Clipping Diário

03 | Dezembro | 2025

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   03/12/2025

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2025, mas vê perda de fôlego na virada do ano e mantém o alerta sobre inflação resistente e necessidade de aperto fiscal.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, 2, a entidade projeta expansão de 2,4% em 2025 e 1,7% em 2026, números ligeiramente maiores que os estimados em junho, de 2,1% e 1,6%, respectivamente. A melhora reflete sobretudo a forte safra agrícola, prevista para crescer 17%, e o impulso do consumo das famílias, apoiado pelo mercado de trabalho aquecido: o desemprego caiu a 5,6%, mínima histórica, e a renda real avança mais de 3%, pontua a OCDE.

Apesar disso, os dados recentes apontam desaceleração, destaca a entidade. O índice de atividade recuou 1,8% desde abril, e vendas do varejo e produção industrial voltaram a cair em setembro. A confiança empresarial também se enfraqueceu. Para a OCDE, o investimento deve perder força em 2026, pressionado por juros elevados, incerteza global e tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras, cujo impacto ainda é limitado graças à diversificação de mercados.

Outro ponto ressaltado é a inflação, que segue acima da meta. O IPCA deve ficar em 5,1% em 2025, ante previsão anterior de 5,7%, recuando para 4,2% em 2026 (ante projeção anterior de 5%) e para 3,8% em 2027. Energia elétrica, alimentos e serviços continuam entre os principais vetores de pressão inflacionária, diz a OCDE. O documento destaca que expectativas para 2026 e 2027 permanecem acima do centro da meta, de 3%.

A economia global mostrou-se mais resiliente do que o esperado este ano, mas fragilidades subjacentes permanecem devido ao aumento das barreiras comerciais e à significativa incerteza política, segundo a OCDE. Segundo a entidade, os efeitos completos das tarifas mais altas ainda não foram sentidos, mas estão se tornando mais visíveis, especialmente nos EUA.

“O crescimento do comércio global se moderou após um forte adiantamento do comércio de mercadorias no início do ano, antes dos aumentos tarifários antecipados, e a inflação ainda não voltou à meta em alguns países. Há também alguns sinais de enfraquecimento da demanda por trabalho entre as economias”, acrescenta.

Por outro lado, a OCDE desta que políticas macroeconômicas de apoio, condições financeiras melhoradas impulsionadas pelo otimismo sobre o impacto potencial de novas tecnologias e o aumento do investimento e comércio habilitados por inteligência artificial (IA) ajudaram a sustentar a demanda em diferentes graus entre as economias, “amortecendo os ventos contrários da elevada incerteza política e das crescentes barreiras ao comércio”.

Como resultado, a organização manteve as projeções de crescimento do PIB global e espera uma moderação de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025 e 2,9% em 2026, seguido por uma pequena recuperação para 3,1% em 2027. A OCDE ainda espera que a inflação gradualmente retorne à meta na maioria das principais economias até meados de 2027, bem como reduções nas taxas de juros.

Segundo o texto, a perspectiva “permanece frágil”, considerando especialmente as barreiras em torno de insumos críticos, que podem causar danos significativos às cadeias de suprimentos e à produção global.

A organização também alerta que altas avaliações de ativos baseadas em expectativas otimistas de lucros corporativos impulsionados por IA “representam um risco de correções abruptas de preços”. Vulnerabilidades fiscais podem elevar os rendimentos soberanos de longo prazo, apertando as condições financeiras e prejudicando o crescimento", adverte.

Diário do Comércio - MG   03/12/2025

A indústria brasileira registrou crescimento abaixo do esperado em outubro, caminhando para o fim do ano sem ganhar ritmo em um ambiente interno adverso e em meio a incertezas no cenário externo.

Em outubro a produção industrial teve avanço de 0,1% em relação ao mês anterior, resultado que ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,4%.

Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 0,5% na produção, contra expectativa de avanço de 0,2%.

Com isso, a produção industrial está 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

A indústria vem enfrentando este ano a pressão de uma política monetária restritiva, com a taxa básica de juros em 15%, que encarece o crédito e afeta as decisões de investimentos. O Banco Central volta a se reunir na próxima semana para sua última decisão do ano de política monetária, com expectativa de manutenção da Selic.

“O mercado de trabalho (aquecido), aumento da renda, aumento de exportações para Argentina fazem contraponto dos juros”, disse o gerente da pesquisa, André Macedo .

“Esse 0,1% de alta é uma volta ao campo positivo, isso é algo bom…(mas) a indústria vem há meses girando perto de zero para cima ou baixo e num mesmo patamar”.

O cenário externo também restringe o setor industrial, que sofreu o impacto das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros que entraram em vigor em agosto.

“O resultado de outubro reforça a dinâmica de acomodação do crescimento do setor, que tem se mostrado o mais exposto ao tarifaço americano, tendo em vista que o mercado americano é de grande relevância para as exportações industriais e que os nossos produtos industriais não foram contemplados com nenhuma amenização das tarifas, como foi o caso de diversos outros produtos”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

De acordo com o levantamento do IBGE sobre a indústria, em outubro 12 dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram expansão na produção contra o mês anterior. A principal influência foi a de indústrias extrativas, que cresceu 3,6% no mês.

“O avanço foi influenciado pela maior extração de petróleo, minério de ferro e gás natural. Vale destacar que o crescimento observado em outubro de 2025 eliminou a perda de 1,7% acumulada nos meses de agosto e setembro deste ano”, disse Macedo.

Também se destacaram os ganhos em produtos alimentícios (0,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (2,0%) e produtos químicos (1,3%).

Entre os setores que mostraram recuo na produção, coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,9%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10,8%) exerceram os principais impactos.

“A primeira intensificou a queda de 0,5% verificada no mês anterior e foi pressionada por paralisações em unidades produtivas do setor que impactaram na produção dos derivados do petróleo”, disse Macedo, explicando que na indústria farmacêutica houve menor fabricação de medicamentos.

Entre as categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis avançou 2,7% em outubro, enquanto bens de capital e de bens de consumo semi e não duráveis tiveram alta de 1,0% cada. Por outro lado, o segmento de bens intermediários teve retração de 0,8%.

Infomoney - SP   03/12/2025

A perda de fôlego da produção industrial brasileira tem sido observada desde setembro do ano passado, quando o Banco Central reiniciou o ciclo de altas de juros – para ajustar as expectativas de inflação. E o dado de outubro, divulgado nesta terça-feira (2) pelo IBGE, foi mais uma prova disso. As indústrias brasileiras mostraram produção quase estável ante setembro (+0,1%) e queda de 0,5% ante o mesmo mês do ano passado. As projeções agora são que a produção industrial feche 2025 com alta de, no máximo, 1%, ante +3,1% no ano passado.

Os economistas analisam que as dificuldade trazidas com a Selic em 15% ainda devem aparecer nas próximas divulgações, mas que os dados distintos em categorias e setores, em meio aos bons números de emprego e renda, impedem uma queda mais acelerada da atividade industrial no geral.

O comportamento heterogêneo de alguns setores foi uma das características citadas por André Valério, economista sênior do Inter, em sua avaliação. “O avanço ocorreu em 12 dos 25 ramos pesquisados, com a principal influência positiva sendo as indústrias extrativas, que avançaram 3,6% no mês, interrompendo dois meses consecutivos de queda”, listou.

Ele citou ainda o avanço mensal de 2% na produção de veículos e de 0,9% na de produtos alimentícios. “Esses três ramos foram as principais contribuições de alta”, disse.

Confiança da indústria do Brasil cai em novembro com piora da avaliação do cenário

Na análise da XP, também foram lembrados os resultados desagregados mistos em outubro. “A indústria manufatureira caiu 0,6%, enquanto a indústria extrativa permaneceu em uma tendência robusta de crescimento (3,6%), o que impediu um número ainda pior para o índice principal”, destacou a análise.

Sobre as categorias da pesquisa, a XP comentou que 3 das 4 principais categorias econômicas vieram com bons números mensais.

A produção de bens de capital, por exemplo, aumentou pelo segundo mês consecutivo (1,0%). No entanto, essa categoria mostrou queda de quase 3% em relação ao ano anterior. “Taxas de juros restritivas e a incerteza crescente no ambiente macroeconômico continuam cobrando seu preço”, disse a XP.

Já a categoria de Bens de Consumo Duráveis cresceu 2,7% em outubro, principalmente devido à recuperação em Produtos Eletrônicos (+4%) e Veículos Automotores (+2%. Mas XP disse esperar um desempenho modesto no curto prazo, diante do endurecimento das condições de crédito e dos altos níveis de estoque.

A categoria de Bens de Consumo Semi e Não Duráveis também avançou em outubro (1,0%), principalmente devido ao quarto aumento consecutivo em Produtos Alimentícios, que está com expansão acumulada de 5,5% no período.

“Por fim, a categoria de Bens Intermediários caiu pelo segundo mês consecutivo (-0,8%). Essa categoria, que representa cerca de 60% do índice geral, foi fortemente afetada pela queda na produção de derivados do petróleo”, comentou a XP.
Projeções tímidas

Sobre as projeções para o ano, Valério, do Inter, comentou que o resultado de outubro reforça a dinâmica de acomodação do crescimento do setor, que tem se mostrado o mais exposto ao tarifaço americano, uma vez que os produtos industriais brasileiros não foram contemplados com nenhuma amenização das tarifas, como foi o caso de outros produtos.

“Além disso, a produção industrial, por ser mais intensiva em capital, é mais sensível à política monetária, e o aperto das condições financeiras deve continuar sendo uma força contrária para o setor nas próximas leituras. Esperamos continuidade da tendência de acomodação, com o setor encerrando o ano com alta de 0,5%”, estimou.

A expectativa da XP também é que a indústria brasileira permaneça estável no curto prazo. “Condições monetárias contrativas e restrições à oferta continuarão a pesar sobre o setor. Mesmo assim, a resiliência do mercado de trabalho e as medidas de estímulo econômico esperadas para o próximo ano devem evitar um ciclo de recessão no setor como um todo. Prevemos que a produção industrial total aumente 1,0% em 2025 e 1,3% em 2026”, descreveu a XP.

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os dados da PIM de outubro reforçam a avaliação de que a indústria brasileira como um todo perdeu fôlego em 2025. “Nossa expectativa é de que o setor termine o ano com crescimento próximo a 1%, bem abaixo da expansão de 3,1% registrada em 2024”, afirmou.

“A desaceleração da indústria ao longo de 2025 é um dos sinais de que a economia brasileira, de maneira geral, deve crescer menos do que em 2024. Essa perda de força é reflexo dos juros altos, que reduzem o espaço para novos investimentos e limitam o crescimento da atividade econômica. Nossa expectativa é de que o PIB avance 2% em 2025 e 1,7% em 2026”, comentou Claudia.

O Goldman Sachs, por sua vez, destacou que o setor industrial vem enfrentando dificuldades desde meados de 2024. “De fato, a produção industrial está atualmente quase 1% abaixo do nível de junho de 2024. Para o futuro, espera-se que o setor encontre suporte em transferências fiscais significativas para as famílias, no aumento real da folha de pagamento da economia e em políticas industriais patrocinadas pelo governo, mas continuará enfrentando desafios devido às condições monetárias e financeiras mais restritivas.”

Na opinião de Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, a leitura de outubro e a queda registrada em setembro confirmam uma trajetória de atividade irregular, marcada por ciclos curtos de recomposição e quedas subsequentes.

“Para os últimos meses de 2025, mantemos um cenário de volatilidade e estabilidade na média móvel, com projeção de crescimento marginal em novembro e dezembro. Com isso, estimamos que a indústria encerre 2025 com avanço próximo de 0,9%, refletindo um ano de retomada limitada, desempenho heterogêneo entre os setores e sensibilidade elevada às condições macroeconômicas”, afirmou Ariane..

Já para o Bradesco, o resultado divulgado pelo IBGE reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica. “Para o quarto trimestre, projetamos estabilidade do PIB após alta estimada de 0,3% no terceiro trimestre. Para 2025 como um todo, projetamos crescimento real do PIB de 2,0%.”

O Estado de S.Paulo - SP   03/12/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alterou seu discurso ao afirmar que deve anunciar o indicado para presidente do Federal Reserve (Fed) no começo do próximo ano, mantendo elevada a expectativa sobre a sucessão no Banco Central. Antes, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia reforçado que um nome deveria ser anunciado até o Natal deste ano.

Nos mercados de apostas, o diretor do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, segue como o nome mais cotado. O republicano esclareceu que Bessent, que seria seu nome favorito, “não quer o cargo” e voltou a pressionar por cortes de juros. “Até Jamie Dimon disse que Jerome Powell deveria reduzir as taxas de juros”, disse sobre o CEO do JPMorgan.

Trump também tocou em temas fiscais e econômicos, indicando que pretende usar receitas tarifárias para aliviar o peso tributário: “Vamos conseguir reembolsar contribuintes com dinheiro das tarifas”, afirmou. “Acredito que em um futuro próximo vocês não terão imposto de renda para pagar.”

Na área da saúde, o presidente disse que negociações estão em curso, mas reconheceu dificuldades: “Algo vai acontecer na saúde, não será fácil”, além de confirmar que “estamos negociando com os democratas sobre a área da saúde”.

Trump ainda reforçou sua visão de liderança tecnológica dos EUA ao declarar que “estamos muito à frente” da China em inteligência artificial (IA). “Eles não vão conseguir nos alcançar”, acrescentou.

MINERAÇÃO

Valor - SP   03/12/2025

Mineradora anunciou meta de produção entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro para 2026 e de 360 milhões de toneladas para 2030

O cumprimento das metas de produção da Vale está ligado às condições de mercado e não a restrições operacionais, disse, nesta terça-feira (2), o vice-presidente executivo de operações da mineradora, Carlos Medeiros, no evento anual para analistas e investidores, o Vale Day, em Londres.

A mineradora anunciou, também nesta terça, meta de produção entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro para 2026 e de 360 milhões de toneladas para 2030.

Medeiros também disse que as metas de produção não dependem de novas licenças ambientais, uma vez que os empreendimentos já estão licenciados. O executivo informou que o projeto Serra Sul+20, na Serra Sul de Carajás (PA), vai adicionar produção de 20 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade e começará a operar no segundo semestre de 2026.

Medeiros citou outros desenvolvimentos de minas. Disse que, entre 2026 e 2030, a expansão de Serra Leste e N3, também em Carajás, vai adicionar 10 milhões de toneladas de capacidade de produção. “A Vale continua a entregar uma operação sólida, segura e sustentável”, disse.

Ele também falou dos avanços tecnológicos. Disse que a mina de Conceição II, que entra em operação no fim do mês em Minas Gerais, é um exemplo de evolução tecnológica, com uso de inteligência artificial (IA) e outras inovações. “Conceição II será o novo benchmark de eficiência.”

Produção em Serra Leste

A Vale está otimista de que a Serra Leste ultrapasse os 4 milhões de toneladas de produção de minério de ferro, segundo Medeiros. A afirmação surgiu na sessão de perguntas e respostas no Vale Day.

O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, acrescentou que os números da companhia contam com a realidade atual, o que dá confiança para as estimativas. A projeção não conta com a possível retomada do decreto de cavidades, que segue suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Temos confiança nesses números. Se sair o decreto de cavidades, teremos mais flexibilidade”, disse Pimenta. O decreto altera a legislação de proteção a cavernas, grutas, lapas e abismos, permitindo a exploração, inclusive, daquelas com grau máximo de proteção.

Cumprimento de metas

Em resposta a analistas, Pimenta afirmou que muitas vezes o mercado não acredita que a companhia vá cumprir metas, porque isso já aconteceu no passado.

No entanto, o executivo reforçou que a equipe atual é diferente: “Maior valor que temos é destravar o portfólio de ativos.”

*O repórter Rafael Rosas viajou a convite da Vale

IstoÉ Dinheiro - SP   03/12/2025

A Vale anunciou nesta terça-feira, 2, novas projeções de produção para até 2030. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no próximo ano serão produzidas entre 335 milhões a 345 milhões de toneladas de minério de ferro. No fim do ano passado, a expectativa para 2026 era de 340 milhões a 360 milhões de toneladas. Já em 2030, a estimativa foi mantida em torno de 360 milhões de toneladas. Neste ano, a companhia deve fechar com produção de 335 milhões de toneladas da principal matéria-prima do aço.

Em minérios e aglomerados, a projeção da Vale é de uma produção de 31 milhões de toneladas este ano, de 30 milhões a 34 milhões de toneladas em 2026 e entre 60 milhões e 70 milhões de toneladas em 2030. Já a produção de minério de ferro a partir de rejeitos a estimativa da companhia é de um aproximadamente 30 milhões de toneladas daqui a cinco anos.

No cobre, a nova expectativa da companhia é chegar a 370 mil de toneladas este ano, entre 350 mil e 380 mil de toneladas em 2026, de 420 mil a 500 mil de toneladas em 2030 e de aproximadamente 700 mil toneladas em 2035. Em 2025, a mineradora espera vender cerca de 3,8 mil toneladas de cobre equivalente e em 2026 em torno de 4,3 mil toneladas.

Já em níquel, a projeção da mineradora é de uma produção de cerca de 175 mil toneladas este ano, de 175 mil a 200 mil toneladas em 2026 e entre 210 mil e 250 mil toneladas em 2035.

O volume de vendas estimado para os produtos de minério de ferro de Carajás Médio Teor – 65% de concentração de ferro e de Pellet Feed China (PFC) – é neste ano de 33 milhões de toneladas e 26 milhões de toneladas, respectivamente. Já em 2026 os volumes devem alcançar 50 milhões de toneladas para o Carajás Médio Teor e de 40 milhões de toneladas em PFC.

Com isso, o custo C1 (custo da mina ao porto sem frete) para o minério de ferro deve chegar a US$ 21,3 por tonelada este ano e entre US$ 20 a US$ 21,5 por tonelada em 2026. Já o custo all-in, que inclui royalties e frete, está estimado em cerca de US$ 55 a tonelada até o final deste mês e de US$ 52 a US$ 56 por tonelada no próximo ano.

No cobre, o custo all-in estimado pela Vale é de cerca de US$ 1 mil a tonelada este ano e de US$ 1 mil a US$ 1,5 mil a tonelada em 2026. Já em níquel, a mineradora espera o indicador chegue a US$ 13 mil por tonelada este ano e entre US$ 12 mil e US$ 13,5 mil/tonelada em 2026.

Investing - SP   03/12/2025

Os contratos futuros de minério de ferro subiram nesta terça-feira, com a demanda por infraestrutura e o consumo estável de aço compensando dados econômicos fracos da China.

O contrato de janeiro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou a sessão do dia com alta de 0,5%, a 800,5 iuanes (US$113,20) a tonelada.

O minério de ferro referencial de janeiro na Bolsa de Cingapura ganhou 0,17%, para US$103,75 a tonelada.

A recente demanda por infraestrutura aumentou, e a procura por aço tem se mantido dentro dos padrões sazonais, permitindo que os preços continuem a tendência de alta no curto prazo, afirmou a corretora chinesa Galaxy Futures.

A produção global de minério de ferro deve acelerar entre 2025 e 2029, sendo que a produção na Guiné deverá ser um dos principais motores do crescimento quando o projeto Simandou entrar em operação, de acordo com a empresa de inteligência de mercado CreditSights.

Ainda assim, espera-se que os atrasos no desenvolvimento decorrentes de instabilidades políticas e sociais, bem como o nacionalismo de recursos, afetem o setor, acrescentou a CreditSights.

Os embarques de minério da Austrália, maior produtor mundial, totalizaram 18,205 milhões de toneladas, uma queda de 191.000 toneladas em relação ao mês anterior, de acordo com dados da consultoria Mysteel.

Dados econômicos fracos da China pesaram sobre o minério de ferro, com uma pesquisa oficial do PMI mostrando que a atividade industrial da China encolheu pelo oitavo mês em novembro.

Formuladores de políticas chineses estão tendo dificuldades para impulsionar a atividade em meio a uma desaceleração global, uma prolongada crise imobiliária e governos locais sobrecarregados com dívidas.

Infomoney - SP   03/12/2025

Com alta de 34% no acumulado de 2025, a Vale (VALE3) está no radar do mercado nesta terça-feira (2) com o Dia do Investidor, que deve trazer atualizações estratégicas relevantes sobre produção, alocação de capital e perspectivas para 2026 e além.

Antes mesmo do Vale Day, analistas já destacam algumas atualizações para a mineradora para incorporar os resultados do 3º trimestre de 2025, além de ajustar os preços das commodities ao valor de mercado. O JPMorgan atualizou as suas estimativas para refletir as previsões para os preços do cobre, níquel e subprodutos, enquanto mantém a estimativa de US$ 95/t (tonelada) para o preço do minério de ferro em 2026.

A equipe de analistas atualizou estimativas para os preços do cobre, de uma média de US$ 11.238/tonelada para 2026 para US$ 12.075/tonelada, baseando-se em interrupções agudas na oferta que estão apertando o mercado e na limitada capacidade da China de esperar por preços mais altos, combinados com o crescimento estrutural contínuo da demanda global.

Por outro lado, cortou a previsão para o níquel, de US$ 16.050/tonelada para US$ 15.300, devido a um excedente persistente de vários anos, com o mercado ainda superabastecido em cerca de 300 mil toneladas em 2026, apesar de uma leve redução no excedente.

Além disso, continua esperando que a Vale se beneficie das receitas de seus subprodutos, com preços do ouro estimados em US$ 4.753/tonelada.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) da Vale para 2025 projetado por analistas é de US$ 15,7 bilhões e para 2026 é de US$ 16,7 bilhões, com yields de fluxo de caixa livre (FCF) de 11,8% e 7,7%, respectivamente, refletindo um aumento de US$ 500 milhões em provisões em 2026. O preço-alvo foi levemente reduzido, de R$ 89 para R$ 86 para dezembro de 2026, seguindo com recomendação de compra.

O JPMorgan segue com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para a ação, pois vê a empresa se reposicionando favoravelmente diante de uma mudança estrutural na qualidade do minério de ferro. A melhoria no mix de produtos da Vale deve suportar margens mais fortes e maior visibilidade de preços no futuro.

Aprenda com especialistas renomados, ganhe acesso a cursos, simuladores e relatórios exclusivos; inscreva-se no evento Onde Investir 2026.

“Atualmente, a Vale é negociada a aproximadamente 4,2 vezes o valor da Firma (EV)/Ebitda, contra 6,3 vezes para seus pares australianos, apesar de um portfólio que está melhorando em qualidade enquanto o benchmark em si está se deteriorando. “Vemos espaço para que esse desconto diminua à medida que os preços realizados continuem a convergir para cima”, aponta.

O Bradesco BBI também tem recomendação equivalente à compra para a Vale, reiterando a sua preferência, enquanto possuem recomendação neutra para Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3).

O banco ressalta que os preços do minério de ferro subiram US$1/t na semana, chegando a US$107/t, sustentados por gargalos emergentes de infraestrutura em Simandou e expectativas crescentes de apoio adicional de políticas na China — com o Politburo e a Conferência Central de Trabalho Econômico programados para dezembro.

Consultor Jurídico - SP   03/12/2025

O juiz Murilo Sílvio de Abreu, da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, determinou que a Vale S.A. transfira R$ 234,1 milhões para uma conta gerida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para retomar, com urgência, o pagamento mensal aos beneficiários do Programa de Transferência de Renda (PTR).

O programa é um auxílio que foi criado como reparação aos atingidos pelo rompimento da barragem da Vale em janeiro de 2019. Ele garante repasses diretos às famílias impactadas, substituindo o pagamento emergencial determinado após a tragédia, que deixou 272 mortos.

A decisão confirma antecipação de tutela concedida em duas instâncias em Ação Civil Pública (ACP) movida pela Associação Brasileira dos Atingidos por Grandes Empreendimentos (ABA), pela Associação Comunitária do Bairro Cidade Satélite (Ascotélite) e pelo Instituto Esperança Maria (IEM) em desfavor da mineradora.

O entendimento do Judiciário mineiro é que os recursos devem ser pagos até que a população atingida no desastre de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, alcance condições equivalentes às precedentes ao rompimento das três barragens da Mina do Córrego do Feijão.

O magistrado também intimou a Vale a depositar em juízo, no prazo de 10 dias, o total de R$ 22,9 milhões, que corresponde à diferença entre o valor depositado pela empresa e a quantia necessária para garantir o pagamento do auxílio emergencial nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026 (R$ 257 milhões).

A companhia deve, ainda, no prazo de 15 dias, depositar em juízo o valor necessário para o pagamento do auxílio emergencial no mês de fevereiro de 2026, de R$ 133,1 milhões.

Após a manutenção da decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte pelo desembargador André Leite Praça, da 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), no exame de Agravo de Instrumento da mineradora, o juiz Murilo Sílvio de Abreu determinou que a FGV prestasse informações sobre os valores devidos para os próximos meses.

A Fundação apresentou o cálculo do custo mensal do PTR considerando os beneficiários ativos e aqueles que, potencialmente, serão incluídos em razão dos requerimentos em tramitação, dos recursos administrativos e de recentes decisões das instituições de Justiça, bem como o reajuste do salário mínimo. Com informações da assessoria de imprensa do TJ-MG

Clique aqui para ler a decisão
Processo nº 5063550-95.2025.8.13.0024

AUTOMOTIVO

Valor - SP   03/12/2025

A Mitsubishi Motors está considerando fabricar veículos nos Estados Unidos em parceria com as também japonesas Nissan e Honda, afirmou o executivo-chefe (CEO) da Mitsubishi, Takao Kato. A estratégia visaria reduzir a pressão das tarifas alfandegárias sobre automóveis.

Em entrevista recente ao “Nikkei Asia”, Kato disse que a produção conjunta é uma possibilidade de cooperação com a Nissan e a Honda. Sobre o prazo para uma decisão, ele afirmou: "Nosso objetivo é avançar concretamente até o anúncio do nosso próximo plano de médio prazo", possivelmente já na primavera (do hemisfério norte).

Kato não especificou quais modelos ou fábricas estão sendo considerados para a produção conjunta. Em maio, a Mitsubishi e a Nissan anunciaram que haviam começado a estudar a produção conjunta de SUVs nas fábricas da Nissan nos Estados Unidos.

A Mitsubishi não possui fábricas de veículos nos Estados Unidos e todos os modelos vendidos no mercado são importados do Japão. Isso torna a fabricante dos SUVs Outlander e Eclipse Cross vulnerável às tarifas americanas. Os custos aumentaram e seus negócios na América do Norte registraram prejuízo no primeiro semestre (abril a setembro).

Kato não especificou quais modelos ou fábricas estão sendo considerados para a produção conjunta. As vendas da Mitsubishi nos Estados Unidos totalizaram 113 mil veículos no ano fiscal de 2024, cerca de 10% do volume da Nissan ou da Honda. Os altos custos de mão de obra e materiais significam que os investimentos em fábricas americanas na escala da Mitsubishi representam um fardo pesado para a empresa.

"É absolutamente impossível continuar o negócio na América do Norte sozinhos", disse Kato.

A Nissan opera a fábrica de Canton, no estado do Mississippi, e a fábrica de Smyrna, no estado do Tennessee. Com a queda nas vendas, as baixas taxas de operação estão afetando os lucros da Nissan.

A Honda tem cinco fábricas americanas, mas todas trabalham com alta capacidade, com pouco espaço para expansão da produção.

No ano passado, as três montadoras detinham uma participação de mercado combinada de mais de 15% nos Estados Unidos, superando a Toyota. A produção conjunta, mesmo que de um número limitado de modelos, proporcionaria benefícios substanciais em termos de custos.

A Nissan e a Honda estão considerando o desenvolvimento conjunto de veículos na América do Norte. Em relação à participação nesse empreendimento, Kato afirmou que a Mitsubishi "preferiria que pudéssemos cooperar também nos Estados Unidos".

A Mitsubishi também está discutindo colaborações com a Honda e a Nissan fora dos Estados Unidos, disse Kato. A Nissan fornece minivans para a Mitsubishi nas Filipinas, enquanto na Oceania, a Mitsubishi fabrica picapes para a Nissan.

Em agosto de 2024, a Mitsubishi se juntou às negociações com a Nissan e a Honda em busca de uma parceria tripartite. Após o fracasso das negociações de fusão entre a Nissan e a Honda em fevereiro deste ano, as três partes voltaram a explorar uma colaboração.

A Nissan é a principal acionista da Mitsubishi, e sua participação tem atraído atenção renovada, visto que a Nissan tenta reverter a situação de seus negócios em dificuldades. O CEO da Nissan, Ivan Espinosa, afirmou que não está considerando uma venda desse ativo neste momento.

Kato disse que "avançar nas negociações de colaboração é a prioridade", antes de acrescentar que "no futuro, consideraremos se uma reestruturação mais profunda será necessária".

Valor - SP   03/12/2025

Emissões de gases de efeito estufa do setor de transporte podem crescer 63% até 2050, se indústria não reagir

O setor de transportes responde por 11% das emissões brutas de gases de efeito estufa no Brasil e, desse total, o transporte rodoviário responde por 92,2%, segundo a Coalizão para a Descarbonização dos Transportes, composta por entidades do setor público, privado, sociedade civil e academia. Se nada for feito, as emissões podem crescer 63% até 2050, chegando a 424 milhões de toneladas de carbono equivalente por ano.

Conter esse aumento exige esforço de toda a cadeia em três vetores principais: redução da participação rodoviária em detrimento de ferrovias e hidrovias, expansão do uso de biocombustíveis e eletrificação da frota, segundo a Coalizão.

Em Minas Gerais, segundo Estado em emissões pelo setor de transportes, atrás de São Paulo, o Iveco Group , montadora e comercializadora de veículos comerciais leves, médios e pesados, como caminhões e ônibus, entregou à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais um documento com propostas para fomentar a mobilidade sustentável no Estado. O documento foi formulado em conjunto por empresas, entidades de classe e academia.

O documento foi estruturado em três frentes - combustíveis sustentáveis, renovação de frota, ambientação regulatória e financiamentos verdes. Na frente de combustíveis sustentáveis, o texto recomenda acelerar o uso de biometano e etanol e ampliar a oferta de HVO (diesel verde) com preço competitivo, além de programas de uso obrigatório de biocombustíveis em frotas cativas e no transporte urbano e regional. Lucilene Carvalho, gerente de sustentabilidade do Iveco Group, disse que essa é a forma mais rápida de reduzir emissões, enquanto outras tecnologias são desenvolvidas.

O documento também propõe a substituição de veículos altamente poluentes por modelos de maior eficiência energética. O grupo também sugere como ação necessária promover a capacitação no setor e mapear corredores prioritários para infraestrutura de recarga elétrica e abastecimento renovável. Outra sugestão é incentivar o uso de pneus de alta eficiência e modernizar pavimentos para reduzir o consumo de energia.

O grupo sugere ainda ao governo a aplicação de medidas econômicas e regulatórias, como linhas de crédito para renovação de frotas, incentivos fiscais para produção local de veículos de baixa emissão, estímulo à pesquisa e desenvolvimento e criação de mecanismos de participação empresarial no monitoramento da descarbonização.

“O documento vai ao encontro de todo o potencial colaborativo do setor”, afirmou Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina.

Outro pilar defendido no documento é o apoio ao ecossistema de transportes. “Precisamos unir forças com bancos, associações, governos e parceiros. Todos têm seu papel para efetivar a substituição dos veículos antigos por veículos mais adaptados. Esse documento é resultado dessa conversa no setor”, afirmou Lucilene Carvalho.

O documento inclui um pedido ao Estado se comprometer a implementar melhorias nas vias públicas e trabalhar com os bancos para incrementar as políticas públicas para este fim. O Estado tem a maior malha viária do país.

Investimentos do Iveco Group

Lucilene Carvalho observou que o Iveco Group investiu R$ 17 milhões nos últimos três anos em melhoria da eficiência energética dos seus veículos e motores e outros R$ 10 milhões em embalagens renováveis. O grupo mantém seu maior complexo industrial do mundo em Sete Lagoas, região central de Minas Gerais. O grupo desenvolve veículos com motores movidos a biometano e outros biocombustíveis, e investe na melhora de eficiência e menor emissão de carbono. “Temos protótipos desenvolvidos na Argentina e no Brasil com motores de propulsão alternativa. Mas a gente também tem que atuar no ecossistema, para destravar o processo de descarbonização da cadeia e trazer segurança para o cliente final”, disse a gerente.

Outro foco do grupo é o processo produtivo. "A produção de veículos é feita com energia 100% renovável. E a gente já reduziu nos últimos dois anos as emissões de carbono com combustíveis fósseis em 30%, graças a investimentos em eficiência de processos e maquinários", afirmou Carvalho.

O Iveco Group reduziu em 15% as emissões de carbono equivalente nas áreas de maior impacto da planta industrial, tendo como base o ano 2022. A meta é chegar a zero de emissão líquida de carbono na linha de produtos até 2040. O grupo também registrou 9% de redução no consumo de energia, mesmo energia limpa. E 57% da água usada na planta industrial é de reuso.

O compromisso de zerar emissões envolve trabalho com fornecedores e cadeia de suprimentos, para mapear onde é possível reduzir emissões e criar um plano de ação conjunta. Inclui também o uso de componentes e materiais recicláveis ou com menor emissão. O trabalho envolve ainda a realização de auditorias e adoção de plataforma ESG para fornecedores.

Na parte de produtos, disse a gerente, o Iveco Group atua em duas frentes, uma de desenvolvimento de motores mais eficientes, que consomem menos combustível e reduzem as emissões de carbono. Outra frente é de veículos de propulsão alternativa. São veículos elétricos, no caso de veículos leves, caminhões movidos a biometano e gás, que trazem redução de 25% nas emissões. “A gente trabalha em um protótipo movido a etanol e biometano. Na Argentina estamos produzindo motores a gás e biometano. E temos uma parceria com a CNH de colheitadeira movida a etanol”, acrescentou.

O grupo também empreende esforços na área social. A gerente destacou o aumento do índice de mulheres em cargos de liderança, que passou de 18% do total para 25% em dois anos, e a parceria com o Senai para capacitar profissionais para a pesquisa e o desenvolvimento de motores e veículos mais eficientes e com menor emissão de carbono.

FERROVIÁRIO

Portos e Navios - SP   03/12/2025

A Vports anunciou, nesta terça-feira (2), que serão feitos investimentos de mais de R$ 100 milhões para melhorar em 2026 as operações no Cais de Capuaba, incluindo a recuperação da malha ferroviária, a ampliação de capacidade para armazenagem de granéis sólidos, a melhoria de infraestrutura e projetos de automação. Segundo a empresa, os aportes serão feitos com a participação de parceiros que operam no terminal.

De acordo com a autoridade portuária privada, foi firmado um contrato de 17 anos com a Multilift para a construção, no primeiro semestre de 2026, de uma moega ferroviária exclusiva para descarregamento de ferro-gusa, que chegará diretamente ao porto. A Vports informou ainda que a operação da carga será feita em conjunto com a Multilift e a VLI.

O diretor-presidente da Vports, Gustavo Serrão, disse que a preparação para início das operações ferroviárias e a possibilidade de receber navios com porte bruto maior, de até 83 mil toneladas, ampliará as possibilidades de movimentar granéis, como grãos e fertilizantes. Segundo Serrão, os portos administrados pela Vports estão conectados às principais origens de cargas agrícolas e minerais do país, com conexões com o Centro-Oeste via ferrovia e pelas rodovias BR-101 e BR-262.

Além disso, a Vports anunciou que foram investidos R$ 35 milhões para ampliar em 70 mil metros quadrados a área destinada a contêineres, que corresponde a 60% do espaço total já operado pelo terminal.

Portos e Navios - SP   03/12/2025

A Brado anunciou, nesta terça-feira (2), o início das operações da rota ferroviária, com 2.732 quilômetros, conectando o terminal de Sumaré, em São Paulo, ao de Davinópolis, no Maranhão, pela Ferrovia Norte-Sul. Segundo a empresa logística, a ligação será operada em parceria com as concessionárias ferroviárias Rumo e VLI.

De acordo com a Brado, o objetivo da rota é o mercado interno, e o fluxo de Sumaré para Davinópolis vai atender clientes de grande porte no transporte de produtos como materiais de higiene e limpeza, de construção, defensivos, fertilizantes, de nutrição animal, alimentos, bebidas e papel. No sentido inverso, serão transportados bens industriais.

A Brado informou que os testes operacionais foram iniciados em julho e demonstraram a viabilidade e o potencial do projeto. De acordo com a empresa, foram feitas oito viagens, transportando o total de 504 contêineres com mais de 10.900 toneladas de produtos, todas com 100% de pontualidade.

A ligação integra duas concessões ferroviárias: 2.098 km da Rumo entre Sumaré e Porto Nacional, em Tocantins, e 634 km da VLI, entre Porto Nacional, também em Tocantins, e Davinópolis. A Brado explicou que o uso da ferrovia na rota permitiu reduzir em até 85% a emissão de CO2 em comparação ao transporte rodoviário e que em 2024 seus clientes deixaram de emitir mais de 320.000 toneladas do gás, o equivalente à emissão anual de 69.000 carros.

Revista Ferroviaria - RJ   03/12/2025

CTB A Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), realizou na manhã desta sexta-feira (28), a sessão pública de recebimento dos envelopes da proposta comercial e de habilitação para a licitação nº 25.004, cujo objeto é o fornecimento de 10 (dez) novos trens metroviários para as Linhas 1 e 2 do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas (SMSL). Participaram do certame dois grandes conglomerados: o Consórcio CRRC Changchun e o Consórcio Grupo Alstom.

As propostas comerciais serão analisadas pela Comissão Especial de Licitação e os licitantes serão convocados para uma nova sessão, onde será divulgado o resultado da análise e realizada a abertura da habilitação do licitante melhor classificado.

A Tribuna - SP   03/12/2025

Com o investimento de R$ 3,8 bilhões na Malha Sudeste, o escoamento de cargas ao cais santista aumentará nas próximas décadas. De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), objetivo é que haja aumento de 45 milhões de toneladas na capacidade de carga transportada via modal ferroviário em 20 anos, o que dobraria a atual marca.

A Malha Sudeste, uma das principais redes ferroviárias de transporte de cargas do Brasil, conecta os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo aos portos de Santos e Itaguaí (RJ). O contrato de concessão da Malha Sudeste foi repactuado com a concessionária MRS e assinado no último dia 18, no Tribunal de Contas da União (TCU).

O investimento bilionário será voltado à melhoria da eficiência operacional e do transporte de cargas no trecho. A oficialização do acordo decorre de uma solução consensual aprovada pelo TCU, envolvendo o Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e a MRS Logística.

A repactuação acrescenta cerca de R$ 2,8 bilhões em outorga a ser paga pela concessionária, contribuindo para o reequilíbrio contratual e para a execução do plano de investimentos. Procurada, a MRS não se manifestou.

Porto de Santos
Em nota, a APS informou que a ampliação da rede ferroviária já estava no planejamento de expansão do Porto de Santos. Para receber o aumento de demanda de cargas, a APS promoveu a cessão da Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips), há cerca de dois anos.

“O objetivo é atender à projeção do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos (PDZ), de aumento de carga transportada via modal ferroviário em cerca de 45 milhões de toneladas para os próximos 20 anos (saindo dos atuais 45 milhões para aproximadamente 90 milhões), com aumento da participação do modal no escoamento do Porto de 33% para 40%”, informa.

Além desse incremento na malha ferroviária interna, a APS conta que enviou ao Governo Federal uma proposta de ampliação na área do Porto Organizado, o que aumentaria a área portuária em até 164% nas próximas décadas, saltando dos atuais 7,8 milhões de metros quadrados (m2) de área operacional seca, para mais de 20 milhões de m2, passando a incluir áreas em Cubatão, São Vicente e Bertioga, além de Santos e Guarujá.

A APS afirma que as áreas, ofertadas ao mercado, poderão atender ao crescente aumento da movimentação de cargas e ao próprio desenvolvimento do Brasil.

Terminais precisam investir no mesmo ritmo
O consultor portuário Ivam Jardim, diretor da Agência Porto Consultoria, destaca que a modernização promovida pelos terminais é um componente decisivo para que o modal ferroviário aumente participação e o Porto de Santos opere em um patamar mais elevado de desempenho.

Ele cita o exemplo do setor de grãos e um terminal que implantou um novo pátio ferroviário projetado para receber composições maiores, aumentando a capacidade operacional. “Essa ampliação permite maior giro por trem, regularidade no fluxo e redução do tempo de permanência da composição na faixa”, afirma Jardim.

Jardim destaca obras recentes no setor de celulose, comportando mais linhas férreas e permitindo o recebimento simultâneo de trens mais longos e carregados, aumentando a janela ferroviária dos operadores.

O consultor explica que a modernização também avança no corredor de exportação. Segundo ele, alguns terminais investiram em sistemas modernos de recepção ferroviária.

“Com destaque para a adoção de equipamentos que realizam a movimentação dos vagões até as moegas (equipamentos em formato de funil para receber e transferir granéis sólidos) e posteriormente encaminham os vagões vazios para linhas de retorno, elevando produtividade e eliminando gargalos de manobra”, destaca Jardim.

Malha importante
O consultor portuário Rodrigo Paiva, da Graf Infra Consulting, afirma que, sem investimentos, o esgotamento do modal ferroviário se daria em curto prazo, já que o percentual de utilização da capacidade é superior a 90%.

“Os investimentos na Malha Sudeste tendem a eliminar gargalos ferroviários prévios à chegada ao Porto, principalmente em conflitos urbanos, melhorias operacionais, novos pátios e em renovação de frota. Esses investimentos são fundamentais”, diz Paiva.

Valor - SP   03/12/2025

Após fracasso em acordo no TCU, mineradora e ministério voltam a fazer reuniões sobre impasse, segundo fontes

O governo federal e a Vale retomaram, nas últimas semanas, conversas para tentar resolver o impasse sobre as concessões ferroviárias operadas pela mineradora, as Estradas de Ferro Carajás e Vitória-Minas. Segundo fontes, que pediram anonimato, há interesse das duas partes em chegar a um consenso, porém ainda há muita divergência sobre o valor final a ser pago pela mineradora.

Pessoas a par do tema citam dois encontros já realizados e afirmam que um terceiro deverá acontecer nos próximos dias. O primeiro deles se deu entre o ministro Renan Filho (MDB-AL) e representantes da Vale durante a COP30, em Belém. Há duas semanas, uma nova reunião foi realizada em Brasília. Apesar da reaproximação, fontes dizem que não há uma mesa de negociação formalmente aberta.

Neste ano, uma tentativa de acordo entre governo e Vale, no âmbito da câmara de consenso do Tribunal de Contas da União (TCU), fracassou no fim de agosto. Após meses de discussão, o prazo máximo para a repactuação se encerrou, sem que as partes chegassem a um meio-termo.

Depois disso, a mineradora chegou a pedir ao órgão a reabertura das conversas, o que foi negado, dado que as normas não permitem a retomada nesses casos - agora, eventuais propostas de acordo deverão ser discutidas no TCU fora do âmbito da Secex Consenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos).

Nesse contexto, surgiu dentro do governo a proposta de decretar o fim da renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Carajás, firmada em 2020 pela mineradora, e a realização de uma nova licitação do trecho. Fontes afirmam que não há decisão tomada a respeito do tema.

No governo, há áreas mais duras que defendem a ideia, inclusive na Casa Civil. Porém, na visão dos defensores de um caminho mais consensual, essa decisão seria drástica e difícil, mas possivelmente seria uma forma de pressionar a Vale em uma negociação. Ainda não há análise jurídica sobre essa possibilidade, e os estudos de viabilidade de um novo leilão não estão tramitando junto a órgãos técnicos que costumam trabalhar nas análises, afirmam fontes.

Neste momento, o governo está finalizando uma nota técnica com uma proposta de como prosseguir com as discussões, diz uma delas.

A Vale firmou a renovação antecipada das concessões ferroviárias em 2020, na gestão de Jair Bolsonaro (PL). O aditivo prevê a extensão contratual até 2057, em troca do pagamento de outorga de R$ 11,8 bilhões e outros R$ 12,9 bilhões em contrapartidas (em valores divulgados à época).

Porém, a partir de 2023, o novo governo apresentou questionamentos aos valores pactuados e passou a cobrar um adicional.

Após negociações duras, no fim de 2024 as partes divulgaram um acordo preliminar que trazia as bases gerais da repactuação do aditivo, com previsão de um aporte de R$ 11 bilhões da Vale, dos quais R$ 4 bilhões já foram pagos ao Tesouro. Porém, uma série de outras pendências continuaram em aberto, e não houve consenso sobre o valor final.

A negociação envolve as duas concessões da Vale, mas cada uma enfrenta divergências de naturezas distintas, afirmam as fontes.

No caso da Estrada de Ferro Carajás, a disputa se dá em torno do cálculo da base de ativos da concessionária. O governo aponta que o montante calculado na renovação de 2020 gerou um pagamento muito aquém do justo, considerando o retorno da empresa com a operação até 2057. Com isso, cobra um valor de compensação.

Já na Vitória-Minas, a obrigação assumida pela Vale foi a construção de um trecho da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT). A obra, porém, se mostrou muito mais complexa e onerosa do que o previsto inicialmente, o que também tem gerado discussões.

Nas negociações, a mineradora tentou se livrar da obrigação de fazer o trecho completo, entregando apenas uma parte. Porém, a possibilidade não está mais em discussão, disse uma fonte. Internamente, a empresa avalia que está em dia com suas obrigações. Já o poder público aponta que as obras terão atraso e a companhia precisará responder por isso.

Apesar do impasse, pessoas envolvidas afirmam que há disposição de se chegar a um acordo, que interessa aos dois lados. Uma delas avalia que, até o fim deste ano, será possível chegar a um acordo.

Fontes do setor público avaliam que a Vale terá de ceder em parte, porque precisará de uma flexibilização dos cadernos de obrigações das concessões ferroviárias. Além disso, apontam que o interesse em manter boa relação com o governo federal vai além do setor de transportes. Ao mesmo tempo, as fontes ponderam que o governo também quer concluir a negociação o quanto antes, dado que os valores adicionais da empresa deverão viabilizar novos projetos que a equipe quer leiloar em 2026.

Procurados, o Ministério dos Transportes, a Casa Civil e a Vale não comentaram o tema.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   03/12/2025

A alta de 0,1% na produção industrial nacional em outubro ante setembro foi puxada pela expansão de 3,6% nas indústrias extrativas. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço foi impulsionado pelo crescimento na extração de petróleo, minério de ferro e gás natural, apontou André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Na passagem de setembro para outubro, houve aumentos em 12 dos 25 ramos industriais pesquisados.

Houve influência positiva relevante também de produtos alimentícios (0,9%), veículos (2,0%), produtos químicos (1,3%), equipamentos de informática (4,1%) e artigos do vestuário e acessórios (3,8%).

Na direção oposta, entre as 13 atividades com perdas, os principais impactos negativos foram de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,9%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10,8%).

Comparação com outubro de 2024

Segundo a pesquisa do IBGE, o recuo de 0,5% na indústria brasileira em outubro de 2025 ante outubro de 2024 foi puxado, sobretudo, pelas perdas em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-10,7%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-8,4%).

Em outubro de 2025 ante igual mês de 2024, houve recuo na produção de 15 dos 25 ramos investigados. Houve contribuições negativas relevantes também de farmacêuticos (-9,3%), produtos de metal (-5,9%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,3%), impressão e reprodução de gravações (-18,7%), produtos de madeira (-10,7%), produtos químicos (-1,0%) e artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-4,3%).

“Vale citar que outubro de 2025 (23 dias) teve o mesmo número de dias úteis que igual mês do ano anterior”, lembrou o IBGE.

Na direção oposta, entre as nove atividades com expansão, as maiores influências positivas partiram de indústrias extrativas (10,1%) e de produtos alimentícios (5,3%).

Outros impactos significativos foram registrados em manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (10,1%), outros equipamentos de transporte (8,3%), máquinas e equipamentos (2,7%) e produtos têxteis (5,9%).

Difusão

O índice de difusão, que mostra a proporção de produtos com avanço na produção em relação ao mesmo mês do ano anterior, passou de 52,7% em setembro para 44,1% em outubro.

CNN Brasil - SP   03/12/2025

A produção de petróleo da Petrobras subiu 26,4% em outubro contra o mesmo mês do ano passado e 2,4% contra setembro deste ano, informou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) nesta terça-feira (2).

A agência confirmou o recorde de produção nacional, antecipado pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada.

A produção da Petrobras atingiu 3,269 milhões boed (barris de óleo equivalente por dia) em outubro, 62% da produção total do país, que com isso atingiu um novo recorde, de 5,255 milhões de boed, ou 23,1% a mais do que há um ano. A estatal produziu 2,509 milhões de barris diários de petróleo e 120,7 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.

A segunda maior produtora do país é a Shell, com 550 mil boed, seguida da TotalEnergies, com 260 mil bpd e a Pré-Sal Petróleo, representante da União nos contratos de Partilha de Produção, com 168,3 mil boed.

No Brasil, foram produzidos 4,030 milhões de bpd de petróleo, alta de 23,3% contra outubro de 2024, e 194,7 milhões de m3/d de gás natural, mais 22,6% em um ano.

Nos campos localizados no pré-sal a produção subiu 27,8%, para 4,276 milhões de boed, sendo 3,309 milhões de bpd de petróleo e 153,7 milhões de m3/d de gás natural. A produção do pré-sal correspondeu a 81,4% do total produzido no Brasil.

IstoÉ Dinheiro - SP   03/12/2025

A Petrobras reiterou, por meio de nota enviada ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), que obteve a licença ambiental prévia para a chamada Etapa 4 do pré-sal, que prevê a ampliação das atividades na Bacia de Santos, após “atender a todas as exigências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da legislação ambiental vigente”. A licença prévia emitida em setembro está sendo contestada pelo Ministério Público Federal (MPF).

“A companhia obteve a Licença Prévia da Etapa 4 após atender a todas as exigências do Ibama e da legislação ambiental vigente. As operações offshore da Petrobras são realizadas em total conformidade com as normas atuais, seguindo as melhores práticas ambientais e de segurança operacional do setor energético”.

O MPF quer que a Justiça Federal determine a imediata anulação do documento. O pedido faz parte de duas ações civis públicas ajuizadas contra a empresa e órgãos federais envolvidos no processo de licenciamento, entre eles o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Para expandir produção na área, o MPF pede que o empreendimento realize consulta prévia a comunidades tradicionais nos litorais norte paulista e sul fluminense e complemente o estudo ambiental.

A Etapa 4 do pré-sal compreende a instalação de dez novas plataformas na bacia de Santos, com a perfuração de 132 poços em águas profundas.

De acordo com o MPF, a autorização foi concedida por meio de um procedimento administrativo instaurado “sem transparência e conduzido às pressas pelo Ibama”. Segundo as procuradoras da República Walquiria Imamura Picoli e Fabiana Schneider, a autorização do projeto foi dada em apenas 11 dias. Outro motivo para a contestação é a falta de consulta às comunidades tradicionais, nos moldes da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em vigor no Brasil há mais de 20 anos.

O MPF também pede que seja elaborado um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) complementar que inclua os potenciais danos do projeto “ignorados ou subestimados até aqui”. Para as procuradoras, a estatal já mapeou parte desses riscos em levantamentos anteriores e precisa contemplar as lacunas do licenciamento em curso, além de viabilizar a revisão dos planos de emergência para vazamentos de óleo e proteção de áreas vulneráveis.

Em nota, a estatal enfatiza que respeita a atuação institucional do Ministério Público Federal (MPF) e que “permanece colaborando com informações sempre que solicitada pelas autoridades competentes”.

O caso foi protocolado perante a Justiça Federal em Caraguatatuba (SP) e Angra dos Reis (RJ). As ações requerem a condenação da Petrobras, do Ibama e da União ao pagamento de R$ 5 milhões para indenização dos danos morais às comunidades tradicionais da região”.

O MPF estipulou que União, o Ibama, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem até 60 dias para apresentar um plano de realização dessas reuniões e pede ainda à Justiça Federal que o Ibama e a União sejam proibidos, desde já, de emitir novos atos administrativos até que os grupos da região sejam consultados e se manifestem sobre o empreendimento.

Projetos da Etapa 4

Os projetos da Etapa 4 integram o Plano de Negócios 2026-2030 (PN 2026-30), aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras, que prevê Capex total de US$ 109 bilhões (2026-2030).

Em nota, a empresa destaca que o projeto é essencial para a garantia da segurança energética do país”.

No horizonte do plano, a Petrobras mantém a ambição de pico de produção própria de 2,7 milhões barris de óleo por dia (bpd) de óleo em 2028 e 3,4 milhões boed (óleo + gás) em 2028 e 2029.

Agência Brasil - DF   03/12/2025

O Ministério Público Federal (MPF) protocolou duas ações civis públicas pedindo a anulação da licença ambiental concedida à Petrobras, em setembro deste ano, que autoriza a ampliação das atividades de exploração de óleo e gás na Bacia de Santos, dentro da chamada Etapa 4 do pré-sal.

As ações foram ajuizadas contra a Petrobras e órgãos federais envolvidos no processo de licenciamento, entre os quais o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Na avaliação do MPF, a autorização foi concedida a partir de um processo administrativo sem transparência e conduzido às pressas pelo Ibama. O MPF aponta também que não foram considerados no licenciamento impactos que podem trazer risco ao meio ambiente e às comunidades tradicionais que vivem nos litorais norte paulista e sul fluminense, e que não foram consultadas previamente, conforme determina a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em vigor no Brasil há mais de 20 anos.

Para a procuradora da República Fabiana Schneider, houve má-fé por parte da Petrobras e do Ibama para a concessão da licença prévia em um processo paralelo de licenciamento, que autorizou o projeto em apenas 11 dias.

“A gente pede essa responsabilização [da Petrobras e do Ibama], porque estávamos acompanhando essa questão há anos, fizemos inúmeras reuniões e aí, do nada, aparece um processo sigiloso, paralelo, e nem o Ministério Público Federal, nem nenhuma das comunidades tradicionais, nem ninguém sabia. A gente só descobriu quando saiu a licença”, disse à Agência Brasil.

O MPF requer que o Ibama e a União sejam proibidos de emitir novos atos administrativos relacionados ao projeto até que grupos de pescadores artesanais, caiçaras, quilombolas e indígenas da região sejam consultados e se manifestem sobre o empreendimento. O MPF pede ainda que a União, o Ibama, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sejam obrigados a apresentar, no prazo de até 60 dias, um plano de realização dessas reuniões, sob coordenação da Casa Civil e com garantia de participação dos grupos tradicionais em sua formulação.
Responsabilização

De acordo com Fabiana Schneider, as ações pedem a realização da consulta, que não foi feita desde a etapa 1 do projeto. Na ocasião, ficou acertado que Petrobras e Ibama bancariam um estudo para que fossem caracterizadas as comunidades tradicionais que poderiam ser afetadas pela Etapa 4 do pré-sal na Bacia de Santos. Foi criado então o Projeto Povos, que mapeou as comunidades e , junto com a Fundação Oswaldo Cruz, avaliou os impactos diretos e indiretos para as comunidades.

O MPF solicita que a Petrobras, o Ibama e a União sejam condenados ao pagamento de R$ 5 milhões para indenização dos danos morais coletivos pela falta da consulta livre prévia.

Fabiana Schneider disse ainda que as etapas iniciais do projeto já causaram impactos, como mudança de rotas de peixes e aumento expressivo de embarcações.

“A gente está falando de comunidades que não só têm seu território, mas o seu maretório. Isso é super importante porque é um conceito de território para os usos e costumes de construção de relações sociais e de existência para essas comunidades tradicionais”.

Conforme as ações, Petrobras e Ibama terão de elaborar um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) complementar que considere os potenciais danos sociais e ambientais do projeto.
Legalidade

Em nota, a Petrobras afirmou que “permanece colaborando com informações sempre que solicitada pelas autoridades competentes”.

A companhia esclareceu que obteve a licença prévia da Etapa 4 após atender a todas as exigências do Ibama e da legislação ambiental vigente.

“As operações ‘offshore’ [em alto mar] da Petrobras são realizadas em total conformidade com as normas atuais, seguindo as melhores práticas ambientais e de segurança operacional do setor energético. Os projetos da Etapa 4 integram o Plano de Negócios 2026-2030 (PN 2026 30), aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras, que prevê Capex total de US$ 109 bilhões (2026-2030)”.

A Petrobras frisou que o projeto “é essencial para a garantia da segurança energética do país”. No próximo quinquênio, a expectativa da empresa é alcançar pico de produção própria de 2,7 milhões bpd (barris por dia) de óleo em 2028 e 3,4 milhões boed (barris de óleo + gás por dia) em 2028 e 2029, “conciliando crescimento com resiliência econômica e ambiental”.

Procurado pelo reportagem, o Ibama não se manifestou até o momento.

Infomoney - SP   03/12/2025

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira, 2, depois de operarem voláteis durante a sessão, à medida que os investidores ponderam os desdobramentos de um possível acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, diante do encontro do líder russo, Vladimir Putin, com uma delegação norte-americana em Moscou.

O petróleo WTI para janeiro fechou em queda de 1,14% (US$ 0,68), a US$ 58,64 o barril, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já o Brent para fevereiro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 1,14% (US$ 0 72), a US$ 62,45 o barril.

Antes de se reunir com o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o Jared Kushner – genro do presidente dos EUA, Donald Trump, Putin alegou que os líderes europeus querem “dificultar” as propostas de Washington e insistiu que eles “não têm uma agenda pacífica”, de acordo com o jornal britânico The Guardian.
Segundo a Axios, após o encontro na capital russa, é esperado que a delegação americana viaje para encontrar o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski.

Na avaliação do Ritterbusch, os preços do petróleo caem enquanto acompanham as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. “À medida que o setor energético entra lentamente em um período de negociações com volume reduzido devido ao feriado nas próximas semanas, a possibilidade de uma grande oscilação de preços diminui, a menos que haja um avanço significativo nas negociações de paz entre Ucrânia e Rússia”, diz, ao mencionar que considera a probabilidade de uma resolução para o conflito no Leste Europeu como “baixa”.

Para o Julius Baer, no entanto, as recentes tensões geopolíticas provavelmente não alterarão a perspectiva de longo prazo para os preços do petróleo, gerando um impacto apenas no curto prazo. “Além disso, crescem as preocupações com o fornecimento de petróleo da Venezuela em vista do aumento da pressão dos EUA”, pondera.

Money Times - SP   03/12/2025

O órgão antitruste brasileiro Cade pediu mais informações às prestadoras de serviços Subsea7 e Saipem, após grandes petroleiras que atuam no país se oporem a uma fusão das companhias, mostraram documentos públicos vistos pela Reuters.

A nova empresa resultante da proposta de fusão, a ser chamada de Saipem7, teria uma posição forte o suficiente para impor pagamentos adicionais, atrasar projetos e pressionar alguns clientes a firmar contratos de longo prazo com cláusulas de exclusividade, disse o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), em um documento apresentado ao Cade em novembro.

Na sexta-feira, semanas depois de receber o comentário do IBP, que representa petroleiras como Petrobras, Exxon, Shell e TotalEnergies, o Cade solicitou mais dados às duas empresas, dizendo que não tinha informações necessárias para a análise da fusão proposta.

Em declarações separadas à Reuters, tanto a Subsea7 quanto a Saipem disseram que estão engajadas com o Cade e com as autoridades relevantes, em linha com os termos de seu acordo de fusão apresentado em julho.

O IBP não comentou o assunto, enquanto o Cade direcionou a Reuters à documentos públicos.

Se concretizado, o grupo combinado terá uma carteira de pedidos de 43 bilhões de euros (US$ 49,9 bilhões), receita de cerca de 21 bilhões de euros e ganhos básicos de mais de 2 bilhões de euros, disseram as empresas em sua declaração de fusão de julho.
Concorrência

Além do pedido do IBP, a francesa TotalEnergies apresentou um estudo que lista os impactos da fusão. Ela disse que nenhuma medida poderia neutralizar as preocupações com relação ao domínio potencial da Saipem7 em umbilicais submarinos, risers e linhas flexíveis – os chamados projetos SURF. A Exxon Mobil também havia levantado preocupações nessa área.

O processo da TotalEnergies dizia que a Saipem7 controlaria oito do total 12 navios no mundo capazes de executar determinados projetos SURF em águas profundas ou em condições climáticas adversas. Também levantou preocupações sobre o domínio em áreas potenciais de crescimento para empresas de energia, como serviços de descomissionamento e energia eólica offshore.

A TotalEnergies não respondeu a um pedido de comentário.

Durante uma conferência sobre resultados em 20 de novembro, o presidente da Subsea7, John Evans, disse que esperava que a fusão fosse concluída até o segundo semestre de 2026. Evans adicionou que o Cade estava seguindo “os passos que esperávamos que seguisse”.

A análise do Cade foi solicitada pela Exxon, pela Petrobras e pela concorrente TechnipFMC em setembro, com as empresas pedindo para bloquear o negócio ou impor remédios como a venda de ativos para preservar a concorrência no Brasil.

Além de receber comentários do IBP, das grandes empresas e das empresas de serviços de petróleo, os documentos mostram que as autoridades do Cade se reuniram com autoridades dos Estados Unidos, de Moçambique e do Reino Unido – que recentemente aprovou a fusão.

RODOVIÁRIO

Grandes Construções - SP   03/12/2025

A publicação do edital da concessão da Rota Mogiana, com 520 km de extensão e R$ 8,9 bilhões em investimentos previstos, consolidou uma nova etapa no plano de modernização da malha viária paulista conduzido pelo Governo de São Paulo.

Somada aos contratos já firmados, a iniciativa eleva para cerca de 750 quilômetros o total de rodovias duplicadas projetadas nas concessões rodoviárias da atual gestão estadual.

Com isso, o Estado alcança 2.214 km de rodovias leiloadas desde 2023, – um salto em relação aos 1.694 km anteriormente contratados até o leilão do Lote Paranapanema. Essas concessões representam aproximadamente 40% dos 1.800 km de rodovias qualificadas no Programa de Parcerias de Investimentos do Estado de São Paulo (PPI-SP).

“O objetivo do Governo de São Paulo é integrar rotas e fortalecer novos corredores logísticos e de serviços para fomentar o escoamento da produção industrial e agrícola paulista para outros estados ou de boa parte do PIB nacional que cruza as rodovias do estado rumo ao porto de Santos”, explica o secretário de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini.

De acordo com ele, a duplicação e modernização dessa grande extensão de rodovias também ampliam a segurança e conforto para os usuários, fomentando os serviços e o turismo no Estado de São Paulo.

Os lotes concedidos e em fase de leilão projetam mais de R$ 51 bilhões em investimentos ao longo dos contratos. Foram contratados R$ 8,8 bilhões para a Rota Sorocabana, R$ 4,3 bilhões para o Lote Litoral, R$ 7,9 bilhões para a Nova Raposo Tavares, R$ 5,8 bilhões para o Lote Paranapanema, R$ 8,9 bilhões para a Rota Mogiana, R$ 11,9 bilhões para o Lote Noroeste, além dos R$ 3,4 bilhões destinados à conclusão do trecho norte do Rodoanel.

O pacote de modernização rodoviária inclui ainda a implantação de cerca de 430 km de terceiras faixas e 250 km de novas marginais, reforçando o compromisso do Governo de São Paulo em ampliar a segurança, reduzir o tempo de deslocamento e promover o desenvolvimento regional.

Entre os destaques está o trecho norte do Rodoanel, que fará a conexão do Porto de Santos à Rodovia Fernão Dias, integrando São Paulo a Minas Gerais e ao Nordeste. Outro corredor logístico paulista que ganhará mais segurança e competitividade será a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), que liga a capital à divisa com o Mato Grosso do Sul.

Estão previstos mais de 180 km de novas pistas duplicadas nessa que é considerada a maior rodovia do Estado, com 654 km de extensão.

A meta é transformar a Raposo em um novo corredor estratégico para o escoamento do agronegócio, conectando o interior paulista e a região Centro-Oeste ao Porto de Santos. Com isso, a via passará a ser uma alternativa competitiva à Rodovia Castello Branco (SP-280), hoje sobrecarregada, especialmente na altura de Barueri.

Outra grande intervenção duplicará integralmente a Padre Manoel da Nóbrega (SP-055), que liga Cubatão, na Serra do Mar, ao Vale do Ribeira, passando por grande parte dos municípios da Baixada Santista. As duplicações serão executadas nos trajetos de Bertioga até Santos e de Peruíbe até Miracatu.

Além das novas pistas, terceiras faixas e acostamentos em diversos trechos, estão previstas passarelas, passagens em desnível, monitoramento por câmeras, reforço na sinalização e iluminação em LED nos perímetros urbanos.

A Rota Mogiana reforça esse plano de expansão com 217 km de duplicações, 138 km de terceiras faixas, 96 km de marginais, 59 novas passarelas, 135 pontos de ônibus e o novo contorno viário de Águas da Prata.

O projeto passou por 284 contribuições públicas, das quais 83% foram acolhidas, e terá leilão marcado para 27 de fevereiro de 2026 na B3, em São Paulo. A futura concessionária assumirá trechos de rodoviaas , atualmente sob gestão da Renovias e do DER-SP, garantindo mais integração logística e segurança.

Exame - SP   03/12/2025

O governo federal deve ampliar, em 2026, o programa de concessão de rodovias e ferrovias do Brasil. A previsão, segundo Guilherme Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), é realizar pelo menos 12 leilões de rodovias no próximo ano.

"Em 2026, vamos trabalhar para realizar pelo menos 12 leilões de rodovias e retomar o programa de concessões. Temos a garantia de pelo menos quatro projetos ferroviários bem definidos" disse Sampaio durante o Fórum Infraestrutura, Cidades e Investimentos, realizado pela EXAME nesta terça-feira, 2.

Em 2025, o Brasil deve alcançar a marca histórica de 15 leilões de concessões de rodovias e um de ferrovia, totalizando R$ 161 bilhões em investimentos e mais de 8.400 quilômetros de estradas contempladas. Desde 2023, já foram realizados 10 leilões.

Segundo o diretor, quatro eixos guiarão o programa de concessões de rodovias e ferrovias no próximo ano, com destaque para os projetos Ferrogrão e Maranhão Oeste.

"O projeto 118, que envolve o Açude no Rio de Janeiro, está em andamento. Estamos nos preparando para realizar o leilão da Ferrogrão, que é muito aguardado pelo mercado. Além disso, concluiremos a licitação da nova concessão da Maranhão Oeste, uma ferrovia estratégica. Paralelamente, faremos o chamamento público para a renovação da concessão da Ferrovia Santa Flávia" afirmou Sampaio.

Ferrogrão e o agro

Com 933 km de extensão, a Ferrogrão prevê ter capacidade de transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas ao ano, interligando os municípios de Sinop, no Mato Grosso, e Itaituba, no Pará. A previsão é de R$ 25 bilhões em investimentos no projeto.

O Ministério dos Transportes afirma que a ferrovia pode evitar um desperdício anual de R$ 7,9 bilhões a partir de ganhos logísticos.

A pasta defende a obra como uma forma de reduzir a dependência da rodovia BR-163 para o escoamento de grãos.

TOP