Clipping Diário

06 | Janeiro | 2026

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   06/01/2026

O primeiro Boletim Focus de 2026 apresentou índices de estabilidade em três das quatro medianas projetadas pelo mercado financeiro. A única que apresentou variação em relação às últimas semanas de 2025 foi a relativa à expectativa de inflação projetada para o ano corrente, que variou dos 4,05% projetados na semana passada, para 4,06% segundo o boletim divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central.

A inflação oficial do país tem como referência o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A variação de 0,01 ponto percentual apresentada neste boletim ocorre após uma sequência de oito estimativas seguidas de queda. Há quatro semanas, o mercado financeiro projetava uma inflação de 4,16% ao final de 2026.

Para os anos subsequentes, as projeções de inflação mantêm estabilidade há nove semanas, de 3,80% em 2027; e de 3,50% em 2028

Meta de inflação

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para 2025 é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A prévia da inflação oficial de dezembro ficou em 0,25%, resultado que faz o acumulado de 12 meses marcar 4,41%, dentro do limite da meta do governo.

Foi o segundo mês seguido com inflação acumulada dentro da margem de tolerância. Em novembro, o IPCA-15 tinha baixado para 4,5%, depois de ter ficado fora do limite desde janeiro. Em abril, o ponto mais alto desde então, chegou a 5,49%.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

PIB

Tanto as projeções do mercado financeiro para o câmbio, como para a taxa básica de juros (Selic) e a economia PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) apresentaram estabilidade nas últimas semanas.

No caso do PIB, as projeções são de crescimento de 1,8% em 2026 – mesmo percentual projetado para 2027. Para o ano seguinte (2028), o crescimento estimado pelo mercado financeiro para a economia é de 2%.

Câmbio e Selic

Com relação ao câmbio, o mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com uma cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Para 2027 e 2028, as cotações projetadas para a moeda estadunidense estão, respectivamente, em R$ 5,50 e R$ 5,52.

Já a Selic, que fechou 2025 a 15%, deve cair para 12,25% ao longo de 2026; para 10,50% em 2027; e 9,75% em 2028.

A taxa básica de juros situa-se no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/01/2026

A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) vai divulgar nesta terça-feira, 6, às 15 horas, o resultado da balança comercial de 2025. Às 15h15, no auditório do ministério, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, fará a abertura da entrevista coletiva.

A apresentação dos dados será realizada pela secretária-adjunta de Comércio Exterior, Daniela Matos, pelo diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, e pelo coordenador-Geral de Estatísticas, Saulo Castro.

A mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast com o mercado financeiro, é de superávit comercial de US$ 65,0 bilhões no ano passado, abaixo do registrado em 2024 (US$ 74,6 bilhões).

Já a previsão do governo para o superávit comercial de 2025, divulgada em outubro, é de saldo positivo de US$ 60,9 bilhões.

Diário do Comércio - MG   06/01/2026

A mediana do relatório Focus para o déficit primário do setor público consolidado em 2025 permaneceu em 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB) pela 13ª semana consecutiva A meta fiscal do ano passado é de déficit zero nas contas do governo central, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos.

A estimativa intermediária para o déficit primário do setor público em 2026 passou de 0,56% para 0,55% do PIB. Quatro semanas atrás, era de 0,60%. O alvo deste ano é de um superávit primário de 0,25% do PIB nas contas do governo central, também com tolerância de 0,25 ponto.

As projeções fiscais do Focus costumam indicar déficits maiores do que a meta do governo por duas razões. Elas se referem ao setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e empresas estatais, exceto Petrobras e Eletrobras), enquanto o alvo vale apenas para o governo central. Além disso, vários gastos não são contabilizados na meta fiscal, como o pagamento de precatórios.
Nominal

A estimativa intermediária para o déficit nominal de 2025 passou de 8,43% para 8,48% do PIB. Um mês antes, era de 8,40%. A mediana para o rombo nominal de 2026 passou de 8,61% para 8,66% do PIB. Quatro semanas atrás, era de 8,68%.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. O resultado nominal reflete o saldo após o gasto com juros e outras despesas financeiras.

A mediana para a dívida líquida do setor público (DLSP) como proporção do PIB em 2025 permaneceu em 65,97%. A estimativa intermediária para 2026 passou de 70,25% para 70,23%. Quatro semanas atrás, estavam em 65,95% e 70,27%, respectivamente.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/01/2026

Os mercados acionários globais, aproveitando a euforia da inteligência artificial no início de 2026, podem estar desconsiderando uma das maiores ameaças que podem estragar a festa: um aumento da inflação impulsionado em parte pelo boom dos investimentos em tecnologia.

Os índices de bolsas de valores dos Estados Unidos, onde sete grupos de tecnologia contribuíram com metade de toda a valorização do mercado no ano passado, tiveram ganhos de dois dígitos em 2025, atingindo recordes.

As expectativas de novos cortes no juro dos EUA também impulsionaram títulos de dívida, proporcionando aos investidores de Treasuries o melhor desempenho anual dos últimos cinco anos, já que a inflação recuou, embora permaneça acima da meta média de 2% do Federal Reserve.

Para 2026, espera-se que ondas de estímulo governamental nos EUA, Europa e Japão, bem como o boom da IA, reabasteçam o crescimento global.

Isso faz com que os gestores de dinheiro se preparem para que a inflação volte a acelerar, levando os bancos centrais a encerrarem ciclos de corte de taxas, freando o fluxo de dinheiro fácil para os mercados obcecados por IA.

“Você precisa de um alfinete que fure a bolha e ele provavelmente virá por meio de dinheiro mais apertado”, disse Trevor Greetham, chefe de multiativos da Royal London Asset Management. Ele disse que, embora estivesse mantendo as ações de grandes empresas de tecnologia por enquanto, não ficaria surpreso se visse a inflação crescendo em todo o mundo até o final de 2026.

O aperto monetário reduzirá o apetite dos investidores por investimento em tecnologia, aumentará custos de financiamento para projetos de IA e reduzirá lucros dos grupos de tecnologia e preços de ações, disse Greetham.

A corrida de vários trilhões de dólares dos chamados hiperescaladores, como Microsoft, Meta e Alphabet para construir novas centrais de processamento de dados também foi uma força inflacionária, disseram analistas, devido à taxa em que esses projetos estão consumindo energia e chips avançados.

“Em nossa previsão, os custos estão aumentando, e não diminuindo, porque há inflação nos custos dos chips e nos custos de energia”, disse Andrew Sheets, estrategista do Morgan Stanley.

Ele disse que a inflação dos preços ao consumidor dos EUA permanecerá acima da meta de 2% do Federal Reserve até o final de 2027, em parte devido ao forte investimento corporativo em IA.

Fabio Bassi, chefe de estratégia de ativos cruzados do J.P. Morgan, disse que a melhoria do mercado de trabalho dos EUA, os gastos com estímulo econômico e cortes nos juros já realizados manterão a inflação acima da meta do Fed “independentemente do preço dos chips”.

Em sua perspectiva para 2026, a Aviva Investors disse que um dos principais riscos de mercado seria o fato dos bancos centrais encerrarem ciclos de corte de taxas ou até mesmo começarem a aumentá-las, à medida que as pressões sobre os preços cresçam devido ao investimento em IA e às ondas de gastos com estímulos governamentais na Europa e no Japão.

CHIPS E JUROS

“O que nos mantém acordados à noite é que o risco de inflação ressurgiu”, disse Julius Bendikas, chefe europeu de economia e alocação dinâmica de ativos da Mercer, que administra US$683 bilhões em ativos diretamente e assessora instituições que administram um total de US$16,2 trilhões.

Bendikas ainda não está apostando em uma correção do mercado de ações, mas está se afastando dos mercados de dívida que podem ser abalados por um choque inflacionário.

Os mercados já deram os primeiros sinais de nervosismo em relação ao aumento dos custos e ao possível excesso de gastos com IA.

As ações da Oracle despencaram no mês passado, quando a empresa revelou que os investimentos aumentaram, enquanto as ações da Broadcom, sua parceira tecnológica nos EUA, também caíram depois que ela alertou que suas altas margens de lucro serão reduzidas.

A fabricante de computadores pessoais HP espera sentir a pressão sobre preços e lucros no segundo semestre de 2026, devido ao aumento nos custos dos chips de memória, impulsionado pelo aumento da demanda por centrais de processamento de dados.

“A inflação é o que pode começar a assustar os investidores e fazer com que os mercados apresentem algumas rachaduras”, disse Kevin Thozet, membro do comitê de investimentos e gerente de portfólio da gestora de ativos Carmignac.

Com a aceleração do ciclo de crescimento econômico, “o risco de inflação permanece muito subestimado”, disse ele, o que o levou a estocar Treasuries protegidos contra inflação. Com o aumento dos riscos de aumento da taxa de juros, disse ele, as avaliações de preço-lucro que os investidores aplicaram às ações de grandes empresas de inteligência artificial cairão.

ANALISTAS VEEM EXPLOSÃO DE CUSTOS DE IA

O Deutsche Bank espera que os investimentos em datacenters de IA atinjam até US$4 trilhões até 2030, e a rápida implantação desses projetos pode causar gargalos no fornecimento de chips e eletricidade, o que fará com que os custos de investimento aumentem, disseram analistas do banco.

George Chen, sócio da consultoria Asia Group, que ocupou anteriormente um cargo sênior na Meta, disse que o estouro dos custos e a inflação dos preços ao consumidor aumentarão os custos dos projetos de IA e levarão os investidores a repensarem a busca pelo tema da IA.

“A inflação dos custos dos chips de memória aumentará os preços dos grupos de IA, reduzirá os retornos dos investidores e, então, o fluxo de dinheiro para esse setor diminuirá”, disse ele.

Exame - SP   06/01/2026

O ano começou com uma crise de credibilidade diante da qual o governo reagia com uma surpresa que soava, ao mesmo tempo, ingênua e cínica. Ao menos sete fatores ajudam a explicar o cenário.

O primeiro deles é a bagagem: os economistas ligados ao PT — ou que ocupavam posições-chave na área econômica — historicamente nunca demonstraram compromisso com o equilíbrio fiscal. Em seguida, a PEC da Transição acabou encaixotando o governo em um nível de gasto público considerado inviável.

O terceiro ponto foi a ausência de um plano claro para a economia. O ministério da área foi fragmentado em seis pastas, das quais apenas uma era comandada por uma economista — que, já em janeiro, se destacou ao justificar que o prejuízo dos Correios não representava um rombo.

Na sequência, vieram as prioridades mal calibradas do ministro Fernando Haddad, que concentrou esforços no novo arcabouço fiscal e na reforma tributária. O conteúdo do arcabouço, aliás, gerou ruído: o próprio presidente da República declarou que a meta fiscal ali estabelecida "não significa nada".

Além disso, persistiu a ilusão de que o problema fiscal poderia ser resolvido apenas pelo lado da receita, desconsiderando a necessidade de cortes de despesas. Essa visão culminou com o fracasso, em dezembro de 2024, do pacote de medidas proposto para conter gastos.

Esse é o contexto no âmbito do qual se colocavam os desafios fiscais e da política monetária. Somando-se a isso, o tarifaço americano parecia trazer problemas sérios para o restante do ano.

Uma Selic a 15%

Gabriel Galípolo começa sua gestão no Banco Central em 1º de janeiro, o primeiro dia do terceiro ano da presidência do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Já nas três primeiras reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária em 2025), em janeiro, março e maio, a taxa Selic sobe, e na quarta, em junho, chega aos 15% em que permaneceu no restante do ano.

O presidente Lula esperneou o que pôde com Roberto Campos Neto, mas manteve um silêncio ensurdecedor diante do que se passou em 2025 — com isso confirmando o acerto da Lei Complementar 179/2021, que estabeleceu mandatos para os dirigentes do BC.

Os dirigentes do BC nomeados por Lula — ainda faltam dois, cujos mandatos se encerraram em no último dia 31 — conduzem a política monetária no exato figurino do sistema de metas, ao menos até agora. Não há uma “bancada vermelha”, nem nenhuma fenda no casco. A cultura da instituição prevaleceu sobre os imperativos e polarizações da política. Ao menos até agora.

Espera-se que o Copom cumpra o seu dever, declare vitória sobre a inflação, com as ressalvas de sempre, e comece a baixar a Selic em 28 de janeiro ou, no máximo, em 17 de março.

Graças ao enfraquecimento do dólar, o câmbio trouxe uma valiosa ajuda ao combate à inflação, que termina o ano invadindo a margem de tolerância. O IPCA acumulado de 12 meses caiu abaixo de 4,5%, que é a meta de 3% somada à margem de tolerância de 1,5%.

Vai ser tenso se as condições não estiverem presentes para o Copom cumprir esse destino.

O tarifaço de Trump

No decorrer do ano de 2025, ficou mais clara a lógica das medidas de Donald Trump anunciadas de forma bombástica no chamado liberation day, em 2 de abril. O Acordo do Plaza — episódio de 1985 que vale a lembrança — parecia ser a chave da entender o que se passava.

Naquela ocasião, a moeda norte-americana estava muito forte, o déficit comercial americano muito grande e o interesse de todos era em um dólar mais fraco. Era o que ajustava o resultado do comércio dos EUA às suas exportações de capital, e com isso reorganizava a economia global.

Mas a economia central não consegue desvalorizar a sua moeda do mesmo jeito que uma economia periférica. Tamanho faz diferença. Grosso modo, para uma moeda internacional de reserva ficar mais fraca em relação às outras, é preciso que os gestores das outras concordem em que suas moedas fiquem mais fortes, ou seja, menos competitivas.

Pois em 1985 no Plaza houve um acordo para alinhar as grandes moedas internacionais de reserva, pelo qual o dólar ficou mais fraco e o iene e o marco alemão ficaram mais valorizados.

Agora, são os chineses que estão na posição em que estavam japoneses e alemães, e a presunção foi a de que não topariam conversar para fortalecer o renminbi. Ou seria uma conversa muito difícil. Daí a ideia das tarifas, como método de fazer o mesmo — enfraquecer o dólar — unilateralmente. Ou seja, os americanos optaram por um protecionismo usado como arma, pelo qual o dólar já enfraqueceu uns 10% e os EUA perderam o AAA.

A execução foi horrível. O tarifaço foi um tamanho festival de atrapalhações pelo lado americano, que mal deu tempo para o Brasil reciprocar. Como se esperava, apareceu a diplomacia, os presidentes foram pragmáticos, evocaram uma “química” e o tarifaço foi derretendo até quase sair do noticiário.

O dólar enfraqueceu espontaneamente: uns 10% a 15% em termos globais desde o liberation day foram suficientes para levar o real para a região de R$ 5,5 ou menos (por dólar), quando se esperava (antes do tarifaço) que fosse para R$ 6 ou mais. Claro que fez muita diferença para a inflação brasileira.

Quem poderia dizer que Trump, depois de todo o pandemônio que fez, ajudaria a política monetária?

As contas fiscais

O grande debate do ano, entretanto, foi o fiscal.

Depois do fiasco do corte de gastos que nada cortou em dezembro de 2024, seguiram-se esforços para cumprir as metas reconhecidamente frouxas do arcabouço, misturados com “bondades” de vários tipos: pé de meia, gás do povo e o reajuste da tabela progressiva do imposto de renda, reempacotado espertamente como uma “reforma da renda”.

Em termos gerais, falhou a tentativa se resolver o problema fiscal pelo lado da receita, a despeito da marquetagem sobre Justiça Tributária e ataque aos super-ricos. Muito barulho por praticamente nada. A surpresa do ministro Haddad parece ser a pouca ressonância dessa fala. Talvez porque a carga tributária já esteja em 34,2% do PIB. Ou porque, no Brasil, haja mais empreendedores (são 15,7 milhões de MEIs) do que sindicalizados (8,4 milhões). Para muitos, o imposto não corrige distorções: o imposto é a distorção.

Mais uma vez, o governo nem tentou conversar sobre o imposto sobre grandes fortunas, a despeito do discurso da “justiça tributária”.

Muita gente se enganou com a aprovação por unanimidade do PL 1.087, no dia 1 de outubro, com a isenção de IR para rendas abaixo de R$ 5 mil: na verdade, era uma bondade contra a qual ninguém se opunha, pois era a correção monetária da tabela progressiva do imposto de renda, um assunto já antigo, inclusive promessa de campanha do presidente Lula.

O problema era com as “compensações”, ou com o financiamento dessa como de outras “bondades”. Não é fácil governar sem dinheiro.

O tema das “compensações fiscais” vinha sendo debatido faz algum tempo. O governo havia feito a opção por não recorrer a cortes de despesas e pensava explorar alguma forma de taxação dos super-ricos, com isso trazendo uma dimensão distributiva, portanto política, para o debate sobre o equilíbrio fiscal.

Seria fácil se houvesse uma solução assim: simples e politicamente proveitosa. Só que não. Mas a clareza sobre essa impossibilidade talvez só tenha se estabelecido no dia 7 de outubro, menos de uma semana depois da grande vitória do dia 1, quando o governo amargou derrota parlamentar de amplo espectro na Câmara ao apostar na votação da Medida Provisória 1.303 dispondo sobre a tributação de aplicações financeiras.

Foi uma derrota política maiúscula — o placar foi 251 a 13 — que não se mede pelas previsões de arrecadação perdida. Não foram números impressionantes, pois era uma MP repleta de pequenas maldades que se resolveu votar em razão de presunção de que era grande o apoio parlamentar do governo. Não era.

Um pé no acelerador, outro no freio

Tudo considerado, o ano é de um pé no acelerador, outro no freio: déficit grande e juro alto. O carro gasta muita energia, patina no mesmo lugar, muito pneu cantando, tensão e reclamação, mas pouco movimento. O ano termina com a dívida pública chegando em 80% do PIB, um nível inédito e assustador: talvez já no modo pirâmide e a eleição nem começou.

Quando a dívida pública chega em 80% do PIB e o superávit primário é de 1,5% do PIB, o que temos é uma dívida com um múltiplo de 60x a geração de caixa. Uma empresa com esse tipo de endividamento é considerada totalmente inviável. E o Brasil não tem um superávit primário de 1,5% do PIB, mas um déficit de 0,7% do PIB.

Mas o presidente não está preocupado. Nos últimos anos, os presidentes ignoraram as advertências dos economistas sobre a precariedade da situação fiscal. Sempre parecia factível dar mais uma pedalada, ainda mais num ano eleitoral.

Vamos ver como será dessa vez.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/01/2026

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Há um mês, também estava em 12,25%. Considerando apenas as 39 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,13% para 12,0%.

No último dia 10, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% pela quarta vez seguida. A decisão veio em linha com a mediana do Focus para a Selic no fim de 2025, que permaneceu estável nesse nível por 24 semanas.

Na ata, o colegiado afirmou que “a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 47ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 9,75%. Há um mês, estava em 9,50%.

O Estado de S.Paulo - SP   06/01/2026

A economia brasileira não poderá contar neste ano com o empurrão do agronegócio, e com isso seu crescimento será ainda mais dependente do consumo das famílias e do setor de serviços. Conforme as previsões de mercado, 59% do crescimento econômico em 2026 acontecerá no setor onde estão incluídos o comércio, as transportadoras, os bancos e inúmeros outros prestadores de serviços.

Pelos cenários traçados por economistas consultados pelo Estadão/Broadcast, os juros altos seguirão tirando fôlego da atividade. Mas uma desaceleração mais forte será limitada pela expansão da renda e por estímulos ao consumo lançados pelo governo. O saldo final será uma moderação do crescimento — de 2,3% em 2025 para 1,8% em 2026 —, caso se confirmem as previsões coletadas pelo Banco Central (BC) no mercado para a publicação do boletim Focus.

Os porcentuais são calculados a partir das previsões de economistas coletadas pelo BC, ponderadas pelo peso de cada setor no Produto Interno Bruto (PIB) (veja gráfico).

A desaceleração deve atingir quase todos, variando, porém, de intensidade entre os setores. “Embora as condições financeiras também devam seguir pesando sobre o setor de serviços, o mercado de trabalho ainda robusto deve sustentar ganhos de renda, impulsionados também pela isenção de imposto de renda (a salários de até R$ 5 mil) e pela nova linha de crédito consignado a trabalhadores do setor privado”, comenta Gabriel Couto, economista do Santander.

“Enquanto as condições climáticas, que favoreceram a produção das principais lavouras no ano passado, não devem se repetir em 2026, os gastos com bens e serviços devem continuar sustentados pelo mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e pela massa de renda em expansão”, diz Natalia Cotarelli, economista do Itaú Unibanco.

No ano passado, o setor de serviços, de onde saiu quase metade do crescimento do PIB, foi mais uma vez o principal motor da economia, mas tendo no agro um aliado de peso. Com a safra recorde de grãos, a produção na agropecuária superou as adversidades climáticas de 2024, ofuscou os primeiros efeitos da alta dos juros na atividade e contribuiu com 26% do crescimento do PIB em 2025.
Qual é o motivo de cautela no campo

Só que, para 2026, os economistas estão cautelosos em relação ao desempenho do campo, não só pela base de comparação alta, que torna mais difícil o crescimento, mas também pelas possíveis alterações climáticas promovidas pelo La Niña.

Em paralelo, os preços dos grãos seguirão pressionados pelo aumento da oferta em uma economia global que tende a crescer menos. As previsões apontam para um crescimento de 2% da agropecuária em 2026, saindo dos 10,3% estimados para o resultado final de 2025.

Se confirmado o prognóstico, significará uma participação de 6% no crescimento do PIB em 2026, ou seja, basicamente um quarto da contribuição dada pela produção do campo no ano passado.

Com os juros altos batendo nos setores mais dependentes de crédito, como construção civil e as fábricas de bens duráveis e de máquinas e equipamentos, a indústria deve continuar crescendo menos do que as demais atividades, preveem os economistas. Ainda que as apostas majoritárias sejam de corte da Selic em março, os reflexos do afrouxamento monetário só devem ser sentidos no segundo semestre.
O impacto de petróleo e minérios

Setores extrativistas tendem a compensar em parte esse impacto com mais produção de petróleo e minérios, de forma que a indústria, como um todo, deve responder por 16% do crescimento do PIB de 2026, uma contribuição um pouco superior à estimada para 2025 (14%).

Economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa diz que, enquanto os investimentos devem sentir os juros altos, o consumo das famílias será o principal vetor de crescimento neste ano, na esteira da continuidade de um mercado de trabalho robusto, das novas modalidades de crédito e da maior disponibilidade de renda dos trabalhadores que serão beneficiados pelas mudanças nas faixas do imposto de renda.

“O setor de serviços deve manter crescimento próximo ao estimado para 2025, sustentado por medidas de estímulo e resiliência do mercado de trabalho. Já a indústria, particularmente o segmento de transformação, deve apresentar desaceleração mais acentuada, refletindo o ambiente de juros elevados, queda da utilização da capacidade instalada e nível de confiança relativamente moderado”, prevê Honorato.

Em resposta enviada por sua equipe macroeconômica, o BTG Pactual aponta também a Copa do Mundo, que costuma alavancar as vendas de bebidas, alimentos e televisores, entre os acontecimentos que devem ajudar o varejo até o fim do ano.

A elevação do salário mínimo, acrescenta o BTG, será outra variável a sustentar a demanda. O banco pondera, por outro lado, que o alto endividamento das famílias representa um risco, uma vez que pode frear a oferta de crédito ao longo de 2026.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   06/01/2026

Os contratos â  futuros de minério de ferro na China subiram nesta segunda-feira, o primeiro pregão do ano novo, apoiados pela forte demanda e pelas restrições contínuas de oferta.

O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) ganhou 7,5 iuanes, ou 0,95%, para 797 iuanes (US$114,16) a tonelada.

Os mercados chineses retomaram as negociações após o feriado de Ano Novo.
O contrato de referência de fevereiro do minério de ferro na Bolsa de Cingapura subiu 0,29%, para US$105,65 a tonelada.

Os preços chineses do minério de ferro estão sendo sustentados pelas siderúrgicas, que estão reabastecendo estoques antes do feriado do Ano Novo Lunar em fevereiro, enquanto a oferta doméstica â  restrita â  também tem dado mais apoio.

Várias minas estão limitando a produção devido a medidas de proteção ambiental, de acordo com uma nota do Shanghai Metals Market.

Os estoques dos cinco principais produtos de aço-carbono mantidos pelas usinas siderúrgicas chinesas caíram 1,1% em relação à semana anterior, para 3,81 milhões de toneladas entre 26 e 31 de dezembro, informou a consultoria Mysteel.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   06/01/2026

As exportações chinesas de veículos elétricos de passageiros aceleraram em novembro de 2025, impulsionadas pelo aumento de volume e pela expansão para novos mercados. No mês, a China exportou 399,4 mil unidades, alta de 144,93% na comparação anual, com valor de US$7,076 bilhões, crescimento de 139,83%.

O avanço ocorre em um contexto de retração das importações e reforça a estratégia chinesa de consolidar mercados centrais enquanto amplia a presença em mercados potenciais.

No acumulado de janeiro a novembro, as exportações somaram 3,3731 milhões de unidades, alta de 63,59%. O valor total do comércio exterior de veículos elétricos de passageiros atingiu US$65,292 bilhões, crescimento anual de 34,47%. Apenas as exportações responderam por US$61,537 bilhões, avanço de 41,66%.

Automóveis de passeio concentram exportações

Em novembro, os automóveis de passeio responderam por 99,73% do volume exportado e 97,19% do valor total. O segmento exportou 398,3 mil unidades, crescimento anual de 146,12%, com valor de US$6,878 bilhões, alta de 154,25%.

O preço médio de exportação dos automóveis de passeio ficou em US$17.265,35, com leve alta anual de 3,30%. Por tipo, os veículos 100% elétricos registraram aumento médio de 6,11% no preço. Os híbridos plug-in tiveram queda de 24,40%, enquanto os híbridos não plug-in apresentaram alta de 1,88%.

O preço médio geral dos veículos elétricos de passageiros exportados em novembro foi de US$17.715,65, queda de 2,08% na comparação anual e de 6,22% frente a outubro.

Exportações de ônibus recuam

O segmento de ônibus registrou queda em novembro. As exportações somaram 1.083 unidades, retração anual de 11,95%. O valor exportado foi de US$199 milhões, queda de 19,10%, com preço médio de US$183.343,60, recuo de 8,11%.

Os ônibus elétricos puros representaram 97,05% do total, mas apresentaram queda tanto em volume quanto em preço. Os ônibus híbridos, apesar da base reduzida, mostraram crescimento mensal, com forte volatilidade.

Europa e Ásia lideram; mercados emergentes aceleram

Entre janeiro e novembro, os principais destinos das exportações chinesas foram Bélgica (US$6,18 bilhões), Reino Unido (US$5,488 bilhões) e Emirados Árabes Unidos (US$3,773 bilhões). Os dez principais mercados concentraram 53,86% do valor total exportado.

Em novembro, Ásia e Europa seguiram como principais destinos, com importações de US$3,037 bilhões e US$2,253 bilhões, respectivamente. Nos mercados emergentes, a América do Norte registrou alta de 404,36%, alcançando US$836 milhões. A América do Sul somou US$499 milhões, crescimento de 248,76%. África e Oceania também apresentaram expansão.

Montadoras chinesas ampliam presença internacional

Em novembro, montadoras chinesas aceleraram a expansão produtiva no exterior. A Renault–Geely anunciou planos para ampliar a produção no Brasil. A BYD segue com projetos industriais na Turquia, com início de operação previsto para 2026. A BAIC iniciou a montagem de veículos na África do Sul, enquanto a Great Wall Motors ampliou a produção no Uzbequistão.

A expansão combina produção local, exportação de tecnologia e integração da cadeia de suprimentos, marcando uma nova fase da presença global das montadoras chinesas.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/01/2026

A General Motors (GM) e vários concorrentes relataram quedas nas vendas de final de ano, um sinal preocupante de que as vendas de automóveis nos EUA desacelerarão em 2026, à medida que os consumidores resistem aos preços mais altos.

A GM, a maior montadora dos EUA em vendas e um termômetro para a indústria americana, disse nesta segunda-feira que as vendas caíram 7% no último trimestre de 2025, apesar de um aumento de 5,5% nas vendas anuais. Honda, Hyundai e Mazda também afirmaram que suas vendas recuaram no final do ano passado.

Os resultados anuais da montadora de Detroit foram impulsionados por vendas incrementais de veículos elétricos, bem como ganhos em SUVs grandes e veículos de entrada, como o Buick Envista, segundo a CNBC.

Analistas e montadoras preveem que as vendas anuais nos EUA cairão em 2026, após três anos consecutivos de ganhos, à medida que os consumidores americanos – que estão apertando o cinto – colidem com os custos das tarifas, que as empresas provavelmente não continuarão absorvendo.

“O que vimos em 2025 vai se estender para 2026”, diz Randy Parker, CEO da Hyundai Motor America, que relatou queda de vendas em 1% no quarto trimestre. “A forma como os consumidores estão pensando agora, ainda estamos lidando com a inflação, com o sentimento negativo do consumidor.”

A Stellantis, fabricante do Jeep, disse que as vendas nos EUA no quarto trimestre aumentaram 4%, em comparação com um trimestre especialmente difícil no ano anterior.

A montadora italiana vem enfrentando anos de queda na participação de mercado americano e, no ano passado, reduziu os preços e aumentou as promoções para se tornar mais competitiva.

A Ford planeja divulgar os resultados de vendas na terça-feira.

O Estado de S.Paulo - SP   06/01/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, nesta segunda-feira (5), um limite de crédito de R$ 500 milhões para apoiar o plano de investimentos da Toyota do Brasil. Os recursos serão destinados à aquisição de máquinas, equipamentos e serviços tecnológicos de alto valor agregado, voltados a novos projetos de veículos híbridos flex na unidade de Sorocaba (SP).

Com recursos do programa BNDES Mais Inovação, a montadora vai adquirir serviços e bens inovadores produzidos pela indústria 4.0, além de contribuir para a ampliação da base de fornecedores cadastrados no programa do banco que oferecem equipamentos com conteúdo nacional.

Com isso, outras empresas também poderão ter acesso a essas tecnologias. O financiamento ainda ajudará na retomada da fábrica de Porto Feliz (SP), atingida por fortes chuvas e ventos intensos em setembro de 2025 (entenda mais abaixo).

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“A atuação do BNDES é fundamental para acelerar a difusão de máquinas, equipamentos e serviços tecnológicos da indústria 4.0 no Brasil. Ao apoiar investimentos como o da Toyota, contribuímos para o desenvolvimento de novos projetos e para o fortalecimento da base nacional de fornecedores, ampliando o acesso a tecnologias inovadoras e impulsionando a modernização da indústria brasileira, com mais competitividade, inovação e conteúdo nacional”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Relembre o caso

Em 21 de setembro de 2025, uma tempestade severa com ventos de até 90 km/h atingiu a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (interior de SP), causando danos estruturais graves.

Telhas foram arremessadas a quilômetros de distância, houve entrada de água e colapso de áreas que abrigavam equipamentos de alta precisão, o que levou a montadora a classificar a planta como perda total, exigindo reconstrução quase integral.

O impacto interrompeu a produção dos motores 1.8 e 2.0, afetando diretamente a fabricação do Corolla e do Corolla Cross no Brasil, além das exportações para a América Latina e os Estados Unidos.

A crise também forçou o adiamento do lançamento do SUV Yaris Cross, inicialmente previsto para outubro, e levou à adoção de medidas trabalhistas como banco de horas, férias coletivas e layoff temporário para cerca de 4,6 mil funcionários.

Depois de mais de um mês de paralisação, a Toyota retomou gradualmente a produção em 3 de novembro, nas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, enquanto a unidade de Porto Feliz segue em processo de recuperação.

A expectativa da empresa é normalizar completamente a produção apenas agora, no início de 2026, diante da complexidade para reativar máquinas sensíveis em ambiente controlado. Apesar de ter sido lançado no fim de 2025, as primeiras unidades do Yaris Cross só chegarão às garagens dos primeiros clientes em fevereiro.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Diário do Comércio - MG   06/01/2026

A grande quantidade de obras e construções em Minas Gerais favoreceu o setor de locação de máquinas ao longo de 2025, que deve fechar com crescimento de próximo a 7%, em comparação com 2024, quando o faturamento chegou a R$ 13,6 bilhões. O resultado está dentro das expectativas, que ficaram entre 7% e 10% no ano.

Os números poderiam ser ainda melhores, caso a taxa básica de juros anual estivesse menor. Com o Comitê de Política Monetária (Copom), tendo definido, em junho deste ano, a taxa em 15% ao ano, o investimentos no setor acabou sendo freado, é o que aponta o Sindicato das Empresas Locadoras de Equipamentos, Máquinas, Ferramentas e Serviços Afins de Minas Gerais (Sindileq/MG).

“O ano de 2025 consolidou-se como um período de expansão resiliente. Diferente de anos de “boom“, foi um crescimento sustentado por nichos específicos”, avalia o gerente executivo do Sindileq, Allan Rodrigues, destacando a importância da mineração e construção civil, responsáveis por cerca de 60% a 70% do mercado, e também o setor de energia solar.

A descaracterização de barragens, processo que busca eliminar o risco de colapso de estruturas de mineração, e novas frentes para exploração de minérios foram pontos fortes para locação de maquinário no Estado, assim como os parques de energia solar no Norte de Minas, onde ficam as maiores usinas do País, com destaque para Janaúba e para o Vale do Jequitinhonha.

No Brasil, a estimativa é que o setor chegue a um faturamento anual próximo a R$ 70 bilhões, valor próximo ao de 2025.

Rodrigues pontua que os números só não foram melhores devido ao valor alto da taxa básica de juros, o que afeta o setor de construção civil, um dos grandes clientes para locação. “Apesar dos juros ainda em patamares elevados que seguraram alguns lançamentos imobiliários, as obras de infraestrutura urbana e logística compensaram a balança”, afirma.

Entre os pontos de maior dificuldade para o setor neste ano, ainda de acordo com o gerente executivo, estão o alto custo do crédito, que afetou a renovação da frota de máquinas, e a falta de mão de obra qualificada para operação de novos equipamentos. Já que, ao longo do ano novas tecnologias passaram a ganhar espaço no mercado, principalmente equipamentos com menor emissão de carbono (ESG) e maior adoção de telemetria .

Otimismo para 2026

A possibilidade de queda na taxa Selic, pressão por metas de descarbonização e maior investimento em tecnologias limpas e o ano eleitoral devem impulsionar o setor em 2026, principalmente no segundo semestre, aponta Allan Rodrigues.

“É ano eleitoral. Historicamente, há uma aceleração na entrega de obras públicas e infraestrutura estadual e federal, o que gera uma demanda imediata por máquinas e ferramentas”, argumenta.

Já em relação a possível retração da taxa básica de juros, a expectativa é que a queda facilite que empresários do ramo financiem novos equipamentos, via do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), inclusive máquinas pesadas.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   06/01/2026

Em um ano marcado pela taxa de juros de 15%, inflação abaixo de 4,5% e o menor nível de desemprego da série histórica do IBGE, o mercado imobiliário brasileiro tem motivos para celebrar. O número de lançamentos aumentou, o Minha Casa, Minha Vida se expandiu e o volume de absorção de estoque é alto. Para 2026, os incorporadores pregam cautela, mas mantêm o otimismo.

Bruno Sindona, fundador da Sindona.inc, incorporadora especializada em imóveis populares na região metropolitana de São Paulo, afirma que o cenário que se desenha é promissor, mas desaquecido. “Os juros altos diminuem o otimismo das famílias e impactam as vendas. A gente viu juros altos assim em 2015 e 2016, e muitas empresas quebraram”, diz.

“Hoje, as vendas estão sólidas, mas uma taxa (de juros) tão alta aumenta a inadimplência, é proibitiva para o setor, principalmente para aqueles que não se encaixam no Minha Casa, Minha Vida, e é ruim até para os bancos”, analisa Sindona. O empresário acredita que o bom desempenho do segmento depende de uma queda de juros ainda no primeiro trimestre de 2026.

Neste cenário, ele diz, as construtoras e os compradores tendem a se animar e acelerar os lançamentos. “O mercado está esquizofrênico. O cliente quer comprar, mas o juro tá alto. Tínhamos uma grande operação de crédito para fazer em 2025, mas seguramos”, afirma o executivo. “Mas, sinceramente, acho que o pior já passou”, comenta.

Protagonismo do Minha Casa, Minha Vida

Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) indicam que o MCMV representa atualmente 47% do número de unidades lançadas e 44% das unidades vendidas em todo o País. E é na esteira do programa que o mercado imobiliário deve continuar correndo em 2026.

Para aproveitar o momento, a Alfa Realty, incorporadora especializada no alto padrão, vai lançar o seu primeiro projeto econômico.

Localizado no bairro Bom Retiro, na região central de São Paulo, o edifício será voltado para a Faixa 3 do MCMV. “Se a gente for bem, vamos ampliar os lançamentos”, diz Eudoxios Anastassiadis, fundador da empresa. “Esse público está morando mal, apertado e até sem casa. Os subsídios motivam o empresário, que é fundamental para gerar habitação”, complementa.

Anastassiadis acredita que o segmento deve continuar em alta, especialmente pela criação da Faixa 4 e pelas mudanças anunciadas em outubro pelo governo federal. O pacote prevê a ampliação do teto de financiamento e novas regras para o direcionamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A iniciativa pretende alcançar a classe média.

“O médio e o alto padrão devem continuar castigados ano que vem, mas tem uma luz boa no fim do túnel com a descida tímida dos juros”, comenta Bianca Setin, vice-presidente da Setin Incorporadora.

Por meio do Mundo Apto, produto da Setin voltado para o segmento econômico, a empresa pretende aumentar o número de lançamentos voltados para o programa. Enquanto apenas um prédio de alto padrão da Setin Incorporadora está previsto para o próximo ano, o grupo planeja lançar nove projetos econômicos.

Além do segmento econômico e deste único projeto, o foco da empresa em 2026 será na venda do estoque já existente. A executiva, porém, não descarta um possível retorno à classe média nos próximos anos. A demanda reprimida desse público, segundo Setin, deve começar a estimular a produção quando a taxa de juros atingir um “patamar mais saudável”.
Esperança na classe média

Também é diante da perspectiva de reaquecimento da classe média que a incorporadora paulistana Magik LZ pretende retomar o ritmo de lançamentos voltados a esse público no próximo ano, com imóveis que custam de R$ 700 mil a R$ 2 milhões.

“As incorporadoras pararam de lançar para a classe média e, diante da escassez, fizemos um lançamento nesse perfil que foi superbem em 2025. Esse público precisa comprar, mas é preciso oferecer preço e viabilizar um produto diferente”, comenta Ricardo Zylberman, sócio-diretor da empresa. A expectativa dele é que a queda de juros impulsione a média renda.

Como reflexo dessa estratégia, a Magik LZ prevê quatro lançamentos dentro desse perfil de preço no próximo ano. O MCMV, porém, não deve ficar de lado. Atualmente, 50% dos novos projetos são enquadrados no programa. “É um setor muito resiliente. Existe um déficit de habitação muito grande”, diz o executivo, que não teme o impacto do período eleitoral no setor.
Incertezas políticas

Para Zylberman, o fato de haver uma eleição presidencial não muda os planos da incorporadora. “No dia seguinte à eleição, a vida continua. Todo mundo está vivo e tem que trabalhar, tem que morar”, diz. “Independente do governo que assumir, de direita ou de esquerda, ele não vai diminuir os incentivos para a habitação”, afirma.

Já Anastassiadis, da Alfa Realty, acredita que a eleição será uma das mais difíceis dos últimos anos e que o clima bélico pode, sim, impactar os negócios. “Acho que quem quiser voar muito acima da grama pode quebrar, cair e se esborrachar”, comenta. Mais do que as questões políticas em si, ele teme a incerteza que o cenário eleitoral pode gerar nos investidores.

“O cliente de alto padrão, que não tem pressa, pode adiar a decisão de compra diante da confusão e das incertezas geradas pela política”, sintetiza. Anastassiadis enxerga que o MCMV deve se tornar um porto seguro do mercado imobiliário no período.

Para Bruno Sindona, da Sindona.inc, por outro lado, mesmo o programa habitacional está em risco. O empresário afirma que não é possível separar a questão política do Minha Casa, Minha Vida e observa que o governo Lula demonstra paixão e priorização pelo programa. Ele aponta a continuidade do governo como um fator relevante para manter as incorporadoras do segmento econômico engajadas e produzindo.

“Temos R$ 300 milhões previstos em lançamentos para 2026, mas só vamos seguir com a queda dos juros. Se isso não acontecer, devemos reorganizar os projetos, pois o mercado imobiliário depende muito do otimismo do consumidor”, afirma. “E, de acordo com o resultado das eleições, podemos ter que readequar o planejamento de 2027 e 2028”, acrescenta.

Imóveis mais caros

Segundo dados da Sondagem da Construção, divulgado em maio pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), 82% das empresas relatam dificuldade para contratar novos trabalhadores. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulado nos últimos 12 meses chegou a 6,58%, também influenciado pela ausência de mão de obra.

No entanto, diante desses obstáculos, a tendência é que os imóveis comecem a ficar cada vez mais caros. Na visão de Fabio Rossi, CEO da Incorporadora FFI, especializada no mercado de alto padrão, os preços devem aumentar acima da inflação e dos juros nos próximos dois anos. “Em 2026, teremos mais impostos, terrenos mais caros e mão de obra mais rara”, enumera.

“Um carro popular que custava R$ 20 mil há dez anos, hoje custa R$ 45 mil. Os valores dos imóveis estão defasados e devem subir o preço”, compara. Rossi defende que o momento é positivo para investidores, que devem ver uma rápida valorização.

O empresário planeja lançar cinco condomínios de casas de luxo no próximo ano, visando um VGV de R$ 670 milhões.

Na linha do alto padrão, a aposta da incorporadora FLG Realty é em projetos que mesclam hotelaria e residencial, com a assinatura de grifes internacionais. “Vemos que o mercado está com muito apetite para novos projetos. Quem estiver prevendo uma melhoria do setor imobiliário após a queda de juros vai poder colher os frutos do mercado e beber água fresca”, diz Fernando Guimarães, CEO da construtora.

FERROVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   06/01/2026

O Governo de Minas Gerais concedeu isenção de ICMS para a importação de trens que serão utilizados na implantação do Sistema de Trens Metropolitanos de Belo Horizonte e que estão sendo produzidos pela empresa chinesa, CRRC. A medida foi publicada no Diário do Executivo do Estado e assinada pelo governador Romeu Zema.

De acordo com o texto, a isenção vale até 31 de dezembro de 2026 e se aplica à importação de 24 trens completos. Cada composição é formada por quatro carros, sendo três motores e um reboque, totalizando 96 carros.

Ainda conforme o documento, o benefício fiscal está restrito às operações de importação realizadas diretamente pela concessionária Metrô BH S.A., responsável pela prestação do serviço público de transporte metroferroviário de passageiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os trens deverão ser destinados exclusivamente à operação do sistema.

O decreto estabelece ainda que a liberação dos bens importados será condicionada à apresentação da Guia para Liberação de Mercadoria Estrangeira sem Comprovação do Recolhimento do ICMS. O documento poderá ser obtido por meio do módulo Pagamento Centralizado de Comércio Exterior do Portal Único de Comércio Exterior ou pelo sistema e-Comext, integrado ao Pucomex.

Como condição adicional, a empresa deverá encaminhar, em até 15 dias após a entrada ou o recebimento dos bens, comunicação por e-mail à Secretaria de Estado de Fazenda comprovando o cumprimento das exigências para fruição da isenção. O decreto ainda dispensa o estorno de créditos de ICMS relacionados às operações beneficiadas e entra em vigor na data de sua publicação.

Questionado, o governo de Minas ressalta que a aquisição dos trens do metrô no mercado chinês se deve “à maior agilidade na entrega dos equipamentos, fator essencial para o cumprimento do cronograma de expansão do metrô”.

“Caso a aquisição fosse realizada no mercado interno, que não possui capacidade de atender à demanda no prazo necessário, também não haveria recolhimento do imposto, devido às atuais regras vigentes de importação”, destaca o Estado em nota.
Reformas no metrô de Belo Horizonte

A vinda dos novos trens faz parte das reformas na rede metroviária de Belo Horizonte, que consiste na expansão da Linha 1, na construção da Linha 2 – que terá 10,5 quilômetros e sete novas estações -, além da substituição de veículos antigos. Atualmente, a frota da capital é composta por 35 trens: 25 deles começaram a operar na década de 1980, e dez, em 2015. A previsão da Metrô BH é que os modelos mais antigos sejam substituídos pelos novos. Veja abaixo as novas estações da Linha 2:

Segundo a Metrô BH, a estimativa é de que as duas primeiras estações, Nova Suíça e Amazonas, já serão entregues no segundo semestre de 2026, e as outras cinco no decorrer de 2027 e 2028.

Valor - SP   06/01/2026

Vagões devem ser fabricados e entregues entre maio de 2026 e novembro de 2027

A Randoncorp informou a entrada em vigor do contrato com a Arauco Porto Brasil e a interveniência das operadoras logísticas Rumo, Rumo Malha Norte e Rumo Malha, para o fornecimento de um “volume relevante” de vagões ferroviários a serem fabricados e entregues entre maio de 2026 e novembro de 2027. O preço contratual é estimado em R$ 770 milhões.

Em comunicado ao mercado, a Randon destacou que possui “amplo conhecimento técnico” e experiência na produção de vagões ferroviários para o transporte de carga.

“Esse contrato, que contribuirá de forma relevante para o desempenho da vertical montadora nos próximos dois anos, reforça a trajetória de sucesso da Randoncorp neste mercado”, afirmou a empresa.

Ao longo de sua história, a Randon já fabricou mais de 13 mil vagões para os principais operadores ferroviários do Brasil e do exterior. Com essa transação, a companhia “fortalece sua participação neste segmento e reforça seu posicionamento como o principal fabricante de soluções para o transporte do país”, acrescentou.

Revista Ferroviaria - RJ   06/01/2026

As indústrias ferroviárias instaladas no país projetam fabricar mais locomotivas, vagões e carros de passageiros em 2026, mas afirmam que o desempenho poderia ser melhor se houvesse igualdade de condições em relação à concorrência estrangeira. Da China, no caso.

A CRRC, estatal chinesa que é a maior fabricante de suprimentos ferroviários do mundo, venceu concorrência bilionária do Metrô de São Paulo, está no consórcio do TIC (Trem Intercidades) e foi fornecedora recente de trens para a única rota interestadual com operação diária no país.

A Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária) afirma que o cenário previsto para este ano deverá resultar na fabricação de 72 locomotivas, ante 66 de 2025, o que significa 9,09% mais, desempenho que também se refletirá nos vagões de cargas e carros de passageiros.

A previsão é que sejam produzidos 1.900 vagões de carga, 200 a mais que neste ano, ou 11,76% mais. Se confirmada, representará o quarto ano seguido de crescimento no segmento.

Devem ser produzidos ainda 193 carros de passageiros, aumento de 58,19%, robusto se comparado aos 122 de 2025 que, no entanto, foi um ano ruim para o setor em 2024, foram 228 unidades.

No caso dos vagões e das locomotivas, o patamar projetado pela Abifer é o maior da década. Desde 2018, quando foram fabricados 2.566 unidades, as indústrias não produziam tanto. As locomotivas, por sua vez, terão o melhor desempenho desde 2017, ano em que 81 unidades foram fabricadas.

O presidente da Abifer, Vicente Abate, afirma que o cenário poderia ser melhor se houvesse igualdade de condições em relação à concorrência externa.

Nós temos uma pressão muito grande dos chineses no mercado brasileiro. Eles são muito agressivos comercialmente falando. Têm qualidade, não quero aqui colocar suspeita em qualidade, diz. Em 2019, a Supervia retirou de circulação 40 trens produzidos pela CRRC após apresentarem problemas em suas caixas de tração. Abate diz que que esse problema ficou no passado.

Para o executivo, o poder econômico das companhias chinesas leva a operações agressivas. Ele cita a concorrência dos 44 trens para o metrô de São Paulo, que serão fabricados pela CRRC. Segundo ele, os fabricantes nacionais chegaram ao limite no pregão.

O governo paulista assinou neste ano um contrato de R$ 3,1 bilhões para o fornecimento de 44 trens para as linhas 2-Verde, 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô. A CRRC deve fazer a primeira entrega no primeiro semestre de 2027, e a previsão é que todos estejam prontos para operação em 2030.

Com sede em Pequim, a CRRC tem rendimento anual na faixa dos R$ 170 bilhões, segundo dados de 2023 da revista Fortune. A companhia tem contratos de venda com países como Alemanha, Suíça e Japão, é fabricante de trens usados nos Estados Unidos, México, Portugal e Turquia e, nos últimos anos, saiu vencedora de leilões para construir linhas de metrô em Medellín e Bogotá.

Ela faz parte do consórcio encabeçado pela Comporte, holding brasileira ligada à família Constantino, fundadora da Gol, e que fará o TIC (Trem Intercidades) e também foi a fornecedora dos trens de passageiros comprados pela Vale para operar na Estrada de Ferro Vitória a Minas.

O vice-presidente do Simefre (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), Massimo Giavina, afirma que as indústrias brasileiras são competitivas no exterior, mas sofrem no mercado interno o que ele considera ser concorrência desleal.

Abate disse que o setor tem trabalhado junto ao governo no sentido de obter financiamentos mais competitivos, e para isso tem feito visitas a ministérios e conversado com deputados federais, senadores e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).

Há empresas fornecendo para Taiwan, Romênia, Chile. A Alstom já forneceu mais de mil carros de passageiros para o exterior. Nós temos competitividade, mas queremos isonomia, disse Giavina.

Para fornecer ao metrô de São Paulo, a CRRC deverá ter parte da sua produção em Araraquara (a 273 km de São Paulo), numa área da Hyundai Rotem, com investimento de R$ 50 milhões e que deve gerar cem empregos. O contrato exige um índice de nacionalização na produção.
EM ALTA, MAS LONGE DO PICO

A trajetória prevista para o ano que vem indica a tendência de retomada gradual da indústria ferroviária nacional, impulsionada principalmente pela demanda de cargas e por investimentos em renovação e expansão de frota, mas o setor ainda opera bem abaixo de sua capacidade histórica máxima.

Em 2016, foram feitos 473 carros de passageiros, um ano após as indústrias produzirem 129 locomotivas. O total de vagões projetado para 2026 representa só um quarto dos 7.597 fabricados em 2005.

A Marcopolo Rail, braço da Marcopolo especializado no setor ferroviário, é uma das fabricantes com encomendas para serem entregues em 2026. Após fornecer neste ano dois trens para a EFE Trenes de Chile, ela entregará trens para o Metrô de Teresina duas composições de dois carros de 18 m cada.

É um ramal histórico, esse de Talca-Constitucion [Chile], que opera com trem muito antigo hoje. São trens, inclusive, que já vão virar turísticos e museus. E o nosso trem vem para trazer, inclusive, uma velocidade melhor para esse ramal e um conforto para a população. O impacto na região é muito grande, diz Petras Amaral, gerente-executivo da companhia.

Ele afirma que a atualização das redes de metrôs brasileiros e projetos em desenvolvimento representam uma oportunidade de crescimento para a empresa, criada há cinco anos, e cita trechos ferroviários não aproveitados por concessionárias de cargas como potenciais para a implementação do transporte de passageiros.

É importante aproveitar essas ferrovias devolvidas ou até revitalizar alguns ramais importantes. Isso torna mais rápida a implementação dos trens regionais. E, no meio urbano, vejo muita oportunidade de uma reconfiguração dos sistemas atuais nas cidades, com trens como o VLT fazendo uma requalificação urbana, trazendo um novo valor agregado para determinadas regiões.

Presidente da Wabtec fabricante de locomotivas na América Latina, Danilo Miyasato afirma que o país vive um momento muito positivo de mercado, com as renovações das concessões ferroviárias refletindo nos pedidos às indústrias e com os cenários econômicos de setores como mineração, agronegócio, papel e celulose.

O mercado está ficando cada vez mais maduro, vendo a necessidade da programação no mercado ferroviário, a necessidade do planejamento. Hoje a gente vê demandas sendo colocadas aí para os próximos dois, três anos, a gente pode trabalhar junto, gerar produtividade e eficiência na cadeia, disse.

A fabricante, que tem sede em Contagem (MG), inaugurou neste mês um centro global de engenharia e uma nova linha de produção de locomotivas agora são duas.

NAVAL

Portos e Navios - SP   06/01/2026

O governo indiano anunciou em 29 de dezembro que vai destinar cerca de 4,9 bilhões de dólares para fomentar as indústrias de construção naval e o transporte marítimo no país. As diretrizes básicas para a promoção da indústria naval foram anunciadas em setembro, com a justificativa de que o objetivo é tornar o país uma das 10 maiores potências navais do mundo até 2030. A participação da Índia atualmente no mercado global de construção naval é de 0,06%.

Agora, o governo apresentou orientações específicas, informando que dará subsídios para a construção de navios e instalação de estaleiros na Índia. Há expectativa de que sejam beneficiadas também empresas de construção naval sul-coreanas, incluindo a HD Hyundai, selecionada como parceira indiana no setor.

Segundo as informações divulgadas em 29 de dezembro, os principais pontos das diretrizes são apoio financeiro para cobrir os custos de construção naval e para auxiliar na instalação ou expansão de estaleiros. O governo indiano vai oferecer até março de 2036 subsídio de 15% a 25% dos custos de construção, dependendo do tipo de navio, caso sejam construídos em estaleiros nacionais.

Navios VLCC (Very Large Crude Carrier), superpetroleiros para transporte de petróleo bruto, e grandes embarcações da classe Suezmax foram incluídos nos possíveis beneficiados pelos subsídios. A Índia, terceiro maior importador de petróleo do mundo, planeja encomendar 267 navios, incluindo petroleiros, até 2047 para impulsionar a indústria naval.

Originalmente, as encomendas de navios elegíveis para subsídios seriam submetidas a licitação competitiva entre vários estaleiros, mas contratos diretos com estaleiros específicos, chamados contratos designados, também foram permitidos. Além disso, o apoio à construção naval será ampliado, e as regulamentações que impediam o recebimento simultâneo de verbas de apoio dos governos central e estaduais foram revogadas.

Com o anúncio dessa política, espera-se que a HD Hyundai, a construtora naval que mais rapidamente se mobilizou para estabelecer um novo estaleiro no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, ganhe impulso em seus negócios. Para as empresas sul-coreanas, os maiores riscos para se instalar no país eram os custos iniciais de investimento e a falta de garantia de volumes de encomendas.

Analistas afirmam que as medidas de apoio do governo indiano serão de grande ajuda. Uma fonte ligada ao setor de construção naval coreano explicou que a Índia garantiu a demanda por navios encomendados internamente. Além disso, como os custos de mão de obra indiana são considerados baixos, os estaleiros sul-coreanos avaliam que, graças à cooperação com a Índia, poderiam competir com os concorrentes chineses.

Portos e Navios - SP   06/01/2026

O jornal sul-coreano Chosun Ilbo informou que os diques para construção naval dos estaleiros da HD Hyundai Heavy Industries nas áreas da Baía de Mipo e da Baía de Jeonha estiveram totalmente ocupados até o fim de 2025. Segundo a publicação, em 25 de janeiro, 10 diques estavam lotados de grandes navios mercantes em construção, e os cais para os processos finais de montagem após o lançamento também estavam ocupados. De acordo com um representante do estaleiro, cerca 30 navios estão atualmente em construção e outros 40 estão no cais, em acabamento e testes de mar, inclusive, por causa de limitações de espaço, em atracação dupla, com dois navios amarrados lado a lado.

A expectativa é de que em 2026 a indústria naval sul-coreana mantenha a estratégia de encomendas seletivas a “preços justos”, respaldada por projetos para três anos e meio. De acordo com fontes do setor, as vagas de entrega estão totalmente reservadas até 2028, e a competição entre os armadores por vagas para 2029 está se intensificando, elevando os preços.

É prevista mais rentabilidade.para o setor, porque as encomendas feitas desde 2023, quando os preços começaram a subir, vão se refletir nos resultados de 2026. Além disso, segundo Han Seunghan, analista da SK Securities, o custo de produção está dimuindo em função da queda dos preços das chapas de aço. “Espera-se crescimento robusto dos lucros, quando encomendas de mais valor e a melhoria da produtividade se alinharem às entregas”, explicou.

De acordo com o relatório Perspectivas Econômicas e Industriais para 2026, do Instituto Coreano de Economia Industrial e Comércio (Kiet), o setor de construção naval da Coreia do Sul deverá registrar aumento no volume de exportações para 10,46 milhões de toneladas brutas compensadas (CGT) este ano, 7,9% a mais que em 2025.

Mas a previsão é de queda de 4% na receita das exportações, para 30,326 bilhões de dólares devido a mudanças nos tipos de embarcações. Lee Eun-chang, pesquisador do Kiet, explicou que a receita das vendas externas de 2025 foi inflado por plataformas offshore de alto preço, mas as entregas de navios comerciais, como os de transporte de gás natural liquefeito (GNL), aumentarão e mais embarcações serão exportadas.

As expectativas são mais altas para navios de transporte de GNL. Jung Yeon-seung, pesquisador da NH Investment & Securities, argumento que, embora 2025 tenha apresentado menor volume de encomendas desse tipo de embarcação do que o esperado, a atividade se recuperou no quarto trimestre, com o envio contínuo de cartas de intenção (LOIs) para reservas de vagas.

A NH Investment & Securities prevê que as novas encomendas dos estaleiros sul-coreanos em 2026 atingirão aproximadamente 38,8 bilhões de dólares, com aumento de 10% em relação ao ano anterior. De acordo com Jung Yeon-seung, as encomendas de 2026 se concentrarão em petroleiros e transportadores de GNL. ”Os preços dos petroleiros estão subindo devido às altas taxas de frete, e os dos gaseiros estão ganhando poder de negociação à medida que as encomendas aumentam”, assegurou.

As corretoras preveem que, nos próximos seis a 12 meses, os preços de construção de novos navios para GNL ultrapassarão 260 milhões de dólares, com aumento de 5% em relação ao fim do ano passado. Segundo Jung Yeon-seung, dos 77 navios desse tipo que devem ser encomendados globalmente em 2026, 72 sejam a estaleiros coreanos. “Com 70 vagas de entrega em 2029 já parcialmente preenchidas e 20 já ocupadas, a competição pelas restantes provavelmente elevará os preços”, disse ele.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   06/01/2026

O presidente Donald Trump pintou no fim de semana um quadro de como as empresas petrolíferas americanas mergulhariam na Venezuela após a destituição de Nicolás Maduro e “gastariam bilhões de dólares, consertariam a infraestrutura gravemente danificada” e “começariam a gerar receita para o país”.

As metas petrolíferas de Trump, porém, enfrentam desafios formidáveis.

Algumas produtoras ocidentais com operações ou acordos em vigor na Venezuela poderiam se expandir com relativa rapidez se as condições políticas fossem favoráveis. Mas uma revitalização mais substancial da decadente indústria de petróleo e gás do país provavelmente levaria anos e dezenas de bilhões de dólares em investimentos.

O prêmio potencial é enorme - a Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo -, mas os riscos também são grandes, e empresas de energia americanas, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, já tiveram experiências ruins na Venezuela. Os preços do petróleo também estão baixos, tendo caído mais de 20% no ano passado, o que torna mais difícil para as empresas justificar novos gastos.

Por enquanto, duas das grandes questões que as empresas petrolíferas enfrentam são como o governo da Venezuela se reconstruirá após a captura de Maduro e se os Estados Unidos suspenderão as sanções que impuseram para enfraquecer a economia do país.

“Poucas empresas vão se apressar em entrar em um ambiente onde não há estabilidade”, disse Ali Moshiri, que supervisionou as operações da Chevron na Venezuela até 2017 e agora dirige uma empresa petrolífera privada com interesses no país.

A Chevron, maior produtora privada de petróleo da Venezuela, e operadoras menores poderiam ajudar a aumentar a produção de petróleo do país para até 1,5 milhão de barris por dia em 18 meses, disse Moshiri. Isso custaria até US$ 7 bilhões, considerando um nível atual estimado em cerca de 1 milhão de barris por dia, disse ele.

Ainda assim, isso deixaria a Venezuela produzindo pouco mais de 1% do petróleo que o mundo usa e menos da metade do que bombeava no final da década de 1990.

Uma expansão adicional provavelmente levaria anos. Isso porque grande parte da infraestrutura petrolífera da Venezuela está em mau estado e, mesmo que os produtores manifestem interesse em retornar, levaria tempo para negociar contratos e restabelecer uma presença no país.

“Muito depende da política e de quem está no comando”, disse Daniel Yergin, historiador especializado em energia, vencedor do Prêmio Pulitzer e vice-presidente da empresa de pesquisa S&P Global.

Alguns analistas traçaram paralelos com o Iraque, onde levou anos para a produção de petróleo se recuperar após a invasão dos Estados Unidos em 2003.

Por enquanto, a indústria petrolífera da Venezuela continua sob sanções dos EUA, prejudicada por uma campanha agressiva contra muitos dos petroleiros usados para exportar o petróleo do país. Essas restrições permanecerão enquanto os Estados Unidos pressionarem o governo venezuelano a fazer mudanças políticas, disse o secretário de Estado Marco Rubio no domingo, 4.

“É uma influência tremenda que continuará em vigor até que vejamos mudanças, não apenas para promover os interesses nacionais dos Estados Unidos, que são a prioridade, mas também para levar a um futuro melhor para o povo da Venezuela”, disse Rubio no programa “Face the Nation”, da CBS News.

Apenas a Chevron tem conseguido exportar petróleo regularmente nas últimas semanas desde que os Estados Unidos apreenderam um navio, chamado Skipper, em 10 de dezembro, de acordo com o TankerTrackers.com, que monitora o transporte marítimo global.

A empresa possui uma licença exclusiva do governo Trump que lhe permitiu continuar operando na Venezuela e enviando petróleo para refinarias na costa do Golfo dos Estados Unidos. Por esse motivo, é amplamente vista como a empresa mais bem posicionada para aumentar a produção, caso as condições no país se estabilizem.

Entre as empresas de energia que mantiveram presença na Venezuela estão a italiana Eni e a espanhola Repsol, que produzem gás natural na costa da Venezuela, embora as sanções dos EUA signifiquem que elas não podem exportar desde o ano passado. O Departamento do Tesouro dos EUA também emitiu uma licença no ano passado que teria permitido à Shell, com sede em Londres, reiniciar os trabalhos em um campo de gás offshore venezuelano, embora a Venezuela tenha posteriormente interrompido as negociações.

Outras, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, deixaram a Venezuela depois que o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, nacionalizou parcialmente a indústria petrolífera do país por volta de 2007. Essas empresas passaram anos tentando, sem sucesso, fazer com que a Venezuela lhes pagasse bilhões pelos ativos que o governo confiscou.

Mais recentemente, autoridades venezuelanas tentaram amenizar as relações com algumas empresas petrolíferas ocidentais. O governo de Maduro estava negociando um acordo de comércio de petróleo com a ConocoPhillips ainda no ano passado, informou o The New York Times.

Após a apreensão de Maduro no sábado, a ConocoPhillips disse que “seria prematuro especular sobre quaisquer atividades comerciais ou investimentos futuros” e não abordou especificamente as negociações. A Chevron disse que continua a operar na Venezuela “em total conformidade com todas as leis e regulamentos relevantes”.

Segundo Moshiri, como primeiro passo para incentivar mais investimentos estrangeiros, o governo Trump precisaria suspender as sanções contra a Venezuela. “A única solução milagrosa para reverter a situação da economia hoje é o investimento em petróleo”, disse.

O Estado de S.Paulo - SP   06/01/2026

O acordo foi fechado quando a China estava sedenta por petróleo e a Venezuela precisava de dinheiro. Agora, com a destituição de Nicolás Maduro, o futuro da parceria está em questão.

No início dos anos 2000, a economia da China estava se expandindo a um ritmo tão voraz que precisava de mais energia para alimentar seu crescimento. Pequim, que importa a maior parte do petróleo que usa, enviou suas empresas para vasculhar o mundo em busca de acesso a recursos. Elas encontraram um parceiro disposto na Venezuela, onde o líder da época, Hugo Chávez, buscava diversificar as relações econômicas do país para longe dos Estados Unidos.

Os dois países firmaram uma parceria comercial que renderia mais de US$ 100 bilhões em promessas de financiamento da China em troca do petróleo venezuelano.

O dinheiro chinês financiou ferrovias e usinas de energia e deu a Caracas o dinheiro de que tanto precisava. Em troca, a Venezuela pagou o dinheiro com “todo o petróleo de que a China precisa para seu crescimento e consolidação como potência”, como Chávez disse em 2010.

O acordo continua até hoje em circunstâncias muito mais desafiadoras e com falta de clareza sobre o que acontecerá a seguir. Ao longo dos anos, a Venezuela tem trabalhado para pagar sua dívida com Pequim e estima-se que deva cerca de US$ 10 bilhões, de acordo com a AidData, um instituto de pesquisa da Faculdade William e Mary, em Williamsburg, Virgínia.

A China, por sua vez, parou de fazer novos empréstimos e, de muitas maneiras, está muito menos dependente da Venezuela e do petróleo em geral.

Os Estados Unidos vêm impondo sanções cada vez mais restritivas à Venezuela há anos. Então, no sábado, 3, as forças americanas capturaram Maduro. O presidente Donald Trump afirmou logo em seguida que os Estados Unidos estavam prontos para assumir o controle da indústria petrolífera venezuelana.

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou no domingo, 4, que as Forças Armadas dos EUA impediriam os petroleiros incluídos na lista de sanções dos EUA de entrar e sair do país até que o governo venezuelano abrisse a indústria controlada pelo Estado a investimentos estrangeiros, proporcionando a Washington uma “enorme vantagem”.

Já era difícil para Pequim receber o pagamento do que lhe era devido, equivalente a US$ 44 bilhões em 2017, quando os Estados Unidos anunciaram sanções cada vez mais restritivas ao petróleo venezuelano e a Venezuela entrou em default com seus títulos públicos, de acordo com a AidData. A economia do país havia entrado em colapso, a violência e a pobreza eram generalizadas e milhões de venezuelanos fugiram do país.

A pressão sobre o país só se intensificou nos últimos meses, com as forças americanas atacando e apreendendo petroleiros e impondo um quase bloqueio aos navios que chegavam e partiam dos portos venezuelanos.

O acordo financeiro de empréstimos por petróleo era uma novidade para Pequim quando foi introduzido na década de 2000. A China concordou em emprestar somas enormes, mas protegeu esses empréstimos com garantias provenientes dos rendimentos do petróleo. Em vez de enviar pagamentos pelo petróleo para Caracas, Pequim depositava o dinheiro em uma conta na China que era usada para pagar os juros dos empréstimos venezuelanos.

Pequim foi o maior comprador de petróleo venezuelano e seu maior investidor por quase uma década até 2016, quando a Venezuela não conseguiu mais cumprir sua parte do acordo. O preço do petróleo despencou e a Venezuela foi forçada a enviar muito mais petróleo à China para pagar seus empréstimos.

“O calcanhar de Aquiles desse acordo de empréstimo é que você tem de concordar com as quantidades de petróleo do acordo original”, disse Brad Parks, diretor executivo da AidData, que calculou o total de empréstimos da China à Venezuela desde 2000 em US$ 106 bilhões.

As sanções dos EUA em 2017 complicaram ainda mais as coisas para Pequim. “Isso teve um efeito cascata na capacidade da Venezuela de pagar sua dívida aos credores chineses”, disse Parks.

O padrão de consumo de energia da China também mudou drasticamente. O país ainda é um grande usuário de combustíveis fósseis, mas investiu bilhões de dólares no desenvolvimento de energias renováveis, como veículos elétricos e energia solar.

É possível que a pressão de Trump para revitalizar o setor petrolífero da Venezuela ajude a China a recuperar seu dinheiro, mesmo que uma mudança mais ampla em direção a uma abordagem mais intervencionista dos Estados Unidos na América Latina represente um problema maior para Pequim.

“Se as sanções forem suspensas, veremos a Venezuela se tornar um fornecedor de petróleo menos importante para a China, especialmente após o pagamento desses empréstimos”, disse Erica Downs, pesquisadora sênior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia.

Quando as empresas petrolíferas chinesas se expandiram para o exterior no final da década de 1990, os líderes do país estavam profundamente preocupados com a segurança energética, disse Downs.

“Mas, se avançarmos rapidamente para a China de hoje, vemos que há um grande impulso para eletrificar tudo”, disse ela. “Portanto, embora a China ainda precise importar petróleo por um bom tempo, me pergunto até que ponto isso muda o pensamento da China sobre a Venezuela.”

Money Times - SP   06/01/2026

Em meio à madrugada de 3 de janeiro, as forças especiais de Donald Trump invadiam a Venezuela e capturavam Nicolás Maduro. Para além dos efeitos geopolíticos, a Chevron — única empresa petroleira norte-americana presente no país sul-americano — agora vê sua exclusividade em xeque.

Isso porque, já no sábado, o presidente dos Estados Unidos defendeu a entrada de mais empresas americanas para reconstruir o setor que vive há décadas em colapso e opera abaixo de 1% da produção global.

Para efeito de comparação, na década de 1970, a Venezuela produzia 3,5 milhões de barris por dia, equivalente a mais de 7% de toda produção mundial.

“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura petrolífera e comecem a gerar lucro para o país”, afirmou. Segundo ele, a indústria venezuelana estava “um fracasso total”, bombeando “quase nada em comparação com o que poderia”.

E o interesse de Trump na Venezuela não é à toa. O país conta com a maior reserva de petróleo do mundo, com o potencial de extrair mais de 300 bilhões de barris de seu subsolo.

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Agora, com a possível reabertura do mercado petrolífero venezuelano, novas empresas do setor devem entrar no país.

Trump disse ainda que os EUA têm as “melhores companhias de petróleo do mundo” e que o país estará “fortemente envolvido” na indústria petrolífera venezuelana daqui para frente.

Trata-se de novas concorrentes para a Chevron, de fato — mas é ela quem larga na frente.

Chevron, Venezuela e o ouro negro

Talvez o mundo esteja prestes a ver uma nova corrida do ouro surgir, porém, desta vez trata-se do ouro negro — como é conhecido o petróleo. E a Chevron é quem deve largar na frente.

A petroleira, que desembarcou na Venezuela em 1923, foi a única a permanecer no país mesmo quando Hugo Chávez decidiu nacionalizar o setor em 2007.

Enquanto empresas como ExxonMobil e a ConocoPhillips preferiram deixar o país, a Chevron aceitou manter uma participação minoritária em joint ventures com a PDVSA — estatal nacional de petróleo — para manter suas peças no tabuleiro venezuelano.

Hoje a Chevron produz entre 200 mil e 250 mil barris por dia no país, cerca de um quinto da produção total da Venezuela, mas menos de 10% da produção da companhia, que é de mais de 3 milhões de barris.

Com o plano de Trump, segundo analistas consultados pelo New York Times, a petroleira norte-americana deve ser a principal beneficiada. Isso vai depender, é claro, de como o cenário vai desenrolar nas próximas semanas.

Ainda não está claro como será esse período de transição por lá, mas até o momento em que está matéria foi escrita, a primeira movimentação já foi feita. Delcy Rodríguez, vice de Maduro, já foi reconhecida pelas forças armadas do país como presidente interina.

Coincidência ou não, Delcy foi responsável direta pelo último contrato firmado entre a Chevron e o governo venezuelano.

As ações da Chevron chegaram a subir cerca e 10% no pré-mercado desta segunda-feira (5).

Globo Online - RJ   06/01/2026

Após a surpreendente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no fim de semana, o foco agora se volta para a rapidez com que o país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, conseguirá elevar sua produção.

No entanto, a própria transição poderia desencadear um choque curto e intenso, com a produção caindo temporariamente em até 50% devido a interrupções nas instalações da Petróleos de Venezuela SA, a estatal petrolífera do país.

As reservas combinadas de petróleo da Venezuela, da Guiana e dos Estados Unidos poderiam dar aos EUA cerca de 30% das reservas globais de petróleo, se consolidadas sob sua influência, e essa mudança poderia conferir aos EUA maior poder de influência sobre os mercados de petróleo, potencialmente mantendo os preços dentro de faixas historicamente mais baixas, acrescentaram.

RBC Capital Markets

“Haverá, sem dúvida, um segmento do mercado que adotará a narrativa de ‘Missão Cumprida’ e projetará um caminho fácil de retorno a três milhões de barris por dia de produção”, disseram analistas, incluindo Helima Croft, em uma nota, acrescentando que um alívio total das sanções poderia liberar várias centenas de milhares de barris por dia nos próximos 12 meses, assumindo uma transição de poder ordenada.

No entanto, “a situação no momento da redação permanece muito fluida, e continuamos a alertar os observadores do mercado de que o país ainda terá um longo caminho pela frente”, disseram.

Capital Economics

“Em teoria, a Venezuela poderia voltar a ser um grande produtor: ainda afirma deter as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo”, disse o economista-chefe Neil Shearing em uma nota. “Mas teoria e realidade divergem de forma acentuada. Se nada mais, os alinhamentos geopolíticos na Venezuela permanecem incertos após a captura de Maduro”, afirmou.

Mesmo que a produção volte a níveis observados há uma década, em torno de três milhões de barris por dia, isso acrescentaria apenas cerca de 2% à oferta global de petróleo, disse Shearing.

Goldman Sachs

Os preços do petróleo Brent poderiam ficar, em média, US$ 2 por barril acima da projeção-base do Goldman Sachs Group, de US$ 56 por barril para o Brent neste ano, caso a produção de petróleo bruto da Venezuela caia 400 mil barris por dia até o fim do ano, disseram analistas, incluindo Daan Struyven, em uma nota.

Segundo ela, atrair esses investimentos requer uma reformulação do arcabouço institucional e jurídico da Venezuela, além de melhorias drásticas nos padrões de segurança e ambientais.

“Um governo confiável poderia elevar a produção de petróleo aos níveis pré-sanções de 2019, entre 1,5 milhão e 2 milhões de barris por dia, em um horizonte de dois anos.”

Operadores internacionais que ainda estão presentes no país, como Chevron, Eni SpA e Repsol, poderiam aumentar os investimentos dentro de suas licenças existentes, atualmente operando abaixo da capacidade, acrescentou.

Rystad Energy

A infraestrutura petrolífera da Venezuela precisa de um reforço significativo de investimentos para ampliar a produção ao longo de cinco a oito anos, disse Jorge León, chefe de análise geopolítica da consultoria, em entrevista à Bloomberg Television.

“Para que a Venezuela consiga destravar seu vasto potencial, de 300 bilhões de barris de petróleo, é necessário um governo estável que atraia investimento internacional”, afirmou.

Ainda assim, os preços baixos e a instabilidade política fazem com que as companhias internacionais de petróleo sejam “extremamente cautelosas” ao investir, acrescentou.

Money Times - SP   06/01/2026

A produção de petróleo do Brasil alcançou 3,773 milhões de barris por dia em novembro, um aumento de 13,9% em relação a igual mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela agência reguladora ANP nesta segunda-feira.

Já na comparação mensal, houve queda de 6,4%, depois de o Brasil superar pela primeira vez, em outubro, uma produção de mais de 4 milhões de barris por dia em um mês.

Pelos dados da ANP, os maiores campos produtores do país, localizados no pré-sal da Bacia de Santos, registraram menores volumes em novembro.

O campo de Búzios produziu 948 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em novembro, ante 1,12 milhão de boe/d em outubro, enquanto em Tupi a produção foi de 892 mil boe/d, contra 1 milhão de boe/d no mês anterior.

Já a produção de gás natural do Brasil somou 182,57 milhões de metros cúbicos por dia no mês, alta de 15,7% sobre o ano anterior, mas queda de 6,3% frente a outubro.

Ao todo, o país produziu 4,921 milhões de boe/d de petróleo e gás natural em novembro, apontou a ANP.

A produção total no pré-sal foi de 3,913 milhões de boe/d, uma redução de 8,5% em relação ao mês anterior e crescimento de 15,6% na comparação com o mesmo mês de 2024.

O Estado de S.Paulo - SP   06/01/2026

O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, 5, à medida que as tensões geopolíticas seguem gerando apreensões depois da ofensiva ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em território venezuelano resultar na deposição e captura do ditador Nicolás Maduro. Investidores também digeriram a decisão da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), da véspera, de manter a pausa nos incrementos de produção em janeiro, fevereiro e março.

O petróleo do tipo WTI para fevereiro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) avançou 1,74% (US$ 1,00), a US$ 58,32 o barril. Já o de tipo Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 1,66% (US$ 1,01), a US$ 61,76 o barril.

Os contratos futuros da commodity (matéria-prima cotada em dólar) chegaram a operar em baixa na madrugada em meio a preocupações sobre excesso de oferta, mas ganharam fôlego ao longo do dia com o risco geopolítico apresentado na Venezuela.

Maduro fez nesta segunda-feira, 5, sua primeira aparição em um tribunal federal dos EUA após a operação que levou à sua detenção. Durante a audiência, ele e sua mulher se declararam inocentes.

A Capital Economics acredita que as implicações econômicas e financeiras de curto prazo são mínimas após o ataque a Caracas. Apesar do desejo óbvio de Trump de que as empresas petrolíferas dos EUA aumentem suas atividades na Venezuela, os preços baixos do petróleo e a incerteza política frustrarão os esforços para explorar seu vasto potencial energético, acrescenta a consultoria.

Um aumento significativo na produção de óleo venezuelano provavelmente levará “anos, não meses”, dadas as limitações técnicas e a ausência de um clima de investimento estável, adicionam os analistas do Citi Research.

Diante do ataque americano, o presidente ucraniano, Volodmir Zelensky, sugeriu que Trump deveria fazer o mesmo com o seu homólogo russo, Vladimir Putin. Às vésperas de conversas em busca de paz em Paris, Moscou e Kiev trocaram ataques durante o fim de semana.

Infomoney - SP   06/01/2026

Colocar em prática o plano do presidente Donald Trump para retomar a indústria petrolífera da Venezuela, que está em crise, pode ser um processo longo e difícil, com custo estimado em mais de US$ 100 bilhões.

Anos de corrupção, falta de investimento, incêndios e furtos deixaram a infraestrutura de petróleo do país em péssimas condições. Para reconstruir o suficiente e levar a produção da Venezuela de volta aos níveis máximos da década de 1970, empresas como Chevron, Exxon Mobil e ConocoPhillips teriam que investir cerca de US$ 10 bilhões por ano na próxima década, segundo Francisco Monaldi, diretor de política energética da América Latina no Baker Institute da Rice University.

No domingo, o Ministério das Relações Exteriores da China já havia expressado “grave preocupação” com a ação americana,

“Uma recuperação mais rápida exigiria ainda mais investimento”, afirma Monaldi.
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, mas a produção despencou durante os 12 anos do governo de Nicolás Maduro, que foi capturado no último sábado por tropas dos EUA. Atualmente, o país produz cerca de 1 milhão de barris por dia, contra quase 4 milhões em 1974.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse em entrevista que espera que as empresas americanas de petróleo fiquem animadas com a chance de explorar o petróleo pesado da Venezuela, fundamental para as refinarias na Costa do Golfo dos EUA.

“Não falei com as empresas nos últimos dias, mas estamos bastante certos de que haverá um interesse enorme”, disse Rubio. “Acho que a iniciativa privada vai querer muito participar, se tiver espaço para isso.”

Mas, antes de investir, as empresas querem ter certeza de que a Venezuela está estável, diz Lino Carrillo, ex-gerente da estatal Petroleos de Venezuela, que fugiu do país há mais de 20 anos.

“Para que as empresas levem a sério o investimento, precisa haver um novo Congresso ou Assembleia Nacional. O que temos hoje não serve”, afirma Carrillo.

Enquanto isso, o trabalho para recuperar a infraestrutura do país é enorme.

Nos portos de petróleo da Venezuela, os equipamentos estão tão deteriorados que o carregamento de superpetroleiros para a China pode levar até cinco dias — sete anos atrás, levava apenas um dia.

Na Bacia do Orinoco, uma região enorme no interior da Venezuela com quase meio trilhão de barris de petróleo recuperável, as plataformas foram abandonadas, vazamentos não são controlados, e equipamentos são saqueados e vendidos no mercado negro.

A rede de oleodutos subterrâneos é cheia de vazamentos e, às vezes, é saqueada e vendida como sucata. Incêndios e explosões destruíram equipamentos.

O complexo de refinarias de Paraguana, na costa noroeste de Caracas, funciona só de forma intermitente e com baixa capacidade por causa de falhas. Algumas unidades que tratavam o petróleo pesado para as refinarias foram fechadas.

O que resta da produção depende muito da Chevron, a única grande empresa americana ainda operando no país. Ela responde por cerca de 25% da produção, graças a uma licença especial que permite continuar apesar das sanções dos EUA.

Exxon e ConocoPhillips, outras duas grandes empresas americanas, poderiam ajudar na reconstrução, mas saíram do país após seus ativos serem nacionalizados pelo ex-presidente Hugo Chávez, no meio dos anos 2000.

Exxon e ConocoPhillips não comentaram o assunto. A Exxon já disse que consideraria investir na Venezuela, mas só em condições favoráveis.

A Chevron afirmou que está focada na segurança dos funcionários e na integridade dos ativos, e que opera em conformidade com as leis.

Ainda não se sabe como será a transição política na Venezuela e qual será o ambiente para as empresas. Por enquanto, as sanções continuam, e um bloqueio naval dos EUA controla as águas ao redor. Trump disse que a vice-presidente Delcy Rodríguez está no comando, embora ela seja aliada de Maduro.

“Espero que as empresas comecem a atualizar seus planos, mas não vão se comprometer até que a estabilidade política pareça próxima”, diz Clayton Seigle, especialista do Center for Strategic and International Studies.

A avaliação do interesse das empresas ocidentais está a cargo do secretário do Interior, Doug Burgum, e do secretário de Energia, Chris Wright, que lideram o Conselho Nacional de Domínio Energético de Trump.

Outro desafio é que o mercado mundial está cheio de petróleo, e os preços estão perto da mínima dos últimos cinco anos. Muitas empresas ainda têm bilhões a receber por ativos confiscados por Chávez.

Mas, se os preços e os riscos forem favoráveis, as empresas podem voltar, diz Kevin Book, diretor da ClearView Energy Partners.

“Vai ser preciso oferecer boas condições para superar a incerteza”, afirma Book. “Empresas capazes de produzir na Venezuela não vão ignorar o tamanho da oportunidade se virem sinais de estabilidade e contratos vantajosos.”

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