Clipping Diário

29 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

Valor - SP   29/08/2025

A Nippon Steel pretende investir US$ 4 bilhões em uma nova usina siderúrgica com forno elétrico a arco para sua subsidiária americana U.S. Steel, com início de operação previsto para 2029, segundo apurou o “Nikkei Asia”.

Embora a Nippon Steel já tivesse divulgado os planos para a nova siderúrgica, o vice-presidente Takahiro Mori, que também preside o conselho da U.S. Steel, forneceu detalhes pela primeira vez em uma entrevista ao “Nikkei Asia”.

A usina fabricará produtos de aço a partir de sucata, utilizando dois grandes fornos elétricos a arco, que são mais eficientes e ecologicamente corretos do que altos-fornos. O plano é que a instalação tenha capacidade para produzir cerca de 3 milhões de toneladas de aço anualmente.

O local ainda não foi definido. "Já recebemos consultas de vários estados", disse Mori. "Analisaremos as necessidades de terreno e mão de obra antes de tomarmos uma decisão final."

As empresas pretendem escolher um local já no primeiro semestre do próximo ano. A usina está programada para iniciar suas operações em 2029, no mínimo.

A U.S. Steel, que viu seu lucro líquido cair 57%, para US$ 384 milhões no ano passado, busca investir pesadamente com o apoio da nova controladora, a Nippon Steel, para melhorar sua situação. A empresa também está tentando recuperar investimentos atrasados em instalações existentes, na esperança de recuperar seu antigo status de maior siderúrgica dos Estados Unidos.

A Nippon Steel concluiu a aquisição da U.S.Steel em junho, após um ano e meio de negociações, superando as objeções do presidente Donald Trump, em parte com a promessa de investir US$ 11 bilhões na U.S. Steel até 2028, além do preço de compra. Embora esse valor inclua os investimentos iniciais na nova siderúrgica, mais gastos são esperados em 2029 e além.

A expectativa é que a instalação crie muitos empregos no estado escolhido como sede. Trump afirmou que o acordo com a Nippon Steel geraria empregos e investimentos, e poderia promover a usina planejada em sua campanha para as eleições legislativas de meio de mandato em novembro de 2026.

A Nippon Steel está começando a avançar com a promessa de US$ 11 bilhões em investimentos. A empresa está introduzindo tecnologia avançada em uma siderúrgica no Arkansas, com o objetivo de começar a produzir chapas de aço elétrico de alta qualidade para automóveis dentro de um ou dois anos.

Produzir aço de alta qualidade em fornos elétricos a arco é geralmente considerado difícil devido às impurezas presentes na sucata de aço, mas a Nippon Steel, em 2022, utilizou com sucesso um forno elétrico para fabricar chapas de aço elétrico de alta qualidade, em uma inovação global.

A Nippon Steel também planeja investir US$ 3,1 bilhões para reformar o maior alto-forno da U.S. Steel, na planta Gary Works, em Indiana, bem como enviar mais pessoal para sua subsidiária, além dos cerca de 40 engenheiros já alocados até o momento. "Adicionaremos mais dez", disse Mori, acrescentando que uma decisão sobre isso será tomada em breve.

"O plano de médio prazo da U.S. Steel está sendo elaborado. Definiremos os detalhes até o fim de setembro, no máximo", disse Mori. O investimento nas instalações de produção existentes deverá ser o foco do novo plano.

A Nippon Steel pretende expandir a produção de aço bruto do grupo como um todo, incluindo a U.S. Steel, para 100 milhões de toneladas em dez anos, um aumento de 60% em relação aos níveis atuais.

Embora a superprodução chinesa esteja pesando sobre os preços globais do aço, o mercado americano está protegido pelas tarifas do governo Trump. O país também está entre os maiores mercados para aço de alta qualidade. Produtos de qualidade inferior aos da Nippon Steel já foram vendidos por quase o dobro do preço em alguns casos.

Apesar dos ventos favoráveis do mercado, "a U.S. Steel está enfrentando dificuldades", disse Mori. "Se investirmos e usarmos o know-how da Nippon Steel para melhorar sua qualidade, isso certamente resultará em lucros maiores."

A Nippon Steel também está migrando de altos-fornos para fornos elétricos a arco no Japão. A empresa planeja investir 868,7 bilhões de ienes (US$ 5,91 bilhões) nisso até o ano fiscal de 2029, incluindo subsídios governamentais.

Sobre como a empresa financiará os projetos da U.S. Steel, Mori afirmou que os gastos seriam cobertos pelo "fluxo de caixa e empréstimos da U.S. Steel".

"Se isso não for suficiente, consideraremos opções como um empréstimo intercompanhia", disse ele.

A empresa americana presenciou uma explosão fatal em uma de suas principais siderúrgicas neste mês, representando um teste inicial para a Nippon Steel.

"A U.S. Steel está investigando os detalhes da causa", disse Mori. "Assim que o impacto na produção e nos lucros ficar claro, a U.S. Steel o anunciará."

Portos e Navios - SP   29/08/2025

O Instituto Aço Brasil anunciou, nesta quinta-feira (28), a revisão de suas projeções para a indústria do aço em 2025. Com base nos resultados dos sete primeiros meses do ano, a previsão é que a produção caia 0,8%, para 33,6 milhões de toneladas, e as importações de laminados disparem 33,2%, para 6,3 milhões de toneladas. Em dezembro, a entidade havia previsto queda de 0,6% na produção e alta de 11,5% nas importações. As justificativas para a mudança de expectativas são o que a entidade chamou de “importações desleais”, que desde 2023 invadem o mercado brasileiro, e o acirramento das disputas comerciais em nível global que ampliam as incertezas sobre o setor.

Foram revistas ainda as projeções de vendas internas, de queda de 0,8% para queda de 0,6%, e de consumo aparente, de alta de 1,5% para alta de 5%, puxada pelas importações. Para as exportações de aço, para as quais o Instituto previa alta de 2%, a expectativa agora é de elevação de 1%. Somados, os volumes projetados para importações diretas e indiretas chegam a 12,4 milhões de toneladas, a maior parte vinda da China, que já tem no Brasil o maior destino ocidental do aço que produz.

Segundo a direção do Instituto, o Aço Brasil reconhece os esforços do governo brasileiro para tentar conter as importações ao implementar, em junho de 2024, o mecanismo Cota-Tarifa, que prevê tarifa de importação de 25%. Além disso, a medida estabeleceu cotas com base na média de importações entre 2020 e 2022 acrescida de 30% dessa média, inicialmente, para nove produtos (as chamadas NCMs, ou Nomenclaturas Comuns do Mercosul). O instrumento foi prorrogado e ampliado para 14 produtos, em junho de 2025, e estendido para 16, neste mês.

Segundo Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, o volume de importações desleais de aço laminado este ano deverá atingir o triplo da média histórica. “Essa concorrência desleal rouba o equivalente a um terço do mercado brasileiro do aço, o que tem levado o setor a uma situação extremamente preocupante, que ameaça toda a cadeia”, afirmou.

André Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, disse que a indústria brasileira do aço vive os efeitos de um cenário global desequilibrado pelas ações e reações dos países diante das importações desleais e que é urgente que o Brasil utilize de forma mais eficaz os mecanismos de defesa comercial disponíveis. “Está sob ameaça toda a cadeia produtiva do aço e metalmecânica, com sua capacidade de investir, inovar e gerar empregos. O Brasil precisa se unir para preservar a capacidade dessa cadeia de contribuir para o desenvolvimento do país e a segurança nacional”, afirmou.

Portal Fator Brasil - RJ   29/08/2025

Ante o mesmo mês no ano passado. Assim também recuaram as vendas e, as exportações. Retração na produção de janeiro a julho, uma alta de 1,7% em volume das exportações, mas menos valor. E, exceto uma queda de 8,6% no valor das importações em julho, tanto em volumes e valores tiveram altas significantes também no acumulado do ano, ante os mesmos períodos em 2024.

A produção brasileira de aço bruto foi de 2,8 milhões de toneladas, em julho de 2025, uma redução de 9,6% frente ao apurado no mesmo mês de 2024. Já a produção de laminados foi de 2,0 milhões de toneladas, 7,7% inferior à registrada em julho de 2024. A produção de semiacabados para vendas foi de 727 mil toneladas, uma queda de 18,7% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2024, de acordo com dados divulgados no dia 26 de agosto (terça-feira), pelo Instituto Aço Brasil.

Segundo a entidade do setor as vendas internas recuaram 2,9% frente ao apurado em julho de 2024 e atingiram 1,9 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,3 milhões de toneladas, 1,8% superior ao apurado no mesmo período de 2024.

Exportações — As exportações de julho de 2025 foram de 1,0 milhão de toneladas, ou US$ 740 milhões, o que resultou em redução de 29,0% e de 32,6%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2024.

Importações — As importações de julho de 2025 foram de 616 mil toneladas e de US$ 559 milhões, um aumento de 4,2% em quantum e queda de 8,6% em valor na comparação com o registrado em julho de 2024.

Acumulado do ano — Quanto a produção brasileira de aço bruto no acumulado de janeiro a julho de 2025, foi de 19,3 milhões de toneladas, o que representa uma retração de 1,1% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 13,9 milhões de toneladas, expandindo 0,8% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2024. A produção de semiacabados para vendas totalizou 4,7 milhões de toneladas de janeiro a julho de 2025, uma queda de 10,4% na mesma base de comparação.

Vendas — As vendas internas foram de 12,3 milhões de toneladas de janeiro a julho de 2025, o que representa uma elevação de 1,8% quando comparadas com igual período do ano anterior.

Consumo — O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 16,0 milhões de toneladas no acumulado até julho de 2025. Este resultado representa um aumento de 8,1% frente ao registrado no mesmo período de 2024.

Exportações — As exportações de janeiro a julho de 2025 atingiram 6,2 milhões de toneladas, ou US$ 4,4 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, aumento de 1,7% e redução de 10,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

Importações — As importações alcançaram 4,1 milhões toneladas no acumulado até julho de 2025, um aumento de 24,4% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 3,8 bilhões e avançaram 11,4% no mesmo período de comparação.

Ranking mundial de produção — A produção mundial do aço em junho, o Brasil aparece em 9º lugar respectivamente: China; Índia; Japão; Estados Unidos; Rússia; Coréia do Sul; Turquia; Alemanha; Brasil; Irã.

Produção regional — Quanto a distribuição regional da produção de aço bruto, de semiacabados e laminados no mês de junho, e no acumulado do semestre de 2025, os estados continuam aparecendo nesta ordem: Minas Gerais; Rio de Janeiro ; Espírito Santo; São Paulo.

Rio de Janeiro — O Rio de Janeiro produziu mais de cinco milhões de toneladas de aço bruto nos sete primeiros meses do ano — Estado respondeu por 26,9% da produção nacional de julho com as 752 mil toneladas de aço que fabricou no mês: o Rio de Janeiro acumula 5,1 milhões de toneladas de aço produzidas de janeiro a julho deste ano, o que significa uma alta de 2,3% na comparação com o mesmo período no ano passado. Apenas em julho, o estado produziu 752 mil toneladas de aço bruto, sendo responsável por 26,9% da produção nacional no mês. Os dados são do Instituto Aço Brasil, que representa as empresas siderúrgicas brasileiras.

— O desempenho da siderurgia fluminense evidencia a posição do Rio de Janeiro como um dos grandes protagonistas da indústria nacional. O aço produzido aqui impulsiona investimentos, gera empregos e movimenta cadeias produtivas, fortalecendo setores estratégicos para o desenvolvimento do estado e do país, como a construção civil, a infraestrutura e a indústria de transformação — observa o governador Cláudio Castro(PL).

No ano passado, o Rio de Janeiro produziu 8,8 milhões de toneladas de aço, registrando um crescimento de 2,4% em relação a 2023, sendo responsável por 26,2% da produção de aço bruto no país.

—O Rio de Janeiro segue como o segundo maior produtor nacional de aço bruto, com um crescimento, no acumulado do ano, superior ao do estado de Minas Gerais. Esse desempenho demonstra a confiança das empresas que investem aqui e a solidez da nossa base industrial — destaca a secretária interina de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Fernanda Curdi.

De acordo com o Instituto Aço Brasil, a produção brasileira de aço bruto foi de 19,3 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a julho de 2025, o que representa uma retração de 1,1% frente ao mesmo período do ano anterior.

ICIA — No levantamento do indicador antecedente desenvolvido pelo Instituto Aço Brasil: o Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), apresentou uma alta de 3,4 pontos em agosto de 2025 ante o mês anterior, e atingiu 24.4 pontos, soma que interrompe nove meses seguidos de retração do Índice de Confiança dos CEOs da indústria do aço, no entanto, observam que a indicação de pontos somados continuam apontando piora tanto da situação atual quanto as expectativas para os próximos seis meses. —Índice que se mantém nos mesmos níveis registrados no auge da pandemia do Covid 2019— frisa o Instituto Aço Brasil.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   29/08/2025

As contas do Governo Central registraram déficit primário em julho. No mês, a diferença entre as receitas e as despesas ficou negativa em R$ 59,124 bilhões. O resultado sucedeu o déficit de R$ 44,296 bilhões em junho.

O saldo em julho - que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central - foi o segundo pior desempenho em termos reais (descontada a inflação) para o mês da série histórica, iniciada em 1997. Em julho de 2024, o resultado havia sido negativo em R$ 8,868 bilhões, em valores nominais.

O resultado do sétimo mês do ano veio abaixo da mediana das estimativas das instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, que era de déficit primário de R$ 59,50 bilhões.

No acumulado do ano até julho, o Governo Central registrou déficit de R$ 70,270 bilhões. Em igual período do ano passado, esse mesmo resultado era negativo em R$ 76,240 bilhões, em termos nominais.

Em julho, as receitas totais tiveram alta real de 4,5% em relação a igual mês do ano passado. No acumulado, houve alta real de 3,5%. Já as despesas tiveram alta de 28,3% em julho, já descontada a inflação, em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, a despesa total apresentou alta real de 2%.

Em 12 meses até julho, o Governo Central apresenta déficit de R$ 34,1 bilhões, equivalente a 0,3% do PIB. Desde janeiro de 2024, o Tesouro passou a informar a relação entre o volume de despesas sobre o PIB, uma vez que o arcabouço fiscal busca a estabilização dos gastos públicos.

No acumulado dos últimos 12 meses até julho, as despesas obrigatórias somaram 17,34% em relação ao PIB, enquanto as discricionárias (não obrigatórias, como investimentos e custeio) do Executivo alcançaram 1,34% em relação ao PIB no mesmo período.

Para 2025, o governo almeja um resultado primário neutro (0% do PIB), permitindo uma variação de 0,25 ponto porcentual para mais ou para menos, conforme estabelecido no arcabouço. O limite seria um déficit de até R$ 31 bilhões. O limite de despesas para 2025 é fixo em R$ 2,249 trilhões neste ano.

IstoÉ Dinheiro - SP   29/08/2025

O mercado manteve praticamente inalteradas as apostas de um corte nos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro, após a segunda leitura de dados econômicos dos EUA, como o Produto Interno Bruto (PIB) – que veio acima do esperado – e do índice de preços de gastos com consumo (PCE) – que desacelerou ante o trimestre anterior.

De acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, para setembro, as chances de um corte de 25 pb nos juros recuou marginalmente de 87,3% para 85,3% com os indicadores, por volta das 9h40 (de Brasília). A possibilidade de manutenção dos juros, por outro lado, ganhou ligeira força, de 12,7% para 14,7%.

Para o acumulado até dezembro, a chance estimada de redução de juro em 50 pb até o fim do ano segue como principal, mas teve pequena redução, de 49,5% para 49,3%. A probabilidade de corte maior, de 75 pb, passou de 36,5% para 35,8%, enquanto a de uma redução de 25 pb subiu de 13% para 13,8%. O cenário de manutenção dos juros durante todo o ano era de 1,1% no mesmo horário.

Globo Online - RJ   29/08/2025

A economia começa a dar sinais de desaceleração. A criação de empregos formais teve queda de 32% em comparação a julho do ano passado. Além disso, a inadimplência subiu 6,5% em julho, o maior patamar em mais de 12 anos. O IBC-Br também foi muito fraco, assim como os dados da atividade: serviços (0,1%), indústria (0,1%) e comércio (-0,3%) em junho.

Economia perde fôlego: veja os primeiros sinais do desaquecimento esperado para a 2ª metade do ano

Era de se esperar esse movimento porque uma taxa de juros real de 10% é muito forte. Não foi apenas uma elevação, foi um choque de juros, alta de três pontos percentuais seguidos. O objetivo era reduzir a inflação, e está reduzindo. Tanto que o IPCA-15 de agosto teve deflação.

Além dos juros, a economia brasileira foi surpreendida com um fato inesperado: essa tarifação exagerada, de 10% para 50% imposta por Trump. Isso afetou muito alguns setores, principalmente porque aumentou a incerteza. O setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, prevê que não conseguirá exportar nada em setembro para o mercado americano, sendo que os Estados Unidos representam 26,26% das nossas exportações.

Mesmo afetada por muitos choques, a economia está se mantendo. A projeção do PIB deste ano está sendo revista, mantendo-se ainda em torno de 2%. No governo, há muita preocupação na área econômica de que os juros tenham ido longe demais e que o Banco Central demore muito a começar a reduzir, resultando em um segundo semestre muito fraco, com desaceleração forte. Essa é uma preocupação geral. Eles não expressam muito, não ficam falando, mas lá dentro a preocupação é grande.

O mercado de trabalho começa a enfraquecer, mas ainda está favorável. E isso apesar dos dois grandes choques que a economia brasileira está vivendo: o dos juros e o tarifário. Todos os dados do mercado de trabalho, nos últimos tempos, têm sido muito positivos. Têm até surpreendido os economistas. Não só pela criação, também pela qualidade dessas vagas, o aumento da renda salarial, a redução do desalento, a queda da informalidade e o crescimento do mercado formal.

E quando a Selic começa a cair? O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que a taxa de juros vai ficar nesse patamar de 15% por muito tempo. No mercado financeiro, a maioria acredita que a redução só será no ano que vem. De vez em quando, aparece uma outra perspectiva de que, como a inflação está caindo, o Copom pode começar a reduzir este ano.

Globo Online - RJ   29/08/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou nesta quinta-feira o início de consultas e medidas para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta ao tarifaço de 50% que atinge produtos brasileiros exportados para o mercado americano.

O Itamaraty enviou a comunicação à Câmara de Comércio Exterior (Camex) e informou que os EUA serão oficialmente notificados amanhã.

De acordo com o Itamaraty, o processo pode levar cerca de sete meses, pois pressupõe etapas formais de consulta aos Estados Unidos. A Camex terá 30 dias para avaliar se o caso se enquadra ou não na lei da reciprocidade antes que sejam aplicadas quaisquer contramedidas.

Sancionada em abril, a Lei da Reciprocidade permite ao Brasil responder a medidas unilaterais de outros países que prejudiquem sua competitividade internacional. Entre as possíveis contramedidas estão imposição de tarifas sobre importações, suspensão de concessões comerciais e investimentos, e restrições relacionadas a propriedade intelectual.

A decisão foi tomada após consultas com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e reflete a percepção do governo de que o diálogo com Washington tem sido unilateral e fechado a ponderações do Brasil. A expectativa é que a medida abra espaço para negociação, mas, caso não haja acordo, o país seguirá com a aplicação plena da lei.

Apesar do início do processo interno, o entorno de Lula tem sinalizado que ainda há interesse em negociar com o governo americano. O processo, embora ocorra no âmbito do governo brasileiro, prevê direito ao contraditório por parte dos Estados Unidos. Nesta quinta, Lula ressaltou que os ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) não tem sido ouvidos pelos americanos.

Além da Lei da Reciprocidade, o Brasil também iniciou consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço e contratou um escritório de advocacia nos EUA para defender o país. Autoridades brasileiras negam qualquer ligação entre o início do processo e o julgamento de Jair Bolsonaro no STF, previsto para 2 de setembro.

A Lei da Reciprocidade autoriza o Poder Executivo, em coordenação com o setor privado, “a adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços ou medidas de suspensão de concessões comerciais, de investimento e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual e medidas de suspensão de outras obrigações previstas em qualquer acordo comercial do país”.

A norma ainda ressalta que as contramedidas deverão ser, na medida do possível, proporcionais ao impacto econômico causado pelas ações, políticas ou práticas de aplicação unilateral de medidas comerciais, financeiras ou de investimentos prejudiciais ao Brasil.

O Estado de S.Paulo - SP   29/08/2025

No mais recente episódio de sua escalada contra o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o presidente Donald Trump resolveu agora demitir, da forma arbitrária que lhe é tão característica, a diretora Lisa Cook, uma dos sete votantes no comitê de política monetária norte-americano, aquele que, tal como o Copom no Brasil, estabelece a taxa de juros nos EUA.

Trump alega que Cook, cuja indicação pelo então presidente Joe Biden foi referendada pelo Senado, teria cometido fraude hipotecária. Em uma publicação na Truth Social, rede social da qual é dono, o presidente anunciou a demissão “imediata” da diretora, por conduta que ele descreveu como “potencialmente criminosa”. Não há acusação nem condenação formal contra Cook.

Apesar de “demitida”, a diretora, primeira mulher negra a compor o colegiado do Fed, declarou que não existe motivo legal para sua dispensa e garantiu que seguirá cumprindo suas funções até o fim de seu mandato, em 2038.

Litigâncias à parte, o que realmente importa a esta altura dos acontecimentos é a nova estratégia de Trump para forçar uma queda de juros nos EUA, embora a tendência da inflação seja de alta, como resultado sobretudo da guerra comercial deflagrada pelo republicano.

Trump bem que gostaria de demitir o presidente do Fed como fazia em seu programa de TV O Aprendiz, no qual apenas bradava “você está demitido”. Mas Jerome Powell, cujo mandato vai até maio de 2026, não pode ser demitido, razão pela qual Trump resolveu redirecionar sua artilharia contra os diretores que votam nas decisões sobre juros.

Dos sete atuais membros do comitê, dois – Christopher Waller e Michelle Bowman – são aliados do presidente. Em julho, quando o Fed, com base nos dados econômicos, e não nas pressões de Trump, manteve a taxa de juros entre 4,25% e 4,5% ao ano, Waller e Bowman foram vozes dissonantes e votaram pela redução nas taxas. Foi a primeira vez, em mais de 30 anos, que dois membros do colegiado divergiram da maioria.

Além dos dois dissidentes, a quem Trump fez questão de elogiar publicamente, a Casa Branca agora corre para que o conselheiro econômico do presidente, Stephen Miran, seja confirmado na vaga temporária aberta no colegiado do Fed após a renúncia da diretora Adriana Kugler.

A ideia é que o nome de Miran seja aprovado pelo Senado antes da reunião do comitê de política monetária agendada para os dias 16 e 17 de setembro, de modo a garantir ao presidente pelo menos três dos sete votos do colegiado. O Congresso dos EUA só retorna do recesso de verão no dia 2 de setembro.

Não é exagero afirmar que, por tudo o que envolve, a reunião do Fed no próximo mês já seja a mais aguardada do ano, não só porque o cenário para a determinação da taxa de juros se tornou mais complexo – o mercado de trabalho vem piorando, enquanto a inflação sobe –, mas porque a necessária independência do banco central estará em jogo. Se conseguir “vencer” e impuser seus desígnios ao Fed, Trump estará na verdade contratando uma derrota não só para a economia norte-americana, como para a de todo o mundo.

Monitor Digital - RJ   29/08/2025

A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, formalizada por decreto do presidente dos Estados Unidos, não pode ser tratada como um episódio isolado ou meramente comercial. Trata-se de um sinal claro de reposicionamento estratégico do maior mercado consumidor do mundo, que movimenta cerca de 3,6 trilhões de dólares em importações anuais, e que, com essa medida, reduz ainda mais a presença do Brasil em sua matriz de abastecimento. Hoje, o Brasil representa apenas 1,1% desse total, com aproximadamente 40,3 bilhões de dólares em exportações anuais aos EUA, um índice que pode cair para ínfimos 0,5% com a perda de mercado prevista para os produtos incluídos na taxação. Essa desconexão precisa ser enfrentada com estratégia e não com retórica.

Desde o início desse processo, defendemos que a resposta do Brasil fosse institucional, técnica e ponderada. Sugerimos que não se ativasse a Lei da Reciprocidade, a fim de evitar que qualquer gesto fosse interpretado como retaliação hostil. A diplomacia comercial exige moderação, especialmente quando o objetivo é preservar mercados e mitigar prejuízos. Graças a esse esforço, conseguimos prorrogar prazos de embarque e minimizar perdas logísticas e comerciais imediatas.

Contudo, é necessário reconhecer que o governo brasileiro demorou a reagir com a firmeza e agilidade necessárias. Desde os eventos do BRICS, houve uma escalada retórica que acabou sinalizando um afastamento estratégico injustificado. Confundiu-se soberania com confronto, quando o Brasil, na verdade, precisa atuar como parceiro global competitivo, sem jamais renunciar à sua autonomia.

A escalada ideológica e política tem sobreposto a racionalidade econômica. Isso fragiliza a previsibilidade das relações internacionais e compromete a atuação da indústria nacional, setor que gera superávits, aporta divisas e fortalece as reservas do país. Não se pode ignorar que somos vendedores e os clientes, como os Estados Unidos, são atores centrais no sistema internacional. A abertura comercial não é um capricho, mas uma necessidade.

A substituição do mercado americano por outros destinos, como o asiático, não é simples. O comércio com a China, por exemplo, é fortemente vinculado à cadeia de segurança alimentar e não aos produtos com valor agregado, que são justamente os mais impactados pelas novas tarifas. Em suma, quando se trata de bens industriais sofisticados, o mercado americano ainda é insubstituível.

No caso do Paraná, estado com vocação industrial consolidada e forte presença no agronegócio, os efeitos do tarifaço são significativos. Até o momento, apenas 3% da nossa pauta exportadora para os EUA, que totalizou 1,6 bilhão de dólares em 2024, ficou completamente isenta da nova tarifação. A maior parte dessas vendas, somando US$ 1,19 bilhão, está concentrada em produtos dos setores de madeira, móveis, carne, café e mate, pescados, couro e calçados, mel, metalmecânico, siderurgia, papel e celulose, cerâmica e sucos. Juntos, esses segmentos são responsáveis por mais de 380 mil empregos diretos e 240 mil indiretos no estado.

A maior apreensão paira sobre o setor de madeira industrializada paranaense, que foi responsável por 615 milhões de dólares em exportações para os EUA no ano passado, representando quase 40% das vendas do estado para o país. Um cenário ainda mais preocupante porque muitas indústrias que trabalham com produtos como madeiras perfiladas, molduras e outros insumos da construção civil são focadas quase exclusivamente em vendas para os EUA, chegando a ter uma taxa de até 97% de sua produção destinada ao mercado norte-americano. Outros segmentos, como os de madeira compensada e serrada, dedicam entre 40% e 50% de suas produções para os EUA.

Em todo o Paraná, o setor madeireiro emprega diretamente mais de 38 mil trabalhadores, sendo o principal gerador de postos de trabalho industriais em diversos municípios. Para se ter uma ideia, em cidades como Bituruna e União da Vitória, ambas na região Sul do estado, esse segmento chega a responder, respectivamente, por 87% e 61% do total de empregos na indústria de transformação local. Perdas de negócios e consequentes paralizações da produção nessas empresas devido às novas tarifas norte-americanas certamente vão causar um forte impacto na economia regional.

Todo esse cenário gera um ambiente frágil para quem exporta e destina parte ou a totalidade de sua produção para o mercado externo. E é justamente essa fragilidade que precisa ser enfrentada com uma nova estratégia comercial. O Brasil perdeu oportunidades valiosas nos anos 1990, quando poderia ter se integrado às cadeias globais de valor. Agora, precisa recuperar terreno com políticas industriais que combinem inovação tecnológica, previsibilidade regulatória e inserção internacional qualificada.

Nossa defesa é objetiva. Retomar o protagonismo internacional do Brasil como fornecedor confiável e competitivo. Um país, como sempre foi em sua história, amigo de todas as nações no comércio exterior. E que, ao eventualmente ser pressionado por qualquer um dos eixos, deveria manter uma neutralidade amistosa, principalmente quando se trata do eixo democrático-ocidental.

Mais do que isso, entendemos que, para ampliar seu protagonismo no cenário comercial global, o Brasil precisa também fazer sua lição de casa. Isso exige a viabilização de acordos bilaterais modernos e uma a consciência de que, acima de tudo, a abertura comercial é um compromisso com o desenvolvimento industrial. Por isso, precisamos de um Estado que atue como indutor da competitividade e não como agente de paralisia. Um Estado que promova uma agenda de reformas consistente e que esteja comprometida, especialmente, com os segmentos mais suscetíveis a essa abertura comercial.

O setor produtivo está pronto para cumprir seu papel. Mas ele precisa operar em um ambiente racional, estável e voltado ao futuro. Se continuarmos à margem dos fluxos comerciais centrais, tratando questões estruturais como episódios diplomáticos, corremos o risco de sermos irrelevantes na nova ordem econômica global. Não há soberania em permanecer isolado. Há soberania em liderar com estratégia e visão.

IstoÉ Dinheiro - SP   29/08/2025

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 0,36% em agosto, depois de ter registrado queda de 0,77% no mês anterior, em resultado que ficou acima do esperado, mostraram dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,21%, e com o resultado do mês o índice passou a acumular em 12 meses alta de 3,03%.
Preços no atacado impulsionam resultado do IGP-M

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, deixou para trás o recuo de 1,29% em julho e passou a subir 0,43% em agosto.

“A alta do IPA marca a reaceleração dos preços dos produtos agropecuários, que desde maio vinham registrando quedas intensas, influenciados, principalmente, pelo efeito da sazonalidade mais forte do período e pela maior oferta de safras importantes”, explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

No IPA, destacaram-se as altas de 6,76% do minério de ferro (-1,86% antes), 3,73% da soja em grão (+0,45% antes), 15,03% da banana (+5,93% antes) e 1,44 do café em grão (-22,52% antes).
Variação para consumidor é negativa

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, teve variação negativa de 0,07% em agosto, de uma alta de 0,27% em julho.

Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, três apresentaram recuos nas suas taxas de variação: Habitação (0,75% para -0,19%), Educação, Leitura e Recreação (0,85% para -0,78%) e Alimentação (0,03% para -0,42%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou a subir no período 0,70%, de uma alta de 0,91% em julho.

O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

Globo Online - RJ   29/08/2025

Menos de uma semana após detalhar as condições das linhas de crédito do BNDES no Brasil Soberano, como foi batizado o programa de apoio a exportadores afetados pelo tarifaço dos EUA sobre exportações brasileiras para o mercado americano, o presidente do banco de fomento, Aloizio Mercadante, afirmou nesta quinta-feira que a cobrança de empréstimos ativos de empresas afetadas poderá ser suspensa. O executivo defendeu ainda o uso de juros subsidiados nos financiamentos emergenciais.

Segundo Mercadante, a ideia surgiu reunião com representantes da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), na sede do BNDES, na tarde desta quinta-feira. Um grupo de 15 governantes municipais de cidades mais afetadas pelo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump, liderado pelo presidente da FNP, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), participou do encontro.

Stand still foi usado na pandemia e no Rio Grande do Sul

A medida, conhecida no jargão bancário como “stand still”, foi adotada pelo BNDES no conjunto de medidas lançado para mitigar os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre as empresas. Também foi usado no pacote de socorro à economia do Rio Grande do Sul, assolada pelas enchentes que se espalharam pelo estado na virada de abril para maio do ano passado.

Na prática, uma suspensão agora traria alívio para as empresas que já tenham um empréstimo com o BNDES e estejam pagando a dívida. Mercadante evitou estimar o escopo que a medida poderia ter nem falou em prazos.

— Não tem prazo. Isso aqui surgiu hoje. Estou chamando a atenção de que, no Rio Grande do Sul, foi necessário. Talvez, em algumas situações (relacionadas ao tarifaço), venha a ser necessário — afirmou o executivo, ao lado de Paes, após a reunião.

A medida seria útil para “alguns complexos regionais, especialmente em produtos perecíveis, enquanto as compras públicas não estiverem implantadas”, completou Mercadante.

R$ 40 bi em crédito

Na semana passada, o BNDES informou as condições da parte de crédito do Brasil Soberano. As linhas somam R$ 30 bilhões, com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), e um valor adicional de R$ 10 bilhões em recursos do próprios do banco de fomento.

Mercadante reafirmou nesta quinta-feira a expectativa de começar a aprovar os primeiros empréstimos por volta do próximo dia 15, desde que, até uma semana antes, o BNDES receba os dados detalhados, da Receita Federal e do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), sobre as empresas mais impactadas pelo tarifaço de Trump.

"Prejuízo explícito" é maior do que "subsídio implícito", diz Mercadante

Questionado sobre o custo fiscal de oferecer empréstimos com juros subsidiados, ou seja, abaixo das taxas de mercado, o presidente do BNDES afirmou que “o prejuízo explicito” com o tarifaço “é muito maior”:

— Existe um subsídio implícito nessas operações de crédito. Agora, qual é o prejuízo explícito, para o Brasil, de não fazer? Vamos deixar essas empresas quebrarem, os trabalhadores serem desempregados, colapsar receita dos municípios? Alguém acha que essa é a solução para um problema como esse? Esses empresários não tem nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu. Eles estavam trabalhando, produzindo, embalando, exportando. Tem empresas aí que estão há mais de 20 ou 30 anos exportando para o para o mercado americano, com produtos de qualidade, derrotando os concorrentes.

Paes aproveitou as declarações na saída da reunião da FNP com o BNDES para elogiar o trabalho do banco de fomento na operação do pacote de socorro.

— Tivemos aqui a um conjunto de informações muito acima das nossas expectativas. Planejávamos falar muito mais, forçar muito mais, pressionar muito mais, mas as medidas concretas já detalhadas pelo presidente Mercadante e pela sua equipe trazem conforto aos prefeitos aqui presentes — disse o prefeito do Rio.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   29/08/2025

Os preços dos contratos futuros de minério de ferro subiram nesta quinta-feira, alcançando a maior alta em duas semanas, impulsionados pela pressão da China para reduzir a produção de aço em meio às ações de combate ao excesso de capacidade.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China terminou a sessão em alta de 1,74%, a 790,5 iuanes (US$110,51) a tonelada, o maior valor desde 14 de agosto. O contrato subiu 1,5% até o momento em agosto.

O minério de ferro de referência de outubro na Bolsa de Cingapura subiu 1,5%, a US$104 por tonelada, também a maior alta desde 14 de agosto. Até o momento, o contrato avançou 4% neste mês.

A China pressionará por corte da produção de aço entre 2025 e 2026, de acordo com um documento oficial visto pela Reuters e uma fonte com conhecimento do assunto. Analistas disseram que isso poderia ajudar a melhorar os lucros das usinas de aço e fortalecer a capacidade das empresas de absorver os preços mais altos das matérias-primas.

Os preços do principal material de fabricação de aço também foram sustentados pelas expectativas de melhora da demanda após as restrições de produção em Tangshan, um importante centro de produção chinês na província de Hebei.

As siderúrgicas em Tangshan são obrigadas a limitar a produção para conter a poluição do ar em Pequim antes de um desfile militar em 3 de setembro para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial.

“A produção de metais quentes provavelmente aumentará após o término dessa rodada de controle de produção. A expectativa de que o Federal Reserve dos EUA reduza a taxa de juros em setembro também deu algum suporte aos preços do minério”, disse Qingwei Xie, analista da consultoria Shanghai Metals Market.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   29/08/2025

As vendas da Tesla (TSLA) na Europa caíram 40% em julho, marcando o sétimo mês seguido de retração, segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) divulgados nesta quinta-feira, 28.

No mesmo período, a rival chinesa BYD registrou alta de 225%, com 13.503 novos emplacamentos — superando os 8.837 carros da marca do bilionário Elon Musk.

O recuo da Tesla ocorreu apesar do crescimento do mercado de elétricos no continente. Segundo a ACEA, o volume de veículos 100% a bateria aumentou em julho na comparação anual, ampliando a pressão sobre a montadora americana.

Desafios da Tesla

A companhia enfrenta concorrência acirrada e desgaste de imagem na Europa, em parte associado aos posicionamentos controversos de Musk e à sua relação com o governo Donald Trump.

Globalmente, a fabricante também perdeu fôlego: no segundo trimestre, a receita com vendas de automóveis recuou, e Musk alertou investidores de que a empresa pode atravessar “alguns trimestres difíceis”.

Um dos principais entraves é a ausência de grandes renovações em seu portfólio. A Tesla prometeu lançar um modelo mais acessível, com início da produção em larga escala previsto para o segundo semestre de 2025, na tentativa de reverter a tendência negativa.

Thomas Besson, chefe de pesquisa do setor automotivo no Kepler Cheuvreux, afirmou à CNBC que a gestão da Tesla tem buscado convencer investidores de que a empresa é mais do que uma montadora, ao enfatizar temas como inteligência artificial, robótica e autonomia.

“Eles falam sobre quase tudo, menos sobre o carro que estão vendendo em ritmo mais lento”, disse Besson. Para o analista, os modelos da Tesla já estão mais defasados em relação à concorrência, e os últimos lançamentos, como o Cybertruck, não tiveram o sucesso esperado.

Avanço chinês

Enquanto isso, a BYD amplia sua ofensiva no mercado europeu. A companhia abriu showrooms em diversos países e vem praticando preços competitivos desde 2023.

O esforço faz parte da estratégia de fabricantes chineses, que conquistaram participação recorde de mais de 5% do mercado europeu no primeiro semestre, de acordo com a consultoria JATO Dynamics.

A pressão não afeta apenas a Tesla. Montadoras tradicionais como Stellantis, Hyundai, Toyota e Suzuki também registraram queda nas vendas na região em julho. Por outro lado, grupos como Volkswagen, BMW e Renault anotaram alta nos emplacamentos no mesmo período.

Automotive Business - SP   29/08/2025

Com vendas crescentes e agora estabelecida como montadora, a Great Wall Motors quer ampliar a presença no país não só com automóveis e concessionárias. O próximo passo é a abertura de um centro tecnológico de pesquisa e desenvolvimento (P&D), como conta o CEO da GWM no Brasil, Diego Fernandes.

Nos próximos dias, vamos inaugurar um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, informou o executivo nesta quinta-feira, 28, no 33º Congresso Fenabrave, durante um painel dedicado a montadoras.
Como será o centro de P&D da GWM no Brasil

A área do centro de P&D da GWM terá mais de 60 técnicos e engenheiros, atuando no desenvolvimento e nos testes de produtos locais. O foco será em tecnologia flex, na adaptação de veículos às condições locais de rodagem e à preferência do consumidor.

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As instalações ficam no terreno ao lado da recém-inaugurada fábrica de Iracemápolis (SP). São 15 mil metros quadrados de área total e 4 mil m² de área construída.

As marcas chinesas estão em fase de internacionalização. Em nosso caso, até o padrão da concessionária e de atendimento é próprio do Brasil. E os produtos não são apenas tropicalizados, mas desenvolvidos para o mercado local, afirma Fernandes.
Primeiro híbrido-flex da GWM está próximo

Segundo ele, o primeiro híbrido flex GWM chega ao mercado em 2026. De acordo com a montadora, além da infraestrutura física do centro de P&D, a GWM tem parcerias com institutos de pesquisa e com universidades brasileiras para o desenvolvimento de novas tecnologias e formação de profissionais.

No acumulado até julho de 2025, a GWM registrou alta de 20,6% nas vendas no mercado brasileiro em relação ao mesmo período de 2024, com 19,2 mil veículos emplacados.

Temos atualmente 110 concessionárias. Serão 130 até o fim do ano. Vamos encerrar 2025 com mais de 40 mil unidades vendidas, estima Fernandes.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

O Estado de S.Paulo - SP   29/08/2025

Em dois anos, a sueca Electrolux, fabricante de linha branca, como lavadoras, geladeiras, fogões, quer ser a segunda maior marca de eletroportáteis do País, atrás apenas da Mondial.

Para atingir a meta de ter 20% das vendas de eletroportáteis nesse prazo, a companhia acaba de investir R$ 700 milhões em uma nova fábrica em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). É a maior expansão industrial da história da empresa na América Latina.

Com capacidade inicial de fabricar 5 milhões de unidades de produtos por ano, podendo atingir 6,5 milhões de unidades quando o projeto estiver a todo vapor, serão produzidos liquidificadores e ventiladores na unidade, de aproximadamente 50 mil metros quadrados de área construída. Com isso, a companhia estreia nessas duas linhas, apesar de atuar há algum tempo em eletroportáteis.

Na nova fábrica, será consolidada também a produção de aspirador de pó, filtro de água e máquina de lavar de alta pressão. Esses eletroportáteis são produzidos pela empresa em uma pequena planta no Paraná, que será desativada.

Anualmente, são vendidos no mercado brasileiro cerca de 10 milhões de liquidificadores e perto de 15 milhões de ventiladores. “Começamos por esses dois, que são mercados super grandes”, diz o CEO do Electrolux Group na América Latina, Leandro Jasiocha. Ele acrescenta que outros eletroportáteis estão sendo estudados para futuramente serem produzidos na nova fábrica.

O executivo observa que a companhia praticamente não participava do mercado de ventiladores e de liquidificadores. É que as poucas unidades da marca eram importadas e chegavam ao País com preço mais alto comparado ao da concorrência. “Agora com esse investimento e os produtos que desenvolvemos, vamos conseguir participar com uma fatia muito maior desse mercado”, acrescenta o executivo.
Chineses

O investimento na nova fábrica, que já está em funcionamento, também é uma reação ao avanço da concorrência, sobretudo de fabricantes chineses, que dobraram recentemente a aposta no mercado brasileiro. Jasiocha diz que o investimento na unidade em São José dos Pinhais vai melhorar a competitividade, a eficiência e reduzir custos dos produtos em relação à concorrência.

O diretor de Operações da Electrolux Group para a América Latina, Ramez Chamana exemplifica a estratégia de ganho de competitividade que virá com a nova fábrica. As injetoras de plástico e as prensas, por exemplo, um pilar na produção de eletroportáteis, atualmente são terceirizadas. Na nova unidade, essa etapa virá para dentro da fábrica. “Vamos melhorar a nossa eficiência de custo”, diz o executivo.

Ele acrescenta que a nova unidade é 100% sustentável, desde a construção até o funcionamento. “Não temos veículos que usam combustíveis fósseis, a energia é 100% renovável, a iluminação é quase natural e 65% dos funcionários são mulheres.”

Além disso, o diretor de operações conta que essa unidade de produção vai agregar várias linhas de produtos. A perspectiva é que itens de refrigeração e de cocção sejam fabricados nessa unidade. Isso quebra um paradigma global da companhia, que normalmente tem fábricas dedicadas.

O Brasil, no entanto, já tem alguma tradição de ter diferentes linhas de produção em uma mesma planta. Em Manaus (AM), por exemplo, são fabricados aparelhos de ar condicionado e fornos de micro-ondas; em Curitiba (PR), refrigeradores e em São Carlos (SP) lavadoras e fogões.
Conjuntura

Apesar de ter sido desenhado no passado, o investimento na nova fábrica entra em operação num momento complicado. As vendas de eletroeletrônicos estão em desaceleração e os juros básicos da economia brasileira estão em 15% ao ano. Esse é um obstáculo para se obter financiamentos. E isso afeta diretamente a venda de bens duráveis, como eletroportáteis, eletrodomésticos, que são itens comprados, normalmente, a prazo por causa do alto valor.

O CEO da companhia pondera que o mercado brasileiro já é conhecido pela alta volatilidade e esse movimento é mais acentuado aqui em relação a mercados maduros. Ele ressalta que o horizonte do investimento para a companhia é de longo prazo. “Quando olhamos para o horizonte de vários anos, a gente entende que o mercado brasileiro é atrativo e vai ter espaço para continuar crescendo.”

Há quase 100 anos no País (comemoração será em 2026), o Brasil é o segundo maior mercado para a Electrolux, superado só pelos Estados Unidos. Os executivos não revelam as cifras faturadas no Brasil, mas a América Latina responde por 25% das vendas e o Brasil representa a maior parte. Em 2024, o grupo faturou globalmente cerca de US$ 13,8 bilhões.

Hoje as exportações da filial brasileira para outros países são muito pequenas. O grupo sueco tem operações nos Estados Unidos e, por conta do tarifaço imposto pelo governo Donald Trump, os preços dos eletrodomésticos estão encarecendo no território americano. No mercado europeu, por sua vez, as vendas de eletrodomésticos continuam estáveis, sem grandes projeções de crescimento. “É nesse contexto que o Brasil acaba ficando ainda mais importante para a estratégia do grupo”, conclui Jasiocha.

FERROVIÁRIO

IstoÉ Dinheiro - SP   29/08/2025

Antes mesmo de completar um dia de oficialmente lançada, a Frente Parlamentar Mista das Ferrovias Autorizadas (Frenfer) já se articula para convencer o BNDES a criar uma linha de crédito específica para o setor, com juros subsidiados e condições especiais. A ideia é oferecer financiamento a empresas que assumiram autorizações de ferrovias privadas, mas que hoje não encontram no mercado instrumentos adequados de fomento.

O movimento é liderado pelo senador Zequinha Marinho (foto), do Podemos do Pará, presidente da Frenfer, que faz questão de frisar:

“Não queremos dinheiro público. Queremos linhas de crédito com juros menores e acesso facilitado a debêntures incentivadas”. O colegiado é composto por 20 senadores e 12 deputados federais.

Empresas como Petrocity Ferrovias, Multimodal Caravelas, Eldorado, Grão-Pará e Macro Desenvolvimento já aguardam a criação dessa linha para acelerar seus projetos. Segundo interlocutores do setor, há até investidores internacionais com recursos garantidos para empreendimentos, como o trem entre Brasília e Luziânia, que permanecem parados pela falta de licenciamento ambiental.

Atualmente, 41 pedidos de licença estão encalhados no Ibama, que, segundo empresários, não tem pessoal suficiente para analisar os processos. “É moleza do governo. O dinheiro está lá, mas sem licença nada avança”, critica Marinho.

Criada após a aprovação da Lei das Ferrovias (2021), que autorizou 45 projetos privados, a iniciativa pretende pressionar órgãos do Executivo e a ANTT para reduzir a burocracia e tirar do papel um modelo que, até agora, só existe na lei.

“O compartilhamento de infraestrutura precisa ser realidade. Vamos exigir relatórios, pedir informações formais e, se preciso, propor novas regras para garantir acesso e concorrência”, disse Marinho à coluna.

Para o setor privado, a frente cumpre uma função de defesa política. José Roberto Barbosa, presidente da Associação Brasileira das Ferrovias Autorizadas (Abrafa), resume:

“As ferrovias autorizadas não têm facilitação em nada. A expectativa é que a frente consiga desburocratizar prazos e licenciamento”.

Revista Ferroviaria - RJ   29/08/2025

Atrasado há mais de um ano e meio, o aeromóvel que está sendo construído pra conectar a linha 13-jade da CPTM aos terminais de embarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos deve ser inaugurado em setembro, de acordo com previsão a concessionária GRU Airport. Ainda não há, no entanto uma data definida pro início da operação. O Ministério de Portos e Aeroportos informou que o cronograma ainda está sendo alinhado com a administradora.

O serviço chamado “people mover” deveria ter começado a funcionar em fevereiro do ano passado, mas as obras atrasaram várias vezes. Isso motivou, inclusive, a instauração de um processo administrativo pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que pode levar à aplicação de multa à concessionária.

O novo sistema de transporte teve que ser construído porque a estação Aeroporto da CPTM não chega efetivamente ao aeroporto, e passageiros precisam percorrer o trecho final de ônibus ou carro de aplicativo. São cerca de 3 quilômetros da estação até o terminal 2 pra se ter ideia.

O “people mover”, também conhecido pela sigla APM, consiste num sistema de trem automatizado numa via elevada, que vai levar os passageiros da CPTM até os três terminais de Cumbica sem custo adicional. O tempo previsto de viagem é de 10 minutos para o trecho completo, de acordo com o consórcio AeroGRU, responsável pela obra.

Serão dois veículos em operação simultânea, com capacidade pra transportar até 2 mil pessoas por hora em cada sentido.

O projeto tinha custo inicial de R$ $272 milhões bancados pela concessionária GRU Airport com recursos que deixaram de ser arrecadados pela União.

Diário do Comércio - MG   29/08/2025

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmou que a linha 1 do metrô de Belo Horizonte passará por uma nova expansão. Com investimento de R$ 1 bilhão, serão construídos 3,6 quilômetros de trilhos e duas estações – Parque São João e Beatriz – no município de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) – a partir da estação Novo Eldorado, atualmente em construção pela concessionária responsável pela operação.

Em maio, o governo de Minas Gerais protocolou um pedido no Ministério das Cidades para abertura de linha de crédito no valor mencionado, visando à realização da obra, considerada de extrema importância para a mobilidade da Grande BH. O pleito foi formalizado após reunião entre o secretário de Estado de Infraestrutura, Pedro Bruno, o vice-prefeito de Contagem, Ricardo Faria, e o secretário-executivo da pasta, Hailton Madureira.

No início deste mês, surgiram rumores de que o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloísio Mercadante, teria sinalizado à prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), que o dinheiro solicitado para o projeto seria disponibilizado. Nenhuma das partes envolvidas havia confirmado a informação, no entanto, nesta quinta-feira (28), o presidente revelou que o recurso será disponibilizado.

Nesta sexta-feira (29), Lula anunciará oficialmente o investimento no metrô durante agenda em Contagem. Ele estará na cidade para divulgar as propostas habilitadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2025, nos eixos Mobilidade Grandes e Médias Cidades e Renovação de Frota, e para participar de uma visita às obras em andamento da avenida Prefeito Newton Cardoso (antiga Maracanã) e da entrega do trecho 3 do corredor viário.

Assinatura de contratos com a PBH, que englobam aporte de R$ 456 milhões

Na ocasião, de acordo com o Palácio do Planalto, o presidente assinará contratos com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Os documentos envolvem a implantação de 64,3 quilômetros de faixas exclusivas para transporte coletivo no município e a aquisição de cem ônibus elétricos, em um aporte de R$ 456 milhões.

Vale dizer que Lula visitará Belo Horizonte na próxima semana, conforme ele mesmo informou à imprensa. Na agenda, será lançado o programa Gás do Povo, que promete garantir acesso gratuito ao gás de cozinha para famílias em situação de vulnerabilidade.

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Presidente vai até Montes Claros para inauguração de centro de tecnologia e inovação

Ainda nesta sexta-feira, após visitar Contagem na parte da manhã, o líder do governo federal vai até Montes Claros, no Norte do Estado, para a inauguração do Acelen Agripark, considerado o maior e mais moderno centro de tecnologia e inovação agroindustrial dedicado à macaúba. A planta nativa servirá como base para a produção de biocombustíveis sustentáveis, como o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Verde (HVO).

O empreendimento recebeu R$ 314 milhões em investimentos, dos quais R$ 258 milhões foram financiados pelo BNDES, e faz parte do conjunto de iniciativas do PAC para a transição energética. O complexo integra a biorrefinaria da empresa, que será construída na Bahia, e prevê a produção de um bilhão de litros de SAF por ano a partir de 2028.

Money Times - SP   29/08/2025

Vale (VALE3) informou nesta quinta-feira (28) que não conseguiu chegar a um consenso, dentro do prazo estabelecido, sobre a repactuação dos contratos de concessão da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM).

A negociação ocorreu em mediação conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes, que representou a União Federal.

Na prática, apenas não houve acordo para mudar os termos dos contratos já vigentes. A mineradora ressaltou que os contratos — prorrogados antecipadamente até 2057 por meio de termos aditivos assinados em dezembro de 2020 — permanecem em plena vigência.

A empresa reforçou ainda que segue comprometida com as bases gerais do acordo firmado em 30 de dezembro de 2024 e garantiu estar adimplente com todas as obrigações previstas.

A Vale afirmou que continuará cumprindo os contratos e adotará as medidas necessárias para assegurar seus direitos e responsabilidades.

NAVAL

Portos e Navios - SP   29/08/2025

O governo federal destinou mais de R$ 770 milhões para Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), consideradas parte essencial da infraestrutura de transporte das regiões ribeirinhas. De acordo com a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), desde 2023, foram aplicados cerca de R$ 390 milhões na construção, manutenção e revitalização desses portos fluviais. O montante supera os R$ 380 milhões investidos de 2019 a 2022.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) informou que há na região amazônica mais de 80 instalações portuárias de pequeno porte em operação administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e que há outras sendo entregues ou previstas. Uma delas é a IP4 de Itacoatiara Antigo, no Amazonas, que entrou em operação em junho, após obras de revitalização que custaram R$ 11 milhões.

Outra foi a de Barcelos, no mesmo estado, entregue em agosto e na qual foram investidos R$ 20 milhões, com expectativa de beneficiar cerca de 20 mil moradores. E deve ser entregue ainda este ano no estado amazonense o Porto de Envira, que recebeu aporte de R$ 37,6 milhões.

Além dessas, há previsão de entrada em operação de novas instalações fluviais, segundo o MPor. A IP4 de Fonte Boa, outra no Amazonas, já tem contrato assinado e ordem de início de serviços emitida. E, informou o Ministério, já foram divulgados editais para portos fluviais em Tefé, Tonantins, Manaus e Autazes, no Amazonas, e Porto Velho, em Roraima. E já há estudos para mais 29, em Pernambuco, Amazonas, Pará, Maranhão, Bahia, Alagoas, Amapá e Acre.

Segundo o ministro de portos e aeroportos, Silvio Costa Filho, os portos fluviais são, para a população do Norte do país, opção para a locomoção e o desenvolvimento das comunidades ribeirinhas, com o transporte de passageiros e de mercadorias. “Os portos fluviais são mais do que estruturas. São polos de acesso a serviços essenciais para a população, como educação, renda e saúde”, afirmou.

Agência Brasil - DF   29/08/2025

Brasil e China terão, a partir deste sábado (28) uma nova rota de comércio. Ela ligará o porto de Santana, no Amapá, ao de Zhuhai, na China. Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, a nova rota diminuirá custos e tempo de viagem dos produtos brasileiros até o país asiático.

“Tenho uma boa notícia: no sábado, agora, chega o primeiro navio dessa rota Zhuhai-Santana, no Amapá. Agora o Arco Norte tem mais essa alternativa de rota marítima”, anunciou Góes nesta quinta-feira (28) durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A nova rota ligará o Porto Santana das Docas à chamada Grande Baía (Guangdong-Hong Kong-Macau), onde fica, entre outros portos, o de Gaolan, em Zhuhai – um dos principais terminais da região e ponto estratégico para o fortalecimento do coméricio entre os dois países.

De acordo com o ministro, essa rota foi vista pelos governos dos dois países, com potencial para o escoamento de bioprodutos da Amazônia e do Centro Oeste brasileiro.

“As vantagens são gigantes. Na comparação com o porto de Santos, a saída de produtos do Centro-Oeste por Santana ou pelo Arco Norte para a Europa diminui, por exemplo, o custo da soja em US$ 14 por tonelada. Se for para a China, a economia é de US$ 7,8 por tonelada. Isso, sem falar do além do tempo de viagem, que diminui”, acrescentou.

A vantagem, segundo Góes, agregará muito no trabalho, no lucro e na recompensa do produtor. Seja ele da Amazônia ou do centro-oeste brasileiro, além de organizar melhor a logística no país.

“Daí para frente, vai da nossa capacidade. Da capacidade da Região Amazônica de articular produtos de interesse da China”, completou.

O ministro ressaltou que as cooperações entre Brasil e China têm crescido muito, potencializando ainda mais essa rota, em especial para os produtos da bioeconomia da Amazônia, região que, segundo ele, tem muito por crescer economicamente.

“Vai demorar, mas a melhor estratégia para Amazônia é se industrializar. É agregava valor, beneficiar os produtos da Amazônia para agregar valor, gerar emprego e renda. Isso para o açaí, o cacau, o café, a castanha, a madeira, o pescado, a piscicultura e demais atividades, como os fármacos. Temos um potencial grande nos fármacos porque a Amazônia só faz fornecer matéria-prima”, argumentou.

Com um mercado de 1,4 bilhão de pessoas, a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

“Para você ter uma ideia, o café, que já entra muito forte na China, tem um consumo per capita de um café por mês. Imagina se dobrarmos isso, e passar a ser de dois cafés por mês. Isso vale para o café, para a soja e para o agro de modo geral. Eles têm muito interesse por mel, açaí, chocolate, Cacau”, detalhou ao ressaltar que produtos da biodiversidade têm uma abertura muito grande na China.

IstoÉ Dinheiro - SP   29/08/2025

A Vale está implementando uma série de processos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelos seus navios, que entregam a maior parte da produção da mineradora em portos da China. “Estamos testando combustíveis alternativos e desenvolvendo inovações como as velas rotativas”, afirmou o diretor de Clima, Natureza e Investimento Cultural da Vale, Hugo Barreto.

Barreto participa nesta quinta-feira, 28, do evento Rio Climate Action Week, que acontece em diversos pontos do Rio de Janeiro.

A Vale vem se dedicando a um reposicionamento dentro de uma visão de uma jornada para uma economia de baixo carbono, disse o executivo, lembrando que a mineradora desenvolve produtos para contribuir com a redução de emissões na conversão do minério em aço, como os briquetes verdes. “Estamos oferecendo soluções para a siderurgia emitir menos.”

Barreto citou ainda que a Vale tem meta de uso de energia renovável em 100% das operações globais e já atingiu a mesma meta nas operações em território nacional.

PETROLÍFERO

Valor - SP   29/08/2025

Wael Sawan, presidente da petroleira, diz que empresa se prepara para leilão em outubro, enquanto investe em campo na Bacia de Santos

Segunda maior produtora de petróleo do Brasil, atrás da Petrobras , a britânica Shell ainda vê oportunidades no pré-sal brasileiro, embora reconheça que daqui para frente vai precisar ser mais “seletiva e focada” na seleção de projetos na região. “Acreditamos que há mais a ser conquistado”, diz Wael Sawan, presidente global da Shell desde janeiro de 2023. Agora a empresa se prepara para o leilão de áreas do pré-sal da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em outubro.

Nos últimos dez anos, a Shell investiu entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão por ano no país. Hoje um dos principais projetos da empresa é o desenvolvimento do campo de Gato do Mato, no pré-sal da bacia de Santos. O plano envolve a instalação de plataforma, prevista para começar a operar em 2029, com capacidade de produzir 120 mil barris de petróleo por dia.

Na distribuição de combustíveis, a Shell divide com a Cosan o controle da Raízen, empresa que, como mostrou o Valor, está buscando um novo sócio. Wael não quis entrar em detalhes da operação, mas disse, na condição de acionista, que a Raízen está bem posicionada para aproveitar o crescimento do mercado de biocombustíveis nos próximos anos.

Na entrevista ao Valor na sede da filial brasileira, no Rio, Wael esteve acompanhado do presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa. Indagado sobre a operação desta quinta-feira (28) que buscou desmantelar um esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, Costa disse que o tema da evasão fiscal no setor vem sendo discutido entre a indústria e o governo há anos: “O Instituto Brasileiro do Petróleo [IBP] estima que a evasão fiscal associada à distribuição ilegal de combustíveis pode ter magnitude de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões por ano, [dinheiro] que não vai para o caixa dos governos [nas diferentes esferas]”, disse Costa.

O executivo acrescentou: “Vemos isso [a operação policial] como um movimento positivo, feito de forma coordenada entre diferentes autoridades governamentais, e esperamos que seja em benefício do país.” Na visão dele, existe uma oportunidade não apenas de fazer frente a uma distorção que prejudica a indústria de combustíveis, mas também de permitir que o governo, ao enfrentar a ilegalidade, aumente a arrecadação em vez de aumentar impostos em outras áreas.

Wael, por sua vez, relatou que esteve na quarta-feira (27) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, quando falou de projetos da empresa e da importância da estabilidade fiscal e regulatória para investimentos no setor. A seguir os principais pontos da entrevista:

Valor: Qual é a razão de sua visita ao Brasil neste momento?

Wael Sawan: Desde 2015, viajo regularmente ao Brasil. O Brasil é estratégico para a Shell e representa grande parte do nosso portfólio em diferentes áreas. A área de óleo e gás [do país] é importante para o nosso negócio de gás e energia. Mas o Brasil também é relevante para o nosso negócio de biocombustíveis e para alguns dos nossos negócios de transição de energia.

Valor: Mas há um motivo em particular desta vez?

Sawan: Quando venho ao Brasil, sempre busco ter a sensibilidade sobre alguns temas: a estabilidade fiscal e regulatória e a competitividade do país a longo prazo porque fazemos investimentos bilionários a cada ano. Então tento entender como o Brasil está nestes elementos [macroeconômico e regulatório] em um contexto global marcado por tarifas, desafios geopolíticos e guerras em diferentes áreas.

Valor: O senhor encontrou o presidente Lula esta semana. Houve algum pedido específico?

Sawan: Encontrei o presidente Lula ontem [na quarta-feira, 27]. Um elemento chave da minha função é encontrar os chefes de Estado para entender o que eles estão pensando. Reafirmei a importância do Brasil para nós e falei sobre o andamento de alguns de nossos grandes projetos. Falamos também sobre a situação global, transição energética e sobre a importância da estabilidade fiscal e regulatória. São assuntos que dão sinais aos investidores para que possam continuar a ter confiança de investir nas próximas décadas.

Não conheço nenhum país com mais potencial para biocombustíveis do que o Brasil. E a Raízen tem uma vantagem particular”

Valor: Quais são as preocupações da Shell no Brasil?

Sawan: Como todo país, o Brasil experimenta desafios, os quais referi anteriormente, como as tarifas. Tentamos navegar essa nova realidade. Há desafios fiscais no país e é importante ser claro [no enfrentamento] desses desafios. Todo movimento que o governo faz em qualquer país que reduz a confiança para investir cria impactos a longo prazo. Há um ambiente global muito competitivo e todos [empresas e investidores] carregam seu capital para investir em lugares onde tenham confiança no futuro. É da natureza da indústria de energia que, quando investimos, nossos retornos só chegam oito a dez anos depois. Então precisamos de estabilidade não por um, dois ou três anos, mas por pelo menos 20 anos.

Valor: Quanto o Brasil representa da produção de óleo da Shell?

Sawan: Somos hoje o maior produtor no Brasil, atrás da Petrobras. Nossa produção total está em cerca de 400 mil a 450 mil barris por dia, algo como 15% da produção total do grupo. E continuamos tendo apetite para crescer e isso explica por que investimos em Gato do Mato [na Bacia de Santos]. Também buscamos investir em oportunidades de exploração onde, na última rodada de licitações, garantimos quatro blocos na Bacia Sul de Santos. Fomos, acredito, a única empresa que investiu em todas as rodadas de licitações ou participou de todas elas. Gostamos do que vemos no Brasil e de seguir construindo o futuro com o Brasil.

Valor: Pode dar mais detalhes sobre esse projeto de Gato do Mato?

Sawan: Temos trabalhado com Gato do Mato há alguns anos. Foi um conceito que revisamos para poder torná-lo comercial. É um projeto empolgante porque nos permite produzir 120 mil barris por dia. Essa é a capacidade da instalação que estamos desenvolvendo e nos permite entrar em uma área que esperamos continue a ter perspectivas. É uma área que nos permite trazer o melhor do portfólio de águas profundas da Shell. Temos uma das maiores, senão a maior, presença em águas profundas do mundo, em lugares como o Brasil, Golfo da América [expressão criada pelo presidente Donald Trump para se referir ao Golfo do México], Nigéria e Malásia. Estamos trazendo aprendizados para o Brasil. Também dependemos da cadeia de suprimentos no país para desenvolver esse projeto. Isso criará empregos no Brasil e vai gerar receita tributária para o governo. A produção do primeiro óleo é esperada para 2029.

Valor: Vê espaço para a Shell disputar novos blocos no pré-sal?

Sawan: O pré-sal é um dos recursos mais prolíficos do mundo. Por isso, em 2015, anunciamos a compra da BG no Brasil e os recursos que a BG tinha no país foram um dos principais impulsionadores [de crescimento]. Acreditamos que há mais a ser conquistado. Não é fácil porque já houve muitas descobertas que vêm produzindo há algum tempo. Agora temos que ser mais seletivos e focados. Tentamos nos concentrar nas áreas onde acreditamos ter força e continuamos a ver espaço de exploração no pré-sal. Estamos nos preparando para a próxima rodada de licitações [em outubro] para ver quais oportunidades surgirão e teremos que decidir como jogar.

Valor: A Shell tem planos de atuar na Margem Equatorial?

Sawan: Não há dúvidas de que é uma área promissora. Sempre estaremos analisando as oportunidades à medida que surgirem.

Valor: A Raízen, na qual a Shell é sócia com a Cosan, está procurando um sócio, segundo publicado pelo Valor. O senhor confirma esse movimento? Qual é a estratégia que a Shell desenha para a Raízen?

Sawan: Não vou mencionar nada específico sobre Raízen porque é uma empresa listada. Seria melhor [vocês] discutirem o tema com a Raízen. Vou falar da perspectiva de um acionista. Nossos cenários preveem que, potencialmente, o mundo vai precisar três vezes mais produção de biocombustíveis até 2050. Acreditamos que os biocombustíveis serão parte importante da matriz energética do futuro. E não conheço nenhum país com mais potencial para biocombustíveis do que o Brasil. A Raízen tem uma vantagem particular. O que é atraente na Raízen é a tecnologia de segunda geração [de etanol] e a potencial tecnologia de conversão que talvez leve um dia o etanol [a ser usado como] combustível sustentável de aviação [SAF]. Com as regulamentações, é atraente vender localmente e talvez um dia exportar. Por isso continuamos gostando dela [Raízen], estratégica e operacionalmente. Temos grande confiança na atual equipe de gestão. Acredito que eles [a administração da empresa] têm uma tarefa desafiadora no cenário atual: continuar a desalavancar a empresa e fortalecer o balanço. Buscamos apoiá-los e dar suporte à gestão enquanto executa a recuperação do negócio. E continuaremos a contribuir com ideias para ajudá-los como acionistas. Mas é claro que a Raízen terá que tomar essas decisões com o apoio de seu conselho.

Valor: As incertezas geopolíticas cresceram em 2025, com as guerras e as tarifas de Donald Trump. Quais são os desafios de conduzir os negócios de uma empresa como a Shell em um cenário em que fazer previsões de médio e longo prazos ficou cada vez mais difícil?

Sawan: O mundo, de fato, experimenta mais incertezas. Uma empresa como a Shell tem que se concentrar no que pode controlar, enquanto busca entender o que está acontecendo nas áreas sobre as quais não tem controle. Nosso foco, primeiro, foi identificar o que podemos controlar, que é [adotar medidas para] ser uma empresa mais enxuta, adequada e competitiva. Isso significa ter balanço mais forte, melhor performance operacional e estrutura de custos mais enxuta. Em dois anos e meio, cortamos quase US$ 4 bilhões em custos. Em 2028, esperamos eliminar de US$ 5 bilhões a US$ 7 bilhões de custos. Segundo: uma das maiores áreas em que podemos criar ou destruir valor é onde colocamos o capital. As maiores escolhas que julgo ter em meu papel [de CEO] estão ficando claras. Se vamos investir US$ 1 bilhão, para onde isso vai? Em um mundo com mais incerteza, é preciso estar apto a entrar em mercados que você confia, para permitir retorno sobre o investimento. A capacidade do Brasil de ser competitivo hoje no mercado de energia fará a diferença entre grandes investimentos ou não.

Valor: Por quê?

Sawan: Porque estabilidade regulatória e fiscal são tão importantes que se os governos, no Brasil, forem capazes de demonstrar isso vão confirmar [a chegada de] grandes investimentos no país. A produção de petróleo representa, neste ano, cerca de 15% da exportação do Brasil [um dos maiores itens da pauta].

Ao longo dos anos, investimos cerca de US$ 20 bilhões em baixo carbono e estamos tentando fazer com que tenhamos retorno de mais de 10%”

Valor: Como as incertezas locais e globais afetam a dinâmica entre oferta e demanda de petróleo? Aumenta a volatilidade dos preços?

Sawan: Não gostaria de especular. Se os investimentos [em cenário mais incerto] são reduzidos, a oferta começa a ficar restrita. Quando a oferta é restrita, há maiores preços de óleo e gás. Uma das coisas que vimos nos últimos anos foi que fluxos comerciais de energia mudaram significativamente. No passado, tivemos muita energia indo da Rússia para a Europa. Hoje, vemos muito dessa energia fluindo da Rússia para partes da Ásia. Há produtos asiáticos ou dos Estados Unidos saindo para atender a demanda de energia da Europa. Então os fluxos comerciais aos quais estávamos acostumados mudaram.

Valor: E como a Shell se vê nesse novo cenário?

Sawan: Uma empresa como a Shell tem papel importante a desempenhar. Nossa capacidade de atender à demanda dos clientes tem que ser prioritária. Por exemplo, se um cliente, no Brasil, precisa de carregamento de GNL [Gás Natural Liquefeito] em um mundo em que parte desse GNL está sendo levado para a Ásia ou para a Europa, uma das coisas mais importantes que podemos fazer é analisar como podemos entregar de local diferente. Como do nosso projeto de GNL no Canadá, que iniciamos recentemente, de onde talvez possamos trazer parte do fornecimento. Ou podemos fornecer a partir de Trinidad e Tobago ou do Peru.

Valor: Na sua visão qual é o panorama para os preços do petróleo?

Sawan: Em primeiro lugar, acho muito, muito difícil prever onde os preços poderão estar. A curto prazo estamos vendo uma desaceleração no mercado, o que pode significar preços mais baixos. Analisamos isso agora que saímos de uma típica temporada de viagens [no Hemisfério Norte]. Normalmente, a demanda por energia é maior no Hemisfério Norte nos meses de verão. Por isso, podemos observar uma discreta queda nos preços da energia. Companhias como a nossa reagem exatamente nos pontos sobre os quais podemos controlar, que é gerenciar custos e aumentar a produção. Dizemos aos nossos acionistas que somos capazes de pagar dividendos até um preço de petróleo de US$ 40 [por barril]. E que continuaremos a recomprar nossas ações [com o barril] até US$ 50 devido à solidez do nosso balanço patrimonial e aos ativos que possuímos. Estamos construindo um portfólio e desenvolvendo capacidades que nos permitem resistir aos baixos preços do petróleo, ao mesmo tempo em que criamos valor para nossos acionistas nos altos preços [da commodity].

Valor: O Wall Street Journal informou que a Shell estaria em negociações para compra da BP, o que foi negado pela empresa. Para além dessa possível transação, como vê o espaço para fusões e aquisições na indústria em termos globais?

Sawan: Vimos muitas mudanças nos últimos anos e quem sabe onde isso vai dar? Vemos que o preço das ações ainda não representa o valor da empresa. Viemos recomprando ações da Shell. São 15 trimestres consecutivos com recompras de US$ 3,2 bilhões [por trimestre]. São quase quatro anos com ações recompradas a cada trimestre, mais de US$ 45 bilhões no período. Em vez de comprar outras empresas, estamos comprando uma companhia [a Shell] que conhecemos, que acreditamos ter muito mais potencial por meio das melhorias que adotamos. Sempre procuraremos oportunidades para fazer aquisições adequadas. Recentemente, fizemos duas aquisições no Golfo da América. Mas são ativos que conhecemos bem.

Valor: Significa que a Shell vê crescimento mais pelo caminho orgânico do que por aquisições?

Sawan: Não diria que é uma coisa ou outra, mas que por enquanto vemos muito mais oportunidades pelo lado orgânico. O preço do petróleo, hoje, de US$ 67 o barril, não é baixo. Em termos históricos, está no meio da faixa. Não é o momento perfeito para fazer grandes aquisições. Queremos estar prontos para fazer movimentos quando acharmos que podemos criar valor. Se pudermos criar valor [sem aquisições], não nos moveremos.

Valor: Qual é a estratégia da Shell na transição energética? Segue apostando em energias renováveis mas vai atrasar a implementação desses projetos?

Sawan: Nossa estratégia tem sido consistente, pois, como dissemos, o mundo precisa de petróleo e gás por algum tempo. E precisamos ser capazes de desenvolver soluções de baixo carbono. O Brasil talvez seja um dos países que lideram e vivem a transição energética melhor do que a maioria [dos países]. Parte da nossa estratégia é nos tornar líder mundial em gás e GNL integrados. Essa será uma das maiores contribuições que faremos para a transição energética. E queremos ser um agente mais focado na comercialização de energia, em busca de alavancar soluções de baixo carbono.

Valor: De que modo?

Sawan: Ao longo dos anos, investimos cerca de US$ 20 bilhões em baixo carbono e estamos tentando fazer com que tenhamos retorno de mais de 10% sobre esse investimento. Do próximo ano até 2030, queremos gerar retorno sobre esses US$ 20 bilhões. Hoje, o retorno é de zero a 2% e precisa ser de 10% a cada ano. Então gostaríamos de ver um lucro líquido [nesse segmento] de cerca de US$ 2 bilhões a cada ano. Isso tornará o baixo carbono lucrativo para a Shell.

Valor: Em quais áreas?

Sawan: Biocombustíveis, biogás. Também olhamos para hidrogênio verde. Investimos na Holanda em uma grande instalação de hidrogênio verde. E temos [parcela de] energia renovável, embora descobrimos nos últimos anos que não temos uma vantagem competitiva específica nesse setor. Nossa vantagem é maior em biocombustíveis e biogás. É aí que nosso foco estará mais concentrado nos próximos anos. Também estamos analisando captura e armazenamento de carbono e buscamos soluções baseadas na natureza, como nossa parceria, aqui no Brasil, com a Carbonext, bem como para créditos de carbono. É um portfólio amplo, estamos tentando aprender e estabelecemos metas claras de redução de emissões para nós mesmos. Queremos reduzir nossas emissões em 50% entre 2016 e 2030.

TN Petróleo - RJ   29/08/2025

A BRAVA Energia, a mais diversificada empresa independente de óleo e gás do país, anunciou a implantação de uma nova estação de compressão e carregamento de gás natural em carretas, na Bahia.

Com capacidade instalada de 115 mil m³ por dia, a nova estação funcionará em São Francisco do Conde, região metropolitana de Salvador, e vai abastecer diretamente clientes industriais e a distribuidora Bahiagás, a partir da base de descompressão. O empreendimento será desenvolvido em parceria com a MDC Energia, através da sua subsidiária Companhia Distribuidora de Gás Natural (CDGN), empresa pioneira no segmento de combustíveis de baixo carbono. O início do fornecimento está previsto para junho de 2026.

A BRAVA Energia tem investido na produção e comercialização de gás natural, buscando diversificar suas fontes de receita e contribuir para a segurança energética. A empresa também tem como objetivo aumentar a oferta de gás no mercado brasileiro, explorando o potencial de produção não associada, onde o gás é extraído de reservatórios independentes.

"A parceria ampliará as vendas de gás e de líquidos em campos com limitações na capacidade de escoamento e sem integração a rede de gasodutos, contribuindo ativamente para o fortalecimento do mercado de gás e reforçando o compromisso com o desenvolvimento socioeconômico da região", afirma o Diretor de Novos Negócios, Trading e Downstream da Brava Energia, Pedro Medeiros (foto).

Na estação de compressão, o gás fornecido pela BRAVA Energia passará por um tratamento primário, onde será comprimido, por meio de um sistema de carregamento e medição. Depois, ele será encaminhado para as carretas de alta pressão, que seguirão para distribuição do produto aos clientes.

"A região de São Francisco do Conde é bastante estratégica, pois está no entorno de um grande polo industrial. O projeto trará ainda mais segurança e previsibilidade para nossas entregas de gás natural", comenta Juarez Abdalla, Diretor Comercial da CDGN, subsidiária da MDC Energia.

Localizada em uma área de cerca de 6,5 mil m², a estação de compressão deve gerar cerca de 75 empregos diretos e indiretos na Bahia, durante a execução do projeto e operação.

Sobre a Brava Energia - A BRAVA Energia é uma das principais empresas independentes de petróleo e gás do país, com o portfólio mais diversificado e atuação mais abrangente, em diferentes elos da cadeia de valor do setor. A companhia possui produção de óleo e gás em terra e mar, nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará. Dentre os ativos de gás, destaca-se a participação majoritária no campo de Manati, produção e processamento no Pólo Potiguar, produção marítima em Peroá e Cangoá na Bacia do Espírito Santo e produção terrestre na Bahia. Listada por meio do ticker BRAV3, a BRAVA Energia atua com foco na maximização dos resultados esperados de seus ativos para seus acionistas e a sociedade em geral, incluindo seu compromisso com a agenda ESG.

Sobre a MDC Energia - A MDC Energia desenvolve negócios em toda a cadeia de gás natural e biometano, desde a produção e processamento até a distribuição e comercialização do combustível. Atuando como uma plataforma integrada de soluções de baixo carbono, desde 2006, a MDC já investiu mais de R$ 1 bilhão em projetos de energia sustentável em todo país. A Companhia foi responsável por levar gás natural a mais de 40 cidades que anteriormente não tinham acesso ao energético. A MDC Energia é também pioneira no segmento de biometano, tendo implantado a primeira usina do biocombustível em escala comercial, além de ter o único projeto de biometano do Brasil conectado ao gasoduto.

Valor - SP   29/08/2025

Ofensivas a refinarias paralisaram um total acumulado de 3,1 milhões de toneladas em agosto

A capacidade ociosa das refinarias de petróleo da Rússia atingiu um nível recorde neste mês após a intensificação de ataques ucranianos a essas instalações — a fim de minar a infraestrutura de exportação russa, e por conta das extensas manutenções programadas. As unidades que seguem em operação, porém, devem ajudar a amenizar o impacto.

De acordo com cálculos da Reuters, a capacidade total de refino primário de petróleo fora de operação na Rússia atingiu um recorde mensal de 6,4 milhões de toneladas em agosto, um aumento de 65% em relação às estimativas anteriores baseadas em planos de manutenção.

Os ataques com drones a várias refinarias em diferentes datas paralisaram um total acumulado de 3,1 milhões de toneladas neste mês, representando 48% do impacto total, mostram os cálculos.

Esses ataques derrubaram cerca de 17% da capacidade de refino da Rússia, ou 1,2 milhão de barris por dia, neste mês.

Esse número supera os números registrados em maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19, e em maio de 2022 após a invasão da Ucrânia pela Rússia, e representa um aumento de 54% em relação a julho, segundo os cálculos.

A Ucrânia tem como alvo grandes refinarias da Rússia, incluindo nas cidades da região do Volga como Samara, Syzran e Volgogrado. O porto do Mar Báltico de Ust-Luga também foi atacado, assim como Ryazan e instalações no sul da Rússia.

A Rússia afirmou hoje que extinguiu um incêndio em uma refinaria de petróleo na região de Krasnodar, no sul, após a Ucrânia declarar que havia atacado duas refinarias durante a noite, provocando incêndios em ambas.

Os ataques às refinarias têm redirecionado mais petróleo bruto para exportação por parte do segundo maior exportador de petróleo do mundo, em um momento em que Washington pressiona China e Índia para reduzirem suas compras de petróleo russo.

A Rússia aumentou seu plano de exportação de petróleo bruto em agosto a partir de portos ocidentais em 200 mil barris por dia após os ataques interromperem operações de refino, segundo três fontes com conhecimento do assunto.

Os ataques ocorrem também em meio ao pico da demanda sazonal por gasolina por parte de turistas e agricultores. Moscou endureceu sua proibição de exportação de gasolina em julho, antes da recente intensificação dos ataques, para ajudar a proteger o abastecimento interno.

Foram relatadas faltas de gasolina em algumas áreas da Ucrânia controladas pela Rússia, no sul da Rússia e no extremo oriente russo, forçando motoristas a recorrerem à gasolina mais cara devido à escassez do tipo regular A-95.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na quinta-feira que o mercado interno de combustíveis da Rússia está totalmente abastecido e que a situação está sob controle.

Durante uma teleconferência diária com repórteres, ele afirmou que há diversas razões para as oscilações nos preços dos combustíveis.

“O governo está tomando medidas ativas para garantir que o nível de preços da energia e da gasolina permaneça estável”, disse ele, citando a proibição de exportação de gasolina como uma dessas medidas.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   29/08/2025

Após ruídos, governos confirmam que leilão será no dia 5, mas mercado vê incerteza

Após ruídos políticos nos últimos dias, o governo federal e o Estado de São Paulo têm garantido que o leilão do túnel Santos-Guarujá será realizado na próxima sexta-feira (5). O contrato prevê a construção do empreendimento, com investimentos de R$ 6,8 bilhões, além de R$ 1,78 bilhão em despesas operacionais estimadas ao longo da Parceria Público-Privada (PPP) de 30 anos.

Segundo fontes, hoje há três principais interessados: a Mota Engil, construtora portuguesa que tem a chinesa CCCC como acionista; um consórcio da Odebrecht e da EGTC Infra (Queiroz Galvão); e a espanhola Acciona.

A construtora Marquise também afirma que quer disputar o projeto. Porém, pessoas a par do tema dizem que a italiana WeBuild, com quem a empresa havia fechado um consórcio para disputar o projeto, desistiu de entrar na concorrência. A construtora ainda poderia se juntar a um dos demais interessados.

Confirmado o calendário, a entrega de propostas deverá ser realizada já na próxima segunda-feira (2).

Porém, fontes do mercado afirmam ainda há algumas incertezas, tanto em relação ao acordo entre União e Estado, quanto em relação à entrega de propostas por grupos com capacidade econômico-financeira.

A participação da Acciona ainda é uma dúvida. A avaliação é que, caso a espanhola entre, deverá ser conservadora em sua oferta. Já a Mota Engil e Odebrecht tenderiam a ser mais agressivas, embora o fôlego financeiro dos grupos seja menos claro, avaliam atores do mercado.

Segundo fontes, o grupo da Odebrecht vem procurando há meses um parceiro capaz de dar ao consórcio mais fôlego financeiro e acesso a crédito, porém, não teve sucesso até o momento.

Uma pessoa a par do tema diz que há diferentes alternativas em estudo por meio da Nova Infra, veículo que a Odebrecht criou para disputar concessões. O arranjo poderia ser fechado inclusive após o leilão, caso o grupo vença — o que atores do mercado veem com desconfiança. A fonte afirma que a insegurança em torno do acordo entre União e Estado vinha dificultando uma definição, o que pode inclusive inviabilizar uma proposta do grupo, disse.

Outro ator do mercado afirma que, para além do ruído político, que trouxe incerteza sobre os aportes públicos, a taxa de retorno do projeto está abaixo do atual patamar de juros. Embora haja perspectiva de queda do custo financeiro nos próximos dois anos, trata-se de um empreendimento muito grande e com muitos fatores de incerteza para esse nível de retorno, afirmou.

Segundo Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, a expectativa é de sucesso no leilão. “A gente está muito confiante, temos recebido por parte do mercado sinalizações que alguns grupos devem participar do processo. Vemos apetite do setor produtivo”, disse ele.

Rafael Benini, secretário de Parcerias de Investimentos do governo paulista, que estruturou o projeto, confirmou que há três grupos mais engajados no processo, por meio dos pedidos de esclarecimento do edital.

Procurados, Odebrecht, Queiroz Galvão e Marquise não comentaram. A Mota Engil e a WeBuild não retornaram. A Acciona afirmou, em nota, que “está constantemente analisando oportunidades no setor de infraestrutura que estejam alinhadas à sua estratégia de negócios”.

O empreendimento, que foi concebido há cerca de cem anos e sofreu inúmeras idas e vindas ao longo das últimas décadas, está sendo conduzido de forma compartilhada entre o governo federal e o Estado de São Paulo.

Como o poder público entrará com a maior parte dos recursos necessários para viabilizar a construção do túnel, o arranjo prevê que os valores sejam divididos entre o governo federal e o de São Paulo. Está previsto um aporte inicial de no máximo R$ 5,14 bilhões — sendo metade da União e metade do Estado. Além disso, a gestão paulista entrará com pagamentos anuais de até R$ 439 milhões, uma vez que o empreendimento começar a operar.

Esses desembolsos públicos ainda poderão cair, a depender do nível da competição. No leilão, vencerá quem oferecer o maior desconto sobre as contraprestações anuais. Caso o grupo proponha um deságio de 100% sobre esse montante, ainda poderá oferecer um desconto sobre o aporte inicial destinado às obras.

Um dos maiores entraves da licitação, porém, tem sido a relação entre o governo federal de Lula (PT) e a gestão paulista de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O governo paulista não conseguiu financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o aporte estadual que viabilizará as obras. Porém, a gestão garantiu que tem condições de honrar o compromisso mesmo assim.

Do lado federal, os recursos virão do caixa da Autoridade Portuária de Santos (APS), afirmou Costa Filho.

Nas últimas semanas, um despacho do TCU apontou “potenciais fragilidades” no projeto, entre elas, a governança entre os entes federativos. Porém, o relatório excluiu a necessidade de alterar o prazo do leilão. Após reunião entre as partes, realizada na quarta (27), fontes envolvidas reiteraram a manutenção do calendário, com entrega de ofertas já na segunda (2).

“Ficou tudo alinhado entre TCU, governo federal, estadual e APS. Fizemos uma reunião final para que pudesse estar tudo pronto para fazer o leilão no próximo dia 5”, afirmou, ao Valor, Costa Filho.

Segundo ele, a presença de Lula ainda não foi confirmada, mas certamente ele ou o vice-presidente, Geraldo Alckmin irão ao leilão.

Questionado sobre o financiamento ao Estado, o BNDES disse, em nota, que “o acordo é de que a obra seria custeada de forma paritária” pelo governo federal e pelo Estado. O banco afirmou que a União “assegurou metade dos recursos necessários para a obra” e que “o governo estadual ainda não colocou, até este momento, os recursos da parcela sobre sua responsabilidade. Diante dessa questão, o BNDES aguarda orientação do Governo Federal sobre o tema”.

Outro desafio do projeto apontado por analistas é a execução da obra, dado que a tecnologia do túnel imerso nunca foi usada no Brasil. Para Benini, esse aspecto não gera preocupação. “O primeiro túnel imerso do mundo foi construído há cem anos. Todos os interessados se associaram a grupos que já fizeram túneis maiores.” Ele avalia que uma das grandes complexidades é a necessidade de paralisar o Porto de Santos por alguns dias para a implantação.

Benini afirma que o projeto trará benefícios enormes para a mobilidade urbana da região, que hoje depende de balsa para o trajeto. “Tanto para o turismo, quanto para o desenvolvimento econômico cai ser muito importante. Projetamos um volume de tráfego, mas ainda haverá uma mudança cultural, então o impacto deverá ser até maior do que se consegue prever.”

Costa Filho também destaca que o projeto, uma das maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deverá melhorar o acesso ao porto e reduzir o trajeto rodoviário entre as duas cidades, hoje feita em 45 minutos.

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