Clipping Diário

21 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

Valor - SP   21/08/2025

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês) incluiu todos os produtos manufaturados que levam aço ou alumínio sob a Seção 232 do Ato de Expansão Comercial, que permite tarifas específicas para promover a segurança nacional dos EUA. Isso significa que os produtos brasileiros exportados vão pagar a mesma tarifa que os do resto do mundo. A informação foi dada ontem pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em entrevista concedida à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews.

Até agora, aço e alumínio estavam sendo taxados em 50%. Agora, o USTR incluiu também os produtos derivados de aço ou alumínio, que utilizam esses metais em sua constituição. Dessa forma, o Brasil, que estava perdendo competitividade nesses produtos, passa a ter a mesma alíquota que todos os outros países concorrentes, que também serão taxados em 50%. A decisão vale, inclusive, para máquinas agrícolas, itens bastante exportados pelo Brasil para os Estados Unidos.

Segundo o vice-presidente, a medida significa que cerca de US$ 2,6 bilhões em exportações brasileiras para os EUA voltam a ganhar competitividade. “Não vamos desistir. Vamos continuar negociando permanentemente”, disse Alckmin, embora tenha admitido que a última conversa direta com o secretário de comércio americano, Howard Lutnick, tenha ocorrido há algumas semanas. “Mas os técnicos continuam trabalhando, e um pouco mais que isso, temos diálogo pelos canais institucionais”, afirmou.

Sobre a investigação da seção 301 contra o Brasil, o vice-presidente destacou que o processo permite a apresentação de defesa, o que foi feito nesta semana, e que assim se estabelece um diálogo entre os dois países. “Isso já aconteceu antes no passado e acabou arquivado”, ressaltou.

Em relação às exigências de Donald Trump em relação ao processo contra Jair Bolsonaro, o vice-presidente disse que não se pode misturar questões econômicas e políticas e, sem citar o deputado Eduardo Bolsonaro, voltou a responsabilizá-lo pelo tarifaço. “Infelizmente, alguns maus brasileiros ficam lá fora trabalhando contra o Brasil. Prejudicando a economia, as empresas e os trabalhadores brasileiros”.

Questionado sobre o estresse no mercado financeiro, especialmente entre os bancos, com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em relação à ineficácia da Lei Magnitsky no Brasil, Alckmin procurou minimizar a questão. “O Brasil é um país soberano. Isso vai passar e logo o mercado vai retomar a normalidade. Acredito que isso para por aqui”, disse, descartando uma possível escalada nas sanções contra autoridades brasileiras.

IstoÉ Dinheiro - SP   21/08/2025

A Organização Mundial do Comércio (OMC) informou que a China abriu uma disputa contra o Canadá em razão de sobretaxas e cotas impostas a produtos de aço e alumínio.

Segundo comunicado da instituição, “a China solicitou consultas de disputa à OMC com o Canadá a respeito de medidas canadenses que impõem uma sobretaxa na forma de cotas tarifárias sobre a importação de determinados produtos de aço provenientes de países sem acordo de livre comércio com o Canadá, incluindo a China”.

A OMC acrescentou que a contestação também envolve “uma sobretaxa sobre certos produtos de aço e alumínio que contenham aço ou alumínio originários da China”.

O pedido de consultas, que marca o primeiro passo formal em uma disputa no organismo, foi distribuído nesta quarta-feira, 20, aos membros.

CNN Brasil - SP   21/08/2025

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira (20) que a decisão do Departamento de Comércio dos Estados Unidos de elevar as tarifas de aço e alumínio contidos em uma lista de produtos importados pelo país aumenta a competitividade do Brasil, uma vez que a taxação maior valerá para a grande maioria dos parceiros comerciais dos EUA.

Segundo Alckmin, de um total de US$ 40 bilhões exportados pelo Brasil aos EUA, US$ 2,6 bilhões serão afetados pela nova iniciativa, recebendo a mesma cobrança que incidirá sobre outros países.

O governo dos EUA informou na terça-feira (19) que 407 categorias de produtos estavam sendo adicionadas à lista de produtos "derivados" de aço e alumínio cobertos por tarifas setoriais de importação, com uma tarifa de 50% sobre qualquer conteúdo de aço e alumínio desses produtos, mais a alíquota do país sobre o conteúdo que não seja de aço e alumínio.

"(Por que) isso é importante? Porque melhora a nossa competitividade na área industrial", disse Alckmin em coletiva de imprensa após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Portal Fator Brasil - RJ   21/08/2025

A Usiminas reduziu em aproximadamente 95% as aberturas de bleeder no Alto-Forno 3, processo operacional eventual para alívio de pressão no equipamento que pode gerar incômodo para a comunidade próxima. Reflexo direto das melhorias implementadas durante a reforma do forno e novos modelos de operação com foco no cuidado com o meio ambiente. Com investimento de R$ 2,7 bilhões, o projeto contribuiu com os avanços em eficiência operacional, segurança e desempenho ambiental.

Um exemplo foi a modernização de um conjunto de sensores que monitora, em tempo real, a temperatura e o fluxo de gases. Esse sistema melhorou substancialmente o controle do processo e minimizou o risco de abertura do bleeder, dispositivo que libera pressão dentro do alto-forno. Antes da reforma, esse processo era mais frequente com geração de poeira e desconforto para a população. Com as novas tecnologias, esse risco foi significativamente reduzido.

Outra importante tecnologia que contribuiu para esta redução promove uma distribuição mais uniforme das matérias-primas dentro do forno, reduzindo variações de pressão interna. —Essa reforma nos proporcionou mais controle sobre os parâmetros operacionais. O conjunto de melhorias trouxe mais estabilidade ao processo e reduziu a necessidade de ações emergenciais como a abertura do bleeder — explica Gilberto Silva, gerente de Operação do Alto-Forno 3 da Usiminas.

As mudanças também envolveram o aprimoramento do padrão de sopro, ajustes finos nas vazões de processo e a atuação preventiva em equipamentos críticos, garantindo uma operação mais estável, segura e alinhada aos compromissos ambientais da empresa. “O cuidado com a vizinhança e o respeito ao meio ambiente são compromissos da Usiminas. Essa expressiva redução nas emissões visíveis reforça nossa atuação responsável e nosso foco na modernização industrial com sustentabilidade”, destaca Mônica Lima, gerente de Meio Ambiente.

Alto-Forno 3 — A operação do novo Alto-Forno 3 foi retomada em novembro de 2023. Com capacidade para produzir 3três milhões de toneladas anuais de ferro gusa, o equipamento entrou em operação como o mais moderno no Ocidente. Além da melhoria no desempenho ambiental, a nova configuração contribui para menores emissões de CO2 e material particulado, consolidando um novo patamar de tecnologia e desempenho para a Usiminas.

Petro Notícias - SP   21/08/2025

A Usiminas anunciou que conseguiu reduzir em cerca de 95% as aberturas de bleeder no Alto-Forno 3, em Ipatinga (MG). Esse procedimento, utilizado para aliviar pressão no equipamento, era realizado de forma eventual, mas podia gerar incômodos para a comunidade próxima. A queda no número de ocorrências é resultado das melhorias implementadas durante a recente reforma do forno, que recebeu investimentos de R$ 2,7 bilhões, e de novos modelos operacionais voltados à eficiência e ao cuidado ambiental.

Entre as mudanças, está a modernização de sensores que monitoram, em tempo real, a temperatura e o fluxo de gases. O sistema aumentou o controle sobre o processo e reduziu significativamente o risco de abertura do bleeder, que antes era mais frequente e ocasionava emissão de poeira. Outro avanço foi a adoção de tecnologia para promover a distribuição mais uniforme das matérias-primas no interior do forno, reduzindo variações de pressão interna.

“Essa reforma nos proporcionou mais controle sobre os parâmetros operacionais. O conjunto de melhorias trouxe mais estabilidade ao processo e reduziu a necessidade de ações emergenciais como a abertura do bleeder”, afirmou Gilberto Silva, gerente de Operação do Alto-Forno 3 da Usiminas.

As medidas também incluíram aprimoramentos no padrão de sopro, ajustes de vazões e ações preventivas em equipamentos críticos. Para a empresa, esses fatores garantem maior estabilidade e segurança, além de reforçar compromissos ambientais. “O cuidado com a vizinhança e o respeito ao meio ambiente são compromissos da Usiminas. Essa expressiva redução nas emissões visíveis reforça nossa atuação responsável e nosso foco na modernização industrial com sustentabilidade”, disse Mônica Lima, gerente de Meio Ambiente.

O Alto-Forno 3 voltou à operação em novembro de 2023, com capacidade de produção de 3 milhões de toneladas anuais de ferro gusa. Segundo a Usiminas, a nova configuração também contribui para a redução de emissões de CO2 e material particulado, colocando o equipamento entre os mais modernos do Ocidente.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2025

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, indicou nesta quarta-feira, 20, que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse “claramente” que dará prioridade às medidas do Plano Brasil Soberano - pacote anunciado pelo governo Lula para diminuir o impacto do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ainda de acordo com o vice-presidente, Motta também destacou que vai conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sobre as medidas.

Segundo Alckmin, quanto mais rápido o Congresso aprovar a Medida Provisória (MP) e o projeto de lei complementar que o governo encaminhou na esteira do tarifaço, melhor - considerando especialmente que o PLP que só entrará em vigor após passar no Legislativo. Ainda de acordo com o vice-presidente, Motta também sinalizou que dará prioridade a matérias em trâmite na Casa que tratam do comércio exterior.

As ponderações foram feitas por Alckmin após uma reunião com o presidente da Câmara sore a agenda legislativa de interesse do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, na área de comércio exterior.

De acordo com a pasta, o pacote reúne 18 propostas - duas relacionadas à resposta ao tarifaço, 11 acordos internacionais e cinco projetos ligados a isenções, crédito, garantias e facilitação.

Aço e alumínio

Alckmin destacou que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos estabeleceu que produtos que tenham aço ou alumínio passarão a seguir as regras da Seção 232 do Ato de Expansão Comercial, que permite tarifas específicas de produtos para promover a segurança nacional. Alckmin frisou que a mudança melhora a competitividade do País na área industrial.

“Se eu vendo uma máquina que tem aço, essa parte do aço, nós ficamos igual para o mundo inteiro, porque entra na sessão 232. Um instrumento domiciliar, garfo, faca, alumínio, tudo que tiver alumínio, nós entramos na 232”, indicou. A mudança vale para máquinas, equipamentos, motocicletas, “tudo o que tem aço ou alumínio”.

“Nós fizemos a compra de 2,6 bilhões de dólares de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, que somam 40 bilhões de dólares. Ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% [em tarifas] e vão para a sessão 232. O que torna igual a nossa competitividade com o restante do mundo”, completou.

‘Efeito limitado’

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, diz que a medida é positiva, mas terá um efeito limitado sobre as exportações não só do Brasil, mas do resto do mundo. Segundo Velloso, os produtos da Seção 232 também são produzidos pelos americanos, e são os produtores locais (dos EUA) que vão ocupar o mercado.

“Todos os produtos intensivos em aço que entraram na 232 ficaram em pé de igualdade com o resto do mundo, mas continuam perdendo competitividade para os produtos finais americanos. Por ora, não enxergo ganho para as exportações brasileiras de máquinas, por conta dessa mudança, afirmou Velloso.

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2025

Para não baixar o juro apesar das pressões do governo de Donald Trump, dirigentes do Federal Reserve (Fed) consideraram que os efeitos das tarifas “estavam se tornando mais aparentes nos dados, como indicado pelos recentes aumentos na inflação de bens”. É o que mostra a ata da mais recente reunião dessa instituição equivalente ao Banco Central americano, divulgada nesta quarta-feira, 20. A reunião, ocorrida em 29 e 30 de julho, manteve, pela quinta vez seguida, a taxa básica de juros inalterada, na faixa de 4,25% e 4,50%.

Poucas horas antes da divulgação do documento, programada para as 15h (horário de Brasília), Trump abria uma nova frente de pressão contra o Fed. Pediu a renúncia da diretora Lisa Cook, depois que um membro de seu governo a acusou de cometer fraude hipotecária.

Bill Pulte, diretor da agência que supervisiona as gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, instou o Departamento de Justiça a investigar Cook, nomeada para o conselho administrativo do Fed pelo ex-presidente Joe Biden em 2022 e renomeada no ano seguinte para um mandato que vai até 2038.

Quando serão sentidos os efeitos das tarifas

Segundo o documento do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed, “muitos participantes notaram que pode levar algum tempo para que os efeitos completos das tarifas mais altas sejam sentidos nos preços de bens e serviços ao consumidor”.

Entre as razões citadas estão o acúmulo de estoques em antecipação às tarifas mais altas; a lenta transferência de aumentos de custos de insumos para preços finais; a atualização gradual de contratos; a manutenção de relacionamentos entre empresas e clientes; questões relacionadas à arrecadação de tarifas; e negociações comerciais ainda em andamento.

A ata do Fed ainda relatou que “as evidências até agora sugeriram que os exportadores estrangeiros estavam pagando, na melhor das hipóteses, uma parte modesta do aumento das tarifas, o que implica que as empresas e consumidores domésticos estavam arcando predominantemente com os custos”.

Alguns dirigentes destacaram que companhias teriam cada vez mais que repassar os custos de tarifas aos clientes finais. Outros, porém, disseram que estratégias como “negociar ou trocar fornecedores, alterar processos de produção, reduzir margens de lucro, impor mais disciplina salarial ou explorar medidas de eficiência, como automação e novas tecnologias”, vinham sendo usadas para evitar repasses integrais.
‘Aumento da inflação no curto prazo parece provável’

A ata mostra que os membros avaliaram que o aumento da inflação no curto prazo parece provável, ainda que magnitude, timing e persistência da inflação sejam incertos.

O documento relata que os membros concordaram que a inflação permanecia relativamente elevada naquele momento, mas indicadores recentes sugeriam que o crescimento da atividade apresentava moderação no primeiro semestre.

Membros concordaram que, ao considerar ajustes adicionais à política monetária, avaliariam dados recebidos, além da perspectiva e o equilíbrio de riscos.
Inflação x emprego

Segundo a ata, “uma maioria dos participantes considerou que o risco de inflação em alta era maior do que o risco de enfraquecimento do emprego”, embora alguns tenham visto os riscos como equilibrados e poucos tenham apontado maior preocupação com o mercado de trabalho.

Vários membros ressaltaram que a manutenção de expectativas de inflação ancoradas era central, observando que a inflação acima de 2% por período prolongado “aumentava o risco de que as expectativas de longo prazo se desancorassem”.

No balanço de riscos, dirigentes ressaltaram que, se as tarifas resultarem em uma alta “mais persistente do que o esperado da inflação, ou se as expectativas subirem de forma significativa, seria apropriado “manter uma postura mais restritiva de política monetária do que seria o caso em outras circunstâncias”.

Os votos dissidentes na reunião do Fed

A ata descreve os motivos que levaram aos dois votos dissidentes na reunião de 29 e 30 de julho. O documento relata que os membros que defenderam um alívio monetário, Michelle Bowman e Christopher Waller, consideraram que, excluindo os efeitos tarifários, a inflação estava próxima da meta de 2% do comitê e que tarifas mais altas provavelmente não teriam efeitos persistentes sobre a inflação.

Além disso, avaliaram que o risco de queda para o emprego havia aumentado significativamente com a desaceleração do crescimento da atividade econômica e dos gastos do consumidor, e que alguns dados recentes apontavam para um enfraquecimento das condições do mercado de trabalho, incluindo baixos níveis de ganhos na folha de pagamento privada e a concentração desses ganhos em um conjunto restrito de setores menos afetados pelo ciclo econômico.

Veja - SP   21/08/2025

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), divulgada nesta quarta-feira, 20, reforçou a percepção de que o banco central dos Estados Unidos está preso a um delicado equilíbrio entre conter uma inflação que resiste em ceder e preservar a atividade econômica. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidiu manter os juros no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano, mas a discussão revelou fissuras internas.

Quase todos os dirigentes concordaram em manter a taxa inalterada, apostando na necessidade de mais tempo para avaliar os efeitos cumulativos da política monetária restritiva. No entanto, alguns membros defenderam um corte de 0,25 ponto percentual, argumentando que a inflação subjacente, isto é, sem o impacto das tarifas, já estaria próxima da meta de 2% e que os riscos de fragilidade no mercado de trabalho vêm aumentando.

Desinflação mais lenta e consumo em desaceleração

Os dados disponíveis no período que antecedeu a reunião mostraram que o processo de desinflação parece ter perdido força. O índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), medida preferida do Fed, ficou em 2,5% em junho, pouco acima da meta, enquanto o núcleo avançou 2,7% no mesmo período, ambos em patamar semelhante ao do ano anterior.

A inflação de bens, pressionada por tarifas comerciais, foi o principal obstáculo à queda mais acentuada. Ao mesmo tempo, o crescimento econômico se mostrou morno no primeiro semestre. Após contração no primeiro trimestre, o PIB real voltou a crescer no segundo, impulsionado pelas exportações líquidas, mas os gastos domésticos privados perderam fôlego.

Apesar da desaceleração, o mercado de trabalho continua aquecido. A taxa de desemprego caiu para 4,1% em junho, e a relação entre vagas abertas e trabalhadores sem emprego permaneceu em 1,1, dentro da faixa apertada observada ao longo do último ano. Os salários, porém, avançaram 3,7% em 12 meses encerrados em junho, ritmo mais fraco do que em 2024.

Para os membros mais cautelosos do Fed, esse quadro sugere resiliência para manter a política monetária restritiva. Para a ala mais dovish, no entanto, a desaceleração da folha de pagamentos privadas e a perda de dinamismo no consumo reforçam a necessidade de aliviar os juros antes que o desaquecimento ganhe tração.

Tarifaço

A ata também destacou a influência das tarifas comerciais na inflação e no humor dos mercados. Embora investidores tenham reagido com menor volatilidade do que em meses anteriores, a incerteza sobre a política comercial dos EUA segue como fator de risco para o cenário econômico e para a trajetória da política monetária.

O documento reiterou que a estratégia do Fed seguirá “dependente dos dados”. O banco central se comprometeu a monitorar indicadores de atividade, mercado de trabalho e expectativas de inflação antes de decidir sobre eventuais cortes ou novas manutenções.

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2025

Mais do que o passado, são os dados futuros que devem convencer os dirigentes do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, a cortar ou não as taxas de juros na próxima vez que se reunirem, em setembro. Em especial, uma nova surpresa negativa do relatório payroll, principal termômetro do mercado de trabalho dos Estados Unidos, bem como sinais mais benignos da inflação no país são cruciais para uma virada “dovish” (de alívio nos juros), na visão de Wall Street.

O mercado precifica chances superiores a 80% de uma retomada dos cortes pelo Fed em setembro, mostra levantamento da plataforma CME FedWatch, do CME Group. A vez mais recente em que o BC dos EUA flexibilizou sua política monetária foi em dezembro passado. Desde então, o Fed manteve os juros intactos na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano por cinco reuniões consecutivas.

Mas indícios mais fortes da inflação no país no mês de julho, auge do verão no hemisfério norte, injetaram um pouco de cautela no mercado, que teme os efeitos da política tarifária de Trump nos preços. Antes disso, as chances de o Fed voltar a cortar os juros no mês que vem chegaram a bater 100%.

Para o economista-chefe do Santander nos EUA, Stephen Stanley, os dados mais importantes a serem divulgados entre agora e a próxima reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) são o relatório payroll de agosto e as duas próximas leituras da inflação no país: o PCE de julho e o CPI de agosto. “Em particular, eu diria que outra grande surpresa negativa no relatório de emprego provavelmente garantiria um corte de taxa em setembro”, diz Stanley, ao Estadão/Broadcast.

Em julho, os EUA criaram 73 mil novos empregos, nível bem abaixo da mediana de 101 mil, conforme o Estadão/Broadcast. Como consequência, o desemprego na maior economia do mudo aumentou e custou a cabeça da comissária da Agência de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS, na sigla em inglês), demitida por Trump. Além disso, a geração de vagas nos meses de maio e junho sofreu uma baixa de 258 mil postos de trabalho.

Para o Goldman Sachs, os sinais de fraqueza do mercado laboral nos EUA já convenceram a liderança do Fed a retomar os cortes nos juros em setembro. Na reunião de julho, dois diretores defenderam a queda das taxas, uma dissidência que não ocorria havia mais de três décadas no BC dos EUA.

Um deles foi a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, que reforçou sua posição calcada na maior fraqueza do mercado de trabalho americano. “A história está aí e ponto final. Não mudei de opinião”, disse ela, em entrevista à Bloomberg.

Já o presidente do Fed, Jerome Powell, que pode evitar cravar um corte de juros no Simpósio de Jackson Hole devido aos sinais conflitantes do duplo mandato da autoridade, controle de preços e emprego, defendeu antes do mais recente payroll que era necessário “esperar para ver”.

“Não tomamos nenhuma decisão sobre setembro, não... fazemos isso antecipadamente”, disse Powell, após a decisão de julho. Para ele, o indicador que deve ser olhado com atenção é o índice de desemprego nos EUA, que se deteriorou no mês passado.

Nesse sentido, o Goldman Sachs espera que o crescimento do emprego nos próximos meses siga “medíocre” no país como reflexo do avanço moderado da atividade, enxugamento da máquina pública e uma política imigratória mais dura na gestão Trump. “Isso deve sustentar nossa previsão de três cortes de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual) em setembro, outubro e dezembro, seguidos por mais dois no próximo ano”, diz o time de economistas do banco, liderado por Jan Hatzius.

A Charles Schwab também aposta na retomada dos cortes em setembro. Na visão de uma das maiores corretoras dos EUA, a menos que o PCE de julho, que será divulgado na próxima semana, ou o relatório payroll de agosto venham mais fortes, o Fed deve baixar as taxas em 25 pontos-base na sua próxima reunião.

“Os dados de inflação de julho enfatizaram que as pressões de preços relacionadas a tarifas ainda estão conosco, além de alguma pressão no setor de serviços, tornando o caminho para os cortes do Fed um pouco mais acidentado”, observam os estrategistas da Charles Schwab, Liz Ann Sonders e Kevin Gordon, em relatório a clientes, na segunda-feira, 18.

Bancos como o Santander e o Bank of America projetam que o PCE de julho aponte aumento mensal de 0,2%. Já o núcleo do indicador, que exclui preços mais voláteis como alimentos e energia, deve subir 0,3%, para 2,9%, afastando-se mais da meta do Fed, de 2% ao ano. O dado pode desafiar a convicção do mercado de um corte em setembro, e reforça a visão do Bank of America e do rival Morgan Stanley de que o BC dos EUA não deve mexer nos juros em 2025.

Infomoney - SP   21/08/2025

A economista-chefe do JPMorgan na América Latina, Cassiana Fernandez, calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) potencial do Brasil cresceu de 1,5% em 2025 para cerca de 2%, até um pouco mais, em 2025, mencionando que o País avançou com várias reformas estruturais desde 2016.

“Acredito que o PIB potencial subiu de 1,5% no passado para algo perto de 2% ou acima”, disse, ponderando que ainda assim o valor é muito abaixo do que o País cresceu nos últimos anos.

A economista observa que o mercado financeiro subestimou o crescimento da atividade econômica do Brasil nos últimos quatro anos, e que é preciso avaliar se não há algo mais estrutural acontecendo na economia e que possa explicar isso.

Salvo a Argentina nos últimos dois anos, não há economia que tenha avançado tanto com reformas estruturais desde 2016 quanto o Brasil, segundo Fernandez. “É insuficiente? Claro que é insuficiente, mas avançamos bastante”, afirmou. Ela acrescenta que muitas das reformas são difíceis de mensurar, por exemplo o impacto do Pix, da revolução tecnológica no PIB potencial, visto que o sistema de pagamentos instantâneo do BC não foi feito em outro país.

As declarações foram dadas no painel Perspectivas dos Economistas para Brasil, durante a 26ª Conferência Anual do Santander.

Exame - SP   21/08/2025

Os juros têm sido uma preocupação latente para economistas e analistas de mercado no mundo todo nos últimos anos. E, em 2025, uma velha inquietação também voltou à tona: até que ponto será mantida a independência dos bancos centrais?

O crescente domínio fiscal — quando as necessidades fiscais do governo sobrepõem-se à política monetária dos bancos centrais — gera alarmes em diversas partes do mundo, especialmente em grandes economias como os Estados Unidos, Brasil e a União Europeia, e força investidores a repensarem suas estratégias.

Nos Estados Unidos, a insistência do presidente Donald Trump por uma política monetária mais flexível, que inclui a redução das taxas de juros, coloca em risco a independência do Federal Reserve (Fed).

No Brasil, o governo também pressiona o Banco Central (BC) a adotar uma postura mais permissiva com as taxas, com o objetivo de aliviar os custos da dívida pública, sem considerar os impactos inflacionários de longo prazo.

Já na União Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) é forçado a intervir no mercado de títulos soberanos, para controlar a volatilidade das taxas de juros de países endividados, como Itália e Espanha, o que aumenta a interferência fiscal nas políticas monetárias.

Esses movimentos podem afetar diretamente a credibilidade e a eficácia das políticas monetárias dos bancos centrais, segundo economistas, o que pode gerar incertezas nos mercados financeiros. Como resultado, os investidores precisam revisar suas estratégias de alocação de ativos para se proteger contra os efeitos de um cenário econômico cada vez mais dominado por decisões fiscais.

O Brasil em corda bamba

Para analistas, o Brasil lida com um cenário de dívida pública crescente e gastos elevados, exacerbados por um quadro de taxas de juros altas e uma política fiscal ainda muito dependente de receitas voláteis, como as commodities.

A pressão política sobre o Banco Central é uma preocupação crescente, especialmente à medida que o governo tenta equilibrar suas necessidades fiscais com o controle da inflação e o crescimento econômico. O cenário gerou alerta no mercado financeiro, que teme que a autonomia do Banco Central seja comprometida, caso o governo opte por forçar uma redução das taxas de juros para aliviar o custo do serviço da dívida.

Samar Maziad, vice-presidente da Moody's, acredita que, embora o Brasil tenha cumprido metas fiscais primárias, a credibilidade fiscal ainda enfrenta desafios devido à resistência política em realizar cortes de gastos efetivos. Para Maziad, "os ganhos em credibilidade fiscal levarão mais tempo para acontecer".

"Dado que já estamos falando sobre as eleições de 2026, e todo mundo de alguma forma já está de olho nisso, é difícil ver grandes pacotes ou medidas realmente diferentes do lado dos gastos", disse ela em evento no Brasil em junho. Em maio, a agência alterou o rating do Brasil de "positivo" para estável.

O Bradesco também alerta para o risco de domínio fiscal no Brasil. O banco revisou suas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2,1% em 2025, com a Selic projetada a 15% no final do ano.

"Com a Selic ainda em patamares elevados, o crescimento dos investimentos e do crédito continuará contido, ao mesmo tempo em que as incertezas fiscais podem pressionar por cortes de juros prematuros", afirmou Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco. “Embora o Comitê de Política Monetária veja espaço para iniciar cortes de juros no primeiro trimestre de 2026, isso dependerá da evolução das expectativas de inflação e do grau de consolidação fiscal que o governo apresentar até lá.”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou em junho a importância de o Brasil manter uma política monetária independente para garantir a estabilidade econômica. Segundo o relatório do FMI, "é essencial que o Brasil continue com um Banco Central independente, capaz de tomar decisões com foco na estabilidade de preços, sem pressões externas que possam resultar em políticas monetárias expansionistas que agravam a inflação". O FMI também mencionou que "as reformas fiscais estruturais são imprescindíveis para permitir que a política monetária continue sendo eficaz no controle da inflação, sem que a pressão sobre os juros e o câmbio se torne insustentável".

Os Estados Unidos sob a lente de Trump

Nos Estados Unidos, a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) é especialmente intensa.

O presidente Donald Trump se tornou um dos principais defensores de uma política monetária mais flexível, pressionando o banco central para reduzir as taxas de juros. Trump, que tem sido um crítico constante do Fed, argumenta que a redução das taxas aliviar os custos do serviço da dívida pública. Para aumentar a pressão, o presidente chegou a ameaçar substituir Jerome Powell, o atual presidente do Fed, por figuras mais alinhadas com sua visão econômica, como Kevin Warsh ou Kevin Hassett.

A interferência nas políticas monetárias levanta sérias questões sobre a autonomia do banco central, colocando em risco a independência que o Fed tem desde um acordo que restaurou sua independência após a Segunda Guerra Mundial.

O Bank of America, em seu relatório de julho de 2025, afirmou que uma percepção de fragilidade do Fed diante das pressões políticas, como a possibilidade de uma troca de liderança iminente, poderia fazer a curva de juros se inclinar abruptamente, elevando o "term premium" e encarecendo o crédito corporativo e imobiliário.

A volatilidade nos mercados de câmbio e de renda fixa também pode aumentar caso o Fed ceda às pressões de Trump, o que forçaria investidores institucionais a reduzir a duration de seus ativos (indicador que mede o tempo médio até o recebimento dos fluxos de um título e sua sensibilidade aos juros) e a adotar hedges cambiais mais caros. Isso, por sua vez, ampliaria a desconfiança no Tesouro dos EUA e poderia gerar um aumento nos custos de financiamento para os governos e empresas.

O BofA também aponta que, se as percepções de interferência política persistirem, os prêmios de risco dos créditos soberanos emergentes, como o Brasil, seriam pressionados para cima, resultando em custos mais altos de financiamento tanto em moeda local quanto estrangeira.

O JPMorgan prevê que o Fed iniciará os cortes de juros de forma antecipada, começando já na reunião de setembro, com uma redução de 25 pontos-base na taxa de fundos federais. Segundo os analistas, essa decisão será fundamentada "no ritmo de desaceleração no mercado de trabalho e na convergência da inflação para o alvo de 2%".

A Zona do Euro

Já na União Europeia, os desafios fiscais também são pronunciados, especialmente em países com elevados níveis de dívida, como Itália e Espanha.

A carga fiscal e as necessidades de financiamento estão colocando pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE), que tradicionalmente tem se comprometido com a meta de inflação de 2%. Em um contexto de elevados déficits fiscais, o BCE tem sido forçado a adotar políticas de intervenção no mercado de títulos, como o Transmission Protection Instrument, para controlar a volatilidade nas taxas de juros de títulos soberanos. A intervenção tem gerado preocupações sobre a perda de independência do BCE, à medida que a política fiscal de certos países começa a influenciar mais diretamente as decisões de política monetária.

Vitor Constâncio, ex-vice-presidente do BCE, comentou que "medidas como o Transmission Protection Instrument podem enfraquecer a independência do BCE ao permitir que as pressões fiscais de países endividados, como a Itália, influenciem mais diretamente as políticas monetárias". Para Constâncio, essas intervenções podem diluir a eficácia das metas do BCE, já que "o banco central acaba respondendo a choques fiscais internos, o que pode comprometer a sua capacidade de manter o controle da inflação".

Claus Vistesen, economista da Pantheon Macroeconomics, afirmou que "o BCE pode estar se afastando de sua missão principal de controlar a inflação e se tornando um instrumento de suporte fiscal para os governos da zona do euro".

Segundo Vistesen, o uso de ferramentas como o Transmission Protection Instrument, que tem como objetivo reduzir a volatilidade das taxas de juros nos mercados de dívida soberana, pode ser visto como uma concessão às necessidades fiscais de alguns países, o que "compromete a percepção de que o BCE é imparcial e focado na estabilidade de preços".

Globo Online - RJ   21/08/2025

Enquanto desfruta recuperação em seus índices de popularidade depois da reação ao tarifaço americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua a estimular com o maior descaso uma crise fiscal da maior gravidade no futuro. No atual mandato, a dívida pública deverá crescer 10 pontos percentuais e chegar a 82% do Produto Interno Bruto (PIB) — ante média de 65% nos países emergentes. O governo insiste em dizer que cumpre as metas fiscais. Esquece, porém, que só tem conseguido atingi-las graças a artimanhas. A cada dificuldade, exclui gastos novos do cálculo (o padrão se repete com o socorro pelo tarifaço). A despesa não é computada, mas continua alimentando a dívida. Nas finanças públicas, narrativas fantasiosas não têm o condão de mudar a realidade.

“O Brasil tem hoje um ritmo de crescimento de dívida, ligado ao problema fiscal, que é insustentável”, disse à GloboNews Mansueto Almeida, ex-chefe do Tesouro e atual economista-chefe do banco BTG Pactual. Considerando o resultado das contas públicas e o serviço da dívida, o Brasil caminha para um déficit nominal médio de 8,5% do PIB nos quatro anos do atual mandato — um dos níveis mais altos do mundo.

O terceiro mandato de Lula deixará de contar no cálculo das metas fiscais R$ 387,8 bilhões em gastos, de acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Por certo, nem tudo é responsabilidade do atual governo. O total inclui despesas que já estavam fora das metas por regras anteriores ao arcabouço fiscal de 2023. É o caso do Fundeb ou do calote dado no governo Jair Bolsonaro nas dívidas reconhecidas pela Justiça sem possibilidade de recurso — os precatórios. Nada disso, porém, apaga as digitais do governo Lula nas demais despesas maquiadas. Elas estão por toda parte.

Assim que eleito, Lula patrocinou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, retirando R$ 145 bilhões do cálculo da meta fiscal de 2023. No ano passado, os R$ 29 bilhões de auxílio aos afetados pela enchente no Rio Grande do Sul também foram escamoteados. O mesmo aconteceu com a restituição dos descontos indevidos a aposentados do INSS. A exceção mais recente é o pacote de socorro aos exportadores para os Estados Unidos, à espera de aprovação no Congresso.

Em sua defesa, o governo argumenta que gastos extraordinários não devem ser considerados para avaliar sua responsabilidade fiscal. Ora, o arcabouço já prevê uma banda de 0,25% do PIB em torno da meta justamente para o Executivo acomodar choques inesperados. Se o governo perseguisse o centro da meta — neste ano, equilíbrio entre receitas e despesas —, poderia muito bem cumprir o prometido sem pedir ao Congresso mais uma exceção. Infelizmente, a realidade teima em mostrar que o objetivo é gastar até o limite e, caso ele seja ultrapassado, tentar ganhar no tapetão — seja recorrendo ao Supremo, seja apresentando pedidos de exceção ao Congresso.

Embora o pacote contra o tarifaço tenha sido anunciado com valor até modesto (R$ 9,5 bilhões), existe o risco de que seja inchado no futuro. O economista Marcos Mendes chamou a atenção em artigo recente para o trecho do Projeto de Lei que cita a possibilidade de “eventualmente” haver necessidade de “aporte complementar”. Serão novos bilhões fora da meta a aumentar a dívida já insustentável. Inevitavelmente um dia a conta chegará — e terá de ser paga por todos os brasileiros.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   21/08/2025

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta quarta-feira, pressionados pelo corte de produção siderúrgica obrigatório antes de um desfile militar na China e pelas restrições comerciais dos EUA sobre as importações de aço.

O contrato mais negociado de janeiro do minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China registrou perda de 0,19%, a 769 iuanes (US$107,09) a tonelada.

O minério de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura recuava 0,25%, a US$100,8 a tonelada.
Antes do desfile militar em Pequim, em 3 de setembro, em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial, a China determinou cortes na produção de alto-forno com o objetivo de melhorar a qualidade do ar, uma medida que está pesando sobre os preços das matérias-primas, disse a corretora Galaxy Futures em nota na quarta-feira.

Ainda assim, os cortes planejados são menos severos do que os rumores que circularam anteriormente no mercado de uma paralisação total, limitando o impacto sobre a demanda real, observaram os analistas do ANZ.

Enquanto isso, os EUA disseram na terça-feira que estão mirando mais importações de produtos chineses, incluindo aço, cobre e lítio, para uma fiscalização prioritária devido a alegações de abusos de direitos humanos envolvendo os uigures.

Ao mesmo tempo, os EUA anunciaram que estavam ampliando a tarifa de 50% sobre o aço e o alumínio para mais de 400 produtos para apoiar as indústrias norte-americanas.

Apelos de empresas como a Tesla, que argumentou que a capacidade de produção de aço disponível nos EUA não era suficiente para seus veículos elétricos, não foram bem-sucedidos.

Já sob a ótica da oferta, os embarques de minério de ferro dos principais produtores, Austrália e Brasil, se recuperaram semana após semana, com a gigante brasileira de mineração Vale liderando o movimento, de acordo com dados da consultoria chinesa Mysteel.

Valor - SP   21/08/2025

Belém recebe em setembro o quarto centro de IA da mineradora no país; empresa tem atualmente 34 profissionais especialmente dedicados à inteligência artificial

A Vale inaugura em setembro, em Belém (PA), o quarto centro de inteligência artificial da companhia. Com 11 profissionais dedicados à unidade, o AI Center Belém terá como foco as operações do Sistema Norte da empresa, que inclui minas, ferrovia e porto nos Estados do Pará e Maranhão, onde estão as operações de Carajás (PA) e o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA).

A companhia já opera centros de inteligência artificial em Vitória, Rio de Janeiro e Nova Lima (MG). “Ao todo temos 34 profissionais especialmente dedicados à inteligência artificial na Vale, contando com os 11 novos profissionais do AI Center de Belém. Contando com profissionais a serem contratados, serão cerca de 120 pessoas atuando exclusivamente com soluções de inteligência artificial para a mineradora”, disse, em entrevista por escrito, Rafael Bittar, vice-presidente-executivo técnico da Vale.

A companhia quer alavancar soluções de inteligência artificial para serem aplicadas às operações e também como forma de aumentar a eficiência e a segurança. A unidade de Belém vai funcionar como uma área dentro das estruturas da mineradora na cidade paraense.

Segundo Bittar, a mineradora utiliza ferramentas de inteligência artificial em toda a cadeia produtiva, da mina ao porto, em frentes que aumentam produtividade e segurança, reduzem custos e melhoram a tomada de decisão.

“Um dos projetos de maior impacto é aplicado na Estrada de Ferro Carajás (EFC) na prevenção de fraturas nos trilhos. Essa é a ocorrência que acontece com maior frequência e considerada a mais crítica para o funcionamento da operação. A partir dos dados gerados pelas ferrovias, aplicamos uma solução que identifica se há uma ou mais fraturas em um determinado trecho. Além do aumento da segurança operacional, há o benefício do tempo que a ferrovia deixa de ser paralisada em virtude de fraturas de trilhos”, afirmou Bittar.

O AI Center de Belém faz parte dos investimentos da Vale em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Cerca de 2% do faturamento anual da mineradora são destinados para essa rubrica. Em 2024, foram investidos US$ 790 milhões. Segundo a companhia, os recursos foram aplicados na melhoria das operações e na segurança.

A Vale desenvolveu mais de 45 produtos e implantou cerca de 1.500 modelos de inteligência artificial desde 2017 em 70 projetos. O retorno dos investimentos foi de US$ 67 milhões em 2024, disse a companhia.

Outro uso da inteligência artificial na Vale é a chamada Sentinela, solução que garante que os embarques de minério respeitem o limite de umidade.

“Antes, acontecia em alguns embarques de termos que parar a operação por até três horas para aguardar resultados laboratoriais. Agora não paramos mais porque conseguimos prever a umidade e o limite em cada porão dos navios com 97% de precisão antes de o embarque acontecer, usando variáveis como histórico climático e composição química dos lotes”, explicou Bittar.

Conforme o diretor, essa precisão permitiu evitar perdas e garantir segurança e produtividade: “A cada hora sem interrupção, um carregador de navios opera a uma taxa de 16 mil toneladas. Com a inteligência artificial, evitamos a perda de até 48 mil toneladas por parada para esperar resultados laboratoriais. Há um impacto direto na receita e na eficiência da companhia.”

O novo centro vai permitir uma maior colaboração com o Instituto Tecnológico Vale (ITV), que já aplica inteligência artificial em soluções de desenvolvimento sustentável na região Norte, e para a Vale como um todo. Segundo Bittar, o trabalho conjunto de ITV e AI Center possibilitará dar escala industrial às soluções tecnológicas.

Parceiras

No centro de inteligência artificial de Belém, a mineradora terá como parceiros a Delloite, a IBM e a Accenture, para frentes como capacitação de funcionários e treinamentos. A Microsoft, por sua vez, com apoio da Vale, assinou acordo para criar um espaço de formação dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa).

A Accenture destacou que o movimento em Belém solidifica ainda mais a “longa parceria” com a Vale. “Nossos talentos de Belém ajudarão a Vale globalmente, gerando desenvolvimento local e aplicando Inteligência Artificial em temas relevantes como segurança, excelência operacional, planejamento integrado, licença para operar, produtividade, sustentabilidade e exploração mineral. É a IA, Inteligência Amazônica, aplicada na prática", frisou Flávio Alves, diretor da Accenture, líder da indústria de Mineração e Siderurgia no Brasil.

Procurada, a Deloitte não comentou.

A IBM ressalta, por sua vez, que tem um relacionamento com a Vale de muito anos em diversos projetos de transformação digital, que inclui soluções em IA, hypertecnologia e automação. Além disso, por meio do IBM SkillsBuild, a IBM promove, desde 2023, juntamente com a Vale, um projeto de educação com o objetivo de ampliar o acesso à capacitação digital, possibilitar oportunidades de carreira nas áreas de tecnologia para as comunidades de Belém e contribuir com o desenvolvimento da região.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   21/08/2025

A chegada de novas montadoras ao Brasil redesenhou o mapa da indústria automotiva nacional e impacta profundamente a cadeia de fornecedores. Esse movimento, impulsionado pela busca de empresas globais por novos mercados e pela transição rumo à eletrificação, cria um ambiente de oportunidades e desafios para os diferentes elos da produção.

O efeito desse movimento no mercado e na indústria, que será debatido no #ABX25. em setembro, no SP Expo, não se limita apenas ao aumento da concorrência: ele provoca uma transformação estrutural na forma como fornecedores brasileiros se organizam, produzem e se conectam com cadeias globais de valor.

Um dos impactos mais evidentes é a elevação do padrão tecnológico exigido. Montadoras que desembarcam no país trazem na bagagem processos industriais baseados em padrões internacionais de qualidade, sustentabilidade e eficiência.

Na era dos eletrificados, o Brasil será fornecedor ou comprador de baterias? Esse debate e muito mais no #ABX25

Isso de certa maneira força fornecedores a modernizar linhas de produção, investir em automação e adotar sistemas que antes não eram demandados. Para empresas já consolidadas, a pressão pode ser positiva, funcionando como estímulo à inovação.

Contudo, para fornecedores de menor porte, muitas vezes sem fôlego financeiro, o risco de exclusão da cadeia é real.
Híbridos trazem demandas inéditas

A geografia da produção também se altera nesses casos. Tradicionalmente concentrada em polos como o ABC paulista e Minas Gerais, a instalação de novas plantas em outros estados descentraliza a cadeia e exige reposicionamento logístico dos fornecedores.

Fornecedores precisam avaliar a viabilidade de abrir novas unidades, buscar alianças estratégicas ou repensar sua capacidade de distribuição. Essa redistribuição, embora custosa no curto prazo, favorece o desenvolvimento econômico regional e reduz a dependência de áreas já saturadas.

Outro vetor de impacto é a transição energética. Montadoras com foco em veículos elétricos e híbridos introduzem demandas inéditas para os fornecedores locais.

Peças tradicionais, como sistemas de exaustão ou motores de combustão, perdem relevância, enquanto baterias, semicondutores, softwares de gestão e materiais leves ganham protagonismo.
Novo momento, novos componentes e materiais

Isso obriga a cadeia a se conectar com setores ainda incipientes no Brasil, como a produção de baterias de lítio e a indústria de tecnologia embarcada. Embora o país disponha de recursos minerais estratégicos, como o próprio lítio, a falta de capacidade instalada para transformar essa vantagem em insumo competitivo ainda é um gargalo.

A presença de novas montadoras no Brasil, portanto, representa muito mais que uma mudança no número de fábricas em operação: trata-se de um marco de transformação estrutural na cadeia de fornecedores. A indústria brasileira pode sair fortalecida, mais diversificada e competitiva globalmente.

O futuro dessa cadeia dependerá da capacidade de adaptação, cooperação e inovação em um setor que se torna, a cada ano, mais global e tecnológico.

O #ABX25 acontecerá no dia 17 de setembro, no São Paulo Expo, em São Paulo (SP). As inscrições podem ser feitas aqui, no site do evento.

Valor - SP   21/08/2025

Com a redução da demanda por veículos elétricos, a oferta global de baterias caminha para ser mais de três vezes superior à demanda, apurou o “Nikkei Asia”. Isso cria obstáculos para os esforços de países como Japão e Estados Unidos para estabelecer a produção doméstica.

Com base em dados da S&P Global Mobility, o “Nikkei Asia” constatou que a capacidade anual total nas instalações de produção de veículos elétricos deve atingir 3.930 gigawatts-hora, enquanto a demanda deve chegar a 1.161 GWh.

A expectativa é que a oferta permaneça pelo menos o triplo da demanda até 2026 e mais que o dobro em 2030. A capacidade de algumas instalações de produção em andamento na China, o maior mercado do mundo, não foi divulgada, o que significa que a lacuna pode aumentar ainda mais.

A China produz cerca de 70% das baterias para veículos elétricos do mundo. A Contemporary Amperex Technology (CATL) liderou o mercado no primeiro semestre deste ano, seguida pela BYD, de acordo com a sul-coreana SNE Research. Embora a Coreia do Sul e o Japão já tenham controlado a maior fatia do mercado, LG Energy Solution e Panasonic ficaram em terceiro e sexto lugares, respectivamente, com suas ações em queda constante.

Países como os Estados Unidos e o Japão têm incentivado as empresas a fabricar baterias internamente para evitar a dependência da China, mas essa estratégia está saindo pela culatra com a queda inesperadamente grande na demanda por veículos elétricos.

O excesso de oferta é particularmente severo na América do Norte, onde deve atingir 4,8 vezes a demanda este ano. A diferença deve permanecer acima de quatro vezes até 2028.

O investimento em baterias cresceu após a Lei de Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês), aprovada pelo ex-presidente Joe Biden, estabelecer incentivos para veículos elétricos fabricados na América do Norte. Mas o atual presidente, Donald Trump, está descartando essas medidas, o que, somado à queda geral do mercado de veículos elétricos, está incentivando as empresas a repensarem seus planos.

A Panasonic iniciou suas operações em uma fábrica de baterias nos Estados Unidos em julho, mas está adiando o início de suas operações plenas — anteriormente previsto para o fim do ano fiscal de 2026 — devido a preocupações com o risco de acelerar as operações muito cedo num momento de queda nos lucros de um cliente-chave da Tesla. Grandes fabricantes de baterias sul-coreanos, que deveriam investir pesadamente nos Estados Unidos, estão repensando seus planos devido à queda nos lucros.

As montadoras também estão reduzindo os investimentos com a desaceleração do mercado de veículos elétricos. A Toyota adiou a construção de uma fábrica de baterias planejada no Japão, e a Honda está adiando seus planos para instalações de veículos elétricos e baterias no Canadá por dois anos.

Com os pedidos de clientes existentes em declínio, os fabricantes de baterias estão lutando por compradores. A Panasonic pretende vender mais para fabricantes de veículos elétricos iniciantes.

O excesso de oferta de baterias tornou-se cada vez mais evidente desde 2024, quando as vendas de veículos elétricos começaram a cair. Os preços das baterias atingiram uma média de US$ 111 por quilowatt-hora no ano passado, queda de 26% em relação a 2023, de acordo com o Goldman Sachs, que prevê que o valor possa cair para cerca de US$ 80 até o fim de 2026.

A Northvolt, fabricante sueca de baterias que conta com a Volkswagen entre seus investidores, entrou com pedido de recuperação judicial na Suécia em março.

Apesar disso, as empresas chinesas têm intensificado os investimentos devido à demanda contínua no país, juntamente com a crescente dependência das montadoras europeias de baterias de empresas chinesas. A CATL está expandindo os investimentos na Europa, enquanto a BYD está aumentando a produção de baterias de baixo custo.

Essas tendências podem acabar ampliando a lacuna entre os fabricantes chineses de baterias e seus equivalentes em outros lugares em termos de capacidade e especificações técnicas, e potencialmente forçar as montadoras a depender da China para um componente essencial caso os veículos elétricos decolem.

A desaceleração nos gastos dos fabricantes de baterias provavelmente terá efeitos em cascata na cadeia de suprimentos. A Agência Internacional de Energia alertou que, se o investimento no desenvolvimento de lítio e níquel cair, provavelmente ocorrerá escassez até 2030.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Globo Online - RJ   21/08/2025

O leilão de certificados que permitem novas construções na avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, realizado na terça-feira, deve regularizar um edifício embargado desde 2023 no bairro do Itaim Bibi, além de possibilitar a construção de um novo shopping de luxo e de residenciais de alto padrão na região.

No leilão, a prefeitura vendeu 94.811 dos 164.509 Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) que foram oferecidos, uma arrecadação de R$ 1,6 bilhão para os cofres municipais. Os títulos possibilitam que as empreiteiras ergam prédios mais altos que o permitido em lei, de até 4,8 vezes a área do terreno — ante uma vez a área do próprio lote sem os certificados.

A lista de compradores não é divulgada, já que os títulos são adquiridos por corretoras, mas o GLOBO apurou com fontes do mercado imobiliário e empreiteiras quem foram alguns dos adquirentes.

Segundo fontes do mercado, a JHSF teria comprado parte dos títulos, que devem ser usados para colocar de pé o Shops Faria Lima, um complexo comercial de luxo nos moldes do Shops Jardins, com foco em gastronomia e grifes nacionais e internacionais.

O empreendimento ficaria na esquina da Faria Lima com a Leopoldo Couto de Magalhães, uma das ruas com residenciais mais caros na cidade, a poucos metros do Parque do Povo. A área é descrita pela própria empresa como um local que “se destaca pelos espaços diferenciados, pela arquitetura sofisticada e paisagismo único”. Procurada, a JHSF afirmou que não iria comentar o assunto no momento.

As incorporadoras Trisul e a Even também compraram títulos no leilão. As duas empresas já têm terrenos na região, onde vão construir residenciais de alto padrão. Em nota, a Even apenas confirmou a compra e afirmou que “oportunamente, divulgará os projetos em que serão aplicados”. A Trisul tem terrenos em Pinheiros, bairro onde termina a Faria Lima.

É da Even o Faena São Paulo, um residencial de luxo na esquina da Faria Lima com a Avenida Eusébio Matoso, com unidades que vão de 286 a 1000 metros quadrados e a grife da Faena, referência em hotelaria de luxo no exterior. O local é anunciado como “o projeto imobiliário mais sofisticado da história” da cidade e deve incluir, além das residências, um hotel e um centro artístico e cultural. A previsão de entrega é em 2027.

O leilão foi realizado no âmbito da Operação Urbana Consorciada (OUC) Faria Lima, um instrumento urbanístico criado há 30 anos para incentivar o desenvolvimento da região. Cada Cepac dá direito a construir uma determinada área adicional, que varia dependendo do local.

O recurso arrecadado será usado prioritariamente para melhorias na favela do Paraisópolis, que desde o ano passado passou a integrar a lista de locais beneficiários do dinheiro pago por construtoras na região da Faria Lima.

O dinheiro da operação levantado em outros leilões já foi aplicado em obras como a construção de habitações de interesse social, pontes, reformas de avenidas, alargamento de ruas, desenvolvimento de ciclovias e transporte público — foram os recursos dessa operação que possibilitaram a implementação da ciclopassarela que liga o Butantã a Pinheiros, inaugurada em janeiro, as obras de revitalização da Avenida Santo Amaro, entre outras melhorias.

Residencial embargado pode ser regularizado

Outra compradora de Cepacs foi a Construtora São José, que não pretende erguer um novo empreendimento, mas usar os títulos para regularizar um edifício já existente. Em 2023, o edifício St Barths, que fica na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, foi embargado pela Justiça após pedido da prefeitura por ter sido construído de forma irregular.

A obra estava quase concluída, faltando apenas esquadrias, pintura e outros acabamentos internos. O prédio tem apartamentos de 380 a 1.031 metros quadrados e até nove vagas na garagem por apartamento.

Como o edifício está inserido na Operação Urbana Consorciada (OUC) Faria Lima, era necessário que a empresa tivesse comprado Cepacs suficientes para construir na área, o que ela não fez — faltavam cerca de 3.700 certificados.

A empresa até havia comprado Cepacs para construir na região anos atrás, mas os utilizou para um outro prédio, que fica na mesma rua. Um alvará deu aval ao novo projeto, mas não a autorização para início de obras. Mesmo assim, a empreiteira deu início à construção e apartamentos chegaram a ser anunciados na internet.

Na terça, a São José comprou 3.800 títulos a fim de regularizar a situação. O empreendimento ainda não havia comercializado nenhuma unidade. Mesmo após a eventual regularização, será necessário que o município peça à Justiça a liberação da obra.

— Na semana que vem, faremos a vinculação dos títulos e, na sequência, ingressaremos com a regularização mediante a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL). O imóvel já atingia integralmente todas as disposições urbanísticas e a construção está praticamente pronta, 82% executada. Entendemos que existe a possibilidade de regulamentação, mas o imóvel continua embargado por conta de decisão judicial — explicou o advogado da empresa, Edgard Hermelino Leite.

O GLOBO questionou a SMUL se será possível essa regularização mediante a compra dos certificados, mas a pasta não respondeu.

Arrecadação recorde, mas abaixo do esperado

O último leilão de Cepacs na Faria Lima havia sido realizado em 2019, e há anos o mercado imobiliário aguardava um novo lote para liberar novas obras ou reformas na região, que abriga os escritórios das maiores empresas do país e residenciais de alto padrão.

Mesmo com o interesse na região, o leilão não arrecadou o esperado pela prefeitura — R$ 2,8 bilhões, se todo o estoque tivesse sido vendido — e representantes do setor afirmam que a alta taxa de juros, o preço alto dos títulos e a insegurança jurídica são algumas das razões.

Cada certificado foi vendido a R$ 17.601, preço mínimo estabelecido pela prefeitura e o mesmo valor de 2019. Ainda assim, a gestão Ricardo Nunes (MDB) comemorou, porque foi a arrecadação mais alta para um leilão de Cepacs já feito na cidade.

Para especialistas, os novos investimentos devem focar no uso misto, que mistura escritórios com residências, sempre focados no alto padrão que a região demanda.

— Muita gente recuou por conta do valor, porque para a conta fechar, tem que ser um empreendimento de padrão altíssimo e, às vezes, não é o pretendido pelo incorporador. A taxa de juros é um fator muito relevante nesse cálculo porque impacta os incorporadores que buscam financiamento junto aos bancos — explica a advogada Marcella Martins Montandon, especialista em direito urbanístico, que ainda cita a ação ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) às vésperas do leilão como uma das razões que pode ter gerado receio nos investidores.

No último dia 14, o procurador-geral do estado acionou a Justiça pedindo a suspensão de um bônus de 30% no potencial construtivo para os incorporadores que comprassem certificados na área da operação Faria Lima. No dia 15, a Justiça suspendeu liminarmente a norma, mas já no dia 18 a liminar foi revogada e o leilão liberado. Ainda assim, o processo continua e a regra ainda terá de ser analisada pelo Tribunal de Justiça paulista (TJSP).

A SP Urbanismo estudava realizar o próximo leilão em 2026, mas como nem todos os títulos ofertados foram vendidos nesta rodada, novas análises devem ser feitas para verificar quando uma nova venda pública vai ser feita. O preço mínimo do Cepac, porém, não deve abaixar.

Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLa, plataforma que monitora escritórios de alto padrão no Brasil, diz que apesar disso, a Faria Lima ainda “é a região com mais desejo e mais potencial imobiliário”, e que a demanda para desenvolvimento na área continua existindo.

— Não é possível abaixar o preço do Cepac, mas acredito que agora a prefeitura deve espaçar mais para o próximo leilão, esperar baixar os juros. Mas tudo é momento, o momento de juros de hoje não é favorável ao mercado imobiliário — opina — Mas ainda tem demanda, mais comercial ali na Hélio Pellegrino e na Juscelino Kubitschek, e mais residencial próximo ao Largo da Batata.

Valor - SP   21/08/2025

Empresas de baixa renda são destaque, enquanto o médio e alto padrão segue sob escrutínio

A tônica das incorporadoras no segundo trimestre, de acordo com seus balanços, foi mais de buscar uma melhora nas margens do que de continuar ampliando seus volumes de produção - apesar de algumas terem conseguido fazer as duas coisas.

A avaliação é de Bruno Mendonça, analista do Bradesco BBI, corroborada por levantamento feito com 28 incorporadoras de capital aberto (listadas e não listadas), realizado pelo Valor Data. A margem bruta média das empresas subiu 3,2 pontos percentuais, na comparação com o segundo trimestre de 2024, para 31,7%. A margem líquida também cresceu, em 1,7 ponto percentual, para 11,9%.

O segmento de baixa renda, que abrange as companhias que operam no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), foi mais uma vez o destaque entre os resultados. A política habitacional tem conseguido atrair público e fomentar a produção imobiliária, aliada a programas regionais de “cheques”, subsídios que ajudam o beneficiário do MCMV a arcar com a entrada do imóvel.

Nesse setor, Cury e Direcional são as companhias mais elogiadas pelo desempenho. Com R$ 236,7 milhões de lucro líquido, a Cury superou a estimativa dos analistas da XP para o trimestre, “e nossa expectativa era uma das maiores [entre os bancos]”, afirma Ygor Altero, analista da instituição.

A Direcional também tem conseguido manter seu crescimento trimestre a trimestre, com ganho de margem. Sua margem bruta fechou junho em 38,9%, alta de 3 pontos percentuais em um ano. Na teleconferência de resultados com analistas, o CEO Ricardo Gontijo ressaltou que esse patamar não deve ser mantido no longo prazo, e que o indicador deve convergir para 35% a 36%. “Por mais que Cury e Direcional rodem acima da margem que consideram estável, ela tem durado”, afirma Mendonça.

Altero explica que a rentabilidade tem sido ajudada por um custo controlado dos materiais de construção, apesar da disponibilidade de mão de obra continuar sendo um problema no setor. No MCMV, os materiais têm mais peso no custo final do que a força de trabalho, na comparação com o segmento de média e alta renda, o que potencializa essa dinâmica.

A Tenda também teve resultado considerado positivo, a não ser pela sua divisão de casas pré-fabricadas, a Alea, que ainda causa prejuízo. No entanto, isso já era esperado, o que minimizou o impacto.

Mendonça destaca que a operação Tenda teve queda na margem bruta ajustada, de 1,2 ponto em relação ao primeiro trimestre, para 35,1%, mas que isso é explicado pela redução do pró-soluto. Pró-soluto é o financiamento da entrada dos imóveis do MCMV, feito pela incorporadora aos clientes. Por não ter garantia - já que ela fica com a Caixa -, é um crédito mais arriscado, mas que ajuda a sustentar as vendas em momentos de acessibilidade mais difícil. Tanto Tenda quanto MRV estão em processo de reduzir seus pró-solutos.

A MRV teve lucro de R$ 88,3 milhões no segmento de incorporação no Brasil, mas sua holding apresentou prejuízo de R$ 811,8 milhões, por causa do negócio americano Resia. O levantamento do Valor Data considera apenas os dados de incorporação da MRV. Se considerasse a MRV&Co, o lucro líquido somado das incorporadoras analisadas cairia do R$ 1,8 bilhão obtido no levantamento do trimestre para R$ 920 milhões, com um recuo de 31,5% sobre o mesmo período de 2024.

Esse prejuízo na Resia é fruto do “impairment” (previsão de baixa no valor recuperável do ativo), anunciado pela MRV semanas antes do balanço, o que “acalmou” o mercado.

Na média e alta renda, a Cyrela, que é o principal nome do segmento, veio com queda de 6% no lucro líquido, na comparação anual, explicada por mais despesas com a compra de terrenos. “Foi um resultado resiliente, ainda, e achamos que o segundo semestre vai ser forte”, afirma Altero.

Para Mendonça, a ação da incorporadora é a “mais distorcida atualmente”, que não refletiria seu desempenho e participações em outras incorporadoras listadas, principalmente a Cury.

A Moura Dubeux, que atua no Nordeste, teve um trimestre “fora da curva” e mostrou que “virou gente grande” no setor, segundo o analista do Bradesco BBI. Com exposição a obras por administração, e não apenas no regime de incorporação, além de estar se preparando para ingressar na baixa renda, a empresa tem conseguido ganhar relevância.

Já a Eztec teve um resultado “bom”, de acordo com Altero, mas que não muda a percepção de que deveria operar “em um patamar mais elevado”, dado seu nível de patrimônio líquido.

As incorporadoras de média e alta renda estão sob escrutínio em relação à sua capacidade de continuar lançando e vendendo bem, diante de juros altos no crédito imobiliário, tanto para construir quanto para o comprador final adquirir as unidades. “Ainda estamos em um ambiente que sugere desaceleração, estamos procurando sinais disso”, diz Mendonça.

O segmento teve alta de 56% nos lançamentos no trimestre, para R$ 9 bilhões, mas só a Cyrela respondeu por 32% desse total.

A concentração vai ao encontro da visão de Altero sobre a situação do crédito no setor: o financiamento dos bancos para bancar a produção, chamado de “plano empresário”, está “caro e escasso, e poucos ‘players’ estão com esse acesso”, diz, o que favorece as incorporadoras listadas.

Com juros mais altos, as empresas abertas também estão mais endividadas: segundo o Valor Data, a dívida financeira líquida subiu 20,8% em um ano, e a relação dessa dívida sobre o patrimônio líquido subiu 2,6 pontos, para 28,6%.

FERROVIÁRIO

A Tribuna - SP   21/08/2025

O Ministério dos Transportes recebeu nesta terça-feira (19) representantes da empresa multinacional chinesa de engenharia e construção China Communications Construction Company Limited (CCCC) para discutir cooperação e investimentos no setor ferroviário brasileiro.

Para o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a troca de experiências com a empresa chinesa é estratégica diante dos desafios de infraestrutura no Brasil. “Para o nosso país, isso é fundamental, já que planejamos construir novas ferrovias. Me chamou a atenção a engenharia de alta precisão aplicada a obras de arte especiais, como pontes e túneis. Nossa topografia é desafiadora e contar com empresas especializadas nessa área é crucial”, destacou.

Durante o encontro, também foi abordada a possibilidade de implementação de modelos de negócios inovadores, como o Transit Oriented Development (TOD), que combina projetos ferroviários com exploração imobiliária.

“Estamos avaliando essa possibilidade para futuros projetos de transporte de passageiros no Brasil”, acrescentou o secretário.

O diretor externo da CCCC, Liu Hui, expressou o interesse da empresa no setor ferroviário brasileiro em acompanhar os leilões e roadshows promovidos pelo Ministério dos Transportes.

“Vamos manter a troca de informações e continuar próximos aos projetos em andamento, principalmente o corredor Fico-Fiol (Ferrovias de Integração Centro-Oeste e Oeste-Leste), pois queremos entender melhor e participar dos estudos, a fim de trazer soluções técnicas e econômicas”, declarou.

Diário do Comércio - MG   21/08/2025

Fontes confiáveis de Brasília dão como certo que a concessão da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), que vence em agosto do próximo ano, será renovada por mais 30 anos. Os termos do novo acordo já estariam definidos e devidamente acertados entre as partes, estabelecendo entre outros pontos que da atual concessão de 7.220 quilômetros o novo contrato englobará 4.138 quilômetros, devendo ser devolvidos à União os restantes 3.082 quilômetros. Acertada a renovação, inclusive com antecipação de pagamentos, é importante que sejam também conhecidos – e bem discutidos – os termos negociados pela elementar razão de ser a FCA peça-chave na infraestrutura logística do País.

Estamos, sim, falando do presente, mas é preciso considerar, sobretudo, o futuro e a partir do reconhecimento de que o País cometeu um enorme erro ao priorizar o transporte rodoviário sobre rodas e ao mesmo tempo desmantelar quase que por completo a rede ferroviária. Fez o que nunca deveria ter sido feito, percorreu o caminho inverso ao seguido pelos países industrializados, mas não há porque persistir no erro. Correção que, entendido que o modelo de concessões é a resposta possível à falta de recursos públicos para investimentos diretos, demanda entendimento e visão mais abrangentes.

E tudo isso porque deveria estar suficientemente claro e assim entendido que não faz sentido investir na recuperação e/ou na ampliação da malha ferroviária simplesmente para garantir que o modal seja exclusivamente destinado à movimentação de grãos e de minérios. É o mesmo que não olhar para frente, não entender que seria mais interessante – e sob todos os aspectos – movimentar também cargas gerais, hoje predominantemente com a utilização de contêineres e, claro, claríssimo, também transportar passageiros. Não há mínima racionalidade no uso predominante, quase exclusivo na verdade, de ônibus rodoviários, detentores de um quase monopólio no País, com prejuízos econômicos, e segurança e conforto que são mais que evidentes.

Ainda há pouco, comentando o atraso – ou seria na verdade abandono? – no início das obras da Ferronorte, levantamos a mesma questão, demonstrando que mobilidade eficiente num país com as dimensões do Brasil demanda utilização integrada, mais inteligente, de todos os modais, rodoviário, ferroviário e aquaviário. Caberia acrescentar que também não faz o menor sentido que as composições em trânsito retornem vazias.

Aceitar que possa ser assim é o mesmo que abonar equívocos que ajudam a explicar porque no Brasil o futuro prossegue sendo adiado.

NAVAL

IstoÉ Dinheiro - SP   21/08/2025

O leilão do novo terminal do porto de Santos, chamado de Tecon 10, deve ocorrer em dezembro e será o maior da história portuária do país, disse nesta quarta-feira, 20, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

Ele declarou que ainda aguarda um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as diretrizes do certame. A perspectiva é que o relator da matéria no TCU, ministro Antônio Anastasia, emita seu parecer na primeira quinzena de setembro para ser votado ainda no mesmo mês na corte.

“Nossa posição é que trabalhamos para seguir a orientação do TCU, e fazer algo democrático e que logicamente não haja concentração de mercado e possamos democratizar. Concentração de mercado é algo muito arriscado para o setor portuário e outros setores”, disse o ministro em evento virtual promovido pela Associação da Imprensa Estrangeira (AIE).

Em tese, atuais operadores do terminal e companhias de navegação poderiam ser vetadas de participar do leilão. O ministro prevê investimentos a partir do leilão de ao menos R$ 5 bilhões ou R$ 6 bilhões.

Portos e Navios - SP   21/08/2025

A ampliação dos programas de financiamento da indústria naval com participação de grandes bancos privados brasileiros pode ajudar a contornar um dos problemas do setor: a dificuldade de contratantes de encomendas em estaleiros nacionais fecharem contratos com os agentes financeiros, mesmo com projetos aprovados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), por causa da dificuldade de conseguir seguros para cobrir o financiamento. A alternativa foi apresentada pelo secretário nacional de hidrovias e navegação do Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), Dino Antunes Dias Batista, na última terça-feira (19) na conferência Financiamento à Construção Naval, durante a Navalshore 2025.

Segundo Antunes, no modelo atual, em que o principal agente financeiro é o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), há casos de projetos que caducam porque os interessados no financiamento não conseguem se adequar às regras do banco para securitização da operação e apresentar as garantias pedidas, como, por exemplo uma fiança bancária, considerada cara, ou porque a instituição financeira não aceita assumir o risco.

Antunes explicou que, antes de liberar o financiamento, o financiador avalia tanto o projeto como a empresa para estabelecer regras que evitem inadimplência e, como muitas vezes o contratante não conseguem cumpri-las, os contratos acabam não sendo fechados. Por isso, sugeriu que a participação de bancos privados que já têm como clientes as empresas que pedem o financiamento pode ser um facilitador porque, no caso, a instituição financeira analisaria também o histórico de sua relação com quem pede o crédito.

Além disso, disse ele, a participação dos grandes bancos no financiamento à construção naval, não só aumentaria as possibilidades de liberá-lo como seria também garantia de que não haveria inadimplência em relação aos recursos oriundos do FMM, apesar de os valores dos pedidos serem altos, muitas vezes superando R$ 1 bilhão. “Grande bancos têm receitas de muitos bilhões de reais e não deixariam de pagar um bilhão de reais à União”, explicou.

Carlos Frederico Ferreira, CEO da Austral Seguradora e que representou na Conferência a Confederação Nacional das Seguradoras, argumentou em sentido parecido ao de Dino Antunes. Ele explicou que o seguro em operações financeiras serve para mitigar riscos, mas não é solução definitiva, lembrando que sua concessão é feita caso a caso, com as seguradoras avaliando os riscos envolvidos em cada contrato e cada empresa que recorre a ele.

Elisa Salomão Lage, do BNDES, reforçou que, mesmo tendo isso aprovado pelo FMM, o financiamento tem que ser submetido ao banco, que é o principal financiador de projetos de longo prazo no Brasil. E explicou que, para que seja liberado, são exigidas garantias. Entre elas, podem ser citadas a garantia bancária e, em casos como, por exemplo, os de embarcações e estruturas encomendadas para atender à Petrobras, valores que serão recebidos da estatal para cumprir os contratos. Mas nem todos podem usar esses instrumentos e, por isso, a instituição muitas vezes fica impedida de liberar os recursos.

Outra alternativa sugerida por Antunes seria a criação de um fundo garantidor robusto para o setor naval. “Estamos tentando criar instrumentos para o setor, para dar garantias ao financiamento”, informou, lembrando que esse processo ainda tem que superar a barreira de que esse fundo seria disponibilizado com recursos do orçamento da União, diferentemente do FMM, que tem recursos próprios e é específico.

Ele disse que essa poderia ser uma solução para destravar a liberação de recursos para projetos que são aprovados pelo Conselho do Fundo da Marinha Mercante, mas não se concretizam por causa da impossibilidade de os pretendentes se adequarem às exigências do agente financeiro. O secretário de hidrovias e navegação do MPor informou que, desde 2023, já foram aprovados pelo FMM projetos de R$ 70 bilhões e que há em estudos mais R$ 50 bilhões, inclusive para infraestrutura.

Daniel Bonavita, head de Infraestrutura da Caixa Econômica Federal, também defendeu a criação de um fundo garantidor, disse que CEF tem possibilidade de participar do financiamento de embarcações e de outros projetos de longo prazo e que espera anunciar alguns ainda este ano. Segundo ele, há dois anos a empresa passou a ter estrutura para analisar projetos de infraestrutura.

Bonavita explicou ainda que a CEF não participa diretamente do financiamento da construção naval, mas disse acreditar que ela tem capacidade de ser um reforço para o setor. “Há demanda, e a Caixa tem recursos”, comentou. Mas o executivo da CEF argumentou ainda que é preciso ter instrumentos, além de garantias e seguros, que sustentem investimentos de longo prazo e que permitam que projetos que demandam recursos volumosos sejam aprovados e concluídos. “Garantia não é sinônimo de capacidade de pagamento”, lembrou, dizendo que o país precisa, mais do que uma política de governo, de uma política de Estado para esses setores.

Agrolink - RS   21/08/2025

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, representantes do setor portuário defenderam investimentos para melhorar a infraestrutura de acesso aos portos, como rodovias e ferrovias. Eles também pediram a ampliação dos programas de dragagem nos portos.

O debate foi realizado na Comissão de Viação e Transportes, a pedido dos deputados Leônidas Cristino (PDT-CE), Luiz Fernando Faria (PSD-MG) e Flávio Nogueira (PT-PI).

O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, destacou que o acesso é um dos principais problemas enfrentados pelos portos, responsáveis por 95% do comércio exterior do Brasil. “Temos portos no país que nem acesso ferroviário possuem. Isso é um absurdo”, afirmou.

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, alertou para o problema. Segundo ele, os maiores problemas dos portos hoje estão nos acessos. “Não estão, stricto sensu, dentro dos portos”, disse.

Para o deputado Leônidas Cristino, o país precisa corrigir esse problema. Ele afirmou que a falta de vias de acesso adequadas compromete a movimentação de cargas. “Se a carga não chegar devidamente no momento aprazado, aquele porto vai ser ineficiente”, disse o parlamentar.

Dragagem
Além do acesso terrestre, os participantes da audiência cobraram a retomada das dragagens, serviço que remove sedimentos acumulados nos canais e áreas de atracação para garantir a navegabilidade e a segurança das operações. A lei que hoje regula o setor (Lei 12.815/13) transferiu a atividade para o governo federal.

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), Caio Morel, lembrou que a última dragagem de aprofundamento no Porto de Santos ocorreu em 2011, quando o calado passou de 13 para 15 metros. “São mais de 15 anos sem uma nova intervenção de infraestrutura”, disse. O Porto de Santos é o maior do país.

O secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos, Alex Ávila, reconheceu o problema e informou que o governo deve anunciar em breve a data do leilão para a concessão da dragagem e a exploração do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), o primeiro do tipo no Brasil.

“Eu sei como é custoso você programar um contrato para fazer uma operação, chegar no fim do dia e você não poder usar 100% do potencial do navio. Isso encarece o frete, encarece na ponta, encarece no destino, na origem”, disse Ávila.

A Tribuna - SP   21/08/2025

No primeiro semestre de 2025, os portos da região Nordeste movimentaram 150,5 milhões de toneladas de cargas, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Os valores aumentaram 0,8% (1,2 milhão de toneladas) em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço também revela crescimento no comércio exterior, com aumento de 3,27% nas importações e de 3,22% nas exportações.

Como destaques do levantamento, o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA), porta de saída de minério de ferro, registrou 75,2 milhões de toneladas e se manteve como líder de movimentação da região. Já o Porto do Itaqui (MA) movimentou 17,2 milhões de toneladas, combinando operações de combustíveis e grãos.
Em Pernambuco, o Complexo Industrial Portuário de Suape somou 10,9 milhões de toneladas, com destaque para a exportação de veículos. Apenas neste semestre, o porto movimentou 37.668 carros, segundo informações do terminal.

Também figuram como pontos centrais o Terminal Aquaviário de Madre de Deus (BA), especializado em derivados de petróleo, com 9,9 milhões de toneladas, e o Porto do Pecém (CE), que movimentou 9,5 milhões de toneladas de cargas diversas.

O minério de ferro que chega pelo Maranhão, o petróleo que sai da Bahia, os veículos exportados por Suape e os fertilizantes e grãos movimentados em Pecém ilustram como os portos nordestinos estão integrados ao cotidiano da região.

PETROLÍFERO

Valor - SP   21/08/2025

É o leilão do pré-sal com o maior número de inscritos desde que o modelo atual de oferta de áreas para exploração e produção de petróleo no Brasil foi estabelecido, em 2022

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) informou, nesta quarta-feira (20), que sete áreas do pré-sal receberam manifestações de interesse de petroleiras e, por isso, serão oferecidas em leilão previsto para dezembro.

É o leilão do pré-sal com o maior número de inscritos desde que o modelo atual de oferta de áreas para exploração e produção de petróleo no Brasil foi estabelecido, em 2022, em um sinal de que o setor mantém o apetite por novas reservas mesmo sob pressão de organizações ambientalistas.

A ANP apresentou ao mercado 13 áreas, mas só levará a leilão as sete que receberam manifestações de interesse. Se todas forem arrematadas, o governo arrecadará R$ 160 milhões em bônus de assinatura — nos leilões do pré-sal, o bônus é fixo e ganha a empresa que oferece maior volume de petróleo ao governo.

Entre as áreas que vão a leilão, duas estão na porção sul do chamado polígono do pré-sal, mesma porção onde está o bloco Bumerangue, onde a britânica BP diz ter feito sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos.

São as áreas Esmeralda e Ametista, que têm bônus de assinatura de R$ 33,7 milhões e R$ 1 milhão respectivamente. Ambas são consideradas pela ANP áreas de elevado potencial. Além delas, o leilão terá as áreas de Jaspe, Citrino, Larimar, Ônix e Itaimbezinho.

Entre elas, a de maior bônus de assinatura é Jaspe: R$ 52,2 milhões e percentual mínimo de óleo-lucro (a fatia da produção que fica com a União após o desconto dos custos) de 16,72%. Fica colada a um bloco onde a Shell fez descoberta de gás natural recentemente.

A Petrobras avisou ao governo que quer exercer direito de preferência para essa área. Isso lhe garante o direito de pedir participação no consórcio vencedor, como operadora, mesmo que sua proposta no leilão seja derrotada.

Bacia da Foz do Amazonas

Será o segundo leilão de áreas para exploração de petróleo no Brasil em 2025. No primeiro, realizado em junho, a ANP concedeu 34 blocos fora do polígono do pré-sal — dentre eles, 19 blocos na bacia da Foz do Amazonas, alvo de embates entre as áreas ambiental e energética do governo.

O leilão esteve na mira de organizações ambientalistas ao redor do mundo, que questionaram principalmente o incentivo dado pelo governo à abertura de uma nova fronteira exploratória na costa da Amazônia.

Além da Petrobras, foram habilitadas para o leilão do pré-sal gigantes globais como a americana Chevron e a inglesa Shell; estatais da China (Cnooc e Sinpec), Colômbia (Ecopetrol) e Qatar (Qatar Energy); e petroleiras independentes brasileiras, como 3R e Prio.

Exame - SP   21/08/2025

A bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, é hoje uma das prioridades da Petrobras. A empresa aguarda a autorização do Ibama para dar início ao exercício pré-operacional que antecede a licença de perfuração. A expectativa, segundo a presidente Magda Chambriard, é que essa etapa seja concluída nos próximos dias, abrindo caminho para a exploração em águas ultraprofundas na região.

“Estamos falando de uma área a 540 quilômetros da Ilha de Marajó e 185 quilômetros do Oiapoque, em lâmina d’água superior a 2 mil metros. Não tem nada a ver com a foz do rio ou com a ilha, mas sim com águas ultraprofundas, como já fazemos em outras regiões. É importante relativizar as preocupações”, afirmou a executiva em entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME.

A previsão é de que o projeto avance já na próxima semana, afirma a presidente.

“A nossa expectativa é que na semana que vem a gente já tenha autorização para o exercício pré-operacional que precede a licença e é requisito para a licença. Esse exercício deve gastar uns três, quatro dias, depois o Ibama analisa o que foi entregue. Se não tiver nenhuma demanda adicional, já estaríamos na direção da obtenção da licença para a perfuração propriamente dita.”

Com exclusividade à EXAME, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, falou sobre a carreira e os planos para a maior empresa do Brasil. Veja a entrevista na íntegra no podcast "De frente com CEO".

Complemento ao pré-sal

Para a presidente Chambriard, a exploração na Foz do Amazonas não apenas é viável, como também essencial para o futuro da Petrobras e da matriz energética nacional. Os estudos da companhia indicam que a produção do pré-sal deve atingir o pico entre 2030 e 2032. A partir daí, será necessário contar com novas reservas para evitar um declínio abrupto.

“O esforço na margem equatorial é um complemento natural ao pré-sal. Se quisermos manter o patamar de produção e a relevância energética do Brasil nas próximas décadas, precisamos avançar nessas fronteiras”, afirma.

Risco e retorno

A presidente da Petrobras reconhece que a atividade no Foz do Amazonas é de alto risco, característica intrínseca da exploração em águas profundas, mas lembra que o potencial pode ser decisivo para o país.

“Quando lidamos com exploração, temos que ampliar a base para aumentar as chances de sucesso. A geologia da margem equatorial é semelhante à de áreas já exploradas com êxito, o que nos dá confiança”, diz.

A Petrobras também acompanha os movimentos internacionais. Recentemente, a britânica BP anunciou uma das maiores descobertas em 25 anos no pré-sal brasileiro.

“Como toda descoberta, ela ainda precisa ser avaliada, e essa avaliação é que vai ditar o potencial da jazida, se isso é comercial, se não é comercial. No momento, a descoberta da BP está em fase muito inicial, e eu desejo toda a sorte do mundo para a BP. Tomara que seja uma coisa bem grande, porque o Brasil merece.”

Transição e adição energética

A perfuração no Amapá, segundo a presidente Chambriard, não contradiz os esforços da Petrobras em energia renovável. Pelo contrário, faz parte de uma estratégia de transição com adição energética, conceito defendido pela executiva.

“Estamos falando de um futuro que terá menos participação de fósseis, mas eles ainda serão relevantes nas próximas duas ou três décadas. Ao mesmo tempo, estamos investindo em etanol, biodiesel, eólica e solar. Não há nada de incongruente nisso: a exploração de hoje financia a energia de amanhã”, afirma.

IstoÉ Dinheiro - SP   21/08/2025

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, o ato de concentração entre a Companhia Ultragaz S.A. e a Supergasbras Energia Ltda. O Grupo Edson Queiroz entrou como terceiro interessado.

A operação prevê a criação de sociedade de propósito específico (SPE) que ficará responsável pela construção, desenvolvimento e exploração de nova infraestrutura greenfield de movimentação e armazenagem portuária de GLP no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.

Atualmente, o transporte se dá pelo porto de Mucuripe, que será desativado. Com a saída de Mucuripe, o Grupo Edson Queiroz alegou que o Terminal de Pecém se tornaria a única opção na região Nordeste, criando uma dependência total e um risco de fechamento de mercado.

Relator votou pela aprovação sem restrição

O presidente Gustavo Augusto, que relatou o caso, votou por conhecer o recurso do terceiro interessado, mas negou provimento a ele. “Entendo ser o caso de aprovação sem restrições da operação”, disse.

Na visão dele, o novo terminal é “estrutura essencial”. Em abril, a Superintendência-Geral (SG), área técnica do órgão antitruste, já havia aprovado a operação sem restrições.

Ele destacou que as concorrentes identificaram riscos concorrenciais e concordaram em mitigá-los. E estabeleceu como premissa a adoção de compromissos pela Ultragaz e pela Supergasbras, como a abertura de acesso a terceiros. Isso significa que o terminal não poderá ser explorado de forma cativa pelos requerentes e eventual negativa de acesso deverá ser “apresentada de forma justificada e pautada em critérios objetivos e não discriminatórios, tendo como base regras de acesso públicas indevidamente comunicadas a outros interessados”. Outro compromisso é a adoção de tratamento “isonômico e não discriminatório” para os concorrentes que pretendam transportar GLP pelo terminal em questão.

“Caso essas premissas não se confirmem ou não sejam observadas, a presente aprovação poderá ser revista”, estabeleceu o relator do caso. O voto de Gustavo Augusto foi seguido por unanimidade pelos demais conselheiros na sessão desta quarta-feira.

Operação

A joint venture terá como acionistas a Ultragaz e a Supergasbras Energia, cada uma com 50% de seu capital social. O custo estimado do desenvolvimento do projeto do terminal é de R$ 1,1 bilhão e terá capacidade de armazenamento de 61.900 toneladas ou 123.800 m³ de GLP, com conclusão prevista para 2028.

De acordo com as empresas, a parceria resultará na criação do primeiro terminal portuário de movimentação e armazenagem de GLP no Porto de Pecém, no Ceará. “Desta forma, a operação teria caráter pró-competitivo, na medida em que resulta na criação de nova infraestrutura de importação de GLP na Região Nordeste”, afirmam. “Atualmente, o GLP distribuído na região é primordialmente proveniente de importações, que são realizadas majoritariamente por meio do navio-cisterna da Petrobras baseado no Porto de Suape, no Estado de Pernambuco.”

Pelo projeto, o novo terminal irá atender a demandas não só das duas requerentes, mas também de qualquer empresa interessada em contratar serviços de movimentação e armazenagem de GLP. “Não haverá reserva de capacidade mínima do terminal às requerentes. Assim, na prática, toda a capacidade que vier a ser instalada no terminal estará disponível a contratação pelo mercado”.

AGRÍCOLA

Agrolink - RS   21/08/2025

O Governo do Estado de São Paulo aprovou junto ao Banco Mundial o Projeto Agro Paulista Mais Verde – Microbacias III, com investimento total de R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 800 milhões financiados pelo banco e o restante em contrapartida do Tesouro Estadual. O resultado foi oficializado pela Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX) em comunicado oficial.

A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento por meio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), terá duração de seis anos e deve beneficiar mais de 120 mil produtores rurais do estado. Segundo a secretaria, “uma das principais metas é aumentar o valor de venda dos produtos de agricultores familiares através do investimento na infraestrutura produtiva das agroindústrias, cooperativas e associações de produtores”.

O Microbacias III tem como objetivo aumentar a produtividade, gerar renda, recuperar áreas degradadas e ampliar o uso de tecnologias sustentáveis, preservando o meio ambiente e fortalecendo a economia local e regional.

Entre as metas previstas com o financiamento do Banco Mundial estão a recuperação de 1 milhão de hectares com sistemas produtivos sustentáveis, a ampliação da conectividade e geolocalização no campo, investimentos em infraestrutura hídrica e saneamento rural em 500 propriedades, além da capacitação de 15 mil produtores para uso de tecnologias sustentáveis. O projeto também prevê apoio à gestão econômica e ambiental de 20 mil propriedades, fortalecimento de 420 associações e cooperativas, inclusão produtiva de 5 mil mulheres e jovens, apoio a 80 projetos comunitários de povos tradicionais, capacitação de 400 extensionistas rurais e elaboração de 200 planos de negócio coletivos e 200 individuais, além da formação de 300 redes de comunidade solidária.

Segundo a secretaria, o Microbacias III é a terceira fase de um programa que já deixou marcas no desenvolvimento rural sustentável paulista. A primeira fase, Microbacias I, realizada entre 2000 e 2008, envolveu 69.997 produtores em ações de conservação ambiental e manejo sustentável, abrangendo 970 microbacias em 514 municípios e mais de 3,3 milhões de hectares.

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