Veja - SP 07/10/2025
Se o parecer da Superintendência do Conselho Administrativo de Atividade Econômica (Cade) na disputa da Ternium com a CSN prevalecer, a União deixará de arrecadar cerca de 110 milhões de reais em multa devida pela CSN para os cofres públicos.
O despacho assinado na última semana sustenta que a demora de mais de 11 anos da CSN para vender suas ações na concorrente Usiminas, descumprindo o acordo firmado em 2014 com o próprio Cade, “não enseja a aplicação de medidas coercitivas”. O documento ainda será apreciado pelo tribunal da autarquia.
Money Times - SP 07/10/2025
As ações da CSN (CSNA3) e as da CSN Mineração (CMIN3) avançam nesta segunda-feira (6), entre as maiores altas do Ibovespa, com o mercado reagindo à expectativa de melhora nos resultados do terceiro trimestre de 2025.
A divulgação dos resultados está marcada para 12 de novembro, após o fechamento do mercado. Por volta das 15h desta segunda, CSNA3 subia 4,02%, a R$ 8,53, e CMIN3 avançava 3,41%, a R$ 5,77.
Mais cedo, a XP Investimentos divulgou um relatório projetando receita líquida de R$ 11,5 bilhões para a CSN, alta de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, e Ebitda de R$ 3,1 bilhões, crescimento de 34% na comparação anual.
Por que o otimismo com a CSN
O otimismo é impulsionado, principalmente, pela perspectiva positiva para o segmento de mineração, que deve sustentar os números da companhia com maiores preços realizados e volumes de minério de ferro, conforme destacou a XP.
Por outro lado, a divisão de aço tende a registrar desempenho mais fraco, com queda nos preços realizados e redução na margem Ebitda para 8,1%, ante 10,8% no trimestre anterior.
A XP também prevê melhora nas demais divisões da CSN, com Ebitda total (ex-mineração e aço) de R$ 940 milhões. A recomendação para o papel é neutra, com preço-alvo de R$ 20.
A CSN Mineração (CMIN3) também deve apresentar forte desempenho no 3T25, com Ebitda estimado em R$ 1,7 bilhão, alta de 52% em relação ao ano anterior, sustentada por maiores preços de minério de ferro e custos controlados.
Agência Camara - DF 07/10/2025
Em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 737/25 inclui o beneficiamento do minério de ferro extraído em processo de redução direta (pellet feed) entre os projetos incentivados por debêntures de infraestrutura.
Esse método, que utiliza gás natural em vez de coque, resulta em menores emissões de dióxido de carbono (CO2) em comparação aos altos-fornos tradicionais empregados na siderurgia.
A proposta modifica a Lei 14.801/24, que criou as debêntures de infraestrutura, tipo de debênture com incentivo fiscal para financiar projetos de infraestrutura no Brasil.
Necessidade
O autor do projeto, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), destaca que a iniciativa está alinhada com a necessidade de reduzir as emissões de CO2 no setor siderúrgico, um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global. O CO2 é um dos principais gases do efeito estufa, atuando no aumento da temperatura média do planeta ao reter calor na atmosfera.
“Nos altos fornos, a taxa de emissão é de 2 toneladas de CO2 por tonelada de aço produzido. Nos processos de redução direta, usando gás natural, a taxa de emissão é reduzida pela metade, podendo atingir valores ainda mais baixos”, disse Lopes.
Próximos passos
O projeto será analisado de forma conclusiva nas comissões de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2025
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 caiu de 4,81% para 4,80%. A taxa está 0,30 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Considerando apenas as 45 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida permaneceu em 4,80%.
A projeção para o IPCA de 2026 seguiu em 4,28%. Considerando apenas as 45 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana subiu de 4,26% para 4,30%.
O Banco Central espera que o IPCA some 4,8% em 2025 e 3,6% em 2026, conforme a trajetória divulgada no último ciclo de comunicações do Comitê de Política Monetária (Copom). No horizonte relevante, o primeiro trimestre de 2027, o colegiado espera que a inflação em 12 meses seja de 3,4%.
Na última decisão, o Copom manteve a taxa Selic em 15% e reafirmou que o cenário é marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, enfatizou.
O colegiado também detalhou, na ata, que, “na medida em que o cenário tem se delineado conforme esperado, o Comitê inicia um novo estágio em que opta por manter a taxa inalterada e seguir avaliando se, mantido o nível corrente por período bastante prolongado, tal estratégia será suficiente para a convergência da inflação à meta”.
A mediana para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,00% pela 15ª semana consecutiva, após o Copom ter mantido os juros neste nível na mais recente decisão, em 17 de setembro.
Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano continuou em 15,0%.
A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Considerando só as 35 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana permaneceu em 12,0%.
A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 34ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,00% pela 41ª semana consecutiva.
PIB
A mediana do relatório Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 permaneceu de 2,16%, pela 4ª semana consecutiva. Considerando apenas as 31 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa subiu de 2,17% para 2,19%.
O Banco Central diminuiu a sua estimativa de crescimento da economia brasileira este ano, de 2,1% para 2,0%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre. Segundo a autarquia, a redução ocorreu devido aos efeitos, ainda incertos, do aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos da América, e a sinais de moderação da atividade econômica no terceiro trimestre. Esses fatores, porém, foram parcialmente compensados por prognósticos mais favoráveis para a agropecuária e para a indústria extrativa, disse.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 também ficou estável, de 1,80%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando só as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 1,80% para 1,79%.
A mediana para o crescimento do PIB de 2027 seguiu de 1,90%. Quatro semanas antes, era de 1,88%. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável, em 2,00%, pela 82ª semana seguida.
Dólar
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu de R$ 5,48 para R$ 5,45. Um mês antes, era de R$ 5,55. A estimativa intermediária para o fim de 2026 passou de R$ 5,58 para R$ 5,53. Um mês antes, era de R$ 5,60.
A projeção para a moeda americana no fim de 2027 permaneceu em R$ 5,56. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,60. A estimativa para o fim de 2028 também seguiu em R$ 5,56 Um mês antes, era de R$ 5,56.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
IstoÉ Dinheiro - SP 07/10/2025
Influenciado pela importação de uma plataforma de petróleo de Cingapura, o superávit da balança comercial encolheu em setembro. No mês passado, o país exportou US$ 2,99 bilhões a mais do que importou, queda de 41,1% em relação a setembro de 2024 (superávit de US$ 5,08 bilhões). Esse foi o pior superávit para o mês em dez anos.
O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). De janeiro a setembro, a balança comercial acumula superávit de US$ 45,478 bilhões, queda de 22,5% em relação ao resultado do mesmo período do ano passado.
Em setembro, as exportações bateram recorde, totalizando US$ 30,53 bilhões, alta de 7,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações somaram US$ 27,541 bilhões, aumento de 17,7% na mesma comparação.
No mês passado, o volume de mercadorias exportadas cresceu 10,2%, enquanto os preços médios recuaram 2,5% em relação a setembro de 2024. Nas importações, o volume de bens comprados (em toneladas) subiu 6,2%, com o preço médio aumentando 1,6%.
Em relação às exportações, as principais variações, em relação a setembro do ano passado, foram as seguintes dentro de cada categoria de produtos:
Agropecuária (+18%):
Milho não moído, exceto milho doce: +22,5% Soja: +20,2% Café não torrado: +11%
Indústria extrativa (+9,2%):
Pedra, areia e cascalho: +50,3% Óleos brutos de petróleo: +16,6% Minério de ferro e seus concentrados: +3,3%
Indústria de transformação (+2,5%):
Ouro não monetário, excluindo minérios: +94,4% Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada: +55,6% Veículos automóveis de passageiros: + 50%
Em relação às importações, as principais variações foram as seguintes:
Bens de capital: +73,2%, impulsionado pela plataforma de petróleo Bens intermediários: +10,5% Bens de consumo: +20,1%, puxado pelo crescimento econômico Combustíveis: -15,2%
Em relação aos produtos importados, os destaques foram o crescimento de 564,7% na compra de soja, na agropecuária; fertilizantes brutos (+63,5%), na indústria extrativa; e motores e máquinas não elétricos (+63,1%), na indústria de transformação.
Revisão
O Mdic também revisou as projeções da balança comercial para 2025. As mudanças foram as seguintes:
Superávit comercial: subiu de US$ 50,4 bilhões para US$ 60,9 bilhões Exportações: subiram de US$ 341,9 bilhões para US$ 344,9 bilhões Importações: caíram de US$ 291,5 bilhões para US$ 284 bilhões
As projeções são revisadas a cada três meses. A estimativa anterior, divulgada em julho, ainda não considerava os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos. No ano passado, a balança comercial registrou superávit de US$ 74 bilhões. O recorde de superávit foi registrado em 2023, quando o resultado positivo ficou em US$ 98,9 bilhões.
As estimativas do Mdic estão mais pessimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, a balança comercial encerrará o ano com superávit de US$ 64,4 bilhões.
Globo Online - RJ 07/10/2025
A exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram -20,3% com queda de US$ -0,7 bilhões. Entre os produtores com maiores queda (em valores absolutos) estão o ferro gusa (-41%), carne bovina (-58%) , açúcar e melaço (-77%), armas e munições (-92%), tabaco (95%) café torrado (-29%), celulose (-27,3%) , minério de ferro (100%, não houve nenhum embarque), torneira e válvulas (-87,6%), tubo (-95%). Entre estes, o ferro gusa, celulose, minério de ferro e produtos siderúrgico com aço não foram atingidos pelo tarifaço, mesmo assim tiveram queda.
- A tendência é continuar caindo. É uma barreira tarifária muito grande, não só para o Brasil, mas as própria seção 232, em que são colocadas tarifas para grande parte das importações dos Estados Unidos, do mundo, todos os produtos de aço, toda a proposta. Essas medidas estão dentro da seção 232, que vale para o mundo inteiro, e atualmente a própria importação dos Estados Unidos vai cair. E tem alguns produtos que, mesmo não tarifados, estão caindo. Isso muito provavelmente está relacionado à atividade econômica. É claro que esse choque de capital reduz o consumo nos Estados Unidos. Então, a tendência aqui é de uma desaceleração da economia também, com preços mais altos. E, possivelmente, há esse efeito da demanda também, não só do choque da tarifa nos Estados Unidos. E sim, mantendo esse cenário esperado de exportação, até porque a gente vinha em um nível bastante alto. Era recorde no ano passado - afirma o diretor de EstatiÌ sticas e Estudos de ComeÌ rcio Exterior, Herlon Brandão.
Em agosto, a queda foi de queda de 16,5%, revisado pelo MDIC. Em relações a importações para os Estados Unidos, subiram 14,3% com aumento de US$ 0,5 bilhões.
Apesar da queda, houve superávit comercial de US$ 2,99 bilhões, queda de 41,1% ao observado no mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o superávit soma US$ 45,48 bilhões – 22,5% abaixo do registrado entre janeiro/setembro de 2024. As exportações somaram US$ 30,531 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 27,541 bilhões, variações de +7,2% e +17,7%, respectivamente, em relação a setembro de 2024.
- Apesar das pressões vindas do mercado americano, o resultado geral da balança comercial segue favorável, sustentado pelo bom desempenho com Argentina e China e pela forte recuperação dos setores agropecuário e manufatureiro. A expectativa é que o Brasil encerre 2025 com superávit próximo a US$ 65 bilhões, condicionado ao ritmo da safra agrícola e a demanda global nos próximos meses - analisa Ariane Benedito é economista-chefe do PicPay.
Produtos com maiores quedas de exportação para os EUA
Ferro-gusa-41%
Carne bovina-58%
Açúcar e melaço-77%
Armas e munições-92%
Tabaco-95%
Café torrado-29%
Celulose-27,3%
Minério de ferro-100%
Torneira e válvulas-87,6%
Tubo-95%
Globo Online - RJ 07/10/2025
É inadmissível que o Brasil tenha de aceitar com normalidade um dos maiores absurdos econômicos do mundo contemporâneo: a taxa básica de juros (Selic) a 15% ao ano diante de uma inflação em torno de 5% (IPCA). Mais grave ainda: a inflação em maio e junho, quando anualizada, ficou abaixo do centro da meta. Além disso, as expectativas de inflação vêm caindo e já estão dentro do intervalo da meta. Por que isso só é considerado quando se trata de elevar a Selic, mas nunca quando se discute reduzi-la?
Os juros no Brasil são uma barreira intransponível ao desenvolvimento. A taxa atual asfixia as empresas, empobrece as famílias, compromete empregos e perpetua a desigualdade. Tudo isso em nome do rentismo. Afinal, nada mudou com a nova direção do Banco Central.
Não existe crescimento sustentável com juros estratosféricos. Não há espaço para inovação, reindustrialização e crédito acessível. O que se vê é a paralisia dos investimentos produtivos, com sequelas para toda a sociedade.
Por que correr riscos investindo em produção quando é possível obter, sem esforço, rendimento real de 10% ao ano aplicando no mercado financeiro? Esse modelo condena o país a andar de lado — ou de marcha à ré — sob a miopia de uma única e cruel ferramenta de política monetária. Quantas economias, mesmo com inflação incômoda e quadro fiscal delicado, impõem a seus cidadãos uma taxa real de juros de 10%?
Os juros podem parecer invisíveis, mas seus efeitos são palpáveis e devastadores: encarecem o alimento na mesa, o crédito no banco, o investimento na fábrica e diminuem a esperança de um emprego digno. Impedem o crescimento do pequeno empresário, corroem a base da economia e aprisionam o país numa armadilha de baixo crescimento e alta desigualdade.
A indústria brasileira não se calará diante desse quadro. É hora da mobilização. Empresários, trabalhadores, lideranças políticas e sociedade precisam se unir para romper essa camisa de força. Juros altos não podem ser naturalizados.
Esse não é um apelo por soluções mágicas ou canetadas improvisadas. Reconhece-se que o patamar atual dos juros reflete uma realidade complexa: dívida pública elevada (e inflada pelos próprios juros), gastos obrigatórios crescentes e indexados, desconfiança dos mercados diante da incapacidade do governo em controlar despesas. Essa realidade precisa ser enfrentada, mas não pode justificar uma política de estrangulamento econômico.
Nesse espírito, o setor produtivo está construindo o pacto Brasil +25, a ser apresentado aos Poderes constituídos, com propostas de reformas estruturantes e políticas de Estado. O país precisa de uma estratégia para o futuro, não de uma política monetária que nos mantém prisioneiros do passado.
Se fosse fácil, a questão dos juros já estaria resolvida. Mas, por ser difícil e tão danosa, tem de ser enfrentada com coragem e urgência. O Brasil não pode mais se contentar em ser refém de uma política que beneficia poucos e sacrifica milhões.
Baixar os juros de forma consistente e responsável, conjugando medidas críveis de ajuste fiscal, é imperativo. Reformas estruturais não podem seguir sendo adiadas ou usadas como eterna desculpa para manter os juros reais mais altos do planeta. O país precisa alinhar-se à realidade de uma economia globalizada em plena ebulição.
A economia real exige independência em relação ao rentismo e participação efetiva no processo de decisão. Por que não garantir ao setor produtivo assento no Conselho Monetário Nacional? A indústria e a economia real precisam estar representadas onde se definem os rumos do país.
O Brasil precisa de uma nova visão. Uma visão que reposicione o Banco Central e reoriente as políticas públicas para a responsabilidade, a racionalidade e, sobretudo, para o compromisso com o desenvolvimento nacional.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda-feira, 6, que a inflação está em queda e afirmou que, talvez ainda em 2025, o índice fique dentro da banda de tolerância.
A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Atualmente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 5,13% em 12 meses até agosto.
Mais cedo nesta segunda, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, mencionou que, de acordo com o boletim Focus, não há convergência das expectativas de inflação para a meta até 2028.
“A inflação já está em queda. O Banco Central fez a sua parte. Alguns reputam até exageradamente, pelo nível da taxa de juros”, disse o ministro, em entrevista à TV Record, concedida na tarde desta segunda e divulgada nesta noite.
Sobre o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para salários até R$ 5 mil, Haddad repetiu que está sendo feita justiça tributária. “Se você considerar a agenda de desigualdade, nós nunca colocamos o dedo nessa ferida como estamos fazendo agora”, completou.
“Tenho muita certeza de que o Senado vai fazer exatamente aquilo que a Câmara fez, reconhecer o problema da desigualdade no Brasil e sinalizar para a sociedade que esse não é um tema mais do governo, é um tema do Estado brasileiro que tem a obrigação de perseguir resultados econômicos mais equitativos para a nossa sociedade.”
Na mesma entrevista, Haddad disse ver “grande simpatia” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pelo projeto de lei e afirmou que tem certeza que o Senado vai repetir a Câmara.
Na noite da última quarta-feira, 1º, o plenário da Câmara aprovou o projeto do IR por unanimidade, nos termos do relatório do deputado Arthur Lira (PP-AL). Todas as bancadas orientaram favoravelmente ao texto, incluindo a oposição e partidos que questionavam a compensação do texto, como o Novo e o PL. Ao todo, foram 493 votos em prol do texto e nenhum contrário. Agora, o texto segue para apreciação dos senadores.
Money Times - SP 07/10/2025
A China deve enfrentar uma série de desafios nos próximos cinco anos. De acordo com o UBS, o país precisará lidar com tensões comerciais e restrições tecnológicas impostas pelos Estados Unidos, além de um mercado imobiliário em queda e a baixa confiança do consumidor.
“O país entra em um novo capítulo, com mais desafios do que há cinco anos. Apesar de estar mais preparada para inovação, avanço tecnológico e valorização da cadeia produtiva, enfrenta tensões comerciais e restrições tecnológicas dos EUA, um mercado imobiliário em declínio, confiança do consumidor baixa, competição intensa (‘involução’), envelhecimento populacional e desafios na alocação eficiente de recursos”, afirmam os analistas do banco.
Entre os dias 20 e 23 de outubro, o Comitê Central do Partido Comunista da China realizará sua sessão plenária, quando será apresentado o 15º Plano Quinquenal, documento que definirá as diretrizes para o desenvolvimento econômico e social do país entre 2026 e 2030.
A versão final do plano será aprovada apenas em março de 2026, durante a Assembleia Popular Nacional. Segundo o UBS, a expectativa é de que o governo estabeleça uma meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mais moderada, entre 4,5% e 5%, ante o intervalo de 5,0% a 5,5% do plano anterior.
“As metas de longo prazo da China de elevar o PIB per capita [US$ 14 mil em 2025, segundo estimativas do UBS] ao nível de países moderadamente desenvolvidos até 2035 e dobrar o PIB real desde 2020 exigem crescimento sólido do PIB nominal e uma moeda estável ou valorizada. Qualquer menção explícita a uma meta de PIB nominal ou de inflação seria uma surpresa positiva para o mercado”, avaliam os analistas.
O crescimento de “alta qualidade” deve ser o foco central da próxima década, impulsionado por inovação, ganhos de produtividade e investimentos em áreas estratégicas de tecnologia e autossuficiência.
A meta de crescimento dos gastos em P&D deve permanecer acima de 7% ao ano, com a participação no PIB avançando de 2,7% em 2024 para 3,2% em 2030.
O novo plano também deve reforçar o papel do consumo na economia, com medidas para elevar a renda das famílias, ampliar a rede de proteção social, estimular o consumo de serviços e reduzir entraves burocráticos. O governo pode ainda definir uma meta explícita para a fatia do consumo no PIB, que deve subir para entre 58% e 60% em 2030 (de 56,6% em 2024), ou entre 43% e 45% considerando apenas o consumo das famílias (de 39,9%).
Nos próximos cinco anos, o UBS projeta que o setor de serviços chinês se abra mais ao investimento estrangeiro, com destaque para telecomunicações, saúde, educação, cuidados a idosos, cultura e turismo, esportes e finanças. Ao mesmo tempo, o governo deve continuar incentivando a internacionalização das empresas chinesas.
“Prevemos que a China manterá sua ambiciosa meta de redução da intensidade de emissões de carbono, buscando elevar para 25% a participação de energia não fóssil no consumo total — ante 20% em 2024”, destaca o relatório.
O banco também observa que a maioria das metas do 14º Plano Quinquenal deve ser alcançada, com exceção das relacionadas à descarbonização, prejudicadas pelos efeitos da pandemia e da guerra comercial com os EUA.
“Nos últimos cinco anos, a China enfrentou uma prolongada crise no setor imobiliário, com forte desalavancagem das incorporadoras, iniciou um programa de troca de dívidas de RMB 10 trilhões das LGFVs (entidades locais de financiamento) e acelerou sua estratégia de abertura no pós-Covid”, conclui o UBS.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2025
“O Banco Central tem acesso a algumas alavancas que colocam ele nessa posição de muitas vezes ter que dizer não para pessoas bastante importantes”, afirmou, ao participar de evento na Fundação FHC, em São Paulo.
Ele destacou que se sentiu “bastante abraçado” pela comunidade de ex-presidentes do BC brasileiro. “Vocês não sabem o privilégio que é poder passar a mão no telefone e poder ligar para o Armínio (Fraga, ex-presidente do BC)”, disse Galípolo, dirigindo-se ao próprio Armínio, que também estava no evento.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil tem “um problema com a taxa de juros”. Segundo ele, a Selic “está alta e vamos ter que cuidar para ela baixar um pouco mais”. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve em setembro a taxa básica de juros em 15% ao ano.
Galípolo reafirmou que o compromisso da autoridade monetária é perseguir a meta de inflação de 3%. “A meta é 3%. De maneira nenhuma foi dada ao Banco Central a liberdade de interpretar diferente esse comando legal. Não é uma sugestão, é um comando legal. A banda (piso e teto da meta de inflação) é feita para absorver choques”, afirmou, destacando que a inflação hoje está em 5,1%. “É bastante acima, inclusive, da banda superior”, reforçou.
Neste contexto, o banqueiro central mencionou que, de acordo com o boletim Focus, não há convergência das expectativas de inflação para a meta até 2028.
“A partir desse movimento é o que justifica a gente ter colocado a taxa de juros no patamar em que a gente colocou, e temos reiterado que enxergamos esse processo de convergência lenta para a meta. Temos reiterado que vislumbramos uma manutenção da taxa de juros em patamar restritivo por período bastante prolongado”, repetiu.
Ao comentar sobre o nível da inflação, ele observou que houve uma “dispersão” da inflação em diversos itens da cesta de consumo. E destacou, por exemplo, os bens industriais, que sofreram pressão por conta da desvalorização do real. “A gente enxerga uma inflação de serviços, e aqueles componentes da inflação que respondem mais ao ciclo econômico, num patamar incompatível com a meta”, acrescentou.
Ganho de produtividade
O presidente do Banco Central voltou a afirmar que o mercado de trabalho no Brasil é o mais exuberante das últimas três décadas.
Ao comentar os sinais de que a economia doméstica estava bastante aquecida, Galípolo mencionou o crescimento do déficit em transações correntes do País, que subiu para cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Neste contexto, disse que os gastos do Brasil em viagens registraram, em julho deste ano, o maior valor desde 2014. “É um cenário bastante de livro-texto, vamos chamar assim, de uma economia que se encontra aquecida”, afirmou.
Na avaliação de Galípolo, é preciso reconhecer que o Brasil cresceu acima do seu potencial nos últimos anos. Segundo ele, houve crescimento de produtividade não na economia como um todo, mas algo mais concentrado no setor agropecuário. Ele também mencionou que houve quedas no desemprego, mas que isso pode ser explicado pela queda na taxa de participação.
“Mas, traduzindo de uma maneira menos hermética, a gente está crescendo menos porque teve um aumento da produtividade e mais porque eu coloquei mais insumos de produção para produzir”, disse.
Com isso, o presidente do BC pontuou que para o Brasil crescer sem pressões inflacionárias é preciso alcançar ganhos de produtividade. “Uma produtividade que permite termos uma sustentabilidade, uma duração mais longa nesse crescimento. Essas pressões inflacionárias foram o que movimentaram, o que mobilizaram o Banco Central a fazer a elevação de juros que a gente fez”, disse.
Política econômica de Trump
O presidente do BC disse que a política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma tentativa de resolver o déficit nas transações correntes do país, mas sem que o dólar perca a condição de moeda global.
“Países que detêm a sua moeda como moeda internacional costumam ter déficit em transações correntes”, disse Galípolo, acrescentando que esse também foi um problema enfrentado pela Inglaterra nas primeiras décadas do século 20.
Na avaliação de Galípolo, porém, a situação atual nos EUA é um pouco mais complexa. Ele citou algumas questões históricas, como a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que fez com que produtos mais baratos produzidos em países asiáticos passassem a ser consumidos nos EUA.
“O déficit em transações correntes que os Estados Unidos têm é uma forma de subsídio ao consumo das famílias norte-americanas”, disse, acrescentando que hoje as relações sociais e econômicas não se dão mais, necessariamente, em um mesmo espaço nacional. “Isso gera uma complexidade mais ampla”, apontou.
Nesse contexto, Galípolo destacou que a estratégia adotada por Trump parece a de “confinar” o debate à questão do comércio bilateral, sobretudo entre os países com os quais os EUA têm mais déficit comercial. Essa estratégia, acrescentou Galípolo, parece ter sido a escolhida porque, nessas negociações, os EUA teriam mais poder de barganha e, como já há déficit comercial, teriam também mais a ganhar do que a perder.
Valor - SP 07/10/2025
Conforme a mineradora, a iniciativa busca otimizar a estrutura de capital da companhia por meio da gestão de passivos financeiros “enquanto reforça a estratégia de alocação de capital”
A Vale informou hoje que irá recomprar até a totalidade das debêntures participativas de sua sexta emissão. Atualmente, são cerca de 388,5 milhões de debêntures desse tipo em circulação. A Vale pretende pagar R$ 42,00 por papel.
Se forem comprados todas, a companhia irá desembolsar cerca de R$ 16,3 bilhões na operação. Atualmente, os papéis são negociados por R$ 36,00 no mercado secundário.
As debêntures participativas foram emitidas no contexto da privatização da mineradora, em 1997. Na época, foram identificadas algumas jazidas que estavam em estágios embrionários de exploração, cujo valor seria difícil de ser estabelecido.
Foi decidido, então, que os acionistas receberiam as debêntures participativas, que dão o direito à participação em receitas futuras das jazidas. Também ficou definido, em assembleia de debenturistas, que a remuneração dos papéis deveria ser paga a partir da extração de 1,7 bilhão de toneladas de minério de ferro do Sistema Sudeste (antes Sul) e de 1,2 bilhão de toneladas de minério de ferro do Sistema Norte.
A escritura da emissão, porém, trouxe a informação de que o pagamento seria feito após a comercialização acumulada do minério alcançar os mesmos patamares.
Essa mudança foi motivo de questionamento por um grupo de gestoras que, em 2018, conseguiram fechar um acordo com a Vale. Os termos deste acordo até hoje são mantidos em sigilo.
O patamar do Sistema Norte foi alcançado em 2013 e o do Sistema Sudeste neste ano.
O primeiro pagamento semestral referente ao Sistema Sudeste foi feito no último dia 30 de setembro. A companhia desembolsou, no total, R$ 598,3 milhões, correspondentes ao prêmio sobre a venda do minério de ferro, prêmio sobre a venda de produto concentrado de cobre e prêmio sobre alienação de direito minerário.
Hoje, o perfil dos investidores dessas debêntures é bem diferente do que na época em que ela foi criada. Até 2021, cerca de 53% dos títulos estavam nas mãos do governo federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Depois, ambos zeraram a posição nos papéis, que foram comprados por gestoras, tesourarias e pessoa física.
Segundo a Vale, a recompra busca otimizar a estrutura de capital da companhia por meio da gestão de passivos financeiros, enquanto reforça a estratégia de alocação de capital.
A oferta será operacionalizada pelo Citi. Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA e Santander também serão intermediários.
IstoÉ Online - SP 07/10/2025
Os governos da Alemanha e da Itália enviaram ao poder Executivo da União Europeia uma carta em que pedem uma “mudança de rumo” nas políticas do bloco para o setor automotivo, em meio à crescente pressão para Bruxelas abdicar do plano de proibir novos veículos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035.
“Estamos em um ponto de virada: hoje começa uma nova fase para a indústria europeia. Itália e Alemanha se apresentam unidas para pedir à Comissão Europeia uma mudança de rota no setor automotivo, imediatamente”, disse o ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, que assina o documento conjunto com a ministra alemã da Economia, Katherina Reiche.
“Com uma posição comum e clara, indicamos juntos o caminho para uma transição verde que seja verdadeiramente sustentável do ponto de vista ambiental, social e econômico, superando as amarras ideológicas do Green Deal”, salientou Urso.
De acordo com o ministro, a carta dá sequência a uma “intensa discussão bilateral iniciada em junho”. “Agora é o momento das decisões: enquanto Bruxelas discute, a concorrência global corre. Não podemos nos permitir ficar parados. A Europa deve agir, e agir rápido”, concluiu.
No fim de setembro, o próprio Urso já havia alertado que a indústria automotiva da UE está “colapsando” devido às metas do bloco para reduzir a pegada de carbono do setor, um dos mais poluentes do mundo.
A pressão de duas das três maiores economias do bloco chega na esteira das notícias de cortes de vagas e na produção em montadoras de toda a União Europeia, que prevê banir os novos carros a gasolina ou diesel a partir de 2035 e reduzir as emissões em 55% até 2030, na comparação com 2021.
O setor, no entanto, defende um processo mais gradual de descarbonização e pede incentivos para a compra de carros elétricos por parte dos consumidores. (ANSA).
Veja - SP 07/10/2025
Em Brasília, o setor automotivo vive uma disputa silenciosa, mas nada discreta, que opõe a Anfavea, representante das montadoras instaladas no Brasil, e a chinesa BYD, líder em veículos elétricos. A tensão atingiu o auge em julho, quando a associação, desconfortável com a expansão acelerada da BYD, se mobilizou para barrar junto ao governo a redução do imposto de importação para carros semi desmontados, medida que permitiria aos chineses uma transição gradual até a nacionalização total. O Ministério da Indústria, sob a batuta do vice-presidente Geraldo Alckmin, costurou uma saída híbrida: antecipou o calendário de retomada das tarifas, atendendo à demanda da velha indústria, mas também abriu cotas de importação com alíquota zero, viabilizando em parte os interesses chineses.
Em meio à turbulência, a Anfavea tenta reposicionar o tabuleiro. Circula em Brasília a informação de que a entidade teria solicitado — e conseguido — um convite para que o seu presidente, Igor Calvet, participe da cerimônia de inauguração da nova fábrica da BYD, marcada para a próxima quinta-feira, 9, em Camaçari (BA). O evento contará com a presença do presidente Lula e deve ser transformado em vitrine da política industrial do governo.
A possível presença de Calvet ao lado de executivos da BYD e do presidente da República é vista por interlocutores como tentativa de uma convivência estratégica, ainda que forçada, com um um player que de promessa, já virou realidade. Se vai haver aceno de paz em terras baianas, saberemos em breve. Por ora, o que se vê é o governo tentando acomodar gregos, troianos, brasileiros e chineses.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2025
Menos de duas semanas após a forte tempestade que destruiu dois terços do telhado e danificou máquinas da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), o presidente da empresa no Brasil, Evandro Maggio, anunciou a retomada da produção de veículos nas unidades de Sorocaba e Indaiatuba, também no interior paulista.
Nessas plantas, que tiveram suas atividades paralisadas também após vendaval que atingiu a fábrica de Porto Feliz, são fabricados o sedã Corolla, o SUV Corolla Cross e o hatch Yaris, este último produzido exclusivamente para exportação.
Com a interrupção do fornecimento de motores, os empregados dessas unidades entraram em férias emergenciais até o dia 20 de outubro. Na sexta-feira, 3, Maggio confirmou a volta desses colaboradores ao trabalho em 22 de outubro.
Segundo ele, as linhas de produção das duas plantas serão reativadas no dia 3 de novembro. Porém, de forma gradual. Inicialmente, voltarão a ser feitas apenas as versões híbridas da linha Corolla. Ou seja, as opções que utilizam conjunto propulsor importado do Japão e, portanto, não tiveram a oferta prejudicada.
Toyota ainda calcula prejuízos
Para Porto Feliz, não há prazo para a volta da produção. Assim, a prioridade, conforme o presidente da Toyota, é a remoção dos equipamentos para uma área próxima. O objetivo é avaliar o estado das máquinas, fazer eventuais reparos, e eventualmente, enviá-las para outras plantas.
“Os trabalhos de avaliação de danos estão em andamento”, afirma Maggio. Assim, segundo ele, ainda não é possível saber o valor dos prejuízos. “A boa notícia é que não houve nenhuma vítima fatal. “Infelizmente, 18 pessoas ficaram feridas, mas todas estão se recuperando.”
Dos cerca de 800 colabores da planta, 100 atuam em áreas administrativas e deverão voltar ao trabalho em breve. Porém, 700 pessoas das divisões de produção vão entrar em lay-off. Ou seja, quando o contrato de trabalho é suspenso temporariamente.
Inaugurada em 2016, a primeira fábrica de motores da Toyota na América Latina concentra as três etapas principais de processos fabris. Ou seja, fundição, usinagem e montagem. O complexo também tem uma área de laboratório, na qual é possível realizar testes de bancada.
Picape Hilux e SUV SW4 não foram afetados
Vale dizer que a volta da produção dos veículos com motores a combustão deverá ocorrer apenas em janeiro de 2026, conforme o presidente da Toyota. De acordo com ele, a meta é voltar ao nível atual até fevereiro. Atualmente, além do Corolla, a Toyota vende no País as linhas Hilux (picape) e Hilux SW4 (SUV), bem como a Hiace (vans e furgões) — todas são feitas na fábrica da empresa em Zárate, na Argentina. Por sua vez, o SUV RAV4, nas versões híbrida e híbrida plug-in (com baterias que podem ser recarregadas em tomadas) vem do Japão.
De modo a tranquilizar a rede de concessionárias, que já está sendo afetada pelo desabastecimento de produtos, Maggio diz que há uma oportunidade para ampliar a oferta de serviços. “Também estamos orientando os times a focar as outras linhas de produtos, como Hilux e Hiace.
Seja como for, são modelos bem mais caros que o Corolla, que parte de R$ 171.590. Com a paralisação da produção, a marca também adiou o lançamento do Yaris Cross, que estava programado para o fim de outubro. O SUV inédito é considerado o mais importante lançamento da empresa no País nos últimos anos.
Desativação da planta de Indaiatuba
De acordo com Maggio, o processo de desativação da planta de Indaiatuba está mantido. Do plano faz parte a inauguração da chamada “Sorocaba 2", no segundo semestre de 2026. Assim, a nova unidade receberá a linha de produção do Corolla. Seja como for, o executivo afirma que o apoio da matriz da Toyota, no Japão, está sendo fundamental tanto para a manutenção do planejamento atual quanto para o enfrentamento da crise.
Ele destaca também as manifestações de solidariedade recebidas pela companhia. “Foram várias mensagens de governos, autoridades, associações, sindicatos, montadoras, fornecedores, distribuidores, concessionários, parceiros, colaboradores e da sociedade”, diz.
Valor - SP 07/10/2025
Os investimentos ao longo de vários anos podem ser canalizados para fábricas — para reabertura, contratações e novos modelos — em estados como Illinois e Michigan, segundo fontes
A Stellantis planeja investir cerca de US$ 10 bilhões nos EUA, à medida que a problemática fabricante dos utilitários esportivos Jeep e das picapes Ram se concentra no mercado crucial para seus lucros, segundo pessoas familiarizadas com a situação.
A montadora pode anunciar nas próximas semanas cerca de US$ 5 bilhões em novos investimentos, além de um montante semelhante destinado no início do ano, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas para discutir informações privadas. Os investimentos ao longo de vários anos podem ser canalizados para fábricas — para reabertura, contratações e novos modelos — em estados como Illinois e Michigan, disseram as pessoas.
A Stellantis está focada em resgatar o sucesso passado da marca Jeep e considerando novos investimentos na Dodge, o que pode resultar em um novo muscle car Dodge V8 e, possivelmente, até mesmo na marca Chrysler a longo prazo, disseram algumas das fontes. As negociações estão em andamento, nenhuma decisão final foi tomada e o valor e os projetos-alvo ainda podem mudar, disseram as fontes.
Os novos gastos refletem os esforços do CEO, Antonio Filosa, que foi nomeado para o cargo mais alto em maio, para recalibrar os investimentos entre as regiões, disseram as fontes. Sob o comando do ex-CEO Carlos Tavares, a Stellantis pressionou agressivamente para transferir as operações de produção e engenharia para países de menor custo, como o México. Ele também investiu pesadamente na Europa, onde a demanda por carros e a lucratividade são desafiadoras, nos anos seguintes à criação do grupo em 2021.
“Como parte dos preparativos para a atualização da estratégia da empresa e o dia do mercado de capitais no próximo ano, o CEO está liderando uma avaliação completa de todos os investimentos futuros. Este processo está em andamento”, disse um representante da mídia em comentários por e-mail, recusando-se a dar mais detalhes.
As ações da Stellantis listadas em Milão subiram até 3% na segunda-feira. As ações caíram 28% este ano.
Cativando favores
As iniciativas da Stellantis devem espelhar as das demais empresas que anunciaram grandes planos de investimento na maior economia do mundo para conquistar o presidente Donald Trump e ajudar a mitigar o impacto das tarifas. A Hyundai Motor Group da Coreia do Sul anunciou em agosto que aumentaria seu investimento nos EUA em US$ 5 bilhões, para US$ 26 bilhões, até 2028, e várias grandes empresas farmacêuticas europeias também prometeram bilhões de dólares em novos investimentos.
O dinheiro também pode ajudar a cumprir a promessa do presidente John Elkann, que se encontrou com Trump anteriormente para discutir investimentos americanos, de fabricar uma nova picape de médio porte em sua fábrica desativada em Belvidere, Illinois, onde a empresa se comprometeu a retornar cerca de 1.500 funcionários ao trabalho. Tal medida poderia ajudar a apaziguar o sindicato United Auto Workers, que já conversou sobre o assunto com a Stellantis.
A Stellantis está preparando o anúncio enquanto pressiona o governo nos últimos dias para suspender ou suavizar uma possível tarifa de 25% que poderia atingir as picapes Ram médias que a empresa fabrica no México.
“O ambiente político não pode ser ignorado”, escreveu Michael Foundoukidis, analista de ações da Oddo BHF, em nota aos clientes. “Isso pode ser visto como uma nova evidência de que o CEO está disposto a destinar a maior parte dos investimentos da Stellantis nos próximos anos para a América do Norte, em vez da Europa, reconhecendo que as perspectivas de recuperação dos lucros parecem mais limitadas na Europa.”
Perda de mercado
Filosa, um veterano da Fiat Chrysler Automobiles, empresa antecessora da Stellantis, está lutando para estabilizar um grupo que sofreu fortes perdas de participação de mercado nos EUA e na Europa após uma série de erros estratégicos sob o comando de Tavares. Ele também está tentando lidar com as consequências das tarifas de Trump, que estão remodelando o cenário automotivo global.
Alguns desses esforços estão começando a dar resultados, com um aumento nas entregas nos EUA no terceiro trimestre impulsionando as ações na semana passada.
O novo CEO começou a descartar alguns investimentos europeus, retirando o apoio a uma joint venture de células de combustível de hidrogênio com a Michelin e a Forvia SE. A Stellantis também está considerando a venda de seu negócio de compartilhamento de carros Free2move, informou a Bloomberg esta semana. No início deste ano, a montadora contratou a McKinsey & Co. para consultoria estratégica sobre a Maserati e a Alfa Romeo. A empresa negou repetidamente qualquer plano de vender a Maserati.
O foco crescente nos EUA está alarmando os sindicatos na Europa, onde a proprietária de marcas como Fiat e Peugeot sofre com o excesso de capacidade de produção. Assim como suas rivais, a Stellantis está cada vez mais competindo com fabricantes chinesas lideradas pela BYD Co., que estão se expandindo na região com carros a preços competitivos.
A Stellantis está suspendendo temporariamente a produção em oito de suas fábricas na Europa em meio à baixa demanda por modelos como o utilitário esportivo Alfa Romeo Tonale e o urbano Fiat Panda. Ela está entre as principais fabricantes mais expostas ao agravamento da crise política na França, onde o primeiro-ministro Sébastien Lecornu renunciou na segunda-feira, logo após o presidente Emmanuel Macron nomear um novo gabinete.
Filosa deve se reunir com representantes sindicais italianos em 20 de outubro, em meio a crescentes preocupações com possíveis fechamentos de fábricas. A empresa apresentou planos para aumentar a produção na Itália no final do ano passado.
Infomoney - SP 07/10/2025
As ações da Tesla subiam cerca de 5% nesta segunda-feira depois que a montadora de carros elétricos de Elon Musk anunciou um evento para a terça-feira em que investidores e analistas esperam o lançamento de um veículo mais acessível para sustentar as vendas da companhia.
Em um vídeo de nove segundos publicado na plataforma de mídia social X no domingo, a Tesla mostrou um veículo com os faróis acesos em um ambiente escuro, enquanto insinuou um evento marcado para terça-feira em um vídeo separado que tinha os dizeres “10/7” (7 de outubro) no final.
O teaser segue o recorde de vendas da Tesla no terceiro trimestre, impulsionado por um aumento nas compras de veículos elétricos antes do término do crédito de US$7.500 para veículos elétricos nos Estados Unidos em 30 de setembro.
No entanto, analistas esperam que as vendas anuais da Tesla caiam pelo segundo ano consecutivo em 2025, para cerca de 1,62 milhão de veículos, já que a expiração de incentivos e a desaceleração da demanda ligada às opiniões políticas de Musk pesam sobre os emplacamentos.
A Tesla já havia adiado o lançamento de uma versão de baixo custo do Model Y nos EUA. A montadora disse em junho que havia feito as “primeiras montagens” do veículo, mas que começaria a vendê-lo no quarto trimestre e aumentaria a produção em um ritmo mais lento do que o planejado.
A versão reduzida foi projetada para ser cerca de 20% mais barata de produzir do que o Model Y atualizado e pode chegar a cerca de 250 mil unidades por ano nos EUA até 2026.
Wall Street espera que as vendas da Tesla aumentem em 2026 para 1,85 milhão de veículos, com o modelo mais barato respondendo por 155.610 unidades, de acordo com estimativas da Visible Alpha.
“A Tesla está insinuando algo grande, já que uma enxurrada de publicações no X deixou os fãs se preparando para o que parece ser o lançamento de um Model Y mais barato amanhã”, disse Matt Britzman, analista sênior de ações da Hargreaves Lansdown, que possui ações da Tesla.
“O preço será o verdadeiro indicador, oferecendo pistas sobre até onde a Tesla levou a economia de custos e quanta nova demanda ela pode desbloquear.”
A empresa não lança um novo veículo para o mercado de massa há anos, dependendo muito de atualizações incrementais do Model 3 e do Model Y para impulsionar as vendas.
As vendas de seu último grande lançamento, a picape Cybertruck, foram fracas, com a Tesla oferecendo milhares de dólares em descontos para veículos em estoque nos últimos meses.
Um registro de recall nos EUA em março mostrou que 46.096 Cybertrucks foram fabricados entre seu lançamento em novembro de 2023 e o início deste ano.
IstoÉ Dinheiro - SP 07/10/2025
A conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Donald Trump (Estados Unidos) corresponde a um movimento no tabuleiro que estava previsto. A avaliação é de José Velloso, presidente executivo da Abimaq, a entidade da indústria de máquinas e equipamentos, um dos setores atingidos pelo tarifaço de Trump.
Velloso confia numa ampliação da lista de exceções às tarifas mais altas da política comercial do governo americano, que, após negociar com as economias prioritárias, com quem os EUA têm os maiores déficits comerciais, passa a dar atenção agora ao Brasil.
“Agora é a vez do Brasil”, diz o executivo. “Eu acredito que agora vão aparecer mais exceções, aquelas exceções de interesse de empresários norte-americanos. Acredito que alguns produtos vão sair dessa lista de 50%, devem ir para os 10%”, prevê o presidente da Abimaq.
Ele avalia que Brasil e EUA podem avançar no ano que vem para um acordo comercial mais amplo, abrindo a oportunidade para que as relações comerciais saiam do tarifaço melhor do que entraram.
“O Brasil é muito importante na estratégia norte-americana na América Latina”, observa Velloso, acrescentando que o governo dos EUA sofreu pressão de doadores de campanha e de grandes empresas americanas com negócios no Brasil.
Esses interesses, acrescenta, agora começam a prevalecer sobre as questões políticas que influenciaram Trump a elevar as tarifas contra o Brasil.
A Tribuna - SP 07/10/2025
Depois dos condomínios voltados para estudantes, as construtoras do litoral de São Paulo agora voltam os olhos para o chamado ‘Senior Living’ – modelo de moradia que combina conforto, assistência e convivência em espaços planejados especialmente para pessoas com mais de 60 anos. Esse formato, já consolidado nos Estados Unidos, deve ganhar força na Baixada Santista nos próximos anos.
O conceito busca oferecer uma alternativa aos asilos e casas de repouso, com estrutura moderna, ambientes adaptados e serviços de hotelaria e saúde. A ideia é que o idoso viva de forma independente, mas com suporte contínuo, em residências que estimulam a socialização e a qualidade de vida.
Tendência e custos
Nos Estados Unidos, apenas na Flórida, há cerca de 1,5 milhão de moradias planejadas para aposentados. No Brasil, empreendimentos em São Paulo, Curitiba e Florianópolis já começam a ganhar forma.
Na capital paulista, um condomínio desse tipo está sendo construído em Higienópolis. O edifício, que contará com 300 unidades de 30 a 80 metros quadrados, terá atendimento emergencial 24h, serviço de ambulância e apartamentos com botão de emergência.
No local, também haverá serviços de saúde, cuidados e bem-estar, que serão cobrados à parte. O custo do metro quadrado será de aproximadamente R$ 30 mil, com o valor do condomínio estipulado em R$ 3 mil.
Já em Curitiba (Paraná), haverá uma unidade do bairro Alto da Glória. O edifício seguirá modelo parecido com o de São Paulo e contará com 108 apartamentos, que terão entre 42 e 83 metros quadrados. O metro quadrado das unidades custa aproximadamente R$ 22 mil e o condomínio começa em R$ 1.500.
Em Florianópolis (Rio Grande do Sul), um empreendimento do tipo está sendo construído em Palhoça. Ele terá 110 unidades, com apartamentos de 35 a 90 metros quadrados. Lá, os idosos terão áreas de lazer, como academia, piscina aquecida, sala de jogos, biblioteca, cinema e espaços gourmet, além de programas de atividades diárias.
O morador também pode contar com atendimento emergencial 24h, monitoramento por sensores inteligentes, acompanhamento de saúde, serviços de concierge e alimentação no próprio residencial. Há ainda opções de home care personalizado, com administração de medicamentos, fisioterapia, suporte em atividades diárias e acompanhamento contínuo da saúde. Quem quiser adquirir o pacote básico, com aluguel do apartamento de 30 metros quadrados, condomínio e serviços, terá que desembolsar pelo menos R$ 11.900.
Economia prateada
O avanço desse público impulsiona a chamada “economia prateada”, que movimenta trilhões de reais ao ano em produtos e serviços voltados à terceira idade. Nesse contexto, os residenciais do tipo sênior surgem como resposta tanto ao crescimento desse mercado quanto ao desafio de combater a solidão e estimular a autonomia dos idosos.
De acordo com dados do Censo 2022, o Brasil já tem 32,1 milhões de idosos, o que representa 15,6% da população. Em menos de 20 anos, estima-se que mais de um terço dos brasileiros terá mais de 60 anos.
Tendência deve chegar ao litoral de São Paulo
Segundo o diretor regional do Secovi/SP em Santos, Carlos Meschini, esse mercado deve chegar em breve ao litoral de São Paulo. “As construtoras já estão se planejando para oferecer produtos para esse segmento. Em breve, devemos ter novidades nesse sentido”, afirma.
O especialista ressalta que grande parte dos projetos destinados a esse público ainda está em fase de aprovação ou execução, mas garante que “há plena convicção de que alcançarão êxito”.
Revista Ferroviaria - RJ 07/10/2025
O governo de São Paulo tem 11 projetos de trens para conectar cidades do estado, mas só quatro deles, os que passam pela capital, começaram a avançar e apenas um está mais adiantado: o São Paulo-Campinas.
O que deve acontecer
Dos 11 projetos de trens intercidades previstos, 4 saem da capital paulista (Norte, Sul, Leste e Oeste). Os outros sete pretendem ligar cidades paulistas:
São Paulo-Campinas (Eixo Norte)
São Paulo-Sorocaba (Eixo Oeste)
São Paulo-Santos (Eixo Sul)
São Paulo-São José dos Campos (Eixo Leste)
Marília-Sorocaba
Sorocaba-Campinas
Campinas-Ribeirão Preto
Ribeirão Preto-Franca
Santos-Cajati
Campinas-Araraquara
São José dos Campos-Taubaté
O projeto mais avançado é o São Paulo-Campinas. O leilão aconteceu em fevereiro, e o contrato de concessão à iniciativa privada já está firmado, segundo a SPI (Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos). O Consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos, que venceu, é formado pela empresa chinesa CRRC e pela brasileira Comporte.
Trecho São Paulo-Sorocaba já teve estudo aprovado e passou pela fase das audiências públicas. Agora, as contribuições dos cidadãos e interessados estão sendo analisadas. A próxima etapa é a publicação de edital, prevista para o fim de 2025.
Projetos SP-Santos e SP-São José dos Campos estão em fase de estudo. Esta é a segunda de seis etapas, sendo elas: 1) qualificação no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos); 2) estudo de base; 3) audiência pública (quando a população pode opinar); 4) publicação do edital; 5) leilão; e 6) assinatura do contrato que libera o início da obra.
Os outros 7 projetos não passaram da primeira etapa: a qualificação. É nesta fase que o projeto é autorizado no PPI. O programa prevê a concessão de rodovias, serviços de mobilidade urbana, água, energia, e social (como a gestão de parques urbanos) ao setor privado.
Governo diz que projetos devem usar a malha ferroviária já existente. A iniciativa visa aproveitar trechos ociosos ou com baixa capacidade.
TIC Eixo Norte: São Paulo-Campinas
Obras: começam em maio de 2026
Início da operação: maio de 2031
Trajeto: novo terminal em Campinas à estação Água Branca (que atende a linha 7-Rubi), na zona oeste de São Paulo
Tempo de viagem: 1h04 (expresso, com parada apenas em Jundiaí)
Passagem: em média R$ 50
Velocidade: até 140 km/h
Capacidade: até 860 passageiros
Investimento: R$ 14,2 bilhões
Extensão: 101 quilômetros
Concessão: 30 anos
No TIC Eixo Norte, haverá também o trem intermetropolitano (TIM), que circulará entre Jundiaí e Campinas. Nesta rota, as paradas serão nos municípios de Louveira, Vinhedo e Valinhos.
TIC Eixo Sul: SP-Santos
Obras e operação: sem data definida (projeto em fase de estudos)
Trajeto: São Paulo — Região Metropolitana — Baixada Santista
Tempo de viagem: 1h30
Extensão: entre 80 a 130 quilômetros, a definir
Atendimento: 9 municípios e até 1,8 milhão de pessoas, podendo reduzir o tráfego no sistema Anchieta-Imigrantes Investimento estimado: R$ 15 bilhões
TIC Eixo Leste: SP-São José dos Campos
Obras e operação: sem data definida (projeto em fase de estudos)
Trajeto: São Paulo — Região Metropolitana — São José dos Campos
Tempo de viagem: 75 minutos
Extensão: entre 80 a 130 quilômetros, a definir
Atendimento: 4 cidades a serem definidas e cerca de 2,7 milhões de pessoas
Investimento estimado: R$ 10 bilhões
TIC Eixo Oeste: SP-Sorocaba
Obras e operação: sem data definida (estudos e audiências concluídas, sendo esta última, em análise)
Trajeto: São Paulo (estação Água Branca) — Sorocaba, com duas opções: expresso (sem paradas) e parador
Cidades das paradas do serviço parador: Carapicuíba, Amador Bueno, São Roque e Brigadeiro Tobias
Tempo de viagem: cerca de 60 minutos no serviço expresso
Extensão: 100 quilômetros
Atendimento: 46 mil passageiros por dia até 2040
Investimento estimado: R$ 11,9 bilhões
Petro Notícias - SP 07/10/2025
A japonesa Modec segue avançando na construção do navio-plataforma (FPSO) que será instalado no campo Gato do Mato, operado pela Shell no pré-sal da Bacia de Santos. Após o início do corte de aço da embarcação, em junho, no estaleiro da Sumitomo Heavy Industries, em Yokosuka (Japão), a empresa realizou neste mês a cerimônia de corte de aço do bloco de popa da unidade no estaleiro COSCO Qidong, na China.
“Estamos muito satisfeitos em anunciar a bem-sucedida cerimônia de corte de aço do bloco de popa do FPSO Gato do Mato. Este marco representa um avanço importante no projeto, com a construção do bloco de proa já em andamento na SHI, no Japão”, destacou a Modec. “Nossas parcerias com a Cosco e a Sumitomo Heavy Industries exemplificam o compromisso da Modec em colaborar com parceiros de confiança para entregar soluções de alta qualidade aos nossos clientes”, acrescentou.
O FPSO será instalado a cerca de 2 mil metros de profundidade, aproximadamente 200 quilômetros ao sul do Rio de Janeiro, com capacidade para produzir até 120 mil barris de óleo por dia (bpd). O início da produção está previsto para 2029.
Localizado na Bacia de Santos, Gato do Mato é uma descoberta de gás com condensado no pré-sal, abrangendo dois blocos contíguos: o BM-S-54, sob regime de concessão firmado pela Shell em 2005, e o Sul de Gato do Mato, sob contrato de partilha da produção obtido em 2017. A decisão final de investimento no projeto foi anunciada em março.
CNN Brasil - SP 07/10/2025
O leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP) é alvo de uma "guerra" de pareceres assinados por juristas renomados, que levaram ao TCU (Tribunal de Contas da União) suas teses para endossar restrições ou defender uma concorrência aberta no maior arrendamento da história do setor portuário brasileiro.
O mais novo capítulo no processo é a apresentação de um parecer encomendado pelo grupo filipino ICTSI e assinado pelo advogado Carlos Ari Sundfeld, visto no mercado como "papa" do direito administrativo e pai da LGT (Lei Geral de Telecomunicações) na década de 1990.
Em um documento de 51 páginas, obtido pela CNN, Sundfeld defende o leilão em duas fases do Tecon Santos como um "modelo juridicamente viável" e contesta a tese de que restrições à participação dos atuais operadores de terminais de contêineres no porto seriam ilegais.
O jurista afirma que a adoção das restrições "não decorreu de decisão precipitada, mas foi resultado de um processo técnico e institucional robusto, marcado pelo diálogo entre órgãos públicos, contribuições do setor privado e análises internas consistentes".
Na prática, o documento representa um importante contraponto a outro parecer jurídico, apresentado pelo ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto.
Conforme a CNN noticiou em agosto, Ayres Britto argumenta que as restrições ao leilão são "clamorosamente desnecessárias" e impõem um "sacrifício drástico" à concorrência. Ele teria sido contratado, segundo fontes do setor portuário, pela companhia de navegação suíça MSC.
O Tecon Santos 10, que o governo espera leiloar na segunda quinzena de dezembro, deverá receber investimentos acima de R$ 6 bilhões e ampliar em 50% a atual capacidade de movimentação desse tipo de cargas.
O TCU (Tribunal de Contas da União) está em fase final de análise sobre o modelo do leilão. Há uma forte disputa empresarial em torno das regras.
Na sexta-feira (3), a equipe da AudPortoFerrovia (Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária) concluiu sua análise final e sugeriu um leilão em fase única, sem restrições.
Alegando a necessidade de evitar uma concentração do mercado em Santos, A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) defendem o certame em duas etapas. Na primeira, os atuais operadores de terminais ficariam impedidos de participar.
Numa segunda fase, caso não haja propostas, aí então a disputa seria aberta. Mas, caso arrematem a concessão, os incumbentes teriam que se desfazer dos ativos em Santos.
Em linha com o Ministério da Fazenda, que se pronunciou por meio da Seae (Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação), a unidade técnica do TCU contraria a proposta da Antaq e do MPor.
Os auditores do tribunal admitem apenas uma cláusula de "desinvestimento" em caso de vitória de uma das companhias de navegação que detêm atualmente a operação de terminais de contêineres em Santos.
“A decisão tomada pelo leilão em duas etapas não se sustenta à luz do princípio da proporcionalidade. Sob o aspecto não concorrencial, as manifestações não lograram estabelecer nenhum nexo lógico entre a decisão tomada e os fins pretendidos pela política pública. Essa total incongruência entre meios (restrição à licitação) e fins (objetivo da política), torna ilegal a decisão tomada”, diz o documento do TCU.
Parecer
Sundfeld cita o leilão da quinta geração de telefonia celular (5G), em 2021, como um "antecedente importante" do modelo proposto pela Antaq.
Na ocasião, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) licitou lotes em quatro faixas de frequência. Cada frequência foi dividida em blocos nacionais e regionais, de modo que as empresas vencedoras sem atuação nacional pudessem oferecer serviços móveis em regiões específicas.
Pelas regras do edital, as operadoras que já detivessem autorização de radiofrequência para a faixa de 700 MHz estavam impedidas de participar nas duas primeiras rodadas relativas a essa mesma faixa.
"O desenho de cada licitação importa para a caracterização, ou não, de opções administrativas que violem a competitividade do certame, não sendo correto que qualquer opção que destoe de alguma concepção genérica de concorrência seja tomada como indício de ilegalidade", diz Sundfeld.
Parece ser uma resposta indireta à área técnica do TCU, que classificou como "ilegais" as restrições sugeridas pela Antaq.
Para Sundfeld, optar simplesmente pela cláusula de "desinvestimento" -- a exigência de que os atuais operadores de terminais de contêineres se desfaçam dos seus ativos em Santos caso vençam o leilão do Tecon 10 -- seria insuficiente para garantir concorrência no porto.
"A licitação em fase única seria uma alternativa que apostaria no interesse privado como o árbitro da escolha exata de quem seria o futuro entrante (ficando o regulador estatal e o Cade apenas com a verificação posterior, bem mais limitada, quanto ao eventual desrespeito ou não de alguma proibição legal", alega o jurista.
"A consequência do modelo de fase única seria estimular algum grau de alinhamento de interesses entre os arrendatários dos terminais de contêineres".
No limite, acrescenta Sundfeld, o incumbente poderia demorar propositalmente para encontrar um comprador "adequado" ou para negociar os termos de venda entre potenciais interessados.
Adiando a transação, descumpriria a cláusula de desinvestimento e postergaria o desfecho do leilão. Parece um contrassenso, mas os atuais operadores poderiam -- em tese -- se beneficiar, já que o porto está à beira da saturação e tem seus preços pressionados para a movimentação de cargas.
Monitor Digital - RJ 07/10/2025
O setor naval e portuário do Rio de Janeiro recebeu investimentos de R$ 8,6 milhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para retomada projetos modernização de estaleiros e construção de embarcações. Os valores custearão obras de apoio marítimo e infraestrutura aquaviária, com potencial para gerar mais de 12 mil empregos diretos no estado, fortalecendo a economia local.
Os investimentos contemplam três estaleiros fluminenses: Aliança, em Niterói, com 61 obras; Mauá, também em Niterói, com 38 obras; e São Miguel, em São Gonçalo, com 32 obras.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, essa retomada dos investimentos representa desenvolvimento econômico e fortalece a competitividade do Brasil no setor marítimo internacional. “O Fundo da Marinha Mercante garante condições para que o Brasil avance na modernização de sua indústria naval. No Rio de Janeiro, isso se traduz em mais empregos, mais oportunidades e em um setor marítimo mais competitivo no cenário internacional” disse, na sexta-feira (3).
Navios com benefício fiscal deverão ter 60% de conteúdo local | Monitor Mercantil
Além dos estaleiros, o pacote inclui projetos como o Terminal Portuário ITG02, em implantação no Porto de Itaguaí, com orçamento de R$ 3,6 bilhões para movimentação de minério de ferro, e a modernização do OTSV Ilha do Mosqueiro, da Oceanpact, em projeto de R$ 21,3 milhões, que vai reforçar a eficiência operacional do setor.
Fundo da Marinha Mercante
Criado para apoiar a indústria naval e a marinha mercante, o Fundo da Marinha Mercante é administrado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, por meio do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), e opera com agentes financeiros como o BNDES, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Caixa.
O fundo oferece condições diferenciadas de crédito para viabilizar projetos estratégicos, sendo considerado essencial para a geração de empregos, a modernização da frota e o fortalecimento da competitividade brasileira no setor marítimo internacional.
No final de setembro, foram anunciados investimentos de R$ 1,7 bilhão do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a construção de 188 embarcações no Amazonas. Os empreendimentos, que serão desenvolvidos pelas empresas LHG Mining e Hermasa, vão gerar 10 mil empregos.
Monitor Digital - RJ 07/10/2025
A Marinha do Brasil homologou a dragagem do canal externo do Porto de Suape, garantindo profundidade de 20 metros. A publicação das Portarias nº 102/2025 e 103/2025 estabelecendo as condições operacionais para utilização do novo canal e o período de operação progressiva e manobras assistidas, marca um avanço estratégico para o complexo portuário, que passa a operar sem restrições de calado e com mais eficiência.
O aprofundamento posiciona o atracadouro entre os que dispõem de maior calado do país, ampliando sua competitividade e atratividade para investidores. Com o aval da Autoridade Marítima, Suape poderá receber embarcações de classe mundial, como o Suezmax — navio-tanque com calado de 17 metros e capacidade de carga entre 140 mil e 175 mil toneladas.
“É um divisor de águas para o nosso porto, que já ostenta a liderança nacional na movimentação de granéis líquidos. Suape melhora significativamente as condições de trafegabilidade, o tempo de espera para atracação de navios de grande porte e agrega mais valor às operações, com as embarcações podendo atracar em segurança com capacidade máxima de carga”, destaca o diretor-presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto.
Dragagem do Canal Externo Obra (Foto Thiago Gusmão – Suape)
De acordo com o gestor da estatal portuária, a eliminação de restrições operacionais e a entrada de navios de maior porte tendem a aumentar o número de escalas, o volume de carga movimentada por atracação e o uso eficiente da infraestrutura disponível. “Com a nova profundidade homologada, Suape eleva sua atratividade para operadores portuários, indústrias e investidores do setor logístico e naval, gerando aumento da arrecadação com tarifas de uso da infraestrutura aquaviária e terrestre”, pontua Bisneto.
Antes da homologação, navios com calado superior a 12,8 metros dependiam de condições específicas de maré para acessar o porto. Agora, embarcações com calado superior a 15 metros podem atracar sem restrições de calado, o que traz maior previsibilidade ao planejamento, reduz manobras ociosas e amplia o aproveitamento da janela de atracação.
A última etapa da obra de dragagem do canal externo, iniciada em 1º de dezembro de 2023 e concluída em abril de 2024, teve custo de R$ 140 milhões e resultou na remoção de 1,7 milhão de metros cúbicos de sedimentos. Realizada pela empresa holandesa Van Oord, foi concluída um mês antes do prazo previsto e sem intercorrências, conforme ressalta a diretora de Infraestrutura de Suape, Renata Loyo.
Marinha Porto Suape petroleiros
O projeto se integra à futura dragagem do canal interno, cuja intervenção foi iniciada em 29 de agosto deste ano. Orçada em R$ 217 milhões – sendo R$ 100 milhões do Ministério de Portos e Aeroportos, via PAC3, e R$ 117 milhões de recursos do estado, a intervenção prevê aprofundar o canal para 16,2 metros e remover 3,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos.
O contrato inclui também a dragagem da bacia de evolução e dos Píeres de Granéis Líquidos 3A e 3B, até 18,5 metros de profundidade, consolidando Suape como hub logístico e energético de referência nacional.
Valor - SP 07/10/2025
Consulta da ANP sobre tarifas de transporte divide empresas e consumidores e pode atrapalhar os esforços do governo para reduzir custos do insumo
Um processo em curso na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para rever as tarifas das empresas transportadoras de gás natural se tornou um ponto de tensão no mercado, diante da possibilidade de alta nos valores cobrados pelas companhias nos próximos anos.
Parte do mercado esperava queda nos custos dos gasodutos de longa distância. Porém, cálculos apresentados por pelo menos duas das cinco empresas que terão as tarifas revisitadas para o período 2026-2030 geraram repercussão, por indicar uma expressiva alta.
A ANP abriu duas consultas públicas: uma sobre metodologia e outra sobre a revisão tarifária, já encerradas, mas ainda com audiências previstas. A tarifária terminou em 25 de setembro e terá audiência pública nesta quarta-feira (8). Já a de metodologia se encerra no mesmo dia, mas não terá audiência.
Caso as propostas sejam aprovadas pela agência, as novas tarifas podem elevar os custos dos gasodutos que levam o gás das regiões produtoras até os consumidores industriais e distribuidoras locais, e afetar a competitividade de alguns setores da economia.
As empresas com tarifas a serem revistas são: Transportadora Associada de Gás (TAG), Nova Transportadora do Sudeste (NTS), Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil (TBG), Gás Ocidente e Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB). TAG, NTS e TBG respondem por mais de 90% da extensão total da malha no país.
Em nota, a ANP afirmou que, após a consulta pública, vai estipular a receita máxima permitida (RMP) de transporte, bem como os critérios de reajuste, revisão periódica e revisão extraordinária, nos termos da regulação, o que deve ser concluído até dezembro. “Em seguida, as transportadoras devem realizar os respectivos Processos de Oferta e Contratação de Capacidade de modo a definir as tarifas vigentes nos contratos firmes em 2026.”
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), que integra o Conselho de Usuários de Transporte de Gás, pediu o adiamento da consulta pública da revisão e sugere a adoção de uma tarifa provisória, até que todos os temas tenham uma decisão da ANP. “Defendemos a adoção de uma tarifa extraordinária até a análise desses pontos”, disse Sylvie D’Apote, diretora executiva de gás natural do instituto.
Há estudos em andamento para redução das tarifas com racionalidade econômica e setorial”
— MME
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) considera necessário concatenar as duas consultas públicas para que se tenha uma sequência lógica no tratamento do tema. “Somos o último elo da cadeia e qualquer impacto é repassado para o consumidor”, disse Marcelo Mendonça, presidente-executivo da entidade.
O pedido de nova consulta pública foi feito pelo Fórum do Gás, que reúne representantes de toda a cadeia de valor do setor. Em carta enviada ao Ministério de Minas e Energia (MME) e à ANP, o grupo manifestou preocupação com a falta de clareza e o curto prazo para análise das propostas. “Estima-se que o impacto total da metodologia proposta seja de R$ 8,8 bilhões para a NTS e de R$ 9,6 bilhões para a TAG, considerando todos os ativos dos contratos legados.”
A reportagem procurou o ministro Alexandre Silveira, do MME, já que um eventual aumento contrasta com os objetivos do governo que defende o barateamento do gás para aumentar a competitividade da indústria brasileira.
“No contexto dessa política pública, encontram-se em andamento estudos visando à redução das tarifas de transporte de gás natural com racionalidade econômica e setorial, para que o consumidor pague uma tarifa justa e adequada associada ao risco do negócio”, disse o ministério, em nota.
O mercado de gás natural no Brasil começou a mudar em 2009, quando entrou em vigor a Lei 11.909, que fixou regras para a atividade de transporte. Com base nela, a ANP editou em 2014 a Resolução nº 15, estabelecendo critérios para o cálculo das tarifas, prevendo revisões periódicas a cada cinco anos. Em 2021, entrou em vigor a Nova Lei do Gás (Lei 14.134), que incluiu novas regras tarifárias.
Entre as duas leis, em meados da década de 2010, a Petrobras se desfez dos gasodutos, como parte de um programa de desinvestimentos. Compradores desses ativos, TAG e NTS herdaram contratos firmados com a estatal, que foram se encerrando ao longo dos anos. São os chamados “contratos legados”.
Segundo a ANP, TAG e NTS passarão por revisão tarifária com os primeiros contratos legados se encerrando ainda em 2025. Em contribuição à consulta pública sobre revisão tarifária, a Petrobras afirmou que a NTS tem cinco contratos legados que se encerram nos próximos anos, ao passo que a TAG terá quatro. A estatal estima que até 2033, com o fim de todos esses contratos, o impacto sobre as tarifas pode ser superior a R$ 20 bilhões. Procurada, a Petrobras não comentou o tema.
O receio do mercado está em mais uma onda de judicialização. Duas abordagens principais estão em debate: o custo histórico corrigido pela inflação com depreciação contábil e o valor residual definido nas planilhas dos contratos legados.
Esses contratos asseguravam capacidade firme, tarifas definidas e regras próprias de depreciação e remuneração de investimentos. Para consumidores e especialistas, muitos desses ativos já foram amortizados, o que não justificaria novas cobranças. As empresas, por sua vez, alegam que a malha passou por melhorias, exige manutenção e que a revisão é indispensável.
O cálculo da revisão tarifária dos gasodutos usa como critério a base de remuneração de ativos, que considera o quanto já foi amortizado e os investimentos previstos em manutenção, expansão ou modernização. As transportadoras pedem que esses investimentos entrem na base de remuneração ou nas receitas tarifárias.
Se a ANP acatar, esses custos serão repassados ao consumidor. Em contribuição à consulta pública da revisão tarifária, a Petrobras estimou que mais de 90% dos ativos das malhas Sudeste e Nordeste, detidas por NTS e TAG, respectivamente, já foram amortizados.
A revisão tarifária também considera o WACC, que mede o retorno do investimento. Se ele subir com o ambiente macroeconômico, mesmo ativos já amortizados vão gerar retorno mais alto, elevando as tarifas.
Um ponto em aberto envolve termelétricas cujos contratos de gás natural encerraram-se a partir de 2023. A expectativa era a realização do leilão de reserva de capacidade, no qual as usinas descontratadas fechariam contratos de disponibilidade com o sistema elétrico. O leilão está previsto para 2026.
Se não firmarem contratos no leilão, usinas podem ser desativadas ou buscar alternativas como contratar gá fora da rede. Isso levaria a um aumento nas tarifas de transporte. Sem térmicas, o custo do transporte passa a ser rateado por menos usuários da rede. Esse risco está presente nos cenários apresentados pelas transportadoras (ver tabela acima).
Ainda não está claro se o risco de menor demanda ficará com o transportador, com o carregador (aquele que contratou capacidade de transporte) ou será socializado entre todos os usuários remanescentes. Cada escolha altera o preço do gás. Com a incerteza, NTS e TAG fizeram contas para uma revisão pela qual passarão pela primeira vez. A TBG já passou pela revisão entre 2019 e 2020 e terá suas tarifas novamente revistas, desta vez para o ciclo 2026-2030.
O presidente da TBG, Jorge Hijjar, afirma que a empresa opera em condições estáveis. “Nossos resultados são atrelados diretamente aos nossos ativos (dutos, estações) e aos investimentos que foram e vêm sendo feitos”, disse Hijjar. A fala do executivo expõe a diferença de contexto: enquanto TAG e NTS enfrentam sua primeira revisão, a TBG já conhece os efeitos práticos do modelo regulatório.
Em nota, a TAG diz que os riscos de aumento tarifário associado a cenários com e sem térmicas decorrem de evasão de volume de contratação de capacidade atual na rede e não do aumento da remuneração do transportador.
“Práticas de ‘by-pass’ do sistema de transporte [quando consumidores buscam rotas alternativas de suprimento, sem usar a rede regulada], falta de visão integrada do planejamento energético (gás e eletricidade) e a eventual descontratação de térmicas conectadas que não tenham renovação de contratos no próximo leilão põem em risco os fundamentos do sistema, afetando a segurança de abastecimento e a percepção de custo para os usuários”, diz a nota.
A empresa aponta ainda que, entre 2022 e 2025, as tarifas de transporte caíram cerca de 17% diante de uma inflação da ordem de 20% no mesmo período.
A NTS afirmou, também em nota, que a proposta para o ciclo tarifário 2026-2030 inclui investimentos voltados para a garantia das condições operacionais, a preservação da integridade, segurança, confiabilidade e a continuidade da prestação do serviço de transporte. Apresenta também a realização de novos projetos voltados à expansão e garantia de suprimento da malha dutoviária.
A proposta, diz a NTS, prevê também a remuneração do valor residual de ativos legados vencidos mas não totalmente depreciados e investimentos realizados para a garantia das condições operacionais. Tais investimentos, informa a NTS, foram feitos desde a privatização da rede e ainda não foram recuperados.
A NTS considerou na proposta à ANP dois cenários que variam em função da contratação das térmicas. Se considerada a contratação anual das térmicas prevê-se uma redução tarifária da ordem de 4% no ano de 2026. Sem a contratação, a NTS estima aumento de 22% em 2026.
Procurada, a Gás Ocidente não comentou até o fechamento desta edição. O diretor da TSB, Walter Farioli, diz que a condição da empresa é diferente, já que ela não tem contratos legados e tem pouca relevância em fatores que podem influenciar o cálculo das tarifas. “No caso da TBS, a conta é simples e pragmática e conforme estabelece a portaria da ANP que orienta a formação das tarifas”, explica.
A visão das transportadoras, no entanto, contrasta com a preocupação dos consumidores. Para a Abrace, associação que representa os grandes consumidores livres de energia, o aumento proposto pode comprometer o desenvolvimento do mercado de gás no país.
“A proposta de revisão tarifária dos transportadores vai na contramão de todos os esforços feitos até aqui para desenvolver o mercado, desde antes da aprovação da Lei do Gás em 2021. O custo atual está destruindo a demanda industrial, principal consumidora do gás. O aumento proposto só reforça esse movimento e o resultado será menos produção, menos emprego, renda e desenvolvimento”, diz Adrianno Lorenzon, diretor de gás natural da Abrace.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2025
A Petrobras realizou em 3 de outubro a primeira importação de gás natural não convencional da Argentina, produzido em Vaca Muerta, na província de Neuquén, em parceria com a argentina Pluspetrol. A informação foi divulgada pela empresa nesta segunda-feira, 6.
Foram importados 100 mil metros cúbicos de gás natural, de um total de 2 milhões de metros cúbicos por dia que a estatal tem direito por contrato, na modalidade interruptível.
O acordo foi celebrado entre as subsidiárias das duas companhias, a Petrobras Operaciones (Posa) e a Gas Bridge Comercializadora, da Pluspetrol.
“Foram importados 100 mil metros cúbicos de gás natural, produzidos pela Posa e pela Pluspetrol, com o objetivo de testar o arcabouço comercial e operacional da operação. O gás foi transportado via gasodutos, da Argentina até a Bolívia e de lá até o Brasil”, explicou a Petrobras em nota.
Segundo a estatal brasileira, novas operações de importação ocorrerão conforme as empresas identifiquem oportunidades comerciais.
“Essa primeira operação é um marco relevante para a Petrobras, possibilitada pela integração das infraestruturas e que permite a conexão da produção própria da Petrobras na Argentina, por meio de sua subsidiária Posa, com o mercado nacional”, afirmou a diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano.
“Essa solução logística e comercial abre uma nova possibilidade para importação de gás natural pelo Brasil, refletindo o compromisso da Petrobras com o aumento da oferta e com o desenvolvimento sustentável do mercado”, acrescentou.
A Petrobras mantém operações de produção na Argentina por meio da Posa, subsidiária da companhia que detêm 33,6% de participação não operada no campo de Rio Neuquén, localizado nas províncias de Neuquén e Rio Negro. A produção no campo de Río Neuquén é majoritariamente oriunda de reservatórios não convencionais (tight gas) das formações Punta Rosada e Lajas, informou a estatal.
Folha On-Line - SP 07/10/2025
Objetivo é produzir combustíveis com baixo teor de enxofre, diz estatal
Empresa anuncia também contratos de R$ 10 bilhões para barcos de apoio a plataformas
Rio de Janeiro A Petrobras assinou contratos de R$ 9,6 bilhões para obras de refino no Complexo de Energias Boaventura, o antigo Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), em Itaboraí, na região metropolitana da capital fluminense.
A estatal anunciou ainda contratos de R$ 10 bilhões para o afretamento de quatro embarcações de apoio à produção de petróleo em alto-mar. Os contratos foram assinados na sexta-feira (3), informou nesta segunda (6) a companhia.
Para o Complexo Boaventura, foram cinco contratos, que retomam os investimentos em refino no projeto, suspensos após a descoberta do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. A retomada havia sido aprovada pela diretoria da estatal em 2023.
O objetivo é produzir diesel, querosene de aviação e lubrificantes com baixo teor de enxofre. Em nota, a Petrobras disse que o pico das obras vai gerar 15 mil empregos no local.
O Comperj foi um dos pontos centrais da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, dando início à Lava Jato, cujas investigações desvendaram um cartel de empreiteiras que loteava grandes obras da estatal.
A Petrobras não informa quanto já gastou no local, mas segundo a última atualização do TCU, (Tribunal de Contas da União), feita em 2022, o projeto acumula prejuízos de US$ 14 bilhões (quase R$ 80 bilhões, pela cotação atual).
Ao anunciar a retomada do projeto em cerimônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em setembro de 2024, a presidente da estatal, Magda Chambriard, disse estimar gastos de R$ 13 bilhões na conclusão das obras.
Em discurso, Lula ironizou perguntas sobre o custo das obras remanescentes e disse que o país precisava "fazer a pergunta ao contrário": "Quanto custou paralisar ele desde 2018?", perguntou. As obras, na verdade, foram paralisadas em 2015.
No evento, a Petrobras inaugurou uma unidade de tratamento de gás natural no complexo, que permitiu o aumento do escoamento da produção do pré-sal. Parte desse gás será transformado em matéria-prima para a indústria petroquímica.
Os contratos foram assinados por consórcios formados pelas empresas Tenenge Engenharia, Empresa Construtura Brasil, EGTC Infra, Heftos Óleo e Gás, Construtora Colares Linhares; Monto Industrial, Mendes Junior Trading e Engenharia, UTC Óleo e Gás Engenharia, Alfredo Possebom Filho & Cia, Universal Process Equipamentos Industriais, CPL Construtora e Engecampo Engenharia.
As embarcações de apoio serão operadas pela Bram e serão construídas pelo estaleiro Navship, em Navegantes (SC), com previsão de entrega entre 2029 e 2030.
O projeto requer no mínimo 40% de conteúdo local na fase de construção e 60% na operação. Segundo a estatal, porém, a Bram "planeja contribuir com o projeto com conteúdo local estimado de até 80% na construção e até 90% na operação".
"Estes contratos fortalecem a cadeia de fornecedores nacionais, ampliando a participação da indústria brasileira na execução e manutenção das embarcações", afirmou a Petrobras, prevendo 1.500 empregos diretos e 5.400 indiretos entre as fases de obras e operação.
IstoÉ Dinheiro - SP 07/10/2025
A Petrobras informou nesta segunda-feira, 6, que concluiu a assinatura de cinco contratos de serviços para a construção de unidades que compõem o Projeto Refino Boaventura, que vai investir R$ 9,6 bilhões para aumentar a produção de diesel S-10, querosene de aviação e lubrificantes grupo II (óleos básicos).
A previsão é construir duas unidades inéditas em refinarias da Petrobras, uma de Desparafinação por Isomerização por Hidrogênio (HIDW), para produção de lubrificantes de Grupo II; e outra de Hidrocraqueamento Catalítico (HCC), produtor de diesel S-10 e QAV.
“O projeto propiciará a integração entre a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ), ampliando a produção de derivados de maior valor agregado e baixo teor de enxofre, como diesel S-10 e lubrificantes de Grupo II – aumentando a oferta de produtos mais sustentáveis, alinhada à estratégia de transição energética da companhia”, disse a estatal em nota.
O projeto prevê incremento de 76 mil barris por dia de diesel S-10; mais 20 mil barris por dia de Querosene de Aviação (QAV); e mais 12 mil barris por dia de lubrificantes Grupo II, que possuem baixo teor de enxofre e melhor desempenho e durabilidade em diversas aplicações automotivas e industriais, informou a Petrobras. A previsão é gerar cerca de 15 mil empregos diretos no pico da obra.
Navios
A Petrobras também formalizou o afretamento de quatro embarcações do tipo RSV (ROV Support Vessel), destinadas ao apoio de operações submarinas, em contratos que somam R$ 10,2 bilhões, decorrentes de contratação em outubro do ano passado.
As unidades serão construídas no estaleiro Navship, em Navegantes (SC), com previsão de entrega entre 2029 e 2030.
“As embarcações do tipo RSVs atuarão na inspeção, manutenção e instalação de sistemas submarinos com uso de veículos operados remotamente (ROVs), reforçando a eficiência e a segurança operacional da companhia”, explicou a empresa.
Valor - SP 07/10/2025
O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em dezembro teve alta de 1,45% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para novembro subiu 1,33%
Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira (6), após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciar um aumento na produção mensal da commodity para novembro em linha com o que era esperado pelo mercado. O cartel passa a produzir 137 mil barris a mais por dia no mês que vem, o mesmo nível de outubro.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em dezembro teve alta de 1,45%, cotado a US$ 65,47 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para novembro subiu 1,33%, a US$ 61,69 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
Os preços da commodity no pregão também foram impulsionados pela escalada de tensões geopolíticas, em meio a ataques à infraestrutura energética da Rússia, o que pode ameaçar os fluxos globais de petróleo.
IstoÉ Dinheiro - SP 07/10/2025
A estimativa de aumento na área de plantio na safra de grãos 2025/26 pode provocar uma alta nas vendas de máquinas agrícolas, avaliou o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), Pedro Estevão Bastos de Oliveira, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que participou na sexta-feira, 3, da 25ª edição do Seminário de Planejamento Estratégico Empresarial (SPEE). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta área de plantio de 84,24 milhões de hectares no ciclo agrícola 2025/26 ante 81,74 milhões de hectares na temporada anterior 2024/25.
Segundo Oliveira, “com essa projeção, cria-se uma pressão de compra de máquinas, porque as atuais estão ficando velhas”, disse o executivo.
Ele acrescentou que a projeção da Conab indica que o mercado não está tão ruim quanto parece. “Isso mostra que, sim, o setor tem problemas, mas boa parte dos produtores está resiliente e investindo na safra. As máquinas agrícolas não ficarão de fora disso”, destacou.
Faturamento
O setor de máquinas agrícolas deve registrar faturamento de R$ 68 bilhões em 2025, o que corresponde a uma alta de 9,7% em comparação com R$ 62 bilhões de 2024, segundo informações são do presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), Pedro Estevão Bastos de Oliveira, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Segundo a associação, de janeiro a agosto, as vendas de máquinas agrícolas aumentaram 14%, impulsionadas pelo volume comercializado de novembro de 2024 a julho de 2025. No entanto, em agosto passado, o setor registrou uma queda de 10% em relação ao igual mês do ano anterior. Conforme Oliveira, em agosto de 2024 houve baixa de 18% ante agosto de 2023, mas trata-se uma queda esperada, sazonal, que se repete neste ano.