O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2025
Setores industriais e de exportação avaliam que o pacote de medidas do governo para reduzir os impactos da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos representa um avanço, mas é insuficiente para resolver problemas estruturais e preservar empregos. Entre os pontos positivos do pacote, eles destacam ganhos como a ampliação do Reintegra e o crédito emergencial. Mas alertam que sem vendas não é possível conseguir manter os postos de trabalho.
Para as principais federações de indústrias do Brasil, é preciso acelerar negociações diplomáticas com os EUA, abrir novos mercados e adotar medidas de defesa comercial para conter a concorrência de produtos importados com preços subsidiados.
Chamado de Brasil Soberano, o plano prevê uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas afetadas, aporte em fundos garantidores, aumento de compras governamentais, adiamento de pagamento de impostos e a reforma do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). As propostas, contudo, ainda precisam ser regulamentadas com o detalhamento de cada medida.
No setor de calçados, os fabricantes consideram que o pacote de medidas do governo para atenuar os impactos do tarifaço de Donald Trump é importante para a preservação das empresas, mas continuam aguardando ações para a garantir empregos do setor, diz a nota da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, avalia que o conjunto de medidas anunciadas contemplou “em parte as solicitações da indústria calçadista nacional”.
Entre as medidas que atendem à demanda da indústria calçadista, Ferreira aponta a ampliação do Reintegra para 3% para todos os exportadores e de 6% para os pequenos, a suspensão por um ano do pagamento de tributos previstos no regime de drawback e o crédito de R$ 30 bilhões para empresas exportadoras.
Mão de obra
“Além das medidas já anunciadas, tratando-se de um setor intensivo em mão de obra, seguimos na expectativa de novas medidas voltadas à manutenção dos empregos”, afirma o presidente, em nota.
Em relação ao redirecionamento das exportações de produtos que iriam para os Estados Unidos para outros mercados, enfatizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no anúncio do pacote, Ferreira pondera que, no caso do calçado, não é possível fazer essa manobra facilmente.
“O calçado exportado para os Estados Unidos é predominantemente comercializado na modalidade private label (marca própria do importador), com desenvolvimento e marca do cliente. Não é um calçado que pode ser redirecionado para outros destinos no curto prazo”, explica Ferreira.
Para outros setores da indústria, a manutenção dos empregos e a sobrevivência das empresas também é uma preocupação. “O ponto concreto e efetivo do pacote é só o Reintegra”, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.
“Quanto às linhas subsidiadas, precisamos ver quais serão as taxas subsidiadas. Se a empresa tiver adiamento de dois meses para pagar impostos ou tomar crédito, se for afetada pelas tarifas, como vai manter o quadro de funcionários? Se ela vendia 100, e passa a produzir 20, como vai ter o mesmo número de trabalhadores?”
Para o representante da indústria mineira, o pacote vem “como medidas mitigatórias”, mas “o que a gente precisa é de mercado”. “Para continuarmos acessando o americano, precisamos de acordo, e para mantermos o brasileiro precisamos de uma postura defensiva”, diz Roscoe. “Com essa concorrência no mercado mundial, está tendo uma inundação de importação em todos os segmentos. Está todo mundo protegendo o seu mercado.”
A estratégia, defende ele, precisa combinar negociações com os americanos e a tentativa de abertura de novos mercados, o que deve levar mais tempo, em especial, com relação a produtos industriais, mas sem deixar de proteger o mercado interno. “A gente não está pedindo nada, a não ser aplicar medidas da Organização Mundial de Comércio (OMC). Não aplicamos direitos provisórios contra dumping desde novembro do ano passado”, diz Roscoe. “Não pedimos para subir alíquotas. Só para aplicar o que temos direito, de medidas técnicas em setores como o de aço e têxteis.”
“Já estamos vendo indústrias fechando, afetadas por produtos com dumping de países que perderam o mercado americano e que já tinham subsídio antes”, afirma. “São empresas de outros segmentos, não afetadas pelo tarifaço dos EUA ao Brasil, mas pela China, pelo deslocamento do mercado.”
Ele também destaca que essa situação já vem desde o começo do ano. “A guerra comercial começou antes com a China”, diz.
Negociações
Outras associações industriais também se posicionaram. Após participar da solenidade de anúncio do pacote, no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, afirmou que considera que as medidas darão um respiro à indústria nacional.
“Recebemos positivamente (as medidas) pelo fato de contemplar muitas das demandas feitas pelas indústrias, federações e associações setoriais, e também porque englobou dois conceitos básicos: continuar negociando como prioridade e, o segundo, se novas medidas forem necessárias elas serão tomadas”, afirmou.
Por meio de comunicado, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) declarou que considera ser “fundamental que as empresas, principalmente as pequenas e médias, tenham acesso rápido às ações do programa do governo para mitigação dos impactos”.
A federação também reforçou a importância da “continuidade do diálogo entre os governos, com apoio do setor empresarial, para a busca de soluções negociadas e que preservem o ambiente de negócios e investimentos entre os países”, além da necessidade da abertura de novos mercados.
No Estado do Rio de Janeiro, a estimativa é de que 2% das exportações fluminenses estão sujeitas às tarifas implementadas pelo governo americano, com base nas exportações totais de 2024. Os efeitos são sentidos principalmente nos setores de alimentos e bebidas, plástico, químico, têxtil e pescado.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou apoio ao plano do governo federal para mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. “Medidas para preservar empregos, diversificar mercados e assegurar condições justas de comércio internacional são importantes e demonstram compromisso com a defesa dos setores produtivos nacionais”, destacou.
A federação aponta também que continuará a contribuir com “propostas e ações que ampliem a resiliência do setor produtivo e promovam o crescimento sustentável da economia brasileira”. Ela afirma que continuará a dialogar com o setor privado americano.
Exportadores de frutas
A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) avalia que o plano de contingenciamento anunciado pelo governo federal em socorro aos setores afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos não contempla os pequenos produtores. “O conjunto de ações apresentado ainda não contempla plenamente a realidade da cadeia produtiva da fruticultura. O pequeno produtor, que comercializa sua produção para empresas exportadoras, corre o risco de ficar desamparado neste plano de contingenciamento, uma vez que os instrumentos anunciados priorizam diretamente o exportador direto”, afirmou a Abrafrutas, em nota assinada pelo presidente Guilherme Coelho, em nota.
Segundo a Abrafrutas, a ausência de medidas que alcancem a “base da produção” leva ao risco de retração nas compras e “prejuízo à renda e à permanência desses produtores no campo”. “Seguiremos trabalhando para as soluções alcançarem todos os elos do setor, do pequeno ao grande produtor”, acrescentou a entidade.
Ao mesmo tempo, a entidade classificou o pacote de medidas anunciado pelo Executivo como um “avanço” no apoio às empresas exportadoras afetadas pela sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos. “A abertura de R$ 30 bilhões em linhas de crédito, a prorrogação de prazos no drawback, o diferimento de tributos e a concessão de créditos tributários específicos para exportadores estão alinhados com alguns dos pleitos já apresentados pela entidade”, avaliou a entidade.
A Abrafrutas também considerou como positivas as medidas de ampliação do acesso a seguros de crédito à exportação e a possibilidade de compras públicas para absorção da produção afetada. Segundo a entidade, a medida poderá mitigar “parte das perdas imediatas”.
A Abrafrutas disse que vai continuar buscando ainda que, além de medidas emergenciais de crédito e incentivo, “sejam intensificados os esforços diplomáticos para a retirada definitiva da taxação sobre as frutas brasileiras”.
Monitor Digital - RJ 14/08/2025
As tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, estão impondo custos mais pesados às famílias e empresas estadunidenses. Pesquisadores da Universidade de Yale estimam que a alíquota média do imposto sobre importações saltou de pouco mais de 2% em janeiro para mais de 18% hoje, a maior desde a década de 1930. As empresas já suportaram grande parte do impacto das tarifas. O Goldman Sachs estima que, até junho, as empresas absorveram cerca de 64% dos custos extras, com os consumidores cobrindo cerca de 22%, e os exportadores estrangeiros, 14%. Mas o banco espera que a participação do consumidor suba para 67% até outubro. Os fabricantes nacionais, enfrentando menos concorrência das importações, também podem aumentar seus preços.
O Goldman projeta que, se as tarifas permanecerem em vigor, o indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central estadunidense), o índice de preços das despesas de consumo pessoal (CPI), encerrará o ano em torno de 3,2%, em comparação com 2,4% sem as tarifas. A leitura de julho do índice de inflação ao consumidor já estava em 3,1%.
Modelos econômicos do Laboratório de Orçamento de Yale sugerem que os preços de varejo de calçados podem subir cerca de 40%, e os de vestuário, 37% quando o impacto total passar pelas cadeias de suprimentos. Preços de produtos de uso diário, como frutas, eletrodomésticos e automóveis, também devem subir, relata a agência de notícias Xinhua.
Empresas do interior dos EUA começam a repassar custo extra das tarifas
Pequenas empresas no Centro-Oeste já estão enfrentando uma forte inflação de custos. Em St. Louis, Missouri, por exemplo, os varejistas relatam aumentos de preços de fornecedores de até 30%, abrangendo tudo, desde bicicletas e produtos de beleza a jogos de tabuleiro, segundo uma pesquisa do Financial Times.
Exemplos de destaque incluem máquinas de lavar e adegas refrigeradas, cujos preços subiram até 35%. Mesmo os produtos nacionais não são poupados, já que os fabricantes repassam os altos custos com insumos, incluindo aço e alumínio importados.
Desde que os Estados Unidos impuseram tarifas adicionais sobre as importações chinesas em abril, disse uma coproprietária de uma loja de beleza, muitos itens tiveram um aumento acentuado nos preços de varejo e não caíram, mesmo depois que Washington anunciou uma trégua de 90 dias com Pequim.
Alíquota média passará de 18%
Analistas afirmam que a alíquota média geral das tarifas – agora em 18,6% – rivaliza com a imposta pela Lei Tarifária Smoot-Hawley, da época da Depressão. Os custos mais altos estão se refletindo não apenas em produtos acabados, mas também em insumos industriais como aço e alumínio, que alimentam a produção e a construção nos EUA.
Por enquanto, a queda dos preços da energia e os estoques acumulados antes das tarifas estão ajudando a manter a inflação geral sob controle. Mas, à medida que os estoques diminuem e os contratos de importação são renovados a taxas mais altas, economistas alertam que a pressão de alta sobre os preços se intensificará. Quanto mais tempo as tarifas durarem, maior o risco de pesar sobre os gastos do consumidor e desacelerar o crescimento econômico.
Isso coloca o Federal Reserve em uma situação difícil. A agência frequentemente enfrenta pedidos da Casa Branca para reduzir as taxas de juros a fim de sustentar um mercado de trabalho em crise, mesmo com a inflação impulsionada pelas tarifas permanecendo acima da meta de 2%.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2025
Na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o pacote apresentado pelo governo para socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisa ter prazo de duração e foco.
“O governo precisa ter muito cuidado com essa questão do prazo e focar efetivamente nas empresas que vão ser afetadas”, afirma. “A ajuda precisa ser focada, forte, temporária e parar por aí. Não pode ser uma ajuda que se estenda.”
Por ora, Vale diz que o melhor que o governo brasileiro deve fazer é buscar novos mercados para os produtos brasileiros. “Nesse momento, ampliar os acordos comerciais seria o mais interessante para o governo focar”, afirma.
A seguir, leia os principais trechos da entrevista concedida ao Estadão.
Como avalia o pacote apresentado pelo governo?
A ideia de três partes — continuar negociando, fazer ajuda com crédito tributário e buscar novos mercados — é o caminho mais virtuoso para se fazer nesse momento, especialmente buscar novos mercados. Acho que o governo tinha de fazer um esforço muito grande nesse momento de ampliação dos acordos comerciais, acelerar o acordo com a União Europeia. Esse caminho é bastante importante. E também, obviamente, seguir negociando. A negociação que foi feita conseguiu tirar 700 produtos (da lista da tarifa dos EUA). Então, houve uma certa eficiência. O que não dava para fazer era retaliar como se imaginava que era uma possibilidade. Colocar a tarifa de importação com os produtos americanos só levaria a uma situação ainda mais grave.
E enxerga algum risco fiscal?
A política fiscal existe para isso, para poder auxiliar nesses momentos de crise. A grande questão relacionada a esse pacote é não criar um programa que, de repente, estava programado para durar um ano, mas que continua e vira um subsídio. Vira um gasto tributário adicional no Brasil e não se consegue mais tirar, como muita coisa que a gente viu acontecer na pandemia. O governo precisa ter muito cuidado com essa questão do prazo e focar efetivamente nas empresas que vão ser afetadas.
A retaliação não pode ser um caminho para o Brasil, então?
Não estamos com capacidade de fazer uma retaliação via tarifa de importação. Haveria um processo inflacionário aqui no Brasil num momento de inflação elevada. Esse não é um caminho mais adequado. Agora, disso tudo o que foi colocado pelo governo, o que fica de receio é conseguir fazer, de fato, um programa que vai ser focado nas empresas que precisam e que tenha um prazo para terminar. Não pode ser estendido à perda de vista. O Trump vai ficar por quatro anos e essa questão tarifária não vai morrer aqui. O Trump vai voltar a essa questão tarifária contra o Brasil e o resto do mundo várias vezes ao longo do seu governo. Então, precisa se tomar um cuidado para isso não se estender durante muito tempo e ficar com o argumento de que “olha, o Trump está mudando as tarifas e, portanto, esses créditos precisam continuar”. A ajuda precisa ser focada, forte, temporária e parar por aí. Não pode ser uma ajuda que se estenda. E o melhor que o governo poderia fazer é ajudar essas empresas na busca de novos mercados. Nesse momento, ampliar os acordos comerciais seria o mais interessante para o governo focar.
E qual é o impacto estimado do tarifaço?
No geral, o impacto na macroeconomia brasileira não vai ser muito grande. Tem algum impacto possível de preços que a gente vê acontecer, positivo na inflação brasileira. Mas vemos, pelo próprio comportamento do câmbio e pelo cenário em termos de expectativas de inflação, atividade e juros, que ninguém mudou o cenário por conta desse choque. A atividade e a inflação estão desacelerando. E a discussão que se coloca agora é baixar a taxa de juros já no final deste ano, que é o nosso cenário há algum tempo, de a Selic começar a baixar em dezembro.
O que o Trump tem feito na economia mundial é um cenário muito trágico e muito ruim e, no nosso caso, com um impacto ainda maior, porque foi a maior tarifa em relação a outros países. Mas, de certa forma, a gente tem uma resiliência, e os Estados Unidos não são mais, em termos de tamanho de exportação agregada, o que eram há 25 ou 30 anos. Têm um peso muito menor e, consequentemente, o impacto acaba sendo diminuído.
Não tem um impacto nem em saldo comercial?
O saldo pode ter alguma diminuição ao longo deste ano. O Brasil exporta US$ 40 bilhões para os Estados Unidos. Passado esse choque, talvez, possa cair para US$ 30 bilhões, um pouco menos no final. A gente vai ter um cenário também em que essas empresas vão buscar novos mercados. Parte dessa exportação ainda vai continuar acontecendo para os Estados Unidos de qualquer maneira, mas vamos acabar buscando outros mercados para essas empresas ao longo dos próximos anos. Você vai deixar de exportar para os EUA e, tendencialmente, acaba exportando para outros lugares.
Acho que vamos ver isso com mais clareza no agro. O potencial de ganho no agro é importante porque, além de a gente conseguir deslocar essa exportação para outros lugares, os Estados Unidos são um grande competidor nosso. Então, coloca o Brasil como um potencial exportador com ainda mais intensidade por conta do que os Estados Unidos estão fazendo. No primeiro mandato do Trump, os EUA se tornaram parceiros não confiáveis em relação à China. Agora, estão se tornando parceiros não confiáveis no mundo inteiro.
O Brasil pode se beneficiar mais no agro, então?
O Brasil pode se beneficiar bastante do ponto de vista da agropecuária. A indústria vai ter mais dificuldade. Não é simples colocar esse produto aqui dentro, achar outro caminho de exportação por conta da competitividade. O mundo inteiro está fazendo isso. É um cenário para a indústria que, talvez, seja mais difícil.
E tem algum espaço para negociar com os Estados Unidos?
Acho que tivemos um ganho muito grande por eles terem excluído os 700 produtos. Fica difícil imaginar que você vai conseguir colocar outros, mas, talvez, alguns específicos, como é o caso do café. Os Estados Unidos não têm de onde buscar esse café, seja do Vietnã ou da Colômbia. Nesse sentido, tem um caminho de uma eventual negociação adicional para poder colocar outros produtos. A gente já conseguiu esses 700 produtos, e não está muito claro se vai ser possível conseguir mais, porque, nos próximos meses, o Trump estará lidando com questões domésticas, tem a questão (da presidência) do Banco Central e da própria desaceleração da economia americana. E vai entrar, cada vez mais, essa ideia de que as coisas que o Trump está fazendo não estão funcionando. Não vai mudar radicalmente a balança comercial americana, não vai trazer indústrias efetivamente para os Estados Unidos. Então, o Trump vai, recorrentemente, ao longo dos próximos anos, colocar esse risco tarifário para o mundo, inclusive para a gente. Tem o risco de esses 700 produtos deixarem a lista e, eventualmente, o Trump mudar a tarifa de novo. Essa história vai permanecer nos próximos três anos e meio. Não acaba por aqui. Há um potencial de negociar, mas, dada a intempestividade do Trump, não dá para confiar muito nisso.
Alguns analistas têm defendido uma retaliação conjunta dos países para colocar algum limite no Trump. Faz sentido?
Quem deveria colocar limite no Trump é a política americana doméstica. Tem de ser os empresários, tem de ser o Congresso americano, a Justiça. Tinha de ser uma contenção doméstica. Do jeito que o Trump funciona, ele vai dobrar a aposta e vai colocar uma tarifa ainda maior se houver uma contenção internacional e o mundo se juntar para jogar uma tarifa de importação contra os Estados Unidos. Entramos no cenário potencial de uma guerra tarifária, como vivemos nos anos 30, e que foi muito prejudicial. Piorou a Grande Depressão. Entramos num cenário muito complicado se isso acontecer. O mundo, corretamente, optou por dar outras respostas, negociar e fazer essa ampliação de comércio entre si. Tentar responder aos Estados Unidos com as armas dele vai irritar o Trump, não vai funcionar e vai agravar a situação. No momento, poucos países têm essa condição de tentar retaliar, como estamos vendo a China fazer. O resto do mundo, especialmente o Brasil, não tem condição de fazer isso. Temos de ir com muito mais cautela e, de certa forma, estamos fazendo isso com as políticas que estão sendo colocadas.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2025
Depois de duas semanas de espera desde que o presidente americano Donald Trump oficializou o tarifaço contra o Brasil, o governo Lula apresenta nesta quarta-feira, 13, às 11h30, o plano de socorro aos setores atingidos. As propostas estão divididas em três grupos, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad: linhas de crédito, benefícios tributários e compras governamentais. Haverá a exigência de manutenção de empregos como contrapartida aos benefícios, mas com exceções a depender da empresa.
“O texto está 100% definido, é um projeto que contempla as várias demandas dos setores produtivos. Nós tivemos muitas reuniões com eles e penso que, dentro dos limites estabelecidos, ele contempla os afetados”, afirmou Haddad após audiência pública no Senado nesta terça-feira, 12.
Haddad também adiantou que o governo vai abrir crédito extraordinário para financiar as medidas. Isso significa que essas despesas ficarão de fora do limite de gastos do arcabouço, mas serão contabilizadas no cálculo da meta fiscal (balanço entre receitas e despesas das contas públicas).
Especialistas apontam que esses recursos podem ser usados para viabilizar as compras, pelo governo, de produtos que deixarão de ser exportados, bem como no caso de diferimento de impostos - quando as empresas adiam o pagamento dos tributos.
Em entrevista à Bandnews nesta terça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que será criada uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, mas que esse montante “é só o começo” do plano de contingência.
“Estamos pensando em ajudar, sobretudo, as pequenas empresas: o pessoal que exporta tilápia, frutas, mel, máquinas. As grandes têm mais poder de resistência”, disse Lula.
Diferimento (adiamento) no pagamento de impostosCompras governamentais de produtos não exportadosEstímulo à abertura de novos mercados‘Drawback’ (devolução de impostos pagos) para a importação de insumos que depois serão exportados em produtos de maior valor agregado.Benéficio “tailor made” - feito sob medida para determinada empresa, após análise do CNPJ e peso da exportação para os EUA no seu faturamento.
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), diz que o drawback já é muito utilizando no Brasil, mas que governo poderia, provisoriamente, permitir que a venda do produto aconteça dentro do próprio País.
“O drawback é quando o empresário importa uma matéria-prima, insere na sua produção, e exporta depois. Essa importação é isenta de todos os tributos. É uma operação já muito utilizada hoje no Brasil”, diz. “O que o governo pode fazer é permitir que a venda aconteça no mercado interno, para que ela mantenha o seu nível de atividade econômica”, afirma.
Money Times - SP 14/08/2025
Os contratos futuros de minério de ferro na bolsa de Dalian fecharam com pouca variação nesta quarta-feira (13), enquanto investidores avaliavam relatos de restrições à produção de aço no norte da China antes de um desfile militar e com sinais de aumento da oferta global.
O contrato mais negociado de janeiro do minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou a sessão estável, em 795 iuanes (US$110,79) a tonelada.
O minério de ferro de referência para setembro na Bolsa de Cingapura caía 0,6%, a US$103,8 a tonelada.
Relatos de que as usinas siderúrgicas no norte da China receberam ordens de reduzir a produção para garantir um céu limpo durante um desfile militar, em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 3 de setembro, continuaram a pesar sobre o sentimento do mercado.
O setor siderúrgico continua altamente sensível aos controles de produção determinados pelo governo, sendo que o impacto de curto prazo desses cortes geralmente é o aumento dos preços e das margens do aço, permitindo que o custo de insumos como o minério de ferro suba, disseram analistas do ANZ.
Enquanto isso, os embarques globais de minério de ferro diminuíram devido a uma queda nas exportações da Austrália.
Do lado da demanda, as usinas siderúrgicas estão reabastecendo os estoques, conforme necessário, com a produção média diária de metal quente, um indicador da demanda de minério de ferro, permanecendo alta, disse a corretora Hexun Futures.
CNN Brasil - SP 14/08/2025
Marcelo Bacci, CFO da Vale, não vê risco específico para a receita da companhia em relação às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos. A observação foi feita em entrevista ao CNN Money na terça-feira (12).
Ao contrário: Bacci entende que o momento é bastante favorável para a companhia, cujas exportações são majoriamente destinadas à China e outros países asiáticos. Os EUA não são grandes importadores de minério da Vale — algo que o CFO atribui a divergências no uso de tecnologias lá e cá.
"O que pode acontecer é uma desaceleração global, que afete todas as empresas do Brasil e mundo. Com exceção disso, não vemos nenhum risco específico", esclarece.
Resultados do 2º tri
O executivo também comentou os resultados do 2º trimestre da mineradora, divulgados no final de julho. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 2,12 bilhões no período, queda de 24% versus o mesmo período do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado, por sua vez, somou US$ 3,39 bilhões, queda de 15% na comparação anual.
Para analistas do mercado, o destaque foi a resiliência da Vale. Ainda que o cenário esteja desfavorável para o minério de ferro, com preços menores do que os praticados em 2024, a empresa conseguiu manter os custos enxugados.
O executivo afirma à CNN que a redução é estrutural, implementada por três frentes. A primeira, a utilização melhor de ativos existentes, investindo e aumentando volume de produção naquilo que já está presente no maquinário da Vale; a segunda diz respeito a novas operações, com tecnologias avançadas que demandam custos menores de uso; a terceira, por fim, é o trabalho direto com fornecedores, diluindo valores de produtos comprados de terceiros.
"Esse conjunto tem feito o custo cair estruturalmente já a alguns trimestres", diz Bacci, afirmando que as projeções da companhia para este ano estão em linha com o que foi notificado ao mercado. "Estamos muito confortáveis de que vamos cumprir a projeção e este trabalho irá continuar, tanto no trabalho de ferro quanto nos minérios de transição".
Cobre e níquel
Falando neles, Bacci posiciona a companhia como player importante do mercado de minerais críticos — aqueles considerados essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética. Refere-se, especificamente, ao cobre e níquel.
O CFO cita o encrave de cobre da Vale na região de Carajás, localizada no sudeste do estado do Pará. Segundo ele, nos próximos 10 anos, a companhia pretende dobrar a produção de cobre (de 350 mil toneladas hoje para mais de 700 mil toneladas em 2035), possibilitado por investimentos no polo paraense.
"[O minério] é utilizado em data centers, transição energética, IA... tudo isso contribui para o aumento da demanda. Temos a capacidade de ser um agente importante para propiciar ao mundo esse produto", diz Bacci.
Transição energética
Ele também faz uma leitura positiva para a companhia no contexto energético brasileiro e mundial. Mas o caminho ainda é longo: na visão do executivo, falta um ambiente de negócios e institucional mais positivo, acesso mais acelerado a financiamentos e uma legislação ambiental mais modernizada.
"A Vale é um exemplo de empresa que atravessou essas dificuldades e, hoje, tem acesso a capitais globais de uma maneira que poucas empresas no Brasil e mundo têm", argumenta o executivo. "O país pode incentivar estas empresas a buscarem um posicionamento que acelere a produção de minerais criticos. É uma grande oportunidade".
Sobre a descarbonização do mundo, pauta prioritária nas agendas mundiais de sustentabilidade, a Vale, como produtora de carvão mineral, vê o movimento com preocupação: mas, acima de tudo, como oportunidade. "Pela capacidade que temos de produzir minerais de alto teor, poderemos estar do lado que resolve o problema, não causa. Poderemos contribuir para um mundo descarbonizado, sem duvida nenhuma", afirma.
"Estamos na direção certa. O potencial do Brasil é enorme e precisa ser destravado, mas temos capacidade de ser muito mais relevantes do que somos hoje", finaliza.
Revista Mineração - SP 14/08/2025
Puxadas pelo minério de ferro, as exportações de Minas Gerais somaram US$ 3,7 bilhões em julho de 2025, mantendo o estado com o segundo maior superávit do Brasil (US$ 2 bilhões). Principal produto exportado por Minas, o minério de ferro e seus concentrados foi responsável por 25,6% das exportações no mês. Em seguida aparecem café (19,5%), ouro (7,9%), soja (7%) e ferro-ligas (6,4%).
O ouro foi o produto com maior crescimento nas exportações em julho, com aumento de US$ 158,5 milhões (118,6%), seguido pelo café (US$ 157,7 milhões, 28%) e ferro fundido bruto e ferro spiegel (US$ 51,6 milhões, 48,3%).
No mês de julho, Nova Lima foi o principal município exportador (6,6%), seguido de Araxá (6,3%); Varginha (5,8%); Paracatu (4,7%) e São Gonçalo do Rio Abaixo (4,2%).
Entre janeiro e julho deste ano, as exportações mineiras somaram US$ 25,4 bilhões, um aumento de 3,3% frente ao mesmo período de 2024. Considerando todo o fluxo comercial, o estado contabilizou US$ 35,7 bilhões, representando um crescimento de 13% em relação ao ano passado.
O saldo da balança comercial acumulou superávit de US$ 15,1 bilhões, contribuindo com 12,8% das exportações brasileiras e consolidando Minas como o segundo maior exportador do país. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Nas importações, Minas segue ocupando o quinto lugar, com aquisição de US$ 10,3 bilhões em mercadorias até julho, aumento de 10% em comparação com o mesmo período de 2024. O estado foi responsável por 6,4% das importações brasileiras.
“Encerramos o primeiro semestre com números positivos. O novo resultado mostra que estamos no caminho certo para promover as mercadorias mineiras, fortalecendo a presença de Minas no mercado internacional”, afirma a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa.
Dentre as principais mercadorias adquiridas em julho estão: produtos imunológicos (4,3%); partes de tratores e veículos especiais (3,7%); medicamentos (3,6%); adubos potássicos (3%); adubos azotados (2,8%) e vacinas, toxinas e culturas de microrganismos (2,7%).
No sétimo mês do ano, 219 municípios realizaram aquisições internacionais. Extrema foi a principal cidade importadora, responsável por 14,7% das importações, seguida de Betim (12,5%); Uberaba (9,4%); Belo Horizonte (6,1%); e Pouso Alegre (5,5%).
Valor - SP 14/08/2025
Domingos Falavina, diretor de relações com investidores, afirmou que impacto com recuo no financiamento é "multifacetado”
A administração do grupo Porto disse hoje que um eventual cenário de restrição de crédito para aquisição de veículos não deve afetar tanto a unidade de seguros, mas beneficiar a demanda por consórcios.
Durante teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, a empresa foi questionada sobre um eventual impacto com o recuo do financiamento. Segundo dados da B3, o financiamento de veículos no Brasil, entre novos e usados, registrou queda de 0,7% no primeiro semestre de 2025.
Domingos Falavina, diretor de relações com investidores, afirmou que “o impacto é multifacetado”. “Se o volume de originação cair 5%, 10%, o impacto seria em torno de 0,3% a 0,4%, já que nossa frota é bem dispersa em idade”, disse. “Por outro lado, uma restrição de crédito pra financiamento está ajudando no crescimento do consórcio.”
A administração também foi questionada sobre as perspectivas para o seguro auto, que cresceu 3% em termo de volume de prêmios no segundo trimestre e em frota.
Sobre isso, Celso Damadi, diretor financeiro, ressaltou que a companhia está mantendo a rentabilidade mesmo com um ticket médio mais baixo. “Nosso desafio agora é criar produtos para inclusão securitária que, mesmo com ticket médio menor, mantenha a rentabilidade”, afirmou.
Os prêmios emitidos no segundo trimestre somaram R$ 3,9 bilhões no trimestre e a frota segurada chegou a 6,2 milhões de veículos. A sinistralidade caiu de 59% para 58,5% na comparação anual.
Receita financeira
A administração da Porto disse hoje que manteve projeção de receita financeira do grupo para o intervalo de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão em 2025 por considerar uma queda da inflação no segundo semestre, que deve afetar o resultado dos investimentos atrelados ao IPCA.
A informação foi dada em resposta ao questionamento de analistas sobre a decisão, já que só no primeiro semestre, a receita total de aplicações financeiras somou R$ 829 milhões, 67,3% maior que o apontado no mesmo intervalo de 2024.
A companhia revisou outros itens das projeções, prevendo receita maior no Porto Bank, além de menor sinistralidade no Porto Saúde.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2025
A participação dos carros importados aumentou no Brasil no primeiro semestre de 2025. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a Anfavea. Foram emplacados 228.472 unidades vindas de fora do País, 15,6% a mais do que no mesmo período do ano passado.
As vendas de veículos nacionais avançaram apenas 2,6% no mesmo período, para efeito de comparação. Também para se ter uma ideia da escala do crescimento, em todo o ano de 2022, foram vendidos 273 mil unidades importadas, pouco mais do que as quase 230 mil apenas do primeiro semestre deste ano.
A responsável pela alta foi a nova onda de crescimento dos modelos vindos da China. O volume de carros vindos de lá aumentou 37,2% em relação a 2024, para 70.695 unidades no primeiro semestre de 2025. A Argentina continua o principal exportador de carros para o Brasil e fechou o semestre com 102.805 unidades, também com alta de 13,6%.
A projeção da Anfavea é que cerca de 200 mil carros chineses cheguem ao Brasil em 2025. No entanto, isso é visto com preocupação pela entidade. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, a alta nos carros vindos de fora pode “aprofundar o processo de desindustrialização”.
No entanto, nenhuma montadora nacional anunciou recuo nos investimentos já confirmados para a produção local, da ordem dos R$ 180 bilhões para 2025. Ainda assim, Calvet busca o aumento dos impostos de importação para frear a entrada principalmente dos chineses e tentar manter a competitividade dos modelos nacionais.
Exportações em alta
A retomada no crescimento do mercado argentino puxou a alta de 60% nas exportações registrada no semestre. Apenas para o país vizinho o crescimento foi de expressivos 183,1%, alta também registrada para três dos cinco principais mercados destino dos carros brasileiros. Apenas México e Uruguai registraram queda.
No total, foram produzidos 1.226.663 unidades no Brasil no primeiro semestre de 2025, alta de 7,8% em relação ao mesmo período de 2024 mesmo com queda pelo segundo mês consecutivo. Em junho, a retração foi de 6,5%, com 200 mil unidades, e em maio de 5,9%, com 214 mil carros produzidos.
O Estado de S.Paulo - SP 14/08/2025
A Ford revelou planos para lançar uma nova picape elétrica média de quatro portas, cuja produção começará em 2027 na fábrica de Louisville, nos Estados Unidos, atendendo tanto o mercado interno quanto o de exportação. O modelo estreia a Plataforma Universal de Veículos Elétricos da marca, desenvolvida para criar veículos mais acessíveis, eficientes e inovadores.
Essa nova arquitetura foi projetada para simplificar a construção, reduzindo em 20% o número de peças e em 25% o de fixadores, além de adotar um chicote elétrico 10 kg mais leve e mais compacto do que o do último SUV elétrico da empresa.
A montagem também será otimizada: o Sistema Universal de Produção de Veículos Elétricos substitui a tradicional linha de montagem por uma “árvore de montagem” com linhas independentes para subconjuntos, acelerando o processo em 15%.
O modelo contará com baterias prismáticas de fosfato de ferro-lítio (LFP), livres de cobalto e níquel, que reduzem custos e aumentam a durabilidade. Integradas à estrutura do veículo, essas baterias funcionam como parte do piso, ajudando a baixar o centro de gravidade, melhorar a dirigibilidade, ampliar o espaço interno e reduzir ruídos.
Plataforma visa ampliar oferta de modelos elétricos na Ford
O presidente e CEO Jim Farley afirmou que a Ford pretende ampliar seu portfólio de veículos elétricos com o lançamento de vários modelos, entre eles um hatch, um crossover, um furgão e um SUV de três fileiras de assentos, todos com preços iniciais próximos entre si, por exemplo.
A picape, por sua vez, oferecerá cabine mais espaçosa, porta-malas dianteiro (frunk) e caçamba projetada para transportar objetos grandes sem necessidade de bagageiro no teto ou reboque. O desempenho promete impressionar, com aceleração de 0 a 100 km/h semelhante à do Mustang EcoBoost.
Para viabilizar o projeto, a Ford investirá quase US$ 2 bilhões na ampliação e modernização da fábrica de Louisville, complementando os US$ 3 bilhões já aplicados no BlueOval Battery Park Michigan, que começará a produzir as baterias LFP prismáticas em 2024.
A modernização da planta inclui avanços em infraestrutura digital, logística e ergonomia, elevando a eficiência da montagem em até 40%. Seja como for, mais detalhes sobre preço, dimensões, autonomia e tempo de recarga serão divulgados futuramente.
Valor - SP 14/08/2025
Inauguração de fábrica, na sexta-feira, simboliza uma etapa da onda que soma novas marcas
A primeira montadora chinesa que começa a produzir no Brasil, a Great Wall Motor (GWM), inaugura a fábrica nesta sexta-feira (15), em Iracemápolis (SP), onde até 2021 eram produzidos automóveis Mercedes-Benz. Esse é só o começo de uma nova etapa da onda chinesa no mercado de carros do Brasil, que começou há três anos. Além dos modelos de marcas que já se tornaram conhecidas dos brasileiros, como a BYD e a própria GWM, vários outros começam a chamar a atenção nas ruas.
Algumas marcas que não deram certo no passado retornam agora; outras chegam por meio de parcerias com montadoras ocidentais. Uma parte delas tem planos firmes para produzir no país e várias outras ainda sondam nosso mercado, o sexto maior do mundo.
Em comum, esses fabricantes são especialistas na eletromobilidade, um ponto fraco, ainda, entre a maioria das montadoras ocidentais, principalmente no Brasil. Por isso, as chinesas têm dominado as vendas dos chamados eletrificados, um mercado em ascensão.
Com base nos dados de emplacamentos dos órgãos de trânsito, divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), que representa os concessionários, as vendas de híbridos e elétricos no Brasil cresceram 46,83% de janeiro a julho na comparação com igual período do ano passado, enquanto a expansão do mercado total ficou em 4,1%.
No período, dos 139,2 mil veículos eletrificados vendidos no país, 63,5% foram de marcas chinesas, segundo dados da Associação Brasileira do Veículos Elétrico (ABVE). A BYD aparece na liderança, tanto do segmento de híbridos, com 28,10%, como dos puramente elétricos, com 76,78%, segundo a Fenabrave.
A GWM começa a produzir o Haval H6 em Iracemápolis com cerca de 700 empregados
A maior parte das chinesas optou por trazer modelos com boa dose de tecnologia e luxo, buscando, assim, ocupar nichos de mercado menos explorados pelas gigantes que já dominam a produção e venda dos chamados carros de entrada, como é o caso de Volkswagen e Fiat.
A chegada desses novos competidores rompe com paradigmas, desde a fidelidade que o consumidor brasileiro supostamente teria em relação a fabricantes tradicionais até regras criadas historicamente pelo setor, como a preocupação em relação aos nomes de marcas e de modelos de carros, que tinham que ser curtos, fáceis de pronunciar e sem riscos de eventual interpretação negativa.
A onda chinesa chega com nomes que parecem ter vogais a mais ou a menos, como a Zeekr, uma marca que pertence à Geely e com planos de disputar espaço com marcas de luxo como Audi , BMW e Mercedes-Benz, oferecendo produtos a preços mais baixos do que as três alemãs.
Sabendo ou não pronunciar os nomes, o consumidor mostra interesse. Com o seu modelo 001, em julho, a Zeekr, que chegou há um ano, já ficou com 1,95% do mercado dos sedãs grandes. A BYD ocupou o segundo lugar desse mesmo segmento com o modelo King, que alcançou fatia de 19,48%, atrás apenas do nacional Toyota Corolla, com 58,20%.
O 001 serve para mostrar também que não é problema para os chineses colocar números nos carros ao invés de nomes. A dupla Omoda Jaecoo, também do grupo Geely, estreou no mercado com o Jaecoo 7. Essa dupla começou a vender seus SUVs médios este ano e, em julho, já aparece no 21º lugar do ranking brasileiro, com 0,31%, um percentual que algumas das marcas mais tradicionais levaram anos para conquistar.
Algumas chinesas chegam ao Brasil por meio de alianças com montadoras ocidentais. A Renault se associou à Geely e a Stellantis, à Lepmotor. Essas parcerias globais ajudarão as europeias e americanas a acelerar o desenvolvimento de veículos elétricos em todo o mundo.
Até marca de carros para presidentes, como o de Xi Jinping, pode vir para o Brasil
Além de GWM, prestes a inaugurar a fábrica em São Paulo, e a BYD, que constrói um grande complexo industrial na Bahia, outras chinesas, como a GAC, mostraram interesse em produzir no Brasil e também desenvolver veículos movidos a etanol.
Mas nem todas as histórias de marcas chinesas no Brasil acabaram bem. A Seres, por exemplo, teve uma passagem curta pelo país - entre julho de 2023 e julho de 2024, quando fechou as duas concessionárias.
Outras ainda sondam o potencial brasileiro. O mercado aguarda definição de empresas como a FAW, uma das mais antigas montadoras da China e fabricante da Hongqi, marca dos veículos oficiais dos presidentes do país, inclusive do atual, Xi Jinping.
Os primeiros protótipos do Haval H6 montados no Brasil já estarão prontos quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e comitiva de ministros, além de outras autoridades, inaugurarem a fábrica da GWM em Iracemápolis na sexta-feira. Cerca de 10% dos quase 700 empregados já contratados trabalharam no local quando a fábrica pertencia à Mercedes-Benz, que deixou de produzir automóveis em 2021.
Inscrita no Mover, programa de incentivos federais para montadoras que produzem no país, a GWM começa a operação usando peças da China. Mas, segundo a direção da empresa anunciou, a ideia é acelerar a nacionalização e expandir a produção, que poderá passar de um para dois turnos no próximo ano. Com maior conteúdo local, a montadora estará apta a exportar.
Quando essas montadoras começaram a vender no Brasil, carros elétricos estavam isentos de Imposto de Importação. O tributo foi sendo elevado gradativamente e chegará a 35% em julho de 2026. Por isso, a maioria das marcas reforçou estoques.
Os chineses já fizeram barulho com produtos importados. A partir desta sexta-feira, começa um novo capítulo dessa história.
Money Times - SP 14/08/2025
O desempenho das construtoras no segundo trimestre de 2025 (2T25) foi destaque no Giro do Mercado, programa apresentado por Paula Comassetto, desta quarta-feira (13).
A jornalista recebeu Juliana Caveiro, repórter do Money Times, para comentar os resultados das incorporadoras listadas na Bolsa de Valores e o impacto positivo do programa Minha Casa, Minha Vida no setor.
O programa habitacional do governo tem impulsionado os lucros da construção civil, principalmente desde a criação da chamada faixa 4 voltada para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil.
Salto da MRV (MRVE3)
As jornalistas destacaram o balanço do grupo MRV&Co (MRVE3), que reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 774,7 milhões no 2T25, revertendo o lucro de R$ 29,4 milhões apurado no mesmo período de 2024.
Apesar do resultado negativo, as ações subiam 7,86%, a R$ 7, por volta das 14h (horário de Brasília) desta quarta-feira (13), apoiadas pelo forte desempenho da operação de incorporação no Brasil.
Além do setor imobiliário, a edição abordou o desempenho dos mercados globais, o plano de contingência do Brasil contra a tarifa de Donald Trump e outros destaques corporativos. Para acompanhar o Giro do Mercado na íntegra, acesse o canal do Money Times no YouTube
Monitor Digital - RJ 14/08/2025
A CRRC Corporation Limited (CRRC) da China criará uma fábrica para produzir trens na cidade de Araraquara, no interior do São Paulo, depois de a empresa ter vencido uma licitação internacional de aquisição de trens do governo paulista, informou fonte do governo do estado.
Com um valor de investimento inicial de R$ 50 milhões, o projeto tem o início de sua operação oficial planejado para 2026. Quando estiver pronta, a instalação se tornará uma das maiores fabricantes de material ferroviário do mundo, devendo gerar cerca de 100 empregos diretos.
A fábrica produzirá trens para as linhas 1 (Azul), 2 (Verde) e 3 (Vermelha) do metrô de São Paulo, além de soluções relacionadas à ferrovia interurbana que ligará São Paulo e Campinas, a qual tem previsão de operação em 2031.
Os trens deverão ser equipados com motores de alto desempenho, com velocidade máxima de 100 quilômetros por hora e capacidade de 1.800 passageiros. A ligação das cabines do trem será desenhada no modelo gangway, visando permitir que os passageiros transitem livremente entre diferentes cabines.
Cotada na Bolsa de Valores de Shanghai e na Bolsa de Valores de Hong Kong, a CRRC é uma das empresas globais que apresentam cobertura completa de linhas de produtos na indústria de transporte ferroviário. Atualmente, seus produtos são exportados para mais de 100 países e regiões do mundo.
Portal Fator Brasil - RJ 14/08/2025
Uma das operações, no valor de R$ 186,1 milhões, à Bram Offshore Transportes Marítimos Ltda, é voltada a reparos, modernizações e conversões de 15 embarcações. Outro financiamento, de R$ 53,2 milhões, à Estaleiro Navship Ltda, é para a conclusão de empreendimento no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), que teve obras paralisadas na pandemia.
Em 2024, o BNDES aprovou R$ 6 bilhões para projetos financiados pelo FMM, maior valor em 12 anos.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a destinação de R$ 239,3 milhões em dois novos financiamentos para o Grupo Edison Chouest Offshore, que opera estaleiros e terminais portuários, bem como oferece serviços de armação e afretamento de embarcações, de manutenção de infraestruturas submarinas, apoio logístico, entre outros. Os recursos são provenientes do Fundo da Marinha Mercante (FMM), operado pelo Banco.
Uma das operações, no valor de R$ 186,1 milhões, foi aprovada em favor da Bram Offshore Transportes Marítimos Ltda, principal empresa do grupo no Brasil. O financiamento é voltado a reparos, modernizações e conversões em 15 embarcações com o custo de R$ 206,8 milhões, de forma que o BNDES apoia 90% do total.
Entre as intervenções, destaca-se a modernização de uma embarcação tipo ATHTS Mr Chafic empregada em um contrato de afretamento com a Petrobras. A implementação de propulsão híbrida, com a instalação de baterias a bordo, permitirá a redução de consumo de combustível e de emissões de gases de efeito estufa na operação em contrato de afretamento com a Petrobras.
As intervenções são conduzidas no estaleiro localizado em Navegantes (SC) e operado pelo Estaleiro Navship Ltda, outra empresa do conglomerado. Além da contribuição para a manutenção de empregos qualificados, o projeto demanda 413 postos de trabalho durante as intervenções.
—O BNDES atende à determinação do governo do presidente Lula de retomar o apoio à indústria naval no Brasil, um país em que mais de 95% do comércio exterior se dá por via marítima. Os investimentos, via Fundo da Marinha Mercante, contribuem para impulsionar um setor fundamental para a economia nacional e que gera muitos empregos no país —afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Novo estaleiro no Porto do Açu — A outra aprovação envolve uma suplementação no valor de R$ 53,2 milhões para financiamento aprovado pelo Banco em 2017 para a construção de um novo estaleiro da Navship, dedicado a reparos e manutenção de embarcações. Localizado no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), suas obras, estavam previstas para serem concluídas em novembro de 2019. No entanto, paralisações durante a pandemia de covid-19 geraram atrasos.
O BNDES já havia repassado ao projeto R$ 183,3 milhões. Com a suplementação aprovada de R$ 53,2 milhões, foi alcançada a soma de R$ 236,5 milhões. Considerando também os recursos próprios investidos pela empresa, a construção do estaleiro demandou um total de R$ 322,3 milhões.
As operações no novo estaleiro, que possui uma área 106 mil metros quadrados, demandam 322 novos empregos.
Fundo da Marinha Mercante — O FMM é administrado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), por intermédio do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM). O BNDES atua como agente financeiro. De natureza contábil, ele busca prover recursos para o desenvolvimento da Marinha Mercante e da indústria de construção e reparação naval brasileiras. Sua principal fonte de recursos é o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), tributo instituído pelo Decreto-Lei 2.404/1987.
Em 2024, o BNDES aprovou um total de R$ 6 bilhões em crédito para projetos financiados pelo FMM. É o maior valor aprovado em 12 anos e representa mais de três vezes a soma dos anos entre 2019 e 2022. Nesse período, o Banco aprovou R$ 1,9 bilhão para projetos com recursos do Fundo. Além disso, os R$ 6 bilhões de 2024 superam também os R$ 3,9 bilhões dos sete anos anteriores (entre 2016 e 2022).
BNDES Azul — Em janeiro de 2024, o Banco lançou a iniciativa “BNDES Azul”, uma frente para desenvolver a economia azul brasileira com investimentos focados em pesquisas, por meio do Planejamento Espacial Marítimo (PEM), na descarbonização da frota naval e na infraestrutura portuária. Pesca, turismo, transporte marítimo e fluvial, exploração de petróleo, bioenergia e preservação de sítios ambientais são algumas das atividades desenvolvidas.
A empresa — O Grupo Edison Chouest Offshore foi fundado nos Estados Unidos e suas empresas carregam um histórico de atuação no mercado de apoio marítimo offshore desde a década de 1960. No Brasil, as atividades do grupo tiveram início em 1991. Atualmente existem oito subsidiárias atuando no país. A principal delas, a Bram, surgiu em 2006 e presta suporte à operação de serviços auxiliares a plataformas de petróleo e gás natural. Atualmente, é a maior companhia de apoio offshore do país, operando uma frota de 77 embarcações. Sua carteira de clientes é formada pelas principais empresas de óleo e gás presentes no Brasil, especialmente a Petrobras, responsável pelo afretamento de cerca de 87% da frota.
Já o Estaleiro Navship Ltda, com sede em Navegantes (SC), foi fundado em 2005 para atuar na construção, reparos, conversões e modernizações de embarcações de médio porte. Embora atenda terceiros, seu principal cliente é a Bram.
A construção de uma nova filial do Estaleiro era considerada estratégica para o crescimento do grupo. A Bram assinou recentemente contratos com a Petrobras que demandarão a construção de 10 novas embarcações em Navegantes (SC). Dessa forma, a unidade de São João da Barra (RJ) absorverá alta demanda de manutenção, conversão e modernização da frota do grupo.
Monitor Digital - RJ 14/08/2025
Um dos maiores entraves para o avanço dos novos projetos da indústria naval se encontra nas dificuldades enfrentadas pelas empresas em oferecer garantias para operações de crédito, mesmo na presença de recursos disponíveis no Fundo da Marinha Mercante (FMM). A análise é de Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).
“Como presidente do Sinaval, tenho defendido a criação de um fundo garantidor específico para a construção naval. Essa iniciativa, que já teve uma experiência positiva no passado com o Fundo de Garantia à Construção Naval (FGCN), é urgente e deve ser modernizada para se adequar à realidade atual. Um fundo estruturado pode transformar riscos em oportunidades, desbloqueando bilhões de reais em investimentos, com um impacto direto na geração de empregos e no fortalecimento da cadeia produtiva nacional”, defende.
BNDES: R$ 239,3 milhões do FMM para reformas de 15 embarcações | Monitor Mercantil
A proposta de criação de um fundo garantidor específico para a indústria será debatida no dia 19 de agosto, a partir das 14h, no painel “Financiamento à construção naval”, durante a Navalshore 2025 – Feira e Conferência da Indústria Marítima, que será realizada de 19 a 21 de agosto no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro (RJ).
Rocha complementa que hoje o principal obstáculo está na contratação dos seguros necessários para liberação dos financiamentos. Ele lembra que após o colapso da Sete Brasil, o mercado segurador passou a impor restrições severas aos estaleiros brasileiros.
“Estaleiros com capacidade técnica comprovada e histórico de entregas têm enfrentado recusas por parte de seguradoras, que impõem exigências severas e prêmios altos”, explica Rocha. “Isso acaba inviabilizando a contratação de seguros exigidos para projetos de grande porte, como os previstos pela Petrobras.”
Bradesco Saúde cresce no Rio
As pequenas e médias empresas têm sido protagonistas no fortalecimento da base de beneficiários da Bradesco Saúde no Estado do Rio de Janeiro. Na comparação do 1º semestre de 2025 com o mesmo período de 2024, a operadora registrou crescimento de 11,3% no total de segurados no segmento SPG (Seguro para Pequenos Grupos), que contempla empresas de 3 a 199 pessoas.
“Ter um plano de saúde é 1 dos 3 principais desejos do brasileiro, após as conquistas da casa própria e da educação. Momentos de aquecimento de indicadores de emprego e renda favorecem a contratação de benefícios corporativos por parte de empresas que buscam reter talentos e ampliar sua competitividade. Além disso, a Bradesco Saúde é considerada uma empresa sólida e querida pelos cariocas, por isso, só temos a comemorar”, destaca Flávio Bitter, diretor-gerente da seguradora.
Rápidas
A NTC&Logística realizará, em 27 de agosto, em sua subsede em SP, o 2º Encontro Nacional de Segurança no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), com o tema “Atos de Interferência Ilícita contra o Modal Rodoviário – Veículos e Cargas”. Inscrições aqui *** O projeto Saindo do Prelo, do IAB, lançará nesta sexta-feira, 10h30, 2 livros jurídicos: Dano tanatológico: dano da perda da vida e dano reflexo da morte, do ministro do TST Alexandre Agra Belmonte; e CLT comentada, do mesmo autor, em colaboração com os juízes do TRT-RJ Claudio Vitor Freitas e Amanda Diniz.
CNN Brasil - SP 14/08/2025
As restrições propostas no leilão do novo superterminal de contêineres em Santos (SP) são "clamorosamente desnecessárias" e impõem um "sacrifício drástico" à concorrência, segundo parecer jurídico assinado pelo ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto e obtido pela CNN.
O documento foi anexado ao processo no TCU (Tribunal de Contas da União), que analisa atualmente as regras definidas pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para o leilão do Tecon Santos 10.
"[A minuta de edital é] desproporcional em sentido estrito, considerando o grau de severidade da restrição concreta que impõe à fase licitatória, deixando de lado agentes cuja solidez econômica e destreza técnica e operacional já são testadas e aprovadas pela própria instância regulatória", afirma Ayres Britto.
A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) propôs -- e o MPor validou -- um leilão dividido em duas fases. Na primeira etapa, ficam impedidos de participar os atuais operadores de terminais de contêineres em Santos.
Se não houver interessados, a disputa é aberta aos incumbentes em uma segunda etapa. Mas, caso arremate o Tecon Santos 10, um operador de terminal teria que se desfazer do ativo existente antes da assinatura do novo contrato.
Santos Brasil (controlada pela francesa CGA CGM), BTP (das companhias de navegação MSC e Maersk) e a DPW movimentam contêineres atualmente no maior porto do país.
A Antaq apontou o risco de eventual concentração de mercado -- com essas operadoras movimentando até 60% das cargas em Santos -- caso não haja restrições.
O leilão do Tecon Santos 10, maior da história no setor portuário brasileiro, está previsto para dezembro. O projeto envolve investimentos de quase R$ 6 bilhões e deve aumentar em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres no porto, que hoje está à beira da saturação.
Para o ex-ministro, essas restrições são "desproporcionais" e haveria a possibilidade de aplicar outros remédios concorrenciais.
"Esse modelo impõe um sacrifício imediato, drástico e incontornável da amplitude competitiva da fase licitatória, ao passo que o saneamento concorrencial da execução dos serviços usualmente se compadece com mecanismos menos gravosos do que o inapelável impedimento da participação no certame", escreveu no parecer.
Ayres Britto questiona outros dois pontos. Um é a afronta, em sua avaliação, do princípio constitucional da publicidade: a Antaq definiu as restrições e a existência do leilão faseado somente depois de realizada a consulta pública do Tecon Santos 10, impedindo o "escrutínio público" da proposta.
A Maersk, uma das principais interessadas no novo terminal e sócia da BTP no porto de Santos, chegou a contestar esse ponto na Justiça Federal. Na primeira instância, porém, não conseguiu liminar que paralisasse o processo e reabrisse a consulta pública.
Outro ponto levantado pelo ex-ministro do STF é a ausência de manifestação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre os aspectos concorrenciais do leilão.
Monitor Digital - RJ 14/08/2025
Os portos brasileiros bateram recorde no primeiro semestre deste ano. A movimentação de cargas atingiu 653,7 milhões de toneladas transportadas, volume 1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O porto público com maior movimentação foi o de Santos (67,9 milhões de toneladas), mas o que chama a atenção nos números levantados pela Antaq é o crescimento de 1.494,58% no Porto de Itajaí (SC), que retomou as operações após ficar praticamente parado no final de 2022.
Também foi recorde o volume transportado no semestre em contêineres (78,1 milhões de toneladas) e em granéis sólidos (387,1 milhões de toneladas). “O crescimento tem sido constante em carga conteinerizada, o que mostra uma diversificação do tipo de mercadoria transportada”, explica o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, lembrando que, ainda este ano, o MPor vai promover o leilão do terminal de contêineres de Santos (Tecon Santos 10), que aumentará em 50% a capacidade do porto para este tipo de carga.
Exportações brasileiras aos EUA bateram recorde para julho | Monitor Mercantil
Responsável por 95% do comércio internacional brasileiro, os portos tiveram um crescimento de 2% na movimentação de carga de longo curso (importação e exportação). Entre os produtos mais transportados neste primeiro semestre estão o minério de ferro (190,5 milhões de toneladas e crescimento de 2,5% sobre o mesmo período do ano passado), óleo bruto de petróleo (104,1 milhões de toneladas e crescimento de 0,62%) e soja (93 milhões de toneladas e aumento de 5,2%).
Reativação do Porto de Itajaí
Para o ministro, o recorde do semestre é resultado da expansão comercial brasileira e da política de investimentos do Governo Federal para o setor, que reflete, inclusive, na retomada das atividades do Porto de Itajaí.
“Encontramos em 2023 um porto praticamente abandonado em Itajaí, impactando fortemente na economia de Santa Catarina e do Sul do país. Sob orientação do presidente Lula reativamos as operações e retomamos a gestão do complexo, reestabelecendo a atividade econômica e emprego para a população do estado”, disse Costa Filho.
Em maio, durante cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Silvio Costa Filho anunciou investimentos de R$ 844 milhões para modernização do porto de Itajaí até 2030. O pacote contempla dragagem do Rio Itajaí-Açu, readequação do molhe de Navegantes e construção de píer para navios de cruzeiro, entre outras obras estruturantes.
O próximo passo da transformação será a criação da Autoridade Portuária do Porto de Itajaí, medida que conferirá autonomia administrativa total ao complexo. Em junho, o MPor instituiu Grupo Técnico de Trabalho (GTT) para elaborar os aspectos da futura empresa pública federal, que substituirá a gestão transitória exercida pela Autoridade Portuária de Santos.
Agência Camara - DF 14/08/2025
Juristas que elaboraram o anteprojeto do novo marco regulatório do setor portuário brasileiro anunciaram nesta quarta-feira (13), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que já há acordo sobre as mudanças com os sindicatos de trabalhadores portuários. O Projeto de Lei (PL) 733/25, que revoga a atual Lei dos Portos, é visto por eles como uma "terceira abertura dos portos brasileiros", após os marcos legais de 1808 e 1993.
O texto, com 151 artigos distribuídos em oito capítulos, busca resolver gargalos logísticos, regulatórios, ambientais, patrimoniais e questões trabalhistas.
“Na semana passada, foi noticiada a celebração de um acordo que pacifica a rica e intensa controvérsia que se estabeleceu em relação à questão do trabalho portuário no Brasil. Parece que estão apenas alinhando a melhor redação de algumas regras, mas superando todo aquele embate que nós tivemos”, disse o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Douglas Rodrigues, que presidiu a comissão de juristas criada em março de 2024 pela Câmara dos Deputados para revisar a legislação do setor.
O projeto, que está agora sendo analisado por uma comissão especial da Câmara, é resultado do trabalho dos juristas e foi proposto pelo deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA). O texto define regras sobre a exploração dos portos, a operação portuária e o trabalho no setor.
Mão de obra
Um dos pontos polêmicos abordados durante o debate na comissão especial foi a previsão de que os atuais órgãos gestores de mão de obra nos portos, conhecidos como Ogmos, percam, pelo novo marco legal, a exclusividade na oferta de trabalhadores avulsos para as operações portuárias. Atualmente, os operadores portuários só podem contratar trabalhadores avulsos desse quadro, o que cria uma exclusividade.
Outro ministro do TST que também integrou a comissão de juristas, Alexandre Luiz Ramos explicou que o projeto retira a exclusividade, mas assegura prioridade ao trabalhador vinculado ao Ogmo nas contratações. “Apenas em caso de recusa de trabalhadores, aí sim o operador, para não paralisar a operação, poderá buscar mão de obra fora do sistema Ogmo”, pontuou
Ramos destacou ainda outras mudanças em relação ao trabalho portuário, como a criação de uma certificação nacional para todos os trabalhadores (avulsos ou vinculados), com validade de cinco anos.
“Aqui me parece uma grande vantagem de ampliação do mercado de trabalho dos trabalhadores portuários, vinculados ou avulsos: a possibilidade de trabalhar em todo o território nacional, porque hoje sabemos que o trabalhador avulso só pode trabalhar dentro de um porto organizado vinculado a um Ogmo ”, acrescentou.
Relator da comissão de juristas, o desembargador Celso Peel destacou o empenho do colegiado em ouvir todos os setores. Segundo ele, o projeto partiu de disputas que ficam paradas no judiciário e busca equilibrar princípios constitucionais, a valorização do trabalho e a liberdade econômica.
“Procuramos durante todo o nosso trabalho valorizar o trabalho humano e também, do mesmo modo, a atividade econômica. Posso garantir a todos que nenhum direito individual de trabalhador foi retirado e, por outro lado, o projeto também respeitou a liberdade econômica”, disse.
Simplificação
Ele disse ainda que o texto atende uma demanda constante de vários arrendatários de terminais portuários: a simplificação regulatória patrimonial e ambiental. Peel afirmou que muitos empresários reclamam, por exemplo, de esperas de até 6 anos para análise e concessão de licenças ambientais.
“O país não pode esperar todo esse tempo, então nós apresentamos vários dispositivos visando essa simplificação. Por exemplo, no porto organizado [público], com a licença ambiental de todo o porto, o arrendatário não precisa tirar novamente essa licença para um terminal”, disse.
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Arthur Oliveira Maia, relator da comissão especial
Portos estratégicos
Relator da comissão especial da Câmara, o deputado Arthur Oliveira Maia (União-BA) questionou os juristas sobre a previsão de portos definidos como estratégicos. “O projeto fala em portos estratégicos, mas não define o que seja porto estratégico. Eu acho que, quando não há na lei essa definição, nós avançamos sempre para uma condição de insegurança jurídica”, disse.
Em resposta ao relator, Peel afirmou que o colegiado preferiu estabelecer apenas que os portos estratégicos não podem ser privatizados, cabendo ao legislativo ou ao governo federal definir os critérios para defini-los.
Críticas
O deputado Leônidas Cristino (PDT-CE), que foi ministro da Secretaria Nacional de Portos durante o governo Dilma Roussef, questionou a necessidade de revisar o marco regulatório do país. “Falaram muito aqui de destravar, desburocratizar o marco regulatório portuário, a Lei 12.815, que seria totalmente obsoleta. Eu queria saber: quais artigos são obsoletos?”, questionou.
Cristino criticou pontos do projeto como a transferência de competências do governo federal para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a previsão de prorrogação de contratos por até 70 anos e a flexibilização das licenças ambientais. Para ele, a flexibilização da contratação pelos Ogmos significa o fim desses instrumentos de contratação. “Ogmo facultativo é sinal de extinção.”
Agência Brasil - DF 14/08/2025
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Randolfe Rodrigues, ambos pelo Amapá, adiantaram que a Petrobras e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chegaram a um acordo para realizar, no próximo dia 24, a avaliação pré-operacional (APO) na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
A APO são vistorias e simulações referentes à efetividade do plano de emergência proposto pela Petrobras, que tem interesse em explorar petróleo na área costeira, tida como tão promissora quanto o pré-sal. O procedimento é o último passo antes de o Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), conceder licença para exploração na região.
Por meio de nota publicada na página do Senado, o presidente da Casa diz ter recebido “com grande alegria” a notícia sobre o avanço nas etapas para a pesquisa exploratória de petróleo na Margem Equatorial.
“Foi definida a realização de um exercício de simulação, com duração estimada de três a quatro dias, para testar a capacidade de resposta das equipes. A data para a avaliação pré-operacional provavelmente será no próximo dia 24, a depender da avaliação dos técnicos do Ibama e da Petrobras”, informou.
“Essa é uma vitória do Amapá e do Brasil. Um marco, resultado do empenho e do trabalho conjunto de vários atores que defendem um futuro energético sustentável para o nosso país”, completou.
O bloco FZA-M-59 fica a 170 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá. Pelas redes sociais, Randolfe Rodrigues afirmou que recebeu a confirmação da data em conversa com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A reunião preparatória entre equipes técnicas da petroleira e do órgão ambiental para a APO aconteceu na terça-feira (12). Segundo o parlamentar, um navio-sonda da Petrobras está no litoral norte e segue para o local da perfuração.
Nova fronteira
A Margem Equatorial ganhou notoriedade nos últimos anos por ser tratada como nova e promissora fronteira de exploração de petróleo e gás. Descobertas recentes de petróleo nas costas da Guiana, da Guiana Francesa e do Suriname mostraram o potencial exploratório da região, localizada próxima à linha do Equador.
No Brasil, a área se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá. A Petrobras tem poços na nova fronteira exploratória, mas só tem autorização do Ibama para perfurar dois, na costa do Rio Grande do Norte.
Em maio de 2023, o Ibama negou a licença para outras áreas, como a da Bacia da Foz do Amazonas, conhecida como bloco FZA-M-59. A Petrobras pediu ao Ibama uma reconsideração e espera a decisão.
Além da companhia, setores do governo, incluindo o Ministério de Minas e Energia e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, têm pressionado pela liberação da licença. No Congresso, Alcolumbre tem sido um dos principais articuladores para apressar e autorizar a licença. A espera pela licença de exploração custa R$ 4 milhões por dia à estatal.
Ambientalistas
A exploração é criticada por ambientalistas, preocupados com possíveis impactos ao meio ambiente. Há também a percepção por parte deles de que se trata de uma contradição à transição energética, que preza por menos combustíveis fósseis e mais energia renovável, que emitam menos gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.
A Petrobras insiste que a produção de óleo a partir da Margem Equatorial é uma decisão estratégica para que o país não tenha que importar petróleo na próxima década. A estatal tem afirmado que seguirá padrões de segurança para evitar acidentes ambientais e frisa que, apesar do nome Foz do Amazonas, o local fica a 540 quilômetros da foz do rio propriamente dita.
Na última semana, um comunicado da Academia Brasileira de Ciências (ABC) defendeu mais pesquisas antes de se autorizar perfurações em busca de óleo.
Procurado pela Agência Brasil, o Ibama informou que “as decisões relacionadas à APO serão registradas, oportunamente, no referido processo de licenciamento”.
Também procurada, a Petrobras não se manifestou até a conclusão da reportagem.
Agência Senado - DF 14/08/2025
Em discurso no Plenário nesta quarta-feira (13), o senador Lucas Barreto (PSD-AP) afirmou que o avanço de mais uma etapa do processo de licenciamento ambiental para a exploração de petróleo na Margem Equatorial representa um progresso importante para o Amapá. O senador alertou, porém, que ainda há um longo caminho a ser percorrido. Segundo ele, o estado enfrenta obstáculos impostos por setores que buscam impedir o desenvolvimento regional sob justificativas ambientais.
O parlamentar criticou propostas de criação de reservas na costa amapaense e citou ações de organizações não governamentais, pareceres técnicos e decisões do Ministério Público Federal que, segundo ele, tentam inviabilizar a exploração de petróleo e gás na região. Lucas Barreto também defendeu a revisão da legislação ambiental para permitir o avanço de projetos estratégicos como a pavimentação da BR-319.
— Fizemos tudo isso e faremos o que for preciso com a coragem que poucos têm de enfrentar de peito aberto um sistema perversamente preparado para impedir o desenvolvimento do Amapá. A luta pela exploração de petróleo e gás na costa amapaense não admite neutralidade confortável, muito menos discurso morno e oportunista — declarou.
Lucas Barreto ainda manifestou apoio aos colegas senadores do Amazonas diante dos entraves à conclusão da BR-319, destacando que a rodovia é essencial para a integração da região ao restante do país e para o escoamento de produtos. Ao defender um modelo de desenvolvimento aliado à preservação ambiental, o senador afirmou que a floresta amazônica “é habitada, com gente viva que sonha, trabalha e merece prosperar”.
Infomoney - SP 14/08/2025
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reafirmou a necessidade de estudos aprofundados para avaliar os impactos do avanço da indústria do petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá. Ela destacou que essa é a melhor forma de evitar riscos de uma “espécie de Serra Pelada do petróleo” na região.
Marina mencionou o leilão realizado em junho, que ofertou 19 blocos exploratórios na área, sem que estudos ambientais abrangentes tivessem sido feitos previamente. As petroleiras Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC arremataram os blocos, totalizando R$ 844 milhões em arrecadação para o governo.
A ministra defende a realização de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), um estudo que abrange toda a região potencialmente explorada, conduzido pelos ministérios do Meio Ambiente e das Minas e Energia, para medir os impactos socioambientais.
“Existe um leilão que já estabeleceu 19 blocos de petróleo”, afirmou Marina Silva em entrevista à CNN Brasil. “Desde o início do governo, tenho dito ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que o ideal seria ter começado a avaliação da área sedimentar de uma bacia pouco conhecida, justamente para evitar que tenhamos, entre aspas, uma espécie de Serra Pelada do petróleo numa região tão sensível como essa.”
Serra Pelada, no sudeste do Pará, ficou conhecida na década de 1980 pela corrida desenfreada de garimpeiros em busca de ouro.
As declarações da ministra ocorrem no momento em que a Petrobras avançou no processo de licenciamento para perfurar um poço exploratório na região, após ter tido o pedido negado em 2023 e implementar melhorias no projeto.
A Foz do Amazonas é considerada pela indústria petrolífera como uma área de alto potencial para descobertas, mas enfrenta resistência de segmentos da sociedade devido aos desafios socioambientais envolvidos.
Simulado da Petrobras
A Petrobras, que busca autorização para perfuração há anos, realizará um simulado de resposta a possíveis incidentes na semana que começa em 24 de agosto, antes da decisão final do Ibama sobre o licenciamento.
Sobre o simulado, Marina afirmou que técnicos do Ibama acompanharão a atividade para verificar “se os procedimentos que eles (Petrobras) dizem garantirão a segurança do processo de prospecção estão condizentes com as necessidades de uma região tão sensível e pouco conhecida, como a Foz do Amazonas”.
A ministra ressaltou que o poço tem o objetivo de confirmar a existência ou não de petróleo e reconheceu os aprimoramentos feitos pela Petrobras no projeto.
“Essa é uma fase necessária que o Ibama realiza em todos os empreendimentos complexos, que é a simulação”, explicou Marina. “É um processo natural na dinâmica da exploração de petróleo, seja em bacias conhecidas, como a de Campos, seja na margem equatorial, na Foz do Amazonas, que é uma bacia pouco conhecida e que exige todo o rigor.”
Marina destacou que a Petrobras fez ajustes no projeto, como a construção de um centro de atendimento à fauna em Oiapoque, além de outro já existente em Belém, considerado pelo Ibama distante do local da perfuração.
“Se o Ibama não tivesse negado o licenciamento duas vezes, teríamos um processo de prospecção com uma base de atendimento à fauna oleada a cerca de 800 km do local da perfuração. Foi graças ao Ibama e ao processo rigoroso e técnico que vários ajustes foram feitos”, afirmou.
Antes da Petrobras assumir a área, o Ibama havia negado licença para perfuração à petroleira francesa TotalEnergies na região.
A Tribuna - SP 14/08/2025
A menos de um mês do leilão do túnel imerso Santos-Guarujá, há grupos empresariais nacionais e internacionais garantindo a participação na concorrência da maior obra de infraestrutura do País. A informação é do secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini. O certame será realizado em 5 de setembro, às 16 horas, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).
Em entrevista para A Tribuna, o secretário não revelou quais nem quantas empresas são, mas disse que elas têm know-how nesse tipo de empreendimento.
“São grandes grupos nacionais e internacionais que estão interessados no túnel. Dentro desses grupos há empresas com atestação, que realmente sabem fazer o túnel, que vão trazer essa tecnologia para o Brasil, o que é uma das exigências do edital”.
Benini disse ainda que algumas companhias especializadas compõem consórcio e outras são subcontratadas, o que também está previsto no edital. “Essas empresas internacionais já estavam interessadas em investir no túnel. Elas estão participando de todo o processo, participaram durante a audiência pública, durante os esclarecimentos do edital e pediram algumas alterações no projeto”, comentou.
Os ajustes técnicos no projeto foram confirmados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no dia 13 de junho, em Santos, quando participou de ato cívico em celebração dos 262 anos do patriarca da Independência José Bonifácio de Andrada e Silva.
As mudanças elevaram o custo da obra de R$ 5,96 bilhões para R$ 6,8 bilhões. A entrega dos envelopes dos licitantes está marcada para o dia 1º de setembro, às 10 horas, na B3 e a abertura das propostas ocorrerá no dia 5. Originalmente, o leilão estava marcado para 1º de agosto, mas teve a data alterada.
A licitação internacional será por concessão patrocinada na modalidade de parceria público-privada (PPP). Vencerá o licitante que oferecer o maior desconto sobre o valor anual da contraprestação pública máxima, que é de R$ 438,4 milhões (data-base de março de 2025).
O contrato terá vigência de 30 anos e a futura concessionária será responsável pela construção, operação e manutenção do ativo, podendo auferir receita tarifária de R$ 2,34 bilhões a partir do sexto ano de concessão. Dos R$ 6,8 bilhões, R$ 5,14 bilhões são aporte público e R$ 1,78 bilhão a parte prevista em despesas operacionais.
Edital foi modificado para atrair mais empresas
Segundo o Governo do Estado, a minuta do edital foi atualizada para tornar a concessão mais atrativa ao setor privado, oferecendo garantias de previsibilidade, equilíbrio econômico-financeiro e segurança jurídica. As melhorias no edital resultam diretamente das contribuições colhidas no roadshow internacional promovido na Europa e na Ásia, que reuniu operadores globais de infraestrutura.
“Os roadshows realizados na Europa e na Ásia nos ajudaram a tirar algumas dúvidas, foram muito importantes para trazer empresas interessadas no túnel”, declarou o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini. O governador Tarcísio de Freitas e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, participaram dessas missões internacionais.
Entre os ajustes estão a atualização da data-base contratual para janeiro de 2025, a revisão de custos relevantes — como concreto, dragagem e paredes diafragma — e a reavaliação da distância média de transporte, agora considerada em 85 km. As projeções de tráfego também foram atualizadas.
Além disso, foi criada uma conta desapropriação, houve ajustes nos critérios de alocação de riscos — especialmente geológicos e de interferências — e soluções provisórias para o cais de Outeirinhos e o pátio ferroviário no Guarujá, que garantirão o funcionamento da infraestrutura portuária e logística durante a execução das obras.
Com 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros submersos, o túnel contará com três faixas por sentido, sendo duas para carros, ônibus e caminhões e uma exclusiva para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de galeria para pedestres e ciclistas.
A Tribuna - SP 14/08/2025
O Governo de São Paulo anunciou um amplo pacote de obras para transformar a infraestrutura viária da Baixada Santista nos próximos anos. Com investimento previsto de R$ 4,3 bilhões, o Lote Litoral Paulista vai modernizar 212 quilômetros de rodovias, com intervenções que incluem duplicações, construção de marginais, implantação de ciclovias e passarelas, além de reforço no pavimento e na sinalização.
As melhorias também envolvem tecnologia e segurança. Estão previstas câmeras de monitoramento e oito novas bases operacionais do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), que funcionarão 24 horas por dia, oferecendo suporte como ambulância com médico, guincho e atendimento emergencial. As obras são acompanhadas e fiscalizadas pela Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo).
Segundo o governo, já foram aplicadas 17,3 mil toneladas de pavimento na recuperação de trechos críticos das rodovias SP-055 (Padre Manoel da Nóbrega), SP-098 (Mogi–Bertioga) e SP-088. A implantação do sistema de cobrança eletrônica Siga Fácil também está prevista, com os recursos revertidos para as melhorias previstas em contrato.
Cronograma vai até 2032
As intervenções serão entregues de forma escalonada. Em 2025, começam a funcionar as bases de atendimento e pórticos de monitoramento. Entre 2026 e 2027, serão concluídas as primeiras marginais em áreas urbanas, além de passarelas, ciclovias e pontos de ônibus mais seguros. A partir de 2027, retornos em desnível devem reduzir cruzamentos perigosos, enquanto entre 2028 e 2029 estão previstas passagens inferiores para pedestres e veículos, alargamento de pontes e construção da ponte sobre o Rio Guacá, na SP-098. Já na Serra da Mogi–Bertioga, as obras de faixas adicionais, rampas de escape e baias devem ser finalizadas até 2030. As duplicações da SP-055 serão entregues por etapas até 2032.
Foco na segurança e mobilidade
O projeto, de acordo com o Estado, busca separar o tráfego urbano do de longa distância, reduzir acidentes e oferecer mais conforto a motoristas, ciclistas e pedestres. As marginais terão iluminação pública, ciclovias contínuas e acesso organizado às vias principais. Passarelas e passagens inferiores vão melhorar a travessia em áreas de grande fluxo, enquanto retornos em desnível vão eliminar cruzamentos perigosos.
Valor - SP 14/08/2025
Segmentos que já sofrem consequências do tarifaço veem pacote com reservas e pedem ações mais efetivas
Os setores do agronegócio receberam com reservas o pacote emergencial do governo federal para conter os danos do “tarifaço” americano. Alguns segmentos, que já amargam efeitos como queda de vendas e preços, esperam por mais detalhes das medidas de apoio, enquanto outros criticaram o limite da iniciativa.
Para representantes do setor de pescados, que exporta 70% de seus produtos aos EUA, o ideal seria que as taxas de juros aos exportadores fiquem abaixo ou igual às praticadas no Plano Safra. “Algo abaixo de 6% é razoável para que o empresário possa se endividar momentaneamente”, destacou Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira de Pescados (Abipesca).
Para Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe-BR), faltam mais detalhes da medida provisória, como o volume das compras públicas de alimentos e o tamanho das empresas que serão beneficiadas com o crédito de R$ 30 bilhões. “Conforme for, a gente já nem entra nisso mais”, afirmou.
Para a Abipesca, o governo deveria voltar seus esforços para a reabertura do mercado europeu, fechado desde 2018 por questões regulatórias. Já a Peixe-BR defende que o governo flexibilize o padrão de produção do Brasil visando atender mercados que hoje são atendidos pela China.
“O problema não é a abertura de mercado. Mercado para filé congelado tem no mundo inteiro. Todos os países da América Latina importam o filé da China e não importam um quilo sequer do nosso por conta do preço”, disse Medeiros.
No setor de frutas, o sentimento é de preocupação. A Associacão dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale Do São Francisco (Valexport) disse que “preocupa” que a medida provisória (MP) não tenha previsto a prorrogação das operações de adiantamento de contrato de câmbio (ACC) e de Acordo de Câmbio de Exportação (ACE), por exemplo.
A Valexport também criticou o fato da MP não ter incluído a demanda de devolução automática de créditos de ICMS nem a extensão dos custeios agrícolas de produtos para exportação. “A manga é um produto perecível e qualquer atraso ou dificuldade financeira pode significar prejuízo grande”, disse a associação, em nota.
Alguns setores também criticaram o fato da MP não prever apoio a outros elos da cadeia exportadora, como os fornecedores. “O pequeno produtor que comercializa sua produção para empresas exportadoras corre o risco de ficar desamparado neste plano de contingenciamento, uma vez que os instrumentos anunciados priorizam diretamente o exportador direto”, criticou a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Essa também foi a crítica dos pecuaristas. “Se há alguém ou setor que deva ser atendido, ressarcido ou ter qualquer tipo de compensação, é o pecuarista”, defendeu Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Segundo a associação, “o produtor já está perdendo quase R$ 400 por animal abatido, independentemente do destino dessa carne”. A associação disse que os pecuaristas estão perdendo US$ 12 milhões ao dia com a queda dos preços da arroba bovina.
Procurados para comentar o pacote do governo, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) não comentaram.