Clipping Diário

07 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   07/08/2025

O tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) reconheceu nesta quarta-feira, 6, que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) cumpriu as obrigações determinadas pelo órgão, ao reduzir sua fatia na Usiminas, e estabeleceu o prazo de cinco dias corridos, a contar desta quarta (data do julgamento), para apuração da multa devida.

O cálculo será feito por uma área técnica da Superintendência-Geral (SG) do órgão antitruste, que deverá considerar nesta apuração os parâmetros da decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 6ª região (TRF-6), garantindo o contraditório e a ampla defesa. Apurado o valor da multa, ele ainda será submetido à apreciação do tribunal do Cade, que irá avaliar se a multa será ou não aplicada à CSN.

Em sessão nesta quarta, o tribunal, por maioria, conheceu os embargos de declaração da Usiminas no ato de concentração que envolve a empresa e a CSN, nos termos do voto divergente de Victor Fernandes. Foi vencido o relator, o presidente Gustavo Augusto Freitas de Lima, que recomendou não conhecer os recursos, e o conselheiro Carlos Jaques, que seguiu o voto do relator. Apesar de conhecidos os embargos, eles foram considerados prejudicados.

Ao anunciar o processo, o presidente Gustavo Augusto interrompeu a sessão por alguns minutos citando uma “mudança do ato fático” nos últimos dias. Na terça, 5, a CSN informou que alienou 36.235.837 de ações ordinárias e 472.200 ações preferenciais de emissão da Usiminas para a Vera Cruz Fundo de Investimentos.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta, a siderúrgica destaca que, desta forma, reduziu sua participação no capital social da Usiminas, de forma direta e indireta, para 4,99% das ações ordinárias e 4,99% das ações preferenciais, ou 4,99% do total do capital social.

“A compromissária (CSN) teria cumprido integralmente sua obrigação, não havendo mais qualquer lote a ser vendido”, disse o relator do processo. Gustavo Augusto e os demais conselheiros entenderam que a CSN não se limitou a apresentar um preparador institucional, mas se adiantou e já alienou suas ações.

Embargos de declaração

Como mostrou a Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a Usiminas protocolou no mês passado embargos de declaração para pedir que o Cade faça valer uma decisão de 2014 da própria autarquia que previa uma multa estimada em R$ 110 milhões à CSN caso a empresa não se desfizesse das ações que tinha da Usiminas, sua concorrente, dentro de cinco anos.

Ao pedir a volta das sanções por conta do descumprimento, a Usiminas queria que o Cade anulasse outra decisão, de junho, que deu 60 dias para a CSN apresentar um cronograma de venda das ações que tem da concorrente, prazo que venceria no próximo 1º de setembro.

Valor - SP   07/08/2025

Agora, a companhia detém 4,99% do capital social total da Usiminas

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou nesta quarta-feira (6) que vendeu 36.235.837 ações ordinárias e 472.200 ações preferenciais da Usiminas para o Vera Cruz Fundo de Investimentos Financeiro Multimercado Crédito Privado.

A venda foi feita pelo preço de fechamento das ações ordinárias e preferenciais na segunda-feira (4), o que dá à operação um valor aproximado de R$ 163,7 milhões.

Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários, o fundo Vera Cruz foi constituído no último dia 4 de julho e tem a Reag Trust como administradora.

Na última semana, a CSN já havia vendido R$ 263,3 milhões em ações da Usiminas para a Globe Investimentos, veículo de investimentos financeiros ligado à família Batista, dona da JBS e Eldorado Celulose, entre outras companhias.

Agora, a CSN detém 4,99% do capital social total da Usiminas, sendo 4,99% das ações ordinárias e 4,99% das ações preferenciais. Antes das movimentações, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch aparecia com aparecia com uma participação de 12,9%.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   07/08/2025

Num cenário em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chacoalhou a economia mundial desde a sua posse em 20 de janeiro, o Brasil já está vivendo os efeitos das mudanças no comércio global. Nos primeiros sete meses deste ano, houve um aumento das exportações brasileiras para os EUA e um crescimento das importações da China.

Os dados da balança comercial de julho foram divulgados nesta quarta-feira, 6. Eles ainda não contemplam o tarifaço de Trump, que começa a vigorar hoje, mas indicam que os exportadores brasileiros correram para antecipar as exportações para os americanos ao longo desses meses, enquanto os chineses ampliaram as vendas para o Brasil.

Entre janeiro e julho, as exportações do Brasil para os EUA somaram US$ 23,719 bilhões, um aumento de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado (US$ 22,757 bilhões) — os americanos responderam por 12% das compras brasileiras. O valor é recorde para o período.

Nesta quarta-feira, 6, começou a valer a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros. O prazo inicial era 1º de agosto, mas, na semana passada, o presidente americano postergou o início da taxa e ainda abriu uma exceção para quase 700 produtos, o que ajudou a mitigar o impacto das medidas do governo dos EUA.

Os números da balança comercial dos sete primeiros meses também revelam um crescimento das importações da China para o Brasil. Nesse período, elas somaram US$ 41,658 bilhões, uma alta de 19,97% na comparação com o mesmo período de 2024 (US$ 34,723 bilhões).

Desde o início das ameaças de Trump de colocar de pé o seu tarifaço, os analistas já alertavam para a possibilidade de um aumento de produtos da China no Brasil num cenário de dificuldade na relação com os Estados Unidos — os dois países ainda negociam um acordo.

“Em junho, boa parte desse aumento foi de carro elétrico. Há um imposto de importação para carro elétrico, que é mais baixo do que para os normais. Só que existe um cronograma desse imposto ir convergindo para o imposto de importação de um carro normal. E isso acontece sempre em julho”, afirma Julia Marasca, economista do Itaú.

“Todo julho esse imposto de importação aumenta, e o que as empresas fazem é aumentar a importação (de carros) em maio e junho. Uma parte desse crescimento da China é mais sazonal, ocorre por um fator exógeno”, acrescenta.

Ao todo, as exportações brasileiras também bateram recorde e somaram US$ 198 bilhões nos primeiros de janeiro e julho, um valor parecido com o do ano passado (US$ 197,8 bilhões). As importações chegaram US$ 161 bilhões, acima dos US$ 148,7 bilhões de 2024.

Nesse período, portanto, o Brasil acumula um saldo comercial de US$ 37 bilhões, abaixo dos US$ 49,1 bilhões observados entre janeiro e julho.
Qual será o impacto?

Na passagem de 2024 para 2025, já havia a expectativa de que o resultado da balança comercial seria mais fraco este ano. Do lado das exportações, os preços das commodities vendidas pelo Brasil estão em queda. Já as importações estão aumentando por causa do crescimento econômico do País - as compras no setor de bens de capital, por exemplo, subiram 15,3%, para US$ 24,6 bilhões.

“Os preços das commodities que o Brasil exporta vêm caindo. Eles vinham em queda em 2023, 2024 e seguem a mesma história até julho deste ano, apesar de a quantidade (vendida) estar relativamente igual”, afirma Felipe Kotinda, economista do Santander. “Do lado das importações, elas continuam fortes por causa da economia aquecida ainda.”

Segundo o Santander, o impacto para o Brasil do tarifaço dos EUA será de US$ 6 bilhões. “Não é tão relevante para o PIB”, afirma Kotinda.

De fato, o tarifaço de Trump ainda não levou os economistas a revisar a projeção de crescimento econômico deste e do próximo ano. O impacto maior, no entanto, deve ser grande nos setores que dependem amplamente das vendas para os EUA.

Nas contas do Itaú, a tarifa efetiva de exportação do Brasil para os Estados Unidos é de 30% — sem as exceções anunciadas pelo governo Trump, seria de 40%. O banco também projeta um impacto máximo nas vendas para os EUA de US$ 13 bilhões em 12 meses, sem levar em conta a possibilidade de realocação do comércio.

“A parte de commodities é mais fácil de realocar, de encontrar mercado. Já os manufaturados devem ser mais desafiadores, por questão de competitividade ou por ser mais específico mesmo”, afirma a economista do Itaú.

“Mesmo que a tarifa no café permaneça em 50%, o cenário global é de estoque baixo”, acrescenta Kotinda, do Santander. “Tem algum espaço para aumentar a exportação para outros mercados, como China, Índia e Austrália. São mercados nos quais os produtores podem mirar mais.”

IstoÉ Dinheiro - SP   07/08/2025

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 77,8% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão atualmente sujeitas a sobretaxas comerciais, resultado de três frentes tarifárias impostas pelo governo americano desde o início do ano. A análise considera a tarifa geral de 10%, uma alíquota adicional de 40% direcionada ao Brasil e medidas setoriais da Seção 232, que aplicam sobretaxas de até 50% a setores como siderurgia, veículos e autopeças.

De acordo com a CNI, mais da metade da pauta exportadora brasileira aos EUA enfrentará tarifas de 50%, sendo que 45,8% do total está diretamente sujeita a sobretaxas exclusivas ao Brasil. As tarifas afetam principalmente a indústria de transformação, que respondeu por US$ 12,3 bilhões em exportações impactadas em 2024, ou 69,9% do total sob tarifa máxima.

Os setores mais atingidos incluem vestuário, máquinas e equipamentos, têxteis, alimentos, químicos, couro e calçados. Além disso, produtos como aço, alumínio e cobre – afetados pela Seção 232 – representam 9,3% da pauta exportadora e também enfrentam alíquota de 50%.

Por outro lado, 22,2% das exportações permanecem isentas de tarifas adicionais, com destaque para a indústria extrativa, especialmente petróleo leve e pesado. Dentro da indústria de transformação, combustíveis automotivos e óleos combustíveis pesados sem biodiesel concentram parte relevante dos valores isentos.

A tarifa de 40% imposta em julho prevê isenção condicional para produtos destinados à aviação civil, o que pode beneficiar segmentos como o de aviões não militares e equipamentos de transporte. Caso essa exceção se confirme, 577 produtos podem ficar sujeitos apenas à tarifa de 10%, o que reduziria parte da pressão sobre o setor aeronáutico brasileiro.

Além das tarifas já em vigor, o governo dos EUA mantém investigações abertas sob a Seção 232 que podem afetar novos setores, incluindo aeronaves e motores, caminhões, madeira, minerais críticos, semicondutores e produtos farmacêuticos.

Para mitigar os efeitos das barreiras, a CNI apresentou ao governo brasileiro uma lista de oito medidas emergenciais, incluindo uma linha de crédito especial do BNDES com juros reduzidos; extensão de prazos para contratos de câmbio e financiamentos de exportação; diferimento de tributos federais; pagamento imediato de ressarcimentos de créditos tributários; ampliação do Reintegra e reativação do Programa Seguro-Emprego.

“O levantamento mostra a dimensão do problema e a urgência de articulação entre governo e setor produtivo. Precisamos preservar nossa capacidade exportadora e responder rapidamente a essa escalada protecionista”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI, em nota.

Globo Online - RJ   07/08/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu sufocar a economia russa com sanções secundárias caso Moscou não aceite uma trégua na guerra contra a Ucrânia até a próxima sexta-feira. Mas enquanto seu enviado especial, Steve Witkoff, reúne-se com o Kremlin nesta quarta para negociar o conflito, especialistas alertam que impor novas tarifas aos países que ainda compram petróleo da Rússia deve afetar afetar a economia global, impactando também o mercado americano, que sofreria com aumento de preços e margem de lucros menores para suas empresas.

Trump tem ameaçado impor uma tarifa de 100% aos compradores de energia russa para aumentar a pressão sobre o presidente Vladimir Putin. A princípio, a Casa Branca deu um prazo de 50 dias para o líder russo firmar uma paz na Ucrânia, mas a data foi posteriormente antecipada para esta semana.

As sanções se aplicariam principalmente às importações da Índia e da China, que não são apenas grandes compradores de petróleo russo, mas também são dois dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos. Os EUA importaram um total de US$ 536 bilhões dos dois países no passado, segundo dados oficiais americanos.

Índia e China, por sua vez, aumentaram as compras de petróleo bruto russo após a invasão em larga em escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Agora, a Rússia responde por 13,5 % das importações de petróleo bruto da China, de acordo com a Vortexa, uma empresa de dados de energia, em comparação com 7,7% antes da guerra.

Já a Índia é o principal importador de petróleo russo, que representa 36% do mercado indiano. Isso fez com que o país se tornasse um alvo prioritário de Donald Trump. Nesta quarta-feira, o presidente americano assinou um decreto que adiciona 25% de tarifas sobre produtos indianos "em resposta à compra contínua de petróleo russo", anunciou a Casa Branca em uma de suas contas na rede social X.

A nova tarifa alfandegária começará a ser aplicada em três semanas e será adicionada a outra de 25% que deve entrar em vigor na quinta-feira, segundo o decreto. A taxa não será aplicada a produtos submetidos a tarifas específicas, como o aço e o alumínio.

Não é a primeira vez que o governo Trump impõe tarifas secundárias, que também existem para punir os compradores de petróleo venezuelano. No entanto, usá-las contra a Rússia é uma aposta arriscada, já que teria implicações muito maiores para a economia global, alertam especialistas. O próprio Trump já expressou ceticismo sobre a eficácia das sanções, chamando os russos de “figuras astutas” que são “muito bons em evitá-las”.

"O principal canal pelo qual as tarifas secundárias sobre os compradores de energia russa poderiam impactar a economia global seria por meio do nível dos preços da energia", disse Kieran Tompkins, da consultoria Capital Economics, à BBC de Londres.

Se as tarifas funcionarem, elas cortarão o fluxo de petróleo e gás russos para os mercados globais. E com menos oferta, os preços podem subir, assim como aconteceu quando a Ucrânia foi invadida. Isso levou a um aumento da inflação em todo o mundo. A Rússia é o terceiro maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas da Arábia Saudita e dos próprios EUA.

“A punição para os países que continuarem a consumir grandes volumes de energia russa... também prejudicaria a economia dos Estados Unidos de forma substancial”, disse à CNN Clayton Seigle, pesquisador sênior em energia e geopolítica do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), um centro de estudos bipartidário dos EUA.

As tarifas em perspectiva “levariam a mais inflação” nos EUA, além de sobrecarregar as empresas americanas com custos de importação mais altos, acrescentou.

Trump propôs punições mais duras contra a Rússia antes, mas recuou para preservar negociações. Agora, caso Witkoff não consiga um improvável acordo de paz, ele enfrentará maior escrutínio ao decidir se cumprirá sua ameaça. Se Putin conseguir mais uma trégua em relação a sanções mais duras, isso pode reforçar a narrativa, presente entre alguns investidores, de que “Trump sempre recua” — uma aposta originalmente ligada às ameaças tarifárias do presidente — e enfraquecer sua autoimagem de pacificador.

Por outro lado, caso Trump leve adiante a ameaça de sanções, punir compradores de petróleo russo colocará em risco as já delicadas relações com duas das maiores economias do mundo.

"A Rússia é grande demais para falir", argumentou Giovanni Staunovo, analista de commodities da UBS Wealth Management, em entrevista à CNN. "A Rússia exporta 7 milhões de barris por dia de petróleo bruto e produtos refinados. São quantidades enormes que não se pode substituir tão facilmente."

Exame - SP   07/08/2025

A oficialização da tarifa de 50% pelo governo americano sobre as importações brasileiras, acompanhada de lista de itens que não sofrerão o adicional de 40%, aponta impacto econômico mais limitado em relação ao que se esperava após a carta de 9 de julho.

A nota que acompanhou a medida evidência que a decisão do governo americano com a oficialização da tarifa é fortemente balizada por motivação política. No entanto, a lista de isenção indica alguma sensibilidade econômica, dados os potenciais efeitos adversos para a economia americana, seja diretamente para os consumidores como para empresas do país, mais dependentes de importações brasileiras.

De fato, para além dos impactos setoriais negativos, temores com implicações inflacionárias ainda estão presentes nos Estados Unidos, em particular, em um momento de forte pressão do governo para a redução dos juros por parte do Fed. A inflação voltou a avançar na margem em junho, o que já reflete, em parte, a agenda tarifária, resultando em um maior distanciamento da meta de 2%. Ou seja, elevar substancialmente tarifas de importantes bens de consumo ou mesmo de insumos atuará na direção contrária aos objetivos da autoridade monetária, tornando ainda mais desafiadora a tarefa de redução das taxas de juros no curto prazo – a despeito das pressões de Donald Trump.

Nesta semana, após a decisão de manter as taxas, o presidente Jerome Powell admitiu que as tarifas já estão pressionando os preços de alguns bens, ainda que mantenha a leitura de que tais impactos devam ser temporários.

Do lado do Brasil, levantamento divulgado pela Secex apontou que 44,6% das exportações realizadas em 2024 estariam enquadradas na lista de isenção da tarifa adicional de 40% (ordem executiva A), ou seja, sendo taxados à tarifa inicial de 10% anunciada em abril. Do restante, 35,9% estariam, por enquanto, sujeitos à aplicação da tarifa total de 50% (ordem executiva B). Entre eles, café, carnes e açúcares. Outra parcela (19,5%) seria composta de produtos sujeitos a tarifas específicas, aplicadas a todos os países (seção 232), variando entre 25% e 50%. Nesta categoria estão itens ligados à cadeia siderúrgica e ao segmento de madeira.

Dentre os itens ainda sujeitos à sobretaxa, não se pode descartar um tratamento diferenciado à frente, tendo em vista a importância dos produtos envolvidos. No caso do café, 85,2% da produção brasileira foi destinada à exportação, sendo 14% direcionada aos Estados Unidos. O país depende, em grande medida, da importação para fazer frente à demanda doméstica. Pelos nossos cálculos, as importações representam cerca de 99,8% do consumo interno e a substituição da oferta brasileira não é nada trivial.

Por esta razão, é esperado que o café também receba um tratamento diferenciado em breve. Esse mesmo quadro é observado para vários outros produtos agrícolas, como óleos vegetais (oliva, palma, canola e girassol) que ficaram sujeitos à tarifa de 50%, além do suco de laranja, contemplado na isenção.

Já especificamente no caso do aço semiacabado, a dependência é bem importante, considerando que o Brasil foi a origem de 61,4% de todo aço semiacabado importado pelos EUA em 2024. Com a incidência de sobretaxa à sua importação, o insumo será mais um dos exemplos de impactos via aumento de custos ao setor produtivo norte-americano. Nesse sentido, é razoável contar com um crescente descontentamento de setores mais dependentes de importações, seja na indústria ou no comércio varejista.

No caso das carnes, o Brasil aumentou a exportação para os EUA nos últimos anos, dada a limitação da oferta local. Ainda assim, o grau de dependência do país às importações é bem menor comparado com outros produtos agropecuários, respondendo apenas por 13% do consumo doméstico, considerando também o fato de que os Estados Unidos são o maior produtor global de carnes bovinas. Além disso, eles podem recorrer à importação de outros produtores, como União Europeia, China, Índia, Argentina e Austrália.

Com relação à economia brasileira, ainda que existam impactos setoriais relevantes em segmentos que têm no mercado americano parte importante de suas exportações, o efeito agregado para a atividade interna será mais limitado em relação ao inicialmente estimado (entre 0,2 p.p. e 0,4 p.p. do crescimento econômico em 2025 e 2026). Além disso, persiste a possibilidade da inclusão de novos itens na lista de isenção da sobretaxa de 40%. Se o efeito sobre a atividade tende a ser mais localizado, também não antevemos impactos inflacionários internos conclusivos por ora.

Em um primeiro momento, itens sobretaxados nos EUA podem ter seus preços reduzidos no mercado interno, mas tal dinâmica tende a ser temporária, diante do incentivo ao ajuste da produção. A taxa de câmbio entra como outra fonte de incerteza nessa equação, mas nossa análise não aponta como provável um cenário de pressão relevante na variável, inclusive considerando a força limitada do dólar em todo o mundo neste momento.

Por fim, levando em conta possíveis respostas do lado brasileiro, avaliamos que a não-retaliação e as tentativas de aproximação e negociação visando ampliar a lista inicial de isenções ainda se mostram como as estratégias mais promissoras na minimização de danos, além do maior direcionamento no sentido de diversificação de mercados e fechamento de acordos comerciais, com especial atenção ao acordo entre Mercosul-União Europeia.

Agência Brasil - DF   07/08/2025

Pressionada pela queda no preço de diversas commodities (bens primários com cotação internacional) e pelo aumento das importações, a balança comercial registrou o superávit mais baixo para meses de julho em três anos. No mês passado, o país exportou US$ 7,075 bilhões a mais do que importou - uma queda de 6,3% em relação ao registrado no mesmo mês de 2024.

Os números foram divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O superávit em julho é o menor desde 2022, quando o resultado positivo ficou em US$ 5,357 bilhões.

A balança comercial acumula superávit de US$ 36,982 bilhões nos sete primeiros meses de 2025. O valor representa queda de 24,7% em relação aos mesmos meses do ano passado e é o pior para o período desde 2020, quando houve superávit de US$ 29,896 bilhões.

Parte do recuo no valor acumulado ocorreu porque a balança comercial teve déficit de US$ 471,6 milhões em fevereiro, motivado pela importação de uma plataforma de petróleo.

Comércio exterior recorde

Tanto as exportações como as importações bateram recorde no mês passado, mas as compras do exterior cresceram ainda mais. Em julho, o país exportou US$ 32,310 bilhões, alta de 4,8% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado. As importações somaram US$ 25,236 bilhões, alta de 8,4% na mesma comparação.

Ao analisar a quantidade exportada e os preços médios, o volume de mercadorias exportadas subiu 7,2%. Os preços, no entanto, recuaram 2,1%, em média, na comparação com o mesmo mês do ano passado, refletindo a queda no valor das commodities (bens primários com cotação internacional). Nas importações, a quantidade comprada subiu 7,9%, impulsionada pelo crescimento econômico, mas os preços médios recuaram 0,2%.
Setores

No setor agropecuário, a queda na quantidade vendida pesou mais para o leve crescimento de 0,3% nas exportações do segmento. O volume de mercadorias embarcadas caiu 2% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2024, enquanto o preço médio subiu 3,3%.

Na indústria de transformação, a quantidade subiu 10,3%, com o preço médio caindo 1,6%, o que refletiu uma certa recuperação econômica na Argentina, o maior comprador de bens industrializados do Brasil.

Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, a quantidade exportada subiu 13,1%, enquanto os preços médios recuaram 8,1%, fruto da desaceleração econômica na China e do acirramento da guerra comercial por parte do governo de Donald Trump.
Produtos

Do lado das exportações, as de soja, principal produto da agropecuária, cresceram 1,2% em relação a julho do ano passado, por causa da concentração de embarques que fez o volume vendido subir 9%. Os preços médios, no entanto, recuaram 7,1%.

A alta do preço do café continuou a segurar o crescimento das exportações agrícolas. O valor exportado crescer 25,4% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar da queda de 20,4% no volume embarcado, os preços médios subiram 57,5% no mesmo período.

Segundo produto de exportação do agronegócio, o milho teve desempenho negativo. Por causa do fim da safra, as exportações caíram 27,2% em relação a julho do ano passado. O preço médio subiu 6,3%, mas o volume embarcado recuou 31,5%.

Na indústria extrativa, as vendas de petróleo subiram 8,1%, após meses de queda. Isso ocorreu porque o volume vendido subiu 17,6%, compensando a queda de 8% na cotação do barril. As exportações de minério de ferro recuaram 8,8%. Apesar de a quantidade ter subido 4,7%, os preços caíram 12,9%.

Do lado das importações, as aquisições de motores e máquinas não elétricos; adubos e fertilizantes; e combustíveis puxaram o crescimento. A maior alta ocorreu com os motores, cujo valor comprado aumentou US$ 325,2 milhões (+43,9%) em julho na comparação com julho do ano passado.
Estimativa

Segundo as estimativas mais recentes do Mdic, divulgadas em abril, o superávit deverá ficar em US$ 50,4 bilhões, queda de 32% em relação a 2024. A próxima projeção será divulgada em outubro. As estimativas serão revistas, porque não consideram a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos.

As previsões estão mais pessimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 65,25 bilhões neste ano.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/08/2025

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Minneapolis, Neel Kashkari, disse, em entrevista para a CNBC nesta quarta-feira, 6, considerar “apropriado” dois cortes nas taxas de juros ainda neste ano. “Pode ser apropriado, no curto prazo, começar a ajustar a taxa de juro”, defendeu, ao mencionar que a economia americana está desacelerando e o BC dos EUA deve responder à situação. “Rever a tendência das taxas pode ser melhor do que esperar”, pontuou.

Kashkari afirmou que os dirigentes do Fed não têm a resposta do impacto das tarifas na inflação no curto prazo e que essa é “a questão que importa”.

“Não saberei a resposta sobre a inflação por um tempo, a clareza dos efeitos das tarifas pode demorar. Enquanto isso, os dados sobre a desaceleração são claros”, disse ele.

O presidente do Fed de Minneapolis ressaltou que o mercado de trabalho dos EUA está esfriando e que o dado de desemprego é muito importante, “mas o Fed sabe que revisões são possíveis”.

“Não tenho motivos para duvidas dos dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (BLS). Não é possível mentir sobre a realidade econômica”, acrescentou o dirigente.

O Estado de S.Paulo - SP   07/08/2025

A participação dos Estados Unidos no total das exportações brasileiras deverá recuar para 9% em 2026. É três pontos porcentuais abaixo da participação efetiva registrada em 2024 (12%), quando não havia o tarifaço de Donald Trump, que impôs alíquotas de 50% aos produtos brasileiros.

A estimativa é de um estudo da consultoria MacroSector em parceria com a Volt Partners. O estudo considera os cerca de 700 itens excluídos da nova tarifação, com taxa de 10%, e os produtos taxados em 50%, além do menor ritmo de crescimento da economia americana, que deve ter impacto negativo nas importações do país.

Para este ano, a expectativa da consultoria é que a participação dos EUA nas vendas externas brasileiras recue para 10%. Os cálculos consideram um primeiro semestre de relativa normalidade nas exportações e um segundo semestre já afetado pelas novas tarifas.

“A leitura que fazemos é que o impacto sobre a balança comercial será reduzido”, afirma o economista Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector e senior advisor da Volt Partners. Exemplo disso, diz ele, é a avaliação positiva dos investidores em relação ao Brasil, com o dólar cotado a R$ 5,50 e acumulando queda de quase 11% neste ano. Além disso, o risco país está mantido em níveis baixos.

O estudo realizado pelo consultoria aponta uma piora no saldo da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. O déficit de US$ 300 milhões registrado em 2024 do Brasil como os EUA deve saltar para US$ 4 bilhões este ano e atingir US$ 7 bilhões no ano que vem. “É uma piora, até reacomodar os clientes perdidos”, diz economista.

Entre os segmentos mais afetados pela tarifaço, a consultoria destaca o de máquinas e equipamentos, cujas vendas para os EUA somaram US$ 5,1 bilhões em 2024, e que devem recuar para US$ 1,7 bilhão o ano que vem.

Também as exportações de carne bovina devem sofrer um tombo. No ano passado, atingiram US$ 900 milhões e a consultoria projeta US$ 400 milhões para 2026. No caso do café, as exportações de US$ 1,9 bilhão em 2024 devem recuar para US$ 900 milhões em 2026. Mas a retração se deve, sobretudo, a preços, observa o economista.

Em dois anos, de 2024 para 2026, o impacto do tarifaço americano nas exportações totais do País será inferior a 10%, nos cálculos da consultoria. Em 2024, as exportações brasileiras somaram US$ 337 bilhões e a projeção é um recuo para US$ 311 bilhões em 2026.

Mesmo assim, o saldo comercial do Brasil será bem favorável, diz Silveira. O ingresso de dólares em razão das vendas externas terá uma redução. Mas, na avaliação do economista, será moderada.

No ano passado, a balança comercial brasileira fechou com superávit de US$ 74,6 bilhões. Para este ano, com seis meses de tarifaço, a projeção é de superávit de US$ 58 bilhões e, para o ano que vem, de US$ 55 bilhões.
‘Commoditização das exportações’

A redução de 12% para 9% da fatia dos EUA nas exportações totais brasileiras não deve desorganizar a economia brasileira porque se trata de uma participação relativamente pequena, na opinião de Silveira.

Seria trágico para o Brasil, diz ele, se o tarifaço atingisse as exportações de soja, que hoje são direcionadas para a China. “Aí sim seria preocupante.”

O fato de as exportações brasileiras estarem concentradas em commodities, ponto muito criticado pela baixa agregação de valor, salva o País, diz o economista. “Isso dá maior mobilidade na substituição de mercados.”

Globo Online - RJ   07/08/2025

Sem um canal aberto de negociação com a Casa Branca, o governo brasileiro apresentou, nesta quarta-feira, um pedido de consulta à missão dos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), sediada em Genebra (Suíça), sobre o tarifaço promovido por Trump. Esse é o primeiro passo para uma ação na OMC contra as sobretaxas impostas pelos EUA a produtos brasileiros.

Na última segunda-feira, o Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou que o Brasil recorra à OMC contra o tarifaço. Caso não haja acordo com os EUA, o governo brasileiro pedirá a instalação de um painel, ou comitê de arbitragem, para avaliar o caso.

Nesta quarta-feira, entrou em vigor uma sobretaxa de 50% sobre parte das exportações brasileiras que têm como destino o mercado americano. O Brasil argumenta que a medida está em desacordo com as normas internacionais de comércio.

O desfecho do caso pode levar anos. Isso porque o Órgão de Apelação da OMC, que funciona como última instância em um recurso movido pelo país que se sente prejudicado pela decisão dos árbitros, está paralisado.

Esse engessamento do órgão foi causado por um boicote dos Estados Unidos. Em seu primeiro mandato, Trump se recusou a nomear juízes para essa instância, procedimento mantido por seu sucessor, o ex-presidente Joe Biden.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   07/08/2025

Os preços futuros de minério de ferro caíram nesta quarta-feira, com a preocupação de que a demanda na China diminua nas próximas semanas e pela liquidação de posições por parte de alguns investidores que estão voltando suas atenções para o carvão metalúrgico.

O minério de ferro de referência para setembro na Bolsa de Cingapura caiu 0,7%, para US$ 101,75 a tonelada.

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O contrato de setembro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,06%, a 794,5 iuanes (US$ 110,52) por tonelada.
As compras no mercado spot estão fracas, uma vez que as usinas estão cautelosas em estoque de materiais-primas antes do grande evento que ocorrerá em setembro, arrastando os preços futuros, disse Cao Ying, analista da corretora SDIC Futures, com sede em Pequim.

O grande evento indicado refere-se à cerimônia de 3 de setembro em Pequim, em comemoração ao 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial.

As siderúrgicas chinesas, especialmente a da região norte, geralmente restringem a produção antes de grandes eventos para garantir a qualidade do ar em Pequim.

“O sentimento especulativo também é muito fraco, já que uma grande quantidade de capital fluiu para o mercado de carvão, que é mais volátil”, acrescentou Cao, da SDIC.

Três analistas e dois traders disseram à Reuters que mudaram seu foco para o comércio de carvão metalúrgico.

O carvão metalúrgico ampliou a recuperação dos preços, com alta de 6,45%, sustentada por temores de contração da oferta em meio a verificações de segurança ambiental mais rigorosas para minas de carvão e investigações do governo para verificar o excesso de produção, disseram analistas.

“A flutuação de preços do carvão de coque atraiu mais investidores e capitais, o que, por sua vez, agravou a volatilidade”, disse Zhou Tao, analista da corretora Galaxy Futures.

Monitor Digital - RJ   07/08/2025

Conversamos com Harold Thau, sócio da Técnica, empresa de análise e consultoria de mercado de capitais, sobre o resultado do 2T25 da Vale.
Qual a sua avaliação sobre o resultado do 2T25 da Vale?

Dentro da conjuntura que se apresentou, o resultado da Vale foi satisfatório. Em reais, a receita líquida teve uma queda de 3,73%; o resultado bruto, uma queda de 17,28%; e o Ebitda, uma queda de 38,65%. Um ponto que não podemos esquecer é que o resultado em reais pode não expressar exatamente o resultado que ocorreu em dólar.

Olhando o desempenho financeiro da Vale, como ela tem acesso a boas linhas internacionais, a valorização do real fez com que ela apresentasse um resultado positivo. Por exemplo, enquanto no 2T24 a Vale teve uma despesa financeira de R$ 6,6 bilhões, no 2T25 ela teve uma receita financeira de R$ 1 bilhão. Só aqui há um ganho financeiro de R$ 7,6 bilhões entre os dois períodos. Com isso, o resultado final teve uma queda menos expressiva que a queda do Ebitda: 17,2% x 38,6%. Por fim, a Vale teve um resultado líquido de R$ 12 bilhões no 2T25 contra R$ 14,5 bilhões no 2T24.
Qual a sua avaliação sobre o desempenho da Vale em 2025?

A Vale teve um desempenho satisfatório no 1S25. Comparando com o mesmo período do ano passado, a companhia teve uma receita líquida de R$ 97,2 bilhões contra R$ 93,6 bilhões, crescimento de 3,8%; um resultado bruto de R$ 30,9 bilhões contra R$ 33,8 bilhões, queda de 8,59%; e um Ebitda de R$ 30,3 bilhões contra 41,3 bilhões, queda de 26,53%.

O resultado bruto e o Ebitda foram afetados pelos preços um pouco piores praticados pela Vale em decorrência do preço internacional do minério de ferro. Por exemplo, se no início de 2024 a tonelada de minério de ferro chegou a bater em US$ 138 para depois ficar oscilando entre US$ 110 e US$ 125, em 2025 ela está oscilando entre US$ 100 e US$ 110.

Cabe ressaltar que, da mesma forma que na comparação 2T25 x 2T24, o resultado financeiro da Vale passou de uma despesa financeira de R$ 8,7 bilhões no 1S24 para uma receita financeira de R$ 2,2 bilhões no 1S25, ou seja, um ganho de R$ 11 bilhões apenas no desempenho financeiro. Isso permitiu que a companhia fechasse o 1S25 com um lucro líquido de R$ 20,2 bilhões contra R$ 22,8 bilhões no 1S24, com uma queda de 11,5%.

Com relação ao retorno patrimonial, embora ele venha caindo nos últimos anos, a Vale teve um resultado de 18,32%, que foi superior à Selic. Apenas para que eu possa consubstanciar melhor, a Vale teve um retorno patrimonial de 55,7% em 2022, quando o preço da tonelada do minério de ferro deu um salto espetacular e chegou a bater US$ 210; de 30,45% em 2023; e de 23,72% em 2024. Por mais que o retorno esteja em queda, ele ainda está em um bom nível.
Quando sai um resultado da Vale, quais são os primeiros números que você analisa?

A Vale é uma empresa relativamente complexa para ser analisada, mas os indicadores não são muito diferentes. O primeiro ponto que tem que ser analisado é o preço da commodity, pois, dificilmente, qualquer empresa que atue com commodities consegue fugir do padrão de preço das commodities com as quais trabalha. Dependendo do teor, ela pode ter alguns ganhos a mais ou a menos, mas, em linhas gerais, a empresa não consegue fugir do padrão de preço.

Onde uma empresa de commodity consegue fugir um pouco é no custo de produção, sendo que a Vale tem um dos menores custos de produção e de distribuição de minério em relação aos players internacionais. Esse é um aspecto positivo. A partir daí, você entra em uma análise que é semelhante a das demais empresas.
Qual a sua avaliação sobre a geração de caixa e endividamento da Vale?

A relação dívida líquida/Ebitda da Vale está muito saudável. Apesar de ela estar em uma crescente, a relação fechou em 0,54% em 2024, o que é bem saudável. Olhando a dívida de longo prazo sobre o endividamento total da companhia, a Vale fechou 2024 com 92,8%, ou seja, a sua dívida de curto prazo é muito pequena em relação ao total.
Qual a sua avaliação sobre o payout e o dividend yield da Vale?

O payout da Vale está em torno de 65% e o seu dividend yield na faixa de 11,3%. Como esses são bons indicadores, não dá para pensar em dividendos e deixar a Vale de fora, pois a companhia continua sendo uma boa pagadora.

Um ponto interessante é que a Vale é uma corporation, ou seja, apesar de ela ter mais atuação no Brasil, ela atua em outros países. Entre seus principais acionistas estão a Previ, com pouco mais de 9% do capital, a Mitsui e a BlackRock, com os 72% restantes totalmente pulverizados no mercado. Como o governo brasileiro tem a golden share, isso lhe dá uma certa influência em determinadas votações.
Qual a sua avaliação sobre o desempenho das ações da Vale?

Em janeiro de 2023, a Vale fechou na sua máxima histórica de R$ 80. Desde então, ela realizou e vem oscilando entre R$ 68 na máxima e R$ 49 na mínima, estando atualmente em R$ 54. Na minha visão, ela tem mais perspectiva de subir do que de cair. Mesmo que o preço do minério de ferro esteja mais baixo que no passado, a Vale tem apresentado um bom desempenho, então nada impede que a sua ação apresente um alta na Bolsa.
Esse imbróglio comercial envolvendo Brasil e Estados Unidos pode impactar a Vale?

O país que mais importa minério da Vale é a China, com cerca de 50% das exportações da companhia. Os Estados Unidos, por sua vez, importam menos de 5%. Esse dado é muito importante para que os investidores entendam que a imposição dos Estados Unidos da tarifa de importação de 50% sobre uma grande quantidade de produtos brasileiros não deve impactar de forma significativa a Vale, pois o grande importador é e vai continuar sendo a China.
Qual a sua avaliação sobre as perspectivas da Vale?

As perspectivas são boas porque o principal comprador de minério da Vale é a China, que apesar dos problemas que vem enfrentando, tem perspectivas de crescer novamente em 2025. Segundo os mais pessimistas, a expectativa é de 4%, mas segundo a área de economia da China, que é ligada ao Partido Comunista Chinês, a expectativa é de 5%, repetindo, basicamente, o que ocorreu no ano passado. Como a China tem um planejamento centralizado da economia, normalmente os seus números não diferem muito daquilo que é planejado.

Ou seja, enquanto a economia mundial, dependendo da fonte, deve crescer em torno de 2,5% em 2025, a China vai crescer, praticamente, o dobro, sendo que ela é o principal consumidor do minério da Vale. É por isso que o desempenho da Vale, além da sua ação como investimento, têm boas perspectivas.
Considerando a conversa que tivemos, você gostaria de acrescentar algum ponto a sua entrevista?

Um ponto interessante é que toda a energia que a Vale consome é renovável. Se por um lado ela foi muito criticada pelos acidentes ocorridos, por outro a energia renovável supre 100% da sua demanda no Brasil e 89% da sua demanda mundial. Esse é um aspecto positivo que precisa ser destacado.

Portos e Navios - SP   07/08/2025

Balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostra que o comércio exterior de minérios gerou, de janeiro a junho de 2025, na balança comercial brasileira, superávit de 16 bilhões de dólares, o equivalente a 53% do saldo total, de 30,09 bilhões de dólares. Foram exportados 20 bilhões de dólares (192,5 milhões de toneladas) e importados de quatro bilhões de dólares (19,9 milhões de toneladas). No primeiro semestre de 2024, a participação do setor havia sido de 41%.

Em 2025, até junho, segundo o Ibram, o setor teve alta de 7,5% em seu faturamento, mesmo índice verificado no recolhimento de tributos. Além disso, gerou 5.085 novas vagas de trabalho, totalizando 226 mil empregos diretos. O Instituto alerta, no entanto, que o desempenho do comércio exterior de minérios brasileiros está ameaçado pelas sobretaxas de importação de 40%, totalizando 50%, sobre produtos brasileiros anunciadas pelos Estados Unidos e que entraram em vigor em 6 de agosto.

Em entrevista a jornalistas, o diretor-presidente do Instituto, Raul Jungmann, apresentou a lista dos minérios impactados pelo tarifaço, com base em dados oficiais de 2024. Entre as exportações afetadas pela sobretaxação, estarão, segundo ele, 24,4% vendas de minérios para o mercado americano, com destaque para pedras/rochas ornamentais (19,4%), caulim (1,2%), pentóxido de vanádio (1%), alumínio (0,3%), cobre (0,009%) e manganês (0,007%).

O Ibram informou ainda que cerca de 4% das exportações de minérios do Brasil são para os Estados Unidos e que, no primeiro semestre deste ano, o mercado americano representou, em valores em dólares, 57,6% das exportações brasileiras de pedras/rochas ornamentais, 34.1% do vanádio, 8,1% do nióbio, 5% do caulim, 3% em ouro semimanufaturado e 1,8% do ferro.

Tarifaço
As mineradoras revelaram também preocupação com a possibilidade de o Brasil impor sobretaxas de reciprocidade nas importações vindas dos Estados Unidos, com efeito colateral sobre máquinas e equipamentos de grande porte, como caminhões, escavadeiras, carregadeiras e moinhos, entre outros. Segundo estimativa do setor, a sobretaxação de produtos americanos poderia elevar seus custos em um bilhão de dólares por ano.

Segundo o Ibram, o faturamento com minerais críticos no primeiro semestre de 2025 foi de R$ 21,6 bilhões, com 41,6% de aumento em relação ao período de 2024 (R$ 15,2 bilhões). As exportações desses produtos totalizaram 3,64 bilhões de dólares (+5,2%), correspondentes a 3,58 milhões de toneladas. A previsão é de investimentos de 18,45 bilhões de dólares no segmento até 2029.

O Ibram alerta que o Brasil precisa expandir a produção mineral, em especial dos minerais críticos e estratégicos, que, por serem alvos de interesse prioritário de muitas nações, oferecem ao país vantagem competitiva e possibilidade de atrair parceiros comerciais. Além disso, sugere a entidade, a exploração desses produtos pode trazer investidores internacionais para implantar cadeias produtivas, inclusive para agregar valor aos minérios, com processamento industrial.

Infomoney - SP   07/08/2025

A exportação de minério de ferro do Brasil, segundo maior exportador global da commodity atrás da Austrália, atingiu um recorde mensal em julho, somando 41,1 milhões de toneladas, de acordo com dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta quarta-feira.

Os embarques de minério de ferro do país, que são liderados pela mineradora Vale, aumentaram 4,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados da secretaria do governo brasileiro.

Em meio à polêmica do tarifaço, EUA ampliam superávit com o Brasil até junho

Saldo positivo americano foi de US$ 1,3 bi no mês e de US$ 4,5 bi no semestre; em junho, os EUA anunciaram um déficit global de US$ 60 bi, 16% mais baixo que o contabilizado em maio

O número anunciado supera o recorde anterior, de 39,5 milhões de toneladas, registrado em dezembro de 2015, segundo a Secex.

A receita com as exportações caiu 8,8% em julho apesar do aumento dos volumes, para US$2,62 bilhões, por preços cerca de 13% mais baixos na comparação anual.

O principal destino do minério de ferro do Brasil é a China, maior importador global.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   07/08/2025

A General Motors e a Hyundai Motor Company vão desenvolver cinco veículos em conjunto.

A parceria faz parte do acordo de cooperação firmado entre as empresas em setembro de 2024.

As companhias vão trabalhar em quatro veículos destinados aos mercados da América Central e América do Sul. Serão eles: um SUV, um carro de passeio e uma picape (todos compactos), além de uma picape média.

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Os veículos terão arquitetura flexível e possibilidade de eletrificação por meio de sistema híbrido. GM e Hyundai também vão projetar uma van comercial elétrica para o mercado norte-americano.

As empresas estimam que as vendas desses veículos ultrapassem 800 mil unidades por ano quando a produção estiver totalmente escalada.
Picape média será feita pela GM e Hyundai ficará com compactos

A GM vai liderar o desenvolvimento da plataforma da picape média, enquanto a Hyundai será responsável pelos veículos compactos e pela van elétrica.

As companhias utilizarão plataformas comuns, mas o design interno e externo será exclusivo, justamente para refletir a identidade de cada marca.

O trabalho de design e engenharia deve começar em breve para os veículos destinados à América Central e América do Sul, uma vez que o lançamento está previsto para 2028.

Já a van comercial elétrica será fabricada nos Estados Unidos, também a partir de 2028.
Empresas dizem que parceria vai complementar forças

Shilpan Amin, vice-presidente sênior da GM e líder global de compras e cadeia de suprimentos, disse que o acordo será benéfico para os dois lados.

Por meio dessa parceria, GM e Hyundai trarão mais opções aos consumidores, com maior agilidade e menor custo. Esses primeiros veículos demonstram claramente como vamos alavancar nossas forças complementares e a escala combinada das empresas.

José Muñoz, presidente e CEO da Hyundai Motor Company, também enalteceu a parceria.

A colaboração estratégica com a GM nos permitirá continuar oferecendo valor e opções aos nossos clientes em diferentes segmentos e mercados.

As companhias também vão trabalhar em conjunto nas compras no continente, abrangendo materiais, transporte e logística. Áreas adicionais de potencial colaboração incluem matérias-primas, componentes e sistemas complexos.

Por fim, Hyundai e GM também concordaram em explorar parcerias para o uso de aço com baixa emissão de carbono.
Desenvolvimento conjunto de motores está no radar

As empresas afirmaram que estudam novas oportunidades de desenvolvimento conjunto de veículos para mercados globais.

Potenciais colaborações em sistemas de propulsão, incluindo motores a combustão, híbridos, elétricos a bateria e células de combustível de hidrogênio, não estão descartadas.

Automotive Business - SP   07/08/2025

O Brasil acaba de atingir a marca de 503.654 unidades de veículos eletrificados comercializadas. É o que mostram os dados de julho da Associação Brasileira de Veículos Eletrificados (ABVE).

A série histórica da entidade começou em 2012, com 117 veículos. Ela considera os veículos BEV, PHEV, HEV e HEV flex. Desde o ano passado, a contagem não inclui mais os híbridos leves (MHEV), por questões de metodologia.

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Para a ABVE, o bom desempenho das vendas reforça o avanço da mobilidade elétrica no Brasil, impulsionada pela maior competitividade de preços, expansão da rede de recarga e novas montadoras e modelos chegando no mercado.
Venda de veículos eletrificados em Julho

Em julho, o Brasil comercializou 19.016 unidades de veículos leves eletrificados, crescimento considerado expressivo pela ABVE em relação aos meses anteriores.

O segmento de veículos elétricos plug-in (PHEV e BEV) manteve a liderança, com 15.654 unidades vendidas, representando 82,3% do total de eletrificados. Os híbridos tradicionais responderam pelos 17,7% restantes, com 3.362 unidades.

Entre os veículos plug-in, os modelos híbridos PHEV lideraram com 8.644 unidades, o que equivale a 55,2% do segmento.

Já os híbridos plenos (HEV e HEV flex) venderam, juntos, 3.362 unidades, o que representa 17,7% do mercado de eletrificados.

O destaque foi o segmento de veículos 100% elétricos (BEV), que atingiu o marco inédito de 7.010 unidades comercializadas em julho. O maior volume em um único mês até então era de maio, com 6.969 veículos.

Outro recorde do mês é a venda de ônibus elétricos: 160 unidades, resultado é 370% maior que igual mês passado, quando foram vendidas apenas 34 unidades.
Micro-híbridos eletrificados

Em julho, foram vendidos 6.129 micro-híbridos (MHEV), ou híbridos leves, o que representa aumento de 5,5% em relação ao ano anterior.

Entre as duas tecnologias do grupo, os modelos MHEV 12V são maioria, com 76,5% das vendas (4.690 unidades), e crescimento de 7,8% em relação a junho.

Já os MHEV 48V ficaram com os 23,5% restantes, com 1.439 unidades, o que indica pequena retração de 1,4% no comparativo com o mês anterior.
Eletrificação avança de forma desigual no Brasil

A mobilidade elétrica no Brasil avança de forma desigual entre as regiões, com a concentração nas grandes capitas do Sudeste, como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), enquanto estados como Acre e Amapá andam a passos mais lentos.

Vendas de veículos eletrificados por região
1º Sudeste: 46,2% (8.781 veículos) 2º Sul: 18,1% (3.446 veículos) 3º Nordeste: 17,3% (3.295 veículos) 4º Centro-Oeste: 14,0% (2.664 veículos) 5º Norte: 4,4% (830 veículos)

Top 5 municípios em vendas de veículos eletrificados
1º São Paulo: 2.456 veículos 2º Brasília: 1.573 veículos 3º Rio de Janeiro: 736 veículos 4º Belo Horizonte: 732 veículos 5º Curitiba: 535 veículos

O Estado de S.Paulo - SP   07/08/2025

A promessa feita pelo Japão no mês passado de abrir seus mercados a mais carros americanos permitiu ao presidente Donald Trump declarar vitória em uma meta que ele perseguia há décadas.

Para Trump, a onipresença das marcas japonesas de carros nos Estados Unidos é irritante, já que o Japão praticamente não compra carros americanos. A disparidade há muito alimenta sua convicção de que a abertura da economia americana não é retribuída de forma justa, contribuindo para um déficit comercial persistente.

Agora, em seu segundo mandato, Trump está aumentando drasticamente as tarifas e pressionando outros países a desmantelar barreiras que vão desde impostos sobre a carne bovina e a soja americanas até requisitos de segurança automotiva e conteúdo local no Japão e na Indonésia.

Alguns especialistas em comércio questionam a eficácia dessa estratégia. Eles dizem que, em alguns casos, os países concordaram em resolver queixas específicas de Trump, como as vendas de carros no Japão, que provavelmente não resultarão em uma enxurrada de novas exportações americanas.

Especialistas automotivos e veteranos da indústria que trabalharam para montadoras americanas no Japão disseram que a promessa de remover as barreiras comerciais pode ter pouco efeito no aumento das vendas.

Mas, na opinião dos defensores das políticas de Trump, a remoção dos obstáculos estrangeiros ao comércio americano — uma meta de longa data compartilhada pelos governos republicanos e democratas — já deveria ter sido abordada de forma mais enérgica.

“Os grandes parceiros comerciais há muito tempo têm regras e regulamentações que nos impedem de entrar no mercado”, disse Wilbur Ross, secretário de Comércio durante o primeiro governo Trump. “ O presidente sabe que pode ir muito mais longe do que fomos da última vez para corrigir isso.”

Desde a Segunda Guerra Mundial, as montadoras americanas nunca conseguiram ganhar uma posição significativa no Japão, que não impõe tarifas sobre veículos importados desde o final da década de 1970. A Ford Motor saiu do Japão em 2016, alegando que não havia caminho para a lucratividade. No ano passado, marcas americanas como a General Motors representaram menos de 1% das vendas.

Trump culpa as regulamentações injustas do Japão por tornar “impossível” para as empresas americanas venderem carros no mercado. Isso inclui a relutância do Japão em aceitar veículos que atendam aos padrões de segurança dos EUA, que são diferentes dos padrões internacionais. Trump tentou mudar isso em seu primeiro mandato.

No final do mês passado, ele conseguiu.

Em troca de uma tarifa alfandegária americana de 15% sobre seus produtos — inferior aos 25% anteriormente ameaçados —, o Japão concordou em investir centenas de bilhões de dólares nos Estados Unidos. Trump estava interessado em outra concessão. “Talvez o mais importante”, escreveu Trump em uma postagem nas redes sociais, “é que o Japão abrirá seu país ao comércio, incluindo carros e caminhões”.

Isso significa que o Japão permitiria a importação de carros fabricados nos Estados Unidos sem os padrões de segurança e testes exclusivos que normalmente exige, disse o principal negociador comercial do país em uma recente coletiva de imprensa.

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MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Eae Máquinas - SP   07/08/2025

Para reforçar sua atuação no setor da Construção e ampliar o relacionamento com clientes e operadores, a John Deere, empresa global de tecnologia que fornece principalmente software e equipamentos para os setores agrícola, de construção e florestal, marca presença na primeira edição da InfraBusiness Expo, que ocorre de 12 a 14 de agosto, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). Representada pelo distribuidor Inova, a empresa terá como destaque a apresentação de um equipamento de cada família da linha de Construção, evidenciando sua capacidade de oferecer soluções completas e integradas para todas as etapas da operação.

“Estamos muito entusiasmados em participar da primeira edição da InfraBusiness em Minas Gerais, uma região estratégica para o setor e com grande potencial de crescimento. A feira é uma excelente oportunidade para reforçarmos o nosso compromisso com inovação, sustentabilidade e relacionamento com os clientes”, afirma Thomas Spana, gerente de Marketing da divisão de Construção da John Deere para a América Latina.

“Belo Horizonte é um polo logístico e urbano fundamental para o setor. Para nós, da Inova, é muito gratificante representar a John Deere nesse evento que inaugura uma nova vitrine para a construção no Estado. Vamos aproveitar essa oportunidade para mostrar o que temos de mais moderno em tecnologia, conectividade e pós-vendas”, complementa Leonardo Pereira, diretor-executivo do Grupo Inova.

Equipamentos

Entre os modelos expostos estão a retroescavadeira 310 P, pá-carregadeira 624 P, escavadeira 210 P, motoniveladora 670 P, trator de esteira 850J-II, trator 6150M, rolo compactador HP 280 e a vibroacabadora Super 1400.

Entre as máquinas, a retroescavadeira 310 P reúne alto desempenho e múltiplas aplicações em obras urbanas, estradas e até no campo. Equipada com motor eletrônico de 4,5 L, transmissão PowerShift e modo ECO, garante economia de combustível de até 11%. É a única da categoria com garantia de consumo e conectividade com o John Deere Operations Center, o que permite monitoramento remoto e maior eficiência operacional.

Já o trator de esteira 850J-II foi desenvolvido para movimentar grandes volumes de solo com tração e estabilidade. Com transmissão hidrostática, Controle Total da Máquina (TMC) e JDLink, o modelo enfrenta terrenos difíceis com alto desempenho e robustez.

A pá-carregadeira 624 P combina potência, conforto e inteligência operacional. Sua transmissão PowerShift com mudanças automáticas de marcha garante força de desagregação e tempo de resposta superiores. Conta com cabine espaçosa, sistema de arrefecimento Quad-Cool, iluminação LED e motor John Deere PowerTech, que entrega eficiência mesmo em condições adversas.

O trator 6150M, da linha agrícola, também marca presença por sua versatilidade e aplicabilidade em atividades da construção. Com 150 cv de potência, o modelo é compatível com o John Deere Operations Center, JDLink e soluções em agricultura de precisão, mas também se destaca por atributos como conforto, robustez e controle, que fazem dele uma alternativa eficiente para operações como terraplenagem e suporte a frentes de trabalho.

O Wirtgen Group, por sua vez, apresenta soluções focadas em pavimentação. O rolo compactador HP 280 oferece alta capacidade de manobra e controle de lastro ajustável para aplicações urbanas e rodoviárias. Já a vibroacabadora Super 1400, da Vögele, entrega precisão no acabamento de camadas asfálticas com sistema de nivelamento automatizado e operação simplificada.

Além das máquinas, o estande contará com um portfólio completo de soluções de pós-vendas, como o John Deere Protect, pacote que garante manutenção programada, peças originais e monitoramento remoto para evitar falhas inesperadas. O Programa Litros de Vantagens também terá espaço dedicado, apresentando sua proposta de garantia de consumo de combustível, o que proporciona mais previsibilidade e economia ao cliente.

Conectividade e Sustentabilidade

A conectividade também será um dos eixos centrais do estande. Com ferramentas como JDLink e o John Deere Operations Center, é possível monitorar máquinas em tempo real, avaliar consumo, ociosidade e uso do modo ECO, além de programar ações preventivas por meio do Expert Alerts, reduzindo custos operacionais e aumentando a produtividade.

A participação na InfraBusiness Expo reforça a visão da John Deere sobre o futuro da construção, em que sustentabilidade e tecnologia caminham juntas. As soluções apresentadas no evento foram pensadas para tornar as operações mais inteligentes, com menor consumo de combustível, redução de emissões e melhor aproveitamento de recursos.

“A construção do futuro passa por eficiência, conectividade e responsabilidade ambiental. Nosso papel é entregar soluções que ajudem os clientes a produzirem mais, com menos impacto ao meio ambiente. E é isso que temos buscado com cada avanço da John Deere no Brasil”, conclui Spana.

Campanha Amarelo John Deere

Além do portfólio de equipamentos, o estande da companhia evidencia a campanha “Amarelo John Deere”, que mostra que, embora a cor amarela seja comum no setor, o tom característico da marca carrega diferenciais como robustez, inovação e excelência no atendimento pós-venda. Com o mote “Amarelo não é tudo igual”, a campanha se desdobra pela América Latina em ações digitais, conteúdos na imprensa, tapumes personalizados em obras, ativações com influenciadores e presença em eventos.

Condições especiais do Banco John Deere

Clientes interessados em adquirir máquinas da marca podem aproveitar condições especiais, com financiamento direto pelo Banco John Deere. Na linha de Construção, até 5 de setembro, é possível parcelar serviços de manutenção com taxa zero. Para novos equipamentos, o Pronaf Construção oferece juros a partir de 8% ao ano, enquanto o Pronamp disponibiliza taxas de 10% ao ano, com prazo de pagamento de até cinco anos.

Consórcio John Deere

O Consórcio Nacional John Deere, resultado da parceria com a Randon Consórcios, é a forma mais econômica de adquirir máquinas a médio e longo prazo e permite parcelar todo o valor do bem. São oferecidos planos para a aquisição de toda a linha John Deere. Ao aderir a uma das ofertas, o consorciado escolhe o crédito e, quando contemplado, decide qual produto vai adquirir.

Além disso, possibilita maior poder de compra, uma vez que, ao receber a carta de crédito, o consorciado poderá realizar o pagamento do produto à vista. Também é um mecanismo bastante flexível, pois permite parcelar todo o custo, definir o valor da parcela e o tempo desejado para pagar as mensalidades, ou seja, o prazo máximo para o recebimento da carta de crédito e a aquisição. Para saber mais informações ou simular um plano de consórcio, acesse: www.consorciojohndeere.com.br.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   07/08/2025

Dificuldade atinge empresas de vários portes, e problema tem sido remediado com a tentativa de usar mais fontes de recursos

Incorporadoras e loteadoras estão enfrentando mais dificuldade para conseguir financiar seus projetos, de acordo com pesquisa realizada em junho pela consultoria Brain Inteligência Estratégica, em parceria com a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), com 160 executivos do setor.

Para 86% dos participantes, tomar financiamento para obras está mais difícil ou muito mais difícil. A dificuldade atinge empresas de vários portes.

O problema tem sido remediado com a tentativa de utilizar mais fontes de recursos. Perguntados sobre como pretendem conseguir recursos neste ano, 54% afirmam que vão aumentar a tomada com investidores, 32% com o FGTS, 34% vão em busca do mercado de capitais, 24% vão empenhar mais recursos próprios e só 13% devem recorrer mais aos bancos.

Recursos têm sido direcionados ao cliente final

As instituições financeiras têm dificultado o acesso ao crédito para a construção. Luiz França, presidente da Abrainc, explica que, dada a redução da disponibilidade de recursos da poupança, que costumava abastecer o crédito imobiliário para obras e para a pessoa física comprar seu imóvel, os bancos estão reservando esse recurso, que é mais barato, para o cliente final, o que tem encarecido o custo do financiamento, principalmente para empresas de médio e pequeno porte.

“Óbvio que o comprador final é a primeira opção [dos bancos], você quer que ele finalize a compra”, disse, em evento virtual de divulgação da pesquisa, nesta quarta-feira (6). Por isso, 53% dos executivos disseram que vão diminuir a tomada de recursos com bancos neste ano.

Os investidores, como family offices e pessoas físicas que aportam recursos nos projetos, são mais procurados pelas empresas pequenas, que faturam até R$ 25 milhões: 74% delas pretendem aumentar a tomada de recursos com eles.

Já entre as empresas maiores, com mais de R$ 500 milhões de faturamento, o FGTS é uma saída bastante procurada — são empresas que constroem no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), por exemplo, que usa recursos do fundo: 47% pretendem pegar mais recursos do fundo.

Embora 57% dos participantes tenham afirmado que nunca pegaram dinheiro com o mercado de capitais, 54% consideram esses atores como uma alternativa válida de financiamento — 15% não têm interesse ou ainda os veem como uma opção arriscada demais.

As empresas pequenas são as que menos utilizam essa fonte de recursos, com 66% respondendo nunca terem acionado o mercado de capitais. Entre quem considera usar o mercado de capitais para financiar as obras, os motivos citados para isso são vantagens e oportunidades, disponibilidade e escassez de funding e o custo e taxa de juros.

O custo também é citado entre os motivos daqueles que não querem acionar o mercado de capitais, ao lado da estratégia e do perfil da empresa e da comparação com fontes tradicionais de crédito.

Impacto da taxa de juros

A pesquisa perguntou, ainda, se a principal barreira para os lançamentos é a taxa de juros atual, e 23% dos participantes concordam totalmente com isso, enquanto 55% concordam parcialmente. Ao mesmo tempo, 47% disseram que as taxas já estão impactando “muito” os lançamentos, e 41% afirmam que impactam apenas “pouco”, por ora.

Fábio Araújo, CEO da Brain, diz que outra pesquisa realizada recentemente pela consultoria aponta que a intenção de compra dos consumidores está mais forte do que o volume de lançamentos — ou seja, “os juros estão impactando mais os incorporadores do que os consumidores”.

Segundo ele, as vendas de unidades novas seguem fortes e em patamar crescente na comparação anual, mas os lançamentos estão estáveis. “Em 2026, se nada mudar, se não conseguirmos novo funding, aí pode ter queda de lançamentos”, disse.

A Selic em 15% está longe da taxa que o setor projeta como o valor máximo que permitirá viabilizar mais lançamentos. Dos participantes, 33% disseram que o teto dos juros para isso fica entre 10% a 12% ao ano, 25% preferem um máximo de 9% a 10%, e 24 sonham com uma Selic de até 9% ao ano.

Embora defenda que só a queda dos juros pode resolver a questão do financiamento de forma “estrutural”, França afirmou que há conversas com o governo federal e o Banco Central para criar um novo tipo de recurso para o crédito imobiliário.

O Estado de S.Paulo - SP   07/08/2025

Em meio ao debate sobre a criação de um novo modelo de crédito imobiliário, os representantes das empresas de construção levaram ao Banco Central (BC) uma nova proposta: acabar completamente com os depósitos compulsórios da caderneta de poupança, liberando mais recursos para abastecer o setor. Em troca, seria criada uma nova linha de redesconto.

A sugestão foi encaminhada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP). O Banco Central está analisando os termos.

Nos últimos meses, governo, bancos e construtoras têm se debruçado em alternativas para aumentar a oferta de dinheiro tanto para a compra quanto para a construção de moradias no País.
Setor recebe 65% dos depósitos

A proposta das construtoras mexe com algumas regras sobre o uso do dinheiro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). As regras vigentes determinam que 65% dos depósitos da poupança devem ir para os financiamentos imobiliários, enquanto 15% são usados livremente pelos bancos e 20% são guardados como depósitos compulsórios para assegurar a liquidez do sistema.

Os representantes das construtoras estão propondo que os 20% dos compulsórios deixem de existir, de modo que os recursos sejam liberados para abastecer os financiamentos imobiliários. Isso representaria uma injeção na ordem de R$ 150 bilhões no setor.

Para garantir a liquidez do sistema em caso de uma onda de saques, as construtoras sugerem que 15% do dinheiro da poupança seja garantido por uma linha de redesconto. Ou seja: o Banco Central emprestaria dinheiro aos bancos comerciais que sofressem com falta de recursos, cobrando juro equivalente à remuneração da poupança (TR + 6,17% ao ano). Em troca, as instituições entregariam títulos públicos como garantia.

“Discutindo com economistas e outros agentes de mercado, chegamos à conclusão que este dinheiro poderia ser liberado desde que o BC abra uma linha de redesconto”, afirmou o presidente da Abrainc, Luiz França, em entrevista ao Broadcast. “Aí o sistema fica perfeito. A gente não precisa mais do compulsório como regulador. Vamos ter essa liquidez via linha de redesconto”, explicou.
Sugestão é resposta a ideia do órgão regulador

A sugestão acima é uma resposta das construtoras à proposta que vinha sendo desenhada pelo Banco Central e que despertou preocupações do setor.

O BC pretende que os bancos captem recursos no mercado, via emissão de Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e, com isso, abasteçam as linhas de financiamento para a compra e a construção de moradias a taxas de juros reduzidas.

Para cada R$ 1 colocado no setor imobiliário, os bancos ficariam autorizados a tomar R$ 1 da poupança para aplicar de forma livre, em modalidades de empréstimos em que podem cobrar juros maiores (cheque especial, consignado, financiamento veicular etc.).

A lógica é estimular os bancos a ampliar o financiamento da habitação a juros reduzidos para terem o direito de pegar mais recursos da caderneta e abastecer as linhas em que lucram mais.
Companhias sofrem com juro alto

Mas a preocupação das construtoras é que tal medida possa não gerar os efeitos esperados, pois não há garantias de que o dinheiro iria, de fato, para o crédito imobiliário.

Já a sugestão colocada por Abrainc e Secovi não altera a regra do SBPE que já direciona 65% dos depósitos para o crédito imobiliário, nem os 15% para uso livre pelos bancos. As empresas sugerem mexer apenas no compulsório.

“Nós levamos ao BC uma série de preocupações e também de propostas. Não sofremos com falta de recursos, mas sim, com o juro alto. O dinheiro está caro”, frisou o presidente do Secovi-SP, Ely Wertheim, em entrevista ao Broadcast. “Então, levamos soluções para não dar cavalo de pau no SBPE”, disse.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   07/08/2025

Os dois últimos trechos da primeira fase para a construção da Ferrovia Transnordestina no Ceará, entre Baturité e Aracoiaba (lote 9) e entre Aracoiaba e Caucaia (lote 10), devem ser contratados até o fim de outubro próximo, caso os recursos sejam liberados.

As informações foram repassadas ao Diário do Nordeste pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), empresa responsável pela obra.

O lote 10, com 51 quilômetros de extensão, deve ser o próximo a ser contratado, no prazo de até 60 dias, com a assinatura do acordo prevista para o fim de setembro. Já o lote 9 deve ser contratado em até 90 dias, ou seja, até o fim de outubro.

A TLSA o avalia como o trecho de infraestrutura mais desafiador no Ceará, pois passa quase integralmente pelo Maciço de Baturité, região serrana com relevo montanhoso.
A Revista Ferroviária faz a curadoria das principais notícias do setor.

A fase 1 da ferrovia prevê a ligação entre São Miguel do Fidalgo (PI) e o Porto do Pecém (CE). Os dois últimos lotes ainda aguardam contratação, mas, se o cronograma for mantido, os contratos serão assinados em outubro, mesmo mês em que a ferrovia deve começar a operar.

Em outubro, a ferrovia começará a operar no trecho entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE), em um percurso de pouco mais de 500 km, menos da metade da extensão total da linha, que é de 1.206 km. Inicialmente, serão transportados grãos entre os terminais intermodais das duas cidades.

Iguatu também contará com um porto seco, assim como Missão Velha. Já em Quixeramobim, no Sertão Central, a estrutura está em estágio mais avançado e, até o momento, é o único porto seco oficializado da Transnordestina.

ENTREGA COMPLETA DA TRANSNORDESTINA É ANTECIPADA

A fase 1 da ferrovia corresponde a quase 90% de todo o trajeto ferroviário. Os pouco mais de 10% restantes, cerca de 140 km, interligam São Miguel do Fidalgo até Eliseu Martins (PI).

A chamada fase 2 seria iniciada somente após o término da fase 1, mas foi antecipada após anúncio de Tufi Daher Filho, presidente da TLSA.

No mesmo evento que contou com a presença do presidente Lula, em Missão Velha, Tufi anunciou que a fase 2 deverá começar as obras no 1º semestre de 2026, e ser concluída até junho de 2028.

Na divulgação de cronograma anterior, esse trajeto seria concluído somente em meados de 2029.

Vale lembrar que a Transnordestina faria um percurso em formato de “T” invertido, interligando o interior do Piauí ao Porto do Suape (PE), com uma conexão em Salgueiro (PE) subindo em direção ao Porto do Pecém.

Em 2022, no entanto, a TLSA retirou da concessão a construção do trecho Salgueiro-Suape, e agora a ferrovia é construída em formato de “L” invertido. Esse percurso, no entanto, está em vias de ser retomado pelo Governo Federal, que deve contratá-lo em agosto.

Ao todo, os 1.206 km da Transnordestina devem custar, entre financiamentos público e privado, mais de R$ 15 bilhões. No projeto, a ferrovia operará exclusivamente no transporte de cargas entre o interior do Piauí e o Porto do Pecém.

ENTENDA OS RECURSOS AGUARDADOS PARA A CONCLUSÃO DA OBRA

A TLSA aguarda quantias previstas para 2025 a serem liberadas via Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Banco do Nordeste, administrado pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Ao todo, R$ 2,4 bilhões em verbas públicas devem chegar aos cofres da concessionária neste ano. Os primeiros R$ 1,4 bilhão foram liberados em visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em visita à cidade de Missão Velha, no Cariri cearense, em 18 de julho.

Os outros R$ 1 bilhão restantes são relativos à parcela do FDNE prevista para 2025. Ao todo, a TLSA vai captar mais R$ 3,6 bilhões, totalizando pouco mais de R$ 7,1 bilhões angariados através do fundo desde o início da construção da Transnordestina.

Restarão ainda outros R$ 1,6 bilhão, que serão gradualmente liberados pela Sudene até 2027. A previsão da empresa é de que a linha férrea seja completamente concluída em setembro de 2027, 21 anos depois do começo das obras.

NAVAL

A Tribuna - SP   07/08/2025

O Porto de Santos registrou, no mês passado, a maior movimentação mensal de cargas da história. Pela primeira vez, o complexo portuário santista ultrapassou a marca de 17 milhões de toneladas, segundo dados preliminares informados pela Autoridade Portuária de Santos (APS).

“O crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio, por parte dos Estados Unidos, da aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros”, explicou a APS. A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos Estados Unidos, com destaque para cargas agrícolas e industriais.

“O crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar esses aumentos pontuais verificados em julho. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, o Tecon Santos 10”, afirma o ministro Silvio Costa Filho.

Setores
Entre os destaques do mês estão os granéis sólidos, com crescimento de 10%, totalizando 900 mil toneladas embarcadas. A movimentação de contêineres cresceu 4%, chegando a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas movimentadas. A estimativa para os granéis líquidos também é de crescimento de cerca de 10%, com dados consolidados ainda em processamento.

“Este dado confirma o que já havíamos afirmado na primeira quinzena do mês: que havia um aumento expressivo dos embarques no porto”, explica o presidente da APS, Anderson Pomini.

Apesar das condições climáticas adversas no início de julho, o Porto de Santos manteve suas operações sem impactos logísticos. A consolidação dos dados ainda está em andamento, já que o complexo conta com mais de 50 terminais, e cada um possui prazo para envio das informações à APS. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, completa Pomini.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   07/08/2025

O presidente americano, Donald Trump, assinou, nesta quarta-feira (6), um decreto que adiciona 25% às tarifas cobradas dos produtos indianos “em resposta à compra contínua de petróleo russo”, anunciou a Casa Branca em uma das suas contas do X.

Essa nova tarifa aduaneira começará a ser aplicada dentro de três semanas e se soma a outra de 25%, que deve entrar em vigor na quinta-feira, segundo o decreto.

A nova sanção, no entanto, não será imposta aos bens sujeitos a tarifas específicas como o aço e o alumínio e sobre produtos farmacêuticos, uma indústria importante na Índia, e sobre os semicondutores.

A publicação do decreto freou a progressão dos preços do petróleo, que ainda seguem em alta.

A medida tem como objetivo reduzir a capacidade de Moscou para financiar a guerra na Ucrânia, que o decreto qualifica como “uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e para a política externa dos Estados Unidos”.

“Estimo que impor tarifas ( ) além das outras medidas tomadas para responder à emergência nacional será mais eficaz para gerenciar essa ameaça”, acrescenta Trump no decreto.

Depois da China, a Índia é o principal comprador de petróleo russo, que em 2024, representou cerca de 36% das importações indianas de petróleo, frente a aproximadamente 2% antes da guerra, segundo dados do Ministério do Comércio indiano.

Nova Délhi justifica sua dependência do petróleo russo, explicando que os “fornecedores tradicionais foram desviados para a Europa após a eclosão do conflito” na Ucrânia, quando os países europeus buscavam alternativas aos hidrocarbonetos russos.

Além disso, as sanções ocidentais, em particular o preço máximo imposto ao petróleo russo, o tornaram ainda mais atrativo para as empresas indianas, que economizaram bilhões de dólares em custos de importação.

Agência Camara - DF   07/08/2025

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (6) o Projeto de Lei 3261/24, do deputado Hugo Leal (PSD-RJ), que busca reduzir os custos do descomissionamento offshore e incentivar a indústria naval brasileira. O descomissionamento é o processo de desativação de instalações usadas na produção de petróleo e gás em alto mar, como plataformas e equipamentos submarinos.

A proposta altera a Lei 13.586/17, que rege o Repetro-Sped, um regime que suspende tributos federais dos equipamentos importados adquiridos pela indústria petrolífera. Atualmente, a norma obriga as empresas a esperarem cinco anos após a importação para descartar os equipamentos beneficiados pelo Repetro-Sped.

A regra aprovada permite que a extinção do regime tributário seja antecipada, desde que o desmantelamento e a destruição dos bens importados sejam realizados em estaleiros no Brasil. Com a mudança, os tributos suspensos serão calculados proporcionalmente ao tempo restante para os cinco anos, sem penalidades, e sobre o valor atualizado do bem, não sobre o valor original.

Ambiente regulatório
O relator do projeto, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), deu parecer favorável à medida. Ele destacou que a proposta cria um ambiente regulatório favorável ao descomissionamento no Brasil, uma atividade que envolve altos custos, gerando benefícios econômicos e ambientais.

Gastão citou projeções da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que colocam o Brasil como o terceiro maior mercado global nessa atividade nos próximos anos.

“Os investimentos no setor de descomissionamento podem gerar oportunidades em engenharia, montagem, fornecimento de equipamentos e suporte logístico”, disse.

Próximos passos
O projeto vai ser analisado agora, em caráter conclusivo, pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Minas e Energia; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

RODOVIÁRIO

Grandes Construções - SP   07/08/2025

A CS Infra, controlada da Simpar, venceu o leilão da concessão da ponte binacional São Borja-São Tomé, entre o Brasil e a Argentina, após a Plus Byte ter sido desclassificada por não atender aos requisitos mínimos de qualificação técnica e econômico-financeira exigidos no edital.

As informações são do jornal Valor Econômico.

Conforme o comunicado divulgado nesta quarta-feira (6) pela Simpar, a CS Infra venceu a disputa por US$ 26,6 milhões, valor 0,38% acima da outorga mínima.

O pagamento será parcelado, de forma que US$ 2,6 bilhões serão desembolsados na data de assinatura do contrato, previsto para 29 de agosto, e o restante em 24 parcelas anuais.

No leilão, realizado em 16 de julho, a argentina Plus Byte havia sido dada como a vencedora, com uma oferta de US$ 29 milhões, que seriam divididos entre os dois governos.

Dias após o leilão, a CS Infra solicitou à Comissão Mista Argentino-Brasileira (Comab) que a Plus Byte fosse desclassificada alegando o não-atendimento dos valores mínimos de garantia de proposta exigidos na licitação.

De acordo com o recurso, o patrimônio líquido da Plus Byte no exercício social de 2023 era de US$ 721 mil, inferior ao valor mínimo exigido pelo edital para a empresa vencedora de US$ 6,5 milhões.

A CS Infra deve assumir oficialmente a operação da ponte internacional em setembro.

A concessão terá duração de 25 anos e implica a prestação de serviços de manutenção e operação de 14 km de rodovia, incluindo a ponte binacional, sobre o Rio Uruguai.

O fluxo de receitas começa no primeiro ano e deve atingir o valor total de recebimento no sexto ano, conforme a conclusão das obras de manutenção da infraestrutura, informa o Valor.

Exame - SP   07/08/2025

A concessão do Lote Litoral Paulista já resultou na recuperação de 34 km de faixas em rodovias que cortam a Baixada Santista, o Alto Tietê e o Vale do Ribeira, em quase dois anos de contrato e com R$ 721 milhões de investimentos previstos até o fim de 2025, segundo levantamento do governo de São Paulo.

Foram R$ 255 milhões investidos no primeiro ano e R$ 466 previstos até o fim deste ano.

Sob responsabilidade do Consórcio Novo Litoral (CNL), as entregas iniciais incluem a aplicação de 17,3 mil toneladas de novo pavimento, reparos em trechos críticos e a instalação de 8 bases operacionais de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), com atendimento 24 horas.

As principais obras abrangem as duplicações da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, a construção de 108 quilômetros de marginais com iluminação e calçamento, 27 passagens em desnível, 22 quilômetros de acostamentos, além da implementação de ciclovias e novas passarelas, para ampliar a conectividade urbana e garantir maior segurança para os usuários.

A previsão é que essas intervenções sejam concluídas entre 2027 e 2028.

"A cobrança só começa após a entrega. Esse modelo é transparente e justo. Já podemos observar melhorias visíveis e efetivas em diversas cidades como Arujá, Bertioga, Itanhaém, Mongaguá, Miracatu e Itariri, com impacto direto na segurança, fluidez do tráfego e qualidade de vida", afirma Rafael Benini, secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, à EXAME.

Atualmente, sete frentes de trabalho estão em operação nos municípios de Bertioga, Santos, Miracatu e Peruíbe, com foco no reforço da sinalização, roçada, iluminação e na preparação dos trechos que receberão as grandes obras previstas, como duplicação, marginais, passarelas, ciclovias, entre outras.

Com um total de R$ 4,3 bilhões em investimentos e 213 km de extensão viária contemplada, o projeto prevê a modernização completa da infraestrutura da região.

Por se tratar de uma modalidade concessão patrocinada, existe a previsão do governo entrar com uma parte dos recursos para viabilizar os investimentos. O valor de recursos públicos no empreendimento será de R$ 179,1 milhões anuais.

Entre as rodovias incluídas no lote estão a SP-055 (Rodovia Padre Manoel da Nóbrega), SP-088 (Mogi-Dutra) e SP-098 (Mogi-Bertioga), que cruzam os municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Bertioga, Santos, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo e Miracatu.

O objetivo do lote é melhorar a qualidade dos trechos que ligam a capital paulista às praias do estado, além de criar um novo acesso ao Porto de Santos.

Ao todo, serão mais de 90 km de duplicações, 10 quilômetros de faixas de ultrapassagem e 47 quilômetros de acostamentos. Também serão construídos 73 quilômetros de ciclovias e 27 novas passarelas para pedestres.

As rodovias terão pedágios no sistema Free Flow, que permite o pagamento automático de tarifas. A cobrança eletrônica será implementada apenas após a conclusão das obras prioritárias, que estão sob fiscalização da Artesp. O início da cobrança dependerá da finalização das marginais entre Praia Grande e Peruíbe. Até lá, os moradores da região do Litoral Sul terão isenção total.

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