O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
Antes de o presidente americano, Donald Trump, em decisão unilateral, impor uma tarifa recíproca de 50%, o Brasil já enfrenta aplicações do mesmo porcentual, desde junho, para exportações de aço e alumínio. Em 2024, o Brasil foi o segundo principal exportador de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá, o que dá a dimensão do problema para a indústria nacional.
A redação da mais recente taxação para o País, anunciada na quarta-feira, 9, indica que essa tarifa, a entrar em vigor em 1º de agosto, poderia ser aplicada em adição às específicas, como as de aço e alumínio (baseadas na legislação Section 232), diz Renê Medrado, sócio para área de disputas de comércio internacional do escritório Pinheiro Neto Advogados.
Na sua análise da medida, “a solução não está circunscrita a uma negociação comercial, ou seja, por meio da abertura de mercados via a redução de tarifas, específicas ou gerais”.
Para o especialista, a redução das tarifas de importação no Brasil podem ser feitas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), em tempo de reação bastante rápido. “Mas isso não será suficiente para endereçar os pontos invocados no anúncio do Governo Trump”, avalia Medrado.
A aplicação da tarifa de 50%, lembra, não tem por base apenas questões tarifárias. “O anúncio invoca o julgamento do presidente Bolsonaro perante o STF (Supremo Tribunal Federal) e também menciona alegada mitigação de direitos fundamentais vinculadas à liberdade de expressão relacionadas a empresas de tecnologia. E também trata de um suposto déficit comercial entre os EUA e o Brasil.”
Nesse contexto, acrescenta, há quem discuta a possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade. Esta lei permite a aplicação de contramedidas para aplacar ações unilaterais que tentem interferir “nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”, ou que violem acordos comerciais firmados com o Brasil, ou imponham requisitos ambientais mais onerosos do que os parâmetros adotados no Brasil.
A verdade é que uma lei dessa natureza existe apenas para indicar que a possibilidade existe — não para ser efetivamente aplicada. O importante dessa lei é seu caráter dissuasório, afirma. O fundamento mais claro, observa, é o de violação a acordos comerciais vigentes, no caso, os Acordos da Organização Mundial de Comércio (OMC), já que os EUA deverão aplicar tarifas aos produtos brasileiros em nível superior àqueles acordados na OMC.
E, também, poderá se dizer que a tentativa de interferência na condução de processo judicial brasileiro poderia ser entendido como interferência nas escolhas legítimas e soberanas no Brasil.
O ponto central na análise da aplicação de contramedidas, diz Medrado, é o desequilíbrio de poder. Os EUA têm poderio econômico muito maior do que o Brasil e, portanto, caso se entre em uma sequência de medidas recíprocas de retaliação em cima de produtos (bens), os EUA conseguiriam se manter por mais tempo, causando prejuízos mais relevantes do lado brasileiro, em especial em relação aos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
A Lei de Reciprocidade também prevê a possibilidade de aplicação de contramedidas sobre direitos de propriedade intelectual, ou seja, por meio da suspensão de direitos de propriedade intelectual, sobre, por exemplo, medicamentos, defensivos agrícolas, entre outros.
A possibilidade de aplicação de contramedidas sobre direitos de propriedade intelectual é prevista também nos Acordos da OMC — foi uma inovação da Rodada Uruguai em 1994.
Em algum momento, a aplicação de contramedidas sobre produtos pode chegar a um esgotamento da eficácia da contramedida, então, a mudança da natureza da contramedida pode desequilibrar a análise de custo-benefício, induzindo a uma reanálise da decisão governamental.
Há mais de 15 anos, o governo brasileiro chegou a anunciar a aplicação de contramedidas contra os EUA (mediante a suspensão de direitos de propriedade intelectual) com o objetivo de fazer cumprir a decisão que concedeu vitória ao País na OMC no famoso caso do Algodão.
“A retaliação cruzada” foi autorizada pela OMC, tendo levado a uma negociação entre os dois países, que culminou em uma solução mutuamente satisfatória. “Não estou dizendo que uma contramedida dessa natureza nas circunstâncias atuais seriam eficazes, pois se trata de um cenário inédito e de completa imprevisibilidade”, diz. “Novamente, o melhor caminho é — sempre — a diplomacia, a negociação, e espero que as hipóteses legais acima fiquem apenas no papel."
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
A ausência do presidente da China, Xi Jinping, na Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, não apenas sinalizou um esvaziamento da reunião, como frustrou acordos bilaterais previstos pelo governo brasileiro. Havia expectativa do governo brasileiro de concluir uma série de tratativas com a China, relataram fontes à Coluna do Estadão/Broadcast.
A expectativa no governo era de que Xi Jinping aproveitaria a visita em nível de chefe de Estado para destravar desde aberturas de mercado a anúncios de investimento e acordos de cooperação técnica entre os países. Mas, com a ausência de Xi, as questões entre os dois países resumiram-se a uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns ministros com o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Qiang, no último sábado, 5.
O agronegócio e a infraestrutura eram os setores prioritários dos anúncios. Em infraestrutura, havia a previsão de investimento bilionário da China em ferrovias no País, o que acabou se concretizando apenas em memorando para realização de pesquisa e planejamento sobre um sistema de transporte integrado no Brasil.
No agronegócio, eram esperados pelo menos quatro grandes anúncios: a abertura de mercado da China para miúdos suínos do Brasil e para cálculo biliar bovino (pedra de fel); a revisão do protocolo de exportação de carnes entre os países (assinado em 2015); a sincronia na aprovação de transgênicos (biotecnologia) entre os países; e a habilitação de frigoríficos para exportação de carne suína e farinhas de aves e suínos.
“São discussões consideradas concluídas ou bem avançadas do ponto de vista técnico. Falta a decisão política para o anúncio. É uma decisão estratégica da China”, observa uma fonte que acompanha as tratativas.
Outro tema que surgiu nos últimos meses e sobre o qual o governo brasileiro gostaria de tratar diretamente com o líder chinês é a retomada da compra de frango brasileiro após o encerramento do caso de gripe aviária no País.
Um dos interlocutores do governo afirma que as negociações continuam com a possibilidade de conclusão dos pactos no curto e médio prazo. “As entregas não ocorreram, mas os temas seguem na pauta bilateral”, pontuou.
Foi a primeira vez que Xi Jinping não participou da cúpula do Brics. O motivo da ausência do líder chinês não foi explicado pelas autoridades chinesas, mas fontes apontam que o atual momento geopolítico conturbado pode ter afastado Xi da cúpula.
Para um interlocutor que acompanha há décadas a diplomacia entre os dois países, a ausência de Xi deve ser vista com “naturalidade” dentre o atual contexto global e não representa retrocesso na relação bilateral entre os países, que é considerada em boa fase.
A expectativa de grandes anúncios de Xi Jinping foi reforçada após a missão de Lula em maio ao país asiático para o Fórum Ministerial entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a China.
Na ocasião, muitos temas avançaram do ponto de vista técnico e os anúncios políticos eram aguardados na visita de Xi ao Brasil. Autoridades do governo, inclusive, apontavam que se tratava de um gesto de Lula de fortalecimento do presidente chinês pela união da Celac.
Depois da Celac, membros do corpo diplomático voltaram otimistas ao Brasil com a expectativa de anúncio de uma nova rodada de injeção de recursos chineses em investimentos no Brasil durante a cúpula do Brics.
A aproximação de Lula com Pequim não é nova, mas vem ganhando novos contornos após a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos. Se a política comercial americana continuar agressiva sobre o mundo, é possível que as relações com o gigante asiático se estreitem ainda mais.
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
O presidente Donald Trump enviou nesta semana ao presidente Lula uma carta anunciando a imposição de tarifas de 50% sobre todas as importações do Brasil para os Estados Unidos. A carta explicita algumas (não necessariamente todas) razões econômicas e políticas para justificar a decisão.
Do ponto de vista econômico, duas questões pesaram. Primeiro, a movimentação dos países do Brics, reforçada pelo presidente Lula, de criar uma moeda comum para substituir o dólar como moeda de comércio entre os países. Segundo o presidente Trump, caso o grupo tente caminhar nessa direção, receberiam tarifação adicional de 10% sobre todas as exportações para os Estados Unidos.
O segundo ponto é político e econômico: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de restringir a liberdade de expressão nas big techs, grandes empresas americanas de mídia social. Além disso, esse mercado no Brasil é o segundo mais importante dessas empresas, e a decisão do STF pode afetar de forma significativa seus lucros. O ministro Alexandre de Moraes já foi indiciado por três vezes pela Justiça da Flórida para responder à acusação de censurar as empresas americanas de mídia social.
Uma razão puramente política, explicitamente citada na carta para fundamentar as tarifas, é a avaliação do presidente Trump de que, apesar de o ex-presidente Jair Bolsonaro ser inocente da acusação de tentativa de golpe de Estado, está sendo perseguido pela Justiça brasileira, uma “caça às bruxas”.
Somente com base nas questões econômicas, a decisão é claramente excessiva e não justificada. A utilização de questões não econômicas somente tem se justificado historicamente diante de situações limites, como o embargo comercial a Venezuela e a Cuba, por exemplo, indicando que o presidente Trump considera que o Brasil caminha para um cenário próximo ao desses países.
Os efeitos da tarifa sobre o crescimento da economia brasileira serão relativamente pequenos. As exportações brasileiras para os Estados Unidos representam 12% das exportações totais e 2% do PIB do País. O efeito direto da tarifa seria uma redução do crescimento do PIB de aproximadamente 0,2 ponto de porcentagem. Os setores mais prejudicados serão o aço, aeronaves, celulose, carne, café e suco de laranja.
O efeito negativo mais importante deve se dar sobre os investimentos estrangeiros diretos e de portfólio. Quanto mais dura for a retaliação, mais dura será a reação de Trump, e maiores os efeitos sobre incerteza, aumento do risco do País, desvalorização do real e pressão inflacionária. Cada 10% de desvalorização do câmbio implica 0,9 ponto de porcentagem na taxa de inflação. Buscar uma solução negociada parece a melhor solução.
Globo Online - RJ 14/07/2025
Se o tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump entrar em vigor em 1º agosto, não apenas o agro vai ter dificuldades em um de seus principais mercados. O impacto em setores da indústria também será sentido.
Segundo dados revelados pelo Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Amcham, as exportações industriais brasileiras para os EUA bateram recorde e chegaram a US$ 16 bilhões no primeiro semestre, alta de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com esse desempenho, os EUA cresceram ainda mais como o principal destino das exportações da indústria nacional, representando 12,4% do total. O mercado americano comprou mais itens industriais do Brasil, neste ano, do que seus parceiros do Mercosul (US$ 11,5 bilhões), que a União Europeia (US$ 10,8 bilhões e com quem o Brasil pretende assinar um acordo comercial) e até mesmo a China, que fez compras de US$ 9,7 bilhões no primeiro semestre.
"O recente anúncio de tarifas de 50% para o Brasil a partir de 1º de agosto tem o potencial de inviabilizar parte expressiva das exportações brasileiras para os EUA. A Amcham defende esforço diplomático para uma solução negociada no curto prazo", diz a entidade em nota.
Aeronaves e óleos
Entre os principais itens industriais vendidos aos EUA, este ano, estão aeronaves (US$ 1 bilhão) da fabricante brasileira Embraer, produtos semi-acabados de ferro ou aço (US$ 1,9 bilhão) e óleos combustísveis (US$ 830 milhões). Segundo analistas, a Embraer será uma das companhias mais afetadas pelo tarifaço.
Apesar do aumento das exportações para os EUA, o setor industrial continua deficitário para o Brasil no comércio bilateral, no total de US$ 3,7 bilhões – um aumento de 55,6% em relação ao primeiro semestre de 2024.
A indústria aumentou sua participação na pauta exportadora aos EUA de 76,6% para 79,8% no primeiro semestre de 2025, puxada principalmente por bens da agroindústria.
Brasil tem déficit com os EUA
O comércio bilateral entre os dois países, considerando todos os setores, alcançou US$ 41,7 bilhões este ano, um aumento de 7,7% em relação a 2024. Esse é o segundo maior valor da série histórica e manteve os EUA como segundo maior parceiro comercial do Brasil em bens.
As exportações do Brasil para os EUA totalizaram US$ 20 bilhões no período, um aumento de 4,4% na comparaçao anual, enquanto as importações de produtos brasileiros pelos americanos somaram US$ 21,7 bilhões, um aumento de 11,5% no período. O Brasil teve um déficit comercial com os EUA de US$ 1,7 bilhão no primeiro semestre.
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
O Ministério da Fazenda aumentou mais uma vez sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, de 2,4% para 2,5%. A estimativa para 2026 saiu de 2,5% para 2,4%. As informações constam da grade de parâmetros publicada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) divulgada nesta sexta-feira, 11.
As projeções da pasta estão acima das medianas do relatório Focus, que indicam alta de 2,23% para o PIB em 2025 e de 1,86% em 2026, conforme documento divulgado na última segunda-feira.
A revisão do PIB deste ano, segundo a SPE, está relacionada principalmente à resiliência do mercado de trabalho no segundo trimestre, levando à expectativa de desempenho melhor que o inicialmente esperado para o consumo das famílias nos próximos meses, apesar da política monetária restritiva.
“O crescimento esperado para a agropecuária também foi revisado para cima, repercutindo principalmente a alta nas estimativas do IBGE para produção de milho, café, algodão e arroz em 2025”, explicou a SPE.
Apesar desse aumento marginal na previsão de crescimento, permanece a perspectiva de desaceleração econômica nos trimestres à frente, segundo a SPE.
Por setor produtivo, o maior ritmo de crescimento projetado para os serviços e para a atividade agropecuária no ano foi parcialmente compensado pela menor expectativa de expansão da indústria. Para o PIB de serviços, a projeção de crescimento em 2025 subiu de 2,0% para 2,1%.
Para a agropecuária, a expectativa de maior avanço na safra colaborou para a revisão do crescimento esperado de 6,3% para 7,8%. Em contrapartida, dados referentes à produção na indústria de transformação têm vindo abaixo do esperado, motivando a queda no ritmo de crescimento projetado para o setor industrial de 2,2% para 2,0%.
A leve revisão para baixo no crescimento esperado para 2026 repercutiu a previsão de maior expansão do PIB em 2025, além da elevação na expectativa mediana de taxa de juros básica terminal até o fim deste ano. Nos anos seguintes, o crescimento esperado é de cerca de 2,6%, próximo ao potencial, disse a SPE.
Inflação
O Ministério da Fazenda também revisou a sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 para 4,9% — acima do teto da meta, de 4,5%. A projeção era de 5,0% no boletim anterior, de maio, e de 4,8% no documento “2024 em retrospectiva e o que esperar de 2025”, publicado em fevereiro.
“A mudança reflete variações menores que as esperadas para o índice nos meses de maio e junho, além de revisões no cenário à frente, condicionadas principalmente pela menor cotação projetada para o real frente ao dólar. Além da expectativa de real mais valorizado até o final do ano, também contribuíram para reduzir a inflação projetada para o IPCA em 2025 a deflação mais acentuada dos preços no atacado agropecuário e industrial e a maior concorrência com produtos importados, repercutindo o avanço da deflação ao produtor na China, diz o boletim.
No cenário considerado, projeta-se redução da inflação de junho a agosto, reversão dessa trajetória em setembro por conta da saída dos efeitos do bônus de Itaipu, e nova redução em seguida, até dezembro. Para 2026, a projeção de IPCA se manteve praticamente constante, em 3,6%, dentro do intervalo da meta de inflação. “De 2027 em diante, espera-se convergência da inflação ao centro da meta”, enfatizou a SPE.
Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025, a projeção da SPE passou de 4,9% para 4,7% enquanto a para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi 5,6% para 4,6%. Para 2026, o INPC saiu 3,5% para 3,3% e o IGP-DI, de 4,9% para 5,0%.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/07/2025
Analistas consultados pela AFP preveem que a China cresceu 5,2% no segundo trimestre, graças ao bom desempenho de suas exportações e apesar da guerra comercial desencadeada por Donald Trump.
As duas principais economias do mundo anunciaram tarifas recíprocas elevadas durante o trimestre, mas anunciaram em maio uma trégua temporária para a suspensão parcial das taxas.
Os efeitos da disputa comercial na economia chinesa serão conhecidos na terça-feira (15), quando o organismo oficial de estatísticas do país publicará os dados do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho.
Uma pesquisa da AFP com vários analistas aponta para um crescimento de 5,2% em ritmo anual, mas vários especialistas acreditam em uma desaceleração no segundo semestre do ano.
As projeções são baseadas parcialmente no aumento das exportações no segundo trimestre, provavelmente motivado por compras antecipadas do exterior diante da possibilidade de novas disputas comerciais com Trump.
“Porém, em última instância, o comércio exterior não pode ofuscar o peso da fraca demanda interna”, declarou Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, à AFP.
Muitos economistas argumentam que o país asiático deve transitar de um modelo de crescimento baseado no investimento em infraestrutura, na manufatura e nas exportações para um modelo baseado no mercado interno.
As autoridades implementaram desde o ano passado várias medidas para estimular o consumo que, segundo Tan, não resolveram as raízes do problema, “como a estagnação do aumento da renda, a pouca segurança trabalhista ou o sentimento de fragilidade” econômica.
Pequim estabeleceu a meta de crescimento de 5% do PIB para este ano, idêntica a 2024. O primeiro trimestre terminou com uma expansão de 5,4%, resultado que superou as expectativas.
Monitor Digital - RJ 14/07/2025
O anúncio da tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros feito por Donald Trump tem efeitos imediatos no comércio exterior brasileiro. A medida, que passa a valer em 1º de agosto, é vista por analistas como uma “tarifa política” e inverte a lógica das sanções tradicionais dos EUA.
Segundo o especialista em comércio exterior Rogério Marin, CEO da Tek Trade e presidente do Sindicato das Empresas de Comércio Exterior de Santa Catarina (Sinditrade), o prejuízo anual para as exportações do Brasil pode variar entre US$ 12 bilhões e US$ 17 bilhões (R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões), o que representa entre 3,6% e 5% das exportações totais do país. Esta estimativa, segundo a métrica adotada pela CNI, pode representar uma perda de 432 mil a 612 mil empregos. Em termos de PIB, Marin estima um impacto negativo entre 0,6 e 0,8% ao ano no PIB total brasileiro.
“Não estamos diante de uma tarifa econômica, mas sim de uma ‘tarifa política’, já que os números da cadeia de comércio entre os dois países contradizem os argumentos apresentados pelo presidente Donald Trump de que o Brasil estaria se utilizando de ‘práticas comerciais injustas’. O impacto deve ser sentido principalmente nas exportações da indústria de transformação, que representa mais de 78,3% das vendas brasileiras aos americanos”, explica Marin.
Em 2024, os EUA absorveram 12% das exportações brasileiras, totalizando US$ 40,3 bilhões, segundo a Amcham Brasil e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Conforme o especialista, a nova tarifa encarecerá produtos brasileiros em até US$ 20,15 bilhões por ano, reduzindo sua competitividade frente a fornecedores do México e Canadá, por exemplo, e pode provocar uma queda de até 42% nas exportações do Brasil para os EUA. Entre os setores mais afetados estão petróleo, aço, aeronaves, café e carne bovina. Só o aço e o alumínio devem registrar uma queda superior 11,2%, o equivalente a US$ 1,5 bilhão nas exportações, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Apesar da forte repercussão nas exportações, Marin chama atenção para um risco ainda maior: o Investimento Estrangeiro Direto (IED). Os EUA respondem por mais de 25% do IED no Brasil, com um estoque de US$ 300 bilhões. “O elefante na sala é o IED. Sem ele, a modernização da infraestrutura que dá suporte a expansão da economia brasileira fica comprometida. Isso representa um risco econômico maior do que as exportações ou a balança comercial, caso o governo americano demonstre desinteresse em investir no Brasil. Setores como tecnologia, automotivo e energia, que empregam diretamente milhares de trabalhadores, seriam os mais afetados, com impactos no PIB e no mercado de trabalho. A solução precisa ser diplomática”, alerta.
Os reflexos no mercado interno também devem ser sentidos. Produtos como o café, principal item exportado para os EUA no segmento de alimentos, podem ter redução de preço no mercado brasileiro, pela dificuldade de destinação a outros países.
A Região Sul, responsável por quase 30% das exportações brasileiras para os EUA, também deve sentir os efeitos. Segundo Rogério Marin, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem sofrer perdas anuais estimadas entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2,3 bilhões (R$ 9 bilhões a R$ 13 bilhões), o equivalente a 4,7% e 6,8% das exportações totais da região Sul. O impacto nos empregos pode variar entre 50 mil e 70 mil postos de trabalho perdidos, com reflexos no PIB regional entre 0,7% e 1%. Setores como carnes, madeira, móveis e químicos tendem a sofrer mais.
Nesta sexta, o Ministério das Relações Exteriores da China a tarifa de importação de 50% a produtos brasileiros anunciada por Trump.
“A igualdade soberana e a não interferência em assuntos internos são princípios importantes da Carta das Nações Unidas e normas básicas nas relações internacionais”, disse a porta-voz do ministério, Mao Ning, ao ser questionada por uma repórter sobre o que achava da tarifa de 50% a produtos brasileiros anunciada por Trump.
“As tarifas não devem ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência”, concluiu Mao Ning.
“A posição da China sobre as tarifas é consistente e clara. Não há vencedores em uma guerra comercial ou tarifária. O protecionismo prejudica os interesses de todos”, afirmou.
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
O tarifaço anunciado pelo governo americano sobre produtos brasileiros ainda gera debates entre economistas sobre os seus impactos na inflação. Por um lado, a moeda americana mais valorizada encareceria os produtos importados pelo Brasil. Mas, por outro, o redirecionamento para o mercado interno de itens que seriam exportados para os EUA puxaria a inflação para baixo.
A única certeza, dizem especialistas ouvidos pelo Estadão, é que se o governo brasileiro decidir retaliar com tarifas também de 50% o quadro mudará de figura, com uma escalada da guerra comercial e efeito direto sobre os preços.
Por ora, a reação do mercado de câmbio tem sido relativamente contida, diz o economista Luis Otávio Leal, da G5 Partners, porque o entendimento dos investidores é de que o governo brasileiro dará uma resposta calculada, baseada na diplomacia, e sem escalar a disputa com o presidente americano Donald Trump.
“A reação do dólar até agora foi muito calcada na ideia de que a reação do governo brasileiro foi mais contida, não houve uma retaliação imediata. Por isso, ficou claro que o que vai pesar sobre o câmbio vai ser justamente essa reação do governo brasileiro”, afirmou Leal.
O dólar saltou de R$ 5,44 para R$ 5,50 na quarta-feira, dia do anúncio das tarifas (1,04%), com alta para R$ 5,54, na quinta. Na sexta-feira, contudo, ficou estável. Nos três dias, o aumento acumulado foi de 1,08%.
“Por ora, as forças sobre a inflação do tarifaço se anulam. O que teve de alta para o dólar neste momento não é nada, voltou para o mesmo patamar que estava há duas semanas. Se isso for diluído na inflação em 12 meses, é um efeito muito pequeno, que pode ser compensado por um aumento da oferta de carnes, por exemplo”, pontuou Marcelo Fonseca, economista-chefe Reag Investimentos.
Ainda assim, o tarifaço de Trump pega o Brasil em um cenário adverso para a inflação, o que aumenta as incertezas. A inflação anual (12 meses) sobe de 5,35% até junho. Foi o sexto mês consecutivo de inflação acima do teto da meta de 4,5%, e muito acima da meta de 3% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Isso obrigou o Banco Central a emitir uma carta explicando as razões para justificar o descumprimento da meta.
As expectativas também estão “desancoradas”, com projeções acima da meta de 3% até o ano de 2028, de acordo com o Boletim Focus. Em audiência pública na Câmara dos Deputados esta semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, resumiu o cenário desafiador para a inflação, que tem “IPCA fora da meta no núcleo (que exclui itens mais voláteis), na inflação corrente, nas expectativas, e no núcleo de alimentos”.
O economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, tem uma visão mais pessimista, e acredita em um impacto sobre os preços, mesmo que indireto. Ele lembra que Trump já avisou que irá subir novamente as tarifas em caso de retaliação e afirma que a decisão do governo americano é política, não econômica, já que os americanos têm superávit comercial com o Brasil.
“O risco é de uma escalada da disputa, em caso de retaliação do governo brasileiro, em um cenário parecido com o que houve com a China. Mas, mesmo que fique nos 50% de alta nas tarifas, terá efeito na inflação mesmo que indireto”, afirmou.
Andrea ngelo, da Warren Investimentos, entende que, para que o tarifaço tenha impacto mais forte sobre a inflação, o dólar terá de voltar a operar acima da casa de R$ 6, e permanecer nesse patamar por um longo período. Por isso, o mercado vai acompanhar com lupa todos os movimentos do governo brasileiro.
“Entendo que o viés seja desinflacionário para o IPCA, desde que o dólar não ultrapasse muito a barreira de R$ 6. Itens como café, suco de laranja e carne bovina, que têm peso importante na nossa pauta de exportações para os EUA, podem acabar ficando mais disponíveis aqui. Mas é preciso ver como as negociações andarão e qual vai ser a resposta do Brasil”, afirmou ngelo.
Pelo IPCA de junho, o café moído acumulava uma alta de preços de 77,88% nos últimos 12 meses. As carnes (de boi, porco e carneiro) subiram 23,63% na mesma comparação, com aumento de 15% no filé mignon, 24,15% na alcatra e 25,5% no patinho. Já a laranja pêra, mais usada para fazer sucos, tinha aumento de 6,26%.
Sérgio Vale, da MB Associados, também entende que a reação do governo brasileiro vai ser decisiva. Em um cenário mais extremo, caso o governo siga pelo pior caminho de também taxar os americanos em 50%, o Banco Central será obrigado a voltar a subir a taxa básica de juros, que já está em patamar elevado, de 15%.
“Se o Brasil retaliar integralmente, pode ser um problema, pode bater na inflação e também estender a alta de juros pelo Banco Central para mais tempo. Vai ser essencial saber como o Brasil vai se comportar. O melhor caminho seria pensar em uma resposta mais inteligente, como quebra de patente e ser bem seletivo no que retaliar”, disse Vale.
Até o dia 1º de agosto, quando as tarifas americanas entram em vigor, será importante acompanhar como será a pressão dos setores mais atingidos pelas tarifas, pontuam os economistas. Tanto nos EUA quanto no Brasil, os lobbies setorias (aço, alumínio, agro, entre outros) vão tentar apaziguar a disputa, e isso pode levar a recuos de Trump, nos EUA, e a conter a resposta da Lula, no Brasil.
Infomoney - SP 14/07/2025
Os contratos futuros de minério de ferro subiram nesta sexta-feira e caminham para o terceiro ganho semanal consecutivo, sustentados por esperanças renovadas de que a repressão da China à guerra de preços abrirá caminho para outra rodada de reformas para conter o excesso de capacidade na indústria de aço.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 1,8%, a 764 iuanes (US$106,56) a tonelada.
O minério de ferro de referência de agosto na Bolsa de Cingapura subia 0,14%, a US$99,15 a tonelada.
Ambos os índices de referência subiram mais de 3,5% até o momento nesta semana.
O sentimento no mercado de ferrosos foi alimentado principalmente pelas restrições de produção relacionadas à proteção ambiental em Tangshan, principal centro de produção de aço na China, e pelas esperanças de reformas no lado da oferta, disse Jiang Mengtian, principal analista da consultoria Horizon Insights.
“O mercado siderúrgico foi o mais beneficiado, conforme refletido nos preços futuros e em uma onda de estocagem por parte dos consumidores downstream, o que ajudou a elevar os preços do minério de ferro”, disse Jiang.
O aumento dos preços do minério ocorre apesar da demanda mais fraca.
A produção média diária de ferro-gusa, um indicador da demanda de minério de ferro, caiu 0,6% em relação à semana anterior, para 2,39 milhões de toneladas na semana até 10 de julho, o nível mais baixo desde 3 de abril, segundo dados da consultoria Mysteel.
Outros ingredientes de fabricação de aço na Bolsa de Dalian registraram ganhos, com o carvão metalúrgico e o coque subindo 3,34% e 2,81%, respectivamente.
Na semana passada, importantes líderes da China prometeram intensificar a regulamentação sobre os cortes agressivos de preços por parte das empresas chinesas, o que posteriormente alimentou especulações sobre possíveis reformas na oferta em vários setores afetados por excesso de capacidade.
Valor - SP 14/07/2025
“A indústria da mineração anunciou investimentos de US$ 68,4 bilhões até 2029 no Brasil, algo que se torna passível de reavaliação para baixo, em razão do anúncio de mais tarifas sobre exportações”, afirmou o instituto.
O setor de mineração pode reavaliar para baixo seus investimentos no Brasil até 2029 em razão do anúncio recente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, afirmou o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) nesta sexta-feira (11).
“A indústria da mineração anunciou investimentos de US$ 68,4 bilhões até 2029 no Brasil, algo que se torna passível de reavaliação para baixo, em razão do anúncio de mais tarifas sobre exportações”, afirmou o instituto em nota.
O Ibram disse que, se confirmadas, as tarifas afetarão “significativamente a indústria da mineração nacional”.
Os EUA respondem por 4% das compras de minérios do Brasil e são o 12º maior importador de minérios do país em tonelagem, segundo a entidade. Eles importam ouro; pedras naturais e rochas ornamentais; ferro; caulim e nióbio.
Na nota, o Ibram repudiou a proposta do governo americano, afirmando que ela “fere o ambiente de negociação que tem se perpetuado no comércio internacional de minérios”.
Os associados do Ibram incluem Vale, Mineração Usiminas, BHP, Gerdau, CSN, CBMM e CBA.
IstoÉ Dinheiro - SP 14/07/2025
As montadoras brasileiras General Motors (Chevrolet), Renault, Volkswagem, Hyundai e Stellants (Fiat) enviaram ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), nessa sexta-feira (11), um pedido de credenciamento de cinco modelos de veículos de entrada para o programa Carro Sustentável, que garante isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis mais econômicos, sustentáveis e com fabricação no Brasil.
Para ter direito ao IPI zero, o carro sustentável deve atender a quatro requisitos: emitir menos de 83 gramas de gás carbônico (CO2) por quilômetro, conter mais de 80% de materiais recicláveis, ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem) e se enquadrar em uma das categorias de carro compacto (veículo de entrada das marcas).
Os modelos credenciados pelas montadoras incluem diferentes versões: Chevrolet Onix, Renault Kwid, Volkswagen Polo, Hyundai HB20, Fiat Argo e Fiat Mobi. Veja a lista detalhada.
O lançamento da iniciativa ocorreu durante uma cerimônia, no Palácio do Planalto, com a participação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, além de ministros, parlamentares e representantes do setor automotivo do país.
Decreto assinado pelo presidente Lula redefiniu a tabela do IPI, construída como um mecanismo de soma zero, em relação ao total de carros vendidos no Brasil. Com validade até dezembro de 2026, o decreto antecede os efeitos da reforma tributária, informou o Palácio do Planalto.
IPI Verde
Além do IPI zero, válido apenas para carros compactos de entrada fabricados no Brasil, o IPI Verde estabeleceu uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos. O cálculo levará em conta critérios como eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, nível de segurança e índice de reciclabilidade.
Segundo o governo, os veículos com melhores indicadores receberão bônus (descontos no imposto), enquanto os com piores avaliações sofrerão um acréscimo.
Dessa forma, não haverá déficit fiscal na cobrança do imposto. Um carro de passeio híbrido-flex pode ter a alíquota reduzida em 1,5 ponto percentual, segundo a nova tabela.
Se também atender ao critério de eficiência do programa Mover, perde mais um ponto, e se cumprir o nível 1 de reciclabilidade, perde outro. Com isso, o IPI desse veículo cai de 6,3% para 2,8%.
Redução de imposto
A estimativa do governo é de redução do IPI para 60% dos veículos comercializados no Brasil, com base no número de carros vendidos em 2024, sem impacto fiscal.
O Carro Sustentável com IPI zero e o IPI Verde integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), lançado no ano passado, que visa à descarbonização da frota automotiva do país, por meio de incentivos fiscais, especialmente em relação às alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
O Mover prevê R$ 19,3 bilhões de créditos financeiros entre 2024 e 2028. A previsão da cadeia produtiva do setor, entre fabricantes, setor de autopeças e concessionárias, é que os investimentos associados ao programa atinjam até R$ 190 bilhões nos próximos anos.
Valor - SP 14/07/2025
Setor fabricou pouco mais de 1 milhão de motos entre janeiro e junho – melhor 1º semestre em 14 anos; a Abraciclo, contudo, alerta sobre possíveis impactos das medidas de Donald Trump.
A produção de motocicletas cresceu 15,3% no primeiro semestre de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo números apresentados, nesta sexta-feira (11), pela Abraciclo, que representa as montadoras do Polo Industrial de Manaus (PIM). O setor fabricou pouco mais de um milhão de motos entre janeiro e junho – melhor primeiro semestre em 14 anos.
Para a entidade, a motocicleta continua ocupando espaço como opção de transporte pessoal e ferramenta de trabalho. “As boas expectativas da indústria seguem para o segundo semestre, mas é preciso atenção diante do cenário macroeconômico, especialmente em relação aos juros e à inflação”, afirma Marcos Bento, presidente da Abraciclo.
A Abraciclo estima que a produção de motocicletas alcance 1,88 milhão de unidades em 2025, o que corresponde a um crescimento de 7,5% em relação a 2024. Somente em junho foram fabricadas 154,1 mil veículos, alta de 45% sobre o mesmo mês do ano passado, mas queda de 10,7% em relação a maio.
Segundo Bento, o bom desempenho no período se refletiu no nível de emprego na indústria. O segmento contabiliza 1,4 mil contratações no primeiro semestre, somando agora 20 mil trabalhadores no setor de duas rodas no PIM.
Tarifas dos EUA
Apesar do ambiente positivo, Bento destaca que o cenário internacional – principalmente, a política de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – pode criar pressões sobre dólar e inflação. Há também muitas incertezas no mercado sobre impactos na logística internacional e nos preços das commodities diante desse movimento.
“Acreditamos numa negociação entre os governos brasileiro e americano para não haver aumento de impostos”, afirmou Bento. Ele lembra que o impacto da alta de alíquotas de importação atinge o setor nos dois sentidos. A indústria exporta motos para os Estados Unidos e também importa insumos do país.
Vendas: melhor desempenho em primeiros semestres
As vendas de motos no primeiro semestre somaram 1,029 mil unidades, crescimento de 10,3% na comparação anual. É o melhor desempenho em um primeiro semestre da história do setor. A estimativa da Abraciclo é emplacar 2,02 milhões de motos em 2025, expansão de 7,7% sobre 2024.
Em junho, foram licenciadas 179,4 mil unidades, alta de 8,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado e queda de 7,2% sobre maio.
Exportações
As exportações do setor cresceram 18,5% entre janeiro e junho, com 18.611 motos embarcadas. A estimativa da Abraciclo é de expansão de 13% no ano, chegando a 35 mil unidades exportadas.
Em junho, foram enviadas 3.065 motos ao exterior, alta de 39,1% na comparação anual e 9,3% inferior a maio.
Automotive Business - SP 14/07/2025
sobretaxa de 50% aplicada por Donald Trump sobre todos os produtos brasileiros vendidos nos Estados Unidos acendeu o alerta no setor automotivo nacional. Mais um.
Afora as agruras domésticas, como alta dos juros e crédito restrito, o setor deverá enfrentar ainda mais dificuldades para vender veículos comerciais, sobretudo caminhões.
Isso porque a pressão do tarifaço sobre as commodities brasileiras aumenta as tensões entre as empresas do agronegócio, grandes clientes de veículos pesados no país.
Não exportamos quase nada aos Estados Unidos, mas haverá impactos secundários se essa medida permanecer, sobretudo sobre vendas e produção de caminhões e máquinas agrícolas, disse Fernando Trujillo, consultor da S&P Global.
O segmento de caminhões já enfrenta uma estrada árdua apesar do tarifaço. As vendas no primeiro semestre caíram 3,5%. A produção cresceu 3%, com as linhas de leves compensando as perdas de produção de modelos pesados, que transportam grãos, cana, dentre outras commodities.
No caso das montadoras de leves, os impactos devem ser menores, mas não menos preocupantes, como indicou Ciro Possobom, CEO da Volkswagen.
O dólar vai subir e isso sempre é algo desafiador para nós. Vai mexer no preço dos componentes importados, como eletrônicos, telas, comentou o executivo na quinta-feira, 10.
Montadoras aguardam desdobramentos
Pelos lados da Anfavea, a associação que representa as montadoras com operação no país, o momento é de avaliação dos impactos.
Hoje não representa um impacto grande para o setor porque não exportamos carros pra lá e as peças chegam de diferentes mercados. Confiamos no diálogo e na diplomacia, disse o presidente da entidade, Igor Calvet.
O Brasil não é um problema para os Estados Unidos, afirmou Geraldo Alckmin, vice-presidente da república e ministro da Indústria. A balança comercial deles tem superávit com o Brasil em bens e serviços, completou.
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
A capacidade da China de fabricar veículos elétricos (EVs) de forma barata causou inquietação em países com grandes fabricantes de automóveis, levando os governos a investigar os subsídios chineses para o setor e a erguer barreiras comerciais.
Agora, no entanto, é o próprio governo chinês que está se preocupando com o baixo custo dos EVs de seus produtores. A corrida para o fundo do poço não dá sinais de que vá parar, e o setor se tornou emblemático de alguns dos problemas mais amplos enfrentados pela economia.
Em 23 de maio, o maior fabricante de veículos elétricos da China, a BYD, causou um choque quando reduziu o custo de 22 modelos elétricos e híbridos. Agora, o preço inicial de seu modelo mais barato, o Seagull, caiu para apenas 55.800 yuans (US$ 7.700 ou R$ 43 mil).
A mudança ocorreu apenas dois anos após a BYD ter apresentado originalmente o hatchback elétrico, a um custo surpreendentemente baixo de 73.800 yuans (R$ 57 mil).
A última medida desencadeou uma preocupação oficial sobre a possibilidade de baixar os preços no maior mercado de automóveis do mundo. Em 31 de maio, o Ministério da Indústria da China disse à Xinhua, a agência de notícias estatal, que “não há vencedores na guerra de preços, muito menos um futuro”.
O ministério prometeu restringir a concorrência acirrada, que, segundo ele, prejudicava o investimento em pesquisa e desenvolvimento e poderia causar problemas de segurança. Em 1º de junho, o People’s Daily, jornal porta-voz do Partido Comunista Chinês, argumentou que produtos de baixo preço e baixa qualidade poderiam prejudicar a reputação dos bens “made-in-China”.
A reação ocorre no momento em que os líderes reprimem a concorrência improdutiva e autofágica entre empresas e governos locais, que criou excesso de capacidade e reduziu os lucros.
Suas medidas fazem parte de um esforço mais amplo para reequilibrar a economia. “Os acontecimentos recentes sugerem que o antigo modelo orientado pela oferta permanece intacto”, escreveu Robin Xing, economista-chefe do Morgan Stanley na China, em uma nota.
As ações da BYD caíram após os cortes de preços e os pronunciamentos oficiais, em meio a preocupações de que a guerra de preços seja insustentável. Mas, para manter a participação no mercado, outras montadoras cortaram seus próprios preços.
Wei Jianjun, presidente da Great Wall Motor, uma das maiores, classificou o setor como insalubre e invocou o colapso do mercado imobiliário como um ponto de advertência. “Agora, a Evergrande da indústria automobilística já existe, mas ainda não explodiu”, disse ele ao Sina Finance, um veículo de notícias, referindo-se à incorporadora imobiliária mais endividada do mundo. Um executivo da BYD respondeu que os comentários de Wei eram “alarmistas”.
A situação não é ajudada pelo fato de que existem 115 marcas chinesas de EVs, de acordo com a Jato Dynamics, uma empresa de pesquisa. Apenas algumas, incluindo a BYD, ganham dinheiro e devem sobreviver no longo prazo.
As brutais guerras de preços são uma aflição comum em todos os setores chineses. No final do terceiro trimestre do ano passado, quase 25% das empresas chinesas listadas em bolsa estavam no vermelho, mais do que o dobro da proporção de cinco anos atrás.
Pânico em Detroit
A consolidação levará tempo e será dolorosa. A BYD está bem posicionada, dada sua escala e integração vertical. A empresa controla tudo, desde os direitos de mineração dos minerais de que precisa para construir suas próprias baterias até os navios de carga para o transporte de seus carros aos mercados estrangeiros.
Em novembro, a empresa provocou temores de uma concorrência ainda mais acirrada quando pressionou os fornecedores a reduzir os preços em 10%. Agora, os fornecedores podem ser ainda mais pressionados.
Isso pode significar demissões e menos dinheiro para os trabalhadores do setor automobilístico gastarem, em um momento em que o governo está enfatizando a necessidade de impulsionar a fraca demanda doméstica para ajudar a absorver o choque da guerra comercial com os Estados Unidos.
Um mercado interno cada vez mais difícil alimentará as exportações de automóveis chineses. A agência de notícias Reuters informa que a China planeja vender mais da metade de seus carros no exterior, especialmente na América Latina e na Europa, até 2030. Isso seria um grande salto.
A China foi responsável por cerca de 90% das vendas de 4,3 milhões de carros da empresa no ano passado. No entanto, os preços mais altos que os EVs custam no exterior poderiam compensar as margens cada vez menores na China. E a empresa está fazendo incursões, apesar dos fortes ventos contrários do comércio.
Em abril, apesar do aumento das tarifas da União Europeia sobre os veículos elétricos chineses, a BYD vendeu mais deles na Europa do que a Tesla, uma rival americana, pela primeira vez, de acordo com a Jato Dynamics.
Embora a guerra de preços esteja em seu pior momento na China, suas ramificações serão sentidas em todo o mundo. Os EVs mais baratos seriam um ponto positivo, mas isso não será muito reconfortante para os governos já preocupados com o fato de a China exportar excesso de capacidade para seus mercados. Mais tensões comerciais são inevitáveis.
Valor - SP 14/07/2025
Montadora japonesa busca reforçar caixa e acelerar reestruturação com foco em veículos elétricos.
A montadora japonesa Nissan Motor levantou um total de 860 bilhões de ienes (US$ 5,9 bilhões) com a venda de títulos para financiar o resgate de dívidas que vencem em breve e investir em novas tecnologias, incluindo eletrificação e software.
A operação faz parte de um esforço mais amplo da empresa para reforçar suas finanças e reverter seu desempenho, dentro de um plano de reestruturação chamado Re:Nissan.
A Nissan está captando cerca de 660 bilhões de ienes por meio de títulos denominados em dólar americano e euro, e mais 200 bilhões de ienes por meio de títulos conversíveis. Os prazos de vencimento dos títulos variam entre 4 e 10 anos.
Em comunicado divulgado na sexta-feira (11), a empresa afirmou: “A oferta de títulos da Nissan foi superdimensionada, refletindo a confiança dos investidores no plano de recuperação Re:Nissan.”
Por outro lado, os investidores em ações reagiram negativamente ao anúncio feito no início da semana. Entre segunda e quarta-feira, o preço das ações da Nissan caiu cerca de 14%, após a empresa divulgar que aumentaria a emissão de títulos conversíveis com vencimento em 2031 de 150 bilhões para 200 bilhões de ienes. Títulos conversíveis em ações novas são potencialmente dilutivos para os acionistas atuais.
A divisão automotiva da empresa tem cerca de 560 bilhões de ienes em títulos com vencimento até o fim do ano fiscal de março de 2026.
Sob a liderança do novo CEO Ivan Espinosa, a Nissan está implementando reformas drásticas, incluindo o corte de 20 mil empregos em todo o mundo, cerca de 15% da força de trabalho global , e a redução do número de fábricas de 17 para 10.
“O tamanho atual da empresa simplesmente não é sustentável, e se não fizermos algo agora, o problema só vai piorar,” disse Espinosa em uma coletiva de imprensa realizada em maio.
Montadoras como a Nissan enfrentam custos crescentes em pesquisa e desenvolvimento voltados à eletrificação, condução autônoma e aos chamados veículos definidos por software (“software-defined vehicles” ou SDVs), a próxima geração da indústria automotiva.
Valor - SP 14/07/2025
Além da menor demanda por carros a combustão, montadora alemã enfrenta perda de mercado no país asiático diante da forte concorrência de fabricantes locais de veículos elétricos, como a BYD.
A Volkswagen vai fechar uma fábrica de montagem de veículos na China, operada em conjunto com a estatal Saic Motor em Nanjing, província de Jiangsu, enquanto a montadora alemã tenta reverter a queda nas vendas por meio de uma reestruturação no mercado que responde por cerca de 30% de suas entregas.
A fábrica de Nanjing foi inaugurada em 2008 e produzia veículos a gasolina como o modelo topo de linha Passat e o Superb da marca econômica Skoda. Sua capacidade máxima de produção era de 360 mil unidades por ano. No entanto, a taxa de utilização caiu devido à queda nas vendas, e a produção foi posteriormente interrompida.
Uma unidade chinesa da Volkswagen confirmou na sexta-feira (11) o fechamento da fábrica, afirmando que a empresa também realizou uma integração de recursos, transformação e modernização correspondentes para apoiar a implementação de estratégias futuras de produtos e melhorar ainda mais a eficiência operacional. A montadora considerará transferir certas funções da planta de Nanjing para outras instalações.
Além da queda na demanda por veículos com motor a combustão, a montadora alemã vem perdendo participação de mercado na China devido à concorrência crescente com fabricantes locais de veículos elétricos, como a BYD.
A Volkswagen entregou 2,92 milhões de unidades na China em 2024, uma queda de cerca de 10% em relação a 2023. As entregas entre janeiro e junho de 2025 caíram cerca de 2% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Em novembro, a Volkswagen e a Saic anunciaram a venda de uma fábrica da joint venture na Região Autônoma Uigur de Xinjiang. As duas empresas também decidiram estender a parceria até 2040 e reconstruirão seus negócios com foco em veículos elétricos, ao mesmo tempo em que fecham fábricas e reduzem sua força de trabalho total.
Valor - SP 14/07/2025
Empresa de Elon Musk terá um showroom, mas ressaltou que não está interessada em fabricar na Índia no momento.
A Tesla abrirá seu primeiro showroom na Índia, em Mumbai, na próxima semana, tendo importado US$ 1 milhão em carros e mercadorias, marcando sua entrada no terceiro maior mercado de automóveis do mundo, apesar das reclamações do presidente-executivo, Elon Musk, sobre as altas tarifas de importação.
Em um convite à imprensa nesta quinta-feira (10), a montadora disse que o evento de 15 de julho era o “lançamento da Tesla na Índia por meio da abertura do centro de experiência da Tesla no Complexo Bandra Kurla”, localizado no principal distrito comercial da cidade.
Enfrentando o excesso de capacidade de produção em suas outras fábricas e a queda nas vendas, a Tesla passou a vender carros importados na Índia, sobre os quais precisará pagar cerca de 70% de impostos de importação e outras taxas.
Os registros alfandegários disponíveis comercialmente de janeiro a junho mostraram que a Tesla importou veículos, carregadores e acessórios para a Índia no valor de cerca de US$ 1 milhão, principalmente da China e dos Estados Unidos.
Os veículos incluíam seis Model Y, o veículo mais vendido da Tesla, com um valor de remessa de US$ 32.500 cada para cinco carros e US$ 46.000 para uma versão de longo alcance, bem como vários “superchargers”.
O governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, vem há anos cortejando a Tesla, incluindo a criação de uma nova política para atrair a montadora a fabricar seus veículos elétricos localmente.
A Tesla informou que não está interessada em fabricar na Índia no momento.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que se a Tesla construísse uma fábrica na Índia para contornar as tarifas do país, isso seria “injusto” para os EUA.
A Tesla contratou profissionais para várias das três dúzias de cargos que anunciou na Índia no início deste ano, trazendo a bordo gerentes de lojas, executivos de vendas e de serviços. Ela está procurando engenheiros de cadeia de suprimentos e operadores de veículos para suas ambições de piloto automático.
Valor - SP 14/07/2025
Indústria deve ultrapassar a marca de 2 milhões de unidades somente em 2026.
Com a produção de pouco mais de um milhão de motocicletas no primeiro semestre, a indústria se aproxima de fechar 2025 como o terceiro melhor ano da história. A expectativa dos fabricantes é de montar 1,88 milhão de unidades até dezembro - alta de 7,7% sobre 2024 - e o atual ritmo poderia indicar até passar dos 2 milhões de veículos, mas os dirigentes da indústria adotam um discurso mais conservador e apontam questões locais e internacionais que não permitem, pelo menos por enquanto, rever essa estimativa.
O resultado da primeira metade do ano significa alta de 15,3% na comparação com o mesmo período de 2024. Marco Bento, presidente da Abraciclo, entidade que representa 11 montadoras com produção no Polo Industrial de Manaus (PIM) e que respondem por cerca de 97% do mercado total, afirma que não se pode usar o primeiro semestre como referência para uma projeção do segundo.
“Na segunda parte do ano, por exemplo, temos dois períodos de férias coletivas (em julho e dezembro) que afetam a produção no polo. No segundo semestre, historicamente, o volume de produção é menor”, afirma.
Bento acredita que o Brasil passe efetivamente de 2 milhões de motos produzidas em Manaus só em 2026. Seria a terceira vez na história do setor que isso ocorreria (veja quadro acima). Mas o dirigente não acredita em anúncios de grandes investimentos por conta dessa nova marca de produção.
“Temos visto um crescimento constante nos últimos anos. O que é muito mais equilibrado. Com certeza, os investimentos estão sendo feitos porque quando olhamos antes da pandemia o mercado era de menos de 1 milhão de motos. Só no primeiro semestre foram 1,4 mil novos postos de trabalho. Então os investimentos já estão sendo feitos.” No total, o setor de duas rodas (que inclui bicicletas) emprega 20 mil pessoas no PIM.
Um fator importante que pode pesar no desempenho das montadoras até dezembro é o climático. Nos últimos dois anos, em especial em 2023, o setor foi atingido pelas consequências da seca na região de Manaus sobre a logística local. Há dois anos, algumas linhas de montagem pararam em outubro por falta de peças e insumos. Em 2024, com as várias medidas adotadas para minimizar os efeitos da seca, como os investimentos nos portos privados, o impacto foi menor, mas ainda houve problemas.
“Tenho um acompanhamento diário (da situação climática). Pelas informações que temos até agora, a previsão é de que a seca terá muito menos impacto neste ano. Se continuar como está, acredito que não sofreremos com a seca neste ano”, afirmou o presidente da Abraciclo. Mas ele destaca que a indústria não pode ficar apenas esperando a chuva cair e está se preparando para possíveis problemas logísticos.
Completam esse cenário para o segundo semestre os fatores que, Bento lembra, fogem do alcance das montadoras. A atual guerra comercial iniciada pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, de taxar as importações brasileiras em 50%, por exemplo, cria incertezas sobre algumas variáveis importantes da economia brasileira e mundial, como taxa de juros, cotação do dólar, preço das commodities e custo de fretes, entre outras. Ele destaca ainda o impacto econômico das grandes guerras hoje no mundo.
Uma disputa tarifária entre Estados Unidos e Brasil poderia prejudicar o setor nos dois sentidos. A indústria brasileira exporta motos para o mercado americano e importa insumos de lá.
Sobre a eletrificação do setor, o dirigente da Abraciclo disse que a velocidade desse processo vai depender da decisão do consumidor. Ele lembra que algumas associadas já oferecem modelos elétricos e que não se trata de “negação” da tecnologia, mas o que é mais viável neste momento para o consumidor. A participação dos elétricos no mercado hoje está em cerca de 0,5% do total.
“Todos os nossos fabricantes são globais, têm essa tecnologia (moto elétrica). O que vai determinar a vocação da tecnologia é a infraestrutura. Outro ponto é quanto se pode rodar com um tanque de combustível? Cerca de 450 a 500 quilômetros. E na moto elétrica? No máximo 100 quilômetros. Ainda existem questões técnicas e neste momento a vocação para a descarbonização, na visão da indústria, é a tecnologia flex”, afirma. “Mas quem vai decidir, no fim do dia, é o consumidor.”
Globo Online - RJ 14/07/2025
A Justiça do Rio determinou, na tarde desta sexta-feira, que a BYD pare de vender veículos com tecnologia 4G embutida enquanto avalia denúncia de possível violação de patente. A decisão foi proferida pela 1ª Vara Empresarial do Rio, em caráter liminar, atendendo a pedido de tutela de urgência da IP Bridge.
Trata-se de uma firma japonesa de licenciamento de patentes que move processos contra a montadora chinesa de veículos elétricos em vários países do mundo. À Justiça brasileira, a IP Bridge afirmou que a BYD viola a patente PI 0908287-5, que viabiliza a oferta de rede 4G em veículos e vencerá em 2030 (daí o pedido de urgência). De acordo com a empresa, a montadora chinesa não assinou contrato de licenciamento, diferentemente de outras montadoras que oferecem 4G/LTE mediante pagamento da licença.
“Restou demonstrada, ainda nos autos, a utilização da tecnologia desenvolvida pela parte autora, conforme laudos técnicos juntados ao processo, sendo evidenciado que a ré é a única montadora, no Brasil, que utiliza a referida tecnologia sem a devida remuneração”, diz a decisão, datada da semana passada, mas só agora assinada e disponibilizada nos autos.
O que diz a BYD
A magistrada determinou que a BYD pare de vender carros com a tecnologia protegida pela patente PI 0908287-5 “nos veículos que vier a comercializar (...), no prazo de 5 dias (...), sob pena de multa diária de R$ 20 mil, inicialmente limitada a R$ 600 mil”.
A juíza também ordenou que a BYD comprove, no prazo de dez dias, quais medidas adotou para cumprir a decisão liminar. E designou um perito para se aprofundar na avaliação do mérito do processo.
Procurada pela coluna, a BYD disse que "ainda não foi citada sobre a decisão mencionada e, por essa razão, não pode se manifestar."
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entidade que representa a indústria de máquinas e equipamentos, confia na reversão da tarifa de 50% anunciada por Donald Trump a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Já o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, teme que o estresse político entre Brasil e EUA prejudique a negociação que estava em curso por cotas para livrar o Brasil da tarifa específica para o aço (leia mais abaixo).
Segundo o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, levar a medida adiante significa decretar o fim do comércio entre os países, o que não faz sentido estratégico na guerra comercial travada pelos EUA com a China.
Assim, a tendência, acredita Velloso, é de as partes negociarem um acordo, de forma que, apesar do susto com a elevação tarifária, as empresas não estão desesperadas. “A expectativa é de negociação porque não tem como aplicar uma tarifa de 50%. É como dizer ‘está proibido fazer negócio com o Brasil’, já que obriga o Brasil a aplicar a reciprocidade”, diz Velloso.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações das máquinas e equipamentos produzidos no Brasil. No ano passado, os embarques foram da ordem de US$ 3,5 bilhões. Porém, as empresas brasileiras trazem um número ainda maior de máquinas dos EUA: US$ 4,7 bilhões.
A avaliação da Abimaq é a de que não há justificativa para a imposição de tarifas adicionais se o comércio bilateral é vantajoso para os Estados Unidos. Quando se somam todos os produtos da pauta, o Brasil teve mais de US$ 88 bilhões em déficit comercial com os Estados Unidos nos últimos 16 anos.
Na avaliação de Velloso, não bastasse o atrito com um país a quem os EUA mais vendem do que compram, a tarifa contra o Brasil, a maior até aqui do “tarifaço” de Trump, tem o efeito colateral de favorecer a competitividade dos produtos chineses no mercado americano. Nesse sentido, avalia, a medida não tem lógica dentro do objetivo do presidente americano de reverter o déficit comercial com os chineses. “Não faz sentido.”
“Por enquanto, não bateu o desespero nas empresas. Existe uma preocupação, mas não um estado de ebulição por causa do entendimento de que a tarifa não é factível e deve ser revista”, acrescenta Velloso.
Estados Unidos [América do Norte]Brasil [América do Sul]exportaçãoindústria
Valor - SP 14/07/2025
Associação da indústria de máquinas e equipamentos defende que as negociações sejam iniciadas com urgência para evitar a aplicação das sobretaxas.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) manifestou preocupação com o anúncio do governo dos Estados Unidos, que aplicará uma tarifa de 50% sobre todas as importações vindas do Brasil a partir de 1º de agosto. A entidade avalia que a medida é injustificável e representa risco à relação comercial bilateral, especialmente em setores como o de máquinas e equipamentos, no qual o Brasil já acumula déficit significativo.
A Abimaq também lembra que grande parte dos produtos americanos entra no Brasil com tarifa zero, e que a tarifa média efetiva aplicada às importações dos EUA é de apenas 2,7% — sendo ainda menor no setor de máquinas, devido a regimes especiais. “A relação comercial é claramente vantajosa para os Estados Unidos, o que invalida o argumento de que haveria um desequilíbrio comercial a ser corrigido com novas tarifas”, afirma a entidade em nota.
Segundo a associação, em 2024, os EUA foram o principal destino das exportações brasileiras do setor, que somaram US$ 3,54 bilhões, frente a US$ 4,7 bilhões em importações de equipamentos norte-americanos — resultando em um déficit comercial de US$ 1,16 bilhão. No comércio total, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 40,4 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 40,6 bilhões, também com saldo negativo para o Brasil.
A entidade apoia os esforços do governo brasileiro para resolver a questão por meio do diálogo e da diplomacia, e defende que as negociações sejam iniciadas com urgência para evitar a aplicação das sobretaxas.
“É fundamental garantir a continuidade do fluxo comercial, a preservação dos investimentos produtivos e a manutenção dos empregos”, afirma a associação, que entende que a história de cooperação entre os dois países precisa ser respeitada e reafirmada em um ambiente de confiança mútua e prosperidade.
Valor - SP 14/07/2025
Com crédito mais escasso e caro, formas antigas de bancar a construção e os clientes podem ser atrativas, e funcionam especialmente bem com investidores.
Com crédito mais escasso, incorporadoras podem olhar para o passado para encontrar alternativas para financiar obras e clientes - e elas combinam com os imóveis compactos, que ganharam popularidade na última década.
A venda direta aos consumidores, sem intermediação de um banco, é uma dessas alternativas, conta Henrique Gallo, sócio de direito imobiliário do Orizzo Marques Gabrili e Coltro Advogados. Comum em momentos de desinteresse dos bancos em financiar as obras, essa modalidade permite que o dinheiro seja levantado com os clientes, que pagam ao menos metade do valor na construção.
Gallo lembra que a incorporadora Rossi usou o sistema nos anos 1990, com seu “Plano 100”, onde financiava o cliente em 100 parcelas, com foco na classe média.
Hoje, a Porte Engenharia tem no financiamento direto uma das principais formas de levantar capital para as obras, diz o diretor comercial Igor Melro. A empresa faz imóveis comerciais e apartamentos compactos na Zona Leste de São Paulo, e seu público-alvo são investidores. Para o modelo funcionar, Melro conta que a empresa costuma levar até 50 meses do lançamento à conclusão do empreendimento. Obras financiadas pelos bancos podem ficar prontas em 36 meses. “Quando chega lá na frente, [o cliente] terminou de pagar”, afirma. “Não existe o financiamento que é padrão no mercado.”
Se houver descasamento entre o fluxo de receita vindo dos compradores e os custos da obra, a empresa recorre ao mercado de capitais, com a emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Melro reconhece que a venda direta, apesar de vantajosa para a empresa, limita o universo de compradores. “Dentro do nosso tamanho, hoje, tem feito sentido”, diz. Para expandir o público, a empresa também busca investidores de outras regiões da cidade. Com o tempo, é possível que ela parta para uma mescla de usar seu próprio caixa e ter financiamento bancário, afirma, para poder “navegar nesses períodos de juros mais alto, que vão e vêm sempre”.
A Vitacon, conhecida pelos compactos, é outra companhia focada em investidores e que obtém parte dos recursos com os clientes, complementando esse fluxo com o mercado de capitais. “A tabela de vendas funciona de forma que ele paga um percentual durante as obras e financia ao final ou quita com recursos próprios, e muitos acabam quitando”, diz o fundador Alexandre Frankel.
Segundo ele, esse modelo é viável porque não tem faltado demanda para os imóveis compactos na cidade, mesmo com um maior fluxo de novos projetos do tipo.
Também não tem faltado interesse do mercado de capitais, afirma Mauro Dahruj, sócio-diretor da gestora Hedge, que está estruturando um fundo com a Paladin para fazer residenciais compactos “incentivados”, em bairros de classe média. São imóveis que recebem algum benefício público, para atender ao déficit habitacional. Os projetos também podem mesclar unidades incentivadas e de comércio livre, ampliando os compradores possíveis.
Para Dahruj, é uma saída para seguir produzindo em regiões de classe média, já que projetos tradicionalmente voltados ao segmento estão inviáveis. “Hoje, o produto correto é o que visa aos compactos ou a alta renda”, diz. “[O compacto] é mais barato para construir e você vende mais rápido.”
Frankel afirma que conversa com muitas incorporadoras e vê vários modelos alternativos de financiamento sendo utilizados. “O brasileiro é muito criativo na hora de estruturar [o capital].”
Mesmo após o IPO, em 2020, a Moura Dubeux, maior incorporadora do Nordeste, seguiu com a estratégia de fazer obras por regime de administração, também chamadas de “condomínio fechado”.
A empresa percebe uma demanda, reúne um grupo de interessados e identifica um terreno ideal para a obra, cobrando taxa de consultoria. O grupo de interessados vai, então, bancar a construção, administrada pela incorporadora, que também recebe por isso.
Gallo explica que o modelo existe desde os anos 1960 e foi usado por cooperativas habitacionais. O preço das unidades tende a ser menor, pois não há juros, mas também há mais risco, já que o valor não é fechado. É feito um estudo, mas o preço pode variar. Para as incorporadoras, é uma forma de elevar a produção sem se endividar.
Na Moura, as obras por administração responderam por quase 54% das vendas no primeiro semestre, ou R$ 1 bilhão. A empresa lançou 130% mais no período, na comparação anual, mas tem conseguido manter sua dívida líquida em cerca de 10% do patrimônio líquido, patamar baixo.
“[O sistema] não só permite que cresçamos com menor consumo de caixa e dependência de financiamento imobiliário, como também protege a companhia de distratos e estouro [de custo] nas obras”, afirma Diego Villar, CEO da Moura Dubeux.
A empresa também compra parte das cotas e as revende, com margem média de 20%. Essas vendas somaram outros 5% do total comercializado até junho. Villar explica que, assim, a empresa atinge um público que não tem renda para o fluxo de pagamento da obra por administração.
A Moura Dubeux também financia suas obras com os bancos, mas tem o condomínio fechado como alternativa, o que tem chamado a atenção de concorrentes, conta o executivo. “Temos recebido cada vez mais dúvidas sobre o modelo de condomínio.”
Valor - SP 14/07/2025
Análise da empresa de crédito imobiliário Liquid aponta tendência; inadimplência na entrada da unidade é preocupação.
Uma alternativa para quem trabalha com imóveis compactos e alta renda, as vendas diretas podem estar em declínio para incorporadoras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Levantamento feito pela Liquid, que atua na análise de crédito imobiliário, aponta que a criação da faixa 4 do programa, para famílias com renda de R$ 8,6 mil a R$ 12 mil mensais, faz com que o MCMV inclua até 65% das unidades até então vendidas diretamente, ao menos na sua carteira, que conta com 60 incorporadores.
“Isso representa uma oportunidade expressiva de redução da exposição financeira das incorporadoras, ao permitir o redirecionamento do crédito para o sistema formal, com menor risco e maior previsibilidade de recebíveis”, afirma Thiago Yaak, um dos fundadores da Liquid.
Ele ressalta que a nova faixa tem a capacidade de “destravar capital de giro, reduzir inadimplência e aumentar a atratividade dos empreendimentos junto ao público-alvo”. Ela funciona, também, como um “vetor de liquidez” para o setor, pontua.
Ronaldo Cury, diretor de relações com investidores da incorporadora Cury, concorda com a tendência. “Devemos diminuir o percentual de tabela direta”, afirma, embora a empresa ainda esteja apurando seus números.
Já na Direcional, outra grande incorporadora do MCMV, não é esperada queda nesse tipo de venda. Ricardo Gontijo, CEO da empresa, afirmou no início do mês que seus clientes que fazem compra direta continuam de fora da política habitacional. “Como o prazo da venda direta é de no máximo 120 meses, a renda necessária acaba sendo superior aos R$ 12 mil”, disse.
Outro tipo de financiamento que as incorporadoras do MCMV fazem ao cliente é o parcelamento da entrada, que não é coberta pela linha de crédito da Caixa Econômica Federal. Esse parcelamento, que não tem garantia - uma vez que a unidade é garantia do empréstimo com o banco - é chamado de pró-soluto.
Para mitigar os riscos, as empresas tentam fazer com que o cliente conclua o pagamento antes da entrega das chaves. Sem garantia e com o cliente já morando no imóvel, o risco desse crédito sobe ainda mais.
Dados da Liquid mostram que a taxa média de inadimplência nas carteiras de pró-soluto é de 5 a 10 vezes maior do que no financiamento bancário.
A Liquid relata, ainda, que a parcela de pagamento recebida pelos incorporadores no ato da compra têm caído, de 15% a 30%. Segundo Yaak, isso indica uma diminuição da capacidade dos compradores de amortizar o saldo devedor, e também um esforço maior das incorporadoras em acelerar as vendas, já que estariam aceitando clientes que podem pré-pagar menos da entrada. Com isso, cresce o montante no pró-soluto.
Para evitar problemas, só 10% da carteira de pró-soluto da Cury está na fase “pós-chaves”, afirma Ronaldo. Ele conta, porém, que há empresas que dividem o saldo em 60 meses após a entrega da unidade, correndo maior risco.
Enquanto essa carteira cresce, há um outro ponto de atenção para as incorporadoras. É comum que elas “empacotem” suas carteiras de pró-soluto em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), distribuídos no mercado, para adiantar o recebimento dos valores. No entanto, a proposta de taxar os CRIs, hoje isentos, em 5% no imposto de renda, pode afetar a atratividade do instrumento.
“A expectativa é que as taxas de desconto aplicadas sobre esses recebíveis sejam mais altas”, disse Gontijo, acrescentando que ainda não é possível prever o cenário com certeza.
Isso significaria menos recurso entrando no caixa das empresas e “menos capital de giro, menos obra, menos produto ofertado e provavelmente um incremento de preço de produto”, completou o executivo, em efeito cascata.
“O risco regulatório adiciona camada extra de incerteza, tornando o acesso ao capital via CRI ainda mais desafiador para ‘players’ médios e pequenos”, diz Yaak.
Monitor Digital - RJ 14/07/2025
A recente assinatura de um acordo de cooperação entre Brasil e China, com foco na realização de estudos para uma ferrovia interoceânica, recoloca no centro do debate a integração física da América do Sul. O Ministério do Planejamento já conduz análises técnicas sobre diferentes alternativas de conexão entre o Atlântico e o Pacífico. Essa discussão, no entanto, deve ir além da escolha de uma rota: trata-se de uma decisão geoestratégica, com implicações para o desenvolvimento regional, a segurança nacional e a soberania sul-americana.
Neste cenário, ganha destaque a Rota 4 – Bioceânica de Capricórnio, que parte do Porto de Santos (SP) e segue por Três Lagoas, Campo Grande e Corumbá (MS), conectando-se às malhas da Bolívia e integrando modais logísticos do Paraguai e da Argentina, até alcançar os portos de Antofagasta e Iquique, no Chile — com possibilidade de extensão até Chancay, no Peru.
Essa rota tem a seu favor um diferencial fundamental: pode ser estruturada a partir da reativação da Ferrovia Malha Oeste, já existente e com 1.973 km de trilhos implantados, hoje abandonados ou subutilizados. A Malha Oeste liga Santos a Corumbá, com um ramal até Ponta Porã. Sua reativação, com gestão pública liderada pela Infra S/A e apoio técnico do BNDES, exigiria investimentos muito menores do que os grandes projetos ferroviários greenfield. Essa alternativa não só é tecnicamente viável, como politicamente recomendável.
Atualmente, o Mato Grosso do Sul depende quase exclusivamente do transporte rodoviário — um sistema caro, poluente e sobrecarregado. A ferrovia permitiria o escoamento mais eficiente e sustentável de grãos, carnes, minérios, celulose e fertilizantes. Segundo estudo do Ipea, a integração da Malha Oeste ao Corredor Bioceânico pode reduzir em até 21% os custos logísticos desses produtos com destino ao Pacífico.
Além disso, sua reativação impulsionaria a reindustrialização verde e o fortalecimento de polos logísticos e agroindustriais, com geração de milhares de empregos e estímulo à inovação no interior do país.
Malha Oeste reposiciona o Brasil no cenário sul-americano
Do ponto de vista geopolítico, a Malha Oeste reposiciona o Brasil no cenário continental. O diplomata João Carlos Parkinson, coordenador dos Corredores Bioceânicos no Itamaraty, destaca que a Rota 4 representa “uma transformação ampla e profunda dos territórios que a integram”, deslocando o Centro-Oeste da periferia para o centro da logística sul-americana.
A ferrovia ainda pode se conectar aos portos fluviais de Ladário e Porto Esperança, no Rio Paraguai, ampliando o alcance da integração com a Bacia do Prata.
Há também um forte componente de soberania. A presença do Estado brasileiro em áreas de fronteira com Bolívia e Paraguai, por meio de infraestrutura logística controlada e regulada, reforça a segurança nacional e dificulta atividades ilícitas transfronteiriças.
Do ponto de vista institucional, o projeto se encaixa nos critérios dos principais organismos multilaterais que financiam a integração regional. Há hoje cerca de US$ 10 bilhões que podem ser utilizados para projetos ferroviários sustentáveis, via BID, CAF e Fonplata.
A governança do Corredor Bioceânico, já consolidada com encontros semestrais entre governos, universidades e setor privado, mostrou-se resiliente a mudanças políticas e está pronta para avançar.
Espinha dorsal do desenvolvimento nacional
A proposta é clara: que a Infra S/A assuma a estruturação técnica da reativação da Malha Oeste, como já faz com a FIOL e a Ferrovia Norte-Sul. O BNDES pode liderar a modelagem de parcerias público-privadas ou concessões internacionais com financiamento sustentável. O marco legal já existe. O que falta é uma decisão política à altura do projeto.
Mais do que uma ferrovia, a Malha Oeste é a espinha dorsal de um novo modelo de desenvolvimento nacional, com impacto continental. Um projeto que une trabalhadores, ambientalistas, empresários, governos, parlamentares e universidades em torno de uma agenda comum: a de um Brasil mais integrado, competitivo, sustentável e soberano.
Reativar a Malha Oeste é colocar o país — e especialmente o Centro-Oeste — nos trilhos do século 21.
José Augusto Valente é membro da Divisão Técnica de Transporte e Logística do Clube de Engenharia. Foi secretário de Política Nacional de Transportes e presidente do DER-RJ.
O Estado de S.Paulo - SP 14/07/2025
O governo do Estado tornou oficial nesta sexta-feira, 11, o processo para a expansão da Linha 6-Laranja do metrô nos dois sentidos do projeto atual. Uma deliberação da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) recomenda a assinatura de novo aditivo contratual com a concessionária Linha Uni para a seleção das áreas que serão desapropriadas. Serão dois novos trechos, sul e norte, com seis novas estações. O trecho sul vai estender a linha até o bairro da Mooca.
Procurada pela reportagem, a concessionária Linha Uni informou que, nesse momento, o assunto deve ser tratado diretamente com o governo.
A Secretaria de Parceria em Investimentos do Estado de São Paulo (SPI) disse, em nota, que a fase 3 de extensão da Linha 6-Laranja está em análise pela Artesp, após estudos realizados pela concessionária. “O processo agora seguirá os trâmites necessários e, posteriormente, com a contratação, será possível definir os cronogramas de entrega dos demais estudos e projetos”, diz.
A deliberação n° 309 da Artesp, publicada no Diário Oficial desta sexta, recomenda a formalização do termo aditivo modificativo número 3 para elaboração e entrega dos estudos necessários para a análise de viabilidade da fase 3 e do tramo sudeste da Linha 6-Laranja do Metrô. A fase 3 inclui também a extensão da linha em direção à zona norte de São Paulo.
A deliberação recomenda ainda o estabelecimento das regras e diretrizes para desapropriação dos imóveis públicos e privados necessários à implementação da futura linha.
Também autoriza a concessionária a adotar as medidas necessárias para obter as licenças ambientais prévia e de instalação, bem como promover as alterações contratuais para a obra, incluindo os investimentos adicionais à concessão. Os valores ainda serão definidos.
Atualmente, a linha está em construção entre São Joaquim e Brasilândia.
Segundo a SPI, a fase 3 da Linha 6-Laranja contempla mais 6 km de trilhos e 6 novas estações: Morro Grande e Nova Campinas do lado norte, após a Estação Brasilândia, e Aclimação, Cambuci, Vila Monumento e São Carlos, do lado sul, após a Estação São Joaquim.
A fase 3 vai permitir a integração com mais linhas do sistema, como a 10-Turquesa da CPTM e a 16-Violeta - essa ainda em fase de projeto.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou ter recebido solicitação de licença ambiental de instalação para a escavação de túneis da expansão da Linha 6-Laranja do metrô, incluindo a implementação de saída de emergência do Rio Pajeú. O pedido, registrado em 18 de julho, está em análise técnica.
1º trem foi entregue esta semana
Nesta quinta-feira, 10, o governo de São Paulo entregou o primeiro trem da Linha 6-Laranja do Metrô, que ligará as zonas norte e oeste ao centro da capital paulista. A cerimônia ocorreu no Pátio Morro Grande, na zona norte.
No total, serão 22 composições com seis carros cada, capazes de transportar até 2.044 passageiros entre a Brasilândia, na zona norte, e a Estação São Joaquim, no centro. A previsão é de que a linha atenda mais de 630 mil passageiros por dia.
A Linha 6 deve ser inaugurada parcialmente até o fim de 2026, no trecho entre Brasilândia e Perdizes. O percurso restante até São Joaquim está previsto para 2027.
Entre as estações mais adiantadas estão as de Perdizes, Água Branca e Santa Marina. Já foram instalados 19 km de trilhos ao longo do traçado da linha, que conta com 15 estações e 15,3 km de extensão operacional. Inicialmente, a Linha 6 fará integração com outras três linhas: a Linha 1-Azul, do Metrô de SP, na Estação São Joaquim; a Linha 4-Amarela, da ViaQuatro, na Estação Higienópolis-Mackenzie; e com os trens suburbanos da Linha 7-Rubi.
A tribuna - SP 14/07/2025
O leilão para concessão do canal de navegação do Porto de Santos por 25 anos – prorrogáveis por até 70 – está previsto para acontecer entre dezembro deste ano e fevereiro de 2026. A estimativa é do secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, levando em conta os prazos para os trâmites ainda necessários.
“Temos três etapas até o leilão, que é a terceira. Estamos na primeira”, afirma. “Todos os nossos leilões e concessões são prioridades para nós. Mas, naturalmente, para a concessão do canal do maior porto do País e do Hemisfério Sul, vamos colocar, sim, um plus de energia para poder avançar e agilizar todos os prazos que forem possíveis”, garante o secretário para A Tribuna.
A autorização para abertura do processo de concessão foi enviada no último dia 3 pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Em nota, a agência informou que irá analisá-lo internamente e submetê-lo à deliberação da Diretoria Colegiada. “Somente após essa etapa serão definidas a data de abertura da consulta pública, seu prazo de duração e o formato de participação, bem como a data e local da audiência pública”, diz o texto.
Etapas
Ávila detalha que foi concluída a etapa técnica, com a aprovação dos estudos. Os documentos e a modelagem do processo são encaminhados à Antaq, solicitando que sejam dadas providências para fazer consulta e audiências públicas. A relatora escolhida pela agência foi a diretora Flávia Takafashi. “É feito tratamento técnico do assunto, com alinhamento de cronogramas e de agendas para podermos avançar com os próximos passos”, afirma.
Depois disso, consulta e audiência públicas serão realizadas. Ao final delas, ocorrerá a compilação de todas as contribuições, por meio de uma divisão de tarefas. A Secretaria de Portos fica responsável pelos questionamentos e contribuições referentes aos aspectos de políticas públicas. Já a Agência dá o tratamento para os aspectos regulatórios, como questões tarifárias.
“Quanto aos elementos técnicos de engenharia relativos ao modelo e ao projeto de concessão, contamos com o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que foi quem desenvolveu a modelagem técnica para nós, coordenada pela Secretaria Nacional de Portos”, conclui o secretário.
Quando houver uma versão final da documentação, depois de deliberações da Antaq, a pasta encaminha ao Tribunal de Contas da União (TCU). “Consideramos algo em torno de 60 dias, ou seja, em meados de outubro para durar esse processo até o envio”, calcula.
O retorno da Corte se dá, geralmente, em quatro meses. Por isso, a previsão máxima apontada pelo secretário para o leilão do canal do Porto de Santos é fevereiro de 2026.
A concessão do canal de navegação santista será por 25 anos, prorrogáveis por até 70, com previsão para acontecer entre dezembro deste ano e fevereiro de 2026.
Concessão pode ser financiada pelo FMM
Assim como na concessão do canal do Porto de Paranaguá, no Paraná, há boas chances de o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) também qualificar o projeto envolvendo o Porto de Santos para conseguir aporte do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Na última quinta-feira, o Conselho Diretor do FMM aprovou projeto que reserva R$ 1,089 bilhão para financiar os investimentos necessários para a concessão no Paraná.
“Acredito que o ministro (Silvio Costa Filho) irá nos orientar a seguir o mesmo caminho. É uma possibilidade. Eu, particularmente, sou 100% partidário dessa orientação, até porque avalio que isso é adequado. Tem muita simetria com o que estamos buscando fazer, no sentido de qualificar os nossos projetos e atrair cada vez mais competitividade para nossas concessões e leilões”, afirma o secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila.
O secretário lembra que essa qualificação não é uma garantia que esse recurso estará disponível. “A gente fez isso no âmbito do Fundo da Marinha como um atrativo. E, obviamente, esse Fundo tem as suas regras e trâmites. Deixando isso qualificado, fica uma porta aberta para o futuro concessionário, se assim ele tiver a intenção de buscar o financiamento de recursos junto ao Fundo da Marinha, que dispõe de condições diferenciadas em relação ao mercado”, explica.
Leilão de Paranaguá é previsto para setembro
O leilão de canal de navegação mais próximo de acontecer é o do Porto de Paranaguá, no Paraná, segundo o secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila.
“Nos próximos dias, o edital deve ser publicado e, em meados de setembro, abrirmos o leilão na bolsa. Todas as etapas já estão superadas, devidamente aprovadas pelo TCU. Agora estamos tratando de fazer os atos preparatórios para fazer a publicação. Isso é feito em conjunto com a Antaq e, naturalmente, com a Autoridade Portuária de Paranaguá”, explica.
O processo envolvendo o canal do Porto de Itajaí (SC) já teve audiência pública e encontra-se na Antaq. “Na próxima reunião de diretoria da Antaq, é bem possível que esse processo seja pautado para serem deliberadas as contribuições das audiências públicas. Já está tudo consolidado e, dali, nós já vamos remeter ao TCU”, projeta.
Já o da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) também está na Antaq para, em breve, haver audiência pública. Por fim, para o canal do Porto de Rio Grande (RS), o momento é de desenvolvimento dos estudos.
“Dos cinco processos (o outro é o de Santos), em quatro estamos em estágio avançado, ou seja, 80% desse projeto de concessões do canal chamada etapa 1, que é esse pacote que estamos tratando nesse primeiro momento”, afirma o secretário.
Portal Fator Brasil - RJ 14/07/2025
O segundo navio marca um novo capítulo na eficiência e competitividade da companhia no comércio internacional. A cerimônia de batismo foi realizada, na China, no estaleiro da Yamic, empresa responsável por construir a embarcação, que conta com um motor bicombustível, que funciona com óleo bunker e etano. O navio tem alta eficiência no consumo de combustível e no sistema de propulsão, tendo emissões de CO2 cerca de 40% inferiores à média da frota em operação.
A Braskem, petroquímica global que desenvolve soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, celebrou no dia 10 de julho (quinta-feira), a chegada do Brave Future, seu novo navio. O início da operação da embarcação de cerca de R$ 500 milhões, que fará a rota entre Estados Unidos, México e Brasil, marca a ampliação da estratégia da companhia para aumentar a sua autonomia logística, reduzir os custos de transporte marítimo e fortalecer sua competitividade global. A cerimônia de batismo foi realizada, na China, no estaleiro da Yamic, empresa responsável por construir a embarcação.
Projetado como um transportador de etano com 188 metros de comprimento, capacidade de 36 mil metros cúbicos e podendo transportar cargas a uma temperatura de até -104°C, o navio foi financiado pela Ocean Yield e será operado pela Hartmann Reederei. A embarcação conta ainda com um motor bicombustível, que funciona com óleo bunker e etano. O navio tem alta eficiência no consumo de combustível e no sistema de propulsão, tendo emissões de CO2 cerca de 40% inferiores à média da frota em operação.
—O Brave Future é um ativo estratégico que amplia a nossa autonomia logística, confere maior previsibilidade às operações e fortalece a nossa posição como líder global na indústria petroquímica —destaca Hardi Schuck, diretor da Braskem Trading & Shipping (BT&S). Antes do batismo, a embarcação passou pela fase de sea trials, um rigoroso processo de testes no mar que avalia segurança, velocidade, manobrabilidade e desempenho dos equipamentos antes do início da operação comercial.
Com o novo navio, a Braskem passa a contar com duas embarcações próprias dedicadas ao transporte de etano – Brave Future e Brilliant Future. Em 2026, a BT&S espera a entrega de mais quatro navios para atender a Braskem. Tal estrutura reforça o compromisso da companhia com as soluções logísticas inovadoras, sustentáveis e alinhadas às exigências do comércio marítimo global.
Perfil — A Braskem é uma empresa petroquímica global, orientada para o ser humano, com olhar para o futuro, que cultiva relacionamentos sólidos e gera valor para todos. Oferecendo soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, a petroquímica possui um completo portfólio de resinas plásticas e produtos químicos para diversos segmentos, como embalagens alimentícias, construção civil, industrial, automotivo, agronegócio, saúde e higiene, entre outros. A Braskem acredita que a inovação disruptiva é o único caminho possível para se estabelecer uma nova relação com o planeta, por isso, escolhe agir no presente, promovendo a circularidade do plástico e impulsionando a revolução dos materiais de base biológica. Com 40 unidades industriais no Brasil, EUA, México e Alemanha, a companhia exporta seus produtos para clientes em mais de 71 países por meio de seus 8.500 mil integrantes que atuam globalmente em um modelo de gestão que demonstra o compromisso com a ética, respeitando as normas de conformidade em todos os países e garantindo o respeito à competitividade responsável. | www.braskem.com.br
Valor - SP 14/07/2025
Os Estados Unidos querem que a Coreia do Sul participe de iniciativas para conter o crescimento da China no setor de construção naval, por meio de uma possível cooperação nesse segmento, afirmou um alto funcionário do Ministério do Comércio sul-coreano nesta sexta-feira.
“O governo dos EUA tem uma sensação de crise diante do aumento da participação de mercado da China na construção naval e está buscando a Coreia como parceira estratégica”, disse o diretor de Política Comercial, Chang Sung-gil, durante um fórum promovido por um parlamentar.
Segundo Chang, os EUA pediram que Seul se una a medidas contra a China em “outras áreas” como pré-condição para a cooperação bilateral na construção naval, sem entrar em detalhes. Mais tarde, ele esclareceu que estava se referindo especificamente ao setor naval como possível área de parceria para enfrentar a China.
Chang também afirmou que os EUA demonstraram reservas em relação a cortes ou eliminação de tarifas específicas por setor, como as aplicadas sobre automóveis e aço.
Questionado sobre os esforços americanos para envolver Seul contra Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que negociações bilaterais entre países não devem prejudicar terceiros.
“A China sempre apoiou que todas as partes lidem adequadamente com questões econômicas e comerciais por meio do diálogo e da consulta, mas nenhum acordo ou negociação deve prejudicar os interesses de terceiros”, disse Mao em coletiva de imprensa regular.
De acordo com Chang, os EUA também pediram que a Coreia do Sul aumente os investimentos e compras de produtos agrícolas e de energia dos EUA em troca da negociação de tarifas recíprocas de 25%. No entanto, ele observou que “há muita sensibilidade política na Coreia do Sul em relação à ampliação da importação de produtos agrícolas”.
A Tribuna - SP 14/07/2025
A taxação de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros deve impactar negativamente as exportações a partir de 1º de agosto, data prevista para a medida entrar em vigor. Desde já, essa possibilidade de recuo no envio de mercadorias ao mercado americano acende o sinal de alerta no Porto de Santos, que é o fiel da balança comercial nacional – escoa 30% do comércio internacional – e corre risco de perder cargas se não houver solução para o impasse.
Em 2024, os EUA importaram mais de 8,1 milhões de toneladas via Porto de Santos, atingindo R$ 12,8 bilhões. Isso equivale a 12,6% do total exportado pelo complexo portuário, colocando os americanos atrás apenas da China, que importou 42,4 milhões de toneladas (R$ 26 bilhões e 25,5%). Os dados foram informados pela Autoridade Portuária de Santos (APS).
Segundo a APS, os cinco principais produtos exportados aos EUA no ano passado foram café em grãos, óleos brutos de petróleo, suco de laranja, máquinas e implementos e carnes bovinas.
“Não há dúvidas de que a tarifa impactará o Brasil e forçará uma reorganização das relações com outros parceiros comerciais. Neste sentido, a Autoridade Portuária de Santos está preparada para atender a eventuais mudanças no perfil das movimentações”, informou a APS, em nota à Reportagem.
Balança
A gestora do principal porto brasileiro mencionou ainda que, incluindo os seis primeiros meses de 2025, tem prevalecido um superávit a favor dos americanos. “Se considerarmos os últimos 16 anos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a vantagem comercial chega a US$ 90 bilhões a favor dos EUA. Assim, esperamos que eles não concretizem a ameaça (de tarifação de 50%), inclusive porque sairão perdendo”.
Perdas
Segundo o advogado Emanuel Pessoa, doutor em Direito Econômico e professor da China Foreign Affairs University, cerca de 35% das exportações brasileiras destinadas aos EUA — estimadas em US$ 38 bilhões (2024) — passaram pelo Porto de Santos.
“Isso representa aproximadamente US$ 13,3 bilhões em mercadorias. Com a possível alta tarifária, projeta-se uma queda de até 25% nesse volume, o que resultaria em uma redução de cerca de US$ 3,3 bilhões no fluxo de exportações via Santos até dezembro”, analisou.
“Essa desaceleração prejudicará a arrecadação do Porto. Considerando uma receita média de 0,8% sobre o valor das cargas exportadas, o impacto direto na receita portuária pode ultrapassar US$ 26 milhões — o equivalente a aproximadamente R$ 145 milhões, na cotação atual”, complementou.
Transporte terrestre
Também poderá haver recuo no transporte terrestre. “Com menos cargas partindo de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Paraná e Minas Gerais, o volume de fretes com destino a Santos pode cair entre 10% e 18%. Isso afetará transportadoras, cooperativas agrícolas e caminhoneiros autônomos, especialmente nos corredores logísticos Santos-Campinas-Rondonópolis, que concentram grande parte da movimentação de produtos agroindustriais e frigorificados para exportação”, disse Pessoa.
O especialista afirmou também que em um cenário moderado, estima-se que até 800 empregos diretos possam ser afetados apenas no Porto de Santos, além de cerca de 2 mil postos de trabalho indiretos nas áreas de logística, segurança e serviços gerais.
Mercado teme impacto nas vendas
Os portos brasileiros movimentam 95% de tudo que é produzido no País. Dessa forma, a imposição de uma taxa de importação de 50% sobre os produtos nacionais pelos Estados Unidos impactará não só a cadeia de comércio exterior, mas as operações portuárias e a economia doméstica.
“Qualquer alteração em alíquotas de importações gera reflexos nas atividades de comércio exterior e com consequências nas atividades portuárias. Ainda não há dados suficientes para avaliar os impactos econômicos e sociais”, afirmou o presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino.
Para o presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a medida é uma ameaça à economia do País. “É certamente uma das maiores taxações a que um país já foi submetido na história do comércio internacional, só aplicada aos piores inimigos, o que nunca foi o caso do Brasil”.
Castro receia que o anúncio dos EUA possa criar uma imagem negativa do Brasil, gerando medo em importadores de outros países ao fechar negócios. “Quem vai querer se indispor com o presidente Trump? Todavia, acreditamos que o bom senso prevalecerá e a taxação será revertida”.
O diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra), Arno Gleisner, declarou que o setor está preocupado e perplexo. “O impacto direto nas exportações brasileiras para os EUA, se mantidas as tarifas de 50%, será grande. O mercado americano é o maior do mundo, uma grande diversidade de produtos importados. No caso do Brasil, serão afetados produtos como petróleo, café, carne, açúcar, celulose, sucos, frutas, semiacabados de aço, alumínio, aeronaves e peças”.
Gleisner disse também que o projeto Nearshoring, da Cisbra, que está em curso e busca ampliar negócios com parceiros comerciais próximos, poderia ser prejudicado pela nova taxação. “O projeto prevê um forte incremento das exportações brasileiras para os Estados Unidos”.
O executivo comentou ainda que a busca dos exportadores brasileiros por outros mercados já existe e faz parte da rotina, porém nenhum tem potencial, pelo tamanho e diversidade do mercado americano.
Tarifa do café brasileiro pode aumentar 400%
O Brasil é o principal fornecedor de café aos Estados Unidos. Em 2024, o País exportou 8,1 milhões de sacas para o país, 34% acima dos 6,1 milhões de sacas de 2023 e 16,1% de todas as exportações do produto no ano passado. Atualmente, a taxa de importação norte-americana é de 10%. Caso a taxa de 50% entre em vigor, a alta é de 400%.
Neste ano, no acumulado dos cinco primeiros meses, os EUA já importaram 2,9 milhões de sacas de café brasileiro, respondendo por 17,1% do total.
“É o país mais importante em termos de consumo de café, ao redor de 24 milhões de sacas, e o Brasil é o principal fornecedor nesse mercado, com mais de 30% do market share”, afirmou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
Segundo ele, a entidade está fazendo uma agenda positiva junto à National Coffee Association, dos Estados Unidos. “É importante lembrar que o café gera muita riqueza nos Estados Unidos”.
O executivo destacou ainda que os EUA importam café e agregam valor na industrialização. “Para cada US$ 1 de café importado, são gerados US$ 43 na economia americana, 2,2 milhões de empregos e 1,2% do PIB norte-americano, uma vez que são gerados US$ 300,1 bilhões na economia. Isso porque 76% dos norte-americanos tomam café, é a bebida mais consumida hoje no mercado”.
Por fim, Matos espera que o bom senso prevaleça e a previsibilidade de mercado, porque quem vai ser onerado é o consumidor norte-americano. “Tudo que gera impacto no consumo é ruim para o fluxo do comércio, para a indústria e ao desenvolvimento dos países produtores e consumidores. Portanto, estamos esperançosos de que nós tenhamos uma condição muito mais apropriada e adequada para o comércio de café do Brasil para os Estados Unidos”.
Ranking dos cinco produtos mais exportados para os EUA via Porto de Santos
- Café em grãos – US$ 1,39 bilhão – 324,7 mil toneladas - Óleos brutos de petróleo – US$ 1,37 bilhão – 2,9 milhões de toneladas - Suco de laranja – US$ 1,03 bilhão – 1,68 milhão de toneladas - Máquinas e implementos – US$ 866,3 milhões – 91,4 mil toneladas - Carnes bovinas – US$ 824,5 milhões – 124 mil toneladas
Valor - SP 14/07/2025
Petrolífera alerta para impacto, mas sinaliza aumento na produção.
A BP advertiu que a queda nas cotações do petróleo e do gás impactará os lucros no balanço do segundo semestre, mesmo tendo sinalizado que aumentou a produção e melhorou margens de lucro.
Em atualização sobre o balanço divulgada na sexta-feira (11), a BP projetou queda de US$ 600 milhões a US$ 800 milhões no lucro de suas operações petrolíferas no trimestre encerrado em junho, na comparação com o mesmo período de 2024.
Nas operações de gás, a BP previu uma queda entre US$ 100 milhões e US$ 300 milhões, agravando os desafios para a empresa, integrante do índice acionário referencial britânico FTSE 100, que tenta melhorar seu desempenho e preservar sua independência.
Os preços do petróleo caíram no trimestre, mesmo diante das tensões geopolíticas, como o ataque de Israel ao Irã no fim de junho, uma vez que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) continua a reverter cortes de produção. A BP destacou que o preço médio do petróleo referencial Brent foi de US$ 67,88 por barril, 10% a menos do que nos três meses anteriores. No mercado de gás, o clima ameno nos EUA contribuiu para reduzir os preços em quase 6%.
Ainda assim, as ações da empresa valorizaram-se 4,4% nos negócios de sexta-feira (11), após a BP surpreender positivamente o mercado ao antecipar que teve um aumento na produção de petróleo e sinalizar um resultado “forte” em seu segmento de comercialização de óleo.
A BP também projetou um aumento de quase 40% nas margens de lucro das operações de refino, chegando a US$ 21,10 por barril, e um resultado “médio” em sua divisão de comercialização de gás. A divulgação do balanço do segundo trimestre está programada para 5 de agosto.
A atualização chega em um momento em que o executivo-chefe da petrolífera, Murray Auchincloss, está sob pressão para recuperar o desempenho da BP e preservar a independência da companhia, em meio às persistentes especulações de que o fraco desempenho das ações possa torná-la alvo de alguma aquisição. Em junho, a Shell declarou não ter “intenção” de fazer uma oferta pela empresa, após a imprensa ter noticiado que a empresa teria iniciado negociações para uma possível aquisição.
O executivo-chefe da petroleira, Murray Auchincloss, está sob pressão para recuperar o desempenho da BP
As ações da BP caíram cerca de 1% em 2025, em comparação à alta de 5,5% da rival britânica Shell e à de 6% da concorrente americana ExxonMobil, o que se soma a uma sequência de anos de desempenho inferior.
A BP tem encontrado dificuldades para articular uma visão clara de futuro após ter abandonado, neste ano, sua guinada rumo ao setor de fontes de energia mais verdes (uma mudança iniciada pelo ex-executivo-chefe Bernard Looney) e voltado a concentrar grande parte de seus esforços nas atividades tradicionais de petróleo e gás.
Essa estratégia, contudo, vem sendo prejudicada pelos baixos preços do petróleo. “Se o preço do petróleo se mantiver nesse nível por um ano, a BP estará em uma situação desesperadora”, disse ao “Financial Times”, em junho, um experiente executivo de banco de investimento que atua no setor de energia.
Por sua vez, a Shell, na atualização de mercado divulgada na semana passada, antes do anúncio dos resultados trimestrais, também previu resultados “significativamente mais baixos” em sua divisão de comercialização de gás.
Para reforçar seu balanço, a BP se comprometeu a vender US$ 20 bilhões em ativos até 2027, incluindo a divisão de lubrificantes Castrol.
Infomoney - SP 14/07/2025
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta de quase 3% nesta sexta-feira, 11, recuperando perdas de ontem, impulsionados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela expectativa em torno de novos desdobramentos na política comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No radar dos investidores também esteve um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), que cortou projeções para a demanda global, além de um comunicado da Arábia Saudita sobre sua produção.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em alta de 2,82% (US$ 1,88), a US$ 68,45 o barril. Na semana, o WTI acumulou alta de 3,10%. Já o Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), subiu 2 51% (US$ 1,72), a US$ 70,36 o barril – avanço de 2,90% na semana.
A AIE destacou estoques baixos e tensões de oferta, mas cortou a projeção de demanda para 2025. Apontou ainda que a Arábia Saudita produziu acima da cota da Opep+ em junho, informação contestada por Riad, que afirmou estar dentro do limite.
Na oferta, o Commerzbank destaca que a produção dos EUA não deve crescer significativamente nos próximos meses devido à queda na atividade de perfuração, limitando a expansão da oferta americana e dando suporte aos preços globais. Após o relatório da AIE, o petróleo chegou a recuar, mas se recuperou também com o avanço das tensões geopolíticas. Conforme mostrou reportagem do Broadcast, a escalada da oferta tem sido mais rápida que à da demanda globalmente.
No Oriente Médio, as tensões se elevaram após ataques de rebeldes houthis a embarcações comerciais no Mar Vermelho, reacendendo alertas sobre o risco à navegação em uma das principais rotas comerciais do mundo.
Apesar da recuperação dos preços nesta sexta, a Capital Economics vê um cenário mais frágil à frente. Para a consultoria o aumento da produção pela Opep+ tende a gerar um “superávit significativo” no mercado ainda neste ano, diante de uma demanda que permanece estagnada, especialmente nos EUA e na Europa. “O mercado não está particularmente sedento por mais petróleo”, afirmou a casa. A Capital projeta o Brent em queda para US$ 60 ainda em 2025 e para US$ 50 ao longo de 2026.
Valor - SP 14/07/2025
No final de maio de 2025, o governo dos EUA revogou as licenças para os parceiros da empresa estatal, incluindo a Chevron, que permitiam a exportação de petróleo cru venezuelano.
As vendas de hidrocarbonetos da estatal venezuelana PDVSA no exterior em 2024 totalizaram US$ 17,52 bilhões, segundo um documento de resultados visto pela Reuters, durante o ano em que as licenças dos Estados Unidos que permitiam a operação de parceiros estrangeiros estavam em pleno vigor.
No final de maio de 2025, Washington revogou as licenças para os parceiros da estatal PDVSA, incluindo a Chevron, que permitiam a exportação de petróleo cru venezuelano.
A estatal exportou uma média de 805,5 mil barris por dia, segundo dados preliminares de seus resultados financeiros e operacionais de 2024, ante uma média de 700 mil barris em 2023.
Segundo o relatório da empresa, a nação latino-americana registrou uma média de 952 mil barris por dia em 2024, em comparação com 783 mil em 2023, que fontes diretas do relatório da Opep documentaram.
A PDVSA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário e não publica seus resultados desde 2016.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e seus aliados sempre rejeitaram as sanções, referindo-se a elas como “guerra econômica” e celebrando o que eles afirmam ser o sucesso da economia apesar das medidas.
O líder venezuelano e sua equipe têm exaltado o que dizem ser a resiliência do país apesar das medidas, embora historicamente tenham culpado as sanções por algumas dificuldades econômicas e pela escassez.
Com o cancelamento das licenças de petróleo, as autoridades reiteraram que a produção de petróleo cru permanece acima de 1 milhão de barris e que as exportações continuam a operar normalmente.
Em junho, as exportações de petróleo cru e seus derivados foram de 844 mil e foram direcionadas para a China.