IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá definir as tarifas sobre aço e chips na próxima semana, em comentários para repórteres a bordo do Air Force One, a caminho para o Alasca, onde se encontrará com o homólogo russo, Vladimir Putin, nesta sexta-feira. “As tarifas de aço e chips terão uma taxa menor no início”, disse, sem fornecer mais detalhes.
Trump ainda fez comentários sobre a guerra na Ucrânia, afirmando que Putin queria tomar o país por inteiro. “Se eu não fosse presidente, ele teria feito isso”, disse.
Segundo Trump, Putin está interessado na economia norte-americana. Ele não deu detalhes a respeito.
O encontro entre os dois presidentes deve ocorrer por volta das 16 horas de Brasília. Há a expectativa de uma coletiva de imprensa após o encontro. Trump disse nos últimos dias que iria telefonar para os líderes europeus e para o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, após o término do encontro.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
A economia chinesa desacelerou visivelmente em julho, de acordo com estatísticas oficiais divulgadas na sexta-feira, 15, destacando um conjunto complexo de desafios enfrentados pela China em meio às crescentes tensões globais sobre o comércio.
O governo atribuiu a desaceleração em parte à guerra comercial com os Estados Unidos, embora a economia chinesa ainda esteja sofrendo com o impacto de uma queda de quatro anos nos valores imobiliários. Além disso, as autoridades tomaram recentemente medidas deliberadas para desacelerar suas fábricas, já que muitos países começaram a impor tarifas sobre as exportações massivas e ainda crescentes da China.
Em julho, a produção industrial, as vendas no varejo e os investimentos vacilaram e ficaram aquém das expectativas dos economistas. O desemprego aumentou, à medida que milhões de jovens se formaram na faculdade e procuraram trabalho. A produção industrial medíocre foi uma surpresa particular, já que o governo chinês havia anunciado na semana passada que as exportações ainda estavam crescendo fortemente, com pouco efeito até agora das tarifas do presidente Trump.
Fu Linghui, porta-voz e economista-chefe do Escritório Nacional de Estatísticas da China, falando em uma coletiva de imprensa, citou as tarifas e outros fatores.
“O ambiente internacional em julho foi complexo e severo, com o impacto contínuo do protecionismo comercial e do unilateralismo.” Ele também citou um “impacto de curto prazo” causado por condições climáticas extremas, incluindo inundações e ondas de calor.
Parte da desaceleração da economia pareceu ser o resultado esperado das políticas governamentais. Muitas empresas têm se envolvido em cortes frenéticos de preços, na tentativa de eliminar o excesso de estoque. O governo chinês respondeu começando a desencorajar novos investimentos em setores industriais onde muitas fábricas operam com metade ou menos da capacidade, como as que fabricam automóveis ou painéis solares.
Os investimentos em fábricas, edifícios comerciais e outros ativos fixos desaceleraram ainda mais em julho e quase não cresceram nos primeiros sete meses do ano em comparação com o mesmo período de 2024, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas.
A produção industrial, que tem sustentado a economia em grande medida nos últimos anos, ainda cresceu 5,7% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. Mas esse ritmo foi mais fraco do que em junho, quando cresceu 6,8% em relação ao ano anterior.
Embora Fu tenha culpado o protecionismo dos EUA, as exportações da China, na verdade, aumentaram 7,2% em julho em relação ao ano anterior. As exportações da China para o Sudeste Asiático e a África, duas regiões que fazem muitas reexportações para os Estados Unidos, foram particularmente fortes.
As exportações diretas para os Estados Unidos caíram, embora ainda fossem mais de três vezes maiores do que as importações da China dos Estados Unidos.
A queda do mercado imobiliário chinês, que eliminou grande parte das economias da classe média, fez com que muitas famílias se tornassem relutantes em comprar carros, ir a restaurantes ou fazer outros gastos. Os preços dos apartamentos se estabilizaram no inverno passado e no início da primavera, após sinais do governo de que poderia tomar medidas para estabilizar o setor imobiliário. Mas os preços voltaram a cair nos últimos quatro meses, pois poucas medidas específicas foram tomadas.
As vendas no varejo em julho aumentaram 3,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, consideravelmente pior do que as expectativas e mais fraco do que em junho, quando aumentaram 4,8%.
Zichun Huang, economista da Capital Economics, uma empresa de consultoria, disse em uma nota que, embora o governo tenha anunciado algumas medidas nos últimos dias para ajudar as famílias, essas medidas ainda não são suficientes para fazer uma grande diferença.
“Embora medidas recentes, como subsídios para nascimentos e empréstimos ao consumidor, sejam passos na direção certa, é improvável que elas aumentem significativamente os gastos das famílias”, escreveu ela.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira que o fato de o Brasil manter laços comerciais fortes com a China não é incompatível com as negociações com os Estados Unidos, que impuseram tarifas de 50% sobre alguns produtos nacionais.
“O Brasil quer continuar essa parceria com a China, esse diálogo e essa negociação. Nós vamos continuar a negociação para retomar as exportações aos EUA e o maior comprador do Brasil é a China, isso não é incompatível, pelo contrário: o comércio exterior aproxima os povos e traz ganho de eficiência”, afirmou Alckmin durante a inauguração da fábrica da montadora chinesa GWN no interior de São Paulo, na tarde desta sexta, 15.
O vice-presidente voltou a criticar as tarifas impostas pelos EUA, movimento que, segundo ele, foi injusto e incompreensível, já que os americanos têm superávit comercial com o Brasil. “O Brasil é bom parceiro e continuará com o diálogo e a negociação”, frisou Alckmin, que foi questionado sobre as declarações do presidente americano Donald Trump, que ontem disse que o Brasil tem sido “horrível” nas relações comerciais com os EUA.
Alckmin acrescentou que o País deverá continuar recebendo investimentos importantes e citou que sete montadoras já instalaram fábricas no Brasil nos últimos dois anos e meio.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
Governo anunciou pacote de R$ 30 bilhões para socorrer exportadores e conter danos na economia. Especialistas advertem para risco nas contas públicas e temor de que medidas perdurem, como ocorreu com isenções da pandemiaEm meio ao tabuleiro instável da geopolítica comercial, o governo Lula moveu suas peças contra o “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump: anunciou um pacote de R$ 30 bilhões em medidas para apoiar exportadores e conter os danos na economia brasileira, ampliando os gastos públicos e deixando menos margem de manobra para as novas medidas.
O plano, batizado de Brasil Soberano, responde às sanções definidas por Trump como pressão contra o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado.
“Com o Plano Brasil Soberano, o governo federal não está apenas reagindo a uma ameaça imediata: está reconstruindo e fortalecendo o sistema nacional de financiamento e seguro à exportação, para que o país seja mais competitivo e menos vulnerável a esse tipo de medida no futuro”, afirmou, em nota, o governo.
Além de não aplicar tarifas recíprocas em produtos norte-americanos, a estratégia combina injeção de crédito, estímulo tributário e medidas emergenciais – em uma tentativa de manter empregos e não desestabilizar a já estressada meta fiscal, que tenta zerar o déficit público neste ano.
Impacto de R$ 9,5 bilhões
Segundo o governo, dos R$ 30 bilhões anunciados, o impacto primário previsto nas contas públicas será de apenas R$ 9,5 bilhões, distribuídos entre o Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras), e Fundos Garantidores para financiar pequenos e médios exportadores.
O Reintegra devolve aos exportadores brasileiros parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva na forma de crédito. O governo informou que o programa elevará em três pontos percentuais o ressarcimento de tributos às empresas afetadas, limitado a R$ 5 bilhões. A medida valerá até o fim de 2026, quando passarão a vigorar dispositivos da Reforma Tributária que já preveem mecanismos semelhantes de restituição.
Os outros R$ 4,5 bilhões de impacto virão do Fundo de Comércio Exterior (FGCE), o de Investimentos (FGI), do BNDES, e o destinado a Operações (FGO), do Banco do Brasil, voltados prioritariamente ao acesso de pequenos e médios exportadores.
Esse montante será aportado nos fundos para cobrir parte do risco dos empréstimos a pequenos e médios exportadores. Com a garantia dos fundos, os bancos podem liberar mais crédito, com juros menores e prazos mais longos, ampliando o acesso ao financiamento e multiplicando o efeito do aporte inicial.
Já os cerca de R$ 20 bilhões restantes serão remanejados de linhas de crédito estruturadas do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), que deverá ser reestruturado. Hoje, o fundo funciona como um lastro para dar cobertura às garantias prestadas pela União a empresas que vendem produtos ao exterior.
Esses recursos são utilizados, por exemplo, por meio do Seguro de Crédito à Exportação (SCE), mecanismo criado para resguardar exportadores e instituições financeiras contra o não pagamento por parte de importadores estrangeiros.
Com a nova MP, o Fundo de Garantia à Exportação (FGE) será reformulado para que todo o setor exportador possa acessar esses recursos para financiar suas operações, e não apenas em situações de risco de inadimplência. A prioridade será para empresas com faturamento fortemente dependente das compras dos Estados Unidos, e o acesso às linhas ficará condicionado à preservação do número de empregos.
Impacto fiscal
Para Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda de São Paulo e economista-chefe da Warren Investimentos, será necessário acompanhar se o impacto primário de cerca de R$ 10 bilhões estará sujeito às limitações do arcabouço fiscal – o que preocupa os agentes do mercado.
“O ideal seria não excluir tais valores do cômputo da meta, mas sim utilizar a banda de tolerância de 0,25% do PIB para absorver tais choques. Cabe notar que, em nosso entendimento, não se pode excluir um gasto da meta fiscal por meio de Medida Provisória”, disse.
O arcabouço fiscal, criado para dar mais previsibilidade às contas públicas e que busca manter a dívida do país sob controle, prevê superávit de 0,5% do PIB em 2025 e 1% em 2026. Ele, porém, possui uma margem de tolerância de 0,25% do PIB, citada por Salto.
Apesar da tentativa de ficar no azul, o déficit primário projetado para 2025 ainda é de 26,3 bilhões, cerca de R$ 5 bilhões acima do limite inferior da margem estabelecida pela meta fiscal. Em junho de 2025, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) foi de 76,6% do PIB. A projeção do Ministério da Fazenda é que ela poderá chegar a 84% em 2028.
Para Murilo Viana, mestre em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em finanças públicas, apesar de os gastos extraordinários serem uma das medidas aplicadas em todo o mundo contra o aumento das tarifas impostas por Trump, o Brasil tem uma margem pequena de manobra dado essa alta da dívida pública.
“O governo já está batendo no limite de despesas [previsto no arcabouço] e, por isso, qualquer medida que leve a deterioração das contas públicas acaba impactando e fazendo com que o governo precise cortar gastos de algum lado, em um quadro onde há dificuldades políticas para isso”, afirma.
Por isso, o temor de economistas ouvidos pela DW é de que os benefícios anunciados se tornem duradouros, assim como o que ocorreu com alguns planos durante a pandemia do covid-19. O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado para socorrer empresas do setor, e que ainda hoje faz parte do pacote de cerca de R$ 20 bilhões de isenções fiscais.
“No Brasil, sabemos como começa e não como termina. Por isso, existe a preocupação de ainda que o programa seja totalmente diferente [dos lançados na época da pandemia], há o risco, sim, de que o programa acabe perdurando”, diz Viana. “Existe um risco de ter uma percepção [do mercado] de virada de chave por parte do governo na véspera do período eleitoral, no sentido de burlar a regra fiscal, e isso pode gerar algum estresse, mas ainda temos que ver como de fato vai ser implementada no MP”, completa.
Câmbio, inflação e eleição
Além disso, para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o impacto de mais gastos no câmbio e na inflação tendem a ser moderados, dado que os juros básicos da economia já estão em 15% ao ano.
“Os efeitos sobre câmbio e inflação vão depender da reação dos investidores. Caso cresça a desconfiança quanto à capacidade do governo de reduzir o endividamento, a tendência é de juros mais elevados, câmbio mais volátil e inflação persistente acima da meta. O governo ainda pode adotar medidas adicionais, como venda de ativos ou privatizações, para amenizar essa pressão”, conta.
Para ele, contudo, o foco imediato do governo é preservar empregos. “Lula sabe que seu eleitorado sente o impacto da inflação, sobretudo nos alimentos, mas considera o emprego o fator mais determinante. Se conseguir manter o nível de ocupação, dará um passo importante para 2026, ano eleitoral”, completa.
Globo Online - RJ 18/08/2025
A economia da China desacelerou em todos os setores em julho, com a atividade industrial, os investimentos e as vendas no varejo decepcionando, sugerindo que as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump estão lançando uma sombra sobre a segunda maior economia do mundo.
A produção industrial cresceu no ritmo mais lento desde novembro, avançando apenas 5,7% no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior — abaixo das previsões — segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas. Em junho, a alta fora de 6,8%.
As vendas no varejo subiram 3,7% em julho, na comparação anual, o menor avanço do ano e abaixo dos 4,8% registrados no mês anterior. A expansão dos investimentos nos primeiros sete meses do ano desacelerou para 1,6%, à medida que a contração no setor imobiliário se aprofundou. A taxa de desemprego urbano subiu mais do que o esperado, alcançando 5,2%.
— Os principais indicadores econômicos de julho sugerem que a desaceleração relacionada às tarifas no país começou — disse Homin Lee, estrategista macro sênior da Lombard Odier, em Cingapura. — A perda de dinamismo evidente tanto nos indicadores de demanda quanto nos de oferta exige um ajuste na política fiscal no meio do ano.
O retrato mais recente da economia indicou que o crescimento da China perdeu força depois que uma demonstração de vigor no início do ano permitiu a Pequim adotar uma postura de esperar para ver em relação a novos estímulos fiscais.
As principais lideranças sinalizaram que manterão as medidas de apoio já planejadas, ao mesmo tempo em que prometeram injetar mais ajuda quando necessário — uma estratégia que os analistas esperam ver ajustada conforme os dados econômicos dos próximos meses sejam conhecidos.
“A economia da China superou fatores negativos, incluindo um ambiente externo complexo e em rápida mudança e condições climáticas extremas no país, mantendo o progresso com estabilidade”, disse o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) em comunicado. “A economia ainda enfrenta numerosos riscos e desafios.”
Embora haja muita incerteza quanto às perspectivas para o comércio global, a atividade industrial e a construção também foram afetadas por condições climáticas extremas. As perturbações em julho, causadas por altas temperaturas, chuvas excepcionalmente fortes e inundações em vastas áreas da China, agravaram o que tradicionalmente já é uma temporada fraca para a economia.
O crescimento dos novos empréstimos denominados em yuans sofreu contração no mês pela primeira vez em 20 anos, evidenciando a fraca disposição para tomar crédito e gastar.
Em vez de anunciar novas medidas maciças para impulsionar o crescimento, Pequim, nas últimas semanas, intensificou os esforços para conter a concorrência predatória entre empresas. A campanha atraiu grande atenção dos investidores, dado o peso que tem na reativação da economia e o potencial impacto sobre a lucratividade corporativa em setores que vão do aço à energia solar e aos carros elétricos.
— Se os dados econômicos de agosto continuarem mais fracos do que o esperado, os formuladores de políticas podem sentir-se compelidos a adotar medidas adicionais de apoio no fim de setembro ou início de outubro para sustentar o crescimento no quarto trimestre — afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no BNP Paribas.
Há sinais de que os subsídios ao consumo concedidos pelo governo também estão tendo menos impacto no estímulo à demanda, já que as vendas no varejo de eletrodomésticos, materiais de escritório e móveis desaceleraram em julho em relação ao mês anterior. As compras de automóveis caíram 1,5% em relação ao ano anterior, a primeira queda desde o período de janeiro a fevereiro.
As autoridades também estão buscando maneiras de estimular o consumo interno para reduzir a dependência da demanda externa no longo prazo, em meio à crescente rivalidade com os Estados Unidos.
Nesta semana, o governo anunciou um plano para subsidiar parte dos pagamentos de juros de alguns empréstimos ao consumidor, depois de já ter divulgado que eliminará gradualmente as mensalidades da pré-escola para reduzir os custos com educação e oferecerá subsídios para creches a famílias em todo o país.
— Olhando adiante, é provável que os dados de atividade econômica mostrem mais sinais de desaceleração do crescimento, talvez até em um ritmo mais rápido nos próximos meses — disse Xiaojia Zhi, economista-chefe para a China no Crédit Agricole CIB em Hong Kong.
PIB japonês supera previsões
Em trajetória contrária, a economia do Japão cresceu mais do que o esperado no último trimestre, impulsionada por uma sólida demanda interna, fortalecendo o argumento para que o Banco do Japão eleve novamente sua taxa básica de juros ainda este ano e dando ao combalido primeiro-ministro Shigeru Ishiba finalmente uma boa notícia.
O Produto Interno Bruto do Japão avançou a um ritmo anualizado de 1% nos três meses até junho, em relação ao período anterior, superando a previsão de economistas de alta de 0,4%. As autoridades revisaram os resultados do trimestre anterior para um crescimento de 0,6%, revertendo a contração preliminarmente estimada.
Os ganhos foram liderados pelo investimento empresarial, que subiu 1,3% em relação ao trimestre anterior, acima da estimativa consensual de alta de 0,7%. O consumo privado avançou 0,2%.
Os números do PIB divulgados nesta sexta-feira são os primeiros a refletir o impacto das chamadas tarifas recíprocas e das taxas sobre automóveis do presidente Donald Trump, que entraram em vigor em abril. Durante o período, o Japão enfrentou uma tarifa-base de 10%, além de uma taxa de 25% sobre automóveis. Um imposto de 25% sobre importações de aço dos EUA, introduzido em março, foi dobrado no início de junho.
— Mesmo em meio a toda a incerteza em torno das tarifas dos EUA, o investimento empresarial também vem crescendo de forma constante — afirmou Hiromu Komiya, economista do Japan Research Institute.
No início deste mês, o governo reduziu sua projeção de crescimento real para este ano fiscal de 1,2% para 0,7%. A revisão para baixo refletiu, em parte, o agravamento das perspectivas para a economia global como resultado das políticas comerciais de Trump.
Nesse contexto, a demonstração de resiliência da economia no período de abril a junho trará algum alívio político para Ishiba, cujo partido governista perdeu a maioria na câmara alta nas eleições do mês passado, em parte devido à insatisfação generalizada com a persistente alta no custo de vida. Ishiba, até agora, tem rejeitado os apelos dentro de seu próprio partido para que renuncie.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiespe) atualizou seu boletim de estatísticas e expectativas em índices econômicos e manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,4% para 2025. A entidade pretendia revisar o índice para 2,6%, mas manteve a expectativa anterior.
A manutenção se deveu a uma piora em condições internacionais, com o início do tarifaço do governo dos Estados Unidos.
Nesta semana, o mercado financeiro reviu para baixo as expectativas de crescimento da economia, projetando, para o final de 2025, um PIB de 2,21%.
“A gente antes estava trabalhando com uma perspectiva de viés de alta que por hora se dissipou, até levando em conta a questão das tarifas, mas também é importante destacar que quanto à questão das tarifas, a gente fez um cálculo que o impacto potencial no PIB para 2025 é de 0,2, então na verdade esse 0,2 era o possível viés de alta que a gente podia ter. A gente não fez nenhum tipo de revisão para baixo por enquanto”, explicou Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp e um dos responsáveis pelo Fiesp Data Tracker, à Agência Brasil.
Embora a perspectiva ainda seja positiva, a análise da Federação é de queda em alguns setores pontuais, com recuo de 0,6% para a agropecuária e de 0,7% para a indústria de transformação. É esperada ainda uma queda moderada do consumo dos governos, de 0,4%, e do nível de investimentos, com recuo de 0,7% nos recursos mobilizados.
“De uma maneira geral, para o segundo semestre, como já antecipado, era esperada essa desaceleração. Nessa acomodação com redução de atividade, os investimentos e o consumo do governo também figuram como variáveis que estão desacelerando. Esse é um movimento de acomodação natural”, ponderou o analista.
No caso da indústria de transformação, essa variação está ligada principalmente ao desaquecimento da economia previsto para o segundo semestre. “É importante destacar que uma das questões que estão colocando empecilhos e deixando o ambiente econômico mais desafiador para o setor são as restrições financeiras internas e externas”, completa Rocha, se referindo ao cenário de crédito, ou seja, aos juros nos mercados externo e interno.
Essa restrição financeira em âmbito internacional é um dos fatores decisivos também para a queda nos investimentos, e se soma com a incerteza natural em anos eleitorais, com a aproximação da sucessão presidencial e nos estados em 2026, e com o aumento de tarifas ao Brasil e a diversos outros parceiros comerciais dos Estados Unidos. As importações também tendem a cair, refletindo a diminuição do ritmo da atividade, recuando em 1,5%.
Consumo das famílias e serviços
Entre os indicadores que continuam aquecidos, o monitoramento apontou uma tendência de crescimento moderado de 0,4% para o setor industrial como um todo e de avanço de 0,3% para o setor de serviços.
O consumo das famílias também tende a aumentar, com expansão da demanda em 0,6%. Mesmo com a incerteza internacional a entidade mantém expectativa de crescimento das exportações, com um discreto avanço de 0,2%.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
Como esperado, os efeitos da guerra tarifária do presidente Donald Trump já alimentam a inflação nos EUA. Em julho, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) subiu 0,9% em relação a junho, quando o esperado era um avanço de 0,2%. Em 12 meses, o PPI teve elevação de 3,3%, o maior patamar desde fevereiro deste ano. Já o núcleo do PPI, que exclui preços mais suscetíveis à volatilidade, como os de alimentos e energia, teve alta mensal de 0,6% em julho, maior patamar desde março de 2022.
Poucos dias antes, os dados de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) já sinalizavam que o período em que empresas utilizaram o que tinham em estoque, anteciparam importações e seguraram os repasses ao consumidor das tarifas impostas por Trump era coisa do passado.
Mas mesmo com CPI anual de 2,7% em julho, muito acima da meta de 2% ao ano perseguida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), parte do mercado chegou a apostar em queda de juros no mês que vem.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, não se furtou a aventar (e depois negar) a possibilidade de corte nos juros norte-americanos em setembro, numa clara tentativa de agradar ao chefe Trump, para quem a inflação nos EUA é praticamente inexistente.
Não é o que dizem os dados. A bem da verdade, o PPI demolidor de julho reflete apenas efeito parcial do tarifaço, já que as alíquotas mais punitivas (como a de 50% sobre o café brasileiro, por exemplo) entraram em vigor recentemente e ainda não aparecem nos indicadores. O que está ruim, portanto, só tende a piorar.
Em um cenário desses, dificilmente um banco central técnico e independente, como tem sido ao longo das últimas décadas o dos EUA, tem margem para reduzir juros. O único elemento que, no momento, permitiria vislumbrar um corte de juros é o enfraquecimento do mercado de trabalho.
Ocorre que Trump não só alardeia que a inflação é zero nos EUA, como também bravateia que o mercado de trabalho está a pleno vapor, exibindo orgulhosamente toda a sua ignorância econômica. Mercado de trabalho pleno e inflação inexistente são realidade apenas em mentes alienadas como a do republicano.
O problema é que Trump é um delirante com poder nas mãos, e tem conseguido impor, na base do grito e da chantagem, praticamente tudo o que deseja. Irritado com as estatísticas oficiais, que somente refletem uma economia que apenas começou a se deteriorar, o presidente vem atirando para matar os mensageiros.
Foi o que aconteceu com Erika McEntarfer, a comissária que comandava o departamento responsável pela coleta, análise e divulgação dos dados de emprego, bem como do CPI e PPI. Trump não só a demitiu, como para o lugar dela indicou um economista obscuro que já propôs suspender o relatório mensal de emprego.
Até o momento, o Fed, na figura do presidente Jerome Powell, é uma das poucas forças de resistência a Trump. O PPI de julho apenas corrobora a conduta cautelosa da política monetária. Powell tem o apoio dos dados, mas não o de Trump.
Da resolução desse impasse depende não só o futuro dos juros nos EUA, como o da economia global.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
Após uma decisão de política monetário que não foi unânime na sua última reunião, o Federal Reserve (Fed) deve então iniciar o ciclo de corte de juros nos EUA ainda em setembro. Ao menos, é o que a esmagadora maior parte do mercado espera.
De acordo com a ferramenta de monitoramento do CME Group, há 99% de chance de um corte de juros de 0,25 ponto percentual (p.p.) pelo Fed na próxima reunião – cenário que se concretizou após dados do mercado de trabalho e após o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, dizer que há ‘uma boa possibilidade’ de redução de 50p.p..
Além disso, o último índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu menos que o previsto pelos analistas na variação anual.
“Tivemos um contexto de combinação de fatores: a inflação de julho permite inferir que ‘desinflação’ é consistente com preços subindo em ritmo mais lento, revisões para baixo no mercado de trabalho, com desemprego mais alto, e ainda sinais públicos de autoridades, como o do secretário do Tesouro, defendendo até um corte maior. O FedWatch só traduz o preço dos contratos futuros, e eles já embutem esse corte como tendência”, comenta Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil.
Em um cenário em que a manutenção dos Fed Funds – atualmente em uma banda de 4,25% a 4,50% – no mesmo patamar até o fim do ano é praticamente nula, o executivo frisa que além de inflação e atividade, o que deve fazer preço até o fim do ano é a evolução do mercado de trabalho, especialmente se vierem mais revisões negativas de Payroll – como ocorreu na última leitura, também sinalizando para um corte na reunião de setembro.
Além disso, o mercado também deve monitorar o impacto das tarifas sobre preços, as condições financeiras, olhando bolsa, crédito e dólar, e claro, as sinalizações do próprio Fed.
Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, avalia que as declarações recentes do chair do Fed, Jerome Powell, citando que a inflação pode estar controlada, também corrobora um cenário de flexibilização da política monetária.
Especialistas do BTG Pactual esperam corte semente em dezembro, com manutenção pelas próximas três reuniões, apesar de citarem que ‘aumentou significativamente a possibilidade do ciclo ser iniciado em setembro’.
“Embora o Fed tenha aberto a porta para um possível corte de juros em setembro, Powell deixou claro que tal movimento exigiria um enfraquecimento adicional do mercado de trabalho ou evidências mais convincentes de que a inflação está se movendo de forma sustentável em direção à meta de 2%. Além disso, seu tom sugere que o caminho à frente não inclui uma série de cortes, mas sim uma normalização gradual rumo a uma postura neutra”.
Gustavo Sung, Economista-chefe da Suno Research, também sustenta uma projeção mais conservadora, com um Fed que inicie cortes em outubro, com 0,25p.p., e realize um outro corte de igual magnitude em dezembro.
“Temos que chamar atenção para o fato de que o Powell e o Bostic argumentaram que a taxa de desemprego que é o ponto mais importante, e atualmente ela está em 4,2%, que é condizente. Apesar do Payroll, o desemprego está em um patamar relativamente aceitável, além da atividade mostrar uma desaceleração que não é acentuada, mostrando uma economia resiliente.”
Cenário de corte deve beneficiar Brasil
Em um cenário de flexibilização de política monetária, o Brasil deve colher bons frutos, dado o aumento do diferencial de juros em relação aos EUA – o que pode impulsionar uma melhora no câmbio, além de mais capital estrangeiro e, consequentemente, novas altas no Ibovespa.
Quando o Fed reduz a taxa básica de juros americana, os investidores passam a receber menos retorno em ativos dolarizados – como títulos do Tesouro americano. Esse cenário tende a enfraquecer o dólar em relação a outras moedas e reduz o atrativo de investimentos nos EUA, direcionando capital para mercados emergentes.
Apesar disso, não é necessariamente uma relação mecânica.
“Se o Fed começar a cortar juros em setembro, isso tende a ser positivo na margem para emergentes com diferencial de juros alto como o Brasil. Pode ajudar o real, melhorar o apetite por risco e favorecer a bolsa, especialmente setores domésticos. Digo ‘na margem’ pois não é também um fator isolado e o efeito não deve ser automático: fiscal, trajetória da Selic, conta-corrente e fluxos também pesam muito na equação, sem falar de insegurança jurídica”, explica Mota, CEO da Revolut.
“Estes tempos têm sido voláteis recentemente. Em outras palavras, pode ser um vento de cauda externo, com condicionantes e desafios domésticos. Como diriam meus colegas matemáticos, o cenário externo é ‘condição necessária mas não suficiente’, para colher benefícios relevantes por aqui”, completa.
Barros, da W1 Capital, frisa que o diferencial estrutural de juros dos Estados Unidos ante o Brasil torna os ativos daqui mais atrativos.
“Isso acaba deixando o cenário mais atrativo para o investidor estrangeiro que busca um rendimento com uma volatilidade um pouco menor, principalmente na renda fixa e na renda variável com um desconto um pouco mais atrativo”, avalia.
“No entanto, o impacto que ele tem de ser um pouco mais mitigado por fatores locais, como o controle de inflação, uma política monetária do próprio Banco Central que ainda precisa manter um tanto quanto mais restritiva frente a essa inflação. Mas, em resumo, o diferencial de juros tende a favorecer o Brasil”, conclui.
Demissão de Powell é improvável
Desde que assumiu a Casa Branca, Donald Trump tem direcionado ataques sucessivos ao chair do Fed, que tem seu mandato findo em maio de 2026. Os ataques do republicano à autonomia da instituição tem preocupado o mercado.
George Saravelos, chefe global de estratégia cambial do Deutsche Bank, enviou um relatório a clientes dizendo que os preços de mercado ainda refletem uma chance pequena de Powell ser destituído, e que esse risco poderia estar sendo subestimado.
Apesar das ameaças claras de demissão, de fato, o mercado tem se preocupado pouco com a hipótese.
Sung, da Suno, destaca que desde o século passado a suprema corte separou a autonomia entre a autoridade monetária americana e o poder executivo, o que o faz pensar que ‘uma demissão é muito difícil’.
“A principio tem um arcabouço legal forte. O Powell vem sofrendo ataques, mas acho que não tem risco de ele ser demitido. Seria um efeito muito grande para os mercados. O risco que monitoramos é o Trump anunciar o próximo presidente antes do padrão histórico. Na hora que você escolhe o presidente, ele vai ficar matutando, e isso vai gerar ruídos de comunicação. O risco é esse, de o Trump anunciar o próximo presidente logo e ele começar a dar pitaco sobre os juros.”
Infomoney - SP 18/08/2025
O crescimento da produção industrial da China caiu para o nível mais baixo em oito meses em julho, enquanto as vendas no varejo desaceleraram com força, aumentando a pressão sobre as autoridades para que implementem mais medidas de estímulo para reavivar a demanda interna e evitar choques externos.
Os indicadores pouco animadores surgem no momento em que as autoridades enfrentam pressões em várias frentes, desde as políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, até condições climáticas extremas, concorrência excessiva no mercado interno e fraqueza crônica no setor imobiliário.
A produção industrial cresceu 5,7% em julho em relação ao ano anterior, mostraram dados do Escritório Nacional de Estatísticas nesta sexta-feira, leitura mais baixa desde novembro de 2024, em comparação com um aumento de 6,8% em junho. Pesquisa da Reuters apontava expectativa de alta de 5,9%.
As vendas no varejo, um indicador do consumo, cresceram 3,7% em julho, o ritmo mais lento desde dezembro de 2024, e arrefeceram em relação ao aumento de 4,8% no mês anterior. A expectativa era de ganho de 4,6%.
Uma trégua comercial temporária alcançada entre a China e os Estados Unidos em meados de maio, que foi prorrogada por mais 90 dias nesta semana, impediu que as tarifas dos EUA sobre produtos chineses voltassem a níveis proibitivamente altos. No entanto, os lucros dos fabricantes chineses continuam a ser afetados pela demanda fraca e pela deflação dos preços ao produtor no país.
“A economia depende bastante do apoio do governo, e a questão é que esses esforços foram ‘antecipados’ para os primeiros meses de 2025 e, agora, seu impacto está um pouco enfraquecido”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit.
Esse suporte ajudou a segunda maior economia do mundo a evitar uma esperada desaceleração, juntamente com as fábricas que aproveitaram a trégua comercial entre os EUA e a China para antecipar as remessas, mas analistas dizem que a demanda fraca no país e os riscos globais afetarão o crescimento nos próximos trimestres.
O investimento em ativos fixos cresceu apenas 1,6% nos primeiros sete meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado, em comparação com um aumento esperado de 2,7% e crescimento de 2,8% no primeiro semestre.
“As empresas podem estar operando com a capacidade existente em vez de construir novas fábricas”, disse Yuhan Zhang, economista principal do China Center do The Conference Board.
Recentemente, Pequim intensificou as medidas e fez promessas para estimular o consumo interno e restringir a concorrência excessiva de preços, à medida que as autoridades se esforçam para elevar o crescimento econômico em direção à meta do governo para 2025 de cerca de 5%.
CNN Brasil - SP 18/08/2025
Os contratos futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian caíram nesta sexta-feira (15) e fecharam com perda em base semanal, conforme a fraca demanda no setor imobiliário e a lenta atividade de construção pesaram sobre a demanda por aço.
O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China fechou em queda de 1,08%, a 776 iuanes (US$108,03) a tonelada. O contrato perdeu 0,96% esta semana.
O minério de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura era negociado estável, a US$102,05 a tonelada. O contrato perdeu 0,05% até agora nesta semana.
A produção de aço bruto da China caiu para uma mínima de sete meses em julho, 4% abaixo de junho, marcando o segundo declínio mensal consecutivo.
A retração reflete os esforços para conter o excesso de capacidade, enquanto as altas temperaturas e as fortes chuvas restringiram a atividade de construção ao ar livre.
Os preços das casas novas na China caíram 0,3% em julho em relação ao mês anterior, com a demanda permanecendo fraca, apesar de mais governos locais terem implementado incentivos para a compra de casas. O investimento em imóveis recuou 12% nos primeiros sete meses do ano em relação ao ano anterior.
Entretanto, as quedas ano a ano estão diminuindo nas cidades de nível um, dois e três. O governo central tem mantido os apelos para estabilizar o mercado nos últimos meses, sinalizando a possibilidade de mais apoio político.
Enquanto isso, uma retração na produção de aço nos últimos meses melhorou a lucratividade do setor, levando as margens para território positivo e abrindo espaço para uma alta dos preços do minério de ferro, disseram os analistas do ANZ.
O foco renovado de Pequim na redução do excesso de capacidade pode sustentar a alta, dando mais suporte aos preços do minério de ferro, disse o ANZ.
Valor - SP 18/08/2025
A Geely planeja lançar vários modelos sob sua marca Galaxy EV, bem como um grande utilitário esportivo de sua unidade de veículos elétricos premium, a Zeekr, antes do fim do ano
Gui Sheng Yue, executivo-chefe (CEO) da Geely Automotive Holdings, disse na quinta-feira que tem "grande confiança" em reduzir a diferença para a líder de mercado BYD, após revisar a meta anual de vendas da empresa para 3 milhões de veículos, ante os 2,7 milhões iniciais.
O executivo afirmou que a participação de mercado da Geely no segmento de veículos de nova energia da China, que inclui modelos elétricos e híbridos, ficou em 11,4% no primeiro semestre do ano, abaixo dos 29,5% da BYD, sua concorrente mais próxima.
"Posso dizer com grande confiança aqui hoje que acredito que nossa diferença diminuirá ainda mais em breve", disse Gui a repórteres na sede da Geely em Hangzhou, sem dar mais detalhes.
"À medida que nossa linha de produtos de nova energia continua a ser aprimorada, e considerando que ainda existem muitos segmentos inexplorados no mercado de veículos de nova energia, preencheremos sistematicamente essas lacunas, uma a uma", acrescentou.
A Geely planeja lançar vários modelos sob sua marca Galaxy EV, bem como um grande utilitário esportivo de sua unidade de veículos elétricos premium, a Zeekr, antes do fim do ano. A empresa detém cerca de 62,8% da Zeekr e está em processo de torná-la uma subsidiária integral e combiná-la com outra unidade de veículos elétricos, a Lynk & Co, em um movimento para aumentar a lucratividade.
A Geely reportou na quinta-feira uma receita de 150,28 bilhões de yuans (US$ 21 bilhões) nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 27% em relação ao ano anterior. A empresa vendeu 1,41 milhão de veículos durante o período, um aumento de 47% em relação ao ano anterior, à medida que sua marca Galaxy ganhou apelo no mercado de massa, impulsionada por subsídios governamentais.
No entanto, as exportações caíram 8%, para 184.114 unidades, o que a empresa atribuiu a "fatores internos e externos em certos mercados exportadores importantes". Mesmo assim, Gui observou que as exportações devem aumentar "significativamente" no segundo semestre do ano, à medida que mais modelos elétricos são lançados no exterior.
O lucro líquido caiu 14%, para 9,29 bilhões de yuans, distorcido pela base alta do ano passado, devido aos ganhos extraordinários com a alienação de subsidiárias.
As ações da Geely listadas em Hong Kong caíram 1,8% na quinta-feira.
A Geely está correndo para alcançar a BYD, que vendeu 2,1 milhões de veículos no primeiro semestre do ano e tem como meta vender um total de 5,5 milhões ao longo do ano.
Ao mesmo tempo, a Geely e suas concorrentes enfrentam crescentes apelos do governo para lidar com a guerra de preços e o excesso de capacidade.
Na quinta-feira, o CEO da Geely reconheceu que a guerra de preços contribuiu para uma queda de 0,3 ponto percentual na margem de lucro bruto, que recuou para 16,4% no primeiro semestre do ano.
A intensa concorrência interna reduziu os lucros em toda a cadeia de suprimentos e levantou preocupações sobre descontos exagerados e práticas comerciais questionáveis, como vender carros novos como usados (a preços menores) para contabilizar aumento de vendas.
Em uma conferência do setor em junho, o presidente da Geely, Eric Li Shufu, afirmou que a empresa não construirá novas fábricas de automóveis e, em vez disso, buscará "cooperação pragmática".
Na quinta-feira, o vice-presidente, Daniel Donghui Li, afirmou que os apelos do governo contra a concorrência acirrada tornaram as montadoras "mais racionais" e criaram um ambiente competitivo "mais saudável".
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
Além da BYD, que está prestes a inaugurar sua fábrica brasileira, pelo menos mais quatro chinesas anunciaram a produção local de automóveis. Maior montadora da China, a BYD teve recentemente negado um pedido ao governo federal de isenção, por três anos, de taxas de importação de veículos desmontados (CKD e SKD).
O governo, porém, concedeu isenção do imposto por seis meses para todas as marcas que queiram importar carros desmontados, num total de R$ 2,6 bilhões a serem divididos entre as interessadas. Já estão inscritas as chinesas BYD, GWM, GAC e Omoda Jaecco, além de algumas marcas tradicionais.
O próximo grupo mais adiantado no projeto de montagem local é o GAC (Guangzhou Automobile Group), que anunciou investimentos de US$ 1,3 bilhão (quase R$ 7 bilhões) no País. O grupo inaugurou recentemente um centro de distribuição de peças para atender os modelos importados.
A GAC fez parcerias com universidades locais, e é provável que utilize as instalações da HPE, fabricante de modelos da Mitsubishi em Catalão (GO), para o início da montagem de seus modelos em 2026. Recentemente, o CEO da marca no País, Alex Zhou, disse que a HPE era uma opção “mas não a única”.
O grupo Omoda Jaecco, da Chery, também anunciou uma linha de montagem e informa que “estabelecer uma unidade de produção no País é um compromisso da marca com a sustentabilidade dos seus negócios e com o desenvolvimento socioeconômico local”. Sobre o local, prefere não comentar ainda. Mas operadores do mercado que acompanham de perto o assunto dizem que o interesse maior é ficar com a fábrica da Caoa Chery de Jacareí (SP), desativada desde 2022.
Parcerias locais
Outros dois grupos, Geely e Leapmotor, adotaram estratégias de parcerias com montadoras tradicionais do País. A Geely está com a Renault, responsável pela distribuição dos carros da marca iniciada há poucos dias com o SUV elétrico EX5. Ambas admitem a possibilidade de usar a fábrica de São José dos Pinhais (PR) para a produção dos modelos chineses.
No caso da Leapmotor, a sociedade é com a Stellantis. Dono das marcas Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e RAM, o grupo tem três fábricas no País, e uma delas pode abrigar a linha da chinesa que acaba de importar o primeiro lote do SUV C10 em versões híbrida e flex.
Quem também chegou ao Brasil com planos de produção local é a Neta, criada há seis anos pelo grupo Hozon, provedor de tecnologia. A companhia, entretanto, está em processo de falência na China e, embora ainda não seja oficial, dificilmente terá condições de operar no País, mesmo como importadora.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
O governo chinês vem demonstrando crescente preocupação com os rumos da indústria de veículos elétricos. A disputa entre fabricantes pelo menor preço, vista no Ocidente como insustentável, já é considerada uma ameaça ao crescimento econômico do país.
As autoridades exigiram que as montadoras adotem medidas para conter a chamada “guerra de preços”. Hoje, modelos como o BYD Seagull EV, são vendidos na China por ¥ 55.800 (cerca de R$ 42,3 mil). No Brasil, o mesmo modelo, conhecido como Dolphin Mini, custa a partir de R$ 119.990. A diferença, ainda que justificada por tarifas de importação e logística, mostra o quanto os preços praticados no mercado chinês estão abaixo dos padrões internacionais.
Segundo o The Guardian, a própria BYD já foi alertada sobre os riscos de uma produção em massa descontrolada. Em junho, o setor também enfrentou outro desafio: o excesso de capacidade. De acordo com a Bloomberg, algumas fábricas passaram a operar com mínimos 2% do potencial de produção. Até mesmo a CATL, maior fabricante de baterias do mundo, suspendeu temporariamente atividades de mineração de lítio para forçar uma desaceleração no ritmo das linhas de montagem.
O presidente Xi Jinping chegou a citar o fenômeno da “involução”, termo usado para descrever investimentos crescentes com retornos cada vez menores. Embora tenha mencionado setores como inteligência artificial e poder de computação, destacou que a indústria automotiva é a mais crítica no momento.
Eae Máquinas - SP 18/08/2025
Reconhecida pela liderança consolidada no mercado brasileiro de miniescavadeiras, a YANMAR, multinacional japonesa fabricante de máquinas e soluções compactas para diversos setores da indústria brasileira, marca presença na Concrete Show 2025, principal evento da construção civil na América Latina. Com um portfólio robusto, a marca terá em exposição cinco modelos de miniescavadeiras: ViO12, ViO20, ViO38 equipada com rompedor hidráulico SB35, ViO55 equipada com compactador e a SV100.
Além dos equipamentos voltados para a construção civil, a empresa também expõe um motor industrial 3TNV70-ASA e um grupo gerador YBG15TE.S0153, fortalecendo sua presença em diferentes segmentos industriais.
“A liderança que conquistamos no mercado de miniescavadeiras reforça nossa posição de destaque há seis anos consecutivos. No ano passado, atingimos 27% de market share, e esse resultado nos impulsiona a cada dia mais a inovar e a entregar máquinas que combinam alta performance e confiabilidade aos nossos clientes,” afirma Anderson Oliveira, gerente Comercial da YANMAR South America.
Esse desempenho sólido e a crescente demanda por equipamentos levaram a empresa a anunciar nos últimos dias, um ambicioso investimento de R$ 280 milhões na construção de uma nova fábrica no Distrito Industrial de Indaiatuba (SP). Com previsão de expansão em etapas até 2030, a nova unidade ocupará um terreno de aproximadamente 140.000 m², três vezes maior do que as instalações atuais, e permitirá unificar operações, aumentar a capacidade produtiva e otimizar processos.
A decisão pela ampliação foi motivada pela crescente necessidade do mercado brasileiro por miniescavadeiras, e também por tratores agrícolas, colheitadeiras, motores e peças de reposição, que exigem uma estrutura mais ampla para garantir agilidade e eficiência no atendimento. A previsão é de geração de cerca de 100 novos empregos diretos e indiretos, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional.
“Nos últimos anos, a YANMAR tem experimentado um crescimento sólido e consistente no mercado brasileiro, impulsionado pela qualidade de nossos produtos e pelo compromisso em atender às necessidades dos clientes. A nova fábrica em Indaiatuba é um marco estratégico que nos permitirá expandir ainda mais nossa presença e a manter nossa liderança no setor, acompanhando o ritmo acelerado de desenvolvimento da construção civil no país,” finaliza Oliveira.
Sobre a YANMAR
Fundada em 1912, em Osaka, Japão, a YANMAR foi a primeira empresa no mundo a fabricar um motor a diesel compacto para uso prático, em 1933. No Brasil, a marca atua há mais de 65 anos e tem sede em Indaiatuba, no interior do estado de São Paulo.
Como pioneira na indústria de motores diesel, a marca é uma inovadora mundial quando se trata de equipamentos e motores industriais, máquinas agrícolas, equipamentos de construção, sistemas de energia e motores marítimos.
Pelo pioneirismo da tecnologia líder mundial, a YANMAR tem seis centros de pesquisa em todo o mundo e está presente nos cinco continentes – em mais de 20 países, acumulando 50 unidades e mais de 20.000 funcionários. No Brasil, a marca conta com quatro unidades de negócios e mais de 400 revendedores autorizados. Somente em Indaiatuba, a empresa emprega diretamente mais de 300 pessoas.
Ao longo de sua história, a marca realiza e investe em estudos para desenvolver soluções tecnológicas integradas aos seus equipamentos, visando contribuir para a construção de um futuro para toda a sociedade, tendo sempre o bem-estar social e ambiental como compromisso.
Portal Fator Brasil - RJ 18/08/2025
E amplia serviços de tecnologia aos clientes.
A Mills, referência nacional em locação de equipamentos pesados, concluiu no dia 14 de agosto (quinta-feira) a aquisição da operação de locação de equipamentos da Next Rental Locações S.A. por R$ 180 milhões, ampliando seu portfólio de serviços e ativos no segmento de locação de máquinas pesadas.
É um movimento de ampliação de seu portfólio de serviços para os setores florestal, agro, construção civil e mineração, agregando com a aquisição um portfólio diversificado de equipamentos para movimentação de cargas, manutenção de infraestrutura e execução de operações críticas.
Também estarão disponíveis tecnologias operacionais como telemetria, controle remoto e monitoramento em tempo real, aplicadas em áreas como barragens, obras industriais, empreendimentos agrícolas e mineração. Com a aquisição, a Mills ganha sistemas de gestão e monitoramento remoto, relatórios de desempenho em tempo real e suporte especializado para a tomada de decisões operacionais.
A aquisição soma à Mills a tecnologia da Nevil, empresa do grupo PESA especializada em operação remota e telemetria. Os sistemas 3D de controle de implementos, utilizados para aumentar a precisão em operações de nivelamento, terraplenagem e manejo agrícola são outros recursos que serão incorporados pela Mills.
A Next Rental foi formada em 2024 a partir da incorporação de ativos e contratos da Pesa Rental, com foco na locação de equipamentos de alta complexidade técnica e operação em ambientes de risco. Mantém matriz e três filiais em operação, com presença em 14 estados brasileiros. A incorporação dos negócios à Mills está prevista para ocorrer até três meses após o fechamento da operação e envolve a aquisição de 600 equipamentos e seus contratos.
Os cerca de 220 colaboradores da Next Rental, distribuídos entre operação e backoffice, serão incorporados à estrutura da Mills para manter a continuidade dos contratos e expandir a capacidade de atendimento técnico, suporte e gestão de frotas sob demanda. Os clientes da Next passam a contar com a infraestrutura de serviços da Mills, incluindo manutenção preventiva e corretiva, assistência técnica 24 horas e suporte de engenharia para soluções customizadas.
Soluções — As novas soluções também incluem programas de capacitação e treinamento para operação segura de máquinas e equipamentos, suporte técnico personalizado e planejamento de médio e longo prazo em contratos com elevado grau de customização. Esses serviços passam a integrar a oferta da Mills para os segmentos atendidos.
A partir da compra, gestão de frotas da Next passa a compor os serviços da Mills com ferramentas de controle em tempo real, relatórios gerenciais e sistemas integrados de manutenção. Essas soluções possibilitam reduzir o tempo de parada dos equipamentos, prever falhas e melhorar a utilização dos ativos, aumentando a disponibilidade e eficiência das operações.
Outro avanço é a incorporação de sistemas de planejamento conectados a softwares de modelagem e simulação de projetos, otimizando a alocação de recursos e a execução de atividades críticas. Essa estrutura permitirá que a Mills atue com maior precisão em obras de infraestrutura e projetos de engenharia sob medida.
Mills — Pioneira e líder no mercado de locação de plataformas elevatórias, soluções de engenharia para o mercado de formas e escoramentos para projetos de infraestrutura no Brasil e importante player no segmento de Linha Amarela, a Mills investe continuamente para ser o melhor parceiro de serviços de locação e vendas. Além disso, ampliou sua presença no mercado, oferecendo ativos de intralogística, como empilhadeiras, transpaleteiras e rebocadores para movimentações de materiais dentro de instalações.
A companhia possui um modelo transformador de negócio que, há mais de 72 anos é reconhecido pela qualidade e excelência de seus produtos, serviços e operações. Com atuação em mais de 1.400 cidades em todo o Brasil, a Mills busca continuamente parcerias de longo prazo com clientes e fornecedores.
Ao longo de sua história, a Mills tem mantido um firme compromisso com a ética, transparência e integridade. A empresa possui um robusto Programa de Integridade, composto por um conjunto de mecanismos e procedimentos internos que visam consolidar as iniciativas para a promoção da integridade, da ética e da mitigação de riscos.
Um outro marco importante para a Mills foi a aprovação junto ao SBTi das metas de redução de emissões que incluem os escopos 1, 2 e 3. De forma paralela, continua com a progressão de algumas iniciativas, bem como estabelecimento de novas maneiras de agir na redução das emissões com um programa de redução qualificado, repleto de possibilidades e resultados que demonstram que é possível fazer transformações em seus segmentos de atuação.
É certificada como Empresa B, titulação concedida pela organização internacional B Lab e que avalia critérios como governança, impacto ambiental e social, práticas de transparência e responsabilidade. É vencedora do IAPA Awards 2025 na categoria “Sustentabilidade”.
Também integra o índice ICO2 B3, composto das ações e units exclusivamente de companhias listadas na B3 que atendam aos critérios de inclusão descritos na metodologia. Na B3 está também no índice IGPTW B3, resultado de uma carteira teórica de ativos elaborada de acordo com as empresas certificadas e as melhores empresas para trabalhar, a partir do ciclo do ranking nacional, ambos preparados pela Great Place to Work (GPTW).
IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
As construtoras estão, cada vez mais, buscando financiar as obras dos seus empreendimentos imobiliários com recursos de fora dos bancos. Uma das saídas tem sido recorrer ao mercado de capitais, como a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ou obtenção de crédito com fundos de investimento imobiliários (FIIs).
O financiamento com recursos da caderneta de poupança para a construção de imóveis no País caiu 54% entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo intervalo de 2025, ficando em R$ 9,1 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Como a quantidade de empreendimentos lançados pelas construtoras não caiu, isso significa que elas estão recorrendo a outras fontes de recursos para abastecer os seus projetos. “O que aconteceu foi o direcionamento dos recursos para as obras para outras estruturas de financiamento”, avaliou o presidente da Abecip, Sandro Gamba. “No financiamento à produção, a diversificação do funding já está acontecendo”, emendou, durante debate no evento Abecip Summit.
O sócio-fundador do braço de investimentos imobiliários da gestora de recursos Kinea, Carlos Martins, disse que o mercado de capitais começou a atuar no setor anos atrás, com a oferta de financiamento para as construtoras fazerem a compra de terrenos. Hoje, porém, o financiamento voltado para as obras já representa a maior parte das operações. “Com a escassez de funding, eu tenho visto que as empresas pequenas e médias têm tido muita dificuldade de tomar o crédito bancário”, observou Martins.
Essa tendência deve continuar nos próximos anos, uma vez que a caderneta de poupança dificilmente terá o mesmo peso como fonte de recursos para abastecer os financiamentos imobiliários bancários. “O funding da poupança não vai acabar, mas a participação do mercado de capitais está cada vez mais maior”, acrescentou. O sócio da Kinea observou que o problema não é falta de dinheiro nos bancos, mas taxas elevadas têm inibido os negócios.
O volume financeiro do setor imobiliário dentro do mercado de capitais cresceu 5% entre dezembro de 2024 e junho de 2025, passando de R$ 649 bilhões para R$ 681 bilhões, de acordo com boletim da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), lançado hoje, com dados de CRIs e FIIs.
O diretor comercial e imobiliário do Itaú BBA, Bruno Bianchi, disse que a queda no financiamento bancário à produção no primeiro semestre pode ser explicada, em parte, por uma antecipação na liberação de recursos ocorrida no fim do ano passado. Isso aconteceu em meio à decisão dos bancos de subir as taxas no começo deste ano, o que levou boa parte das construtoras a se antecipar a esses reajustes. “Teve antecipação na contratação de recursos do Plano Empresário do primeiro trimestre de 2025 para o quarto trimestre de 2024”, apontou Bianchi.
O executivo do Itaú BBA acrescentou que existe um volume relevante de empreendimentos imobiliários já lançados pelas empresas, mas que ainda não contrataram o financiamento para as obras. “As construtoras estão cautelosas e esperando ver aonde vão as taxas”, disse.
O diretor estimou que o crédito à produção tende a se recuperar no segundo semestre, especialmente se tiver uma sinalização de melhora dos juros. “Tem represamento de projetos a serem contratados. A taxa de juros arrefecendo nos permitirá fazer alguns ajustes. Então, a perspectiva é que no semestre a gente tenha um volume de contratação muito relevante. Não será um recorde, mas também não será essa queda na ordem de 50% vista no primeiro semestre”.
O diretor financeiro e de relações com investidores da Cyrela, Miguel Mickelberg, disse que a taxa de juro do financiamento bancário à produção cresceu nos últimos meses, enquanto o custo de captação de recursos no mercado de capitais caiu. “O mercado de capitais, em termos de taxa, passa a fazer muito sentido”, destacou.
A despeito disso, a Cyrela ainda prioriza a tomada de financiamento bancário, pois entende que é mais seguro. Isso porque, na entrega das chaves, os clientes conseguem condições melhores de financiamento junto ao banco que já financiou a obra – o que não aconteceria se o empreendimento tivesse sido abastecido pelo mercado de capitais.
“Temos receio de contratar recurso para a construção da obra que pode ter custo semelhante ou até inferior, mas uma dificuldade maior na hora do repasse. Abrir mão disso nessa hora de escassez de funding, preferimos ficar com o financiamento tradicional”, relatou Mickelberg.
Levantamento de mercado
As empresas estão relatando dificuldades para conseguir financiamento bancário para as obras, de acordo com levantamento divulgado no início do mês pela Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Para 52%, tomar crédito neste ano está ‘mais difícil’, enquanto 34% alegaram estar “muito mais difícil”. A pesquisa envolveu cerca de 200 empresas de pequeno, médio e grande porte, com atuação em diversas regiões do País. “A taxa de juro está impactando muito o dia a dia das empresas”, apontou o presidente da Brain, Fábio Tadeu Araújo, na ocasião.
O levantamento apontou que as empresas têm procurado alternativas. Para 54%, o papel de investidores vai aumentar, ou seja, devem recorrer mais aos sócios ou a terceiros. Já 24% alegaram que pretendem recorrer mais a recursos próprios no caixa; e 32% devem procurar mais o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que abastece o Minha Casa Minha Vida (MCMV).
No levantamento, 54% das empresas acreditam que o mercado de capitais é uma solução, ainda que com restrições na tomada de recursos. Outros 46% não pretendem acessar o mercado de capitais por entender que o custo é elevado em comparativo com as fontes tradicionais.
A presidente da securitizadora Vert Capital, Fernanda Mello, observou que a empresa que pretende acessar o mercado de capitais precisa ter um nível de governança elevado. “Não é qualquer tamanho de empresa que consegue acessar esse bolso”, citou.
Grandes Construções - SP 18/08/2025
Em 2024 e 2025, o mercado imobiliário brasileiro tem navegado por um cenário desafiador, marcado pela alta da Selic, reforma tributária e ajuste fiscal.
Esse ambiente econômico complexo exige cautela e estratégia de investidores e compradores. Apesar dos desafios, o setor – um dos pilares da economia nacional – demonstra otimismo, especialmente ao focar nos consumidores que planejam reformas.
Um novo levantamento da Juntos Somos Mais reforça essa perspectiva, indicando que aproximadamente 75% dos brasileiros pretendem realizar obras residenciais ou comerciais nos próximos 24 meses.
A joint venture da Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre, que atua na digitalização do setor da construção civil e, com sua visão estratégica voltada para gerar dados relevantes ao mercado de Matcon, realizou uma pesquisa denominada InObra.
O este estudo revela insights importantes sobre a expectativa dos brasileiros em relação à realização de obras residenciais ou comerciais nos próximos 12 a 24 meses.
Para isso foram entrevistadas, mais de 1000 pessoas, entre homens e mulheres, com 25 anos ou mais, de todo território nacional e classe social, que fossem responsáveis ou corresponsáveis pelas decisões em seu lar.
A pesquisa, que visa monitorar o pulso do mercado de construção e reforma, aponta para um cenário de otimismo e planejamento, com uma parcela significativa da população engajada em projetos de melhoria em seus lares e negócios.
O estudo revela uma alta propensão à realização de obras: 53% dos respondentes evidenciam que pretendem realizar alguma modificação nos próximos 24 meses, mesmo sem um planejamento detalhado.
Já 21% dos entrevistados deram um passo adiante, buscando orçamentos de materiais e/ou profissionais – este grupo representa uma demanda mais imediata e qualificada, com projetos em fase de concretização. Além disso, 9% já estão com obras em andamento, o que demonstra a materialização de projetos e a movimentação do setor.
Entre aqueles que pretendem realizar obras, 38% planejam iniciar em até 6 meses, e 37% em até 1 ano. Juntos, esses grupos somam mais de 75% da demanda por reformas no curto e médio prazo, ressaltando a urgência e a prioridade desses projetos para os consumidores.
Em relação ao prazo, a faixa 50+ (42,1%) demonstra maior urgência para iniciar obras em até 6 meses, enquanto a faixa de 25 a 29 anos (43,7%) foca mais no prazo de até 1 ano.
"A Região Sul (75%) e Centro-Oeste (71%) mostram a maior proporção de pessoas que, embora tenham a intenção de realizar obras, ainda não possuem um planejamento definido. Em contrapartida, as regiões Norte (31%) e Nordeste (28%) se destacam na busca por orçamentos, e o Norte (15%) e Nordeste (11%) lideram em obras em andamento. Isso sugere que, enquanto Sul e Centro-Oeste apresentam uma intenção latente e menos estruturada, Norte e Nordeste já estão com projetos mais avançados ou em execução, demonstrando um maior nível de concretização", comenta nfatiza Juliana Carsoni, CEO da Juntos Somos Mais
Materiais mais buscados - O levantamento também identificou os materiais mais procurados para as obras, refletindo as necessidades mais comuns em reformas e construções:
- Tintas (72%) lideram a lista, indicando uma forte demanda por acabamentos e renovação estética;
- Cimento (57%) e Argamassa (54%) são essenciais para a estrutura e assentamento, mostrando a continuidade de projetos de construção e reforma mais robustos;
- Cerâmicas (48%) também são altamente procuradas, reforçando a tendência de melhorias em pisos e revestimentos;
- Areia (45%) e Ferramentas para pintura (40%) complementam a lista dos materiais mais buscados, evidenciando a diversidade de necessidades nas obras.
“Os dados da pesquisa InObra apontam para um cenário promissor no setor de construção e reforma. A alta intenção de realizar obras, a concentração de projetos no curto prazo e a diversidade de materiais procurados indicam um mercado aquecido e com grande potencial de consumo. Entendemos que para as empresas do setor, este levantamento oferece informações valiosas para direcionar estratégias de vendas, marketing e desenvolvimento de produtos”, enfatiza Juliana.
A executiva destaca ainda que a vertente de negócios da companhia, voltada para municiar o mercado com dados, é cada vez mais relevante, pois possibilita estratégias e ações que atendam às necessidades e expectativas dos consumidores brasileiros.
Globo Online - RJ 18/08/2025
Dois anos depois do seu lançamento e a um do início do período eleitoral, o governo passou a se preocupar com o andamento de parte das obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal vitrine de investimentos do terceiro mandato do presidente Lula.
Há no Planalto o temor de que construções financiadas pela União em estados e cidades ainda em fase de licitação ou com pendências e ritmo lento atrasem e tornem o país um canteiro de obras inacabadas, o que poderia ser usado contra o petista na corrida eleitoral de 2026.
O PAC é um grande guarda-chuva de investimentos no país. Tem uma vertente majoritária de aportes de estatais e empresas privadas, de mais de R$ 1 trilhão, que vai de exploração de blocos de petróleo a concessões rodoviárias. Mas é na parcela de gastos públicos que reside a maior preocupação do governo.
São equipamentos públicos que afetam o cotidiano das pessoas, como hospitais, policlínicas, postos de saúde, escolas e creches. A maioria desses projetos foi sugerida por prefeitos e governadores no chamado PAC Seleções.
O governo tem R$ 16,7 bilhões já liberados para pagamento dessas obras que ainda não foram desembolsados por não haver comprovação de que o empreendimento foi concluído.
Dados inéditos do orçamento do Novo PAC entre 2023 a 2025 mostram que Lula já reservou R$ 111 bilhões para o programa em recursos públicos, dos quais pagou R$ 94,3 bilhões. Mas o restante preocupa porque a demora na comprovação indica que essas obras podem atrasar.
A maior parte do dinheiro reservado que aguarda pagamento é de projetos contratados por prefeituras e governos estaduais. As empresas responsáveis só recebem o recurso público após a comprovação documentada da execução da obra.
Casa Civil tenta acelerar
A Casa Civil, que coordena o PAC, tem acelerado empenhos (termo para apontar que o recurso foi reservado no Orçamento da União) de obras de infraestrutura pelo país em uma tentativa de dar previsibilidade financeira às construtoras e pressionar estados e municípios a agilizarem a entrega de equipamentos públicos. Mas, com centenas de projetos ainda em fase de licitação, a estratégia não garante que o “ano da colheita” de Lula dê os frutos que ele espera.
O empenho de recursos para obras do Novo PAC segue diferentes estratégias traçadas pela Casa Civil. No caso de grandes empreendimentos tocados pelo próprio governo federal, o empenho ocorre em etapas, num ritmo que ofereça segurança ao construtor para tocar a obra.
Já em projetos de saúde e educação, o governo tem empenhado 100% dos valores como forma de pressionar estados e prefeituras a acelerarem a execução.
A garantia do recurso, porém, não se reflete necessariamente em ritmo célere e entrega. A falta de consultorias e equipes técnicas para traçar e acompanhar projetos nas prefeituras afeta o andamento das obras.
Outro ponto identificado é o cálculo político de prefeitos, que tendem a deixar para inaugurar obras no período mais próximo à sua reeleição. As eleições municipais serão realizadas em 2028.
— Mais do que pressionar os municípios, é preciso oferecer apoio técnico e estabelecer critérios claros para a execução das obras — diz Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da FGV. — Um dos grandes obstáculos é quando interesses políticos se sobrepõem a critérios técnicos na alocação de recursos. A experiência mostra que cooperação federativa é mais eficiente que a pressão unilateral.
Sinal amarelo
A Casa Civil afirma que não há clima de “sinal amarelo” sobre o ritmo das obras do PAC, mas, nos bastidores, técnicos admitem complexidades no andamento das obras. Um argumento é que o pagamento depende de medição, vistoria e documentação que comprove o andamento da obra.
Com fatores aquém do controle do Planalto, a Casa Civil passou a apertar cronogramas para cumprimento de etapas. Por determinação do ministro Rui Costa, os prazos que cabem às prefeituras cumprirem já foram revistos duas vezes desde o início do Novo PAC.
Em nota, o ministério informou que tem adotado iniciativas para agilizar os processos, como oferecer a gestores locais modelos básicos de licitação, projetos arquitetônicos padronizados para creches, escolas, policlínicas.
Saúde e educação no foco
A pasta também diz que “os processos estão de acordo com os prazos previstos, com a realização dos contratos, das licitações e demais atos preparatórios para o início da execução das obras.”
Segundo a nota, as obras têm “acompanhamento constante e articulação direta com prefeituras e governos estaduais, garantindo que prazos e padrões de qualidade sejam cumpridos. Esse monitoramento próximo assegura que obstáculos sejam superados rapidamente e que as entregas ocorram dentro do tempo planejado”.
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Lula tem cobrado publicamente resultados dos ministros. Na última quarta, alertou que não tem “mais muito tempo” no governo e reclamou que, “se não chegam ao presidente, as coisas não acontecem”.
De acordo com auxiliares, as pastas de Educação e Saúde são as mais cobradas nas reuniões de monitoramento feitas pela Casa Civil, devido à capilaridade de obras e ao volume de recursos que cada uma das áreas têm.
O quadro mais preocupante está no Ministério da Educação (MEC). Das 1.884 obras no panorama geral do PAC, apenas 76 estão em execução, o que representa só 4% do total. A maior parte delas, 82%, está em fase de licitação.
Apenas para obras dessa pasta, o empenho feito alcança R$ 7,8 bilhões, dos quais R$ 4,2 bilhões foram pagos. Dentro desse panorama, o MEC não considera que há agora obras do Novo PAC de creches e escolas paralisadas ou em atraso.
No ensino médio, até agora não foi inaugurado nenhum dos 102 institutos federais previstos, uma promessa repetida por Lula. Menos da metade (41) está em fase de obra e aquisição. Outros 31 tiveram licitação publicada, e 22 têm o certame em preparação. Oito ainda aguardam regularização de terreno.
Para este tipo de obra, o período médio da construção varia entre nove e doze meses, quando a infraestrutura é modular, mas pode chegar a 18 meses se a construção for padrão de alvenaria. O prazo colocado pelo governo para entregar os campi é até o fim de 2026, quando termina o mandato de Lula e ele pode disputar a reeleição.
O Plano de Expansão dos Institutos Federais prevê investimentos de R$ 2,5 bilhões e 142,8 mil novas vagas de educação profissional e tecnológica, a maioria de cursos técnicos integrados ao ensino médio. Segundo o MEC, a oferta de cursos de qualificação profissional começa em instalações provisórias, mesmo antes da conclusão do novo campus.
Capacitação remota
No Ministério da Saúde, os projetos estão em estágio mais avançado. Das 1.910 obras envolvendo Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais regionais, policlínicas e maternidades, 73% já estão em execução, e 19% passam por licitação. As obras têm prazo contratual de dois anos para conclusão. Apenas para Saúde, o PAC já empenhou R$ 10,2 bilhões, dos quais pagou R$ 5,9 bilhões.
A pasta afirmou que, para apoiar estados e municípios, disponibiliza projetos arquitetônicos e de engenharia referenciais, kits de licitação, canais diretos de comunicação via WhatsApp e transmissões ao vivo com orientações técnicas aos gestores locais.
— Qualquer prefeito que reclamar que não tem dinheiro para obras de saúde e educação está mentindo. E o governo, prefeitos e governadores precisam cada vez mais priorizar as entregas de saúde pública. Na Bahia, por exemplo, 82% da população precisa do SUS — afirma o senador Otto Alencar (PSD-BA), vice-líder do governo no Senado.
Para o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, o Novo PAC ainda não está em pleno funcionamento. Apesar de diversos municípios selecionados, ele aponta que muitos gestores reclamam que ainda não receberam os recursos para dar início às obras. Por isso, tem orientado prefeitos:
— É fundamental verificar se a política pública realmente atende às necessidades da população, se o município terá condições de complementar caso o repasse federal seja insuficiente e se conseguirá arcar com os custos de operação, incluindo a contratação de pessoal.
Preocupação eleitoral
Durante a campanha eleitoral de 2022 e após assumir o terceiro mandato, Lula apontou um “legado” de obras paralisadas na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Mais de uma vez, discursou dizendo que seu governo não seria um “cemitério de obras paradas”. Agora, cobra da equipe a aceleração dos investimentos.
— Nós não temos mais muito tempo, a gente vai disputar uma eleição — afirmou o presidente recentemente.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
O Brasil está envelhecendo e o mercado imobiliário já começou a reagir. Incorporadoras têm apostado em prédios voltados exclusivamente para pessoas com mais de 60 anos.
Inspirados em modelos norte-americanos, os novos residenciais de alto padrão oferecem mais do que conforto: entregam infraestrutura adaptada, equipe médica disponível, programas de longevidade e atividades pensadas para manter corpo e mente ativos. A promessa é oferecer independência e segurança sem sobrecarregar familiares.
“Se uma pessoa vem morar com a gente com 80 anos, a chance dela viver até os 100 é enorme. Queremos encher esses 20 anos de propósito”, diz Renata Stringhini, CEO e fundadora da DOM Senior Living.
Para saber mais sobre os projetos em andamento, os valores cobrados e o impacto social desse novo modelo de moradia, leia a reportagem completa.
SEGS.com.br - SP 18/08/2025
Entre os 20 portos públicos que mais movimentaram no país, o destaque no primeiro semestre foi o Porto do Rio de Janeiro, que registrou o maior crescimento percentual. De janeiro a junho, o porto operou 8,4 milhões de toneladas, volume 24,9% superior ao registrado no mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados esta semana pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e estão disponíveis no Estatístico Aquaviário no site da agência.
No comparativo com o primeiro semestre do ano passado, as principais altas foram na carga conteinerizada (+13,2%), no granel sólido (+49%, com ênfase para o ferro gusa), no granel líquido (+72,7%) e na carga geral (+81,6%). A movimentação de contêineres respondeu por 68,8% do total operado no Porto do Rio, enquanto os granéis sólidos representaram 14,8% e os granéis líquidos e gasosos, 10,5%.
Para o diretor-presidente da PortosRio, Flavio Vieira, o desempenho é reflexo de investimentos em infraestrutura, gestão integrada e de um trabalho contínuo para diversificar cargas e ampliar mercados: “O Porto do Rio de Janeiro demonstra que competitividade e eficiência operacional são essenciais para enfrentar diferentes cenários econômicos. Alcançamos esse crescimento expressivo antes da entrada em vigor de medidas protecionistas, como o recente aumento de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos, mas confiamos na nossa capacidade de adaptação e reforçamos a importância de mantermos o foco em inovação, produtividade e parcerias estratégicas com operadores e usuários.”
Globo Online - RJ 18/08/2025
O Grupo Mac Laren vai investir US$ 50 milhões na construção de um dique flutuante, o primeiro do tipo no Cone Sul e um dos maiores da América Latina, segundo a empresa. A estrutura, cuja montagem tem apoio do Fundo da Marinha Mercante, está prevista para entrar em operação em janeiro de 2026. O empreendimento faz parte da estratégia de ampliar a capacidade de manutenção e reparo de embarcações no país, concentrando serviços em um único ponto e fortalecendo a posição de Niterói na indústria naval.
O projeto prevê um impacto expressivo no mercado de trabalho. Durante a fase de construção, o empreendimento deve abrir 1.500 vagas diretas e seis mil indiretas. Já a operação permanente do dique, após sua conclusão, poderá gerar cerca de três mil empregos diretos e outros 12 mil indiretos. A expectativa é que a obra também movimente a cadeia de fornecedores e prestadores de serviço ligados ao setor, com reflexos no comércio e na economia locais.
Segundo o vice-presidente do grupo, Alexandre Kloh, a decisão de construir o dique foi tomada diante de uma demanda consistente por manutenção, reparo e conversões logísticas no setor offshore, mesmo em períodos de menor atividade da construção naval. Ele também analisa como a mão de obra qualificada impacta o setor, que requer constante atualização tecnológica.
— Fazendo uma analogia, quando você compra um carro zero, a cada xis meses você precisa fazer o reparo dele. Isso acontece com os barcos. Após construído, ele tem uma docagem obrigatória de classe, e essa manutenção é feita em um dique. O setor ficou parado por anos, e muitos profissionais migraram para outras atividades. Agora, vamos precisar formar novos quadros e requalificar trabalhadores experientes, para garantir mão de obra capaz de operar uma estrutura dessa dimensão — afirma.
Ainda de acordo com Kloh, o dique será um equipamento flutuante, capaz de içar embarcações para reparos que não podem ser realizados na água, como intervenções no casco e na propulsão. Diferentemente de um dique seco, construído em terra, o flutuante é submersível e pode receber navios em locais estratégicos. Ele terá 157 metros de comprimento, 40 metros de boca e capacidade para içar até 15 mil toneladas.
A nova unidade permitirá a implantação do modelo One Stop Shop, em que um único local concentra serviços que hoje exigem deslocamentos entre fornecedores diferentes. Isso inclui reparos mecânicos, elétricos, automação, controle, posicionamento dinâmico e eletrônica. A expectativa é que a centralização reduza prazos de manutenção e custos logísticos para os clientes, além de aumentar a produtividade das embarcações atendidas.
Para Kloh, Niterói ocupa uma posição estratégica na indústria naval e offshore brasileira, por ser o berço da atividade no país. E, neste momento, a proximidade geográfica com a Bacia de Santos é um atrativo a mais para implementação do dique. Atualmente, afirma o executivo, cerca de 90% da infraestrutura nacional com capacidade para atender esse tipo de operação estão concentrados no município, fator que aumenta a atratividade de investimentos e reforça sua relevância no setor.
— A história da indústria naval nacional começou em Niterói, com os primeiros estaleiros. Estamos próximos dos blocos de exploração do pré-sal na Bacia de Santos, que concentram as maiores reservas e a maior produção de petróleo do país. Essa posição geográfica é fundamental para atender com eficiência às operações em águas profundas e ultraprofundas — diz.
A iniciativa também terá um componente social, com a participação do Instituto Meca, mantido pela empresa, que atua nas comunidades da Ilha da Conceição e da Ponta d’Areia. Os programas incluem qualificação profissional, preparação de jovens para o mercado de trabalho e atividades culturais e artísticas. Segundo Kloh, além de parcerias com os governos federal, estadual e municipal, o grupo mantém um plano de desenvolvimento para seus funcionários, de forma a atualizá-los em relação às novas tecnologias do setor.
Ações municipais
Na semana passada, a prefeitura enviou uma mensagem-executiva com um projeto de lei que propõe condições especiais para quitação e parcelamento de dívidas tributárias das empresas do setor naval, com descontos de até 100% sobre juros e multas, visando à regularização e recuperação econômica do setor. A proposta também prevê facilidades para empresas em recuperação judicial ou falência. A medida segue orientações do Tribunal de Contas do Estado para melhorar a recuperação dessas dívidas. Além disso, o poder municipal trabalha na obra de dragagem do Canal de São Lourenço, onde estão sendo retirados sedimentos para o aumento do calado a fim de viabilizar a navegação de grandes embarcações no canal, com a ampliação de sua profundidade de sete para 11 metros.
Valor Investe - SP 18/08/2025
Estatal distribuiu juros e dividendos em torno de R$ 500 bi aos acionistas nos últimos dez anos. Se expectativas forem confirmadas, potencial petrolífero da região pode ser suficiente para manter esse nível
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) registram queda de quase 13% neste ano, com dividendos abaixo do esperado no segundo trimestre e anúncios de que voltará a atuar na distribuição de GLP. Mas, no longo prazo, com a autorização para realizar as últimas etapas preparatórias às perfurações em alto mar na Foz do Amazonas – que pode revelar campos de petróleo tão ricos quanto os do pré-sal –, aguarda um prêmio e tanto para os detentores de papéis da estatal.
As expectativas são altas para as primeiras perfurações em alto mar na região vizinha da Guiana, onde a Exxon descobriu quase 11 bilhões de barris de petróleo em alto mar em 2015, uma das maiores descobertas das últimas décadas. O PIB per capita do país era de 5,64 mil dólares naquele ano. Hoje, mal iniciada a produção petrolífera, o valor é de 32,9 mil dólares.
Quando os primeiros leilões de blocos exploratórios na região foram realizados, em 2013, a então e atual presidente da Petrobras, Magda Chambriard, falou em potencial de 30 bilhões de barris em toda a Margem Equatorial (Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar). Ao longo deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu em várias ocasiões o potencial de arrecadar R$ 1 trilhão com a nova bacia.
Apesar das previsões elevadas, não há base para cravar em números quanto petróleo será encontrado lá, afirma Rafael Schiozer, professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em óleo e gás.
“Os testes geológicos indicam que há um bom potencial na região. Fozes de rio são locais propícios para o acúmulo de depósitos de hidrocarbonetos, como ocorre no Golfo do México, na Bacia de Campos ou na de Santos. Mas dizer quanto vai ter ali seria um grande chute”, diz.
Apesar da cautela, Schiozer não recusa a comparação com o pré-sal. “Se confirmado o potencial, estaríamos diante de algo parecido. Mas é especulação. Pode ser, pode não ser”. Conforme o professor, levará ao menos alguns anos para identificar, de fato, quanto petróleo há na região.
“Um a dois anos para ter ideia melhor do que há no subsolo, com poços exploratórios. A produção efetiva levaria pelo menos mais três ou quatro anos. Sendo otimista, falamos de 2031 para o primeiro barril”, prevê.
É o mesmo ano, o de 2031, que a Petrobras estimou ser o pico da produção de petróleo do pré-sal. Ou seja, se confirmado o potencial, a exploração da Margem Equatorial chegaria em tempo de evitar uma queda na produção e poderia prolongar em duas décadas o ritmo excepcional de pagamento de dividendos.
Para João Abdouni, analista da Levante Inside Corp., as ações da Petrobras oscilam de olho no curto prazo, e quase nada pelo longo prazo – diferente de outras companhias listadas, como a Ultrapar, que também vende combustíveis e gás, e têm preço sobre lucro de oito vezes, quase o dobro do da estatal.
“A Petrobras negocia a quatro vezes lucro. A tese é que ela precisa devolver dividendos rápido, porque o mercado teme má gestão pelo controlador. Por isso, projetos de longo prazo não entram na conta”, explica.
Ele estima que a empresa pagou em torno de R$ 500 bilhões em juros e dividendos para acionistas nos últimos 10 anos.
Para o analista, há um prêmio de retorno pelo risco do controlador. Ou seja, quando a má gestão do controlador (o governo) não se confirma, o retorno na forma de dividendos é superior à média do mercado. “Se a empresa mantiver dividendos entre 10% e 15% ao ano [como tem ocorrido], devolve o capital do acionista em cerca de 7 a 10 anos”.
Portanto, se as previsões de descoberta de um “novo pré-sal” se confirmarem, um acionista poderia ver o dinheiro investido voltar três vezes antes das reservas se exaurirem.
Tudo isso a depender dos resultados das prospecções. Caso as expectativas sejam frustradas, ou pela constatação de que as reservas são menores, ou pela impossibilidade de realizar as perfurações, as alternativas são poucas. Para o professor Rafael Schiozer, a Petrobras precisaria buscar novas fronteiras exploratórias fora do Brasil, como já tem feito na África, onde adquiriu blocos em São Tomé e Príncipe e na África do Sul.
“Uma empresa de petróleo vive de descobrir reservas e produzi-las. Se as reservas que a Petrobras tem vão ser depletadas em um prazo de 10 a 15 anos, é natural que ela tenha que buscar outras reservas em outros lugares”, conclui.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
Petrobras e Ibama finalmente chegaram a um acordo para a avaliação pré-operacional (APO), último teste a ser realizado antes da concessão de licença para a perfuração de um poço na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, parte da chamada Margem Equatorial.
Tanto a Petrobras quanto a autarquia ambiental ajustam agora os detalhes sobre esse importante e aguardado teste, com duração prevista entre três e quatro dias. A simulação deve ocorrer na semana de 24 de agosto.
O essencial é que o impasse em torno da autorização da APO parece finalmente superado, e que, tão logo estejam garantidas todas as condições necessárias, o teste ocorra.
No final de julho, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que, parada, a sonda de perfuração a ser utilizada no teste custa ao País mais de R$ 4 milhões por dia, o que apenas reforça a necessidade de que a avaliação seja prontamente efetuada.
Caso o resultado da APO seja considerado positivo, e o Ibama emita a licença de exploração, a Petrobras tem condições de iniciar imediatamente a perfuração do bloco FZA-M-59, com capacidade estimada de 5,6 bilhões de barris de petróleo.
Ambos do Amapá, tanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), quanto o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT), obviamente celebraram o acordo para a realização do teste. Políticos da região, independentemente do verniz ideológico, defendem a exploração de petróleo na Margem Equatorial por entenderem ser uma oportunidade única de desenvolvimento para os empobrecidos Estados amazônicos.
Nos últimos anos, o sucesso econômico da Guiana, país sul-americano que graças à exploração de petróleo deve crescer invejáveis 10,3% neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), não só alimentou a esperança de que o Amapá pode ter a mesma sorte, como apoia o argumento de que o Brasil, por purismo ambiental, não pode deixar submerso um tesouro já explorado por países vizinhos.
Já os opositores da exploração na Margem Equatorial temem impactos ambientais na região amazônica, além de acreditarem que o Brasil já tem reservas fósseis o suficiente e que, por isso mesmo, deveria ocupar-se apenas do desenvolvimento de fontes alternativas.
Obviamente legítima, a preocupação dos ambientalistas em nada justifica o atraso, já descrito como “lenga-lenga” pelo presidente Lula da Silva, na realização de um teste fundamental para determinar se a exploração na Foz do Amazonas é realmente viável. Vale ressaltar ainda que a Petrobras não apenas é uma das principais produtoras globais de petróleo em águas profundas, como é reconhecida internacionalmente pela expertise nessa área.
A realização da APO é um imperativo e deveria ser defendida até por quem é contra a exploração na Foz do Amazonas, uma vez que esse é o teste que determinará se a produção de petróleo na região pode ocorrer de forma segura.
Se a exploração for autorizada, roga-se que as forças políticas da região, useiras e vezeiras em trabalhar apenas para seus interesses pessoais em detrimento de seus pobres representados, aproveitem a prometida bonança para melhorar efetivamente a vida da população local.
IstoÉ Dinheiro - SP 18/08/2025
O anúncio de um reservatório de petróleo no pré-sal da Bacia de Santos, no último dia 4, provocou queixa da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Não que a instituição que representa trabalhadores da indústria do petróleo seja contra a exploração, mas é que o anúncio foi feito pela multinacional britânica BP Energy.
A empresa classificou a descoberta como “significativa” e afirmou ser a maior da companhia em 25 anos. O reservatório anunciado fica no bloco Bumerangue, a cerca de 400 metros da costa do Rio de Janeiro. Para efeito de comparação, é quase a distância entre as cidades do Rio e de São Paulo (417 km).
A insatisfação da FUP é pelo fato de o bloco pertencer cem por cento à BP, sem participação da Petrobras. O direito de explorar o bloco foi arrematado em 2022, em leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador da indústria do petróleo, vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME).
Em comunicado divulgado após o anúncio de Bumerangue, a FUP considera que a descoberta mostra “os riscos da entrega do pré-sal ao capital estrangeiro e os retrocessos causados pela flexibilização do regime de partilha”.
“A operação reforça a perda de controle nacional sobre recursos estratégicos”, diz o coordenador-geral da entidade, Deyvid Bacelar.
Mudança na lei
Bacelar critica a Lei 13.365, de 2016, que desobriga a Petrobras de ser operadora de todos os blocos do pré-sal. O texto alterou uma legislação de 2010, fazendo com que a Petrobras tenha o chamado direito de preferência, isto é, pode escolher se quer ou não ser operadora. Em caso positivo, terá participação de ao menos 30% do consórcio explorador.
À época, os defensores da mudança diziam que desobrigar a Petrobras de ser operadora de todos os blocos seria um alívio para a situação financeira da companhia, que enfrentava grave crise em 2016, na esteira da Operação Lava Jato, e apresentava dificuldade para investir. O então presidente da estatal, Pedro Parente, entendia que a obrigatoriedade impedia a empresa de escolher as opções que atendessem melhor ao interesse dela.
Para a FUP, a flexibilização abriu espaço para importantes descobertas pelas petroleiras internacionais. A representação de trabalhadores aponta ainda que a mudança fez com que blocos pudessem ser arrematados com menor ágio, ou seja, pagando mais barato.
Em Bumerangue, a BP ofereceu à União parcela de óleo excedente de 5,9%, caracterizando ágio de 4,24%. Ágio é a diferença entre o excedente mínimo exigido pelo leilão e o oferecido pelo lance.
“A mesma BP ofertou apenas 6,5% no bloco Tupinambá, arrematado em 2023, consolidando uma tendência de baixa compensação ao país e alta concentração de exploração por empresas estrangeira”, diz Deyvid Bacelar.
Como funciona o leilão
A descoberta do pré-sal foi tão significativa para o potencial de produção de petróleo brasileiro que levou o governo - com o aval do Congresso nacional - a mudar o regime que autorizava as empresas a explorarem a riqueza submersa.
Dessa forma, nas áreas de pré-sal vigora o regime de partilha. Nesse modelo, além de a petroleira pagar o chamado bônus de assinatura, a produção de óleo excedente (saldo após pagamento dos custos) é dividida entre a empresa e a União.
Quando é realizado o leilão, vence o direito de explorar a companhia que oferece a maior parcela de lucro à União, ou seja, maior percentual do excedente. As empresas pagam também royalties.
Essa regra é diferente do modelo de concessão, válido nos demais blocos de óleo e gás. No modelo tradicional, o risco de investir e encontrar – ou não – petróleo é da concessionária, que se torna dona de todo o óleo e gás que venham a ser descobertos. Além do bônus de assinatura ao arrematar o leilão, a petrolífera paga royalties e participação especial (no caso de campos de grande produção).
Tanto no leilão de Bumerangue quanto no de Tupinambá, a BP disputou sozinha. Em Tupinambá, o ágio foi de 33,20%.
Indústria defende modelo
A indústria do petróleo defende o modelo atual, com a Petrobras tendo apenas o direito de preferência. Procurado pela Agência Brasil, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás - que representa empresas do setor, entre elas a Petrobras - afirmou que a atual política brasileira de exploração e produção de óleo e gás, que prevê a presença de múltiplos operadores, tem demonstrado resultados positivos.
“A atuação de vários operadores, inclusive no pré-sal, permite aumentar o conhecimento geológico da região, acelerar a exploração e maximizar o potencial da bacia”, defendeu o presidente do IBP, Roberto Ardenghy.
“O IBP defende que a presença de diversas empresas, nacionais e internacionais, com suas diferentes tecnologias e expertises, distribui o risco, promove maior competição, atrai investimentos e, consequentemente, amplia a arrecadação de royalties e participações especiais para o país. Isso resulta em maior valor para a sociedade brasileira”, completou.
A Agência Brasil pediu comentários à Petrobras sobre o modelo atual de preferência sem obrigatoriedade, mas não recebeu retorno. Na última sexta-feira (8), durante teleconferência com analistas e investidores, a presidente da companhia, Magda Chambriard, foi questionada sobre participação em outros tipos de leilão, como o de áreas não contratadas (quando o governo vende direitos de produção de campos ainda não contratados). Na resposta, Chambriard afirmou que “a empresa estará sempre presente em toda e qualquer oportunidade de leilão da ANP”.
“O território brasileiro é nossa casa e, quando se oferta áreas do pré-sal, então, nem se fala, claro que estaremos presentes do leilão, é do nosso interesse”, respondeu.
Entretanto, Magda Chambriard ponderou os interesses da empresa. “Independentemente de qualquer coisa, isso só vai acontecer se fizer sentido econômico para nós. Ninguém aqui está pensando em nenhuma aventura desmedida. Se o projeto for bom, se o projeto estiver valendo a pena e se estiver previsto no nosso plano de negócios, é essa direção que vamos seguir”, afirmou.
Procurada pela Agência Brasil, a ANP afirmou que não cabe à instituição, enquanto agência reguladora, comentar leis aprovadas pelo Congresso. “A ANP cumpre a legislação em vigor e implementa políticas emanadas do governo”, disse em nota.
O MME não respondeu ao pedido de comentários.
Prós e contras
O professor Geraldo Ferreira, do Departamento de Engenharia Química e Petróleo da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembrou que a alteração na lei e na postura da Petrobras se deu após mudança de governo, com a presidência de Michel Temer (2016-2018), o que Ferreira classifica como “mais orientada para o mercado”.
“A gestão da Petrobras também é trocada para ficar em sintonia com os novos tempos do mercado”, diz o professor, que cita prós e contras na mudança de legislação.
Ele assinala que, desonerando a Petrobras de ter que investir em todas as áreas, há uma flexibilidade que permite “desenvolvimento mais rápido onde a empresa não priorizaria”.
Por outro lado, Ferreira acredita que há “enfraquecimento do controle estratégico do setor de óleo e gás pelo Estado brasileiro”.
Entre os efeitos desse enfraquecimento estão “menor participação governamental por barril em alguns contratos, coordenação mais fraca para a política industrial e maior risco de subfinanciamento do Fundo Social — especialmente em empresas de petróleo com lances baixos, como a Bumerangue”.
O Fundo Social foi criado para que parte dos recursos que o governo arrecada no pré-sal seja destinada a áreas como saúde, educação e meio ambiente.
Para Ferreira, o atual cenário é mais favorável a empresas estrangeiras e isso, não necessariamente, é um incentivo para a indústria brasileira do petróleo.
“Somente se combinada com condições firmes e inteligentes que transformem a presença de operadores estrangeiros em capacidade doméstica, provendo a industrialização, formação de recursos humanos e absorção de tecnologia”, diz.
Caso contrário, completa o especialista da UFF, o Brasil será mero exportador de commodities (matérias-primas negociadas em larga escala e com preços internacionais). “Como ocorre desde o passado, sendo exemplos o ouro e diamante em Minas Gerais no século 19”, acrescenta.
Ferreira acredita também que a não onipresença da Petrobras no pré-sal resulta em “não haver mais garantia de liderança na coordenação do desenvolvimento de vários blocos, com planejamento e implantação associada de infraestrutura”.
Outros leilões
O próximo leilão de exploração será daqui a pouco mais de dois meses. É o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, marcado para 22 de outubro. Estarão em disputa 13 blocos exploratórios, localizados nas bacias de Santos e Campos.
Quinze empresas se habilitaram, entre elas as brasileiras Petrobras, Prio e 3R (Brava Energia), e as multinacionais Chevron (Estados Unidos), Ecopetrol (Colômbia), Equinor (Noruega), Petrogal (Portugal), Petronas (Malásia), QatarEnergy (Catar), Shell (anglo-holandesa), Total Energies (França), Karoon (Austrália), além das chinesas Cnooc e Sinopec.
Em junho, a ANP realizou o leilão do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, que incluía áreas na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, região considerada “o novo pré-sal”, com expectativa de grandes descobertas. A Petrobras já detém blocos na região, mas ainda precisa de autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), autoridade ambiental ligada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Foram oferecidos 19 blocos na região, sendo a Petrobras um dos destaques, com 10 áreas arrematadas, todas em consórcio com a americana ExxonMobil. Nove blocos foram adquiridos pela Chevron em consórcio com a chinesa CNPC.
Money Times - SP 18/08/2025
A petroleira brasileira Prio (PRIO3) venceu estimados 500 mil barris de petróleo da União do campo de Atapu, no pré-sal da Bacia de Santos, em leilão spot realizado nesta quinta-feira (15). É a sua primeira vitória em processos competitivos realizados pela estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA).
A carga arrematada tem previsão de carregamento na segunda quinzena de novembro de 2025, informou nesta sexta-feira a PPSA, companhia responsável por representar a União nos contratos de partilha de produção no pré-sal. Dentre suas atribuições, ela comercializa o petróleo que pertence à União.
As ofertas de preço foram abertas em tempo real em reunião realizada com a participação de representantes das companhias Galp, Petrochina, Petronas, TotalEnergies, Petrobras e Prio. Ao todo, 15 empresas foram convidadas para participar do certame.
Esta foi a segunda comercialização spot em 2025 realizada pela PPSA. Em março, a PPSA comercializou duas cargas de petróleo da União do campo de Itapu, com volume estimado de 500 mil barris cada.
A PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) foi criada para gerenciar a exploração, produção e comercialização de petróleo e gás natural no regime de partilha da produção, tanto no Polígono do Pré-Sal quanto em áreas estratégicas, em nome da União
Em junho, a empresa também realizou o 5º Leilão de Petróleo da União, comercializando 74,5 milhões de barris na B3.
TN Petróleo - RJ 18/08/2025
Ao atingir a marca de 225 mil barris/dia, nesta quinta-feira (14/8), a plataforma Almirante Tamandaré (Projeto Búzios 7) alcançou a maior vazão de produção por unidade da história da Petrobras, 3 meses antes da data prevista, novembro deste ano. O FPSO (navio que produz, transporta e armazena petróleo) entrou em operação em fevereiro, no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, e o recorde obtido confirma a expectativa de que o campo seja, em breve, o maior em produção pela Petrobras. Búzios é o segundo campo em volume de produção no país, atrás apenas do Campo de Tupi.
O super campo de Búzios, descoberto em 2010, apresenta dimensões gigantescas, sua espessura equivale a altura do pão de açúcar e área equivalente a duas vezes o tamanho da Baia de Guanabara. A magnitude do campo permitiu que a Petrobras buscasse também maiores unidades de produção. O FPSO Almte Tamandaré, com apenas 5 poços e com 179 dias do início da produção, já atinge sua capacidade máxima de produção de 225 mil barris/dia.
A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, lembrou que a capacidade média das plataformas no mundo é menor, em torno dos 150 mil barris por dia de óleo e de compressão de 10 milhões de m3 de gás. “Alcançamos outro patamar de produtividade, só possível em campos como o de Búzios. Nessa unidade, além da alta capacidade, focamos em obter mais eficiência e em tecnologias de descarbonização, destacou.
Entre as tecnologias citadas estão o flare fechado, que contribui para redução das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Há também tecnologias para aproveitamento de calor, que reduzem a demanda de energia adicional para a unidade. O FPSO recebeu o Selo de Sustentabilidade da certificadora ABS, e o Projeto Búzios 7, como um todo, concorre, por inovações e excelência nas práticas de gerenciamento, ao Prêmio OTC Brasil Distinguished Achievement Award for Companies, da Offshore Technology Conference, um dos mais importantes eventos mundiais de tecnologia voltado para o setor de petróleo e gás offshore. O projeto inclui, além da plataforma Almirante Tamandaré, toda a infraestrutura submarina, como dutos e poços.
Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção, ressaltou as condições que contribuíram para o recorde. “A excelência técnica do nosso pessoal, aliada à prontidão de recursos e dos equipamentos instalados, contribuiu decisivamente para este recorde. Outro fator importante, além do volume, é a qualidade do óleo do campo de Búzios que dispõe de reservas substanciais de petróleo leve”.
A expectativa da empresa é de superar nesse campo, até 2030, o marco de 1,5 milhão de barris/dia.
O FPSO Almirante Tamandaré, afretado à SBM Offshore, é a primeira unidade de 225 mil bpd instalada no Brasil. O campo de Búzios tem mais cinco plataformas contratadas e em construção para entrada em produção nos próximos anos, sendo três de alta capacidade. O Projeto Búzios 7 prevê 8 poços produtores e a marca de 225 mil barris por dia (b/d) foi atingida com 5 desses poços.
O consórcio de Búzios é composto pela Petrobras, como operadora, a PPSA, gestora dos contratos de partilha da produção, e as empresas parceiras chinesas CNOOC, CNODC.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
Em linhas gerais, o Brasil tem um bom diagnóstico sobre o que fazer para ampliar a competitividade do gás natural – insumo essencial para o processo de reindustrialização, segurança energética e transição energética do País.
Há gargalos que hoje roubam a competitividade nas etapas de escoamento e processamento, e no setor de transporte por gasodutos.
Estudos apresentados pela EPE, braço de estudos do MME, mostram que essas etapas já deveriam ter custos muito menores porque os investimentos nessas infraestruturas foram amortizados faz tempo.
A imensa concentração no mercado nacional, em que a Petrobras detém pelo menos 70% da oferta, é outro fator que veda a criação de um ambiente realmente competitivo. Por isso, a importância de usar a PPSA como fornecedora de gás por meio de leilões.
Existem soluções que vêm de experiências bem-sucedidas, em países como Reino Unido e Espanha, que adotaram o Gas Release, programa que obriga agentes dominantes a leiloar compulsoriamente parte das suas reservas para companhias menores. Isso também já foi objeto de estudo da EPE, com apresentação este ano no auditório do MME. Porém, a tentativa de colocar em prática esse tipo de leilão não foi exitosa, tendo sempre a oposição da Petrobras.
A raiz dos problemas e as possíveis soluções, portanto, estão bem mapeadas. O que o mercado espera, agora, são ações assertivas. É o contrário do que faz segmentos do governo.
Jogando para a torcida em ano pré-eleitoral, alguns deles valeram-se de um anúncio de rotina – a variação trimestral no preço da molécula – para vender a ideia de que a redução de 14% (efetivada pela Petrobras por contrato, seguindo a variação de indicadores como Brent e dólar) deveria, automaticamente, ter porcentual idêntico para o consumidor final.
Não é preciso ser um especialista para saber que a molécula de gás natural representa uma parcela da tarifa para o consumidor, de cerca de 50%, a depender do contrato da Petrobras com as distribuidoras, e que o porcentual restante é composto pela tarifa de transporte por gasodutos, pela margem das concessionárias de distribuição de gás canalizado e impostos.
Embora ainda domine algo como 80% da comercialização, a Petrobras não mais é a única fonte de fornecimento – algumas concessionárias mantêm contratos com outros supridores, ou seja, variações no preço da molécula da Petrobras são refletidas na proporção de seu volume na matriz de suprimento da distribuidora.
Por fim, cada contrato de concessão estadual tem sua especificidade, fator que impede um porcentual de reajuste unificado. E as distribuidoras são pass-through. Não obtêm qualquer ganho sobre a molécula. Cumprem a tabela tarifária calculada pelas respectivas agências reguladoras estaduais.
A hora é de mais ação do que falação. Firulas nas narrativas, definitivamente, não vão trazer os resultados que o País precisa para um mercado de gás mais racional e competitivo.
O Estado de S.Paulo - SP 18/08/2025
Os juros elevados e incertezas econômicas levantaram dúvidas sobre a capacidade que o mercado teria para absorver a grande oferta de leilões rodoviários previstos para este ano. No entanto, apesar da carteira robusta, o número de participantes tem ganhado tração. Conforme levantamento da Coluna, 2025 está com a maior concorrência média da última década considerando os anos que tiveram mais de um projeto leiloado.
O leilão da Rota Agro, realizado nesta quinta-feira, 14, atraiu cinco participantes. Com isso, consagrou-se como o certame rodoviário mais concorrido em sete anos. A disputa igualou a marca dos trechos gaúchos das BRs 116 e 392, que receberam propostas de cinco empresas em 2018 - ano em que apenas um projeto foi leiloado. O resultado superou a Rota dos Cristais (BR-040/GO/MG), leiloada em setembro do ano passado com quatro propostas.
A maior média anual de participantes em leilões de rodovias federais nos últimos dez anos é de 2015. Naquele ano, foi realizado apenas um leilão, que atraiu seis interessados. Em 2018, quando novamente apenas um projeto foi ofertado ao mercado, cinco empresas se apresentaram. Em 2019 e 2020, que tiveram um certame cada, três concorrentes se apresentaram. Por isso, considerando o volume de projetos, a média de participação e a diversidade de empresas, o cenário atual tem sido de concorrência amplamente maior.
Desconto mostra ambiente competitivo
Outra sinalização de que o ambiente está favorável é o expressivo desconto de 19,70% que consagrou a vitória do Consórcio Rota Agro Brasil nesta quinta. Foi o segundo maior desconto entre os últimos 18 leilões de rodovias federais. “Demonstrando que a modelagem econômico-financeira adotada permite sustentar margens elevadas de desconto sem comprometer os investimentos previstos ou a qualidade dos serviços a serem prestados”, avalia o advogado Diego Fonseca Silva, do Rolim Goulart Cardoso Advogados.
Além do número elevado de participantes, manteve-se a tendência observada desde o ano passado quanto à diversificação de empresas interessadas nos ativos. Marcaram presença nomes ligados ao setor financeiro, como a XP. As construtoras foram representadas pela Way Brasil e VF Gomes, por exemplo. Por sua vez, a EPR é focada na gestão e operação de concessões.
Para o advogado João Paulo Pessoa, do Toledo Marchetti Advogados, o setor vive um momento de dinamismo, com presença de empresas estrangeiras, fundos e construtoras. Ele atribui o cenário a oportunidades atrativas, amadurecimento regulatório e maior previsibilidade contratual. “Percebemos, realmente, que o setor de rodovias se encontra bastante movimentado, acompanhado por empresas estrangeiras, fundos, construtoras e players que tradicionalmente já atuam no setor.”
Na mesma linha, o advogado Rodrigo Campos, do Vernalha Pereira, avalia que o resultado do certame sinaliza boas perspectivas para os leilões previstos para o segundo semestre. “Pela quantidade de players que acorreram ao leilão de hoje, e pelos porcentuais de desconto dos lances apresentados, não se vislumbra influência negativa de cenário macroeconômico ou de outras externalidades sobre o programa brasileiro de concessões rodoviárias, que segue aquecido e maduro”, afirma.
Novas disputas vêm aí
No ano passado, o governo federal promoveu sete leilões, alcançando o mesmo volume de certames bem-sucedidos de 2007, até então, o ano com o maior número de disputas. A meta da gestão federal é encerrar o atual mandato com 35 leilões rodoviários, restando 21 para que essa marca seja alcançada até dezembro de 2026.
A expectativa do Ministério dos Transportes é dobrar o recorde do ano passado e realizar 15 neste ano. Até o momento, foram oito certames, dois de contratos repactuados. Na carteira oficial, há nove projetos previstos para serem ofertados nos próximos meses, o que inclui dois contratos repactuados e sete convencionais.
Concessão da Rota Agro terá 30 anos
A concessão da Rota Agro (BR-060/364/GO/MT) foi arrematada pelo Consórcio Rota Agro Brasil. O grupo é composto por diversas empresas, incluindo a Azevedo & Travassos. O trecho, de 490 quilômetros entre Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT), é conhecido pelo intenso tráfego de veículos de carga e de passeio.
O projeto prevê mais de R$ 7 bilhões em investimentos ao longo dos 30 anos de contrato. Do montante total, R$ 4,4 bilhões são referentes a investimentos diretos (capex) e R$ 2,8 bilhões em custos operacionais (opex).
Valor - SP 18/08/2025
Setor enfrenta várias dificuldades, com onda de recuperações judiciais e nova regra contábil
O setor bancário tem sofrido com um forte aumento da inadimplência no agronegócio nos últimos meses. Mesmo sem problemas de safra - as projeções mais recentes indicam produção recorde de milho e alta expressiva na colheita de soja em 2025 - uma série de dificuldades têm contribuído para este cenário.
O momento mais agudo começou com uma queda nos preços das commodities, que pressionou as margens dos produtores, já muito alavancados, após tomarem crédito com a Selic nas mínimas históricas em 2020 e 2021. Mas o segmento também enfrenta uma onda de recuperações judiciais (RJs) e os efeitos do impacto da resolução 4.966 do Banco Central (BC), que alterou regras de provisionamento e implementou o conceito de “perda esperada”. Agora, o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil, pode tornar o cenário ainda mais nebuloso.
Com participação de mercado de quase 50% no agro, o Banco do Brasil é a instituição financeira que mais tem sentido os problemas do setor. A inadimplência disparou, atingindo o recorde de 3,94%, ante 2,45% de um ano antes e 0,96% no fim de 2023. A carteira soma R$ 404,9 bilhões e o BB diz que cerca de 20 mil clientes estão inadimplentes, sendo que 74% deles nunca tinham dado calote no banco até 2023. Segundo a instituição, 52% da inadimplência está concentrada no Centro-Oeste e Sul e 50% nas culturas de soja, milho e bovinos.
Além disso, são 808 clientes em RJ, que somam uma carteira de R$ 5,4 bilhões. Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que grandes produtores rurais equivalem a empresas e, assim, podem pedir recuperação judicial (RJ) na pessoa física. Em 2023, o BB começou a ver um salto nesses pedidos, no que classifica como “litigância predatória”. A presidente do BB, Tarciana Medeiros, diz que escritórios de advocacia têm campanhas para atrair clientes para RJ, focadas no BB, e que está avaliando a possibilidade de entrar na Justiça contra eles. “Recuperação judicial é para quem precisa, vamos combater litigância abusiva”.
Segundo o Banco Central (BC), o crédito rural com recursos direcionados para pessoa física somava R$ 539,8 bilhões em junho, com expansão anual de 7,5%. Já na pessoa jurídica eram mais R$ 99,3 bilhões, com alta de 9,4%. Na pessoa física, a inadimplência disparou de 1,5% para 3,5% em um ano.
Dados da Serasa Experian mostraram que os pedidos de RJ no agro atingiram 389 no primeiro trimestre, uma alta de 21,5% ante o quarto trimestre e de 44,6% na comparação com o início de 2024. “Muitos produtores enfrentam custos altos, prazos longos para receber, maior exigência de garantias e dificuldades na rolagem de dívidas, fatores que pressionam o caixa e reduzem as margens para manobras”, diz o diretor de agro da empresa, Marcelo Pimenta.
No Santander, que tem R$ 22,4 bilhões em linhas de crédito rural (os bancos normalmente somam empréstimos adicionais na “carteira agro”, como concessões de linhas diversas, mas destinadas a clientes do setor), o CEO, Mario Leão, afirmou que a inadimplência ainda vai ter alguns trimestres desafiadores. “Estamos possivelmente vivendo o momento mais duro do ciclo do agro, mas em algum momento isso vai voltar”, disse.
No Itaú, o CEO, Milton Maluhy Filho, admitiu que o agro tem sofrido mais nos últimos dois anos, após um ciclo de muita bonança. Ainda assim, ele ressaltou que essa é a realidade do mercado, mas não a do Itaú, que tem uma carteira muito equilibrada, incluindo em termos de diferentes culturas. Segundo ele, com uma carteira de mais de R$ 130 bilhões no agro, o Itaú teve um share bem menor, proporcionalmente, nos pedidos de RJ entre as empresas do setor, de apenas 5%. “Isso é consequência de uma gestão de portfólio muito ativa, feita de forma cuidadosa, com boas garantias”.
No Bradesco, o CEO, Marcelo Noronha, foi na mesma linha, afirmando que a inadimplência está controlada. “O agro do Brasil é o mais competitivo do mundo, o mais produtivo em todas as culturas. É claro que, se tem uma cultura ou outra que tenha dificuldade maior, a gente tem de captar isso nos nossos modelos, avaliando o segmento, geografia, por cliente. Não entramos em culturas que tenham problemas e muitas das linhas têm garantia”. As linhas específicas de crédito rural do banco somam R$ 79,4 bilhões.
Entre as cooperativas, o Sicredi diz que tem observado um aumento da inadimplência, com intensidade distinta entre regiões, refletindo realidades climáticas e de perfis diferentes de produtores. “O momento exige atenção e gestão ativa”, diz, em resposta a questionamentos do Valor. O sistema cooperativo também aponta para uma elevação nos casos de RJ. “Acompanhamos com atenção o crescimento de RJ no agro, especialmente em regiões com dificuldades climáticas e econômicas. É importante distinguir os casos legítimos daqueles em que há uso estratégico do instrumento, o que pode prejudicar a cadeia produtiva e a disponibilidade de crédito”.
No mês passado, o governo informou que o Plano Safra 25/26 será de R$ 594,4 bilhões, dos quais R$ 516,2 bilhões para os médios e grandes produtores e R$ 78,8 bilhões para a agricultura familiar. Serão pouco menos de R$ 10 bilhões a mais, ou 1,69% acima dos R$ 584,5 bilhões da safra anterior, com correção abaixo dos 5,32% da inflação do período.
Como o Valor mostrou na ocasião, analistas apontaram que juros altos e menos subsídios para a agricultura empresarial resultam em incerteza e endividamento. Para o diretor de agro do Santander, Carlos Aguiar, a situação fiscal afeta a política de equalização justamente em um contexto de mercado endividado. “E o governo não anunciou nada em relação a isso, exceto a criação de um grupo de trabalho. Vai ser um ano difícil”.
Como o Plano Safra 24/25 atrasou, muitas operações do fim do período ainda vão vencer entre julho e setembro, o que significa que a inadimplência deve continuar pressionada no terceiro trimestre. Enquanto isso, o BB tem adotado uma série de ações para tentar conter a situação, como trocar as garantias usadas (de penhor e hipoteca para alienação fiduciária, que é mais célere de executar e muitas vezes não é incluída em uma RJ); melhorar a esteira de cobrança; e judicializar mais.
O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, lembrou que o banco era conhecido por não executar garantias, que gostava de tomar um cafezinho com o cliente e evitar estresse na relação, mas que agora isso está mudando.