Clipping Diário

22 | Julho | 2025

SIDERURGIA

Infomoney - SP   22/07/2025

As ações de mineradoras e siderúrgicas registraram forte alta na sessão em um dia de fortes ganhos para o minério de ferro, ignorando assim algumas mudanças de recomendação que poderiam pressionar os ativos.

Nesta segunda-feira (21), Vale (VALE3) subiu 2,73% (R$ 56,05), CSN (CSNA3) teve ganhos de 2,17% (R$ 7,99), Usiminas (USIM5) avançou 2,30% (R$ 4,01) e Gerdau (GGBR4) fechou em alta de 3,17% (R$ 16,62).
Isso porque os futuros do minério de ferro atingiram os níveis mais altos em quase cinco meses nesta segunda-feira, impulsionados pelo anúncio da construção da maior usina hidrelétrica do mundo na China, no rio Yarlung Tsangpo, no Tibete, e pelas margens firmes das siderúrgicas.

O contrato mais negociado de setembro do minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 2,08%, a 809 iuanes (US$112,74) a tonelada, depois de atingir uma máxima intradiária de 819 iuanes, o maior patamar desde 26 de fevereiro.

O minério de ferro de referência para agosto na Bolsa de Cingapura avançava 2,81%, a US$ 103,6 a tonelada, atingindo uma máxima intradiária de US$ 104,8, o maior patamar desde 27 de fevereiro.

O primeiro-ministro da China, Li Qiang, anunciou o início da construção daquela que será a maior usina hidrelétrica do mundo, um projeto que deverá impulsionar significativamente a demanda por aço para construção como parte do esforço do país em prol das energias renováveis.

“Os mercados futuros de minério de ferro e vergalhões estão reagindo positivamente ao anúncio do projeto da mega-hidrelétrica”, disse Atilla Widnell, diretor administrativo da Navigate Commodities em Cingapura.

Não há dúvida de que a construção da usina beneficiará significativamente os mercados locais de aço e poderá atrair aço para construção de diversas partes da China, especialmente considerando que o projeto é de três a quatro vezes maior que a Usina de Três Gargantas, acrescentou Atilla.

O Bradesco BBI ressalta que os contratos futuros de minério de ferro subiram US$ 4/t (tonelada), apoiados pelo compromisso renovado das autoridades chinesas de eliminar gradualmente a capacidade industrial obsoleta, juntamente com o anúncio de um projeto de mega-barragem no Tibete.

“Na sexta-feira, a Associação Chinesa de Ferro e Aço (Chinesa Iron and Steel Association) informou ter realizado uma reunião com grandes siderúrgicas e o chefe do departamento de aço do Ministério da Indústria, na qual os participantes prometeram intensificar os esforços. Enquanto isso, em uma coletiva de imprensa no mesmo dia, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação do país afirmou que a China lançará uma nova rodada de programas para estabilizar o crescimento, pressionando pela eliminação da capacidade obsoleta em 10 setores-chave, incluindo o aço”, aponta o BBI.

O BBI também ressaltou que o projeto no rio Yarlung Tsangpo, no Tibete. “Espera-se que o projeto impulsione a demanda por materiais de construção. Positivo para a Vale, com classificação outperform (desempenho acima da média do mercado), e a CSN, com recomendação neutra. Apesar da sazonalidade mais fraca, os preços do minério de ferro continuam a apresentar forte impulso, já que o crescente fluxo de notícias sobre o compromisso da China de reduzir a capacidade obsoleta continua a sustentar o sentimento do mercado”, avalia o banco.

Infomoney - SP   22/07/2025

Em meio a um cenário desafiador para a indústria do aço no Brasil, o Morgan Stanley rebaixou sua recomendação para as ações da CSN (CSNA3) de equalweight (exposição igual a média do mercado, equivalente à neutro) para underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda), e para Usiminas (USIM5) de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para equalweight.

O preço-alvo para CSN foi reduzido de R$ 9,10 para R$ 7,70, enquanto USIM5 teve preço-alvo cortado de R$ 8,20 para R$ 6,70.

Para CSN, o banco cita um perfil risco-retorno desfavorável, alta alavancagem, forte apetite por investimentos e fluxo de caixa livre negativo até 2028, sem perspectiva de pagamento de dividendos. A ação negocia a 6,8 vezes o Valor da Firma (EV)/EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2026 — acima da média histórica de 4,5 vezes.
No caso da Usiminas, embora o risco-retorno pareça atrativo, o Morgan não enxerga gatilhos de valorização no curto prazo. A pressão nos preços deve limitar a rentabilidade, mesmo com bom controle de custos, e os múltiplos estão em 4,3 vezes EV/EBITDA para 2025 e 4,2 vezes para 2026.

A Gerdau (GGBR4), por outro lado, teve sua recomendação mantida em overweight, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 21 para R$ 22. A avaliação é que a companhia está melhor posicionada, com os ganhos nos Estados Unidos ajudando a mitigar os riscos no Brasil. A empresa também é menos exposta à concorrência de produtos importados por atuar majoritariamente no segmento de aço longo (60% a 70% do mix), cuja penetração por importações segue mais controlada.
Cenário

O Morgan Stanley aponta que as importações elevadas de aço devem continuar, uma vez que o novo sistema de cotas tarifárias (TRQ) se mostra ineficaz contra produtos vindos de zonas de livre comércio ou de países com acordos bilaterais — o que favorece o redirecionamento (transhipment) de aço para o Brasil. As importações provenientes da China, por exemplo, atingiram recorde em maio de 2025, com 444 mil toneladas, um aumento de 6% na comparação anual. No acumulado do ano, o avanço já chega a 16% em relação ao mesmo período de 2024.

Segundo relatório, esse excesso de oferta deve manter a pressão sobre os preços domésticos no segundo semestre de 2025, mesmo diante de uma demanda relativamente resiliente. O banco estima queda entre 0,3% e 2% nos preços realizados no segundo trimestre para CSN, Gerdau e Usiminas, além de uma retração média de 1,1% no segundo semestre em relação ao primeiro.

Há ainda 13 investigações antidumping (medida comercial usada por um país para proteger sua indústria nacional) em andamento, cobrindo cerca de 56% das importações de aço dos últimos 12 meses. Embora cinco processos já tenham decisões preliminares favoráveis aos produtores nacionais, apenas um resultou em recomendação de medida provisória, o que, segundo o Morgan Stanley, sinaliza uma baixa prioridade do governo em adotar medidas mais rígidas de proteção comercial.
Possível gatilho

O banco ainda destaca que uma mudança na postura do governo com medidas adicionais de proteção comercial ou decisões favoráveis nas investigações antidumping poderiam melhorar significativamente o ambiente competitivo para as siderúrgicas locais.

No caso específico da CSN, uma decisão positiva na disputa judicial com a Ternium sobre os direitos de tag along na Usiminas também poderia destravar valor.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   22/07/2025

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 5,17% para 5,10% este ano. É a oitava redução seguida na estimativa, publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (21). A pesquisa é divulgada, em Brasília, semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação foi reduzida de 4,5% para 4,45%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 4% e 3,8%, respectivamente.

A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em junho, mesmo pressionada pela energia elétrica, a inflação oficial – divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – perdeu força e fechou em 0,24%, marcada pela primeira queda no preço dos alimentos depois de nove meses. Apesar da desaceleração nos últimos meses, o índice acumulado em 12 meses alcançou 5,35%, ficando pelo sexto mês seguido acima do teto da meta de até 4,5%.

Esse período de seis meses acima de 4,5% configura estouro da meta pelo novo regime adotado em 2024. Cada vez que isso acontece, o presidente do BC tem que divulgar, por meio de carta aberta ao ministro da Fazenda, que preside o CMN, a descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar do recuo recente da inflação, as incertezas em relação à economia fizeram o colegiado elevar os juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, no mês passado, sendo o sétimo aumento seguido da Selic em um ciclo de contração na política monetária.

Em ata, o Copom informou que deverá manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, enquanto observa os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou mais aumentos, caso a inflação suba.

A decisão surpreendeu parte do mercado financeiro, que não esperava um novo aumento e, nesse cenário, a estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 em 15% ao ano.

Para o fim de 2026, a expectativa é de que a Selic caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio

A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 2,23% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB – a soma dos bens e serviços produzidos no país) foi reduzida de 1,89% para 1,88%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos.

Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre de 2025, a economia brasileira cresceu 1,4%, de acordo com o IBGE.

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021 quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,65 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,70.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/07/2025

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,530 bilhão na terceira semana de julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda, 21, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,480 bilhões e importações de US$ 5,950 bilhões.

O superávit acumulado no mês de julho é de US$ 3,608 bilhões. No ano, o superávit soma um total de US$ 33,700 bilhões.

Até a terceira semana de julho, comparado a julho de 2024, as exportações cresceram 4,5% e somaram US$ 19,61 bilhões. O resultado se deu devido a uma queda de 1,9% em Agropecuária, que somou US$ 4,28 bilhões; crescimento de 5,0% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 4,57 bilhões e, por fim, expansão de 7,2% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,68 bilhões.

Já as importações cresceram 12,9% e totalizaram US$ 16,00 bilhões na mesma comparação, com aumento de 4,8% em Agropecuária, que somou US$ 31 milhões; queda de 11,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 77 milhões e, por fim, alta de 14,9% em Indústria de Transformação, para US$ 14,83 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2025

O Brasil pode sofrer uma perda de longo prazo de R$ 175 bilhões, com retração de 1,49% do PIB e com 1,3 milhão a menos de postos de trabalhos, caso a tarifa de 50% para as exportações brasileiras entre em vigor, conforme anunciado para o dia 1º de agosto, pelo presidente americano, Donald Trump. A queda na renda das famílias atingiria até R$ 24,39 bilhões e na arrecadação do governo seria de R$ 4,86 bilhões.

O estudo, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e feito por sua gerência de economia e finanças empresariais, contempla um período entre cinco e dez anos. “Os efeitos nocivos vão se acumulando ao longo do tempo”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

Parte desse efeito já seria sentido fortemente em curto prazo, num período entre um e dois anos, antes que o capital dedicado às exportações americanas fosse redirecionado para o mercado interno e para outros países. Nesse tempo, as perdas já somariam R$ 47 bilhões e o consumo das famílias seria afetado negativamente em até 0,67%, segundo a Fiemg.

O BTG Pactual divulgou este mês uma estimativa de perdas ainda maiores de curto prazo, entre 2025 e 2026, de US$ 20 bilhões.

Segundo a Fiemg, num cenário hipotético em que o Brasil respondesse aos Estados Unidos com uma taxa recíproca de 50% sobre as importações americanas, a queda no PIB brasileiro poderia chegar, em longo prazo, a R$ 259 bilhões, causando um resultado 2,21% menor. Dessa forma, o número de empregos seria impactado em 1,934 milhão de vagas, a massa salarial ficaria R$ 36,18 bilhões menor e a redução da arrecadação de impostos chegaria a R$ 7,21 bilhões.

O pior dos cenários imagina que os Estados Unidos responda às retaliações brasileiras com uma taxa de 100%, depois igualada pelo Brasil do seu lado. Assim, as perdas do PIB podem chegar a R$ 667 bilhões, com cerca de 5 milhões de empregos a menos e queda na renda das famílias de até R$ 93 bilhões.

“A retaliação faz com que o próprio Brasil também perca com essa medida, independentemente de os Estados Unidos fazerem uma segunda onda de retaliações”, diz Roscoe. “Por isso, é muito importante que a gente tenha foco na negociação comercial e na diplomacia, e que o Brasil deixe claro que está alinhado aos interesses americanos na geopolítica internacional, como sempre esteve nos últimos 200 anos.”
Segundo maior parceiro

O Brasil tem nos Estados Unidos o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. No ano passado, as exportações para o país americanos ficou em cerca de US$ 40,4 bilhões, representando 1,8% do PIB nacional.

Os produtos mais comercializados foram combustíveis minerais, ferro e aço, máquinas e equipamentos mecânicos, aeronaves e café. No primeiro semestre deste ano, as exportações já acumulam um total de US$ 20 bilhões, parte delas antecipadas para evitar os efeitos das possíveis tarifas.

No ano passado, o Brasil registrou exportações totais de US$ 337 bilhões, com os Estados Unidos contribuindo com 12% desse resultado. O principal produto exportado pelo Brasil para todo o mundo é petróleo bruto, que respondeu por US$ 45 bilhões das vendas externas, em 2024. Os Estados Unidos compraram 13% desse valor, o equivalente a cerca de US$ 5,8 bilhões.

Exame - SP   22/07/2025

O pior ainda está por vir. Segundo Torsten Sløk, economista-chefe da Apollo Global Management, o impacto mais severo da guerra comercial promovida por Donald Trump será sentido até o final deste ano. Os preços, de acordo com o especialista, devem continuar subindo até que a inflação atinja o pico entre novembro e dezembro.

Em entrevista à Bloomberg, destacada por uma reportagem do Business Insider, Sløk revelou que as projeções consensuais do mercado apontam para uma aceleração inflacionária nos últimos meses do ano. Ele observou que a inflação já começou a avançar no setor de bens de consumo, com o índice de preços ao consumidor para bens duráveis subindo 0,7% em junho na comparação anual — a segunda alta seguida após dois anos de quedas. O índice cheio também avançou, de 2,4% para 2,7%.

Deportações pressionam salários

Sløk acredita que a inflação de serviços, que representa cerca de 60% do índice de preços ao consumidor, também deve acelerar em breve. Ele apontou que as deportações em massa promovidas por Trump estão pressionando os salários, aumentando os custos trabalhistas para as empresas e, consequentemente, os preços finais.

“O Fed ainda precisa esperar para ver o pico. E estamos apenas na fase de decolagem”, disse Sløk sobre a postura do Federal Reserve diante do cenário inflacionário, em meio a uma briga direta com Trump.

Juros altos e estagflação representam os principais riscos

Na avaliação do economista, uma inflação mais persistente pode gerar dois efeitos negativos:

Juros mais altos por mais tempo. O Fed deve adiar cortes de juros até que consiga mensurar o impacto total das tarifas sobre a inflação. Risco de estagflação. Sløk acredita que os EUA já começaram a sentir os primeiros sinais de uma combinação perigosa de inflação elevada com desaceleração do crescimento econômico. Nesse cenário, o Fed fica sem espaço para estimular a economia sem piorar a inflação.

Em um relatório recente, o economista estimou que o crescimento do PIB dos EUA pode cair para menos da metade do registrado em 2024. A inflação deve permanecer em torno de 3% ao longo de 2025, enquanto a taxa de desemprego tende a subir nos próximos dois anos, caso o nível atual de tarifas se mantenha.

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2025

Reportagem publicada pelo jornal Valor neste mês expõe com clareza quem paga o custo das decisões erradas que o País insiste em tomar há décadas. Em 45 anos, o Brasil regrediu da 48.ª para a 87.ª posição no ranking de PIB per capita em paridade de poder de compra (PPC) do Fundo Monetário Internacional (FMI), aproximando-se perigosamente da metade mais pobre do mundo.

Em termos absolutos, esse indicador até aumentou no período, de US$ 13,7 mil em 1980 para US$ 19,6 mil em 2024. Em conjunto, no entanto, o mundo avançou mais, o que explica a piora na posição relativa brasileira. Em poucas palavras, o indicador mostra que o País, ao longo desse período, cresceu menos que seus pares, enquanto o custo de vida da população subiu mais que a média das nações pesquisadas.

O pior é que, até 2030, a estimativa do FMI é que caiamos ainda mais, para o 89.º lugar. Antes fosse apenas mau agouro. A combinação entre crescimento baixo, poupança reduzida, investimento pífio, produtividade estagnada, mão de obra desqualificada e inflação elevada não poderia gerar resultados diferentes. Se o País seguir na mesma rota em que está há tantos anos, a tendência, de fato, é que essa degradação se acentue no futuro, afastando o Brasil não só dos mais desenvolvidos, mas também das economias emergentes.

Para quem duvida das previsões do FMI, o desempenho econômico do País nos últimos anos é ilustrativo. Ao longo de dez anos, o indicador despencou até 2016, quando o Brasil teve uma recessão; recuperou-se lentamente até 2019; caiu em 2020, ano da pandemia de covid-19; e voltou a subir aos poucos desde então. Assim, o PIB per capita em paridade de poder de compra em 2024 foi de US$ 19.594, praticamente o mesmo de 2013, quando estava em US$ 19.169. A diferença é que, em 2013, estávamos na 79.ª posição e, agora, na 87.ª.

É triste, mas previsível, pois o Brasil parece que não aprende. Há anos se sabe que o crescimento econômico não depende de subsídios para setores ineficientes, mas de investimentos privados em áreas nas quais o País tenha vocação. A História prova que a abertura de mercados reduz o custo de produção e favorece a integração de cadeias produtivas, mas o País prefere a proteção e o isolamento comercial.

Gastos públicos em excesso são um motor para a inflação, pois corrói o poder de compra da população e exige aumento da carga tributária, o que reduz a competitividade da economia brasileira. Ademais, resultam em taxas de juros elevadas, o que inviabiliza o custo de financiamentos para aquisição de bens e para a ampliação da infraestrutura. Educação de baixa qualidade, por seu lado, cria um exército de informais sem capacidade para ocupar postos de trabalho com remuneração mais elevada e que, no futuro, dependerão de políticas de assistência social para sobreviver.

Em vez de reformas estruturais para ampliar o crescimento potencial do PIB, o País aposta em puxadinhos. Favorece empresários e setores próximos do poder, impõe barreiras às importações, aposta na elevação da arrecadação, cria linhas de crédito direcionado que distorcem os juros do restante do mercado, usa as estatais como um orçamento paralelo para induzir o desenvolvimento, patina na melhoria da educação básica e deixa estudantes se iludirem com promessas de empregabilidade em cursos a distância.

Mas governo, Congresso e Judiciário parecem bastante satisfeitos com esse desempenho medíocre. Para eles, esse Brasil à deriva não existe. No Executivo, no entanto, Lula da Silva só pensa em lançar programas que possam recuperar sua popularidade até a eleição. No Legislativo, os parlamentares só querem que suas emendas sejam quitadas. E nos tribunais, sempre há espaço para um pagamento retroativo e para um novo penduricalho, tudo com isenção de impostos.

A maioria da população percebe que o dinheiro já não compra o que comprava no passado e sabe que não tem alternativa a não ser se adaptar à realidade. Mas nenhum dos Três Poderes está disposto a rever despesas e contribuir com o futuro do País em nome do interesse público. A posição do Brasil no ranking do FMI é reflexo dessas escolhas.

Infomoney - SP   22/07/2025

A ameaça de imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros por parte do governo de Donald Trump está produzindo efeitos opostos aos desejados, segundo análise publicada neste domingo (20) no jornal americano The Washington Post. Segundo o texto, publicado na coluna WorldView porIshaan Tharoor, a ofensiva comercial em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro acabou fortalecendo politicamente o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A análise reforça que, o que era para ser uma demonstração de força do MAGA e de sua extensão brasileira, acabou transformando Lula em um símbolo da resistência nacional. O jornal destaca que as tarifas foram anunciadas mesmo com os EUA mantendo superávit na balança comercial com o Brasil, o que deixa claro que o objetivo da medida foi pressionar o governo Lula a interromper processos judiciais contra Bolsonaro e punir o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos que atingem o ex-presidente.

Tharoor observa que o momento foi aproveitado politicamente por Lula, que tem feito declarações públicas de enfrentamento à pressão externa. Em entrevista à CNN, o presidente criticou Trump e disse que ele não foi eleito para ser “imperador do mundo”.
Ainda segundo o jornal, diplomatas americanos demonstram desconforto nos bastidores com a ofensiva. Um funcionário do Departamento de Estado disse, sob anonimato, que “é difícil conceber uma ação mais prejudicial à credibilidade dos EUA na promoção da democracia do que sancionar um juiz de uma Suprema Corte estrangeira por discordar de suas decisões”.

O Post também cita uma declaração de um diplomata brasileiro, sob condição de anonimato, sobre os efeitos internos da medida: “O Papai Noel chegou mais cedo para o presidente Lula, e o presente foi enviado por Trump com esse ataque desastrado à soberania brasileira”.

Caso não haja negociação, as tarifas impostas por Trump entram em vigor em 1º de agosto e representam, até o momento, a maior sanção comercial imposta pelo governo americano no atual mandato de Trump. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta segunda (21) que o governo brasileiro mantém canais diplomáticos abertos e deseja negociar, mas não vê disposição do lado dos EUA. Segundo ele, o objetivo é não retaliar, para proteger a economia brasileira.

Para o Washington Post, o tarifaço de Trump, embora tenha provocado recuos em outros países da região, encontrou no Brasil um governo com economia mais diversificada e disposto a enfrentar a pressão política.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   22/07/2025

A Vale (VALE3) divulgará a sua produção do segundo trimestre na próxima terça-feira com a expectativa de produzir mais minério de ferro.

Porém, para Genial, as cifras serão fracas e insuficientes para reverter o cenário da companhia, que anda de lado em meio às incertezas com a China. Há pelo menos um ano, a mineradora está estacionada no patamar de R$ 50 a R$ 60.

A expectativa é produzir 81 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 21% trimestre e 1,6% no ano, impulsionada pela redução do volume de chuvas no sistema sudeste, após forte restrição no primeiro trimestre.

Os embarques devem atingir 66,6 milhões de toneladas, crescimento de 17,3% no trimestre, ainda que apresentem queda anual de 2,8%.

Para a corretora, haverá um descolamento entre produção e vendas. Isso se deve a três frentes. São elas:

intensificação da estratégia de concentração de volumes em portos na China, com maior lead time e necessidade de formação de estoques no destino antes da companhia computar como vendas realizadas; perdas mássicas mais relevantes, especialmente em produtos como o PFC1, cujo processo de beneficiamento pode resultar em diferenças de até 35% do volume bruto movimentado; e perdas usuais relacionadas a umidade e pelotização, naturais na cadeia logística.

Em relação aos preços, a Genial estima que o preço realizado dos finos ficará em US$ 83,8 por tonelada, queda de 7,7% no trimestre e 14,7% na comparação anual.

O prêmio pago pelos finos deve permanecer estável em US$ 1,3 por tonelada, refletindo um mix comercial consistente e um mercado menos propenso a pagar por qualidade.

Na produção de pelotas, a expectativa é de 8,1 milhões de toneladas, avanço de 13,1% no trimestre, mas com queda anual de 9,3%, já incorporando o rebaixamento do guidance anual para cerca de 33 milhões de toneladas.
Vale: Lucro pode despencar

Com tudo isso, a Genial projeta receita líquida de US$ 8,7 bilhões, alta de 7,2% na comparação trimestral, embora ainda com queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

A melhora no trimestre se deve, principalmente, ao aumento das vendas de finos de minério de ferro, que pode crescer 17,3% no trimestre, beneficiadas por fatores sazonais, com a redução das chuvas no sistema Sudeste.

Além disso, a operação de cobre também dará uma forcinha, ainda que de forma mais modesta, com um leve aumento de 0,7% no preço realizado.

Na comparação anual, contudo, a retração vai refletir o fraco desempenho dos embarques da divisão de ferrosos.

Entre os fatores que explicam o número fraco estão maiores lead time e a necessidade de formação de estoques de finos de minério de ferro nos portos da China, decorrentes de uma mudança de estratégia comercial em relação ao mesmo período do ano passado.

“Soma-se a isso o rebaixamento do guidance (projeções) de pelotas, reflexo da baixa viabilidade comercial de algumas plantas de pelotização, o que impactou negativamente os volumes vendidos”. completa.

Já os custos devem subir 10% em relação ao trimestre anterior, mas ainda uma queda de 7,1% na comparação anual.

A diminuição de 8% no custo de produção (CPP) e a queda de 10,5% no dólar podem contribuir para diminuir a conversão dos gastos em reais para dólares.

No caso do frete, mesmo com a referência Tubarão-Qingdao (SSY) mostrando alta de 6% no trimestre, a expectativa é de que a Vale apresente uma dinâmica estável.

O Ebitda deve alcançar US$ 3,2 bilhões, praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas com queda relevante de 23,3% em relação ao mesmo período de 2024.

A margem Ebitda é projetada em 37%, recuo de 2,6 pontos percentuais (pp) no trimestre e de 5,3 p.p. na base anual.

“Apesar da sazonalidade favorável para o sistema Sudeste, a queda sequencial dos preços de finos de minério de ferro (-7,7% t/t) deve neutralizar parte dos ganhos de volume nos embarques (+21% t/t)”.

Por fim, a Genial projeta lucro líquido de US$ 1,5 bilhão no trimestre, com alta de 3,4% em relação ao 1T25, mas queda expressiva de 47,9% frente ao mesmo período do ano anterior.

A corretora ressalta que essas projeções ainda são preliminares e que as estimativas serão revisadas assim que a Vale divulgar o seu relatório de produção e vendas.
Comprar ou vender Vale?

A Genial mantém confiança no processo de reposicionamento estratégico em curso e na crescente transparência da companhia frente ao mercado.

“Ainda destacamos como ponto de reforço a tese de investimento que haverá uma redução significativa do dispêndio para o pagamento do acordo de Mariana (39% a/a em 26E), o que impulsionará o retorno de fluxo de caixa para 15% em 2026”.

Nesse contexto, a Genial reiterou a recomendação de compra, com elevação do preço-alvo para R$ 64(antes em R$ 61,50), potencial de alta de 16%.

Infomoney - SP   22/07/2025

Os futuros do minério de ferro atingiram os níveis mais altos em quase cinco meses nesta segunda-feira, impulsionados pelo anúncio da construção da maior usina hidrelétrica do mundo na China e pelas margens firmes das siderúrgicas.

O contrato mais negociado de setembro do minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 2,08%, a 809 iuanes (US$112,74) a tonelada, depois de atingir uma máxima intradiária de 819 iuanes, o maior patamar desde 26 de fevereiro.

O minério de ferro de referência para agosto na Bolsa de Cingapura avançava 2,81%, a US$103,6 a tonelada, atingindo uma máxima intradiária de US$ 104,8, o maior patamar desde 27 de fevereiro.
O primeiro-ministro da China, Li Qiang, anunciou o início da construção daquela que será a maior usina hidrelétrica do mundo, um projeto que deverá impulsionar significativamente a demanda por aço para construção como parte do esforço do país em prol das energias renováveis.

“Os mercados futuros de minério de ferro e vergalhões estão reagindo positivamente ao anúncio do projeto da mega-hidrelétrica”, disse Atilla Widnell, diretor administrativo da Navigate Commodities em Cingapura.

Não há dúvida de que a construção da usina beneficiará significativamente os mercados locais de aço e poderá atrair aço para construção de diversas partes da China, especialmente considerando que o projeto é de três a quatro vezes maior que a Usina de Três Gargantas, acrescentou Atilla.

Três Gargantas é atualmente a usina hidrelétrica de maior capacidade do mundo.

Enquanto isso, a China deixou inalteradas as taxas referenciais de empréstimos, em linha com as expectativas, após dados econômicos do segundo trimestre ligeiramente melhores do que o esperado.

As expectativas crescentes de estímulo à política macroeconômica também elevaram os preços dos principais produtos de aço, disse a Mysteel Global em uma nota.

CNN Brasil - SP   22/07/2025

setor mineral, apontado como peça-chave nas negociações com o governo de Donald Trump, se organiza para ir aos Estados Unidos e tratar da tarifa de 50% diretamente com autoridades americanas.

A ideia foi apresentada nesta segunda-feira (21) pelo diretor-presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Raul Jungmann, em reunião com o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e recebeu apoio do governo federal.

Participaram da reunião representantes de 18 mineradoras, incluindo ArcelorMittal, Anglo American, Samarco e Vale.

O governo federal já havia se reunido com o setor na semana passada, em meio aos esforços para encontrar soluções às tarifas impostas pelos EUA.

Apesar de ainda estar na fase de planejamento, a ideia é que as empresas brasileiras se reúnam com companhias e autoridades do governo americano.

O intuito do setor é conseguir algum tipo de tratamento especial para os minerais brasileiros no contexto das tarifas. O argumento na mesa de negociações será de que o setor mineral dos EUA e do Brasil são complementares.

A missão também pode contar com representantes de outros segmentos do setor privado.

Ainda no encontro desta segunda-feira, Alckmin disse às mineradoras que o foco do governo, neste momento, é conseguir mais prazo para a entrada em vigor das tarifas, entre 60 e 90 dias, para que haja tempo hábil para negociar. A sobretaxa está prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto.

O encontro aconteceu no contexto do comitê interministerial criado pelo governo para formular a resposta brasileira à tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre a importação de produtos brasileiros.

A ideia do Planalto é aproveitar a interlocução e o acesso dos empresários ao mercado dos EUA para alinhar o discurso entre os setores público e privado e definir a melhor estratégia de negociação.

Alckmin argumenta que, antes de o governo tomar qualquer decisão, é fundamental ouvir o setor privado, que mantém interlocução direta com o mercado norte-americano.

CNN Brasil - SP   22/07/2025

A imposição de uma sobretaxa de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode ter efeitos significativos para o setor nacional de mineração, especialmente em relação à competitividade das exportações de minérios e metais semimanufaturados.

Produtos como cobre, alumínio, aço semiacabado e ferro-gusa — todos com forte presença no mercado norte-americano — enfrentariam um aumento expressivo de custo, tornando-os impraticáveis frente a fornecedores de outros países.

Isso tende a reduzir as vendas externas, pressionar as margens dos produtores brasileiros e comprometer investimentos no setor mineral.

Além disso, essa medida pode desencadear uma realocação forçada dos fluxos comerciais, com empresas brasileiras buscando mercados alternativos, como Europa e Ásia, exigindo adaptações logísticas e pode não compensar a perda do mercado norte-americano no curto prazo.

Mesmo que novos mercados sejam desenvolvidos, isso não é nada que possa ser feito rapidamente, ao depender de acordos comerciais e arranjos logísticos que demandam tempo.

E tempo é algo que o Brasil não tem, pois faltam menos de duas semanas para que essa nova tarifa entre em vigor.

Os fluxos financeiros de empresas de mineração que exportam para o mercado americano serão imediatamente afetados e muitas dessas empresas não terão como suportar esse choque sem que linhas emergenciais de financiamento sejam ofertadas pelo governo.
Retaliação

O governo brasileiro indicou a possibilidade de adotar medidas de retaliação, elevando o risco de uma escalada comercial entre os dois países. Esse cenário adiciona uma camada de incerteza econômica e geopolítica, com impactos que se estendem por toda a cadeia da mineração.

Para o setor mineral, isso poderá constituir um grande problema, prejudicando a competitividade do setor em outros mercados. As grandes empresas de mineração utilizam muitos equipamentos importados dos EUA.

Uma retaliação pode comprometer investimentos na aquisição de bens de capital, essenciais à manutenção e ampliação das minas atualmente em operação.

Também pode reduzir o desenvolvimento de novas minas, por dependerem da importação de máquinas, equipamentos e sistemas produtivos. Adicionalmente, a manutenção adequada dos equipamentos em operação depende de peças e componentes importados e que poderão ter seus preços majorados em uma ação retaliatória.
Solução diplomática

Na ausência de uma solução diplomática, o setor mineral brasileiro pode ingressar em um ciclo prolongado de retração, marcado pela queda nas exportações, redução de investimentos e desaceleração da atividade produtiva.

Esse cenário pode provocar resultados negativos duradouros sobre a balança comercial, ao comprometer uma das principais fontes de geração de divisas do país, além de enfraquecer o dinamismo de setores encadeados, como transporte, indústria metalúrgica e equipamentos pesados.

Em consequência, o ritmo de crescimento da economia brasileira tende a ser afetado negativamente, sobretudo em regiões fortemente dependentes da mineração como vetor de desenvolvimento.

Sem diálogo e articulação diplomática imediata, o Brasil pode comprometer um de seus setores mais estratégicos e ampliar ainda mais sua vulnerabilidade externa em um momento de instabilidade global.

AUTOMOTIVO

Diário do Comércio - MG   22/07/2025

As montadoras chinesas BYD e GWM têm impactado diretamente a fidelidade de clientes do Brasil às marcas tradicionais. É o que mostra o levantamento Megadealer de Performance de Veículos Usados powered by Auto Avaliar (PVU), referente ao mês de junho. Marcas como Jeep, Chevrolet, Volkswagen, Hyundai e Toyota são as que mais perdem clientes para os modelos híbridos e elétricos das gigantes chinesas, segundo o estudo.

No caso da BYD, o ranking de trocas de veículos no primeiro trimestre de 2025 foi liderado por Hyundai (11,3%), Chevrolet (11,2%) e Jeep (11,1%). No segundo trimestre, a Volkswagen saltou da quarta posição (9,7%) para a liderança (11%), seguida novamente pela Chevrolet (10,9%) e pela Hyundai (10,4%).

“Comparando o estudo atual com o realizado em meados de 2024, observamos poucas mudanças. Jeep, Volkswagen, Chevrolet e Toyota já apareciam no topo das marcas mais usadas como moeda de troca. A diferença é que agora a Hyundai substituiu a Honda na lista”, afirma o Country Manager da MegaDealer, Fábio Braga.

Já entre os consumidores que optaram por modelos da GWM, a Jeep se destacou como a principal marca trocada, representando 17,8% no primeiro trimestre e aumentando para 19,8% no segundo. A Volkswagen e a Toyota também se alternaram nas posições seguintes. A montadora alemã subiu de 9,1% para 9,6%, enquanto a japonesa caiu de 10,6% para 9,5%.

“Quem chama mais atenção é a Jeep, que é a marca que mais vezes tem ocupado a primeira posição. E isso, desde 2023”, destaca Braga.

Queda nas vendas de usados, mas tíquete médio bate recorde

Além da movimentação entre as marcas, o estudo também avaliou o desempenho geral do mercado de veículos usados. Em junho, o setor registrou uma retração de 5,8% nas vendas em relação a maio. No entanto, o tíquete médio cresceu 0,23%, passando de R$ 88.030 para R$ 88.232, o maior valor registrado em 2025 até o momento.

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A margem bruta se manteve estável, passando de 10,9% para 10,8%, assim como o giro de estoque, que permaneceu em 37 dias.

“O aumento no valor do tíquete médio provavelmente ocorre porque os consumidores estão em busca de veículos com mais opcionais ou trocando por outro um pouco mais novo e, como consequência, pagam mais por isso na média”, avalia o executivo.

Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o volume de vendas de veículos de passeio e comerciais leves caiu de 1.126.000 unidades em maio para 1.061.000 em junho. Mesmo com o recuo, a expectativa é positiva.

“Consideramos que a demanda um pouco menor em comparação com maio seja algo pontual, pois acreditamos que o impacto da redução do IPI comece a ter influência a partir de agora”, comenta Braga.

A plataforma Auto Avaliar também registrou essa desaceleração. As avaliações caíram de 239.118 em maio para 226.331 em junho. Já o número de captações passou de 44.657 para 39.352 no mesmo período.
Modelos com maior margem de lucro

Entre os modelos analisados no estudo, o Fiat Argo liderou o ranking de margem bruta, com 11,2%. O hatch da marca italiana apresentou preço médio de R$ 70 mil e giro de 31 dias.

Na segunda colocação, aparece o Toyota Yaris Hatch, com preço médio de R$ 88 mil, margem de 11% e mesmo giro de 31 dias. Em terceiro lugar, o Toyota Corolla Cross apresentou margem de 9,8%, valor médio de R$ 149 mil e giro de 29 dias.

Valor - SP   22/07/2025

Os embarques da empresa na América do Norte durante o segundo trimestre caíram 25% em comparação com o ano anterior

A Stellantis espera registrar um prejuízo líquido de € 2,3 bilhões no primeiro semestre do ano, enquanto a proprietária de marcas como Jeep e Fiat enfrenta custos de reestruturação e o impacto das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump.

A empresa, que havia declarado lucro de € 5,6 bilhões no mesmo período do ano passado, afirmou que sofrerá um impacto de € 300 milhões devido às tarifas de Trump, incluindo custos relacionados à perda de produção. Os embarques da empresa na América do Norte durante o segundo trimestre caíram 25% em comparação com o ano anterior.

Também foram declarados € 3,3 bilhões em encargos antes dos impostos, incluindo custos de reestruturação, enquanto a companhia busca reverter a situação sob uma nova equipe de gestão liderada por Antonio Filosa, chefe da operação na América do Norte.

Os elevados encargos resultam do cancelamento de programas, como a recente saída do desenvolvimento de veículos movidos a hidrogênio, além de mudanças nas regulamentações de emissões nos EUA. Também foi incluído um encargo previsto de € 700 milhões, principalmente por perdas com a plataforma de veículos Maserati.

“Certamente, a equipe de gestão não está satisfeita com onde estamos e vamos continuar avançando no segundo semestre”, disse o diretor financeiro da Stellantis, Doug Ostermann, em uma apresentação para investidores na segunda-feira (21).

Há muita incerteza no ambiente hoje, tanto incerteza econômica quanto regulatória”

— Doug Ostermann

A Stellantis está enfrentando um período de instabilidade após a saída repentina do CEO Carlos Tavares, em dezembro, em meio a uma forte deterioração no desempenho financeiro.

A quarta maior montadora do mundo tem lidado com aumento de estoques nos EUA, tensões políticas em suas bases históricas na Itália e na França, e baixa demanda por veículos na Europa.

A Stellantis não é a única a relatar resultados em deterioração nas últimas semanas. A montadora francesa Renault emitiu um alerta de lucro neste mês devido à fraca demanda na Europa, enquanto a Volvo Cars reportou seu primeiro prejuízo operacional desde sua abertura de capital em 2021, alertando sobre lucros menores de dois modelos críticos devido às tarifas automotivas de Donald Trump.

Filosa, nomeado CEO em maio, busca dar continuidade ao esforço de reestruturação iniciado sob a liderança interina do presidente John Elkann, que permanece no cargo.

A Stellantis foi uma das várias montadoras a suspender suas projeções no início deste ano, diante da incerteza comercial causada pelas tarifas, depois que Trump anunciou, em março, um imposto de 25% sobre veículos e peças fabricados no exterior, além de propor impostos “recíprocos” sobre praticamente todo o comércio.

O grupo também vem enfrentando uma demanda fraca no segmento de vans na Europa.

“Minha opinião pessoal, e acho que é o que ouvimos dos clientes, é que há muita incerteza no ambiente hoje, tanto incerteza econômica quanto regulatória”, disse Ostermann. Isso tem levado os clientes comerciais a manter suas frotas por mais tempo, acrescentou.

A Stellantis afirmou nesta segunda-feira (21) que divulgou resultados financeiros preliminares antes da divulgação oficial do primeiro semestre, prevista para a próxima semana, “para abordar a diferença” entre seu desempenho e as previsões dos analistas, na ausência de orientação financeira.

Analistas afirmaram que a empresa está melhor posicionada do que outras montadoras em relação à exposição às tarifas, devido ao seu alto nível de produção local nos Estados Unidos e à conformidade com o acordo comercial com México e Canadá, que protege o grupo de tarifas mais elevadas. A empresa já havia alertado anteriormente sobre um impacto líquido de até € 1,5 bilhão com tarifas ao longo do ano.

O analista Stephen Reitman, da Bernstein, afirmou que o grande encargo de reestruturação sugere que “o conselho está tomando medidas decisivas” e que isso ajudará nas margens operacionais no futuro.

As montadoras se beneficiaram recentemente de uma flexibilização das rigorosas regulamentações da União Europeia para redução de emissões de carbono. Mas Jean-Philippe Imparato, chefe da Stellantis na Europa, alertou que a empresa ainda corre o risco de uma multa de € 2,6 bilhões devido à sua divisão de veículos comerciais leves, que tem feito uma transição mais lenta para veículos elétricos.

As ações da empresa abriram o dia em queda, mas encerraram a segunda-feira (21) com ganho de 1,5%, cotadas a € 8,04.

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2025

Nissan e Honda voltaram à mesa de negociações e, desta vez, a parceria entre as duas gigantes japonesas pode realmente avançar. Algo que, embora discutido diversas vezes no passado, nunca se concretizou. Apesar de terem deixado de lado uma possível fusão no início de 2025, as montadoras mantêm um diálogo ativo e agora avaliam unir forças na produção de picapes nos Estados Unidos.

Conforme o jornal japonês Nikkei, a Honda está estudando a possibilidade de usar a fábrica da Nissan em Canton, no Mississippi. A unidade, que atualmente monta a picape Frontier, vem operando abaixo do ideal, com apenas 57% de sua capacidade sendo utilizada, devido a atrasos em projetos futuros, como dois SUVs elétricos que só devem estrear entre 2028 e 2029.

Para a Nissan, abrir espaço para a Honda ajudaria a otimizar a operação da planta. Para a Honda, seria uma porta de entrada para fortalecer sua presença no competitivo mercado de picapes norte-americano.

Parceria pode gerar mais frutos além do “badge engeneering”

Embora os detalhes ainda não tenham sido confirmados oficialmente, o Nikkei aponta que a cooperação pode ir além de simplesmente aplicar o emblema da Honda em uma Frontier. Há especulações de que ambas as marcas podem colaborar no desenvolvimento de uma nova picape de grande porte, possivelmente para ocupar o lugar da Nissan Titan, que saiu de linha em 2024 após desempenho fraco de vendas.

O projeto seria viável, já que a Honda possui atualmente apenas a Ridgeline em sua linha, uma picape de porte médio e construção monobloco, diferente do padrão das concorrentes.
SUV grande a caminho?

Os rumores se intensificam à medida que surgem informações sobre conversas anteriores entre as duas empresas envolvendo veículos maiores. A imprensa japonesa já havia noticiado o interesse da Honda em desenvolver, em conjunto com a Nissan, um SUV de grande porte com base no Nissan Armada, uma aposta para disputar espaço com rivais como Chevrolet Tahoe e Toyota Sequoia.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Capital Econômico - SP   22/07/2025

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou forte expansão em maio deste ano. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o setor movimentou R$ 37,6 bilhões no período, representando um crescimento de 24% em relação ao mesmo mês de 2024.

No mercado interno, o avanço foi ainda mais expressivo: as vendas totalizaram R$ 21,8 bilhões, alta de 35,5%. O desempenho positivo tem impactos diretos sobre a cadeia logística, especialmente no segmento de armazenagem e movimentação de grandes equipamentos.
Demanda crescente por soluções logísticas

O crescimento da produção e comercialização de maquinários, especialmente nos setores industrial e do agronegócio, tem impulsionado a busca por estruturas logísticas adaptáveis e eficientes.

A necessidade de espaços para armazenagem de máquinas pesadas, como implementos agrícolas e rodoviários, vem aumentando à medida que empresas expandem suas operações.

Empresas do setor de galpões modulares têm registrado alta na procura por soluções que atendam às especificações técnicas exigidas por esses equipamentos, como resistência, proteção e flexibilidade de instalação.

A demanda tem sido mais intensa nas regiões Sudeste e Sul do país, com destaque para o estado de São Paulo, responsável por 40% do atendimento em determinados segmentos.
Importações também batem recorde

Entre janeiro e maio de 2025, as importações brasileiras de máquinas e equipamentos somaram US$ 13,1 bilhões — o maior volume já registrado para o período, segundo a ABIMAQ. A China permanece como principal país exportador, respondendo por 32,4% do total importado.

Boa parte desses equipamentos é destinada a setores como construção civil, infraestrutura e logística, reforçando a necessidade de uma cadeia de armazenagem estruturada e capaz de atender à alta demanda.

CONSTRUÇÃO CIVIL

InfraRoi - SP   22/07/2025

O mercado brasileiro de construção civil vem de um período de crescimento modesto, mas enfrenta um momento de transição em 2025. Após avançar 4,1% em 2024, a previsão da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) é de que o setor cresça 2,3%, refletindo uma desaceleração do ritmo. No entanto, na comparação anual, o setor ainda mantém dinamismo: o PIB da construção cresceu 3,4 % no primeiro trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024, apesar da queda de 0,8 % em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Os desafios atuais para manter o crescimento não são poucos. O setor enfrenta problemas na disponibilidade de mão de obra e precisa passar por uma atualização de processos com a tecnologia ao mesmo tempo em que busca formas de ser mais sustentável. Confira a seguir as principais tendências de construção civil em 2025.

Tecnologia na construção civil em 2025

A principal tendência tecnológica do setor continua sendo o Building Information Modeling (BIM), que permite criar modelos digitais detalhados que trazem informações sobre materiais, custos e cronogramas de uma obra. Por ser digital, ele permite que os envolvidos no projeto (arquitetos, engenheiros, empreiteiros e clientes) colaborem em cima do mesmo documento, reduzindo retrabalho e conflitos entre disciplinas.

Quando combinado com inteligência artificial, o BIM também consegue detectar antecipadamente interferências entre sistemas (clash detection), como uma tubulação que atravessa uma viga, evitando correções caras durante a obra. Dessa forma, é possível ter maior precisão, diminuindo desperdício de materiais e ajustes de última hora, com maior controle de custos e de prazos.

A IA também pode ajudar em outros desafios da construção. Por exemplo, na segurança do trabalho, ao analisar dados de sensores de internet das coisas (IoT) para identificar riscos como movimentações inesperadas de solo e presença de gases tóxicos, gerando alertas em tempo real às equipes de segurança. Em outra frente, ela pode reduzir em até 25% os custos operacionais em grandes projetos, ao antecipar pontos críticos de uma obra e otimizar a alocação de recursos, segundo a consultoria Deloitte.
Tendências de métodos construtivos

Fugindo da construção tradicional, os métodos de construção PPMOF (Pré-fabricação, Pré-montagem, Modularização e Fabricação Offsite, em tradução livre da sigla em inglês) surgem como uma forma de de melhorar o desempenho de projetos. O mercado global de construção pré-fabricada é avaliado em US$ 129 bilhões, com previsão de crescimento de 7,1% até 2026, segundo o Global Market Insights.

Em artigo, a Deloitte define o PPMOF da seguinte forma:
Pré-fabricação (P): um processo de fabricação, geralmente realizado em uma instalação especializada, no qual diferentes materiais são unidos para formar uma parte integrante de uma instalação final. É uma prática comum na maioria dos projetos industriais hoje; Pré-montagem (P): um processo pelo qual vários materiais, componentes pré-fabricados e/ou equipamentos são conectados em um local remoto para depois serem instalados como uma subunidade. Geralmente é focado em um sistema e também é uma prática comum na maioria dos projetos industriais hoje; Modularização (M): uma seção principal de uma planta resultante de uma série de operações de montagem remota que pode incluir diversas partes de muitos sistemas, sendo geralmente a maior unidade transportável ou componente de uma instalação; Fabricação Offsite (OF): uma prática de pré-montagem ou fabricação de componentes tanto fora do local quanto no local em uma localização diferente do ponto final de instalação.

Ainda segundo a Deloitte, uma das principais vantagens na aplicação desses métodos é a redução de custos nos projetos, que podem representar uma economia de até 10% nos gastos gerais e de 25% nos custos com a mão de obra, segundo um estudo do Construction Industry Institute (CII).

Além dos conceitos do PPMOF, também há o pré-moldado, que é a produção de elementos construtivos pela moldagem do concreto em uma fôrma, geralmente reutilizável. Fabricados em usinas especializadas, dentro ou fora de uma obra, os pré-moldados permitem maior agilidade na construção e a redução de desperdícios, já que a peça terá a dimensão exata da sua necessidade.
Sustentabilidade na construção civil

A construção civil é responsável por cerca de 39% das emissões globais de CO2 relacionadas à energia e aos processos industriais, sendo 28% provenientes do uso de energia em edificações (aquecimento, resfriamento e iluminação) e 11% do carbono embutido nos materiais e na própria construção. Como resposta, o setor tem adotado diferentes iniciativas para reduzir sua pegada de carbono.

O uso de concreto reciclado, tijolos ecológicos, materiais compostos biodegradáveis e madeira certificada, são algumas das ações que construtoras têm buscado. Isso reforça a implementação de práticas de economia circular que priorizam a reutilização, reciclagem e recuperação de materiais ao longo de todo o ciclo de vida das edificações, diminuindo o volume de resíduos e o consumo de recursos naturais.

Surge também um maior interesse por projetos autossustentáveis após sua construção. Empreendimentos podem ser projetados para gerar ao menos a mesma quantidade de energia que consomem (Zero Energy Buildings) a partir da energia solar ou eólica. Também é possível integrar sistemas de captação de água da chuva, tratamento e reúso de águas cinzas e filtragem para usos não potáveis.
Os desafios com a mão de obra para construção civil em 2025

Atualmente, o número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil chega a 2.992.877 pessoas, segundo levantamento da CBIC. A perspectiva é de que o setor chegue à marca de 3 milhões de trabalhadores ainda este ano, mas a contratação ainda é um desafio para o setor.

“A Sondagem da Construção”, pesquisa realizada pelo FGV-Ibre, apontou que 71,2% dos empregadores do setor da construção civil declararam ter tido dificuldades em contratar trabalhadores qualificados entre junho de 2023 e junho de 2024, e 39% afirmaram ter “muita dificuldade”. O cenário se agrava diante da rápida evolução das habilidades exigidas, especialmente nas áreas digitais e interpessoais.

Para Fabio Cassab, sócio da EXEC, consultoria especializada na contratação e desenvolvimento de altos executivos e conselheiros, a construção civil tem como desafio a capacitação e a inovação técnica, que tem dificuldade em acompanhar lado a lado o avanço das tecnologias como visto em outros segmentos. “A construção civil no Brasil ainda é um setor que segue processos e modelos de trabalho que se repetem há anos, da mesma forma.” Por isso, as tendências citadas neste texto podem ser fundamentais para auxiliar o setor a enfrentar os desafios.

NAVAL

Portos e Navios - SP   22/07/2025

A movimentação geral de cargas de exportação e de importação fechou o primeiro semestre de 2025 com o total de 34.252.008 toneladas nos portos do Paraná. O montante representa aumento de 1,4% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o total de produtos exportados e importados que passaram pelos terminais paranaenses foi de 33.780.236 toneladas. Segundo a Portos do Paraná, foi o maior volume de movimentação registrado em portos do estado num primeiro semestre.

No caso da exportação, a movimentação subiu de 21.261.128 toneladas no primeiro semestre de 2024 para 21.275.295 toneladas em 2025, com alta de 0,1%. O maior volume foi de soja, com 7.863.227 toneladas do grão. Além disso, foram embarcadas no semestre nos portos paranaense 3.428.464 toneladas de farelo de soja, correspondentes a 30% de tudo que foi exportado do produto pelo país no período. Os principais destinos, informou a Portos do Paraná, foram a França, a Holanda e a Coreia do Sul. O total movimentado foi de 1,1 bilhão de dólares. O terminal paranaense também liderou o embarque de óleo de soja no semestre, com 528 mil toneladas, o equivalente a 64% do volume exportado pelo Brasil.

Os embarques de cargas em contêineres também apresentaram crescimento em volume movimentado, de 780.457 TEUs no primeiro semestre de 2024 para 803.041 TEUs nos seis primeiros meses de 2025. Nesse caso, segundo a Portos do Paraná, o resultado foi puxado pelo embarque de carnes, que representaram 34% da movimentação brasileira. As carnes mais exportadas pelos portos do Paraná foram, respectivamente, frango e carnes bovina e suína. Os principais destinos foram China, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Japão.

Houve também aumento, de 3,7%, na movimentação de cargas importadas. O volume total de importações que passou pelos portos paranaenses subiu de 12.519.108 toneladas no primeiro semestre de 2024 para 12.976.714 toneladas em 2025. Os fertilizantes lideraram as chegadas do exterior, com 5.251.240 toneladas desembarcadas, equivalentes a 27% das importações brasileiras dos produtos. Vindos da China, da Rússia e do Canadá, eles tiveram como principais destinos os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás.

A previsão da Portos do Paraná é de aumento da movimentação nos próximos anos. Para atender ao crescimento operacional, a empresa anunciou que está investindo mais de R$ 600 milhões na obra ferroviária do Moegão, para interligar 11 terminais por meio de galerias aéreas. Serão três linhas férreas independentes, capazes de movimentar ao mesmo tempo até 180 vagões carregados com grãos e farelos vegetais. Segundo a companhia, não haverá mais necessidade de entrada nos terminais e as manobras serão eliminadas, reduzindo interrupções no tráfego urbano. “Aumentaremos a capacidade de 550 vagões por dia para até 900 vagões diários, alcançando 24 milhões de toneladas por ano”, explicou o diretor de Engenharia e Manutenção da Portos do Paraná, Victor Kengo.

Outro investimento anunciado pela Portos do Paraná é a construção do Píer em “T”, que ampliará a produtividade do Porto de Paranaguá, com quatro novos berços com capacidade para movimentar até 8 mil toneladas por hora, elevando em mais de 100%, a média atual, que é de três mil toneladas a cada hora. Para a conclusão da obra, três áreas arrendadas na região portuária investirão R$ 1,2 bilhão, e o governo do Paraná repassará R$ 1 bilhão. Ela permitirá receber navios maiores, e a expectativa é de movimentar até 32 mil toneladas por hora.

Agrolink - RS   22/07/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na úlitma quarta-feira (16), o Decreto nº 12.555/2025, que regulamenta o programa BR do Mar. A medida integra a Agenda de Redução do Custo Brasil, coordenada pela Secretaria de Competitividade e Política Regulatória (SCPR), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A regulamentação do BR do Mar busca incentivar a cabotagem — transporte marítimo entre portos nacionais —, promover o uso de embarcações menos poluentes, ampliar a participação da indústria naval e permitir o afretamento de embarcações estrangeiras com critérios de sustentabilidade.

A execução do programa está sob responsabilidade do Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor). A pasta destaca que o setor de cabotagem representa atualmente 11% da carga transportada no país. Segundo o Plano Nacional de Logística (PNL), a expectativa é de que esse volume cresça 15% na próxima década, devido à redução dos custos de transporte.

De acordo com estudo da Infra SA, a regulamentação pode gerar uma economia de até 15% no custo do frete. “O que pode resultar numa redução de R$ 19 bilhões anuais dos custos logísticos para empresas e consumidores”, informou a entidade. Além disso, o valor médio do frete de uma tonelada transportada por cabotagem é 60% menor que o transporte rodoviário e 40% menor que o ferroviário.

Em 2024, cerca de 213 milhões de toneladas foram movimentadas via cabotagem no Brasil. Desse total, o petróleo foi responsável por 77% das cargas transferidas, principalmente entre plataformas offshore e portos na costa.

Para institucionalizar as ações da Agenda de Redução do Custo Brasil, foi criado, no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), o Grupo de Trabalho para Redução do Custo Brasil (GT-CB). Atualmente, a agenda possui 43 projetos — 11 concluídos e 32 em andamento — distribuídos entre execução direta, monitoramento e tramitação legislativa.

Entre os eixos prioritários da agenda estão a ampliação da matriz logística, o acesso ao crédito, a expansão da banda larga, a simplificação tributária, a abertura do mercado de gás natural e o acesso à energia elétrica competitiva.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   22/07/2025

O senador americano Lindsey Graham fez uma ameaça sobre a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem tarifa de 100% a países que continuarem comprando petróleo da Rússia. O Brasil seria um dos potenciais alvos.

“Se vocês continuarem comprando petróleo barato da Rússia para permitir que essa guerra continue, nós vamos colocar um inferno de tarifas, esmagando a sua economia”, disse o republicano da Carolina do Sul em entrevista à Fox News nesta segunda-feira, 21.

“China, Índia e Brasil. Esses três países compram 80% do petróleo russo barato, e é assim que a máquina de guerra de Putin continua funcionando”, disse. “Se isso continuar, vamos impor 100% de tarifa para esses países. Punindo-os por ajudar a Rússia”, afirmou.

“Putin pode sobreviver às sanções, sem dar relevância a elas, e tem soldados. Mas a China, a Índia e o Brasil vão ter de fazer uma escolha entre a economia americana e a ajuda a Putin”, afirmou. “O jogo mudou em relação a você, presidente Putin.”

O senador afirmou ainda que os EUA continuarão mandando armas para que a Ucrânia possa revidar aos ataques russos.

CNN Brasil - SP   22/07/2025

Brasil e Estados Unidos têm conseguido manter o crescimento na produção de petróleo desde o início deste século, ainda que em ritmos diferentes.

Entretanto, enquanto os americanos se consolidam como o maior produtor do mundo, a realidade brasileira pode ser de mudança na condição de exportador da commodity para importador já na próxima década.

O Ministério de Minas e Energia já espera que a produção brasileira fique estagnada em 2030, caia à metade em 2040 e praticamente zere em 2050. Os dados são da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), que analisa o cenário produtivo do país com base nas diretrizes estabelecidas pelo governo.

Especialistas ressaltaram à CNN alguns fatores que contribuem para a diferença na realidade de Brasil e Estados Unidos. Entre eles estão a geologia específica de cada território, as regulamentações e legislações vigentes, e a distinção em relação ao modelo de negócios adotado e à abertura do mercado.

Os Estados Unidos exploram petróleo onshore, extraído em terra firme, com menor custo e complexidade. Lá, o processo mais utilizado é a exploração de “shale”, ou gás de xisto. Já o Brasil explora petróleo offshore, que vem do mar, exigindo plataformas mais avançadas e custosas.

Cerca de 80% da produção nacional hoje é impulsionada pelo pré-sal, reserva de petróleo e gás natural em águas profundas e ultraprofundas descoberta pela Petrobras em 2006 no litoral brasileiro. No entanto, conforme explicou à CNN Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), o pontapé inicial para a exploração do pré-sal poderia ter proporcionado uma condição atual mais vantajosa ao Brasil.

“Ao descobrir o pré-sal, o governo acha que tem que mudar o modelo jurídico dos leilões de petróleo e começa a discussão no Congresso Nacional de um modelo da partilha”, recordou Pires.

“Mas o grande erro foi que paralisamos os leilões enquanto se discutia esse modelo. Portanto, houve um período de cinco anos, de 2008 a 2013, sem qualquer certame de petróleo. Com isso, o número de postos exploratórios começa a cair”, destacou.

Ainda segundo o especialista, o Brasil ficou inerte durante o período em que não realizou a oferta de blocos para a exploração de petróleo, enquanto os Estados Unidos avançavam cada vez mais com a produção de “shale” durante esses cinco anos.
Produção brasileira poderia ser o dobro do que é

“A nossa produção atual já poderia ser muito maior do que ela é, poderia ser o dobro ou muito maior, mas ficamos cinco anos sem leilão, o que é muito tempo. Eu falo que nesse período fizeram uma das maiores atrocidades contra a geração futura do Brasil.”

De acordo com o presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), Roberto Ardenghy, o governo deve estabelecer um regime regulatório favorável e desenvolver novas reservas para que o país não tenha um declínio na produção já a partir de 2030.

“Cada país tem uma geologia própria, e a reserva de petróleo convencional, que é a que o Brasil tem, produz petróleo durante 27 a 30 anos. Ou seja, é um período que acaba, é rápido”, explicou.

Ardenghy explicou que a Bacia de Campos, cuja extração teve início em 1977, já está em fase de amadurecimento, enquanto o pré-sal, que começou a ser explorado efetivamente em 2008, também vai reduzir a produção inexoravelmente nos próximos anos.

“Por isso há a discussão da Margem Equatorial, na fronteira com a Guiana Francesa, e sobre a Bacia de Pelotas, na parte sul do Brasil, fronteira com o Uruguai. São duas bacias que foram identificadas com potencial de petróleo. E nós temos tecnologia para explorá-las, já provamos com o pré-sal, reconhecido como um sucesso mundial”, acrescentou.

Tanto Pires quanto Ardenghy destacam a necessidade da realização de novos leilões de petróleo. Segundo eles, é preciso garantir a atratividade do país e permitir a exploração da commodity para reverter a tempo a projeção que coloca o Brasil na condição prioritária de importador.
Aposta em novas tecnologias de exploração

Para os especialistas ouvidos pela CNN, o Brasil deve buscar um modelo mais competitivo no setor e apostar em tecnologias que são utilizadas em outros países, como o shale.

Além disso, eles ressaltam a necessidade de mais investimentos na exploração de petróleo a partir de novos leilões e um ambiente regulatório mais favorável aos negócios.

Segundo Marco Tavares, CEO da Gas Bridge, a combinação desses fatores levaria o Brasil a ter um desempenho melhor não só na área de petróleo, mas no PIB (Produto Interno Bruto) de modo geral.

“O setor industrial nos últimos anos têm apresentado queda na produção, em vez de crescimento. Principalmente na indústria química, com a balança comercial muito desfavorável ao Brasil, com mais de US$ 40 bi de déficit, que poderiam ser parcialmente ou totalmente reduzidos se tivéssemos uma indústria mais competitiva”, afirmou.

Tavares citou um estudo da Abrace que aponta para a redução no preço do gás em caso de maior competição no setor, o que poderia trazer impacto de 2% a 3% no PIB industrial, com um ambiente mais propício ao crescimento da indústria química, petroquímica e de aço.

Como exemplo, o empreendedor disse que a Argentina passou a atrair mais empresas ao abrir o mercado e introduzir o shale para a produção de petróleo e gás. Com isso, Tavares cita que “praticamente todas as empresas que estão nos Estados Unidos” também já estão no país do presidente Javier Milei.

“A Argentina começou a investir no shale e acabou descobrindo a segunda maior reserva do mundo, atrás somente dos Estados Unidos. Hoje, eles passaram a exportar mais petróleo, cerca de 50% da produção, e isso a preços americanos, por conta da tecnologia”, afirmou.

Segundo Roberto Ardenghy, presidente do IBP, o desenvolvimento dos argentinos no setor de petróleo e gás pode aumentar a concorrência do Brasil como exportador dentro do continente.

“A perspectiva é que a Argentina possa se tornar um concorrente energético do Brasil na América Latina, porque à medida que eles continuam a desenvolver o negócio de petróleo e gás, vão tentar vender para mercados que o Brasil vende. Mas é uma concorrência saudável. Eles também têm reservas importantes e é uma competição boa para o mercado, porque gera segurança energética”, disse.
“Shale boom”

A exploração do shale permitiu aos Estados Unidos quase triplicar a produção de petróleo nos últimos 20 anos.

Em 2005, a produção diária era de 4,99 milhões de barris por dia, enquanto no Brasil era 1,6 milhão de bpd. Agora, os americanos produzem 13,5 mi de barris diários, enquanto os brasileiros atingiram recorde em maio de 3,697 mi, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Os Estados Unidos identificaram a oportunidade da exploração do shale há mais de 7 décadas, mas conseguiram evoluir tecnologicamente somente no início do século para otimizar a produtividade e atingir níveis recordes.

O ponto de virada para a produção massiva de petróleo com a exploração do shale fez com que os EUA se tornassem o maior produtor mundial da commodity em 2018, superando Arábia Saudita e Rússia, e mantendo a posição até o momento.

“Os Estados Unidos passaram de uma condição de importador, o maior do mundo, e conseguiram criar excedente e passar a ser exportador. É uma mudança radical da indústria nos últimos 20 anos, na qual os norte-americanos eram o maior dependente global de petróleo e conseguiram essa alteração geopolítica importantíssima”, destacou Marco Tavares, da Gas Bridge.

Para conseguir viabilizar o shale e retirar o petróleo das rochas sedimentares, é preciso utilizar uma técnica chamada de fracking (fraturamento hidráulico), que injeta água, areia e alguns produtos químicos em alta pressão para quebrar a rocha e liberar o petróleo.

No Brasil, a aprovação de uma lei em 2019 no Paraná proíbe o uso do fracking para a extração de petróleo a partir do shale. Ainda que a legislação seja de esfera estadual, ela é considerada por especialistas como uma antecipação para não haver a prática em território nacional.

“A gente teria no Brasil a perspectiva de produzir gás e petróleo de shale em algumas reservas sedimentares brasileiras, mas temos que superar essa decisão judicial. Isso cabe ao governo federal, ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional do Petróleo”, pontuou Ardenghy.

O MPF (Ministério Público Federal) do Paraná já entrou com uma ação contra a ANP (Agência Nacional de Petróleo) para que não sejam feitos quaisquer leilões de petróleo com uso do fracking, o que inviabilizou a realização de certames para a exploração das reservas brasileiras.

“É preciso explicar que essa é uma tecnologia totalmente dominada, que não tem nenhum impacto maior sobre os lençóis freáticos, com contaminação ou algo do gênero. Países como Estados Unidos, China e até a Argentina usam essa tecnologia de maneira muito segura, gerando riquezas muito grandes”, acrescentou.
Soluções

Os especialistas consideram que o Brasil tem condições de se aproveitar da demanda futura por petróleo no mundo — não há a crença no setor de energia que a commodity cairá em desuso com a transição energética.

“O Brasil tem que entender que precisamos com urgência, no caso específico do petróleo e gás, de licenças ambientais. Já estamos atrasados para explorar a margem continental, que está na região mais próxima do Brasil para o arco norte. Se não a explorarmos, vamos passar a ser o quê? Importador de petróleo”, pontuou Adriano Pires.

Para João Victor Marques, pesquisador da FGV Energia, ampliar a agenda de leilões também é importante para garantir previsibilidade às empresas, que vão buscar realizar estudos sobre as áreas ofertadas nos blocos envolvidos.

O especialista espera que o país busque ampliar a participação de empresas estrangeiras no mercado nacional. Segundo ele, o mercado asiático deve concentrar a maior parte da demanda por petróleo no mundo, com destaque para China, Oriente Médio e outros países, como o Vietnã.

“A entrada de empresas chinesas no país é bastante estratégica, pois há necessidade de assegurar a oferta para essa demanda crescente. Além disso, após a guerra da Ucrânia, a Europa precisou diversificar os supridores, e o Brasil se tornou mais relevante. Nós temos a geopolítica a nosso favor, já que a América do Sul é o continente que menos oferece risco no mundo”, explicou Marques.

Ele conclui dizendo que a “diversificação nunca é demais, pois permite ao Brasil garantir a autossuficiência de combustíveis e a condição de continuar como exportador”.

“Temos uma demanda de petróleo crescente no mercado internacional e o país segue sendo um player confiável, que nos posiciona com vantagem para suprir esse volume nas próximas décadas.”

Petro Notícias - SP   22/07/2025

Dando sequência ao seu programa de perfuração no pré-sal, a Petrobrás iniciou a perfuração do poço 9-BUZ-103D-RJS no campo de Búzios, na Bacia de Campos, em lâmina d’água de 1.700 metros. A operação está sendo realizada pelo navio-sonda Atlantic Zonda, de propriedade da Eldorado Drilling e operado pela Ventura Offshore.

Em fevereiro deste ano, a companhia anunciou a descoberta de óleo no poço 9-BUZ-99D-RJS, localizado na porção oeste do campo de Búzios. Na ocasião, a Petrobrás informou que se tratava de uma nova acumulação em uma zona inferior ao reservatório principal, reforçando “o potencial do pré-sal no campo de Búzios”.

Na semana passada, como noticiamos, a Petrobrás reiniciou a perfuração do poço pioneiro 1-BRSA-1401D-RJS, no bloco de Água Marinha, também no pré-sal da Bacia de Campos. Além disso, perfurou o poço 3-BRSA-1400A-SPS no bloco de Aram, localizado no pré-sal da Bacia de Santos.

Valor - SP   22/07/2025

Petroleira portuguesa somou 5,06 bilhões de euros em receita operacional entre abril e junho, queda de 13,5% na comparação anual, e Ebitda de 729 milhões de euros, recuo de 25,3%

A Galp fechou o segundo trimestre com lucro de 315 milhões de euros (US$ 366 milhões), representando uma queda de 13% frente o mesmo período do ano passado. A petroleira portuguesa somou 5,06 bilhões de euros em receita operacional entre abril e junho, 13,5% inferior ao faturado no ano passado.

O resultado antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) caiu 25,3%, na mesma base de comparação, para 729 milhões de euros.

Nesta segunda-feira (21), a empresa disse que recebeu ofertas não vinculantes de petrolíferas como Petrobras para se tornarem parceiras na nova descoberta em Mopane, na Namíbia. Segundo analistas, a descoberta tem potencial de dobrar o preço das ações ao longo dos próximos cinco anos.

Valor - SP   22/07/2025

Poços já produziram previamente por meio do sistema antecipado de produção do navio-plataforma Petrojarl I, destacou a companhia

A Brava Energia disse que concluiu em meados de julho a conexão dos poços 2H e 3H, localizados no Campo de Atlanta, ambos em processo de testes e estabilização, para quais a empresa espera atingir pico de produção e eficiência operacional durante os próximos meses.

Os poços já produziram previamente por meio do sistema antecipado de produção do navio-plataforma (FPSO) Petrojarl I.

“Vale reforçar que o projeto de Atlanta ainda se encontra em uma fase de testes de sistemas de produção e automação, sendo esperadas oscilações na produção diária reportada nesse período”, afirmou a petroleira em nota divulgada ao mercado.

TN Petróleo - RJ   22/07/2025

Com foco na expansão da infraestrutura e na universalização do uso do gás natural, a Companhia Paranaense de Gás (Compagas) registrou resultados históricos no primeiro semestre de 2025. Os números marcam o encerramento do primeiro ano do novo contrato de concessão e refletem uma empresa ágil, moderna e em franco crescimento. Nesse período, a Compagas conseguiu mais que dobrar o volume de clientes, impulsionando a expansão da malha de distribuição e fortalecendo a integração com o mercado consumidor.

De janeiro a junho de 2025, a Compagas conectou mais de 3,5 mil novos clientes à rede de distribuição, o que representa praticamente todas as ligações realizadas no ano de 2024. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o crescimento é de 272% - são 3,5 mil novas unidades ligadas em 2025 contra 1,3 mil no primeiro semestre de 2024. Com esse desempenho, a empresa atinge a marca de 62 mil clientes atendidos com gás natural canalizado no Paraná.

Além do volume de clientes conectados, a companhia também bateu recordes no número de contratos firmados: mais de 10 mil novos contratos no semestre, um avanço expressivo sobre o ano anterior. O resultado reflete a entrada em novos mercados e a ampliação da rede de distribuição. Por exemplo, em Curitiba, 70% dos empreendimentos imobiliários já nascem conectados à rede, evidenciando uma tendência de mercado que valoriza soluções modernas, eficientes e sustentáveis. A Compagas já opera mais de 920 quilômetros de rede em 16 municípios, responsáveis por 37% do PIB do Paraná.

"Estamos em um momento estratégico para o setor de gás natural no Paraná, com investimentos robustos que ampliam a capilaridade da nossa rede e aumentam a segurança e eficiência no fornecimento de energia", afirma Eudis Furtado, CEO da Compagas. "Os resultados deste semestre mostram que o mercado paranaense está cada vez mais adepto às vantagens do gás natural, tanto pela eficiência operacional quanto pelo custo-benefício. Nosso compromisso é seguir avançando na universalização do serviço e no atendimento a novos mercados, reforçando o papel do gás canalizado como vetor de desenvolvimento para o estado".

Primeiro ano do novo contrato de concessão
O novo contrato de concessão da Compagas entrou em vigor em julho de 2024 e nesse primeiro ano do ciclo de investimentos a Compagas já conectou mais de 7,2 mil clientes. Esse resultado é quatro vezes superior ao obtido no período de julho de 2023 a junho de 2024. O destaque também é para a construção de mais de 36 quilômetros de novos dutos de distribuição de gás natural canalizado em Curitiba, na região metropolitana e no Norte do Paraná.

"Nos próximos anos, vamos ampliar ainda mais nossa presença no Paraná, conectando cinco novas cidades, chegando com nossa infraestrutura de gás canalizado a um total de 21 municípios que, juntos, representam 47% do PIB do Estado. Nosso foco está em dobrar o número de clientes atendidos pela Compagas, construir mais redes, promover o desenvolvimento e levar os benefícios do gás natural a um número cada vez maior de clientes, regiões e municípios, com segurança, eficiência e qualidade.", acrescenta Eudis.

Até 2029 está previsto um total de R$ 505 milhões em investimentos com foco na expansão da infraestrutura e na integração de novas regiões. Entre os projetos prioritários, estão R$ 14 milhões na ampliação do atendimento em Curitiba e Região Metropolitana, R$ 100 milhões para o Norte do Paraná e outros R$ 108 milhões na construção de um novo gasoduto de 52 quilômetros entre Araucária e Lapa, permitindo o acesso ao gás natural em áreas estratégicas para o desenvolvimento industrial e logístico do Paraná.

Os investimentos da Compagas também estão alinhados à estratégia de sustentabilidade, que busca transformar a matriz de suprimento com o uso ampliado do gás natural e com a inserção do biometano. O Projeto Corredores Sustentáveis é uma das iniciativas que simbolizam essa transição energética, promovendo um avanço estratégico rumo a um transporte mais limpo, eficiente e comprometido com os objetivos ambientais.

"O Paraná tem um enorme potencial para incorporar o gás natural e o biometano à sua matriz de transporte rodoviário, o que contribui diretamente para a redução das emissões, com uma economia para as transportadoras, redução dos custos logísticos e ganhos em eficiência. Além dos caminhões a gás que já podem circular diariamente por rotas estratégicas que interligam os municípios de Londrina e Paranaguá, com conexão com os estados de São Paulo, Matos Grosso do Sul e Santa Catarina, também trabalhamos para viabilizar os primeiros ônibus movidos a gás no transporte coletivo de passageiros do Estado. E já começamos a projetar soluções para caminhões de coleta de lixo movidos a gás, o que promove uma economia circular completa para a sociedade", destaca.

Os projetos ligados à mobilidade urbana são essenciais para a descarbonização dos grandes centros urbanos. Isso porque o gás natural apresenta emissões de efeito estufa 25% menores que o diesel, enquanto o biometano indica que a redução pode alcançar um patamar de 87%. Resultados que interferem diretamente na qualidade do ar e na saúde da população.

Gás para o interior
Em fevereiro, a Compagas apresentou oficialmente à sociedade do Norte do Paraná o projeto de expansão da rede de gás canalizado nos municípios de Londrina e Maringá, um marco importante do plano de interiorização do serviço no estado.

Em Londrina, serão instalados 70 quilômetros de gasoduto, com atendimento previsto para os segmentos industrial, residencial, comercial e veicular. A cidade será abastecida por biometano, reforçando também a estratégia de uso de fontes renováveis no fornecimento. Até o momento, a companhia já concluiu a instalação de 4 quilômetros da rede, com as obras seguindo dentro do cronograma previsto. Maringá também faz parte da expansão. No município, serão implantados 19 quilômetros de rede, com foco inicial no atendimento a clientes industriais. As obras na cidade também já foram iniciadas.

Com operações em Curitiba e outros 16 municípios, a Compagas atende atualmente mais de 180 indústrias, 840 estabelecimentos comerciais entre restaurantes, padarias, lavanderias, shoppings, clubes, 33 postos de combustíveis e 62 mil residências.

Sobre a Compagas - A Compagas é uma empresa privada, tendo como acionistas a Compass (51%), a Commit (24,5%) e Mitsui (24,5%). A Compagas conta com uma rede de distribuição de mais de 920 quilômetros de extensão, atende clientes dos segmentos industrial, comercial, residencial, veicular e de geração elétrica, instalados em 16 municípios do Estado. Os mais de 62 mil usuários consomem diariamente cerca de 700 mil metros cúbicos de gás natural. Sua atuação está pautada em bases econômicas, sociais e ambientais e com foco na promoção da expansão do uso do gás natural. Ciente do seu importante papel para indução do desenvolvimento e da necessidade da diversificação da matriz energética, executa ações em prol da competitividade e da segurança para seu mercado. A Compagas investiu e vai continuar investindo no desenvolvimento do Paraná.

Infomoney - SP   22/07/2025

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta segunda-feira, 21, enquanto investidores digerem uma nova rodada de sanções ao setor de energia da Rússia e avaliam uma possível redução de demanda da commodity.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro recuou de 0,15% (US$ 0,10), a US$ 65,95 o barril. Já o Brent para mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), cedeu 0,10% (US$ 0,07), a US$ 69,21 o barril.

Hoje, o governo do Reino Unido anunciou a imposição de 137 novas sanções contra setores estratégicos da energia e do petróleo da Rússia, em um movimento para minar o financiamento da guerra na Ucrânia.
Em análise, a Phillip Nova avalia que os preços do petróleo provavelmente permanecerão “dentro de uma faixa limitada” e perto da estabilidade, a menos que haja “fatores concretos”. “Os mercados tentam decifrar as implicações das novas sanções da União Europeia (UE) ao petróleo russo”, avalia, em referência ao pacote aprovado pelo bloco na última sexta-feira.

Para o ING, “a falta de reação” demonstra que o mercado não está “convencido da eficácia dessas sanções”. “A parte do pacote que provavelmente terá o maior impacto no mercado é a imposição, pela UE, de uma proibição de importação de produtos refinados processados a partir do petróleo russo em países terceiros”, afirma.

Ainda para a Phillip Nova as ameaças de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, podem prejudicar a demanda por combustível no futuro. Em entrevista, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que não irá se apressar para firmar acordos comerciais, já que “a qualidade é mais importante do que o ‘momento certo'”.

RODOVIÁRIO

Grandes Construções - SP   22/07/2025

Foi assinado na quinta-feira (18) da semana passada, em Brasília, o contrato de concessão da BR-364, no trecho entre Porto Velho e Vilhena.

O acordo, celebrado entre o Governo Federal e a Nova 364, marca o início de um novo ciclo de investimentos e modernização em uma das principais rodovias do Norte do país.

A assinatura é um marco institucional, mas o início formal da concessão ainda depende da publicação do termo de arrolamento, documento que registra todos os bens e ativos que serão transferidos para a administração da concessionária e que oficializa o início da operação contratual.

Mesmo antes desse procedimento, no entanto, a Nova 364 já estava em campo com diversas frentes de obras, graças a um termo de cooperação técnica firmado com o DNIT.

As equipes da concessionária já atuam em quatro frentes de serviço, duas frentes de sinalização e conserva, duas frentes de recuperação de obra de arte especial (OAE).

Até o momento, 16 trechos da rodovia foram melhorados, com foco em segurança, fluidez e infraestrutura nas cidades de Porto Velho, Ariquemes, Itapuã do Oeste, Vilhena e Pimenta Bueno.

Cerca de 2.000 empregos serão gerados direta e indiretamente, representando a abertura de mais oportunidades no mercado rondoniense.

Entre as intervenções já em andamento, destaca-se a reforma da ponte sobre o rio Candeias, uma demanda extracontratual que está sendo executada com recursos próprios da Nova 364.

A obra pretende transformar a ponte em uma estrutura mais moderna, larga, segura e preparada para o aumento de fluxo.

“Além de reforçar e reabilitar, nós vamos alargá-la. Hoje ela tem 10 metros e vai passar a ter 16”, explica o diretor-presidente da Nova 364, Wagner Martins.

“Vamos fazer mais um acostamento, mais uma faixa de pedestres. Tudo isso para dar o conforto e fluidez que a rodovia precisa nesse ponto”, acrescenta.

Outra ação foi a mobilização das equipes após a identificação de uma erosão no pavimento da BR, a cerca de 70 km da área urbana de Vilhena.

O problema, que apresentava risco de desbarrancamento com o possível avanço, foi solucionado em menos de 24 horas.

A Nova 364 é responsável pela gestão da rodovia no âmbito da Rota Agro Norte, eixo estratégico para o escoamento da produção agrícola e o desenvolvimento logístico da região.

“A assinatura do contrato representa a consolidação de um modelo de concessão que alia investimentos privados à melhoria imediata das condições de tráfego, mesmo antes do início formal da operação”, comenta a concessioária.

CNN Brasil - SP   22/07/2025

As concessões de rodovias ultrapassaram o saneamento básico como área de maior intenção para investimentos privados em infraestrutura nos próximos três anos.

O indicativo surge no 13º Barômetro da Infraestrutura Brasileira, pesquisa semestral realizada pela Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), em parceria com a EY-Parthenon – braço de estratégia e transações da EY.

Foram ouvidos 329 investidores, gestores e especialistas na estruturação de projetos.

A nova edição do barômetro foi obtida com exclusividade pela CNN e aponta, pela primeira vez em sete semestres, as rodovias substituindo o saneamento básico na liderança do interesse privado.

Quando se pede aos entrevistados para apontar os três segmentos da infraestrutura com maior perspectiva de investimentos, nos próximos três anos, as respostas são:
Rodovias: 46,6% Saneamento básico: 45,4% Energia Elétrica: 40,6% Ferrovias: 32,6% Petróleo: 27,5% Infraestrutura social: 24,5%
Na pesquisa anterior, feita no segundo semestre de 2024, as prioridades apontadas eram:
Saneamento básico: 56,7% Energia elétrica: 45,0% Rodovias: 35,4% Mobilidade urbana: 31,4% Ferrovias: 24,1% Infraestrutura social: 23,5%
O sócio da EY-Parthenon para governo e infraestrutura, Gustavo Gusmão, afirma que o crescimento do interesse por investimentos em rodovias se deve a uma série de anúncios de projetos pelo governo federal e por governos estaduais.

Além de 15 leilões organizados pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), empreendimentos bilionários estão sendo oferecidos em São Paulo, no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.

Na sexta-feira (18), por exemplo, foi assinado o contrato de concessão da BR-364 em Rondônia. A concessão prevê investimentos de R$ 10,2 bilhões ao longo de 30 anos.

O consórcio 4UM/Opportunity venceu o leilão do trecho, que liga Porto Velho a Vilhena, em fevereiro. O projeto envolve duplicações e implantação de faixas adicionais.

Gusmão avalia que a manutenção do saneamento básico na liderança das intenções de investimento, por tanto tempo, tem ligação direta com o marco legal de 2020.

“Ainda temos muitos novos projetos nessa área para os próximos anos, que passou por um hiato de licitações até o início de 2025, o que contribuiu para a mudança [na pesquisa]”, diz o executivo.

“Vale sinalizar também que a COP30 no Brasil acelerou bastante o leilão do saneamento básico no Pará, por exemplo”, acrescenta Gusmão.

Na contramão da agenda de sustentabilidade, houve um aumento nas intenções de investimento em petróleo.

“O setor ainda se encontra um pouco cético sobre impactos reais que a COP trará.”

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