção puder ser reavaliada como se fosse política pública ordinária, a autoridade monetária passa a agir sob medo de sanções futuras — o que é incompatível com decisões que exigem urgência e sigilo técnico;mensagem equivocada ao mercado: o sistema financeiro passa a perceber que decisões prudenciais podem ser reabertas por um órgão não especializado. Resultado: perda de confiança, aumento de risco e encarecimento do crédito.
Em matéria financeira, dúvida institucional não é academicismo — é custo real.
8. É um posicionamento temerário, em termos jurídicos?
Porque inverte o raciocínio correto: o interesse público protegido pelo Banco Central — estabilidade, proteção de depositantes e mitigação de riscos — não pode ser subalternizado a revisões casuísticas feitas depois do fato consumado.
O Relator, ao expandir o alcance do controle, ignora:
a expertise técnica do Banco Central;o regime legal que lhe atribui atuação preventiva;a natureza generalista do TCU, que não substitui o regulador.
Isso não é simples divergência interpretativa. É um movimento que põe em xeque a arquitetura institucional construída justamente para evitar crises bancárias, porque:
ultrapassa o limite do controle externo;fragiliza a independência do Banco Central;incentiva a judicialização ex post de decisões técnicas;cria risco sistêmico desnecessário.
9. A inversão inaceitável: interesses privados acima da coletividade
As objeções apresentadas terminam por privilegiar interesses isolados de acionistas ou gestores, como se o Estado estivesse juridicamente obrigado a blindá-los contra consequências de má gestão.
O Direito Público, entretanto, estabelece o contrário: o interesse público prevalece sobre conveniências individuais, sobretudo quando se trata de:
proteção de depositantes;estabilidade do crédito;preservação da confiança no sistema bancário.
A crítica do Ministro, ao deslocar o foco para eventuais desconfortos privados, ignora a função social do sistema financeiro.
10. A crítica erra o alvo e afronta a lógica do sistema
A posição do Ministro Jonathan de Jesus desconsidera dispositivos constitucionais expressos, ignora a legislação específica do Sistema Financeiro Nacional e subestima os marcos prudenciais que o Brasil se comprometeu a observar.
Não se trata de “excesso do Banco Central”; trata-se de dever constitucional e legal.
Intervir para proteger o sistema financeiro não é abuso — é responsabilidade. O verdadeiro risco institucional nasce quando se tenta politizar o que, por natureza, é técnico, relativizando a supremacia do interesse público.
O Direito Público brasileiro é categórico: diante da ameaça à ordem econômica e à segurança dos poupadores, prevalece a coletividade. Esquecer isso não é apenas equívoco teórico; é flerte com a instabilidade.
Infomoney - SP 08/01/2026
Os contratos futuros de minério â de ferro subiram nesta quarta-feira, atingindo o valor mais alto em vários meses, impulsionados pela esperança de aumento da demanda na China após a promessa de Pequim de afrouxar a política monetária este ano.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com alta de 4,09%, a 828 iuanes (US$118,46) a tonelada, maior valor desde 23 de julho.
China sobe o tom contra os EUA sobre a Venezuela e fala em “ato de intimidação”
Washington mira aliados de Caracas enquanto Pequim defende interesses no país; analistas afirmam que chineses “não podem parecer fracos”
O minério de ferro de referência para fevereiro na Bolsa de Cingapura avançava 2,47%, a US$109,1 a tonelada, alcançando o patamar mais alto desde 21 de fevereiro.
O banco central da China disse na terça-feira que as taxas de compulsório e de juros em 2026 para manter a liquidez ampla e continuar a implementar uma política monetária adequadamente frouxa.
As esperanças de cortes nas taxas por parte de Pequim nos próximos meses impulsionaram o sentimento geral no mercado de ferrosos, sustentando as altas de preços em todo o complexo, disseram analistas.
A expectativa de reabastecimentos por parte â das usinas siderúrgicas â chinesas que estão com estoques baixos antes do Ano Novo Lunar, em fevereiro, também deu suporte aos preços do principal ingrediente siderúrgico.
Outros ingredientes de fabricação de aço na Bolsa de Dalian também subiram, com o carvão metalúrgico e o coque subindo quase 8%, atingindo os limites permitidos pela bolsa.
‘O salto nos preços do carvão foi impulsionado principalmente pela rotação de fundos e pela melhora do sentimento macroeconômico em meio a sinais positivos nas políticas’, disse Guo Chao, analista da corretora Galaxy Futures, com sede em Xangai.
Infomoney - SP 08/01/2026
As ações da Vale (VALE3) registram um início de 2026 bastante positivo, com alta acumulada de 5% nos três primeiros pregões do ano, muito atribuído à resiliência do minério de ferro.
O Bradesco BBI destaca a melhora dos fundamentos macro e microeconômicos para a commodity, enquanto a promessa da China de afrouxar política monetária também impulsionou os ganhos da commodity. Assim, o BBI segue com preferência pela Vale (VALE3) em relação às siderúrgicas.
Além disso, conforme ressalta a XP, as exportações do Brasil de minério de ferro em dezembro de 2025 aumentaram 17% na base mensal e +32% anualmente, com volumes subindo em geral, com destaques para Porto de Itaguaí, Corumbá e Tubarão. Isso traz um sinal positivo para a mineradora.
Porém, além do minério, uma outra commodity tem trazido otimismo do mercado sobre a Vale, conforme destaca análise recente do BTG Pactual.
Conforme apontam os analistas, as últimas semanas trouxeram um movimento de preços favorável para um ativo esquecido e atrasado: o níquel. Embora a Vale seja um dos maiores produtores globais de níquel (atrás da Norilsk), o níquel tem sido percebido pelos investidores, há anos, como um “problema” para a Vale.
Ao longo de vários trimestres nos últimos anos, a unidade de níquel da Vale operou com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) negativo e queimou caixa de forma recorrente. Por isso, a equipe de análise está monitorando de perto o aumento dos preços do níquel de cerca de US$ 14.000 a tonelada (t) para mais de US$ 18.000/t (mais de 25% em 1 mês), e ficou positivamente surpresos com o movimento, que acredita ainda passar despercebido em grande parte das suas conversas recentes com investidores.
“Embora precisemos de mais tempo e informação para verificar e confirmar essa tendência, trata-se de um desenvolvimento marginalmente positivo que pode ajudar a reprecificar a divisão de metais básicos da Vale, que continua sendo negociada como se fosse uma empresa puramente de minério de ferro (cerca de 4 vezes), enquanto seus pares negociam a 7– 10 vezes o Ebitda.
“Este é mais um ângulo que reforça nossa visão construtiva para a Vale, que retomamos há cerca de três meses com nossa recomendação de compra”, ressalta o banco.
A análise destaca o impacto recente da Indonésia sobre o níquel. O país representa mais de 50% da oferta global de níquel e tem sido o principal fator de pressão estrutural sobre a indústria, levando a um mercado estruturalmente mais ofertado por anos. A incerteza em torno do novo marco regulatório de licenciamento de níquel da Indonésia tornou-se o principal driver de curto prazo para os preços, à medida que o mercado tenta avaliar quanta produção de minério e capacidade downstream serão efetivamente aprovadas para 2026. Há expectativas de desaceleração da oferta, embora isso ainda seja apenas uma proposta, e não uma decisão formal.
Voltando para a Vale, o BTG estima que a unidade de metais básicos da Vale deve representar aproximadamente 15–20% do Ebitda consolidado da companhia. Além disso, o cenário base assume um Ebitda de cerca de US$ 3 bilhões para divisão de metais básicos da Vale em 2026. “Com o recente aumento dos preços de níquel e cobre, essa marcação a mercado geraria um retorno de 8% em nosso Ebitda consolidado, o que é bastante relevante (Ebitda somente da divisão de metais ultrapassaria confortavelmente US$ 4 bilhões)”, avaliam os analistas.
Ao assumir que os preços permaneçam nesses níveis e que a administração continue entregando resultados e recuperando a unidade, o BTG acredita que há uma clara tese para uma reprecificação à frente para a Vale.
“Faz pouco sentido a Vale negociar como uma empresa puramente de minério de ferro se tem perto de 20% de exposição a metais básicos, e crescente, enquanto seus pares globais negociam a níveis muito mais altos”, apontam os analistas. Eles reconhecem que talvez exista um problema de confiança legado em torno da unidade de metais básicos da Vale, mas acredita que as condições agora estão muito melhores do que antecipava e melhores do que o que hoje está refletido no preço das ações.
Ao assumir que a unidade de metais básicos da Vale entregue US$ 4 bilhões em Ebitda e negocie a 6,5 vezes o Ebitda, que é a parte inferior do grupo de comparáveis, acreditaque isso poderia destravar algo próximo de 20% de valor de equity apenas com essa reprecificação.
O BTG Pactual aponta que a mineradora virou a página dos problemas históricos (desafios institucionais, Brumadinho, Samarco, instabilidade operacional) e está recuperando a confiança dos investidores.
“A história micro está sólida. Isso, combinado com fundamentos de minério de ferro, cobre e níquel mais fortes do que o esperado, com sazonalidade favorável pela frente, sustenta um viés positivo no curto prazo”, avalia, seguindo com recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 80.
Valor - SP 08/01/2026
Montadora chinesa diz que está pronta para novas etapas de produção de carros na Bahia
Não foi à toa que durante um jantar de negócios, na quarta-feira (7), em Shenzhen, sede da BYD, Alexandre Baldy, vice-presidente da montadora no Brasil, recebeu de presente uma miniatura de cavalo. No calendário chinês, que começa em fevereiro, 2026 será o ano do Cavalo de Fogo. Representa rapidez e intensidade, qualidades essenciais para o cumprimento da dinâmica agenda que a BYD definiu para a sua operação no Brasil este ano.
Segundo Baldy, entre abril e maio, a fábrica de Camaçari (BA) começará a fazer estamparia, solda e pintura dos veículos. Trata-se dos três mais importantes processos de manufatura da indústria automotiva e passo essencial para uma fábrica deixar de fazer a mera montagem para efetivamente se tornar fabricante de veículos.
Se o início desses processos produtivos acontecer no prazo anunciado pelo executivo, a BYD terá, ainda, pela frente, pelo menos dois a três meses de importação de carros semimontados pagando Imposto de Importação.
No dia 31 de janeiro termina o prazo fixado pelo governo federal para importação de veículos semimontados sem Imposto de Importação. A partir de fevereiro o tributo subirá para 35%.
Hoje, a linha de produção da BYD na Bahia funciona em SKD, sigla em inglês para o sistema por meio do qual os carros chegam ao país montados para receber na fábrica local acabamento final.
Inicialmente, a BYD pedia ao governo federal redução de IPI e prazo de 12 meses para importar veículos semimontados, o que gerou forte resistência das montadoras já instaladas no país.
Queremos estar entre os três primeiros até 2027 e chegar em 2028 na liderança”
— Alexandre Baldy
Em meados do ano passado, pouco antes da inauguração da fábrica em Camaçari, o governo decidiu zerar o tributo do SKD durante seis meses e, ainda, criar cotas, o que beneficiou não só a BYD, mas um grupo de 15 montadoras interessadas nesse sistema de produção.
Baldy garante que entre abril e maio a operação brasileira dará importante passo rumo à nacionalização. Segundo ele, os equipamentos para as etapas de estamparia, solda e pintura já estão na fábrica “embrulhados”.
Essas etapas de produção, diz o executivo, serão implementadas por modelo. Hoje três modelos são produzidos na fábrica da Bahia - Dolphin Mini, King e Song Pro. “Nosso objetivo é chegar no segundo semestre com nacionalização em torno de metade do valor dos carros produzidos”, destaca.
Também em abril, segundo o executivo, a fábrica baiana passará a operar em dois turnos de produção. O terceiro turno começará ainda em 2026, no último trimestre, segundo ele. Até lá, o número de funcionários em Camaçari, diz, passará dos atuais 2 mil para 5 mil e o ritmo de produção de 4 a 5 mil para 20 mil veículos por mês. Hoje, 370 profissionais que vieram da China também trabalham na fábrica para ajudar na montagem dos equipamentos e processos.
Outra novidade anunciada por Baldy é o início da produção, este ano, do quarto modelo da marca em Camaçari. Trata-se do híbrido plug-in Song Plus. O executivo confirmou, ainda, que em maio a montadora começará a produzir no Brasil carros híbridos que poderão ser abastecidos com etanol.
Trata-se de uma tecnologia, destaca o executivo, desenvolvida em parceria pelos engenheiros do Brasil e da China. O primeiro modelo que passará a aceitar etanol no motor será o Song Pro híbrido plug-in, carro que funciona com motores a combustão e elétrico, que também pode ser carregado na tomada.
Baldy e Tyler Li, presidente da BYD no Brasil, estão na China para a revisão de metas cumpridas em 2025 e planejamento para 2026. Das reuniões, comandadas pelo COO, He Zhiqi, participam também representantes comerciais da marca em outros países da América Latina.
Baldy diz ter notado os executivos de países como Argentina, Colômbia, Equador e México, “ansiosos” para que os veículos que saem de Camaçari atinjam índice de 35% de conteúdo local. Com essa premissa, a fábrica baiana poderá começar a exportar.
O ritmo da fábrica precisa acelerar porque, além da perspectiva de começar a exportar, no Brasil, agora a BYD pode, com produção local, entrar no sistema de venda direta, que permite a venda de veículos com impostos reduzidos para frotistas, taxistas e pessoas com deficiência. A empresa já está em negociação com importantes locadoras. “A venda direta representa 50% do mercado”, lembra Baldy.
Parte dos negócios das locadoras é o aluguel de carros para motoristas de aplicativos, que têm demonstrado interesse pelos modelos elétricos e híbridos.
Segundo Baldy, até aqui a operação brasileira consumiu quase R$ 3 bilhões do investimento total de R$ 5,5 bilhões anunciados para a primeira etapa de instalação industrial da companhia no Brasil.
As obras e construções de novos galpões continuam na área, onde antigamente funcionava uma fábrica da Ford. Segundo o executivo, a ideia é abastecer o mercado interno com a produção local. A importação do grupo, destaca, passará a se voltar mais para a linha Denza, a marca de luxo da BYD que acaba de estrear no mercado brasileiro com carros que custam acima de R$ 400 mil.
Desde que entregou o primeiro automóvel, em abril de 2022, a BYD já vendeu mais de 200 mil veículos no Brasil. Em 2025, a montadora chinesa vendeu 112 mil veículos. Isso representou aumento de 50% na comparação com o ano anterior. A marca ficou em sétimo lugar no mercado total de carros e comerciais leves e em quarto se contado apenas o volume vendido no varejo. “Queremos estar entre os três primeiros até 2027 e chegar em 2028 na liderança de mercado”, destaca Baldy.
O executivo calcula crescimento igual em 2026 a despeito das previsões menos otimistas para o mercado total, que continuará afetado por juros elevados, período de eleições e Copa do Mundo. “Vamos ver como será a estreia da BYD em período de Copa”, diz Baldy.
A montadora, diz Baldy, não está preocupada com a chegada de concorrentes da própria China. Neste ano, além da BYD, 13 marcas do país asiático estarão no mercado brasileiro. Além das importadoras e das que já têm fábricas, como a GWM, outras planejam produzir e duas delas já firmaram parcerias com montadoras veteranas para acelerar o início da atividade industrial no país.
É o caso da Leapmotor, que tem aliança global com a Stellantis, e a Geely, dona de diversas marcas, que adquiriu parte da Renault do Brasil. A Leapmotor produzirá em Goiana (PE) e a Geely, em São José dos Pinhais (PR).
Para Baldy, a vantagem dessas parcerias está apenas nas redes de concessionárias já existentes. O executivo não acredita, porém, que o fato de iniciarem a produção em fábricas já instaladas traga alguma vantagem para esses concorrentes.
Para ele, além de serem operações menores do que o tamanho almejado pela BYD, instalações industriais mais antigas precisam de profunda reestruturação para serem adaptadas para receber linhas de produção de veículos eletrificados. “Nós também começamos com uma fábrica que já existia, que pertencia à Ford. Mas não aproveitamos um parafuso sequer”.
Valor - SP 08/01/2026
As importações de automóveis para a China no ano passado devem cair 30% em relação a 2024, com menos de 600 mil veículos entrando no país pela primeira vez em 16 anos, à medida que os veículos elétricos nacionais de baixo custo substituem os carros de luxo da Europa e dos Estados Unidos.
As vendas de veículos importados de janeiro a novembro caíram 30% em relação ao ano anterior, para 447 mil unidades, de acordo com a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis. O total para o ano todo deve ficar em torno de 500 mil veículos.
As montadoras japonesas lideraram as importações de janeiro a outubro, com os veículos fabricados no Japão apresentando queda de apenas 4% em relação ao ano anterior no período.
As importações alemãs, no entanto, despencaram 46%, para cerca de 90 mil veículos, com BMW e Mercedes-Benz registrando quedas significativas.
As importações dos Estados Unidos também caíram drasticamente, 53%, para cerca de 40 mil veículos. Montadoras como a General Motors e a Ford relataram a suspensão das exportações para a China em abril e maio, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor altas tarifas sobre a China, o que levou Pequim a retaliar.
A guerra comercial de retaliações mútuas diminuiu, mas os veículos importados ainda enfrentam uma tarifa de 15% na China, e os veículos dos Estados Unidos, uma tarifa adicional de 10%.
Os veículos importados sempre foram populares entre os consumidores ricos na China, mas essa popularidade está diminuindo com o crescimento dos veículos elétricos e híbridos plug-in nacionais.
Esses chamados veículos de nova energia representaram mais da metade das vendas de veículos de passageiros na China no ano passado. Enquanto isso, 80% dos veículos de passageiros importados eram movidos a gasolina. Os veículos elétricos e híbridos plug-in, nos quais as montadoras estrangeiras estão muito atrás das montadoras chinesas em termos de variedade de produtos, representaram apenas 2% dos veículos importados.
As montadoras chinesas estão lançando cada vez mais veículos elétricos de baixo custo, pressionando os preços dos veículos em geral para baixo, incluindo os movidos a gasolina.
As vendas de veículos com preço inferior a 300 mil yuans (US$ 43 mil) aumentaram no ano passado, enquanto as vendas na faixa de 300 mil a 400 mil yuans, que antes era o segmento premium de maior volume dominado por veículos importados, diminuíram. O declínio se deve, em parte, à redução do poder de compra do consumidor causada pela prolongada crise imobiliária na China.
Um alto executivo da Porsche na China declarou à mídia chinesa que a acirrada competição de preços no país é anormal. A Porsche inaugurou, em novembro, seu primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento fora da Alemanha, em Xangai, acelerando o desenvolvimento de veículos especificamente para o mercado chinês.
Impulsionada pela forte demanda por veículos de novas energias, a China está expandindo sua produção e exportação de automóveis. De janeiro a novembro, a produção aumentou 10% em relação ao ano anterior, atingindo 31 milhões de unidades, com 20% destinadas à exportação.
A projeção para o ano passado é de um aumento de 20% nas exportações, alcançando a marca de 7 milhões de veículos, a maior do mundo. O Japão, segundo maior exportador mundial, exportou 3,8 milhões de veículos de janeiro a novembro, praticamente o mesmo volume do ano anterior.
Os Estados Unidos, cautelosos com o rápido crescimento das exportações chinesas, praticamente não importam veículos elétricos fabricados na China. A União Europeia impôs tarifas de até 45,3% desde outubro de 2024, um aumento em relação aos 10% anteriores.
Empresas chinesas estão expandindo sua produção para regiões no exterior onde não serão afetadas por tarifas, como Tailândia e outros países do Sudeste Asiático, além da Hungria e Turquia.
Zhang Yongwei, secretário-geral do centro de estudos China EV100, ligado ao governo e especializado na indústria de veículos elétricos, afirmou no mês passado que 8 milhões de veículos chineses serão vendidos em outros países este ano, dos quais 1 milhão serão produzidos no mercado interno.
Além da montagem de veículos, empresas chinesas de componentes, como a CATL, líder mundial em baterias automotivas, também estão instalando fábricas na Europa e no Sudeste Asiático, à medida que todo o setor intensifica seu foco no mercado global.
O Estado de S.Paulo - SP 08/01/2026
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse nesta quarta-feira, 7, que sua pasta está implementando uma medida do presidente Donald Trump que visa reduzir o custo para financiamento de veículos no país.
“O Tesouro está implementando a política ‘Sem Imposto sobre Juros de Empréstimos de Carros Americanos’”, disse Bessent em uma postagem no X. “Para veículos novos montados nos EUA adquiridos entre 2025 e 2028, os contribuintes elegíveis poderão deduzir até US$ 10 mil por ano em juros de empréstimos de automóveis, seja detalhando deduções ou usando a dedução padrão”, acrescentou.
A medida é uma das promessas do governo Trump feitas no ano passado e focadas em reduzir o custo de vida dos cidadãos norte-americanos. O Departamento do Tesouro e o Serviço de Receita Federal (IRS) estão atualmente elaborando diretrizes para esclarecer como a dedução funcionará, garantindo que os contribuintes compreendam os requisitos de elegibilidade e os benefícios.
“Essa dedução ajuda a reduzir os custos mensais e torna a posse de um carro mais acessível quando as famílias mais precisam. A redução de impostos também apoia os trabalhadores americanos, aplicando-se exclusivamente a veículos montados nos EUA, fortalecendo a manufatura nacional”, concluiu.
Mais cedo, Trump anunciou em sua rede social, a Truth, outra medida voltada a famílias de classe média. O presidente americano afirmou que está tomando medidas imediatas para proibir que grandes investidores institucionais comprem mais “casas unifamiliares” e que pedirá ao Congresso para confirmar isto.
Valor - SP 08/01/2026
Nova planta de eletrodomésticos de linha branca será inaugurada em julho em Fazenda Rio Grande (PR), na região metropolitana de Curitiba
Enquanto na feira de tecnologia CES, em Las Vegas, a sul-coreana LG exibe TVs ultrafinas e robôs que prometem dobrar roupas, a principal aposta para o Brasil neste ano está no chão de fábrica.
A empresa detalhou em evento nesta terça-feira (6) a nova planta de eletrodomésticos de linha branca que inaugurará em julho em Fazenda Rio Grande (PR), na região metropolitana de Curitiba, com investimento de R$ 1,5 bilhão e foco inicial na produção de geladeiras.
Com 770 mil metros quadrados, a unidade começa com capacidade para fabricar até 500 mil refrigeradores por ano e deve gerar cerca de 500 empregos diretos. A partir de 2027, o plano é iniciar a produção de máquinas lava e seca, apostando em um segmento disputado principalmente entre Brastemp e Electrolux.
Segundo dados da GfK, o mercado brasileiro de eletrodomésticos movimenta R$ 28,5 bilhões por ano, com vendas anuais de cerca de 4,8 milhões de geladeiras e 7,2 milhões de máquinas de lavar. A meta da empresa é alcançar 20% de participação no segmento de refrigeradores nos próximos anos.
"Hoje tudo o que vendemos de geladeira é importado. Quando passamos a produzir aqui, ficamos mais competitivos e conseguimos adaptar o produto ao consumidor brasileiro", afirma Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Brasil.
A decisão pelo Paraná levou em conta logística e cadeia de suprimentos - as principais concorrentes têm fábricas na região Sul. A proximidade com fornecedores e incentivos estaduais também pesaram na escolha, segundo o executivo.
Mais do que reduzir custos, a LG também quer usar a produção local para ajustar detalhes do produto ao gosto do consumidor brasileiro, alterando o interior dos produtos sem mexer na tecnologia.
"Aqui você tem 110V e 220V, várias cores, capacidades diferentes. Nosso produto vai ser bivolt, o que é essencial para o varejo", disse. "São detalhes, mas o brasileiro se incomoda com caixinha de ovo e forma de gelo soltas, com o freezer que abre de um jeito específico. A gente passou quase um ano pesquisando o consumidor antes de lançar."
"Não adianta só produzir um produto em massa e jogar ele no mercado. Tem que entender o consumidor, como é que ele pensa, para que caminho ele vai, o que ele quer fazer", afirma Fiani.
Até agora, a presença da LG em geladeiras no Brasil tem sido restrita a modelos importados mais avançados, com preços a partir de cerca de R$ 3.000 no site da marca. Os produtos nacionais devem ocupar um patamar intermediário para cima, segundo a empresa, com preços mais competitivos, embora ainda não tenha fornecido detalhes.
A aposta industrial marca também um reposicionamento da marca no país. Embora globalmente seja forte em linha branca, a LG é mais associada no Brasil a TV e ar-condicionado. A empresa já tem uma fábrica em Manaus, onde produz televisores, monitores e climatização, e encerrou no passado a produção de celulares em Taubaté (SP).
A nova planta, segundo Fiani, não foi pensada para exportação regional e poderia ter sido construída em países como Vietnã e Índia antes da escolha do Brasil.
O movimento acontece em um cenário macroeconômico incerto, com a taxa básica de juros em 15% e projeções de crescimento do PIB próximas de 2%. A empresa diz apostar no potencial estrutural do mercado brasileiro e projeta crescer 12% em 2026 e 15% em 2027.
Para este ano, a LG espera um impulso sazonal nas vendas de televisores por causa da Copa do Mundo, com alta estimada de 30% no segmento. Na sequência, deve entrar o efeito do início das operações da fábrica.
A estratégia combina escala industrial, serviços de instalação e pós-venda e uma tentativa de democratizar recursos tecnológicos sem empurrar os produtos para um nicho de preço mais alto.
Além do varejo doméstico, a LG quer acelerar o crescimento no segmento corporativo. Hoje, a divisão B2B responde por algo entre 15% e 20% do faturamento da empresa no país, com foco em painéis de LED e sistemas de refrigeração. A meta é chegar a 50% no médio prazo.
"Se a gente não apostasse aqui, não estaria construindo uma fábrica de R$ 1,5 bilhão", disse Fiani.
Valor - SP 08/01/2026
Na indústria de máquinas pesadas, a inteligência artificial (IA) promete facilitar compras, manutenção e operação de equipamentos. O diretor-presidente da fabricante de equipamentos Caterpillar, Joe Creed, subiu ao palco da feira de tecnologia CES 2026, em Las Vegas (EUA), nesta quarta-feira (7), para lançar o “Cat AI Assistent” - um assistente de inteligência artificial (IA) que unificará as ferramentas digitais e dados da empresa em uma plataforma conversacional.
“Temos muita tecnologia em nossas máquinas, mas temos clientes que não sabem como usá-la”, disse Creed, que foi nomeado presidente do conselho de administração da Caterpillar na terça-feira (6).
O executivo também anunciou um investimento de US$ 25 milhões (R$ 134,7 milhões na conversão pelo Banco Central) ao longo de cinco anos para treinar clientes e funcionários em seus programas tecnológicos.
Com reconhecimento de voz e modelos avançados de IA, o Cat AI Assistant foi projetado para treinar rapidamente operadores na condução de tratores e escavadeiras. “É um treinador na cabine, fornecendo aos operadores informações para trabalharem de forma mais inteligente e segura, sem precisar alternar entre telas, retornar ao pátio ou perder o foco”, diz a Caterpillar em comunicado.
Creed também informou que a Caterpillar está expandindo sua colaboração com a fabricantes de chips Nvidia para trabalhar em recursos de IA integrados em seus produtos e aprimorar seus sistemas de produção.
O Cat AI Assistant usa o chip Jetson Thor e softwares da Nvidia desenvolvidos para aplicações de IA que exigem processamento em tempo real, em campo. Isso inclui carros autônomos, robôs que atuam em fábricas, dispositivos de ressonância magnética e máquinas industriais.
A empresa que atua nos segmentos de construção, mineração, agronegócio e energia, também está expandindo sua tecnologia para máquinas autônomas, já utilizada em equipamentos de mineração há anos, para o restante de sua linha de produtos. Ontem (7), a empresa apresentou cinco máquinas autônomas projetadas para ambientes de construção e demonstrou o “Cat AI” em uma miniescavadeira de médio porte, o modelo Cat 306 CR, durante a feira de tecnologia.
Grandes Construções - SP 08/01/2026
Ministério dos Transportes publicou no final de dezembro no Diário Oficial da União (DOU), a portaria que autoriza o plano de outorga da concessão da Estrada de Ferro EF-118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste.
A decisão possibilita o avanço no processo de concessão para a construção e a exploração da ferrovia e reforça o compromisso da pasta com a modernização da malha ferroviária, a ampliação da competitividade econômica e a diversificação dos modais de transporte no país.
“A aprovação do plano de outorga da EF-118 simboliza a primeira concessão greenfield da história do setor de infraestrutura e marca o início da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias. Trata-se de um novo modelo de parceria público-privada, no qual o Governo do Brasil realiza aportes para viabilizar a construção da ferrovia, promovendo o equilíbrio econômico-financeiro do projeto”, afirmou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
O plano de outorga aprovado contempla, como trecho principal, a ligação ferroviária entre os municípios de Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ), com extensão aproximada de 246 quilômetros.
O projeto também prevê a possibilidade de expansão, sob condições específicas, do trecho entre São João da Barra (RJ) e Nova Iguaçu (RJ), incluindo segmentos preexistentes da EF-103, totalizando 325 quilômetros adicionais.
Integração logística - Estratégica para a consolidação de um novo eixo ferroviário no Sudeste, a EF-118 conecta o Porto do Açu (RJ) ao Espírito Santo, com potencial de integração à malha ferroviária existente e articulação com outros complexos portuários da região, como os portos de Ubu (ES) e Central (ES).
O empreendimento amplia a eficiência do transporte de cargas ao fortalecer a conexão entre áreas industriais, centros produtores e portos.
“É um projeto estruturante, que reflete o esforço do Ministério dos Transportes, por intermédio da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, em estruturar concessões para a construção de novos corredores ferroviários, utilizando experiências internacionais bem-sucedidas na atração de investimentos privados. O objetivo é ampliar a participação do modal ferroviário na matriz de transporte do país”, completou o secretário.
Estruturada para receber investimentos de R$ 6,6 bilhões na fase de implantação, a ferrovia terá custos operacionais estimados em R$ 3,61 bilhões ao longo do período de concessão.
O projeto terá capacidade para transportar até 24 milhões de toneladas por ano, contemplando diferentes tipos de carga, como carga geral, granéis líquidos, granéis sólidos agrícolas e minérios.
Com a aprovação ministerial, o plano de outorga será encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O Estado de S.Paulo - SP 08/01/2026
A Rússia disse nesta quarta-feira, 7, que o uso da força pelos Estados Unidos contra um navio de bandeira russa no Atlântico Norte é uma violação ao direito marítimo, após Washington anunciar a “apreensão” de um petroleiro depois de vários dias de perseguição desde sua partida da Venezuela.
“De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, a liberdade de navegação se aplica em águas internacionais, e nenhum Estado tem o direito de usar a força contra embarcações devidamente registradas sob a jurisdição de outros Estados”, afirmou o Ministério dos Transportes da Rússia em um comunicado.
O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou de nome para Marinera e passou a usar registro estatal russo. A Rússia enviou pelo menos um navio da Marinha para encontrá-lo e escoltá-lo, de acordo com um funcionário americano informado sobre a operação.
Segundo o Ministério dos Transportes, o Marinera obteve “permissão temporária” para navegar sob bandeira russa em 24 de dezembro, e “o contato com o navio foi perdido” após a embarcação ter sido abordada por forças navais americanas “em alto-mar”.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia solicitou que Washington garantisse o “rápido retorno” dos tripulantes ao país.
“Diante das informações recebidas sobre a presença de cidadãos russos entre a tripulação, exigimos que os EUA garantam um tratamento humano e digno, respeitem rigorosamente seus direitos e interesses e não impeçam seu rápido retorno para casa”, declarou a pasta, em nota citada pela agência estatal russa TASS.
O presidente americano Donald Trump anunciou um bloqueio unilateral aos petroleiros venezuelanos em 16 de dezembro. Desde então, os EUA já confrontaram pelo menos outros dois navios, além do Marinera, que tentavam transportar petróleo venezuelano. Em 10 de dezembro, o Skipper foi interceptado e apreendido pela Guarda Costeira, quando seguia para a China. Já em 20 de dezembro, o Centuries foi interceptado e abordado, mas não chegou a ser apreendido.
Grandes Construções - SP 08/01/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aprovou a versão final dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (Evtea) para o arrendamento definitivo do Porto de Itajaí, em Santa Catarina. A decisão marca um passo decisivo para a retomada da operação plena do terminal, um dos mais estratégicos do Sul do Brasil.
Os documentos foram encaminhados no dia 26 de dezembro de 2025 à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), que agora ficará responsável pela elaboração das minutas do edital e do contrato. A expectativa do governo federal é realizar o leilão no primeiro semestre de 2026.
No despacho enviado à agência reguladora, a Secretaria Nacional de Portos solicitou a dispensa de uma nova fase de audiência pública. A justificativa é que a modelagem atual já contempla as contribuições recebidas anteriormente da sociedade e do mercado, não sendo necessário reiniciar o ciclo de consultas.
“Essa aprovação é uma resposta necessária que o MPor dá à sociedade e ao mercado. Entendemos a importância estratégica do Porto de Itajaí; por isso, não estamos medindo esforços para encurtar caminhos burocráticos”, afirmou o secretário nacional de Portos, Alex Ávila.
Porto de Itajaí terá novo terminal e ampliação de 90% nas áreas de pátio
O projeto de arrendamento prevê um investimento total de R$ 2,8 bilhões, com uma cláusula de celeridade que exige a aplicação de R$ 920 milhões nos três primeiros anos de contrato. Esse aporte inicial será destinado à modernização de equipamentos e à melhoria da infraestrutura para receber e manobrar navios de grande porte.
Entre as principais transformações previstas está a construção de um novo terminal de contêineres, com capacidade estática de 37.152 TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Além disso, haverá uma ampliação de 90% nas áreas de pátio, o que deve resolver um dos principais gargalos operacionais do porto.
A meta do MPor é obter o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) até abril de 2026, o que permitirá manter o cronograma e garantir a realização do leilão ainda no primeiro semestre do mesmo ano.
A modernização do Porto de Itajaí é considerada estratégica para o escoamento da produção nacional e para o fortalecimento da logística portuária no Sul do país. Com a nova modelagem, o terminal deve ganhar competitividade e atrair novos operadores e investimentos.
Valor - SP 08/01/2026
Washington pressiona para que Caracas rompa relações econômicas com rivais - China, Rússia, Irã e Cuba; Pequim chama medida de "ato de intimidação"
O governo de Donald Trump informou à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que seu governo precisa atender às exigências da Casa Branca antes de ser autorizado a aumentar a produção de petróleo. Além disso, Caracas deve concordar em firmar uma parceria exclusiva com Washington para a exploração e priorizar o mercado americano na venda da commodity.
As informações são da emissora americana ABC News, que ouviu três fontes familiarizadas com os planos do governo Trump. Além do domínio americano sobre o petróleo venezuelano, Caracas também deverá romper laços econômicos com China, Rússia, Irã e Cuba como parte das exigências de Trump, que ameaça a Venezuela com novas ações militares.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria afirmado a parlamentares, em uma reunião reservada na segunda-feira, que acredita que os EUA poderão forçar a Venezuela a ceder porque seus navio-tanque de petróleo já estão cheios, segundo a ABC. Ele também disse que Washington estima que Caracas tenha apenas algumas semanas antes de se tornar financeiramente insolvente sem a venda do petróleo.
O veto à venda do petróleo venezuelano a China e Rússia foi revelado após Trump ter anunciado ontem um acordo em que a Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, que serão vendidos a preço de mercado.
"Esse petróleo será vendido a preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos".
O secretário de Energia, Chris Wright, que será responsável pelo acordo com Caracas, afirmou hoje que Washington pretende manter controle significativo sobre a indústria petrolífera venezuelana, inclusive supervisionado a venda da produção nacional "por tempo indeterminado".
"Daqui para frente, venderemos no mercado a produção que sair da Venezuela", disse ele em uma conferência de energia do banco Goldman Sachs perto de Miami, sem esclarecer sob que base legal o governo dos EUA atuaria.
Wright acrescentou que o governo Trump está em um "diálogo ativo" com as novas lideranças da Venezuela, assim como as empresas petrolíferas dos EUA. Na sexta-feira, segundo a Casa Branca, Trump deve se reunir com executivos das principais companhias americanas do setor.
Em paralelo, a emissora CNBC informou que, como parte do acordo com a Venezuela, os EUA reduzirão as sanções impostas ao país durante a campanha de pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, capturado no último sábado durante uma operação militar americana em Caracas.
Os cerca de 50 milhões de barris do acordo seriam apenas o primeiro lote, e as vendas continuarão por tempo indeterminado, segundo disseram fontes do governo americano à CNBC. O petróleo em negociação está sob as sanções dos EUA e seriam destinados à China, de acordo com a emissora.
Mais cedo, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, criticou o que classificou como um "ato de bullying" dos EUA contra a Venezuela, ao comentar a informação de que o governo Trump está pressionado para que Caracas rompa com rivais de Washington.
"O uso flagrante da força pelos EUA contra a Venezuela e o pedido para que o país favoreça os EUA ao lidar com seus próprios recursos petrolíferos é um típico ato de intimidação", disse ela. "Permitam-me enfatizar que a China e outros países têm direitos legítimos na Venezuela que devem ser protegidos."
Globo Online - RJ 08/01/2026
Após forças especiais americanas invadirem a Venezuela e capturarem o então presidente do país, Nicolás Maduro, na semana passada, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, começa a deixar mais claro qual é o seu plano para a maior riqueza da nação sul-americana: o petróleo.
Trump não fez questão de esconder, desde o dia da operação especial, que as reservas gigantes e subutilizadas do país estão no seu alvo, mas foi vago ao dizer que pretende reativar a indústria petrolífera venezuelana de acordo com os interesses dos EUA e sob a sua tutela.
Com o passar dos dias, esse plano está ficando mais evidente, com Trump dando os contornos de um grande negócio. Ontem, definiu que pretende controlar a indústria e o comércio de petróleo do país "indefinidamente", uma afirmação que, por ora, é rejeitada pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
quer manter dólares obtidos com a venda de petróleo venezuelano sob gestão do Tesouro dos EUA; vai dar acesso privilegiado às petroleiras americanas às reservas da Venezuela em troca de investimentos bilionários para modernizar a infraestrutura petrolífera do país;buscará ressarcimento por estruturas de petroleiras americanas nacionalizadas pelo chavismo; abrirá mercado para produtos americanos na Venezuela, a serem pagos pelos dólares gerados pelo petróleo.
Na terça-feira, Trump já havia anunciado que o governo interino de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. E frisara que as receitas estimadas em US$ 2,8 bilhões (R$ 15,4 bilhões) aos preços atuais de mercado serão "controladas" pelos EUA.
“É o petróleo, estúpido!': Trump escancara interesse americano no subsolo da Venezuela
Ontem, em meio às confusas e autoelogiosas declarações de Trump, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wrigth, deu a explicação mais clara até agora sobre a estratégia de Washington para levar o petróleo bruto da Venezuela ao mercado internacional e administrar a indústria extrativa do país, ainda que por meio de uma forma — nem tão velada assim — de coerção do governo da presidente interina do país, Delcy Rodriguez.
Wright falou em uma conferência do banco Goldman Sachs em Miami, na quarta-feira, que inicialmente, os barris viriam do estoque que a Venezuela mantém, que vem aumentando em meio ao bloqueio dos EUA e ameaçam forçar a paralisação de parte da produção.
"Vamos simplesmente fazer esse petróleo voltar a circular e vendê-lo. Vamos comercializar o petróleo que sai da Venezuela. Primeiro esse petróleo estocado e represado e, depois, indefinidamente, venderemos a produção que sair da Venezuela"
— Chris Wrigth, secretário de Energia dos EUA
Logo em seguida, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos têm "influência máxima" sobre o governo interino da Venezuela e já começaram a comercializar o petróleo bruto venezuelano.
A ideia é manter a receita das vendas em contas do Tesouro dos EUA, "medida que protegeria os recursos dos credores da Venezuela. Os fundos beneficiarão os povos americano e venezuelano", disse a porta-voz.
Trump reforça o tom de negócio
Mais tarde, o próprio Trump reforçou o desenho da estratégia, como se descrevesse um negócio, acrescentando que o plano de seu governo é a Venezuela só possa comprar produtos fabricados nos EUA com o dinheiro a ser gerado pela venda do seu petróleo.
"Acabei de ser informado de que a Venezuela comprará somente produtos fabricados nos EUA com o dinheiro recebido do nosso novo acordo petrolífero. Essas compras incluirão, entre outras coisas, produtos agrícolas dos EUA e medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos fabricados nos EUA para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela"
— Donald Trump, em uma rede social
Rubio esboça plano geral em 3 fases
Também ontem, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o governo de Trump estruturou um plano geral em três fases para a Venezuela, com o petróleo exercendo um papel central.
Segundo ele, a primeira etapa é a estabilização do país, evitando caos. A fase seguinte, que chamou de recuperação, incluirá a garantia de acesso justo de empresas americanas e de países ocidentais ao mercado venezuelano, com importante ênfase no petróleo. Já a terceira parte contemplaria a transição política no país.
Rubio afirmou que parte da estabilização inclui uma "quarentena" da Venezuela no mercado internacional. E enfatizou que Washington "não está improvisando".
"Eles têm óleo que está preso na Venezuela. E não podem movê-lo por causa da nossa quarentena e porque está sancionado. Nós vamos tomar entre 30 e 50 milhões de barras de óleo. Nós vamos vendê-lo no mercado, nas taxas de mercado, não nas dos descontos que a Venezuela estava recebendo"
— Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA
Os Estados Unidos interceptaram ontem no Atlântico Norte um petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela após mais de duas semanas de perseguição em alto-mar, escalando uma disputa com Moscou depois da derrubada de seu aliado venezuelano, Nicolás Maduro.
EUA apreendem petroleiro no Caribe
Como Trump tenta atrair as petroleiras?
Trump já marcou para sexta-feira uma reunião com líderes de petroleiras na Casa Branca, embora funcionários do governo digam que ele já conversou com alguns. Ele está pressionando as empresas petrolíferas dos EUA, como Chevron, ConocoPhillips e Exxon Mobil , a reconstruírem a infraestrutura da Venezuela e a reativarem a produção, agora que os EUA destituíram o ex-presidente Nicolás Maduro.
A secretária de imprensa definiu como Trump está argumentando diante dos empresários do setor. As decisões da Venezuela no âmbito do petróleo serão "ditadas" por Washington, insistiu Karoline Leavitt.
"É apenas uma reunião para discutir, obviamente, a imensa oportunidade que está diante dessas empresas de petróleo neste momento"
— Karoline Leavitt, secretária de Imprensa da Casa Branca
O governo Trump também fala em reembolso de ativos perdidos no passado. Grandes petroleiras dos EUA e de países ocidentais tentam há anos recuperar dezenas de bilhões de dólares que afirmam ter a receber da Venezuela como compensação por estruturas nacionalizadas pelo chavismo.
Essas supostas dívidas agora podem ganhar protagonismo na estratégia de Donald Trump para forçar empresas americanas a ampliar a produção de petróleo no país. A Exxon Mobil e a ConocoPhillips lideram a lista de credores, com reivindicações estimadas em cerca de US$ 20 bilhões e US$ 12 bilhões, respectivamente, valores decorrentes de expropriações e disputas antigas.
Esses passivos financeiros tendem a ser usados como instrumento de pressão nas negociações envolvendo controle da produção, venda do petróleo e eventual redirecionamento de receitas, dentro de um plano mais amplo de Washington para redesenhar sua influência sobre o setor energético venezuelano.
Delcy: governo fala em venda de volumes
Na outra ponta, momentos depois das declarações do governo americano, a administração de Delcy na Venezuela confirmou que negocia com os Estados Unidos a "venda de volumes" de petróleo, mas recusou a ideia de uma tutela indefinida acenada por Trump.
"Está em curso uma negociação com os EUA para a venda de volumes de petróleo, no âmbito das relações comerciais que existem entre ambos os países", indicou em comunicado a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), destacando que o modelo seria semelhante ao seu acordo com a Chevron, única grande empresa petrolífera dos EUA que ainda opera no país. "Esse processo se desenvolve sob esquemas semelhantes aos vigentes com empresas internacionais".
Globo Online - RJ 08/01/2026
Procuradores do Ministério Público Federal no Amapá requisitou informações sobre um vazamento de fluido de perfuração de uma sonda da Petrobras que está em atuação na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do estado, que integra a chamada Margem Equatorial, considerada uma nova fronteira de exploração de Petróleo.
Em regime de urgência, o pedido dá 48 horas para que a estatal e o Ibama, que licenciou a atividade, encaminhem dados e documentos aos procuradores da República no estado. Em nota, o MPF informou que os ofícios foram enviados ontem ao órgão ambiental e à petroleira.
Segundo o órgão, a medida foi adotada no âmbito de um inquérito civil em curso desde 2018 para apurar supostas irregularidades no licenciamento ambiental do Ibama para o plano de exploração da região pela Petrobras. A estatal perfura o primeiro poço de pesquisa de petróleo na área.
Entenda o incidente
A Petrobras informou ontem que, no último domingo, foi identificada perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá.
"A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo", disse a estatal em nota. Segundo o Ibama, o vazamento não foi considerado grave e não representa risco ambiental, pois o fluido liberado é biodegradável e de baixa toxicidade.
A operação foi paralisada. Segundo uma fonte ouvida pelo GLOBO, a Petrobras vai levar de 10 a 15 dias para reparar as duas linhas que apresentaram o problema. Elas serão retiradas do mar.
Segundo a empresa, não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. "A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", destacou em nota.
A Petrobras adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. O fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas, atestou a companhia.
Licença foi difícil de ser obtida
O Ibama concedeu para a Petrobras a licença para explorar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas no último dia 20 de outubro, após iniciar o processo em 2020, após recusas iniciais do corpo técnico do órgão ambiental. A estatal começou a perfuração no mesmo dia. O poço tem uma profundidade total de 7.081 metros, dos quais 2.880 correspondem à profundidade da água.
O poço está localizado no bloco FZA-M-059, em águas profundas do Amapá, a 500km da foz do Rio Amazonas e a 175km da costa, na Margem Equatorial brasileira. A perfuração da Petrobras na região é alvo de críticas de ambientalistas, que avaliam que a região concentra grande quantidade de fauna e flora marinha, além de a costa ter uma grande área de manguezal e de comunidades indígenas.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a porção noroeste da Bacia da Foz do Amazonas pode ter uma reserva de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Como base de comparação, as reservas provadas da Petrobras somam 11,4 bilhões de boe.
Infomoney - SP 08/01/2026
Os preços globais do petróleo caíam nesta quarta-feira, e a China acusou os EUA de intimidação, depois â que o governo do presidente Donald Trump disse que havia persuadido a Venezuela a desviar suprimentos de Pequim e a exportar aos EUA até US$2 bilhões em petróleo bruto sancionado.
O acordo estava alinhado ao objetivo declarado de Trump de controlar as vastas reservas de petróleo da Venezuela, membro sul-americano da Opep, depois de depor o líder Nicolás Maduro, há muitos anos considerado um ditador e acusado de envolvimento com o tráfico de drogas em aliança com inimigos de Washington.
Os aliados do Partido Socialista de Maduro permanecem no poder na Venezuela, onde a presidente interina Delcy Rodriguez está trilhando uma linha tênue entre denunciar seu ‘sequestro’ e dar início à cooperação com os EUA sob ameaças explícitas de Trump.
O presidente norte-americano disse que os EUA iriam refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto presos na Venezuela sob um bloqueio como um primeiro passo do plano para reviver o setor local há muito tempo em declínio, apesar de possuir as maiores reservas do mundo.
‘Esse petróleo será vendido a seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!’, postou Trump na terça-feira.
Fontes da empresa estatal de petróleo PDVSA disseram à Reuters que as negociações para um acordo de exportação haviam progredido, embora o governo da Venezuela não tenha feito nenhum anúncio oficial.
Os preços do petróleo bruto caíam cerca de 1,0% nos mercados mundiais nesta quarta-feira devido ao aumento previsto da oferta.
O acordo poderia exigir inicialmente que as cargas destinadas ao principal comprador da Venezuela, a China, fossem redirecionadas, uma vez que Caracas está buscando descarregar milhões de barris retidos em navios-tanque e depósitos.
‘O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América em primeiro lugar’ quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de intimidação’, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, em uma coletiva de imprensa.
‘Essas ações violam seriamente o direito internacional, infringem gravemente a soberania da Venezuela e prejudicam gravemente os direitos do povo venezuelano.’
Pequim, que importou 389.000 barris por dia de petróleo venezuelano em 2025, representando cerca de 4% de suas importações marítimas de petróleo bruto, pode agora recorrer mais ao Irã e à Rússia, disseram traders.
A China, a Rússia e os aliados esquerdistas da Venezuela denunciaram a incursão dos EUA para capturar Maduro, que foi a maior intervenção de Washington na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989 para derrubar Manuel Noriega.
Os aliados de â Washington também estão profundamente desconfortáveis com â o precedente extraordinário de capturar um chefe de Estado estrangeiro, com Trump fazendo uma série de ameaças de mais ações — do México à Groenlândia — para promover os interesses dos EUA.
Dezenas de mortos durante a captura de Maduro
Alguns detalhes ainda não foram esclarecidos sobre como as Forças Especiais dos EUA entraram em Caracas de helicóptero na escuridão de sábado, rompendo o cordão de segurança de Maduro e capturando-o na porta de uma sala segura, sem perda de vidas norte-americanas.
A Venezuela não confirmou o total de suas perdas, embora o exército tenha publicado uma lista de 23 mortos e a aliada Cuba tenha dito que 32 membros de seus serviços militares e de inteligência morreram.
Oposição venezuelana continua esperando
A principal opositora de Maduro na Venezuela, Maria Corina Machado, que saiu do país para receber o Prêmio Nobel da Paz em outubro, quer voltar para casa, onde diz que a oposição venceria facilmente uma votação livre.
Mas ela também está tomando cuidado para não antagonizar Trump, dizendo que gostaria de entregar pessoalmente a ele o prêmio Nobel que ele cobiçava e que ela dedicou a ele na época. Ela apoia o desejo de Trump de tornar a Venezuela um importante aliado e o centro energético das Américas.
Proibida de concorrer em uma eleição em 2024, o aliado de Machado, Edmundo Gonzalez, venceu de forma esmagadora, de acordo com a oposição, os EUA e vários observadores eleitorais.
Money Times - SP 08/01/2026
Os Estados Unidos começaram a comercializar o petróleo venezuelano e todos os recursos provenientes de sua venda serão inicialmente depositados em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos mundialmente, informou o Departamento de Energia em um comunicado divulgado nesta quarta-feira.
“Contratamos os principais comercializadores de commodities e os principais bancos do mundo para executar e fornecer suporte financeiro para essas vendas de petróleo bruto e derivados”, disse o departamento.
Depois de capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro em um ataque a Caracas no sábado, os EUA continuam a bloquear embarcações sob sanções ao largo do país sul-americano, membro do grupo petrolífero Opep.
O presidente Donald Trump disse na terça-feira que os EUA devem refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto presos na Venezuela sob o bloqueio dos EUA.
Os EUA apreenderam nesta quarta-feira um navio petroleiro vazio, de bandeira russa e ligado à Venezuela, no Oceano Atlântico, como parte do esforço de Trump para ditar os fluxos de petróleo nas Américas e forçar o governo da Venezuela a se tornar um aliado.
Globo Online - RJ 08/01/2026
O governo Trump planeja controlar futuras vendas de petróleo venezuelano e manter os recursos arrecadados em contas nos Estados Unidos, afirmou o secretário de Energia, Chris Wright, no que representa a declaração mais clara até agora sobre a estratégia de Washington para levar o petróleo bruto do país ao mercado e administrar seu recurso mais valioso.
Wright, que falou em uma conferência do Goldman Sachs em Miami nesta quarta-feira, disse que, inicialmente, os barris viriam do petróleo que a Venezuela mantém armazenado, cujos estoques vêm aumentando em meio ao bloqueio dos EUA e ameaçam forçar a paralisação de parte da produção.
“Vamos simplesmente fazer esse petróleo voltar a circular e vendê-lo”, disse Wright. “Vamos comercializar o petróleo que sai da Venezuela — primeiro esse petróleo estocado e represado e, depois, indefinidamente, venderemos a produção que sair da Venezuela.”
Em entrevista também nesta quarta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que os Estados Unidos já começaram a comercializar o petróleo bruto venezuelano, e que vai manter a receita das vendas em contas do Tesouro dos EUA, "medida que protegeria os recursos dos credores da Venezuela. Os fundos beneficiarão os povos americano e venezuelano", disse Leavitt.
Trump está pressionando empresas petrolíferas dos EUA, como Chevron, ConocoPhillips e Exxon Mobil , a reconstruírem a infraestrutura da Venezuela e reativarem a produção, agora que os EUA destituíram o ex-presidente Nicolás Maduro. Segundo um funcionário, o governo já manteve conversas com várias empresas do setor.
O presidente deve se reunir com executivos de energia na sexta-feira, disse Leavitt:
—É apenas uma reunião para discutir, obviamente, a imensa oportunidade que está diante dessas empresas de petróleo neste momento.
Venda de volumes de petróleo
Momentos depois das declarações, a Venezuela informou que negocia com os Estados Unidos a "venda de volumes" de petróleo.
"Está em curso uma negociação com os EUA para a venda de volumes de petróleo, no âmbito das relações comerciais que existem entre ambos os países", indicou em comunicado a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), destacando que o modelo seria semelhante ao seu acordo com a Chevron, única grande empresa petrolífera dos EUA que ainda opera no país
"Esse processo se desenvolve sob esquemas semelhantes aos vigentes com empresas internacionais", acrescentou a companhia.
Uma fonte do setor petrolífero disse, sob anonimato, à AFP que também está previsto o levantamento de certas sanções no setor.
Na terça-feira, Trump havia anunciado que o governo interino de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. As receitas serão "controladas" por ele, precisou.
"As autoridades interinas na Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sancionado, aos Estados Unidos", avaliados em US$ 2,8 bi aos preços atuais de mercado, publicou o presidente americano em sua plataforma Truth Social.
Grandes Construções - SP 08/01/2026
As obras do Rodoanel Norte de São Paulo - no trecho 24km entre as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias - foram entregues no dia 22/12 pelo Governo do Estado de São Paulo. Iniciada há mais de uma década e interrompida por cerca de seis anos, a construção foi retomada em 2024 e incluiu a reforma e construção de mais de 100 pontes e viadutos, alguns com até 50 metros de altura.
São 4 estruturas especiais a cada quilômetro do Rodoanel Norte. “Boa parte das pontes e viadutos já existiam no Rodoanel Norte de São Paulo, mas o tempo e as intempéries causaram danos significativos. E o QuikDeck foi fundamental para permitir acesso a essas estruturas e recuperá-las com segurança e dentro do prazo”, explica Sérgio Guerra, CEO da Orguel. O QuikDeck é uma plataforma modular suspensa, sustentada por correntes que são afixadas nas próprias estruturas (pontes e viadutos).
O engenheiro Carlos Henrique Siqueira, conhecido como o “pai” da Ponte Rio-Niterói, frisa: “uma obra em altura, sobretudo sobre o mar, não é brincadeira”. Ele lembra que o QuikDeck já foi decisivo em reparos de pontes no Brasil: “o QuikDeck surgiu como uma estrutura salvadora. Ela já foi a salvação do reparo”, acrescenta.
No coração de São Paulo - A tecnologia já foi utilizada em importantes obras pelo país, incluindo a revitalização do Viaduto Santa Ifigênia, no centro histórico de São Paulo.
No projeto, o QuikDeck permitiu acesso integral à estrutura centenária sem interditar o tráfego da Avenida Prestes Maia nem o trânsito de pedestres sobre o viaduto.
Com 232 metros de comprimento e 13,5 metros de largura, o monumento - tombado pelo patrimônio histórico - apresentava armaduras corroídas, fissuras, infiltrações e falhas no sistema de drenagem. A estrutura passou por recuperação do revestimento, reconstrução da laje e impermeabilização, medidas que evitam novas infiltrações e garantem a segurança da via.
Manutenção preventiva é essencial - Sérgio Guerra alerta ainda para a importância de se investir em inspeções regulares e manutenção preventiva. “A cultura do conserto apenas quando o problema aparece precisa mudar. Monitoramento contínuo e controle de cargas são medidas fundamentais para evitar acidentes e prolongar a vida útil das estruturas”, enfatiza o CEO da Orguel.
A deterioração de pontes e viadutos no Brasil é resultado de uma combinação de fatores, como falta de manutenção regular, envelhecimento da infraestrutura, aumento do tráfego e sobrecarga das estruturas. Há também problemas como a fiscalização deficiente e a falta de monitoramento contínuo destas estruturas.
Eae Máquinas - SP 08/01/2026
O uso de inteligência artificial no agro brasileiro avança de maneira acelerada e consistente. De acordo com a projeção da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), em parceria com o CEPEA-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP, os investimentos em tecnologia no campo devem ultrapassar os R$ 25 bilhões em 2025, impulsionando tanto a grande agricultura quanto os pequenos e médios produtores, que encontram na inteligência artificial um meio de ampliar produtividade e viabilidade econômica.
Aplicações já consolidadas englobam desde sistemas preditivos para manejo climático e do solo até o monitoramento automatizado de pragas, sensores inteligentes e o uso de gêmeos digitais para simulação e teste de diferentes estratégias produtivas. Essa digitalização crescente permite ganhos expressivos, como a redução na aplicação de fertilizantes e o aumento médio de produtividade, além de contribuir ativamente para práticas ambientais mais responsáveis.
Ao integrar inteligência artificial em seus processos industriais e nas linhas agrícolas, a Fendt, fabricante alemã de máquinas e implementos agrícolas da multinacional AGCO, vem revolucionando o agronegócio brasileiro. Na Alemanha, local onde são fabricados os tratores da marca comercializados no Brasil, a inteligência artificial desempenha papel essencial no controle de qualidade dos produtos: as máquinas recém-produzidas passam por uma análise automatizada de imagens, que são comparadas aos dados do pedido, permitindo a identificação imediata de componentes ausentes ou imperfeições.
Esse sistema garante não apenas um rigor maior nas etapas fabris, mas também oferece feedback visual instantâneo aos funcionários, o que acelera e direciona os ajustes necessários, elevando o nível de excelência da produção. Preocupada com a privacidade dos colaboradores, a Fendt também utiliza modelos específicos de inteligência artificial para preservar automaticamente os funcionários nas imagens, demonstrando responsabilidade no uso das novas tecnologias.
Tecnologia de ponta no maquinário
O impacto da inteligência artificial se estende aos produtos da marca. Em tratores, colheitadeiras e plantadeiras, a tecnologia permite o controle autônomo de seções, ajustes precisos e comunicação contínua com implementos por meio do ecossistema FendtONE. Essa integração resulta em operações mais eficientes, com maior rendimento, economia de insumos e processos mais sustentáveis.
“A automação já é uma realidade no campo. Os equipamentos da Fendt possuem uma série de funções totalmente automatizadas. Manobras de cabeceiras é sempre o primeiro em melhor exemplo, onde o conjunto de trabalho, ao chegar no final de uma passada, faz todo o processo de manobra como redução de marcha, controle do implemento, a manobra em si e a retomada do trabalho; tudo de forma autônoma. E, para isso, o operador deve apenas indicar para qual lado o trator deve manobrar”, diz Elizeu dos Santos, gerente de Marketing de Produto da Fendt.
Os dados obtidos em campo são capazes de aumentar a produtividade de duas formas: a partir de informações da máquina e da operação que, após análises de especialistas dos concessionários da Fendt, são enviados aos produtores relatórios e recomendações da performance da frota e da operação, com sugestões de melhorias do processo. “A segunda forma é através de dados da lavoura, conhecidos como dados agronômicos. Nessa situação, os dados de produtividade são analisados e cruzados com dados de solo, relevo, clima, entre outros, fornecendo ao agricultor uma visão de onde sua lavoura tem uma performance melhor e onde existem espaços para melhoria ou, então, locais onde há real limitação de produção”, complementa Santos.
No caso das colheitadeiras Fendt IDEAL, elas se destacam ao empregar algoritmos capazes de ajustar automaticamente diferentes parâmetros de funcionamento, o que eleva a produtividade, reduz significativamente o consumo de combustível e melhora a qualidade dos grãos colhidos, estabelecendo novos padrões para o setor. A inteligência artificial está presente também nos pulverizadores que, através do processo de obtenção de imagens em tempo real, identificam os alvos de aplicação, especialmente plantas indesejáveis, realizando aplicações localizadas e direcionadas com extrema precisão.
Enxame de robôs e transformação no campo
Em dia com as tendências tecnológicas, a Fendt conta com o projeto Xaver, que estuda a automação total do plantio através do chamado “enxame de robôs”. “A essência desse projeto são os robôs autônomos Fendt Xaver, que trabalham em equipe, colaborando de maneira autônoma e eficiente para tarefas como de semeadura. A ideia principal é simplificar o processo com menos sensores, controles robustos e uma estrutura de hardware clara, tornando cada robô extremamente confiável e produtivo”, explica o executivo.
Ele destaca que os pequenos robôs operam em grupo no campo, permitindo a continuidade do trabalho, sem interrupções, mesmo se uma das unidades apresentar falhas. A gestão do Fendt Xaver é realizada por meio de uma solução baseada na nuvem, onde os dados são monitorados e controlados, facilitando o acesso remoto e a documentação precisa da semeadura. “Os benefícios desse projeto são a eficiência e a sustentabilidade. Pois, devido ao seu baixo peso, os robôs Fendt Xaver causam uma compactação mínima do solo e são projetados para operar 24 horas por dia, aumentando a produtividade e a eficiência energética, além da precisão agrícola, pois, com a navegação por satélite e a gestão de dados em tempo real, os robôs podem semear com precisão ao centímetro, otimizando o uso de sementes, pesticidas e fertilizantes”, completa.
A consolidação da inteligência artificial no agronegócio representa uma transformação profunda e irreversível, colocando empresas inovadoras como a Fendt na liderança de um novo ciclo de produtividade, sustentabilidade e competitividade no Brasil e no mundo. “A Fendt não para e, sendo uma marca relativamente nova no Brasil, lançamos recentemente um portfólio amplo, moderno e tecnológico para atender a agricultura brasileira, como uma linha de tratores para preparo e plantio muito ajustada à nossa realidade, a plantadeira Fendt Momentum e a linha Fendt IDEAL, que revelou ser a melhor colheitadeira em termos de rendimento operacional e qualidade de grãos, além do pulverizador Fendt Rogator que é, sem dúvida, o produto com melhor tecnologia de aplicação do mercado. E muito mais está por vir”, finaliza Santos.