Clipping Diário

01 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

A Gazeta - ES   01/08/2025

Em 2024, o Espírito Santo exportou US$ 1,092 bilhão em produtos de aço para os Estados Unidos

Na lista de produtos isentos do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros, o aço tem participação importante na economia do Espírito Santo. Em volume de negócios, representou, no ano passado, mais de um terço das exportações capixabas para o país norte-americano.

Mas, mesmo estando na lista de isenção, o produto vai pagar uma taxa de 50% ao ser exportado para os EUA, devido ao fato de os setores do aço e alumínio já terem recebido sobretaxas desde que Trump voltou à Casa Branca. Somadas, as tarifas chegam a 50%. Em razão disso, estar na lista de isenção gerou certo alívio na indústria do aço, visto que a sobretaxa poderia ser ainda maior.

Mantidas, as tarifas direcionadas aos produtos de aço e alumínio, que atualmente somam 50%, seguem outro decreto, voltado a todos os países com os quais os EUA comercializam e não apenas a ordem executiva que fala sobre as taxas impostas especificamente ao Brasil.

Segundo dados do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em 2024, o Espírito Santo exportou US$ 1,092 bilhão em produtos de aço para os Estados Unidos, sendo US$ 880 milhões do segmento de outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados e US$ 212,6 milhões do tipo produtos semimanufaturados, de outras ligas de aços.

Esse total enviado aos EUA representou 62,7% de todo o aço exportado pelo Espírito Santo no primeiro tipo e 87,7% do segundo.

Na reunião do comitê formado pelo governo do Estado para avaliar os impactos das tarifas com representantes da indústria na quarta-feira (30), o diretor de Finanças da ArcelorMittal, Paulo Wanick, destacou que o setor de aço estava apreensivo com o anúncio das tarifas, temendo que esses 50% se somassem aos outros 50% que já foram impostos ao produto nos primeiros meses do ano.

Por isso, recebeu como boa notícia a exclusão. Ele citou que, em razão das tarifas, neste primeiro semestre, R$ 1,2 bilhão de faturamento foi afetado, sendo R$ 600 milhões na planta de Tubarão.

Uma apreensão destacada pelo diretor foram as possíveis consequências ao mercado pela imposição das tarifas, que acabam deixando o preço do produto mais caro nos Estados Unidos. Wanick destacou ainda a dificuldade de destinar a produção para outros mercados, principalmente em função do perfil do produto que vai para os EUA, que é um aço mais nobre e, consequentemente, mais caro, enquanto outras regiões exigem itens de menor valor.

Wanick ressaltou ainda a importância de o governo brasileiro não retaliar as tarifas americanas, pois 50% do carvão usado na produção de aço vem dos Estados Unidos, e isso representa 30% do custo da fabricação do produto.

IstoÉ Dinheiro - SP   01/08/2025

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou nesta quinta-feira, 31, que vendeu na quarta-feira, 30, uma participação acionária correspondente a 4,99% de ações que detinha na sua concorrente Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. (Usiminas) para a Globe Investimentos SA. A Globe é uma empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F Investimentos, da JBS e da Eldorado Celulose.

Procurada, a J&F não quis comentar. Conforme o comunicado da CSN à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o valor do negócio, com base no fechamento do pregão da Bolsa de terça-feira, 29, foi da ordem de R$ 263,3 milhões. A operação envolveu 35.192.508 ações ordinárias e 27.336.139 preferenciais de emissão da Usiminas.

Com isso, os irmãos Batista colocam um pé na Usiminas, siderúrgica controlada pelo grupo ítalo-argentino Ternium, pela japonesa Nippon Steel e pelo fundo Previdência Usiminas. As ações adquiridas – que correspondem a 4,99% do capital social -, estão fora do bloco de controle da siderúrgica, que tem a Ternium como maior acionista e quem indica a maioria da diretoria executiva.

Apesar da relação, o instrumento financeiro (Globe Investimentos) não está oficialmente sob o guarda-chuva da holding J&F.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o veículo de investimentos pertence à própria família e é presidido por Aguinaldo Gomes Ramos Filho, sobrinho de Joesley e Wesley Batista.

A venda do pacote de ações pela CSN é fruto de pressão da Justiça ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para que o órgão obrigasse Benjamin Steinbruch, principal acionista da CSN, a se desfazer de ações da concorrente. Desde 2014, sem sucesso, o órgão antitruste brasileiro vinha exigindo a redução da fatia da CSN na Usiminas a menos de 5%.

Com a venda anunciada nesta quinta-feira, 31, a CSN diminuiu sua participação de 12,91% para 7,92% no capital social da Usiminas (10,13% das ações ordinárias e 5,08% das preferenciais). A empresa ainda deve se desfazer de 2,93% para atingir os 5% estipulados em decisão do Cade.

O Cade estava sob pressão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), e recentemente estipulou prazo de dois meses para a CSN apresentasse um plano de alienação de papéis da siderúrgica mineira. A CSN formou sua posição acionária na rival a partir de 2011, com compras no mercado.

O negócio informado na quarta-feira, 30, pela empresa de Steinbruch se deu há poucos dias de uma sessão do órgão antitruste, em 6 de agosto, justamente sobre a questão (desinvestimento dos papéis).

Quando uma aquisição resulta em participação superior a 5%, a notificação à autarquia passa a ser obrigatória.

Valor - SP   01/08/2025

Paralelamente ao balanço, o conselho de administração da Gerdau aprovou o pagamento de cerca de R$ 239,5 milhões em dividendos

A Gerdau encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 856,3 milhões, uma leve queda de 0,3% na comparação anual. Pela métrica ajustada, o lucro líquido da siderúrgica somou R$ 864 milhões no intervalo, queda de 8,6% na mesma base de comparação.

A receita líquida da companhia somou R$ 17,52 bilhões, alta de 5,5% ante a receita do segundo trimestre de 2024.

Apesar do maior faturamento, o lucro da companhia foi prejudicado pelo crescimento de 7,4% na linha de custo das vendas, que somou R$ 15,49 bilhões, explicado principalmente pelo maior custo de produção no Brasil e pela valorização do dólar frente ao real na conversão dos custos das operações do exterior.

Considerando a receita e custos, o lucro bruto da Gerdau somou R$ 2,03 bilhões, queda anual de 7,1%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 2,56 bilhões, queda anual de 2,4%. A margem Ebitda ajustada saiu de 15,8% há um ano, para 14,6% no trimestre encerrado em junho de 2025.

O faturamento das operação da Gerdau no Brasil foi de R$ 7,32 bilhões, alta anual de 1,7%. No mercado interno, a receita líquida recuou 3,3%, para R$ 6,34 bilhões, enquanto que as receitas com exportações cresceram 53,5%, para R$ 972 milhões.

Na América do Norte, a receita foi de R$ 9,14 bilhões, alta anual de 11,2%. Ao passo que o custo das vendas cresceu 12,8%, para R$ 7,74 bilhões. Ainda na região, a produção de aço bruto e as vendas de aço da Gerdau foram superiores em relação ao primeiro trimestre de 2025 e ao segundo trimestre de 2024, impulsionadas pela redução das importações de aço em decorrência do reforço das tarifas dos Estados Unidos, o que favoreceu o consumo de aço produzido pela indústria local.

“Desde o primeiro anúncio de mudança na política comercial do governo Trump, a indústria do aço nos Estados Unidos tem apresentado crescimento significativo. A carteira de pedidos da Gerdau chegou a atingir 80 dias no início do segundo trimestre de 2025, nível bem acima dos patamares históricos (cerca de 60 dias), e encerrou o período acima de 70 dias. Além disso, houve também aumento nas vendas dos principais produtos — vigas, barras comerciais e aços especiais — refletindo o menor nível de importações de aço e a resiliência da demanda no mercado interno, principalmente em setores como construção não residencial (como por exemplo ‘data centers’ e energia renovável) e distribuição”, destacou a companhia em comunicado que acompanhou o balanço.

Em junho, a alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda em 12 meses estava em 0,85 vez, comparável a 0,69 vez apresentada em março.

Dividendos e cancelamento de ações

Paralelamente ao balanço, o conselho de administração da Gerdau aprovou o pagamento de cerca de R$ 239,5 milhões em dividendos, sendo uma antecipação do dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício social de 2025.

Os dividendos correspondem a R$ 0,12 por ação e recibo de ação da Gerdau e R$ 0,08 por ação da Metalúrgica Gerdau.

Os proventos serão pagos entres os dias 18 e 25 de agosto, a depender de cada ação, com base nas posições acionárias de 11 de agosto para as ações da Gerdau e Metalúrgica Gerdau, e de 13 de agosto para os recibos de ações (ADRs).

O colegiado também aprovou o cancelamento de 279.700 ações ordinárias e de 14.101.400 ações preferenciais da companhia, sem valor nominal e sem redução do valor do capital social. Com isso, o capital social da companhia passou a ser dividido em 718.066.519 ações ordinárias e 1.295.747.330 ações preferenciais.

IstoÉ Dinheiro - SP   01/08/2025

A gigante siderúrgica ArcelorMittal informou nesta quinta-feira, 31, que teve lucro líquido de US$ 1,79 bilhão no segundo trimestre de 2025, bem maior do que o ganho de US$ 504 milhões registrado em igual período do ano anterior. O resultado, porém, frustrou a expectativa de analistas, que previam lucro de US$ 2,3 bilhões, segundo consenso fornecido pela própria empresa.

O Ebitda da ArcelorMittal, que tem sede em Luxemburgo, caiu 0,1% na mesma comparação, a US$ 1,86 bilhão, superando levemente o consenso do mercado, de US$ 1,85 bilhão.

Já as vendas da empresa caíram 2%, a US$ 15,93 bilhões, mas vieram acima da projeção do mercado, de US$ 15,43 bilhões.

Em função da política tarifária do governo Trump, a ArcelorMittal agora prevê queda de até 2% no consumo de produtos de aço plano nos EUA em 2025. No início do ano, a expectativa era de alta de 1% a 3%.

As tarifas dos EUA também impulsionaram os custos e prejudicaram o equilíbrio entre oferta e demanda no Canadá e no México, detalhou a empresa.

Valor - SP   01/08/2025

No período, as receitas ficaram em R$ 10,7 bilhões, recuo de 1,7%, refletindo a queda no preço do minério

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) registrou prejuízo atribuído a sócios da empresa controladora de R$ 166 milhões no segundo trimestre deste ano, representando uma melhora de 68,6% em comparação com o prejuízo de R$ 528,8 milhões apresentado no mesmo período de 2024. Considerando o resultado consolidado, a companhia teve prejuízo de R$ 130,3 milhões, melhora de 41,4%.

No trimestre, as receitas ficaram em R$ 10,7 bilhões, recuo de 1,7%, refletindo a queda no preço do minério.

Apesar do menor faturamento, o resultado final da companhia foi beneficiado por menores despesas operacionais, que somaram R$ 1,08 bilhão, sendo uma queda anual de 21,2%. Além disso, a CSN registrou ganhos tributários de R$ 127,1 milhões no trimestre, ante os gastos de R$ 340,7 milhões com impostos no segundo trimestre de 2024. Essa diferença é explicada, principalmente, pela melhora na linha de diferencial de alíquota das empresas no exterior, que causaram um impacto negativo de R$ 345,5 milhões no segundo trimestre de 2024, mas de R$ 46,4 milhões no segundo trimestre deste ano.

O resultado financeiro da companhia, por outro lado, piorou em 27,1% em um ano, ficando negativo em R$ 1,9 bilhão entre abril e junho de 2025, como consequência da desvalorização das ações da Usiminas, além de um menor rendimento com aplicações financeiras.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 2,64 bilhões, estável na comparação anual.

No final de junho, a dívida líquida consolidada atingiu R$ 35,66 bilhões, com o indicador de alavancagem, medido pela relação dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses, alcançando 3,24 vezes.

Infomoney - SP   01/08/2025

As ações da mineradora Vale (VALE3) e das siderúrgicas CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4) operam em baixa nesta quinta-feira (31), acompanhando o declínio dos futuros de minério de ferro na China e dados mais fracos da segunda maior economia do mundo. Às 11h34 (horário de Brasília), VALE3 caía 1,23%, a R$ 53,18; GGBR4 recuava 1,77, a R$ 16,68; e CSNA3 tinha desvalorização de 3,02%, a R$ 7,70.

Na direção oposta, as ações da Usiminas (CSNA3) avançavam com força após a CSN vender R$ 263,3 milhões em ações da companhia para a Globe Investimentos. O papel da Usiminas subia 3,38%, cotado a R$ 4,28.

CSN (CSNA3) reduz paritipação na Usiminas (USIM5) para 7,92% do capital total

Segundo a Ativa Investimentos, a operação é positiva para a Usiminas, pois a redução de cerca de metade da participação da CSN ajuda a diminuir o overhang (pressão vendedora potencial) sobre o papel.
No início de julho, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou um prazo de 60 dias para que a CSN apresentasse um plano de venda das ações que detém na Usiminas.

A medida encerra um litígio que perdurava desde 2014, quando o órgão regulador determinou a obrigação de desinvestimento para evitar concentração excessiva no setor. A decisão foi reforçada por posicionamentos da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, que apontaram o descumprimento do acordo original.

No macro, o contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 2,38%, a 779 iuanes (US$108,32) a tonelada, o menor valor desde 17 de julho. O minério de ferro de referência para setembro na Bolsa de Cingapura recuou 1,83%, para US$99,85 a tonelada, patamar mais baixo desde 16 de julho.

Os preços futuros do minério de ferro caíram pela segunda sessão consecutiva nesta quinta-feira, atingindo os níveis mais baixos em duas semanas, já que dados mais fracos do que o esperado da atividade fabril de julho na China, principal mercado consumidor de minério, aumentaram as preocupações com a demanda.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   01/08/2025

Nesta quinta-feira, 31, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de novas tarifas sobre as exportações de dezenas de parceiros comerciais do país, avançando com um plano potencialmente disruptivo para intensificar sua guerra comercial global.

As elevadas tarifas estão prestes a entrar em vigor, à medida que o presidente concretiza sua visão de reformular um sistema de comércio global que há muito tempo ele critica como injusto.

As taxas variam em até 50% sobre algumas importações para os Estados Unidos, enquanto Trump busca punir as nações que não puderam ou não quiseram oferecer concessões comerciais favoráveis a Washington.

A administração divulgou algumas tarifas para países na conta de mídia social do presidente ou em planilhas de dados ao longo de muitas semanas, mas as taxas específicas que importadores e exportadores precisarão pagar para movimentar certas mercadorias pelas fronteiras dos EUA permaneceram incertas até poucas horas antes de seu prazo autoimposto.

Na noite de quinta-feira, a administração divulgou as novas taxas em uma ordem executiva que argumentava que o déficit comercial dos EUA representava “uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à economia dos Estados Unidos”.

A ordem também adiou a data de entrada em vigor das tarifas de 1º de agosto, conforme planejado originalmente pelo presidente, para 7 de agosto. Produtos carregados em navios antes de 7 de agosto e que entrarem nos Estados Unidos antes de 5 de outubro também não estarão sujeitos às novas tarifas, informou a administração.

Ao substituir as tarifas que os Estados Unidos negociaram com outros países e que estavam em vigor havia décadas, o presidente está introduzindo um sistema comercial de sua própria criação, muito mais protecionista e isolacionista do que antes.

Eswar Prasad, professor de política comercial na Universidade Cornell, chamou a data de “um dia sombrio nos anais da integração comercial global, que antes era vista com tanta promessa em unir países em torno de uma visão de prosperidade compartilhada”.

“Trump deu um golpe decisivo e irrevogável no sistema de comércio global baseado em regras, quebrando-o de uma maneira que será difícil de reconstruir por muito tempo”, disse Prasad.
Negociações adicionais

Enquanto isso, autoridades do governo sinalizaram que permanecem abertas a negociações adicionais.

No início da quinta-feira, Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, disse que os Estados Unidos haviam fechado acordos com muitos dos principais parceiros comerciais que abriram mercados e se comprometeram a investir nos Estados Unidos, embora os termos desses acordos permanecessem incertos.

“O resto dos países que não têm um acordo ou têm uma carta receberão notícias desta administração até o prazo final da meia-noite de hoje”, disse Leavitt. Ela afirmou que mais acordos comerciais poderiam ser anunciados antes do prazo.

Poucas nações foram poupadas pelas ordens de Trump. Isso inclui o Canadá, que viu as tarifas sobre suas exportações para os Estados Unidos aumentarem de 25% para 35%,

Embora o Canadá esperasse remover todas as tarifas por meio de negociações, houve um pequeno alívio porque há uma lista ampla de exceções que a tarifa não atinge. Ela não será cobrada sobre exportações que atendam à definição de produtos norte-americanos do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).

A consultoria RBC Economics estima que isso cubra cerca de 94% dos itens que o Canadá exporta. Mas carros, aço e alumínio vão ser taxados.

Brasil é o mais taxado

Outros países, incluindo Bolívia, Equador, Islândia e Nigéria, tiveram as tarifas fixadas em 15%, enquanto as exportações do Sri Lanka e de Taiwan estariam sujeitas a impostos de 20%. As taxas mais altas foram para a Síria, Laos e Mianmar, de 40% ou 41%, assim como para o Brasil, de 50% (somando os 10% anteriores mais 40% adicionais).

São níveis tarifários que poderiam prejudicar as exportações desses países e elevar os custos para os consumidores americanos.

Algumas das tarifas refletem acordos comerciais preliminares intermediados entre os Estados Unidos e um punhado de parceiros comerciais, incluindo Reino Unido, Indonésia, Filipinas, Japão, Coreia do Sul e União Europeia.

Embora muitas das disposições específicas nos acordos permaneçam obscuras, os países geralmente prometeram comprar grandes quantidades de energia e aviões americanos, fazer investimentos em fábricas dos EUA e reduzir suas barreiras às exportações americanas de produtos agrícolas e industriais.

Os países que concordaram com esses acordos preliminares nas últimas semanas estão sujeitos a tarifas entre 10% e 20%, menores do que o presidente ameaçou originalmente, mas ainda muito mais altas do que os níveis históricos.

Aqueles que não concordaram com os termos devem enfrentar tarifas de até 50%, o que poderia prejudicar suas exportações e aumentar significativamente os custos para os consumidores americanos.

Na quinta-feira, Trump escreveu em sua conta de mídia social que havia concluído uma ligação com Claudia Sheinbaum, presidente do México, e concordado em pausar qualquer escalada de tarifas sobre o México por 90 dias, “com o objetivo de assinar um acordo comercial”. Ele não mencionou o acordo já existente entre Estados Unidos, México e Canadá, que ele atualizou e assinou em seu primeiro mandato.

No início da manhã, o presidente escreveu nas redes sociais que “as tarifas estão tornando a América GRANDE E RICA Novamente”.

“A maré virou completamente, e a América combateu com sucesso essa enxurrada de tarifas usadas contra ela”, escreveu ele.

As principais autoridades dos EUA também se reuniram com suas contrapartes chinesas em Estocolmo, Suécia, nesta semana para discutir o prolongamento de uma trégua comercial que expira em 12 de agosto.

Enquanto as autoridades chinesas disseram depois que haviam garantido um adiamento de 90 dias em qualquer aumento tarifário, as autoridades dos EUA disseram que a decisão era de Trump. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC na quinta-feira que o adiamento era provável.

“Ainda há alguns detalhes técnicos a serem resolvidos do lado chinês entre nós”, disse Bessent. “Estou confiante de que será feito, mas não está 100% pronto.”

A administração disse que seus acordos comerciais abrirão mercados estrangeiros para agricultores e fábricas dos EUA e impulsionarão a prosperidade americana. Mas as tarifas enfrentam potenciais obstáculos legais.

Nesta quinta, um tribunal federal de apelações ouviu argumentos em um caso inicialmente movido por estados e empresas que dizem que o presidente excedeu sua autoridade legal ao emitir tais impostos abrangentes.

Para as empresas que dependem de negócios internacionais, muitas perguntas permanecem sobre exatamente quais regras governarão o comércio internacional em menos de 12 horas.

Richard A. Mojica, advogado aduaneiro da Miller & Chevalier Chartered, disse que, para que qualquer mudança entrasse em vigor, os Estados Unidos precisariam modificar oficialmente sua programação tarifária.

“Até que isso aconteça, não há mudança”, disse Mojica.

Seu escritório de advocacia havia construído um fluxograma complexo para tentar aconselhar empresas que estavam tentando descobrir como calcular as várias novas tarifas que pagariam, o que ele disse que “não é tão simples como era até agora”.

“É simplesmente um cenário muito complicado”, disse Mojica.

Robert Stein, despachante aduaneiro licenciado e vice-presidente da Braumiller Consulting Group, disse que estava “em contagem regressiva” esperando para ver o que a administração divulgaria. Até então, ele estava aconselhando os clientes a adiar os envios, se pudessem, ou a considerar estratégias flexíveis para trazer produtos para o país.

Diferentemente de acordos comerciais anteriores, nenhum dos acordos que a administração Trump anunciou definiu as chamadas regras de origem, que determinam quanto de um produto precisa ser fabricado em um determinado país para ser considerado proveniente de lá.

O presidente também disse que seus acordos incluiriam taxas tarifárias mais altas para itens de “transbordo”, feitos parcialmente em economias não mercantis, como a China. Isso poderia incluir eletrônicos ou tênis feitos na Indonésia com peças ou materiais chineses. Mas a administração não disse qual será essa porcentagem de conteúdo.

A administração também não esclareceu se as novas taxas tarifárias seriam adicionais ou substituiriam as taxas tarifárias anteriores negociadas na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Stein disse que havia pouca clareza para fornecer às empresas.

“Nós realmente não sabemos”, disse Stein. “Não há muita base escrita para dizer algo a alguém.”

IstoÉ Dinheiro - SP   01/08/2025

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu na manhã desta quinta-feira, 31, que o decreto do governo de Donald Trump oficializando a tarifa de 50% contra produtos brasileiros veio “melhor do que se esperava”, embora tenha reforçado que o governo brasileiro está longe do “ponto de chegada” nas negociações.

“Nós estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava, mas longe do ponto de chegada. Há muita injustiça nas medidas que foram anunciadas ontem (quarta-feira, 30), há correções a serem feitas, há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente”, disse, ao chegar à sede do Ministério da Fazenda.

Como mostrou a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, nesta quarta-feira, o governo recalcula o impacto do tarifaço norte-americano. Entre os principais setores, aviação, suco de laranja, celulose e petróleo foram poupados. Entretanto, café, carne bovina, frutas, pescados, aço e cacau seguem no afetados.

O ministro relatou, nos últimos dias, melhora no cenário de negociações com os EUA, processo liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Haddad mencionou ainda que pelo menos nos últimos dez dias houve mais abertura para o diálogo.

A equipe do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, já sinalizou para uma conversa com Haddad sobre as tarifas de 50%. O diálogo ocorrerá, pela previsão, após o retorno do secretário da Europa.

Monitor Digital - RJ   01/08/2025

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calcula que 35,9% das exportações brasileiras poderão ser afetadas, caso se concretizem as medidas anunciadas pelo governo dos EUA, já considerando os cerca de 700 produtos que ficaram fora da lista do tarifaço de 50% contra o Brasil.

Alckmin disse que o governo atuará para amenizar seus efeitos para os setores prejudicados, em especial para garantir a manutenção dos empregos.

“Vamos defender os 35% das exportações que foram afetadas. Vamos nos debruçar nesses 35% e preservar empregos, fazendo estudos visando esses setores mais atingidos”, disse.

Em carta enviada ao governo brasileiro no dia 9 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que as exportações brasileiras àquele país seriam taxadas em 50% a partir de 1º de agosto.

“Às vezes você tem um setor que 90% dele vende para dentro e exporta 10% apenas. Nesse caso, ele é menos atingido. Agora, você tem também setores que exportam metade da produção. E, dentro dessa metade, 70% é para os EUA. Ele então é muito atingido”, disse.

Segundo Alckmin, o governo já tem um plano de ação “praticamente pronto”, com foco em preservar empregos e a produção.

“Ainda está sob análise porque só ontem foram apresentados alguns detalhes do tarifaço.

Ele explicou que o presidente Lula ainda vai bater o martelo, e que o plano terá algum impacto de natureza financeira, creditícia, tributária, mas que não deixará ninguém desamparado.

“Em primeiro lugar, vamos lutar para diminuir aqueles 35,9% que foram efetivamente atingido pela tarifa dos 50%. Não damos isso como assunto encerrado. A negociação crescerá. Não encerrou ontem”, disse.

“Em segundo lugar, vamos buscar alternativas de mercado; e em terceiro, vamos apoiar setores que precisam de apoio, como o de pescado, o de mel, frutas”, acrescentou.

Alckmin disse que o governo pretende ampliar a lista, incluindo outras frutas, bem como a carne bovina. “Eles haviam citado a manga, por exemplo. Mas ao que parece esqueceram. Vamos lembrá-los”.

O foco, reiterou ele, é buscar mercado para não prejudicar produtores, de forma a evitar queda na produção por falta de mercado.

“O Brasil tem, em números redondos, 2% do PIB do mundo. Então, 98% do comércio está lá fora. Temos de correr atrás na área agrícola. Vale lembrar que abrimos 398 novos mercados. Somos protagonista alimentar, energético e do clima”, argumentou.

Ele acrescentou que, após muito tempo de isolamento, o Mercosul fechou ótimos acordos recentemente com Singapura, ano passado; e que ainda este ano deverá entrar em vigor outro acordo com a União Europeia.

“Serão 27 países dos mais ricos do mundo, nesse acordo comercial Mercosul-União Europeia. Fora outros quatro com Noruega, Suíça, Islândia e Lichenstein, que também são ricos mas não estão na União Europeia. São acordos que vão ajudar muito o comércio exterior brasileiro”, complementou.

A Secretaria de Tesouro dos EUA procurou o Ministério da Fazenda para marcar uma agenda para debater o tarifaço imposto por Trump. O último encontro entre a Fazenda e o secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi em maio, antes do anúncio da tarifa de 50%.

“A assessoria do secretário Bessent fez contato conosco ontem e, finalmente, vai agendar uma segunda conversa. A primeira, como eu havia adiantado, foi em maio, na Califórnia. Haverá agora uma rodada de negociações e vamos levar às autoridades americanas nosso ponto de vista”, disse hoje o ministro Fernando Haddad, que destacou que é apenas o ponto de partida das negociações.

“Nós estamos em um ponto de partida mais favorável do que se imaginava. Mas longe do ponto de chegada. Há muita injustiça nas medidas que foram anunciadas ontem”, esclareceu Haddad.

Apesar das exceções, Haddad disse que o impacto é dramático para alguns setores, e que nos próximos dias o governo vai divulgar medidas para auxiliar essas empresas prejudicadas pelas tarifas.

“Há casos que são dramáticos, que deveriam ser considerados imediatamente. Nós vamos lançar parte do nosso plano previsto para ser lançado nos próximos dias de apoio e proteção à indústria e aos empregos”, disse.

O pacote de ajuda aos setores afetados deve contar com linhas de crédito e apoio às empresas. Haddad disse que está aliviado pelos setores que foram poupados, mas que é preciso proteger aqueles que ainda são afetados, em especial, os setores menores e mais frágeis.

“Tem setores que, na pauta de exportação, não são significativos, mas o efeito sobre eles é muito grande. Às vezes, o setor é pequeno, mas é importante para o Brasil manter os empregos”, explicou.

Mesmo setores grandes, de importantes matérias-primas, que têm mercado global, vão precisar se adaptar, avaliou o ministro.

“Obviamente, tem setores afetados cuja solução de curto prazo é mais fácil porque se trata de uma commoditie que o Brasil tem muitos mercados abertos, mas, ainda esses, vão exigir algum tempo de adaptação. Você não muda um contrato de uma hora para outra. Temos que analisar caso a caso e vamos ter as linhas de crédito para isso”, disse.

Money Times - SP   01/08/2025

A decisão do Federal Reserve (Fed) pela manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos já estava precificada. No entanto, o que chamou atenção do mercado foi a votação do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), que teve duas dissidências entre os 12 membros — o que não acontecia desde 1993.

No Giro do Mercado desta quinta-feira (31), o jornalista Vinicius Pinheiro, diretor de redação do Money Times, recebeu Claudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos, para analisar os sinais do Fed e do Copom após as decisões de ontem (30).

“Essa dissidência mostra que o Fed está começando a rachar, começando a mostrar fissuras em relação ao comando. E certamente as críticas totalmente abertas do presidente Donald Trump à autoridade monetária não contribuem”, afirma Pires.

Segundo o especialista, a situação contraria uma expectativa histórica sobre o Fed, de que o chairman Jerome Powell deveria conduzir os participantes do Fomc para um voto de consenso, o que não aconteceu ontem.

Na ocasião, Michelle Bowman e Christopher Waller, indicados por Trump, votaram por um corte de 25 pontos base por identificarem sinais de crescente desaceleração econômica.

Em relação a Waller, o especialista afirma que a postura e o posicionamento podem deixá-lo em uma posição de disputar a sucessão da presidência do órgão, já que Powell não deve ser reconduzido ao cargo após o fim do mandato, em 2026.

Para a próxima reunião, em setembro, a MAG Investimentos mantém a expectativa de corte de 25 pontos base, mas Pires ressalta que as projeções estão divididas entre manutenção e corte. Os próximos dados econômicos devem ditar a expectativa.
Juros no Brasil seguem em 15%

Em relação ao Brasil, a decisão de manutenção da Selic em 15% também não surpreendeu. A projeção da casa é que o próximo corte ocorra apenas em março de 2026, com movimentos curtos, de cerca de 0,25 ponto percentual.

Pires considera que a postura mais hawkish (dura) do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, surpreende o mercado, após ser indicado pelo presidente Lula.

Na visão dele, Galípolo está em um processo de “compra de credibilidade” em meio a desconfiança do mercado, dado que foi indicado por um governo leniente com o fiscal.

“Ele precisa se mostrar muito mais duro para conseguir conquistar credibilidade e fazer com que as projeções de longo prazo venham para dentro da meta e o custo disso vem para o país, com uma Selic ainda mais alta do que o BC precisaria”, disse Pires.

Além dos juros, o especialista comentou sobre a questão tarifária dos EUA com o Brasil. Para ele, o impacto ainda pode ser relevante, mas as isenções aliviam grande parte dos segmentos.

O programa ainda contou com participação de Renan Dantas, editor-assistente do Money Times, para comentar os resultados do Bradesco (BBDC4).

O Estado de S.Paulo - SP   01/08/2025

A oficialização da tarifa de 50% pelo governo americano sobre as importações brasileiras, acompanhada de lista de 694 itens que não sofrerão o adicional de 40% aponta impacto econômico mais limitado em relação ao que se esperava com a carta de 9 de julho, ainda que com alguns impactos setoriais importantes para segmentos que enfrentarão a tarifa de 50%.

Pelos nossos cálculos iniciais, cerca de 45% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, considerando os dados de 2024, estão presentes na lista de isenção da tarifa adicional de 40%, ou seja, os produtos serão taxados à tarifa inicial de 10% anunciada em abril, sendo que o restante estaria sujeito à tarifa somada de 50%.

A nota que acompanhou a medida evidencia que a decisão do governo americano com a oficialização da tarifa é fortemente balizada por motivação política.

No entanto, a lista de isenção da tarifa de 40% aponta alguma sensibilidade econômica, dados os potenciais efeitos adversos para a economia americana, seja diretamente para os consumidores como para empresas do país, mais dependentes de importações brasileiras.

Diante dessa constatação e do prazo adicional de sete dias para sua efetivação, avaliamos que há espaço para negociação e alívio adicionais.

Assim, a não-retaliação e as tentativas de aproximação e negociação para busca de novas concessões em relação a essa lista inicial ainda se mostram como as estratégias mais promissoras na minimização de danos.

Adicionalmente, a busca por diversificação de mercados para os produtos brasileiros deve ser aprofundada.

O Brasil já deu um passo importante na direção de acordos comerciais com potencial relevante para a economia brasileira, como a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia.

Dada a necessidade de evolução da aprovação do acordo nos parlamentos locais europeus é de fundamental importância o trabalho do governo brasileiro para a facilitação dessas aprovações.

A materialização de um acordo dessa monta abre espaço para o desenho de acordos comerciais com outras regiões, principalmente tendo-se em vista pautas estratégicas para o país como transição energética, incluindo minerais críticos, segurança alimentar e infraestrutura.

Adicionalmente, acordos comerciais abrem espaço para a efetivação de acordos tributários, considerando que o país ainda precisa avançar em acordos de bitributação com países relevantes. Essa agenda tem potencial relevante em termos de impacto em investimento, produtividade e PIB potencial.

Por fim, na linha de reduzir vulnerabilidades em ambiente externo tão adverso, o País precisa garantir a estabilidade econômica, avançando em reformas sensíveis como a fiscal. Caso contrário, os efeitos adversos desse ambiente externo devem ser magnificados.

Diário do Comércio - MG   01/08/2025

Especialista em Educação Financeira no Grupo Suno. Sócio-fundador da Certifiquei, possui experiência como economista, atuando na gestão e elaboração de pesquisas e análises socioeconômicas. Mestre em Estatística pela UFMG.

Em qualquer economia, quanto maior a incerteza envolvida na tomada de decisão, maior os desafios. Em especial, para o empresário, a dificuldade em prever a trajetória da inflação futura pode paralisar projetos e corroer margens de lucro. Nos últimos dias, no entanto, um indicador trouxe um sinal benigno: a incerteza sobre a inflação de longo prazo começou a se dissipar.

Toda semana, o Banco Central escuta o mercado através do Boletim Focus, compilando as projeções de dezenas de analistas para a economia. Mais importante do que a média dessas projeções é, muitas vezes, o grau de divergência entre elas. Quando cada especialista aponta para uma direção diferente, um prevendo inflação alta, outro, baixa, o resultado é uma alta dispersão nos dados. Essa dispersão, medida estatisticamente pelo desvio-padrão, é o termômetro mais fiel da incerteza. Um desvio-padrão elevado significa que nem mesmo os especialistas conseguem traçar um cenário claro, tornando qualquer planejamento empresarial um verdadeiro tiro no escuro.

E os dados mais recentes mostram que esse termômetro começa a apontar para um clima mais ameno. Após um início de ano marcado por forte pessimismo e grande divergência nas previsões para a inflação de 2026, observa-se uma tendência consistente de convergência. As projeções, antes espalhadas, agora se agrupam em torno de um número mais consensual. Em outras palavras, a confiança do mercado em uma trajetória futura para a inflação parece estar, finalmente, se solidificando.

Essa convergência ganha ainda mais peso quando olhamos para o número central que dela resulta. Na última leitura do Focus, a mediana das expectativas para o IPCA de 2026 fixou-se em 4,44%. Pela primeira vez em meses, a projeção do mercado para o horizonte onde a política monetária atua hoje está abaixo do teto da meta oficial, que é de 4,50%. Mais do que isso, é um sinal de que a credibilidade da política monetária ainda se sustenta.

Na prática, menor incerteza significa maior previsibilidade. Um cenário de inflação menos incerto e ancorado permite calcular com mais segurança o retorno de investimentos produtivos. Pelo lado empresarial, facilita a definição de estratégias de preços que protejam as margens sem afugentar o consumidor. Além disso, a credibilidade do Banco Central é pré-requisito para um ciclo futuro de juros mais baixos, barateando o crédito para produção e investimento.

Ainda não podemos afirmar que há uma tendência clara de arrefecimento da inflação e de suas expectativas. Contudo, a formação de um consenso sobre o futuro dos preços é um passo fundamental. Para o mundo dos negócios, essa sinalização de que o terreno à frente pode ser menos acidentado é a notícia mais importante, pois permite que o foco saia sobrevivência em meio à turbulência e volte para onde deve estar: no crescimento, na inovação e na geração de valor.

Infomoney - SP   01/08/2025

A chance de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manter os juros novamente na reunião de setembro ultrapassou 60% das probabilidades nesta quinta-feira, 31, segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group, sem se alterar após dados mais fortes que o esperado de inflação e emprego dos Estados Unidos.

O mercado também vê corte de apenas 25 pontos-base (pb) até o fim do ano.

Por volta das 13h50 (de Brasília), a chance de manutenção das taxas de juros no nível atual, entre 4,25% a 4,5%, era de 61% contra probabilidade de 39% de um corte de 25 pb. Ontem, as chances eram de 52,4% e 46,7%, respectivamente.
Já a probabilidade de redução dos juros em 25 pb até dezembro subiu de 38,1% a 41,4% no mesmo período. A chance de corte maior de 50 pontos-base, caiu para 34,7%, depois de também registrar 38,1% ontem. Em terceiro lugar, a probabilidade de manutenção dos juros durante todo o ano cresceu de 11,4% a 14,8%.

Segundo o BMO, o tom hawkish do presidente do Fed, Jerome Powell contribuiu para reduzir as expectativas do mercado quanto a um corte de juros em setembro e há o risco de que a flexibilização monetária seja retomada somente em outubro.

O Estado de S.Paulo - SP   01/08/2025

Com emprego em alta, consumo estável, safra recorde e produção industrial superior à de um ano antes, os maiores desafios econômicos para o governo central, neste momento, são as ameaças comerciais dos Estados Unidos e a inflação crescente, subproduto das contas públicas desarranjadas.

Somados ao quadro internacional incerto, esses desafios compõem a justificativa do Banco Central (BC) para a manutenção dos juros básicos em 15%, segundo a nota divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira à noite.

Os preços no varejo têm aumentado juntamente com o emprego, a massa de rendimentos e o volume de consumo, claramente superior ao do ano passado.

Embora as projeções tenham diminuído recentemente, as estimativas do mercado ainda apontam uma alta de preços de 5,09% em 2025, segundo a mediana das projeções coletadas semanalmente pela pesquisa Focus.

A prévia da inflação mensal passou de 0,26% em junho para 0,33% em julho, acumulando taxa de 3,40% no ano e de 5,30% em 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Continua distante da meta oficial, 3% ao ano, e bem acima do teto da meta, 4,5%.

Em vigor desde 20 de junho, a taxa básica de 15% deve ser mantida por tempo indeterminado, de acordo com o último informe. Os juros básicos ultrapassaram a barreira de 10% em fevereiro de 2022, chegando naquela ocasião a 10,75%.

Oscilaram em seguida, voltaram a subir, atingiram 14,25% em março deste ano e a partir daí aumentaram para 14,75% e para o atual patamar de 15% o mais alto desde 2006.

Projeções do mercado indicam expansão de 2,23% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 1,89% no próximo e de 2% nos dois seguintes.

A taxa básica de juros, conhecida como Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) deve ficar em 15% até dezembro, situar-se em 12,50% no final de 2026 e em 10,50% no encerramento de 2027.

Baixo para os padrões do mundo emergente, o crescimento econômico projetado é compatível com a baixa expectativa de investimentos destinados a aumentar a capacidade produtiva.

MINERAÇÃO

Valor - SP   01/08/2025

Brasil produziu 3,8 milhões de toneladas de ferro-gusa, sendo que 85% das exportações do setor tiveram como destino os EUA

Após escapar da tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos, a indústria brasileira do ferro-gusa vive agora o desafio de retomar os embarques suspensos e reativar a produção paralisada pela incerteza comercial. A medida, que entra em vigor em 6 de agosto, evitou um colapso no setor, altamente dependente do mercado americano.

Em 2024, o Brasil produziu 3,8 milhões de toneladas de ferro-gusa, sendo que 85% das exportações do setor tiveram como destino os EUA. A inclusão do insumo na lista de isenções foi considerada crucial para evitar demissões e paralisações em cadeia.

Segundo Fausto Varela, presidente do Sindifer, entidade que representa as usinas produtoras independentes de ferro-gusa em Minas Gerais, o desafio agora é eliminar os obstáculos logísticos e operacionais que se acumularam nas últimas semanas.

“Tivemos a suspensão de carga de três navios que iriam embarcar em agosto e agora estamos conversando com os compradores para a retomada”, afirmou Varela, ao Valor.

A paralisação momentânea também atingiu as próprias usinas. Algumas indústrias haviam interrompido suas atividades para manutenções enquanto aguardavam uma definição sobre a política tarifária.

O ferro-gusa é uma liga de ferro e carbono, produzida em altos-fornos a partir de minério de ferro e carvão vegetal ou coque. É usado na produção de aço e na fabricação de autopeças e componentes automotivos. Também ficaram de fora da tarifação o minério de ferro não aglomerado, minério de ferro aglomerado, minérios de estanho e concentrados e mica bruta.

Valor - SP   01/08/2025

O resultado se deve às condições desafiadoras na negociação de diamantes brutos

A Anglo American afirmou que o prejuízo líquido se agravou no primeiro semestre do ano devido às condições desafiadoras na negociação de diamantes brutos.

O diversificado grupo de mineração anunciou na quinta-feira que registrou um prejuízo líquido de US$ 1,88 bilhão no semestre, em comparação com um prejuízo de US$ 672 milhões no ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subjacente – sua métrica preferencial – caiu 20%, para US$ 3 bilhões.

A receita caiu 7%, para US$ 8,95 bilhões, abaixo da estimativa de US$ 10,74 bilhões fornecida por um consenso compilado pela Visible Alpha.

A mineradora, que está entre as maiores do mundo em receita, afirmou que os resultados foram prejudicados pelas desafiadoras condições do mercado de diamantes brutos. A empresa acrescentou que está liberando valor para seus acionistas, concentrando-se em cobre, minério de ferro premium e recursos para nutrientes agrícolas.

A Anglo American declarou um dividendo provisório de US$ 0,07 por ação, abaixo dos US$ 0,42 por ação.

CNN Brasil - SP   01/08/2025

A mineradora Vale registrou lucro líquido de US$ 2,12 bilhões no segundo trimestre, queda de 24% versus o mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta quinta-feira (31).

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou US$3,39 bilhões entre abril e junho deste ano, queda de 15% ante o mesmo período de 2024.

No minério de ferro, o custo caixa C1 (excluindo compras de terceiros), que se refere ao custo de produção da mina ao porto de embarque, caiu 11%, para US$ 22,2 por tonelada no segundo trimestre ante o mesmo período de 2024, marcando o quarto trimestre consecutivo de queda na comparação anual.

Já o custo all-in de finos e pelotas, referente ao custo de entrega do produto na China, teve queda de 10%, para US$ 55,3 por tonelada, na mesma comparação.

O Estado de S.Paulo - SP   01/08/2025

A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou uma ação contra a mineradora Vale S.A, cobrando R$ 2 bilhões por supostos danos causados ao patrimônio público na exploração na mina do Tamanduá, em Nova Lima (MG). O processo foi protocolado na última quinta-feira, 24.

A AGU alega que a área de aproximadamente 66,5 mil metros quadrados, que pertence à União, foi ocupada indevidamente pela Vale. Segundo a AGU, a empresa tem autorização para instalar um mineroduto na região, mas a lavra mineral no terreno é proibida. Em nota enviada ao Estadão/Broadcast, a Vale disse desconhecer a ação, mas afirma que cumpre todas as normas do setor.

“A Vale desconhece a ação judicial em questão, não tendo ainda sido citada. De qualquer forma, antecipa-se que a Vale cumpre a legislação e regulamentação vigentes e aplicáveis ao setor”, diz a mensagem.

A AGU afirma que a extração de minério na área foi comprovada por análises técnicas e de imagens geoespaciais e que a própria Vale reconheceu a atividade no local.

A União argumenta que a única forma de reparação é o ressarcimento financeiro pelos danos causados, já que o recurso natural não pode ser devolvido.

AUTOMOTIVO

IstoÉ Dinheiro - SP   01/08/2025

As montadoras de carros sediadas no Brasil apoiaram a decisão do governo que reduziu o prazo para estabelecer em 35% a alíquota de importação de veículos elétricos ou híbridos desmontados e que fixou cota para as empresas trazerem esses tipos de carros com isenção de impostos.

Segundo o governo, foram acatadas, em parte, as demandas das montadoras sediadas no Brasil e dos importadores em fase de instalação de fábricas no país, como a chinesa BYD.

A decisão impacta a disputa pelo mercado brasileiro que colocou, de um lado, a fabricante chinesa BYD, liderança em carros elétricos, contra as montadoras Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, que vinham pedindo ao governo para limitar as importações dos veículos elétricos ou híbridos.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pediu para reduzir de julho de 2028 para julho de 2026 o prazo máximo de transição para elevar as alíquotas de importação desses veículos desmontados para 35%.

Em decisão tomada nessa quarta-feira (30), o governo atendeu, em parte, o pleito da associação, antecipando a elevação da alíquota para janeiro de 2027, mas não para julho de 2026, como queriam as montadoras. Ainda assim, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, agradeceu os ministérios envolvidos da decisão.

“[A mudança] é o máximo aceitável sem colocar em risco os investimentos atuais e futuros da cadeia automotiva nacional. Nós esperamos que essa discussão esteja definitivamente encerrada, sem qualquer possibilidade de renovação”, afirmou Calvet, em comunicado.

A Agência Brasil procurou a BYD para posicionamento e aguarda retorno.
Gecex

O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Externo (Camex), que reúne representantes de 10 ministérios, decidiu ainda aplicar cotas adicionais de importação com alíquota zero para veículos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), pelo prazo de 6 meses, no valor máximo de US$ 463 milhões.

“Com a antecipação do cronograma, o Gecex busca adequar a política tarifária aos investimentos esperados para os próximos anos no setor automotivo do país, trazendo novas tecnologias para o consumidor e cada vez mais adensamento à cadeia produtiva nacional”. Informou, em nota, o Comitê.

A cota para importação sem tarifas compensa, também em parte, o fato de o governo não atender o pedido da BYD para reduzir a alíquota enquanto termina de construir a fábrica em Camaçari (BA). A companhia chinesa também alega que não tinha sentido pagar, para carros desmontados, a mesma tarifa paga para carros prontos importados.
Disputa de mercado

Nessa semana, as montadoras Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis divulgaram carta enviada, ainda em junho, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, elas alegavam que o pleito da BYD colocaria em risco os investimentos e empregos do setor, representando uma concorrência desleal.

Já a BYD, em nota, informou que as montadoras citadas estavam chantageando o governo para manter o mercado fechado à novas concorrentes.

“Agora, chega uma empresa chinesa que acelera fábrica, baixa preço e coloca carro elétrico na garagem da classe média, e os dinossauros surtam”, disse a BYD.

No comunicado divulgado após decisão da Gecex-Camex, o presidente da Anfavea defendeu que os novos atores que entram no mercado brasileiro de carros devem ingressar “de forma justa e competitiva”.

“Certamente, todos serão muito bem recebidos, inclusive no âmbito da entidade [Anfavea], que congrega todos os fabricantes nacionais. Temos a certeza de que esse movimento que fizemos, junto com parlamentares, governadores dos estados, com os trabalhadores, com o sindicato que representa a indústria de autopeças nacionais, com a AEA [Associação Brasileira de Engenharia Automotiva], serviu para demonstrar a força da indústria Automotiva nacional”, completou.
Transição

Em 2023, os carros elétricos e híbridos importados ainda não pagavam qualquer tarifa de importação, enquanto carros a combustão prontos importados pagavam tarifa de 35%.

Em uma estratégia de forçar a instalação de fábricas no Brasil, o governo decidiu criar uma regra de transição para elevar a tarifa, ano a ano, até chegar aos 35% em 2028. Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckimin, o resultado da política foi positivo.

“Você tem inúmeras empresas abrindo fábricas no Brasil. Você tem a chinesa GWM, em Indianópolis (SP), que comprou a fábrica que estava fechada na Mercedes-Benz. Teve a BYD em Camaçari (BA), que adquiriu a fábrica que era da Ford”, disse em coletivo no início da semana.

Exame - SP   01/08/2025

Mesmo com a redução das taxas impostas pelos Estados Unidos diante do acordo firmado com a União Europeia, montadoras alemãs ainda enfrentam dificuldades com a pressão tarifária de Donald Trump e as mudanças nos hábitos dos consumidores da categoria, como uma menor adesão ao carro elétrico.

A Mercedes-Benz reclamou em comunicado da concorrência "desafiadora", especialmente na China, e de mudanças nos modelos que impactam o faturamento da empresa. No segundo trimestre, a montadora de carros de luxo reportou uma queda de 10% na receita, para € 33,1 bilhões (equivalente a US$ 38,82 bilhões). Já seu lucro líquido despencou quase 70%, para € 957 milhões (US$ 1,1 bilhão) no trimestre.

“Um ambiente de mercado dinâmico, políticas tarifárias voláteis, concorrência desafiadora, especialmente na China, e mudanças iminentes nos modelos impactaram as receitas”, afirmou a Mercedes em comunicado.

A empresa reduziu sua projeção para 2025, com o faturamento previsto para ficar "significativamente abaixo do nível do ano anterior". Na teleconferência com analistas, o CFO da Mercedes, Harald Wilhelm, disse que o impacto das tarifas estava na casa dos "milhões de três dígitos". Ele apontou que o pior ainda pode estar por vir no segundo semestre deste ano.

Porsche

A Porsche não vive situação muito melhor. A montadora sediada em Stuttgart reportou queda de 6,7% em seu faturamento para o primeiro semestre do ano, para € 18,2 bilhões. A empresa disse que seu balanço foi impactado por "despesas extraordinárias", incluindo € 400 milhões com custos em tarifas.

A montadora projetou que seu retorno sobre as vendas no ano cairá para uma faixa de 5% a 7% este ano, abaixo dos 14,1% registrados em 2024. Da mesma forma, a projeção de receita também deve recuar para uma faixa de € 37 bilhões a € 38 bilhões (US$ 42,8 bilhões a US$ 43,9 bilhões), abaixo dos € 40,1 bilhões (US$ 46,35 bilhões) do ano anterior.

Embora o acordo preliminar entre EUA e UE reduzisse a alíquota tarifária para 15% para os produtos importados da Europa, isso ainda representa um custo significativo para as montadoras alemãs. A alíquota tarifária anterior era de apenas 2,5%, o que significa que os clientes pagarão pelo aumento dos custos.

As marcas europeias ainda enfrentam a mudança nas preferências dos consumidores na China, o maior mercado automotivo do mundo. Neste momento, há uma preconização por montadoras nacional no país, como a BYD.

Já nos Estados Unidos, o grande desafio é a desaceleração no movimento de adoção de veículos elétricos. Tanto Mercedes como Porsche apostaram fortemente na tendência de transição energética nos últimos anos, quando os EUA eram governados pelo democrata Joe Biden. Enquanto a Mercedes tem rejeitado pedidos de veículos elétricos no país, a Porsche está lidando com altos estoques de seu modelo Taycan, o que significa em descontos (e perdas) nas concessionárias.

Comemorada pela Anfavea, a decisão da Camex do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, Camex, de rejeitar pleito da BYD de redução para 10% da alíquota de importação para unidades CKD e SKD pelo prazo de três anos, foi vista com “bons olhos” pela também chinesa GWM, que terá operações em Iracemápolis, SP, a partir deste segundo semestre de 2025.

Ainda na quarta-feira, 30, quando foi divulgada a decisão do governo federal, a montadora emitiu nota assinada pelo seu diretor de Assuntos Institucionais, Ricardo Bastos, garantindo que o anúncio da Camex não afeta a GWM Brasil porque o seu planejamento sempre foi no sentido de intensificar a produção local já no início da operação da fábrica de Iracemápolis, previsto para o mês de agosto.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Monitor Digital - RJ   01/08/2025

A aprovação da suplementação de R$ 10 bilhões ao orçamento da habitação em 2025 pelo Conselho Curador do FGTS representa um movimento estratégico para assegurar a continuidade das contratações no Minha Casa Minha Vida. Com o novo aporte, o volume total de recursos destinados ao setor chega a R$ 136,8 bilhões, com foco especial na linha de Apoio à Produção, voltada à Pessoa Jurídica, fundamental para manter o fluxo de novos empreendimentos viabilizados por incorporadoras.

A medida chega em um momento crucial para o mercado. A forte demanda por moradias tem acelerado o consumo do orçamento e pressionado a capacidade de resposta do setor. Mais de 80% dos recursos originalmente previstos para 2025 já estavam comprometidos antes mesmo do segundo semestre. Até julho, 302 mil unidades habitacionais foram contratadas, número que traduz não só a intensidade da procura, mas também a importância de preservar a previsibilidade para que as empresas mantenham suas operações com eficiência. O reforço orçamentário garante segurança a projetos já aprovados, evita paralisações e assegura o andamento dos cronogramas.

O cenário macroeconômico torna essa movimentação ainda mais relevante. De acordo com o Boletim Focus de julho, a taxa Selic deve encerrar o ano em 15%, o que restringe o crédito tradicional. Ao mesmo tempo, a inflação projetada de 5,10% reduz o poder de compra das famílias, exigindo esforços adicionais para preservar o acesso à moradia. Os custos de construção também seguem pressionados. O INCC-M acumulado em 12 meses atinge 7,19%, puxado por aumentos de 9,97% na mão de obra e 5,26% em materiais. Nesse contexto, o crédito com subsídio e o uso eficiente dos recursos do FGTS seguem sendo mecanismos indispensáveis para o equilíbrio do setor.

A suplementação aprovada em 24 de julho integra um conjunto de decisões adotadas desde o início do ano para evitar a interrupção do crédito habitacional. Entre os avanços estão o reajuste nos tetos dos imóveis financiáveis em áreas metropolitanas, a criação da nova Faixa 1 urbana do programa, que ampliou o atendimento a famílias com renda de até R$ 2.640,00, melhorias operacionais nas linhas destinadas às construtoras e redistribuições internas no orçamento do FGTS. São medidas que responderam à velocidade com que o orçamento vinha sendo consumido e que agora ganham reforço com a ampliação dos recursos.

Do ponto de vista técnico, a liberação adicional de R$ 10 bilhões garante estabilidade operacional para empresas com capacidade instalada, estrutura de aprovação ágil e foco em produção habitacional. Também permite planejamento de médio e longo prazo, mobilização contínua de equipes e manutenção dos investimentos em um ambiente ainda marcado por incertezas econômicas. Do lado da demanda, a manutenção do crédito subsidiado contribui diretamente para mitigar os impactos dos juros elevados, preservando a capacidade de aquisição das famílias que buscam o primeiro imóvel.

Ao mesmo tempo em que evita rupturas, o reforço no orçamento sinaliza a confiança no setor da construção como motor de geração de empregos e dinamismo regional. A previsibilidade de recursos, aliada a processos de contratação e execução mais ágeis, fortalece empresas preparadas para operar em escala e manter a produtividade mesmo em momentos de pressão. A continuidade dos investimentos é essencial não apenas para atender à demanda, mas também para garantir um ambiente de negócios estável e uma cadeia produtiva ativa em todo o país.

NAVAL

A Tribuna - SP   01/08/2025

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Batista, acredita que a cabotagem (transporte de cargas dentro do País) tem papel estratégico no fortalecimento da indústria nacional. Para ele, o Programa BR do Mar, que incentiva o modal e foi regulamento por decreto neste mês, é peça fundamental nesse processo. Segundo Batista, que participou ontem do Summit Porto-Indústria de forma remota, o projeto foi concebido para conectar o tecido industrial brasileiro aos portos de forma mais eficiente, acessível e competitiva.

“O BR do Mar foi pensado exatamente para ampliar a conexão no tecido econômico brasileiro. O objetivo é viabilizar que empresas com acesso facilitado a portos possam, a partir dali, alcançar mercados em todo o País — algo que muitas vezes é inviável pelo modal rodoviário”, afirmou.

Dino Batista explicou que o fortalecimento da cabotagem vai muito além da redução de custos logísticos. Trata-se de criar viabilidade econômica real para que indústrias próximas aos portos, como o de Santos, possam atingir consumidores em todas as regiões do Brasil. “Não é só sobre baixar o frete em relação ao transporte rodoviário. É sobre viabilizar mercados que antes eram inacessíveis”, completou o secretário nacional.

O CEO da Norcoast, empresa de cabotagem, Fabiano Lorenzi, vê o modal não apenas como um serviço porto a porto, mas como uma solução de transporte para o país.

“O Brasil tem uma distância muito grande entre produção e consumo. Como conectar essas regiões se não for com modais alternativos? A cabotagem se destaca nesse cenário. O Brasil tem vocação para a cabotagem, isso é indiscutível”, afirmou Lorenzi.

PETROLÍFERO

Consultor Jurídico - SP   01/08/2025

O setor de gás natural no Brasil vive um momento de transformação e potencial expansão, especialmente após a promulgação da nova Lei do Gás (nº 14.134/2021), que estabeleceu diretrizes para a abertura do mercado e a promoção da concorrência. Entretanto, ao mesmo tempo em que se busca maior eficiência e segurança jurídica, surge um movimento preocupante por parte da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que ameaça romper com o pacto federativo e comprometer importantes investimentos públicos e privados já realizados pelos estados.

A ANP lançou recentemente uma consulta pública que propõe regulamentações abrangentes sobre os dutos de gás natural, sem distinguir adequadamente as esferas de competência entre “transporte” e “distribuição”. Embora o transporte de gás natural seja, de fato, de competência federal, a Constituição (artigo 25, § 2º) atribui aos estados a titularidade e regulação dos serviços locais de gás canalizado, o que inclui a construção e operação de redes de distribuição em seus territórios.

A proposta da ANP, tal como colocada, não respeita essa distinção constitucional, avançando sobre a competência dos entes estaduais ao querer regular tecnicamente aspectos que, na prática, dizem respeito à infraestrutura local de distribuição de gás natural. A tentativa de padronização técnica, ainda que bem-intencionada, ignora a autonomia regulatória dos estados e desconsidera as peculiaridades regionais e os investimentos públicos realizados ao longo dos anos pelas concessionárias estaduais.

Essa invasão de competência afeta diretamente empresas estaduais e privadas que atuam na distribuição de gás, como também compromete a previsibilidade regulatória fundamental para novos investimentos. Muitos estados, por meio de suas agências reguladoras e concessões locais, já estabeleceram padrões técnicos, normas de segurança, procedimentos de fiscalização e planos de expansão, compatíveis com suas realidades geográficas e socioeconômicas.

Mais do que um conflito jurídico, trata-se de uma questão de segurança jurídica e respeito ao federalismo cooperativo. Ao tentar centralizar normas técnicas sem o devido diálogo com os órgãos reguladores estaduais e empresas que conhecem a realidade local, a ANP cria um cenário de incerteza e desorganização institucional. O resultado pode ser a paralisação de projetos em andamento, a judicialização do tema e o enfraquecimento da confiança dos investidores em um setor vital para a transição energética e o desenvolvimento industrial do país.

Estados como Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, por exemplo, já desenvolveram estruturas regulatórias próprias e estão colhendo os frutos dessa autonomia com a interiorização da infraestrutura de gás natural, geração de empregos e atração de indústrias que demandam energia limpa e competitiva. Esses avanços, contudo, ficam comprometidos se a ANP insistir em impor regras uniformes e abrangentes, sem respeitar os limites constitucionais da sua atuação.
Consulta

A consulta pública em andamento, além de tecnicamente equivocada, ignora a importância de um processo regulatório dialógico e federativo. É necessário que a ANP reconheça o papel dos estados na regulação da distribuição de gás canalizado e respeite o espaço de participação efetiva das agências reguladoras estaduais, empresas distribuidoras, especialistas e representantes da sociedade civil no aperfeiçoamento da proposta.

Sabe-se que entidades técnicas já alertaram para os riscos da minuta apresentada. Também há preocupação entre gestores públicos quanto à insegurança jurídica que essa sobreposição regulatória pode gerar. O momento exige sobriedade e equilíbrio institucional, respeito às competências e, sobretudo, cooperação entre os entes federativos para que o mercado de gás se desenvolva de forma integrada e eficiente.

Além de uma disputa por protagonismo, está em jogo a própria arquitetura constitucional do setor energético brasileiro. A construção de um mercado de gás competitivo e atraente para investimentos deve ser feita com base em diálogo técnico, segurança jurídica e respeito ao pacto federativo. O avanço da ANP sobre competências estaduais, caso não seja contido, representará um grave retrocesso para o setor e para o próprio federalismo brasileiro.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   01/08/2025

A lista de exceções do governo norte-americano ao tarifaço de 50% a ser imposto sobre produtos brasileiros deixou 82% de tudo que foi exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano fora das isenções - um valor correspondente a US$ 5,412 bilhões.

Levantamento exclusivo feito pelo Estadão/Broadcast revela que apenas US$ 1,220 bilhão dos embarques do agronegócio foram contemplados com a retirada da tarifa adicional de 40% oficializada nesta quarta-feira, ficando sujeitos apenas à tarifa de 10%.

O montante equivale a 18% dos R$ 6,631 bilhões de produtos agropecuários exportados, segundo o Agrostat - sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro, gerido pelo governo federal.

A reportagem cruzou os códigos da Tabela Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos (HTSUS), conforme listado no anexo da ordem executiva do governo norte-americano, com os códigos das Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) que constam no Agrostat.

Entre os principais produtos do agronegócio exportados aos Estados Unidos, suco de laranja, celulose e castanha foram poupados da sobretaxa, ficando apenas expostos à taxa de 10% em vigor desde 5 de abril. Entretanto, café, carne bovina, frutas, pescados, açúcar e etanol e cacau seguem no tarifaço.

Considerando o total de NCMs de produtos exportados do agronegócio brasileiro ao mercado norte-americano de janeiro a junho, disponibilizado no Agrostat, de 789 itens, apenas oito NCMs foram contempladas. São elas:

pasta química de madeira não conífera, à soda ou sulfato, semibranqueada ou branqueada; sucos de laranja não congelados, não fermentados; sucos de laranja congelados e não fermentados; pasta química de madeira para dissolução; cordéis de sisal ou de outras fibras têxteis do gênero agave, para atadeiras ou enfardadeiras; outras madeiras tropicais (cedro, ipê, pau-marfim, louro, etc), serradas, cortadas em folhas ou desenroladas, de espessura 6 mm; pasta química de madeira não conífera, à soda ou sulfato, crua; castanha-do-pará, fresca ou seca, com casca.

Por causa da diferença entre os códigos, alguns NCMs podem conter mais de um item da Tabela Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos.

Money Times - SP   01/08/2025

A montadora Yanmar anunciou nesta quinta-feira (31) a construção de uma nova fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo. A multinacional japonesa vê a demanda por máquinas agrícolas em crescimento e irá investir R$ 280 milhões no projeto.

A unidade, três vezes maior que a atual, será erguida em etapas até 2030, com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva, centralizar operações e ampliar sua participação no mercado brasileiro.

Em entrevista ao Money Times, Wagner Santaniello, gerente de Inovação e Marketing da Yanmar South America, reafirmou a expectativa de crescimento da demanda nos segmentos em que a companhia atua — junto ao pequeno e médio produtor rural.

“Nós enxergamos um mercado crescente nos próximos anos. Hoje, a operação já exige mais espaço e produtividade. A nova fábrica vai permitir ganhar eficiência e reduzir custos, atendendo melhor o cliente”, disse.

Atualmente, a Yanmar é líder no segmento de miniescavadeiras de até 11 toneladas, com participação de 27% no mercado brasileiro. A nova fábrica deve consolidar a aposta no ramo de tratores agrícolas, segmento no qual a companhia espera um ganho de 10% para 12% de participação até 2030.

A visão positiva da empresa vem mesmo em um cenário de juros altos e incertezas no comércio global.“O pequeno agricultor está buscando mecanização e tecnologia. Mesmo com desafios, vemos a demanda aquecida nos mercados em que atuamos”, disse Santaniello.

Além dos tratores e miniescavadeiras, a empresa vê demanda crescente por colheitadeiras, motores e peças de reposição, exigindo mais espaço e melhor estrutura para atendimento eficiente.

“Hoje enfrentamos desafios de espaço, estoque e logística de peças, além de buscarmos constantemente melhorias na segurança operacional. Esta nova fábrica será fundamental para superarmos esses obstáculos e atendermos a demanda do mercado”, afirma Santaniello.
Nova planta vai centralizar operações e aumentar eficiência

O novo complexo vai centralizar atividades que hoje funcionam em galpões separados, reduzindo custos logísticos e riscos para os produtos. A unidade também adotará o Sistema de Produção Yanmar, inspirado no modelo Toyota, com linhas automatizadas e melhorias em ergonomia e segurança.

Além da fábrica, a empresa criou um novo departamento de inovação, com a missão de desenvolver soluções integradas para o produtor rural, indo além da venda de máquinas.

A execução do projeto terá início nos próximos meses. A primeira fase, com aproximadamente 36 mil m², tem operação prevista para 2027.

“Com todas as etapas reunidas em um único complexo, vamos reduzir custos logísticos, aumentar a produtividade e entregar máquinas com ainda mais qualidade. Essa estrutura mais moderna é um passo essencial para sustentar nosso crescimento no Brasil”, afirma Santaniello.

Inspirado na cultura corporativa e pelos princípios de produção adotados em suas fábricas no Japão, o projeto conta com o suporte de times especializados da matriz, referência mundial em excelência em manufatura.

Recentemente, a equipe brasileira visitou cinco fábricas no país asiático para conhecer boas práticas e avaliar sua aplicabilidade na nova planta.

Além da inovação industrial, o projeto também incorporará gradualmente conceitos de sustentabilidade, alinhados ao plano de negócios global da companhia, como o aproveitamento de luz natural, sistemas automatizados de controle de iluminação e o uso de energia fotovoltaica, promovendo eficiência energética e redução de emissões.
Detalhes do projeto

O novo parque industrial será construído em um terreno de 140 mil metros quadrados no Distrito Industrial de Indaiatuba, a cerca de 5 quilômetros da unidade atual.

O investimento de R$ 280 milhões será feito de forma escalonada até 2030, acompanhando as fases de construção e ampliação da unidade.

O plano prevê a geração de aproximadamente 100 novos postos de trabalho, elevando o quadro de funcionários para 400 pessoas até 2029.

A primeira fase do projeto, com cerca de 36 mil metros quadrados, deve começar a operar em 2027 com a transferência da produção de tratores, motores e geradores.

Em 2029, a capacidade de produção será ampliada para 7 mil tratores por ano e o centro de distribuição ganhará mais espaço. A conclusão da unificação de todas as operações está prevista para 2030.

“A nova fábrica representa mais do que um marco estrutural: é um reflexo do compromisso contínuo da Yanmar com o país, com a inovação e com o desenvolvimento da região. A manutenção da operação em Indaiatuba reforça a valorização dos colaboradores e da comunidade local”, conclui Santaniello.
Soluções financeiras

Para ampliar o acesso às máquinas, a Yanmar mantém parcerias com bancos como DLL, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, além de cooperativas (como a Cooxupé).

As linhas permitem financiar até 90% do valor das máquinas, com prazos de até cinco anos e taxas a partir de 5,99% ao ano, podendo chegar a 9,99% ao ano nos prazos mais longos.

Em abril, durante a Agrishow, a empresa lançou ainda o Consórcio Nacional Yanmar, oferecendo uma alternativa com taxas a partir de 9,99% ao ano.

De acordo com a empresa, a modalidade é estratégica para produtores que buscam planejamento, previsibilidade e menor custo na aquisição de novos equipamentos.

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