Clipping Diário

19 | Dezembro | 2025

INDA

Investing - SP   19/12/2025

As vendas de aços planos por distribuidores do Brasil somaram 311,9 mil toneladas em novembro, alta de 5,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, mas queda de 12% em relação a outubro, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

A queda registrada na base mensal veio bem acima da projeção de recuo de 4% divulgada anteriormente pela entidade.

O estoque no mês passado subiu 0,6% em números absolutos em relação a outubro, atingindo 1,08 milhão de toneladas, o que equivale a 3,5 meses de comercialização. Na comparação com novembro de 2024, houve alta de 10,1%.

Já as importações de aços planos tiveram alta de 5,9% em novembro ante outubro, com volume total de 265,9 mil toneladas. Em relação a novembro do ano passado, as compras do exterior registraram alta de 29%.

Para 2026, a perspectiva da entidade é de recuo ou estabilidade nas vendas de aços planos.

"Nossa perspectiva é de queda ou, no máximo, empate [nas vendas]", disse o presidente do Inda, Carlos Jorge Loureiro.

Segundo o executivo, a perspectiva se dá em razão do nível elevado dos juros.

"Os juros altos estão fazendo um efeito muito grande, principalmente na área de investimento. A produção está muito impactada. Estamos sentindo dificuldade de crescimento", disse Loureiro.

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   19/12/2025

O avanço das exportações brasileiras para a China compensou a queda causada pelo tarifaço americano, iniciado em agosto, com sobretaxa de até 50% sobre as vendas brasileiras para os Estados Unidos.

De agosto a novembro, o valor das exportações para a China cresceu 28,6% em relação ao mesmo período de 2024, ao passo que o das destinadas aos Estados Unidos recuou 25,1%.

Comportamento parecido é observado em relação ao volume das vendas externas. Quando o destino são os portos e aeroportos chineses, a expansão chega a 30%. Já para os Estados Unidos, queda de 23,5%.

O que diferencia o comportamento dos valores e dos volumes é o preço dos produtos exportados.

Os dados fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O estudo é uma análise dos dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, à frente dos Estados Unidos. De acordo com o Icomex, a participação da China, que recebe cerca de 30% das exportações brasileiras, contribuiu para compensar a queda das vendas para os Estados Unidos.

“[O presidente americano Donald] Trump superestimou a capacidade dos Estados Unidos em provocar danos gerais às exportações brasileiras”, afirma o relatório.
Setores impactados

Os setores que tiveram os maiores tombos na exportação para os Estados Unidos no período de agosto a novembro foram:
Extração de minerais não-metálicos: -72,9% Fabricação de bebidas: -65,7% Fabricação de produtos do fumo: -65,7% Extração de minerais metálicos: -65,3% Produção florestal: -60,2% Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos: -51,2% Fabricação de produtos de madeira: -49,4% Comportamento anual

A pesquisa da FGV nota que o volume de vendas para os Estados Unidos cresceu seguidamente de abril a julho, sempre que a comparação é com o mesmo mês de 2024. No entanto, com a entrada em vigor do tarifaço, se seguiram quatro meses de retração.

Variação no volume de exportação para os Estados Unidos em 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024:
Abril: +13,3% Maio: +9% Junho: +8,5% Julho: +6,7% Agosto: -12,7% Setembro: -16,6% Outubro: -35,3% Novembro: -28%

Já as exportações para a China apresentaram um salto depois que o tarifaço começou:
Abril: +6,4% Maio: +8,1% Junho: +10,3% Julho: −0,3% Agosto: +32,7% Setembro: +15,2% Outubro: +32,7% Novembro: +42,8%

A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls aponta que um dos fatores que levaram ao avanço das exportações chinesas foi o embarque de soja, que ficou concentrado neste segundo semestre.

“Na hora que está caindo a exportação para os Estados Unidos, foi o momento que começou a aumentar mais a exportação para a China e teve um impacto na exportação global do país”, explicou à Agência Brasil.

No acumulado até novembro, o aumento das exportações totais do Brasil foi de 4,3% em relação aos mesmos 11 meses de 2024.
Argentina

O Icomex mostra também o desempenho das exportações para o nosso terceiro principal parceiro comercial, a Argentina. De agosto a novembro, as vendas para o país cresceram 5% em valor e 7,8% em volume, em relação ao mesmo período do ano passado.

Lia Valls pontua que esse aumento não é determinante para compensar efeitos dos tarifaços.

“A participação da Argentina na pauta brasileira é muito pequena. A Argentina é muito focada na exportação de automóveis, e a gente praticamente não exporta automóveis para os Estados Unidos”, assinala.
Entenda o tarifaço

O tarifaço do presidente americano, Donald Trump, entrou em vigor em agosto de 2025. Ao elevar taxas sobre produtos importados, o governo dos Estados Unidos afirma que pretende proteger a economia americana, já que, com taxação, os americanos tendem a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior.

No caso Brasil, que sofreu com uma das maiores taxas, o presidente americano chegou a alegar também que se tratava de retaliação ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que Trump considerava ser perseguido, antes de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, por tentativa de golpe de Estado.

Desde então, os governos brasileiro e americano negociam formas de buscar acordos para a parceria comercial, inclusive com conversas diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No último dia 20, Trump retirou taxação adicional de 40% em cima de 269 produtos, sendo 249 do setor da agropecuária, como carnes e café.

“Os efeitos dessa remoção só ficarão visíveis a partir de dezembro e janeiro”, aponta o Icomex.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calcula que 22% das exportações para os Estados Unidos permanecem sujeitas às sobretaxas.

Exame - SP   19/12/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 18, que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, faria um grande serviço ao país se reduzir a taxa básica de juros (Selic).

Em coletiva de imprensa, o chefe do Executivo também declarou que acredita que os juros começarão a cair em breve no Brasil e sente um "cheiro" de que isso acontecerá.

"Acho que todo o mundo está prevendo, da mesma forma que a gente sente o cheiro de chuva, estou sentindo o cheiro de que logo, logo, a taxa de juros vai começar a baixar. Agora, o Banco Central tem autonomia, é importante lembrar que jamais farei pressão para que o Galipolo tome a atitude que tiver que tomar. É ele que tem que tomar a decisão", disse Lula.

Lula também expressou que, se Galípolo tomar essa medida, será benéfico para ele, para o Brasil, para a indústria e para o combate ao desemprego.

Críticas às elevadas taxas de juros

Desde que assumiu o terceiro mandato, Lula tem criticado as altas taxas de juros no Brasil, que, durante o governo anterior, eram comandadas por Roberto Campos Neto. Além do governo, entidades da indústria, do comércio e dos serviços também têm questionado a política de juros altos, argumentando que a inflação está controlada e que taxas elevadas prejudicam a atividade econômica, o crescimento do PIB e o acesso ao crédito.

A inflação medida pelo IPCA nos últimos 12 meses é de 4,46%, dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o período iniciado em janeiro de 2025, que é de 3,00%, com uma margem de 1,50 ponto percentual para mais ou para menos.

Antes de suas declarações sobre os juros, Lula havia novamente criticado a independência do Banco Central, aprovada durante o governo de Michel Temer. No entanto, o presidente reafirmou que confia no trabalho de Galípolo, a quem indicou para presidir a autoridade monetária em 2024.

"Tenho 100% de confiança no companheiro Galípolo, presidente do Banco Central. Eu nunca fui favorável à presidência do Banco Central. O presidente da República indica o presidente do Banco Central e tira a hora que quiser. O Fernando Henrique Cardoso tirou quantos, Haddad? Uns quatro ou cinco", disse Lula, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Apesar da percepção de Lula, o Banco Central (BC) reafirmou, na mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que a condução "cautelosa" da política de juros tem gerado ganhos desinflacionários e contribuído para aumentar a confiança no processo de redução da inflação. Contudo, o BC não indicou uma possível queda na taxa de juros para a reunião de janeiro.

Na semana passada, o Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva, o maior nível desde julho de 2006. De acordo com o BC, essa decisão está alinhada com a estratégia de manutenção da estabilidade econômica por um "período bastante prolongado".

O Estado de S.Paulo - SP   19/12/2025

O Banco Central (BC) aumentou a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, de 2,0% para 2,3%. Os números constam do Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre, publicado nesta quinta-feira, 18. A previsão está praticamente em linha com a mediana do último relatório Focus, de 2,25%.

A nova projeção para 2025 incorpora mudanças nas estimativas para o PIB agropecuário (9,0% para 11,0%), e industrial (1,0% para 1,6%) e para serviços (1,8% para 1,7%).

Pelo lado da demanda, a autoridade monetária ajustou as previsões para o consumo das famílias (1,8% para 1,5%) e do governo (0,5% para 2,0%), Formação Bruta de Capital Fixo (3,3% para 3,8%), importações (4,5% para 5,0%) e exportações (3,0% para 4,0%).

Segundo o BC, a alteração na projeção de crescimento do PIB em 2025 reflete a surpresa ligeiramente positiva no terceiro trimestre, a reavaliação do desempenho esperado para o quarto trimestre e a revisão das séries históricas, considerada particularmente relevante para a atualização da projeção da agropecuária.

“Para a indústria e o setor de serviços, o impacto agregado das revisões das séries foi pequeno, embora significativo em alguns segmentos específicos. Pela ótica da demanda, a revisão afetou principalmente a estimativa para o consumo do governo”, explicou a autoridade monetária no documento.

Para 2026, o BC aumentou a projeção para crescimento do PIB, de 1,5% para 1,6%. A estimativa está aquém da mediana do Focus, de 1,80%

No período, a autarquia ajustou as estimativas para o PIB agropecuário (1,0% para 0,5%), da indústria (1,4% para 1,9%) e de serviços (1,5% para 1,6%). Pelo lado da demanda, ajustou as projeções para o consumo das famílias (1,4% para 1,5%), consumo do governo (1,0% para 1,5%), FBCF (0,3% para 1,0%), importações (manteve-se em 1,0%) e exportações (2,5% para 2,0%).

Na avaliação do BC, segue, portanto, a projeção de crescimento moderado ao longo de 2026. Entre os fatores que influenciam esse cenário estão a expectativa de manutenção da política monetária em campo restritivo (juros altos), o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, a perspectiva de desaceleração da economia global e a ausência do impulso agropecuário observado em 2025.

“A dinâmica projetada também incorpora os efeitos de medidas recentes com impacto potencial sobre a demanda, como a isenção ou desconto no IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física) para as faixas iniciais de renda”, detalhou.

O Estado de S.Paulo - SP   19/12/2025

Em clima de despedida do cargo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um balanço de sua gestão após três anos à frente da pasta, em encontro com jornalistas na tarde desta quinta-feira, 18, em Brasília. Ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está “satisfeito” com os rumos da economia, e por isso não prevê guinadas na política econômica com a indicação de uma nova pessoa para o posto.

Ainda assim, Haddad diz que a questão fiscal vai continuar “inspirando cuidados” em um eventual governo Lula 4, e admitiu que o arcabouço fiscal pode sofrer mudanças nos seus parâmetros, ainda que sua arquitetura seja mantida.

Haddad também falou sobre a crise dos Correios. Disse que a pasta só recebeu um diagnóstico preciso sobre a situação da estatal em meados de julho, e que imediatamente a Fazenda começou a estudar saídas para a reestruturação da empresa. Segundo o ministro, o Tesouro deve dar a palavra final sobre o empréstimo negociado com bancos até esta sexta-feira, e disse que uma das saídas seria a empresa negociar parcerias com outras empresas e bancos, como a Caixa.

Haddad disse que já avisou a Lula que não tem o desejo de concorrer às eleições do próximo ano, e que gostaria de deixar o governo em fevereiro para coordenar a campanha para a reeleição. Mas o seu futuro só será definido depois das voltas das suas férias, em uma nova conversa, em janeiro.

“Tive conversa com o presidente sobre candidatura. E ele falou para vocês (jornalistas) o que mesmo que falou para mim, que iria respeitar a minha decisão. Quando falei com ele, essa foi a reação dele, após eu dizer que não tinha intenção de concorrer às eleições de 2026."

“Se o meu pleito for atendido de alguma maneira, de colaborar com a campanha, uma troca de comando aqui (na Fazenda) seria importante, e como não tem prazo de desincompatibilização, aí não tem nada a ver com o mês de abril, acredito que é nesses termos que o debate vai acontecer em janeiro entre mim e ele. Para alguém assumir, seria bom que alguém pudesse tomar as rédeas. Tem preparação da LDO, muitas providências no começo do ano. Tem bimestral, uma série de coisas. Minha expectativa é sair até fevereiro.”
Arcabouço e reformas estruturais

“Acho que a questão fiscal vai continuar inspirando os cuidados devidos e qualquer que seja o governo vai continuar aprimorando o arcabouço fiscal. O que entendo é que a arquitetura do arcabouço fiscal vai ser mantida. Aí você pode discutir os parâmetros, se vai apertar mais, ou se vai apertar menos. Se vai mudar de 70% para 60%, ou para 80% (crescimento do gasto em relação à receita). Se diminuir de 2,5% para 2% (o teto de crescimento real da despesa). Ou seja, discutir os parâmetros, à luz da evolução do que vai acontecer. Mas a arquitetura (do arcabouço) é muito boa, já ouvi de vários técnicos internacionais de que é a melhor regra, tendo teto de gasto e meta de primário conjugadas.”

“Acredito que vamos ter que fazer reformas fiscais, e é o que estamos fazendo o tempo todo. Estamos desde 2015 com as contas públicas desorganizadas, estou falando, na contabilidade honesta, o orçamento que recebi (do governo Bolsonaro) tinha R$ 180 bilhões de déficit primário projetado para 2023."
Conversa com Macron

“Eu e o presidente da França, Emmanuel Macron, nos tratamos como amigos. Ontem (quarta-feira, 17) eu não resisti e mandei uma mensagem para ele. Ele respondeu dizendo que o que estava em jogo era muito mais do que acordo comercial, era de natureza política de sinal claro para o mundo, de que não podíamos nos voltar em ambiente de tensão de dois blocos fechados. Ele respondeu muito gentilmente dizendo que tinha o maior apreço pelo Brasil e que havia a necessidade de mais conversas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também falou com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Acredito que vale a pena insistir um pouco mais (com os europeus), essa é a minha percepção. Não há prejuízo para os agricultores franceses e italianos, tem uma exploração barata das sensibilidades dessas pessoas. Há exploração desse sentimento, mas não corresponde ao acordo, que tem salvaguardas muito importantes. Mas se os países da Europa precisam de mais tempo, para esclarecer, penso que se for pouco tempo, vale a pena esperar.”
Banco Central

“O Banco Central e a Fazenda, nós nunca divergimos sobre a direção da política monetária, não houve divergência em relação a isso, houve debate sobre dose, sobre intensidade, como um vetor, a gente discutia intensidade, mas não houve divergência sobre a direção. A resposta (dos juros à inflação) é sim, positiva. Entendíamos que, naquele momento, no começo do ano, era preciso dar uma sinalização clara que não iríamos descuidar da direção, que estava correta (a alta dos juros).”

“Mas é natural, e me causa espanto que essa discussão não possa ser feita de forma civilizada (entre BC e Fazenda). O presidente Lula falou: não me cobrem pressão para que o Banco Central faça A, B ou C. Henrique Meirelles escreveu um livro falando que Lula apenas uma vez pediu para ele mexer nos juros e a resposta foi ‘não’.”

“Essas ponderações não deveriam ferir, ou causar tanta celeuma, são naturais. Começo do ano (subir juros) foi correto, tinha que tomar providência, até para dissipar o que estava acontecendo pela sensação do projeto do Imposto de Renda. Vocês lembram as projeções dos economistas, de que seriam R$ 100 bilhões de gasto. Isso causou um furor no mercado. E que não teria de onde tirar a compensação porque a Câmara não ia aprovar. Aí teve que dar o choque (de juros), para trazer o dólar para o caminho certo. E aí com o projeto (do IR), o dólar começou a cair, era R$ 28 bilhões de gastos e com compensação justa. Vários liberais passaram a elogiar.”

IstoÉ Dinheiro - SP   19/12/2025

Em coletiva de imprensa sobre o relatório de política monetária, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reiterou diversas vezes que ‘não há porta fechada nem seta dada’ para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

Galípolo destacou que o Banco Central tem ‘justamente tentado expressar isso’ nas suas comunicações mais recentes – de que não há decisão tomada sobre a reunião do Copom de janeiro e tampouco sobre as próximas decisões de política monetária.

O presidente da autarquia frisa que o comitê tem preferido ‘esperar chegar lá’ com mais dados nas mãos em detrimento de sinalizar algo de antemão.

“A facilidade que temos em não dar nenhuma pista não é por estarmos sendo habilidosos em esconder algo, mas na verdade por que não temos sobre o que dar uma pista”, disse.

“Era mais vantajoso não tomar essa decisão agora, ganhar este tempo e poder tomar essa decisão somente em janeiro. É assim que deve ser entendida essa questão”, completou.

Galípolo frisou que o BC tem ‘tirado expectativas’ de certas palavras nos comunicados e, com isso, as projeções acabaram virando um ‘sinal maior’. Ainda assim, destacou que o Comitê segue cauteloso e espera mais dados para tomar e sinalizar decisões.

Dentre os dados, destaca os indicadores de mercado de trabalho, que considera ‘ainda difíceis de interpretar’, tanto no doméstico quanto no global.

O Diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, destacou que o ambiente externo se mantém incerto por conta da politica econômica dos EUA.

“Na Ata [do Copom] debatemos justamente isso, que o ambiente externo estava menos incerto do que alguns meses atrás, por conta de tarifas, e shutdown. É incerto, mas menos incerto do que já foi, e daí a necessidade de cautela por parte das economias emergentes.”

Guillen também endossou a fala sobre o mercado trabalho, observando que é um momento em que é ‘muito difícil entender qual é o cenário atual do mercado de trabalho dos EUA’ por conta do shutdown, com uma leitura mais complexa tanto para o nível de emprego quanto inflação.
BC vê inflação ainda acima de 3% e melhora projeção de PIB

No Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre de 2025, documento que reúne a avaliação da autoridade monetária sobre a economia brasileira e o cenário internacional, o BC destaca sua visão de continuidade da moderação da atividade econômica no Brasil, inflação ainda acima da meta de 3% e necessidade de manter a política monetária em campo restritivo para assegurar a convergência dos preços ao longo do horizonte relevante – hoje concentrado no segundo trimestre de 2027 .

No Brasil, os dados mais recentes confirmam a perda de fôlego do crescimento. O Produto Interno Bruto avançou 0,1% no terceiro trimestre de 2025, após alta de 0,3% no trimestre anterior.

O BC avalia que esse movimento está em linha com o esperado e reflete, principalmente, a desaceleração do consumo das famílias, que ficou praticamente estável no período. O investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceu, influenciado por fatores pontuais, como a importação de plataformas de petróleo.

Para o quarto trimestre, os indicadores disponíveis sugerem a continuidade dessa moderação. Dados de produção industrial, varejo, serviços e circulação de veículos mostram variações pequenas, sem sinal de retomada mais ampla.

Ainda assim, o BC revisou para cima a projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,0% para 2,3%, influenciado por revisões estatísticas e pelo desempenho da agropecuária e da indústria extrativa. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 1,6%, refletindo juros elevados, menor impulso do setor agropecuário e desaceleração global.

O mercado de trabalho segue como um ponto de atenção. Apesar de sinais de arrefecimento na ocupação, a taxa de desemprego permanece próxima dos menores níveis da série histórica. A geração de empregos formais continua ocorrendo, embora em ritmo menor, e os rendimentos reais do trabalho seguem em expansão. Esse quadro contribui para sustentar a demanda interna e ajuda a explicar a persistência da inflação de serviços, tema recorrente no relatório.

No mercado de crédito, os dados indicam desaquecimento gradual, em linha com os efeitos esperados da política monetária. As concessões às pessoas físicas mostram perda de ritmo, enquanto o crédito direcionado às empresas tem apresentado desempenho acima do previsto. Mesmo assim, o BC projeta desaceleração do crédito tanto em 2025 quanto em 2026, quando comparado a 2024.

No campo fiscal, a percepção dos agentes permanece estável desde o último relatório. As projeções de dívida pública indicam trajetória de alta no médio prazo, o que mantém o tema no radar da política monetária. Já nas contas externas, o déficit em transações correntes aumentou em 2025, puxado pelas importações, apesar do nível elevado das exportações. Para 2026, a expectativa é de redução desse déficit, com melhora do saldo comercial.

A inflação ao consumidor mostrou desaceleração recente, tanto no acumulado em 12 meses quanto nas métricas trimestrais, mas segue acima da meta. Em novembro, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,46%, dentro da faixa de tolerância, após meses acima do limite superior. As expectativas de inflação para 2025 e 2026 recuaram, mas continuam acima de 3%. No cenário de referência do BC, a inflação converge para 3,2% em 2027, patamar compatível com o cumprimento da meta contínua.

O relatório reforça que a política monetária seguirá orientada pelo compromisso com a meta de inflação. O balanço de riscos inclui, de um lado, a possibilidade de maior persistência da inflação de serviços e de desancoragem das expectativas. De outro, uma desaceleração mais intensa da atividade doméstica ou global pode aliviar as pressões inflacionárias. Diante desse quadro, o BC sinaliza que suas decisões continuarão dependentes dos dados, com foco em assegurar a convergência da inflação no horizonte relevante.

No cenário externo, o relatório descreve um ambiente marcado por incerteza, em especial nos Estados Unidos. A inflação americana tem mostrado resistência, influenciada por tarifas sobre importações, o que levou o Federal Reserve a adotar uma postura dependente de dados, mesmo após cortes recentes na taxa de juros.

O BC destaca que, nas economias avançadas, a convergência da inflação à meta foi adiada em vários casos, enquanto nos países emergentes o comportamento dos preços segue heterogêneo. Esse contexto exige cautela, sobretudo para economias como a brasileira, mais sensíveis às condições financeiras globais.

A atividade global continua crescendo, mas em ritmo menor. Os riscos de uma desaceleração mais intensa permanecem, ainda que os temores de uma recessão global tenham diminuído. Ao mesmo tempo, políticas fiscais mais expansionistas em alguns países e a flexibilização monetária gradual ajudam a sustentar o nível de atividade, compensando parte do efeito da incerteza geopolítica e comercial.

Infomoney - SP   19/12/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira que o próximo chair do Federal Reserve será alguém que acredita em taxas de juros bem mais baixas.

‘Em breve anunciarei nosso próximo chair do Federal Reserve, alguém que acredita em taxas de juros mais baixas, bem (mais baixas), e os pagamentos de hipotecas cairão ainda mais’, disse Trump.

Trump fez os comentários durante um pronunciamento nacional em que falou sobre suas realizações econômicas e de segurança nacional no primeiro ano de seu segundo mandato.

Ele já havia indicado que anunciará o sucessor escolhido para do atual chair do Fed, Jerome Powell, no início do próximo ano.

Todos os finalistas conhecidos – o assessor econômico da Casa Branca Kevin Hassett, o ex-diretor do Fed Kevin Warsh e o atual diretor Chris Waller – defendem que a taxa de juros seja mais baixas do que a atual.

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No entanto, nenhum deles indicou expressamente que pressionará o banco central dos EUA a reduzir a taxa de juros tão baixo quanto Trump exigiu, em alguns casos até 1%. A taxa atual do Fed está entre 3,5% a 3,75%, e nem mesmo seu último nomeado – o diretor Stephen Miran – defende uma taxa tão baixa.

Trump expressou repetidamente o desejo de taxas de hipoteca mais baixas, mas a taxa de juros que o Fed controla tem efeito limitado sobre os custos de empréstimos de longo prazo. Esses são mais tipicamente influenciados pelas taxas de longo prazo sobre as quais o Fed tem menos controle, como o rendimento do Treasury de 10 anos.

Essa taxa é influenciada pelas expectativas dos investidores em relação ao crescimento econômico e à inflação dos EUA e, no geral, pouco mudou no último ano. As taxas hipotecárias têm se mantido na faixa de 6,3% a 6,4% desde o Dia do Trabalho e mostram pouca indicação de queda.

Trump disse ao Wall Street Journal na semana passada que estava inclinado a escolher Warsh ou Hassett como o próximo chefe do banco central dos EUA. Mesmo assim, as entrevistas continuaram na quarta-feira com uma reunião com Waller, um dos primeiros defensores da redução dos juros entre as atuais autoridades do Fed, mas um defensor ferrenho da independência do Fed.

Trump disse ao jornal que acha que o próximo chair do Fed deveria consultá-lo sobre a definição da taxa de juros. Normalmente, os presidentes deixam a tomada de decisões sobre os juros a cargo do Fed.

‘Normalmente, isso não é mais feito. Costumava ser feito rotineiramente. Deveria ser feito’, disse Trump. ‘Isso não significa – não acho que ele deva fazer exatamente o que dissermos. Mas certamente somos – eu sou uma voz inteligente e devo ser ouvido.’

IstoÉ Dinheiro - SP   19/12/2025

Diante da crescente impaciência dos americanos, o presidente Donald Trump prometeu na quarta-feira (17) um “boom econômico” em 2026, que coincidirá com o aniversário de 250 anos da Independência do país e a Copa do Mundo de futebol.

Os militares poderão celebrar antecipadamente a data histórica com um cheque de 1.776 dólares (9.800 reais) antes deste Natal, anunciou Trump, que adotou um tom combativo em um discurso televisionado para a nação.

Onze meses após sua histórica segunda eleição, Trump tem um nível de aprovação global estável, em torno de 40%, similar ao de seus antecessores, mas consideravelmente mais discreto na economia, de apenas 31%.

E foi justamente a economia uma das razões que o levaram de volta à Casa Branca. O republicano promete há quase um ano uma “Era de Ouro” que ainda não se concretizou em termos de poder aquisitivo ou de empregos.

“Herdamos um desastre”, insistiu Trump, em referência à presidência do democrata Joe Biden. Mas o país está “próximo de um boom econômico como o mundo nunca viu”, afirmou em seu discurso na Casa Branca.

O republicano acrescentou que os Estados Unidos demonstrarão ao mundo que continuam sendo a primeira potência mundial 250 anos após a independência de 1776.

“Não poderia haver uma homenagem mais apropriada a este feito épico do que culminar no retorno dos Estados Unidos, que começou há apenas um ano”, disse.
Um cheque de 1.776 dólares

Os primeiros a festejar serão os membros das Forças Armadas, anunciou o presidente.

“Esta noite, tenho orgulho de anunciar que mais de 1,45 milhão de membros das Forças Armadas receberão um ‘dividendo dos guerreiros’ especial antes do Natal”, de 1.776 dólares, declarou o mandatário de 79 anos.

“Os salários estão subindo muito mais rápido que a inflação e, mais importante, 100% dos empregos criados foram no setor privado”, disse.

A taxa de desemprego registrou leve alta nos Estados Unidos em novembro, a 4,6%. A inflação caiu consideravelmente na comparação com a era Biden, de quase 9% em seu pior momento para aproximadamente 2,75% em termos anuais atualmente.

Mas os americanos dão sinais de impaciência e os democratas concentram seu discurso, após meses de limbo político, em um novo termo: “acessibilidade”, ou seja, o poder aquisitivo.

“A vida era inacessível para milhões de americanos” sob o mandato de Biden, afirmou Trump no início de seu discurso.

O presidente chamou de “fraude” as propostas dos democratas, mas o nervosismo aumenta entre os republicanos diante das eleições legislativas de meio de mandato, dentro de um ano.

Os democratas conseguiram recentemente vitórias eleitorais importantes em estados como Virginia e Nova Jersey, e na prefeitura de Miami.

A política migratória e a externa de Trump, por outro lado, contam com grande apoio popular.

“Desde o primeiro dia, tomei medidas imediatas para deter a invasão de nossa fronteira sul. Durante os últimos sete meses, não foi permitida a entrada de nenhum estrangeiro ilegal em nosso país, um feito que todos diziam ser absolutamente impossível”, afirmou o presidente.

Os Estados Unidos deportaram, segundo dados do governo, mais de 2,5 milhões de imigrantes sem documentos, mas isso aconteceu em detrimento de famílias, separadas de forma implacável, e do direito de asilo, acusam organizações não governamentais.
Uma sociedade polarizada

Trump recordou os cortes de impostos e a liberalização, que também foram a marca de seu primeiro mandato presidencial.

Mas agora a política comercial é consideravelmente diferente, com uma série de tarifas erráticas, que tiveram algum impacto no nível de inflação e abalaram o comércio global.

O presidente eleito mais velho da história dos Estados Unidos não poderá concorrer à reeleição dentro de três anos.

As pesquisas também mostram que a polarização ainda molda a vida política do país: a grande maioria dos eleitores republicanos votaria novamente no magnata.

Segundo um estudo publicado em novembro pelo Pew Research Center, sete em cada dez latinos desaprovam o desempenho de Trump. Mas a maioria (67%) dos latinos que votaram no mandatário ainda acredita que ele está fazendo um bom trabalho.

Trump planeja organizar mais atos públicos para promover sua agenda econômica, começando por um comício na Carolina do Norte na sexta-feira.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   19/12/2025

Em relatório, o JPMorgan reforça a posição da Vale (VALE3) como a mineradora global mais barata e potencialmente lucrativa no atual cenário de preços do minério de ferro.

A instituição financeira atualizou suas análises com base em preços à vista (spot) e destacou diferenças relevantes entre as principais produtoras de minério do mundo.

De acordo com o banco, a Vale mantém a liderança em termos de valuation atrativo. Enquanto pares australianas negociam, em média, a múltiplos de 6,4 vezes o lucro projetado para o próximo ano, a brasileira opera a apenas 4,4 vezes. Com preços à vista, o desconto fica ainda mais evidente: a Vale é negociada a 3,7 vezes, frente à média de 5,2 vezes das concorrentes.
O relatório também aponta que a mineradora brasileira se destaca na geração de caixa. No cenário de preços atuais, a Vale poderia entregar um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) próximo de 9,8%, superando com folga a Rio Tinto, cuja estimativa fica em 6,8%. Segundo o JPMorgan, os preços à vista permitem que grandes mineradoras expandam seus retornos em até 3,7 pontos percentuais quando comparados ao cenário-base — novamente, com a Vale liderando.

Quando o foco se volta para o potencial de revisão das projeções de mercado, Fortescue (FMG) e Vale surgem como destaques. Se os preços do minério se mantiverem no patamar atual, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da FMG poderia ficar 29% acima do consenso atual, enquanto o da Vale teria alta potencial de 28%. O recado, segundo o banco, é claro: o mercado ainda não incorpora um cenário de minério estável nos modelos.

Entretanto, a análise muda quando as estimativas são comparadas às projeções internas do próprio JPMorgan. Nesse recorte, Rio Tinto e BHP aparecem com maior espaço para revisões positivas, podendo registrar altas de Ebitda de 22% e 21%, respectivamente. Já Vale e FMG, que lideram na comparação com o consenso, apresentam menor margem de revisão frente às expectativas do banco.

A visão também ressalta que o comportamento do minério de ferro e o ritmo de demanda na China seguem como fatores determinantes para a performance do setor — mas, pelos números atuais, a Vale se mantém como a mineradora global mais barata e com um dos maiores potenciais de geração de caixa.

No início do mês, o JPMorgan revisou o preço-alvo para as ações VALE3 de R$ 89 para R$ 86, mantendo recomendação de compra para os ativos.

O banco vê a companhia se reposicionando no lado favorável de uma mudança estrutural na qualidade do minério de ferro, além de melhoria do “mix” de produtos. Isso deve apoiar margens mais fortes e uma visibilidade de preços mais clara daqui para frente.

O Estado de S.Paulo - SP   19/12/2025

O conselho de administração da CSN Mineração aprovou a aquisição de uma participação adicional na MRS Logística, concessionária de transporte ferroviário, em uma operação que pode chegar a R$ 3,35 bilhões. As ações foram compradas da CSN, controladora da mineradora, conforme fato relevante divulgado nesta quinta-feira, 18, simultaneamente pelas duas companhias.

A transação envolve a compra de até 11,17% do capital social da MRS e foi estruturada em duas etapas. Na primeira, já concluída, a CSN Mineração adquiriu 9,17% do capital da companhia ferroviária pelo valor de R$ 2,75 bilhões, pagos à vista. Nessa fase, foram compradas ações ordinárias e preferenciais classe A e B de emissão da MRS.

A segunda etapa, ainda sujeita a aprovações regulatórias usuais, prevê a aquisição adicional de 2% do capital social da MRS, composta exclusivamente por ações preferenciais classe B, ao custo de R$ 600 milhões, também com pagamento à vista.

Com a conclusão da operação, a CSN Mineração passará a deter 14,3% do capital votante da MRS, além de 49,28% do total de ações preferenciais da companhia ferroviária. Parte das ações ordinárias permanecerá vinculada ao acordo de acionistas da MRS, em vigor desde 1996.

Segundo a CSN Mineração, a operação reforça sua exposição a um ativo logístico considerado estratégico para o escoamento da produção de minério, além de representar uma reorganização societária dentro do grupo CSN.

Valor - SP   19/12/2025

Contratos para maio, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 110,38 por tonelada

Os embarques globais de minério de ferro aumentaram de forma constante em dezembro, especialmente de mineradoras menores, deixando a China com uma oferta relativamente ampla que dificilmente mudará no curto prazo, diz a Galaxy Futures, segundo o Dow Jones Newswires.

Conforme os analistas, novas altas nos preços provavelmente serão limitadas, dado o equilíbrio folgado entre oferta e demanda e uma mudança significativa nos fundamentos do mercado.

Os contratos do minério para maio, os mais negociados, fecharam em alta de 1,23% na Bolsa de Dalian, cotados a 777,50 yuans (US$ 110,38) a tonelada.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   19/12/2025

Em dezembro de 2024, a Volkswagen fechou um acordo com os sindicatos para reestruturar drasticamente suas operações na Alemanha, incluindo o corte de 35 mil postos de trabalho até 2030

A Volkswagen está avançando com sua iniciativa de redução de custos, afirmou o diretor das principais marcas da montadora alemã em entrevista à imprensa, nesta quinta-feira (18), apontando para reduções no quadro de funcionários e economias nas fábricas do grupo na Alemanha.

A empresa reduziu os custos em suas fábricas de Wolfsburg, Emden e Zwickau em 30%, em média, disse o presidente-executivo da marca, Thomas Schaefer, à revista Auto Motor Sport.

Além disso, cerca de 25 mil trabalhadores assinaram acordos de aposentadoria parcial ou de demissão, acrescentou. “Ainda temos um caminho a percorrer, mas juntos queremos provar que é possível desenvolver e construir carros competitivos na Alemanha”, disse Schaefer.

Em dezembro de 2024, a Volkswagen fechou um acordo com os sindicatos para reestruturar drasticamente suas operações na Alemanha, incluindo o corte de 35 mil postos de trabalho até 2030, enquanto enfrenta forte concorrência de marcas chinesas mais baratas e navega por uma transição para os veículos elétricos mais lenta do que o esperado.

Na terça-feira (16), a Comissão Europeia abandonou seu rígido limite para novos carros com motor a combustão a partir de 2035, cedendo aos apelos da Volkswagen e de outras montadoras por maior flexibilidade.

Schaefer descartou a possibilidade de oferecer motores a combustão na nova família de carros pequenos das marcas principais, cujo primeiro modelo — o ID.Polo — será lançado no próximo ano a um preço inicial de cerca de 25 mil euros.

Isso não faria sentido devido às regulamentações de emissões e seria muito caro para os consumidores, de acordo com o executivo. “O futuro nesse segmento é elétrico”, disse ele.

Valor - SP   19/12/2025

A medida é uma resposta às preocupações do governo Trump com o déficit comercial dos Estados Unidos com o Japão

A Toyota importará três modelos produzidos em suas fábricas nos Estados Unidos para o Japão a partir do próximo ano, incluindo o popular sedã Camry, segundo apurou o “Nikkei Asia” nesta quinta-feira.

A medida é uma resposta às preocupações do governo Trump com o déficit comercial dos Estados Unidos com o Japão, mas também amplia as opções para os consumidores japoneses. A Honda e a Nissan também estão considerando medidas semelhantes, sinalizando um esforço mais amplo para fortalecer a produção nos Estados Unidos.

Além do Camry, a Toyota planeja importar e vender as picapes Tundra e os SUVs Highlander, embora as estratégias de vendas e os preços ainda não tenham sido definidos.

Como nenhum dos três modelos é vendido no Japão, a medida aumentará as opções para os consumidores. Para a Toyota, no entanto, a lucratividade é um desafio em tudo isso, considerando o aumento dos custos trabalhistas nos Estados Unidos e as despesas de frete para o Japão.

O sucesso do plano depende da simplificação do processo de aprovação de veículos importados pelo Ministério dos Transportes do Japão. O Ministério da Segurança Rodoviária está considerando a introdução de uma isenção ministerial especial, segundo a qual os veículos fabricados nos Estados Unidos seriam certificados quanto à segurança apenas por meio da análise de documentos.

Atualmente, testes adicionais são exigidos para veículos importados, mas o ministério planeja revisar suas normas, com implementação prevista para o início de 2026.

De acordo com a Casa Branca, a Toyota também concordou em abrir sua rede de vendas no Japão para montadoras americanas, mas, na prática, isso dependerá das intenções de cada empresa, como a General Motors e a Ford.

Trump há muito expressa frustração com o fato de os carros americanos não venderem bem no Japão, criticando as diferenças nos padrões de segurança como barreiras não tarifárias e pressionando por medidas. O presidente da Toyota, Akio Toyoda, demonstrou disposição para buscar importações reversas, e a iniciativa foi mencionada explicitamente em um documento da Casa Branca divulgado em outubro.

Outras grandes montadoras japonesas também estão avaliando importações semelhantes. A Honda deve considerar modelos como as picapes Ridgeline e os SUVs grandes Pilot, enquanto a Nissan tem em mente seus SUVs de luxo Murano e os grandes SUVs Pathfinder.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   19/12/2025

Até novembro, cerca de 678 mil unidades habitacionais foram financiadas pelo país com o programa Minha Casa, Minha Vida, apontam dados do Ministério das Cidades. Pouco mais de 20 mil casas separam os dados parciais deste ano do recorde de 698.582 financiamentos de 2024.

O setor vê 2025 como um ano "extremamente positivo" para o programa de moradia social, com ênfase em atualizações, como o lançamento da Faixa 4, e reforços que o impulsionaram.

Destaca-se também o fato de que o programa contou neste ano com um orçamento recorde próximo a R$ 180 bilhões, o maior já destinado à habitação no país.

"Esse volume expressivo de recursos garantiu previsibilidade, segurança e capacidade de contratação ao programa, permitindo a ampliação das contratações", afirma Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).

Como resultado desse movimento, França ressalta as expectativas de a meta inicial de 2 milhões de moradias previstas para quatro anos ser alcançada já em 2025, podendo chegar a 3 milhões de unidades até o fim de 2026.

Só na cidade de São Paulo, o Secovi-SP (Sindicato da Habitação, Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis do Estado de São Paulo) estima que os lançamentos de imóveis residenciais cresceram 41% e as vendas avançaram 10% no acumulado de 12 meses até outubro.

O setor avalia que o "desempenho dinâmico" foi "sustentado especialmente" pelas contratações do Minha Casa, Minha Vida, aponta o SindusCon-SP (Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo).

"Em 2025, o mercado de baixa renda da construção civil apresentou um desempenho positivo e dinâmico, sustentado principalmente pelas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida", diz o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, reforçando o papel do MCMV como principal motor da habitação de interesse social no país.
Atualizações impulsionam programa

Em maio, o governo federal lançou a nova Faixa 4 do programa, destinada às famílias de classe média. O critério de entrada é renda mensal de até R$ 12 mil, garantindo juro nominal de 10% ao ano e prazo de pagamento de até 420 meses.

Com a inflação e reajustes salariais anuais, eventualmente famílias que se enquadrariam no programa poderiam acabar perdendo a capacidade de participar. Eduardo Fischer, CEO da MRV&Co, destaca que nos anos em que não aconteceu reajuste no programa, perceberam-se perdas.

"Como o objetivo é atingir a renda mais baixa no Brasil, é importante que os parâmetros sejam constantemente reavaliados. [...] Importante que sejam reajustados porque inflação existe, imóveis crescem e famílias sobem renda", pontua Fischer.

A readequação foi fundamental em um momento no qual o país enfrenta um cenário de juros elevados.

Clausens Duarte, vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), pondera que a classe média dependia quase exclusivamente da poupança, que estava escassa e cara devido à Selic elevada, o que vinha reduzindo as contratações.

"O setor respondeu rapidamente, com aumento de oferta, novos lançamentos e crescimento mensal consistente nas contratações", diz.

No terceiro trimestre, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) cheio cresceu 0,1% na comparação com o segundo trimestre, e o industrial expandiu 0,8%, a indústria da construção registrou ganho de 1,3%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A Sondagem da Indústria da Construção da CNI (Confederação Nacional das Indústrias) mostrou que os empresários do setor fecham 2025 com expectativas positivas para 2026.

"O início do ano costuma ser um momento melhor para a construção e, aliado a isso, há uma série de medidas que vão influenciar e dar ritmo à atividade do setor no ano que vem, além da perspectiva de redução da taxa de juros", explica o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Na linha das atualizações para tornar o programa mais amplo, o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), aprovou, nesta quinta-feira (18), uma ampliação do teto de compras de imóveis das faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida. A medida passa a valer a partir de janeiro de 2026.

Em nota, o presidente da CBIC, Renato Correia, avalia como “necessária” a mudança nos valores de teto dos imóveis.

“O setor da construção encontrava obstáculos para implementar empreendimentos imobiliários em capitais do Norte e do Nordeste, o que comprometia a oferta de moradias e a geração de emprego e renda nessas localidades”, afirma.

Olhando para essas especificidades regionais, o setor destaca a importância da complementaridade entre programas estaduais com o federal.

"Os estados Brasil afora começaram a entender a dimensão do problema e como poderiam participar da solução, [...] e trabalham em conjunto com o Minha Casa, Minha Vida. Essa integração de programas alcança famílias de renda ainda mais baixa, tornando o acesso à habitação muito mais facilitado", conclui Fischer.

Em São Paulo, destacam-se o Casa Paulista e a atuação da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo); já em Minas Gerais, notam-se a política estadual de habitação e o histórico de atuação via COHAB (Conjunto Habitacional). Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco também possuem programas estaduais próprios; Paraná e Rio Grande do Sul atuam também via COHABs; e Ceará, com programas complementares ao MCMV; entre outros.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   19/12/2025

A Ferrovia Transnordestina inicia nesta quinta-feira, 18, a primeira operação-teste, em trecho de 585km entre a cidade de Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu, no Ceará. A primeira locomotiva, em uma composição com 20 vagões, transportará uma carga de milho.

De acordo, com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MDIR) serão realizados testes de carga, descarga e operação em marcha.

Vale lembrar que o transporte de mercadorias nos trechos já construídos da ferrovia foi liberado na última quinta-feira, 11, com a emissão da Licença de Operação (LO) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Conforme a Transnordestina Logística (TLSA), concessionária responsável pela construção e operação da ferrovia, o início efetivo da operação comissionada será programado em conjunto com o Governo Federal, e os governos dos Estados do Ceará e do Piauí.

Além de milho, a ferrovia deve transportar quando estiver operando comercialmente outros grãos, algodão, minérios, gesso e contêineres, entre outras cargas de alto desempenho.

A partir do momento que essa ferrovia chegar no Porto de Pecém (PE), ela ganha uma nova escala, uma nova possibilidade, inclusive mais oportunidades para a gente viabilizar outras expansões, destacou Eduardo Tavares, secretário Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MDIR.

A fim de garantir que a produção do Nordeste chegue com maior velocidade aos centros de consumo, a TLSA planeja instalar de seis a oito terminais logísticos ao longo do percurso. Entre as estruturas já previstas estão Eliseu Martins e Bela Vista, no Piauí, Trindade e Salgueiro, em Pernambuco, além de Missão Velha, Maranguape e o próprio Porto do Pecém, no Ceará.

Este último contará com um terminal de uso privado do Grupo CSN, conectando as ferrovias FTL e TLSA a porto, denominado TUP NELOG, orçado em R$ 900 milhões.

Os terminais de Iguatu, Quixeramobim e Quixadá serão de parceiros privados. Segundo o MDIR, essas parcerias seguiram o modelo de condomínio, com as empresas instalando suas operações dentro da área de concessão da ferrovia.

Na semana passada, foi assinada a ordem de serviço de infraestrutura para os lotes MVP 9 e MBP 10, que correspondem aos lotes de Baturité e Aracoiaba, o que representa 100% de obras mobilizadas no Ceará, em um projeto com expectativa de geração de 6,5 mil empregos diretos.

Desde 2023, os recursos destinados ao financiamento da conclusão da Transnordestina são captados pela Secretaria Nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros do MDIR. A finalização dos 19 lotes da Fase I da ferrovia, contará com investimento total de R$ 8 bilhões.

Valor - SP   19/12/2025

A rede em estudo tem 72 km de trens e metrô

O governo de Pernambuco e a União iniciaram nesta semana as discussões para concessão do Metrô do Recife, com previsão de um aporte federal de R$ 4 bilhões e de R$ 4 bilhões de investimentos privados, afirmou a governadora do Estado, Raquel Lyra (PSD), nesta quinta-feira (11), após o leilão de saneamento realizado pela gestão, em São Paulo.

A rede em estudo tem 72 km de trens e metrô, disse ela. “Estive com o presidente Lula, o ministro da Casa Civil, o ministro Jader [Filho, das Cidades], para desenhar os próximos passos para que a concessão possa ser feita, estadualizado, após a concessão, o contrato do metrô e a gestão do metrô do Recife, que é hoje da CBTU [Companhia Brasileira de Trens Urbanos], mas que passará a ser do governo de Pernambuco”, disse ela.

“As consultas públicas, audiências, serão feitas a partir do ano que vem e haverá, antes disso, o investimento do governo federal para permitir um suporte ao transporte público em Pernambuco, enquanto o caos do metrô vai se estruturando para ser resolvido definitivamente, com a compra de ônibus elétricos, com a reforma de estações, com a troca de vagões, até que finalmente a gente possa ter o processo de concessão e aí os investimentos mais robustos.”

A previsão é que o projeto fique para 2027, disse.

NAVAL

IstoÉ Dinheiro - SP   19/12/2025

A Transpetro recebeu nesta quinta-feira, 18, o aval do Fundo da Marinha Mercante (FMM) no valor de R$ 616 milhões para a construção de 36 embarcações. Atualmente em fase de licitação, o projeto contempla 18 barcaças e 18 empurradores.

Os valores foram aprovados durante a 61ª Reunião Ordinária do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM).

Atualmente, a Transpetro tem 33 navios.

No escopo de atuação, a subsidiária da Petrobras, opera ainda 48 terminais (27 aquaviários e 21 terrestres) e cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos. Sua carteira conta com mais de 170 clientes.

A Tribuna - SP   19/12/2025

A deliberação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre a abertura de consulta e audiência públicas para a concessão do canal de acesso do Porto de Santos, cujo resultado sairia nesta quarta-feira (17), foi retirada de pauta pela diretora Flávia Takafashi. Relatora do processo, ela decidiu analisar melhor as recomendações da área técnica de licitações da agência antes de tomar uma decisão. Com isso, a apreciação do tema ficará para 2026.

A abertura da consulta pública é uma etapa regulatória considerada essencial para que o modelo de concessão do canal aquaviário possa ser debatido com o mercado, usuários do porto e a sociedade. As contribuições recebidas nessa fase subsidiam os ajustes finais do projeto antes do encaminhamento ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) para o lançamento do edital. A expectativa do Governo Federal era avançar com essa etapa ainda em 2025.

A proposta é diferenciar do modelo adotado no Porto de Paranaguá, no Paraná, cuja concessão foi realizada em outubro e homologada no último dia 4 pelo MPor, tornando-se o primeiro canal de acesso do País repassado à iniciativa privada. O contrato de Paranaguá deve ser assinado em janeiro.

A concessão do canal de acesso do Porto de Santos prevê que uma empresa ou consórcio assuma, por um prazo estimado de 25 anos ou mais, as responsabilidades pela dragagem de aprofundamento gradual do canal, atualmente com 15 metros, até 17 metros, além da manutenção permanente da profundidade. O investimento estimado supera R$ 6 bilhões.

PETROLÍFERO

Valor - SP   19/12/2025

Investidores também reagiram à notícia de que a Casa Branca estaria preparando uma nova rodada de sanções contra o petróleo russo, caso Moscou não concorde com um acordo de paz com a Ucrânia

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta quinta-feira (18), dando continuidade aos ganhos da véspera, em meio à escalada de tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a Venezuela.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em fevereiro anotou alta de 0,23%, cotado a US$ 59,82 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para janeiro subiu 0,38%, a US$ 56,15 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Os investidores também reagiram à notícia de que a Casa Branca estaria preparando uma nova rodada de sanções contra o setor de energia da Rússia, caso Moscou não concorde com um acordo de paz com a Ucrânia, segundo a agência de notícias Bloomberg.

Além disso, na tarde desta quinta, o governo americano anunciou restrições sobre 29 navios e empresas acusadas de transportar petróleo iraniano.

Valor - SP   19/12/2025

Companhia reiterou que equipes de contingência seguem mobilizadas e que a paralisação não gera impacto na produção e no abastecimento do mercado

A greve dos petroleiros da Petrobras teve a adesão de trabalhadores em todas as suas unidades próprias na Bacia de Santos, incluindo as unidades do campo de Búzios, no pré-sal, disse o secretário-geral da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Adaedson Costa, à Reuters, nesta quinta-feira (18).

Ele citou que as unidades P-66, P-67, P-68, P-69, P-70 e P-71 estão entre unidades de Santos com adesão dos grevistas da Petrobras, além das unidades próprias que operam em Búzios, o maior campo do Brasil.

Em nota, a Petrobras reiterou hoje que equipes de contingência seguem mobilizadas e que a paralisação não gera impacto na produção e no abastecimento do mercado.

Costa disse à Reuters que a FNP, que tem quatro sindicatos filiados, está avaliando se há eventuais impactos na produção. Ele também explicou que as plataformas afretadas que atuam no pré-sal operam com mão de obra terceirizada, e por isto não participam da greve.

Valor - SP   19/12/2025

Os dois navios não constam na lista de embarcações sob sanções por parte do governo dos EUA

A Venezuela autorizou nesta quinta-feira a partida de dois navios superpetroleiros (VLCCs) em direção à China, segundo informações dadas por fontes anônimas, ligadas ao setor de petróleo e gás venezuelano, à agência Reuters.

Os dois navios não constam na lista de embarcações sob sanções por parte do governo dos Estados Unidos.

Nesta semana, o presidente americano, Donald Trump, determinou que todos os petroleiros alvo de sanções do país serão interceptados pelas forças americanas caso naveguem em águas internacionais.

Cada um dos superpetroleiros que seguem em direção à China carrega cerca de 1,9 milhão de barris de petróleo Merey, conforme dados da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

Uma das fontes mencionou à Reuters que as embarcações navegarão com seus respectivos transponders [dispositivo análogo ao GPS] desligados.

Recentemente, o presidente americano tem aumentado a pressão sobre o setor de petróleo da Venezuela. Na última semana, as forças dos EUA apreenderam o navio petroleiro sancionado "Skipper" nas proximidades do litoral venezuelano.

Na quarta-feira, o site americano Axios relatou que Washington tem monitorado pelo menos 18 navios petroleiros na Venezuela. Essas embarcações estão sujeitas à sanções e serão apreendidas caso naveguem em águas internacionais, conforme o Axios.

Outras embarcações têm desviado o curso para evitar os portos venezuelanos. Pelo menos cinco navios que constavam no itinerário da PDVSA fizeram essa mudança de rota ao longo da última semana, segundo informações da mídia internacional.

Valor - SP   19/12/2025

A Saudi Aramco, companhia petrolífera estatal da Arábia Saudita, iniciou as operações em um campo de gás de xisto no país, considerado um dos maiores do mundo. A estatal busca reforçar seu fornecimento de energia e, ao mesmo tempo, utilizar mais petróleo bruto para exportação.

O vice-presidente executivo da Saudi Aramco, Ashraf Al-Ghazzawi, disse a jornalistas na quarta-feira, na sede da empresa em Dhahran, Arábia Saudita, que o campo de gás de Jafurah "iniciou a produção".

"Se você observar a Aramco hoje, verá que ela é uma grande empresa do setor de gás", disse Al-Ghazzawi, indicando que o gás natural dará suporte ao fornecimento de energia necessário para a diversificação industrial da Arábia Saudita e outras reformas econômicas.

"Estamos expandindo nossos negócios de gás", acrescentou.

O projeto do campo de gás de Jafurah, avaliado em US$ 100 bilhões e localizado próximo ao Golfo Pérsico, no leste da Arábia Saudita, tem uma capacidade de produção na primeira fase de 12,6 milhões de metros cúbicos por dia, segundo o governo saudita.

As reservas confirmadas de gás do campo totalizam 6,4 trilhões de metros cúbicos, o equivalente a cerca de 70 anos das importações de gás natural liquefeito (GNL) do Japão.

O investimento no projeto tem sido ativo. Em agosto, a Aramco anunciou que captaria US$ 11 bilhões de um consórcio liderado pela gestora de ativos americana BlackRock para ajudar no desenvolvimento do campo. Em 2024, a Aramco encomendou a construção de uma planta e outros projetos relacionados no valor de US$ 25 bilhões.

O gás de xisto é produzido a partir de camadas de xisto em grandes profundidades. A extração era considerada difícil no passado, o que resultava em altos custos de produção. O desenvolvimento de tecnologias na década de 2000, como a fratura hidráulica, conhecida como fracking, possibilitou a produção de gás de xisto a um custo relativamente baixo.

Isso levou a uma revolução do xisto nos Estados Unidos, impulsionando a autossuficiência energética. Outro resultado foi uma diminuição relativa da importância de países do Golfo, como a Arábia Saudita, como fornecedores de energia para os Estados Unidos.

Tecnologias utilizadas na revolução do xisto nos Estados Unidos também estão sendo empregadas no projeto de gás de Jafurah. O CEO da Aramco, Amin Nasser, afirmou que a Arábia Saudita dará início a uma nova revolução do xisto.

Além de Jafurah, a Arábia Saudita está trabalhando para expandir o uso do gás associado encontrado em depósitos de petróleo bruto, visando elevar a produção para aproximadamente 462 milhões de metros cúbicos por dia até 2030, um aumento de cerca de 80% em relação a 2021.

O principal fator por trás dos esforços da Arábia Saudita para explorar seus recursos de gás natural é o rápido aumento da demanda de energia no país.

Cerca de 60% da geração de eletricidade saudita provém de usinas termelétricas a gás, e o restante, em sua maioria, de usinas a óleo.

O país espera aumentar a proporção de gás nessa mistura, permitindo atender à demanda e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto ambiental. Isso também liberará mais petróleo bruto para exportação, ajudando a suprir a crescente demanda global e a impulsionar a receita.

A Arábia Saudita, que possui uma população em rápido crescimento, com muitos jovens, está implementando reformas econômicas para diversificar suas indústrias e reduzir a dependência da receita do petróleo. Em particular, está se esforçando para atrair centros de dados para inteligência artificial, que consomem quantidades enormes de eletricidade.

Garantir a demanda por GNL (Gás Natural Liquefeito) — considerado uma fonte de energia de baixo carbono e ambientalmente amigável, além de uma ponte para a descarbonização — também é uma prioridade. Nos últimos anos, a Aramco adquiriu participações em projetos de GNL nos Estados Unidos, Austrália e outros países.

A Arábia Saudita há muito tempo reina como um dos maiores países produtores de petróleo do mundo. Suas exportações de petróleo bruto estão entre as maiores do planeta, tornando-a um fornecedor crucial de energia para Japão, China e Europa. Mas, no setor de GNL, o vizinho Qatar é líder.

Al-Ghazzawi afirmou que o objetivo principal é atender à crescente demanda interna.

"Todos os planos de expansão em andamento para o gás são destinados ao consumo doméstico", incluindo Jafurah, disse ele.

AGRÍCOLA

Canal Rural - SP   19/12/2025

Foi um ano difícil. Embora o ano termine com um PIB positivo e uma safra boa, a venda de máquinas agrícolas não foi aquilo que nós esperávamos, afirmou Calvet, ao apresentar os dados do setor.

Segundo a Anfavea, as vendas no varejo de tratores de rodas e colheitadeiras recuaram 0,7% no acumulado do ano. Em 2024, o setor havia vendido pouco mais de 43 mil unidades. Em 2025, o volume ficou praticamente no mesmo patamar. Foi um ano de queda pequena, mas de estabilidade na venda do varejo, disse.

No atacado, houve crescimento de 18%, com cerca de 47 mil unidades, mas o executivo pondera que o avanço ocorreu sobre uma base muito baixa de comparação. Esse desempenho se dá sobre uma base muito fraca de 2024 e é fortemente concentrado em máquinas de baixa potência, com menor valor agregado, explicou.

De acordo com Calvet, esse perfil de venda levanta questionamentos sobre produtividade no médio prazo. Essas máquinas de menor potência ditaram o crescimento. No limite, a gente ainda estuda se isso mantém o nível de produtividade da agricultura, afirmou.

Além disso, a Anfavea aponta aumento dos estoques na rede de concessionárias ao longo do ano. Houve um forte incremento de estoque na rede, inclusive para evitar desligamentos, acrescentou o presidente da associação.
Endividamento sobe e crédito encolhe

Ao comentar o cenário financeiro do setor, Calvet foi direto ao separar o desempenho do agro do comportamento do mercado de máquinas. Tivemos uma safra recorde este ano e uma safra que deve ser boa no próximo. Mas isso não necessariamente vai se traduzir em venda de máquinas, disse.

Segundo ele, serviços e produtos ligados ao agro não acompanham o crescimento da produção, principalmente por causa da alta da inadimplência e da desaceleração do crédito. A inadimplência está subindo. Quando isso acontece, a tendência é enxugar a concessão de crédito, afirmou.

Dados agregados de veículos, que incluem máquinas agrícolas, mostram inadimplência de 5,4% para pessoa física, o maior nível desde novembro de 2023. Para pessoa jurídica, índice mais relevante para o financiamento de máquinas, o percentual chegou a 3,7% em outubro de 2024, o maior patamar desde junho de 2017.

Não é uma crise no agro, mas há pressão de preços internacionais sobre os principais produtos. A rentabilidade fica menor, explicou Calvet. Quando a rentabilidade diminui, o agricultor decide manter a máquina. A renovação do parque passa a ser uma segunda opção de investimento.

Nesse contexto, o presidente da Anfavea chamou atenção para o comportamento do Moderfrota. É importante parar para pensar por que, nessa época do ano, ainda tem recurso disponível no Moderfrota, afirmou. Para ele, a permanência de saldo no principal programa de financiamento de máquinas indica menor demanda por investimento, mesmo com linhas oficialmente abertas.

Nos últimos 12 meses, a concessão de crédito para pessoas jurídicas recuou 2%. Essas curvas mudam por razões óbvias: uma sobe, a outra cai, resumiu.
Olhar para 2026

Para 2026, a avaliação da Anfavea é de continuidade dos desafios. O ano promete um PIB positivo, mas menor. A safra provavelmente não será tão boa quanto a deste ano e deve haver mais pressão sobre os preços das commodities, disse Calvet.

Segundo ele, a taxa de juros deve seguir elevada pelo menos até o primeiro trimestre, com expectativa de cortes ainda tímidos. Isso pode retardar uma recuperação mais pujante do setor, avaliou.

Calvet alertou ainda para os efeitos de médio prazo da postergação de investimentos. Quando esse processo perdura, pode haver estagnação ou queda da produtividade, com máquinas mais antigas, menor eficiência e aumento do custo operacional ao longo do tempo, afirmou.

No cenário estrutural, o presidente da Anfavea defendeu o fortalecimento das exportações como forma de reduzir a dependência do mercado interno. As exportações ainda são pequenas frente ao potencial. Precisamos de uma estratégia mais incisiva de abertura de mercados para equalizar momentos de maior oscilação do mercado doméstico, concluiu.

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